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Afecções Dermatológicas na APS Epidemiologia • As patologias da pele são muito frequentes, acometendo aproximadamente de 30% a 55% da população (Williams HC, 2010) • Queixas dermatológicas são causas frequentes de procura por atendimento na Atenção Primária, e os médicos não especialistas respondem por quase 60% destes atendimentos (Federman DG et al, 1999) • Artigo recente conclui que “a alta prevalência das doenças de pele e a grande procura pela especialidade evidenciam a relevância da Dermatologia nos atendimentos na rede do Sistema Único de Saúde o que reforça o importante papel dos conhecimentos da Dermatologia na prática clínica do médico generalista, o que constitui um elemento também a ser valorizado na formação médica e na educação continuada. (Gomes et al, 2012) Consulta diante de lesões de pela Observar e caracterizar: •Tempo de início • Localização •Pródromos •Outros sinais e sintomas associados •Associação com uso/contato com produtos, alimentos etc Candidíase oral Candidíase oral •SINONÍMIA: monilíase, sapinho. •ETIOLOGIA: Candida albicans, Candida tropicalis e outras espécies de Candida. A Candida albicans causa a maioria das infecções. •Micose que atinge a superfície cutânea ou membranas mucosas •A forma mais comum de candidíase oral é a pseudomembranosa, caracterizada por placas brancas removíveis na mucosa oral. Candidíase perineal Candidíase •A irritação e maceração da pele, provocada pela urina e pelas fezes na área das fraldas, favorecem o desenvolvimento da levedura que provoca eritema intenso nas áreas de dobras cutâneas, com lesões eritemato-vésicopustulosas na periferia (lesões satélites). Candidíase de dobras Candidíase – Tratamento: • ORAL: Em crianças, utiliza-se Nistatina suspensão oral na dose de 1 a 2 ml em cada canto da boca, 3 a 4 vezes ao dia, durante 5 a 7 dias ou até a cura completa, ou miconazol gel oral 2% em crianças maiores (4x/dia por 10 a 14 dias) •CUTÂNEA: Tratada de forma tópica com derivados de imidazol, como creme de miconazol, clotrimazol, isoconazol ou cetoconazol ou nistatina tópica a cada troca de fraldas por até 4 semanas. *Em casos de reação inflamatória intensa pode se associar um corticoide tópico 2 a 3 vezes por dia no local. Dermatite de fraldas Dermatite de fraldas •É uma dermatite de contato por irritação primária, caracterizada por irritação na pele, causada pelo contato com a urina e as fezes retidas pelas fraldas. •As lesões variam de eritematosas exsudativas a eritemato-papulosas e descamativas nas áreas convexas da região delimitada pelas fraldas. Freqüentemente surge infecção secundária por Candida ou por bactérias. •SINONÍMIA: dermatite amoniacal. Dermatite de fraldas – Tratamento: •Cuidados higiênicos, troca freqüente de fraldas ou retirada das mesmas. Limpeza da região e aplicação de pasta de óxido de zinco ou dexpantenol ou pasta d´água nas trocas de fraldas. •Nos casos mais agudos uso de cremes à base de hidrocortisona a 1%; e nistatina ou antimicóticos imidazólicos na suspeita de contaminação por Candida. Escabiose 2 Escabiose 16 Escabiose Escabiose • Parasitose da pele causada por um ácaro (Sarcoptes scabiei) cuja penetração deixa lesões em forma de vesículas, pápulas ou pequenos sulcos, nos quais ele deposita seus ovos. • Contato pele a pele. • As áreas preferenciais da pele onde se visualizam essas lesões são: regiões interdigitais, punhos (face anterior), axilas (pregas anteriores), região peri-umbilical, sulco interglúteo, órgãos genitais externos nos homens. Em crianças e idosos, podem também ocorrer no couro cabeludo, nas palmas e plantas. • O prurido é intenso e, caracteristicamente, maior durante a noite, por ser o período de reprodução e deposição de ovos. • SINONÍMIA: sarna, coceira Escabiose – Tratamento: 1. Permetrina a 5% em creme, uma aplicação à noite, dose única podendo ser repetida em 5 a 7 dias (kwell, nedax) – pode ser usado em crianças > 2 meses. 2. Deltametrina, em loções e shampoos, uso diário por 7 as 10 dias. (escabin, deltacid, etc) 3. Monosulfiram 25% (diluir 1:3), por 3 a 5 noites 4. Benzoato de benzila 10 a 25% - uso 1x a noite (irritante) (acarsan), por 3 dias. 5. Enxofre a 10% (6%) preparado em vaselina ou pasta d’água deve ser usado em mulheres grávidas e crianças abaixo de 2 anos de idade. Usar por 3 noites Escabiose - Tratamento 6. Ivermectina, dose única, VO, obedecendo a escala de peso corporal (acima de 5 anos ou >15kg): • 15 a 24 kg - 1/2 comprimido; • 25 a 35 kg - 1 comprimido; • 36 a 50 kg - 1 1/2 comprimidos; • 51 a 65 kg – 2 comprimidos • 66 a 79 kg – 2 ½ comprimidos • > 80 kg – 3 comprimidos ou 200 mg A dose pode ser repetida após uma semana. *Útil para situações dificeis como em pacientes imunocomprometidos, pele escoriada, multiplos contactantes ,etc. Escabiose – Tratamento: • Pode-se usar anti-histamínicos sedantes (dexclorfeniramina, cetirizina), para alívio do prurido. • Havendo infecção secundária, utiliza-se antibioticoterapia sistêmica. • Geralmente, ocorre sob a forma de surtos em comunidades fechadas ou em grupos familiares. Buscar casos na família ou nos residentes do mesmo domicílio do doente e tratá-los. • MEDIDAS DE CONTROLE: tratamento do doente; lavar as roupas pessoais, de banho e de cama com água quente. Deve-se afastar a criança da escola ou trabalho até 24 horas após o término do tratamento. Estrófulo Estrófulo • Dermatose desencadeada por picadas de insetos (pulgas, mosquitos e formiga), ocorrendo nos primeiros anos de vida, principalmente em crianças atópicas. • Caracteriza-se por lesões papulosas encimadas por vesícula central e lesões pápulo crostosas, escoriadas, geralmente em áreas expostas. • O prurido geralmente é intenso e a evolução dá-se em surtos que coincidem com picada do inseto. Infecção secundária é freqüente • SINONÍMIA: prurigo agudo infantil. • ETIOLOGIA: toxinas de insetos associadas à pré-disposição constitucional. Estrófulo – Tratamento: • TRATAMENTO TÓPICO: corticoides de baixa dosagem; antibióticos tópicos quando houver infecção secundária. Tamém indicado loções com canfora, calamina e mesmo mentol para alívio do prurido mas com cuidado. • TRATAMENTO SISTÊMICO: 1. Dexclorfeniramina • 2 – 6 anos: 0,5mg 3 vezes ao dia. (1,25 ml) • 6 - 12 anos: 1,0mg 3 vezes ao dia. (2,5 ml) 2. Hidroxizina xp 2mg/ml – 0,7 mg/kg 8/8h 3. Desloratadina, fenoxifenadina e levocetirizina 4. Corticosteróide sistêmico – nos surtos mais agudos. Prednisona - dose de 1mg/kg/dia. • MEDIDAS DE CONTROLE: uso de repelentes, mosquiteiros e roupas adequadas, que protejam as pernas. Em pacientes atópicos não é recomendado o uso prolongado de repelentes. Impetigo Impetigo Bolhoso Impetigo • Doença comum da infância causada por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes e de alta transmissibilidade. IMPETIGO BOLHOSO: • Vesículas e bolhas desenvolvem-se em pele normal, sem eritema ao redor, localizam-se no tronco, face, mãos, áreas intertriginosas, tornozelo ou dorso dos pés , coxas e nádegas. • O conteúdo seroso ou sero-pustulento desseca-se, resultando em crosta amarelada que é característica do impetigo. Quando não tratada tem tendência à disseminação. • A lesão inicial muitas vezes é referida como se fosse uma bolha de queimadura de cigarro. Comum lesões satélites. Impetigo IMPETIGO NÃO BOLHOSO (Crostoso) • Geralmente inicia-se com lesões eritematosas seguida da formação de vesículas e pústulas que se rompem rapidamente formando áreas erosadas com as típicas crostas de coloração amarelada (melicéricas). • Localizam-se preferencialmente na face, braços, pernas e nádegas. É comum a presença de lesões satélites que ocorrem por auto- inoculação. • As lesões do impetigo duram dias ou semanas. Quando não tratadas podem envolver a derme o que constitui o ectima, com ulceração extensa e crosta hemorrágica. Impetigo – Tratamento: • Remoção e limpeza, duas a três vezes ao dia, dascrostas com água e sabão ou água boricada a 2%. • Em seguida, aplica-se pomada de antibióticos tipo neomicina, mupirocina, gentamicina. Outra opção tópica: ácido fusídico (verutex) • Se necessário, com sinais sistêmicos ou lesões generalizadas Cefalexina 30 a 50mg/kg/dia dividida de 6/6h – 7 dias Opções: amoxacilina, azitromicina, claritromicina, clindamicina. MEDIDAS DE CONTROLE: higiene pessoal, em especial lavagem de mãos. Doença Mão Pé Boca Doença Mão Pé Boca • Afecção exantemática viral aguda, usualmente autolimitada, causada por enterovírus (EV) humanos não-pólio (coxsackie), acometendo mais crianças menores de 5 anos. • Tríade clínica: febre, erupção cutânea em mãos e pés e vesículas na boca. • Particularmente por ocasião de surtos da doença, quadros clínicos mais graves podem ocorrer, como meningite, encefalite, paralisia flácida aguda, miocardite, pericardite, pancreatite, alterações do sistema nervoso autônomo e, mais raramente, falência cardiopulmonar e óbito. • Alta infectividade com alta taxa de ataque em creches – cerca de 30%, com sazonalidade relacionada ao verão e à época de chuvas. • Transmissão direta ocorre pela via fecal-oral, por fezes e possivelmente vômitos, e por secreções de vias aéreas como muco, saliva, gotículas e pelo contato com lesões cutânea; transmissão indireta ocorre por meio de superfícies e fômites contaminados. Os EV já foram observados no leite materno e a transmissão transplacentária também pode ocorrer. https://www.portalped.com.br/conteudo-especial/artigos-da-semana/infeccao-do-sistema-nervoso-central-por-enterovirus-uma-atualizacao/ Doença Mão Pé Boca - fases • Pródromo: 2 a 4 dias antes do aparecimento do exantema ocorrem febre, adinamia, irritabilidade, prostração, diarréia, vômitos, odinofagia e mialgia. • Fase aguda: máculas eritematosas em mãos e pés, com vesículas de 2 a 5 mm que regridem sem formação de crostas; lesões aftoides dolorosas na língua, palato, mucosa oral e retrofaringe, que dificultam alimentação e causam desidratação. As lesões persistem por cerca de sete a 10 dias. • Convalescença: prostração, que pode durar semanas. O descolamento ungueal tardio (até dois meses após o início dos sintomas) pode ocorrer. Doença Mão Pé Boca • Diagnóstico essencialmente CLÍNICO, mas para diagnostico diferencial pode se solicitar laboratório (sorologia, Pcr, isolamento viral, etc) • Diagnóstico diferencial: sarampo, rubéola, varicela, escarlatina, mononucleose, gengivoestomatite herpética, estomatite aftoide, escabiose e reação medicamentosa. TRATAMENTO: • Sintomáticos • Estimular o aleitamento materno • Imunoglobulina não especifica para casos graves (discutível) Larva Migrans Larva Migrans • Erupção linear, serpiginosa, eritematosa, discretamente elevada, e muito pruriginosa conseqüente do deslocamento da larva na pele. As áreas mais afetadas são pés, pernas e nádegas. • SINONÍMIA: bicho geográfico. • ETIOLOGIA: larvas das espécies Ancylostoma caninum, Ancylostoma brasiliensis e Strongiloides stercoralis. • RESERVATÓRIO: cães e gatos. • MODO DE TRANSMISSÃO: adquirida pelo contato da pele com solo contaminado por fezes de animais. Larva Migrans Larva Migrans TRATAMENTO • Uma ou poucas lesões: usa-se a pomada de Tiabendazol a 5% três vezes ao dia, durante 14 dias. • Muitas lesões: 1. Tiabendazol sistêmico na dose de 25mg/kg de peso, duas vezes ao dia, 5 a 7 dias. (helmiben 5ml=166mg tiabendazol + 100mg mbz) 2. Albendazol 400mg/dia em dose única ou repetido durante três dias consecutivos. 3. Ivermectina 200 mcg/kg/dose – 1 a 2 dias MEDIDAS DE CONTROLE: Evitar áreas arenosas, sombreadas e úmidas. Nas escolas e creches, as areias para diversão devem ser protegidas contra os dejetos de cães e gatos. Miliária Rubra Miliária cristalina Miliária • Retenção do suor causado pela oclusão transitória dos ductos das glandulas sudoríparas. Mais frequente em neonatos e crianças pequenas. O nível de obstrução determina as manifestações clínicas. 1. A miliária cristalina (miliaria alba) é o tipo mais comum e manifesta-se por minúsculas vesículas não inflamatórias sem eritema circunjacente. São assintomáticas e superficiais. Os locais mais afetados são a fronte e parte superior do tronco. 2. A miliária rubra (brotoeja) é causada pela obstrução intra- epidérmica dos ductos sudoríparos com escape de suor dentro do duto, e resposta inflamatória secundária local. As lesões são pápulas eritematosas ou pápulovesículas eritematosas, pruriginosas. Áreas de atrito e fricção ( pescoço, axilas, dobras) 3. Pustulosa (variante da rubra) 4. Profunda Miliária Miliária TRATAMENTO •Manter a criança em ambientes ventilados. Evitar calor e umidade •Uso de roupas leves, de algodão •Evitar uso de cremes ou pomadas a base de óleo mineral •Cremes a base de camomila hipoalergênicos •Banho de amido de milho** •Corticóides tópicos de baixa dosagem apenas para casos mais graves. Molusco Contagioso Molusco Contagioso Molusco Contagioso Molusco Contagioso • Doença viral, freqüente na infância, principalmente, na faixa etária de 3 a 16 anos. • ETIOLOGIA: vírus do gênero Poxvirus (Molluscum contagiosum) • Transmissão: contato pele a pele ou auto inoculação ao raspar ou tocar uma lesão. **A doença é classificada como DST (doença sexualmente transmissível) quando ocorre na região genital em indivíduos sexualmente ativos. • Consiste de pápulas, lisas, brilhantes, de cor rósea ou da pele normal, apresentando depressão central característica (pápula umbilicada). Localizam-se de preferência nas axilas, face lateral do tronco, raramente envolvemas palmas dasmãos, plantas dos pés e membranas mucosas. TRATAMENTO: • Curetagem, crioterapia, cantaridina (dermatologista) • PODOFILOTOXINA (podofilox) a 0,5% creme – 2x/d – 3 dias (adultos) • Ac Salicílico 5% com Ac lático- Verrux /Duofilm – 1x/d • Imiquimode creme a 5% 1x/d até 16 semanas (adultos) • Iodo gel tópico 2% (povidine) 2x/d Ptiríase Versicolor Ptiríase Versicolor Micose superficial extremamente comum, mais freqüente nas regiões quentes e úmidas. Caracteriza-se por manchas hipocrômicas, eritematosas ou acastanhadas, com descamação fina (furfurácea). • Aparecem mais freqüentemente no pescoço, tórax e raízes dos membros superiores. • A descamação fica mais evidente ao se passar a unha na lesão (sinal da unha) ou realizar estiramento da pele lesional (sinal de Zireli). • Mais frequente em adolescentes e adultos jovens. • SINONÍMIA: pano branco, pano, tinha • ETIOLOGIA: é causada pelo fungo Malassezia furfur. Ptiríase Versicolor Ptiríase Versicolor – Tratamento: • Antifúngicos azólicos tópicos (cremes, loções, sprays): isoconazol, fenticonazol, miconazol, cetoconazol, clotrimazol, terbinafina: aplicar 1 a 2 vezes ao dia, por 4 semanas; • Cetoconazol 2% xampu ou sulfato de selênio xampu: deixar em contato com a pele por 5 a 10 minutos, 1 vez ao dia, por 1 a 4 semanas. • Sabonete de piritionato de zinco, enxofre e/ou acido salicilico (tratamento e prevenção de recaídas) • Sistêmico: ➢Cetoconazol 200 mg por 10 a 14 dias, durante uma refeição : peso entre 15 e 30kg: meio comprimido (100 mg) por dia; peso mais que 30kg: 1 comprimido (200mg) uma vez ao dia. ➢Fluconazol 300 mg, 1 vez por semana, por 2 a 4 semanas; ou ➢Itraconazol 200 mg, 1 vez ao dia, por 5 a 7 dias Áreas de hipopigmentação podem permanecer após o tratamento, a repigmentação será gradual, ao longo dos meses após o tratamento. A despigmentação persistente não é critério para falência ao tratamento tópico. Verruga Verruga • Verrugas são tumorações benignas de pele causadas pelo papiloma vírus humano (HPV). Esse vírus ativa o crescimento anormal de células da epiderme, que são lançadas para a superfície do corpo formando as verrugas. O aspecto, tamanho e forma dessas lesões estão diretamente ligados a um ou vários dos diferentes sorotipos de HPV responsáveis pela infecção. • Contágio: contato direto com pessoas e objetos infectados, por autoinoculaçãoatravés de pequenos ferimentos que servem de porta de entrada para o vírus. • Em crianças o mais comum são as verrugas vulgares ou comuns https://drauziovarella.com.br/sexualidade/hpv-papilomavirus-humano-3/ Verruga - Tratamento • Ac. salicílico + Ac lático (Verrux, Duofilm) – Aplicar com cuidado protegendo os bordos, deixar secar por 5 minutos e ocluir com esparadrapo impermeável. Deixar por 12h e reaplicar. 10 dias. • Crioterapia e eletrocauterização com Dermatologista • Obs: Nas crianças, as verrugas geralmente desaparecem espontaneamente. Porém, como podem se disseminar para outras pessoas ou para outras regiões do corpo, recomenda-se tratar as crianças, principalmente aquelas cujas verrugas são preocupantes, inconvenientes ou dolorosas. Ptiríase Alba Ptiríase alba • A pitiríase alba é uma doença de causa desconhecida porém muito frequente nas pessoas com história pessoal ou familiar de atopia (asma, bronquite, rinite alérgica, dermatite atópica). • As manifestações da doença surgem principalmente após a exposição intensa da pele ao sol ou frequência acentuada de banhos. Caracterizam-se por manchas claras, arredondadas, finamente descamativas, de limites imprecisos e muitas vezes com um aspecto pontilhado. • Muitas vezes é confundida com a pitiríase versicolor. As localizações mais frequentes são a face, tronco e membros superiores. • Idade: 3 a 16 anos (90% < 12anos) • SINONÍMIA : pano branco • A pitiríase alba tem bom prognóstico, mas pode permanecer em atividade por 3 anos ou mais. Como é uma patologia autolimitada, com o passar do tempo, as lesões tendem a desaparecer espontaneamente. Não é contagiosa. Ptiríase Alba - Tratamento • Evitar exposição solar excessiva pois contribui e perpetua o aspecto clínico da doença, sendo então recomendando a aplicação de filtros solares, associados ao uso de métodos de barreira, como bonés, etc. Assim como deve ser evitado banhos muito quentes. • Para prevenir o seu aparecimento pode aconselhar-se o uso de sabonetes pouco agressivos (a base de glicerina) para a lavagem diária e aplicação posterior de um creme hidratante/emoliente, de preferencia hipoalergenico. • Em algumas ocasiões, se caso de prurido ou eritema, podem ser usados corticoides tópicos de baixa dosagem (hidrocortisona 0,5% ou 1%, desonida a 0,05%) mas de forma limitada. • Pimecrolimus creme 1% (elidel) – mais eficaz que corticoides e pode ser usados até 3 meses, mais para face (custo alto) • Outros: calcitriol, laserterapia (dermato) Tranquilizar pacientes e seus pais com relação à natureza benigna e autolimitada da pitiríase alba. A resolução lenta, que pode levar de vários meses a anos (apesar da maioria resolver em menos de 1 ano), deve ser informada e enfatizada Dematite seborreica Dermatite Seborreica • Inflamação na pele que causa principalmente descamação e vermelhidão em algumas áreas da face, como sobrancelhas e cantos do nariz, couro cabeludo e orelhas. • A causa não é totalmente conhecida, e a inflamação pode ter origem genética ou ser desencadeada por agentes externos, como alergias, situações de fadiga ou estresse emocional, baixa temperatura, álcool, medicamentos e excesso de oleosidade. A presença do fungo Pityrosporum ovale também pode provocar a doença. • Já a dermatite seborreica em recém-nascidos, conhecida como crosta láctea, é uma condição inofensiva e temporária, na qual aparecem cascas grossas amarelas ou marrons sobre o couro cabeludo da criança. Escamas semelhantes também podem ser encontradas nas pálpebras, nas orelhas, ao redor do nariz e na virilha. • Diagnóstico clínico, as vezes necessário exame micológico Tratamento • Em lactentes no couro cabeludo: • lavagem frequente com xampoo neutro; com crostas maiores usar óleo de amêndoas doces ou vaselina líquida ou óleo mineral cerca de 2 horas antes do banho, após massagear suavemente com escova macia e lavar a cabeça com xampoo, tentando remover as crostas sem forçar. • Xampoos antisseborreicos contendo cetoconazol, piriditionato de zinco, sulfureto de selénio são úteis quando a inflamação ou descamação é intensa ou não melhora suficientemente com as medidas referidas anteriormente, mas devem ser apenas para crianças maiores • Se houver componente inflamatório marcado, pode aplicar-se corticóide tópico de baixa potência (hidrocortisona ou desonida loção capilar) 1x/dia, por período curto (7-10 dias). • Em lactentes na face e corpo: • cetoconazol 2% creme • hidrocortisona 1% ou desonida 0,05% creme: para casos com eritema e prurido intensos, por um período máximo de 10 dias. • tacrolimus 0,03% (maiores de 2 anos) - custo alto. Tratamento • Em adultos no couro cabeludo: lavagens mais frequentes; interrupção do uso de sprays, pomadas e géis para o cabelo; o não uso de chapéus ou bonés; xampoos que contenham ácido salicílico, alcatrão, selênio, enxofre, zinco e antifúngicos ( cetoconazol 2%, ciclopiroxolamina 1%) xampu com propionato de clobetasol 0,5 mg/ml – Reservado para casos mais intensos propionato de clobetasol (muito alta potência), valerato de betametasona (alta potência), desonida e hidrocortisona (baixa potência) sob forma de loção capilar - casos moderados a graves Óleo mineral salicilado (3-6%) – utilizado quando há presença de escamas aderidas no couro cabeludo. • Na face e corpo: Antifúngicos tópicos: cetoconazol 2% creme; corticoides tópicos: hidrocortisona 1% em creme ou desonida 0,05% em creme Inibidores da calcineurina: tacrolimus 0,03% e 0,1% – são preferíveis para uso nas lesões da face no lugar do corticoide. Antifúngico oral: cetoconazol 200mg/dia por 14dias itraconazol 100mg/dia por 21 dias terbinafina 250mg/dia por 4 semanas (casos graves) Herpes simples Herpes zoster • É uma infecção causada pelo vírus herpes humano (HSV 1 e 2) que se caracteriza pelo aparecimento de pequenas bolhas agrupadas especialmente nos lábios e nos genitais, mas que podem surgir em qualquer outra parte do corpo. • A transmissão do vírus se faz preferentemente por contato direto pessoa – pessoa, mesmo que não haja lesão ativa. A infecção através de objetos pode existir, mas é menos comum. O tempo que medeia entre o contato e os sintomas iniciais (período de incubação) é estimado em duas semanas. Em torno de 90% das pessoas tiveram ou terão contato com o HSV-1 e cerca de 20% com o HSV-2. • O que diferencia o herpes labial do herpes genital é o local de acometimento do vírus, indicado pelo próprio nome, e o tipo de vírus envolvido. O herpes labial, assim como a gengivo-estomatite herpética e a faringite herpética, provocam lesões ao redor da boca e são causados na maioria das vezes pelo HSV 1. O herpes genital, provoca lesões na uretra, vagina, pênis e colo do útero e está geralmente associado ao HSV 2. Quadro clinico - inicialmente pode haver coceira e ardência no local onde surgirão as lesões; - a seguir, formam-se pequenas bolhas agrupadas como num buquê sobre área avermelhada e inchada; - as bolhas rompem-se liberando líquido rico em vírus e formando uma ferida. É a fase de maior perigo de transmissão da doença; - a ferida começa a secar formando uma crosta que dará início à cicatrização; - a duração da doença é de cerca de 5 a 10 dias. ***O herpes também pode acometer órgãos, como o cérebro (encefalite herpética), fígado (hepatite herpética), pulmões (pneumonite herpética) e esôfago (esofagite herpética). Estas lesões de órgãos costumam ser graves e são mais comuns em pacientes com algum grau de imunossupressão, como portadores do HIV, transplantados ou pacientes sob tratamento com quimioterapia ou drogas imunossupressoras Tratamento - o tratamento deve ser iniciado tão logo comecem os primeiros sintomas (primeiras 72h) assim o surto deverá ser de menor intensidade e duração; - evite furar as vesículas; - evite beijar ou falar muito próximo de outras pessoas, principalmente de crianças se a localização for labial; - evite relações sexuais se a localização for genital; - lave sempre bemas mãos após manipular as feridas pois a virose pode ser transmitida para outros locais de seu próprio corpo, especialmente as mucosas oculares, bucal e genital. • Aciclovir: 200 mg 5 vezes ao dia por 5 a 7 dias (esquema alternativo: 400 mg 3 vezes ao dia por 5 a 7). • Fanciclovir: 250 mg, 3 vezes ao dia por 7 a 10 dias. • Tópico: aciclovir ou penciclovir gel 1% Herpes zoster Herpes zoster • O herpes zoster, conhecido popularmente pelos nome cobreiro ou zona, é uma doença infecciosa provocada pelo vírus Varicella- Zoster, o mesmo que provoca a varicela. • A varicela ocorre com maior frequência na infância e resulta da infecção primária. Já o herpes zoster tem origem na reativação do vírus após a primeira ocorrência de varicela. Várias condições estão associadas ao aparecimento do herpes zoster, como baixa imunidade, câncer, trauma local, cirurgias da coluna e sinusite frontal. Os idosos mostram uma diminuição da imunidade ao vírus, o que explica sua maior ocorrência após a quinta década. • Quadro clínico: a dor é o sintoma mais importante no herpes zoster; lesões são vesículas dispostas em trajeto linear, acometendo frequentemente o tronco, a face ou os membros que costumam ocorrer do mesmo lado do corpo, não atravessando a linha média • A dor pode persistir por várias semanas ou meses após a resolução das lesões. A complicação é conhecida por neurite pós-herpética. Fatores de risco para herpes zoster – Idade acima de 50 anos – Estresse físico ou psicológico. – Privação do sono – Diabetes mellitus – Câncer – Quimioterapia – Doenças crônicas – Uso de drogas imunossupressoras – HIV / AIDS Tratamento • InÍcio precoce do antiviral (até 72h) para diminuir a severidade, a duração e os riscos de complicações do herpes zoster - valaciclovir (1.000mg VO 3x/dia por 7 dias) - fanciclovir (1g VO 2x/dia por sete dias) - aciclovir (800 mg VO 5x/dia por 7 dias) • Analgesia (aine, paracetamol, dipirona), sendo as vezes necessário derivados opiódes (tramadol) e medicamentos antidepressivos, como a Amitriptilina ou a Nortriptilina, ou anticonvulsivantes, como a Gabapentina ou Pregabalina (mais para a neuralgia pós herpética). • Tratamento tópico: limpeza das lesões com água boricada lesão de herpes zoster na região centro facial, acometendo nariz e olhos, deve-se procurar o médico imediatamente, pois pode ser necessária internação para medicação venosa, a fim de evitar complicações como cegueira ou meningite. Ptiríase Rosea Ptiriase rosea • A pitiríase rósea é uma erupção de pele relativamente comum, que provoca um rash cutâneo caracterizado por manchas avermelhadas ou rosadas, que provocam intenso comichão. As suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que a doença tenha uma origem viral. • A pitiríase rósea é uma doença benigna e autolimitada. O seu maior problema é o fato de coçar muito e demorar para várias semanas para desaparecer. ***provavelmente provocada por alguns vírus da família do herpesvírus humano, tais como o herpesvírus humano 6 (HHV-6) e o herpesvírus humano 7 (HHV-7), os mesmos que causam nas crianças uma doença chamada exantema súbito, também conhecida como roséola infantil Ptiriase rósea Tratamento • Não há um tratamento específico para a pitiríase rósea. A doença cura-se espontaneamente e sem deixar sequelas após 2 ou 3 meses, independentemente do que se faça. • Somente para o prurido: pomadas ou cremes à base de corticoides de média potência, tais como hidrocortisona, mometasona ou triancinolona; loções tópicas com mentol ou calamina. • Anti-histamínicos por via oral (hidroxizina) Erisipela Erisipela • A erisipela é uma condição inflamatória que atinge a derme e o panículo adiposo (tecido celular subcutâneo) da nossa pele, com grande envolvimento dos vasos linfáticos, sendo uma forma superficial da celulite. Acomete, predominantemente, os membros inferiores de pacientes da terceira idade, cuja circulação venosa e linfática estão debilitadas. Porém, pode atingir pessoas de qualquer idade e outras regiões da pele. • Habitualmente, a erisipela está relacionada a um fator chamado “porta de entrada”, como úlcera venosa crônica, pé de atleta, picada de insetos, ferimento cutâneo traumático e manipulação inadequada das unhas. Por meio desta porta de entrada, bactérias penetram na pele , atingindo as camadas cutâneas inferiores e se espalhando facilmente com muita velocidade. A principal bactéria envolvida é o Estreptococo beta-hemolítico do grupo A, porém, outras bactérias também podem estar envolvidas. Erisipela • Quadro clínico Tem início súbito com mal-estar geral, fadiga, febre e calafrios, antes mesmo do surgimento de sinais na pele infectada. Em seguida, instalam-se achados locais, como avermelhamento, dor, inchaço e aumento da temperatura. O aparecimento de adenomegalia inflamatória é comum. Em casos mais graves podem surgir formação de bolhas, escurecimento do segmento acometido e até quadros de septicemia, ou seja, infecção generalizada com risco de morte. Tratamento • Antibiótico 10 dias: Penicilina procaína 400.000 UI 12/12h Penicilina benzatina 1.200.000 ou 2.400.000UI dose única IM amoxicilina/clavulanato 875/125 mg 12/12 h cefalexina 500 mg 6/6 h azitromicina 500 mg 24/24h clindamicina 300 a 450 mg, de 6/6 h • Repouso e elevação do membro afetado • Procurar e tratar o fator desencadeante. • Por vezes, faz-se necessária abordagem cirúrgica, removendo e drenando grandes áreas necróticas e com pus. Referências Bibliográficas: • Feldman SR, Fleischer Jr AB, McConnell C. Most common dermatologic problems identified by internists, 1990-1994. Arch Intern Med. 158(7):726-30; 1998. • Williams HC. Epidemiology of skin disease. In: Burns T, Breathnach S, Cox N, Griffiths C. Rook’s Textbook of Dermatology. Oxford: Blackwell Science; 2010. • Gomes TM, Moura ATMS, Aguiar, AC. Dermatologia na Atenção Primária: um Desafio para a Formação e Prática Médica. Revista Bras. de Educação Médica. 36 (1) : 125 – 128; 2012. • Kane, ESM et col. COLOR ATLAS & SYNOPSIS OF PEDIATRIC DERMATOLOGY. 2ª edição. McGraw-Hill Companies, 2009. • Cavalcante, MSM. MANUAL DE DERMATOLOGIA PARA A EDUCAÇÃO PERMANENTE DOS MÉDICOS QUE ATUAM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA NO INTERIOR DO ESTADO DO AMAZONAS. Trabalho da Dissertação de Mestrado apresentada a Universidade de São Paulo, SP, 2013. • Ministério da Saúde – Caderno de Atenção Básica nº 28, volume II. Acolhimento e Demanda Espontânea – queixas mais comuns na atenção básica, 2013. • https://www.portalped.com.br/ • https://www.ufrgs.br/telessauders/ • http://www.sbd.org.br/ https://www.portalped.com.br/ https://www.ufrgs.br/telessauders/ http://www.sbd.org.br/ OBRIGADO!! João Batista Cavalcante Filho Márcia Estela Lopes da Silva