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Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Sistema endócrino Glândulas endócrinas Hormônio: Molécula mediadora liberada em alguma parte do corpo que regula a atividade celular. Obs: Alguns neurotransmissores também podem atuar como hormônios, como a norepinefrina. Glândula exócrina: Secreta seus produtos para um ducto ou canal que conduzem as secreções para cavidades ou para superfície externa. Glândula endócrina: Secretam seus produtos (hormônios) no líquido intersticial que circunda as células, se difundindo para os capilares e em seguida para o sangue. Atividade hormonal Receptores hormonais: Os hormônios, assim como os neurotransmissores, influenciam suas células-alvo por meio da ligação com os receptores protéicos específicos. Apenas células-alvo daquele hormônio possuem receptores para ele. Infrarregulação: Efeito que causa a célula menos sensível ao hormônio. Se a concentração de um hormônio estiver muito elevada, o número de receptores na célula-alvo pode diminuir. Suprarregulação: Efeito contrário, que causa mais sensibilidade na célula. Se a concentração de um hormônio é baixa, o número de receptores pode aumentar. OBS: Existem hormônios sintéticos que bloqueiam os receptores de alguns hormônios. Ex: Mifepristona bloqueia os receptores para a progesterona, utilizado em casos de aborto. Hormônio circulante: Circulam pelo sangue e atuam em células longe do local de secreção. Hormônio parácrino: Hormônio local que atua em células vizinhas sem necessidade de entrar na corrente sanguínea. Hormônio autócrino: Hormônio local que atua na mesma célula que o secretou. Classificação química dos hormônios Hormônios lipossolúveis: ● Esteroides: Derivados do colesterol (ex: Testosterona) ● Tireoidianos: Sintetizados pela junção de iodo ao aminoácido tirosina (T3 e T4) ● Óxido nítrico (NO): É tanto um hormônio quanto neurotransmissor. OBS: Os hormônios lipossolúveis circulam pelo sangue ligados a proteínas transportadoras. Hormônios hidrossolúveis: ● Aminados: Derivados de aminoácidos, contém um grupo amina. (Ex: Catecolaminas - epinefrina, norepinefrina e dopamina que vêm da tirosina) ● Peptídicos e proteicos: Polímeros de aminoácidos, os peptídicos contêm 3 a 49 aminoácidos e os proteicos até 200. (Ex: ocitocina e insulina) ● Eicosanóides: São derivados do ácido araquidônico, geralmente locais. (Ex: prostaglandinas e leucotrienos) OBS: Isso explica a administração de alguns hormônios. Hormônios lipossolúveis não sofrem degradação durante a digestão e podem ser administrados oralmente. Já hormônios proteicos, como a insulina, precisam ser administrados via subcutânea para que não haja digestão em aminoácidos no estômago. Mecanismos de ação hormonal Ação dos hormônios lipossolúveis: Os receptores desses hormônios estão dentro da célula. 1- O hormônio chega à molécula pelo sangue e passa pela bicamada lipídica. 2- O hormônio se liga aos receptores no citosol ou no núcleo, ativando-os. Isso muda a expressão do gene, ativando e desativando genes específicos do DNA. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 3- O DNA transcreve um RNA mensageiro que é traduzido em uma nova proteína. Ação dos hormônios hidrossolúveis: Os receptores estão na superfície da célula-alvo. 1- O hormônio (primeiro mensageiro) se difunde pelo sangue e se liga ao seu receptor, ativando uma proteína da membrana chamada proteína G. Essa proteína ativa a adenilato ciclase. 2- A adenilato converte ATP em AMP cíclico (cAMP), no citosol. 3- O cAMP (segundo mensageiro) ativa uma ou mais proteinoquinases, enzimas que fosforilam outras proteínas celulares. O doador do fosfato é o ATP. A fosforilação dessas proteínas servem para ativá-las ou inibi-las. 4- As proteínas fosforiladas causam reações que produzem respostas fisiológicas. 5- A não ser que novos hormônios se liguem, o AMP cíclico é desativado pela enzima fosfodiesterase. OBS: Podem existir outros segundos mensageiros, como os cGMP, IP3, íons cálcio, etc. Os hormônios podem estimular a produção de cAMP (ADH, TSH) aumentando a resposta ou podem diminuir o nível dele (hormônio inibidor do crescimento- GHIH). Interações hormonais Efeito permissivo: As ações de alguns hormônios demandam exposição simultânea ou recente a um segundo hormônio. O hormônio permissivo pode aumentar o número de receptores para outro hormônio. Efeito sinérgico: Quando o efeito de dois hormônios que agem juntos é mais amplo do que o efeito deles sozinho. Efeito antagônico: Quando um hormônio faz oposição aos efeitos de outro hormônio. Hipófise ● Glândula mestra (apesar de ser controlada pelo hipotálamo) ● Estrutura em forma de ervilha localizada na sella turca do esfenoide ● Conecta-se ao hipotálamo pelo infundíbulo ● Apresenta duas partes: Adeno-hipófise (lobo anterior) e Neuro-hipófise (lobo posterior). Embriologia da hipófise A hipófise se desenvolve de duas fontes: -Do teto ectodérmico do estomodeu (Bolsa de Rathke) -Da invaginação do neuroectomerda do diencéfalo Essa origem dupla explica porque a hipófise é composta por dois tipos de tecidos: -A adeno-hipófise (tecido glandular) desenvolve-se a partir do ectoderma oral; -A neuro-hipófise (tecido nervoso) desenvolve-se a partir do neuroectoderma. Adeno-hipófise A adeno-hipófise é dividida em: -Pars distalis (lobo anterior): Representa em torno de 75% da massa da hipófise. Produz os hormônios que são armazenados em grânulos de secreção. -Pars tuberalis: Região em forma de funil que cerca o infundíbulo da neurohipófise. -Pars intermedia: Se localiza na porção dorsal da antiga bolsa de Rathke. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Histologia da adeno-hipófise A pars distalis secreta vários hormônios. Porém, só três tipos de células costumam ser reconhecidas: as cromófobas e as cromófilas (que podem ser acidófilas ou basófilas). As células cromófobas tem poucos ou nenhum grânulos de secreção. Células acidófilas: -Somatotrópicas: Produzem a somatotropina (GH), que promove o crescimento de ossos longos e age no metabolismo. -Lactotrópicas (mamotrópicas): Produzem a prolactina (PRL), que atua no desenvolvimento da glândula mamária durante a gestação e estimula a secreção de leite. Células basófilas: -Gonadotrópicas: Produzem FSH e LH. O FSH promove crescimento dos folículos ovarianos, secreção do estrógeno e estimula a espermatogênese. O LH promove a ovulação, a secreção de progesterona e estimula a células de Leydig. -Tireotrópicas: Produzem a tireotropina (TSH), que estimula a síntese de hormônio tireoidiano. -Corticotrópicas:Produzem ACTH e MSH. O ACTH estimula a produção de glicocorticoides no córtex das adrenais e o MSH estimula a produção de melanina. Sistema porta hipofisário Hormônios hipotalâmicos que liberam ou inibem hormônios da adeno-hipófise chegam à ela por meio de um sistema porta. Em um sistema porta, o sangue flui de uma rede capilar para uma veia porta, e, em seguida, para uma segunda rede capilar antes de retornar ao coração. No sistema porta hipofisário, o sangue flui de capilares no hipotálamo para veias porta que levam sangue para os capilares da adeno-hipófise. -As artérias hipofisárias superiores, ramos das carótidas internas, levam sangue para o hipotálamo. -Essas artérias se dividem em uma rede capilar chamada de plexo primário. -Do plexo primário, o sangue drena para as veias porto-hipofisárias. -Na adeno-hipófise, as veias porto-hipofisárias se dividem mais uma vez em uma rede capilar, o plexo secundário. Controle da secreção da adeno-hipófise Pode ocorrer de duas maneiras: Na primeira, células neurossecretoras no hipotálamo secretam cinco hormônios libertadores e dois hormônios inibidores. Na segunda, o feedback negativo na forma de hormônios liberados pelas glândulas-alvo diminui secreções de 3 tipos de células:os tireotrofos, gonadotrofos e corticotrofos. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Fisiologia dos hormônios 1) Somatotropina (GH): É o hormônio mais abundante da adeno-hipófise. Em resposta ao hormônio do crescimento, células do fígado, do músculo esquelético, dos ossos e de outros tecidos secretam fatores de crescimento (IGFs). Os IGFs fazem com que as células se multipliquem, aumentando a taxa de crescimento do esqueleto e dos músculos em crianças e também atuando na cicatrização em adultos. A atividade secretora do GH é controlada por dois hormônios hipotalâmicos: -GHRH, hormônio liberador -GHIH (somatostatina) hormônio inibidor Ambos são regulados pelo nível de glicose no sangue. A hipoglicemia estimula o hipotálamo a secretar GHRH, que estimula a secreção de GH, o qual estimula a secreção de IGFs. Os IGFs aceleram a degradação do glicogênio hepático em glicose. Já na hiperglicemia, o hipotálamo libera GHIH, ao mesmo tempo que inibe a secreção de GHRH. Baixos níveis de GH e IGF retardam a degradação do glicogênio. 2) TSH: O hormônio TRH do hipotálamo controla a secreção de TSH. A liberação de TRH, por sua vez, se dá pelo feedback negativo. 3) FSH e LH: O hormônio GnRH do hipotálamo estimula a liberação de FSH e LH, que é controlado por feedback negativo. 4) Prolactina (PRL): O hormônio inibidor de prolactina, que vem a ser a dopamina, inibe a produção de prolactina da adeno-hipófise. Todo mês, antes de começar a menstruação, a secreção dele diminui e o nível sanguíneo de PRL se eleva (não significante para ejeção de leite). Durante a gravidez, o nível de prolactina sobe através do hormônio liberador de prolactina do hipotálamo. A sucção do bebê promove a redução da secreção do hormônio inibidor. 5)ACTH: O hormônio liberador de corticotrofina (CRH) do hipotálamo promove a secreção de ACTH. Estresse, glicose sanguínea baixa e traumatismo físico são exemplos que estimulam a liberação de ACTH, assim como também é regulado por feedback negativo. Neuro-hipófise Histologia: Dividida em pars nervosa e infundíbulo. Pars nervosa: Não contém células secretoras, apenas armazena e libera dois hormônios. É composta de axônios não mielinizados de neurônios secretores cujos corpos celulares estão nos núcleos supraópticos e paraventriculares do hipotálamo. Contém também um tipo de célula glial chamada pituícito, que apresenta função de suporte. A neurossecreção é transportada ao longo dos axônios e se acumula nas suas extremidades, na pars nervosa. Seus depósitos formam estruturas conhecidas como corpos de Herring. As fibras de núcleos supraópticos estão relacionadas geralmente a secreção de vasopressina, enquanto as dos núcleos paraventriculares estão relacionadas a ocitocina. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Anatomia ● O sangue chega a neuro-hipófise pelas artérias hipofisárias inferiores, ramos da carótida interna. ● Na neuro-hipófise, drenam para o plexo capilar do infundíbulo, que recebe os hormônios secretados. ● Desse plexo, os hormônios passam para as veias porto-hipofisárias posteriores. Fisiologia dos hormônios Ocitocina: Atua no útero e nas mamas. Durante o parto, o alongamento do colo do útero estimula a liberação de ocitocina, que, por sua vez, intensifica a contração do útero (funciona por feedback positivo: quanto mais ocitocina, mais contração e mais liberação de ocitocina até a saída do bebê). Depois do parto, a ejeção do leite é estimulada pela ocitocina após a sucção do bebê. A ocitocina também pode ser chamada de hormônio do amor, pois tem ligação com o prazer sexual e pela ligação da mãe com o filho. Hormônio antidiurético (ADH): Também chamado de vasopressina, diminui a produção de urina fazendo com que os rins devolvam mais água ao sangue. Também atua diminuindo a sudorese e causando a constrição de arteríolas, elevando a pressão do sangue. O álcool inibe a produção do ADH. A quantidade de ADH secretado varia com a pressão osmótica do sangue e o volume sanguíneo: 1) A pressão osmótica alta (diminuição do volume sanguíneo) estimula os osmorreceptores, neurônios no hipotálamo. 2) Os osmorreceptores ativam as células hipotalâmicas que liberam o ADH 3) Células neurossecretoras geram impulsos nervosos que promovem a exocitose das vesículas cheias do hormônio nos seus terminais axônicos na neuro-hipófise. 4) O sangue transporta o ADH para três tecidos: os rins, para reter água; as glândulas sudoríparas, para diminuição da sua atividade secretora; e para a musculatura lisa da parede dos vasos, causando a constrição e elevando a pressão sanguínea. 5) A baixa pressão osmótica (aumento do volume sanguíneo) inibe a produção de ADH. Tireoide ● Localizada abaixo da laringe e anterior a traqueia ● Composta pelos lobos direito e esquerdo, um em cada lado da traqueia, conectados por um istmo ● Cerca de 50% das glândulas apresentam um terceiro lobo: o lobo piramidal, superior ao istmo. Embriologia da tireoide É a primeira glândula endócrina a se desenvolver no embriâo. A glândula tireoide aparece como uma proliferação epitelial endodérmica no assoalho da faringe, descendo na frente do intestino faríngeo. Durante essa migração, a tireoide permanece conectada à língua pelo ducto tireoglosso. Com o desenvolvimento, a glândula tireoide desce para frente do osso hióide e das cartilagens laríngeas. Ela alcança sua posição final na frente da traqueia na 7ª semana e começa a funcionar por volta do terceiro mês. Histologia da tireóide A tireoide é composta por milhares de folículos tireoidianos. A parede dos folículos é um epitélio simples cujas células são chamadas de tireócitos ou células foliculares. A cavidade dos folículos contêm uma substância gelatinosa chamada colóide. A glândula é revestida por tecido conjuntivo frouxo que envia septos para o parênquima. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Outro tipo de célula encontrada na tireoide é a célula parafolicular ou célula C, que produzem a calcitonina. A tireoide é a única glândula que não é estruturada em forma de cordões entremeados por capilares, já que secreta os hormônios T3 e T4 no nos colóides. Fisiologia dos hormônios A síntese e secreção de T3 e T4 ocorre da seguinte forma: 1) As células foliculares retém íons iodeto, ao mesmo tempo que sintetizam tireoglobulina (TGB), uma glicoproteína. 2) Parte dos aminoácidos da TGB consiste em tirosinas que se tornarão iodadas. A ligação de um átomo de iodo produz monoiodotirosina (T1),e a de dois a di-iodotirosina (T2). 3) Por fim, duas moléculas de T2 se unem para formar T4 ou uma de T1 se une com a T2 para formar T3. Em geral T4 é secretada em maior quantidade, mas T3 é mais potente. 4) Como são hormônios lipossolúveis, se combinam a proteínas transportadoras no sangue, principalmente a globulina transportadora de tiroxina (TGB). Qual a função dos hormônios tireoidianos? Eles aumentam a taxa metabólica basal por meio da estimulação do uso de oxigênio celular na produção de ATP., além de apresentarem participação na manutenção da temperatura corporal. Como se dá o controle da secreção? O hormônio liberador de tireotropina (TRH) do hipotálamo e o hormônio tireoestimulante (TSH) da adeno-hipófise estimulam a liberação de T3 e T4. São controlados por feedback negativo. OBS: O hormônio produzido pelas células parafoliculares é a calcitonina, que diminui o nível sanguíneo do cálcio por meio da inibição da atividade dos osteoclastos. Também é controlada por feedback negativo. Paratireoides ● Incrustadas na face posterior dos lobos direito e esquerdo da tiroide. ● Podem se encontrar no mediastino, próximo ao timo. Embriologia das paratireoides As paratireóides inferiores se originam da terceira bolsa faríngea. Na 5ª semana, o epitélio dorsal dessa bolsa se diferencia na paratireoide inferior, enquanto a parte ventral formao timo. Ambos perdem sua conexão com a parede faríngea e o timo migra para sua posição na porção anterior do tórax, “puxando” a glândula paratireoide inferior com ele. Esse tecido se posiciona na superfície dorsal da tireoide Já a glândula paratireóide superior se origina da quarta bolsa faríngea, de sua região dorsal. A parte ventral dá origem a uma estrutura que se liga a tiróide e origina a células parafoliculares, que secretam calcitonina. Histologia das paratireóides O parênquima da paratireóide é formado por células epiteliais dispostas em cordões envoltos por capilares sanguíneos. Existem dois tipos de células: -Células principais: Secretam o hormônio paratormônio, que aumenta a atividade dos osteoclastos liberando cálcio no sangue. -Células oxífilas: São mais claras que as principais e não apresentam função conhecida. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Fisiologia do paratormônio O paratormônio é o principal regulador dos níveis de cálcio, magnésio e fosfato no sangue. A ação principal é a reabsorção óssea acentuada, que libera cálcio e fosfatos no sangue, mas o PTH também atua nos rins, retardando a perda de cálcio e magnésio para a urina. Um terceiro efeito do paratormônio sobre os rins é a formação do hormônio calcitriol, que consiste na forma ativa da vitamina D (D3), a qual atua aumentando a taxa de absorção de cálcio no intestino. O nível sanguíneo de cálcio controla diretamente a secreção de calcitonina e paratormônio por meio do feedback negativo, não envolvendo a hipófise. 1) O nível elevado de cálcio no sangue estimula as células parafoliculares da tireóide a liberarem calcitonina. 2) O nível baixo de cálcio no sangue estimula as células principais da paratiroide a liberarem PTH. Suprarrenais ● Localizadas em cima de cada rim no espaço retroperitoneal. ● Divididas em regiões distintas: córtex e medula. Embriologia das adrenais O córtex e a medula das suprarrenais têm origens diferentes. O córtex se origina do mesênquima e a medula a partir de células da crista neural. Durante a 6ª semana, o córtex começa como uma agregação de células mesenquimais em cada lado do embrião e perto das gônadas em desenvolvimento. As células que formam a medula são derivadas de um g|ânglio simpático adjacente, o qual é derivado das células da crista neural (origem ectodérmica). Inicialmente, as células da crista neural formam uma massa no lado medial do córtex. À medida que são rodeadas pelo córtex, se diferenciam em células secretoras da medula. A zona glomerulosa e a fasciculada estão presentes no nascimento, mas a zona reticular não é reconhecível até o término do 3° ano. Histologia das adrenais Córtex: As células do córtex adrenal têm a estrutura típica de células secretoras de esteróides, em que a organela predominante é o REL. Essas células não armazenam seus produtos em grânulos, de modo que os esteróides se difundem pela membrana. O córtex pode ser dividido em três zonas: - Zona glomerulosa: Logo abaixo da cápsula de tecido conjuntivo, composta de células organizadas em cordões e envoltas por capilares. - Zona fasciculada: Zona média com células arranjadas em cordões semelhantes a feixes, entremeadas por capilares. Aparecem vacuoladas na preparação devido a dissolução de lipídios, podendo ser chamadas de espongiócitos. - Zona reticulada: A mais interna do córtex, contém células menores que as outras camadas. Os hormônios secretados pelo córtex são em sua maioria esteróides, derivados do colesterol. Os esteróides secretados Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 pelo córtex podem ser divididos em três grupos: glicocorticoides, mineralocorticoides e andrógenos. 1) Zona glomerulosa: Secreta o principal mineralocorticóide, a aldosterona, hormônio que contribui para manter o equilíbrio de sódio, potássio e água no organismo, e consequentemente dos níveis de pressão arterial. 2) Zona fasciculada: Secreta principalmente os glicocorticóides, dentre os quais um dos mais importantes é o cortisol. Eles regulam o metabolismo e suprimem a resposta imune. 3) Zona reticulada: Secreta andrógenos, principalmente dehidroepiandrosterona. Medula: É composta de células organizadas em cordões sustentados por uma rede de fibras reticulares. Além das células do parênquima, há células ganglionares parassimpáticas, todas envoltas por vasos sanguíneos. O citoplasma das células medulares têm grânulos de secreção que contêm epinefrina e norepinefrina, da classe das catecolaminas. As células produtoras de hormônio são chamadas de cromafins. secretando quantidades desiguais desses hormônios: cerca de 80% de epinefrina e 20% de norepinefrina. Fisiologia dos hormônios Aldosterona: Principal mineralocorticóide, regula a homeostasia do sódio e potássio, e ajuda a ajustar a pressão arterial e o volume de sangue. Também promove a excreção de H+ na urina, evitando a acidose. A via renina-angiotensina-aldosterona controla a secreção de aldosterona. 1) Desidratação, deficiência de sódio e hemorragia estimulam essa via, pois diminuem o volume sanguíneo 2) O volume sanguíneo reduzido promove a queda da pressão arterial 3) A pressão arterial baixa estimula a produção da enzima renina por células renais 4) A renina converte a angiotensina, proteína produzida pelo fígado, em angiotensina I, que circula pelo sangue 5) A enzima ECA converte angiotensina I em II, que também circula pelo sangue 6) A angiotensina II estimula o córtex adrenal a secretar aldosterona 7) Nos rins, a aldosterona aumenta a reabsorção de sódio, que, por sua vez, promove a reabsorção de água por osmose. A aldosterona também estimula a secreção de potássio e H+ na urina, aumentando, assim, o volume sanguíneo. OBS: A angiotensina II também estimula a contração das paredes das arteríolas, resultando na constrição que aumenta a pressão sanguínea. Glicocorticóides: Regulam o metabolismo e o estresse, sendo os principais o cortisol, a corticosterona e a cortisona. Promovem degradação de proteínas, a formação de glicose pelo glicogênio ou pela gliconeogênese,e a lipólise; Aumentam a resistência ao estresse, os efeitos anti-inflamatórios e a depressão da resposta imune. O controle da secreção de glicocorticóides ocorre por feedback negativo. Níveis sanguíneos baixos estimulam as células no hipotálamo a secretar hormônio liberador da corticotrofina (CRH), que promove a liberação de ACTH pela adeno-hipófise. Androgênios: Embora o controle da secreção não seja totalmente compreendido, o principal hormônio que estimula sua secreção é o ACTH. Epinefrina e norepinefrina: Em situações de estresse e prática de exercícios, impulsos do hipotálamo acionam neurônios simpáticos que estimulam as células cromafins a secretarem esses hormônios. Pâncreas ● Glândula tanto exócrina quanto endócrina ● Localiza-se na curvatura do duodeno ● Consiste em uma cabeça, corpo e cauda Aproximadamente 99% das células exócrinas do pâncreas estão distribuídas em grupos chamados ácinos. Espalhados entre eles existem as Ilhotas de Langerhans, grupos de tecido endócrino. Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 Embriologia do pâncreas O pâncreas se desenvolve a partir dos brotos pancreáticos dorsal e ventral de células endodérmicas, que surge da porção caudal do intestino anterior. A maior parte do pâncreas deriva do broto pancreático dorsal, que aparece primeiro. O broto pancreático ventral desenvolve-se próximo à entrada do ducto biliar no duodeno. À medida que o duodeno gira para a direita, o broto é carregado dorsalmente com o ducto biliar, se posicionando posteriormente ao broto ventral e se unindo com ele. O broto pancreático ventral origina parte da cabeça do pâncreas. Histologia das ilhotas de Langerhans As ilhotas são vistas ao microscópio como grupos arredondados de células de coloração menos intensa, comtendência a serem mais abundantes na cauda do pâncreas. São constituídas por células dispostas em cordões envoltas por capilares, com uma fina camada de tecido conjuntivo que envolve a ilhota separando-a do tecido pancreático. Distinguem-se pelo menos cinco tipos de células nas ilhotas: - Alfa: Cerca de 20% das células, produzem glucagon, que age quebrando o glicogênio, aumentando a taxa de glicose no sangue. - Beta: Cerca de 70% das células, produzem insulina, que age promovendo a entrada de glicose nas células e diminui a taxa dela no sangue. - Delta: Cerca de 5% das células, produzem somatostatina, que regula a produção de hormônio de outras células das ilhotas. - PP: Cerca de 3% das células, produzem polipeptídeo pancreático, com ações não totalmente estabelecidas. - Épsilon: Cerca de 1% das células, produzem ghrelina, que age na estimulação do apetite. Fisiologia dos hormônios A principal ação do glucagon é de elevar o nível de glicose no sangue. A insulina, por sua vez, ajuda a reduzir o nível de glicose. Ambas funcionam via feedback negativo: 1) A hipoglicemia estimula a secreção de glucagon pelas células alfa das ilhotas pancreáticas. 2) O glucagon atua nos hepatócitos, acelerando a conversão de glicogênio em glicose (glicogenólise) e promovendo a formação de glicose por outras vias (gliconeogênese). 3) A glicemia se eleva, e se chega ao ponto de uma hiperglicemia, há a inibição do glucagon por feedback. 4) A hiperglicemia estimula a secreção de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas. 5) A insulina age acelerando a difusão da glicose para as células, além de apressar a conversão dela em glicogênio (glicogênese). Também acelera a formação de ácidos graxos. 6) Quando o nível de glicose cai para abaixo do normal, ocorre inibição da liberação de insulina via feedback. OBS: Indiretamente, o GH e o ACTH estimulam a secreção de insulina. Ovários e testículos Ovários: Localizados na cavidade pélvica feminina, fabricam os hormônios esteróides, inclusive dois estrógenos e progesterona. Esses hormônios sexuais juntamente com o FSH e LH da adeno-hipófise regulam o ciclo menstrual e mantêm a gravidez. Os ovários também produzem inibina, que inibe a secreção de FSH. Durante a gravidez, os ovários e a placenta Maria Eduarda Luna - Medicina UNIVASF - Turma 39 produzem um hormônio chamado relaxina, que aumenta a flexibilidade da sínfise púbica. Testículos: Localizadas no escroto, secretam principalmente testosterona, um andrógenio que promove a descida dos testículos antes do nascimento, regula a produção de espermatozoides e estimula a manutenção de características secundárias masculinas. Os testículos também produzem inibina, que inibe a secreção de FSH. Glândula pineal ● Localizada sobre o teto do diencéfalo ● Predominam dois tipos celulares: Pienalócitos e astrócitos. ● Está envolvida no controle dos ritmos circadianos. Responde a estímulos luminosos recebidos pela retina. ● Produz melatonina, com secreção estimulada pela escuridão. Embriologia da pineal: Se desenvolve como um divertículo mediano da parte caudal do teto do diencéfalo. Timo ● Localizado no mediastino, atrás do esterno e entre os pulmões. ● Produz timosina, THF, TF e timopoetina, que promovem a maturação dos linfócitos T. Embriologia do timo O timo é formado através da terceira bolsa faríngea, que também origina as paratireóides inferiores. O epitélio da parte ventral da bolsa origina o timo. Com o desenvolvimento, essas glândulas perdem suas conexões com a faringe, e mais tarde as paratireoides se separam do timo.