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Microbiologia Básica 
e Ambiental
5
• O que é microbiologia?
• A importância dos Microrganismos
• Contexto histórico e Evolutivo da 
Microbiologia
• Classificação dos Organismos
• O que são microrganismos?
• Nomenclatura dos Organismos
Leia atentamente o conteúdo desta unidade que possibilitará conhecer os conceitos básicos da 
Microbiologia, a importância dessa ciência e dos seres microscópios, os grandes grupos nos quais 
os seres vivos estão organizados e o sistema de nomenclatura utilizado para essa organização. 
Você encontrará, também, uma atividade composta por questões de múltipla escolha, 
relacionadas com o conteúdo estudado. Além disso, terá a oportunidade de trocar 
conhecimentos e debater questões no fórum de discussão.
Nesta disciplina, Microbiologia Básica e Ambiental, você terá a 
oportunidade de aprender conceitos básicos em microbiologia: 
as características gerais dos microrganismos (bactérias, fungos, 
vírus, algas e protozoários); a interação desses organismos com 
os sistemas água, solo e ar; sua importância como indicadores 
de poluição ambiental; sua aplicação tecnológica em processos 
de degradação de poluentes e, também, na remediação de 
sistemas contaminados.
Fundamentos da Microbiologia
8
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
O que é microbiologia?
A Microbiologia (do grego micros: pequeno, bios: vida e logos: ciência), ciência do ramo da 
Biologia, tem como objetivo estudar todos os aspectos que envolvem os seres de um vasto e 
diverso grupo de organismos unicelulares de dimensões reduzidas (microrganismos), que podem 
ser encontrados como células isoladas ou agrupados em diferentes arranjos (cadeias ou massas) – 
sendo que as células, mesmo estando associadas, exibiriam um caráter fisiológico independente. 
Assim, com base nesse conceito, a microbiologia envolve o estudo de organismos procariotos 
(bactérias), eucariotos inferiores (fungos, protozoários e algas) e, também, dos vírus (Figura 1). 
Figura 1 – Os grandes grupos de microrganismos.
 
Fonte: Thinkstock/Getty Images - Wikimedia Commons
Essa ciência (a Microbiologia) estuda, também, a distribuição natural desses organismos, 
suas relações recíprocas e com outros seres vivos, seus efeitos benéficos e prejudiciais sobre os 
homens e as alterações físicas e químicas que provocam no meio ambiente.
Ressalta-se que os princípios da Biologia podem ser demonstrados através do estudo da 
Microbiologia, pois os microrganismos têm muitas características que os tornam instrumentos 
ideais para a pesquisa dos fenômenos biológicos. Os microrganismos fornecem sistemas 
específicos para a investigação das reações fisiológicas, genéticas e bioquímicas, que são a base 
da vida. Eles podem crescer de maneira conveniente em tubos de ensaio ou frascos, exigindo, 
assim, menos espaço e cuidados de manutenção quando comparados às plantas superiores e 
aos animais. Além disso, crescem rapidamente e se reproduzem num ritmo muito alto – algumas 
espécies bacterianas podem apresentar cerca de 100 gerações num período de 24 horas. 
Os processos metabólicos dos microrganismos seguem os padrões que ocorrem nos 
vegetais superiores e nos animais; portanto, em Microbiologia pode-se estudar os organismos 
em grandes detalhes e observar seus processos vitais durante o crescimento, a reprodução, o 
envelhecimento e a morte. 
Modificando-se a composição do meio ambiente, é possível alterar as atividades metabólicas, 
regular o crescimento e até alterar alguns detalhes do padrão genético – tudo isso sem causar a 
destruição do microrganismo.
9
Contexto histórico e Evolutivo da Microbiologia
A ciência da microbiologia iniciou a cerca de 200 anos, contudo a recente descoberta de 
DNA de Mycobacterium tuberculosis em uma múmia egípcia de 3.000 anos indica que os 
microrganismos têm estado por muito mais tempo ao nosso redor.
Pode-se dizer que a microbiologia começou quando se aprendeu a polir lentes, feitas a partir 
de peças de vidro, e a combiná-las até que se produzisse o efeito de aumento necessário para a 
visualização dos microrganismos. 
Durante o século XIII, Roger Bacon postulou que a doença era produzida por seres vivos 
invisíveis. A sugestão foi novamente feita por Fracastoro de Verona (1483-1553) e por Von 
Plenciz, em 1762, mas esses cientistas não dispunham de provas. 
No início de 1658, um monge chamado Kircher se referiu a “vermes” invisíveis a olho nu nos 
corpos em decomposição, no pão, no leite e em excreções diarreicas. 
Em 1665, Robert Hooke viu e descreveu células em um pedaço de cortiça. A descoberta de 
Hooke marcou o início da teoria celular – a teoria em que todas as coisas vivas são compostas 
por células. Investigações subsequentes a respeito da estrutura e das funções das células tiveram 
como base essa teoria.
Esses “pequenos organismos” foram, posteriormente, identificados em sua maioria como 
protozoários. Ao decorrer do século XVIII, novos microrganismos foram identificados com o 
auxílio dos microscópios, contudo, ainda não se estabelecia relação biológica desses organismos 
com outros seres.
Registros ligados ao estudo da microbiologia são datados desde 1675, quando, na Holanda, 
Antonie van Leeuwenhoek escreveu uma série de cartas para a Sociedade Real de Londres 
descrevendo “pequenos animais” encontrados na água da chuva, observados por meio de seu 
microscópio caseiro.
 Figura 2 - Leeuwenhoek, seu microscópio e suas anotações.
 
 Fonte: Wikimedia Commons
10
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
Entretanto, o salto da microbiologia como ciência se deu em 1841, quando, empiricamente, 
Ignaz Semmelweis, em Viena, constata a possibilidade de transmissão interpessoal de agentes 
microscópicos por contato direto e a implicação desses em doenças para os seres humanos. 
O médico relacionou a falta de higienização das mãos durante a realização de partos com 
o grande aumento de infecção pós-parto, sendo que, após instituir medidas sanitárias, ele 
observou drástica redução das mortes também em outros hospitais.
Ainda no século XIX, grandes descobertas contribuíram significativamente para o 
conhecimento da microbiologia, como: os estudos de Pasteur, em 1861, com os estudos do papel 
dos fungos na fermentação anaeróbia; a publicação da primeira classificação das bactérias, em 
1875, por Ferdinand Cohn; a identificação da Neisseria gonorrhoeae como o primeiro patógeno 
causador de uma doença crônica, por Albert Neisser em 1879; o desenvolvimento de meios de 
cultura, colorações microbiológicas; o isolamento do bacilo da tuberculose por Robert Kock; e 
a publicação, em 1884, dos postulados de Koch, os quais norteiam atualmente o conceito de 
doença infecciosa. Esse período ficou conhecido como a idade de ouro da microbiologia. 
Vale destacar que os experimentos realizados no século XIX por diversos cientistas resultaram 
em muitos avanços para a microbiologia, como:
• o conceito (defendido por Pasteur) de que a vida deveria surgir de uma vida pré-
existente (Biogênese);
• o conhecimento do processo biológico da fermentação (Pasteur);
• o desenvolvimento de técnicas de esterilização, como, por exemplo, a pasteurização – 
tratamento térmico controlado que mata certos microrganismos, mas não elimina todas 
as bactérias presentes, utilizado para esterilizar alguns alimentos (Leite, queijos) e certas 
bebidas alcoólicas (cerveja e vinho). Esse processo foi baseado no tempo de morte térmica 
característica das espécies patogênicas (Mycobacterium tuberculosis) - 60ºC a 15 min.; 
• o desenvolvimento da teoria das doenças causadas por germes (Pasteur e Robert Koch);
• o desenvolvimento de vacinas a partir do bacilo do carbúnculo (Bacillus anthracis) morto 
e do vírus da raiva (Pasteur) atenuado ou enfraquecido;
• o desenvolvimento dos métodos de isolamento de microrganismos e cultivo na forma de 
cultura pura em meio nutritivo (Pasteur, Koch, Julius Petri e Frau Hesse);
• o estabelecimento de um procedimento científico para provar a teoria das doenças 
causadas por germes,conhecido como postulados de Koch.
A partir do século XIX, uma nova fase do desenvolvimento da microbiologia se inicia com a 
descoberta da penicilina por Alexandre Fleming – através do isolamento acidental da substância 
produzida por fungos Penicillium, que contaminaram sua cultura de Staphylococcus aureus e 
inibiram o crescimento dessa bactéria. 
Em 1939, inicia-se a terapia antimicrobiana em humanos com a descoberta das sulfonamidas, 
por Gerhardt Domagk. Em 1940, ocorre a produção em grande escala da penicilina para uso clínico.
11
Nas últimas décadas, a Microbiologia desenvolveu muitas pesquisas voltadas para o estudo 
do potencial biotecnológico dos microrganismos. Os resultados desses estudos têm mostrado 
a ampla capacidade de aplicação desses organismos para propiciar diversos benefícios em 
diversas áreas: farmacologia, alimentos, agricultura, indústria e meio ambiente.
Na área industrial, por exemplo, os microrganismos são utilizados na síntese de uma variedade 
de substâncias químicas, desde no ácido cítrico até nos antibióticos mais complexos e enzimas. 
Certos microrganismos são capazes de fermentar resíduos orgânicos, produzindo gás metano 
que pode ser coletado e utilizado como combustível. 
A biometalurgia explora as atividades químicas de bactérias para extrair minerais, como o 
cobre e o ferro, de minérios de baixa qualidade. A indústria do petróleo tem utilizado bactérias 
e seus produtos para aumentar a extração do petróleo.
Na área ambiental, os microrganismos e seus produtos, como as enzimas, são utilizados 
no tratamento de efluentes (esgoto) e na biorremediação de ambientes contaminados por 
substâncias tóxicas e recalcitrantes, como agrotóxicos e pesticidas. 
 
O que são microrganismos?
Os microrganismos são seres microscópicos em sua maioria, invisíveis a olho nu, o que faz 
com que, nos estudos de microbiologia, seja necessário o uso de instrumentos específicos – 
como o microscópio. 
Esse grupo de organismos é considerado o de maior diversidade biológica conhecida – 
morfológica, fisiológica e ecológica. Podem apresentar formas celulares das mais variadas, são 
metabolicamente capazes de realizar todos os tipos de reações bioquímicas conhecidas e podem 
ser encontrados em praticamente todos os ambientes, dos mais simples aos mais extremos, 
interagindo com esses e com outros seres vivos. 
Cabe ressaltar que todas as células vivas, inclusive os microrganismos, são basicamente 
semelhantes, elas compõem-se de protoplasma (do grego: a primeira substância formada), um 
complexo orgânico coloidal constituído principalmente de proteínas, lipídeos e ácidos nucleicos. 
O conjunto é circundado por membranas limitantes ou parede celular, e todos contêm um 
núcleo ou uma substância nuclear equivalente. 
Todos os sistemas biológicos têm algumas características comuns, como: a) habilidade 
de reprodução; b) capacidade de ingestão ou assimilação de substâncias alimentares – 
metabolizando-as para suas necessidades de energia e de crescimento; c) habilidade de excreção 
de produtos de escória; d) capacidade de reagir a alterações do meio ambiente (algumas vezes 
chamada de “irritabilidade”); e e) suscetibilidade à mutação. 
Os principais grupos de microrganismos são as bactérias, os fungos, vírus, protozoários e as algas.
12
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
A importância dos Microrganismos
Alguns microrganismos habitam o corpo humano, entre eles podemos destacar os “patógenos 
oportunistas”. São assim conhecidos porque, normalmente, não causam doenças em uma pessoa 
saudável; entretanto, em condições de baixa imunidade do hospedeiro, esses microrganismos 
podem se desenvolver além do normal, causando uma diversidade de patologias.
Há, ainda, um grupo de microrganismos denominados patogênicos, pois são potencialmente 
capazes de provocar uma determinada doença nos seres humanos. Ressalta-se que, ao longo 
da história da humanidade, centenas de milhares de pessoas morreram em epidemias causadas 
por microrganismos – como a peste negra, febre tifoide, gripe espanhola, cólera, AIDS, ebola, 
gripe H1N1, dengue, febre amarela, entre outras – que, até então, não eram conhecidos ou, por 
falta de vacinas e/ou antibióticos, não tinham como ser combatidos.
A elevada capacidade de biodegradação de alguns microrganismos também apresenta aspectos 
negativos quando provoca a deterioração de alimentos e outros materiais (equipamentos, 
monumentos, etc.) utilizados por nós, provocando grandes perdas e prejuízos socioeconômicos.
Por outro lado, grande parte dos microrganismos desempenha um papel fundamental no 
equilíbrio e na manutenção da vida na biosfera (planeta Terra), realizando a decomposição da 
matéria (orgânica e inorgânica), propiciando a reciclagem de elementos essenciais para nutrir 
todos os seres vivos, independentemente de suas cadeias alimentares.
Considerando que os microrganismos estão presentes em todos os ambientes (habitados ou 
não por outros organismos) e que são muito importantes (tanto nos aspectos negativos quanto 
nos positivos), estudar Microbiologia contribuirá para que você (futuro gestor ambiental) possa 
propor e aplicar técnicas e processos sustentáveis para a preservação da qualidade ambiental 
ou para a remediação de sistemas contaminados.
Classificação dos Organismos
Desde os tempos de Aristóteles, os organismos vivos eram classificados de duas maneiras: 
plantas ou animais. Em 1735, o botânico sueco Carolus Linnaeus apresentou um sistema formal 
de classificação dividindo os organismos vivos em dois reinos: plantae e animalia. Utilizou nomes 
em latim para estabelecer uma “linguagem” comum para a sistemática. Contudo, à medida que 
as ciências biológicas se desenvolveram, os biólogos começaram a procurar por um sistema de 
classificação natural – um sistema que agrupasse os organismos com base nas suas relações 
ancestrais e permitisse ver a organização da vida.
Em 1857, Carl Von Nägeli, um contemporâneo de Pasteur, propôs que as bactérias e os 
fungos fossem colocados no Reino das Plantas. Em 1866, Ernest Haeckel propôs o Reino 
Protista para incluir bactérias, protozoários, algas e fungos.
13
Devido às discordâncias sobre a definição de protista, durante os 100 anos seguintes os 
biólogos continuaram a seguir a classificação de Von Nägeli, que colocava as bactérias e os 
fungos no Reino das Plantas.
Os fungos foram classificados em seu próprio reino em 1959 (o irônico é que o sequenciamento 
recente do DNA posicionou os fungos mais próximos dos animais do que das plantas). Com 
o advento da microscopia eletrônica, as diferenças físicas entre as células ficaram evidentes. O 
termo procarioto foi introduzido em 1937 por Edward Chatton, para distinguir as células sem 
núcleo das células nucleadas das plantas e dos animais.
Em 1961, Roger Stanier apresentou a definição atual dos procariotos: células nas quais o 
material nuclear (nucleoplasma) não é envolto por uma membrana nuclear.
Em 1968, Robert G. E. Murray propôs o Reino Prokaryotae. Posteriormente, em 1969, 
Robert H. Whittaker criou o sistema de cinco reinos, no qual os procariotos foram colocados no 
Reino Prokaryotae, ou Monera, e os eucariotos constituíram os outros quatro reinos. 
O Reino Prokaryotae foi criado com base em observações microscópicas; posteriormente, 
novas técnicas de biologia molecular revelaram que existem na realidade dois tipos de células 
procarióticas e um tipo de célula eucariótica.
Níveis taxonômicos
Todos os organismos podem ser agrupados em uma série de subdivisões que formam uma 
hierarquia taxonômica. Linnaeus desenvolveu essa hierarquia para sua classificação das plantas 
e dos animais. Uma espécie eucariótica é um grupo de organismos intimamente relacionados 
que se reproduzem entre si. 
Um gênero consiste em espécies que diferem entre si em certas características, mas são 
relacionadas pela descendência – por exemplo, Tabebuia, o gênero do Ipê, consiste em todos 
os tipos de Ipês (branco, rosa, amarelo) e, mesmo sabendo quecada espécie de Ipê difere das 
outras, elas são relacionadas geneticamente. 
Como um grupo de espécies forma um gênero, gêneros relacionados formam uma família. 
Um grupo de famílias similares forma uma ordem, e um grupo de ordens similares forma uma 
classe. Por sua vez, classes relacionadas formam um filo. Portanto, um organismo específico (ou 
espécie) tem um nome de gênero e um epíteto específico, e pertence a uma família, uma ordem, 
uma classe e a um filo. Todos os filos ou divisões relacionadas entre si formam um reino, e os 
reinos relacionados são reagrupados em um domínio (Figura 4).
14
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
Figura 4 – Os níveis de classificação de um ser vivo (de espécie a Domínio)
 
Fonte: Peter Halasz/Wikimedia Commons
Os três Domínios
A descoberta de três tipos de células teve como base a observação de que os ribossomos 
não são os mesmos em todas as células. Os ribossomos fornecem um método de comparação 
celular, pois estão presentes em todas as células. A comparação das sequências de nucleotídeos 
no RNA ribossômico (rRNA) de diferentes tipos de células mostrou que existem três grupos 
celulares diferentes: os eucariotos e dois tipos diferentes de procariotos – as bactérias e as 
arquibactérias.
Em 1978, Carl R. Woese propôs elevar os três tipos de células para um nível acima de reino, 
chamado de domínio.
Woese acreditava que as arquibactérias e as bactérias, embora similares em aparência, 
deveriam formar seus próprios domínios separados na árvore evolutiva.
A Figura 5 mostra as relações entre os organismos vivos. As linhas mostram como cada grupo 
descende dos seus ancestrais. Destaca-se que os fundamentos da classificação e da taxonomia 
são necessários para entender a suscetibilidade dos diferentes microrganismos a vários métodos 
de utilização e controle.
15
Figura 5- Os três grandes domínios: Bacteria, Archea e Eukarya.
 
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002)
Os organismos são classificados pelo tipo de células nos três domínios. Além das diferenças 
no rRNA, os três domínios diferem na estrutura lipídica da membrana, nas moléculas de RNA 
de transferência e na sensibilidade aos antibióticos.
Nesse esquema amplamente aceito, animais, plantas, fungos e protistas são reinos do 
domínio Eukarya. 
O domínio Bacteria inclui todos os procariotos patogênicos, assim como muitos dos procariotos 
não patogênicos encontrados no solo e na água. Os procariotos autotróficos (fotossintetizantes) 
também estão nesse domínio. O domínio Archaea inclui procariotos que não têm peptideoglicana 
nas suas paredes celulares e que, frequentemente, vivem em ambientes extremos e realizam 
processos metabólicos incomuns.
Archaea inclui três grupos principais:
1. Os metanógenos, anaeróbicos restritos que produzem metano (CH4) a partir de dióxido de 
carbono e hidrogênio;
2. Os halófilos extremos, que requerem altas concentrações de sais para sobreviver;
3. Os hipertermófilos, que normalmente crescem em ambientes quentes.
A relação evolutiva entre os três domínios é assunto atual de diversos pesquisadores. 
Originalmente, achava-se que as arquibactérias eram o grupo mais primitivo, enquanto as 
bactérias foram tidas como mais relacionadas aos eucariotos; estudos de rRNA indicam que o 
ancestral universal dividiu-se em três linhagens, e essa divisão levou à Archaea, à Bacteria e ao 
que finalmente tornou-se o nucleoplasma dos eucariotos: Eukarya (Figura 6).
16
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
Os fósseis mais antigos conhecidos são os restos de procariotos que viveram há mais de 3,5 
bilhões de anos. As células eucarióticas evoluíram mais recentemente – algo em torno de 1,4 
bilhão de anos. De acordo com a teoria endossimbiótica, as células eucarióticas evoluíram a 
partir de células procarióticas vivendo uma dentro da outra, como endossimbiontes. Na verdade, 
as similaridades entre as células procarióticas e as organelas eucarióticas fornecem evidências 
fortes a favor dessa relação endossimbiótica (Figura 7).
Figura 6 - Algumas características de Archaea, Bacteria e Eukarya.
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
Figura 7 - Principais diferenças entre as células procarióticas e eucarióticas.
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
17
Obs.: Os vírus não são classificados como parte de nenhum dos três domínios. Eles não são 
compostos por células e utilizam a maquinaria anabólica dentro da célula hospedeira para se 
multiplicar (reproduzir).
 
Nomenclatura dos Organismos
Os organismos vivos (inclusive os microrganismos) são agrupados em níveis de classificação, ou 
taxon, de acordo com as características similares. A cada organismo é atribuído um nome científico. 
A ciência da classificação, especialmente a classificação dos seres vivos, é chamada de 
taxonomia (do grego: nível de um sistema de classificação ou arranjo ordenado). O objetivo 
da taxonomia é classificar organismos vivos – ou seja, estabelecer relações entre um grupo e 
outro de microrganismos e os diferenciar. Devem existir em torno de 100 milhões de organismos 
vivos diferentes, sendo que menos de 10% foram descobertos e, muito menos, classificados e 
identificados. Ressalta-se que novas técnicas de biologia molecular e genética têm fornecido 
uma nova visão para a classificação e a evolução. 
A taxonomia também fornece uma referência comum para identificar organismos já 
identificados – por exemplo, quando uma bactéria suspeita de ter causado uma doença específica 
é isolada, as características dela são comparadas com uma lista de características de bactérias 
previamente classificadas para identificar a isolada. A taxonomia é uma ferramenta básica e 
necessária para os cientistas, fornecendo uma linguagem universal de comunicação.
Os organismos são classificados de acordo com seus graus de similaridade. Essas similaridades 
se devem ao parentesco – todos os organismos são relacionados pela evolução. 
Para classificar (e dar nome) um organismo, não podemos utilizar nomes comuns porque, 
muitas vezes, o mesmo nome é utilizado para muitos organismos diferentes em locais diferentes. 
Por exemplo, existem dois organismos diferentes com o mesmo nome: musgo espanhol, sendo que 
nenhum deles é realmente um musgo. Além disso, idiomas locais são utilizados para nomes comuns.
Como os nomes comuns podem induzir ao erro e estão em idiomas diferentes, um sistema 
de nomes científicos – denominado nomenclatura científica – foi desenvolvido no século XVIII.
Esse sistema de nomenclatura (nomeação), utilizado até hoje, foi estabelecido por Carolus 
Linnaeus (em 1735). Nesse sistema, cada organismo recebe dois nomes, ou um binômio, que 
são o nome do gênero e o nome da espécie –ambos são escritos sublinhados ou em itálico. 
O nome do gênero começa sempre com letra maiúscula e é sempre um substantivo. O nome 
da espécie começa com letra minúscula e geralmente é um adjetivo. Os nomes são latinizados 
porque o latim era a língua tradicionalmente utilizada pelos estudantes. Por convenção, após um 
nome científico ter sido mencionado uma vez, ele pode ser abreviado com a inicial do gênero 
seguida pelo específico.
18
Unidade: Fundamentos da Microbiologia
Os nomes científicos podem, entre outras coisas, descrever um organismo, homenagear um 
pesquisador ou identificar os hábitos de uma espécie. Por exemplo, considere o Staphylococcus 
aureus, uma bactéria comumente encontrada na pele humana: Staphylo descreve o arranjo em 
cacho das células dessa bactéria; coccus indica que as células têm a forma semelhante a esferas; 
e, o específico, aureus, significa ouro em latim – a cor de muitas colônias dessa bactéria. A figura 
8 apresenta outros exemplos.
Figura 8 - Exemplos de nomes de microrganismos e seus respectivos significados
 
Fonte do nome genérico Fonte do epíteto específico
Salmonella typhimurium 
(bactéria)
Em homenagem ao 
microbiologista de saúde 
pública Daniel Salmon
Provoca estupor (typh-) 
em ratos (muri-)
Streptococcus pyogenes 
(bactéria)Aparência de células em 
cadeia (Strepto-) Produz pus (pyo-)
Saccharomyces cerevisiae 
(levedura)
Fungo (-myces) que usa 
açúcar (saccharo-) Produz cerveja (cerevisia)
Penicillium chrysogenum 
(fungo)
Fungo de tufo ou pincel 
(penicill-) sob o microscópio
Produz um pigmento amarelo 
(chryso-)
Trypanosoma cruzi 
(protozoário)
Aparência espiralada, como 
um saca-rolha (Trypano-
bronca; Soma-corpo)
Em homenagem ao 
epidemiologista Oswaldo Cruz
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
Considerando-nos como organismos, os humanos, nosso gênero e a nossa espécie são: Homo 
e sapiens – o substantivo, ou gênero, significa homem e o adjetivo, espécie, significa sábio.
5
•	Introdução
•	As Bactérias: tipos e formas
•	Nutrição das Bactérias
•	Reprodução das Bactérias
Para que você tenha sucesso em seus estudos, é de extremante importância que, além de 
ler, atentamente, o conteúdo desta Unidade, consulte, ainda, os materiais complementares, 
pois são ricos em informações, possibilitando-lhe o aprofundamento de seus estudos sobre 
o assunto.
Recomenda-se, também, que busque outras fontes que possam contribuir com o seu 
aprendizado. Assim, você se diferenciará das demais pessoas!
 · Nesta unidade, você terá oportunidade de aprender sobre os 
microrganismos bactérias, em relação às suas formas, o modo 
como elas se nutrem e se reproduzem. Desse modo, conhecerá 
a importância desses seres vivos para o meio ambiente.
As Bactérias - Aspectos gerais 
e importância
7
Introdução
Os microrganismos bactérias estão incluídos no grupo dos procariotos (do termo grego 
significando pré-núcleo), anteriormente classificados como eubactérias, representadas pelos 
organismos patogênicos ao homem, e bactérias encontradas nas águas, solos, ambientes em geral.
Ainda, dentre esses organismos, temos as bactérias fotossintetizantes (cianobactérias) e outras 
quimiossintetizantes (como as Escherichia coli), enquanto as outras utilizam, apenas, substratos 
inorgânicos para seu desenvolvimento.
De maneira geral, os seres classificados como procariotos são menos complexos e menores 
que os seres eucariotos.
Os eucariotos possuem o seu material genético (DNA) organizado em núcleo envolvido 
por uma membrana (a carioteca), já o DNA dos procariotos não está “espalhado”, solto, pelo 
citoplasma celular.
Ressalta-se que esses seres (os procariotos), também, não apresentam organelas celulares 
envolvidas por uma membrana. Além disso, possuem parede celular e, geralmente, sua 
reprodução se dá por meio de fissão binária.
Procariotos e eucariotos são semelhantes quimicamente, pois os dois apresentem carboidratos, 
lipídeos proteínas e ácidos nucleicos. Utilizam, ainda, tipos semelhantes de reações químicas 
para formar proteínas, metabolizar o alimento e armazenar energia. 
Resumidamente, os procariotos e eucariotos se distinguem, principalmente pela ausência (nos 
procariotos) de organelas1 com membranas, estruturas encontradas, apenas, nos seres eucariotos.
As Bactérias: tipos e formas
Dentre o grupo das bactérias (procariotos), podemos encontrar diversos tipos e formas de 
organismos. Algumas, ainda, diferenciam-se por sua composição química, característica que 
pode ser observada através de reações de coloração, atividades bioquímicas que realizam, suas 
exigências nutricionais e de onde obtêm sua energia (fonte química ou física - luz solar). 
O conhecimento das bactérias, em nível molecular, expandiu-se a tal ponto que, agora, 
é possível classificar esses organismos, de acordo com o Bergey’s Manual of Systematic 
Bacteriology, baseando-se em um sistema filogenético2.
1 Estruturas celulares (especializadas) com funções específicas.
2 Filogenia ou filogênese é o estudo da relação evolutiva entre grupos de organismos (por exemplo, espécies, populações), que é descoberto 
por meio de sequenciamento de dados moleculares e matrizes de dados morfológicos. O termo filogenética deriva dos termos grego File e Filon, 
denotando “tribo” e “raça”, e o termo genético, denotando “em relação ao nascimento”, da gênese “origem /nascimento”. O resultado dos 
estudos filogenéticos é a história evolutiva dos grupos taxonômicos, ou seja, sua filogenia.
8
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
Em relação ao seu tamanho, o mesmo pode variar de 2 a 8 μm de comprimento e de 0,2 a 
2,0 μm de diâmetro.
Apresentam-se em algumas formas simples, como: cocos (“bolinhas” - que significa frutificação), 
bastão (ou bacilos), espiral e vibrião (Figura 1).
Figura 1 - As diversas formas das bactérias.
Cocos 
isolados
Estreptococos
Estafilococos
Bacilos
VibriãoEspirilo
Fonte: Magic Numbers (2014). Disponível em: magicnumbers-parussolo.blogspot.com.br
As bactérias do tipo cocos, são, na sua maioria, redondas (no formato de “bolinhas”), 
podendo se apresentar no formato oval, alongado ou achatado em uma das extremidades. 
Quando os cocos permanecem aos pares, após sua divisão (reprodução), são chamados de 
diplococos. Se muitos cocos ficam ligados uns aos outros, após a reprodução, formando uma 
“cadeia”; então, essa estrutura passa a ser chamada de estreptococos. 
As bactérias do tipo bacilo, ao se reproduzirem, “dividem”-se ao longo de seu eixo curto. Assim, 
é raro, encontrarmos agrupamentos de bacilos. Entretanto, quando se apresentam aos pares, são 
chamados de diplobacilos e, se, no agrupamento, tiveram muitos bacilos, passam a ser chamados 
de estreptobacilos (estrutura semelhante a um charuto). Ainda, os bacilos podem ser encontrados 
no formato ovalado, como os cocos; nesse caso, recebem a denominação de cocobacilos.
Quando no formato espiral, as bactérias apresentam, em seu “corpo” curvaturas. 
Vale destacar que as curvaturas chamadas de espirilos apresentam-se no formato helicoidal, 
como se fosse um saca-rolha. 
Dentro do grupo das bactérias espiraladas, além do espirilo (com estrutura mais rígida) 
encontram-se, também, as espiroquetas, bactérias com o “corpo” mais flexível.
Para se movimentarem, os espirilos utilizam uma flagela (tipo de “cauda”), as espiroquetas, 
por sua vez, não possuem flagelo e sim pequenos filamentos. 
Raramente, podemos, ainda, encontrar bactérias retangulares e planas, triangulares e no 
formato de estrela (gênero Stella; Figura 2).
9
Figura 2 - Outros formatos em que as bactérias podem se apresentar.
a) Bactéria em forma de estrela b) Bactéria retangulares0,5 μm 0,5 μm
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
O formato que uma bactéria apresenta está condicionado à sua ancestralidade (Genética). Na 
sua grande maioria, as bactérias são monomórficas, ou seja, mantêm uma única forma, através 
das gerações e gerações. Porém, adversidades do meio podem contribuir alterando a sua forma. 
Por outro lado, algumas bactérias podem ter muitas formas, isto é, são geneticamente 
pleomórficas, como a Corynebacterium e o Rhizobium.
A figura 3 apresenta uma típica célula procariótica (bactéria) e suas estruturas.
Figura 3 - Exemplo de uma bactéria e suas estruturas.
Pilus
Cápsula
Cápsula
Citoplasma
Ribossomos
Parede celular
Parede celular Plasmídeo
FlagelosFímbrias
Inclusão
0,5 μm
Membrana plasmática
Membrana 
plasmática
Nucleoide 
contendo DNA
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
Obs.: Algumas bactérias não possuem todas as estruturas evidenciadas na figura. Ressalta-se 
que as estruturas, destacadas na cor vermelha, são encontradas em todas as bactérias. 
10
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
Nutrição das Bactérias
Podemos encontrar bactérias autotróficas, ou seja, as que produzem seu próprio alimento 
(através da quimiossíntese ou da fotossíntese) e, bactérias heterotróficas, que obtêm seus 
nutrientes no meio externo, como as saprófitas (decompositoras - responsáveis pela reciclagem 
de produtos inorgânicos), ou que para se nutrir precisam parasitar outros seres vivos (o 
hospedeiro).
No processo de quimiossíntese, ao contrário da fotossíntese, ou seja, sem a utilização de 
energia luminosa, ocorrea síntese (produção) de matéria orgânica a partir de gás carbônico 
(CO2), água (H2O) e outras substâncias inorgânicas.
Assim, as bactérias quimiossintetizantes podem sobreviver em ambientes sem luminosidade 
e matéria orgânica, já que obtêm a sua energia através de oxidações inorgânicas. 
Duas etapas compõem o processo da quimiossíntese. Num primeiro momento (Etapa 1), 
ocorre a oxidação de substâncias inorgânicas:
Substância Inorgânica + Oxigênio  Substância Inorgânica oxidada + 
Energia Química
Os produtos, resultantes da Etapa 1, serão os constituintes da Etapa seguinte (a Etapa 2), 
onde será aproveitada a energia ministrada por determinadas reações químicas de oxirredução 
que ocorrem no meio.
Na Etapa 2, também conhecida como “fase escura” da fotossíntese, a redução do gás 
carbônico (CO2) levará à produção de substâncias orgânicas, através do processo de oxidação 
das substâncias inorgânicas.
Nessa Etapa, as bactérias obtêm energia suficiente para reduzir o CO2 e sintetizar substâncias 
orgânicas, que poderão ser utilizadas síntese (produção) de outros compostos ou em seu próprio 
metabolismo:
CO2 + água + Energia Química  Compostos Orgânicos + O2
Bactérias dos gêneros Thiobacillus e Beggiatoa realizam a quimiossíntese e, por oxidarem 
compostos de enxofre, podem ser chamadas, também, de sulfobactérias.
As bactérias dos gêneros Nitrobacter e Nitrosomonas, conhecidas como nitrobactérias, 
também são exemplos de seres quimiossintetizantes. Encontradas no solo, são responsáveis 
pela manutenção do ciclo do nitrogênio no ambiente.
 As Nitrosomonas obtêm sua energia por meio do processo de oxidação do íon amônio (NH4+), 
transformando-o em íon nitrito (NO-2). Já as Nitrobacter, por sua vez, oxidam o íon nitrito (NO-2), 
transformando-o em íon nitrato (NO-3). Esse último composto (o nitrato) será absorvido pelas 
plantas, através de suas raízes e utilizado no processo de síntese proteica (Figura 4).
11
Figura 4 - Esquema simplificado do ciclo do nitrogênio.
Nitrogênio na atmosfera
(N2)
Plantas
Decompositores
(fungos e bactérias
aeróbicas e anaeróbicas
Amônia (NH4
+) Nitritos (NO2
-)
Nitratos (NO3
-)
Fixação
Assimilação
Nitri�caçãoAmoni�cação
Bactérias
�xadoras de N2 nos
nódulos de raizes
de legumes
Bactérias
desnitri-
�cantes
Bactérias
nitri�cantes
Bactérias
nitri�cantes
Bactérias �xadoras
de N2 no solo
Fonte: Alunos online (2014). Disponível em: alunosonline.com.br
As Cianobactérias (bactérias fotossintéticas)
As cianobactérias, chamadas assim devido à sua pigmentação azul-esverdeada (ciano) 
característica, já foram denominadas algas azul-esverdeadas. Embora se pareçam com as algas 
eucarióticas e, muitas vezes, ocupem os mesmos nichos ambientais, esse nome é equivocado, 
pois são bactérias e as algas não são. 
Contudo, as cianobactérias realizam fotossíntese, assim como as plantas e as algas eucarióticas.
No processo de fotossíntese, a bactéria produz seu próprio alimento, constituído essencialmente 
por glicose, utilizando água (H2O), gás carbônico (CO2), captando a energia luminosa (sendo o sol 
a maior fonte) pela clorofila (espelhada no citoplasma) produzindo, também, o gás oxigênio (O2):
12 H2O + 6 CO2  C6H12O6 + 6 H2O+ 6 O2
12
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
Para essas bactérias, a glicose é o seu principal combustível para manter suas funções 
metabólicas, ou seja, para elas, sem a glicose (produzida) seria impossível manter constante e, 
em equilíbrio, suas funções vitais.
A vida para os seres aeróbios não seria possível se não fosse a contribuição dos seres 
fotossintetizantes - base da cadeia alimentar.
Muitas das cianobactérias são capazes, também, de fixar o gás nitrogênio (N2). Na maioria 
dos casos, essa atividade é localizada em células especializadas chamadas de heterocistos, que 
contêm enzimas que fixam o gás nitrogênio (N2) em amônia (NH4
+), que pode ser utilizada pela 
célula em crescimento (Figura 5a).
As cianobactérias são morfologicamente variadas. Elas vão, desde formas unicelulares que 
se dividem por fissão binária simples (Figura 5b), até formas coloniais que se dividem por fissão 
múltipla e formas filamentosas, as quais se reproduzem por fragmentação dos filamentos.
Outras formas dos microrganismos bactérias.
Figura 5.a - Cianobactérias filamentosas 
mostrando heterocistos, nos quais a atividade 
de fixação de nitrogênio é localizada
Figura 5.b - Uma cianobactéria unicelular não 
filamentosa, Gloeocapsa. Grupos dessas células, 
que se dividem por fissão binária, são mantidos 
unidos por um envoltório de glicocálise.
Heterocisto
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002).
Algumas espécies, que se desenvolvem na água, geralmente, têm vacúolos gasosos que 
fornecem um meio de flutuação, ajudando a célula a se deslocar até um ambiente favorável. Outras 
cianobactérias, para se deslocarem por superfícies sólidas, realizam o processo de deslizamento.
Estudos mostram que as cianobactérias tiveram um papel importante no desenvolvimento da 
vida em nosso planeta, pois, no início do processo evolutivo, a atmosfera terrestre apresentava 
muito pouco oxigênio livre (O2) para dar suporte à vida de seres aeróbios. Nesse aspecto, achados 
fósseis indicam que, quando as cianobactérias apareceram, a atmosfera continha somente 0,1% 
de oxigênio livre (O2). 
Mais tarde, quando as plantas eucarióticas (produtoras de O2) apareceram, a concentração 
de O2 na atmosfera terrestre subiu para mais de 10% (a atmosfera atual contém cerca de 
20% de O2). Esse aumento, provavelmente, foi devido, também, em sua maioria, à atividade 
fotossintética das cianobactérias.
13
Algumas cianobactérias são extremamente importantes para o ambiente; especialmente, 
aquelas que fixam nitrogênio, disponibilizando esse nutriente para todos os organismos nos 
diversos níveis tróficos de uma cadeia alimentar. Entretanto, ressalta-se que esse processo pode 
se tornar prejudicial ao ambiente quando o enriquecimento nutricional dos corpos hídricos 
ocorrer em excesso; fenômeno esse chamado de eutrofização.
Reprodução das Bactérias
As bactérias, quando em um ambiente favorável, reproduzem-se rapidamente, podendo, a 
cada 20 minutos (tempo de geração), aparecer uma nova geração.
Se inoculadas (“semeadas”) em um meio líquido de crescimento (meio de cultura ou de 
“cultivo”) e a população for contada em intervalos regulares, é possível representar graficamente 
a curva de crescimento bacteriano, que mostra o crescimento das células em função do tempo. 
Há quatro fases básicas de crescimento: a fase lag, a fase log, a fase estacionária e a fase de 
morte celular (Figura 6).
Figura 6 - As fases do desenvolvimento bacteriano.
Fase lag
Lo
g 
do
 n
úm
er
o 
de
 b
ac
té
ria
s
1
2
0 10
3
4
Fase log
5
Tempo (h)
Fase
estacionária Fase de morte celular
Legenda: 1) Intensa atividade de preparação para o crescimento populacional, mas sem aumento da 
população (fase lag); 2) aumento logarítmico ou exponencial da população (fase log); 3) Período de 
equilíbrio (fase estacionária): as mortes microbianas são equilibradas pela produção de novas células; 
4) A população se reduz em uma taxa logarítmica (fase de morte celular).
Fonte: Adaptado de Bragante (2014). Disponível em: bragante.br.tripod.com
As causas da interrupção da fase log (crescimento exponencial) não são claras, porém aspectos 
como, esgotamento de nutrientes, acúmulo de resíduos e/ou mudanças no pH, contribuem.
14
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
Formas de Reprodução:
 · Reprodução Assexuada 
 · Bipartição ou cissiparidade
Para a maioria das bactérias, a reprodução ocorre assexuadamente, por bipartição ou 
cissiparidade. Nesse tipo de reprodução, o DNA bacteriano é duplicado, seguido de uma 
bipartição (divisão em duas células) (Figura 7).
Figura 7 - Reprodução de uma bactéria por bipartição.
A
B
C
D
E
Fonte: Adaptado de Sobiologia. Disponível em: sobiologia.com.br
Na bipartição, não existe a formação do fuso de divisão,assim não ocorre o processo de 
mitose. A participação de pregas internas da membrana plasmática, nas quais existem enzimas 
que realizam a respiração celular (processo que liberar energia para a bactéria), estruturas 
chamadas de mesossomos são de extrema importância no processo de separação dos 
cromossomos irmãos (Figura 8).
Figura 8 - A estrutura mesossomo numa célula bacteriana - destacado na parte superior.
Mesossomo
Nucleoide
Plasmidio
Ribossomos
Parede
celular
Pêlos
sexuais
Membrana
celular
Fonte: Adaptado de Sobiologia (2014). Disponível em: sobiologia.com.br
15
Brotamento
Ainda de maneira assexuada, algumas bactérias se reproduzem por brotamento. Nesse tipo 
de reprodução, a bactéria forma uma pequena região inicial de crescimento (o broto), que vai 
se alargando até atingir um tamanho similar ao da célula parental, e, então, separam-se dela. 
Algumas espécies simplesmente se fragmentam e os fragmentos iniciam o crescimento de 
novas células (Figura 9).
Figura 9 - Reprodução de uma bactéria por brotamento.
Fonte: Adaptado de Sobiologia (2014). Disponível em: sobiologia.com.br
Esporulação
O processo de esporulação se apresenta como uma estratégia reprodutiva (do tipo assexuada) 
e de sobrevivência para algumas espécies de bactérias.
Além disso, em ambientes adversos, com calor intenso e falta de água, esporos são produzidos. 
Estas estruturas são resistentes a essas condições, por apresentarem parede espessa e atividade 
metabólica bem reduzida (Figura 10).
Figura 10 - Reprodução de uma bactéria por esporulação.
Nucleoide
A
B
D
E
C
Endósporo em
formação
Endósporo
maduro
Parede bacteriana
vazia
Fonte: Sala de Estudos Ursa Maior (2014). Disponível em: saladeestudosursamaior.webnode.com.br
16
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
As características relacionadas à resistência, conferem a determinados esporos a capacidade 
de se manterem em estado de dormência por dezenas de anos. 
Assim, somente quando o ambiente passar a apresentar condições favoráveis, o esporo 
absorve água, reidratando-se. Então, originando, posteriormente, uma nova bactéria, que 
poderá se reproduzir por bipartição.
Considerando que os esporos são muito resistentes a temperaturas elevadas, quando expostos 
à água fervendo, geralmente, não morrem. Por esse fato, laboratórios precisam manter absoluta 
assepsia (limpeza). Por isso, utilizam o processo autoclavagem3 para esterilizar instrumentos, 
utensílios e meios de cultura.
Para se eliminar os esporos do Clostridium botulinum, bactéria causadora do botulismo 
(infecção que pode até matar), no processo de fabricação de alimentos envazados em latas, faz-
se necessária a esterilização tanto dos alimentos, quanto dos vasilhames.
Reprodução Sexuada
Quando no processo reprodutivo ocorrer a transferência de fragmentos de DNA de uma 
bactéria para outra, considera-se que a reprodução é do tipo sexuada.
Nesse processo, após essa transferência, o material genético (DNA) da “doadora” irá se 
recombinar com o DNA da bactéria “receptora”, originando cromossomos com novos genes. 
Quando a bactéria se reproduzir, esses novos cromossomos serão transmitidos às novas bactérias 
(células-filhas). 
Essa transferência de DNA entre as bactérias pode acontecer de três formas: transformação, 
transdução e conjugação. 
Transformação
Durante o processo de reprodução por transformação, a bactéria recebe fragmentos de DNA 
dispersos no meio (proveniente de bactérias mortas) e os incorpora ao seu cromossomo. 
Figura 11 - Etapas da reprodução de uma bactéria por transformação.
Célula bacteriana
Moléculas de DNA livres
Cromossomo
Fonte: Sala de Estudos Ursa Maior (2014). Disponível em: saladeestudosursamaior.webnode.com.br
3 Processo de tratamento térmico que consiste em manter o material a ser esterilizado (contaminado) a uma temperatura elevada (sob 
determinada pressão) através do contato com vapor de água, durante um período de tempo.
17
Com o intuito de se produzir organismos geneticamente modificados como, por exemplo, 
obter plantas mais produtivas e mais resistentes às pragas, a engenharia genética vem imitando 
e utilizando essa técnica de introdução de genes em diferentes espécies.
Transdução
A transdução vai ocorrer quando, com a participação de vírus do tipo bacteriófagos, partes 
do DNA são transferidas de uma bactéria para outra. 
O vírus4, ao infectar outra bactéria, injeta o DNA da bactéria anterior junto com o seu DNA. 
Se sobreviver à infecção viral, a bactéria poderá incluir os genes de outra bactéria no seu DNA 
(Figura 12).
Figura 12 - Etapas da reprodução de uma bactéria por transdução.
Vírus transdutor
DNA bacteriano
bactéria doadora
DNA da bactéria
doadora
DNA da bactéria
recebedora
célula transduzidabactéria recebedora
DNA do vírus
bacteriófago
DNA bacteriano +
DNA do vírus
Fonte: Sala de Estudos Ursa Maior (2014). Disponível em: saladeestudosursamaior.webnode.com.br
Conjugação
No processo reprodutivo por conjugação, fragmentos de DNA são passados diretamente de 
uma bactéria doadora, considerada como o “macho”, para uma bactéria receptora, considerada 
a “fêmea”. 
Para que a conjugação ocorra, tubos constituídos de proteínas, (chamados de pili) apresentados 
na superfície das bactérias doadoras (“macho”), são imprescindíveis.
Após a transferência do fragmento do DNA, este será recombinado com o DNA de bactéria 
receptora (a “fêmea”). No final, o novo DNA produzido será transmitido, na próxima bipartição, 
às novas bactérias (ou células-filhas) (Figura 13).
4 Estudaremos estes microrganismos na próxima unidade.
18
Unidade: As Bactérias - Aspectos gerais e importância
Figura 13 - Etapas da reprodução de uma bactéria por transdução.
DNA FemininoMasculino
Plasmídeo
Pelo sexual ou ponte
citoplasmática
Fonte: Adaptado de Sobiologia (2014). Disponível em: sobiologia.com.br
Importância ambiental das bactérias
Geralmente, associamos as bactérias às doenças que esses seres podem causar, como a 
pneumonia, meningite, e outras doenças. Ressalta-se que o grupo das bactérias patogênicas 
compõe, apenas, cerca de 1% destes organismos. Entretanto, por outro lado, a maioria 
desempenha funções imprescindíveis para a manutenção da vida no planeta. 
As bactérias pertencentes ao grupo das saprofágicas, ao se alimentarem de matéria orgânica 
morta, devolvem à natureza compostos inorgânicos, que serão novamente incorporados na 
cadeia alimentar pelos seres produtores (as plantas).
Conforme já mencionado, outros grupos de bactérias, ainda, têm a habilidade de fixar 
nitrogênio (N2), fertilizando o solo.
As bactérias do gênero Acetobacter, através do processo de fermentação, produzem o álcool 
etílico (biocombustível) e o ácido lático, importantes produtos como fonte de energia e matéria-
prima em processos industriais. Ainda, outros grupos de bactérias fermentadoras, podem se 
desenvolver, de maneira harmoniosa, em nosso organismo, contribuindo para o controle de 
microrganismos patogênicos.
Nas industrias, as bactérias contribuem, também, para a fabricação de antibióticos e de outras 
substâncias, tais como a acetona. 
Nos processos de melhoramento genético de plantas, os genes bacterianos são um dos mais 
utilizados. Por exemplo, as bactérias do gênero Agrobacterium ajudam a transportar novos 
genes ao genoma da planta indivíduo a ser melhorada.
Em relação à contribuição desses microrganismos, na áreas de saneamento ambiental, 
destaca-se que eles auxiliam na eliminação de substâncias contaminantes, como o petróleo e 
seus derivados e, até mesmo, pesticidas. 
19
As unidades de tratamento de esgoto (as ETEs5) utilizam as bactérias do tipo anaeróbicas 
para a fermentação matéria orgânica, transformando-as em compostos minerais inertes que, 
após tratamento, podem ser utilizados como adubo.
Por outro lado, as bactérias aeróbicas, no processo de tratamento de esgotos (numa ETE), 
são responsáveis por degradar as partículas menores do esgoto, contribuindo para que a 
água residuária possaser tratada e, posteriormente, devolvida aos mananciais ou mesmo ser 
reutilizada em outros processos.
5 Estação de Tratamento de Esgoto.
5
•	Aspectos Gerais
•	Classificação dos Vírus 
•	A Importância dos Vírus
Para que você tenha um excelente aproveitamento dos estudos, é de extrema importância 
que você, além de ler, atentamente, o conteúdo proposto, consulte, ainda, os materiais 
complementares. Além disso, assista ao vídeo sugerido. Não se esqueça, também, de buscar 
outras fontes que possam contribuir com o seu aprendizado.
Afinal, conhecimento não ocupa espaço, não pesa! Sendo assim, ao se aprofundar no tema, 
enriquecendo seus conhecimentos, você se diferenciará dos demais!
Nesta unidade, você terá oportunidade de aprender sobre 
os vírus, suas formas, tipos e como se reproduzem. Assim, 
conhecerá a importância desses “agentes”.
Para que possa assimilar o máximo de conhecimento, leia 
com atenção a aula, faça um resumo do conteúdo teórico 
e, se necessário, pesquise outras fontes além das que estão 
apontadas. Assista, também, ao vídeo sugerido. 
Os vírus
7
Aspectos Gerais
Somente com o avanço da tecnologia na área da microscopia é que os pesquisadores 
puderam passar a conhecer, de fato, esses “agentes”, atualmente, chamados de vírus. 
Primeiramente, a cerca de anos atrás, os cientistas classificaram esses “agentes” com 
sendo um tipo de fluido contagioso. Apenas depois de o pesquisador Wendell Stanley ter 
tido sucesso ao isolar o vírus do mosaico do tabaco é que se tornou possível o avanço nos 
estudos sobre a composição química e estrutural de um vírus. 
Assim, em meados do século XX, para se referir a esses “agentes”, a maioria dos cientistas 
passou a utilizar o termo vírus, que, em latim, significa toxina ou veneno. 
A grande questão, envolvendo esses “agentes”, é se os mesmos podem, ou não, ser 
considerados como seres vivos. 
Podemos, por um lado, dizer que, sim, os vírus são seres vivos, pois a maior das características 
que um organismo vivo apresenta é a de se reproduzir. Além disso, quando parasitam em uma célula 
viva (vegetal, animal ou microbiana), conseguem se “reproduzir” (replicar). Desse modo, devem ser 
classificados como seres vivos (parasitas intracelulares obrigatórios).
Entretanto, por outro lado, como a vida, também, 
pode ser definida como resultante de uma ação 
incessante dos ácidos nucleicos, produzindo proteínas 
e os vírus, quando não estão parasitando uma célula 
viva, são inertes, não podem (neste estado de inércia) 
ser considerados, portanto, como seres vivos.
Dependendo do aspecto considerado, os vírus 
podem ser considerados, apenas, com sendo um 
“aglomerado de elementos químicos” ou, seja, um 
microrganismo muito simples. Se considerado o seu 
poder de infecção, causando doenças em vegetais 
ou animais, os vírus podem, também, nesses casos 
patogênicos, serem considerados como seres vivos.
Por essas características peculiares e, ainda, por não serem constituídos de células, os 
vírus (figura 1) não pertencem a nenhum reino.
Com o passar dos tempos, os cientistas consideraram que tanto a organização estrutural 
simples, quanto o mecanismo de “reprodução” dos vírus são as características fundamentais que 
os colocam à parte, fora de qualquer reino.
Assim sendo, resumidamente, os vírus apresentam as seguintes características: 
 · a maioria é constituída por uma cápsula, ou invólucro, de proteína, onde se encontra o 
material genético (o ácido nucleico);
 · apresentam apenas um tipo de ácido nucleico (DNA ou o RNA);
Capsômeros
Cápsula Cápsula
de proteína
Vírus da poliomielite Vírus do tabaco
Bacteriófago: vírus que ataca bactérias
HIV, vírus da AidsVírus da gripe
RNA
Lipídios
Lipídios
Proteínas
Enzimas
RNA
GlicoproteínaProteínas
Proteínas
e RNA
CabeçaRNA DNA
Cauda
Fibras
caudais
Figura 1 - Alguns tipos de vírus.
Fonte: UFPE (2014)
8
Unidade: Os vírus
 · reproduzem-se dentro de células vivas, utilizando a estrutura de síntese celular;
 · conseguem induzir a síntese de mecanismos que farão a transferência do material 
genético viral para outras células (hospedeiras);
 · podem sofrer mutações genéticas.
Em relação às suas dimensões, os vírus são extremamente pequenos (figura 2), o maior 
tem menos que a quarta parte das dimensões de uma salmonela (tipo de bactéria) e milhares 
de vírus, de menor tamanho, poderiam ser colocados dentro da parede celular vazia de um 
estafilococo (outro ripo de bactéria). 
Além disso, sendo extremamente pequenos (figura 2), os vírus conseguem, com enorme 
facilidade, atravessar filtros, onde bactérias são retidas. Esses seres, portanto, somente podem 
ser observados através da utilização do mecanismo de microscopia eletrônica. 
Os vírus são tão pequenos, que a unidade de medida utilizada, ao se referir à suas dimensões, 
é o nanômetro1(nm). Ressalta-se que a unidade para se medir as dimensões das bactérias, 
organismos extremamente maiores, é o micrômetro2 (µm).
Figura 2 - Comparação entre vírus, uma bactéria e uma hemácia em relação ao tamanho. 
225 nm
Bacteriófago T4
Adenovírus
90 nm
Bacteriófagos
f2, MS2
24 nm
Poliovírus
30 nm
Prion
200 . 20 nm Vírus da vaccinia
300 . 200 . 100 nm
Rinovírus
30 nm
Vírus do mosaico do tabaco
250 . 18 nm
Viroide
300 . 10 nm
Vírus Ebola
970 nm
Eritrócito humano com
diâmetro de 10.000 nm
Membrana
plasmática
do eritrócito
10 nm de espessura
E. Coli
(bactéria)
3.000 x 1.000 nm
Bacteriófago M13
800 . 10 nm
Vírus da raiva
170 . 70 nm
Corpúsculo elementar da Chlamydia
300 nm
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002) 
1 Nanômetro (nm) - Um nm é o resultado ao se dividir 1 bilhão de vezes o metro (1m), ou seja, 1m = 1.000.000.000nm. Para ficar mais claro, 
1 nm é o resultado ao se dividir 1mm, a menor divisão de uma régua, por 1 milhão de vezes. 
2 Micrômetro (µm) - Um µm é o resultado ao se dividir 1 milhão de vezes o metro (1m), ou seja, 1m = 1.000.000µm. Para imaginar isso, pense 
em 1 mm, a menor divisão de uma régua, sendo dividido em mil de partes iguais.
9
Em relação a sua estrutura, conforme já relatado, cada vírus (ou vírion3) apresenta seu material 
genético (DNA ou RNA) envolto e protegido por um “envelope” ou o capsídio. 
Vale lembrar que essa estrutura, o capsídio, é composta por minúsculas unidades de proteína, 
chamadas de capsômeros, que darão o nome ao vírus, dependendo da sua composição química 
e forma espacial.
Todos os vírus apresentam simetria em sua estrutura, podem ainda, ou não, apresentar 
envoltório (o “envelope”) formado por lipoproteínas ou lipídeos. Dessa forma, apresentam-se 
nas seguintes formas:
 · poliedro regular (representados pelos poliovírus e os adenovírus); 
 · helicoidais (vírus do mosaico do tabaco, por exemplo);
 · envelopados, quando envolvidos por uma membrana não rígida4 (vírus da herpes, 
por exemplo) (Figura 3).
Ressalta-se que alguns vírus podem se apresentar com seus capsídios não protegidos por 
“envelopes”. Então, são chamados de “não envelopados” (vírus poliédrico - figura 3). 
Quando “não envelopado”, a proteção do material genético é de responsabilidade do 
capsídio. Além de proteger, o capsídio é responsável, também, pela ligação do vírus às células 
que serão infectadas.
Ainda, há tipos de vírus que se apresentam estruturados de maneira mais complexa, como 
por exemplo os do tipo bacteriófago (figura 3). 
Na figura 3, é possível observar que o capsídio desse tipo de vírus apresenta-se no formato 
poliédrico e a sua bainha está enrolada, ou seja, no formato de hélice (helicoidal). Apresentam, 
ainda, estruturas denominadas fibras da cauda, placa e pino (estruturas importantes no processo 
de “reprodução” – replicação). 
Assim, por se apresentarem com uma estrutura bem mais elaborada que os outros tipos de 
vírus, são chamados de “vírus complexo”.
Figura 3 - Comparação entre alguns vírus, em relação a sua estrutura física.
Capsômero
Capsômero
Capsômero
Envelope
Espículas
Ácido nucleico
Ácido nucleico
Capsídeo
Capsídeo
Ácidonucleico
Capsídeo
(cabeça)
DNA
Fibra da cauda
Placa basal
Pino
Bainha
65 nm
Vírus Poliédrico
Vírus Bacteriófago Vírus Helicoidal
Vírus Envelopado Helicoidal
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002)
3 Partícula viral potencialmente infecciosa, que apresenta seu ácido nucleico envolvido por um tipo de cobertura proteica, que propiciará 
proteção à transmissão de uma célula (hospedeira) para outra.
4 Os vírus, com envelope, são muito sensíveis às soluções emulsificantes (detergentes e sais biliares), ao clorofórmio e éter, pois essas substâncias 
dissolvem lipídeos.
10
Unidade: Os vírus
Classificação dos Vírus 
As categorias taxonômicas são necessárias não só para identificarmos/classificarmos os 
animais, os vegetais e os microrganismos, como também para organizar/classificar os vírus.
Os primeiros critérios de classificação, utilizados pelos cientistas, eram apenas com base 
na sintomatologia. A princípio, um sistema conveniente, mas logo que se descobriu que, 
dependendo do tipo de célula ou tecido (infectado), um mesmo tipo de vírus poderia causar 
mais de uma doença, esse sistema passou a não ser mais aceito.
No início da segunda metade do século XX, com a criação do Comitê Internacional de 
Taxonomia Viral (o CITV), os cientistas deram maior relevância a essa questão. Entretanto, 
ressalta-se que somente foi possível obter informações precisas a fim de se construir um sistema 
de classificação para esses “seres” (os vírus) após o avanço das tecnologias nas diversas áreas 
científicas, em especial, da microscopia eletrônica.
Com os resultados de pesquisas, que buscaram conhecer mais sobre os vírus, tendo como 
base a morfologia, tipo de ácido nucleico e na estratégia de replicação, o CITV passou a agrupá-
los em famílias.
Assim, para se classificar um vírus, passaram a ser utilizadas características primárias e 
secundárias. As primárias estão relacionadas com:
 · o tipo de ácido nucleico apresentado (DNA ou RNA - se o mesmo está em fita 
única ou dupla e sua massa molecular);
 · estrutura física do vírus (poliédrico, helicoidal, envelopado;
 · número de capsômeros, diâmetro do nucleocapsídio); e
 · local de reprodução (se ocorre no núcleo ou no citoplasma da célula hospedeira). 
Entre as características secundárias, utilizadas para a classificação de um vírus, são consideradas:
 · hospedeiro (espécie, tecidos ou célula que é infectada);
 · modo de transmissão (pelas fezes, por exemplo) e;
 · estruturas específicas de superfície (como: propriedades antígenas5 - por exemplo).
O CITV, através das diretrizes para a classificação, orienta utilizar o sufixo ales para representar 
a ordem. Ressalta-se que este Comitê reconhece apenas três ordens: a Caudovirales, a 
Mononegavirales e, a Nidovirales. 
Os vírus que infectam bactérias (bacteriófagos) estão inseridos na ordem Caudovirales, os 
que parasitam plantas e animais (invertebrados), na ordem Mononegavirales e, por fim, os que 
têm os animais vertebrados como seus hospedeiros, estão inseridos na ordem Nidovirales.
5 O antígeno, nesse caso, é formado por moléculas (parte de um vírus) que, na maioria, apresentam proteínas, polissacarídeos e/ou 
lipossacarídeos. Um antígeno desencadeia uma resposta imune (de defesa) na célula hospedeira.
11
O Comitê (CITV), ainda, orienta para a utilização do sufixo virus para se referir aos 
gêneros e, para as famílias, o sufixo viridae (por exemplo: Família Herpesviridae, Gênero 
Simplexvirus - Vírus do Herpes Humano). 
Para se referir a espécie do vírus, não são utilizados epítetos específicos. Assim, segundo as 
orientações do CITV, as espécies de vírus devem ser apresentadas por nomes descritivos usuais 
(“vulgares”), como por exemplo, o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). As subespécies 
(se existirem), por sua vez, deverão ser apresentadas com um número, por exemplo: HIV-1, 
Vírus do Herpes Humano Tipo 2.
Nesse aspecto, destaca-se que uma espécie de vírus compreende um grupo desses “seres” 
que apresentam o mesmo genoma (informação genética) e o mesmo espectro de hospedeiros. 
Replicação (“reprodução”) dos Vírus
Conforme citado anteriormente, os vírus para se replicarem (“reproduzirem”) precisam 
infectar (parasitar) uma célula. 
A reprodução dos vírus ocorrerá por meio do processo chamado de replicação. Nesse processo, 
porções do ácido nucleico se multiplicam (replicam) no interior das células hospedeiras. 
Resumidamente, o processo de replicação dos vírus se dá através das seguintes etapas: 
 · adsorção; 
 · penetração e desnudamento; 
 · replicação bioquímica; 
 · maturação e; 
 · liberação.
Na primeira etapa, para se ligar (adsorção) a um receptor na membrana plasmática da célula 
que será infectada (parasitada), os vírus que apresentam “envelope”, o capsídio, projetam 
“pontas” (macromoléculas de glicoproteínas e de lipídeos), que serão responsáveis pela 
aderência do vírus na membrana da célula a ser infectada (futura hospedeira). Nos casos de 
vírus sem “envelopes”, o capsídio será o responsável por essa função.
Após se adsorverem à célula que será infectada, ocorre a etapa da penetração e desnudamento, 
na qual, os vírus que possuem “envelope” fundem o seu “envelope” (lipoproteico) com a 
membrana citoplasmática da célula, resultando na liberação do material genético no citoplasma 
celular. Já os vírus, que não possuem “envelope”, realizam esse processo por fagocitose.
Após injetar o material genético (DNA ou RNA) no interior da célula hospedeira, inicia-se o 
processo de replicação bioquímica. Para sintetizar proteínas e se replicarem, o DNA (ou RNA) 
viral assumirá o metabolismo da célula hospedeira. Para tanto, fará uso da energia (ATP) e de 
estruturas contidas na célula, como: enzimas, ribossomos, RNA de transferência.
Na sequência, ocorrerá o processo de maturação, onde os novos componentes como os 
capsídios, que contêm o DNA (ou RNA) e as caudas (nos casos dos vírus do tipo bacteriófagos), 
serão organizados, formando, assim, o “novo vírus” (ou partícula viral). 
12
Unidade: Os vírus
Depois de concluído o estágio de “maturação”, ocorrerá a liberação dos “novos vírus”. Esse 
processo (de liberação) pode variar dependendo do tipo de vírus e/ou célula infectada. Na 
maioria dos casos, a liberação dos “novos vírus” ocorrerá pelo processo de lise celular, onde a 
célula, cheia de vírus, rompe-se (estoura). Há casos, que a liberação ocorrerá de forma lenda e 
gradativa, onde a célula hospedeira não será destruída (figuras 4 e 5).
Figura 4 - As fases da replicação de um papovavírus6 .
Os vírions são liberados
Vírions
maduros
Proteínas do capsídeo
DNA
Capsídeo
Papovavírus
Núcleo
Citoplasma
DNA viral
Proteínas
do capsídeomRNA
Tradução tardia; as
proteínas do capsídeo
são sintetizadas
O DNA viral é replicado
e algumas proteínas
virais são sintetizadas
Uma parte do DNA viral é transcrita,
produzindo mRNAs que codi�carão
as proteínas virais “precoces”
O vírion penetra na
célula e seu DNA é
desnudado
O vírion se adere à célula hospedeira
Legenda: 1 - Adsorção; 2- Penetração e desnudamento; 3, 4 e 5 - Replicação bioquímica; 6- Maturação e; 7 - Liberação.
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002)
Replicação (“reprodução”) dos Vírus Bacteriófagos
No início do século XX, os pesquisadores Twort e D’Herelle observaram, em seus experimentos, 
que colônias bacterianas, infectadas por vírus, em algum momento, desapareciam devido ao 
rompimento (lise) das células. Notaram, ainda, que esse efeito “lítico” era transmitido de uma 
colônia para outra. A este “agente viral”, causador do rompimento (lise) da célula bacteriana, 
foi dado o nome de bacteriófago.
Os vírus do tipo bacteriófagos7 podem se replicar por dois processos, o ciclo lítico e o ciclo 
lisogênico. O primeiro termina com a lise da célula hospedeira, enquanto no segundo (ciclo 
lisogênico), ao final, a célula hospedeira permanecerá viva. 
Uma vez que os Vírus Bacteriófagos T são os mais estudados, será mostrada sua replicação 
utilizando a bactéria Escherichiacoli, como célula hospedeira (Figura 5).
6 Os papovavírus têm seu nome derivado de: papilomas (verrugas), poliomas (tumores) e vacuolização (vacúolos citoplasmáticos produzidos 
por alguns desses vírus). Ressalte-se que algumas espécies (deste tipo de vírus) podem causar câncer.
7 Nome que se dá ao vírus capaz de infectar bactérias e, também, destruí-las.
13
O ciclo lítico ocorre na maioria dos vírus do tipo bacteriófagos. Esse processo ocorrerá em cinco 
etapas: 1- ancoragem; 2- penetração; 3- biossíntese; 4- maturação e; 5- liberação (figura 5). 
Após a aderência, o material genético do vírus, inserido no citoplasma bacteriano, será 
transcrito (replicado), seguido da síntese de proteínas virais. Posteriormente, ocorrerá a 
maturação dos “novos vírus” (ou “partículas virais”) que serão liberados após a lise da célula 
bacteriana. O rompimento (lise) da célula bacteriana só é possível pela ação de uma enzima (a 
lisoenzima) sintetizada na fase tardia do processo de síntese proteica.
Figura 5 - As fases da replicação (“reprodução”) de um vírus bacteriófago.
DNA do fago
(�ta dupla)
O fago adsorve a célula
hospedeira e injeta seu DNA
Ocasionalmente, o profago pode
ser removido do cromossomo
bacteriano por outro evento de
recombinação, iniciando um ciclo lítico
Muitas divisões
celulares
A bactéria lisogênica
se produz normalmente
Por um processo de recombinação,
o DNA do fago se integra ao cromossomo
bacteriano e se torna um profago
O DNA e as proteínas dos novos
fagos são sintetizados e montados,
formando novos vírions
O DNA do fago circulariza
e entra em ciclo lítico
ou lisogênico
Lise cecular e liberação
de novos vírions
ou
Profago
Cromossomo
bacteriano
Ciclo lítico Ciclo lisogênico
Legenda: Etapas do Ciclo Lítico: 1 e 2 – Adsorção, Penetração e desnudamento; 3A - Replicação bioquímica; 4A- Maturação e Liberação.
Etapas do Ciclo Lisogênico: 2 – Adsorção, Penetração e desnudamento; 3B – Recombinação Gênica; 4B- Divisão (reprodução) da 
Bactéria; 5 – Nova Recombinação – possível início do ciclo lítico.
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2002) 
Os vírus bacteriófagos, que utilizam o ciclo lisogênico para a sua replicação (“reprodução”), 
são chamados de lisogênicos ou temperados. 
No ciclo lisogênico, a produção de componentes virais é desligada indefinidamente e o 
“vírus” (fago) permanece inativo. Nesse ciclo, os processos de adsorção e de penetração 
ocorrerão da mesma maneira que ocorre no ciclo lítico. 
Entretanto, em vez de ocorrer na sequência a biossíntese, o material genético do vírus será 
fundido (“recombinação”) ao material genético da bactéria, duplicando-se. Eventualmente, 
poderá ocorrer uma indução “espontânea” do material genético do vírus, permitindo assim 
que o mesmo possa se replicar (“reproduzir”) do ciclo lítico (Figura 5).
Processo de Co Evolução (Vírus x Hospedeiro)
Os vírus, assim como seus hospedeiros, buscam, incessantemente, o equilíbrio nesta relação.
Com o passar dos tempos, esses seres (vírus e hospedeiros) têm desenvolvido mecanismos 
para sobreviverem e deixarem descentes, entre estes estão estratégias de defesa (por parte dos 
hospedeiros) e de ataque (por parte dos vírus). 
14
Unidade: Os vírus
Nesse processo evolutivo, os hospedeiros mais adaptados vão sendo selecionados, passando 
para as próximas gerações o genótipo que lhes permite resistirem ao “ataque” de um determinado 
vírus. Os vírus, por sua vez, também vão sendo selecionados. Assim, os mais adaptados somente 
é que terão sucesso em parasitar seus hospedeiros, podendo, assim, transmitirem aos seus 
descendentes essas habilidades. 
A essa constante “batalha” pela sobrevivência, onde um ser exerce sobre o outro uma pressão 
seletiva / evolução, chamamos de co-evolução.
A Importância dos Vírus
As Viroses 
Os vírus causam infecções (doenças) em microrganismos, plantas, seres humanos e em 
outros animais. 
Nos humanos, os vírus podem causar diversas doenças, entre elas: Gripe (Influenzavirus), 
Gripe Suína (Influenza H1N1), Resfriado (vírus da família dos Picornavirus e Coronavirus), AIDS 
(HIV), Poliomielite (Enterovirus poliovirus), Dengue (Flavivirus sp.), Febre Amarela (Flavivirus 
sp.), Catapora (Varicellovirus sp.), Caxumba (vírus da família dos paramyxovirus), Rubéola 
(Rubella virus), Sarampo (Morbillivirus sp.), Varíola (Orthopoxvirus sp.), Raiva (Lyssavirus 
sp.), Ebola (Filovirus sp.), Diarreia (Rotavirus sp., Norovirus sp., Astrovirus sp. e os vírus da 
família dos Adenovirus), Hepatite (Hepatovirus), Herpes (Simplexvirus sp.) , Verruga (Vírus do 
papiloma humano), SARS (Coronavirus sp.), Sarcoma de Kaposi (Rhadinovirus sp.).
A maioria dessas enfermidades (viroses) se não tratadas, os sintomas podem levar o paciente 
a óbito. Atualmente, a maioria dessas viroses pode ser prevenida através do processo de 
imunização (utilizando as vacinas).
As vacinas são substâncias que contêm vírus atenuados ou mortos, ou mesmo, partes deles 
(príons8). Assim, essas substâncias, ao serem introduzidas no organismo do animal (que pode 
ser o homem), estimularão o organismo, através do sistema imunológico, a produzir anticorpos 
(estruturas de defesa) que combaterão a infecção antes que a doença se instale. Uma vez 
estimulado, o organismo se tornará imune ao agente desse tipo de vírus.
Uso dos Vírus no Controle de Infecções Bacterianas (Fagoterapia)
Nos últimos anos, com a intensa seleção química de bactérias, que não podem mais ser 
controladas por antibiótico, para controlar essas bactérias, o processo de fagoterapia tem 
sido uma alternativa. 
Nesse processo, os vírus, do tipo bacteriófago são inoculados e irão se reproduzir dentro da 
bactéria alvo, destruindo-as. Esses agentes permanecerão ativos enquanto houver bactérias. 
Ressalta-se que esse procedimento não apresenta efeitos colaterais indesejáveis, tendo em vista 
que esses vírus são específicos, infectando apenas a bactéria-alvo.
8 Partícula (de um vírus) proteica infecciosa, não possuindo ácido nucléico. Possui propriedades incomuns, como a alta resistência à radiação ultravioleta 
e ao calor, ao contrário dos vírus convencionais. No entanto, são inativados pelo hipoclorito e autoclave. Assim como os vírus, reproduz-se dentro das 
células. É possível que as proteínas dos príons sejam codificadas por um gene encontrado no DNA de um hospedeiro normal.
15
Por outro lado, não se sabe, ainda, o quanto o processo de fagoterapia é, de fato, efetivo nas 
diversas situações em que poderia ser empregado como recurso de tratamento.
Os vírus causadores de doenças em plantas (chamados de fitovírus), para infectar uma planta 
precisarão de “ajuda” de outros “agentes”. Nesse sentido, os fitovírus são transportados até uma 
planta por insetos, ácaros, fungos, ou mesmo por manipulação do homem. O vento e a água, 
também, podem realizar esse papel.
Após infectar uma planta, os vírus parasitarão células das diversas partes do vegetal, podendo 
ocasionar quadro sistêmico de infecção. Alguns vírus podem causar apenas danos e lesões em 
determinados locais (folhas, raízes, caule). 
Os sintomas que a planta pode apresentar quando a infecção for considerada do tipo 
sistêmica, são: amarelamento, nanismo, superbrotamento, distorção foliar. 
Por outro lado, quando a infecção for considerada localizada, os sintomas podem ser lesões 
necróticas. Como consequência, tanto de uma infecção sistêmica quanto de uma localizada, a 
planta ficará debilitada podendo chegar até a morte.
Entre as diversas técnicas de controle de viroses de plantas, pode-se citar: a eliminação dos 
vetores e de hospedeiros intermediários, o uso de variedades resistentes, destruição da planta 
infectada e imunização (inoculando o vírus atenuado na planta para estimular sua imunidade).
Muitas vezes, os vírus, ao infectar uma planta, podem não produzir prejuízos. Por exemplo, 
os vírus, que infectam as tulipas, são responsáveis pela coloração variada apresentada nessas 
plantas. Salienta-se que as tulipas “sadias” são monocromáticas (de apenas umacor).
Controle Biológico Utilizando Vírus 
A técnica de se controlar pragas sem o uso de produtos químicos, utilizando apenas outros 
organismos, é conhecida como controle biológico. 
Em lavouras de soja e de milho, os vírus da família Baculoriridae têm sido muito utilizados para 
controlar a população de insetos que atacam esse tipo de vegetal. Nessas lavouras, os vírus são 
pulverizados sobre as plantas contaminando e matando os insetos, ainda na sua forma de lagarta.
Para se controlar biologicamente a contaminação de produtos derivados da carne por bactérias 
do tipo Salmonella e Listeria monocytogenes, a aplicação de soluções contendo bacteriófagos tem 
se mostrado eficaz. Destaca-se que os tipos de vírus, utilizados nessa técnica de controle, não causam 
nenhum dano à saúde humana.
A utilização de vírus em processos de controle biológico apresenta algumas vantagens: 
risco mínimo ao se armazenar as soluções, especificidade elevada e não contaminam os seres 
humanos. Por outro lado, podem apresentar algumas desvantagens: elevado custo de produção, 
ação lenta e falta de formulações adequadas.
Uso dos Vírus no Processo de Saneamento Básico
Pode-se considerar que, nas Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs), os vírus do tipo 
bacteriófagos líticos, logo após as bactérias, são os “agentes” mais importantes no processo de 
tratamento dos efluentes. 
16
Unidade: Os vírus
Esses “agentes” são utilizados no processo de redução de bactérias potencialmente causadoras 
de doenças em seres humanos. Ainda, são utilizados como indicadores da qualidade da água, 
pois sua existência indicará também a existência da contaminação fecal, ou seja, a presença de 
bactérias do tipo Escherichia coli.
5
•	Introdução
•	Importância dos Fungos
•	Fisiologia e Nutrição dos Fungos
•	Associações dos Fungos com outros 
Organismos - Líquen
Serão apresentadas as características gerais dos fungos, assim como a importância desses 
microrganismos. 
Para que você tenha sucesso em seus estudos, é de extrema importância que, além de ler 
atentamente o conteúdo desta Unidade, consulte ainda os materiais complementares, pois 
são ricos em informações, possibilitando-lhe o aprofundamento de seu entendimento sobre 
este assunto.
Recomenda-se também que você busque outras fontes que possam contribuir ao seu 
aprendizado, assim, você se diferenciará das demais pessoas! 
Nesta Unidade você terá a oportunidade de aprender sobre os 
fungos, suas formas, o modo como esses microrganismos se 
alimentam, como se reproduzem, assim como compreender a 
importância desses seres vivos ao meio ambiente.
Fungos: Aspectos Gerais e Importância
7
Introdução
Os organismos considerados como fungos, tanto podem se apresentar em uma única célula, 
ou seja, unicelular (como as leveduras), ou contendo diversas células (multicelulares). Para a 
identificação dos fungos multicelulares (como os cogumelos e fungos filamentosos) seu aspecto, 
incluindo características da colônia e dos esporos reprodutivos, são considerados os da Figura 1. 
Figura 1 – Estruturas dos fungos: a) fungo carnoso (cogumelo); b) fungo filamentoso.
 
Fonte: Adaptado de djalmasantos.files.wordpress.com, biologianosegundoano204.blogspot.com.br.
Os fungos estão incluídos no grupo dos eucariotos (cuja origem é grega e significa núcleo 
verdadeiro). A principal diferença entre procariotos e eucariotos é que o primeiro grupo não 
possui estruturas celulares especializadas, mas sim funções específicas (organelas, como o 
núcleo e a mitocôndria).
De maneira geral, pode-se considerar que os eucariotos possuem as seguintes características:
•	 DNA	 encontrado	 no	 núcleo	 das	 células,	 separado	 do	 citoplasma	 por	 uma	membrana	
(carioteca);
•	 Apresentam	 organelas,	 ou	 estruturas	 celulares,	 envolvidas	 por	membranas,	 tais	 como:	
aparelho de Golgi, retículo endoplasmático, lisossomos e mitocôndrias;
•	 Composição	química	da	parede	celular,	quando	existente,	é	relativamente	simples;
•	 Ocorre	mitose	à	multiplicação	celular,	produzindo	células	semelhantes.
8
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Fisiologia e Nutrição dos Fungos
Esses organismos são encontrados nos mais variados ambientes, desde que exista matéria 
orgânica disponível. Porém, desenvolvem-se melhor em ambientes que apresentam umidade e 
ausência de luminosidade. 
Em condições adversas, por exemplo, com ausência de umidade (ambientes secos), esses 
organismos conseguem sobreviver produzindo esporos entrando em um “estado de repouso”, 
voltando a se desenvolver e reproduzir quando as condições voltarem a ser ideais.
Em relação ao pH ideal para se desenvolverem, para a maioria das espécies 5,6 é ideal. 
Ressalte-se, porém, que algumas podem crescer em ambientes onde o pH varia de extremamente 
ácido	à	levemente	alcalino	(ou	básico).
pH é o símbolo para a grandeza físico-química potencial hidrogeniônica que, em 
uma escala de 0 a 14, indica a acidez (0 a 6,9), a neutralidade (7) ou a alcalinidade 
(7,1 a 14) de um meio.
Muitos fungos podem crescer em soluções de sais ou de açúcares concentradas, onde bactérias 
não conseguem se instalar e se desenvolver.
A temperatura ótima do meio para a maioria desses organismos crescerem está entre 22 e 30o C, 
porém, alguns conseguem sobreviver abaixo ou acima dessas temperaturas.
Os fungos, quando obtêm seus alimentos decompondo organismos mortos, são considerados 
saprófagos. Quando se alimentam de substâncias que retiram dos organismos vivos nos quais 
se instalam, prejudicando-os, são considerados parasitas. Algumas espécies desses organismos 
podem, ainda, estabelecer associações mutualísticas com outros organismos, em que ambos se 
beneficiam, formando, por exemplo, líquens ou micorrizos. 
Sejam saprófitos ou parasitas, para a absorção de nutrientes esses organismos liberam enzimas 
(digestivas) para o meio externo, onde essas atuam diretamente na matéria orgânica, degradando-a 
em partículas (moléculas) mais simples, que posteriormente serão absorvidas pelo fungo.
Juntamente com algumas bactérias, os fungos decompositores (saprófagos) são responsáveis pela 
degradação da matéria orgânica no ambiente, contribuindo com a reciclagem dessa (os nutrientes). 
Alguns, ainda, conseguem degradar a lignina (componente da madeira), o que permite a 
alguns fungos se desenvolverem sobre troncos de árvores, papéis, sapatos, entre outros objetos.
Morfologia dos fungos
De acordo com sua estrutura vegetativa, os fungos podem ser filamentosos ou carnosos (Figura 1).
Suas colônias são descritas como estruturas vegetativas porque são compostas de células 
envolvidas no catabolismo e no crescimento.
9
Catabolismo	também	pode	ser	chamado	de	parte	do	metabolismo,	referindo-se	à	
assimilação ou processamento da matéria orgânica adquirida pelos seres vivos para 
fins de obtenção de energia.
As hifas (pequenos filamentos) em conjunto formarão o talo e o micélio de um fungo. As 
estruturas	chamadas	de	micélios	podem	servir	tanto	à	reprodução	(produzindo	esporos),	quanto	
à	nutrição	(vegetativa).	
Os fungos filamentosos, em sua maioria, possuem hifas com septos (chamadas de hifas 
septadas). Essas estruturas dividem as hifas em unidades celulares com um único núcleo (Figura 
2a). Em alguns poucos fungos, as hifas podem não apresentar tais divisões (os septos). Assim, 
as hifas se desenvolvem como células contínuas com diversos núcleos – chamadas, portanto, de 
hifas cenocíticas (Figura 2b). 
Cenocítico	vem	do	grego	koinos	(partilhar	em	comum)	+	kytos	(compartimento),	
tratando-se de uma célula, tecido ou organismo multinucleado. As células cenocíticas 
resultam de repetidas divisões celulares sem a formação de paredes transversais, 
septos ou membranas que separem os respectivos núcleos das células-filhas 
adjacentes, Ou seja, uma célula, tecido ou organismo multinucleado.
As hifas se desenvolvem (crescem) alongando suas pontas (Figura 2c). Ressalta-se que 
quando uma hifa é fragmentada, a extremidade que fica exposta pode se alongar para formaruma nova hifa. Em laboratório, os fungos geralmente crescem a partir de fragmentos obtidos de 
um talo do fungo.
Em	relação	à	extensão	das	hifas	ou	micélio,	essas	estruturas	podem	crescer	até	imensas	proporções.	
Há casos que as hifas de um único fungo podem se estendem por mais de cinco quilômetros.
Figura 2 – As características e crescimento das hifas.
Parede
celular
Poro
Núcleos
Septo
a) b) c)
Esporo
Legenda: a) hifa septada com parede cruzada, ou septos, dividindo as hifas em unidades 
tipo célula; b) hifa cenocítica que não contém septos; e c) crescimento das hifas por 
alongamento das extremidades.
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
10
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
A parte da hifa que é responsável pela obtenção de nutrientes é denominada de vegetativa, 
a parte responsável pela reprodução é denominada de aérea ou reprodutiva. 
As hifas aéreas frequentemente sustentam os esporângios, estruturas que contêm os esporos 
reprodutivos (Figura 3). 
Figura 3 – Hifas com esporângios (cheios de esporos).
Esporângios
Hifas
Esporos
Fonte: biologianosegundoano204.blogspot.com.br.
Conforme	já	citado,	em	condições	favoráveis,	as	hifas	se	desenvolvem	formando	o	micélio	
(massa de filamentos – hifas), estrutura que pode ser identificada a olho nu (Figuras 1 e 4).
Figura 4 – Rede de hifas formando o micélio. 
Fonte: adaptado de escolamirella.blogspot.com.br/p/biologia_27.htm
Classificação dos fungos
As características dos esporos, dos ciclos de vida e morfológicas de seus micélios vegetativos 
são	as	principais	referências	à	classificação	dos	fungos.
11
Os fungos que não possuem todos os estágios sexuais conhecidos são denominados 
imperfeitos, enquanto os que possuem são chamados de perfeitos.
Os micologistas, cientistas especialistas em fungos, dividiram o Reino Fungi em três partes, as 
quais: fungos limosos, fungos inferiores flagelados e fungos terrestres.
Fungos limosos
Podem não ser considerados como fungos – tipicamente dito, pois durante seu desenvolvimento, 
apresentam	uma	aparência	similar	à	de	um	protozoário.	Por	não	apresentarem	parede	celular,	
ingerem partículas de nutrientes e apresentam movimentos do tipo ameboide.
Durante sua reprodução, esse tipo de organismo forma corpos de frutificação e esporângios, 
igualmente aos outros fungos. 
São encontrados em ambientes aquáticos (água doce), no solo (úmido) e em matéria orgânica 
(vegetal) morta.
Fungos inferiores flagelados
Os organismos que se enquadram neste grupo, em alguma fase de desenvolvimento, produzem 
células flageladas. Vivem no solo ou na água (doce) e, tal qual os demais tipos, ingerem seus 
nutrientes do meio externo, podendo ser parasitas ou saprófitas. 
Grande parte desses organismos é filamentosa, apresentando micélio cenocítico. Outros 
apresentam	ainda	estruturas	semelhantes	às	raízes	de	plantas,	os	rizoides.	
Rizoide é uma estrutura que possui apenas a função de aderência ao substrato. 
Não é uma raiz, pois não desenvolve vasos condutores. A absorção de água e sais 
minerais ocorre diretamente através de suas células aéreas.
Reproduzem-se assexuadamente através da produção de zoósporos ou, em alguns casos, 
também de forma sexuada. 
Zoósporo é um tipo de esporo flagelado. Possui movimentação própria em 
meio líquido.
12
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Fungos terrestres
Neste grupo estão os fungos mais conhecidos, como os cogumelos, as orelhas-de-pau e as 
leveduras.
A nutrição também se dá através da absorção de nutrientes do meio externo. Apresentam 
micélio constituído de hifas cenocíticas.
Reproduzem-se de forma assexuada, produzindo esporangióforos ou conídios, ou ainda 
através de brotamento. Produzem, também, zigósporos, ascósporos ou basidiósporos (tipos de 
esporos sexuais) para realizarem a reprodução de forma sexuada.
Esporangióforo é uma pequena formação do talo do fungo que suporta o 
esporângio (que contém os esporos).
Já conídio é um esporo assexual.
Entre os fungos terrestres, encontram-se quatro grupos: Zygomycetes, Ascomycetes, 
Basidiomycetes e Deuteromycetes. 
Algumas características desses grupos são apresentadas no Quadro 1:
Quadro 1 –	Características	gerais	e	exemplos	dos	 fungos	Zygomycetes, Ascomycetes, 
Basidiomycetes e Deuteromycetes.
Classes Exemplos
Reprodução 
Assexuada
Reprodução 
Sexuada
Zygomycetes Bolor Preto do Pão Esporos não-movéis Zigósporos
Ascomycetes
Leveduras, Fungos 
em Forma de Taça, 
Trufas.
Conídios	desprendem-
se dos conidióforos Ascósporos
Basidiomycetes
Cogumelos,	Fungos	
da Ferrugem e do 
Carvao,	Bufa-de-
Lobo, 
Orelha-de-Pau
Incomum Basidiósporos
Deuteromycetes
(Fungos Imperfeitos)
Candida	Albicans,	
Algumas Espécies de 
Penicillium e
Aspergillus
Conídios Estágio Sexual desconhecido
Fonte: adaptado de Bossolan (2002). 
13
Zygomycetes
Esses fungos produzem esporos sexuais chamados zigósporos, que podem permanecem 
“dormentes” por algum tempo. Apresentam hifas cenocíticas (sem septo). Muitos se desenvolvem 
sobre matéria orgânica morta (saprófitas), porém, alguns são parasitas.
Podemos encontrar cerca de seiscentas espécies, entre as quais destaca-se o Rhizopus 
stolonifer (“bolor do pão”). Quando em contato com o substrato (pão), as hifas se desenvolvem 
e absorvem os nutrientes disponíveis. Algumas hifas (estolões) se desenvolvem horizontalmente, 
outras (rizoides) dão suporte aos estolões. 
Algumas hifas, ainda, podem se desenvolver verticalmente, formando em suas extremidades o 
esporângio (“saco de esporos”). Os esporos são liberados ao meio, quando o esporângio se rompe.
A reprodução sexuada ocorre quando dois tipos de hifas (a positiva e a negativa) se 
desenvolvem encostadas uma na outra (Figura 5).
Figura 5	–	Ciclo	reprodutivo	de	um	fungo	filamentoso	(Zygomycetes). 
 
Os esporos são
liberados do
esporângeo
Os esporos
germinam para
produzir as hifas
A hifa aérea
produz o
esporângio
Crescimento vegetativo
do miocélio
Os esporos
germinam para produzir hifas
O esporângio
se rompe
para liberação
dos esporos
Esporângio
Esporangióforo
Esporangiósporos
Reprodução assexuadaReprodução sexuada
O zigoto produz
um esporângio
Cariogamia
e meiose
Formação
do zigósporo
Plasmogamia
O gameta
se forma na
extremidade
da hifa
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
Nesse grupo não há, morfologicamente, diferenciação sexual.
Quando os dois tipos de hifas se encontram, são produzidos determinados hormônios que 
contribuem para o crescimento conjunto dessas hifas.
O	núcleo	 positivo	 (+)	 se	 une	 como	 o	 negativo	 (-),	 dando	 origem	 a	 um	 núcleo	 diploide	
(chamado de zigósporos). Essa estrutura, o zigósporos, pode ficar “adormecida” por meses. 
A meiose ocorre antes da germinação do zigósporo. Quando a germinação acontece, uma 
hifa (do tipo aérea) cresce, desenvolvendo em sua extremidade um esporângio (“saco com 
esporos”).	Cada	esporo,	desenvolvido	dentro	do	esporângio	terá	a	capacidade	de	desenvolver	
um novo conjunto de hifas (Figura 5).
Esses fungos são utilizados no processo de fabricação de diversos produtos como: 
anticoncepcionais, anti-inflamatórios, molho de soja etc.
14
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Ascomycetes
Recebem esse nome por, em determinada fase da vida, apresentarem uma estrutura reprodutiva 
na forma de “vaso” (do latim ascus) ou “saco”, onde os esporos são desenvolvidos e armazenados.
Nesse grupo estão identificadas cerca trinta mil espécies. 
Apresentam hifas, na maioria dos casos com septos, porém, com paredes perfuradas, 
permitindo o movimento do citoplasma de um septo para outro.
Esses organismos variam na complexidade, apresentando-se desde a forma unicelular (como 
as leveduras), até multicelular, como os bolores e os fungos “no formato de uma taça”. Entre 
os bolores destacam-se as trufas comestíveis e os que estragam os alimentos – formando uma 
densa e esverdeada rede de hifas (Figura 6). 
Figura 6 – Alguns alimentos “embolorados”. 
Fonte:	thinkstockphotos.com.
Para se reproduzirde forma assexuada, a produção e propagação de esporos (ou conídios) 
são necessárias (Figura 7). 
Esses conídios são produzidos e armazenados nas extremidades de certas hifas, conhecidas 
como conidióforos. Ressalta-se que os conídios são um meio de rápida propagação do novo 
micélio, pois se desprendem dos conidióporos com certa “facilidade”. 
Conforme	 já	 relatado,	essas	estruturas	podem	apresentar	a	coloração	esverdeada.	Porém,	
cabe ressaltar que a cor do conídio dependerá da espécie do fungo, que poderá se apresentar 
nas seguintes cores: preta, azul, rosa ou mesmo verde (Figura 6).
Quando duas hifas se desenvolvem juntas, unindo seus citoplasmas, de maneira que seus núcleos 
também possam ficar juntos (mas sem se fundirem), a reprodução do tipo sexuada pode ocorrer. 
Assim, novas hifas (com células dicarióticas – dois núcleos) se desenvolvem a partir dessa estrutura. 
Posteriormente, essas hifas formarão e estrutura chamada corpo de frutificação (o ascocarpo). 
Dando continuidade no processo, no interior de cada célula que se desenvolverá, os dois 
núcleos se unirão, formando o zigoto (contendo um núcleo diploide). 
Na sequência, cada zigoto originará quatro núcleos haploides, através do processo de 
meiose. Após, pelo processo de mitose, oito núcleos serão formados. Por fim, os ascósporos 
serão liberados, após a estrutura (o asco) que os contém ser rompida. A Figura 7 apresenta o 
esquema do ciclo de vida de um fungo ascomiceto.
15
Figura 7	–	Ciclo	reprodutivo	de	um	fungo	ascomiceto.	
O asco se abre
para a liberação
dos ascósporos
Meiose
seguida
de mitose
Cariogamia Plasmogamia
A ascósporo
germina para
produzir a hifa
O micélio
vegetativo se
desenvolve
A hifa produz
o conidióforo
Conídio
Reprodução assexuadaReprodução sexuada
Conidióforo
Conídios são
liberados do
conidióforo
O conídio germina
para produzir a hifa
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
Sobre a contribuição desses organismos para o meio ambiente, esses degradam moléculas 
orgânicas resistentes como a celulose, lignina e o colágeno, sendo assim reciclada a matéria nos 
sistemas naturais.
As leveduras (ascomicetos)
Esses organismos se apresentam formados apenas por uma única célula. Portanto, são 
unicelulares, no formato de esfera ou ovo. 
Estão distribuídos amplamente pelos diversos ambientes, até mesmo sobre frutas e folhas 
(como um pó branco). 
As leveduras podem se reproduzir por brotamento, formando células não semelhantes (Figura 8).
Figura 8 – Micrografia de Saccharomyces cerevisiae em diversos estágios do brotamento.
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
16
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Por brotamento, uma única célula de levedura chega a reproduzir cerca de 24 novas células. 
Nesse tipo de reprodução, a célula mãe forma, em sua superfície, uma pequenina saliência (o 
broto). À medida que o broto se desenvolve, o núcleo da célula mãe é dividido e, posteriormente 
um dos núcleos migra para o broto. Após ser sintetizada a nova parede celular, o broto se 
desprende da célula mãe. 
Quando os brotos não se separam, são produzidas as pseudo-hifas, processo que acontece 
somente com alguns tipos de leveduras.
No caso da levedura Candida albicans, essa necessita se apresentar no formato de “fios” 
(pseudo-hifas) para ter sucesso em parasitar os tecidos mais profundos da pele humana. 
Quando leveduras se reproduzem por meio de fissão binária, como as Schizosaccharomyces, 
essas se dividem, produzindo duas novas células idênticas. 
Algumas leveduras apresentam a capacidade de se desenvolverem na presença ou não do 
gás oxigênio (O2). São, portanto, chamadas de anaeróbicas facultativas, podendo utilizar esse 
gás ou uma substância orgânica como aceptor final de e- (elétrons). Estratégia que possibilita 
que esses fungos possam sobreviver em diversos ambientes. 
Assim, se conseguem acessar o gás oxigênio (O2), esses fungos (leveduras) aerobicamente 
metabolizam	compostos	orgânicos.	Caso	contrário,	na	ausência	de	O2,	fermentarão	compostos	
orgânicos,	produzindo	o	álcool	etanol	 (C2H6O2)	e	o	gás	dióxido	de	carbono	 (CO2).	Nesse	
processo a fermentação é utilizada para se fabricar pães, vinhos e cervejas.
Basidiomycetes
Nesse grupo, com cerca de 25.000 espécies, estão inseridos os cogumelos, as orelhas-de-pau, 
além de importantes parasitas de plantas, como a ferrugem, por exemplo.
Para se reproduzirem de maneira sexuada, esses fungos desenvolvem seus esporos sexuais 
dentro de estruturas chamadas basídios. Nessas estruturas, em suas extremidades, são formados 
os basidiósporos. Os esporos, após serem liberados e, se as condições ambientais forem 
apropriadas, desenvolverão novos micélios.
Quando ramificadas e entrelaçadas, geralmente abaixo do substrato, as hifas formam o corpo 
vegetativo, tal como o do cogumelo comestível Agaricus campestris (Figura 9).
17
Figura 9 –	Características	gerais.	
Fonte: Bossolan (2002).
As hifas também formarão os chamados botões, e essas estruturas desenvolverão o corpo 
do “cogumelo” ou o basidiocarpo, que consiste de um estipe (haste) e de um “chapéu” (píleo) 
(Figura 9).
Abaixo	do	píleo	(chapéu),	nas	lamelas,	ficam	alojados,	aos	milhares,	os	basidiósporos.	Cada	
uma dessas estruturas apresenta potencial para formar um novo micélio.
A reprodução sexuada ocorrerá quando uma hifa e um esporo se juntarem, ou então quando 
duas hifas (de tipos diferentes) se juntarem (plasmogamia). Após essa união (ou fusão), poderá 
ocorrer a formação de uma célula dicariótica (com dois núcleos), que dará origem a outras 
células dicarióticas. 
Com	o	passar	do	tempo,	a	fase	dicariótica	se	desenvolve	e,	posteriormente,	ficará	independente	
da forma unicariótica. Logo em seguida, ocorrerá a cariogamia, seguida da meiose, formando quatro 
núcleos haploides, que constituirão quatro basidiósporos na extremidade de pequenos pedúnculos. 
Os basidiósporos são lançados no ambiente para serem disseminados por animais ou pelo vento.
Cariogamia	corresponde	a	fusão	de	um	núcleo	+	(haploide	-	1n)	com	um	núcleo	-	
(haploide -1n), que darão origem ao zigoto (diploide – 2n).
18
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
O ciclo de vida começa quando o basidiósporo germina, originando um micélio uninucleado 
e haploide. Quando as hifas se fundem, forma-se uma célula dicariótica que dará origem ao 
micélio dicariótico, onde ocorrerá a diferenciação dos basídios e consequente formação do 
basidiocarpo, esse que produzirá novos basidiósporos (Figura 10).
Figura 10	–	Ciclo	reprodutivo	de	um	fungo	basidiomiceto.	
Os basidiósporos são
formados por meiose
Estrutura de
fruti�cação
(cogumelo) se
desenvolve Plasmogamia
Reprodução sexuada Reprodução assexuada
Crescimento
do micélio
vegetativo
O basidiósporo
germina para
produzir hifas
Um fragmento de hifa se desprende
do micélio vegetativo
O fragmento cresce para
produzir um novo micélio
20 μm
Basidiósporos maduros
Os basidiósporos
são liberados
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
Conforme	é	evidenciado	na	Figura	10,	a	reprodução	assexuada	desses	organismos	ocorre	a	
partir de um fragmento do micélio (hifas). 
Deuteromycetes
Por não apresentarem o estágio sexuado em seu desenvolvimento, esses organismos são 
também chamados de fungos imperfeitos. São classificados como fungos deuteromicetos, 
representados por cerca de 25.000 espécies. 
Sobre a forma de reprodução dos deuteromicetos, em sua grande maioria, reproduzem-se 
por meio de esporos assexuais (os conídios) (Figura 11). 
19
Figura 11 – Estruturas sexuais dos Deuteromycetes. 
Fonte:	adaptado	de	Pelczar,	Chan	e	Krieg	(1997).
 
 Importante
Os fungos que produzem esporos sexuais e assexuais atualmente são chamados de teleomorfos. Já 
os fungos que se reproduzem de maneira assexuada são chamados de anamorfos. Historicamente, 
os fungos cujo ciclo sexual ainda não havia sido observado eram colocados no grupo, de “categoria 
de espera”, ou Deuteromycetes. Atualmente, porém, os micologistas usamo sequenciamento de 
rRNA para classificar esses organismos. Muitos dos que foram previamente classificados como 
deuteromicetos são fases anamórficas dos ascomicetos e alguns são basidiomicetos.
Os fungos Penicillium e Aspergillus estão entre os gêneros mais importantes economicamente. 
Cabe-se	 ressaltar	que	algumas	espécies	de	Penicillium produzem a penicilina, enquanto que 
outras espécies contribuem na produção de alimentos, como os queijos com o Camembert e o 
Roquefort. Algumas espécies do gênero Aspergillus são empregadas no processo de fermentação 
na indústria alimentícia, além de contribuírem na produção do ácido cítrico.
Por outro lado, alguns desses fungos são causadores de doenças, como a candidíase, que 
afeta a mucosa da boca ou da vagina – sendo o agente, o fungo Candida albicans. 
Associações dos Fungos com outros Organismos - Líquen
É uma combinação de uma alga verde (ou cianobactéria) com um fungo. Os líquens fazem 
parte do Reino Fungi, são classificados de acordo com o fungo associado, na maioria das vezes 
um ascomiceto.
20
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Esses dois organismos convivem em uma relação mutualística, em que ambos se beneficiam. Os 
líquens são diferentes tanto das algas quanto dos fungos quando ambos crescem separadamente, 
e se as partes são separadas, o líquen deixa de existir. 
Cerca	 de	 13.500	 espécies	 de	 líquens	 ocupam	 habitats	 significativamente	 diversos.	 Por	
poderem habitar áreas onde nem os fungos nem as algas poderiam sobreviver sozinhos, os 
liquens são, frequentemente, a primeira forma de vida a colonizar solos ou pedras recentemente 
expostas – os chamados organismos pioneiros no processo de sucessão ecológica. 
Secretam ácidos orgânicos que quimicamente desgastam as rochas e acumulam nutrientes 
necessários para o crescimento das plantas sucessoras. 
Também encontrados em árvores, estruturas de concreto e telhados, os líquens são 
organismos que crescem de forma extremamente lenta. Podem ser agrupados em três categorias 
morfológicas (Figura 12a). 
Os líquens crustosos crescem “encrustados” no substrato, os líquens foliosos são mais 
parecidos com folhas, e os líquens fruticosos possuem projeções semelhantes a dedos. O talo de 
um líquen, ou corpo, forma-se quando a hifa do fungo cresce ao redor das células da alga para 
se tornar a medula (Figura 12b). 
A hifa do fungo projeta-se abaixo do corpo do líquen para formar rizinas, ou estruturas de 
fixação. A hifa do fungo também forma o córtex, ou capa protetora, em cima da camada de 
algas	e	às	vezes	abaixo	dessa.	Após	a	incorporação	como	um	talo	de	líquen,	a	alga	continua	seu	
crescimento e a hifa em desenvolvimento pode incorporar novas células de algas.
Geralmente, os líquens se reproduzem por fragmentação. Seus fragmentos apresentam hifas 
do fungo e algas ou cianobactérias.
Figura 12 – Tipos de líquens e morfologia do talo.
Fruticoso
Folioso
Crustoso
a) Os três tipos de liquens b) Talo do líquen
Fungo
Alga
Córtex
Córtex
Rizina
Medula
Camada
de alga
Hifa do
fungo
2 cm
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
21
Os líquens crescem em todos os lugares, exceto em ambientes que se apresentam poluídos. 
Assim, alguns tipos são considerados “bioindicadores” de ambientes saudáveis ou não. 
Por apresentarem compostos químicos incomuns, muitos são usados como matéria-prima 
(corantes e bases fixadoras) nas indústrias farmacêutica, de cosméticos e alimentícia.
Micorriza
Quando um fungo e uma raiz de uma planta vivem em uma associação reciprocamente 
benéfica, temos formado a chamada “raiz fúngica”, ou micorriza. Geralmente os simbiontes 
(parceiros) fúngicos são os basidiomicetos e zigomicetos (Figura 13). 
Figura 13 – Micorriza em uma planta ornamental.
Fonte:	adaptado	de	Tortora,	Funke	e	Case	(2012).
Destaca-se que essa relação simbiótica para algumas plantas é imprescindível. Por exemplo, 
algumas orquídeas não conseguem se desenvolver a menos que suas raízes sejam “infectadas” 
por fungos.
As	“raízes	fúngicas”,	as	micorrizas	ampliam	à	planta	a	absorção	de	minerais	como:	fósforo	
(P),	zinco	(Zn),	cobre	(Cu)	e	outros.	Em	contrapartida,	a	planta	disponibiliza	carbono	(C)	ao	
fungo simbionte.
Os efeitos da micorrização são atribuídos, principalmente, ao desenvolvimento extrarradicular 
do micélio, que acontece após a colonização radicular pelo fungo. A utilização de plantas 
leguminosas na agricultura, pela característica de apresentar simbiose com rizóbio e fungos 
micorrízicos, mais a grande capacidade de exploração do solo, é de fundamental importância 
tanto	ao	equilíbrio	biológico,	como	à	reciclagem	de	nutrientes.	
Com	 isso,	 há	 maior	 equilíbrio	 nutricional	 das	 plantas	 e	 maior	 resistência	 do	 sistema	 ao	
aparecimento de pragas e doenças.
22
Unidade: Fungos: Aspectos Gerais e Importância
Trufas
Algumas espécies de Ascomycetes crescem em associação com algumas árvores (o carvalho 
e a faia, por exemplo) e seus corpos tornam-se frutificantes (comestíveis), desenvolvendo-
se abaixo da terra, formando a trufa. Esse corpo comestível é constituído por uma massa de 
ascósporos e micélios, recoberto por uma espessa casca do micélio (Figura 14).
Figura 14 – Trufas.
Fonte:	thinkstockphotos.com.
Nessa	 relação	 simbiótica,	 o	 fungo	 fornece	 nutrientes	 à	 planta	 e	 essa,	 em	 troca,	 fornece	
substâncias essenciais ao crescimento do fungo.
As trufas apresentam algumas características especiais (agradáveis), que são apreciadas por 
diversos profissionais da área gastronômica (chefs gourmet), como gosto, odor e textura.
Importância dos Fungos
Os	fungos	desempenham	funções	indispensáveis	à	manutenção	da	vida	de	todos	os	seres.	
Assim como algumas bactérias, a maioria dos fungos são saprófitas, portanto, decompõem e 
reciclam a matéria (nutrientes) nos diversos ecossistemas. 
Os nutrientes disponibilizados pelo processo de decomposição serão novamente incorporados 
pelos seres vegetais e distribuídos ao longo das cadeias alimentares. 
Algumas espécies de formigas devem cultivar (“cuidar”) fungos para que esses possam 
degradar	a	lignina	e	celulose	presentes	nas	folhas	verdes,	disponibilizando,	assim,	a	glicose	às	
formigas se alimentarem. 
Outros fungos podem, ainda, ser utilizados como alimentos (cogumelos) ou nas indústrias 
alimentícia (pão e ácido cítrico) e farmacêutica (álcool e penicilina). 
Os fungos também são utilizados na biotecnologia há muitos anos. Aspergillus niger, por 
exemplo, é usado para produzir ácido cítrico para alimentos e bebidas desde 1914. 
23
O fungo Trichoderma é utilizado comercialmente para a produção da enzima celulase, que é 
aplicada na remoção da parede celular de plantas na produção de sucos de frutas. 
Os fungos, ainda, são utilizados para o controle biológico de pragas. Em 1990, o fungo 
Entomophaga se proliferou de maneira inesperada e eliminou as mariposas que estavam 
destruindo árvores no Nordeste dos Estados Unidos (EUA).
Nesse aspecto, cientistas estão investigando o uso de diversos fungos para o controle de 
pragas, tais como:
•	 Metarrhizium,	que	cresce	em	raízes	de	plantas	e	gorgulhos	(inseto	do	tipo	besouro)	que	
morrem após se alimentarem das raízes;
•	 Um	 fungo	associado	a	 insetos,	 esses	que	 se	alimentavam	de	berinjelas	pode	 se	 tornar	
um	novo	agente	de	controle	biológico	à	praga	conhecida	como	“moscas	brancas”,	que	
ocasiona	grandes	prejuízos	à	agricultura;
•	 O	fungo	Coniothyrium	minitans	se	alimenta	de	 fungos	que	destroem	culturas	de	soja	 
e de feijão;
•	 Uma	espuma	com	Paecilomyces	 fumosoroseus	é	utilizada	como	alternativa	biológica	a	
produtos químicos para matar cupins que permanecem escondidos no interior de troncos 
de árvores e em outros locais difíceis de serem alcançados.
A levedura Saccharomyces cerevisiae é utilizada na produção de pão e vinho. É também 
geneticamente modificada para produzir diversas proteínas, incluindo a vacina para a hepatite B.
O vinho é produzido a partir da fermentação do açúcar de frutas, a cerveja a partirda 
fermentação	da	cevada,	o	pão	cresce	através	das	bolhas	de	CO2	formadas	a	partir	da	fermentação	
propiciada por fungos.
Em	contraste	a	esses	efeitos	benéficos,	os	fungos	também	podem	ter	efeitos	indesejáveis	à	
agricultura	devido	às	suas	adaptações	nutricionais,	deteriorando	vegetais,	grãos	e	frutas.	
Entre os basidiomicetos, encontramos espécies comestíveis e outras venenosas. Entre os 
cogumelos venenosos, que se ingeridos podem matar uma pessoa, os mais conhecidos são: o 
“anjo da morte” (Amanita phalloides) e o “anjo destruidor” (Amanita virosa). 
Outros cogumelos, se ingeridos, podem causar alucinação. Por essa propriedade esses 
cogumelos	(Conocybe	e	Psilocybe,	por	exemplo)	são	usados	em	rituais	sagrados	por	algumas	
etnias	da	América	Central.	O	estado	de	transe	(“viagem	alucinógena”)	experimentado	por	quem	
utiliza esses cogumelos é propiciado por uma substância chamada psilocibina, parecida com o 
ácido lisérgico (LSD).
5
•	Introdução
•	Os Ciliophoras (ou ciliados)
•	Os Sarcodíneos
•	Os Sporozoa (ou esporozoários)
•	Os Mastigophoras (ou Flagelados)
•	Importância ambiental dos protozoários
Para que você tenha sucesso em seus estudos, é de extrema importância que, além de ler 
atentamente o conteúdo desta Unidade, consulte os materiais complementares e também 
assista aos vídeos sugeridos. 
Recomenda-se também que você busque outras fontes que possam contribuir ao seu 
aprendizado, pois ao ir além do conteúdo apresentado, você criará condições para um maior 
aprofundamento sobre o tema e, com isso, enriquecerá seus conhecimentos. Assim, você se 
diferenciará dos demais!
Nesta Unidade você terá a oportunidade de aprender sobre 
os microrganismos protozoários, suas formas, tipos, como se 
nutrem e se reproduzem, assim como a importância desses 
seres vivos para o meio ambiente.
Protozoários: 
Aspectos Gerais e Importância
7
Introdução
O termo protozoan significa “primeiro animal”. Assim, os protozoários, por apresentarem 
“características semelhantes” as dos animais, recebem essa nomenclatura.
Os protozoários são seres eucariotos, não possuem parede celular, a maioria se locomove e 
se nutre por ingestão (sendo, portanto, heterotróficos) e, em alguns casos, são seres saprófitos 
ou parasitas. 
Preferem os ambientes úmidos, com temperaturas entre 16 e 25oC, pH 6,0 a 8,0 (levemente 
ácido a alcalino), para melhor se desenvolverem. Porém, há espécies que toleram ambientes 
com pH 3,2 a 8,7. 
Algumas espécies são importantes no processo de nutrição de animais herbívoros, pois 
habitam (em simbiose) o rúmen - primeira cavidade do estômago dos animais vertebrados 
herbívoros. Nutrem-se digerindo a celulose das plantas e, como consequência, disponibilizam 
ao hospedeiro nutrientes necessários à sua sobrevivência.
Para organizarem os grupos de protistas (protozoários), os pesquisadores tiveram como 
referência a história evolutiva. Entretanto, a classificação atual dos protozoários está embasada 
no sequenciamento do RNA ribossômico. Assim, é possível que à medida que mais informações 
forem obtidas, alguns grupos poderão ser classificados em reinos diferentes dos atuais, ou até 
poderão ser reagrupados em reinos já existentes ao protista (Domínio Eukarya). 
De maneira geral, seu modo de locomoção também é uma referência para que os protozoários 
possam ser classificados. 
Os que se movem através de mecanismos de expansões do citoplasma, formando “falsos 
pés” (os chamados pseudópodos) são classificados como Filo Sarcodina (as amebas, por 
exemplo). Já aqueles que apresentam uma “longa cauda” (flagelados), estão agrupados no Filo 
Mastigophora. Localizadas em uma das extremidades do corpo do protozoário, essas estruturas 
(os flagelos), em movimento de “chicote” permitem ao organismo se deslocar em meio líquido. 
Os que se movimentam através de apêndices finos (os cílios) são classificados como membros 
do Filo Ciliophora (o Plasmódium, por exemplo).
Entre esses organismos há, também, os esporozoários, membros do Filo Sporozoa, que não 
possuem estruturas externas para locomoção (cílios ou flagelos), locomovendo-se, portanto, de 
maneira “semelhante” aos sarcodíneos (as amebas), ou seja, por deslizamento:
8
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
Figura 1 – Os diversos Filos dos Protozoários.
Película
Ocelo
Flagelo
Núcleo
Citóstoma
A - Esporozoítos
B - Merozoítos
Película
Cloroplasto
Flagelo
pré-emergente
Cili
Citóstoma
Vacúolo
alimentar
Vacúolo
alimentar
Núcleo
Pseudópoles
Vacúolo
contrátil
Macronúcleo Micronúcleo Poro
anal
Fonte: Adaptado de Tortora, Funke e Case (2012).
Os Sarcodíneos
Por sempre estarem alterando sua forma, a todo o momento, tanto para o deslocamento, 
quanto para ingerir nutrientes, com base na palavra grega amoibe (que significa “modificação”), 
os cientistas deram o nome de ameba aos principais representantes do Filo Sarcodina.
Como citado, o deslocamento das amebas se dá pela expansão dos pseudópodos (“falsos 
pés”). Exemplo típico é a Amoeba Proteus, cuja célula chega a apresentar 0,5mm de diâmetro 
ao expandir seus pseudópodos.
As amebas se alimentam, ingerindo protozoários e algas e também de protoplasma morto. Ao 
perceberem a presença de uma “partícula de alimento”, deslocam-se em sua direção, “abraçando-a” 
com seus pseudópodos, esse processo de ingestão de nutrientes é chamado de fagocitose:
Figura 2 – Ameba se alimentando (fagocitose).
Alimento
Ameba
Pseudópodos
Fagossomo
Fonte: nossomeioporinteiro.wordpress.com.
9
Após o alimento ser ingerido, esse ficará armazenado em um vacúolo alimentar (fagossomo). 
Em seguida, enzimas digestivas, que estão armazenadas nos lisossomos, agirão sobre o alimento, 
digerindo-o e formando a estrutura “vacúolo digestivo”. 
Com a contribuição das correntes citoplasmáticas, o vacúolo digestivo se desloca no interior 
da ameba. Com isso, o alimento digerido será distribuído por todo o corpo do organismo, ou 
seja, da ameba. 
Os resíduos (sobras) da digestão serão também armazenados em um vacúolo, que agora 
passa a ser chamado de “vacúolo residual”. Posteriormente, essas sobras serão eliminadas da 
ameba através do processo conhecido como “defecação celular”, ou clasmocitose.
As amebas e outros protozoários de água doce se apresentam com células hipertônicas em 
relação ao meio externo. A diferença entre a concentração do suco celular (dentro da ameba) e da 
água doce (meio externo) é suficiente para saturar a célula (ameba) e consequentemente rompê-
la para equilibrar as concentrações entre o meio interno e externo, ocorre o processo de osmose. 
Células hipertônicas possuem maior concentração de sais dissolvidos em água 
quando comparada à concentração de sais do meio externo.
O processo de osmose é um movimento (sem gasto energético) de água entre 
os meios (interno e externo) com concentrações diferentes, separados por uma 
membrana semipermeável. O objetivo da osmose é, portanto, equilibrar as 
concentrações dos dois meios.
Para contribuir com o processo de osmose e, consequentemente, não se romper (“estourar”) 
os protozoários de água doce, desenvolveram os chamados “vacúolos pulsáteis”, organelas 
citoplasmáticas contráteis que eliminam o excesso de água que entrar na célula:
Figura 3 – Esquema de uma ameba.
Plasmalema Ectoplasma
Pseudópolo
Núcleo
Vacúolo digestivo
Vacúolo
contrátil
Fonte: nossomeioporinteiro.wordpress.com.
Por outro lado, os protozoários que vivem em meio líquido salgado geralmente não apresentam 
os “vacúolos pulsáteis”, pois nessa condição, a concentração do meio externo será igual à do 
citoplasma da célula (protozoário).
10
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
A reprodução assexuada, por meio da divisão binária, é o tipo mais comum de reprodução entre 
os sarcodíneos. Assim, durante a sua reprodução, esses organismos dividem-se ao meio, dando 
origem a uma “célula-filha” (novo protozoário) com a mesma informação genética da “célula-mãe”:
Figura 4 – Reprodução de uma ameba por divisão binária.
Ameba“Mãe”
Ameba “Filha”
Fissão (divisão) do núcleo e do citoplasma
Fonte: cienciasvm.blogspot.com.br.
Há algumas espécies de amebas que apresentam um tipo de estrutura de revestimento 
(carapaça), essas são, então, chamadas de “tecamebas”.
A carapaça das tecamebas pode ser formada por pequenas partículas que se aglutinam ao 
redor da célula (ameba) ou mesmo por substâncias secretadas pela própria ameba. 
Algumas amebas são importantes ao homem por causarem doenças. Entre essas espécies 
algumas são parasitas, como as Entamoeba coli e. histolytica, que ocorrem no intestino. Ao 
parasitar o intestino humano, esses organismos causam a disenteria amebiana (amebíase), 
caracterizada por diarreias carregadas de sangue. 
Esse tipo de organismo também apresenta a capacidade de se encistar, sendo liberado nessa forma 
(em cistos ou “ovos”) pelas fezes do homem. Tais estruturas, os cistos, são resistentes, permitindo a 
“sobrevivência” do parasita (nesse estágio) fora do corpo do hospedeiro por um longo período. 
Os seres humanos podem ingerir esses cistos (ou “ovos”) ao se alimentarem de frutas ou 
verduras mal lavadas, ou ao beberem água contaminada. Novamente dentro do organismo 
humano, esses cistos se rompem liberando protozoários que se instalarão na mucosa intestinal, 
causando lesões e, consequentemente, diarreias com sangue.
A profilaxia, ou meio de prevenção, dessa doença se dá através de práticas higiênicas e 
medidas eficazes de saneamento básico.
Dentro do Filo Sarcodina, além das amebas, encontra-se também o conjunto de organismos 
denominados foraminíferos. Principalmente marinhos, esses apresentam carapaça formada por 
diferentes câmaras.
Os foraminíferos possuem uma teca (concha ou carapaça) que pode conter uma ou 
mais câmaras (unilocular ou multilocular, respectivamente), sendo todas ligadas por 
uma pequena abertura chamada forâmen. Devido a essa abertura que esse grupo 
recebeu o nome de foraminíferos.
11
Suas carapaças podem ser formadas por carbonato de cálcio (CaCO3), secretado pelo 
próprio organismo ou por agregados de grãos de areia que se aglutinam ao redor do corpo. O 
formato da carapaça pode variar significativamente, dependendo da espécie, entretanto, muitas 
lembram minúsculos caracóis: 
Figura 5 – Formato e estruturas de uma carapaça.
Parede
perfurada
Câmara
Septo
Prolóculo
Sutura
A B
Face
apertural
Abertura
(forâmen)
Legenda: a) corte transversal de um foraminífero; b) vista apertural – onde se 
encontra a entrada (abertura).
Fonte: www.phoenix.org.br.
Representantes fósseis desses organismos (os foraminíferos), por serem bons indicadores da 
presença de petróleo, são importantes nas pesquisas de prospecção de jazidas desse óleo bruto.
Os Mastigophoras (ou Flagelados)
A origem do nome desse filo é justamente por esses protozoários apresentarem flagelos (mastix 
= flagelo; phoros = portar). Os flagelados estão divididos em dois grupos, os zooflagelados 
que não possuem clorofila e realizam sua nutrição de modo heterotrófico, e os fitoflagelados 
que geralmente apresentam clorofila e, portanto, realizam a fotossíntese para a obtenção de 
nutrientes, como por exemplo as euglenas:
12
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
Figura 6 – Esquema de uma Euglena.
Fonte: www.educadores.diaadia.pr.gov.br.
Na maioria dos casos, a reprodução dos flagelados se dá de maneira assexuada, por divisão 
binária. Alguns desses protozoários se locomovem livremente na água, utilizando, para tanto, 
os flagelos, enquanto outros vivem fixados a um substrato por meio de um pedúnculo. Nesse 
último caso, os flagelos são utilizados apenas à captura de nutrientes.
Quando apresentam uma estrutura parecida a um “colarinho” ao redor da base do flagelo, 
são chamados de coanoflagelados (como o Trypanosoma cruzi):
Figura 7 – Exemplos de protozoários flagelados.
Flagelo
Flagelos
Núcleo com
cariossoma central
Cisto
Disco ventral
20μm
10μm
axonema
núcleo
Corpos
medianosMitocôndria
(com DNA) Núcleo
Trypanosoma cruzi Giardia lamblia
Fonte: armymedical.tpub.com.
Entre os flagelados que parasitam do homem, destacam-se os gêneros Trichomonas, 
Leishmania, Giardia e Trypanosoma.
O protozoário Trichomonas vaginalis parasita a genital feminina e/ou a masculina, causando 
a doença chamada tricomoníase. A transmissão dessa doença se dá através da relação sexual e, 
também, pela utilização de sanitários não higienizados.
13
A doença conhecida como “úlcera e bauru” ou leishmaniose é causada pelo protozoário 
Leishmania brasiliensis. Esses organismos parasitam as mucosas dos seres humanos, provocando 
ulcerações progressivas. 
Para infectar o ser humano, esse protozoário necessita de um vetor (transporte). Nesse caso, 
o papel de vetor é desempenhado pelo inseto Phlebotomus intermedius, mais conhecido como 
“mosquito palha” ou “birigui”.
Existe tratamento específico para essa doença e a maneira de se prevenir consiste, 
essencialmente, em combater o mosquito transmissor.
Outra patologia causada por esses protozoários e a giardíase. Provocada pelo protozoário 
Giardia lamblia (ou pelo G. intestinalis), essa doença causa disenteria no homem. Sua transmissão 
se dá pela ingestão de alimentos mal lavados ou de água contaminada. Após sua ingestão, esse 
protozoário, parasita intestinal, instala-se no jejuno-íleo e, frequentemente, pode se instalar na 
vesícula biliar, tornando o tratamento mais complexo. 
Jejuno e íleo correspondem a porções do intestino delgado. Logo após o estômago, 
a porção inicial do intestino delgado é chamada de duodeno, a seguir, o jejuno – ou 
parte central - e, por último, o íleo, já nas proximidades do intestino grosso.
Como medidas de prevenção, as práticas de higiene pessoal e alimentar, assim como ações 
de saneamento básico eficazes estão entre as recomendadas.
Uma das patologias causadas por protozoários mais importantes no Brasil é a “doença de 
Chagas”. Essa recebeu tal nome em homenagem ao pesquisador brasileiro Carlos Chagas, 
que estudou e descreveu o ciclo de vida do protozoário (parasita) causador da doença, o 
Trypanosoma cruzi (Figura 7).
Por provocar a hipertrofia (“aumento”) e a flacidez no órgão infectado, essa doença é também 
chamada de “doença dos mega” (megacolo, megaesôfago etc.).
O T. cruzi tem enorme preferência em parasitar o músculo do coração, causando, como 
consequência, o aumento desse órgão e provocando disfunções, podendo levar o portador da 
doença à morte. Não há cura para essa grave doença que, somente na América do Sul, acomete 
mais de sete milhões de pessoas.
O vetor da doença, ou seja, o organismo que leva o protozoário para infectar o homem, é 
um inseto que se alimenta de sangue (um hematófago) do grupo dos triatomídeos. Esse inseto 
é conhecido popularmente como “barbeiro” ou “chupança” (Triatoma infestans, Panstrongylus 
megistus e outros).
Para a sua sobrevivência, o Trypanosoma necessita de dois hospedeiros, o homem (ou outro 
mamífero) e o inseto (o “barbeiro”): 
14
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
Figura 8 – Esquema do ciclo de vida do T. cruzi.
O inseto pica e defeca ao
mesmo tempo. O tripomastigota
passa à ferida nas fezes. Os tripomastigotas invadem células
onde se transformam em amastigotas.
Os amatigostas multiplicam-se
dentro das células assexualmente.
Os tripanossomas então invadem
novas células em regiões diferentes
do corpo que invadem e onde se
multiplicam como amastigotas.
Os amastigotas transformam-se em
tripomastigotas e destroem a célula
sainda para o sangue.
Tripanomastigotas sanguíneos
são absorvidos por novo inseto
em nova picada.
Transformam-se em
epimastigotas no
intestino do inseto
Multiplicam-se.
Transformam-se
em tripomastigotas.
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Fonte: znrealiza.com.
A maneira mais eficiente de controlar essa enfermidade é administrar a população do inseto 
“barbeiro” (o vetor) e melhorar as condições habitacionais em regiões de grande ocorrência 
da doença.
Destaca-se que a doença do sono, transmitida pela moscatsé-tsé (o vetor) é também causada 
por protozoário do gênero Trypanosoma (T. gambiensis e o T. rhodesiense).
15
Os Ciliophoras (ou ciliados)
Esses organismos possuem estruturas semelhantes aos cílios para se locomoverem e também 
capturarem alimento. Essas estruturas, os cílios, diferem dos flagelos em relação ao tamanho – 
os cílios são bem curtos –, número – os cílios são bem numerosos – e frequência de batimentos 
– os cílios batem com maior rapidez.
Para a sua nutrição, conduzem, através dos batimentos de seus cílios, as partículas de 
nutrientes do meio externo, que são direcionadas a uma estrutura parecida a uma boca aberta, 
chamada de citóstoma (“boca celular”). Após essas partículas alcançarem a citofaringe, estrutura 
tubular que possui um tufo de cílios, forma-se o “vacúolo digestivo”, que levado pelas correntes 
citoplasmáticas circulará pelo interior do organismo, distribuindo, assim, os nutrientes. 
Os resíduos metabólicos serão eliminados através de uma região específica do corpo do 
protozoário, chamada de poro anal.
Como em outros microrganismos unicelulares, o oxigênio entra no protozoário pela membrana 
celular, enquanto o CO2 se difunde para o meio externo (também através da membrana).
O protozoário Paramecium caudatum (Figura 1) é um exemplo bem comum de um protozoário 
ciliado, sendo encontrado em lagos e açudes. Apresenta a forma de “solado de sapato”, sendo 
sua porção anterior (frontal) arredondada e a sua porção posterior levemente afilada (Figura 1).
Outra característica do Parameciuem é a presença de dois diferentes tipos de núcleos: o micro 
e macronúcleo. Ressalta-se que nesses organismos o número de micronúcleos pode variar, 
existindo, no entanto, sempre um macronúcleo.
A reprodução nos ciliados, em condições ambientais favoráveis, é do tipo assexuada, 
ocorrendo por fissão ou divisão binária. Nesse tipo de reprodução, o macro e o micronúcleo se 
dividem, ocorrendo a formação de um sulco transversal, separando a célula ao meio (Figura 
9). Surge, então, uma nova célula (um novo protozoário), geneticamente idêntica a que lhe 
deu origem. Mantendo as condições ambientais favoráveis, esses organismos podem se dividir 
(reproduzir) de duas a três vezes em um único dia:
Figura 9 – Meio de reprodução nos ciliados.
Fonte: Adaptado de nossomeioporinteiro.wordpress.com.
16
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
Por outro lado, em condições ambientais não favoráveis, a reprodução acontecerá de 
forma sexuada. Nesse tipo de reprodução, dois indivíduos se juntam formando uma ponte 
citoplasmática, por meio da qual “trocarão” micronúcleos. Posteriormente, por diferenciação, os 
micronúcleos recém-formados darão origem a um macronúcleo. Esse tipo de reprodução recebe 
o nome de conjugação (Figura 9).
Em relação à diversidade, os protozoários representantes do Filo Ciliophora podem apresentar 
cílios em apenas algumas regiões da célula (corpo) ou até mesmo recobrindo todo o corpo 
(célula), como é o caso do Paramecium (Figuras 1 e 9). 
Um grupo bem peculiar de protozoários ciliados é o chamado suctório, que recebe esse nome 
por apresentar estruturas adaptadas à sucção de substâncias nutritivas (figura 10).
Figura 10 – Exemplos de ciliados suctórios.
Fonte: Adaptado de Bossolan e Araújo (2002).
Quando “adultos”, os cílios desses protozoários (os suctórios) caem e “tentáculos” se 
desenvolvem. Essas novas estruturas formadas (“tentáculos”), como responsáveis pela captura de 
partículas de nutrientes no meio externo, são de extrema importância à nutrição do protozoário.
É bem comum os suctórios predarem outros protozoários, como por exemplo outros ciliados. 
Esse processo se dá pela atuação de estruturas de defesa (chamadas de tricocistos), dispostas nas 
extremidades de seus “tentáculos”, através das quais esses conseguem imobilizar suas presas. 
Posteriormente à captura, o protozoário predador (o suctório) sugará o citoplasma de sua 
presa. O “suco nutritivo” ingerido será, em seguida, digerido na estrutura interna do chamado 
vacúolo digestivo.
Há, também, protozoários ciliados parasitas, como por exemplo, o Balantidium coli (Figura 
11), que se aloja no intestino humano, sugando nutrientes do portador (hospedeiro). Esse 
parasita pode ser adquirido ao se ingerir água contaminada.
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Figura 11 – Esquema de um Balantidium.
Citóstoma
Macronúcleo
Cílios
Vacúolo
Micronúcleo
Fonte: Adaptado de aparasiteworld.blogspot.com.br.
Os Sporozoa (ou esporozoários)
Conforme citado, esses organismos se caracterizam, principalmente, pela ausência de 
estruturas relacionadas à locomoção. Conseguem se alimentar absorvendo nutrientes de outros 
organismos (hospedeiros). Portanto, são parasitas:
Figura 12 – Esquema de um Sporozoa.
Retículo
Endoplasmático
Aparelho
de Golgi
Mitocôndria
Fonte: crv.educacao.mg.gov.br.
18
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
No processo de reprodução desses protozoários, a maioria apresenta duas fases: a assexuada 
e a sexuada. 
Na fase assexuada a reprodução se dá por esquizogonia ou divisão múltipla. Nesse processo 
(esquizogonia) a “célula mãe”, por mitose, sofrerá diversas divisões. Entretanto, seu citoplasma 
não é divido. 
Ao cessar as divisões da “célula mãe”, uma membrana plasmática passará a envolver cada 
núcleo juntamente com parte do citoplasma da “célula mãe”. Dessa maneira, serão formadas 
várias “células filhas”, que serão liberadas (os novos protozoários – chamados de merozoítos).
Cada merozoíto (novo protozoário) gerado apresentará apenas um núcleo (pequeno).
A reprodução sexuada por esporogonia é a responsável pelo nome do grupo, pois por se 
assemelharem a esporos, são chamadas de esporozoítos. 
Esse tipo de reprodução ocorre logo após a formação do zigoto, durante o ciclo reprodutivo 
dos esporozoários. O zigoto geralmente sofre um encistamento e, após uma divisão meiótica, 
origina quatro esporozoítos com metade do número cromossômico do zigoto. 
Em seguida, por mitoses sucessivas, essas células multiplicam-se originando muitos outros 
esporozoítos, que são finalmente liberados do cisto.
Os esporozoários de maior importância para o homem são os do gênero Plasmodium, 
causadores da doença malária ou maleita.
Você Sabia ?
Por ano é estimado que, geralmente em regiões tropicais, cerca de cem milhões de pessoas contraem 
essa grave doença. Aproximadamente 1% (um milhão) que contrai a malária chega ao óbito. 
Para infectar e parasitar uma pessoa, o protozoário precisa ser transportado e esse papel (de 
vetor) é realizado pelo mosquito do gênero Anopheles:
19
Figura 13 – Ciclo de vida de esporozoário Plasmodium.
Estágio sexual: forma
masculina ou feminina
de gametócitos
Estágios
do mosquito
O mosquito consome o parasita
durante a alimentação de sangue
O mosquito injeta o parasita
quando pica o ser humano
Células do
fígado humano
fase do
fígado
humano
Fase
�nal do
mosquito
Células do
sangue humano
gametas
oocineto
oocisto
esporozoítos
ciclo
de células
sanguíneas
humanas
gametócitos
merozoítos
Fonte: Adaptado de medstnews.blogspot.com.br.
Quando o mosquito contaminado pelo protozoário (Plasmodium) pica uma pessoa sadia, 
o protozoário (forma de esporozoítos) é introduzido. Dentro do homem (o novo hospedeiro), 
os esporozoítos, por meio da corrente sanguínea, chegam e se instalam no fígado. Nas células 
desse órgão se reproduzem (por esquizogonia) dando origem a novos protozoários, chamados 
de trofozoítos (Figura 13).
Os trofozoítos, em grande quantidade, rompem as células, podendo novamente infectar 
outras células do fígado ou também caírem na corrente sanguínea, penetrando nos glóbulos 
vermelhos (as hemácias). 
Dentro das hemácias, inicialmente, os trofozoítos tomam a forma anelada (igual a um anel). 
Posteriormente, reproduzem-se por esquizogonia, originando diversos novos protozoários, 
chamados de merozoítos.
20
Unidade: Protozoários – Aspectos Gerais e Importância
Não suportando comportar a enorme quantidade de merozoítos, as hemáciasse rompem 
(hemólise). Após liberados, os merozoítos se reproduzirão novamente, por esquizogonia e, 
posteriormente, infectarão novos glóbulos vermelhos (hemácias). 
Os merozoítos podem, ainda, não se dividir dentro do glóbulo vermelho (na hemácia). Nesses 
casos ocorrerá um processo de diferenciação, originando as células chamadas de gametócitos 
(Figura 13). O mosquito, ao picar um portador da malária, sugará as hemácias que contêm essas 
células (os gametócitos), iniciando, no interior do inseto, um novo ciclo de vida do protozoário.
Uma vez no estômago do mosquito, os gametócitos diferenciam-se em gametas masculinos 
e femininos, ocorrendo em seguida a fecundação. O zigoto formado fixa-se na parede do 
estômago do inseto, formando um cisto, no interior do qual ocorre a esporogonia, onde o zigoto 
sofre meiose e as células haplóides resultantes multiplicam-se diversas vezes, dando origem a 
muitos esporozoítos que rompem o cisto. Esses cistos são liberados e penetram na glândula 
salivar do inseto. Por fim, ao picar um indivíduo sadio, o ciclo se reinicia (figura 13).
É importante ressaltar que o ciclo de vida do plasmódio somente se completa se houver os dois 
hospedeiros: o mosquito (Anopheles) e o ser humano. No mosquito, conforme demonstrado, 
ocorrerá a reprodução sexuada, por isso, o inseto é considerado com “hospedeiro definitivo”. O 
homem, por sua vez, é considerado “hospedeiro intermediário”, pois ao parasitá-lo o protozoário 
realiza apenas a reprodução assexuada.
A doença malária é caracterizada por episódios febris característicos, podendo levar o paciente 
até à morte. Quando tratada precocemente e de maneira adequada, essa doença tem cura. 
O objetivo maior do tratamento está em impedir o desenvolvimento do parasita, a dose dos 
medicamentos (antimaláricos) dependerá da severidade da doença, da espécie do protozoário 
(Plasmodium vivax, P. ovale, P. malariae, P. falciparum) e também da idade e peso (biomassa) do 
paciente. Cabe ressaltar que o protozoário P. falciparum é o parasita que pode causar a forma mais 
grave e complicada da doença. 
Para se prevenir da malária, a picada do mosquito vetor deve ser evitada, colocando-se telas 
nas janelas e portas das residências e mosquiteiros (véu) sobre a cama.
 
 Importante
Outra doença que merece destaque e também é causada por um protozoário do tipo esporozoário é 
a toxoplasmose. Ocasionada pelo Toxoplasma gondii, tal patologia é comum em mamíferos e aves.
No ciclo de vida desse parasita (T. gondii) são necessários dois hospedeiros, como no ciclo 
do Plasmodium. No chamado “hospedeiro definitivo”, geralmente gatos, ocorre a reprodução 
sexuada do protozoário (o parasita) e no “hospedeiro intermediário”, que pode ser o homem 
ou outro mamífero, ocorre a fase reprodutiva do tipo assexuada.
21
A infecção não ocorre diretamente, ou seja, de um mamífero doente para outro sadio. Assim, 
o parasita será transmitido por “contágio indireto” através da ingestão de “ovos” (os oocistos) 
presentes em gramados, alimentos e/ou objetos contaminados. Entre os alimentos, os ovos 
podem estar presentes em carnes mal cozidas (preferencialmente de carneiro e de porco).
Quando o mamífero (fêmea) estiver contaminado pelo parasita e ainda estiver gestando um 
“filhote”, a transmissão poderá ocorrer para o feto ainda em desenvolvimento. Esse tipo de 
transmissão é chamada de congênita ou placentária, pois o protozoário consegue atravessar 
a placenta (estrutura materna) e contaminar o feto que, dependendo de seu estágio de 
desenvolvimento, poderá sofrer danos muito severos (cegueira, lesões no encéfalo e até o aborto). 
Manchas avermelhadas, temperatura corpórea elevada e constante inchaço de estruturas e/
ou órgãos (como gânglios, fígado e baço) estão entre os sintomas apresentados por um paciente 
com toxoplasmose. 
Não há ainda um medicamento eficaz para curar essa doença, dado que os existentes 
conseguem somente agir contra as formas proliferativas e não sobre os ovos (oocistos).
Importância ambiental dos protozoários
Encontrados em praticamente todos os ambientes, os protozoários podem ser utilizados 
como indicadores de condições ambientais. Ao se alimentarem de outros organismos, como as 
bactérias, por exemplo, realizam o chamado “controle biológico” de organismos potencialmente 
causadores de doenças ou de outros prejuízos.
Neste aspecto, destaca-se o protozoário Nosema locustae, um parasita de insetos que, por 
esta “habilidade” apresentada, é cultivado e comercializado para controlar a população de 
gafanhotos que prejudicam as lavouras. 
Ao contribuírem com a reciclagem da matéria (quando saprófagos) e com a nutrição de 
outros organismos, consequentemente esses seres são também imprescindíveis à manutenção 
das diversas cadeias alimentares.
5
Para que você tenha um excelente rendimento nos estudos, é de extrema importância que, 
além de ler atentamente o conteúdo desta Unidade, você consulte, ainda, os materiais 
complementares e assista ao vídeo sugerido. Recomenda-se também que você busque outras 
fontes que possam contribuir ao seu aprendizado. 
Seja um(a) gestor(a) ambiental diferenciado(a), aprofunde-se no tema e enriqueça, ainda 
mais, seus conhecimentos! 
“O segredo de um grande sucesso está no trabalho e no contínuo estudo”.
Nesta Unidade será apresentado o conceito de biorremediação, 
assim como o papel de diversos microrganismos nesse processo 
natural de remediação de sistemas contaminados.
Biorremediação: A Contribuição dos 
Microrganismos
•	Introdução
•	O uso de microrganismos para remediar sistemas naturais
•	Fatores que interferem na biorremediação 
•	Degradação de poluentes organoclorados em efluentes 
industriais
7
Introdução
No final do século XIX os resultados das pesquisas dos microbiologistas Beijerinck e 
Winogradsky evidenciaram que microrganismos (neste caso, as bactérias) poderiam contribuir 
com a reciclagem da matéria (elementos químicos). Estes estudos deram origem ao ramo 
das Ciências Biológicas, a ecologia microbiana, que passou a estudar a relação entre os 
microrganismos e o meio em que vivem.
Os elementos químicos como o oxigênio (O), o carbono (C), o nitrogênio (N), o fósforo 
(P), entre outros, são indispensáveis à manutenção da vida. Entretanto, na forma como esses 
elementos se encontram distribuídos (naturalmente) nos diversos sistemas naturais (solo, ar, 
água), os organismos mais complexos como as plantas e os animais não conseguem absorver 
tais elementos. Assim, para que esses organismos possam “utilizar” tais elementos, o papel de 
“transformação”, desempenhado pelos microrganismos, é imprescindível.
Neste contexto surge a Biotecnologia, Ciência que pode ser conceituada como o conjunto de 
diversas técnicas que utilizam “agentes” biológicos (organismos, células, organelas, moléculas, 
enzimas) para obter bens (produtos), ou mesmo desempenhar processos de remediação de 
sistemas naturais contaminados por poluentes, ou tratamento de efluentes (esgotos). 
Entre as diversas técnicas que a Biotecnologia faz uso, a Engenharia Genética se destaca 
como uma tecnologia inovadora, que nos permite substituir métodos tradicionais de produção 
(moléculas, enzimas ou hormônios), assim como possibilita obter produtos inteiramente novos, 
como por exemplo os Organismos Geneticamente Modificados (OGM). 
Na área de saneamento e remediação ambiental, avanços na ecologia microbiana têm 
permitido um maior conhecimento das interações entre os microrganismos como a matéria e os 
seres vivos, além de suas contribuições nos processos de remediação ambiental.
O uso de microrganismos para remediar sistemas naturais 
No final da década de 1980, os cientistas aperfeiçoaram alguns processos onde microrganismos 
utilizavam substâncias poluentes como fonte de energia, ou mesmo, através de suas enzimas, 
conseguiam degradar (“quebrar”) substâncias poluentes originais em outras pequenas, de menor 
potencial poluente (ou inertes). Após os resultados desses estudos e pesquisas,os cientistas 
passaram a utilizar com maior frequência os microrganismos (ou suas enzimas) para “limpar” 
(remediar) sistemas naturais contaminados. Esses processos são chamados de biorremediação.
 
 Importante
Ressalta-se que outros organismos, além dos microrganismos, também apresentam potencial para 
remediar ambientes contaminados, como por exemplo, as algas e as plantas.
8
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Alguns microrganismos que mostraram, em escalas laboratoriais, grande eficiência nos 
processos de remoção de poluentes, começaram a ser utilizados para remediar ambientes 
contaminados, como por exemplo, poços subterrâneos contaminados e em locais onde ocorrem 
acidentes com derramamentos de compostos químicos.
Neste aspecto, no desastre com o petroleiro Exxon Valdez, ocorrido em 1989 no Golfo do 
Alaska (Figura 1), uma das técnicas para remediar (despoluir) as áreas contaminadas pelo petróleo 
derramado foi a utilização de microrganismos com potencial de degradar esse tipo de óleo.
Figura 1 – Derramamento de petróleo no golfo do Alaska em 1989 – processos de contenção 
do óleo e de remediação.
Fonte: cwu.edu - PH2 POCHE/ Wikimedia Commons
A partir das evidências de sua eficiência, tanto em pesquisas como em campo, o processo 
de biorremediação é recomendado pelos cientistas como uma técnica viável à remediação 
(descontaminação) de sistemas (solo e água) poluídos, assim como para decompor resíduos 
especiais e efluentes industriais.
Embora figurem outras técnicas de engenharia que, por meio de processos físicos e/
ou químicos recuperam ambientes poluídos, a técnica de biorremediação é natural, além 
de mais adequada e eficaz para restaurar sistemas naturais contaminados por substâncias 
xenobióticas recalcitrantes.
Xenobióticos são compostos químicos não naturais, sintetizados pelo homem, que os microrganismos 
não degradam – esses compostos são “estranhos” para tais!
Recalcitrantes são compostos químicos que não sofrem degradação e, assim, perduram por longo 
período nos sistemas naturais.
Entre essas substâncias (tóxicos estranhos e persistentes) que vêm sendo lançadas nos sistemas 
ambientais há mais de cem anos, encontram-se os pesticidas, metais pesados, fármacos, corantes. 
Ressaltasse que muitos desses compostos ou de seus produtos de degradação causam danos 
enormes à saúde ambiental e humana. Algumas substâncias são potencialmente mutagênicas, 
de teratogênicas e carcinogênicas, consequências que vêm modificando a estrutura ecológica e 
funcional das comunidades biológicas, inclusive humana.
9
Mutagênico se refere ao agente que pode causar mutação, ou seja, dano no material genético (DNA) 
de um ser vivo. Esse dano no DNA pode ser transmitido às gerações seguintes.
Teratogênico diz respeito ao agente capaz de causar malformações no feto ainda em desenvolvimento.
Carcinogênico é o agente com potencial cancerígeno, isto é, com poder de iniciar o desenvolvimento 
de um câncer em um ser vivo.
Nos processos de biorremediação, utilizam-se microrganismos autóctones ou introduzidos 
(modificados ou não geneticamente) com capacidade de degradar essas substâncias xenobióticas 
recalcitrantes, transformando-as em moléculas com menor potencial poluidor, ou ainda 
transformando-as em compostos químicos mais simples, como por exemplo: 
( ) ( ) ( ) ( ) ( )2 22 2 3 4 4 , , , , .H O água CO gás carbônico NH amônia SO sulfato PO fosfato− −
Microrganismos autóctones são seres que vivem no mesmo ambiente que é objeto da pesquisa 
ou intervenção. 
Entende-se por compostos químicos mais simples nesse processo a transformação de uma 
substância complexa em outra mais elementar (como água e gás carbônico), cuja operação é 
chamada de mineralização.
Devido à combinação genética individual das diferentes espécies microbianas, ao longo 
das gerações, suas vias metabólicas evoluíram, assim como a capacidade de degradar 
compostos xenobióticos.
Estudos sobre a adaptação dos microrganismos à exposição a esses compostos e aumento 
da eficiência dos processos de degradação estão cada vez mais desenvolvidos. Nesse sentido, 
ressalta-se que técnicas moleculares atuais têm contribuído para o avanço das pesquisas sobre 
adaptação na evolução dos microrganismos.
Fatores que interferem na biorremediação
Diversos fatores podem influenciar a capacidade de qualquer sistema microbiológico de 
degradação, entre os quais pode-se citar: o físico, o químico e o biológico.
Fatores físicos
Entre os fatores físicos destacam-se a luminosidade, a temperatura e o sistema onde ocorre 
o processo (água, solo, sedimento). Quando os compostos xenobióticos alcançam o solo, as 
partículas que compõem esse substrato (ou matriz), através da atração de cargas opostas, 
conseguem adsorver os compostos xenobióticos, processo que diminui a disponibilidade de 
substâncias poluentes (compostos xenobióticos) para que os microrganismos possam degradá-
las. A taxa da atividade metabólica dos microrganismos pode ser reduzida quando o processo 
ocorre em ambientes que apresentam temperaturas baixas; como consequência, a taxa de 
degradação dos compostos xenobióticos também é reduzida.
10
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Fatores químicos
Diversos fatores químicos também podem influenciar na taxa de degradação de um composto 
xenobiótico, entre esses fatores destacam-se: a composição química e o pH da matriz (água ou 
solo), a concentração de oxigênio ( )2O , o potencial redox da matriz, a umidade e a estrutura 
molecular do composto xenobiótico (poluente).
pH significa potencial hidrogeniônico, grandeza físico-química que indica (em uma escala de 0 a 14) 
a acidez (de 0 a 6,9), neutralidade (7) ou alcalinidade (de 7,1 a 14) de uma solução.
As reduções-oxidações – ou redox – são reações de transferência de elétrons. Para que ocorra uma 
“reação redox”, deve haver um agente que perderá elétrons (redutor) e outro que os receberá (oxidante)
Em relação à estrutura molecular do poluente, pode-se citar a alta persistência de compostos 
nitroaromáticos nos sistemas naturais, como os agrotóxicos e o Trinitrotolueno (TNT), por 
exemplo na Figura 2. 
Apesar de avanços nas pesquisas, os cientistas ainda se 
empenham para conseguir isolar microrganismos que possam 
degradar esses complexos compostos xenobióticos.
Ainda há alguns metais, classificados como “pesados”, 
que podem inibir a atividade das enzimas (produzidas pelos 
microrganismos), e por conseguinte, reduzir também a capacidade 
de degradação de compostos xenobióticos. Por outro lado, em 
algumas condições os elementos químicos do tipo metais podem 
melhorar a capacidade de degradação do composto xenobiótico, 
atuando como cofatores enzimáticos.
 
 Atenção
Os metais pesados apresentam massa entre 63,5 e 200,5 e densidade superior a 4,0 g/cm3 e estão 
situados na tabela periódica entre o cobre (Cu) e o chumbo (Pb). Para a manutenção de suas funções 
vitais, os organismos precisam (em pequenas quantidades) de alguns desses metais. Entretanto, em 
quantidades elevadas esses elementos podem se tornar tóxicos. Os metais pesados como chumbo 
(Pb), cádmio (Cd) e mercúrio (Hg) não possuem nenhuma bioquímica e a acumulação de qualquer 
um desses no organismo pode provocar doenças graves.
 
 Importante
O processo de adsorção ocorre quando moléculas de um composto/substância (adsorvidas) aderem 
(fixam-se) a uma superfície sólida (adsorvente).
Fonte: brasilescola.com
Figura 2 – Estrutura molecular 
do TNT.
11
Se na matriz (água ou solo) estiverem presentes outros compostos xenobióticos quimicamente 
menos complexos, esses podem dificultar a degradação dos compostos xenobióticos mais 
complexos, pois no processo de degradação os microrganismos “darão preferência” a esses 
compostos de menor complexidade.
Os compostos hidrocarbonetos alifáticos predominam como contaminantes de águas 
subterrâneas. Esses compostos estão presentes na composição do petróleo cru e também 
em seusprodutos combustíveis. Muitos desses compostos apresentam-se ainda como 
clorados ou alcanos e alquenos bromados, contendo de um a três elementos de carbono 
(C), como por exemplo: os haloalcanos, o etileno dibrometo (EDB), o tricloroetano (FCA) 
e o tricloroetileno (FCE).
O composto hidrocarboneto alifático é constituído apenas por átomos de carbono (C) e de hidrogênio 
(H). Sua estrutura molecular não forma anel aromático, dado que é aberta.
Haloalcanos são compostos químicos originados dos alcanos. Onde neste último ocorre a substituição 
de um ou mais átomos de hidrogênio (H) por igual número de átomos de halogênio (Cl, F, Br ou I).
A degradação desses compostos pela ação 
de microrganismos é amplamente estudada, 
assim como os resultados dessas pesquisas têm 
servido como base para diversas tecnologias de 
biorremediação. Essas pesquisas têm sinalizado que 
no processo de biodegradação desses compostos a 
atividade de enzimas do tipo mono-oxigenases e a 
oxidação química são imprescindíveis.
Os estudos afirmam ainda que compostos de 
cadeia longa são degradados de forma mais lenta 
se comparados aos de cadeia curta; compostos 
saturados são degradados mais rápido que seus 
análogos insaturados; a velocidade de degradação de uma molécula é inversamente proporcional 
ao grau de ramificação que essa apresenta.
 
 Importante
Na estrutura molecular de compostos saturados são encontradas apenas ligações químicas do tipo simples.
Fatores biológicos
A presença e a disponibilidade de microrganismos que apresentam a capacidade de degradar 
os compostos xenobióticos (poluentes) é o primeiro passo para que o processo de biorremediação 
possa ocorrer. 
Fonte: guidechem.com
Figura 3 – Exemplo de alguns hidrocarbonetos 
alifáticos.
12
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Não se pode afirmar que na natureza não figurem microrganismos (ou enzimas) que 
consigam degradar toda e qualquer molécula (composto químico) sintetizada por processos 
artificiais. Porém, os cientistas já sabem que vários compostos xenobióticos recalcitrantes podem 
ser degradados pela ação de microrganismos que apresentam enzimas com capacidade de 
decompor moléculas complexas. Às vezes o processo de degradação desses compostos ocorre 
através da atividade conjunta (consorciada) de microrganismos onde cada um pode atuar sobre 
diferentes fases do processo.
Conforme já ressaltado, a degradação biológica (por microrganismos) pode ocorrer com 
maiores chances quando a estrutura molecular do composto xenobiótico é “parecida” à estrutura 
de compostos naturais, como a lignina, por exemplo. Quando isso ocorre é possível que, ao 
final do processo de biodegradação, produtos minerais e/ou nutritivos sejam aproveitados pelo 
próprio microrganismo (energia ou biomassa), ou mesmo disponibilizados no ambiente.
No processo de biodegradação é possível também que a molécula do composto seja 
degradada apenas parcialmente, sem que os produtos resultantes venham contribuir à “nutrição” 
do microrganismo. Essa degradação (parcial) metabólica chamamos de cometabolismo.
É possível que os produtos do processo cometabólico venham sofrer as ações de enzimas 
de outros microrganismos, o que poderá contribuir à completa degradação do composto 
xenobiótico, ou seja, sua mineralização (mineralização). 
Nas técnicas de biorremediação de sistemas (solo ou água) contaminados, considerar a 
contribuição de diversos tipos de microrganismos (cometetabolismo) nas variadas etapas 
do processo é necessário, pois é grande a dificuldade de se conseguir apenas um tipo de 
microrganismo que apresente todas as enzimas que serão necessárias para que ocorra a 
degradação total (mineralização) do composto xenobiótico.
Ainda no ambiente, os microrganismos podem trocar material genético entre si, fator que 
contribui para aumentar o “potencial degradador” de uma microbiota. Mesmo que determinada 
microbiota apresente todos os requisitos (genéticos e bioquímicos) necessários à degradação 
de um composto xenobiótico, ressalta-se que se as características físicas e químicas do meio 
não estiverem de acordo com as necessidades nutricionais do microrganismo, o processo de 
degradação pode não ocorrer.
Fica claro, portanto, que em qualquer sistema (solo ou água) todos os parâmetros físico-
químicos (do meio e do composto xenobiótico), assim como os microbiológicos, devem ser 
considerados “conjuntamente” para que se possa conseguir que o processo de biodegradação 
seja bem-sucedido.
Desafios da biorremediação
Porém, devido à alta complexidade que essa biotecnologia apresenta, diversos desafios podem 
surgir no desenvolvimento de um processo de biorremediação. Entre os quais, destacam-se: baixa 
produção de enzimas necessárias no processo – frequentemente quando as concentrações dos 
compostos poluentes são significativamente pequenas ou elevadas; presença de diversos compostos 
poluentes, ao mesmo tempo, em uma matriz contaminada – o que demanda a seleção de diferentes 
microrganismos com metabolismos específicos para os diversos tipos de compostos poluentes; rápida 
adsorção dos compostos poluentes em partículas que constituem a matriz (solo ou água) – ficando 
assim, não acessíveis aos microrganismos (ou enzimas) para a degradação.
13
Frise-se que os resultados obtidos em escalas e condições controladas em laboratórios não 
asseguram a mesma eficiência em campo. Nesse aspecto, algumas questões merecem importância, 
tais como: os microrganismos sobreviverão e se reproduzirão nas condições naturais (em campo – in 
situ)? O processo terá impacto negativo (danos) ao ambiente? 
Etapas do processo de biorremediação
Para se desenvolver um processo de biorremediação, alguns passos devem ser seguidos.
Primeiro, deve-se caracterizar o tipo de matriz (solo ou água) que será remediada, descrevendo suas 
propriedades físico-químicas; na sequência, identificar os compostos poluentes e suas propriedades 
físico-químicas; após, selecionar e isolar microrganismos (preferencialmente os “nativos” – 
autóctones) com alto potencial para degradar os poluentes; após serem selecionados, através do 
“enriquecimento” das condições favoráveis à reprodução, a população de microrganismos deve ser 
aumentada, (bioaumentação) e estimulada (bioestimulação) para produzir enzimas degradadoras; 
em seguida, os microrganismos devem ser aplicados/inseridos na matriz a ser remediada, seguido do 
monitoramento do processo (Quadro 1).
Os resultados do monitoramento poderão evidenciar que as condições físicas e químicas 
do substrato (matriz) não estejam mais tão favoráveis como no princípio do processo. Nesses 
casos, far-se-á necessário a “correção” dessas variáveis para que durante todo o processo a 
bioestimulação e bioaumentação sejam contínuas.
Pesquisas mostram que essas “correções” são comuns nos processos de remediação de 
águas e solos contaminados com hidrocarbonetos aromáticos, solventes (como benzeno, 
tolueno e xileno), entre outros poluentes. 
Caracterização/ Diagnóstico da Mzatriz
Contaminada (Solo/Água)
Caracterização do composto popuente
Monitoramento/ Ajustes
De�nição/ Planejamento
da Biorremediação
Introdução dos Microrganismos
sobre o subtrato
Seleção/ Isolamento dos
Microrganismos degradadores
(Bioaumentação/ Bioestimulação)
Fonte: Adaptado de Rosa, Fraceto e Moschini-Carlos (2012)
Quadro 1 – Etapas do processo de biorremediação.
14
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Processos de biorremediação
Geralmente diversos métodos de biorremediação são utilizados apenas em áreas não 
muito extensas. Entretanto, alguns métodos podem ser empregados à remediação de grandes 
áreas agrícolas contaminadas. Para tanto, nessas extensas áreas, como alternativa mais viável 
(praticidade e eficácia), recomenda-se a utilização de rizobactérias ou de plantas (fitorremediação).
Os processos de biorremediação podem ser do tipo in situ, onde os poluentes são degradados 
no próprio local (site ou sítio), ou do tipo ex situ,quando as matrizes (solo, água ou resíduos) 
são retirados do local de origem e tratados em locais ou estruturas especializadas, como por 
exemplo reatores (Figura 4).
Figura 4 – Exemplo de reatores anaeróbios.
Fonte: esagua.com.br
Reatores fase lama (bioslurry)
Nesse processo o solo contaminado com o composto xenobiótico (poluente) é retirado 
do local e transportado até os reatores (bioslurry). Antes de ser colocado no reator, são 
retiradas as partículas maiores através de um processo de peneiramento. No reator, ao solo 
é adicionada água e, através de agitadores, o solo se tornará uma lama. A essa lama é 
adicionado ar e nutrientes para manter o sistema em condições de aerobiose. Permitindo, 
assim, um aumento da comunidade microbiana aeróbia que utilizará, também, como 
fonte de recursos (nutrientes e energia) os compostos poluentes. Após o solo ser tratado, 
novamente seco poderá retornar ao local de origem, ou ser utilizado em outro local ou 
processo (Figura 5).
15
Figura 5 – Processo fase lama (bioslurry).
Lodo/ Solo
Descontaminado
Lodo/ Solo
Contaminado
DescargaAgitador
Clari�cadorBioReator/Lama
Fonte: alken-murray.com
Esse tipo de processo é ideal para remediação de solos que apresentam alto teor de argila, o 
que dificulta o tratamento in situ, devido a sua baixa permeabilidade.
Esse sistema de remediação apresenta com vantagem o controle de diversos fatores, tais 
como: nutrientes; temperatura; pH; população microbiana; coleta e recuperação de possíveis 
gases emitidos.
Landfarming
Nesse processo de biorremediação a matriz (resíduos industriais) é transferida da área 
de origem e acondicionada em locais chamados de “células de confinamento” (pilhas). 
Ressalta-se que essa técnica de biorremediação é comumente utilizada para remediar matrizes 
poluídas com hidrocarbonetos e poluentes derivados das indústrias ou processos petroquímicos.
Para se iniciar o processo de biorremediação utilizando-se essa técnica, a superfície que 
receberá a matriz poluída deve ser previamente preparada (com manta impermeabilizante 
e microrganismos).
Após se colocar a matriz poluída na superfície, de forma esparrada e formando pilhas, os 
microrganismos poderão atuar sobre os compostos poluentes, degredando-os. De tempos 
em tempos, será necessário o revolvimento dos compostos, para inserir oxigênio no sistema. 
Pode-se também, e ainda, adicionar mais nutrientes para que a bioaumentação possa 
ocorrer, contribuindo para o aumento da eficiência do processo (Figura 6).
Diversos estudos têm mostrado que essa técnica é eficaz para remediar esses tipos de 
poluentes, sendo que em alguns casos a redução da concentração dos poluentes chega a 
cerca de 100%, isso em apenas alguns meses.
16
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Figura 6 – Processo de landfarming.
Essa técnica, de baixo custo e de alta 
eficiência, entretanto, apresenta algumas 
desvantagens, tais como: aumento da 
poluição do ar devido a volatilização de 
compostos orgânicos; contaminação de 
áreas (solos e águas) ao entorno devido 
aos possíveis escorrimentos superficiais de 
poluentes. Ressalta-se que para se evitar 
esses fatores desfavoráveis, estudos na 
área de Engenharia Ambiental já mostram 
resultados positivos.
Fonte: envirotech-inc.com
Compostagem
A utilização dessa técnica (compostagem) para degradar compostos orgânicos poluentes 
vem mostrando significativos resultados. Pesquisas têm mostrado a eficiência do processo 
de compostagem para se remediar matrizes (solos ou resíduos sólidos orgânicos) contendo 
poluentes como agrotóxicos, hidrocarbonetos derivados do petróleo, clorofenóis e 
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Nesse processo de biorremediação, utilizam-
se microrganismos (aeróbios) para degradar resíduos de matéria orgânica. Ao final do 
processo, resultam como produtos compostos orgânicos de menor massa molecular e, 
também, compostos inorgânicos.
O processo de compostagem pode ser dividido em duas etapas, onde a atividade 
metabólica microbiológica, a temperatura e o pH sofrem alterações, propiciando mudanças 
significativas na estrutura do composto que é degradado (transformado). 
A primeira etapa é chamada de termofílica. Nessa, a temperatura se eleva devido a alta 
(e intensa) atividade microbiana; e a segunda é a mesofílica. Nessa última etapa a atividade 
microbiana já se encontra reduzida e, consequentemente, a temperatura do sistema abaixa 
consideravelmente, o pH se eleva, ocorrendo, ao final, a maturação do composto orgânico 
– rico em nutrientes (Figura 7).
17
Figura 7 – Etapas da compostagem.
Fonte: Fundação Demócrito Rocha/ fdr.com.br
O sucesso da compostagem estará condicionado ao monitoramento e controle das 
condições físicas e químicas, oferecendo as melhores condições à máxima atividade 
microbiana. Assim, durante o processo se faz necessário monitorar e controlar nas leiras 
(montes de compostos orgânicos) em processo de degradação, as seguintes variáveis: 
temperatura ( )ot C , taxa de oxigênio ( )2O , umidade, relação carbono e nitrogênio (C/N). 
O processo de compostagem tem se mostrado como uma alternativa viável (técnica, 
econômica e ambiental) para solucionar o problema gerado pela alta produção de resíduos 
orgânicos (nos diversos processos antrópicos). Pois, além de reduzir o volume dos resíduos, 
esses são transformados em compostos fertilizantes (adubo) de qualidade e que podem 
substituir produtos agroquímicos nos sistemas produtivos agroindustriais (Figura 8).
Figura 8 – Manejo das leiras no processo de compostagem e composto orgânico final.
Fonte: breakitdown.com.au, normanack/ Wikimedia Commons
Processo de compostagem
Fase termofílica
Degradação e
“higienização”S
ól
id
os
 v
ol
át
ei
s 
(1
%
)
Te
m
pe
ra
tu
ra
 (o
C)
Fase 1 - 12 a 24 horas (aquecimento)
Fase 2 - 70 a 90 dias (degradação ativa)
Fase 3 - 2 a 5 dias (resfriamento)
Fase 4 - 30 a 60 dias (maturação)
Fase 1
Tempo de compostagem (dias)
Fase 2 Fase 3 Fase 4
Formação de
ácidos húmicos
(produção do composto)
Temp. sem controle80
70
60
50
9
8
7
6
5
4
40
30
20
10
0
Temperatura
Sólidos voláteis
PH
PH
Temp. sob controle
Fase mesofílica
18
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Ressalta-se que as indústrias produtoras de papel e celulose utilizam o processo de 
compostagem para tratar seus resíduos orgânicos, utilizando, ainda, o produto final 
(composto orgânico) como adubo em seus processos produtivos florestais.
Destaca-se que a compostagem é considerada como referencial por organismos 
governamentais e de pesquisa à elaboração de novas propostas que simulem processos 
naturais na gestão de resíduos, garantindo assim a sustentabilidade.
Compostos poluentes organoclorados são frequentemente encontrados em águas residuárias 
(efluentes) de processos industriais.
Como os processos atuais (usuais) de tratamentos dos efluentes não foram desenvolvidos para 
eliminar (degradar) compostos poluentes complexos, e muito menos diversos desses poluentes 
na mesma matriz (esgoto) ao mesmo tempo, faz-se necessário que pesquisas em Engenharia de 
Saneamento sejam, cada vez mais, desenvolvidas.
De forma geral, tem-se buscado uma alternativa que permita não apenas a remoção desses 
compostos poluentes, mas também sua completa degradação (mineralização). 
As principais técnicas de tratamento de efluentes industriais são apresentadas na Figura 9. 
Figura 9 – Processos de tratamento de efluentes.
Fonte: scielo.br
Por permitirem o tratamento de grande volume de efluentes, degradando e transformando 
compostos poluentes orgânicos em água ( )2H O e gás carbônico ( )2CO com baixos investimentos, 
os processos biológicos são os mais utilizados.
O tratamento biológico de efluentes tem como fundamento o uso de compostos poluentes como 
fonte de energia e de nutrientes para que os microrganismos possam se desenvolver e se reproduzir.
Degradação de poluentes organoclorados em efluentes industriais
Tratamento de e�uentes industriaisBiológico
Aeróbio POA*Anaeróbio Anaeróbio Incineração
Fotocatálise Ozonização Fenton
EletroquímicoDecantação
Enzimático Adsorção
Físico Químico
19
Nos processos biológicos do tipo aeróbios, o aceptor de elétrons ( )e− é gás oxigênio ( )2O . Ao 
final desse processo tem-se a formação de água ( )2H O e gás carbônico ( )2CO . Por outro lado, nos 
processos biológicos do tipo anaeróbios, o gás oxigênio ( )2O não está presente. Nesse contexto, 
participaram como agentes aceptores de elétrons ( )e− algumas formas de nitrogênio (N), enxofre 
(S) e carbono (C), como por exemplo: 3 2, 4NO SO− − e 2CO . Os compostos poluentes serão 
degradados até gás carbônico ( )2CO e gás metano ( )4CH . 
O principal objetivo do processo biológico de tratamento de efluentes é reduzir a carga de 
matéria orgânica presente. Como indicadores de eficiência de um processo de tratamento de 
efluente, utilizam-se: Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO); Demanda Química de Oxigênio 
(DQO), ou Carbono Orgânico Total (COT).
Processo aeróbio 
Esse processo conta com a contribuição de bactérias e fungos que requerem o gás oxigênio 
( )2O para sobreviverem. As duas técnicas mais usuais para o tratamento de efluentes industriais 
são as de lagoas aeradas e de sistemas de lodos ativados. 
Na primeira técnica (lagoas aeradas) o efluente é submetido à ação de diversos microrganismos 
que, de maneira consorciada, degradam os compostos presentes no efluente durante alguns dias. 
A técnica dos lodos ativados apresenta-se como o processo de biorremediação mais eficiente 
e versátil. Esse método foi desenvolvido no início do século XX, na Inglaterra, e é usado para 
tratar os mais diversos tipos de efluentes industriais, assim como efluentes domésticos.
A operação de um sistema de lodos ativados exige pouco substrato auxiliar e, devido à 
existência de um grande número de microrganismos (bactérias, fungos e protozoários) presentes 
no lodo e que contribuirão com a degradação de diversos tipos de compostos poluentes, é 
possível ainda se remover a toxicidade crônica e aguda, em um tempo bem menor que no 
processo de aeração.
O esquema de uma Estação de Tratamento de Efluente (ETE) que utiliza a técnica de lodo 
ativado é apresentado na Figura 10. Após o efluente chegar (no estado bruto) à ETE, esse é 
lançado no tanque de aeração, onde o processo de oxidação da matéria orgânica ocorrerá. 
Ainda nesse tanque, ao efluente é introduzida e misturada uma cultura microbiológica na forma 
de flocos (o chamado lodo ativado). 
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) é o indicador mais utilizado para medir a poluição dos 
corpos hídricos por despejos orgânicos. A DBO indica a quantidade necessária de gás oxigênio 
(O2) para degradar determinada carga de matéria orgânica em meio hídrico. Sua unidade de 
medida é mg/L.
Demanda Química de Oxigênio (DQO) é a quantidade de oxigênio (O2) necessária para oxidar a 
matéria orgânica presente em um corpo hídrico. Nessa técnica utiliza-se o agente químico dicromato 
de potássio (K2Cr2O7). O aumento da DQO deve-se principalmente à efluentes, principalmente os 
industrias. Sua unidade de medida é mg/L.
20
Unidade: Biorremediação: A Contribuição dos Microrganismos
Em seguida, já no tanque de sedimentação, devido à diminuição da concentração de oxigênio 
( )2O , os flocos formados por agregados de microrganismos e partículas de compostos orgânicos 
(presentes no efluente), irão ao fundo, formando os sedimentos (sedimentação). 
Ressalta-se que, devido à baixa concentração de oxigênio ( )2O , é favorecido o desenvolvimento 
de microrganismos anaeróbios como as bactérias metanogênicas. Dessa maneira, o processo 
de tratamento de efluentes por lodo ativado se apresenta como uma técnica mais apurada, 
combinando processos de degradação aeróbios e anaeróbios. 
Ressalta-se que nesse processo a recirculação de grande parte da biomassa microbiana é uma 
importante característica do método que permitirá que os microrganismos permaneçam por 
mais tempo no sistema, aumentando, assim, a oxidação dos poluentes orgânicos, diminuindo o 
tempo de tratamento do efluente. 
Figura 10 – Processos de tratamento de efluentes por lodo ativado.
 
E�uente
industrial bruto
Tanque de
Aeração I
Recirculação do lodo
E�uente
+ Lodo Tanque de
sedimentação
II
Descarte do
excesso de lodo
E�uente tratado
Fonte: scielo.br
O alto custo de implantação, assim como a formação de grandes quantidades de lodo 
(resíduo), podem ser considerados os principais inconvenientes dessa técnica. Por exemplo, não 
se pode utilizar esse lodo (biomassa rica em nutrientes) para fertilizar culturas na agroindústria, 
pois diversos estudos têm evidenciado que esse substrato possui uma grande capacidade 
para adsorver diferentes compostos poluentes orgânicos. Alguns estudos mostraram que 
aproximadamente 50% do poluente pentaclorofenol, presente em um efluente, pode ser retido 
nos lodos ativados pelo processo de adsorção.
Outro fator que é considerado como negativo nesse processo é a liberação de poluentes na 
atmosfera devido à volatilização. Para resolver esse inconveniente, algumas ETE apresentam 
sistemas de biorreatores.
Processo anaeróbio
Devido ao fato de certos microrganismos, do tipo anaeróbio, mostrarem-se capazes de 
degradar grande número de poluentes clorados, transformando-os em moléculas não poluentes, 
a técnica de tratamento de efluentes por anaerobiose vem tendo grande destaque.
Pesquisas têm evidenciado que compostos xenobióticos recalcitrantes com organoclorado 
(Figura 11) podem ser degradados por microrganismos em condições de anaerobiose. 
21
Figura 11 – Processos de tratamento de efluentes por lodo ativado.
Fonte: Instituto Nacional de Ecologia/ inecc.gob.mx
Atualmente, pode-se considerar que os processos mais eficientes de biorremediação de 
efluentes utilizam, de maneira alternada (e complementar), a fase anaeróbia e anaeróbia. 
Processos enzimáticos 
Os processos enzimáticos, aliados com as técnicas de melhoramento genético, podem ser 
considerados com uma das mais atuais tecnologias à biorremediação de efluentes. 
As enzimas capazes de degradar a lignina, coma manganês peroxidase e a lignina 
peroxidase, destacam-se nesse cenário por conseguirem degradar diversos compostos 
poluentes (xenobióticos recalcitrantes). 
Lignina é uma macromolécula associada à celulose das plantas, que confere impermeabilidade, 
rigidez e resistência a ataques mecânicos microbiológicos e aos tecidos dos vegetais.
Ressalta-se que a utilização dos processos enzimáticos, em larga escala, somente passou 
a apresentar viabilidade a partir do momento em que os cientistas conseguiram imobilizar as 
enzimas em uma matriz adequada.
Pesquisas têm evidenciado que os processos enzimáticos têm enorme potencial à degradação 
de compostos poluentes presentes nos efluentes das indústrias de papel e celulose. Entre os 
resultados, destaca-se a degradação de efluentes provenientes do processo de branqueamento 
de polpa de celulose, onde é empregada a enzima lignina peroxidase, produzida pelo fungo 
Phanerochaete chrysosporium. Ressalta-se que essas enzimas são imobilizadas em matrizes da 
alginato e de troca iônica (compostas de resina).

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