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Turismo e Desenvolvimento Sustentável

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DOCÊNCIA EM 
SAÚDE 
 
 
 
 
 
 
 
TURISMO E DESENVOLVIMENTO 
SUSTENTÁVEL 
 
 
 
1 
Copyright © Portal Educação 
2014 – Portal Educação 
Todos os direitos reservados 
 
R: Sete de setembro, 1686 – Centro – CEP: 79002-130 
Telematrículas e Teleatendimento: 0800 707 4520 
Internacional: +55 (67) 3303-4520 
atendimento@portaleducacao.com.br – Campo Grande-MS 
Endereço Internet: http://www.portaleducacao.com.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - Brasil 
 Triagem Organização LTDA ME 
 Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167 
 Portal Educação 
P842t Turismo e desenvolvimento sustentável / Portal Educação. - Campo 
Grande: Portal Educação, 2014. 
 157 p. : il. 
 
 Inclui bibliografia 
 ISBN 978-85-8241-756-0 
 1. Turismo. 2. Desenvolvimento sustentável. 3. Ecoturismo. I. Portal 
Educação. II. Título. 
 CDD 338.4577 
 
 
 
2 
SUMÁRIO 
 
 
1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .................................................................................... 4 
1.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES .................................................................................................... 4 
1.2 MARCO LEGAL ......................................................................................................................... 10 
1.3. ORIGEM E HISTÓRICO ............................................................................................................ 15 
1.4 RELAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O TURISMO ................................... 18 
2 TURISMO E RECURSOS NATURAIS ...................................................................................... 24 
2.1 TURISMO NA ATUALIDADE ..................................................................................................... 24 
2.2 TURISMO E MEIO AMBIENTE ................................................................................................. 28 
2.3 IMPACTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO TURISMO NA NATUREZA ................................. 35 
3 TIPOS DE TURISMO E NATUREZA ........................................................................................ 46 
3.1 TIPOS DE TURISMO NA NATUREZA ...................................................................................... 46 
3.2 ATRAÇÕES TURÍSTICAS: NATURAIS E PLANEJADAS ......................................................... 49 
3.3 TURISMO EM ÁREAS PROTEGIDAS ...................................................................................... 57 
3.4 USO PÚBLICO EM ÁREAS PROTEGIDAS ............................................................................. 65 
4 PLANEJANDO O TURISMO EM ÁREAS NATURAIS ............................................................. 85 
4.1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES ................................................................................................... 85 
4.2 DIRETRIZES PARA O PLANEJAMENTO ................................................................................. 89 
4.3 INFRA-ESTRUTURAS MÍNIMAS ............................................................................................. 101 
4.4 ZONEAMENTO ........................................................................................................................ 105 
4.5 CAPACIDADE DE CARGA ....................................................................................................... 111 
4.6 ASPECTOS GERAIS................................................................................................................ 118 
4.7 RECURSOS HUMANOS/PROGRAMAS .................................................................................. 126 
4.8 TURISMO NA NATUREZA – INTERPRETAÇÃO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL ....................... 129 
4.9 TÓPICOS DA POLÍTICA NACIONAL DE ECOTURISMO ....................................................... 133 
4.10 LEGISLAÇÃO BÁSICA ............................................................................................................. 139 
BIBLIOGRAFIA .................................................................................................................................. 145 
ANEXO 1 FLUXOGRAMA DE PLANEJAMENTO ............................................................................. 148 
 
 
3 
ANEXO 2 PROGRAMA DE USO PÚBLICO DO PARNA DO IGUAÇU ............................................. 149 
 
 
 
4 
1 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 
 
 
1.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES 
 
 
Ao contrário do que ocorreu na origem do ambientalismo, o objeto de escolha do 
pensamento ecológico atualmente não se situa mais entre desenvolvimento ou proteção do meio 
ambiente. A escolha se coloca precisamente entre que tipo de desenvolvimento se deseja 
implementar de agora em diante, uma vez que após a criação das tecnologias limpas – a nova 
vantagem competitiva no mercado – desenvolvimento e meio ambiente deixaram de ser 
considerados como duas realidades antagônicas, e passaram a ser complementares. 
 
O Ecodesenvolvimento 
O conceito de ecodesenvolvimento, lançado por Maurice Strong em junho de 1973, 
consistia na definição de um estilo de desenvolvimento adaptado às áreas rurais do Terceiro 
Mundo, baseado na utilização criteriosa dos recursos locais, sem comprometer o esgotamento 
da natureza, pois nestes locais ainda havia a possibilidade de tais sociedades não se engajarem 
na ilusão do crescimento mimético. 
Com a Declaração de Cocoyoc no México, em 1974, também as cidades do Terceiro 
Mundo passam a ser consideradas no ecodesenvolvimento. Finalmente, na década de 80, o 
economista Ignacy Sachs se apropria do termo e o desenvolve conceitualmente, criando um 
quadro de estratégias ao ecodesenvolvimento. Parte da premissa deste modelo se baseia em 
três pilares: eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica. 
O ecodesenvolvimento representa uma abordagem ao desenvolvimento, cujo horizonte 
temporal coloca-se há décadas ou mesmo séculos adiante. Entende que a satisfação das 
necessidades das gerações futuras deve ser garantida, isto é, deve haver uma solidariedade 
diacrônica sem que, no entanto, comprometa a solidariedade sincrônica com a geração 
presente, já por demais sacrificada pelas disparidades sociais da atualidade. 
Entre as condições para tornar o conceito operacional, destaca-se a necessidade do 
amplo conhecimento das culturas e dos ecossistemas, sobretudo, em como as pessoas se 
relacionam com o ambiente e como elas enfrentam seus dilemas cotidianos; bem como o 
 
 
5 
envolvimento dos cidadãos no planejamento das estratégias, pois eles são os maiores 
conhecedores da realidade local. 
Sachs sugere o pluralismo tecnológico como o esquema mais conveniente, envolvendo 
tanto a tradicional tecnologia mão-de-obra intensiva como a capital intensivo. Aproximando-se 
dos princípios do desenvolvimento endógeno, Sachs esclarece que 
o ecodesenvolvimento é um estilo de desenvolvimento que, em cada ecoregião, 
insiste nas soluções específicas de seus problemas particulares, levando em conta 
os dados ecológicos da mesma forma que os culturais, as necessidades imediatas 
como também aquelas a longo prazo. (...) Sem negar a importância dos 
intercâmbios, o ecodesenvolvimento tenta reagir à moda predominante das soluções 
pretensamente universalistas e das fórmulas generalizadas. Em vez de atribuir um 
espaço excessivo à ajuda externa, dá um voto de confiança à capacidade das 
sociedades humanas de identificar os seus problemas e de lhes dar soluções 
originais, ainda que se inspirando em experiências alheias. 
Afirma ainda, que “nada justifica o otimismo tecnológico ilimitado segundo o qual a 
sociedade encontra sempreuma solução técnica aos problemas econômicos, sociais ou 
ecológicos por mais difíceis que possam parecer”. Sachs promove um alerta com relação à 
atuação ilimitada do mercado, nem sempre capaz de atuar livremente sem a regulação estatal: 
“crescimento e modernização podem levar tanto ao mal desenvolvimento como ao 
desenvolvimento, sendo o primeiro um resultado muito mais provável na ocorrência de um 
processo impulsionado pelo mercado e que dê ênfase a sistemas técnicos complexos.” 
Devemos então, para implementar uma estratégia de desenvolvimento comprometida 
com a prudência ecológica e justiça social, impor-nos voluntariamente um teto do consumo 
material, procurando gratificação em esferas não-materiais da nossa vida, e desse modo 
enfatizando a dimensão cultural da natureza humana, ou ficaremos presos na corrida acelerada 
da aquisição de número cada vez maior de bens (LAYRARGUES, 1997). 
 
O Desenvolvimento Sustentável 
A Assembléia Geral do ONU, de 1983, criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento, presidida por Gro Harlem Brundtland, cujo relatório intitulado Nosso Futuro 
Comum, tinha como objetivo: “Propor estratégias ambientais de longo prazo para se obter um 
Desenvolvimento Sustentável por volta do ano 2.000, e daí em diante recomendar maneiras para 
que a preocupação com o meio ambiente se traduza em maior cooperação entre os países em 
desenvolvimento e entre países em estágios diferentes de desenvolvimento econômico e social, 
 
 
6 
e leve à consecução de objetivos comuns e interligados que considerem as inter-relações de 
pessoas, recursos, meio ambiente e desenvolvimento (...). Para efeito de mensuração de 
resultados, gostaria de lembrar que estamos em 2008 e pouco se conseguiu de efetivo e pouca 
coisa precisaria ser atualizada neste documento hoje. 
A partir da já consolidada constatação de que o planeta é um só e finito, existiriam 
preocupações e desafios comuns à humanidade, que demandariam esforços também comuns a 
todos. Esta é a premissa básica defendida pela Comissão Brundtland: independente da 
existência de atores sociais implicados na responsabilidade da degradação ambiental, a busca 
de soluções seria uma tarefa comum a toda humanidade. Na tentativa de generalizar os fatos, 
omite um contexto histórico, e cria o “homem abstrato”, cuja conseqüência significa a retirada do 
componente ideológico da questão ambiental, que passa a ser considerada com certa dose de 
ingenuidade e descompromisso, frente à falta de visibilidade do procedimento histórico que 
gerou a crise ambiental. 
O destaque do Relatório é sem dúvida a elaboração de um novo conceito: o conceito de 
Desenvolvimento Sustentável tem, é claro, limites – não limites absolutos, mas limitações 
impostas pelo estágio atual da tecnologia e da organização social, no tocante aos recursos 
ambientais, e pela capacidade da biosfera de absorver os efeitos da atividade humana. Mas 
tanto a tecnologia quanto a organização social podem ser geridas e aprimoradas a fim de 
proporcionar uma nova era de crescimento econômico. Para a Comissão, a pobreza 
generalizada já não é inevitável. A pobreza não é apenas um mal em si mesma, mas para haver 
um Desenvolvimento Sustentável é preciso atender às necessidades básicas de todos e dar a 
todos a oportunidade de realizar suas aspirações de uma vida melhor. Um mundo onde a 
pobreza é endêmica estará sempre sujeito a catástrofes, ecológicas ou de outra natureza. 
Existem muitas semelhanças entre o ecodesenvolvimento e o Desenvolvimento 
Sustentável. Ambos consideram o direito das gerações futuras como um princípio ético básico, 
ambos afirmam que o componente ambiental deve entrar concomitantemente com o critério 
econômico no processo decisório, com o aval das comunidades envolvidas. 
A meta desejada tanto por Sachs como pela Comissão Brundtland é a criação de uma 
sociedade sustentável. Daí advém, certamente, as variadas interpretações, de que ambos os 
conceitos seriam um sinônimo, ou de que o Desenvolvimento Sustentável representaria o 
ecodesenvolvimento em um estágio de elaboração mais evoluído. 
 
 
7 
Mas a pergunta a ser tratada é: compartilhar de uma mesma meta – alcançar uma 
sociedade ecologicamente sustentável – significa compartilhar das mesmas estratégias de 
execução? Por que criar um novo conceito? Não seria suficiente apresentar o 
ecodesenvolvimento como a teoria contraposta às mazelas do desenvolvimento convencional? 
Entende-se haver diferenças entre os dois conceitos, no mínimo sutis, mas que traduzem 
ideologias diferentes, uma vez que podemos encontrar no Desenvolvimento Sustentável, traços 
de incompatibilidade entre a meta pretendida e seus meios utilizados. 
Pois bem, concomitante à crise ambiental, vivenciamos uma crise de produção, onde o 
liberalismo cede espaço ao neoliberalismo, que postula que o Estado, antes considerado 
necessário para impulsionar a competitividade no mercado, deve retirar-se completamente de 
cena. Assim, também para as questões ambientais, a resposta estaria no mercado total, como 
postula o Desenvolvimento Sustentável, e não em ação conjunta com o planejamento. 
Então, localizadas as diferenças existentes entre os conceitos do ecodesenvolvimento e 
Desenvolvimento Sustentável, o que diferencia o Desenvolvimento Sustentável do modelo 
convencional? A conclusão mais plausível é que este último – leia-se as forças do mercado – 
sob pressão da nova realidade ecológica e da necessidade de assumir uma nova postura 
desponta sob uma nova roupagem, sem que tenha sido necessário modificar sua estrutura de 
funcionamento. O mecanismo cujo funcionamento é dependente da lógica do mercado, sequer 
foi abalado, ou melhor, saiu até mais fortalecido. 
O Desenvolvimento Sustentável assume claramente a postura de um projeto ecológico 
neoliberal, que sob o signo da reforma, produz a ilusão de vivermos um tempo de mudanças, na 
aparente certeza de se tratar de um processo gradual que desembocará na sustentabilidade 
socioambiental. 
A partir das últimas décadas a questão ambiental tornou-se uma preocupação mundial. 
A grande maioria das nações do mundo reconhece a emergência dos problemas ambientais - 
destruição da camada de ozônio, acidentes nucleares, alterações climáticas, desertificação, 
armazenamento e transporte de resíduos perigosos, poluição hídrica, poluição atmosférica, 
pressão populacional sobre os recursos naturais, perda de biodiversidade são algumas das 
questões a serem resolvidas por cada uma das nações do mundo - segundo suas respectivas 
especificidades. 
 
 
8 
Entretanto, a complexidade dos problemas ambientais exige mais do que medidas 
pontuais que busquem resolver problemas a partir de seus efeitos, ignorando ou desconhecendo 
suas causas. 
A questão ambiental deve ser tratada de forma global, considerando que a degradação 
ambiental é resultante de um processo social, determinado pelo modo como a sociedade 
apropria-se e utiliza os recursos naturais. Não é possível pretender resolver os problemas 
ambientais de forma isolada. É necessário introduzir uma nova abordagem decorrente da 
compreensão de que a existência de uma certa qualidade ambiental está diretamente 
condicionada ao processo de desenvolvimento adotado pela nações. 
O modo como se dá o crescimento econômico, comprometendo o meio ambiente, 
seguramente prejudica o próprio crescimento, pois inviabiliza um dos fatores de produção: o 
capital natural. 
Natureza, terra, espaço, devem compor o processo de desenvolvimento como elementos 
de sustentação e conservação dos ecossistemas. A degradação ou destruição de um 
ecossistema compromete a qualidade de vida da sociedade, uma vez que reduz os fluxos de 
bens e serviços que a natureza pode oferecer à humanidade. Logo, um desenvolvimento 
centrado no crescimento econômico que relegue para segundo plano as questões sociais e 
ignore os aspectos ambientais não pode ser denominadode desenvolvimento, pois de fato trata-
se de mero crescimento econômico. 
Em 1987 a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas 
apresentou ao mundo um relatório (denominado de Relatório Brundland) sobre o tema 
desenvolvimento. Esse relatório apresentou o conceito de Desenvolvimento Sustentável, além 
de afirmar que um desenvolvimento sem melhoria da qualidade de vida das sociedades não 
poderia se considerado como desenvolvimento. 
O relatório Brundland definiu Desenvolvimento Sustentável como um desenvolvimento 
que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações 
de satisfazerem as suas. Pode-se considerar, portanto, Desenvolvimento Sustentável como o 
desenvolvimento que, tratando de forma interligada e interdependente as variáveis econômica, 
social e ambiental, é estável e equilibrado garantindo melhor qualidade de vida para as gerações 
presentes e futuras. 
É certo que a implementação do Desenvolvimento Sustentável passa necessariamente 
por um processo de discussão e comprometimento de toda a sociedade, uma vez que implica 
 
 
9 
em mudanças no modo de agir dos agentes sociais. No processo de implementação do 
Desenvolvimento Sustentável a Educação Ambiental torna-se um instrumento fundamental. 
O sucesso das ações que devem conduzir ao Desenvolvimento Sustentável dependerá 
em grande parte da influência da opinião pública, do comportamento das pessoas, e de suas 
decisões individuais. Mesmo considerando que existe certo interesse pelas questões ambientais, 
há de se reconhecer a falta de informação e conhecimento dos problemas ambientais. Logo, a 
Educação Ambiental que tenha por objetivo informar e sensibilizar as pessoas sobre os 
problemas (e possíveis soluções) existentes em sua comunidade, buscando transformar essas 
pessoas em indivíduos que participem das decisões sobre seu futuro, exercendo desse modo o 
direito à cidadania, torna-se instrumento indispensável no processo de Desenvolvimento 
Sustentável. 
Uma das formas de levar Educação Ambiental à comunidade é pela ação direta do 
professor na sala de aula e em atividades extracurriculares. Através de atividades como leitura, 
trabalhos escolares, pesquisas e debates, os alunos poderão entender os problemas que afetam 
a comunidade onde vivem; refletir e criticar as ações que desrespeitam e, muitas vezes, 
destroem um patrimônio que é de todos. 
Os professores são a peça fundamental no processo de conscientização da sociedade 
dos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver em seus alunos hábitos e atitudes sadias 
de conservação ambiental e respeito à natureza, transformando-os em cidadãos conscientes e 
comprometidos com o futuro do país, pois aqueles que lidam com a educação devem conhecer e 
difundir os três principais resultados das discussões realizadas na Conferência de Estocolmo, 
pautadas no relatório do clube de Roma, ressaltando que a data da Conferência originou o Dia 
Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho. Os três aspectos principais da Conferência podem 
ser assim enumerados: 
 A-) Criação de um organismo chamado PNUMA (Programa das Nações Unidas 
para o Meio Ambiente) que está vinculado diretamente à ONU, tendo sua sede em Nairobi, 
capital do Quênia; 
 B-) A Declaração da ONU foi assinada por mais de 113 países e seu artigo 19 
traz as considerações sobre a educação em questões ambientais como já havíamos salientado 
anteriormente; 
 C-) E a criação do PIEA (Programa Internacional de Educação Ambiental) que 
só teve maior expressão após a formulação dos seus princípios na Conferência de Belgrado, 
 
 
10 
mas já podemos adiantar que se trata de uma continuidade, ou uma ampliação, do PNUMA 
(Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). 
E saindo do prisma dos tratados e conferências é necessário que se faça uma avaliação 
sob o ponto de vista constitucional, pois a proteção dada pela Constituição Federal ao meio 
ambiente ainda é pequena, diante da infinidade de novas situações jurídicas que se apresentam, 
mesmo porque o direito não é estanque, mas sim a têm nos costumes como um dos princípios 
do direito, e segundo os costumes e a convivência entre os componentes certamente surgiram 
novas situações que precisam ser regradas em alguns casos e protegida em outros. 
 
 
1.2 MARCO LEGAL 
 
 
Este tema, a questão ambiental, foi um dos mais polêmicos títulos ao longo do processo 
constituinte. Está organizado em quatro capítulos: Dos Princípios Gerais da Atividade Econômica 
(artigo 170 a 181), da Política Urbana (182 e 183), Da Política Agrícola e Fundiária e Da Reforma 
Agrária (184 a 191) e Do Sistema Financeiro Nacional (192) - distribuídos na Constituição 
Federal. 
Declara a Constituição que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho 
humano e na livre iniciativa, tendo por fim assegurar a todos a existência digna, conforme os 
ditames da justiça social. Repete-se aqui, pois, a declaração liberal com preocupações sociais, 
que marca o texto constitucional na dimensão sócio-econômica. 
São princípios da ordem econômica: soberania nacional, propriedade privada, função 
social da propriedade, livre concorrência, defesa do consumidor, defesa do meio ambiente, 
redução das desigualdades regionais e sociais, busca do pleno emprego e tratamento favorecido 
às empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. 
A todos é assegurado o exercício de qualquer atividade econômica, independentemente 
de autorização de órgãos públicos, salvo os casos previstos em lei. De imediato é feita a 
distinção entre empresa brasileira, aquela constituída sob as leis do país e com sede e 
administração neste, e empresa brasileira de capital nacional, aquela cujo controle efetivo esteja, 
em caráter permanente, sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e 
 
 
11 
residentes no Brasil ou de entidades de direito público interno. Define-se que o controle efetivo é 
a titularidade da maioria do capital votante e o exercício, de fato e de direito, do poder decisório. 
À empresa de capital nacional, a legislação poderá conceder proteções e benefícios 
especiais temporários para desenvolver atividades estratégicas para a defesa nacional ou 
imprescindíveis ao desenvolvimento. No campo tecnológico, a concepção de controle poderá ser 
estendida às atividades de tecnologia da empresa. O poder público dará tratamento preferencial 
à empresa de capital nacional na aquisição de bens e serviços, na forma regulada em lei. O 
investimento estrangeiro será também regulado pela legislação, aliás, existente no país, há 
algumas décadas, a qual limita a remessa de lucros. 
A exploração direta da atividade econômica pelo Estado sofre limitações - segurança 
nacional ou relevante interesse coletivo - e as empresas públicas, sociedades de economia mista 
e entidades estatais que explorem atividades econômicas sujeitam-se ao regime jurídico próprio 
das empresas privadas, inclusive quanto à parte tributaria e trabalhista. Legislações estão 
previstas para regular o relacionamento da estatal com a sociedade, o controle do abuso do 
poder econômico e as manobras que visem controlar mercados ou eliminar a concorrência de 
parte das empresas privadas. 
A pessoa jurídica passará a ter responsabilidades e punições, além da responsabilidade 
individual dos dirigentes, nos atos praticados contra a economia popular e a ordem econômica. 
O Estado é proclamado agente normativo e regulador da atividade econômica, 
exercendo fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este último determinante para o setor 
público e indicativo para o setor privado. 
O cooperativismo será estimulado pela lei. A atividade garimpeira será organizada em 
cooperativas. O ato cooperativo entre a entidade e seu filiado terá tratamento tributário especial. 
E o cooperativismo de crédito, que chegou a sofrer severas restrições em passado recente, é 
garantido.A Constituição regula a prestação de serviços públicos diretamente através do Estado ou 
sob regime de concessão ou permissão. A legislação disporá sobre o regime de concessões e 
permissões e o caráter especial dos contratos a respeito, sobre os direitos dos usuários, a 
política tarifária e a obrigação de manter serviço adequado. 
Os recursos minerais e os potenciais de energia elétrica constituem propriedade distinta 
do solo, e são bens da União para efeito de exploração e aproveitamento, garantida ao 
concessionário a propriedade do produto da lavra. 
 
 
12 
O turismo deverá ser incentivado. Documentos ou informações comerciais requisitados 
por autoridade estrangeira à pessoa física ou jurídica nacional somente serão fornecidos com 
autorização do poder competente. 
O sistema financeiro nacional será organizado por uma lei complementar que tratará da 
autorização para o funcionamento das instituições financeiras, e dos estabelecimentos de seguro 
e capitalização, das condições de participação do capital estrangeiro neste tipo de empresas, do 
funcionamento e atribuições do Banco Central, da criação de fundo de garantia dos depósitos e 
aplicações populares, das restrições à transferência de poupança das regiões de menor renda e 
do funcionamento das cooperativas de crédito. As autorizações para agências bancárias e 
financeiras não mais serão comercializadas. As taxas de juros reais não poderão ser superiores 
a cobrança estipulada pelo Governo, ultrapassar este limite será conceituado como crime de 
usura e, como tal, punido pela lei. 
Após esse panorama geral, a linha principal deste material seguirá o disposto no art. 
170, VI (defesa do meio ambiente) e por extensão VII da Constituição Federal (redução das 
desigualdades regionais e sociais), e a justificativa é simples, pois baseados em conceitos 
antropológicos o homem é fruto do meio, e mesmo que essa questão seja passível de 
discordância, ninguém poderá afirmar que o homem sobreviveria sem apoiar-se no meio 
ambiente, sem retirar dele matéria-prima para transformá-la em todas as benesses que nos 
cercam, porém como será exposto no decorrer do trabalho, nada é inesgotável, principalmente 
quando falamos em meio ambiente. 
E se o desenvolvimento da humanidade não for sustentado pelo meio ambiente o caos 
estará formado, pois vai influenciar negativamente a economia na maior parte dos seus 
segmentos, seja educacional, seja no tocante à saúde, à igualdade das pessoas, à segurança e 
também à propriedade privada. 
E feitas as considerações sobre o Título VII da Ordem Econômica e Financeira, e o 
Desenvolvimento Sustentável, segundo os parâmetros constitucionais e grifos pessoais, traz 
uma reflexão mais efetiva sobre a valia do ambiente, a importância de sua proteção e uma 
legislação mais severa sobre os crimes ambientais. 
A Declaração da ONU sobre o Meio Ambiente consigna em seu Princípio 17 (3): "Como 
parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social, devem ser utilizadas a ciência 
e a tecnologia para descobrir, evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente, para 
solucionar os problemas ambientais e para o bem comum da humanidade". 
 
 
13 
É importante ressaltar que se trata de conceito chave para a construção da proteção 
ambiental internacional, que já não opera com o instituto da prevenção do dano, mas com a 
avaliação do risco de dano ambiental como fundamento para a instituição de medidas positivas 
ou negativas. 
É vedado que se utilize da incapacidade econômica para que se postergue ou mesmo 
não se lance mão de medidas orientadas à prevenção da ameaça de agressividade ao 
patrimônio ambiental. É no custo ambiental da medida que será indispensável a vinculação à 
capacidade econômica estatal, que será obrigatoriamente discriminada e diferenciada em 
atenção à maior ou menor possibilidade do emprego de tecnologia adequada. 
“O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições 
de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna 
e gozar de bem-estar, e é portador solene da obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, 
para as gerações presentes e futuras". 
Pensar sobre o direito ambiental importa em refletir sobre o solo da vida - o ambiente em 
seus infinitos ecossistemas e correlações, em cuja totalidade insere-se a vida humana. É sobre a 
base da natureza que o homem desenvolve sua atividade cultural, segundo certos valores, na 
busca de múltiplos objetivos, cuja paulatina textura constitui a História. 
É a partir destes pressupostos do Direito Ambiental que conduziremos nossas reflexões 
sobre o Desenvolvimento Sustentável e as relações deste com o Turismo, cujo surgimento é 
contemporâneo de uma crise civilizatória sem precedentes, a tal ponto que um dos pioneiros na 
luta por uma consciência ambiental, no Brasil, já se perguntava, em 1978, se estaríamos em face 
do fim do futuro. 
O encobrimento do ambiente, nessa cisão entre ciência e natureza, essa quase 
substituição da natureza por sua formalização matemática, acham-se na origem do menosprezo 
com que se tem lidado com o solo da vida. 
É mera superstição científica a crença em um saber capaz de tudo realizar e dominar 
tecnicamente qualquer dificuldade. Dentre os efeitos nocivos da racionalidade científica e de 
suas resultantes tecnológicas, ressaltam aqueles adversos ao ambiente. A degradação inicial, 
atingindo campos, bosques, lagos, rios e conglomerados urbanos, foi sucedida, a partir dos anos 
80, por grandes catástrofes locais com amplas conseqüências: Seveso, Bhopal, Three Mile 
Island, Chernobyl, secagem do Mar de Aral, poluição do lago Baikal, cidades no limite da asfixia 
(México, Atenas). 
 
 
14 
Revelando plena consciência do assunto, dispõe, com exemplar clareza, o art. 225, da 
Constituição de 05-10-88: todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem 
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à 
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
O dispositivo constitucional vem muito a propósito, nesta época de neoliberalismo, em 
que, pretendendo-se avançar em nome da modernidade, recobre-se o campo histórico com uma 
ideologia que já ocasionou grandes malefícios no século XIX, e que, agora, numa marcha à ré 
histórica, quer impor seu pensamento único, desrespeitoso da diversidade e agressivo às 
conquistas sociais integrantes do patrimônio político-jurídico da humanidade. 
Não é necessário ser particularmente perspicaz para perceber que a representação 
neoliberal da realidade, em que do caráter central e prescritivo do mercado decorrem a escala de 
valores e as regras segundo as quais os homens devem viver, constitui uma visão unilateral de 
determinada categoria de homens, que pretendem fazer passar seus interesses pessoais pelos 
interesses universais do gênero humano. Seu efeito mais terrível consiste em afastar da esfera 
da cidadania uma porção significativa da população. 
O desenvolvimento provou ser um mito global e uma concepção redutora, em que o 
crescimento econômico é o motor necessário e suficiente de todos os desenvolvimentos sociais, 
psíquicos e morais. Essa concepção técnico-econômica ignora os problemas humanos da 
identidade, da comunidade, da solidariedade, da cultura, mostrando-se a noção de 
desenvolvimento gravemente subdesenvolvida. Apesar de tudo, a idéia de desenvolvimento 
continua a permear a legislação e a influir na interpretação e aplicação do Direito Ambiental. 
Todavia, a idéia desenvolvimentista, em sentido econômico, permanece dominante, 
caracterizando a incidência da ideologia sobre o direito positivo. 
Já a Constituição de 1988, em seu art. 225, não alude à idéia de desenvolvimento. A 
expressão Desenvolvimento Sustentável resultou da percepção dos efeitos perniciosos, quando 
não irremissíveis,produzidos pelo núcleo econômico da idéia desenvolvimentista, de modo a 
compatibilizá-la com o imperativo da preservação do meio ambiente, consistindo na exploração 
equilibrada dos recursos naturais, nos limites da satisfação das necessidades e do bem-estar da 
presente geração, assim como de sua conservação no interesse das gerações futuras. 
Sendo impossível expungir a legislação ambiental da expressão desenvolvimento, mais 
vale, do ponto de vista hermenêutico, entendê-la como utilização sustentável do meio ambiente, 
uma vez que o desenvolvimento não é necessariamente um bem, ainda que sustentável. Jamais 
 
 
15 
se explicou satisfatoriamente porque se haveria de considerar o desenvolvimento uma 
necessidade permanente e inelutável. 
É impossível ver as normas ambientais como seres em si, sem confrontá-las com os 
fatos sociais a reclamar urgentes respostas é preciso desvendar os interesses e ideologias à 
base das normas e os objetivos que visam realizar. Assim, perceber-se-á sua vinculação com a 
política, de modo geral, e com os dados econômicos emergentes no jogo político ou dele 
propositadamente subtraídos. 
E, no entanto, temos uma Constituição Federal que aborda a questão ambiental com 
rara propriedade, apesar das dúvidas que pairam sobre a competência legislativa da União, dos 
Estados e dos Municípios, que, com o tempo, deverão ser dirimidas pelos nossos tribunais. 
A agressão egoística ou irresponsável deste, beneficiando apenas os predadores 
incapazes de antecipar o futuro, torna impossível cogitar da justiça social ou do bem comum, 
apontando para o fim do futuro. 
 
 
1.3. ORIGEM E HISTÓRICO 
 
 
Ao longo dos séculos, a sociedade moderna vem privilegiando categorias, com a noção 
de progresso que condiciona a atribuição do sentido de Desenvolvimento. Este passou a ser 
visto como a redenção da humanidade, uma vez que a salvação não se encontrava mais em 
verdades divinas, ou em penitências e nem no subjugo dos sentimentos materiais, mas sim, na 
satisfação material, na aquisição de bens e no acúmulo de riquezas. 
A natureza passa a ser concebida como algo externo ao homem, que é aquele capaz de 
dominá-la, demonstrando a separação entre sujeito e objeto. O progresso passou a implicar em 
crescimento acelerado e constante da economia e a fé cega no progresso permitiu por um lado, 
eliminar as dúvidas e, por outro, ocultar as barbáries cometidas em sua busca. 
Na Revolução Industrial, a natureza passou a ser percebida a partir da racionalidade 
econômica, ou seja, tornar recursos naturais ou matérias-primas em produtos a serem 
apropriados ao processo de transformação. 
A preocupação da comunidade internacional com os limites do desenvolvimento do 
planeta data da década de 60, quando começaram as discussões sobre os riscos da degradação 
 
 
16 
do meio ambiente. Tais discussões ganharam tanta intensidade que levaram a ONU a promover 
uma Conferência sobre o Meio Ambiente em Estocolmo (1972). 
Das controvérsias deste documento e da realização da Conferência, aprofundaram-se os 
questionamentos sobre o processo de desenvolvimento e a necessidade de encontrar 
alternativas. 
Com a publicação no Brasil em 1987 de “O Nosso Futuro Comum” (ou Relatório 
Brundtland) da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD). 
Desenvolvimento Sustentável passa a ser conceituado como: “... Desenvolvimento Sustentável 
precisa atender às necessidades de todos e dar a todos a oportunidade de realizar suas 
aspirações de uma vida melhor... sem comprometer as possibilidades das gerações futuras 
atenderem às suas próprias”. 
Sachs (1994, apud ARAUJO, 2001), com base neste contexto, apresenta cinco 
dimensões da sustentabilidade necessárias para planejar o desenvolvimento, ou melhor, o 
ecodesenvolvimento: 
• Viabilidade social, baseada na consolidação de outro tipo de desenvolvimento e 
orientado por uma outra visão do que é a boa sociedade. Objetiva-se construir uma civilização 
do ser, em que exista maior eqüidade na distribuição do ter; 
• Viabilidade econômica, possibilitada por uma gestão mais eficiente dos recursos 
e por um fluxo regular do investimento público e privado. A eficiência econômica deve ser 
avaliada por critérios macro-sociais e não apenas em termos da lucratividade micro-empresarial; 
• Viabilidade ecológica, que pode ser incrementada pelo uso de algumas 
alavancas como: intensificação do uso dos recursos potenciais com um mínimo de dano aos 
sistemas de sustentação da vida; limitação do consumo de combustíveis fósseis e de outros 
produtos facilmente esgotáveis ou ambientalmente prejudiciais; redução da carga de poluição; 
auto-limitação do consumo material pelos países ricos; intensificação da pesquisa de tecnologias 
limpas; definição de regras para uma adequada proteção ambiental; 
• Viabilidade espacial, voltada para um equilíbrio urbano-rural, com melhor 
distribuição territorial de assentamentos humanos e atividades econômicas; 
• Viabilidade cultural traduz-se na busca do ecodesenvolvimento em uma 
pluralidade de soluções particulares que respeitem as especificidades de cada ecossistema, de 
cada cultura e de cada local. 
 
 
17 
No mesmo ano, Dennis Meadows e os pesquisadores do "Clube de Roma" publicaram o 
estudo Limites do Crescimento. O estudo concluía que, mantidos os níveis de industrialização, 
poluição, produção de alimentos e exploração dos recursos naturais, o limite de desenvolvimento 
do planeta seria atingido, no máximo, em 100 anos, provocando uma repentina diminuição da 
população mundial e da capacidade industrial. 
O estudo recorria ao neo-malthusianismo como solução para a iminente "catástrofe". As 
reações vieram de intelectuais do Primeiro Mundo (para quem a tese de Meadows representaria 
o fim do crescimento da sociedade industrial) e dos países subdesenvolvidos (já que os países 
desenvolvidos queriam "fechar a porta" do desenvolvimento aos países pobres, com uma 
justificativa ecológica). 
Em 1973, o canadense Maurice Strong lançou o conceito de eco-desenvolvimento, cujos 
princípios foram formulados por Ignacy Sachs. Os caminhos do desenvolvimento seriam seis: (1) 
satisfação das necessidades básicas; (2) solidariedade com as gerações futuras; (3) participação 
da população envolvida; (4) preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; (5) 
elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras 
culturas; (6) programas de educação. 
Esta teoria referia-se principalmente às regiões subdesenvolvidas, envolvendo uma 
crítica à sociedade industrial. Foram os debates em torno do eco-desenvolvimento que abriram 
espaço ao conceito de Desenvolvimento Sustentável. 
Outra contribuição à discussão veio com a Declaração de Cocoyok, das Nações Unidas. 
A declaração afirmava que a causa da explosão demográfica era a pobreza, que também gerava 
a destruição desenfreada dos recursos naturais. Os países industrializados contribuíam para 
esse quadro com altos índices de consumo. Para a ONU, não há apenas um limite mínimo de 
recursos para proporcionar bem-estar ao indivíduo; há também um máximo. 
A ONU voltou a participar na elaboração de um outro relatório, o Dag-Hammarskjöld, 
preparado pela fundação de mesmo nome, em 1975, com colaboração de políticos e 
pesquisadores de 48 países. O Relatório Dag-Hammarskjöld completa o de Cocoyok, afirmando 
que as potências coloniais concentraram as melhores terras das colônias nas mãos de uma 
minoria, forçando a população pobre a usar outros solos, promovendo a devastação ambiental. 
Os dois relatórios têm em comum a exigência de mudanças nas estruturas de propriedade do 
campo e a rejeição pelos governos dos países industrializados. 
 
 
18 
No ano de 1987, a Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (UNCED), presidida por Gro Harlem Brundtland e Mansour Khalid, apresentou 
um documento chamado Our Common Future,mais conhecido por relatório Brundtland. O 
relatório diz que "Desenvolvimento Sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades 
do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias 
necessidades". 
O relatório não apresenta as críticas à sociedade industrial que caracterizaram os 
documentos anteriores; demanda crescimento tanto em países industrializados como em 
subdesenvolvidos, inclusive ligando a superação da pobreza nestes últimos ao crescimento 
contínuo dos primeiros. Assim, foi bem aceito pela comunidade internacional. 
A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada 
no Rio de Janeiro, em 1992, mostrou um crescimento do interesse mundial pelo futuro do 
planeta; muitos países deixaram de ignorar as relações entre desenvolvimento sócio-econômico 
e modificações no meio ambiente. Entretanto, as discussões foram ofuscadas pela delegação 
dos Estados Unidos, que forçou a retirada dos cronogramas para a eliminação da emissão de 
CO2 (que constavam do acordo sobre o clima) e não assinou a convenção sobre a 
biodiversidade. Segundo Hildebrando Accioly, no Manual de Direito Internacional Público: 
Tratado e Convenção podem ser usados como sinônimos, pois não diferem quanto à estrutura. 
Para os Estados que assinam o tratado, ele tem força de lei. Declaração serve para proclamar 
princípios de Direito Internacional ou para esclarecer e interpretar algum ato internacional 
anterior. 
 
 
1.4 RELAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E O TURISMO 
 
 
Em termos globais, Turismo é o maior setor econômico no que se refere ao faturamento 
e número de pessoas empregadas. Hoje, um em cada dez postos de trabalho surge a partir do 
turismo. Os números relacionados a esta indústria são extraordinários e têm crescido ano após 
ano devido à globalização, estabilidade e crescimento econômico mundial. Além da grande 
movimentação de pessoas e de divisas entre os países, o setor movimenta outros 50 setores em 
sua cadeia produtiva. 
 
 
19 
Este cenário nos mostra que, ao mesmo tempo em que o turismo pode ser um 
importante instrumento transformador de economias e sociedades, promovendo a inclusão 
social, oportunidades de emprego, novos investimentos, receitas e empreendedorismo, se mal 
administrado e planejado, pode gerar impactos ambientais, sociais e econômicos irreversíveis 
para o planeta. 
A educação e conscientização do turista sobre estes impactos, somadas à 
implementação de práticas sustentáveis e socialmente responsáveis com a adoção de um 
código de conduta ética nos destinos turísticos, são ações imprescindíveis para que o turismo 
possa ter um Desenvolvimento Sustentável de longo prazo. 
 
O que é preciso para o Desenvolvimento Sustentável do turismo? 
• Utilizar da melhor forma os recursos ambientais do destino; 
• Respeitar a autenticidade sociocultural da comunidade local; 
• Assegurar a viabilidade econômica de uma operação de longo prazo, 
proporcionando benefícios sócio-econômicos igualmente distribuídos a todos os “stakeholders” 
do destino; 
• Promover a participação consciente de todos os “stakeholders” relevantes ao 
processo, assim como uma forte liderança política; 
• Manter o alto nível de satisfação do turista assegurando uma experiência 
significativa, elevando a conscientização sobre a sustentabilidade e promovendo práticas 
sustentáveis entre os turistas; 
• Turismo sustentável é um processo contínuo e requer monitoramento constante 
dos impactos no destino. 
O destino turístico que assume esta prática obtém: 
• Melhor utilização dos recursos naturais e culturais; 
• Melhora da qualidade de vida da população; 
• Justa e auto sustentada base comercial/econômica com foco no visitante; 
• Saudável parceria entre governo, iniciativa privada, terceiro setor e comunidade. 
 
 
20 
A gestão responsável e sustentada dos recursos naturais e o respeito à preservação da 
identidade cultural de populações nativas têm servido, às vezes, de instrumento de contenção 
dos anseios e necessidades desenvolvimentistas de muitos países. O simples reconhecimento 
de que algumas práticas adotadas na expansão das fronteiras em busca do crescimento 
econômico são nocivas ao meio ambiente e ao homem, não é suficiente. É preciso aceitar o 
desafio de promover mudanças nas políticas de desenvolvimento e encontrar alternativas para 
os modelos até agora adotados. 
Encontrar alternativas de desenvolvimento que tragam melhoria da qualidade de vida 
das populações locais aliadas à preservação do patrimônio ambiental e cultural tem sido um 
desafio para todos os envolvidos nesse processo. Aliar desenvolvimento e sustentabilidade dos 
recursos não é uma tarefa fácil de executar. 
Entre as diversas atividades econômicas que hoje se vislumbra como alternativa de 
Desenvolvimento Sustentável para comunidades inseridas em um contexto de necessidade de 
desenvolvimento em ambientes frágeis está a atividade do ecoturismo, tendo em vista ser uma 
atividade econômica que se caracteriza por promover o uso sustentável dos recursos, buscando 
a consciência ambiental e envolvendo no processo as populações locais. 
Este trabalho tem por objetivo orientar sobre o turismo em áreas naturais, como 
alternativa de Desenvolvimento Sustentável para pequenas comunidades, identificar quais são 
 
 
 
21 
os benefícios que podem trazer às populações envolvidas, sem esquecer-se dos impactos 
negativos que poderão causar se não houver um planejamento correto para a sua implantação. 
O turismo é uma das atividades sócio-econômicas de maior importância em vários 
países do mundo, chegando até a ser a de maior ênfase em muitos deles. As estimativas atuais 
são de que o turismo gera uma receita anual de US$ 3,4 trilhões, ou seja, 10,9% do Produto 
Interno Bruto (PIB) mundial (Wearing e Neil, 2001). 
Esse crescimento tem implicações significativas para os países em desenvolvimento. 
Atualmente, as receitas obtidas do turismo representam mais de 10% da receita total em 47 
países em desenvolvimento e mais de 50% do valor auferido com exportações em 17 países 
(Wearing e Neil, 2001). 
Por essas razões o turismo é muito valorizado por diversos países e, muitas vezes, 
desempenha um papel importante nas estratégias de desenvolvimento. O turismo é bastante 
promovido, e os seus representantes são cortejados pelos governos devido ao seu significativo 
potencial de sustentar o câmbio e os empregos locais. 
Este crescente fluxo turístico torna imperativa a adoção de ferramentas de preparação e 
controle da atividade nos pólos receptores, de forma a maximizar os pontos positivos que a 
atividade irá gerar na localidade e ao mesmo tempo minimizar os impactos negativos que esta 
atividade normalmente provoca na população autóctone. É baseado nisto que, diversos 
estudiosos vêm se preocupando em tornar pública a importância da preservação e do 
planejamento, de forma concreta e permanente. 
O turismo é uma atividade que, se bem planejada e desenvolvida, pode trazer às 
populações locais benefícios amplos, como oportunidade de diversificação e consolidação 
econômica, geração de empregos, conservação ambiental, valorização da cultura, conservação 
e/ou recuperação do patrimônio histórico, recuperação da auto-estima, entre outros (WWF, 
2003). 
De todos os tipos de turismo praticados no mundo nenhum cresceu tanto nos últimos 
anos como o "ecoturismo". O número de ecoturistas que habitualmente visitam áreas naturais – 
em especial áreas naturais protegidas ou unidades de conservação – aumentou 
vertiginosamente em todo o mundo. Tentaremos esclarecer neste trabalho, além de repassar 
informações sobre atividades ecoturísticas, outros tipos de turismo de natureza, onde a “matéria-
prima” seja o recurso natural. 
 
 
22 
Do ponto de vista mercadológico, o ecoturismo é um segmento que tem obtido um 
crescimento considerável ao longo dos últimosanos. Para os empresários do segmento, a 
estimativa é de que o crescimento do ecoturismo se situe em 20% ao ano. O faturamento anual 
do ecoturismo, a nível mundial, é estimado em US$ 260 bilhões, do qual o Brasil se apropriaria 
com cerca de US$ 70 milhões. 
A Organização Mundial do Turismo (OMT) estima que 10% das pessoas que viajam pelo 
mundo são ecoturistas. No Brasil, pressupõe-se que o ecoturismo alcance meio milhão de 
turistas, por ano. 
No Amazonas, Estado brasileiro que se destaca como pólo de ecoturismo, os turistas 
estrangeiros ainda são predominantes. Entretanto, calcula-se que a participação do turista 
nacional, na região, antes em torno de 10% do total, tenha triplicado, nos três últimos anos. 
De acordo com Costa (2003) para atender a essa demanda, muitos lugares semi-
isolados, desabitados ou habitados apenas por umas poucas pessoas, foram rapidamente 
"civilizados" – ocupados por pousadas, bares, restaurantes e um comércio amplo e variado - que 
a partir de então passou a vender os produtos "típicos" do local. 
O aparecimento do ecoturismo e o seu acelerado crescimento têm suas raízes na 
insatisfação gerada pelo turismo convencional de massa, muito criticado pelo fato de dominar a 
atividade dentro de uma região, de sua orientação não-local, e o fato de que muito pouco do 
dinheiro gasto ali efetivamente permanece no local e gera mais recursos, associada ao 
 
 
 
 
23 
crescimento mundial da consciência ambiental, contribuindo para aumentar a demanda por 
experiências mais autênticas, baseadas na natureza e em aspectos culturais, tendo como 
destino países em desenvolvimento, possibilitando, inclusive, uma alternativa econômica a 
outras práticas como, por exemplo, a extração de madeira ou mono-cultura (soja, cana de 
açúcar, etc.). 
Devido às muitas formas em que as atividades do ecoturismo são oferecidas por uma 
grande diversidade de operadores, praticadas por uma variedade ainda maior de tipos de 
turistas, ainda não há um consenso sobre o seu significado. É um termo amplo e vago, sendo 
para alguns, um subconjunto de atividades turísticas baseadas na natureza; para outros, é um 
nicho de mercado. 
Apesar de a origem do termo ecoturismo ser controversa e não muito clara, especula-se 
que foi W. Hetzer que o utilizou pela primeira vez em 1965. 
Nos anos 70 e 80 outras referências foram feitas ao ecoturismo, onde o termo "ecotours" 
foi utilizado no Canadá para identificar roteiros interpretados de um corredor turístico ao longo da 
rodovia-cênica Trans-Canadá. 
Mais recentemente, em 2002, como parte das atividades do Ano Internacional do 
Ecoturismo, aconteceu a Conferência Mundial do Ecoturismo, em Quebec, com o objetivo de 
discutir políticas, práticas, impactos (sociais, econômicos e ambientais) e elaborar um conjunto 
de conclusões e recomendações para o planejamento, desenvolvimento, gestão, marketing e 
monitoramento de atividades ecoturísticas, com vistas a garantir sua sustentabilidade em longo 
prazo. 
 
 
 
24 
2 TURISMO E RECURSOS NATURAIS 
 
 
2.1 TURISMO NA ATUALIDADE 
 
 
A palavra “Turismo” surgiu no século XIX, porém, a atividade estende suas raízes pela 
história. Certas formas de Turismo existem desde as mais antigas civilizações, mas foi a partir do 
século XX, e mais precisamente após a 2ª Guerra Mundial, que ele evoluiu, como conseqüência 
dos aspectos relacionados à produtividade empresarial, ao poder de compra das pessoas e ao 
bem-estar resultante da restauração da paz no mundo (Fourastié 1979, apud Ruschmann, 1997). 
Até recentemente, a participação do Turismo estava restrita a uma elite que dispunha de 
tempo e de dinheiro para realizar viagens. Atualmente, a maioria das pessoas dos países 
desenvolvidos, e um número cada vez mais significativo daquelas dos países em 
desenvolvimento, têm realizado viagens turísticas, pelo menos uma vez por ano. 
Assim, o Turismo já não é mais uma prerrogativa de alguns cidadãos privilegiados; sua 
existência é aceita e é fato, e constitui parte integrante do estilo de vida para um número 
crescente de pessoas em todo o mundo. 
O Turismo da atualidade apresenta-se sob as mais variadas formas. Uma viagem pode 
estender-se de alguns quilômetros até milhares deles, incluindo um dos vários tipos de 
transporte e estadas de alguns dias, semanas ou meses nos mais diversos tipos de alojamento, 
em uma ou mais localidades. 
A experiência da viagem envolve a recreação ativa ou passiva, conferências ou 
reuniões, passeios ou negócios, nas quais o turista utiliza uma variedade de equipamentos e 
serviços criados para seu uso e satisfação de suas necessidades. 
As regiões costeiras, os campos, as montanhas, os lagos e rios, juntamente com o 
clima, constituem recursos naturais para a realização da experiência turística e existem 
independentemente da presença de visitantes, mas poderão ter a sua disponibilidade e as suas 
características afetadas por eles (Bukart e Medlik 1986, apud Ruschmann, op.cit). 
As condições de vida têm se deteriorado nos grandes conglomerados urbanos e 
conduzem ao fato de que uma parcela crescente da população busca, durante as férias, nos fins 
de semana prolongados e nos feriados, as regiões com belezas naturais – longe das cidades. 
 
 
25 
Além disso, de acordo com Ruschmann (op.cit.), outros fatores contribuíram para o crescimento 
dos fluxos turísticos: 
• O aumento de tempo livre como conseqüência da racionalização e do aumento 
da produtividade das empresas; 
• A evolução técnica, que conduziu a um aumento na produtividade e a redução 
dos custos da produção, ou seja, a produção em massa de veículos aumentou o grau de 
movimentação das pessoas, que se utilizam cada vez mais destes para viagens de família nas 
férias; 
• O aumento da renda e capacidade de consumo de amplas camadas da 
população; 
• O desenvolvimento de empresas prestadoras de serviços que comercializam e 
organizam viagens de férias (operadoras); 
• A liberação das formalidades aduaneiras, a eliminação dos vistos, a unificação 
dos documentos de viagem, entre outros, estimularam as viagens internacionais; 
• O aumento da urbanização como conseqüência da industrialização; 
• A necessidade do homem urbano pelo “verde” da natureza. 
 
O crescimento da demanda e, conseqüentemente, da oferta turística, e as facilidades 
para as viagens tornaram o mundo inteiro acessível aos viajantes ávidos por novas e 
emocionantes experiências em regiões com recursos naturais e culturais consideráveis. 
Os anos de 1950 a 1970 caracterizaram-se pelo Turismo “em massa”, quando os vôos 
charters e os “pacotes turísticos” conduziram milhares de pessoas às partes mais remotas do 
planeta, além de conduzí-los a localidades dentro de seus próprios países (Turismo interno). 
Nos anos 80, a prosperidade econômica dos países desenvolvidos fez com que a 
grande maioria da sua população usufruísse de férias pelo menos duas vezes por ano e as mais 
diversas categorias profissionais tiveram acesso às viagens turísticas, empreendidas em grupos 
ou isoladamente. De acordo com Poon 1989 (apud Ruschmann, op. Cit.), esses movimentos são 
considerados “Turismo velho” e define-se como “Turismo novo”, aquele do futuro, caracterizado 
pela flexibilidade das atividades, pela segmentação dos mercados e por experiências turísticas 
mais autênticas. 
 
 
26 
O Turismo mundial sinaliza novos enfoques sociais, culturais, tecnológicos, ecológicos, 
econômicos e institucionais para a atividade, que surgem como conseqüência dos seguintes 
fatores influenciadores: 
 
• Difusão de sistemas de informatização; 
• Desregulamentação das tarifas aéreas; 
• Financiamento das viagens turísticas; 
• Impactos negativos do Turismo nas comunidades receptoras; 
• Câmbio dos movimentos turísticos voltados exclusivamente para usufruir do sol; 
• Pressões ambientais; 
• Competição tecnológica; 
• Mudanças nas preferências dos turistas; 
• Alteração nadistribuição do tempo livre, nos padrões laborais e nos rendimentos 
das pessoas. 
 
Os impactos sobre a cultura e sobre as paisagens nos locais visitados passaram a ser 
estudados em nível científico e têm sensibilizado a opinião pública quanto à necessidade de 
consideração dos aspectos ambientais nas viagens turísticas. Essa sensibilização levou à 
criação de normas que passaram a restringir o direito dos turistas ao consumo desmesurado dos 
valores culturais e dos recursos naturais locais, impondo-lhes até algumas obrigações em suas 
viagens de férias, mais responsabilidade como cidadãos do mundo. 
Atualmente, a qualidade de uma destinação turística vem sendo avaliada com base na 
originalidade de suas atrações ambientais e no bem-estar que elas proporcionam ao visitante. O 
marketing ambiental passa a constituir uma importante arma para os responsáveis pela oferta 
turística das localidades receptoras. 
Um dos temas que está crescendo também em termos de estudos científicos trata 
justamente da necessidade de controlar esse crescimento do fluxo turístico, à medida que os 
ecossistemas sensíveis são cada vez mais comprometidos, surge a necessidade de determinar 
a capacidade de carga dos ecossistemas. Este tema será levantado no Módulo IV novamente. 
O Turismo sustentável incrementará os custos de seu desenvolvimento, que se 
reverterão no aumento do preço das viagens para os turistas. A determinação da capacidade de 
 
 
27 
carga dos espaços turísticos limitará o acesso de pessoas em determinadas áreas, o que gerará 
uma demanda maior que a oferta que, conseqüentemente, aumentará os preços para os 
visitantes. Por isso, o Turismo de massa não terá acesso a esses espaços e o turista de elite 
voltará a predominar nesse contexto. 
A nova tendência do desejo dos turistas pelo famoso small is beautiful opõe-se 
radicalmente às viagens de massa, impessoais e realizadas nos gigantes de concreto, dos quais 
os equipamentos da costa francesa de Languedo/Roussilion e Cancún, no México são os 
exemplos mais marcantes. No Brasil, hoje, podemos citar Porto Seguro como um exemplo 
similar de Turismo de massa, impessoal e que envolve hotéis nada integrados à natureza. 
O Turismo “de baixo impacto”, ecológico, naturalista, personalizado e realizado em 
pequenos grupos (grupos vip), tende a caracterizar os fluxos turísticos do futuro. As atividades 
seletivas constituem o potencial dos movimentos turísticos para o próximo milênio. 
Na prática, a atividade turística restringe-se a uma camada economicamente favorecida 
e que constitui uma minoria desses países (inclusive no Brasil). Porém, as práticas recreativas 
mais baratas podem ser realizadas próximo às residências, desde que o Estado proporcione os 
espaços e os equipamentos necessários. Por isso, os governos devem preocupar-se em 
proporcionar à população que não têm acesso às viagens turísticas, os equipamentos e espaços 
recreativos para produzir satisfação individual, em família e na sua comunidade. Isso faz parte 
do processo democrático que vivemos e ainda estamos apreendendo a viver, onde o Estado 
deve oferecer espaços públicos para lazer e atividades recreativas, ao mesmo tempo em que a 
população deveria entender a importância de conservar e respeitar estes espaços públicos. O 
entendimento do que são “espaços públicos” é fundamental para a população, no trato dos 
equipamentos públicos. 
Em relação ao Turismo, que exige a posse de recursos financeiros para a viagem, o 
alojamento, a alimentação e para as atividades de entretenimento, ele deve ser incorporado às 
conquistas sociais fundamentais, que nesse caso, se relacionam com o Turismo popular social, 
praticamente inexistente nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos. Além disso, a 
qualidade de vida dos cidadãos deve alcançar níveis desejáveis em todos os campos: físico, 
biológico, cultural, social e psíquico. 
Historicamente, a preocupação com a proteção do meio ambiente teve início nos 
contextos urbanos, em que um planejamento equivocado do desenvolvimento colocou em risco, 
e em muitos lugares até aniquilou, a qualidade de vida de certos povos. 
 
 
28 
O Turismo é hoje uma das maiores atividades econômicas do mundo – uma forma de 
pagar pela conservação da natureza e de valorizar as áreas que ainda parecem naturais. De que 
forma os dólares dos turistas podem reverter para a conservação e torná-la auto-sustentável, ou 
como o valor não-monetário que as pessoas atribuem às regiões naturais pode ser qualificado, é 
uma questão central de um novo ramo da economia verde: o desenvolvimento sustentável. 
 
 
2.2 TURISMO E MEIO AMBIENTE 
 
 
A palavra ecologia deriva do grego oikos, com sentido de “casa”, e logos que significa 
“estudo”. Assim, o estudo do ambiente da casa inclui todos os organismos contidos nela e todos 
os processos funcionais que a tornam habitável (Odum, 1993). 
Como meio ambiente “entende-se a biosfera, isto é, as rochas, a água e o ar que 
envolve a Terra, juntamente com os ecossistemas que eles mantêm” (Holder 1991, apud 
Ruschmann, op.cit.). Esses ecossistemas são constituídos de comunidades de indivíduos de 
diferentes populações (meio biótico), que vivem numa área juntamente com seu meio não-
vivente (meio abiótico), e se caracterizam por suas inter-relações, sejam elas simples ou mais 
complexas. 
Essa definição inclui também os recursos construídos pelo homem, tais como casas, 
cidades, monumentos históricos, sítios arqueológicos, e os padrões comportamentais das 
populações – folclore, vestuário, comidas e o modo de vida em geral - que as diferenciam de 
outras comunidades. 
A inter-relação entre o Turismo e o meio ambiente é incontestável, uma vez que este 
último constitui a “matéria-prima” da atividade. A deterioração das condições de vida nos 
grandes conglomerados urbanos faz com que um número cada vez maior de pessoas procure, 
nas férias e nos fins de semana, as regiões com belezas naturais. O contato com a natureza 
constitui, atualmente, uma das maiores motivações das viagens de lazer e as conseqüências do 
fluxo em massa de turistas para esses locais – extremamente sensíveis, tais como as praias e as 
montanhas – devem necessariamente ser avaliadas e seus efeitos negativos, evitados, antes 
que esse valioso patrimônio da humanidade se degrade irremediavelmente. 
 
 
29 
A deterioração dos ambientes urbanos pela poluição sonora, visual e atmosférica, a 
violência, os congestionamentos e as doenças provocadas pelo desgaste psicofísico das 
pessoas são as principais causas da “fuga das cidades” e da “busca do verde” nas viagens de 
férias e de fim de semana. Nessas ocasiões, o homem urbano, agradecido em seu próprio meio, 
passa a agredir os ambientes alheios. Trata-se de um círculo vicioso que é preciso ser rompido 
por meio de planejamento dos centros urbanos e de medidas energéticas que visem à 
conscientização para a preservação dos meios naturais, promovendo a sua conservação e 
perenização. 
O Turismo e o Meio Ambiente não têm se caracterizado por um relacionamento 
harmonioso. Porém, atualmente, surgem indícios que sua interação seja crescente e profícua 
para ambos. O Ministério do (Meio) Ambiente e Turismo da França (1992 apud Ruschmann, op. 
cit.) apresentou quatro fases no relacionamento entre Turismo e meio ambiente. 
A primeira fase, pioneira, ocorreu no século XVIII, e se caracterizou pela “descoberta da 
natureza e das comunidades receptoras”. Os primeiros tinham muita curiosidade sobre os meios 
que visitavam e a leitura que faziam dessas áreas era bem diferente daquela dos visitantes 
atuais. Apesar de essas viagens contribuírem para o surgimento dos grandes centros de férias 
no Mar Mediterrâneo, os centros de interesse preponderantes correspondiam aos aspectos 
únicos das regiões que descobriram: eram os portos de pesca, o céu estrelado e o mar. Muitas 
vezes, ignoravam a costa e iam para o interior, apresentandouma sensibilidade diferente 
daquela da maioria dos turistas da atualidade. Suas motivações eram: a busca dos limites onde 
a industrialização ainda não havia chegado ou de centros turísticos desenvolvidos à beira-mar 
para bronzearem-se e banharem-se. Como ponto em comum eles apresentavam certa postura 
de “sociedade em férias”, cujos ritos se alteram com o tempo, sempre constituindo, porém, um 
“espetáculo”. Trata-se da fase do “relacionamento” e dos primeiros equipamentos turísticos. 
A segunda fase, caracterizada por um Turismo “dirigido” e elitista, ocorreu no final do 
século XIX e início do século XX. Não havia a preocupação com a proteção ambiental e a 
intensificação da demanda estimulou as construções e o boom imobiliário que atualmente 
caracteriza os centros turísticos mais antigos da Europa. Nessa época, chamada de Belle 
Époque, não hesitava em lançar ao mar cassinos flutuantes ou em construir audaciosas estradas 
de ferro nas montanhas, ao lado das quais as atuais e modernas rodovias são realizações sem 
brilho. Trata-se da fase na qual a natureza é domesticada, porém, não necessariamente 
 
 
30 
esquecida, pois as empresas turísticas limitavam seus produtos às estações e ao seu entorno, 
onde a natureza e as civilizações tradicionais tinham seus direitos garantidos. 
A terceira fase, que corresponde ao Turismo de massa, ocorre a partir dos anos 50 e 
tem seu apogeu no transcorrer dos anos 70 e 80. A demanda turística dos países desenvolvidos 
cresce em ritmo muito rápido e as localidades turísticas vivem uma expansão sem precedentes. 
Preenchem-se os vazios que ainda existem nas zonas litorâneas mais acessíveis, saturando-as. 
As urbanizações nos vales das montanhas da Europa se multiplicam para atender à demanda de 
esportes de inverno. Esse período é o mais devastador e se caracteriza pelo domínio brutal do 
Turismo sobre a natureza e as comunidades receptoras. Trata-se de uma fase de excessos, 
acentuada pela qualidade medíocre da arquitetura nas localidades turísticas. Predomina o 
concreto, o crescimento desordenado, a arquitetura urbana, a falta de controle de efluentes e 
esgotos, a criação de marinas, portos artificiais e de estações de esportes de inverno, onde 
várias construções ruíram por causa da falta de estudos geológicos. Em resumo, um período 
catastrófico para a proteção do meio ambiente. 
Atualmente, em muitos países entrou-se numa fase na qual o Turismo passa a 
considerar os problemas do meio ambiente. A partir dos anos 70, a qualidade do meio ambiente 
começa a construir elemento de destaque do produto turístico: a natureza e as comunidades 
receptoras ressurgem no setor dos empreendimentos turísticos, ainda massificadas, porém 
adaptadas à sensibilidade da época. 
Depois da metade dos anos 80, distingue-se um outro período, no qual as práticas 
turísticas e de lazer da fase precedente perde a sua amplitude. O Turismo de natureza ou o 
Turismo ecológico ocorre na maioria das localidades turísticas estabelecidas e, nas novas, 
evita-se a ocupação de todos os espaços. Caminhadas, ciclismo, rafting, mountain bike, 
motocross e toda uma série de esportes novos necessitam de uma natureza preservada. A 
natureza e todos os seus componentes tornam-se pretextos para a descoberta, a iniciação, a 
educação e o espírito de aventura e, dessa forma, dão origem a um novo mercado. 
Trata-se, portanto, da renovação do Turismo, cuja clientela busca a calma, as aventuras 
e o conhecimento mais profundo das regiões visitadas. 
 
 
 
 
 
 
31 
Os agentes do Turismo e o meio ambiente 
Os responsáveis pelo Turismo e pelo meio ambiente têm consciência dos problemas 
difíceis e conflitantes que têm em comum; e, por isso, devem criar também condições e 
proposições para melhor administrar essa situação no futuro. 
Os ambientes naturais conservados ganham força no contexto turístico internacional, no 
qual a concorrência é intensa, e constituirão a grande força mercadológica para os turistas dos 
anos 90 e 2000, cada vez mais sensíveis diante dos acidentes naturais e políticos do planeta. 
Como agentes do desenvolvimento do Turismo, consideram-se não apenas os 
responsáveis pela oferta turística (alojamentos, restaurantes, agentes/operadores, 
transportadores, etc.), mas também pelos turistas, pela população das localidades receptoras, 
pelo meio natural e sociocultural nos quais a atividade ocorre, e os responsáveis pela 
atratividade das destinações, além, evidentemente, do Estado – proprietários dos espaços. 
Esses componentes são estreitamente relacionados e altamente interdependentes, pois a falta 
ou o mau funcionamento de um deles pode inviabilizar a comercialização do produto (destino). 
Constatou-se que o Turismo de massa – que se caracteriza pelo deslocamento de 
grande número de pessoas para os mesmos lugares nas mesmas épocas do ano – e o 
conseqüente superdimensionamento dos equipamentos receptivos para atendê-los, não têm 
trazido a rentabilidade esperada, devido, principalmente, à sazonalidade desses fluxos. Além 
disso, o grande fluxo de pessoas tem contribuído para agressões socioculturais nas 
comunidades receptoras e para a origem de danos, às vezes, irreversíveis dos recursos naturais. 
Além disso, a falta de “consciência ecológica” e “cultura turística” dos visitantes fazem 
com que eles se comportem de forma alienada em relação ao meio que visitam – acreditam que 
não têm nenhuma responsabilidade na preservação da natureza e da originalidade das 
destinações. Entendem que seu tempo livre é sagrado, que têm direito ao uso daquilo pelo qual 
pagaram e que, além disso, permanecem pouco tempo – insuficiente, no seu entender, para 
agredir o meio natural. 
Por isso, outras formas de Turismo estão sendo propostas, a fim de conter os impactos 
negativos da atividade e, além do já falado Turismo brando e tranqüilo, recebem a denominação 
de alternativo, responsável, ecológico e, mais recentemente, Turismo Sustentável. 
Independente de sua designação, o que caracteriza estes tipos de Turismo, são as 
viagens individuais, em atividades relacionadas com a natureza, o alojamento em 
estabelecimentos pequenos, com serviços personalizados e, às vezes, até realizados pelos 
 
 
32 
próprios turistas. Por exemplo, os Albergues da Juventude hoje são muito mais procurados do 
que há 10 anos. 
Alguns estudiosos e pesquisadores têm mostrado certo ceticismo e não acreditam que, 
para preservar o meio ambiente, as pessoas deixem de viajar em grupos, controlem seus 
impulsos consumistas e deixem o desejo pelo conforto de lado, para se transformarem em 
turistas “bonzinhos”. De acordo com Wheller (1991, apud Ruschmann, op.cit.), deve-se 
considerar e debater as formas de evitar o Turismo irresponsável – que aumenta a olhos vistos – 
na proporção da melhoria dos rendimentos e do aumento do tempo livre das pessoas nos países 
desenvolvidos. Em seu entender, em nível mundial, o número de turistas continuará a crescer e 
as medidas que visam um Turismo “controlado” só poderão apresentar algum êxito em pequena 
escala, isto é, micro-soluções para um macro-problema. 
Os equipamentos e serviços instalados para atender o Turismo de massa provocam uma 
série de efeitos negativos sobre o meio ambiente: 
 
• A destruição da cobertura vegetal do solo; 
• A devastação das florestas; 
• A erosão das encostas; 
• A ameaça de extinção de várias espécies da fauna e da flora; 
• A poluição sonora, a poluição visual e a atmosférica; 
• Contaminação das águas, rios e lagos. 
 
Entretanto, é preciso ressaltar que o Turismo não é o único culpado pelas agressões à 
natureza. Os desastres ecológicos provocados pelo vazamento de petróleo nos oceanos, as 
queimadas das florestas realizadas para outros fins, os riscos potenciais das usinas nucleares, 
os gases tóxicos etc., põem em risco a sobrevivência do homem no planeta, tornando os efeitos 
negativos do Turismo até insignificantes. Porém,essa constatação não isenta a atividade e os 
profissionais do setor da responsabilidade de preservação ambiental, pois, caso não haja 
preocupação com os destinos da humanidade, haverá certamente com a matéria-prima da 
atividade: a natureza. 
 
 
33 
Por isso, torna-se imprescindível estimular o desenvolvimento harmonioso e coordenado 
do Turismo; se não houver equilíbrio com o meio ambiente, a atividade turística comprometerá 
sua própria sobrevivência. 
Grande parte dos serviços turísticos é prestada pelo setor privado da economia e os 
incentivos mercadológicos têm contribuído significativamente para o seu crescimento. 
Entretanto, os mecanismos do mercado, por si só, não impedem que a degradação ambiental 
ocorra - motivada pelos seguintes fatores: 
• O mercado geralmente funciona com uma visão de curto prazo, ao passo que as 
conseqüências ambientais se manifestam em longo prazo; 
• O mercado não tem condições de medir as modificações que ocorrem nos 
múltiplos componentes que garantem a qualidade do meio ambiente; e quando possui essas 
informações não as revela; 
• Existem bens materiais que devem ser preservados apesar do seu potencial 
para o Turismo; correspondem a ecossistemas valiosos, paisagens, sítios naturais únicos, 
monumentos naturais, cachoeiras, etc. 
 
O produto turístico natural baseia-se na venda se aspectos ambientais das localidades e 
a estrutura receptiva deve ser pequena, refinada, integrada e harmoniosa em relação ao meio. 
Diante disso, pergunta-se até que ponto os empresários do Turismo, que demonstram avidez 
pela rentabilidade, interessar-se-ão pelo desenvolvimento desse tipo de negócio, que, por causa 
de seu tamanho, nem sempre apresenta lucros imediatos. 
Quanto aos custos do “consumo da natureza” registram-se poucos casos em que essa 
questão é considerada. Os empresários constatam a existência de um mercado, classificam a 
demanda e adaptam a oferta a ela e, mercadologicamente, avaliam suas oportunidades dentro 
de uma concorrência bastante acirrada. 
Os profissionais do Turismo não se julgam responsáveis pelos danos ao meio ambiente, 
pois estão integralmente engajados na venda dos produtos e, no seu entender, já arcam com 
custos promocionais bastante elevados. 
Se as regiões ou localidades decidem investir no Turismo, elas devem considerar 
também a qualidade do meio ambiente, e cabe-lhes a decisão de estipular um custo de 
manutenção da natureza. Sugere-se a elaboração de um orçamento, considerando as receitas e 
 
 
34 
as despesas provenientes dos fluxos turísticos, assim como dos investimentos e de seu 
funcionamento – de forma similar às taxas aplicadas às indústrias. 
Em relação aos “custos” da natureza, discute-se também a integração entre as 
municipalidades receptoras nas quais os profissionais vendem a mesma característica natural. 
Como na Europa um dos grandes atrativos do Turismo de natureza se concentra na 
originalidade da agricultura e do pastoreio de montanha (Alpes), os governos, por meio da “lei da 
montanha”, pagam um determinado valor para que os agricultores e pastores não modernizem 
suas técnicas de trabalho, pois o abandono das práticas tradicionais diminuirá o interesse e o 
conseqüente fluxo de turistas. A diferença na lucratividade é paga por governos como, por 
exemplo, os da Suíça e da Áustria. Esse pagamento interessa aos moradores das montanhas 
que, dessa forma, não abandonam suas áreas, evitando o êxodo rural, e muito mais aos 
governos desses países, que têm no Turismo sua maior fonte de divisas. 
O Turismo de natureza caracteriza-se pelo envolvimento físico de seus participantes 
durante a viagem e é dividido em hard – com participação intensa – e soft – com participação 
leve, sem grandes esforços físicos ou utilização de técnicas específicas. 
Para o bom desenvolvimento desse tipo de Turismo, Eam (1992, apud Ruschmann, op. 
cit.) recomenda: 
• Informar os vendedores das agências sobre os produtos oferecidos; 
• Utilizar transportes coletivos (ônibus/trem) para diminuir problemas de barulho, 
de estacionamento e de acidentes; 
• Organizar serviço de ônibus nas destinações, utilizando os meios de transporte 
da localidade, ou de bicicletas, a fim de que os automóveis permaneçam nos hotéis; 
• Indicar os hotéis mais calmos e mais distantes das rodovias ou das estradas 
locais, dando preferência àqueles de pequeno porte, porém confortáveis; 
• Dar preferência a trabalhadores do turismo a profissionais da localidade, que 
conhecendo a região, prestarão informações confiáveis ao turista; 
• Verificar se os meios de hospedagem indicados agem de forma a proteger o 
meio ambiente, tais como reciclagem do lixo, sistemas de tratamento de esgotos, etc.; 
• Servir pratos típicos regionais; 
• Estimular os turistas a conhecer os habitantes da região, seus modos de vida, 
suas atividades profissionais (agricultura, artesanato, etc.) e oferecer oportunidade para isso; 
 
 
35 
• Oferecer cursos de fotografia, pintura, leitura da paisagem etc., para que os 
turistas posam retornar para suas casas com uma experiência significativa do país; 
• Capacitar os funcionários dos serviços turísticos em idiomas estrangeiros, a fim 
de melhor atender clientes de outros países; 
• Prestar atenção aos desejos, às necessidades, às queixas e aos problemas dos 
turistas – levando-os ao conhecimento de operadores turísticos, hoteleiros, comunidades e 
órgãos públicos do setor já que, geralmente, o turismo de natureza proporciona um contato 
maior entre prestadores de serviços e turistas. 
 
O turismo em espaços naturais não é apenas modismo de uma época, e a opinião 
pública tem se conscientizado, cada vez mais, da necessidade de proteger o meio ambiente. Se, 
pelo lado da demanda, a motivação, “contato com a natureza”, se torna cada vez mais intensa, a 
natureza intacta e protegida passa a ser um argumento comercial importante. Assim, o turismo 
de qualidade pode tornar-se economicamente viável, desde que associado à proteção dos 
espaços naturais e à excelência dos serviços e equipamentos oferecidos aos clientes. 
 
 
2.3 IMPACTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DO TURISMO NA NATUREZA 
 
 
Os impactos do Turismo referem-se à gama de modificações ou à seqüência de eventos 
provocados pelo processo de desenvolvimento turístico nas localidades receptoras. As variáveis 
que provocam os impactos têm natureza, intensidade, direções e magnitude diversas; porém, os 
resultados interagem e são geralmente irreversíveis quando ocorrem no meio natural. 
Os impactos têm origem em um processo de mudança e não constituem eventos 
pontuais resultantes de uma causa específica, como, por exemplo, um equipamento turístico ou 
um serviço. Eles são a conseqüência de um processo complexo de interação entre os turistas, 
as comunidades e os meios receptores. Muitas vezes, tipos similares de Turismo provocam 
impactos diferentes, de acordo com a natureza das sociedades nas quais ocorrem. 
O rápido crescimento do Turismo, a partir dos anos 50, resultou na degradação 
ambiental de inúmeros recursos turísticos em todo o mundo. Os indicadores apontam um 
 
 
36 
crescimento contínuo da atividade, de cerca de 4% a 5% ao ano, e, conseqüentemente, os 
impactos sobre o meio ambiente também se intensificam. 
Esse risco, reconhecido atualmente pela maioria dos governos dos países receptores de 
turistas, faz com que se tomem iniciativas que proporcionem tanto uma evolução dos aspectos 
favoráveis do Turismo como a proteção ambiental. 
Como o meio ambiente constitui um elemento fundamental do Turismo, sua 
“manutenção sadia” é essencial para a evolução da atividade. A avaliação dos impactos de toda 
ordem sobre o meio ambiente é extremamente difícil, por cinco razões (Mathieson e Wall, 1988 
apud Rschmann, op. Cit.): 
• Primeiramente, o fato de o homem estar vivendo e modificando a Terra há 
milhares de anos torna difícil estabelecer uma base para medir as modificações.

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