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AS DIVERSAS 
PERSPECTIVAS DE 
FUNDAMENTAÇÃO DOS 
DIREITOS HUMANOS
Prof. Luiz Gonzaga Silva Adolfo
 
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Nesta unidade temática, você vai aprender
▪ A compreender as diversas perspectivas de fundamentação dos Direitos Humanos;
▪ A identificar a concepção clássica de evolução dos Direitos Humanos;
▪ A analisar a evolução histórica e juspositiva dos Direitos Humanos;
▪ A perceber - sempre em linha evolutiva -, a geração moderna dos Direitos Humanos, esteada
na dignidade da pessoa humana;
▪ A reconhecer aquela que é perspectiva intercultural dos Direitos Humanos.
 
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Introdução
É importante dialogarmos sobre “As diversas perspectivas de fundamentação dos direitos
humanos”. Este momento é muito importante pela contextualização que faremos de uma
evolução cronológica e com avanços na regulação e na construção dos Direitos Humanos.
No primeiro instante, trabalharemos com a denominada perspectiva clássica dos Direitos
Humanos, que inicialmente foram relacionados à ideia de Direito Natural.
Num segundo patamar evolutivo - e também aqui, o foco estará na visão juspositivista dos
Direitos Humanos, que ocorre a partir de proteções eficazes ou não em um positivismo que
pode ser chamado de “nacionalista” (local), como ocorreu muito tristemente durante a Segunda
Guerra Mundial.
No terceiro mote e sempre avançando, temos a linha de mira na crismada perspectiva moderna
dos Direitos Humanos, que tem seu foco no grande princípio de Direito interno e de Direito
Internacional, o da dignidade da pessoa humana. Após os horrores principalmente oriundos do
nazismo e do fascismo, foi necessário “reinventar a humanidade”, e então, é claro, os Direitos
Humanos atingiram um papel muito relevante.
Por fim, e não menos importante, no quarto ponto trabalharemos na ideia de Direitos Humanos
enquanto interculturalidade, o que se dá mormente a partir da antes citada internacionalização,
e deles já reconhecidos com Direito Internacional dos Direitos Humanos.
Bom proveito!
As diversas perspectivas de fundamentação 
dos direitos humanos
A perspectiva clássica de fundamentação do direito natural
O conceito específico de direitos humanos está ligado à sua previsão em instrumentos
internacionais para garantir uma vida digna (RAMOS, 2016).
 
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Fique de olho!
O Direito Natural se fundamenta na ideia de direito do homem, amparando-se nas correntes
filosóficas anteriores. Na era moderna, o papel do Direito é uma dedução de uma essência
genérica do ser humano. Aos poucos, ocorreu uma transferência para uma atuação concreta
fundada no ser humano.
Ramos (2016) dispõe que o jusnaturalismo é uma corrente do pensamento jurídico, tratando-se
de um conjunto de normas vinculantes anterior e superior ao sistema de normas fixadas pelo
Estado (Direito posto).
 
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Saiba mais
Já na seara dos Direitos Humanos, pode-se identificar uma visão jusnaturalista na Antiguidade,
simbolizada na peça de teatro Antígona de Sófocles (421 a.C., parte da chamada Trilogia
Tebana).
Na Idade Média, o jusnaturalismo foi baseado pela visão religiosa de São Tomás de Aquino, para
quem a lex humana deve obedecer a lex naturalis, que era fruto da razão divina, mas perceptível
aos seres humanos.
 
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No plano internacional, Hugo Grotius, considerado um dos fundadores do Direito Internacional
e iniciador da teoria do Direito Natural moderno, sustentava, no século XVI, a existência de um
conjunto de normas ideais, fruto da razão humana. Limitou-se aos direitos positivados, pois o
Direito dos legisladores humanos só seria válido quando compatível com os mandamentos
daquela lei imutável e eterna.
 
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Figura 1: Hugo Grotius. Fonte: Wikimedia.
 
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Importante anotar essa observação de Ramos, no realce da importância na laicidade na
construção deste conceito:
Nos séculos XVII e XVIII, a corrente jusnaturalista de Grócio impõe a consagração da razão e 
laicidade das normas de direito natural.
(RAMOS, 2016, p. 81)
 
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Comparato enfatiza a evolução histórica dessa percepção, tornado até certo ponto incongruente
a discussão sobre essa eventual dicotomia:
“Por derradeiro, deve-se observar que as reflexões da Filosofia contemporânea sobre a essência
histórica da pessoa humana, conjugadas à comprovação do fundamento científico da evolução
biológica, deram sólido fundamento à tese do caráter histórico (mas não meramente
convencional) dos direitos humanos, tomando portanto sem sentido a tradicional querela entre
partidários de um direito natural estático e imutável e os defensores do positivismo jurídico,
para os quais fora do Estado não há direito.” (COMPARATO, 2015, p. 22)
Os iluministas, em especial Locke e Rousseau, fundam a corrente do jusnaturalismo
contratualista, que aprofunda o racionalismo e o individualismo.
A razão é fonte de direitos inerentes ao ser humano, afirmando-se a prevalência dos direitos dos
indivíduos frente ao Estado.
Essa supremacia dos direitos humanos é fundadaem um contrato social realizado por todos os
indivíduos na comunidade humana, que impõe a proteção desses direitos e limita o arbítrio do
Estado. Assume posição central nesse horizonte a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão:
“A Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, documento marcante dessa visão dos
direitos humanos, de 1789, estabelece que ‘o fim de toda a associação política é a conservação
dos direitos naturais e imprescritíveis’ de todo ser humano. Na visão do contratualismo liberal
de direito natural, os direitos humanos são direitos atemporais, inerentes à qualidade de
homem de seus titulares. Para mencionar um exemplo desse legado teórico, cite-se a primeira
afirmação da longeva Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), pela qual todos os
homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos, o que é assemelhado à frase inicial de
Rousseau no clássico Do contrato social, na qual afirmou que o homem nasceu livre.” (RAMOS,
2016, p. 81)
 
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Mister acentuar a lógica evolução histórica que se deu, de um Direito Natural de inspiração
religiosa a um Direito Estatal, de construção humana:
“O traço marcante da corrente jusnaturalista (de origem religiosa ou contratualista) de direitos
humanos é o seu cunho metafísico, pois se funda na existência de um direito preexistente ao
direito produzido pelo homem, oriundo de Deus (escola de direito natural de razão divina) ou da
natureza inerente do ser humano (escola de direito natural moderno). Consequentemente, o ser
humano é titular de direitos que devem ser assegurados pelo Estado em virtude tão somente de
sua condição humana, mesmo em sobreposição às leis estatais.” (RAMOS, 2016, p. 81)
Ademais, o direito de resistência é um exemplo dessa irresignação da corrente jusnaturalista
com os direitos postos pelo Estado.
 
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Fatos e dados
No que se refere às primeiras Declarações de Direitos (Virgínia, 1776 e a Declaração Francesa dos
Direitos do Homem e do Cidadão, 1789), frisa-se que elas reconheceram o direito humano de
resistência à opressão.
 
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Fique de olho!
E foi a partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos (Paris, 1948) que também se passou
a mencionar, no seu preâmbulo, o direito à rebelião contra a tirania e a opressão. O
reconhecimento de direitos não expressos é feito para justificar efeitos ainda não previstos de
determinado direito fundamental.
 
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Cite-se, a título de exemplo, o reconhecimento do caráter de “direito natural” do direito de greve
(inerente a toda prestação de trabalho, público ou privado).
O Supremo Tribunal Federal já decidiu que não cabe o não pagamento dos salários e que
eventual compensação ao patrão pela ausência do trabalho deve ser feita após o encerramento
da greve. Para o Supremo Tribunal Federal:
“Em síntese, na vigência de toda e qualquer relação jurídica concernente à prestação de serviços,
é irrecusável o direito à greve. E este, porque ligado à dignidade do homem – consubstanciando
expressão maior da liberdade a recusa, ato de vontade, em continuar trabalhando sob
condições tidas como inaceitáveis –, merece ser enquadrado entre os direitos naturais.
Assentado o caráter de direito natural da greve, há de se impedir práticas que acabem por negá-
lo (...) consequência da perda advinda dos dias de paralisação há de ser definida uma vez
cessada a greve. Conta-se, para tanto, com o mecanismo dos descontos, a elidir eventual
enriquecimento indevido, se é que este, no caso, possa se configurar.” (Supremo Tribunal
Federal, Decisão monocrática da Presidência, SS 2061 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio,
Presidente, julgamento em 30-10-2001)
O Direito Natural foi ainda utilizado para reconhecer os direitos novos, como o “direito à fuga”,
não positivado na Constituição ou nos tratados de Direitos Humanos celebrados pelo Brasil.
Ainda, o Direito Natural serviu para ampliar direito previsto na Constituição, como foi o caso da
previsão constitucional do direito ao preso de “permanecer calado” (Constituição Federal, art. 5º,
inciso LXIII), que foi transformado pelo Supremo Tribunal Federal ao longo dos anos em um
direito de não se autoincriminar e não colaborar nas investigações criminais.
Para o Supremo Tribunal Federal: “o direito natural afasta, por si só, a possibilidade de exigir-se
que o acusado colabore nas investigações. A garantia constitucional do silêncio encerra que
ninguém está compelido a autoincriminar-se. Não há como decretar a preventiva com base em
postura do acusado reveladora de não estar disposto a colaborar com as investigações e com a
instrução processual” (HC 83.943/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 27-4-2004).
 
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A perspectiva histórica e juspositivista de fundamentação dos 
direitos humanos
A consolidação do Estado constitucional foi fruto das revoluções liberais oitocentistas, que
inseriu os direitos humanos tidos como naturais (jusnaturalismo de direitos humanos) no corpo
das Constituições e das leis, sendo agora considerados direitos positivados (RAMOS, 2016).
Foi a Escola positivista que traduziu a ideia de um ordenamento jurídico produzido pelos seres
humanos, de modo coerente e hierarquizado, dispondo que no topo do sistema jurídico,
existiria a Constituição, pressuposto de validade de todas as demais normas do ordenamento,
inserindo-se os direitos humanos na Constituição, obtendo um estatuto normativo superior
(RAMOS, 2016).
Para a Escola Positivista, o fundamento dos direitos humanos consiste na existência da norma
posta, cujo pressuposto de validade está em sua edição conforme as regras estabelecidas na
Constituição (RAMOS, 2016).
 
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Fique de olho!
Assim, os direitos humanos justificam-se graças a sua validade formal e sua previsão no
ordenamento posto, tendo o universalismo proposto pela corrente jusnaturalista e retratado na
ideia de que todos os indivíduos possuem direitos inerentes foi sacrificado, sendo a ideia de
“direitos inerentes” substituída pela ideia dos “direitos reconhecidos e positivados pelo Estado”
(RAMOS, 2016).
A faceta nacionalista dessa percepção é enfatizada por Ramos:
“Na vertente original do século XIX até meados do século XX, a positivação dos direitos humanos
é nacional: o positivismo nacionalista, então, exige que os direitos sejam prescritos em normas
internas para serem exigíveis em face do Estado ou de outros particulares.” (RAMOS, 2016, p. 85)
O risco gerado aos direitos humanos pela adoção do positivismo nacionalista é visível, no caso
de as normas locais (inclusive as constitucionais) não protegerem oureconhecerem
determinado direito ou categoria de direitos humanos.
Pode-se citar o exemplo nazista, que mostra a insuficiência da fundamentação positivista
nacionalista dos direitos humanos (RAMOS, 2016).
Essa, no entanto, é um fazedora inacabada, tendo que ser aperfeiçoado o processo a cada
instante:
 
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Reflita
“A história da positivação nacional dos direitos humanos é, então, um processo inacabado, no
qual a imperfeição das regras legais ou constitucionais de respeito aos direitos humanos revela
a manutenção de injustiças ou a criação de novas.” (RAMOS, 2016, p. 85)
 
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Como resultado da Filosofia Política e das revoluções que marcaram o século XVII, passou-se a
disciplinar a respeito dos direitos humanos pela doutrina, sendo referidos direitos ganhado
espaço no Direito positivo.
A maior parte das constituições traz um rol de direitos fundamentais. A positivação, seria então,
a incorporação no ordenamento constitucional daqueles direitos universalmente atrelados à
condição humana.
Ramos (2016) leciona acerca da divergência entre os jusnaturalistas e os positivistas, indicando
que não reside no reconhecimento ou não da existência de certos princípios de moral e justiça
passíveis de revelação pela razão humana (mesmo que tenham origem divina).
Ressalta-se que a divergência entre as duas Escolas jurídicas reside, sim, na defesa, pela Escola
jusnaturalista, da superioridade de normas não escritas e inerentes a todos os seres humanos,
reveladoras da justiça, em face de normas postas incompatíveis.
Ademais, para os positivistas nacionalistas, essas normas reveladoras da justiça não pertencem
ao ordenamento jurídico, inexistindo qualquer choque ou antagonismo com a norma posta
(RAMOS, 2016).
Ainda, arremata Ramos (2016): a moral e as regras de justiça podem sim influenciar a formação
do Direito no momento da produção legislativa e também no instante do desempenho da
atividade judicial.
No que se refere à reconstrução dos direitos humanos no século XX, cabe mencionar que a
partir das críticas utilitaristas superadas pela aceitação da necessidade de se associar a
liberdade e autonomia individuais com o bem comum, ponderou-se, no caso concreto, os limites
necessários a determinado direito para que se obtenha um benefício a outro.
 
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Portanto, os direitos servem para exigir do Estado e da comunidade as prestações necessárias
para o bem-estar social fundado na igualdade.
Ademais, a crítica marxista esvaziada pelo reconhecimento da autocracia e do poder arbitrário
que imperaram nas ditaduras do chamado socialismo real do século XX, desmanteladas após a
queda do Muro de Berlim (1989) e da dissolução final da União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas, em 1991 (RAMOS, 2016).
Assim, houve uma predominância positivista nacionalista dos direitos humanos do século XIX e
início do século XX desmoralizada após a barbárie nazista no seio da Europa (1933-1945), berço
das revoluções inglesa e francesa:
 
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Por outro lado, a predominância positivista nacionalista dos direitos humanos do século XIX e início 
do século XX ficou desmoralizada após a barbárie nazista no seio da Europa (1933-1945), berço das 
revoluções inglesa e francesa. O desenvolvimento do Direito Internacional dos Direitos Humanos 
gerou uma positivação internacionalista, com normas e tribunais internacionais aceitos pelos Estados 
e com impacto direto na vida das sociedades locais. Essa positivação internacionalista foi identificada 
por Bobbio, que, em passagem memorável, detectou que ‘os direitos humanos nascem como direitos 
naturais universais, desenvolvem-se como direitos positivos particulares (quando cada Constituição 
incorpora Declaração de Direitos) para finalmente encontrar a plena realização como direitos 
positivos universais’.
(RAMOS, 2016, p. 90)
 
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Atualmente, os direitos humanos representam a nova centralidade do Direito Constitucional e
também do Direito Internacional.
No Direito Constitucional existe, então, uma jusfundamentalização do Direito, fenômeno pelo
qual as diferentes normas de um ordenamento jurídico se formatam à luz dos direitos
fundamentais:
“Trata-se de uma verdadeira ‘filtragem pro homine’, na qual todas as normas do ordenamento
jurídico devem ser compatíveis com a promoção da dignidade humana.” (RAMOS, 2016, p. 91)
 
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Fatos e dados
No plano internacional, os direitos humanos sofreram uma ruptura ocasionada pelos regimes
totalitários nazifascistas na Europa na Segunda Guerra Mundial e, após, foram reconstruídos
com a internacionalização da matéria.
 
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A partir disso, o Direito Internacional passou por uma lenta mudança do seu eixo central voltado
à perspectiva do Estado, que passou a se preocupar com a governabilidade e com a manutenção
de suas relações internacionais.
Nesse passo, foi com a ascensão da temática dos direitos humanos previstos em diversas
normas internacionais que os direitos humanos passaram a promover a entrada em cena da
preocupação internacional referente à promoção da dignidade humana em todos os seus
aspectos (RAMOS, 2016).
Para o Supremo Tribunal Federal: “O eixo de atuação do direito internacional público
contemporâneo passou a concentrar-se, também, na dimensão subjetiva da pessoa humana,
cuja essencial dignidade veio a ser reconhecida, em sucessivas declarações e pactos
internacionais, como valor fundante do ordenamento jurídico sobre o qual repousa o edifício
institucional dos Estados nacionais” (Habeas Corpus 87.585-8, voto do Min. Celso de Mello,
julgamento em 12-3-2008)
A perspectiva moderna de fundamentação dos direitos humanos 
centrada na defesa da autonomia e no reconhecimento da 
dignidade humana
Sob a ótica moderna, o princípio da dignidade humana adquiriu papel central nas constituições
nacionais e nos tratados internacionais modernos e é frequentemente utilizado como base para
decisões judiciais sobre os mais diversos assuntos (FRIAS; LOPES, 2015).
 
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Fique de olho!
Nesse passo, a defesa da dignidade humana ocupa lugar principal no discurso jurídico
contemporâneo, uma vez que é a partir dela que se inicia o esforço para evitar a repetiçãodas
atrocidades da Segunda Guerra Mundial (FRIAS; LOPES, 2015).
 
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Observe-se este realce:
“O apelo à dignidade tem também sido recorrente nas decisões de diversos tribunais sobre
diferentes matérias, como aquelas relacionadas à interrupção da gravidez de fetos anencéfalos
(ADPF 54/DF), ao reconhecimento da união homoafetiva (ADPF 132/RJ e ADI 4.227/DF), às
pesquisas com células-tronco embrionárias (ADI 3.510/DF), à proibição de trabalho escravo (RE
398.041/PA)” (FRIAS; LOPES, 2015, s/n)
Ao longo do século XX, a dignidade da pessoa humana se tornou um princípio presente em
diversos documentos constitucionais e tratados internacionais, sendo o conteúdo dos textos
bastante semelhantes, que em geral, aludem que as pessoas têm a mesma dignidade, que esse
é o parâmetro principal da ação estatal e/ou que o objetivo principal do Estado é promover a
dignidade humana, como se vê nas disposições ao longo da Constituição brasileira de 1988
(FRIAS; LOPES, 2015).
A perspectiva intercultural de fundamentação dos direitos 
humanos
A universalidade dos direitos humanos possui vínculo indissociável com o processo de
internacionalização dos direitos humanos. Veja-se:
 
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A universalidade dos direitos humanos consiste na atribuição desses direitos a todos os seres 
humanos, não importando nenhuma outra qualidade adicional, como nacionalidade, opção política, 
orientação sexual, credo, entre outras.
(RAMOS, 2016, p. 85)
Destaca-se que até a consolidação da internacionalização em sentido estrito dos direitos
humanos, com a formação do Direito Internacional dos Direitos Humanos, os direitos
dependiam da positivação e proteção do Estado Nacional, por isso eram direitos locais. O horror
da Segunda Guerra foi crucial para que a humanidade buscasse novos patamares regulatórios:
Produzido por Núcleo de Audiovisual e Tecnologias Educacionais (NATE) - ULBRA EAD
Universidade Luterana do Brasil
Todos os direitos reservados.
 
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Reflita
“A barbárie do totalitarismo nazista gerou a ruptura do paradigma da proteção nacional dos
direitos humanos, cuja insuficiência levou à negação do valor do ser humano como fonte
essencial do Direito. Para o nazismo, a titularidade de direitos dependia da origem racial ariana.
Os demais indivíduos não mereciam a proteção do Estado. Os direitos humanos, então, não
eram universais nem ofertados a todos.” (RAMOS, 2016, p. 92)
 
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Cabe mencionar que os números dessa ruptura dos direitos humanos são significativos, tendo
em vista que foram enviados aproximadamente 18 milhões de indivíduos a campos de
concentração, gerando a morte de 11 milhões deles, sendo 6 milhões de judeus, além de
inimigos políticos do regime, comunistas, homossexuais, pessoas com deficiência, ciganos e
outros considerados descartáveis pela máquina de ódio nazista (RAMOS, 2016). Dessa feita, foi
esse legado nazista de exclusão que exigiu a reconstrução dos direitos humanos após a Segunda
Guerra Mundial, sob uma óptica diferenciada, que buscava a proteção universal, garantida,
subsidiariamente e na falha do Estado, pelo próprio Direito Internacional dos Direitos Humanos.
O ano de 1948 merece ser enfatizado como um ponto muito importante na construção dos
Direitos Humanos:
 
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Fique de olho!
“O marco da universalidade e inerência dos direitos humanos foi a edição da Declaração
Universal de Direitos Humanos de 1948, que dispõe que basta a condição humana para a
titularidade de direitos essenciais. O Art. 1º da Declaração de 1948 (também chamada de
“Declaração de Paris”) é claro: “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e
direitos”. Para a Declaração de Paris, o ser humano tem dignidade única e direitos inerentes à
condição humana. Consequentemente, são os direitos humanos universais. Fica registrada a
inerência dos direitos humanos, que consiste na qualidade de pertencimento desses direitos a
todos os membros da espécie humana, sem qualquer distinção.” (RAMOS, 2016, p. 92)
Observa-se que, desde a Declaração Universal de 1948 até hoje, a universalidade dos direitos
humanos foi sendo constantemente reafirmada pelos diversos tratados e declarações
internacionais de direitos editadas pelos próprios Estados. Destacam-se, dentre elas, a
Proclamação de Teerã, emitida na 1ª Conferência Mundial de Direitos Humanos da ONU,
realizada em Teerã, em 1968, na qual ficou disposta a indispensabilidade da comunidade
internacional no cumprimento da sua obrigação solene de fomentar e incentivar o respeito aos
direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção nenhuma por motivos
de raça, cor, sexo, idioma ou opiniões políticas ou de qualquer outra espécie (RAMOS, 2016).
Os Direitos Humanos passaram então a ter uma dimensão mais ampla, transnacional:
“Chegamos ao que se convencionou chamar, na exposição de Weis, de transnacionalidade, que
consiste no reconhecimento dos direitos humanos onde quer que o indivíduo esteja. Essa
característica é ainda mais importante na ausência de uma nacionalidade (apátridas) ou na
existência de fluxos de refugiados. Os direitos humanos não mais dependem do
reconhecimento por parte de um Estado ou da existência do vínculo da nacionalidade, existindo
o dever internacional de proteção aos indivíduos, confirmando-se o caráter universal e
transnacional desses direitos.” (RAMOS, 2016, p. 93)
Assim, os direitos humanos não mais dependem do reconhecimento por parte de um Estado ou
da existência do vínculo da nacionalidade, existindo o dever internacional de proteção aos
indivíduos, confirmando-se o caráter universal e transnacional desses direitos. Logo, os direitos
humanos exigem que o Estado aja para protegê-los, quer de condutas dos agentes públicos ou
mesmo de particulares (dimensão objetiva dos direitos humanos).
 
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No que se refere à indivisibilidade, cite-se o conceito de Ramos (2016), que dispõe sobre o
reconhecimento de que todos os direitos humanos possuem a mesma proteção jurídica, uma
vez que são essenciais para uma vida digna.
Tem-se, então, que a indivisibilidade possui duas facetas, sendo a primeira um reconhecimento
que o direito protegido apresenta uma unidade incindível em si; já a segunda faceta, mais
conhecida, assegura que não é possível proteger apenas alguns dos direitos humanos
reconhecidos (RAMOS, 2016). Podemos assim destacar a característica muito presente, que é a
da indivisibilidade dos Direitos Humanos:
“O objetivo do reconhecimento da indivisibilidade é exigirque o Estado também invista – tal qual
investe na promoção dos direitos de primeira geração – nos direitos sociais, zelando pelo
chamado mínimo existencial, ou seja, condições materiais mínimas de sobrevivência digna do
indivíduo. A indivisibilidade também exige o combate tanto às violações maciças e graves de
direitos considerados de primeira geração (direito à vida, integridade física, liberdade de
expressão, entre outros) quanto aos direitos de segunda geração (direitos sociais, como o direito
à saúde, educação, trabalho, previdência social etc.)” (RAMOS, 2016, p. 94)
 
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Fique de olho!
Já o conceito de interdependência (ou inter-relação), dispõe sobre o reconhecimento de que
todos os direitos humanos contribuem para a realização da dignidade humana, o que exige a
atenção integral a todos os direitos humanos, sem exclusão. Reconheceu-se, dessa forma, que
os direitos humanos formam uma unidade de direitos tida como indivisível, interdependente e
inter-relacionada.
Ramos (2016) elenca as normas internacionais que confirmaram a indivisibilidade e a
interdependência: a. Proclamação de Direitos Humanos da 1ª Conferência Mundial de Direitos
Humanos da ONU (Teerã, 1968). b. Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento (1986). c.
Declaração de Viena (aprovada na 2ª Conferência Mundial de Direitos Humanos da ONU, 1993).
 
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Referências
COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 10. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2015.
FRIAS, Lincoln; LOPES, Nairo. Considerações sobre o conceito de dignidade humana. Revista 
Direito GV (on-line), v. 11, p. 649-670, 2015.
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucional internacional. São Paulo: 
Saraiva, 2018.
RAMOS, André de Carvalho. Curso de direitos humanos. São Paulo. Saraiva, 2017.
Créditos
 
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