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1 Khilver Doanne Sousa Soares Malária Malária É causada pelo parasita intracelular Plasmodium. O Plasmodium falciparum, da malária severa, e de todos os outro 4 parasitas, vivax, ovale, malariae e knowlesi são transmitidos por fêmeas dos mosquitos do gênero Anopheles. Ainda é a mais importante endemia parasitária do mundo. O número de habitantes expostos ao risco de adquirir a doença foi de 77,03% da população mundial no início do século XX para 48,3% em 2002. Vale ressaltar que treze países africanos são responsáveis por 86% dos casos. No Brasil a malária está interligada à processos de desenvolvimento, à área rural e implantação e consolidação da economia cafeeira. No ano de 1940, com o estouro da produção da borracha na Amazônia, o Brasil apresentava 1/7 da sua população com malária (6 milhões de casos). Com o advento do DDT, poderoso inseticida, e da cloroquina mais os programas de combate do governo houve redução acentuada da doença. Em 1970 o país registrou 52’469 casos da doença concentrados na Amazônia Legal, em 1980 foram notificados 169’871 casos e em 1990 ultrapassou- se 560’000 casos. A partir de 2006 o número de casos voltou a diminuir e em 2009 houveram 308 mil notificações. O número reduziu em prol das combinações terapêuticas com derivados de artemisinina. Os ciclos de vida dos Plasmodium’s são semelhantes. O falciparum difere nos meios que contribuem para maior virulência. Já o vivax, ovale, knowlesi e malariae causam baixos níveis de parasitemia, anemia leve e raramente ruptura esplênica e síndrome nefrótica. Obs.: infecção por P. falciparum está associada a altos níveis de parasitemia. Podem levar a anemia severa, sintomas cerebrais, insuficiência renal, edema pulmonar e morte. Fonte: Site slideshare. Acessado em 08/10/2020. https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium -e-malria O estágio infeccioso do Plasmodium é o esporozoíto e é encontrado nas glândulas salivares das fêmeas de mosquitos. Quando o mosquito se alimenta de sangue os esporozoítos são liberados na corrente sanguínea e em https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium-e-malria https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium-e-malria 2 Khilver Doanne Sousa Soares minutos se ligam e invadem os hepatócitos por ligação ao receptor de hepatócito ás proteínas séricas trombospondina e properdina. No interior dos hepatócitos, os parasitas da malária se multiplicam, liberando 30 mil merozoítos (formas haploides assexuadas) momento que cada hepatócito infectado se rompe. Na infecção por P. falciparum rompe geralmente entre 8 e 12 semanas; Na infecção pelo P. vivax e ovale, são formados hipnozoítos latentes nos hepatócitos. Isso causa recaídas de malária, semanas a meses após a infecção inicial. A infecção do fígado e desenvolvimento de merozoítos são chamados de estágio exoeritrocítico (assintomatológico). Uma vez liberados no fígado, os merozoítos do Plasmodium se ligam aos resíduos do ácido siálico nas moléculas glicoforinas na superfície dos eritrócitos e invadem através de penetração ativa na membrana. Dentro dos eritrócitos estágio eritrocítico os parasitas crescem em vacúolos digestivos envoltos por membrana, hidrolisando a hemoglobina por enzimas secretadas. Primeiro estágio do parasita nos eritrócitosTrofozoíto, e é definido pela presença de uma única massa de cromatina. Segundo estágio do parasita nos eritrócitosEsquizonte, tem múltiplas massas de cromatina, cada uma se desenvolvendo em merozoítos. Com a lise do eritrócito os novos merozoítos infectam mais eritrócitos. Nesse momento ocorre a febre paroxística, calafrios e sintomas característicos do momento em que ocorre o “surto” de hemólise. Os merozoítos soltos no sangue induzem a produção de citocinas resultando em febre. Fonte: Site msdmanuals. Acessado em 08/10/2020. https://www.msdmanuals.com/pt- pt/profissional/multimedia/figure/inf_plasmodium_life_cy cle_pt. Obs.: o ciclo da febre paroxística (a cada 48-72 horas) varia de acordo com a espécie do parasita. Obs.: o que permite o mantimento do ciclo da transmissão da doença, já que o mosquito não carrega o merozoítos, é o fato de que alguns parasitas nos eritrócitos se desenvolvem em gametócitos e infectam o mosquito quando ele pica o humano. O hospedeiro pode ter resistência intrínseca ou adquirida ao Plasmodium após exposição repetida ou prolongada. Mutações pontuais nos genes das globinas – anemia falciforme e doença da HbC; Mutações que resultam em deficiências de globina talassemia-α e β; https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/multimedia/figure/inf_plasmodium_life_cycle_pt https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/multimedia/figure/inf_plasmodium_life_cycle_pt https://www.msdmanuals.com/pt-pt/profissional/multimedia/figure/inf_plasmodium_life_cycle_pt 3 Khilver Doanne Sousa Soares Mutações que afetam as enzimas eritrocitárias; Mutações que causam defeitos na membrana dos eritrócitos. Plasmodium falciparum. O P. falciparum é mais severo que outras espécies. I: é capaz de infectar eritrócitos de qualquer idade; II: faz com que os eritrócitos se agreguem (rosetas) e adiram às células endoteliais dos pequenos vasos sanguíneos bloqueando o fluxo. III: as proteínas ligadas ao GPI são liberadas dos eritrócitos infectados e induzem a produção de citocinas pelo hospedeiro, o que resulta numa série de fatores que causam dano tecidual. Fonte: Site slideshare; Malária: diferenças entre as espécies. Acessado em 08/10/2020. https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium -e-malria Pela inespecificidade dos sinais e sintomas provocados pelo Plasmodium, o diagnóstico clínico da malária não é preciso, pois outras doenças febris agudas podem apresentar sinais e sintomas semelhantes, tais como a dengue, a febre amarela, a leptospirose, a febre tifóide e muitas outras. Dessa forma, a tomada de decisão de tratar um paciente por malária deve ser baseada na confirmação laboratorial da doença, pela microscopia da gota espessa de sangue ou por testes rápidos imunocromatográficos. Quadro clínico da malária grave: Diagnóstico Laboratorial 1. Diagnóstico microscópico: Baseia-se no encontro de parasitos no sangue. O método mais utilizado é o da microscopia da gota espessa de sangue, colhida por punção digital e corada pelo método de Walker. O exame cuidadoso da lâmina é considerado o padrão-ouro para a detecção e identificação dos parasitos da malária. Contudo, nas condições de campo, a capacidade de detecção é de 100 parasitos/μl de sangue. O exame da gota espessa permite diferenciação das espécies de Plasmodium e do estágio de evolução do parasito circulante. Pode-se ainda calcular a densidade da parasitemia em relação aos campos microscópicos examinados; https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium-e-malria https://pt.slideshare.net/VivianeVasconcelos2/plasmodium-e-malria 4 Khilver Doanne Sousa Soares Fonte: Site slideplayer. Acessado em 08/10/2020. https://slideplayer.com.br/slide/5742752/ 2. Testes Rápidos Imunocromatográficos: Baseiam-se na detecção de antígenos dos parasitos por anticorpos monoclonais, que são revelados por método imunocromatográfico. Comercialmente estão disponíveis em “kits” que permitem diagnósticos rápidos, em cerca de 15 a 20 minutos. A sensibilidade para P. falciparum é maior que 90%, comparando-se com a gota espessa, para densidades maiores que 100 parasitos por μl de sangue. Entre suas desvantagens estão: (i) não distinguem P. vivax, P. malariae e P. ovale; (ii) não medem o nível de parasitemia; (iii) não detectam infecções mistas que incluem o P. falciparum. Além disso, seus custos são ainda mais elevados que o da gota espessa e pode apresentar perda de qualidade quando armazenado por muitos meses em condições de campo. Fonte: Site unesp. Acessado em 08/10/2020.https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologi a/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-pratica-5--testes- rapidos-sorodiagnostico.pdf Fonte: Site telelab. Acessado em 08/10/2020. https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22182/mo https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-pratica-5--testes-rapidos-sorodiagnostico.pdf https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-pratica-5--testes-rapidos-sorodiagnostico.pdf https://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-pratica-5--testes-rapidos-sorodiagnostico.pdf https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22182/mod_resource/content/5/Hepatites%20-%20Manual%20Aula%203_CORRIGIDO%202017.pdf 5 Khilver Doanne Sousa Soares d_resource/content/5/Hepatites%20- %20Manual%20Aula%203_CORRIGIDO%202017.pdf A baixa renda, a continua migração para áreas de transmissão de malária, as condições precárias das residências e suas localizações próximas aos ambientes naturais de espécies anofélicas, bem como, a ocorrência de espécies de Anopheles com competência vetorial são alguns fatores de riscos a transmissão de malária identificados Fatores de risco muito prováveis à transmissão da malária: (1) a presença de espécies anofelicas com competência vetorial; (2) construção de moradias precárias e próximas aos criadouros, facilitando o acesso dos anofelinos; (3) o baixo nível de escolaridade; (4) atraso e interrupção do tratamento; (5) a baixa renda familiar que dificulta o acesso às medidas antivetoriais individuais; (6) o continuo deslocamento de alguns moradores a localidades onde há transmissão de malária; (7) desequilíbrio ambiental devido a ocupação desordenada; (8) a questão política e operacional dos órgãos competentes pelo controle da malária, como por exemplo a falta de recursos humanos capacitados para a busca ativa e diagnóstico precoce e a má aplicação dos recursos financeiros de acordo com os objetivos do controle da malária. Referências KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; FAUSTO, N.; ASTER, J.C. Robbins & Cotran Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. MACIEL, Faye Oliveira; SILVA, Raullyan Borja Lima; SOUTO, Raimundo Nonato Picanço. Fatores de riscos associados à transmissão de malária humana, em áreas de ressacas, nos bairros Novo Horizonte e Zerão, Macapá, Amapá, Brasil. Biota Amazônia, Macapá, v.1, n.1, p.49-57, 2010. ARRUDA, Eder Ferreira. et. al. Associação entre malária e anemia em área urbana de transmissão do Plasmodium: Mâncio Lima, Acre, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.32, n.9, p.1-10, 2016. _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22182/mod_resource/content/5/Hepatites%20-%20Manual%20Aula%203_CORRIGIDO%202017.pdf https://telelab.aids.gov.br/moodle/pluginfile.php/22182/mod_resource/content/5/Hepatites%20-%20Manual%20Aula%203_CORRIGIDO%202017.pdf