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INTERVENÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA PRECOCE EM CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL- O BRINCAR COMO RECURSO TERAPÊUTICO Isabela Crivelari Carvalho¹ Resumo Este estudo objetivou compreender os desafios do processo de aprendizagem de crianças com Paralisia Cerebral e a importância do Neuropsicopedagogo na aprendizagem. Para tanto foi utilizado o método de revisão bibliográfica e através do conteúdo levantado foi possível observar os aspectos clínicos e de como as comorbidades ligadas a esta alteração neurológica pode dificultar a aprendizagem, contudo, não impossibilitar. Foi analisado também o quanto esse assunto gera insegurança aos terapeutas responsáveis pela aprendizagem, o que acaba diminuindo a procura pelos neuropsicopedagogos para a estimulação precoce das habilidades importantes para uma aprendizagem sólida e persistente. Também visa a importância do neuropsicopedagogo e de como esse profissional pode contribuir nesse processo, utilizando as ferramentas corretas de intervenção precoce. Mostra-se também a relevância de acreditar e buscar sempre as melhores formas de aplicar os conteúdos na criança com Paralisia Cerebral. Palavras-chave: Paralisia Cerebral. Brincar. Neuropsicopedagogia. Aprendizagem Abstract This study aimed to understand the challenges of the learning process of children with Cerebral Palsy and the importance of Neuropsychopedagogue in learning. For that, the method of bibliographic review was used and through the content collected, it was possible to observe the clinical aspects and how the comorbidities linked to this neurological alteration can make learning difficult, however, not make it impossible. It was also analyzed how much this subject generates insecurity for therapists responsible for learning, which ends up reducing the demand for neuropsychopedagogues for early stimulation of important skills for solid and persistent learning. It also aims at the importance of the neuropsychopedagogue and how this professional can contribute to this process, using the correct tools for early intervention. It also shows the relevance of believing and always looking for the best ways to apply the contents in the child with Cerebral Palsy. Keywords: Cerebral Palsy. Play. Neuropsychopedagogy. Learning 1 Pedagoga – Universidade Norte do Paraná – UNOPAR. Graduada em Pedagogia –Universidade Norte do Paraná. E-mail: belacrivelaricarvalho@gmail.com 1 Introdução As dúvidas sobre o desenvolvimento cognitivo da criança com Paralisia Cerebral surgem logo após o diagnóstico precoce ou tardio da condição neurológica. Os questionamentos surgem devido o pensamento estereotipado sobre que a criança com PC só atingirá o ápice do aprendizado somente na vida adulta e com muito custo. Levando em consideração esses receios e dúvidas de seus respectivos responsáveis, surge a ideia de montar o presente trabalho, sob a perspectiva da intervenção neuropsicopedagógica precoce como um aliado essencial para tornar o processo de aprendizagem algo prazeroso e relevante para vida dessa criança. O presente trabalho tem o objetivo de pontuar os aspectos clínicos da PC, aspectos cognitivos e de aprendizagem, levando em consideração o que a neuropsicopedagogia pode trazer como estratégias para potencializar o processo de aprendizagem da criança com Paralisia Cerebral através da intervenção precoce. O brincar se torna um dos principais recursos de aprendizagem na intervenção terapêutica de crianças com Paralisia Cerebral, pois considera essas habilidades importantes para seu desenvolvimento. A Neuropsicopedagogia tem papel fundamental para o desenvolvimento dos elementos necessários para o ato de brincar, pois procura-se entender como se dá o funcionamento neurológico da criança e em como ela aprende, levando sempre em consideração suas limitações e principalmente onde sua foi gerada sua lesão cerebral. Considerando a definição da Neuropsicopedagogia, ou seja, a ciência transdisciplinar que estuda a relação entre o funcionamento do Sistema Nervoso e a aprendizagem humana, o brincar torna-se uma das principais ferramentas para a intervenção precoce da criança diagnosticada com PC, pois é no brincar que se constitui: “as funções sociais, podendo “ensinar” comportamentos, gestos e valores considerados “corretos”, quando a criança brinca, ela constrói e reconstrói simbolicamente sua realidade, podendo, o terapeuta e familiares usufruírem dessas vantagens, tanto no tratamento quanto na educação, respeitando suas potencialidades, dificuldades e, principalmente individualidade.” Desenvolvimento A Paralisia Cerebral é uma desordem do encéfalo imaturo onde a lesão, não progressiva, pode ocorrer nos períodos peri, pré ou pós natais. Causando sequelas relacionadas ao desempenho motor, podendo ser significativas e limitando a independência nas atividades de vida diária. Os principais fatores pré-natais contemplam as más formações encefálicas e as infecções congênitas do grupo STORCHA (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e AIDS). Segundo ROTTA (2012), esses últimos são os responsáveis por cerca de 11% dos casos de Paralisia Cerebral. Já os fatores perinatais, destaca-se a asfixia perinatal, icterícia grave, deslocamento prematuro da placenta e fatores mecânicos, um exemplo é o uso do fórceps, causando compressão da cabeça no canal de parto. Os fatores pós-natais ocorrem aproximadamente até os 24 meses de vida. Sendo as causas mais comuns a meningite, lesões traumáticas e tumorais. Causando cerca de 7% dos casos de PC (GONÇALVES,2011). As alterações mais comuns na Paralisia Cerebral são os padrões específicos que podem interferir no desempenho funcional das crianças. Dependendo da área afetada no sistema nervoso, podem apresentar alterações neuromusculares como: tônus muscular variados, reflexos primitivos persistentes, rigidez espasticidade, dentre outras alterações. É necessário considerar as áreas do Sistema Nervoso que foram afetadas, pois a extensão da lesão determina o comprometimento do desempenho motor e funcional da criança. Geralmente, esses distúrbios motores podem vir associados a alterações sensoriais, cognitivas, visuais e principalmente na aprendizagem (SOUZA, 2011). A Paralisia Cerebral pode ser classificada de acordo com o tipo clínico em atáxico, espástico piramidal, extrapiramidal, hipotônico e misto, e também pela sua distribuição topográfica: hemiparesia (compromete um hemicorpo), diparesia (maior acometimento em membros inferiores). No tipo atáxico, a lesão é no cerebelo e nos tratos cerebelares. Apresentam dificuldades motoras pouco perceptíveis nos primeiros anos de vida. A característica principal da criança que apresenta esse tipo de PC, é a hipotonia, falta de equilibrío ao sentar e incoordenação motora grossa. Geralmente, há atraso no desenvolvimento motor e a marcha independente raramente é adquirida antes dos três ou quatro anos de vida e, quando se inicia, verifica-se dificuldade importante na locomoção com aumento da base de apoio e quedas frequentes. (BRAGA,1997, p. 15) Braga (1997), relata algumas outras características importantes para o diagnóstico e posteriormente, uma intervenção neuropsicopedagógica. Na espática piramidal, segundo Braga (1997), é a mais frequente na população. É caracterizada pelo aumento do tônus muscular, diminuição da força muscular e hiperflexia. Nesse caso, os movimentos ficam restritos em amplitude, requerendo excessivo esforço. A criança apresenta uma resistência ao movimento passivo e, após a resistência, há um relaxamento brusco. A espacidade, ou seja, um movimento involuntário, ocorre como consequência a lesões piramidais , geralmente ocorridas no córtex motor (giro pré-central). A lesão pode aparecer no córtez motor ou no trato piramidal do cérebro. Dependendo do local onde a lesão ocorre, diferentes partes do corpo são afetadas. (BRAGA,1997, p. 11) A Paralisia Cerebral Extra- Piramidal, ou coreoatetose, a pessoa que apresenta esta lesão é caracterizada por ter movimentos involuntários que são acentuadas a partirde emoções significativas. Enquanto na lesão piramidal os desafios surgem ao iniciar um movimento, na coreoatetose, o indivíduo apresenta problemas em regular e manter o movimento. Segundo Braga (1997), é como se a pessoa desencadeasse uma ação que não pudesse controlar, ocorrendo uma anarquia de movimentos. Observam-se movimentos coreicos movimentos grosso, rápidos, arrítmicos, de início súbito. (BRAGA,1997, p. 14) No caso do tipo hipotônico, nota-se uma diminuição do tônus muscular, entretando, muitos autores não consideram a hipotonia como um tipo de Paralisia Cerebral, pois em geral, é vista como uma etapa transitória no desenvolvimento de algumas crianças. É predominantemente encontrada em bebês. Os chamados tipos mistos, é quando implicam uma combinação de dois tipos das citadas anteriormente, associando lesões piramidas e extra piramidais. Entretanto, classifica-se de acordo com a alteração motora predominante.A denominação “tipo misto” é utilizada apenas quando o predomínio de um tipo sobre o outro não pode ser observado. (BURNETT,no prelo) É de suma importância o profissional de neuropsicopedagogia entender sobre os aspectos clinícos da Paralisia Cerebral, pois, somente compreendendo os tipos e principalmente onde ocorreram as lesões, o profissional poderá traçar seus objetivos terapêuticos.No entanto, é importante que uma equipe multidisplinar disponha de alguns referenciais sobre o prognóstico para que possa elaborar programas de tratamento baseados em objetivos viáveis, procurando evitar a frustração da criança e da família. Assim, mesmo considerando a complexidade do problema, alguns pesquisadores procuram identificar parâmetros preditivos do desenvolvimento da criança. (BRAGA, 1997, p.16)) Neuropsicopedagogia e suas contribuições para o desenvolvimento da criança com Paralisia Cerebral na Estimulação Precoce Em sua definição, a Neuropsicopedagogia é uma vertente da neurociência que enlaça a pedagogia e a psicopedagogia, conceituada como uma ciência transdisciplinar, tem o papel de entender as funções neurológicas cerebrais no processo e desenvolvimento do ensino -aprendizagem , com o objetivo de oferecer reabilitação , bem como prevenção de possíveis problemas (Avelino, 2019). A neuropsicopedagogia procura reunir e integrar os estudos do desenvolvimento, das estruturas, das funções e das disfunções do cérebro, ao mesmo tempo que estuda os processos, psicocognitivos responsáveis pela aprendizagem e os processos psicopedagógicos responsáveis pelo ensino (Fonseca, 2014, p. 01). A neurociência oferta diversas possibilidades na área da Educação Inclusiva. Pois ela traz contribuições sobre como o cérebro funciona, auxiliando o profissional de educação a entender como a apredizagem chega até as estruturas cerebrais. Assim, estratégias podem ser criadas , respeitando o funcionamento do cérebro, tornando o ato de aprender eficaz e prazeroso. O trabalho do educador pode ser mais significativo e eficiente se ele conhece o funcionamento cerebral, o que lhe possibilita desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais adequadas (Guerra, 2019, p.3) O cérebro é o órgão mais importante do Sistema Nervoso, ele é responsável pela forma como processamos as informações, armazenamos o conhecimento e selecionamos nosso comportamento.O cérebro é a porção mais importante do sistema nervoso e atua na interação do organismo com o meio externo, além de coordenar suas funções internas (Guerra e Cosenza, 2011, p.25) Entretanto, quando um cérebro sofre uma lesão ainda em sua formação, afetando de forma significativa alguma função, o sistema nervoso cria mecanismos neuronais alternativos. Esse mecanismo é chamado de Plasticidade Cerebral, que é a capacidade do cérebro de receber e se modelar à novas informações e estímulos. Independentemente de onde tenha ocorrido a lesão no cérebro, a criança com paralisia cerebral pode criar novas habilidades a partir da plasticidade, com os estímulos corretos, o cérebro se molda às novas informações, criando novas formas de se fazer algo. Contudo, as novas conexões sinápticas só são possíveis através da estimulação precoce. [...] o desenvolvimento motor e cognitivo de crianças com alguma deficiência apresenta melhoras quando submetidas a estimulação precoce. Esse termo abrange diversificados estímulos que contribuem positivamente em todo o processo de aprendizagem. (Coelho e Soares, 2020, p. 3) É importante que a estimulação ocorra de nos três primeiros de vida, pois é nesse período que o indivíduo é mais suscetível a transformações provocadas pelo ambiente externo. Isso não quer dizer que a criança deixe de se desenvolver após esse período e sim a facilidade do cérebro em apreender os novos conhecimentos lançados. Embora os estímulos sejam melhores aproveitados nessa fase, o cérebro é capaz de aprender ao longo de toda a vida, contudo, com mais lentidão. Grande parte dos conhecimentos das neurociências pôs em evidência a importância dos primeiros anos de vida para a construção do sistema nervoso, e os efeitos do entorno têm sobre o processo maturacional (TERZAGHI, 2000). Com os mais recentes avanços neurológicos, sabe-se que o cérebro infantil funciona mais ou menos como uma orquestra, cuja música depende não apenas dos registros da pauta, mas também da coordenação dos músicos. Um cérebro saudável é aquele em que todos os instrumentos tocam sincronizados e em uníssono.” (ANTUNES, 2011) Sua principal ferramenta de intervenção é o “uso de experiências significativas nas quais intervêm os sentidos, a percepção e o prazer da exploração” ( França, 2005, p. 5). A criança com Paralisia Cerebral precisa do estímulo precoce desde a descoberta do diagnóstico, ou assim que as características começam a surgir pois, devido suas limitações motoras e principalmente a falta de experiências com a aprendizagem, seu desenvolvimento global pode ser prejudicado. “a estimulação precoce, também no âmbito das habilidades cognitivas e sociais, funciona como um instrumento adicional que previne ou atenua possíveis atrasos ou defasagens especialmente nos três primeiros anos da evolução infantil” (Brasil, 2016, p.120). Resultados de pesquisas indicam a estimulação precoce através de brincadeiras favorece a prevenção de possíveis dificuldades de aprendizagem, e que a criança com necessidades especiais, principalmente aquelas que apresentam uma lesão cerebral, apresentam uma diminuição dos danos causados pelo distúrbio e melhorando a maturação do cérebro. Levando em consideração esta informação, entende-se que o brincar é uma das formas mais eficazes de estimular uma criança com Paralisia Cerebral. O Brincar e sua importância no desenvolvimento da criança com Paralisia Cerebral. Comumente, devido as limitações motoras, a criança com PC pode apresentar dificuldades em diversas atividades, inclusive no brincar. Os principais fatores que podem impedir seu acesso são as condições ambientais, dificuldades no manuseio e as relações interpessoais (Id, 2011). Entretanto, assume-se a importância do brincar na vida da criança com PC. Pois é através de brincadeiras e da manipulação de diversos tipos de materiais, com formas, texturas, tamanhos e pesos, podem melhorar sua capacidade motora. Os elementos que constituem o brincar, segundo os estudos de GOLÇALVES (2011) são: · Elementos Sensoriais: olhar, tocar e pegar em objetos; · Elementos Motores: movimentos e reações praticados durante o brincar; · Elementos Cognitivos: clareza quanto a funcionalidade dos objetos; · Elementos Afetivos: expressões, senso de humor, prazer, iniciativa e curiosidade; · Elementos Sociais: compartilhar os brinquedos, considerar a opinião do outro, esperar sua vez. Porventura da má adequação dos movimentos e dos padrões posturais fora do que é esperado, a criança com Paralisia Cerebral tem poucas vivências de situações próprias do mundo infantil, isto é, o brincar. Desta forma, seu simbólico, sua criatividade e exploração de espaço acabam se tornando-se limitados. O brincar tem um papelfundamental para o desenvolvimento global da criança, é brincando que a criança desperta habilidades importantes para sua sobrevivência. É durante esse ato espontâneo e intríseco, que desenvolvemos seus sentidos fazendo dela um ser criativo e flexível. É por meio de sons, cheiros e gostos que a criança conhece o mundo (BRITES, 2020, p.75) Entende-se que o lúdico é uma ferramenta essencial para desenvolver áreas cognitivas (social, psicomotora e fisíca) de qualquer criança, inclusive de crianças com diagnóstico de Paralisia Cerebral. O uso de brincadeiras no contexto terapêutico permite um aumento significativo de habilidades como: cognição, atenção, coordenação motora, desenvolvimento neuropsicomotor e assim facilitando seu enganjamento em outras atividades dentro ou fora do ambiente de terapia. Segundo Reis LA et. al.: “As brincadeiras lúdicas, tornando a criança o personagem principal, tem sido bastante utilizadas na prática diária no tratamento de crianças. As atividades lúdicas fazem com que as crianças liberem suas capacidades de criar e reinventar o mundo, de liberar sua afetividade e de ter suas fantasias aceitas e exercitadas para que através do mundo mágico do “faz de conta” possam construir seu conhecimento.” (p.7) O Neuropsicopedagogo deve construir, através dessa perspectiva, instrumentos necessários para a sua intervenção, entendendo a importância do brincar não somente como um recurso, mas também como forma de estabelecer vínculos sociais e afetivos com seu aprendente considerando todos os benefícios gerados pelo ato de brincar. Importante levar em consideração suas limitações, adaptando as propostas conforme as demandas, tanto emocionais do dia e principalmente fisícas, sabendo-se que a criança com PC pode apresentar diversos tipos de distúrbios motores. Segundo VELOSO (2019): “[...] as brincadeiras envolvem o prazer, ativando o sistema límbico cerebral, promovendo e desenvolvendo conexões intra e inter regiões cerebrais. Estas conexões fortalecem sinapses entre sistema límbico e neocórtex, aperfeiçoando habilidades de tomada de decisões e possibilitando o aprendizado prazeroso. Há também liberação de neurotransmissores como epinefrina, norepinefrina e dopamina que aprimoram a neuroplasticidade cerebral. Através de experiências lúdicas formam-se conexões sinápticas, proporcionando aprendizados efetivos e desenvolvimento da afetividade, percepção, expressão, raciocínio, criatividade e socialização. Assim, experiências que estimulam o aprendizado prazeroso, como as brincadeiras, associadas às janelas de oportunidade; fases ideais para desenvolvimento de determinadas habilidades, são potencializadoras do desenvolvimento infantil.” É brincando que a criança desenvolve áreas importantes do cérebro, ativando neurotransmissores que iram melhorar seu desempenho cognitivo, tornando o ato de aprender algo estimulando e prazeroso. Ou seja, o brincar no desenvolvimento cerebral vai muito além de um ato empírico e espontâneo da criança, mas uma grande ferramenta para a estimulação das funções cognitivas (atenção, memória, praxias, percepção, personalidade e inteligência) e funções executivas (flexibilidade cognitiva, controle inibitório e memória de trabalho), que são habilidades importantes para vida. Não importa se o brincar é algo conduzido pelo terapeuto, contudo toda criança independente de seu diagnóstico tem o direito de brincar. Considerações finais Entende-se que as crianças com Paralisia Cerebral podem possuir comorbidades associadas ao desenvolvimento cognitivo e sensorial, além dos déficits motores. Entretanto, sabe-se que a neuropsicopedagogia tem sua vertente ligada à prevenção de dificuldades de aprendizagens, ou seja, a estimulação precoce. Conclui-se que o brincar seja o melhor caminho para potencializar e aumentar as oportunidades de aprendizagem da criança com Paralisia Cerebral. Essa pesquisa também foi pensada nas crianças com Paralisia Cerebral que infelizmente, muitas vezes, são estereotipadas e deslegitimadas de suas potencialidades devido suas limitações motoras. É necessário que as pessoas entendam que o ato de brincar é um direito de qualquer criança, independentemente de seu diagnóstico. A Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 1959 e fortalecida pela Convenção dos Direitos da Criança de 1989, enfatiza: “Toda criança terá direito a brincar e a divertir-se, cabendo à sociedade e às autoridades públicas garantirem a ela o exercício pleno desse direito.” (Agência Senado) Concluo também dedicando este trabalho ao meu querido Bento Pompeu, motivo principal para que esse trabalho fosse concluído. Esse estudo é para provar o quanto você é capaz e que nenhum diagnóstico vai impedir de você ser quem você é. Bentinho, você me dá milhões de motivos para incluir e fazer a inclusão acontecer. Referências BRITES, Luciana; Brincar é Fundamental: Como entender o Nerurodesenvolvimento e resgatar a importância do brincar durante a primeira infância. São Paulo: Editora Gente , 2020. BRAGA, Lúcia Willadino; Cognição e Paralisia Cerebral: Piaget e Vygotsky em Questão. São Paulo: Sarah Letras, 1997. BEZERRA, Cynthia Rodrigues. Estimulação Precoce: Uma perspectiva psicopedagógica através da brincadeira. João Pessoa: UFPB, 2016 COELHO, Pugliero Caroline; SOARES, Godinho Renata; Estudo de caso com intervenções Neuropsicopedagógicas: estímulos à possibilidades cognitivas. Research, Society and Development, v. 9, n. 4, e173943065, 2020 dos REIS, L. A. (2007). O uso do lúdico e do simbólico na paralisia cerebral. Revista Saúde.Com, 3(2), 10-18. FRANÇA, J. L. (2005). Estimulação Precoce – Inteligência Emocional e Cognitiva. São Paulo: Grupo Cultural. GONÇALVES, C. A. Recursos Lúdicos no Tratamento Fisioterapêutico de Crianças com Paralisia Cerebral. Mogi das Cruzes, 2011. p. 17. ROTTA, N.T. Paralisia cerebral, novas perspectivas terapêuticas. Jornal de Pediatria, Porto Alegre, v. 78, 2002. SOUZA, N. T. D. Qualidade de vida e funcionalidade de crianças com paralisia cerebral. Juiz de Fora, 2011. p. 10. VELOSO, Cássio Frederico; MENEZES, Fernanda Dantas de; ARAUJO, Liubiana Arantes. NEUROCIÊNCIA DA BRINCADEIRA: UMA FERRAMENTA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL. In: 2º Congresso Norte Mineiro de Saúde da Criança - Faculdades Santo Agostinho, 2019. Disponível em: <https://www.doity.com.br/anais/saude-da-crianca/trabalho/76543>. Acesso em: 02/11/2021 às 19:05 VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Livraria Martins Fontes, LTDA, 2002