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1 SUMÁRIO 1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ................................................. 2 1.1 Objetivos da Orientação Profissional.................................................... 3 2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA ................................... 4 2.1 Modalidade Estatística ......................................................................... 5 2.2 Modalidade Clínica ............................................................................... 5 3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ...................................... 5 4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ...................... 8 5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL ........................................... 10 6 OS TESTES PSICOLÓGICOS E A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA ............ 13 6.1 Testes Vocacionais ............................................................................ 15 6.2 O teste na Orientação Vocacional. Por que não? .............................. 17 6.3 Alguns testes psicológicos e uma breve síntese ................................ 24 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 26 7 LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................... 32 2 1 O QUE É ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Segundo Levenfus (1997) o termo Orientação Profissional deve se referir a trabalhos que se limitam a informar sobre as profissões, mercado de trabalho, onde são aplicadas técnicas de aprendizagem, sem que dê ênfase a questões intrapsíquicas. De acordo com a autora, existe uma diferença entre Orientação Profissional e Orientação Vocacional, pois a Orientação Vocacional trata-se de um processo no qual se busca auxiliar e orientar para um conhecimento das características pessoais, familiares e sociais, criando condições para encontrar afinidades destas características como aquilo que poderá realizar em forma de projeto de vida profissional. Porém, ainda existem questionamentos sobre o termo orientação, pois alguns autores sugerem que o direcionamento dessa atividade parte do Psicólogo. Contudo, esse trabalho pode ser realizado por professores também. A Orientação Profissional ―oportuniza a reflexão, a discussão e o debate entre os próprios jovens para que eles possam se dar conta daquelas influências que lhe estão sendo prejudiciais, por não lhe permitirem escolher ou por levarem a um grau de angustia insuportável (SOARES, 1987, p.83). Conforme a citação acima cabe a reflexão de que a realização da Orientação Profissional que é feita em grupo auxilia os jovens por diversas razões como: diante da necessidade de escolher, os membros do grupo podem se identificar com as possibilidades, a troca de ideias e experiências pode proporcionar um maior aproveitamento das técnicas utilizadas. Na concepção de Müller (1998) a Orientação Vocacional não se trata de um estudo psicológico do qual necessariamente saem resultados. Ao contrário, trata-se de um processo, uma evolução mediante a qual os orientandos têm a oportunidade de refletir sobre sua problemática de modo que procurem caminhos para sua superação. Nos últimos anos, observou-se que a procura pela Orientação Vocacional tem crescido muito, sendo indiscutível o valor do trabalho do orientador profissional para a sociedade, considerando que a prática desse trabalho deve ser constantemente avaliada pelos profissionais envolvidos. O processo de Orientação Vocacional pode ser desenvolvido tanto em grupo quanto individualmente. Lucchiari, ao referir o trabalho em grupo considera que: 3 É importante para o indivíduo, sentir-se igual aos outros, há possibilidade de compartilhar sentimentos de dúvidas em relação à escolha e ao futuro, cada participante do grupo é um facilitador, pois auxiliam a entender o outro e o conhecimento que cada membro busca de si mesmo (1993 p.13-14). Em contrapartida, Torres (2002) em sua prática clínica já defende os atendimentos individuais, acreditando mais em sua eficácia. Portanto, a Orientação Vocacional auxilia o indivíduo na compressão do mundo social em que vive, a construir seu projeto profissional. Para Andrade et.al. (2002, p.49): A relevância do processo de OV pode ser evidenciada quando este, ao passo que faz com que o levem a refletir sobre si mesmo, também o ajuda a escolher um caminho profissional, dando possibilidades para que possa desenvolver todas as suas capacidades. Diante dessa afirmação, os autores expõem a ideia do quanto se torna importante a OV para que o indivíduo possa fazer uma reflexão sobre si e a partir dessa reflexão, enxergar as possibilidades que surgirem, como também suas próprias capacidades para então fazer a sua escolha profissional. 1.1 Objetivos da Orientação Profissional O objetivo principal da Orientação Profissional é facilitar a escolha do jovem, auxiliando-o a refletir sobre suas capacidades e dificuldades para que se possa fazer a escolha mais adequada. Lucchiari afirma que: Ela tem por objetivo facilitar o momento da escolha ao jovem, auxiliando-o a compreender sua situação específica de vida, na qual estão incluídos aspectos pessoais, familiares e sociais. É a partir dessa compreensão que ele terá mais condição de definir qual a melhor escolha- a escolha possível- no seu projeto de vida (1993, p.12). De acordo com a autora, o orientador deve estar habilitado para coordenar o processo de OP para que as dificuldades possam ser trabalhadas e assim auxiliar o jovem a pensar, facilitando sua escolha. Para facilitar essa escolha a autora ressalta que devem ser trabalhados os seguintes aspectos; 1. Conhecimento de Si: está relacionado à identidade do jovem em quem ele foi, quem ele é e quem ele será, o projeto que ele espera para o futuro em sua vida profissional, suas expectativas em relação a família e pessoais, quais são seus principais valores e interesses. 4 2. Conhecimento das Profissões: está relacionado às profissões, quais são, o que fazem e como fazem, o mercado de trabalho dentro do sistema político- econômico, quais as possibilidades de atuação, visitas aos locais de trabalho e cursos de universidades, informações sobre currículos e entrevista com profissionais. 3. Escolha propriamente dita: que refere à decisão pessoal, deixar de lado o que não é escolhido, viabilizar a escolha. Fonte: www.valordoconhecimento.com.br 2 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E A PSICOLOGIA De acordo com Bohoslavsky (1998), existe um trabalho conjunto da Psicologia com a Orientação Profissional, pois os indivíduos precisam de um processo de mudanças e escolhas em um determinado momento de sua vida, e a escolha da profissão faz parte de um momento crítico de mudança na vida de cada indivíduo. Nesse caso cabe ao psicólogo auxiliar com o trabalho de OP ao jovem enfrentar e elaborar suas dúvidas, medos, inseguranças que emergem nesse momento. Portanto, há duas modalidades diferentes que se enquadram nesse contexto. 5 2.1 Modalidade Estatística Para os psicólogos que atuam nesta modalidade, o trabalho é realizado a partir do interesse do cliente, diante das oportunidades existentes, que se ajustam ao gosto do futuro profissional. Esta modalidade, influenciada por programas da psicometria, tem recebido contribuição de autores fatorialistas, suas descrições quantitativas estão cada vez mais rigorosas e o teste torna-se um instrumento fundamental para se conhecer as aptidões dos orientandos. 2.2 Modalidade Clínica Nesta modalidade os jovens são auxiliados a enfrentar e compreender a situação no processo de escolha para chegar a uma decisão responsável. Para os psicólogos que atuam nessa modalidade, a entrevista é o principal instrumento, pois se considera que se a adaptação à situação de aprendizagem não for boa, a decisão também não será. Portanto, conforme a descrição do autor pode-seconcluir que tanto na modalidade estatística quanto na modalidade clínica, o psicólogo exerce uma função de fundamental importância no que diz respeito à facilitação da escolha do jovem, com técnicas, testes, escuta qualificada, entrevistas e reflexões, esse profissional pode auxiliar o indivíduo no processo da escolha profissional. 3 HISTÓRICO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL De acordo com Bock (2006) no passado a escolha de uma profissão ou ocupação não era vista como um problema universal da humanidade, pois os homens trabalhavam e viviam apenas para sobreviver. Os trabalhos organizavam-se como atividade de coleta e mais tarde como caça, não havendo diferenciação de funções, exceto aquelas determinadas pelo sexo. Na vida tribal, pode ser encontrada a preservação de culturas advindas de seus descendentes, não estipulando atividades e ocupações diferentes entre seus membros, sendo organizadas apenas por meio de uma hierarquia, no que se refere às questões de guerra e aos cuidados com a saúde, levando em conta funções exercidas por questões de coragem ou ainda idade avançada. As atividades da caça, 6 por exemplo, são atribuídas especificamente aos homens, devido ao porte físico, já a agricultura e o cuidado dos filhos são destinados exclusivamente as mulheres. Nesse período não havia possibilidades e nem necessidades de grandes escolhas no que se refere a funções, tanto para a sobrevivência material ou não. Para os grandes filósofos gregos, e especificamente para Platão e Aristóteles, o trabalho era uma atividade exclusivamente física, que se reduzia ao esforço que deviam fazer as pessoas para assegurar seu sustento, satisfazer suas necessidades vitais e reproduzir sua força de trabalho (circunscrita à sua dimensão meramente física). Era uma atividade considerada pelos demais não somente como penosa, senão também como degradante, que não era valorizada socialmente e que se justificava em última instância pela dependência que os seres humanos tinham com respeito às suas necessidades (NEFFA, 1999, p. 130, tradução nossa, do espanhol). Consequentemente ser cidadão, escravo, camponês ou trabalhador manual não tinha nenhuma relação com algum tipo de escolha, mas sim da condição de classe da família que o indivíduo pertencia ou de acordo com as vitórias e derrotas nas guerras. Mas, segundo Jaccard não era o trabalho que era desvalorizado nesse tempo, mas a condição de dependência: A condição do assalariado livre não valia mais do que a do servo; ambos eram desprezados e quase sempre miseráveis, por trabalharem por suas mãos? Não, porque os deuses, os reis e os senhores também o faziam, mas.... Por dependerem de outrem, por não subsistirem senão servindo outrem. Nesse tempo, não era o trabalho que estava desacreditado; era a dependência, a obrigação de servir - de que o cristianismo fará um dever de honra – que era considerada indigna do homem. É por isso que o cultivador pobre, penando sobre o seu árido campo, alimentando-se com custo, mas independente, será glorificado por muito tempo, mas do que o artesão, o poeta ou o artista, cuja subsistência depende de um mestre ou de um cliente generoso. (1974, p. 65). A luta pela sobrevivência dependia das condições estabelecidas pela estrutura e forma da sociedade, de como ela se organizava, ou seja, não dependia de escolhas. Na idade Média, especificamente no feudalismo, o mesmo fenômeno ocorre, a sociedade divide-se em camadas sociais: nobres, clérigos, senhores e vassalos, uns com obrigações para os outros. O que determina a posição da classe é a circunstância do nascimento, caso o indivíduo seja de uma família de nobres ou plebeus. A ocupação e a posição ocupadas na sociedade são transmitidas de pai para filho. O trabalho, neste modo, visa o sustento dos indivíduos, pois nesse tempo o mercado apenas começava a desenvolver-se. Ainda nesse período de desenvolvimento da sociedade, não se pode falar em escolha de profissão por parte dos indivíduos, pois a estrutura da sociedade que vai 7 determinar o que cada um vai fazer ou que prestígio social e poder vai ter. A igreja aparece com força absoluta, principalmente a católica, reafirmando que tudo que acontece é por força divina. O que importa são os laços de sangue, há uma estagnação social e as tarefas são transmitidas familiarmente. A palavra vocação só se conceitua no sentido religioso, que seria um chamado divino, impondo uma missão para os indivíduos. O trabalho ainda é visto como uma atividade para a manutenção e sobrevivência da espécie humana. A terra, segundo Huberman (1986) era de propriedade da nobreza e do clero, que a arrendava aos senhores, que, por sua vez, arrendava aos servos. A ideia de escolha profissional só ganha relativa importância quando o modo de produção capitalista se instala definidamente. Com a passagem do feudalismo para o capitalismo começa o surgimento de importantes mudanças no modo de produzir e reproduzir a existência humana. Segundo Braverman (1981), a nova ordem social, engendrada pelo capitalismo, só aparece quando algumas características fundamentais dominam o processo de produção. Em primeiro lugar, o trabalhador é excluído da propriedade de todos os meios de produção, assim sua sobrevivência só é alcançada por meio da venda de sua força de trabalho, e isto acontecerá apenas se ele não tiver nenhuma possibilidade de sobreviver de forma autônoma. Em segundo lugar, passa a ser crucial que o trabalhador não tenha nenhum tipo de relação jurídica que o mantenha preso a qualquer modo de servidão, o trabalhador agora é livre e pode vender sua capacidade de trabalho. E, em terceiro lugar, o objetivo primordial do trabalho (produção) não é mais característico da satisfação das necessidades humanas, como resultado, passa-se a produzir para o mercado, visando o capital empregado (lucro), característico desse modo de produção. Assim, as teorias e práticas na área da orientação profissional só avançam no modo capitalista de produção, que mais a frente, na chamada Revolução Industrial, aparecerá a divisão técnica do trabalho. Nesse período a questão da seleção e, consequentemente, a escolha profissional, passam a ser consideradas muito importantes, para que se tenha o homem certo no lugar certo, visando à produtividade. A posição do indivíduo no capitalismo não é mais determinada, pelos laços de sangue. Agora, esta posição é conquistada pelo indivíduo segundo esforço que despende para alcançar esta posição. Se antes esta posição era entendida em função das leis naturais referendadas pela vontade divina, 8 agora, ao contrário, o indivíduo pode tudo, desde que lute, estude, trabalhe, se esforce, e também (por que não?) seja um pouco aquinhoado pela sorte (BOCK, 1989, pag.15). Nesse momento o conceito de vocação muda, pois não se pode mais falar no sentido religioso, como era no período feudal. A revolução burguesa falava sobre a ideia de igualdade entre os homens, mas como explicar as desigualdades entre os seres humanos, numa sociedade que questiona a determinação religiosa? Assim, surge o conceito de vocação biológica para justificar essas diferenças no meio da sociedade. Se o indivíduo não se deu bem na vida (não obteve, segundo os parâmetros da sociedade, riqueza, prestígio, poder, etc.), a justificativa para tal gira em torno da má escolha de sua profissão, portanto, da não identificação de sua ‗‘verdadeira vocação‘‘, ao invés de se proceder a uma análise da realidade socioeconômica para entender a situação. (BOCK, 1986, p. 173) Assim, a ideia da liberdade de escolha profissional tem como base inicial, o capitalismo, que coloca o trabalho para além da sobrevivência pessoal. Com certeza, só se pode mencionar a questão da opção num caso em que o indivíduo não pode mais sobreviver de forma autônoma e necessita vender sua força de trabalho. Só a partir desse momento,se concebe a ideia de que o indivíduo escolhe seu caminho dentro das condições em que vive e em função de suas vontades e aptidões. As teorias em orientação profissional serão desenvolvidas seguindo essa perspectiva, ou seja, compreendendo que a escolha profissional é um fenômeno, que acontece em um determinado momento na história da humanidade. 4 DESENVOLVIMENTO DA ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL Com a Revolução Francesa, em 1789, passa-se a ter possibilidades de se pensar em algum tipo de liberdade de escolha, pois essas, já não eram mais determinadas pelo nascimento, por castas ou pelas famílias, mas sim, pela luta de igualdade dos direitos entre os homens. Depois, com a Revolução Industrial, ocorre uma significativa mudança do modo de produção agrário para o industrial, mudando completamente o cenário nas relações de trabalho. No qual, exige-se uma qualificação humana diferenciada para os vários tipos de ocupações, nesse momento surge os primeiros sinais de uma necessidade da orientação profissional. Com o objetivo de selecionar, detectar trabalhadores aptos 9 para a realização ou não de algumas tarefas, buscando uma eficácia industrial, ou seja, o homem certo para cada ocupação. Fonte: significar.com.br Com toda essa mudança, o capitalismo sofre um disparo, fazendo surgir uma nova era, onde o que importava era o lucro. Assim descobre-se que a maioria da população não tem qualificação, sendo necessário o aparecimento de alguma forma de capacitação para tornar essa população apta para os novos trabalhos. A partir, desses acontecimentos a escolha profissional passa a ter um destaque importante para o homem, que agora é livre para oferecer seu trabalho. Em 1909 acontece a publicação do primeiro livro sobre Orientação Profissional, ‘Escolhendo uma Profissão‘‘, de Frank Parsons, e também o surgimento do primeiro Centro de Orientação Profissional, criado pelo mesmo. Este último possuía o objetivo de identificar aptidões, buscando uma boa adaptação através da comparação dos perfis do indivíduo e do requisitado pela ocupação, ou seja, a adaptação depende do equilíbrio entre as características do indivíduo e as exigências das funções (SPARTA, 2003). A demanda pelo serviço de orientação profissional amplia-se, com a primeira Guerra Mundial, em 1917, com isso surge à necessidade de recrutamento de novos membros para o exército e com isso o incentivo ao uso de testes como os de inteligência, aptidões, habilidades, interesses e personalidade. 10 A orientação Profissional teve seu início associada à psicometria, porém, essas teorias não supriam as questões ligadas às práticas, tiveram um papel importante nessa época, desenvolvendo-se mais elaboradas para tentar cumprir seu objetivo. De acordo, com dados colhidos no artigo de Sparta (2003), até esse momento o desenvolvimento da Orientação Profissional era diretivo, mas após o surgimento da teoria de Carl Rogers, aproximadamente em 1940, que era centrada na pessoa, a orientação profissional passa a seguir outros caminhos, dando lugar para o surgimento de outras teorias mais subjetivas. 5 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL NO BRASIL De acordo com Sparta (2003), a Orientação Profissional brasileira teve como marco inicial, sua origem em 1924, com o Serviço de Seleção e Orientação Profissional para os alunos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, sob o comando do engenheiro suíço Roberto Mange. A Orientação Profissional nasceu ligada à Psicologia Aplicada, a qual vinha se desenvolvendo no país na década de 1920, que se coloca junto à Medicina, à Educação e à organização do trabalho. No Brasil, a orientação profissional surgiu com a intenção de preencher as exigências do mercado industrial, com a missão de operar para sustentar sociedade. Posteriormente foi sendo transformada para atender as necessidades da nova sociedade pós-industrial que vive em constante mudança. A Orientação Profissional não satisfeita em reproduzir ou manter as exigências sociais almeja ser um agente de transformação social. Para tal, está engajada política, social e eticamente na sociedade (SPARTA, 2003). 11 Fonte: orientacaoprofissionalblog.wordpress.com Nas décadas de 1930 e 1940, foi inserida no Serviço de Educação do Estado de São Paulo, por iniciativa de Lourenço Filho. Em 1942, a lei Capanema, sobre a organização do ensino secundário, estabeleceu a atividade de orientação educacional e colocou como o auxílio na escolha profissional dos estudantes. Conforme explica Sparta (2003), em 1944 foi criada a Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, estudava a organização racional do trabalho e a influência da psicologia sobre a mesma. Já em 1945 e 1946, com assistência do governo brasileiro, de acordo com a autora foi oferecido o curso de Seleção, Orientação e Readaptação Profissional, ministrado pelo psicólogo e psiquiatra espanhol Emilio Mira y López, com o objetivo de formação de técnicos brasileiros em áreas de atuação específicas. Em 1947, foi fundado o Instituto de Seleção e Orientação Profissional (ISOP), junto à Fundação Getúlio Vargas, na cidade do Rio de Janeiro, Instituto que técnicos e estudiosos da Psicologia Aplicada, muitos deles formados pelo curso ministrado por Mira y López, o primeiro diretor do Instituto. Na década de 1950, começaram a surgir diferentes teorias sobre a escolha profissional. Em 1951 foi publicado o livro Ocupacional Choice, de Cinzberg & outros. Essa obra originou a primeira teoria do desenvolvimento vocacional, que enfatiza a questão de a escolha profissional não ser um acontecimento específico que ocorre num momento específico da vida, mas sim um processo evolutivo que ocorre entre os 12 últimos anos da infância e os primeiros anos da vida adulta. Segundo a autora, dois anos após essa teoria, foi publicada a teoria do desenvolvimento vocacional de Donald Super. Tal teoria definiu a escolha profissional como um processo que ocorre ao longo da vida, da infância até a velhice. Ocorre através de diferentes estágios do desenvolvimento vocacional e da realização de diversas tarefas evolutivas. Em 1959, foi publicada a Teoria Tipológica de John Holland. Para esta autora, os interesses profissionais refletem a personalidade do indivíduo. Dessa forma, podem servir de base para a definição de diferentes tipos de personalidade, cujas características definem diferentes grupos de trabalho e correspondem a diferentes ambientes de trabalho. Nas décadas de 1950 e 1960, de acordo com a mesma autora, foram publicadas as teorias psicodinâmicas da escolha profissional, baseadas na teoria psicanalítica e na teoria de satisfação das necessidades, bem como, nas teorias de tomada de decisão, que estavam inicialmente mais preocupadas com o momento da escolha do que como processo em si. No Brasil, a OP desde sua concepção esteve ligada à Psicologia, pautada no enfoque clínico e foi muito influenciada pela Psicanálise, ou seja, norteou-se principalmente pela estratégia clínica de orientação vocacional do psicólogo argentino Rodolfo Bohoslavsky, e foi introduzida no Brasil na década de 1970 por Maria Margarida de Carvalho. Silva et al, (2008) salienta que a estratégia clínica de Bohoslavsky e o processo de interação grupal desenvolvido por Carvalho deu origem a um modelo brasileiro de orientação profissional, utilizado até os dias de hoje no Brasil. Essa pesquisadora propôs os processos grupais como forma alternativa ao modelo psicométrico e como forma de promoção da aprendizagem da escolha. O enfoque clínico permanece, mesmo considerando as décadas de 1980 e 90, as quais foram décadas em que muito se pesquisou a respeito da OP em relação à escolha vocacional e adolescência. No final da década de 90 do século XX, o foco de interesse das pesquisas sobre Juventude, Educação e Trabalho se exacerbou, devido às mudanças ocorridas no mundoque rodeia o trabalho, novas perspectivas foram abertas para a OP que cada vez mais vem se consolidando como agente de transformação social. Como afirma Soares (1999), no Brasil a Orientação Profissional pode ser realizada por psicólogos e pedagogos, mas infelizmente a formação de orientadores profissionais brasileiros ainda não possui regulamento ou lei para se determinar conteúdos mínimos a serem realizados. Fica a formação a cargo de universidades e 13 cursos livres, a falta de uma lei mais rigorosa da profissão acaba desfazendo boas iniciativas e não oferece poder para que a ABOP (Associação Brasileira Orientação Profissional) possa fiscalizar os cursos oferecidos em território nacional. 6 OS TESTES PSICOLÓGICOS E A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA Como afirma Gislene Macedo, Discutir sobre as muitas questões que envolvem os testes psicológicos no Brasil é, de certa forma, discutir o eixo estrutural da Psicologia como ciência e profissão. Ao longo dos anos, a Psicologia foi-se legitimando como ciência em função da sua capacidade de descrever, prever e explicar comportamentos. A Psicologia não se resume a esse tipo de constructo. Sua episteme é muito mais complexa e diversificada. No entanto, no curso da história do conhecimento, a criação de instrumentos para avaliar os aspectos psicológicos de um sujeito veio corroborar essa visão de ciência comprobatória e abrir espaço e credibilidade para a Psicologia em suas intervenções. (2004, p. 7) No início, o modelo do diagnóstico psicológico privilegiava atividades predominantemente classificatórias, centralizando suas conclusões sobre os resultados dos testes e não em uma apreensão integrada da pessoa. Esta visão apoiava-se no modelo médico-psicopatológico (Plaza, 1989) mais do que em uma abordagem integrada e dinâmica do indivíduo, em todas as suas dimensões. Ao se realizar um trabalho com uma proposta mais objetiva, deixavam-se de lado as relações do psicólogo e do cliente, bem como tratavam da aplicação de testes dando pouca atenção ao contexto em que ocorria. Apesar de existirem textos desta época nos quais já foi analisada a relevância de se considerar a entrevista, bem como as relações transferenciais e contra transferenciais na avaliação psicológica, como é o caso, por exemplo, de Roy Schaffer, em seu livro de 1954 sobre o método de Rorschach, na orientação vocacional, predominou um tipo de atendimento no início, que Bohoslavsky (1971/1977) denominou de modalidade estatística, muito semelhante ao modelo classificatório do psicodiagnóstico. No entanto, nas décadas de 70 e 80, este modelo passou a ser questionado, em decorrência dos debates a respeito do uso dos testes psicológicos, que ocorreram nos anos 60, 70 ou 80, década que foi distinta nos diversos países envolvidos com estas críticas. Podemos encontrar artigos com temas relativos ao questionamento a respeito dos testes em diversas comunicações da International Test Commission 14 (ITC), ou no Journal of Personality Assessment principalmente das décadas de 70, 80 e 90). Como exemplo, podemos citar a pesquisa internacional de Poortinga (1979) justamente com um levantamento a respeito dos questionamentos referentes ao uso dos testes em diversos países publicada no Newsletter of the International Test Commission. No Journal of Personality Assessment podemos localizar diversas referências sobre este assunto, tais como, os artigos de Weiner (1972, 1983) nos quais discorre sobre o futuro do psicodiagnóstico. No primeiro deles, são evidenciadas as críticas de algumas correntes teóricas da Psicologia em relação aos testes, e o autor, um clínico que se utiliza bastante da avaliação psicológica, apresenta seus argumentos a favor desta atividade, e no segundo texto (1983), sua preocupação foi demonstrar que apesar das críticas da década anterior, o uso da avaliação psicológica continuava como uma atividade importante no campo da Psicologia. Outro artigo, publicado no Journal of Personality Assessment, é de Wade, Baker, Morton e Baker (1978), onde os autores apresentam o resultado de uma pesquisa em que levantam a frequência em que os testes continuavam a ser utilizados ou indicados por psicólogos dos Estados Unidos, e o levantamento foi realizado levando em conta as áreas da Psicologia em que estes profissionais atuavam. Esta discussão levou a uma mudança no paradigma e a um declínio do uso dos testes. Com isto, a entrevista ganhou grande espaço na Psicologia. Esta perspectiva mais recente, também abriu espaço para a avaliação psicológica como um trabalho dinâmico e integrador da pessoa, bem como da pessoa em situação. Para realizá-la não é obrigatório o uso de testes psicológicos. Estes são instrumentos auxiliares da avaliação. Os testes são utilizados quando precisamos de material fidedigno, passível de reaplicação, que chegue a conclusões confiáveis em curto espaço de tempo para tomarmos decisões. Como já afirmamos, os testes psicológicos são procedimentos sistemáticos de coleta de informações que municiam o processo amplo e complexo de avaliação psicológica, com dados úteis e confiáveis. Existem várias formas de se obter informações tais como a observação direta, entrevistas, análise de documentos, e a testagem propriamente dita. Fica claro, então, que os testes psicológicos são uma das formas possíveis de se obter informações sobre as pessoas durante a Avaliação Psicológica. (Primi, Nascimento & Souza, 2004, p. 21). Acreditamos, portanto, que podemos realizar avaliações psicológicas sem o uso de testes psicológicos, mas muitas vezes necessitamos de produção que vá além 15 da entrevista. Como encontramos nas considerações iniciais da resolução 07/2003 do Conselho Federal de Psicologia (CFP). (Conselho Federal de Psicologia, 2003). A avaliação psicológica é entendida como o processo técnico-científico de coleta de dados, estudos e interpretação de informações a respeito dos fenômenos psicológicos, que são resultantes da relação do indivíduo com a sociedade, utilizando- se, para tanto, de estratégias psicológicas &– métodos, técnicas e instrumentos. (Conselho Federal de Psicologia, 2003). A avaliação psicológica do mesmo modo que a OV deve apoiar-se em conceitos referenciados em teorias psicológicas e não deve ser nunca realizada de forma mecânica, mas sempre levar em conta o caso individual, bem como o meio cultural em que está inserido. Não se deve nunca realizar uma interpretação de um teste de modo rígido, desconsiderando o singular de uma pessoa. Não podemos utilizar os dados numéricos como um padrão onde todos se encaixam, sem considerar as peculiaridades do caso. Como diz Weiner (2000), devemos também considerar em que as pessoas se parecem entre si, quanto observar em que se diferenciam umas das outras. 6.1 Testes Vocacionais Considerando-se os paradigmas da OV no Brasil, os testes foram, em determinado momento, praticamente abolidos do processo de orientação. A entrevista passou a ser o instrumento privilegiado, e aos antigos instrumentos utilizados para o “teste vocacional” restaram a desvalorização e o ostracismo. Pudemos acompanhar estas mudanças em nossa história profissional, mas também o declínio do uso dos testes em OV pode ser evidenciado pelo reduzido número de testes psicológicos específicos para a área, que chegaram ao CFP para serem avaliados de acordo com a Resolução CFP N.º 02/2003, que define e normatiza o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos instituída devido a, dentre outros motivos, pela necessidade de aprimorar os instrumentos e procedimentos técnicos de trabalho dos psicólogos e de revisão periódica das condições dos métodos e técnicas utilizados na avaliação psicológica, com o objetivo de garantir serviços com qualidade técnica e ética à população usuária desses serviços.(Conselho Federal de Psicologia, 2003). Esta avaliação faz consideraçõesa respeito dos critérios de validade, precisão e normas, que levem em conta estudos recentes dos testes. As informações a respeito 16 da situação dos testes em relação aos critérios estabelecidos encontram-se no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), hospedado no site referido acima. Entre os testes recebidos, com indicação específica para a OV encontramos os seguintes: BBT-BR Feminino (Teste de Fotos de Profissão) (Achtnich, 1991; www.pol.org.br/satepsi); EMEP &– Escala de maturidade para a escolha profissional (Neiva, 1999); Quati (Zacharias, 2003), que foram considerados favoráveis. O Inventário de interesses Kuder (Kuder, s.d.), Inventário de Interesses de L.L. Thurstone (Thurstone, Angelini, & Angelini, 2002), a Bateria Fatorial CEPA (Centro Editor de Psicologia Aplicada, 2002 a), Bateria de testes de Aptidões Gerais II (BTAG II) (Centro Editor de Psicologia Aplicada, 2002 b), entre outros, foram considerados desfavoráveis. Os psicólogos com muitos anos de experiência profissional também irão notar que antigos instrumentos de interesses profissionais foram considerados desfavoráveis. Um dos grandes motivos para esta condição é que pesquisas com tais instrumentos não foram mais desenvolvidas, tornando-os obsoletos e a ausência de pesquisas talvez possa ser atribuída à pouca importância que se estava dando aos testes, o que se tornou um círculo vicioso. Encontramos um artigo recente sobre o tema, a saber, Análise de instrumentos de avaliação de interesses profissionais (Noronha, 2003). Apesar de serem poucos os instrumentos específicos para a OV disponíveis no momento, podemos incluir alguns testes atuais que são favoráveis, cuja finalidade não é exclusiva para a OV, mas por seus objetivos podem ser incluídos neste processo. Entre eles, podemos citar o BPR-5 (Bateria de Provas de Raciocínio - Formas A e B) (Almeida & Primi, 2000). E mais, para a finalidade da nossa prática profissional, pode- se incluir qualquer teste psicológico. Não precisamos ficar presos apenas aos testes específicos à OV, mas diversos testes podem ser utilizados em uma OV, dependendo do propósito da avaliação e da sua indicação. Entre estes, podemos incluir as escalas Wechsler (WISC ou WAIS) (Wechsler, 2002, 2004), ou qualquer outro teste de inteligência (desde que válidos) e mais os de personalidade, como o TAT (Murray, 1943/2005), HTP (Buck, 2003), Rorschach (1921/2006) entre outros. 17 6.2 O teste na Orientação Vocacional. Por que não? Retomando o que dissemos anteriormente, nosso instrumento privilegiado é a entrevista. Na OV ela proporciona a “recolha de informações e à intervenção dela decorrente” (Leitão & Ramos, 2004, p. 45). De acordo com estas autoras, a entrevista também exerce um importante papel na avaliação no processo de OV. Podemos exprimir, em outras palavras, dizendo que a entrevista coleta informações, avalia e faz intervenções, ou seja, na OV, as entrevistas podem ocorrer tanto para obter informações do orientando, como para fazer as interpretações possíveis e necessárias, para que a pessoa possa ampliar sua percepção a respeito de si mesma. Retornando a Bohoslavsky, isto corresponde à sua proposta do método clínico, em que sintetiza como o “VER, PENSAR E ATUAR”. (Bohoslavsky, 1971/1977, p. 40). Na OV a entrevista tem finalidades variadas, entrevistas de levantamento de informações, entrevistas que podemos chamar de diagnósticas, entrevistas de devoluções, a partir de interpretações pontuais, considerando-se as peculiaridades do sistema teórico escolhido, entrevistas de informações profissionais, etc. A entrevista também é elemento fundamental uma vez que no processo de OV ela auxilia a identificar o motivo (manifesto ou latente) que leva a pessoa a procurar nosso serviço para resolver sua dificuldade; quais são seus conflitos predominantes; que procedimentos devemos escolher para realizar a orientação com um caso individual. Ela torna o processo dinâmico. Ela auxilia no diagnóstico. Além disto, a entrevista, de acordo com diversos autores, pode colaborar no trabalho de elaboração do orientando, para que ele possa construir a sua identidade vocacional, elaborar os conflitos e fazer suas escolhas. Como vemos, por meio da entrevista podemos tornar o nosso processo dinâmico, tal como propusemos no início do artigo e transferir a responsabilidade da escolha para o orientando. O desafio é manter a dinâmica do processo e utilizar os testes ao mesmo tempo. Como utilizar os testes sem cair na chamada modalidade estatística? Mais uma vez vamos retornar a Bohoslavsky (1971/1977). De acordo com este autor, “a proposição diagnóstica que esboçamos e a ênfase que atribuímos à importância da análise da primeira entrevista poderiam conduzir a um erro quanto à desvalorização dos testes mentais como fonte de informação” (p.112). 18 Portanto, a utilização de uma abordagem dinâmica em OV não implica necessariamente no desuso dos testes psicológicos. No entanto, a utilização deve ser cuidadosa, refletida e “nunca substituir a função do psicólogo” como também afirma Bohoslavsky (1971/1977, p.112). Para uma boa utilização dos testes, o que vem sendo amplamente considerado pelo CFP, também já foi advertido por Bohoslavsky, ou seja, “supõe que se conheça seus fundamentos teóricos e suas características de validade, fidedignidade, como também se saiba para que são aplicados” (1971/1977, p.112). Existem clientes que não conseguem acompanhar um processo de OV individual. São jovens ou adultos muito comprometidos psicologicamente e que apresentam sérias dificuldades para realizar uma escolha autônoma e consciente, com reduzida capacidade para elaborar todas as questões necessárias para acompanhar este processo em curto espaço de tempo. Nestes casos costumamos propor um processo de OV, inicialmente baseado em testes psicológicos variados, especialmente para avaliar os recursos positivos, como por exemplo, relativos à sua capacidade intelectual, ou avaliar o grau de adequação da percepção da realidade, a capacidade de conduzir seu pensamento sem a presença de transtornos nesta esfera, ou para uma auto percepção adequada, avaliar a ausência de distúrbios significativos de humor, ou outras manifestações que possam contribuir para que estas pessoas venham a se preparar e possam vir a exercer uma atividade profissional de forma satisfatória. Os testes geralmente são aplicados assim que estabelecido um bom vínculo e obtidas as informações fundamentais para sua aplicação. Após esta etapa inicial, definimos a melhor estratégia para continuar a orientação vocacional. Contudo, estes casos compõem a minoria dos que nos procuram. Por isto daremos mais atenção aos demais casos, os mais habituais. Em diversas ocasiões já trabalhamos apenas a partir de entrevistas e, especialmente em atendimentos supervisionados pela autora, notamos maior facilidade do supervisionando a aderir este modelo. No entanto, em inúmeros atendimentos tivemos a convicção da falta de alguma informação que apenas o resultado de um teste poderia fornecer em tempo breve e com segurança, como mencionado acima. Estas informações podem se referir, por exemplo, a uma habilidade específica, que nem sempre o orientando é capaz de avaliar por meio de sua experiência, como diversas vezes encontramos entre os desejosos de optar por um curso onde lidar com relações espaciais é um fator importante, tal como a 19 arquitetura; outras vezes, uma questão de personalidade que pode tomar muito tempo para ser investigada por meio de entrevistas, pode ser perscrutada de forma sistemática e profunda por meio de uma técnica projetiva; também podemos avaliar, por meio de técnicas específicas da OV, ou mesmo por instrumentos para avaliação da personalidade, o grau de maturidade para que alguém, aparentemente incapaz de tomar sua decisão; ou ainda,pessoas cuja dúvida entre várias opções profissionais de áreas diversas, cuja solução poderia levar muito tempo, e uma técnica de investigação de interesses poderia contribuir para resolver esta dúvida. Ou seja, informações importantes para que o orientando possa, a partir delas, fazer suas escolhas. Tais informações obtidas por meio de testes psicológicos podem também contribuir para cumprirmos com o que mencionamos a respeito do limite de tempo do processo de orientação vocacional, que deve ser breve. Além do modelo teórico, esta brevidade também é necessária porque o nosso cliente quase sempre necessita desta resposta em curto prazo. Diversamente dos processos de psicoterapia, não podemos esperar o “timing” até conseguir a compreensão de determinados mecanismos importantes para realizar o que denominamos autoconhecimento. Pensamos que os testes também seriam os instrumentos adequados para buscar as informações necessárias para ampliar aspectos relacionados ao autoconhecimento e à compreensão do conflito. O conflito, aqui mencionado, é, aparentemente, quase sempre a respeito da escolha de uma entre várias profissões, mas que podemos compreender como se tratando de ser manifestações de características diversas de sua dinâmica psíquica, como assinalamos no início do texto, por exemplo, entre instâncias psíquicas (id x superego), ou amor e rivalidade relativos a figuras parentais, bem como relativos a valores adquiridos no decorrer de sua existência que podem entrar em contradição e acarretar consequências no momento em que os adolescentes, ainda não totalmente seguros, fazer suas escolhas. Por vezes esses valores que entram em contradição são originados por diferenças entre valores familiares e de outros grupos de referência. Podem também se referir a divergências entre os valores próprios e os familiares. Estes conflitos entre valores são muito comuns na adolescência, no processo de formação da própria identidade. Deve-se ter em conta que os testes não ajudam diretamente na resolução do conflito, mas sim na compreensão dos mesmos. A elaboração destes conflitos levaria 20 em certas situações muitos anos de análise para serem trabalhados a partir de livre associação, contudo, já temos verificado uma grande contribuição para a tomada de decisão a respeito da carreira a seguir, a partir de sua explicitação. No entanto, à primeira vista, é possível considerar que entrevistas utilizadas de maneira dinâmica e sessões de aplicação de testes, utilizados em momentos consecutivos poderiam comprometer o enquadre do atendimento. Entendemos por enquadre, como Bleger (1972), o estabelecimento de algumas variáveis constantes no trabalho. Entre estas condições estão o estabelecimento de horários, a previsão do tempo do processo, o estabelecimento de honorários pelo trabalho, como muito se tem comentado nos meios profissionais. Mas também estão incluídos no enquadre, o modo pelo qual vamos trabalhar e ainda, o tipo de vínculo que vamos criar com o orientando, ou como denomina Bleger, “atitude técnica e papel do entrevistador” (Bleger, 1972, p.15). Tomando estas últimas questões, sessões de aplicação de teste têm uma configuração diversa das entrevistas semidirigidas que costumamos realizar nos processos de OV. Nas entrevistas, mais livres, há uma participação mais intensa em sua condução, por parte do orientando, enquanto que nas entrevistas de aplicação de testes, o psicólogo toma para si a condução das atividades propostas. O processo reflexivo também fica alterado com a introdução de um teste, que pode ser visto como um instrumento que substitui este processo. Por isto, é importante que o psicólogo- orientador se movimente com clareza para exercer seu papel adequadamente em ambas as situações. Um outro ponto a se considerar é relativo à expectativa de muitos orientandos quanto a receber respostas que garantam a decisão correta e uma possível idealização de que isto será conseguido por meio dos resultados dos testes. É importante que o orientador desmistifique esta expectativa em relação aos testes, para que o orientando compreenda bem qual a verdadeira razão de aplicá-los e em que estes poderão contribuir. Portanto, ao tomar a decisão de se utilizar testes devemos estar atentos para que estes venham a contribuir para o processo, tomando alguns cuidados, antes da utilização do instrumento de avaliação psicológica. Em primeiro lugar, ao decidir pela aplicação de qualquer dos testes necessários, nós psicólogos temos que, primeiramente ter clareza do que estamos realizando e nos questionar quanto ao que pretendemos com a introdução deste instrumento. 21 Eticamente também é necessário que o orientando seja esclarecido, quanto ao que podemos acrescentar ao processo com a utilização do instrumento. Devemos desconstruir a fantasia de que um teste pode trazer “a” resposta que ele não conseguirá por seu esforço reflexivo. Temos ainda que nos certificar sobre qual é o melhor instrumento para contribuir com as informações que consideramos necessárias, ou seja, a escolha do instrumento deve ser fundamentada nas informações contidas nos manuais dos testes. Será este o melhor instrumento para responder às minhas necessidades? Qual é o melhor momento para realizar a aplicação de um teste? Por nossa experiência não indicamos a utilização de um teste no início de um processo. Antes disso deve-se analisar bem o caso, estabelecer o vínculo, compreender sua dinâmica e o significado de sua procura para a OV. O profissional que decide pelo uso do instrumento tem bom domínio e capacitação para utilizá-lo? Na hora da escolha de um teste devemos estar preparados para esta tarefa em termos de conhecimento e habilidade. Ao estabelecer um contrato de trabalho, consideramos importante informar que testes podem ou não ser aplicados, dependendo de haver necessidade, mas se aplicados seus resultados não trarão as respostas, apenas mais informações a respeito do orientando. Este esclarecimento contribui para que, por um lado, o orientando não considere que ao não aplicar testes, não lhe demos toda a assistência e por outro lado, não crie fantasias, como por exemplo, de que introduzimos o teste porque não estamos conseguindo obter as informações necessárias ou que ele possui alguma “patologia” que precisa ser melhor investigada. Tendo em vista que não vamos utilizar o teste mecanicamente, a seguir proponho definir alguns pontos a se considerar para o manuseio dos resultados no processo, sem fugir ao enquadre da orientação. O primeiro ponto a levar em consideração é que não haverá um momento de entrevistas, um de testes e um de devolução de resultados. Estes devem ir sendo discutidos no decorrer das entrevistas e não são resultados finais para o orientando levar consigo. Os resultados dos testes, trabalhados no decorrer do processo e integrados ao seu autoconceito, devem auxiliar o orientando a compreender em que 22 podem contribuir para sua escolha profissional. Portanto, assim que realizado o teste, seus resultados devem ser comunicados mesmo no meio do processo, para ampliar o conhecimento que o orientando pode ter de si mesmo. Também o conteúdo desta comunicação deve-se associar aos demais conhecimentos que já foram elaborados no processo, ou seja, a informação dos resultados deve ser integrada aos demais aspectos considerados para a escolha da profissão. Muitas vezes o teste pode não contribuir diretamente para a escolha, mas para compreender a origem da dificuldade da escolha. Este emprego do teste, algumas vezes pode ser realizado na fase inicial de um processo (após apenas algumas sessões, mas quando já tivermos um bom vínculo estabelecido e compreendido a demanda do caso), mas também pode ser utilizado no meio do processo, quando vemos que o orientando não está conseguindo evoluir em seutrabalho. Ou seja, não há o momento correto para a aplicação de teste(s). Depende do(s) teste(s) escolhido(s), do caso em andamento e de sua evolução. A título de exemplificação, vamos trabalhar com estas ideias, ainda que não em situações reais (em função destas ideias terem sido desenvolvidas em experiência clínica profissional e não em pesquisa, não temos permissão para divulgar dados de clientes) para vermos como este procedimento tem sido conduzido por nós. Estes dados foram criados a partir de uma série de casos atendidos ou supervisionados. Suponhamos um jovem que está terminando seu curso colegial, mas com muitas dificuldades acadêmicas, com todas suas notas muito próximas à média e talvez até, sendo aprovado pelo conselho de classe, e já tendo apresentado dificuldades em outras séries de sua formação, com reprovações ou recuperações. Talvez seja interessante aplicarmos um WAIS (Wechsler, 2004), ou WISC (Wechsler, 2002) (a escolha por um destes dois testes deve ser feita tomando-se em consideração a idade do orientando) antes de continuar as reflexões a respeito da escolha propriamente dita, uma vez que é importante detectar a origem de suas dificuldades escolares. Assim que o teste for avaliado, devemos retornar estes resultados para o orientando, de preferência na sessão seguinte ao término da aplicação, salientando os pontos de dificuldade e os de maior facilidade. Tendo assegurado que houve a compreensão por parte do orientando, vamos verificando com ele o que deve ser feito para superar estas dificuldades e vamos também refletindo a respeito das carreiras onde ele terá maior dificuldade e maior facilidade. Não podemos nos esquecer que o teste traz um resultado do desempenho que ele é capaz naquele momento e situação. Mas o próprio 23 resultado possivelmente poderá indicar a que se referem algumas de suas deficiências e se será possível realizar alguma intervenção para superá-las. Os resultados também podem indicar se há alguma probabilidade de as dificuldades serem provenientes de problemas emocionais, ansiedade, insegurança etc. ou de dificuldades neuropsicológicas. Mas, como já afirmamos, para conseguir levantar estas hipóteses é necessário que haja alguma prática no manuseio do teste. Estas informações deverão se associar à representação de sua autoimagem, às expectativas que tem sobre de si mesmo e às expectativas que a família tem a seu respeito. Possivelmente este suposto jovem deve apresentar uma baixa autoestima, o que costuma acontecer com estudantes que apresentam baixo desempenho escolar, o que, por sua vez, costuma ter grande interferência nas escolhas profissionais. Além de trabalhar as questões da autoimagem, vamos também refletir sobre as opções que ele já tinha em mente e aquelas que poderá construir neste momento, a partir dos conteúdos que vamos trabalhar a partir dos resultados do teste. Uma outra situação pode ser encontrada em algum caso, em que o desejo de escolher uma determinada profissão vem acompanhado de desculpas e intelectualizações justificando a não opção, justificativas estas que não nos convencem, e que também podem transformar as próprias sessões cansativas, com resistências por parte do orientando, com reações contra transferenciais negativas, que tornam o processo desinteressante e pouco motivador para dar continuidade. Em situações como esta, pensamos que a aplicação de um teste como o TAT pode fornecer material para a compreensão desta resistência. A partir da discussão dos pontos importantes, especialmente daqueles que tem um sentido para a escolha da profissão, temos observado que o prosseguimento do caso fica mais livre e muitas vezes temos conseguido até mesmo elaborar algumas das dificuldades no decorrer do próprio processo de OV. Muitas vezes o medo de aproximar-se de questões importantes inviabiliza a escolha de uma profissão. Em algumas ocasiões encontramos este tipo de problema em casos de pessoas que já haviam feito uma escolha e que nos procuram para, segundo suas palavras, “não tornar a realizar uma escolha errada”, mas cuja hipótese mais provável era a dificuldade de fazer uma “boa” escolha por causa dos conflitos envolvidos. A partir da discussão da nossa compreensão do caso, obtida por meio do teste, pudemos continuar as sessões, com um conhecimento muito mais amplo e com maior possibilidade de uma escolha adequada, refletida e livre de conflitos. 24 6.3 Alguns testes psicológicos e uma breve síntese Listamos abaixo alguns testes favoráveis comumente utilizados no processo de orientação vocacional/profissional. Consulta realizada no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) - (http://satepsi.cfp.org.br/testesFavoraveis.cfm) em 18/06/2018. 25 26 BIBLIOGRAFIA ACHTNICH, M. (1991) BBT &– Teste de Fotos de Profissões: método projetivo para a clarificação da escolha profissional. (J. Ferreira Filho, trad.). São Paulo: CETEPP). ALMEIDA, L. S. & Primi, R. (2000). Bateria de Provas de Raciocínio &– BPR-5. São Paulo: Casa do Psicólogo. ANDRADE, J. M. et al. O processo de orientação vocacional frente ao século XXI: aspectos teóricos, técnicos e práticos. São Paulo: Vetor, 2002.p.25. BARROS, D.T.R. 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Palavras-chave: orientação profissional; adolescentes; abordagem sócio histórica. Introdução A escolha da profissão é um processo evolutivo (Super, 1957, citado por Sparta, Bardagi & Teixiera, 2006) que, se realizada de forma consciente e planejada, interfere positivamente na qualidade de vida. A maioria das pessoas, entretanto, faz escolhas profissionais conhecendo muito pouco sobre a totalidade das atividades de trabalho, o que pode ser reflexo da ausência de uma preocupação sistemática da escola ou da família em ensinar a filhosou alunos habilidades de tomada de decisão (Bardagi, Lassance & Paradiso, 2003). Segundo Lehman (2005), 44,5% da evasão escolar nos cursos superiores são causadas pela escolha mal realizada. Para a autora, o fenômeno ocorre, ainda, por falta de informação, 30,7% abandonam a faculdade por não gostar da estrutura do curso que ingressaram e 13,4% desistem 33 por insatisfação com a profissão e com o mercado de trabalho. Em um estudo realizado por Bardagi et al (2003), com estudantes em meio de curso, foi constatado que 42,7% dos participantes já pensaram em desistir ou mudar de profissão; e 15,9% ainda pensavam nisso; e 59,3% dos alunos acreditavam que poderiam se beneficiar de processos de orientação profissional. Desse modo, a Orientação Profissional no contexto escolar, além de poder ter uma perspectiva preventiva, pode ser uma intervenção para a promoção de saúde, visto que pretende trabalhar, a partir das relações sociais do indivíduo, a compreensão e transformação delas, além de capacitá-lo a agir de modo a transformar a realidade que o cerca e superar os obstáculos que dela advêm (Bock & Aguiar, 1995). O Ministério da Educação do Brasil coloca a Orientação Profissional como um dos objetivos da escola e como pessoas responsáveis por esse trabalho: Orientador Educacional, Psicólogo Escolar e Professor (Uvaldo, 1995). Este serviço, porém, é geralmente realizado com mais frequência em escolas particulares. Na rede pública, acredita-se que um dos impedimentos para a implantação desses serviços seja a falta de profissional especializado. Ademais, diante de tantos problemas emergenciais, como dificuldades de aprendizagem, problemas comportamentais e socioeconômicos, a Orientação Profissional, embora relevante, fica em segundo plano. (Melo-Silva, Lassance & Soares, 2004). Segundo Ribeiro (2003), os modelos de Orientação Profissional utilizados no Brasil são embasados na realidade dos adolescentes de classe média e alta. Com isso, há uma necessidade de mais pesquisas, teorias e modelos que correspondam à realidade da população socioeconomicamente desfavorecida concentrada principalmente nas escolas públicas. Lassance e Sparta (2003) afirmam que a Orientação Profissional tem suas origens na sociedade industrial, na qual suas práticas, inicialmente, estavam voltadas para o incremento da produção. Com o declínio da sociedade industrial, nasce um novo paradigma de Orientação Profissional, cujo foco deixou de ser a produção e passou a ser o indivíduo, e um de seus objetivos é promover uma reflexão crítica e ética sobre o compromisso social implicando escolhas profissionais dos indivíduos para que possam assumir um papel de agente de mudança social. A Orientação Profissional envolve atividades que dispõem de conhecimentos teóricos e práticos destinados, sobretudo, aos adolescentes, à escolha profissional e à elaboração de projetos futuros (Melo-Silva, Noce & Andrade, 2003). Atualmente, 34 entende-se por Orientação Profissional o processo de facilitação da decisão, por meio do reconhecimento, pelo orientando, das relações entre os elementos sociais, familiares e psicológicos que a influenciam (Noronha, Freitas e Ottati, 2003; Sparta, et al. 2006). Isso ocorre a partir do aprendizado do processo de escolha que implica: autoconhecimento, informação sobre as profissões e a integração desses aspectos em uma síntese, de modo que se construa uma identificação profissional e um projeto de vida, enfatizando a responsabilidade do orientando sobre sua decisão (Sparta et al., 2006). Quanto ao referencial teórico, existem várias concepções sobre o tema. Utilizando a classificação de Bock (2002), pode-se organizá-las em: teorias tradicionais (abordagem liberal); teorias críticas; e teorias para além da crítica. Dentre as propostas que podem ser agrupadas na última classificação, tem-se a abordagem Sócio Histórica. Nessa perspectiva, pretende-se que os orientandos tenham maior consciência de si como indivíduos históricos e inseridos socioculturalmente e caminhem para uma compreensão de si e do outro, menos preconceituosa, estereotipada e ideológica; a partir disso possam organizar seus projetos de vida, baseados nas suas necessidades e possibilidades (Bock & Aguiar, 1995). Segundo Bardagi et al. (2003), além da dimensão individual, é importante considerar as mudanças produtivas e sociais ocorridas nas últimas décadas e seu impacto sobre as escolhas de carreira para se compreender o desenvolvimento profissional. Para a autora, “existe uma ansiedade generalizada dos profissionais inseridos no mercado, relativa à busca de emprego, busca de qualificação e afirmação de projetos e estratégias de carreira” (p.155), pois, na pós-modernidade, a principal característica é a instabilidade, a incerteza quanto ao futuro (Cattani, 1996, citado por Bardagi, 2003). Assim, o referencial sócio histórico faz uma contribuição significativa para o campo teórico e prático da Orientação Profissional, ao dar maior ênfase ao Projeto Social de Trabalho (Melo-Silva, Bonfim, Esbregeo & Soares, 2003). Na abordagem sócio histórica para viver em sociedade, o Homem, precisa adquirir uma série de aptidões que são aprendidas culturalmente; da mesma forma o autoconhecimento é construído na relação com o outro e não por uma reflexão isolada (Bock & Aguiar, 1995). Assim, a forma de trabalho é o grupo por apresentar vantagens como enriquecimento do processo devido à dinâmica do grupo que envolve o confronto com a diversidade e a heterogeneidade (Bock, 2002). Além disso, o processo grupal é uma amostra do processo social; a visão do outro auxilia na própria 35 visão de si, as aspirações e limitações são dosadas porque o grupo facilita a percepção das influências familiares, sociais e econômicas (Carvalho, 1995). No que se refere aos instrumentos de avaliação, os estudos realizados, envolvendo o contexto brasileiro, indicam que há uma carência de instrumentos nacionais ou adaptados a essa realidade; faltam ferramentas capazes de avaliar adequadamente tanto o processo de orientação quanto os seus resultados, apesar de existir grande preocupação com a indecisão frente à escolha profissional, principalmente no período da adolescência (Sparta et al., 2006). Assim, o objetivo do presente trabalho foi realizar uma pesquisa com intervenção utilizando a abordagem sócio histórica no processo de escolha profissional de adolescentes no contexto escolar. Método Participantes A amostra foi composta por oito alunos do terceiro ano do Ensino Médio do Colégio de Aplicação João XXIII. Em um primeiro momento, foi realizada uma palestra expondo a questão da escolha profissional. Após, os alunos interessados (N = 17) foram convocados para participar do processo de orientação profissional, que foi organizado em nove encontros. Devido à incompatibilidade de horários, somente 11 alunos compareceram ao primeiro encontro. No decorrer dos encontros, alguns participantes (n = 4) escolheram a profissão e deixaram de participar; outros desistiram por eventualidades (outras atividades que surgiram no horário, como cursinho), aqueles que persistiram tiveram algumas faltas. No último encontro, todos os onze participantes do primeiro encontro foram convocados para a aplicação do pós- teste, mas, devido ao fim das aulas, somente oito alunos compareceram, sendo, efetivamente, essa a amostra. Instrumentos Durante os encontros foram utilizadas dinâmicas de grupo, frases para promover discussões, músicas e filmes. Utilizou-se, como instrumento de avaliação do processo de orientação profissional, um questionário contendo questões sobre 36 variáveis demográficas, segurança e preparação para realizar escolha, acesso a informações sobre as profissões e o processo de orientação, bem como uma escala de atitudes tipo Likert. As questões e a escala citadas foramconstruídas pelos autores a partir da revisão de literatura e do que se entende por orientação profissional e os resultados que se pretende obter com este processo. Procedimentos Adotou-se um delineamento quase-experimental. Dessa forma, foram aplicados um pré-teste e um pós-teste, no início e término dos encontros. Eles tiveram como foco: a) autoconhecimento e significado da escolha profissional; b) trabalho e mercado de trabalho; c) informação sobre as profissões. Na primeira metade dos encontros, enfatizou-se o tema A, e na segunda metade o tema C. O tema B ficou nos encontros intermediários por apresentar ligação com A e com o C. Além dos momentos em grupo, foram realizados encontros individuais com alguns alunos para trabalhar questões pessoais. Resultados A análise dos resultados foi realizada em duas etapas. Inicialmente, analisaram-se os dados de forma quantitativa, adotando-se um nível de significância de 5% e comparando as medidas com a prova de Wilcoxon. Encontraram-se diferenças significantes no que refere à segurança (Zo = -2,33; p 0,02) e à preparação (Zo = -2,33; p 0,02) para a escolha profissional pré e pós-orientação, revelando que, independente da frequência dos alunos, os encontros geraram crença de auto eficácia perante a escolha, o que pode ser visualizado nas figuras 1 e 2. Embora não tenha sido encontrada diferença significante, (Zo = -1,41; p 0,16), provavelmente devido ao tamanho da amostra, uma análise qualitativa evidenciou que os alunos com frequência igual ou maior a 50% obtiveram, ao final do processo, atitudes mais positivas que os alunos com frequência inferior (Figura 3). Verificou-se após a intervenção que quatro alunos continuaram buscando informações por meio de jornais e revistas, manuais especializados e Internet; três participantes ampliaram a forma de busca, utilizando mais de uma fonte de informação. Um discente, porém, cessou de procurar fonte de informação. 37 Em relação à escolha da profissão, a pergunta “Quais profissões você está em dúvida neste momento? ” possibilitou verificar que, dos oito alunos participantes, cinco escolheram uma profissão; entre aqueles que não escolheram, um manteve o número de dúvida, mas modificou as profissões, outro aumentou uma profissão em sua lista de possibilidades e um terceiro que, no início, dizia não ter nenhuma profissão em vista, respondeu ao final que não tinha interesse por nenhuma carreira. Antes da intervenção, a média de profissões em dúvida entre os estudantes era de 2,71. Essa média apresentou redução significativa (Zo = -1,93; p 0,05) ao final do processo, passando para 1,29. Assim, há evidências tanto qualitativas quanto quantitativas de que os encontros favoreceram uma escolha profissional consciente e planejada. Discussão Constatou-se que este estudo atingiu seu objetivo à medida que realizou um projeto de orientação profissional, avaliando os participantes pré e pós-intervenção, de modo a verificar as possíveis mudanças decorrentes desse processo. Há que se destacar, baseando-se em Melo-Silva et. al (2004), que, no Brasil, assim como em diversos países, a prática de avaliação dos inputs, processos e outputs, da OP, raramente é realizada. Esses autores encontraram poucos registros de sistemas de avaliação das práticas instituídas e menos ainda de estudos longitudinais. Percebe-se a relevância da proposta enquanto os alunos, que estavam próximos ao momento de escolha, adquiriram crenças de auto eficácia o que é de suma importância diante de tomada de decisão, pois esse tipo de crença influencia as escolhas, bem como o planejamento para atingir a meta desejada (Pajares & Olaz, 2008). Então, pode-se inferir que a orientação profissional proporcionou autoconhecimento de forma que a maioria dos alunos conseguiu perceber as atividades que se sentiam capazes e dispostos a realizar. A partir da escala de atitudes em relação à escolha profissional, que continha afirmações positivas e negativas sobre influência da família e dos pares, mercado de trabalho, busca de informações, relevância do curso superior, influência da mídia, status social e econômico e realização pessoal, notou-se que os participantes tiveram atitudes mais positivas após a intervenção, tendendo para uma escolha realizada sob reflexão e crítica. Mas, os alunos que compareceram em menor número (menos que 50%) aos encontros, tiveram atitudes menos positivas em relação ao objeto proposto, 38 o que indica que tais alunos possuem maior risco de fazer uma escolha mal realizada, e se assemelhar ao grupo de alunos investigados por Bardagi et al (2003) e Lehman (2005). De acordo com as indicações de Ribeiro (2003), os encontros de OP foram planejados de modo que atendesse a alunos de diferentes classes econômicas, principalmente as menos favorecidas, mesmo que o perfil da maioria dos participantes tenha sido de classe média e o interesse deles, por cursos de ensino superior. Nesse sentido, utilizar abordagem sócio histórica como referencial teórico foi muito importante à proporção que busca compreender a relação indivíduo-sociedade de forma dialética, ou seja, o indivíduo é ao mesmo tempo reflexo da sociedade e agente em relação a ela (Bock, 2002). Essa concepção possibilitou a desmistificação de preconceitos e reflexão crítica no que se refere às desigualdades sociais e de oportunidades. Outra relevante modificação visualizada após o projeto foi à ampliação das fontes de informação sobre profissões. Evidencia-se, assim, que a OP pode ser a forma efetiva de conscientização sobre esta importante etapa do processo de escolha, visto que a evasão escolar do ensino superior ocorre muitas vezes por falta de informação sobre o curso e o mercado de trabalho (Lehman, 2005). Ainda que os benefícios do processo realizado sejam evidentes, destaca-se a necessidade de efetuar orientação profissional como um tema transversal ao currículo, através das diferentes áreas do conhecimento, uma vez que a questão profissional é um dos temas transversais proposto pelo MEC (1998): “Trabalho e Consumo”. Com a colaboração dos professores, os alunos têm a possibilidade de utilizar os conhecimentos já adquiridos, buscar novas informações e utilizar os recursos oferecidos pelas diversas áreas para ampliar o sentido dado à questão (Brasil, 1998). Ao adotar essa perspectiva e não uma proposta clínica – como a adotada no presente estudo –, o problema da falta de assiduidade é minimizado, pois o programa é parte das atividades pedagógicas, portanto abrange todos os alunos. Outra possibilidade que se abre é a de orientação para alunos que não desejam um curso superior ou precisam ingressar no mercado de trabalho em breve. Como afirma Silva (1995), o interesse dos adolescentes vem se diversificando e as formas tradicionais de orientação profissional não atendem a essa nova demanda. Por isso, é importante que o programa seja realizado de forma a auxiliar o jovem no seu projeto de vida e 39 também na sua inserção no mercado de trabalho e não o orientar, apenas, na escolha de profissões de nível superior (Ribeiro, 2003). Ao usufruir de propostas transversais o processo se torna, por isso, muito mais rico e, também, promove-se saúde à medida que é proporcionado aos alunos condições para refletirem acerca de si mesmos, sobre a sociedade e projetos futuros. Ressalte-se, ainda, o imperativo de que os profissionais de Psicologia realizem práticas profissionais de acordo com uma perspectiva de pesquisa com intervenção para que se tenha uma avaliação tanto do desenvolvimento efetivo das pessoas quanto da própria atuação. Neste estudo, a avaliação teve um grande significado, ao permitir identificar o desenvolvimento do grupo e as limitações existentes no trabalho. 40 41 Referências Bardagi, M. P., Lassance,M. C. P., & Paradiso, A. C. (2003). Trajetória Acadêmica e Satisfação com a Escolha Profissional de Universitários em Meio de Curso. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 4(1/2), 153-166. Recuperado em 04 de novembro, 2008, de: http://pepsic.bvspsi.org.br/scielo.php? Bock, S. D. (2002). Orientação Profissional: A abordagem sócio histórica. São Paulo: Cortez. Bock, A. M. B. & Aguiar, W. M. J. (1995). Por uma prática promotora de saúde em orientação vocacional. Em: A. M. Bock & W. J. Aguiar (Org.). A escolha profissional em questão (2ª ed.) (pp. 9-23). São Paulo: Casa do Psicólogo. Carvalho, M. M. M. J.(1995). Orientação profissional em grupo: Teoria e técnica. São Paulo:Editorial Psy II. Brasil – Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. Brasília: Ministério da Educação, 1998. Lassance, M. C. & Sparta, M. (2003). A orientação profissional e as transformações no mundo do trabalho. 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