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18.1
•
Sistema endócrino e homeostasia
Os hormônios locais ou circulantes do sistema endócrino contribuem para a homeostasia regulando a atividade e o crescimento
das células-alvo no corpo. O metabolismo também é controlado pelos hormônios.
Ao  entrar  na  puberdade,  meninos  e  meninas  começam  a  desenvolver  diferenças  notáveis  na  aparência  física  e  no
comportamento. Talvez em nenhum outro período da vida seja tão evidente o impacto do sistema endócrino na condução do
desenvolvimento e regulação das funções corporais. Nas meninas, os estrogênios promovem o acúmulo de tecido adiposo
nas mamas e nos quadris, modelando a forma feminina. Ao mesmo tempo ou um pouco depois, níveis cada vez mais altos
de  testosterona nos meninos começam a produzir massa muscular e a aumentar as pregas vocais,  resultando em uma voz
mais grave. Essas alterações são apenas alguns exemplos da forte influência das secreções endócrinas. De maneira menos
drástica,  talvez,  inúmeros hormônios ajudam a manter a homeostasia diariamente. Eles regulam a atividade dos músculos
lisos, do músculo cardíaco e de algumas glândulas; alteram o metabolismo; estimulam o crescimento e o desenvolvimento;
influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos estabelecidos pelo núcleo supraquiasmático do
hipotálamo.
Comparação do controle exercido pelos sistemas nervoso e
endócrino
 OBJETIVO
Comparar o controle das funções corporais pelo sistema nervoso e pelo sistema endócrino.
1.
18.2
•
Os sistemas nervoso e endócrino atuam juntos para coordenar funções de todos os sistemas do corpo. Lembre­se de que o
sistema nervoso atua por meio de impulsos nervosos (potenciais de ação) conduzidos ao longo dos axônios dos neurônios.
Nas  sinapses,  os  impulsos  nervosos  desencadeiam  a  liberação  de  moléculas  mediadoras  (mensageiras)  chamadas  de
neurotransmissores (mostradas na Figura 12.23). O sistema endócrino  também controla atividades corporais por meio da
liberação de mediadores, chamados hormônios, porém os meios de controle dos dois sistemas são bastante diferentes.
Um hormônio é uma molécula mediadora liberada em alguma parte do corpo que regula a atividade celular em outras
partes do corpo. A maioria dos hormônios entra no líquido intersticial e, depois, na corrente sanguínea. O sangue circulante
leva  hormônios  às  células  de  todo  o  corpo.  Tanto  os  neurotransmissores  quanto  os  hormônios  exercem  seus  efeitos
ligando­se  a  receptores  encontrados  nas  suas  “células­alvo”.  Inúmeros  mediadores  atuam  tanto  como  neurotransmissor
quanto  como  hormônio.  Um  exemplo  comum  é  a  norepinefrina,  que  é  liberada  como  neurotransmissor  pelos  neurônios
pós­ganglionares simpáticos e como hormônio pelas células cromafins da medula da glândula suprarrenal.
Muitas vezes, as respostas do sistema endócrino são mais lentas que as respostas do sistema nervoso; embora alguns
hormônios ajam em segundos, a maioria demora alguns minutos ou mais para produzir uma resposta. Em geral, os efeitos
da  ativação  pelo  sistema nervoso  são mais  breves  que  os  do  sistema  endócrino. O  sistema nervoso  atua  em glândulas  e
músculos específicos. A influência do sistema endócrino é muito mais ampla; ajuda a regular praticamente todos os tipos
de células do corpo.
Teremos  várias  oportunidades  de  ver  como  os  sistemas  endócrino  e  nervoso  funcionam  juntos,  como  um
“supersistema” interconectado. Por exemplo, determinadas partes do sistema nervoso estimulam ou inibem a liberação de
hormônios pelo sistema endócrino.
A Tabela 18.1 compara as características dos  sistemas nervoso e endócrino. Neste capítulo, nos concentraremos nas
principais  glândulas  endócrinas  e  tecidos  produtores  de  hormônio  e  examinaremos  como  seus  hormônios  controlam  as
atividades corporais.
 TESTE RÁPIDO
Enumere  as  semelhanças  e  as  diferenças  entre  os  sistemas  nervoso  e  endócrino  com  relação  ao  controle  da
homeostasia.
Glândulas endócrinas
 OBJETIVO
Distinguir as glândulas exócrinas das endócrinas.
Lembre­se do que foi dito no Capítulo 4, o corpo contém dois  tipos de glândulas: exócrinas e endócrinas. As glândulas
exócrinas  secretam seus produtos para ductos que conduzem as secreções para cavidades corporais, para o  lúmen de um
órgão  ou  para  a  superfície  externa  do  corpo. As  glândulas  sudoríferas  (suor),  sebáceas  (óleo), mucosas  e  digestivas  são
exócrinas. As glândulas endócrinas  secretam  seus  produtos  (hormônios)  no  líquido  intersticial  que  circunda  as  células
secretoras e não para ductos. Do líquido intersticial, os hormônios se difundem para os capilares sanguíneos e o sangue os
transporta para as células­alvo pelo corpo. Em virtude da dependência do sistema circulatório para distribuir seus produtos,
as glândulas endócrinas são alguns dos tecidos mais vascularizados do corpo. Considerando que a maioria dos hormônios é
necessária em quantidades bem pequenas, os níveis circulantes são tipicamente baixos.
A hipófise e as glândulas  tireoide, paratireoides,  suprarrenais e pineal  (Figura 18.1) são glândulas endócrinas. Além
disso,  vários  órgãos  e  tecidos  não  são  exclusivamente  classificados  como glândulas  endócrinas, mas  contêm células  que
secretam hormônios, sendo eles hipotálamo, timo, pâncreas, ovários, testículos, rins, estômago, fígado, intestino delgado,
pele, coração, tecido adiposo e placenta. Juntas, todas as glândulas endócrinas e células secretoras de hormônio constituem
o  sistema  endócrino.  A  ciência  da  estrutura  e  da  função  das  glândulas  endócrinas  e  do  diagnóstico  e  tratamento  dos
distúrbios desse sistema chama­se endocrinologia.
TABELA 18.1 Comparação entre o controle exercido pelos sistemas nervoso e endócrino.
CARACTERÍSTICA SISTEMA NERVOSO SISTEMA ENDÓCRINO
Moléculas mediadoras Neurotransmissores liberados localmente em resposta
a impulsos nervosos
Hormônios levados para os tecidos de todo o corpo
pelo sangue
1.
•
•
•
•
•
2.
3.
4.
Local de ação do mediador Próximo ao local de liberação, na sinapse; liga-se aos
receptores encontrados na membrana pós-sináptica
Longe do local de liberação (habitualmente); liga-se
aos receptores encontrados nas células-alvo
Tipos de células-alvo Células musculares (lisas, cardíacas e esqueléticas),
células glandulares, outros neurônios
Células por todo o corpo
Tempo para iniciar a ação Tipicamente, milissegundos (milionésimos de
segundo)
De segundos a horas ou dias
Duração da ação Geralmente mais breve Geralmente mais longa (de segundos a dias)
FUNÇÕES DO SANGUE
Ajudam a regular:
A composição química e o volume do meio interno (líquido intersticial)
O metabolismo e o equilíbrio energético
A contração das bras musculares lisas e cardíacas
As secreções glandulares
Algumas atividades do sistema imunológico.
Controlam o crescimento e o desenvolvimento.
Regulam o funcionamento dos sistemas reprodutores.
Ajudam a estabelecer os ritmos circadianos.
Figura 18.1 Localização de muitas glândulas endócrinas. Outros órgãos que contêm células endócrinas e estruturas associadas
também são mostrados.
As glândulas endócrinas secretam hormônios, que são levados pelo sangue até os órgãos­alvo.
2.
18.3
•
•
Qual é a diferença básica entre glândulas endócrinas e exócrinas?
 TESTE RÁPIDO
Enumere  três órgãos ou  tecidos que não  sejam exclusivamente  classificados  como glândulas endócrinas, mas
que contenham células que secretem hormônios.
Atividade hormonal
 OBJETIVOS
Descrever como os hormônios interagem com os receptores nas células­alvo
Comparar as duas classes químicas de hormônios de acordo com sua solubilidade.
Função dos receptores hormonais
Embora  um  determinado  hormônio  percorra  o  corpo  pelo  sangue,  ele  atua  apenas  em  células­alvo  específicas.  Os
hormônios, assim como os neurotransmissores, influenciam suas células­alvo por meio de ligações químicas a receptores
proteicos específicos. Apenas as células­alvo de um dado hormôniopossuem receptores que se ligam e reconhecem aquele
hormônio. Por  exemplo,  o hormônio  tireoestimulante  (TSH)  se  liga  a  receptores nas  células  da glândula  tireoide,  porém
não se liga a células dos ovários, pois as células ovarianas não possuem receptores de TSH.
Os  receptores,  assim como outras proteínas celulares,  são constantemente  sintetizados e degradados. Em geral, uma
célula­alvo possui 2.000 a 100.000 receptores para um determinado hormônio. Se a concentração de um hormônio estiver
muito elevada, o número de  receptores na célula­alvo pode diminuir – efeito chamado de  infrarregulação.  Por  exemplo,
quando  determinadas  células  dos  testículos  são  expostas  a  uma  elevada  concentração  de  hormônio  luteinizante  (LH),  o
número  de  receptores  de  LH  diminui.  A  infrarregulação  torna  uma  célula­alvo  menos  sensível  ao  hormônio.  Em
contrapartida,  quando  a  concentração  de  um  hormônio  é  muito  baixa,  o  número  de  receptores  pode  aumentar.  Esse
fenômeno, conhecido como suprarregulação, torna uma célula­alvo mais sensível a um hormônio.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Bloqueio dos receptores hormonais
Existem hormônios sintéticos que bloqueiam os receptores de alguns hormônios que ocorrem naturalmente. Por exemplo, RU486 (mifepristona), que é usado
para induzir aborto, se liga aos receptores de progesterona (um hormônio sexual feminino) e não deixa que a progesterona exerça seu efeito normal, nesse caso o de
preparar o revestimento uterino para implantação. Quando uma gestante usa RU486, as condições uterinas necessárias para suprir o embrião não são mantidas, o
desenvolvimento embrionário é interrompido e o embrião se desprende do revestimento uterino. Esse exemplo ilustra um importante princípio endócrino: se um
hormônio é impedido de interagir com seus receptores, não consegue realizar suas funções normais.
Hormônios locais e circulantes
A  maioria  dos  hormônios  endócrinos  consiste  em  hormônio  circulante  –  eles  passam  das  células  secretoras  que  os
produzem  para  o  líquido  intersticial  e,  depois  disso,  para  o  sangue  (Figura  18.2A).  Outros  hormônios,  chamados
hormônios locais, atuam nas células vizinhas ou nas mesmas células que os secretaram sem, primeiro, entrar na corrente
sanguínea (Figura 18.2B). Os hormônios locais que atuam nas células vizinhas são chamados de parácrinos e aqueles que
atuam  nas  mesmas  células  que  os  secretaram  são  chamados  de  autócrinos.  A  interleucina­2  (IL­2),  liberada  pelos
linfócitos T auxiliares (um tipo de leucócito) durante respostas imunológicas (ver Capítulo 22), é um exemplo de hormônio
local. A  IL­2  ajuda  a  ativar  outras  células  imunológicas  próximas,  um  efeito  parácrino. No  entanto,  também  atua  como
hormônio autócrino ao estimular a proliferação da mesma célula que a liberou. Essa ação gera mais linfócitos T auxiliares,
que podem secretar ainda mais IL­2 e, desse modo, intensificar a resposta imune. Outro exemplo de um hormônio local é o
gás óxido nítrico  (NO),  liberado pelas células endoteliais que  revestem vasos  sanguíneos. O NO promove o  relaxamento
das fibras musculares lisas próximas nos vasos sanguíneos, o que, por sua vez, causa vasodilatação (aumento do diâmetro
do vaso  sanguíneo). Os  efeitos dessa vasodilatação variam desde diminuição da pressão  sanguínea  até  a  ereção do pênis
nos homens. O medicamento Viagra® (sildenafila) intensifica os efeitos estimulados pelo óxido nítrico no pênis.
Figura 18.2 Comparação entre hormônios circulantes e locais (autócrinos e parácrinos).
Os hormônios circulantes são transportados na corrente sanguínea para atuar em células­alvo distantes. Os
parácrinos agem nas células vizinhas e os autócrinos nas mesmas células que os produzem.
1.
No estômago, a liberação de histamina pelos mastócitos circunvizinhos é um estímulo para a secreção de
ácido clorídrico pelas células parietais. Nessa situação, a histamina é autócrina ou parácrina?
Em geral, os hormônios locais são inativados rapidamente; os hormônios circulantes podem permanecer no sangue e
exercer  seus  efeitos  por  alguns  minutos  ou,  às  vezes,  por  algumas  horas.  Em  tempo,  os  hormônios  circulantes  são
inativados  pelo  fígado  e  excretados  pelos  rins.  Em  casos  de  insuficiência  renal  ou  hepática,  é  possível  observar  níveis
sanguíneos muito elevados de hormônios.
Classes químicas dos hormônios
Do ponto de vista  químico,  os hormônios podem ser  divididos  em duas grandes  classes:  lipossolúveis  e  hidrossolúveis.
Essa classificação química também é funcionalmente útil porque as duas classes exercem seus efeitos de maneira diferente.
Hormônios lipossolúveis
Os hormônios lipossolúveis englobam os hormônios esteroides, os hormônios da tireoide e o óxido nítrico.
Os hormônios esteroides são derivados do colesterol. Cada hormônio esteroide é único em decorrência de diferentes
grupos  químicos  fixados  em  vários  locais  nos  quatro  anéis  no  núcleo  da  sua  estrutura.  Essas  pequenas  diferenças
2.
3.
1.
2.
3.
1.
2.
3.
possibilitam uma grande diversidade de funções.
Dois hormônios da tireoide (T3 e T4) são sintetizados pela conexão de iodo ao aminoácido tirosina. Os dois anéis de
benzeno em T3 ou T4 tornam essas moléculas muito lipossolúveis.
O gás óxido nítrico  (NO)  é  tanto  um hormônio  quanto  um neurotransmissor.  Sua  síntese  é  catalisada  pela  enzima
óxido nítrico sintase.
Hormônios hidrossolúveis
Os  hormônios  hidrossolúveis  englobam  os  hormônios  aminados,  hormônios  proteicos  e  peptídicos  e  hormônios
eicosanoides.
Os hormônios aminados  são  sintetizados  pela  descarboxilação  (remoção  da molécula  de  CO2)  ou modificação  de
determinados aminoácidos. São chamados de aminados porque retêm um grupo amina (–NH3+). As  catecolaminas –
epinefrina,  norepinefrina  e  dopamina  –  são  sintetizadas  pela  modificação  do  aminoácido  tirosina.  A  histamina  é
sintetizada  a  partir  do  aminoácido  histidina  por  mastócitos  e  plaquetas.  A  serotonina  e  melatonina  derivam  do
triptofano.
Os  hormônios  peptídicos  e  os  hormônios  proteicos  são  polímeros  de  aminoácidos.  Os  menores  hormônios
peptídicos são compostos por cadeias de 3 a 49 aminoácidos; os maiores hormônios proteicos apresentam 50 a 200
aminoácidos.  O  hormônio  antidiurético  e  a  ocitocina  são  exemplos  de  hormônios  peptídicos;  o  hormônio  do
crescimento  humano  e  a  insulina  são  hormônios  proteicos.  Vários  hormônios  proteicos,  como  o  hormônio
tireoestimulante, possuem grupos de carboidrato afixados e, dessa forma, são hormônios glicoproteicos.
Os hormônios eicosanoides são derivados do ácido araquidônico, um ácido graxo de 20 carbonos. Os dois principais
tipos  de  eicosanoides  são  as  prostaglandinas  (PG)  e  os  leucotrienos  (LT).  Os  eicosanoides  são  importantes
hormônios locais, podendo atuar também como hormônios circulantes.
A Tabela 18.2 resume as classes de hormônios hidrossolúveis e lipossolúveis e fornece uma visão geral dos principais
hormônios e seus locais de secreção.
Transporte hormonal no sangue
A maior parte das moléculas de hormônio hidrossolúvel circula no plasma aquoso sanguíneo na forma “livre” (não ligado a
outras  moléculas),  porém  a  maioria  das  moléculas  de  hormônio  lipossolúvel  encontra­se  ligada  a  proteínas
transportadoras. As proteínas de transporte, sintetizadas pelos hepatócitos, apresentam três funções:
Tornar  os  hormônios  lipossolúveis  temporariamente  hidrossolúveis,  aumentando,  desse modo,  sua  solubilidade  no
sangue.
Postergar a passagem de moléculas hormonais pequenas pelo mecanismo de filtragem nos  rins,  reduzindo, assim, a
perda hormonal na urina.
Oferecer uma pronta reserva de hormônio na corrente sanguínea.
Em geral,  0,1  a  10% das moléculas  de  um hormônio  lipossolúvel  não  estão  ligadas  a  uma  proteína  transportadora.
Essa fração livre se difunde para fora dos capilares, se liga a receptorese desencadeia respostas. Conforme as moléculas
livres de hormônio deixam o  sangue  e  se  ligam a  seus  receptores,  as proteínas  transportadoras  liberam novas moléculas
para repor a fração livre.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Administração de hormônios
Tanto os hormônios esteroides quanto os da tireoide são efetivos por via oral. Esses hormônios não sofrem degradação durante a digestão e atravessam com
facilidade o revestimento intestinal por serem lipossolúveis. Em contrapartida, hormônios proteicos e peptídicos, como a insulina, não são efetivos por via oral porque
as enzimas digestivas os destroem, quebrando suas ligações peptídicas. Esse é o motivo pelo qual as pessoas dependentes de insulina precisam administrá-la por
injeção.
3.
4.
5.
18.4
•
 TESTE RÁPIDO
Qual é a diferença entre infrarregulação e suprarregulação?
Identifique as classes químicas dos hormônios e dê um exemplo de cada.
Como os hormônios são transportados no sangue?
Mecanismos de ação hormonal
 OBJETIVO
Descrever os dois mecanismos gerais da ação hormonal.
A  resposta  a  um hormônio  depende  tanto  do  hormônio  propriamente  dito  quanto  da  sua  célula­alvo. Várias  células­alvo
respondem  de  maneira  diferente  ao  mesmo  hormônio.  A  insulina,  por  exemplo,  estimula  a  síntese  de  glicogênio  nos
hepatócitos e a síntese de triglicerídios nos adipócitos.
A  resposta  a  um  hormônio  nem  sempre  é  a  síntese  de  novas moléculas,  como  no  caso  da  insulina.  Outros  efeitos
hormonais incluem alteração da permeabilidade da membrana plasmática, estimulação do transporte de uma substância para
dentro ou para fora de células­alvo, alteração da velocidade de reações metabólicas específicas e promoção de contrações da
musculatura  lisa ou cardíaca. Esses efeitos variados dos hormônios são possíveis em parte porque um único hormônio é
capaz  de  desencadear  várias  respostas  celulares  diferentes.  No  entanto,  em  primeiro  lugar,  é  preciso  que  o  hormônio
“anuncie a sua chegada” à célula­alvo por meio da ligação com seus receptores. Os receptores de hormônios lipossolúveis
estão  localizados dentro das  células­alvo,  enquanto os  receptores de hormônios hidrossolúveis  fazem parte da membrana
plasmática das células­alvo.
TABELA 18.2 Resumo dos hormônios por classe química.
CLASSE QUÍMICA HORMÔNIOS LOCAL DE SECREÇÃO
LIPOSSOLÚVEIS 
Hormônios esteroides 
Aldosterona, cortisol e androgênios 
Calcitriol 
Testosterona 
Estrogênios, progesterona
Córtex da glândula suprarrenal 
Rins 
Testículos 
Ovários
Hormônios da tireoide T3 (tri-iodotironina), T4 (tiroxina) Glândula tireoide (células foliculares)
Gás Óxido nítrico (NO) Células endoteliais do revestimento dos vasos
sanguíneos
HIDROSSOLÚVEIS 
Aminas 
Epinefrina, norepinefrina (catecolaminas) 
Melatonina 
Histamina 
Serotonina
Medula da glândula suprarrenal 
Glândula pineal 
Mastócitos nos tecidos conjuntivos 
Plaquetas no sangue
Peptídios e proteínas Todos os hormônios hipotalâmicos de liberação e inibição 
Ocitocina, hormônio antidiurético 
Hormônio do crescimento humano, hormônio
Hipotálamo 
Neuro-hipó se 
Adeno-hipó se 
tireoestimulante, hormônio adrenocorticotró co, hormônio
foliculoestimulante, hormônio luteinizante, prolactina,
hormônio melanócito-estimulante 
Insulina, glucagon, somatostatina, polipeptídio pancreático 
Paratormônio 
Calcitonina 
Gastrina, secretina, colecistocinina, GIP (peptídio
insulinotrópico dependente de glicose) 
Eritropoetina 
Leptina
Pâncreas 
Glândulas paratireoides 
Glândula tireoide (células parafoliculares) 
Estômago e intestino delgado (células
enteroendócrinas) 
Rins 
Tecido adiposo
Eicosanoides Prostaglandinas, leucotrienos Todas as células exceto as hemácias
Ação dos hormônios lipossolúveis
Conforme  dito  anteriormente,  os  hormônios  lipossolúveis,  inclusive  os  hormônios  esteroides  e  tireóideos,  se  ligam  a
receptores dentro das células­alvo. Seu mecanismo de ação ocorre da seguinte forma (Figura 18.3):
Um  hormônio  lipossolúvel  livre  se  difunde  do  sangue,  pelo  líquido  intersticial  e  através  da  bicamada  lipídica  da
membrana plasmática, para dentro da célula.
Se a célula for uma célula­alvo, o hormônio se liga aos receptores localizados no citosol ou no núcleo, ativando­os. O
complexo  receptor­hormônio  ativado  modifica  a  expressão  do  gene:  ativa  e  desativa  genes  específicos  do  DNA
nuclear.
Com  a  transcrição  do  DNA,  ocorre  formação  de  novo  RNA  mensageiro  (mRNA)  que  deixa  o  núcleo  e  entra  no
citosol, onde dirige a síntese de uma nova proteína, muitas vezes uma enzima, nos ribossomos.
As novas proteínas alteram a atividade das células e causam respostas típicas do hormônio em questão.
Figura 18.3 Mecanismo de ação dos hormônios lipossolúveis esteroides e tireóideos.
Hormônios lipossolúveis se ligam a receptores dentro das células­alvo.
Qual é a ação do complexo receptor­hormônio?
Ação de hormônios hidrossolúveis
Por não serem lipossolúveis, os hormônios aminados, peptídicos, proteicos e eicosanoides não conseguem se difundir pela
bicamada lipídica da membrana plasmática e se ligar aos receptores dentro das células­alvo. Em lugar disso, os hormônios
hidrossolúveis  se  ligam  a  receptores  que  se  projetam  da  superfície  da  célula­alvo.  Esses  receptores  são  proteínas
transmembrana  integrantes  da  membrana  plasmática.  Quando  um  hormônio  hidrossolúvel  se  liga  a  seu  receptor  na
superfície  externa  da membrana  plasmática,  ele  atua  como primeiro mensageiro.  O  primeiro mensageiro  (o  hormônio)
promove a produção de um segundo mensageiro dentro da célula, onde acontecem respostas específicas estimuladas pelo
hormônio.  O  AMP  cíclico  (cAMP)  é  um  segundo  mensageiro  comum.  Neurotransmissores,  neuropeptídios  e  vários
mecanismos  de  transdução  sensorial  (p.  ex.,  visão;  ver  Figura 17.16)  também  atuam  por  meio  de  sistemas  de  segundo
mensageiro.
A ação de um típico hormônio hidrossolúvel ocorre da seguinte maneira (Figura 18.4):
O  hormônio  hidrossolúvel  (primeiro mensageiro)  se  difunde  do  sangue  pelo  líquido  intersticial  e,  depois  disso,  se
liga a seu receptor na superfície externa da membrana plasmática de uma célula­alvo. O complexo receptor­hormônio
ativa  uma  proteína  da  membrana  chamada  de  proteína G.  A  proteína  G  ativada,  por  sua  vez,  ativa  a  adenilato
ciclase.
A  adenilato  ciclase  converte ATP  em AMP  cíclico  (cAMP). Uma  vez  que  o  local  ativo  da  enzima  é  na  superfície
interna da membrana plasmática, essa reação ocorre no citosol da célula.
O AMP cíclico (segundo mensageiro) ativa uma ou mais proteinoquinases, as quais podem estar livres no citosol ou
ligadas à membrana plasmática. A proteinoquinase  é uma enzima que  fosforila  (adiciona um grupo fosfato) outras
proteínas celulares (como enzimas). O doador do grupo fosfato é o ATP, que é convertido em ADP.
As  proteinoquinases  fosforilam  uma  ou  mais  proteínas  celulares.  A  fosforilação  ativa  algumas  dessas  proteínas  e
inativa outras, como um interruptor.
As  proteínas  fosforiladas,  por  sua  vez,  causam  reações  que  produzem  respostas  fisiológicas.  Existem
proteinoquinases  diferentes  no  interior  das  células­alvo distintas  e  dentro  de  diferentes  organelas  da mesma  célula­
alvo.  Assim,  uma  proteinoquinase  pode  desencadear  a  síntese  de  glicogênio,  outra  pode  causar  a  degradação  de
triglicerídio, uma terceira pode promover a síntese de proteína e assim por diante. Conforme observado na etapa  , a
fosforilação por uma proteinoquinase também pode inibir determinadas proteínas. Por exemplo, algumas das quinases
liberadas quando a epinefrina se liga aos hepatócitos inativam uma enzima necessária para a síntese de glicogênio.
Após um breve período, uma enzima chamada fosfodiesterase  inativa o cAMP. Dessa forma, a  resposta da célula é
desativada a não ser que a ligação de novas moléculas hormonais a seus receptores na membrana plasmática continue.Figura 18.4 Mecanismo de ação dos hormônios hidrossolúveis (aminas, peptídicos, proteicos e eicosanoides).
Hormônios hidrossolúveis se ligam a receptores incrustados nas membranas plasmáticas das células­alvo.
Por que o cAMP é um “segundo mensageiro”?
A ligação de um hormônio a seu receptor ativa muitas moléculas de proteína G, que, por sua vez, estimulam moléculas
de  adenilato  ciclase  (como  se  vê  na  etapa  ).  A  não  ser  que  sejam  ainda  mais  estimuladas  pela  ligação  entre  mais
moléculas  de  hormônio  e  seus  receptores,  as  proteínas G  lentamente  são  desativadas,  diminuindo,  assim,  a  atividade  da
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adenilato ciclase e  ajudando a  cessar  a  resposta hormonal. As proteínas G são uma característica  comum da maioria dos
sistemas de segundo mensageiro.
Muitos hormônios exercem, pelo menos, parte de seus efeitos fisiológicos por meio da síntese mais intensa de cAMP.
Hormônio  antidiurético  (HAD),  hormônio  tireoestimulante  (TSH),  hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH),  glucagon,
epinefrina e hormônios  liberados pelo hipotálamo são alguns exemplos. Em outros casos, como no do hormônio inibidor
do hormônio do crescimento (GHIH), o nível de AMP cíclico diminui em resposta à  ligação do hormônio a seu receptor.
Além  do  cAMP,  íons  cálcio  (Ca2+),  cGMP  (monofosfato  cíclico  de  guanosina,  um  nucleotídio  cíclico  semelhante  ao
cAMP), inositol trifosfato (IP3) e diacilglicerol (DAG) são outros segundos mensageiros. Um determinado hormônio pode
usar segundos mensageiros distintos em diferentes células­alvo.
Os  hormônios  que  se  ligam  aos  receptores  da  membrana  plasmática  podem  induzir  seus  efeitos  em  concentrações
muito  baixas,  pois  iniciam  uma  cascata  ou  reação  em  cadeia,  e  cada  passo  multiplica  ou  amplia  o  efeito  inicial.  Por
exemplo, a ligação de uma única molécula de epinefrina a seu receptor em uma célula hepática pode ativar uma centena ou
mais de proteínas G, cada uma ativando uma molécula de adenilato ciclase. Se cada adenilato ciclase produzir 1.000 cAMP,
então  100.000  desses  segundos mensageiros  serão  liberados  dentro  da  célula. Cada  cAMP  ativa  uma  proteinoquinase,  a
qual,  por  sua  vez,  pode  atuar  em  centenas  ou  milhares  de  moléculas  de  substrato.  Algumas  das  quinases  fosforilam  e
ativam uma enzima­chave necessária para a degradação de glicogênio. O resultado final da ligação de uma única molécula
de epinefrina a seu receptor é a quebra de milhões de moléculas de glicogênio em monômeros de glicose.
Interações hormonais
A responsividade de uma célula­alvo a um hormônio depende (1) da concentração sanguínea do mesmo, (2) da abundância
de receptores hormonais na célula­alvo e (3) de influências exercidas por outros hormônios. Uma célula­alvo responde com
mais vigor quando o nível de um hormônio sobe ou quando apresenta mais  receptores  (suprarregulação). Além disso, as
ações de alguns hormônios nas células­alvo demandam exposição simultânea ou recente a um segundo hormônio. Nesses
casos,  diz­se  que  o  segundo  hormônio  tem  efeito permissivo.  Por  exemplo,  a  epinefrina  sozinha  estimula  fracamente  a
lipólise  (degradação  de  triglicerídios),  mas  quando  existem  concentrações  baixas  de  hormônios  da  tireoide  (T3  e T4),  a
mesma  quantidade  de  epinefrina  estimula  a  lipólise  de  maneira  muito  mais  intensa.  Não  raro,  o  hormônio  permissivo
aumenta o número de  receptores para o outro hormônio e,  às vezes, promove a  síntese de uma enzima necessária para a
expressão de outros efeitos do outro hormônio.
Quando o efeito de dois hormônios que agem juntos é maior ou mais amplo do que o efeito de cada hormônio agindo
sozinho,  diz­se  que  os  dois  hormônios  apresentam  um  efeito  sinérgico.  Por  exemplo,  o  desenvolvimento  normal  de
ovócitos  nos  ovários  precisa  tanto  do  hormônio  foliculoestimulante  da  adeno­hipófise  quanto  de  estrogênios  do  ovário.
Nenhum dos hormônios isoladamente é suficiente.
Quando  um  hormônio  faz  oposição  às  ações  de  outro  hormônio,  diz­se  que  os  dois  hormônios  apresentam  efeitos
antagônicos. Um exemplo de um par de hormônios antagônicos é a  insulina, que promove a  síntese de glicogênio pelos
hepatócitos, e o glucagon, que estimula a degradação do glicogênio no fígado.
 TESTE RÁPIDO
Que fatores determinam a responsividade de uma célula­alvo a um hormônio?
Quais são as diferenças entre efeitos permissivos, efeitos sinérgicos e efeitos antagônicos dos hormônios?
Controle da secreção hormonal
 OBJETIVO
Descrever os mecanismos de controle da secreção hormonal.
A liberação da maioria dos hormônios ocorre em salvas breves, com pouca ou nenhuma secreção entre as salvas. Quando
estimulada,  uma  glândula  endócrina  libera  seus  hormônios  em  salvas  mais  frequentes,  aumentando  a  concentração
sanguínea  do  hormônio.  Na  ausência  de  estimulação,  o  nível  sanguíneo  do  hormônio  diminui.  A  regulação  da  secreção
normalmente evita a produção excessiva ou insuficiente de qualquer hormônio, ajudando a manter a homeostasia.
A  secreção  hormonal  é  regulada  por  (1)  sinais  do  sistema  nervoso,  (2)  alterações  químicas  no  sangue  e  (3)  outros
hormônios. Por  exemplo,  impulsos nervosos para  a medula da glândula  suprarrenal  regulam a  liberação de  epinefrina;  o
nível  sanguíneo  de  Ca2+  regula  a  secreção  de  paratormônio  (PTH);  um  hormônio  da  adeno­hipófise  (hormônio
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adrenocorticotrófico)  estimula  a  liberação  de  cortisol  pelo  córtex  da  glândula  suprarrenal.  A  maioria  dos  sistemas
regulatórios hormonais atua via feedback negativo (ver Figura 1.3), porém alguns operam por feedback positivo (ver Figura
1.4).  Por  exemplo,  durante  trabalho  de  parto,  o  hormônio  ocitocina  estimula  as  contrações  do  útero  que,  por  sua  vez,
estimulam ainda mais a liberação de ocitocina, um efeito de feedback positivo.
Agora, depois de termos uma ideia geral das funções dos hormônios no sistema endócrino, voltamo­nos às discussões
das várias glândulas endócrinas e os hormônios que secretam.
 TESTE RÁPIDO
Quais os três tipos de sinais que controlam a secreção hormonal?
Hipotálamo e hipó셃愓se
 OBJETIVOS
Descrever as localizações e as relações entre o hipotálamo e a hipófise
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções da adeno­hipófise e da neuro­hipófise.
Por muitos anos,  a glândula hipófise  foi  chamada de glândula  endócrina  “mestra” porque  secreta vários hormônios que
controlam outras glândulas endócrinas. Hoje,  sabemos que a hipófise propriamente dita  tem um mestre – o hipotálamo.
Essa pequena região do encéfalo abaixo do tálamo é a principal conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. As células
no  hipotálamo  sintetizam,  pelo  menos,  nove  hormônios  diferentes  e  a  hipófise  secreta  sete.  Juntos,  esses  hormônios
desempenham  funções  importantes  na  regulação  de  praticamente  todos  os  aspectos  do  crescimento,  desenvolvimento,
metabolismo e homeostasia.
A  glândula  hipófise  é  uma  estrutura  em  forma  de  ervilha.  com  1  a  1,5  cm  de  diâmetro  e  que  se  localiza  na  fossa
hipofisial  da  sela  turca  do  esfenoide.  Fixa­se  ao  hipotálamo  por  um  pedículo,  o  infundíbulo,  e  apresenta  duas  partes
anatômica  e  funcionalmente  separadas:  a  adeno­hipófise  (lobo  anterior)  e  a  neuro­hipófise  (lobo  posterior).  A  adeno­
hipófise representa cerca de 75% do peso total da glândula e é composta por tecido epitelial. No adulto, a adeno­hipófise
consiste  em  duas  partes:  a  parte  distal,  que  é  a  porção  maior,  e  a  parte  tuberal  que  forma  uma  bainha  ao  redor  do
infundíbulo. A neuro­hipófise é composta por tecido neural. Também consiste em duas partes: a parte nervosa, a porção
bulbosa maior, e o infundíbulo. Uma terceira região da glândula hipófise, chamada de parte intermédia, atrofia­se durante
o desenvolvimento  fetal humano e deixade existir  como um  lobo  separado nos adultos  (ver Figura 18.21B). Entretanto,
algumas de suas células migram para partes adjacentes da adeno­hipófise, onde persistem.
Adeno-hipó鮆鮅se
A adeno­hipófise secreta hormônios que regulam uma ampla variedade de atividades corporais, desde o crescimento até a
reprodução.  A  liberação  de  hormônios  da  adeno­hipófise  é  estimulada  por  hormônios  liberadores  e  suprimida  por
hormônios inibidores do hipotálamo. Sendo assim, os hormônios hipotalâmicos constituem uma ligação importante entre
os sistemas nervoso e endócrino.
Sistema porta hipofisário
Hormônios hipotalâmicos que  liberam ou  inibem hormônios da adeno­hipófise chegam à adeno­hipófise por meio de um
sistema  porta.  Em  geral,  o  sangue  passa  do  coração,  por  uma  artéria,  para  um  capilar,  daí  para  uma  veia  e  de  volta  ao
coração. Em um sistema porta, o sangue flui de uma rede capilar para uma veia porta e, em seguida, para uma segunda rede
capilar  antes  de  retornar  ao  coração. O  nome  do  sistema  porta  indica  a  localização  da  segunda  rede  capilar. No  sistema
porta hipofisário, o sangue flui de capilares no hipotálamo para veias porta que carreiam sangue para capilares da adeno­
hipófise.
As artérias hipofisárias superiores,  ramos das artérias carótidas  internas,  levam sangue para o hipotálamo  (Figura
18.5A). Na  junção  da  eminência mediana  do  hipotálamo  e  o  infundíbulo,  essas  artérias  se  dividem  em uma  rede  capilar
chamada  de  plexo  primário  do  sistema  porta  hipofisário.  Do  plexo  primário,  o  sangue  drena  para  as  veias  porto­
hipofisárias  que  passam  por  baixo  da  parte  externa  do  infundíbulo.  Na  adeno­hipófise,  as  veias  porto­hipofisárias  se
dividem mais uma vez e formam outra rede capilar chamada de plexo secundário do sistema porta hipofisário.
Acima  do  quiasma  óptico  há  grupos  de  neurônios  especializados  chamados  de  células  neurossecretoras  (Figura
18.5B). Essas células sintetizam os hormônios hipotalâmicos liberadores e inibidores em seus corpos celulares e envolvem
os hormônios em vesículas, que alcançam os  terminais axônicos por  transporte axônico.  Impulsos nervosos promovem a
exocitose  das  vesículas.  Depois  disso,  os  hormônios  se  difundem  para  o  plexo  primário  do  sistema  porta  hipofisário.
Rapidamente,  os  hormônios  hipotalâmicos  fluem  com  o  sangue  pelas  veias  porto­hipofisárias  para  o  plexo  secundário.
Essa via direta possibilita que os hormônios hipotalâmicos atuem imediatamente nas células da adeno­hipófise, antes que
os hormônios sejam diluídos ou destruídos na circulação geral. Os hormônios secretados pelas células da adeno­hipófise
passam  para  os  capilares  do  plexo  secundário,  que  drenam  para  as  veias  porto­hipofisárias  anteriores  e  para  fora  na
circulação geral. Os hormônios da adeno­hipófise viajam até os  tecidosalvo ao  longo do corpo. Os hormônios da adeno­
hipófise que atuam em outras glândulas endócrinas são chamados de hormônios tróficos ou trofinas.
Tipos de células da adeno­hipófise e seus hormônios
Cinco tipos de células da adeno­hipófise – somatotrofos,  tireotrofos, gonadotrofos,  lactotrofos e corticotrofos – secretam
sete hormônios (Tabela 18.3):
Figura 18.5 Hipotálamo e hipófise e sua irrigação sanguínea. Os hormônios liberadores e inibidores sintetizados pelas células
hipotalâmicas neurossecretoras são transportados nos axônios e liberados nos terminais axônicos. Os hormônios se difundem nos capilares
do plexo primário do sistema porta hipofisário e são levados pelas veias porto­hipofisárias para o plexo secundário do sistema porta
hipofisário para que sejam distribuídos às células­alvo na adeno­hipófise.
Os hormônios hipotalâmicos são uma importante ligação entre os sistemas nervoso e endócrino.
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Qual é a importância funcional das veias porto­hipofisárias?
Os somatotrofos secretam hormônio do crescimento (GH), também conhecido como somatotrofina. O hormônio do
crescimento,  por  sua  vez,  estimula  vários  tecidos  a  secretarem  fatores  de  crescimento  insulino­símiles  (IGF),
hormônios que estimulam o crescimento corporal geral e regulam aspectos do metabolismo.
Os tireotrofos  secretam hormônio tireoestimulante (TSH),  também conhecido como  tireotrofina. O TSH controla
as secreções e outras atividades da glândula tireoide.
Os  gonadotrofos  secretam  duas  gonadotrofinas:  hormônio  foliculoestimulante  (FSH)  e  hormônio  luteinizante
(LH).  O  FSH  e  o  LH  atuam  nas  gônadas;  estimulam  a  secreção  de  estrogênios  e  progesterona  e  a  maturação  de
ovócitos nos ovários, além de estimularem a produção de espermatozoides e a secreção de testosterona nos testículos.
Os lactotrofos secretam prolactina (PRL), que inicia a produção de leite nas glândulas mamárias.
Os  corticotrofos  secretam hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH),  também  conhecido  como  corticotrofina,  que
estimula  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  a  secretar  glicocorticoides  como  cortisol.  Alguns  corticotrofos,
remanescentes da parte intermédia, também secretam hormônio melanócito­estimulante (MSH).
TABELA 18.3 Hormônios da adeno­hipófise.
HORMÔNIO
SECRETADO
POR
HORMÔNIO HIPOTALÂMICO LIBERADOR (ESTIMULA A
SECREÇÃO)
HORMÔNIO
HIPOTALÂMICO INIBIDOR
(SUPRIME A SECREÇÃO)
Hormônio do crescimento (GH), também
conhecido como somatotro na
Somatotrofos Hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH),
também conhecido como somatocrinina
Hormônio inibidor do
hormônio do crescimento
(GHIH), também conhecido
como somatostatina
Hormônio tireoestimulante (TSH),
também conhecido como tireotro na
Tireotrofos Hormônio liberador de tireotro na (TRH) Hormônio inibidor do
hormônio do crescimento
(GHIH)
Hormônio foliculoestimulante (FSH) Gonadotrofos Hormônio liberador de gonadotro na (GnRH) –
Hormônio luteinizante (LH) Gonadotrofos Hormônio liberador de gonadotro na (GnRH) –
Prolactina (PRL) Lactotrofos Hormônio liberador de prolactina (PRH)* Hormônio inibidor da
prolactina (PIH), que é a
dopamina
Hormônio adrenocorticotró co (ACTH),
também conhecido como corticotro na
Corticotrofos Hormônio liberador de corticotro na (CRH) –
Hormônio melanócitoestimulante
(MSH)
Corticotrofos Hormônio liberador da corticotro na (CRH) Dopamina
*Acredita­se que exista, porém a natureza exata é incerta.
Figura 18.6 Regulação das células hipotalâmicas neurossecretoras e corticotrofos da adeno­hipófise por feedback negativo. As
setas verdes sólidas indicam estímulo das secreções; as setas vermelhas pontilhadas querem dizer inibição da secreção via feedback
negativo.
O cortisol secretado pelo córtex da glândula suprarrenal suprime a secreção de CRH e ACTH.
Que outros hormônios de glândula­alvo suprimem a secreção dos hormônios hipotalâmicos e da adeno­
hipófise por feedback negativo?
Controle da secreção pela adeno­hipófise
A  secreção  dos  hormônios  da  adeno­hipófise  é  regulada  de  duas  maneiras.  Na  primeira,  células  neurossecretoras  no
hipotálamo  secretam  cinco  hormônios  liberadores,  que  estimulam  a  secreção  de  hormônios  da  adeno­hipófise,  e  dois
hormônios  inibidores,  que  suprimem  a  secreção  de  hormônios  da  adeno­hipófise  (Tabela 18.3). Na  segunda,  o  feedback
negativo na forma de hormônios liberados pelas glândulas­alvo diminui secreções de três tipos de células da adeno­hipófise
(Figura 18.6). Nessas alças de retroalimentação negativa, a atividade secretora dos tireotrofos, gonadotrofos e corticotrofos
diminui quando os níveis sanguíneos dos hormônios das suas glândulas­alvo se elevam. Por exemplo, o ACTH estimula o
córtex  das  glândulas  suprarrenais  a  secretar  glicocorticoides,  principalmente  cortisol.  Por  sua  vez,  o  nível  elevado  de
cortisol diminui a secreção tanto de corticotrofina quanto de hormônio liberador de corticotrofina (CRH) pela supressão da
atividade dos corticotrofos da adeno­hipófise e das células neurossecretoras do hipotálamo.Hormônio do crescimento e fatores de crescimento insulino­símiles
Os somatotrofos são as células mais numerosas na adeno­hipófise e o hormônio do crescimento (GH) é o hormônio mais
abundante  da  adeno­hipófise.  A  principal  função  do  GH  é  promover  a  síntese  e  a  secreção  de  pequenos  hormônios
proteicos chamados fatores de crescimento insulino­símiles ou somatomedinas. Em resposta ao hormônio do crescimento,
as células no fígado, no músculo esquelético, na cartilagem, nos ossos e em outros tecidos secretam fatores de crescimento
1.
2.
3.
insulino­símiles  (IGFs),  que  podem entrar  na  corrente  sanguínea  a  partir  do  fígado ou  atuar  de maneira  local  em outros
tecidos como autócrinos ou parácrinos.
As funções dos IGF são:
Os  IGF  fazem  com  que  as  células  cresçam  e  se  multipliquem  pela  intensificação  da  captação  de  aminoácidos  nas
células e aceleração da síntese proteica. Os IGF também reduzem a degradação de proteínas e o uso de aminoácidos
para a produção de ATP. Devido a esses efeitos dos IGF, o hormônio do crescimento aumenta a taxa de crescimento
do esqueleto e dos músculos esqueléticos durante a infância e a adolescência. Em adultos, o hormônio do crescimento
e os IGF ajudam a manter a massa dos músculos e ossos e promovem a cicatrização de lesões e o reparo tecidual.
Os  IGF  também  intensificam  a  lipólise  no  tecido  adiposo,  aumentando  o  uso  dos  ácidos  graxos  liberados  para  a
produção de ATP pelas células corporais.
Além de afetar o metabolismo proteico e  lipídico, o hormônio do crescimento e os  IGF  influenciam o metabolismo
dos  carboidratos  pela  redução  da  captação  de  glicose,  diminuindo  o  uso  de  glicose  para  a  produção  de  ATP  pela
maioria  das  células  corporais.  Essa  ação  economiza  glicose  de  forma  a  deixá­la  disponível  aos  neurônios  para
produzir ATP nos períodos de escassez de glicose. Os IGF e o hormônio do crescimento também podem estimular os
hepatócitos a liberar glicose no sangue.
Os  somatotrofos  na  adeno­hipófise  liberam  pulsos  de  hormônio  do  crescimento  em  intervalos  de  poucas  horas,
especialmente durante o sono. Sua atividade secretora é controlada principalmente por dois hormônios hipotalâmicos: (1) o
hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH), que promove a secreção do GH, e (2) o hormônio inibidor do
hormônio do  crescimento  (GHIH),  que o  suprime. O principal  regulador da  secreção de GHRH e de GHIH é o nível  de
glicose sanguínea (Figura 18.7):
A  hipoglicemia,  uma  concentração  sanguínea  de  glicose  anormalmente  baixa,  estimula  o  hipotálamo  a  secretar
GHRH, que flui em sentido à adeno­hipófise nas veias porto­hipofisárias.
Ao chegar à adeno­hipófise, o GHRH estimula os somatotrofos a liberar hormônio do crescimento humano.
O  hormônio  do  crescimento  estimula  a  secreção  de  fatores  do  crescimento  insulino­símiles,  que  aceleram  a
degradação de glicogênio hepático em glicose, fazendo com que a glicose entre no sangue com mais rapidez.
Consequentemente, a glicemia se eleva ao nível normal (cerca de 90 mg/100 mℓ de plasma sanguíneo).
A elevação da glicemia acima do nível normal inibe a liberação de GHRH.
A hiperglicemia,  uma  concentração  sanguínea  de  glicose  anormalmente  elevada,  estimula  o  hipotálamo  a  secretar
GHIH (ao mesmo tempo que inibe a secreção de GHRH).
Ao  chegar  à  adeno­hipófise  no  sangue  portal,  o  GHIH  inibe  a  secreção  de  hormônio  do  crescimento  pelos
somatotrofos.
Níveis  baixos  de GH  e  IGF  retardam  a  degradação  de  glicogênio  no  fígado  e  a  glicose  é  liberada  no  sangue mais
lentamente.
A glicemia cai para o nível normal.
A queda da glicemia abaixo do nível normal (hipoglicemia) inibe a liberação de GHIH.
Outros estímulos que promovem a secreção do hormônio do crescimento são diminuição de ácidos graxos e aumento
de aminoácidos no sangue; sono profundo (estágios 3 e 4 do sono não REM); intensificação da atividade da parte simpática
da divisão autônoma do sistema nervoso, como pode ocorrer durante o estresse ou exercícios  físicos vigorosos; e outros
hormônios,  inclusive  glucagon,  estrogênios,  cortisol  e  insulina.  Os  fatores  que  inibem  a  secreção  do  hormônio  do
crescimento humano são nível sanguíneo mais elevado de ácidos graxos e mais baixo de aminoácidos; sono de movimento
rápido  dos  olhos;  privação  emocional;  obesidade;  baixos  níveis  de  hormônios  da  tireoide;  e  hormônio  do  crescimento
propriamente  dito  (por  meio  de  feedback  negativo).  O  hormônio  inibidor  do  hormônio  do  crescimento  (GHIH),
alternativamente conhecido como somatostatina, também inibe a secreção do hormônio do crescimento.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Efeito diabetogênico do GH
A hiperglicemia é um sinal de excesso de hormônio do crescimento (GH). A hiperglicemia persistente, por sua vez, estimula o pâncreas a secretar insulina de maneira
contínua. Essa estimulação excessiva, se durar semanas ou meses, pode causar esgotamento das células beta, uma capacidade das células beta pancreáticas de
sintetizar e secretar insulina fortemente reduzida. Dessa maneira, a secreção excessiva de hormônio do crescimento pode ter efeito diabetogênico; isto é, causa
diabetes melito.
Figura 18.7 Efeitos do hormônio do crescimento (GH) e dos fatores insulina­símiles (IGF). As setas sólidas verdes indicam
estímulo da secreção; as setas pontilhadas vermelhas indicam inibição da secreção via feedback negativo.
A secreção do GH é estimulada pelo hormônio liberador de hormônio do crescimento (GHRH) e inibida pelo
hormônio inibidor de hormônio do crescimento (GHIH).
Se uma pessoa apresentar tumor na hipófise que secrete grandes quantidades de GH e as células
tumorais não forem responsivas à regulação pelo GHRH e GHIH, o que ocorrerá mais provavelmente,
hiperglicemia ou hipoglicemia?
Hormônio tireoestimulante
O  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  estimula  a  síntese  e  a  secreção  de  tri­iodotironina  (T3)  e  tiroxina  (T4),  que  são
produzidas pela glândula tireoide. O hormônio liberador de tireotrofina (TRH) do hipotálamo controla a secreção de TSH.
A liberação de TRH, por sua vez, depende dos níveis sanguíneos de T3 e T4; níveis elevados de T3 e T4 inibem a secreção
de  TRH  via  feedback  negativo.  Não  existe  hormônio  inibidor  da  tireotrofina.  A  liberação  de  TRH  será  explicada
posteriormente neste capítulo (ver Figura 18.12).
Hormônio foliculoestimulante
Nas  mulheres,  os  ovários  são  os  alvos  do  hormônio  foliculoestimulante  (FSH).  A  cada  mês,  o  FSH  inicia  o
desenvolvimento de vários folículos ovarianos, coleções em forma de saco de células secretoras que rodeiam o ovócito em
desenvolvimento.  O  FSH  também  estimula  as  células  foliculares  a  secretar  estrogênios  (hormônios  sexuais  femininos).
Nos  homens,  o  FSH  promove  a  produção  de  espermatozoides  nos  testículos.  O  hormônio  liberador  de  gonadotrofina
(GnRH)  do  hipotálamo  estimula  a  liberação  de  FSH.  A  liberação  de  GnRH  e  FSH  é  suprimida  por  estrogênios  nas
mulheres  e pela  testosterona  (principal hormônio  sexual masculino) nos homens por  sistemas de  feedback negativo. Não
existe hormônio inibidor da gonadotrofina.
Hormônio luteinizante
Nas mulheres, o hormônio luteinizante (LH) desencadeia a ovulação, que consiste na liberação de um ovócito secundário
(futuro ovo) por um ovário. O LH estimula a formação do corpo lúteo (estrutura formada após a ovulação) no ovário e a
secreção de progesterona (outro hormônio sexual feminino) pelo corpo lúteo. Juntos, o FSH e o LH também promovem a
secreção de estrogênios pelas células ovarianas. Os estrogênios e a progesterona preparam o útero para a  implantação de
um ovo fertilizado e ajudam a preparar as glândulas mamárias para a secreção de leite. Nos homens, o LH estimula células
nos testículos a secretarem testosterona. A secreção de LH, assim como a do FSH, é controlada pelo hormônio liberador de
gonadotrofina(GnRH).
Prolactina
A prolactina (PRL), junto com outros hormônios, inicia e mantém a produção de leite pelas glândulas mamárias. Sozinha,
a prolactina exerce um efeito  fraco. Somente depois da preparação das glândulas mamárias promovida pelos estrogênios,
progesterona, glicocorticoides, GH, tiroxina e insulina, que exercem efeitos permissivos, que a PRL promove a produção
de  leite.  A  ejeção  de  leite  das  glândulas  mamárias  depende  do  hormônio  ocitocina,  liberado  pela  adeno­hipófise.  Em
conjunto, a produção e a ejeção de leite constituem a lactação.
O  hipotálamo  secreta  hormônios  tanto  inibitórios  quanto  excitatórios  que  regulam  a  secreção  de  prolactina.  Nas
mulheres, o hormônio  inibidor de prolactina  (PIH), que vem a  ser  a dopamina,  inibe a  liberação de prolactina da adeno­
hipófise na maior parte do tempo. Todo mês, pouco antes de começar a menstruação, a secreção de PIH diminui e o nível
sanguíneo  de  prolactina  se  eleva,  porém  não  o  suficiente  para  estimular  a  produção  de  leite.  A  hipersensibilidade  das
mamas  pouco  antes  da  menstruação  pode  ser  causada  pela  elevação  do  nível  de  prolactina.  Quando  o  ciclo  menstrual
começa de novo, o PIH é mais uma vez secretado e o nível de prolactina cai. Durante a gravidez, o nível de prolactina sobe
estimulado pelo hormônio liberador de prolactina (PRH) do hipotálamo. A sucção realizada pelo recém­nascido promove a
redução da secreção hipotalâmica de PIH.
A função da prolactina não é conhecida nos homens, porém sua hipersecreção causa disfunção erétil (incapacidade de
apresentar  ou  manter  ereção  do  pênis).  Nas  mulheres,  a  hipersecreção  de  prolactina  causa  galactorreia  (lactação
inapropriada) e amenorreia (ausência de ciclos menstruais).
Hormônio adrenocorticotrófico
Os  corticotrofos  secretam  principalmente  hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH).  O  ACTH  controla  a  produção  e  a
secreção  de  cortisol  e  outros  glicocorticoides  pelo  córtex  das  glândulas  suprarrenais.  O  hormônio  liberador  de
corticotrofina  (CRH)  do  hipotálamo  promove  a  secreção  de  ACTH  pelos  corticotrofos.  Estímulos  relacionados  com  o
estresse,  como  glicose  sanguínea  baixa  ou  traumatismo  físico,  e  a  interleucina­1,  uma  substância  produzida  pelos
macrófagos,  também  estimulam  a  liberação  de  ACTH.  Os  glicocorticoides  inibem  a  liberação  de  CRH  e  ACTH  via
feedback negativo.
Hormônio melanócito­estimulante
O hormônio melanócito­estimulante (MSH) aumenta a pigmentação da pele em anfíbios pela estimulação da dispersão de
grânulos de melanina nos melanócitos. Sua função exata em humanos é desconhecida, porém a presença de receptores de
MSH no encéfalo sugere que pode influenciar a atividade encefálica. Há pouco MSH circulante em humanos. Entretanto, a
administração  contínua  de MSH  ao  longo  de  vários  dias  produz  escurecimento  da  pele.  Níveis  excessivos  de  hormônio
liberador de corticotrofina (CRH) podem estimular a liberação de MSH; a dopamina inibe a liberação de MSH.
A Tabela 18.4 resume as principais ações dos hormônios da adeno­hipófise.
TABELA 18.4 Resumo das principais ações dos hormônios da adeno­hipófise.
HORMÔNIO TECIDOS-ALVO PRINCIPAIS AÇÕES
Hormônio do crescimento
(GH), também conhecido
como somatotro na
Estimula fígado, músculos, cartilagem, osso e outros tecidos a sintetizarem e secretarem fatores
de crescimento insulina-símiles (IFG); os IFG promovem o crescimento de células corporais, a
síntese proteica, o reparo tecidual, a lipólise e a elevação da concentração de glicose sanguínea.
Hormônio
tireoestimulante (TSH),
também conhecido como
tireotro na
Estimula a síntese e a secreção de hormônios da tireoide pela glândula tireoide
Hormônio
foliculoestimulante (FSH)
Nas mulheres, inicia o desenvolvimento de ovócitos e induz à secreção ovariana de estrogênios.
Em homens, estimula os testículos a produzirem espermatozoides.
Hormônio luteinizante
(LH)
Nas mulheres, estimula a secreção de estrogênios e progesterona, a ovulação e a formação do
corpo lúteo. Nos homens, estimula os testículos a produzirem testosterona.
Prolactina (PRL) Junto com outros hormônios, promove a produção de leite nas glândulas mamárias.
Hormônio
adrenocorticotró co
(ACTH), também
conhecido como
corticotro na
Estimula a secreção de glicocorticoides (principalmente cortisol) pelo córtex da glândula
suprarrenal.
Hormônio melanócito-
estimulante (MSH)
A função exata em humanos é desconhecida, porém pode in uenciar a atividade encefálica;
quando presente em excesso, pode causar escurecimento da pele.
Neuro-hipó鮆鮅se
Embora não sintetize hormônios, a neuro­hipófise armazena e libera dois hormônios. É composta por axônios e terminais
axônicos  de mais  de  10.000  células  hipotalâmicas  neurossecretoras. Os  corpos  celulares  das  células  neurossecretoras  se
encontram  nos  núcleos  paraventricular  e  supraóptico  do  hipotálamo;  seus  axônios  formam  o  trato  hipotálamo­
hipofisial. Esse  trato começa no hipotálamo e  termina perto de capilares sanguíneos na neuro­hipófise  (Figura 18.8). Os
corpos  das  células  neuronais  dos  dois  núcleos  paraventricular  e  supraóptico  sintetizam  o  hormônio  ocitocina (OT)  e  o
hormônio  antidiurético  (ADH),  também  chamado  de  vasopressina.  Os  terminais  axônicos  na  neurohipófise  são
associados à neuróglia especializada chamada de pituitócitos. Essas células apresentam uma  função de  suporte  similar  a
dos astrócitos (ver Capítulo 12).
Após  sua  produção  nos  corpos  celulares  das  células  neurossecretoras,  a  ocitocina  e  o  hormônio  antidiurético  são
envolvidos  em  vesículas  secretoras,  que  se  movimentam  por  transporte  axônico  rápido  (descrito  na  Seção  12.2)  até  os
terminais  axônicos  na  neuro­hipófise,  onde  são  armazenados  até  que  impulsos  nervosos  desencadeiam  a  exocitose  e  a
liberação hormonal.
Figura 18.8 Trato hipotálamo­hipofisial. Os axônios das células hipotalâmicas neurossecretoras formam o trato hipotálamo­hipofisial
que se estende dos núcleos paraventricular e supraóptico até a neuro­hipófise. Moléculas hormonais sintetizadas no corpo celular de uma
célula neurossecretora são encarceradas em vesículas secretoras que se movimentam para baixo até os terminais axônicos. Os impulsos
nervosos desencadeiam a exocitose das vesículas, liberando, desse modo, o hormônio.
A ocitocina e o hormônio antidiurético são sintetizados no hipotálamo e liberados no plexo capilar do infundíbulo
na neuro­hipófise.
Funcionalmente, como o trato hipotálamo­hipofisial e as veias porto­hipofisárias são similares? E,
estruturalmente, como são diferentes?
O sangue chega à neuro­hipófise pelas artérias hipofisárias  inferiores,  ramos da artéria carótida  interna. Na neuro­
hipófise,  as  artérias  hipofisárias  inferiores  drenam para  o plexo capilar do  infundíbulo,  uma  rede  capilar  que  recebe  a
ocitocina e o hormônio antidiurético secretados (ver Figura 18.5). Desse plexo, os hormônios passam para as veias porto­
hipofisárias posteriores para serem distribuídos às células­alvo em outros tecidos.
Controle da secreção pela neuro­hipófise
OCITOCINA. Durante e depois do parto, a ocitocina atua em dois tecidos­alvo: o útero e as mamas da mãe. Durante o parto,
o  alongamento  do  colo  do  útero  estimula  a  liberação  de  ocitocina,  que,  por  sua  vez,  intensifica  a  contração  das  células
musculares lisas da parede uterina (ver Figura 1.4); depois do parto, a ocitocina estimula a ejeção de leite (“descida”) das
glândulas mamárias em resposta ao estímulo mecânico produzido pela sucção do bebê. A função da ocitocina em homens e
mulheres não grávidas não é clara. Experimentos realizados em animais sugerem que a ocitocina exerça ações no encéfalo
que promovem o comportamento parental de cuidado em relação ao filho. Também pode ser  responsável, em parte, pelas
sensações de prazer sexual durante e depois do intercurso.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Ocitocinae parto
Anos antes da descoberta da ocitocina, era prática comum em obstetrícia permitir que o primeiro gêmeo nascido sugasse a mama da parturiente para acelerar o
nascimento do segundo feto. Hoje, sabemos por que essa prática é útil – estimula a liberação de ocitocina. Mesmo após o nascimento de um único feto, a
amamentação promove a expulsão da placenta e ajuda o útero a readquirir seu tamanho menor. A ocitocina sintética muitas vezes é administrada para induzir o
parto ou para aumentar o tônus uterino e controlar a hemorragia logo após o parto.
HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO. Como o prÓprio nome sugere, um antidiurético é uma substância que diminui a produção
de  urina. O HAD  faz  com que  os  rins  devolvam mais  água  ao  sangue,  diminuindo,  desse modo,  o  volume urinário. Na
ausência de HAD o débito urinário aumenta mais de 10 vezes, passando do normal 1 ou 2 dois litros para cerca de 20 ℓ por
dia. Muitas  vezes,  a  ingestão  de  álcool  causa micção  frequente  e  copiosa  porque  o  álcool  inibe  a  secreção  de  hormônio
antidiurético.  O  HAD  também  diminui  a  perda  de  água  pela  sudorese  e  causa  constrição  das  arteríolas,  o  que  eleva  a
pressão do sangue. O outro nome desse hormônio, vasopressina, traduz esse efeito sobre a pressão arterial.
A quantidade de HAD secretado varia com a pressão osmótica do sangue e com o volume sanguíneo. A Figura 18.9
mostra a regulação da secreção do hormônio antidiurético e as ações do HAD:
A pressão osmótica sanguínea alta (ou diminuição do volume sanguíneo) – devido a desidratação ou um declínio no
volume  sanguíneo  em  decorrência  de  hemorragia,  diarreia  ou  sudorese  excessiva  –  estimula  os  osmorreceptores,
neurônios no hipotálamo que monitoram a pressão osmótica do sangue. A pressão osmótica sanguínea elevada ativa
os  osmorreceptores  diretamente;  eles  também  recebem  estímulo  excitatório  de  outras  áreas  encefálicas  quando  o
volume de sangue diminui.
Os  osmorreceptores  ativam  as  células  hipotalâmicas  neurossecretoras  que  sintetizam  e  liberam  hormônio
antidiurético.
Quando as células neurossecretoras recebem estímulo excitatório dos osmorreceptores, elas geram impulsos nervosos
que  promovem  a  exocitose  das  vesículas  cheias  de  hormônio  antidiurético  nos  seus  terminais  axônicos  na  neuro­
hipófise. Isso libera hormônio antidiurético, que se difunde para os capilares sanguíneos da neuro­hipófise.
O  sangue  transporta  hormônio  antidiurético  para  três  tecidos­alvo:  rins,  glândulas  sudoríferas  (suor)  e musculatura
lisa  das  paredes  dos  vasos  sanguíneos.  Os  rins  respondem  retendo  mais  água,  o  que  reduz  o  débito  urinário.  A
atividade  secretora  das  glândulas  sudoríferas  diminui,  o  que  restringe  a  taxa  de  perda  de  água  pela  perspiração  da
pele. A musculatura lisa nas paredes das arteríolas contrai em resposta aos elevados níveis de hormônio antidiurético,
causando constrição desses vasos sanguíneos e elevando a pressão sanguínea.
A baixa pressão osmótica do sangue (ou aumento do volume sanguíneo) inibe os osmorreceptores.
A  inibição  dos  osmorreceptores  reduz  ou  cessa  a  secreção  de  hormônio  antidiurético.  Os  rins  retêm menos  água,
formando um volume maior de urina, a atividade secretora das glândulas sudoríferas se intensifica e as arteríolas se
dilatam. O volume de sangue e a pressão osmótica dos líquidos corporais voltam ao normal.
A  secreção  de  HAD  também  pode  ser  alterada  de  outras  maneiras.  Dor,  estresse,  trauma,  ansiedade,  acetilcolina,
nicotina  e  substâncias  como  morfina,  tranquilizantes  e  alguns  anestésicos  estimulam  a  secreção  de  HAD.  O  efeito
desidratante  do  álcool  etílico,  que  já  foi  mencionado,  pode  causar  tanto  a  sede  quanto  a  cefaleia  típicas  da  ressaca.  A
hipossecreção  de HAD  ou  receptores  não  funcionais  de HAD  causam  diabetes  insípido  (ver Distúrbios  |  Desequilíbrios
homeostáticos ao final deste capítulo).
Figura 18.9 Regulação da secreção e ações do hormônio antidiurético (HAD).
O HAD retém água corporal e aumenta a pressão do sangue.
9.
10.
11.
Se você beber um litro de água, que efeito isso terá na pressão osmótica do seu sangue e como irá
alterar a sua concentração sanguínea de HAD?
A Tabela 18.5 lista os hormônios da neuro­hipófise, o controle da sua secreção e suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Em que aspecto a glândula hipófise é, na verdade, duas glândulas?
Como hormônios hipotalâmicos de liberação e inibição influenciam as secreções da adeno­hipófise?
Descreva a estrutura e a importância do trato hipotálamo­hipofisial.
TABELA 18.5 Resumo dos hormônios da neuro­hipófise.
HORMÔNIO E TECIDOS-ALVO CONTROLE DA SECREÇÃO AÇÕES PRINCIPAIS
Ocitocina (OT) Células neurossecretoras do hipotálamo secretam OT em
resposta à distensão uterina e à estimulação dos mamilos
Estimula a contração das células musculares
lisas do útero durante o parto; estimula a
contração de células mioepiteliais nas
glândulas mamárias para promover a ejeção
de leite
18.7
•
Hormônio antidiurético (HAD) ou
vasopressina 
As células neurossecretoras do hipotálamo secretam HAD em
resposta a elevação da pressão osmótica do sangue,
desidratação, perda de volume sanguíneo, dor ou estresse;
baixa pressão osmótica do sangue, volume sanguíneo elevado
e álcool etílico são inibidores da secreção de HAD
Conserva a água corporal por meio da
diminuição do volume de urina; reduz a perda
de água pela perspiração; eleva a pressão
arterial por meio da constrição das arteríolas
Glândula tireoide
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções da glândula tireoide.
A glândula tireoide,  em  formato  de  borboleta,  está  localizada  logo  abaixo  da  laringe. É  composta  pelos  lobos  direito  e
esquerdo, um em cada lado da traqueia, conectados por um istmo, anteriormente à traqueia (Figura 18.10A). Cerca de 50%
das glândulas tireoides apresentam um pequeno terceiro lobo, chamado de lobo piramidal, que se estende superiormente a
partir do istmo. A massa normal da tireoide é de aproximadamente de 30 g.
Microscópicos  sacos  esféricos  chamados  de  folículos  da  tireoide  (Figura  18.10B)  constituem  grande  parte  da
glândula tireoide. A parede de cada folículo é constituída principalmente por células foliculares, cuja maioria se estende até
o  lúmen  do  folículo.  Uma membrana  basal  envolve  cada  folículo.  Quando  as  células  foliculares  estão  inativas,  seu
formato varia de cúbico a pavimentoso, porém, sob a influência do TSH, passam a secretar ativamente e sua forma varia de
cúbica  a  colunar. As  células  foliculares  produzem dois  hormônios:  tiroxina,  também chamada  de  tetraiodotironina  (T4),
pois contém quatro átomos de iodo, e tri­iodotironina (T3), que contém três átomos de iodo. T3 e T4  juntas  também são
chamadas  de hormônios  da  tireoide.  Entre  os  folículos,  podem  ser  encontradas  algumas  células  chamadas  de  células
parafoliculares ou células C. Elas produzem o hormônio calcitonina (CT), que ajuda a regular a homeostasia do cálcio.
Formação, armazenamento e liberação dos hormônios da tireoide
A  glândula  tireoide  é  a  única  glândula  endócrina  que  armazena  seu  produto  secretório  em  grandes  quantidades  –
normalmente o suficiente para cerca de 100 dias.
A síntese e a secreção de T3 e T4 ocorrem da seguinte forma (Figura 18.11):
Retenção de iodeto. As células foliculares da tireoide retêm íons iodeto (I–),  transportando­os ativamente do sangue
para o citosol. Por conta disso, em geral, a glândula tireoide contém a maioria do iodeto corporal.
Síntese de  tireoglobulina. Ao mesmo  tempo que  retêm  I–,  as  células  foliculares  também  sintetizam  tireoglobulina
(TGB), uma grande glicoproteína produzida no retículo endoplasmático rugoso, modificada no complexo de Golgi e
armazenada em vesículas secretoras. As vesículas sofrem exocitose, o que libera TGB para o lúmen do folículo.
Oxidação de  iodeto.Parte dos aminoácidos na TGB consiste em tirosinas que se  tornarão  iodadas. Entretanto,  íons
iodeto com carga elétrica negativa não conseguem se  ligar à  tirosina até que sofram oxidação (remoção de elétrons)
para iodeto: 2 I­ → I2. Na medida em que os íons iodeto são oxidados, eles atravessam a membrana para o lúmen do
folículo.
Iodação  da  tirosina.  Conforme  moléculas  de  iodo  (I2)  se  formam,  elas  reagem  com  as  tirosinas  integrantes  das
moléculas  de  tireoglobulina. A  ligação  de  um  átomo  de  iodo  produz monoiodotirosina  (T1)  e  a  de  dois  produz  di­
iodotirosina (T2).  A  TGB  com  átomos  de  iodo  fixados  é  um material  viscoso  que  se  acumula  e  é  armazenado  no
lúmen do folículo da tireoide, chamado de coloide.
Figura 18.10 Localização, irrigação sanguínea e histologia da glândula tireoide.
Os hormônios da tireoide regulam (1) o uso de oxigênio e a taxa metabólica basal, (2) o metabolismo celular e (3)
o crescimento e o desenvolvimento.
Que células secretam T3 e T4? Que células secretam calcitonina? Quais desses hormônios também são
chamados hormônios da tireoide?
Acoplamento  de  T1  e  T2.  Durante  a  última  etapa  da  síntese  dos  hormônios  da  tireoide,  duas  moléculas  de  T2  se
juntam para formar T4 ou uma de T1 com uma de T2 se unem para formar T3.
Pinocitose e digestão de coloide. Gotículas de coloide penetram de novo nas células  foliculares por pinocitose e  se
juntam aos lisossomos. Enzimas digestivas nos lisossomos degradam a TGB, separando moléculas de T3 e T4.
1.
2.
Secreção de hormônios da tireoide. Como são  lipossolúveis, T3 e T4  se difundem através da membrana plasmática
para o líquido intersticial e, em seguida, para o sangue. Em geral, T4 é secretada em maior quantidade que T3, mas T3
é muitas vezes mais potente. Além disso, depois que a T4 entra no corpo celular, a maioria dela é convertida a T3 por
remoção de um iodo.
Transporte no sangue. Mais de 99% de T3 e T4 se combinam a proteínas transportadoras no sangue, principalmente
à globulina transportadora de tiroxina (TBG).
Ações dos hormônios da tireoide
Uma vez que a maioria das células corporais apresenta receptores para hormônios da tireoide, T3 e T4 exercem seus efeitos
por todo o corpo.
Os  hormônios  da  tireoide  aumentam  a  taxa metabólica  basal  (TMB),  que  consiste  no  consumo  de  oxigênio  em
condições basais ou padrão  (acordado, em repouso e  jejum) por meio da estimulação do uso de oxigênio celular na
produção  de  ATP.  Quando  a  taxa  metabólica  basal  aumenta,  o  metabolismo  celular  dos  carboidratos,  lipídios  e
proteínas se torna mais intenso.
Outro efeito importante dos hormônios da tireoide é o de estimular a síntese de bombas adicionais de sódio e potássio
(Na+­K+ ATPase), o que utiliza grandes quantidades de ATP para continuamente ejetar íons sódio (Na+) do citosol no
líquido  extracelular  e  íons potássio  (K+)  do  líquido  extracelular  no  citosol. Com  a  produção  e  a  utilização  de mais
ATP  pelas  células,  mais  calor  é  liberado  e  a  temperatura  corporal  sobe.  Esse  fenômeno  é  chamado  de  efeito
calorigênico.  Dessa maneira,  os  hormônios  da  tireoide  têm  participação  importante  na manutenção  da  temperatura
corporal  normal.  Mamíferos  normais  são  capazes  de  sobreviver  a  temperaturas  muito  baixas,  mas  aqueles  cuja
glândula tireoide foi removida não conseguem.
Figura 18.11 Etapas da síntese e secreção dos hormônios da tireoide.
Os hormônios da tireoide são sintetizados a partir da fixação de átomos de iodo ao aminoácido tirosina.
3.
Qual é a forma de armazenamento dos hormônios da tireoide?
Na regulação do metabolismo, os hormônios da tireoide estimulam a síntese de proteína e aumentam o uso de glicose
e  ácidos graxos para  a produção de ATP. Além disso,  intensificam a  lipólise  e  a  excreção de  colesterol,  reduzindo,
4.
5.
desse modo, o nível de colesterol sanguíneo.
Os hormônios da tireoide intensificam algumas ações das catecolaminas (norepinefrina e epinefrina), pois promovem
a suprarregulação dos receptores beta (β). Por essa razão, os sinais/sintomas do hipertireoidismo incluem frequência
cardíaca aumentada, batimentos cardíacos mais fortes e pressão arterial elevada.
Junto com o hormônio do crescimento e com a  insulina, os hormônios da  tireoide aceleram o crescimento corporal,
sobretudo  o  crescimento  dos  sistemas  nervoso  e  esquelético.  A  deficiência  de  hormônios  da  tireoide  durante  o
desenvolvimento fetal ou infância causa grave retardo mental e restrição do crescimento ósseo.
Controle da secreção de hormônio da tireoide
O  hormônio  liberador  de  tireotrofina  (TRH)  do  hipotálamo  e  o  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  da  adeno­hipófise
estimulam a síntese e a liberação dos hormônios da tireoide, conforme mostra a Figura 18.12:
Níveis reduzidos de T3 e T4 ou taxa metabólica baixa estimulam o hipotálamo a secretar TRH.
O TRH entra nas veias porto­hipofisárias e flui para a adeno­hipófise, onde estimula os tireotrofos a secretar TSH.
O TSH estimula praticamente  todos os aspectos da atividade celular dos  folículos da  tireoide,  inclusive captação de
iodeto  (   Figura  18.11),  síntese  e  secreção  de  hormônio  (   e    Figura  18.11)  e  crescimento  das  células
foliculares.
As células foliculares da tireoide liberam T3 e T4 no sangue até que a taxa metabólica volte ao normal.
O nível elevado de T3 inibe a liberação de TRH e TSH (inibição por feedback negativo).
Condições  que  aumentam  a  demanda  de  ATP  –  ambiente  frio,  hipoglicemia,  altitude  elevada  e  gravidez  –  também
intensificam a secreção dos hormônios da tireoide.
Calcitonina
O hormônio produzido pelas células parafoliculares da glândula tireoide (ver Figura 18.10B) é a calcitonina (CT). A CT
diminui o nível sanguíneo de cálcio por meio da  inibição da ação dos osteoclastos, células que degradam a matriz celular
óssea. A secreção de CT é controlada por um sistema de feedback negativo (ver Figura 18.14).
Quando o  nível  sanguíneo de  calcitonina  está  elevado,  ocorre  queda da  concentração  sanguínea  de  cálcio  e  fosfatos,
com inibição da reabsorção óssea (degradação da matriz óssea extracelular) pelos osteoclastos e aceleração da captação de
cálcio e fosfatos na matriz óssea extracelular. A miacalcina, um extrato da calcitonina derivado do salmão que é 10 vezes
mais potente que a calcitonina humana, é prescrita no tratamento da osteoporose.
Figura 18.12 Regulação da secreção e ações dos hormônios da tireoide. TRH = hormônio liberador da tireotrofina, TSH = hormônio
tireoestimulante, T3 = tri­iodotironina e T4 = tiroxina (tetraiodotironina).
O TSH promove a liberação dos hormônios da tireoide (T3 e T4) pela glândula tireoide.
12.
13.
14.
15.
Como uma dieta deficiente em iodo pode levar ao bócio, que consiste no aumento da glândula tireoide?
A Tabela 18.6 resume os hormônios produzidos pela glândula tireoide, o controle das suas secreções e suas principais
ações.
 TESTE RÁPIDO
Explique  como  os  níveis  sanguíneos  de  T3/T4,  TSH  e  TRH  se  alterariam  em  um  animal  de  laboratório
submetido à tireoidectomia (remoção completa da glândula tireoide).
Como os hormônios da tireoide são sintetizados, armazenados e secretados?
Como a secreção de T3 e T4 é regulada?
Quais são os efeitos fisiológicos dos hormônios da tireoide?
TABELA 18.6 Resumo dos hormônios da glândula tireoide.
18.8
•
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina) ou
hormônios da tireoide das células foliculares. 
A secreção é intensi cada pelo hormônio liberador de
tireotro na (TRH), que estimula a liberação de
hormônio tireoestimulante (TSH) em resposta aos
níveis reduzidos de hormônio da tireoide, taxa
metabólica baixa, frio, gravidez e altitudes elevadas;
as secreções de TRH e TSH são inibidas frente a níveis
elevados de hormônios da tireoide; níveis altos de iodo
suprimem a secreção de T3/T4
Aumentam a taxametabólica basal; estimulam a
síntese de proteínas; acentuam o uso de glicose e
ácidos graxos para a produção de ATP; intensi cam a
lipólise; aumentam a excreção de colesterol; aceleram
o crescimento corporal; contribuem para o
desenvolvimento do sistema nervoso
Calcitonina (CT) das células parafoliculares Níveis sanguíneos elevados de Ca2+ estimulam a
secreção; níveis sanguíneos baixos de Ca2+ inibem a
secreção
Reduz os níveis sanguíneos de Ca2+ e HPO42– inibindo
a reabsorção óssea pelos osteoclastos e acelerando a
captação de cálcio e fosfatos na matriz celular óssea
Glândulas paratireoides
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, o hormônio e as funções das glândulas paratireoides.
Parcialmente incrustadas na face posterior dos lobos direito e esquerdo da glândula tireoide, encontramos várias pequenas
massas de tecido arredondadas chamadas de glândulas paratireoides. Cada uma pesa cerca de 40 mg (0,04 g). Em geral,
uma glândula paratireoide inferior e uma superior estão fixadas em cada lobo da tireoide (Figura 18.13A), em um total de
quatro.
Microscopicamente, as glândulas paratireoides contêm dois tipos de células epiteliais (Figura 18.13B, C). As células
mais numerosas,  chamadas de células principais,  produzem o paratormônio (PTH). A  função do outro  tipo de  célula,
chamado de célula oxifílica, não é conhecida na glândula paratireoide normal. No entanto, sua presença ajuda a identificar
com clareza a glândula paratireoide do ponto de vista histológico devido às suas características únicas de coloração. Além
disso, no câncer de glândulas paratireoides, as células oxifílicas secretam PTH em excesso.
Paratormônio
O paratormônio é o principal regulador dos níveis de cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e fosfato (HPO42–) no sangue. A ação
específica do PTH é aumentar a quantidade e a atividade dos osteoclastos. O resultado é reabsorção óssea acentuada, o que
libera cálcio (Ca2+) e fosfatos (HPO42–) no sangue. O PTH também atua nos rins. Primeiro, retarda a perda de Ca2+ e Mg2+
do sangue para a urina. Em segundo lugar, acentua a perda de HPO42– do sangue para a urina. Uma vez que mais HPO42– é
perdido na urina do que ganho dos ossos,  o PTH diminui  o  nível  sanguíneo de HPO42–  e  eleva os níveis  sanguíneos de
Ca2+ e Mg2+. Um terceiro efeito do PTH sobre os rins é a promoção da formação do hormônio calcitriol, que consiste na
forma ativa da vitamina D. O calcitriol, também conhecido como 1,25­di­hidroxivitamina D3, aumenta a  taxa de absorção
sanguínea de Ca2+, HPO42– e Mg2+ no sistema digestório.
Controle da secreção da calcitonina e do paratormônio
O nível  sanguíneo de cálcio controla diretamente a  secreção de calcitonina e paratormônio por meio de alças de  feedback
negativo que não envolvem a glândula hipófise (Figura 18.14):
O nível  sanguíneo  de  íons  cálcio  (Ca2+)  acima  do  normal  estimula  as  células  parafoliculares  da  glândula  tireoide  a
liberarem mais calcitonina.
A calcitonina inibe a atividade dos osteoclastos, diminuindo, dessa forma, o nível sanguíneo de Ca2+.
O  nível  sanguíneo  de  íons  cálcio  (Ca2+)  abaixo  do  normal  estimula  as  células  principais  da  glândula  paratireoide  a
liberarem mais PTH.
O PTH promove a reabsorção de matriz óssea extracelular, o que libera Ca2+ no sangue e retarda a perda de Ca2+ na
urina, elevando o nível de Ca2+ no sangue.
Figura 18.13 Localização, irrigação sanguínea e histologia das glândulas paratireoides.
As glândulas paratireoides, normalmente quatro, estão incrustadas na face posterior da glândula tireoide.
Quais são os produtos da secreção das (1) células foliculares da glândula tireoide e (2) das células
principais das glândulas paratireoides?
Figura 18.14 Funções da calcitonina (setas verdes), paratormônio (setas azuis) e calcitriol (setas laranjas) na homeostasia do
cálcio.
Com relação à regulação do nível sanguíneo de Ca2+, a calcitonina e o PTH são antagonistas.
16.
17.
18.9
•
Quais são os principais tecidos­alvo do PTH, CT e calcitriol?
O PTH também estimula os rins a sintetizarem o calcitriol, que consiste na forma ativa da vitamina D.
O calcitriol estimula a absorção mais acentuada de Ca2+ dos alimentos no sistema digestório, o que ajuda a aumentar
o nível sanguíneo de Ca2+.
A Tabela 18.7 resume o controle da secreção e as principais ações do paratormônio.
 TESTE RÁPIDO
Como é regulada a secreção do paratormônio?
Em que aspectos as ações do PTH e do calcitriol são semelhantes? E como são diferentes?
TABELA 18.7 Resumo do hormônio das glândulas paratireoides.
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
Paratormônio (PTH) das
células principais
Níveis sanguíneos baixos de Ca2+
estimulam a secreção; níveis
sanguíneos elevados de Ca2+ inibem
a secreção
Eleva os níveis sanguíneos de Ca2+ e Mg2+ e diminui
o nível sanguíneo de HPO42–; exacerba a reabsorção
óssea pelos osteoclastos; aumenta a reabsorção de
Ca2+ e a excreção de HPO42– pelos rins; promove a
formação de calcitriol (forma ativa da vitamina D), que
aumenta a taxa de absorção de Ca2+ e Mg2+ da dieta.
Glândulas suprarrenais
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções das glândulas suprarrenais.
As duas glândulas  suprarrenais,  cada  uma  localizada  em  cima  de  cada  rim  no  espaço  retroperitoneal  (Figura  18.15A),
apresentam  formato de pirâmide  achatada. No  adulto,  cada glândula  suprarrenal  tem de 3  a  5  cm de  altura,  2  a  3  cm de
largura,  um  pouco  menos  de  1  cm  de  espessura,  massa  variando  de  3,5  a  5  g  e  apenas  metade  do  seu  tamanho  ao
nascimento. Durante o desenvolvimento embrionário, as glândulas suprarrenais se diferenciam em duas regiões distintas de
ponto  de  vista  estrutural  e  funcional:  um  córtex  da  glândula  suprarrenal  grande,  perifericamente  localizado,  que
compreende  80  a  90%  da  glândula,  e  uma  pequena  medula  da  glândula  suprarrenal  (Figura  18.15B),  localizada
centralmente.  Uma  cápsula  de  tecido  conjuntivo  reveste  a  glândula.  As  glândulas  suprarrenais,  assim  como  a  glândula
tireoide, são altamente vascularizadas.
O  córtex  da  glândula  suprarrenal  produz  hormônios  esteroides  essenciais  à  vida.  A  perda  total  dos  hormônios
adrenocorticais leva à morte por desidratação e desequilíbrios eletrolíticos no período de poucos dias a 1 semana, a não ser
que  se  comece  prontamente  a  terapia  de  reposição  hormonal.  A medula  da  glândula  suprarrenal  produz  três  hormônios
catecolaminas – norepinefrina, epinefrina e uma pequena quantidade de dopamina.
Córtex da glândula suprarrenal
O  córtex  da  glândula  suprarrenal  é  subdividido  em  três  zonas,  e  cada  uma  delas  secreta  hormônios  diferentes  (Figura
18.15D).  A  zona  mais  externa,  imediatamente  profunda  à  cápsula  de  tecido  conjuntivo,  é  a  zona  glomerulosa.  Suas
células, densamente acondicionadas e distribuídas em grupos esféricos e colunas arqueadas, secretam hormônios chamados
de mineralocorticoides, pois afetam a homeostasia mineral. A zona do meio ou zona fasciculada é a mais  larga das  três
zonas e consiste em células distribuídas em colunas longas e retas. As células da zona fasciculada secretam principalmente
glicocorticoides,  em  especial  cortisol,  assim  chamados  por  afetarem  a  homeostasia  da  glicose. As  células  da  zona mais
interna, a zona reticular, são distribuídas em cordões ramificados. Elas sintetizam pequenas quantidades de androgênios
fracos, que são hormônios esteroides que exercem efeitos masculinizantes.
Figura 18.15 Localização, irrigação sanguínea e histologia das glândulas suprarrenais.
O córtex da glândula suprarrenal secreta hormônios esteroides essenciais à vida; a medula da glândula suprarrenal
secreta norepinefrina e epinefrina.
Qual é a posição das glândulas suprarrenais em relação aos rins?
Mineralocorticoides
A aldosterona é o principal mineralocorticoide; regula a homeostasia de dois íons minerais – íons sódio (Na+) e potássio
(K+) –e ajuda a ajustar a pressão arterial e o volume de sangue. A aldosterona também promove a excreção de H+ na urina;
essa remoção de ácidos do corpo pode ajudar a evitar a acidose (pH abaixo de 7,35), discutida no Capítulo 27.
Controle da secreção de aldosterona
A via renina­angiotensina­aldosterona (RAA) controla a secreção de aldosterona (Figura 18.16):
Desidratação, deficiência de Na+ e hemorragia são estímulos que iniciam a via da renina­angiotensina­aldosterona.
Essas condições promovem a diminuição do volume sanguíneo.
O volume sanguíneo reduzido promove a queda da pressão arterial.
A  pressão  arterial  mais  baixa  estimula  certas  células  renais,  chamadas  de  células  justaglomerulares,  a  secretar  a
enzima renina.
O nível de renina no sangue sobe.
A renina converte a angiotensina, uma proteína plasmática produzida pelo fígado, em angiotensina I.
Sangue contendo níveis mais altos de angiotensina I circula pelo corpo.
Conforme  o  sangue  flui  pelos  capilares,  sobretudo  dos  pulmões,  a  enzima  conversora  de  angiotensina  (ECA)
converte angiotensina I no hormônio angiotensina II.
O nível sanguíneo de angiotensina II sobe.
A angiotensina II estimula o córtex da glândula suprarrenal a secretar aldosterona.
Sangue contendo níveis mais elevados de aldosterona circula para os rins.
Nos rins, a aldosterona aumenta a reabsorção de Na+, que, por sua vez, promove a  reabsorção de água por osmose.
Em  consequência  disso,  perde­se menos  água  na  urina.  A  aldosterona  também  estimula  os  rins  a  intensificarem  a
secreção de K+ e H+ na urina.
Com a reabsorção mais intensa de água pelos rins, o volume de sangue aumenta.
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Na medida em que o volume de sangue aumenta, a pressão arterial se eleva ao normal.
A angiotensina II também estimula a contração da musculatura lisa das paredes das arteríolas. A constrição resultante
das arteríolas aumenta a pressão sanguínea e, desse modo, ajuda a elevar a pressão de volta ao normal.
Além da angiotensina II, um segundo fator que estimula a secreção de aldosterona é uma concentração maior de K+ no
sangue (ou líquido intersticial). A diminuição no nível sanguíneo de K+ produz o efeito oposto.
Figura 18.16 Regulação da secreção de aldosterona pela via renina­angiotensina­aldosterona (RAA).
A aldosterona ajuda a regular o volume sanguíneo, a pressão arterial e os níveis de Na+, K+ e H+ no sangue.
Quais são as duas maneiras pelas quais a angiotensina II pode elevar a pressão arterial e quais são os
tecidos­alvo em cada caso?
Glicocorticoides
Os glicocorticoides, que regulam o metabolismo e a resistência ao estresse, são o cortisol, a corticosterona e a cortisona.
Desses  três hormônios secretados pela zona fasciculada, o cortisol é o mais abundante,  responsável por cerca de 95% da
atividade glicocorticoide.
Os glicocorticoides exercem os seguintes efeitos:
Degradação de proteína. Os glicocorticoides intensificam a taxa de degradação de proteína, principalmente nas fibras
musculares e, dessa forma, aumentam a liberação de aminoácidos na corrente sanguínea. Os aminoácidos podem ser
usados pelas células corporais na síntese de novas proteínas ou na produção de ATP.
Formação  de  glicose.  Ao  serem  estimulados  pelos  glicocorticoides,  os  hepatócitos  convertem  determinados
aminoácidos  ou  ácido  láctico  em  glicose,  que  será  usada  por  neurônios  e  outras  células  para  produzir  ATP.  Tal
conversão,  de  uma  substância  que  não  seja  o  glicogênio  ou  outro  monossacarídio  em  glicose,  é  chamada  de
gliconeogênese.
Lipólise.  Os  glicocorticoides  estimulam  a  lipólise,  degradação  dos  triglicerídios  e  liberação  de  ácidos  graxos  do
tecido adiposo para o sangue.
Resistência ao estresse. Os glicocorticoides trabalham de muitas maneiras para promover a resistência ao estresse. A
glicose  extra  fornecida  pelos  hepatócitos  oferece  aos  tecidos  uma  pronta  fonte  de  ATP  para  combater  inúmeros
estresses,  inclusive  exercício,  jejum,  medo,  temperaturas  extremas,  altitudes  elevadas,  sangramento,  infecção,
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cirurgia,  traumatismo  e  doença. Uma  vez  que  tornam  os  vasos  sanguíneos mais  sensíveis  a  outros  hormônios  que
causam vasoconstrição, os glicocorticoides elevam a pressão  sanguínea. Esse efeito  é vantajoso nos casos de perda
significativa de sangue, que faz com que a pressão arterial caia.
Efeitos  anti­inflamatórios.  Os  glicocorticoides  inibem  a  participação  dos  leucócitos  nas  respostas  inflamatórias.
Infelizmente, os glicocorticoides também atrasam o reparo tecidual; em consequência disso, retardam a cicatrização de
feridas. Embora em doses elevadas possam ocasionar transtornos mentais graves, os glicocorticoides são muito úteis
no tratamento de condições inflamatórias crônicas como artrite reumatoide.
Depressão  das  respostas  imunes.  Doses  elevadas  de  glicocorticoides  deprimem  as  respostas  imunes.  Por  esse
motivo, os glicocorticoides são prescritos para receptores de órgãos transplantados com objetivo de retardar a rejeição
tecidual promovida pelo sistema imune.
Figura 18.17 Regulação por feedback negativo da secreção de glicocorticoide.
Níveis elevados de CRH e níveis baixos de glicocorticoides promovem a liberação de ACTH, que estimula a
secreção de glicocorticoides pelo córtex da glândula suprarrenal.
Se um paciente de transplante de coração recebe prednisona (um glicocorticoide) para ajudar a evitar a
rejeição do tecido transplantado, os níveis sanguíneos de ACTH e CRH estarão baixos ou elevados?
Explique.
Controle da secreção de glicocorticoide
O controle da secreção de glicocorticoide ocorre por meio de um sistema de feedback negativo típico (Figura 18.17). Níveis
sanguíneos  baixos  de  glicocorticoides,  principalmente  cortisol,  estimulam  as  células  neurossecretoras  no  hipotálamo  a
secretarem hormônio liberador da corticotrofina (CRH). O CRH (junto com a baixa concentração de cortisol) promove a
liberação  de  ACTH  da  adeno­hipófise.  O  ACTH  flui  no  sangue  para  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  onde  estimula  a
secreção  de  glicocorticoide  (em  grau  muito  menor,  o  ACTH  também  estimula  a  secreção  de  aldosterona).  A  discussão
sobre estresse ao final do capítulo aborda como o hipotálamo também aumenta a liberação de CRH em resposta a inúmeros
estresses físicos e emocionais (ver Seção 18.14).
Androgênios
Tanto  em  homens  quanto  em  mulheres,  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  secreta  pequenas  quantidades  de  androgênios
fracos.  O  principal  androgênio  secretado  pela  glândula  suprarrenal  é  a desidroepiandrosterona (DHEA).  Nos  homens,
depois da puberdade, o androgênio  testosterona  também é  liberado, e em quantidade muito maior, pelos  testículos. Dessa
forma, a quantidade de androgênios secretada pela glândula suprarrenal masculina é normalmente tão baixa que seus efeitos
são  insignificantes.  Nas  mulheres,  no  entanto,  os  androgênios  suprarrenais  desempenham  funções  importantes.  Eles
promovem a libido (desejo sexual) e são convertidos em estrogênios (esteroides sexuais feminilizantes) por outros tecidos
corporais.  Após  a  menopausa,  quando  a  secreção  ovariana  de  estrogênios  cessa,  todos  os  estrogênios  femininos  são
provenientes da conversão dos androgênios suprarrenais. Os androgênios suprarrenais também estimulam o crescimento de
pelos  axilares  e  púbicos  nos meninos  e  nas meninas  e  contribuem para  o  estirão  de  crescimento  pré­puberal.  Embora  o
controle da secreção suprarrenal de androgênio não seja  totalmente compreendido, o principal hormônio que estimula sua
secreção é o ACTH.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Hiperplasia congênita das glândulas
suprarrenais
A hiperplasia congênita das glândulas suprarrenais (HCSR) é um distúrbio genético em que há ausência de uma ou mais enzimas necessárias para a síntese de
cortisol. Uma vez que o nível de cortisol está baixo, a secreção de ACTH pela adeno-hipó se é alta devido àausência de inibição por feedback negativo. O ACTH, por
sua vez, estimula o crescimento e a atividade secretora do córtex da glândula suprarrenal. Em consequência disso, as duas glândulas suprarrenais estão aumentadas.
Entretanto, determinadas etapas que levam à síntese de cortisol estão bloqueadas. Dessa maneira, moléculas precursoras se acumulam e algumas delas constituem
androgênios fracos que podem ser convertidos em testosterona, resultando em virilismo ou masculinização. Na mulher, as características viris incluem crescimento
de barba, desenvolvimento de voz muito mais grave e distribuição masculinizada de pelo corporal, crescimento do clitóris de forma a parecer um pênis, atro a das
mamas e musculatura mais acentuada, produzindo um corpo masculinizado. Nos meninos em fase pré-puberal, a síndrome provoca as mesmas características que
nas meninas, além do rápido desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos e do surgimento de desejos sexuais masculinos. Nos homens adultos, os efeitos
virilizantes da HCSR em geral são completamente obscurecidos pelos efeitos virilizantes normais da testosterona secretada pelos testículos. Consequentemente, a
HCSR é muitas vezes difícil de ser diagnosticada em homens adultos. O tratamento envolve cortisol que inibe a secreção de ACTH e, dessa forma, reduz a produção de
androgênios suprarrenais.
Medula da glândula suprarrenal
A  região  interna  da  glândula  suprarrenal,  a medula  da  glândula  suprarrenal,  consiste  em  um  gânglio  simpático  da
divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) modificado. Essa área se desenvolve a partir do mesmo tecido embrionário de
todos os outros gânglios simpáticos, porém suas células, que não possuem axônios, formam grupos em torno de grandes
vasos  sanguíneos.  Em  vez  de  liberar  um  neurotransmissor,  as  células  da  medula  da  glândula  suprarrenal  secretam
hormônios.  As  células  produtoras  de  hormônio,  chamadas  de  células  cromafins  (Figura  18.15D),  são  inervadas  por
neurônios pré­ganglionares simpáticos do SNA. Uma vez que o SNA exerce controle direto sobre as células cromafins, a
liberação de hormônio pode ocorrer com muita rapidez.
Os  dois  principais  hormônios  sintetizados  pela  medula  suprarrenal  são  a  epinefrina  e  a  norepinefrina,  também
chamadas  de  adrenalina  e  noradrenalina,  respectivamente.  As  células  cromafins  da  medula  da  glândula  suprarrenal
secretam quantidades desiguais desses hormônios – cerca de 80% de epinefrina e 20% de norepinefrina. Os hormônios da
medula da glândula suprarrenal intensificam respostas simpáticas que ocorrem em outras partes do corpo.
18.
19.
20.
18.10
•
Controle da secreção de epinefrina e norepinefrina
Em situações de estresse e durante a prática de exercícios, impulsos provenientes do hipotálamo acionam os neurônios pré­
ganglionares  simpáticos que, por  sua vez, estimulam as células cromafins a  secretarem epinefrina e norepinefrina. Esses
dois hormônios  intensificam a  resposta de  luta ou  fuga abordada no Capítulo 15. Ao aumentar  a  frequência e  a  força de
contração cardíacas, a epinefrina e a norepinefrina elevam o débito cardíaco e a pressão arterial. Além disso, aumentam o
fluxo de sangue para o coração, o fígado, os músculos esqueléticos e o tecido adiposo; dilatam as vias respiratórias para os
pulmões e elevam os níveis sanguíneos de glicose e ácidos graxos.
A  Tabela  18.8  oferece  um  resume  dos  hormônios  produzidos  pelas  glândulas  suprarrenais,  do  controle  das  suas
secreções e de suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Como é possível comparar o córtex e a medula da glândula suprarrenal em relação à localização e histologia?
Como é regulada a secreção dos hormônios do córtex da glândula suprarrenal?
Como a medula da glândula suprarrenal se relaciona com a divisão autônoma do sistema nervoso?
Ilhotas pancreáticas
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções das ilhotas pancreáticas.
O pâncreas é uma glândula tanto endócrina quanto exócrina. Aqui, serão discutidas suas funções endócrinas e no Capítulo
24,  ao  abordar  o  sistema  digestório,  suas  funções  exócrinas  serão  incluídas. O  pâncreas  é  um órgão  achatado  que mede
cerca  de  12,5  a  15  cm  de  comprimento.  Localiza­se  na  curvatura  do  duodeno,  a  primeira  parte  do  intestino  delgado,  e
consiste em uma cabeça, um corpo e uma cauda (Figura 18.18A). Aproximadamente 99% das células exócrinas do pâncreas
estão distribuídas em grupos chamados ácinos. Os ácinos produzem enzimas que fluem para o sistema digestório por uma
rede  de  ductos. Espalhados  entre  os  ácinos  exócrinos  existem 1  a  2 milhões  de minúsculos  grupos  de  tecido  endócrino,
chamados de ilhotas pancreáticas ou  ilhotas de Langerhans  (Figura 18.18B). Capilares abundantes  irrigam tanto a parte
endócrina quanto a exócrina do pâncreas.
TABELA 18.8 Resumo dos hormônios das glândulas suprarrenais.
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
HORMÔNIOS DO CÓRTEX DA GLÂNDULA
SUPRARRENAL 
Mineralocorticoides (principalmente
aldosterona) das células da zona glomerulosa 
Glicocorticoides (sobretudo cortisol) das células
da zona fasciculada
Níveis elevados de K+ e angiotensina II
estimulam a secreção 
O ACTH estimula a liberação; o hormônio
liberador da corticotro na (CRH) promove a
secreção de ACTH em resposta ao estresse e
baixos níveis sanguíneos de glicocorticoides
Elevam os níveis sanguíneos de Na+ e água; diminuem
o nível sanguíneo de K+ 
Aumentam a degradação de proteína (exceto no
fígado), estimulam a gliconeogênese e a lipólise,
promovem resistência ao estresse, amenizam a
in amação e deprimem as respostas imunes
Androgênios (principalmente
desidroepiandrosterona, ou DHEA) das células da
zona reticular 
O ACTH estimula a secreção Auxiliam no crescimento precoce de pelos axilares e
pubianos em ambos os sexos; nas mulheres
contribuem para a libido e são fonte de estrogênios
depois da menopausa
HORMÔNIOS DA MEDULA DA GLÂNDULA
SUPRARRENAL 
Epinefrina e norepinefrina das células croma ns 
Neurônios pré-ganglionares simpáticos
liberam acetilcolina que estimula a secreção
Intensi cam os efeitos da parte simpática da divisão
autônoma do sistema nervoso (SNA) durante o
estresse
Figura 18.18 Localização, irrigação sanguínea e histologia do pâncreas.
Hormônios pancreáticos regulam a glicemia.
O pâncreas é uma glândula exócrina ou endócrina?
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4.
Tipos celulares nas ilhotas pancreáticas
Cada ilhota pancreática apresenta quatro tipos de células secretoras de hormônio:
As células alfa ou A constituem cerca de 17% das células das ilhotas pancreáticas e secretam glucagon.
As células beta ou B constituem cerca de 70% das células das ilhotas pancreáticas e secretam insulina.
As células delta ou D constituem cerca de 7% das ilhotas pancreáticas e secretam somatostatina.
As células F constituem o restante das células das ilhotas pancreáticas e secretam polipeptídio pancreático.
As interações dos quatro hormônios pancreáticos são complexas e não completamente compreendidas. Sabemos que o
glucagon  eleva  o  nível  sanguíneo  de  glicose  e  a  insulina  reduz. A  somatostatina  atua  de maneira  parácrina  para  inibir  a
liberação tanto de insulina quanto de glucagon das células beta e alfa vizinhas. Além disso, pode funcionar como hormônio
circulante para retardar a absorção de nutrientes do sistema digestório. Ademais, a somatostatina inibe a secreção de GH. O
polipeptídio pancreático inibe a secreção de somatostatina, a contração da vesícula biliar e a secreção de enzimas digestivas
pelo pâncreas.
Controle da secreção de glucagon e insulina
A principal ação do glucagon é de elevar o nível sanguíneo de glicose que se encontra abaixo do normal. A insulina, por
outro  lado,  ajuda  a  reduzir  o  nível  de  glicose  sanguínea  que  se  encontra  muito  elevado.  O  nível  de  glicose  sanguínea
controla a secreção de glucagon e insulina via feedback negativo (Figura 18.19):
O  nível  sanguíneo  baixode  glicose  (hipoglicemia)  estimula  a  secreção  de  glucagon  pelas  células  alfa  das  ilhotas
pancreáticas.
O  glucagon  atua  nos  hepatócitos,  acelerando  a  conversão  de  glicogênio  em glicose  (glicogenólise)  e  promovendo  a
formação de glicose a partir do ácido láctico e de determinados aminoácidos (gliconeogênese).
Consequentemente, os hepatócitos liberam glicose no sangue de maneira mais rápida e a glicemia se eleva.
Se  a glicemia  continua  subindo,  o nível  sanguíneo  elevado de glicose  (hiperglicemia)  inibe  a  liberação de glucagon
(feedback negativo).
A glicose sanguínea alta (hiperglicemia) estimula a secreção de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas.
A insulina age em várias células do corpo para acelerar a difusão facilitada da glicose para as células; para apressar a
conversão  de  glicose  em  glicogênio  (glicogênese);  para  intensificar  a  captação  de  aminoácidos  pelas  células  e  para
aumentar  a  síntese  de  proteína;  para  acelerar  a  síntese  de  ácidos  graxos  (lipogênese);  para  retardar  a  conversão  de
glicogênio  em  glicose  (glicogenólise)  e  para  tornar mais  lenta  a  formação  de  glicose  a  partir  do  ácido  láctico  e  de
aminoácidos (gliconeogênese).
O resultado disso é a queda do nível de glicose do sangue.
Quando  o  nível  sanguíneo  de  glicose  cai  para  abaixo  do  normal,  ocorre  inibição  da  liberação  de  insulina  (feedback
negativo) e estímulo à liberação de glucagon.
Embora o nível sanguíneo de glicose seja o regulador mais importante da insulina e do glucagon, diversos hormônios
e  neurotransmissores  também  regulam  a  liberação  desses  dois  hormônios.  Além  das  respostas  ao  nível  sanguíneo  de
glicose  descritas  anteriormente,  o  glucagon  estimula  a  liberação  de  insulina  de maneira  direta;  a  insulina  exerce  o  efeito
oposto,  suprimindo  a  secreção  de  glucagon.  Conforme  o  nível  de  glicose  no  sangue  vai  declinando  e menos  insulina  é
secretada,  as  células  alfa  do  pâncreas  são  liberadas  do  efeito  inibitório  da  insulina  de  forma  que  possam  secretar  mais
glucagon.  Indiretamente,  o  hormônio  do  crescimento  humano  (GH)  e  o ACTH estimulam  a  secreção  de  insulina  porque
atuam para elevar a glicose sanguínea.
Figura 18.19 Regulação por feedback negativo da secreção de glucagon (setas azuis) e insulina (setas laranja).
O nível sanguíneo baixo de glicose estimula a liberação de glucagon; o nível sanguíneo elevado de glicose
estimula a secreção de insulina.
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A glicogenólise aumenta ou diminui o nível sanguíneo de glicose?
A secreção de insulina também é estimulada por:
Acetilcolina,  um  neurotransmissor  liberado  pelos  terminais  axônicos  das  fibras  parassimpáticas  do  nervo  vago  que
inervam as ilhotas pancreáticas
Aminoácidos arginina e leucina, presentes no sangue em níveis mais elevados depois de uma refeição rica em proteína
Peptídio  insulinotrópico  dependente  de  glicose  (GIP),*  um  hormônio  liberado  pelas  células  enteroendócrinas  do
intestino delgado em resposta à presença de glicose no sistema digestório.
Dessa  maneira,  a  digestão  e  a  absorção  de  alimentos  contendo  tanto  carboidratos  quanto  proteínas  são  um  forte
estímulo à liberação de insulina.
A secreção do glucagon é estimulada por:
Atividade mais intensa da parte simpática do SNA, como acontece durante o exercício
Elevação dos  aminoácidos  sanguíneos quando o nível  sanguíneo de glicose  está  baixo,  o  que pode ocorrer  depois  de
uma refeição contendo principalmente proteína.
A  Tabela  18.9  oferece  um  resumo  dos  hormônios  produzidos  pelo  pâncreas,  do  controle  da  secreção  e  de  suas
principais ações.
TABELA 18.9 Resumo dos hormônios das ilhotas pancreáticas.
21.
22.
18.11
•
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
Glucagon das células alfa das ilhotas
pancreáticas 
Nível sanguíneo baixo de glicose, exercícios físicos e
principalmente refeições hiperproteicas estimulam a
secreção; a somatostatina e a insulina inibem a
secreção
Eleva o nível sanguíneo de glicose acelerando a
degradação do glicogênio em glicose no fígado
(glicogenólise), convertendo outros nutrientes em
glicose no fígado (gliconeogênese) e liberando glicose
no sangue
Insulina das células beta das ilhotas
pancreáticas 
Nível sanguíneo elevado de glicose, acetilcolina
(liberada pelas bras parassimpáticas do nervo vago),
arginina e leucina (dois aminoácidos), glucagon, GIP,
GH e ACTH estimulam a secreção; a somatostatina
inibe a secreção
Reduz o nível sanguíneo de glicose acelerando o
transporte de glicose para as células, convertendo
glicose em glicogênio (glicogênese) e diminuindo a
glicogenólise e a gliconeogênese; aumenta a
lipogênese e estimula a síntese de proteína
Somatostatina das células delta das ilhotas
pancreáticas 
O peptídio pancreático inibe a secreção Inibe a secreção de insulina e glucagon; retarda a
absorção de nutrientes no sistema digestório
Polipeptídio pancreático das células F das
ilhotas pancreáticas 
Refeições contendo proteína, jejum, exercícios físicos e
hipoglicemia aguda estimulam a secreção; a
somatostatina e o nível sanguíneo elevado de glicose
inibem a secreção
Inibe a secreção de somatostatina, a contração da
vesícula biliar e a secreção de enzimas digestivas do
pâncreas
 TESTE RÁPIDO
Como são controlados os níveis sanguíneos de insulina e glucagon?
Quais são os efeitos do exercício em contraste com a  ingestão de uma refeição rica em carboidrato e proteína
na secreção da insulina e do glucagon?
Ovários e testículos
 OBJETIVO
Descrever a localização, os hormônios e as funções das gônadas masculina e feminina.
Gônadas são os órgãos que produzem gametas – espermatozoides nos homens e ovócitos (oócitos) nas mulheres. Além da
23.
18.12
•
•
sua  função  reprodutora,  as  gônadas  secretam  hormônios.  Os  ovários,  um  par  de  corpos  ovais  localizados  na  cavidade
pélvica  feminina,  fabricam  vários  hormônios  esteroides,  inclusive  dois  estrogênios  (estradiol  e  estrona)  e  progesterona.
Esses  hormônios  sexuais  femininos,  juntamente  com  o  hormônio  foliculoestimulante  (FSH)  e  o  hormônio  luteinizante
(LH) da adeno­hipófise, regulam o ciclo menstrual, mantêm a gravidez e preparam as glândulas mamárias para a lactação.
Além  disso,  promovem  o  crescimento  das  mamas  e  o  alargamento  dos  quadris  na  puberdade  e  ajudam  a  manter  essas
características  sexuais  femininas  secundárias. Os  ovários  também produzem  inibina,  um  hormônio  proteico  que  inibe  a
secreção  de  FSH.  Durante  a  gravidez,  os  ovários  e  a  placenta  produzem  um  hormônio  peptídio  chamado  de  relaxina
(RLX), que aumenta a flexibilidade da sínfise púbica durante a gravidez e ajuda a dilatar o colo do útero durante o parto.
Essas ações ajudam a facilitar a passagem do bebê pelo alargamento do canal do parto.
As gônadas masculinas, os testículos,  são glândulas ovais  localizadas no escroto. O principal hormônio produzido e
secretado  pelos  testículos  é  a  testosterona,  um  androgênio  ou  hormônio  sexual  masculino.  A  testosterona  promove  a
migração (descida) dos  testículos para o escroto antes do nascimento, regula a produção de espermatozoides e estimula o
desenvolvimento  e  a  manutenção  de  características  sexuais  secundárias  masculinas,  como  crescimento  de  barba  e
engrossamento da voz. Os  testículos  também produzem  inibina,  que  inibe  a  secreção de FSH. A  estrutura  detalhada dos
ovários e dos testículos e as funções específicas dos hormônios sexuais são discutidas no Capítulo 28.
A Tabela 18.10 faz um resumo dos hormônios produzidos pelos ovários e testículos e suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Por que os ovários e os testículos são classificados como glândulas endócrinas e órgãos de reprodução?
TABELA 18.10 Resumo dos hormônios dos ovários e testículos.
HORMÔNIO PRINCIPAIS AÇÕES
HORMÔNIOS OVARIANOS
Estrogênios e progesteronaJunto com os hormônios gonadotró cos da adeno-hipó se, regulam o ciclo reprodutivo feminino, mantêm a
gravidez, preparam as glândulas mamárias para a lactação e promovem o desenvolvimento e a manutenção das
características sexuais secundárias femininas
Relaxina Aumenta a exibilidade da sín se púbica durante a gravidez; ajuda a dilatar o colo do útero durante o parto
Inibina Inibe a secreção de FSH da adeno-hipó se.
HORMÔNIOS TESTICULARES
Testosterona Estimula a migração dos testículos para o escroto antes do nascimento; regula a produção de espermatozoides;
promove o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais masculinas secundárias
Inibina Inibe a secreção de FSH da adeno-hipó se
Glândula pineal e timo
 OBJETIVOS
Relatar a localização, a histologia, o hormônio e as funções da glândula pineal
Descrever a função do timo na imunidade.
A glândula pineal  é  uma  pequena  glândula  endócrina  localizada  na  parte  superior  do  terceiro  ventrículo  do  encéfalo  na
24.
25.
18.13
•
•
linha  mediana  (ver  Figura  18.1).  Parte  do  epitálamo,  a  glândula  está  posicionada  entre  os  dois  colículos  superiores,
apresenta massa de 0,1 a 0,2 g e está coberta por uma cápsula formada pela pia­máter. A glândula é composta por massas
de neuróglia e células secretoras chamadas de pinealócitos.
A  glândula  pineal  secreta melatonina,  um  hormônio  amina  derivado  da  serotonina.  Aparentemente  a  melatonina
contribui para o ajuste do relógio biológico do corpo, que é controlado pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo. Já que
mais melanina  é  liberada  no  escuro  do  que  na  presença  de  luz,  acredita­se  que  esse  hormônio  promova  sonolência.  Em
resposta ao estímulo visual dos olhos (retina), o núcleo supraquiasmático aciona os neurônios pós­ganglionares simpáticos
do gânglio cervical  superior que, por sua vez, estimulam os pinealócitos da glândula pineal a secretar melatonina em um
padrão rítmico, com secreção baixa de melatonina durante o dia e significativamente mais elevada à noite. Durante o sono,
os  níveis  plasmáticos  de  melatonina  sobem  10  vezes  e,  depois,  caem  de  novo  antes  do  despertar.  Pequenas  doses  de
melatonina  administradas  por  via  oral  conseguem  induzir  o  sono  e  reajustar  os  ritmos  diários,  o  que  pode  beneficiar  os
profissionais cujos  turnos de  trabalho alternam­se entre horas do dia e da noite. A melatonina  também é um antioxidante
potente que pode oferecer alguma proteção contra radicais livres prejudiciais.
Nos animais que procriam em épocas específicas, a melatonina inibe funções reprodutoras, porém não está claro se a
melatonina  influencia  a  função  reprodutiva humana. Os níveis de melatonina  são mais  elevados  em crianças  e diminuem
com o tempo até a idade adulta, porém não há evidências de que alterações na secreção de melatonina se correlacionem com
o surgimento da puberdade e o amadurecimento sexual. Todavia, uma vez que a melatonina causa atrofia das gônadas em
várias  espécies  animais,  a  possibilidade  de  efeitos  adversos  na  reprodução  humana  precisa  ser  estudada  antes  que  a
utilização desse hormônio para restaurar ritmos diários possa ser recomendada.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Transtorno afetivo sazonal e dessincronose
(jet lag)
O transtorno afetivo sazonal (TAS) é um tipo de depressão que a ige algumas pessoas durante os meses de inverno quando a duração do dia é menor. Acredita-se
que ocorra, em parte, devido à produção excessiva de melatonina. A fototerapia de amplo espectro – doses repetidas de várias horas de exposição à luz arti cial tão
clara quanto a luz do sol – alivia algumas pessoas. Parece que 3 a 6 h de exposição à luz também aceleram a recuperação da dessincronose (jet lag), que é a fadiga
sofrida pelos viajantes que cruzam áreas de fusos horários diferentes.
O  timo  está  localizado  atrás  do  esterno,  entre  os  pulmões.  Como  a  sua  função  tem  relação  com  a  imunidade,  os
detalhes da estrutura e das funções do timo são discutidos no Capítulo 22. Os hormônios produzidos pelo timo – timosina,
fator  tímico humoral  (THF),  fator  tímico  (TF) e  timopoetina – promovem a maturação dos  linfócitos T  (um  tipo de
leucócito que destrói micróbios e substâncias estranhas) e possível retardo do processo de envelhecimento.
 TESTE RÁPIDO
Qual é a relação entre melatonina e sono?
Quais hormônios tímicos desempenham função na imunidade?
Outros órgãos e tecidos endócrinos, eicosanoides e fatores de
crescimento
 OBJETIVOS
Descrever as funções de cada um dos hormônios secretados por células de tecidos e órgãos que não as glândulas
endócrinas
Explicar as ações dos eicosanoides e dos fatores de crescimento.
Hormônios de outros tecidos e órgãos endócrinos
De  acordo  com  o  início  do  capítulo,  células  de  órgãos  que  não  aqueles  habitualmente  classificados  como  glândulas
endócrinas  apresentam  função  endócrina  e  secretam  hormônios.  Vários  desses  órgãos  foram  abordados  neste  capítulo:
hipotálamo,  timo,  pâncreas,  ovários  e  testículos.  A  Tabela 18.11  oferece  uma  visão  geral  desses  órgãos  e  tecidos,  seus
hormônios e suas ações.
Eicosanoides
Duas  famílias  de  moléculas  eicosanoides  –  as  prostaglandinas  (PG)  e  os  leucotrienos  (LT)  –  são  encontradas  em
praticamente todas as células do corpo, exceto nos eritrócitos, onde atuam como hormônios locais (parácrinos e autócrinos)
em  resposta  a  estímulos  químicos  ou  mecânicos.  São  sintetizados  a  partir  de  um  ácido  graxo  de  20  carbonos  (ácido
araquidônico)  das  moléculas  fosfolipídicas  da  membrana.  Do  ácido  araquidônico,  diferentes  reações  enzimáticas
produzem PG e LT. O tromboxano (TX) é uma PG modificada que contrai os vasos sanguíneos e promove a ativação das
plaquetas. Os  eicosanoides  aparecem no  sangue  em quantidades mínimas  e  sua  presença  é  apenas  breve  devido  à  rápida
inativação.
TABELA 18.11 Resumo dos hormônios produzidos por outros órgãos e tecidos que contêm células
endócrinas.
HORMÔNIO AÇÕES PRINCIPAIS
SISTEMA DIGESTÓRIO 
Gastrina
Promove a secreção de suco gástrico; intensi ca os movimentos do estômago
Peptídio insulinotrópico dependente de glicose (GIP) Estimula a liberação de insulina pelas células beta do pâncreas
Secretina Desencadeia a secreção de suco pancreático e de bile
Colecistocinina Estimula a secreção de suco pancreático; regula a liberação de bile da vesícula
biliar; promove a sensação de saciedade após a alimentação
PLACENTA  
Gonadotro na coriônica humana (hCG) Estimula o corpo lúteo no ovário a continuar a produção de estrogênios e
progesterona para manter a gravidez
Estrogênios e progesterona Mantêm a gravidez; ajudam a preparar as glândulas mamárias para secretarem
leite
Hormônio somatomamotrópico coriônico humano (HCS) Estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias para a lactação
RINS  
Renina Parte da sequência de reação que eleva a pressão do sangue promovendo
vasoconstrição e secreção de aldosterona
Eritropoetina (EPO) Aumenta a taxa de formação de eritrócitos
Calcitriol* (forma ativa da vitamina D) Auxilia na absorção do fósforo e cálcio da dieta
CORAÇÃO  
Peptídio natriurético atrial (PNA) Diminui a pressão arterial
TECIDO ADIPOSO  
Leptina Suprime o apetite; aumenta a atividade do FSH e LH
26.
27.
18.14
•
*A síntese começa na pele, continua no fígado e termina nos rins.
Para  exercer  seus  efeitos,  os  eicosanoides  se  ligam  a  receptores  nas  membranas  plasmáticas  das  células­alvo  e
estimulam  ou  inibem  a  síntese  de  segundos  mensageiros  como  AMP  cíclico.  Os  leucotrienos  estimulam  a  quimiotaxia
(atração  a  um  estímulo  químico)  dos  leucócitos  e  medeiam  a  inflamação.  As  prostaglandinas  alteram  a  contração  da
musculatura  lisa,  as  secreções  glandulares,  o  fluxo  sanguíneo,  os  processos  reprodutivos,  a  função  plaquetária,  a
respiração,  a  transmissão  de  impulsos  nervosos,  o  metabolismo  lipídico  e  as  respostasimunes.  Além  disso,  atuam  na
promoção da inflamação e febre e na intensificação da dor.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Anti-in amatórios não esteroides
Em 1971, cientistas resolveram o antigo enigma de como funciona o ácido acetilsalicílico (AAS). O AAS e os anti-in amatórios não esteroides (AINEs), como o
ibuprofeno, inibem a ciclo-oxigenase, uma enzima-chave envolvida na síntese de prostaglandina. Os AINEs são usados para tratar uma ampla variedade de distúrbios
in amatórios, desde artrite reumatoide a epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”). O sucesso dos AINEs na redução da febre, da dor e da in amação revela como as
prostaglandinas contribuem para esses problemas.
Fatores de crescimento
Vários  dos  hormônios  descritos  –  fatores  de  crescimento  insulina­símiles,  timosina,  insulina,  hormônios  da  tireoide,
hormônio do crescimento  e prolactina –  estimulam o crescimento  e  a divisão celulares. Além disso, diversos hormônios
descobertos  recentemente  chamados  de  fatores de  crescimento  desempenham  importantes  funções  no  desenvolvimento,
crescimento  e  reparo  dos  tecidos.  Os  fatores  de  crescimento  são mitogênicos  –  promovem  o  crescimento  por  meio  da
estimulação da divisão celular. Muitos fatores de crescimento atuam localmente, de maneira autócrina ou parácrina.
A Tabela 18.12 oferece um resumo das fontes e das ações de seis importantes fatores de crescimento.
 TESTE RÁPIDO
Que hormônios são secretados pelo sistema digestório, pela placenta, pelos rins, pela pele, pelo tecido adiposo
e pelo coração?
Quais são algumas funções das prostaglandinas, dos leucotrienos e dos fatores de crescimento?
A resposta ao estresse
 OBJETIVO
Descrever como o corpo responde ao estresse.
É impossível remover todo o estresse da nossa vida diária. Determinados estresses, chamados de eustresse, nos preparam
para  enfrentar desafios  e,  por  isso,  são úteis. Outros  estresses,  chamados de distresses,  são  prejudiciais. Todo  estímulo
que provoca uma  resposta ao estresse é chamado de estressor. Praticamente  toda perturbação ao corpo humano pode  ser
um  estressor  –  calor  ou  frio,  venenos  ambientais,  toxinas  liberadas  por  bactérias,  sangramento  forte  decorrente  de  uma
ferida ou cirurgia ou uma  forte  reação emocional. As  respostas aos estressores podem ser agradáveis ou desagradáveis e
variam entre as pessoas, podendo, até mesmo, ser diferentes na mesma pessoa em momentos distintos.
TABELA 18.12 Resumo de alguns fatores de crescimento.
FATOR DE CRESCIMENTO COMENTÁRIO
Fator de crescimento epidérmico (EGF) Produzido nas glândulas submandibulares (salivar); estimula a proliferação de
células epiteliais, broblastos, neurônios e astrócitos; suprime algumas células
cancerígenas e a secreção de suco gástrico pelo estômago
Fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF) Produzido nas plaquetas sanguíneas; estimula a proliferação de neuróglia,
bras musculares lisas e broblastos; parece ter função na cicatrização de
feridas; pode contribuir para o desenvolvimento de aterosclerose
Fator de crescimento de broblastos (FGF) Encontrado na glândula hipó se e no encéfalo; promove a proliferação de
muitas células derivadas do mesoderma embrionário ( broblastos, células
adrenocorticais, bras musculares lisas, condrócitos e células endoteliais);
estimula a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese)
Fator de crescimento de nervo (NGF) Produzido nas glândulas submandibulares (salivares) e no hipocampo do
encéfalo; estimula o crescimento de gânglios no embrião; mantém o sistema
nervoso simpático; estimula a hipertro a e a diferenciação de neurônios
Fatores de angiogênese tumoral (TAF) Produzidos por células tumorais e normais; estimulam o crescimento de novos
capilares, a regeneração orgânica e a cicatrização de feridas
Fatores transformadores de crescimento (TGF) Produzidos por várias células como moléculas separadas: TGF-alfa tem
atividades semelhantes ao fator de crescimento epidérmico, enquanto TGF-beta
inibe a proliferação de muitos tipos de células
Os mecanismos  homeostáticos  do  corpo  tentam neutralizar  o  estresse  e,  quando  bem­sucedidos,  o  ambiente  interno
permanece  dentro  dos  limites  fisiológicos  normais.  Se  o  estresse  for  extremo,  incomum  ou  de  longa  duração,  os
mecanismos normais podem não ser suficientes. Em 1936, Hans Selye, um pioneiro nas pesquisas sobre estresse, mostrou
que  várias  condições  estressantes  ou  agentes  nocivos  desencadeiam  uma  sequência  semelhante  de  alterações  corporais.
Essas  alterações,  chamadas  de  resposta  ao  estresse  ou  síndrome  de  adaptação  geral  (SAG),  são  controladas
principalmente  pelo  hipotálamo. A  resposta  ao  estresse  ocorre  em  três  estágios:  (1)  resposta  de  luta  ou  fuga  inicial,  (2)
reação de resistência mais lenta e, por fim, (3) exaustão.
Resposta de luta ou fuga
A resposta de luta ou fuga, iniciada por impulsos nervosos do hipotálamo para a parte simpática da divisão autônoma do
sistema  nervoso  (SNA),  incluindo  a  medula  da  glândula  suprarrenal,  mobiliza  rapidamente  as  fontes  corporais  para
atividade física imediata (Figura 18.20A). A resposta de luta ou fuga leva quantidades enormes de glicose e oxigênio para
os órgãos mais ativos no combate ao perigo: o encéfalo, que precisa se tornar altamente alerta; os músculos esqueléticos,
que podem precisar defender o corpo de um agressor ou fugir; e o coração, que precisa trabalhar com vigor para bombear
sangue suficiente ao encéfalo e aos músculos. Durante a resposta de  luta ou fuga, funções corporais não essenciais como
atividades  digestórias,  urinárias  e  reprodutoras  são  inibidas.  A  redução  do  fluxo  de  sangue  para  os  rins  promove  a
liberação de  renina, que coloca em ação a via  renina­angiotensina­aldosterona  (ver Figura 18.16). A aldosterona  faz com
que os  rins  retenham Na+,  o que promove a  retenção de água e elevação da pressão arterial. A  retenção de água  também
ajuda a preservar volume hídrico corporal em caso de sangramento grave.
Figura 18.20 Respostas aos estressores durante a resposta ao estresse. As setas vermelhas (respostas hormonais) e as setas verdes
(respostas neurais) em (A) indicam reações de luta ou fuga imediatas; as setas pretas em (B) indicam reações de resistência de longa
duração.
Os estressores estimulam o hipotálamo a iniciar a resposta ao estresse por meio da resposta de luta ou fuga e
reação de resistência.
Qual é a diferença básica entre resposta ao estresse e homeostasia?
Reação de resistência
O segundo estágio da resposta ao estresse é a reação de resistência  (Figura 18.20B). Diferentemente da resposta de  luta
ou fuga de curta duração,  iniciada por  impulsos nervosos provenientes do hipotálamo, a reação de resistência, em grande
parte, começa pela ação dos hormônios hipotalâmicos de liberação e tem duração mais longa. Os hormônios envolvidos são
o  hormônio  liberador  da  corticotrofina  (CRH),  o  hormônio  liberador  do  hormônio  do  crescimento  (GHRH)  e  hormônio
liberador da tireotrofina (TRH).
O CRH  estimula  a  adeno­hipófise  a  secretar  ACTH  que,  por  sua  vez,  estimula  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  a
incrementar a liberação de cortisol. O cortisol promove a gliconeogênese pelos hepatócitos, a degradação dos triglicerídios
em ácidos graxos (lipólise) e o catabolismo de proteínas em aminoácidos. Tecidos por todo o corpo podem usar a glicose,
os ácidos graxos e os aminoácidos resultantes na produção de ATP ou no reparo de células danificadas. O cortisol também
reduz a inflamação.
Um  segundo  hormônio  hipotalâmico  de  liberação,  o  GHRH,  faz  com  que  a  adeno­hipófise  secrete  hormônio  do
28.
29.
30.
crescimento (GH). Agindo via fatores de crescimento insulino­símiles, o GH estimula a lipólise e a glicogenólise, que é a
degradação  de  glicogênio  em  glicose,  no  fígado.  Um  terceiro  hormônio  hipotalâmico  de  liberação,  o  TRH,  estimula  a
adeno­hipófise  a  secretar  hormôniotireoestimulante  (TSH).  O  TSH  promove  a  secreção  de  hormônios  da  tireoide  que
estimulam  o  uso  mais  acentuado  de  glicose  na  produção  de  ATP.  As  ações  combinadas  do  GH  e  TSH  suprem  ATP
adicional para as células metabolicamente ativas por todo o corpo.
O  estágio  de  resistência  ajuda  o  corpo  a  continuar  lutando  contra  o  estressor mesmo  bem  depois  da  dissipação  da
resposta de luta ou fuga. Esse é o motivo pelo qual o coração continua batendo mais forte por vários minutos mesmo após
a  remoção  do  estressor.  Em  geral,  essa  fase  é  bem­sucedida  quando  nos  vemos  em  um  episódio  estressante  e  nossos
corpos voltam ao normal. Às vezes, no entanto, o estágio de resistência não consegue combater o estressor e o corpo entra
em estado de exaustão.
Exaustão
Os recursos do corpo acabam se exaurindo e não conseguem sustentar o estágio de  resistência, ocorrendo a exaustão. A
exposição  prolongada  a  elevados  níveis  de  cortisol  e  outros  hormônios  envolvidos  na  reação  de  resistência  causa  perda
muscular, supressão do sistema imunológico, ulceração no sistema digestório e falência das células beta pancreáticas. Além
disso, alterações patológicas podem ocorrer porque as reações de resistência persistem depois da remoção do estressor.
Estresse e doença
Embora  o  papel  exato  do  estresse  nas  doenças  humanas  não  seja  conhecido,  está  claro  que  o  estresse  pode  ocasionar
doenças  pela  inibição  temporária  de  determinados  componentes  do  sistema  imunológico.  Gastrite,  colite  ulcerativa,
síndrome do intestino irritável, hipertensão arterial, asma, artrite reumatoide (AR), enxaquecas, ansiedade e depressão são
problemas relacionados com o estresse. Pessoas sob estresse correm risco mais elevado de desenvolver doença crônica ou
de morrer prematuramente.
A interleucina­1, uma substância secretada por macrófagos do sistema imunológico (ver a discussão sobre ACTH na
Seção  18.6),  é  uma  importante  ligação  entre  estresse  e  imunidade.  Uma  das  ações  da  interleucina­1  é  de  estimular  a
secreção de ACTH, que, por sua vez, promove a produção de cortisol. O cortisol não apenas fornece resistência ao estresse
e à inflamação, como também suprime a produção de interleucina­1. Desse modo, o sistema imunológico ativa a resposta
ao  estresse  e  o  cortisol  resultante  desativa  um  mediador  do  sistema  imunológico.  Esse  sistema  de  feedback  negativo
mantém  a  resposta  imune  controlada  uma  vez  atingido  o  objetivo.  Devido  à  sua  atividade,  o  cortisol  e  outros
glicocorticoides são usados como medicamentos imunossupressores em recipientes de transplantes de órgãos.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Transtorno do estresse pós-traumático
O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno da ansiedade que pode se desenvolver em um indivíduo que vivenciou ou testemunhou um
evento física ou psicologicamente estressante. Parece que a causa imediata do TEPT são estressores especí cos associados aos eventos. Entre os estressores incluímos
terrorismo, sequestro, aprisionamento, combate militar, acidentes graves, tortura, abuso físico ou sexual, crimes violentos, tiroteios em escolas, massacres e desastres
naturais. Nos EUA, o TEPT afeta 10% das mulheres e 5% dos homens. Os sintomas de TEPT incluem recordações do evento em pesadelos ou ashbacks; evitar
qualquer atividade, pessoa, local ou evento associado aos estressores; perda do interesse e falta de motivação; baixa concentração; irritabilidade; e insônia. O
tratamento pode incluir o uso de antidepressivos, estabilizadores de humor e agentes ansiolíticos e antipsicóticos.
 TESTE RÁPIDO
Qual é o papel central do hipotálamo durante o estresse?
Que reações corporais ocorrem durante a resposta de luta ou fuga, a reação de resistência e a exaustão?
Qual é a correlação entre estresse e imunidade?
18.15
•
Desenvolvimento do sistema endócrino
 OBJETIVO
Descrever o desenvolvimento das glândulas endócrinas.
O desenvolvimento do sistema endócrino não é tão localizado quanto o desenvolvimento de outros sistemas, pois os órgãos
endócrinos estão distribuídos por todo o corpo.
Cerca  de  3  semanas  depois  da  fertilização,  a  glândula  hipófise  começa  a  se  desenvolver  a  partir  de  duas  regiões
diferentes  do  ectoderma.  A  neuro­hipófise  deriva  de  uma  evaginação  do  ectoderma  chamada  brotamento  neuro­
hipofisário,  localizado no assoalho do hipotálamo (Figura 18.21). O  infundíbulo,  também uma evaginação do brotamento
neuro­hipofisário, conecta a neuro­hipófise ao hipotálamo. A adeno­hipófise se origina de uma evaginação do ectoderma do
teto da boca chamado de bolsa hipofisária ou bolsa de Rathke. A bolsa cresce no sentido do brotamento neuro­hipofisário
e, por fim, perde sua conexão com o teto da boca.
A  glândula  tireoide  se  desenvolve  durante  a  quarta  semana  como  um  brotamento  médio  ventral  do  endoderma,
chamado de divertículo tireóideo, do assoalho da faringe no nível do segundo par de bolsas faríngeas (Figura 18.21A). O
brotamento se projeta inferiormente e se diferencia em lobos direito e esquerdo e no istmo da glândula.
As glândulas  paratireoides  se  desenvolvem  durante  a  quarta  semana  a  partir  do  endoderma  como  evaginações  da
terceira e da quarta bolsas faríngeas, que ajudam a formar estruturas da cabeça e do pescoço.
O córtex e a medula das glândulas suprarrenais se desenvolvem durante a quinta semana e  têm origens embrionárias
completamente diferentes. O córtex da glândula  suprarrenal  é  derivado da mesma  região do mesoderma  que produz  as
gônadas.  Todos  os  tecidos  endócrinos  que  secretam  hormônios  esteroides  se  originam  do  mesoderma.  A  medula  da
glândula suprarrenal deriva do ectoderma das células da crista neural que migram para o polo superior do rim. Lembre­
se que as células da crista neural também dão origem aos gânglios simpáticos e outras estruturas do sistema nervoso (ver
Figura 14.27B).
O pâncreas  se desenvolve entre a quinta e a sétima semana a partir de dois brotamentos do endoderma  da parte do
intestino anterior que, posteriormente,  se  torna o duodeno  (ver Figura 29.12C). Por  fim, os dois brotamentos se  fundem
para formar o pâncreas. A origem dos ovários e testículos é discutida na Seção 28.5.
Figura 18.21 Desenvolvimento do sistema endócrino.
As glândulas do sistema endócrino derivam de todas as três camadas germinativas primárias: ectoderma,
mesoderma e endoderma.
31.
18.16
•
Que glândula endócrina se desenvolve a partir de tecidos com duas origens embrionárias diferentes?
A glândula pineal surge durante a sétima semana como um brotamento entre o tálamo e os colículos do mesencéfalo, a
partir do ectoderma associado ao diencéfalo (ver Figura 14.28).
O timo se desenvolve durante a quinta semana a partir do endoderma da terceira bolsa faríngea.
 TESTE RÁPIDO
Compare as origens do córtex e da medula das glândulas suprarrenais.
Envelhecimento e sistema endócrino
 OBJETIVO
Descrever os efeitos do envelhecimento sobre o sistema endócrino.
Embora algumas glândulas endócrinas se atrofiem com o envelhecimento, seu desempenho pode ou não ser comprometido.
A produção de hormônio do crescimento pela adeno­hipófise cai, sendo uma causa da atrofia muscular que se percebe com
o envelhecimento. A glândula tireoide muitas vezes diminui sua produção de hormônios com a idade, causando redução da
taxa metabólica, aumento de gordura corporal e hipotireoidismo, visto com mais frequência em pessoas mais  idosas. Por
haver menos  feedback  negativo  (níveis mais  baixos  dos  hormônios  da  tireoide),  o  nível  de  TSH  sobe  com  a  idade  (ver
Figura 18.12).
Com o envelhecimento, o nível  sanguíneo de PTH sobe,  talvez devido à  ingestão  inadequada de cálcio na dieta. Em
um estudo realizado com mulheres mais idosas que utilizavam 2.400 mg/dia de cálcio suplementar, os níveis sanguíneos de
PTH  eram  tão  baixos  quanto  os  níveis  das mulheres mais  jovens.  Tanto  onível  de  calcitriol  quanto  de  calcitonina  são
menores  em  pessoas  mais  idosas.  Juntas,  a  elevação  no  nível  de  PTH  e  a  queda  do  nível  de  calcitonina  acentuam  a
32.
diminuição  relacionada  com  a  idade  da  massa  óssea  que  predispõe  à  osteoporose  e  ao  risco  mais  alto  de  fraturas  (ver
Figura 18.14).
As glândulas suprarrenais contêm cada vez mais tecido fibroso e produzem menos cortisol e aldosterona com o avanço
da idade. Entretanto, a produção de epinefrina e norepinefrina continua normal. Com o envelhecimento, o pâncreas  libera
insulina mais devagar e a sensibilidade dos receptores de glicose diminui. Em consequência disso, os níveis sanguíneos de
glicose  em pessoas mais  idosas  aumentam com mais  rapidez  e  retornam ao normal mais  lentamente  em comparação  aos
indivíduos mais jovens.
O  timo é maior no primeiro  ano de vida. Depois da puberdade,  seu  tamanho começa  a diminuir  e o  tecido  tímico  é
substituído por  tecido conjuntivo adiposo e areolar. Nos adultos mais  idosos, o  timo  já atrofiou de maneira significativa.
No entanto, ainda produz células T novas para as respostas imunes.
Os ovários reduzem de tamanho com a idade e não respondem mais às gonadotrofinas. A resultante produção menor
de estrogênios contribui para condições como osteoporose,  elevação do nível  sanguíneo de colesterol  e  aterosclerose. Os
níveis  de  FSH  e LH  estão  altos  devido  à menor  inibição  por  feedback  negativo  dos  estrogênios.  Embora  a  produção  de
testosterona pelos  testículos diminua com a  idade,  em geral,  os  efeitos não  são evidentes  até uma  idade bem avançada e
muitos  homens  idosos  conseguem,  ainda,  produzir  espermatozoides  ativos  em quantidade  normal, mesmo havendo mais
espermatozoides morfologicamente anormais e com diminuição da motilidade.
 TESTE RÁPIDO
Qual hormônio está relacionado com a atrofia muscular observada com o envelhecimento?
• • •
Para  entender  as  muitas  maneiras  pelas  quais  o  sistema  endócrino  contribui  para  a  homeostasia  de  outros  sistemas
corporais, estude o Foco na Homeostasia | Sistema Endócrino. A seguir, no Capítulo 19, vamos dar início à exploração do
sistema circulatório, começando com uma descrição da composição e das funções do sangue.
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
Os  distúrbios  do  sistema  endócrino muitas  vezes  envolvem hipossecreção,  que  é  a  liberação  inadequada  de  um
hormônio, ou hipersecreção,  que  consiste  na  liberação excessiva  de  um hormônio. Em outros  casos,  há  alteração
dos receptores hormonais, número inadequado de receptores ou defeitos nos sistemas de segundo mensageiro. Uma
vez  que  os  hormônios  são  distribuídos  no  sangue  para  os  tecidos­alvo  por  todo  o  corpo,  problemas  associados  à
disfunção endócrina também podem ser disseminados.
Distúrbios da glândula hipófise
Nanismo hipofisário, gigantismo e acromegalia
Inúmeros distúrbios da adeno­hipófise envolvem o hormônio do crescimento (GH). A hipossecreção de GH durante os
anos  de  crescimento  retarda  o  crescimento  ósseo  e  as  lâminas  epifisiais  fecham­se  antes  que  a  altura  normal  seja
alcançada. Essa condição é chamada de nanismo hipofisário (ver correlaçãO clínica | Anormalidades hormonais que
afetam  a  altura  na  Seção  6.5).  Outros  órgãos  do  corpo  também  não  crescem  e  as  proporções  corporais  são
semelhantes  às  infantis.  O  tratamento  exige  administração  de  GH  durante  a  infância,  antes  do  fechamento  das
lâminas epifisiais.
A hipersecreção de GH durante a  infância  causa gigantismo,  um anormal  anormal  do  comprimento  dos  ossos
longos. A pessoa cresce e fica muito alta, porém as proporções corporais são praticamente normais. A Figura 18.22A
mostra  gêmeos  idênticos;  um  irmão  desenvolveu  gigantismo  em  decorrência  de  um  tumor  na  hipófise.  A
hipersecreção  de  GH  durante  a  idade  adulta  é  chamada  de  acromegalia.  Embora  o  GH  não  promova  mais  o
crescimento  dos  ossos  longos  porque  as  lâminas  epifisiais  já  estão  fechadas,  os  ossos  das  mãos,  pés,  da  face  e
mandíbula se espessam e outros tecidos crescem. Além disso, pálpebras, lábios, língua e nariz aumentam, a pele se
espessa e desenvolve sulcos, especialmente na fronte e nas plantas dos pés.
Figura 18.22 Vários distúrbios endócrinos.
Os distúrbios do sistema endócrino muitas vezes envolvem hipossecreção ou hipersecreção de hormônios.
Qual distúrbio endócrino é consequente a anticorpos que simulam a ação do TSH?
Diabetes insípido
A anormalidade mais  comum associada à  disfunção da neuro­hipófise  é  o diabetes  insípido  (DI). Este distúrbio é
decorrente  de  defeitos  nos  receptores  do  hormônio  antidiurético  ou  da  incapacidade  de  secretar  hormônio
antidiurético. O diabetes  insípido neurogênico  resulta da hipossecreção de hormônio antidiurético, em geral causada
por tumor encefálico, traumatismo cranioencefálico ou cirurgia craniana que danifica a neuro­hipófise ou o hipotálamo.
No diabetes insípido nefrogênico, os rins não respondem ao hormônio antidiurético. O funcionamento dos receptores
de hormônio antidiurético pode não estar apropriado ou os rins podem estar  lesados. Uma manifestação comum das
duas  formas de DI é a excreção de grandes volumes de urina, com consequentes desidratação e sede. É comum a
ocorrência  de  enurese  nas  crianças.  Como  se  perde  muita  água  na  urina,  a  pessoa  com  DI  pode  morrer  de
desidratação se ficar privada de água por apenas 1 dia ou dois.
O  tratamento  do  diabetes  insípido  neurogênico  envolve  reposição  hormonal,  em  geral  para  o  resto  da  vida.  A
injeção subcutânea ou spray nasal de análogos do hormônio antidiurético é efetiva. O tratamento do DI nefrogênico é
mais complexo e depende da natureza da disfunção  renal. A  restrição de sal na dieta e, paradoxalmente, o uso de
certos medicamentos diuréticos são úteis.
Distúrbios da glândula tireoide
Os distúrbios da glândula tireoide afetam todos os principais sistemas do corpo e estão entre os problemas endócrinos
mais  comuns.  O  hipotireoidismo  congênito,  que  consiste  na  hipossecreção  de  hormônios  da  tireoide  ao
nascimento, causa consequências devastadoras se não for  tratado prontamente. Antes chamada de cretinismo, essa
condição  ocasiona  retardo  mental  grave  e  restrição  do  crescimento  ósseo.  Tipicamente  o  recém­nascido  é  normal
porque  os  hormônios  da  tireoide  lipossolúveis  da  mãe  cruzaram  a  placenta  durante  a  gravidez  e  permitiram  o
desenvolvimento normal. Na maioria dos estados norte­americanos é obrigatória a realização do exame em todos os
recém­nascidos para assegurar que a função da tireoide esteja adequada. Se for detectado hipotireoidismo congênito,
o tratamento com hormônio da tireoide oral precisa ser iniciado logo depois do nascimento e continuado para o resto
da vida.
O hipotireoidismo na  idade adulta provoca mixedema,  que acomete cerca de cinco vezes mais as mulheres do
que os homens. Uma característica marcante desse distúrbio é o edema (acúmulo de líquido intersticial) que faz com
que os tecidos faciais fiquem túrgidos. Uma pessoa com mixedema apresenta redução da frequência cardíaca, baixa
temperatura corporal, aumento da sensibilidade ao frio, cabelo e pele ressecados, fraqueza muscular, letargia geral e
tendência  a  ganhar  peso  com  facilidade.  Visto  que  o  encéfalo  já  atingiu  a maturidade,  não  ocorre  retardo mental,
entretanto a pessoa pode ficar menos alerta. A reposição oral de hormônios da tireoide reduz os sinais/sintomas.
A forma mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves, que  também acomete sete a dez vezes mais
as mulheres do que os homens, em geral antes dos 40 anos. A doença de Graves é um distúrbio autoimune no qual a
pessoa  produz  anticorpos  que  imitam  a  ação  do  hormônio  tireoestimulante  (TSH).  Os  anticorpos  estimulam
continuamente  a  glândula  tireoide  a  crescer  e  produzir  hormônios.Um  sinal  primário  é  o  aumento  da  tireoide  que
pode  ter  duas  ou  três  vezes  seu  tamanho.  Os  pacientes  com  doença  de Graves muitas  vezes  apresentam  edema
peculiar  retro­orbitário,  que  promove  a  sua  protrusão,  chamada  de exoftalmia  (Figura 18.22D).  O  tratamento  pode
incluir remoção cirúrgica de parte ou de toda a glândula tireoide (tireoidectomia), uso de iodo radioativo para destruir
de maneira seletiva o  tecido da  tireoide e administração de medicamentos antitireóideos para bloquear a síntese de
hormônios da tireoide.
O bócio consiste, simplesmente, no aumento das dimensões da glândula tireoide. O bócio pode ter relação com
o hipertireoidismo, hipotireoidismo ou eutireoidismo (secreção normal de hormônios da tireoide). Em alguns lugares
do mundo,  o  teor  de  iodo  da  dieta  não  é  adequado;  a  resultante  baixa  concentração  sanguínea  de  hormônios  da
tireoide estimula a secreção de TSH, promovendo o crescimento da glândula (Figura 18.22C).
Distúrbios das glândulas paratireoides
O  hipoparatireoidismo  leva  à  deficiência  de  Ca+2  sanguíneo,  o  que  faz  com  que  neurônios  e  fibras  musculares
despolarizem  e  produzam  potenciais  de  ação  espontaneamente,  ocasionando  contrações,  espasmos  e  tetania
(contração  mantida)  do  músculo  esquelético.  A  principal  causa  de  hipoparatireoidismo  é  o  dano  acidental  das
glândulas paratireoides ou o comprometimento da irrigação sanguínea da glândula durante a tireoidectomia.
O hiperparatireoidismo, que consiste em níveis elevados de paratormônio, na maioria das vezes é decorrente
de  um  tumor  em  uma  das  glândulas  paratireoides. O  nível  elevado  de  PTH  causa  reabsorção  excessiva  de matriz
óssea,  aumentando  os  níveis  sanguíneos  de  íons  fosfato  e  cálcio  e  tornando  os  ossos  porosos  e  suscetíveis  a
fraturas. O nível sanguíneo alto de cálcio promove a formação de cálculos renais. Fadiga, alterações de personalidade
e letargia também ocorrem em pacientes com hiperparatireoidismo.
Distúrbios das glândulas suprarrenais
Síndrome de Cushing
A hipersecreção de cortisol pelo córtex da glândula suprarrenal produz a síndrome de Cushing  (Figura 18.22E). As
causas  podem  ser  um  tumor  suprarrenal  que  secreta  cortisol  ou  um  tumor  em  outro  lugar  que  secreta  hormônio
adrenocorticotrófico  (ACTH) que, por sua vez, estimula a secreção excessiva de cortisol. A condição é caracterizada
pela degradação de proteínas musculares e  redistribuição de gordura  corporal,  resultando em pernas e braços  finos
acompanhados por “face de lua cheia”, “giba de búfalo” e “abdome em avental”. A pele do rosto é vermelha e a pele
que  recobre o abdome desenvolve estrias. A pessoa  também desenvolve equimoses com  facilidade e a cicatrização
de  feridas não é satisfatória. O nível elevado de cortisol ocasiona hiperglicemia, osteoporose,  fraqueza, hipertensão
arterial,  aumento  da  suscetibilidade  à  infecção,  diminuição  da  resistência  ao  estresse  e  oscilações  de  humor.  As
pessoas que precisam de terapia com glicocorticoide a longo prazo – por exemplo, para evitar a rejeição de um órgão
transplantado – podem desenvolver aspecto cushingoide.
Doença de Addison
A hipossecreção de glicocorticoides e aldosterona causa a doença de Addison (insuficiência adrenocortical crônica).
A maioria dos casos é de distúrbios autoimunes nos quais anticorpos promovem a destruição do córtex da glândula
suprarrenal  ou  bloqueiam  a  ligação  do  ACTH  com  seus  receptores.  Patógenos,  como Mycobacterium  tuberculosis,
também podem desencadear a destruição do córtex da glândula suprarrenal. Os sinais/sintomas, os quais tipicamente
não aparecem até que 90% do córtex estejam destruídos, são letargia mental, anorexia, náuseas e vômitos, perda de
peso, hipoglicemia e fraqueza muscular. A perda da aldosterona ocasiona a elevação do nível sanguíneo de potássio
e a diminuição do nível de sódio, baixa pressão arterial, desidratação, diminuição do débito cardíaco, arritmias e, até
mesmo, parada cardíaca. A pele pode parecer “dourada”, muitas vezes confundida com bronzeado de sol. Foi o que
aconteceu  com  o  presidente  John  F.  Kennedy,  cujo  diagnóstico  de  doença  de  Addison  se  tornou  conhecido  pouco
antes  de  ele  morrer.  O  tratamento  consiste  em  reposição  dos  glicocorticoides  e  mineralocorticoides  e  aumento  da
quantidade de sódio na dieta.
Feocromocitomas
Em  geral,  tumores  benignos  das  células  cromafins  da  medula  da  glândula  suprarrenal,  chamados  de
feocromocitomas,  causam  hipersecreção  de  epinefrina  e  norepinefrina.  O  resultado  é  uma  versão  prolongada  da
resposta de  luta ou  fuga:  frequência cardíaca elevada, pressão arterial alta, níveis sanguíneos e urinários de glicose
aumentados,  taxa  metabólica  basal  elevada,  rubor  facial,  nervosismo,  sudorese  e  diminuição  da  motilidade
gastrintestinal. O tratamento consiste na remoção cirúrgica do tumor.
Distúrbios das ilhotas pancreáticas
O distúrbio endócrino mais comum é o diabetes melito, causado pela  incapacidade de produzir ou usar  insulina. O
diabetes  melito  é  a  quarta  causa  de  morte  por  doença  mais  comum  nos  EUA,  principalmente  devido  aos  danos
causados ao sistema circulatório. Uma vez que não há  insulina para auxiliar o  transporte da glicose para as células
corporais, o nível de glicose sanguínea se torna elevado e a glicose “transborda” para a urina (glicosúria). O diabetes
melito se caracteriza por três polis: poliúria, produção excessiva de urina devido à incapacidade dos rins de reabsorver
água; polidipsia, sede excessiva e polifagia, ingestão excessiva de alimentos.
Tanto fatores genéticos quanto ambientais contribuem para o surgimento dos dois tipos de diabetes melito – tipo
1  e  tipo  2  –  porém,  os mecanismos  exatos  ainda  são  desconhecidos.  O diabetes  do melito  tipo  1  (DM1), antes
conhecido  como  diabetes  melito  insulinodependente  (DMID),  se  desenvolve  porque  o  sistema  imune  da  pessoa
destrói  as  células  beta  do  pâncreas.  Em  consequência  disso,  o  pâncreas  produz  pouca  ou  nenhuma  insulina.  Em
geral,  o  DM1  ocorre  em  pessoas  com  menos  de  20  anos  de  idade  e  persiste  por  toda  a  vida.  Quando  os
sinais/sintomas do DM1 aparecem, 80 a 90% das células beta já foram destruídas. O DM1 é mais comum no norte da
Europa, sobretudo na Finlândia, onde quase 1% da população desenvolve DM1 até os 15 anos de idade. Nos EUA, o
DM1 é 1,5 a 2 vezes mais frequente em brancos do que em afro­americanos e asiáticos.
O  metabolismo  celular  de  um  diabético  do  tipo  1  não  tratado  é  semelhante  ao  de  uma  pessoa  em  inanição.
Como  não  existe  insulina  para  ajudar  a  entrada  de  glicose  nas  células  do  corpo,  a maioria  das  células  usa  ácidos
graxos para produzir ATP. As reservas de triglicerídios no tecido adiposo são catabolizadas para produzir ácidos graxos
e  glicerol.  Os  subprodutos  da  degradação  dos  ácidos  graxos  –  ácidos  orgânicos  chamados  de  cetonas  ou  corpos
cetônicos  –  se  acumulam.  A  formação  de  cetonas  faz  com  que  o  pH  do  sangue  caia,  ocasionando  uma  condição
chamada de cetoacidose. Se não for tratada rapidamente, a cetoacidose pode levar à morte.
A  degradação  dos  triglicerídios  armazenados  também  promove  a  perda  de  peso.  Conforme  os  lipídios  são
transportados  pelo  sangue  dos  locais  de  armazenamento  para  as  células,  partículas  de  lipídios  se  depositam  nas
paredes  dos  vasos  sanguíneos,  ocasionando  aterosclerose  e  diversos  problemas  cardiovasculares,  inclusive
insuficiência  vascular  cerebral,  doença  cardíaca  isquêmica,  doença  vascular  periférica  e  gangrena.  Uma  importante
complicação  do  diabetes  melito  é  a  perda  da  visão  em  decorrência  de  catarata  (o  excesso  de  glicose  se  liga  às
proteínas da lente, causando borramento visual) ou de dano aos vasos sanguíneos da retina. Problemas renais gravestambém podem resultar dos danos aos vasos sanguíneos renais.
O diabetes melito do  tipo 1 é  tratado  com automonitoramento do nível  sanguíneo da glicose  (até 7  vezes/dia),
refeições regulares contendo 45 a 50% de carboidratos e menos de 30% de gorduras, exercícios e injeções periódicas
de insulina (até 3 vezes/dia). Várias bombas implantáveis estão disponíveis para fornecer insulina sem a necessidade
de repetir as  injeções. Por não possuírem um sensor confiável de glicose, entretanto, é crucial o automonitoramento
do nível sanguíneo de glicose para determinar as doses de  insulina. O  transplante de pâncreas  também é possível,
porém as pessoas precisam de medicamentos imunossupressores para o resto da vida. Outra abordagem promissora
sob investigação é o transplante de ilhotas isoladas em tubos ocos semipermeáveis. Os tubos permitem a entrada e a
saída de glicose e insulina, mas evitam a entrada de células do sistema imunológico que podem atacar as células das
ilhotas.
O  diabetes  melito  do  tipo  2  (DM2),  anteriormente  conhecido  como  diabetes  melito  não  insulinodependente
(DMNID), é muito mais comum que o tipo 1, representando mais de 90% de todos os casos. O DM2 na maioria das
vezes se desenvolve em obesos com mais de 35 anos. Entretanto, o número de crianças e adolescentes obesos com
DM2  está  aumentando.  Os  sinais/sintomas  clínicos  são  brandos,  e,  não  raro,  os  elevados  níveis  sanguíneos  de
glicose podem ser controlados com dieta, exercícios físicos e perda de peso. Às vezes, medicamentos como gliburida
e  metformina  são  usados  para  estimular  a  secreção  de  insulina  pelas  células  beta  do  pâncreas.  Embora  alguns
diabéticos do tipo 2 precisem de insulina, muitos apresentam níveis sanguíneos suficientes ou até mesmo excessivos
de  insulina).  Para  essas  pessoas,  o  diabetes  se  desenvolve  não  devido  a  insuficiência  de  insulina, mas  porque  as
células­alvo se tornam menos sensíveis a ela devido à infrarregulação dos receptores de insulina.
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O  hiperinsulinismo  na  maioria  das  vezes  ocorre  quando  um  diabético  injeta  muita  insulina.  A  principal
manifestação  é  a  hipoglicemia,  que  consiste  na  diminuição  do  nível  sanguíneo  de  glicose,  que  ocorre  porque  o
excesso  de  insulina  estimula  demasiadamente  a  captação  de  glicose  pelas  células  corporais.  A  hipoglicemia
resultante  promove  a  secreção  de  epinefrina,  glucagon  e  hormônio  do  crescimento.  Em  consequência,  ocorrem
ansiedade, sudorese,  tremores, aumento da  frequência cardíaca,  fome e  fraqueza. Quando a glicose sanguínea cai,
as células encefálicas são privadas do aporte constante de glicose do qual precisam para funcionar com efetividade. A
hipoglicemia  grave  leva  a  desorientação  mental,  convulsões,  inconsciência  e  choque.  O  choque  decorrente  da
superdosagem  de  insulina  é  chamado  de choque  insulínico.  A morte  pode  ocorrer  rapidamente  a  não  ser  que  a
glicose  sanguínea  seja  normalizada. Do ponto de  vista  clínico,  o  diabético  que  sofre  uma crise  de hiperglicemia ou
hipoglicemia  pode  ter  sinais/sintomas  semelhantes  –  alterações  mentais,  coma,  convulsões  etc.  É  importante
identificar rápida e corretamente a causa dos sinais/sintomas subjacentes e tratá­la de maneira apropriada.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Adenoma  virilizante.  Tumor  das  glândulas  suprarrenais  que  libera  androgênios  em  excesso,  causando  virilismo
(masculinização)  em  mulheres.  Por  vezes,  as  células  do  tumor  liberam  estrogênios  a  ponto  de  um  homem
desenvolver ginecomastia. Tal tumor é chamado de adenoma feminilizante.
Crise  tireotóxica  (tempestade  tireóidea).  Hipertireoidismo  potencialmente  fatal.  Caracterizado  por  temperatura
corporal  elevada,  frequência  cardíaca  acelerada,  pressão  arterial  alta,  manifestações  gastrintestinais  (dor
abdominal,  vômito,  diarreia),  agitação  psicomotora,  tremores,  confusão  mental,  convulsões  e,  possivelmente,
coma.
Ginecomastia. Desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias no homem. Às vezes, um  tumor nas glândulas
suprarrenais pode secretar estrogênio suficiente para causar a condição.
Hirsutismo.  Excesso  de  pelos  faciais  e  corporais  com  padrão  masculino,  especialmente  em  mulheres;  pode  ser
decorrente da produção excessiva de androgênios causada por tumor ou medicamentos.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Introdução
Os hormônios regulam a atividade do músculo liso, do músculo cardíaco e de algumas glândulas; alteram o metabolismo;
promovem o crescimento e o desenvolvimento; influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos.
Comparação do controle exercido pelos sistemas nervoso e endócrino
O sistema nervoso controla a homeostasia por meio de impulsos nervosos e neurotransmissores que atuam no local e com
rapidez. O sistema endócrino usa hormônios, que agem mais lentamente e em partes distantes do corpo. (Ver Tabela 18.1.)
O sistema nervoso controla neurônios, células musculares e células glandulares; o sistema endócrino regula praticamente
todas as células corporais.
Glândulas endócrinas
As  glândulas  exócrinas  (sudoríferas,  sebáceas,  mucosas  e  digestivas)  secretam  seus  produtos  por  ductos  em  cavidades
corporais ou nas superfícies do corpo. As glândulas endócrinas secretam hormônios no líquido intersticial. Depois disso, os
hormônios se difundem no sangue.
O  sistema  endócrino  consiste  em  glândulas  endócrinas  (hipófise,  tireoide,  paratireoides,  suprarrenais  e  pineal)  e  outros
tecidos secretores de hormônio  (hipotálamo,  timo, pâncreas, ovários,  testículos,  rins, estômago,  fígado,  intestino delgado,
pele, coração, tecido adiposo e placenta).
Atividade hormonal
Os hormônios atuam apenas nas células­alvo específicas que apresentam receptores que os reconhecem (ligação). O número
de receptores hormonais pode diminuir (infrarregulação) ou aumentar (suprarregulação).
Os hormônios circulantes entram na corrente sanguínea; os hormônios  locais  (parácrinos e autócrinos) atuam nas células
circunjacentes.
Do  ponto  de  vista  químico,  os  hormônios  são  lipossolúveis  (esteroides,  hormônios  da  tireoide  e  óxido  nítrico)  ou
hidrossolúveis (aminas; peptídios, proteicos e glicoproteicos; e eicosanoides). (Ver Tabela 18.2.)
As moléculas  de  hormônio hidrossolúvel  circulam no plasma  sanguíneo  aquoso na  forma  “livre”  (não  ligada  a  proteínas
plasmáticas); a maioria dos hormônios lipossolúveis está ligada a proteínas transportadoras sintetizadas pelo fígado.
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Mecanismos de ação hormonal
Os hormônios esteroides lipossolúveis e os hormônios da tireoide afetam a função celular por meio da alteração da expressão
de gene.
Os  hormônios  hidrossolúveis  alteram  a  função  celular  pela  ativação  de  receptores  na  membrana  plasmática,  que
desencadeiam a produção de um segundo mensageiro que ativa várias enzimas dentro da célula.
As interações hormonais podem exercer três tipos de efeitos: permissivo, sinérgico ou antagonista.
Controle da secreção hormonal
A secreção hormonal é controlada por sinais do sistema nervoso, alterações químicas no sangue e outros hormônios.
Sistemas de feedback negativo regulam a secreção de muitos hormônios.
Hipotálamo e hipófise
O hipotálamo  é  a  principal  ligação  entre  o  sistema  nervoso  e  o  sistema  endócrino. O  hipotálamo  e  a  glândula  hipófise
regulam praticamente todos os aspectos do crescimento, desenvolvimento, metabolismo e homeostasia. A glândula hipófise
está localizada na fossa hipofisial e é dividida em duas partes principais: adeno­hipófise e neuro­hipófise
A secreção de hormônios da adeno­hipófise é estimulada por hormônios de liberação e suprimida por hormônios de inibição
do hipotálamo.
A  adeno­hipófise  é  irrigada  pelasartérias  hipofisárias  superiores.  Os  hormônios  hipotalâmicos  liberadores  e  inibidores
entram no plexo primário e fluem para o plexo secundário na adeno­hipófise pelas veias porto­hipofisárias.
A  adeno­hipófise  é  composta  por  somatotrofos  que  produzem  hormônio  do  crescimento  (GH),  lactotrofos  que  produzem
prolactina  (PRL),  corticotrofos  que  secretam hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH)  e  hormônio melanócito­estimulante
(MSH),  tireotrofos  que  secretam  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  e  gonadotrofos  que  sintetizam  hormônio
foliculoestimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). (Ver Tabelas 18.3 e 18.4.)
O hormônio do crescimento (GH) estimula o crescimento corporal por meio de fatores insulino­símiles (IGF). A secreção de
GH  é  inibida  pelo  GHIH  (hormônio  inibidor  do  hormônio  do  crescimento  ou  somatostatina)  e  promovida  pelo  GHRH
(hormônio liberador do hormônio de crescimento).
O TSH regula as atividades da glândula tireoide. Sua secreção é estimulada pelo TRH (hormônio liberador de tireotrofina) e
suprimida pelo GHIH.
O FSH e o LH regulam as atividades das gônadas – ovários e testículos. Sua secreção é controlada pelo GnRH (hormônio
liberador de gonadotrofina).
A prolactina (PRL) ajuda a iniciar a secreção de leite. O hormônio inibidor da prolactina (PIH) suprime a secreção de PRL;
o hormônio liberador de prolactina (PRH) estimula a secreção de PRL.
O  ACTH  regula  as  atividades  do  córtex  da  glândula  suprarrenal  e  é  controlado  pelo  CRH  (hormônio  liberador  de
corticotrofina). A dopamina inibe a secreção de MSH.
A neuro­hipófise contém terminais axônicos de células neurossecretoras cujos corpos celulares se encontram no hipotálamo.
A ocitocina (OT), que estimula a contração do útero e a ejeção de leite das mamas, e o hormônio antidiurético, que promove
a reabsorção de água pelos rins e a constrição das arteríolas, são hormônios fabricados pelo hipotálamo e armazenados na
neuro­hipófise. (Ver Tabela 18.5.) A secreção de ocitocina é estimulada pelo alongamento uterino e pela sucção feita pelo
bebê durante a amamentação; a secreção de hormônio antidiurético é controlada pela pressão osmótica do sangue e pelo
volume sanguíneo.
Glândula tireoide
A glândula tireoide está localizada inferiormente à laringe.
A glândula tireoide consiste em folículos da tireoide, compostos por células foliculares, que secretam os hormônios tiroxina
(T4) e tri­iodotironina (T3), e células parafoliculares, que secretam calcitonina (CT).
Os hormônios da tireoide são sintetizados a partir do iodo e da tirosina dentro da tireoglobulina (TGB); são transportados no
sangue ligados a proteínas plasmáticas, principalmente globulina transportadora de tiroxina (TBG).
A secreção é controlada pelo TRH do hipotálamo e pelo hormônio tireoestimulante (TSH) da adeno­hipófise.
Os  hormônios  da  tireoide  regulam  o  uso  de  oxigênio  e  a  taxa  metabólica,  o  metabolismo  celular,  o  crescimento  e  o
desenvolvimento.
A calcitonina (CT) pode reduzir o nível sanguíneo de íons cálcio (Ca2+) e promover a deposição de Ca2+ na matriz óssea. A
secreção de calcitonina é controlada pelo nível sanguíneo de Ca2+. (Ver Tabela 18.6.)
Glândulas paratireoides
As  glândulas  paratireoides  estão  incrustadas  nas  faces  posteriores  dos  lobos  direito  e  esquerdo  da  glândula  tireoide.
Consistem em células principais e células oxifílicas.
O paratormônio (PTH) regula a homeostasia dos íons cálcio, magnésio e fosfato elevando os níveis sanguíneos de cálcio e
magnésio e diminuindo os de fosfato. A secreção de PTH é controlada pelo nível sanguíneo de cálcio. (Ver Tabela 18.7.)
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Glândulas suprarrenais
As glândulas suprarrenais estão localizadas superiormente aos rins. Consistem em um córtex externo e uma medula interna.
O córtex da glândula suprarrenal é dividido em zona glomerulosa, zona fasciculada e zona reticular; a medula da glândula
suprarrenal é composta por células cromafins e grandes vasos sanguíneos.
As secreções corticais são mineralocorticoides, glicocorticoides e androgênios.
Os mineralocorticoides (principalmente a aldosterona) acentuam a reabsorção de água e sódio e diminuem a reabsorção de
potássio. A secreção é controlada pela via renina­angiotensina­aldosterona e pelo nível sanguíneo de K+.
Os glicocorticoides (principalmente o cortisol) promovem a degradação de proteína, gliconeogênese e lipólise, auxiliam a
resistência ao estresse e atuam como anti­inflamatórios; sua secreção é controlada pelo ACTH.
Os androgênios secretados pelo córtex da glândula suprarrenal estimulam o crescimento de pelos axilares e púbicos, ajudam
no estirão de crescimento pré­puberal e contribuem para a libido.
A medula da glândula suprarrenal secreta epinefrina e norepinefrina (NE), que são liberadas durante o estresse e exercem
efeitos semelhantes às respostas simpáticas. (ver Tabela 18.8.)
Ilhotas pancreáticas
O pâncreas repousa na curvatura do duodeno; tem funções tanto endócrinas quanto exócrinas.
A parte endócrina é composta pelas ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans), constituídas por quatro tipos de células:
alfa, beta, delta e F.
As células alfa secretam glucagon, as células beta secretam insulina, as células delta secretam somatostatina e as células F
secretam polipeptídio pancreático.
O  glucagon  eleva  o  nível  de  glicose  do  sangue;  a  insulina  diminui  o  nível  de  glicose  sanguínea.  A  secreção  dos  dois
hormônios é controlada pelo nível sanguíneo de glicose (Ver Tabela 18.9.)
Ovários e testículos
Os ovários estão localizados na cavidade pélvica e produzem estrogênios, progesterona e inibina. Esses hormônios sexuais
governam  o  desenvolvimento  e  a  manutenção  das  características  sexuais  femininas  secundárias,  ciclos  reprodutivos,
gravidez, lactação e funções reprodutoras femininas normais. (Ver Tabela 18.10.)
Os  testículos  estão  localizados  no  escroto  e  produzem  testosterona  e  inibina.  Esses  hormônios  sexuais  governam  o
desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias masculinas e as  funções normais da  reprodução
masculina. (Ver Tabela 18.10.)
Glândula pineal e timo
A  glândula  pineal  está  fixada  ao  teto  do  terceiro  ventrículo  do  encéfalo.  É  composta  por  células  secretoras  chamadas
pinealócitos, neuróglia e terminações de axônios pós­ganglionares simpáticos.
A  glândula  pineal  secreta  melatonina,  que  contribui  para  o  ajuste  do  relógio  biológico  do  corpo  (controlado  no  núcleo
supraquiasmático). Durante o sono, os níveis plasmáticos de melatonina aumentam.
O timo secreta vários hormônios relacionados com a imunidade.
A timosina, o fator humoral tímico (THF), o fator tímico (FT) e a timopoetina promovem a maturação das células T.
Outros órgãos e tecidos endócrinos, eicosanoides e fatores de crescimento
Existem outros tecidos corporais, além dos normalmente classificados como glândulas endócrinas, contêm tecido endócrino
e secretam hormônios; são eles o sistema digestório, a placenta, os rins, a pele e o coração. (Ver Tabela 18.11.)
As prostaglandinas e os leucotrienos são eicosanoides que atuam como hormônios locais na maioria dos tecidos corporais.
Fatores de crescimento são hormônios locais que estimulam o crescimento e a divisão celular. (Ver Tabela 18.12.)
A resposta ao estresse
O estresse produtivo é chamado de eustresse e o prejudicial é chamado de distresse.
Se o estresse for extremo, ele desencadeia a resposta ao estresse (síndrome de adaptação geral), que ocorre em três estágios:
resposta de luta ou fuga, reação de resistência e exaustão.
Os estímulos que produzem as respostas ao estresse são chamados de estressores. Os estressores podem ser uma cirurgia,
venenos, infecções, febre e fortes respostas emocionais.
A resposta de luta ou fuga é iniciada por impulsos nervosos provenientes do hipotálamo paraa parte simpática da divisão
autônoma do sistema nervoso e para a medula da glândula suprarrenal. Essa resposta rapidamente intensifica a circulação,
promove a produção de ATP e reduz atividades não essenciais.
A reação de resistência é iniciada por hormônios liberadores secretados pelo hipotálamo, sobretudo CRH, TRH e GHRH. As
reações  de  resistência  são mais  duradouras  e  aceleram  as  reações  de  degradação  para  fornecer  ATP  para  neutralizar  o
estresse.
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A exaustão resulta da depleção das fontes corporais durante o estágio de resistência.
O estresse pode desencadear certas doenças pela inibição do sistema imunológico. A interleucina­1 (IL­1), produzida pelos
macrófagos, é uma importante ligação entre estresse e imunidade; IL­1 estimula a secreção de ACTH.
Desenvolvimento do sistema endócrino
O desenvolvimento do  sistema endócrino não  é  tão  localizado quanto os outros  sistemas porque os órgãos  endócrinos  se
desenvolvem em partes separadas do embrião.
A glândula hipófise, a medula da glândula suprarrenal e a glândula pineal se desenvolvem a partir do ectoderma; o córtex da
glândula suprarrenal se desenvolve a partir do mesoderma e a glândula tireoide, as glândulas paratireoides, o pâncreas e o
timo se desenvolvem a partir do endoderma.
Envelhecimento e sistema endócrino
Embora algumas glândulas endócrinas se atrofiem com o envelhecimento, seu desempenho pode ou não ser comprometido.
A produção de hormônio do crescimento, hormônios da tireoide, cortisol, aldosterona e estrogênios diminui com o avanço da
idade.
Com o envelhecimento, os níveis sanguíneos de TSH, LH, FSH e PTH sobem.
O pâncreas libera insulina mais lentamente com o avanço da idade e a sensibilidade à glicose dos receptores diminui.
Depois da puberdade, o tamanho do timo começa a diminuir e o tecido tímico é substituído por tecido conjuntivo areolar e
adiposo.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Amanda  odeia  a  foto  da  sua  nova  identidade  estudantil.  Seu  cabelo  parece  seco,  o  peso  extra  que  ganhou  está
aparente  e  seu  pescoço  parece  gordo. De  fato,  existe  uma  tumefação  estranha  em  forma  de  borboleta  na  região
anterior do pescoço, debaixo do mento. Amanda também tem se sentido muito cansada e mentalmente “lerda” nos
últimos  tempos,  mas  ela  acredita  que  todo  estudante  de  anatomia  e  fisiologia  se  sinta  assim.  O  que  Amanda
deveria fazer: uma consulta médica ou usar gola rolê?
Amanda  (da  questão  anterior)  foi  ao médico  e  coletou  sangue. Os  resultados mostraram que  os  níveis  de T4  e
TSH estão baixos. Depois, ela fez um exame de estimulação com TSH no qual TSH é injetado e os níveis de T4
monitorados. Depois  da  injeção  de  TSH,  o  nível  de  T4  subiu. Amanda  tem  problemas  na  glândula  hipófise  ou
tireoide? Como chegou a sua conclusão?
O Sr. Hernandez foi ao médico com queixas de sede constante e de “idas dia e noite ao banheiro” para urinar. O
médico solicitou exames de sangue e urina para pesquisa de glicose e cetonas, cujos resultados foram negativos.
Qual é o diagnóstico do Sr. Hernandez e que glândula(s) ou órgão(s) está(ão) envolvido(s)?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
As  secreções  das  glândulas  endócrinas  se  difundem para  o  líquido  intersticial  e,  em  seguida,  para  o  sangue;  as
secreções exócrinas fluem para ductos que levam às cavidades corporais ou à superfície corporal.
No estômago, a histamina é parácrina porque atua nas células parietais circunjacentes sem entrar no sangue.
O complexo receptor­hormônio modifica a expressão genética ativando e desativando genes específicos do DNA
nuclear.
O AMP cíclico é chamado de segundo mensageiro porque traduz a existência do primeiro mensageiro, o hormônio
hidrossolúvel, em uma resposta intracelular.
As  veias  porto­hipofisárias  transportam  sangue  da  eminência  mediana  do  hipotálamo,  onde  hormônios
hipotalâmicos de liberação e inibição são secretados, para a adeno­hipófise, onde esses hormônios atuam.
Os hormônios da tireoide suprimem a secreção de TSH pelos tireotrofos e de TRH pelas células neurossecretoras
do hipotálamo; os hormônios das gônadas suprimem a secreção de FSH e LH pelos gonadotrofos e GnRH pelas
células neurossecretoras do hipotálamo.
Níveis excessivos de GH causam hiperglicemia.
Funcionalmente,  tanto  o  trato  hipotálamo­hipofisial  quanto  as  veias  porto­hipofisárias  transportam  hormônios
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hipotalâmicos para a glândula hipófise. Do ponto de vista estrutural, o trato é composto por axônios de neurônios
que  se  estendem  do  hipotálamo  à  neuro­hipófise;  as  veias  porto­hipofisárias  são  vasos  sanguíneos  que  vão  do
hipotálamo à adeno­hipófise.
A absorção de 1.000 mℓ de água nos intestinos diminuiria a pressão osmótica do plasma sanguíneo, desativando a
secreção de hormônio antidiurético e diminuindo seus níveis sanguíneos.
As  células  foliculares  secretam  T3  e  T4,  também  conhecidos  como  hormônios  da  tireoide.  As  células
parafoliculares secretam calcitonina.
A tireoglobulina é a forma de armazenamento dos hormônios da tireoide.
Falta de iodo na dieta → diminuição da produção de T3 e T4 → maior liberação de TSH → aumento da glândula
tireoide → bócio.
As  células  parafoliculares  da  glândula  tireoide  secretam  calcitonina;  as  células  principais  das  glândulas
paratireoides secretam PTH.
Os tecidos­alvo do PTH são os ossos e os rins; o tecido­alvo da calcitonina é o osso; o tecido­alvo do calcitriol é
o sistema digestório.
As glândulas suprarrenais se encontram superiormente aos rins no espaço retroperitoneal.
A angiotensina II promove vasoconstrição por meio da promoção da contração da musculatura lisa vascular, além
de  estimular  a  secreção de  aldosterona  (pela  zona glomerulosa do  córtex da glândula  suprarrenal),  que,  por  sua
vez, faz com que os rins conservem água e, por isso, o volume de sangue aumenta.
O  receptor  de  transplante  que  usa  prednisona  terá  níveis  sanguíneos  baixos  de  ACTH  e  CRH,  pois  esse
medicamento suprime por feedback negativo a adeno­hipófise e o hipotálamo.
O pâncreas é uma glândula tanto endócrina quanto exócrina.
Glicogenólise é a conversão de glicogênio em glicose e, portanto, eleva o nível sanguíneo de glicose.
A homeostasia mantém condições controladas típicas do meio interno normal; a resposta ao estresse reestabelece
as condições controladas em um nível diferente para conter vários estressores.
O córtex das glândulas suprarrenais é derivado do mesoderma, enquanto a medula se origina do ectoderma.
Na doença de Graves, ocorre a produção de anticorpos que imitam a ação do TSH.
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* GIP – antes chamado de peptídio inibidor gástrico – foi renomeado porque, em concentrações fisiológicas, seu efeito inibitório sobre a
função do estômago é insignificante.

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