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Prova de direito constitucional comentada do XVII exame da OAB (2015) (retificado)

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E ai jusamigos, tudo certinho? Hoje deixarei com vocês a prova comentada de 
Direito Constitucional do XVII exame da OAB (2015.2). Assim, tanto eu me obrigo 
a estudar todas as questões quanto servirá para vocês revisarem os assuntos 
também. Afinal, estamos juntos e misturados no mesmo barco, não é mesmo? 
Hehehehe. 
Sem mais conversas, vamos ao trabalho! 
1. Considerações iniciais acerca da prova de Direito 
Constitucional do XVII exame da OAB 
A prova do XVII exame incluiu 07 questões especificamente de Direito 
constitucional, subindo para 10 (dez) caso você inclua Direitos humanos no 
mesmo bolo - eu não incluo. Levando em consideração que você precisa de 
"apenas" 40 para carimbar a passagem de ida para a segunda fase, 07 questões 
de uma mesma matéria é um número bastante expressivo, diga-se de 
passagem! Se minhas contas estiveram certas, só com constitucional você já 
garante 17.5% da nota necessária para carimbar passagem para a segunda 
fase. Então, olho aberto! 
 
2. Questões comentadas de Direito Constitucional do XVII 
exame da OAB 
Atenção: Para uma maior efetividade e aproveitamento do estudo das questões 
comentadas, aconselho que você tenha em mãos a Constituição atualizada ou 
seu vade mecum - para ir grifando o que vem caindo nas provas. Mas se você 
não curte rabiscar, não se preocupe, citarei os artigos aqui na íntegra para 
facilitar a assimilação. 
Questão 01 - Pedro, reconhecido advogado na área do direito público, é 
contratado para produzir um parecer sobre situação que envolve o pacto 
federativo entre Estados brasileiros. Ao estudar mais detidamente a questão, 
conclui que, para atingir seu objetivo, é necessário analisar o alcance das 
chamadas cláusulas pétreas. 
Com base na ordem constitucional brasileira vigente, assinale, dentre as opções 
abaixo, a única que expressa uma premissa correta sobre o tema e que pode 
ser usada pelo referido advogado no desenvolvimento de seu parecer. 
a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para sustentar a existência de 
normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais inferiores, 
o que possibilita a existência de normas constitucionais inconstitucionais. 
b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente ao texto 
constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle de 
constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula pétrea. 
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c) Mudanças propostas por constituinte derivado reformador estão sujeitas ao 
controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali propostas não podem 
afrontar cláusulas pétreas estabelecidas na Constituição da República. 
d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas pétreas 
estão localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de modo que é 
inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a normas fundadas em 
outros dispositivos constitucionais. 
Comentários 
a) As cláusulas pétreas podem ser invocadas para sustentar a existência 
de normas constitucionais superiores em face de normas constitucionais 
inferiores, o que possibilita a existência de normas constitucionais 
inconstitucionais. 
 
Item ERRADO. Existem dois motivos que tornam esse item um enunciado 
errôneo. O primeiro é que não existe hierarquia entre normas constitucionais 
originárias. Esse assunto abordado na questão – a respeito da existência de 
normas constitucionais originárias hierarquicamente superiores às outras 
normas constitucionais também originárias – tem forte influência de uma famosa 
tese do direito alemão. É a chamada tese das normas constitucionais 
inconstitucionais, de autoria do jurista alemão Otto Bachof. O Supremo 
Tribunal Federal não adota essa tese. 
ADI 815/DF: A tese de que há hierarquia entre normas constitucionais 
originárias dando azo à declaração de inconstitucionalidade de umas em face 
de outras e incompossível com o sistema de Constituição rígida. 
 
Em suma: Não há hierarquia entre normas constitucionais originárias. Aqui 
o apito alemão é mudo. As normas originárias são consequência do poder 
constituinte originário, cujas características – dentre outras – nos informam que 
estamos diante de um poder ilimitado, autônomo e incondicionado. 
b) Norma introduzida por emenda à constituição se integra plenamente 
ao texto constitucional, não podendo, portanto, ser submetida a controle 
de constitucionalidade, ainda que sob alegação de violação à cláusula 
pétrea. 
 
Item ERRADO. Não precisamos de grandes comentários para saber disso, não 
é mesmo? Como assim uma norma ofende uma cláusula pétrea e não pode ser 
passível de controle de constitucionalidade? Surreal. Mas fora isso, o item estaria 
certo. A emenda, quando devidamente aprovada, tem o mesmo status de norma 
originária. Aliás, norma superveniente não pode afrontar cláusula pétrea. Na 
verdade poder até pode, mas será passível de controle de constitucionalidade e 
certamente será excluída do ordenamento jurídico. 
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c) Mudanças propostas por constituinte derivado reformador estão 
sujeitas ao controle de constitucionalidade, sendo que as normas ali 
propostas não podem afrontar cláusulas pétreas estabelecidas na 
Constituição da República. 
 
Item CORRETO. Enunciado perfeito, sem nenhuma possibilidade de dúvida. As 
normas derivadas, ou seja, que surgem para somar forças às normas originárias, 
além de também adequar o texto constitucional à realidade social do momento, 
deve sem sombra de dúvidas respeitar o teor das cláusulas pétreas. Mas lembre-
se: É possível a alteração para ampliar direitos, o que é vedado é a proposta de 
emenda que tenha por objetivo abolir as cláusulas pétreas. Elas não são 
“irretocáveis”. 
d) Os direitos e as garantias individuais considerados como cláusulas 
pétreas estão localizados exclusivamente nos dispositivos do Art. 5º, de 
modo que é inconstitucional atribuir essa qualidade (cláusula pétrea) a 
normas fundadas em outros dispositivos constitucionais. 
 
Item ERRADO. Os direitos e garantias individuais estão dispostos ao longo do 
texto constitucional. O rol do Art. 5º é meramente exemplificativo. O próprio artigo 
estabelece em seu § 2º que os direitos e garantias expressos nesta Constituição 
não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou 
dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. 
O que aprendemos na questão 
1º A tese das normas constitucionais inconstitucionais não é adotada 
pelo STF 
2º Emenda Constitucional é passível de controle de constitucionalidade 
3º As mudanças futuras à constituição devem respeitar as cláusulas p. 
4º Os direitos e garantias individuais não estão apenas no Art. 5º da CF 
 
Questão 02 - Dois advogados, com grande experiência profissional e com a justa 
preocupação de se manterem atualizados, concluem que algumas ideias vêm 
influenciando mais profundamente a percepção dos operadores do direito a 
respeito da ordem jurídica. Um deles lembra que a Constituição brasileira vem 
funcionando como verdadeiro “filtro", de forma a influenciar todas as normas do 
ordenamento pátrio com os seus valores. O segundo, concordando, adiciona que 
o crescente reconhecimento da natureza normativo-jurídica dos princípios pelos 
tribunais, especialmente pelo Supremo Tribunal Federal, tem aproximado as 
concepções de direito e justiça (buscada no diálogo racional) e oferecido um 
papel de maior destaque aos magistrados. 
As posições apresentadas pelos advogados mantêm relação com uma 
concepção teórico-jurídica que, no Brasil