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Profa. Dra. Renata Priore UNIDADE I Arquitetura e Urbanismo Integrado Essa disciplina visa integrar o conjunto das disciplinas do semestre através da leitura e da análise de projetos de edifícios de uso misto, inseridos em um contexto urbano consolidado, de área urbana central ou periférica à luz do desenho universal. Discute as estratégias do projeto de arquitetura e urbanismo, e da relação do edifício com a cidade. Procura dar subsídio ao desenvolvimento do Trabalho de Curso. Introdução Introdução e referências teóricas Fonte: Galinatti et al. (2019). Disponível em: Minha Biblioteca. Relação do edifício com a cidade Fonte: WALL, E.; WATERMAN, T. Desenho Urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. Disponível em: Minha Biblioteca. Fonte: GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2013. Vitalidade urbana Quando projetamos um espaço ou um conjunto deles, muitas questões estão envolvidas e não se relacionam, apenas, com a edificação. Uma destas questões é a sua relação com o entorno e as dinâmicas do lugar. Outra se refere à definição dos usos e das funções das edificação. Estas precisam ser equacionadas durante o desenvolvimento do programa, que deve responder às: Necessidades espaciais e programática para a realização das atividades propostas; Normativa; Conforto; Dimensões e forma do lote; Relações com a quadra; Fluxos; Acessibilidade, entre outros. Etapas projetuais e a relação do edifício com a cidade Relação do edifício com a cidade Vida urbana, Avenida Paulista. Fonte: Renata Lima (2015). Importância do desenho dos espaços livres Fonte: https://sabrinagaudino.com/tag/ciudad-contemporanea/ Plano Diretor. Lei de uso e ocupação do solo (zoneamento), Código de Obras, Normas da ABNT. Zonas de uso. Potencial construtivo. Recuos, alturas. Fachada ativa. Fruição pública. Legislação x estratégias de projeto Fonte: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-regulatorio/plano-diretor/texto-da-lei-ilustrado/ FACHADA ATIVA Não será computável até 50% da área do lote destinada ao uso não residencial, sendo necessário: • Testada maior do que 20 m; • Construção no nível da rua com acesso direto à calçada. FRUIÇÃO PÚBLICA Será gratuito 50% do potencial construtivo máximo, relativo à área destinada à fruição pública; além disso, o cálculo do potencial construtivo será em função da área original do lote, sendo necessária: • Área destinada à fruição pública de, no mínimo, 250 m2; • Área localizada junto ao alinhamento viário, no nível da calçada e, permanentemente, aberta. CALÇADAS LARGAS Como contrapartida à doação de área para ampliar as calçadas, o recuo de frente será dispensado; o potencial construtivo será calculado em função da área original; e não será cobrada outorga onerosa correspondente à área doada, sendo necessário: • Mínimo de 5 m nas calçadas dos lotes, com frente para os Eixos de Estruturação; • Mínimo de 3 m no restante da área de influência. USO MISTO A área destinada ao uso não residencial, até o limite de 20% da área construída computável total do empreendimento, não será considerada computável. Com objetivo de conferir qualidade urbana aos eixos foram definidos os seguintes parâmetros e incentivos urbanísticos: Aumento de coeficiente de aproveitamento Fruição pública Tamanho de lote mínimo Proibição de muro contínuo Cota máxima de terreno por unidade habitacional Tamanho mínimo de testada Desincentivos para as vagas da garagem Largura mínima de calçada Fachada ativa Incentivo ao uso misto Fachada ativa como estratégia de projeto Fonte: https://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/marco-regulatorio/plano-diretor/texto-da-lei-ilustrado/ Eixos de Estruturação da Transformação Urbana USO MISTO Uso residencial Uso não residencial Fonte: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/ipuf/index.php?cms=qual+e+o+incentivo+e+como+obte+lo& menu=9&submenuid=2285 Fachada ativa como estratégia de projeto Fruição no lote Fachada ativa Calçada Fonte: fachada ativa. Conjunto Nacional, Avenida Paulista. Foto: Renata Lima (2014). Fachada ativa como estratégia de projeto Fachada ativa projetada no edifício Misce Vila Madalena, em São Paulo, do arquiteto Jonas Birger. Fonte: https://blueprint.apto.vc/fachada-ativa-residencial A acessibilidade, segundo os princípios do desenho universal, é outro ponto importante a ser considerado nos projetos, e é exigida pelo Código de Obras e pelas Normas da ABNT. Para isso, as circulações devem ser organizada por caminhos confortáveis e seguros. Desenho universal Rampa do Parque Augusta, São Paulo. Fonte: Renata Lima (2021). Os edifícios multiusos (multifuncionais ou híbridos) são muito desejáveis nas cidades contemporâneas porque proporcionam as atividades em diferentes horários do dia, além de misturem os usuários, favorecendo a socialização. Estes podem se organizar em um único bloco ou em um conjunto de blocos diferentes, interconectados por praças e áreas abertas de uso coletivo. Quando permeáveis ao trânsito dos pedestres, permitem a reorganização das dinâmicas da quadra. De acordo com Wall & Waterman (2012, p. 52): “A quadra, muitas vezes, é vista como o microcosmo da cidade. A medida da quadra, a variedade do uso do solo, o equilíbrio entre os espaços abertos e as formas construídas, a altura, a volumetria e a orientação são fatores que criam diferentes experiências tanto dentro da quadra como fora de seus limites”. Tipos de implantação e a relação com a quadra Estudos de implantação – Masterplan Projeto Urbano Almere (Holanda), OMA Estudos de implantação Fonte: www.oma.com/ projects/almere-masterplan 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Fonte: https://www.oma.com/projects/ almere-masterplan Projeto Urbano Centro de Almere, por OMA – Implantação final. Cidade compacta (tradicional) x Cidade dispersa (edifícios isolados) Formas do crescimento e a evolução dos tipos de implantação Fonte: PANERAI, P. Análise Urbana. Brasília: Ed. UnB, 2014, p. 96-97. Cidade tradicional (compacta) x Cidade moderna (funcionalista) Fonte: PANERAI, P. Análise Urbana. Brasília: Ed. UnB, 2014, p. 98-99. Cidade tradicional x Cidade moderna A evolução da quadra ao longo dos séculos XIX e XX Fonte: FIGUEROA, M. Habitação coletiva e a evolução da quadra. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 069.11, Vitruvius, fev./2006. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/ arquitextos/06.069/385 Quadra com cidade tradicional Quadra aberta (contemporânea) Movimento Moderno Edifício-cidade Habitação coletiva e a evolução da quadra (1) Mário Figueroa Quadra Plano Cerdà Quadra com ocupação perimetral Edifício- cidade Megaestruturas Quadra aberta Fonte: FIGUEROA, M. Habitação coletiva e a evolução da quadra. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 069.11, Vitruvius, fev./2006. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read /arquitextos/06.069/385 Quadra com cidade tradicional Quadra com edifícios laminares paralelos Quadra pós- moderna contextualista A evolução da quadra ao longo do século XIX e XX A quadra contemporânea Les Hautes Formes, Paris. Arquiteto Christian de Portzamparc. Fonte: Guerra (2011). A forma arquitetônica pode ser uma boa estratégia para relacionar o edifício com o entorno e as suas pré-existências. Um exemplo onde esta relação está bem resolvida é a Praça das Artes, em São Paulo. Neste projeto, os volumes são simples e “abraçam” a edificação histórica, respeitando o seu alinhamento com a calçada. O volume mais alto estabelece uma transição suave para o prédio vizinho. Além disso, a quadra é permeável e conecta duas ruas com o Vale do Anhangabaú. Permeabilidade da quadra e relação com as pré-existências Fonte: PORTAL VITRUVIUS. Praça das Artes. Projetos,São Paulo, ano 13, n. 151.03, Vitruvius, jul./2013. Praça das Artes (2013). Permeabilidade pedestre (fruição pública). Presença de atividades variadas e térreo ativo (fachada ativa e edifícios multifunção). Diálogo com as edificações pré-existentes. Recuos variados (edifícios ora alinhados, ora recuados). Aproximação do edifício da rua (incluindo as calçadas). Alturas e volumetrias variadas (para a entrada de luz solar). Equilíbrio entre cheios e vazios. Características principais da quadra aberta A imagem a seguir representa o pátio de entrada de pessoas a uma edificação de uso misto. A partir da fotografia, é possível fazer as seguintes considerações sobre a relação da edificação com o acesso de pedestres: I. Quanto maior e mais amplo o espaço, entre a edificação e o passeio público, melhor é a relação entre o acesso de pedestres e a entrada do prédio; II. A vegetação e o mobiliário são elementos que estimulam as experiências sensoriais prazerosas junto ao acesso das edificações; III. O acesso coberto é uma forma de proteção dos usuários em relação aos fatores climáticos, como o sol e a chuva. Interatividade Edifício localizado na avenida Paulista. Fonte: Renata Lima (2021). Qual alternativa indica a(s) afirmação(ões) correta(s)? a) II e III. b) III. c) I. d) I e III. e) II. Interatividade A imagem a seguir representa o pátio de entrada de pessoas a uma edificação de uso misto. A partir da fotografia, é possível fazer as seguintes considerações sobre a relação da edificação com o acesso de pedestres: I. Quanto maior e mais amplo o espaço, entre a edificação e o passeio público, melhor é a relação entre o acesso de pedestres e a entrada do prédio; II. A vegetação e o mobiliário são elementos que estimulam as experiências sensoriais prazerosas junto ao acesso das edificações; III. O acesso coberto é uma forma de proteção dos usuários em relação aos fatores climáticos, como o sol e a chuva. Resposta Edifício localizado na avenida Paulista. Fonte: Renata Lima (2021). Qual alternativa indica a(s) afirmação(ões) correta(s)? a) II e III. b) III. c) I. d) I e III. e) II. Resposta De acordo com Gehl (2013), a vida nas cidades acontece entre os edifícios. Uma cidade agradável é o resultado das interações complexas entre a escala, o uso e o desenho dos edifícios colocados nela, e não uma solução criada, posteriormente, para resolver a qualidade da vida urbana. Na imagem observe uma cena comum em áreas monofuncionais com os espaços de uso público grandes demais que não atraem a permanência das pessoas. Enquanto na outra, o espaço é acolhedor pela escala, mistura de usuários e variedade das atividades que abriga. Vida urbana Fonte: GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2013. De acordo com Gehl (2013, p. 68): “Muitas pessoas acreditam que, para uma cidade ter vitalidade, é preciso alta densidade, e concentração de residências e espaços de trabalho. Mas o que é, realmente, necessário é a combinação de bons espaços convidativos e uma massa crítica de pessoas que queiram utilizá-los”. Segundo o autor, a presença de pessoas atrai outras pessoas, formando uma espiral positiva onde 1 + 1 pode ser, rapidamente, igual a 3. Ou seja, duas pessoas atrairão outra pessoa, que atrairá outra, e assim por diante. Sobre este assunto ver: Galinatti (2019), unidade 3, em Minha Biblioteca, e Gehl (2013). Cidade viva: densidade, usos mistos e bons espaços para as pessoas Jane Jacobs foi uma as primeiras autoras a questionar a monofuncionalidade e o isolamento dos edifícios do Movimento Moderno. E observa as qualidades existentes na cidade tradicional. Para ela, existem algumas condições identificáveis para garantir a diversidade das cidades, o que traria a vitalidade e a segurança desejáveis aos espaços urbanos, entre as quais: 1. Necessidade de usos misto (como residências e lojas) com os horários de funcionamento distintos; 2. Distâncias curtas a serem percorridas pelos pedestres, com quadras menores, ou permeabilidade no miolo de quadra; 3. Densidade; 4. Equilíbrio entre cheios e vazios; 5. Diversidade de usuários; 6. Valorização da escala humana. Jane Jacobs e a defesa do uso misto Segundo Jacobs (2000) a mistura de usos, para ser complexa e suficiente para garantir a segurança, o contato e os diferentes usos, necessita de enorme diversidade de ingredientes. Na sequência, ela elabora à seguinte questão: como as cidades podem gerar usos distintos suficientes para sustentar-se como civilização? Para responder à esta questão colocada no momento de revisão do Movimento Moderno, os arquitetos pós-modernos e os contemporâneos vêm trabalhando, arduamente, na busca de novos caminhos. As quadras e os edifícios mistos ou híbridos, e implantação permeável, com térreos e fachadas ativas, diferentes atividades intercaladas entre os pavimentos, com a valorização do pedestre e da escala humana, são estratégias que comparecem em vários projetos icônicos, tal com visto anteriormente. Estratégias de projeto para incentivar a mistura de usos Mercado dos Encants, Barcelona. Fonte: Renata Lima (2014). Praça Centro George Pompidou, Paris. Fonte: Renata Lima (2015). Faculdade de Física e Química da UB, Barcelona. Fonte: Renata Lima (2014). Paris Rive Gauche Projeto Paris Rive Gauche. Exemplo de urbanismo contemporâneo com quadras abertas de uso misto e forte relação do edifício com a cidade. Fonte: Renata Lima (2012). Paris Rive Gauche (1991). Antes da intervenção. Situação atual (2020). Paris Rive Gauche Fonte: Google Earth Pro (2021). Paris Rive Gauche Planta Geral – Projeto Paris Rive Gauche Fonte: Adaptado de: http://www.parisrivegauche.com/Plans Habitação Escritório Institucional Especial Transp. Pré-existente (1991) Transp. Paris Rive Gauche Corte geral Paris Rive Gauche, passando pela biblioteca. Fonte: http://www.annalesdelarechercheurbaine.fr Destaque para o setor Massena, com quadras abertas projetadas pelo arquiteto Christian de Portzamparc Fonte: http://www.parisrivegauche.com/Plans Habitação Escritório Institucional Especial Transp. Pré-existente (1991) Transp. Paris Rive Gauche Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzam parc.com/fr/projects/quartier- massena/ Massena Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc.com/fr/ projects/quartier-massena/ Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc .com/fr/projects/quartier-massena/ Paris Rive Gauche Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc .com/fr/projects/quartier-massena/ Paris Rive Gauche Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc .com/fr/projects/quartier-massena/ Paris Rive Gauche Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc. com/fr/projects/quartier-massena/ Paris Rive Gauche Fonte: imagem do setor Massena. Disponível em: http://www.christiandeportzamparc .com/fr/projects/quartier-massena/ Paris Rive Gauche Paris Rive Gauche – Variedade de usos Fonte: Renata Lima (2012). Paris Rive Gauche – Variedade de usos e volumetrias Fonte: Renata Lima (2012). Paris Rive Gauche – Térreos e fachada ativas Fonte: Renata Lima (2012). Paris Rive Gauche – Alturas variadas, permeabilidade e escala humana Fonte: Renata Lima (2012). Jane Jacobs foi uma jornalista norte-americana cuja obra principal, Morte e vida de grandes cidades (1961), influenciou, profundamente, o urbanismo contemporâneo e identificou uma série de critérios que, a seu ver, conferiam maior qualidade ao espaço urbano. Com base nos critérios identificados por Jacobs, analise as assertivas e, a seguir, marque aalternativa correta: I. A justificativa para a redução da extensão das quadras é econômica, uma vez que otimiza a infraestrutura urbana, como as tubulações de água e os fios de iluminação pública; II. Uma das justificativas para o uso misto de edificações é temporal. Diferentes funções têm horários de funcionamento diferentes, portanto proporcionam atividades de pessoas em diferentes horas do dia, contribuindo para a segurança; III. A presença de pessoas em um lugar é um motivo de atração de outras pessoas, motivo pelo qual os projetos devem pensar em fornecer os espaços de permanência, a fim de ativar a vida urbana. Interatividade a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III. Interatividade a) I. b) II. c) III. d) I e III. e) II e III. Resposta FIGUEROA, M. Habitação coletiva e a evolução da quadra. Arquitextos, São Paulo, ano 06, n. 069.11, Vitruvius, fev./2006. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.069/385. Acesso em: 12 dez. 2021. GALINATTI, A. C. M. Projeto de Arquitetura e Urbanismo. Porto Alegre: SAGAH, 2019. (Minha Biblioteca. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788533500358/pageid/1. Acesso em: 12 dez. 202). GEHL, J. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2013. GUERRA, A. Quadra aberta. Uma tipologia urbana rara em São Paulo. Projetos, São Paulo, ano 11, n. 124.01, Vitruvius, abr./2011. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.124/3819. Acesso em: 12 dez. 2021. Referências JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2000. WALL, E.; WATERMAN, T. Desenho Urbano. Porto Alegre: Bookman, 2012. (Minha Biblioteca. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788540701205/pageid/1). Referências ATÉ A PRÓXIMA!