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� PAGE \* MERGEFORMAT �1� QUESTÕES LINGUA PORTUGUESA – BANCA FCC Atenção: As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto que segue. Preconceitos Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito. São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar. Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito) 1. Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles (A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das coisas. (B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando justificável. (C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados. (D) acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que circulam socialmente. (E) deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco principal. 2. Atente para as seguintes afirmações: I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente. II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas, reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e das pessoas. III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e difíceis de definir. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas. (E) II, apenas. _________________________________________________________ 3. As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em: (A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover injustiças que nunca mais se repara. (B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem em difundir seus juízos falsos e precipitados. (C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos. (D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer e penalizar as ações em que se promove o preconceito. (E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda e qualquer manifestação de racismo. _________________________________________________________ 4. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto. (A) Ao preconceituoso parece natural que venha a aplicar conceitos que ele se utiliza sem qualquer preocupação de fazer sua análise. (B) Qualquer um de nós já terá ouvido ou dito frases preconceituosas, como aquelas de que se vale o autor no segundo parágrafo do texto. (C) Mesmo que não se devam confundir preconceito como gosto pessoal, ainda assim acontece de os tentarmos justificar um pelo outro. (D) Quem diz que gosto porque gosto não está descriminando um preconceito, devido que se trata de uma simples manifestação de gosto. (E) Atualmente haverão mais cuidados daqueles preconceituosos raciais que até então vinham insuflando conceitos desabonadores sobre algumas etnias. 5. A articulação entre os tempos e os modos verbais está adequada na frase: (A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável será oportuna a criação de leis com o intuito de que foram coibidas atitudes preconceituosas. (B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais: mesmo que percebemos tenhamos externado uma avaliação preconceituosa. (C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante que existissem leis para que pessoas preconceituosas forem exemplarmente julgadas e punidas. (D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento em sociedade, pois seria possível que reações preconceituosas surjam mesmo sem que nós possamos perceber. (E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria pelas pessoas e, quando déssemos por nós, estaríamos repetindo algo que sequer teríamos investigado. _________________________________________________________ 6. O emprego das vírgulas está plenamente adequado na frase: (A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se, vários casos em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se vários casos em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. _________________________________________________________ 7. Empregam-se corretamente as expressões destacadas em: (A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro a quem se é diferente. (B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas. (C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos. (D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e de quem não se confia. (E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor. Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao seguinte fragmento de umacrônica: Insânia* Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam. * Insânia = loucura, demência, desatino (WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago, 2011, p. 107) 8. A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia está-se referindo (A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia. (B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade. (C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria insânia. (D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana. (E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado. _________________________________________________________ 9. Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente e correta redação do segmento sublinhado será (A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a essa conclusão. (B) visualizo razões que me falecem para tanto. (C) concluo que por muitas razões eu o faria. (D) concordo com os motivos que não sobejam para isso. (E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo. _________________________________________________________ 10. No segmento do texto (A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado é o sujeito. (B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão sublinhada tem o valor de em vista do. (C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz passiva. (D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um caso de oração sem sujeito. (E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído por não há de me faltar. GABARITO: 001 - C 002 - A 003 - D 004 - B 005 - E 006 - A 007 - C 008 - D 009 - E 010 – B Atenção: As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto que segue. Preconceitos Preconceitos são juízos firmados por antecipação; são rótulos prontos e aceitos para serem colados no que mal conhecemos. São valores que se adiantam e qualificam pessoas, gestos, ideias antes de bem distinguir o que sejam. São, nessa medida, profundamente injustos, podendo acarretar consequências dolorosas para suas vítimas. São pré-juízos. Ainda assim, é forçoso reconhecer: dificilmente vivemos sem alimentar e externar algum preconceito. São em geral formulados com um alcance genérico: “o povo tal não presta”, “quem nasce ali é assim”, “música clássica é sempre chata”, “cuidado com quem lê muito” etc. Dispensamnos de pensar, de reconhecer particularidades, de identificar a personalidade própria de cada um. “Detesto filmes franceses”, me disse um amigo. “Todos eles?” − perguntei, provocador. “Quem viu um já viu todos”, arrematou ele, coroando sua forma preconceituosa de julgar. Não confundir preconceito com gosto pessoal. É verdade que nosso gosto é sempre seletivo, mas ele escolhe por um critério mais íntimo, difícil de explicar. “Gosto porque gosto”, dizemos às vezes. Mas o preconceito tem raízes sociais mais fundas: ele se dissemina pelas pessoas, se estabelece sem apelação, e quando damos por nós estamos repetindo algo que sequer investigamos. Uma das funções da justiça institucionalizada é evitar os preconceitos, e o faz julgando com critério e objetividade, por meio de leis. Adotar uma posição racista, por exemplo, não é mais apenas preconceito: é crime. Isso significa que passamos, felizmente, a considerar a gravidade extrema das práticas preconceituosas. (Bolívar Lacombe, inédito) 1. Ao avaliar a gravidade e a extensão dos preconceitos, o autor os condena sobretudo pela seguinte razão: eles (A) acabam se confundindo com nosso gosto pessoal e prejudicando nosso entendimento das coisas. (B) proporcionam uma visão de mundo excessivamente singular e viciosa, mesmo quando justificável. (C) promovem profunda injustiça ao julgarem pessoas ou coisas a partir de valores já firmados. (D) acarretam máximos prejuízos para quem os alimenta, não atingindo as opiniões que circulam socialmente. (E) deformam nossa visão de mundo por serem muito detalhistas, distraindo-nos do foco principal. 2. Atente para as seguintes afirmações: I. No 1o parágrafo, o autor define o que seja preconceito e avalia a extensão dos prejuízos que sua prática acarreta, considerando ainda a dificuldade de se os evitar plenamente. II. No 2o parágrafo, o autor reconhece na prática algumas formulações preconceituosas, reforçando a ideia de que os preconceitos impedem uma identificação adequada das coisas e das pessoas. III. No 3o parágrafo, o autor estabelece um paralelo entre o juízo preconceituoso, passível de penalização, e o juízo decorrente do gosto pessoal, que se rege por critérios interiorizados e difíceis de definir. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas. (E) II, apenas. _________________________________________________________ 3. As normas de concordância verbal estão plenamente observadas em: (A) Os preconceitos, ao se firmar, acabam por promover injustiças que nunca mais se repara. (B) Não deveriam caber aos preconceituosos insistirem em difundir seus juízos falsos e precipitados. (C) Consta, entre as convicções do autor, a certeza de que não nos seriam lícito eliminar todos os preconceitos. (D) Uma das prerrogativas da justiça está em reconhecer e penalizar as ações em que se promove o preconceito. (E) Qualificam-se como crime, na legislação atual, toda e qualquer manifestação de racismo. _________________________________________________________ 4. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto. (A) Ao preconceituoso parece natural que venha a aplicar conceitos que ele se utiliza sem qualquer preocupação de fazer sua análise. (B) Qualquer um de nós já terá ouvido ou dito frases preconceituosas, como aquelas de que se vale o autor no segundo parágrafo do texto. (C) Mesmo que não se devam confundir preconceito como gosto pessoal, ainda assim acontece de os tentarmos justificar um pelo outro. (D) Quem diz que gosto porque gosto não está descriminando um preconceito, devido que se trata de uma simples manifestação de gosto. (E) Atualmente haverão mais cuidados daqueles preconceituosos raciais que até então vinham insuflando conceitos desabonadores sobre algumas etnias. 5. A articulação entre os tempos e os modos verbais está adequada na frase: (A) Uma vez que o preconceito se revelasse inevitável será oportuna a criação de leis com o intuito de que foram coibidas atitudes preconceituosas. (B) É natural que há preconceito nas relações interpessoais: mesmo que percebemos tenhamos externado uma avaliação preconceituosa. (C) Qualquer sociedade tem preconceitos, mas era importante que existissem leis para que pessoas preconceituosas forem exemplarmente julgadas e punidas. (D) É preciso que se tenha cautela com nosso comportamento em sociedade, pois seria possível que reações preconceituosas surjam mesmo sem que nós possamos perceber. (E) O preconceito teria raízes sociais fundas: ele se disseminaria pelas pessoas e, quando déssemos por nós,estaríamos repetindo algo que sequer teríamos investigado. _________________________________________________________ 6. O emprego das vírgulas está plenamente adequado na frase: (A) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se, vários casos em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (B) No segundo parágrafo ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica, e com muita propriedade diga-se, vários casos em que, um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (C) No segundo parágrafo, ao se valer, de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (D) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano o autor exemplifica, e com muita propriedade, diga-se vários casos em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. (E) No segundo parágrafo, ao se valer de frases do cotidiano, o autor exemplifica e com muita propriedade, diga-se, vários casos, em que um suposto falante, expressa pontos de vista inteiramente preconceituosos. _________________________________________________________ 7. Empregam-se corretamente as expressões destacadas em: (A) O crime racial constitui uma maneira de penalizar aqueles de que se deixam levar por atitudes que rejeitam um outro a quem se é diferente. (B) As ações movidas por preconceito, aonde se observa um juízo prévio de um indivíduo de que não se conhece muito bem, devem ser repreendidas. (C) A propagação de preconceitos, fenômeno pelo qual todos podemos ser responsáveis, deve ser abrandada por penalizações rigorosas, às quais os infratores estejam sujeitos. (D) O preconceito é uma maneira com que os grupos sociais encontraram para excluir aqueles que são considerados estranhos e de quem não se confia. (E) As leis são um meio ao qual o preconceito pode ser contido, mas não extinto, pois ele estará presente mesmo nas culturas às quais o punem com rigor. Atenção: As questões de números 8 a 10 referem-se ao seguinte fragmento de uma crônica: Insânia* Não há limites para a insânia, costumava dizer um amigo meu, grande jornalista e pessoa melhor ainda, desolado ante o espetáculo da humanidade sobre a Terra. Planejava começar assim um artigo que não chegou a escrever. Uma pena. Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia sem limites, e sem que precisasse recorrer à experiência alheia: rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam. * Insânia = loucura, demência, desatino (WERNECK, Humberto, Esse inferno vai acabar. Porto Alegre: Arquipélago, 2011, p. 107) 8. A frase sem que precisasse recorrer à experiência alheia está-se referindo (A) à pessoa do autor do texto, que está longe de ser um exemplo de insânia. (B) ao amigo do autor do texto, um jornalista desolado com a insânia da humanidade. (C) ao amigo do autor do texto, um jornalista que confessa ser capaz de rir de sua própria insânia. (D) à pessoa do autor do texto, que se vê como ilustração da insânia humana. (E) a um insano qualquer, incapaz de ver a si mesmo como um desatinado. _________________________________________________________ 9. Na frase rir de si mesmo é uma virtude, e humildemente reconheço que motivos não me faltam, uma nova, coerente e correta redação do segmento sublinhado será (A) estabeleço os motivos pelos quais que me levam a essa conclusão. (B) visualizo razões que me falecem para tanto. (C) concluo que por muitas razões eu o faria. (D) concordo com os motivos que não sobejam para isso. (E) confesso que tenho suficientes razões para fazê-lo. _________________________________________________________ 10. No segmento do texto (A) não há limites para a insânia, o elemento sublinhado é o sujeito. (B) desolado ante o espetáculo da humanidade, a expressão sublinhada tem o valor de em vista do. (C) Eu próprio teria fornecido ao meu amigo umas ilustrações de insânia, a forma verbal está na voz passiva. (D) rir de si mesmo é uma virtude, exemplifica-se um caso de oração sem sujeito. (E) motivos não me faltam, o segmento sublinhado pode ser corretamente substituído por não há de me faltar. GABARITO 001 - C 002 - A 003 - D 004 - B 005 - E 006 - A 007 - C 008 - D 009 - E 010 – B Atenção: O texto abaixo refere-se às questões de números 31 a 35. É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. O Ibama, que deveria conter a devastação, olha tudo de longe. Monitora imagens de satélites em Manaus, a cerca de 500 quilômetros. Na região onde motosserras e o fogo dizimam a floresta, os fiscais só aparecem uma vez por ano e ficam por um mês. Nessa época, os madeireiros tiram suas férias. “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta. O madeireiro Vítor José de Souza, dono de uma serraria em Santo Antônio do Matupi, diz que a ausência do Estado favorece a devastação: “Um plano de manejo florestal leva 18 meses para sair porque tem de vir alguém de Manaus para fazer a vistoria”. Nesse meio tempo, os madeireiros clandestinos agem. O manejo florestal, garante Souza, gera mais dinheiro que o boi ou a agricultura: “Um lote de 100 hectares produz madeira suficiente para o cara viver sem fazer mais nada. Por que ele iria querer só desmatar?” Migrante do Paraná, Souza detém seis planos de manejo para abastecer a serraria. (Adaptado de: “Ibama fiscaliza o sul do Amazonas por satélite” Grandes Reportagens: Amazônia. São Paulo, nov.-dez./2007. p. 48) 31. Depreende-se corretamente do texto: (A) a monitoração por satélite é bastante eficaz, ao delimitar as áreas de desmatamento para que os fiscais atuem durante o descanso dos madeireiros. (B) lotes de 100 hectares são suficientes para o manejo da agropecuária, fazendo com que o Ibama considere a possibilidade de regularização das propriedades. (C) madeireiros como Vítor José de Souza pretendem ampliar seu campo de atuação, apesar da ação do Ibama, para fortalecer o setor agrário. (D) a ausência do Estado deixa caminho livre ao manejo de terras pelas madeireiras, ocasionando uma verdadeira dissolução da mata. (E) na região amazônica, há pelo menos dois modos de exploração da madeira: um, marcado pela ilegalidade; outro, caracterizado pela sustentabilidade. _________________________________________________________ 32. “Um plano de manejo florestal leva 18 meses para sair porque tem de vir alguém de Manaus para fazer a vistoria”. A frase acima ilustra (A) a dificuldade de regularização dos planos de manejo. (B) a demora entre o mapeamento por satélite e a ação dos fiscais. (C) a facilidade com que os madeireiros clandestinos conseguem desmatar. (D) o desgaste a que são submetidos os madeireiros em geral. (E) a distância entre Manaus e Santo Antônio do Matupi. 33. É como se a floresta se dissolvesse: o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. Suprimindo-se os dois-pontos, uma redação alternativa para a frase acima, mantendo-se a coerência, está em: (A) É como se a floresta se dissolvesse, de maneira que o sul do Amazonas venha a perder cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. (B) É como se a floresta se dissolvesse, não obstante o sul do Amazonas tenha perdido cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década.(C) Uma vez que o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década, é como se a floresta se dissolvesse. (D) O sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década, a fim de que a floresta se dissolvesse. (E) É como se a floresta se dissolvesse, mas o sul do Amazonas perdeu cerca de 2 milhões de hectares de floresta por ano nesta década. _________________________________________________________ 34. “Quando a gente entra nas serrarias, vê dezenas de caminhões parados”, revelou o analista ambiental Geraldo Motta. Substituindo-se Quando por Se, os verbos sublinhados devem sofrer as seguintes alterações: (A) entrar − vira (B) entrava − tinha visto (C) entrasse − veria (D) entraria − veria (E) entrava − teria visto _________________________________________________________ 35. O manejo florestal, ...... os ambientalistas, gera mais dinheiro que o boi ou a agricultura: “Nos lotes de 100 hectares, ...... madeiras ...... para os caras viverem sem fazer mais nada”. Preenchem corretamente as lacunas do segmento acima, na ordem dada: (A) garante − produzem − suficiente (B) garantem − produzem-se − suficientes (C) garante-se − produz − suficientemente (D) garante − produzem − suficientes (E) garantem − produz-se – suficiente Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 36 a 40. A carta abaixo foi escrita por uma detenta da Penitenciária Feminina da cidade paulista de Ribeirão Preto. Redigida no contexto do Programa Liberdade Consciente, ali implementado, ela foi analisada em estudo linguístico cujas referências se apresentam após a carta. Ribeirão Preto 28.12.04 Eu S1 nascida em 23.11. [...] Se você escreve tudo daria um livro mais vou fala so um pouco de mim. Quando nasci meus pais morava no Paraná fiquei la ate a idade de 5 anos, aí viemos para o interior de S.P. ate a idade de 14 anos eu fui uma menina que trabalhava na rossa era crente aí meus pais resolveram a se muda para Campinas é a cidade que vivo ate hoje aí foi que tudo começou comecei a trabalha de domestica comesei a conhecer outro tipo de pessoas que era muito deferente da minha vidinha da rossa, comecei a sair de noite, conhecer rapazes, deferente, bom resumindo, fui mãe com 20 anos, fui pra cadeia com 23 – 1973, sai com 30 – 1981, eu queria volta a viver mais a sociedade não deixou não tive medo continuei na luta, ate de boia fria eu tentei até que um dia fui trabalha de camareine em um hotel perto da rodoviaria, isso foi em 1989, aí fui preza outra vez daí para cá so deu desaserto na minha vida. Hoje sou uma mulher feliz apesar do lugar. tenho 5 filhos lindos, adotei uma criança levei para a minha casa com 17 dias de nascida hoje ela tem 6 aninho ela tem um pequeno problema que, para os homens é dificio mais para Deus não é nada eu confio nele e sei um dia eu e minha fé vamos venser, minha filhinha faz tratamento na unikanpi no hospital das Crinicas em Campinas ela se chama M. nos vamos venser se Deus quizer e ele quer como disse se for fala minha vida da um livro. eu amo meus filhos meus netos que são, coizinha mais linda da minha vida mais tenho um carinho especial pela a minha M. Deixei o mundo sujo que vivi a maior parte da minha vida pela M. quando sai daqui quero volta a cuida dela como sempre fiz. (SAVENHAGO, Igor José Siquieri. Análise discursiva de cartas da prisão: uma discussão sobre ciência e saberes. Todas as Letras. São Paulo: Editora da UPM, v. 14, S, n. 1, 2012, p. 130-131) 36. No segundo parágrafo do texto, (A) o perfil biográfico traçado permite que a narradora defenda uma tese não explicitada: a de que se portou com passividade e pessimismo diante das adversidades relatadas. (B) ao opor atitudes e características pessoais consideradas positivas à força de contingências, a narrativa sugere que, em relação aos rumos tomados pela vida, existam responsabilidades do próprio sujeito e também responsabilidades do corpo social. (C) predominam avaliações subjetivas, o que transforma os acontecimentos narrados em ilustrações e exemplos de condição humana concebida como comum. (D) os deslocamentos espaciais (Paraná − interior de S.P. − Campinas) acompanham a deterioração paulatina da qualidade de vida da narradora, para quem o modo de existência ideal deu-se no primeiro espaço. (E) o intervalo entre as duas detenções surge como um período de dificuldades, vistas, no entanto, como menores do que as vividas entre 1973 e 1981. 37. Assinale a alternativa que contém comentário condizente com o texto. (A) Segmentos como Quando eu nasci; ate que um dia; daí pra cá; Hoje; quando sai têm um papel decisivo na composição do texto, por oferecerem parâmetros temporais para os acontecimentos. (B) O fragmento Se você escreve tudo daria um livro, sinalizando a possibilidade de síntese, opõe-se a um estilo de narrar apegado a detalhes periféricos em relação ao assunto principal, apresentados sobretudo no primeiro parágrafo. (C) A intelecção de Hoje sou uma mulher feliz apesar do lugar é independente de outros dados, sejam do próprio texto ou da apresentação que dele é feita, uma vez que se trata de uma frase clichê. (D) O segmento bom resumindo revela, mais do que a intenção de construir um relato breve, a clara disposição da narradora de omitir toda e qualquer informação acerca dos “desacertos” que cometeu em sua vida. (E) Os modos de referência a M. (uma criança, minha filhinha, minha M, [d]ela) constroem uma escala decrescente de afetividade, responsável pelo tom mais objetivo adotado ao final do texto. 38. É correto afirmar que a autora da carta (A) fala da família, do trabalho e da religião mas omite informações a respeito de seus delitos, tema sobre o qual não há dados específicos no relato. (B) enfrentou dificuldades financeiras e problemas de relacionamento com os pais durante a infância, o que se infere da baixa remuneração normalmente oferecida aos que trabalham nas funções que desempenhou e dos diferentes deslocamentos que se viu compelida a fazer. (C) utiliza inúmeros artifícios para comprovar sua religiosidade, embora suas atitudes, seja no contexto familiar, seja no contexto social, destoem daquelas idealizadas para alguém temente a Deus. (D) pouco revela sobre seu cotidiano na penitenciária, mas permite entrever, em diferentes passagens, sérias críticas às condições de sobrevivência no sistema prisional brasileiro. (E) manifesta certa crença em um recomeço, embora não inclua em seus planos ações ou atitudes distintas das de sua vida pregressa. 39. Respeita o sentido original e as regras de pontuação vigentes a seguinte reescrita de fragmento do texto: (A) Fui pra cadeia com 23 – 1973, sai com 30 (– 1981). Eu queria volta a viver, mais a sociedade, não deixou. (B) Ela tem um pequeno problema que para os homens, é dificio mais, para Deus, não é nada. (C) Comecei a trabalha, de domestica, comesei a conhecer outro tipo de pessoas; que era muito deferente da minha vidinha, da rossa, comecei a sair, de noite, conhecer rapazes deferente, bom, resumindo fui mãe com 20 anos. (D) Ate a idade de 14 anos, eu fui uma menina que trabalhava na rossa, era crente... Aí, meus pais resolveram a se muda para Campinas. É a cidade que vivo ate hoje; aí foi que tudo começou. (E) Não tive medo. Continuei na luta, ate de boia fria. Eu tentei, até que um dia, fui trabalha de camareine em um hotel perto, da rodoviaria. 40. Considere: I. é a cidade que vivo ate hoje O elemento acima destacado (A) respeita os ditames do padrão escrito culto do português do Brasil. (B) pode ser substituído por “aonde”, preservando o sentido original e a correção gramatical. (C) pode ser substituído por “em que”, preservando o sentido original e a correção gramatical. (D) é equivalente,por força de seu sentido no contexto, a “conforme”. (E) está apropriado às regras gramaticais, mas deveria contar com o reforço de “nela”: “que vivo nela”. Considere o texto abaixo para responder às questões de números 41 a 45. A mulher do vizinho Contaram-me que, na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército, morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco. O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: −O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor. Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio: −Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. −Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou? Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente: −Da ativa, minha senhora? E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado: −Da ativa, Motinha! Sai dessa... (Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Record, 1991) 41. A temática principal do conto é (A) a relação conturbada entre estrangeiros ilegais e as autoridades constituídas. (B) o funcionamento das patentes militares do exército brasileiro. (C) a falta de educação das crianças da época. (D) o abuso de poder, de maneira a reafirmar as autoridades constituídas. (E) o rígido cumprimento das leis por parte dos cidadãos. 42. No texto, (A) o julgamento apressado do delegado deveu-se, entre outras razões, à aparência humilde do sueco. (B) a reação do delegado é adequada ao prejuízo material causado pelo jogo de bola das crianças. (C) o delegado muda seu julgamento ao perceber a polidez demonstrada pelas atitudes do sueco. (D) o autor desenvolve uma crítica à educação contemporânea, pautada no comportamento das crianças. (E) a mulher esclarece que o general mencionado no 1o parágrafo é seu pai, com a mesma delicadeza de seu marido. 43. Depreende-se corretamente do texto que o delegado (A) torna-se acanhado diante da filha de um general, embora se mostrasse prepotente de início. (B) encontra na figura do escrivão seu último recurso para resolver o problema. (C) espera com sarcasmo pela intervenção da esposa do sueco. (D) não se importa com diferenças hierárquicas por seu caráter constante. (E) usa a expressão latina dura lex! a fim de demonstrar sua imparcialidade. 44. ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco. O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos que o grifado acima está empregado em: (A) ... que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... (B) ... como se isso aqui fosse casa da sogra? (C) ... compareceu em companhia da mulher à delegacia... (D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... (E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. 45. Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está corretamente substituído por um pronome em: (A) ... sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo (B) ... erguendo os braços desalentado... − erguendo-lhes desalentado (C) ... que tem de conhecer as leis do país? − que tem de conhecê-lo? (D) ... não parecia ser um importante industrial... − não parecia ser-lhe (E) incomodaram o general... − incomodaram-no 46. Os sinais de pontuação estão empregados corretamente em: (A) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a construção de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (B) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (C) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (D) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (E) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas, de vendas associadas aos dois temas. 47. Leia o texto a seguir. Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu ...... cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que ...... cartomante restituiu-lhe ...... confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. (Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Globo, 1997, p. 6) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) à – a – a (B) a – a – à (C) à – a – à (D) à – à – a (E) a – à – à Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 48 a 50. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola, elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em andamento ou concluído. Ou seja, houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. E muitos profissionais podem ter ingressado no nível mais elevado de escolaridade, mas com o mesmo salário, o que reduz a média de ganho da categoria. "Nos últimos anos, as pessoas ficaram mais tempo na escola e a oferta de profissionais com ensino médio e superior aumentou. O crescimento da escolaridade também foi impulsionado pelo aumento do número de universidades privadas", disse Naercio. (Disponível em: http://exame.abril.com.br/ brasil/noticias/mais-escolarizados-perdem-8-da-renda-de-2002-para-2011. Texto adaptado) 48. No texto, o autor assinala que (A) as vagas de ensino médio aumentaram mais, proporcionalmente, do que as de ensino superior. (B) o ensino médio em andamento ou concluído constitui a faixa de escolaridade da maioria da população brasileira atual. (C) o crescimento da escolaridade está relacionado aos incentivos recebidos pelos trabalhadores das empresas privadas. (D) muitos profissionais conquistaram nível mais elevado de escolaridade, o que acarretou ganhos salariais.(E) o número de trabalhadores com nível de escolaridade superior ou médio aumentou. 49. O trecho elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em andamento ou concluído, de acordo com o contexto, expressa (A) concessão. (B) consequência. (C) restrição. (D) justificativa (E) oposição. 50. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola... O segmento grifado acima possui a mesma função sintática que o destacado em: (A) ... o que reduz a média de ganho da categoria. (B) ... houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. (C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado... (D) ... elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio... (E) ... impulsionado pelo aumento do número de universidades... GABARITO 031 - E 032 - A 033 - C 034 - C 035 - B 036 - B 037 - A 038 - A 039 - D 040 - C 041 - D 042 - A 043 - A 044 - D 045 - E 046 - B 047 - A 048 - E 049 - B 050 – C Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 5. A mulher do vizinho Contaram-me que, na rua onde mora (ou morava) um conhecido e antipático general de nosso Exército, morava (ou mora) também um sueco cujos filhos passavam o dia jogando futebol com bola de meia. Ora, às vezes acontecia cair a bola no carro do general e um dia o general acabou perdendo a paciência, pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco. O delegado resolveu passar uma chamada no homem, e intimou-o a comparecer à delegacia. O sueco era tímido, meio descuidado no vestir e pelo aspecto não parecia ser um importante industrial, dono de grande fábrica de papel (ou coisa parecida), que realmente ele era. Obedecendo a ordem recebida, compareceu em companhia da mulher à delegacia e ouviu calado tudo o que o delegado tinha a dizer-lhe. O delegado tinha a dizer-lhe o seguinte: −O senhor pensa que só porque o deixaram morar neste país pode logo ir fazendo o que quer? Nunca ouviu falar numa coisa chamada AUTORIDADES CONSTITUÍDAS? Não sabe que tem de conhecer as leis do país? Não sabe que existe uma coisa chamada EXÉRCITO BRASILEIRO que o senhor tem de respeitar? Que negócio é este? Então é ir chegando assim sem mais nem menos e fazendo o que bem entende, como se isso aqui fosse casa da sogra? Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro: dura lex! Seus filhos são uns moleques e outra vez que eu souber que andaram incomodando o general, vai tudo em cana. Morou? Sei como tratar gringos feito o senhor. Tudo isso com voz pausada, reclinado para trás, sob o olhar de aprovação do escrivão a um canto. O sueco pediu (com delicadeza) licença para se retirar. Foi então que a mulher do sueco interveio: −Era tudo que o senhor tinha a dizer a meu marido? O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento. −Pois então fique sabendo que eu também sei tratar tipos como o senhor. Meu marido não é gringo nem meus filhos são moleques. Se por acaso incomodaram o general, ele que viesse falar comigo, pois o senhor também está nos incomodando. E fique sabendo que sou brasileira, sou prima de um major do Exército, sobrinha de um coronel, E FILHA DE UM GENERAL! Morou? Estarrecido, o delegado só teve forças para engolir em seco e balbuciar humildemente: −Da ativa, minha senhora? E ante a confirmação, voltou-se para o escrivão, erguendo os braços desalentado: −Da ativa, Motinha! Sai dessa... (Fernando Sabino. A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Record, 1991). 1. A temática principal do conto é (A) a relação conturbada entre estrangeiros ilegais e as autoridades constituídas. (B) o funcionamento das patentes militares do exército brasileiro. (C) a falta de educação das crianças da época. (D) o abuso de poder, de maneira a reafirmar as autoridades constituídas. (E) o rígido cumprimento das leis por parte dos cidadãos. _________________________________________________________ 2. No texto, (A) o julgamento apressado do delegado deveu-se, entre outras razões, à aparência humilde do sueco. (B) a reação do delegado é adequada ao prejuízo material causado pelo jogo de bola das crianças. (C) o delegado muda seu julgamento ao perceber a polidez demonstrada pelas atitudes do sueco. (D) o autor desenvolve uma crítica à educação contemporânea, pautada no comportamento das crianças. (E) a mulher esclarece que o general mencionado no 1o parágrafo é seu pai, com a mesma delicadeza de seu marido. _________________________________________________________ 3. Depreende-se corretamente do texto que o delegado (A) torna-se acanhado diante da filha de um general, embora se mostrasse prepotente de início. (B) encontra na figura do escrivão seu último recurso para resolver o problema. (C) espera com sarcasmo pela intervenção da esposa do sueco. (D) não se importa com diferenças hierárquicas por seu caráter constante. (E) usa a expressão latina dura lex! a fim de demonstrar sua imparcialidade. _________________________________________________________ 4. ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos filhos do sueco. O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos que o grifado acima está empregado em: (A) ... que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... (B) ... como se isso aqui fosse casa da sogra? (C) ... compareceu em companhia da mulher à delegacia... (D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... (E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevimento 5. Fazendo-se as alterações necessárias, o trecho grifado está corretamente substituído por um pronome em: (A) ... sei tratar tipos como o senhor. −sei tratá-lo (B) ... erguendo os braços desalentado... −erguendo- -lhes desalentado (C) ... que tem de conhecer as leis do país? −que tem de conhecê-lo? (D) ... não parecia ser um importante industrial... −não parecia ser-lhe (E) incomodaram o general... −incomodaram-no _________________________________________________________ 6. Leia o texto a seguir. Para a próxima década, os Estados Unidos ...... um excelente orçamento de exportações. Para os otimistas, 10% ...... uma meta possível. Por outro lado, cerca de 20 milhões de norte-americanos não ...... que essa realidade seja possível. Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, na ordem dada: (A) prometem – parecem – acreditam (B) promete – parecem – acredita (C) prometem – parece – acreditam (D) promete – parece – acredita (E) prometem – parece – acredita _________________________________________________________ 7. Leia o fragmento a seguir. Naquela noite, a moça vem para casa se sentindo muito feliz; mesmo que o rapaz não queira, seus olhos só têm olhos para ela. Substituindo-se vem por viria, a frase se manterá correta caso os verbos sublinhados sejam substituídos, respectivamente, por (A) quisesse −terão. (B) quiser −tiveram. (C) quiser −tivera. (D) quisesse −teriam. (E) quisesse −terá. _________________________________________________________ 8. O termo entre parênteses preenche corretamente a lacuna da frase: (A) As primeiras viagens exploratórias da Coroa portuguesa ......(com que) se tem notícia foram registradas somente em 1796. (B) Uma das maiores manifestações culturais ...... (por que) é conhecida a cidade de Parintins é o Festival Folclórico. (C) Parintins localiza-se na margem direita do rio Amazonas ...... (cuja as) águas oferecem excelentes condições de navegação. (D) A toada é um velho estilo musical ...... (em que) se executa principalmente na época do Festival Folclórico. (E) Materiais de exportação, como a juta ...... (de que) foi trazida pelos japoneses, são usados nafabricação de acessórios dos dançarinos do Festival Folclórico. Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 9 a 12. Como escreveu no começo do século 20 aquele infame senhor russo de cavanhaque, o que fazer? Eu tenho um fraco por esta moçada corajosa que agita no começo do século 21, que vai para a rua, que vai para a praça protestar por liberdade e também para denunciar fraude eleitoral e corrupção. Não sou tão ingênuo e emocional a ponto de me comover com a moçada do “occupy Wall Street” (teve até liberdade demais), mas, quando se trata do pessoal que passa o sufoco no centro de Moscou ou na praça Tahrir, no Cairo, é outra história. Sei, sei, há uma longa distância entre Moscou e Cairo, mas nos dois casos existe o que alguns de forma pejorativa chamam de Geração Facebook. Eu não. É chato quando a fadiga com um sistema de lei e ordem, como o de Putin, leva tanta gente a sonhar com outros pregando projetos ainda mais autoritários e nostálgicos. Imagine, Putin quer restaurar glórias passadas do império russo e, ainda por cima, vemos estes avanços de comunistas e da extrema direita? Claro que sobra a solidariedade com a moçada que foi para a rua protestar. Pouco conheço, mas em princípio não tenho nada contra o blogueiro russo Alexei Navalnyi, um cruzado contra a corrupção, detido terça-feira em Moscou, assim como centenas de manifestantes, e condenado a 15 dias de prisão. Seu crime? Basicamente popularizar a expressão “partido de escroques e ladrões”, ao se referir ao partido governista Rússia Unida. Chato é que, no final das contas, embora este partido do poderoso chefão Vladimir Putin tenha sido humilhado nas eleições parlamentares de domingo (sem fraude, o estrago teria sido maior), os comunistas e a extrema direita tenham avançado. A ironia é quando Putin passa a ser uma espécie de centrista. Dá um certo prazer, é verdade, ver Putin suar um pouco, como qualquer ditador ou semiditador. O senador republicano americano John McCain, que não é exatamente Geração Facebook, tuitou de forma provocativa na terça-feira o seguinte: “Querido Vlad (Vladimir Putin), a primavera árabe está chegando a uma vizinhança perto de você”. (Texto adaptado. Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/ nova-york/se-cao/facebook/. ) 9. Com o uso da expressão ... um cruzado contra a corrupção... o autor visa a (A) denunciar as irregularidades eleitorais ocorridas. (B) ironizar a fragilidade de Vladimir Putin. (C) enfatizar o engajamento político de Alexei Navalnyi. (D) respaldar a opinião do senador John MacCain. (E) fazer referência à situação política do Cairo. _________________________________________________________ 10. ... tuitou de forma provocativa na terça-feira... O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da frase acima está grifado em: (A) Não sou tão ingênuo e emocional... (B) ... sem fraude, o estrago teria sido maior... (C) Imagine, Putin quer restaurar glórias passadas... (D) ... que foi para a rua protestar. (E) Dá um certo prazer, é verdade... 11. No texto, pode-se afirmar que as aspas, nos 3o e 4o parágrafos, assinalam (A) a ironia do autor diante da fala de outros. (B) uma ressalva diante da fala de outros. (C) o realce de certas expressões em língua estrangeira. (D) dúvidas do autor em relação ao acontecimento tratado. (E) a citação exata das falas de outras pessoas no texto. _________________________________________________________ 12. No texto, é citada a seguinte frase do senador republicano americano John McCain: “Querido Vlad (Vladimir Putin), a primavera árabe está chegando a uma vizinhança perto de você”. Essa fala (A) mostra que McCain é corrupto como Putin. (B) ironiza a situação vivida por Putin. (C) revela a solidariedade entre McCain e os jovens que atacam Putin. (D) indica a solidariedade de McCain com o blogueiro Alexei Navalnyi. (E) brinca com a falta de traquejo de McCain com a internet. _________________________________________________________ 13. Leia o fragmento a seguir. Os dois elevadores entraram em pane ao mesmo tempo e todo mundo precisou usar a escada. Por sorte dos moradores e visitantes, o prédio, antigo, só tinha seis andares, e ninguém se estafava em demasia para subir ao seu andar; ...... os idosos, claro, mas esses, não precisando sair todos os dias obrigatoriamente, ...... muito bem esperar o conserto sem inconvenientes insuportáveis. Talvez até que ficarem retidos em casa por um ou dois dias ...... em benefício para eles, por mantê-los afastados dos perigos das ruas, mesmo sendo contra a vontade. (Adaptado de: José J. Veiga, Vestido de fustão. In: Objetos turbulentos. São Paulo: Editora Bertrand Brasil, 1997, p. 53) Preenchem corretamente as lacunas do trecho acima, na ordem dada: (A) há −poderão −resultavam (B) há −poderia −resulte (C) havia −poderiam −resultasse (D) haviam −poderiam −resultasse (E) havia −poderia −resultariam 14. Os sinais de pontuação estão empregados corretamente em: (A) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a construção de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (B) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (C) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (D) Duas explicações do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar das metas de vendas associadas aos dois temas. (E) Duas explicações, do treinamento para consultores iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar das metas, de vendas associadas aos dois temas. _________________________________________________________ 15. Leia o texto a seguir. Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu ...... cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que ...... cartomante restituiu-lhe ...... confiança, e que o rapaz repreendeu- a por ter feito o que fez. (Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Globo, 1997, p. 6) Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) à – a – a (B) a – a – à (C) à – a – à (D) à – à – a (E) a – à – à 16. Leia o fragmento a seguir. Ao produzir uma evolução reconhecida na distribuição de renda, o desenvolvimento dos últimos anos jogou uma massa de milhões de famílias para aquele universo da chamada nova classe média, a classe C. São pessoas com novas preocupações e prioridades. Uma delas é que, com uma renda maior, às vezes só um pouco maior, passam a pagar impostos maiores – e sentem-se no direito de fazer exigências mais elevadas junto aos poderes públicos. (Disponível em: http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/ colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE) É a ideia central desse parágrafo: (A) Os impostos aumentaram para todas as classes, inclusive a chamada “classe C”. (B) O desenvolvimento dos últimos anos se deve a uma maior cobrança de impostos. (C) A classe C passou a enfrentar outros percalços, visto que se sentiu lesada com a distribuição de renda. (D) O poder público precisa estar mais atento às demandas da classe C. (E) Devido à distribuiçãode renda, a exigência do segmento da população que passou a pagar mais impostos aumentou. _________________________________________________________ 17. Leia o fragmento a seguir. Reunida com os governadores, a presidente Dilma propôs um pacto fiscal, ...... faltou dizer o que o governo federal pensa em fazer ...... suas contas, que andam confusas. Na área de transporte, disse que investirá R$ 50 bi em mobilidade urbana; não explicou, ...... , de onde viria esse dinheiro. Olhando o orçamento, em 12 anos, o país investiu apenas R$ 1,1 bi nessa área, 19% do que estava previsto, ........... cálculos do site Contas Abertas. A presidente anunciou ainda a desoneração do óleo diesel, que também não resolve. (Disponível em: http://oglobo.globo.com/economia/miriam/) Preenchem corretamente as lacunas do texto acima, na ordem dada: (A) porém −no que tange a −por um lado −como (B) mas −em relação às −porém −segundo (C) e −para −mas −contra (D) porém −a respeito de −e −contra (E) mas −com −no entanto −sobre Considere o texto abaixo para responder às questões de números 18 a 20. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola, elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em andamento ou concluído. Ou seja, houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. E muitos profissionais podem ter ingressado no nível mais elevado de escolaridade, mas com o mesmo salário, o que reduz a média de ganho da categoria. "Nos últimos anos, as pessoas ficaram mais tempo na escola e a oferta de profissionais com ensino médio e superior aumentou. O crescimento da escolaridade também foi impulsionado pelo aumento do número de universidades privadas", disse Naercio. (Disponível em: http://exame.abril.com.br/ brasil/noticias/ mais-escolarizados-perdem-8-da-renda-de-2002-para-2011. Texto adaptado) 18. No texto, o autor assinala que (A) as vagas de ensino médio aumentaram mais, proporcionalmente, do que as de ensino superior. (B) o ensino médio em andamento ou concluído constitui a faixa de escolaridade da maioria da população brasileira atual. (C) o crescimento da escolaridade está relacionado aos incentivos recebidos pelos trabalhadores das empresas privadas. (D) muitos profissionais conquistaram nível mais elevado de escolaridade, o que acarretou ganhos salariais. (E) o número de trabalhadores com nível de escolaridade superior ou médio aumentou. _________________________________________________________ 19. O trecho elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio e superior em andamento ou concluído, de acordo com o contexto, expressa (A) concessão. (B) consequência. (C) restrição. (D) justificativa. (E) oposição. _________________________________________________________ 20. Os trabalhadores passaram mais tempo na escola... O segmento grifado acima possui a mesma função sintática que o destacado em: (A) ... o que reduz a média de ganho da categoria. (B) ... houve mais ofertas de trabalhadores dessa classe. (C) O crescimento da escolaridade também foi impulsionado... (D) ... elevando a fatia dos brasileiros com ensino médio... (E) ... impulsionado pelo aumento do número de universidades... GABARITO 001 - D 002 - A 003 - A 004 - D 005 - E 006 - A 007 - D 008 - B 009 - C 010 - D 011 - E 012 - B 013 - C 014 - B 015 - A 016 - E 017 - B 018 - E 019 - B 020 – C Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 10. Um filme é uma criatura muito especial, muito específica, nascida das mesmas vontades antigas que levaram nossos antepassados a narrar uma caçada ao mamute nas paredes das cavernas. Num filme está um impulso ao mesmo tempo mais primitivo que o da leitura e mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação −mas diferentemente do livro, onde mundos interiores, paisagens distantes, estados de espírito ou intenções ocultas podem ser descritos, deixando-a preencher o vácuo, o filme tem a obrigação de nos mostrar visualmente cada uma dessas coisas. Como no teatro, ele propõe a apreciação do movimento, da presença humana, da máscara do personagem −mas apenas com a intermediação da imagem captada. E assim, desse jeito tão peculiar, o cinema tem capturado nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo há mais de um século. Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar: encantadas com a novidade da imagem em movimento, as plateias do final do século XIX contentavam- se com uma tomada estática, que durava algo em torno de três minutos. A necessidade de aumentar a duração das sessões só podia ser resolvida com a adição de mais imagens, um problema que Edwin Porter resolveu com inventividade. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá- las como uma história linear, com começo meio e fim. As normas que hoje regem o mercado da produção cinematográfica mundial não são exatas e rígidas, mas, basicamente, a filosofia principal é: um filme, mesmo “barato”, é caro; antes de investir a pequena fortuna necessária para que ele se torne realidade, há que se tentar ao máximo minimizar os riscos. E esse processo interessa de perto a nós, os espectadores, porque são as decisões tomadas durante essa tentativa que, em última análise, determinam a forma final que um filme terá, se ele será ousado ou conservador, cheio de estrelas ou repleto de desconhecidos, rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. (Adaptado de: BAHIANA, Ana Maria. Como ver um filme. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012, formato e-book.) 1. De acordo com o texto, um filme (A) constitui parte fundamental da cultura moderna, em bora seja menos importante do que a literatura. (B) oferece, em comparação com a literatura, mais recursos para a imaginação, que deve preencher com coerência aquilo que nele fica apenas sugerido. (C) é menos atraente do que o teatro, pois neste a presença humana tem mais impacto; no entanto, é uma forma de arte mais acessível e democrática. (D) origina-se do desejo do homem de narrar aquilo que o rodeia, desejo que o acompanha desde tempos remotos. (E) deve ser montado e produzido de forma a criar uma história linear, verossímil, de modo a conquistar a atenção do espectador. 2. ...são as decisões tomadas durante essa tentativa... (3o parágrafo) A tentativa mencionada acima refere-se à necessidade de (A) dominar os princípios que controlam o mercado da produção cinematográfica. (B) baratear ao máximo os custos de uma produção cinematográfica. (C) minimizar os riscos que produzir um filme oferece. (D) trazer atores famosos para um filme, o que o tornaria mais lucrativo. (E) organizar a história a ser contada de modo convincente para o espectador. _________________________________________________________ 3. ...mais primitivo que o da leitura... (1o parágrafo) ...convidando o espectador a organizá-las...(2o parágrafo) ...deixando-a preencher o vácuo... (1o parágrafo) Os elementos sublinhados acima referem-se, na ordem dada, a: (A) impulso −imagens −imaginação (B) tempo −décadas −presença humana (C) tempo −narrativas −imaginação (D) filme −plateias −leitura (E) impulso −imagens −presença humana _________________________________________________________ 4. Infere-se do texto que Edwin Porter foi fundamental, no âmbito do cinema, para (A) a trilha sonora. (B) o diálogo entre personagens.(C) a verossimilhança. (D) a produção. (E) a montagem. _________________________________________________________ 5. ...onde mundos interiores... (1o parágrafo) O elemento sublinhado acima pode ser substituído por: (A) aos quais (B) em que (C) cujos (D) de que (E) pelos quais _________________________________________________________ 6. Nos primórdios do cinema não havia montagem porque não havia o que montar... (2o parágrafo) O sentido e a correção do segmento acima estão mantidos em: (A) Nos primórdios do cinema, não havia montagem conquanto não havia o que montar. (B) Como não havia montagem, nos primórdios do cinema não havia o que montar. (C) Nos primórdios do cinema, portanto, não havia montagem ou o que montar. (D) Porém, nos primórdios do cinema, não havia montagem, desde que não houvesse o que montar. (E) Visto que não havia o que montar, não havia montagem nos primórdios do cinema. 7. Em pouco mais de seis minutos, Porter costura cenas de um dia na vida de um bombeiro, estabelecendo o conceito narrativo que iria dominar o cinema comercial ao longo das décadas seguintes: as imagens se sucedem, convidando o espectador a organizá-las como uma história linear, com começo meio e fim. Atente para as afirmações abaixo a respeito do segmento acima. I. O sinal de dois-pontos introduz uma decorrência do que se afirma antes. II. Sem prejuízo da correção e do sentido original, uma continuação para o segmento “as imagens se sucedem” é: "umas as outras". III. A vírgula empregada após “linear” precede uma ex plicação. Está correto o que se afirma APENAS em: (A) I. (B) II e III. (C) I e II. (D) I e III. (E) III. _________________________________________________________ 8. O elemento que pode ser suprimido do texto, sem prejuízo do sentido, da correção e da clareza, encontra-se sublinhado em: (A) Como na leitura, queremos narrativas que alimentem a nossa imaginação... (B) ...as plateias do final do século XIX contentavam-se... (C) E esse processo interessa de perto a nós... (D) ...rodado em alguma ilha paradisíaca do Pacífico ou dentro de algum estúdio. (E) ...se ele será ousado ou conservador... _________________________________________________________ 9. O elemento que NÃO é um pronome está sublinhado em: (A) ...determinam a forma final que um filme terá... (3o parágrafo) (B) ...e mais tecnologicamente sofisticado que o do teatro. (1o parágrafo) (C) ...que durava algo em torno de três minutos. (2o pa rágrafo) (D) ...o conceito narrativo que iria dominar o cinema... (2o parágrafo) (E) As normas que hoje regem o mercado... (3o parágrafo) _________________________________________________________ 10. Mantendo em linhas gerais o sentido original, uma redação alternativa para um segmento do texto (a última frase d o 1o parágrafo), escrita com correção e lógica, está em: (A) Faz mais de século que, desse modo específico, a atenção, imaginação e tempo vem sendo captado pelo cinema. (B) Dessa maneira tão inexpressiva, nossa atenção, imaginação e tempo vem sendo captada pelo cine ma há mais de um século. (C) Há mais de um século, o cinema prende, desse modo tão próprio, nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo. (D) Nossa atenção, nossa imaginação e nosso tempo, há séculos tem sido cativados pelo cinema de modo valoroso. (E) O cinema que vem captando de forma tão expressiva, nossa atenção, nossa imaginação e tempo faz mais de um século. Considere o texto abaixo para responder às questões de números 11 a 19. −E se a vida for como um cardápio? A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o marido em estado reflexivo. −Ora, Alfredo, deixe de filosofar e escolha logo o prato que vai querer. Os dois haviam saído para jantar e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde se pode ver um cantinho de céu e o Redentor. −Rosinha, pense nas consequências do que estou dizendo. Se a vida for como um cardápio, nós talvez estejamos escolhendo errado. No lugar da buchada de bode em que nossas vidas se transformaram, poderíamos nos deliciar com escargots. Experimentar sabores novos, mais sofisticados... −Por que a vida seria como um cardápio, Alfredo? Tenha dó. −E por que não seria? Ninguém sabe de fato o que é a vida, portanto qualquer acepção é válida, até prova em contrário. −Benhê, acorda. Ninguém vai aparecer para servir o seu cardápio imaginário. Na vida, a gente tem que ir buscar. A vida é mais parecida com um restaurante a quilo, self-service, entende? −Boa imagem. Concordo com o restaurante a quilo. É assim para quase todo mundo. Mas, quando evoluímos um pouco, chega a hora em que podemos nos servir à la carte. Rosinha, nós estamos nesse nível. Podemos fazer opções mais ousadas. −Alfredo, se você está querendo aventuras, variar o arroz com feijão, seja claro. Não me venha com essa conversa de cardápio existencial. Além disso, se a nossa vida virou uma buchada de bode, com quem você pensa experimentar essa coisa gosmenta, o tal escargot? −Querida, não reduza minhas ideias a uma trivial variação gastronômica. Minha hipótese, caso correta, tem implicações metafísicas. Se a vida for como um cardápio, do outro lado teria que existir o Grand Chef, o criador do menu. −Alfredo, fofo, agora você viajou na maionese. É o cúmulo querer reconstruir o imaginário religioso baseado no funcionamento de um restaurante. Só falta você dizer que, nesse seu céu, os anjos são os garçons! Nesse momento, dois chopes desceram sobre a mesa. Flutuaram entre as mãos alvas, quase diáfanas, de um dos velhos garçons do Bar Lagoa. Alfredo e Rosinha trocaram olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não haviam pedido nada, o garçom falou com voz grave: −Cortesia da casa. Já olharam o cardápio? (FARIA, Antônio Carlos de. "Cardápio existencial". Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult686u141.shtml) 11. De acordo com o texto, (A) embora Rosinha negue-se, de início, a dar prosseguimento à discussão de Alfredo, termina por oferecer-lhe a metáfora que define seus objetivos como casal, o restaurante a quilo, em que se pode escolher o que se deseja. (B) a discussão entabulada por Alfredo, que estabelece uma equivalência entre a vida e a dinâmica do restaurante, encontra oposição na voz de Rosinha, cujos argumentos apenas se confirmam com a reviravolta ao fim do texto. (C) articula-se, em forma de diálogo, a comparação da vida a um cardápio de restaurante, cujas possibilidades abrem espaço para o questionamento de nosso livre arbítrio. (D) ainda que a comparação com um cardápio tenha um caráter bastante material, leva os interlocutores do diálogo a pensarem em suas implicações metafísicas, a ponto de esquecerem que pediram dois chopes ao garçom. (E) revela-se, a partir da discussão entre um casal, a tentativa de compreensão do destino que é assinalado a todos, o qual restringe as escolhas e as possibilidades de mudança na vida dos personagens. 12. ...deixe de filosofar e escolha logo o prato que vai querer. No lugar da buchada de bode em que nossas vidas se transformaram... ...quando evoluímos um pouco, chega a hora em que podemos nos servir à la carte. Os pronomes sublinhados nos segmentos acima referem- -se, respectivamente, a: (A) prato / buchada de bode / hora (B) prato / lugar / restaurante a quilo (C) Alfredo / cardápio / hora (D) Alfredo / buchada de bode / restaurante a quilo (E) prato / cardápio / hora _________________________________________________________ 13. Alfredo e Rosinha trocaram olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não haviam pedido nada, o garçomfalou com voz grave... Transpondo-se o verbo sublinhado para o presente do indicativo, mantém-se a correlação verbal da frase em: (A) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que pudessem dizer que ainda não tenham pedido nada, o garçom fala com voz grave... (B) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que poderem dizer que ainda não pediram nada, o garçom fala com voz grave... (C) Alfredo e Rosinha vão trocar olhares de espanto e antes que tenham podido dizer que ainda não escolhiam nada, o garçom vai falar com voz grave... (D) Alfredo e Rosinha trocam olhares de espanto e antes que possam dizer que ainda não pediram nada, o garçom fala com voz grave... (E) Alfredo e Rosinha estão trocando olhares de espanto e antes que tenham podido dizer que ainda não pedem nada, o garçom fala com voz grave... _________________________________________________________ 14. Ninguém sabe de fato o que é a vida... Querida, não reduza minhas ideias... Podemos fazer opções mais ousadas. Os trechos sublinhados são corretamente substituídos por pronomes em: (A) Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemo-las fazer (B) Ninguém a sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemos as fazer (C) Ninguém a sabe de fato / Querida, não reduza-as / Podemos fazê-las (D) Ninguém o sabe de fato / Querida, não nas reduza / Podemos fazê-lo (E) Ninguém o sabe de fato / Querida, não as reduza / Podemos fazê-las 15. ...qualquer acepção é válida, até prova em contrário. Na frase acima, a relação do segmento sublinhado com o que o antecede é de (A) causa, uma vez que a prova em contrário restringe a validade da acepção. (B) condição, pois, se houver prova em contrário, a acepção deixa de ser válida. (C) temporalidade, pois somente quando houver prova é que será válida a acepção. (D) finalidade, pois indica o limite que pode ser alcançado pela acepção. (E) concessão, uma vez que oferece uma oposição atenuada à acepção válida. _________________________________________________________ 16. A pergunta pegou Rosinha de surpresa. Ela levantou os olhos do menu e se deparou com o marido em estado reflexivo. As frases acima estão reescritas em um único período, mantendo-se a coerência e a correção, em: (A) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, uma vez que ela levantou os olhos do menu para deparar-se com o marido em estado reflexivo. (B) A pergunta pegou Rosinha de surpresa, de maneira que ela levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. (C) Depois que a pergunta pegou Rosinha de surpresa, ela levantou os olhos do menu, pois se deparou com o marido em estado reflexivo. (D) Quando a pergunta pegou Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando-se, todavia, com o marido em estado reflexivo. (E) Embora a pergunta pegasse Rosinha de surpresa, levantou os olhos do menu, deparando com o marido em estado reflexivo. _________________________________________________________ 17. A frase que pode ser transposta para a voz passiva encontra- se em: (A) Podemos fazer opções mais ousadas. (B) Por que a vida seria como um cardápio, Alfredo? (C) Nesse momento, dois chopes desceram sobre a mesa. (D) Concordo com o restaurante a quilo. (E) Não me venha com essa conversa de cardápio existencial. _________________________________________________________ 18. Caso o segmento sublinhado seja substituído pelo que está entre parênteses, o verbo que deverá sofrer alteração encontra-se em: (A) Ninguém vai aparecer para servir o seu cardápio imaginário... (os pratos solicitados) (B) ...do outro lado teria que existir o Grand Chef... (uma equipe de cozinheiros) (C) ...não reduza minhas ideias a uma trivial variação gastronômica... (variações gastronômicas) (D) Minha hipótese, caso correta, tem implicações metafísicas... (uma decorrência espiritual) (E) ...se a nossa vida virou uma buchada de bode... (nossas vidas) 19. As frases abaixo referem-se à pontuação do texto. I. Com as devidas alterações, no segmento...tem implicações metafísicas. Se a vida for como um cardápio..., pode-se substituir o ponto final por dois-pontos, uma vez que a ele se segue uma explicação. II. Na frase Ora, Alfredo, deixe de filosofar e escolha logo o prato, o termo sublinhado pode ser substituído por uma vírgula. III. No segmento ...e estavam na varanda do Bar Lagoa, de onde se pode ver um cantinho de céu..., pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente após estavam. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I e III. (B) I. (C) I e II. (D) II e III. (E) III. 20. A vida é semelhante ...... um restaurante a quilo, ...... vamos buscar o que desejamos. Cabe ...... percepção de cada um discernir o que é melhor para si. Preenche corretamente as lacunas da frase acima o que está em: (A) à −de que −a (B) à −onde −à (C) a −aonde −a (D) a −em que −à (E) a −a que −a GABARITO 001 – D 002 – C 003 – A 004 – E 005 – B 006 – E 007 – D 008 – A 009 – B 010 - C 011 – C 012 – A 013 – D 014 – E 015 – B 016 – B 017 – A 018 – E 019 – C 020 – D Para responder às questões de números 1 a 5, considere o texto abaixo. A população mundial, que superou a marca de 7 bilhões de pessoas, ganhará 2 bilhões de habitantes até 2050. A necessidade de nutrir 9 bilhões de bocas significa que a produção de comida terá de dobrar nos próximos quarenta anos, segundo projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Como há relativamente poucas fronteiras aráveis novas para serem exploradas pela agricultura, os fazendeiros mundiais terão de, praticamente, dobrar a produção de áreas usadas atualmente. A resposta a esse desafio exigirá uma nova revolução verde, similar à da década de 60, quando houve um salto na produtividade graças à utilização de defensivos, fertilizantes e técnicas modernas de plantio. Para muitos especialistas, a segunda revolução já está em curso. O consumo de proteína tem crescido rapidamente nos grandes países em desenvolvimento, principalmente na Índia e na China, mas, segundo o zoólogo escocês Hugh Grant, será possível suprir essa demanda. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. Dependerá também dos avanços na biotecnologia, em duas frentes. A primeira é o melhoramento genético convencional por meio de cruzamentos das espécies existentes e da seleção de sementes mais produtivas. A segunda é o desenvolvimento de sementes transgênicas, com variedades com mais nutrientes ou mais resistentes às secas, de modo a manter afastados das lavouras os predadores e as ervas daninhas. (Adaptado de: Giuliano Guandalini. Veja, 21 de dezembro de 2011, p. 170-171) 1. A ideia central do texto está exposta em: (A) A oferta de alimentos necessários para nutrir a atual população mundial de 7 bilhões. (B) As metas para o futuro desenvolvimento de uma agricultura sustentável no planeta. (C) O previsível aumento da demanda por alimentos, especialmente proteínas, em países asiáticos. (D) As condições para alimentar uma população mundial que chegará a 9 bilhões em 2050. (E) Os futuros investimentos em biotecnologia para garantir alimentos, em 2050, em todo o planeta. 2. De acordo com o texto, entende-se como desafio: (A) diversificar a oferta de alimentos, para evitar a demanda específica por proteínas, como ocorre nos países em desenvolvimento. (B) atender à procura por proteínas em países em desenvolvimento, mesmo utilizando regiões ainda intocadas, impróprias para a agricultura. (C) transformar em áreas produtivas as regiões ainda não destinadas à agricultura, como formade saciar a fome em todo o mundo. (D) estimular o uso de defensivos agrícolas, para ampliar a capacidade de produção de terras ainda não devidamente cultivadas. (E) duplicar a produção mundial de alimentos, embora haja poucas áreas ainda não exploradas que possam ser destinadas à agricultura. _________________________________________________________ 3. O salto na produtividade observado na década de 60 se deu em razão (A) do uso de defensivos, fertilizantes e técnicas modernas de plantio, que resultaram em uma revolução verde. (B) do aumento no consumo de proteína nos grandes países em desenvolvimento. (C) dos esforços para a redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. (D) da previsão de ampliação no número da população mundial, que já superou a marca de 7 bilhões de pessoas. (E) da constatação da existência de poucas fronteiras aráveis novas para serem exploradas pela agricultura. _________________________________________________________ 4. A resposta a esse desafio exigirá uma nova revolução verde, similar à da década de 60 ... (1o parágrafo) A semelhança, apontada na frase acima, entre a chamada revolução verde e a nova revolução, está (A) nas novas áreas destinadas à agricultura nos países mais atrasados. (B) na demanda por proteínas em alguns países em desenvolvimento. (C) nas inovações técnicas e tecnológicas voltadas para a agricultura. (D) na ampliação do uso das áreas já destinadas atualmente à agricultura. (E) no uso de pesticidas para o controle de pragas que afetam a produção. _________________________________________________________ 5. Ele diz que isso dependerá da redução do desperdício e também da modernização da agricultura nos países mais atrasados. (2o parágrafo) O emprego do pronome grifado acima evita a repetição, no texto, do segmento: (A) A primeira é o melhoramento genético convencional. (B) será possível suprir essa demanda. (C) há relativamente poucas fronteiras aráveis novas. (D) a segunda revolução já está em curso. (E) A população mundial (...) ganhará 2 bilhões de habitantes até 2050. 6. No início, a argumentação contrária ao plantio de sementes transgênicas se ...... na questão do risco à saúde humana. Como não ...... problemas, a visão agora é de que o avanço das lavouras transgênicas ...... a biodiversidade. As lacunas acima estarão corretamente preenchidas, na ordem dada, por: (A) concentrava - surgiu - reduzem (B) concentravam - surgiu - reduzem (C) concentrava - surgiram - reduz (D) concentrava - surgiram - reduzem (E) concentravam - surgiram - reduz _________________________________________________________ 7. O Brasil é um país que ainda possui grandes extensões de terras cultiváveis virgens. As terras cultiváveis virgens são desnecessárias para ampliar a produtividade. É possível incrementar a produtividade das áreas agrícolas existentes. As frases acima estão articuladas em um único período, com correção, clareza e lógica, em: (A) Ampliar a produtividade das áreas agrícolas existentes no país, que ainda possui grandes extensões de terras cultiváveis virgens, e ainda são desnecessárias para essa ampliação. (B) O Brasil, que é um país que ainda possui grandes extensões de terras cultiváveis virgens, o que é desnecessário na ampliação da produtividade das áreas agrícolas existentes. (C) As grandes extensões de terras cultiváveis virgens, embora elas existam no Brasil, é desnecessário para ampliar a produtividade das áreas já existentes no país. (D) O Brasil ainda possui grandes extensões de terras cultiváveis virgens, que, entretanto, são desnecessárias para ampliar a produtividade, pois é possível incrementá-la nas áreas agrícolas existentes. (E) Como existem as áreas agrícolas, em relação as grandes extensões de terras cultiváveis virgens, elas são desnecessárias para a ampliação da produtividade nessas já existentes. Para responder às questões de números 8 a 13, considere o texto abaixo. Ao ler o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) muitas pessoas podem achar óbvio e desnecessário um artigo determinando que os carros devam trafegar pelo lado direito das ruas. Também parece claro que os pedestres devem ter uma área específica para atravessar (as faixas), que os veículos precisam ter cintos de segurança e as vias tenham de ser sinalizadas. Mas o trânsito que vemos hoje é justamente o resultado de avanços de uma legislação que chegou aos 100 anos. A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada em 1910, pelo então presidente Nilo Peçanha, e tinha o objetivo de traçar regras para o transporte de passageiros e de cargas. Tudo isso em uma época em que os carros particulares eram raridade, assim como as ruas e avenidas. Por isso, um dos artigos previa justamente formas de concessão das vias para a iniciativa privada e como elas deveriam ser construídas. Em 1928, uma nova legislação buscou colocar ordem no trânsito. Nessa época foi determinado o lado de circulação dos veículos e exigiu-se a instalação de placas com números para identificá-los – e as ruas ganharam sinalização. Depois disso, houve quatro códigos de trânsito, o atual datado de 1997. A cada novo código, surgia a obrigação de novos equipamentos de segurança, como espelhos retrovisores e indicadores de direção (setas). No código de 1966 já estavam presentes o cinto de segurança e as faixas de pedestres. Até hoje, as autoridades lutam para que pedestres sejam respeitados nessas faixas. (Adaptado de: Renato Machado. O Estado de S. Paulo, Cidades/ Metrópole, C7, 20 de junho de 2010) 8. A afirmativa correta, em relação ao que consta no texto, é: (A) O atual Código de Trânsito Brasileiro resulta de medidas que vêm sendo introduzidas e aperfeiçoadas desde o primeiro deles, redigido há mais de um século. (B) Mesmo tendo se passado mais de um século, o trânsito nas ruas e avenidas brasileiras ainda não se encontra devidamente disciplinado por leis específicas. (C) As atuais ruas e avenidas, assim como acontecia há mais de um século, não se encontram devidamente sinalizadas de modo a facilitar o trânsito de veículos e pedestres. (D) Apesar dos avanços em relação aos antigos códigos de trânsito, o código atual precisa ainda incorporar novas medidas de proteção aos pedestres. (E) Os códigos de trânsito mais antigos perderam a validade de suas determinações em razão do atual aumento do número de carros nas ruas e avenidas. _________________________________________________________ 9. Deduz-se corretamente do que consta no 2o parágrafo que as medidas previstas na primeira legislação nacional de trânsito (A) abrangiam normas que se tornaram permanentes nos códigos seguintes, como a necessidade de faixas para a travessia de pedestres. (B) buscavam organizar o trânsito decorrente de um eventual aumento no número de veículos em circulação. (C) previam certas regras de segurança para os motoristas nas ainda precárias ruas e avenidas de uma cidade. (D) foram deixadas de lado pelos códigos seguintes, à medida que surgiam vias de circulação apropriadas ao trânsito de veículos. (E) traziam normas que se destinavam principalmente ao desenvolvimento do transporte no país, com a construção de ruas e estradas. 10. Considere as afirmativas seguintes, a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto. I. ... é justamente o resultado de avanços de uma legislação que chegou aos 100 anos. (1o parágrafo) Estaria correta a colocação de um sinal de doispontos após a palavra legislação, para separar o segmento que chegou aos 100 anos. II. Os parênteses empregados em (as faixas) – 1o parágrafo– e em (setas) – último parágrafo – isolam elementos de natureza especificativa. III. ... e exigiu-se a instalação de placas com números para identificá-los – e as ruas ganharam sinalização. (3o parágrafo) O travessão poderia ser corretamente substituído por uma vírgula, sem prejuízo da correção e da clareza. Está correto o que se afirma em (A) II, apenas. (B) II e III, apenas. (C) I, apenas. (D) I e III, apenas. (E) I, II e III. _________________________________________________________ 11. Tudo isso em uma época em que os carros particulares eram raridade, assim como as ruas e avenidas. (2o parágrafo) A expressão pronominal grifada acima pode ser corretamente substituída, sem alteração do sentido original, por: (A) na qual. (B) nas quais. (C) nos quais. (D) em cuja. (E) aonde. _________________________________________________________ 12. ... que os carros devam trafegar pelo lado direito das ruas. ... que os pedestres devem ter uma área específica para atravessar... Os verbos flexionados nos mesmos tempos e modos em que se encontram os grifados nas frases acima são, respectivamente: (A) ganham - ganharam (B) precisam - precisem (C) determinam - determinem (D) possam - podem (E) tenham - teriam _________________________________________________________ 13. A primeira legislação nacional de trânsito foi assinada em 1910, pelo então Presidente Nilo Peçanha ... Transpondo a frase acima para a voz ativa, a forma verbal passará a ser: (A) deixou assinada. (B) assina-se. (C) tinha assinado. (D) assinou. (E) tinha sido assinada. Atenção: Para responder às questões de números 14 e 15, considere o Texto I e o Texto II, seguintes. Texto I Transporte integrado. A expressão transporte integrado aplicase primeiramente ao transporte público. Envolve uma coordenação complexa, que liga os serviços de ônibus, trens, metrôs e trólebus, no intuito de estabelecer uma rede de transportes. Os trajetos e os horários precisam ser coordenados e o sistema de cobrança tarifária deve ser unificado. O intercâmbio satisfatório é essencial, de modo a permitir que os usuários façam as baldeações de maneira rápida e eficiente nas estações e paradas através da malha viária urbana. Os sistemas de transporte integrado oferecem solução para os graves problemas de deslocamento das massas humanas nas grandes cidades, minimizando os impactos representados pela poluição, pelo congestionamento e pelos acidentes de trânsito. (Transcrito da Nova Enciclopédia Ilustrada Folha, Empresa Folha da Manhã S.A., v. 2, p. 956-957, 1996) Texto II O metrô é um meio de transporte de imensa importância por permitir rápida mobilidade a um grande número de usuários. Seu caráter público eleva a sua seriedade e torna essencial que sua manutenção e serviço sejam realizados com prioridade. Em São Paulo o metrô é responsabilidade do governo estadual, de quem devem ser cobrados suas tarifas e funcionamento. Sua operação se dá por meio da Companhia do Metropolitano de São Paulo. Apenas a Linha 4 (a amarela) é gerida por uma empresa privada, a Via Quatro, sob supervisão do governo estadual. Por tratar-se de um transporte público, em que devem prevalecer os preceitos do coletivismo e do bem estar geral, há certas regras no uso do metrô, como a que recomenda ao usuário manter- se afastado das portas para facilitar embarque e desembarque, além de evitar acidentes. (Adaptado de: www.guiadedireitos.org/index.php?option=com_ content&view=article&id=1277&Itemi...) 14. Os dois textos, considerando-se o assunto tratado, (A) apresentam algumas críticas, ainda que estejam diluídas no contexto, quanto às dificuldades de desloca mento das pessoas que vivem nas grandes cidades. (B) se aproximam por oferecerem informações a respeito da importância de haver transporte rápido e efi ciente em uma metrópole. (C) defendem a diminuição da ocorrência do grande número de acidentes que resultam inevitavelmente de um movimentado trânsito urbano. (D) diferem na apresentação de dados sobre a movimentação de usuários nos percursos oferecidos por uma extensa rede de transporte público da região metropolitana. (E) tratam da necessidade de ampliação da rede de transporte coletivo que permita o rápido deslocamento da população, quer para o trabalho, quer para o lazer. _________________________________________________________ 15. Uma informação constante de ambos os textos diz res peito (A) à integração dos diferentes meios de locomoção, como as redes de serviços de ônibus e de trens. (B) à presença de meios diversos de locomoção de usuários em uma grande cidade. (C) ao elevado número de acidentes que resultam de um trânsito intenso e caótico. (D) às atitudes que devem ser tomadas pelo público nos veículos destinados ao transporte coletivo. (E) à necessidade de garantir adequada movimentação de grande contingente populacional. Para responder às questões de números 16 a 20, considere o texto abaixo. Onde houvesse música jovem, nos anos 60 e 70, lá estaria o carro, símbolo máximo de independência. Mas algo mudou. Desde 1990, jovens de países desenvolvidos, como Reino Unido, Alemanha e Japão, têm dirigido cada vez menos. O fenômeno até ganhou um nome japonês – kuruma banare, ou desmotorização. Também nos Estados Unidos, os jovens estão dirigindo menos, andando mais de bicicleta ou a pé e utilizando o transporte público. Mesmo aqueles de renda familiar mais elevada dobraram seus gastos com transporte público entre 2001 e 2009. A crise global tem seu papel nesse movimento – sem dinheiro, jovens deixam para depois o casamento, os filhos e o financiamento da casa própria. Em vez disso, alugam apartamento perto do trabalho, das compras e da diversão. Substituem a propriedade por serviços ou trocas. É uma geração que investe em si mesma. "O automóvel passou a ser identificado como um produto antigo – afinal seus pais e avós já tinham carro na garagem", diz Adriana Mariotti, professora da Faculdade de Economia e Administração da USP, pesquisadora de novas tecnologias da indústria automotiva. "Além disso, não tem o mesmo apelo tecnológico de smartphones e tablets e é considerado o vilão em questões ambientais." Enquanto as economias avançadas veem o declínio da posse de bens materiais, em mercados emergentes, como o brasileiro, jovens que ascenderam à classe média entram no mercado de consumo e, pela primeira vez, podem comprar bens mais caros. O resultado é que, em outubro de 2012, o Brasil superou o Japão como o 3o mercado automobilístico do mundo, atrás de China e EUA. (Adaptado de: Alexandre Versignasi, Maurício Horta, Rafael Quick e Davi Augusto. Superinteressante, dezembro de 2012, p. 66-68) 16. O texto salienta (A) a demonstração de alegria e descompromisso originada da posse de um carro, como marca de prestígio pessoal e social de jovens, em diferentes países. (B) o sentimento de propriedade de um carro como fato ligado a valores culturais familiares, cultivados no passado, tanto nas economias mais avançadas como no Brasil. (C) a tendência das novas gerações em países avançados a não adquirir automóveis, diferentemente do que ocorre, por exemplo, no Brasil, em que tem havido ascensão social. (D) as consequências econômicas da crise financeira em todo o mundo, que atingiu especialmente as gerações mais novas, determinando acentuada queda no comércio mundial de automóveis. (E) a percepção, pelos jovens de alguns países mais avançados, da superficialidade dos valores relacionados com a posse de um carro, visto como sinônimo de status social. 17. Depreende-se do texto que a "desmotorização" poderá resultarem (A) melhoria das condições ambientais, com a redução da emissão de poluentes. (B) mudança de valores para os jovens, em relação às gerações mais velhas. (C) soluções para a crise econômica desencadeada em alguns países ricos. (D) volume maior de gastos com transporte público, afetando a renda dos trabalhadores. (E) investimentos em tecnologia destinados à indústria, inclusive a automobilística. _________________________________________________________ 18. "Além disso, não tem o mesmo apelo tecnológico de smartphones e tablets e é considerado o vilão em questões ambientais." A frase acima, isolada por aspas no 2o parágrafo, deve ser compreendida como (A) ressalva que, ao concluir o parágrafo, contraria a afirmação anterior. (B) informação que resume o assunto desenvolvido desde o 1o parágrafo. (C) intenção de salientar a importância de um fato mediante sua repetição no contexto. (D) delimitação da ideia principal do texto, como síntese da exposição feita. (E) transcrição exata da opinião emitida por uma especialista no assunto abordado. _________________________________________________________ 19. Considerando-se as alterações propostas entre parênteses no final da frase para o segmento grifado, o verbo que deverá permanecer no singular está em: (A) O fenômeno até ganhou um nome japonês... (as ocorrências do fenômeno) (B) ...lá estaria o carro... (os carros) (C) Mas algo mudou. (algumas coisas na sociedade) (D) Onde houvesse música jovem... (espetáculos de música jovem) (E) A crise global tem seu papel nesse movimento... (as seguidas crises da economia global) _________________________________________________________ 20. ... alugam apartamento perto do trabalho... O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima está na frase: (A) ... que investe em si mesma. (B) Mas algo mudou. (C) O fenômeno até ganhou um nome japonês ... (D) ... que ascenderam à classe média ... (E) ... entram no mercado de consumo ... GABARITO 001 – D 002 – E 003 – A 004 – C 005 – B 006 – C 007 – D 008 – A 009 – E 010 - B 011 - A 012 - D 013 - D 014 - B 015 - E 016 - C 017 - A 018 - E 019 - D 020 – C Atenção: As questões de números 1 a 10 baseiam-se no texto abaixo. A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de anos. Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais recente neste planeta. Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos. A fala parece ter surgido há pelo menos 50 mil. Há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita regular de espécies de vegetais domesticados. Certamente, quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns animais também foram domesticados. Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas e planícies eurasiáticas à procura de alimentos e de abrigo. Os perigos eram muitos, de animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais violentos como misteriosos vulcões e terremotos. Para sobreviver, nunca se podia baixar a guarda. Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros irregulares. A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e aos temidos tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também. Recentemente foram descobertos os instrumentos musicais mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes, datando de 35 e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados em uma região da Alemanha, provando que não só humanos já haviam saído da África, como também haviam desenvolvido habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos, se gotas caíam ritmicamente das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando os instrumentos capazes de fazê-lo. Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas datando de mais de 20 mil anos, mostram uma enorme variedade de animais e também de cenas de caçadas e de rituais. Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer, dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas poderiam ser tanto ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de cerimônias religiosas. Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde viviam. A música e a pintura não eram as únicas expressões artísticas dessas sociedades. A escultura também. O impulso criativo parece ser tão antigo quanto nossa espécie. Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo −e não em guerra com ele. (Marcelo Gleiser. Folha de S. Paulo, Mais!, 23 de agosto de 2009, com adaptações) 1. A afirmativa correta, de acordo com o texto, é: (A) As sociedades agrárias foram, desde o início da história da humanidade, organizadas seguindo os próprios ritmos melodiosos da natureza. (B) A duração das diversas fases de evolução da humanidade comprova a pouca importância da espécie humana diante dos elementos naturais. (C) O instinto artístico de nossa espécie data de tempos ancestrais, quando os homens procuravam reproduzir o que encontravam na natureza. (D) São pouquíssimos os dados mais remotos acerca da evolução da humanidade, para aventar hipóteses sobre a origem do instinto artístico no homem. (E) A natureza, desde o início um ambiente de perigos para o homem, sempre se rebelou contra ele, com a ocorrência de catástrofes tais como os terremotos. _________________________________________________________ 2. É correto perceber no texto que o autor (A) demonstra a pobreza do impulso criativo no homem, em razão da impossibilidade de reprodução fiel dos sons da natureza. (B) atribui à descoberta de antigos instrumentos musicais a certeza sobre a formação das sociedades primitivas. (C) contesta os dados científicos que consideram o continente africano como local de origem da espécie humana. (D) deixa implícita uma crítica contra o modo de vida atual, marcado pelo desrespeito ao meio ambiente. (E) reconhece a dificuldade que os homens sempre tiveram de dominar as forças incontroláveis da natureza. _________________________________________________________ 3. A referência às pinturas nas cavernas da Europa e da África (A) demonstra os obstáculos encontrados pelos cientistas para determinar como se organizavam as sociedades primitivas. (B) indica que os homens primitivos já haviam se organizado em sociedades, com seus rituais religiosos e de confraternização. (C) levanta hipóteses, não esclarecidas pela ciência, a respeito da organização social de povos antiquíssimos. (D) comprova que o instinto artístico demorou muito a se formar na espécie humana, sujeita à própria força da natureza e de animais ferozes. (E) aponta com exatidão a origem de certos hábitos primitivos, como a tentativa de fazer música com instrumentos improvisados. 4. ... criando os instrumentos capazes de fazê-lo. (5o parágrafo) A forma verbal grifada acima poderá ser corretamente substituída, sem alteração do sentido original, por: (A) imitar os sons ouvidos na natureza. (B) afastar fenômenos naturaisviolentos. (C) conviver com os perigos da natureza. (D) celebrar nas cavernas uma boa caça. (E) desenvolver habilidades musicais e artesanais. _________________________________________________________ 5. ... que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros irregulares. (4o parágrafo) A frase cujo verbo exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima é: (A) Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás ... (B) ... que grandes migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos. (C) Os perigos eram muitos ... (D) ... se gotas caíam ritmicamente das folhas ... (E) ... mostram uma enorme variedade de animais ... _________________________________________________________ 6. ... provando que não só humanos já haviam saído da África, como também haviam desenvolvido habilidades musicais e artesanais. (5o parágrafo) A afirmativa está corretamente transcrita, sem alteração do sentido original, em: ... provando (A) que somente na África os homens tinham aprendido a fazer instrumentos musicais e seus objetos manuais. (B) que, quando saiu da África, os homens primitivos dominavam a música e os objetos com natural desenvoltura. (C) que os homens primitivos tinham se espalhado por outros lugares, além da África, e já dominavam a confecção de instrumentos musicais e de objetos. (D) quantos homens saídos da África passaram a dominar as artes musicais e o artesanato, como seu próprio desenvolvimento. (E) como a África originou a espécie humana, com habilidades para reproduzir a música e os objetos manuais da natureza. _________________________________________________________ 7. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos ... (5o parágrafo) O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está na frase: (A) A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de anos. (B) Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás, na África. (C) Evidências fósseis e genéticas indicam ... (D) ... bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas e planícies eurasiáticas ... (E) ... mostram uma enorme variedade de animais e também de cenas de caçadas e de rituais. 8. ... alguns animais também foram domesticados. (2o parágrafo) O verbo que admite transposição para a voz passiva, tal como no exemplo grifado acima, está na frase: (A) Somos a presença mais recente neste planeta. (B) ... bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas ... (C) ... os homens queriam cantar também. (D) Se o vento assobiava ... (E) Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais ... _________________________________________________________ 9. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo ... (final do texto) A frase cuja lacuna estará corretamente preenchida pela palavra grifada acima é: (A) As hipóteses ...... que a humanidade teve sua origem na África já foram comprovadas por cientistas. (B) As armas ...... que os homens primitivos se defendiam dos perigos eram feitas de materiais encontrados na natureza. (C) Ossos de animais serviam ...... que os nossos ancestrais reproduzissem as melodias percebidas nos sons da natureza. (D) São inúmeras as cavernas ...... que se encontraram desenhos primitivos, as chamadas pinturas rupestres. (E) Instrumentos foram criados pelo homem de modo ...... que ele conseguisse reproduzir os sons ouvidos no mundo exterior. _________________________________________________________ 10. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta na frase: (A) Os vestígios que a ciência estuda para tentar recompor os hábitos de nossos ancestrais demonstram como se formaram os primeiros agrupamentos humanos. (B) É sabido, hoje, que nas sociedades primitivas o instinto artístico vinham associados aos ruídos produzidos pela própria natureza. (C) Os povos primitivos, cuja origem remonta à África, se espalhou por outras regiões, fato que foi comprovado pelos cientistas. (D) O homem primitivo encontrava na própria natureza os elementos de que precisavam para transformarem em objetos de arte. (E) A natureza, com seus ritmos regulares e irregulares, eram fonte de inspiração para a criação artística que caracterizavam os homens primitivos. 001 - C 002 - D 003 - B 004 - A 005 - E 006 - C 007 - D 008 - E 009 - B 010 – A As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto abaixo. Não há dúvida de que o preconceito contra a mulher é forte no Brasil e que cabe ao poder público tomar medidas para reduzi-lo. Pergunto-me, porém, se faz sentido esperar uma situação de total isonomia entre os gêneros, como parecem querer os discursos dos políticos. Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação. Quando isso fosse resolvido, surgiria o equilíbrio. Não foi, porém, o que ocorreu, como mostra Susan Pinker, em "The Sexual Paradox". Para ela, não se pode mais negar que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. Elas se materializam estatisticamente (e não deterministicamente) em gostos e aptidões e, portanto, na opção por profissões e regimes de trabalho. Embora não tenham sido detectadas, por exemplo, diferenças cognitivas que as tornem piores em ciências e matemática, mulheres, quando podem, preferem abraçar profissões que lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas). Hoje, nos Estados Unidos, elas dominam a medicina e permanecem minoritárias na engenharia. Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca, onde elas gozam de maior liberdade de escolha, a proporção de engenheiras é menor do que na Turquia ou na Bulgária, nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer ofícios que não os de seus sonhos. Só quem chegou perto do 50-50 foi a URSS, e isso porque ali eram as profissões que escolhiam as pessoas, e não o contrário. Mulheres também não se prendem tanto à carreira. Trocam um posto de comando para ficar mais tempo com a família. Assim sacrificam trajetórias promissoras em favor de horários flexíveis. É esse desejo, mais que a discriminação, que explica a persistente diferença salarial entre os gêneros em nações desenvolvidas. Para Pinker, as mulheres seriam mais felizes se reconhecessem as diferenças biológicas e não perseguissem tanto uma isonomia impossível. (Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, A2 opinião, 10 de março de 2012) 1. Fica evidente no texto que o autor (A) discorda de Susan Pinker, ao considerar que, não só em países subdesenvolvidos como também nos mais ricos, persistem as diferenças salariais entre homens e mulheres. (B) considera as diferenças biológicas entre homens e mulheres como razão suficiente que explica a inabilidade feminina para os estudos científicos e os cálculos matemáticos. (C) aceita as afirmativas de Susan Pinker de que diferenças biológicas dificultam o equilíbrio entre os sexos em relação à escolha das profissões e dos regimes de trabalho. (D) demonstra a necessidade de atuação dos governos de todo o mundo no sentido de propiciar a igualdade de gêneros quanto à escolha e ao exercício das profissões. (E) defende a busca do equilíbrio entre homens e mulheres na escolha das diferentes profissões, necessário para um desenvolvimento equitativo de todas as nações. _________________________________________________________ 2. No 4o parágrafo, evidencia-se (A) indicação das razões, muitas vezes de cunho político, que explicam a presença de menor número de mulheres em determinadas profissões. (B) proposta de possíveis mudançasquanto à opção feminina por determinadas profissões em alguns dos países mais desenvolvidos. (C) preferência por certas atividades determinada por fatores educacionais, que acabam diferenciando o desempenho, seja o de homens, seja o de mulheres. (D) direcionamento das mulheres para algumas carreiras em países onde não há liberdade pessoal para escolher a atividade profissional desejada. (E) ressalva à hipótese inicial de que se mantém o preconceito contra mulheres no mercado de trabalho em diferentes países. _________________________________________________________ 3. Quando isso fosse resolvido ... (2o parágrafo) O pronome grifado acima substitui corretamente, considerando- se o contexto, (A) as diferenças de comportamento entre homens e mulheres. (B) os problemas referentes à educação e à discriminação contra mulheres. (C) as medidas governamentais para reduzir o preconceito contra as mulheres. (D) o equilíbrio entre os sexos a partir das opções por profissões e regimes de trabalho. (E) o cálculo estatístico quanto às preferências femininas por determinadas profissões. 4. Considere as afirmativas seguintes a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto. I. ... preferem abraçar profissões que lidem com pessoas (em oposição a objetos e sistemas). Os parênteses podem ser retirados da frase, sem alteração do sentido original, se for colocada uma vírgula após pessoas. II. ... nações em que elas às vezes são obrigadas a exercer ofícios que não os de seus sonhos. A frase permanecerá correta caso se coloque uma vírgula entre a palavra que e o segmento não os de seus sonhos. III. Em países hiperdesenvolvidos, como Suécia e Dinamarca, onde elas gozam ... A vírgula que separa a expressão inicial poderá ser corretamente substituída por dois-pontos, para introduzir o segmento como Suécia e Dinamarca. Está correto o que consta em (A) I, apenas. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. 5. Nos anos 60 e 70, acreditava-se que as diferenças de comportamento entre os sexos ... O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está em: (A) ... e que cabe ao poder público ... (B) Elas se materializam estatisticamente ... (C) ... que as tornem piores em ciências e matemática ... (D) ... que escolhiam as pessoas ... (E) ... que explica a persistente diferença salarial entre os gêneros ... 6. ... onde elas gozam de maior liberdade de escolha ... A mesma relação entre verbo e complemento, grifados acima, está em: (A) ... que as diferenças de comportamento entre os sexos eram fruto de educação ou de discriminação. (B) ... que há diferenças biológicas entre machos e fêmeas. (C) ... que lidem com pessoas ... (D) ... e permanecem minoritárias na engenharia. (E) ... as mulheres seriam mais felizes ... 7. A concordância verbal e nominal está inteiramente correta em: (A) Em alguns estudos comprovou-se as mesmas habilidades cognitivas entre homens e mulheres, que, também é evidente, prefere trabalhar em atividades voltadas para pessoas e não para objetos. (B) A participação de homens e mulheres nas áreas da medicina e da engenharia se mostram estatisticamente bem diferenciadas, mesmo em países onde há liberdade de escolha da profissão desejada. (C) As diferenças biológicas entre homens e mulheres, comprovado em pesquisas, não se revelou na capacidade cognitiva, aspecto em que as mulheres apresentam o mesmo desempenho dos homens. (D) Atitudes preconceituosas, ainda que proibido, permanece em relação ao desempenho feminino em alguns setores, como aqueles que se volta para a ciência e para a matemática. (E) Pesquisadores concluíram que existem, evidentemente, diferenças na constituição biológica de homens e de mulheres, o que determina o rumo de suas decisões quanto à escolha da profissão. GABARITO 001 - C 002 - D 003 - B 004 - A 005 - D 006 - C 007 – E As questões de números 1 a 5 referem-se ao texto seguinte. A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capaz de conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural. O progresso está diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. Não se trata de explorar a floresta e deixar para trás terra arrasada, mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer agressão ao meio ambiente. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental, a exemplo do que faz a indústria cosmética nacional, que seduziu o mundo com a biodiversidade brasileira. É marketing e é conservacionismo também. Segundo o pesquisador Beto Veríssimo, fundador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a floresta é fundamental para a redução global das emissões de gases de efeito estufa. "O Brasil depende da região para produzir mais energia e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela, para não repetir erros do passado, quando as hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial para o Brasil." (Trecho de Diálogos capitais. CartaCapital, 7 de setembro de 2011, p. 46) 1. No último parágrafo, o pesquisador (A) lamenta o fato de ser necessário desmatar a floresta para criar condições mais favoráveis para a Amazônia, especialmente quanto ao fornecimento de energia elétrica. (B) aponta para as dificuldades que surgirão com os novos projetos de construção de usinas hidrelétricas na região amazônica. (C) defende a construção de novas usinas, por trazerem benefícios para toda a região, ainda que seja necessário desmatar grandes áreas de floresta. (D) alerta para a necessidade de um planejamento de ações, para evitar, como já têm acontecido, fatos comprometedores do desenvolvimento sustentável da Amazônia. (E) constata que, apesar da abundância de recursos hídricos na região amazônica, é inaceitável seu aproveitamento com a construção de novas usinas hidrelétricas. 2. É marketing e é conservacionismo também. (final do 1o parágrafo) O exemplo referente à indústria de cosméticos retoma em linhas gerais a ideia contida em: (A) O progresso está diretamente ligado ao papel que a região exercerá em duas áreas estratégicas para o planeta: clima e energia. (B) ... mas de aproveitar o valor de seus ativos sem qualquer agressão ao meio ambiente. (C) O Brasil depende da região para produzir mais energia ... (D) ... quando as hidrelétricas catalisaram ocupação desordenada, conflitos sociais e desmatamentos. (E) Enfrentar o desmatamento da Amazônia é crucial para o Brasil. 3. Para isso, basta que o Brasil seja capaz de colocar em prática uma ampla e bem-sucedida política socioambiental ... (1o parágrafo) O emprego da forma verbal grifada na frase acima indica (A) restrição à afirmativa anterior. (B) condição da realização de um fato. (C) finalidade de uma ação futura. (D) tempo passado em correlação com outro. (E) hipótese passível de se realizar. 4. ... e não sou contra a expansão da rede de usinas aqui, mas é preciso cautela ... (2o parágrafo) O segmento grifado acima denota (A) finalidade decorrente do próprio desenvolvimento do texto. (B) ressalva em correlação com o sentido da afirmativa anterior. (C) temporalidade necessária à concretização da ação prevista. (D) causa que justifica o posicionamento do pesquisador. (E) condição para a realização da hipótese anterior a ele. 5. A Amazônia, dona de uma bacia hidrográfica com cerca de 60% do potencial hidrelétrico do país, tem a chance de emergir como uma região próspera, capazde conciliar desenvolvimento, conservação e diversidade sociocultural. O sentido geral do que se diz acima está retomado, com clareza e correção, em: (A) As riquezas naturais da região amazônica e, especialmente, seu potencial hidrelétrico propiciam a ela um futuro promissor, com um desenvolvimento aliado à preservação de sua diversidade ambiental e cultural. (B) Com a sua diversidade, o ambiente da Amazônia se dispõe para alcançar sucesso, em parte nos recursos hidrelétricos da região, cerca de muito grandes, por sua conservação, e a prosperidade que virá. (C) A região que deverá se tornar próspera, é a Amazônia, que com seus recursos hidrelétricos em potencial e a biodiversidade, ela vai ser capaz de concordar com a conservação e o desenvolvimento. (D) A bacia hidrográfica abundante na região amazônica, com suas hidrelétricas, vão permitir o desenvolvimento dessa mesma região, em conjunto com a diversidade social e ambiental que ali se encontra. (E) Todo o desenvolvimento da região amazônica, com seus rios abundantes e potencial de construir hidrelétricas, serão o fator do crescimento regional, com desenvolvimento da diversidade e do ambiente. As questões de números 6 a 10 referem-se ao texto seguinte. Na reunião em que foi eleito diretor-geral da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) da ONU, o ex-ministro brasileiro José Graziano da Silva assegurou −com sua experiência de gestor do programa de combate à fome entre nós −- que esta será sua prioridade: enfrentar esse problema no mundo, para que até 2015 o número de carentes de alimentos no planeta, hoje em torno de 1 bilhão, se reduza à metade. "É o desafio do nosso tempo", disse na ocasião o ex-secretário da ONU, Kofi Anan, lembrando que um dos complicadores dessa questão, "o protecionismo dos ricos" à sua produção de alimentos, só tem aumentado. E isso quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos dez anos. E que a produção precisará crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época. Ele alertou também para os crescentes compra e arrendamento de terras em outros países, por especuladores de fundos de alto risco de países industrializados. Tudo acontece num cenário paradoxal. Um relatório da própria FAO assegura que um terço dos alimentos produzidos no mundo, cerca de 1,3 bilhão de toneladas anuais, se perde ou é desperdiçado. Os consumidores ricos desperdiçam 222 milhões de toneladas de frutas e hortaliças −tanto quanto a produção de alimentos na África. E assim vamos no mundo dos paradoxos. A produção de alimentos cresce, sobem os preços, "commodities" transformam-se em garantia para investimentos, juntamente com a compra de terras em países mais pobres. Mas não se consegue sair de perto do número terrível de 1 bilhão de famintos no planeta, 40% da humanidade, vivendo abaixo da linha de pobreza. (Trecho com adaptações do artigo de Washington Novaes. O Estado de S. Paulo, A2, Espaço Aberto, 1 de julho de 2011) 6. A ideia central do texto está explicitada em: (A) O aumento do número de famintos nas regiões pobres do planeta exige atitudes de autoridades em relação ao comércio mundial de alimentos. (B) A especulação econômica em torno de terras nos países em desenvolvimento põe em risco a produção de alimentos. (C) A ação prioritária da FAO, órgão da ONU, estará voltada para a redução do número de pessoas que passam fome em todo o mundo. (D) O aumento dos preços de alimentos decorrente da busca de lucros pelos países mais ricos agrava a fome em todo o planeta. (E) O desperdício de alimentos, principalmente nos países ricos, é a razão primeira do aumento de preços em países mais pobres. 7. O cenário paradoxal a que o autor alude no 2o parágrafo se estabelece entre (A) o desperdício de alimentos nos países mais ricos e o incremento do comércio mundial, para atender a toda a população no planeta. (B) a proteção dos países ricos aos seus estoques de alimentos e o aumento da produção em todo o mundo, alavancada por altos investimentos no setor agrícola dos países mais pobres. (C) a especulação em torno da posse de terras para a agricultura nos países mais pobres e o protecionismo dos ricos à produção de alimentos, para controlar a alta dos preços no mercado internacional. (D) a produção de alimentos nos países mais ricos que só cresce, em razão dos enormes investimentos no setor, e a luta dos países mais pobres para superar a falta de tecnologia na agricultura. (E) o crescimento econômico e até mesmo o da produção de alimentos e os efeitos da fome que atinge grande parte da população mundial, que vive em extrema pobreza. O comentário colocado entre os travessões no 1o parágrafo destaca a (A) informação que perde validade diante da constatação pela FAO do número de famintos no planeta. (B) importância das diversas funções dos especialistas ligados às atividades da FAO. (C) escolha de um novo diretor-geral para a FAO, em razão da crise de alimentos no mundo. (D) qualificação de quem traça a meta a ser perseguida pela FAO. (E) repetição de dados para realçar a amplitude de ações da FAO. 9. E isso quando a própria FAO alerta que os preços desses produtos continuarão a subir nos próximos dez anos. E que a produção precisará crescer 70% até 2050, para alimentar os 9,2 bilhões de pessoas que estarão no mundo nessa época. (1o parágrafo) Considerando-se a maneira como o autor inicia o segmento transcrito acima, é correto deduzir que se trata de (A) crítica ao posicionamento dos países ricos, que vem dificultando tanto a oferta mundial de alimentos quanto sua aquisição por preços mais baixos. (B) observação que se justifica pela busca de menores preços em um mercado de alimentos sempre sujeito à concorrência entre países produtores e países importadores. (C) certeza de que a atuação da FAO vem sendo determinante para manter o equilíbrio da oferta no mercado de alimentos, apesar do constante e progressivo aumento de preços. (D) conclusão de que a procura por terras destinadas à produção de alimentos nos países mais pobres poderá ajudar a reduzir o número de famintos no mundo. (E) constatação de que o desafio existente em torno do necessário aumento da produtividade agrícola no mundo todo será de difícil resolução para a FAO. 10. O verbo que se mantém corretamente no singular, apesar das alterações propostas entre parênteses para o segmento grifado, está na frase: (A) É o desafio do nosso tempo. (os desafios) (B) E isso quando a própria FAO alerta ... (os especialistas da própria FAO) (C) E que a produção precisará crescer 70% até 2050 ... (a produção de alimentos) (D) Tudo acontece num cenário paradoxal. (Todos os problemas) (E) Um relatório da própria FAO assegura ... (Os dados de um relatório) As questões de números 11 a 15 referem-se ao texto seguinte. Ainda que existam estudos modernos levantando a hipótese de que a tragédia grega teria tido sua origem em rituais fúnebres, danças mímicas de atores mascarados em homenagem a heróis mortos, a tese geralmente aceita é a de que nasceu dos cultos a Dionísios, deus do vinho e da fertilidade, das fontes da vida e do sexo. Duas figuras merecem atenção na fase primitiva do teatro grego: um tirano, Pisístrato, e um ator, Téspis. O primeiro oficializou o culto a Dionísios, mandou organizar as festas dionisíacas urbanas e chamou Téspis para promovê-las anualmente. De forma competitiva, passaram a ser realizadas durante seis dias na primavera. Para muitos, Téspis foi o primeiro ator. E também o responsável por transformações decisivas na libertação da dramaturgia das amarras da poesia. Aristóteles deixou-nos o primeiro documento básico de teoria teatral: Poética, dissecando a estrutura da tragédia e da comédia, caracterizandoos gêneros e suas diferenças, explicando suas origens e analisando seus elementos. Estudando a poesia dramática em relação à lírica e à épica, acentua seu significado estético, cívico e moral. Para Aristóteles a arte é imitação da natureza; o drama é a imitação de ações, tendo por objetivo provocar compaixão e terror. A identificação do público com os personagens coloca o primeiro em estado de êxtase e assim poderá atingir a purgação dessas emoções. (Fragmento adaptado de Fernando Peixoto. O que é teatro, 4.ed., S.Paulo: Brasiliense, 1981, p.67 e 68) 11. Segundo o autor, o surgimento da tragédia grega, (A) que se pensava estar ligado a Dionísios, passou a ser creditado a Aristóteles, autor da Poética, em que expõe a sua teoria teatral. (B) não obstante a recuperação de nomes como os de Pisístrato e Téspis, permanece ainda uma verdadeira incógnita. (C) em consenso finalmente obtido entre os estudiosos, relaciona-se aos cultos ao deus do vinho e das fontes da vida, Dionísios. (D) em que pese a importância de Dionísios, tem sido com maior frequência vinculado aos rituais e encenações fúnebres em honra dos heróis. (E) a despeito de divergência mais ou menos recente, costuma ser associado aos cultos a Dionísios, o deus do vinho e das fontes da vida. 12. O segmento cujo sentido está corretamente expresso em outras palavras é: (A) dissecando a estrutura aglutinando os elementos estruturais (B) libertação da dramaturgia extroversão dramática (C) purgação dessas emoções emancipação desses sentimentos (D) compaixão e terror piedade e pavor (E) levantando a hipótese auferindo a convicção 13. ... acentua seu significado estético, cívico e moral. O verbo conjugado nos mesmos tempo e modo que o grifado na frase acima está em: (A) Ainda que existam estudos modernos levantando a hipótese... (B) Duas figuras merecem atenção na fase primitiva do teatro grego... (C) De forma competitiva, passaram a ser realizadas durante seis dias na primavera. (D) Aristóteles deixou-nos o primeiro documento básico de teoria teatral... (E) ... de que a tragédia grega teria tido sua origem em rituais fúnebres... 14. Com relação à pontuação empregada no texto, é correto afirmar: (A) No segmento na fase primitiva do teatro grego: um tirano, Pisístrato, e um ator, Téspis, a retirada das três vírgulas não implicaria prejuízo para a correção e o sentido original. (B) Os dois-pontos empregados no início do terceiro parágrafo poderiam ser substituídos por ponto e vírgula, sem prejuízo para a correção e o sentido original. (C) No segmento coloca o primeiro em estado de êxtase e assim poderá atingir a purgação, a palavra assim poderia ser colocada entre vírgulas, sem prejuízo para a correção e a lógica. (D) Em Para Aristóteles a arte é imitação da natureza, a colocação de uma vírgula imediatamente depois de Aristóteles implicaria prejuízo para a correção e a lógica. (E) No segmento a tese geralmente aceita é a de que nasceu, a colocação de uma vírgula imediatamente depois da palavra aceita não implicaria prejuízo para a correção e a lógica. 15. A substituição do elemento grifado pelo pronome correspondente, com os necessários ajustes, foi corretamente realizada em: (A) Duas figuras merecem atenção Duas figuras merecem-na (B) poderá atingir a purgação poderá lhe atingir (C) dissecando a estrutura dissecando-la (D) provocar compaixão e terror provocá-las (E) mandou organizar as festas mandou organizar-lhes GABARITO 001 – D 002 – B 003 – E 004 – B 005 – A 006 – C 007 – E 008 – D 009 - A 010 – C 011 – E 012 – D 013 – B 014 - C 015 – A Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 6. Conselhos a o candidato Certa vez um enamorado da Academia, homem ilustre e aliás perfeitamente digno de pertencer a ela, escreveu-me sondando- me sobre as suas possibilidades como candidato. Não pude deixar de sentir o bem conhecido calefrio aquerôntico, porque então éramos quarenta na Casa de Machado de Assis e falar de candidatura aos acadêmicos sem que haja vaga é um pouco desejar secretamente a morte de um deles. O consultado poderá dizer consigo que “praga de urubu não mata cavalo”. Mas, que diabo, sempre impressiona. Não impressionou ao conde Afonso Celso, de quem contam que respondeu assim a um sujeito que lhe foi pedir o voto para uma futura vaga: −Não posso empenhar a minha palavra. Primeiro porque o voto é secreto; segundo porque não há vaga; terceiro porque a futura vaga pode ser a minha, o que me poria na posição de não poder cumprir com a minha palavra, coisa a que jamais faltei em minha vida. Se eu tivesse alguma autoridade para dar conselhos ao meu eminente patrício, dir-lhe-ia que o primeiro dever de um candidato é não temer a derrota, não encará-la como uma capitis diminutio, não enfezar com ela. Porque muitos dos que se sentam hoje nas poltronas azuis do Trianon, lá entraram a duras penas, depois de uma ou duas derrotas. Afinal a entrada para a Academia depende muito da oportunidade e de uma coisa bastante indefinível que se chama “ambiente”. Fulano? Não tem ambiente. [...] Sempre ponderei aos medrosos ou despeitados da derrota que é preciso considerar a Academia com certo senso de humour. Não tomá-la como o mais alto sodalício intelectual do país. Sobretudo nunca se servir da palavra “sodalício”, a que muitos acadêmicos são alérgicos. Em mim, por exemplo, provoca sempre urticária. No mais, é desconfiar sempre dos acadêmicos que prometem: “Dou-lhe o meu voto e posso arranjar-lhe mais um”. Nenhum acadêmico tem força para arranjar o voto de um colega. Mas vou parar, que não pretendi nesta crônica escrever um manual do perfeito candidato. (BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993, vol. único, p. 683-684) *aquerôntico relativo ou pertencente a Aqueronte, um dos rios do Inferno, atravessado pelos mortos na embarcação conduzida pe lo barqueiro Caronte. *capitis diminutio: expressão latina de caráter jurídico empregada para designar a diminuição de capacidade legal. 1. No desenvolvimento do texto, o autor deixa transparecer (A) incentivo a quem lhe escreve, de consultar outros acadêmicos, dado que se trata de candidato merece dor de pertencer ao grupo. (B) extrema seriedade ao tentar instruir um candidato, com o objetivo de garantir-lhe sucesso na eleição, ainda que não haja vaga para essa pretensão. (C) indecisão sobre se haverá meios eficazes para orientar um candidato, já que o próprio autor é um dos escritores que fazem parte do quadro da Academia. (D) aconselhamento ao candidato que desista de seu intento, com a certeza de que será um perdedor, visto que muitos outros já não conseguiram ser eleitos. (E) tratamento irônico a respeito das pretensões de um candidato a vaga na Academia, pretensão extemporânea, pois o quadro está completo. 2. A resposta dada pelo conde Afonso Celso, transcrita no 2o parágrafo, é exemplo de (A) uma resposta evasiva, em razão da intempestiva consulta feita pelo candidato. (B) certa incoerência voluntária na sequência de dados oferecidos pelo acadêmico citado. (C) um capcioso jogo de palavras cujo sentido, no entanto, não permite conclusão alguma. (D) um raciocínio completo, com as razões que justificam o posicionamento de quem fala. (E) argumentos que se sucedem, aparentemente, de modo lógico, porém sem resultado objetivo. _________________________________________________________ 3. O consultado poderá dizer consigo que “praga de urubu não mata cavalo”. Infere-se, a partir da referência ao dito popular, que o autor (A) se considera inteiramente livre de quaisquer compromissos relativos à consulta que lhe foi enviada, esquivando-se, também, de tentar conseguir votos para o suposto candidato. (B) deseja, secretamente e de antemão, que o candidato não consiga comprovar que tem o mérito necessário para justificar sua pretensão de fazer parte da Academia. (C) procura justificar sua isenção quanto ao questionamento do candidato, mesmo pondo de lado o fato de perceber certo mau agouro embutido na consulta que lhe foi enviada. (D) busca questionar o mal-estar que sentiu ao receber a consulta do provável candidato, apoiando-se na sabedoria popular, fato que contraria sua formação erudita de acadêmico. (E) se vale da sabedoria popular para considerar-se imune a um eventual desejo secreto do candidato de que surja a vaga com a morte de um dos acadêmicos, até mesmo a dele. _________________________________________________________ 4. No Dicionário Houaiss encontra-se que sodalício é palavra que designa grupo ou sociedade de pessoas que vivem juntas ou convivem em uma agremiação; confraria. Deduz-se corretamente que, segundo o autor, o emprego da palavra reflete (A) conhecimento aprofundado, pois se trata de um grupo formado por escritores eruditos. (B) pedantismo, tendo em vista tratar-se de termo praticamente desconhecido no uso diário da língua. (C) ignorância que, já de início, se torna obstáculo intransponível para a eleição pretendida. (D) prepotência, como demonstração de conhecimentos que ultrapassam o dos demais acadêmicos. (E) insistência, na tentativa de angariar adeptos para o ingresso no grupo de escritores. 5. Mas vou parar, que não pretendi nesta crônica escrever um manual do perfeito candidato. Identifica-se, no segmento sublinhado acima, (A) noção de causa, que justifica a decisão tomada pelo autor. ( B) a consequência de uma ação deliberada anteriormente. ( C) ressalva que restringe o sentido da afirmativa anterior. (D) uma finalidade, que reafirma as intenções do autor, expostas no texto. (E) condição, pois o autor conclui não ter conseguido aconselhar o candidato. _________________________________________________________ 6. Não impressionou ao conde Afonso Celso, de quem con tam que respondeu assim a um sujeito ... A expressão sublinhada acima preenche corretamente a l acuna existente em: (A) Aqueles ...... caberia manifestar apoio aos defensores da causa em discussão ainda não haviam conseguido chegar à tribuna. (B) O acadêmico, ...... todos esperavam um vigoroso aparte contrário ao pleito, permaneceu em silêncio na tumultuada sessão. (C) Em decisão unânime, os acadêmicos ofereceram dados da agremiação ...... desejasse participar da discussão daquele dia. (D) O novo acadêmico demonstrou grande afeição ...... compartilha das mesmas ideias literárias e aborda os mesmos temas. (E) O discurso de recepção do novo integrante do grupo deveria ser pronunciado ...... apresentasse maior afinidade entre ambos. Considere o texto abaixo para responder às questões de números 7 a 9. [...] ser independente significa bem mais do que ser livre para viver como se quer: significa, basicamente, viver com valores que façam a vida ser digna de ser vivida. Não basta um estado de espírito. Não basta, como diz o samba, “vestir a camisa amarela e sair por aí”. Tampouco basta sentir-se autônomo, fazendo parte do bando. É preciso algo mais. Ora, um dos valores que vêm sendo retomados pelos filósofos e que cabem como uma luva nessa questão é o da resistência. Na raiz da palavra resistere se encontra um sentido: “ficar de pé”. E ficar de pé implica manter vivas, intactas dentro de si, as forças da lucidez. Essa é uma exigência que se impõe tanto em tempos de guerra quanto em tempos de paz. Sobretudo nesses últimos, quando costumamos achar que está tudo bem, que está tudo “numa boa”; quando recebemos informações de todos os lados, sem tentar, nem ao menos, analisá-las, e terminamos por engolir qualquer coisa. Resistir como forma de ser independente é, talvez, uma maneira de encontrar um significado no mundo. Daí que, para celebrar a independência, vale mesmo é desconstruir o mundo, desnudar suas estruturas, investigar a informação. Fazer isso sem cansaço para depois termos vontade de, novamente, desejá-lo, inventá-lo e construí-lo; de reencontrar o caminho da sensibilidade diante de uma paisagem, ao abrir um livro ou a porta de um museu. Independência, sim, para defendermos a vida, para defendermos valores para ela, para que ela tenha um sentido. Independência de pé, com lucidez e prioridades. Clareza, sim, para não continuarmos a assistir, impotentes, ao espetáculo da própria impotência. (PRIORE, Mary Del. Histórias e conversas de mulher. São Paulo: Planeta, 2013, p. 281) 7. De acordo com o texto, a afirmativa correta é: (A) O excesso de informações hoje à nossa disposição, em bons ou em maus momentos, nos propicia elementos para uma vida de liberdade, baseada na independência e na escolha de novos valores e de novos paradigmas que possam resistir às inúmeras mudanças que ocorrem habitualmente. (B) Uma independência de atitudes e de valores perante a vida baseia-se, especialmente, no grau de liberdade de escolha que cabe a cada um, de modo a garantir que as informações recebidas se transformem nos fundamentos de uma vida livre e bem vivida. (C) A resistência ao acúmulo de informações recebidas aleatoriamente direciona as escolhas feitas durante a vida, pois nem sempre a liberdade se mostra como o caminho mais favorável a ser percorrido, principalmente se forem deixados de lado os valores básicos da existência humana. (D) A liberdade de escolha que poderá tornar-nos seres independentes exige lucidez diante da enxurrada de informações que recebemos atualmente, e resistência em prol de valores fundamentais que atribuam significado à existência. (E) Uma vida realmente digna de ser vivida deve ter como fundamentos essenciais a ampla liberdade de escolha de valores que se coadunam com as transformações atuais e a independência para afastar obstáculos que possam impedir a realização total de nossos objetivos. _________________________________________________________ 8. Não basta um estado de espírito. Não basta, como diz o samba, “vestir a camisa amarela e sair por aí”. Tampouco basta sentir-se autônomo, fazendo parte do bando. (1o parágrafo) O sentido do segmento transcrito acima está exposto, de maneira diversa, porém com correção, clareza e fidelidade, em: Para ser independente, ... (A) é preciso ter vontade própria, tomar decisões, como diz a letra da música, ou nem mesmo buscar nas ideias dos outros o mesmo estado de espírito, participando, portanto, do grupo em que se identifica essa sua maneira de ser. (B) deve haver correspondência entre a própria maneira de viver, com atitudes baseadas em escolhas marcadamente pessoais, e a experiência de todo o conjunto, ainda que possa considerar-se único, sem imposição de ideias alheias. (C) não é suficiente tomar decisões sem a devida deliberação, nem considerar-se capaz de determinar as próprias normas de conduta, sem imposição alheia, se estiver vivendo de acordo com o ideário da maioria. (D) não é necessário viver sem rumo, a esmo, como um estado de espírito, se o fato de sentir-se livre de imposições da maioria pudesse mantê-lo inserido no convívio social, apesar de defender as próprias ideias. (E) seria importante manter-se segundo as normas de conduta estabelecidas por si mesmo, deliberadas com determinação, compartilhando, porém, das mesmas ideias do grupo em que se encontra inserido. 9. Considere as alterações propostas nas alternativas abaixo para alguns segmentos do texto. Mantém-se a correçãogramatical no que consta em: ( A) Na raiz da palavra resistere se encontra um sentido ... Na raiz da palavra resistere se encontra algumas indicações de seu significado ... ( B) Não basta um estado de espírito. Não basta algumas decisões tomadas nesse sentido. (C) Essa é uma exigência que se impõe tanto em tem pos de guerra quanto em tempos de paz. Essa é uma das exigências que se impõem tanto em tempos de guerra quanto em tempos de paz. (D) É preciso algo mais. Faz-se necessário as mudanças de visão e de atitudes. (E) ... para que ela tenha um sentido. ... para que as metas estabelecidas a cada um tenha um sentido. _________________________________________________________ 10. O crescimento da vida urbana aumentou a visibilidade das mulheres. Hoje elas estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida doméstica. Hoje as mulheres podem investir numa carreira. A revolução das comunicações começou com o telefone e prossegue no Facebook. O Facebook contribuiu para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social. As frases isoladas acima compõem um único parágrafo, devidamente pontuado, com clareza e lógica, em: (A) A revolução das comunicações começou com o telefone e prossegue no Facebook. Que contribuiu para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social. E ainda, com o crescimento da vida urbana aumentou a visibilidade das mulheres. Hoje elas estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida doméstica; que podem investir numa carreira. (B) Com o crescimento da vida urbana, aumentou-se a visibilidade das mulheres, às quais estão hoje menos obrigadas a se consagrar exclusivamente a vida doméstica, assim como podem investir numa carreira. Para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social, veio a revolução das comunicações, tendo começado com o telefone e prossegue no Facebook, que contribuiu para esse fato. (C) A visibilidade das mulheres, depois do crescimento da vida urbana, hoje estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida doméstica e poder investir numa carreira. Em razão da revolução das comunicações, que começou com o telefone e prossegue no Facebook, o qual contribuiu para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social. (D) Hoje as mulheres estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida doméstica, com o crescimento da vida urbana, que aumentou sua visibilidade, podendo investir numa carreira. E ainda a diluição das fronteiras entre o isolamento e a vida social com a revolução das comunicações que, tendo começado com o telefone, prossegue no Facebook, contribuiu para isso. (E) O crescimento da vida urbana aumentou a visibilidade das mulheres, que hoje estão menos obrigadas a se consagrar exclusivamente à vida doméstica, além de poderem investir numa carreira. A revolução das comunicações, que começou com o telefone e prossegue no Facebook, contribuiu para diluir as fronteiras entre o isolamento e a vida social. GABARITO 001 - E 002 - D 003 - E 004 - B 005 - A 006 - B 007 - D 008 - C 009 - C 010 – E Para responder às questões de números 1 a 5, considere o texto abaixo. Ainda aluna de medicina, Nise da Silveira se horrorizou ao ver o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia e deixar à mostra, pulsando, seu pequenino coração. Esse fato define a mulher que iria revolucionar o tratamento da esquizofrenia e pôr em questão alguns dogmas estéticos em vigor mesmo entre artistas antiacadêmicos e críticos de arte. A mesma sensibilidade à flor da pele que a fez deixar, horrorizada, a aula de anatomia, levou-a a se opor ao tratamento da esquizofrenia em voga na época em que se formou: o choque elétrico, o choque insulínico, o choque de colabiosol e, pior do que tudo, a lobotomia, que consistia em secionar uma parte do cérebro do paciente. Tomou-se de revolta contra tais procedimentos, negando-se a aplicá-los nos doentes a ela confiados. Foi então que o diretor do hospital, seu amigo, disse-lhe que não poderia mantê-la no emprego, a não ser em outra atividade que não envolvesse o tratamento médico. −Mas qual?, perguntou ela. −Na terapia ocupacional, respondeu-lhe o diretor. A terapia ocupacional, naquela época, consistia em pôr os internados para lavar os banheiros, varrer os quartos e arrumar as camas. Nise aceitou a proposta e, em pouco tempo, em lugar de faxina, os pacientes trabalhavam em ateliês improvisados, pintando, desenhando, fazendo modelagem com argila e encadernando livros. Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos da arte brasileira, cujas obras passaram a constituir o hoje famosíssimo Museu de Imagens do Inconsciente do Centro Psiquiátrico Nacional, situado no Engenho de Dentro, no Rio. É que sua visão da doença mental diferia da aceita por seus companheiros psiquiatras. Enquanto, para estes, a loucura era um processo progressivo de degenerescência cerebral, que só se poderia retardar com a intervenção direta no cérebro, ela via de outro modo, confiando que o trabalho criativo e a expressão artística contribuiriam para dar ordem e equilíbrio ao mundo subjetivo e afetivo tumultuado pela doença. Por isso mesmo acredito que o elemento fundamental das realizações e das concepções de Nise da Silveira era o afeto, o afeto pelo outro. Foi por não suportar o sofrimento imposto aos pacientes pelos choques que ela buscou e inventou outro caminho, no qual, em vez de ser vítima da truculência médica, o doente se tornou sujeito criador, personalidade livre capaz de criar um universo mágico em que os problemas insolúveis arrefeciam. (Adaptado de: GULLAR, Ferreira. A Cura pelo Afeto. Resmungos, São Paulo: Imprensa Oficial, 2007) 1. De acordo com o texto, Nise da Silveira (A) propôs a prática artística como coadjuvante no tratamento de doenças mentais, ao lado dos procedimentos em voga à sua época. (B) introduziu mudanças na psiquiatria, deixando de ver a loucura como um processo de degeneração mental, além de pôr em xeque ditames da arte de seu tempo. (C) passou a trabalhar tendo como parâmetro os afetos dos pacientes, a despeito da prática artística envolvida no tratamento da esquizofrenia. (D) praticou o que havia de mais atual em termos de tratamento psiquiátrico, o que pressupunha o contato com artistas consagrados de então. (E) encontrou, já nas primeiras aulas de psiquatria, o fundamento de sua visão sobre terapia ocupacional, qual seja, a aceitação racional da doença por parte do paciente. _________________________________________________________ 2. O autor do texto considera que (A) os avanços obtidos por Nise da Silveira, por dizerem respeito ao tratamento de esquizofrenia, devem ser vistos com cautela em termos artísticos. (B) a dimensão afetiva fez com que os pacientes passassem a se adequar aos tratamentos psiquiátricos em voga, o que foi uma grande conquista em termos de terapia ocupacional. (C) o afeto pelo outro foi o diferencial oferecido por Nise da Silveira, que fez com que seus pacientes se tornassem verdadeiros agentes em seus próprios tratamentos. (D) a subjetividade tumultuada dos doentes adquiria ordem e equilíbrio quando eram submetidos a tratamentos clínicos, muito embora isso arrefecesse sua capacidade artística. (E) a arte contribui para a criação de um universo imaginário que distrai os pacientes do cerne de sua condição, servindo de cura para suas enfermidades. _________________________________________________________ 3. O segmento que explicita a causa de um acontecimento anterior é: (A) ... que ela buscou e inventou outro caminho... (6o parágrafo) (B) É que sua visão da doença mentaldiferia da aceita por seus companheiros psiquiatras. (5o parágrafo) (C) ... que o elemento fundamental das realizações e das concepções de Nise da Silveira era o afeto... (6o parágrafo) (D) Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos da arte brasileira... (4o parágrafo) (E) ... fazendo modelagem com argila e encadernando livros. (4o parágrafo) 4. Ainda aluna de medicina, Nise da Silveira se horrorizou ao ver o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia e deixar à mostra, pulsando, seu pequenino coração. Uma redação alternativa para a frase acima, mantendo-se a correção gramatical e, em linhas gerais, o sentido original, está em: (A) Ao ver o professor, que abria com um bisturi o corpo de uma jia, a ponto de deixar à mostra seu pequenino coração, Nise da Silveira horrorizou-se ainda por ser aluna de medicina. (B) Sendo ainda aluna de medicina, Nise da Silveira horrorizou-se, de modo a ver o professor abrir, com um bisturi, pulsando, o corpo de uma jia, e deixar à mostra seu pequenino coração. (C) Ainda quando era aluna de medicina, Nise da Silveira se horrorizou, posto que visse o professor abrir, com um bisturi, o corpo de uma jia, deixando exposto seu pequenino coração. (D) Enquanto ainda era aluna de medicina, Nise da Silveira horrorizou-se quando viu o corpo de uma jia ser aberto pelo professor, com um bisturi, deixando à mostra seu pequenino coração pulsante. (E) Quando visse o professor abrir com um bisturi o corpo de uma jia, de maneira a expor seu pequenino coração pulsante, Nise da Silveira, enquanto ainda fora aluna de medicina, horrorizou-se. _________________________________________________________ 5. Desses ateliês saíram alguns dos artistas mais criativos... O segmento cujo verbo possui, no contexto, o mesmo tipo de complemento do grifado acima é: (A) ...sua visão da doença mental diferia da aceita por seus companheiros... (B) ... em que os problemas insolúveis arrefeciam. (C) ... a loucura era um processo progressivo de dege nerescência... (D) ... e inventou outro caminho... (E) ... o doente se tornou sujeito criador, personalidade livre... Para responder às questões de números 6 a 11, considere o texto abaixo. No texto abaixo, Graciliano Ramos narra seu encontro com Nise da Silveira. Chamaram-me da porta: uma das mulheres recolhidas à sala 4 desejava falar comigo. Estranhei. Quem seria? E onde ficava a sala 4? Um sujeito conduziu-me ao fim da plataforma, subiu o corrimão e daí, com agilidade forte, galgou uma janela. Esteve alguns minutos conversando, gesticulando, pulou no chão e convidou-me a substituí-lo. Que? Trepar-me àquelas alturas, com tamancos? Examinei a distância, receoso, descalcei-me, resolvi tentar a difícil acrobacia. A desconhecida amiga exigia de mim um sacrifício; a perna, estragada na operação, movia-se lenta e perra; se me desequilibrasse, iria esborrachar-me no pavimento inferior. Não houve desastre. Numa passada larga, atingi o vão da janela; agarrei-me aos varões de ferro, olhei o exterior, zonzo, sem perceber direito por que me achava ali. Uma voz chegou-me, fraca, mas no primeiro instante não atinei com a pessoa que falava. Enxerguei o pátio, o vestíbulo, a escada já vista no dia anterior. No patamar, abaixo de meu observatório, uma cortina de lona ocultava a Praça Vermelha. Junto, à direita, além de uma grade larga, distingui afinal uma senhora pálida e magra, de olhos fixos, arregalados. O rosto moço revelava fadiga, aos cabelos negros misturavam-se alguns fios grisalhos. Referiu-se a Maceió, apresentou-se: −Nise da Silveira. Noutro lugar o encontro me daria prazer. O que senti foi surpresa, lamentei ver minha conterrânea fora do mundo, longe da profissão, do hospital, dos seus queridos loucos. Sabia-a culta e boa, Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida, sempre a esquivar-se, a reduzir-se, como a escusar-se de tomar espaço. Nunca me havia aparecido criatura mais simpática. O marido, também médico, era meu velho conhecido Mário Magalhães. Pedi notícias dele: estava em liberdade. E calei-me, num vivo constrangimento. De pijama, sem sapatos, seguro à verga preta, achei-me ridículo e vazio; certamente causava impressão muito infeliz. Nise, acanhada, tinha um sorriso doce, fitava-me os bugalhos enormes, e isto me agravava a perturbação, magnetizava-me. Balbuciou imprecisões, guardou silêncio, provavelmente se arrependeu de me haver convidado para deixar-me assim confuso. (RAMOS, Graciliano, Memórias do Cárcere, vol. 1. São Paulo, Record, 1996, p. 340 e 341) 6. De acordo com o texto, (A) Nise da Silveira apresenta-se a Graciliano Ramos, que se sente constrangido por não saber quem ela é, enquanto ela demonstra já conhecê-lo. (B) Graciliano Ramos arrepende-se de conhecer pessoalmente Nise da Silveira, muito embora ela tenha demonstrado simpatia por sua situação. (C) Nise da Silveira passa a guardar silêncio ao perceber que o escritor, descalço e de pijama, encon trava- se bastante infeliz. (D) defronte a sua nova amiga, o escritor sente-se pouco à vontade, uma vez que não possuíam afinidades profissionais, tampouco suspeitavam a razão de es tarem no mesmo lugar. (E) o encontro entre Graciliano Ramos e Nise da Silveira ocorreu de maneira inusitada para o escritor, que se mostrou constrangido em virtude da situação em que se encontravam. _________________________________________________________ 7. Considere as afirmações abaixo. I. No trecho Chamaram-me da porta: uma das mulheres recolhidas à sala 4 desejava falar comigo. Estranhei. Quem seria? E onde ficava a sala 4? (1o parágrafo), a pontuação contribui para o clima de perplexidade pretendido pelo narrador. II. As perguntas Que? Trepar-me àquelas alturas, com tamancos? (1o parágrafo) são retóricas, de maneira que se podem suprimir os pontos de interrogação. III. No segmento ...olhei o exterior, zonzo, sem perceber direito porque me achava ali (2o parágrafo), a vírgula imediatamente após “exterior” pode ser suprimida, sem prejuízo para o sentido original. Está correto o que se afirma APENAS em ( A) I. ( B) II. (C) II e III. ( D) I e II. (E) I e III. 8. Sabia-a culta e boa, Rachel de Queiroz me afirmara a grandeza moral daquela pessoinha tímida... Atribuindo-se caráter hipotético ao trecho acima, mantémse a correção gramatical substituindo-se os elementos grifados pelo que se encontra em: ( A) Saberia-a −tinha-me afirmado (B) Tê-la-ia sabido −teria-me afirmado (C) Sabê-la-ia −me afirmaria (D) Saberia-a −ter-me-ia afirmada (E) Sabê-la-ia −me teria afirmado _________________________________________________________ 9. ... lamentei ver minha conterrânea... / ... atingi o vão da janela... / ... aos cabelos negros misturavam-se alguns fios grisalhos. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos grifados podem ser substituídos, respectivamente, pelos se guintes pronomes: (A) -la −-lo −-lhe (B) -a −-la −-os (C) -la −-o −-lhes (D) -a −-o −-lhes (E) -la −-lo −-los _________________________________________________________ 10. De pijama, sem sapatos, seguro à verga preta, achei-me ridículo e vazio; certamente causava impressão muito infeliz. Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original, está em: (A) Quando estive de pijama, sem sapatos e seguro à verga preta, achei-me ridículo e vazio, não obstante, certamente, causara impressão muito infeliz. (B) Estando de pijama, sem sapatos, seguro à verga preta, achei-me ridículo e vazio, se certamente cau sava impressãomuito infeliz. (C) Causava, certamente, impressão muito infeliz: estava de pijama, sem sapatos e seguro à verga preta, por que me achasse ridículo e vazio. (D) Achei-me ridículo e vazio, uma vez que estava de pijama, sem sapatos e seguro à verga preta, de ma neira que causava, certamente, impressão muito infeliz. (E) Causava, certamente, impressão muito infeliz o fato de me achar ridículo e vazio, uma vez que estava de pijama, sem sapatos e seguro à verga preta. _________________________________________________________ 11. A voz reflexiva está empregada em: (A) ... fitava-me os bugalhos enormes... (último parágrafo) (B) A desconhecida amiga exigia de mim um sa crifício... (2o parágrafo) (C) Uma voz chegou-me, fraca... (2o parágrafo) (D) Nunca me havia aparecido criatura mais simpática. (4o parágrafo) (E) ... achei-me ridículo e vazio... (último parágrafo) _________________________________________________________ 12. Sentava-se mais ou menos ...... distância de cinco metros do professor, sem grande interesse. Estudava de manhã, e ...... tardes passava perambulando de uma praça ...... outra, lendo algum livro, percebendo, vez ou outra, o comportamento dos outros, entregue somente ...... dis crição de si mesmo. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: ( A) a −às −à −a ( B) à −as −a −à ( C) a −as −à −a ( D) à −às −a −à (E) a −às −a −a Para responder às questões de números 13 e 14, considere o poema abaixo. Errância Só porque erro encontro o que não se procura só porque erro invento o labirinto a busca a coisa a causa da procura só porque erro acerto: me construo Margem de erro: margem de liberdade. (FONTELA, Orides, Poesia Reunida, São Paulo, CosacNaify, 2006, p. 202) 13. De acordo com o poema, (A) construir-se significa aprender com os erros, evitan do- os de maneira a não comprometer sua liberdade. (B) o erro, como eliminação de uma possibilidade falha, constitui um mecanismo de aferição na busca pelas coisas certas. (C) o erro, ao desviar-se de uma finalidade predeterminada, abre a possibilidade do caminho inusitado, identificado aqui com a liberdade. (D) acertar envolve dificuldades equiparáveis às de um labirinto, cuja única saída é aqui identificada com a liberdade. (E) erro e acerto são noções imprecisas, comparáveis a um labirinto conceitual, e sua compreensão depende da finalidade de cada busca. _________________________________________________________ 14. Considere as afirmações abaixo. I. A terceira estrofe do poema (A busca / a coisa / a causa da / procura) pode ser entendida como uma explicação do que seja o labirinto. II. Nas duas últimas estrofes, os dois-pontos introduzem não apenas uma explicação, mas também uma consequência do que é dito anteriormente. III. Em prosa, mantendo-se a correção e o sentido, as duas primeiras estrofes podem ser reescritas do seguinte modo: “Só porque erro, encontro, o que não se procura só, porque erro invento, o labirinto”. Está correto o que se afirma APENAS em ( A) I e II. ( B) I e III. (C) III. ( D) II. (E) II e III. GABARITO 001 – B 002 – C 003 - B 004 – D 005 – A 006 – E 007 – A 008 – E 009 – C 010 - D 011 - E 012 - B 013 - C 014 - A Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 8. O caldo cultural do Nordeste, particularmente do sertão, foi primordial na formação do paraibano Ariano Suassuna. A infância passada no sertão familiarizou o futuro escritor e dramaturgo com temas e formas de expressão artística que mais tarde viriam a influenciar o seu universo ficcional, como a literatura de cordel e o maracatu rural. Não só histórias e casos narrados foram aproveitados para o processo de criação de suas peças e romances, mas também todas as formas da narrativa oral e da poesia sertaneja foram assimiladas e reelaboradas por Suassuna. Suas obras se caracterizam justamente por isso, pelo domínio dos ritmos da poética popular nordestina. Com apenas 19 anos, Suassuna ligou-se a um grupo de jovens escritores e artistas. As atividades que o grupo desenvolveu apontavam para três direções: levar o teatro ao povo por meio de apresentações em praças públicas, instaurar entre os componentes do conjunto uma problemática teatral e estimular a criação de uma literatura dramática de raízes fincadas na realidade brasileira, particularmente na nordestina. No final do século XIX, surgiu no Nordeste a chamada literatura de cordel. A primeira publicação de folheto no Nordeste, historicamente comprovada, aconteceu em 1870. O nome cordel originou-se do fato de os folhetos serem expostos em cordões, quando vendidos nas feiras livres. O principal nome do cordel foi Leandro Gomes de Barros, considerado por Ariano Suassuna “o mais genial de todos os poetas do romanceiro popular do Nordeste”. A peça Auto da Compadecida, de Suassuna, é uma releitura do folclore nordestino em linguagem teatral moderna. O enredo da peça é um trabalho de montagem e moldagem baseado em uma tradição muito antiga, que remonta aos autos medievais e mais diretamente a inúmeros autores populares que se dedicaram ao gênero do cordel. As apropriações de Suassuna tanto do folheto nordestino quanto de outras fontes literárias são possíveis porque a palavra imitação, usada por Suassuna, remete-nos ao conceito aristotélico de mimesis, cujo significado não representa apenas uma repetição à semelhança de algo, uma cópia, mas a representação de uma realidade. Suassuna já fez diversos elogios da imitação como ato de criação e costuma dizer que boa parte da obra de Shakespeare vem da recriação de histórias mais antigas. Recontar uma história alheia, para o cordelista e para o dramaturgo popular, é torná-la sua, porque existe na cultura popular a noção de que a história, uma vez contada, torna-se patrimônio universal e transfere-se para o domínio público. Autoral é apenas a forma textual dada à história por cada um que a reescreve. (Adaptado de FOLCH, Luiza. Disponível em: www.omarrare. uerj.br/numero15. Acesso em 17/05/2014) 1. Depreende-se do contexto que o autor lança mão do conceito de “mimesis” para (A) explicitar que, em sua obra, Suassuna se apropria da literatura sertaneja, reelaborando-a com um estilo próprio. (B) enaltecer a erudição de autores como Suassuna, capazes de revelar a essência de uma realidade por meio da literatura de cordel. (C) diferenciar o plágio do processo por meio do qual se parte de uma forma artística já existente para parodiá- la, como fez Shakespeare. (D) sugerir que Suassuna valoriza autores do romanceiro nacional que, diferentemente de Shakespeare, foram consagrados pelo gosto popular. (E) retratar a obra de Suassuna como pertencente a um modelo literário propenso a ser reproduzido em simulacros do folclore nacional. _________________________________________________________ 2. Considerado o contexto, há relação de causa e efeito, nessa ordem, entre (A) o elogio de Suassuna à imitação como ato de criação / a intenção de Suassuna de levar o teatro ao povo por meio de apresentações em praças públicas. (B) a disseminação do nome literatura de “cordel” / o fato de folhetos literários serem expostos em cordões nas feiras livres. (C) a ligação de Ariano Suassuna a um grupo de jovens escritores e artistas aos 19 anos / a influência do maracatu rural na peça Auto da Compadecida. (D) a noção existente na cultura popular de que uma história é um patrimônio universal / a originalidade conferida por cada autor a sua história. (E) a infância passada no sertão / a influência da literatura de cordelno estilo do escritor Ariano Suassuna. _________________________________________________________ 3. Uma redação alternativa para um segmento do texto em que se respeitam as normas de concordância encontra-se em: (A) Tanto histórias e casos narrados, como a narrativa oral e a poesia, tratam-se de processos de criação que Ariano Suassuna usa em seus romances. (B) A recriação de histórias mais antigas configuram-se como a base de boa parte da obra de Shakespeare. (C) Cada um que reescreve uma história alheia atribuilhe uma forma textual que pode ser considerada autoral. (D) Embora devam haver histórias anteriores, a primeira publicação de que se tem comprovação de um folheto de cordel aconteceu em 1870, no Nordeste. (E) O fato de os folhetos serem expostos em cordões, quando vendidos nas feiras livres, deram origem ao nome “cordel”. 4. Considere o que se afirma abaixo sobre a pontuação do texto. I. Sem prejuízo do sentido original, uma vírgula pode ser colocada imediatamente após “atividades” no segmento As atividades que o grupo desenvolveu apontavam para três direções... (2o parágrafo) II. No segmento Suas obras se caracterizam justamente por isso, pelo domínio dos ritmos da poética popular nordestina, a vírgula colocada imediatamente após “isso” pode ser corretamente substituída por dois-pontos, uma vez que a ela se segue uma explicação. (1o parágrafo) III. Sem prejuízo para a correção gramatical, uma vírgula pode ser colocada imediatamente após “sertão”, no segmento A infância passada no sertão familiarizou o futuro escritor e dramaturgo com os temas e formas de expressão artística... (1o parágrafo) Está correto o que se afirma APENAS em (A) I. (B) II e III. (C) II. (D) I e II. (E) I e III. _________________________________________________________ 5. Recontar uma história alheia, para o cordelista e para o dramaturgo popular, é torná-la sua, porque existe na cultura popular a noção de que... (7o parágrafo) Sem prejuízo da correção e do sentido original, e sem que nenhuma outra modificação seja feita na frase, o elemento sublinhado acima pode ser corretamente substituído por (A) ainda que. (B) conquanto. (C) à medida que. (D) se bem que. (E) na medida em que. _________________________________________________________ 6. O estímulo I criação de uma literatura dramática II raízes estivessem fincadas na realidade brasileira, particularmente na nordestina, era um dos objetivos do grupo III .... Ariano Suassuna se juntou. Preenchem, correta e respectivamente, as lacunas I, II e III da frase acima: (A) à −em que −por que (B) a −as quais −no que (C) a −das quais −com o qual (D) à −cujas −ao qual (E) à −nas quais −em que _________________________________________________________ 7. A infância passada no sertão familiarizou o futuro escritor e dramaturgo com temas e... (1o parágrafo) O verbo que, no contexto, exige o mesmo tipo de complemento que o grifado na frase acima está empregado em: (A) O caldo cultural do Nordeste (...) foi primordial na formação do paraibano Ariano Suassuna. (B) ...levar o teatro ao povo por meio de apresentações... (C) ...que remonta aos autos medievais... (D) ...existe na cultura popular a noção de que a história... (E) ...surgiu no Nordeste a chamada literatura de cordel. 8. Considerando-se o contexto, a palavra que no segmento (A) ... que remonta aos autos medievais... (5o parágrafo) é um pronome com a função de objeto indireto. (B) As atividades que o grupo desenvolveu... (2o parágrafo) é uma conjunção que equivale a “conforme”. (C) ... temas e formas de expressão artística que mais tarde viriam a influenciar... (1o parágrafo) é uma conjunção que introduz o predicativo do sujeito. (D) ... mais diretamente a inúmeros autores populares que se dedicaram ao gênero do cordel. (5o parágrafo) é um pronome com a função de sujeito. (E) ... e costuma dizer que boa parte da obra de Shakespeare... (6o parágrafo) é um pronome que introduz um objeto direto. _________________________________________________________ Atenção: Para responder às questões de números 9 e 10, considere o poema abaixo. Foi bem saber-se que o Sertão não só fala a língua do não (...) Os escritores que do Brejo, ou que da Mata, têm o sestro de só dar a vê-lo no pouco, no quando em que o vê, sertão-osso. Para o litoral, o esqueleto é o ser, o estilo sertanejo, que pode dar uma estrutura ao discurso que se discursa. Tu, que conviveste o Sertão quando no sim esquece o não, e sabes seu viver ambíguo, vestido de sola e de mitos, a quem só o vê retirante, vazio do que nele é cante, nos deste a ver que nele o homem não é só capaz de sede e fome. Sertanejo, nos explicaste como gente à beira do quase, que habita caatingas sem mel, cria os romances de cordel: o espaço mágico e o feérico, sem o imediato e o famélico, fantástico espaço suassuna, que e nsina que o deserto funda (Trecho de: A pedra do reino. N 9. No poema, reforça-se a ideia de que, por meio da obra de Suassuna, fica demonstrado que há um vigoroso caldo cultural no sertão nordestino. Tal ideia se encontra no verso que está em: (A) Tu, que conviveste o Sertão (B) que ensina que o deserto funda (C) vazio do que nele é cante (D) que habita caatingas sem mel (E) a quem só o vê retirante 10. Sem prejuízo do sentido original, substitui-se corretamente, no poema, (A) o sestro por a mania. (B) o feérico por o humilde. (C) o famélico por o famigerado. (D) fantástico por legítimo. (E) caatingas por brenhas. GABARITO 001 - A 002 - E 003 - C 004 - C 005 - E 006 - D 007 - B 008 - D 009 - B 010 – A As questões de números 1 a 4 referem-se ao texto abaixo. Creio que, pelo gosto de Gastão Cruls, a modernização do Rio se teria feito, desde os dias do Engenheiro Passos, com muito menor sacrifício do caráter e das tradições da cidade à mística do Progresso com P maiúsculo. Mas nunca se esquece ele de que, sob as descaracterizações e inovações brutais e tantas vezes desnecessárias por que vem passando a mais bela das cidades do Brasil, continua a haver um Rio de Janeiro do tempo dos Franceses, dos Vice-reis, de Dom João VI, dos Jesuítas, dos Beneditinos, dos começos da Santa Casa [...] Por mais que tudo isso venha desaparecendo dos nossos olhos e se dissolvendo em passado, em antiguidade, em raridade de museu, continua a ser parte do espírito do Rio de Janeiro. Pois as cidades são como as pessoas, em cujo espírito nada do que se passou deixa inteiramente de ser. O Rio descaracterizado de hoje guarda no seu íntimo para os que, como Gastão Cruls, sabem vê-lo histórica e sentimentalmente, uma riqueza de característicos irredutíveis ou indestrutíveis, que as páginas de Aparência do Rio de Janeiro nos fazem ver ou sentir. E este é o maior encanto do guia da cidade que o autor de A Amazônia que eu vi acaba de escrever: dar-nos, através da aparência do Rio de Janeiro, traços essenciais do passado e do caráter da gente carioca. Comunicar-nos do Rio de Janeiro que Gastão Cruls conhece desde seus dias de menino de morro ilustre – menino nascido à sombra do Observatório – alguma coisa de essencial. Alguma coisa do que a cidade parece ter de eterno e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem o branco, o preto, o roxo e o moreno – principalmente o moreno – da cor da pele dos seus homens e das suas mulheres, com o azul e o verde quente de suas águas e de suas matas. (Rio, setembro, 1948) Obs.: Texto transcrito de acordo com as atuais normas ortográficas. (Gilberto Freyre, Trecho do Prefácio. In: Cruls, Gastão. Aparênciado Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: José Olympio, Coleção documentos brasileiros, 2. ed., v. 1, 1952. p. 15-17) 1. O texto deixa claro, principalmente, que a cidade do Rio de Janeiro (A) acaba por perder suas características mais importantes em benefício de um discutível progresso, que põe em risco sua beleza natural. (B) representa, de maneira visível, as tradições do povo brasileiro e, portanto, é essencial a manutenção das suas características urbanas originais. (C) precisa preservar sua identidade original, pois a natureza, que lhe garante o título de a mais bela cidade do Brasil, deve ser tida como intocável. (D) mantém elementos tradicionais, ao lado de uma necessária transformação, ainda que essa transformação possa descaracterizá-la em alguns aspectos. (E) deve voltar-se para a modernidade, assim como as pessoas, em uma evolução natural e necessária para a adequação aos tempos atuais. _________________________________________________________ 2. Os dois-pontos que aparecem no 2o parágrafo denotam (A) inclusão de segmento especificativo. (B) interrupção intencional do fluxo expositivo. (C) intercalação de ideia isolada no contexto. (D) constatação de fatos pertinentes ao assunto. (E) enumeração de elementos da cidade e do povo. _________________________________________________________ 3. Com as alterações propostas entre parênteses para o segmento grifado nas frases abaixo, o verbo que se mantém corretamente no singular é: (A) a modernização do Rio se teria feito (as obras de modernização) (B) Mas nunca se esquece ele de que (esses autores) (C) por que vem passando a mais bela das cidades do Brasil (as mais belas cidades do Brasil) (D) continua a haver um Rio de Janeiro do tempo dos Franceses (tradições no Rio de Janeiro) (E) do que a cidade parece ter de eterno (as belezas da cidade) _________________________________________________________ 4. ... e que vem de certa harmonia misteriosa a que tendem o branco, o preto, o roxo e o moreno ... O segmento grifado preenche corretamente a lacuna da frase: (A) As autoridades contavam ...... se fizessem consultas à população para definir os projetos de melhoria de toda a área. (B) As transformações ...... se refere o historiador descaracterizaram toda a área destinada, de início, a pesquisas. (C) A necessidade de inovações foi o argumento ...... se valeram os urbanistas para defender o projeto apresentado. (D) A ninguém ocorreu demonstrar ...... não seria possível impedir a derrubada de algumas antigas construções. (E) Seriam necessários novos e diferentes projetos urbanísticos, ...... permanecessem intocadas as construções originais. As questões de números 5 a 10 referem-se ao texto abaixo. Cafezinho Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: – Ele foi tomar café. A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer: – Bem, cavalheiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho. Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já. Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: – Ele está? – alguém dará o nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho... Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí... Ah! Fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar. Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho. Rio, 1939. (Rubem Braga. O Conde e o passarinho & Morro do isolamento. Rio de Janeiro: Record, 2002. p.156-7) 5. Com relação ao episódio com que inicia a crônica, o autor se mostra (A) crítico intransigente tanto do comportamento do delegado, por ter deixado o repórter esperando por tanto tempo, como da atitude deste último, que não soube considerar a situação com ironia e bom humor. (B) propenso a julgar a reação do repórter de modo muito mais severo do que a conduta do delegado, sugerindo ter havido grande exagero na afirmação de que este passara o dia inteiro tomando café. (C) solidário com o repórter na raiva que este experimentou ao esperar inutilmente pelo delegado e, ainda que de modo bem humorado, inteiramente avesso aos desvios de conduta de uma autoridade. (D) indiferente à irritação do repórter e condescendente em relação à ausência do delegado, acreditando que as complicações da vida justificam inteiramente a necessidade de se recorrer à desculpa do café. (E) compreensivo em relação à cólera do repórter, mas disposto a tomar o pretexto do café de que se vale o delegado para considerar, de modo bastante irônico, as razões de seu uso generalizado. 6. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho... Do teor da crônica e da enumeração presente no segmento acima, pode-se depreender corretamente: (A) O reconhecimento de que a vida é triste não acaba com o desejo de perpetuá-la. (B) A misantropia pode levar a uma tristeza que só termina com a morte. (C) As desculpas dadas de modo muito frequente acabam perdendo todo o sentido. (D) A introversão exagerada estende a aversão tanto às coisas más quanto às boas. (E) Os que nos procuram não costumam se esforçar de modo efetivo para nos encontrar. _________________________________________________________ 7. Os verbos que exigem o mesmo tipo de complemento estão empregados nos segmentos transcritos em: (A) A vida é triste e complicada. // ... mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. (B) ... alguém dará o nosso recado sem endereço. // A vida é triste e complicada. (C) Tinha razão o rapaz... // Depois de esperar duas ou três horas... (D) Para quem espera nervosamente... // Depois de esperar duas ou três horas... (E) Tinha razão o rapaz... // ... mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. _________________________________________________________ 8. A frase que admite transposição para a voz PASSIVA é: (A) Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes... (B) O chapéu dele está aí... (C) ... chegou à conclusão de que o funcionário... (D) Leio a reclamação de um repórter irritado... (E) ... precisava falar com um delegado... _________________________________________________________ 9. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá- lo. Assim dirão... Mantendo-se a correção e o sentido original, as frases acima estão reunidas num único período em: (A) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo e ainda assim dirão... (B) Devemosaté comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, pois assim dirão... (C) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, conquanto assim dirão... (D) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo: porquanto assim dirão... (E) Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo, por que assim dirão... ... e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café. Do mesmo modo que se justifica o sinal indicativo de crase em destaque na frase acima, está correto o seu emprego em: (A) e chegou à uma conclusão totalmente inesperada. (B) e chegou então à tirar conclusões precipitadas. (C) e chegou à tempo de ouvir as conclusões finais. (D) e chegou finalmente à inevitável conclusão. (E) e chegou à conclusões as mais disparatadas. _________________________________________________________ Atenção: As questões de números 11 a 16 referem-se ao texto abaixo. Esquerda e direita O DNA é de esquerda ou de direita? Ele fornece argumentos para todos. Prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos genéticos, e portanto são iguais – ponto para a esquerda –, mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita. Na velha questão biologia cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa – muito menos socialista – com o tempo. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que se tornou possível com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o autoaperfeiçoamento. Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora devem tratar de mudá- lo. A indefinição dos nossos genes é apenas mais um numa longa lista de paradoxos que nos dividem. É “de esquerda” ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e ao mesmo tempo o direito do Estado de tirá-la, embora não gostem que o Estado interfira em outras áreas. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração, mas aceita a desigualdade social, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um humanismo igualitário. Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética, mas absolutamente nenhum interesse nas suas implicações. (Adaptado de Luís Fernando Veríssimo. O mundo é bárbaro) 11. O autor admite que, com a descoberta e com a possibilidade de manipulação do sistema de códigos genéticos (DNA), (A) não haverá mais como estabelecer qualquer distinção entre o que sempre foi “de direita” e o que sempre se definiu como “de esquerda”. (B) acabarão de vez os desequilíbrios sociais, pois será possível superar as desigualdades com base em seguros critérios de justiça, que são hereditários. (C) os homens poderão favorecer determinados aspectos de sua evolução, atendendo assim a uma inclinação da espécie para seu próprio aprimoramento. (D) tanto a esquerda como a direita deixarão de encontrar argumentos para suas posições, de vez que é a ação do código genético que determina uma opção política. (E) ficará ainda mais acirrada a oposição entre a esquerda e a direita, pois uma e outra reivindicarão para si o direito de gerenciar os dividendos de uma ciência tão lucrativa. _________________________________________________________ 12. Atente para as seguintes afirmações: I. Um dos vários paradoxos enunciados no texto é o de que a esquerda, que valoriza a vida, acaba defendendo posição similar à da direita, nos casos do aborto e da pena de morte. II. Ao contrário da direita, a esquerda encoraja as iniciativas do Estado, quando estas promovem a valorização do indivíduo sem abonar, no entanto, qualquer forma de personalismo. III. A paráfrase de uma afirmação de Marx deixa ver que este alimentava a convicção de que os homens são capazes de se transformarem a si mesmos, em sua trajetória. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) III, apenas. (B) I e II, apenas. (C) II e III, apenas. (D) I e III, apenas. (E) I, II e III. _________________________________________________________ 13. Considerando-se o contexto, deve-se entender que o segmento (A) Ele fornece argumentos para todos refere-se à alternância de poder entre a esquerda e a direita, ao longo da história. (B) ponto para a esquerda revela a indicação de um fato que favorece, a princípio, uma posição ideológica dos socialistas. (C) Na velha questão biologia cultura alude à clássica disputa entre as ciências humanas e as ciências exatas. (D) A indefinição dos nossos genes diz respeito ao estado ainda incipiente e vacilante das pesquisas no campo da genética. (E) A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que seria uma abstração acentua a supremacia de uma típica tese coletivista. 14. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se numa forma do singular para preencher adequadamente a lacuna da frase: (A) Não ...... (corresponder) aos surpreendentes desdobramentos da descoberta do DNA análoga evolução no plano das questões éticas. (B) Mesmo a um pesquisador de ponta não ...... (haver) de convir as disputas éticas, pois ele ainda engatinha nessa nova descoberta. (C) De todas as projeções que se ...... (fazer) a partir da manipulação do DNA, a mais assustadora é a programação de tipos pessoais. (D) A um direitista não ...... (deixar) de assustar, quando isso não lhe convém, iniciativas econômicas que o Estado reivindica para si. (E) Não ...... (parecer) uma incongruência, para os esquerdistas, os excessos personalistas do líder de um movimento socialista. _________________________________________________________ 15. Está clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Habitualmente humorista, nem por isso Luís Fernando Veríssimo se exime ao tecer críticas sérias, postulando assim um equilíbrio entre o riso e a contenção jocosa. (B) O homem ainda está longe de ratificar o alcance da descoberta do DNA, onde as projeções mais ousadas fazem lembrar a ficção científica, ou mesmo muito além dela. (C) Interessou ao autor debater, uma vez mais, a eterna cisânia entre esquerda e direita, a estar sendo alimentada pela evolução das descobertas do DNA e pelas projeções de onde derivam. (D) Ao se reportar às posições de direita e de esquerda, o autor identificou contradições em ambas, deixando claro que a nenhuma cabe reivindicar o mérito da coerência absoluta. (E) As moscas, quem diria, ostentam nossa mesma estrutura genética, afirma o autor, mas nem sequer se comprazem ou o lamentam, pois não implicam nada que não lhes diga respeito. _________________________________________________________ 16. Está adequada a correlação entre tempos e modos verbais em: (A) Os cientistas devem, a partir de agora, tratar de mudar o ser humano, mesmo que até hoje não revelariam mais do que um pálido esforço ao buscar compreendê-lo. (B) O que for de esquerda ou de direita teria sido agora relativizado pelas descobertas do DNA, cujas projeções têm esvaziado essa clássica divisão. (C) Se os cientistas vierem a se preocupar com as questões ideológicas de que as futuras descobertas se revestissem, terão corrido o risco de partidarizar a ciência. (D) Felizes são as moscas, que nem precisavam saber nada de política ou de DNA parairem levando sua vida em conformidade com o que a natureza lhes determinasse como destino. (E) A esquerda já chegou a glorificar a ação de líderes personalistas, cujo autoritarismo obviamente excedia os limites de uma sociedade que se queria justa e igualitária. As questões de números 17 a 22 referem-se ao texto abaixo. Joaquim Manuel de Macedo ficou famoso por causa de A Moreninha (1844), romance que virou sinônimo do gênero romântico no Brasil e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados chorarem. Dr. Macedinho, como era popularmente conhecido, editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria: o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller. A despeito do sucesso, o ganha-pão do escritor seria obtido a partir da atividade como jornalista, articulista e cronista. Médico de formação, Macedo enveredaria pela literatura de maneira ampla. Num momento em que parecia natural cruzar a ponte entre jornalismo e literatura, Macedinho sagrou-se personagem descolado no Rio de Janeiro de Pedro II. E começou cedo: com apenas 24 anos, além de se dedicar ao romance, passou às páginas de jornal. Porém, se sua obra ficcional é conhecida, a produção jornalística é pouco divulgada. A desproporção é gritante, uma vez que o escritor publicou durante quatro décadas em vários órgãos cariocas. Apenas no sisudo Jornal do Comércio, reduto conservador dos mais estáveis, Macedo foi presença cativa durante 25 anos, sem interrupção. Suas colunas ocupavam o espaço prestigioso do rodapé da primeira página de domingo, dia em que a circulação duplicava. Macedo era mesmo um agitador. Ajudou a criar uma tradição para nossas artes, letras e história. Nosso escritor usaria de suas boas relações e da sua literatura ágil para fortalecer seu grupo, empenhado na construção cultural do país. (Lilia Moritz Schwarcz. O Estado de S. Paulo, sabático, S6, 26 de março de 2011, com adaptações) 17. Destaca-se no texto (A) a existência de um vasto público voltado para a leitura de obras de caráter romântico, ainda no século XIX. (B) o papel desempenhado por romancistas na difusão do hábito de leitura entre rapazes e moças durante o século XIX. (C) a participação de Macedo como importante colunista no Rio de Janeiro, centro difusor de cultura durante o Império. (D) a influência de uma imprensa politizada na vida do Rio de Janeiro, responsável pela divulgação de romances no século XIX. (E) a agitação cultural do Rio em pleno século XIX, que obrigou Macedo a optar pela atividade jornalística. 18. De acordo com o texto, é correto afirmar que (A) o romancista, por ser médico, ainda que conceituado, precisou editar obras de seu próprio bolso, diante de um público leitor pouco receptivo. (B) a sociedade do Rio de Janeiro do Império apreciava romances românticos, em oposição ao realismo veiculado nos noticiários, embora os jornalistas fossem bastante admirados. (C) o vasto círculo de relações sociais de Macedo fez com que ele se transformasse em figura reconhecida nos meios literários pelo valor de suas crônicas. (D) o valor literário da enorme produção jornalística de Macedo é superior ao de suas obras de ficção, apesar do estrondoso sucesso de A Moreninha. (E) a pouca divulgação da produção jornalística de Macedo é injustificável diante do reconhecimento do público e de sua permanência na imprensa da época. _________________________________________________________ 19. O assunto central aponta para o papel de Macedo como (A) autor do primeiro best-seller da literatura brasileira. (B) escritor atuante, tanto nos meios literários como na atividade jornalística. (C) médico popularmente reconhecido no Rio de Janeiro da época. (D) militante político responsável por diferentes causas sociais. (E) defensor de uma visão romântica da vida cotidiana brasileira. _________________________________________________________ 20. ... editaria a obra às próprias custas e não se arrependeria: o livro converteu-se em nosso primeiro best-seller. Os dois-pontos introduzem segmento (A) que denota o tempo decorrido entre a publicação da obra e a aceitação do público. (B) conclusivo, com ressalva ao que foi expresso anteriormente. (C) concessivo, pela oposição de sentido marcado na negação do verbo anterior. (D) que, embora redundante, tem o objetivo de realçar a importância da informação. (E) explicativo, em que se percebe noção de causa. _________________________________________________________ 21. A despeito do sucesso, o ganha-pão do escritor seria obtido... O elemento grifado acima pode ser corretamente substituído, sem alteração do sentido original, por (A) Em razão do (B) Conquanto o (C) Em que pese o (D) Em vista do (E) A partir do 22. ... dia em que a circulação duplicava. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está em: (A) ... e já fez muitas moçoilas e rapazes barbados chorarem. (B) ... editaria a obra às próprias custas ... (C) ... a produção jornalística é pouco divulgada. (D) Macedo era mesmo um agitador. (E) Nosso escritor usaria de suas boas relações ... _________________________________________________________ Atenção: As questões de números 23 a 26 referem-se ao texto abaixo. O caso Montaigne na tradição literária da amizade não é propriamente uma exceção. Como os povos felizes, que – já se disse – não têm história: os sentimentos vitais, contentes e continentes, poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão e discurso. Por isso, certamente, a clave da perda marca tanto essa literatura e a tinge tão estranhamente de melancolia. (É que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos só se deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite, mais facilmente, sondar a profundidade do pleno, a dor, do contentamento.) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela dissertação do Lélio de Cícero, brotada do interior de seu luto pela morte de Cipião, o sensível capítulo das Confissões de Santo Agostinho dedicado à memória do amigo, ou mesmo o Fédon de Platão e seu relato pungente da morte de Sócrates. Montaigne tem pois predecessores ilustres, e, explicitamente, incorpora o seu texto nessa linhagem. E, no entanto, ao ler seu ensaio (livro I, 28), sentimos que dissoa bastante do andamento mais moderado dessas composições da tradição. Sua dissertação, sentimos logo, engata alturas mais elevadas, vibra de modo mais intenso. Montaigne radicaliza. Com ele a grandeza daquelas amizades se expande num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai ao superlativo. A estreita proximidade das almas se ultrapassa; chega à fusão e assim toca o sublime. (Fragmento adaptado de Sérgio Cardoso. Paixão da igualdade, paixão da liberdade: a amizade em Montaigne. Os sentidos da paixão. S.Paulo: Cia. das Letras, 1987. p.162-3) 23. Com a comparação feita no início do texto, o autor sugere que (A) a felicidade é uma quimera tanto para o indivíduo quanto para os povos, o que é comprovado pelas memórias individuais e pelos registros históricos. (B) o indivíduo tem em comum com um povo o hábito de não refletir sobre os acontecimentos senão nos momentos de maior felicidade. (C) a história de indivíduos e povos é uma oscilação constante entre momentos de felicidade e momentos de dor. (D) o sentimento de amizade que une os indivíduos não é diferente daquele que unifica um povo, vínculo responsável pela felicidade de todos. (E) os períodos de felicidade, ao contrário dos momentos de dor, não costumam ser registrados nem pelos povos, nem pelos indivíduos. 24. Dentre as características da dissertaçãode Montaigne que podem ser apreendidas do texto, é correto mencionar: (A) A tendência ao misticismo, inteiramente ausente dos relatos de seus predecessores, mesmo o de Santo Agostinho. (B) A opção por um relato mais imponente e vigoroso, em lugar do tom comedido que seus predecessores adotam. (C) O predomínio da imaginação, o que permite incluir o relato antes no campo da ficção, ainda que sublime, do que no da memória. (D) Um radicalismo político extremado, que não tem lugar nos relatos politicamente inócuos de seus predecessores. (E) A ausência do tema da morte, onipresente nos textos de seus predecessores, o que faz do relato uma verdadeira celebração da vida. _________________________________________________________ 25. O sentido do elemento grifado NÃO está expresso adequadamente, entre parênteses e em negrito, ao final da transcrição em: (A) ... ou mesmo o Fédon de Platão e seu relato pungente da morte de Sócrates. (sereno) (B) Com ele a grandeza daquelas amizades se expande num elemento mais vasto, desafia a moderação, vai ao superlativo. (ponto mais alto) (C) ... os sentimentos vitais, contentes e continentes, poucas vezes, enquanto vigem, dublam-se em reflexão e discurso. (vigoram) (D) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos de imediato à lembrança a bela dissertação... (memória) (E) Com efeito, ao pensarmos nos grandes textos sobre a amizade, vêm-nos... (De fato) _________________________________________________________ 26. (É que talvez os relevos dos grandes sentimentos humanos só se deixem mesmo apalpar pelo avesso: a falta permite, mais facilmente, sondar a profundidade do pleno, a dor, do contentamento.) Atente para as afirmações seguintes sobre a pontuação empregada na frase acima, transcrita do 1o parágrafo do texto. I. O uso dos parênteses para isolar a frase justifica-se por se tratar de uma digressão que, embora relacionada à reflexão feita no parágrafo, interrompe momentaneamente o fluxo do pensamento. II. Os dois-pontos introduzem um segmento que constitui, de certo modo, uma ressalva ao que se afirma no segmento imediatamente anterior. III. As vírgulas que isolam o segmento mais facilmente poderiam ser retiradas sem prejuízo para a correção e a lógica. Está correto o que se afirma em (A) I, apenas. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, II e III. As questões de números 27 a 30 referem-se ao texto abaixo. Entre a palavra e o ouvido Nossos ouvidos nos traem, muitas vezes, sobretudo quando decifram (ou acham que decifram) palavras ou expressões pela pura sonoridade. Menino pequeno, gostava de ouvir uma canção dedicada a uma mulher misteriosa, dona Ondirá. Um dia pedi que alguém a cantasse, disse não saber, dei a deixa: “Tão longe, de mim distante, Ondirá, Ondirá, teu pensamento?” Ganhei uma gargalhada em resposta. Um dileto amigo achava esquisito o grande Nat King Cole cantar seu amor por uma misteriosa espanhola, uma tal de dona Quiçás... O ator Ney Latorraca afirma já ter sido tratado por seu Neila. Neila Torraca, é claro. Agora me diga, leitor amigo: você nunca foi apresentado a um velhinho chamado Fulano Detal? (Armando Fuad. Inédito) 27. Com base nos casos narrados no texto, é correto afirmar que, por vezes, entre a palavra e o ouvido, (A) ocorre um tipo de interferência no modo de recepção que distorce inteiramente o sentido original da mensagem. (B) uma falha do aparelho auditivo deforma o som captado, levando o receptor a entender outra coisa. (C) a mensagem original se perde porque se ouve uma expressão já adulterada pela má pronúncia de terceiros. (D) buscamos reconhecer uma sonoridade apenas por seu efeito acústico, sem lhe emprestar nenhum sentido. (E) nossa capacidade criativa faz com que recusemos sons muito usuais, substituindo-os por outros, mais exóticos. _________________________________________________________ 28. Está INADEQUADO o emprego do elemento sublinhado na frase: (A) A traição a que por vezes está sujeita nossa audição pode ter resultados divertidos. (B) Os sons das palavras, a cujos poucas vezes dedicamos plena atenção, podem ser bastante enganosos. (C) A melodia e o ritmo de uma frase, em cujo embalo podemos nos equivocar, valem pelo efeito poético. (D) E afinal, por onde andará dona Ondirá, senhora misteriosa de quem o leitor foi fã cativo, quando menino? (E) E dona Quiçás, a quem Nat King Cole jamais teve a honra de ser apresentado, morará ainda em Madri? _________________________________________________________ 29. É correto afirmar que, ao se valer da expressão (A) sobretudo quando decifram (...) pela pura sonoridade, o autor se refere exclusivamente ao equívoco causado pela recepção dos sons. (B) Ganhei uma gargalhada em resposta, o autor não deixa entrever qual teria sido a pergunta. (C) uma tal de dona Quiçás, o autor faz ver que o ouvinte se confundiu por não conhecer a personagem. (D) Neila Torraca, o autor se vale de um equívoco de audição inteiramente distinto do que ocorreu em Fulano Detal. (E) Menino pequeno, o autor torna implícito a ela um sentido de temporalidade. 30. É preciso corrigir, por falhas diversas, a seguinte frase: (A) Quem ouve mal não tem necessariamente mau ouvido; pode ter sido afetado pelo desconhecimento de um contexto determinado. (B) Quem não destorce o que ouviu de modo torto acaba por permanecer longe do caminho reto da compreensão. (C) Pelos sons exóticos das palavras, nos impregnamos da melodia poética a cujo encanto se rendem, imantados, os nossos ouvidos. (D) Há sons indiscrimináveis, como os que se apanha do rádio mau sintonizado ou de uma conversa aliatória, entre terceiros. (E) É possível elaborar-se uma longa lista de palavras e expressões em cuja recepção sonora verificam-se os mais curiosos equívocos. GABARITO 001 - D 002 - A 003 - D 004 - B 005 - E 006 - A 007 - C 008 - D 009 - B 010 - D 011 - C 012 - A 013 - B 014 - A 015 - D 016 - E 017 - C 018 - E 019 - B 020 - E 021 - C 022 - D 023 - E 024 - B 025 - A 026 - C 027 - A 028 - B 029 - E 030 – D Para responder às questões de números 1 a 5, considere o texto abaixo. A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência humana mais bem repartida: nenhum privilegiado reivindica ignorância em relação a ela ou se vangloria de conhecê-la melhor que qualquer outro. Violência nascida no próprio âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o esgota, dissolve-o no abismo que nele se abriu, esmaga-o no sentimento de um imediato sem nenhuma perspectiva. Rompe- se a evidência da relação do indivíduo consigo e com o mundo. A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente para si mesmo enquanto goza de boa saúde, confiante em seus recursos, esquecido do enraizamento físico de sua existência, desde que nenhum obstáculo se interponha entre seus projetos e o mundo. De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível, flexível; sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais e pela repetição incansável de situações próximas umas das outras. Aliás, esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo leva René Leriche a definir a saúde como “a vida no silêncio dos órgãos”. Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de “inconsciência em que o sujeito é de seu corpo”. (Adaptado de: BRETON, David Le. Antropologia da Dor, São Paulo, Editora Fap-Unifesp, 2013, p. 25-6) 1. Conforme o texto, a (A) saúde, ao contrário da dor, torna o homem apto à percepção corporal, uma vez que não impõe barreiras inflexíveis. (B) dor, ao contrárioda saúde, possibilita ao homem a tomada de consciência sobre seu próprio corpo. (C) dor, como sintoma da doença, estabelece uma relação de pertença entre corpo e sujeito. (D) saúde, como estado de plenitude, torna perceptível a cisão entre corpo e sujeito. (E) dor, diferentemente da saúde, leva ao ocultamento do sujeito frente a seu corpo. 2. ... esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo... ... definir a saúde como “a vida no silêncio dos órgãos”. (final do texto) Os segmentos acima expressam, respectivamente, (A) consequência e finalidade. (B) condição e necessidade. (C) consequência e condição. (D) causa e finalidade. (E) causa e decorrência. _________________________________________________________ 3. Os pronomes grifados nos segmentos ... enraizamento físico de sua existência, ... sua espessura é apagada... e ... ela é um estado de inconsciência... (2o parágrafo) referem- se, respectivamente, a: (A) enraizamento físico, corpo e atenção do indivíduo. (B) homem, corpo e saúde. (C) dor, vida cotidiana e saúde. (D) enraizamento físico, corpo e vida no silêncio. (E) homem, vida cotidiana e saúde. _________________________________________________________ 4. Violência nascida no próprio âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o esgota, dissolve-o no abismo que nele se abriu, esmaga-o no sentimento de um imediato sem nenhuma perspectiva. (1o parágrafo) Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original, está em: (A) Violência que, ao nascer no próprio interior do indivíduo, de modo a dilacerar e esgotar sua presença, dissolve-se no abismo que nele foi aberto, esmagando- lhe o sentimento de um imediato sem nenhuma expectativa de futuro. (B) Ela, enquanto violência nascida em seu interior, dilacera a presença do indivíduo, em que pese seu esgotamento, dissolvendo-se no abismo que nele passou a existir, esmagando-se no sentimento de um momento sem nenhuma esperança. (C) Violência nascida em cuja essência a presença do indivíduo é dilacerada, a ponto de esgotá-lo e de dissolvê-lo no abismo em que se configura, uma vez que o esmaga no sentimento de um presente imediato sem perspectiva. (D) Ela é violência que nasce no próprio cerne do indivíduo, de maneira a dilacerar sua presença e a esgotá- lo, a ponto de dissolvê-lo no abismo que nele passa a existir, esmagando-o no sentimento de um presente sem expectativa de futuro. (E) Ela, como violência que nasce no interior do indivíduo, cuja presença dilacera e esgota, é dissolvida pelo abismo que nele se abriu, de tal modo que lhe esmaga o sentimento de um tempo presente sem esperança de futuro. 5. Considere as frases abaixo. I. Ao se suprimirem as vírgulas do trecho A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência humana..., o verbo deverá ser flexionado no plural. II. Na frase Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de “inconsciência em que o sujeito é de seu corpo”, pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente após inconsciência, sem prejuízo para a correção. III. Na frase De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível, flexível; sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais..., o ponto e vírgula pode ser substituído, sem prejuízo para a correção e o sentido original, por dois-pontos. Está correto o que se afirma APENAS em (A) II e III. (B) I e II. (C) I. (D) II. (E) I e III. _________________________________________________________ 6. Em nossa cultura, ...... experiências ...... passamos somase ...... dor, considerada como um elemento formador do caráter, contexto ...... pathos pode converter-se em éthos. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) às −porque −a −em que (B) às −pelas quais −à −de que (C) as −que −à −com que (D) às −por que −a −no qual (E) as −por que −a −do qual _________________________________________________________ Atenção: Para responder às questões de números 7 a 10, considere o texto abaixo. Menino do mato Eu queria usar palavras de ave para escrever. Onde a gente morava era um lugar imensamente e sem [ nomeação. Ali a gente brincava de brincar com palavras tipo assim: Hoje eu vi uma formiga ajoelhada na pedra! A Mãe que ouvira a brincadeira falou: Já vem você com suas visões! Porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis e nem há pedras de sacristias por aqui. Isso é traquinagem da sua imaginação. O menino tinha no olhar um silêncio de chão e na sua voz uma candura de Fontes. O Pai achava que a gente queria desver o mundo para encontrar nas palavras novas coisas de ver assim: eu via a manhã pousada sobre as margens do rio do mesmo modo que uma garça aberta na solidão de uma pedra. Eram novidades que os meninos criavam com as suas palavras. Assim Bernardo emendou nova criação: Eu hoje vi um sapo com olhar de árvore. Então era preciso desver o mundo para sair daquele lugar imensamente e sem lado. A gente queria encontrar imagens de aves abençoadas pela inocência. O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias para a gente bem entender a voz das águas e dos caracóis. A gente gostava das palavras quando elas perturbavam o sentido normal das ideias. Porque a gente também sabia que só os absurdos enriquecem a poesia. (BARROS, Manoel de, Menino do Mato, em Poesia Completa, São Paulo, Leya, 2013, p. 417-8.) 7. De acordo com o poema, (A) os sentidos atribuídos às palavras pelo menino adequavam- se, na verdade, às ideias normais, que, por seu turno, iam constituindo sua compreensão de mundo. (B) os absurdos, muito embora concernentes à poesia, eram compreendidos pela mãe como fruto da ignorância do menino. (C) as visões a que a mãe se refere são, para o menino, alterações no sentido usual das ideias, com que reinventava o mundo que o cercava. (D) as novidades que o mundo apresentava ao menino precisavam de palavras novas para serem descritas, pois a linguagem se mostrava pobre para a imensidão de seu mundo. (E) as imagens vistas pelo menino eram reflexo de sua imaginação, livre da linguagem de que fazia uso para descrevê-las. _________________________________________________________ 8. Considere as frases abaixo. I. No verso O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias, o verbo destacado pode ser flexionado no plural, sem prejuízo para a correção e o sentido original. II. Em seguida ao termo voz, no verso e na sua voz uma candura de Fontes, pode-se acrescentar uma vírgula, sem prejuízo para a correção e o sentido original. III. Sem que nenhuma outra alteração seja feita, no verso e nem há pedras de sacristias por aqui, o verbo pode ser substituído por existe, mantendo-se a correção e o sentido original. Está correto o que se afirma APENAS em (A) II e III. (B) I e III. (C) II. (D) III. (E) I e II. 9. Em uma redação em prosa, para um segmento do poema, a pontuação se mantém correta em: (A) A Mãe, que tinha ouvido a brincadeira, falou: “Já vem você com suas visões!” Porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias por aqui: “Isso é traquinagem da sua imaginação”. (B) A Mãe que tinha ouvido a brincadeira, falou: −Já vem você com suas visões! Porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias por aqui: −Isso é traquinagem da sua imaginação. (C) A Mãe, que tinha ouvido a brincadeira falou: “Já vem você com suas visões!, porque formigas, nem têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias por aqui. Isso é traquinagem da sua imaginação”. (D) A Mãe que tinha ouvidoa brincadeira, falou: “Já vem, você com suas visões!”; porque formigas nem têm joelhos ajoelháveis e nem há pedras de sacristias por aqui. Isso é traquinagem da sua imaginação. (E) A Mãe que, tinha ouvido a brincadeira, falou: “Já vem você com suas visões!” Porque formigas, nem têm joelhos ajoelháveis, nem há pedras de sacristias por aqui. “Isso, é traquinagem da sua imaginação”. _________________________________________________________ 10. A frase que admite transposição para a voz passiva está em: (A) Isso é traquinagem da sua imaginação. (B) ... nem há pedras de sacristias por aqui. (C) Já vem você com suas visões! (D) ... para sair daquele lugar imensamente e sem lado. (E) ... para a gente bem entender a voz das águas e dos caracóis. GABARITO 001 - B 002 - E 003 - B 004 - D 005 - A 006 - D 007 - C 008 - E 009 - A 010 – E Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo. Não é preciso assistir a 12 Anos de Escravidão para saber que a prática foi uma das maiores vergonhas da humanidade. Mas é preciso corrigir o tempo do verbo. Foi? Melhor escrever a frase no presente. A escravidão ainda é uma das maiores vergonhas da humanidade. E o fato de o Ocidente não ocupar mais o topo da lista como responsável pelo crime não deve ser motivo para esquecermos ou escondermos a infâmia. Anos atrás, lembro-me de um livro aterrador de Benjamin Skinner que ficou gravado nos meus neurônios. Seu título era A Crime So Monstrous (Um crime tão monstruoso) e Skinner ocupava-se da escravidão moderna para chegar à conclusão aterradora: existem hoje mais escravos do que em qualquer outra época da história humana. Skinner não falava apenas de novas formas de escravidão, como o tráfico de mulheres na Europa ou nos Estados Unidos. A escravidão que denunciava com dureza era a velha escravidão clássica −a exploração braçal e brutal de milhares ou milhões de seres humanos trabalhando em plantações ou pedreiras ao som do chicote. [...] Pois bem: o livro de Skinner tem novos desenvolvimentos com o maior estudo jamais feito sobre a escravidão atual. Promovido pela Associação Walk Free, o Global Slavery Index é um belo retrato da nossa miséria contemporânea. [...] A Índia, tal como o livro de Benjamin Skinner já anunciava, continua a espantar o mundo em termos absolutos com um número que hoje oscila entre os 13 milhões e os 14 milhões de escravos. Falamos, na grande maioria, de gente que continua a trabalhar uma vida inteira para pagar as chamadas "dívidas transgeracionais" em condições semelhantes às dos escravos do Brasil nas roças. Conclusões principais do estudo? Pessoalmente, interessam-me duas. A primeira, segundo o Global Slavery Index, é que a escravidão é residual, para não dizer praticamente inexistente, no Ocidente branco e "imperialista". De fato, a grande originalidade da Europa não foi a escravidão; foi, pelo contrário, a existência de movimentos abolicionistas que terminaram com ela. A escravidão sempre existiu antes de portugueses ou espanhóis comprarem negros na África rumo ao Novo Mundo. Sempre existiu e, pelo visto, continua a existir. Mas é possível retirar uma segunda conclusão: o ruidoso silêncio que a escravidão moderna merece da intelectualidade progressista. Quem fala, hoje, dos 30 milhões de escravos que continuam acorrentados na África, na Ásia e até na América Latina? [...] O filme de Steve McQueen, 12 Anos de Escravidão, pode relembrar ao mundo algumas vergonhas passadas. Mas confesso que espero pelo dia em que Hollywood também irá filmar as vergonhas presentes: as vidas anônimas dos infelizes da Mauritânia ou do Haiti que, ao contrário do escravo do filme, não têm final feliz. (Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. "Os Escravos". Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br) ] 1. De acordo com o texto, (A) é de se estranhar o silêncio votado à questão escravocrata, muito provavelmente por envolver regiões como a Europa, que se utilizam, ainda que indiretamente, de trabalho escravo. (B) nunca houve tantos escravos no mundo, a despeito de terem sidos bem-sucedidos os primeiros movimentos, surgidos na Europa, que lutaram por extinguir a escravidão dos negros africanos. (C) as novas formas de escravidão, se não constituem a maioria dos casos, obscurecem a importância devida à antiga escravidão, ainda bastante disseminada, como mostra o filme 12 Anos de Escravidão. (D) a escravidão moderna, como ocorre na Mauritânia e no Haiti, é, em termos sociais, diferente da escravidão antiga, visto que dissimulada, pois se trata de trabalho formal, mas em condições sub-humanas. (E) o número de escravos aumentou no século XX, sobretudo em países pobres, muito embora movimentos abolicionistas da Europa a tenham eliminado das nações sulamericanas. _________________________________________________________ 2. Os termos infâmia (1o parágrafo), Promovido (4o parágrafo) e que (7o parágrafo) referem-se respectivamente a: (A) lista - Global Slavery Index - escravidão (B) humanidade - um belo retrato - existência (C) escravidão - um belo retrato - existência (D) escravidão - Global Slavery Index - movimentos abolicionistas (E) lista - livro - movimentos abolicionistas _________________________________________________________ 3. O verbo em negrito deve sua flexão ao elemento sublinhado em: (A) A Índia, tal como o livro de Benjamin Skinner já anunciava... (B) ... com um número que hoje oscila entre os 13 milhões... (C) Pessoalmente, interessam-me duas. (D) A escravidão que denunciava com dureza... (E) ... o ruidoso silêncio que a escravidão moderna merece... 4. De fato, a grande originalidade da Europa não foi a escravidão; foi, pelo contrário, a existência de movimentos abolicionistas que terminaram com ela. (7o parágrafo) Mantém-se, em linhas gerais, o sentido da frase, substituindo-se o segmento grifado por: (A) foi não obstante a escravidão, apesar da existência (B) não só foi a escravidão, mas também a existência (C) ao invés de ter sido a escravidão, mas a existência (D) não foi a escravidão, mas, sim, a existência (E) não foi a escravidão, todavia, sem a existência 5. Atente para as afirmações, abaixo, sobre o texto: I. Com a substituição de que (1o parágrafo) por "se", atribui-se caráter hipotético ao que se diz em seguida. II. Sem prejuízo para a correção, pode-se isolar com vírgulas o título do livro A Crime So Monstrous (2o parágrafo), como ocorre, no último parágrafo, com o título do filme 12 Anos de Escravidão. III. O travessão empregado no 3o parágrafo introduz uma explicação, função semelhante à dos dois-pontos empregados no último parágrafo. Está correto o que consta APENAS em (A) I e III. (B) I. (C) I e II. (D) II. (E) II e III. 6. No contexto dado, possui a mesma regência do verbo presente no segmento A escravidão que denunciava com dureza, o que se encontra sublinhado em: (A) Quem fala, hoje, dos 30 milhões de escravos... (8o parágrafo) (B) ... número que hoje oscila entre os 13 milhões e os 14 milhões... (5o parágrafo) (C) ... antes de portugueses ou espanhóis comprarem negros na África rumo ao Novo Mundo. (7o parágrafo) (D) ... o Global Slavery Index é um belo retrato da nossa miséria... (4o parágrafo) (E) Não é preciso assistir a 12 Anos de Escravidão... (1o parágrafo) 7. Mas é possível retirar uma segunda conclusão... (8o parágrafo) ... pode relembrar ao mundo algumas vergonhas... (último parágrafo) ... não têm final feliz. (último parágrafo) Os segmentos sublinhados acima são corretamente substituídos por pronomes em: (A) retirá-la - relembrar-lhe - o têm (B) retirá-la - relembrá-las - têm-no(C) retirar-lhe - lhe relembrar - têm-no (D) a retirar - relembrá-lo - o têm (E) lhe retirar - o relembrar - o têm 8. O termo entre parênteses preenche corretamente a lacuna da frase em: (A) A mudança, começaram ...... senti-la apenas os descendentes dos escravos. (à) (B) Não foi apenas com o intuito de libertar ...... escravos que se promulgou a lei Áurea. (aos) (C) As condições iniciais dos libertos eram muito próximas ...... de escravidão. (as) (D) ...... vésperas do século XX ainda eram debatidas questões como a escravidão. (Às) (E) Muito embora lhes fosse conferida ...... condição de liberto, muitos continuavam subjugados. (à) Para responder às questões de números 9 a 12, considere o texto abaixo. Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum*, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar. Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico. No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideias e imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado. Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo. No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza: −Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que... −Oh! meu senhô! fico. −...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudo cresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quando nasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais alto que eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos... −Artura não qué dizê nada, não, senhô... −Pequeno ordenado, repito, uns seis mil réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito mais que uma galinha. Justamente. Pois seis mil réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete. Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos. Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...] *Literalm ente, “depois do golpe”, “depois do fato”. (Adaptado de: ASSIS, Machado de. "Bons dias!", Gazeta de Notícias, 19 de maio de 1888) 9. O texto (A) reconhece o mérito das mudanças políticas de então, ironizando a hierarquia social que antes predominava entre escravo e senhor. (B) mostra como um avanço social, na verdade, beneficia a todos: o escravo se torna livre, seu antigo dono adquire prestígio social. (C) reflete o entusiasmo com que foi tomada a libertação dos escravos no Brasil, a partir do relato de uma situação particular. (D) faz ressalvas ao processo político que envolveu o fim da escravidão, visto que os títulos concedidos não possuíam valor legal. (E) trata o fim da escravidão com ironia, mostrando como uma simples carta de alforria não significava mudança da condição social do escravo. _________________________________________________________ 10. O diálogo que se desenvolve a partir do 5o parágrafo (A) contrasta a altura do empregado com a pequenez inicial de seu salário, de maneira que se compreenda a prosperidade da nova condição de assalariado. (B) evidencia, em frases como Tu vales muito mais que uma galinha, o valor humano que passam a ter os que eram antes considerados simples mercadoria. (C) ilustra, em frases como Artura não qué dizê nada, não, senhô..., a mentalidade a que estava condicionado o escravo, que chega a falar em detrimento de si próprio. (D) prevê o novo padrão das relações de trabalho, pautado por diálogo e negociação de direitos, persistente até a atualidade com empregados domésticos. (E) demonstra a afeição que ligava senhor e escravo, rompida com o fim do regime de escravidão, como se pode ver nos parágrafos seguintes. _________________________________________________________ 11. Sobre a pontuação do texto, considere: I. Mantém-se a correção alterando-se a pontuação da frase Oh! meu senhô! fico. (7o parágrafo) para Oh, meu senhô, fico! II. O ponto e vírgula, no segmento ... por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade... (11o parágrafo), pode ser substituído por dois-pontos. III. No segmento Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio... (1o parágrafo), pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente após juro. Está correto o que consta em (A) I, II e III. (B) II e III, apenas. (C) I e III, apenas. (D) I, apenas. (E) II, apenas. 12. Com recurso à subordinação das orações, o 5o e o 6o parágrafos estão reescritos corretamente em: (A) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza, que és livre, podes ir para onde quiseres, além de que aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que... (B) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe, com rara franqueza, que era livre e podia ir para onde quisesse; que aqui, no entanto, tinha casa amiga, já conhecida, além de ter mais um ordenado, um ordenado que... (C) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza: Tu és livre; por isso, podes ir para onde quiseres, ao passo que aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que... (D) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe, com rara franqueza, que seria livre, poderia ir para onde queria, mas que aqui teria casa amiga, já conhecida, além de ter mais um ordenado, um ordenado que... (E) No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza, que fosse livre e pudesse ir para onde quisesse; aqui, no entanto, teria casa amiga, já conhecida, com que teria mais um ordenado, um ordenado que... GABARITO 001 - B 002 - D 003 - B 004 - D 005 - A 006 - C 007 - A 008 - D 009 - E 010 - C 011 - A 012 – B Para responder às questões de números 1 a 10, considere o texto abaixo: Da utilidade dos prefácios Li outro dia em algum lugar que os prefácios são textos inúteis, já que em 100% dos casoso prefaciador é convocado com o compromisso exclusivo de falar bem do autor e da obra em questão. Garantido o tom elogioso, o prefácio ainda aponta características evidentes do texto que virá, que o leitor poderia ter muito prazer em descobrir sozinho. Nos casos mais graves, o prefácio adianta elementos da história a ser narrada (quando se trata de ficção), ou antecipa estrofes inteiras (quando poesia), ou elenca os argumentos de base a serem desenvolvidos (quando estudos ou ensaios). Quer dizer: mais do que inútil, o prefácio seria um estraga-prazeres. Pois vou na contramão dessa crítica mal-humorada aos prefácios e prefaciadores, embora concorde que muitas vezes ela proceda −o que não justifica a generalização devastadora. Meu argumento é simples e pessoal: em muitos livros que li, a melhor coisa era o prefácio −fosse pelo estilo do prefaciador, muito melhor do que o do autor da obra, fosse pela consistência das ideias defendidas, muito mais sólidas do que as expostas no texto principal. Há casos célebres de bibliografias que indicam apenas o prefácio de uma obra, ficando claro que o restante é desnecessário. E ninguém controla a possibilidade, por exemplo, de o prefaciador ser muito mais espirituoso e inteligente do que o amigo cujo texto ele apresenta. Mas como argumento final vou glosar uma observação de Machado de Assis: quando o prefácio e o texto principal são ruins, o primeiro sempre terá sobre o segundo a vantagem de ser bem mais curto. Há muito tempo me deparei com o prefácio que um grande poeta, dos maiores do Brasil, escreveu para um livrinho de poemas bem fraquinhos de uma jovem, linda e famosa modelo. Pois o velho poeta tratava a moça como se fosse uma Cecília Meireles (que, aliás, além de grande escritora era também linda). Não havia dúvida: o poeta, embevecido, estava mesmo era prefaciando o poder de sedução da jovem, linda e nada talentosa poetisa. Mas ele conseguiu inventar tantas qualidades para os poemas da moça que o prefácio acabou sendo, sozinho, mais uma prova da imaginação de um grande gênio poético. (Aderbal Siqueira Justo, inédito) 1. O primeiro e o segundo parágrafos estabelecem entre si uma relação de (A) causa e efeito, uma vez que das convicções expressas no primeiro resultam, como consequência natural, as expostas no segundo. (B) de complementaridade, pois o que se afirma no segundo ajuda a compreender a mesma tese defendida e desenvolvida no primeiro. (C) inteira independência, pois o tema do primeiro não se espelha no segundo, já que o autor do texto quer apenas enumerar diferentes estilos. (D) contraposição, pois a perspectiva de valor adotada no primeiro é confrontada com outra que a relativiza e nega no segundo. (E) similitude, pois são ligeiras as variações do argumento central que ambos sustentam em relação à utilidade e à necessidade dos prefácios. 2. Considere as afirmações abaixo. I. No primeiro parágrafo, a assertiva o prefácio seria um estraga-prazeres traduz o efeito imediato da causa indicada na assertiva os prefácios são textos inúteis. II. No segundo parágrafo, o autor afirma que vai de encontro à tese defendida no primeiro porque pode ocorrer que um prefácio represente a parte melhor de um livro. III. No terceiro parágrafo, o autor se vale de uma ocorrência real para demonstrar que o gênio inventivo de escritores iniciantes propicia prefácios igualmente criativos. Em relação ao texto, está correto o que se afirma APENAS em (A) I. (B) II. (C) III. (D) I e II. (E) II e III. _________________________________________________________ 3. Ao lado de razões mais pessoais, marcadas por alguma subjetividade, o autor indica, como prova objetiva da utilidade de certos prefácios, o fato de que (A) Machado de Assis os julgava obras-primas pelo poder de alta concisão de que seriam capazes. (B) eles antecipam, para o leitor mais desavisado, alguns fragmentos essenciais à compreensão do texto principal. (C) algumas bibliografias valorizam-nos de modo especial, em detrimento do texto principal do livro. (D) as apresentações da poesia de Cecília Meireles faziam ver tanto a beleza dos poemas como a da escritora. (E) os prefaciadores são escolhidos a partir de um critério inteiramente idôneo, o que impede favoritismos. _________________________________________________________ 4. Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento em: (A) Garantido o tom elogioso (1o parágrafo) = assumido o teor argumentativo (B) generalização devastadora (2o parágrafo) = interação improdutiva (C) glosar uma observação (2o parágrafo) = variar uma consideração (D) ninguém controla a possibilidade (2o parágrafo) = não se pode esboçar a hipótese (E) consistência das ideias defendidas (2o parágrafo) = subserviência às teses propaladas 5. Está inteiramente clara e correta a redação deste livre comentário sobre o texto: (A) Ao contrário dos que consideram os prefácios tão inúteis quanto inconvenientes, o autor julga que muitas dessas apresentações são mais atraentes e substanciosas do que o texto principal. (B) Embora hajam apresentações bem realizadas de livros, é indiscutível que boa parte delas primem pela inutilidade, inconveniência ou mesmo assumam o caráter de um estraga-prazeres. (C) Há discordâncias quanto ao valor ou não dos prefácios, uma vez que alguns concordam com seu intento esclarecedor, ao passo que outros o negam, em razão de argumentos não valorativos. (D) O autor acredita de que a maioria dos prefácios pode mesmo carecer de valor, ainda que em muitos casos, ao contrário, se estabelece uma utilidade insuspeita que chega a valorizá-lo mais que à obra. (E) Não seria bom para um escritor, que viesse a ter como autor de seu prefácio um colega mais talentoso, tanto que isso poderia acarretar, nas bibliografias, uma importância exclusiva para o texto introdutório. _________________________________________________________ 6. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na frase: (A) As características a que (dever) atender um prefácio podem torná-lo um estraga-prazeres. (B) Há casos em que o prefácio se (revelar) um componente inteiramente inútil de um livro. (C) Às vezes, numa bibliografia (ganhar) mais destaque as páginas de um prefácio do que o texto principal de um livro. (D) Não é incomum que se (recorrer) a frases de Machado de Assis para glosá-las, dada a graça que há nelas. (E) O autor confessa o que a muitos (parecer) impensável: é possível gostar mais de um prefácio do que do restante da obra. _________________________________________________________ 7. Transpondo-se para a voz passiva a frase vou glosar uma observação de Machado de Assis, a forma verbal resultante deverá ser (A) terei glosado (B) seria glosada (C) haverá de ser glosada (D) será glosada (E) terá sido glosada 8. Está inteiramente adequada a correlação entre os tempos e os modos verbais da frase: (A) Os prefácios correriam o risco de serem inúteis caso tenham sido escritos segundo as instruções convencionais. (B) Houvesse enorme interesse pela leitura de prefácios e as editorias certamente cuidariam que fossem mais criativos. (C) Quando se fizesse uma glosa de frase de um grande autor deve-se citar a fonte original: esse é um dever ético. (D) Caso o autor viesse a infirmar tanto o nome do grande poeta como o da frágil poetisa, muitos o acusarão de indiscreto. (E) Menos que seja objeto de preconceito, um bom prefácio sempre resistiria aos critérios de um crítico rigoroso. _________________________________________________________9. As lacunas da frase Um prefácio ...... nossa inteira atenção esteja voltada certamente conterá qualidades ...... força é impossível resistir preenchem-se adequadamente, na ordem dada, pelos seguintes elementos: (A) para o qual −a cuja (B) ao qual −de cuja a (C) com o qual −por cuja (D) aonde −de que a (E) por onde −das quais a _________________________________________________________ 10. Quanto à pontuação, a frase inteiramente correta é: (A) Já pela má fama adquirida já por preconceito, sempre haverá por parte de certos leitores, alguma relutância diante da leitura de um prefácio. (B) O autor do texto não hesita honestamente, de recorrer a experiências pessoais, para demonstrar sua tese, favorável em boa parte à existência mesma dos prefácios. (C) A escritora Cecília Meireles tão talentosa quanto bonita, é citada no texto como parâmetro de excelência, na comparação com uma jovem, bela e pouco inspirada poetisa. (D) Muita gente acabará por confessar tal como fez o autor, que um prefácio pode prender nossa atenção, com muito mais força, do que o texto principal de uma obra. (E) O autor conclui, não sem razão, que as bibliografias que indicam apenas o prefácio de uma obra permitem deduzir, não há dúvida, que o restante do livro não importa muito. Para responder às questões de números 11 a 15, considere o texto abaixo −um fragmento de O espírito das leis, obra clássica do filósofo francês Montesquieu, publicada em 1748. [Do espírito das leis] Falta muito para que o mundo inteligente seja tão bem governado quanto o mundo físico, pois ainda que o mundo inteligente possua também leis que por sua natureza são invariáveis, não as segue constantemente como o mundo físico segue as suas. A razão disso reside no fato de estarem os seres particulares inteligentes limitados por sua natureza e, consequentemente, sujeitos a erro; e, por outro lado, é próprio de sua natureza agirem por si mesmos. (...) O homem, como ser físico, tal como os outros corpos da natureza, é governado por leis invariáveis. Como ser inteligente, viola incessantemente as leis que Deus estabeleceu e modifica as que ele próprio estabeleceu. Tal ser poderia, a todo instante, esquecer seu criador −Deus, pelas leis da religião, chamou-o a si; um tal ser poderia, a todo instante, esquecer-se de si mesmo −os filósofos advertiram-no pelas leis da moral. (Montesquieu −Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 33 e 34) 11. A razão invocada por Montesquieu para afirmar que Falta muito para que o mundo inteligente seja tão bem governado quanto o mundo físico deve-se ao fato de que (A) as leis que regem o mundo físico acabam por ser menos previsíveis do que aquelas elaboradas pelos homens. (B) os limites da natureza humana acabam levando os homens a criar leis que eles próprios modificam ou transgridem. (C) o governo do mundo físico é a aspiração que têm os homens de controlarem tudo o que está ao seu alcance. (D) mundo inteligente, governado por Deus, cumpre as leis que escapam completamente à jurisdição humana. (E) o mundo inteligente, ao contrário do mundo físico, tem leis mais flexíveis e mais justas que as da natureza. _________________________________________________________ ] 12. Considere as seguintes afirmações: I. No primeiro parágrafo, afirma-se que é da natureza humana buscar agir em estrita conformidade com as leis divinas, materializadas no mundo físico. II. No primeiro parágrafo, depreende-se que Montesquieu considera que as leis que governam o mundo físico são exemplos de uma eficiência que os homens deveriam perseguir no governo do mundo inteligente. III. No segundo parágrafo, a religião e a filosofia surgem, cada uma em sua esfera, como possíveis corretivos para as negligências e os desvios da conduta humana. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) III, apenas. 13. De acordo com a lógica do texto, as afirmações O homem esquece seu criador e Deus chama-o para si estão clara e corretamente articuladas na seguinte frase: (A) Ainda quando se esqueça de seu criador, o homem busca seu chamado. (B) Embora Deus o chame para si, o homem esquece seu criador. (C) Não obstante o homem possa esquecer seu criador, este o chama para si. (D) Deus chama o homem para si, conquanto ele não deixe de esquecê-lo. (E) Mesmo que viesse a esquecê-lo, o chamado de Deus seria ouvido pelo homem. _________________________________________________________ 14. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para preencher corretamente a lacuna da seguinte frase: (A) ...... (ganhar) proeminência, entre as convicções de Montesquieu, a de que Deus nunca se afasta em definitivo de suas criaturas, ainda quando estas o esqueçam. (B) Às leis imutáveis do mundo físico não se ...... (ater) a legislação dos homens, caracterizada muitas vezes pela inconstância e pela dificuldade de cumprimento. (C) Dado que não ...... (competir) aos homens governar o mundo natural, deveriam eles buscar governar a si mesmos do modo mais justo e mais eficiente possível. (D) Montesquieu lembra que ...... (dever) caber aos filósofos alertar os homens para não se esquecerem das leis morais que devem ser cumpridas. (E) ...... (atuar) claramente nesse texto, onde tão bem se representa o pensamento de Montesquieu, os conceitos fundamentais de mundo físico e mundo inteligente._________________________________________________________ 15. As leis humanas são falíveis, os homens desrespeitam as leis humanas e destituem as leis humanas do sentido de uma profunda equidade que deveria reger as leis humanas. Evitam-se as viciosas repetições do período acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por: (A) desrespeitam a elas −destituem-nas −deveria reger- lhes (B) desrespeitam-lhes −as destituem −deveria regêlas (C) desrespeitam-nas −lhes destituem −lhes deveria reger (D) lhes desrespeitam −destituem-lhes −deveria regê- las (E) desrespeitam-nas −destituem-nas −as deveria reger GABARITO 001 - D 002 - B 003 - C 004 - C 005 - A 006 - C 007 - D 008 - B 009 - A 010 - E 011 - B 012 - D 013 - C 014 - E 015 – E O texto abaixo refere-se às questões de números 1 a 5. 1 5 10 15 20 25 30 35 No século VI a.C., os primeiros filósofos gregos preocuparam-se em conhecer os elementos constitutivos das coisas. Eles investigaram a Natureza, à busca de um princípio estável, comum a todos os seres, que explicasse a sua origem e as suas transformações. Físicos, como foram chamados por Aristóteles, esses primeiros filósofos, de Tales a Anaxímenes, fundaram uma tradição de estudo da Natureza, seguida e aprofundada, entre outros, por Heráclito, Pitágoras, Demócrito. Na segunda metade do século V a.C., os Sofistas, professores da juventude ateniense numa época de crise, inspirados mais pelo interesse prático do que por uma intenção teórica pura, debateram, entre outras ideias, o Bem, a Virtude, o Belo, a Lei e a Justiça, formulando, a respeito de seu conteúdo, teses ousadas e contraditórias. Não obstante a falta de rigor e o propósito de confundir os adversários, com a habilidade de raciocínio que os notabilizou, os Sofistas tiveram o indiscutível mérito de introduzir, no estudo da sociedade e da cultura, o ponto de vista reflexivo-crítico que caracteriza a filosofia. Mas seria preciso esperar por Sócrates (470-399 a.C.), misto de pedagogo e de filósofo, que procurou definir os valores morais,as profissões, o governo e o comportamento social, para que esse ponto de vista se insinuasse também na apreciação das artes. Sócrates, que discorria sobre todos os assuntos humanos, entrou, certa vez, no ateliê do pintor Parrásio, e a este perguntou o que a Pintura poderia representar. Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, fez, no seu diálogo A república, um confronto, que se tornou decisivo pelas implicações filosóficas que encerra, entre Arte e Realidade. Levando em conta o caráter representativo da Pintura e da Escultura, o filósofo concluía, nesse diálogo, não só que essas artes estão muito abaixo da verdadeira Beleza que a inteligência humana se destina a conhecer, como também que, em comparação com os objetivos da ciência, é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem, pois o que 40 produzem é inconsistente e ilusório. Por outro lado, Platão observa que a Poesia e a Música exercem influência muito grande sobre os nossos estados de ânimo, e que afetam, positiva ou negativamente, o comportamento moral dos homens. (Adaptado de: NUNES, Benedito. Introdução à filosofia da arte. 4. ed., São Paulo: Ática, 1999, p. 7 e 8) 1. No texto, o autor (A) comenta o percurso da filosofia com o intuito de comprovar que o pensamento filosófico se eleva sobre todas as outras formas de conhecimento, principalmente a relacionada ao universo das artes. (B) objetiva, entre outros aspectos, demonstrar que a denominação que Aristóteles deu aos primeiros filósofos constitui equívoco que a própria história se encarregou de corrigir. (C) debate distintas perspectivas da reflexão filosófica, ao longo dos séculos, para evidenciar o papel decisivo que Platão desempenha na pesquisa da inteligência humana. (D) cita pensadores para evidenciar caminho constitutivo do pensamento filosófico, considerando distintos aspectos sobre os quais recaíram as inquietações desses intelectuais nesse percurso. (E) firma, respeitando a cronologia, a relevância de cada um dos pensadores que compõem a história da Filosofia até seu apogeu, quando esta reconhece o significativo papel das artes plásticas na área filosófica. _________________________________________________________ 2. Sobre os Sofistas, tal como caracterizados no texto, é correto afirmar: (A) foram suficientemente habilidosos para, numa época crítica da civilização grega, dar consistência e coerência às suas teses sobre a concepção do Bem, da Virtude, do Belo, da Lei e da Justiça. (B) motivados pela necessidade de orientar a juventude ateniense da segunda metade do século V a.C., dedicaram-se a atividades estritamente especulativas, sólida base para posteriores ações pedagógicas. (C) desempenharam papel pioneiro ao desenvolver técnicas, teses e conceitos novos, alicerçados na indiscutível capacidade mental que demonstravam ao encadear logicamente a argumentação com que defendiam seus princípios. (D) tiveram desqualificados seus méritos, principalmente o de fundar uma perspectiva filosófica no estudo da sociedade e da cultura, pela falta de rigor em suas práticas e pela evidente intenção de turvar o raciocínio dos seus parceiros de diálogo com teses falaciosas. (E) a atitude que assumiram diante do que elegeram para estudo na Atenas da segunda metade do século V a.C. representou a inserção de uma perspectiva de abordagem do objeto que é marca distintiva da filosofia. 3. Considerado o parágrafo 3, em seu contexto, é correto afirmar: (A) O emprego da forma verbal destacada em (linha 22) Mas seria preciso esperar por Sócrates indica que qualquer outro pedagogo ou filósofo poderia ser responsável pelo fato citado e que a presença de Sócrates como seu agente deve ser considerada um acontecimento fortuito. (B) Infere-se que a pergunta citada (linha 29) é considerada por Nunes uma indagação filosófica acerca da essência da Pintura, indagação que transportava para o domínio das artes a atitude interrogativa que já tinha sido assumida pelos filósofos gregos em relação às coisas e aos valores sociais. (C) A sequência (linhas 24 e 25) os valores morais, as profissões, o governo e o comportamento social constitui uma escala que vai do aspecto mais valorizado pelo autor ao que pode merecer menor destaque. (D) O emprego de (linha 26) também supõe que o ponto de vista referido tivesse já se insinuado em outras áreas, que não são, entretanto, mencionadas; isso exige do leitor que levante hipóteses sobre quais poderiam ser. (E) Transpondo o segmento (linhas 28 e 29) e a este perguntou o que a Pintura poderia representar, formulado em diálogo indireto, para o diálogo direto, a forma que respeita as orientações da gramática normativa é: "e a este pergunta: −O que a Pintura talvez chegue a representar?". _________________________________________________________ 4. Afirma-se com correção sobre o que se tem no parágrafo 4: (A) (linhas 31 e 32 ) Em que se tornou decisivo pelas implicações filosóficas que encerra, justifica-se o emprego de dois distintos tempos verbais pelo fato de a primeira forma indicar uma ação que se deu em certo momento do passado e a segunda, uma opinião tomada como le gítima. (B) (linhas 33 e 34 ) A frase Levando em conta o caráter representativo da Pintura e da Escultura exprime ideia de condição; assim, o segmento inicial equivale a "Se levasse em conta". (C) (linhas 33 a 44) O confronto estabelecido por Platão entre Arte e Realidade impede qualquer apreciação positiva de uma manifestação artística. (D) (linhas 30 a 44) Platão faz duas avaliações da Pintura e da Escultura, mas somente acerca de uma delas −é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem −deixa explícito o parâmetro tomado para a apreciação. (E) (linhas 38 a 40 ) Em é supérflua a atividade daqueles que pintam e esculpem, pois o que produzem é inconsistente e ilusório, a inclusão de uma vírgula após a palavra pois preserva a correção gramatical do segmento. _________________________________________________________ 5. Considerada a norma-padrão da língua, tem consistência o seguinte comentário: (A) (linha 2) a forma preocuparam-se exemplifica a existência de verbo que aceita um pronome oblíquo átono do mesmo número e pessoa do sujeito, o chamado verbo pronominal. (B) (linhas 4 e 5) em que explicasse a sua origem, a palavra destacada remete a todos os seres, não se admitindo a possibilidade de superposição de elementos retomados pelo pronome. (C) (linha 7) no segmento de Tales a Anaxímenes, as preposições demarcam aqueles que integram um grupo, sem contemplar a categoria temporal. (D) (linhas 20 e 21) se, em lugar de o ponto de vista, se tratasse de distintos pontos, a formulação "os distintos pontos de vista reflexivos-críticos" estaria em concordância com as normas gramaticais. (E) (linha 32) assim como decisivo está grafado em conformidade com as normas da gramática, o estão as palavras "proesa" e "deslise". 6. Ou me engano, ou isto quis dizer que se lançam véus sobre certas notícias a pretexto de que, sujeitas a tantas e tão virulentas críticas, faz mal às pessoas. Tomando como parâmetro a norma-padrão escrita, comentário adequado sobre o acima transcrito é: O período (A) está correto em todos os seus aspectos. (B) tem de receber duas correções: "quiz", em lugar de "quis", e "que se lança", em lugar de "que se lançam. (C) merece uma única correção: "fazem mal", em lugar de "faz mal". (D) tem de, entre outras, receber obrigatoriamente a alteração de "às pessoas" para "as pessoas". (E) tem de, entre outras, receber obrigatoriamente mais um acento indicativo da crase, em "à pretexto". _________________________________________________________7. A frase em que as ideias estão expressas de modo claro e correto é: (A) Toda pessoa que paga imposto tem o direito de externar sua opinião sobre o modo como o governo trata os munícipes, mas se a pessoa está vinculada ao trabalho no setor da vida pública quando critica corrompe com a ética profissional. (B) No que se refere aos meios de comunicação, o brasileiro vive um período complexo: na medida que a mídia cai em descrédito com o grande público −o tratamento é abusivo das notícias ou grave peso ideológico −os novos veículos da informática ga nham cada vez mais credibilidade. (C) A liberdade de expressão do cidadão que é funcionário do Estado em certa função encontra alguns condicionamentos em face de seu vínculo institucional, mas tal excessiva limitação não pode se interpretar a ponto de comprometer aquele direito. (D) Numa democracia, até mesmo, ou principalmente, a imprensa é meio que não se pode prescindir para a liberdade de expressão, e por isso da evolução democrática, motivo pelo qual há o sigilo da fonte, garantido pela lei vigente quando ocorre uma denúncia. (E) Ainda que seja legítimo o conceito de que é direito da pessoa expressar-se livremente −sobre qualquer assunto que lhe diga respeito ou lhe aprouver −e de que o sistema jurídico do país tem o dever de garantir esse bem da democracia, é leviano dissociá-lo da responsabilidade inerente ao gesto cidadão de manifestar- se. _________________________________________________________ 8. A alternativa redigida em conformidade com a normapadrão escrita é: (A) Enfatizou que nada contribue mais para o desânimo da categoria do que ver o jornalismo impresso hoje desmoralizado e rendido perante às redes sociais e novas mídias. (B) Se ele vir de avião, chegará antes do tempo previsto, mas, ninguém há de considerá-lo empecilho para que se dê continuidade aos preparativos da festa em sua própria homenagem. (C) De todas as atividades prazerosas, as que mais surtiam efeito positivo sobre o ânimo dos adolescentes eram as que concretizavam a intenção de levantar fundos para instituições beneficentes. (D) Tinha mania de imputar nos outros as ações que ela mesma praticava irrefletidamente, e por isso, ao suporem que faria o mesmo naquele dia, acusaram lhe antecipadamente de malediscência. (E) Conclusões as mais absurdas possível foram endossadas por muitos pesquisadores de renome, os quais todos esperavam, com justiça, perspicácia e bom senso. O texto abaixo refere-se às questões de números 9 a 14. Blogs e Colunistas Sérgio Rodrigues Sobre palavras Nossa língua escrita e falada numa abordagem irreverente 02/02/2012 Consultório ‘No aguardo’, isso está certo? “Parece que virou praga: de dez e-mails de trabalho que me chegam, sete ou oito terminam dizendo ‘no aguardo de um retorno’! Ou outra frase parecida com esta, mas sempre incluindo a palavra ‘aguardo’. Isso está certo? Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo? Gostaria de conhecer suas considerações a respeito.” (Virgílio Mendes Neto) Virgílio tem razão: uma praga de “no aguardo” anda infestando nossa língua. Convém tomar cuidado, nem que seja por educação: antes de entrarmos nos aspectos propriamente linguísticos da questão, vale refletir por um minuto sobre o que há de rude numa fórmula de comunicação que poderia ser traduzida mais ou menos assim: “Estou aqui esperando, vê se responde logo!”. (Onde terá ido parar um clichê consagrado da polidez como “Agradeço antecipadamente sua resposta”? Resposta possível: foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros bordados verbais do tempo das cartas manuscritas, porque o meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a perder com hipocrisias. O que equivale a dizer que, sendo o meio a mensagem, como ensinou o teórico da comunicação Marshall McLuhan, a internet é casca-grossa por natureza. Será mesmo?) Quanto à questão da existência, bem, o substantivo “aguardo” existe acima de qualquer dúvida. O dicionário da Academia das Ciências de Lisboa não o reconhece, mas isso se explica: estamos diante de um regionalismo brasileiro, um termo que tem vigência restrita ao território nacional. Desde que foi dicionarizado pela primeira vez, por Cândido de Figueiredo, em 1899, não faltam lexicógrafos para lhe conferir “foros de cidade”, como diria Machado de Assis. Trata-se de um vocábulo formado por derivação regressiva a partir do verbo aguardar. Tal processo, que já era comum no latim, é o mesmo por meio do qual, por exemplo, do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. 9. Considerados os textos do autor da coluna e do consulente, é correto dizer: (A) A resposta inicia-se com informações não solicitadas pelo consulente, mas importantes para esclarecer aspectos das perguntas que fez. (B) O consulente preocupa-se com a correção, enquanto o autor da coluna demonstra isenção em relação a qualquer uso da língua, desde que as formas em questão existam. (C) O autor da coluna menospreza o dicionário da Academia de Ciências de Lisboa por causa do evidente preconceito desta obra em relação à linguagem falada no Brasil. (D) O consulente revela disposição para mudar seu julgamento sobre “aguardo”, caso se comprove que a palavra existe. (E) O autor da coluna e o consulente produzem textos em que cada um se dirige diretamente ao interlocutor, usando a 2a pessoa do singular. _________________________________________________________ 10. O autor (A) afirma fazer uso de expressões como “Agradeço antecipadamente sua resposta” porque elas ao menos permitem denotar polidez. (B) ironiza o privilégio concedido às pretensas mensagens diretas do meio digital, já que com elas se perde em estilo (bordados verbais) e em cortesia. (C) afirma, com bom humor, mas com base em trabalhos qualificados, que, desde sua dicionarização, “aguardo” é palavra característica de um vocabulário rural. (D) vale-se de informações sociolinguísticas, de história da língua e de morfologia para comprovar a existência de “aguardo”. (E) recorre ao latim para propor que “aguardo” pode ter aparecido na língua bastante antes de 1899, data de sua dicionarização. _________________________________________________________ 11. Considere as seguintes afirmações. I. Em Nossa língua escrita e falada numa abordagem irreverente, há uma ambiguidade que é produtiva para o texto: em qualquer uma das interpretações, a frase caracteriza bem a coluna. II. O uso de Consultório para nomear a coluna é incorreto, já que esse substantivo é usado para nomear certo espaço reservado aos profissionais da saúde. III. O autor destaca a palavra existência para enfatizar que vai tratar da questão em perspectiva específica: a da presença ou ausência do substantivo em dicionários. Está correto o que se afirma em (A) I, II e III. (B) I e II, apenas. (C) I e III, apenas. (D) II e III, apenas. (E) I, apenas. 12. Acerca da pontuação empregada, é correto o seguinte comentário: (A) Em Que diabo de palavra é esse ‘aguardo’ que não é verbo?, seria mais apropriado um ponto de exclamação, considerado o conteúdo da frase. (B) Considerado o conteúdo do texto, os parênteses que acolhem o segundo parágrafo da resposta justificam-se pelo caráter menos central das informações e comentários que contêm. (C) Na primeira linha do texto citado e nas três primeiras do texto de Sérgio Rodrigues, dado o sentido do que vem em seguida, os dois-pontos poderiam ser substituídos por “porque”. (D) Em foi aposentado compulsoriamente ao lado de outros bordados verbais, a apresentação de compulsoriamente entre vírgulasalteraria o sentido original, tornando prescindível a presença desse advérbio na frase. (E) As aspas em “foros de cidade” assinalam que a expressão é usada por outros, que não o autor, diferentemente das aspas em “no aguardo”. 13. Está correta a seguinte flexão para o plural: (A) Trata-se de um vocábulo: Tratam-se de vocábulos. (B) o meio digital privilegia as mensagens diretas e não tem tempo a perder: os meios digitais privilegiam as mensagens diretas e não tem tempo a perder. (C) é casca-grossa por natureza: são casca-grossas por natureza. (D) o substantivo [...] existe acima de qualquer dúvida: os substantivos existem acima de qualquer dúvidas. (E) se extraiu o substantivo: se extraíram os substantivos. 14. Considerada a norma culta escrita, há correta substituição de estrutura nominal por pronome em: (A) Agradeço antecipadamente sua resposta // Agradeço-lhes antecipadamente. (B) do verbo fabricar se extraiu o substantivo fábrica. // do verbo fabricar se extraiu-lhe. (C) não faltam lexicógrafos // não faltam-os. (D) Gostaria de conhecer suas considerações // Gostaria de conhecê-las. (E) incluindo a palavra ‘aguardo’ // incluindo ela. 15. Uma frase comum no início de certo tipo de documento oficial está corretamente redigida em: (A) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, seja realizado uma Reunião Solene... (B) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas às formalidades regimentais, que seja formulado um Voto de Aplauso pela beneficiência da senhora Ana Margarete da Silva... (C) Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, que sejam transcritos os artigos sobre a ascensão da nova classe média em Pernambuco... (D) Requeremos a Mesa, ouvido o Plenario e cumpridas as formalidades regimentais, que, seja enviado Votos de Pesares aos familiares dos cabeleleiros... (E) Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais que seja realizado uma Audiencia Pública... 001 - D 002 - E 003 - B 004 - A 005 - A 006 - C 007 - E 008 - C 009 - A 010 - D 011 - C 012 - B 013 - E 014 - D 015 – C abaixo. O romance policial, descendente do extinto romance gótico, conserva características significativas do gênero precursor: a popularidade imensa e os meios para obtê-la. “Romances policiais”, reza um anúncio do editor de Edgar Wallace, “são lidos por homens e mulheres de todas as classes; porque não há nada que seja tão interessante como a explicação de um crime misterioso. Não há nada que contribua com eficiência maior para divertir os espíritos preocupados”. Os criminosos e detetives dos romances policiais servem-se dos instrumentos requintados da tecnologia moderna para cometer e revelar horrores: sociedades anônimas do crime, laboratórios científicos transformados em câmaras de tortura. Os leitores contemporâneos acreditam firmemente na onipotência das ciências naturais e da tecnologia para resolver todos os problemas e criar um mundo melhor; ao mesmo tempo, devoram romances nos quais os mesmíssimos instrumentos físicos e químicos servem para cometer os crimes mais abomináveis. Leitores de romances policiais não são exigentes. Apenas exigem imperiosamente um final feliz: depois da descoberta do assassino, as núpcias entre a datilógrafa do escritório dos criminosos e o diretor do banco visado por eles, ou então a união matrimonial entre o detetive competente e a bela pecadora arrependida. Não adianta condenar os romances policiais porque lhes falta o valor literário. Eles são expressões legítimas da alma coletiva, embora não literárias, e sim apenas livrescas de desejos coletivos de evasão. (Adaptado de Otto Maria Carpeaux. Ensaios reunidos 1942-1978. Rio de Janeiro: UniverCidade e TopBooks, v.1, 1999. p. 488-90) 1. O leitor de romances policiais, tal como caracterizado no texto, (A) pertence a determinada classe social e despreza a técnica literária. (B) é difícil de satisfazer e descrente da moral contemporânea. (C) confia na soberania da ciência e é condescendente com enredos inverossímeis. (D) é leigo em tecnologia e demonstra alto grau de erudição. (E) usa a leitura como fonte de entretenimento e prescinde de finais felizes. 2. Atente para as afirmações abaixo sobre a pontuação empregada no texto: I. O emprego das aspas no primeiro parágrafo denota transcrição exata das palavras do editor citado. II. No segundo parágrafo, os dois-pontos introduzem uma síntese do que foi afirmado antes. III. Na frase Não adianta condenar os romances policiais porque lhes falta o valor literário, uma vírgula poderia ser colocada imediatamente antes do termo porque sem prejuízo para a correção e o sentido original. Está correto o que consta APENAS em (A) I e III. (B) I e II. (C) III. (D) II. (E) I. _________________________________________________________ 3. A substituição do segmento grifado por um pronome, com as necessárias alterações, foi efetuada de modo correto em: (A) criar um mundo melhor criar-lhe (B) divertir os espíritos preocupados divertir-lhes (C) condenar os romances policiais condenar-nos (D) resolver todos os problemas lhes resolver (E) devoram romances devoram-nos _________________________________________________________ 4. O romance policial, descendente do extinto romance gótico, conserva características significativas do gênero precursor: a popularidade imensa e os meios para obtê-la. Mantendo-se a correção, a lógica e, em linhas gerais, o sentido original, uma redação alternativa para a frase acima é: (A) Originário no extinto romance gótico, no romance policial conserva-se a popularidade imensa e os meios para obtê-la, características significativas do gênero precursor. (B) Características significativas do extinto romance gótico, no qual são conservadas do romance policial, como a popularidade imensa e os meios para obtê-la. (C) A popularidade imensa e os meios para obtê-la, no qual são considerados características significativas do romance policial, gênero precursor do extinto romance gótico. (D) Conservam-se no romance policial características significativas do extinto romance gótico, gênero que o precede, tais como a popularidade imensa e os meios para obtê-la. (E) Características originárias do extinto romance gótico, na qual incluem a popularidade imensa e os meios para obtê-la, conservam-se no romance policial. As questões de números 5 a 10 referem-se ao texto abaixo. Indicado como presidente da Câmara de Comércio em 1908, Winston Churchill foi uma figura líder no amplo programa de reformas sociais do governo liberal. Em 1909, ele introduziu as “Câmaras de profissões”, organizações estatutárias que estabeleciam salários mínimos nas indústrias-chave. Churchill apoiou fortemente a introdução da Lei reguladora das minas de carvão, de 1908, que se tornou conhecida como “Lei das oito horas”, porque limitava o tempo que os mineiros permaneciam abaixo da superfície. Em 1908, também apresentou a Corte permanente de arbitragem −que muito mais tarde se tornaria o Serviço consultivo de conciliação e arbitragem −para cuidar das reivindicações dos sindicatos profissionais. Quando foi nomeado ministro do Tesouro, em 1924, Churchill continuou sua política de reformas sociais. Neville Chamberlain, secretário da Saúde, foi responsável por ampliar a abrangência da previdência social, com a introdução da Lei das viúvas, órfãos e da velhice. Churchill estava ansioso por colaborar com Chamberlain na implantação desse esquema, de modo que ele próprio o anunciou no orçamento de 1925. Chamberlain escreveu em 1o de maio em seu diário:“A exposição do orçamento de Winston foi um desempenho de mestre, e, embora o meu escritório e alguns de meus colegas estejam indignados por ele tomar para si mesmo o crédito de um esquema que pertence ao Ministério da Saúde, eu mesmo não pensei que tivesse qualquer razão para me queixar. Em certo sentido, é o seu esquema. Nós estávamos empenhados em algo do gênero, mas não acredito que o fizéssemos este ano se ele não o tivesse encampado no orçamento. Na minha opinião, ele merece crédito pessoal especial por sua iniciativa”. (Nigel Knight. Churchill desmascarado. Trad. Constantino Kauzmin-Korovaeff. São Paulo: Ed. Larousse do Brasil, p. 32-33) 5. Segundo o texto, (A) o objetivo da Lei reguladora das minas de carvão era o de restringir a carga horária dos trabalhadores dentro das minas. (B) Churchill esforçou-se para apoiar a Lei das viúvas, órfãos e da velhice por razões exclusivamente eleitoreiras. (C) pressionado pelas reivindicações dos sindicatos profissionais, Churchill decidiu ampliar as reformas sociais no país. (D) Churchill recebeu punição severa por tomar para si mesmo o crédito de um esquema do Ministério da Saúde. (E) responsável por ampliar a abrangência da previdência social, Churchill atraiu para si fortes inimizades políticas. 6. Atente para as afirmações abaixo: I. Churchill estava ansioso por colaborar com Chamberlain ... O elemento grifado pode ser substituído por inquieto, sem prejuízo para a correção e o sentido original. II. ... de modo que ele próprio o anunciou no orçamento de 1925. O segmento grifado pode ser substituído por haja vista, sem prejuízo para a correção e o sentido original. III. Na minha opinião, ele merece crédito pessoal especial por sua iniciativa. Considerando-se o contexto, uma redação alternativa para a frase acima em que se mantêm a correção e, em linhas gerais, o sentido original é: Creio que ele mereça crédito pessoal especial por sua iniciativa. Está correto o que consta APENAS em (A) I. (B) II e III. (C) III. (D) I e II. (E) II. _________________________________________________________ 7. Em 1909 ele introduziu as “Câmaras de profissões”... Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: (A) são introduzidas. (B) foram introduzidas. (C) se introduz. (D) foi introduzido. (E) seja introduzida. _________________________________________________________ 8. ... que estabeleciam salários mínimos nas indústriaschave. O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está em: (A) ... que muito mais tarde se tornaria o Serviço consultivo de conciliação... (B) ... embora o meu escritório e alguns de meus colegas estejam indignados... (C) ... de um esquema que pertence ao Ministério da Saúde... (D) Em 1908, também apresentou a Corte permanente de arbitragem... (E) ... porque limitava o tempo que os mineiros ... 9. Havia um tema urgente ...... Churchill precisava lidar enquanto era secretário da guerra: os constantes problemas da Irlanda. Preenche corretamente a lacuna da frase acima: (A) nos quais (B) do qual (C) com o qual (D) ao qual (E) para os quais _________________________________________________________ 10. Winston Churchill, primeiro-ministro que ...... a Inglaterra durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial, ...... mais do que todos que o país ...... os alemães. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada: (A) conduzia - acredita - venceriam (B) conduziu - acreditou - venceria (C) conduz - acreditavam - venceria (D) conduziu - acreditaram - venceu (E) conduzira - acreditou – venceu 001 - C 002 - E 003 - E 004 - D 005 - A 006 - C 007 - B 008 - E 009 - C 010 – B Para responder às questões de números 1 a 7, considere o texto abaixo. O sino d e ouro [...] −mas me contaram em Goiás, nessa povoação de poucas almas, as casas são pobres e os homens pobres, e muitos são parados e doentes e indolentes, e mesmo a igreja é pequena, me contaram que ali tem −coisa bela e espantosa −um grande sino de ouro. Lembrança de antigo esplendor, gesto de gratidão, dádiva ao Senhor de um grã-senhor −nem Chartres, nem Colônia, nem S. Pedro ou Ruão, nenhuma catedral imensa com seus enormes carrilhões tem nada capaz de um som tão lindo e puro como esse sino de ouro, de ouro catado e fundido na própria terra goiana nos tempos de antigamente. É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus −gemidos, gritos, blasfêmias, batuques, sinos, orações, e o murmúrio temeroso e agônico das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões −eles sabem que Deus, com especial delícia e alegria, ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. [...] Mas quem me contou foi um homem velho que esteve lá; contou dizendo: “eles têm um sino de ouro e acham que vivem disso, não se importam com mais nada, nem querem mais trabalhar; fazem apenas o essencial para comer e continuar a viver, pois acham maravilhoso ter um sino de ouro”. O homem velho me contou isso com espanto e desprezo. Mas eu contei a uma criança e nos seus olhos se lia seu pensamento: que a coisa mais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Com certeza é esta mesma a opinião de Deus, pois ainda que Deus não exista ele só pode ter a mesma opinião de uma criança. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrução*, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão. *corrução corrupção (regionalismo) (Adaptado de: BRAGA, Rubem. Os melhores contos de Rubem Braga. São Paulo: Global, 1999, 10 ed. p. 131-132) 1. O desenvolvimento do texto salienta, especialmente, (A) a importância da preservação de um meio ambiente favorável à propagação do som oriundo das badaladas de um sino de ouro que, ecoando na natureza, traz alegria para aqueles que o estão ouvindo. (B) a permanência de uma concepção materialista voltada para elementos terrenos de valor incontestável perante os homens, representado pelo sino de ouro que resgata as antigas riqueza e importância do lugar. (C) o contraste entre antiga riqueza e atual pobreza, assim como entre a grandeza de catedrais famosas e a simplicidade do lugarejo em que a existência de um sino de ouro se mostra como algo extraordinário. (D) o esforço de uma população que vive sem recursos em uma região distante e abandonada, no sentido de demonstrar sua fé através do som produzido por um objeto de grande valor, como o sino de ouro. (E) o desencanto das pessoas mais velhas com a decadência do lugar onde vivem, de cuja grandiosidade restou apenas um sino de ouro que, ainda que pequeno, corrobora suas convicções religiosas. 2. No último parágrafo, identifica-se (A) a conclusão pertinente de todo o desenvolvimento textual, com oposição entre a visão de espanto e desprezo de um homem velho e a ingenuidade e a simplicidade de uma criança, ainda não corrompida pelos desencantos da vida. (B) a introdução de um novo argumento de sustentação da ideia central do texto, ou seja, a de que os seres humanos estarãosempre sujeitos à perda de valores morais e religiosos, principalmente se conseguem alcançar riquezas materiais. (C) uma opinião emitida pelo próprio autor, em que expõe sua dúvida pessoal quanto à real importância atribuída a um objeto de alto valor, como um sino de ouro, desnecessário, entretanto, para uma população tão pobre e desamparada. (D) uma censura ao emprego indevido de bens materiais, simbolizados na utilização do ouro extraído do próprio lugar, onde nada mais existe, a não ser indolência e miséria, para fundir um sino, cujo benefício está apenas na sonoridade, ainda que bela. (E) o desprezo do autor diante da história que lhe foi contada, por considerar o contraste entre a pobreza das pessoas e a quantidade de ouro necessária para a fundição de um sino, sem valor imediato para melhorar as condições de vida na região. 3. ... das grandes cidades que esperam a explosão atômica e no seu próprio ventre negro parecem conter o germe de todas as explosões... (3o parágrafo) Identifica-se, na afirmativa acima, (A) constatação quanto ao fato de que a explosão demográfica que identifica as grandes cidades tende a inviabilizar a convivência pacífica entre os cidadãos. (B) reconhecimento de perigos externos que venham a comprometer a necessária tranquilidade da vida nas grandes cidades. (C) indicação da existência de uma estabilidade social trazida, incontestavelmente, por uma paz urbana garantida internamente. (D) resignação frente aos problemas vividos por uma população heterogênea, como a que se encontra nos maiores aglomerados urbanos. (E) alusão a uma violência imanente, que pode tornar-se fator de desestabilização da vida em sociedade, principalmente em grandes centros urbanos. 4. É apenas um sino, mas é de ouro. De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados, e as veredas de buritis, e a melancolia do chapadão, e chega ao distante e deserto carrascal, e avança em ondas mansas sobre os campos imensos, o som do sino de ouro. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. [...] E então é como se cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro. O trecho transcrito acima é exemplo de (A) uso insistente de repetições que interrompem conscientemente o fluxo narrativo, resultando em ideias circulares e expressões já apresentadas anteriormente como, por exemplo, ondas mansas. (B) emprego de recursos sintáticos que garantem o encadeamento das ideias, como a insistência no uso da conjunção e, que imprime, além do mais, ritmo melódico às frases. (C) ressalva em relação a todo o teor do texto, ao pretender acentuar a importância de um sino de ouro, como atestado da antiga prosperidade do lugarejo, agora habitado somente por homens pobres. (D) identificação dos sentimentos religiosos do autor, ao ouvir o som do sino de ouro, participando da alegria demonstrada pelos habitantes do lugar em possuir tão valioso instrumento sonoro. (E) uso prolixo de alguns elementos da língua, pois, ao afirmar que se trata de apenas um sino, ou de um pequeno sino de ouro, o autor diminui a importância desse objeto naquele lugar humilde. 5. Considere as afirmativas abaixo a respeito do emprego de sinais de pontuação no texto: I. O longo segmento isolado por travessões no 3o parágrafo constitui uma enumeração de sentido explicativo em relação à afirmativa que o antecede. II. Os dois-pontos que aparecem no 4o parágrafo introduzem uma citação, devidamente assinalada pelas aspas que aparecem no seu início e no fim. III. ... que a coisa m ais bonita do mundo deve ser ouvir um sino de ouro. Estaria inteiramente correta, sem alteração do sentido da afirmativa, a colocação de uma vírgula entre o verbo ser e o verbo ouvir. IV. Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro... O segmento quando criança pode ser isolado por vírgulas, sem prejuízo para a correção da frase. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I, II e IV. (B) I, II e III. (C) II, III e IV. (D) II e III. (E) I e IV. 6. ... que ali tem um grande sino de ouro ... eles têm um sino de ouro O par que se caracteriza pelos mesmos tempo, modo e pessoas em que se encontram os verbos sublinhados acima é: (A) se lia seu pensamento se liam suas ideias (B) cada um deles fez apenas o essencial fazem apenas o essencial ( C) eles sabem que Deus ... se eles soubessem que Deus ... (D) o lugarejo é pobre as casas são pobres (E) O homem velho me contou isso Os habitantes me contaram isso 7. E a cada um daqueles homens pobres ele dá cada dia sua ração de alegria. A função sintática do termo sublinhado acima é a mesma do que se encontra, também sublinhado, em: (A) ... nenhuma catedral imensa [...] tem nada capaz de um som tão lindo e puro ... (B) Pois cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro ... (C) Eles sabem que de todos os ruídos e sons que fogem do mundo em procura de Deus ... (D) ... que Deus [...] ouve o som alegre do sino de ouro perdido no fundo do sertão. (E) De tarde seu som vai voando em ondas mansas sobre as matas e os cerrados ... 8. As normas de concordância verbal e nominal estão inteiramente respeitadas em: (A) É aceito por todos os habitantes a existência de um sino de ouro, apesar da pobreza geral, porque a beleza dos sons por ele emitido não se comparam a nada. (B) Um viajante que chega ao lugarejo deve achar incompatível as condições miseráveis de vida da população e o alto valor de um sino de ouro ali existente. (C) Somente os sons de um sino de ouro poderia tornar-se a maneira mais apropriada, para aqueles pobres homens, de cultivarem e transmitirem seu sentimento religioso. (D) Todos os dias, o som do sino de ouro que se espalha pelos ares enche de alegria o coração dos habitantes e lhes traz uma doce sensação de paz e harmonia. (E) Naquele lugar pequeno e pobre, os sons de um sino de ouro se transforma no maior presente que os moradores é capaz de oferecer aos viajantes que casualmente passam por ali. 9. Algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar. O forasteiro propõe negócios. Propõe estradas. Propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio. Os habitantes permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. As frases acima compõem um parágrafo corretamente pontuado, com lógica, clareza e coesão, em: (A) Ainda que algum forasteiro possa chegar ao pequeno lugar por acaso, que propõe negócios, propõe estradas e propõe progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecem quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. (B) Enquanto algum forasteiro chega por acaso ao pequeno lugar e propõe negócios e mais estradas, com progresso. Os habitantes olham o forasteiro em silêncio, permanecendo quietos e ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. (C) Os habitantes do pequeno lugar olham o forasteiro que chega por acaso em silêncio. Eles permanecem quietos, com seu particular sino de ouro que ouvem dentro de si, mesmo com o forasteiro propondo negócios, estradas e progresso. (D) Os habitantes que olham o forasteiro em silêncio e eles permanecem quietos. Eles ouvem dentro de si seu particular sino de ouro, quando ele chega por acaso ao pequeno lugar. Por isso mesmo, o forasteiro propõe negócios, propõe estradas, propõe progresso. (E) Se algum forasteiro, por acaso, chega ao pequeno lugar, propondo negócios, estradas e progresso, os habitantes o olham em silêncio. Permanecendo quietos, ouvem dentro de si seu particular sino de ouro. 10. O segmento inteiramente correto, com linguagem adequada e respeito às normas que regem a redação de documentos oficiais, é: (A) Os congressistas acabam deaprovar a emenda apresentada na semana passada, para votação, por que consideraram que a mesma vem de encontro aos interesses dos contribuintes, por isso votaram unânimes nela, aprovando-a. (B) Os contratos ora vigentes privilegiam a boa governança empresarial, no sentido de se estabelecerem normas fundamentais para acordos entre partes interessadas, compra e venda de materiais, fornecimento de componentes necessários e cumprimento dos prazos estabelecidos. (C) Conquanto é necessário o comparecimento de todos para o quorum permitindo a votação dos projetos enviados, parece que não será isso possível, já que os participantes da comissão estão envolvidos com outros compromissos, também inadiáveis. (D) As partes interessadas decidiram que os bens que cada parte adquirir, a qualquer título, durante a vigência do contrato, será propriedade comum às partes, e a divisão será de acordo com o que cada uma dessas partes adquirir, quando o contrato for rompido. (E) Como se tratam de documentos de cessão de bens, onde esses bens se encontram relacionados, é importante estabelecer a origem de cada um deles e de seu proprietário, com o propósito de se evitar futuras demandas e acúmulo de processos judiciais. GABARITO 001 - C 002 - A 003 - E 004 - B 005 - A 006 - D 007 - C 008 - D 009 - E 010 – B Para responder às questões de números 1 a 9, considere o texto abaixo. Na literatura internacional da Ciência Política, é hoje dominante o entendimento de que democracia é um arcabouço institucional para a pacificação das lutas inerentes à conquista e ao exercício do poder, não um padrão de sociedade fundado na igualdade socioeconômica substantiva. A democracia surge historicamente em sociedades com profunda desigualdade, estratificadas, sendo muito mais causa que consequência da redução das desigualdades sociais. De fato, certa tensão entre os conceitos institucional e substantivo da democracia existe por toda parte, mas articula-se de maneira específica no pensamento de cada país. Durante todo o século XX, a avaliação de que democracia só é “autêntica” quando estreitamente associada a avanços no plano da igualdade foi compartilhada por correntes ideológicas diversas. Endossar o conceito analítico da democracia como um arcabouço político-institucional, a meu ver correto, não significa que o corpo de hipóteses históricas e empíricas que explica a consolidação da democracia como sistema em casos concretos possa passar ao largo das desigualdades sociais e dos obstáculos culturais delas decorrentes. Como processo histórico, a evolução da democracia representativa deve ser compreendida como resultante de dois vetores. De um lado, a formação de uma autoridade central capaz de arbitrar disputas de poder, inclusive mediante a elaboração de uma complexa aparelhagem eleitoral; de outro, o crescimento econômico, com todas as implicações para a elevação do piso de bem-estar e desconcentração das posições de privilégio, status. Num período dilatado de tempo, tal processo propicia efetiva redistribuição de renda e riqueza, facilita o surgimento econômico e político de uma classe média e torna mais provável o fortalecimento da “sociedade civil”. Desde a Segunda Grande Guerra, o principal determinante da estabilidade democrática foi o crescimento econômico. Mesmo democracias que no início pareciam débeis foram se robustecendo à medida que ascendiam a níveis mais altos de renda per capita, melhoravam seus níveis educacionais e conseguiam atender as demandas básicas da população. Mas nada assegura que a configuração de fatores relevantes para a estabilidade permanecerá a mesma até, digamos, a metade do presente século. Na América Latina, o regime democrático sabidamente convive com níveis infamantes de desigualdade social, corrupção e criminalidade, e se beneficia cada vez menos da força moderadora de valores e instituições “tradicionais”. Assim, até onde a vista alcança, a estabilidade e o vigor da democracia dependerão muito do desempenho do sistema político e do aprimoramento moral da vida pública. (Adaptado de: LAMOUNIER, Bolivar. “Democracia: origens e presença no pensamento brasileiro. In: Agenda cultural. São Paulo, Cia. das Letras, 2009. p. 148-150) 1. De acordo com o contexto, o crescimento econômico (A) é visto como inerente ao arcabouço político fundador das democracias, embora democracias fortalecidas também apresentem níveis altos de estagnação econômica. (B) floresce paulatinamente nas democracias e recusa- -se a transigir com as demandas políticas de regimes autoritários, que tendem, assim, a sucumbir à estagnação financeira. (C) é fator importante na manutenção da estabilidade política dos sistemas democráticos, embora a própria democracia tenha surgido em meio a intensas disparidades sociais. (D) coexiste até mesmo com regimes antidemocráticos, ainda que historicamente tenha apresentado índices mais altos nas nações democráticas. (E) é capaz de garantir os avanços sociais da coletividade e fazer com que se ultrapassem desigualdades políticas, distribuindo renda, a despeito do regime político em vigor. _________________________________________________________ 2. O segmento em que se restringe o sentido do termo imediatamente anterior encontra-se em: (A) ... que no início pareciam débeis... (último parágrafo) (B) ... estratificadas... (1o parágrafo) (C) ... que consequência... (1o parágrafo) (D) ... que o corpo de hipóteses... (3o parágrafo) (E) ... status... (3o parágrafo) _________________________________________________________ 3. Considerando-se a pontuação do texto, atente para o que se afirma abaixo. I. Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após central, sem prejuízo da coesão textual e da correção gramatical. (3o parágrafo) II. Fazendo-se as devidas alterações entre maiúsculas e minúsculas, o sinal de dois-pontos pode ser colocado imediatamente após vetores, sem prejuízo da correção e do sentido. (3o parágrafo) III. Sem prejuízo da correção e do sentido, uma vírgula pode ser inserida imediatamente após “autêntica”. (2o parágrafo) Está correto o que se afirma APENAS em (A) I e III. (B) I. (C) II e III. (D) III. (E) I e II. _________________________________________________________ 4. Considerando-se o contexto, mantêm-se as relações de sentido e a correção gramatical substituindo-se (A) Mesmo por “Mediante” (4o parágrafo). (B) à medida que por “desde que” (4o parágrafo). (C) tal por “qualquer” (3o parágrafo). (D) Assim por “Não obstante” (4o parágrafo). (E) quando por “enquanto” (2o parágrafo). 5. O elemento que justifica a flexão verbal em destaque está sublinhado em: (A) ... não significa que o corpo de hipóteses históricas e empíricas que explica a consolidação da democracia como sistema em casos concretos possa passar ao largo... (B) De fato, certa tensão entre os conceitos institucional e substantivo da democracia existe por toda parte, mas articula-se de maneira específica... (C) Mesmo democracias que no início pareciam débeis foram se robustecendo... (D) ... é hoje dominante o entendimento de que democracia... (E) Mas nada assegura que a configuração de fatores relevantes para a estabilidade permanecerá a mesma até, digamos, a metade do presente século... _________________________________________________________ 6. A redação de um livre comentário sobre o assunto do texto, escrita com correção e lógica, encontra-se em: (A) A longo prazo, a evolução do sistema democrático- -representativo pode ser compreendido como resultante não só do crescimento econômico, mas também do bom funcionamento das instituições eleitorais.(B) O plebiscitarismo, uma das vertentes da democracia, provém de Rousseau e, como diversos intérpretes tem assinalado, consiste na crença na superioridade ética de um governo continuamente dependente da legitimação pela massa dos cidadãos. (C) Montesquieu, um dos grandes filósofos políticos e escritor francês idealizou intelectualmente a democracia como um sistema institucional por meio do qual se viabiliza competições políticas pacíficas. (D) Devido ao Iluminismo, à Revolução Francesa e a outros processos correlatos, dos quais emerge a figura do homem com um direito natural à felicidade, o século XVIII é um momento decisivo na consolidação das democracias modernas. (E) Como qualquer outro tipo de Estado, o Estado democrático exerce o poder e quando necessário emprega a força; porém, o fazem dentro de restrições constitucionais e de cultura política em geral severa. _________________________________________________________ 7. ... facilita o surgimento econômico e político de uma classe média... O verbo que, no contexto, possui o mesmo tipo de complemento que o do sublinhado acima está empregado em: (A) Mas nada assegura que a configuração de fatores... (B) ... o principal determinante da estabilidade democrática foi o crescimento econômico. (C) A democracia surge historicamente em sociedades... (D) ... o regime democrático sabidamente convive com níveis infamantes... (E) ... certa tensão entre os conceitos institucional e substantivo da democracia existe por toda parte... 8. Na América Latina, o regime democrático sabidamente convive com níveis infamantes de desigualdade social... O elemento sublinhado acima possui, no contexto, a mesma função sintática que o sublinhado em: (A) Mesmo democracias que no início pareciam débeis... (B) ... sendo muito mais causa que consequência da redução das desigualdades sociais. (C) ... certa tensão entre os conceitos institucional e substantivo da democracia existe por toda parte... (D) ... foram se robustecendo à medida que ascendiam a níveis mais altos de renda per capita... (E) ... que a configuração de fatores relevantes para a estabilidade permanecerá a mesma... _________________________________________________________ 9. O segmento do texto reescrito com correção gramatical e lógica encontra-se em: (A) Sabe-se que o regime democrático convive com a desigualdade social, a corrupção e a criminalidade, de cujo nível é alto na América Latina, que, com o passar do tempo, se beneficia menos da força moderadora de valores e instituições “tradicionais”. (B) Um dos principais, senão o principal, determinante da estabilidade democrática, tem sido, a partir da Segunda Grande Guerra, o crescimento econômico. (C) Até onde se pode perceber, o desempenho do sistema político e o aprimoramento moral da vida pública são, em grande parte, responsáveis pela estabilidade e pelo vigor da democracia. (D) Em um amplo período de tempo, o processo que se fala, propicia redistribuição de renda e riqueza efetiva, estimula o surgimento econômico e político de uma classe média, viabilizando, assim o fortalecimento da “sociedade civil”. (E) A avaliação a qual a democracia só é “autêntica” quando intimamente associada à progresso no plano da igualdade foi compartilhada durante todo o século XX por várias correntes ideológicas. _________________________________________________________ 10. Considerando-se as recomendações do Manual de Redação da Presidência da República, está correta a redação da frase que se encontra em: (A) O Presidente da República, que tem competência exclusiva nessa matéria, decidiu encaminhar o projeto. (B) Pelo aviso circular, recomendou-se aos Ministérios que elaborasse planos de contenção de despesas, bem como economizar energia. (C) Considero que vossa senhoria deve estar satisfeito com a pronta nomeação de vosso substituto. (D) Não cabem adotar medidas precipitadas e às quais comprometam o andamento de todo o programa. (E) Segundo a minuta encaminhada anexo, o benefício- -alimentação, será concedido a todos os servidores. GABARITO 001 - C 002 - A 003 - E 004 - E 005 - B 006 - D 007 - A 008 - D 009 - C 010 – A Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 5. Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores e coureiros. Vivendo na área rural de Itabaiana, na Paraíba, numa localidade pobre e remota, sem rádio nem eletricidade, o próprio Sivuca não sabe explicar como a música entrou em sua vida. Ninguém na família tocava qualquer instrumento. “Eu não sei. Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência. Quero dizer, a música veio para ficar em mim, pronto.” Suas primeiras memórias musicais vêm dos sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana, de pessoas que tocavam violão na cidade, da banda de música e do órgão da igreja. Seu talento era evidente, a ponto de que a própria família passasse a insistir que tentasse carreira na cidade grande. Depois de algumas idas e vindas, mudou-se para Recife, foi contratado pela Rádio Clube de Pernambuco aos 15 anos de idade, em novembro de 1945, e descobriu um novo horizonte musical. Sivuca aprendeu teoria musical com o clarinetista da Orquestra Sinfônica de Recife e, três anos depois, passou a estudar harmonia e orquestração com o maestro fluminense Guerra-Peixe, que então vivia em Recife. Ao longo da vida profissional, foi incorporando outros instrumentos ao seu arsenal, como o violão, a guitarra e o piano, numa mistura de autodidatismo e aprendizado informal com alguns dos melhores músicos do mundo. Segundo o músico, “o estudo, o desenvolvimento musical torna-se necessário. Eu digo isso porque eu também passei pelo mesmo; fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente levando a sério todas as tendências, mas também me dando ao trabalho de queimar pestana e estudar teoria musical, estudar orquestração e, enfim, harmonia, fuga, contraponto, me preparar para lidar com os ingredientes teoricamente”. (Adaptado de http://musicosdobrasil.com.br/sivuca. Acesso em 04/03/2013) 1. O texto procura mostrar (A) como Sivuca acabou por abandonar as origens para produzir uma música universal, o que teria sido facilitado por não ter tido na infância qualquer influência familiar que pudesse contrapor-se à teoria musical que passou a aprender em Recife. (B) a trajetória musical de Sivuca, do convívio com a música popular e religiosa na cidade natal à experiência com a música erudita em Recife, e da espontaneidade da execução ao estudo amplo e aprofundado da arte musical. (C) que o inexplicável do talento de Sivuca pode ser compreendido não pelas razões usuais para esses casos, mas apenas quando se levam em consideração os elementos espirituais que envolvem as preferências e as escolhas feitas na mais tenra infância. (D) a superioridade do conhecimento musical teórico sobre o talento espontâneo, na medida em que este não teria sido suficiente para que Sivuca viesse a se dedicar integralmente à música e nem mesmo saísse do meio rural onde vivia. (E) que o rádio e a eletricidade não exercem qualquer papel positivo no sentido de despertar o gosto musical, que é inato, ou seja, independente de influências externas sobre aqueles que virão um dia a se interessar pela música. 2. Mas sei que veio firme, porque minha vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência. (1o parágrafo) ... fui, por muito tempo, músico sem estudar, naturalmente levando a sério todas as tendências... (último parágrafo) Considerando-se o emprego da palavra tendência nas frases acima,pode-se afirmar que seu sentido estará expresso com adequação, respectivamente, por: (A) aptidão e conselhos. (B) desvio e lições. (C) influência e impulsos. (D) propensão e estilos. (E) entrave e impressões. _________________________________________________________ 3. ... sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana... O verbo empregado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está empregado em: (A) ... com o maestro fluminense Guerra-Peixe, que então vivia em Recife. (B) Sivuca nasceu numa família de pequenos lavradores e coureiros. (C) ... que tentasse carreira na cidade grande. (D) ... porque minha vocação foi mais forte do que toda e qualquer tendência. (E) Suas primeiras memórias musicais vêm dos sanfoneiros itinerantes... _________________________________________________________ 4. Ninguém na família tocava qualquer instrumento. O elemento em destaque acima exerce a mesma função sintática que o elemento grifado em: (A) Mas sei que veio firme... (B) Eu não sei. (C) ... o estudo, o desenvolvimento musical torna-se necessário. (D) ... sanfoneiros itinerantes que passavam por Itabaiana... (E) Eu digo isso porque eu também... _________________________________________________________ 5. Ao longo da vida profissional, foi incorporando outros instrumentos ao seu arsenal... A transposição da frase acima para a voz passiva terá como resultado a forma verbal: (A) foram sendo incorporados. (B) vinha incorporando. (C) foi sendo incorporado. (D) foram incorporados. (E) vinham sendo incorporados. tões de números 6 a 8. José Lins do Rego é brasileiríssimo. Outro dia, um amigo conversou comigo sobre as pretendidas influências estrangeiras na obra do paraibano. Falamos em Thomas Hardy, em D. H. Lawrence. Não estava certo. José Lins do Rego é ele mesmo. É paraibano. É brasileiro, brasileiríssimo. É brasileiro com amor à terra, às mulheres, à conversa, aos gracejos, com a memória do avô que era governador da província, do tio que vendeu o engenho, com a memória vivíssima de todas as tristezas da sua gente brasileira. Risos e lágrimas: eis o seu mundo. O grande valor literário da obra de José Lins do Rego reside no fato de que o seu assunto e o seu estilo correspondem- se plenamente. Assim, conta-se a decadência do patriarcalismo, com as suas inúmeras tragédias e uns raros raios de graça e humor. Desse modo, José Lins do Rego consegue acertadamente o que quer; e isso me parece o maior elogio que se pode fazer a um escritor. Concebendo a cultura no sentido de Gilberto Freire, como expressão global da vida política e do espírito, social e individual, vital e humana, José Lins do Rego é a expressão literária da cultura da sua terra. [Adaptado de Otto Maria Carpeaux. O brasileiríssimo José Lins do Rego. (prefácio) Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio. 50. ed. 1998. p. XV-XVI] 6. O autor (A) critica a falta de humor que, em sua opinião, enfraquece a obra de José Lins do Rego. (B) assinala a influência literária de autores estrangeiros nos romances de José Lins do Rego, os quais teriam determinado o seu estilo. (C) exalta as qualidades positivas da obra de José Lins do Rego, que teria, segundo ele, atingido os seus objetivos. (D) aponta os motivos pelos quais a obra de José Lins do Rego é considerada regionalista, sem ostentar caráter universal. (E) afirma que a influência de Gilberto Freire foi decisiva para que José Lins do Rego pudesse criar romances que atingiriam um grande público. _________________________________________________________ 7. O elemento flexionado de modo a indicar uma qualidade em um grau muito elevado está destacado em: (A) ... o seu assunto e o seu estilo correspondem-se plenamente. (B) ... com a memória vivíssima de todas as tristezas de sua gente… (C) ... com as suas inúmeras tragédias... (D) ... e uns raros raios de graça e humor. (E) ... conta-se a decadência do patriarcalismo. 8. Leia atentamente as afirmações abaixo. I. Respeitando-se a correção e a lógica, uma pontuação alternativa para o segmento Concebendo a cultura no sentido de Gilberto Freire, como expressão global da vida política e do espírito, social e individual, vital e humana, José Lins... é: Concebendo a cultura no sentido de Gilberto Freire −como expressão global da vida política e do espírito, social e individual, vital e humana −, José Lins... II. Risos e lágrimas: eis o seu mundo. O emprego dos dois-pontos assinala, no contexto, uma ressalva ao que se afirma antes. III. ... um amigo conversou comigo sobre as pretendi das influências estrangeiras na obra do paraibano. O elemento grifado acima refere-se aos escritores da Paraíba de maneira geral. Está correto o que se afirma em (A) II e III, apenas. (B) I e III, apenas. (C) I e II, apenas. (D) I, apenas. (E) I, II e III. _________________________________________________________ Atenção: Considere o texto abaixo para responder às ques tões de números 9 e 10. O bater do martelo do mestre José Amaro abafava os rumores do dia que cantava nos passarinhos. Uma vaca mugia por longe. Ouvia o gemer da filha. Batia com mais força na sola. O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo. O pintor Laurentino foi saindo. E o mestre, de cabeça baixa, ficara no ofício. [...] Tinha aquela filha triste. Ele queria mandar em tudo como mandava no couro que trabalhava, queria bater em tudo como batia naquela sola. (Adaptado de José Lins do Rego. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio. 50. ed. 1998. p. 9) 9. ... que cantava nos passarinhos. O elemento grifado acima refere-se a: (A) rumores. (B) mestre José Amaro. (C) bater do martelo. (D) passarinhos. (E) dia. _________________________________________________________ 10. Está correto o que se afirma a respeito da pontuação em: (A) E o mestre, de cabeça baixa, ficara no ofício. As vírgulas podem ser suprimidas sem prejuízo do sentido original. (B) Ouvia o gemer da filha. Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após gemer, sem prejuízo para a correção. (C) O martelo do mestre era forte, mais alto que tudo. A vírgula pode ser substituída por e sem prejuízo para a correção. (D) O pintor Laurentino foi saindo. Um sinal de dois-pontos pode ser acrescentado imediatamente após pintor sem prejuízo para a correção. (E) Ele queria mandar em tudo como mandava no couro ... Uma vírgula pode ser inserida imediatamente após como sem prejuízo para a correção. GABARITO 001 – B 002 – D 003 – A 004 – E 005 – A 006 – C 007 – B 008 – D 009 - E 010 - A Use o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 5. Depois de subir uma serra que parecia elevar-se do caos, o taubateano Antônio Dias de Oliveira se deparou com uma vista inebriante: uma sequência de morros enrugados, separados por precipícios e vales. No fundo desses grotões, corriam córregos de água transparente. O mais volumoso deles era o Tripuí. Foi nele que Antônio Dias encontrou um ouro tão escuro que foi chamado de ouro preto. A região, que ficaria conhecida como Ouro Preto, tinha uma formação geológica rara. Portugal tinha enfim seu Eldorado. O ouro era encontrado nas margens e nos leitos dos rios, e até à flor da terra. Já em 1697, el-rei pôde sentir em suas mãos o metal precioso do Brasil. Naquele ano, doze navios vindos do Rio de Janeiro aportaram em Lisboa. Além do tradicional açúcar, traziam ouro em barra. A presença do metal na frota vinda do Brasil era tão inusitada que espiões franceses pensaram que o ouro era proveniente do Peru. Mas logo todos saberiam da novidade e o mundo voltaria seus olhos para o Brasil. Como só havia dois caminhos que levavamàs lavras, o trânsito de ambos se intensificou. Os estrangeiros que chegavam por Salvador ou Recife se embolavam às massas vindas do Nordeste. Juntos, desciam às minas acompanhando o rio São Francisco até o ponto em que este se encontra com o rio das Velhas, já em território mineiro. Os portugueses que desembarcavam no Rio de Janeiro seguiam o fluxo dos moradores da cidade. Em Guaratinguetá, portugueses e fluminenses agregavam-se às multidões vindas do Sul e de São Paulo e, unidos, subiam o chamado Caminho Geral do Sertão, que terminava nas minas. Foi dessa forma desordenada e no meio do sertão bruto que pela primeira vez o Brasil se encontrou. (Adaptado de: Lucas Figueiredo. Boa Ventura!. Rio de Janeiro, Record, 2011, pp. 120; 131; 135) 1. Segundo o texto, (A) a região de Ouro Preto deve seu nome à cor de seus rios, muito escuros, onde foi encontrado ouro no século XVII. (B) enganados pelos portugueses, espiões franceses acreditaram que o ouro enviado a Portugal era de fato proveniente do Peru. (C) incentivadas pela promessa de enriquecimento, no século XVII pessoas de diversas regiões do Brasil e de fora do país se dirigiram para Minas Gerais. (D) Antônio Dias experimentou um enorme prestígio na corte portuguesa ao se tornar o primeiro homem a deparar com as densas serras mineiras. 2. O texto apresenta, predominantemente, características (A) da narração de um episódio histórico, com o objetivo de oferecer ao leitor fatos e comentários sobre um determinado assunto. (B) de uma exposição argumentativa, com o objetivo de defender um determinado ponto de vista sobre um assunto polêmico. (C) da narração de fatos fictícios, sem vínculo com a realidade, com o objetivo de entreter o leitor. (D) da descrição de um episódio biográfico de certa personagem histórica, com o objetivo de fazer dela um herói nacional. 3. A presença do metal na frota vinda do Brasil era tão inusitada que espiões franceses pensaram que o ouro era proveniente do Peru. (2o parágrafo) De acordo com o contexto, o termo grifado na frase acima significa: (A) algo que frustra e causa decepção. (B) uma coisa provável de acontecer. (C) uma coisa agradável, que causa prazer. (D) algo inesperado, que causa surpresa. 4. Existe relação de causa e consequência entre as orações: (A) Como só havia dois caminhos que levavam às lavras, o trânsito de ambos se intensificou. (B) Já em 1697, el-rei pôde sentir em suas mãos o metal precioso do Brasil. (C) No fundo desses grotões, corriam córregos de água transparente. (D) Além do tradicional açúcar, traziam ouro em barra. 5. O segmento em que o autor emite uma opinião pessoal é: (A) A região, que ficaria conhecida como Ouro Preto, tinha uma formação geológica rara. (B) Foi dessa forma desordenada e no meio do sertão bruto que pela primeira vez o Brasil se encontrou. (C) Juntos, desciam às minas acompanhando o rio São Francisco até o ponto em que este se encontra com o rio das Velhas... . (D) Os portugueses que desembarcavam no Rio de Janeiro seguiam o fluxo dos moradores da cidade. Use o texto abaixo para responder às questões de números 6 a 8. Eu, etiqueta Em minha calça está grudado um nome Que não é meu de batismo ou de cartório Um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida Que jamais pus na boca, nessa vida, Em minha camiseta, a marca de cigarro Que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produtos Que nunca experimentei Mas são comunicados a meus pés. [...] Desde a cabeça ao bico dos sapatos, São mensagens, Letras falantes, Gritos visuais, Ordens de uso, abuso, reincidências. Costume, hábito, premência, Indispensabilidade, E fazem de mim homem-anúncio itinerante, Escravo da matéria anunciada. [...] Não sou −vê lá −anúncio contratado. Eu é que mimosamente pago Para anunciar, para vender [...] Por me ostentar assim, tão orgulhoso De ser não eu, mas artigo industrial, Peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa. Eu sou a Coisa, coisamente. (Carlos Drummond de Andrade. Corpo. Rio de Janeiro, Record, 1984) 6. Há no poema de Drummond (A) incentivo ao uso de frases de efeito em vestimentas e acessórios, desde que ofereçam comentários educativos a quem as lê. (B) opinião desfavorável sobre o excesso de preocupação com a aparência física, o que leva o homem a esquecer de buscar um bem-estar duradouro. (C) opinião favorável sobre a criatividade das agências de propaganda, que conseguem veicular seus anúncios até mesmo através da vestimenta dos consumidores. (D) crítica à sociedade de consumo marcada pela comunicação visual, em que o próprio corpo acaba sendo usado para exibir marcas de produtos diversos. 7. O verso em que o poeta se dirige diretamente ao leitor, incluindo-o em sua fala, está em: (A) Não sou −vê lá −anúncio contratado. (B) Meu nome novo é Coisa. (C) E fazem de mim homem-anúncio itinerante. (D) Meu blusão traz lembrete de bebida. 8. Eu sou a Coisa, coisamente. Considerando-se que coisamente não existe no dicionário, é correto afirmar que (A) por estar fora de contexto, a palavra não foi bem empregada, já que, sendo a última do poema, abre ao leitor múltiplas possibilidades de interpretação, o que enfraquece o poema e o torna inconcluso. (B) o uso da palavra é inadequado, pois leva o leitor à falsa noção de que tal palavra possa ter algum significado na língua portuguesa, induzindo-o, desnecessariamente, a correr o risco de empregá-la mal e cometer um erro gramatical. (C) apesar de inventada, a palavra é apropriada, pois, além de ter sido empregada na poesia, gênero literário que oferece ampla liberdade ao autor, ressalta a ideia de que o sujeito se identifica com uma coisa. (D) a palavra é inapropriada para o gênero poético, pois palavras novas só devem ser empregadas em gêneros como o romance, por exemplo, em que o autor tem a possibilidade de explicar o significado que imaginou para elas. 9. −Ã-hã, quer entrar, pode entrar... Mecê sabia que eu moro aqui? Como é que sabia? Hum, hum...Cavalo seu é esse só? Ixe! Cavalo tá manco, aguado. Presta mais não. (João Guimarães Rosa. Trecho de "Meu tio o Iauaretê", adaptado. Estas estórias, Rio de Janeiro, José Olympio, 1969, p.126) Observando-se a variedade linguística de que se vale o falante do trecho acima, percebe-se uso de (A) linguagem marcada por construções sintáticas complexas e inapropriadas para o contexto, responsáveis por truncar a comunicação e dificultar o entendimento. (B) linguagem formal, utilizada pelas pessoas que dominam o nível culto da linguagem, sendo, portanto, adequada à situação em que o falante se encontra. (C) gírias e interjeições, como ixe e aguado, prioritariamente utilizadas entre os jovens, sendo, assim, incompatíveis com a situação em que o falante se encontra. (D) coloquialismos e linguagem informal, como mecê e tá, apropriados para a situação de informalidade em que o falante se encontra. GABARITO 001 - C 002 - A 003 - D 004 - A 005 - B 006 - D 007 - A 008 - C 009 – D Leia o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 7. O criador da mais conhecida e celebrada canção sertaneja, Tristeza do Jeca (1918), não era, como se poderia esperar, um sofredor habitante do campo, mas o dentista, escrivão de polícia e dono de loja Angelino Oliveira. Gravada por “caipiras” e “sertanejos”, nos “bons tempos do cururu autêntico”, assim como nos “tempos modernos da música ‘americanizada’ dos rodeios”, Tristeza do Jeca é o grande exemplo da notável, embora pouco conhecida, fluidez que marca a transição entre os meios rural e urbano, pelo menos em termos de música brasileira. Num tempo em que homem só cantava em tom maior evoz grave, o Jeca surge humilde e sem vergonha alguma da sua “falta de masculinidade”, choroso, melancólico, lamentando não poder voltar ao passado e, assim, “cada toada representa uma saudade”. O Jeca de Oliveira não se interessa pelo meio rural da miséria, das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e sentimental, e foi nesse seu tom que a música, caipira ou sertaneja, ganhou forma. “A canção popular conserva profunda nostalgia da roça. Moderna, sofisticada e citadina, essa música foi e é igualmente roceira, matuta, acanhada, rústica e sem trato com a área urbana, de tal forma que, em todas essas composições, haja sempre a voz exemplar do migrante, a qual se faz ouvir para registrar uma situação de desenraizamento, de dependência e falta”, analisa a cientista política Heloísa Starling. Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira: “foi entre 1902 e 1960 que a música sertaneja surgiu como um campo específico no interior da MPB. Mas, se num período inicial, até 1930, ‘sertanejo’ indicava indistintamente as músicas produzidas no interior do país, tendo como referência o Nordeste, a partir dos anos de 1930, 'sertanejo' passou a significar o caipira do Centro-Sul. E, pouco mais tarde, de São Paulo. Assim, se Jararaca e Ratinho, ícones da passagem do sertanejo nordestino para o ‘caipira’, trabalhavam no Rio, as duplas dos anos 1940, como Tonico e Tinoco, trabalhariam em São Paulo”. (Adaptado de: HAAG, Carlos. “Saudades do Jeca no século XXI”. In: Revista Fapesp, outubro de 2009, p. 80-5.) 1. Depreende-se do texto que o autor (A) esclarece ao leitor, a partir do caso exemplar da música Tristeza do Jeca, o ambiente de crítica social relativo aos problemas da roça, permeado pelos sentimentos de melancolia e saudade. (B) apresenta diferentes opiniões sobre a música sertaneja, de maneira a mostrar como ela está presente nas mais diversas manifestações da MPB por sua versatilidade em tratar igualmente dos problemas da cidade e do campo. (C) contrapõe a opinião de dois estudiosos sobre música sertaneja, chamando a atenção do leitor para seu aspecto mais característico, que é a profunda relação entre compositor e música, sobretudo nas composições antigas. (D) procura refletir sobre a singularidade da música Tristeza do Jeca em relação às composições de sua época, de maneira a traçar um perfil da música sertaneja, caracterizada, entre outros, pelo sentimento de nostalgia. (E) critica a particularização da música caipira, antes produzida e ouvida também no Nordeste, já que sua principal característica é de ordem sentimental, o que não deveria restringi-la ao contexto paulista. 2. O segmento “...de tal forma que, em todas essas composições, haja sempre a voz exemplar do migrante, a qual se faz ouvir para registrar uma situação de desenraizamento, de dependência e falta...” (3o parágrafo) expressa, em re lação à primeira parte da mesma frase uma (A) decorrência. (B) oposição. (C) condição. (D) causa. (E) explicação. _________________________________________________________ 3. ...'sertanejo' indicava indistintamente as músicas produzidas no interior do país... (último parágrafo) Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será: (A) vinham indicadas. (B) era indicado. (C) eram indicadas. (D) tinha indicado. (E) foi indicada. _________________________________________________________ 4. O Jeca de Oliveira não se interessa pelo meio rural da miséria, das catástrofes naturais, mas pelo íntimo e sentimental... (2o parágrafo) Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido original, uma redação alternativa para o trecho acima está em: (A) É no meio rural da miséria, com catástrofes naturais, no entanto íntimo e sentimental, que se interessa o Jeca de Oliveira... (B) Não o meio rural em que há miséria e catástrofes naturais, mas sim o íntimo e sentimental é o que interessa ao Jeca de Oliveira... (C) Ao Jeca de Oliveira importa o íntimo e sentimental pelo meio rural, todavia da miséria e das catástrofes naturais... (D) O Jeca não se interessa pelo meio rural onde se encontram miséria e catástrofes naturais, mas pelo íntimo e sentimental de Oliveira... (E) Íntimo e sentimental em relação à miséria e às catástrofes naturais do meio rural, é isso que importa ao Jeca de Oliveira... _________________________________________________________ 5. Os pronomes “que” (1o parágrafo), “sua” (2o parágrafo) e “a qual” (3o parágrafo), referem-se, respectivamente, a: (A) exemplo −Jeca −composições (B) fluidez −Jeca −voz exemplar do migrante (C) Tristeza do Jeca −homem −canção popular (D) exemplo −homem −voz exemplar do migrante (E) fluidez −homem −canção popular _________________________________________________________ 6. Substituindo-se o segmento grifado pelo que está entre parênteses, o verbo que se mantém corretamente no singular, sem que nenhuma outra alteração seja feita na frase, está em: (A) ...cada toada representa uma saudade... (todas as toadas) (B) Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira... (os antropólogos)... (C) A canção popular conserva profunda nostalgia da roça. (As canções populares) (D) Num tempo em que homem só cantava em tom maior e voz grave... (quase todos os homens) (E) ...'sertanejo' passou a significar o caipira do Centro- -Sul... (os caipiras do Centro-Sul) 7. Com respeito à pontuação, considere as afirmações abaixo. I. Pode-se suprimir a vírgula colocada imediatamente após “esperar”, no segmento “não era, como se poderia esperar, um sofredor habitante do campo” (1o parágrafo), sem prejuízo para o sentido original e a correção. II. As vírgulas colocadas imediatamente após “sertanejos” e “rodeios” no segmento “Gravada por ‘caipiras’ e ‘sertanejos’, nos ‘bons tempos do cururu autêntico’, assim como nos ‘tempos modernos da música americanizada dos rodeios’, Tristeza do Jeca...” (1o parágrafo) podem ser substituídas por travessões, mantendo-se o sentido original e a correção. III. Sem que se faça outra alteração, os dois-pontos, no segmento “Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira: ‘foi entre 1902 e 1960 que a música sertaneja...’” (último parágrafo), podem ser corretamente substituídos pela conjunção “que”. Está correto o que se afirma APENAS em (A) I. (B) I e II. (C) II e III. (D) II. (E) I e III. _________________________________________________________ 8. Considere as frases abaixo para responder à questão. Como faziam parte de um mesmo contexto, para o sertanejo não havia razão para separar “sertanejo” de “caipira”. Não se sabe ao certo como e quando precisamente a música country passou a ocupar o lugar da música sertaneja. Mantendo-se o sentido original e a correção, os termos sublinhados acima podem ser substituídos, respectivamente, por: (A) Uma vez que −de que modo (B) Contanto que −conforme (C) Quando −de que maneira (D) Visto que −conforme (E) Contudo −o que _________________________________________________________ 9. ...... música sertaneja agregou-se outro gênero, o country, ...... característica marcante é inserir o meio de vida rural no cenário urbano. As origens do country, por sua vez, são múltiplas e se estendem das melodias celtas, provenientes da Europa, ...... da tradição gospel norte- -americana, além de fazer uso de instrumentos como o bandolim, proveniente da Itália, e o banjo africano. Preenche corretamente as lacunas da frase acima, na ordem dada, o que está em: (A) A – cuja – às (B) A – a qual – a (C) À – a qual – a (D) À −cuja – às (E) À – cuja – as 10. ......do preconceito ...... é objeto a música caipira, ....... sua linguagem, vez ou outra, afastar-se da norma culta, ela é hoje reconhecida como uma das mais respeitadas manifestações musicais do país. Mantendo-se a lógica e a correção, preenche as lacunas da frase acima, na ordem dada, o que está em: (A) Em razão −a que −por (B) Em virtude – a que – em razão de (C) A despeito −em que −embora (D) Não obstante −de que −embora (E) Apesar – de que – por Considere o texto abaixo para responder às questões de números 11 a 16. Não há melhor representante da boemia paulistana do que o compositor e cientista Paulo Vanzolini. Por mais incrível que possa parecer, ele conciliava as noites de boemia com a rotina de professor, pesquisador e zoólogo famoso. A obra do zoólogo-compositor retrata as contradições da metrópole. São Paulo, nos anos 1960, já era um estado que reunia parte significativa do PIB brasileiro. No meio da multidão de migrantes, imigrantes e paulistanos, Vanzolini usava a mesma lupa de suas pesquisas para observar as peculiaridades do dia a dia urbano: uma briga de bar, a habilidade de um batedor de carteira e, em Capoeira do Arnaldo, os fortes laços que unem campo e cidade. Em 1967, Paulo Vanzolini lança o primeiro LP. A história desse disco é curiosa. Foi o primeiro trabalho feito pelo selo Marcus Pereira. A música Volta por cima estava fazendo muito sucesso. Só que o já lendário Vanzolini ainda não tinha disco autoral e andava irritado com as gravadoras por ter sido preterido pelo americano Ray Charles na escolha da confecção de um LP. Aos poucos, Marcus Pereira ganhou a confiança do compositor, que acabou cedendo ao lançamento do LP Onze sambas e uma capoeira, com arranjos de Toquinho e Portinho e participação de Chico Buarque, Adauto Santos, Luiz Carlos Paraná, entre outros. As músicas eram todas de Vanzolini: Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua. Vanzolini não era um compositor de muitos parceiros. Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho Nogueira. Só mesmo a pena elegante do crítico da cultura Antonio Candido para sintetizar a obra de Vanzolini: “Como autor de letra e música ele é de certo modo o oposto da loquacidade, porque não espalha, concentra; não esbanja, economiza −trabalhando sempre com o mínimo para atingir o máximo”. (Adaptado de DINIZ, André. Almanaque do samba. Rio de Janeiro, Zahar, 2012, formato ebook). 11. No contexto, verifica-se relação de causa e consequência, respectivamente, entre (A) o fato de Vanzolini ter sido preterido por Ray Charles na escolha da confecção de um LP e a irritação do primeiro com as gravadoras. (B) a inauguração do selo Marcus Pereira, em 1967, e o sucesso sem precedentes da música “Volta por cima”, de Paulo Vanzolini. (C) a dedicação de Vanzolini à pesquisa científica e o modo sagaz com que captava as peculiaridades do dia a dia urbano. (D) a vinda de imigrantes para São Paulo e a descoberta, da parte de Vanzolini, dos fortes laços que unem campo e cidade. (E) o fato de Vanzolini conciliar as noites de boemia com a rotina de zoólogo famoso e o sucesso musical do compositor. 12. O segmento em que o autor exprime um juízo de valor está em: (A) A obra do zoólogo-compositor retrata as contradições da metrópole. (B) Vanzolini não era um compositor de muitos parceiros. (C) Em 1967, Paulo Vanzolini lança o primeiro LP. (D) A música “Volta por cima” estava fazendo muito sucesso. (E) Não há melhor representante da boemia paulistana do que o compositor e cientista Paulo Vanzolini. 13. ... ele conciliava as noites de boemia com a rotina de professor, pesquisador e zoólogo famoso. O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima se encontra em: (A) Tem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho Nogueira. (B) As músicas eram todas de Vanzolini. (C) Por mais incrível que possa parecer... (D) ... os fortes laços que unem campo e cidade. (E) ... porque não espalha... 14. Depreende-se do contexto que (A) a erudição de Vanzolini, na opinião de Antonio Candido, é seu melhor atributo. (B) São Paulo exerce um papel importante no desenvolvimento do trabalho artístico de Vanzolini. (C) a participação de Chico Buarque foi determinante para o destaque concedido ao LP de Vanzolini. (D) Marcus Pereira convence Vanzolini a gravar um LP por possuir uma gravadora ainda desconhecida. (E) Vanzolini, apesar de preferir trabalhar sozinho, estabelece algumas parcerias por imposição das gravadoras. 15. Em conformidade com o contexto, afirma-se corretamente: (A) O termo Vanzolini em Só que o já lendário Vanzolini ainda não tinha... (3o parágrafo) pode ser isolado por vírgulas. (B) O travessão em ...porque não espalha, concentra; não esbanja, economiza −trabalhando sempre... (último parágrafo) pode ser substituído por ponto final, fazendo-se as devidas alterações entre maiúsculas e minúsculas. (C) No segmento As músicas eram todas de Vanzolini: Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua..., (3o parágrafo) os dois-pontos introduzem uma enumeração. (D) No segmento ...para sintetizar a obra de Vanzolini: “Como autor... (último parágrafo) os dois-pontos introduzem uma ressalva acerca do que se afirmou antes. (E) Em ...para observar as peculiaridades do dia a dia urbano: uma briga de bar... (2o parágrafo), os dois-pontos podem ser substituídos por ponto e vírgula, sem prejuízo do sentido original. 16. Uma redação alternativa para um segmento do texto, em que se mantêm a correção e a lógica, está em: (A) Ainda nos anos de 1960, São Paulo, já era um estado onde reunia parte significativa do PIB brasileiro. (B) Vanzolini, o qual não era compositor de muitos parceiros, compõem músicas com Toquinho, Elton Medeiros e Paulinho Nogueira. (C) Apenas o crítico da cultura Antonio Candido, cuja escrita elegante podem sintetizar as obras de Vanzolini. (D) Gradualmente, Marcus Pereira ganhou a confiança de Vanzolini, que concordou em lançar o LP Onze sambas e uma capoeira. (E) Todas as músicas que fazia parte do LP, como Praça Clóvis, Samba erudito, Chorava no meio da rua, eram da autoria de Vanzolini. 17. Nascido no bairro do Pari, em uma São Paulo em construção após o levante constitucionalista de 1932, Germano Mathias compõe a santíssima trindade do samba paulistano, ...... Adoniran Barbosa e Geraldo Filme. (Adaptado de: DINIZ, André, op. cit.) Preenche corretamente a lacuna da frase acima: (A) em face à (B) lado a lado (C) ao lado de (D) lado à lado com (E) junto à 18. Em 2005, Germano Mathias lançou o CD Tributo a Caco Velho, compositor gaúcho radicado em São Paulo ...... Germano tinha grande admiração. Preenche corretamente a lacuna da frase acima: (A) no qual (B) cujo (C) o qual (D) por quem (E) perante à quem questão de número 19. Um sistema integrado de transporte sobre trilhos é essencial em cidades de grande porte como São Paulo porque atende a demandas maiores, com velocidades mais altas e com regularidade, permitindo que os usuários planejem seus deslocamentos. (Adaptado de: VASCONCELLOS, Eduardo Alcântara. Mobilidade urbana: o que você precisa saber. São Paulo, Cia das Letras, 2013, formato ebook) 19. ... permitindo que os usuários planejem seus deslocamentos. (final do texto) Mantendo-se a correção e, em linhas gerais, o sentido original, o elemento grifado acima pode ser substituído por: (A) de modo (B) desde (C) ainda (D) mesmo (E) contanto _________________________________________________________ 20. As regras de concordância estão completamente respeitadas em: (A) Em todo o mundo, busca-se soluções capazes de combater o problema da fluidez do trânsito. (B) Na década de 1990, a produção,a aquisição e o uso da motocicleta cresceu exponencialmente. (C) Grande parte das novas motocicletas foi inicialmente utilizado no serviço de entrega de pequenas mercadorias. (D) A entrada das motocicletas no trânsito brasileiro fez com que aumentasse os acidentes envolvendo esse tipo de veículo. (E) As medidas de restrição ao tráfego afetam diretamente as necessidades sociais das pessoas. GABARITO 001 – D 002 – A 003 – C 004 – B 005 – B 006 - E 007 - C 008 - A 009 - D 010 - E 011 - A 012 - E 013 - B 014 - B 015 - C 016 - D 017 - C 018 - D 019 - A 020 – E �