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Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
Sistema endócrino
 
 
Glândulas endócrinas 
Hormônio: Molécula mediadora liberada em alguma parte do 
corpo que regula a atividade celular. Obs: Alguns 
neurotransmissores também podem atuar como hormônios, 
como a norepinefrina. 
 
Glândula exócrina: Secreta seus produtos para um ducto ou 
canal que conduzem as secreções para cavidades ou para 
superfície externa. 
Glândula endócrina: Secretam seus produtos (hormônios) no 
líquido intersticial que circunda as células, se difundindo para 
os capilares e em seguida para o sangue. 
Atividade hormonal 
Receptores hormonais: Os hormônios, assim como os 
neurotransmissores, influenciam suas células-alvo por meio 
da ligação com os receptores protéicos específicos. Apenas 
células-alvo daquele hormônio possuem receptores para ele. 
Infrarregulação: Efeito que causa a célula menos sensível ao 
hormônio. Se a concentração de um hormônio estiver muito 
elevada, o número de receptores na célula-alvo pode 
diminuir. 
Suprarregulação: Efeito contrário, que causa mais 
sensibilidade na célula. Se a concentração de um hormônio é 
baixa, o número de receptores pode aumentar. 
OBS: Existem hormônios sintéticos que bloqueiam os 
receptores de alguns hormônios. Ex: Mifepristona bloqueia os 
receptores para a progesterona, utilizado em casos de aborto. 
Hormônio circulante: Circulam pelo sangue e atuam em 
células longe do local de secreção. 
Hormônio parácrino: Hormônio local que atua em células 
vizinhas sem necessidade de entrar na corrente sanguínea. 
Hormônio autócrino: Hormônio local que atua na mesma 
célula que o secretou. 
 
 
Classificação química dos hormônios 
Hormônios lipossolúveis: 
● Esteroides: Derivados do colesterol (ex: Testosterona) 
● Tireoidianos: Sintetizados pela junção de iodo ao 
aminoácido tirosina (T3 e T4) 
● Óxido nítrico (NO): É tanto um hormônio quanto 
neurotransmissor. 
OBS: Os hormônios lipossolúveis circulam pelo sangue ligados 
a proteínas transportadoras. 
 
Hormônios hidrossolúveis: 
● Aminados: Derivados de aminoácidos, contém um 
grupo amina. (Ex: Catecolaminas - epinefrina, 
norepinefrina e dopamina que vêm da tirosina) 
● Peptídicos e proteicos: Polímeros de aminoácidos, os 
peptídicos contêm 3 a 49 aminoácidos e os proteicos 
até 200. (Ex: ocitocina e insulina) 
● Eicosanóides: São derivados do ácido araquidônico, 
geralmente locais. (Ex: prostaglandinas e 
leucotrienos) 
 
OBS: Isso explica a administração de alguns hormônios. 
Hormônios lipossolúveis não sofrem degradação durante a 
digestão e podem ser administrados oralmente. Já hormônios 
proteicos, como a insulina, precisam ser administrados via 
subcutânea para que não haja digestão em aminoácidos no 
estômago. 
 
Mecanismos de ação hormonal 
Ação dos hormônios lipossolúveis: Os receptores desses 
hormônios estão dentro da célula. 
1- O hormônio chega à molécula pelo sangue e passa pela 
bicamada lipídica. 
2- O hormônio se liga aos receptores no citosol ou no núcleo, 
ativando-os. Isso muda a expressão do gene, ativando e 
desativando genes específicos do DNA. 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
3- O DNA transcreve um RNA mensageiro que é traduzido em 
uma nova proteína. 
 
Ação dos hormônios hidrossolúveis: Os receptores estão na 
superfície da célula-alvo. 
1- O hormônio (primeiro mensageiro) se difunde pelo sangue 
e se liga ao seu receptor, ativando uma proteína da 
membrana chamada proteína G. Essa proteína ativa a 
adenilato ciclase. 
2- A adenilato converte ATP em AMP cíclico (cAMP), no citosol. 
3- O cAMP (segundo mensageiro) ativa uma ou mais 
proteinoquinases, enzimas que fosforilam outras proteínas 
celulares. O doador do fosfato é o ATP. A fosforilação dessas 
proteínas servem para ativá-las ou inibi-las. 
4- As proteínas fosforiladas causam reações que produzem 
respostas fisiológicas. 
5- A não ser que novos hormônios se liguem, o AMP cíclico é 
desativado pela enzima fosfodiesterase. 
OBS: Podem existir outros segundos mensageiros, como os 
cGMP, IP3, íons cálcio, etc. 
 
Os hormônios podem estimular a produção de cAMP (ADH, 
TSH) aumentando a resposta ou podem diminuir o nível dele 
(hormônio inibidor do crescimento- GHIH). 
 
Interações hormonais 
Efeito permissivo: As ações de alguns hormônios demandam 
exposição simultânea ou recente a um segundo hormônio. O 
hormônio permissivo pode aumentar o número de receptores 
para outro hormônio. 
Efeito sinérgico: Quando o efeito de dois hormônios que 
agem juntos é mais amplo do que o efeito deles sozinho. 
Efeito antagônico: Quando um hormônio faz oposição aos 
efeitos de outro hormônio. 
 
 Hipófise 
● Glândula mestra (apesar de ser controlada pelo 
hipotálamo) 
● Estrutura em forma de ervilha localizada na sella 
turca do esfenoide 
● Conecta-se ao hipotálamo pelo infundíbulo 
● Apresenta duas partes: Adeno-hipófise (lobo 
anterior) e Neuro-hipófise (lobo posterior). 
 
 
Embriologia da hipófise 
A hipófise se desenvolve de duas fontes: 
-Do teto ectodérmico do estomodeu (Bolsa de Rathke) 
-Da invaginação do neuroectomerda do diencéfalo 
Essa origem dupla explica porque a hipófise é composta por 
dois tipos de tecidos: 
-A adeno-hipófise (tecido glandular) desenvolve-se a partir 
do ectoderma oral; 
-A neuro-hipófise (tecido nervoso) desenvolve-se a partir do 
neuroectoderma. 
 
Adeno-hipófise 
A adeno-hipófise é dividida em: 
-Pars distalis (lobo anterior): Representa em torno de 75% da 
massa da hipófise. Produz os hormônios que são 
armazenados em grânulos de secreção. 
-Pars tuberalis: Região em forma de funil que cerca o 
infundíbulo da neurohipófise. 
-Pars intermedia: Se localiza na porção dorsal da antiga bolsa 
de Rathke. 
 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
 
 
Histologia da adeno-hipófise 
A pars distalis secreta vários hormônios. Porém, só três tipos 
de células costumam ser reconhecidas: as cromófobas e as 
cromófilas (que podem ser acidófilas ou basófilas). As células 
cromófobas tem poucos ou nenhum grânulos de secreção. 
 
Células acidófilas: 
-Somatotrópicas: Produzem a somatotropina (GH), que 
promove o crescimento de ossos longos e age no 
metabolismo. 
-Lactotrópicas (mamotrópicas): Produzem a prolactina (PRL), 
que atua no desenvolvimento da glândula mamária durante 
a gestação e estimula a secreção de leite. 
Células basófilas: 
-Gonadotrópicas: Produzem FSH e LH. O FSH promove 
crescimento dos folículos ovarianos, secreção do estrógeno e 
estimula a espermatogênese. O LH promove a ovulação, a 
secreção de progesterona e estimula a células de Leydig. 
-Tireotrópicas: Produzem a tireotropina (TSH), que estimula a 
síntese de hormônio tireoidiano. 
-Corticotrópicas:Produzem ACTH e MSH. O ACTH estimula a 
produção de glicocorticoides no córtex das adrenais e o MSH 
estimula a produção de melanina. 
 
 
 
Sistema porta hipofisário 
Hormônios hipotalâmicos que liberam ou inibem hormônios 
da adeno-hipófise chegam à ela por meio de um sistema 
porta. Em um sistema porta, o sangue flui de uma rede capilar 
para uma veia porta, e, em seguida, para uma segunda rede 
capilar antes de retornar ao coração. No sistema porta 
hipofisário, o sangue flui de capilares no hipotálamo para 
veias porta que levam sangue para os capilares da 
adeno-hipófise. 
 
-As artérias hipofisárias superiores, ramos das carótidas 
internas, levam sangue para o hipotálamo. 
-Essas artérias se dividem em uma rede capilar chamada de 
plexo primário. 
-Do plexo primário, o sangue drena para as veias 
porto-hipofisárias. 
-Na adeno-hipófise, as veias porto-hipofisárias se dividem 
mais uma vez em uma rede capilar, o plexo secundário. 
 
Controle da secreção da adeno-hipófise 
Pode ocorrer de duas maneiras: Na primeira, células 
neurossecretoras no hipotálamo secretam cinco hormônios 
libertadores e dois hormônios inibidores. Na segunda, o 
feedback negativo na forma de hormônios liberados pelas 
glândulas-alvo diminui secreções de 3 tipos de células:os 
tireotrofos, gonadotrofos e corticotrofos. 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
 
Fisiologia dos hormônios 
1) Somatotropina (GH): É o hormônio mais abundante da 
adeno-hipófise. Em resposta ao hormônio do crescimento, 
células do fígado, do músculo esquelético, dos ossos e de 
outros tecidos secretam fatores de crescimento (IGFs). Os IGFs 
fazem com que as células se multipliquem, aumentando a 
taxa de crescimento do esqueleto e dos músculos em 
crianças e também atuando na cicatrização em adultos. A 
atividade secretora do GH é controlada por dois hormônios 
hipotalâmicos: 
-GHRH, hormônio liberador 
-GHIH (somatostatina) hormônio inibidor 
Ambos são regulados pelo nível de glicose no sangue. A 
hipoglicemia estimula o hipotálamo a secretar GHRH, que 
estimula a secreção de GH, o qual estimula a secreção de 
IGFs. Os IGFs aceleram a degradação do glicogênio hepático 
em glicose. Já na hiperglicemia, o hipotálamo libera GHIH, ao 
mesmo tempo que inibe a secreção de GHRH. Baixos níveis de 
GH e IGF retardam a degradação do glicogênio. 
 
2) TSH: O hormônio TRH do hipotálamo controla a secreção de 
TSH. A liberação de TRH, por sua vez, se dá pelo feedback 
negativo. 
3) FSH e LH: O hormônio GnRH do hipotálamo estimula a 
liberação de FSH e LH, que é controlado por feedback 
negativo. 
4) Prolactina (PRL): O hormônio inibidor de prolactina, que 
vem a ser a dopamina, inibe a produção de prolactina da 
adeno-hipófise. Todo mês, antes de começar a menstruação, 
a secreção dele diminui e o nível sanguíneo de PRL se eleva 
(não significante para ejeção de leite). Durante a gravidez, o 
nível de prolactina sobe através do hormônio liberador de 
prolactina do hipotálamo. A sucção do bebê promove a 
redução da secreção do hormônio inibidor. 
5)ACTH: O hormônio liberador de corticotrofina (CRH) do 
hipotálamo promove a secreção de ACTH. Estresse, glicose 
sanguínea baixa e traumatismo físico são exemplos que 
estimulam a liberação de ACTH, assim como também é 
regulado por feedback negativo. 
 
Neuro-hipófise 
Histologia: 
Dividida em pars nervosa e infundíbulo. 
Pars nervosa: Não contém células secretoras, apenas 
armazena e libera dois hormônios. É composta de axônios não 
mielinizados de neurônios secretores cujos corpos celulares 
estão nos núcleos supraópticos e paraventriculares do 
hipotálamo. Contém também um tipo de célula glial 
chamada pituícito, que apresenta função de suporte. 
 
A neurossecreção é transportada ao longo dos axônios e se 
acumula nas suas extremidades, na pars nervosa. Seus 
depósitos formam estruturas conhecidas como corpos de 
Herring. As fibras de núcleos supraópticos estão relacionadas 
geralmente a secreção de vasopressina, enquanto as dos 
núcleos paraventriculares estão relacionadas a ocitocina. 
 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
 
 
Anatomia 
● O sangue chega a neuro-hipófise pelas artérias 
hipofisárias inferiores, ramos da carótida interna. 
● Na neuro-hipófise, drenam para o plexo capilar do 
infundíbulo, que recebe os hormônios secretados. 
● Desse plexo, os hormônios passam para as veias 
porto-hipofisárias posteriores. 
 
Fisiologia dos hormônios 
Ocitocina: Atua no útero e nas mamas. Durante o parto, o 
alongamento do colo do útero estimula a liberação de 
ocitocina, que, por sua vez, intensifica a contração do útero 
(funciona por feedback positivo: quanto mais ocitocina, mais 
contração e mais liberação de ocitocina até a saída do bebê). 
Depois do parto, a ejeção do leite é estimulada pela ocitocina 
após a sucção do bebê. A ocitocina também pode ser 
chamada de hormônio do amor, pois tem ligação com o 
prazer sexual e pela ligação da mãe com o filho. 
Hormônio antidiurético (ADH): Também chamado de 
vasopressina, diminui a produção de urina fazendo com que 
os rins devolvam mais água ao sangue. Também atua 
diminuindo a sudorese e causando a constrição de arteríolas, 
elevando a pressão do sangue. O álcool inibe a produção do 
ADH. A quantidade de ADH secretado varia com a pressão 
osmótica do sangue e o volume sanguíneo: 
1) A pressão osmótica alta (diminuição do volume 
sanguíneo) estimula os osmorreceptores, neurônios 
no hipotálamo. 
2) Os osmorreceptores ativam as células hipotalâmicas 
que liberam o ADH 
3) Células neurossecretoras geram impulsos nervosos 
que promovem a exocitose das vesículas cheias do 
hormônio nos seus terminais axônicos na 
neuro-hipófise. 
4) O sangue transporta o ADH para três tecidos: os rins, 
para reter água; as glândulas sudoríparas, para 
diminuição da sua atividade secretora; e para a 
musculatura lisa da parede dos vasos, causando a 
constrição e elevando a pressão sanguínea. 
5) A baixa pressão osmótica (aumento do volume 
sanguíneo) inibe a produção de ADH. 
 
 
 
Tireoide 
● Localizada abaixo da laringe e anterior a traqueia 
● Composta pelos lobos direito e esquerdo, um em 
cada lado da traqueia, conectados por um istmo 
● Cerca de 50% das glândulas apresentam um terceiro 
lobo: o lobo piramidal, superior ao istmo. 
 
Embriologia da tireoide 
É a primeira glândula endócrina a se desenvolver no embriâo. 
A glândula tireoide aparece como uma proliferação epitelial 
endodérmica no assoalho da faringe, descendo na frente do 
intestino faríngeo. Durante essa migração, a tireoide 
permanece conectada à língua pelo ducto tireoglosso. 
 
Com o desenvolvimento, a glândula tireoide desce para frente 
do osso hióide e das cartilagens laríngeas. Ela alcança sua 
posição final na frente da traqueia na 7ª semana e começa a 
funcionar por volta do terceiro mês. 
 
Histologia da tireóide 
A tireoide é composta por milhares de folículos tireoidianos. A 
parede dos folículos é um epitélio simples cujas células são 
chamadas de tireócitos ou células foliculares. A cavidade dos 
folículos contêm uma substância gelatinosa chamada 
colóide. A glândula é revestida por tecido conjuntivo frouxo 
que envia septos para o parênquima. 
 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
Outro tipo de célula encontrada na tireoide é a célula 
parafolicular ou célula C, que produzem a calcitonina. A 
tireoide é a única glândula que não é estruturada em forma 
de cordões entremeados por capilares, já que secreta os 
hormônios T3 e T4 no nos colóides. 
 
Fisiologia dos hormônios 
A síntese e secreção de T3 e T4 ocorre da seguinte forma: 
1) As células foliculares retém íons iodeto, ao mesmo tempo 
que sintetizam tireoglobulina (TGB), uma glicoproteína. 
2) Parte dos aminoácidos da TGB consiste em tirosinas que se 
tornarão iodadas. A ligação de um átomo de iodo produz 
monoiodotirosina (T1),e a de dois a di-iodotirosina (T2). 
3) Por fim, duas moléculas de T2 se unem para formar T4 ou 
uma de T1 se une com a T2 para formar T3. Em geral T4 é 
secretada em maior quantidade, mas T3 é mais potente. 
4) Como são hormônios lipossolúveis, se combinam a 
proteínas transportadoras no sangue, principalmente a 
globulina transportadora de tiroxina (TGB). 
Qual a função dos hormônios tireoidianos? Eles aumentam a 
taxa metabólica basal por meio da estimulação do uso de 
oxigênio celular na produção de ATP., além de apresentarem 
participação na manutenção da temperatura corporal. 
Como se dá o controle da secreção? O hormônio liberador de 
tireotropina (TRH) do hipotálamo e o hormônio 
tireoestimulante (TSH) da adeno-hipófise estimulam a 
liberação de T3 e T4. São controlados por feedback negativo. 
OBS: O hormônio produzido pelas células parafoliculares é a 
calcitonina, que diminui o nível sanguíneo do cálcio por meio 
da inibição da atividade dos osteoclastos. Também é 
controlada por feedback negativo. 
 
Paratireoides 
● Incrustadas na face posterior dos lobos direito e 
esquerdo da tiroide. 
● Podem se encontrar no mediastino, próximo ao timo. 
 
Embriologia das paratireoides 
As paratireóides inferiores se originam da terceira bolsa 
faríngea. Na 5ª semana, o epitélio dorsal dessa bolsa se 
diferencia na paratireoide inferior, enquanto a parte ventral 
formao timo. Ambos perdem sua conexão com a parede 
faríngea e o timo migra para sua posição na porção anterior 
do tórax, “puxando” a glândula paratireoide inferior com ele. 
Esse tecido se posiciona na superfície dorsal da tireoide 
Já a glândula paratireóide superior se origina da quarta bolsa 
faríngea, de sua região dorsal. A parte ventral dá origem a 
uma estrutura que se liga a tiróide e origina a células 
parafoliculares, que secretam calcitonina. 
 
Histologia das paratireóides 
O parênquima da paratireóide é formado por células epiteliais 
dispostas em cordões envoltos por capilares sanguíneos. 
Existem dois tipos de células: 
-Células principais: Secretam o hormônio paratormônio, que 
aumenta a atividade dos osteoclastos liberando cálcio no 
sangue. 
-Células oxífilas: São mais claras que as principais e não 
apresentam função conhecida. 
 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
 
 
Fisiologia do paratormônio 
O paratormônio é o principal regulador dos níveis de cálcio, 
magnésio e fosfato no sangue. A ação principal é a 
reabsorção óssea acentuada, que libera cálcio e fosfatos no 
sangue, mas o PTH também atua nos rins, retardando a perda 
de cálcio e magnésio para a urina. Um terceiro efeito do 
paratormônio sobre os rins é a formação do hormônio 
calcitriol, que consiste na forma ativa da vitamina D (D3), a 
qual atua aumentando a taxa de absorção de cálcio no 
intestino. 
O nível sanguíneo de cálcio controla diretamente a secreção 
de calcitonina e paratormônio por meio do feedback 
negativo, não envolvendo a hipófise. 
1) O nível elevado de cálcio no sangue estimula as 
células parafoliculares da tireóide a liberarem 
calcitonina. 
2) O nível baixo de cálcio no sangue estimula as células 
principais da paratiroide a liberarem PTH. 
 
 
Suprarrenais 
● Localizadas em cima de cada rim no espaço 
retroperitoneal. 
● Divididas em regiões distintas: córtex e medula. 
 
Embriologia das adrenais 
O córtex e a medula das suprarrenais têm origens diferentes. 
O córtex se origina do mesênquima e a medula a partir de 
células da crista neural. Durante a 6ª semana, o córtex 
começa como uma agregação de células mesenquimais em 
cada lado do embrião e perto das gônadas em 
desenvolvimento. As células que formam a medula são 
derivadas de um g|ânglio simpático adjacente, o qual é 
derivado das células da crista neural (origem ectodérmica). 
 
Inicialmente, as células da crista neural formam uma massa 
no lado medial do córtex. À medida que são rodeadas pelo 
córtex, se diferenciam em células secretoras da medula. A 
zona glomerulosa e a fasciculada estão presentes no 
nascimento, mas a zona reticular não é reconhecível até o 
término do 3° ano. 
 
Histologia das adrenais 
Córtex: As células do córtex adrenal têm a estrutura típica de 
células secretoras de esteróides, em que a organela 
predominante é o REL. Essas células não armazenam seus 
produtos em grânulos, de modo que os esteróides se 
difundem pela membrana. O córtex pode ser dividido em três 
zonas: 
- Zona glomerulosa: Logo abaixo da cápsula de tecido 
conjuntivo, composta de células organizadas em 
cordões e envoltas por capilares. 
- Zona fasciculada: Zona média com células 
arranjadas em cordões semelhantes a feixes, 
entremeadas por capilares. Aparecem vacuoladas 
na preparação devido a dissolução de lipídios, 
podendo ser chamadas de espongiócitos. 
- Zona reticulada: A mais interna do córtex, contém 
células menores que as outras camadas. 
 
Os hormônios secretados pelo córtex são em sua maioria 
esteróides, derivados do colesterol. Os esteróides secretados 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
pelo córtex podem ser divididos em três grupos: 
glicocorticoides, mineralocorticoides e andrógenos. 
1) Zona glomerulosa: Secreta o principal 
mineralocorticóide, a aldosterona, hormônio que 
contribui para manter o equilíbrio de sódio, potássio 
e água no organismo, e consequentemente dos 
níveis de pressão arterial. 
2) Zona fasciculada: Secreta principalmente os 
glicocorticóides, dentre os quais um dos mais 
importantes é o cortisol. Eles regulam o metabolismo 
e suprimem a resposta imune. 
3) Zona reticulada: Secreta andrógenos, principalmente 
dehidroepiandrosterona. 
 
Medula: É composta de células organizadas em cordões 
sustentados por uma rede de fibras reticulares. Além das 
células do parênquima, há células ganglionares 
parassimpáticas, todas envoltas por vasos sanguíneos. O 
citoplasma das células medulares têm grânulos de secreção 
que contêm epinefrina e norepinefrina, da classe das 
catecolaminas. As células produtoras de hormônio são 
chamadas de cromafins. secretando quantidades desiguais 
desses hormônios: cerca de 80% de epinefrina e 20% de 
norepinefrina. 
 
 
Fisiologia dos hormônios 
Aldosterona: Principal mineralocorticóide, regula a 
homeostasia do sódio e potássio, e ajuda a ajustar a pressão 
arterial e o volume de sangue. Também promove a excreção 
de H+ na urina, evitando a acidose. A via 
renina-angiotensina-aldosterona controla a secreção de 
aldosterona. 
1) Desidratação, deficiência de sódio e hemorragia estimulam 
essa via, pois diminuem o volume sanguíneo 
2) O volume sanguíneo reduzido promove a queda da 
pressão arterial 
3) A pressão arterial baixa estimula a produção da enzima 
renina por células renais 
4) A renina converte a angiotensina, proteína produzida pelo 
fígado, em angiotensina I, que circula pelo sangue 
5) A enzima ECA converte angiotensina I em II, que também 
circula pelo sangue 
6) A angiotensina II estimula o córtex adrenal a secretar 
aldosterona 
7) Nos rins, a aldosterona aumenta a reabsorção de sódio, 
que, por sua vez, promove a reabsorção de água por osmose. 
A aldosterona também estimula a secreção de potássio e H+ 
na urina, aumentando, assim, o volume sanguíneo. 
OBS: A angiotensina II também estimula a contração das 
paredes das arteríolas, resultando na constrição que 
aumenta a pressão sanguínea. 
Glicocorticóides: Regulam o metabolismo e o estresse, sendo 
os principais o cortisol, a corticosterona e a cortisona. 
Promovem degradação de proteínas, a formação de glicose 
pelo glicogênio ou pela gliconeogênese,e a lipólise; 
Aumentam a resistência ao estresse, os efeitos 
anti-inflamatórios e a depressão da resposta imune. O 
controle da secreção de glicocorticóides ocorre por feedback 
negativo. Níveis sanguíneos baixos estimulam as células no 
hipotálamo a secretar hormônio liberador da corticotrofina 
(CRH), que promove a liberação de ACTH pela adeno-hipófise. 
Androgênios: Embora o controle da secreção não seja 
totalmente compreendido, o principal hormônio que estimula 
sua secreção é o ACTH. 
Epinefrina e norepinefrina: Em situações de estresse e prática 
de exercícios, impulsos do hipotálamo acionam neurônios 
simpáticos que estimulam as células cromafins a secretarem 
esses hormônios. 
 
Pâncreas 
● Glândula tanto exócrina quanto endócrina 
● Localiza-se na curvatura do duodeno 
● Consiste em uma cabeça, corpo e cauda 
 
Aproximadamente 99% das células exócrinas do pâncreas 
estão distribuídas em grupos chamados ácinos. Espalhados 
entre eles existem as Ilhotas de Langerhans, grupos de tecido 
endócrino. 
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Embriologia do pâncreas 
O pâncreas se desenvolve a partir dos brotos pancreáticos 
dorsal e ventral de células endodérmicas, que surge da 
porção caudal do intestino anterior. A maior parte do 
pâncreas deriva do broto pancreático dorsal, que aparece 
primeiro. 
 
O broto pancreático ventral desenvolve-se próximo à entrada 
do ducto biliar no duodeno. À medida que o duodeno gira 
para a direita, o broto é carregado dorsalmente com o ducto 
biliar, se posicionando posteriormente ao broto ventral e se 
unindo com ele. O broto pancreático ventral origina parte da 
cabeça do pâncreas. 
 
Histologia das ilhotas de Langerhans 
As ilhotas são vistas ao microscópio como grupos 
arredondados de células de coloração menos intensa, comtendência a serem mais abundantes na cauda do pâncreas. 
São constituídas por células dispostas em cordões envoltas 
por capilares, com uma fina camada de tecido conjuntivo que 
envolve a ilhota separando-a do tecido pancreático. 
 
Distinguem-se pelo menos cinco tipos de células nas ilhotas: 
- Alfa: Cerca de 20% das células, produzem glucagon, 
que age quebrando o glicogênio, aumentando a 
taxa de glicose no sangue. 
- Beta: Cerca de 70% das células, produzem insulina, 
que age promovendo a entrada de glicose nas 
células e diminui a taxa dela no sangue. 
- Delta: Cerca de 5% das células, produzem 
somatostatina, que regula a produção de hormônio 
de outras células das ilhotas. 
- PP: Cerca de 3% das células, produzem polipeptídeo 
pancreático, com ações não totalmente 
estabelecidas. 
- Épsilon: Cerca de 1% das células, produzem ghrelina, 
que age na estimulação do apetite. 
 
 
Fisiologia dos hormônios 
A principal ação do glucagon é de elevar o nível de glicose no 
sangue. A insulina, por sua vez, ajuda a reduzir o nível de 
glicose. Ambas funcionam via feedback negativo: 
1) A hipoglicemia estimula a secreção de glucagon pelas 
células alfa das ilhotas pancreáticas. 
2) O glucagon atua nos hepatócitos, acelerando a conversão 
de glicogênio em glicose (glicogenólise) e promovendo a 
formação de glicose por outras vias (gliconeogênese). 
3) A glicemia se eleva, e se chega ao ponto de uma 
hiperglicemia, há a inibição do glucagon por feedback. 
4) A hiperglicemia estimula a secreção de insulina pelas 
células beta das ilhotas pancreáticas. 
5) A insulina age acelerando a difusão da glicose para as 
células, além de apressar a conversão dela em glicogênio 
(glicogênese). Também acelera a formação de ácidos graxos. 
6) Quando o nível de glicose cai para abaixo do normal, 
ocorre inibição da liberação de insulina via feedback. 
OBS: Indiretamente, o GH e o ACTH estimulam a secreção de 
insulina. 
 
Ovários e testículos 
Ovários: Localizados na cavidade pélvica feminina, fabricam 
os hormônios esteróides, inclusive dois estrógenos e 
progesterona. Esses hormônios sexuais juntamente com o FSH 
e LH da adeno-hipófise regulam o ciclo menstrual e mantêm 
a gravidez. Os ovários também produzem inibina, que inibe a 
secreção de FSH. Durante a gravidez, os ovários e a placenta 
Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 
produzem um hormônio chamado relaxina, que aumenta a 
flexibilidade da sínfise púbica. 
Testículos: Localizadas no escroto, secretam principalmente 
testosterona, um andrógenio que promove a descida dos 
testículos antes do nascimento, regula a produção de 
espermatozoides e estimula a manutenção de características 
secundárias masculinas. Os testículos também produzem 
inibina, que inibe a secreção de FSH. 
 
Glândula pineal 
● Localizada sobre o teto do diencéfalo 
● Predominam dois tipos celulares: Pienalócitos e 
astrócitos. 
● Está envolvida no controle dos ritmos circadianos. 
Responde a estímulos luminosos recebidos pela 
retina. 
● Produz melatonina, com secreção estimulada pela 
escuridão. 
 
 
Embriologia da pineal: Se desenvolve como um divertículo 
mediano da parte caudal do teto do diencéfalo. 
 
 
Timo 
● Localizado no mediastino, atrás do esterno e entre os 
pulmões. 
● Produz timosina, THF, TF e timopoetina, que 
promovem a maturação dos linfócitos T. 
 
 
Embriologia do timo 
O timo é formado através da terceira bolsa faríngea, que 
também origina as paratireóides inferiores. O epitélio da parte 
ventral da bolsa origina o timo. Com o desenvolvimento, essas 
glândulas perdem suas conexões com a faringe, e mais tarde 
as paratireoides se separam do timo.

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