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Prof.: Ticianna Vasconcelos. / Aluna: Scarlett Sampaio MATÉRIA: SAÚDE DE ANIMAIS DE PRODUÇÃO- 7ª aula (13/09) Doenças aviárias: Micoplasmose · A Micoplasmose é uma doença infecciosa causada por bactérias pertencentes ao filo TENERICUTES e do gênero MYCOPLASMA; · Responsável por causar doenças respiratórias crônicas; · Grandes prejuízos à avicultura mundial moderna; · Espécies descritas em aves, sendo que o Mycoplasma synoviae (MS), Mycoplasmagaliisepicum (MG) e o Mycoplasma meleagridis (MM) os mais preocupantes para avicultura industrial; · Participante do Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA); · MG é responsável por causar prejuízos consideráveis na produção de galinhas poedeiras (Brasil); · Transmitida via horizontal e vertical, desta forma, as empreses de genética necessitam manter os plantéis sob vigilância e fornecer apenas animais livres de MG e MS. Histórico: · O primeiro isolamento ocorreu em 1898, na França, a partir de bovinos apresentando PLEUROPNEUMONIA CONTAGIOSA BOVINA - PPCB; · Desde então os microrganismos isolados com características semelhantes àqueles da PPCB, foram denominados de Pleuro Pneumoniae-Like Organisms-PPLO; · Os primeiros relatos sobre a micoplasmose aviária ocorreram na Inglaterra, em 1905, quando um provável quadro de infecção conjugada de Mycoplasma gallisepticum (MG) e Pasteurella multocida foi diagnosticado como "Pneumoenterite Epizoótica dos Perus"; · Se tornou conhecido 1938 como Sinusite Infecciosa dos perus; · A enfermidade recebeu o nome de Sinusite Infecciosa dos Perus e Doença Crônica Respiratória (DCR) das galinhas pelo caráter crônico e pela evolução lenta da doença. · Estabelecida a conexão entre sintomas respiratórios e a presença de organismos cocobaciliformes (1950). · Denominaram o agente etiológico da DCR como Mycoplasma gallisepticum (MG),1960. · As micoplasmoses são causadas pelos menores procariontes (bactérias) conhecidos (cerca de 300nm) - maiores vírus; · Predileção pelas membranas mucosas e serosas das aves, provocando problemas respiratórios, articulares e urogenitais; · Espécies de micoplasmas mais importantes para as aves industriais: Mycoplasma gallisepticum (M. gallisepticum), M. synoviae e M. meleagridis. · A Doença Respiratória Crônica (DCR) das galinhas causada por MG, a Sinuvite Infecciosa dos Perus causada por MS, a Sinovite Infecciosa e Aerossaculite das Aves causada por MG e MS, são as formas clássicas da infecção. · Todas de erradicação e vigilância permanente e obrigatória nos plantéis reprodutores, de acordo com o Programa Nacional de Sanidade Avícola - PNSA. · M. meleagridis tem grande importância e é de erradicação obrigatória em perus. · Filo: Tenericutes · Classe: Mollicutes (mollis = macio e cutis = pele) · Ordem: Mycoplasmatales. · São pleomórficos, geralmente em forma cocóide; · Bactéria Gram negativas; · Diferem das bactérias convencionais por não possuírem parede celular, sendo o seu citoplasma envolvido somente por uma membrana trilaminar. A ausência de parede celular permite plasticidade e resistência a antibióticos que atuam impedindo a síntese da parede celular (penicilinas) crescem produzindo colônias em forma de "ovo frito. As espécies de micoplasmas apresentam usualmente uma especificidade em relação ao hospedeiro, com algumas exceções; · Foram isoladas e caracterizadas 25 espécies de micoplasmas nas aves; · Existem três micoplasmas de importância econômica na produção avícola: · M. gallisepticum e M. synoviae - acometem Anseriformes, Galliformes, Psittaciformes, Columbiformes, Passeriformes e outras ordens de aves. · M. galliseptcum: Pneumonia Silenciosa. · M. synoviae: Sinovite e aerossaculite. Todos podem causar doenças subclínicas ou aparentes em galinhas, perus e em outras aves. Aves silvestres pouco susceptíveis atuam como VETORES ou transmissores das micoplasmoses. Através do contato direto com as aves de produção ou com a água e/ou alimentos. Etiologia: · Colônias na forma mamilar ou de ovo frito. Colônias de Mycoplasma synoviae (A) e Mycoplasma gallisepticum (B) em meio sólido de Frey modificado. Colônias em formas de ovo frito ou mamilar. Aumento 100x. As formas clássicas dessas infecções são as seguintes: · Doença crônica respiratória das galinhas (DCR); · Sinusite infecciosa dos perus; · Sinovite infecciosa; · Aerossaculite das aves. · M. meleagridis: importância em perus- sinovite e sinusite infecciosa. Os micoplasmas são: · Resistentes: a penicilina. · Suscetíveis: a fatores ambientais. · A maioria dos desinfetantes químicos comumente empregados são efetivos · É inativado pelo formol e amônia. Histórico no Brasil: · Iniciou em meados da década de 50, quando esta doença foi relatada pela primeira vez em São Paulo, a partir de casos de aerossaculite em galinhas e sinusite infecciosa em perus; · Entre os anos de 1961-1967, foi demonstrado que a infecção em perus por Mycoplasma gallisepticum (MG) era mais frequente que pelo Mycoplasma meleagridis (MM), e foi observado que a prevalência da DCR aumentou; · Década de 70, observou-se uma alta prevalência da doença nos plantéis avícolas do país a partir de dados de necropsia e de sorologia; · Década 80, no Estado do Rio de Janeiro, os casos de micoplasmose ocuparam o primeiro lugar entre as doenças diagnosticadas pelo setor de Ornitopatologia da EMBRAPA; · Década de 90, Ministério da Agricultura juntamente com a assessoria de especialistas na área criaram o Programa de Sanidade Avícola (PNSA), estabelecendo normas e recomendações técnicas para o controle da micoplasmose e outras doenças aviárias; · Objetivo erradicação e a manutenção de lotes livres de micoplasmas, principalmente dos núcleos de aves reprodutoras e de matrizes. Transmissão: Transmissão horizontal: · Aerossóis respiratórios e penetração pelas mucosas orais, respiratórias e conjuntivais. · A disseminação horizontal da infecção é em geral muito rápida entre as aves de um mesmo galpão alcançando 100% das mesmas em poucas semanas. · Um ponto importante é que a transmissão pode cessar por alguns períodos e reiniciar-se em qualquer momento conjuntamente com uma situação de estresse. · O período de incubação de MG e MS é similar de 11 a 21 dias; · Depende da virulência das cepas, da concentração das mesmas e de fatores de estresse ambiental e do manejo dos lotes de aves. Transmissão vertical: · Transovariana -> gerando ovos contaminados. · Aves infectadas e em estado agudo transmitem à sua progênie uma alta concentração bacteriana - taxa de transmissão 10 a 40%; · Período de incubação pode ser mais curto - 6 a 21 dias; · Casos de sinuvite em pintinhos com seis dias de idade. · Ovos contaminados 5 a 7% na fase aguda. Transmissão indireta: · Via fômites com resíduos orgânicos e secreções - pouco tempo viável fora do hospedeiro. · Viável nas fezes (20°C) - 1 a 3 dias. · Tecido de algodão (20°C) - 3 dias. · Gema de ovos (37°C) -> 18 semanas. · Gema de ovos (20°C) -> 6 semanas. · Narinas -> 24 horas. · Cabelo -> 3 dias. Patogenia: · Colonizam preferencialmente epitélios - se aderem intimamente às paredes celulares do hospedeiro e causam doenças crônicas e infecções de longa duração; · Os estágios de interação entre MG e hospedeiro - o primeiro contato não específico, a aderência específica aos receptores, a colonização e os danos subsequentes à célula. · A aderência do MG às células epiteliais no trato respiratório do hospedeiro acontece por meio de proteínas de adesão (não possuem parede celular), eles aderem-se diretamente à membrana da célula do hospedeiro. · Enzimas de seu metabolismo agridem os tecidos do hospedeiro -> lesão; · Perda da camada ciliar: ausência de cílios. Mycoplasma gallisepticum (MG): · Doença nas aves domésticas (interesse econômico) - isolado de outras aves, como de pássaros silvestres com conjuntivite, indicando capacidade de adaptar-se a outro hospedeiro. · Sinais gerais: tosse, corrimento, descarga ocular e nasal, decréscimo no consumo de alimentação, retardo de crescimento e lotes desiguais, além de queda na produção de ovos e mortalidade variável, e edemafacial. · Condenação de carcaças - aerossaculite e peritonite. · Mortalidade embrionária, mortalidade de pintinhos pós-eclosão; · Aumento da mortalidade de frangos de corte; · Transtornos respiratórios leves ou moderados levando a doença crônica respiratória. Mycoplasma synoviae: · Doença de duas formas: articular e a respiratória (agudas/crônicas). Na forma articular - sinovite; · Sinais clínicos em galinhas e perus: depressão, fraqueza, penas arrepiadas, retardo no crescimento, anemia (face e barbela pálidos) e edema das articulações, principalmente a tíbio-tarsial. · Sistema locomotor: artrite, com aumento articular, inchaço, hiperemia, exsudato leitoso sinovial, claudicação e imobilidade articular · A infecção via coxim plantar - sinovite/forte resposta sorológica; · A infecção por aerossol (diretamente nos sacos aéreos e via intrasinus ou nasal) - infecção inaparente ou quadro de aerossaculite e/ou induzir fraca resposta sorológica. · Letalidade dos efeitos clínicos podem também ser dependentes das coinfecções virais e bacterianas. Inchaço em articulações devido a infecção (Edema articular) Mycoplasma synoviae. Ovos com anormalidades em seu ápice causada pela infecção de M. synoviae no sistema reprodutor Mycoplasma meleagridis e M. iowae: · São principalmente patógenos para perus · Doença respiratória e reprodutiva -≥ redução da eclodibilidade e mortalidade embrionária. · A transmissão vertical e a infecção embrionária, resultam na doença em jovens logo após a eclosão. · A mortalidade é baixa e deve-se principalmente às infecções secundárias - perus de todas as idades; Morbidade normalmente é alta. · Mycoplasma iowae tem sido associado com redução da eclodibilidade (2-5%) e mortalidade embrionária em perus. Diagnóstico: · Epidemiológico / Histórico / Sinais Clínicos; · Patológico (alterações macro e micro); · Isolamento em fragmentos de tecido lesado/exsudato sinovial; · Swabs da traqueia; · Seios nasais. · O PNSA - plantéis de aves comerciais em reprodução > obrigatoriamente, ser monitorados para as micoplasmoses alvo de erradicação. · A sorologia rápida em placa (SRP), com antígeno específico para cada espécie de micoplasma, é o método oficial recomendado. · A SAR é uma prova de baixo custo, fácil e rápida para a realização, sendo o teste de escolha para triagem das amostras. · A SRP é sensível (detecta baixo título) mas pouco específico (reação cruzada/vacinas), exigindo reteste dos soros reagentes > ELISA. · Amostras a serem enviadas: Sangue total ou soro; Swab de traqueia; Ovos; Pintinhos; · Isolamento fragmento tecido lesado: sacos aéreos e traqueia, exsudato sinovial e ocular, suabes da traqueia, sacos aéreos, líquido sinovial e exsudato dos seios nasais. · O PNSA preconiza, em estabelecimentos de controle permanente (reprodutores), a avaliação periódica a cada três meses, até a eliminação do lote, para galinhas e perus, com início na 12° semana de idade, por soroaglutinação rápida (SAR), de, no mínimo, 300 amostras de soros individuais para M. gallisepticum e 100 (cem) amostras para M. synoviae, 150 para M. melleagridis selecionadas aleatoriamente. Soroaglutinação rápida em placa com soro reagente para Mycoplasma gallisepticum. Os grumos roxos ocorrem devido à reação entre o antígeno colorido e os anticorpos no soro. Diagnóstico Diferencial: · Doenças respiratórias - Newcastle, Bronquite Infecciosa, Cólera Aviária, Coriza Aviária; · Doenças articulares - Estafilococose, Colibacilose, Salmonelose, Artrite viral por Reovirus. Tratamento, Prevenção e Controle: · É obrigatória a erradicação - M. gallisepticum, M. synoviae e M. meleagridis para reprodutores comerciais. · É proibida qualquer tipo de tratamento para esses animais. · O tratamento pode ser adotado apenas em plantéis comerciais não reprodutores - obedecer aos prazos para descarte de resíduos, consumo dos produtos e abate, bem como avaliação de custo-benefício · É proibida a vacinação de controle permanente em plantéis reprodutores - prejudica o diagnóstico e, principalmente, o monitoramento epidemiológico. · Vacinas têm sido empregadas na avicultura de postura brasileira, com o objetivo de reduzir o impacto da micoplasmose na produção de ovos. · A biosseguridade é necessária para a manutenção do status de livre para os plantéis reprodutores industriais. Em sistemas de produção de frangos de corte, nos quais as aves de reposição são livres de micoplasma, basta o criador cumprir as medidas de biosseguridade preconizadas para avicultura e fazer uso de antibioticoterapia, caso surjam lotes com micoplasmose. · Micoplasmas são resistentes a antibióticos ß-lactâmicos que atuam na parede celular, como a penicilina e a cefalosporina, mas são sensíveis a tetraciclinas, macrolídeos, quinolonas ou tialumin. · Aves tratadas forçam os micoplasmas a escaparem ou esconderem-se em tecidos infectados, os tornando não detectados por cultura e PCR. Esta situação pode ser revertida pela suspensão do tratamento com as drogas. · Vacinação é realizada com o objetivo de reduzir os altos custos dos tratamentos com antibióticos, e ao longo do tempo, minimizar as novas infecções. · A condição de ave livre de MG, MS e MM podem ser obtidas com o tratamento dos ovos férteis por soluções de antibiótico por ovo-injeção e/ou ovo-imersão ou por aquecimento. Considerando a importância desta doença, o MAPA estabelece ações de controle e monitoramento de micoplasmoses em granjas avícolas de reprodução. · O PNSA também estabelece os critérios mínimos de biosseguridade a serem adotados pelas granjas para registro no serviço veterinário oficial · Determina normas para vigilância permanente e obrigatória nos plantéis reprodutores, objetivando a erradicação da doença no país. · A aquisição de aves de um dia ou ovos férteis livres de MG, MS e/ou MM para os sistemas de engorda, postura e reprodução. Instrução Normativa N° 44, de 23 de agosto de 2001 -> Medidas de Biosseguridade Em aves ou ovos férteis de linhas puras, bisavós e avós importadas ou nascidas no Brasil: · Positivo para M. gallisepticum, M. synoviae -7 sacrifício/abate do núcleo. · Positivo para M. gallisepticum, M. synoviae, M. melleagridis, exclusivo para perus -) sacrifício/abate do núcleo. · Matrizes: sacrifício e abate do núcleo e destruição de todos os ovos. Doença que requer notificação imediata de qualquer caso confirmado (Nível 3).