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Questões resolvidas

exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito)
Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles
(A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das coisas.
(B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando justificável.
(C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados.
(D) acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que circulam socialmente.
(E) deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco principal.

Atente para as seguintes afirmacoes:
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente.
II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas, reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e das pessoas.
III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e difíceis de definir.
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) II, apenas.

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em:
(A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover injustiças que nunca mais se repara.
(B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem em difundir seus juízos falsos e precipitados.
(C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos.
(D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer e penalizar as ações em que se promove o preconceito.
(E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda e qualquer manifestação de racismo.

A articulação entre os tempos e os modos verbais está adequada na frase:
(A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável será oportuna a criação de leis com o intuito de que foram coibidas atitudes preconceituosas.
(B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais: mesmo que percebemos tenhamos externado uma avaliação preconceituosa.
(C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante que existissem leis para que pessoas preconceituosas forem exemplarmente julgadas e punidas.
(D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento em sociedade, pois seria possível que reações preconceituosas surjam mesmo sem que nós possamos perceber.
(E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria pelas pessoas e, quando déssemos por nós, estaríamos repetindo algo que sequer teríamos investigado.

O emprego das vírgulas está plenamente adequado na frase:
(A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se, vários casos em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se vários casos em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.

Empregam-se corretamente as expressões destacadas em:
(A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro a quem se é diferente.
(B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas.
(C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos.
(D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e de quem não se confia.
(E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.

Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao seguinte fragmento de uma crônica: Insânia* Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam.
A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia está-se referindo
(A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia.
(B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade.
(C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria insânia.
(D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana.
(E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado.

Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente e correta redação do segmento sublinhado será
(A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a essa conclusão.
(B) visualizo razões que me falecem para tanto.
(C) concluo que por muitas razões eu o faria.
(D) concordo com os motivos que não sobejam para isso.
(E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo.

No segmento do texto
(A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado é o sujeito.
(B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão sublinhada tem o valor de em vista do.
(C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz passiva.
(D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um caso de oração sem sujeito.
(E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído por não há de me faltar.

Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números 31 a 35. É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. O Ibama, que deveria conter a devastação, olha tudo de longe. Monitora imagens de satélites em Manaus, a cerca de 500 quilômetros. Na região onde motosserras e o fogo dizimam a floresta, os fiscais só aparecem uma vez por ano e ficam por um mês. Nessa época, os madeireiros tiram suas férias. “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta. O madeireiro Vítor José de Souza, dono de uma serraria em Santo Antônio do Matupi, diz que a ausência do Estado favorece a devastação: “Um plano de manejo florestal leva 18 meses para sair porque tem de vir alguém de Manaus para fazer a vistoria”. Nesse meio tempo, os madeireiros clandestinos agem. O manejo florestal, garante Souza, gera mais dinheiro que o boi ou a agricultura: “Um lote de 100 hectares produz madeira suficiente para o cara viver sem fazer mais nada. Por que ele iria querer só desmatar?” Migrante do Paraná, Souza detém seis planos de manejo para abastecer a serraria.
Depreende-se corretamente do texto:
(A) a monitoração por satélite é bastante eficaz, ao delimitar as áreas de desmatamento para que os fiscais atuem durante o descanso dos madeireiros.
(B) lotes de 100 hectares são suficientes para o manejo da agropecuária, fazendo com que o Ibama considere a possibilidade de regularização das propriedades.
(C) madeireiros como Vítor José de Souza pretendem ampliar seu campo de atuação, apesar da ação do Ibama, para fortalecer o setor agrário.
(D) a ausência do Estado deixa caminho livre ao manejo de terras pelas madeireiras, ocasionando uma verdadeira dissolução da mata.
(E) na região amazônica, há pelo menos dois modos de exploração da madeira: um, marcado pela ilegalidade; outro, caracterizado pela sustentabilidade.

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Questões resolvidas

exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito)
Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles
(A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das coisas.
(B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando justificável.
(C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados.
(D) acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que circulam socialmente.
(E) deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco principal.

Atente para as seguintes afirmacoes:
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente.
II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas, reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e das pessoas.
III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e difíceis de definir.
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) II, apenas.

As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em:
(A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover injustiças que nunca mais se repara.
(B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem em difundir seus juízos falsos e precipitados.
(C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos.
(D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer e penalizar as ações em que se promove o preconceito.
(E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda e qualquer manifestação de racismo.

A articulação entre os tempos e os modos verbais está adequada na frase:
(A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável será oportuna a criação de leis com o intuito de que foram coibidas atitudes preconceituosas.
(B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais: mesmo que percebemos tenhamos externado uma avaliação preconceituosa.
(C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante que existissem leis para que pessoas preconceituosas forem exemplarmente julgadas e punidas.
(D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento em sociedade, pois seria possível que reações preconceituosas surjam mesmo sem que nós possamos perceber.
(E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria pelas pessoas e, quando déssemos por nós, estaríamos repetindo algo que sequer teríamos investigado.

O emprego das vírgulas está plenamente adequado na frase:
(A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se, vários casos em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se vários casos em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.

Empregam-se corretamente as expressões destacadas em:
(A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro a quem se é diferente.
(B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas.
(C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos.
(D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e de quem não se confia.
(E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.

Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao seguinte fragmento de uma crônica: Insânia* Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam.
A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia está-se referindo
(A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia.
(B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade.
(C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria insânia.
(D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana.
(E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado.

Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente e correta redação do segmento sublinhado será
(A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a essa conclusão.
(B) visualizo razões que me falecem para tanto.
(C) concluo que por muitas razões eu o faria.
(D) concordo com os motivos que não sobejam para isso.
(E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo.

No segmento do texto
(A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado é o sujeito.
(B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão sublinhada tem o valor de em vista do.
(C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz passiva.
(D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um caso de oração sem sujeito.
(E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído por não há de me faltar.

Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números 31 a 35. É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. O Ibama, que deveria conter a devastação, olha tudo de longe. Monitora imagens de satélites em Manaus, a cerca de 500 quilômetros. Na região onde motosserras e o fogo dizimam a floresta, os fiscais só aparecem uma vez por ano e ficam por um mês. Nessa época, os madeireiros tiram suas férias. “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta. O madeireiro Vítor José de Souza, dono de uma serraria em Santo Antônio do Matupi, diz que a ausência do Estado favorece a devastação: “Um plano de manejo florestal leva 18 meses para sair porque tem de vir alguém de Manaus para fazer a vistoria”. Nesse meio tempo, os madeireiros clandestinos agem. O manejo florestal, garante Souza, gera mais dinheiro que o boi ou a agricultura: “Um lote de 100 hectares produz madeira suficiente para o cara viver sem fazer mais nada. Por que ele iria querer só desmatar?” Migrante do Paraná, Souza detém seis planos de manejo para abastecer a serraria.
Depreende-se corretamente do texto:
(A) a monitoração por satélite é bastante eficaz, ao delimitar as áreas de desmatamento para que os fiscais atuem durante o descanso dos madeireiros.
(B) lotes de 100 hectares são suficientes para o manejo da agropecuária, fazendo com que o Ibama considere a possibilidade de regularização das propriedades.
(C) madeireiros como Vítor José de Souza pretendem ampliar seu campo de atuação, apesar da ação do Ibama, para fortalecer o setor agrário.
(D) a ausência do Estado deixa caminho livre ao manejo de terras pelas madeireiras, ocasionando uma verdadeira dissolução da mata.
(E) na região amazônica, há pelo menos dois modos de exploração da madeira: um, marcado pela ilegalidade; outro, caracterizado pela sustentabilidade.

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QUESTÕES LINGUA PORTUGUESA – BANCA FCC
Atenção: As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto
que segue.
Preconceitos
Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são
rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos.
São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos,
ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa
medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências
dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim,
é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e
externar algum preconceito.
São em geral formulados com um alcance genérico: “o
povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica
é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos
de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a
personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”,
me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador.
“Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma
preconceituosa de julgar.
Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade
que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério
mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos
às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas:
ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem
apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que
sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada
é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e
objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por
exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa
que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema
das práticas preconceituosas.
(Bolívar Lacombe, inédito)
1. Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o
autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles
(A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e
prejudicando nosso entendimento das coisas.
(B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente
singular e viciosa, mesmo quando justificável.
(C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas
ou coisas a partir de valores já firmados.
(D) acarretam máximos prejuízos para quem os
alimenta, não atingindo as opiniões que circulam
socialmente.
(E) deformam nossa visão de mundo por serem muito
detalhistas, distraindo-nos do foco principal.
2. Atente para as seguintes afirmações:
I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito
e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática
acarreta, considerando ainda a dificuldade de
se os evitar plenamente.
II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas
formulações preconceituosas, reforçando a
ideia de que os preconceitos impedem uma identificação
adequada das coisas e das pessoas.
III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo
entre o juízo preconceituoso, passível de penalização,
e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se
rege por critérios interiorizados e difíceis de definir.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) II, apenas.
_________________________________________________________
3. As normas de concordância verbal estão plenamente
observadas em:
(A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover
injustiças que nunca mais se repara.
(B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem
em difundir seus juízos falsos e precipitados.
(C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de
que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos.
(D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer
e penalizar as ações em que se promove o preconceito.
(E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda
e qualquer manifestação de racismo.
_________________________________________________________
4. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre
comentário sobre o texto.
(A) Ao preconceituoso parece natural que venha a aplicar
conceitos que ele se utiliza sem qualquer preocupação
de fazer sua análise.
(B) Qualquer um de nós já terá ouvido ou dito frases
preconceituosas, como aquelas de que se vale o
autor no segundo parágrafo do texto.
(C) Mesmo que não se devam confundir preconceito
como gosto pessoal, ainda assim acontece de os
tentarmos justificar um pelo outro.
(D) Quem diz que gosto porque gosto não está descriminando
um preconceito, devido que se trata de
uma simples manifestação de gosto.
(E) Atualmente haverão mais cuidados daqueles preconceituosos
raciais que até então vinham insuflando
conceitos desabonadores sobre algumas etnias.
5. A articulação entre os tempos e os modos verbais está
adequada na frase:
(A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável
será oportuna a criação de leis com o intuito de que
foram coibidas atitudes preconceituosas.
(B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais:
mesmo que percebemos tenhamos externado
uma avaliação preconceituosa.
(C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante
que existissem leis para que pessoas preconceituosas
forem exemplarmente julgadas e punidas.
(D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento
em sociedade, pois seria possível que reações
preconceituosas surjam mesmo sem que nós
possamos perceber.
(E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria
pelas pessoas e, quando déssemos por
nós, estaríamos repetindo algo que sequer teríamos
investigado.
_________________________________________________________
6. O emprego das vírgulas está plenamente adequado na
frase:
(A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica, e com muita propriedade,
diga-se, vários casos em que um suposto falante
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica, e com muita propriedade
diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa
pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano,
o autor exemplifica e com muita propriedade,
diga-se, vários casos, em que um suposto falante
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano
o autor exemplifica, e com muita propriedade,
diga-se vários casos em que um suposto falante,
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica e com muita propriedade,
diga-se, vários casos, em que um suposto falante,
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
_________________________________________________________
7. Empregam-se corretamente as expressões destacadas
em:
(A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar
aqueles de que se deixam levar por atitudes que
rejeitam um outro a quem se é diferente.
(B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa
um juízo prévio de um indivíduo de que não se
conhece muito bem, devem ser repreendidas.
(C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual
todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada
por penalizações rigorosas, às quais os infratores
estejam sujeitos.
(D) O preconceito é uma maneira com que os grupos
sociais encontraram para excluir aqueles que são
considerados estranhos e de quem não se confia.
(E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser
contido, mas não extinto, pois ele estará presente
mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.
Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao
seguinte fragmento de umacrônica:
Insânia*
Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo
meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o
espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar
assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio
teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia
sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia:
rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que
motivos não me faltam.
* Insânia = loucura, demência, desatino
(WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre:
Arquipélago, 2011, p. 107)
8. A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia
está-se referindo
(A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser
um exemplo de insânia.
(B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado
com a insânia da humanidade.
(C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa
ser capaz de rir de sua própria insânia.
(D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração
da insânia humana.
(E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo
como um desatinado.
_________________________________________________________
9. Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente
reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente
e correta redação do segmento sublinhado será
(A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a
essa conclusão.
(B) visualizo razões que me falecem para tanto.
(C) concluo que por muitas razões eu o faria.
(D) concordo com os motivos que não sobejam para
isso.
(E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo.
_________________________________________________________
10. No segmento do texto
(A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado
é o sujeito.
(B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão
sublinhada tem o valor de em vista do.
(C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas
ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz
passiva.
(D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um
caso de oração sem sujeito.
(E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode
ser corretamente substituído por não há de me
faltar.
GABARITO: 001 - C
002 - A
003 - D
004 - B
005 - E
006 - A
007 - C
008 - D
009 - E
010 – B
Atenção: As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto
que segue.
Preconceitos
Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são
rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos.
São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos,
ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa
medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências
dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim,
é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e
externar algum preconceito.
São em geral formulados com um alcance genérico: “o
povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica
é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos
de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a
personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”,
me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador.
“Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma
preconceituosa de julgar.
Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade
que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério
mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos
às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas:
ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem
apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que
sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada
é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e
objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por
exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa
que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema
das práticas preconceituosas.
(Bolívar Lacombe, inédito)
1. Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o
autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles
(A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e
prejudicando nosso entendimento das coisas.
(B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente
singular e viciosa, mesmo quando justificável.
(C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas
ou coisas a partir de valores já firmados.
(D) acarretam máximos prejuízos para quem os
alimenta, não atingindo as opiniões que circulam
socialmente.
(E) deformam nossa visão de mundo por serem muito
detalhistas, distraindo-nos do foco principal.
2. Atente para as seguintes afirmações:
I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito
e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática
acarreta, considerando ainda a dificuldade de
se os evitar plenamente.
II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas
formulações preconceituosas, reforçando a
ideia de que os preconceitos impedem uma identificação
adequada das coisas e das pessoas.
III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo
entre o juízo preconceituoso, passível de penalização,
e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se
rege por critérios interiorizados e difíceis de definir.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) II, apenas.
_________________________________________________________
3. As normas de concordância verbal estão plenamente
observadas em:
(A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover
injustiças que nunca mais se repara.
(B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem
em difundir seus juízos falsos e precipitados.
(C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de
que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos.
(D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer
e penalizar as ações em que se promove o preconceito.
(E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda
e qualquer manifestação de racismo.
_________________________________________________________
4. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre
comentário sobre o texto.
(A) Ao preconceituoso parece natural que venha a aplicar
conceitos que ele se utiliza sem qualquer preocupação
de fazer sua análise.
(B) Qualquer um de nós já terá ouvido ou dito frases
preconceituosas, como aquelas de que se vale o
autor no segundo parágrafo do texto.
(C) Mesmo que não se devam confundir preconceito
como gosto pessoal, ainda assim acontece de os
tentarmos justificar um pelo outro.
(D) Quem diz que gosto porque gosto não está descriminando
um preconceito, devido que se trata de
uma simples manifestação de gosto.
(E) Atualmente haverão mais cuidados daqueles preconceituosos
raciais que até então vinham insuflando
conceitos desabonadores sobre algumas etnias.
5. A articulação entre os tempos e os modos verbais está
adequada na frase:
(A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável
será oportuna a criação de leis com o intuito de que
foram coibidas atitudes preconceituosas.
(B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais:
mesmo que percebemos tenhamos externado
uma avaliação preconceituosa.
(C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante
que existissem leis para que pessoas preconceituosas
forem exemplarmente julgadas e punidas.
(D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento
em sociedade, pois seria possível que reações
preconceituosas surjam mesmo sem que nós
possamos perceber.
(E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria
pelas pessoas e, quando déssemos por
nós,estaríamos repetindo algo que sequer teríamos
investigado.
_________________________________________________________
6. O emprego das vírgulas está plenamente adequado na
frase:
(A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica, e com muita propriedade,
diga-se, vários casos em que um suposto falante
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica, e com muita propriedade
diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa
pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano,
o autor exemplifica e com muita propriedade,
diga-se, vários casos, em que um suposto falante
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano
o autor exemplifica, e com muita propriedade,
diga-se vários casos em que um suposto falante,
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
(E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano,
o autor exemplifica e com muita propriedade,
diga-se, vários casos, em que um suposto falante,
expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos.
_________________________________________________________
7. Empregam-se corretamente as expressões destacadas
em:
(A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar
aqueles de que se deixam levar por atitudes que
rejeitam um outro a quem se é diferente.
(B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa
um juízo prévio de um indivíduo de que não se
conhece muito bem, devem ser repreendidas.
(C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual
todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada
por penalizações rigorosas, às quais os infratores
estejam sujeitos.
(D) O preconceito é uma maneira com que os grupos
sociais encontraram para excluir aqueles que são
considerados estranhos e de quem não se confia.
(E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser
contido, mas não extinto, pois ele estará presente
mesmo nas culturas às quais o punem com rigor.
Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao
seguinte fragmento de uma crônica:
Insânia*
Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo
meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o
espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar
assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio
teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia
sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia:
rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que
motivos não me faltam.
* Insânia = loucura, demência, desatino
(WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre:
Arquipélago, 2011, p. 107)
8. A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia
está-se referindo
(A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser
um exemplo de insânia.
(B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado
com a insânia da humanidade.
(C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa
ser capaz de rir de sua própria insânia.
(D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração
da insânia humana.
(E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo
como um desatinado.
_________________________________________________________
9. Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente
reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente
e correta redação do segmento sublinhado será
(A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a
essa conclusão.
(B) visualizo razões que me falecem para tanto.
(C) concluo que por muitas razões eu o faria.
(D) concordo com os motivos que não sobejam para
isso.
(E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo.
_________________________________________________________
10. No segmento do texto
(A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado
é o sujeito.
(B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão
sublinhada tem o valor de em vista do.
(C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas
ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz
passiva.
(D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um
caso de oração sem sujeito.
(E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode
ser corretamente substituído por não há de me
faltar.
GABARITO
001 - C
002 - A
003 - D
004 - B
005 - E
006 - A
007 - C
008 - D
009 - E
010 – B
Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números
31 a 35.
É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas
perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta
década. O Ibama, que deveria conter a devastação, olha tudo
de longe. Monitora imagens de satélites em Manaus, a cerca de
500 quilômetros. Na região onde motosserras e o fogo dizimam
a floresta, os fiscais só aparecem uma vez por ano e ficam por
um mês. Nessa época, os madeireiros tiram suas férias. “Quando
a gente entra nas serrarias, vê dezenas de caminhões
parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta.
O madeireiro Vítor José de Souza, dono de uma serraria
em Santo Antônio do Matupi, diz que a ausência do Estado
favorece a devastação: “Um plano de manejo florestal leva 18
meses para sair porque tem de vir alguém de Manaus para
fazer a vistoria”. Nesse meio tempo, os madeireiros clandestinos
agem. O manejo florestal, garante Souza, gera mais dinheiro
que o boi ou a agricultura: “Um lote de 100 hectares
produz madeira suficiente para o cara viver sem fazer mais
nada. Por que ele iria querer só desmatar?” Migrante do Paraná,
Souza detém seis planos de manejo para abastecer a
serraria.
(Adaptado de: “Ibama fiscaliza o sul do Amazonas por satélite”
Grandes Reportagens: Amazônia. São Paulo, nov.-dez./2007.
p. 48)
31. Depreende-se corretamente do texto:
(A) a monitoração por satélite é bastante eficaz, ao
delimitar as áreas de desmatamento para que os
fiscais atuem durante o descanso dos madeireiros.
(B) lotes de 100 hectares são suficientes para o manejo
da agropecuária, fazendo com que o Ibama considere
a possibilidade de regularização das propriedades.
(C) madeireiros como Vítor José de Souza pretendem
ampliar seu campo de atuação, apesar da ação do
Ibama, para fortalecer o setor agrário.
(D) a ausência do Estado deixa caminho livre ao manejo
de terras pelas madeireiras, ocasionando uma
verdadeira dissolução da mata.
(E) na região amazônica, há pelo menos dois modos de
exploração da madeira: um, marcado pela ilegalidade;
outro, caracterizado pela sustentabilidade.
_________________________________________________________
32. “Um plano de manejo florestal leva 18 meses para sair
porque tem de vir alguém de Manaus para fazer a
vistoria”.
A frase acima ilustra
(A) a dificuldade de regularização dos planos de
manejo.
(B) a demora entre o mapeamento por satélite e a ação
dos fiscais.
(C) a facilidade com que os madeireiros clandestinos
conseguem desmatar.
(D) o desgaste a que são submetidos os madeireiros em
geral.
(E) a distância entre Manaus e Santo Antônio do Matupi.
33. É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas
perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano
nesta década.
Suprimindo-se os dois-pontos, uma redação alternativa
para a frase acima, mantendo-se a coerência, está em:
(A) É como se a floresta se dissolvesse, de maneira que
o sul do Amazonas venha a perder cerca de 2 milhões
de hectares de floresta por ano nesta década.
(B) É como se a floresta se dissolvesse, não obstante o
sul do Amazonas tenha perdido cerca de 2 milhões
de hectares de floresta por ano nesta década.(C) Uma vez que o sul do Amazonas perdeu cerca de
2 milhões de hectares de floresta por ano nesta
década, é como se a floresta se dissolvesse.
(D) O sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de
hectares de floresta por ano nesta década, a fim de
que a floresta se dissolvesse.
(E) É como se a floresta se dissolvesse, mas o sul do
Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares
de floresta por ano nesta década.
_________________________________________________________
34. “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de
caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo
Motta.
Substituindo-se Quando por Se, os verbos sublinhados
devem sofrer as seguintes alterações:
(A) entrar − vira
(B) entrava − tinha visto
(C) entrasse − veria
(D) entraria − veria
(E) entrava − teria visto
_________________________________________________________
35. O manejo florestal, ...... os ambientalistas, gera mais
dinheiro que o boi ou a agricultura: “Nos lotes de
100 hectares, ...... madeiras ...... para os caras viverem
sem fazer mais nada”.
Preenchem corretamente as lacunas do segmento acima,
na ordem dada:
(A) garante − produzem − suficiente
(B) garantem − produzem-se − suficientes
(C) garante-se − produz − suficientemente
(D) garante − produzem − suficientes
(E) garantem − produz-se – suficiente
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 36 a 40.
A carta abaixo foi escrita por uma detenta da Penitenciária Feminina da cidade paulista de Ribeirão Preto. Redigida no contexto do Programa
Liberdade Consciente, ali implementado, ela foi analisada em estudo linguístico cujas referências se apresentam após a carta.
Ribeirão Preto 28.12.04
Eu S1 nascida em 23.11. [...] Se você escreve tudo daria um livro mais vou fala so um pouco de mim.
Quando nasci meus pais morava no Paraná fiquei la ate a idade de 5 anos, aí viemos para o interior de S.P. ate a idade de
14 anos eu fui uma menina que trabalhava na rossa era crente aí meus pais resolveram a se muda para Campinas é a cidade que vivo ate
hoje aí foi que tudo começou comecei a trabalha de domestica comesei a conhecer outro tipo de pessoas que era muito deferente da minha
vidinha da rossa, comecei a sair de noite, conhecer rapazes, deferente, bom resumindo, fui mãe com 20 anos, fui pra cadeia com 23 – 1973,
sai com 30 – 1981, eu queria volta a viver mais a sociedade não deixou não tive medo continuei na luta, ate de boia fria eu tentei até que um
dia fui trabalha de camareine em um hotel perto da rodoviaria, isso foi em 1989, aí fui preza outra vez daí para cá so deu desaserto na minha
vida.
Hoje sou uma mulher feliz apesar do lugar. tenho 5 filhos lindos, adotei uma criança levei para a minha casa com 17 dias de nascida
hoje ela tem 6 aninho ela tem um pequeno problema que, para os homens é dificio mais para Deus não é nada eu confio nele e sei um dia eu
e minha fé vamos venser, minha filhinha faz tratamento na unikanpi no hospital das Crinicas em Campinas ela se chama M. nos vamos venser
se Deus quizer e ele quer como disse se for fala minha vida da um livro. eu amo meus filhos meus netos que são, coizinha mais linda da
minha vida mais tenho um carinho especial pela a minha M. Deixei o mundo sujo que vivi a maior parte da minha vida pela M. quando sai
daqui quero volta a cuida dela como sempre fiz.
(SAVENHAGO, Igor José Siquieri. Análise discursiva de cartas da prisão: uma discussão sobre ciência e saberes. Todas as Letras.
São Paulo: Editora da UPM, v. 14, S, n. 1, 2012, p. 130-131)
36. No segundo parágrafo do texto,
(A) o perfil biográfico traçado permite que a narradora defenda uma tese não explicitada: a de que se portou com passividade e
pessimismo diante das adversidades relatadas.
(B) ao opor atitudes e características pessoais consideradas positivas à força de contingências, a narrativa sugere que, em relação
aos rumos tomados pela vida, existam responsabilidades do próprio sujeito e também responsabilidades do corpo social.
(C) predominam avaliações subjetivas, o que transforma os acontecimentos narrados em ilustrações e exemplos de condição humana
concebida como comum.
(D) os deslocamentos espaciais (Paraná − interior de S.P. − Campinas) acompanham a deterioração paulatina da qualidade de vida
da narradora, para quem o modo de existência ideal deu-se no primeiro espaço.
(E) o intervalo entre as duas detenções surge como um período de dificuldades, vistas, no entanto, como menores do que as vividas
entre 1973 e 1981.
37. Assinale a alternativa que contém comentário condizente com o texto.
(A) Segmentos como Quando eu nasci; ate que um dia; daí pra cá; Hoje; quando sai têm um papel decisivo na composição do texto,
por oferecerem parâmetros temporais para os acontecimentos.
(B) O fragmento Se você escreve tudo daria um livro, sinalizando a possibilidade de síntese, opõe-se a um estilo de narrar apegado a
detalhes periféricos em relação ao assunto principal, apresentados sobretudo no primeiro parágrafo.
(C) A intelecção de Hoje sou uma mulher feliz apesar do lugar é independente de outros dados, sejam do próprio texto ou da
apresentação que dele é feita, uma vez que se trata de uma frase clichê.
(D) O segmento bom resumindo revela, mais do que a intenção de construir um relato breve, a clara disposição da narradora de omitir
toda e qualquer informação acerca dos “desacertos” que cometeu em sua vida.
(E) Os modos de referência a M. (uma criança, minha filhinha, minha M, [d]ela) constroem uma escala decrescente de afetividade,
responsável pelo tom mais objetivo adotado ao final do texto.
38. É correto afirmar que a autora da carta
(A) fala da família, do trabalho e da religião mas omite informações a respeito de seus delitos, tema sobre o qual não há dados
específicos no relato.
(B) enfrentou dificuldades financeiras e problemas de relacionamento com os pais durante a infância, o que se infere da baixa
remuneração normalmente oferecida aos que trabalham nas funções que desempenhou e dos diferentes deslocamentos que se
viu compelida a fazer.
(C) utiliza inúmeros artifícios para comprovar sua religiosidade, embora suas atitudes, seja no contexto familiar, seja no contexto
social, destoem daquelas idealizadas para alguém temente a Deus.
(D) pouco revela sobre seu cotidiano na penitenciária, mas permite entrever, em diferentes passagens, sérias críticas às condições de
sobrevivência no sistema prisional brasileiro.
(E) manifesta certa crença em um recomeço, embora não inclua em seus planos ações ou atitudes distintas das de sua vida
pregressa.
39. Respeita o sentido original e as regras de pontuação vigentes a seguinte reescrita de fragmento do texto:
(A) Fui pra cadeia com 23 – 1973, sai com 30 (– 1981). Eu queria volta a viver, mais a sociedade, não deixou.
(B) Ela tem um pequeno problema que para os homens, é dificio mais, para Deus, não é nada.
(C) Comecei a trabalha, de domestica, comesei a conhecer outro tipo de pessoas; que era muito deferente da minha vidinha, da
rossa, comecei a sair, de noite, conhecer rapazes deferente, bom, resumindo fui mãe com 20 anos.
(D) Ate a idade de 14 anos, eu fui uma menina que trabalhava na rossa, era crente... Aí, meus pais resolveram a se muda para
Campinas. É a cidade que vivo ate hoje; aí foi que tudo começou.
(E) Não tive medo. Continuei na luta, ate de boia fria. Eu tentei, até que um dia, fui trabalha de camareine em um hotel perto, da
rodoviaria.
40. Considere:
I. é a cidade que vivo ate hoje
O elemento acima destacado
(A) respeita os ditames do padrão escrito culto do português do Brasil.
(B) pode ser substituído por “aonde”, preservando o sentido original e a correção gramatical.
(C) pode ser substituído por “em que”, preservando o sentido original e a correção gramatical.
(D) é equivalente,por força de seu sentido no contexto, a “conforme”.
(E) está apropriado às regras gramaticais, mas deveria contar com o reforço de “nela”: “que vivo nela”.
Considere o texto abaixo para responder às questões de números 41 a 45.
A mulher do vizinho
Contaram-me que, na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército, morava (ou mora)
também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do
general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco.
O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia.
O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica
de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à
delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:
−O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa
chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa
chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem
menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura
lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei
como tratar gringos feito o senhor.
Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com
delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio:
−Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?
O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
−Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são
moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique
sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou?
Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente:
−Da ativa, minha senhora?
E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado:
−Da ativa, Motinha! Sai dessa...
(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Record, 1991)
41. A temática principal do conto é
(A) a relação conturbada entre estrangeiros ilegais e as autoridades constituídas.
(B) o funcionamento das patentes militares do exército brasileiro.
(C) a falta de educação das crianças da época.
(D) o abuso de poder, de maneira a reafirmar as autoridades constituídas.
(E) o rígido cumprimento das leis por parte dos cidadãos.
42. No texto,
(A) o julgamento apressado do delegado deveu-se, entre outras razões, à aparência humilde do sueco.
(B) a reação do delegado é adequada ao prejuízo material causado pelo jogo de bola das crianças.
(C) o delegado muda seu julgamento ao perceber a polidez demonstrada pelas atitudes do sueco.
(D) o autor desenvolve uma crítica à educação contemporânea, pautada no comportamento das crianças.
(E) a mulher esclarece que o general mencionado no 1o parágrafo é seu pai, com a mesma delicadeza de seu marido.
43. Depreende-se corretamente do texto que o delegado
(A) torna-se acanhado diante da filha de um general, embora se mostrasse prepotente de início.
(B) encontra na figura do escrivão seu último recurso para resolver o problema.
(C) espera com sarcasmo pela intervenção da esposa do sueco.
(D) não se importa com diferenças hierárquicas por seu caráter constante.
(E) usa a expressão latina dura lex! a fim de demonstrar sua imparcialidade.
44. ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos que o grifado acima está empregado em:
(A) ... que existe uma coisa chamada EXÉRCITO...
(B) ... como se isso aqui fosse casa da sogra?
(C) ... compareceu em companhia da mulher à delegacia...
(D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
(E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
45. Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está corretamente substituído por um pronome em:
(A) ... sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
(B) ... erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes desalentado
(C) ... que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhecê-lo?
(D) ... não parecia ser um importante industrial... − não parecia ser-lhe
(E) incomodaram o general... − incomodaram-no
46. Os sinais de pontuação estão empregados corretamente em:
(A) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
(B) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
(C) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
(D) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas.
(E) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de
tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas, de vendas associadas aos dois temas.
47. Leia o texto a seguir.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu ...... cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do
procedimento de Camilo. Vimos que ...... cartomante restituiu-lhe ...... confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que
fez.
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Globo, 1997, p. 6)
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada:
(A) à – a – a
(B) a – a – à
(C) à – a – à
(D) à – à – a
(E) a – à – à
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 48 a 50.
Os trabalhadores passaram mais tempo na escola, elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em
andamento ou concluído. Ou seja, houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. E muitos profissionais podem ter ingressado no
nível mais elevado de escolaridade, mas com o mesmo salário, o que reduz a média de ganho da categoria. "Nos últimos anos, as
pessoas ficaram mais tempo na escola e a oferta de profissionais com ensino médio e superior aumentou. O crescimento da
escolaridade também foi impulsionado pelo aumento do número de universidades privadas", disse Naercio.
(Disponível em: http://exame.abril.com.br/ brasil/noticias/mais-escolarizados-perdem-8-da-renda-de-2002-para-2011. Texto adaptado)
48. No texto, o autor assinala que
(A) as vagas de ensino médio aumentaram mais, proporcionalmente, do que as de ensino superior.
(B) o ensino médio em andamento ou concluído constitui a faixa de escolaridade da maioria da população brasileira atual.
(C) o crescimento da escolaridade está relacionado aos incentivos recebidos pelos trabalhadores das empresas privadas.
(D) muitos profissionais conquistaram nível mais elevado de escolaridade, o que acarretou ganhos salariais.(E) o número de trabalhadores com nível de escolaridade superior ou médio aumentou.
49. O trecho elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em andamento ou concluído, de acordo com o contexto,
expressa
(A) concessão.
(B) consequência.
(C) restrição.
(D) justificativa
(E) oposição.
50. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola...
O segmento grifado acima possui a mesma função sintática que o destacado em:
(A) ... o que reduz a média de ganho da categoria.
(B) ... houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe.
(C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado...
(D) ... elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio...
(E) ... impulsionado pelo aumento do número de universidades...
GABARITO
031 - E
032 - A
033 - C
034 - C
035 - B
036 - B
037 - A
038 - A
039 - D
040 - C
041 - D
042 - A
043 - A
044 - D
045 - E
046 - B
047 - A
048 - E
049 - B
050 – C
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 1 a 5.
A mulher do vizinho
Contaram-me que, na rua onde mora (ou morava) um
conhecido e antipático general de nosso Exército, morava (ou
mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando
futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola
no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência,
pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos
filhos do sueco.
O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e
intimou-o a comparecer à delegacia.
O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo
aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande
fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era.
Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da
mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha
a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte:
−O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste
país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa
coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe
que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma
coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de
respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem
mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso
aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei,
ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez
que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo
em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor.
Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o
olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu
(com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher
do sueco interveio:
−Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido?
O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento.
−Pois então fique sabendo que eu também sei tratar
tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos
são moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que
viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando.
E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um
major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM
GENERAL! Morou?
Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em
seco e balbuciar humildemente:
−Da ativa, minha senhora?
E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo
os braços desalentado:
−Da ativa, Motinha! Sai dessa...
(Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro:
Record, 1991).
1. A temática principal do conto é
(A) a relação conturbada entre estrangeiros ilegais e as
autoridades constituídas.
(B) o funcionamento das patentes militares do exército
brasileiro.
(C) a falta de educação das crianças da época.
(D) o abuso de poder, de maneira a reafirmar as autoridades
constituídas.
(E) o rígido cumprimento das leis por parte dos cidadãos.
_________________________________________________________
2. No texto,
(A) o julgamento apressado do delegado deveu-se, entre
outras razões, à aparência humilde do sueco.
(B) a reação do delegado é adequada ao prejuízo material
causado pelo jogo de bola das crianças.
(C) o delegado muda seu julgamento ao perceber a
polidez demonstrada pelas atitudes do sueco.
(D) o autor desenvolve uma crítica à educação contemporânea,
pautada no comportamento das crianças.
(E) a mulher esclarece que o general mencionado no 1o
parágrafo é seu pai, com a mesma delicadeza de
seu marido.
_________________________________________________________
3. Depreende-se corretamente do texto que o delegado
(A) torna-se acanhado diante da filha de um general,
embora se mostrasse prepotente de início.
(B) encontra na figura do escrivão seu último recurso
para resolver o problema.
(C) espera com sarcasmo pela intervenção da esposa
do sueco.
(D) não se importa com diferenças hierárquicas por seu
caráter constante.
(E) usa a expressão latina dura lex! a fim de demonstrar
sua imparcialidade.
_________________________________________________________
4. ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos
filhos do sueco.
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de
complementos que o grifado acima está empregado em:
(A) ... que existe uma coisa chamada EXÉRCITO...
(B) ... como se isso aqui fosse casa da sogra?
(C) ... compareceu em companhia da mulher à delegacia...
(D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro...
(E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento
5. Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado
está corretamente substituído por um pronome em:
(A) ... sei tratar tipos como o senhor. −sei tratá-lo
(B) ... erguendo os braços desalentado... −erguendo-
-lhes desalentado
(C) ... que tem de conhecer as leis do país? −que tem
de conhecê-lo?
(D) ... não parecia ser um importante industrial... −não
parecia ser-lhe
(E) incomodaram o general... −incomodaram-no
_________________________________________________________
6. Leia o texto a seguir.
Para a próxima década, os Estados Unidos ...... um excelente
orçamento de exportações. Para os otimistas, 10%
...... uma meta possível. Por outro lado, cerca de 20 milhões
de norte-americanos não ...... que essa realidade
seja possível.
Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, na
ordem dada:
(A) prometem – parecem – acreditam
(B) promete – parecem – acredita
(C) prometem – parece – acreditam
(D) promete – parece – acredita
(E) prometem – parece – acredita
_________________________________________________________
7. Leia o fragmento a seguir.
Naquela noite, a moça vem para casa se sentindo muito
feliz; mesmo que o rapaz não queira, seus olhos só têm
olhos para ela.
Substituindo-se vem por viria, a frase se manterá correta
caso os verbos sublinhados sejam substituídos, respectivamente,
por
(A) quisesse −terão.
(B) quiser −tiveram.
(C) quiser −tivera.
(D) quisesse −teriam.
(E) quisesse −terá.
_________________________________________________________
8. O termo entre parênteses preenche corretamente a lacuna
da frase:
(A) As primeiras viagens exploratórias da Coroa
portuguesa ......(com que) se tem notícia foram
registradas somente em 1796.
(B) Uma das maiores manifestações culturais ...... (por
que) é conhecida a cidade de Parintins é o Festival
Folclórico.
(C) Parintins localiza-se na margem direita do rio
Amazonas ...... (cuja as) águas oferecem excelentes
condições de navegação.
(D) A toada é um velho estilo musical ...... (em que) se
executa principalmente na época do Festival
Folclórico.
(E) Materiais de exportação, como a juta ...... (de que)
foi trazida pelos japoneses, são usados nafabricação de acessórios dos dançarinos do Festival
Folclórico.
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 9 a 12.
Como escreveu no começo do século 20 aquele infame
senhor russo de cavanhaque, o que fazer? Eu tenho um fraco
por esta moçada corajosa que agita no começo do século 21,
que vai para a rua, que vai para a praça protestar por liberdade
e também para denunciar fraude eleitoral e corrupção. Não sou
tão ingênuo e emocional a ponto de me comover com a moçada
do “occupy Wall Street” (teve até liberdade demais), mas,
quando se trata do pessoal que passa o sufoco no centro de
Moscou ou na praça Tahrir, no Cairo, é outra história. Sei, sei,
há uma longa distância entre Moscou e Cairo, mas nos dois
casos existe o que alguns de forma pejorativa chamam de Geração
Facebook. Eu não.
É chato quando a fadiga com um sistema de lei e ordem,
como o de Putin, leva tanta gente a sonhar com outros
pregando projetos ainda mais autoritários e nostálgicos. Imagine,
Putin quer restaurar glórias passadas do império russo e,
ainda por cima, vemos estes avanços de comunistas e da
extrema direita? Claro que sobra a solidariedade com a moçada
que foi para a rua protestar.
Pouco conheço, mas em princípio não tenho nada contra
o blogueiro russo Alexei Navalnyi, um cruzado contra a
corrupção, detido terça-feira em Moscou, assim como centenas
de manifestantes, e condenado a 15 dias de prisão. Seu crime?
Basicamente popularizar a expressão “partido de escroques e
ladrões”, ao se referir ao partido governista Rússia Unida. Chato
é que, no final das contas, embora este partido do poderoso
chefão Vladimir Putin tenha sido humilhado nas eleições
parlamentares de domingo (sem fraude, o estrago teria sido
maior), os comunistas e a extrema direita tenham avançado. A
ironia é quando Putin passa a ser uma espécie de centrista.
Dá um certo prazer, é verdade, ver Putin suar um pouco,
como qualquer ditador ou semiditador. O senador republicano
americano John McCain, que não é exatamente Geração
Facebook, tuitou de forma provocativa na terça-feira o seguinte:
“Querido Vlad (Vladimir Putin), a primavera árabe está chegando
a uma vizinhança perto de você”.
(Texto adaptado. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/
nova-york/se-cao/facebook/. )
9. Com o uso da expressão ... um cruzado contra a corrupção...
o autor visa a
(A) denunciar as irregularidades eleitorais ocorridas.
(B) ironizar a fragilidade de Vladimir Putin.
(C) enfatizar o engajamento político de Alexei Navalnyi.
(D) respaldar a opinião do senador John MacCain.
(E) fazer referência à situação política do Cairo.
_________________________________________________________
10. ... tuitou de forma provocativa na terça-feira...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
frase acima está grifado em:
(A) Não sou tão ingênuo e emocional...
(B) ... sem fraude, o estrago teria sido maior...
(C) Imagine, Putin quer restaurar glórias passadas...
(D) ... que foi para a rua protestar.
(E) Dá um certo prazer, é verdade...
11. No texto, pode-se afirmar que as aspas, nos 3o e 4o
parágrafos, assinalam
(A) a ironia do autor diante da fala de outros.
(B) uma ressalva diante da fala de outros.
(C) o realce de certas expressões em língua estrangeira.
(D) dúvidas do autor em relação ao acontecimento
tratado.
(E) a citação exata das falas de outras pessoas no texto.
_________________________________________________________
12. No texto, é citada a seguinte frase do senador republicano
americano John McCain: “Querido Vlad (Vladimir Putin), a
primavera árabe está chegando a uma vizinhança perto de
você”. Essa fala
(A) mostra que McCain é corrupto como Putin.
(B) ironiza a situação vivida por Putin.
(C) revela a solidariedade entre McCain e os jovens que
atacam Putin.
(D) indica a solidariedade de McCain com o blogueiro
Alexei Navalnyi.
(E) brinca com a falta de traquejo de McCain com a
internet.
_________________________________________________________
13. Leia o fragmento a seguir.
Os dois elevadores entraram em pane ao mesmo tempo e
todo mundo precisou usar a escada. Por sorte dos
moradores e visitantes, o prédio, antigo, só tinha seis
andares, e ninguém se estafava em demasia para subir ao
seu andar; ...... os idosos, claro, mas esses, não
precisando sair todos os dias obrigatoriamente, ...... muito
bem esperar o conserto sem inconvenientes insuportáveis.
Talvez até que ficarem retidos em casa por um ou dois
dias ...... em benefício para eles, por mantê-los afastados
dos perigos das ruas, mesmo sendo contra a vontade.
(Adaptado de: José J. Veiga, Vestido de fustão. In: Objetos
turbulentos. São Paulo: Editora Bertrand Brasil, 1997, p. 53)
Preenchem corretamente as lacunas do trecho acima, na
ordem dada:
(A) há −poderão −resultavam
(B) há −poderia −resulte
(C) havia −poderiam −resultasse
(D) haviam −poderiam −resultasse
(E) havia −poderia −resultariam
14. Os sinais de pontuação estão empregados corretamente
em:
(A) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e
a construção de tabelas Price; mas por outro lado,
faltou falar das metas de vendas associadas aos
dois temas.
(B) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e
a construção de tabelas Price; mas, por outro lado,
faltou falar das metas de vendas associadas aos
dois temas.
(C) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e
a construção de tabelas Price, mas por outro lado,
faltou falar das metas de vendas associadas aos
dois temas.
(D) Duas explicações do treinamento para consultores
iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e
a construção de tabelas Price, mas, por outro lado,
faltou falar das metas de vendas associadas aos
dois temas.
(E) Duas explicações, do treinamento para consultores
iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e
a construção de tabelas Price, mas por outro lado,
faltou falar das metas, de vendas associadas aos
dois temas.
_________________________________________________________
15. Leia o texto a seguir.
Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu
...... cartomante para consultá-la sobre a verdadeira
causa do procedimento de Camilo. Vimos que ...... cartomante
restituiu-lhe ...... confiança, e que o rapaz repreendeu-
a por ter feito o que fez.
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio
de Janeiro: Globo, 1997, p. 6)
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
(A) à – a – a
(B) a – a – à
(C) à – a – à
(D) à – à – a
(E) a – à – à
16. Leia o fragmento a seguir.
Ao produzir uma evolução reconhecida na distribuição de
renda, o desenvolvimento dos últimos anos jogou uma
massa de milhões de famílias para aquele universo da
chamada nova classe média, a classe C. São pessoas
com novas preocupações e prioridades. Uma delas é que,
com uma renda maior, às vezes só um pouco maior, passam
a pagar impostos maiores – e sentem-se no direito de
fazer exigências mais elevadas junto aos poderes públicos.
(Disponível em: http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/
colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE)
É a ideia central desse parágrafo:
(A) Os impostos aumentaram para todas as classes, inclusive
a chamada “classe C”.
(B) O desenvolvimento dos últimos anos se deve a uma
maior cobrança de impostos.
(C) A classe C passou a enfrentar outros percalços,
visto que se sentiu lesada com a distribuição de
renda.
(D) O poder público precisa estar mais atento às demandas
da classe C.
(E) Devido à distribuiçãode renda, a exigência do
segmento da população que passou a pagar mais
impostos aumentou.
_________________________________________________________
17. Leia o fragmento a seguir.
Reunida com os governadores, a presidente Dilma propôs
um pacto fiscal, ...... faltou dizer o que o governo federal
pensa em fazer ...... suas contas, que andam confusas. Na
área de transporte, disse que investirá R$ 50 bi em
mobilidade urbana; não explicou, ...... , de onde viria esse
dinheiro. Olhando o orçamento, em 12 anos, o país investiu
apenas R$ 1,1 bi nessa área, 19% do que estava previsto,
........... cálculos do site Contas Abertas. A presidente
anunciou ainda a desoneração do óleo diesel, que
também não resolve.
(Disponível em: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/)
Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, na
ordem dada:
(A) porém −no que tange a −por um lado −como
(B) mas −em relação às −porém −segundo
(C) e −para −mas −contra
(D) porém −a respeito de −e −contra
(E) mas −com −no entanto −sobre
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 18 a 20.
Os trabalhadores passaram mais tempo na escola, elevando
a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em
andamento ou concluído. Ou seja, houve mais ofertas de
trabalhadores dessa classe. E muitos profissionais podem ter
ingressado no nível mais elevado de escolaridade, mas com o
mesmo salário, o que reduz a média de ganho da categoria.
"Nos últimos anos, as pessoas ficaram mais tempo na escola e
a oferta de profissionais com ensino médio e superior
aumentou. O crescimento da escolaridade também foi impulsionado
pelo aumento do número de universidades privadas",
disse Naercio.
(Disponível em: http://exame.abril.com.br/ brasil/noticias/
mais-escolarizados-perdem-8-da-renda-de-2002-para-2011.
Texto adaptado)
18. No texto, o autor assinala que
(A) as vagas de ensino médio aumentaram mais, proporcionalmente,
do que as de ensino superior.
(B) o ensino médio em andamento ou concluído constitui
a faixa de escolaridade da maioria da população
brasileira atual.
(C) o crescimento da escolaridade está relacionado aos
incentivos recebidos pelos trabalhadores das empresas
privadas.
(D) muitos profissionais conquistaram nível mais elevado
de escolaridade, o que acarretou ganhos salariais.
(E) o número de trabalhadores com nível de escolaridade
superior ou médio aumentou.
_________________________________________________________
19. O trecho elevando a fatia dos brasileiros com ensino
médio e superior em andamento ou concluído, de acordo
com o contexto, expressa
(A) concessão.
(B) consequência.
(C) restrição.
(D) justificativa.
(E) oposição.
_________________________________________________________
20. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola...
O segmento grifado acima possui a mesma função
sintática que o destacado em:
(A) ... o que reduz a média de ganho da categoria.
(B) ... houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe.
(C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado...
(D) ... elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio...
(E) ... impulsionado pelo aumento do número de universidades...
GABARITO
001 - D
002 - A
003 - A
004 - D
005 - E
006 - A
007 - D
008 - B
009 - C
010 - D
011 - E
012 - B
013 - C
014 - B
015 - A
016 - E
017 - B
018 - E
019 - B
020 – C
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 1 a 10.
Um filme é uma criatura muito especial, muito específica,
nascida das mesmas vontades antigas que levaram nossos
antepassados a narrar uma caçada ao mamute nas paredes
das cavernas. Num filme está um impulso ao mesmo tempo
mais primitivo que o da leitura e mais tecnologicamente sofisticado
que o do teatro. Como na leitura, queremos narrativas
que alimentem a nossa imaginação −mas diferentemente do livro,
onde mundos interiores, paisagens distantes, estados de
espírito ou intenções ocultas podem ser descritos, deixando-a
preencher o vácuo, o filme tem a obrigação de nos mostrar visualmente
cada uma dessas coisas. Como no teatro, ele propõe
a apreciação do movimento, da presença humana, da máscara
do personagem −mas apenas com a intermediação da imagem
captada. E assim, desse jeito tão peculiar, o cinema tem capturado
nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo há mais
de um século.
Nos primórdios do cinema não havia montagem porque
não havia o que montar: encantadas com a novidade da imagem
em movimento, as plateias do final do século XIX contentavam-
se com uma tomada estática, que durava algo em torno
de três minutos. A necessidade de aumentar a duração das
sessões só podia ser resolvida com a adição de mais imagens,
um problema que Edwin Porter resolveu com inventividade. Em
pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na
vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que
iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes:
as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá-
las como uma história linear, com começo meio e fim.
As normas que hoje regem o mercado da produção cinematográfica
mundial não são exatas e rígidas, mas, basicamente,
a filosofia principal é: um filme, mesmo “barato”, é caro;
antes de investir a pequena fortuna necessária para que ele se
torne realidade, há que se tentar ao máximo minimizar os riscos.
E esse processo interessa de perto a nós, os espectadores,
porque são as decisões tomadas durante essa tentativa
que, em última análise, determinam a forma final que um filme
terá, se ele será ousado ou conservador, cheio de estrelas ou
repleto de desconhecidos, rodado em alguma ilha paradisíaca
do Pacífico ou dentro de algum estúdio.
(Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio
de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, formato e-book.)
1. De acordo com o texto, um filme
(A) constitui parte fundamental da cultura moderna, em bora
seja menos importante do que a literatura.
(B) oferece, em comparação com a literatura, mais recursos
para a imaginação, que deve preencher com
coerência aquilo que nele fica apenas sugerido.
(C) é menos atraente do que o teatro, pois neste a presença
humana tem mais impacto; no entanto, é uma
forma de arte mais acessível e democrática.
(D) origina-se do desejo do homem de narrar aquilo que
o rodeia, desejo que o acompanha desde tempos
remotos.
(E) deve ser montado e produzido de forma a criar uma
história linear, verossímil, de modo a conquistar a
atenção do espectador.
2. ...são as decisões tomadas durante essa tentativa... (3o parágrafo)
A tentativa mencionada acima refere-se à necessidade de
(A) dominar os princípios que controlam o mercado da
produção cinematográfica.
(B) baratear ao máximo os custos de uma produção cinematográfica.
(C) minimizar os riscos que produzir um filme oferece.
(D) trazer atores famosos para um filme, o que o tornaria
mais lucrativo.
(E) organizar a história a ser contada de modo convincente
para o espectador.
_________________________________________________________
3. ...mais primitivo que o da leitura... (1o parágrafo)
...convidando o espectador a organizá-las...(2o parágrafo)
...deixando-a preencher o vácuo... (1o parágrafo)
Os elementos sublinhados acima referem-se, na ordem
dada, a:
(A) impulso −imagens −imaginação
(B) tempo −décadas −presença humana
(C) tempo −narrativas −imaginação
(D) filme −plateias −leitura
(E) impulso −imagens −presença humana
_________________________________________________________
4. Infere-se do texto que Edwin Porter foi fundamental, no
âmbito do cinema, para
(A) a trilha sonora.
(B) o diálogo entre personagens.(C) a verossimilhança.
(D) a produção.
(E) a montagem.
_________________________________________________________
5. ...onde mundos interiores... (1o parágrafo)
O elemento sublinhado acima pode ser substituído por:
(A) aos quais
(B) em que
(C) cujos
(D) de que
(E) pelos quais
_________________________________________________________
6. Nos primórdios do cinema não havia montagem porque
não havia o que montar... (2o parágrafo)
O sentido e a correção do segmento acima estão mantidos
em:
(A) Nos primórdios do cinema, não havia montagem
conquanto não havia o que montar.
(B) Como não havia montagem, nos primórdios do cinema
não havia o que montar.
(C) Nos primórdios do cinema, portanto, não havia montagem
ou o que montar.
(D) Porém, nos primórdios do cinema, não havia montagem,
desde que não houvesse o que montar.
(E) Visto que não havia o que montar, não havia montagem
nos primórdios do cinema.
7. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de
um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito
narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo
das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando
o espectador a organizá-las como uma história linear,
com começo meio e fim.
Atente para as afirmações abaixo a respeito do segmento
acima.
I. O sinal de dois-pontos introduz uma decorrência do
que se afirma antes.
II. Sem prejuízo da correção e do sentido original,
uma continuação para o segmento “as imagens se
sucedem” é: "umas as outras".
III. A vírgula empregada após “linear” precede uma ex plicação.
Está correto o que se afirma APENAS em:
(A) I.
(B) II e III.
(C) I e II.
(D) I e III.
(E) III.
_________________________________________________________
8. O elemento que pode ser suprimido do texto, sem prejuízo
do sentido, da correção e da clareza, encontra-se sublinhado
em:
(A) Como na leitura, queremos narrativas que alimentem
a nossa imaginação...
(B) ...as plateias do final do século XIX contentavam-se...
(C) E esse processo interessa de perto a nós...
(D) ...rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou
dentro de algum estúdio.
(E) ...se ele será ousado ou conservador...
_________________________________________________________
9. O elemento que NÃO é um pronome está sublinhado em:
(A) ...determinam a forma final que um filme terá...
(3o parágrafo)
(B) ...e mais tecnologicamente sofisticado que o do
teatro. (1o parágrafo)
(C) ...que durava algo em torno de três minutos. (2o pa rágrafo)
(D) ...o conceito narrativo que iria dominar o cinema...
(2o parágrafo)
(E) As normas que hoje regem o mercado... (3o parágrafo)
_________________________________________________________
10. Mantendo em linhas gerais o sentido original, uma redação
alternativa para um segmento do texto (a última frase
d o 1o parágrafo), escrita com correção e lógica, está em:
(A) Faz mais de século que, desse modo específico, a
atenção, imaginação e tempo vem sendo captado
pelo cinema.
(B) Dessa maneira tão inexpressiva, nossa atenção,
imaginação e tempo vem sendo captada pelo cine ma
há mais de um século.
(C) Há mais de um século, o cinema prende, desse modo
tão próprio, nossa atenção, nossa imaginação e
nosso tempo.
(D) Nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo,
há séculos tem sido cativados pelo cinema de modo
valoroso.
(E) O cinema que vem captando de forma tão expressiva,
nossa atenção, nossa imaginação e tempo faz
mais de um século.
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 11 a 19.
−E se a vida for como um cardápio? A pergunta pegou
Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou
com o marido em estado reflexivo. −Ora, Alfredo, deixe de
filosofar e escolha logo o prato que vai querer. Os dois haviam
saído para jantar e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde
se pode ver um cantinho de céu e o Redentor. −Rosinha, pense
nas consequências do que estou dizendo. Se a vida for como um
cardápio, nós talvez estejamos escolhendo errado. No lugar da
buchada de bode em que nossas vidas se transformaram, poderíamos
nos deliciar com escargots. Experimentar sabores novos,
mais sofisticados... −Por que a vida seria como um cardápio,
Alfredo? Tenha dó. −E por que não seria? Ninguém sabe de fato
o que é a vida, portanto qualquer acepção é válida, até prova em
contrário. −Benhê, acorda. Ninguém vai aparecer para servir o
seu cardápio imaginário. Na vida, a gente tem que ir buscar. A
vida é mais parecida com um restaurante a quilo, self-service,
entende? −Boa imagem. Concordo com o restaurante a quilo. É
assim para quase todo mundo. Mas, quando evoluímos um pouco,
chega a hora em que podemos nos servir à la carte. Rosinha,
nós estamos nesse nível. Podemos fazer opções mais ousadas.
−Alfredo, se você está querendo aventuras, variar o arroz com
feijão, seja claro. Não me venha com essa conversa de cardápio
existencial. Além disso, se a nossa vida virou uma buchada de
bode, com quem você pensa experimentar essa coisa gosmenta,
o tal escargot? −Querida, não reduza minhas ideias a uma trivial
variação gastronômica. Minha hipótese, caso correta, tem implicações
metafísicas. Se a vida for como um cardápio, do outro
lado teria que existir o Grand Chef, o criador do menu. −Alfredo,
fofo, agora você viajou na maionese. É o cúmulo querer reconstruir
o imaginário religioso baseado no funcionamento de um
restaurante. Só falta você dizer que, nesse seu céu, os anjos são
os garçons! Nesse momento, dois chopes desceram sobre a
mesa. Flutuaram entre as mãos alvas, quase diáfanas, de um
dos velhos garçons do Bar Lagoa. Alfredo e Rosinha trocaram
olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não
haviam pedido nada, o garçom falou com voz grave: −Cortesia
da casa. Já olharam o cardápio?
(FARIA, Antônio Carlos de. "Cardápio existencial". Disponível
em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult686u141.shtml)
11. De acordo com o texto,
(A) embora Rosinha negue-se, de início, a dar prosseguimento
à discussão de Alfredo, termina por
oferecer-lhe a metáfora que define seus objetivos
como casal, o restaurante a quilo, em que se pode
escolher o que se deseja.
(B) a discussão entabulada por Alfredo, que estabelece
uma equivalência entre a vida e a dinâmica do restaurante,
encontra oposição na voz de Rosinha,
cujos argumentos apenas se confirmam com a
reviravolta ao fim do texto.
(C) articula-se, em forma de diálogo, a comparação da
vida a um cardápio de restaurante, cujas possibilidades
abrem espaço para o questionamento de nosso
livre arbítrio.
(D) ainda que a comparação com um cardápio tenha um
caráter bastante material, leva os interlocutores do
diálogo a pensarem em suas implicações metafísicas,
a ponto de esquecerem que pediram dois
chopes ao garçom.
(E) revela-se, a partir da discussão entre um casal, a
tentativa de compreensão do destino que é assinalado
a todos, o qual restringe as escolhas e as
possibilidades de mudança na vida dos personagens.
12. ...deixe de filosofar e escolha logo o prato que vai querer.
No lugar da buchada de bode em que nossas vidas se
transformaram...
...quando evoluímos um pouco, chega a hora em que podemos
nos servir à la carte.
Os pronomes sublinhados nos segmentos acima referem-
-se, respectivamente, a:
(A) prato / buchada de bode / hora
(B) prato / lugar / restaurante a quilo
(C) Alfredo / cardápio / hora
(D) Alfredo / buchada de bode / restaurante a quilo
(E) prato / cardápio / hora
_________________________________________________________
13. Alfredo e Rosinha trocaram olhares de espanto e antes
que pudessem dizer que ainda não haviam pedido nada, o
garçomfalou com voz grave...
Transpondo-se o verbo sublinhado para o presente do
indicativo, mantém-se a correlação verbal da frase em:
(A) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes
que pudessem dizer que ainda não tenham pedido
nada, o garçom fala com voz grave...
(B) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes
que poderem dizer que ainda não pediram nada,
o garçom fala com voz grave...
(C) Alfredo e Rosinha vão trocar olhares de espanto e
antes que tenham podido dizer que ainda não
escolhiam nada, o garçom vai falar com voz grave...
(D) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes
que possam dizer que ainda não pediram nada,
o garçom fala com voz grave...
(E) Alfredo e Rosinha estão trocando olhares de espanto
e antes que tenham podido dizer que ainda não
pedem nada, o garçom fala com voz grave...
_________________________________________________________
14. Ninguém sabe de fato o que é a vida...
Querida, não reduza minhas ideias...
Podemos fazer opções mais ousadas.
Os trechos sublinhados são corretamente substituídos por
pronomes em:
(A) Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza
/ Podemo-las fazer
(B) Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza
/ Podemos as fazer
(C) Ninguém a sabe de fato / Querida, não reduza-as /
Podemos fazê-las
(D) Ninguém o sabe de fato / Querida, não nas reduza
/ Podemos fazê-lo
(E) Ninguém o sabe de fato / Querida, não as reduza
/ Podemos fazê-las
15. ...qualquer acepção é válida, até prova em contrário.
Na frase acima, a relação do segmento sublinhado com o
que o antecede é de
(A) causa, uma vez que a prova em contrário restringe a
validade da acepção.
(B) condição, pois, se houver prova em contrário, a
acepção deixa de ser válida.
(C) temporalidade, pois somente quando houver prova é
que será válida a acepção.
(D) finalidade, pois indica o limite que pode ser alcançado
pela acepção.
(E) concessão, uma vez que oferece uma oposição atenuada
à acepção válida.
_________________________________________________________
16. A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os
olhos do menu e se deparou com o marido em estado
reflexivo.
As frases acima estão reescritas em um único período,
mantendo-se a coerência e a correção, em:
(A) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, uma vez
que ela levantou os olhos do menu para deparar-se
com o marido em estado reflexivo.
(B) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, de maneira
que ela levantou os olhos do menu, deparando com
o marido em estado reflexivo.
(C) Depois que a pergunta pegou Rosinha de surpresa,
ela levantou os olhos do menu, pois se deparou com
o marido em estado reflexivo.
(D) Quando a pergunta pegou Rosinha de surpresa, levantou
os olhos do menu, deparando-se, todavia,
com o marido em estado reflexivo.
(E) Embora a pergunta pegasse Rosinha de surpresa,
levantou os olhos do menu, deparando com o
marido em estado reflexivo.
_________________________________________________________
17. A frase que pode ser transposta para a voz passiva encontra-
se em:
(A) Podemos fazer opções mais ousadas.
(B) Por que a vida seria como um cardápio, Alfredo?
(C) Nesse momento, dois chopes desceram sobre a
mesa.
(D) Concordo com o restaurante a quilo.
(E) Não me venha com essa conversa de cardápio existencial.
_________________________________________________________
18. Caso o segmento sublinhado seja substituído pelo que está
entre parênteses, o verbo que deverá sofrer alteração
encontra-se em:
(A) Ninguém vai aparecer para servir o seu cardápio
imaginário... (os pratos solicitados)
(B) ...do outro lado teria que existir o Grand Chef... (uma
equipe de cozinheiros)
(C) ...não reduza minhas ideias a uma trivial variação
gastronômica... (variações gastronômicas)
(D) Minha hipótese, caso correta, tem implicações
metafísicas... (uma decorrência espiritual)
(E) ...se a nossa vida virou uma buchada de bode...
(nossas vidas)
19. As frases abaixo referem-se à pontuação do texto.
I. Com as devidas alterações, no segmento...tem implicações metafísicas. Se a vida for como um cardápio..., pode-se
substituir o ponto final por dois-pontos, uma vez que a ele se segue uma explicação.
II. Na frase Ora, Alfredo, deixe de filosofar e escolha logo o prato, o termo sublinhado pode ser substituído por uma vírgula.
III. No segmento ...e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde se pode ver um cantinho de céu..., pode-se acrescentar
uma vírgula imediatamente após estavam.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e III.
(B) I.
(C) I e II.
(D) II e III.
(E) III.
20. A vida é semelhante ...... um restaurante a quilo, ...... vamos buscar o que desejamos. Cabe ...... percepção de cada um discernir
o que é melhor para si.
Preenche corretamente as lacunas da frase acima o que está em:
(A) à −de que −a
(B) à −onde −à
(C) a −aonde −a
(D) a −em que −à
(E) a −a que −a
GABARITO
001 – D 002 – C 003 – A 004 – E 005 – B 006 – E 007 – D 008 – A 009 – B 010 - C
011 – C 012 – A 013 – D 014 – E 015 – B 016 – B 017 – A 018 – E 019 – C 020 – D
Para responder às questões de números 1 a 5, considere
o texto abaixo.
A população mundial, que superou a marca de 7 bilhões
de pessoas, ganhará 2 bilhões de habitantes até 2050. A necessidade
de nutrir 9 bilhões de bocas significa que a produção de
comida terá de dobrar nos próximos quarenta anos, segundo
projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura
e Alimentação (FAO). Como há relativamente poucas fronteiras
aráveis novas para serem exploradas pela agricultura, os
fazendeiros mundiais terão de, praticamente, dobrar a produção
de áreas usadas atualmente. A resposta a esse desafio exigirá
uma nova revolução verde, similar à da década de 60, quando
houve um salto na produtividade graças à utilização de
defensivos, fertilizantes e técnicas modernas de plantio. Para
muitos especialistas, a segunda revolução já está em curso.
O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos
grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e
na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será
possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da
redução do desperdício e também da modernização da agricultura
nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços
na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento
genético convencional por meio de cruzamentos das
espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas.
A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com
variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas,
de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as
ervas daninhas.
(Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de
2011, p. 170-171)
1. A ideia central do texto está exposta em:
(A) A oferta de alimentos necessários para nutrir a atual
população mundial de 7 bilhões.
(B) As metas para o futuro desenvolvimento de uma
agricultura sustentável no planeta.
(C) O previsível aumento da demanda por alimentos, especialmente
proteínas, em países asiáticos.
(D) As condições para alimentar uma população mundial
que chegará a 9 bilhões em 2050.
(E) Os futuros investimentos em biotecnologia para garantir
alimentos, em 2050, em todo o planeta.
2. De acordo com o texto, entende-se como desafio:
(A) diversificar a oferta de alimentos, para evitar a demanda
específica por proteínas, como ocorre nos
países em desenvolvimento.
(B) atender à procura por proteínas em países em desenvolvimento,
mesmo utilizando regiões ainda intocadas,
impróprias para a agricultura.
(C) transformar em áreas produtivas as regiões ainda
não destinadas à agricultura, como formade saciar a
fome em todo o mundo.
(D) estimular o uso de defensivos agrícolas, para ampliar
a capacidade de produção de terras ainda não
devidamente cultivadas.
(E) duplicar a produção mundial de alimentos, embora
haja poucas áreas ainda não exploradas que possam
ser destinadas à agricultura.
_________________________________________________________
3. O salto na produtividade observado na década de 60 se
deu em razão
(A) do uso de defensivos, fertilizantes e técnicas modernas
de plantio, que resultaram em uma revolução
verde.
(B) do aumento no consumo de proteína nos grandes
países em desenvolvimento.
(C) dos esforços para a redução do desperdício e também
da modernização da agricultura nos países
mais atrasados.
(D) da previsão de ampliação no número da população
mundial, que já superou a marca de 7 bilhões de
pessoas.
(E) da constatação da existência de poucas fronteiras
aráveis novas para serem exploradas pela agricultura.
_________________________________________________________
4. A resposta a esse desafio exigirá uma nova revolução
verde, similar à da década de 60 ... (1o parágrafo)
A semelhança, apontada na frase acima, entre a chamada
revolução verde e a nova revolução, está
(A) nas novas áreas destinadas à agricultura nos países
mais atrasados.
(B) na demanda por proteínas em alguns países em
desenvolvimento.
(C) nas inovações técnicas e tecnológicas voltadas para
a agricultura.
(D) na ampliação do uso das áreas já destinadas
atualmente à agricultura.
(E) no uso de pesticidas para o controle de pragas que
afetam a produção.
_________________________________________________________
5. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e
também da modernização da agricultura nos países mais
atrasados. (2o parágrafo)
O emprego do pronome grifado acima evita a repetição,
no texto, do segmento:
(A) A primeira é o melhoramento genético convencional.
(B) será possível suprir essa demanda.
(C) há relativamente poucas fronteiras aráveis novas.
(D) a segunda revolução já está em curso.
(E) A população mundial (...) ganhará 2 bilhões de habitantes
até 2050.
6. No início, a argumentação contrária ao plantio de sementes
transgênicas se ...... na questão do risco à saúde
humana. Como não ...... problemas, a visão agora é de
que o avanço das lavouras transgênicas ...... a biodiversidade.
As lacunas acima estarão corretamente preenchidas, na
ordem dada, por:
(A) concentrava - surgiu - reduzem
(B) concentravam - surgiu - reduzem
(C) concentrava - surgiram - reduz
(D) concentrava - surgiram - reduzem
(E) concentravam - surgiram - reduz
_________________________________________________________
7. O Brasil é um país que ainda possui grandes extensões
de terras cultiváveis virgens.
As terras cultiváveis virgens são desnecessárias para ampliar
a produtividade.
É possível incrementar a produtividade das áreas agrícolas
existentes.
As frases acima estão articuladas em um único período,
com correção, clareza e lógica, em:
(A) Ampliar a produtividade das áreas agrícolas existentes
no país, que ainda possui grandes extensões de
terras cultiváveis virgens, e ainda são desnecessárias
para essa ampliação.
(B) O Brasil, que é um país que ainda possui grandes
extensões de terras cultiváveis virgens, o que é desnecessário
na ampliação da produtividade das áreas
agrícolas existentes.
(C) As grandes extensões de terras cultiváveis virgens,
embora elas existam no Brasil, é desnecessário para
ampliar a produtividade das áreas já existentes no
país.
(D) O Brasil ainda possui grandes extensões de terras
cultiváveis virgens, que, entretanto, são desnecessárias
para ampliar a produtividade, pois é possível
incrementá-la nas áreas agrícolas existentes.
(E) Como existem as áreas agrícolas, em relação as
grandes extensões de terras cultiváveis virgens, elas
são desnecessárias para a ampliação da produtividade
nessas já existentes.
Para responder às questões de números 8 a 13,
considere o texto abaixo.
Ao ler o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) muitas pessoas
podem achar óbvio e desnecessário um artigo determinando
que os carros devam trafegar pelo lado direito das ruas.
Também parece claro que os pedestres devem ter uma área
específica para atravessar (as faixas), que os veículos precisam
ter cintos de segurança e as vias tenham de ser sinalizadas.
Mas o trânsito que vemos hoje é justamente o resultado de
avanços de uma legislação que chegou aos 100 anos.
A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada
em 1910, pelo então presidente Nilo Peçanha, e tinha o objetivo
de traçar regras para o transporte de passageiros e de cargas.
Tudo isso em uma época em que os carros particulares eram
raridade, assim como as ruas e avenidas. Por isso, um dos artigos
previa justamente formas de concessão das vias para a
iniciativa privada e como elas deveriam ser construídas.
Em 1928, uma nova legislação buscou colocar ordem no
trânsito. Nessa época foi determinado o lado de circulação dos
veículos e exigiu-se a instalação de placas com números para
identificá-los – e as ruas ganharam sinalização.
Depois disso, houve quatro códigos de trânsito, o atual
datado de 1997. A cada novo código, surgia a obrigação de novos
equipamentos de segurança, como espelhos retrovisores e
indicadores de direção (setas). No código de 1966 já estavam
presentes o cinto de segurança e as faixas de pedestres. Até
hoje, as autoridades lutam para que pedestres sejam respeitados
nessas faixas.
(Adaptado de: Renato Machado. O Estado de S. Paulo, Cidades/
Metrópole, C7, 20 de junho de 2010)
8. A afirmativa correta, em relação ao que consta no texto, é:
(A) O atual Código de Trânsito Brasileiro resulta de medidas
que vêm sendo introduzidas e aperfeiçoadas
desde o primeiro deles, redigido há mais de um século.
(B) Mesmo tendo se passado mais de um século, o trânsito
nas ruas e avenidas brasileiras ainda não se encontra
devidamente disciplinado por leis específicas.
(C) As atuais ruas e avenidas, assim como acontecia há
mais de um século, não se encontram devidamente
sinalizadas de modo a facilitar o trânsito de veículos
e pedestres.
(D) Apesar dos avanços em relação aos antigos códigos
de trânsito, o código atual precisa ainda incorporar
novas medidas de proteção aos pedestres.
(E) Os códigos de trânsito mais antigos perderam a
validade de suas determinações em razão do atual
aumento do número de carros nas ruas e avenidas.
_________________________________________________________
9. Deduz-se corretamente do que consta no 2o parágrafo que
as medidas previstas na primeira legislação nacional de
trânsito
(A) abrangiam normas que se tornaram permanentes
nos códigos seguintes, como a necessidade de faixas
para a travessia de pedestres.
(B) buscavam organizar o trânsito decorrente de um
eventual aumento no número de veículos em circulação.
(C) previam certas regras de segurança para os motoristas
nas ainda precárias ruas e avenidas de uma
cidade.
(D) foram deixadas de lado pelos códigos seguintes, à
medida que surgiam vias de circulação apropriadas
ao trânsito de veículos.
(E) traziam normas que se destinavam principalmente
ao desenvolvimento do transporte no país, com a
construção de ruas e estradas.
10. Considere as afirmativas seguintes, a respeito do emprego
de sinais de pontuação no texto.
I. ... é justamente o resultado de avanços de uma legislação
que chegou aos 100 anos. (1o parágrafo)
Estaria correta a colocação de um sinal de doispontos
após a palavra legislação, para separar o
segmento que chegou aos 100 anos.
II. Os parênteses empregados em (as faixas) – 1o parágrafo– e em (setas) – último parágrafo – isolam
elementos de natureza especificativa.
III. ... e exigiu-se a instalação de placas com números
para identificá-los – e as ruas ganharam sinalização.
(3o parágrafo)
O travessão poderia ser corretamente substituído
por uma vírgula, sem prejuízo da correção e da clareza.
Está correto o que se afirma em
(A) II, apenas.
(B) II e III, apenas.
(C) I, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) I, II e III.
_________________________________________________________
11. Tudo isso em uma época em que os carros particulares
eram raridade, assim como as ruas e avenidas. (2o parágrafo)
A expressão pronominal grifada acima pode ser corretamente
substituída, sem alteração do sentido original, por:
(A) na qual.
(B) nas quais.
(C) nos quais.
(D) em cuja.
(E) aonde.
_________________________________________________________
12. ... que os carros devam trafegar pelo lado direito das ruas.
... que os pedestres devem ter uma área específica para
atravessar...
Os verbos flexionados nos mesmos tempos e modos em
que se encontram os grifados nas frases acima são, respectivamente:
(A) ganham - ganharam
(B) precisam - precisem
(C) determinam - determinem
(D) possam - podem
(E) tenham - teriam
_________________________________________________________
13. A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada em
1910, pelo então Presidente Nilo Peçanha ...
Transpondo a frase acima para a voz ativa, a forma
verbal passará a ser:
(A) deixou assinada.
(B) assina-se.
(C) tinha assinado.
(D) assinou.
(E) tinha sido assinada.
Atenção: Para responder às questões de números 14 e 15,
considere o Texto I e o Texto II, seguintes.
Texto I
Transporte integrado. A expressão transporte integrado aplicase
primeiramente ao transporte público. Envolve uma coordenação
complexa, que liga os serviços de ônibus, trens, metrôs e
trólebus, no intuito de estabelecer uma rede de transportes. Os
trajetos e os horários precisam ser coordenados e o sistema de
cobrança tarifária deve ser unificado. O intercâmbio satisfatório
é essencial, de modo a permitir que os usuários façam as baldeações
de maneira rápida e eficiente nas estações e paradas
através da malha viária urbana. Os sistemas de transporte integrado
oferecem solução para os graves problemas de deslocamento
das massas humanas nas grandes cidades, minimizando
os impactos representados pela poluição, pelo congestionamento
e pelos acidentes de trânsito.
(Transcrito da Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, Empresa
Folha da Manhã S.A., v. 2, p. 956-957, 1996)
Texto II
O metrô é um meio de transporte de imensa importância por
permitir rápida mobilidade a um grande número de usuários.
Seu caráter público eleva a sua seriedade e torna essencial que
sua manutenção e serviço sejam realizados com prioridade.
Em São Paulo o metrô é responsabilidade do governo estadual,
de quem devem ser cobrados suas tarifas e funcionamento. Sua
operação se dá por meio da Companhia do Metropolitano de São
Paulo. Apenas a Linha 4 (a amarela) é gerida por uma empresa
privada, a Via Quatro, sob supervisão do governo estadual.
Por tratar-se de um transporte público, em que devem prevalecer
os preceitos do coletivismo e do bem estar geral, há certas
regras no uso do metrô, como a que recomenda ao usuário manter-
se afastado das portas para facilitar embarque e desembarque,
além de evitar acidentes.
(Adaptado de: www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_
content&view=article&id=1277&Itemi...)
14. Os dois textos, considerando-se o assunto tratado,
(A) apresentam algumas críticas, ainda que estejam diluídas
no contexto, quanto às dificuldades de desloca mento
das pessoas que vivem nas grandes cidades.
(B) se aproximam por oferecerem informações a respeito
da importância de haver transporte rápido e efi ciente
em uma metrópole.
(C) defendem a diminuição da ocorrência do grande
número de acidentes que resultam inevitavelmente de
um movimentado trânsito urbano.
(D) diferem na apresentação de dados sobre a movimentação
de usuários nos percursos oferecidos por
uma extensa rede de transporte público da região
metropolitana.
(E) tratam da necessidade de ampliação da rede de transporte
coletivo que permita o rápido deslocamento da
população, quer para o trabalho, quer para o lazer.
_________________________________________________________
15. Uma informação constante de ambos os textos diz res peito
(A) à integração dos diferentes meios de locomoção,
como as redes de serviços de ônibus e de trens.
(B) à presença de meios diversos de locomoção de
usuários em uma grande cidade.
(C) ao elevado número de acidentes que resultam de
um trânsito intenso e caótico.
(D) às atitudes que devem ser tomadas pelo público nos
veículos destinados ao transporte coletivo.
(E) à necessidade de garantir adequada movimentação
de grande contingente populacional.
Para responder às questões de números 16 a 20,
considere o texto abaixo.
Onde houvesse música jovem, nos anos 60 e 70, lá estaria
o carro, símbolo máximo de independência. Mas algo mudou.
Desde 1990, jovens de países desenvolvidos, como Reino
Unido, Alemanha e Japão, têm dirigido cada vez menos. O fenômeno
até ganhou um nome japonês – kuruma banare, ou
desmotorização. Também nos Estados Unidos, os jovens estão
dirigindo menos, andando mais de bicicleta ou a pé e utilizando
o transporte público. Mesmo aqueles de renda familiar mais elevada
dobraram seus gastos com transporte público entre 2001 e
2009.
A crise global tem seu papel nesse movimento – sem
dinheiro, jovens deixam para depois o casamento, os filhos e o
financiamento da casa própria. Em vez disso, alugam apartamento
perto do trabalho, das compras e da diversão. Substituem
a propriedade por serviços ou trocas. É uma geração que
investe em si mesma. "O automóvel passou a ser identificado
como um produto antigo – afinal seus pais e avós já tinham carro
na garagem", diz Adriana Mariotti, professora da Faculdade
de Economia e Administração da USP, pesquisadora de novas
tecnologias da indústria automotiva. "Além disso, não tem o
mesmo apelo tecnológico de smartphones e tablets e é considerado
o vilão em questões ambientais."
Enquanto as economias avançadas veem o declínio da
posse de bens materiais, em mercados emergentes, como o
brasileiro, jovens que ascenderam à classe média entram no
mercado de consumo e, pela primeira vez, podem comprar bens
mais caros. O resultado é que, em outubro de 2012, o Brasil
superou o Japão como o 3o mercado automobilístico do mundo,
atrás de China e EUA.
(Adaptado de: Alexandre Versignasi, Maurício Horta, Rafael
Quick e Davi Augusto. Superinteressante, dezembro de 2012,
p. 66-68)
16. O texto salienta
(A) a demonstração de alegria e descompromisso originada
da posse de um carro, como marca de prestígio
pessoal e social de jovens, em diferentes países.
(B) o sentimento de propriedade de um carro como fato
ligado a valores culturais familiares, cultivados no
passado, tanto nas economias mais avançadas como
no Brasil.
(C) a tendência das novas gerações em países avançados
a não adquirir automóveis, diferentemente do
que ocorre, por exemplo, no Brasil, em que tem
havido ascensão social.
(D) as consequências econômicas da crise financeira
em todo o mundo, que atingiu especialmente as gerações
mais novas, determinando acentuada queda
no comércio mundial de automóveis.
(E) a percepção, pelos jovens de alguns países mais
avançados, da superficialidade dos valores relacionados
com a posse de um carro, visto como sinônimo
de status social.
17. Depreende-se do texto que a "desmotorização" poderá resultarem
(A) melhoria das condições ambientais, com a redução
da emissão de poluentes.
(B) mudança de valores para os jovens, em relação às
gerações mais velhas.
(C) soluções para a crise econômica desencadeada em
alguns países ricos.
(D) volume maior de gastos com transporte público, afetando
a renda dos trabalhadores.
(E) investimentos em tecnologia destinados à indústria,
inclusive a automobilística.
_________________________________________________________
18. "Além disso, não tem o mesmo apelo tecnológico de
smartphones e tablets e é considerado o vilão em questões
ambientais."
A frase acima, isolada por aspas no 2o parágrafo, deve ser
compreendida como
(A) ressalva que, ao concluir o parágrafo, contraria a
afirmação anterior.
(B) informação que resume o assunto desenvolvido desde
o 1o parágrafo.
(C) intenção de salientar a importância de um fato mediante
sua repetição no contexto.
(D) delimitação da ideia principal do texto, como síntese
da exposição feita.
(E) transcrição exata da opinião emitida por uma especialista
no assunto abordado.
_________________________________________________________
19. Considerando-se as alterações propostas entre parênteses
no final da frase para o segmento grifado, o verbo que
deverá permanecer no singular está em:
(A) O fenômeno até ganhou um nome japonês... (as
ocorrências do fenômeno)
(B) ...lá estaria o carro... (os carros)
(C) Mas algo mudou. (algumas coisas na sociedade)
(D) Onde houvesse música jovem... (espetáculos de
música jovem)
(E) A crise global tem seu papel nesse movimento... (as
seguidas crises da economia global)
_________________________________________________________
20. ... alugam apartamento perto do trabalho...
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o
grifado acima está na frase:
(A) ... que investe em si mesma.
(B) Mas algo mudou.
(C) O fenômeno até ganhou um nome japonês ...
(D) ... que ascenderam à classe média ...
(E) ... entram no mercado de consumo ...
GABARITO
001 – D 002 – E 003 – A 004 – C 005 – B 006 – C 007 – D 008 – A 009 – E 010 - B
011 - A
012 - D
013 - D
014 - B
015 - E
016 - C
017 - A
018 - E
019 - D
020 – C
Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no
texto abaixo.
A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de
anos. Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de
200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões
de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há
menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais
recente neste planeta.
Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes
migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam
já há 70 mil anos. A fala parece ter surgido há pelo menos
50 mil. Há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades
agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita
regular de espécies de vegetais domesticados. Certamente,
quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns
animais também foram domesticados.
Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e
mulheres corriam pelas savanas e planícies eurasiáticas à
procura de alimentos e de abrigo. Os perigos eram muitos, de
animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais
violentos como misteriosos vulcões e terremotos. Para
sobreviver, nunca se podia baixar a guarda.
Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a
natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros
irregulares. A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência
dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo
mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e aos temidos
tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar
também.
Recentemente foram descobertos os instrumentos musicais
mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes,
datando de 35 e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados
em uma região da Alemanha, provando que não só humanos
já haviam saído da África, como também haviam desenvolvido
habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava
ao passar por frestas e galhos, se gotas caíam ritmicamente
das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando
os instrumentos capazes de fazê-lo.
Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas
datando de mais de 20 mil anos, mostram uma enorme variedade
de animais e também de cenas de caçadas e de rituais.
Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer,
dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas poderiam ser tanto
ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de
cerimônias religiosas. Certamente o som das flautas e dos tambores
acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar
os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde
viviam.
A música e a pintura não eram as únicas expressões
artísticas dessas sociedades. A escultura também. O impulso
criativo parece ser tão antigo quanto nossa espécie. Do pouco
que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos
neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles
viviam em comunhão com o mundo −e não em guerra com ele.
(Marcelo Gleiser. Folha de S. Paulo, Mais!, 23 de
agosto de 2009, com adaptações)
1. A afirmativa correta, de acordo com o texto, é:
(A) As sociedades agrárias foram, desde o início da
história da humanidade, organizadas seguindo os
próprios ritmos melodiosos da natureza.
(B) A duração das diversas fases de evolução da humanidade
comprova a pouca importância da espécie
humana diante dos elementos naturais.
(C) O instinto artístico de nossa espécie data de tempos
ancestrais, quando os homens procuravam reproduzir
o que encontravam na natureza.
(D) São pouquíssimos os dados mais remotos acerca da
evolução da humanidade, para aventar hipóteses
sobre a origem do instinto artístico no homem.
(E) A natureza, desde o início um ambiente de perigos
para o homem, sempre se rebelou contra ele, com a
ocorrência de catástrofes tais como os terremotos.
_________________________________________________________
2. É correto perceber no texto que o autor
(A) demonstra a pobreza do impulso criativo no homem,
em razão da impossibilidade de reprodução fiel dos
sons da natureza.
(B) atribui à descoberta de antigos instrumentos musicais
a certeza sobre a formação das sociedades primitivas.
(C) contesta os dados científicos que consideram o
continente africano como local de origem da espécie
humana.
(D) deixa implícita uma crítica contra o modo de vida
atual, marcado pelo desrespeito ao meio ambiente.
(E) reconhece a dificuldade que os homens sempre tiveram
de dominar as forças incontroláveis da natureza.
_________________________________________________________
3. A referência às pinturas nas cavernas da Europa e da
África
(A) demonstra os obstáculos encontrados pelos cientistas
para determinar como se organizavam as
sociedades primitivas.
(B) indica que os homens primitivos já haviam se organizado
em sociedades, com seus rituais religiosos e
de confraternização.
(C) levanta hipóteses, não esclarecidas pela ciência, a
respeito da organização social de povos antiquíssimos.
(D) comprova que o instinto artístico demorou muito a se
formar na espécie humana, sujeita à própria força da
natureza e de animais ferozes.
(E) aponta com exatidão a origem de certos hábitos
primitivos, como a tentativa de fazer música com
instrumentos improvisados.
4. ... criando os instrumentos capazes de fazê-lo. (5o
parágrafo)
A forma verbal grifada acima poderá ser corretamente
substituída, sem alteração do sentido original, por:
(A) imitar os sons ouvidos na natureza.
(B) afastar fenômenos naturaisviolentos.
(C) conviver com os perigos da natureza.
(D) celebrar nas cavernas uma boa caça.
(E) desenvolver habilidades musicais e artesanais.
_________________________________________________________
5. ... que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns
regulares e outros irregulares. (4o parágrafo)
A frase cujo verbo exige o mesmo tipo de complemento
que o grifado acima é:
(A) Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno
de 200 mil anos atrás ...
(B) ... que grandes migrações da África em direção à
Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos.
(C) Os perigos eram muitos ...
(D) ... se gotas caíam ritmicamente das folhas ...
(E) ... mostram uma enorme variedade de animais ...
_________________________________________________________
6. ... provando que não só humanos já haviam saído da
África, como também haviam desenvolvido habilidades
musicais e artesanais. (5o parágrafo)
A afirmativa está corretamente transcrita, sem alteração
do sentido original, em: ... provando
(A) que somente na África os homens tinham aprendido
a fazer instrumentos musicais e seus objetos
manuais.
(B) que, quando saiu da África, os homens primitivos
dominavam a música e os objetos com natural
desenvoltura.
(C) que os homens primitivos tinham se espalhado por
outros lugares, além da África, e já dominavam a
confecção de instrumentos musicais e de objetos.
(D) quantos homens saídos da África passaram a
dominar as artes musicais e o artesanato, como seu
próprio desenvolvimento.
(E) como a África originou a espécie humana, com
habilidades para reproduzir a música e os objetos
manuais da natureza.
_________________________________________________________
7. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos ... (5o
parágrafo)
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se
encontra o grifado acima está na frase:
(A) A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões
de anos.
(B) Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno
de 200 mil anos atrás, na África.
(C) Evidências fósseis e genéticas indicam ...
(D) ... bandos de homens e mulheres corriam pelas
savanas e planícies eurasiáticas ...
(E) ... mostram uma enorme variedade de animais e
também de cenas de caçadas e de rituais.
8. ... alguns animais também foram domesticados. (2o
parágrafo)
O verbo que admite transposição para a voz passiva, tal
como no exemplo grifado acima, está na frase:
(A) Somos a presença mais recente neste planeta.
(B) ... bandos de homens e mulheres corriam pelas
savanas ...
(C) ... os homens queriam cantar também.
(D) Se o vento assobiava ...
(E) Certamente o som das flautas e dos tambores
acompanhava os rituais ...
_________________________________________________________
9. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo
... (final do texto)
A frase cuja lacuna estará corretamente preenchida pela
palavra grifada acima é:
(A) As hipóteses ...... que a humanidade teve sua origem
na África já foram comprovadas por cientistas.
(B) As armas ...... que os homens primitivos se defendiam
dos perigos eram feitas de materiais encontrados
na natureza.
(C) Ossos de animais serviam ...... que os nossos ancestrais
reproduzissem as melodias percebidas nos
sons da natureza.
(D) São inúmeras as cavernas ...... que se encontraram
desenhos primitivos, as chamadas pinturas rupestres.
(E) Instrumentos foram criados pelo homem de modo
...... que ele conseguisse reproduzir os sons ouvidos
no mundo exterior.
_________________________________________________________
10. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta
na frase:
(A) Os vestígios que a ciência estuda para tentar recompor
os hábitos de nossos ancestrais demonstram
como se formaram os primeiros agrupamentos
humanos.
(B) É sabido, hoje, que nas sociedades primitivas o
instinto artístico vinham associados aos ruídos produzidos
pela própria natureza.
(C) Os povos primitivos, cuja origem remonta à África,
se espalhou por outras regiões, fato que foi comprovado
pelos cientistas.
(D) O homem primitivo encontrava na própria natureza
os elementos de que precisavam para transformarem
em objetos de arte.
(E) A natureza, com seus ritmos regulares e irregulares,
eram fonte de inspiração para a criação artística que
caracterizavam os homens primitivos.
001 - C
002 - D
003 - B
004 - A
005 - E
006 - C
007 - D
008 - E
009 - B
010 – A
As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto
abaixo.
Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é
forte no Brasil e que cabe ao poder público tomar medidas para
reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma
situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem
querer os discursos dos políticos.
Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de
comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de
discriminação. Quando isso fosse resolvido, surgiria o equilíbrio.
Não foi, porém, o que ocorreu, como mostra Susan Pinker, em
"The Sexual Paradox". Para ela, não se pode mais negar que
há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam
estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos
e aptidões e, portanto, na opção por profissões e regimes de
trabalho.
Embora não tenham sido detectadas, por exemplo, diferenças
cognitivas que as tornem piores em ciências e matemática,
mulheres, quando podem, preferem abraçar profissões que
lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas). Hoje,
nos Estados Unidos, elas dominam a medicina e permanecem
minoritárias na engenharia.
Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca,
onde elas gozam de maior liberdade de escolha, a proporção
de engenheiras é menor do que na Turquia ou na Bulgária,
nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer
ofícios que não os de seus sonhos. Só quem chegou perto do
50-50 foi a URSS, e isso porque ali eram as profissões que
escolhiam as pessoas, e não o contrário.
Mulheres também não se prendem tanto à carreira. Trocam
um posto de comando para ficar mais tempo com a família.
Assim sacrificam trajetórias promissoras em favor de horários
flexíveis. É esse desejo, mais que a discriminação, que explica
a persistente diferença salarial entre os gêneros em nações
desenvolvidas.
Para Pinker, as mulheres seriam mais felizes se reconhecessem
as diferenças biológicas e não perseguissem tanto
uma isonomia impossível.
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, A2 opinião, 10 de março
de 2012)
1. Fica evidente no texto que o autor
(A) discorda de Susan Pinker, ao considerar que, não só
em países subdesenvolvidos como também nos
mais ricos, persistem as diferenças salariais entre
homens e mulheres.
(B) considera as diferenças biológicas entre homens e
mulheres como razão suficiente que explica a inabilidade
feminina para os estudos científicos e os
cálculos matemáticos.
(C) aceita as afirmativas de Susan Pinker de que
diferenças biológicas dificultam o equilíbrio entre os
sexos em relação à escolha das profissões e dos
regimes de trabalho.
(D) demonstra a necessidade de atuação dos governos
de todo o mundo no sentido de propiciar a igualdade
de gêneros quanto à escolha e ao exercício das
profissões.
(E) defende a busca do equilíbrio entre homens e mulheres
na escolha das diferentes profissões, necessário
para um desenvolvimento equitativo de todas
as nações.
_________________________________________________________
2. No 4o parágrafo, evidencia-se
(A) indicação das razões, muitas vezes de cunho político,
que explicam a presença de menor número de
mulheres em determinadas profissões.
(B) proposta de possíveis mudançasquanto à opção
feminina por determinadas profissões em alguns dos
países mais desenvolvidos.
(C) preferência por certas atividades determinada por
fatores educacionais, que acabam diferenciando o
desempenho, seja o de homens, seja o de mulheres.
(D) direcionamento das mulheres para algumas carreiras
em países onde não há liberdade pessoal para
escolher a atividade profissional desejada.
(E) ressalva à hipótese inicial de que se mantém o preconceito
contra mulheres no mercado de trabalho em
diferentes países.
_________________________________________________________
3. Quando isso fosse resolvido ... (2o parágrafo)
O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando-
se o contexto,
(A) as diferenças de comportamento entre homens e
mulheres.
(B) os problemas referentes à educação e à discriminação
contra mulheres.
(C) as medidas governamentais para reduzir o preconceito
contra as mulheres.
(D) o equilíbrio entre os sexos a partir das opções por
profissões e regimes de trabalho.
(E) o cálculo estatístico quanto às preferências femininas
por determinadas profissões.
4. Considere as afirmativas seguintes a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto.
I. ... preferem abraçar profissões que lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas).
Os parênteses podem ser retirados da frase, sem alteração do sentido original, se for colocada uma vírgula após pessoas.
II. ... nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer ofícios que não os de seus sonhos.
A frase permanecerá correta caso se coloque uma vírgula entre a palavra que e o segmento não os de seus sonhos.
III. Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca, onde elas gozam ...
A vírgula que separa a expressão inicial poderá ser corretamente substituída por dois-pontos, para introduzir o segmento
como Suécia e Dinamarca.
Está correto o que consta em
(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
5. Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos ...
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está em:
(A) ... e que cabe ao poder público ...
(B) Elas se materializam estatisticamente ...
(C) ... que as tornem piores em ciências e matemática ...
(D) ... que escolhiam as pessoas ...
(E) ... que explica a persistente diferença salarial entre os gêneros ...
6. ... onde elas gozam de maior liberdade de escolha ...
A mesma relação entre verbo e complemento, grifados acima, está em:
(A) ... que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação.
(B) ... que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas.
(C) ... que lidem com pessoas ...
(D) ... e permanecem minoritárias na engenharia.
(E) ... as mulheres seriam mais felizes ...
7. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta em:
(A) Em alguns estudos comprovou-se as mesmas habilidades cognitivas entre homens e mulheres, que, também é evidente,
prefere trabalhar em atividades voltadas para pessoas e não para objetos.
(B) A participação de homens e mulheres nas áreas da medicina e da engenharia se mostram estatisticamente bem
diferenciadas, mesmo em países onde há liberdade de escolha da profissão desejada.
(C) As diferenças biológicas entre homens e mulheres, comprovado em pesquisas, não se revelou na capacidade cognitiva,
aspecto em que as mulheres apresentam o mesmo desempenho dos homens.
(D) Atitudes preconceituosas, ainda que proibido, permanece em relação ao desempenho feminino em alguns setores, como
aqueles que se volta para a ciência e para a matemática.
(E) Pesquisadores concluíram que existem, evidentemente, diferenças na constituição biológica de homens e de mulheres, o
que determina o rumo de suas decisões quanto à escolha da profissão.
GABARITO
001 - C
002 - D
003 - B
004 - A
005 - D
006 - C
007 – E
As questões de números 1 a 5 referem-se ao texto seguinte.
A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir
como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural. O progresso está
diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de
explorar a floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer agressão ao meio
ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental, a
exemplo do que faz a indústria cosmética nacional, que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é
conservacionismo também.
Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a floresta
é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia
e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as
hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial
para o Brasil."
(Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46)
1. No último parágrafo, o pesquisador
(A) lamenta o fato de ser necessário desmatar a floresta para criar condições mais favoráveis para a Amazônia, especialmente
quanto ao fornecimento de energia elétrica.
(B) aponta para as dificuldades que surgirão com os novos projetos de construção de usinas hidrelétricas na região
amazônica.
(C) defende a construção de novas usinas, por trazerem benefícios para toda a região, ainda que seja necessário desmatar
grandes áreas de floresta.
(D) alerta para a necessidade de um planejamento de ações, para evitar, como já têm acontecido, fatos comprometedores do
desenvolvimento sustentável da Amazônia.
(E) constata que, apesar da abundância de recursos hídricos na região amazônica, é inaceitável seu aproveitamento com a
construção de novas usinas hidrelétricas.
2. É marketing e é conservacionismo também. (final do 1o parágrafo)
O exemplo referente à indústria de cosméticos retoma em linhas gerais a ideia contida em:
(A) O progresso está diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e
energia.
(B) ... mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer agressão ao meio ambiente.
(C) O Brasil depende da região para produzir mais energia ...
(D) ... quando as hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos.
(E) Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial para o Brasil.
3. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental ...
(1o parágrafo)
O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica
(A) restrição à afirmativa anterior.
(B) condição da realização de um fato.
(C) finalidade de uma ação futura.
(D) tempo passado em correlação com outro.
(E) hipótese passível de se realizar.
4. ... e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela ... (2o parágrafo)
O segmento grifado acima denota
(A) finalidade decorrente do próprio desenvolvimento do texto.
(B) ressalva em correlação com o sentido da afirmativa anterior.
(C) temporalidade necessária à concretização da ação prevista.
(D) causa que justifica o posicionamento do pesquisador.
(E) condição para a realização da hipótese anterior a ele.
5. A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir como
uma região próspera, capazde conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural.
O sentido geral do que se diz acima está retomado, com clareza e correção, em:
(A) As riquezas naturais da região amazônica e, especialmente, seu potencial hidrelétrico propiciam a ela um futuro promissor,
com um desenvolvimento aliado à preservação de sua diversidade ambiental e cultural.
(B) Com a sua diversidade, o ambiente da Amazônia se dispõe para alcançar sucesso, em parte nos recursos hidrelétricos da
região, cerca de muito grandes, por sua conservação, e a prosperidade que virá.
(C) A região que deverá se tornar próspera, é a Amazônia, que com seus recursos hidrelétricos em potencial e a
biodiversidade, ela vai ser capaz de concordar com a conservação e o desenvolvimento.
(D) A bacia hidrográfica abundante na região amazônica, com suas hidrelétricas, vão permitir o desenvolvimento dessa mesma
região, em conjunto com a diversidade social e ambiental que ali se encontra.
(E) Todo o desenvolvimento da região amazônica, com seus rios abundantes e potencial de construir hidrelétricas, serão o
fator do crescimento regional, com desenvolvimento da diversidade e do ambiente.
As questões de números 6 a 10 referem-se ao texto seguinte.
Na reunião em que foi eleito diretor-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, o ex-ministro
brasileiro José Graziano da Silva assegurou −com sua experiência de gestor do programa de combate à fome entre nós −- que esta
será sua prioridade: enfrentar esse problema no mundo, para que até 2015 o número de carentes de alimentos no planeta, hoje em
torno de 1 bilhão, se reduza à metade. "É o desafio do nosso tempo", disse na ocasião o ex-secretário da ONU, Kofi Anan, lembrando
que um dos complicadores dessa questão, "o protecionismo dos ricos" à sua produção de alimentos, só tem aumentado. E isso
quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos dez anos. E que a produção precisará
crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época. Ele alertou também para os
crescentes compra e arrendamento de terras em outros países, por especuladores de fundos de alto risco de países industrializados.
Tudo acontece num cenário paradoxal. Um relatório da própria FAO assegura que um terço dos alimentos produzidos no
mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas anuais, se perde ou é desperdiçado. Os consumidores ricos desperdiçam 222 milhões de
toneladas de frutas e hortaliças −tanto quanto a produção de alimentos na África.
E assim vamos no mundo dos paradoxos. A produção de alimentos cresce, sobem os preços, "commodities" transformam-se
em garantia para investimentos, juntamente com a compra de terras em países mais pobres. Mas não se consegue sair de perto do
número terrível de 1 bilhão de famintos no planeta, 40% da humanidade, vivendo abaixo da linha de pobreza.
(Trecho com adaptações do artigo de Washington Novaes. O Estado de S. Paulo, A2, Espaço Aberto, 1 de julho de 2011)
6. A ideia central do texto está explicitada em:
(A) O aumento do número de famintos nas regiões pobres do planeta exige atitudes de autoridades em relação ao comércio
mundial de alimentos.
(B) A especulação econômica em torno de terras nos países em desenvolvimento põe em risco a produção de alimentos.
(C) A ação prioritária da FAO, órgão da ONU, estará voltada para a redução do número de pessoas que passam fome em todo
o mundo.
(D) O aumento dos preços de alimentos decorrente da busca de lucros pelos países mais ricos agrava a fome em todo o
planeta.
(E) O desperdício de alimentos, principalmente nos países ricos, é a razão primeira do aumento de preços em países mais
pobres.
7. O cenário paradoxal a que o autor alude no 2o parágrafo se estabelece entre
(A) o desperdício de alimentos nos países mais ricos e o incremento do comércio mundial, para atender a toda a população no
planeta.
(B) a proteção dos países ricos aos seus estoques de alimentos e o aumento da produção em todo o mundo, alavancada por
altos investimentos no setor agrícola dos países mais pobres.
(C) a especulação em torno da posse de terras para a agricultura nos países mais pobres e o protecionismo dos ricos à
produção de alimentos, para controlar a alta dos preços no mercado internacional.
(D) a produção de alimentos nos países mais ricos que só cresce, em razão dos enormes investimentos no setor, e a luta dos
países mais pobres para superar a falta de tecnologia na agricultura.
(E) o crescimento econômico e até mesmo o da produção de alimentos e os efeitos da fome que atinge grande parte da
população mundial, que vive em extrema pobreza.
O comentário colocado entre os travessões no 1o parágrafo destaca a
(A) informação que perde validade diante da constatação pela FAO do número de famintos no planeta.
(B) importância das diversas funções dos especialistas ligados às atividades da FAO.
(C) escolha de um novo diretor-geral para a FAO, em razão da crise de alimentos no mundo.
(D) qualificação de quem traça a meta a ser perseguida pela FAO.
(E) repetição de dados para realçar a amplitude de ações da FAO.
9. E isso quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos dez anos. E que a produção
precisará crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época. (1o parágrafo)
Considerando-se a maneira como o autor inicia o segmento transcrito acima, é correto deduzir que se trata de
(A) crítica ao posicionamento dos países ricos, que vem dificultando tanto a oferta mundial de alimentos quanto sua aquisição
por preços mais baixos.
(B) observação que se justifica pela busca de menores preços em um mercado de alimentos sempre sujeito à concorrência
entre países produtores e países importadores.
(C) certeza de que a atuação da FAO vem sendo determinante para manter o equilíbrio da oferta no mercado de alimentos,
apesar do constante e progressivo aumento de preços.
(D) conclusão de que a procura por terras destinadas à produção de alimentos nos países mais pobres poderá ajudar a reduzir
o número de famintos no mundo.
(E) constatação de que o desafio existente em torno do necessário aumento da produtividade agrícola no mundo todo será de
difícil resolução para a FAO.
10. O verbo que se mantém corretamente no singular, apesar das alterações propostas entre parênteses para o segmento grifado,
está na frase:
(A) É o desafio do nosso tempo. (os desafios)
(B) E isso quando a própria FAO alerta ... (os especialistas da própria FAO)
(C) E que a produção precisará crescer 70% até 2050 ... (a produção de alimentos)
(D) Tudo acontece num cenário paradoxal. (Todos os problemas)
(E) Um relatório da própria FAO assegura ... (Os dados de um relatório)
As questões de números 11 a 15 referem-se ao texto seguinte.
Ainda que existam estudos modernos levantando a hipótese de que a tragédia grega teria tido sua origem em rituais
fúnebres, danças mímicas de atores mascarados em homenagem a heróis mortos, a tese geralmente aceita é a de que nasceu dos
cultos a Dionísios, deus do vinho e da fertilidade, das fontes da vida e do sexo.
Duas figuras merecem atenção na fase primitiva do teatro grego: um tirano, Pisístrato, e um ator, Téspis. O primeiro
oficializou o culto a Dionísios, mandou organizar as festas dionisíacas urbanas e chamou Téspis para promovê-las anualmente. De
forma competitiva, passaram a ser realizadas durante seis dias na primavera. Para muitos, Téspis foi o primeiro ator. E também o
responsável por transformações decisivas na libertação da dramaturgia das amarras da poesia.
Aristóteles deixou-nos o primeiro documento básico de teoria teatral: Poética, dissecando a estrutura da tragédia e da
comédia, caracterizandoos gêneros e suas diferenças, explicando suas origens e analisando seus elementos. Estudando a poesia
dramática em relação à lírica e à épica, acentua seu significado estético, cívico e moral. Para Aristóteles a arte é imitação da natureza;
o drama é a imitação de ações, tendo por objetivo provocar compaixão e terror. A identificação do público com os personagens coloca
o primeiro em estado de êxtase e assim poderá atingir a purgação dessas emoções.
(Fragmento adaptado de Fernando Peixoto. O que é teatro, 4.ed., S.Paulo: Brasiliense, 1981, p.67 e 68)
11. Segundo o autor, o surgimento da tragédia grega,
(A) que se pensava estar ligado a Dionísios, passou a ser creditado a Aristóteles, autor da Poética, em que expõe a sua teoria
teatral.
(B) não obstante a recuperação de nomes como os de Pisístrato e Téspis, permanece ainda uma verdadeira incógnita.
(C) em consenso finalmente obtido entre os estudiosos, relaciona-se aos cultos ao deus do vinho e das fontes da vida,
Dionísios.
(D) em que pese a importância de Dionísios, tem sido com maior frequência vinculado aos rituais e encenações fúnebres em
honra dos heróis.
(E) a despeito de divergência mais ou menos recente, costuma ser associado aos cultos a Dionísios, o deus do vinho e das
fontes da vida.
12. O segmento cujo sentido está corretamente expresso em outras palavras é:
(A) dissecando a estrutura aglutinando os elementos estruturais
(B) libertação da dramaturgia extroversão dramática
(C) purgação dessas emoções emancipação desses sentimentos
(D) compaixão e terror piedade e pavor
(E) levantando a hipótese auferindo a convicção
13. ... acentua seu significado estético, cívico e moral.
O verbo conjugado nos mesmos tempo e modo que o grifado na frase acima está em:
(A) Ainda que existam estudos modernos levantando a hipótese...
(B) Duas figuras merecem atenção na fase primitiva do teatro grego...
(C) De forma competitiva, passaram a ser realizadas durante seis dias na primavera.
(D) Aristóteles deixou-nos o primeiro documento básico de teoria teatral...
(E) ... de que a tragédia grega teria tido sua origem em rituais fúnebres...
14. Com relação à pontuação empregada no texto, é correto afirmar:
(A) No segmento na fase primitiva do teatro grego: um tirano, Pisístrato, e um ator, Téspis, a retirada das três vírgulas não
implicaria prejuízo para a correção e o sentido original.
(B) Os dois-pontos empregados no início do terceiro parágrafo poderiam ser substituídos por ponto e vírgula, sem prejuízo
para a correção e o sentido original.
(C) No segmento coloca o primeiro em estado de êxtase e assim poderá atingir a purgação, a palavra assim poderia ser
colocada entre vírgulas, sem prejuízo para a correção e a lógica.
(D) Em Para Aristóteles a arte é imitação da natureza, a colocação de uma vírgula imediatamente depois de Aristóteles
implicaria prejuízo para a correção e a lógica.
(E) No segmento a tese geralmente aceita é a de que nasceu, a colocação de uma vírgula imediatamente depois da palavra
aceita não implicaria prejuízo para a correção e a lógica.
15. A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi corretamente realizada em:
(A) Duas figuras merecem atenção Duas figuras merecem-na
(B) poderá atingir a purgação poderá lhe atingir
(C) dissecando a estrutura dissecando-la
(D) provocar compaixão e terror provocá-las
(E) mandou organizar as festas mandou organizar-lhes
GABARITO
001 – D 002 – B 003 – E 004 – B 005 – A 006 – C 007 – E 008 – D 009 - A
010 – C 011 – E 012 – D 013 – B 014 - C
015 – A
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 1 a 6.
Conselhos a o candidato
Certa vez um enamorado da Academia, homem ilustre e
aliás perfeitamente digno de pertencer a ela, escreveu-me sondando-
me sobre as suas possibilidades como candidato. Não
pude deixar de sentir o bem conhecido calefrio aquerôntico, porque
então éramos quarenta na Casa de Machado de Assis e
falar de candidatura aos acadêmicos sem que haja vaga é um
pouco desejar secretamente a morte de um deles. O consultado
poderá dizer consigo que “praga de urubu não mata cavalo”.
Mas, que diabo, sempre impressiona. Não impressionou ao conde
Afonso Celso, de quem contam que respondeu assim a um
sujeito que lhe foi pedir o voto para uma futura vaga:
−Não posso empenhar a minha palavra. Primeiro porque
o voto é secreto; segundo porque não há vaga; terceiro porque
a futura vaga pode ser a minha, o que me poria na posição de
não poder cumprir com a minha palavra, coisa a que jamais
faltei em minha vida.
Se eu tivesse alguma autoridade para dar conselhos ao
meu eminente patrício, dir-lhe-ia que o primeiro dever de um
candidato é não temer a derrota, não encará-la como uma
capitis diminutio, não enfezar com ela. Porque muitos dos que
se sentam hoje nas poltronas azuis do Trianon, lá entraram a
duras penas, depois de uma ou duas derrotas. Afinal a entrada
para a Academia depende muito da oportunidade e de uma
coisa bastante indefinível que se chama “ambiente”. Fulano?
Não tem ambiente. [...]
Sempre ponderei aos medrosos ou despeitados da
derrota que é preciso considerar a Academia com certo senso
de humour. Não tomá-la como o mais alto sodalício intelectual
do país. Sobretudo nunca se servir da palavra “sodalício”, a que
muitos acadêmicos são alérgicos. Em mim, por exemplo, provoca
sempre urticária.
No mais, é desconfiar sempre dos acadêmicos que prometem:
“Dou-lhe o meu voto e posso arranjar-lhe mais um”.
Nenhum acadêmico tem força para arranjar o voto de um colega.
Mas vou parar, que não pretendi nesta crônica escrever um
manual do perfeito candidato.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de
Janeiro: Nova Aguilar, 1993, vol. único, p. 683-684)
*aquerôntico relativo ou pertencente a Aqueronte, um dos rios
do Inferno, atravessado pelos mortos na embarcação conduzida
pe lo barqueiro Caronte.
*capitis diminutio: expressão latina de caráter jurídico empregada
para designar a diminuição de capacidade legal.
1. No desenvolvimento do texto, o autor deixa transparecer
(A) incentivo a quem lhe escreve, de consultar outros
acadêmicos, dado que se trata de candidato merece dor
de pertencer ao grupo.
(B) extrema seriedade ao tentar instruir um candidato,
com o objetivo de garantir-lhe sucesso na eleição,
ainda que não haja vaga para essa pretensão.
(C) indecisão sobre se haverá meios eficazes para
orientar um candidato, já que o próprio autor é um dos
escritores que fazem parte do quadro da Academia.
(D) aconselhamento ao candidato que desista de seu intento,
com a certeza de que será um perdedor, visto
que muitos outros já não conseguiram ser eleitos.
(E) tratamento irônico a respeito das pretensões de um
candidato a vaga na Academia, pretensão extemporânea,
pois o quadro está completo.
2. A resposta dada pelo conde Afonso Celso, transcrita no
2o parágrafo, é exemplo de
(A) uma resposta evasiva, em razão da intempestiva
consulta feita pelo candidato.
(B) certa incoerência voluntária na sequência de dados
oferecidos pelo acadêmico citado.
(C) um capcioso jogo de palavras cujo sentido, no entanto,
não permite conclusão alguma.
(D) um raciocínio completo, com as razões que justificam
o posicionamento de quem fala.
(E) argumentos que se sucedem, aparentemente, de
modo lógico, porém sem resultado objetivo.
_________________________________________________________
3. O consultado poderá dizer consigo que “praga de urubu
não mata cavalo”.
Infere-se, a partir da referência ao dito popular, que o autor
(A) se considera inteiramente livre de quaisquer compromissos
relativos à consulta que lhe foi enviada, esquivando-se, também, de tentar conseguir votos para
o suposto candidato.
(B) deseja, secretamente e de antemão, que o candidato
não consiga comprovar que tem o mérito necessário
para justificar sua pretensão de fazer parte
da Academia.
(C) procura justificar sua isenção quanto ao questionamento
do candidato, mesmo pondo de lado o fato de
perceber certo mau agouro embutido na consulta
que lhe foi enviada.
(D) busca questionar o mal-estar que sentiu ao receber
a consulta do provável candidato, apoiando-se na
sabedoria popular, fato que contraria sua formação
erudita de acadêmico.
(E) se vale da sabedoria popular para considerar-se
imune a um eventual desejo secreto do candidato de
que surja a vaga com a morte de um dos acadêmicos,
até mesmo a dele.
_________________________________________________________
4. No Dicionário Houaiss encontra-se que sodalício é palavra
que designa grupo ou sociedade de pessoas que vivem
juntas ou convivem em uma agremiação; confraria.
Deduz-se corretamente que, segundo o autor, o emprego
da palavra reflete
(A) conhecimento aprofundado, pois se trata de um grupo
formado por escritores eruditos.
(B) pedantismo, tendo em vista tratar-se de termo praticamente
desconhecido no uso diário da língua.
(C) ignorância que, já de início, se torna obstáculo intransponível
para a eleição pretendida.
(D) prepotência, como demonstração de conhecimentos
que ultrapassam o dos demais acadêmicos.
(E) insistência, na tentativa de angariar adeptos para o
ingresso no grupo de escritores.
5. Mas vou parar, que não pretendi nesta crônica escrever
um manual do perfeito candidato.
Identifica-se, no segmento sublinhado acima,
(A) noção de causa, que justifica a decisão tomada pelo
autor.
( B) a consequência de uma ação deliberada anteriormente.
( C) ressalva que restringe o sentido da afirmativa anterior.
(D) uma finalidade, que reafirma as intenções do autor,
expostas no texto.
(E) condição, pois o autor conclui não ter conseguido
aconselhar o candidato.
_________________________________________________________
6. Não impressionou ao conde Afonso Celso, de quem con tam
que respondeu assim a um sujeito ...
A expressão sublinhada acima preenche corretamente a
l acuna existente em:
(A) Aqueles ...... caberia manifestar apoio aos defensores
da causa em discussão ainda não haviam
conseguido chegar à tribuna.
(B) O acadêmico, ...... todos esperavam um vigoroso
aparte contrário ao pleito, permaneceu em silêncio
na tumultuada sessão.
(C) Em decisão unânime, os acadêmicos ofereceram
dados da agremiação ...... desejasse participar da
discussão daquele dia.
(D) O novo acadêmico demonstrou grande afeição ......
compartilha das mesmas ideias literárias e aborda
os mesmos temas.
(E) O discurso de recepção do novo integrante do grupo
deveria ser pronunciado ...... apresentasse maior
afinidade entre ambos.
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 7 a 9.
[...] ser independente significa bem mais do que ser livre
para viver como se quer: significa, basicamente, viver com
valores que façam a vida ser digna de ser vivida. Não basta um
estado de espírito. Não basta, como diz o samba, “vestir a
camisa amarela e sair por aí”. Tampouco basta sentir-se
autônomo, fazendo parte do bando. É preciso algo mais. Ora,
um dos valores que vêm sendo retomados pelos filósofos e que
cabem como uma luva nessa questão é o da resistência. Na
raiz da palavra resistere se encontra um sentido: “ficar de pé”. E
ficar de pé implica manter vivas, intactas dentro de si, as forças
da lucidez. Essa é uma exigência que se impõe tanto em
tempos de guerra quanto em tempos de paz. Sobretudo nesses
últimos, quando costumamos achar que está tudo bem, que
está tudo “numa boa”; quando recebemos informações de todos
os lados, sem tentar, nem ao menos, analisá-las, e terminamos
por engolir qualquer coisa.
Resistir como forma de ser independente é, talvez, uma
maneira de encontrar um significado no mundo. Daí que, para
celebrar a independência, vale mesmo é desconstruir o mundo,
desnudar suas estruturas, investigar a informação. Fazer isso
sem cansaço para depois termos vontade de, novamente,
desejá-lo, inventá-lo e construí-lo; de reencontrar o caminho da
sensibilidade diante de uma paisagem, ao abrir um livro ou a
porta de um museu. Independência, sim, para defendermos a
vida, para defendermos valores para ela, para que ela tenha um
sentido. Independência de pé, com lucidez e prioridades.
Clareza, sim, para não continuarmos a assistir, impotentes, ao
espetáculo da própria impotência.
(PRIORE, Mary Del. Histórias e conversas de mulher. São
Paulo: Planeta, 2013, p. 281)
7. De acordo com o texto, a afirmativa correta é:
(A) O excesso de informações hoje à nossa disposição,
em bons ou em maus momentos, nos propicia elementos
para uma vida de liberdade, baseada na independência
e na escolha de novos valores e de
novos paradigmas que possam resistir às inúmeras
mudanças que ocorrem habitualmente.
(B) Uma independência de atitudes e de valores perante
a vida baseia-se, especialmente, no grau de liberdade
de escolha que cabe a cada um, de modo a garantir
que as informações recebidas se transformem
nos fundamentos de uma vida livre e bem vivida.
(C) A resistência ao acúmulo de informações recebidas
aleatoriamente direciona as escolhas feitas durante
a vida, pois nem sempre a liberdade se mostra como
o caminho mais favorável a ser percorrido, principalmente
se forem deixados de lado os valores básicos
da existência humana.
(D) A liberdade de escolha que poderá tornar-nos seres
independentes exige lucidez diante da enxurrada de
informações que recebemos atualmente, e resistência
em prol de valores fundamentais que atribuam
significado à existência.
(E) Uma vida realmente digna de ser vivida deve ter
como fundamentos essenciais a ampla liberdade de
escolha de valores que se coadunam com as transformações
atuais e a independência para afastar
obstáculos que possam impedir a realização total de
nossos objetivos.
_________________________________________________________
8. Não basta um estado de espírito. Não basta, como diz o
samba, “vestir a camisa amarela e sair por aí”. Tampouco
basta sentir-se autônomo, fazendo parte do bando. (1o parágrafo)
O sentido do segmento transcrito acima está exposto, de
maneira diversa, porém com correção, clareza e fidelidade,
em:
Para ser independente, ...
(A) é preciso ter vontade própria, tomar decisões, como
diz a letra da música, ou nem mesmo buscar nas
ideias dos outros o mesmo estado de espírito, participando,
portanto, do grupo em que se identifica
essa sua maneira de ser.
(B) deve haver correspondência entre a própria maneira
de viver, com atitudes baseadas em escolhas marcadamente
pessoais, e a experiência de todo o conjunto,
ainda que possa considerar-se único, sem imposição
de ideias alheias.
(C) não é suficiente tomar decisões sem a devida deliberação,
nem considerar-se capaz de determinar as
próprias normas de conduta, sem imposição alheia,
se estiver vivendo de acordo com o ideário da maioria.
(D) não é necessário viver sem rumo, a esmo, como um
estado de espírito, se o fato de sentir-se livre de imposições
da maioria pudesse mantê-lo inserido no
convívio social, apesar de defender as próprias
ideias.
(E) seria importante manter-se segundo as normas de
conduta estabelecidas por si mesmo, deliberadas com
determinação, compartilhando, porém, das mesmas
ideias do grupo em que se encontra inserido.
9. Considere as alterações propostas nas alternativas abaixo
para alguns segmentos do texto. Mantém-se a correçãogramatical no que consta em:
( A) Na raiz da palavra resistere se encontra um sentido ...
Na raiz da palavra resistere se encontra algumas indicações
de seu significado ...
( B) Não basta um estado de espírito.
Não basta algumas decisões tomadas nesse sentido.
(C) Essa é uma exigência que se impõe tanto em tem pos
de guerra quanto em tempos de paz.
Essa é uma das exigências que se impõem tanto em
tempos de guerra quanto em tempos de paz.
(D) É preciso algo mais.
Faz-se necessário as mudanças de visão e de atitudes.
(E) ... para que ela tenha um sentido.
... para que as metas estabelecidas a cada um tenha
um sentido. _________________________________________________________
10. O crescimento da vida urbana aumentou a visibilidade das
mulheres.
Hoje elas estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente
à vida doméstica.
Hoje as mulheres podem investir numa carreira.
A revolução das comunicações começou com o telefone e
prossegue no Facebook.
O Facebook contribuiu para diluir as fronteiras entre o
isolamento e a vida social.
As frases isoladas acima compõem um único parágrafo,
devidamente pontuado, com clareza e lógica, em:
(A) A revolução das comunicações começou com o telefone
e prossegue no Facebook. Que contribuiu para
diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social.
E ainda, com o crescimento da vida urbana aumentou
a visibilidade das mulheres. Hoje elas estão menos
obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida
doméstica; que podem investir numa carreira.
(B) Com o crescimento da vida urbana, aumentou-se a
visibilidade das mulheres, às quais estão hoje menos
obrigadas a se consagrar exclusivamente a vida
doméstica, assim como podem investir numa carreira.
Para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida
social, veio a revolução das comunicações, tendo
começado com o telefone e prossegue no Facebook,
que contribuiu para esse fato.
(C) A visibilidade das mulheres, depois do crescimento
da vida urbana, hoje estão menos obrigadas a se
consagrar exclusivamente à vida doméstica e poder
investir numa carreira. Em razão da revolução das
comunicações, que começou com o telefone e prossegue
no Facebook, o qual contribuiu para diluir as
fronteiras entre o isolamento e a vida social.
(D) Hoje as mulheres estão menos obrigadas a se consagrar
exclusivamente à vida doméstica, com o crescimento
da vida urbana, que aumentou sua visibilidade,
podendo investir numa carreira. E ainda a
diluição das fronteiras entre o isolamento e a vida
social com a revolução das comunicações que,
tendo começado com o telefone, prossegue no
Facebook, contribuiu para isso.
(E) O crescimento da vida urbana aumentou a visibilidade
das mulheres, que hoje estão menos obrigadas a
se consagrar exclusivamente à vida doméstica, além
de poderem investir numa carreira. A revolução das
comunicações, que começou com o telefone e
prossegue no Facebook, contribuiu para diluir as
fronteiras entre o isolamento e a vida social.
GABARITO
001 - E
002 - D
003 - E
004 - B
005 - A
006 - B
007 - D
008 - C
009 - C
010 – E
Para responder às questões de números 1 a 5,
considere o texto abaixo.
Ainda aluna de medicina, Nise da Silveira se horrorizou
ao ver o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia e deixar
à mostra, pulsando, seu pequenino coração.
Esse fato define a mulher que iria revolucionar o tratamento
da esquizofrenia e pôr em questão alguns dogmas estéticos
em vigor mesmo entre artistas antiacadêmicos e críticos de
arte.
A mesma sensibilidade à flor da pele que a fez deixar,
horrorizada, a aula de anatomia, levou-a a se opor ao tratamento
da esquizofrenia em voga na época em que se formou: o
choque elétrico, o choque insulínico, o choque de colabiosol e,
pior do que tudo, a lobotomia, que consistia em secionar uma
parte do cérebro do paciente. Tomou-se de revolta contra tais
procedimentos, negando-se a aplicá-los nos doentes a ela
confiados. Foi então que o diretor do hospital, seu amigo,
disse-lhe que não poderia mantê-la no emprego, a não ser em
outra atividade que não envolvesse o tratamento médico. −Mas
qual?, perguntou ela. −Na terapia ocupacional, respondeu-lhe o
diretor.
A terapia ocupacional, naquela época, consistia em pôr
os internados para lavar os banheiros, varrer os quartos e arrumar
as camas. Nise aceitou a proposta e, em pouco tempo,
em lugar de faxina, os pacientes trabalhavam em ateliês improvisados,
pintando, desenhando, fazendo modelagem com argila
e encadernando livros. Desses ateliês saíram alguns dos artistas
mais criativos da arte brasileira, cujas obras passaram a
constituir o hoje famosíssimo Museu de Imagens do Inconsciente
do Centro Psiquiátrico Nacional, situado no Engenho
de Dentro, no Rio.
É que sua visão da doença mental diferia da aceita por
seus companheiros psiquiatras. Enquanto, para estes, a loucura
era um processo progressivo de degenerescência cerebral, que
só se poderia retardar com a intervenção direta no cérebro, ela
via de outro modo, confiando que o trabalho criativo e a expressão
artística contribuiriam para dar ordem e equilíbrio ao mundo
subjetivo e afetivo tumultuado pela doença.
Por isso mesmo acredito que o elemento fundamental
das realizações e das concepções de Nise da Silveira era o
afeto, o afeto pelo outro. Foi por não suportar o sofrimento imposto
aos pacientes pelos choques que ela buscou e inventou
outro caminho, no qual, em vez de ser vítima da truculência médica,
o doente se tornou sujeito criador, personalidade livre
capaz de criar um universo mágico em que os problemas
insolúveis arrefeciam.
(Adaptado de: GULLAR, Ferreira. A Cura pelo Afeto. Resmungos,
São Paulo: Imprensa Oficial, 2007)
1. De acordo com o texto, Nise da Silveira
(A) propôs a prática artística como coadjuvante no tratamento
de doenças mentais, ao lado dos procedimentos
em voga à sua época.
(B) introduziu mudanças na psiquiatria, deixando de ver a
loucura como um processo de degeneração mental,
além de pôr em xeque ditames da arte de seu tempo.
(C) passou a trabalhar tendo como parâmetro os afetos
dos pacientes, a despeito da prática artística envolvida
no tratamento da esquizofrenia.
(D) praticou o que havia de mais atual em termos de
tratamento psiquiátrico, o que pressupunha o contato
com artistas consagrados de então.
(E) encontrou, já nas primeiras aulas de psiquatria, o
fundamento de sua visão sobre terapia ocupacional,
qual seja, a aceitação racional da doença por parte
do paciente.
_________________________________________________________
2. O autor do texto considera que
(A) os avanços obtidos por Nise da Silveira, por dizerem
respeito ao tratamento de esquizofrenia, devem ser
vistos com cautela em termos artísticos.
(B) a dimensão afetiva fez com que os pacientes
passassem a se adequar aos tratamentos psiquiátricos
em voga, o que foi uma grande conquista em termos
de terapia ocupacional.
(C) o afeto pelo outro foi o diferencial oferecido por Nise
da Silveira, que fez com que seus pacientes se
tornassem verdadeiros agentes em seus próprios
tratamentos.
(D) a subjetividade tumultuada dos doentes adquiria ordem
e equilíbrio quando eram submetidos a tratamentos
clínicos, muito embora isso arrefecesse sua
capacidade artística.
(E) a arte contribui para a criação de um universo imaginário
que distrai os pacientes do cerne de sua
condição, servindo de cura para suas enfermidades.
_________________________________________________________
3. O segmento que explicita a causa de um acontecimento
anterior é:
(A) ... que ela buscou e inventou outro caminho... (6o parágrafo)
(B) É que sua visão da doença mentaldiferia da aceita
por seus companheiros psiquiatras. (5o parágrafo)
(C) ... que o elemento fundamental das realizações e
das concepções de Nise da Silveira era o afeto...
(6o parágrafo)
(D) Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos
da arte brasileira... (4o parágrafo)
(E) ... fazendo modelagem com argila e encadernando
livros. (4o parágrafo)
4. Ainda aluna de medicina, Nise da Silveira se horrorizou ao
ver o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia e
deixar à mostra, pulsando, seu pequenino coração.
Uma redação alternativa para a frase acima, mantendo-se
a correção gramatical e, em linhas gerais, o sentido
original, está em:
(A) Ao ver o professor, que abria com um bisturi o corpo
de uma jia, a ponto de deixar à mostra seu pequenino
coração, Nise da Silveira horrorizou-se ainda
por ser aluna de medicina.
(B) Sendo ainda aluna de medicina, Nise da Silveira
horrorizou-se, de modo a ver o professor abrir, com
um bisturi, pulsando, o corpo de uma jia, e deixar à
mostra seu pequenino coração.
(C) Ainda quando era aluna de medicina, Nise da
Silveira se horrorizou, posto que visse o professor
abrir, com um bisturi, o corpo de uma jia, deixando
exposto seu pequenino coração.
(D) Enquanto ainda era aluna de medicina, Nise da Silveira
horrorizou-se quando viu o corpo de uma jia
ser aberto pelo professor, com um bisturi, deixando
à mostra seu pequenino coração pulsante.
(E) Quando visse o professor abrir com um bisturi o
corpo de uma jia, de maneira a expor seu pequenino
coração pulsante, Nise da Silveira, enquanto ainda
fora aluna de medicina, horrorizou-se.
_________________________________________________________
5. Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos...
O segmento cujo verbo possui, no contexto, o mesmo tipo
de complemento do grifado acima é:
(A) ...sua visão da doença mental diferia da aceita por
seus companheiros...
(B) ... em que os problemas insolúveis arrefeciam.
(C) ... a loucura era um processo progressivo de dege nerescência...
(D) ... e inventou outro caminho...
(E) ... o doente se tornou sujeito criador, personalidade
livre...
Para responder às questões de números 6 a 11,
considere o texto abaixo.
No texto abaixo, Graciliano Ramos narra seu encontro
com Nise da Silveira.
Chamaram-me da porta: uma das mulheres recolhidas à
sala 4 desejava falar comigo. Estranhei. Quem seria? E onde
ficava a sala 4? Um sujeito conduziu-me ao fim da plataforma,
subiu o corrimão e daí, com agilidade forte, galgou uma janela.
Esteve alguns minutos conversando, gesticulando, pulou no
chão e convidou-me a substituí-lo. Que? Trepar-me àquelas
alturas, com tamancos?
Examinei a distância, receoso, descalcei-me, resolvi tentar
a difícil acrobacia. A desconhecida amiga exigia de mim um
sacrifício; a perna, estragada na operação, movia-se lenta e
perra; se me desequilibrasse, iria esborrachar-me no pavimento
inferior. Não houve desastre. Numa passada larga, atingi o vão
da janela; agarrei-me aos varões de ferro, olhei o exterior,
zonzo, sem perceber direito por que me achava ali. Uma voz
chegou-me, fraca, mas no primeiro instante não atinei com a
pessoa que falava. Enxerguei o pátio, o vestíbulo, a escada já
vista no dia anterior. No patamar, abaixo de meu observatório,
uma cortina de lona ocultava a Praça Vermelha. Junto, à direita,
além de uma grade larga, distingui afinal uma senhora pálida e
magra, de olhos fixos, arregalados. O rosto moço revelava
fadiga, aos cabelos negros misturavam-se alguns fios grisalhos.
Referiu-se a Maceió, apresentou-se:
−Nise da Silveira.
Noutro lugar o encontro me daria prazer. O que senti foi
surpresa, lamentei ver minha conterrânea fora do mundo, longe
da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-a
culta e boa, Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral
daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se,
como a escusar-se de tomar espaço. Nunca me havia aparecido
criatura mais simpática. O marido, também médico, era meu
velho conhecido Mário Magalhães. Pedi notícias dele: estava
em liberdade. E calei-me, num vivo constrangimento.
De pijama, sem sapatos, seguro à verga preta, achei-me
ridículo e vazio; certamente causava impressão muito infeliz. Nise,
acanhada, tinha um sorriso doce, fitava-me os bugalhos enormes,
e isto me agravava a perturbação, magnetizava-me. Balbuciou
imprecisões, guardou silêncio, provavelmente se arrependeu de me
haver convidado para deixar-me assim confuso.
(RAMOS, Graciliano, Memórias do Cárcere, vol. 1. São Paulo,
Record, 1996, p. 340 e 341)
6. De acordo com o texto,
(A) Nise da Silveira apresenta-se a Graciliano Ramos,
que se sente constrangido por não saber quem ela
é, enquanto ela demonstra já conhecê-lo.
(B) Graciliano Ramos arrepende-se de conhecer
pessoalmente Nise da Silveira, muito embora ela
tenha demonstrado simpatia por sua situação.
(C) Nise da Silveira passa a guardar silêncio ao perceber
que o escritor, descalço e de pijama, encon trava-
se bastante infeliz.
(D) defronte a sua nova amiga, o escritor sente-se pouco
à vontade, uma vez que não possuíam afinidades
profissionais, tampouco suspeitavam a razão de es tarem
no mesmo lugar.
(E) o encontro entre Graciliano Ramos e Nise da Silveira
ocorreu de maneira inusitada para o escritor, que se
mostrou constrangido em virtude da situação em que
se encontravam.
_________________________________________________________
7. Considere as afirmações abaixo.
I. No trecho Chamaram-me da porta: uma das mulheres
recolhidas à sala 4 desejava falar comigo. Estranhei.
Quem seria? E onde ficava a sala 4?
(1o parágrafo), a pontuação contribui para o clima
de perplexidade pretendido pelo narrador.
II. As perguntas Que? Trepar-me àquelas alturas, com
tamancos? (1o parágrafo) são retóricas, de maneira
que se podem suprimir os pontos de interrogação.
III. No segmento ...olhei o exterior, zonzo, sem perceber
direito porque me achava ali (2o parágrafo), a
vírgula imediatamente após “exterior” pode ser
suprimida, sem prejuízo para o sentido original.
Está correto o que se afirma APENAS em
( A) I.
( B) II.
(C) II e III.
( D) I e II.
(E) I e III.
8. Sabia-a culta e boa, Rachel de Queiroz me afirmara a
grandeza moral daquela pessoinha tímida...
Atribuindo-se caráter hipotético ao trecho acima, mantémse
a correção gramatical substituindo-se os elementos
grifados pelo que se encontra em:
( A) Saberia-a −tinha-me afirmado
(B) Tê-la-ia sabido −teria-me afirmado
(C) Sabê-la-ia −me afirmaria
(D) Saberia-a −ter-me-ia afirmada
(E) Sabê-la-ia −me teria afirmado
_________________________________________________________
9. ... lamentei ver minha conterrânea... / ... atingi o vão da
janela... / ... aos cabelos negros misturavam-se alguns fios
grisalhos.
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos grifados
podem ser substituídos, respectivamente, pelos se guintes
pronomes:
(A) -la −-lo −-lhe
(B) -a −-la −-os
(C) -la −-o −-lhes
(D) -a −-o −-lhes
(E) -la −-lo −-los
_________________________________________________________
10. De pijama, sem sapatos, seguro à verga preta, achei-me
ridículo e vazio; certamente causava impressão muito infeliz.
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se
mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original,
está em:
(A) Quando estive de pijama, sem sapatos e seguro à
verga preta, achei-me ridículo e vazio, não obstante,
certamente, causara impressão muito infeliz.
(B) Estando de pijama, sem sapatos, seguro à verga
preta, achei-me ridículo e vazio, se certamente cau sava
impressãomuito infeliz.
(C) Causava, certamente, impressão muito infeliz: estava
de pijama, sem sapatos e seguro à verga preta,
por que me achasse ridículo e vazio.
(D) Achei-me ridículo e vazio, uma vez que estava de
pijama, sem sapatos e seguro à verga preta, de ma neira
que causava, certamente, impressão muito infeliz.
(E) Causava, certamente, impressão muito infeliz o fato
de me achar ridículo e vazio, uma vez que estava de
pijama, sem sapatos e seguro à verga preta.
_________________________________________________________
11. A voz reflexiva está empregada em:
(A) ... fitava-me os bugalhos enormes... (último parágrafo)
(B) A desconhecida amiga exigia de mim um sa crifício...
(2o parágrafo)
(C) Uma voz chegou-me, fraca... (2o parágrafo)
(D) Nunca me havia aparecido criatura mais simpática.
(4o parágrafo)
(E) ... achei-me ridículo e vazio... (último parágrafo)
_________________________________________________________
12. Sentava-se mais ou menos ...... distância de cinco metros
do professor, sem grande interesse. Estudava de manhã,
e ...... tardes passava perambulando de uma praça
...... outra, lendo algum livro, percebendo, vez ou outra, o
comportamento dos outros, entregue somente ...... dis crição
de si mesmo.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
( A) a −às −à −a
( B) à −as −a −à
( C) a −as −à −a
( D) à −às −a −à
(E) a −às −a −a
Para responder às questões de números 13 e 14,
considere o poema abaixo.
Errância
Só porque
erro
encontro
o que não se
procura
só porque
erro
invento
o labirinto
a busca
a coisa
a causa da
procura
só porque
erro
acerto: me
construo
Margem de
erro: margem
de liberdade.
(FONTELA, Orides, Poesia Reunida, São
Paulo, CosacNaify, 2006, p. 202)
13. De acordo com o poema,
(A) construir-se significa aprender com os erros, evitan do-
os de maneira a não comprometer sua liberdade.
(B) o erro, como eliminação de uma possibilidade falha,
constitui um mecanismo de aferição na busca pelas
coisas certas.
(C) o erro, ao desviar-se de uma finalidade predeterminada,
abre a possibilidade do caminho inusitado,
identificado aqui com a liberdade.
(D) acertar envolve dificuldades equiparáveis às de um
labirinto, cuja única saída é aqui identificada com a
liberdade.
(E) erro e acerto são noções imprecisas, comparáveis a
um labirinto conceitual, e sua compreensão depende
da finalidade de cada busca.
_________________________________________________________
14. Considere as afirmações abaixo.
I. A terceira estrofe do poema (A busca / a coisa / a
causa da / procura) pode ser entendida como uma
explicação do que seja o labirinto.
II. Nas duas últimas estrofes, os dois-pontos introduzem
não apenas uma explicação, mas também
uma consequência do que é dito anteriormente.
III. Em prosa, mantendo-se a correção e o sentido, as
duas primeiras estrofes podem ser reescritas do seguinte
modo: “Só porque erro, encontro, o que não
se procura só, porque erro invento, o labirinto”.
Está correto o que se afirma APENAS em
( A) I e II.
( B) I e III.
(C) III.
( D) II.
(E) II e III.
GABARITO
001 – B 002 – C 003 - B 004 – D 005 – A 006 – E 007 – A 008 – E 009 – C 010 - D
011 - E
012 - B
013 - C
014 - A
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 1 a 8.
O caldo cultural do Nordeste, particularmente do sertão,
foi primordial na formação do paraibano Ariano Suassuna. A infância
passada no sertão familiarizou o futuro escritor e dramaturgo
com temas e formas de expressão artística que mais
tarde viriam a influenciar o seu universo ficcional, como a literatura
de cordel e o maracatu rural. Não só histórias e casos
narrados foram aproveitados para o processo de criação de
suas peças e romances, mas também todas as formas da narrativa
oral e da poesia sertaneja foram assimiladas e reelaboradas
por Suassuna. Suas obras se caracterizam justamente
por isso, pelo domínio dos ritmos da poética popular nordestina.
Com apenas 19 anos, Suassuna ligou-se a um grupo de
jovens escritores e artistas. As atividades que o grupo desenvolveu
apontavam para três direções: levar o teatro ao povo
por meio de apresentações em praças públicas, instaurar entre
os componentes do conjunto uma problemática teatral e estimular
a criação de uma literatura dramática de raízes fincadas na
realidade brasileira, particularmente na nordestina.
No final do século XIX, surgiu no Nordeste a chamada
literatura de cordel. A primeira publicação de folheto no Nordeste,
historicamente comprovada, aconteceu em 1870.
O nome cordel originou-se do fato de os folhetos serem
expostos em cordões, quando vendidos nas feiras livres. O principal
nome do cordel foi Leandro Gomes de Barros, considerado
por Ariano Suassuna “o mais genial de todos os poetas do romanceiro
popular do Nordeste”.
A peça Auto da Compadecida, de Suassuna, é uma releitura
do folclore nordestino em linguagem teatral moderna. O
enredo da peça é um trabalho de montagem e moldagem baseado
em uma tradição muito antiga, que remonta aos autos
medievais e mais diretamente a inúmeros autores populares
que se dedicaram ao gênero do cordel.
As apropriações de Suassuna tanto do folheto nordestino
quanto de outras fontes literárias são possíveis porque a palavra
imitação, usada por Suassuna, remete-nos ao conceito
aristotélico de mimesis, cujo significado não representa apenas
uma repetição à semelhança de algo, uma cópia, mas a representação
de uma realidade. Suassuna já fez diversos elogios
da imitação como ato de criação e costuma dizer que boa parte
da obra de Shakespeare vem da recriação de histórias mais antigas.
Recontar uma história alheia, para o cordelista e para o
dramaturgo popular, é torná-la sua, porque existe na cultura popular
a noção de que a história, uma vez contada, torna-se patrimônio
universal e transfere-se para o domínio público. Autoral
é apenas a forma textual dada à história por cada um que a
reescreve.
(Adaptado de FOLCH, Luiza. Disponível em: www.omarrare.
uerj.br/numero15. Acesso em 17/05/2014)
1. Depreende-se do contexto que o autor lança mão do
conceito de “mimesis” para
(A) explicitar que, em sua obra, Suassuna se apropria
da literatura sertaneja, reelaborando-a com um estilo
próprio.
(B) enaltecer a erudição de autores como Suassuna, capazes
de revelar a essência de uma realidade por
meio da literatura de cordel.
(C) diferenciar o plágio do processo por meio do qual se
parte de uma forma artística já existente para parodiá-
la, como fez Shakespeare.
(D) sugerir que Suassuna valoriza autores do romanceiro
nacional que, diferentemente de Shakespeare, foram
consagrados pelo gosto popular.
(E) retratar a obra de Suassuna como pertencente a um
modelo literário propenso a ser reproduzido em simulacros
do folclore nacional.
_________________________________________________________
2. Considerado o contexto, há relação de causa e efeito,
nessa ordem, entre
(A) o elogio de Suassuna à imitação como ato de criação
/ a intenção de Suassuna de levar o teatro ao
povo por meio de apresentações em praças públicas.
(B) a disseminação do nome literatura de “cordel” / o fato
de folhetos literários serem expostos em cordões
nas feiras livres.
(C) a ligação de Ariano Suassuna a um grupo de jovens
escritores e artistas aos 19 anos / a influência do
maracatu rural na peça Auto da Compadecida.
(D) a noção existente na cultura popular de que uma história
é um patrimônio universal / a originalidade conferida
por cada autor a sua história.
(E) a infância passada no sertão / a influência da literatura
de cordelno estilo do escritor Ariano Suassuna.
_________________________________________________________
3. Uma redação alternativa para um segmento do texto em
que se respeitam as normas de concordância encontra-se
em:
(A) Tanto histórias e casos narrados, como a narrativa
oral e a poesia, tratam-se de processos de criação
que Ariano Suassuna usa em seus romances.
(B) A recriação de histórias mais antigas configuram-se
como a base de boa parte da obra de Shakespeare.
(C) Cada um que reescreve uma história alheia atribuilhe
uma forma textual que pode ser considerada autoral.
(D) Embora devam haver histórias anteriores, a primeira
publicação de que se tem comprovação de um
folheto de cordel aconteceu em 1870, no Nordeste.
(E) O fato de os folhetos serem expostos em cordões,
quando vendidos nas feiras livres, deram origem ao
nome “cordel”.
4. Considere o que se afirma abaixo sobre a pontuação do
texto.
I. Sem prejuízo do sentido original, uma vírgula pode
ser colocada imediatamente após “atividades” no
segmento As atividades que o grupo desenvolveu
apontavam para três direções... (2o parágrafo)
II. No segmento Suas obras se caracterizam justamente
por isso, pelo domínio dos ritmos da poética
popular nordestina, a vírgula colocada imediatamente
após “isso” pode ser corretamente substituída
por dois-pontos, uma vez que a ela se segue
uma explicação. (1o parágrafo)
III. Sem prejuízo para a correção gramatical, uma vírgula
pode ser colocada imediatamente após “sertão”, no
segmento A infância passada no sertão familiarizou o
futuro escritor e dramaturgo com os temas e formas
de expressão artística... (1o parágrafo)
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II e III.
(C) II.
(D) I e II.
(E) I e III.
_________________________________________________________
5. Recontar uma história alheia, para o cordelista e para o
dramaturgo popular, é torná-la sua, porque existe na cultura
popular a noção de que... (7o parágrafo)
Sem prejuízo da correção e do sentido original, e sem que
nenhuma outra modificação seja feita na frase, o elemento
sublinhado acima pode ser corretamente substituído por
(A) ainda que.
(B) conquanto.
(C) à medida que.
(D) se bem que.
(E) na medida em que.
_________________________________________________________
6. O estímulo I criação de uma literatura dramática II
raízes estivessem fincadas na realidade brasileira, particularmente
na nordestina, era um dos objetivos do grupo
III .... Ariano Suassuna se juntou.
Preenchem, correta e respectivamente, as lacunas I, II
e III da frase acima:
(A) à −em que −por que
(B) a −as quais −no que
(C) a −das quais −com o qual
(D) à −cujas −ao qual
(E) à −nas quais −em que
_________________________________________________________
7. A infância passada no sertão familiarizou o futuro escritor
e dramaturgo com temas e... (1o parágrafo)
O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de complemento
que o grifado na frase acima está empregado em:
(A) O caldo cultural do Nordeste (...) foi primordial na
formação do paraibano Ariano Suassuna.
(B) ...levar o teatro ao povo por meio de apresentações...
(C) ...que remonta aos autos medievais...
(D) ...existe na cultura popular a noção de que a história...
(E) ...surgiu no Nordeste a chamada literatura de cordel.
8. Considerando-se o contexto, a palavra que no segmento
(A) ... que remonta aos autos medievais... (5o parágrafo)
é um pronome com a função de objeto indireto.
(B) As atividades que o grupo desenvolveu... (2o parágrafo)
é uma conjunção que equivale a “conforme”.
(C) ... temas e formas de expressão artística que mais
tarde viriam a influenciar... (1o parágrafo) é uma conjunção
que introduz o predicativo do sujeito.
(D) ... mais diretamente a inúmeros autores populares
que se dedicaram ao gênero do cordel. (5o parágrafo)
é um pronome com a função de sujeito.
(E) ... e costuma dizer que boa parte da obra de
Shakespeare... (6o parágrafo) é um pronome que introduz
um objeto direto.
_________________________________________________________
Atenção: Para responder às questões de números 9 e 10,
considere o poema abaixo.
Foi bem saber-se que o Sertão
não só fala a língua do não
(...)
Os escritores que do Brejo,
ou que da Mata, têm o sestro
de só dar a vê-lo no pouco,
no quando em que o vê, sertão-osso.
Para o litoral, o esqueleto
é o ser, o estilo sertanejo,
que pode dar uma estrutura
ao discurso que se discursa.
Tu, que conviveste o Sertão
quando no sim esquece o não,
e sabes seu viver ambíguo,
vestido de sola e de mitos,
a quem só o vê retirante,
vazio do que nele é cante,
nos deste a ver que nele o homem
não é só capaz de sede e fome.
Sertanejo, nos explicaste
como gente à beira do quase,
que habita caatingas sem mel,
cria os romances de cordel:
o espaço mágico e o feérico,
sem o imediato e o famélico,
fantástico espaço suassuna,
que e nsina que o deserto funda
(Trecho de: A pedra do
reino. N
9. No poema, reforça-se a ideia de que, por meio da obra de
Suassuna, fica demonstrado que há um vigoroso caldo
cultural no sertão nordestino. Tal ideia se encontra no verso
que está em:
(A) Tu, que conviveste o Sertão
(B) que ensina que o deserto funda
(C) vazio do que nele é cante
(D) que habita caatingas sem mel
(E) a quem só o vê retirante
10. Sem prejuízo do sentido original, substitui-se corretamente, no poema,
(A) o sestro por a mania.
(B) o feérico por o humilde.
(C) o famélico por o famigerado.
(D) fantástico por legítimo.
(E) caatingas por brenhas.
GABARITO
001 - A
002 - E
003 - C
004 - C
005 - E
006 - D
007 - B
008 - D
009 - B
010 – A
As questões de números 1 a 4 referem-se ao texto
abaixo.
Creio que, pelo gosto de Gastão Cruls, a modernização
do Rio se teria feito, desde os dias do Engenheiro Passos, com
muito menor sacrifício do caráter e das tradições da cidade à
mística do Progresso com P maiúsculo. Mas nunca se esquece
ele de que, sob as descaracterizações e inovações brutais e
tantas vezes desnecessárias por que vem passando a mais
bela das cidades do Brasil, continua a haver um Rio de Janeiro
do tempo dos Franceses, dos Vice-reis, de Dom João VI, dos
Jesuítas, dos Beneditinos, dos começos da Santa Casa [...]
Por mais que tudo isso venha desaparecendo dos nossos
olhos e se dissolvendo em passado, em antiguidade, em
raridade de museu, continua a ser parte do espírito do Rio de
Janeiro. Pois as cidades são como as pessoas, em cujo espírito
nada do que se passou deixa inteiramente de ser. O Rio descaracterizado
de hoje guarda no seu íntimo para os que, como
Gastão Cruls, sabem vê-lo histórica e sentimentalmente, uma
riqueza de característicos irredutíveis ou indestrutíveis, que as
páginas de Aparência do Rio de Janeiro nos fazem ver ou
sentir. E este é o maior encanto do guia da cidade que o autor
de A Amazônia que eu vi acaba de escrever: dar-nos, através
da aparência do Rio de Janeiro, traços essenciais do passado e
do caráter da gente carioca. Comunicar-nos do Rio de Janeiro
que Gastão Cruls conhece desde seus dias de menino de morro
ilustre – menino nascido à sombra do Observatório – alguma
coisa de essencial. Alguma coisa do que a cidade parece ter de
eterno e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem o
branco, o preto, o roxo e o moreno – principalmente o moreno –
da cor da pele dos seus homens e das suas mulheres, com o
azul e o verde quente de suas águas e de suas matas.
(Rio, setembro, 1948)
Obs.: Texto transcrito de acordo com as atuais normas ortográficas.
(Gilberto Freyre, Trecho do Prefácio. In: Cruls, Gastão. Aparênciado Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção
documentos brasileiros, 2. ed., v. 1, 1952. p. 15-17)
1. O texto deixa claro, principalmente, que a cidade do Rio
de Janeiro
(A) acaba por perder suas características mais importantes
em benefício de um discutível progresso, que
põe em risco sua beleza natural.
(B) representa, de maneira visível, as tradições do povo
brasileiro e, portanto, é essencial a manutenção das
suas características urbanas originais.
(C) precisa preservar sua identidade original, pois a natureza,
que lhe garante o título de a mais bela cidade
do Brasil, deve ser tida como intocável.
(D) mantém elementos tradicionais, ao lado de uma necessária
transformação, ainda que essa transformação
possa descaracterizá-la em alguns aspectos.
(E) deve voltar-se para a modernidade, assim como as
pessoas, em uma evolução natural e necessária para
a adequação aos tempos atuais.
_________________________________________________________
2. Os dois-pontos que aparecem no 2o parágrafo denotam
(A) inclusão de segmento especificativo.
(B) interrupção intencional do fluxo expositivo.
(C) intercalação de ideia isolada no contexto.
(D) constatação de fatos pertinentes ao assunto.
(E) enumeração de elementos da cidade e do povo.
_________________________________________________________
3. Com as alterações propostas entre parênteses para o segmento
grifado nas frases abaixo, o verbo que se mantém
corretamente no singular é:
(A) a modernização do Rio se teria feito (as obras de
modernização)
(B) Mas nunca se esquece ele de que (esses autores)
(C) por que vem passando a mais bela das cidades do
Brasil (as mais belas cidades do Brasil)
(D) continua a haver um Rio de Janeiro do tempo dos
Franceses (tradições no Rio de Janeiro)
(E) do que a cidade parece ter de eterno (as belezas da
cidade)
_________________________________________________________
4. ... e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem
o branco, o preto, o roxo e o moreno ...
O segmento grifado preenche corretamente a lacuna da
frase:
(A) As autoridades contavam ...... se fizessem consultas
à população para definir os projetos de melhoria de
toda a área.
(B) As transformações ...... se refere o historiador descaracterizaram
toda a área destinada, de início, a pesquisas.
(C) A necessidade de inovações foi o argumento ...... se
valeram os urbanistas para defender o projeto apresentado.
(D) A ninguém ocorreu demonstrar ...... não seria possível
impedir a derrubada de algumas antigas construções.
(E) Seriam necessários novos e diferentes projetos urbanísticos,
...... permanecessem intocadas as construções
originais.
As questões de números 5 a 10 referem-se ao texto
abaixo.
Cafezinho
Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava
falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido
tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão
de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.
Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco
de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das
delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: – Ele foi tomar
café.
A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar
com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um
“cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho”
é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou
três horas dá vontade de dizer: – Bem, cavalheiro, eu me retiro.
Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.
Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho.
Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:
– Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.
Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:
– Ele está? – alguém dará o nosso recado sem endereço.
Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando
vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o
recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho...
Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar
um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi
tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...
Ah! Fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos
assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento,
muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.
Quando vier a grande hora de nosso destino nós
teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos,
vamos tomar um cafezinho.
Rio, 1939.
(Rubem Braga. O Conde e o passarinho & Morro do isolamento.
Rio de Janeiro: Record, 2002. p.156-7)
5. Com relação ao episódio com que inicia a crônica, o autor
se mostra
(A) crítico intransigente tanto do comportamento do delegado,
por ter deixado o repórter esperando por tanto
tempo, como da atitude deste último, que não soube
considerar a situação com ironia e bom humor.
(B) propenso a julgar a reação do repórter de modo muito
mais severo do que a conduta do delegado, sugerindo
ter havido grande exagero na afirmação de
que este passara o dia inteiro tomando café.
(C) solidário com o repórter na raiva que este experimentou
ao esperar inutilmente pelo delegado e, ainda
que de modo bem humorado, inteiramente avesso
aos desvios de conduta de uma autoridade.
(D) indiferente à irritação do repórter e condescendente
em relação à ausência do delegado, acreditando que
as complicações da vida justificam inteiramente a
necessidade de se recorrer à desculpa do café.
(E) compreensivo em relação à cólera do repórter, mas
disposto a tomar o pretexto do café de que se vale o
delegado para considerar, de modo bastante irônico,
as razões de seu uso generalizado.
6. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando
vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte
vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um
cafezinho...
Do teor da crônica e da enumeração presente no segmento
acima, pode-se depreender corretamente:
(A) O reconhecimento de que a vida é triste não acaba
com o desejo de perpetuá-la.
(B) A misantropia pode levar a uma tristeza que só termina
com a morte.
(C) As desculpas dadas de modo muito frequente acabam
perdendo todo o sentido.
(D) A introversão exagerada estende a aversão tanto às
coisas más quanto às boas.
(E) Os que nos procuram não costumam se esforçar de
modo efetivo para nos encontrar.
_________________________________________________________
7. Os verbos que exigem o mesmo tipo de complemento
estão empregados nos segmentos transcritos em:
(A) A vida é triste e complicada. // ... mergulhemos de
corpo e alma no cafezinho.
(B) ... alguém dará o nosso recado sem endereço. // A
vida é triste e complicada.
(C) Tinha razão o rapaz... // Depois de esperar duas ou
três horas...
(D) Para quem espera nervosamente... // Depois de esperar
duas ou três horas...
(E) Tinha razão o rapaz... // ... mergulhemos de corpo e
alma no cafezinho.
_________________________________________________________
8. A frase que admite transposição para a voz PASSIVA é:
(A) Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes...
(B) O chapéu dele está aí...
(C) ... chegou à conclusão de que o funcionário...
(D) Leio a reclamação de um repórter irritado...
(E) ... precisava falar com um delegado...
_________________________________________________________
9. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-
lo. Assim dirão...
Mantendo-se a correção e o sentido original, as frases
acima estão reunidas num único período em:
(A) Devemos até comprar um chapéu especialmente
para deixá-lo e ainda assim dirão...
(B) Devemosaté comprar um chapéu especialmente
para deixá-lo, pois assim dirão...
(C) Devemos até comprar um chapéu especialmente
para deixá-lo, conquanto assim dirão...
(D) Devemos até comprar um chapéu especialmente
para deixá-lo: porquanto assim dirão...
(E) Devemos até comprar um chapéu especialmente
para deixá-lo, por que assim dirão...
... e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia
inteiro tomando café.
Do mesmo modo que se justifica o sinal indicativo de crase
em destaque na frase acima, está correto o seu emprego
em:
(A) e chegou à uma conclusão totalmente inesperada.
(B) e chegou então à tirar conclusões precipitadas.
(C) e chegou à tempo de ouvir as conclusões finais.
(D) e chegou finalmente à inevitável conclusão.
(E) e chegou à conclusões as mais disparatadas.
_________________________________________________________
Atenção: As questões de números 11 a 16 referem-se ao texto
abaixo.
Esquerda e direita
O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos
para todos. Prova que todos nascem com o mesmo
sistema de códigos genéticos, e portanto são iguais – ponto
para a esquerda –, mas que cada indivíduo tem uma senha
diferente, ponto para a direita. Na velha questão biologia cultura,
o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas
não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os
genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa –
muito menos socialista – com o tempo. Mas a própria descoberta
do DNA e todas as projeções do que se tornou possível
com a manipulação do material genético mostram como o ser
humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como
existe nele uma determinação inata para o autoaperfeiçoamento.
Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam
em compreender o ser humano, agora devem tratar de mudá-
lo.
A indefinição dos nossos genes é apenas mais um numa
longa lista de paradoxos que nos dividem. É “de esquerda” ser a
favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas
defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e ao
mesmo tempo o direito do Estado de tirá-la, embora não gostem
que o Estado interfira em outras áreas. A direita valoriza o indivíduo
acima da sociedade, que seria uma abstração, mas aceita
a desigualdade social, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo
sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes
atribui a um líder superpersonalizado a incongruente realização
de um humanismo igualitário.
Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura
genética, mas absolutamente nenhum interesse nas suas
implicações.
(Adaptado de Luís Fernando Veríssimo. O mundo é bárbaro)
11. O autor admite que, com a descoberta e com a possibilidade
de manipulação do sistema de códigos genéticos
(DNA),
(A) não haverá mais como estabelecer qualquer distinção
entre o que sempre foi “de direita” e o que sempre
se definiu como “de esquerda”.
(B) acabarão de vez os desequilíbrios sociais, pois será
possível superar as desigualdades com base em seguros
critérios de justiça, que são hereditários.
(C) os homens poderão favorecer determinados aspectos
de sua evolução, atendendo assim a uma inclinação
da espécie para seu próprio aprimoramento.
(D) tanto a esquerda como a direita deixarão de encontrar
argumentos para suas posições, de vez que é a
ação do código genético que determina uma opção
política.
(E) ficará ainda mais acirrada a oposição entre a esquerda
e a direita, pois uma e outra reivindicarão
para si o direito de gerenciar os dividendos de uma
ciência tão lucrativa.
_________________________________________________________
12. Atente para as seguintes afirmações:
I. Um dos vários paradoxos enunciados no texto é o
de que a esquerda, que valoriza a vida, acaba defendendo
posição similar à da direita, nos casos do
aborto e da pena de morte.
II. Ao contrário da direita, a esquerda encoraja as iniciativas
do Estado, quando estas promovem a valorização
do indivíduo sem abonar, no entanto, qualquer
forma de personalismo.
III. A paráfrase de uma afirmação de Marx deixa ver
que este alimentava a convicção de que os homens
são capazes de se transformarem a si mesmos, em
sua trajetória.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A) III, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) II e III, apenas.
(D) I e III, apenas.
(E) I, II e III.
_________________________________________________________
13. Considerando-se o contexto, deve-se entender que o
segmento
(A) Ele fornece argumentos para todos refere-se à alternância
de poder entre a esquerda e a direita, ao
longo da história.
(B) ponto para a esquerda revela a indicação de um fato
que favorece, a princípio, uma posição ideológica
dos socialistas.
(C) Na velha questão biologia cultura alude à clássica
disputa entre as ciências humanas e as ciências
exatas.
(D) A indefinição dos nossos genes diz respeito ao
estado ainda incipiente e vacilante das pesquisas no
campo da genética.
(E) A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade,
que seria uma abstração acentua a supremacia de
uma típica tese coletivista.
14. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa
forma do singular para preencher adequadamente a
lacuna da frase:
(A) Não ...... (corresponder) aos surpreendentes desdobramentos
da descoberta do DNA análoga evolução
no plano das questões éticas.
(B) Mesmo a um pesquisador de ponta não ...... (haver)
de convir as disputas éticas, pois ele ainda engatinha
nessa nova descoberta.
(C) De todas as projeções que se ...... (fazer) a partir da
manipulação do DNA, a mais assustadora é a
programação de tipos pessoais.
(D) A um direitista não ...... (deixar) de assustar, quando
isso não lhe convém, iniciativas econômicas que o
Estado reivindica para si.
(E) Não ...... (parecer) uma incongruência, para os esquerdistas,
os excessos personalistas do líder de um
movimento socialista.
_________________________________________________________
15. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre
o texto:
(A) Habitualmente humorista, nem por isso Luís Fernando
Veríssimo se exime ao tecer críticas sérias, postulando
assim um equilíbrio entre o riso e a contenção
jocosa.
(B) O homem ainda está longe de ratificar o alcance da
descoberta do DNA, onde as projeções mais ousadas
fazem lembrar a ficção científica, ou mesmo
muito além dela.
(C) Interessou ao autor debater, uma vez mais, a eterna
cisânia entre esquerda e direita, a estar sendo alimentada
pela evolução das descobertas do DNA e
pelas projeções de onde derivam.
(D) Ao se reportar às posições de direita e de esquerda,
o autor identificou contradições em ambas, deixando
claro que a nenhuma cabe reivindicar o mérito da
coerência absoluta.
(E) As moscas, quem diria, ostentam nossa mesma estrutura
genética, afirma o autor, mas nem sequer se
comprazem ou o lamentam, pois não implicam nada
que não lhes diga respeito.
_________________________________________________________
16. Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais
em:
(A) Os cientistas devem, a partir de agora, tratar de mudar
o ser humano, mesmo que até hoje não revelariam
mais do que um pálido esforço ao buscar
compreendê-lo.
(B) O que for de esquerda ou de direita teria sido agora
relativizado pelas descobertas do DNA, cujas projeções
têm esvaziado essa clássica divisão.
(C) Se os cientistas vierem a se preocupar com as questões
ideológicas de que as futuras descobertas se
revestissem, terão corrido o risco de partidarizar a
ciência.
(D) Felizes são as moscas, que nem precisavam saber
nada de política ou de DNA parairem levando sua
vida em conformidade com o que a natureza lhes
determinasse como destino.
(E) A esquerda já chegou a glorificar a ação de líderes
personalistas, cujo autoritarismo obviamente excedia
os limites de uma sociedade que se queria justa e
igualitária.
As questões de números 17 a 22 referem-se ao texto
abaixo.
Joaquim Manuel de Macedo ficou famoso por causa de
A Moreninha (1844), romance que virou sinônimo do gênero
romântico no Brasil e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados
chorarem. Dr. Macedinho, como era popularmente conhecido,
editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria: o livro
converteu-se em nosso primeiro best-seller. A despeito do sucesso,
o ganha-pão do escritor seria obtido a partir da atividade
como jornalista, articulista e cronista. Médico de formação,
Macedo enveredaria pela literatura de maneira ampla. Num
momento em que parecia natural cruzar a ponte entre jornalismo
e literatura, Macedinho sagrou-se personagem descolado
no Rio de Janeiro de Pedro II.
E começou cedo: com apenas 24 anos, além de se dedicar
ao romance, passou às páginas de jornal. Porém, se sua
obra ficcional é conhecida, a produção jornalística é pouco divulgada.
A desproporção é gritante, uma vez que o escritor publicou
durante quatro décadas em vários órgãos cariocas. Apenas
no sisudo Jornal do Comércio, reduto conservador dos mais
estáveis, Macedo foi presença cativa durante 25 anos, sem
interrupção. Suas colunas ocupavam o espaço prestigioso do
rodapé da primeira página de domingo, dia em que a circulação
duplicava.
Macedo era mesmo um agitador. Ajudou a criar uma tradição
para nossas artes, letras e história. Nosso escritor usaria
de suas boas relações e da sua literatura ágil para fortalecer
seu grupo, empenhado na construção cultural do país.
(Lilia Moritz Schwarcz. O Estado de S. Paulo, sabático, S6, 26
de março de 2011, com adaptações)
17. Destaca-se no texto
(A) a existência de um vasto público voltado para a leitura
de obras de caráter romântico, ainda no século
XIX.
(B) o papel desempenhado por romancistas na difusão
do hábito de leitura entre rapazes e moças durante o
século XIX.
(C) a participação de Macedo como importante colunista
no Rio de Janeiro, centro difusor de cultura durante
o Império.
(D) a influência de uma imprensa politizada na vida do
Rio de Janeiro, responsável pela divulgação de romances
no século XIX.
(E) a agitação cultural do Rio em pleno século XIX, que
obrigou Macedo a optar pela atividade jornalística.
18. De acordo com o texto, é correto afirmar que
(A) o romancista, por ser médico, ainda que conceituado,
precisou editar obras de seu próprio bolso, diante
de um público leitor pouco receptivo.
(B) a sociedade do Rio de Janeiro do Império apreciava
romances românticos, em oposição ao realismo veiculado
nos noticiários, embora os jornalistas fossem
bastante admirados.
(C) o vasto círculo de relações sociais de Macedo fez
com que ele se transformasse em figura reconhecida
nos meios literários pelo valor de suas crônicas.
(D) o valor literário da enorme produção jornalística de
Macedo é superior ao de suas obras de ficção, apesar
do estrondoso sucesso de A Moreninha.
(E) a pouca divulgação da produção jornalística de Macedo
é injustificável diante do reconhecimento do público
e de sua permanência na imprensa da época.
_________________________________________________________
19. O assunto central aponta para o papel de Macedo como
(A) autor do primeiro best-seller da literatura brasileira.
(B) escritor atuante, tanto nos meios literários como na
atividade jornalística.
(C) médico popularmente reconhecido no Rio de Janeiro
da época.
(D) militante político responsável por diferentes causas
sociais.
(E) defensor de uma visão romântica da vida cotidiana
brasileira.
_________________________________________________________
20. ... editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria:
o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller.
Os dois-pontos introduzem segmento
(A) que denota o tempo decorrido entre a publicação da
obra e a aceitação do público.
(B) conclusivo, com ressalva ao que foi expresso anteriormente.
(C) concessivo, pela oposição de sentido marcado na
negação do verbo anterior.
(D) que, embora redundante, tem o objetivo de realçar a
importância da informação.
(E) explicativo, em que se percebe noção de causa.
_________________________________________________________
21. A despeito do sucesso, o ganha-pão do escritor seria obtido...
O elemento grifado acima pode ser corretamente substituído,
sem alteração do sentido original, por
(A) Em razão do
(B) Conquanto o
(C) Em que pese o
(D) Em vista do
(E) A partir do
22. ... dia em que a circulação duplicava.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se
encontra o grifado acima está em:
(A) ... e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados chorarem.
(B) ... editaria a obra às próprias custas ...
(C) ... a produção jornalística é pouco divulgada.
(D) Macedo era mesmo um agitador.
(E) Nosso escritor usaria de suas boas relações ...
_________________________________________________________
Atenção: As questões de números 23 a 26 referem-se ao texto
abaixo.
O caso Montaigne na tradição literária da amizade não é
propriamente uma exceção. Como os povos felizes, que – já se
disse – não têm história: os sentimentos vitais, contentes e continentes,
poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão
e discurso. Por isso, certamente, a clave da perda marca tanto
essa literatura e a tinge tão estranhamente de melancolia. (É
que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos só se
deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite, mais facilmente,
sondar a profundidade do pleno, a dor, do contentamento.)
Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a
amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela dissertação
do Lélio de Cícero, brotada do interior de seu luto pela morte de
Cipião, o sensível capítulo das Confissões de Santo Agostinho
dedicado à memória do amigo, ou mesmo o Fédon de Platão e
seu relato pungente da morte de Sócrates. Montaigne tem pois
predecessores ilustres, e, explicitamente, incorpora o seu texto
nessa linhagem.
E, no entanto, ao ler seu ensaio (livro I, 28), sentimos
que dissoa bastante do andamento mais moderado dessas composições
da tradição. Sua dissertação, sentimos logo, engata
alturas mais elevadas, vibra de modo mais intenso. Montaigne
radicaliza. Com ele a grandeza daquelas amizades se expande
num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai ao superlativo.
A estreita proximidade das almas se ultrapassa; chega à
fusão e assim toca o sublime.
(Fragmento adaptado de Sérgio Cardoso. Paixão da igualdade,
paixão da liberdade: a amizade em Montaigne. Os sentidos da
paixão. S.Paulo: Cia. das Letras, 1987. p.162-3)
23. Com a comparação feita no início do texto, o autor sugere que
(A) a felicidade é uma quimera tanto para o indivíduo
quanto para os povos, o que é comprovado pelas
memórias individuais e pelos registros históricos.
(B) o indivíduo tem em comum com um povo o hábito de
não refletir sobre os acontecimentos senão nos
momentos de maior felicidade.
(C) a história de indivíduos e povos é uma oscilação
constante entre momentos de felicidade e momentos
de dor.
(D) o sentimento de amizade que une os indivíduos não
é diferente daquele que unifica um povo, vínculo
responsável pela felicidade de todos.
(E) os períodos de felicidade, ao contrário dos momentos
de dor, não costumam ser registrados nem pelos
povos, nem pelos indivíduos.
24. Dentre as características da dissertaçãode Montaigne que
podem ser apreendidas do texto, é correto mencionar:
(A) A tendência ao misticismo, inteiramente ausente dos
relatos de seus predecessores, mesmo o de Santo
Agostinho.
(B) A opção por um relato mais imponente e vigoroso,
em lugar do tom comedido que seus predecessores
adotam.
(C) O predomínio da imaginação, o que permite incluir o
relato antes no campo da ficção, ainda que sublime,
do que no da memória.
(D) Um radicalismo político extremado, que não tem
lugar nos relatos politicamente inócuos de seus predecessores.
(E) A ausência do tema da morte, onipresente nos textos
de seus predecessores, o que faz do relato uma
verdadeira celebração da vida.
_________________________________________________________
25. O sentido do elemento grifado NÃO está expresso adequadamente,
entre parênteses e em negrito, ao final da
transcrição em:
(A) ... ou mesmo o Fédon de Platão e seu relato pungente
da morte de Sócrates. (sereno)
(B) Com ele a grandeza daquelas amizades se expande
num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai
ao superlativo. (ponto mais alto)
(C) ... os sentimentos vitais, contentes e continentes,
poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão
e discurso. (vigoram)
(D) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre
a amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela
dissertação... (memória)
(E) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre
a amizade, vêm-nos... (De fato)
_________________________________________________________
26. (É que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos
só se deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite,
mais facilmente, sondar a profundidade do pleno, a
dor, do contentamento.)
Atente para as afirmações seguintes sobre a pontuação
empregada na frase acima, transcrita do 1o parágrafo do
texto.
I. O uso dos parênteses para isolar a frase justifica-se
por se tratar de uma digressão que, embora relacionada
à reflexão feita no parágrafo, interrompe
momentaneamente o fluxo do pensamento.
II. Os dois-pontos introduzem um segmento que constitui,
de certo modo, uma ressalva ao que se afirma
no segmento imediatamente anterior.
III. As vírgulas que isolam o segmento mais facilmente
poderiam ser retiradas sem prejuízo para a correção
e a lógica.
Está correto o que se afirma em
(A) I, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.
As questões de números 27 a 30 referem-se ao texto
abaixo.
Entre a palavra e o ouvido
Nossos ouvidos nos traem, muitas vezes, sobretudo quando
decifram (ou acham que decifram) palavras ou expressões
pela pura sonoridade. Menino pequeno, gostava de ouvir uma
canção dedicada a uma mulher misteriosa, dona Ondirá. Um dia
pedi que alguém a cantasse, disse não saber, dei a deixa: “Tão
longe, de mim distante, Ondirá, Ondirá, teu pensamento?” Ganhei
uma gargalhada em resposta. Um dileto amigo achava
esquisito o grande Nat King Cole cantar seu amor por uma misteriosa
espanhola, uma tal de dona Quiçás... O ator Ney Latorraca
afirma já ter sido tratado por seu Neila. Neila Torraca, é
claro. Agora me diga, leitor amigo: você nunca foi apresentado a
um velhinho chamado Fulano Detal?
(Armando Fuad. Inédito)
27. Com base nos casos narrados no texto, é correto afirmar
que, por vezes, entre a palavra e o ouvido,
(A) ocorre um tipo de interferência no modo de recepção
que distorce inteiramente o sentido original da mensagem.
(B) uma falha do aparelho auditivo deforma o som
captado, levando o receptor a entender outra coisa.
(C) a mensagem original se perde porque se ouve uma
expressão já adulterada pela má pronúncia de terceiros.
(D) buscamos reconhecer uma sonoridade apenas por
seu efeito acústico, sem lhe emprestar nenhum sentido.
(E) nossa capacidade criativa faz com que recusemos
sons muito usuais, substituindo-os por outros, mais
exóticos.
_________________________________________________________
28. Está INADEQUADO o emprego do elemento sublinhado
na frase:
(A) A traição a que por vezes está sujeita nossa audição
pode ter resultados divertidos.
(B) Os sons das palavras, a cujos poucas vezes dedicamos
plena atenção, podem ser bastante enganosos.
(C) A melodia e o ritmo de uma frase, em cujo embalo
podemos nos equivocar, valem pelo efeito poético.
(D) E afinal, por onde andará dona Ondirá, senhora misteriosa
de quem o leitor foi fã cativo, quando menino?
(E) E dona Quiçás, a quem Nat King Cole jamais teve a
honra de ser apresentado, morará ainda em Madri?
_________________________________________________________
29. É correto afirmar que, ao se valer da expressão
(A) sobretudo quando decifram (...) pela pura sonoridade,
o autor se refere exclusivamente ao equívoco
causado pela recepção dos sons.
(B) Ganhei uma gargalhada em resposta, o autor não
deixa entrever qual teria sido a pergunta.
(C) uma tal de dona Quiçás, o autor faz ver que o ouvinte
se confundiu por não conhecer a personagem.
(D) Neila Torraca, o autor se vale de um equívoco de
audição inteiramente distinto do que ocorreu em
Fulano Detal.
(E) Menino pequeno, o autor torna implícito a ela um
sentido de temporalidade.
30. É preciso corrigir, por falhas diversas, a seguinte frase:
(A) Quem ouve mal não tem necessariamente mau ouvido; pode ter sido afetado pelo desconhecimento de um contexto
determinado.
(B) Quem não destorce o que ouviu de modo torto acaba por permanecer longe do caminho reto da compreensão.
(C) Pelos sons exóticos das palavras, nos impregnamos da melodia poética a cujo encanto se rendem, imantados, os nossos
ouvidos.
(D) Há sons indiscrimináveis, como os que se apanha do rádio mau sintonizado ou de uma conversa aliatória, entre terceiros.
(E) É possível elaborar-se uma longa lista de palavras e expressões em cuja recepção sonora verificam-se os mais curiosos
equívocos.
GABARITO
001 - D
002 - A
003 - D
004 - B
005 - E
006 - A
007 - C
008 - D
009 - B
010 - D
011 - C
012 - A
013 - B
014 - A
015 - D
016 - E
017 - C
018 - E
019 - B
020 - E
021 - C
022 - D
023 - E
024 - B
025 - A
026 - C
027 - A
028 - B
029 - E
030 – D
Para responder às questões de números 1 a 5, considere
o texto abaixo.
A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência
humana mais bem repartida: nenhum privilegiado
reivindica ignorância em relação a ela ou se vangloria de
conhecê-la melhor que qualquer outro. Violência nascida no
próprio âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o
esgota, dissolve-o no abismo que nele se abriu, esmaga-o no
sentimento de um imediato sem nenhuma perspectiva. Rompe-
se a evidência da relação do indivíduo consigo e com o
mundo.
A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente
para si mesmo enquanto goza de boa saúde, confiante em seus
recursos, esquecido do enraizamento físico de sua existência,
desde que nenhum obstáculo se interponha entre seus projetos
e o mundo. De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível,
flexível; sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais e
pela repetição incansável de situações próximas umas das outras.
Aliás, esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo leva
René Leriche a definir a saúde como “a vida no silêncio dos órgãos”.
Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de
“inconsciência em que o sujeito é de seu corpo”.
(Adaptado de: BRETON, David Le. Antropologia da Dor, São
Paulo, Editora Fap-Unifesp, 2013, p. 25-6)
1. Conforme o texto, a
(A) saúde, ao contrário da dor, torna o homem apto à
percepção corporal, uma vez que não impõe barreiras
inflexíveis.
(B) dor, ao contrárioda saúde, possibilita ao homem a
tomada de consciência sobre seu próprio corpo.
(C) dor, como sintoma da doença, estabelece uma relação
de pertença entre corpo e sujeito.
(D) saúde, como estado de plenitude, torna perceptível a
cisão entre corpo e sujeito.
(E) dor, diferentemente da saúde, leva ao ocultamento
do sujeito frente a seu corpo.
2. ... esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo...
... definir a saúde como “a vida no silêncio dos órgãos”.
(final do texto)
Os segmentos acima expressam, respectivamente,
(A) consequência e finalidade.
(B) condição e necessidade.
(C) consequência e condição.
(D) causa e finalidade.
(E) causa e decorrência.
_________________________________________________________
3. Os pronomes grifados nos segmentos ... enraizamento físico
de sua existência, ... sua espessura é apagada... e
... ela é um estado de inconsciência... (2o parágrafo) referem-
se, respectivamente, a:
(A) enraizamento físico, corpo e atenção do indivíduo.
(B) homem, corpo e saúde.
(C) dor, vida cotidiana e saúde.
(D) enraizamento físico, corpo e vida no silêncio.
(E) homem, vida cotidiana e saúde.
_________________________________________________________
4. Violência nascida no próprio âmago do indivíduo, ela dilacera
sua presença e o esgota, dissolve-o no abismo que
nele se abriu, esmaga-o no sentimento de um imediato
sem nenhuma perspectiva. (1o parágrafo)
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se
mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original,
está em:
(A) Violência que, ao nascer no próprio interior do indivíduo,
de modo a dilacerar e esgotar sua presença,
dissolve-se no abismo que nele foi aberto, esmagando-
lhe o sentimento de um imediato sem nenhuma
expectativa de futuro.
(B) Ela, enquanto violência nascida em seu interior, dilacera
a presença do indivíduo, em que pese seu esgotamento,
dissolvendo-se no abismo que nele
passou a existir, esmagando-se no sentimento de
um momento sem nenhuma esperança.
(C) Violência nascida em cuja essência a presença do
indivíduo é dilacerada, a ponto de esgotá-lo e de
dissolvê-lo no abismo em que se configura, uma vez
que o esmaga no sentimento de um presente imediato
sem perspectiva.
(D) Ela é violência que nasce no próprio cerne do indivíduo,
de maneira a dilacerar sua presença e a esgotá-
lo, a ponto de dissolvê-lo no abismo que nele
passa a existir, esmagando-o no sentimento de um
presente sem expectativa de futuro.
(E) Ela, como violência que nasce no interior do indivíduo,
cuja presença dilacera e esgota, é dissolvida
pelo abismo que nele se abriu, de tal modo que lhe
esmaga o sentimento de um tempo presente sem
esperança de futuro.
5. Considere as frases abaixo.
I. Ao se suprimirem as vírgulas do trecho A dor,
juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência
humana..., o verbo deverá ser flexionado no plural.
II. Na frase Georges Canguilhem acrescenta que ela é
um estado de “inconsciência em que o sujeito é de
seu corpo”, pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente
após inconsciência, sem prejuízo para a
correção.
III. Na frase De fato, na vida cotidiana o corpo se faz
invisível, flexível; sua espessura é apagada pelas ritualidades
sociais..., o ponto e vírgula pode ser
substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido
original, por dois-pontos.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) II e III.
(B) I e II.
(C) I.
(D) II.
(E) I e III.
_________________________________________________________
6. Em nossa cultura, ...... experiências ...... passamos somase
...... dor, considerada como um elemento formador do
caráter, contexto ...... pathos pode converter-se em éthos.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
(A) às −porque −a −em que
(B) às −pelas quais −à −de que
(C) as −que −à −com que
(D) às −por que −a −no qual
(E) as −por que −a −do qual
_________________________________________________________
Atenção: Para responder às questões de números 7 a 10,
considere o texto abaixo.
Menino do mato
Eu queria usar palavras de ave para escrever.
Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem
[ nomeação.
Ali a gente brincava de brincar com palavras
tipo assim: Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra!
A Mãe que ouvira a brincadeira falou:
Já vem você com suas visões!
Porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis
e nem há pedras de sacristias por aqui.
Isso é traquinagem da sua imaginação.
O menino tinha no olhar um silêncio de chão
e na sua voz uma candura de Fontes.
O Pai achava que a gente queria desver o mundo
para encontrar nas palavras novas coisas de ver
assim: eu via a manhã pousada sobre as margens do
rio do mesmo modo que uma garça aberta na solidão
de uma pedra.
Eram novidades que os meninos criavam com as suas
palavras.
Assim Bernardo emendou nova criação: Eu hoje vi um
sapo com olhar de árvore.
Então era preciso desver o mundo para sair daquele
lugar imensamente e sem lado.
A gente queria encontrar imagens de aves abençoadas
pela inocência.
O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias
para a gente bem entender a voz das águas e
dos caracóis.
A gente gostava das palavras quando elas perturbavam
o sentido normal das ideias.
Porque a gente também sabia que só os absurdos
enriquecem a poesia.
(BARROS, Manoel de, Menino do Mato, em Poesia Completa,
São Paulo, Leya, 2013, p. 417-8.)
7. De acordo com o poema,
(A) os sentidos atribuídos às palavras pelo menino adequavam-
se, na verdade, às ideias normais, que, por
seu turno, iam constituindo sua compreensão de
mundo.
(B) os absurdos, muito embora concernentes à poesia,
eram compreendidos pela mãe como fruto da ignorância
do menino.
(C) as visões a que a mãe se refere são, para o menino,
alterações no sentido usual das ideias, com que
reinventava o mundo que o cercava.
(D) as novidades que o mundo apresentava ao menino
precisavam de palavras novas para serem descritas,
pois a linguagem se mostrava pobre para a imensidão
de seu mundo.
(E) as imagens vistas pelo menino eram reflexo de sua
imaginação, livre da linguagem de que fazia uso
para descrevê-las.
_________________________________________________________
8. Considere as frases abaixo.
I. No verso O que a gente aprendia naquele lugar era
só ignorâncias, o verbo destacado pode ser flexionado
no plural, sem prejuízo para a correção e o
sentido original.
II. Em seguida ao termo voz, no verso e na sua voz
uma candura de Fontes, pode-se acrescentar uma
vírgula, sem prejuízo para a correção e o sentido
original.
III. Sem que nenhuma outra alteração seja feita, no
verso e nem há pedras de sacristias por aqui, o
verbo pode ser substituído por existe, mantendo-se
a correção e o sentido original.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) II e III.
(B) I e III.
(C) II.
(D) III.
(E) I e II.
9. Em uma redação em prosa, para um segmento do poema,
a pontuação se mantém correta em:
(A) A Mãe, que tinha ouvido a brincadeira, falou: “Já
vem você com suas visões!” Porque formigas nem
têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias
por aqui: “Isso é traquinagem da sua imaginação”.
(B) A Mãe que tinha ouvido a brincadeira, falou: −Já
vem você com suas visões! Porque formigas nem
têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias
por aqui: −Isso é traquinagem da sua imaginação.
(C) A Mãe, que tinha ouvido a brincadeira falou: “Já vem
você com suas visões!, porque formigas, nem têm
joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias por
aqui. Isso é traquinagem da sua imaginação”.
(D) A Mãe que tinha ouvidoa brincadeira, falou: “Já
vem, você com suas visões!”; porque formigas nem
têm joelhos ajoelháveis e nem há pedras de
sacristias por aqui. Isso é traquinagem da sua
imaginação.
(E) A Mãe que, tinha ouvido a brincadeira, falou: “Já
vem você com suas visões!” Porque formigas, nem
têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias
por aqui. “Isso, é traquinagem da sua imaginação”.
_________________________________________________________
10. A frase que admite transposição para a voz passiva está
em:
(A) Isso é traquinagem da sua imaginação.
(B) ... nem há pedras de sacristias por aqui.
(C) Já vem você com suas visões!
(D) ... para sair daquele lugar imensamente e sem lado.
(E) ... para a gente bem entender a voz das águas e dos
caracóis.
GABARITO
001 - B
002 - E
003 - B
004 - D
005 - A
006 - D
007 - C
008 - E
009 - A
010 – E
Para responder às questões de números 1 a 7,
considere o texto abaixo.
Não é preciso assistir a 12 Anos de Escravidão para saber
que a prática foi uma das maiores vergonhas da humanidade. Mas
é preciso corrigir o tempo do verbo. Foi? Melhor escrever a frase
no presente. A escravidão ainda é uma das maiores vergonhas da
humanidade. E o fato de o Ocidente não ocupar mais o topo da
lista como responsável pelo crime não deve ser motivo para
esquecermos ou escondermos a infâmia.
Anos atrás, lembro-me de um livro aterrador de Benjamin
Skinner que ficou gravado nos meus neurônios. Seu título era A
Crime So Monstrous (Um crime tão monstruoso) e Skinner
ocupava-se da escravidão moderna para chegar à conclusão
aterradora: existem hoje mais escravos do que em qualquer outra
época da história humana.
Skinner não falava apenas de novas formas de escravidão,
como o tráfico de mulheres na Europa ou nos Estados Unidos. A
escravidão que denunciava com dureza era a velha escravidão
clássica −a exploração braçal e brutal de milhares ou milhões de
seres humanos trabalhando em plantações ou pedreiras ao som do
chicote. [...]
Pois bem: o livro de Skinner tem novos desenvolvimentos
com o maior estudo jamais feito sobre a escravidão atual.
Promovido pela Associação Walk Free, o Global Slavery Index é
um belo retrato da nossa miséria contemporânea. [...]
A Índia, tal como o livro de Benjamin Skinner já anunciava,
continua a espantar o mundo em termos absolutos com um número
que hoje oscila entre os 13 milhões e os 14 milhões de escravos.
Falamos, na grande maioria, de gente que continua a trabalhar
uma vida inteira para pagar as chamadas "dívidas transgeracionais"
em condições semelhantes às dos escravos do Brasil nas
roças.
Conclusões principais do estudo? Pessoalmente,
interessam-me duas. A primeira, segundo o Global Slavery Index, é
que a escravidão é residual, para não dizer praticamente
inexistente, no Ocidente branco e "imperialista".
De fato, a grande originalidade da Europa não foi a escravidão;
foi, pelo contrário, a existência de movimentos abolicionistas
que terminaram com ela. A escravidão sempre existiu antes de
portugueses ou espanhóis comprarem negros na África rumo ao
Novo Mundo. Sempre existiu e, pelo visto, continua a existir.
Mas é possível retirar uma segunda conclusão: o ruidoso
silêncio que a escravidão moderna merece da intelectualidade
progressista. Quem fala, hoje, dos 30 milhões de escravos que
continuam acorrentados na África, na Ásia e até na América
Latina? [...]
O filme de Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão, pode
relembrar ao mundo algumas vergonhas passadas. Mas confesso
que espero pelo dia em que Hollywood também irá filmar as
vergonhas presentes: as vidas anônimas dos infelizes da
Mauritânia ou do Haiti que, ao contrário do escravo do filme, não
têm final feliz.
(Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. "Os Escravos".
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br)
]
1. De acordo com o texto,
(A) é de se estranhar o silêncio votado à questão escravocrata,
muito provavelmente por envolver regiões
como a Europa, que se utilizam, ainda que indiretamente,
de trabalho escravo.
(B) nunca houve tantos escravos no mundo, a despeito
de terem sidos bem-sucedidos os primeiros
movimentos, surgidos na Europa, que lutaram por
extinguir a escravidão dos negros africanos.
(C) as novas formas de escravidão, se não constituem a
maioria dos casos, obscurecem a importância devida
à antiga escravidão, ainda bastante disseminada,
como mostra o filme 12 Anos de Escravidão.
(D) a escravidão moderna, como ocorre na Mauritânia e
no Haiti, é, em termos sociais, diferente da escravidão
antiga, visto que dissimulada, pois se trata de
trabalho formal, mas em condições sub-humanas.
(E) o número de escravos aumentou no século XX, sobretudo
em países pobres, muito embora movimentos
abolicionistas da Europa a tenham eliminado das
nações sulamericanas.
_________________________________________________________
2. Os termos infâmia (1o parágrafo), Promovido (4o parágrafo) e
que (7o parágrafo) referem-se respectivamente a:
(A) lista - Global Slavery Index - escravidão
(B) humanidade - um belo retrato - existência
(C) escravidão - um belo retrato - existência
(D) escravidão - Global Slavery Index - movimentos
abolicionistas
(E) lista - livro - movimentos abolicionistas
_________________________________________________________
3. O verbo em negrito deve sua flexão ao elemento sublinhado
em:
(A) A Índia, tal como o livro de Benjamin Skinner já
anunciava...
(B) ... com um número que hoje oscila entre os 13
milhões...
(C) Pessoalmente, interessam-me duas.
(D) A escravidão que denunciava com dureza...
(E) ... o ruidoso silêncio que a escravidão moderna
merece...
4. De fato, a grande originalidade da Europa não foi a escravidão; foi, pelo contrário, a existência de movimentos abolicionistas que
terminaram com ela. (7o parágrafo)
Mantém-se, em linhas gerais, o sentido da frase, substituindo-se o segmento grifado por:
(A) foi não obstante a escravidão, apesar da existência
(B) não só foi a escravidão, mas também a existência
(C) ao invés de ter sido a escravidão, mas a existência
(D) não foi a escravidão, mas, sim, a existência
(E) não foi a escravidão, todavia, sem a existência
5. Atente para as afirmações, abaixo, sobre o texto:
I. Com a substituição de que (1o parágrafo) por "se", atribui-se caráter hipotético ao que se diz em seguida.
II. Sem prejuízo para a correção, pode-se isolar com vírgulas o título do livro A Crime So Monstrous (2o parágrafo), como
ocorre, no último parágrafo, com o título do filme 12 Anos de Escravidão.
III. O travessão empregado no 3o parágrafo introduz uma explicação, função semelhante à dos dois-pontos empregados no
último parágrafo.
Está correto o que consta APENAS em
(A) I e III.
(B) I.
(C) I e II.
(D) II.
(E) II e III.
6. No contexto dado, possui a mesma regência do verbo presente no segmento A escravidão que denunciava com dureza, o que
se encontra sublinhado em:
(A) Quem fala, hoje, dos 30 milhões de escravos... (8o parágrafo)
(B) ... número que hoje oscila entre os 13 milhões e os 14 milhões... (5o parágrafo)
(C) ... antes de portugueses ou espanhóis comprarem negros na África rumo ao Novo Mundo. (7o parágrafo)
(D) ... o Global Slavery Index é um belo retrato da nossa miséria... (4o parágrafo)
(E) Não é preciso assistir a 12 Anos de Escravidão... (1o parágrafo)
7. Mas é possível retirar uma segunda conclusão... (8o parágrafo)
... pode relembrar ao mundo algumas vergonhas... (último parágrafo)
... não têm final feliz. (último parágrafo)
Os segmentos sublinhados acima são corretamente substituídos por pronomes em:
(A) retirá-la - relembrar-lhe - o têm
(B) retirá-la - relembrá-las - têm-no(C) retirar-lhe - lhe relembrar - têm-no
(D) a retirar - relembrá-lo - o têm
(E) lhe retirar - o relembrar - o têm
8. O termo entre parênteses preenche corretamente a lacuna da frase em:
(A) A mudança, começaram ...... senti-la apenas os descendentes dos escravos. (à)
(B) Não foi apenas com o intuito de libertar ...... escravos que se promulgou a lei Áurea. (aos)
(C) As condições iniciais dos libertos eram muito próximas ...... de escravidão. (as)
(D) ...... vésperas do século XX ainda eram debatidas questões como a escravidão. (Às)
(E) Muito embora lhes fosse conferida ...... condição de liberto, muitos continuavam subjugados. (à)
Para responder às questões de números 9 a 12,
considere o texto abaixo.
Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post
factum*, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em
holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história
desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na
segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um
molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos.
Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil
e quinhentos, e dei um jantar.
Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de
banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas,
conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no
intuito de lhe dar um aspecto simbólico.
No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a
minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei
que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito
séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que
entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias
e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de
Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.
Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um
furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio
que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre
assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar,
brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro
discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os
lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na
cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio
que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.
No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com
rara franqueza:
−Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa
amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
−Oh! meu senhô! fico.
−...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo
cresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quando
nasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto
que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...
−Artura não qué dizê nada, não, senhô...
−Pequeno ordenado, repito, uns seis mil réis; mas é de
grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito
mais que uma galinha. Justamente. Pois seis mil réis. No fim de
um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.
Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe
dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos
da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um
impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um
título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram
dois estados naturais, quase divinos.
Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá,
tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de
orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do
diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me
perdoe!) creio que até alegre. [...]
*Literalm ente, “depois do golpe”, “depois do fato”.
(Adaptado de: ASSIS, Machado de. "Bons dias!", Gazeta de
Notícias, 19 de maio de 1888)
9. O texto
(A) reconhece o mérito das mudanças políticas de então,
ironizando a hierarquia social que antes predominava
entre escravo e senhor.
(B) mostra como um avanço social, na verdade, beneficia a
todos: o escravo se torna livre, seu antigo dono adquire
prestígio social.
(C) reflete o entusiasmo com que foi tomada a libertação
dos escravos no Brasil, a partir do relato de uma
situação particular.
(D) faz ressalvas ao processo político que envolveu o fim
da escravidão, visto que os títulos concedidos não
possuíam valor legal.
(E) trata o fim da escravidão com ironia, mostrando como
uma simples carta de alforria não significava mudança
da condição social do escravo.
_________________________________________________________
10. O diálogo que se desenvolve a partir do 5o parágrafo
(A) contrasta a altura do empregado com a pequenez
inicial de seu salário, de maneira que se compreenda a
prosperidade da nova condição de assalariado.
(B) evidencia, em frases como Tu vales muito mais que
uma galinha, o valor humano que passam a ter os
que eram antes considerados simples mercadoria.
(C) ilustra, em frases como Artura não qué dizê nada, não,
senhô..., a mentalidade a que estava condicionado o
escravo, que chega a falar em detrimento de si próprio.
(D) prevê o novo padrão das relações de trabalho, pautado
por diálogo e negociação de direitos, persistente até a
atualidade com empregados domésticos.
(E) demonstra a afeição que ligava senhor e escravo,
rompida com o fim do regime de escravidão, como
se pode ver nos parágrafos seguintes.
_________________________________________________________
11. Sobre a pontuação do texto, considere:
I. Mantém-se a correção alterando-se a pontuação da
frase Oh! meu senhô! fico. (7o parágrafo) para Oh,
meu senhô, fico!
II. O ponto e vírgula, no segmento ... por me não escovar
bem as botas; efeitos da liberdade... (11o parágrafo),
pode ser substituído por dois-pontos.
III. No segmento Por isso digo, e juro se necessário for,
que toda a história desta lei de 13 de maio... (1o parágrafo),
pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente
após juro.
Está correto o que consta em
(A) I, II e III.
(B) II e III, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) I, apenas.
(E) II, apenas.
12. Com recurso à subordinação das orações, o 5o e o 6o parágrafos estão reescritos corretamente em:
(A) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza, que és livre, podes ir para onde quiseres, além de que aqui
tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
(B) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe, com rara franqueza, que era livre e podia ir para onde quisesse; que aqui, no
entanto, tinha casa amiga, já conhecida, além de ter mais um ordenado, um ordenado que...
(C) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza: Tu és livre; por isso, podes ir para onde quiseres, ao passo
que aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...
(D) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe, com rara franqueza, que seria livre, poderia ir para onde queria, mas que aqui
teria casa amiga, já conhecida, além de ter mais um ordenado, um ordenado que...
(E) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza, que fosse livre e pudesse ir para onde quisesse; aqui, no
entanto, teria casa amiga, já conhecida, com que teria mais um ordenado, um ordenado que...
GABARITO
001 - B
002 - D
003 - B
004 - D
005 - A
006 - C
007 - A
008 - D
009 - E
010 - C
011 - A
012 – B
Para responder às questões de números 1 a 10,
considere o texto abaixo:
Da utilidade dos prefácios
Li outro dia em algum lugar que os prefácios são textos
inúteis, já que em 100% dos casoso prefaciador é convocado
com o compromisso exclusivo de falar bem do autor e da obra
em questão. Garantido o tom elogioso, o prefácio ainda aponta
características evidentes do texto que virá, que o leitor poderia
ter muito prazer em descobrir sozinho. Nos casos mais graves,
o prefácio adianta elementos da história a ser narrada (quando
se trata de ficção), ou antecipa estrofes inteiras (quando poesia),
ou elenca os argumentos de base a serem desenvolvidos
(quando estudos ou ensaios). Quer dizer: mais do que inútil, o
prefácio seria um estraga-prazeres.
Pois vou na contramão dessa crítica mal-humorada aos
prefácios e prefaciadores, embora concorde que muitas vezes
ela proceda −o que não justifica a generalização devastadora.
Meu argumento é simples e pessoal: em muitos livros que li, a
melhor coisa era o prefácio −fosse pelo estilo do prefaciador,
muito melhor do que o do autor da obra, fosse pela consistência
das ideias defendidas, muito mais sólidas do que as expostas
no texto principal. Há casos célebres de bibliografias que indicam
apenas o prefácio de uma obra, ficando claro que o restante
é desnecessário. E ninguém controla a possibilidade, por
exemplo, de o prefaciador ser muito mais espirituoso e inteligente
do que o amigo cujo texto ele apresenta. Mas como argumento
final vou glosar uma observação de Machado de
Assis: quando o prefácio e o texto principal são ruins, o primeiro
sempre terá sobre o segundo a vantagem de ser bem mais
curto.
Há muito tempo me deparei com o prefácio que um grande
poeta, dos maiores do Brasil, escreveu para um livrinho de
poemas bem fraquinhos de uma jovem, linda e famosa modelo.
Pois o velho poeta tratava a moça como se fosse uma Cecília
Meireles (que, aliás, além de grande escritora era também linda).
Não havia dúvida: o poeta, embevecido, estava mesmo era
prefaciando o poder de sedução da jovem, linda e nada talentosa
poetisa. Mas ele conseguiu inventar tantas qualidades
para os poemas da moça que o prefácio acabou sendo, sozinho,
mais uma prova da imaginação de um grande gênio poético.
(Aderbal Siqueira Justo, inédito)
1. O primeiro e o segundo parágrafos estabelecem entre si
uma relação de
(A) causa e efeito, uma vez que das convicções expressas
no primeiro resultam, como consequência
natural, as expostas no segundo.
(B) de complementaridade, pois o que se afirma no segundo
ajuda a compreender a mesma tese defendida
e desenvolvida no primeiro.
(C) inteira independência, pois o tema do primeiro não
se espelha no segundo, já que o autor do texto quer
apenas enumerar diferentes estilos.
(D) contraposição, pois a perspectiva de valor adotada
no primeiro é confrontada com outra que a relativiza
e nega no segundo.
(E) similitude, pois são ligeiras as variações do argumento
central que ambos sustentam em relação à
utilidade e à necessidade dos prefácios.
2. Considere as afirmações abaixo.
I. No primeiro parágrafo, a assertiva o prefácio seria
um estraga-prazeres traduz o efeito imediato da
causa indicada na assertiva os prefácios são textos
inúteis.
II. No segundo parágrafo, o autor afirma que vai de
encontro à tese defendida no primeiro porque pode
ocorrer que um prefácio represente a parte melhor
de um livro.
III. No terceiro parágrafo, o autor se vale de uma
ocorrência real para demonstrar que o gênio inventivo
de escritores iniciantes propicia prefácios
igualmente criativos.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma
APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.
_________________________________________________________
3. Ao lado de razões mais pessoais, marcadas por alguma
subjetividade, o autor indica, como prova objetiva da utilidade
de certos prefácios, o fato de que
(A) Machado de Assis os julgava obras-primas pelo poder
de alta concisão de que seriam capazes.
(B) eles antecipam, para o leitor mais desavisado, alguns
fragmentos essenciais à compreensão do texto
principal.
(C) algumas bibliografias valorizam-nos de modo especial,
em detrimento do texto principal do livro.
(D) as apresentações da poesia de Cecília Meireles faziam
ver tanto a beleza dos poemas como a da escritora.
(E) os prefaciadores são escolhidos a partir de um critério
inteiramente idôneo, o que impede favoritismos.
_________________________________________________________
4. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o
sentido de um segmento em:
(A) Garantido o tom elogioso (1o parágrafo) = assumido
o teor argumentativo
(B) generalização devastadora (2o parágrafo) = interação
improdutiva
(C) glosar uma observação (2o parágrafo) = variar uma
consideração
(D) ninguém controla a possibilidade (2o parágrafo) =
não se pode esboçar a hipótese
(E) consistência das ideias defendidas (2o parágrafo) =
subserviência às teses propaladas
5. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre
comentário sobre o texto:
(A) Ao contrário dos que consideram os prefácios tão
inúteis quanto inconvenientes, o autor julga que
muitas dessas apresentações são mais atraentes e
substanciosas do que o texto principal.
(B) Embora hajam apresentações bem realizadas de
livros, é indiscutível que boa parte delas primem pela
inutilidade, inconveniência ou mesmo assumam o
caráter de um estraga-prazeres.
(C) Há discordâncias quanto ao valor ou não dos
prefácios, uma vez que alguns concordam com seu
intento esclarecedor, ao passo que outros o negam,
em razão de argumentos não valorativos.
(D) O autor acredita de que a maioria dos prefácios
pode mesmo carecer de valor, ainda que em muitos
casos, ao contrário, se estabelece uma utilidade
insuspeita que chega a valorizá-lo mais que à obra.
(E) Não seria bom para um escritor, que viesse a ter
como autor de seu prefácio um colega mais talentoso,
tanto que isso poderia acarretar, nas bibliografias,
uma importância exclusiva para o texto introdutório.
_________________________________________________________
6. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de
modo a concordar com o elemento sublinhado na frase:
(A) As características a que (dever) atender um prefácio
podem torná-lo um estraga-prazeres.
(B) Há casos em que o prefácio se (revelar) um componente
inteiramente inútil de um livro.
(C) Às vezes, numa bibliografia (ganhar) mais destaque
as páginas de um prefácio do que o texto principal
de um livro.
(D) Não é incomum que se (recorrer) a frases de
Machado de Assis para glosá-las, dada a graça que
há nelas.
(E) O autor confessa o que a muitos (parecer) impensável:
é possível gostar mais de um prefácio do que
do restante da obra.
_________________________________________________________
7. Transpondo-se para a voz passiva a frase vou glosar uma
observação de Machado de Assis, a forma verbal
resultante deverá ser
(A) terei glosado
(B) seria glosada
(C) haverá de ser glosada
(D) será glosada
(E) terá sido glosada
8. Está inteiramente adequada a correlação entre os tempos
e os modos verbais da frase:
(A) Os prefácios correriam o risco de serem inúteis caso
tenham sido escritos segundo as instruções convencionais.
(B) Houvesse enorme interesse pela leitura de prefácios
e as editorias certamente cuidariam que fossem
mais criativos.
(C) Quando se fizesse uma glosa de frase de um grande
autor deve-se citar a fonte original: esse é um dever
ético.
(D) Caso o autor viesse a infirmar tanto o nome do grande
poeta como o da frágil poetisa, muitos o acusarão
de indiscreto.
(E) Menos que seja objeto de preconceito, um bom prefácio
sempre resistiria aos critérios de um crítico rigoroso.
_________________________________________________________9. As lacunas da frase Um prefácio ...... nossa inteira atenção
esteja voltada certamente conterá qualidades ......
força é impossível resistir preenchem-se adequadamente,
na ordem dada, pelos seguintes elementos:
(A) para o qual −a cuja
(B) ao qual −de cuja a
(C) com o qual −por cuja
(D) aonde −de que a
(E) por onde −das quais a
_________________________________________________________
10. Quanto à pontuação, a frase inteiramente correta é:
(A) Já pela má fama adquirida já por preconceito, sempre
haverá por parte de certos leitores, alguma relutância
diante da leitura de um prefácio.
(B) O autor do texto não hesita honestamente, de recorrer
a experiências pessoais, para demonstrar sua
tese, favorável em boa parte à existência mesma
dos prefácios.
(C) A escritora Cecília Meireles tão talentosa quanto bonita,
é citada no texto como parâmetro de excelência,
na comparação com uma jovem, bela e pouco
inspirada poetisa.
(D) Muita gente acabará por confessar tal como fez o autor,
que um prefácio pode prender nossa atenção, com
muito mais força, do que o texto principal de uma obra.
(E) O autor conclui, não sem razão, que as bibliografias
que indicam apenas o prefácio de uma obra permitem
deduzir, não há dúvida, que o restante do livro
não importa muito.
Para responder às questões de números 11 a 15,
considere o texto abaixo −um fragmento de O espírito
das leis, obra clássica do filósofo francês
Montesquieu, publicada em 1748.
[Do espírito das leis]
Falta muito para que o mundo inteligente seja tão bem
governado quanto o mundo físico, pois ainda que o mundo
inteligente possua também leis que por sua natureza são
invariáveis, não as segue constantemente como o mundo físico
segue as suas. A razão disso reside no fato de estarem os
seres particulares inteligentes limitados por sua natureza e,
consequentemente, sujeitos a erro; e, por outro lado, é próprio
de sua natureza agirem por si mesmos. (...)
O homem, como ser físico, tal como os outros corpos da
natureza, é governado por leis invariáveis. Como ser inteligente,
viola incessantemente as leis que Deus estabeleceu e modifica
as que ele próprio estabeleceu. Tal ser poderia, a todo instante,
esquecer seu criador −Deus, pelas leis da religião, chamou-o a
si; um tal ser poderia, a todo instante, esquecer-se de si mesmo
−os filósofos advertiram-no pelas leis da moral.
(Montesquieu −Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural,
1973, p. 33 e 34)
11. A razão invocada por Montesquieu para afirmar que Falta
muito para que o mundo inteligente seja tão bem governado
quanto o mundo físico deve-se ao fato de que
(A) as leis que regem o mundo físico acabam por ser
menos previsíveis do que aquelas elaboradas pelos
homens.
(B) os limites da natureza humana acabam levando os
homens a criar leis que eles próprios modificam ou
transgridem.
(C) o governo do mundo físico é a aspiração que têm os
homens de controlarem tudo o que está ao seu alcance.
(D) mundo inteligente, governado por Deus, cumpre as leis
que escapam completamente à jurisdição humana.
(E) o mundo inteligente, ao contrário do mundo físico, tem
leis mais flexíveis e mais justas que as da natureza.
_________________________________________________________
]
12. Considere as seguintes afirmações:
I. No primeiro parágrafo, afirma-se que é da natureza
humana buscar agir em estrita conformidade com
as leis divinas, materializadas no mundo físico.
II. No primeiro parágrafo, depreende-se que Montesquieu
considera que as leis que governam o mundo físico
são exemplos de uma eficiência que os homens
deveriam perseguir no governo do mundo inteligente.
III. No segundo parágrafo, a religião e a filosofia surgem,
cada uma em sua esfera, como possíveis
corretivos para as negligências e os desvios da
conduta humana.
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) III, apenas.
13. De acordo com a lógica do texto, as afirmações O homem
esquece seu criador e Deus chama-o para si estão
clara e corretamente articuladas na seguinte frase:
(A) Ainda quando se esqueça de seu criador, o homem
busca seu chamado.
(B) Embora Deus o chame para si, o homem esquece
seu criador.
(C) Não obstante o homem possa esquecer seu criador,
este o chama para si.
(D) Deus chama o homem para si, conquanto ele não
deixe de esquecê-lo.
(E) Mesmo que viesse a esquecê-lo, o chamado de
Deus seria ouvido pelo homem.
_________________________________________________________
14. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no
plural para preencher corretamente a lacuna da seguinte
frase:
(A) ...... (ganhar) proeminência, entre as convicções de
Montesquieu, a de que Deus nunca se afasta em
definitivo de suas criaturas, ainda quando estas o
esqueçam.
(B) Às leis imutáveis do mundo físico não se ...... (ater)
a legislação dos homens, caracterizada muitas vezes
pela inconstância e pela dificuldade de cumprimento.
(C) Dado que não ...... (competir) aos homens governar
o mundo natural, deveriam eles buscar governar a si
mesmos do modo mais justo e mais eficiente possível.
(D) Montesquieu lembra que ...... (dever) caber aos filósofos
alertar os homens para não se esquecerem
das leis morais que devem ser cumpridas.
(E) ...... (atuar) claramente nesse texto, onde tão bem
se representa o pensamento de Montesquieu, os
conceitos fundamentais de mundo físico e mundo inteligente._________________________________________________________
15. As leis humanas são falíveis, os homens desrespeitam as
leis humanas e destituem as leis humanas do sentido de
uma profunda equidade que deveria reger as leis humanas.
Evitam-se as viciosas repetições do período acima
substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada,
por:
(A) desrespeitam a elas −destituem-nas −deveria reger-
lhes
(B) desrespeitam-lhes −as destituem −deveria regêlas
(C) desrespeitam-nas −lhes destituem −lhes deveria
reger
(D) lhes desrespeitam −destituem-lhes −deveria regê-
las
(E) desrespeitam-nas −destituem-nas −as deveria reger
GABARITO
001 - D
002 - B
003 - C
004 - C
005 - A
006 - C
007 - D
008 - B
009 - A
010 - E
011 - B
012 - D
013 - C
014 - E
015 – E
O texto abaixo refere-se às questões de números
1 a 5.
1
5
10
15
20
25
30
35
No século VI a.C., os primeiros filósofos gregos
preocuparam-se em conhecer os elementos constitutivos
das coisas. Eles investigaram a Natureza, à busca de um
princípio estável, comum a todos os seres, que
explicasse a sua origem e as suas transformações.
Físicos, como foram chamados por Aristóteles, esses
primeiros filósofos, de Tales a Anaxímenes, fundaram
uma tradição de estudo da Natureza, seguida e
aprofundada, entre outros, por Heráclito, Pitágoras,
Demócrito.
Na segunda metade do século V a.C., os Sofistas,
professores da juventude ateniense numa época de crise,
inspirados mais pelo interesse prático do que por uma
intenção teórica pura, debateram, entre outras ideias, o
Bem, a Virtude, o Belo, a Lei e a Justiça, formulando, a
respeito de seu conteúdo, teses ousadas e contraditórias.
Não obstante a falta de rigor e o propósito de confundir
os adversários, com a habilidade de raciocínio que os
notabilizou, os Sofistas tiveram o indiscutível mérito de
introduzir, no estudo da sociedade e da cultura, o ponto
de vista reflexivo-crítico que caracteriza a filosofia.
Mas seria preciso esperar por Sócrates (470-399
a.C.), misto de pedagogo e de filósofo, que procurou
definir os valores morais,as profissões, o governo e o
comportamento social, para que esse ponto de vista se
insinuasse também na apreciação das artes. Sócrates,
que discorria sobre todos os assuntos humanos, entrou,
certa vez, no ateliê do pintor Parrásio, e a este perguntou
o que a Pintura poderia representar.
Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, fez,
no seu diálogo A república, um confronto, que se tornou
decisivo pelas implicações filosóficas que encerra, entre
Arte e Realidade. Levando em conta o caráter
representativo da Pintura e da Escultura, o filósofo
concluía, nesse diálogo, não só que essas artes estão
muito abaixo da verdadeira Beleza que a inteligência
humana se destina a conhecer, como também que, em
comparação com os objetivos da ciência, é supérflua a
atividade daqueles que pintam e esculpem, pois o que
40
produzem é inconsistente e ilusório. Por outro lado,
Platão observa que a Poesia e a Música exercem
influência muito grande sobre os nossos estados de
ânimo, e que afetam, positiva ou negativamente, o
comportamento moral dos homens.
(Adaptado de: NUNES, Benedito. Introdução à filosofia
da arte. 4. ed., São Paulo: Ática, 1999, p. 7 e 8)
1. No texto, o autor
(A) comenta o percurso da filosofia com o intuito de
comprovar que o pensamento filosófico se eleva
sobre todas as outras formas de conhecimento,
principalmente a relacionada ao universo das artes.
(B) objetiva, entre outros aspectos, demonstrar que a
denominação que Aristóteles deu aos primeiros
filósofos constitui equívoco que a própria história se
encarregou de corrigir.
(C) debate distintas perspectivas da reflexão filosófica,
ao longo dos séculos, para evidenciar o papel
decisivo que Platão desempenha na pesquisa da
inteligência humana.
(D) cita pensadores para evidenciar caminho constitutivo
do pensamento filosófico, considerando distintos
aspectos sobre os quais recaíram as inquietações
desses intelectuais nesse percurso.
(E) firma, respeitando a cronologia, a relevância de cada
um dos pensadores que compõem a história da
Filosofia até seu apogeu, quando esta reconhece o
significativo papel das artes plásticas na área
filosófica.
_________________________________________________________
2. Sobre os Sofistas, tal como caracterizados no texto, é
correto afirmar:
(A) foram suficientemente habilidosos para, numa época
crítica da civilização grega, dar consistência e
coerência às suas teses sobre a concepção do Bem,
da Virtude, do Belo, da Lei e da Justiça.
(B) motivados pela necessidade de orientar a juventude
ateniense da segunda metade do século V a.C.,
dedicaram-se a atividades estritamente especulativas,
sólida base para posteriores ações pedagógicas.
(C) desempenharam papel pioneiro ao desenvolver
técnicas, teses e conceitos novos, alicerçados na
indiscutível capacidade mental que demonstravam
ao encadear logicamente a argumentação com que
defendiam seus princípios.
(D) tiveram desqualificados seus méritos, principalmente
o de fundar uma perspectiva filosófica no estudo da
sociedade e da cultura, pela falta de rigor em suas
práticas e pela evidente intenção de turvar o raciocínio
dos seus parceiros de diálogo com teses
falaciosas.
(E) a atitude que assumiram diante do que elegeram
para estudo na Atenas da segunda metade do
século V a.C. representou a inserção de uma perspectiva
de abordagem do objeto que é marca distintiva
da filosofia.
3. Considerado o parágrafo 3, em seu contexto, é correto
afirmar:
(A) O emprego da forma verbal destacada em (linha 22)
Mas seria preciso esperar por Sócrates indica que
qualquer outro pedagogo ou filósofo poderia ser
responsável pelo fato citado e que a presença de
Sócrates como seu agente deve ser considerada um
acontecimento fortuito.
(B) Infere-se que a pergunta citada (linha 29) é considerada
por Nunes uma indagação filosófica acerca da
essência da Pintura, indagação que transportava
para o domínio das artes a atitude interrogativa que
já tinha sido assumida pelos filósofos gregos em
relação às coisas e aos valores sociais.
(C) A sequência (linhas 24 e 25) os valores morais, as profissões,
o governo e o comportamento social constitui
uma escala que vai do aspecto mais valorizado pelo
autor ao que pode merecer menor destaque.
(D) O emprego de (linha 26) também supõe que o ponto
de vista referido tivesse já se insinuado em outras
áreas, que não são, entretanto, mencionadas; isso
exige do leitor que levante hipóteses sobre quais
poderiam ser.
(E) Transpondo o segmento (linhas 28 e 29) e a este
perguntou o que a Pintura poderia representar, formulado
em diálogo indireto, para o diálogo direto, a
forma que respeita as orientações da gramática
normativa é: "e a este pergunta: −O que a Pintura
talvez chegue a representar?". _________________________________________________________
4. Afirma-se com correção sobre o que se tem no parágrafo 4:
(A) (linhas 31 e 32 ) Em que se tornou decisivo pelas implicações
filosóficas que encerra, justifica-se o emprego
de dois distintos tempos verbais pelo fato de a primeira
forma indicar uma ação que se deu em certo momento
do passado e a segunda, uma opinião tomada como le gítima.
(B) (linhas 33 e 34 ) A frase Levando em conta o caráter
representativo da Pintura e da Escultura exprime
ideia de condição; assim, o segmento inicial equivale
a "Se levasse em conta".
(C) (linhas 33 a 44) O confronto estabelecido por Platão
entre Arte e Realidade impede qualquer apreciação
positiva de uma manifestação artística.
(D) (linhas 30 a 44) Platão faz duas avaliações da
Pintura e da Escultura, mas somente acerca de uma
delas −é supérflua a atividade daqueles que pintam
e esculpem −deixa explícito o parâmetro tomado
para a apreciação.
(E) (linhas 38 a 40 ) Em é supérflua a atividade daqueles
que pintam e esculpem, pois o que produzem é
inconsistente e ilusório, a inclusão de uma vírgula
após a palavra pois preserva a correção gramatical
do segmento. _________________________________________________________
5. Considerada a norma-padrão da língua, tem consistência
o seguinte comentário:
(A) (linha 2) a forma preocuparam-se exemplifica a
existência de verbo que aceita um pronome oblíquo
átono do mesmo número e pessoa do sujeito, o
chamado verbo pronominal.
(B) (linhas 4 e 5) em que explicasse a sua origem, a
palavra destacada remete a todos os seres, não se
admitindo a possibilidade de superposição de
elementos retomados pelo pronome.
(C) (linha 7) no segmento de Tales a Anaxímenes, as
preposições demarcam aqueles que integram um
grupo, sem contemplar a categoria temporal.
(D) (linhas 20 e 21) se, em lugar de o ponto de vista, se
tratasse de distintos pontos, a formulação "os distintos
pontos de vista reflexivos-críticos" estaria em
concordância com as normas gramaticais.
(E) (linha 32) assim como decisivo está grafado em
conformidade com as normas da gramática, o estão
as palavras "proesa" e "deslise".
6. Ou me engano, ou isto quis dizer que se lançam véus
sobre certas notícias a pretexto de que, sujeitas a tantas e
tão virulentas críticas, faz mal às pessoas.
Tomando como parâmetro a norma-padrão escrita, comentário
adequado sobre o acima transcrito é: O período
(A) está correto em todos os seus aspectos.
(B) tem de receber duas correções: "quiz", em lugar de
"quis", e "que se lança", em lugar de "que se lançam.
(C) merece uma única correção: "fazem mal", em lugar
de "faz mal".
(D) tem de, entre outras, receber obrigatoriamente a
alteração de "às pessoas" para "as pessoas".
(E) tem de, entre outras, receber obrigatoriamente mais
um acento indicativo da crase, em "à pretexto". _________________________________________________________7. A frase em que as ideias estão expressas de modo claro e
correto é:
(A) Toda pessoa que paga imposto tem o direito de
externar sua opinião sobre o modo como o governo
trata os munícipes, mas se a pessoa está vinculada
ao trabalho no setor da vida pública quando critica
corrompe com a ética profissional.
(B) No que se refere aos meios de comunicação, o
brasileiro vive um período complexo: na medida que
a mídia cai em descrédito com o grande público −o
tratamento é abusivo das notícias ou grave peso
ideológico −os novos veículos da informática ga nham
cada vez mais credibilidade.
(C) A liberdade de expressão do cidadão que é funcionário
do Estado em certa função encontra alguns
condicionamentos em face de seu vínculo institucional,
mas tal excessiva limitação não pode se
interpretar a ponto de comprometer aquele direito.
(D) Numa democracia, até mesmo, ou principalmente, a
imprensa é meio que não se pode prescindir para a liberdade
de expressão, e por isso da evolução democrática,
motivo pelo qual há o sigilo da fonte, garantido
pela lei vigente quando ocorre uma denúncia.
(E) Ainda que seja legítimo o conceito de que é direito da
pessoa expressar-se livremente −sobre qualquer assunto
que lhe diga respeito ou lhe aprouver −e de
que o sistema jurídico do país tem o dever de garantir
esse bem da democracia, é leviano dissociá-lo da responsabilidade
inerente ao gesto cidadão de manifestar-
se. _________________________________________________________
8. A alternativa redigida em conformidade com a normapadrão
escrita é:
(A) Enfatizou que nada contribue mais para o desânimo
da categoria do que ver o jornalismo impresso hoje
desmoralizado e rendido perante às redes sociais e
novas mídias.
(B) Se ele vir de avião, chegará antes do tempo previsto,
mas, ninguém há de considerá-lo empecilho para
que se dê continuidade aos preparativos da festa em
sua própria homenagem.
(C) De todas as atividades prazerosas, as que mais surtiam
efeito positivo sobre o ânimo dos adolescentes
eram as que concretizavam a intenção de levantar
fundos para instituições beneficentes.
(D) Tinha mania de imputar nos outros as ações que ela
mesma praticava irrefletidamente, e por isso, ao
suporem que faria o mesmo naquele dia, acusaram lhe
antecipadamente de malediscência.
(E) Conclusões as mais absurdas possível foram endossadas
por muitos pesquisadores de renome, os
quais todos esperavam, com justiça, perspicácia e
bom senso.
O texto abaixo refere-se às questões de números
9 a 14.
Blogs e Colunistas
Sérgio Rodrigues
Sobre palavras
Nossa língua escrita e falada numa abordagem
irreverente
02/02/2012
Consultório
‘No aguardo’, isso está certo?
“Parece que virou praga: de dez e-mails de trabalho que
me chegam, sete ou oito terminam dizendo ‘no aguardo
de um retorno’! Ou outra frase parecida com esta, mas
sempre incluindo a palavra ‘aguardo’. Isso está certo?
Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo?
Gostaria de conhecer suas considerações a respeito.”
(Virgílio Mendes Neto)
Virgílio tem razão: uma praga de “no aguardo” anda
infestando nossa língua. Convém tomar cuidado, nem que seja
por educação: antes de entrarmos nos aspectos propriamente
linguísticos da questão, vale refletir por um minuto sobre o que
há de rude numa fórmula de comunicação que poderia ser
traduzida mais ou menos assim: “Estou aqui esperando, vê se
responde logo!”.
(Onde terá ido parar um clichê consagrado da polidez
como “Agradeço antecipadamente sua resposta”? Resposta
possível: foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros
bordados verbais do tempo das cartas manuscritas, porque o
meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a
perder com hipocrisias. O que equivale a dizer que, sendo o
meio a mensagem, como ensinou o teórico da comunicação
Marshall McLuhan, a internet é casca-grossa por natureza. Será
mesmo?)
Quanto à questão da existência, bem, o substantivo
“aguardo” existe acima de qualquer dúvida. O dicionário da
Academia das Ciências de Lisboa não o reconhece, mas isso se
explica: estamos diante de um regionalismo brasileiro, um termo
que tem vigência restrita ao território nacional. Desde que foi
dicionarizado pela primeira vez, por Cândido de Figueiredo, em
1899, não faltam lexicógrafos para lhe conferir “foros de cidade”,
como diria Machado de Assis. Trata-se de um vocábulo formado
por derivação regressiva a partir do verbo aguardar. Tal
processo, que já era comum no latim, é o mesmo por meio do
qual, por exemplo, do verbo fabricar se extraiu o substantivo
fábrica.
9. Considerados os textos do autor da coluna e do consulente,
é correto dizer:
(A) A resposta inicia-se com informações não solicitadas
pelo consulente, mas importantes para esclarecer
aspectos das perguntas que fez.
(B) O consulente preocupa-se com a correção, enquanto
o autor da coluna demonstra isenção em relação
a qualquer uso da língua, desde que as formas em
questão existam.
(C) O autor da coluna menospreza o dicionário da Academia
de Ciências de Lisboa por causa do evidente
preconceito desta obra em relação à linguagem
falada no Brasil.
(D) O consulente revela disposição para mudar seu
julgamento sobre “aguardo”, caso se comprove que
a palavra existe.
(E) O autor da coluna e o consulente produzem textos
em que cada um se dirige diretamente ao interlocutor,
usando a 2a pessoa do singular.
_________________________________________________________
10. O autor
(A) afirma fazer uso de expressões como “Agradeço
antecipadamente sua resposta” porque elas ao menos
permitem denotar polidez.
(B) ironiza o privilégio concedido às pretensas mensagens
diretas do meio digital, já que com elas se
perde em estilo (bordados verbais) e em cortesia.
(C) afirma, com bom humor, mas com base em trabalhos
qualificados, que, desde sua dicionarização,
“aguardo” é palavra característica de um vocabulário
rural.
(D) vale-se de informações sociolinguísticas, de história
da língua e de morfologia para comprovar a existência
de “aguardo”.
(E) recorre ao latim para propor que “aguardo” pode ter
aparecido na língua bastante antes de 1899, data de
sua dicionarização.
_________________________________________________________
11. Considere as seguintes afirmações.
I. Em Nossa língua escrita e falada numa
abordagem irreverente, há uma ambiguidade que
é produtiva para o texto: em qualquer uma das
interpretações, a frase caracteriza bem a coluna.
II. O uso de Consultório para nomear a coluna é
incorreto, já que esse substantivo é usado para
nomear certo espaço reservado aos profissionais
da saúde.
III. O autor destaca a palavra existência para enfatizar
que vai tratar da questão em perspectiva específica:
a da presença ou ausência do substantivo
em dicionários.
Está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, apenas.
12. Acerca da pontuação empregada, é correto o seguinte comentário:
(A) Em Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo?, seria mais apropriado um ponto de exclamação, considerado
o conteúdo da frase.
(B) Considerado o conteúdo do texto, os parênteses que acolhem o segundo parágrafo da resposta justificam-se pelo caráter
menos central das informações e comentários que contêm.
(C) Na primeira linha do texto citado e nas três primeiras do texto de Sérgio Rodrigues, dado o sentido do que vem em
seguida, os dois-pontos poderiam ser substituídos por “porque”.
(D) Em foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros bordados verbais, a apresentação de compulsoriamente entre
vírgulasalteraria o sentido original, tornando prescindível a presença desse advérbio na frase.
(E) As aspas em “foros de cidade” assinalam que a expressão é usada por outros, que não o autor, diferentemente das aspas
em “no aguardo”.
13. Está correta a seguinte flexão para o plural:
(A) Trata-se de um vocábulo: Tratam-se de vocábulos.
(B) o meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a perder: os meios digitais privilegiam as mensagens
diretas e não tem tempo a perder.
(C) é casca-grossa por natureza: são casca-grossas por natureza.
(D) o substantivo [...] existe acima de qualquer dúvida: os substantivos existem acima de qualquer dúvidas.
(E) se extraiu o substantivo: se extraíram os substantivos.
14. Considerada a norma culta escrita, há correta substituição de estrutura nominal por pronome em:
(A) Agradeço antecipadamente sua resposta // Agradeço-lhes antecipadamente.
(B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe.
(C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os.
(D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las.
(E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela.
15. Uma frase comum no início de certo tipo de documento oficial está corretamente redigida em:
(A) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, seja realizado uma Reunião Solene...
(B) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas às formalidades regimentais, que seja formulado um Voto de Aplauso
pela beneficiência da senhora Ana Margarete da Silva...
(C) Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que sejam transcritos os artigos sobre a
ascensão da nova classe média em Pernambuco...
(D) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenario e cumpridas as formalidades regimentais, que, seja enviado Votos de Pesares aos
familiares dos cabeleleiros...
(E) Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais que seja realizado uma Audiencia
Pública...
001 - D
002 - E
003 - B
004 - A
005 - A
006 - C
007 - E
008 - C
009 - A
010 - D
011 - C
012 - B
013 - E
014 - D
015 – C
abaixo.
O romance policial, descendente do extinto romance gótico,
conserva características significativas do gênero precursor:
a popularidade imensa e os meios para obtê-la. “Romances
policiais”, reza um anúncio do editor de Edgar Wallace, “são
lidos por homens e mulheres de todas as classes; porque não
há nada que seja tão interessante como a explicação de um
crime misterioso. Não há nada que contribua com eficiência
maior para divertir os espíritos preocupados”.
Os criminosos e detetives dos romances policiais
servem-se dos instrumentos requintados da tecnologia moderna
para cometer e revelar horrores: sociedades anônimas do crime,
laboratórios científicos transformados em câmaras de tortura.
Os leitores contemporâneos acreditam firmemente na onipotência
das ciências naturais e da tecnologia para resolver todos
os problemas e criar um mundo melhor; ao mesmo tempo,
devoram romances nos quais os mesmíssimos instrumentos
físicos e químicos servem para cometer os crimes mais abomináveis.
Leitores de romances policiais não são exigentes. Apenas
exigem imperiosamente um final feliz: depois da descoberta
do assassino, as núpcias entre a datilógrafa do escritório dos
criminosos e o diretor do banco visado por eles, ou então a
união matrimonial entre o detetive competente e a bela pecadora
arrependida.
Não adianta condenar os romances policiais porque lhes
falta o valor literário. Eles são expressões legítimas da alma
coletiva, embora não literárias, e sim apenas livrescas de desejos
coletivos de evasão.
(Adaptado de Otto Maria Carpeaux. Ensaios reunidos 1942-1978.
Rio de Janeiro: UniverCidade e TopBooks, v.1, 1999. p. 488-90)
1. O leitor de romances policiais, tal como caracterizado no
texto,
(A) pertence a determinada classe social e despreza a
técnica literária.
(B) é difícil de satisfazer e descrente da moral contemporânea.
(C) confia na soberania da ciência e é condescendente
com enredos inverossímeis.
(D) é leigo em tecnologia e demonstra alto grau de
erudição.
(E) usa a leitura como fonte de entretenimento e prescinde
de finais felizes.
2. Atente para as afirmações abaixo sobre a pontuação empregada
no texto:
I. O emprego das aspas no primeiro parágrafo denota
transcrição exata das palavras do editor citado.
II. No segundo parágrafo, os dois-pontos introduzem
uma síntese do que foi afirmado antes.
III. Na frase Não adianta condenar os romances policiais
porque lhes falta o valor literário, uma vírgula
poderia ser colocada imediatamente antes do termo
porque sem prejuízo para a correção e o sentido
original.
Está correto o que consta APENAS em
(A) I e III.
(B) I e II.
(C) III.
(D) II.
(E) I.
_________________________________________________________
3. A substituição do segmento grifado por um pronome, com
as necessárias alterações, foi efetuada de modo correto
em:
(A) criar um mundo melhor criar-lhe
(B) divertir os espíritos preocupados divertir-lhes
(C) condenar os romances policiais condenar-nos
(D) resolver todos os problemas lhes resolver
(E) devoram romances devoram-nos
_________________________________________________________
4. O romance policial, descendente do extinto romance gótico,
conserva características significativas do gênero precursor:
a popularidade imensa e os meios para obtê-la.
Mantendo-se a correção, a lógica e, em linhas gerais, o
sentido original, uma redação alternativa para a frase
acima é:
(A) Originário no extinto romance gótico, no romance
policial conserva-se a popularidade imensa e os
meios para obtê-la, características significativas do
gênero precursor.
(B) Características significativas do extinto romance
gótico, no qual são conservadas do romance policial,
como a popularidade imensa e os meios para obtê-la.
(C) A popularidade imensa e os meios para obtê-la, no
qual são considerados características significativas
do romance policial, gênero precursor do extinto
romance gótico.
(D) Conservam-se no romance policial características
significativas do extinto romance gótico, gênero que
o precede, tais como a popularidade imensa e os
meios para obtê-la.
(E) Características originárias do extinto romance gótico,
na qual incluem a popularidade imensa e os meios
para obtê-la, conservam-se no romance policial.
As questões de números 5 a 10 referem-se ao texto
abaixo.
Indicado como presidente da Câmara de Comércio em
1908, Winston Churchill foi uma figura líder no amplo programa
de reformas sociais do governo liberal. Em 1909, ele introduziu
as “Câmaras de profissões”, organizações estatutárias que
estabeleciam salários mínimos nas indústrias-chave.
Churchill apoiou fortemente a introdução da Lei
reguladora das minas de carvão, de 1908, que se tornou
conhecida como “Lei das oito horas”, porque limitava o tempo
que os mineiros permaneciam abaixo da superfície. Em 1908,
também apresentou a Corte permanente de arbitragem −que
muito mais tarde se tornaria o Serviço consultivo de conciliação
e arbitragem −para cuidar das reivindicações dos sindicatos
profissionais.
Quando foi nomeado ministro do Tesouro, em 1924,
Churchill continuou sua política de reformas sociais. Neville
Chamberlain, secretário da Saúde, foi responsável por ampliar a
abrangência da previdência social, com a introdução da Lei das
viúvas, órfãos e da velhice. Churchill estava ansioso por
colaborar com Chamberlain na implantação desse esquema, de
modo que ele próprio o anunciou no orçamento de 1925.
Chamberlain escreveu em 1o de maio em seu diário:“A exposição
do orçamento de Winston foi um desempenho de mestre, e,
embora o meu escritório e alguns de meus colegas estejam
indignados por ele tomar para si mesmo o crédito de um
esquema que pertence ao Ministério da Saúde, eu mesmo não
pensei que tivesse qualquer razão para me queixar. Em certo
sentido, é o seu esquema. Nós estávamos empenhados em
algo do gênero, mas não acredito que o fizéssemos este ano se
ele não o tivesse encampado no orçamento. Na minha opinião,
ele merece crédito pessoal especial por sua iniciativa”.
(Nigel Knight. Churchill desmascarado. Trad. Constantino
Kauzmin-Korovaeff. São Paulo: Ed. Larousse do Brasil, p. 32-33)
5. Segundo o texto,
(A) o objetivo da Lei reguladora das minas de carvão era
o de restringir a carga horária dos trabalhadores
dentro das minas.
(B) Churchill esforçou-se para apoiar a Lei das viúvas,
órfãos e da velhice por razões exclusivamente
eleitoreiras.
(C) pressionado pelas reivindicações dos sindicatos
profissionais, Churchill decidiu ampliar as reformas
sociais no país.
(D) Churchill recebeu punição severa por tomar para si
mesmo o crédito de um esquema do Ministério da
Saúde.
(E) responsável por ampliar a abrangência da previdência
social, Churchill atraiu para si fortes inimizades
políticas.
6. Atente para as afirmações abaixo:
I. Churchill estava ansioso por colaborar com
Chamberlain ...
O elemento grifado pode ser substituído por
inquieto, sem prejuízo para a correção e o sentido
original.
II. ... de modo que ele próprio o anunciou no
orçamento de 1925.
O segmento grifado pode ser substituído por haja
vista, sem prejuízo para a correção e o sentido
original.
III. Na minha opinião, ele merece crédito pessoal
especial por sua iniciativa.
Considerando-se o contexto, uma redação alternativa
para a frase acima em que se mantêm a correção
e, em linhas gerais, o sentido original é:
Creio que ele mereça crédito pessoal especial
por sua iniciativa.
Está correto o que consta APENAS em
(A) I.
(B) II e III.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II.
_________________________________________________________
7. Em 1909 ele introduziu as “Câmaras de profissões”...
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante será:
(A) são introduzidas.
(B) foram introduzidas.
(C) se introduz.
(D) foi introduzido.
(E) seja introduzida.
_________________________________________________________
8. ... que estabeleciam salários mínimos nas indústriaschave.
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
grifado acima está em:
(A) ... que muito mais tarde se tornaria o Serviço
consultivo de conciliação...
(B) ... embora o meu escritório e alguns de meus colegas
estejam indignados...
(C) ... de um esquema que pertence ao Ministério da
Saúde...
(D) Em 1908, também apresentou a Corte permanente
de arbitragem...
(E) ... porque limitava o tempo que os mineiros ...
9. Havia um tema urgente ...... Churchill precisava lidar enquanto
era secretário da guerra: os constantes problemas
da Irlanda.
Preenche corretamente a lacuna da frase acima:
(A) nos quais
(B) do qual
(C) com o qual
(D) ao qual
(E) para os quais
_________________________________________________________
10. Winston Churchill, primeiro-ministro que ...... a Inglaterra
durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial, ......
mais do que todos que o país ...... os alemães.
Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
(A) conduzia - acredita - venceriam
(B) conduziu - acreditou - venceria
(C) conduz - acreditavam - venceria
(D) conduziu - acreditaram - venceu
(E) conduzira - acreditou – venceu
001 - C
002 - E
003 - E
004 - D
005 - A
006 - C
007 - B
008 - E
009 - C
010 – B
Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo.
O sino d e ouro
[...] −mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são
parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem −coisa bela e espantosa −um grande sino de
ouro.
Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor −nem Chartres, nem Colônia, nem
S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse
sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente.
É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas
de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos
imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de
todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus −gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o
murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o
germe de todas as explosões −eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no
fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da
alma um pequeno sino de ouro. [...]
Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso,
não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham
maravilhoso ter um sino de ouro”.
O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu
pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois
ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma
seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e
lama e podridão.
*corrução corrupção (regionalismo)
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132)
1. O desenvolvimento do texto salienta, especialmente,
(A) a importância da preservação de um meio ambiente favorável à propagação do som oriundo das badaladas de um sino de
ouro que, ecoando na natureza, traz alegria para aqueles que o estão ouvindo.
(B) a permanência de uma concepção materialista voltada para elementos terrenos de valor incontestável perante os homens,
representado pelo sino de ouro que resgata as antigas riqueza e importância do lugar.
(C) o contraste entre antiga riqueza e atual pobreza, assim como entre a grandeza de catedrais famosas e a simplicidade do
lugarejo em que a existência de um sino de ouro se mostra como algo extraordinário.
(D) o esforço de uma população que vive sem recursos em uma região distante e abandonada, no sentido de demonstrar sua fé
através do som produzido por um objeto de grande valor, como o sino de ouro.
(E) o desencanto das pessoas mais velhas com a decadência do lugar onde vivem, de cuja grandiosidade restou apenas um
sino de ouro que, ainda que pequeno, corrobora suas convicções religiosas.
2. No último parágrafo, identifica-se
(A) a conclusão pertinente de todo o desenvolvimento textual, com oposição entre a visão de espanto e desprezo de um
homem velho e a ingenuidade e a simplicidade de uma criança, ainda não corrompida pelos desencantos da vida.
(B) a introdução de um novo argumento de sustentação da ideia central do texto, ou seja, a de que os seres humanos estarãosempre sujeitos à perda de valores morais e religiosos, principalmente se conseguem alcançar riquezas materiais.
(C) uma opinião emitida pelo próprio autor, em que expõe sua dúvida pessoal quanto à real importância atribuída a um objeto
de alto valor, como um sino de ouro, desnecessário, entretanto, para uma população tão pobre e desamparada.
(D) uma censura ao emprego indevido de bens materiais, simbolizados na utilização do ouro extraído do próprio lugar, onde
nada mais existe, a não ser indolência e miséria, para fundir um sino, cujo benefício está apenas na sonoridade, ainda que
bela.
(E) o desprezo do autor diante da história que lhe foi contada, por considerar o contraste entre a pobreza das pessoas e a
quantidade de ouro necessária para a fundição de um sino, sem valor imediato para melhorar as condições de vida na região.
3. ... das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as
explosões... (3o parágrafo)
Identifica-se, na afirmativa acima,
(A) constatação quanto ao fato de que a explosão demográfica que identifica as grandes cidades tende a inviabilizar a
convivência pacífica entre os cidadãos.
(B) reconhecimento de perigos externos que venham a comprometer a necessária tranquilidade da vida nas grandes cidades.
(C) indicação da existência de uma estabilidade social trazida, incontestavelmente, por uma paz urbana garantida
internamente.
(D) resignação frente aos problemas vividos por uma população heterogênea, como a que se encontra nos maiores
aglomerados urbanos.
(E) alusão a uma violência imanente, que pode tornar-se fator de desestabilização da vida em sociedade, principalmente em
grandes centros urbanos.
4. É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas
de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos
imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. [...] E então é
como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno
sino de ouro.
O trecho transcrito acima é exemplo de
(A) uso insistente de repetições que interrompem conscientemente o fluxo narrativo, resultando em ideias circulares e
expressões já apresentadas anteriormente como, por exemplo, ondas mansas.
(B) emprego de recursos sintáticos que garantem o encadeamento das ideias, como a insistência no uso da conjunção e, que
imprime, além do mais, ritmo melódico às frases.
(C) ressalva em relação a todo o teor do texto, ao pretender acentuar a importância de um sino de ouro, como atestado da
antiga prosperidade do lugarejo, agora habitado somente por homens pobres.
(D) identificação dos sentimentos religiosos do autor, ao ouvir o som do sino de ouro, participando da alegria demonstrada
pelos habitantes do lugar em possuir tão valioso instrumento sonoro.
(E) uso prolixo de alguns elementos da língua, pois, ao afirmar que se trata de apenas um sino, ou de um pequeno sino de
ouro, o autor diminui a importância desse objeto naquele lugar humilde.
5. Considere as afirmativas abaixo a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto:
I. O longo segmento isolado por travessões no 3o parágrafo constitui uma enumeração de sentido explicativo em relação à
afirmativa que o antecede.
II. Os dois-pontos que aparecem no 4o parágrafo introduzem uma citação, devidamente assinalada pelas aspas que
aparecem no seu início e no fim.
III. ... que a coisa m ais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro.
Estaria inteiramente correta, sem alteração do sentido da afirmativa, a colocação de uma vírgula entre o verbo ser e o
verbo ouvir.
IV. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro...
O segmento quando criança pode ser isolado por vírgulas, sem prejuízo para a correção da frase.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I, II e IV.
(B) I, II e III.
(C) II, III e IV.
(D) II e III.
(E) I e IV.
6. ... que ali tem um grande sino de ouro
... eles têm um sino de ouro
O par que se caracteriza pelos mesmos tempo, modo e pessoas em que se encontram os verbos sublinhados acima é:
(A) se lia seu pensamento
se liam suas ideias
(B) cada um deles fez apenas o essencial
fazem apenas o essencial
( C) eles sabem que Deus ...
se eles soubessem que Deus ...
(D) o lugarejo é pobre
as casas são pobres
(E) O homem velho me contou isso
Os habitantes me contaram isso
7. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria.
A função sintática do termo sublinhado acima é a mesma do que se encontra, também sublinhado, em:
(A) ... nenhuma catedral imensa [...] tem nada capaz de um som tão lindo e puro ...
(B) Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro ...
(C) Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus ...
(D) ... que Deus [...] ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão.
(E) De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados ...
8. As normas de concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em:
(A) É aceito por todos os habitantes a existência de um sino de ouro, apesar da pobreza geral, porque a beleza dos sons por
ele emitido não se comparam a nada.
(B) Um viajante que chega ao lugarejo deve achar incompatível as condições miseráveis de vida da população e o alto valor
de um sino de ouro ali existente.
(C) Somente os sons de um sino de ouro poderia tornar-se a maneira mais apropriada, para aqueles pobres homens, de
cultivarem e transmitirem seu sentimento religioso.
(D) Todos os dias, o som do sino de ouro que se espalha pelos ares enche de alegria o coração dos habitantes e lhes traz
uma doce sensação de paz e harmonia.
(E) Naquele lugar pequeno e pobre, os sons de um sino de ouro se transforma no maior presente que os moradores é capaz
de oferecer aos viajantes que casualmente passam por ali.
9. Algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar.
O forasteiro propõe negócios. Propõe estradas. Propõe progresso.
Os habitantes olham o forasteiro em silêncio.
Os habitantes permanecem quietos.
Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.
As frases acima compõem um parágrafo corretamente pontuado, com lógica, clareza e coesão, em:
(A) Ainda que algum forasteiro possa chegar ao pequeno lugar por acaso, que propõe negócios, propõe estradas e propõe
progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecem quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de
ouro.
(B) Enquanto algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar e propõe negócios e mais estradas, com progresso. Os
habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecendo quietos e ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.
(C) Os habitantes do pequeno lugar olham o forasteiro que chega por acaso em silêncio. Eles permanecem quietos, com seu
particular sino de ouro que ouvem dentro de si, mesmo com o forasteiro propondo negócios, estradas e progresso.
(D) Os habitantes que olham o forasteiro em silêncio e eles permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino
de ouro, quando ele chega por acaso ao pequeno lugar. Por isso mesmo, o forasteiro propõe negócios, propõe estradas,
propõe progresso.
(E) Se algum forasteiro, por acaso, chega ao pequeno lugar, propondo negócios, estradas e progresso, os habitantes o olham
em silêncio. Permanecendo quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro.
10. O segmento inteiramente correto, com linguagem adequada e respeito às normas que regem a redação de documentos oficiais, é:
(A) Os congressistas acabam deaprovar a emenda apresentada na semana passada, para votação, por que consideraram
que a mesma vem de encontro aos interesses dos contribuintes, por isso votaram unânimes nela, aprovando-a.
(B) Os contratos ora vigentes privilegiam a boa governança empresarial, no sentido de se estabelecerem normas
fundamentais para acordos entre partes interessadas, compra e venda de materiais, fornecimento de componentes
necessários e cumprimento dos prazos estabelecidos.
(C) Conquanto é necessário o comparecimento de todos para o quorum permitindo a votação dos projetos enviados, parece
que não será isso possível, já que os participantes da comissão estão envolvidos com outros compromissos, também
inadiáveis.
(D) As partes interessadas decidiram que os bens que cada parte adquirir, a qualquer título, durante a vigência do contrato,
será propriedade comum às partes, e a divisão será de acordo com o que cada uma dessas partes adquirir, quando o
contrato for rompido.
(E) Como se tratam de documentos de cessão de bens, onde esses bens se encontram relacionados, é importante
estabelecer a origem de cada um deles e de seu proprietário, com o propósito de se evitar futuras demandas e acúmulo de
processos judiciais.
GABARITO
001 - C
002 - A
003 - E
004 - B
005 - A
006 - D
007 - C
008 - D
009 - E
010 – B
Para responder às questões de números 1 a 9,
considere o texto abaixo.
Na literatura internacional da Ciência Política, é hoje
dominante o entendimento de que democracia é um arcabouço
institucional para a pacificação das lutas inerentes à conquista e
ao exercício do poder, não um padrão de sociedade fundado na
igualdade socioeconômica substantiva. A democracia surge historicamente
em sociedades com profunda desigualdade, estratificadas,
sendo muito mais causa que consequência da redução
das desigualdades sociais.
De fato, certa tensão entre os conceitos institucional e
substantivo da democracia existe por toda parte, mas articula-se
de maneira específica no pensamento de cada país. Durante
todo o século XX, a avaliação de que democracia só é “autêntica”
quando estreitamente associada a avanços no plano da
igualdade foi compartilhada por correntes ideológicas diversas.
Endossar o conceito analítico da democracia como um
arcabouço político-institucional, a meu ver correto, não significa
que o corpo de hipóteses históricas e empíricas que explica a
consolidação da democracia como sistema em casos concretos
possa passar ao largo das desigualdades sociais e dos obstáculos
culturais delas decorrentes. Como processo histórico, a
evolução da democracia representativa deve ser compreendida
como resultante de dois vetores. De um lado, a formação de
uma autoridade central capaz de arbitrar disputas de poder,
inclusive mediante a elaboração de uma complexa aparelhagem
eleitoral; de outro, o crescimento econômico, com todas as implicações
para a elevação do piso de bem-estar e desconcentração
das posições de privilégio, status. Num período dilatado
de tempo, tal processo propicia efetiva redistribuição de renda e
riqueza, facilita o surgimento econômico e político de uma classe
média e torna mais provável o fortalecimento da “sociedade
civil”.
Desde a Segunda Grande Guerra, o principal determinante
da estabilidade democrática foi o crescimento econômico.
Mesmo democracias que no início pareciam débeis foram se
robustecendo à medida que ascendiam a níveis mais altos de
renda per capita, melhoravam seus níveis educacionais e conseguiam
atender as demandas básicas da população. Mas nada
assegura que a configuração de fatores relevantes para a
estabilidade permanecerá a mesma até, digamos, a metade do
presente século. Na América Latina, o regime democrático sabidamente
convive com níveis infamantes de desigualdade social,
corrupção e criminalidade, e se beneficia cada vez menos da
força moderadora de valores e instituições “tradicionais”. Assim,
até onde a vista alcança, a estabilidade e o vigor da democracia
dependerão muito do desempenho do sistema político e do
aprimoramento moral da vida pública.
(Adaptado de: LAMOUNIER, Bolivar. “Democracia: origens e
presença no pensamento brasileiro. In: Agenda cultural. São
Paulo, Cia. das Letras, 2009. p. 148-150)
1. De acordo com o contexto, o crescimento econômico
(A) é visto como inerente ao arcabouço político fundador
das democracias, embora democracias fortalecidas
também apresentem níveis altos de estagnação econômica.
(B) floresce paulatinamente nas democracias e recusa-
-se a transigir com as demandas políticas de regimes
autoritários, que tendem, assim, a sucumbir à
estagnação financeira.
(C) é fator importante na manutenção da estabilidade
política dos sistemas democráticos, embora a própria
democracia tenha surgido em meio a intensas
disparidades sociais.
(D) coexiste até mesmo com regimes antidemocráticos,
ainda que historicamente tenha apresentado índices
mais altos nas nações democráticas.
(E) é capaz de garantir os avanços sociais da coletividade
e fazer com que se ultrapassem desigualdades
políticas, distribuindo renda, a despeito do regime
político em vigor.
_________________________________________________________
2. O segmento em que se restringe o sentido do termo imediatamente
anterior encontra-se em:
(A) ... que no início pareciam débeis... (último parágrafo)
(B) ... estratificadas... (1o parágrafo)
(C) ... que consequência... (1o parágrafo)
(D) ... que o corpo de hipóteses... (3o parágrafo)
(E) ... status... (3o parágrafo)
_________________________________________________________
3. Considerando-se a pontuação do texto, atente para o que
se afirma abaixo.
I. Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após
central, sem prejuízo da coesão textual e da correção
gramatical. (3o parágrafo)
II. Fazendo-se as devidas alterações entre maiúsculas
e minúsculas, o sinal de dois-pontos pode ser colocado
imediatamente após vetores, sem prejuízo da
correção e do sentido. (3o parágrafo)
III. Sem prejuízo da correção e do sentido, uma vírgula
pode ser inserida imediatamente após “autêntica”.
(2o parágrafo)
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e III.
(B) I.
(C) II e III.
(D) III.
(E) I e II.
_________________________________________________________
4. Considerando-se o contexto, mantêm-se as relações de
sentido e a correção gramatical substituindo-se
(A) Mesmo por “Mediante” (4o parágrafo).
(B) à medida que por “desde que” (4o parágrafo).
(C) tal por “qualquer” (3o parágrafo).
(D) Assim por “Não obstante” (4o parágrafo).
(E) quando por “enquanto” (2o parágrafo).
5. O elemento que justifica a flexão verbal em destaque está
sublinhado em:
(A) ... não significa que o corpo de hipóteses históricas e
empíricas que explica a consolidação da democracia
como sistema em casos concretos possa passar ao
largo...
(B) De fato, certa tensão entre os conceitos institucional
e substantivo da democracia existe por toda parte,
mas articula-se de maneira específica...
(C) Mesmo democracias que no início pareciam débeis
foram se robustecendo...
(D) ... é hoje dominante o entendimento de que democracia...
(E) Mas nada assegura que a configuração de fatores
relevantes para a estabilidade permanecerá a mesma
até, digamos, a metade do presente século...
_________________________________________________________
6. A redação de um livre comentário sobre o assunto do
texto, escrita com correção e lógica, encontra-se em:
(A) A longo prazo, a evolução do sistema democrático-
-representativo pode ser compreendido como resultante
não só do crescimento econômico, mas também
do bom funcionamento das instituições eleitorais.(B) O plebiscitarismo, uma das vertentes da democracia,
provém de Rousseau e, como diversos intérpretes
tem assinalado, consiste na crença na superioridade
ética de um governo continuamente dependente da
legitimação pela massa dos cidadãos.
(C) Montesquieu, um dos grandes filósofos políticos e
escritor francês idealizou intelectualmente a democracia
como um sistema institucional por meio do
qual se viabiliza competições políticas pacíficas.
(D) Devido ao Iluminismo, à Revolução Francesa e a
outros processos correlatos, dos quais emerge a
figura do homem com um direito natural à felicidade,
o século XVIII é um momento decisivo na consolidação
das democracias modernas.
(E) Como qualquer outro tipo de Estado, o Estado democrático
exerce o poder e quando necessário emprega
a força; porém, o fazem dentro de restrições
constitucionais e de cultura política em geral severa.
_________________________________________________________
7. ... facilita o surgimento econômico e político de uma classe
média...
O verbo que, no contexto, possui o mesmo tipo de complemento
que o do sublinhado acima está empregado em:
(A) Mas nada assegura que a configuração de fatores...
(B) ... o principal determinante da estabilidade democrática
foi o crescimento econômico.
(C) A democracia surge historicamente em sociedades...
(D) ... o regime democrático sabidamente convive com
níveis infamantes...
(E) ... certa tensão entre os conceitos institucional e
substantivo da democracia existe por toda parte...
8. Na América Latina, o regime democrático sabidamente
convive com níveis infamantes de desigualdade social...
O elemento sublinhado acima possui, no contexto, a
mesma função sintática que o sublinhado em:
(A) Mesmo democracias que no início pareciam
débeis...
(B) ... sendo muito mais causa que consequência da
redução das desigualdades sociais.
(C) ... certa tensão entre os conceitos institucional e
substantivo da democracia existe por toda parte...
(D) ... foram se robustecendo à medida que ascendiam a
níveis mais altos de renda per capita...
(E) ... que a configuração de fatores relevantes para a
estabilidade permanecerá a mesma...
_________________________________________________________
9. O segmento do texto reescrito com correção gramatical e
lógica encontra-se em:
(A) Sabe-se que o regime democrático convive com a
desigualdade social, a corrupção e a criminalidade,
de cujo nível é alto na América Latina, que, com o
passar do tempo, se beneficia menos da força
moderadora de valores e instituições “tradicionais”.
(B) Um dos principais, senão o principal, determinante
da estabilidade democrática, tem sido, a partir da
Segunda Grande Guerra, o crescimento econômico.
(C) Até onde se pode perceber, o desempenho do sistema
político e o aprimoramento moral da vida pública
são, em grande parte, responsáveis pela estabilidade
e pelo vigor da democracia.
(D) Em um amplo período de tempo, o processo que se
fala, propicia redistribuição de renda e riqueza
efetiva, estimula o surgimento econômico e político
de uma classe média, viabilizando, assim o fortalecimento
da “sociedade civil”.
(E) A avaliação a qual a democracia só é “autêntica”
quando intimamente associada à progresso no plano
da igualdade foi compartilhada durante todo o século
XX por várias correntes ideológicas.
_________________________________________________________
10. Considerando-se as recomendações do Manual de Redação
da Presidência da República, está correta a redação
da frase que se encontra em:
(A) O Presidente da República, que tem competência
exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto.
(B) Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios
que elaborasse planos de contenção de despesas,
bem como economizar energia.
(C) Considero que vossa senhoria deve estar satisfeito
com a pronta nomeação de vosso substituto.
(D) Não cabem adotar medidas precipitadas e às quais
comprometam o andamento de todo o programa.
(E) Segundo a minuta encaminhada anexo, o benefício-
-alimentação, será concedido a todos os servidores.
GABARITO
001 - C
002 - A
003 - E
004 - E
005 - B
006 - D
007 - A
008 - D
009 - C
010 – A
Considere o texto abaixo para responder às questões
de números 1 a 5.
Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores e
coureiros. Vivendo na área rural de Itabaiana, na Paraíba, numa
localidade pobre e remota, sem rádio nem eletricidade, o próprio
Sivuca não sabe explicar como a música entrou em sua vida.
Ninguém na família tocava qualquer instrumento. “Eu não sei.
Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais forte do
que toda e qualquer tendência. Quero dizer, a música veio para
ficar em mim, pronto.”
Suas primeiras memórias musicais vêm dos sanfoneiros
itinerantes que passavam por Itabaiana, de pessoas que tocavam
violão na cidade, da banda de música e do órgão da
igreja. Seu talento era evidente, a ponto de que a própria família
passasse a insistir que tentasse carreira na cidade grande.
Depois de algumas idas e vindas, mudou-se para Recife, foi
contratado pela Rádio Clube de Pernambuco aos 15 anos de
idade, em novembro de 1945, e descobriu um novo horizonte
musical.
Sivuca aprendeu teoria musical com o clarinetista da
Orquestra Sinfônica de Recife e, três anos depois, passou a
estudar harmonia e orquestração com o maestro fluminense
Guerra-Peixe, que então vivia em Recife. Ao longo da vida
profissional, foi incorporando outros instrumentos ao seu arsenal,
como o violão, a guitarra e o piano, numa mistura de
autodidatismo e aprendizado informal com alguns dos melhores
músicos do mundo.
Segundo o músico, “o estudo, o desenvolvimento musical
torna-se necessário. Eu digo isso porque eu também passei
pelo mesmo; fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente
levando a sério todas as tendências, mas também me
dando ao trabalho de queimar pestana e estudar teoria musical,
estudar orquestração e, enfim, harmonia, fuga, contraponto, me
preparar para lidar com os ingredientes teoricamente”.
(Adaptado de http://musicosdobrasil.com.br/sivuca. Acesso
em 04/03/2013)
1. O texto procura mostrar
(A) como Sivuca acabou por abandonar as origens para
produzir uma música universal, o que teria sido facilitado
por não ter tido na infância qualquer influência
familiar que pudesse contrapor-se à teoria musical
que passou a aprender em Recife.
(B) a trajetória musical de Sivuca, do convívio com a
música popular e religiosa na cidade natal à experiência
com a música erudita em Recife, e da espontaneidade
da execução ao estudo amplo e aprofundado
da arte musical.
(C) que o inexplicável do talento de Sivuca pode ser compreendido
não pelas razões usuais para esses casos,
mas apenas quando se levam em consideração os
elementos espirituais que envolvem as preferências e
as escolhas feitas na mais tenra infância.
(D) a superioridade do conhecimento musical teórico sobre
o talento espontâneo, na medida em que este
não teria sido suficiente para que Sivuca viesse a se
dedicar integralmente à música e nem mesmo
saísse do meio rural onde vivia.
(E) que o rádio e a eletricidade não exercem qualquer
papel positivo no sentido de despertar o gosto musical,
que é inato, ou seja, independente de influências
externas sobre aqueles que virão um dia a se
interessar pela música.
2. Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais
forte do que toda e qualquer tendência. (1o parágrafo)
... fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente
levando a sério todas as tendências... (último parágrafo)
Considerando-se o emprego da palavra tendência nas
frases acima,pode-se afirmar que seu sentido estará
expresso com adequação, respectivamente, por:
(A) aptidão e conselhos.
(B) desvio e lições.
(C) influência e impulsos.
(D) propensão e estilos.
(E) entrave e impressões.
_________________________________________________________
3. ... sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana...
O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o
grifado acima está empregado em:
(A) ... com o maestro fluminense Guerra-Peixe, que
então vivia em Recife.
(B) Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores
e coureiros.
(C) ... que tentasse carreira na cidade grande.
(D) ... porque minha vocação foi mais forte do que toda
e qualquer tendência.
(E) Suas primeiras memórias musicais vêm dos
sanfoneiros itinerantes...
_________________________________________________________
4. Ninguém na família tocava qualquer instrumento.
O elemento em destaque acima exerce a mesma função
sintática que o elemento grifado em:
(A) Mas sei que veio firme...
(B) Eu não sei.
(C) ... o estudo, o desenvolvimento musical torna-se necessário.
(D) ... sanfoneiros itinerantes que passavam por
Itabaiana...
(E) Eu digo isso porque eu também...
_________________________________________________________
5. Ao longo da vida profissional, foi incorporando outros instrumentos
ao seu arsenal...
A transposição da frase acima para a voz passiva terá
como resultado a forma verbal:
(A) foram sendo incorporados.
(B) vinha incorporando.
(C) foi sendo incorporado.
(D) foram incorporados.
(E) vinham sendo incorporados.
tões
de números 6 a 8.
José Lins do Rego é brasileiríssimo. Outro dia, um
amigo conversou comigo sobre as pretendidas influências estrangeiras
na obra do paraibano. Falamos em Thomas Hardy,
em D. H. Lawrence. Não estava certo. José Lins do Rego é ele
mesmo. É paraibano. É brasileiro, brasileiríssimo. É brasileiro
com amor à terra, às mulheres, à conversa, aos gracejos, com a
memória do avô que era governador da província, do tio que
vendeu o engenho, com a memória vivíssima de todas as tristezas
da sua gente brasileira. Risos e lágrimas: eis o seu
mundo.
O grande valor literário da obra de José Lins do Rego
reside no fato de que o seu assunto e o seu estilo correspondem-
se plenamente. Assim, conta-se a decadência do
patriarcalismo, com as suas inúmeras tragédias e uns raros
raios de graça e humor. Desse modo, José Lins do Rego consegue
acertadamente o que quer; e isso me parece o maior
elogio que se pode fazer a um escritor. Concebendo a cultura
no sentido de Gilberto Freire, como expressão global da vida
política e do espírito, social e individual, vital e humana, José
Lins do Rego é a expressão literária da cultura da sua terra.
[Adaptado de Otto Maria Carpeaux. O brasileiríssimo José
Lins do Rego. (prefácio) Fogo Morto. Rio de Janeiro: José
Olympio. 50. ed. 1998. p. XV-XVI]
6. O autor
(A) critica a falta de humor que, em sua opinião, enfraquece
a obra de José Lins do Rego.
(B) assinala a influência literária de autores estrangeiros
nos romances de José Lins do Rego, os quais teriam
determinado o seu estilo.
(C) exalta as qualidades positivas da obra de José Lins
do Rego, que teria, segundo ele, atingido os seus
objetivos.
(D) aponta os motivos pelos quais a obra de José Lins
do Rego é considerada regionalista, sem ostentar
caráter universal.
(E) afirma que a influência de Gilberto Freire foi decisiva
para que José Lins do Rego pudesse criar romances
que atingiriam um grande público.
_________________________________________________________
7. O elemento flexionado de modo a indicar uma qualidade
em um grau muito elevado está destacado em:
(A) ... o seu assunto e o seu estilo correspondem-se
plenamente.
(B) ... com a memória vivíssima de todas as tristezas de
sua gente…
(C) ... com as suas inúmeras tragédias...
(D) ... e uns raros raios de graça e humor.
(E) ... conta-se a decadência do patriarcalismo.
8. Leia atentamente as afirmações abaixo.
I. Respeitando-se a correção e a lógica, uma pontuação
alternativa para o segmento Concebendo a cultura
no sentido de Gilberto Freire, como expressão
global da vida política e do espírito, social e individual,
vital e humana, José Lins... é: Concebendo a
cultura no sentido de Gilberto Freire −como
expressão global da vida política e do espírito,
social e individual, vital e humana −, José Lins...
II. Risos e lágrimas: eis o seu mundo.
O emprego dos dois-pontos assinala, no contexto,
uma ressalva ao que se afirma antes.
III. ... um amigo conversou comigo sobre as pretendi das
influências estrangeiras na obra do paraibano.
O elemento grifado acima refere-se aos escritores
da Paraíba de maneira geral.
Está correto o que se afirma em
(A) II e III, apenas.
(B) I e III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) I, apenas.
(E) I, II e III.
_________________________________________________________
Atenção: Considere o texto abaixo para responder às ques tões
de números 9 e 10.
O bater do martelo do mestre José Amaro abafava os
rumores do dia que cantava nos passarinhos. Uma vaca mugia
por longe. Ouvia o gemer da filha. Batia com mais força na sola.
O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo. O pintor
Laurentino foi saindo. E o mestre, de cabeça baixa, ficara no
ofício. [...] Tinha aquela filha triste. Ele queria mandar em tudo
como mandava no couro que trabalhava, queria bater em tudo
como batia naquela sola.
(Adaptado de José Lins do Rego. Fogo Morto. Rio de
Janeiro: José Olympio. 50. ed. 1998. p. 9)
9. ... que cantava nos passarinhos.
O elemento grifado acima refere-se a:
(A) rumores.
(B) mestre José Amaro.
(C) bater do martelo.
(D) passarinhos.
(E) dia.
_________________________________________________________
10. Está correto o que se afirma a respeito da pontuação em:
(A) E o mestre, de cabeça baixa, ficara no ofício.
As vírgulas podem ser suprimidas sem prejuízo do
sentido original.
(B) Ouvia o gemer da filha.
Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após
gemer, sem prejuízo para a correção.
(C) O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo.
A vírgula pode ser substituída por e sem prejuízo
para a correção.
(D) O pintor Laurentino foi saindo.
Um sinal de dois-pontos pode ser acrescentado imediatamente
após pintor sem prejuízo para a correção.
(E) Ele queria mandar em tudo como mandava no couro ...
Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após
como sem prejuízo para a correção.
GABARITO
001 – B 002 – D 003 – A 004 – E 005 – A 006 – C 007 – B 008 – D 009 - E
010 - A
Use o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 5.
Depois de subir uma serra que parecia elevar-se do caos, o taubateano Antônio Dias de Oliveira se deparou com uma vista
inebriante: uma sequência de morros enrugados, separados por precipícios e vales. No fundo desses grotões, corriam córregos de
água transparente. O mais volumoso deles era o Tripuí. Foi nele que Antônio Dias encontrou um ouro tão escuro que foi chamado de
ouro preto. A região, que ficaria conhecida como Ouro Preto, tinha uma formação geológica rara. Portugal tinha enfim seu Eldorado. O
ouro era encontrado nas margens e nos leitos dos rios, e até à flor da terra.
Já em 1697, el-rei pôde sentir em suas mãos o metal precioso do Brasil. Naquele ano, doze navios vindos do Rio de Janeiro
aportaram em Lisboa. Além do tradicional açúcar, traziam ouro em barra. A presença do metal na frota vinda do Brasil era tão
inusitada que espiões franceses pensaram que o ouro era proveniente do Peru. Mas logo todos saberiam da novidade e o mundo
voltaria seus olhos para o Brasil.
Como só havia dois caminhos que levavamàs lavras, o trânsito de ambos se intensificou. Os estrangeiros que chegavam por
Salvador ou Recife se embolavam às massas vindas do Nordeste. Juntos, desciam às minas acompanhando o rio São Francisco até o
ponto em que este se encontra com o rio das Velhas, já em território mineiro. Os portugueses que desembarcavam no Rio de Janeiro
seguiam o fluxo dos moradores da cidade. Em Guaratinguetá, portugueses e fluminenses agregavam-se às multidões vindas do Sul e
de São Paulo e, unidos, subiam o chamado Caminho Geral do Sertão, que terminava nas minas.
Foi dessa forma desordenada e no meio do sertão bruto que pela primeira vez o Brasil se encontrou.
(Adaptado de: Lucas Figueiredo. Boa Ventura!. Rio de Janeiro, Record, 2011, pp. 120; 131; 135)
1. Segundo o texto,
(A) a região de Ouro Preto deve seu nome à cor de seus rios, muito escuros, onde foi encontrado ouro no século XVII.
(B) enganados pelos portugueses, espiões franceses acreditaram que o ouro enviado a Portugal era de fato proveniente do
Peru.
(C) incentivadas pela promessa de enriquecimento, no século XVII pessoas de diversas regiões do Brasil e de fora do país
se dirigiram para Minas Gerais.
(D) Antônio Dias experimentou um enorme prestígio na corte portuguesa ao se tornar o primeiro homem a deparar com as
densas serras mineiras.
2. O texto apresenta, predominantemente, características
(A) da narração de um episódio histórico, com o objetivo de oferecer ao leitor fatos e comentários sobre um determinado
assunto.
(B) de uma exposição argumentativa, com o objetivo de defender um determinado ponto de vista sobre um assunto polêmico.
(C) da narração de fatos fictícios, sem vínculo com a realidade, com o objetivo de entreter o leitor.
(D) da descrição de um episódio biográfico de certa personagem histórica, com o objetivo de fazer dela um herói nacional.
3. A presença do metal na frota vinda do Brasil era tão inusitada que espiões franceses pensaram que o ouro era proveniente do
Peru. (2o parágrafo)
De acordo com o contexto, o termo grifado na frase acima significa:
(A) algo que frustra e causa decepção.
(B) uma coisa provável de acontecer.
(C) uma coisa agradável, que causa prazer.
(D) algo inesperado, que causa surpresa.
4. Existe relação de causa e consequência entre as orações:
(A) Como só havia dois caminhos que levavam às lavras, o trânsito de ambos se intensificou.
(B) Já em 1697, el-rei pôde sentir em suas mãos o metal precioso do Brasil.
(C) No fundo desses grotões, corriam córregos de água transparente.
(D) Além do tradicional açúcar, traziam ouro em barra.
5. O segmento em que o autor emite uma opinião pessoal é:
(A) A região, que ficaria conhecida como Ouro Preto, tinha uma formação geológica rara.
(B) Foi dessa forma desordenada e no meio do sertão bruto que pela primeira vez o Brasil se encontrou.
(C) Juntos, desciam às minas acompanhando o rio São Francisco até o ponto em que este se encontra com o rio das Velhas... .
(D) Os portugueses que desembarcavam no Rio de Janeiro seguiam o fluxo dos moradores da cidade.
Use o texto abaixo para responder às questões de números 6 a 8.
Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
[...]
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, premência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
[...]
Não sou −vê lá −anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
[...]
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Carlos Drummond de Andrade. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1984)
6. Há no poema de Drummond
(A) incentivo ao uso de frases de efeito em vestimentas e acessórios, desde que ofereçam comentários educativos a quem as lê.
(B) opinião desfavorável sobre o excesso de preocupação com a aparência física, o que leva o homem a esquecer de buscar
um bem-estar duradouro.
(C) opinião favorável sobre a criatividade das agências de propaganda, que conseguem veicular seus anúncios até mesmo
através da vestimenta dos consumidores.
(D) crítica à sociedade de consumo marcada pela comunicação visual, em que o próprio corpo acaba sendo usado para exibir
marcas de produtos diversos.
7. O verso em que o poeta se dirige diretamente ao leitor, incluindo-o em sua fala, está em:
(A) Não sou −vê lá −anúncio contratado.
(B) Meu nome novo é Coisa.
(C) E fazem de mim homem-anúncio itinerante.
(D) Meu blusão traz lembrete de bebida.
8. Eu sou a Coisa, coisamente.
Considerando-se que coisamente não existe no dicionário, é correto afirmar que
(A) por estar fora de contexto, a palavra não foi bem empregada, já que, sendo a última do poema, abre ao leitor múltiplas
possibilidades de interpretação, o que enfraquece o poema e o torna inconcluso.
(B) o uso da palavra é inadequado, pois leva o leitor à falsa noção de que tal palavra possa ter algum significado na língua
portuguesa, induzindo-o, desnecessariamente, a correr o risco de empregá-la mal e cometer um erro gramatical.
(C) apesar de inventada, a palavra é apropriada, pois, além de ter sido empregada na poesia, gênero literário que oferece
ampla liberdade ao autor, ressalta a ideia de que o sujeito se identifica com uma coisa.
(D) a palavra é inapropriada para o gênero poético, pois palavras novas só devem ser empregadas em gêneros como o
romance, por exemplo, em que o autor tem a possibilidade de explicar o significado que imaginou para elas.
9. −Ã-hã, quer entrar, pode entrar... Mecê sabia que eu moro aqui? Como é que sabia? Hum, hum...Cavalo seu é esse só? Ixe!
Cavalo tá manco, aguado. Presta mais não.
(João Guimarães Rosa. Trecho de "Meu tio o Iauaretê", adaptado. Estas estórias, Rio de Janeiro, José Olympio, 1969, p.126)
Observando-se a variedade linguística de que se vale o falante do trecho acima, percebe-se uso de
(A) linguagem marcada por construções sintáticas complexas e inapropriadas para o contexto, responsáveis por truncar a
comunicação e dificultar o entendimento.
(B) linguagem formal, utilizada pelas pessoas que dominam o nível culto da linguagem, sendo, portanto, adequada à situação
em que o falante se encontra.
(C) gírias e interjeições, como ixe e aguado, prioritariamente utilizadas entre os jovens, sendo, assim, incompatíveis com a
situação em que o falante se encontra.
(D) coloquialismos e linguagem informal, como mecê e tá, apropriados para a situação de informalidade em que o falante se
encontra.
GABARITO
001 - C
002 - A
003 - D
004 - A
005 - B
006 - D
007 - A
008 - C
009 – D
Leia o texto abaixo para responder às questões de
números 1 a 7.
O criador da mais conhecida e celebrada canção
sertaneja, Tristeza do Jeca (1918), não era, como se poderia
esperar, um sofredor habitante do campo, mas o dentista,
escrivão de polícia e dono de loja Angelino Oliveira. Gravada
por “caipiras” e “sertanejos”, nos “bons tempos do cururu
autêntico”, assim como nos “tempos modernos da música
‘americanizada’ dos rodeios”, Tristeza do Jeca é o grande
exemplo da notável, embora pouco conhecida, fluidez que
marca a transição entre os meios rural e urbano, pelo menos
em termos de música brasileira.
Num tempo em que homem só cantava em tom maior evoz grave, o Jeca surge humilde e sem vergonha alguma da
sua “falta de masculinidade”, choroso, melancólico, lamentando
não poder voltar ao passado e, assim, “cada toada representa
uma saudade”. O Jeca de Oliveira não se interessa pelo meio
rural da miséria, das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e
sentimental, e foi nesse seu tom que a música, caipira ou
sertaneja, ganhou forma.
“A canção popular conserva profunda nostalgia da roça.
Moderna, sofisticada e citadina, essa música foi e é igualmente
roceira, matuta, acanhada, rústica e sem trato com a área
urbana, de tal forma que, em todas essas composições, haja
sempre a voz exemplar do migrante, a qual se faz ouvir para
registrar uma situação de desenraizamento, de dependência e
falta”, analisa a cientista política Heloísa Starling.
Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira: “foi
entre 1902 e 1960 que a música sertaneja surgiu como um
campo específico no interior da MPB. Mas, se num período
inicial, até 1930, ‘sertanejo’ indicava indistintamente as músicas
produzidas no interior do país, tendo como referência o
Nordeste, a partir dos anos de 1930, 'sertanejo' passou a
significar o caipira do Centro-Sul. E, pouco mais tarde, de São
Paulo. Assim, se Jararaca e Ratinho, ícones da passagem do
sertanejo nordestino para o ‘caipira’, trabalhavam no Rio, as
duplas dos anos 1940, como Tonico e Tinoco, trabalhariam em
São Paulo”.
(Adaptado de: HAAG, Carlos. “Saudades do Jeca no século
XXI”. In: Revista Fapesp, outubro de 2009, p. 80-5.)
1. Depreende-se do texto que o autor
(A) esclarece ao leitor, a partir do caso exemplar da
música Tristeza do Jeca, o ambiente de crítica social
relativo aos problemas da roça, permeado pelos
sentimentos de melancolia e saudade.
(B) apresenta diferentes opiniões sobre a música sertaneja,
de maneira a mostrar como ela está presente
nas mais diversas manifestações da MPB por sua
versatilidade em tratar igualmente dos problemas da
cidade e do campo.
(C) contrapõe a opinião de dois estudiosos sobre música
sertaneja, chamando a atenção do leitor para seu
aspecto mais característico, que é a profunda relação
entre compositor e música, sobretudo nas composições
antigas.
(D) procura refletir sobre a singularidade da música
Tristeza do Jeca em relação às composições de sua
época, de maneira a traçar um perfil da música
sertaneja, caracterizada, entre outros, pelo sentimento
de nostalgia.
(E) critica a particularização da música caipira, antes
produzida e ouvida também no Nordeste, já que sua
principal característica é de ordem sentimental, o
que não deveria restringi-la ao contexto paulista.
2. O segmento “...de tal forma que, em todas essas composições,
haja sempre a voz exemplar do migrante, a qual se
faz ouvir para registrar uma situação de desenraizamento,
de dependência e falta...” (3o parágrafo) expressa, em re lação
à primeira parte da mesma frase uma
(A) decorrência.
(B) oposição.
(C) condição.
(D) causa.
(E) explicação.
_________________________________________________________
3. ...'sertanejo' indicava indistintamente as músicas produzidas
no interior do país... (último parágrafo)
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante será:
(A) vinham indicadas.
(B) era indicado.
(C) eram indicadas.
(D) tinha indicado.
(E) foi indicada.
_________________________________________________________
4. O Jeca de Oliveira não se interessa pelo meio rural da miséria,
das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e sentimental...
(2o parágrafo)
Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido original,
uma redação alternativa para o trecho acima está em:
(A) É no meio rural da miséria, com catástrofes naturais,
no entanto íntimo e sentimental, que se interessa o
Jeca de Oliveira...
(B) Não o meio rural em que há miséria e catástrofes
naturais, mas sim o íntimo e sentimental é o que
interessa ao Jeca de Oliveira...
(C) Ao Jeca de Oliveira importa o íntimo e sentimental
pelo meio rural, todavia da miséria e das catástrofes
naturais...
(D) O Jeca não se interessa pelo meio rural onde se
encontram miséria e catástrofes naturais, mas pelo
íntimo e sentimental de Oliveira...
(E) Íntimo e sentimental em relação à miséria e às
catástrofes naturais do meio rural, é isso que importa
ao Jeca de Oliveira...
_________________________________________________________
5. Os pronomes “que” (1o parágrafo), “sua” (2o parágrafo) e
“a qual” (3o parágrafo), referem-se, respectivamente, a:
(A) exemplo −Jeca −composições
(B) fluidez −Jeca −voz exemplar do migrante
(C) Tristeza do Jeca −homem −canção popular
(D) exemplo −homem −voz exemplar do migrante
(E) fluidez −homem −canção popular
_________________________________________________________
6. Substituindo-se o segmento grifado pelo que está entre
parênteses, o verbo que se mantém corretamente no
singular, sem que nenhuma outra alteração seja feita na
frase, está em:
(A) ...cada toada representa uma saudade... (todas as
toadas)
(B) Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira...
(os antropólogos)...
(C) A canção popular conserva profunda nostalgia da
roça. (As canções populares)
(D) Num tempo em que homem só cantava em tom
maior e voz grave... (quase todos os homens)
(E) ...'sertanejo' passou a significar o caipira do Centro-
-Sul... (os caipiras do Centro-Sul)
7. Com respeito à pontuação, considere as afirmações
abaixo.
I. Pode-se suprimir a vírgula colocada imediatamente
após “esperar”, no segmento “não era, como se
poderia esperar, um sofredor habitante do campo”
(1o parágrafo), sem prejuízo para o sentido original
e a correção.
II. As vírgulas colocadas imediatamente após
“sertanejos” e “rodeios” no segmento “Gravada por
‘caipiras’ e ‘sertanejos’, nos ‘bons tempos do cururu
autêntico’, assim como nos ‘tempos modernos da
música americanizada dos rodeios’, Tristeza do
Jeca...” (1o parágrafo) podem ser substituídas por
travessões, mantendo-se o sentido original e a
correção.
III. Sem que se faça outra alteração, os dois-pontos,
no segmento “Acrescenta o antropólogo Allan de
Paula Oliveira: ‘foi entre 1902 e 1960 que a música
sertaneja...’” (último parágrafo), podem ser
corretamente substituídos pela conjunção “que”.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) I e II.
(C) II e III.
(D) II.
(E) I e III.
_________________________________________________________
8. Considere as frases abaixo para responder à questão.
Como faziam parte de um mesmo contexto, para o
sertanejo não havia razão para separar “sertanejo”
de “caipira”.
Não se sabe ao certo como e quando precisamente
a música country passou a ocupar o lugar da
música sertaneja.
Mantendo-se o sentido original e a correção, os termos
sublinhados acima podem ser substituídos, respectivamente,
por:
(A) Uma vez que −de que modo
(B) Contanto que −conforme
(C) Quando −de que maneira
(D) Visto que −conforme
(E) Contudo −o que
_________________________________________________________
9. ...... música sertaneja agregou-se outro gênero, o country,
...... característica marcante é inserir o meio de vida rural
no cenário urbano. As origens do country, por sua vez,
são múltiplas e se estendem das melodias celtas,
provenientes da Europa, ...... da tradição gospel norte-
-americana, além de fazer uso de instrumentos como o
bandolim, proveniente da Itália, e o banjo africano.
Preenche corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada, o que está em:
(A) A – cuja – às
(B) A – a qual – a
(C) À – a qual – a
(D) À −cuja – às
(E) À – cuja – as
10. ......do preconceito ...... é objeto a música caipira, .......
sua linguagem, vez ou outra, afastar-se da norma culta,
ela é hoje reconhecida como uma das mais respeitadas
manifestações musicais do país.
Mantendo-se a lógica e a correção, preenche as lacunas
da frase acima, na ordem dada, o que está em:
(A) Em razão −a que −por
(B) Em virtude – a que – em razão de
(C) A despeito −em que −embora
(D) Não obstante −de que −embora
(E) Apesar – de que – por
Considere o texto abaixo para responder às
questões de números 11 a 16.
Não há melhor representante da boemia paulistana do
que o compositor e cientista Paulo Vanzolini. Por mais incrível
que possa parecer, ele conciliava as noites de boemia com a rotina
de professor, pesquisador e zoólogo famoso.
A obra do zoólogo-compositor retrata as contradições da
metrópole. São Paulo, nos anos 1960, já era um estado que
reunia parte significativa do PIB brasileiro. No meio da multidão
de migrantes, imigrantes e paulistanos, Vanzolini usava a
mesma lupa de suas pesquisas para observar as peculiaridades
do dia a dia urbano: uma briga de bar, a habilidade de um batedor
de carteira e, em Capoeira do Arnaldo, os fortes laços que
unem campo e cidade.
Em 1967, Paulo Vanzolini lança o primeiro LP. A história
desse disco é curiosa. Foi o primeiro trabalho feito pelo selo
Marcus Pereira. A música Volta por cima estava fazendo muito
sucesso. Só que o já lendário Vanzolini ainda não tinha disco
autoral e andava irritado com as gravadoras por ter sido preterido
pelo americano Ray Charles na escolha da confecção de
um LP. Aos poucos, Marcus Pereira ganhou a confiança do
compositor, que acabou cedendo ao lançamento do LP Onze
sambas e uma capoeira, com arranjos de Toquinho e Portinho e
participação de Chico Buarque, Adauto Santos, Luiz Carlos
Paraná, entre outros. As músicas eram todas de Vanzolini:
Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua.
Vanzolini não era um compositor de muitos parceiros.
Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho
Nogueira. Só mesmo a pena elegante do crítico da cultura
Antonio Candido para sintetizar a obra de Vanzolini: “Como
autor de letra e música ele é de certo modo o oposto da loquacidade,
porque não espalha, concentra; não esbanja, economiza
−trabalhando sempre com o mínimo para atingir o máximo”.
(Adaptado de DINIZ, André. Almanaque do samba. Rio de
Janeiro, Zahar, 2012, formato ebook).
11. No contexto, verifica-se relação de causa e consequência,
respectivamente, entre
(A) o fato de Vanzolini ter sido preterido por Ray Charles
na escolha da confecção de um LP e a irritação do
primeiro com as gravadoras.
(B) a inauguração do selo Marcus Pereira, em 1967, e o
sucesso sem precedentes da música “Volta por
cima”, de Paulo Vanzolini.
(C) a dedicação de Vanzolini à pesquisa científica e o
modo sagaz com que captava as peculiaridades do
dia a dia urbano.
(D) a vinda de imigrantes para São Paulo e a descoberta,
da parte de Vanzolini, dos fortes laços que
unem campo e cidade.
(E) o fato de Vanzolini conciliar as noites de boemia com
a rotina de zoólogo famoso e o sucesso musical do
compositor.
12. O segmento em que o autor exprime um juízo de valor está em:
(A) A obra do zoólogo-compositor retrata as contradições da metrópole.
(B) Vanzolini não era um compositor de muitos parceiros.
(C) Em 1967, Paulo Vanzolini lança o primeiro LP.
(D) A música “Volta por cima” estava fazendo muito sucesso.
(E) Não há melhor representante da boemia paulistana do que o compositor e cientista Paulo Vanzolini.
13. ... ele conciliava as noites de boemia com a rotina de professor, pesquisador e zoólogo famoso.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima se encontra em:
(A) Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho Nogueira.
(B) As músicas eram todas de Vanzolini.
(C) Por mais incrível que possa parecer...
(D) ... os fortes laços que unem campo e cidade.
(E) ... porque não espalha...
14. Depreende-se do contexto que
(A) a erudição de Vanzolini, na opinião de Antonio Candido, é seu melhor atributo.
(B) São Paulo exerce um papel importante no desenvolvimento do trabalho artístico de Vanzolini.
(C) a participação de Chico Buarque foi determinante para o destaque concedido ao LP de Vanzolini.
(D) Marcus Pereira convence Vanzolini a gravar um LP por possuir uma gravadora ainda desconhecida.
(E) Vanzolini, apesar de preferir trabalhar sozinho, estabelece algumas parcerias por imposição das gravadoras.
15. Em conformidade com o contexto, afirma-se corretamente:
(A) O termo Vanzolini em Só que o já lendário Vanzolini ainda não tinha... (3o parágrafo) pode ser isolado por vírgulas.
(B) O travessão em ...porque não espalha, concentra; não esbanja, economiza −trabalhando sempre... (último parágrafo)
pode ser substituído por ponto final, fazendo-se as devidas alterações entre maiúsculas e minúsculas.
(C) No segmento As músicas eram todas de Vanzolini: Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua..., (3o parágrafo)
os dois-pontos introduzem uma enumeração.
(D) No segmento ...para sintetizar a obra de Vanzolini: “Como autor... (último parágrafo) os dois-pontos introduzem uma
ressalva acerca do que se afirmou antes.
(E) Em ...para observar as peculiaridades do dia a dia urbano: uma briga de bar... (2o parágrafo), os dois-pontos podem ser
substituídos por ponto e vírgula, sem prejuízo do sentido original.
16. Uma redação alternativa para um segmento do texto, em que se mantêm a correção e a lógica, está em:
(A) Ainda nos anos de 1960, São Paulo, já era um estado onde reunia parte significativa do PIB brasileiro.
(B) Vanzolini, o qual não era compositor de muitos parceiros, compõem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho
Nogueira.
(C) Apenas o crítico da cultura Antonio Candido, cuja escrita elegante podem sintetizar as obras de Vanzolini.
(D) Gradualmente, Marcus Pereira ganhou a confiança de Vanzolini, que concordou em lançar o LP Onze sambas e uma
capoeira.
(E) Todas as músicas que fazia parte do LP, como Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua, eram da autoria de
Vanzolini.
17. Nascido no bairro do Pari, em uma São Paulo em construção após o levante constitucionalista de 1932, Germano Mathias
compõe a santíssima trindade do samba paulistano, ...... Adoniran Barbosa e Geraldo Filme.
(Adaptado de: DINIZ, André, op. cit.)
Preenche corretamente a lacuna da frase acima:
(A) em face à
(B) lado a lado
(C) ao lado de
(D) lado à lado com
(E) junto à
18. Em 2005, Germano Mathias lançou o CD Tributo a Caco Velho, compositor gaúcho radicado em São Paulo ...... Germano tinha
grande admiração.
Preenche corretamente a lacuna da frase acima:
(A) no qual
(B) cujo
(C) o qual
(D) por quem
(E) perante à quem
questão
de número 19.
Um sistema integrado de transporte sobre trilhos é
essencial em cidades de grande porte como São Paulo porque
atende a demandas maiores, com velocidades mais altas e com
regularidade, permitindo que os usuários planejem seus
deslocamentos.
(Adaptado de: VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Mobilidade
urbana: o que você precisa saber. São Paulo, Cia das
Letras, 2013, formato ebook)
19. ... permitindo que os usuários planejem seus deslocamentos.
(final do texto)
Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido
original, o elemento grifado acima pode ser substituído por:
(A) de modo
(B) desde
(C) ainda
(D) mesmo
(E) contanto
_________________________________________________________
20. As regras de concordância estão completamente respeitadas
em:
(A) Em todo o mundo, busca-se soluções capazes de
combater o problema da fluidez do trânsito.
(B) Na década de 1990, a produção,a aquisição e o uso
da motocicleta cresceu exponencialmente.
(C) Grande parte das novas motocicletas foi inicialmente
utilizado no serviço de entrega de pequenas mercadorias.
(D) A entrada das motocicletas no trânsito brasileiro fez
com que aumentasse os acidentes envolvendo esse
tipo de veículo.
(E) As medidas de restrição ao tráfego afetam diretamente
as necessidades sociais das pessoas.
GABARITO
001 – D 002 – A 003 – C 004 – B 005 – B 006 - E
007 - C
008 - A
009 - D
010 - E
011 - A
012 - E
013 - B
014 - B
015 - C
016 - D
017 - C
018 - D
019 - A
020 – E
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