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Prova de Português 1. Questão 1 Texto: É fato sabido há séculos que o desenvolvimento econômico está intimamente ligado ao crescimento da produtividade. O nó da questão são os fatores que determinam o aumento da produtividade. Há até duas décadas, a discussão se concentrava em apenas quatro pontos: estoque de capital físico por trabalhador; conhecimento tecnológico; grau de adestramento da mão de obra; e economias de escala. Nos últimos anos, vários outros fatores vêm-se associando à determinação da produtividade: o funcionamento do sistema de preços; a estabilidade da moeda; a estabilidade das regras econômicas; o nível de educação geral e moral da população; o sistema tributário; o funcionamento do mercado de capitais; a capacidade de competição internacional; e a cultura da empresa. A razão para esse aprofundamento do conceito de produtividade resulta de uma observação simples segundo a qual, numa sociedade marcada pela extensa divisão do trabalho, a produtividade não pode ser medida apenas pelo ângulo do fabricante, disposto a obter o produto com o mínimo possível de recursos. Ela precisa ser vista também pela ótica do consumidor, que deve desejar esse produto. Ou seja, as produtividades setoriais precisam ser coordenadas para que se convertam em produtividade global. Isso obriga a sociedade a destacar de sua força de trabalho um elenco de fiscais de produtividade. Não lhes cabe produzir nada, a não ser obrigar os outros a produzir. Assim, conseguir essa fiscalização com o mínimo de fiscais é essencial para a determinação da produtividade. (Mário Henrique Simonsen) O título que melhor se adequaria ao texto é: Escolha uma: a. Liberar o comércio exige coragem. b. Economia do susto. c. Produtividade é o que importa. d. Inventário da década perdida. e. Tecnologia força o liberalismo. A resposta correta é: Produtividade é o que importa.. 2. Questão 2 Marque a opção que não constitui paráfrase do segmento abaixo: "O abolicionismo, que logrou pôr fim à escravidão nas Antilhas Britânicas, teve peso ponderável na política antinegreira dos governos britânicos durante a primeira metade do século passado. Mas tiveram peso também os interesses capitalistas, comerciais e industriais, que desejavam expandir o mercado ultramarino, de produtos industriais e viam na inevitável miséria do trabalhador escravo um obstáculo para este desiderato." (P. Singer, A formação da classe operária, São Paulo, Atual, 1988, p.44) Escolha uma: a. Os interesses capitalistas que buscavam ampliar o mercado para seus produtos industriais tiveram peso considerável na formulação da política antinegreira inglesa, mas teve-o também a consciência liberal antiescravista. b. Na primeira metade do século passado, a despeito da forte pressão do mercado ultramarino em criar consumidores potenciais para seus produtos industriais, foi o movimento abolicionista o motor que pôs cobro à miséria do trabalhador escravo. c. Ocorreu uma combinação de idealismo e interesses materiais, na primeira metade do século XIX, na formulação da política britânica de oposição à escravidão negreira. d. A política antinegreira da Grã-Bretanha na primeira metade do século passado foi fortemente influenciada não só pelo ideário abolicionista como também pela pressão das necessidades comerciais e industriais emergentes. e. Teve peso considerável na política antinegreira britânica, o abolicionismo. Mas as forças de mercado tiveram também peso, pois precisavam dispor de consumidores para seus produtos. A resposta correta é: Na primeira metade do século passado, a despeito da forte pressão do mercado ultramarino em criar consumidores potenciais para seus produtos industriais, foi o movimento abolicionista o motor que pôs cobro à miséria do trabalhador escravo.. 3. Questão 3 Texto: De modo geral, o século XVIII assistiu à passagem do sistema do mecenato, pelo qual o artista era financiado por um produtor opulento — secular ou eclesiástico — ao sistema de produção para o mercado. Sem dúvida, essa passagem foi gradual, e o mecenato não se extinguiu de todo. Giambattista Tiepolo passou a vida a serviço de protetores, como príncipe-bispo da Francônia e o rei da Espanha. Handel foi protegido pelos reis de Hanover. Mas pouco a pouco surgiu um novo personagem — o artista que vivia do seu trabalho e era remunerado por sua própria clientela. O livro podia ser vendido, e bem vendido. Dryden recebeu em 1697 a soma de 1400 libras por sua tradução de Virgílio. Pope enriqueceu com sua próprias obras e com a tradução da llíada e da Odisseia. Lessage ganhou a vida com seus romances e seu teatro. Surgiu o autor profissional. “Ser autor”, diz o Almanach des auteurs, de 1755, “hoje é uma profissão, como ser militar, eclesiástico ou financista.” Essa independência é assegurada pelo favor do público, às vezes tão caprichoso como os antigos mecenas, mas outorgando aos autores um grau de liberdade que seria impensável no passado. A independência não se limitava às letras. Um pintor como Reynolds enriqueceu com seus retratos, pelos quais cobrava preços astronômicos. A liberdade proporcionada pelo sucesso comercial não impedia os artistas de trabalharem para os grandes, mas permitia estabelecer com eles uma relação de altivez e até de arrogância. Contratado pela corte da Rússia para executar uma estátua de Pedro, O Grande, o escultor Falconet recusou os vários projetos que lhe haviam sido submetidos a título de sugestão e teve o gesto magnífico de não aceitar a remuneração de 400 mil libras que lhe foi proposta: soberbo de desdém, exigiu receber exatamente a metade da quantia. (Adaptado de Sérgio Paulo Rouanet, Ilustração e modernidade. In: Mal-estar na modernidade (ensaios). São Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 138) A alternativa que apresenta o resumo mais adequado do texto é: Escolha uma: a. De modo geral, no século XVIII se deu, de maneira progressiva, o abandono do sistema de mecenato pelo de produção para o mercado, dando origem à profissão de autor; o sucesso de vendas permitia liberdade antes desconhecida, que propiciava ao artista não só poder trabalhar inclusive com os poderosos, mas também assumir, na relação com eles, até atitudes arrogantes. b. De uma forma abrangente, pode-se dizer que o século XVIII foi o que permitiu que o produtor secular ou eclesiástico deixasse ao artista a liberdade de produzir para o mercado; muitos enriqueceram, como Dryden e Pope, outros continuaram a ser protegidos; autores e pintores eram livres para cobrar o que quisessem, e muitos, pelo sucesso, passaram a ser arrogantes até com os poderosos. c. De certa forma, o século XVIII viu nascer nova profissão, a do artista, oriunda do abandono pelos mecenas e da produção para o mercado; o autor, por exemplo, se tivesse traduzido ou produzido obras importantes (caso de Dryden ou Pope), podia ser independente, chegando até a ser prepotente com os poderosos quando queriam um trabalho seu. d. De modo geral, no século XVIII ocorreu a passagem lenta e permanente de sistemas de produção artística, sem que o mecenato se extinguisse (artistas como Handel continuaram a ser protegidos); quando surgiu a profissão de autor — como militar, por exemplo —, o público, mesmo exigente, deu-lhe liberdade, e o sucesso o fez ser arrogante até com os poderosos, de quem cobravam preços astronômicos. e. De certa forma, o século XVIII conheceu o processo de passagem de atividade artística de um polo a outro: do mecenato ao mercado; sem dúvida, lentamente, mas viu-se o aparecimento do novo personagem, o artista que vendia sua produção, e que podia ser mais livre; mesmo muito rigoroso, o público podia pagar bem, até enriquecendo o artista (caso de Reynolds) e tornando-o mais arrogante com os poderosos. A resposta corretaé: De modo geral, no século XVIII se deu, de maneira progressiva, o abandono do sistema de mecenato pelo de produção para o mercado, dando origem à profissão de autor; o sucesso de vendas permitia liberdade antes desconhecida, que propiciava ao artista não só poder trabalhar inclusive com os poderosos, mas também assumir, na relação com eles, até atitudes arrogantes.. 4. Questão 4 Texto: O saber produzido pelo iluminismo não conduzia à emancipação e sim à técnica e ciência moderna que mantêm com seu objeto uma relação ditatorial. Se Kant ainda podia acreditar que a razão humana permitiria emancipar os homens de seus entraves, auxiliando-os a dominar e controlar a natureza externa e interna, temos de reconhecer hoje que essa razão iluminista foi abortada. A razão que hoje se manifesta na ciência e na técnica é uma razão instrumental, repressiva. Enquanto o mito original se transformava em Iluminismo, a natureza se convertia em cega objetividade. Inicialmente a razão instrumental da ciência e técnica positivista tinha sido parte integrante da razão iluminista, mas no decorrer do tempo ela se autonomizou, voltando-se inclusive contra as suas tendências emancipatórias. (B. Freitag, A teoria crítica ontem e hoje, p. 35, com adaptações) Marque o item que dá continuidade às ideias do texto, de forma coesa e coerente. Escolha uma: a. A convicção partilhada pelos que acreditam no mito original de que, ao fazer uso da razão, o homem está preparado para iluminar a ciência e a técnica, fortaleceu-se no embate objetivo com o real. b. Por isso, a razão iluminista logrou seu intento ao assumir que os homens, sujeitos da história, dependem apenas de sua coragem e competência para dirigir o próprio destino. c. É, assim, pela razão instrumental proposta pelo iluminismo que a ciência e a técnica convertem-se em instrumento emancipatório do homem para, não só domesticar a natureza, mas também servir de libertação moral. d. Desta forma, a razão converteu-se em uma razão alienada que se desviou do seu objetivo emancipatório original, transformando-se em seu contrário: a razão instrumental, o controle totalitário da natureza e a dominação repressiva. e. Nesse sentido, o sujeito abstrato da história, o iluminismo em todo seu apogeu, passou a acreditar em uma outra forma de razão emancipatória: aquela que converte a natureza externa em interna. A resposta correta é: Desta forma, a razão converteu-se em uma razão alienada que se desviou do seu objetivo emancipatório original, transformando-se em seu contrário: a razão instrumental, o controle totalitário da natureza e a dominação repressiva.. 5. Questão 5 Texto: A Lei 9.677, de 2 de julho de 1998, alterou dispositivos do Código Penal, redefinindo os crimes contra a saúde pública. Todos sabemos que essa nova lei derivou da “descoberta” de falsificação e adulteração de medicamentos com requintes de desumanidade. Em alguns casos, venderam-se remédios para a cura ou o controle de doenças gravíssimas, como o câncer, causando, com toda razão, a revolta e a indignação da sociedade e dos consumidores e, o que é pior, a morte de um ainda incerto número de pessoas, lesadas pela avidez e engodo dos responsáveis por tal prática nefasta. A esses últimos não há como deixar de aplicar os rigores do Direito Penal (ainda que falido), pois quem, ciente de sua conduta, falsifica um remédio para tão grave doença ou o vende a um necessitado consumidor é, na verdade, um homicida, e com similar severidade penal deve ser tratado. Porém, o que o legislador deixou de fazer — como de costume — foi distinguir situações absolutamente distintas, preferindo, ao contrário, colocar dentro de uma vala comum condutas que apenas no verbo se assemelham. (Rogério Schietti Machado Cruz, Direito e Justiça, Correio Braziliense, 10.08.1998) O texto permite afirmar que o autor: Escolha uma: a. acredita que o procedimento legal de alteração do Código Penal, referido no texto, não condiz com a prática tradicional e costumeira dos legisladores. b. reconhece que o Direito Penal é satisfatório em seu texto e em sua aplicação para coibir e apenar crimes contra a saúde, prescindindo de alterações. c. considera a referida alteração dos dispositivos do Código Penal imperfeita, pois iguala e torna equivalentes perante a lei condutas distintas. d. considera que a prática de falsificação e adulteração de medicamentos distancia-se do crime de homicídio, por ser motivada apenas pela avidez econômica. e. está ciente de que a falsificação e adulteração de medicamentos chegou ao conhecimento do poder público após a alteração do Código Penal. A resposta correta é: considera a referida alteração dos dispositivos do Código Penal imperfeita, pois iguala e torna equivalentes perante a lei condutas distintas.. 6. Questão 6 Escolha o enunciado que contradiz informação do texto abaixo. Na última terça-feira, fiscais da Receita Federal fizeram uma blitz no Porto de Santos com resultados surpreendentes. Eles apreenderam 122 contêineres com uma carga de 1500 toneladas de mercadoria importada de maneira fraudulenta. Num deles, mochilas chinesas, dessas que a criançada usa na escola, por um preço declarado de 70 centavos de dólar a dúzia — ou 5 centavos a unidade, o que é um valor impraticável mesmo na China. Em outro, que deveria carregar “peças diversas” segundo o documento de importação, acharam uma perua van. No total, os produtos confiscados valem 41 milhões de reais. Essa foi a maior apreensão feita pela Receita Federal em sua história e aponta para um problema que está crescendo à sombra da abertura comercial. Na gíria dos fiscais, ele se chama “importabando”. Nessa operação, o importador malandro declara à Receita um valor muito menor do que realmente pagou por aquilo que está trazendo. O objetivo é recolher menos impostos e concorrer em posição de vantagem com o comerciante que importou de maneira legal. Não há um cálculo oficial sobre o volume de contrabando, ou de importações com documentação fraudada, que está ingressando no país, mas apenas uma estimativa feita pela Confederação Nacional de Comércio. Ela calcula que, no ano passado, produtos no valor de 15 bilhões de dólares foram importados irregularmente, causando uma perda fiscal de 4 bilhões. (Roger Ferreira e Leonel Rocha, Veja, 21.01.1998, adaptado) Escolha uma: a. Uma parte do problema se deve à falta de fiscais. b. Quem perde dinheiro e clientes com a importação fraudulenta é o fabricante brasileiro e o importador que não se desvia da lei. c. O aumento e a diversificação das importações são fatores inibidores das fraudes de subfaturamento. d. A corrupção é endêmica nos sistemas aduaneiros, e não só no Brasil. e. A Receita e a Polícia Federal abriram guerra contra a nova fórmula de contrabando. A resposta correta é: O aumento e a diversificação das importações são fatores inibidores das fraudes de subfaturamento.. 7. Questão 7 Texto: Com a exaltação de D. João III ao trono de Portugal se tornou claro o decréscimo dos rendimentos provindos do Brasil. Os primeiros contratos para o aproveitamento exclusivo de certos gêneros, depois a navegação facultada a quem satisfizesse a determinados direitos, finalmente as feitorias para guardar mercadorias ultramarinas ou recolher as da terra adquiridas pelos feitores no intervalo de uma a outra viagem, deram vantagem ao reinado anterior só na falta de concorrentes estrangeiros. A concorrência surgiu agora por força do pau-brasil. Ao contrário da generalidade de nossos vegetais, salteadamente distribuídos, o pau-brasil avultava em matos mais ou menos grossos, da Paraíba ao Rio Real, no Cabo Frio e em suas cercanias, à beira-mar ou logo adiante, permitindo fornecimentos fartos de matéria já conhecida e empregada em váriasindústrias europeias, e transporte cômodo para os portos de embarque. Quase simultaneamente foram tais paragens reconhecidas pelos portugueses e pelos franceses. Estes, de espírito mais aberto, inteligência mais ágil, gênio mais alegre, trato mais agradável, aprenderam a língua, acataram, alguns até adotaram, os costumes, captaram as simpatias dos indígenas, isto é, dos produtores, e pouco a pouco foram preponderando. Ao escambo da madeira vermelha juntaram outros. A nau La Pélerine levava uma carga de mais de sessenta mil ducados em pau-brasil, algodão, pimenta, papagaios, peles e óleos medicinais quando foi tomada em frente a Málaga. O comércio francês violava os privilégios conferidos por muitas bulas, e reconhecidos pelo pacto de Tordesilhas; minava os alicerces da singular política colonial portuguesa, ufana de transformar Lisboa em escala forçada, feira universal e única, desdenhosa do destino ulterior das drogas, confiado a nações subalternas. Livres de transbordos e alcavalas chegavam os produtos mais baratos aos consumidores imediatos. (Capistrano de Abreu, capítulos de História Colonial) As seguintes teses estão baseadas no texto, exceto: Escolha uma: a. A política portuguesa de exploração da colônia anterior ao reinado de D. João III tornou-se ineficiente diante da concorrência estrangeira. b. Os franceses, não obstante seu melhor entrosamento com os indígenas, não se anteciparam aos portugueses na identificação de áreas produtoras de pau-brasil. c. A Portugal não interessava o destino das mercadorias depois de chegadas a Lisboa. d. O comércio francês, por não reduzir-se apenas ao pau-brasil, resultava em aumento do preço das mercadorias, conforme comprovou a apreensão da nau La Pélerine. e. As áreas produtoras de pau-brasil não distavam muito da costa. A resposta correta é: O comércio francês, por não reduzir-se apenas ao pau-brasil, resultava em aumento do preço das mercadorias, conforme comprovou a apreensão da nau La Pélerine.. 8. Questão 8 Texto 1: A natureza sempre foi a grande inspiradora da nossa poesia. Desde Bento Teixeira Pinto, no alvorecer da nacionalidade, até os árcades, no século XVII, os românticos, os parnasianos e os simbolistas, no século XIX, aos poetas contemporâneos, não é difícil perceber essa influência predominante. Não possuímos, como os gregos antigos, os latinos e os franceses da Idade Média, o calor, a imaginação atrevida, a grandiloquência e o sopro heroico imprescindível à musa épica. Preferimos à epopeia cantada a epopeia realizada. Quem, até agora, cantou a conquista da floresta amazônica pelo cearense, a imensidade silenciosa dos sertões, as lutas contra os usurpadores estrangeiros, o episódio formidável das bandeiras? Bilac, por exemplo, no Caçador de Esmeraldas, tão formoso e comovido, deu-nos apenas um fragmento da aventura sem par dos bandeirantes. Seu poemeto admirável não traduz inteiramente nem as condições mesológicas do cenário, nem a totalidade da ação moral dos homens que empreenderam o milagre do desbravamento do solo brasileiro. É certo que, aos seus versos sobram sentimento e paixão, mas falta-lhes justamente a visão panorâmica, a largueza cíclica exigida pelo motivo. Bilac apreciou apenas uma face do heroísmo: a tenacidade ambiciosa. Viu unicamente um aspecto do ambiente: o pitoresco, a fantasia graciosa e delicada do meio físico. Sua poesia mostra-se aí principalmente descritiva. À semelhança de Bilac, todos os nossos poetas épicos desde Santa Rita Durão e Basílio da Gama até Magalhães e Porto Alegre, foram, sobretudo, descritivos. O Caramuru e O Uraguai revelam, antes do mais, o propósito de pintar, ou simplesmente enumerar as excelências da nossa terra, a sua exuberância, a sua opulência, a sua formosura. As batalhas, os recontros, os episódios gloriosos que ali são narrados, têm a natureza rápida, a instantaneidade passageira das guerrilhas, das emboscadas súbitas, dos assaltos inopinados. Vê-se que o interesse primordial dos autores estava mais na pura representação das coisas que nos estudos dos caracteres. O heroísmo desaparecia ante a maravilha dos painéis pintados. As florestas, as cachoeiras, os rios e as montanhas dominavam com as suas mil vozes misteriosas e as suas massas brutais a frágil criatura humana. Eis porque, até hoje, não temos propriamente um poema épico, senão alguns cantos heroicos, repassados de um sopro contínuo de lirismo, muito peculiar à nossa psique, e onde está, realmente, a nossa verdadeira índole poética. (Ronald de Carvalho. In: O Espelho de Ariel, p. 227-228) As seguintes teses são apresentadas no texto, exceto: Escolha uma: a. Na descrição literária dos episódios históricos de heroísmo e bravura predomina a análise dos sentimentos humanos. b. Os feitos heroicos brasileiros não estão devidamente registrados em obras literárias. c. A literatura greco-romana e a literatura francesa medieval caracterizam- se pela presença de poesia épica. d. A reação às invasões estrangeiras não é tema frequente na poesia nacional. e. A descrição de belezas naturais é privilegiada na literatura brasileira. A resposta correta é: Na descrição literária dos episódios históricos de heroísmo e bravura predomina a análise dos sentimentos humanos.. 9. Questão 9 Na Idade Média, ao contrário da festa oficial, o carnaval era o triunfo de uma espécie de liberação temporária da verdade dominante do regime vigente, da abolição provisória de todas as relações hierárquicas, privilégios e tabus. (M. Bakhtin, A cultura popular na Idade Média e no Renascimento, São Paulo, Hucitec Brasília Ed. da UnB, 1987) Indique o item em que as festas oficiais da Idade Média são caracterizadas de acordo com o que se depreende do texto acima. Escolha uma: a. Nessas festas, elaboravam-se formas especiais de comunicação, francas e irrestritas, impregnadas de uma simbologia da alegre relatividade das verdades e autoridades no poder. b. Eram autênticas festas do tempo futuro, das alternâncias e renovações. c. Contrastando com a excepcional segmentação em estados e corporações da vida diária, essas festividades sustavam a aplicação dos códigos correntes de etiqueta e comportamento. d. Essas festas opunham-se a toda perpetuação, a toda regulamentação e aperfeiçoamento, apontavam para um ideal utópico. e. Essas festas tinham por finalidade a consagração da desigualdade; nelas, as distinções hierárquicas destacavam-se intencionalmente. A resposta correta é: Essas festas tinham por finalidade a consagração da desigualdade; nelas, as distinções hierárquicas destacavam-se intencionalmente.. 10.Questão 10 Indique o item em que o par de sentenças NÃO apresenta o mesmo sentido. Escolha uma: a. O despreparo do aluno, principalmente na parte de emissão de mensagens escritas, fez com que as autoridades educacionais decretassem a inclusão da redação no vestibular. As autoridades educacionais instituíram nos exames vestibulares a prova de redação devido à falta de preparo do aluno mormente no tocante à produção escrita. b. Inventar estórias com os brinquedos é quase natural, é uma coisa que vem por si nas brincadeiras com as crianças: a estória não é senão um prolongamento, um desenvolvimento, uma alegre explosão do brinquedo. Quando brincam, é comum, quase natural, as crianças inventarem estórias com os brinquedos — a estória passa a ser uma extensão, um prolongamento, um alegre transbordar do brinquedo. c. Quem diz cópia pensa nalgum original, que tem a precedência, está noutra parte, e do qual a primeira é o reflexo inferior. Falar em cópia implica tomar algo como primeiro, que antecede, que está alhures, cujo original é o reflexo inferior. d. As estórias “abertas”, isto é, incompletas ou com um final a escolher, têm a forma do problema fantástico: a partir de certosdados, decide-se sobre sua combinação resolutiva. As estórias que não apresentam o fechamento de um fim explícito, ou que trazem várias possibilidades de finalização, têm a forma do problema fantástico, no qual se chega à resolução pela combinação de certos dados. A resposta correta é: Quem diz cópia pensa nalgum original, que tem a precedência, está noutra parte, e do qual a primeira é o reflexo inferior. Falar em cópia implica tomar algo como primeiro, que antecede, que está alhures, cujo original é o reflexo inferior..