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fupef 
 
SÉRIE DIDÁTICA N0 02/01 
 
 
 
 
 
EDIÇÃO REVISADA E AMPLIADA (2002) 
Márcio Pereira da Rocha 
Eng. Florestal, Professor Adjunto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURITIBA – 2002 
FUNDAÇÃO DE PESQUISAS FLORESTAIS DO PARANÁ 
FUPEF DO PARANÁ 
 
 
 
PRESIDENTE DO CONSELHO CONSULTIVO 
Prof. Jose Sidney Flemming 
 
PRESIDENTE DO CONSELHO EDITORIAL 
Dr.Jorge Luis Monteiro de Matos 
 
DIRETORIA EXECUTIVA 
Dr. Anadalvo Juazeiro dos Santos – Diretor Cientifico 
Dr. Jorge Luis Monteiro de Matos - Diretor Administrativo 
Dr. Flávio Felipe Kirchner Diretor Financeiro 
 
 
 
 
 
EMPRESAS ASSOCIADAS 
Cia. Paranaense de Energia – COPEL 
Empreendimentos Florestais Agloflora Ltda 
Inpacel – Indústria de Papel Arapoti S/A 
Indústria Andrade Latorre S/A 
Klabin do Paraná Agro-Florestal S/A 
Manasa- Madeireira Nacional S/A 
Mobasa – Modo Battistela Reflorestamento S/A 
Orsa Celulose e Papel S/A 
Pisa Florestal S/A 
Rigesa - Celulose, Papel e Embalagens Ltda 
Swedish Match do Brasil S/A 
Indústrias João José Zattar S/A 
Wosgrau Participações Ind. Com. Ltda 
 
 
 
ENDEREÇO: 
Rua Pref. Lothário Meissner, 3400 – Campus III UFPR - Jd. Botânico 
80210-170 – Curitiba – Paraná 
Fone: 41- 360-4222 – Fax: 41- 360-4221 
 
 
 
 
 
 
 
 
NOTA: O conteúdo da presente publicação é de inteira responsabilidade dos autores. 
As afirmações e opiniões, bem como a menção de qualquer produto, equipamento ou 
técnica, não implicam em sua recomendação por parte da FUPEF. 
 
Edição Revisada (2002) 5a Tiragem: 20 exemplares 
 i
SUMÁRIO 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO......................................................................................... 01 
1.1 DEFINIÇÃO DE UMA SERRARIA......................................................... 04 
1.2 CLASSIFICAÇÃO DE SERRARIAS...................................................... 04 
 
2. OPERAÇÕES DE DESDOBRO DA MADEIRA....................................... 
 
06 
2.1 DESDOBRO PRINCIPAL...................................................................... 06 
2.2 DESDOBRO SECUNDÁRIO................................................................. 07 
2.2.1 RESSERRAGEM................................................................................ 07 
2.2.2 REFILO OU CANTEAGEM................................................................. 08 
2.2.3 DESTOPO........................................................................................... 08 
2.2.4 REAPROVEITAMENTO..................................................................... 08 
 
3. MÁQUINAS PARA SERRAR MADEIRA................................................. 
 
10 
3.1 SERRAS ALTERNATIVAS OU DE QUADRO...................................... 10 
3.1.1 SERRA COLONIAL ............................................................................ 10 
3.1.2 SERRA FRANCESA........................................................................... 11 
3.1.3 SERRA ALTERNATIVA HORIZONTAL............................................. 13 
3.1.4 SERRA ALTERNATIVA TISSOT........................................................ 15 
3.2 SERRAS DE FITA................................................................................. 15 
3.2.1 SERRA FITA SIMPLES...................................................................... 16 
3.2.2 SERRA FITA DE CORTE DUPLO...................................................... 20 
3.2.3 SERRA FITA DUPLA OU GEMINADA............................................... 20 
3.2.4 SERRA FITA TANDEM....................................................................... 22 
3.2.5 SERRA FITA QUÁDRUPLA............................................................... 23 
3.2.6 SERRA FITA HORIZONTAL.............................................................. 24 
3.2.7 SERRA FITA DE RESSERRA OU REAPROVEITAMENTO.............. 26 
3.3 SERRAS CIRCULARES........................................................................ 28 
3.3.1 SERRAS CIRCULARES SIMPLES.................................................... 31 
3.3.2 SERRA CIRCULAR DUPLA OU GEMINADA.................................... 32 
3.3.3 SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA......................................................... 33 
3.3.4 SERRAS CIRCULARES DE DOIS EIXOS......................................... 36 
 ii
3.3.5 SERRAS CIRCULARES MÚLTIPLAS DE CORTES EM CURVA..... 39 
3.3.6 EQUIPAMENTOS DE PERFILAGEM................................................. 39 
3.4 SERRAS DESTOPADEIRAS................................................................ 43 
 
4. PLANEJAMENTO PARA A INSTALAÇÃO DE UMA SERRARIA......... 
 
46 
4.1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 46 
4.2 FATORES A SEREM OBSERVADOS QUANTO À LOCALIZAÇÃO 
 DA SERRARIA....................................................................................... 
 
46 
4.2.1 FONTE DE MATÉRIA PRIMA........................................................... 46 
4.2.2 MÃO DE OBRA DISPONÍVEL............................................................ 47 
4.2.3 MERCADO CONSUMIDOR E ORIGEM DAS TORAS....................... 48 
4.2.4 TRANSPORTE E VIAS DE COMUNICAÇÃO.................................... 48 
4.2.5 TAXAS E IMPOSTOS......................................................................... 49 
4.2.6 FATORES RELACIONADOS AO TERRENO.................................... 49 
4.3 ESTUDOS PARA A INSTALAÇÃO PROPRIAMENTE DITA DA 
 SERRARIA............................................................................................. 
 
50 
4.4 DIVISÃO DE UMA SERRARIA.............................................................. 51 
4.4.1 PÁTIO DE TORAS .............................................................................. 51 
4.4.2 LOCAL PARA MAQUINÁRIO............................................................ 52 
4.5 LAYOUT DA SERRARIA....................................................................... 53 
4.5.1 DISTÂNCIA ENTRE OS EQUIPAMENTOS....................................... 53 
4.5.2 DISTRIBUIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS............................................ 53 
4.5.3 DEFINIÇÃO DA ÁREA COBERTA..................................................... 54 
4.5.4 SEÇÃO DE MANUTENÇÃO DE SERRAS......................................... 54 
4.5.5 PISO DA SERRARIA.......................................................................... 54 
4.5.6 PÁTIO DE TORAS .............................................................................. 55 
4.5.7 CLASSIFICAÇÃO, CÂMARAS DE SECAGEM E DEPÓSITO DE 
 MADEIRA SERRADA......................................................................... 
 
55 
4.5.8 EXEMPLOS DE LAYOUT................................................................... 55 
4.6 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE UMA SERRARIA...................... 60 
4.6.1 RENDIMENTO.................................................................................... 60 
4.6.2 EFICIÊNCIA........................................................................................ 61 
 
5. TÉCNICAS DE SERRARIAS................................................................... 
 
62 
5.1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 62 
 iii
5.2 TÉCNICAS CONVENCIONAIS DE SERRARIAS.................................. 62 
5.2.1 PÁTIO DE TORAS .............................................................................. 62 
5.2.2 DESDOBRO PRINCIPAL................................................................... 62 
5.2.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO.............................................................. 63 
5.2.4 USO DAS TÉCNICAS CONVENCIONAIS......................................... 63 
5.3 TÉCNICAS MODERNAS DE SERRARIAS........................................... 64 
5.3.1 PÁTIO DE TORAS .............................................................................. 64 
5.3.2 DESDOBRO PRINCIPAL................................................................... 65 
5.3.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO.............................................................. 65 
5.3.4 USO DAS TÉCNICASMODERNAS................................................... 66 
 
6. SISTEMAS DE DESDOBRO................................................................... 
 
67 
6.1 CONTRAÇÕES...................................................................................... 67 
6.2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE DESDOBRO.......................... 67 
6.2.1 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO AOS ANÉIS DE 
 CRESCIMENTO E RAIOS LENHOSOS............................................. 
 
68 
6.2.1.1 CORTE TANGENCIAL.................................................................... 68 
6.2.1.2 CORTE RADIAL.............................................................................. 70 
6.2.1.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CORTES 
 TANGENCIAL E RADIAL................................................................ 
 
73 
6.2.2 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO AO EIXO 
 LONGITUDINAL DA TORA............................................................... 
 
74 
6.2.2.1 CORTE PARALELO AO EIXO LONGITUDINAL DA TORA........... 74 
6.2.2.2 CORTE PARALELO À CASCA....................................................... 75 
6.2.3 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A CONTINUIDADE DOS CORTES... 76 
6.2.4 DESDOBRO DE TORAS COM DEFEITOS........................................ 77 
 
7. MANUTENÇÃO DE SERRAS.................................................................. 
 
78 
 
7.1 DENTES DE SERRAS........................................................................... 78 
7.1.1 ELEMENTOS DOS DENTES.............................................................. 78 
7.1.2 CARACATERÍSTICAS DOS DENTES DE SERRA............................ 81 
7.2 TRAVAMENTO DAS LÂMINAS............................................................ 84 
7.2.1 TRAVAMENTO POR TORÇÃO.......................................................... 84 
7.2.2 TRAVAMENTO POR RECALQUE..................................................... 85 
7.2.3 ESTELITAGEM................................................................................... 87 
 iv
7.3 AFIAÇAO DAS SERRAS...................................................................... 88 
7.3.1 CARACATERÍSTICAS DOS DENTES APÓS A AFIAÇÃO............... 88 
7.4 TENSIONAMENTO DAS LÂMINAS...................................................... 88 
7.4.1 TENSÃO INTERNA DAS SERRAS DE QUADRO............................. 88 
7.4.2 TENSÃO INTERNA DAS SERRAS CIRCULARES........................... 88 
7.4.3 TENSIONAMENTO INTERNO DAS SERRAS DE FITA.................... 90 
7.4.4 DESEMPENAMENTO......................................................................... 93 
7.5 EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS PARA MANUTENÇÃO 
 DE SERRAS........................................................................................... 
 
94 
7.5.1 SERRA FITA....................................................................................... 94 
7.5.2 SERRA CIRCULAR............................................................................ 95 
7.6 PRINCIPAIS DEFEITOS NAS SERRAS E SUAS CAUSAS................. 95 
7.6.1 SERRA FITA....................................................................................... 95 
7.6.2 SERRA CIRCULAR............................................................................ 98 
 
8. PROJETOS DE INDÚSTRIAS MADEIREIRA......................................... 
 
 
101 
8.1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 101 
8.2 LOCALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA........................................................... 103 
8.3 ARRANJO FÍSICO................................................................................. 104 
8.4 INSTALAÇÕES DA INDÚSTRIA........................................................... 105 
8.5 O AMBIENTE NA INDÚSTRIA.............................................................. 107 
8.6 SEGURANÇA NA INDÚSTRIA.............................................................. 108 
8.7 EDIFICAÇÕES INDUSTRIAIS............................................................... 109 
 
9. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO............................... 
 
 
110 
9.1 INTRODUÇÃO....................................................................................... 110 
9.2 EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA DE ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA... 111 
9.2.1 Estrutura em linha............................................................................. 111 
9.2.2 Estrutura em “staff” ou de apoio..................................................... 111 
9.3 ORGANIZAÇÃO DE UMA EMPRESA DE PORTE MÉDIO.................. 112 
 v
9.4 TIPOS DE PRODUÇÃO E FLUXO DE INFORMAÇÕES 
 E PRODUÇÃO........................................................................................ 
 
113 
9.4.1 Tipos de produção e tamanho da empresa.................................... 113 
9.5 PLANEJAMENTO E CONTROLE NA INDÚSTRIA.............................. 114 
9.5.1 Principais responsabilidades do PCP............................................. 115 
9.5.2 Análise do PCP sob três pontos de vista....................................... 116 
9.5.3 Tipos de PCP..................................................................................... 117 
9.5.4 Pré-requisitos do PCP...................................................................... 117 
9.5.5 Funções do PCP................................................................................ 118 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................ 120 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
1
1. INTRODUÇÃO 
 
 A madeira é um dos recursos mais versáteis disponíveis na natureza. 
Sua utilização pela humanidade, representa desde as primeiras civilizações, um 
papel muito importante quanto ao avanço e desenvolvimento das mesmas. Nas 
civilizações mais antigas, a madeira começou a ser utilizada como fonte de energia e 
para a fabricação de armas de caça. Posteriormente, passou a ser utilizada na 
construção de abrigos. Já na idade média, a madeira tornou-se a principal fonte de 
matéria prima na construção dos mais variados meios de transportes, desde 
pequenos carrinhos puxados a mão e carroças com tração animal, até às caravelas. 
 Na forma de serrados, a madeira já era utilizada desde 6000 anos 
antes de Cristo, onde os antigos egípcios utilizavam tábuas e pranchões na 
confecção dos sarcófagos. Posteriormente os fenícios, normandos e romanos a 
utilizaram para a construção de embarcações, seguidos pelos portugueses e 
espanhóis, nas grandes navegações. Além destes usos, a madeira sempre foi 
utilizada pelas civilizações como uma forma de expressão da arte através das 
esculturas e instrumentos musicais. 
 Com o desenvolvimento da humanidade, a madeira foi sendo cada vez 
mais estudada e compreendida, o que foi dando a ela usos mais adequados e 
nobres. Nos dias de hoje, em função do avanço de técnicas de utilização pode-se 
dizer que a madeira atingiu um alto grau de utilização, o que é compatível com o seu 
valor. Desta forma, a madeira hoje é matéria prima para grande variedade de 
produtos como laminados, compensados, chapas de madeira aglomerada, chapas 
de fibras, resinas, açúcares, taninos, celulose, papel, energia e madeira serrada. 
 No que diz respeito ao desenvolvimento das serras para madeira, os 
egípcios utilizavam uma serra de bronze chamada serra de cova, a qual era movida 
a mão, para o desdobro de toras na obtenção de pranchões e tábuas (FIGURA 1). 
Os mesmo tipos de serras, porém em pequenas dimensões, eram utilizados para o 
desdobro dos pranchões ou tábuas em peças menores (FIGURA 2). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
2
 
FIGURA 1. FORMA DE DESDOBRO DE TORAS UTILIZADA PELOS 
ANTIGOS EGÍPCIOS. FONTE: WILLISTON, 1976. 
 
 
FIGURA 2. SERRA DE MÃO DE BRONZE E PLAINA MANUAL TÍPICAS 
UTILIZADAS PELOS EGÍPCIOS A 6000 ANOS ANTES DE 
CRISTO. FONTE, WILLISTON, 1976. 
 
 Em 1555, surgiu a primeira serra de desdobrodotada de movimento 
alternativo. Esta serra era movida por um dente ou braço adaptado ao eixo de uma 
roda d’água. Na extremidade da serra havia um peso de chumbo, o qual 
possibilitava o movimento alternativo vertical (FIGURA 3). 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
3
 
FIGURA 3. PRIMEIRA SERRA COM MOVIMENTO ALTERNATIVO, MOVIDA 
POR UMA RODA D’ÁGUA. 
 
Em 1660, foi construída uma serra alternativa mais eficiente, 
movimentada por bielas e manivelas, também adaptadas a uma roda d’água 
(FIGURA 4). 
 
 
 
 
FIGURA 4. EXEMPLOS DE SERRAS ALTERNATIVAS MOVIDAS POR 
SISTEMA DE BIELAS/MANIVELAS, ADAPTADOS A UMA RODA 
D’ÁGUA. 
 
Com a invenção da máquina a vapor por James Watt em 1778, as 
serras alternativas foram melhoradas, através da construção de um quadro contendo 
várias serras, permitindo a execução de cortes múltiplos (FIGURA 5). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
4
 
FIGURA 5. SERRA ALTERNATIVA MOVIDA A VAPOR. 
 
 Em 1777, foi patenteada por Samuel Miller a primeira serra circular. 
Em 1880, Willian Newberry construiu as primeiras serras de fita. A partir daí, com o 
decorrer dos anos, as máquinas foram sendo aperfeiçoadas até o estágio atual, 
onde dispõe-se de grandes máquinas com altos rendimentos e ótima eficiência. 
Associados a estas máquinas, dispõe-se hoje, de eficientes sistemas automatizados 
para movimentação e transferência das peças durante as operações, além de uma 
variedade de equipamentos de leitura como raio laser, “scanners” e posicionadores 
de toras, que auxiliam num melhor aproveitamento da madeira. 
 
1.1 DEFINIÇÃO DE SERRARIA 
 
 Chama-se de serraria, o local onde toras são recebidas, armazenadas 
e processadas em madeira serrada, sendo posteriormente estocadas por um 
determinado período para secagem. 
 No caso do Brasil, muitas vezes pode-se encontrar anexadas à 
serraria, ou mesmo no seu interior, unidades de beneficiamento. Porém, estas 
unidades nada têm a ver com a definição de serraria, ou seja, não são unidades de 
desdobro primário e sim unidades de usinagem de madeiras. 
 
1.2 CLASSIFICAÇÃO DE SERRARIAS 
 
 Para se classificar serrarias, existem na literatura diversas maneiras, as 
quais consideram tamanho, tipo de matéria prima, equipamentos utilizados e 
produtividade. Porém, a forma mais conveniente de se classificar uma serraria é 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
5
através da sua produção. Sendo assim, tem-se três tipos de serrarias: as pequenas, 
com um consumo de até 50 m3 de toras por dia ou turno; as médias, com consumo 
de 50 a 100 m3 de toras por dia ou turno e as grandes, com consumo acima de 100 
m3 por dia ou turno. Pode-se dizer que das serrarias instaladas no Brasil, 
aproximadamente 65% são serrarias pequenas, 30% médias e apenas 5% serrarias 
de grande porte. 
 As serrarias ainda podem ser classificadas como serrarias fixas ou 
móveis. As serrarias fixas, são aquelas instaladas em um local fixo e a matéria prima 
é deslocada até a mesma. 
As serrarias móveis são unidades compactas que podem ser 
transportadas até a floresta, e cuja vantagem é de que todo o resíduo fica no campo, 
ou seja, o que é transportado para fora da floresta é somente madeira serrada 
(FIGURA 6). Normalmente são unidades de pouca produtividade utilizadas por 
pequenos produtores rurais para atender suas necessidades eventuais. No caso de 
serrarias portáteis de maior porte, estas são de custo elevado, justificando-se o seu 
uso somente em áreas de difícil acesso. Também em função do custo elevado e de 
muitas vezes seu uso ser temporário, é muito comum a prática de locações nos 
países mais desenvolvidos. 
 
 
 
FIGURA 6. EXEMPLOS DE SERRARIAS MÓVEIS (WOOD-MIZER – E.U.A.; KARA 
– FINLÂNDIA). 
 
 6
2. OPERAÇÕES DE DESDOBRO DA MADEIRA 
 
 
 Nas industriais de madeira serrada, as toras entram na serraria, 
sofrem o desdobro e outros processamentos até que as peças adquiram tamanho e 
forma desejados. Para tais operações, são utilizadas as serras. Estas serras são 
classificadas em serras principais e serras secundárias ou auxiliares. 
 Para um bom desempenho das operações dentro de uma serraria, o 
que garante melhor rendimento, produto de melhor qualidade e redução dos riscos 
de acidentes, entre outros fa tores, é necessário que os responsáveis pelo 
gerenciamento da mesma conheçam e definam todas as operações executadas, 
desde a entrada das toras até a madeira serrada em suas dimensões finais. 
 É muito importante também, o preparo das toras para a entrada na 
serraria. Este preparo envolve uma série de operações que são realizadas no pátio 
de toras como traçamento, descascamento e classificação, entre outras. Apesar 
deste preparo ser de fundamental importância para a correta condução das 
operações de desdobro na serraria, tratam-se de operações realizadas 
exclusivamente no pátio de toras, considerando-se operação de desdobro somente 
o traçamento ou destopo das toras no pátio. 
 
2.1 DESDOBRO PRINCIPAL 
 
 São chamadas de operações de desdobro principal, aquelas realizadas 
com equipamentos de grandes dimensões, os quais geralmente necessitam de 
muita energia para seu funcionamento. As serras principais têm a função de reduzir 
as dimensões das toras em peças de mais fácil trabalhabilidade que serão enviadas 
a equipamentos de menor porte para as operações secundárias. Nestas serras as 
toras são cortadas longitudinalmente e transversalmente (destopo). 
 De acordo com suas características, as serras principais podem ser 
classificadas como serras alternativas ou de quadro, serras de fita, serras circulares 
e serras destopadeiras principais circulares ou de corrente, no caso de redução no 
comprimento das toras ou simples destopo das mesmas. 
 7
 Nas operações principais as peças obtidas podem ser blocos, semi 
blocos, pranchões, pranchas, tábuas ou ainda toras de comprimentos menores, 
quando é realizado destopo principal ainda no pátio de toras. 
A transformação da tora em tábuas na própria serra de desdobro 
principal é comum em serrarias de pequeno porte, onde esta única máquina executa 
a maioria das operações de desdobro. Este procedimento torna o processo de 
desdobro lento e consequentemente pouco produtivo. Ao se utilizar uma máquina de 
desdobro principal para reduzir a tora em tábuas se está eliminando o conceito de 
desdobro principal, que é de reduzir as dimensões iniciais da tora para posteriores 
operações em outros equipamentos. Pode-se dizer que a finalidade das serras 
principais, excluindo-se as destopadeiras, é reduzir a altura de corte das peças, 
permitindo o uso de máquinas de menor porte nas operações secundárias. 
 
2.2 DESDOBRO SECUNDÁRIO 
 
 As operações de desdobro secundárias são aquelas realizadas logo 
após o desdobro principal e visam a redução das dimensões das peças ou o 
dimensionamento final das mesmas, seja no comprimento, na largura ou na 
espessura. As máquinas utilizadas no desdobro secundário são geralmente serras 
circulares. Porém, em algumas operações é muito frequente o uso de serras fitas de 
pequeno porte e serras alternativas ou de quadro. 
 As operações secundárias subdividem-se em resserragem, 
reaproveitamento, refilo ou canteagem e destopo. 
 
2.2.1 RESSERRAGEM 
 
 A resserragem consiste numa operação de redução de espessura nas 
peças obtidas no desdobro principal. Normalmente, estas peças passam uma só vez 
na máquina de resserragem, onde se obtém outras peças com a espessura nominal 
final desejada. As peças que passam pela resserragem são blocos, semi-blocos, 
pranchões e pranchas. As máquinas utilizadas na resserragem podem ser serras 
alternativas ou de quadro, serras fitas e circulares simples ou múltiplas de um ou 
dois eixos. 
 8
 Em muitas serrarias, são utilizadas serras circulares, principalmente as 
de dois eixos,pois normalmente as alturas de corte são grandes. Estas serras têm 
uma boa produtividade, mas têm o inconveniente de gerar grande quantidade de 
serragem. Isto se deve à maior espessura dos discos de serra em relação à serras 
de fita. Como os cortes de resserragem são realizados internamente na peça de 
madeira, a maior quantidade de serragem implica em maior perda de madeira. Em 
função da escassez cada vez maior de matéria prima, o que acarreta uma elevação 
do preço da mesma, as serrarias estão optando pela utilização de serras fitas 
horizontais, as quais muitas vezes geram menos da metade de serragem gerada 
pelas serras circulares. 
 
2.2.2 REFILO OU CANTEAGEM 
 
 As operações de refilo ou canteagem são aquelas realizadas com o 
intuito de regularizar as bordas laterais ou reduzir a largura de tábuas, pranchas ou 
pranchões, determinando a largura final das peças. Como os cortes executados são 
rasos, as serras mais indicadas são as circulares. Ainda por serem cortes rasos, as 
serras operam com grande velocidade de corte e os discos são de diâmetros 
pequenos o que permite aos mesmos ter pouca espessura, proporcionando pouca 
perda de madeira na forma de serragem. 
 
2.2.3 DESTOPO 
 
 As operações de destopo são realizadas para eliminar defeitos nas 
extremidades das tábuas ou para a obtenção de peças com comprimentos 
desejados. No caso do destopo secundário as máquinas utilizadas são 
exclusivamente serras circulares. 
 
2.2.4 REAPROVEITAMENTO 
 
 Chama-se de reaproveitamento, toda operação que visa desdobrar 
novamente peças já consideradas resíduo, como costaneiras e refilos. Porém, nem 
sempre desdobra-se peças de descarte da serraria. Em muitas opções de “layout”, 
são retiradas costaneiras com espessuras maiores para posteriormente serem 
 9
resserradas na máquina de reaproveitamento, permitindo maior produtividade na 
máquina de desdobro principal. Neste caso, as costaneiras não são descarte e sim, 
em função de um diagrama de corte proposto, peças que devem passar por uma 
operação secundária de desdobro. Para o reaproveitamento de costaneiras, o 
principal equipamento utilizado é uma serra fita de pequeno porte chamada de serra 
fita de reaproveitamento ou resserra de reaproveitamento, a qual tem a vantagem de 
menor geração de serragem. Já os refilos passam novamente na canteadeira, onde 
é diminuída a largura, em função da retirada de falhas laterais das peças. Do 
aproveitamento de refilos se obtém peças de larguras muito reduzidas, as quais 
podem servir como tabiques para a própria serraria, fabricação de cabos de 
vassoura, cabos de ferramentas, etc. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
10
3. MÁQUINAS PARA SERRAR MADEIRA 
 
 
 As máquinas de serrar madeira podem inicialmente ser divididas em 
função da sua ferramenta cortante. Basicamente tem-se as serras que utilizam uma 
lâmina denteada e as serras que utilizam um disco denteado para serrar. No grupo 
das serras que utilizam lâminas para cortar a madeira, tem-se as serras alternativas 
ou de quadro e as serras fitas. O grupo das serras que utilizam um disco denteado é 
formado pelas serras circulares. 
 
3.1 SERRAS ALTERNATIVAS OU DE QUADRO 
 
 As serras alternativas são formadas essencialmente por um quadro de 
madeira ou de aço, dotado de movimento alternativo que resulta numa velocidade 
das lâminas variando de zero até uma velocidade máxima. Nas extremidades são 
presas uma ou várias lâminas de serra. Estas lâminas são colocadas ligeiramente 
inclinadas para frente ( 1 a 12mm), dependendo da altura do quadro, o que evita um 
esforço no sentido ascendente do quadro. 
 O corte pode ser feito somente no sentido descendente quando os 
dentes da serra são vo ltados para baixo ou nos dois sentidos quando metade dos 
dentes está voltada para baixo e metade para cima. 
 A altura das lâminas (H), varia conforme a altura máxima de corte, de 
acordo com a seguinte relação: 
H ≥ altura máxima de corte + amplitude de corte 
 
 A inclinação ideal das lâminas é determinada na prática e a largura das 
lâminas varia de 0,22 a 0,24 X a altura de corte. A espessura varia de 1,6 a 
2,0mm. 
 
3.1.1 SERRA COLONIAL 
 
 A serra colonial é composta por um quadro de madeira onde são 
fixadas as lâminas. A tora ou a peça a ser desdobrada é presa num carrinho que é 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
11
dotado de movimento sincronizado com o movimento do quadro e permite o avanço 
da peça a ser desdobrada contra as lâminas da serra (FIGURA 7). A principal 
finalidade da serra colonial é de transformar a tora em pranchões. Este tipo de serra 
ainda é encontrado no Brasil em serrarias artesanais, movidas a roda d’água e era 
indicada para toras de grandes diâmetros (1,00 a 1,50m). Foi muito utilizada no 
desdobro de toras de araucária, imbúia e outras espécies de grandes dimensões da 
região Sul. 
 
 
FIGURA 7. SERRA ALTERNATIVA COLONIAL. 
 
 
3.1.2 SERRA FRANCESA 
 
 Esta serra é um tipo aperfeiçoado da colonial. Trabalha com potência 
mais elevada e maior número de lâminas (30 ou mais). Devido à grande velocidade, 
há muita vibração do quadro. Por este motivo, é totalmente constituída de aço 
(FIGURAS 8 e 9). As lâminas também são ligeiramente inclinadas para a frente. São 
serras apropriadas para pequenas alturas de corte, devido ao pequeno curso do 
quadro. Esta serra é mais utilizada para a resserragem de madeiras nobres com 
elevada rentabilidade e boa precisão de corte. 
 
 
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12
 
 
FIGURA 8. SERRA ALTERNATIVA FRANCESA (INDÚSTRIAS LINCK – 
ALEMANHA). 
 
 
 
 
FIGURA 9. SERRA ALTERNATIVA FRANCESA (INDÚSTRIA EWB – ESTERER 
WD GmbH & CO. – www.ewd.de - ALEMANHA). 
 
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13
 
 No Brasil, o uso de serras francesas é muito restrito. Em função disto 
não são fabricadas no país. Porém é um equipamento usado com frequência em 
países europeus como máquina de desdobro principal, para toras de pequenos 
diâmetros e em operações de resserragem de blocos e semi blocos. 
No QUADRO 1, pode-se observar algumas diferenças entre a serra 
colonial e a francesa. 
 
QUADRO 1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS SERRAS ALTERNATIVAS 
COLONIAL E FRANCESA. 
CARACTERÍSTICA COLONIAL FRANCESA 
Velocidade angular do volante 110 a 130 RPM 240 a 340 RPM 
Curso do quadro 75 a 90 cm 30 a 60 cm 
Velocidade média das lâminas 2,75 a 3,90 m/s 2,4 a 6,8 m/s 
Avanço por corte 1 a 5 mm 2 a 20 mm 
Velocidade de corte 2 a 10 mm/s 8 a 110 mm/s 
Número de lâminas máximo de 6 até 30 ou mais 
Altura de corte 
toras de grandes 
diâmetros (1 a 1,5 m) 
baixa 
Tipo de madeira madeiras nobres madeiras nobres 
Tensão nas lâminas 12 a 15 Kg/cm2 12 a 15 Kg/cm2 
Potência necessária 15 HP 50 a 90 HP 
 
 
3.1.3 SERRA ALTERNATIVA HORIZONTAL 
 
 A grande diferença deste tipo de serra alternativa, em relação à 
colonial e à francesa, está no movimento do quadro, que é no sentido horizontal 
(FIGURA 10). Possui uma única lâmina e a tora é presa num carrinho que se move 
horizontalmente na direção da lâmina. Como a serra colonial, este tipo de serra 
ainda existe em algumas serrarias centenárias e artesanais, onde foi muito utilizada 
para desdobro de toras com diâmetros de até 1,5 m, principalmente na região Sul, 
até aproximadamente 1950. Foi também muito utilizada no desdobro de madeiras 
duras, devido à pequena velocidade de corte. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
14
 
FIGURA 10. SERRA ALTERNATIVA HORIZONTAL. FONTE: TUSET & DURAN, 
1979. 
 
No QUADRO 2, são apresentadas as principais características da serra 
alternativa horizontal. 
 
QUADRO 2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA SERRA ALTERNATIVA 
HORIZONTAL. 
 
CARACTERÍSTICA SERRA HORIZONTAL 
Velocidade angular do volante 120 a 135 RPMCurso do quadro 75 a 90 cm 
Velocidade média das lâminas 3 a 4 m/s 
Velocidade de corte 1 a 5 mm/s 
Número de lâminas uma 
Tipo de madeira 
madeiras duras e de 
grandes dimensões 
Potência necessária 10 a 20 HP 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
15
3.1.4 SERRA ALTERNATIVA TISSOT 
 
 
 
 A serra de quadro do tipo tissot também é uma serra dotada de 
movimento alternativo vertical e difere das serras colonial e francesa quanto ao 
número de lâminas e pela maneira de aproximação do quadro. Como a serra 
horizontal, possui apenas uma lâmina e a peça a ser serrada aproxima-se 
externamente ao quadro. Foi utilizada também para desdobro de toras de grandes 
dimensões e madeira dura, principalmente no Estado de Santa Catarina. 
 
 
3.2 SERRAS DE FITA 
 
 
 
 A serra fita é constituída essencialmente de uma lâmina contínua de 
aço tensionada por dois volantes. Este equipamento tem como principais vantagens: 
a) a grande velocidade de corte, proporcionada pela forma da lâmina, que permite 
um corte contínuo a uma velocidade constante; b) pouca perda de madeira devido à 
pequena espessura das lâminas, proporcionando um fio de corte estreito; c) a 
versatilidade, pois com uma mesma máquina pode-se desdobrar toras de grandes e 
pequenos diâmetros e madeiras moles e duras, o que a faz a mais utilizada em 
serrarias com variação de diâmetros e espécies; d) têm possibilidade de boa 
produção com pouco consumo de energia; e) a velocidade de corte pode ultrapassar 
150m/min., com potência variando de 20 a 300 HP. As lâminas têm espessura e 
largura variáveis de 0,8 x 100 mm até 3 x 415 mm o que resulta num fio de corte de 
1,1 a 4,5 mm, para dentes travados por recalque e de 1,2 a 5,4 mm, para dentes 
travados por torção. As serras de fita têm como desvantagens a dificuldade de 
manutenção e montagem. 
 Os diâmetros dos volantes variam de 0,80m a 2,00m. Podem 
eventualmente ser maiores em casos excepcionais. O volante inferior é mais pesado 
(100 a 600 Kg), pois é aplicado nele a força motriz. Este grande peso serve como 
um reservatório de energia cinética, o que impede que a lâmina perca velocidade 
quando forçada. O volante superior é muito mais leve. A distância entre os dois 
volantes pode ser regulada de acordo com o comprimento da lâmina, através do 
afastamento ou aproximação do volante superior como necessário. A serra de fita 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
16
possui um contra peso na extremidade de uma alavanca para o tensionamento ideal 
da lâmina, o que lhe dá a rigidez necessária para serrar. Além disso, este contra 
peso permite que o volante baixe ligeiramente quando a serra recebe um choque, 
aliviando momentaneamente o esforço, evitando o rompimento da serra. 
 Quando a serra fita é utilizada em desdobro principal, a tora pode ser 
presa a um carrinho móvel que a leva de encontro à serra a uma velocidade de até 
60 m/min, com controle automático ou manual (FIGURA 11). 
 
FIGURA 11. DIAGRAMA TRANSVERSAL DE UMA SERRA DE FITA COM 
CARRO PORTA TORAS. FONTE: MENDES (2002). 
 
 Entre as muitas variações das serras de fita, as principais são: serra 
fita simples, serra fita simples de corte duplo, serra fita dupla ou geminada, serra fita 
tandem, serra fita quádrupla, serra fita de reaproveitamento e serra fita horizontal. 
 
 
3.2.1 SERRA FITA SIMPLES 
 
 
 
 Este tipo de serra é o mais difundido entre as pequenas serrarias para 
desdobro principal. Consiste de uma única máquina com um carro porta toras a qual 
executa um só corte a cada avanço do carro (FIGURA 12). No retorno do carro, a 
serra não corta, caracterizando o que se chama de recuo morto. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
17
 
FIGURA 12. SERRA FITA SIMPLES (METALÚRGICA SCHIFFER S.A.) 
 
Para desdobro de madeira tropical, onde existe uma grande 
variabilidade de espécies e dimensões das toras, o único equipamento capaz de 
executar com eficiência o desdobro principal é a serra fita. Na Amazônia, todas as 
serrarias dispõem deste equipamento com volantes de 2 m ou mais e carros 
capazes de comportar toras com mais de 2 m de diâmetro (FIGURA 13). 
 
FIGURA 13. SERRA FITA PARA DESDOBRO DE TORAS DE GRANDES 
DIÂMETROS, COM GARRAS DE AVANÇO INDEPENDENTES. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
18
O carro porta toras de uma serra fita normal dispõe de 3 ou 4 garras, 
onde a tora é fixada. Estas garras, chamadas também de gatos ou em inglês de 
“dogs”, afastam-se ou aproximam-se da serra em conjunto. Desta maneira, os cortes 
realizados na tora são paralelos ao seu eixo longitudinal. Nos grandes carros para 
desdobro de madeira tropical, as garras movimentam-se independentemente umas 
das outras (FIGURA 14). Consequentemente é possível avançar a tora de encontro 
com a serra em diagonal, o que permite a realização de cortes paralelos à casca. 
Este tipo de desdobro é muito realizado na obtenção de pranchões para a indústria 
de faqueados. 
 
FIGURA 14. CARRO PORTA TORAS COM TRÊS GARRAS DE AVANÇOS 
INDEPENDENTES. FONTE: MENDES(2002). 
 
 Existem diversas adaptações e variações nas serras de fita, que visam 
a utilização da serra em casos especiais. Um exemplo característico é o uso de 
serra fita com barra de pressão para o desdobro de madeiras com fortes tensões de 
crescimento (FIGURA 15). Esta serra é muito utilizada para o desdobro de toras de 
eucalipto, onde a tora passa contra a serra e a peça serrada é pressionada por uma 
barra lateral, que tem a finalidade de auxiliar na redução de empenamentos e 
rachaduras. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
19
 
FIGURA 15. SERRA FITA SIMPLES COM BARRA DE PRESSÃO AUXILIAR PARA 
DESDOBRO DE MADEIRA COM TENSÃO DE CRESCIMENTO. 
 
 Outro exemplo de variação nas seras de fita, são as serras que 
permitem cortes com variação de ângulo, as quais são muito úteis na produção de 
pranchões para obtenção de lâminas faqueadas (FIGURA 16). 
 
 
OPÇÕES DE ÂNGULOS 
 
FIGURA 16. SERRA FITA SIMPLES PARA DESDOBRO DE BLOCOS EM 
ÂNGULO. FONTE: EWB (2002). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
20
3.2.2 SERRA FITA DE CORTE DUPLO 
 
 
 
 Este tipo de serra executa um corte no avanço do carro porta toras e 
um outro corte no retorno do carro (FIGURA 17). Para tal, a serra dispõe de dentes 
nas duas bordas. Este equipamento tem a vantagem de evitar o recuo morto do 
carro porta toras. Tem como desvantagens, a dificuldade de afiação da serras, pois 
a maioria dos equipamentos para afiação são adaptados para afiar serras com uma 
só borda denteada, não são indicadas para madeiras duras e têm a necessidade de 
um equipamento para manejar e retirar a peça cortada no retorno do carro. 
 
FIGURA 17. SERRA FITA DE CORTE DUPLO. FONTE: TUSET & DURAN, 
1979. 
 
 
3.2.3 SERRA FITA DUPLA OU GEMINADA 
 
 A serra fita dupla ou geminada, consiste em duas serras de fita 
disposta uma de frente para a outra, o que permite a execução de dois corte 
simultâneos (FIGURAS 18 E 19). Este equipamento é utilizado em serrarias de 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
21
maior porte para a transformação de toras em semi-blocos ou blocos, para posterior 
resserragem em outros equipamentos. 
 
FIGURA 18. ESQUEMA TRANSVERSAL DE UMA SERRA FITA GEMINADA. 
FONTE: EWD (2002). 
 
 
FIGURA 19. SERRA FITA DUPLA OU GEMINADA (MOOSMAYER 
EQUIPAMENTOS LTDA). 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
22
3.4 SERRA FITA TANDEM 
 
 Esta serra é compostas por duas serras fitas simples, dispostas uma 
atrás da outra. A primeira serra é fixa e a segunda, posicionada logo após é móvel, 
deslocando-se para a frente dando a bitola desejada ao corte (FIGURAS 20 e 21). A 
tora vem de encontro à primeira serra a qual inicia um primeiro corte. Logo apósa 
tora sofre um segundo corte na segunda serra, proporcionando um corte duplo. Este 
equipamento é utilizado para a transformação de toras em pranchões, semi-blocos 
ou até blocos. No último caso, a serraria deverá dispor de duas serras tandem, a fim 
de se evitar o retorno da peça no fluxo da serraria. 
 
 
FIGURA 20. SERRA FITA TANDEM (METALÚRGICA TURBINA). 
 
 
 
FIGURA 21. EXEMPLOS DE CORTE NA SERRA FITA TANDEM. FONTE: 
EWD (2002). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
23
3.2.5 SERRA FITA QUÁDRUPLA 
 
 Esta máquina consiste em dois pares de serras simples. Um par é 
disposto com as duas serras uma de frente para a outra. O segundo par de serras 
posiciona-se logo após o primeiro, também com uma serra de frente para a outra 
(FIGURAS 22, 23 e 24). Esta serra executa um corte quádruplo, onde pode-se obter 
um semi-bloco juntamente com dois pranchões ou duas tábuas. No caso de toras de 
pequenos diâmetros, pode-se obter a tora desdobrada diretamente em tábuas ou 
peças com espessuras finais, as quais serão enviadas para as operações de refilo e 
destopo. 
 
 
FIGURA 22. SERRA FITA DO TIPO QUÁDRUPLA. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 
FIGURA 23. SERRA FITA QUÁDRUPLA – VISTA LATERAL. FONTE: EWD 
(2002). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
24
 
 
FIGURA 24. CORTES REALIZADOS EM SERRA FITA QUÁDRUPLA. 
FONTE: EWD (2002). 
 
 
3.2.6 SERRA FITA HORIZONTAL 
 
 A serra fita horizontal é idêntica à vertical, porém é disposta na posição 
horizontal, executando um corte simples na tora ou peça a ser serrada (FIGURAS 25 
e 26). Porém, apresenta algumas desvantagens quando utilizada como serra 
principal. No desdobro de toras grandes, tem-se uma perda de tempo calçando as 
mesmas, o que faz com que esta serra tenha produção inferior a uma serra vertical 
de tamanho equivalente. Há a necessidade de uma parada após cada percurso, 
para a retirada da peça cortada. 
 
FIGURA 25. ESQUEMA DE UMA SERRA FITA HORIZONTAL PARA DESDOBRO 
PRINCIPAL. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
25
 
 
FIGURA 26. SERRA FITA HORIZONTAL PARA DESDOBRO DE TORAS DE 
GRANDES DIÂMETROS. FONTE: KARA (2002). 
 
 Em função de suas desvantagens, a serra fita horizontal foi pouco 
utilizada por um longo período nas serrarias. Porém, no desdobro de toras de 
reflorestamentos, que são de pequenas dimensões e com o crescente aumento do 
custo de matéria prima, tem se tornado um equipamento cada vez mais frequente 
nas serrarias, e atualmente, a maioria das indústrias fabricantes de máquinas para 
serraria, dispõe de algum modelo. Muitos “layouts” apresentam várias serras 
horizontais, todas em linhas, uma subsequente a outra. Neste sistema, uma tora, 
bloco ou semi bloco, passa nesta sequência de serras, sendo transformado em 
tábuas ao final do conjunto (FIGURA 27), proporcionando uma boa produtividade 
com melhor rendimento, em relação às serras circulares. 
 
 
FIGURA 27. SEQUÊNCIA DE QUATRO CABEÇOTES DE SERRAS DE FITA 
HORIZONTAIS PARA DESDOBRO DE TORAS DE PEQUENOS 
DIÂMETROS. FONTE: MILL – INDÚSTRIA DE SERRAS LTDA. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
26
3.2.7 SERRA FITA DE RESSERRA OU REAPROVEITAMENTO 
 
 A serra fita de resserra ou reaproveitamento, é um equipamento 
frequentemente utilizado nas operações de desdobro secundário. Existem dois tipos 
mais utilizados, a serra fita com braço radial e a serra fita horizontal, muito utilizada 
no reaproveitamento de costaneiras. 
 A serra fita com braço radial consiste numa serra fita simples com 
volantes de diâmetro pequeno, provida de uma mesa, um braço radial acionado e 
um anteparo com rolos (FIGURA 28). O braço radial pressiona a peça a ser serrada 
contra o anteparo com rolos e a leva de encontro a serra, proporcionando a precisão 
no corte. Esta serra é utilizada em operações de resserragem, para dar a espessura 
final das peças ou para o reaproveitamento de costaneiras. 
 
OPÇÕES DE OPERAÇÕES 
 
 
FIGURA 28. SERRA FITA DE REAPROVEITAMENTO OU RESSERRA 
(INDÚSTRIAS LANGER LTDA.) 
 
 Um outro tipo de resserra consiste numa serra de fita com mesa, 
porém, com dois suporte laterais providos de rolos acionadas, sendo dispostos um 
de cada lado da lâmina (FIGURA 29). Este tipo de máquina pode ser utilizado tanto 
para reaproveitamento, como para outras operações de resserragem. Uma outra 
possibilidade para esta máquina, é a conjugação de duas máquinas, na forma de 
geminada, permitindo a realização de dois cortes simultâneos na peça (FIGURA 30). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
27
 
 
FIGURA 29. SERRA FITA DE RAPROVEITAMENTO COM ROLOS ACIONADOS 
LATERIAS. FONTE: EWD (2002). 
 
 
FIGURA 30. SERRA FITA GEMINADA PARA OPERAÇÕES DE 
RESSERRAGEM. FONTE: EWD (2002). 
 
 A serra de fita horizontal é atualmente o equipamento mais utilizado 
para reaproveitamento de madeira de reflorestamento, principalmente costaneiras. 
Tem como vantagem sobre a resserra de reaproveitamento, a maior facilidade de 
apoio da costaneira ao passar pela serra. Enquanto que na resserra de 
reaproveitamento, a costaneira passa em pé apoiada entre o braço radial e um 
suporte com rolos, na serra fita horizontal a costaneira vai de encontro com a serra 
sobre correia transportadora ou cilindros acionados, apoiada pela sua superfície reta 
(FIGURA 31). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
28
 
FIGURA 31. DESDOBRO DE COSTANEIRAS EM SERRA FITA HORIZONTAL. 
FONTE; MENDES (2002). 
 
 
3.3 SERRAS CIRCULARES 
 
As serras circulares são máquinas que sempre estarão presentes em 
qualquer tipo de serraria, seja ela pequena ou grande. Porém é muito importante 
que este equipamento seja utilizado nas operações adequadas, pois em função de 
utilizar discos de serras, a geração de serragem é muito maior que nas serras de 
fita. O fio de corte de uma serra circular pode facilmente atingir 5 mm ou mais, 
devido ao fato dos discos de serra serem muito espessos, proporcionando corte de 
10 a 20 mm ou mais (FIGURA 32). São serras de simples instalação e boa produção 
de madeira serrada e seus dentes têm formas variadas, de acordo com a finalidade 
da serra. 
 
FIGURA 32. DISCO DE SERRA CIRCULAR PARA DESDOBRO PRINCIPAL DE 
TORAS DE ATÉ 60 CM DE DIÂMETRO. FONTE: WILLISTON, 1989. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
29
A FIGURA 33, apresenta o diagrama de corte na operação de 
resserragem de um semibloco e de um bloco em uma serra circular múltipla de dois 
eixos. Caso sejam serradas peças com 27 mm de espessura e o fio de corte seja de 
5 mm, tem-se uma perda de aproximadamente 20% da madeira na forma de 
serragem. Na situação A da figura, no desdobro de um semibloco, tem-se os dois 
cortes mais externos que retiram as costaneiras e que não implicam em desperdício 
de madeira, pois o fio de corte posiciona-se para fora da madeira utilizável, ou seja, 
faz parte da costaneira. Os demais cortes são internos e transformam a madeira 
utilizável em serragem, afetando o rendimento . Na situação B, todos os cortes são 
realizados internamente na peça, reduzindo o rendimento da madeira utilizável. 
 
 
A – DESDOBRO DE SEMIBLOCO 
 
B – DESDOBRO DE BLOCO 
FIGURA 33. ESQUEMA DO DESDOBRO DE UM SEMIBLOCO EM SERRA 
CIRCULAR MÚLTIPLA DE DOIS EIXOS. FONTE: ROCHA (2002). 
 
 Como as serras circulares são equipamentos que podem atingir 
maiores velocidades, tem-se a possibilidade de utiliza-las na configuração de dois 
eixos, a qual permite reduzir as dimensões dos discos de serra e, 
consequentemente suas espessuras, diminuindo a geração de serragem. Estes 
equipamentos transformam a tora em um semibloco ou bloco para posterior 
desdobro secundário. 
 Na canteagem e destopo das peças, a serra circular é utilizada com 
muita eficiência, pois nestas operações são realizadoscortes com pequenas alturas, 
onde os discos de serras podem ser menos espessos, causando menor geração de 
resíduos. Além disso, a maioria dos cortes realizados são cortes externos à peça. 
Nestes casos, não existe preocupação com o rendimento, mas sim com a produção. 
Porém, em algumas situações, quando se realiza a redução nas larguras das peças, 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
30
dividindo-as em duas ou mais peças, os cortes realizados são internos, implicando 
em maior perda de madeira e consequentemente, redução do rendimento. 
 As serras circulares, quando utilizadas como serras principais, não têm 
grande influência no rendimento quando são usadas para fazer cortes externos das 
costaneiras. Mas, quando utilizadas para cortes múltiplos, implicam em maior 
geração de serragem. São mais adequadas para toras de diâmetros pequenos e 
matéria prima de baixo custo, pois quanto maior for o diâmetro do disco, maior será 
a sua espessura, aumentando a produção de serragem. 
A homogeneidade dos diâmetros também é fator determinante no uso 
de serras circulares. Quando há variação de diâmetros, os equipamentos que mais 
se adaptam são as serras de fita, em função de sua versatilidade. É mais comum o 
uso de serras circulares em serrarias modernas, com diâmetros pequenos e 
homogêneos, as quais compensam o baixo custo da matéria prima e a grande perda 
em serragem com alta produtividade. 
 Uma característica importante das serras circulares que deve ser 
observada com muita atenção é a velocidade periférica, a qual tem importância no 
rendimento, dando a capacidade de corte do equipamento. Se esta velocidade for 
inferior ou superior à velocidade ideal, não se obtém a máxima velocidade de corte. 
É a velocidade tangencial de qualquer dente da serra, expressa pela seguinte 
fórmula: 
 
60
DN xxVp π= 
Onde: 
 
Vp = Velocidade periférica (m/s) 
D = Diâmetro do disco de serra 
N = Número de rotações por minuto 
 
 A velocidade periférica ideal é observada através do número de marcas 
de dentes no corte executado. Tem-se como velocidade ideal 4 marcas por 
centímetro. Se este número for maior, diminui-se a velocidade de avanço das peças. 
Se for menor, aumenta-se esta velocidade. De modo geral, a velocidade periférica 
oscila entre 40 e 60 m/s, não podendo exceder 45 m/s para serras com dentes 
removíveis. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
31
 O controle da velocidade de avanço, não só para as serras circulares, 
mas para qualquer equipamento de uma serraria, é de vital importância sob vários 
aspectos. Quando a velocidade de avanço é elevada, ocorre um desgaste excessivo 
das ferramentas cortantes e da própria máquina, acarretando em maior consumo de 
energia. Além disso, a qualidade da madeira serrada na maioria das vezes será 
prejudicada. Quando a velocidade de avanço for insuficiente, haverá desperdício de 
energia e o equipamento não estará sendo utilizado em sua capacidade ideal, o 
implica em queda na produção e aumento do custo da madeira serrada. 
 
3.3.1 SERRA CIRCULAR SIMPLES 
 
 A serra circular simples, consiste em uma mesa com um único disco de 
serra. Por ter uma altura de corte pequena, é muito utilizada em operações de refilo 
nas serrarias de pequeno porte (FIGURA 34). 
 
 
 
FIGURA 34. SERRAS CIRCULARES SIMPLES DE (INDÚSTRIAS LANGER 
LTDA.). 
 
 As serras circulares de mesa simples, são ineficientes quanto à 
produção e precisão nas dimensões serradas. Porém, são máquinas muito comuns 
nas pequenas serrarias de todo o país. 
 
 
3.3.2 SERRA CIRCULAR DUPLA OU GEMINADA 
 
 Esta é uma serra provida de dois discos os quais proporcionam um 
corte duplo. Esta serra pode ainda ter um disco móvel, que permite a mudança de 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
32
bitola com facilidade. A serra circular geminada pode ser utilizada no desdobro 
principal de toras de pequenos diâmetros, transformando-as em semi-blocos ou 
blocos, no caso de uma linha composta por duas máquinas em sequência (FIGURA 
35). É um equipamento muito utilizado também em operações de canteagem 
(FIGURA 36). Neste caso, com discos de diâmetros pequenos. 
 
 
FIGURA 35. SERRA CIRCULAR DUPLA PARA DESDOBRO PRINCIPAL DE 
TORAS DE PEQUENOS DIÂMETROS (INDÚSTRIAS KLÜPPEL 
LTDA.). 
 
 
FIGURA 36. SERRA CIRCULAR DUPLA REFILADEIRA. 
 
 As serras circulares geminadas evoluíram muito em termos de 
dispositivos de ajuste, para um melhor aproveitamento das peças e aumento da 
produção. Numa serraria, podem ser instalados antes destas serras sistemas de 
varredura do perfil da peça, através de “scanners” ou raio laser (FIGURAS 37 e 38), 
definindo o melhor posicionamento dos discos no momento do corte. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
33
 
 
 
FIGURA 37. SISTEMAS DE “SCANNERS” PARA LEITURA DO PERFIL DE 
TORAS E PARA RETIRADA DE REFILOS DE TÁBUAS. FONTE: 
EWB (2002). 
 
 
 
FIGURA 38. SERRA CIRCULAR REFILADEIRA COM LEITURA A LASER. 
 
 
 
 
3.3.3 SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA 
 
 A serra circular múltipla dispõe de mais de dois discos de serra, o que 
permite à mesma, a execução de vários cortes simultaneamente (FIGURA 39). As 
serras múltiplas têm também a opção de um disco ou conjuntos de discos móveis, o 
que permite mudanças de bitolas com rapidez e eficiência (FIGURAS 40, 41 e 42). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
34
 
FIGURA 39. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA (METALÚRGICA LUX). 
 
 
 
 
OPÇÕES DE OPERAÇÕES 
 
 
 
FIGURA 40. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA COM DISCOS MÓVEIS 
(MOOSMAYER EQUIPAMENTOS MADEIREIROS LTDA.). 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
35
 
 
OPÇÕES DE CORTE 
 
FIGURA 41. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA COM DISCOS MÓVEIS 
(INDÚSTRIAS KLÜPPEL S.A.). 
 
 
 
FIGURA 42. SERRA CIRCULAR REFILADEIRA MÚLTIPLA. A – UM DISCO FIXO 
E UM DISCO MÓVEL. B – DOIS DISCOS MÓVEIS. C – UM DISCO 
FIXO E DOIS DISCOS MÓVEIS. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
36
3.3.4 SERRAS CIRCULARES DE DOIS EIXOS 
 
 As serras circulares têm a opção em dois eixos, ou seja, funcionam 
com discos em um eixo inferior e um eixo sobreposto com discos coincidindo com os 
discos do eixo inferior (FIGURA 43). Tal conformação permite a redução nos 
diâmetros dos discos com aumento na altura de corte. Em função do menor 
diâmetro, os discos de serra podem ter menor espessura, o que reduz a perda de 
madeira na forma de serragem. Além disso, o desdobro realizado com dois eixos 
reduz a sobrecarga sobre os discos de serra, ou seja, o trabalho de serrar a madeira 
é dividido. Desta maneira, as serras circulares de dois eixos permitirão maiores 
velocidades de avanço, quando comparadas com serras de um só eixo e tamanhos 
equivalentes. 
 
 
FIGURA 43. EXEMPLO DA DISPOSIÇÃO DOS EIXOS EM SERRA CIRCULAR 
MÚLTIPLA DE DOIS EIXOS. 
 
 A opção de dois eixos, geralmente é utilizada em serras circulares 
duplas ou múltiplas. Desta forma as serras passam a se chamar circular dupla de 
dois eixos ou circular múltipla de dois eixos. As serras circulares duplas de dois 
eixos são muito utilizadas no desdobro principal de toras de pequenos diâmetros, 
transformando-as em semi-blocos (FIGURA 44). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
37
 
FIGURA 44. SERRA CIRCULAR DUPLA DE DOIS EIXOS PARA DESDOBRO 
PRINCIPAL DE TORAS DE PEQUENOS DIÂMETROS (SAWQUIP 
INTERNATIONAL INC.) 
 
 As serra circulares múltiplas de dois eixos, são mais frequentemente 
utilizadas em operações de resserragem (FIGURAS 45 e 46). Estas serras são 
comumente encontradas em serrarias na transformação de blocos ou semi-blocos 
em tábuas. As serras circulares múltiplas de dois eixos apresentam boa velocidades 
de avanço, porém com maior geração de serragem. 
 
 
 
FIGURA 45. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLADE DOIS EIXOS (MOOSMAYER 
EQUIPAMENTOS MADEIREIROS LTDA.). 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
38
 
FIGURA 46. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA DE DOIS EIXOS. (INDÚSTRIAS 
KLÜPPEL LTDA.) 
 
 Existe ainda um tipo de serra circular de dois eixos que pode ser 
utilizada no reaproveitamento de costaneiras (FIGURA 47). Como a costaneira tem 
uma face curva, o que dificulta o posicionamento e fixação da peça no momento do 
desdobro, os eixos são dispostos verticalmente, de maneira que os discos de serra 
fiquem na posição horizontal. Esta conformação da serra permite um sistema de 
alimentação e fixação da serra mais eficiente. 
 
FIGURA 47. SERRA CIRCULAR DE DOIS EIXOS PARA CORTE HORIZONTAL E 
OPÇÃO DE DOIS CORTES SIMULTÂNEOS (INDÚSTRIAS 
KLÜPPEL LTDA.) 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
39
3.3.5 SERRAS CIRCULARES MÚLTIPLAS DE CORTES EM CURVA 
 
 Pode-se dizer que as serras circulares de corte em curva, como são o 
que há de mais avançado na tecnologia de desdobro de toras com serras circulares. 
Estas máquinas são utilizadas para transformar toras em tábuas, acompanhando as 
curvaturas naturais da tora (FIGURA 48). Ao saírem, as tábuas apresentam-se 
curvadas, porém, com adequado empilhamento para secagem, as mesmas 
adquirem superfícies planas. Esta técnica de desdobro tem como principais 
vantagens maior rendimento, em função de um maior aproveitamento da tora e as 
peças serradas têm maior resistência mecânica, em função de que o corte, ao 
acompanhar as curvaturas da tora, proporciona uma maior quantidade de fibras 
inteiras. Sempre acompanhando uma serra de corte em curva, existe um 
equipamento de rastreamento da tora ou bloco que será serrado, com o objetivo de 
definir o posicionamento correto da peça em relação às serras visando o seu melhor 
aproveitamento. 
 
FIGURA 48. SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA COM CORTE EM CURVA. FONTE: 
EWD (2002). 
 
 
3.3.6 EQUIPAMENTOS DE PERFILAGEM 
 
 Os equipamentos de perfilagem são utilizados na maioria das vezes 
em operações de desdobro primário. Realizam cortes duplos simultâneos e têm 
como vantagem sobre as serras de fita e circulares a características de que a 
costaneira retirada da tora é imediatamente transformada em cavacos (FIGURA 49). 
São conhecidos como picadores perfiladores, serras picadoras, ou ainda em inglês, 
como “chipper canter”. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
40
 
FIGURA 49. TECNOLOGIA DE DESDOBRO PRINCIPAL COM EQUIPAMENTOS 
DE PERFILAGEM. 
 
 Quanto à tecnologia, o picador perfilador é dividido em duas 
categorias: do tipo que contém somente facas e do tipo conjugado de serras com 
facas. Os sistemas que apresentam somente facas apresentam ferramentas 
compostas com lâminas ou facas laterais do tipo calçadas ou removíveis, 
semelhantes a fresas de usinagem de madeiras. Estas facas laterais desbastam a 
tora, transformando a costaneira diretamente em cavacos (FIGURA 50). 
 
FIGURA 50. SISTEMA DE PERFILAGEM DA TORA COM FACAS LATERAIS 
(KEY KNIFE, INC., CANADA.) 
 
 O outro tipo de tecnologia, é a utilização de duas serras laterais, as 
quais têm a finalidade de serrar a costaneira. logo atrás das serras, a costaneira que 
está sendo retirada, vai de encontro com estruturas cônicas que contêm facas em 
quantidades, disposições e ângulos pré-establecidos (FIGURAS 51 e 52). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
41
 
 
FIGURA 51. DISPOSITIVO DE SERRA E FACAS UTILIZADO NO PICADOR 
PERFILADOR. 
 
 
 
FIGURA 52. PICADOR PERFILADOR. FONTE: EWD (2002). 
 
 O picador perfilador é um equipamento utilizado para desdobro 
principal, geralmente em serrarias que estão integradas com fábricas de chapas de 
partículas ou fábricas de celulose, pois o mesmo retira as costaneiras da tora e pica 
automaticamente as mesmas gerando cavacos de dimensões homogêneas. Como 
são realizados somente dois cortes no picador perfilador, as serrarias normalmente 
utilizam dois equipamentos deste tipo, sendo um instalado logo após o outro. No 
primeiro, são retiradas duas costaneiras, o semi-bloco é tombado, passando na 
sequência no segundo, onde são retiradas as outras duas costaneiras, resultando 
em um bloco final (FIGURA 53). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
42
 
 
FIGURA 53. SAÍDA DE UM BLOCO, DO SEGUNDO PICADOR PERFILADOR, DE 
UMA LINHA COMPOSTA DE DOIS PICADORES PERFILADORES 
 
 Os picadores perfiladores podem ser utilizados também associados a 
serras de fita duplas ou quádruplas. Desta maneira, após passar no picador 
perfilador, onde são retiradas as costaneiras, o semibloco passa imediatamente em 
uma serra dupla ou em uma serra quádrupla, resultando em um semi-bloco central e 
duas tábuas laterais, no caso da serra dupla, ou quatro tábuas, no caso da serra 
quádrupla (FIGURA 54 e 55). 
A 
 
B 
 
 
FIGURA 54. LINHA DE SERRARIA COMPOSTA COM PICADOR PERFILADOR E 
SERRAS DE FITA PARA DESDOBRO PRINCIPAL. A – PICADOR 
PERFILADOR E SERRA FITA GEMINADA. B – PICADOR 
PERFILADOR E SERRA FITA QUÁDRUPLA. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
43
 
 
FIGURA 55. CONJUNTO DE PICADOR PERFILADOR E SERRA FITA 
QUÁDRUPLA. 
 
 
3.4 SERRAS DESTOPADEIRAS 
 
 As serras destopadeiras são na maioria das vezes serras circulares 
adaptadas a operações de destopo. Os principais tipos são pendular, radial e de 
braço articulado, mais utilizadas em pequenas serrarias (FIGURA 56). 
 No caso das serrarias modernas, com alta produção, são utilizadas as 
destopadeiras de mesa duplas ou múltiplas. A destopadeira de mesa dupla, consiste 
em uma mesa contendo dois discos de serra diagonalmente opostos (FIGURA 57). 
Desta forma, a peça é transportada por correias, é destopada no primeiro disco para 
a regularização e retirada de defeitos do topo, logo após é jogada para o outro 
extremo da mesa através de rolos transversais acionados e é destopada pela 
segunda vez. Neste segundo destopo, o operador dispõe de vários “tops” na mesa, 
os quais permitem o bitolamento em vários comprimentos utilizados pela indústria. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
44
 
FIGURA 56. PRINCIPAIS SERRAS DESTOPADEIRAS. A – PENDULAR; B – 
RADIAL; C – DE BRAÇO ARTICULADO; D – DE MESA SIMPLES. 
FONTE: TUSET E DURAN, 1979. 
 
 
 
 
FIGURA 57. DESTOPADEIRA DE MESA DUPLA. (MOOSMAYER 
EQUIPAMENTOS MADEIREIROS LTDA.). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
45
 
 A destopadeira de mesa múltipla contém vários discos de serra, o que permite 
a execução de vários cortes simultâneos, transformando a peça em várias peças de 
comprimentos pequenos (FIGURA 58). Esta máquina é muito utilizada em serrarias 
que produzem madeira serrada para fábricas de móveis, onde os comprimentos das 
peças são muitas vezes pequenos. 
 
 
FIGURA 58. SERRA DESTOPADEIRA DE MESA MÚLTIPLA. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 No caso de destopo principal nos pátios das serrarias, é utilizada a 
destopadeira de corrente, a qual consta de um sabre contendo uma corrente, 
utilizando o mesmo princípio das motosserras ou então, o que é mais utilizada, a 
destopadeira circular de grande diâmetro (FIGURA 59). 
 
 
 
FIGURA 59. SERRA DESTOPADEIRA CIRCULAR DE TORAS (MOOSMAYER 
EQUIPAMENTOS MADEIREIROS LTDA.). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
46
 
4. PLANEJAMENTO PARA A INSTALAÇÃO DE UMA SERRARIA 
 
 
 
4.1 INTRODUÇÃO 
 
 
 
 Para a instalação de qualquer empreendimento industrial, é necessário 
um planejamento criterioso, para que no futuro os investimentos realizados não se 
transformem em prejuízos, em virtude de várias condições adversas que podem 
ocorrer. No caso da instalação de uma serraria, a finalidade do planejamento tem 
primordial importância a fim de se determinar o melhor local, empregaro mínimo de 
pessoal, diminuir o custo de produção, obter o máximo rendimento da madeira e 
gerar produtos de alta qualidade competitivos no mercado. 
 Para se atingir estas metas, a localização adequada de uma serraria é 
essencial, independente se a mesma é de pequeno ou grande porte. Em 
consequência disto, serrarias bem equipadas e bem assentadas, acabam tornando-
se inviáveis economicamente, causando grandes prejuízos pelo fato de estarem mal 
localizadas. 
 Portanto, antes da definição do melhor lugar para a instalação de uma 
serraria, deve ser realizado um estudo o mais detalhado possível, envolvendo o 
máximo de situações possíveis, envolvendo fatores, os quais determinarão a melhor 
área para a localização da nova serraria. 
 
 
4.2 FATORES A SEREM OBSERVADOS QUANTO 
 À LOCALIZAÇÃO DA SERRARIA 
 
 
4.2.1 FONTE DE MATÉRIA PRIMA 
 
 
 A matéria prima é um fator muito importante para o suprimento 
adequado de toras de determinadas qualidades e espécies a uma distância viável. 
Neste caso, é necessário primeiramente estabelecer o tamanho da serraria para 
que se possa determinar o volume anual de toras. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
47
 
 Como ao iniciar todo empreendimento, o empresário espera 
crescimento, no caso da matéria prima, deve-se considerar também a possibilidade 
de aumento futuro da capacidade de produção. 
 Partindo-se destas considerações, faz-se então um inventário das 
possíveis áreas de instalação. Após fixada a exigência imediata anual, levanta-se 
uma provável exigência no futuro. Logo após, pode-se passar à procura da área 
apropriada. 
 Além de se conhecer o volume de madeira disponível em cada região 
é importante se saber como está sendo usada a madeira na região. deve-se obter 
informações sobre o número, tamanho, localização e exigências anuais de outras 
indústrias madeireiras existentes na região, as quais poderão competir no uso da 
madeira disponível. Além disso, as informações sobre as outras indústrias, fornecem 
ao empresário uma noção sobre os preços da matéria prima praticados na região. 
 Após a escolha da macro-região, o madeireiro deve determinar o 
melhor local dentro desta área, ou seja, a micro-região, onde será instalada a 
serraria. Sempre que possível, a serraria deverá ser localizada próxima a uma área 
com grande suprimento de toras. Deste modo, a localização tende a um custo 
mínimo de transporte e obtenção de toras. No caso de serrarias portáteis, esta 
situação é facilmente resolvida, pois a mesma migra de acordo com o suprimento de 
toras na região, tendo a sua localização feita de modo a estar sempre próxima das 
áreas com bom estoque. 
 
4.2.2 MÃO DE OBRA DISPONÍVEL 
 
 A mão de obra disponível numa região é um fator importante no que 
diz respeito à localização de uma serraria. Se a mesma for bem localizada sob todos 
os aspectos, porém, não dispor de mão de obra qualificada e com salários 
compatíveis aos praticados pela indústria, poderão ocorrer sérios prejuízos. 
 Deve-se também verificar a existência de outras indústrias, 
principalmente do setor florestal, em função da possibilidade de pagamento de 
melhores salários. Por exemplo, indústrias dos setores de laminação, celulose e 
papel, móveis, etc., com certeza têm a possibilidade de pagar melhores salários que 
uma serraria, em função do maior valor agregado de seus produtos. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
48
 
4.2.3 MERCADO CONSUMIDOR E ORIGEM DAS TORAS 
 
 O ideal para uma serraria é que a mesma seja localizada próximo do 
mercado consumidor e da matéria prima. Porém, tal situação raramente é possível. 
 Caso tal situação não seja possível, deve-se observar que toras são 
volumosas e pesadas e que a geração de resíduos em serrarias normalmente está 
próximo de 50%. Portanto, de cada 100 m3 de toras que entram em uma serraria é 
comum se ter aproximadamente 50 m3 de resíduos. Sendo assim, ao se transportar 
toras, se está também, transportando água e resíduos, além de possíveis toras 
defeituosas. Em função disto, na maioria das vezes é aconselhável a localização da 
serraria próxima da fonte de matéria prima, mesmo que esta fique longe do 
mercado consumidor. Raramente, a localização da serraria próxima do mercado 
consumidor é viável. Porém, isto dependerá da análise de diversos fatores, como 
custo da matéria prima e transporte da mesma, preço de venda do produto final, 
demanda, etc. 
 
4.2.4 TRANSPORTE E VIAS DE COMUNICAÇÃO 
 
 Não só a localização de uma serraria, mas de qualquer outra indústria, 
deve apresentar facilidade de transporte, tanto da fonte de matéria prima quanto até 
o mercado consumidor. 
 Sempre que possível, é conveniente que a serraria seja localizada 
próximo a rios, para que seja utilizado o transporte fluvial. Neste caso é necessário 
um estudo da rede fluvial que corta a região e das condições de flutuabilidade das 
toras. O uso de transporte fluvial, além de extremamente econômico, protege a 
madeira contra agentes biodegradadores. 
 No caso de serrarias deve-se considerar a possibilidade de transporte 
de toras e madeira serrada, o que requer uma certa estrutura das vias de acesso. 
 Existindo estradas, é necessário se verificar as condições de suportar o 
tráfego pesado. Não havendo boas estradas, deve ser realizado um estudo da 
viabilidade da construção de vias de acesso. Em resumo, é realizado um estudo 
sobre a viabilidade econômica de uma remodelagem das estradas existentes ou da 
construção de novas estradas. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
49
 
 Outro fator muito importante, é a possibilidade de se localizar a serraria 
próxima de estradas de ferro, o que também reduz em muito o custo de transporte. 
 
4.2.5 TAXAS E IMPOSTOS 
 
 A instalação de serrarias em zonas urbanas, geralmente implica em 
impostos bem mais elevados. Porém, existe a vantagem da indústria estar mais 
próximo do consumidor, facilitando a colocação dos seus produtos no mercado. 
Desta forma, é necessário estudar qual a melhor possibilidade: impostos mais caros 
com menor custo de transporte ao consumidor ou impostos menores com maior 
custo de transporte ao consumidor. 
 
4.2.6 FATORES RELACIONADOS AO TERRENO 
 
 Após a seleção de algumas micro-regiões viáveis à instalação da 
serraria, devem ser estudas algumas características relacionadas ao terreno. O 
mesmo deverá apresentar uma série de condições básicas, como a melhor ligação 
com rodovias ou se possível com ferrovias, deverá ser seco e plano e sua maior 
dimensão deverá ser na direção do vento dominante, a fim de que todas as 
construções sofram ação do mesmo no sentido de suas larguras, as quais são 
dimensões menores que os comprimentos. A relação entre largura e comprimento 
varia de 3:1 a 4:1. 
 A extensão do terreno será em função do volume de toras, da 
necessidade de estocagem de toras e da saída rápida ou armazenamento dos 
produtos. 
 Além destes fatores, o terreno deverá apresentar uma extensão de 20 
a 25% a mais que a calculada, visando-se eventualidades futuras como aumento da 
produção, aumento do período de armazenamento ou aumento do período de 
estocagem das toras. 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
50
 
4.3 ESTUDOS PARA A INSTALAÇÃO PROPRIAMENTE DITA 
 DA SERRARIA 
 
 Após a definição do local ou micro-região, é indispensável a realização 
de um estudo sobre diversos fatores como o capital disponível para o investimento, 
dados sobre a matéria prima (quantidade, espécies, dimensões das toras e 
dimensões dos produtos para o mercado, a disponibilidade de operários, seus 
conhecimentos técnicos, padrão de vida e salários, escolha de maquinário 
compatível com o capital e as operações a serem realizadas, o que de preferência 
deve ser de fabricação nacional, poisfacilita a manutenção e reposição de peças e 
escolha da força motriz (eletricidade, Diesel ou vapor). 
 Além desses fatores, deve ser realizado um levantamento topográfico 
do terreno e um nivelamento do mesmo, procurando-se aproveitar as inclinações 
naturais, as quais proporcionam maior facilidade em algumas fases das operações, 
como por exemplo, o pátio de toras estar um nível superior à entrada das toras na 
serraria. 
 Após tais procedimentos é realizada uma avaliação a fim de se 
determinar a localização do edifício dentro do terreno, o que será em função do 
clima (temperaturas médias anuais, insolação, ventos dominantes e chuvas 
dominantes). 
 Em relação às temperaturas médias anuais, estas são de suma 
importância, pois determinarão a forma, o tipo de construção e o material utilizado 
para a construção. 
 A insolação irá determinar a disposição dos pátios e do edifício, para 
um melhor aproveitamento das horas de sol. 
 O ventos dominantes devem ser na direção do maior eixo da serraria, 
principalmente quando a força motriz é oriunda de caldeiras, a fim de se prevenir 
incêndios. 
 No caso das chuvas dominantes, a serraria deve estar na direção das 
mesmas, o que impede a entrada da chuva na área de trabalho, caso não hajam 
paredes laterais. 
 É muito importante se ter em mente que na maioria das vezes não é 
possível uma situação ideal, onde todos os fatores analisados sejam favoráveis. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
51
 
Sendo assim, é importante uma avaliação criteriosa, para que se possa optar pelas 
melhores condições possíveis. 
 
4.4 DIVISÃO DE UMA SERRARIA 
 
 Uma serraria bem planejada basicamente deve possuir um pátio de 
toras, um local para maquinário, um local para classificação e secagem da madeira 
serrada e um depósito de madeira serrada. 
 É conveniente que todas as dependências da serraria sejam dispostas 
em linha reta, visando uma maior economia do trabalho. 
 
4.4.1 PÁTIO DE TORAS 
 
 O pátio de toras, normalmente é constituído de quatro partes: uma 
ligação com as vias de transporte, local para descarregamento, local para 
classificação e preparo das toras e depósito de toras já classificadas. 
 O pátio deve ter forma retangular, com o maior comprimento na mesma 
direção do restante da serraria. A largura e o comprimento são variáveis, 
dependendo de fatores relacionados às instalações, do volume de produção e do 
período de estocagem das toras. 
 Em regiões com água em abundância, o pátio de toras pode ser em 
água, o que é uma boa forma de proteger as toras do ataque de fungos xilófagos. 
Porém, esta opção dependerá das espécies utilizadas pela serraria, pois as mesmas 
devem boas condições de flutuação. 
 Quando o pátio for em terra firme, este deverá apresentar algumas 
características importantes: deve ser seco, não apresentar declives acima de 5%, 
possibilitar que seja um nível um pouco superior ao da serraria, ter boa comunicação 
com rodovias e as toras não devem ser descarregadas em contato direto com o solo. 
 Em serrarias maiores as estradas no pátio devem apresentar duas 
vias, para uma maior facilidade de movimentação de máquinas e veículos. 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
52
 
4.4.2 LOCAL PARA MAQUINÁRIO 
 
 O edifício que abrigará todo o maquinário de desdobro da serraria não 
deve apresentar colunas interiores, pois estas prejudicam as operações. Deverá 
ainda ser disposto no mesmo nível do pátio de toras ou levemente inferior. 
 Em relação ao tamanho do prédio, as dimensões dependerão do 
maquinário utilizado, das dimensões das toras e do volume de produção da serraria. 
As dimensões mais comuns variam de 25 a 60 m de comprimento por 6 a 12 m de 
largura. 
 O prédio onde se encontra o maquinário é basicamente constituído 
pelos seguintes setores: 
 - Setor de maquinário principal: onde se encontram as serras para 
desdobro de toras. Em todas as máquinas deve haver uma pequena mesa ou 
bancada para anotação de dados de produção e colocação de ferramentas usadas 
na máquina. 
 - Setor de maquinário secundário: local onde se encontram instaladas 
as máquinas de desdobro secundário e de reaproveitamento, como resserras, 
canteadeiras, destopadeiras, etc. 
 - Sala de afiação: local onde são executadas todas as operações de 
manutenção e afiação das ferramentas cortantes. É muito importante que a 
iluminação na sala de afiação seja abundante. 
 - Casa de força: deve localizar-se separadamente da indústria e ser 
preferencialmente construída com material não inflamável. 
 - Escritório ou gerência: instalado em local que permita uma visão 
completa de todas as operações realizadas na indústria. Se possível deve ter 
amplas janelas ou paredes de vidro e estar num plano mais elevado que o da 
indústria. 
 - Vestiário e refeitório: são indicados somente para grandes serrarias e 
devem ter uma área de aproximadamente 1m2 por operário. 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
53
 
 
4.5 LAYOUT DA SERRARIA 
 
 Definidos os equipamentos necessários para a produção desejada, 
deve ser feito um estudo criterioso sobre a forma de disposição e localização deste 
equipamentos. Para um bom fluxo de produção, os equipamentos devem estar 
dispostos em linha reta, evitando-se ao máximo mudanças de fluxo em ângulos e 
que se evite o retrocesso das peças no fluxo. 
 
 
 
4.5.1 DISTÂNCIA ENTRE OS EQUIPAMENTOS 
 
 
 
 O principal fator que irá determinar a distância entre os equipamentos é 
o comprimento das toras a serem desdobradas e consequentemente das pecas 
serradas. Portanto, a distância mínima entre os equipamentos deverá ser o dobro do 
comprimento máximo das toras. No caso de serrarias com pouca automação, esta 
distância permite um breve acúmulo de peças. Caso haja interrupção nas operações 
do equipamento subsequente. Já no caso de serrarias automatizadas, esta distância 
propicia ao controlador do processo, um pequeno intervalo de tempo para que o 
mesmo possa interromper o fluxo produtivo sem causar danos aos equipamentos. 
 Distâncias muito longas entre os equipamentos também não são 
convenientes. Pois no caso de serrarias pouco automatizadas, provocam um 
aumento de mão de obra, diminuem a eficiência e aumentam os riscos de acidente. 
No caso das serrarias automatizadas, longas distâncias aumentam o consumo de 
energia e de desgaste e consumo de equipamentos de transporte, podendo também 
diminuir a produção ou eficiência da serraria. 
 
 
 
4.5.2 DISTRIBUIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS 
 
 
 Este aspecto deve ser cautelosamente observado, pois é muito 
importante, a fim de se facilitar o manuseio ou transporte das peças dentro da área 
de operação. Desta forma, evita-se que o acúmulo das peças entre os equipamentos 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
54
 
prejudique o fluxo normal de processamento, reduzindo as possibilidades de 
acidentes, principalmente quando as serrarias são pouco automatizadas. 
 
4.5.3 DEFINIÇÃO DA ÁREA COBERTA 
 
 Na maioria das vezes, este aspecto é observado de forma incorreta. 
Normalmente, em um barracão já construído, são colocados na forma mais 
adequada possível, todos os equipamentos necessários para uma serraria executar 
suas operações. O procedimento correto é, após a definição das posições e 
distâncias dos equipamentos, se projetar o edifício. 
 As estruturas para a cobertura devem ser suspensas nas duas laterais 
do prédio, evitando-se a colocação de pilares na área interna da serraria, o que 
prejudica o bom andamento das operações. 
 Para se facilitar o manuseio das toras do pátio até a máquina de 
desdobro principal, a dimensão maior do prédio deverá estar disposta paralelamente 
à rampa de retirada das toras. 
 
4.5.4 SEÇÃO DE MANUTENÇÃO DE SERRAS 
 
 Se a serraria executar as operaçõesde desdobro principal com serras 
de fita, a seção de manutenção de serras deverá ficar próxima a estas máquinas, o 
que permite maior facilidade de locomoção das lâminas de serra, que são de 
grandes dimensões. Nos casos de máquinas com volantes de grandes diâmetros, tal 
locomoção torna-se difícil, oferecendo sérios riscos de acidentes. Como transportar 
discos de serras é mais fácil que transportar lâminas com grandes perímetros, deve-
se sempre buscar esta proximidade das serras de fita. 
 
 
 
4.5.5 PISO DA SERRARIA 
 
 
 
 Em todas as operações de desdobro executadas em uma serraria, 
ocorre uma grande geração de resíduos. Para que o fluxo produtivo não seja 
prejudicado, estes resíduos devem ser retirados da área de operação o mais rápido 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
55
 
possível. Portanto é conveniente que o piso da serraria esteja um piso acima do 
nível do solo, o que facilita a instalação dos sistemas de remoção de resíduos no 
porão. Estes sistema normalmente são compostos por correias transportadoras ou 
esteiras rolantes, que convergem ao local de depósito de resíduos. 
 
 
 
4.5.6 PÁTIO DE TORAS 
 
 
 
 Como o transporte de toras é difícil em função das grandes dimensões 
e pelo fato de que ao transporta -las, está se transportando também uma grande 
quantidade de resíduos, é conveniente que o pátio de toras localize-se o mais 
próximo possível das máquinas de desdobro principal. 
 
 
4.5.7 CLASSIFICAÇÃO, CÂMARAS DE SECAGEM 
 E DEPÓSITO DE MADEIRA SERRADA 
 
 
 
 Estes setores sempre estarão localizados no final da linha de 
produção, seguindo a ordem de execução das operações. A madeira serrada passa 
ao setor de classificação é gradeada, segue para as câmaras de secagem, 
seguindo logo após para o empacotamento e estocagem no depósito de madeira 
serrada. Quando a serraria não dispõe de secagem artificial, a madeira já 
classificada e gradeada, recebe tratamento preservante e segue para o pátio de 
secagem ao tempo. Após a secagem, pode seguir para o depósito ou ser enviada 
direto ao consumidor. 
 
 
 
4.5.8 EXEMPLOS DE LAYOUT 
 
 
 
 A definição do layout de uma serraria depende de uma série de fatores 
que já foram amplamente discutidos. Dentre os principais estão o capital disponível, 
a matéria prima e os produtos finais pretendidos. A maioria dos fabricantes de 
máquinas para serrarias, dispõe de equipes especializadas, as quais estudam 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
56
 
minuciosamente todos os fatores, fornecendo ao empresário algumas opções de 
layout, para cada caso em particular. 
 Na FIGURA 60, têm-se um exemplo geral de uma serraria para 
desdobro de madeira de Pinus spp. ou de madeira nativa. As toras têm duas opções 
de desdobro principal. No caso de toras de grandes diâmetros, estas são 
desdobradas em uma serra fita (06). As costaneiras e pranchões obtidos na fita 
seguem para uma serra fita para a resserragem (12). As peças que saem da serra 
fita principal seguem juntamente com as peças oriundas da resserra para uma serra 
circular refiladeira quádrupla (18), onde são executadas as operações de refilo. Logo 
após, as todas as peças seguem para o destopo em uma mesa dupla de destopo 
(23). 
 As toras de diâmetros são desdobradas em uma serra circular dupla 
(09) onde é originado um semi-bloco. As costaneiras seguem à resserradeira (12) e 
posteriormente à refiladeira quádrupla (28). O semi-bloco oriundo da circular múltipla 
é diretamente resserrado em uma serra circular múltipla de dois eixos (15). As peças 
que saem da circular quádrupla (18) e da Circular múltipla de dois eixos (15) seguem 
para o destopo. Após todas as operações, na mesa de destopo, algumas peças são 
descartadas e enviadas a uma destopadeira pendular (25) para seus 
reaproveitamentos em peças de comprimentos menores. 
 
FIGURA 60. SUGESTÃO DE LAYOUT PARA DESDOBRO DE MADEIRA 
(INDÚSTRIAS KLÜPPEL LTDA.). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
57
 
 
 Ao contrário do exemplo anterior, onde as toras têm duas entradas na 
serraria, na FIGURA 61, observa-se um layout onde as toras, independente do 
diâmetro, são desdobradas em uma única máquina de desdobro principal, que é 
uma serra fita tandem. Nesta máquina, as toras podem ser transformadas em 
blocos. As costaneiras oriundas desta operação, quando de toras de diâmetros 
pequenos, tornam-se resíduos e no caso de toras com diâmetros maiores seguem 
para uma resserradeira. Os blocos, com dimensões padronizadas, seguem para 
uma circular múltipla e são transformados em peças nas suas espessuras finais. As 
peças oriundas da resserra e da múltipla que apresentarem defeitos em suas 
bordas, passam em uma refiladeira dupla para seus devidos reaproveitamentos. 
Após todas estas operações, todas as peças seguem a uma destopadeira de mesa 
dupla para padronização dos diâmetros. Pode-se observar ainda que este layout 
contém no final da linha um tanque para banho anti-fúngico, para serrarias que 
contenham secagem ao tempo ou que ainda, quando as estufas não vencem a 
produção e a madeira serrada precisa permanecer por um determinado período no 
pátio até a sua secagem. 
 
 
FIGURA 61. LAYOUT DE UMA SERRARIA DE Pinus spp. COM UMA ÚNICA 
SERRA DE DESDOBRO PRINCIPAL (METALÚRGICA TURBINA 
LTDA.). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
58
 
 
 
 Nas FIGURAS 62 e 63, são apresentadas duas sugestões de layout de 
um mesmo fabricante, sendo que a primeira trata-se de uma serraria para madeira 
nativa e a segunda para madeira reflorestada. 
 Por se tratar de desdobro de madeira nativa (FIGURA 62), a serraria é 
constituída por equipamentos com maior flexibilidade quanto às dimensões das 
peças e operações, apresentando um fluxo de produção até de certo modo 
complicado. A tora entra e passa pelo desdobro principal em uma serra fita simples 
(5), onde são obtidos pranchões e tábuas, em função dos diâmetros das toras. Os 
pranchões são resserrados em uma serra fita para toras (23), ou seja de grande 
dimensão. As peças obtidas, dependendo de suas dimensões, seguem direto para o 
destopo, compostos por duas circulares pendulares dispostas em sequência (31 e 
33) ou são refiladas em uma serra circular múltipla de um eixo (27). As peças que 
saem da refiladeira múltipla seguem para o destopo em um outro par de 
destopadeiras (17 e19), dispostas em sequência e algumas peças ainda com bordas 
defeituosas, são refiladas em uma circular simples (14) antes de serem destopadas. 
As tábuas oriundas da serra fita (5), seguem à circular múltipla (27) ou à circular 
simples (14), dependendo de suas dimensões, para refilo, ou seguem direto para o 
destopo nas máquinas 17 e 19. Outras tábuas, com suas bordas já regularizadas na 
serra fita, podem seguir direto para o destopo nas máquinas 17 e 19. Pode-se 
concluir que as peças têm várias formas de serem processadas na serraria, o que se 
deve ao fato da grande variação de diâmetros e muitas vezes, de espécies. 
 Já na FIGURA 63, por se tratar de madeira reflorestada, o fluxo é muito 
fácil de ser compreendido. As toras entram na serraria e são desdobradas em uma 
serra fita geminada (5). Nesta serra, são retiradas duas costaneiras e um semi bloco. 
As costaneiras seguem para duas resserradeiras dispostas em duas linhas paralelas 
(9 e 20). As peças oriundas das resserras, seguem paralelamente até as serras 
circulares múltiplas de um eixo (12 e 23), onde são refiladas. No centro, entre as 
duas linhas contendo as resserras e refiladeiras, o semi-bloco segue para a 
resserragem em uma serra circular múltipla de dois eixos (16). Após estas 
operações, todas as peças são enviadas a uma mesa dupla de destopo (26) e 
finalmente para a classificação e gradeagem. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
59
 
 
FIGURA 62. SUGESTÃODE LAYOUT PARA UMA SERRARIA DE MADEIRA 
NATIVA (INDÚSTRIAS LANGER LTDA.). 
 
 
 
FIGURA 63. SUGESTÃO DE LAYOUT DE SERRARIA PARA DESDOBRO DE 
MADEIRA REFLORESTADA (INDÚSTRIAS LANGER LTDA.). 
 
 Em função dos exemplos vistos, pode-se concluir que a definição de 
um layout será sempre muito particular, dependendo da matéria prima disponível e 
do produto final desejado. O empresário terá sempre várias opções fornecidas pelos 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
60
 
fabricantes de máquinas e cabe ao mesmo, decidir sobre a melhor opção para a 
empresa. 
 
4.6 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE UMA SERRARIA 
 
 Para que se possa ter uma noção do desempenho de uma serraria, ou 
seja, para que a gerência tenha subsídios para julgar se as operações vêm sendo 
executadas de forma correta, existem vários parâmetros. Dentre estes vários 
parâmetros, dois revelem com relativa transparência o desempenho de uma serraria. 
São eles o rendimento e a eficiência. 
 
4.6.1 RENDIMENTO 
 
 O rendimento de uma serraria é a relação entre o volume de toras 
serradas num período ou turno e o volume de madeira serrada obtido destas toras, 
expresso pela seguinte fórmula: 
R
M
T
x= 100 
Onde: 
 R = Rendimento em % 
 M = Volume de madeira serrada em m3 
 T = Volume de toras em m3 utilizado para obter M 
 
 O rendimento varia de 55 a 65% para coníferas e de 45 a 55% para folhosas. 
Porém, não só a essência afeta o rendimento. Este será maior ou menor em função 
da qualidade dos povoamentos, dos equipamentos e técnicas de desdobro e da 
qualificação profissional dos operários. 
 Em algumas serrarias que desdobram madeira de reflorestamento e 
que estão consorciadas com indústrias de celulose ou de chapas de partículas e 
fibras, o rendimento pode chegar a 40%. Neste caso, a serraria só aproveita o miolo 
da tora, transformando o restante em cavacos para as outras indústrias. 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
61
 
4.6.2 EFICIÊNCIA 
 
 A eficiência expressa a relação entre o volume de toras serradas por 
período ou turno e o número de operários envolvidos em todas as operações de 
desdobro, expressa pela seguinte fórmula: 
O
T
E =
 
Onde: 
 E = Eficiência em m3/operário/turno 
 T = Toras (em m3) desdobradas em um turno 
 O = Número de operários que trabalham dentro da serraria 
 
 Utiliza-se o volume de toras para o cálculo da eficiência, para que os 
diâmetros das mesmas e o rendimento não afetem o resultado. Porém, a eficiência é 
afetada por alguns fatores como o uso de coníferas, as quais são mais leves, 
macias, retas, etc.; o layout da serraria; a uniformidade (padronização) da matéria 
prima e produtos; as características e condições do maquinário; da disponibilidade 
de energia e do grau de mecanização e automação da serraria. 
 
Exemplos de eficiência: 
 
ð Serrarias automatizadas no Brasil ð 20 a 50 m3/op./dia 
 
ð Serrarias comuns ð 5 a 10 m3/op./dia 
 
ð América do Norte ð acima de 50 m3/op./dia 
 
ð Europa ð acima de 50 m3/op./dia 
 
ð Guiana Inglesa ð 0,5 m3/op./dia 
 
ð Amazonas ð 0,3 m3/op./dia 
 
ð Sudão ð 0,1 m3/op./dia 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
62
5. TÉCNICAS DE SERRARIAS 
 
5.1 INTRODUÇÃO 
 
 Para o desdobro de toras na forma de madeira serrada, são utilizadas 
determinadas técnicas. Tais técnicas, de acordo com as características relacionadas à 
matéria prima, maquinário e formas de desdobro são chamadas de técnicas 
convencionais ou técnicas modernas de serrarias. 
 
5.2 TÉCNICAS CONVENCIONAIS DE SERRARIAS 
 
5.2.1 PÁTIO DE TORAS 
 
 No pátio de toras de uma serraria que utiliza técnicas convencionais, a 
matéria prima geralmente é de origem nativa, com custo elevado, onde ocorre uma 
grande variação de espécies, diâmetros e comprimentos. A grande variação, faz com que 
hajam pequenos lotes (com poucas toras) distribuídos em várias classes diamétricas. 
Desta forma a serraria não tem estoque suficiente para trabalhar por um período ou turno 
com uma única espécie, numa única classe diamétrica. Sendo assim, para que cada tora 
possa ser desdobrada é realizado um ajuste nos equipamentos de desdobro, ou seja, 
cada tora recebe um tratamento particular. Isto pode até implicar num melhor 
aproveitamento da tora, proporcionando um maior rendimento. Porém, a eficiência é 
muito pequena. 
 
5.2.2 DESDOBRO PRINCIPAL 
 
 Como há uma variação muito grande em termos de espécies e 
principalmente diâmetros, o desdobro principal é baseado nas serras de fita simples ou 
duplas, pois estas são mais versáteis quanto a esta variação. O uso destes 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
63
equipamentos, associado à variação da matéria prima, resulta num processo lento, porém 
compensado no maior valor agregado do produto final. 
 
5.2.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO 
 
 O processo de resserragem é realizado com serras de fita de resserra, onde 
as peças oriundas do desdobro principal na serra fita, normalmente pranchões, são 
desdobradas na espessura final. As operações de refilo ou canteagem são executadas 
em serras circulares simples ou múltiplas. No caso de serem utilizadas serras múltiplas, 
em função da grande variação da matéria prima, estas devem ser providas de 
dispositivos que permitam um fácil e rápido ajuste de bitolas. Também em função da 
variação, o destopo é realizado em destopadeiras simples, não sendo viável, na maioria 
das vezes, a utilização de mesas de destopo contínuas. 
 
5.2.4 USO DAS TÉCNICAS CONVENCIONAIS 
 
 O processo convencional de desdobro de toras é um processo muito lento. 
A trajetória da tora e das peças serradas dentro da serraria é pouco automatizada, em 
função da variabilidade da matéria prima. Isto resulta em baixa produção e eficiência. 
 As técnicas convencionais de serraria são utilizadas no desdobro de 
madeiras de custo elevado e com muita variabilidade, em termos de espécies e 
diâmetros, normalmente se tratando de madeira nativa. Desta forma é justificado o uso 
destas técnicas, pois a baixa produção é compensada com o alto custo do produto final. 
 
 
5.3 TÉCNICAS MODERNAS DE SERRARIAS 
 
5.3.1 PÁTIO DE TORAS 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
64
 No pátio de uma serraria que utiliza técnicas modernas de desdobro, 
geralmente a matéria prima tem custo relativamente baixo, ou seja, é madeira de 
reflorestamento, com pouca variação de espécies, diâmetros e comprimentos. No caso 
da espécies, normalmente se houver mais de uma, estas serão espécies muito 
semelhantes. Sendo assim, uma serraria moderna pode desdobrar Pinus taeda e Pinus 
elliottii. Desta forma, pode-se dizer que a matéria prima tem uma certa homogeneidade, o 
que na maioria das vezes só é encontrado em madeiras de reflorestamentos. Ainda no 
pátio de toras, a madeira é descascada e selecionada por classes diamétricas. O 
descascamento, evita o desgaste desnecessário das ferramentas cortantes e propicia 
resíduos, no caso cavacos, de melhor qualidade. Em relação às classes diamétricas, 
estas serão poucas com muitos representantes em cada uma delas. 
 A chegada da madeira no pátio pode ser na forma de toras, o que ainda é 
mais usual ou, o que já adotado por certas serrarias, o recebimento de fustes inteiros. 
 O recebimento de fustes inteiros, permite uma melhor utilização da madeira, 
pois antes de ser traçado, o mesmo é rastreado por sensores fotoelétricos e logo após, 
com o auxílio de computador são definidas as melhores posições para a obtenção das 
toras. 
 As toras são classificadas por duas maneiras: mecanicamente,através da 
passagem das mesmas por placas ou pinos que registrarão seus diâmetros médios, ou 
também, por sensores fotoeletrônicos, os quais, como no caso dos fustes inteiros, 
também executam uma leitura mais precisa de toda a tora. As leituras são registradas e 
processadas em computador, o qual automaticamente define para cada tora um boxe 
contendo somente representantes de sua classe. Todo o caminho percorrido pela tora 
desde sua classificação até o boxe é automatizado. Portanto, ao chegar no boxe 
apropriado, a tora é empurrado para o mesmo através de dispositivos apropriados. 
 Como as classes diamétricas apresentam muitos representantes, é possível 
concentrar o trabalho em uma única classe por um período ou turno. Como os 
equipamentos de desdobro são ajustados para uma determinada classe diamétrica, 
pode-se aproveitar as suas máximas velocidades de desdobro. Desta forma, após o 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
65
ajuste dos equipamentos para uma determinada classe diamétrica, todas as toras 
receberão o mesmo tratamento dentro da serraria. 
 
5.3.2 DESDOBRO PRINCIPAL 
 
 Na utilização de técnicas modernas, o desdobro das toras é realizado, na 
maioria das vezes, em serras circulares de cortes duplos ou múltiplos, as quais têm uma 
maior velocidade de corte. Nestas operações, as toras são transformadas em pranchões, 
semi blocos ou blocos. Desta maneira, obtém-se uma alta produção, porém com muita 
perda de madeira na forma de costaneiras, as quais poderão ser transformadas em 
cavacos, no caso da serraria estar consorciada com uma indústria de celulose ou de 
chapas de partículas, ou então serem reaproveitadas em resserras de reaproveitamento. 
 
5.3.3 DESDOBRO SECUNDÁRIO 
 
 As peças oriundas do desdobro principal, normalmente são resserradas em 
serras múltiplas de um ou dois eixos, dependendo dos diâmetros utilizados pela indústria. 
Estes equipamentos proporcionam uma alta produção com muita perda de madeira na 
forma de serragem em função da grande espessura dos discos de serra. As peças 
externas do bloco obtido na resserragem, podem apresentar defeitos como esmoado 
(casca) em suas bordas, o que requer uma operação de refilo, a fim de serem 
reaproveitas. Desta maneira, as peças que saem da resserra têm dois destinos: as com 
defeitos nas bordas vão para uma serra circular refiladeira e as peças com as bordas 
perfeitas são enviadas diretamente para o destopo. Após o refilo, as peças com defeitos 
também seguem para o destopo. 
 Como as serrarias modernas operam com uma variação de comprimentos 
muito pequena, há a possibilidade de ser utilizada uma mesa contínua de destopo para tal 
operação. Após o destopo as peças são gradeadas e normalmente, enviadas a uma 
câmara de secagem. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
66
 Em função da indústria desdobrar uma única espécie ou espécies muito 
semelhantes em termos de propriedades, e dos diâmetros e comprimentos terem pouca 
variação, toda a movimentação das peças dentro da serraria é mecanizada, o que reduz a 
mão de obra, consequentemente aumentando a eficiência. 
 
5.3.4 USOS DAS TÉCNICAS MODERNAS 
 
 Em função da matéria prima e dos equipamentos utilizados, o desdobro da 
madeira através de técnicas modernas, implica num processo rápido. A trajetória da tora 
e das peças serradas dentro da serraria é realizada com grande automatização, em 
decorrência desta homogeneidade da matéria prima, a produção é alta com elevada 
eficiência. 
 Tais técnicas são utilizadas para o desdobro de madeiras de baixo custo e 
homogênea, ou seja, madeira de reflorestada. Desta forma, o baixo custo também do 
produto final é compensado pela elevada produção da indústria. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
67
6. SISTEMAS DE DESDOBRO 
 
6.1 CONTRAÇÕES 
 
 No desdobro de madeiras, antes de se tratar dos sistemas 
propriamente ditos, ou seja, nas formas mais corretas e adequadas de desdobro, 
deve-se conhecer uma característica muito importante da madeira que é a sua 
contração. À medida que a madeira perde água de adesão, aquela que se encontra 
nas paredes das células, esta irá sofrer contrações as quais irão alterar as suas 
dimensões inicias. 
 No momento do desdobro, a tora ainda possui umidade natural. Por 
este motivo, as peças devem ser cortadas com dimensões um pouco maiores que as 
desejadas, para compensar contrações que irão ocorrer durante a secagem. Este 
acréscimo nas dimensões é chamado de sobremedida. 
 A redução do volume que a madeira sofre é denominada de contração 
volumétrica, ou seja, o somatório das contrações axial, tangencial e radial. Tais 
contrações não são iguais e ocorrem dentro dos seguintes limites: contração axial 
varia de 0,1 a 0,3%, a contração radial varia de 2 a 8% e a contração tangencial 
varia de 4 a 14%. 
 As sobremedidas comumente utilizadas são 10 cm no comprimento 
para toras. No caso de madeira serrada, utiliza-se 2 cm no comprimento, 1 a 2 cm 
na largura e 2 mm para cada polegada de espessura. 
 
6.2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE DESDOBRO 
 
 Os sistemas de desdobro da madeira podem ser classificados em 
função de determinadas características. Quanto aos anéis de crescimento e raios 
lenhosos o desdobro pode ser tangencial ou radial. Quanto ao eixo longitudinal da 
tora pode ser paralelo ao eixo ou paralelo à casca. Já quanto à continuidade dos 
cortes, estes podem ser sucessivos ou em sanduíche, simultâneos ou alternados em 
relação ao eixo longitudinal. 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
68
6.2.1 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO AOS ANÉIS 
 DE CRESCIMENTO E RAIOS LENHOSOS 
 
6.2.1.1 CORTE TANGENCIAL 
 
 Este método de desdobro é o mais utilizado no desdobro de toras em 
serrarias. Consiste em se fazer cortes longitudinais paralelos, dividindo a tora em 
várias peças de faces paralelas. O primeiro fio de serragem é uma tábua com uma 
face plana e outra curvilínea denominada Costaneira. O segundo fio de serra origina 
uma segunda tábua com duas faces planas e os lados fortemente biselados, 
denominada bordaneira. Os cortes seguintes originarão peças normais, porém com 
suas bordas irregulares (FIGURA 64). 
 
 
 
FIGURA 64. SISTEMA DE CORTE TANGENCIAL EM SANDUÍCHE. FONTE 
TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Hoje em dia, com a utilização de técnicas de redução, onde numa 
máquina de desdobro principal, obtém-se um semi-bloco, pode ser realizado um 
sistema de desdobro tangencial modificado, onde do semi-bloco saem peças 
tangenciais em maior proporção (FIGURA 65). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
69
 
 
FIGURA 65. SISTEMA DE DESDOBRO TANGENCIAL DE SEMI-BLOCOS. 
FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Ainda, utilizando-se de técnicas modernas, a tora pode ser 
transformada em um bloco e este bloco pode ser resserrado em uma serra circular 
múltipla, onde, obtém-se a maioria de peças tangenciais (FIGURA 66). 
 
 
FIGURA 66. DESDOBRO DE BLOCOS, PARA A OBTENÇÃO DE PEÇAS 
TANGENCIAIS. 
 
 A principal vantagem do sistema de corte tangencial está no alto 
rendimento da madeira serrada. Seu inconveniente é a produção de tábuas que 
tendem para a forma côncava durante a secagem, à medida que as peças se 
afastam da peça central. Isto ocorre em função de uma diferença entre as 
contrações nos sentidos radial e tangencial. Este defeito pode ser atenuado, se as 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
70
tábuas forem serradas longitudinalmente, reduzindo-se a largura à metade, na 
operação de refilo ou canteagem. 
 
6.2.1.2 CORTE RADIAL 
 
 O corte radial é o mais utilizado no desdobro de madeiras para fins 
decorativos, pois evidencia o brilho das faixas de parênquima dos raios lenhosos. 
Faz-se o desdobro da tora no sentido radial de modo que as superfíciesserradas 
apresentem a maior área possível na direção dos raios (FIGURA 67). No corte radial 
típico, a tora é primeiramente cortada em quatro partes, com fios de serragem 
perpendiculares cruzando-se no centro da tora. A madeira obtida por cortes radiais 
sofre pequenas deformações, apresenta belo aspecto estético e é apreciada para 
trabalhos de marcenaria. 
 
 
FIGURA 67. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL TÍPICO. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 O sistema de corte radial pode também ser executado em máquinas de 
cortes múltiplos, onde após a tora ser transformada em quatro partes na máquina de 
desdobro principal, as peças passam em uma serra múltipla, normalmente circular 
de dois eixos. (FIGURA 68). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
71
 
FIGURA 68. SISTEMA DE CORTE RADIAL COM POSSIBILIDADE DE 
RESSERRAGEM EM SERRAS DE CORTES MÚLTIPLOS. FONTE: 
TUSET & DURAN ,1979. 
 
 Uma outra maneira de se desdobrar uma tora a fim de se obter peças 
radiais é através da realização de um corte simultâneo, onde obtém-se um semi-
bloco. Logo após, o semi-bloco é desdobrado ao meio e as duas peças resultantes 
são desdobradas em uma serra circular de cortes múltiplos (FIGURA 69). 
 
FIGURA 69. DESDOBRO DE TORAS EM SERRAS DE CORTES MÚLTIPLOS 
PARA OBTENÇÃO DE PEÇAS RADIAIS. A) DESDOBRO PRINCIPAL 
E RESSERRA. B) REFILO. 
 
 Tem-se ainda formas simplificadas de se desdobrar uma tora, visando-
se peças radiais. Uma maneira é secionar a tora ao meio e se realizar a resserragem 
em uma serra circular múltipla (FIGURA 70). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
72
 
FIGURA 70. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL SIMPLIFICADO COM 
POSSIBILIDADE DE RESSERRAGEM COM SERRA CIRCULAR 
MÚLTIPLA. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Outra maneira de se obter peças radiais é através da retirada de duas 
costaneiras grandes da tora, sendo uma de cada lado. O semi-bloco central é 
desdobrado de forma radial e posteriormente, as duas costaneiras restantes são 
desdobradas em uma serra circular múltipla (FIGURA 71). 
 
 
FIGURA 71. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL SIMPLIFICADO COM RETIRADA 
E RESSERRAGEM DE COSTANEIRAS, COM POSSIBILIDADE DE 
RESSERRAGEM COM SERRA CIRCULAR MÚLTIPLA. FONTE: 
TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Existem ainda, formas de se obter peças radiais em alta porcentagem. 
Um destes métodos é demonstrado na FIGURA 72. Porém, este método, em função 
da dificuldade de execução, só é justificado para o desdobro de peças estritamente 
decorativas. Este método pode ser um pouco facilitado, com o uso de serras 
múltiplas nas operações de resserragem. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
73
 
FIGURA 72. SISTEMA DE DESDOBRO RADIAL MODIFICADO PARA OBTENÇÃO 
DE PEÇAS COM FACES RADIAIS EM ALTA PORCENTAGEM. 
FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 O sistema de desdobro radial é indicado para atenuar defeitos de 
contração tangencial. Por exemplo: na construção de tonéis e barricas, evitando a 
perda de líquidos através dos raios lenhosos, construção de instrumentos musicais, 
em função da maior ressonância e para a obtenção de aspectos decorativos da 
superfície da madeira. 
 
6.2.1.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CORTES 
 TANGENCIAL E RADIAL 
 
ð Tangencial: 
T Aplicado para toras de qualquer diâmetro. 
T Mais simples de realizar que o corte radial. 
T Rendimento de madeira serrada por hora-máquina ou hora-homem maior. 
T Em madeiras com anéis de crescimento visíveis, se obtém uma maior 
porcentagem de peças com as superfícies apresentando desenhos parabólicos, 
angulares ou elípticos. Já no corte radial as superfícies apresentam-se com 
desenhos menos a trativos. 
T Os nós atravessam a peça obtida em sua espessura. Como consequência, 
apresentam-se nas superfícies com formas circulares ou ovais diminuindo em menor 
porcentagem a resistência mecânica da peça. 
T Peças com superfícies tangenciais apresentam uma contração menor em 
espessura. 
T A contração no sentido do comprimento é maior em superfícies tangenciais 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
74
T Em madeiras suscetíveis ao colapso, este apresenta-se em menor proporção em 
superfícies tangenciais 
T Peças com cortes tangenciais apresentam maior encanoamento 
 
ð Radial: 
T Devido às subdivisões necessárias para se obter peças com superfícies 
verdadeiramente radiais, não é aplicado para toras com diâmetros inferiores a 50 
cm. 
T Permite aproveitar as qualidades estéticas de madeiras que possuem raios 
lenhosos largos ou grã espiralada 
T Peças com superfícies radiais sofrem maior contração em espessura e menor na 
largura 
T Em espécies propensas ao colapso, este é mais frequente e mais marcante em 
peças radiais 
T Em geral, peças radiais são mais estáveis durante a secagem 
T Peças radiais não permitem a passagem de líquidos 
 
6.2.2 SISTEMAS DE DESDOBRO EM RELAÇÃO 
 AO EIXO LONGITUDINAL DA TORA 
 
6.2.2.1 CORTE PARALELO AO EIXO LONGITUDINAL DA TORA 
 
 Toda tora apresenta uma certa conicidade. Quando se desdobra uma 
tora paralelamente ao eixo da mesma, esta diferença entre os diâmetros (ponta 
grossa e ponta fina), origina costaneiras em forma de cunha. No final do corte, a 
peça central apresenta faces paralelas contendo a medula e a madeira adjacente à 
mesma (FIGURA 73). 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
75
 
FIGURA 73. SISTEMA DE DESDOBRO PARALELO AO EIXO LONGITUDINAL DA 
TORA. FONTE TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
6.2.2.2 CORTE PARALELO À CASCA 
 
 Este tipo de desdobro é utilizado quando a madeira de melhor 
qualidade encontra-se logo abaixo da casca. Por esta razão são realizados os cortes 
paralelos à casca. Tem-se como resultado que após alguns cortes a peça adquire 
um formato de tronco piramidal, constituída de madeira de segunda qualidade 
(FIGURA 74). Ao se realizar cortes paralelos à casca, o serrador deve estar atento 
às outras faces da tora. Isto evita que cortes numa face prejudiquem as outras faces, 
que poderão conter madeira igual ou de melhor qualidade. 
 
 
FIGURA 74. SISTEMA DE DESDOBRO PARALELO À CASCA. FONTE: TUSET & 
DURAN, 1979. 
 
 
ð Outros usos do corte paralelo à casca: 
 
 T Toras atacadas por fungos ou insetos 
 T Retirada de alburno da tora 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
76
6.2.3 CLASSIFICAÇÃO SEGUNDO A CONTINUIDADE DOS CORTES 
 
 
 
ð Cortes sucessivos ð sistema mais comum. Consiste na realização de cortes 
paralelos entre si. Pode ser denominado sanduíche. 
 
ð Cortes simultâneos ð realização de dois ou mais cortes de uma vez com a 
utilização de serras múltiplas. Recomendado para evitar ou diminuir 
manifestações de tensões de crescimento em espécies de rápido crescimento 
(FIGURA 75). 
 
ð Cortes alternados ð em relação ao eixo longitudinal da tora. Depois de um ou 
mais cortes sucessivos ou simultâneos em uma metade da tora, esta é girada e 
segue-se um número igual de cortes na metade oposta. Pode substituir o sistema 
de cortes simultâneos, com o objetivo de diminuir a manifestação de tensões de 
crescimento (FIGURA 76). 
 
 
FIGURA 75. SISTEMAS DE DESDOBRO ATRAVÉS DE CORTES 
SIMULTÂNEOS. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
FIGURA 76. SISTEMA DE DESDOBRO ATRAVÉS DE CORTES 
ALTERNADOS. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
77
6.2.4 DESDOBRO DE TORAS COM DEFEITOS 
 
 Os defeitos mais comuns encontrados em toras são sinuosidade, 
rachaduras e apodrecimento de cerne e alburno. No caso de sinuosidade, se esta 
for excessiva, deve-se reduzir o comprimento da tora, a fim de que o efeito da 
mesma seja minimizado. Se for pequena, efetua-se o corte tangencial normalmente. 
 No caso de rachaduras deve-se realizar cortes tangenciais paralelos às 
rachaduras ou à maior delas. (FIGURA 77). 
 
 
FIGURA 77. DESDOBRO DETORAS COM RACHADURAS. FONTE: TUSET E 
DURAN, 1979. 
 
 Quando a tora apresentar cerne apodrecido, este poderá ser separado 
da tora na forma de um semi-bloco central. as partes externas poderão ser 
desdobradas tangencialmente e o semi-bloco posteriormente é desdobrado 
tangencialmente, onde pode-se retirar a região apodrecida (FIGURA 78). O mesmo 
poderá ser realizado no caso de alburno apodrecido, sendo que a parte central da 
tora será a melhor aproveitada. Ainda no caso da parte mais externa da tora estar 
apodrecida, pode-se também realizar o corte paralelo à casca. 
 
 
FIGURA 78. DESDOBRO DE TORAS COM CERNE APODRECIDO. FONTE: 
TUSET & DURAN, 1979. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 78 
 7. MANUTENÇÃO DE SERRAS 
 
7.1 DENTES DE SERRAS 
 
 Todos os tipos de lâminas são constituídos de um corpo ou folha e 
dentes. Estes dentes são formados por entalhes e saliências, as quais realizam um 
ataque sucessivo aos feixes fibrosos da madeira, onde arrancam uma certa 
quantidade de madeira sob a forma de pequenas partículas, conhecidas como 
serragem. 
 
7.1.1 ELEMENTOS DOS DENTES 
 
 No traçado de um dente, vários elementos determinam sua forma e 
deverão ser calculados em função de diferentes fatores, os quais exercem influência 
nas operações de corte. 
 
A) Altura do dente (h) 
 
 A altura do dente corresponde à distância vertical entre a ponta e o 
fundo do dente (FIGURA 79). Aumentando-se a altura dos dentes, haverá um maior 
vão entre eles, o que possibilita uma maior velocidade de alimentação. Porém, não 
se pode aumentar a altura de um dente indefinidamente, pois sua resistência 
depende da relação entre sua altura e distância de um dente a outro. Na prática, um 
valor aconselhável para esta relação é: 
3
1
p
h
= 
onde: 
h = altura do dente 
p = passo do dente ou distância de um dente a outro 
 
B) Passo dos dentes (p) 
 
 O passo de um dente corresponde à distância entre dois dentes 
consecutivos. A escolha do valor do passo é em função de alguns fatores como tipo 
de madeira, velocidade da lâmina de serra, velocidade de alimentação, entre outros. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 79 
 O passo deverá ser escolhido em função da natureza da madeira, 
da velocidade da lâmina, do avanço e da profundidade de corte. Um passo grande 
demais aumenta o esforço sobre cada dente, gastando rapidamente o gume da 
lâmina e a serragem adquire uma consistência farinhenta. Um passo pequeno 
produz uma superfície serrada mais regular, mas exige maior consumo de energia. 
 Um passo pequeno implica necessariamente num fundo de dente 
pequeno e restringe o avanço da madeira a serrar, o que pode ser inconveniente 
numa serraria de grande produção. Se o ângulo da ponta do dente (β) e o ângulo de 
corte (γ) forem grandes, as costas do dente podem ser fortemente convexas, a fim 
de se evitar um passo excessivamente grande. 
 Os dentes com pontas recalcadas admitem e necessitam de um passo 
maior que os dentes travados. A diferença pode chegar a cerca de 35%. As fitas 
finas que geralmente têm dentes travados, devem ter dentes pequenos e passo 
também pequeno, a fim de que os dentes finos sejam suficientemente fortes. 
 Existem muitas espécies de madeiras que requerem forma de dentes e 
passo especiais. Essas exigências variam muito consideravelmente, especialmente 
no que se refere a certas madeiras tropicais. 
 
FIGURA 79. ELEMENTOS DOS DENTES DE SERRA. FONTE: UDDEHOLM, 
s.d. 
 
d = p = passo (espaço do dente) 
h = altura do dente (fundo) 
r = raio do dente 
A = α = ângulo livre ou de incidência 
B = β = ângulo da ponta do dente (ângulo de entrada ou ângulo de afiação) 
C = γ = ângulo de corte ou de saída de cavacos 
C(γ) + 90o = ângulo de ataque 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 80 
 C) Raio do dente 
 
Este elemento consiste no raio de curvatura da base do dente. Quando o raio é 
muito pequeno, ocorre uma concentração de tensões, o que é um perigoso indício 
de ruptura. O raio do dente é escolhido para permitir afiação com limas ou rebolos 
de perfis comerciais. 
 
D) Gancho do dente 
 
 O gancho do dente é a região entre um e outro dente. É a parte da 
serra mais suscetível ao aparecimento de fissuras. 
 
E) Ângulo livre ou de incidência (A, α ) 
 
 É o ângulo formado por uma reta que tangencia as pontas dos dentes e 
por outra que tangencia suas costas, passando pela ponta. Quanto maior for este 
ângulo, melhor será a penetração na madeira, portanto, cortando mais fácil. Porém, 
se este ângulo for muito grande, a ponta do dente torna-se enfraquecida. Se for 0o, o 
dorso do dente encosta na madeira, dificultando o avanço da peça serrada. 
Portanto, este ângulo nunca pode ser menor que 5o, sendo que na prática, seu valor 
é em torno de 30o. 
 
F) Ângulo da ponta do dente (B, β ) 
 
 É o ângulo formado pela ponta metálica do dente, determinando a sua 
resistência. Deve ser suficientemente grande para dar a rigidez necessária ao dente. 
Seu valor varia de 35o para madeiras macias a 65o para madeiras duras. 
 
G) Ângulo de corte e saída de cavacos (C, γ) 
 
Este ângulo também é chamado de ângulo de gancho e determina a 
capacidade de corte da lâmina. Deve ser adaptado ao tipo de madeira, velocidade 
de corte, tipo do dente (travado ou recalcado) e formato do dente. Quando este 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 81 
 ângulo é muito pequeno, a serra não corta e sim, repele a madeira, fazendo 
com que a lâmina retroceda no volante. Se for muito grande, os dentes penetram na 
madeira dificultando o corte, fazendo com que a lâmina deslize no volante. Seu valor 
deve estar entre 5o para madeiras duras a 35o para madeiras macias. 
 
H) Ângulo de ataque (γ + 90o) 
 
 Este ângulo é importante nas serras circulares, sendo um elemento 
influente na capacidade de corte. Seu valor varia de 95o a 125o. 
 
7.1.2 CARACTERÍSTICAS DOS DENTES DE SERRA 
 
A) Formato dos dentes 
 
 O formato e dimensões dos dentes exercem decisiva influência no 
resultado de corte e sua escolha depende de vários fatores: 
U Tipo de madeira í um formato de dente deve ser robusto quando se 
processa madeira dura, seca ou congelada, ou menos robusto, quando se processa 
madeira verde ou macia. Quando a madeira for mole, deixa-se mais espaço para o 
fundo do dente. 
U Direção de corte em relação às fibras í dentes de serra que cortam 
madeira transversalmente sofrem maior desgaste do que dentes que cortam madeira 
no sentido longitudinal. 
U Velocidade da lâmina í uma alta velocidade de lâmina está associada a 
madeira mole e elevadas velocidades de avanço, necessitando de dentes com 
fundos grandes. 
U Avanço í elevadas velocidades de avanço sujeitam os dentes de serras a 
um grande esforço, exigindo um formato robusto, porém, exigindo também fundos de 
dentes maiores. 
U Espessura da lâmina í lâminas finas requerem dentes mais robustos, 
enquanto que lâminas mais grossas permitem dentes menos robustos. 
U Profundidade de corte í Se as outras condições forem iguais, o aumento 
da profundidade de corte implica em maior espaço para o fundo do dente. Porém, 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 82 
 nestas condições a lâmina está sujeita a um maior esforço, compensando na 
redução do avanço. 
 
B) Formatos básicos dos dentes 
 
Ê Formato N: 
 Este formato é o mais utilizado para lâminas estreitas, ou seja, com 
larguras de até 50 mm (2”) (FIGURA 80). É um dente forte, recomendado para 
madeiras excessivamente duras com área do fundo relativamente pequena. Este 
formato é também conhecido como mareado. 
 
FIGURA 80. FORMATO DE DENTE DO TIPO N. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
Ë Formato O: 
 Este tipo de dente apresenta o fundo reto com uma grande área 
(FIGURA 81). É recomendado para madeiras com fibras grossase encordoadas e 
madeiras moles. Segundo muitos preparadores de serras, o fundo reto reduz o risco 
de fendas no fundo do dente. 
 
FIGURA 81. FORMATO DE DENTE DO TIPO O. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
Ì Formato S: 
 Este tipo de dente é o formato normal para lâminas largas, 
principalmente quando as pontas dos dentes forem recalcadas (FIGURA 82). Devido 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 83 
 à convexidade das costas do dente, o ângulo de saída é reduzido ao mínimo. 
Conhecido também como bico de papagaio. 
 
FIGURA 82. FORMATO DE DENTE DO TIPO S. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
Í Formato NS: 
 Este formato é uma combinação dos tipos N e S. Tem como vantagens 
uma ponta com alta capacidade de recalque e uma grande área de garganta 
(FIGURA 83). Desta forma, reduz o risco de surgimento de fendas e aumenta a 
capacidade de contenção de serragem. É recomendado para lâminas de 150 a 200 
mm, tanto para madeiras moles como para madeiras duras. Conhecido também 
como dente em gancho. 
 
FIGURA 83. FORMATO DE DENTE DO TIPO NS. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
Î Formato do tipo SB: 
 
 Este tipo de dente é utilizado para serrar madeira congelada. Possui 
um raio da garganta maior, o qual previne formação de fendas. O dente possui uma 
estabilidade lateral elevada, devido à pouca profundidade da garganta (FIGURA 84). 
Um ponto de transição no fundo da garganta, faz com que os cavacos congelados 
se quebrem, transformando-se em cavacos menores, o que proporciona uma ótima 
utilização da área da garganta, com o mínimo de fuga e adesão de serragem nas 
tábuas. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 84 
 
 
FIGURA 84. FORMATO DE DENTE DO TIPO SB. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
 
7.2 TRAVAMENTO DAS LÂMINAS 
 
 Para uma lâmina de serra passar sem atrito através do corte feito na 
madeira, a espessura de corte deve ser maior que a espessura da lâmina. Desta 
forma, obtém-se maior espessura de corte através das operações de travamento das 
serras as quais podem ser por torção ou por recalque. O travamento por torção é 
feito principalmente em serras estreitas e o travamento por recalque, por sua vez é 
feito em lâminas mais largas. Um dente recalcado é mais estável, não se flexiona ou 
vibra e proporciona maior durabilidade à serra. As serras travadas por torção tendem 
a perder o travamento e as serras travadas por recalque permitem maior velocidade 
de alimentação. 
 
7.2.1 TRAVAMENTO POR TORÇÃO 
 
 O travamento por torção consiste em se inclinar os dentes da serra, 
sendo um à direita e outro à esquerda alternadamente (FIGURA 85). Desta forma, o 
corte realizado é maior que a espessura da lâmina de serra. Durante a operação de 
travamento, pode-se deixar o 3o ou 4o dente sem trava, os quais servirão de guia 
para o operador. Esta operação pode ser realizada automaticamente, em máquinas 
apropriadas ou manualmente com um alicate de travar ou travador que consiste em 
um disco dotado de entalhes. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 85 
 
 
FIGURA 85. OPERAÇÃO DE TRAVAMENTO POR TOÇÃO EM DENTES DE 
SERRA. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
 A inclinação dos dentes, ou seja, a intensidade ad trava depende da 
espessura da lâmina e da dureza da madeira. Para madeiras duras e lâminas mais 
largas, o travamento não deve ser maior que 1/4 da espessura da lâmina. Para 
madeiras macias, o travamento pode alcançar até 1/2 da espessura da lâmina. Um 
travamento muito intenso resulta num corte muito espesso, submetendo a lâmina a 
esforços desnecessário, com maior consumo de energia e superfícies de corte com 
menor qualidade. Em contrapartida, um travamento muito pequeno provoca atrito 
desnecessário entre a lâmina e a madeira, também com excessivo consumo de 
energia e aquecimento da lâmina. Somente a ponta do dente deve ser travada. 
Dentes de serras torcidos até a base apresentam o surgimento de fendas. 
 
7.2.2 TRAVAMENTO POR RECALQUE 
 
 O travamento por recalque consiste em se amassar a ponta do dente 
de maneira uniforme. Tal operação provoca o alargamento da espessura do dente. 
O tamanho do recalque depende da dureza da madeira e da espessura da lâmina. 
Para madeiras macias, o recalque pode ser mais pronunciado. Esta operação pode 
ser realizada numa máquina de recalque automática ou no recalcador manual 
(FIGURA 86). 
Numa serra com dentes travados por recalque, cada dente realiza uma 
espessura de corte completa o que não acontece com dentes travados por torção, 
onde são necessários dois dentes para dar uma espessura de corte (FIGURA 87). 
Como resultado, uma serra com dentes recalcados gera maior produção com menor 
fadiga da serra. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 86 
 RECALCADOR MANUAL 
 
 
FIGURA 86. TRAVAMENTO DE SERRAS POR RECALQUE. FONTE: 
UDDEHOLM (s.d.). 
 
 
FIGURA 87. ESQUEMA DO FOI DE CORTE PARA DENTES TRAVADOS 
POR TORÇÃO E DENTES TRAVADOS POR RECALQUE. 
FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 Ao se realizar a operação de recalque, esta não deve ser feita de uma 
só vez, com pancadas rápidas e violentas, mas sim, de maneira suave e lenta. No 
recalcador manual a operação deve ser realizada 2 ou 3 vezes. No recalcamento 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 87 
 automático, a fita de serra deve passar 2 vezes sem que seja alterada a 
graduação da máquina. 
 O travamento por recalque tem algumas vantagens em relação ao 
travamento por torção, vistas a seguir: 
 U Corte mais retilíneo í dentes recalcados serram toda a madeira, 
permanecendo no eixo da lâmina, evitando tendências da lâmina empenar num 
sentido ou no outro. 
 U Maior resistência na ponta dos dentes í em função do recalque que 
sofreram, as serras apresentam um bom corte por um período mais longo. 
 U A intensidade do recalque permanece constante, determinando o 
traço da serra constante no decorrer da serragem. Dentes travados por torção 
perdem a trava em pouco tempo, principalmente ao impacto com os nós da madeira. 
U Serra recalcada apresenta um foi de serragem de menor espessura í vantagem 
de grande interesse, principalmente para madeiras de valor elevado, onde exige-se 
o mínimo de perda em serragem. 
 
7.2.3 ESTELITAGEM 
 
 Após o recalcamento, as pontas dos dentes podem ser revestidas com 
estelita, com auxílio de um maçarico de acetileno (FIGURA 88). Tal operação 
proporciona maior dureza e resistência. Após a estelitagem, faz-se a retificação dos 
dentes em um aparelho especial chamado alinhador ou igualizador, porém, o 
formato final do dente é proporcionado pela afiação. 
 
 
 
FIGURA 88. ASPECTOS DE UM DENTE ESTELITADO E ESQUEMA DE UM 
IGUALIZADOR. FONTES: UDDEHOLM (s.d.); TUSET & DURAN 
(1979). 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 88 
 7.3 AFIAÇÃO DAS SERRAS 
 
A finalidade de se afiar as serras é a de dar aos dentes forma e 
ângulos exatos. Um trabalho perfeito de afiação é muito importante para o aumento 
da durabilidade da serra. As serras são afiadas após serem travadas. 
 
7.3.1 CARACATERÍSTICAS DOS DENTES APÓS A AFIAÇÃO 
 
 Cada dente se serra deve ser controlado individualmente. As pontas 
devem estar retas e paralelas à superfície da madeira a ser cortada. Os ganchos dos 
dentes devem estar bem arredondados, sem saliências ou reentrâncias, tanto no 
dorso como na parte frontal, pois estas podem causar fendas na garganta do dente. 
A afiação pode ser realizada manualmente, através do uso de limas ou 
automaticamente, com rebolo ou esmeril. 
 
7.4 TENSIONAMENTO DAS LÂMINAS 
 
 A finalidade de se tensionar as lâminas de serras é de compensar a 
dilatação que as mesmas sofrem, em virtude do aquecimento provocado pelo atrito 
entre os dentes e a madeira. 
 
7.4.1 TENSÃO INTERNA DAS SERRAS DE QUADRO 
 
As serras de quadro raramente necessitam ser tensionadas, pois as 
mesmas trabalham submetidasa uma grande tensão proporcionada pela própria 
máquina, que é de 12 a 25 Kg/mm2, duas a três vezes maior que as serras de fita (7 
Kg/mm2). 
 
7.4.2 TENSÃO INTERNA DAS SERRAS CIRCULARES 
 
Uma serra circular não tensionada, em função do travamento ou 
recalque, apresenta maior aquecimento na periferia quando em trabalho, o que 
resulta no aparecimento de forças que provocam a dilatação da periferia. Somam-se 
ainda a estas forças, forças centrífugas, dando como resultado final vibrações 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 89 
 laterais da serra. É necessário compensar estas forças dando à lâmina tensões 
internas, as quais são geradas através de batidas com um martelo especial sem 
canto vivo (FIGURA 89), o que pode ofender o disco de serra. As batidas são 
realizadas em círculos concêntricos que são traçados sobre a superfície do disco de 
serra. Aumenta-se a intensidade das batidas à medida que ocorre a aproximação do 
centro do disco. Esta operação de martelamento requer perícia e pessoas 
especializadas. 
 
FIGURA 89. TIPOS DE MARTELOS UTILIZADOS NAS OPERAÇÕES DE 
MANUTENÇÃO DE SERRAS. FONTE: UDDEHOLM, s.d. 
 
As serras circulares depois de tensionadas, adquirem o formato de um 
disco côncavo em repouso. Quando em movimento, em função das forças de 
dilatação e centrífuga, tornam-se planas (FIGURA 90). 
 
 
FIGURA 90. SERRA CIRCULAR TENSIONADA. 1 – EM OPERAÇÃO; 2 – 
EM REPOUSO. FONTE: WILLISTON, 1989. 
 
A tensão interna da lâmina é dada em função da espessura do disco, 
do tipo de dente e da velocidade de trabalho. Se uma velocidade for diferente da 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 90 
 velocidade prevista, a serra deve ser novamente tensionada para a nova 
velocidade. Se a serra não for utilizada segundo as especificações do fabricante, 
pode haver aquecimento excessivo e esforços anormais. Esta situação provoca a 
perda rápida de tensão e após algum tempo de trabalho, a serra deve ser 
novamente tensionada. 
 
7.4.3 TENSIONAMENTO INTERNO DAS SERRAS DE FITA 
 
 Antes do tensionamento da lâmina, deve-se verificar se o dorso da 
lâmina encontra-se perfeitamente plano. Caso sejam verificadas concavidades ou 
convexidades é necessário que se faça o endireitamento. Esta operação é realizada 
em máquinas especiais, dotadas de roletes de pressão, onde se realiza uma 
operação cuidadosa com pressão suave, a fim de se evitar tensões desnecessárias 
na lâmina (FIGURA 91). Se o dorso for convexo, deve ser exercida pressão sobre a 
área compreendida entre a borda dentada e o centro. Se a lâmina estiver côncava, a 
pressão é exercida na outra metade. Esta pressão nos roletes deve decrescer 
gradativamente até a linha central da lâmina. O controle da retidão da lâmina se dá 
através de uma régua de 1,5 m, chamado de calibrador, o qual é encostado no 
dorso da lâmina (FIGURA 92). 
 
FIGURA 91. LAMINADOR UTILIZADO NAS OPERAÇÕES DE ENDIREITAMENTO 
E TENSIONAMENTO DE SERRAS DE FITA. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 91 
 
 
FIGURA 92. DEFEITOS NAS LÂMINAS DE SERRAS FITA. FONTE: UDDEHOLM, 
s.d. 
 
A) Tensão interna 
 
 O tensionamento interno das lâminas é realizado após o 
endireitamento da mesma, e consiste em se alongar no sentido do comprimento a 
parte central da lâmina. O dorso e a parte denteada tornam-se ligeiramente mais 
curtos que a parte média da lâmina. A máquina utilizada é o laminador, o mesmo 
utilizado nas operações de endireitamento (FIGURA 91). As linhas de tensionamento 
são marcadas previamente com giz e não chegam muito próximas da borda 
denteada da lâmina (FIGURA 93). 
 
FIGURA 93. MARCAÇÃO PRÉVIA DAS LINHAS PARA TENSIONAMENTO 
INTERNO DE LÂMINAS DE SERRAS DE FITA. FONTE: WILLISTON, 
1989. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 92 
 Normalmente quando a lâmina tensionada está montada na 
máquina, a parte em contato com os volantes produzirá uma coroa aderindo-se ás 
faces do volante, principalmente nas bordas (FIGURA 94). Desta forma, a borda 
cortante ficará rígida e correrá firmemente durante o funcionamento. A inflexibilidade 
e a rigidez da borda cortante irá manter-se, mesmo quando a lâmina de serra 
aquecer em consequência do funcionamento. A lâmina de serra se adaptará 
corretamente às faces dos volantes e ficará firme, apesar da pressão do avanço da 
peça a ser serrada. No caso de um tensionamento incorreto da lâmina, tem-se um 
mal ajuste da lâmina nos volantes, o que provoca as situações descritas na FIGURA 
95. 
 
FIGURA 94. RESULTADO DO TENSIONAMENTO CORRETO DE LÂMINAS DE 
SERRA FITA. FONTE: WILLISTON, 1989. 
 
FIGURA 95. RESULTADO DO TENSIONAMENTO INCORRETO DE 
LÂMINAS DE SERRA FITA. FONTE: WILLISTON, 1989. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 93 
 
B) Tensão de tração 
 
 O tensionamento de tração é obtido através do afastamento dos dois 
volantes que suportam a lâmina. Para lâminas largas a tensão de tração é de 
aproximadamente 7 Kg/mm2. Para se obter o perfeito tensionamento de tração de 
uma serra de fita tem-se a seguinte fórmula: 
)aL(e7T −××= Onde: 
T = Tensão de tração em Kg 
e = Espessura da lâmina em mm 
L = Largura da lâmina em mm 
a = Altura dos dentes em mm 
 
 
7.4.4 DESEMPENAMENTO 
 
 Para se verificar se uma lâmina está empenada, deve-se segura-la 
sobre a mão ou sobre um suporte, sustentando-a sobre o solo. Se a lâmina 
apresentar a tendência de formar um oito, isto significa que a mesma está 
empenada (FIGURA 96). 
 
 
FIGURA 96. SERRAS DE FITA EMPENADAS. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
 O empenamento de uma lâmina de serra fita é eliminado martelando-
se a lâmina diagonalmente no sentido do empenamento. Existe também a 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 94 
 possibilidade de na prática, desempena-la, caminhando-se sobre a mesma 
(FIGURA 97). 
 
FIGURA 97. FORMA PRÁTICA DE DESEMPENAMENTO DE LÂMINA DE SERRA 
FITA. FONTE: TUSET & DURAN, 1979. 
 
7.5 EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS PARA MANUTENÇÃO DE SERRAS 
 
7.5.1 SERRA FITA 
 
 U Laminador í utilizado para tensionamento e endireitamento das 
lâminas, com a finalidade de ajusta-la à pequena convexidade dos volantes da 
máquina e eliminar excessivas vibrações por desajuste da serra. 
 U Afiador í Utilizado para a afiação das serras. 
 U Recalcador í acessório manual utilizado para o travamento dos 
dentes de serra por recalque. Tem a finalidade de conferir livre passagem da lâmina 
na ocasião do corte. 
 U Igualizador í acessório manual que tem a finalidade de igualizar 
lateralmente as travas feitas pelo recalcador. 
 U Guilhotina í utilizada para cortar as extremidades da lâmina em 
ângulo reto com as bordas na ocasião do preparo da lâmina para a emenda. 
 U Chanfrador í efetua o chanfrado das duas extremidades da lâmina 
para a emenda. 
 U Forja í utilizada para o aquecimento das barras de solda para a 
emenda. 
 U Prensa í para emendar a lâmina. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 95 
 7.5.2 SERRA CIRCULAR 
 
 U Martelo para tensionamento da lâmina de serra. 
 U Acessório para travamento dos dentes de serra. 
 U Equipamento compacto para afiação das serras. 
 U Mesa convexa para tensionamento das serras. 
 
 
7.6 PRINCIPAIS DEFEITOS EM SERRAS E SUAS CAUSAS 
 
 Neste item são tratados os principais defeitos que ocorrem em serras 
de fita e circulares. Estes defeitos e suas causas são oriundos de coletas junto a 
empresas fabricantes de serras, empresas de manutenção de serras e experiências 
de profissionais da área de manutenção de serras. 
 
7.6.1 SERRA FITA 
 
a) Surgimento de fendas na borda dentada 
 
í Excesso de tensão, particularmente sobre a borda dentada. 
í Má distribuição transversal da tensão. 
í Aquecimento excessivo do dente na afiação, por ação forte do esmeril (velocidadeexcessiva, esmeril sujo). 
í Passo inadequado. 
í Regiões torcidas na fita. 
í Fita trabalhando fora dos volantes. 
í Fragmentos, serragem, resina ou gomas que se aglomeram na garganta dos 
dentes. 
í Fita mal afiada ou desafiada. 
í Defeito no recalque. 
í Falta de passagem com lima redonda na garganta dos dentes depois do 
esmerilhado com pedra. 
í Bordas dos volantes deformadas e especialmente com desgaste anormal dos 
volantes sob a borda dentada da fita. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 96 
 í Excessivo roçamento com as guias. 
í Tensão de montagem excessiva. 
í Velocidade de corte excessiva. 
 
b) Surgimento de fendas no dorso da lâmina 
 
í Má distribuição transversal da tensão. 
í Roçamento do dorso contra as guias. 
 
c) Surgimento de fendas na borda dentada e/ou no dorso da lâmina 
 
í Depois do trabalho, a fita fica esticada nos volantes. 
í Capacidade insuficiente da serra de executar determinado trabalho (potência ou 
tamanho dos volantes). 
í Má relação entre velocidade de avanço e velocidade linear. 
í Volantes mal alinhados. 
í Guias mal colocadas. Em ângulo com a fita, muito juntas ou a guia superior muito 
alta. 
í Mecanismo de alimentação (carro, trilhos, etc.) de avanço desparelhos. 
 
d) A fita se desvia do corte 
 
í Defeitos de aplainamentos ou torcimentos. 
í Tensão insuficiente na borda dentada. 
 
e) Corte em zigue-zague 
 
í Tensão insuficiente na borda dentada. 
í Roçamento excessivo contra as guias, fazendo com que a borda dentada perca a 
tensão. 
í Falta de afiação. 
í Trava ou recalque desparelhos. 
í Gargantas insuficientes. 
í Tensionamento excessivo. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 97 
 í Eixo deformado. 
í Mesa ou dispositivo de alimentação desalinhados. 
í Trava ou recalque insuficientes. 
 
f) A lâmina retrocede nos volantes 
 
 í Tensionamento insuficiente ou excessivo. 
 í Falta de afiação. 
 í Ângulo de ataque insuficiente para a velocidade de avanço. 
 í Eixo do volante inferior com defeito nos rolamentos. 
 í Dorso da fita com forma côncava. 
 
g) A fita desvia-se ao iniciar um corte 
 
í Falta de alinhamento vertical entre o centro do esmeril e o trilho na máquina 
afiadora. 
í Pedra do esmeril fora de posição vertical em relação à lâmina de serra. Um 
costado do dente fica mais agressivo que o outro. 
 
h) Corte ondulado 
 
í Borda dentada muito apertada (falta de tensão). 
í Dentes com altura excessiva e com pouco corpo. 
í Gargantas pequenas para a velocidade de avanço. 
 
i) Ruptura na solda ou emenda 
 
í Emenda muito grossa ou muito frágil em relação à espessura da lâmina. 
í Deficiências na solda ou emenda (excessivamente dura, pouco material, torcida, 
etc.) 
 
j) Surgimento de torcimentos 
 
í Volantes mal alinhados. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 98 
 í Guia superior e/ou inferior mal alinhadas. 
í Eixos dos roletes do tensionador desalinhados. 
í No tensionador a fita se desloca obliquamente em relação ao eixo longitudinal dos 
roletes. 
 
7.6.2 SERRA CIRCULAR 
 
a) Corte ondulado e vibrações 
 
í Disco com periferia mais alargada que o centro. 
 
b) Amassados grandes 
 
í Fragmentos rígidos entre o disco e a guia. 
í Alimentação da madeira não paralela ao plano do disco. 
 
c) Desvios no corte 
 
í Trava ou recalque insuficientes. 
í Excesso de tensionamento. 
í Desigualdade entre os dentes, ângulos e travas. 
í Tensão inadequada para a velocidade periférica aplicada. 
 
d) Roçamento com algumas das guias 
 
í Disco excessivamente frouxo. 
í Ajuste incorreto das guias. 
í Presença de abaolados na zona periférica. 
 
e) Surgimento de fendas 
 
í Falta de afiação. 
í Queimaduras com esmeril (excessiva velocidade). 
í Limagem excessiva na graganta do dente ou próximo a esta. 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 99 
 í Travamento ou recalque insuficientes. 
í Tensionamento insuficiente. 
 
f) Corte côncavo e ondulado 
 
í Disco excessivamente frouxo. 
 
g) Rotação oscilante 
 
í Disco mal centrado no eixo. 
í Tensão incorreta para a velocidade periférica desenvolvida. 
 
h) Ruptura dos dentes 
 
í Trava ou recalque em excesso. 
í Falta de afiação. 
 
i) Aquecimento da zona central 
 
í Eixo deformado. 
í Mesa ou dispositivo de alimentação desalinhados. 
í Trava ou recalque insuficientes. 
 
j) Aquecimento da zona periférica 
 
í O disco se introduz na madeira excessivamente (flecha, luz ou raio de curvatura 
insuficientes). 
í Dorso dos dentes muito alto (ângulo de saída pequeno). 
í Guias muito próximas do disco. 
í Serragem, resina ou gomas, fragmentos nos dentes ou entre o disco e a madeira. 
í Trava ou recalque insuficientes. 
í Disco demasiadamente rígido entre a periferia e o orifício central, para a 
velocidade periférica aplicada. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
 
100 
 l) Redução da velocidade durante o corte 
 
í Potência Insuficiente. 
í Relação deficiente entre velocidade de avanço e velocidade periférica. 
í Flecha ou raio de curvatura insuficientes. 
 
m) Vibração e resonância tipo sirene 
 
í Velocidade periférica excessiva. 
í Excesso de dentes. 
í Vibração por defeito nos rolamentos do eixo. 
 
n) O disco tende a sair ou introduzir-se na madeira 
 
í Dentes mais afiados em direção da madeira. 
í Recalque mal igualado, maior em direção da madeira. 
í O disco aquece na periferia. 
í Tensionamento feito para uma velocidade menor. 
í Disco demasiadamente tensionado na zona central para a velocidade utilizada. 
 
o) O disco tende a sair da madeira 
 
í Velocidade de alimentação excessivamente alta. 
 
p) O disco tende a introduzir-se excessivamente na madeira 
 
í Velocidade de alimentação excessivamente baixa. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
101
8. PROJETOS DE INDÚSTRIAS MADEIREIRAS 
 
8.1 INTRODUÇÃO 
 
 Nos custos totais de um empreendimento industrial a participação 
direta das atividades de um projeto tem importância secundária, contribuindo 
normalmente com menos de 10% dos custos totais do investimento. 
 Um projeto em sua forma material é constituído principalmente por 
documentos técnicos, os quais são elaborados por especialistas nos diversos 
campos da engenharia que são abrangidos pelo empreendimento. 
 Os documentos que constituem um projeto são de caráter 
administrativo e sua manipulação e consulta são obrigatórios durante a elaboração e 
execução do projeto. Um projeto conterá os seguintes elementos listados, 
independente do seu porte: 
Ê Documentos básicos de consulta e referência: 
 U Proposta aceita 
 U Contratos e seus anexos 
 U Normas de procedimento e de coordenação 
 U Documentos administrativos 
Ë Documentos técnicos: 
U Desenhos 
4Arranjos físicos 
4 Plantas de locação 
4 Fluxogramas de processo 
4Fluxogramas de utilização 
4 Etc. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
102
U Memoriais e especificações 
4 Memoriais descritivos 
4Memoriais de cálculos 
4 Especificações de material 
4 Especificações de execuções 
4 Etc. 
 
U Listagens 
4Listas de material 
4 Listas de equipamentos 
4 Listas de placas indicativas 
4 Listas de linhas e de acessórios de tabulações 
4 Etc. 
 
U Manuais e instruções 
4 Instruções para montagem 
4 Manual de operações 
4 Manual de manutenção 
 
U Diversos 
4 Folhas de dados 
4 Requisições de material 
4 Croquis 
4 Relatórios de computador 
4 Etc. 
Ì Documentos de planejamento e controle: 
 U Estimativas 
 U Diagramas 
 U Gráficos de barras 
 U Organogramas 
 U Folhas de programação 
 U Relatórios de processos 
 U Etc. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
103
 Outro aspecto a ser considerado é a aprovação do projetopor órgãos 
oficiais, os quais irão autorizar sua materialização nas fases preliminares do projeto. 
Os principais órgãos oficiais que participam na aprovação de um projeto industrial 
são: 
 U Departamento de águas e energia elétrica 
 U Entidade estadual de controle de poluição 
 U Entidade estadual ou municipal de engenharia sanitária 
 U Conselho nacional de petróleo 
 U Corpo de bombeiros 
 U Prefeitura municipal 
 Tais órgão podem variar conforme o estado ou município. 
 A metodologia adotada na elaboração do projeto, pode assumir 
diversas formas. Em algumas indústrias, os projetos assumem uma sequência 
extremamente linear, fluindo naturalmente de uma atividade para outra. 
 Indústrias mais complexas requerem uma participação paralela e 
intimamente relacionadas com diversas equipes, calculando e detalhando 
tecnologias distintas, porém, interdependentes. 
 A orientação básica de um projeto industrial deve obedecer 
naturalmente a experiência de engenheiros e técnicos especialistas em cada tipo de 
indústria. 
 
8.2 LOCALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA 
 
 A localização de uma indústria é avaliada sob dois aspectos: macro-
região ou macrolocalização e micro-região ou microlocalização. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
104
 A determinação da localização física de uma indústria é um problema 
fundamental a ser resolvido. Trata-se da escolha entre algumas alternativas, da 
localização mais vantajosa, que atenda os objetivos que norteiam a implementação 
da indústria. Esta localização é definida em duas etapas: 
í Primeira etapa í macrolocalização: 
 Define a região onde será instalada a indústria. Esta definição é em 
função de aspectos econômicos e técnicos. Os aspectos econômicos estão 
relacionados com condições de mercado, abundância de matéria prima, custos de 
vários insumos, etc. Os aspectos técnicos, por sua vez dizem respeito às condições 
climáticas, facilidades de acesso, comunicação, etc. 
í Segunda etapa í microlocalização: 
 Define o local efetivo de construção da indústria. A microlocalização 
está relacionada principalmetne com as condições físicas do solo, características de 
relevo, proximidade do suprimento de insumos (água, energia elétrica, etc.). 
 
8.3 ARRANJO FÍSICO 
 
 Esta é a tarefa mais importante de quem projeta uma indústria. Após a 
definição da localização, dá-se a definição do arranjo mais adequado de homens, 
máquinas e materiais sobre uma determinada área física. Consiste na disposição 
dos elementos de forma seja minimizado o transporte, definido um fluxo adequado 
de produção, eliminados pontos críticos da produção, definida a saída de resíduos, 
etc. A partir daí, entra-se na fase de “Layout”, a qual consiste na disposição ou 
arranjo físico dos equipamentos. Este arranjo físico está relacionado com a 
disposição das edificações no terreno e arranjo dos equipamentos e postos de 
trabalhos no interior de uma edificação. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
105
 Na elaboração do arranjo físico deve-se procurar a melhor disposição 
para se conjugar equipamentos, homens e fases do processo, permitindo o máximo 
de rendimento dos fatores de produção. 
 
8.4 INSTALAÇÕES DA INDÚSTRIA 
 
 Este tópico abrange as instalações de processo e instalações 
auxiliares. Agrupa de acordo com a finalidade, os diversos sistemas integrados. Diz-
se ser um sistema o conjunto de equipamentos, acessórios, dispositivos e meios de 
condução, voltados para uma mesma finalidade definida e específica. Tais sistemas 
formam o conjunto de instalações da indústria. Cada sistema é considerado um item 
autônomo para fins de projeto, construção e montagem, desde que sejam pré-
fixados os seus vínculos com os demais sistemas de instalação e fatores 
condicionantes do empreendimento. 
 Outros sistemas participam apenas indiretamente da produção e 
asseguram o funcionamento da indústria, como fornecimento de energia, suprimento 
de fluidos para refrigeração ou aquecimento e possibilitando trabalhos de 
manutenção, limpeza e controle de instalações. 
 Para se atingir o equilíbrio necessário entre os diversos sistemas, é 
fundamental a definição de um fluxograma geral de produção. Estabelecido este 
fluxograma é possível determinar os pontos de utilização dos diferentes materiais e 
pontos de consumo de energia. Cria-se para cada sistema independente o seu 
próprio fluxograma. Os sistemas de instalações de uma indústria são classificados 
em 5 grupos fundamentais: 
 ¶ Sistemas de movimentação e de armazenagem de materiais 
 · Sistemas de tubulação 
 ¸ Sistemas elétricos 
 ¹ Sistemas de comunicação 
 º Sistemas de instrumentação 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
106
¶ Sistemas de movimentação e de armazenagem de materiais: 
 O sistema de transportes internos é parte ponderável nos custos de 
produção e deve ser racionalizado para que seja reduzido ao essencial. 
 A armazenagem de materiais de transporte contribui diretamente no 
aumento do capital de giro necessário para a operação da indústria. Além disso, 
requer áreas cobertas ou pátios de armazenagem que oneram os investimentos 
iniciais em terreno e construção civil. Um projeto de sistemas de movimentação e de 
armazenagem de materiais na indústria, baseia-se num fluxograma do processo. 
Nele serão identificadas e relacionadas atividades de produção, atividades de 
transporte, atividades de inspeção, pontos de espera e pontos de armazenagem. 
· Sistemas de tubulação: 
 A articipação das tubulações nas instalações da indústria é ampla. 
Integram este sistema os tubos propriamente ditos e os acessórios e equipamentos 
que permitem seu funcionamento. Os acessórios são válvulas, purgadores, 
separadores, filtros, peças de ligação, etc. Os meios de acionamento de fluidos são 
as bombas e compressores. Os materiais de isolamento são calhas, isolantes, 
bandagens de proteção, vedantes, pinturas, etc. 
¸ Sistemas elétricos: 
 A energia elétrica consumida numa indústria destina-se normalmente 
ao suprimento de força motriz, alimentação de sistemas de iluminação, 
instrumentação e controle, sinalização e aquecimento, etc. 
 Os sistemas elétricos são um dos itens de maior peso na composição 
dos custos de implantação podendo atingir até 20% dos custos totais. Os sistemas 
elétricos merecem cuidados especiais no projeto e execução. Alguns princípios 
fundamentais devem ser respeitados nos sistemas elétricos, como confiabilidade, 
funcionalidade e padronização de componentes. Por serem vitais para a operação 
da indústria, os sistemas elétricos têm que ser confiáveis e com elevada qualidade 
de seus componentes. 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
107
¹ Sistemas de comunicação: 
 Os sistemas de comunicação devem ser considerados nas etapas 
iniciais do projeto. As instalações desses sistemas permitem um relacionamento 
entre órgão e serviços entre si e com serviços externos. As comunicações internas 
ou externas têm como função principal acelerar o processo decisório em todos os 
escalões da empresa e assegurar um fluxo rápido de informações, proporcionando a 
plena utilização dos recursos da indústria. 
º Sistemas de instrumentação: 
 Estes sistemas têm como objetivo básico medir, registrar e controlar os 
custos de produção e manter em nível elevado a qualidade do produto. Um sistema 
de instrumentação torna-se importante á medida que crescem os custos de mão de 
obra e aumentam os riscos de falha humana. A utilização desses sistemas tem 
função em processos de produção complexos e em equipamentos sensíveis de 
elevada eficiência. Sistemas mais modernos permitem um controle automático e 
contínuo das operações, efetuando as correções necessárias no elemento 
controlado, sem a necessidade de supervisão permanente. 
 Nas indústrias com processo contínuo háuma maior aplicação da 
instrumentação, em razão da rapidez requerida para as respostas de decisões e dos 
grandes volumes de matéria prima em processo. 
 
8.5 O AMBIENTE NA INDÚSTRIA 
 
 São envolvidas com o ambiente na indústria, todas as técnicas 
capazes de criar na mesma um ambiente funcional, onde os operadores possam 
desempenhar com eficiência e conforto, as atividades profissionais e que ao mesmo 
tempo sejam obedecidos os requisitos impostos pelo produto e pelo processo 
produtivo. 
 Para a criação de um ambiente tecnicamente controlado, deve-se levar 
em conta, além do conforto humano, o respeito aos critérios técnicos que os 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
108
definem. Os principais elementos condicionantes do ambiente são: luz, temperatura, 
umidade, odores, poeira, cores e sons. 
 O controle da umidade numa indústria de fiação é fundamental, a fim 
de se evitar rupturas no processamento dos teares. Na indústria de papéis 
fotográficos a ausência de poeira e luz em algumas seções é imprescindível. 
 A análise destes fatores pode ser com base em iluminação, clima, 
cores e acústica. A correta observação das recomendações técnicas, conjugadas 
com as exigências de conforto físico proporcionam um ambiente industrial agradável 
e uma adequação ao bom desempenho da indústria, aumenta a rentabilidade, 
mantendo elevados padrões de qualidade. 
 
8.6 SEGURANÇA NA INDÚSTRIA 
 
 Na implantação de uma indústria deve-se levar em conta as 
instalações e o pessoal que eventualmente estejam sujeitos a riscos de várias 
origens. Tais riscos podem prejudicar ou impedir a produção, gerando prejuízos à 
empresa e perda preciosa de vidas. 
 Os principais riscos são: 
 U Danos causados por agentes naturais (terremotos, inundações, 
vendavais, etc.) 
 U Incêndios e explosões 
 U Roubos e furtos 
 U Riscos de engenharia 
 O cuidado contra tais riscos começa na escolha do local, o qual deve 
ser livre de inundações e menos expostos aos agentes naturais. Tal cuidado 
continua ao longo do projeto com a escolha de processos e materiais de construção 
adequados, previsão de sistemas e equipamentos de prevenção com alarmes e 
combates às várias formas de sinistros. Os cuidados continuam durante as obras e a 
operação da indústria. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
109
 Na operação da indústria são necessários todos os esforços para 
reduzir os acidentes de trabalho, prevenir furtos de material de eventuais segredos 
de produção (espionagem industrial). 
 
8.7 EDIFICAÇÕES INDUSTRIAIS 
 
 As edificações representam uma boa parcela nos investimentos 
necessários à implantação da indústria. Tais edificações abrigam e suportam as 
instalações, requerendo portanto, cuidados na concepção e detalhamento. 
 Os objetivos básicos das edificações industriais são: 
 U Proteger as instalações e seus operadores contra agentes da 
natureza como sol, vento, chuva, etc., assegurando um ambiente tecnicamente 
adequado ao trabalho e produção. 
 U Sustentar, transferindo para o solo as cargas decorrentes dos 
equipamentos, materiais e operadores, constituindo um conjunto integrado com as 
instalações. 
 As edificações industriais devem ser consideradas parte integrante e 
atuante das instalações da indústria. Podem influir na climatização do ambiente, na 
iluminação do ambiente, na insonorização do ambiente, nos sistemas de transporte, 
nos sistemas de fluidos e na segurança das instalações e operadores. 
 O arranjo físico também é condicionado pelas limitações impostas 
pelas edificações como vãos livres e pés direitos. Podem repercutir diretamente na 
produtividade da indústria e nos custos operacionais. 
 As edificações devem reunir em sua concepção soluções que 
assegurem adequação ao processo, manutenção simples, custos iniciais baixos, 
ambiente de trabalho adequado, durabilidade compatível com o restante das 
instalações e facilidade para acréscimos e modificações futuras. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
110
9. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO 
 
9.1 INTRODUÇÃO 
 
 O primeiro obstáculo na teoria sobre planejamento e controle da 
produção consiste na grande variedade dos tipos de indústrias, o que impede uma 
forma padrão de planejar e controlar a produção de uma maneira que possa ser 
aplicado a todas as indústrias. 
 Um sistema de produção é um processo planejado, onde os elementos 
são transformados em produtos úteis (FIGURA 96). 
 
IIINNNSSSUUUMMMOOOSSS 
UUUNNNIIIDDDAAADDDEEESSS DDDEEE 
CCCOOONNNVVVEEERRRSSSÃÃÃOOO 
PPPRRROOODDDUUUTTTOOOSSS 
Materiais Máquinas Produtos 
Estoques Transporte Cliente 
Dados Interpretação Conhecimentos 
Doente Terapia Sadio 
 
FIGURA 96. CARACTERIZAÇÃO DE UM SISTEMA DE PRODUÇÃO. 
 
 A finalidade operacional de uma empresa é transformar matéria prima 
em produtos acabados, colocando-os à disposição dos consumidores. Portanto, o 
planejamento e controle da produção (PCP) é o responsável pela coordenação de 
vários departamentos dentro de uma indústria. Desta maneira, o PCP, a tende as 
solicitações do departamento de vendas, providenciando o atendimento no prazo e 
quantidades solicitados. 
 Desta forma, o PCP é um departamento generalista que precisa 
entender um pouco de tudo, participando em quase todos os problemas da empresa. 
Pode-se dizer que o PCP é um departamento com ENFOQUE GLOBAL. 
 Desta forma, a gerência industrial da empresa, espera que o PCP 
mantenha pressão constante na produção e outros departamentos, a fim de que 
sejam cumpridos todos os planos de produção preestabelecidos. 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
111
9.2 EVOLUÇÃO DA ESTRUTURA DE ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA 
 
9.2.1 Estrutura em linha 
 
 Neste tipo de estrutura, as funções gerenciais não são divididas, ou 
seja não existem departamentos e/ou divisões. É uma estrutura comum nas 
pequenas empresas. O empresário contrata vendedores que são subordinados ao 
gerente de vendas. Contrata um contador que avalia a carga de tarefas financeiras e 
fiscais da empresa (FIGURA 97). 
 A função financeira é a mais difícil de ser delegada nas pequenas e 
médias empresas, onde muitas vezes estas não dispõem de tal função. 
 
ë Gerente de vendas ë Gerente de produção ë Contador 
Vendedores 
Mestres 
Operários 
Escriturário 
 
FIGURA 97. FLUXOGRAMA DE UMA PEQUENA EMPRESA COM 
ESTRUTURA EM LINHA. 
 
 Com o crescimento da empresa fica difícil a manutenção de uma 
estrutura em linha. 
 
9.2.2 Estrutura em “staff” ou de apoio 
 
 Com o contínuo crescimento da empresa, o gerente de produção tem 
grande aumento em suas responsabilidades, ficando impossibilitado de criar cargos 
de delegação direta, pois os mesmos trazem mais encargos. 
 O crescimento que ocorria para baixo, começa a crescer para os lados. 
Algumas funções de linha e tarefas afins são submetidas a um especialista que 
assessora o homem de linha. Em conseqüência, dá-se a criação do “staff” ou 
assessoria. 
 As funções do “staff” não são criadas de uma só vez e não exigem 
autoridade específica sobre o pessoal de nível operacional. Por exemplo: o projeto 
do produto, pesquisa de mercado, controle de custos, etc. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
112
 Existem ainda as assessorias de coordenação, as quais servem de 
linha, fazendo a coordenação entre os demais departamentos de apoio com a 
organização em linha, no planejamento e controle da produção, provavelmente 
como único exemplo de apoio de coordenação de uma indústria. 
 
9.3 ORGANIZAÇÃO DE UMA EMPRESA DE PORTE MÉDIO 
 
 Numa indústria de porte médio, a estrutura de organização é típica de 
todos os setores que crescem especialmente para os lados. Desta forma as próprias 
chefias tornam-se melhor caracterizadas (FIGURA 98). 
 
GERÊNCIADE 
MARKETING 
GERÊNCIA 
INDUSTRIAL 
GERÊNCIA 
FINANCEIRA 
Vendas Distribuição 
Pesquisa de 
mercado 
Controle 
orçamentário 
Controle de 
custos 
Contabilidade 
Vendedores Escriturário 
Engenharia PCP Compras Produção 
Controle 
de 
qualidade 
Manutenção 
Recursos 
humanos 
Seção de fabricação Linha de montagem 
Todas as funções em NEGRITO são do tipo “staff” 
FIGURA 98. ORGANIZAÇÃO DE UMA EMPRESA DE PORTE MÉDIO. 
 
 O PCP é o setor responsável pela coordenação de vários 
departamentos da fábrica. Visa um bom atendimento às solicitações do 
departamento de vendas, providenciando que todas sejam atendidas com prazo e 
quantidades exigidos. O planejamento da produção determina como, onde e a que 
custo um produto desenvolvido deverá ser manufaturado. Portanto, fornece dados 
básicos para o estabelecimento da programação. 
 
 
 
 
 
 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
113
9.4 TIPOS DE PRODUÇÃO E FLUXO DE INFORMAÇÕES E PRODUÇÃO 
 
9.4.1 Tipos de produção e tamanho da empresa 
 
 A estrutura da empresa e o fluxo de informações variam com o tipo de 
produção e tamanho da empresa. Da mesma forma, o PCP a ser empregado 
também é influenciado pelo tipo de produção e tamanho da empresa. Existem dois 
tipos básicos de produção: 
 U Contínua 
U Intermitente 
í repetitiva 
í sob encomenda 
 
 O fator que determina se uma indústria é contínua ou intermitente diz 
respeito ao tempo de preparação de um equipamento e seu uso sem alteração. 
Numa indústria contínua, as operações são preparadas para semanas ou meses. 
Desta forma, visualiza-se um único fluxo de transformação de matérias prima em 
produtos acabados (FIGURA 99). Já numa indústria intermitente, a preparação é 
grande em relação ao tempo de operação. Quando atinge-se uma quantidade 
necessária, novas preparações são realizadas para a execução de outras tarefas. 
Na produção intermitente não se visualiza facilmente um fluxo de produção (FIGURA 
100). 
 
 í í í í í 
 
 Matéria Prima Operações Produto acabado 
FIGURA 99. ESQUEMA DE UMA PRODUÇÃO DO TIPO CONTÍNUA. 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
114
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 100. ESQUEMA DE UMA PRODUÇÃO DO TIPO INTERMITENTE. 
 
 Na prática, é difícil uma indústria puramente contínua ou intermitente. 
Pode-se chamar de indústria contínua, aquela puramente de processo, como a 
química, petroquímica, papel, papelão, cimento, alimentos e linhas de montagem em 
geral. Pode-se chamar de indústrias intermitentes, as indústrias de móveis, 
eletrodomésticos, máquinas de um modo geral, autopeças, equipamentos de 
escritório, motores elétricos, turbinas, transformadores e centrais elétricas. 
 Dependendo do tamanho da empresa, o PCP torna-se mais ou menos 
complexo. Numa fábrica de móveis onde são fabricados 10.000 itens diferentes, o 
PCP torna-se mais complexo do que numa fábrica que produz um único tipo de 
móvel. Desta forma, o sistema PCP a ser empregado varia conforme o tipo de 
produção e tamanho da empresa. 
 
9.5 PLANEJAMENTO E CONTROLE NA INDÚSTRIA 
 
 O PCP é uma função de apoio de coordenação das várias atividades 
da produção, de acordo com os planos de produção, a fim de que os mesmos sejam 
Matéria 
Prima Máquinas 
Produto 
Acabado 
 
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atendidos com ótima economia e eficiência. Desta forma, o PCP é identificado como 
uma função de apoio de coordenação. 
 O PCP não é uma atividade fim e sim uma atividade meio. Serve de 
apoio ao departamento de produção e departamento de compras, os quais devem 
cumprir suas finalidades de acordo com o departamento de vendas. Sendo assim, o 
PCP torna-se generalista, precisando entender um pouco de tudo, onde seu enfoque 
é global e não particular. 
 Outra definição de PCP é em função da administração que planeja, 
dirige e controla o suprimento de material e atividades de processamento da 
empresa. 
 A Gerência industrial espera do PCP que o mesmo mantenha pressão 
constante sobre a produção, compras e outros departamentos, para o cumprimento 
dos planos de produção preestabelecidos, consequentemente atingindo o 
faturamento previsto. 
 O Departamento de vendas espera que o PCP seja um intérprete 
dentro da fábrica, tornando a produção o mais flexível possível, para o atendimento 
das oscilações das vendas e mudanças de prioridades de atendimento aos clientes. 
 O Departamento de produção espera que o PCP emita programas 
estáveis e de grandes quantidades, aumentando a produtividade e diminuindo os 
custos. 
 Desta forma, o PCP deverá encontrar um equilíbrio nas condições de 
eficiência à empresa como um todo. O PCP de uma indústria pode ser comparado 
ao sistema nervoso do corpo humano. Se não for, pelo menos os chefes do 
departamento PCP são quase sempre homens nervosos. 
 
9.5.1 Principais responsabilidades do PCP 
 
 U Organização e planejamento: 
 Sequenciamento de operações, da programação, movimentação e 
coordenação de inspeção e controle de materiais, métodos, ferramental e tempos 
operacionais. 
 
 
 
 
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116
 U Organização: 
 Suprimento e movimentação de recursos humanos e utilização de 
máquinas e atividades relacionadas com o objetivo de atingir os resultados de 
produção desejados em termos de qualidade, quantidade, tempo e lugar. 
 Pode-se observar que não existe um acordo generalizado sobre o que 
é PCP. O sistema adotado dependerá principalmente: 
 U Tipo de produção e tamanho da empresa 
 U Número de diferentes artigos produzidos 
 Como visto, o PCP é uma atividade de apoio à produção, encarregado 
de coordenar todas as atividades fabris, visando atingir um atendimento do 
programa de produção dentro dos prazos e quantidades previstos. 
 
9.5.2 Análise do PCP sob três pontos de vista 
 
 U GERÊNCIA INDUSTRIAL: 
 
 Preocupa-se em cumprir um plano geral de produção. Espera que o 
PCP mantenha pressão na produção, compras e outros departamentos, a fim de 
cumprir uma meta de produção preestabelecida. 
 
 U DEPARTAMENTO DE VENDAS: 
 
 Está preocupado com o consumidor. Visa oferecer melhores produtos 
com menor preço possível. Espera do PCP que este seja um representante junto à 
produção. Os pedidos devem ser atendidos em tempo certo e qualidade desejada. 
 
 U DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO: 
 
 Encarregado da eficiência da produção, ou seja, com a produtividade. 
Espera do PCP programas mais estáveis possíveis e informações com máxima 
antecedência. O PCP deve ser responsável pelo atendimento da programa de 
produção. 
 
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117
 Pode-se concluir que vendas e produção são divergentes. Sendo 
assim, o PCP deve buscar um equilíbrio para dar condições de eficiência à empresa 
como um todo. 
 
9.5.3 Tipos de PCP 
 
 Existem três tipos de produção: 
 U Contínua 
 U Intermitente repetitiva 
 U Intermitente sob encomenda 
 Dentro destes tipos existe semelhança entre o PCP aplicado em 
determinadas fases. Na classe intermitente (repetitiva e sob encomenda), 
desempenha funções perante as alterações freqüentes, em relação ao tipo de 
produto produzido. Na produção repetitiva se produz antes que os produtos sejam 
vendidos (estoque). Tem-se então um PCP do tipo por ordem. Na produção sob 
encomenda, só se produz depois que o produto foi vendido, sendo o PCP do tipo 
projetos especiais. Em indústrias contínuas as funções do PCP são desenvolvidas 
com extrema repetição e pouca variedade, sendo o PCP do tipo por fluxo. 
 Nas indústrias pequenas e médias normalmente encontram-se tipos 
mistos de produção, além de seremaceitas encomendas de produtos fora da linha. 
Neste caso, o PCP será por ordem, por fluxo e para projetos especiais. 
 
9.5.4 Pré-requisitos do PCP 
 
 São indispensáveis ao PCP í dois pré-requisitos: 
 U Roteiro de produção 
 U Planejamento global 
 
í Roteiro de produção: 
 
 Consiste numa tarefa do departamento de engenharia, o qual projeta o 
produto formalizando-o através de desenhos e especificações. A engenharia 
industrial determina como o desenho será montado, quais os métodos de fabricação 
 
TÉCNICAS E PLANEJAMENTO EM SERRARIAS – Márcio Pereira da Rocha 
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dos componentes (fluxogramas), relação geral de peças e sequência de operações 
e matérias primas e máquinas. 
 
í Planejamento global: 
 
 Consiste basicamente no ajuste do programa de produção para um 
determinado período a partir das perspectivas de vendas, da capacidade de 
produção e dos recursos financeiros disponíveis. 
 
9.5.5 Funções do PCP 
 
 U Planejamento e controle de estoques 
 U Emissão de ordens 
 U Programa das ordens de fabricação 
 U Movimentação das ordens 
 U Acompanhamento da produção 
 
¶ Planejamento e controle de estoques: 
 
 Função pela qual o PCP mantém a produção abastecida com matérias 
primas, peças, acessórios, material auxiliar, etc. Precisa estar em contato direto com 
a emissão de ordens. Deve preocupar-se em não imobilizar demasiadamente os 
recursos financeiros o estoque. 
 
· Emissão de ordens: 
 
 Consiste na preparação dos programas de produção através da 
tomada de providências para se ter em tempo todos os itens necessários aos 
programas como matéria prima, peças compradas, peças fabricadas e produtos 
acabados. 
 
 
 
 
 
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¸ Programa de ordens de fabricação: 
 
 Consiste na verificação de viabilidade do atendimento das ordens de 
fabricação. 
 
¹ Movimentação de ordens: 
 
 A partir da movimentação das ordens de fabricação, tem-se as 
informações do que foi fabricado. 
 
º Acompanhamento da produção: 
 
 Possivelmente é a função mais importante. Permite a introdução de 
correções que garantirão a execução do programa previsto. Consiste basicamente 
na comparação entre o que foi programado e o que foi produzido. 
 120
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
 
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WILLISTON, M. (ed.). Lumber Manufacturing: The Design and Operation of 
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WILLISTON, Ed. M. Saws: Design, Selection, Operation, Maitenance. Miller 
Freeman Publications, Inc. San Francisco, 1989. 450p.

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