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06 Coleta e Análise de Dados Quantidade & Qualidade Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura Ah, professor vale mais a qualidade do que a quantidade... Alunos A à Z Objetivos Analisar a dicotomia quantidade versus qualidade. Analisar a relação entre quantidade versus qualidade. Apresentar as modalidades de pesquisa (quantitativa e qualitativa). Onde chegar? • O papel do paradigma quantitativo em pesquisa. • O papel do paradigma qualitativo em pesquisa. • A necessidade de aproximação e integração dos modelos. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock Dos Quantidade ou Qualidade? • Quantidade é essencial - Quantidade Qualidade Qualidade é o que importa... Quantidadequalidade • Uma falsa impressão... Mole Quantidade & Qualidade É possível integrar? Q U A NTIDADE LIDADE Fonte: Rodrigues, 2020 Pesquisa integrada (quanti/qualitativa) • Desafio (interação): Leitura de artigos Discutir a frase “Vale mais a qualidade do que a quantidade”. Conclusão: Os dois modelos buscam a verdade, cada um pelo seu caminho, mas o alvo deve ser o mesmo. Ou cada um está construindo a sua verdade? Bons Estudos! 07 Coleta e Análise de Dados Pesquisa Quantitativa Coleta de dados Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura Objetivos • Apresentar as modalidades de pesquisa quantitativa. • Apresentar as Teorias e metodologias da pesquisa quantitativa e sua aplicação na saúde. Onde chegar? • Processos de produção do conhecimento. • A evolução do conhecimento e da pesquisa no campo da saúde. • A coleta de dados em pesquisa quantitativa. O que é pesquisa quantitativa? É a pesquisa que considera a precisão matemática dos objetos, objetivos e da metodologia na coleta dos dados. Dos Fonte: Rodrigues, 2020 Exigências: • Objeto claro • Unidades de medida • Instrumentos de mensuração • Instrumentos padronizados e validados (SATEPSI) • Perguntas/Respostas objetivas - Alternativas • Dados objetivos – numéricos Exigências: • Amostras específicas • População (N) e amostra (n) - Tamanho (n) e cálculo - Tipos de amostras – tipos controlados - Grupo controle (Comparação) Exigências: • Procedimentos • Projeto detalhado - identificação de variáveis - Normas acadêmicas e científicas • Submissão ao CEP • Recrutamento • Aplicação uniforme - controle de variáveis • Registro detalhado e controlado • Desafio (interação): • Procurar um artigo sobre Pesquisa Quantitativa • Analisar o artigo individualmente • Debater com um colega Conclusão: A pesquisa quantitativa oferece e exige da Psicologia parâmetros precisos para o estudo dos processos psicológicos (emoções, cognições e interações sociais). Bons Estudos! 08 Coleta e Análise de Dados Pesquisa Quantitativa Análise de dados Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura Respostas de uma pesquisa... Objetivos • Apresentar o processo de análise em Pesquisa Quantitativa • Descrever os processos de produção do conhecimento. Onde chegar? • A análise em Pesquisa Quantitativa • As respostas e a tabulação dos dados em Pesquisa Quantitativa • Análise e interpretação de dados em Pesquisa Quantitativa Análise de dados? Para que? Não basta apresentar ou descrever? Análise de dados Tabulação Análise de dados Agrupamento das respostas Categorização Análise de dados Tratamento estatístico Descritivo - básico Inferencial – teste de h. Análise de dados Teste de hipóteses Os resultados confirmam a hipótese Os resultados Refutam a hipótese Análise de dados Erros de análise? Erro tipo I Erro tipo II Aceita hipótese negativa Rejeita hipótese positiva Falso positivo Falso negativo Fontes https://www.statisticssolutions.com/wp-content/uploads/2 017/12/rachnovblog.jpg Fonte: https://www.statisticssolutions.com/wp-content/uploads /2017/12/rachnovblog.jpg Fonte: http://user.medunigraz.at/helmut.hinghofer-szalkay/Type_2_error.gif Análise de dados Interpretação dos resultados Respostas + Análise + Interpretações = Conclusões Dados coletados Tratamento dos dados Subsídios da literatura Confirma ou Refuta? Posição do pesquisador Resposta à pergunta Análise de dados Apresentação dos resultados (Divulgação científica) Relatório Artigo • Desafio (interação): • Analisar a qualidade de um artigo. • Usar um instrumento quantitativo. • Comparar o resultado com um colega (análise por pares) Conclusão: A pesquisa quantitativa é o caminho mais seguro para investigações em Psicologia, porém a complexidade do ser humano lança desafios aos pesquisadores. Bons Estudos! 09 Coleta e Análise de Dados Pesquisa Qualitativa Coleta de Dados Eugenio Pereira de Paula Jr. Aula Abertura Objetivos • Apresentar a modalidade de pesquisa qualitativa. • Apresentar Teorias e metodologias da pesquisa qualitativa e sua aplicação na saúde. Onde chegar? • Processos de produção do conhecimento. • A evolução do conhecimento e da pesquisa no campo da saúde. • A coleta de dados em pesquisa qualitativa. Coleta de dados • Ciências • Naturais Concreto e objetivo • Exatas • Sociais • Humanas Metafísico e subjetivo Coleta de dados Fenômenos humanos (comportamentais, emocionais e cognitivos) Fenômenos simbólicos/abstratos Fenômenos sociais e culturais Dos Coleta de dados Desafios: • Objeto pouco claro • Sem Unidades de medida • Instrumentos de mensuração imprecisos • Instrumentos circunstanciais • Perguntas/Respostas subjetivas • Dados Subjetivos – Discurso e comportamento • Volume maior de variáveis intervenientes Exigências: • Amostras ? • População (N) e amostra (n) - Tamanho pequeno (n) e cálculo? - Tipos de amostras – - Grupo controle (Comparação) ? Exigências: • Procedimentos • Projeto detalhado - identificação de variáveis - Normas acadêmicas e científicas • Submissão ao CEP • Recrutamento? • Aplicação uniforme? - registro de intercorrências • Registro/descrição detalhado e controlado? Instrumentos: • Observação – diversidade • Grupo focal • Entrevista - gravar, filmar, anotar e roteiro • Questionários – Perguntas? • Formulários – eletrônicos? Fundamentado X amadorismo Coleta: • Revisão de literatura – Descritores e oper. booleanos • Interações com pessoas • Rapport • Comunicação? • Registros? - Dados são voláteis. • Pesquisa participante ou ação? Intenção + discurso + interpretação = resposta? • Desafio (interação): • Procurar um artigo sobre Pesquisa Qualitativa • Analisar o artigo individualmente • Debater com um colega Conclusão: Embora pareça mais simples e seja considerada menos precisa, a Pesquisa qualitativa exige grande comprometimento e competência de pesquisadores e colaboração dos participantes, pois seus resultados são valiosíssimos. Bons Estudos! 10 Coleta e Análise de Dados Pesquisa Qualitativa Análise de Dados Eugenio Pereira de Paula Jr. Aula Abertura Objetivos • Apresentar o processo de análise de dados em Pesquisa Qualitativa. • Descrever os processos de produção do conhecimento. Onde chegar? • A análise de dados em Pesquisa Qualitativa • As respostas e a tabulação dos dados em Pesquisa Qualitativa • Análise e interpretação de dados em Pesquisa Qualitativa Análise de dados qualitativos Pergunta de pesquisa? Resposta à pergunta Dis cu rso s e co mp or tam en tos Mole Tratamento dos dados • Respostas ou comportamentos • Registros, descrições • Agrupamentos • Classificações Dos Estatística? Bioestatística Psicometria Neurometria PsicoestatísticaCom n=3? Do Análise Dados (respostas) + literatura + interpretação = resposta? Dados Literatura Dados Literatura Interpretação interpretação Resposta Resposta Riscos Dados incompletos (Observação, entrevistas) n – perda amostral = n Formulários sem volta e incompletos Literatura – pouca ou sem qualidade Literatura = respondentes Softwares (apoio) Interpretações x inferências Viés de confirmação ou refutação • Análise Análise de conteúdo – Frequência (quanti) e ausências (quali) - significado Análise de discurso – Sentido Análise temática - Interpretação Hermenêutica e semiologia - Compreensão IIN Relatório e artigo Escrita acadêmica e científica (normas) Qualidade técnica (bem escrito) Veracidade Aprovação e aceitação Divulgação científica • Desafio (interação): • Analisar a qualidade de um artigo de abordagem qualitativa. • Usar um instrumento qualitativo (PATIAS, HOHENDORFF, 2019). • Comparar o resultado com um colega (análise por pares). Conclusão Na análise qualitativa o pesquisador, tal qual um trapezista, aposta na sua competência para atravessar sem redes o ar em direção à segurança da plataforma e investe sua capacidade de interpretação no diálogo entre teoria e prática, para atravessar o vácuo entre a pergunta e a resposta. Bons Estudos! 11 Coleta e Análise de Dados Pesquisa Quanti-Quali Modelo Misto Eugenio Pereira de Paula Jr. Aula Abertura Objetivos • Apresentar a integração entre pesquisa quantitativa e qualitativa (modelo misto). • Apresentar os fundamentos deste modelo. • Sensibilizar os acadêmicos para a formação em pesquisa. Onde chegar? • O modelo misto (quanti-quali) em pesquisa em saúde. • O paradigma Transdisciplinar • O desafio de uma educação transformadora O novo paradigma • Quantitativo +/- • Qualitativo +/- • Misto +/-? Mole A origem do conceito • Antropologia – 1960 • Complexidade - Nem quantitativo, nem qualitativo Evolução: • investigação multimétodo; • pesquisa integrada/combinada; • triangulação; • estudo híbrido; • metodologia mista; • pesquisa de métodos mistos. Dos Contexto Real x Realidades Complexidade Ciência fragmentada Ruptura - esquizofrenização Requisitos: Pensamento sistêmico Cognição disruptiva Criatividade Paradigma transdisciplinar Educação libertadora Do Indicações Conceitos novos (constructos) e pouca literatura (pré-teórico) A interpretação dos Resultados de uma abordagem exige segunda fonte de dados Nem a abordagem qualitativa, nem a abordagem quantitativa são suficientes Análise quantitativos são de difícil interpretação e dados qualitativos podem ajudar Dos Procedimento Problematização Pergunta? Procedimentos conjuntos Análise mista Resposta SANTOS et al., 2016. Desafio Aproximar-se do paradigma transdisciplinar Momento individual, pares e coletivo IIN Conclusão: “Criar, criar, Criar no espírito, criar no músculo, criar no nervo... Criar no homem, criar na massa, criar... Criar com os olhos secos” António Agostinho Neto (Angola) Fundação: https://agostinhoneto.org/ Bons Estudos! 12 Coleta e Análise de Dados Conclusões Revisitando a Disciplina Eugenio Pereira de Paula Jr. Aula Abertura Revisitando... Objetivos • Revisitar os módulos de Coleta e análise de dados. • Apresentar reflexões finais sobre a disciplina. • Sensibilizar os acadêmicos para a formação em pesquisa. Onde chegar? • A importância da formação em pesquisa. • A relevância da pesquisa na produção, divulgação e conhecimento em saúde. • Os desafios da coleta e análise de dados em pesquisa em saúde. Módulo 1 Coleta e análise de dados EaD não pode ser um empecilho, mas sim um canal para a boa formação do acadêmico de Psicologia em pesquisa na área da saúde, campo crescente de atuação. Dos A sociedade do conhecimento será cruel para com aqueles que não compreenderem ou rechaçarem (negacionistas) o Espírito científico. 2. O espírito científico Mole • A importância da pesquisa A Psicologia precisa reencontrar seu caminho de colaboradora na construção da cidadania, mas não conseguirá isso sem desinstitucionalizar-se de uma sociedade que se perdeu na história (crise de paradigmas). FONTE: Shutterstock Do A formação do pesquisador • – As abordagens mais atuais mostram uma libertação do determinismo genético, aliás, a própria genética está se libertando do determinismo. “Os cromossomos não têm mais a última palavra” Reuven Feuerstein (1921-2014). Ciência baseada em evidências Ainda existem “Conflitos de interesses” (mentalidade do aluno x competências profissionais almejadas) na formação do Psicólogo, mas a exigência profissional fará emergir a consciência da PBE e da Bioética. Quantidade e qualidade Sem quantidade ou qualidade a pesquisa e a Psicologia não alcançarão índices (quantidade) aceitáveis (qualidade) junto à comunidade científica. IIN Pesquisa quantitativa • Coleta de dados A condição pré-paradigmática da Psicologia coloca-a à mercê de outros modelos, que acabam impondo e exigindo uma quantificação do que não é quantificável. S O que era problema vira solução e a solução gera novos problemas. A confusão não está na Dialética, mas sim no humano e sua inquietude. Pesquisa quantitativa Análise de dados Pesquisa qualitativa é o garimpo da Psicologia em águas turvas e com bateias de trama larga. Pesquisa qualitativa Coleta de dados FONTE: Shutterstock A Pesquisa qualitativa Análise de dados A análise qualitativa de dados é a lapidação das áridas informações coletadas feita pelas mãos calejadas de um pesquisador incansável, transformando-as em uma resposta valiosa. FONTE: Shutterstock A metodologia de pesquisa por modelos mistos e a Transdisciplinaridade já encontraram o caminho para superação de muitos problemas sociais, agora cabe aplicá-los na melhoria na qualidade da educação. Pesquisa quanti-quali (modelo misto) Conclusão Estivemos apontando caminhos... aqui não é a chegada. "pesquisar constitui uma atitude e uma prática teórica de constante busca e, por isso, tem a característica do acabado provisório e do inacabado permanente" (MINAYO, 2010, p. 47). Bons Estudos! 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Onde Chegar • Apresentar o contexto da disciplina e o conteúdo dos 12 módulos. • Contextualizar a importância da pesquisa na formação do Psicólogo. • Apresentar orientações para o estudo na modalidade EaD. O que Aprender • O programa da disciplina. • A pesquisa em Psicologia – Coleta e análise de dados. • Pesquisa quantitativa e qualitativa. • Como estudar na modalidade EaD. AULA 01 Apresentação da disciplina Módulos de estudo Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Desenvolvimento Momento Conceitual O que é pesquisa? Quem faz pesquisa? Essas duas perguntas inicias ajudarão a apresentar o módulo de Coleta e análise de dados. A primeira pergunta (O que é pesquisa?) fundamenta o aparecimento da Psicologia, primeiro como ciência dos fenômenos psicológicos (psicofisiológicos, emocionais, cognitivos e relacionais) e depois como profissão, o fazer dos psicólogos. Pesquisa é a busca por respostas a questões, busca de soluções para problemas e desafios, mas é também a criação de novas alternativas e superação das respostas já existentes. Os primeiros pesquisadores dos fenômenos psíquicos, que ainda não eram psicólogos, investigavam alguns fenômenos humanos que não eram explicados pelas outras ciências. Pesquisa é o processo científico de busca da verdade em consonância como zeitgeist histórico eenvolve diferentes formas de alcance destas verdades. Inicialmente consistia em descobertas, tornou-se busca, aprimorou-se como investigação e atualmente se caracteriza pela criação e invenção de respostas para os problemas que surgem na sociedade ou da problematização para superação de condições específicas da vida, buscando soluções aos problemas existentes (ciência aplicada) ou na melhoria das condições de vida (progresso científico). Paradoxalmente a pesquisa move e é movida pelo Princípio evolutivo, que consiste num ciclo infinito de que a cada problema resolvido a consciência se expande e alcança (visualiza) novos problemas a serem superados. Na busca de superação destes novos problemas uma nova capacidade de interpretação (consciência) da realidade é alcança, potencializando os mecanismos de problematização (toma da consciência – complexidade) e de busca de soluções (avanço tecnológico). Isto posto podemos discutir a segunda pergunta (Quem faz pesquisa?). A resposta não é óbvia, “ora, quem faz pesquisa são pesquisadores”. Todas as pessoas fazem pesquisa, mas não se consideram pesquisadores. No cotidiano sempre fazemos pesquisas, ainda que de maneira informal. Então, na área da Psicologia, não só os psicólogos 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 cientistas que fazem pesquisa, mas todos os psicólogos fazem ou deveriam fazer. Explicação para esta falsa divisão se de deve ao fato que, depois que a Psicologia se consolidou como ciência e profissão, houve uma divisão: de psicólogos que faziam psicologia (profissionais) e psicólogos pesquisadores (cientistas). A contribuição da pesquisa da formação do Psicólogo Desta forma, ao final esta disciplina, os acadêmicos entenderão que a disciplina de Coleta e análise de dados (procedimentos essenciais no processo de pesquisa) não é apenas para formar pesquisadores profissionais, mas sim para qualificar qualquer psicólogo a consumir e produzir conhecimento de forma científica, qualificada, principalmente, fazer da atuação profissional uma prática fundamentada nos conhecimentos produzidos pelas diversas ciências e com base nas evidências científicas. Então vamos ver os desafios deste semestre; Momento Procedimental A composição do curso: Módulo 1 – Contextualizar o curso Apresentação da disciplina. Apresenta uma visão geral da disciplina e um resumo geral de cada módulo, para que o acadêmico tenha um primeiro contato com os temas e depois, em cada módulo, tenha mais familiaridade e, por fim, alcance um domínio dos conceitos e processos de pesquisa. Módulo 2 – Refletir sobre a importância ciência O espírito científico. Traz reflexões sobre conceitos em ciência (Informação, conhecimento e verdade, o papel da ciência na vida humana). Apresenta a evolução do pensamento científico, das especulações primitiva, o papel do senso comum até a criticidade e o rigor acadêmico. Discutirá também as Pseudociências, o preconceito, negacionismo, o ceticismo e o papel da dúvida e da incerteza no campo do conhecimento. 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Módulo 3 – Refletir sobre a importância da pesquisa A importância da pesquisa. Posiciona o que é pesquisa e discute o papel da pesquisa na formação do Psicólogo. Pretende mostrar que pesquisa não é só um ramo da Psicologia, mas que pesquisar deve ser uma prática profissional do psicólogo. Analisa a contribuição da pesquisa nos âmbitos individual, acadêmico e social. Discute os tipos pesquisa e métodos de pesquisa. Módulo 4 – Pensar sobre a formação do pesquisador A formação do pesquisador. A palavra pesquisador remete à caricatura e o estigma de um profissional no laboratório, de jaleco branco entre tubos de ensaio e explosões. Porém, no contexto atual dada a diversidade de campos de pesquisa, o pesquisador tem outras características. Neste módulo vamos discutir as competências e habilidades, e até de caráter, de um pesquisador e qual deve ser sua formação. Módulo 5 – Aprofundar os conceitos de ciência Ciência baseada em evidências. A herança do rigor da Revolução Cientifica, o mau uso das informações produzidas e a disseminação de pseudociência (hoje fake news), fez surgir a preocupação com a quantificação, precisão, veracidade e consequências, diretas e indiretas, do conhecimento científico na vida das pessoas. Neste módulo vamos discutir a contribuição da Ciência Baseada em Evidências e a Bioética no avanço científico. Módulo 6 – Refletir sobre a integração quantidade e qualidade Quantidade e qualidade em pesquisa. A partir do dito popular, comum entre os acadêmicos, que se defenderem com a célebre frase: “vale mais a qualidade do que a quantidade” para justificar a pouca produção acadêmica, discutiremos a importância e a possibilidade de se integrar os dois princípios, buscando alcançar quantidade com qualidade. Módulo 7 – Compreender o conceito de pesquisa quantitativa 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Pesquisa quantitativa (coleta de dados). Vamos investigar o conceito de pesquisa quantitativa, analisando suas vantagens e desvantagens, enfocando a coleta de dados e os processos de investigação por este prisma. Módulo 8 – Ampliar a familiaridade com a pesquisa quantitativa Pesquisa quantitativa (análise de dados). Vamos aprofundar a análise do processo de apresentação e interpretação dos dados numéricos e quantificações sobre as informações coletadas. Módulo 9 – Compreender o conceito de pesquisa qualitativa Pesquisa qualitativa (coleta de dados). Vamos investigar o conceito de pesquisa qualitativa, analisando suas vantagens e desvantagens, enfocando a coleta de dados e os processos de investigação por este prisma. Módulo 10 – Ampliar a familiaridade com a pesquisa qualitativa Pesquisa qualitativa (Análise de dados). Vamos aprofundar a análise do processo de apresentação, análise e interpretação das informações coletadas. Módulo 11 – Discutir a integração qualitativa + quantitativa Pesquisa Quanti-Quali. Os desatentos entenderão que é a mescla ou mistura dos dois modelos. Mas neste módulo vamos analisar a integração e síntese desses processos, entendendo que é necessário um domínio dos dois modelos, a partir do paradigma transdisciplinar. Módulo 12 – Consolidar os conteúdos da disciplina 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Conclusões. Ao final de cada módulo chegaremos à uma conclusão sobre o tema que foi apresentado e neste módulo, como recapitulação do curso, vamos revisitar as conclusões anteriores. Orientação final: Desafios e estratégias da EaD. Educação à distância não é distância da educação! A aprendizagem no ambiente virtual (AVA) é um desafio que exige outras capacidades; emocionais, cognitivas e comportamentais do acadêmico. Pode ser muito proveitosa e ter bons resultados ou ser frustrante. O resultado depende da sintonia do aprendiz com esse novo modelo de aprendizagem. Na experiência docente percebi que os dois principais obstáculos são; a falta de domínio das plataformas de aprendizagem (navegabilidade no AVA) e a dificuldade de interpretação (domínio de interpretação de textos) das consignas. Então, antes de qualquer coisa, prepare-se e procure se qualificar melhor para aproveitar e enfrentar dos desafios destes módulos. Leia e estude um pouco sobre a modalidade EaD. Disponha 6 horas semanais (mínimo sugerido para auto estudo) para ter contato, familiaridade e domínio do conteúdo. Não procrastine! Faça as leituras e atividades antes e depois de cada aula, não deixe para depois.Dica final! Use o modelo pré-teste e pós-teste. Nas avaliações com duas ou três chances, use a primeira para um primeiro contato com o que é perguntado e você já terá um panorama do seu desempenho. Depois disso inicie os estudos do módulo, procurando identificar o que acertou e o que errou no pré-teste. Finalmente volte a responder a avaliação, agora com mais domínio do conteúdo aprendido. 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Conclusão: Temos três grandes desafios; 1 - Nos aproximarmos mais da modalidade EaD; 2 - Compreender o papel da pesquisa na formação do psicólogo e; 3 - Conhecer os processos de coleta e análise de dados para fazer e consumir boas pesquisas, essencial para a boa formação em Psicologia. 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Vá mais Longe Faça um levantamento de como é seu estilo de aprendizagem e veja se ele se coaduna com a modalidade EaD, procure identificar e superar suas dificuldades para aproveitar melhor todos os módulos. Aqui tem dois textos que vão te ajudar a aproveitar melhor esta disciplina; BELUCE, Andrea Carvalho e OLIVEIRA, Katya Luciane. Escala de estratégias e motivação para aprendizagem em ambientes virtuais. Revista Brasileira de Educação [online]. 2016, v. 21, n. 66 [Acessado 11 Junho 2021] , pp. 593-610. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-24782016216631 . ISSN 1809-449X. https://doi.org/10.1590/S1413-24782016216631. COELHO, Marco A. DUTRA, Lenise R., MARIELI, Joane. Andragogia e Heutagogia: Práticas Emergentes Na Educação Revista Transformar, no. 8, pp. 97-107. 2016. Disponível em: http://www.fsj.edu.br/transformar/index.php/transformar/article/view/87/83 Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://doi.org/10.1590/S1413-24782016216631 https://doi.org/10.1590/S1413-24782016216631 http://www.fsj.edu.br/transformar/index.php/transformar/article/view/87/83 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 Agora é sua Vez! Interação Como você vê a pesquisa? Veja a foto dos arqueiros, construa uma analogia entre o processo de pesquisa e a arte de disparar uma flecha. Veja se você e seus colegas constroem as mesmas relações. FONTE: Shutterstock Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – A disciplina tem como objetivo: a) Apresentar a história da ciência. b) Justificar porque a ainda Psicologia não é considerada uma ciência. c) Abordar conteúdos sobre pesquisa quantitativa e qualitativa. d) Descrever a metodologia de um projeto de pesquisa. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra C 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 11 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Apresentação | Aula 01 REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 Onde Chegar • Apresentar paradigmas do pensamento científico. • Contextualizar as concepções de conhecimento e verdade. • Sensibilizar os acadêmicos para adesão à cientificidade na formação em Psicologia O que Aprender • O conceito do Espírito científico. • Qual foi o percurso histórico da ciência. • O contexto atual da ciência e as ameaças das Pseudociências. • A importância da ciência na formação do psicólogo. AULA 02 O espírito científico Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 Desenvolvimento Momento Conceitual O Espírito científico O ano de 1543 foi estabelecido como o início da Revolução científica que contribuiu com novos conhecimentos tecnológicos que desencadearam a Revolução industrial (1760) e que, junto com a Revolução francesa (1789–1799), se tornaram os precursores do mundo moderno ocidental, com alcance global e se estendendo até ao oriente. Quase tudo que vemos a nossa volta e temos ao nosso alcance é resultado deste processo oriundo destas revoluções. A revolução científica favoreceu que a ciência das descobertas originasse as ciências da criação e oferece subsídios para a indústria da produção em escala e potencializasse os processos de transformação e que nos trazem um mundo quase infinito de utensílios, serviços e possibilidades que jamais seria imaginado há 300 anos. A emersão e consolidação deste processo de tornar a ciência o referencial de existência e sobrevivência está calcada no que Gaston Bachelard (1888-1962) chamou de Espírito científico. Na clássica obra “A formação do espírito científico” (BACHELARD, 1996), ele descreve, de forma brilhante, a construção deste processo. O espírito científico é uma condição de interpretação da realidade, da vida e das coisas de uma forma oposta ao cotidiano concreto. Caracteriza-se pela inquietude e pela sede por ir além das coisas simples, prontas e acabadas. O espírito científico é sempre partida para um grau mais elevado de conhecimento e jamais a permanência no cotidiano (ou que seja um cotidiano de busca e superação). • Qual foi o percurso histórico da ciência. Mas como chegamos ao espírito científico? Um breve percurso histórico vai ajudar a entender as transformações e a situação atual da ciência moderna. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 No início da humanidade civilizada, embora o homem passasse a ter consciência e algum domínio sobre a natureza e os fenômenos, ainda não existia ciência, pois na chamada era Pré-histórica não existiam registros ou sinais de um processo sistematizado de conhecimento. Os eventos apenas aconteciam e o humanoide recém-surgido na terra reagia a eles de forma atabalhoada e o medo era a emoção predominante e que garantia a sobrevivência. Com o avanço para o momento Histórico, quando surgem os primeiros registros da existência humana e de suas manifestações, a explicação para as coisas ainda era incipiente, feita por transmissão oral (pré-escrita), onde e as pinturas rupestres apenas descreviam fatos isolados que ainda são mistério e desafiam a compreensão dos arqueólogos atuais. Porém este momento histórico da civilização ainda era pré-científico e o surgimento da escrita permitiu avanços no registro da existência humana e de seus feitos. A escrita permitiu que a humanidade deixasse o legado da origem, causas e efeitos dos fenômenos naturais e das primeiras ações humanas. Que eram explicadas a partir de um conhecimento vago e impreciso das relações entre causas e efeitos, o que deu origem aos mitos, lendas e elucubrações, das quais ainda temos poucos dados, pois restaram poucos fragmentos de suas lendas e narrativas, fincando o desafio para as ciênciasdo passado (História, Arqueologia, Paleontologia, etc.) desvendar. Mas foi nesta era pré-científica que se consolidaram as grandes civilizações. Como a civilização Egípcia (3.000 anos a.C.) e seus sacerdotes (sábios) que justificavam a origem dos fenômenos físicos, naturais e humanos pela ação de alguém que os criavam e faziam (deuses/divindades). Os Gregos (400 anos a.C.) e a era Greco-Romana (era cristã), também regidas pela mitologia teocêntrica e tendo na figura do oráculo a fonte explicativa das coisas. Além destas civilizações centrais, em outras partes do mundo, cada povo silvícola e aborígene construiu suas explicações para tudo. O medo deu lugar à curiosidade e a especulação foi a primeira tentativa de explicar a existência e os fenômenos. Essas grandes civilizações foram precursoras da alquimia e dos alquimistas, que seriam os precursores da ciência moderna, iniciando um momento científico, onde a 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 preocupação como cada civilização ou cultura atribuía sua origem às coisas e relações entre elas ganha importância. Assim muitos paradigmas científicos atuais ainda são fundamentados nos conceitos propostos na antiguidade. Porém o pensamento científico entra em latência com a idade média e, entre 476 e 1453 da era Cristã, a investigação perde força para a explicação, pois o paradigma vigente (Deísta e teocêntrico) atribuía a origem e as causas de tudo a uma decisão divina. A verdade divina é inquestionável, sendo punidos os que ousavam discordar ou terem práticas não permitidas (diabólicas) que hoje conhecemos como experimentação científica, com seu ápice no Tribunal do Santo Ofício (a famosa inquisição) (extremo). Assim a crença, o medo e a obediência se tornam naturais. Contudo a história não para e as mudanças econômicas, sociais e culturais da época, que decorreu na queda de Constantinopla, centro do mundo até 1453, deram início a mais mudanças e alimentou o Renascimento, que aparentemente tenha sido um movimento revolucionário das artes, favoreceu o desenvolvimento de várias áreas sociais e do conhecimento. Em 1543, ano da morte de Copérnico, a investigação científica volta a ganhar importância e impulso. A curiosidade, a dúvida e a descrença passam a fermentar o pensamento revolucionário de filósofos, artistas e pensadores, dando origem à Revolução científica. A Revolução científica emerge num mundo conturbado que, sem as amarras morais, sociais, culturas e religiosas, fervilhava de criatividade e novas investigações em todos os campos (ciências, matemática, filosofia, política, artes, cultura, etc.), pois ainda não havia a separação que temos hoje nessas áreas. E, ao mesmo tempo em que as ideias criativas e inovadoras jorravam, a complexidade aumentava e essas novas situações no campo das ciências criavam a necessidade de padronização, de normas e de formalização aumentava também. Surgem as unidades de medida, normas artísticas as métricas para a música e literatura e a legislação é remodelada. O Racionalismo de René Descartes (1596-1650) e Positivismo de Auguste Comte (1798-1857) estabelecem os pilares do pensamento científico moderno dando consistência ao espírito científico e, calcados no pensamento lógico, impõem os princípios 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 da prática científica. A partir destas concepções o pensar, duvidar e criticar os valores vigentes tornam-se obrigação para o estudioso da natureza e do fazer humano. Bachelard resume com mestria este processo, afirmando que “A ciência da realidade já não se contenta com o como fenomenológico; ela procura o porquê matemático” (BARCHELARD, 1996). E as viradas dos dois últimos séculos ofereceram pujança ao espírito científico, com os processos de desenvolvimento tecnológico ganhando escala exponencial com uma velocidade de atualização alarmante e o tempo para o surgimento de novas técnicas, artefatos e revolução dos avanços científicos é cada vez menor. Bachelard ainda vai além, apregoando um novo espírito científico “consideraríamos o ano de 1905 como o início da era do novo espírito científico, momento em que a Relatividade de Einstein deforma conceitos primordiais que eram tidos como fixados para sempre” (BARCHELARD, 1996). Então temos que os cânones da ciência moderna, pautados nos princípios da experimentação, da replicabilidade, da comprovação e da refutação, impõem questionamentos constantes aos fenômenos da vida (O que é?, Porque é?, Quem afirmou?, Como é?, Como melhorar?, Como evitar?, Quanto?, como transformar?), onde o questionar e duvidar se impõem constantemente. Ficando o legado de que Real, Informação, Conhecimento, Realidade e Verdade são constantemente testados em sua validade, precisão, qualidade, segurança e mais recentemente, na bioética. O espírito científico foi a forma que a humanidade encontrou para superar as intempéries que se abatem constantemente sobre nós, mas, embora esta retrospectiva histórica sinalize o progresso a ciência e que o espírito científico seja essencial neste progresso, a advertência de Bachelard de que “mesmo na mente lúcida, há zonas obscuras, cavernas onde ainda vivem sombras. Mesmo no novo homem, permanecem vestígios do homem velho. Em nós, o século XVIII prossegue sua vida latente; infelizmente, pode até voltar” (BARCHELARD, 1996) precisa ser lembrada 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 • O contexto atual da ciência e as ameaças das Pseudociências. A advertência de Bachelard, proferida no início do século XX, tornou-se extremamente relevante em decorrência das grandes ameaças que o mundo da ciência enfrenta neste momento histórico. Estas ameaças decorrem de dois problemas iniciais, oriundos infelizmente da própria evolução da ciência: O primeiro foi a fragmentação da vida e do homem, que ensejou diferentes realidades e concepções ideológicas, muitas vezes antagônicas e conflituosas. O segundo problema é essa fragmentação levou o mau uso da ciência por interesses econômicos, políticos, perversos e, até, burrice, como acontece com o avanço e a proliferação dos meios midiáticos que tem criado canais e veículos de propaganda e difusão de retóricas pseudocientíficas e negacionismo (afirmações anticientíficas), dando vazão ao senso comum e informações não verdadeiras. O discurso científico (apresentação da verdade), pautado no rigor e na fundamentação qualificada, é ameaçado e desconstruído pela retórica leviana e irresponsável (falseabilidade ou pseudoverdades) de pessoas distantes e desconhecedoras da importância do pensamento científico. Para agravar esta situação outro problema emergente também ameaça o espírito científico, que é a virtualização do mundo, que afasta a humanidade do mundo real, construindo outras realidades e metarrealidades, levando a ciência de volta para um patamar pré-científico e ilógico, que exigirá novos paradigmas conceituais, científicos e novas cognições para compreensão destes novos mundos. Mas felizmente, como vimos que o papel da ciência é a constante busca por soluções aos desafios que se originam nos diferentes segmentos da vida, a própria ciência, calcada na forte criticidade e solucionática, se encarregará de buscar os caminhos, instrumentos e procedimentos que anulem ou reduzam essas ameaças. Um desses caminhos foi a integração do espírito científico (conhecer) com o espírito ético (fazer o bem). O desafio perpétuo da ciência é dar consistência e validade aos pilares do saber (Informação, conhecimento e verdade) para aproximar cada vez mais a realidade do real, 7 NEAD – Núcleo de Educação aDistância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 missão considerada impossível pela filosofia, e libertar a todos da prisão ilusória do senso comum e do conhecimento cotidiano. Momento Procedimental • A importância da ciência na formação do psicólogo. Se o texto anterior não foi suficiente para justificar a importância da ciência na formação do psicólogo vamos abordar a cientificidade da Psicologia e o papel desta na formação do psicólogo. O acadêmico entra na graduação pensando a Psicologia como uma profissão e não como uma ciência e dá pouca importância ao aspecto científico da sua formação. As próprias instituições refletiram isto historicamente, deixando a pesquisa de lado na formação, enfatizando apenas o fazer (reprodutivo) do trabalho do psicólogo. Tanto que o termo “equipe técnica” é mais usual ao invés de “equipe científica”, denotando que fazer/técnico se sobrepõe ao pensar/científico. A profissão de psicólogo e a ciência Psicologia não deveriam estar separadas, mas o modelo atual de formação faz isso. As graduações apropriam-se de fragmentos de conhecimentos gerados pela ciência e incute isso (pelo modelo de transmissão de informação) num fazer do profissional, tornando o futuro profissional num operário repetidor das práticas propostas, selecionadas e ensinadas de forma técnica. Desta maneira o resultado final será um profissional habilitado nas práticas e modelos que lhes foram apresentadas durante o curso e ele não terá capacidade de ir além, pois seu papel, que foi o de receber orientações e repeti-las em um contexto adequado e da forma orientada, porém, como aprendeu de forma genérica e generalizada, não conseguirá identificar ou adaptar seu fazer à peculiaridade de cada situação. O desafio é que, o acadêmico, imbuído do espírito científico, torne-se um pesquisador da ciência Psicologia e que sua formação seja a conclusão de um percurso por pesquisas nas diferentes áreas da Psicologia e de diferentes metodologias de pesquisa. Assim o resultado final será um profissional pesquisador, habilitado em práticas investigativas com criticidade e capacidade de ir além da mera repetição de protocolos, 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 capaz de identificar e criar ações efetivas para a realidade específica de cada contexto, contornando as limitações que cada situação que, por ser única, exige. Conclusão: Diante das ameaças que o contexto atual apresenta ao mundo moderno e à formação profissional, o espírito científico é um diferencial qualificador essencial na formação do psicólogo. Vá mais Longe Busque aprofundar seus conhecimentos sobre o Espírito científico. Aqui tem duas dicas; BACHELARD, G. A formação do espírito científico. (5ª. ed.). Rio de Janeiro: Contraponto. 1996. NEUBERN, Maurício S. Três obstáculos epistemológicos para o reconhecimento da subjetividade na psicologia clínica. Psicologia: Reflexão e Crítica [online]. 2001, v. 14, n. 1, pp. 241-252. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-79722001000100020>. Epub 16 Ago 2001. ISSN 1678-7153. https://doi.org/10.1590/S0102-79722001000100020. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://doi.org/10.1590/S0102-79722001000100020 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 Agora é sua Vez! Interação O espírito científico faz parte de sua vida? Ele te acompanha na sua formação? Faça um retrospecto de sua vida acadêmica e relembre os momentos que você se viu como um pesquisador e pensador da realidade relacionada às matérias que estudou. Eleja e registre três momentos em que lembra de ter vivido o espírito científico. Compare com os momentos de seus colegas, vejam o que há de comum (preferências, descobertas, dificuldades, etc.) entre eles. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – O espírito científico foi apresentado como: a) Uma crítica ao momento atual (instável e volátil) da ciência, mostrando-a frágil. b) Uma refutação à ciência, defendendo a força do senso comum (preciso e perene). c) O princípio que rege e dá consistência (delineia e ordena) ao conhecimento. d) Uma contradição, considerando que espírito e ciência são antagônicos. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra C 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | O espírito científico | Aula 02 REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 Onde Chegar • Apresentar o papel da pesquisa em Psicologia. • Desmitificar a dicotomia ciência e profissão. • Sensibilizar os acadêmicos para o papel da pesquisa na formação em Psicologia O que Aprender • O que é pesquisa em Psicologia. • O contexto atual da pesquisa em Psicologia. • Os desafios de pesquisar. • A importância da pesquisa na formação do psicólogo. AULA 03 A importância da Pesquisa em Psicologia Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 Desenvolvimento Momento Conceitual • O que é pesquisa em Psicologia. A Psicologia, antes de se consolidar como profissão, consistia como ciência calcada na pesquisa experimental e investigação metódica. Porém essa configuração epistemológica não seguiu o caminho das ciências mais robustas (hard sciences), orientadas pelo modelo positivista, e acabou alinhando no campo das ciências humanas e sociais (soft sciences), onde o rigor metodológico ainda não alcança as mesmas premissas e onde a pesquisa ainda encontra desafios epistemológicos, sendo o principal deles a questão da subjetividade, que dificulta a precisão de construtos, conceitos e mensuração dos fenômenos estudados. A Psicologia constituiu-se pela a síntese de dois campos dicotômicos do conhecimento, o biológico e o mental. No campo da biologia a pesquisa é robusta, consistente e apresenta maior objetividade, porém no campo mental ou social a objetividade ainda é de imprecisa e pouco consistente, alojando essa ciência entre as ciências humanas, tangenciando as ciências sociais e, mais recentemente, vem ser caracterizando como ciência da saúde, mas ainda carecendo de solidez. Essa dicotomia entre as ciências também criou hiatos que conduziram a Psicologia para dois ramos de pesquisa; o quantitativo/objetivo e o qualitativo/subjetivo e que hoje gera desafios conceituais e interpretativos, dificultando a consolidação da Psicologia como ciência. Desta forma a pesquisa em Psicologia ainda é a busca de parâmetros e a construção de referenciais conceituas, teóricos e metodológicos que, embora bem consistentes em outras áreas do conhecimento, ainda não são palpáveis nesta ciência que ainda tateia em busca seu objeto de estudo (do comportamento ou da subjetividade ou inconscienteou...). 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 • O contexto atual da pesquisa em Psicologia. Além da dicotomia histórica da ciência Psicologia (biológico versus mental) a consolidação da Psicologia como profissão gerou nova dicotomia entre o contexto profissional e científico com uma nova divisão: de psicólogos que fazem psicologia (profissionais) e psicólogos pesquisadores (cientistas). E esta separação indevida se deu de forma desproporcional e o enfoque profissional tornou-se hegemônico e valor do psicólogo pesquisador se perdeu (apenas 3% dos psicólogos são pesquisadores). No contexto acadêmico, de formação dos psicólogos, esta separação se repete (pesquisa versus docência), com o psicólogo pesquisador dedicando a encontrar respostas aos desafios que emergem do psiquismo humano nos laboratórios ou nos campos de pesquisa (contexto social), mas afastado da sala de aula. Por outro lado o professor apenas consome a ciência produzida pelo pesquisador, mas, ao não produzir ciência, não consegue trazer o espírito científico para o contexto educacional. Separado do contexto de pesquisa o psicólogo formador (docente) acaba trazendo os resultados das pesquisas apenas como informação e não como conhecimento. O Resultado é que acadêmico tem pouco contato com a pesquisa e acaba perdendo a visão de que todo profissional deve ser pesquisador. Desta forma, a pouca pesquisa feita pelos pesquisadores fica circunscrita a um grupo pequeno de investigadores, os docentes viram meros atravessadores de informação e os acadêmicos tem sua formação distorcida, achando que basta repetir as orientações dadas em sala para que a psicologia se efetive junto aos usuários. Mas apenas acabam levando uma prestação de serviços pouco efetiva, mais próxima do senso comum, e sem os conhecimentos essenciais que realmente mudaria a realidade individual e social dos envolvidos. 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 Momento Procedimental • A importância da pesquisa na formação do psicólogo. No contexto atual a pesquisa em Psicologia ganha grande relevância pelos seguintes fatores: 1) a complexidade do mundo e das relações sociais (Interpessoais); 2 a relevância individual, acadêmica e social da pesquisa. 1) A complexidade do mundo e das relações sociais (Interpessoais) – O mundo está ficando progressivamente mais complexo e as novas tecnologias e configurações sociais, com mais conhecimento agregado pelo acúmulo gerado pelo princípio evolutivo, geram processos cognitivos mais elaborados e complexos. As dinâmicas sociais também se complexificam pelo o aumento de possibilidades infinitas de arranjos sociais, nas famílias, nas relações de trabalho. Isto se torna um ambiente vasto para a produção de pesquisas no campo da Psicologia. 2) A relevância individual se constitui ao dar ao acadêmico um conjunto de características cognitivas (pessoais e profissionais) que o mero ensino não alcança, tornando o profissional mais bem gabaritado para o enfrentamento dos desafios cotidianos, superando um fazer técnico/mecanizando que pouco oferece na superação dos problemas sociais e cronificados por um fazer alienado e desconexo com a realidade. A formação com e pela pesquisa agrega competências específicas e instrumentais ao profissional, que atuará de forma mais efetiva e transformadora. 3) A relevância acadêmica da pesquisa em Psicologia se encerra no fato de que, ao fazer pesquisa na graduação, o trinômio Ensino – Pesquisa – Extensão é preservado e o papel social da academia e da ciência Psicologia se consolidam, oferecendo aos usuários conhecimento efetivo que os ajudará no desenvolvimento humano e na melhoria das suas vidas. E, fundamentalmente, garante do cumprimento do Código de Ética Profissional do Psicólogo, principalmente nos itens referentes à qualidade técnica e científica e à democratização da Psicologia junto à população. 4) A relevância social, da pesquisa se estabelece quando a profissão, calcada em sólidos alicerces científicos, oferece o desenvolvimento social pleno, promovendo 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 a saúde geral e coletiva da sociedade, sendo um caminho essencial na construção da cidadania. Por fim, a pesquisa em Psicologia contém um caráter tríplice (Político, ético e artístico), mas que á pouco abordado nas salas de aula. Desta forma o modelo atual de separação da Psicologia em contextos estanques (pesquisa – docência – atuação) precisa ser revisto por todos os envolvidos (acadêmicos, professores, instituições, gestores (MEC e Sistema Conselhos)), para que a Psicologia recupere sua real identidade de ciência e que isso se reflita em um melhor serviço aos usuários. Por isso, a pesquisa em Psicologia não pode mais ser vista como acessória ou direcionada apenas aos acadêmicos que se identificam com a prática de pesquisa, mas sim ser um pilar do pensar e fazer Psicologia de forma mais próxima da práxis (translacional) de forma que contribua efetivamente para mudanças sociais positivas. Conclusão: A pesquisa em Psicologia é questão essencial de desenvolvimento humano (cidadania), profissional, social e cultural. Pesquisar é exercer cidadania! FONTE: Shutterstock 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 Vá mais Longe Busque aprofundar seus conhecimentos sobre a pesquisa em Psicologia; ZANELLA, Andréa Vieira; SAIS, Almir Pedro. Reflexões sobre o pesquisar em psicologia como processo de criação ético, estético e político. Aná. Psicológica, Lisboa, v. 26, n. 4, p. 679-687, out. 2008 . Disponível em <http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0870- 82312008000400012&lng=pt&nrm=iso Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa em Psicologia | Aula 03 Agora é sua Vez! Interação Pesquise artigos que apresentem argumentos que sustentam a importância da pesquisa em Psicologia e consolide sua concepção sobre o papel da pesquisa em sua formação. Discuta com seus colegas e elejam o artigo que melhor analisa esta questão. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – A prática de pesquisa em Psicologia é relevante pois; a) Fortalece o trabalho do pesquisador. b) Fortalece a cidadania dos acadêmicos e usuários. c) Fortalece a profissão. d) Não é importante. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra B REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 Onde Chegar • Apresentar a formação para pesquisa em Psicologia. • Descrever o perfil do pesquisador. • Sensibilizar os acadêmicospara a formação em pesquisa. O que Aprender • A importância da formação em pesquisa. • A formação do pesquisador. • Características – caráter, competências e habilidades do pesquisador. AULA 04 A formação do pesquisador em Psicologia Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 Desenvolvimento Momento Conceitual • A formação em pesquisa. A formação profissional no ensino superior tem se tornado um desafio para acadêmicos, docentes e Instituições. A complexidade do mundo, das tecnologias e das relações interpessoais exige uma melhor qualificação dos profissionais para que possam acompanhar a veloz produção de informações e capacidade crítica de selecionar a informação mais precisa. E um caminho para aumentar esta qualificação é a formação com pesquisa. Porém a formação de um pesquisador não dever ser missão individual, assumida pelo apenas pelo acadêmico, que teria o desejo ou o dom para a pesquisa. Essa formação deve ser primeira e primordialmente meta institucional (acadêmica) e social. Junto com o ensino, a pesquisa e a extensão deveriam ser preocupação das instituições de ensino. Sendo que a cultura da pesquisa deveria ser prioritária à cultura do ensino, porém esta relação aparece invertida em nossas instituições educacionais e a pesquisa, apesar da grande relevância nas ciências humanas, tem recebido pouca atenção, diferentemente das ciências exatas ou hard sciences onda a pesquisa é mais valorizada e incentivada. As grades curriculares dos cursos de graduação em Psicologia, embora apresentem a pesquisa em sua estrutura, tratam-na de forma isolada, desarticulada das demais disciplinas, quando deveria ser tema transversal (dentro das disciplinas). No Brasil a formação em pesquisa acaba sendo cultuada nos cursos de pós-graduação strictu sensu (mestrado e doutorado), mas já caracterizando o afastamento da pesquisa da graduação e perdendo o caráter democrático (pesquisa para todos), que deveria ter na graduação, elitizando a pesquisa. No caso da Psicologia este afastamento da pesquisa e seu isolamento nos currículos sinalizam uma contradição, apesar de uma explicação lógica. A contradição consiste em que, a origem da Psicologia ciência se deu pelas pesquisas sobre o comportamento, a mente e o psiquismo humano. Porém, após a oficialização da Psicologia como profissão no Brasil e a criação dos cursos de formação, a pesquisa perde seu status e espaços nas grades curriculares, dando lugar à uma formação direcionada para a atuação do psicólogo. A explicação lógica, embora absurda por outro lado, sustenta-se na questão de que pesquisa tem um custo alto e o crescimento das instituições particulares de ensino 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 inviabilizou a oferta de pesquisa nos cursos, que priorizaram uma formação sem ou com pouca atenção à pesquisa. Em resumo, foi a pesquisa que deu origem à profissão de psicólogo, mas a formação do psicólogo foi se afastando da pesquisa. Felizmente, depois desse decréscimo e descrédito da pesquisa na formação dos psicólogos, a pesquisa ganha valor novamente no meio acadêmico e se mostra como essencial na qualificação profissional atual. Além disso, vem sendo registrado um aumento dos cursos de formação Pós-graduação que, indiretamente, favorece e fortalece a pesquisa na graduação. Porém a qualidade e a quantidade de pesquisa em Psicologia são baixas nesses dois aspectos e a lógica do produtivismo (que valoriza apenas a quantidade da produção acadêmica), não favorece que a produção científica em Psicologia alcance a qualidade desejada. Apesar do contexto ambíguo e desfavorável, a pesquisa na graduação de Psicologia vem ganhando nova valorização, quer por imposição indireta do MEC, quer pela própria necessidade de se qualificar os profissionais para um fazer mais próximo das exigências do mundo moderno, que necessita de um profissional capaz de identificar e superar as demandas sociais, que não se satisfazem mais com um saber técnico, mecanizado ou automatizado (algorítmico) oferecido nas aulas expositivas. Além disso, a vivência da prática investigativa agrega valores e competências que a aula comum não consegue desenvolver nos profissionais em formação. A pesquisa tem como um de seus pilares a formação de heurísticos (construção de respostas novas), condição essencial para se enfrentar o mundo atual e sua crescente e constante complexidade. O mundo se inova e renova de forma cada vez mais rápida e não há como acompanhar este mundo sem pesquisa. A obsolescência da informação é uma ameaça às graduações calcadas apenas no ensino. Iniciação científica. Um bom caminho para a formação em pesquisa é a Aprendizagem ou Educação por Projetos, que se inicia na educação básica, e é fundamentada na lógica de que é pesquisando que se aprende. Não apenas o conteúdo 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 pesquisado, mas também os procedimentos metodológicos e os processos cognitivos da investigação científica, criando a cultura da pesquisa e fortalecendo o espírito científico. Porém este modelo ainda é incipiente na educação brasileira, sendo usado de forma isolada em poucas instituições de ensino. Outro bom caminho para a formação em pesquisa é a Iniciação Científica, geralmente ofertada no ensino superior, com grupos de pesquisa ou o famoso Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), incentivado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sendo estratégia fundamental para o incentivo à pesquisa, qualificando docentes e discentes e desenvolvimento de uma cultura crítica e responsável. Porém, a iniciação científica que deveria fazer parte da cultura institucional das IES (instituições de ensino superior), é pouco explorada, sendo geralmente desenvolvidas por exigência externa do MEC, que a considera com fator de avaliação dessas IES, que acabam fazendo-a de forma proforma, para atender às exigências, descaracterizando a cultura da pesquisa. Além disso, cumpre acrescentar que a formação do pesquisador em Psicologia deveria ser inerente a todas as disciplinas e não apresentada em disciplinas conteudistas (tendo a pesquisa como conteúdo das disciplinas de metodologia ou correlatas) e também não achar que a realização de um TCC (trabalho de conclusão de curso) seja o suficiente para habilitar o acadêmico no consumo e na produção de pesquisa. Por fim, além da formação direcionada para a pesquisa na graduação, há outro caminho, agora em nível superior, que é a formação e qualificação de pesquisadores pelas agências oficiais de fomento e incentivo à pesquisa, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mas o desafio continua, pois os incentivos são incipientes, a iniciação é tímida (poucos candidatos) e com projetos fracos. 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 O Perfil do pesquisador Então, para se alcançar e tornar a prática de pesquisa intrínseca ao fazer do psicólogo, é necessário que este tenha um conjunto de características pessoais (personalidade, caráter e funções cognitivas) e profissionais (competências e habilidades) condizentes com a prática de pesquisa, que deveriam ser formadas na educação básica, potencializadas ou desenvolvidas em conjunto pelas diferentes disciplinas da graduação. Diferente do senso comum as habilidade de pesquisa não são decorrentes apenas dos desejos intrínsecos de alguns ou dos dons para pesquisaem outros. Pois a Psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento vem mudando este paradigma e mostram que uma boa instrução e orientação adequada, decorrente de um ambiente favorável e da cultura de pesquisa, pode oferecer o desenvolvimento de competências e habilidades, não só latentes, mas potenciais e até inexistentes em cada um. O desafio para as graduações em Psicologia é que, junto com os conteúdos da formação profissional, se opere a construção da identidade do psicólogo pesquisador, identificado com os processos de pesquisa, com o mundo da ciência e com o espírito científico. A individualidade ou subjetividade de cada pessoa não vai impedir que ela se torne um pesquisador, mas pode favorecer ou atrapalhar, tanto o processo de formação quanto os resultados de seu trabalho. Assim o perfil de um pesquisador será a combinação ou síntese de sua personalidade e caráter com as habilidades e competências adquiridas ou construídas na formação direcionada para a pesquisa. Esse perfil será a combinação de fatores subjetivos (intrínsecos), lapidados no seu percurso histórico de vida, somado a fatores objetivos (extrínsecos), adquiridos nos ambientes de formação para a pesquisa. Ou seja, com uma formação fora de um ambiente ou cultura carente a mentalidade científica, pouco poderá se esperar ou almejar que um graduando ou profissional em Psicologia paute seu trabalho fundamentado e guiado pelo pensamento crítico e espírito científico. Porém, por outro lado, um ambiente onde a cultura da pesquisa seja forte, acabará por 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 fortalecer a pessoa, a formação, a profissão e ciência Psicologia, criando uma mentalidade crítica e voltada para a melhoria científica e social. Essa combinação resultará em um maior escore no chamado perfil cientométrico do pesquisador (Cientometria é um índice para a mensuração e quantificação do progresso científico, individual e coletivo e que gera um índice quantitativo e qualitativo da sua produção acadêmico/científica de cada pesquisador, sendo maior para os chamados cientistas profissionais). Porém este índice apresenta apenas os resultados dos trabalhos e produções alcançados pelos pesquisadores, mas não descreve características comportamentais ou de personalidade destes (como traços ou os cinco fatores/big five). Ainda tem-se a ideia que para ser cientista é necessário ter dom ou predestinação e que ciência é para poucos iluminados, recaindo na visão estereotipada e generalizada do pesquisador clássico. Além disso, estudos descritivos sobre a personalidade e caráter ou características psicológicas de um pesquisador ainda são escassos e o tema parece pouco explorado. Um caminho para mitigar esta lacuna é o estudo das biografias dos cientistas renomados. Porém, para não fugir ao desfio de se elencar algumas características pessoais que pode favorecer o pesquisador podemos listar; Paciência, resiliência, obstinação, ego equilibrado (autoestima x vaidade), impulsividade e cautela, clareza de raciocínio, tenacidade, honestidade, concentração, flexibilidade mental (sem ser incoerente), perfeccionismo (sem caracterizar TO ou TOC), etc. Contudo algumas características pessoais podem atrapalhar o pesquisador como; Pouca escolaridade ou deficiências de aprendizagem, preconceito ou faccionismo, ambição, vaidade ou exibicionismo (ego desequilibrado), fraqueza moral, indisciplina, ingenuidade, etc. Além disso, algumas características profissionais devem ser agregadas ao pesquisador para que seu perfil se consolide como cientista. Sendo; Domínio de línguas estrangeiras (principalmente inglês), domínio de ferramentas virtuais, pacotes digitais/informática e aplicativos, domínio da estrutura e conteúdos de documentos científicos (projeto, relatório de pesquisa e artigo científico), domínio de softwares de estatística e automação de documentos, domínio das normas 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 acadêmicas e científicas (ABNT ou APA), habilidade para escrita em estilo próprio, porém sem descumprir normas acadêmicas e científicas. Porém o perfil de um pesquisador não pode ser pensado como pronto, bastando ter ou não as características necessárias. A formação de um pesquisador é longa, como toda boa formação, por isso deve começar bem sendo, já na educação básica, levando em torno de 10 anos (somando-se: graduação, mestrado e doutorado) para que as boas características sejam lapidadas de forma consistente e as limitações sejam superadas com a prática constante de investigação e pensamento crítico. Momento Procedimental • Como formar um psicólogo pesquisador. As teorias modernas da Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem mostram que as visões deterministas e inatistas foram complementadas pelas concepções interacionistas, resultante de pesquisas e de novos paradigmas e que a formação e transformação de uma pessoa é construção conjunta entre o indivíduo e o contexto que o abriga. Este percurso começa com a Iniciação científica, que dever ser precoce e consistente para que o pesquisador aprendiz vá incubando o Espírito científico e, com as nuances, artimanhas da pesquisa e o pensamento científico, gradualmente irão surgir e consolidar os comportamentos essenciais para a condução de pesquisas. A iniciação também visa evitar que as características que atrapalham o pesquisador sejam superadas e que lacunas de formação não se instalem ou se mantenham. Por fim, o treino constante em pesquisa é a principal forma de consolidar o espírito cientifico em direção ao domínio das estratégias de investigação científica, quer pela teoria das 10 mil horas, proposta por Malcolm Gladwell quer pelo ponto de mutação (The Click Moment) de Frans Johansson, para se alcançar um bom perfil de pesquisador, com expertise e excelência plena. 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 Conclusão: Não precisamos nascer com o DNA (genótipo) da pesquisa, mas a pesquisa pode fazer parte de nosso DNA, ainda que no fenótipo. Vá mais Longe Pesquise artigos que apresentem argumentos que sustentam a importância da pesquisa em Psicologia e consolide sua concepção sobre o papel da pesquisa em sua formação. VALLE CRUCES, Alacir Villa. A pesquisa na formação de psicólogos brasileiros e suas políticas públicas. Bol. - Acad. Paul. Psicol., São Paulo, v. 28, n. 2, p. 240- 255, dez. 2008 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415- 711X2008000200012&lng=pt&nrm=iso> Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 Agora é sua Vez! Interação Busque identificar seu perfil de pesquisador, faça uma tabela com as características necessárias em um pesquisador e veja o quanto você ainda está distante de cada uma e quais serão suas estratégias para atingi-las. Depois compare com as de seus colegas e veja se encontra alguém que tenha as mesmas características que as suas. Característica Pessoais Do pesquisador Curiosidade Introversão x extroversão Gosto pela leitura Pensamento lógico Habilidade com números Navegabilidade tecnológicaDomínio de informática Domínio da estatística Criatividade Inclua novos itens... Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – Sobre a formação do pesquisador em Psicologia, é possível afirmar que; a) Ainda é fraca, apesar do renascente interesse nas instituições formadoras. b) Está consolidada e é consistente na formação dos graduando, principalmente nas IES particulares. c) Não existe, pois Psicologia é uma ciência clássica, não se caracteriza como ciência de ponta e não necessita de novas pesquisas. d) Não é importante, pois a formação do psicólogo é direcionada para a atuação clínica. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra A 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Formação do Pesquisador| Aula 04 Organize-se: Disponha 6 horas semanais (mínimo sugerido para autoestudo) para ter contato, familiaridade e domínio do conteúdo. Não procrastine! Faça as leituras e atividades antes e depois de cada aula, não deixe para depois. REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 Onde Chegar • Apresentar os princípios da Ciência Baseada em Evidências • Apresentar os princípios da Psicologia Baseada em Evidências • Sensibilizar os acadêmicos para os princípios da Bioética O que Aprender • O rigor científico e Psicologia Baseada em Evidências • Peculiaridades da pesquisa na área da saúde. • A bioética na formação do pesquisador. AULA 05 Ciência Baseada em Evidências Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 Desenvolvimento Momento Conceitual A Ciência Baseada em Evidências Embora pareça redundância a Ciência Baseada em Evidências (CBE), tornou-se preocupação dos especialistas ao constatar que muitas práticas não científicas, mas erroneamente consideradas científicas, eram utilizadas como verdadeiras, gerando resultados negativos ou opostos aos esperados. Também se observou que o uso inadequado que algumas práticas, técnicas, produtos ou instrumentos, mesmo tendo sua cientificidade reconhecida, geravam danos e gastos desnecessários, tornado oneroso e ineficiente o trabalho realizado, principalmente nos contextos de gestão pública (hospitais, escolas, secretarias de obras e manutenção). A Ciência Baseada em Evidências (CBE) ganhou importância mundial por volta de 1990, quando grupos de médicos e associações profissionais notaram a necessidade e a importância de se ampliar o controle e a sistematização dos protocolos profissionais, evitando generalizações de práticas clínicas e visando melhorias nos resultados clínicos e otimização da relação custo benefício (evitando desperdícios de medicamentos, recursos, materiais, equipes e equipamentos). Essa a prática ficou chamada por Medicina Baseada em Evidências por considerar e eleger os estudos e protocolos que mostrassem as melhores evidências científicas para os tratamentos e seus efeitos, fundamentadas no rigor das melhores pesquisas e com resultados mais robustos. Seguindo este novo paradigma o conceito de Práticas Baseadas em Evidências (PBE) se estendeu para áreas correlatas e próximas de sua origem e atualmente temos as Ciências Baseadas em Evidências (CBE). Esse processo pode ser resumido em cinco passos: 1 Problematização, 2 Pergunta clínica; 3 Revisão sistemática; 4 Decisão clínica e; 5 aplicação do protocolo. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 A Psicologia Baseada em Evidências A prática da Psicologia Baseada em Evidências ainda é incipiente no Brasil, apesar do gradual crescimento e força em outros países. Parte deve-se ao desconhecimento e falta de domínio dos psicólogos no uso de Revisões Sistemáticas e pela pouca preocupação com pesquisa em Psicologia por muitos profissionais. Porém a questão vem ganhando corpo entre os órgãos de classe, gestores de serviços em saúde e por alguns profissionais que já tomam consciência da contribuição deste aspecto na atuação profissional. A preocupação com as evidências da efetividade da Psicologia originou-se na prática clínica, com um estudo do psicólogo Hans Eysenck que em 1952 levantou um questionamento sobre a efetividade do trabalho clínico do psicólogo. Ao levantar a questão: “Psicoterapia cura?” e inferiu que a cura vinha da passagem do tempo não das intervenções (sem efeito) dos psicólogos. Tal questionamento gerou debates sobre essa questão entre a Associação Americana de Psicologia (APA) e outras entidades que passaram a dar atenção a Prática Baseada em Evidências, que vem reorganizando e remodelando as pesquisas sobre a efetividade da Psicologia e que trarão novas interpretações e aplicações nas diferentes áreas de trabalho. Contudo esta questão tem gerado pressões e tensões sobre a possibilidade, viabilidade ou aplicabilidade da Prática Baseada em Evidências no contexto da Psicologia, com a mesma configuração das outras ciências, uma vez que a complexidade do ser humano, dos processos psicológicos, das interações pessoais mundo moderno e a própria falta de consolidação da Psicologia como ciência, que ainda não tem protocolos de normatização ou quantificação e parâmetros consolidados para se exigir isso, podem resultar em conclusões e direcionamentos equivocados. Mas, como tudo tem seu contra ponto a PBE não está isenta de críticas ou suspeitas. Se, por um lado a PBE em evidência normatiza e padroniza os procedimentos dos profissionais na área da saúde, existe o risco que um novo movimento Positivista gere cristalizações e engessamentos de protocolos, impondo um modelo biomédico que pode ter efeitos contralaterais novamente. Assim, como a PBE sugere uma vigilância e controle 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 da qualidade do fazer profissional, a Bioética surge como uma nova agente de vigilância da dignidade e mostra preocupação com os maus usos que a PBE pode ter. Momento Procedimental Peculiaridades da pesquisa na área da saúde. Em 1993 a Associação Americana de Psicologia (APA) criou a famosa Divisão 12 destinada a tratar desta temática da Prática da Psicologia Baseada em Evidências e que esta prática gere melhor qualidade nos serviços oferecidos pelos profissionais, elevando os resultados das intervenções e resultando na promoção de saúde psíquica e na qualidade de vida geral. Se a Psicologia almeja produzir conhecimento efetivo, como o fazem as demais ciências, mais consolidadas, a PBE oportunizará a produção de pesquisas mais consistentes e robustas que oferecerão subsídios e consistência na formação profissional e consolidará o papel da Psicologia na sociedade. O principal instrumento para a efetivação ou constatação de evidência científica de um diagnóstico, tratamento ou intervenção é a Revisão Sistemática, desenvolvida pelo médico Archibald Leman Cochrane, logo após a 2a. Guerra Mundial. A Revisão Sistemática desenvolvida por Cochrane busca fazer uma busca e levantamento dos melhores estudos relacionados a um problema de saúde e subsidia a prática baseada em evidências, pois oferece o Grau deRecomendação (qualidade da evidência) que favorece a tomada de decisão do profissional ou da equipe sobre a adoção, continuidade ou abandono da intervenção terapêutica, política pública ou conduta profissional em foco. Caso o profissional, equipe ou pesquisador não encontrem uma RS que ofereça subsídios para a tomada de decisão, o melhor caminho é que seja realizada uma RS, sendo esta a primeira a apresentar a melhor resposta. Porém, apesar de sua força na comunidade cientifica as Revisões Sistemáticas, pilar da Ciência Baseada em Evidência, ainda são vistas com desconfiança por alguns, mas junto com os estudos de Metanálise as RS’s são os melhores instrumentos que se tem para determinar a evidência científica sobre um assunto, pois as RS são consideradas pesquisa científica. 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 A Revisão sistemática parte de uma problematização da situação profissional enfrentada, buscando o melhor diagnóstico e a melhor resposta ou intervenção. Depois dessa problematização, o próximo passo é a elaboração da pergunta clínica, que consiste na elaboração de uma pergunta clara sobre o problema a ser enfrentado. Essa pergunta deve ser baseada em quatro fatores (do acrônimo P.I.C.O.), conforme o quadro 1; Fonte: DIB et al. (2014) O passo seguinte é buscar em Revisões Sistemáticas (RS) a melhor resposta e os melhores resultados para a pergunta clínica. Essa Revisão deve conter o melhor diagnóstico, o melhor tratamento ou os melhores resultados da intervenção considerando o público/problema, a intervenção, o controle e os resultados (outcome) encontrados para a questão e é usado para se ter o melhor diagnóstico (pelo princípio do diagnóstico diferencial) de uma doença e o melhor tratamento. Psicologia e Bioética. Tão importante quanto as discussões sobre o valor e a efetividade da Psicologia Baseada em Evidências a Bioética é outro ponto essencial na qualidade e na cientificidade da Psicologia. Logo, essencial na formação do Psicólogo pesquisador. Oriunda das preocupações com o futuro da humanidade, diante do desenvolvimento científico-tecnológico desenfreado e das tristes lições das guerras mundiais que mostraram que algumas condutas humanas podem ser hostis e ameaçadoras à vida na terra, a Bioética procura garantir que os fundamentos e as práticas 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 da ciência sejam direcionados para um futuro que garanta dignidade e qualidade de vida de todas as criaturas. A bioética configura-se como uma intersecção entre a biologia (Ciências) e a ética (Filosofia), sinalizando a necessidade de que os campos do conhecimento separados, fragmentados e distanciados pela revolução científica, precisam se reaproximar e se religarem visando a proteção dos seres, que vem sendo coisificados (objetivados) com o atual direcionamento das ciências. Embora sua origem seja a confluência entre biologia e ética a bioética amplia sua abrangência para outros campos do conhecimento. Além das reflexões sobre os usos e abusos da ciência a Bioética oferece quatro princípios; Beneficência, Não maleficência, Autonomia e Justiça. A beneficência tem como meta garantir que a ciência ofereça ações positivas e benéficas aos usuários ou destinatários. O princípio da Não maleficência prevê que a ciência evite danos ou efeitos colaterais ou que os riscos são sejam maiores que os benefícios, de preferência nulos ou mínimos. O princípio da Autonomia roga que seja respeitado o direito da pessoa decidir, de forma livre e esclarecida, sobre o consentimento ou a recusa em aceitar um tratamento ou participar de pesquisas e experimentos. Por fim, o princípio da Justiça prevê que os usuários sejam tratados e beneficiados de forma equânime pela ciência, sem discriminação, favorecimento ou omissão. Porém uma das principais contribuições da bioética vem sido percebida no campo da pesquisa com seres humanos e animais, procurando garantir a proteção, a dignidade e o respeito a estes em pesquisas. Neste caminho o Brasil tem dois instrumentos fundamentais para a promoção da bioética, que são as resoluções emitidas pelo Conselho Nacional da Saúde direcionadas ao acompanhamento das pesquisas em saúde. A Resolução no. 466/12 de 12 de dezembro de 2012 estabeleceu a regulamentação para a execução e condução de pesquisas com seres humanos. Porém esta resolução, oriunda de um modelo biomédico, impôs limitações sobre as pesquisas das áreas das ciências sociais e humanas e em 2016 o Conselho Nacional da Saúde publica a Resolução no. 510/16 de 07 de abril de 2016, agora direcionada para balizar as pesquisas nestas áreas. Desta forma as Revisões Sistemáticas (principal instrumento da PBE) e a Bioética são dois pilares fundamentais na consolidação da Psicologia como ciência humana e, mais 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 recentemente, da saúde e seu domínio e uso, são essenciais para a boa prática do profissional psicólogo. Conclusão: A Psicologia ainda está se consolidando como ciência e ciência da saúde e a PBE e a Bioética ajudarão a desenvolver protocolos, instrumentos e procedimentos que lhe dê consistência e efetividade. 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 Vá mais Longe Aprofunde seus estudos nos temas da Psicologia Baseada em Evidências e nos princípios da Bioética, aqui tem algumas dicas para você; COSTA, Vitor Hugo Loureiro Bruno; LANDIM, Ilana Camurça; BORSA, Juliane Callegaro. Aspectos éticos das pesquisas em psicologia: vulnerabilidade versus proteção. Rev. SPAGESP, Ribeirão Preto, v. 18, n. 2, p. 16-26, 2017. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677- 29702017000200003&lng=pt&nrm=iso LEONARDI, Jan Luiz e MEYER, Sonia Beatriz. Prática Baseada em Evidências em Psicologia e a História da Busca pelas Provas Empíricas da Eficácia das Psicoterapias. Psicologia: Ciência e Profissão [online]. 2015, v. 35, n. 4 pp. 1139-1156. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1982-3703001552014>. ZOLTOWSKI, Ana Paula Couto et al. Qualidade metodológica das revisões sistemáticas em periódicos de psicologia brasileiros. Psicologia: Teoria e Pesquisa [online]. 2014, v. 30, n. 1, pp. 97-104. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-37722014000100012>. Epub 28 Abr 2014. ISSN 1806-3446. https://doi.org/10.1590/S0102-37722014000100012 Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; KALINKE, Luciana Puchalski (Org.). Metodologia da pesquisa em saúde. São Caetano do Sul: Difusão, 2019. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702017000200003&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-29702017000200003&lng=pt&nrm=iso https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 Agora é sua Vez! Interação Faça uma leitura sobre as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde sobre bioética, destaque 3 pontos principais em cada uma e discuta cada um deles com um colega. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução nº 466/2012 - Dispõe sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Brasil: Ministério da Saúde, Brasília, DF. 2012. Disponível em https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdfCONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resolução nº 510/16 - Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Brasil: Ministério da Saúde, Brasília, DF. 2016. Disponível em https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – A Psicologia Baseada em Evidências tem como instrumentos fundamentais; a) Os projetos de pesquisa e os testes psicológicos. b) As Revisões Sistemáticas e as Resoluções sobre bioética. c) Os manuais de orientação profissional e as Revisões Sistemáticas. d) Resoluções sobre bioética e os testes psicológicos. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra B https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Ciência Baseada em Evidências| Aula 05 REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 KALINKE, Luciana Puchalski (Org.). Metodologia da pesquisa em saúde. São Caetano do Sul: Difusão, 2019. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 Onde Chegar • Analisar a dicotomia quantidade versus qualidade. • Analisar a relação entre quantidade versus qualidade •. Apresentar as modalidades de pesquisa (quantitativa e qualitativa) O que Aprender • O papel do paradigma quantitativo em pesquisa. • O papel do paradigma qualitativo em pesquisa. • A necessidade de aproximação e integração dos modelos. AULA 06 Quantidade e Qualidade Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 Desenvolvimento Momento Conceitual A polaridade entre qualidade e quantidade tem sido um vasto campo de discussão nas ciências e gerado tensões, conflitos e equívocos na condução de pesquisas. Tal separação, que teve início nas discussões dicotômicas entre os filósofos da Grécia antiga, ganhou consistência depois da Revolução Científica, que ampliou essa cisão e os embates entre as concepções. O Cartesianismo e o Positivismo fortaleceram o modelo quantitativo, fundamentando-o nos paradigmas positivistas, da matemática e da métrica e tornando-o o modelo é hegemônico, ou até único em algumas áreas do conhecimento. Essa valorização da quantificação consolidou-se nas chamadas ciências hard sciences (consistente e precisa) enquanto a qualidade passa a ser mais valorizada com o avanço das soft sciences (frágil e imprecisa) e pelo crescimento das ciências sociais e humanas. A quantidade, por ser baseada em valores absolutos e mensuráveis (com predomínio da objetividade), tem força demonstrativa maior do que a qualidade que, por ser baseada em percepções relativas (com predomínio da subjetividade) não tem a mesma força demonstrativa e é vista com suspeita por alguns campos científicos. De um lado, os defensores da quantidade afirmam que a validade de um conceito e dos resultados obtidos numa pesquisa só é alcançada se estes forem apresentados e descritos por índices, valores ou grandezas (quantidades) mensuráveis, visíveis e comparáveis e desconsideram a validade ou veracidade dos modelos qualitativos, pela ausência destes parâmetros. Parece que o padrão de qualidade é propriedade apenas da pesquisa quantitativa e isso que ainda não se consolidou na pesquisa qualitativa. Os defensores da quantidade constroem protocolos de pesquisa pautados na quantificação, com instrumentos de precisão, dados mensuráveis, modelos matemáticos e análises com apresentações gráficas e numéricas, seguindo ou sendo influenciada pelos mesmos procedimentos da indústria fabril. As amostras são numéricas (amplas) e randomizadas, os instrumentos são precisos, validados e calibrados e os procedimentos devem ser claros e controlados o suficiente para 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 que possam ser reproduzidos em outras pesquisas, sem sofrer influências e distorções. Porém, como a própria ciência tem mostrado, a certeza é sempre questionada e o contraponto ganha força à medida que uma posição se intensifica e, de forma dialética, gera a força para o crescimento do oposto. Dessa forma, ironicamente, o modelo qualitativo em pesquisa teve origem justamente dos resultados e das análises das pesquisas quantitativas, quando informações não quantificáveis, mas importantes, surgiam das análises desses resultados, que não podiam ser quantificados (em números ou tabelas), mas tinham relevância (qualidade). Assim o modelo qualitativo ganhou força pela exacerbação dos modelos quantitativos e por uma limitação deste modelo. Ou seja, o excesso de atenção dado à quantidade, gerou a preocupação com a qualidade. Já os adeptos da abordagem qualitativa em pesquisa, questionam a simples quantificação e entendem que não é possível garantir que a qualidade seja alcança na mera reprodutividade mecânica da quantidade, expressa em números. Que, por outro, lado, virou mote para justificar a pouca produtividade no adágio popular, “vale mais a qualidade do que a quantidade”, virando a falácia acadêmica. Tal afirmação, de que qualidade se opõe e se sobrepõe à quantidade, precisa ser pensada de outra forma. Mas, apesar do seu valor e importância, a pesquisa qualitativa ainda é baseada em constructos (conceitos ainda não estabelecidos, imprecisos ou não consistentes) e os seus adeptos consideram que as informações oriundas destas fontes não podem ser desconsideradas, sendo tão importantes quantos os dados numéricos. Porém, por ser mais recente, a pesquisa qualitativa ainda carece de formalização e padronização metodológica, que ainda parecem ser feitas ainda de forma artesanal, num modelo pré-industrial ou pouco científico. As amostras são reduzidas, impedindo a randomização dos participantes, os instrumentos são não validados, construídos pelo próprio pesquisador e os procedimentos dificilmente conseguem ser reproduzidos em outras pesquisas, sem sofrer influências e distorções. E as pesquisas e pesquisadores na modalidade qualitativa buscam superar estas limitações com a construção de instrumentos de medidas 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 (psicométricos ou sócio métricos) e protocolos mais avançados que anulem as interferências pouco controladas. Em determinados contextos ou circunstâncias, pode ser que um modelo seja preferível (isso é uma concepção qualitativa) em relação ao outro. Porém a Revolução Industrial mostrou, de forma inquestionável através da produção em série, que se pode ampliar a quantidade e aumentar a qualidade. Antes da produção em série as peças eram feitas uma a uma pelo artesão e sem um parâmetro preciso. A produção em série trouxe o conceito especificações do produto ou da peça (com a definição de precisão, moldes, modelo e matrizes), para a produção de produtos e que se estendeu para a área de serviços. E quando este conjunto de especificação é controlado e repetido tem-se um padrão de qualidade. A preferência pela qualidade é legitima quando setrata de otimizar a forma de trabalho, de estudo ou de produção. A abordagem da Quantidade expressa a verdade através de números, contagem, unidades de medida (peso, distância, custo, frequência, temperatura, etc.) medição, valores absolutos ou fracionados. Essas unidades podem ser expressas em quatro tipos de escalas de medição (nominal, ordinal, intervalar e de razão (ou proporcional)). A abordagem da qualidade expressa a verdade através da classificação, rótulos (atribuições), etiquetas, categorias, atributos ou códigos, valores subjetivos/relativos (maior/menor, bom/ruim, forte/fraco, etc.) abstrato s ou imateriais. O desafio em todas as áreas (produção industrial, de alimentos, prestação de serviços, formação acadêmica, etc.) é quebrar essa lógica de “um ou outro” (quantidade versus qualidade) e buscar a superação desta dicotomia. Disso emerge o desafio de aumentar a qualidade da prestação de serviços para que se atenda mais pessoas (quantidade), com a mesma qualidade que se atenderia uma. O mesmo desafio se estende no campo da ciência, de se fazer mais pesquisas e produzir mais artigos com a mesma qualidade. A pesquisa quantitativa é mais velha, anterior ao crescimento das ciências humanas e sociais, então tem mais tempo e experiências acumuladas. Além disso o instrumento de medida deve ser mais complexo do que o objeto ou fenômeno 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 mensurado. E isso no campo quantitativo e das ciências exatas é mais palpável, devido ao grau de avanço e complexidade destas ciências e os fenômenos observados e as variáveis que interferem sobre eles são bem conhecidos, descritos e passíveis de controle e manipulação. Nas áreas humanas o momento ainda é inverso, os fenômenos psíquicos e sociais a serem mensurados, são pouco conhecidos e as variáveis são mais numerosas e instáveis, e ainda são mais complexos do que os instrumentos disponíveis para sua mensuração. A pesquisa qualitativa é mais recente, e ainda não trilhou o mesmo caminho e não enfrentou os mesmos problemas, já superados pela outra abordagem. Assim a pesquisa qualitativa é um indicador do grau de desenvolvimento de uma ciência. Por fim, à medida que aumentar a quantidade de pesquisas qualitativas, estas vão ter força suficiente (quantidade) para consolidar seus objetos e metodologia, resultando num conjunto de protocolos e parâmetros mensuráveis (quantidade) que permitirão avaliar as reais contribuições desta abordagem. Momento Procedimental Desta forma o desafio na formação em Psicologia é instrumentalizar os futuros profissionais a superar este falso paradigma excludente entre quantidade e qualidade e buscarem a excelência, desde sua formação nas pesquisas, e neste caso especialmente em saúde. Considerando que a polaridade Quantidade versus Qualidade não é recente e precisa ser superada talvez os princípios (leis) da dialética ajude a entender e vislumbrar alguma saída. A primeira lei - Ação recíproca ou unidade polar - afirma que há conexão uma entre as partes, e sugere que existe uma relação integrativa (holismo) que, embora não seja vista, une e integra as partes em um todo maior. A segunda lei - Mudança dialética ou negação da negação - afirma que sempre haverá uma oposição dinâmica (a famosa trilogia: tese/antítese/síntese) que sugere que há um oposto ou contraponto para uma ideia ou concepção e que o jogo de forças leva à uma terceira posição. 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 A terceira lei - Mudança qualitativa - afirma que da quantidade emerge a qualidade. A quarta lei – Contradição ou interpenetração dos contrários – afirma que a existência de um fenômeno implica na existência ou geração de seu oposto.. um dupla influência. Vejamos os exemplos; A frase “vale mais a qualidade do que a quantidade” é contraditória, pois exclui a qualidade da quantidade, apoiada no pensamento binário “ou um ou outro”, mas como a lei da mudança qualitativa sugere que da quantidade emergirá (lei da mudança qualitativa) a qualidade a justificativa não se sustenta e fica o desafio de se alcançar as duas. Mas a lógica de que é melhor a qualidade do que a quantidade tem seu respaldo numa premissa por traz da situação prática de que um trabalhador mais bem preparado (qualidade) pode ser mais produtivo (quantidade) do que 10 (quantidade maior) sem qualificação (qualidade menor). Mas o que aconteceria se os 10 tivessem a mesma qualidade? Isso é impossível? Também é mais inteligente estudar uma hora (quantidade menor) e tirar nota alta (quantidade), considera da boa (qualidade maior), do que estudar várias horas (quantidade), aprender pouco (qualidade) e tirar nota baixa (quantidade), considerada ruim (qualidade). Ainda neste contexto é melhor produzir 10 objetos com qualidade do que 5 ou 50 sem qualidade. Mas seria bem melhor (mais qualidade) se a produção fosse de 50 com qualidade. Neste caso a qualidade passa ser incorporada na quantidade, assim a qualidade da produção está sendo aumentada junto com a quantidade. O nome disso? Excelência, a integração da qualidade com a quantidade. Se o foco for só a quantidade (produtivismo), sem qualidade não há excelência. Se o foco é a qualidade, mas com pouca quantidade, também não há excelência. A excelência é acontece quando a qualidade emerge da quantidade (lei da mudança dialética) ou se fundem (lei da Ação reciprocidade). 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 Porém a comunidade científica, no ímpeto de alcançar a excelência na produção científica e procurando incrementar a produção científica, estipulou índices baseados na quantidade de artigos publicados e citações dos autores. Mas o resultado não foi a excelência, pois a qualidade não acompanhou a qualidade, gerando o produtivismo, que tem sido um resultado negativo desta hegemonia da quantidade de produção científica, focado no número de artigos produzidos/publicados, mas de pouca qualidade. Um exemplo deste produtivismo é a educação brasileira, que apesar de aumentar os anos de escolaridade da população tem amargado a falta de qualidade (competência profissional) em todos os segmentos sociais. A preocupação agora é como manter a quantidade alta mas agregando qualidade a esta produção. Na busca do seu enfrentamento surgiu então a cientometria, que procura estabelecer parâmetros quantitativos e qualitativos (número de artigos publicados e de citações dos autores, mas também a qualidade). E o paradigma crescente é que se aumente a quantidade da qualidade, mais qualidade na quantidade, sendo então uma ampliação da qualidade da quantidade, sem a dicotomia ou um ou outro. É hora se de passar da expressão “vale mais a qualidade do que a quantidade” (aliás, qual é a evidência científica para esta afirmação?) para “vale mais a quantidade com a mesma qualidade”. Conclusão: Os dois modelos buscam a verdade, cada um pelo seu caminho, mas o alvo deve ser o mesmo. Ou cada um está construindo a sua verdade? 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 Vá mais Longe Pesquise mais artigos que discutam a dualidade da Quantidade e da Qualidade e reflita sobre sua visão; CARVALHO, Ana Maria Almeida; PEDROSA, Maria Isabel; AMORIM, Kátia S.. Retomando o debate qualidade x quantidade: uma reflexão a partir de experiências de pesquisa. Temas psicol., Ribeirão Preto , v. 14, n. 1, p. 51- 62, jun. 2006. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2006000100007&lng=pt&nrm=iso Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2006000100007&lng=pt&nrm=iso http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2006000100007&lng=pt&nrm=iso 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Quantidade e Qualidade| Aula 06 Agora é sua Vez! Interação Pesquise artigos que discutam a dualidade da Quantidade e da Qualidade e reflita sobre sua posição. Veja como seus colegas se posicionam diante desta separação. Será que todos continuarão usando a mesma frase de que “vale mais a qualidade do que a quantidade?”. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – Sobre a questão da Quantidade versus Qualidade é possível afirmar que; a) A quantidade se sobrepõe à qualidade. b) A qualidade se sobrepõe à quantidade. c) Elas devem ter o mesmo peso e o mesmo valor. d) A pesquisa quantitativa é mais recente, que a qualitativa. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra C REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001 DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 . https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Onde Chegar • Apresentar a modalidade de pesquisa quantitativa • Apresentar as Teorias e metodologias da pesquisa quantitativa e sua aplicação na saúde. O que Aprender • Processos de produção do conhecimento. • A evolução do conhecimento e da pesquisa no campo da saúde. • A coleta de dados em pesquisa quantitativa. AULA 07 Pesquisa Quantitativa Coleta de dados Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Desenvolvimento Momento Conceitual • A pesquisa quantitativa Os princípios da Pesquisa Quantitativa, apesar de originados nas ciências exatas, tem grande importância na área da saúde e sua contribuição é essencial na consolidação das ciências humanas pois, apesar dos desafios dos constructos, pode oferecer caminhos para a consolidação e definição de novos parâmetros de mensuração dos processos psicológicos. A objetividade, inerente à logica da metodologia quantitativa, conflita com a subjetividade. Uma vez que os constructos dos fenômenos humanos e do psiquismo ainda são imprecisos, com pouca definição dos processos de mensuração, pois muitos desses não tem unidades de medida. Qual seria a unidade ou valor absoluto da memória, do pensamento ou da depressão? Conseguimos definir, mas não medir com precisão. Desta forma pesquisa quantitativa força e obriga os pesquisadores na área das ciências humanas a aprofundarem estudos que tenham como resultados um clareamento dos fenômenos e processos emocionais, mentais e cognitivos, que precisam ser descritos de forma mais precisa e do estabelecimento de padrões de medida (psicometria, bioestatística e neurometria). A pesquisa quantitativa em Psicologia tenta apresentar respostas para os processos mensuráveis do comportamento e psiquismo, e auxilia na construção, determinação ou desenvolvimento de parâmetros para tornar mensuráveis os qualitativos (ainda não mensuráveis) com a ansiedade, depressão ou a saudade. Assim a pesquisa quantitativa oferece um caminho mais consistente e seguro para as pesquisas em Psicologia e para a área da saúde exige um rigor maior nos processos de pesquisa, desde à problematização, até a apresentação dos resultados e análises, com o uso dos melhores procedimentos, instrumentos e técnicas sugeridos pela comunidade científica. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Momento Procedimental • A coleta de dados em pesquisa quantitativa. Os procedimentos para coleta de dados nesta modalidade devem ser mais cuidadosos, primar pela exatidão (tanto dos processos, quanto dos resultados) e controlar os riscos de erros e vieses, inclusive porque os procedimentos e instrumentos de controle são mais acessíveis. Protocolos de pesquisa (projetos e procedimentos). Na construção dos projetos de pesquisa neste modelo de pesquisa tem normatização mais rigorosa e o descumprimento ou desatenção a elas pode prejudicar o prosseguimento da pesquisa, principalmente nas bancas de qualificação ou nas avaliações dos comitês de ética ou junto às agencias de fomento, sendo que diversas instituições e centros de pesquisa, como a APA, ABNT e Associações, estão constantemente regulamentando ou atualizando as normas, instruções e manuais de orientação para a confecção de protocolos de pesquisa cada vez melhores, precisos e fidedignos. Populações e amostras. A determinação das amostras e participantes neste modelo de pesquisa também é regulada por princípios quantitativos e classificatórios que estipulam e orientam a determinação do número de participantes (identificado pela letra “n” – minúscula) e que dever respeitar uma proporção com relação à população (identificado pela letra “N” – maiúscula) que é total de pessoas de um grupo específico. O valor de “n” deve ser indicado ou comprovado por cálculos de amostra que estabelecem o número ideal de pessoas para comporem o grupo ou grupos de participantes. Além disso, a composição do “n” deve considerar as homogeneidade ou heterogeneidade dos possíveis participantes (tipos de amostras) que deve respeitar as diferenças ou possíveis influências (tendências) que um grupo pode ter, contaminando as respostas. Assim as amostras podem ser do tipo: Amostragem Aleatória Simples, Amostragem Aleatória Sistemática, Amostragem Estratificada ou Amostragem por Conglomerados. 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Instrumentos e equipamentos Os instrumentos e equipamentos utilizados em pesquisas quantitativas devem atender especificações técnicas, ter características aceitas internacionalmente e respeitar as rígidas orientações de produção e de uso. Estes instrumentos e equipamentos também devem ser aferidos e calibrados para que garantam a precisão, adequação e validade dos dados coletados. As pesquisas em ciências sócias, humanas ainda não desenvolveram equipamentos muito complexos para a coleta de dados mas geralmente fazem uso de Questionários fechados (com respostas objetivas – alternativas), Inventários, roteiros, formulários, escalas e testes. Que devem ser padronizados, reconhecidos e validados por órgãos ou instituições. Estes instrumentos devem ser construídos a partir de critérios e controle da estrutura, forma, conteúdo e unidades de medida. Porém o uso corrente de aplicativos digitais e de programas computadorizados para a elaboração de instrumentos e coletas de dados deve vista com cuidado. Pois, se por um lado automatizam e agilizam o processo de coleta, por outro, torna os resultadossuspeitos, pois a sua construção é feita de forma artesanal pelos pesquisadores, correndo o risco de gerar distorções ou perda de informações relevantes para a pesquisa. No caso da Psicologia a coleta de dados de constructos psicológicos deve considerar as orientações internacionais da APA e do CFP (para o contexto brasileiro) sobre o uso de testes e instrumentos psicológicos a partir do Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI) que, desde 2001, acompanha a elaboração, produção, uso e resultados dos testes usados por psicólogos, tanto no contexto clínico quanto no de pesquisa. Procedimentos Os protocolos de coleta de dados devem ser pensados e operacionalizados de forma que todo e qualquer pesquisador siga e reproduza os mesmos procedimentos, com a mesma sequência, parâmetros e ações (passo a passo) na interação com os participantes ou objetos de estudo. Coleta das respostas A coleta e registro de respostas deve ser a mais fidedigna para cada pesquisador, com cada participante e com cada instrumento. Precisão e exatidão 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 nas ações são os termos chave, para que dados não se percam, não sejam alterados ou desfigurados. Riscos e cuidados O manejo dos riscos que permeiam o ambiente de pesquisa, deve ser rigorosamente controlado, tanto para não causar danos físicos ou psicológicos aos participantes (como orientam as Res. CNS 466/12 e 510/16) quanto garantir que os dados obtidos sejam os mais realísticos, aproximando-se da realidade. Pois objetivo de toda pesquisa honesta, sem conflitos de interesses, é mostrar a realidade. Em resumo a coleta de dados em pesquisa quantitativa deve ser a continuidade do processo iniciado na problematização, elaboração da pergunta, construção do projeto e metodologia (tipo de pesquisa, amostra, instrumentos e procedimentos). A coleta deve buscar, tanto na literatura (fundamentação teórica), quanto no contexto empírico (dados coletados), a resposta para o problema inicial ou oferecer subsídios para que esta resposta seja construída, confirmada ou refutada a partir dos resultados numéricos obtidos. Conclusão: A pesquisa quantitativa oferece e exige da Psicologia parâmetros precisos para o estudo dos processos psicológicos (emoções, cognições e interações sociais). 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Vá mais Longe Pesquise artigos que apresentem argumentos que sustentam a importância da pesquisa em Psicologia e consolide sua concepção sobre o papel da pesquisa quantitativa em sua formação. CARDOSO, Lucila Moraes e SILVA-FILHO, Jose Humberto da. Satepsi e a Qualidade Técnica dos Testes Psicológicos no Brasil. Psicologia: Ciência e Profissão [online]. 2018, v. 38, n. spe, pp. 40-49. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1982-3703000209112>. ISSN 1982-3703. https://doi.org/10.1590/1982-3703000209112. GÜNTHER, Hartmut. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa: esta é a questão?. Psicologia: Teoria e Pesquisa [online]. 2006, v. 22, n. 2, pp. 201-209. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-37722006000200010>. Epub 13 Nov. 2006. ISSN 1806-3446. https://doi.org/10.1590/S0102-37722006000200010 MASSOLA, Gustavo Martineli, CROCHÍK, José Leon e SVARTMAN, Bernardo Parodi. A psicologia como ciência empírica1. Psicologia USP [online], v. 27, n. 3, pp. 379-394. 2016. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0103-656420162703>. ISSN 1678-5177. https://doi.org/10.1590/0103-656420162703. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. https://doi.org/10.1590/1982-3703000209112 https://doi.org/10.1590/S0102-37722006000200010 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 07 Agora é sua Vez! Interação Em pareceria com um colega, procurem um artigo sobre pesquisa quantitativa e façam uma primeira avaliação individual (cada um faz a sua) da qualidade deste artigo. Depois comparem as análises sobre o mesmo artigo. Qual foi o grau de excelência do artigo e do trabalho da dupla? Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – Para a coleta de dados utilizando a abordagem quantitativa, qual o tipo de instrumento mais adequado a ser utilizado? a) Questionário com perguntas abertas. b) Observação participante. c) Grupo focal. d) Entrevista semiestruturada. e) Questionário com perguntas fechadas. Resposta: Letra E REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Onde Chegar • Apresentar as alternativas de análise em Pesquisa Quantitativa • Descrever os processos de produção do conhecimento. O que Aprender • A análise em Pesquisa Quantitativa • As respostas e a tabulação dos dados em Pesquisa Quantitativa • Análise e interpretação de dados em Pesquisa Quantitativa AULA 08 Pesquisa Quantitativa Análise de dados Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Desenvolvimento Momento Conceitual A análise de dados em Pesquisa Quantitativa é tão importante quanto uma boa coleta, pois é da interpretação, das inferências e afirmações dos pesquisadores sobre os resultados é que decisões serão tomadas. Podendo estas ajudar ou prejudicar seus destinatários. Ela é a continuidade do processo investigativo, que se inicia na problematização, ganha forma com a pergunta de pesquisa, se viabiliza com a elaboração do projeto, depois se materializa na coleta de dados e se consolida com a análise de dados. Tem como objetivo confirmar ou refutar as hipóteses de pesquisa, geralmente propostas no projeto de pesquisa. Também visa comparar os resultados oriundos de uma amostra (quantidade de participantes), com outras amostras ou grupos (comparação de resultados), com resultados anteriores (evolução dos resultados) ou prever (hipotetizar) resultados futuros. A análise dos dados em Pesquisa Quantitativa é a interpretação dos resultados numéricos obtidos pelos instrumentos de coleta e do tratamento estatístico utilizado. Essa interpretação deve considerar dois aspectos: os quantitativos obtidos nas respostas obtidas pelos os instrumentos de coletas de dados (inventários, questionários, testes, medições) e a literatura já existem sobre a questão. As principais ferramentas para uma boa análise de dados são; uma fundamentação teoria consistente, para uma interpretação precisa ou uma leitura dos resultados numéricos à luz da literatura. A outra ferramenta para a análise de dados quantitativos é o tratamento estatístico adequado aos objetivos e características das amostras e grupos de respostas. Esse tratamento estatístico aconteceem dois níveis; a estatística descritiva (básica) e inferencial (teste estatístico) (avançada e robusta). Enquanto a estatística descritiva oferece um mapeamento dos resultados, que ainda podem induzir a erros de interpretação, a estatística inferencial oferece um controle maior desses resultados e oferece a possibilidade de inferências e deduções mais seguras (correlações e regressões, com testes estatísticos mais robustos (anova, ancova, manova, etc.) que aumentam a validade e confiabilidade dos resultados e evitando os Erros tipo I e II. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Assim os resultados serão apresentados como convergindo ou divergindo da literatura. Quando os resultados analisados divergem da literatura os autores da pesquisa deverão apresentar argumentos lógicos e consistentes para explicar ou justificar a discordância entre os seus achados e os de outros autores, sinalizando uma nova tendência das respostas, especificidade do contexto ou da amostra ou também pode estar sinalizando a ocorrência de um dos dois tipos de erros em pesquisa; Erro tipo 1 – quando a hipótese é confirmada pelos resultados, mas esta confirmação não representa a realidade – falso positivo. Por exemplo; quando a pesquisa afirma que um tratamento é efetivo, mas ele não é realmente. Erro tipo 2 - quando a hipótese é refutada, mas esta refutação não representa a realidade – falso negativo. Por exemplo: quando a pesquisa afirma que as respostas mostram que a hipótese não se sustenta, mas que deveria ter sido confirmada. 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Momento Procedimental A análise de dados no modelo quantitativo requer a sistematização das respostas ou dados obtidos de forma controlada. O primeiro passo é a tabulação dos dados em formas de tabelas, preparando-os para uma visualização geral dos dados, para comparação entre os participantes e tratamento por teste estatístico adequado, que fará o controle das médias. Depois da tabulação é preciso fazer um bom tratamento estatístico sobre os dados coletados. Muitos acadêmicos e pesquisadores iniciantes finalizam as análises apenas com uso de estatística descritiva (apresentando uma média ou mediana e desvio padrão). Porém as pesquisas mais avançadas no campo da Psicologia lança mão de testes estatísticos robustos (que deve definido no projeto antes da coleta) ou adaptado diante dos resultados. Com os resultados numéricos e os níveis de significância (valo de “p”) garantidos pelo tratamento estatístico o pesquisador apresenta sua interpretação dos dados, sempre apoiados na literatura mais atual, consistente e confiável sobre o tema em discussão. Os produtos finais da análise de dados são um relatório de pesquisa, que organizado em forma de escrita e comunicação científica, permite a divulgação destes resultados para a comunidade cientifica e população por meio de um artigo. Conclusão: A pesquisa quantitativa é o caminho mais seguro para investigações em Psicologia, porém a complexidade do ser humano lança desafios aos pesquisadores... 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Vá mais Longe Aprofunde suas leituras sobre a análise de dados em pesquisa quantitativa. Aqui apresentamos um desafio, de interpretar a análise de dados quantitativos pelo prisma qualitativo; SANTOS, Tatiane Araújo dos et al. O Materialismo dialético e a análise de dados quantitativos. Texto & Contexto - Enfermagem [online]. 2018, v. 27, n. 4 Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0104-07072018000480017>. Epub. 01 Nov. 2018. ISSN 1980-265X. https://doi.org/10.1590/0104-07072018000480017. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. https://doi.org/10.1590/0104-07072018000480017 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 Agora é sua Vez! Interação O artigo abaixo (FRIEDLANDER, ARBUÉS-MOREIRA, 2007) traz um bom exercício para quem quer dominar os princípios da pesquisa quantitativa. Veja que as autoras apresentam um instrumento abrangente, com 23 itens, para analisar um artigo científico de forma quantitativa e qualitativa. O instrumento e seus itens também servem de orientação para a construção de um projeto de pesquisa de qualidade e para a escrita de um artigo dentro do rigor acadêmico e científico. Convide um colega para analisar um artigo científico usando o instrumento de análise proposta pelas autoras. Encontrem um artigo sobre um tema de interesse comum e façam a análise deste artigo separadamente, quantificando cada item para ter uma nota final. Depois analisem as avalições de forma conjunta e discutam a interpretação que cada um deu para cada item. FRIEDLANDER, Maria Romana e ARBUÉS-MOREIRA, Maria Tereza. Análise de um trabalho científico: um exercício. Revista Brasileira de Enfermagem [online]. 2007, v. 60, n. 5, pp. 573- 578. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-71672007000500017 Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – A análise de dados em Pesquisa Quantitativa deve; a) Ser baseada nos dados absolutos encontrados. b) Ser baseada no tratamento estatístico e literatura sobre o tema. c) Ser baseada nos dados absolutos encontrados e no tratamento estatístico escolhido. d) Ser baseada nas respostas dos participantes e no tratamento estatístico escolhido. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra B https://doi.org/10.1590/S0034-71672007000500017 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quantitativa| Aula 08 REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Onde Chegar • Apresentar a modalidade de pesquisa qualitativa • Apresentar Teorias e metodologias da pesquisa qualitativa e sua aplicação na saúde. O que Aprender • Processos de produção do conhecimento. • A evolução do conhecimento e da pesquisa no campo da saúde. • A coleta de dados em pesquisa qualitativa. AULA 09 Pesquisa Qualitativa Coleta de dados Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Desenvolvimento Momento Conceitual A pesquisa qualitativa vem ganhando espaço, importância e valor no contexto das Ciências Humanas e, principalmente, na área da saúde, que vem se caracterizando como um campo de intersecção entre o campo biomédico (que cuida do corpo) e das Ciências Humanas e Sociais (que cuidam da subjetividade e da socialização). Além disso, por ser mais recente historicamente, o modelo qualitativo se baseiaem paradigmas diferentes do Cartesianismo e Positivista até se opondo, contrapondo e divergindo destes em alguns pontos de vista. A pesquisa qualitativa transpõe o paradigma da neutralidade e coloca o pesquisador mais próximo do objeto de estudo, chegando a fundir-se ou ser parte do processo de pesquisa, como ocorre na pesquisa participante. Mas foi justamente o crescimento das ciências Naturais e Exatas que fez florescer a cientificidade das áreas humanas e sociais que, não tendo os mesmos princípios métricos, evoluíram para o paradigma qualitativo. A complexidade do ser humano, do seu psiquismo e das relações interpessoais, que vem se complexificando com a evolução e a cultura, não pode ser subjugada pelo dualismo cartesiano, que esquartejou e fragmentou a ciência e a realidade, mas o real ainda é uno. Apesar de ainda não ter a mesma consistência e precisão que as pesquisas quantitativas o modelo qualitativo oferece informações importantes sobre processos humanos que ainda não são quantificáveis ou controlados, como são as variáveis quantificáveis e mensuráveis. A pesquisa qualitativa, como diz o professor Pedro Demo, não é um nível inferior de pesquisa, mas mostra que há algo difícil de captar no que é certo que existe. Além disso, a evolução da física e mecânica quântica e de outras áreas das ciências naturais e, de forma mais contundente, da tecnologia digital, virtual e realidade (virtual/ampliada/mista) tem gerado e feito emergir processos psicossociais pouco dominados por todas as ciências e até inéditos entre elas. Estes novos paradigmas potencializados pelas concepções disruptivas da Teoria dos sistemas abertos, do pensamento sistêmico, da cibernética, da autopoiese e teoria da complexidade vem oferecendo novas perspectivas na construção da realidade. Por outro lado, em decorrência de sua herança epistemológica da filosofia, a pesquisa qualitativa considera informações importantes sobre a conduta humana, atitudes e valores que ainda não conseguem ser materializados ou concretizados em números ou métricas. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Também é ingênuo pensar que a pesquisa qualitativa não tem rigor, precisão ou que não pode ter a confiabilidade. O fato de ainda não existirem instrumentos qualitativos fidedignos ou preciso, não permite que se pense que ela possa ser feita de forma amadora, despretensiosa ou descomprometida, ao contrário a preocupação e a busca pelo rigor e excelência ser torna maior. A pesquisa qualitativa sinaliza que a ciência, embora muito desenvolvida, ainda carece de processos cognitivos e paradigmas mais complexos que deem conta de descrever, definir e controlar os processos humanos e sociais. A subjetividade dos fenômenos perceptivos e cognitivos sugere que o peso de uma pedra, a velocidade do vento e a distância entre dois planetas são medidas relativamente mais simples do que o número de pensamentos que uma pessoa tem por minuto ou o grau de frustração que ela sente ao derrubar um sorvete delicioso (que também não tem sua escala de deliciosidade). Então as alegações que a imprecisão de objeto e falta de mensuração de eventos não torna a modalidade qualitativa menor ou uma pesquisa de segunda classe, como muitos pensam. Assim, embora haja uma visão equivocada de que a pesquisa quantitativa e qualitativa sejam imiscíveis ou antagônicas existe uma complementariedade que subjaz aos dois contextos e o avanço do paradigma transdisciplinar deverá atenuar este falso conflito, mas que gerou graves controversos e danos irreparáveis ao contexto e desenvolvimento da ciência. Momento Procedimental A coleta de dados em pesquisa qualitativa. A coleta de dados nesta modalidade deve ser criteriosa e visa alcançar o mesmo rigor que no modelo quantitativo, e não pode ser usada como justificativa para desleixo ou descomprometimento do pesquisador. Protocolos de pesquisa (projetos e procedimentos). A problematização e a pergunta de pesquisa devem ser bem pensadas e elaboradas de forma clara, evitando termos ambíguos ou imprecisos, uma vez que os objetos, fenômenos estudados e os constructos ainda são imprecisos ou de difícil 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 definição e descrição. Os projetos devem estar bem estruturados com pergunta de pesquisa, objetivos, justificativas e fundamentação teórica estando bem consistentes, para atender às exigências dos órgãos avaliadores (bancas, comitê de ética ou agências de fomento) e da própria missão do projeto. Uma boa pergunta de pesquisa, elaborada com esmero e precisão, auxilia no bom desenvolvimento da pesquisa e evita frustrações no decorrer ou finalização da mesma. Uma boa fundamentação dá consistências às análises e uma boa metodologia garante um percurso seguro e resultados satisfatórios. Amostra – tamanho e tipos. A amostra em Pesquisa qualitativa é um desafio aos pesquisadores. Um “n” pequeno restringe a análise, pois não permite tratamento estatístico adequado ou limita o uso de testes robustos para comparação e controle de variáveis. Porém, à medida que se amplia o número de participantes (“n”), maior será o volume de dados subjetivos para avaliar/analisar, podendo tornar a pesquisa morosa, enfadonha, cara e até inviável. E, embora o recurso do cálculo de amostra também não se mostre útil nesta modalidade, é preciso pensar com cuidado a composição da amostra, sendo importante avaliar a melhor opção de amostragem. Revisão de literatura A literatura é um ponto delicado na pesquisa qualitativa. Ela precisa ser consistente de tal forma que ofereça subsídios para a resposta à pergunta inicial (problema de pesquisa), mas é preciso cuidar para que o estudo não vire uma revisão bibliográfica, respondendo à pergunta apenas de forma teórica, e os poucos participantes (amostra pequena) acabam sendo diluídos no texto e podendo virar um mero exemplo, sem agregar valor aos resultados. Por outro lado a revisão de literatura não pode ser pobre, magra ou superficial, tornando a análise dos dados árida, e as informações oferecidas pelos participantes viram depoimentos sem fundamentação. Os artigos selecionados para a fundamentação da pesquisa e para a análise de dados devem ser de qualidade, preferencialmente oriundos de revistas científicas 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 indexadas e com um bom fator de impacto. Os artigos de apoio podem ser baseados em pesquisas quantitativa e qualitativas, cuidando para que não prevaleça um ou outro, nem conduzir os resultados ou tornar a responsa tendenciosa, gerando vieses de confirmação ou refutação. A busca por bons artigos devem seguir procedimentos ágeis (para não se perder tempo e não ficar repassando pelos mesmos artigos e textos) e seguros, para evitar que se use ou perca tempo com textos ruins, sem qualidade, fracos ou superados academicamente (por conceitos errôneos, refutados ou desatualizados), que acabam atrapalhando ou prejudicando as conclusões finais da pesquisa. O primeiro passo é a busca por artigos recentes e efetivos (que ajudem a responder ou analisar as respostas dos participantes) em revistas indexadas usando bases de dados virtuais (como Scielo, BVS-Psi, PePsic e outros, na área da Psicologia) e Pubmed, ScienceDirect e outros internacionais. Outro requisito importante é o uso de descritores precisos e catalogados (como DeCs e Mesh) (in English e Português) e operadores booleanos (and, or, e/ou not) para que a agilidade a segurança sejam alcançados nesta parte da pesquisa. Depois de coletados os artigos devem ser lidos de forma crítica e criteriosa, de preferênciausando roteiros de análise de artigos. Instrumentos Outro item que requer cuidado na modalidade qualitativa são os instrumentos utilizados. É usual que o pesquisador iniciante nesta modalidade pense que basta coletar informações dos participantes, e que estes dados serão suficientes para responder à pergunta de pesquisa. Mas o trabalho com as informações recebidas é um processo complexo e requer muito cuidado com o que se pretende com a pesquisa: A Pergunta inicial (problematização), os objetivos (pretensões) e métodos (participantes, instrumentos e procedimentos), devem confluir de forma sinérgica, para que o resultado final seja fidedigno, aproximando a realidade encontrada do contexto real do tema em estudo. Porém cada pesquisador acaba lançando mão de instrumentos que, apesar de já utilizados anteriormente, não são validados ou sistematizados de forma segura e controlada. Ou constrói seus instrumentos de acordo com o que imagina ou espera 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 conseguir com este procedimento. Considerando que na pesquisa qualitativa o objetivo é investigar fenômenos humanos e sociais sem instrumentos ainda adequados para isso, o uso de qualquer instrumento existente será uma aproximação e uma aposta de que esse instrumento trará as melhores informações e de forma fidedigna, mas que não anula dos resultados pelo processo. O que anulará o resultado é a condução inadequada da pesquisa, e essa regra vale para qualquer modalidade. Na pesquisa qualitativa o pesquisador terá respostas, mas não poderá fiar-se nelas de forma confiável, como um trapezista se lança no ar sem as redes de proteção, assim se vê obrigado e redobrar os cuidados, para que um erro não seja fatal. Desta mesma maneira a pesquisa qualitativa não tem as redes (números e métricas) que dê suporte aos resultados. Resta então redobrar o cuidado em cada passo da pesquisa para que o resultado final não seja aquém da cientificidade esperada. Embora não existam instrumentos padronizados para a pesquisa qualitativa algumas práticas são mais usais para a coleta de dados, sendo: Observação Consiste no acompanhamento dos participantes pelos pesquisadores na realização de alguma atividade relacionada à pesquisa ou da vida cotidiana dos participantes. Pode ser forma direta ou indireta (com gravações ou filmagens). Desta forma o pesquisador terá à sua disposição diferentes focos e estratégias de observação, que deverão ser consideradas. Existem diferentes tipos e orientações para observações, que deverão ser estudas e escolhidas de acordo com o design da pesquisa a ser desenvolvida. 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Grupo focal Embora seja um tipo de observação da interação entre os participantes, o Grupo Focal (GF) se caracteriza pela peculiaridade de estar ligado à um processo de entrevista direcionada para um grupo específico (amostra de pesquisa) e que pode fornecer informações específicas. Entrevistas As entrevistas são um dos principais instrumentos para a coleta de dados em Pesquisa qualitativa, pois oferece acessos direto ao informante (participante) que vai fornecer dados e informações sobre o objeto de investigação, sem o uso de instrumentos intermediários. É um processo amplo e flexível e, justamente por isso, requer cuidado e atenção na sua condução. As modalidades de entrevistas são diversas (entrevistas em profundidade, entrevistas episódicas, entrevistas de história oral, etnografia, imersão, estudo mais aprofundado de caso, pesquisa fenomenológica, discussões em grupo, Completar frases, etc.), portanto, convém um estudo preliminar de escolha da melhor alternativa em consonância com o projeto em desenvolvimento. Questionários, Roteiros e formulários. Para subsidiar as entrevistas alguns pesquisadores constroem questionários para orientar e direcionar perguntas. Já os roteiros são questionários mais abertos, sem perguntas explicitas, mas abrangendo os temas da pesquisa num contexto de conversa. Em alguns momentos os questionários são usados de forma única, substituindo a entrevista. Os formulários são questionários mais organizados e tem sido mais usados com o avanço das tecnologias de comunicação, pois os formulários podem ser enviados para pessoas distantes dos pesquisadores, por diferentes canais, e podem ser respondidos sem depender diretamente do pesquisador. Porém alguns cuidados devem ser tomados na sua construção e elaboração, pois tanto entrevistas quanto questionários e formulários têm vantagens e desvantagens que 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 devem sem estudadas antes de se optar por cada um destes instrumentos. O pesquisador deve garantir clareza e controle das perguntas, buscar construir frases de fácil compreensão, evitando o risco de interpretações ambíguas e, se pertinente, incluir orientações de preenchimento, mas sem indução de respostas. Pesquisa-ação e participante A modalidade de pesquisa-ação e a pesquisa participante são processos complexos de investigação qualitativa, mas também muito ricos na coleta de dados, pois oferece maior imersão do pesquisador e dos participantes no contexto e problema de pesquisa, mas também exigem um maior domínio de clareza dos objetivos de pesquisa, para não se misturar o contexto de pesquisa com a vida cotidiana ou pessoal dos envolvidos, mas também não descaracterizar o contexto de investigação. Procedimentos A condução de pesquisas qualitativas exige um comprometimento e vigilância constante dos pesquisadores para tentar alcançar um controle de variáveis que são mais sutis e menos controladas do que nos ambientes de laboratório (onde muitas variáveis podem ser isoladas e anuladas). Como as entrevistas são feiras individualmente em momentos e situações diferentes as variáveis intervenientes são menos visíveis, porém mais presentes no contexto de pesquisa. O mesmo acontece com os questionários e formulários onde o controle do pesquisador é menor e risco de contaminação ou interferência nos resultados é maior. Coleta das respostas Nas observações as respostas são os comportamentos ou fenômenos testemunhados pelos pesquisadores, que deverão relatar o que foi visto, ouvido ou percebido dos participantes. Desta forma é importante um Diário de Campo (relatos) onde o pesquisador vai anotando e registrando as informações geradas pelo observado (participante) e também anotando pontos importantes do contexto de pesquisa. 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Nas entrevistas o pesquisador deve anotar as falas, gestos e detalhes sutis dos participantes para compor um relato das respostas obtidas. Quando a entrevista é gravada o pesquisador faz a transcrição do áudio, transformando em texto o discurso que foi gravado. Porém outro cuidado é importante, cuidar para que a captação de áudio seja boa e de qualidade, sem falhas ou interferências. Além disso, é importante o apoio de anotações simultâneas enquanto é feita a gravação para que, na hora da transcrição elas sirvam de apoio semântico na compreensão do que foi dito pelo participante. Os formulários e questionários geralmente trazem um texto exarado pelo próprio participante, restando ao pesquisador destacar as partes mais importantes do texto ou reproduzi-las como citação, colocando entre aspas o recorte que fez da fala dos participantes. Porém é preciso estar atendo ao campo semântico do participante, para evitar que se confunda ou interprete o que foi dito de outra forma. É preciso cuidar paraque o trinômio “Intenção + discurso + interpretação” seja convergente. Pois a Intenção (o que o participante quis dizer) deve ser manifesta no discurso (o que foi dito) e a interpretação (como o discurso é compreendido pelo pesquisador) deve se coadunar com a intensão. Mas o grande desafio da comunicação humana é a aproximação entre intensão e interpretação, pois existem muitos fatores que interferem fortemente neste processo. Riscos e cuidados Depois de feitas as observações, entrevistas ou receber os formulários de volta o pesquisador deverá organizar as resposta para iniciar a análise de dados, mas a pesquisa qualitativa traz riscos diretos e indiretos para os pesquisadores e participantes, pois, por ser um processo de interação entre pessoas pode gerar ou desencadear conflitos e mal entendidos que podem afetar a coleta e as respostas dos participantes, prejudicando os resultados. A relação entre pesquisador e participante deve ser cuidadosa, pois é um primeiro contato entre pessoas desconhecidas e é responsabilidade primordial dos pesquisadores evitar que desinteligências emerjam e gerem atritos, conflitos ou confrontos que podem 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 prejudicar a coleta de dados. Assim o treino de um bom rapport (criar relação empática), comunicação assertiva e harmônica podem favorecer o resultado final da coleta. O comportamento do participante também é permeado de infinitas variáveis subjetivas que podem ajudar ou atrapalhar a coleta. Desta forma o pesquisador deve ter preocupação em não apenas coletar informações dos participantes, mas sim de criar um ambiente confortável e favorável. Em outros momentos o ambiente ou o tema de pesquisa pode ser tenso ou ansiogênico e os participantes podem se sentir constrangidos ou pouco colaborativos. Aqui um bom treino de abordagem, condução de entrevistas e manejo de atritos devem ser estudados pelos pesquisadores. Os instrumentos e processos de coleta precisam ser pensados com cuidado na sua elaboração e aplicação, pois a repetição e replicação de procedimentos em pesquisa qualitativa são delicados, havendo o predomínio do “aqui e agora” que torna esses momentos únicos e a chance de se perder informações é grande. A perda de dados depois da coleta (entrevistas, questionários ou formulários) são fortes riscos que o pesquisador precisa estar atendo e preparado para contornar. Falhas na comunicação (Confusão na leitura ou escrita, não entendimento da pergunta, vieses de compreensão, etc.) o retorno de poucos questionários e de formulários, que podem vir mal respondidos, incompletos ou desviando dos objetivos da pesquisa. Conclusão: Embora pareça mais simples e seja considerada menos precisa a Pesquisa qualitativa, exige grande comprometimento e competência de pesquisadores e colaboração dos participantes, pois seus resultados são valiosíssimos. 11 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Vá mais Longe Pesquise artigos que fundamentem e orientem os diferentes processos e instrumentos de coleta de dados em Pesquisa qualitativa. É importante conseguir responder “o que é?”, “como fazer?” e “como aplicar?” cada item (metodologia, amostra, instrumentos, revisão de literatura, observações, questionários, formulários) nesta modalidade. A dica de leitura para este módulo é; NOGUEIRA-MARTINS, Maria Cezira Fantini e BÓGUS, Cláudia Maria. Considerações sobre a metodologia qualitativa como recurso para o estudo das ações de humanização em saúde. Saúde e Sociedade [online]. v. 13, n. 3, pp. 44-57. 2004. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0104-12902004000300006>. Epub 04 Abr 2008. ISSN 1984-0470. https://doi.org/10.1590/S0104-12902004000300006. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001. https://doi.org/10.1590/S0104-12902004000300006 12 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 Agora é sua Vez! Interação Em pareceria com um colega, procurem um artigo sobre pesquisa qualitativa e façam uma primeira avaliação individual (cada um faz a sua) da qualidade deste artigo. Depois comparem as suas análises sobre o mesmo artigo. Qual foi o grau de excelência do artigo e do trabalho da dupla? Depois retomem a análise feita com o artigo de pesquisa quantitativa no módulo 07 e comparem com essa, quais são as diferenças? Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – Sobre coleta de dados em Pesquisa qualitativa, é possível afirmar que; a) É mais simples, pois não requer o uso de instrumentos complexos. b) É mais complexa, pois não existem instrumentos simples disponíveis. c) A entrevista é o único instrumento possível. d) Não é importante, pois a formação do psicólogo é direcionada para a atuação clínica. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra B 13 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 09 REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2004. https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Onde Chegar • Apresentar o processo de análise de dados em Pesquisa Qualitativa • Descrever os processos de produção do conhecimento. O que Aprender • A análise de dados em Pesquisa Qualitativa • As respostas e a tabulação dos dados em Pesquisa Qualitativa • Análise e interpretação de dados em Pesquisa Qualitativa AULA 10 Pesquisa Qualitativa Análise de dados Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Desenvolvimento Momento Conceitual A análise de dados em Pesquisa Qualitativa, embora tente seguir os parâmetros do modelo quantitativo exige ou impõe outros procedimentos para que o resultado final da pesquisa seja considerado adequado, fidedigno e científico. Pois, embora muitos trabalhos acadêmicos, artigos, dissertações e teses publicadas tenham alguns itens e conteúdos científicos em sua estrutura, não podem ser considerados científicos por falta de veracidade, mas que não se sustentam nem pelos paradigmas da própria proposta qualitativa. Desta forma, visando a cientificidade, a análise de dados em Pesquisa Qualitativa ganha uma nova dinâmica, pois enquanto na pesquisa quantitativa a análise é uma comparação entre números, médias e a literatura na análise qualitativa o princípio é outro. Aqui as respostas, em forma de discurso, dialogam com a literatura científicae seus autores e o pesquisador tem papel de interprete dos dois discursos, buscando sintetiza- los na construção da resposta ao problema de pesquisa. Na Pesquisa Qualitativa a analise estatística é limitada, sendo que em alguns casos, pelo número reduzido da amostra (n<30), ela é inviável ou pode apenas configurar- se como descritiva. Os Testes de hipóteses não se aplicam, pois os dados numéricos reduzidos distorceriam esses resultados. Além disso, muitos pesquisadores da área de Psicologia buscam a Pesquisa Qualitativa como forma de se esquivar da estatística pelo não domínio desta. Por outro lado o crescimento da bioestatística, psicoestatística e da psicometria sugerem que a Pesquisa Qualitativa pode evoluir para análises numéricas. Porém, enquanto não define os próprios processos métricos e modelos matemáticos para análise de dados, a Pesquisa Qualitativa vem desenvolvendo instrumentos linguísticos que possam neutralizar as interferências (intepretações e problemas semânticos) da linguagem entre pesquisador e participante e entre instrumentos (semântica do texto e das perguntas) e participantes (interpretação dos textos). 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Momento Procedimental A Pesquisa Qualitativa também exige outro ritmo de trabalho com os dados obtidos. As anotações, os registros e relatos feitos durante e logo a após o fim da entrevista devem ser organizadas na forma de relatório o mais breve depois de realizada a coleta, pois a memória poderá interferir negativamente e gerar perda ou distorção de respostas, como esquecer o que foi tido pelo participante, confundir e entender o contrário ou trocar as falas entre participantes. Transcrições também precisam de cuidado e devem ser feitas logo após a gravação e é melhor que seja feita pelo pesquisador que construiu o projeto. Muitos pesquisadores delegam a transcrição para terceiros, mas que não conhecem o contexto da pesquisa e a compreensão da fala do participante pode se alterar entre o contexto de coleta e o momento da transcrição ou o campo semântico (interpretação do transcritor) ser diferente e deturpar o resultado final. Respostas Com as respostas (discursos dos participantes) materializadas em textos o desafio do pesquisador é relaciona-las com a pergunta de pesquisa, mostrando como estes discursos direcionam a resposta ou respondem a pergunta inicial de pesquisa. O desafio é organizar as respostas de forma lógica para que mostrem a melhor resposta para a pergunta ou evidenciem os contrastes entre os respondentes para melhor entender o fenômeno em questão. Análise dos dados As respostas discursivas obtidas na pesquisa qualitativa são analisadas com o objetivo de responder “como” e “por que” um fenômeno acontece e não apenas dizer “quantos fazem ou quantas vezes ocorre”. A análise qualitativa se baseia em processos cognitivos e vem ganhando incremento com o crescimento das ferramentas cognitivas 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 que procuram construir conexões e aproximações dos dados subjetivos e interpretações subjetivas transformando-os em dados objetivos que, posteriormente poderão ser quantificados. Felizmente já existem softwares (por ex. ATLAS.ti, MAXQDA, NVIVO, WORDLE e outros) que auxiliam tanto na organização das respostas quanto na análise qualitativa dos dados, pela técnica de codificação temática. O próximo passo é a leitura de toda informação colhida, para a apropriação da formação e construção do campo semântico e interpretativo de análise. A produção de mapas mentais e de mapas conceituais tem sido um novo instrumento para melhorar a visão do conteúdo coletado. O próximo passo será agrupar as respostas por características dos participantes ou pelas perguntas de foram feitas, construindo as Unidades de análise. O pesquisador pode agrupar os dados pelo perfil de respostas, aproximando os participantes que se mostram favoráveis em dar uma resposta positiva à pergunta. Agrupar por posições ideológicas ou temáticas ao contexto da pergunta e por características dos grupos de participantes. Depois da organização e preparação das respostas coletas o próximo passo é passar para análise os Núcleos de análise desses dados. Os Núcleos de análise são categorias classificadas das unidades de análise que abrigarão a interlocução do pesquisador com as respostas e a literatura, conduzindo a uma triangulação entre a resposta obtida, a literatura e a interpretação (leitura, escolha e decisão) do pesquisador, sendo intermediário entre dois discursos (do participante e do artigo usado como fundamento ou refutação da resposta obtida). Com os dados organizados o pesquisador inicia a análise dos dados qualitativos e, como em pesquisa qualitativa não tem instrumentos numéricos, vem sendo desenvolvidos instrumentos linguísticos (Análise de conteúdo, Análise de Discurso e Análise temática) que aproximam o discurso dos participantes da realidade. Análise de conteúdo (AC) A AC foi proposta pelo cientista político Harold Lasswel por volta de 1915 ao tentar investigar a propaga política na imprensa americana. A AC considera a semântica 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 dos respondentes a partir do significado (objetivo) das palavras presentes no discurso, gerando inferências a partir deste significado. A AC, baseada a Teoria do discurso, trabalha o discurso de forma quantitativa (ao avaliar a frequência numérica de ocorrência de uma palavra, favorecendo até um tratamento estatístico) e de forma qualitativa (ao considerar a presença ou ausência de características linguísticas no discurso do participante). A prática da AC deve seguir três passos: 1 pré-análise, que é a leitura flutuante e preparação do material coletado; 2 Exploração do material, que consiste na construção das Unidades de análise e codificação do conteúdo e; 3 Interpretação, que é triangulação entre o discurso do participante, a contribuição da literatura sobre o tema e a mediação do pesquisador, buscando mostrar a confluência ou dissonância entre as duas partes em direção à resposta da pergunta de pesquisa. Assim a Análise de Conteúdo impõe um trabalho profundo sobre o discurso dos participantes, indo além da mera descrição e transcrição das respostas. Análise de Discurso (AD) A AD foi proposta pelo filósofo Michel Pêcheux em 1966, como proposta de superação da AC, sendo baseada nos princípios da linguística, do materialismo histórico e da psicanálise, visando explorar o sentido (subjetivo) dos termos (palavras) extraídos do discurso dos participantes. Assim a AD considera a ideologia, a história e o campo semântico (linguagem) do respondente, buscando alcançar a expressão da realidade presente do seu discurso. Porém considerando que o campo da interpretação da linguagem é vasto, existem diferentes variações na aplicação da AD. Análise temática (AT) 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 A AT é mais recente na metodologia de análise de dados qualitativos e foi proposta pelas psicólogas Virginia Braun e Victoria Clarke em 2006. Trata-se de uma proposta mais ampla na interpretação do discurso com duas abordagens; 1 Abordagem indutiva que, a partir dos dados vai mapeando e sinalizando a análise final e; 2. Abordagem dedutiva ou teórica que parte de um conjunto preestabelecido de categorias ou temas bem definidos sinalizados pela literatura. A AT é mais complexa que a AC e AD, repetindo procedimentos das duas, mas acrescentando processos linguísticosausentes nas duas e com procedimentos textuais, de escrita, reescrita e retorno aos dados de análise e revisitas à literatura, favorecendo a construção de um texto final mais rico. E, da mesma forma que a AD tem diferentes variações, em decorrência da complexidade de interpretação da linguagem, na AT existem diferentes variações de processamento dos dados. Assim AC, AD e AT mostram que a pesquisa qualitativa não apresenta mais apenas o que o participante quis dizer, mas o que quer dizer o que ele disse. Além disso, a hermenêutica e a semiologia mostram que os enigmas e fenômenos da vida e do psiquismo poderão ser alcançados por outros caminhos. O relatório de pesquisa e o artigo (divulgação científica) Os resultados do projeto (procedimentos de problematização e de coleta), os resultados (respostas dos participantes), os achados na literatura e a análise dos dados devem compor um documento de registro e descrição do processo (relatório) e um documento de divulgação dos resultados (artigo), para que a comunidade científica e a população em geral sejam beneficiadas com o estudo. Conclusão: Na análise qualitativa o pesquisador, tal qual um trapezista, aposta na sua competência para atravessar sem redes o ar em direção à segurança da plataforma e investe sua capacidade de interpretação no diálogo entre teoria e prática, para atravessar o vácuo entre a pergunta e a resposta. 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Vá mais Longe Pesquise artigos que orientem ou apresentem reflexões sobre análise de dados em Pesquisa Qualitativa e amplie seu domínio sobre o tema. Aqui vai uma ajudinha;. CAREGNATO, Rita Catalina Aquino e MUTTI, Regina. Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise de conteúdo. Texto & Contexto - Enfermagem [online]. v. 15, n. 4, pp. 679-684. 2006. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0104- 07072006000400017>. Epub 12 Nov 2007. ISSN 1980-265X. https://doi.org/10.1590/S0104-07072006000400017. SOUZA, Luciana Karine de. Pesquisa com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro , v. 71, n. 2, p. 51- 67, 2019. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809- 52672019000200005&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 03 jul. 2021. http://dx.doi.org/10.36482/1809-5267.ARBP2019v71i2p.51-67 Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2004. 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Agora é sua Vez! Interação O artigo abaixo (PATIAS, HOHENDORFF, 2019) traz um bom exercício para quem quer dominar os princípios da pesquisa qualitativa. Veja que as autoras apresentam um instrumento abrangente, com 12 itens, para analisar um artigo científico de forma quantitativa e qualitativa. O instrumento e seus itens também servem de orientação para a construção de um projeto de pesquisa de qualidade e para a escrita de um artigo dentro do rigor acadêmico e científico. Convide um colega para analisar um artigo científico usando o instrumento de análise proposta pelas autoras. Encontrem um artigo sobre um tema de interesse comum e façam a análise deste artigo separadamente, quantificando cada item para ter uma nota final. Depois analisem as avalições de forma conjunta e discutam a interpretação que cada um deu para cada item. PATIAS, Naiana Dapieve e HOHENDORFF, Jean Von. Critérios de qualidade para artigos de pesquisa qualitativa. Psicologia em Estudo [online]. 2019, v. 24 , e43536. Disponível em: <https://doi.org/10.4025/psicolestud.v24i0.43536>. Epub 05 Dez 2019. ISSN 1807-0329. https://doi.org/10.4025/psicolestud.v24i0.43536. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – A pesquisa qualitativa, embora não tenha instrumentos numéricos para a análise de dados, faz uso de; a) Análises linguísticas. b) Análises laboratoriais. c) Análises pontuais. d) Análises paramétricas e) Nenhuma das alternativas 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Qualitativa| Aula 10 Resposta: Letra A REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009. MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2004. https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 Onde Chegar • Apresentar a proposta de integração entre pesquisa quantitativa e qualitativa (modelo misto) • Apresentar os fundamentos deste modelo • Sensibilizar os acadêmicos para a formação em pesquisa. O que Aprender • O modelo misto (quanti-quali) em pesquisa em saúde. • O paradigma Transdisciplinar • O desafio de uma educação transformadora AULA 11 Pesquisa Quanti-Quali (Métodos mistos) Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 Desenvolvimento Momento Conceitual A pesquisa quanti-quali, ou de métodos mistos é recente no ambiente científico e acadêmico. Surgiu, não tanto para apaziguar as contendas entre os adeptos dos modelos quantitativo ou qualitativo, mas como um terceiro modelo, independente dos dois anteriores. Apesar de abarcar características dos outros dois, não pode ser confundida como a soma ou mero uso de estratégias daqueles. A pesquisa de modelos mistos surgiu, em estudos antropológicos, por volta de 1970 depois que o modelo qualitativo se consolidou e apontou o hiato e a polaridade dos modelos quantitativo ou qualitativo. Antes de sua caracterização como modelo independente foi vista como a conexão de dados qualitativos e quantitativos. Depois foi nomeada de investigação multimétodos, pesquisa integrada/combinada, triangulação, estudo híbrido e metodologia mista, chegando à denominação atual. Tem o intuito de integrar os dois modelos anteriores e, na tentativa de unir o que estava separado, acabou gerando um terceiro campo de abordagem científica da realidade e dos fenômenos. O contexto de consolidação do Modelo Misto segue o processo de consolidação que foi no modelo qualitativo. Primeiro é identificada a escassez de literatura (estudos) sobre uma questão, que impõe a necessidade de estudos qualitativos pela impossibilidade do uso de métodos quantitativos, depois quando a necessidade de novas metodologias (pelas limitações apontadas pelo primeiro modelo) emergem no contexto científico, há uma agitação para se descobrir ou inventar essas novas metodologia e cruzadas científicas surgem em busca do seu desenvolvimento. Como desdobramento disso também emergiram questões que não conseguiam ser resolvidas por nenhum dos modelos isoladamente, mas que puderam ser vislumbradas na ação combinada dos modelos. Além desse movimento de integração entre os dois modelos, outro fator histórico que foi determinante no aparecimento dessa abordagem foi o crescimento do paradigma transdisciplinar. O paradigma transdisciplinar, originado nas descobertas recentes da física quântica e no princípio da não separabilidade,é o antídoto à fragmentação do homem, sociedade e ciência gerada na revolução científica do século XVIII e que foi potencializado pelo Cartesianismo e Positivismo. O que a ciência revolucionária esquartejou e separou a nova ciência busca reagrupar e integrar. A complexidade de um fenômeno que fez Rene Descartes vislumbrar a sua decomposição em partes menores (simplificação) para sua 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 compreensão agora, diante da Teoria da complexidade, segue o caminho contrário, onde é preciso unir e integrar os fenômenos, olhando-os em sua totalidade (complexidade) e em consonância com eu ambiente e contexto de existência. Talvez seja essa simplificação que os modelos quantitativos e qualitativos ainda estão tentando defender. O paradigma transdisciplinar é novo, complexo, pouco conhecido e, principalmente, exige novos processos cognitivos holísticos para que possa ser compreendido, dominado e utilizado no entendimento da realidade. O pensamento que antes via as coisas por partes, divisões e categorias, agora precisa abrir-se para ver as coisas com unas, compondo um holograma existencial amplo e inseparado. Se a humanidade levou 4500 anos, entre os pioneiros da ciência no antigo Egito até a revolução científica no séc. XVI, para dar origem à ciência moderna (binária), mais quantos anos serão necessários para que uma nova cultura de ciência (holística) renasça? Assim, como as indústrias vão apresentando novos produtos, as tecnologias vão criando e apresentando novas ferramentas de uso comum, as escolas filosóficas geram novas abordagens e a Psicologia dá origem a novas técnicas de intervenção, a ciência também enseja novas formas de abordar antigos paradigmas, novas abordagens e métodos inovadores de investigação surgiram, estão surgindo e oportunizarão modelos inéditos de leitura da realidade. Momento procedimental O modelo misto se apresenta como uma evolução dos paradigmas científicos vigentes para enfrentar os problemas que o mundo moderno apresenta mas que, tanto o modelo quantitativo quanto o qualitativo, não conseguem superar. Sua implantação exige a apropriação, por parte dos pesquisadores e talvez até dos participantes de pesquisa, de uma nova visão de pesquisa e de ciência, que pode até fazer pensar que sua aplicação no campo da Psicologia ainda seja utópica, mas, se já está presente na literatura e no discurso de ainda poucos profissionais, faz crer que crescerá e consolidar-se-á junto com a cientificidade renascente de Psicologia. A prática de projetos de pesquisa pelo método misto já tem protocolos orientando sua construção, desenvolvimento e condução. Mas cada pesquisador ainda 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 será um pioneiro, bandeirante ou desbravador e estará construindo esse novo modelo à medida que o vivencia seu cotidiano profissional e científico. Os protocolos de pesquisa no modelo misto ainda seguem as orientações clássicas de pesquisa (quantitativo e qualitativo), mas que, por estar em transição, já trazem nuances de inovações metodológicas que precisam ser estudadas e compreendidas para que o pesquisador se aventure neste ramo de pesquisa na área da saúde. Assim, a problematização, pergunta de pesquisa, amostra, instrumentos e procedimentos deverão ser pensados passo à passo, mas de forma integrada, como um todo e convergindo para os novos paradigmas que estão sendo consolidados com o progresso da ciência e das civilizações. O modelo misto é a condução integrada de um protocolo de pesquisa para responder ao um problema de pesquisa, com os dois vieses de leitura (pelos modelos quantitativos e qualitativos de forma paralela), como sendo um só. Isso requer novos padrões de pensamento, leitura e análise da realidade. Em consonância a essa conquista da ciência, em se abrir e encontrar caminhos de superação para as limitações surgidas da evolução da ciências no últimos 300 anos, há o desafio de se buscar essa mesma superação no contexto acadêmico que, reproduzindo a fragmentação do saber (modelo disciplinar) e refém de uma hegemonia tecnocientífica (que coloca a técnica acima do humano), ainda está calcada em uma educação fragmentada, transmissora e que tem como resultado final um profissional que pouco pensa, que não se vê como pesquisador e não vislumbra sua missão em ser agente de mudança social. Urge buscar uma reformulação na formação pessoal e profissional. Conclusão: “Criar, criar, Criar no espírito, criar no músculo, criar no nervo... Criar no homem, criar na massa, criar... Criar com os olhos secos” António Agostinho Neto (Angola) Vá mais Longe 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 Amplie seu conhecimento sobre o modelo de métodos mistos, procure artigos que fundamentem ou exemplifiquem esta nova modalidade de pesquisa. Aqui tem uma ajudinha; SANTOS, José Luís Guedes dos et al. Integração entre dados quantitativos e qualitativos em uma pesquisa de métodos mistos. Texto & Contexto - Enfermagem [online]., v. 26, n. 3, 2017. e1590016. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0104-07072017001590016>. ISSN 1980- 265X. https://doi.org/10.1590/0104-07072017001590016. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; MINAYO, Maria Cecília (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 https://doi.org/10.1590/0104-07072017001590016 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 Agora é sua Vez! Interação Você pensa de forma transdisciplinar? Pesquise artigos sobre o paradigma transdisciplinar e consolide sua concepção sobre a contribuição dele sobre sua formação. Depois converse com um colega e veja como ele compreende o paradigma transdisciplinar; MARTINAZZO, Celso José. O pensamento transdisciplinar como percepção do real e os desafios educacionais e planetários. Educar em Revista [online]., v. 36, 2020. e66048. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/0104-4060.66048>. Epub 20 Nov. 2020. ISSN 1984-0411. https://doi.org/10.1590/0104-4060.66048. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – O modelo de Métodos mistos em pesquisa; a) Era anterior à Revolução científica e deu origem ao modelo quantitativo e qualitativo. b) Deu origem ao modelo quantitativo c) Deu origem ao modelo qualitativo. d) Surgiu recentemente e sintetiza os modelos quantitativo e qualitativo. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra D https://doi.org/10.1590/0104-4060.66048 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Pesquisa Quanti-Quali| Aula 11 REFERÊNCIAS DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 MINAYO, Maria Cecília (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 1 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Onde Chegar • Apresentar reflexões finais sobre a disciplina • Revisitar os módulos de Coleta e análise de dados. • Sensibilizar os acadêmicos para a formação em pesquisa. O que Aprender • A importância da formação em pesquisa. • A relevância da pesquisa como forma de produção, divulgação e utilização do conhecimento em saúde. • Os desafios da coleta e análise de dados em pesquisa em saúde. AULA 12 Conclusões e algumas reflexões Coleta e análise de dados 2 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Desenvolvimento Momento conceitual Revisitando a pesquisa em Psicologia. Reler, rever, revisar e revisitar são verbos que indicam processos usuais na condução de pesquisa e, principalmente, na produção de material de divulgação científica, como relatórios, ensaios e artigos. Os três primeiros são mais comuns, embora os acadêmicos iniciantes acabem não fazendo nenhum deles e cabe aos professores ficar indicando os pequenos pecados nos textos. Reler o material produzido ajuda a consolidar os conceitos e conteúdos, mas, apesar de importante, pouco contribui para melhoria na qualidade de um texto, pois se trata de ação descompromissada. Rever é uma forma de ampliar as perspectivas de interpretação ou para completar um conteúdo, mas, diferente da releitura, é um processo incompleto, pois a atenção de quem esta revendo é direcionada para partes específicas (escolhidas ao acaso ou pontos considerados importantes). Revisar é exercício de limpar o texto, principalmente de erros de escrita (ortografia e concordância) e para melhorar a expressão dos conteúdos que se pretende apresentar ou das ideias que se pretende defender ou afirmar. O problema é que quem escreve o texto acaba criando certa cegueira para o texto e conceitos que acabam não sendo vistos e percebidos pelo escritor, mas agora na posição de leitor de seu próprio texto. Desta forma, o revisar é uma prática de leitura, releitura, escrita e reescrita do próprio texto para que, a cada rodada, ele vá se depurando e sendo aprimorado com esmero para se alcançar um texto final que atenda a qualidade técnica e acadêmica e com conteúdo científico e preciso, que é o objetivo de qualquer texto científico. É importante que essa escrita final do artigo permita afastamentos periódicos, de repouso entre uma revisão e outra, para que o pesquisador reorganize a percepção dos resultados, construindo novas interpretações sobre as informações e dados coletados. 3 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Por isso a revisão, embora deva ser prática usual de quem escreve qualquer documento, precisa ser feita por outra pessoa também, alguém que não esteja contaminado com o contexto do texto e consegue enxergar melhor o que o produtor deixa escapar. O revisor age com o caçador, que espreita, fareja e persegue falhas ou lacunas do texto para que nada escape ao seu crivo e escrutínio. Revisitar, porém, é um nível superior de contato com as coisas, mas que ainda é pouco usual entre acadêmicos e até entre profissionais e pesquisadores. É uma ação reflexiva-filosófica que objetiva transcender o estado de percepção atual de um fenômeno, buscando alcançar uma compreensão (conscientização) mais profunda e mais ampla do objeto ou fenômeno estudado. Momento Procedimental Desta forma este último módulo consiste em uma revisita às conclusões dos módulos anteriores como exercício de ampliação da consciência do papel e da importância da pesquisa em Psicologia e da formação do psicólogo pesquisador. Conclusão 1: Temos três grandes desafios; 1 - Nos aproximarmos mais da modalidade EaD; 2 - Compreender o papel da pesquisa na formação do psicólogo e; 3 - Conhecer os processos de coleta e análise de dados para fazer e consumir boas pesquisas, essencial para a boa formação em Psicologia. EaD não pode ser um empecilho, mas sim um canal para a boa formação do acadêmico de Psicologia em pesquisa na área da saúde, campo crescente de atuação. 4 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Conclusão 2: Diante das ameaças que o contexto atual apresenta ao mundo moderno e à formação profissional, o espírito científico é um diferencial qualificador e essencial na formação do psicólogo. A sociedade do conhecimento será cruel para com aqueles que não compreenderem ou rechaçarem (negacionistas) o Espírito científico. Conclusão 3: A pesquisa em Psicologia é questão essencial de desenvolvimento humano (cidadania), profissional, social e cultural. Pesquisar é exercer cidadania! A Psicologia precisa reencontrar seu caminho de colaboradora na construção da cidadania, mas não conseguirá isso sem desinstitucionalizar-se de uma sociedade que se perdeu na história (crise de paradigmas). Conclusão 4: Não precisamos nascer com o DNA (genótipo) da pesquisa, mas a pesquisa pode fazer parte de nosso DNA, ainda que no fenótipo. As abordagens mais atuais mostram uma libertação do determinismo genético, aliás, a própria genética esta se libertando do determinismo. “Os cromossomos não tem mais a última palavra” Reuven Feuerstein (1921-2014). Conclusão 5: A Psicologia ainda está se consolidando como ciência e ciência da saúde e a PBE e a Bioética ajudarão a desenvolver protocolos, instrumentos e procedimentos que lhe dê consistência e efetividade. 5 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Ainda existem “Conflitos de interesses” (mentalidade do aluno x competências profissionais almejadas) na formação do Psicólogo, mas a exigência profissional fará emergir a consciência da PBE e da Bioética. Conclusão 6: Os dois modelos buscam a verdade, cada um pelo seu caminho, mas o alvo deve ser o mesmo. Ou cada um está construindo a sua verdade? Sem quantidade ou qualidade a pesquisa e a Psicologia não alcançarão índices (quantidades) aceitáveis (qualidade) junto à comunidade científica. Conclusão 7: A pesquisa quantitativa oferece e exige da Psicologia parâmetros precisos para o estudo dos processos psicológicos (emoções, cognições e interações sociais). A condição pré-paradigmática da Psicologia coloca-a a mercê de outros modelos, que acabam impondo e exigindo uma quantificação do que não é quantificável. Conclusão 8: A pesquisa quantitativa é o caminho mais seguro para investigações em Psicologia, porém a complexidade do ser humano lança desafios aos pesquisadores. O que era problema vira solução e a solução gera novos problemas. A confusão não está na Dialética, mas sim no humano e sua inquietude. Conclusão 9: 6 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Embora pareça mais simples e seja considerada menos precisa a Pesquisa qualitativa, exige grande comprometimento e competência de pesquisadores e colaboração dos participantes, pois seus resultados são valiosíssimos. Pesquisa qualitativa é o garimpo da Psicologia em águas turvas e com bateias de trama larga. Conclusão 10: Na análise qualitativa o pesquisador, tal qual um trapezista sem redes que aposta na sua competência para atravessar o ar em direção à segurança da plataforma, investe sua capacidade de interpretação no diálogo entre teoria e prática para atravessar o vácuo entre a pergunta e a resposta. A análise qualitativa de dados é alapidação das áridas informações coletadas feita pelas mãos calejadas de um pesquisador incansável, transformando-as em uma resposta valiosa. Conclusão 11: “Criar, criar, Criar no espírito, criar no músculo, criar no nervo... Criar no homem, criar na massa, criar... Criar com os olhos secos” António Agostinho Neto (Angola) A metodologia de pesquisa por Modelos Mistos e a Transdisciplinaridade já encontraram o caminho para superação de muitos problemas sociais, agora cabe aplica-los na melhoria na qualidade da educação. Conclusão Estivemos apontando caminhos... aqui não é a chegada. 7 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 "pesquisar constitui uma atitude e uma prática teórica de constante busca e, por isso, tem a característica do acabado provisório e do inacabado permanente" (MINAYO, 2010, p. 47). 8 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Vá mais Longe Pesquise artigos que apresentem argumentos que sustentam a importância da pesquisa em Psicologia e consolide sua concepção sobre o papel da pesquisa em sua formação. SOARES, Marisa e SEVERINO, Antonio Joaquim. A prática da pesquisa no ensino superior: conhecimento pertencente na formação humana. Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior (Campinas) [online], v. 23, n. 2, pp. 372-390. 2018. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1414-40772018000200006>. ISSN 1982-5765. https://doi.org/10.1590/S1414-40772018000200006. Capítulo Norteador: Agora comece a se familiarizar com os conteúdos de pesquisa, leia artigos e livros sobre pesquisa; MINAYO, Maria Cecília (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 https://doi.org/10.1590/S1414-40772018000200006 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 9 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 Agora é sua Vez! Interação Como último desafio, discuta com seus colegas como eles compreendem o pensamento sistêmico; MISOCZKY, Maria Ceci A. Da abordagem de sistemas abertos à complexidade: algumas reflexões sobre seus limites para compreender processos de interação social. Cadernos EBAPE.BR [online]. v. 1, n. 1, pp. 01-17 2003. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1679-39512003000100002>. Epub 17 Jul 2012. ISSN 1679- 3951. https://doi.org/10.1590/S1679-39512003000100002. Fórum da Disciplina. Discuta com outros colegas qual foi a impressão de cada um sobre este módulo, qual foi o ponto que mais lhe interessou e qual não entendeu. Questão para Simulado 1 – Sobre a ação de revisitar, é possível afirmar que; a) É sinônimo de revisar. b) É o processo de submeter novamente um artigo à uma revista. c) É ação reflexiva-filosófica de conscientização. d) É técnica de análise de dados quantitativos, e consiste em regressão estatística. e) Nenhuma das alternativas Resposta: Letra C 10 NEAD – Núcleo de Educação a Distância ROTAS DE APRENDIZAGEM Coleta e Análise de Dados | Conclusões| Aula 12 REFERÊNCIAS ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais: pesquisa quantitativa e qualitativa. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. DEMO, Pedro. Metodologia científica em ciências sociais. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 1995. DYNIEWICZ, Ana Maria. Metodologia da pesquisa em saúde para iniciantes. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2014. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009. KALINKE, Luciana Puchalski (Org.). Metodologia da pesquisa em saúde. São Caetano do Sul: Difusão, 2019. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório publicações e trabalhos científicos. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MINAYO, Maria Cecília (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2015. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2004. https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/53978/pdf/0 https://plataforma.bvirtual.com.br/Acervo/Publicacao/177744 https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114696/pdf/0 Coleta e Análise de Dados Apresentação Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura “Eu pensei que pesquisar era procurar coisas na internet” Aluno X Fonte: https://pics.onsizzle.com/dont-believe-everything-you-read-on-the-internet- abraham-60065561.png Fonte: https://i.pinimg.com/originals/6a/60/f3/6a60f3583f2c24a626872b413948e7a7.jpg Objetivos Explicar o contexto da disciplina. Responder qual é a contribuição da disciplina na formação do psicólogo. Ter contato, familiaridade e domínio dos conteúdos de pesquisa (Coleta e análise de dados). Onde chegar? • O que é pesquisa em saúde • Como estudar pesquisa na modalidade EaD • O que estudar em Coleta e Análise de dados FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock Coleta e análise de dados Módulo 1 Contextualizar o curso • Apresentação da disciplina. • Oferece uma visão geral dos módulos. • Dicas para o ambiente EaD. Estrutura de cada módulo • Rota de aprendizagem. • Momento conceitual. • Momento Procedimental. • Conclusão. • Vá mais longe. • Leituras e interações. Módulo 2 O espírito científico. Refletir sobre a importância ciência. Gaston Bachelard (1884-1962) Fonte: Htps://th.bing.com/th/id/OIP.1_r97SoJjK3ubfGRzdBvBAHaE3?pid=ImgD et&rs=1 Fonte: https://www.universilibros.com/images/st ories/virtuemart/category/gaston- bachelard.jpg Mole Módulo 3 A importância da pesquisa. Refletir sobre a importância da pesquisa. Produzir conhecimento. Pesquisador (cientista) x Psicólogo (profissional). Psicólogo pesquisador. Cientista profissional. Profissional cientista. Do Módulo 4 • A formação do pesquisador. Pensar sobre a formação do pesquisador. Módulo 5 Ciência baseada em evidências. Aprofundar os conceitos de ciência, cientificidade e evidência científica. Módulo 6 Quantidade e qualidade em pesquisa. Refletir sobre a integração quantidade e qualidade. “O que importa é a qualidade professor...” IIN Módulo 7 Pesquisa QUANTITATIVA (coleta de dados). Compreender o conceito de pesquisa quantitativa. Pesquisa Quantitativa? Amostra (n=?). Instrumentos. Procedimentos. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock S Módulo 8 • – Pesquisa quantitativa (análise de dados). • Análise de dados. • Resultados – Tabulação. • Descrição. • Interpretação. • Inferências. Ampliar a familiaridade com a pesquisa quantitativa. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock Fonte: ttps://www.scielo.br/j/bioet/a/zShNHZQDzDy496zJDHMTqHm/ ?format=pdf Módulo 9 Pesquisa QUALITATIVA (coleta de dados). Compreender o conceito de pesquisa qualitativa. Pesquisa Qualitativa. Amostra (n=?). Instrumentos. Procedimentos. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock A Módulo 10 • Pesquisaqualitativa (Análise de dados). Ampliar a familiaridade com a pesquisa qualitativa. Resultados – Tabulação. Descrição. Interpretação. Inferências. Fonte: http://pepsic.bvsalud.org/img/revistas/tp/v25n2/a11fig01.jpg Fonte: https://www.scielo.br/j/pcp/a/djgGPxfXmY3YdgCB4M446gg FONTE: Shutterstock Módulo 11 • Pesquisa Quanti-Quali. Discutir a integração qualitativa + quantitativa. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock Módulo 12 • Conclusões. • Consolidar os conteúdos da disciplina. FONTE: Shutterstock • Dicas de estudo em EaD. • EaD - exige outras capacidades; emocionais, cognitivas e comportamentais do acadêmico. Transforme-se! • Principais obstáculos: 1 navegabilidade no AVA. 2 dificuldade de leitura e interpretação. • Ler sobre EaD. • Dedicar 6 horas aos estudos (flow) de cada matéria. • Não procrastine! Não faça na véspera da entrega ou do prazo. • Use o modelo pré-teste e pós-teste. FONTE: Shutterstock • Conclusão: Três desafios – • 1 – Aproximarmo-nos mais da modalidade EaD; • 2 - Compreender o papel da pesquisa na formação do psicólogo e; • 3 - Conhecer os processos de coleta e análise de dados para fazer e consumir boas pesquisas, essencial para a boa formação. Bons Estudos! Coleta e Análise de Dados O Espírito Científico Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura Você consegue ver o espírito científico nesta imagem? Objetivos Explicar o contexto da disciplina. Responder qual é a contribuição da disciplina na formação do psicólogo. Ter contato, familiaridade e domínio dos conteúdos de pesquisa. Onde chegar? Apresentar paradigmas do pensamento científico. Contextualizar as concepções de conhecimento e verdade. Sensibilizar os acadêmicos para adesão à cientificidade na formação em Psicologia. Coleta e análise de dados • Espírito científico. 1543 2021 Foi a força que impulsionou exponencialmente a evolução do conhecimento... FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock O percurso histórico da ciência. Época Ciência Mundo – natural – milhões de anos Inexistente Hominídeos – 2milhões Fenômenos naturais Pré-histórico Psiquismo Consciência – Medo Primeiras civilizações – 15 mil anos Fenômenos naturais dominados Pré-científico Cultura – cultivos - cultura Egípcios – 3 mil anos a.C. Gregos e Romanos – 400 anos a.C. Científico – especulações Científico – explicações lógicas, Real x Realidade Era cristã – Ano Zero Expansão do teocentrismo Idade média – 473 – 1543 - Explicações divinas – Sem ciência FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock Época Ciência Renascimento - 1500 Ressurgimento - arte, filosofia, matemática, biologia, ciências gerais Antropocêntrico – esquartejado? Revolução científica - 1750 Racionalismo - Razão e lógica binária Positivismo - Normatização - controle Efervescência – normas e unidades de medidas Física Newtoniana - PoliCiências Revolução industrial - 1760 Revolução francesa - 1789 Mecanização e ciências aplicadas Leis e cidadania Século XX Revoluções constantes Wundt, Freud, Skinner, Piaget Física Eisteiniana Evolução exponencial das ciências Atualmente Realidade virtual e mista – logica quântica Novos paradigmas Realidades emergentes O surgimento do Espírito científico. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock • O resultado do modelo cartesiano Um mundo divido em vetores? Animal x Humano Material x Metafísico Ciência x Senso comum Ciência x Religião Hard sciences x Soft sciences Quantitativo x Qualitativo Digital x Analógico Verdade x Falsidade Cientista x Farsante/charlatão Direita x Esquerda Orgânico x Mental Biológico x Psíquico Concreto x Abstrato Real x Realidade FONTE: Shutterstock Qual é a resultante desses vetores? • O contexto atual Coleta e análise de dados • Espírito científico move a ciência, através das realidades, para alcançar o real. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock • As ameaças ao espírito científico “mesmo na mente lúcida, há zonas obscuras, cavernas onde ainda vivem sombras. Mesmo no novo homem, permanecem vestígios do homem velho. Em nós, o século XVIII prossegue sua vida latente; infelizmente, pode até voltar” (BARCHELARD, 1996). Senso comum e ignorância Fanatismo religioso Governos totalitários Negacionismo Paradigmas radicais Pseudociências Interesses Particulares Históricos FONTE: Shutterstock Do O percurso da Verdade Desnecessária Buscada Descoberta Determinada Construída Questionada Inexistente Comprovada Refutada Relativizada Distorcida Manipulada Inalcançada... A sua ou a minha? FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock A importância da ciência na formação do psicólogo. • A formação do psicólogo abandonou o espírito científico? A ciência deu origem à Psicologia ( ) verdadeiro ( ) falso A Psicologia virou profissão ( ) verdadeiro ( ) falso A formação profissional não é científica, mas técnica ( ) verdadeiro ( ) falso O profissional não faz pesquisa ( ) verdadeiro ( ) falso Sem pesquisa a Psicologia não ajuda o cidadão ( ) verdadeiro ( ) falso • Conclusão: Diante das ameaças que o contexto atual apresenta ao mundo moderno e à formação profissional, o espírito científico é um diferencial qualificador essencial na formação do psicólogo. FONTE: Shutterstock Bons Estudos! Coleta e Análise de Dados A Importância da Pesquisa Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura O mundo com pesquisa e sem pesquisa... Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Objetivos • Apresentar o papel da pesquisa em Psicologia. • Desmistificar a dicotomia ciência e profissão. • Sensibilizar os acadêmicos para o papel da pesquisa na formação em Psicologia Onde chegar? • O que é pesquisa em Psicologia. • O contexto atual da pesquisa em Psicologia. • Os desafios de pesquisar. • A importância da pesquisa na formação do psicólogo. Coleta e análise de dados • Pesquisa? Fonte: shutterstock Realidades Alvos possíveis X Escolhidos Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Perguntas? O que? Como? Flecha Fonte: shutterstock Metodologia? O que? Como? Arcos Estratégia de tiro Ângulo Força Distância Vento Disparo Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Resultados? Alvo? Resposta? Exata? A melhor resposta? Aproximada? Distante? Irrelevante? Fonte: shutterstock Aplicação? Práxis? Valor? Efetiva? Muda a realidade? Piora? Mantém? Melhora? Nova realidade? Novo ciclo! Alvo mais distante... • O contexto atual da pesquisa em Psicologia • Desafios contemporâneos • Hard sciences X Soft scienes • O objeto da Psicologia? • Pesquisa em Psicologia (quantidade 3% e qualidade A1?) • Psicologia Baseada em Evidências? • Quantitativo x Qualitativo • A estrutura dos cursos – Formação técnica: reprodução > produção • A visão do acadêmico – Pesquisador x Profissional Fonte: shutterstock • Pesquisa na formação • A complexidade do mundo e das relações sociais (Interpessoais) - novos paradigmas • Individual – Profissional pensador – transforma a realidade • Acadêmico – Ensino – Pesquisa – Extensão – transforma a realidade • Sociedade – progresso com transformação (melhoria) da realidade Fonte: shutterstock Conclusão: A pesquisa em Psicologia é questão essencial de desenvolvimento humano: pessoal, profissional, social e cultural. Pesquisar é exercício de cidadania! Bons Estudos! Coleta e Análise de Dados A Formação do Psicólogo Pesquisador Eugenio Pereira de Paula Jr. Abertura O mundo está ficando complexo ... Objetivos • Apresentar a formação para pesquisa em Psicologia. • Descrever o perfil do pesquisador. • Sensibilizar os acadêmicos para a formação em pesquisa. Onde chegar? • A importância da formação em pesquisa. • A formação do pesquisador. • Características – caráter, competências e habilidadesdo pesquisador. A complexidade crescente • O princípio evolutivo torna o mundo cada vez mais complexo. • Então, exige competências mais complexas. • A formação é cada vez mais complexa. Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Novas competências? • Novas configurações sociais (trabalho, família, interações) • Pensamento transdisciplinar • Atuação integral (indivíduo + contexto) • Atuação multiprofissional • Ambientes integrados (casa, escola, trabalho, lazer) • Multimídia (Instrumentos e canais) • Pesquisa (consumo e produção) Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Formação? • Aulas expositivas e conteúdos clássicos • Prática engessada – Status quo X • Novos desafios profissionais • Aprendizagem ativa • Conteúdos para ações futuras • Singularidade Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock Pesquisador? Espírito científico Iniciação científica (grupos – PIBIC) Pesquisa transversal na formação Pós-graduação (Lato e strictu sensu) Capacitação (CAPES) Atuação investigativa Fonte: shutterstock O perfil de um Pesquisador? Tudo o que somos, pode nos ajudar ou atrapalhar. Desmistificar estereótipos Atributos pessoais Competências e habilidades Fonte: shutterstock Fonte: shutterstock • Personalidade do pesquisador Pesquisador temperado nas forjas da academia Fonte: shutterstock Conclusão Não precisamos nascer com o DNA (genótipo) da pesquisa, mas a pesquisa pode fazer parte de nosso DNA, sendo essencial na qualificação profissional. Fonte: shutterstock Bons Estudos! 05 Coleta e Análise de Dados Ciência Baseada em Evidências Eugenio Pereira de Paula Jr. Objetivos • Apresentar os princípios da Ciência Baseada em Evidências • Apresentar os princípios da Psicologia Baseada em Evidências • Sensibilizar os acadêmicos para os princípios da Bioética Onde chegar? • O rigor científico e Ciência Baseada em Evidências. • A bioética na formação do pesquisador. • Peculiaridades da pesquisa na área da saúde. As Ciências Baseadas em Evidências Archibald L. Cochrane - https://www.cochrane.de/sites/cochrane.de/fil es/public/uploads/Bild_Archie_1.gif FONTE: Shutterstock Medicina Baseada em Evidências Melhor diagnóstico - Paciente & Doença Melhor remédio - Doença x Tratamento Melhor eficácia – Tratamento x tempo x $ FONTE: Shutterstock • Práticas Baseadas em Evidências • Práticas Psicológicas Baseadas em Evidências FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock • Práticas Psicológicas Baseadas em Evidências http://4.bp.blogspot.com/-4lXj2IMNX7c/VfoVbjT-jDI/AAAAAAAA_1Y/Zuh-PHU-zp4/s1600/n%25C3%25ADvel%2Bde%2Bevid%25C3%25AAncia%2Bcient%25C3 %25ADfica.gif FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock • Revisões Sistemáticas – Metanálise (estatística) • Todos os estudos sobre um tema X melhores resultados. FONTE: Shutterstock FONTE: Shutterstock • Bioética Fonte: http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf [...][...] Fonte: http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf PRINCÍPIOS: Autonomia - Respeito Beneficência – Benefício (democrático) Não maleficência - Proteção Justiça - Igualitário COMITÊS DE ÉTICA: Protocolo (Projeto) Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (TALE) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) Outros Fontes: https://plataformabrasil.saude.gov.br/login.jsf • Desafio (interação): Ler as Resoluções do Conselho Nacional de Saúde sobre bioética; Destacar pontos principais; Debater com um colega. Conclusão: A Psicologia ainda está se consolidando como ciência e ciência da saúde e a PBE e a Bioética ajudarão a desenvolver protocolos, instrumentos e procedimentos que lhe dê consistência e efetividade. Bons Estudos!