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1 2022.1 2 2022.1, 20.12.2021 3 INDICAÇÃO DOS PRINCIPAIS ARTIGOS COMENTÁRIOS E TABELAS REDAÇÃO SIMPLIFICADA TEXTO LEGAL COM DESTAQUES NAVEGAÇÃO POR MARCADORES Utilize este material como seu caderno de estudos. Os espaços foram pensados para que você tenha uma leitura mais ativa, adicionando o que considera importante e organizando todas as anotações em um só lugar. Destacamos com uma estrela os dispositivos com maior incidência em provas e que merecem uma atenção especial. Para facilitar seus estudos, já incluímos anotações e tabelas com apontamentos doutrinários e jurisprudenciais. Além da diagramação desenhada para tornar a leitura mais fluente, tornamos a redação mais objetiva, especialmente nos números. NEGRITO - ROXO - LARANJA - CINZA SUBLINHADO - Grifos para indicar termos importantes. Destacando números (datas, prazos, percentuais e outros valores). Expressões que apresentam uma ideia de negação ou ressalva/exceção. Indicando vetos e revogações. Dispositivos cuja eficácia está prejudicada, mas não estão revogados expressamente. Uma ferramenta a mais para você que gosta de ler pelo tablet ou notebook. Todos os nossos materiais foram desenhados para você ler de forma muito confortável quando impressos, mas se você também gosta de ler em telas, conheça esta ferramenta que aplicamos em todos os conteúdos, os recursos de interatividade com a navegação por marcadores – a estrutura de tópicos do leitor de PDF, que também pode ter outro nome a depender do programa. Os títulos, capítulos, seções e artigos das legislações, bem como as súmulas e outros enunciados dos materiais de jurisprudências, estão listados na barra de marcadores do seu leitor de PDF, permitindo que a localização de cada dispositivo seja feita de maneira ainda mais fluente. Além disso, com a opção VOLTAR, conforme o leitor de PDF que esteja utilizando, você também pode retornar para o local da leitura onde estava, sem precisar ficar rolando páginas. ESPAÇO PARA ANOTAÇÕES CINZA TACHADO - 4 GUIA DE ESTUDOS Se você está iniciando o estudo para concursos ou sente a necessidade de uma organização e planejamento melhor, este conteúdo deve contribuir bastante com a sua preparação. Liberamos gratuitamente no site. Nele você encontrará: CONTROLE DE LEITURA DAS LEGISLAÇÕES A fim de auxiliar ainda mais nos seus estudos, um dos conteúdos do Guia é a planilha para programar suas leituras e revisões das legislações. Lá nós explicamos com mais detalhes e indicamos sugestões para o uso, trazendo dicas para tornar seus estudos mais eficientes. Veja algumas das principais características: INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DE JURISPRUDÊNCIAS DICAS PARA A RESOLUÇÃO DE QUESTÕES CONTROLE DE ESTUDOS POR CICLOS CONTROLE DE LEITURA DE INFORMATIVOS (STF E STJ) PLANNER SEMANAL MATERIAL GRATUITO 5 SUMÁRIO GERAL ÍNDICE DAS TABELAS .............................................................................................................................................................................. 6 LEI 7.210/84 - Lei de Execução Penal (LEP) ................................................................................................................................... 10 LEI 9.099/95 - Juizados Especiais Criminais .................................................................................................................................. 73 DL 3.688/41 - Lei das Contravenções Penais (LCP) .................................................................................................................... 85 LEI 12.850/13 - Organização Criminosa ........................................................................................................................................ 103 LEI 13.869/19 - Abuso de Autoridade ........................................................................................................................................... 116 LEI 11.343/06 - Lei de Drogas ........................................................................................................................................................... 127 LEI 11.340/06 - Lei Maria da Penha ................................................................................................................................................ 163 LEI 8.072/90 - Crimes Hediondos .................................................................................................................................................... 182 LEI 9.455/97 - Crimes de Tortura .................................................................................................................................................... 187 LEI 2.889/56 - Crime de Genocídio ................................................................................................................................................. 191 LEI 7.716/89 - Preconceito de Raça ou de Cor............................................................................................................................ 193 LEI 10.826/03 - Estatuto do Desarmamento ............................................................................................................................... 198 LEI 9.613/98 - Lavagem de Dinheiro .............................................................................................................................................. 212 LEI 12.037/09 - Identificação Criminal .......................................................................................................................................... 227 LEI 12.830/13 - Investigação Criminal........................................................................................................................................... 231 LEI 9.296/96 - Interceptação Telefônica ....................................................................................................................................... 233 LEI 7.960/89 - Prisão Temporária ................................................................................................................................................... 239 LEI 9.807/99 - Proteção à Testemunha ......................................................................................................................................... 242 LEI 8.069/90 - Crimes do ECA ........................................................................................................................................................... 248 LEI 10.741/03 - Crimes do Estatuto do Idoso ............................................................................................................................. 256 LEI 8.078/90 - Crimes no CDC ........................................................................................................................................................... 260 LEI 9.605/98 - Crimes Ambientais................................................................................................................................................... 264 LEI 4.737/65 - Crimes Eleitorais ....................................................................................................................................................... 282 LEI 11.101/05 - Crimes Falimentares ............................................................................................................................................. 294 LEI 8.137/90 - Crimes Tributários ................................................................................................................................................... 300 LEI 1.521/51 - Crimes Contra a Economia Popular ................................................................................................................... 307 LEI 9.503/97 - Crimes de Trânsito ...................................................................................................................................................312 LEI 10.671/03 - Crimes do Estatuto do Torcedor ...................................................................................................................... 320 6 ÍNDICE DAS TABELAS LEI 7.210/84 - Lei de Execução Penal (LEP) .................................................................................... 10 Pena x Medida de segurança x Medida socioeducativa ............................................................. 11 Comissão Técnica de Classificação................................................................................................... 12 Exame de classificação x Exame criminológico ............................................................................. 12 Súmulas sobre exame criminológico ................................................................................................ 13 Identificação do perfil genético ......................................................................................................... 14 Egresso ...................................................................................................................................................... 17 Trabalho do preso .................................................................................................................................. 18 Jornada de trabalho do preso * .......................................................................................................... 19 Requisitos para concessão do trabalho externo........................................................................... 20 Classificação das faltas disciplinares................................................................................................ 23 Condenado à pena restritiva de direitos - Faltas * ....................................................................... 24 Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) ......................................................................................... 25 Consequências decorrentes da prática de falta grave * ............................................................. 27 Súmulas sobre falta grave .................................................................................................................... 27 Falta grave em execução penal - Jurisprudência em Teses nº 7 do STJ ................................ 27 Falta grave em execução penal II - Jurisprudência em Teses nº 144 do STJ ....................... 28 Falta grave em execução penal III - Jurisprudência em Teses nº 145 do STJ ...................... 29 Falta grave em execução penal IV - Jurisprudência em Teses nº 146 do STJ ...................... 30 Súmulas sobre juiz da execução ......................................................................................................... 34 Separação dos presos............................................................................................................................ 40 Superveniência de doença mental e conversão da pena em medida de segurança * ........ 45 Progressão de regime ........................................................................................................................... 46 Progressão de regime – condições ................................................................................................... 47 Prisão domiciliar - CPP x LEP ............................................................................................................. 48 Súmulas sobre progressão................................................................................................................... 49 Calendário de saídas temporárias (saídas temporárias automatizadas) .............................. 51 Distinções das autorizações de saída * ............................................................................................ 52 Súmulas sobre remição......................................................................................................................... 54 Remição de pena - Jurisprudência em Teses nº 12 do STJ ........................................................ 54 Jurisprudência sobre remição ............................................................................................................ 54 Revogação do livramento condicional ............................................................................................. 57 Livramento condicional - Prorrogação e suspensão ................................................................... 58 Anistia, graça e indulto * ....................................................................................................................... 68 Do indulto e da comutação de pena - Jurisprudência em Teses nº 139 do STJ .................. 69 LEI 9.099/95 - Juizados Especiais Criminais ................................................................................... 73 Infrações penais de menor potencial ofensivo .............................................................................. 74 Juizados Especiais Criminais - Princípios e objetivos ................................................................. 74 Juizados Especiais Criminais - Competência absoluta e relativa * ......................................... 75 Juizados Especiais Criminais - Citação ............................................................................................ 75 Transação penal ...................................................................................................................................... 77 7 Composição por danos civis x Transação penal ............................................................................ 78 Apelação - CPP x JECRIM .................................................................................................................... 80 JECRIM - Meios de impugnação ........................................................................................................ 80 JECRIM - Recurso Extraordinário e Especial ................................................................................ 80 Embargos de declaração - CPP x JECRIM ...................................................................................... 80 Deixa de aplicar suspensão condicional do processo quando * ............................................... 82 Suspensão condicional da pena x Suspensão condicional do processo * .............................. 82 Sistemas do Sursis .................................................................................................................................. 83 DL 3.688/41 - Lei das Contravenções Penais (LCP) .................................................................... 85 Crimes que não admitem tentativa .................................................................................................. 86 Reincidência ............................................................................................................................................. 87 Sursis - Prazos do período de prova ................................................................................................. 88 Súmulas sobre contravenção.............................................................................................................. 89 Crime x Contravenção .......................................................................................................................... 90 Perigo abstrato x Perigo concreto .................................................................................................... 94 Simulação da qualidade de funcionário (LCP) e usurpação de função pública (CP) .......... 97 LEI 12.850/13 - Organização Criminosa ......................................................................................... 103 Associação e organização criminosa .............................................................................................104 Colaboração Premiada na Lei de Organização Criminosa ..................................................... 107 Sigilo do acordo de colaboração ..................................................................................................... 109 Colaboração premiada x Delação premiada ............................................................................... 110 Necessidade de autorização judicial na ação controlada ....................................................... 110 Infiltração de agentes ........................................................................................................................ 111 Espécies de infiltração * .................................................................................................................... 112 LEI 13.869/19 - Abuso de Autoridade ............................................................................................. 116 Elemento subjetivo especial dos crimes de abuso de autoridade ........................................ 117 Não configura abuso de autoridade .............................................................................................. 117 Princípio da independência de instâncias * ................................................................................. 119 Deixar injustificadamente de comunicar prisão ........................................................................ 120 Art. 1º da Lei de Tortura x Art. 13 da Lei de Abuso de Autoridade * ................................... 121 Horário no qual o interrogatório policial deve ser realizado * .............................................. 122 Art. 150 do Código Penal x Art. 22 da Lei de Abuso de Autoridade .................................... 123 Art. 347 do Código Penal x Art. 23 da Lei de Abuso de Autoridade .................................... 123 LEI 11.343/06 - Lei de Drogas .............................................................................................................. 127 Principais aspectos do crime de porte de droga para consumo próprio * ......................... 138 Jurisprudência sobre o crime do art. 28 da Lei de Drogas ...................................................... 139 Pena de multa na Lei de Drogas ...................................................................................................... 140 Prazo para destruição da droga ...................................................................................................... 141 Tráfico Privilegiado............................................................................................................................. 142 Jurisprudência sobre tráfico privilegiado .................................................................................... 142 Associação e organização criminosa ............................................................................................. 143 Colaboração premiada na Lei de Drogas ..................................................................................... 145 Perito - CPP e Lei de Drogas ............................................................................................................ 147 Prazos para conclusão do inquérito policial................................................................................ 147 Infiltração de agentes ........................................................................................................................ 148 8 Necessidade de autorização judicial na ação controlada ....................................................... 148 Número de testemunhas................................................................................................................... 149 Compilado: Lei de Drogas - Jurisprudência em Teses nº 131 do STJ .................................. 157 LEI 11.340/06 - Lei Maria da Penha .................................................................................................. 163 Aplicação da Lei Maria da Penha * ................................................................................................. 164 Retratação da representação .......................................................................................................... 172 Súmulas sobre a Lei Maria da Penha ............................................................................................. 179 Violência doméstica e familiar contra mulher - Jurisprudência em Teses nº 41 do STJ 179 LEI 8.072/90 - Crimes Hediondos ...................................................................................................... 182 Crimes hediondos ............................................................................................................................... 183 LEI 9.455/97 - Crimes de Tortura....................................................................................................... 187 Art. 1º da Lei de Tortura x Art. 13 da Lei de Abuso de Autoridade * ................................... 188 Omissão imprópria x Omissão própria ......................................................................................... 189 Tortura qualificada pela morte x Homicídio qualificado pela tortura ................................ 189 Tortura - Extraterritorialidade incondicionada ......................................................................... 190 LEI 7.716/89 - Preconceito de Raça ou de Cor............................................................................ 193 Crimes resultantes de discriminação ou preconceito.............................................................. 194 Injúria preconceituosa e racismo ................................................................................................... 196 LEI 10.826/03 - Estatuto do Desarmamento ............................................................................... 198 Posse x Porte de arma de fogo ........................................................................................................ 204 Posse x Porte de arma de fogo com registro vencido .............................................................. 204 Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito ............................................................. 205 Posse x Porte de arma de fogo - Crimes ....................................................................................... 205 Abolitio criminis temporária .............................................................................................................. 208 Estatuto do Desarmamento I - Jurisprudência em Teses nº 102 do STJ ........................... 210 Estatuto do Desarmamento II - Jurisprudência em Teses nº 108 do STJ .......................... 211 LEI 9.613/98 - Lavagem de Dinheiro ................................................................................................ 212 Gerações das leis de lavagem * ....................................................................................................... 213 Fases da lavagem * .............................................................................................................................. 213 Infiltração de agentes ........................................................................................................................ 214 Necessidade de autorização judicial na ação controlada ....................................................... 218 Do crime de lavagem I - Jurisprudência em Teses nº 166 do STJ ......................................... 225 Do crime de lavagem II - Jurisprudência em Teses nº 167 do STJ ....................................... 225 LEI 12.037/09 - Identificação Criminal ........................................................................................... 227 Exclusão dos perfis genéticos ..........................................................................................................229 LEI 9.296/96 - Interceptação Telefônica ........................................................................................ 233 Elementos migratórios ...................................................................................................................... 235 Interceptação telefônica I - Jurisprudência em Teses nº 117 do STJ.................................. 238 LEI 8.069/90 - Crimes do ECA .............................................................................................................. 248 Infiltração de agentes ........................................................................................................................ 251 Corrupção de menores * ................................................................................................................... 255 9 LEI 9.605/98 - Crimes Ambientais ..................................................................................................... 264 Sursis - Prazos do período de prova .............................................................................................. 267 LEI 11.101/05 - Crimes Falimentares ............................................................................................... 294 Não aplicação da Teoria da Ubiquidade * .................................................................................... 298 LEI 8.137/90 - Crimes Tributários ..................................................................................................... 300 Suspensão da pretensão punitiva e extinção da punibilidade ............................................... 301 LEI 1.521/51 - Crimes Contra a Economia Popular .................................................................. 307 Recurso de ofício ................................................................................................................................. 310 Prazos para conclusão do inquérito policial................................................................................ 311 LEI 9.503/97 - Crimes de Trânsito ..................................................................................................... 312 Legislação de trânsito - II: Dos crimes de trânsito - Jurisprudência em Teses nº 114 do STJ ............................................................................................................................................................ 318 10 LEI 7.210/84 - Lei de Execução Penal (LEP) Institui a Lei de Execução Penal. Atualizada até a Lei 13.964/19. 11 TÍTULO I - DO OBJETO E DA APLICAÇÃO DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL Art. 1º A execução penal tem por OBJETIVO efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado. PENA X MEDIDA DE SEGURANÇA X MEDIDA SOCIOEDUCATIVA PENA MEDIDA DE SEGURANÇA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA › Prevenção especial; › Retribuição; › Ressocialização. Essencialmente preventiva. Não se nega, porém, seu caráter penoso, em especial na de natureza detentiva. › Integração social do adolescente; › Garantia de seus direitos individuais e sociais. Pressupõe fato típico, ilícito, praticado por alguém culpável. Pressupõe fato típico, ilícito, praticado por alguém não imputável, porém perigoso (periculosidade). Pressupõe fato típico, ilícito, praticado por adolescente (jamais criança) em conflito com a lei. Aplica-se a LEP. Aplica-se o ECA e leis correlatas. Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal. Súmula 192 do STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a Administração Estadual. Ainda que a condenação não tenha transitado em julgado, caso o réu esteja preso em unidade prisional estadual, a competência para decidir sobre os incidentes da execução penal será da Justiça Estadual. Art. 194 desta Lei. Arts. 5º, XXXV, XXXVII, LIII, LIV, LV, LX, LXV, LXXIV e 24, I, da CF. Arts. 668 a 779 do CPP. Arts. 588 a 674 do CPPM. Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária. Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. Arts. 34, § 3º, 35, § 2º, 38 e 39, do CP. Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política. Arts. 3º, IV, e 5º, caput, I e XLII, da CF. Art. 4º O Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança. Arts. 14, § 2º, 20, 78 e 80 desta Lei. 12 TÍTULO II - DO CONDENADO E DO INTERNADO Capítulo I - Da Classificação Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a individualização da execução penal. Art. 5º, XLVI, da CF. Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso provisório. (Lei 10.792/03) Arts. 34 e 35 do CP. Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento, será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 chefes de serviço, 1 psiquiatra, 1 psicólogo e 1 assistente social, quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade. Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada por fiscais do serviço social. COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE 2 chefes de serviço 1 psiquiatra 1 psicólogo 1 assistente social DEMAIS CASOS A Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada por fiscais do serviço social. Art. 8º O CONDENADO ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a EXAME CRIMINOLÓGICO para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução. Art. 34 do CP. Súmula Vinculante 26 do STF. Súmula 439 do STJ. Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semiaberto. Art. 174 desta Lei. Art. 35 do CP. EXAME DE CLASSIFICAÇÃO X EXAME CRIMINOLÓGICO EXAME DE CLASSIFICAÇÃO EXAME CRIMINOLÓGICO Amplo e genérico Específico Orienta o modo de cumprimento da pena, guia seguro visando a ressocialização. Busca construir um prognóstico de periculosidade do reeducando, partindo do binômio delito-delinquente. Envolve aspectos relacionados à personalidade do condenado, seus antecedentes, sua vida familiar e social, sua capacidade laborativa. Envolve a parte psicológica e psiquiátrica, atestando a maturidade do condenado, sua disciplina e capacidade de suportar frustações (prognóstico criminológico). 13 O juiz da execução criminal tem a faculdade de requisitar o exame criminológico e utilizá-lo como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão. Nada impede que o magistrado das execuções criminais, facultativamente, requisite o exame criminológico e o utilize como fundamento da decisão que julga o pedido de progressão. STF. 2ª Turma. Rcl 27616 AgR/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 9/10/2018 (Info 919) SÚMULAS SOBRE EXAME CRIMINOLÓGICO Súmula Vinculante 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 8.072/90, sem prejuízode avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico. Súmula 439 do STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada. Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade , observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo, poderá: I. entrevistar pessoas; II. requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do condenado; III. realizar outras diligências e exames necessários. Art. 9º-A O CONDENADO POR CRIME DOLOSO PRATICADO COM VIOLÊNCIA GRAVE CONTRA A PESSOA, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. (Lei 13.964/19) § 1º. A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Lei 12.654/12) § 1º-A. A regulamentação deverá fazer constar garantias mínimas de proteção de dados genéticos, observando as melhores práticas da genética forense. (Lei 13.964/19) § 2º. A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. (Lei 12.654/12) § 3º. Deve ser viabilizado ao titular de dados genéticos o acesso aos seus dados constantes nos bancos de perfis genéticos, bem como a todos os documentos da cadeia de custódia que gerou esse dado, de maneira que possa ser contraditado pela defesa. (Lei 13.964/19) § 4º. O condenado pelos crimes previstos no caput deste artigo que não tiver sido submetido à identificação do perfil genético por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional deverá ser submetido ao procedimento durante o cumprimento da pena. (Lei 13.964/19) § 5º. A amostra biológica coletada só poderá ser utilizada para o único e exclusivo fim de permitir a identificação pelo perfil genético, não estando autorizadas as práticas de fenotipagem genética ou de busca familiar. (Lei 13.964/19) § 6º. Uma vez identificado o perfil genético, a amostra biológica recolhida nos termos do caput deste artigo deverá ser correta e imediatamente descartada, de maneira a impedir a sua utilização para qualquer outro fim. (Lei 13.964/19) § 7º. A coleta da amostra biológica e a elaboração do respectivo laudo serão realizadas por perito oficial. (Lei 13.964/19) § 8º. Constitui FALTA GRAVE a recusa do condenado em submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético . (Lei 13.964/19) 14 IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO ANTES da Lei 13.964/19 DEPOIS da Lei 13.964/19 Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1° da Lei no 8.072/90 (crimes hediondos) serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor O condenado por crime doloso praticado com violência grave contra a pessoa, bem como por crime contra a vida, contra a liberdade sexual ou por crime sexual contra vulnerável, será submetido, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA (ácido desoxirribonucleico), por técnica adequada e indolor, por ocasião do ingresso no estabelecimento prisional. Capítulo II - Da Assistência Seção I - Disposições Gerais Art. 10 A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado , objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade. Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso. Art. 11 A ASSISTÊNCIA será: I. material; II. à saúde; III. jurídica; IV. educacional; V. social; VI. religiosa. Seção II - Da Assistência Material Art. 12 A ASSISTÊNCIA MATERIAL ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de alimentação, vestuário e instalações higiênicas. Arts. 39, IX, e 41, I, desta Lei. Art. 13 O estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas suas necessidades pessoais, além de locais destinados à venda de produtos e objetos permitidos e não fornecidos pela Administração. Art. 104 desta Lei. Seção III - Da Assistência à Saúde Art. 14 A ASSISTÊNCIA À SAÚDE do preso e do internado de caráter preventivo e curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico. § 1º. (VETADO) MESSE JR 15 § 2º. Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do estabelecimento. § 3º. Será assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no pós-parto, extensivo ao recém-nascido. (Lei 11.942/09) Seção IV - Da Assistência Jurídica Art. 15 A ASSISTÊNCIA JURÍDICA é destinada aos presos e aos internados sem recursos financeiros para constituir advogado. Art. 41, VII e IX, desta Lei. Art. 5º, LXXIV, da CF. Lei 1.060/1950 (Assistência Judiciária). Art. 16 As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica, integral e gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Lei 12.313/10) § 1º. As Unidades da Federação deverão prestar auxílio estrutural, pessoal e material à Defensoria Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Lei 12.313/10) § 2º. Em todos os estabelecimentos penais, haverá local apropriado destinado ao atendimento pelo Defensor Público. (Lei 12.313/10) § 3º. Fora dos estabelecimentos penais, serão implementados Núcleos Especializados da Defensoria Pública para a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos réus, sentenciados em liberdade, egressos e seus familiares, sem recursos financeiros para constituir advogado. (Lei 12.313/10) Seção V - Da Assistência Educacional Art. 17 A ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL compreenderá a instrução escolar e a formação profissional do preso e do internado. Art. 18 O ensino de 1º grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da Unidade Federativa. Art. 18-A O ensino médio, regular ou supletivo, com formação geral ou educação profissional de nível médio, será implantado nos presídios, em obediência ao preceito constitucional de sua universalização. (Lei 13.163/15) § 1º. O ensino ministrado aos presos e presas integrar-se-á ao sistema estadual e municipal de ensino e será mantido, administrativa e financeiramente, com o apoio da União, não só com os recursos destinados à educação, mas pelo sistema estadual de justiça ou administração penitenciária. (Lei 13.163/15) § 2º. Os sistemas de ensino oferecerão aos presos e às presas cursos supletivos de educação de jovens e adultos. (Lei 13.163/15) § 3º. A União, os Estados, os Municípios e o DF incluirão em seus programas de educação à distância e de utilização de novas tecnologias de ensino, o atendimento aos presos e às presas. (Lei 13.163/15) Art. 19 O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico. Parágrafo único. A mulher condenada terá ensino profissional adequado à sua condição. EAD 16 Art. 20 As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com entidades públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos especializados. Art. 21 Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos, recreativos e didáticos. Art. 21-A O censo penitenciário deveráapurar: (Lei 13.163/15) I. o nível de escolaridade dos presos e das presas; (Lei 13.163/15) II. a existência de cursos nos níveis fundamental e médio e o número de presos e presas atendidos; (Lei 13.163/15) III. a implementação de cursos profissionais em nível de iniciação ou aperfeiçoamento técnico e o número de presos e presas atendidos; (Lei 13.163/15) IV. a existência de bibliotecas e as condições de seu acervo; (Lei 13.163/15) V. outros dados relevantes para o aprimoramento educacional de presos e presas. (Lei 13.163/15) Seção VI - Da Assistência Social Art. 22 A ASSISTÊNCIA SOCIAL tem por finalidade amparar o preso e o internado e prepará-los para o retorno à liberdade. Art. 23 Incumbe ao SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL: I. conhecer os resultados dos diagnósticos ou exames; II. relatar, por escrito, ao Diretor do estabelecimento, os problemas e as dificuldades enfrentadas pelo assistido; III. acompanhar o resultado das permissões de saídas e das saídas temporárias; IV. promover, no estabelecimento, pelos meios disponíveis, a recreação; V. promover a orientação do assistido, na fase final do cumprimento da pena, e do liberando, de modo a facilitar o seu retorno à liberdade; VI. providenciar a obtenção de documentos, dos benefícios da Previdência Social e do seguro por acidente no trabalho; VII. orientar e amparar, quando necessário, a família do preso, do internado e da vítima. Seção VII - Da Assistência Religiosa Art. 24 A ASSISTÊNCIA RELIGIOSA, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa. § 1º. No estabelecimento haverá local apropriado para os cultos religiosos . § 2º. Nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade religiosa. 17 Seção VIII - Da Assistência ao Egresso Art. 25 A ASSISTÊNCIA ao EGRESSO consiste: I. na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade; II. na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em estabelecimento adequado, pelo prazo de 2 meses. Parágrafo único. O prazo estabelecido no inciso II poderá ser prorrogado 1 única vez, comprovado, por declaração do assistente social, o empenho na obtenção de emprego. Art. 26 CONSIDERA-SE EGRESSO para os efeitos desta Lei: I. o liberado definitivo, pelo prazo de 1 ano a contar da saída do estabelecimento; II. o liberado condicional, durante o período de prova. EGRESSO Liberado DEFINITIVO Pelo prazo de 1 ano a contar da saída do estabelecimento. Liberado CONDICIONAL Durante o período de prova. Art. 27 O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção de trabalho. Capítulo III - Do Trabalho Seção I - Disposições Gerais Art. 28 O TRABALHO do CONDENADO, como dever social e condição de dignidade humana , terá finalidade educativa e produtiva. Arts. 1º, III, 5º, XLVII, c, da CF. Arts. 126 a 130 desta Lei. § 1º. Aplicam-se à organização e aos métodos de trabalho as precauções relativas à segurança e à higiene. § 2º. O trabalho do preso não está sujeito ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho. Art. 29 O trabalho do preso será remunerado, mediante prévia tabela, não podendo ser inferior a 3/4 do salário mínimo. Art. 39 do CP. § 1°. O PRODUTO DA REMUNERAÇÃO pelo trabalho deverá atender: a. à indenização dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e não reparados por outros meios; b. à assistência à família; c. a pequenas despesas pessoais; d. ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manutenção do condenado, em proporção a ser fixada e sem prejuízo da destinação prevista nas letras anteriores. CLT PODE SER INFERIOR AO SALÁRIO MÍNIMO 18 § 2º. Ressalvadas outras aplicações legais, será depositada a parte restante para constituição do pecúlio, em Caderneta de Poupança , que será entregue ao condenado quando posto em liberdade. Art. 30 As tarefas executadas como prestação de serviço à comunidade não serão remuneradas. Arts. 43, IV, e 46, § 1º, do CP. Seção II - Do Trabalho Interno Art. 31 O CONDENADO à PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE está OBRIGADO AO TRABALHO na medida de suas aptidões e capacidade. Arts. 39, V, 41, II, 50, VI e 126 a 130, desta Lei. Arts. 1º, III, 5º, XLVII, c, e 6º, da CF. Item 58 da Exposição de Motivos da LEP. Arts. 34, § 1º, e 35, § 1º, do CP. Parágrafo único. Para o preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser executado no interior do estabelecimento. TRABALHO DO PRESO REGRA OBRIGATÓRIO O trabalho não é obrigatório › Preso provisório (art. 31, parágrafo único) › Preso político (art. 200) CLT Não está sujeito ao regime da CLT (art. 28, § 2º) Remuneração Não pode ser inferior a 3/4 do salário mínimo (art. 29) Jornada de trabalho Não será inferior a 6 nem superior a 8 horas, com descanso nos domingos e feriados (art. 33) A LEP prevê que o condenado à pena privativa de liberdade que não cumprir o dever de trabalho comete falta grave (art. 50, VI). Assim, constitui falta grave na execução penal a recusa injustificada do condenado ao exercício de trabalho interno. STJ. 6ª Turma. HC 264.989-SP, Rel. Min. Ericson Maranho, julgado em 4/8/2015 (Info 567) Márcio Cavalcante destaca que o dever de trabalho imposto pela LEP ao apenado não é considerado como pena de trabalho forçado. Em outras palavras, quando a CF/88 proíbe penas de trabalhos forçados, isso não significa que ela vede o trabalho interno obrigatório nos presídios. Sobre o tema, veja o que diz o art. 6º, 3, a, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto San José da Costa Rica): Art. 6º (...) 3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo: a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Tais trabalhos ou serviços devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os executarem não devem ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas jurídicas de caráter privado Art. 32 Na atribuição do trabalho deverão ser levadas em conta a habilitação, a condição pessoal e as necessidades futuras do preso, bem como as oportunidades oferecidas pelo mercado. § 1º. Deverá ser limitado, tanto quanto possível, o artesanato sem expressão econômica, salvo nas regiões de turismo. § 2º. Os maiores de 60 anos poderão solicitar ocupação adequada à sua idade. Highlight Highlight 19 § 3º. Os doentes ou deficientes físicos somente exercerão atividades apropriadas ao seu estado. Art. 33 A JORNADA NORMAL DE TRABALHO não será inferior a 6 nem superior a 8 horas, com descanso nos domingos e feriados. Parágrafo único. Poderá ser atribuído horário especial de trabalho aos presos designados para os serviços de conservação e manutenção do estabelecimento penal. JORNADA DE TRABALHO DO PRESO * REGRA A jornada de trabalho não pode ser inferior a 6h nem superior a 8h, com descanso nos domingos e feriados (art. 33, caput). EXCEÇÃO 1 Pode ser atribuído horário especial de trabalho aos presos designados para os serviços de conservação e manutenção do estabelecimento penal (art. 33, parágrafo único). EXCEÇÃO 2 Se o apenado desempenhar atividade laboral fora do limite máximo da jornada de trabalho (8 horas diárias), o período excedente deverá ser computado para fins de remição de pena, considerando-se cada 6 horas extras realizadas como 1 dia de trabalho. REsp 1064934/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 11/12/2009, DJe 22/02/2010 EXCEÇÃO 3 Se o preso, ainda que sem autorização do juízo ou da direção do estabelecimento prisional, efetivamente trabalhar nos domingos e feriados,esses dias deverão ser considerados no cálculo da remição da pena. STJ. 5ª Turma. HC 346948-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 21/6/2016 (Info 586) EXCEÇÃO 4 Trabalho cumprido em jornada inferior ao mínimo legal pode ser aproveitado para fins de remição caso tenha sido uma determinação da direção do presídio. STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info 860) * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 34 O trabalho poderá ser gerenciado por fundação, ou empresa pública, com autonomia administrativa, e terá por objetivo a formação profissional do condenado. § 1º. Nessa hipótese, incumbirá à entidade gerenciadora promover e supervisionar a produção, com critérios e métodos empresariais, encarregar-se de sua comercialização, bem como suportar despesas, inclusive pagamento de remuneração adequada. (Lei 10.792/03) § 2º. Os governos federal, estadual e municipal poderão celebrar convênio com a iniciativa privada, para implantação de oficinas de trabalho referentes a setores de apoio dos presídios. (Lei 10.792/03) Art. 35 Os órgãos da Administração Direta ou Indireta da União, Estados, Territórios, DF e dos Municípios adquirirão, com dispensa de concorrência pública, os bens ou produtos do trabalho prisional, sempre que não for possível ou recomendável realizar-se a venda a particulares. Parágrafo único. Todas as importâncias arrecadadas com as vendas reverterão em favor da fundação ou empresa pública a que alude o artigo anterior ou, na sua falta, do estabelecimento penal. 20 Seção III - Do Trabalho Externo Art. 36 O TRABALHO EXTERNO será admissível para os presos em regime fechado somente em serviço ou obras públicas realizadas por órgãos da Administração Direta ou Indireta, ou entidades privadas, desde que tomadas as cautelas contra a fuga e em favor da disciplina. § 1º. O limite máximo do número de presos será de 10% do total de empregados na obra. § 2º. Caberá ao órgão da administração, à entidade ou à empresa empreiteira a remuneração desse trabalho. § 3º. A prestação de trabalho à entidade privada depende do consentimento expresso do preso. Art. 37 A prestação de TRABALHO EXTERNO, a ser autorizada pela direção do estabelecimento, dependerá de aptidão, disciplina e responsabilidade, além do cumprimento mínimo de 1/6 da pena. Parágrafo único. REVOGAR-SE-Á a autorização de trabalho externo ao preso que vier a praticar fato definido como crime, for punido por falta grave, ou tiver comportamento contrário aos requisitos estabelecidos neste artigo . REQUISITOS PARA CONCESSÃO DO TRABALHO EXTERNO Requisitos SUBJETIVOS Autorização da direção do estabelecimento, a qual dependerá de: › aptidão, › disciplina e › responsabilidade. Requisitos OBJETIVOS Cumprimento mínimo de 1/6 da pena (fração aplicável somente para regime fechado). A exigência de cumprimento de 1/6 da pena para ter direito ao trabalho externo aplica-se apenas ao regime fechado. A exigência de que o condenado cumpra 1/6 da pena para ter direito ao trabalho externo aplica-se para os regimes fechado, semiaberto e aberto? Em outras palavras, o art. 37, caput, da LEP é regra válida para as três espécies de regime? NÃO. A exigência objetiva do art. 37 de que o condenado tenha cumprido no mínimo 1/6 da pena, para fins de trabalho externo, aplica-se apenas aos condenados que se encontrem em regime fechado. Assim, o trabalho externo é admissível aos apenados que estejam no regime semiaberto ou aberto mesmo que ainda não tenham cumprido 1/6 da pena. Em tese, o condenado ao regime semiaberto ou aberto poderia ter direito ao trabalho externo já no primeiro dia de cumprimento da pena. O art. 37 da LEP (que exige o cumprimento mínimo de 1/6 da pena) somente se aplica aos condenados que se encontrem em regime inicial fechado. STF. Plenário. EP 2 TrabExt-AgR/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, j. 25/6/2014 (Info 752) É possível autorização para trabalho externo em empresa da família. O fato de o irmão do apenado ser um dos sócios da empresa empregadora não constitui óbice à concessão do benefício do trabalho externo, ainda que se argumente sobre o risco de ineficácia da realização do trabalho externo devido à fragilidade na fiscalização. STJ. 5ª Turma. HC 310.515-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 17/9/2015 (Info 569) 21 Capítulo IV - Dos Deveres, dos Direitos e da Disciplina Seção I - Dos Deveres Art. 38 Cumpre ao condenado, além das obrigações legais inerentes ao seu estado, submeter-se às normas de execução da pena. Art. 39 Constituem DEVERES DO CONDENADO: I. comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença; II. obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se; III. urbanidade e respeito no trato com os demais condenados; IV. conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à disciplina; V. execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas; VI. submissão à sanção disciplinar imposta; VII. indenização à vítima ou aos seus sucessores; VIII. indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua manutenção, mediante desconto proporcional da remuneração do trabalho; IX. higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento; X. conservação dos objetos de uso pessoal. Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto neste artigo. Seção II - Dos Direitos Art. 40 Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos presos provisórios. Art. 5º, III e XLIX, da CF. Art. 38 do CP. Art. 1º, II, da Lei 9.455/1997 (Tortura). Art. 41 Constituem DIREITOS DO PRESO: I. alimentação suficiente e vestuário; II. atribuição de trabalho e sua remuneração; III. Previdência Social; IV. constituição de pecúlio; V. proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; VI. exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena; VII. assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa; VIII. proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; IX. entrevista pessoal e reservada com o advogado; X. visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; XI. chamamento nominal; XII. igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena; XIII. audiência especial com o diretor do estabelecimento; Highlight 22 XIV. representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito; XV. contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. XVI. atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente. (Lei 10.713/03) Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento. LEP, art. 58. O isolamento, a suspensão e a restrição de direitos não poderão exceder a 30 dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado Art. 42 Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção. Art. 43 É garantida a liberdade de contratar MÉDICO DE CONFIANÇA PESSOAL do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento. Parágrafo único. As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da execução. Seção III - Da Disciplina Subseção I - Disposições Gerais Art. 44 A DISCIPLINA consiste na colaboração com a ordem, na obediência às determinações das autoridades e seus agentes e no desempenho do trabalho . Parágrafo único. Estão sujeitosà disciplina o condenado à pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos e o preso provisório. Art. 45 Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e anterior previsão legal ou regulamentar. Art. 5º, XXXIX, da CF. Art. 1º do CP. Art. 1º do CPM. § 1º. As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral do condenado. § 2º. É VEDADO o emprego de cela escura. § 3º. São VEDADAS as sanções coletivas. É proibida a aplicação de sanções coletivas. Se, na execução penal, não foi possível identificar o autor da falta grave, não é possível aplicar a punição a todos os detentos que estavam no local do fato. Isso porque a LEP proíbe a aplicação de sanções coletivas (art. 45, § 3º) e a CF/88 determina que nenhuma pena passará da pessoa do condenado (art. 5º, XLV), exigindo, portanto, a individualização da conduta. O princípio da culpabilidade irradia-se pela execução penal, quando do reconhecimento da prática de falta grave. STJ. 6ª Turma. HC 177.293-SP, Rel. Min Mario Tereza de Assis Moura. Julgado em 24/04/2012 Art. 46 O condenado ou denunciado, no início da execução da pena ou da prisão, será cientificado das normas disciplinares. 23 Art. 47 O poder disciplinar, na execução da pena privativa de liberdade, será exercido pela autoridade administrativa conforme as disposições regulamentares. Art. 48 Na execução das penas restritivas de direitos, o poder disciplinar será exercido pela autoridade administrativa a que estiver sujeito o condenado. Parágrafo único. Nas faltas graves, a autoridade representará ao Juiz da execução para os fins dos artigos 118, inciso I, 125, 127, 181, §§ 1º, letra d, e 2º desta Lei. Subseção II - Das Faltas Disciplinares Art. 49 As FALTAS DISCIPLINARES classificam-se em leves, médias e graves. A legislação local especificará as leves e médias, bem assim as respectivas sanções. Parágrafo único. Pune-se a tentativa com a sanção correspondente à falta consumada. CLASSIFICAÇÃO DAS FALTAS DISCIPLINARES FALTAS GRAVES Apenas as faltas graves geram repercussão direta na dimensão judicial da execução da pena. FALTAS LEVES e MÉDIAS Dão ensejo à aplicação de sanções disciplinares, bem como são definidas pela legislação local (estadual) a qual deverá prever ainda as punições aplicáveis. Art. 50 Comete FALTA GRAVE o condenado à PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE que: I. incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina; II. fugir; III. possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem; IV. provocar acidente de trabalho; V. descumprir, no regime aberto, as condições impostas; VI. inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. VII. tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. (Lei 11.466/07) VIII. recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (Lei 13.964/19) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório. JDPP 16: O rol trazido pelo art. 50 da LEP é taxativo, não comportando interpretação extensiva ou equiparação analógica. Art. 51 Comete FALTA GRAVE o condenado à PENA RESTRITIVA DE DIREITOS que: I. descumprir, injustificadamente, a restrição imposta; II. retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta; III. inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei. 24 CONDENADO À PENA RESTRITIVA DE DIREITOS - FALTAS * FALTAS LEVES e MÉDIAS (art. 49 da LEP) FALTAS GRAVES (art. 51 da LEP) É aplicada pelo diretor do estabelecimento. O diretor representa ao juízo da execução penal para que este aplique as sanções. Sujeitam o sentenciado ao poder disciplinar da administração prisional (art. 48 da LEP). Cabe à administração carcerária representar ao juízo da execução para fins de conversão da pena em privativa de liberdade (art. 48, parágrafo único, e 181, §§ 1º, d, 2º e 3º, da LEP). * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 52 A prática de fato previsto como CRIME DOLOSO constitui FALTA GRAVE e, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas, sujeitará o preso provisório, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem prejuízo da sanção penal, ao REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD), com as seguintes características: (Lei 13.964/19) I. duração máxima de até 2 anos, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie; (Lei 13.964/19) II. recolhimento em cela individual; (Lei 13.964/19) III. visitas quinzenais, de 2 pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 horas; (Lei 13.964/19) IV. direito do preso à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4 presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso; (Lei 13.964/19) V. entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário; (Lei 13.964/19) VI. fiscalização do conteúdo da correspondência; (Lei 13.964/19) VII. participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo ambiente do preso. (Lei 13.964/19) § 1º. O REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO também será aplicado aos presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros: (Lei 13.964/19) I. que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade; (Lei 13.964/19) II. sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação , a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independentemente da prática de falta grave. (Lei 13.964/19) § 2º. (REVOGADO pela Lei 13.964/19) § 3º. Existindo INDÍCIOS de que o preso exerce LIDERANÇA EM ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal. (Lei 13.964/19) § 4º. Na hipótese dos parágrafos anteriores, o REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD) poderá ser PRORROGADO SUCESSIVAMENTE, por períodos de 1 ano, existindo indícios de que o preso: (Lei 13.964/19) I. continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal de origem ou da sociedade; (Lei 13.964/19) II. mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário. (Lei 13.964/19) § 5º. Na hipótese prevista no § 3º deste artigo, o regime disciplinar diferenciado deverá contar com alta segurança interna e externa , principalmente no que diz respeito à necessidade de se evitar contato do preso com membros de sua organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou de grupos rivais. (Lei 13.964/19) NÃO PRECISA DE FALTA GRAVE 25 § 6º. A VISITA de que trata o inciso III do caput deste artigo será GRAVADA em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizada por agente penitenciário. (Lei 13.964/19) § 7º. Após os primeiros 6 meses de RDD, o preso que não receber a visita de que trata o inciso III do caput deste artigo poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, com 1 pessoa da família, 2 vezes por mês e por 10 minutos. (Lei 13.964/19) REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (RDD) ANTES da Lei 13.964/19 DEPOIS da Lei13.964/19 REGRA REGRA Preso provisório ou condenado Preso provisório ou condenado, nacional ou estrangeiro EXCEÇÃO Presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade HIPÓTESES DE CABIMENTO Prática de fato previsto como crime doloso, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas. Prática de fato previsto como crime doloso, quando ocasionar subversão da ordem ou disciplina internas. Quando apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. Quando que apresentem alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal ou da sociedade. Quando recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organizações criminosas, quadrilha ou bando. Quando recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independentemente da prática de falta grave CARACTERÍSTICAS Duração máxima de 360 dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie, até o limite de 1/6 da pena aplicada Duração máxima de até 2 anos, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie Recolhimento em cela individual Recolhimento em cela individual Visitas semanais de 2 pessoas, sem contar as crianças, com duração de 2 horas Visitas quinzenais, de 2 pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 horas Direito à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol Direito do preso à saída da cela por 2 horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4 presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso - Entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário - Fiscalização do conteúdo da correspondência - Participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo ambiente do preso 26 - Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 ou mais Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado será obrigatoriamente cumprido em estabelecimento prisional federal. - Poderá ser prorrogado sucessivamente, por períodos de 1 ano, existindo indícios de que o preso: - continua apresentando alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal de origem ou da sociedade; - mantém os vínculos com organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, considerados também o perfil criminal e a função desempenhada por ele no grupo criminoso, a operação duradoura do grupo, a superveniência de novos processos criminais e os resultados do tratamento penitenciário. - As visitas quinzenais, de 2 pessoas por vez, serão gravadas em sistema de áudio ou de áudio e vídeo e, com autorização judicial, fiscalizadas por agente penitenciário. - Após os primeiros 6 meses de RDD, o preso que não receber visita poderá, após prévio agendamento, ter contato telefônico, que será gravado, com 1 pessoa da família, 2 vezes por mês e por 10 minutos. O reconhecimento de falta grave consistente na prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal dispensa o trânsito em julgado da condenação criminal, desde que ocorra a apuração do ilícito com as garantias constitucionais. O reconhecimento de falta grave consistente na prática de fato definido como crime doloso no curso da execução penal dispensa o trânsito em julgado da condenação criminal no juízo do conhecimento, desde que a apuração do ilícito disciplinar ocorra com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, podendo a instrução em sede executiva ser suprida por sentença criminal condenatória que verse sobre a materialidade, a autoria e as circunstâncias do crime correspondente à falta grave. STF. Plenário. RE 776823, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 04/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 758) (Info 1001) Não é necessária a realização de PAD para aplicação de falta grave, desde que haja audiência de justificação realizada com a participação da defesa e do MP. A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de justificação realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena. Isso significa que está superada – apesar de não formalmente cancelada – a Súmula 533 do STJ. STF. Plenário. RE 972598, Rel. Roberto Barroso, julgado em 04/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 941) (Info 985) 27 CONSEQUÊNCIAS DECORRENTES DA PRÁTICA DE FALTA GRAVE * ATRAPALHA › PROGRESSÃO: interrompe o prazo para a progressão de regime (Súmula 534 STJ); › REGRESSÃO: acarreta a regressão de regime (art. 118, I); › REMIÇÃO: revoga até 1/3 do tempo remido (art. 127); › SAÍDAS TEMPORÁRIAS: revoga as saídas temporárias (art. 125, caput); › TRABALHO EXTERNO: revoga a autorização de trabalho externo (art. 37, parágrafo único); › RDD: pode sujeitar o condenado ao RDD (art. 52, caput); › MONITORAÇÃO ELETRÔNICA: pode revogar a monitoração eletrônica (art. 146-D, II); › CONVERSÃO: se o condenado está cumprindo pena restritiva de direitos, esta poderá ser convertida em privativa de liberdade (art. 181, § 1º, d); › ISOLAMENTO: isolamento na própria cela ou em local adequado (art. 57, parágrafo único c/c art. 53, IV); › DIREITOS: suspensão ou restrição de direitos (art. 57, parágrafo único c/c art. 53, III). NÃO ATRAPALHA › LIVRAMENTO CONDICIONAL: não interrompe o prazo para obtenção do livramento condicional (Súmula 441 STJ); › INDULTO E COMUTAÇÃO DE PENA: não interfere no tempo para a concessão de indulto e comutação de pena (Súmula 535 STJ), salvo se o requisito for expressamente previsto no Decreto Presidencial. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. SÚMULAS SOBRE FALTA GRAVE Súmula 535 do STJ: A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de comutação de pena ou indulto. Súmula 534 do STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração. Súmula 526 do STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato. Súmula 441 do STJ: A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional. FALTA GRAVE EM EXECUÇÃO PENAL - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 7 DO STJ 1. Após a vigência da Lei n. 11.466, de 28 de março de 2007, constitui falta grave a posse de aparelho celular ou de seus componentes, tendo em vista que a ratio essendi da norma é proibir a comunicação entre os presos ou destes com o meio externo. › A conduta consistente na apreensão de bateria de celular, micro cartões de memória e de adaptadores USB, após a regular instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar, no qual a defesa foi plenamente exercida, configura a falta disciplinar de natureza grave prevista no art. 50, VII, da Lei de Execuções Penais (STJ. 6ª Turma. AgInt no HC 532.846/SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 03/12/2019). 2. A práticade fato definido como crime doloso no curso da execução penal caracteriza falta grave, independentemente do trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória. (Recurso Repetitivo - Tema 655). › Súmula 526-STJ: O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato. (NÃO CLIC) Highlight 28 3. Diante da inexistência de legislação específica quanto ao prazo prescricional para apuração de falta grave, deve ser adotado o menor lapso prescricional previsto no art. 109 do CP, ou seja, o de 3 anos para fatos ocorridos após a alteração dada pela Lei n. 12.234, de 5 de maio de 2010, ou o de 2 anos se a falta tiver ocorrido até essa data. 4. Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar, no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. › Essa também é a redação da Súmula 533-STJ: Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. Ocorre que essa súmula (e a tese) encontram-se superadas, em parte (ou, nas palavras do STJ, a súmula foi relativizada). Isso porque o STF decidiu o seguinte: A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de justificação realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante o cumprimento da pena. Assim sendo, a apuração da prática de falta grave perante o juízo da Execução Penal é compatível com os princípios do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LIV e LV, da CF). STF. Plenário. RE 972598, Rel. Roberto Barroso, julgado em 04/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 941) Logo, se houver audiência justificação, não será imprescindível a instauração do PAD: STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 579.647/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 08/09/2020. 5. A prática de falta grave pode ensejar a regressão cautelar do regime prisional sem a prévia oitiva do condenado, que somente é exigida na regressão definitiva. 6. O cometimento de falta grave enseja a regressão para regime de cumprimento de pena mais gravoso. 7. A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a obtenção do benefício da progressão de regime. 8. Com o advento da Lei n. 12.433, de 29 de junho de 2011, o cometimento de falta grave não mais enseja a perda da totalidade do tempo remido, mas limita-se ao patamar de 1/3, cabendo ao juízo das execuções penais dimensionar o quantum, segundo os critérios do art. 57 da LEP. 9. A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento condicional. (Súmula n. 441/STJ). › Com a publicação da Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), o art. 83, III, “b”, do Código Penal passou a exigir o não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses para a concessão do livramento condicional. Essa alteração legislativa, contudo, não altera a tese acima exposta. 10. A prática de falta grave não interrompe o prazo para aquisição do indulto e da comutação, salvo se houver expressa previsão a respeito no decreto concessivo dos benefícios. FALTA GRAVE EM EXECUÇÃO PENAL II - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 144 DO STJ 1. Faltas graves cometidas em período longínquo e já reabilitadas não configuram fundamento idôneo para indeferir o pedido de progressão de regime, para que os princípios da razoabilidade e da ressocialização da pena e o direito ao esquecimento sejam respeitados. 2. O cometimento de falta de natureza especialmente grave constitui fundamento idôneo para decretação de perda dos dias remidos na fração legal máxima de 1/3 (art. 127 da Lei N. 7.210/1984 - Lei de Execução Penal). 29 3. O cometimento de falta grave durante a execução penal autoriza a regressão do regime de cumprimento de pena, mesmo que seja estabelecido de forma mais gravosa do que a fixada na sentença condenatória (art. 118, I, da Lei de Execução Penal - LEP), não havendo falar em ofensa à coisa julgada. 4. Quando não houver regressão de regime prisional, é dispensável a realização de audiência de justificação no procedimento administrativo disciplinar para apuração de falta grave. 5. A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-base para fins de saída temporária e trabalho externo. 6. A posse de fones de ouvido no interior do presídio é conduta formal e materialmente típica, configurando falta de natureza grave, uma vez que viabiliza a comunicação intra e extramuros. 7. É prescindível a perícia de aparelho celular apreendido para a configuração da falta disciplinar de natureza grave do art. 50, VII, da Lei n. 7.210/1984. 8. O reconhecimento de falta grave prevista no art. 50, III, da Lei n. 7.210/1984 dispensa a realização de perícia no objeto apreendido para verificação da potencialidade lesiva, por falta de previsão legal. 9. É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de estabelecimento prisional. 10. A posse de drogas no curso da execução penal, ainda que para uso próprio, constitui falta grave. FALTA GRAVE EM EXECUÇÃO PENAL III - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 145 DO STJ 1. A decisão proferida pela autoridade administrativa prisional em processo administrativo disciplinar - PAD que apura o cometimento de falta grave disciplinar no âmbito da execução penal é ato administrativo, portanto, passível de controle de legalidade pelo Poder Judiciário. 2. A decisão que reconhece a prática de falta grave disciplinar deverá ser desconstituída diante das hipóteses de arquivamento de inquérito policial ou de posterior absolvição na esfera penal, por inexistência do fato ou negativa de autoria, tendo em vista a atipicidade da conduta. 3. No processo administrativo disciplinar que apura a prática de falta grave, não há obrigatoriedade de que o interrogatório do sentenciado seja o último ato da instrução, bastando que sejam respeitados o contraditório e a ampla defesa, e que um defensor esteja presente. 4. A palavra dos agentes penitenciários na apuração de falta grave é prova idônea para o convencimento do magistrado, haja vista tratar-se de agentes públicos, cujos atos e declarações gozam de presunção de legitimidade e de veracidade. 5. No processo administrativo disciplinar instaurado para apuração de falta grave supostamente praticada no curso da execução penal, a inexistência de defesa técnica por advogado na oitiva de testemunhas viola os princípios do contraditório e da ampla defesa e configura causa de nulidade do PAD. 6. A ausência de defesa técnica em procedimento administrativo disciplinar instaurado para apuração de falta grave em execução penal viola os princípios do contraditório e da ampla defesa e enseja nulidade absoluta do PAD. 7. É dispensável nova oitiva do apenado antes da homologação judicial da falta grave, se previamente ouvido em procedimento administrativo disciplinar, em que foram assegurados o contraditório e a ampla defesa. 8. A nova redação do art. 127 da Lei de Execução Penal - LEP, que prevê a limitação da perda dos dias remidos a 1/3 (um terço) do total no caso da prática de falta grave, deve ser aplicada retroativamente por se tratar denorma penal mais benéfica. 9. O reconhecimento de falta grave no curso da execução penal justifica a perda de até 1/3 do total de dias trabalhados pelo apenado até a data do ato de indisciplina carcerária, ainda que não haja declaração judicial da remição, consoante a interpretação sistemática e teleológica do art. 127 da LEP. 10. O rol do art. 50 da Lei de Execuções Penais (Lei n. 7.210/1984), que prevê as condutas que configuram falta grave, é taxativo, não possibilitando interpretação extensiva ou complementar, a fim de acrescer ou ampliar o alcance das condutas previstas. 30 FALTA GRAVE EM EXECUÇÃO PENAL IV - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 146 DO STJ 1. É necessária a individualização da conduta para reconhecimento de falta grave praticada pelo apenado em autoria coletiva, não se admitindo a sanção coletiva a todos os participantes indistintamente. É importante não confundir “sanção coletiva” com “autoria coletiva”. Sanção coletiva é vedada pelo ordenamento jurídico. A autora coletiva, entretanto, se configura quando é devidamente apurada a falta e reconhecida a responsabilização de vários apenados na autoria de conduta que configura falta grave e, diante das circunstâncias da infração, acarreta a punição individualizada de todos os envolvidos (STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 444.930/SP, Rel. Min. Felix Fischer, DJe 28/6/2018). 2. A imposição da falta grave ao executado em razão de conduta praticada por terceiro, quando não comprovada a autoria do reeducando, viola o princípio constitucional da intranscendência (art. 5º, XLV, da Constituição Federal). 3. A desobediência aos agentes penitenciários configura falta de natureza grave, a teor da combinação entre os art. 50, VI, e art. 39, II e V, da Lei de Execuções Penais. 4. A inobservância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica configura falta disciplinar de natureza grave, nos termos dos art. 50, VI, e art. 39, V, da LEP. 5. A utilização de tornozeleira eletrônica sem bateria suficiente configura falta disciplinar de natureza grave, nos termos dos art. 50, VI, e art. 39, V, da LEP. 6. O rompimento da tornozeleira eletrônica configura falta disciplinar de natureza grave, a teor dos art. 50, VI e art. 146-C da Lei n. 7.210/1989 - LEP. 7. A fuga configura falta grave de natureza permanente, porquanto o ato de indisciplina se prolonga no tempo, até a recaptura do apenado. 8. O marco inicial da prescrição para apuração da falta grave em caso de fuga é o dia da recaptura do foragido. 9. A falta grave pode ser utilizada a fim de verificar o cumprimento do requisito subjetivo necessário para a concessão de benefícios da execução penal. 10. A prática de falta grave no curso da execução penal constitui fundamento idôneo para negar a progressão de regime, ante a ausência de preenchimento do requisito subjetivo. 11. O cometimento de falta disciplinar de natureza grave no curso da execução penal justifica a exigência de exame criminológico para fins de progressão de regime. Súmula 439-STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada. 12. Os efeitos da prática de outra infração penal, no curso do livramento condicional, submetem-se às regras próprias deste benefício e, portanto, não se confundem com os consectários legais da falta grave. (...) II - A controvérsia, na hipótese vertente, circunscreve-se a definir se o cometimento de novo crime no curso do livramento condicional configura a prática de falta grave, nos termos do art. 52 da Lei de Execuções Penais, ou, se, com incidência das regras próprias do referido benefício, na forma dos arts. 83 a 90 do Código Penal e arts. 131 a 146 da LEP, tem por efeito apenas a sua suspensão e posterior revogação, com a desconsideração do tempo que o apenado esteve liberado. III - Os efeitos da prática de outra infração penal no curso do livramento condicional, de fato, submetem-se às regras próprias deste benefício e, portanto, não se confundem com os consectários legais da falta grave. Precedentes. IV - Revela-se, assim, manifestamente ilegal determinar a realização de audiência de justificação para apuração de infração disciplinar, que, fosse o caso, deveria ser apurada mediante instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar, como é o entendimento desta Corte Superior. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida, de ofício, para cassar o v. acórdão impugnado e afastar a apuração de falta grave em vista do cometimento de nova infração penal no curso do livramento condicional. STJ. 5ª Turma. HC 479.923/RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 26/02/2019. 13. A falta disciplinar grave impede a concessão do livramento condicional, por evidenciar a ausência do requisito subjetivo relativo ao comportamento satisfatório durante o resgate da pena, nos termos do art. 83, III, do Código Penal - CP. 14. O cometimento de falta grave é motivo idôneo para o indeferimento do benefício da saída temporária, por ausência de preenchimento do requisito subjetivo. MAS NÃO INTERROMPE 31 15. A falta grave disciplinar deve ser sopesada pelo órgão jurisdicional na análise do requisito subjetivo para fins de concessão de trabalho externo, nos termos do art. 37 da LEP. 16. Consoante previsão dos art. 50, VI, e art. 39, V, da LEP, configura falta grave a recusa pelo condenado à execução de trabalho interno regularmente determinado pelo agente público competente, não havendo que se confundir o dever de trabalho, referendado pela Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 6º), com a pena de trabalho forçado, vedada pela CF - art. 5º, XLVIII, c. 17. A falta disciplinar de natureza grave praticada no período estabelecido pelos decretos presidenciais que tratam de benefícios executórios impede a concessão de indulto ou de comutação da pena, ainda que a penalidade tenha sido homologada após a publicação das normas. 18. A prática de falta grave durante a execução permite a regressão de regime de pena per saltum (art. 118, I, da LEP), sendo desnecessária a observância da forma progressiva estabelecida no art. 112 da mesma lei. Subseção III - Das Sanções e das Recompensas Art. 53 Constituem SANÇÕES DISCIPLINARES: I. advertência verbal; II. repreensão; III. suspensão ou restrição de direitos (artigo 41, parágrafo único); IV. isolamento na própria cela, ou em local adequado, nos estabelecimentos que possuam alojamento coletivo, observado o disposto no artigo 88 desta Lei. V. inclusão no regime disciplinar diferenciado. (Lei 10.792/03) Súmula 533 e 534 do STJ. Art. 54 As sanções dos incisos I a IV do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do DIRETOR DO ESTABELECIMENTO e a do inciso V, por prévio e fundamentado despacho do JUIZ COMPETENTE. (Lei 10.792/03) § 1º. A autorização para a inclusão do preso em regime disciplinar dependerá de requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra autoridade administrativa. (Lei 10.792/03) § 2º. A decisão judicial sobre inclusão de preso em regime disciplinar será precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e prolatada no prazo máximo de 15 dias. (Lei 10.792/03) Art. 55 As RECOMPENSAS têm em vista o bom comportamento reconhecido em favor do condenado, de sua colaboração com a disciplina e de sua dedicação ao trabalho. Art. 56 São RECOMPENSAS: I. o elogio; II. a concessão de regalias. Parágrafo único. A legislação local e os regulamentos estabelecerão a natureza e a forma de concessão de regalias. NÃO PODE PROGRESSÃO PER SALTUM advertência verbal, repreensão e suspensão ou restrição de direitos quem aplica é o DIRETOR RDD quem aplica é o JUIZ Highlight GRAVE 32 Subseção IV - Da Aplicação das Sanções Art. 57 Na aplicação das SANÇÕES DISCIPLINARES, levar-se-ão em conta a natureza, os motivos, as circunstâncias e as consequências do fato, bemcomo a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão. (Lei 10.792/03) Parágrafo único. Nas faltas graves, aplicam-se as sanções previstas nos incisos III a V do art. 53 desta Lei. (Lei 10.792/03) Art. 58 O ISOLAMENTO, a SUSPENSÃO E A RESTRIÇÃO DE DIREITOS não poderão exceder a 30 dias, ressalvada a hipótese do regime disciplinar diferenciado. (Lei 10.792/03) Parágrafo único. O isolamento será sempre comunicado ao Juiz da execução. Subseção V - Do Procedimento Disciplinar Art. 59 Praticada a falta disciplinar, deverá ser instaurado o procedimento para sua apuração, conforme regulamento, assegurado o direito de defesa. Parágrafo único. A decisão será motivada. Art. 60 A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA poderá decretar o ISOLAMENTO PREVENTIVO do faltoso pelo prazo de até 10 dias. A inclusão do preso no regime disciplinar diferenciado, no interesse da disciplina e da averiguação do fato, dependerá de despacho do juiz competente. (Lei 10.792/03) Parágrafo único. O tempo de isolamento ou inclusão preventiva no regime disciplinar diferenciado será computado no período de cumprimento da sanção disciplinar. (Lei 10.792/03) JDPP 21: A decisão do Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que avalia a falta disciplinar sujeita-se a posterior análise e decisão judicial, podendo ser novamente examinadas as questões de fato e de direito, bem como o magistrado proferir nova decisão, para reconhecimento ou não da referida falta. 33 TÍTULO III - DOS ÓRGÃOS DA EXECUÇÃO PENAL Capítulo I - Disposições Gerais Art. 61 São ÓRGÃOS da EXECUÇÃO PENAL: I. o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; II. o Juízo da Execução; III. o Ministério Público; IV. o Conselho Penitenciário; V. os Departamentos Penitenciários; VI. o Patronato; VII. o Conselho da Comunidade. VIII. a Defensoria Pública. (Lei 12.313/10) Capítulo II - Do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária Art. 62 O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, com sede na Capital da República, é subordinado ao Ministério da Justiça. Art. 63 O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária será integrado por 13 membros designados através de ato do Ministério da Justiça, dentre professores e profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências correlatas, bem como por representantes da comunidade e dos Ministérios da área social. Parágrafo único. O mandato dos membros do Conselho terá duração de 2 anos, renovado 1/3 em cada ano. Art. 64 Ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, no exercício de suas atividades, em âmbito federal ou estadual, incumbe: I. propor diretrizes da política criminal quanto à prevenção do delito, administração da Justiça Criminal e execução das penas e das medidas de segurança; II. contribuir na elaboração de planos nacionais de desenvolvimento, sugerindo as metas e prioridades da política criminal e penitenciária; III. promover a avaliação periódica do sistema criminal para a sua adequação às necessidades do País; IV. estimular e promover a pesquisa criminológica; V. elaborar programa nacional penitenciário de formação e aperfeiçoamento do servidor; VI. estabelecer regras sobre a arquitetura e construção de estabelecimentos penais e casas de albergados; VII. estabelecer os critérios para a elaboração da estatística criminal; VIII. inspecionar e fiscalizar os estabelecimentos penais, bem assim informar-se, mediante relatórios do Conselho Penitenciário, requisições, visitas ou outros meios, acerca do desenvolvimento da execução penal nos Estados, Territórios e DF, propondo às autoridades dela incumbida as medidas necessárias ao seu aprimoramento; IX. representar ao Juiz da execução ou à autoridade administrativa para instauração de sindicância ou procedimento administrativo, em caso de violação das normas referentes à execução penal; 3C 2D JMP 34 X. representar à autoridade competente para a interdição, no todo ou em parte, de estabelecimento penal. Capítulo III - Do Juízo da Execução Art. 65 A execução penal competirá ao Juiz indicado na lei local de organização judiciária e, na sua ausência, ao da sentença. Art. 194 desta Lei. Art. 668 do CPP. Art. 588 do CPPM. Súmula 192 do STJ. Art. 66 COMPETE ao JUIZ DA EXECUÇÃO: I. aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado; II. declarar extinta a punibilidade; III. decidir sobre: a. soma ou unificação de penas; b. progressão ou regressão nos regimes; c. detração e remição da pena; d. suspensão condicional da pena; e. livramento condicional; f. incidentes da execução. IV. autorizar saídas temporárias; V. determinar: a. a forma de cumprimento da pena restritiva de direitos e fiscalizar sua execução; b. a conversão da pena restritiva de direitos e de multa em privativa de liberdade; c. a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos; d. a aplicação da medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança; e. a revogação da medida de segurança; f. a desinternação e o restabelecimento da situação anterior; g. o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca; h. a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º, do art. 86, desta Lei. i. (VETADO) VI. zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança; VII. inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade; VIII. interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta Lei; IX. compor e instalar o Conselho da Comunidade. X. emitir anualmente atestado de pena a cumprir. (Lei 10.713/03) SÚMULAS SOBRE JUIZ DA EXECUÇÃO Súmula 611 do STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao Juízo das execuções a aplicação de lei mais benigna. Súmula 192 do STJ: Compete ao Juízo das Execuções Penais do Estado a execução das penas impostas a sentenciados pela Justiça Federal, Militar ou Eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a Administração Estadual. › Ainda que a condenação não tenha transitado em julgado, caso o réu esteja preso em unidade prisional estadual, a competência para decidir sobre os incidentes da execução penal será da Justiça Estadual. 35 Capítulo IV - Do Ministério Público Art. 67 O Ministério Público fiscalizará a execução da pena e da medida de segurança , oficiando no processo executivo e nos incidentes da execução. Art. 194 desta Lei. Art. 129, II, da CF. Art. 68 INCUMBE, ainda, ao MINISTÉRIO PÚBLICO: I. fiscalizar a regularidade formal das guias de recolhimento e de internamento; II. requerer: a. todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo; b. a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução; c. a aplicação de medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança; d. a revogação da medida de segurança; e. a conversão de penas, a progressão ou regressão nos regimes e a revogação da suspensão condicional da pena e do livramento condicional; f. a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior. III. interpor recursos de decisões proferidas pela autoridade judiciária, durante a execução. Parágrafo único. O órgão do Ministério Público visitará mensalmente os estabelecimentos penais, registrando a sua presença em livro próprio. Capítulo V - Do Conselho Penitenciário Art. 69 O CONSELHO PENITENCIÁRIO é órgão consultivo e fiscalizador da execução da pena . § 1º. O Conselho será integrado por membros nomeados pelo Governador do Estado, do DF e dos Territórios, dentre professores e profissionais da área do Direito Penal, Processual Penal, Penitenciário e ciências correlatas,bem como por representantes da comunidade. A legislação federal e estadual regulará o seu funcionamento. § 2º. O mandato dos membros do Conselho Penitenciário terá a duração de 4 anos. Art. 70 INCUMBE ao CONSELHO PENITENCIÁRIO: I. emitir parecer sobre indulto e comutação de pena, excetuada a hipótese de pedido de indulto com base no estado de saúde do preso; (Lei 10.792/03) II. inspecionar os estabelecimentos e serviços penais; III. apresentar, no 1º trimestre de cada ano, ao Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, relatório dos trabalhos efetuados no exercício anterior; IV. supervisionar os patronatos, bem como a assistência aos egressos. SINÔNIMO DE "SALVO" 36 Capítulo VI - Dos Departamentos Penitenciários Seção I - Do Departamento Penitenciário Nacional Art. 71 O Departamento Penitenciário Nacional, subordinado ao Ministério da Justiça, é órgão executivo da Política Penitenciária Nacional e de apoio administrativo e financeiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Decreto 6.049/2007 (Regulamento Penitenciário Federal). Art. 72 São ATRIBUIÇÕES do DEPARTAMENTO PENITENCIÁRIO NACIONAL: I. acompanhar a fiel aplicação das normas de execução penal em todo o Território Nacional; II. inspecionar e fiscalizar periodicamente os estabelecimentos e serviços penais; III. assistir tecnicamente as Unidades Federativas na implementação dos princípios e regras estabelecidos nesta Lei; IV. colaborar com as Unidades Federativas mediante convênios, na implantação de estabelecimentos e serviços penais; V. colaborar com as Unidades Federativas para a realização de cursos de formação de pessoal penitenciário e de ensino profissionalizante do condenado e do internado. VI. estabelecer, mediante convênios com as unidades federativas, o cadastro nacional das vagas existentes em estabelecimentos locais destinadas ao cumprimento de penas privativas de liberdade aplicadas pela justiça de outra unidade federativa, em especial para presos sujeitos a regime disciplinar. (Lei 10.792/03) VII. acompanhar a execução da pena das mulheres beneficiadas pela progressão especial de que trata o § 3º do art. 112 desta Lei, monitorando sua integração social e a ocorrência de reincidência, específica ou não, mediante a realização de avaliações periódicas e de estatísticas criminais. (Lei 13.769/18) § 1º. Incumbem também ao Departamento a coordenação e supervisão dos estabelecimentos penais e de internamento federais. (Lei 13.769/18) § 2º. Os resultados obtidos por meio do monitoramento e das avaliações periódicas previstas no inciso VII do caput deste artigo serão utilizados para, em função da efetividade da progressão especial para a ressocialização das mulheres de que trata o § 3º do art. 112 desta Lei, avaliar eventual desnecessidade do regime fechado de cumprimento de pena para essas mulheres nos casos de crimes cometidos sem violência ou grave ameaça. (Lei 13.769/18) Seção II - Do Departamento Penitenciário Local Art. 73 A legislação local poderá criar Departamento Penitenciário ou órgão similar, com as atribuições que estabelecer. Art. 74 O Departamento Penitenciário local, ou órgão similar, tem por finalidade supervisionar e coordenar os estabelecimentos penais da Unidade da Federação a que pertencer. Parágrafo único. Os órgãos referidos no caput deste artigo realizarão o acompanhamento de que trata o inciso VII do caput do art. 72 desta Lei e encaminharão ao Departamento Penitenciário Nacional os resultados obtidos. (Lei 13.769/18) 37 Seção III - Da Direção e do Pessoal dos Estabelecimentos Penais Art. 75 O ocupante do cargo de DIRETOR DE ESTABELECIMENTO deverá satisfazer os seguintes REQUISITOS: I. ser portador de diploma de nível superior de Direito, ou Psicologia, ou Ciências Sociais, ou Pedagogia, ou Serviços Sociais; II. possuir experiência administrativa na área; III. ter idoneidade moral e reconhecida aptidão para o desempenho da função. Parágrafo único. O diretor deverá residir no estabelecimento, ou nas proximidades, e dedicará tempo integral à sua função. Art. 76 O Quadro do Pessoal Penitenciário será organizado em diferentes categorias funcionais, segundo as necessidades do serviço, com especificação de atribuições relativas às funções de direção, chefia e assessoramento do estabelecimento e às demais funções. Art. 77 A escolha do pessoal administrativo, especializado, de instrução técnica e de vigilância atenderá a vocação, preparação profissional e antecedentes pessoais do candidato. § 1°. O ingresso do pessoal penitenciário, bem como a progressão ou a ascensão funcional dependerão de cursos específicos de formação, procedendo-se à reciclagem periódica dos servidores em exercício. § 2º. No estabelecimento para mulheres somente se permitirá o trabalho de pessoal do sexo feminino, salvo quando se tratar de pessoal técnico especializado. Capítulo VII - Do Patronato Art. 78 O Patronato público ou particular destina-se a prestar assistência aos albergados e aos egressos (art. 26). Arts. 26 e 70, IV, desta Lei. Art. 79 INCUMBE também ao PATRONATO: I. orientar os condenados à pena restritiva de direitos; II. fiscalizar o cumprimento das penas de prestação de serviço à comunidade e de limitação de fim de semana; III. colaborar na fiscalização do cumprimento das condições da suspensão e do livramento condicional. Capítulo VIII - Do Conselho da Comunidade Art. 80 Haverá, em cada comarca, 1 Conselho da Comunidade composto, no mínimo, por 1 representante de associação comercial ou industrial, 1 advogado indicado pela Seção da Ordem dos Advogados do Brasil, 1 Defensor Público indicado pelo Defensor Público Geral e 1 assistente social escolhido pela Delegacia Seccional do Conselho Nacional de Assistentes Sociais. (Lei 12.313/10) Parágrafo único. Na falta da representação prevista neste artigo, ficará a critério do Juiz da execução a escolha dos integrantes do Conselho. 38 Art. 81 INCUMBE ao CONSELHO DA COMUNIDADE: I. visitar, pelo menos mensalmente, os estabelecimentos penais existentes na comarca; II. entrevistar presos; III. apresentar relatórios mensais ao Juiz da execução e ao Conselho Penitenciário; IV. diligenciar a obtenção de recursos materiais e humanos para melhor assistência ao preso ou internado, em harmonia com a direção do estabelecimento. Capítulo IX - Da Defensoria Pública Art. 81-A A Defensoria Pública velará pela regular execução da pena e da medida de segurança, oficiando, no processo executivo e nos incidentes da execução, para a defesa dos necessitados em todos os graus e instâncias, de forma individual e coletiva. (Lei 12.313/10) Art. 81-B INCUMBE, ainda, à DEFENSORIA PÚBLICA: (Lei 12.313/10) I. requerer: (Lei 12.313/10) a. todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo; (Lei 12.313/10) b. a aplicação aos casos julgados de lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado; (Lei 12.313/10) c. a declaração de extinção da punibilidade; (Lei 12.313/10) d. a unificação de penas; (Lei 12.313/10) e. a detração e remição da pena; (Lei 12.313/10) f. a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução; (Lei 12.313/10) g. a aplicação de medida de segurança e sua revogação, bem como a substituição da pena por medida de segurança; (Lei 12.313/10) h. a conversão de penas, a progressão nos regimes, a suspensão condicional da pena, o livramento condicional, a comutação de pena e o indulto; (Lei 12.313/10) i. a autorização de saídas temporárias; (Lei 12.313/10) j. a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior; (Lei 12.313/10) k. o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra comarca; (Lei 12.313/10) l. a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º do art. 86 desta Lei; (Lei 12.313/10) II. requerer a emissão anual do atestado de pena a cumprir; (Lei 12.313/10) III. interpor recursos dedecisões proferidas pela autoridade judiciária ou administrativa durante a execução; (Lei 12.313/10) IV. representar ao Juiz da execução ou à autoridade administrativa para instauração de sindicância ou procedimento administrativo em caso de violação das normas referentes à execução penal; (Lei 12.313/10) V. visitar os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento, e requerer, quando for o caso, a apuração de responsabilidade; (Lei 12.313/10) VI. requerer à autoridade competente a interdição, no todo ou em parte, de estabelecimento penal. (Lei 12.313/10) Parágrafo único. O órgão da Defensoria Pública visitará periodicamente os estabelecimentos penais, registrando a sua presença em livro próprio. (Lei 12.313/10) 39 TÍTULO IV - DOS ESTABELECIMENTOS PENAIS Capítulo I - Disposições Gerais Art. 82 Os ESTABELECIMENTOS PENAIS destinam-se ao condenado, ao submetido à medida de segurança, ao preso provisório e ao egresso. § 1°. A mulher e o maior de 60 anos, separadamente, serão recolhidos a estabelecimento próprio e adequado à sua condição pessoal . (Lei 9.460/97) § 2º. O mesmo conjunto arquitetônico poderá abrigar estabelecimentos de destinação diversa desde que devidamente isolados. Art. 83 O estabelecimento penal, conforme a sua natureza, deverá contar em suas dependências com áreas e serviços destinados a dar assistência, educação, trabalho, recreação e prática esportiva. § 1º. Haverá instalação destinada a estágio de estudantes universitários. (Lei 9.046/95) § 2º. Os estabelecimentos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 meses de idade. (Lei 11.942/09) § 3º. Os estabelecimentos de que trata o § 2º deste artigo deverão possuir, exclusivamente, agentes do sexo feminino na segurança de suas dependências internas . (Lei 12.121/09) § 4º. Serão instaladas salas de aulas destinadas a cursos do ensino básico e profissionalizante. (Lei 12.245/10) § 5º. Haverá instalação destinada à Defensoria Pública. (Lei 12.313/10) Art. 83-A Poderão ser objeto de execução indireta as atividades materiais acessórias, instrumentais ou complementares desenvolvidas em estabelecimentos penais, e notadamente: (Lei 13.190/15) I. serviços de conservação, limpeza, informática, copeiragem, portaria, recepção, reprografia, telecomunicações, lavanderia e manutenção de prédios, instalações e equipamentos internos e externos; (Lei 13.190/15) II. serviços relacionados à execução de trabalho pelo preso. (Lei 13.190/15) § 1º. A execução indireta será realizada sob supervisão e fiscalização do poder público. (Lei 13.190/15) § 2º. Os serviços relacionados neste artigo poderão compreender o fornecimento de materiais, equipamentos, máquinas e profissionais. (Lei 13.190/15) Art. 83-B São indelegáveis as funções de direção, chefia e coordenação no âmbito do sistema penal , bem como todas as atividades que exijam o exercício do poder de polícia, e notadamente: (Lei 13.190/15) I. classificação de condenados; (Lei 13.190/15) II. aplicação de sanções disciplinares; (Lei 13.190/15) III. controle de rebeliões; (Lei 13.190/15) IV. transporte de presos para órgãos do Poder Judiciário, hospitais e outros locais externos aos estabelecimentos penais. (Lei 13.190/15) Art. 84 O PRESO PROVISÓRIO ficará SEPARADO do condenado por sentença transitada em julgado. § 1º. Os PRESOS PROVISÓRIOS ficarão separados de acordo com os seguintes critérios: (Lei 13.167/15) I. acusados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; (Lei 13.167/15) 40 II. acusados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; (Lei 13.167/15) III. acusados pela prática de outros crimes ou contravenções diversos dos apontados nos incisos I e II. (Lei 13.167/15) § 2°. O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada. § 3º. Os PRESOS CONDENADOS ficarão separados de acordo com os seguintes critérios: (Lei 13.167/15) I. condenados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; (Lei 13.167/15) II. reincidentes condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; (Lei 13.167/15) III. primários condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; (Lei 13.167/15) IV. demais condenados pela prática de outros crimes ou contravenções em situação diversa das previstas nos incisos I, II e III. (Lei 13.167/15) § 4º. O preso que tiver sua integridade física, moral ou psicológica ameaçada pela convivência com os demais presos ficará segregado em local próprio. (Lei 13.167/15) SEPARAÇÃO DOS PRESOS PRESO PROVISÓRIO PRESO CONDENADO › Acusados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; › Acusados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; › Acusados pela prática de outros crimes ou contravenções diversos dos apontados nos incisos I e II › Condenados pela prática de crimes hediondos ou equiparados; › Reincidentes condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; › Primários condenados pela prática de crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa; › Demais condenados pela prática de outros crimes ou contravenções em situação diversa das previstas nos incisos I, II e III REGRA GERAL O preso provisório ficará separado do condenado por sentença transitada em julgado. Art. 85 O estabelecimento penal deverá ter lotação compatível com a sua estrutura e finalidade. Parágrafo único. O Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária determinará o limite máximo de capacidade do estabelecimento, atendendo a sua natureza e peculiaridades. Art. 86 As penas privativas de liberdade aplicadas pela Justiça de uma Unidade Federativa PODEM SER EXECUTADAS EM OUTRA UNIDADE, em estabelecimento local ou da União. § 1º. A União Federal poderá construir estabelecimento penal em local distante da condenação para recolher os condenados, quando a medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio condenado. (Lei 10.792/03) § 2°. Conforme a natureza do estabelecimento, nele poderão trabalhar os liberados ou egressos que se dediquem a obras públicas ou ao aproveitamento de terras ociosas. § 3º. Caberá ao juiz competente, a requerimento da autoridade administrativa definir o estabelecimento prisional adequado para abrigar o preso provisório ou condenado, em atenção ao regime e aos requisitos estabelecidos. (Lei 10.792/03) Súmula 639 do STJ: Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem ouvida prévia da defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em estabelecimento penitenciário federal. Impossibilidade de transferência do apenado para outro Estado da Federação sob a alegação de que estaria recebendo tratamento privilegiado. 41 É inviável a remoção de apenado para outro Estado com fundamento em suposto tratamento privilegiado. Apenas razões excepcionalíssimas e devidamente fundamentadas poderiam legitimar essa medida. STF. 2ª Turma. HC 152.720/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 10/4/2018 (Info 897) Capítulo II - Da Penitenciária Art. 87 A PENITENCIÁRIA destina-se ao condenado à pena de reclusão, em regime fechado. Art. 33, § 1º, a, do CP. Art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990 (Crimes Hediondos). Parágrafo único. A União Federal, os Estados, o DF e os Territórios poderão construir Penitenciárias destinadas, exclusivamente, aos presos provisórios e condenados que estejam em regime fechado, sujeitos ao regime disciplinar diferenciado, nos termos do art. 52 desta Lei. (Lei 10.792/03) Art. 88 O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho sanitário e lavatório. Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular: a. salubridade do ambiente pelaconcorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequado à existência humana; b. área mínima de 6 m2. Art. 89 Além dos requisitos referidos no art. 88, a penitenciária de mulheres será dotada de seção para gestante e parturiente e de creche para abrigar crianças maiores de 6 meses e menores de 7 anos, com a finalidade de assistir a criança desamparada cuja responsável estiver presa. (Lei 11.942/09) Art. 5º, XLVIII e L, da CF. Art. 37 do CP. Parágrafo único. São requisitos básicos da seção e da creche referidas neste artigo: (Lei 11.942/09) I. atendimento por pessoal qualificado, de acordo com as diretrizes adotadas pela legislação educacional e em unidades autônomas; e (Lei 11.942/09) II. horário de funcionamento que garanta a melhor assistência à criança e à sua responsável. (Lei 11.942/09) Art. 90 A penitenciária de homens será construída, em local afastado do centro urbano , à distância que não restrinja a visitação. Capítulo III - Da Colônia Agrícola, Industrial ou Similar Art. 91 A COLÔNIA AGRÍCOLA, INDUSTRIAL OU SIMILAR destina-se ao cumprimento da pena em regime semiaberto. Art. 35 do CP. Art. 92 O condenado poderá ser alojado em compartimento coletivo, observados os requisitos da letra a, do parágrafo único, do artigo 88, desta Lei. Parágrafo único. São também requisitos básicos das dependências coletivas: a. a seleção adequada dos presos; 42 b. o limite de capacidade máxima que atenda os objetivos de individualização da pena. Capítulo IV - Da Casa do Albergado Art. 93 A CASA DO ALBERGADO destina-se ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime aberto, e da pena de limitação de fim de semana. Art. 117 desta Lei. Arts. 36 e 48 do CP. Art. 94 O prédio deverá situar-se em centro urbano, separado dos demais estabelecimentos, e caracterizar-se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga. Art. 95 Em cada região haverá, pelo menos, 1 Casa do Albergado, a qual deverá conter, além dos aposentos para acomodar os presos, local adequado para cursos e palestras. Parágrafo único. O estabelecimento terá instalações para os serviços de fiscalização e orientação dos condenados. Capítulo V - Do Centro de Observação Art. 96 No CENTRO DE OBSERVAÇÃO realizar-se-ão os exames gerais e o criminológico, cujos resultados serão encaminhados à Comissão Técnica de Classificação. Parágrafo único. No Centro poderão ser realizadas pesquisas criminológicas. Art. 97 O Centro de Observação será instalado em unidade autônoma ou em anexo a estabelecimento penal. Art. 98 Os exames poderão ser realizados pela Comissão Técnica de Classificação, na falta do Centro de Observação. Capítulo VI - Do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Art. 99 O HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO destina-se aos inimputáveis e semi-imputáveis referidos no artigo 26 e seu parágrafo único do Código Penal. Art. 41 do CP. Arts. 154 e 682 do CPP. Art. 66 do CPM. Art. 600 do CPPM. Parágrafo único. Aplica-se ao hospital, no que couber, o disposto no parágrafo único, do artigo 88, desta Lei. Art. 100 O exame psiquiátrico e os demais exames necessários ao tratamento são obrigatórios para todos os internados. 43 Art. 101 O tratamento ambulatorial, previsto no art. 97, segunda parte, do Código Penal, será realizado no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou em outro local com dependência médica adequada. Capítulo VII - Da Cadeia Pública Art. 102 A cadeia pública destina-se ao recolhimento de presos provisórios. Art. 103 Cada comarca terá, pelo menos, 1 cadeia pública a fim de resguardar o interesse da Administração da Justiça Criminal e a permanência do preso em local próximo ao seu meio social e familiar. Art. 104 O estabelecimento de que trata este Capítulo será instalado próximo de centro urbano, observando-se na construção as exigências mínimas referidas no artigo 88 e seu parágrafo único desta Lei. 44 TÍTULO V - DA EXECUÇÃO DAS PENAS EM ESPÉCIE Capítulo I - Das Penas Privativas de Liberdade Seção I - Disposições Gerais Art. 105 TRANSITANDO EM JULGADO a sentença que aplicar PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de GUIA DE RECOLHIMENTO para a execução. Competência para expedição de guia de recolhimento de réu em execução provisória de pena. Em execução provisória de pena fixada em ação penal originária, a expedição de guia de recolhimento de réu cabe ao tribunal competente para processá-la e julgá-la. STJ. 6ª Turma. EDcl no REsp 1.484.415-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 3/3/2016 (Info 581) Arts. 33 e ss. do CP. Arts. 674 a 685 do CPP. Arts. 594 a 603 do CPPM. Art. 106 A GUIA DE RECOLHIMENTO, extraída pelo escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a assinará com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa incumbida da execução e conterá: I. o nome do condenado; II. a sua qualificação civil e o número do registro geral no órgão oficial de identificação; III. o inteiro teor da denúncia e da sentença condenatória, bem como certidão do trânsito em julgado; IV. a informação sobre os antecedentes e o grau de instrução; V. a data da terminação da pena; VI. outras peças do processo reputadas indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário. § 1º. Ao Ministério Público se dará ciência da guia de recolhimento. § 2º. A guia de recolhimento será retificada sempre que sobrevier modificação quanto ao início da execução ou ao tempo de duração da pena. § 3°. Se o condenado, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal, far-se-á, na guia, menção dessa circunstância, para fins do disposto no § 2°, do artigo 84, desta Lei. Art. 107 Ninguém será recolhido, para cumprimento de pena privativa de liberdade, sem a guia expedida pela autoridade judiciária. § 1°. A autoridade administrativa incumbida da execução passará recibo da guia de recolhimento para juntá-la aos autos do processo, e dará ciência dos seus termos ao condenado. § 2º. As guias de recolhimento serão registradas em livro especial, segundo a ordem cronológica do recebimento, e anexadas ao prontuário do condenado, aditando-se, no curso da execução, o cálculo das remições e de outras retificações posteriores. Art. 108 O CONDENADO a quem SOBREVIER DOENÇA MENTAL será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. 45 SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL E CONVERSÃO DA PENA EM MEDIDA DE SEGURANÇA * Art. 108 da LEP Art. 183 da LEP O condenado a quem sobrevier doença mental será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança. Aplicável no caso de anomalia PASSAGEIRA Aplicável no caso de anomalia NÃO PASSAGEIRA A medida de segurança é REVERSÍVEL A medida de segurança é IRREVERSÍVEL O tempo de internação É COMPUTADO como de cumprimento de pena (deve observar o prazo da pena corporal imposta). Segundo Rogério Sanches Cunha, o tempo de internação NÃO É COMPUTADO como de cumprimento de pena, seguindo as regras dos arts. 96 e ss. do CP. Transcorrido o prazo de duração da pena sem o restabelecimento do internado, a pena deve ser considerada extinta pelo seu cumprimento. Segundo Rogério Sanches Cunha, deve o juiz fixar prazo mínimo de internação, variando de 1 a 3 anos (art. 97, § 1º, CP). * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 109 Cumprida ou extinta a pena, o condenado será posto em liberdade, mediante alvará do Juiz, se por outro motivo não estiver preso. Art. 5º, LXVIII e LXXV, da CF. Art. 107 e 350, II,do CP. Art. 12, IV, da Lei 13.869/2019 (Abuso de Autoridade). Seção II - Dos Regimes Art. 110 O Juiz, na sentença, estabelecerá o regime no qual o condenado iniciará o cumprimento da pena privativa de liberdade, observado o disposto no art. 33 e seus parágrafos do Código Penal. Arts. 33 e 59, I, do CP. Arts. 1º e 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990 (Crimes Hediondos). Art. 111 Quando houver condenação por mais de 1 crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita pelo resultado da SOMA OU UNIFICAÇÃO DAS PENAS, observada, quando for o caso, a detração ou remição. Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena ao restante da que está sendo cumprida , para determinação do regime. Art. 112 A PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: (Lei 13.964/19) I. 16% da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; (Lei 13.964/19) II. 20% da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça; (Lei 13.964/19) III. 25% da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; (Lei 13.964/19) 46 IV. 30% da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência à pessoa ou grave ameaça; (Lei 13.964/19) V. 40% da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; (Lei 13.964/19) VI. 50% da pena, se o apenado for: (Lei 13.964/19) a. condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional; (Lei 13.964/19) b. condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou (Lei 13.964/19) c. condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada; (Lei 13.964/19) VII. 60% da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; (Lei 13.964/19) VIII. 70% da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. (Lei 13.964/19) § 1º. Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. (Lei 13.964/19) § 2º. A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. (Lei 13.964/19) § 3º. No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: (Lei 13.769/18) I. não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Lei 13.769/18) II. não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; (Lei 13.769/18) III. ter cumprido ao menos 1/8 da pena no regime anterior; (Lei 13.769/18) IV. ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; (Lei 13.769/18) V. não ter integrado organização criminosa. (Lei 13.769/18) § 4º. O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício previsto no § 3º deste artigo. (Lei 13.769/18) § 5º. Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. (Lei 13.964/19) § 6º. O cometimento de FALTA GRAVE DURANTE A EXECUÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE INTERROMPE o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente. (Lei 13.964/19) § 7º. O bom comportamento é readquirido após 1 ano da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. (Lei 13.964/19) PROGRESSÃO DE REGIME ANTES da Lei 13.964/19 DEPOIS da Lei 13.964/19 A pena privativa de liberdade (PPL) será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos 1/6 da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. A pena privativa de liberdade (PPL) será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: I. 16% da pena, (...); * II. 20% da pena, (...); * III. 25% da pena, (...); * IV. 30% da pena, (...); * V. 40% da pena, (...); * VI. 50% da pena, (...): * VII. 60% da pena, (...); * VIII. 70% da pena, (...). * * Ver as condições na próxima tabela. TRÁFICO PRIVILEGIADO 47 § 1º. Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. § 1º. A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor. § 2º. A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. § 2º. Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. § 5º. Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (tráfico privilegiado). § 4º. O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício previsto no § 3º deste artigo. (O § 3º faz referência à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência) § 6º. O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade INTERROMPE o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente § 7º. O bom comportamento é readquirido após 1 ano da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. PROGRESSÃO DE REGIME – CONDIÇÕES % DA PENA CONDIÇÕES 16% Primário Sem violência ou grave ameaça 20% REINCIDENTE Sem violência ou grave ameaça 25% Primário Com violência ou grave ameaça 30% REINCIDENTE Com violência ou grave ameaça 40% Primário Crime HEDIONDO ou EQUIPARADO 50% Primário Crime HEDIONDO ou EQUIPARADO Com resultado MORTE (vedado o livramento condicional) Exercer o COMANDO de ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado Crime de constituição de MILÍCIA PRIVADA 60% REINCIDENTE Crime HEDIONDO ou EQUIPARADO 70% REINCIDENTE Crime HEDIONDO ou EQUIPARADO Com resultado MORTE (vedado o livramento condicional) Art. 113 O INGRESSO do condenado em REGIME ABERTO supõe a aceitação de seu programa e das condições impostas pelo Juiz. 48 Art. 114 Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: I. estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente; II. apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundadosindícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime. Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei. Art. 115 O Juiz poderá estabelecer CONDIÇÕES ESPECIAIS para a CONCESSÃO DE REGIME ABERTO, sem prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias: I. permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga; II. sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados; III. não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial; IV. comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado. Art. 116 O Juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias assim o recomendem. Art. 117 Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: I. condenado maior de 70 anos; II. condenado acometido de doença grave; III. condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; IV. condenada gestante. JDPP 20: É possível, em situações excepcionais, a aplicação da prisão domiciliar humanitária, prevista no art. 117 da Lei 7.210/1984, também aos condenados em cumprimento de regime fechado e semiaberto. PRISÃO DOMICILIAR - CPP X LEP CPP (arts. 317 a 318-B) LEP (art. 117) Momento: ANTES da condenação Momento: APÓS a condenação Espécie de prisão cautelar em substituição a prisão preventiva. Espécie de prisão penal em substituição a casa de albergado ou estabelecimento adequado (Regime Aberto *). Hipóteses: - Maior de 80 anos; - Extremamente debilitado por motivo de doença grave; - Imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 anos de idade ou com deficiência; - Gestante; - Mulher com filho de até 12 anos de idade incompletos; - Homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 anos de idade incompletos. Hipóteses: - Condenado maior de 70 anos; - Condenado acometido de doença grave; - Condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental**; - Condenada gestante. 49 O preso provisório em regime domiciliar também pode ser obrigado a usar aparelho de monitoração eletrônica, como medida cautelar (art. 319, IX, CPP). Condenado beneficiado pela prisão domiciliar pode ser obrigado a usar aparelho de monitoração eletrônica (art. 146-B, IV, LEP). * Embora seja requisito que o condenado esteja em regime aberto, há jurisprudência excetuando esta regra a possibilitar que condenado em regime fechado ou semi- aberto possa cumprir sua pena em prisão domiciliar, caso demonstrado grave estado de saúde (STJ, HC 138.986/DF e HC 358.682/PR). ** Embora o art. 117, III, da LEP fale apenas em “Condenada”, é possível conceder este benefício também ao “Condenado”. Quando não houver vaga em estabelecimento prisional, impõe-se o cumprimento da pena em prisão domiciliar, não sendo permitido o cumprimento em regime mais gravoso (S. V. 56 STF e STF, RE 641.320/RS). Art. 118 A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à FORMA REGRESSIVA, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: I. praticar fato definido como crime doloso ou falta grave; II. sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime (art. 111). § 1°. O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta. § 2º. Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o condenado. Art. 119 A legislação local poderá estabelecer normas complementares para o cumprimento da pena privativa de liberdade em regime aberto (art. 36, § 1º, do Código Penal). SÚMULAS SOBRE PROGRESSÃO Súmula Vinculante 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 8.072/90, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico. Súmula Vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS. Súmula 715 do STF: A pena unificada para atender ao limite de 30 anos (40 anos) de cumprimento, determinado pelo art. 75 do CP, não é considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução. › Conforme a nova redação do art. 75 do CP, dada pela Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime): O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 anos. Súmula 716 do STF: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determinada, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. Súmula 717 – STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial. Súmula 491 do STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional. 50 › Progressão per saltum seria a possibilidade do apenado que está cumprindo pena no regime fechado progredir diretamente para o regime aberto, sem passar pelo semiaberto. Súmula 534 do STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do cometimento dessa infração. Seção III - Das Autorizações de Saída Subseção I - Da Permissão de Saída Art. 120 Os CONDENADOS que cumprem pena em REGIME FECHADO ou SEMIABERTO e os PRESOS PROVISÓRIOS poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos: I. falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; II. necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14). Parágrafo único. A permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso. Art. 121 A permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração necessária à finalidade da saída. Subseção II - Da Saída Temporária Art. 122 Os CONDENADOS que cumprem pena em REGIME SEMIABERTO poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos: I. visita à família; II. frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução; III. participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social. § 1º. A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução. (Lei 13.964/19) Art. 319, IX, do CPP. § 2º. Não terá direito à SAÍDA TEMPORÁRIA a que se refere o caput deste artigo o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte . (Lei 13.964/19) Art. 123 A autorização será concedida por ato motivado do JUIZ DA EXECUÇÃO, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos: I. comportamento adequado; II. cumprimento mínimo de 1/6 da pena, se o condenado for primário, e 1/4, se reincidente; III. compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. 51 Art. 124 A autorização será concedida por prazo não superior a 7 dias, podendo ser renovada por mais 4 vezes durante o ano. § 1º. Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá aobeneficiário as seguintes condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do condenado: (Lei 12.258/10) I. fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser encontrado durante o gozo do benefício; (Lei 12.258/10) II. recolhimento à residência visitada, no período noturno; (Lei 12.258/10) III. proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres. (Lei 12.258/10) § 2º. Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes. (Lei 12.258/10) § 3º. Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. (Lei 12.258/10) Possibilidade de concessão de mais de cinco saídas temporárias por ano. Respeitado o limite anual de 35 dias, estabelecido pelo art. 124 da LEP, é cabível a concessão de maior número de autorizações de curta duração. STJ. 3ª Seção. REsp 1.544.036-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/9/2016 (recurso repetitivo) (Info 590) As autorizações de saída temporária para visita à família e para participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social, se limitadas a 5 vezes durante o ano, deverão observar o prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. Na hipótese de maior número de saídas temporárias de curta duração, já intercaladas durante os 12 meses do ano e muitas vezes sem pernoite, não se exige o intervalo previsto no art. 124, § 3º, da LEP. STJ. 3ª Seção. REsp 1.544.036-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/9/2016 (recurso repetitivo) (Info 590) CALENDÁRIO DE SAÍDAS TEMPORÁRIAS (SAÍDAS TEMPORÁRIAS AUTOMATIZADAS) Posição do STF É legítima a decisão judicial que estabelece calendário anual de saídas temporárias para visita à família do preso. Para o STF, um único ato judicial que analisa o histórico do sentenciado e estabelece um calendário de saídas temporárias, com a expressa ressalva de que as autorizações poderão ser revistas em caso de cometimento de infração disciplinar, mostra-se suficiente para fundamentar a autorização de saída temporária. STF. 1ª Turma. HC 130502/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 21/6/2016 (Info 831). STF. 2ª Turma. HC 128763, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 04/08/2015. Atual posição do STJ É recomendável que cada autorização de saída temporária do preso seja precedida de decisão judicial motivada. Entretanto, se a apreciação individual do pedido estiver, por deficiência exclusiva do aparato estatal, a interferir no direito subjetivo do apenado e no escopo ressocializador da pena, deve ser reconhecida, excepcionalmente, a possibilidade de fixação de calendário anual de saídas temporárias por ato judicial único, observadas as hipóteses de revogação automática do art. 125 da LEP. O calendário prévio das saídas temporárias deverá ser fixado, obrigatoriamente, pelo Juízo das Execuções, não se lhe permitindo delegar à autoridade prisional a escolha das datas específicas nas quais o apenado irá usufruir os benefícios. STJ. 3ª Seção. REsp 1.544.036-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 14/9/2016 (recurso repetitivo) (Info 590). 52 Art. 125 O benefício será AUTOMATICAMENTE REVOGADO quando o condenado praticar fato definido como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na autorização ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso. Parágrafo único. A recuperação do direito à saída temporária dependerá da absolvição no processo penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do condenado. DISTINÇÕES DAS AUTORIZAÇÕES DE SAÍDA * PERMISSÃO DE SAÍDA (arts. 120 e 121 da LEP) SAÍDA TEMPORÁRIA (arts. 122 a 125 da LEP) Beneficiários: › Regime fechado, › Regime semiaberto e › Preso provisório. Beneficiários: › Apenas regime semiaberto. Desde que: - Apresentem comportamento adequado; - Cumprimento mínimo de 1/6 da pena se primário; - Cumprimento mínimo de 1/4 se reincidente; - Compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. Hipóteses: › Falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; › Necessidade de tratamento médico. Hipóteses: › Visita à família; › Frequência a cursos; › Atividades de ressocialização. Vigilância direta (com escolta policial) Vigilância indireta (sem escolta) Prazo: › Enquanto necessária à finalidade da saída. Não há limite no número de concessões durante o ano Prazo: Regras gerais: › Cada preso terá o máximo de 5 saídas temporárias por ano (1 mais 4 renovações). › Cada saída temporária tem duração máxima de 7 dias. Peculiaridade: › No caso da saída temporária para estudo, o prazo será igual ao que for necessário para o exercício das atividades discentes (ex.: pode ser autorizada a saída temporária todos os dias). Autoridade competente: › Diretor do estabelecimento, podendo o juízo da execução suprir a ordem, quando negada ilegalmente. Autoridade competente: › Juízo da execução, depois de ouvido o MP e a Administração Penitenciária (atestar bom comportamento). Revogação: › A LEP não prevê. Revogação: › O benefício da saída temporária será automaticamente revogado quando o condenado: Hipótese 1: Praticar fato definido como crime doloso (não se exige condenação; basta a notícia); Hipótese 2: For punido por falta grave (aqui se exige que o condenado tenha recebido punição disciplinar); Hipótese 3: Desatender as condições impostas na autorização; ou 53 Hipótese 4: Revelar baixo grau de aproveitamento do curso. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Condenado que se encontra cumprindo pena em prisão domiciliar por falta de vagas no regime semiaberto tem direito à saída temporária como se estivesse efetivamente no regime semiaberto. Há compatibilidade entre o benefício da saída temporária e prisão domiciliar por falta de estabelecimento adequado para o cumprimento de pena de reeducando que se encontre no regime semiaberto. STJ. 6ª Turma. HC 489.106-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 13/08/2019 (Info 655) Seção IV - Da Remição Art. 126 O CONDENADO que cumpre a pena em REGIME FECHADO ou SEMIABERTO poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena . (Lei 12.433/11) Art. 41, II e VII, desta Lei. Súmulas 341 e 562 do STJ. § 1º. A contagem de tempo referida no caput será feita à razão de: (Lei 12.433/11) I. 1 dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar - atividade de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação profissional - divididas, no mínimo, em 3 dias; (Lei 12.433/11) II. 1 dia de pena a cada 3 dias de trabalho. (Lei 12.433/11) § 2º. As atividades de estudo a que se refere o § 1º deste artigo poderão ser desenvolvidas de forma presencial ou por metodologia de ensino a distância e deverão ser certificadas pelas autoridades educacionais competentes dos cursos frequentados. (Lei 12.433/11) § 3º. Para fins de cumulação dos casos de remição, as horas diárias de trabalho e de estudo serão definidas de forma a se compatibilizarem. (Lei 12.433/11) § 4º. O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos continuará a beneficiar-se com a remição. (Lei 12.433/11) § 5º. O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 no caso de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que certificada pelo órgão competente do sistema de educação. (Lei 12.433/11) § 6º. O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade condicional poderão remir, pela frequência a cursode ensino regular ou de educação profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova, observado o disposto no inciso I do § 1º deste artigo. (Lei 12.433/11) § 7º. O disposto neste artigo aplica-se às hipóteses de prisão cautelar. (Lei 12.433/11) § 8º. A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa. (Lei 12.433/11) Art. 127 Em caso de FALTA GRAVE, o juiz poderá revogar até 1/3 do tempo remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar. (Lei 12.433/11) Art. 128 O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos. (Lei 12.433/11) Art. 129 A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao juízo da execução cópia do registro de todos os condenados que estejam trabalhando ou estudando , com informação dos dias de trabalho ou das horas de frequência escolar ou de atividades de ensino de cada um deles. (Lei 12.433/11) 54 § 1º. O condenado autorizado a estudar fora do estabelecimento penal deverá comprovar mensalmente, por meio de declaração da respectiva unidade de ensino, a frequência e o aproveitamento escolar. (Lei 12.433/11) § 2º. Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias remidos. (Lei 12.433/11) Art. 130 Constitui o crime do art. 299 do Código Penal (falsidade ideológica) declarar ou atestar falsamente prestação de serviço para fim de instruir pedido de remição. SÚMULAS SOBRE REMIÇÃO Súmula 562 do STJ: É possível a remição de parte do tempo de execução da pena quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que extramuros. Súmula 341 do STJ: A frequência a curso de ensino formal é causa de remição de parte do tempo de execução de pena sob regime fechado ou semiaberto. REMIÇÃO DE PENA - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 12 DO STJ 1. Há remição da pena quando o trabalho é prestado fora ou dentro do estabelecimento prisional, uma vez que o art. 126 da Lei de Execução Penal não faz distinção quanto à natureza do trabalho ou quanto ao local de seu exercício. 2. O tempo remido pelo apenado por estudo ou por trabalho deve ser considerado como pena efetivamente cumprida para fins de obtenção dos benefícios da execução, e não simplesmente como tempo a ser descontado do total da pena. 3. Não há remição da pena na hipótese em que o condenado deixa de trabalhar ou estudar em virtude da omissão do Estado em fornecer tais atividades. 4. Nos regimes fechado e semiaberto, a remição é conferida tanto pelo trabalho quanto pelo estudo, nos termos do art. 126 da Lei de Execução Penal. 5. No regime aberto, a remição somente é conferida se há frequência em curso de ensino regular ou de educação profissional, sendo inviável o benefício pelo trabalho. 6. A remição pelo estudo pressupõe a frequência a curso de ensino regular ou de educação profissional, independentemente da sua conclusão ou do aproveitamento satisfatório. › O STJ vem flexibilizando as regras previstas do art. 126 da LEP a fim de se reconhecer a remição pela leitura, pelo estudo por conta própria e por tarefas de artesanato, não sendo, portanto, razoável que se afaste a remição da pena por atividade laboral devidamente reconhecida pelo estabelecimento prisional - representante de galeria -, sob pena de se inviabilizar o benefício para apenados que estejam encarcerados em unidades sem outras atividades laborais. (STJ. 6ª Turma. REsp 1804266/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/06/2019) 7. A decisão que reconhece a remição da pena, em virtude de dias trabalhados, não faz coisa julgada nem constitui direito adquirido. 8. Cabe ao juízo da execução fixar a fração aplicável de perda dos dias remidos na hipótese de cometimento de falta grave, observando o limite máximo de 1/3 (um terço) do total e a necessidade de fundamentar a decisão em elementos concretos, conforme o art. 57 da Lei de Execução Penal. 9. A nova redação do art. 127 da Lei de Execução Penal, que prevê a limitação da perda dos dias remidos a 1/3 (um terço) do total no caso da prática de falta grave, deve ser aplicada retroativamente por se tratar de norma penal mais benéfica. JURISPRUDÊNCIA SOBRE REMIÇÃO Não é possível a remição ficta da pena. Embora o Estado tenha o dever de prover trabalho aos internos que desejem laborar, reconhecer a remição ficta da pena, nesse caso, faria com que todas as pessoas do sistema prisional obtivessem o benefício, fato que causaria substancial mudança na política pública do sistema carcerário, além de invadir a esfera do Poder Executivo. O instituto da remição exige, necessariamente, a prática de atividade laboral ou educacional. Trata-se de reconhecimento pelo Estado do direito à diminuição da pena em virtude de trabalho efetuado pelo detento. Não sendo realizado trabalho, estudo ou leitura, não há que se falar em direito à remição. 55 STF. 1ª Turma. HC 124520/RO, rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/5/2018 (Info 904) Remição pelo trabalho antes do início da execução da pena. É possível a remição do tempo de trabalho realizado antes do início da execução da pena, desde que em data posterior à prática do delito. STJ. 6ª Turma. HC 420.257-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 19/04/2018 (Info 625) Trabalho cumprido em jornada inferior ao mínimo legal pode ser aproveitado para fins de remição caso tenha sido uma determinação da direção do presídio. Segundo o art. 30 da LEP, a jornada diária de trabalho do apenado deve ser de, no mínimo, 6 horas e, no máximo, 8 horas. Apesar disso, se um condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias (menos do que prevê a Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena. Como esse trabalho do preso foi feito por orientação ou estipulação da direção do presídio, isso gerou uma legítima expectativa de que ele fosse aproveitado, não sendo possível que seja desprezado, sob pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança. Vale ressaltar, mais uma vez, o trabalho era cumprido com essa jornada por conta da determinação do presídio e não por um ato de insubmissão ou de indisciplina do preso. STF. 2ª Turma. RHC 136509/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/4/2017 (Info 860) Remição de pena por leitura e resenha de livros. O fato de o estabelecimento penal onde se encontra o detento assegurar acesso a atividades laborais e à educação formal, não impede que ele obtenha também a remição pela leitura, que é atividade complementar, mas não subsidiária, podendo ocorrer concomitantemente, havendo compatibilidade de horários. STJ. 5ª Turma. HC 353.689-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/6/2016 (Info 587) Seção V - Do Livramento Condicional Art. 131 O livramento condicional poderá ser concedido pelo Juiz da execução, presentes os requisitos do art. 83, incisos e parágrafo único, do Código Penal, ouvidos o Ministério Público e Conselho Penitenciário. Requisitos do livramento condicional CP, art. 83. O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos, desde que: I. cumprida mais de 1/3 da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes; II. cumprida mais da metade (1/2) se o condenado for reincidente em crime doloso; III. comprovado: a. bom comportamento durante a execução da pena; b. não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses; c. bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e d. aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; IV. tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração; V. cumpridos mais de 2/3 da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogasafins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza. Parágrafo único. Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir. Arts. 49 a 52 e 66, III, e, desta Lei. Arts. 83 a 90 do CP. Arts. 710 a 733 do CPP. Arts. 89 a 97 do CPM. Arts. 618 a 642 do CPPM. 56 Súmula 441 do STJ. Art. 132 Deferido o pedido, o Juiz especificará as condições a que fica subordinado o livramento. § 1º. Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes: a. obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho; b. comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação; c. não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste. § 2°. Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as seguintes: a. não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção; b. recolher-se à habitação em hora fixada; c. não frequentar determinados lugares. d. (VETADO) Art. 133 Se for permitido ao liberado residir fora da comarca do Juízo da execução, remeter-se-á cópia da sentença do livramento ao Juízo do lugar para onde ele se houver transferido e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção. Art. 134 O liberado será advertido da obrigação de apresentar-se imediatamente às autoridades referidas no artigo anterior. Art. 135 Reformada a sentença denegatória do livramento, os autos baixarão ao Juízo da execução, para as providências cabíveis. Art. 136 Concedido o benefício, será expedida a carta de livramento com a cópia integral da sentença em 2 vias, remetendo-se uma à autoridade administrativa incumbida da execução e outra ao Conselho Penitenciário. Art. 137 A cerimônia do livramento condicional será realizada solenemente no dia marcado pelo Presidente do Conselho Penitenciário, no estabelecimento onde está sendo cumprida a pena, observando-se o seguinte: I. a sentença será lida ao liberando, na presença dos demais condenados, pelo Presidente do Conselho Penitenciário ou membro por ele designado, ou, na falta, pelo Juiz; II. a autoridade administrativa chamará a atenção do liberando para as condições impostas na sentença de livramento; III. o liberando declarará se aceita as condições. § 1º. De tudo em livro próprio, será lavrado termo subscrito por quem presidir a cerimônia e pelo liberando, ou alguém a seu rogo, se não souber ou não puder escrever. § 2º. Cópia desse termo deverá ser remetida ao Juiz da execução. Art. 138 Ao sair o liberado do estabelecimento penal, ser-lhe-á entregue, além do saldo de seu pecúlio e do que lhe pertencer, uma caderneta, que exibirá à autoridade judiciária ou administrativa, sempre que lhe for exigida. § 1º. A caderneta conterá: a. a identificação do liberado; 57 b. o texto impresso do presente Capítulo; c. as condições impostas. § 2º. Na falta de caderneta, será entregue ao liberado um salvo-conduto, em que constem as condições do livramento, podendo substituir-se a ficha de identificação ou o seu retrato pela descrição dos sinais que possam identificá-lo. § 3º. Na caderneta e no salvo-conduto deverá haver espaço para consignar-se o cumprimento das condições referidas no artigo 132 desta Lei. Art. 139 A observação cautelar e a proteção realizadas por serviço social penitenciário, Patronato ou Conselho da Comunidade terão a finalidade de: I. fazer observar o cumprimento das condições especificadas na sentença concessiva do benefício; II. proteger o beneficiário, orientando-o na execução de suas obrigações e auxiliando-o na obtenção de atividade laborativa. Parágrafo único. A entidade encarregada da observação cautelar e da proteção do liberado apresentará relatório ao Conselho Penitenciário, para efeito da representação prevista nos artigos 143 e 144 desta Lei. Art. 140 A revogação do livramento condicional dar-se-á nas hipóteses previstas nos arts. 86 e 87 do Código Penal. REVOGAÇÃO DO LIVRAMENTO CONDICIONAL REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA (CP, art. 86) REVOGAÇÃO FACULTATIVA (CP, art. 87) Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentença irrecorrível: I. por crime cometido durante a vigência do benefício; II. por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código. O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade. Parágrafo único. Mantido o livramento condicional, na hipótese da revogação facultativa, o Juiz deverá advertir o liberado ou agravar as condições. Art. 141 Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência do livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de prova, sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das 2 penas. Art. 142 No caso de revogação por outro motivo, não se computará na pena o tempo em que esteve solto o liberado, e tampouco se concederá, em relação à mesma pena, novo livramento. Art. 143 A revogação será decretada a requerimento do Ministério Público, mediante representação do Conselho Penitenciário, ou, de ofício, pelo Juiz, ouvido o liberado. Art. 144 O Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou mediante representação do Conselho Penitenciário, e ouvido o liberado, poderá modificar as condições especificadas na sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por uma das autoridades ou funcionários indicados no inciso I do caput do art. 137 desta Lei, observado o disposto nos incisos II e III e §§ 1º e 2º do mesmo artigo. (Lei 12.313/10) 58 Art. 145 Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final. LIVRAMENTO CONDICIONAL - PRORROGAÇÃO E SUSPENSÃO PRORROGAÇÃO (Art. 89 do CP) Pressupõe cometimento de crime na vigência do livramento Impede o juiz de julgar extinta a pena (prorrogando o período de prova) Prorroga-se o período de prova até o julgamento definitivo SUSPENSÃO (Art. 145 da LEP) Pressupõe cometimento de crime na vigência do livramento Autoriza o juiz a ordenar o recolhimento cautelar do liberado (suspendendo sua vida em liberdade) O recolhimento persiste enquanto necessário, não podendo exceder o prazo previsto para a pena em cumprimento. Art. 146 O Juiz, de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público ou mediante representação do Conselho Penitenciário, julgará extinta a pena privativa de liberdade, se expirar o prazo do livramento sem revogação. Seção VI - Da Monitoração Eletrônica Art. 319, IX, do CPP. Decreto 7.627/2011 (Regulamenta a Monitoração Eletrônica de Pessoas). Art. 146-A (VETADO) Art. 146-B O juiz poderá definir a fiscalização por meio da MONITORAÇÃO ELETRÔNICA quando: (Lei 12.258/10) I. (VETADO) II. autorizar a saída temporária no regime semiaberto; (Lei 12.258/10) III. (VETADO) IV. determinar a prisão domiciliar; (Lei 12.258/10) V. (VETADO) Parágrafo único. (VETADO) Art. 146-C O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o equipamento eletrônico e dos seguintes deveres: (Lei 12.258/10) I. receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica, responder aos seus contatos e cumprir suas orientações; (Lei 12.258/10) II. abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificarde qualquer forma o dispositivo de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça; (Lei 12.258/10) III. (VETADO) Parágrafo único. A VIOLAÇÃO COMPROVADA DOS DEVERES previstos neste artigo poderá acarretar, a critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa: (Lei 12.258/10) I. a regressão do regime; (Lei 12.258/10) II. a revogação da autorização de saída temporária; (Lei 12.258/10) III a V. (VETADOS) TEM DO 59 VI. a revogação da prisão domiciliar; (Lei 12.258/10) VII. advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não aplicar alguma das medidas previstas nos incisos de I a VI deste parágrafo. (Lei 12.258/10) Art. 146-D A MONITORAÇÃO ELETRÔNICA poderá ser REVOGADA: (Lei 12.258/10) I. quando se tornar desnecessária ou inadequada; (Lei 12.258/10) II. se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou cometer falta grave. (Lei 12.258/10) Capítulo II - Das Penas Restritivas de Direitos Seção I - Disposições Gerais Art. 147 Transitada em julgado a sentença que aplicou a pena restritiva de direitos , o Juiz da execução, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, promoverá a execução, podendo, para tanto, requisitar, quando necessário, a colaboração de entidades públicas ou solicitá-la a particulares. Súmula 643 do STJ: A execução da pena restritiva de direitos depende do trânsito em julgado da condenação. Este é o mesmo entendimento adotado pelo STF: (...) I – O art. 147 da Lei de Execuções Penais determina que a pena restritiva de direitos será aplicada somente após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. II – O Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou procedente as Ações Diretas de Constitucionalidade 43/DF e 44/DF, ambas de relatoria do Ministro Marco Aurélio, para assentar a constitucionalidade do art. 283 do Código de Processo Penal. STF. 2ª Turma. ARE 1235057 AgR, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 27/03/2020. Art. 6º desta Lei. Arts. 43 a 48, 54 e 55 do CP. Art. 148 Em qualquer fase da execução, poderá o Juiz, motivadamente, alterar, a forma de cumprimento das penas de prestação de serviços à comunidade e de limitação de fim de semana, ajustando-as às condições pessoais do condenado e às características do estabelecimento, da entidade ou do programa comunitário ou estatal. Seção II - Da Prestação de Serviços à Comunidade Art. 149 Caberá ao Juiz da execução: I. designar a entidade ou programa comunitário ou estatal, devidamente credenciado ou convencionado, junto ao qual o condenado deverá trabalhar gratuitamente, de acordo com as suas aptidões; II. determinar a intimação do condenado, cientificando-o da entidade, dias e horário em que deverá cumprir a pena; III. alterar a forma de execução, a fim de ajustá-la às modificações ocorridas na jornada de trabalho. § 1º. O trabalho terá a duração de 8 horas semanais e será realizado aos sábados, domingos e feriados, ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho, nos horários estabelecidos pelo Juiz. § 2º. A execução terá início a partir da data do 1º comparecimento. 60 Art. 150 A entidade beneficiada com a prestação de serviços encaminhará mensalmente, ao Juiz da execução, relatório circunstanciado das atividades do condenado, bem como, a qualquer tempo, comunicação sobre ausência ou falta disciplinar. Seção III - Da Limitação de Fim de Semana Art. 151 Caberá ao Juiz da execução determinar a intimação do condenado, cientificando-o do local, dias e horário em que deverá cumprir a pena. Arts. 82, § 2º, 93 a 95 e 181, § 2º, desta Lei. Art. 48 do CP. Parágrafo único. A execução terá início a partir da data do 1º comparecimento. Art. 152 Poderão ser ministrados ao condenado, durante o tempo de permanência, cursos e palestras, ou atribuídas atividades educativas. Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica contra a mulher, o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação. (Lei 11.340/06) Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). Art. 153 O estabelecimento designado encaminhará, mensalmente, ao Juiz da execução, relatório, bem assim comunicará, a qualquer tempo, a ausência ou falta disciplinar do condenado. Arts. 51 e 79, II, desta Lei. Seção IV - Da Interdição Temporária de Direitos Art. 154 Caberá ao Juiz da execução comunicar à autoridade competente a pena aplicada, determinada a intimação do condenado. Art. 47 do CP. § 1º. Na hipótese de pena de interdição do artigo 47, inciso I, do Código Penal, a autoridade deverá, em 24 horas, contadas do recebimento do ofício, baixar ato, a partir do qual a execução terá seu início. Art. 327 do CP. § 2º. Nas hipóteses do artigo 47, incisos II e III, do Código Penal, o Juízo da execução determinará a apreensão dos documentos, que autorizam o exercício do direito interditado. Art. 155 A autoridade deverá comunicar imediatamente ao Juiz da execução o descumprimento da pena. Art. 181, § 3º, desta Lei. Art. 45 do CP. Parágrafo único. A comunicação prevista neste artigo poderá ser feita por qualquer prejudicado. Capítulo III - Da Suspensão Condicional Art. 156 O Juiz poderá suspender, pelo período de 2 a 4 anos, a execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 anos, na forma prevista nos artigos 77 a 82 do Código Penal. 61 Arts. 77 a 82 do CP. Arts. 696 a 709 do CPP. Arts. 84 a 88 do CPM. Arts. 606 a 617 do CPPM. Art. 157 O Juiz ou Tribunal, na sentença que aplicar pena privativa de liberdade, na situação determinada no artigo anterior, deverá pronunciar-se, motivadamente, sobre a suspensão condicional, quer a conceda, quer a denegue. Art. 197 desta Lei. Art. 77 do CP. Art. 158 Concedida a suspensão, o Juiz especificará as condições a que fica sujeito o condenado, pelo prazo fixado, começando este a correr da audiência prevista no artigo 160 desta Lei. Arts. 78 e 79 do CP. § 1°. As condições serão adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado, devendo ser incluída entre as mesmas a de prestar serviços à comunidade, ou limitação de fim de semana, salvo hipótese do artigo 78, § 2º, do Código Penal. Art. 5º, XLIX, da CF. § 2º. O Juiz poderá, a qualquer tempo, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante proposta do Conselho Penitenciário, modificar as condições e regras estabelecidas na sentença, ouvido o condenado. § 3º. A fiscalização do cumprimento das condições , reguladas nos Estados, Territórios e DF por normas supletivas, será atribuída a serviço social penitenciário, Patronato, Conselho da Comunidade ou instituição beneficiada com a prestação de serviços , inspecionados pelo Conselho Penitenciário, pelo Ministério Público, ou ambos, devendo o Juiz da execução suprir, por ato, a falta das normas supletivas. § 4º. O beneficiário, ao comparecer periodicamente à entidade fiscalizadora, para comprovar a observância das condições a que está sujeito, comunicará, também, a sua ocupação e os salários ou proventos de que vive. § 5º. A entidade fiscalizadora deverá comunicar imediatamente ao órgão de inspeção, para os fins legais, qualquer fato capaz de acarretar a revogação do benefício, a prorrogação do prazo ou a modificação das condições. § 6º. Se for permitido ao beneficiário mudar-se, será feita comunicação ao Juiz e à entidade fiscalizadora do local da nova residência, aos quais o primeiro deverá apresentar-se imediatamente. Art. 159 Quando a suspensão condicional da pena for concedida por Tribunal, a este caberá estabelecer as condições do benefício. § 1º. De igual modo proceder-se-á quando o Tribunal modificar as condições estabelecidas na sentença recorrida. § 2º. O Tribunal, ao conceder a suspensão condicional da pena, poderá, todavia, conferir ao Juízo da execução a incumbência de estabelecer as condiçõesdo benefício, e, em qualquer caso, a de realizar a audiência admonitória. Art. 160 Transitada em julgado a sentença condenatória, o Juiz a lerá ao condenado, em audiência, advertindo-o das consequências de nova infração penal e do descumprimento das condições impostas. Art. 161 Se, intimado pessoalmente ou por edital com prazo de 20 dias, o réu não comparecer injustificadamente à audiência admonitória, a suspensão ficará sem efeito e será executada imediatamente a pena. Art. 162 A revogação da suspensão condicional da pena e a prorrogação do período de prova dar-se- ão na forma do art. 81 e respectivos parágrafos do Código Penal. 62 Art. 163 A sentença condenatória será registrada, com a nota de suspensão em livro especial do Juízo a que couber a execução da pena. § 1º. Revogada a suspensão ou extinta a pena, será o fato averbado à margem do registro. § 2º. O registro e a averbação serão sigilosos, salvo para efeito de informações requisitadas por órgão judiciário ou pelo Ministério Público, para instruir processo penal. Capítulo IV - Da Pena de Multa Art. 164 Extraída certidão da sentença condenatória com trânsito em julgado, que valerá como título executivo judicial, o Ministério Público requererá, em autos apartados, a citação do condenado para, no prazo de 10 dias, pagar o valor da multa ou nomear bens à penhora. Arts. 49 a 52 e 60 do CP. Arts. 686 a 690 do CPP. § 1º. Decorrido o prazo sem o pagamento da multa, ou o depósito da respectiva importância, proceder-se-á à penhora de tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 2º. A nomeação de bens à penhora e a posterior execução seguirão o que dispuser a lei processual civil. Art. 51 do CP. Art. 166 desta Lei. Art. 165 Se a penhora recair em bem imóvel, os autos apartados serão remetidos ao Juízo Cível para prosseguimento. Arts. 79 a 81 do CC. Art. 166 Recaindo a penhora em outros bens, dar-se-á prosseguimento nos termos do § 2º do artigo 164, desta Lei. Arts. 82 a 84 do CC. Art. 167 A execução da pena de multa será suspensa quando sobrevier ao condenado doença mental (art. 52 do Código Penal). Art. 168 O Juiz poderá determinar que a cobrança da multa se efetue mediante desconto no vencimento ou salário do condenado, nas hipóteses do art. 50, § 1º, do Código Penal, observando-se o seguinte: I. o limite máximo do desconto mensal será o de 1/4 da remuneração e o mínimo o de 1/10; II. o desconto será feito mediante ordem do Juiz a quem de direito; III. o responsável pelo desconto será intimado a recolher mensalmente, até o dia fixado pelo Juiz, a importância determinada. Arts. 170, e 50, § 1º, a a c, do CP Art. 169 Até o término do prazo a que se refere o artigo 164 desta Lei, poderá o condenado requerer ao Juiz o pagamento da multa em prestações mensais, iguais e sucessivas. § 1°. O Juiz, antes de decidir, poderá determinar diligências para verificar a real situação econômica do condenado e, ouvido o Ministério Público, fixará o número de prestações. 63 § 2º. Se o condenado for impontual ou se melhorar de situação econômica, o Juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, revogará o benefício executando-se a multa, na forma prevista neste Capítulo, ou prosseguindo-se na execução já iniciada. Art. 170 Quando a pena de multa for aplicada cumulativamente com pena privativa da liberdade, enquanto esta estiver sendo executada, poderá aquela ser cobrada mediante desconto na remuneração do condenado (art. 168). § 1º. Se o condenado cumprir a pena privativa de liberdade ou obtiver livramento condicional, sem haver resgatado a multa, far-se-á a cobrança nos termos deste Capítulo. § 2º. Aplicar-se-á o disposto no parágrafo anterior aos casos em que for concedida a suspensão condicional da pena. 64 TÍTULO VI - DA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS DE SEGURANÇA Capítulo I - Disposições Gerais Art. 171 Transitada em julgado a sentença que aplicar medida de segurança, será ordenada a expedição de guia para a execução. Arts. 43 e 101 desta Lei. Arts. 26, 96 a 99 do CP. Arts. 751 a 779 do CPP. Arts. 110 a 120 do CPM. Arts. 659 a 674 do CPPM. Art. 172 Ninguém será internado em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, ou submetido a tratamento ambulatorial, para cumprimento de medida de segurança, sem a guia expedida pela autoridade judiciária. Art. 173 A guia de internamento ou de tratamento ambulatorial, extraída pelo escrivão, que a rubricará em todas as folhas e a subscreverá com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa incumbida da execução e conterá: I. a qualificação do agente e o número do registro geral do órgão oficial de identificação; II. o inteiro teor da denúncia e da sentença que tiver aplicado a medida de segurança, bem como a certidão do trânsito em julgado; III. a data em que terminará o prazo mínimo de internação, ou do tratamento ambulatorial; IV. outras peças do processo reputadas indispensáveis ao adequado tratamento ou internamento. § 1°. Ao Ministério Público será dada ciência da guia de recolhimento e de sujeição a tratamento. § 2°. A guia será retificada sempre que sobrevier modificações quanto ao prazo de execução. Art. 174 Aplicar-se-á, na execução da medida de segurança, naquilo que couber, o disposto nos arts. 8° e 9° desta Lei. Capítulo II - Da Cessação da Periculosidade Art. 175 A cessação da periculosidade será averiguada no fim do prazo mínimo de duração da medida de segurança, pelo exame das condições pessoais do agente, observando-se o seguinte: I. a autoridade administrativa, até 1 mês antes de expirar o prazo de duração mínima da medida, remeterá ao Juiz minucioso relatório que o habilite a resolver sobre a revogação ou permanência da medida; II. o relatório será instruído com o laudo psiquiátrico; III. juntado aos autos o relatório ou realizadas as diligências, serão ouvidos, sucessivamente, o Ministério Público e o curador ou defensor, no prazo de 3 dias para cada um; IV. o Juiz nomeará curador ou defensor para o agente que não o tiver; V. o Juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, poderá determinar novas diligências, ainda que expirado o prazo de duração mínima da medida de segurança; 65 VI. ouvidas as partes ou realizadas as diligências a que se refere o inciso anterior, o Juiz proferirá a sua decisão, no prazo de 5 dias. Art. 176 Em qualquer tempo, ainda no decorrer do prazo mínimo de duração da medida de segurança, poderá o Juiz da execução, diante de requerimento fundamentado do Ministério Público ou do interessado, seu procurador ou defensor, ordenar o exame para que se verifique a cessação da periculosidade, procedendo-se nos termos do artigo anterior. Art. 177 Nos exames sucessivos para verificar-se a cessação da periculosidade, observar-se-á, no que lhes for aplicável, o disposto no artigo anterior. Art. 178 Nas hipóteses de desinternação ou de liberação (art. 97, § 3º, do Código Penal), aplicar-se-á o disposto nos arts. 132 e 133 desta Lei. Art. 179 Transitada em julgado a sentença, o Juiz expedirá ordem para a desinternação ou a liberação. 66 TÍTULO VII - DOS INCIDENTES DE EXECUÇÃO Capítulo I - Das Conversões Art. 180 A PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE, não superior a 2 anos, poderá ser CONVERTIDA em RESTRITIVA DE DIREITOS, desde que: I. o condenado a esteja cumprindo em regime aberto; II. tenha sido cumprido pelo menos 1/4 da pena; III. os antecedentes e a personalidade do condenado indiquem ser a conversão recomendável. Art. 181 A pena restritiva de direitos será convertida em privativa de liberdade nas hipóteses e na forma do art. 45 e seus incisos do Código Penal. § 1º. A pena de prestação de serviços à comunidade será convertida quando o condenado: a. não for encontrado por estar em lugar incerto e não sabido, ou desatender a intimação por edital; b. não comparecer, injustificadamente, à entidade ou programaem que deva prestar serviço; c. recusar-se, injustificadamente, a prestar o serviço que lhe foi imposto; d. praticar falta grave; e. sofrer condenação por outro crime à pena privativa de liberdade, cuja execução não tenha sido suspensa. § 2º. A pena de limitação de fim de semana será convertida quando o condenado não comparecer ao estabelecimento designado para o cumprimento da pena, recusar-se a exercer a atividade determinada pelo Juiz ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras "a", "d" e "e" do parágrafo anterior. § 3º. A pena de interdição temporária de direitos será convertida quando o condenado exercer, injustificadamente, o direito interditado ou se ocorrer qualquer das hipóteses das letras "a" e "e", do § 1º, deste artigo. Art. 182 (REVOGADO pela Lei 9.268/96) Art. 183 Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade administrativa, poderá determinar a SUBSTITUIÇÃO DA PENA POR MEDIDA DE SEGURANÇA. (Lei 12.313/10) Ver tabela no art. 108 (Superveniência de doença mental e conversão da pena em medida de segurança). Art. 184 O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente revelar incompatibilidade com a medida. Parágrafo único. Nesta hipótese, o prazo mínimo de internação será de 1 ano. 67 Capítulo II - Do Excesso ou Desvio Art. 185 Haverá EXCESSO OU DESVIO DE EXECUÇÃO sempre que algum ato for praticado além dos limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares. Art. 186 Podem SUSCITAR O INCIDENTE de excesso ou desvio de execução: I. o Ministério Público; II. o Conselho Penitenciário; III. o sentenciado; IV. qualquer dos demais órgãos da execução penal. Capítulo III - Da Anistia e do Indulto Art. 187 Concedida a anistia, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado ou do Ministério Público, por proposta da autoridade administrativa ou do Conselho Penitenciário, declarará extinta a punibilidade. Arts. 5º, XXXVI e XLIII, 21, XVII, 48, VIII, 84, XII, da CF. Art. 107, II, do CP. Arts. 734 a 742 do CPP. Art. 123, II, do CPM. Arts. 643 a 650 do CPPM. Art. 188 O indulto individual poderá ser provocado por petição do condenado, por iniciativa do Ministério Público, do Conselho Penitenciário, ou da autoridade administrativa. Art. 189 A petição do indulto, acompanhada dos documentos que a instruírem, será entregue ao Conselho Penitenciário, para a elaboração de parecer e posterior encaminhamento ao Ministério da Justiça. Art. 190 O Conselho Penitenciário, à vista dos autos do processo e do prontuário, promoverá as diligências que entender necessárias e fará, em relatório, a narração do ilícito penal e dos fundamentos da sentença condenatória, a exposição dos antecedentes do condenado e do procedimento deste depois da prisão, emitindo seu parecer sobre o mérito do pedido e esclarecendo qualquer formalidade ou circunstâncias omitidas na petição. Art. 191 Processada no Ministério da Justiça com documentos e o relatório do Conselho Penitenciário, a petição será submetida a despacho do Presidente da República, a quem serão presentes os autos do processo ou a certidão de qualquer de suas peças, se ele o determinar. Art. 192 Concedido o indulto e anexada aos autos cópia do decreto, o Juiz declarará extinta a pena ou ajustará a execução aos termos do decreto, no caso de comutação. Art. 193 Se o sentenciado for beneficiado por indulto coletivo, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessado, do Ministério Público, ou por iniciativa do Conselho Penitenciário ou da autoridade administrativa, providenciará de acordo com o disposto no artigo anterior. 3C 2D JMP + SENTENCIADO 68 ANISTIA, GRAÇA E INDULTO * ANISTIA GRAÇA (ou indulto individual) INDULTO (ou indulto coletivo) É um benefício concedido pelo Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República (art. 48, VIII, CF/88), por meio do qual se “perdoa” a prática de um fato criminoso. Normalmente, incide sobre crimes políticos, mas também pode abranger outras espécies de delito. Concedidos por Decreto do Presidente da República. Apagam o efeito executório da condenação. A atribuição para conceder pode ser delegada ao: › Procurador Geral da República; › Advogado Geral da União; › Ministros de Estado. É concedida por meio de uma lei federal ordinária. Concedidos por meio de um Decreto. Pode ser concedida: › Antes do trânsito em julgado (anistia própria); › Depois do trânsito em julgado (anistia imprópria). Tradicionalmente, a doutrina afirma que tais benefícios só podem ser concedidos após o trânsito em julgado da condenação. Esse entendimento, no entanto, está cada dia mais superado, considerando que o indulto natalino, por exemplo, permite que seja concedido o benefício desde que tenha havido o trânsito em julgado para a acusação ou quando o MP recorreu, mas não para agravar a pena imposta (art. 5º, I e II, do Decreto 7.873/2012). Classificação › Propriamente dita: quando concedida antes da condenação. › Impropriamente dita: quando concedida após a condenação. › Irrestrita: quando atinge indistintamente todos os autores do fato punível. › Restrita: quando exige condição pessoal do autor do fato punível. Ex.: exige primariedade. › Incondicionada: não se exige condição para a sua concessão. › Condicionada: exige-se condição para a sua concessão. Ex.: reparação do dano. › Comum: atinge crimes comuns. › Especial: atinge crimes políticos. Classificação › Pleno: quando extingue totalmente a pena. › Parcial: quando somente diminui ou substitui a pena (comutação). › Incondicionado: quando não impõe qualquer condição. › Condicionado: quando impõe condição para sua concessão. › Restrito: exige condições pessoais do agente. Ex.: exige primariedade. › Irrestrito: quando não exige condições pessoais do agente. Extingue os efeitos penais (principais e secundários) do crime. Os efeitos de natureza civil permanecem íntegros. Só extinguem o efeito principal do crime (a pena). Os efeitos penais secundários e os efeitos de natureza civil permanecem íntegros. O réu condenado que foi anistiado, se cometer novo crime, não será reincidente. O réu condenado que foi beneficiado por graça ou indulto, se cometer novo crime, será reincidente. É um benefício coletivo que, por referir-se somente a fatos, atinge apenas os que o cometeram. É um benefício individual (com destinatário certo). Depende de pedido do sentenciado. É um benefício coletivo (sem destinatário certo). É concedido de ofício (não depende de provocação). * Conforme ensina Márcio Cavalcante. 69 DO INDULTO E DA COMUTAÇÃO DE PENA - JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 139 DO STJ 1. O instituto da graça, previsto no art. 5º, XLIII, da Constituição Federal, engloba o indulto e a comutação de pena, estando a competência privativa do Presidente da República para a concessão desses benefícios limitada pela vedação estabelecida no referido dispositivo constitucional. 2. A sentença que concede o indulto ou a comutação de pena tem natureza declaratória, não havendo como impedir a concessão dos benefícios ao sentenciado, se cumpridos todos os requisitos exigidos no decreto presidencial. 3. O deferimento do indulto e da comutação das penas deve observar estritamente os critérios estabelecidos pela Presidência da República no respectivo ato de concessão, sendo vedada a interpretação ampliativa da norma, sob pena de usurpação da competência privativa disposta no art. 84, XII, da Constituição e, ainda, ofensa aos princípios da separação entre os poderes e da legalidade. 4. A análise do preenchimento do requisito objetivo para a concessão dos benefícios de indulto e de comutaçãode pena deve considerar todas as condenações com trânsito em julgado até a data da publicação do decreto presidencial, sendo indiferente o fato de a juntada da guia de execução penal ter ocorrido em momento posterior à publicação do referido decreto. 5. A superveniência de condenação, seja por fato anterior ou posterior ao início do cumprimento da pena, não altera a data-base para a concessão da comutação de pena e do indulto. 6. O indulto e a comutação de pena incidem sobre as execuções em curso no momento da edição do decreto presidencial, não sendo possível considerar na base de cálculo dos benefícios as penas já extintas em decorrência do integral cumprimento. 7. Para a concessão de indulto, deve ser considerada a pena originalmente imposta, não sendo levada em conta, portanto, a pena remanescente em decorrência de comutações anteriores. 8. O cumprimento da fração de pena prevista como critério objetivo para a concessão de indulto deve ser aferido em relação a cada uma das sanções alternativas impostas, consideradas individualmente. 9. Compete ao Juízo da Execução Fiscal a apreciação do pedido de indulto em relação à pena de multa convertida em dívida de valor. › Superada. O STF, ao julgar a ADI 3150/DF, decidiu que, a Lei nº 9.268/96, ao considerar a multa penal como dívida de valor, não retirou dela o caráter de sanção criminal que lhe é inerente por força do art. 5º, XLVI, “c”, da CF/88. Como consequência, por ser uma sanção criminal, a legitimação prioritária para a execução da multa penal é do Ministério Público perante a Vara de Execuções Penais (ADI 3150 e AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 12 e 13/12/2018). O Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019) acolheu esse entendimento e alterou a redação do art. 59 do CP para dizer expressamente que a competência para executar a multa é do juízo da vara de execuções penais: Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. Logo, se a multa, convertida em dívida de valor, estiver sendo executada no juízo da execução penal, caberá a ele apreciar o pedido de indulto. 10. Não dispondo o decreto autorizador de forma contrária, os condenados por crimes de natureza hedionda têm direito aos benefícios de indulto ou de comutação de pena, desde que as infrações penais tenham sido praticadas antes da vigência da Lei n. 8.072/1990 e suas modificadoras. 11. É possível a concessão de comutação de pena aos condenados por crime comum praticado em concurso com crime hediondo, desde que o apenado tenha cumprido as frações referentes aos delitos comum e hediondo, exigidas pelo respectivo decreto presidencial. 12. É possível a concessão de indulto aos condenados por crime de tráfico de drogas privilegiado (§4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006), por estar desprovido de natureza hedionda. 70 13. O indulto humanitário requer, para sua concessão, a necessária comprovação, por meio de laudo médico oficial ou por médico designado pelo juízo da execução, de que a enfermidade que acomete o sentenciado é grave, permanente e exige cuidados que não podem ser prestados no estabelecimento prisional. 14. O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais. (Súmula n. 631/STJ) 71 TÍTULO VIII - DO PROCEDIMENTO JUDICIAL Art. 194 O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial, desenvolvendo-se perante o Juízo da execução. Art. 195 O procedimento judicial iniciar-se-á de ofício, a requerimento do Ministério Público, do interessado, de quem o represente, de seu cônjuge, parente ou descendente, mediante proposta do Conselho Penitenciário, ou, ainda, da autoridade administrativa. Art. 196 A portaria ou petição será autuada ouvindo-se, em 3 dias, o condenado e o Ministério Público, quando não figurem como requerentes da medida. § 1º. Sendo desnecessária a produção de prova, o Juiz decidirá de plano, em igual prazo. § 2º. Entendendo indispensável a realização de prova pericial ou oral, o Juiz a ordenará, decidindo após a produção daquela ou na audiência designada. Art. 197 Das decisões proferidas pelo Juiz caberá RECURSO DE AGRAVO, sem efeito suspensivo. Súmula 700 do STF: É de 5 dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução penal. 72 TÍTULO IX - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS Art. 198 É defesa ao integrante dos órgãos da execução penal, e ao servidor, a divulgação de ocorrência que perturbe a segurança e a disciplina dos estabelecimentos, bem como exponha o preso à inconveniente notoriedade, durante o cumprimento da pena. Art. 5º, X, da CF. Art. 325 do CP. Art. 199 O emprego de algemas será disciplinado por decreto federal. Art. 40 desta Lei. Art. 5º, XLIX, da CF. Arts. 23, III, 329 a 331 e 352 do CP. Arts. 284 e 292 do CPP. Arts. 42, 177, 180, 298 a 301 do CPM. Arts. 234 e 242 do CPPM. Lei 13.865/2019 (Abuso de Autoridade). Dec. 8.858/2016 (Emprego de Algemas). Súmula Vinculante 11. Art. 200 O CONDENADO POR CRIME POLÍTICO não está obrigado ao trabalho. Art. 201 Na falta de estabelecimento adequado, o cumprimento da prisão civil e da prisão administrativa se efetivará em seção especial da Cadeia Pública. Art. 82, § 2º, desta Lei. Art. 5º, LXI e LXVII, da CF. Art. 652 do CC. Art. 528, § 3º, do CPC. Art. 202 Cumprida ou extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas por autoridade policial ou por auxiliares da Justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei. Arts. 93 a 95 do CP. Arts. 743 a 750 do CPP. Arts. 123, V, 134 e 135 do CPM. Arts. 651 a 658 do CPPM. Art. 203 No prazo de 6 meses, a contar da publicação desta Lei, serão editadas as normas complementares ou regulamentares, necessárias à eficácia dos dispositivos não autoaplicáveis. § 1º. Dentro do mesmo prazo deverão as Unidades Federativas, em convênio com o Ministério da Justiça, projetar a adaptação, construção e equipamento de estabelecimentos e serviços penais previstos nesta Lei. § 2º. Também, no mesmo prazo, deverá ser providenciada a aquisição ou desapropriação de prédios para instalação de casas de albergados. § 3º. O prazo a que se refere o caput deste artigo poderá ser ampliado, por ato do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, mediante justificada solicitação, instruída com os projetos de reforma ou de construção de estabelecimentos. § 4º. O descumprimento injustificado dos deveres estabelecidos para as Unidades Federativas implicará na suspensão de qualquer ajuda financeira a elas destinada pela União, para atender às despesas de execução das penas e medidas de segurança. Art. 204 Esta Lei entra em vigor concomitantemente com a lei de reforma da Parte Geral do Código Penal, revogadas as disposições em contrário, especialmente a Lei 3.274/57. 73 LEI 9.099/95 - Juizados Especiais Criminais A Lei 9.099/95 dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Neste material incluímos apenas os Capítulos III (Juizados Especiais Criminais) e IV (Disposições Finais Comuns). Atualizada até a Lei 14.245/21. 74 Capítulo III - Dos Juizados Especiais Criminais Disposições Gerais Art. 60 O JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Lei 11.313/06) Parágrafo único. Na reunião deprocessos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri, decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. (Lei 11.313/06) São constitucionais o art. 60 da Lei 9.099/95 e o art. 2º da Lei 10.259/2001, que preveem a possibilidade de infrações penais de menor potencial ofensivo não serem julgadas pelo Juizado Especial em casos de conexão ou continência. Os Juizados Especiais Criminais são dotados de competência relativa para julgamento das infrações penais de menor potencial ofensivo, razão pela qual se permite que essas infrações sejam julgadas por outro juízo com vis atractiva para o crime de maior gravidade, pela conexão ou continência, observados, quanto àqueles, os institutos despenalizadores, quando cabíveis. STF. Plenário. ADI 5264/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 4/12/2020 (Info 1001) Art. 61 Consideram-se INFRAÇÕES PENAIS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa. (Lei 11.313/06) INFRAÇÕES PENAIS DE MENOR POTENCIAL OFENSIVO IMPO › Contravenções penais; e › Crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa Art. 98, I, da CF. Art. 2º da Lei 10.259/2001 (Juizados Especiais Federais). Art. 41 da Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). Art. 62 O PROCESSO perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos CRITÉRIOS da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, OBJETIVANDO, sempre que possível, a reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade. (Lei 13.603/18) JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS - PRINCÍPIOS E OBJETIVOS PRINCÍPIOS › Oralidade › Simplicidade › Informalidade › Economia processual › Celeridade OBJETIVOS Sempre que possível: › A reparação dos danos sofridos pela vítima › A aplicação de pena não privativa de liberdade Art. 5º, LXXVIII, da CF. Art. 65 desta Lei. Arts. 9º, I, 16, 43 a 52, 65, III, b, 91, I, e 312, § 3º, do CP. Arts. 147 a 155 e 164 a 170 da Lei 7.210/1984 (LEP). 75 Seção I - Da Competência e dos Atos Processuais Art. 63 A COMPETÊNCIA do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal. Art. 6º do CP. Arts. 69, I, 70 e 71 do CPP. JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS - COMPETÊNCIA ABSOLUTA E RELATIVA * COMPETÊNCIA ABSOLUTA (em razão da matéria – ratione materiae) O critério predominante nos Juizados Especiais Criminais é o material (ratione materiae), ou seja, cabe a eles o julgamento das infrações de menor potencial ofensivo (competência absoluta). COMPETÊNCIA RELATIVA (em razão do lugar – ratione loci) Fixada a competência material, passa-se para a segunda etapa (que consiste qual Juizado Especial Criminal será competente – competência em razão do lugar). Para isso a Lei 9.099/95 adotou a teoria da atividade. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal (art. 63). E por ser competência relativa, a não observância do art. 63 gera nulidade sanável se não for alegada no momento oportuno, em razão da prevenção. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 64 Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em horário noturno e em qualquer dia da semana, conforme dispuserem as normas de organização judiciária. Art. 65 Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais foram realizados, atendidos os critérios indicados no art. 62 desta Lei. § 1º. Não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo. § 2º. A prática de atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer meio hábil de comunicação. § 3º. Serão objeto de registro escrito exclusivamente os atos havidos por essenciais. Os atos realizados em audiência de instrução e julgamento poderão ser gravados em fita magnética ou equivalente. Art. 66 A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que possível, ou por mandado. Parágrafo único. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as peças existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei. JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS - CITAÇÃO Citação por HORA CERTA CABÍVEL FONAJE - ENUNCIADO 110 – No Juizado Especial Criminal é cabível a citação com hora certa. Citação por EDITAL VEDADA Lei 9.099/95, art. 66, parágrafo único. Citação por CARTA PRECATÓRIA CABÍVEL FONAJE - ENUNCIADO 93 – É cabível a expedição de precatória para citação, apresentação de defesa preliminar e proposta de suspensão do processo no juízo deprecado. Aceitas as condições, o juízo deprecado comunicará ao deprecante o qual, recebendo a denúncia, deferirá a suspensão, a ser cumprida no juízo deprecado (XXI Encontro – Vitória/ES). 76 Citação por CARTA ROGATÓRIA VEDADA Incompatível com o rito dos juizados. Art. 67 A intimação far-se-á por correspondência, com aviso de recebimento pessoal ou, tratando- se de pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da recepção, que será obrigatoriamente identificado, ou, sendo necessário, por oficial de justiça, independentemente de mandado ou carta precatória, ou ainda por qualquer meio idôneo de comunicação. Parágrafo único. Dos atos praticados em audiência considerar-se-ão desde logo cientes as partes, os interessados e defensores. Art. 68 Do ato de intimação do autor do fato e do mandado de citação do acusado, constará a necessidade de seu comparecimento acompanhado de advogado, com a advertência de que, na sua falta, ser-lhe-á designado defensor público. Seção II - Da Fase Preliminar Art. 69 A AUTORIDADE POLICIAL que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários. Art. 77, § 1º, desta Lei. Arts. 4º, 6º, e 158 a 184 do CPP. Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima. (Lei 10.455/02) Art. 5º, LXV e LXVI, da CF. Arts. 301 a 310, 313, III, e 322 a 350 do CPP. Arts. 3º, a, e 4º, a, da Lei 4.898/1965 (Abuso de Autoridade). Lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha). Art. 70 Comparecendo o autor do fato e a vítima, e não sendo possível a realização imediata da audiência preliminar, será designada data próxima, da qual ambos sairão cientes. Art. 71 Na falta do comparecimento de qualquer dos envolvidos, a Secretaria providenciará sua intimação e, se for o caso, a do responsável civil, na forma dos arts. 67 e 68 desta Lei. Arts. 370 a 372 do CPP. Art. 72 Na AUDIÊNCIA PRELIMINAR, presente o representante do Ministério Público, o autor do fato e a vítima e, se possível, o responsável civil, acompanhados por seus advogados, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não privativa de liberdade. Art. 73 A CONCILIAÇÃO será conduzida pelo Juiz ou por conciliador sob sua orientação. Parágrafo único. Os conciliadores são auxiliares da Justiça, recrutados, na forma da lei local, preferentemente entre bacharéis em Direito, excluídos os que exerçam funções na administração da Justiça Criminal. 77 Art. 74 A COMPOSIÇÃO DOS DANOS CIVIS será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente. Parágrafo único. Tratando-sede ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação. Art. 75 Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente ao ofendido a oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que será reduzida a termo. Parágrafo único. O não oferecimento da representação na audiência preliminar não implica decadência do direito, que poderá ser exercido no prazo previsto em lei. Art. 76 Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada , não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta. § 1º. Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até a metade. § 2º. Não se admitirá a proposta se ficar comprovado: I. ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva; II. ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de 5 anos, pela aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo; III. não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida. § 3º. Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação do Juiz. § 4º. Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de 5 anos. § 5º. Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a APELAÇÃO referida no art. 82 desta Lei. § 6º. A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível . TRANSAÇÃO PENAL A TRANSAÇÃO PENAL consiste em... Um acordo celebrado entre o Ministério Público (ou querelante, nos crimes de ação penal privada) e o autor do fato delituoso , por meio do qual é proposta a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas – antes de oferecer a denúncia (ou queixa-crime) –, evitando-se, assim, a instauração do processo. PRESSUPOSTOS de ADMISSIBILIDADE › Infração de menor potencial ofensivo: Para que seja cabível a transação penal, a infração penal deve ser tida como de menor potencial ofensivo, assim compreendidas as contravenções penais e crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa, submetidos ou não a procedimento especial, ressalvadas as hipóteses de violência doméstica e familiar contra a mulher. Súmula 536 do STJ: A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha. › Crimes de ação penal pública condicionada à representação, de ação penal pública incondicionada e de ação penal privada: PRAZO DECADENCIAL DE 6 MESES 78 Conforme ensina Renato Brasileiro, a interpretação literal do art. 76, caput, da Lei 9.099/95, pode levar à conclusão equivocada de que a proposta de transação penal só pode ser oferecida em relação aos crimes de ação penal pública incondicionada e condicionada à representação, já que o dispositivo refere-se apenas a tais delitos. Assim, pelo menos de acordo com o texto da lei, a transação penal não seria cabível em crimes de ação penal de iniciativa privada. Não é essa, todavia, a orientação que prevalece. Doutrina e jurisprudência entendem que não há fundamento razoável para não se admitir a transação penal em crimes de ação penal privada. › Não ser caso de arquivamento do termo circunstanciado: Se houver algum motivo que autorize o arquivamento do termo circunstanciado, a acusação não deverá propor transação penal e, se o fizer, o juiz não deverá homologá-la. Isso porque o caput do art. 76 da Lei 9.099/95 afirma claramente que a transação somente deverá ser oferecida se não for caso de arquivamento dos autos. Assim, por exemplo, se não houver indícios suficientes de autoria e prova da materialidade, a hipótese é de arquivamento, não devendo ser proposto o acordo. › Não ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de liberdade, por sentença definitiva (art. 76, § 2º, I): Renato Brasileiro destaca que o dispositivo faz referência apenas àquele que tem contra si sentença condenatória com trânsito em julgado à pena privativa de liberdade pela prática de crime. Portanto, anterior condenação à pena restritiva de diretos ou multa pela prática de crime, ou prévia condenação pela prática de contravenção, não são óbices à concessão da transação penal. › O autor do fato não pode ter sido beneficiado anteriormente, no prazo de 5 anos, com a transação penal (art. 76, § 2º, II). › Os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias do fato devem indicar que a transação penal é medida necessária e suficiente para o caso (art. 76, § 2º, III). COMPOSIÇÃO POR DANOS CIVIS X TRANSAÇÃO PENAL COMPOSIÇÃO POR DANOS CIVIS (art. 74 da Lei 9.099/95) TRANSAÇÃO PENAL (art. 76 da Lei 9.099/95) A sentença que homologa a composição por danos civis é irrecorrível (art. 74). A sentença que homologa a transação penal é recorrível (art. 76, § 5º). Na composição dos danos civis (art. 74), a sentença homologatória possui eficácia de título executivo judicial. Na transação penal (art. 76), a sentença homologatória não possui eficácia de título executivo judicial (em razão da ausência de título executivo, não gera execução na esfera cível). Seção III - Do Procedimento Sumaríssimo Art. 77 Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei (transação penal), o Ministério Público oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências imprescindíveis. Art. 129, I e VIII, da CF. Art. 100, caput e § 1º, do CP. Arts. 24, 27, 41 e 47 do CPP. 79 § 1º. Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente. Arts. 12, 39, § 5º, 158 e 564, III, b, do CPP. § 2º. Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes, na forma do parágrafo único do art. 66 desta Lei. § 3º. Na ação penal de iniciativa do ofendido poderá ser oferecida queixa oral, cabendo ao Juiz verificar se a complexidade e as circunstâncias do caso determinam a adoção das providências previstas no parágrafo único do art. 66 desta Lei. Arts. 30, 41, 44, 45 e 48 do CPP. Art. 78 Oferecida a denúncia ou queixa, será reduzida a termo, entregando-se cópia ao acusado, que com ela ficará citado e imediatamente cientificado da designação de dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, da qual também tomarão ciência o Ministério Público, o ofendido, o responsável civil e seus advogados. Art. 564, III, d e e, do CPP. § 1º. Se o acusado não estiver presente, será citado na forma dos arts. 66 e 68 desta Lei e cientificado da data da audiência de instrução e julgamento, devendo a ela trazer suas testemunhas ou apresentar requerimento para intimação, no mínimo 5 dias antes de sua realização. Arts. 202 a 225, 351, 352, 357 e 358 do CPP. § 2º. Não estando presentes o ofendido e o responsávelcivil, serão intimados nos termos do art. 67 desta Lei para comparecerem à audiência de instrução e julgamento. § 3º. As testemunhas arroladas serão intimadas na forma prevista no art. 67 desta Lei. Arts. 202 a 225 do CPP. Art. 79 No dia e hora designados para a audiência de instrução e julgamento, se na fase preliminar não tiver havido possibilidade de tentativa de conciliação e de oferecimento de proposta pelo Ministério Público, proceder-se-á nos termos dos arts. 72, 73, 74 e 75 desta Lei. Art. 80 NENHUM ATO SERÁ ADIADO, determinando o Juiz, quando imprescindível, a CONDUÇÃO COERCITIVA de quem deva comparecer. Art. 81 Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o Juiz receberá, ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos debates orais e à prolação da sentença. § 1º. TODAS AS PROVAS serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias. § 1º-A. Durante a audiência, todas as partes e demais sujeitos processuais presentes no ato deverão RESPEITAR A DIGNIDADE DA VÍTIMA, sob pena de responsabilização civil, penal e administrativa, cabendo ao juiz garantir o cumprimento do disposto neste artigo, vedadas: (Lei 14.245/21) I. a manifestação sobre circunstâncias ou elementos alheios aos fatos objeto de apuração nos autos; (Lei 14.245/21) II. a utilização de linguagem, de informações ou de material que ofendam a dignidade da vítima ou de testemunhas. (Lei 14.245/21) § 2º. De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença. § 3º. A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz. 80 Art. 82 Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá APELAÇÃO, que poderá ser julgada por turma composta de 3 Juízes em exercício no 1º grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado. § 1º. A APELAÇÃO será interposta no prazo de 10 dias, contados da ciência da sentença pelo Ministério Público, pelo réu e seu defensor, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do recorrente. § 2º. O recorrido será intimado para oferecer resposta escrita no prazo de 10 dias. § 3º. As partes poderão requerer a transcrição da gravação da fita magnética a que alude o § 3º do art. 65 desta Lei. § 4º. As partes serão intimadas da data da sessão de julgamento pela imprensa. § 5º. Se a sentença for confirmada pelos próprios fundamentos, a súmula do julgamento servirá de acórdão. APELAÇÃO - CPP X JECRIM CPP 5 dias (interposição) 8 dias (razões e contrarrazões) Lei 9.099/95 10 dias (prazo único para interposição e razões) JECRIM - MEIOS DE IMPUGNAÇÃO › Recurso de apelação (art. 82) › Embargos de declaração (art. 83) › Recurso extraordinário (Súmula 640 do STF) › Agravo de instrumento interposto da decisão que não admite recurso extraordinário (Súmula 727/STF) › Mandado de segurança (Súmula 376/STJ e Enunciado 62/Fonaje) › Habeas corpus (Enunciado 62/Fonaje) › Reclamação ao TJ (Resolução 3/2016 do STJ) › Revisão criminal JECRIM - RECURSO EXTRAORDINÁRIO E ESPECIAL RECURSO EXTRAORDINÁRIO RECURSO ESPECIAL Cabe contra decisões de Turma Recursal Não cabe contra decisões de Turma Recursal Súmula 640 do STF: É cabível recurso extraordinário contra decisão proferida por juiz de 1º grau nas causas de alçada, ou por turma recursal de juizado especial cível e criminal. Súmula 203 do STJ: Não cabe recurso especial contra decisão proferida por órgão de 2º grau dos Juizados Especiais. Art. 83 Cabem EMBARGOS DE DECLARAÇÃO quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição ou omissão. (Lei 13.105/15) § 1º. Os embargos de declaração serão opostos por escrito ou oralmente, no prazo de 5 dias, contados da ciência da decisão. § 2º. Os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição de recurso. (Lei 13.105/15) § 3º. Os erros materiais podem ser corrigidos de ofício. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - CPP X JECRIM CPP Ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão › 2 dias Lei 9.099/95 Obscuridade, contradição ou omissão › 5 dias 81 Seção IV - Da Execução Art. 84 Aplicada EXCLUSIVAMENTE PENA DE MULTA, seu cumprimento far-se-á mediante pagamento na Secretaria do Juizado. Parágrafo único. Efetuado o pagamento, o Juiz declarará extinta a punibilidade, determinando que a condenação não fique constando dos registros criminais, exceto para fins de requisição judicial. Art. 85 Não efetuado o pagamento de multa, será feita a conversão em pena privativa da liberdade, ou restritiva de direitos, nos termos previstos em lei. Art. 51 do CP. Art. 86 A execução das penas privativas de liberdade e restritivas de direitos, ou de multa cumulada com estas, será processada perante o órgão competente, nos termos da lei. Seção V - Das Despesas Processuais Art. 87 Nos casos de homologação do acordo civil e aplicação de pena restritiva de direitos ou multa (arts. 74 e 76, § 4º), as despesas processuais serão reduzidas, conforme dispuser lei estadual. Seção VI - Disposições Finais Art. 88 Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas . Art. 89 Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a 1 ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a SUSPENSÃO DO PROCESSO, por 2 a 4 anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal). § 1º. Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes CONDIÇÕES: I. reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo; II. proibição de frequentar determinados lugares; III. proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz; IV. comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas atividades. § 2º. O Juiz poderá especificar OUTRAS CONDIÇÕES a que fica subordinada a suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado. § 3º. A suspensão SERÁ REVOGADA se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano. § 4º. A suspensão PODERÁ SER REVOGADA se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta. § 5º. Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará EXTINTA A PUNIBILIDADE. § 6º. Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo . 82 § 7º. Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus ulteriores termos. DEIXA DE APLICAR SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO QUANDO * CONCURSO MATERIAL CONCURSO FORMAL CRIME CONTINUADO Se a soma das penas mínimas cominadas ultrapassar 1 ano Se a exasperação da pena na fração mínima ultrapassar 1 ano Se a exasperação da pena na fração mínima ultrapassar 1 ano Soma das penas mínimas Crime mais grave + Fração mínima de 1/6 Crime mais grave + Fração mínima: 1/6 * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Súmula 723 do STF: Não se admite a suspensão condicional do processo por crime continuado, se a soma da pena mínima da infração mais grave com o aumento mínimo de 1/6 for superior a 1 ano. Súmula 243 do STJ: O benefício da suspensãodo processo não é aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da majorante, ultrapassar o limite de 1 ano. Art. 90 As disposições desta Lei não se aplicam aos processos penais cuja instrução já estiver iniciada. O STF, no julgamento da ADIN 1.719-9 (DJU 03.08.2007), exclui da abrangência deste artigo as normas de direito penal mais favoráveis ao réu contidas nesta Lei. Art. 90-A As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar. (Lei 9.839/99) Art. 91 Nos casos em que esta Lei passa a exigir representação para a propositura da ação penal pública, o ofendido ou seu representante legal será intimado para oferecê-la no prazo de 30 dias, sob pena de DECADÊNCIA. Art. 103 do CP. Art. 38 do CPP. Art. 92 Aplicam-se subsidiariamente as disposições dos Códigos Penal e de Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA X SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO * SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (arts. 77 a 82 do CP e arts. 156 a 163 da LEP) SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO (art. 89 da Lei 9.099/95) Sursis penal Sursis processual Adotou o sistema franco-belga: réu é submetido a um período após ser reconhecida sua culpa. Adotou o sistema do probation of first offenders act: o réu é submetido a um período de prova antes de ser reconhecida a sua culpa. Há condenação e a pena é suspensa, se preenchidos os requisitos. Não há condenação. Suspende a ação penal nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a 1 ano. 83 A condenação poderá ser utilizada, futuramente, para caracterizar reincidência ou maus antecedentes. A ausência de condenação impede que o fato seja considerado, futuramente, para caracterizar reincidência ou maus antecedentes. Descumpridas as condições, o processo é retomado para execução da pena. Descumpridas as condições, o processo é retomado. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Na lição de Rogério Sanches, o "sursis" pode se fundamentar em 3 sistemas: ANGLO-AMERICANO (PROBATION SYSTEM): Caracterizado pela submissão do réu ao período de prova após o reconhecimento da sua responsabilidade penal, mas sem imposição de pena. Descumpridas as condições, o julgamento é retomado, determinando-se a pena privativa de liberdade a ser cumprida. Não foi contemplado em lugar algum do nosso ordenamento jurídico. PROBATION OF FIRST OFFENDERS ACT: Também de origem norte-americana, representa a suspensão prematura da ação penal, sem reconhecimento da responsabilidade do réu e com a imposição de condições que, não adimplidas, implicam no prosseguimento do processo até condenação e aplicação da sanção penal. Entre nós, o art. 89 da Lei 9.099/95 reconhece este sistema, ao criar a medida despenalizadora da suspensão condicional do processo. FRANCO-BELGA: Adotado pelo CP nos arts. 77 a 82. Nesse sistema, a ação penal segue o seu curso regular com a condenação e imposição da pena privativa de liberdade para, em momento imediatamente posterior, serem estabelecidas condições previstas em lei às quais deverá o condenado se submeter para alcançara extinção da sanção imposta. SISTEMAS DO SURSIS FRANCO-BELGA ANGLO-AMERICANO (Probation System) PROBATION OF FIRST OFFENDERS ACT O RÉU É PROCESSADO É RECONHECIDO CULPADO - EXISTE CONDENAÇÃO - - Suspende-se a execução da pena Suspende-se o processo evitando a imposição da pena Suspende-se o processo sem o reconhecimento da culpa SURSIS PENAL Arts. 77 a 82 do CP NÃO É ADOTADO PELO BRASIL SURSIS PROCESSUAL Art. 89 da Lei 9.099/95 Capítulo IV - Disposições Finais Comuns Art. 93 Lei Estadual disporá sobre o Sistema de Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua organização, composição e competência. Art. 94 Os serviços de cartório poderão ser prestados, e as audiências realizadas fora da sede da Comarca, em bairros ou cidades a ela pertencentes, ocupando instalações de prédios públicos, de acordo com audiências previamente anunciadas. Art. 95 Os Estados, DF e Territórios criarão e instalarão os Juizados Especiais no prazo de 6 meses, a contar da vigência desta Lei. 84 Parágrafo único. No prazo de 6 meses, contado da publicação desta Lei, serão criados e instalados os Juizados Especiais Itinerantes, que deverão dirimir, prioritariamente, os conflitos existentes nas áreas rurais ou nos locais de menor concentração populacional. (Lei 12.726/12) Art. 96 Esta Lei entra em vigor no prazo de 60 dias após a sua publicação. Art. 97 Ficam revogadas a Lei 4.611/65 e a Lei 7.244/84. 85 DL 3.688/41 - Lei das Contravenções Penais (LCP) Lei das Contravenções Penais. Atualizado até a Lei 14.197/21. 86 PARTE GERAL Aplicação das regras gerais do Código Penal Art. 1º Aplicam-se as contravenções às regras gerais do Código Penal, sempre que a presente lei não disponha de modo diverso. Art. 12 do CP. Arts. 312 e 313 do CPP. Territorialidade Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional. Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior destacam que: Esse dispositivo consagrou o princípio da territorialidade exclusiva em relação às contravenções. De acordo com ele, a Lei das Contravenções Penais só tem aplicação para os fatos contravencionais praticados dentro do território nacional. Veja-se que, com relação aos crimes, é possível a aplicação da lei brasileira a fatos cometidos no exterior, desde que presentes certos requisitos previstos no art. 7º do Código Penal. É a chamada extraterritorialidade da lei penal brasileira, que vigora apenas em relação aos crimes. Art. 20, VI, da CF. Arts. 5º e 12 do CP. Arts. 1º e 90 do CPP. Voluntariedade, dolo e culpa Art. 3º Para a existência da contravenção, basta a ação ou omissão voluntária . Deve-se, todavia, ter em conta o dolo ou a culpa, se a lei faz depender, de um ou de outra, qualquer efeito jurídico. Quanto aos crimes, a conduta é sempre dolosa ou culposa. No caso das contravenções, conforme o art. 3º da LCP, basta a ação ou a omissão voluntária, independentemente de dolo ou culpa. Por esse dispositivo, não se analisa a intenção do agente. Investiga-se, simplesmente, se ele realizou ou não a conduta. É a chamada voluntariedade. No entanto, o art. 3º da LCP faz uma ressalva, possibilitando exceções a tal regra, exigindo em uma ou outra contravenção a existência do dolo ou da culpa. Exemplos: os arts. 26, 29 (2ª parte), 30 e 31 (2ª parte) da exigem culpa; o art. 21 exige dolo. Tentativa Art. 4º NÃO É PUNÍVEL a TENTATIVA de contravenção. Art. 14, II, do CP. CRIMES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA CULPOSOS (exceto culpa imprópria) CONTRAVENÇÕES PENAIS (A tentativa até pode ocorrer, mas não é punível – art. 4º da LCP) HABITUAIS OMISSIVOS PRÓPRIOS UNISSUBSISTENTES PRETERDOLOSOS ATENTADO / EMPREENDIMENTO (A tentativa já é punida com a pena do crime consumado, pois ela está descrita no tipo penal) PRINCÍPIO DA ESPECALIDADE 87 Penas principais Art. 5º As penas principais são: I. PRISÃO SIMPLES. II. MULTA. Arts. 33 a 42 do CP. Arts. 49 a 52, 58 e 60 do CP. A pena de prisão simples prevista para as contravenções deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em cadeia pública, no regime semiaberto ou aberto (a espécie de regime dependerá da pena aplicada e de eventual reincidência). O preso ficará sempre separado dos condenados a penas de reclusão ou detenção (art. 6º, § 1º). Prisão simples Art. 6º A pena de PRISÃO SIMPLES deve ser cumprida, sem rigor penitenciário, em estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime semiaberto ou aberto. (Lei 6.416/77) § 1º. O condenado a pena de prisãosimples fica sempre separado dos condenados a pena de reclusão ou de detenção. § 2º. O trabalho é facultativo, se a pena aplicada, não excede a 15 dias. Reincidência Art. 7º Verifica-se a REINCIDÊNCIA quando o agente pratica uma contravenção depois de passar em julgado a sentença que o tenha condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de contravenção. Arts. 63 e 64 do CP. REINCIDÊNCIA Infração penal ANTERIOR Infração penal POSTERIOR RESULTADO CRIME (Brasil ou estrangeiro) CRIME REINCIDENTE (Art. 63 do CP) CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE (Art. 7º da LCP) CONTRAVENÇÃO (Brasil) CONTRAVENÇÃO CRIME NÃO REINCIDENTE CONTRAVENÇÃO (Estrangeiro) CRIME CONTRAVENÇÃO Erro de direito Art. 8º No caso de ignorância ou de errada compreensão da lei, quando escusáveis, a pena pode deixar de ser aplicada. Arts. 21 e 65, II, do CP. 88 Conversão da multa em prisão simples Art. 9º A multa converte-se em prisão simples, de acordo com o que dispõe o Código Penal sobre a conversão de multa em detenção. Art. 51 do CP. Parágrafo único. Se a multa é a única pena cominada, a conversão em prisão simples se faz entre os limites de 15 dias e 3 meses. Limites das penas Art. 10 A duração da pena de prisão simples não pode, em caso algum, ser superior a 5 anos, nem a importância das multas ultrapassar cinquenta contos. Arts. 49, § 1º, 60, § 1º, e 75 do CP. Suspensão condicional da pena de prisão simples Art. 11 Desde que reunidas as condições legais, o juiz pode suspender por tempo não inferior a 1 ano nem superior a 3, a execução da pena de prisão simples, bem como conceder livramento condicional. (Lei 6.416/77) SURSIS - PRAZOS DO PERÍODO DE PROVA Código Penal › Sursis simples/especial: 2 a 4 anos (art. 77, caput) › Sursis etário/humanitário: 4 a 6 anos (art. 77, § 2°) LEP (DL 3.688/41) › 1 a 3 anos (art. 11) Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) › 2 a 4 anos (art. 16) * * A lei de crimes ambientais não estipulou o prazo do período de prova, razão pela qual aplica-se o prazo do sursis comum do CP. Lei de Segurança Nacional (Lei 7.170/83) › 2 a 6 anos (art. 5°) Arts. 77 a 90 do CP. Arts. 131 a 146 e 156 a 163 da Lei 7.210/1984 (LEP). Penas acessórias Art. 12 As penas acessórias são a publicação da sentença e as seguintes interdições de direitos: I. a incapacidade temporária para profissão ou atividade, cujo exercício dependa de habilitação especial, licença ou autorização do poder público; II. a suspensão dos direitos políticos. Parágrafo único. Incorrem: a. na interdição sob nº I, por 1 mês a 2 anos, o condenado por motivo de contravenção cometida com abuso de profissão ou atividade ou com infração de dever a ela inerente; b. na interdição sob nº II, o condenado a pena privativa de liberdade, enquanto dure a execução do pena ou a aplicação da medida de segurança detentiva. Medidas de segurança Art. 13 Aplicam-se, por motivo de contravenção, os medidas de segurança estabelecidas no Código Penal, à exceção do exílio local. Arts. 96 a 99 do CP. Arts. 171 a 179 da 7.210/1984 (LEP). NÃO PODE CONVERTER MULTA EM PRISÃO SIMPLES 89 Presunção de periculosidade Art. 14 Presumem-se perigosos, além dos indivíduos a que se referem os ns. I e II do art. 78 do Código Penal: I. o condenado por motivo de contravenção cometido, em estado de embriaguez pelo álcool ou substância de efeitos análogos, quando habitual a embriaguez; II. o condenado por vadiagem ou mendicância; III e IV. (REVOGADOS pela Lei 6.416/77) O mencionado art. 78 (sem correspondência no texto atual) faz referência à antiga Parte Geral do CP, revogada pela Lei 7.209/1984. Internação em colônia agrícola ou em instituto de trabalho, de reeducação ou de ensino profissional Art. 15 São internados em colônia agrícola ou em instituto de trabalho, de reeducação ou de ensino profissional, pelo prazo mínimo de 1 ano: I. o condenado por vadiagem (art. 59); II. o condenado por mendicância (art. 60 e seu parágrafo); III. (REVOGADO pela Lei 6.416/77) Internação em manicômio judiciário ou em casa de custódia e tratamento Art. 16 O prazo mínimo de duração da internação em manicômio judiciário ou em casa de custódia e tratamento é de 6 meses. Art. 97 do CP. Arts. 99 a 101 e 175 a 179 da Lei 7.210/1984 (LEP). Parágrafo único. O juiz, entretanto, pode, ao invés de decretar a internação, submeter o indivíduo a liberdade vigiada. Art. 98 do CP. Ação penal Art. 17 A AÇÃO PENAL É PÚBLICA, devendo a autoridade proceder de ofício. Arts. 98, I, 109, IV, e 129, I, da CF. Arts. 4º a 23 do CPP. Arts. 60 a 92, da Lei 9.099/1995 (Juizados Especiais Cíveis e Criminais). SÚMULAS SOBRE CONTRAVENÇÃO Súmula 38 do STJ: Compete a Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades. › Márcio Cavalcante destaca que que existe uma exceção na qual a Justiça Federal julgaria contravenção penal. Trata-se da hipótese de contravenção penal praticada por pessoa com foro privativo no TRF. Seria o caso, por exemplo, de contravenção penal cometida por Juiz Federal ou Procurador da República. Em tais situações, o julgamento ocorreria no TRF (e não na Justiça Estadual). É a posição, dentre outros, de Renato Brasileiro de Lima. Súmula 720 do STF: O art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro, que reclama decorra do fato perigo de dano, derrogou o art. 32 da Lei das Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres. Súmula 51 do STJ: A punição do intermediador, no jogo do bicho, independe da identificação do "apostador" ou do "banqueiro". INCONDICIONADA 90 CRIME X CONTRAVENÇÃO CRIME (delito) CONTRAVENÇÃO (crime anão, crime vagabundo ou delito liliputiano) Tipo pena privativa de liberdade RECLUSÃO, DETENÇÃO e/ou multa PRISÃO SIMPLES e/ou multa Espécie de Ação Penal Ação penal privada e ação penal pública (incondicionada e condicionada) Ação penal pública incondicionada Elemento Subjetivo DOLO ou CULPA (art. 18 do CP) VOLUNTARIEDADE (art. 3º da LCP) Tentativa PUNE NÃO PUNE Extraterritorialidade ADMITE NÃO ADMITE Competência Justiça Estadual e Justiça Federal Justiça Estadual, salvo foro por prerrogativa de função federal Limite de cumprimento de pena 40 anos 5 anos Período de prova do Sursis 2 a 4 anos ou 4 a 6 anos 1 a 3 anos Prisão preventiva CABE NÃO CABE Confisco Instrumentos de crime podem ser confiscados Instrumentos de contravenção não podem ser confiscados 91 PARTE ESPECIAL Capítulo I - Das Contravenções Referentes à Pessoa Fabrico, comércio, ou detenção de armas ou munição Art. 18 Fabricar, importar, exportar, ter em depósito ou vender, sem permissão da autoridade, arma ou munição: Pena: prisão simples, de 3 meses a 1 ano, ou multa, de um a cinco contos de réis, ou ambas cumulativamente, se o fato não constitui crime contra a ordem política ou social. Quanto às armas de fogo e às munições, o fabrico, o comércio, a importação ou exportação e a detenção passaram a constituir crime, previsto na Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). O art. 18 da LCP só continua a aplicar-se para as armas brancas – faca, punhal, soco inglês, espada etc. Art. 8º, VII, da CF. Arts. 91, II, a, 253 e 334 do CP. Art. 242 da Lei 8.069/1990 (ECA). Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). Porte de arma Art. 19 Trazer consigo arma fora de casa ou de dependência desta, sem licença da autoridade: Pena: prisão simples, de 15 dias a 6 meses, ou multa, de duzentos mil réis a três contos de réis, ou ambas cumulativamente. Art. 28 deste Decreto-lei. Arts. 91, II, a, e 150, §§ 4º e 5º, do CP. Art. 12 da Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). § 1º. A pena é aumentada de 1/3 até metade, se o agente já foi condenado, em sentença irrecorrível, por violência contra pessoa. § 2º. Incorre na pena de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis, quem, possuindo arma ou munição: a. deixa de fazer comunicação ou entrega à autoridade, quando a lei o determina; b. permite que alienado menor de 18 anos ou pessoa inexperiente no manejo de arma a tenha consigo; c. omite as cautelas necessárias para impedir que dela se apodere facilmente alienado, menor de 18 anos ou pessoa inexperiente em manejá-la. O porte de arma branca é conduta que permanece típica na Lei das Contravenções Penais. A previsão do art. 19 da Lei das Contravenções Penais continua válida ainda hoje? › Em relação à arma de fogo: NÃO. O porte ilegal de arma de fogo caracteriza, atualmente, o crime previsto nos arts. 14 ou 16 do Estatuto do Desarmamento. › Em relação à branca: SIM. O art. 19 do Decreto-lei nº 3.688/41 permanece vigente quanto ao porte de outros artefatos letais, como as armas brancas. A jurisprudência do STJ é firme no sentido da possibilidade de tipificação da conduta de porte de arma branca como contravenção prevista no art. 19 do DL 3.688/41, não havendo que se falar em violação ao princípio da intervenção mínima ou da legalidade. STJ. 5ª Turma. RHC 56.128-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 10/03/2020 (Info 668) Anúncio de meio abortivo ou anticoncepcional Art. 20 Anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto: (Lei 6.734/79) Pena: multa de mil cruzeiros a dez mil cruzeiros. (Lei 6.734/79) 92 Conforme ensinam Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior: A conduta punida é anunciar, que significa divulgar, tornar público, por meio de cartazes, panfletos, faixas, anúncios em jornal ou revistas, alto-falantes etc. Meio abortivo é aquele capaz de interromper a gravidez pela provocação da morte do produto da concepção. É preciso que o agente queira que o anúncio chegue a número indeterminado de pessoas. Narrar um método abortivo a pessoa determinada não constitui infração penal, podendo, contudo, configurar participação em crime de aborto se a destinatária da informação pretende fazer uso de referido meio para interromper uma gestação e o agente sabe disso. Arts. 124 a 128 do CP. Art. 68 do CDC. Vias de fato Art. 21 Praticar vias de fato contra alguém: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis, se o fato não constitui crime. Arts. 61 e 62 deste Decreto-lei. Art. 140, § 2º, do CP. Parágrafo único. Aumenta-se a pena de 1/3 até a metade se a vítima é maior de 60 anos. (Lei 10.741/03) Internação irregular em estabelecimento psiquiátrico Art. 22 Receber em estabelecimento psiquiátrico, e nele internar, sem as formalidades legais, pessoa apresentada como doente mental: Pena: multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Art. 148, II, do CP. Arts. 27 a 32 do Dec.-lei 891/1938 (Fiscalização de Entorpecentes). § 1º. Aplica-se a mesma pena a quem deixa de comunicar a autoridade competente, no prazo legal, internação que tenha admitido, por motivo de urgência, sem as formalidades legais. § 2º. Incorre na pena de prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa de quinhentos mil réis a cinco contos de réis, aquele que, sem observar as prescrições legais, deixa retirar-se ou despede de estabelecimento psiquiátrico pessoa nele, internada. Indevida custódia de doente mental Art. 23 Receber e ter sob custódia doente mental, fora do caso previsto no artigo anterior, sem autorização de quem de direito: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Capítulo II - Das Contravenções Referentes ao Patrimônio Instrumento de emprego usual na prática de furto Art. 24 Fabricar, ceder ou vender gazua ou instrumento empregado usualmente na prática de crime de furto: Pena: prisão simples, de 6 meses a 2 anos, e multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Arts. 91, II, a, e 155 do CP. 93 Posse não justificada de instrumento de emprego usual na prática de furto Art. 25 Ter alguém em seu poder, depois de condenado, por crime de furto ou roubo, ou enquanto sujeito à liberdade vigiada ou quando conhecido como vadio ou mendigo, gazuas, chaves falsas ou alteradas ou instrumentos empregados usualmente na prática de crime de furto, desde que não prove destinação legítima: Pena: prisão simples, de 2 meses a 1 ano, e multa de duzentos mil réis a dois contos de réis. O art. 25 da Lei de Contravenções Penais não foi recepcionado pela CF/88 por violar os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da isonomia. STF. Plenário. RE 583523/RS e RE 755565/RS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 03/10/2013 (Info 722) Arts. 83 a 90, 155, § 4º, III, e 157 do CP. Arts. 321 a 350 do CPP. Arts. 131 a 146 da Lei 7.210/1984 (LEP). Violação de lugar ou objeto Art. 26 Abrir alguém, no exercício de profissão de serralheiro ou oficio análogo, a pedido ou por incumbência de pessoa de cuja legitimidade não se tenha certificado previamente, fechadura ou qualquer outro aparelho destinado à defesa de lugar nu objeto: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de duzentos mil réis a um conto de réis. Art. 20, § 3º, do CP. Exploração da credulidade pública Art. 27 (REVOGADO pela Lei 9.521/97) Capítulo III - Das Contravenções Referentes à Incolumidade Pública Disparo de arma de fogo Art. 28 Disparar arma de fogo em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela: Pena: prisão simples, de 1 a 6 meses, ou multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Art. 132 do CP. Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento). Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de 15 dias a 2 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, quem, em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, sem licença da autoridade, causa deflagração perigosa, queima fogo de artifício ou solta balão aceso. Arts. 250 e 251, § 1º, do CP. Art. 42 da Lei 9.605/1998 (Crimes Ambientais). Desabamento de construção Art. 29 Provocar o desabamento de construção ou, por erro no projeto ou na execução, dar-lhe causa: Pena: multa, de um a dez contos de réis, se o fato não constitui crime contra a incolumidade pública. Art. 256 do CP. 94 Perigo de desabamento Art. 30 Omitir alguém a providência reclamada pelo Estado ruinoso de construção que lhe pertence ou cuja conservação lhe incumbe: Pena: multa, de um a cinco contos de réis. Art. 256 do CP. Omissão de cautela na guarda ou condução de animais Art. 31 Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso: Pena: prisão simples, de 10 dias a 2 meses, ou multa, de cem mil réis a um conto de réis. Segundo Victor Eduardo Rios, cuida-se de contravenção de perigo abstrato, não sendo necessário que alguém seja efetivamente exposto à situação de perigo, pois a Lei o presume com a realização das condutas do tipo. Assim, existe a contravenção mesmo que o animal perigoso não tenha investido contra alguém. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: a. na via pública, abandona animal de tiro, carga ou corrida, ou o confia à pessoa inexperiente; b. excita ou irrita animal, expondo a perigo a segurança alheia; c. conduz animal, na via pública, pondo em perigo a segurança alheia. PERIGO ABSTRATO X PERIGO CONCRETO PERIGO ABSTRATO Art. 31, caput, e parágrafo único, a Consuma-se no momento da conduta típica, independentemente de qualquer outro resultado. PERIGO CONCRETO Art. 31, parágrafo único, b e c Consuma-se no instante em que é produzida situaçãode risco a pessoa determinada. Falta de habilitação para dirigir veículo Art. 32 Dirigir, sem a devida habilitação, veículo na via pública, ou embarcação a motor em águas públicas: Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Súmula 720 do STF: O art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro, que reclama decorra do fato perigo de dano, derrogou o art. 32 da Lei das Contravenções Penais no tocante à direção sem habilitação em vias terrestres. Art. 47, III, do CP. Arts. 162, 244, 298, 302, par. ún., I, e 309 do CTB. Direção não licenciada de aeronave Art. 33 Dirigir aeronave sem estar devidamente licenciado: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Direção perigosa de veículo na via pública Art. 34 Dirigir veículos na via pública, ou embarcações em águas públicas, pondo em perigo a segurança alheia: 95 Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de trezentos mil réis a dois contos de réis. Art. 132 do CP. Arts. 162 e 306 do CTB. Abuso na prática da aviação Art. 35 Entregar-se na prática da aviação, a acrobacias ou a voos baixos, fora da zona em que a lei o permite, ou fazer descer a aeronave fora dos lugares destinados a esse fim: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Sinais de perigo Art. 36 Deixar do colocar na via pública, sinal ou obstáculo, determinado em lei ou pela autoridade e destinado a evitar perigo a transeuntes: Pena: prisão simples, de 10 dias a 2 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 257 do CP. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: a. apaga sinal luminoso, destrói ou remove sinal de outra natureza ou obstáculo destinado a evitar perigo a transeuntes; Art. 262 do CP. b. remove qualquer outro sinal de serviço público. Art. 265 do CP. Arremesso ou colocação perigosa Art. 37 Arremessar ou derramar em via pública, ou em lugar de uso comum, ou do uso alheio, coisa que possa ofender, sujar ou molestar alguém: Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 264 do CP. Parágrafo único. Na mesma pena incorre aquele que, sem as devidas cautelas, coloca ou deixa suspensa coisa que, caindo em via pública ou em lugar de uso comum ou de uso alheio, possa ofender, sujar ou molestar alguém. Emissão de fumaça, vapor ou gás Art. 38 Provocar, abusivamente, emissão de fumaça, vapor ou gás, que possa ofender ou molestar alguém: Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 252 e 253 do CP. Art. 231, III, do CTB. Art. 54 da Lei 9.605/1998 (Crimes Ambientais). Capítulo IV - Das Contravenções Referentes à Paz Pública Associação secreta Art. 39 (REVOGADO pela Lei 14.197/21) 96 Provocação de tumulto. Conduta inconveniente Art. 40 Provocar tumulto ou portar-se de modo inconveniente ou desrespeitoso, em solenidade ou ato oficial, em assembleia ou espetáculo público, se o fato não constitui infração penal mais grave; Pena: prisão simples, de 15 dias a 6 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 138 a 145, 208 a 212, 233 e 234 do CP. Arts. 293, 296 e 297 do CE. Falso alarma Art. 41 Provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto: Pena: prisão simples, de 15 dias a 6 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 340 do CP. Perturbação do trabalho ou do sossego alheios Art. 42 Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios: I. com gritaria ou algazarra; II. exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; III. abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; IV. provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Capítulo V - Das Contravenções Referentes à Fé Pública Recusa de moeda de curso legal Art. 43 Recusar-se a receber, pelo seu valor, moeda de curso legal no país: Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 289 a 291 do CP. Imitação de moeda para propaganda Art. 44 Usar, como propaganda, de impresso ou objeto que pessoa inexperiente ou rústica possa confundir com moeda: Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Art. 13 da Lei 4.511/1964 (Meio circulante). Arts. 67 e 68 do CDC. Simulação da qualidade de funcionário Art. 45 Fingir-se funcionário público: Pena: prisão simples, de 1 a 3 meses, ou multa, de quinhentos mil réis a três contos de réis. Arts. 307, 324 e 328 do CP. Na lição de Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior, a contravenção do art. 45 admite qualquer modo de execução, como palavras, gestos, escritos etc. O crime em estudo é nitidamente subsidiário, cedendo espaço quando o fato constituir EX: HINO NACIONAL 97 infração penal mais grave. A motivação do agente, por exemplo, pode alterar o enquadramento penal. Na contravenção, em regra, ele atua por vaidade ou para obter pequenas vantagens morais. Se a intenção do agente, ao se passar por funcionário público, é a de obter vantagem indevida ou causar prejuízo a outrem, incorre no crime de falsa identidade do art. 307 do Código Penal. Ex.: ao ser parado por policial rodoviário por excesso de velocidade, o sujeito mente que é promotor de justiça e diz que está atrasado para uma audiência, a fim de que o policial não lavre a multa. Se o agente se limita a se passar por funcionário público, sem assumir espe cificamente a função de qualquer funcionário e sem praticar atos inerentes ao cargo, responde pela contravenção. Se vai além, chegando a realizar atos próprios e exclusivos da função pública, comete crime de usurpação de função pública, previsto no art. 328 do Código Penal. Pratica o crime, por exemplo, quem, passando-se por policial de trânsito, começa a parar veículos em via pública e revistar os automóveis e as pessoas. SIMULAÇÃO DA QUALIDADE DE FUNCIONÁRIO (LCP) E USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA (CP) CONTRAVENÇÃO PENAL da simulação da qualidade de funcionário (art. 45 da LCP) USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA (art. 328 do CP) Fingir-se funcionário público: Pena: Prisão simples, de 1 a 3 meses, OU multa Usurpar o exercício de função pública: Pena: Detenção, de 3 meses a 2 anos, E multa - Se do fato o agente aufere vantagem: Pena: Reclusão, de 2 a 5 anos, E multa. Uso ilegítimo de uniforme ou distintivo Art. 46 Usar, publicamente, de uniforme, ou distintivo de função pública que não exerce; usar, indevidamente, de sinal, distintivo ou denominação cujo emprego seja regulado por lei. (DL 6.916/44) Pena: multa, de duzentos a dois mil cruzeiros, se o fato não constitui infração penal mais grave. (DL 6.916/44) Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior destacam que: São punidas duas condutas típicas. Na primeira, o sujeito faz uso de uniforme ou distintivo de função que não exerce. É necessário que o fato ocorra em público, conforme exige o tipo penal. O uso de uniforme em recinto privado e não acessível ao público constitui irrelevante penal. Na segunda, o agente exerce a função, mas só pode utilizar o distintivo, sinal ou denominação nas hipóteses admitidas na legislação, cometendo a contravenção por fazer o uso fora das hipóteses permitidas (uso indevido). Nessa modalidade, cuida-se de norma penal em branco. Capítulo VI - Das Contravenções Relativas à Organização do Trabalho Exercício ilegal de profissão ou atividade Art. 47 Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Art. 282 do CP. 98Exercício ilegal do comércio de coisas antigas e obras de arte Art. 48 Exercer, sem observância das prescrições legais, comércio de antiguidades, de obras de arte, ou de manuscritos e livros antigos ou raros: Pena: prisão simples, de 1 a 6 meses, ou multa, de um a dez contos de réis. Matrícula ou escrituração de indústria e profissão Art. 49 Infringir determinação legal relativa à matrícula ou à escrituração de indústria, de comércio, ou de outra atividade: Pena: multa, de duzentos mil réis a cinco contos de réis. Arts. 197 a 207 do CP. Arts. 183 a 195 da Lei 9.279/1996 (Propriedade Industrial). Capítulo VII - Das Contravenções Relativas à Polícia de Costumes Jogo de azar Art. 50 Estabelecer ou explorar jogo de azar em lugar público ou acessível ao público, mediante o pagamento de entrada ou sem ele: Pena: prisão simples, de 3 meses a 1 ano, e multa, de dois a quinze contos de réis, estendendo- se os efeitos da condenação à perda dos moveis e objetos de decoração do local. Arts. 91, II, b, e 174 do CP. Art. 1º do Dec.-lei 9.215/1946 (Proibição dos jogos de azar). Arts. 59 a 81 da Lei 9.615/1998 (Desporto). § 1º. A pena é aumentada de 1/3, se existe entre os empregados ou participa do jogo pessoa menor de 18 anos. § 2º. Incorre na pena de multa, de R$ 2 mil a R$ 200 mil, quem é encontrado a participar do jogo, ainda que pela internet ou por qualquer outro meio de comunicação, como ponteiro ou apostador. (Lei 13.155/15) § 3º. Consideram-se, jogos de azar: a. o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte; b. as apostas sobre corrida de cavalos fora de hipódromo ou de local onde sejam autorizadas; c. as apostas sobre qualquer outra competição esportiva. § 4º. Equiparam-se, para os efeitos penais, a lugar acessível ao público: a. a casa particular em que se realizam jogos de azar, quando deles habitualmente participam pessoas que não sejam da família de quem a ocupa; b. o hotel ou casa de habitação coletiva, a cujos hóspedes e moradores se proporciona jogo de azar; c. a sede ou dependência de sociedade ou associação, em que se realiza jogo de azar; d. o estabelecimento destinado à exploração de jogo de azar, ainda que se dissimule esse destino. Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior destacam que a jurisprudência tem exigido a reiteração de atos (habitualidade). Quanto aos apostadores, não se exige habitualidade, configurando-se a contravenção sempre que for flagrado jogando mediante apostas. Loteria não autorizada Art. 51 Promover ou fazer extrair loteria, sem autorização legal: 99 Pena: prisão simples, de 6 meses a 2 anos, e multa, de cinco a dez contos de réis, estendendo- se os efeitos da condenação à perda dos moveis existentes no local. Arts. 45 e 51 do Dec.-lei 6.259/1944 (Serviço de Loterias). Art. 1º do Dec.-lei 204/1967 (Exploração de Loterias). Dec.-lei 594/1969 (Loteria Esportiva Federal). Dec. 66.118/1970 (Regulamenta a Loteria Esportiva Federal). Dec. 68.702/1971 (Regulamenta a Loteria Esportiva Federal). § 1º. Incorre na mesma pena quem guarda, vende ou expõe à venda, tem sob sua guarda para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação bilhete de loteria não autorizada. § 2º. Considera-se loteria toda operação que, mediante a distribuição de bilhete, listas, cupões, vales, sinais, símbolos ou meios análogos, faz depender de sorteio a obtenção de prêmio em dinheiro ou bens de outra natureza. § 3º. Não se compreendem na definição do parágrafo anterior os sorteios autorizados na legislação especial. Loteria estrangeira Art. 52 Introduzir, no país, para o fim de comércio, bilhete de loteria, rifa ou tômbola estrangeiras: Pena: prisão simples, de 4 meses a 1 ano, e multa, de um a cinco contos de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob sua guarda. para o fim de venda, introduz ou tenta introduzir na circulação, bilhete de loteria estrangeira. Loteria estadual Art. 53 Introduzir, para o fim de comércio, bilhete de loteria estadual em território onde não possa legalmente circular: Pena: prisão simples, de 2 a 6 meses, e multa, de um a três contos de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende, expõe à venda, tem sob sua guarda, para o fim de venda, introduz ou tonta introduzir na circulação, bilhete de loteria estadual, em território onde não possa legalmente circular. Exibição ou guarda de lista de sorteio Art. 54 Exibir ou ter sob sua guarda lista de sorteio de loteria estrangeira: Pena: prisão simples, de 1 a 3 meses, e multa, de duzentos mil réis a um conto de réis. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem exibe ou tem sob sua guarda lista de sorteio de loteria estadual, em território onde esta não possa legalmente circular. Impressão de bilhetes, lista ou anúncios Art. 55 Imprimir ou executar qualquer serviço de feitura de bilhetes, lista de sorteio, avisos ou cartazes relativos a loteria, em lugar onde ela não possa legalmente circular: Pena: prisão simples, de 1 a 6 meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Distribuição ou transporte de listas ou avisos Art. 56 Distribuir ou transportar cartazes, listas de sorteio ou avisos de loteria, onde ela não possa legalmente circular: Pena: prisão simples, de 1 a 3 meses, e multa, de cem a quinhentos mil réis. 100 Publicidade de sorteio Art. 57 Divulgar, por meio de jornal ou outro impresso, de rádio, cinema, ou qualquer outra forma, ainda que disfarçadamente, anúncio, aviso ou resultado de extração de loteria, onde a circulação dos seus bilhetes não seria legal: Pena: multa, de um a dez contos de réis. Jogo do bicho Art. 58 Explorar ou realizar a loteria denominada jogo do bicho, ou praticar qualquer ato relativo à sua realização ou exploração: Pena: prisão simples, de 4 meses a 1 ano, e multa, de dois a vinte contos de réis. Parágrafo único. Incorre na pena de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, aquele que participa da loteria, visando a obtenção de prêmio, para si ou para terceiro. Súmula 51 do STJ: A punição do intermediador, no jogo do bicho, independe da identificação do "apostador" ou do "banqueiro". Vadiagem Art. 59 Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses. Arts. 313, II, e 323, II e IV, do CPP. Parágrafo único. A aquisição superveniente de renda, que assegure ao condenado meios bastantes de subsistência, extingue a pena. Art. 107 do CP. Mendicância Art. 60 (REVOGADO pela Lei 11.983/09) Importunação ofensiva ao pudor Art. 61 (REVOGADO pela Lei 13.718/18) Embriaguez Art. 62 Apresentar-se publicamente em estado de embriaguez, de modo que cause escândalo ou ponha em perigo a segurança própria ou alheia: Pena: prisão simples, de 15 dias a 3 meses, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 40 e 63 deste Decreto-lei. Arts. 28, II, e 61, II, l, e 132 do CP. Parágrafo único. Se habitual a embriaguez, o contraventor é internado em casa de custódia e tratamento. Bebidas alcoólicas Art. 63 Servir bebidas alcoólicas: I. (REVOGADO pela Lei 13.106/15) 101 II. a quem se acha em estado de embriaguez; III. a pessoa que o agente sabe sofrer das faculdades mentais; IV. a pessoa que o agente sabe estar judicialmente proibida de frequentar lugares onde se consome bebida de tal natureza: Pena: prisão simples, de 2 meses a 1 ano, ou multa, de quinhentos mil réis a cinco contos de réis. Crueldade contra animais Art. 64 Tratar animal com crueldade ou submetê-lo a trabalho excessivo: Pena: prisão simples, de 10 dias a 1 mês, ou multa, de cem a quinhentos mil réis. Arts. 31 e 42 do CP. Art. 32 da Lei 9.605/1998 (CrimesAmbientais). § 1º. Na mesma pena incorre aquele que, embora para fins didáticos ou científicos, realiza em lugar público ou exposto ao público, experiência dolorosa ou cruel em animal vivo. § 2º. Aplica-se a pena com aumento de metade, se o animal é submetido a trabalho excessivo ou tratado com crueldade, em exibição ou espetáculo público. Essa contravenção penal foi revogada pelo art. 32 da Lei 9.605/98 (Lei de Proteção ao Meio Ambiente), que transformou as condutas em crime. Tal dispositivo prevê pena de detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa, para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Perturbação da tranquilidade Art. 65 (REVOGADO pela Lei 14.132/21) Capítulo VIII - Das Contravenções Referentes à Administração Pública Omissão de comunicação de crime Art. 66 Deixar de comunicar à autoridade competente: I. crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II. crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena: multa, de trezentos mil réis a três contos de réis. Inumação ou exumação de cadáver Art. 67 Inumar ou exumar cadáver, com infração das disposições legais: Pena: prisão simples, de 1 mês a 1 ano, ou multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 210 a 212 do CP. Recusa de dados sobre própria identidade ou qualificação Art. 68 Recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência : Pena: multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis. Arts. 299, 307, 330 e 331 do CP. INCONDICIONADA INCONDICIONADA enterrar desenterrar 102 Parágrafo único. Incorre na pena de prisão simples, de 1 a 6 meses, e multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis, se o fato não constitui infração penal mais grave, quem, nas mesmas circunstâncias, faz declarações inverídicas a respeito de sua identidade pessoal, estado, profissão, domicílio e residência. Proibição de atividade remunerada a estrangeiro Art. 69 (REVOGADO pela Lei 6.815/80) Violação do privilégio postal da união Art. 70 Praticar qualquer ato que importe violação do monopólio postal da União: Pena: prisão simples, de 3 meses a 1 ano, ou multa, de três a dez contos de réis, ou ambas cumulativamente. Este artigo foi revogado pela Lei 6.538/78, que em seu art. 42 passou a considerar crime a referida conduta. DISPOSIÇÕES FINAIS Art. 71 Ressalvada a legislação especial sobre florestas, caça e pesca, revogam-se as disposições em contrário. Lei 5.197/1967 (Proteção à Fauna). Lei 9.605/1998 (Crimes Ambientais). Dec.-lei 221/1967 (Proteção e Estímulos à Pesca). Lei 12.651/2012 (Código Florestal). Art. 72 Esta lei entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 1942. 103 LEI 12.850/13 - Organização Criminosa Define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal; altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); revoga a Lei nº 9.034, de 3 de maio de 1995; e dá outras providências. Atualizada até a Lei 13.964/19. 104 Capítulo I - Da Organização Criminosa Art. 1º Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado. § 1º. Considera-se ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA a associação de 4 ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos, ou que sejam de caráter transnacional. § 2º. Esta Lei se aplica também: I. às infrações penais previstas em tratado ou convenção internacional quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; II. às organizações terroristas, entendidas como aquelas voltadas para a prática dos atos de terrorismo legalmente definidos. (Lei 13.260/16) ASSOCIAÇÃO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (Art. 288 do CP) ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA (Art. 1°, § 1º, da Lei 12.850/13) Associação de 3 ou mais pessoas Associação de 4 ou mais pessoas Estabilidade e permanência Estabilidade e permanência Dispensa estrutura ordenada e divisão de tarefas Pressupõe estrutura ordenada e divisão de tarefas, ainda que informalmente Destina-se à prática de crimes, independentemente da pena cominada Destina-se à prática de infrações penais (crime ou contravenção), cuja pena máxima é superior a 4 anos ou que tenha caráter transnacional Exige o especial de fim de agir de cometer crimes Exige o especial fim de agir de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza Reclusão, de 1 a 3 anos Reclusão, de 3 a 8 anos ADMITE SURSIS PROCESSUAL NÃO ADMITE SURSIS PROCESSUAL Art. 2º Promover, constituir, financiar ou integrar, PESSOALMENTE OU POR INTERPOSTA PESSOA, organização criminosa: Pena: reclusão, de 3 a 8 anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas. § 1º. Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embaraça a investigação de infração penal que envolva organização criminosa. Crime de embaraçar investigação previsto na Lei do Crime Organizado não é restrito à fase do inquérito. Quando o art. 2º, § 1º fala em “investigação”, ele está se limitando à fase pré-processual ou abrange também a ação penal? Se o agente embaraça o processo penal, ele também comete este delito? SIM. A tese de que a investigação criminal descrita no art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013 limita-se à fase do inquérito não foi aceita pelo STJ. Isso porque as investigações se prolongam durante toda a persecução criminal, que abarca tanto o inquérito policial quanto a ação penal deflagrada pelo recebimento da denúncia. Assim, como o legislador não inseriu uma expressão estrita como “inquérito policial”, compreende-se ter conferido à investigação de infração penal o sentido de “persecução penal”, até porque carece de razoabilidade punir mais severamente a obstrução das investigações do inquérito do que a obstrução da ação penal. Ademais, sabe-se que muitas diligências realizadas no âmbito policial possuem o contraditório diferido, de tal sorte que não é possível tratar inquérito e ação penal 105 como dois momentos absolutamente independentes da persecução penal. O tipo penal previsto pelo art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.850/2013 define conduta delituosa que abrange o inquérito policial e a ação penal. STJ. 5ª Turma. HC 487.962-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/05/2019 (Info 650) § 2º. As penas AUMENTAM-SE até a metade (1/2) se na atuação da organização criminosa houver emprego de arma de fogo. § 3º. A pena é AGRAVADA para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organização criminosa, ainda que não pratique pessoalmente atos de execução. § 4º. A pena é AUMENTADA de 1/6 a 2/3: I. se há participação de criança ou adolescente; II. se há concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal; III. se o produto ou proveito da infração penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior; IV. se a organização criminosa mantém conexão com outras organizações criminosas independentes; V. se as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organização. § 5º. Se houver indícios suficientesde que o funcionário público integra organização criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à investigação ou instrução processual. § 6º. A condenação com trânsito em julgado acarretará ao funcionário público a perda do cargo, função, emprego ou mandato eletivo e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de 8 anos subsequentes ao cumprimento da pena. § 7º. Se houver indícios de participação de policial nos crimes de que trata esta Lei, a Corregedoria de Polícia instaurará inquérito policial e comunicará ao Ministério Público, que designará membro para acompanhar o feito até a sua conclusão. § 8º. As lideranças de organizações criminosas armadas ou que tenham armas à disposição deverão INICIAR O CUMPRIMENTO DA PENA em ESTABELECIMENTOS PENAIS DE SEGURANÇA MÁXIMA. (Lei 13.964/19) § 9º. O condenado expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por crime praticado por meio de organização criminosa NÃO PODERÁ progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento condicional ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a manutenção do vínculo associativo . (Lei 13.964/19) Capítulo II - Da Investigação e dos Meios de Obtenção da Prova Art. 3º Em qualquer fase da persecução penal, serão permitidos , sem prejuízo de outros já previstos em lei, os seguintes MEIOS DE OBTENÇÃO DA PROVA: I. colaboração premiada; II. captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos; III. ação controlada; IV. acesso a registros de ligações telefônicas e telemáticas, a dados cadastrais constantes de bancos de dados públicos ou privados e a informações eleitorais ou comerciais; V. interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas, nos termos da legislação específica; VI. afastamento dos sigilos financeiro, bancário e fiscal, nos termos da legislação específica; VII. infiltração, por policiais, em atividade de investigação, na forma do art. 11; VIII. cooperação entre instituições e órgãos federais, distritais, estaduais e municipais na busca de provas e informações de interesse da investigação ou da instrução criminal. 106 § 1º. Havendo necessidade justificada de manter sigilo sobre a capacidade investigatória, poderá ser DISPENSADA LICITAÇÃO para contratação de serviços técnicos especializados, aquisição ou locação de equipamentos destinados à polícia judiciária para o rastreamento e obtenção de provas previstas nos incisos II e V. (Lei 13.097/15) § 2º. No caso do § 1º, fica dispensada a publicação de que trata o parágrafo único do art. 61 da Lei 8.666/93, devendo ser comunicado o órgão de controle interno da realização da contratação. (Lei 13.097/15) Seção I - Da Colaboração Premiada Art. 3º-A O ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA é NEGÓCIO JURÍDICO PROCESSUAL e MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVA, que pressupõe utilidade e interesse públicos. (Lei 13.964/19) Art. 3º-B O RECEBIMENTO DA PROPOSTA para formalização de acordo de colaboração DEMARCA o início das negociações e CONSTITUI TAMBÉM marco de confidencialidade, CONFIGURANDO violação de sigilo e quebra da confiança e da boa-fé a divulgação de tais tratativas iniciais ou de documento que as formalize , até o levantamento de sigilo por decisão judicial. (Lei 13.964/19) § 1º. A proposta de acordo de colaboração premiada poderá ser sumariamente indeferida, com a devida justificativa, cientificando-se o interessado. (Lei 13.964/19) § 2º. Caso não haja indeferimento sumário, as partes deverão firmar TERMO DE CONFIDENCIALIDADE para prosseguimento das tratativas, o que vinculará os órgãos envolvidos na negociação e impedirá o indeferimento posterior sem justa causa. (Lei 13.964/19) § 3º. O recebimento de proposta de colaboração para análise ou o Termo de Confidencialidade não implica, por si só, a suspensão da investigação, ressalvado acordo em contrário quanto à propositura de medidas processuais penais cautelares e assecuratórias, bem como medidas processuais cíveis admitidas pela legislação processual civil em vigor. (Lei 13.964/19) § 4º. O acordo de colaboração premiada poderá ser precedido de instrução , quando houver necessidade de identificação ou complementação de seu objeto, dos fatos narrados, sua definição jurídica, relevância, utilidade e interesse público. (Lei 13.964/19) § 5º. Os termos de recebimento de proposta de colaboração e de confidencialidade serão elaborados pelo celebrante e assinados por ele, pelo colaborador e pelo advogado ou defensor público com poderes específicos. (Lei 13.964/19) § 6º. Na hipótese de não ser celebrado o acordo por iniciativa do celebrante, esse não poderá se valer de nenhuma das informações ou provas apresentadas pelo colaborador, de boa-fé, para qualquer outra finalidade. (Lei 13.964/19) Art. 3º-C A PROPOSTA de COLABORAÇÃO PREMIADA deve estar instruída com procuração do interessado com poderes específicos para iniciar o procedimento de colaboração e suas tratativas, ou firmada pessoalmente pela parte que pretende a colaboração e seu advogado ou defensor público. (Lei 13.964/19) § 1º. Nenhuma tratativa sobre colaboração premiada deve ser realizada sem a presença de advogado constituído ou defensor público. (Lei 13.964/19) § 2º. Em caso de eventual conflito de interesses, ou de colaborador hipossuficiente, o celebrante deverá solicitar a presença de outro advogado ou a participação de defensor público. (Lei 13.964/19) § 3º. No ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA, o colaborador deve narrar todos os fatos ilícitos para os quais concorreu e que tenham relação direta com os fatos investigados. (Lei 13.964/19) § 4º. Incumbe à defesa instruir a proposta de colaboração e os anexos com os fatos adequadamente descritos, com todas as suas circunstâncias, indicando as provas e os elementos de corroboração. (Lei 13.964/19) 107 Art. 4º O juiz poderá, a requerimento das partes, conceder o perdão judicial, reduzir em até 2/3 a pena privativa de liberdade OU substituí-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e com o processo criminal, desde que dessa colaboração advenha um ou mais dos seguintes resultados: I. a identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais por eles praticadas; II. a revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa; III. a prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa; IV. a recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela organização criminosa; V. a localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LEI DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA REQUISITOS › Identificação dos demais coautores e partícipes da organização criminosa e das infrações penais por eles praticadas › Revelação da estrutura hierárquica e da divisão de tarefas da organização criminosa › Prevenção de infrações penais decorrentes das atividades da organização criminosa › Recuperação total ou parcial do produto ou do proveito das infrações penais praticadas pela organização criminosa › Localização de eventual vítima com a sua integridade física preservada BENEFÍCIOS › Perdão judicial › Redução da pena em até 2/3 › Substituição da pena privativa de liberdade (PPL) por restritiva de direitos (PRD) § 1º. Em qualquer caso, a concessão do benefício levará em conta a personalidade do colaborador, a natureza, as circunstâncias, a gravidade e a repercussão social do fato criminoso e a eficácia da colaboração. § 2º. Considerando a relevância da colaboração prestada, o Ministério Público, a qualquer tempo, e o delegado de polícia, nos autos do inquérito policial, com a manifestação do Ministério Público, poderão requerer ou representarao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, ainda que esse benefício não tenha sido previsto na proposta inicial, aplicando-se, no que couber, o art. 28 do CPP. § 3º. O prazo para oferecimento de denúncia ou o processo, relativos ao colaborador, poderá ser suspenso por até 6 meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas as medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional. § 4º. Nas mesmas hipóteses do caput deste artigo, o MINISTÉRIO PÚBLICO PODERÁ DEIXAR DE OFERECER DENÚNCIA SE a proposta de acordo de colaboração referir-se a infração de cuja existência não tenha prévio conhecimento e o colaborador: (Lei 13.964/19) I. não for o líder da organização criminosa; II. for o 1º a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo. § 4º-A. CONSIDERA-SE EXISTENTE O CONHECIMENTO PRÉVIO DA INFRAÇÃO quando o Ministério Público ou a autoridade policial competente tenha instaurado inquérito ou procedimento investigatório para apuração dos fatos apresentados pelo colaborador. (Lei 13.964/19) § 5º. Se a colaboração for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade ou será admitida a progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos. § 6º. O juiz não participará das negociações realizadas entre as partes para a formalização do acordo de colaboração, que ocorrerá entre o delegado de polícia, o investigado e o defensor, com a manifestação do Ministério Público, ou, conforme o caso, entre o Ministério Público e o investigado ou acusado e seu defensor. Possibilidade de acordo de colaboração premiada ser celebrado por Delegado de Polícia. O delegado de polícia pode formalizar acordos de colaboração premiada, na fase de 108 inquérito policial, respeitadas as prerrogativas do Ministério Público, o qual deverá se manifestar, sem caráter vinculante, previamente à decisão judicial. Os §§ 2º e 6º do art. 4º da Lei nº 12.850/2013, que preveem essa possibilidade, são constitucionais e não ofendem a titularidade da ação penal pública conferida ao Ministério Público pela Constituição (art. 129, I). STF. Plenário. ADI 5508/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 20/06/18 (Info 907) § 7º. REALIZADO O ACORDO na forma do § 6º deste artigo, serão remetidos ao juiz, para análise, o respectivo termo, as declarações do colaborador e cópia da investigação, devendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisará os seguintes aspectos na homologação: (Lei 13.964/19) I. regularidade e legalidade; (Lei 13.964/19) II. adequação dos benefícios pactuados àqueles previstos no caput e nos §§ 4º e 5º deste artigo, sendo nulas as cláusulas que violem o critério de definição do regime inicial de cumprimento de pena do art. 33 do Código Penal, as regras de cada um dos regimes previstos no Código Penal e na Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) e os requisitos de progressão de regime não abrangidos pelo § 5º deste artigo; (Lei 13.964/19) III. adequação dos resultados da colaboração aos resultados mínimos exigidos nos incisos I, II, III, IV e V do caput deste artigo; (Lei 13.964/19) IV. voluntariedade da manifestação de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador está ou esteve sob efeito de medidas cautelares. (Lei 13.964/19) § 7º-A. O juiz ou o tribunal deve proceder à análise fundamentada do mérito da denúncia, do perdão judicial e das primeiras etapas de aplicação da pena, nos termos do Código Penal e do CPP, antes de conceder os benefícios pactuados, exceto quando o acordo prever o não oferecimento da denúncia na forma dos §§ 4º e 4º-A deste artigo ou já tiver sido proferida sentença. (Lei 13.964/19) § 7º-B. São NULAS DE PLENO DIREITO as previsões de renúncia ao direito de impugnar a decisão homologatória. (Lei 13.964/19) § 8º. O juiz poderá recusar a homologação da proposta que não atender aos requisitos legais, devolvendo-a às partes para as adequações necessárias. (Lei 13.964/19) § 9º. Depois de homologado o acordo, o colaborador poderá, sempre acompanhado pelo seu defensor, ser ouvido pelo membro do Ministério Público ou pelo delegado de polícia responsável pelas investigações. § 10. As partes podem retratar-se da proposta, caso em que as provas autoincriminatórias produzidas pelo colaborador não poderão ser utilizadas exclusivamente em seu desfavor. § 10-A. Em todas as fases do processo, deve-se GARANTIR AO RÉU DELATADO A OPORTUNIDADE DE MANIFESTAR-SE após o decurso do prazo concedido ao réu que o delatou. (Lei 13.964/19) § 11. A sentença apreciará os termos do acordo homologado e sua eficácia. § 12. Ainda que beneficiado por perdão judicial ou não denunciado, o colaborador poderá ser ouvido em juízo a requerimento das partes ou por iniciativa da autoridade judicial. § 13. O REGISTRO DAS TRATATIVAS E DOS ATOS DE COLABORAÇÃO deverá ser feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar , inclusive audiovisual, destinados a obter maior fidelidade das informações, garantindo-se a disponibilização de cópia do material ao colaborador. (Lei 13.964/19) § 14. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade. § 15. Em todos os atos de negociação, confirmação e execução da colaboração, o colaborador deverá estar assistido por defensor. § 16. Nenhuma das seguintes medidas será decretada ou proferida com fundamento apenas nas declarações do colaborador: (Lei 13.964/19) I. medidas cautelares reais ou pessoais; (Lei 13.964/19) II. recebimento de denúncia ou queixa-crime; (Lei 13.964/19) III. sentença condenatória. (Lei 13.964/19) JDPP 22: As restrições previstas no § 16 do art. 4º da Lei 12.850/2013, com a redação dada pela Lei 13.964/2019, aplicam-se também aos processos penais para os quais a colaboração premiada foi trasladada como prova emprestada. § 17. O ACORDO HOMOLOGADO poderá ser RESCINDIDO em caso de omissão dolosa sobre os fatos objeto da colaboração . (Lei 13.964/19) 109 § 18. O acordo de colaboração premiada pressupõe que o colaborador cesse o envolvimento em conduta ilícita relacionada ao objeto da colaboração , sob pena de rescisão. (Lei 13.964/19) Art. 5º São DIREITOS do COLABORADOR: I. usufruir das medidas de proteção previstas na legislação específica; II. ter nome, qualificação, imagem e demais informações pessoais preservados; III. ser conduzido, em juízo, separadamente dos demais coautores e partícipes; IV. participar das audiências sem contato visual com os outros acusados; V. não ter sua identidade revelada pelos meios de comunicação, nem ser fotografado ou filmado, sem sua prévia autorização por escrito; VI. cumprir pena ou prisão cautelar em estabelecimento penal diverso dos demais corréus ou condenados. (Lei 13.964/19) Art. 6º O TERMO de ACORDO DA COLABORAÇÃO PREMIADA deverá ser feito por escrito e conter: I. o relato da colaboração e seus possíveis resultados; II. as condições da proposta do Ministério Público ou do delegado de polícia; III. a declaração de aceitação do colaborador e de seu defensor; IV. as assinaturas do representante do Ministério Público ou do delegado de polícia, do colaborador e de seu defensor; V. a especificação das medidas de proteção ao colaborador e à sua família, quando necessário. Art. 7º O PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO do ACORDO será sigilosamente distribuído, contendo apenas informações que não possam identificar o colaborador e o seu objeto . § 1º. As informações pormenorizadas da colaboração serão dirigidas diretamente ao juiz a que recair a distribuição, que decidirá no prazo de 48 horas. § 2º. O acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia, como forma de garantir o êxito das investigações, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de provaque digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento. § 3º. O acordo de colaboração premiada e os depoimentos do colaborador serão MANTIDOS EM SIGILO até o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua publicidade em qualquer hipótese. (Lei 13.964/19) SIGILO DO ACORDO DE COLABORAÇÃO ANTES da Lei 13.964/19 DEPOIS da Lei 13.964/19 O acordo de colaboração premiada deixa de ser sigiloso assim que recebida a denúncia, observado o disposto no art. 5º . O acordo de colaboração premiada e os depoimentos do colaborador serão mantidos em sigilo até o recebimento da denúncia ou da queixa-crime, sendo vedado ao magistrado decidir por sua publicidade em qualquer hipótese. Terceiros que tenham sido mencionados pelos colaboradores podem obter acesso integral aos termos dos colaboradores desde que estejam presentes os requisitos positivo e negativo. A SV 14 prevê: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. Terceiros que tenham sido mencionados pelos colaboradores podem obter acesso integral aos termos dos colaboradores para viabilizar, de forma plena e adequada, sua 110 defesa, invocando a SV 14? SIM, desde que estejam presentes os requisitos positivo e negativo. a) Requisito positivo: o acesso deve abranger somente documentos em que o requerente é de fato mencionado como tendo praticado crime (o ato de colaboração deve apontar a responsabilidade criminal do requerente); e b) Requisito negativo: o ato de colaboração não se deve referir a diligência em andamento (devem ser excluídos os atos investigativos e diligências que ainda se encontram em andamento e não foram consubstanciados e relatados no inquérito ou na ação penal em tramitação). STF. 2ª Turma. Pet 7494 AgR/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/5/2020 (Info 978) COLABORAÇÃO PREMIADA X DELAÇÃO PREMIADA COLABORAÇÃO PREMIADA É um mecanismo previsto na legislação por meio do qual o investigado ou acusado de uma infração penal colabora, efetiva e voluntariamente, com a investigação e com o processo, recebendo, em contrapartida, benefícios penais. Uma das formas de colaboração premiada é a delação dos coautores ou partícipes. DELAÇÃO PREMIADA É uma espécie do gênero "colaboração premiada". Ocorre quando o investigado ou acusado decide colaborar com as autoridades delatando os comparsas, ou seja, apontando as outras pessoas que também praticaram as infrações penais. Seção II - Da Ação Controlada Art. 8º Consiste a AÇÃO CONTROLADA em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações. § 1º. O retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público. § 2º. A comunicação será sigilosamente distribuída de forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser efetuada . § 3º. Até o encerramento da diligência, o acesso aos autos será restrito ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia, como forma de garantir o êxito das investigações. § 4º. Ao término da diligência, elaborar-se-á auto circunstanciado acerca da ação controlada. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL NA AÇÃO CONTROLADA ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NÃO A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei 12.850/13 (Organização Criminosa) INDEPENDE DE AUTORIZAÇÃO, bastando sua comunicação prévia à autoridade judicial. LEI DE DROGAS SIM A ação controlada é chamada de não-atuação policial (Art. 53, II, da Lei 11.343/06). Neste caso, exige-se a autorização judicial, informando o itinerário provável e a identificação dos agentes e dos colaboradores da infração penal. LAVAGEM DE DINHEIRO SIM Art. 4º-B da Lei 9.613/98: a ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações. 111 Art. 9º Se a ação controlada envolver transposição de fronteiras , o retardamento da intervenção policial ou administrativa somente poderá ocorrer com a cooperação das autoridades dos países que figurem como provável itinerário ou destino do investigado , de modo a reduzir os riscos de fuga e extravio do produto, objeto, instrumento ou proveito do crime. Seção III - Da Infiltração de Agentes Art. 10 A INFILTRAÇÃO DE AGENTES DE POLÍCIA em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público , após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites. § 1º. Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público. § 2º. Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º e se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis. § 3º. A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 meses, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que comprovada sua necessidade. § 4º. Findo o prazo previsto no § 3º, o relatório circunstanciado será apresentado ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público. § 5º. No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público poderá requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração. INFILTRAÇÃO DE AGENTES ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS (arts. 10 a 14) ECA (arts. 190-A a 190-E) LEI DE DROGAS (art. 53, I) LAVAGEM DE DINHEIRO (art. 1º, § 6º) Crimes: Organizações criminosas Crimes: ECA: arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241- C e 241-D; CP: arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B Crimes: Tráfico de drogas Crimes: Lavagem de dinheiro Prazo: 6 meses (podendo ser sucessivamente prorrogada) Prazo: 90 dias (sendo permitidas renovações, mas o prazo total da infiltração não poderá exceder 720 dias) Não prevê prazo máximo Só poderá ser adotada se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis (ultima ratio) Não disciplina procedimento a ser adotado É cabível a infração policial virtual A infiltração de agentes ocorre apenas na internet - - 112 ESPÉCIES DE INFILTRAÇÃO * Grau de DURAÇÃO LIGHT COVER Espécie de infiltração mais branda, que não demora mais de 6 meses, esta modalidade não demanda inserção contínua e permanente, nem tampouco mudança de identidade ou perda de contato significativo com a família, sendo que, a depender do caso concreto, pode se resumir a um único encontro para o recolhimento de elementos de informação acerca das atividades ilícitas desenvolvidas pela organização criminosa. DEEP COVER São infiltrações que se prolongam por mais de 6 meses, necessitando de uma imersão mais profunda e complexa no seio da organização criminosa. Por exigir um detalhamento mais abrangente, esta espécie de infiltração geralmente é feita com a mudança de identidade por parte da autoridade policial, assim como perda significativa do contato com sua entidade familiar. Pode acontecer de duas MANEIRAS INFILTRAÇÃO PREVENTIVA O agente apenas se infiltra para acompanhar o que acontece, semadotar nenhuma postura ativa, com a finalidade precípua de intervir no momento da ação policial global que for intentada para o desmantelamento da organização. INFILTRAÇÃO REPRESSIVA O agente atua efetivamente na organização, cometendo condutas ilícitas inerentes à organização de que momentaneamente faz parte. › Com a entrada em vigor da Lei 13.441/17 e do Pacote Anticrime, também é possível classificar as infiltrações em PRESENCIAIS e VIRTUAIS (cibernética ou eletrônica). Enquanto a infiltração prevista na Lei de Drogas e no art. 10 da Lei das Organizações Criminosas têm natureza presencial (física), aquela introduzida no art. 190-A do Estatuto da Criança e do Adolescente e no art. 10-A da Lei 12.850/13 funcionam como espécie de infiltração virtual (cibernética ou eletrônica), já que não é efetuada no ambiente físico, mas sim pela internet. * Conforme ensina Renato Brasileiro. Art. 10-A Será admitida a ação de AGENTES DE POLÍCIA INFILTRADOS VIRTUAIS, obedecidos os requisitos do caput do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por organizações criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas. (Lei 13.964/19) § 1º. Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-se: (Lei 13.964/19) I. dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da conexão; (Lei 13.964/19) II. dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou de usuário registrado ou autenticado para a conexão a quem endereço de IP, identificação de usuário ou código de acesso tenha sido atribuído no momento da conexão. (Lei 13.964/19) § 2º. Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes de decidir, ouvirá o Ministério Público. (Lei 13.964/19) § 3º. Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o art. 1º desta Lei e se as provas não puderem ser produzidas por outros meios disponíveis. (Lei 13.964/19) § 4º. A INFILTRAÇÃO será autorizada pelo prazo de até 6 meses, sem prejuízo de eventuais renovações, mediante ordem judicial fundamentada e desde que o total não exceda a 720 dias e seja comprovada sua necessidade. (Lei 13.964/19) 113 § 5º. Findo o prazo previsto no § 4º deste artigo, o relatório circunstanciado, juntamente com todos os atos eletrônicos praticados durante a operação, deverão ser registrados, gravados, armazenados e apresentados ao juiz competente, que imediatamente cientificará o Ministério Público. (Lei 13.964/19) § 6º. No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos seus agentes, e o Ministério Público e o juiz competente poderão requisitar, a qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração. (Lei 13.964/19) § 7º. É NULA a PROVA OBTIDA sem a observância do disposto neste artigo. (Lei 13.964/19) Art. 10-B As INFORMAÇÕES DA OPERAÇÃO DE INFILTRAÇÃO serão encaminhadas diretamente ao juiz responsável pela autorização da medida, que zelará por seu sigilo. (Lei 13.964/19) Parágrafo único. Antes da conclusão da operação, o acesso aos autos será reservado ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia responsável pela operação, com o objetivo de garantir o sigilo das investigações. (Lei 13.964/19) Art. 10-C Não comete crime o POLICIAL QUE OCULTA A SUA IDENTIDADE para, por meio da internet, colher indícios de autoria e materialidade dos crimes previstos no art. 1º desta Lei. (Lei 13.964/19) Parágrafo único. O agente policial infiltrado que deixar de observar a estrita finalidade da investigação responderá pelos excessos praticados. (Lei 13.964/19) Art. 10-D CONCLUÍDA A INVESTIGAÇÃO, todos os atos eletrônicos praticados durante a operação deverão ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério Público, juntamente com relatório circunstanciado. (Lei 13.964/19) Parágrafo único. Os atos eletrônicos registrados citados no caput deste artigo serão reunidos em autos apartados e apensados ao processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-se a preservação da identidade do agente policial infiltrado e a intimidade dos envolvidos. (Lei 13.964/19) Art. 11 O requerimento do Ministério Público ou a representação do delegado de polícia para a infiltração de agentes conterão a demonstração da necessidade da medida, o alcance das tarefas dos agentes e, quando possível, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e o local da infiltração. Parágrafo único. Os órgãos de registro e cadastro público poderão incluir nos bancos de dados próprios, mediante procedimento sigiloso e requisição da autoridade judicial, as informações necessárias à efetividade da identidade fictícia criada, nos casos de infiltração de agentes na internet. (Lei 13.964/19) Art. 12 O pedido de infiltração será sigilosamente distribuído , de forma a não conter informações que possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado. § 1º. As informações quanto à necessidade da operação de infiltração serão dirigidas diretamente ao juiz competente, que decidirá no prazo de 24 horas, após manifestação do Ministério Público na hipótese de representação do delegado de polícia, devendo-se adotar as medidas necessárias para o êxito das investigações e a segurança do agente infiltrado. § 2º. Os autos contendo as informações da operação de infiltração acompanharão a denúncia do Ministério Público, quando serão disponibilizados à defesa, assegurando-se a preservação da identidade do agente. § 3º. Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a operação será sustada mediante requisição do Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se imediata ciência ao Ministério Público e à autoridade judicial. 114 Art. 13 O agente que não guardar, em sua atuação, a devida proporcionalidade com a finalidade da investigação, responderá pelos excessos praticados. Parágrafo único. Não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado no curso da investigação, quando inexigível conduta diversa. Art. 14 São DIREITOS DO AGENTE: I. recusar ou fazer cessar a atuação infiltrada; II. ter sua identidade alterada, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 9º da Lei 9.807/99, bem como usufruir das medidas de proteção a testemunhas; III. ter seu nome, sua qualificação, sua imagem, sua voz e demais informações pessoais preservadas durante a investigação e o processo criminal, salvo se houver decisão judicial em contrário; IV. não ter sua identidade revelada, nem ser fotografado ou filmado pelos meios de comunicação, sem sua prévia autorização por escrito. Seção IV - Do Acesso a Registros, Dados Cadastrais, Documentos e Informações Art. 15 O delegado de polícia e o Ministério Público terão acesso, independentemente de autorização judicial, apenas aos dados cadastrais do investigado que informem exclusivamente a qualificação pessoal, a filiação e o endereço mantidos pela Justiça Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e administradoras de cartão de crédito. Art. 16 As empresas de transporte possibilitarão, pelo prazo de 5 anos, acesso direto e permanente do juiz, do Ministério Público ou do delegado de polícia aos bancos de dados de reservas e registro de viagens. Art. 17 As concessionárias de telefonia fixa ou móvel manterão, pelo prazo de 5 anos, à disposição das autoridades mencionadas no art. 15, registros de identificação dos números dos terminais de origem e de destino das ligações telefônicas internacionais, interurbanas e locais. Seção V - Dos Crimes Ocorridosna Investigação e na Obtenção da Prova Art. 18 Revelar a identidade, fotografar ou filmar o colaborador, sem sua prévia autorização por escrito: Pena: reclusão, de 1 a 3 anos, e multa. Art. 19 Imputar falsamente, sob pretexto de colaboração com a Justiça, a prática de infração penal a pessoa que sabe ser inocente, ou revelar informações sobre a estrutura de organização criminosa que sabe inverídicas: Pena: reclusão, de 1 a 4 anos, e multa. 115 Art. 20 Descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a ação controlada e a infiltração de agentes: Pena: reclusão, de 1 a 4 anos, e multa. Art. 21 Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e informações requisitadas pelo juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, no curso de investigação ou do processo: Pena: reclusão, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem, de forma indevida, se apossa, propala, divulga ou faz uso dos dados cadastrais de que trata esta Lei. Capítulo III - Disposições Finais Art. 22 Os crimes previstos nesta Lei e as infrações penais conexas serão apurados mediante PROCEDIMENTO ORDINÁRIO previsto no CPP, observado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. A instrução criminal deverá ser encerrada em prazo razoável, o qual não poderá exceder a 120 dias quando o réu estiver PRESO, prorrogáveis em até igual período, por decisão fundamentada, devidamente motivada pela complexidade da causa ou por fato procrastinatório atribuível ao réu. Art. 23 O SIGILO DA INVESTIGAÇÃO poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento. Parágrafo único. Determinado o depoimento do investigado, seu defensor terá assegurada a prévia vista dos autos, ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação. Art. 24 O art. 288 do Código Penal passa a vigorar com a seguinte redação: “Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes: Pena: reclusão, de 1 a 3 anos. Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se a associação é armada ou se houver a participação de criança ou adolescente.” (NR) Art. 25 O art. 342 do Código Penal passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 342 ................................................................................... Pena: reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. ..................................................................................................” (NR) Art. 26 Revoga-se a Lei 9.034/95. Art. 27 Esta Lei entra em vigor após decorridos 45 dias de sua publicação oficial. 116 LEI 13.869/19 - Abuso de Autoridade Dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade; altera a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, a Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, e a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994; e revoga a Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965, e dispositivos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). Redação original. 117 Capítulo I - Disposições Gerais Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. § 1º. As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autoridade quando praticadas pelo agente com a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal. § 2º. A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas não configura abuso de autoridade. ELEMENTO SUBJETIVO ESPECIAL DOS CRIMES DE ABUSO DE AUTORIDADE O agente só comete crime de abuso de autoridade se ao praticar a conduta tinha a finalidade específica de: › Prejudicar alguém; ou › Beneficiar a si mesmo ou a terceiro; ou › Por mero capricho ou satisfação pessoal. NÃO CONFIGURA ABUSO DE AUTORIDADE DIVERGÊNCIA NA › Interpretação de lei; › Avaliação de fatos; › Avaliação de provas. Na vigência da antiga Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 4.898/65), a jurisprudência já rechaçava a possibilidade de se responsabilizar criminalmente o magistrado pela mera divergência de interpretação: (...) 1. Faz parte da atividade jurisdicional proferir decisões com o vício in judicando e in procedendo, razão por que, para a configuração do delito de abuso de autoridade há necessidade da demonstração de um mínimo de "má-fé" e de "maldade" por parte do julgador, que proferiu a decisão com a evidente intenção de causar dano à pessoa. 2. Por essa razão, não se pode acolher denúncia oferecida contra a atuação do magistrado sem a configuração mínima do dolo exigido pelo tipo do injusto, que, no caso presente, não restou demonstrado na própria descrição da peça inicial de acusação para se caracterizar o abuso de autoridade. (…) STJ. Corte Especial. APn 858/DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 24/10/2018. Capítulo II - Dos Sujeitos do Crime Art. 2º É SUJEITO ATIVO do crime de abuso de autoridade qualquer agente público, servidor ou não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do DF, dos Municípios e de Território, compreendendo, mas não se limitando a: I. servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas; II. membros do Poder Legislativo; III. membros do Poder Executivo; IV. membros do Poder Judiciário; V. membros do Ministério Público; VI. membros dos tribunais ou conselhos de contas. Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangidos pelo caput deste artigo. Highlight ROL EXEMPLIFICATIVO Highlight 118 Capítulo III - Da Ação Penal Art. 3º Os crimes previstos nesta Lei são de AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA. § 1º. Será admitida ação privada se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. § 2º. A AÇÃO PRIVADA SUBSIDIÁRIA será exercida no prazo de 6 meses, contado da data em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia. Somente é possível a ação penal subsidiária da pública quando restar configurada inércia do Ministério Público, não sendo cabível nas hipóteses de arquivamento de inquérito policial promovido pelo membro do Parquet e acolhido pelo juiz. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1508560/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 06/11/2018. A ação privada subsidiária da pública só é possível quando o Órgão Ministerial se mostrar desidioso e não se manifestar no prazo previsto em lei. Se o Ministério Público promove o arquivamento do inquérito ou requer o seu retorno ao delegado de polícia para novas diligências, não cabe queixa subsidiária. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1049105/DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/10/2018 Capítulo IV - Dos Efeitos da Condenação e das Penas Restritivas de Direitos Seção I - Dos Efeitos da Condenação Art. 4º São EFEITOS DA CONDENAÇÃO: I. tornar certa a obrigação deindenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos; II. a inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública , pelo período de 1 a 5 anos; III. a perda do cargo, do mandato ou da função pública . Parágrafo único. Os efeitos previstos nos incisos II e III do caput deste artigo são condicionados à ocorrência de reincidência em crime de abuso de autoridade e não são automáticos, devendo ser declarados motivadamente na sentença. Seção II - Das Penas Restritivas de Direitos Art. 5º As PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS substitutivas das PRIVATIVAS DE LIBERDADE previstas nesta Lei são: I. prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas ; II. suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato , pelo prazo de 1 a 6 meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens; III. (VETADO) Parágrafo único. As penas restritivas de direitos podem ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. PRAZO DECADENCIAL ESPECÍFICA Highlight 119 Capítulo V - Das Sanções de Natureza Civil e Administrativa Art. 6º As penas previstas nesta Lei serão aplicadas independentemente das sanções de natureza civil ou administrativa cabíveis. Parágrafo único. As notícias de crimes previstos nesta Lei que descreverem falta funcional serão informadas à autoridade competente com vistas à apuração. Art. 7º As responsabilidades civil e administrativa são independentes da criminal, não se podendo mais questionar sobre a existência ou a autoria do fato quando essas questões tenham sido decididas no juízo criminal. Art. 8º Faz COISA JULGADA em âmbito CÍVEL, assim como no ADMINISTRATIVO-DISCIPLINAR, a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito . PRINCÍPIO DA INDEPENDÊNCIA DE INSTÂNCIAS * REGRA As penas (sanções criminais) previstas na Lei 13.869/2019 devem aplicadas independentemente das sanções de natureza civil ou administrativa cabíveis. Assim, em regra, as responsabilidades civil e administrativa são independentes da criminal. EXCEÇÕES › Se o juízo criminal decidir sobre a existência ou a autoria do fato, essas questões não poderão mais ser questionadas nas esferas civil e administrativa. › Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no administrativo- disciplinar, a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Capítulo VI - Dos Crimes e das Penas Art. 9º Decretar medida de privação da liberdade em manifesta desconformidade com as hipóteses legais: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judiciária que, dentro de prazo razoável, deixar de: I. relaxar a prisão manifestamente ilegal; II. substituir a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conceder liberdade provisória, quando manifestamente cabível; III. deferir liminar ou ordem de habeas corpus, quando manifestamente cabível.’ Art. 10 Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. ESFERAS AUTÔNOMAS 120 O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte: Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório (expressão não recepcionada pela CF/88), reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença. Inconstitucionalidade da condução coercitiva para interrogatório. O STF declarou que a expressão “para o interrogatório”, prevista no art. 260 do CPP, não foi recepcionada pela Constituição Federal. Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, tal conduta poderá ensejar: - A responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade; - A ilicitude das provas obtidas; - A responsabilidade civil do Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima não desconstitui (não invalida) os interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os interrogados tenham sido coercitivamente conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 14/6/18 (Info 906) Art. 11 (VETADO) Art. 12 Deixar injustificadamente de comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem: I. deixa de comunicar, imediatamente, a execução de prisão temporária ou preventiva à autoridade judiciária que a decretou; II. deixa de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontra à sua família ou à pessoa por ela indicada; III. deixa de entregar ao preso, no prazo de 24 horas, a nota de culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas; IV. prolonga a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem motivo justo e excepcionalíssimo, de executar o alvará de soltura imediatamente após recebido ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. DEIXAR INJUSTIFICADAMENTE DE COMUNICAR PRISÃO Deixar de comunicar a prisão à (ao) Configura crime? Autoridade judiciária SIM Art. 12, caput Família do preso ou à pessoa por ele indicada SIM Art. 12, parágrafo único, II Ministério Público NÃO Defensoria Pública Art. 13 Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade de resistência, a: I. exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II. submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; III. produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa, sem prejuízo da pena cominada à violência. 121 ART. 1º DA LEI DE TORTURA X ART. 13 DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE * ART. 1º da LEI DE TORTURA ART. 13 da LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE Crime comum. Ao contrário do que ocorre nos outros países, no Brasil, mesmo o particular, ou seja, quem não é funcionário público, também pode praticar crime de tortura. Crime próprio. Somente pode ser praticado por autoridade. O constrangimento pode ser feito com emprego de: › violência; ou › grave ameaça. O constrangimento pode ser feito com emprego de: › violência; › grave ameaça; ou › alguma forma de reduzir a capacidade de resistência da vítima. Exige-se que a conduta tenha causado sofrimento físico ou mental na vítima. Não exige que conduta tenha causado sofrimento físico ou mental na vítima. Nos incisos I e II são narradas finalidades específicas do agente. No § 1º, por sua vez, não é descrita nenhuma finalidade específica. O objetivo do agente é fazer o preso ou o detento: I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado em lei; ou III - produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro. Além disso, o agente tem a finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal. A pena é de 2 a 8 anos. A pena é de 1 a 4 anos. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 14 (VETADO) Art. 15 Constranger a depor, sob ameaça de prisão , pessoa que, em razão de função, ministério, ofício ouprofissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem prossegue com o interrogatório: I. de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio; ou II. de pessoa que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, sem a presença de seu patrono. Art. 16 Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função. Art. 17 (VETADO) 122 Art. 18 Submeter o preso a interrogatório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. HORÁRIO NO QUAL O INTERROGATÓRIO POLICIAL DEVE SER REALIZADO * O CPP não disciplina o tema. Assim, não havia, na legislação processual penal, a proibição expressa de que o interrogatório, na fase policial, fosse realizado durante o período de repouso noturno. Com a Lei 13.869/2019, a situação passa a ser a seguinte: EM REGRA O interrogatório policial não pode ser feito durante o período de repouso noturno. EXCEÇÕES O interrogatório policial do preso poderá ser realizado durante o período de repouso noturno em duas hipóteses: › Se o indivíduo tiver sido preso em flagrante (isso se justifica porque a autoridade policial tem um exíguo prazo de 24 horas para concluir o procedimento). › Se preso concordar em prestar suas declarações durante este período e ele estiver devidamente assistido. * Conforme ensina Márcio Cavalcante. Art. 19 Impedir ou retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua prisão ou das circunstâncias de sua custódia: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena o magistrado que, ciente do impedimento ou da demora, deixa de tomar as providências tendentes a saná-lo ou, não sendo competente para decidir sobre a prisão, deixa de enviar o pedido à autoridade judiciária que o seja. Art. 20 Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com seu advogado : Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu solto ou o investigado de entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência, salvo no curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferência. Art. 21 Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma cela, criança ou adolescente na companhia de maior de idade ou em ambiente inadequado, observado o disposto na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Art. 22 Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. § 1º. Incorre na mesma pena, na forma prevista no caput deste artigo, quem: I. coage alguém, mediante violência ou grave ameaça, a franquear-lhe o acesso a imóvel ou suas dependências; Highlight 123 II. (VETADO) III. cumpre mandado de busca e apreensão domiciliar após as 21h ou antes das 5h. § 2º. Não haverá crime se o ingresso for para prestar socorro, ou quando houver fundados indícios que indiquem a necessidade do ingresso em razão de situação de flagrante delito ou de desastre. ART. 150 DO CÓDIGO PENAL X ART. 22 DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE ART. 150 do CÓDIGO PENAL ART. 22 da LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE Violação de domicílio Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências. Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei. Detenção, de 1 a 3 meses, ou multa. Detenção, de 1 a 4 anos, e multa Sujeito ativo: CRIME COMUM (pode ser praticado por qualquer pessoa) Sujeito ativo: CRIME PRÓPRIO (somente por autoridade) Art. 23 Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a responsabilidade: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de: I. eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligência; II. omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o curso da investigação, da diligência ou do processo. ART. 347 DO CÓDIGO PENAL X ART. 23 DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE ART. 347 do CÓDIGO PENAL ART. 23 da LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE Fraude processual Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito. Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a responsabilidade. Detenção, de 3 meses a 2 anos, e multa. Detenção, de 1 a 4 anos, e multa Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro. Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de: I – eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligência; II – omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o curso da investigação, da diligência ou do processo. Sujeito ativo: CRIME COMUM (pode ser praticado por qualquer pessoa) Sujeito ativo: CRIME PRÓPRIO (somente por autoridade) Exige como finalidade específica a intenção de induzir a erro o juiz ou o perito. Possui outras finalidades específicas descritas no caput e no parágrafo único. Highlight 124 Art. 24 Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou empregado de instituição hospitalar pública ou privada a admitir para tratamento pessoa cujo óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local ou momento de crime, prejudicando sua apuração: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa, além da pena correspondente à violência. Art. 25 Proceder à obtenção de prova, em procedimento de investigação ou fiscalização, por meio manifestamente ilícito: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfavor do investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de sua ilicitude. Art. 26 (VETADO) Art. 27 Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN 6240) Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Não há crime quando se tratar de sindicância ouinvestigação preliminar sumária, devidamente justificada. Art. 28 Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Art. 29 Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN 6240) Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. (VETADO) Art. 30 Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Art. 31 Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em prejuízo do investigado ou fiscalizado: (Vide ADIN 6234) (Vide ADIN 6240) Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo para execução ou conclusão de procedimento, o estende de forma imotivada, procrastinando-o em prejuízo do investigado ou do fiscalizado. 125 Art. 32 Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências futuras, cujo sigilo seja imprescindível: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Art. 33 Exigir informação ou cumprimento de obrigação, inclusive o dever de fazer ou de não fazer, sem expresso amparo legal: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo ou função pública ou invoca a condição de agente público para se eximir de obrigação legal ou para obter vantagem ou privilégio indevido. Arts. 34 e 35 (VETADOS) Art. 36 Decretar, em processo judicial, a indisponibilidade de ativos financeiros em quantia que extrapole exacerbadamente o valor estimado para a satisfação da dívida da parte e, ante a demonstração, pela parte, da excessividade da medida, deixar de corrigi-la: Pena: detenção, de 1 a 4 anos, e multa. Art. 37 Demorar demasiada e injustificadamente no exame de processo de que tenha requerido vista em órgão colegiado, com o intuito de procrastinar seu andamento ou retardar o julgamento: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Art. 38 Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunicação, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e multa. Capítulo VII - Do Procedimento Art. 39 Aplicam-se ao processo e ao julgamento dos delitos previstos nesta Lei, no que couber, as disposições do CPP e da Lei 9.099/95. Capítulo VIII - Disposições Finais Art. 40 O art. 2º da Lei 7.960/89 passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.2º ....................................................................................................... ........................................................................................................................ § 4º-A. O mandado de prisão conterá necessariamente o período de duração da prisão temporária estabelecido no caput deste artigo, bem como o dia em que o preso deverá ser libertado. ......................................................................................................................... 126 § 7º. Decorrido o prazo contido no mandado de prisão, a autoridade responsável pela custódia deverá, independentemente de nova ordem da autoridade judicial, pôr imediatamente o preso em liberdade, salvo se já tiver sido comunicada da prorrogação da prisão temporária ou da decretação da prisão preventiva. § 8º. Inclui-se o dia do cumprimento do mandado de prisão no cômputo do prazo de prisão temporária.” (NR) Art. 41 O art. 10 da Lei 9.296/96 passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei: Pena: reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei.” (NR) Art. 42 A Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) passa a vigorar acrescida do seguinte art. 227-A: “Art. 227-A. Os efeitos da condenação prevista no inciso I do caput do art. 92 do Código Penal para os crimes previstos nesta Lei, praticados por servidores públicos com abuso de autoridade, são condicionados à ocorrência de reincidência. Parágrafo único. A perda do cargo, do mandato ou da função, nesse caso, independerá da pena aplicada na reincidência.” Art. 43 A Lei 8.906/94 passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7º-B: “Art. 7º-B. Constitui crime violar direito ou prerrogativa de advogado previstos nos incisos II, III, IV e V do caput do art. 7º desta Lei: Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano, e multa.’” Art. 44 Revogam-se a Lei 4.898/65 e o § 2º do art. 150 e o art. 350, ambos do Código Penal. Art. 45 Esta Lei entra em vigor após decorridos 120 dias de sua publicação oficial. 127 LEI 11.343/06 - Lei de Drogas Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. Atualizada até a Lei 13.964/19. 128 TÍTULO I - DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º Esta Lei institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas e DEFINE CRIMES. Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União. Art. 2º Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas. 129 TÍTULO II - DO SISTEMA NACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS Art. 3º O Sisnad tem a finalidade de articular, integrar, organizar e coordenar as atividades relacionadas com: I. a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção social de usuários e dependentes de drogas; II. a repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas. § 1º. Entende-se por Sisnad o conjunto ordenado de princípios, regras, critérios e recursos materiais e humanos que envolvem as políticas, planos, programas, ações e projetos sobre drogas, incluindo-se nele, por adesão, os Sistemas de Políticas Públicas sobre Drogas dos Estados, DF e Municípios. (Lei 13.840/19) § 2º. O Sisnad atuará em articulação com o Sistema Único deSaúde - SUS, e com o Sistema Único de Assistência Social - SUAS. (Lei 13.840/19) Capítulo I - Dos Princípios e dos Objetivos do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas Art. 4º São princípios do Sisnad: I. o respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, especialmente quanto à sua autonomia e à sua liberdade; II. o respeito à diversidade e às especificidades populacionais existentes; III. a promoção dos valores éticos, culturais e de cidadania do povo brasileiro, reconhecendo-os como fatores de proteção para o uso indevido de drogas e outros comportamentos correlacionados; IV. a promoção de consensos nacionais, de ampla participação social, para o estabelecimento dos fundamentos e estratégias do Sisnad; V. a promoção da responsabilidade compartilhada entre Estado e Sociedade, reconhecendo a importância da participação social nas atividades do Sisnad; VI. o reconhecimento da intersetorialidade dos fatores correlacionados com o uso indevido de drogas, com a sua produção não autorizada e o seu tráfico ilícito; VII. a integração das estratégias nacionais e internacionais de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de repressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito; VIII. a articulação com os órgãos do Ministério Público e dos Poderes Legislativo e Judiciário visando à cooperação mútua nas atividades do Sisnad; IX. a adoção de abordagem multidisciplinar que reconheça a interdependência e a natureza complementar das atividades de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas, repressão da produção não autorizada e do tráfico ilícito de drogas; X. a observância do equilíbrio entre as atividades de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de repressão à sua produção não autorizada e ao seu tráfico ilícito, visando a garantir a estabilidade e o bem-estar social; XI. a observância às orientações e normas emanadas do Conselho Nacional Antidrogas - Conad. Art. 5º O Sisnad tem os seguintes objetivos: I. contribuir para a inclusão social do cidadão, visando a torná-lo menos vulnerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, seu tráfico ilícito e outros comportamentos correlacionados; 130 II. promover a construção e a socialização do conhecimento sobre drogas no país; III. promover a integração entre as políticas de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas e de repressão à sua produção não autorizada e ao tráfico ilícito e as políticas públicas setoriais dos órgãos do Poder Executivo da União, DF, Estados e Municípios; IV. assegurar as condições para a coordenação, a integração e a articulação das atividades de que trata o art. 3º desta Lei. Capítulo II - Do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas Seção I - Da Composição do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas Art. 6º (VETADO) Art. 7º A organização do Sisnad assegura a orientação central e a execução descentralizada das atividades realizadas em seu âmbito, nas esferas federal, distrital, estadual e municipal e se constitui matéria definida no regulamento desta Lei. Arts. 7º-A e 8º (VETADOS) Seção II - Das Competências Art. 8º-A Compete à União: (Lei 13.840/19) I. formular e coordenar a execução da Política Nacional sobre Drogas; (Lei 13.840/19) II. elaborar o Plano Nacional de Políticas sobre Drogas, em parceria com Estados, DF, Municípios e a sociedade; (Lei 13.840/19) III. coordenar o Sisnad; (Lei 13.840/19) IV. estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento do Sisnad e suas normas de referência; (Lei 13.840/19) V. elaborar objetivos, ações estratégicas, metas, prioridades, indicadores e definir formas de financiamento e gestão das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) VI e VII. (VETADOS) VIII. promover a integração das políticas sobre drogas com os Estados, o DF e os Municípios; (Lei 13.840/19) IX. financiar, com Estados, DF e Municípios, a execução das políticas sobre drogas, observadas as obrigações dos integrantes do Sisnad; (Lei 13.840/19) X. estabelecer formas de colaboração com Estados, DF e Municípios para a execução das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) XI. garantir publicidade de dados e informações sobre repasses de recursos para financiamento das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) XII. sistematizar e divulgar os dados estatísticos nacionais de prevenção, tratamento, acolhimento, reinserção social e econômica e repressão ao tráfico ilícito de drogas; (Lei 13.840/19) XIII. adotar medidas de enfretamento aos crimes transfronteiriços; e (Lei 13.840/19) XIV. estabelecer uma política nacional de controle de fronteiras, visando a coibir o ingresso de drogas no País. (Lei 13.840/19) 131 Arts. 8º-B e 8º-C (VETADOS) Capítulo II-A - Da Formulação das Políticas sobre Drogas Seção I - Do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas Art. 8º-D São objetivos do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas, dentre outros: (Lei 13.840/19) I. promover a interdisciplinaridade e integração dos programas, ações, atividades e projetos dos órgãos e entidades públicas e privadas nas áreas de saúde, educação, trabalho, assistência social, previdência social, habitação, cultura, desporto e lazer, visando à prevenção do uso de drogas, atenção e reinserção social dos usuários ou dependentes de drogas; (Lei 13.840/19) II. viabilizar a ampla participação social na formulação, implementação e avaliação das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) III. priorizar programas, ações, atividades e projetos articulados com os estabelecimentos de ensino, com a sociedade e com a família para a prevenção do uso de drogas; (Lei 13.840/19) IV. ampliar as alternativas de inserção social e econômica do usuário ou dependente de drogas, promovendo programas que priorizem a melhoria de sua escolarização e a qualificação profissional; (Lei 13.840/19) V. promover o acesso do usuário ou dependente de drogas a todos os serviços públicos; (Lei 13.840/19) VI. estabelecer diretrizes para garantir a efetividade dos programas, ações e projetos das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) VII. fomentar a criação de serviço de atendimento telefônico com orientações e informações para apoio aos usuários ou dependentes de drogas; (Lei 13.840/19) VIII. articular programas, ações e projetos de incentivo ao emprego, renda e capacitação para o trabalho, com objetivo de promover a inserção profissional da pessoa que haja cumprido o plano individual de atendimento nas fases de tratamento ou acolhimento; (Lei 13.840/19) IX. promover formas coletivas de organização para o trabalho, redes de economia solidária e o cooperativismo, como forma de promover autonomia ao usuário ou dependente de drogas egresso de tratamento ou acolhimento, observando-se as especificidades regionais; (Lei 13.840/19) X. propor a formulação de políticas públicas que conduzam à efetivação das diretrizes e princípios previstos no art. 22; (Lei 13.840/19) XI. articular as instâncias de saúde, assistência social e de justiça no enfrentamento ao abuso de drogas; e (Lei 13.840/19) XII. promover estudos e avaliação dos resultados das políticas sobre drogas. (Lei 13.840/19) § 1º. O plano de que trata o caput terá duração de 5 anos a contar de sua aprovação. § 2º. O poder público deverá dar a mais ampla divulgação ao conteúdo do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas. Seção II - Dos Conselhos de Políticas sobre Drogas Art. 8º-E Os conselhos de políticas sobre drogas, constituídos por Estados, DF e Municípios, terão os seguintes objetivos: (Lei 13.840/19) I. auxiliar na elaboração de políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) II. colaborar com os órgãos governamentais no planejamento e na execução das políticas sobre drogas, visando à efetividade das políticassobre drogas; (Lei 13.840/19) 132 III. propor a celebração de instrumentos de cooperação, visando à elaboração de programas, ações, atividades e projetos voltados à prevenção, tratamento, acolhimento, reinserção social e econômica e repressão ao tráfico ilícito de drogas; (Lei 13.840/19) IV. promover a realização de estudos, com o objetivo de subsidiar o planejamento das políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) V. propor políticas públicas que permitam a integração e a participação do usuário ou dependente de drogas no processo social, econômico, político e cultural no respectivo ente federado; e (Lei 13.840/19) VI. desenvolver outras atividades relacionadas às políticas sobre drogas em consonância com o Sisnad e com os respectivos planos. (Lei 13.840/19) Seção III - Dos Membros dos Conselhos de Políticas sobre Drogas Art. 8º-F (VETADO) Capítulo III Arts. 9º a 14 (VETADOS) Capítulo IV - Do Acompanhamento e da Avaliação das Políticas sobre Drogas Art. 15 (VETADO) Art. 16 As instituições com atuação nas áreas da atenção à saúde e da assistência social que atendam usuários ou dependentes de drogas devem comunicar ao órgão competente do respectivo sistema municipal de saúde os casos atendidos e os óbitos ocorridos, preservando a identidade das pessoas, conforme orientações emanadas da União. Art. 17 Os dados estatísticos nacionais de repressão ao tráfico ilícito de drogas integrarão sistema de informações do Poder Executivo. 133 TÍTULO III - DAS ATIVIDADES DE PREVENÇÃO DO USO INDEVIDO, ATENÇÃO E REINSERÇÃO SOCIAL DE USUÁRIOS E DEPENDENTES DE DROGAS Capítulo I - Da Prevenção Seção I - Das Diretrizes Art. 18 Constituem atividades de prevenção do uso indevido de drogas, para efeito desta Lei, aquelas direcionadas para a redução dos fatores de vulnerabilidade e risco e para a promoção e o fortalecimento dos fatores de proteção. Art. 19 As atividades de prevenção do uso indevido de drogas devem observar os seguintes princípios e diretrizes: I. o reconhecimento do uso indevido de drogas como fator de interferência na qualidade de vida do indivíduo e na sua relação com a comunidade à qual pertence; II. a adoção de conceitos objetivos e de fundamentação científica como forma de orientar as ações dos serviços públicos comunitários e privados e de evitar preconceitos e estigmatização das pessoas e dos serviços que as atendam; III. o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade individual em relação ao uso indevido de drogas; IV. o compartilhamento de responsabilidades e a colaboração mútua com as instituições do setor privado e com os diversos segmentos sociais, incluindo usuários e dependentes de drogas e respectivos familiares, por meio do estabelecimento de parcerias; V. a adoção de estratégias preventivas diferenciadas e adequadas às especificidades socioculturais das diversas populações, bem como das diferentes drogas utilizadas; VI. o reconhecimento do “não-uso”, do “retardamento do uso” e da redução de riscos como resultados desejáveis das atividades de natureza preventiva, quando da definição dos objetivos a serem alcançados; VII. o tratamento especial dirigido às parcelas mais vulneráveis da população, levando em consideração as suas necessidades específicas; VIII. a articulação entre os serviços e organizações que atuam em atividades de prevenção do uso indevido de drogas e a rede de atenção a usuários e dependentes de drogas e respectivos familiares; IX. o investimento em alternativas esportivas, culturais, artísticas, profissionais, entre outras, como forma de inclusão social e de melhoria da qualidade de vida; X. o estabelecimento de políticas de formação continuada na área da prevenção do uso indevido de drogas para profissionais de educação nos 3 níveis de ensino; XI. a implantação de projetos pedagógicos de prevenção do uso indevido de drogas, nas instituições de ensino público e privado, alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais e aos conhecimentos relacionados a drogas; XII. a observância das orientações e normas emanadas do Conad; XIII. o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas setoriais específicas. Parágrafo único. As atividades de prevenção do uso indevido de drogas dirigidas à criança e ao adolescente deverão estar em consonância com as diretrizes emanadas pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - Conanda. 134 Seção II - Da Semana Nacional de Políticas Sobre Drogas Art. 19-A Fica instituída a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas, comemorada anualmente, na 4ª semana de junho. (Lei 13.840/19) § 1º. No período de que trata o caput, serão intensificadas as ações de: (Lei 13.840/19) I. difusão de informações sobre os problemas decorrentes do uso de drogas; (Lei 13.840/19) II. promoção de eventos para o debate público sobre as políticas sobre drogas; (Lei 13.840/19) III. difusão de boas práticas de prevenção, tratamento, acolhimento e reinserção social e econômica de usuários de drogas; (Lei 13.840/19) IV. divulgação de iniciativas, ações e campanhas de prevenção do uso indevido de drogas; (Lei 13.840/19) V. mobilização da comunidade para a participação nas ações de prevenção e enfrentamento às drogas; (Lei 13.840/19) VI. mobilização dos sistemas de ensino previstos na Lei 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional na realização de atividades de prevenção ao uso de drogas. (Lei 13.840/19) Capítulo II - Das Atividades de Prevenção, Tratamento, Acolhimento e de Reinserção Social e Econômica de Usuários ou Dependentes de Drogas Seção I - Disposições Gerais Art. 20 Constituem atividades de atenção ao usuário e dependente de drogas e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas que visem à melhoria da qualidade de vida e à redução dos riscos e dos danos associados ao uso de drogas. Art. 21 Constituem atividades de reinserção social do usuário ou do dependente de drogas e respectivos familiares, para efeito desta Lei, aquelas direcionadas para sua integração ou reintegração em redes sociais. Art. 22 As atividades de atenção e as de reinserção social do usuário e do dependente de drogas e respectivos familiares devem observar os seguintes princípios e diretrizes: I. respeito ao usuário e ao dependente de drogas, independentemente de quaisquer condições, observados os direitos fundamentais da pessoa humana, os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde e da Política Nacional de Assistência Social; II. a adoção de estratégias diferenciadas de atenção e reinserção social do usuário e do dependente de drogas e respectivos familiares que considerem as suas peculiaridades socioculturais; III. definição de projeto terapêutico individualizado, orientado para a inclusão social e para a redução de riscos e de danos sociais e à saúde; IV. atenção ao usuário ou dependente de drogas e aos respectivos familiares, sempre que possível, de forma multidisciplinar e por equipes multiprofissionais; V. observância das orientações e normas emanadas do Conad; VI. o alinhamento às diretrizes dos órgãos de controle social de políticas setoriais específicas. VII. estímulo à capacitação técnica e profissional; (Lei 13.840/19) VIII. efetivação de políticas de reinserção social voltadas à educação continuada e ao trabalho; (Lei 13.840/19) 135 IX. observância do plano individual de atendimento na forma do art. 23-B desta Lei; (Lei 13.840/19) X. orientação adequada ao usuário ou dependente de drogas quanto às consequências lesivas do uso de drogas, ainda que ocasional. (Lei 13.840/19) Seção II - Da Educação na Reinserção Social e Econômica Art. 22-A As pessoas atendidas por órgãos integrantes do Sisnad terão atendimento nos programas de educação profissional e tecnológica, educação de jovens e adultos e alfabetização. (Lei 13.840/19) Seção III - Do Trabalho na Reinserção Social e Econômica Art. 22-B (VETADO)Seção IV - Do Tratamento do Usuário ou Dependente de Drogas Art. 23 As redes dos serviços de saúde da União, dos Estados, do DF, dos Municípios desenvolverão programas de atenção ao usuário e ao dependente de drogas, respeitadas as diretrizes do Ministério da Saúde e os princípios explicitados no art. 22 desta Lei, obrigatória a previsão orçamentária adequada. Art. 23-A O tratamento do usuário ou dependente de drogas deverá ser ordenado em uma rede de atenção à saúde, com prioridade para as modalidades de tratamento ambulatorial, incluindo excepcionalmente formas de internação em unidades de saúde e hospitais gerais nos termos de normas dispostas pela União e articuladas com os serviços de assistência social e em etapas que permitam: (Lei 13.840/19) I. articular a atenção com ações preventivas que atinjam toda a população; (Lei 13.840/19) II. orientar-se por protocolos técnicos predefinidos, baseados em evidências científicas, oferecendo atendimento individualizado ao usuário ou dependente de drogas com abordagem preventiva e, sempre que indicado, ambulatorial; (Lei 13.840/19) III. preparar para a reinserção social e econômica, respeitando as habilidades e projetos individuais por meio de programas que articulem educação, capacitação para o trabalho, esporte, cultura e acompanhamento individualizado; e (Lei 13.840/19) IV. acompanhar os resultados pelo SUS, Suas e Sisnad, de forma articulada. (Lei 13.840/19) § 1º. Caberá à União dispor sobre os protocolos técnicos de tratamento, em âmbito nacional. (Lei 13.840/19) § 2º. A internação de dependentes de drogas somente será realizada em unidades de saúde ou hospitais gerais, dotados de equipes multidisciplinares e deverá ser obrigatoriamente autorizada por médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina - CRM do Estado onde se localize o estabelecimento no qual se dará a internação. (Lei 13.840/19) § 3º. São considerados 2 tipos de internação: (Lei 13.840/19) I. internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do dependente de drogas; (Lei 13.840/19) II. internação involuntária: aquela que se dá, sem o consentimento do dependente, a pedido de familiar ou do responsável legal ou, na absoluta falta deste, de servidor público da área de saúde, da assistência social ou dos órgãos públicos integrantes do Sisnad, com exceção de servidores da área de segurança pública, que constate a existência de motivos que justifiquem a medida. (Lei 13.840/19) § 4º. A internação voluntária: (Lei 13.840/19) 136 I. deverá ser precedida de declaração escrita da pessoa solicitante de que optou por este regime de tratamento; (Lei 13.840/19) II. seu término dar-se-á por determinação do médico responsável ou por solicitação escrita da pessoa que deseja interromper o tratamento. (Lei 13.840/19) § 5º. A internação involuntária: (Lei 13.840/19) I. deve ser realizada após a formalização da decisão por médico responsável; (Lei 13.840/19) II. será indicada depois da avaliação sobre o tipo de droga utilizada, o padrão de uso e na hipótese comprovada da impossibilidade de utilização de outras alternativas terapêuticas previstas na rede de atenção à saúde; (Lei 13.840/19) III. perdurará apenas pelo tempo necessário à desintoxicação, no prazo máximo de 90 dias, tendo seu término determinado pelo médico responsável; (Lei 13.840/19) IV. a família ou o representante legal poderá, a qualquer tempo, requerer ao médico a interrupção do tratamento. (Lei 13.840/19) § 6º. A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes. (Lei 13.840/19) § 7º. Todas as internações e altas de que trata esta Lei deverão ser informadas, em, no máximo, de 72 horas, ao Ministério Público, à Defensoria Pública e a outros órgãos de fiscalização, por meio de sistema informatizado único, na forma do regulamento desta Lei. (Lei 13.840/19) § 8º. É garantido o sigilo das informações disponíveis no sistema referido no § 7º e o acesso será permitido apenas às pessoas autorizadas a conhecê-las, sob pena de responsabilidade. (Lei 13.840/19) § 9º. É vedada a realização de qualquer modalidade de internação nas comunidades terapêuticas acolhedoras. (Lei 13.840/19) § 10. O planejamento e a execução do projeto terapêutico individual deverão observar, no que couber, o previsto na Lei 10.216/01, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. (Lei 13.840/19) Seção V - Do Plano Individual de Atendimento Art. 23-B O atendimento ao usuário ou dependente de drogas na rede de atenção à saúde dependerá de: (Lei 13.840/19) I. avaliação prévia por equipe técnica multidisciplinar e multissetorial; e (Lei 13.840/19) II. elaboração de um Plano Individual de Atendimento - PIA. (Lei 13.840/19) § 1º. A avaliação prévia da equipe técnica subsidiará a elaboração e execução do projeto terapêutico individual a ser adotado, levantando no mínimo: (Lei 13.840/19) I. o tipo de droga e o padrão de seu uso; e (Lei 13.840/19) II. o risco à saúde física e mental do usuário ou dependente de drogas ou das pessoas com as quais convive. (Lei 13.840/19) § 2º. (VETADO) § 3º. O PIA deverá contemplar a participação dos familiares ou responsáveis, os quais têm o dever de contribuir com o processo, sendo esses, no caso de crianças e adolescentes, passíveis de responsabilização civil, administrativa e criminal, nos termos da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). (Lei 13.840/19) § 4º. O PIA será inicialmente elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do primeiro projeto terapêutico que atender o usuário ou dependente de drogas e será atualizado ao longo das diversas fases do atendimento. (Lei 13.840/19) § 5º. Constarão do plano individual, no mínimo: (Lei 13.840/19) I. os resultados da avaliação multidisciplinar; (Lei 13.840/19) II. os objetivos declarados pelo atendido; (Lei 13.840/19) III. a previsão de suas atividades de integração social ou capacitação profissional; (Lei 13.840/19) IV. atividades de integração e apoio à família; (Lei 13.840/19) V. formas de participação da família para efetivo cumprimento do plano individual; (Lei 13.840/19) 137 VI. designação do projeto terapêutico mais adequado para o cumprimento do previsto no plano; e (Lei 13.840/19) VII. as medidas específicas de atenção à saúde do atendido. (Lei 13.840/19) § 6º. O PIA será elaborado no prazo de até 30 dias da data do ingresso no atendimento. (Lei 13.840/19) § 7º. As informações produzidas na avaliação e as registradas no plano individual de atendimento são consideradas sigilosas. (Lei 13.840/19) Art. 24 A União, os Estados, o DF e os Municípios poderão conceder benefícios às instituições privadas que desenvolverem programas de reinserção no mercado de trabalho, do usuário e do dependente de drogas encaminhados por órgão oficial. Art. 25 As instituições da sociedade civil, sem fins lucrativos, com atuação nas áreas da atenção à saúde e da assistência social, que atendam usuários ou dependentes de drogas poderão receber recursos do Funad, condicionados à sua disponibilidade orçamentária e financeira. Art. 26 O usuário e o dependente de drogas que, em razão da prática de infração penal, estiverem cumprindo pena privativa de liberdade ou submetidos a medida de segurança, têm garantidos os serviços de atenção à sua saúde, definidos pelo respectivo sistema penitenciário. Seção VI - Do Acolhimento em Comunidade Terapêutica Acolhedora Art. 26-A O acolhimento do usuário ou dependente de drogas na comunidade terapêutica acolhedora caracteriza-se por: (Lei 13.840/19) I. oferta de projetos terapêuticos ao usuário ou dependente de drogas que visam à abstinência; (Lei 13.840/19) II. adesão e permanência voluntária, formalizadas por escrito, entendida como uma etapa transitória para a reinserção social e econômicado usuário ou dependente de drogas; (Lei 13.840/19) III. ambiente residencial, propício à formação de vínculos, com a convivência entre os pares, atividades práticas de valor educativo e a promoção do desenvolvimento pessoal, vocacionada para acolhimento ao usuário ou dependente de drogas em vulnerabilidade social; (Lei 13.840/19) IV. avaliação médica prévia; (Lei 13.840/19) V. elaboração de plano individual de atendimento na forma do art. 23-B desta Lei; e (Lei 13.840/19) VI. vedação de isolamento físico do usuário ou dependente de drogas. (Lei 13.840/19) § 1º. Não são elegíveis para o acolhimento as pessoas com comprometimentos biológicos e psicológicos de natureza grave que mereçam atenção médico-hospitalar contínua ou de emergência, caso em que deverão ser encaminhadas à rede de saúde. (Lei 13.840/19) §§ 2º a 5º. (VETADOS) Capítulo III - Dos Crimes e das Penas Art. 27 As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor. 138 Art. 28 Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, PARA CONSUMO PESSOAL, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I. advertência sobre os efeitos das drogas; II. prestação de serviços à comunidade; III. medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. § 1º. Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. § 2º. Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente. § 3º. As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. § 4º. Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 meses. § 5º. A prestação de serviços à comunidade será cumprida em programas comunitários, entidades educacionais ou assistenciais, hospitais, estabelecimentos congêneres, públicos ou privados sem fins lucrativos, que se ocupem, preferencialmente, da prevenção do consumo ou da recuperação de usuários e dependentes de drogas. § 6º. Para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a: I. admoestação verbal; II. multa. § 7º. O juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado. PRINCIPAIS ASPECTOS DO CRIME DE PORTE DE DROGA PARA CONSUMO PRÓPRIO * OBJETIVIDADE JURÍDICA A saúde pública. TIPO OBJETIVO › Condutas típicas: adquirir, guardar, ter em depósito, transportar ou trazer consigo. O uso pretérito constatado em exame de sangue ou urina não constitui crime. › Objeto material: droga. Trata-se de norma penal em branco, que depende da menção ao princípio ativo em leis ou normas infralegais. › Elemento normativo: que a conduta seja realizada sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar ELEMENTO SUBJETIVO Intenção de consumo pessoal da droga. SUJEITO ATIVO Pode ser qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. SUJEITO PASSIVO A coletividade. CONSUMAÇÃO No instante em que o agente realiza a conduta típica. Algumas são permanentes, como ter em depósito ou transportar. TENTATIVA Possível na tentativa de aquisição. FIGURA EQUIPARADA Semear, cultivar ou colher plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de droga para consumo pessoal. 139 PENAS › Advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade ou comparecimento a programa ou curso educativo. O prazo máximo nas duas últimas hipóteses é de 5 meses ou, se o réu for reincidente, de 10 meses. Para garantia do cumprimento das medidas, o juiz poderá admoestar verbalmente o acusado ou aplicar-lhe pena de multa. › A prescrição se dá em 2 anos. AÇÃO PENAL É pública incondicionada, de competência do Juizado Especial Criminal. * Conforme destacam Victor Eduardo Rios e José Paulo Baltazar Junior. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O CRIME DO ART. 28 DA LEI DE DROGAS O autor da conduta do art. 28 da Lei de Drogas deve ser encaminhado diretamente ao juiz, que irá lavrar o termo circunstanciado e fará a requisição dos exames e perícias; somente se não houver juiz é que tais providências serão tomadas pela autoridade policial; essa previsão é constitucional. O STF, interpretando os §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006, afirmou que o autor do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 deve ser encaminhado imediatamente ao juiz e o próprio magistrado irá lavrar o termo circunstanciado e requisitar os exames e perícias necessários. Se não houver disponibilidade do juízo competente, deve o autor ser encaminhado à autoridade policial, que então adotará essas providências (termo circunstanciado e requisição). Não há qualquer inconstitucionalidade nessa previsão. Isso porque a lavratura de termo circunstanciado e a requisição de exames e perícias não são atividades de investigação. Considerando-se que o termo circunstanciado não é procedimento investigativo, mas sim uma mera peça informativa com descrição detalhada do fato e as declarações do condutor do flagrante e do autor do fato, devese reconhecer que a possibilidade de sua lavratura pela autoridade judicial (magistrado) não ofende os §§ 1º e 4º do art. 144 da Constituição, nem interfere na imparcialidade do julgador. As normas dos §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006 foram editadas em benefício do usuário de drogas, visando afastá-lo do ambiente policial, quando possível, e evitar que seja indevidamente detido pela autoridade policial. STF. Plenário. ADI 3807, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 29/06/2020 (Info 986) O cometimento do crime do art. 28 da Lei de Drogas deve receber o mesmo tratamento que a contravenção penal, para fins de revogação facultativa da suspensão condicional do processo. A suspensão será obrigatoriamente revogada se, no curso do prazo o beneficiário vier a ser processado por outro crime (art. 89, § 3º da Lei nº 9.099/95). Trata-se de causa de revogação obrigatória. Por outro lado, a suspensão poderá ser revogada pelo juiz se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção (art. 89, § 4º). Trata-se de causa de revogação facultativa. O processamento do réu pela prática da conduta descrita no art. 28 da Lei de Drogas no curso do período de prova deve ser considerado como causa de revogação facultativa da suspensão condicional do processo. A contravenção penal tem efeitos primários mais deletérios que o crime do art. 28 da Lei de Drogas. Assim, mostra-se desproporcional que o mero processamento do réu pela prática do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 torne obrigatória a revogação da suspensão condicional do processo, enquanto o processamento por contravenção penal ocasione a revogação facultativa. STJ. 5ª Turma. REsp 1.795.962-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 10/03/2020 (Info 668) Em regra, compete à Justiça Estadual julgar habeas corpus preventivo destinado a permitir o cultivo e o porte de maconha para fins medicinais. Compete à Justiça Estadual o pedido de habeas corpus preventivo para viabilizar, para fins medicinais, o cultivo, uso, porte e produção artesanal da Cannabis (maconha), bem como porte em outra unidade da federação, quando não demonstrada a internacionalidade da conduta. STJ. 3ª Seção.CC 171.206-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 10/06/2020 (Info 673) 140 A condenação pelo art. 28 da Lei 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da Lei de Drogas para fins de reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do art. 28 da Lei de Drogas está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. em 21/08/2018 (Info 632). Art. 29 Na imposição da medida educativa a que se refere o inciso II do § 6º do art. 28 (MULTA), o juiz, atendendo à reprovabilidade da conduta, fixará o número de dias-multa, em quantidade nunca inferior a 40 nem superior a 100, atribuindo depois a cada um, segundo a capacidade econômica do agente, o valor de 1/30 até 3 vezes o valor do maior salário mínimo. Parágrafo único. Os valores decorrentes da imposição da multa a que se refere o § 6º do art. 28 serão creditados à conta do Fundo Nacional Antidrogas. PENA DE MULTA NA LEI DE DROGAS CONSUMO PESSOAL TRÁFICO DE DROGAS E OUTROS 1ª FASE (dias-multa) 40 a 100 dias-multa (art. 29) Os tipos penais trazem os patamares mínimo e máximo de dias-multa. Para a fixação, será dosado levando-se em conta, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do CP, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente. (art. 42) 2ª FASE (valor) 1/30 até 3x o salário mínimo (art. 29) 1/30 até 5x o salário mínimo (art. 43) AUMENTO - Pode ser aumentada até o décuplo se, em virtude situação econômica do acusado, considerá- las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo. (art. 43, parágrafo único, 2ª parte) CONCURSO DE CRIMES - Aplica-se cumulativamente (art. 43, parágrafo único, 1ª parte) DESTINAÇÃO Fundo Nacional Antidrogas Fundo Penitenciário Nacional Art. 30 PRESCREVEM em 2 anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal. 141 TÍTULO IV - DA REPRESSÃO À PRODUÇÃO NÃO AUTORIZADA E AO TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS Capítulo I - Disposições Gerais Art. 31 É indispensável a licença prévia da autoridade competente para produzir, extrair, fabricar, transformar, preparar, possuir, manter em depósito, importar, exportar, reexportar, remeter, transportar, expor, oferecer, vender, comprar, trocar, ceder ou adquirir, para qualquer fim, drogas ou matéria-prima destinada à sua preparação, observadas as demais exigências legais. Art. 32 As PLANTAÇÕES ILÍCITAS serão imediatamente destruídas pelo delegado de polícia na forma do art. 50-A, que recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições encontradas , com a delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova. (Lei 12.961/14) PRAZO PARA DESTRUIÇÃO DA DROGA PLANTAÇÕES ILÍCITAS (art. 32) COM ou SEM prisão em flagrante Imediatamente DROGAS APREENDIDAS (art. 50, § 4º) COM prisão em flagrante 15 dias DROGAS APREENDIDAS (art. 50-A) SEM prisão em flagrante Prazo máximo de 30 dias §§ 1º e 2º. (REVOGADOS pela Lei 12.961/14) § 3º. Em caso de ser utilizada a queimada para destruir a plantação, observar-se-á, além das cautelas necessárias à proteção ao meio ambiente, o disposto no Decreto 2.661/98 no que couber, dispensada a autorização prévia do órgão próprio do Sistema Nacional do Meio Ambiente - Sisnama. § 4º. As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão expropriadas, conforme o disposto no art. 243 da Constituição Federal, de acordo com a legislação em vigor. Capítulo II - Dos Crimes Art. 33 Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena: reclusão de 5 a 15 anos e pagamento de 500 a 1.500 dias-multa. § 1º. NAS MESMAS PENAS INCORRE QUEM: I. importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas; II. semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas; 142 III. utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. IV. vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Lei 13.964/19) A conduta de transportar folhas de coca melhor se amolda, em tese e para a definição de competência, ao tipo descrito no § 1º, I, do art. 33 da Lei nº 11.343/2006, que criminaliza o transporte de matéria-prima destinada à preparação de drogas. STJ. 3ª Seção. CC 172.464-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 10/06/2020 (Info 673) JDPP 7: Não fica caracterizado o crime do inciso IV do § 1º do art. 33 da Lei 11.343/2006, incluído pela Lei Anticrime, quando o policial disfarçado provoca, induz, estimula ou incita alguém a vender ou a entregar drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à sua preparação (flagrante preparado), sob pena de violação do art. 17 do Código Penal e da Súmula 145 do STF. § 2º. Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: (Vide ADI nº 4.274) Pena: detenção, de 1 a 3 anos, e multa de 100 a 300 dias-multa. § 3º. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: Pena: detenção, de 6 meses a 1 ano, e pagamento de 700 a 1.500 dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28. § 4º. Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de 1/6 a 2/3, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. TRÁFICO PRIVILEGIADO REQUISITOS › O agente seja primário › De bons antecedentes › Não se dedique às atividades criminosas› Nem integre organização criminosa NATUREZA JURÍDICA Causa de diminuição de pena REDUÇÃO Poderão ser reduzidas de 1/6 a 2/3 JURISPRUDÊNCIA SOBRE TRÁFICO PRIVILEGIADO É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas pelo simples fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado? STJ: SIM. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/12/2016 (Info 596) STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 539.666/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 05/03/2020 STF: NÃO. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela preclusão maior (coisa julgada). STF. 1ª Turma. HC 166385/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/4/2020 (Info 973) O crime de tráfico privilegiado de drogas não tem natureza hedionda. O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831) NÃO É POSSÍVEL PARA MAUS ANTECEDENTES/AUMENTO DA PENA BASE Highlight 143 A habitualidade no crime e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º) seja afastado por simples presunção. A Lei de Drogas prevê, em seu art. 33, § 4º, a figura do “traficante privilegiado”, também chamada de “traficância menor” ou “traficância eventual”: A habitualidade no crime e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício seja afastado por simples presunção. Assim, se não houver prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução da pena. A quantidade e a natureza são circunstâncias que, apesar de configurarem elementos determinantes na definição do quanto haverá de diminuição, não são elementos que, por si sós, possam indicar o envolvimento com o crime organizado ou a dedicação a atividades criminosas. Vale ressaltar, por fim, que é possível a aplicação deste benefício mesmo para condenados por tráfico transnacional de drogas. STF. 2ª Turma. HC 152001 AgR/MT, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/10/2019 (Info 958) Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime de tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação. Não se admite a fixação automática do regime fechado ou semiaberto pelo simples fato de ser tráfico de drogas. Não se admite, portanto, que o regime semiaberto tenha sido fixado utilizando-se como único fundamento o fato de ser crime de tráfico, não obstante se tratar de tráfico privilegiado e ser o réu primário, com bons antecedentes. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 163231/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/6/2019 (Info 945) Art. 34 Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, MAQUINÁRIO, APARELHO, INSTRUMENTO ou QUALQUER OBJETO destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena: reclusão, de 3 a 10 anos, e pagamento de 1.200 a 2.000 dias-multa. O art. 34 fica absorvido pelo art. 33, se ambos forem praticados no mesmo contexto – Princípio da consunção. Art. 35 Associarem-se 2 ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: Pena: reclusão, de 3 a 10 anos, e pagamento de 700 a 1.200 dias-multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei. ASSOCIAÇÃO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA (Art. 288 do CP) ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO (Art. 35 da Lei 11.343/06) ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA (Art. 1°, § 1º, da Lei 12.850/13) 3 ou mais pessoas 2 ou mais pessoas 4 ou mais pessoas Dispensa estrutura ordenada e divisão de tarefas Pressupõe estrutura ordenada e divisão de tarefas, ainda que informalmente A busca da vantagem é dispensável, porém comum A busca da vantagem é dispensável Com o objetivo de obter vantagem de qualquer natureza NECESSITA DE ESTABILIDADE E PERMANÊNCIA + NÃO É EQUIPARADO A HEDIONDO 144 Com o fim específico de cometer crimes Com o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei Mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 anos, ou de caráter transnacional Reclusão, de 1 a 3 anos Reclusão, de 3 a 10 anos Reclusão, de 3 a 8 anos Art. 36 Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput (tráfico) e § 1º (tráfico equiparado), e 34 desta Lei (tráfico de maquinário): Pena: reclusão, de 8 a 20 anos, e pagamento de 1.500 a 4.000 dias-multa. Art. 37 Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput (tráfico) e § 1º (tráfico equiparado), e 34 desta Lei (tráfico de maquinário): Pena: reclusão, de 2 a 6 anos, e pagamento de 300 a 700 dias-multa. Art. 38 PRESCREVER ou MINISTRAR, CULPOSAMENTE, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena: detenção, de 6 meses a 2 anos, e pagamento de 50 a 200 dias-multa. Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que pertença o agente. Art. 39 Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas , expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: Pena: detenção, de 6 meses a 3 anos, além da apreensão do veículo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento de 200 a 400 dias-multa. Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4 a 6 anos e de 400 a 600 dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for de transporte coletivo de passageiros. Art. 40 As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são AUMENTADAS de 1/6 a 2/3, se: I. a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; II. o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância; III. a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, deunidades militares ou policiais ou em transportes públicos; IV. o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva; V. caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o DF; VI. sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação; VII. o agente financiar ou custear a prática do crime. ÚNICO CRIME CULPOSO DA LEI NÃO TRATA DE VEÍCULO AUTOMOTOR 145 JDPP 2: Para a aplicação do art. 40, VI, da Lei 11.343/06, é necessária a prova de que a criança ou adolescente atua ou é utilizada, de qualquer forma, para a prática do crime, ou figura como vítima, não sendo a mera presença da criança ou adolescente no contexto delitivo causa suficiente para a incidência da majorante. Art. 41 O indiciado ou acusado que COLABORAR VOLUNTARIAMENTE com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena REDUZIDA de 1/3 a 2/3. COLABORAÇÃO PREMIADA NA LEI DE DROGAS REQUISITOS › Identificação dos demais coautores ou partícipes do crime; e › Recuperação total ou parcial do produto do crime BENEFÍCIOS › No caso de condenação, terá pena reduzida de 1/3 a 2/3 Art. 42 O juiz, na fixação das penas, CONSIDERARÁ, COM PREPONDERÂNCIA sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente. Art. 43 Na fixação da MULTA a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos acusados, valor não inferior a 1/30 nem superior a 5x o maior salário-mínimo. Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo. Art. 44 Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos. Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de 2/3 da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico. Art. 45 É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada, INTEIRAMENTE INCAPAZ de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado. Art. 46 As penas podem ser REDUZIDAS de 1/3 a 2/3 se, por força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a PLENA CAPACIDADE de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. CAPACIDADE RELATIVA 146 Art. 47 Na sentença condenatória, o juiz, com base em avaliação que ateste a necessidade de encaminhamento do agente para tratamento, realizada por profissional de saúde com competência específica na forma da lei, determinará que a tal se proceda, observado o disposto no art. 26 desta Lei. Capítulo III - Do Procedimento Penal Art. 48 O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal. § 1º. O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei (consumo pessoal), salvo se houver concurso com os crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, será processado e julgado na forma dos arts. 60 e seguintes da Lei 9.099/95, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais. § 2º. Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei (consumo pessoal), não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando- se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. § 3º. Se ausente a autoridade judicial, as providências previstas no § 2º deste artigo serão tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a detenção do agente. (Vide ADIN 3807) § 4º. Concluídos os procedimentos de que trata o § 2º deste artigo, o agente será submetido a exame de corpo de delito, se o requerer ou se a autoridade de polícia judiciária entender conveniente, e em seguida liberado. § 5º. Para os fins do disposto no art. 76 da Lei 9.099, de 1995, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais, o Ministério Público poderá propor a aplicação imediata de pena prevista no art. 28 desta Lei, a ser especificada na proposta. Art. 49 Tratando-se de condutas tipificadas nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, sempre que as circunstâncias o recomendem, empregará os instrumentos protetivos de colaboradores e testemunhas previstos na Lei 9.807/99. Seção I - Da Investigação Art. 50 Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 horas. § 1º. Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. O laudo preliminar possui natureza jurídica de condição objetiva de procedibilidade. Dessa forma, caso a denúncia seja oferecida sem o laudo de constatação, não haverá justa causa para a ação penal. Nos casos em que ocorre a apreensão da droga, o laudo toxicológico definitivo é, em regra, imprescindível para a condenação pelo crime de tráfico ilícito de entorpecentes, sob pena de se ter por incerta a materialidade do delito e, por conseguinte, ensejar a absolvição do acusado. Em situações excepcionais, admite-se que a comprovação da materialidade do crime possa ser efetuada por meio do laudo de constatação provisório, quando ele permita grau de certeza idêntico ao do laudo definitivo, pois elaborado por perito oficial, em procedimento e com conclusões equivalentes. STJ. 3ª Seção. EREsp 1544057/RJ, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 26/10/2016. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE 147 PERITO - CPP E LEI DE DROGAS CPP (art. 159, caput e § 1º) LEI DE DROGAS (art. 50, § 1º, da Lei 11.343) 1 perito OFICIAL 1 perito OFICIAL Na falta: 2 pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica. Na falta: 1 pessoa idônea § 2º. O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste artigo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. § 3º. Recebida cópia do auto de prisão em flagrante, o juiz, no prazo de 10 dias, certificará a regularidade formal do laudo de constatação e determinará a destruição das drogas apreendidas, guardando-se amostra necessária à realização do laudo definitivo. (Lei 12.961/14) § 4º. A destruição das drogas será executada pelo delegado de polícia competente no prazo de 15 dias na presença do Ministério Públicoe da autoridade sanitária. (Lei 12.961/14) § 5º. O local será vistoriado antes e depois de efetivada a destruição das drogas referida no § 3º, sendo lavrado auto circunstanciado pelo delegado de polícia, certificando-se neste a destruição total delas. (Lei 12.961/14) Art. 50-A A destruição das drogas apreendidas sem a ocorrência de prisão em flagrante será feita por incineração, no prazo máximo de 30 dias contados da data da apreensão, guardando-se amostra necessária à realização do laudo definitivo. (Lei 13.840/19) Art. 51 O inquérito policial será concluído no prazo de 30 dias, se o indiciado estiver preso, e de 90 dias, quando solto. Parágrafo único. Os prazos a que se refere este artigo podem ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária. PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL PRESO SOLTO REGRA GERAL DO CPP (Art. 10 do CPP) 10 dias 30 dias Exceções na Legislação Especial JUSTIÇA FEDERAL (Art. 66 da Lei 5.010/66) 15 + 15 dias 30 dias CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR (Art. 10 da Lei 1.521/51) 10 dias 10 dias LEI DE DROGAS (Art. 51 da Lei 11.343/06) 30 + 30 dias 90 + 90 dias INQUÉRITO MILITAR (Art. 20 do CPPM) 20 dias 40 + 20 dias Art. 52 Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a autoridade de polícia judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo: I. relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões que a levaram à classificação do delito, indicando a quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os antecedentes do agente; ou II. requererá sua devolução para a realização de diligências necessárias. 148 Parágrafo único. A remessa dos autos far-se-á sem prejuízo de diligências complementares: I. necessárias ou úteis à plena elucidação do fato, cujo resultado deverá ser encaminhado ao juízo competente até 3 dias antes da audiência de instrução e julgamento; II. necessárias ou úteis à indicação dos bens, direitos e valores de que seja titular o agente, ou que figurem em seu nome, cujo resultado deverá ser encaminhado ao juízo competente até 3 dias antes da audiência de instrução e julgamento. Art. 53 Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, os seguintes procedimentos investigatórios: I. a infiltração por agentes de polícia, em tarefas de investigação, constituída pelos órgãos especializados pertinentes; II. a não-atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição, sem prejuízo da ação penal cabível. Parágrafo único. Na hipótese do inciso II deste artigo, a autorização será concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores. INFILTRAÇÃO DE AGENTES ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS (arts. 10 a 14) ECA (arts. 190-A a 190-E) LEI DE DROGAS (art. 53, I) LAVAGEM DE DINHEIRO (art. 1º, § 6º) Crimes: Organizações criminosas Crimes: ECA: arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241- C e 241-D; CP: arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B Crimes: Tráfico de drogas Crimes: Lavagem de dinheiro Prazo: 6 meses (podendo ser sucessivamente prorrogada) Prazo: 90 dias (sendo permitidas renovações, mas o prazo total da infiltração não poderá exceder 720 dias) Não prevê prazo máximo Só poderá ser adotada se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis (ultima ratio) Não disciplina procedimento a ser adotado É cabível a infração policial virtual A infiltração de agentes ocorre apenas na internet - - NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL NA AÇÃO CONTROLADA ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NÃO A ação controlada prevista no § 1º do art. 8º da Lei 12.850/13 (Organização Criminosa) INDEPENDE DE AUTORIZAÇÃO, bastando sua comunicação prévia à autoridade judicial. LEI DE DROGAS SIM A ação controlada é chamada de não-atuação policial (Art. 53, II, da Lei 11.343/06). Neste caso, exige-se a autorização judicial, informando o itinerário provável e a identificação dos agentes e dos colaboradores da infração penal. 6 MESES PONDENDO SER RENOVADO, DESDE QUE NÃO ULTRAPASSE 720d 149 LAVAGEM DE DINHEIRO SIM Art. 4º-B da Lei 9.613/98: a ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações. Seção II - Da Instrução Criminal Art. 54 Recebidos em juízo os autos do inquérito policial, de Comissão Parlamentar de Inquérito ou peças de informação, dar-se-á vista ao Ministério Público para, no prazo de 10 dias, adotar uma das seguintes providências: I. requerer o arquivamento; II. requisitar as diligências que entender necessárias; III. oferecer denúncia, arrolar até 5 testemunhas e requerer as demais provas que entender pertinentes. NÚMERO DE TESTEMUNHAS 8 › Procedimento Ordinário (art. 401 do CPP) › 1ª Fase do Júri (art. 401 do CPP) 6 › Procedimento Ordinário – CPPM (art. 77, h, do CPPM) › Lei de Crimes Contra a Economia Popular (art. 23, I, da Lei 1.521/51) 5 › Procedimento Sumário (art. 532 do CPP) › 2ª Fase do Júri (art. 422 do CPP) › Lei de Drogas (art. 54, III, da Lei 11.343/06) 3 › Procedimento Sumaríssimo (art. 34 da Lei 9.099/95) Art. 55 Oferecida a denúncia, o juiz ordenará a notificação do acusado para oferecer defesa prévia, por escrito, no prazo de 10 dias. § 1º. Na resposta, consistente em defesa preliminar e exceções, o acusado poderá arguir preliminares e invocar todas as razões de defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas que pretende produzir e, até o número de 5, arrolar testemunhas. § 2º. As exceções serão processadas em apartado, nos termos dos arts. 95 a 113 do CPP. § 3º. Se a resposta não for apresentada no prazo, o juiz nomeará defensor para oferecê-la em 10 dias, concedendo-lhe vista dos autos no ato de nomeação. § 4º. Apresentada a defesa, o juiz decidirá em 5 dias. § 5º. Se entender imprescindível, o juiz, no prazo máximo de 10 dias, determinará a apresentação do preso, realização de diligências, exames e perícias. Art. 56 Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para a audiência de instrução e julgamento, ordenará a citação pessoal do acusado, a intimação do Ministério Público, do assistente, se for o caso, e requisitará os laudos periciais. § 1º. Tratando-se de condutas tipificadas como infração do disposto nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o AFASTAMENTO CAUTELAR do denunciado de suas atividades, se for funcionário público , comunicando ao órgão respectivo. § 2º. A audiência a que se refere o caput deste artigo será realizada dentro dos 30 dias seguintes ao recebimento da denúncia, salvo se determinada a realização de avaliação para atestar dependência de drogas, quando se realizará em 90 dias. 150 Art. 57 Na audiência de instrução e julgamento, após o interrogatório do acusado e a inquirição das testemunhas, será dada a palavra, sucessivamente, ao representante do Ministério Público e ao defensor do acusado, para sustentação oral, pelo prazo de 20 minutos para cada um, prorrogável por mais 10, a critério do juiz. Parágrafo único. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido, formulandoas perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante. Art. 58 Encerrados os debates, proferirá o juiz sentença de imediato, ou o fará em 10 dias, ordenando que os autos para isso lhe sejam conclusos. §§ 1º e 2º. (REVOGADOS pela Lei 12.961/14) Art. 59 Nos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o réu não poderá apelar sem recolher-se à prisão, salvo se for primário e de bons antecedentes, assim reconhecido na sentença condenatória. Capítulo IV - Da Apreensão, Arrecadação e Destinação de Bens do Acusado Art. 60 O juiz, a requerimento do Ministério Público ou do assistente de acusação, ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras medidas assecuratórias nos casos em que haja suspeita de que os bens, direitos ou valores sejam produto do crime ou constituam proveito dos crimes previstos nesta Lei, procedendo-se na forma dos arts. 125 e seguintes do CPP. (Lei 13.840/19) §§ 1º e 2º. (REVOGADOS pela Lei 13.840/19) § 3º. Na hipótese do art. 366 do CPP, o juiz poderá determinar a prática de atos necessários à conservação dos bens, direitos ou valores. (Lei 13.840/19) § 4º. A ordem de apreensão ou sequestro de bens, direitos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações. (Lei 13.840/19) Art. 60-A Se as medidas assecuratórias de que trata o art. 60 desta Lei recaírem sobre moeda estrangeira, títulos, valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem de pagamento, será determinada, imediatamente, a sua conversão em moeda nacional. (Lei 13.886/19) § 1º. A moeda estrangeira apreendida em espécie deve ser encaminhada a instituição financeira, ou equiparada, para alienação na forma prevista pelo Conselho Monetário Nacional. (Lei 13.886/19) § 2º. Na hipótese de impossibilidade da alienação a que se refere o § 1º deste artigo, a moeda estrangeira será custodiada pela instituição financeira até decisão sobre o seu destino. (Lei 13.886/19) § 3º. Após a decisão sobre o destino da moeda estrangeira a que se refere o § 2º deste artigo, caso seja verificada a inexistência de valor de mercado, seus espécimes poderão ser destruídos ou doados à representação diplomática do país de origem. (Lei 13.886/19) § 4º. Os valores relativos às apreensões feitas antes da data de entrada em vigor da Medida Provisória 885/19 e que estejam custodiados nas dependências do Banco Central do Brasil devem ser transferidos à Caixa Econômica Federal, no prazo de 360 dias, para que se proceda à alienação ou custódia, de acordo com o previsto nesta Lei. (Lei 13.886/19) DE OFÍCIO NÃO 151 Art. 61 A apreensão de veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte e dos maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza utilizados para a prática dos crimes definidos nesta Lei será imediatamente comunicada pela autoridade de polícia judiciária responsável pela investigação ao juízo competente. (Lei 13.840/19) § 1º. O juiz, no prazo de 30 dias contado da comunicação de que trata o caput, determinará a alienação dos bens apreendidos, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma da legislação específica. (Lei 13.840/19) § 2º. A alienação será realizada em autos apartados, dos quais constará a exposição sucinta do nexo de instrumentalidade entre o delito e os bens apreendidos, a descrição e especificação dos objetos, as informações sobre quem os tiver sob custódia e o local em que se encontrem. (Lei 13.840/19) § 3º. O juiz determinará a avaliação dos bens apreendidos , que será realizada por oficial de justiça, no prazo de 5 dias a contar da autuação, ou, caso sejam necessários conhecimentos especializados, por avaliador nomeado pelo juiz, em prazo não superior a 10 dias. (Lei 13.840/19) § 4º. Feita a avaliação, o juiz intimará o órgão gestor do Funad, o Ministério Público e o interessado para se manifestarem no prazo de 5 dias e, dirimidas eventuais divergências, homologará o valor atribuído aos bens. (Lei 13.840/19) § 5º. (VETADO) §§ 6º a 8º. (REVOGADOS pela Lei 13.886/19) § 9º. O Ministério Público deve fiscalizar o cumprimento da regra estipulada no § 1º deste artigo. (Lei 13.886/19) § 10. Aplica-se a todos os tipos de bens confiscados a regra estabelecida no § 1º deste artigo. (Lei 13.886/19) § 11. Os bens móveis e imóveis devem ser vendidos por meio de hasta pública, preferencialmente por meio eletrônico, assegurada a venda pelo maior lance, por preço não inferior a 50% do valor da avaliação judicial. (Lei 13.886/19) § 12. O juiz ordenará às secretarias de fazenda e aos órgãos de registro e controle que efetuem as averbações necessárias, tão logo tenha conhecimento da apreensão. (Lei 13.886/19) § 13. Na alienação de veículos, embarcações ou aeronaves , a autoridade de trânsito ou o órgão congênere competente para o registro, bem como as secretarias de fazenda, devem proceder à regularização dos bens no prazo de 30 dias, ficando o arrematante isento do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário. (Lei 13.886/19) § 14. Eventuais multas, encargos ou tributos pendentes de pagamento não podem ser cobrados do arrematante ou do órgão público alienante como condição para regularização dos bens. (Lei 13.886/19) § 15. Na hipótese de que trata o § 13 deste artigo, a autoridade de trânsito ou o órgão congênere competente para o registro poderá emitir novos identificadores dos bens. (Lei 13.886/19) Art. 62 Comprovado o interesse público na utilização de quaisquer dos bens de que trata o art. 61, os órgãos de polícia judiciária, militar e rodoviária poderão deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o objetivo de sua conservação, mediante autorização judicial, ouvido o Ministério Público e garantida a prévia avaliação dos respectivos bens. (Lei 13.840/19) § 1º. (REVOGADO pela Lei 13.886/19) § 1º-A. O juízo deve cientificar o órgão gestor do Funad para que, em 10 dias, avalie a existência do interesse público mencionado no caput deste artigo e indique o órgão que deve receber o bem. (Lei 13.886/19) § 1º-B. Têm prioridade, para os fins do § 1º-A deste artigo, os órgãos de segurança pública que participaram das ações de investigação ou repressão ao crime que deu causa à medida. (Lei 13.886/19) § 2º. A autorização judicial de uso de bens deverá conter a descrição do bem e a respectiva avaliação e indicar o órgão responsável por sua utilização. (Lei 13.840/19) § 3º. O órgão responsável pela utilização do bem deverá enviar ao juiz periodicamente, ou a qualquer momento quando por este solicitado, informações sobre seu estado de conservação. (Lei 13.840/19) 152 § 4º. Quando a autorização judicial recair sobre veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade ou ao órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento em favor do órgão ao qual tenha deferido o uso ou custódia, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores à decisão de utilização do bem até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. (Lei 13.840/19) § 5º. Na hipótese de levantamento, se houver indicação de que os bens utilizados na forma deste artigo sofreram depreciação superior àquela esperada em razão do transcurso do tempo e do uso, poderá o interessado requerer nova avaliação judicial. (Lei 13.840/19) § 6º. Constatada a depreciação de que trata o § 5º, o ente federado ou a entidade que utilizou o bem indenizará o detentor ou proprietário dos bens. (Lei 13.840/19) §§ 7º a 11. (REVOGADOS pela Lei 13.840/19) Art. 62-A O depósito, em dinheiro, de valores referentes ao produto da alienação ou a numerários apreendidos ou que tenham sido convertidos deve ser efetuado na Caixa