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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO SISTEMAS ESTRUTURAIS E SUAS TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS: CONHECIMENTO E ENSINO APLICADOS EM FACULDADES DE ARQUITETURA SÃO PAULO 2021 LUIZ EDUARDO GUIMARÃES DIAS SISTEMAS ESTRUTURAIS E SUAS TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS: CONHECIMENTO E ENSINO APLICADOS EM FACULDADES DE ARQUITETURA Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como parte dos pré-requisitos exigidos para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Prof. Dr. Valter Caldana Tutor: Arq. Me. Haniel Israel SÃO PAULO 2021 Elaborado pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da Mackenzie com os dados fornecidos pelo(a) autor(a) D541s Dias, Luiz Eduardo Guimaraes SISTEMAS ESTRUTURAIS E SUAS TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS: conhecimento [recurso eletrônico] / Luiz Eduardo Guimaraes - Dias. 8 KB ; il. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2022. Orientador(a): Prof(a). Dr(a). Valter Caldana Referências Bibliográficas: f. 158 -165 1. Arquitetura. 2. Ensino. 3. Método. 4. Sistemas Estruturais. 5. Tecnologias Construtivas. I. Caldana, Valter, orientador(a).II. Título. Bibliotecário Responsável: Paola Alessandra r. D?amato - CRB 8/6271 - LUIZ EDUARDO GUIMARÃES DIAS SISTEMAS ESTRUTURAIS E SUAS TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS: CONHECIMENTO E ENSINO APLICADOS EM FACULDADES DE ARQUITETURA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como parte dos pré-requisitos para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Aprovada em: _07 /12_/ 2021____ BANCA EXAMINADORA _________________________________________________________________ Prof. Dr. Valter Caldana Universidade Presbiteriana Mackenzie _________________________________________________________________ Prof. Dr. Bruno Ribeiro Universidade Presbiteriana Mackenzie _________________________________________________________________ Dr. Francisco Lucio Mario Petracco Universidade de São Paulo AGRADECIMENTOS Quero agradecer primeiramente à minha família, pelo apoio, paciência e estímulo, inclusive durante os anos em que atuo como docente. O período de trabalho para a elaboração desta dissertação, todos enfrentamos o desafio de viver na pandemia, isolados durante mais de um ano e se adaptando às novas formas possíveis de comunicação. Assim, é necessário agradecer duplamente ao corpo docente das aulas que tivemos, pois todos nos adaptamos rapidamente, neste período, para desempenhar nossas funções. Assim sendo agradeço ao meu orientador Professor Dr. Valter Caldana, a todos os professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, que me receberam como engenheiro civil, professor de estruturas, me acompanham no ensino das disciplinas no curso de Arquitetura e trocam conhecimentos entre as áreas de conhecimento que em paralelo se completam. Agradeço também aos meus colegas M.Sc Ricardo Martos, M.Sc Eduardo Martins, Dra. Eleana Patta Flain, Dr. Júlio Cezar Bernardes, M.Sc Haniel Israel, e outros, pelo estímulo constante e apoio inexorável ao longo dos anos. RESUMO O objetivo deste trabalho é estudar a relação dialógica entre o ensino de engenharia de estruturas e o ensino de arquitetura. Visa, portanto, conhecer os componentes identitários da construção civil na formação de estudantes de arquitetura, assim como também compreender as inovações curriculares que promovam práticas experimentais a partir de seus efetivos resultados. Para além da revisão bibliográfica necessária ao conhecimento do estado da arte do tema proposto, fez-se necessário enfatizar ao longo deste trabalho as abordagens vinculadas sobre os sistemas estruturais e suas tecnologias construtivas que, através de análises críticas elaboradas no amplo panorama histórico dessa disciplina, ponderou-se experiências que explicitassem o papel inovador das tecnologias construtivas em prol do avanço científico bem como de seus benefícios para a construção de sociedades, ora representados em edifícios icônicos. Em continuidade, após investigar sobre o “o que”, a presente pesquisa enveredou-se para tratar sobre o “quem”, ou em outras palavras, sobre os agentes que contribuíram para a ampliação e sofisticação do campo de conhecimento dos sistemas estruturais, seja por meio de casos experimentais físicos, seja por meio de postulados teóricos. Grandes pensadores e profissionais da construção civil, tais como Fritz Lenhardt, Pier Luigi Nervi e Buckminster Fuller, foram nomes selecionados nesses âmbitos, considerando os respectivos legados que preparou caminhos diretos ou indiretos para que a configuração de sistemas estruturais perpassasse por reinvenções. Aproximando-se do contexto brasileiro, a pesquisa também se inclina aos nomes ligados diretamente à docência no tema tratado: os professores Aluízio Fontana Margarido, Yopanan Rebello e Augusto Carlos de Vasconcellos. A partir dessas figuras, buscou-se então compreender as repercussões no âmbito da produção arquitetônica paulistana. Por fim, dando a sequência sobre “o que” e “quem”, a investigação seguiu para explorar sobre o “onde”, isto é, as localidades que protagonizam a experiência do ensino de sistemas estruturais em faculdades de arquitetura. Assim sendo, elegeu-se como procedimento de um único estudo de caso – o ensino de sistema estruturais e suas práticas metodológicas, a partir da apreciação deste objeto em dez escolas no Brasil, na Alemanha, na Itália e em Portugal. Palavras-chave: Arquitetura; Ensino; Método; Sistemas estruturais; Tecnologias construtivas; ABSTRACT The objective of this work is to study the dialogical relationship between the teaching of structural engineering and the teaching of architecture. It aims, therefore, to know the identity components of civil construction in the education of architecture students, as well as to understand the curricular innovations that promote experimental practices based on their effective results. In addition to the bibliographical review necessary for the knowledge of the state of the art of the proposed theme, it was necessary to emphasize throughout this work the linked approaches on structural systems and their constructive technologies that, through critical analyzes elaborated in the broad historical panorama of this discipline, experiments were considered that would explain the innovative role of construction technologies in favor of scientific advancement, as well as their benefits for the construction of societies, now represented in iconic buildings. Continuing, after investigating the "what", this research turned to the "who", or in other words, the agents who contributed to the expansion and sophistication of the field of knowledge of structural systems, either through physical experimental cases or through theoretical postulates. Great thinkers and construction professionals, such as Fritz Lenhardt, Pier Luigi Nervi and Buckminster Fuller, were selected names in these areas, considering the respective legacies that prepared direct or indirect paths for the configuration of structural systems to pass through reinventions. Approaching the Brazilian context, the research also leans towards names directly linked to teaching in the subject under study:professors Aluízio Fontana Margarido, Yopanan Rebello and Augusto Carlos de Vasconcellos. From these figures, we sought to understand the repercussions in the context of architectural production in São Paulo. Finally, continuing on “what” and “who”, the investigation went on to explore the “where”, that is, the locations that lead the experience of teaching structural systems in architecture schools. Therefore, it was chosen as the procedure of a single case study – the teaching of structural systems and their methodological practices, based on the appreciation of this object in ten schools in Brazil, Germany, Italy and Portugal. Keywords: Architecture; Teaching; Method; Structural systems; Construction technologies; LISTA DE ILUSTRAÇÕES Fig. 01 – Representação gráfica de um Zigurate Fig. 02 – Representação gráfica de um templo grego Fig. 03 – Vista interior da Catedral de São Marcos, Veneza Fig. 04 – Reprodução gráfica da Catedral de Durham Fig. 05 – Elevação com vistas das arcadas da Catedral de Durham Fig. 06 – Vista externa da Catedral de Notre-Dame, Paris Fig. 07 – Vista externa da Catedral de Notre-Dame, Paris: arcobotantes e vitrais Fig. 08 – Vista interna da nave lateral direita da Duomo, Milão Fig. 09 – Estudo 3D do processo construtivo da cúpula em Firenze Fig. 10 – Interior do Palácio de Cristal em Londres para a Exposição Universal de 1851 Fig. 11 – Vista da cobertura do Grand Palais, em Paris, a partir do Sena Fig. 12 – Vista da nave central do Palais des Machines de Paris, 1889 Fig. 13 – Recorte fotográfico do detalhe dos pórticos - Palais des Machines de Paris Fig. 14 – Instalação das peças metálicas na cobertura da Galleria Vittorio Emanuelle II Fig. 15 – Edifício Chrysler, o mais alto à época no centro da imagem Fig. 16 – Evolução da construção do Empire State Building Fig. 17 – Diagrama da organização dos espaços e da estrutura em planta... Fig. 18 – Vista do Terraço-Jardim da Vila Savoye Fig. 19 – Palácio Gustavo Capanema, antigo Ministério da Educaçãoe Saúde... Fig. 20 – Palácio Gustavo Capanema Fig. 21 – Fotografia de Fritz Leonhardt Fig. 22 – Momento da discussão sobre o modelo do Estádio Olimpico de Munique ... Fig. 23 – Desenho de implantação do Parque Olímpico de Munique... Fig. 24 – Possibilidades de articulação de membranas de cobertura... Fig. 25 – Fotografia de Pier Luigi Nervi Fig. 26 – Palazzo dell Esposizioni Internacionale del Lavoro (1961), Pier Luigi Nervi Fig. 27 – Palazzetto dello Sport, Pier Luigi Nervi Fig. 28 – Proposta para o Hanger em Orvieto (1935), Pier Luigi Nervi Fig. 29 – Buckminster Fuller manuseando um de seus experimentos estruturais Fig. 30 – Desenhos de Fuller com estudos para estruturas geodésicas Fig. 31 – Pavilhão da Exposição Universal de 1967, a “Biosfera de Montreal” Fig. 32 – Dymaxion House, projeto arquitetônico de Buckminster Fuller Fig. 33 – Buckminster Fuller segurando um modelo de estrutura de tensegridade Fig. 34 – Detalhe dos pilares externos do edifício da FAU-USP Fig. 35 – Corte Transversal do edifício da FAU-USP Fig. 36 – Vista parcial lateral da Garagem de Barcos do Clube Santapaula Fig. 37 – Vista da fachada da Garagem de Barcos: face voltada para Guarapiranga Fig. 38 – Vista panorâmica interna da Rodoviária de Jaú Fig. 39 – Rodoviária de Jaú em construção: detalhe dos pilares e abertura zenital Fig. 40 – Vista da fachada principal da Escola Rural Alberto Torres Fig. 41 – Desenho do projeto original da Escola Rural Alberto Torres Fig. 42 – Vista da estrutura do Clube XV de Santos Fig. 43 – Desenho em vista do projeto arquitetônico do Clube XV de Santos Fig. 44 – Croquis do Hospital Regional de Taguatinga: detalhamento de peças pré-moldadas Fig. 45 – Croquis de implantação e partido arquitetônico do Hospital Regional de Taguatinga Fig. 46 – Construção do canal para o Vale do Rio Camurujipe em Salvador Fig. 47 – Casa Comunitária e Casa da Criança implantada no Rio de Janeiro Fig. 48 – Detalhes construtivos do CAIC de Campina Grande Fig. 49 – Foto aérea do CIAC Nações Unidas, Rio de Janeiro Fig. 50 – Estudo esquemático tridimensional da estrutura – Residência Hélio Olga Fig. 51 – Processo de constituição de elementos estruturais in-loco – Residência Hélio Olga Fig. 52 – Croqui da Residência Baeta Fig. 53 – Detalhe da “árvore estrutural”, modulações triangulares e ponto de apoio Fig. 54 – Exposição de modelo físico e protótipo de estrutura da Residência Acayaba Fig. 55 – Vista parcial de uma das fachadas da Residência Acayaba Fig. 56 – Sede do Instituto de Estruturas Leves, Universidade de Stuttgart Fig. 57 – Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique Fig. 58 – Escola Bauhaus em Dessau, Alemanha Fig. 59 – Vista do prédio principal da Universidade de Brasília Fig. 60 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie Fig. 61 – Vista do campus do Instituto Politécnico de Torino Fig. 62 – Anexo da Escola de Arquitetura do Politécnico de Milão Fig. 63 – Vista do campus universitário em Ancona Fig. 64 – Escola do Porto Fig. 65 – Faculdade de Arquitectura de Lisboa LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS CEPLAN – Centro de Estudos e Planejamento Arquitetônico e Urbanístico FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo FAUL – Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa FAUP – Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto ILEK – Instituto de Estruturas Leves e Projetos Conceituais PoliMi – Instituto Politécnico de Milão PoliTo – Instituto Politécnico de Turim TUM – Universidade Técnica de Munique UnB – Universidade de Brasília UNIVPM – Universidade Politécnica de Marche SUMÁRIO INTRODUÇÃO........................................................................................................................14 1. SISTEMAS ESTRUTURAIS: BREVE PANORAMA HISTÓRICO DAS TECNOLOGIAS CONSTRUVIAS......................................................................................................................16 1.1. MONUMENTOS DA ANTIGUIDADE: AS PRIMEIRAS TÉCNICAS CONSTRUTIVAS...17 1.1.1. Zigurates babilônicos.........................................................................................18 1.1.2. Pirâmides egípcias............................................................................................19 1.1.3. Templos gregos.................................................................................................21 . 1.2. ARQUITETURA RELIGIOSA DA IDADE MÉDIA: SIMBOLISMOS E EVOLUÇÃO DA TECTÔNICA...........................................................................................................................24 1.2.1. Templos paleocristãos.......................................................................................25 1.2.2. Igrejas românicas..............................................................................................28 1.2.3. Igrejas góticas....................................................................................................31 1.2.4. Renascença: a experiência de Brunelleschi em Firenze....................................35 1.3. CONSTRUÇÃO CIVIL NO SÉCULO XIX E NO SÉCULO XX: O PROTAGONISMO DO FERRO E DO VIDRO E A ASCENÇÃO DO CONTRETO ARMADO.......................................37 1.3.1. Pavilhões da Exposição Universal: os casos de Londres e de Paris..................39 1.3.2. Ainda em Paris: Galeria das Máquinas e Torre Eiffel..........................................42 1.3.3. Galleria Vittorio Emanuelle II..............................................................................46 1.3.4. Os arranha-céus em Nova York.........................................................................48 1.3.5. Villa Savoye: a consolidação de um novo paradigma arquitetônico...................52 1.5.6. Palácio Capanema: expoente da arquiteturamoderna brasileira.......................54 2. SISTEMAS ESTRUTURAIS: PENSAMENTO, ENSINO E REPERCUSSÕES...................57 2.1. ENTRE ARQUITETOS E ENGENHEROS: OS GRANDES MESTRES DO SÉCULO XX, SUAS OBRAS E SUAS LIÇÕES.............................................................................................58 2.1.1. Fritz Leonhardt……………………………………………………………………….59 2.1.2. Pier-Luigi Nervi……………………………………………………………………….65 2.1.3. Buckminster Fuller……………………………………………...……………………71 2.2. O LEGADO DO ENSINO DE SISTEMAS ESTRUTURAIS.............................................. 77 2.2.1. Aluízio Margarido...............................................................................................78 2.2.2. Yopanan Rebello...............................................................................................80 2.2.3. Augusto Carlos Vasconcelos.............................................................................82 2.3. A ESTRUTURA COMO ELEMENTO PROTAGONISTA DO EDIFÍCIO: REPERCUSSÕES EXEMPLARES NA ARQUITETURA BRASILEIRA ................................................................84 2.3.1. Concreto armado: a proeminência de Vilanova Artigas......................................85 2.3.2. Ainda sobre concreto armado: Joaquim Cardozo, Francisco Petracco e Pedro Paulo de Melo Saraiva.................................................................................................92 2.3.3. Argamassa armada: o prodígio criativo de Lelé.................................................96 2.3.4. Grelhas de madeira: a tectônica de Marcos Acayaba......................................103 3. SISTEMAS ESTRUTURAIS: COMPONENTES CURRICULARES E MÉTODOS DE ENSINO EM ESCOLAS DE ARQUITETURA.......................................................................111 3.1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: CONSIDERAÇÕES INICIAIS......................111 3.1.1. Conceituação de Estrutura e Sistemas Estruturais..........................................112 3.1.2. Metodologia de pesquisa.................................................................................114 3.2. ESTUDO DE CASO.......................................................................................................115 3.2.1. Institut für Leichtbau Entwerfen und Konstruieren – ILEK (Alemanha).............117 3.2.2. Fakultät für Architektur, TUM (Alemanha)........................................................120 3.2.3. Escola de Artes e Ofícios Bauhaus (Alemanha)...............................................123 3.2.4. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, FAU-UnB (Brasil).............................126 3.2.5. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. FAU-Mackenzie (Brasil)...................129 3.2.6. Dipartimento di Architettura e Design, PoliTo (Itália)........................................133 3.2.7. Progetazionne della’Architettura, PoliMi (Itália)...............................................137 3.2.8. Igegneria Edile, Università Politecnica Delle Marche (Itália)............................141 3.2.9. Escola do Porto, FAUP (Portugal)....................................................................143 3.2.10. Faculdade de Arquitectura de Lisboa, FAUL (Portugal).................................146 3.3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS OBTIDOS...........................................................148 3.3.1. Brasil................................................................................................................148 3.3.2. Alemanha........................................................................................................150 3.2.3. Itália.................................................................................................................152 3.2.4. Portugal...........................................................................................................154 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................157 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................158 ANEXOS https://www.ar.tum.de/startseite/ 14 INTRODUÇÃO A pesquisa aqui desenvolvida, parte do interesse do próprio autor que, de modo geral, vem desenvolvendo sua carreira a longo tempo sobre o emprego das tecnologias construtivas, seja no âmbito acadêmico através do ensino, seja em trabalhos técnicos desenvolvidos para edificações, no que tange projetos e execução dos mesmos. Assim sendo, justifica-se algumas decisões tomadas, no que tange a elaboração deste trabalho, tendo como base um breve relato de acontecimentos e fatos ocorridos ao longo dos últimos 30 anos, cuja trajetória tem sido crucial para obter subsídios práticos e contribuitivos à esta área do conhecimento. O conhecimento amplo dos assuntos pertinentes ao domínio das engenharias, iniciou-se na Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie no final dos anos 1970 que, quase de modo atávico, possibilitou-se o contato e entendimento sobre as estruturas aplicadas nas construções, tendo em vista a sua concepção mais geral, incluindo os materiais, geometria e suas características determinantes. Vinculada ao mesmo departamento acadêmico, deu-se partida à carreira docente, ainda em fase de consolidação na atuação profissional na área de projetos estruturais no início dos anos 1990, mas somente após 5 anos é que se viabilizou a mobilidade para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, também da mesma Instituição. Ali na FAU Mackenzie, além do contato com professores dessa unidade acadêmica, ora também colegas atuantes na construção civil, obteve-se a oportunidade colaborativa em várias disciplinas técnicas, inclusive com participação da otimização do Plano de Ensino desta Faculdade, em específico na estruturação sequencial de disciplinas intituladas Estabilidade das Construções I, II e III. Paralelamente a esses cursos, também foram criadas disciplinas optativas, onde foi possível contribuir com a elaboração de uma nova matéria: Lajes Planas e Grelhas. Trata-se da apresentação de Conceitos Básicos de Alternativas Estruturais, importantes e altamente aplicadas. Neste trabalho de Mestrado, optou-se por se registrar este longo trabalho desenvolvido, pesquisando-se o que é lecionado sobre este tema. Os conteúdos atrelados à estrutura da edificação e suas técnicas construtivas, tem sido ferramenta de ensino nas faculdades de Arquitetura, não só no Brasil, mas também em outros países de destaque e importância, como Alemanha, Itália e Portugal. Tendo em vista o interesse primário desta pesquisa, portanto, adotou-se como uma das expectativas, elaborar um estudo comparativo sobre o que é ministrado nas nossas faculdades de Arquitetura no Brasil, em relação com escolas tradicionais de arquitetura do 15 contexto internacional, em suma, do cenário europeu. De antemão, sabe-se que haverá certamente constatações que nos indicarão novas inserções, composições, verificações e detalhamentos de como melhor compor este binário insofismável e imprescindível: não há arquitetura sem estrutura, assim como não há estrutura sem arquitetura. Desse modo, as páginas que aqui se desenrolarão sintetizam vivências profissionais e acadêmicas que tomam como mote a relevância dos sistemas estruturais e de suas tecnologias construtivas para a qualidade da concepção arquitetônica. Objetivando entender as equações pertinentes à essa temática, buscou-se, por meio de aproximações empíricas aplicadas com o auxílio de instrumentais metodológicos, relatar a presente pesquisa estruturando-a através de três capítulos, os quais configuram a sequência de perguntas “o que?”, “quem?”, “onde?”, no intuito de apresentar e esclarecer as interseccionalidades entre os campos da arquiteturae da engenheira civil. 16 CAPÍTULO I SISTEMAS ESTRUTURAIS: BREVE PANORAMA HISTÓRICO DAS TECNOLOGIAS CONSTRUVIAS Este capítulo destina-se especialmente à análise panorâmica das inovações tecnológicas ocorridas por meio da construção civil na humanidade. Visa ressaltar, em exemplos pontuais, a evolução das formas e da ampliação de possibilidades com o advento de descobertas empreendidas ao que hoje se conhece por construção civil. Nesse percurso histórico e de crescente protagonismo de avanço das técnicas construtivas em distintos cenários edificatórios e diferentes recortes cronológicos, serão sinalizadas as relações das tecnologias construtivas como resultado de desenvolvimento das sociedades que se organizam mediante à intelectualidade em voga, cujo aspecto cultural orientaria o “saber fazer arquitetura”. Nesse contexto, selecionou-se edifícios icônicos ou monumentos edificados partindo da Antiguidade até o século XX, com o surgimento da Arquitetura Moderna. A história clássica como um todo e, mesmo os tópicos específicos da arquitetura e da engenharia civil no âmbito acadêmico dentro dessas abordagens, forneceriam subsídios que ilustrassem tais contextos importantes para a compreensão do tema. Desse modo, objetiva-se estabelecer um olhar para o passado a partir do presente, intentando obter uma linha do tempo que ressalte a evolução da tectônica com o passar dos séculos. Assim, este capítulo subdivide-se em momentos centrais, cada qual seguindo um fragmento histórico a ser tratado. A iniciar com os monumentos clássicos da Antiguidade, percebe-se que, nessas sociedades, se mesclavam as questões religiosas em congruência com o papel representativo das edificações consagradas às divindades. Tais monumentos seriam, a princípio, simbólicos e também pertencentes às respectivas particularidades culturais, nas quais as técnicas construtivas teriam por objetivo atender os códigos civis e religiosos desses grupos organizados. Busca-se então entender o emprego das tecnologias construtivas realizadas nos zigurates babilônicos, nas pirâmides egípcias e nos templos greco-romanos. Tomando prosseguimento ao ponto inicial estabelecido dessa linha do tempo, na sequência, tem-se a importância da produção arquitetônica medieval. Ainda que sobre o Medievo sejam feitas leituras preconceituosas, as quais giram em torno dos “tempos sombrios” ou dos “tempos da escuridão”, termos esses comumente associados ao período em questão, seus edifícios icônicos são cruciais para entender as novas dinâmicas das cidades e do crescente conhecimento humano a essas entrelaçando, destacando-se a evolução tectônica dos templos religiosos, em suma das igrejas românicas e das igrejas góticas na Alta Idade Média. 17 Com advento da industrialização com seus processos modernizadores, mais precisamente no final do século XIX e ao longo de todo o século XX, foi possível observar uma sociedade de massas, a qual passou a requisitar novos padrões de vida e melhorias qualitativas por meio de tecnologias disponíveis. Assim, a arquitetura passou a absorver parte dessa influência, tendo como expoente a Villa Savoye, projetada por Le Corbusier. 1.1. Monumentos da Antiguidade: as primeiras técnicas construtivas O protagonismo da cidade nos seus aspectos de construção e da crescente necessidade de domínio da técnica de edificações, é palpável e testemunhável no exemplo das cidades sumerianas. Ur e Çatalhuiuk, cidades mais antigas de que se tem conhecimento (CALLIARI, 2016, p. 34), são notórias em estudos arqueológicos e de documentação histórica, uma vez que se destacaram pelo pioneirismo de emprego da argila cozida para construção de edifícios, técnica essa que nos tempos atuais ainda se utiliza fartamente no Oriente Médio. As cidades sumerianas, exemplificadas nos dois casos supracitados, caracterizavam-se pela sua organização espacial fortificada, onde no espaço dos intramuros eram abrigadas populações numerosas, se equiparadas à época. Os templos religiosos, nesse contexto, assumiam posição de notoriedade a julgar pela altura de suas edificações, uma vez que as edificações voltadas aos outros usos, tais como armazéns, residências, comércio, etc., detinham uma importância menor em face da grandiosidade desses templos, ou zigurates (BENEVOLO, 2020, p. 32). Assim surgiam os primeiros sistemas estruturais nas civilizações antigas que, configurado de modo maciço e, mesmo produzido artesanalmente, poderiam ser compreendidos como sofisticados para época, uma vez que configuraram as alvenarias primitivas a partir de tijolos cozidos. O fabrico do tijolo, isto é, a confecção de blocos feitos com argila amassada e acréscimo de vegetais secos - ou basicamente palha, quando cozidos ao sol, permitiram maior resistência e durabilidade para a sustentação dos edifícios que serviam às sociedades primitivas. Para além dos templos babilônicos, ou zigurates, a alvenaria elaborada à base de cerâmica, tornou-se primordial no decorrer dos séculos, amplamente empregada nas civilizações da Idade Antiga, cujas essas obtiveram destaque e pujança econômica nas extensões territoriais de seus respectivos impérios. Feitas as breves considerações sobre as sociedades antigas que tomam a cidade como base de suas estruturações, percebe-se também que, no Mundo Antigo, em especial na Mesopotâmia, o apreço religioso esteve intimamente ligado a esses assentamentos, cujo 18 simbolismo se materializa na arquitetura de templos, os quais convergiam tanto na fundação dessas cidades quanto nos edifícios religiosos em si, o papel da morada dos deuses (POZZER, 2003, p. 61). Nesse sentido, pressupõe-se que, dada a importância religiosa em diversas culturas da região em questão, empregava-se o que se havia de mais inovador em termos de tecnologias construtivas para edificação civil, em suma, os templos religiosos. 1.1.1. Zigurates babilônicos Fig. 1 – Representação gráfica de um Zigurate Fonte: Enciclopédia Global, 2021 O tijolo enquanto manufaturado mais antigo da construção civil, desde seu surgimento, se consagrou na cultura mesopotâmica pela disponibilidade da matéria-prima e pela crescente demanda que emergiam das cidades então em consolidação. Seu aspecto estrutural já se reconhecia empiricamente por meio da construção dos zigurates e palácios, portanto, os mais altos e vistosos nessas cidades e que, paulatinamente, obteve sua evolução nos modos de confecção em argila queimada (KATO, 2002, p. 5). Para além da disponibilidade de argila favorecida pelas condicionantes geográficas, a versatilidade dessa matéria-prima permitiu que os tijolos fossem confeccionados à mão ou mesmo em formas de madeira. Tradicionalmente, contata-se a representação sagrada nos tijolos, dada a sua fabricação no mês denominado “SIG” que, segundo a língua suméria, significa “o tijolo”, período esse correspondente ao intervalo entre os meses de maio e junho no calendário ocidental atual (POZZER, 2021, p. 18). 19 Assim designado, tal período era oportuno devido ao tempo seco e também à época do pós- colheitas, facilitando assim, a secagem dos tijolos ao sol, paralelamente à obtenção de palhas remanescentes das ceifas. Após a finalização desse processo, os tijolos de argila eram aplicados nas edificações diversas, em pavimentações de vias públicas, canalizações de cursos d’água e, principalmente, em locais com exposição à erosão. Tamanha importância da conciliação entre o conhecimento tecnológico disponível à época e as representações simbólico-religiosas, na qual se percebe simultaneamente a relevância dos zigurates na cultura de edificações das civilizações antigas. Em síntese, a palavra zigurate provém do verbo zaqãru, que significa “construir prédio alto”. Talvez a experiência dessa edificaçãomais conhecida seja aquela que remete ao episódio bíblico, no qual, segundo a tradição judaico-cristã, se relata a construção da torre de Babel; o mesmo zigurate também atende na cultura babilônica pelo nome “É.TEMEN.AN.KI”, cuja tradução literal significa “a casa da fundação do céu e da terra”. Desse modo, esses templos também atendiam, além de sua função religiosa, as atividades científicas, visto a produção do conhecimento pelos escribas sobre assuntos relacionados à astronomia (POZZER, 2021, p. 20). Ora, segundo dados arqueológicos, a forma dos zigurates consistia basicamente em uma torre, cujo volume remete a um tronco de pirâmide com níveis em escalonamento progressivo conforme se avança em altura, com escadas externas, em cujo topo se localizada um pequeno santuário, dedicado aos rituais sagrados e à observação dos astros. Em se tratando de Babel, estima-se que foram utilizados cerca de 36 milhões de tijolos crus e 3.000 homens trabalhando durante dois anos para erigir os 90 metros de altura (Idem, p. 19). Nessa façanha arquitetônica, presume-se o conhecimento aplicado sobre o desenvolvimento tecnológico à luz da época, tendo como base as condicionantes e determinismos geográficos nos locais em que se inseriram, em conjunto com as tradições culturais. Percebe-se no caso dos zigurates, a presença de uma sistematização de elementos construtivos, ainda que de modo implícito, a partir da capacidade criativa e da genialidade humana em aferir formas a partir da disponibilidade de matéria-prima e pela crescente demanda de construção das cidades. 1.1.2. Pirâmides egípcias Como parte das inovações tecnológicas consolidadas ao longo da história da construção civil, as quais se materializam por meio da criatividade humana e em face dos novos desafios 20 edilícios que surgem constantemente, inserem-se também nesse contexto de arquiteturas icônicas, as pirâmides egípcias. Tal como se conhece, o nome desses monumentos provém do grego pyramis, portanto, sem referências ao vocábulo da cultura egípcia. Em simples resumo, as pirâmides detinham em si uma função simbólica, a qual representa um rito de passagem para a posteridade, tal como um “castelo da eternidade” (PRUDENCIO, 2010, p. 1). Além das representações políticas e culturais estritamente ligadas aos valores religiosos do Egito Antigo, a arquitetura das pirâmides, em seu viés de projeto arquitetônico, é significativa quanto à escolha do terreno, à estruturação geral do seu programa – pirâmide principal e pirâmides secundárias, e ao tempo e aos recursos de trabalho para a sua execução. Estima- se que foram empreendidos, no caso da pirâmide de Quéops, os quantitativos de 2,3 milhões de blocos de rocha, totalizando aproximadamente 31,2 milhões de toneladas; a altura é próxima dos 150 metros, sendo ultrapassada somente no século XVI na categoria de construção mais alta do mundo (PRUDENCIO, 2010, p. 3). Não obstante, em termos de soluções tecnológicas inovadoras, a materialização desses empreendimentos viabilizou-se graças ao avanço do conhecimento tecnológico em paralelo às motivações culturais, e à capacidade do gênio criativo em configurar sistemas que permitissem a sofisticação da matéria-prima empregada na construção civil. Grosso modo, o salto da monumentalidade dos zigurates babilônicos para as pirâmides egípcias, deve-se, hipoteticamente, ao entendimento das proporções elementares dos blocos e, a partir desses, a sua organização em sistema construtivo para configurar a edificação. Se, na cultura suméria, os blocos de argila e palha seca cozidos ao sol permitiram erguer os zigurates a alturas consideráveis, sendo os edifícios mais notáveis dentro de suas cidades, na cultura egípcia, por sua vez, os blocos agora maiores e de composição de rocha pura, assumiram o protagonismo da construção civil à época, uma vez que se emergiu a necessidade de desenvolver instrumental tecnológico que operacionalizasse a construção das pirâmides. Não apenas as ferramentas de construção foram criadas e/ou aperfeiçoadas, como também se revelou o conhecimento prévio do sítio perante a atuação de forças dos componentes da edificação. Ainda em se tratando de Quéops e das pirâmides secundárias em Gizé, o aplainamento local tornou-se o passo fundamental para o início do processo de construção desses monumentos egípcios. De superfície plana e com solo de maciço rochoso, as condições do terreno favoreciam como base propícia ao suporte das altas cargas demandadas pelos blocos; a 21 composição em rocha, inclusive, atendia à extração de matéria-prima, servindo assim como uma pedreira no próprio canteiro de obras. Outro fator considerável, seria o procedimento técnico realizado: primeiro, o sítio era inundado por meio da construção de valas na rocha; segundo, realizava-se a drenagem parcial, deixando as valas com pouca água; em terceiro, as rochas eram lapidadas para que fossem niveladas tomando como referência a altura da água remanescente da drenagem (PRUDENCIO, 2010, p. 4). No que tange à lapidação das pedras, destacam-se os avanços de conhecimento tecnológico para que se desenvolvessem ferramentas no trabalho de cantaria. Segundo estudos arqueológicos, a broca teria sido o instrumento de maior utilidade nessa empreitada, servindo para escavações prospectivas quanto ao teste da solidez das rochas durante o seu processo de extração das pedreiras. Além disso, os operários induziam a matéria-prima a procedimentos de dilatação térmica por meio de fogo e água para que, assim, as rochas se desprendessem com maior integridade, sem fragmentar as peças com o auxílio de madeiras nos vãos. Tal conhecimento de aplicação direta em cantaria, seja em níveis implícitos ou explícitos, poderia ser entendido como componente básico na estruturação disciplinar no campo da engenharia civil, tendo em vista sua importância para a viabilização da construção de caráter monumentalista, assim como também a operação logística quanto ao transporte das pedras. Ora, os egípcios constituíram a engenhosidade desse deslocamento por meio de trenós e, mesmo ao chegar ao destino, as pedras passavam por um processo de refinamento no seu acabamento através da dolerita, em prol do aperfeiçoamento das superfícies dos paralelepípedos (PRUDENCIO, 2010, p. 5). 1.1.3. Templos gregos Sabe-se que a altura de edifícios são canais de comunicação para servir de referências de localização e de configuração estética de poder na estruturação das cidades (D’ALESSIO FERREIRA, 2008, p. 40). No caso dos templos religiosos - babilônicos e egípcios, essa experiência não se esgota a esses territórios, mas se estende na sua evolução histórica, principalmente ao perpassar e atingir a sua evolução no Mediterrâneo. Conquanto a arquitetura da civilização grega não superasse as alturas dos zigurates ou mesmo das pirâmides em termos quantitativos quanto às alturas desses, o aperfeiçoamento da técnica constatada nos templos gregos se consubstancia como base da cultura ocidental, cujos 22 princípios são retomados, reavaliados e renovados em pontos seminais ao longo da história da arquitetura até os tempos atuais. Fig. 2 – Representação gráfica de um templo grego Fonte: Greece Is, 2018 Dentro da civilização grega, os edifícios religiosos ali erigidos desacatam-se pelo emprego sofisticado da tectônica. Não somente no caso estrito desses edifícios icônicos, mas também nas suas cidades como um todo, composta por edifícios outros, uma vez que nelas localizavam-se os centros de poder organizados em principados, que também são fruto de uma intensa efervescência cultural que, consequentemente, favoreceu intercâmbio de intelectualidades e o desenvolvimento econômico (BENEVOLO, 2020, p. 91). Sua localização geográfica e fácil acesso aos mercados da época, permitiram que as cidades da Grécia Antigaatingissem seu apogeu e, dentro desse contexto, o protagonismo do conhecimento da geometria corroborou com o advento das inovações tecnológicas aplicadas à construção civil. Para além de sua função de santuário, os templos gregos compõem um repertório de edificações promovidas em face do progresso do conhecimento geométrico. Para construir um templo segundo as tradições dos gregos, requisitava-se uma organização transversal aos nichos especializados da sociedade em voga, entre esses, encontram-se as figuras dos obreiros, escultores, dirigentes e arquitetos. Esses últimos, por sua vez, tinham sobre si a função de auxiliar o governante da cidade, uma vez que o templo se tornava representação 23 política “que se materializa como reflexo de sua ideologia e sua história” (DUARTE, 2018, p. 137). A inovação tectônica que se constata na civilização grega, consiste basicamente na criação do sistema trilítico, proveniente da ilha de Creta, onde também se observa por meio de análises históricas a influência dos povos fenícios e dóricos no desenvolvimento da arquitetura local. Tal empreitada é resultante do manejo de matéria-prima disponível nas imediações do mar Egeu, isto é, a pedra calcária, cujo recorte adota o emprego de instrumentos compostos de ferro, que já se havia aperfeiçoado na confecção de esculturas e no labor da própria arquitetura. Conforme afirma Bruno Massara (2016): O emprego do ferro no trabalho da pedra permitiu o aperfeiçoamento dos cortes e o progresso na escultura, e na arquitetura. O que se pode perceber é que o desenvolvimento gradual dos equipamentos e dos utensílios de uso dos artistas teve influência direta no resultado formal encontrado nas edificações da época. Primeiramente os instrumentos de trabalho eram constituídos de sílex de bronze e não eram capazes de trabalhar as pedras com eficiência. A ausência do ferro deu origem a um tipo de alvenaria ciclópica. As ferramentas de ferro permitem, num segundo estágio, encarar de frente o problema da construção dando origem a um novo conceito construtivo. De modo geral, a arquitrave ou sistema trilítico, é visto como base de orientação construtiva para configuração das edificações gregas. Assim, são constituídos majoritariamente por blocos horizontais de rocha calcária, que se apoiam mutualmente para configurar paredes de alvenaria e essas, por sua vez, são reforçadas por um conjunto de pilares e lintéis, de desenho ortogonal e simétrico. Os templos eram destinatários de maior dedicação e esmeros por parte dos construtores, consagrando-se como palco de rigor construtivo e de aperfeiçoamento do sistema trilítico. Ressalta-se que tal processo foi paulatino, uma vez que essas edificações, na sua fase primitiva, eram compostas de madeira e tijolos de barro, sendo alteradas pela pedra calcária em questão, até alcançar seu estado de perfeição máxima por meio do mármore polido. Há, no entanto, que considerar sistemas construtivos de caráter trilítico antecedentes àquele empregado em larga escala na Grécia Antiga. Mesmo utilizado no esquema associável ao de arranjo “pilar e viga”, o Dólmen, por exemplo, seria um caso primitivo desse sistema estrutural e de aplicação rudimentar constituído em Stonehenge, o qual apresenta comportamentos semelhantes com sistema trilítico grego (CARREIRI, 2007, p. 36). Em se tratando da experiência grega, o que se resulta do sistema estrutural empregado consiste basicamente 24 no isolamento dos componentes que configuram a arquitrave, de modo que o conjunto permanecesse isostático (idem, p. 44). 1.2. Arquitetura religiosa da Idade Média: simbolismos e evolução tectônica Grosso modo, o período medieval é conhecido popularmente com a alcunha de idade das trevas, tendo em vista a remontagem de cenários históricos em face dos conflitos sociais e territoriais que se manifestavam à época. Entretanto, à luz da produção arquitetônica e das soluções tecnológicas desenvolvidas para que se viabilizasse a grandiosidade das edificações características desse período, percebe-se que tal concepção poderia induzir à formulação de eventuais pré-conceitos e, resultando desses, possíveis leituras preconceituosas. Assim sendo, insere-se a necessidade de estabelecer um olhar revisionista por meio de casos emblemáticos. A princípio, na arquitetura do período medieval, é possível constatar a configuração de formas inovadoras do ponto de vista de sua construção estética e estrutural.Ao passo em que a arquitetura religiosa continuava a exercer papel icônico nas cidades medievais, as inovações das tecnologias construtivas e dos sistemas estruturais delas resultantes, progrediram em direção reconhecimento implícito da gravidade. Para além de sua função simbólico-religiosa, a inserção desses templos representantes da cultura cristã, são notórias à sua época e poderiam, por hipótese, designar o nível de sofisticação de determinadas sociedades, a julgar pelas alturas de seus pináculos, quais que sejam, caracterizavam a imagem de imponência por meio de sua representação eclesiástica. Essas seriam visíveis de qualquer parte de uma cidade tipicamente medieval (BENEVOLO, 2020). Ora, as igrejas denominadas ou classificadas como de estilo românico e gótico, são testemunhos concretos da engenhosidade humana. Se consideradas como obras de arte, ou ainda como uma manifestação cultural e humana por excelência, no entanto, ressalta-se que tal produção não só se constituía por razões meras e simplesmente decorativas, mas inclinava-se como uma consolidação institucional e estrutura de poder em prol de estabelecer a unidade àquela estrutura social vigente. Não obstante, o advento da efervescência urbana trazida pelos valores burgueses, a circulação de bens e mercadorias, bem como a profusão de conhecimentos, teria impactado concomitantemente às soluções tecnológicas para que se erigisse os edifícios religiosos, os quais cumpriam papel de destaque nessas cidades. 25 1.2.1. Templos paleocristãos Antes de apresentar a arquitetura das igrejas de estilo românico e gótico, no entanto, convém dissertar sobre um estilo ou tipologia precedente, o qual norteará as bases de concepção arquitetônico-religiosa, em suma, ao longo do período medieval. O período histórico da Cristandade, em que foram erigidos os templos primitivos, será aqui denominado como arquitetura paleocristã, ora proveniente como legado da antiga civilização romana (FURNEAUX-JORDAN, 1985, p. 116). Nesse contexto, destaca-se a tipologia da basílica. Essa construção, ainda que nos seus primórdios não tenha sido designada para fins religiosos, isto é, se aproximando mais de um palácio da justiça laico do que uma igreja propriamente dita, serviu àquelas sociedades cujo objetivo dos fiéis centrava-se em dificultar a exposição, em face das perseguições do Estado e de seu fascínio pelos outros templos pagãos. Com a ascensão do Império de Constantino e nomeação de co-imperadores sucessivos, a basílica passou a ser um padrão adotado na construção de templos religiosos, uma vez que Teodósio em 380 (FURNEAUX-JORDAN, 1985, p. 118), havia declarado a religião cristã como oficial do Império. Desse modo, disseminou-se a tipologia da basílica para edificações religiosas daquele período, desta vez para congregar os cristãos batizados na nave principal, ou mesmo instrução dos catecúmenos em processo de conversão nas laterais desses templos. Em síntese, o sistema estrutural é o elemento que define a configuração arquitetônica, através dos ritmos dos intercolúnios e suas sucessivas passagens, que adotam o sistema trilítico greco-romano como base dessa engenhosidade. Por motivos de economia, as abóbadas já conhecidas à época não foram empregadas, hipótese essa que explicaria, por exemplo, o porquê desses templos utilizarem as vigas não-arqueadas e empregarem coberturas planasamadeiradas de início. Além da particularidade de abstenção das abóbadas, outro fato considerável são as paredes de tijolos revestidas de cimentos, as quais desempenhavam a função estrutural dos templos que então adotavam a planta da basílica, definindo assim. Suas colunatas, segundo Noberg- Schulz (1999, p. 65), não representam simbolicamente questões antropomórficas, tampouco uma exploração religiosa na sua concepção, cuja se faz independente das dimensões de altura e de diâmetro das colunas. Em conceitos visuais, essa estrutura reforçava a ideia de centro e de longitudinalidade espacial. 26 No bojo do desenvolvimento da arquitetura paleocristã e de suas tecnologias construtivas, destaca-se o papel revolucionário do emprego da cúpula. Sabe-se que tal façanha já se manifestava como uma construção viável à época, dado que sua aplicação se realizava por meio de edificações menores, como as termas romanas ou mesmo nos jazigos da antiga Pérsia (FURNEAUX-JORDAN, 1985, p. 123). Entretanto, a inovação do ponto de vista da tecnologia construtiva se deve, em primeiro lugar, em razão do seu peso próprio, o que consequentemente exigiu soluções estruturais mais complexas para que atingisse a estabilidade necessária como um todo; em segundo, porque houve um trabalho sofisticado de conciliar uma tipologia de planta nitidamente ortogonal com um elemento arquitetônico de formato circular. Não obstante, o protagonismo das cúpulas, grosso modo, bizantinas, cujo labor considerável e aprimorado se constata em Hagia Sophia – igreja construída pelo imperador Justiniano para substituir o templo precedente, erigido por também pelo imperador antecessor, Constantino, se viabilizou por meio de um sistema estrutural complexo. Sucedeu que, a descoberta da ogiva, em substituição dos lintéis de canto dos arcos, se tornou um ponto de partida para que se favorecesse a criação de pedículos no transepto da basílica, de modo que o tambor da cúpula repousasse sobre os memos. Ainda para o autor John Furneaux-Jordan (1985, p. 124), em comparação da solução estrutural adotada em Hagia Sophia com o Panteão romano: (...) A cobertura uniforme de luz no Panteão ilumina o seu conteúdo de paredes em forma de iglu, suas molduras fortes, lisas e bem definidas, arquitraves triangulares exatas sobre os nichos – tudo calculado com a precisão matemática que se poderia esperar de um império que havia classificado e organizado o mundo conhecido com eficiência admirável. Estruturalmente, tinha um desempenho seguro ao incorporar todas as formas de sustentação conhecidas em Roma. Por outro lado, Hagia Sophia mostra a capacidade de correr riscos, essencial para ser pioneiro em uma nova estrutura. Nossa admiração não depende de uma enumeração de estatísticas dessa grande edificação. Como parte das engenhosidades do Império Bizantino, em meio às lagoas do Mar Adriático, surgiu a cidade de Veneza, durante as incursões bárbaras e criação de rotas marítimas no século V. Anexada então ao império do Oriente, a cidade evoluiu através de sua função de entreposto comercial, além de sua localização estratégica em face das rotas de navegação. Assim sendo, em razão e sua pujança econômica, erigiu-se um novo santuário em homenagem a São Marcos, o Evangelista, cuja referência de ambiência respaldava-se em Hagia Shophia. Outra construção bizantina que serviu de inspiração para a Catedral de São Marcos, no que tange a utilização de cinco cúpulas com planta em cruz grega, é a Igreja de Justiniano dos Apóstolos Sagrados, hoje inexistente. 27 Fig. 3 –Vista interior da Catedral de São Marcos, Veneza Foto: Haniel Israel, 2019 (Acervo pessoal) 28 1.2.2. Igrejas românicas No lançamento das bases da civilização medieval, o qual ocorria em meio aos sucessivos eventos que dividiram o império de Carlos Magno em duas nações, isto é, França e Alemanha, encontra-se a estruturação social sistematizada pelo feudalismo, cuja parcela de contribuição e de influência para manutenção das relações entre o senhor e o vassalo, provém das organizações eclesiásticas que vinham se perpetuando nas sociedades cristãs até o momento. Nesse contexto, insere-se o surgimento do estilo românico, que data da estabilidade política conquistada no governo Oto, o Grande, em 962 e, consecutivamente através dos movimentos reformistas que conduziram o abade Maieul ao trono, em 965, em Cluny, região da Borgonha (PEVSNER, 2002, p. 46). Em primeira análise, constata-se a inovação de sua forma arquitetônica, em específico no desenho de planta dos templos cristãos, a qual passou a nortear, diga-se de passagem, suas características incisivamente ortogonais na composição do edifício como um todo. Seja na tipologia de planta em plano irradiante ou na sua versão em plano escalonado, percebe-se que são materializadas na espacialidade dessas igrejas, elementos que transmitem ideia de organização, planificação e hierarquização, diferentemente de como se vinha elaborando a arquitetura dos templos bizantinos ou das basílicas. Tais modificações ou inovações de organização espacial se deram em função da estruturação litúrgica dos eclesiásticos que, por sua vez, passou a demandar um número cada vez maior de capelas, estendendo-se às naves laterais e servindo-se do deambulatório, assim como de arremates de absides secundárias na organização do programa em planta. Assim sendo, faz- se necessário compreender o arranjo e o sistema estrutural resultante dessa concepção, baseada no modelo de fortaleza normanda. O sistema estrutural resultante do programa arquitetônico ora definido pelas hierarquias eclesiásticas, consiste basicamente na organização de vãos separados por colunas que atingiam alturas consideráveis, com capitéis arrematados em traços simples. As abóbadas, ou mais específico, abóbadas de berço, passariam a ser empregadas com frequência à proporção em que se avança no tempo, a partir do conhecimento consolidado e da sofisticação das técnicas construtivas, as quais permitiriam que esses templos transmitissem sensação de estabilidade e de rigidez aos seus congregandos. Desse modo, o românico primitivo assume as formas tendo como canal de referência os demais edifícios civis da arquitetura normanda, em suma, de suas fortalezas. 29 Fig. 4 – Reprodução gráfica da Catedral de Durham Fonte: Alison Stones, 2020 Disponível em: medart.pitt.edu Fig. 5 – Elevação com vistas das arcadas da Catedral de Durham Fonte: Alison Stones, 2020 Disponível em: medart.pitt.edu 30 No caso da Catedral de Durham, também identificada como um exemplar da arquitetura normanda e/ou românica, destaca-se a inovação tectônica protagonizada pelas abóbadas nervuradas que, em oposição às abóbadas de aresta desprovidas de nervuras, por hipótese, seriam elementos arquitetônicos precursores do estilo gótico. Nessa façanha, conquistou-se vantagens estruturais ao articular nervuras e arcos em cimbres independentes. Para Pevsner (2002, p. 57): Em, Durham, a abóbada de nervuras confere a toda a estrutura da igreja uma vivacidade que se opõe ao peso das paredes inertes que oprime tanto os interiores do século XI. Essa vivacidade encontra-se também no aspecto mais animado das arcadas e suas cornijas, e também na introdução de alguns motivos decorativos acentuados, particularmente o ziguezague. No entanto, apesar desta aceleração do ritmo, a arquitetura, em Durham, está longe de ser alegre ou dinâmica. Os pilares das arcadas continuam a ter uma força dominadora e própria importância de seus volumes é ressalta por uma decoração muito simples em ziguezague, losangos ou caneluras, esculpida com todo o requinte em toda superfície. Para além da contribuição normanda, a Alemanha, por sua vez, imprimiu seu legado na produção arquitetônica ocidental, em suma, no final do século XI.Ali o templo românico encontrou outros acréscimos de inovação, em se tratando da composição de formas em si e que, uma vez aliadas com a sofisticação de seus sistemas estruturais, conquistou-se ganhos não somente quanto às questões estilísticas ou de estética, como também na interface dessas com as tecnologias construtivas. Se observadas as vigas-mestras na Catedral de Speier, de modo a compor uma nave central abobadada e também iluminada por uma faixa de aberturas na parte posterior das arcadas, ora denominada de clerestório, ou mesmo a tipologia de duas torres flanqueando o corpo central da Catedral em Estrasburgo, constata-se a ampliação de possibilidades construtivas por meio do conhecimento à época dos germânicos. O modelo da planta da basílica paelocristã reciclada no estilo românico, considerando as intervenções normando-germânicas, passaria então a ser atualizada com o acréscimo dos campanários adjacentes ou das duas torres, simbolizando religiosamente o encontro do céu, isto é, o lar divino, com o lar dos homens (NORBERG-SCHULZ, 1999, p. 79). Assim sendo, sua estrutura por hipótese poderia representar um funcionamento de um esqueleto, cujos elementos componentes da estrutura, recebem um tratamento mais elaborado nas suas articulações. Nos templos românicos, de modo geral, empregam-se arcos longitudinais e transversais apoiados sobre os pilares, organizados em conjuntos para reafirmar sua verticalidade e de amarrações interdependentes. 31 1.2.3. Igrejas góticas A busca incessante por vencer as leis da gravidade, paralelamente ao desenvolvimento ou aperfeiçoamento da produção de edificações religiosas e civis na arquitetura medieval, grosso modo, perdurou por séculos até o fim cronológico da Alta Idade Média. Nesse período, destacam-se as construções de estilo gótico, as quais passaram a predominar aqueles núcleos urbanos fortificados, cuja presença dessas edificações, a título dos templos cristãos – vistos como seus principais exemplares e expoentes –, se fazia reconhecível naquelas sociedades então urbanas. Dentro de uma sequência de modelos e/ou estilos que não são estanques entre si, a cultura cristã mais uma vez colaborou para que houvesse inovações de tecnologias construtivas e da ampliação de complexidade de elementos estruturais. Em continuidade dos templos greco- romanos, das basílicas paleocristãs, das igrejas normandas e franco-germânicas que compõem o quadro da arquitetura românica e agora, nos santuários góticos, respectivamente, afinaram-se, progressivamente, os elementos decorativos, a distribuição espacial em planta, e complexidade de suas peças estruturais, entendidos como elementos que as qualificam na sua configuração arquitetônica. Se, nos seus precedentes reforçavam-se aquela imagem de austeridade, de robustez ou de fortificação, na arquitetura gótica, entretanto, veem-se a dissolução dos muros e integração dos ambientes com mais transparência (NOBERG-SCHULZ, 1999, p. 94). A começar pela organização de ambientes representada em planta, sua espacialidade consiste basicamente em um amadurecimento criativo dos templos de estilos antecedentes. Em casos mais afortunados, é possível encontrar exemplares de igrejas góticas contendo naves laterais duplas, ambientes distribuídos ou organizados de modo radial. Nesse estilo, o modelo românico é, diga-se de passagem, reinterpretado de modo a adquirir no eu exterior, uma intencionalidade de imponência e de comunicação dos ideais da fé cristã. As torres assumem um arranjo mais enriquecido e as coberturas das naves, por sua vez, são desenhadas por meio do cruzamento de arcos em ogivas, configurando assim, as abóbadas de arestas, então características do estilo gótico. Em face dessa conjuntura, os arcos desenhados em ogivas consagraram-se de modo emblemático na arquitetura gótica e, uma vez articulados como um “esqueleto de nervuras” (CARRIERI, 2007, p. 51), tal sistema teria a atribuição de transferir as cargas desses elementos então presentes nas naves, em direção aos arcobotantes, o que permitiu suprimir 32 as paredes maciças em prol da utilização de vitrais para a passagem de luz natural no interior dessas igrejas. Ainda o arco gótico ou ogival, contribuiu como uma inovação em face das tecnologias construtivas vigentes, visto que esses elementos libertou as superfícies laterais de sua função estrutural ao substituir as paredes maciças através da articulação dos contrafortes. Sobre as explicações desse arranjo estrutural, Pevsner (2002, p. 82), afirma: As vantagens técnicas são basicamente três. Antes de mais nada, o peso de uma abóbada de berço se distribui sobre toda a extensão das duas paredes que a sustentam. Ora, o peso das abóbadas de aresta, do românico alemão ou de Vézelay, repousa apenas sobe quatro pontos, mas, para que essas abóbadas fossem construídas de modo satisfatório, eram necessários vãos quadrados. Se se tentar construir uma abóbada românica de aresta, isto é, uma abóbada de aresta essencialmente de arco redondo sobre um vão retangular, será necessário utilizar três diâmetros diferentes, atravessando o comprimento, a largura e a diagonal do retângulo. Se o arco transversal, isto é, o mais visível deles, for semicircular, o arco diagonal será abatido; e arcos abatidos são estruturalmente perigosos (...). Uma verticalidade completa ofereceria uma segurança total; uma horizontalidade completa seria a causa de um desmoronamento imediato das suas paredes. Caso amplamente divulgado e conhecido dessa experiência, por exemplo, é a Catedral de Notre-Dame. Paris teria sido então a cidade-palco na qual se consagrou a fase clássica da arquitetura gótica, dado que a planta tipológica em si perpassou por mudanças com relação às proporções de espacialidade, em suma, sobre o transepto que, agora, estaria alinhado em conjunto com as torres laterais. Conquanto essa mudança trouxesse uma articulação mais definida entre seus espaços, no que tange às peças estruturais, portanto, mantiveram-se padrões precedentes desse estilo, salvo a adição de colunas – também cilíndricas –, agregadas ou adjacentes às principais e, além disso, a diminuição dos vãos entre as mesmas, com o objetivo de conduzir o ponto focal em direção ao altar (PEVSNER, 2002, p. 95). Em Milão, veem-se particularidades empregadas na Duomo. Embora as possibilidades de análise da symmetria vitruviana sejam eficazes na análise da organização dos elementos que configurem sua arquitetura, em específico de seu sistema estrutural e suas relações antropométricas (PEDRO, 2008, p. 5), há que considerar observações estritas quanto à sua inserção no contexto da arquitetura gótica. 33 Fig. 6 –Vista externa da Catedral de Notre-Dame, Paris Foto: Haniel Israel, 2019 (Acervo pessoal) Fig. 7 –Vista externa da Catedral de Notre-Dame, Paris: arcobotantes e vitrais Foto: Haniel Israel, 2019 (Acervo pessoal) 34 Fig. 8 –Vista interna da nave lateral direita da Duomo, Milão Foto: Haniel Israel, 2019 (Acervo pessoal) 35 1.2.4. Renascença: a experiência de Brunelleschi em Firenze Sabe-se, de passagem, que a Renascença se consagrou na história como um movimento que unificou arte, ciência e técnica em seus feitios, cujas repercussões são extensivas também à produção arquitetônica daquele período. Nesse contexto, algumas regiões italianas representam certo protagonismo, sendo que algumas de suas respectivas cidades atuaram como centro difusores no campo das artes, em prol do resgate dos valores humanísticos no outrora esmaecido nos séculos anteriores. À proporção em que os artistas se inclinavam à oficialização do labor arquitetônico à época e, conquanto essas figuras envolvam hojeamplos estudos transdisciplinares em si mesmas, tais como Franceco Borromini, Donato Bramante, Gian Lorenzo Bernini, Rafaello Santi, Leonardo da Vinci, Michelangelo Buonarroti, Andrea Paladio e Vigonla (CARRIERI, 2007, p. 59), há muito que se discutir sobre a produção arquitetônica renascentista, posto que as obras desse movimento artístico e cultural marcam significativamente não só a existência da arquitetura enquanto disciplina, mas também do seu papel crucial que definiram ou redefiniram os rumos posteriores dos modos de construção no Mundo Ocidental. Tendo em vista essas exposições, verificou-se, no entanto, que tal assunto seria extenso e que mereceria um capítulo à parte. Consecutivamente, considerando sua relevância quanto ao tema das inovações tecnológicas na construção civil, optou-se por apresentar suscintamente a experiência de Brunelleschi1, no que tange os percursos e percalços na edificação da cúpula da Catedral de Santa Maria Del Fiore, em Florença. Tal façanha é emblemática por se tratar de um novo paradigma arquitetônico que, grosso modo, contribuiu para que houvesse o entendimento da obra enquanto projeto e, em paralelo, enquanto processo de execução. Certamente as eventualidades relacionadas à cúpula da igreja atribuíram a fama de arquiteto a Brunelleschi. Em continuidade à construção pré-existente, cujo autoria do projeto remete à figura do arquiteto Arnolfo di Camilo, um dos destaques de inovação no emprego das técnicas construtivas seria a viabilização de andaimes, dada as características de envergadura então 1 Filippo Brunelleschi nasceu na cidade de Florença, em 1377. Ali na região da Toscana obteve destaque em face de suas ideias preconizadoras da arquitetura humanística, ora recorrentes nos primórdios do Renascimento italiano (RACHITEANU, 2015, p. 16). Por vontade de seu pai, Brunelleschi seguiu a carreira das artes. Existem poucos relatos originários e comprobatórios de exatidão dessa época, salvo os textos de Giorgio Vasari e de Baltasar Castiglione, nos quais eram mencionadas suas qualidades pessoais e a importância do seu legado no projeto e execução da cúpula da Catedral de Santa Maria del Fiore (MIGUEL, 2003). 36 sem precedentes, e de mão-de-obra com número considerável de artesãos, os quais reuniam- se em prol de soluções de edificação da cúpula para Santa Maria del Fiore (MIGUEL, 2003). Desse modo, obteve-se a associação desse empreendimento a Brunelleschi, devido à sua genialidade não só artística, mas também pelo seu conhecimento de “construtor técnico”. Para além da distinção profundida no campo das artes, isto é, as artes liberais e as artes mecânicas e de sua atuação revolucionária, sobretudo do ponto de vista técnico no início da Renascença (SILVA, 2017), Brunelleschi intenta para uma nova concepção espacial, concomitantemente à uma modernização das tecnologias construtivas. A cúpula da Catedral de Firenza, tal como invenção, elucida o pioneirismo de uma solução técnica na qual se dispensa as amarrações, partindo de experiências similares em Roma (ARGAN, 1999, p. 48). A concepção estrutural da cúpula em questão, consiste basicamente em um desdobramento a partir do arco, dado à sua função na transmissão de cargas de cisalhamento e flexão, conforme se verifica no direcionamento dos tijolos e das nervuras que configuram a sua forma. Brunelleschi, em suma, propõe um arco invertido entre as nervuras, fixando as alvenarias das nervuras para, posteriormente, acrescentar os tijolos em direção ao centro da cúpula (POZZA, 2015, p. 34 – 35). Tendo em vista a complexidade do sistema estrutural, constata-se por meio da geometria da cúpula, o emprego do tambor, isto é, a base de apoio de todo o conjunto, seguindo das cascas internas e externas que compõem as vedações; no arranjo desse sistema também coexistem os anéis concêntricos, os quais encontram-se distribuídos no sentido transversal cm relação ao eixo da cúpula. Por fim, a cúpula é arrematada por uma lanterna, produzida em mármore, obedecendo o desenho octogonal equivalente à base (2015, p. 42). Fig. 9 – Estudo 3D do processo construtivo da cúpula em Firenze Fonte: Archtrends Portobello, 2018 37 1.3. Construção Civil no século XIX e no século XX: o protagonismo do Ferro e do Vidro e a ascensão do Concreto Armado Visto o desenvolvimento das tecnologias construtivas desde a Antiguidade até o movimento artístico e cultural do Renascimento, o qual promoveu a renovação dos preceitos humanísticos em diversos simbolismos constatáveis na sua produção arquitetônica, toma-se um grande salto para o século XIX, partindo do pressuposto que, no intervalo anterior, não houve mudanças significativas do ponto de vista tecnológico da construção civil. Desse modo, o universo das tecnologias construtivas e dos sistemas estruturais das edificações, experimentaria uma ampliação do seu campo de conhecimento com o advento da Revolução Industrial. Surge então, na Europa, em se tratando dos centros urbanos que perpassavam por um processo de industrialização e, consecutivamente, de crescimento populacional vertiginoso, novas possibilidades de experimentação no campo das artes, das ciências e das tecnologias. Como exemplo dessa profusão e de intercâmbio de conhecimentos, inserem-se os eventos expositivos relacionados à produção global vigente, nos quais congregavam-se representantes de diversas regiões do mundo, em estágios diferentes de desenvolvimento industrial, com o intuito de apresentar, acompanhar e contemplar as novas tendências no contexto da industrialização. Assim, Londres e Paris protagonizaram as cidade-sedes mais importantes para o acontecimento dessas feiras tecnológicas. Ainda em se tratando do século XIX, esse período também é importante para a compreensão do reconhecimento da figura do engenheiro no campo da construção civil, cujo destaque é devido em parte à intelectualidade de cunho liberal, cada vez mais em ascensão, a qual contribuiu para o progresso tecnológico. Não obstante, os arquitetos da época permaneceram conservadores, no sentido de corroborar com os academicismos estéticos em alinhamento com o que se pronunciava nas escolas tradicionais, em suma, naquelas de caráter Beaux Arts. Isso explicaria, por hipótese, a modernização da figura do arquiteto em galgas lentas, senão tardia durante o século XIX, em decorrência da rejeição das possibilidades estéticas por meio dos novos materiais de construção que surgiam com o advento das indústrias (SILVA, 2012). À medida em que as cidades cresciam e suas sociedades assumiam as características industriais, aumentava-se, em paralelo, a demanda por novas edificações, cuja construção exigia processos cada vez mais assertivos e acelerados quanto à produção e articulação de seus componentes e de si próprios agora industrializados, nos quais empregou-se largamente 38 o ferro e vidro. Assim sendo, as tipologias edilícias existentes modernizavam-se por meio desses materiais, ao passo que outras novas emergiam no espaço urbano, representando um símbolo dos avanços tecnológicos alcançados por meio do progresso científico, como convém citar, por exemplo, os armazéns, as fábricas, os silos, as estações de trem, ou mesmo dos pavilhões temporários utilizados nas feiras tecnológicas supracitadas. Feitas essas considerações, insere-se a necessidade de apresentar, ainda que de modo panorâmico, alguns exemplares arquitetônicos com largo emprego de ferro e de vidro. Paralelamente ao emprego do ferro e do vidro com ênfase no século XIX, constata-se o crescimento considerável do emprego de materiais metálicos e de suas tecnologias construtivas para a construção civil a partir do aprimoramento de estudos científicos que rumam em direção à entrada do século XX. Com as descobertas do engenheiro inglês HenryBessemer, as quais corroboraram para a utilização crescente do aço nas edificações, seguindo das contribuições do engenheiro francês Joseph Lambot, no que tange a invenção da tela metálica para estruturação de argamassa e, além dessas, a sistematização e dimensionamento por meio de princípios teóricos organizados pelo Prof. Emil Morsch (CARRIERI, 2007, p. 63), conduziram paulatinamente para que o concreto armado, tal como se conhece hoje, auxiliasse na construção da arquitetura e das cidades do século XX. A tecnologia construtiva do concreto armado consagrou-se, a princípio, como a base por excelência para que se desenvolvesse o Movimento Moderno, em se tratando das inovações arquitetônicas concebidas pelos trabalhos pioneiros de August Perret, Adolf Loos, e de Frank Llyod Wright, figuras essas que representam do emprego do concreto armado. Tal técnica, conciliada com a invenção do elevador mecânico, possibilitou a verticalização dos solos e a ascensão de grandes cidades americanas, bem como suas respectivas imagens de progresso representadas por meio das arquiteturas dos arranha-céus que surgiam em meados do fim do século XIX e início do século XX. Entendida como um processo (CASARIL et. al, 2011), a verticalização não só configura mecanismos de lucro pela multiplicação de determinado lote, como também demostra a possibilidade de superar desafios no âmbito da construção civil. Não obstante, Le Corbusier traz uma crítica considerável quanto ao simbolismo das “Cidades- Torres” americanas, nas quais o próprio arquiteto entendia como uma grande planta, a qual estaria passível a uma ascensão contínua e que ainda mereceria uma atenção especial em alguns aspectos por ele questionados, como por exemplo, o repúdio ao traçado viário, bem como a negação de um modelo compacto e denso de habitação, segundo princípios higienistas em voga, distanciando-se assim do “fenômeno inédito dos negócios” (LE CORBUSIER, 2014, p. 33). No que tange a associação do processo de verticalização ou da 39 consolidação das cidades-torres no contexto econômico que se fazia à época, encontra-se o protagonismo do concreto armado. Para o arquiteto (2014, p. 33): Partindo do acontecimento construtivo capital que é o arranha-céu americano, bastaria reunir em alguns raros pontos essa forte densidade de população e de elevar lá, em 60 andares, construções imensas. O cimento armado e o aço permitem essas audácias e sobretudo se prestam a um certo desenvolvimento das fachadas graças ao qual todas as janelas se voltarão de cheio para o céu; assim, doravante, os pátios serão suprimidos. A partir do décimo-quarto andar, é a calma absoluta, é o ar puro.” Conquanto a passagem supracitada à luz da contemporaneidade apresente algumas lacunas para o seu entendimento, percebe-se que o cimento e o aço, compõem assim o espírito das cidades da época, em que se produziam edifícios icônicos, ao passo que esses figuravam a pujança de grandes centros urbanos, como convém citar os casos de Nova York, Boston e Chicago. Le Corbusier, embora repudiasse o modelo de crescimento vertiginoso dessas cidades, nas quais se seguia uma matriz densa de organização edilícia, por outro lado, enxergava com boas lentes o futuro que a industrialização da época e as novas técnicas construtivas guardava para a vida urbana, na compreensão tanto da Arquitetura Moderna quanto do Urbanismo Moderno. 1.3.1. Pavilhões da Exposição Universal: os casos de Londres e de Paris No que concerne à experiência inglesa, a Exposição Universal de Londres2 obteve sua edificação paradigmática no contexto em voga da construção civil, em se tratando do emprego protagonista do ferro e do vidro em simultâneo. Tal pavilhão, além de ser considerado como obra precursora desses materiais, é resultado de um concurso de projetos arquitetônicos, que contou com mais de 245 propostas (SILVA, 2012). A ideia vencedora teria sido de autoria de Joseph Paxton3 que, com a consultoria do engenheiro Charles Fox, concebeu então o “Palácio de Cristal” para abrigar as atividades da exposição internacional. 2 Com o título original de The Great Exhibition of the Works of Industry of all Nations, o evento teve sua abertura no dia 1 de maio, estendendo-se até meados de outubro de 1851. Funcionando, grosso modo, como uma feira internacional de artefatos tecnológicos, seu objetivo inclinava-se para a promoção dos produtos inovadores e contributivos ao desenvolvimento econômico e científico das atividades industriais. Em números, estima-se que a Exposição Universal de Londres contou com aproximadamente seis milhões de pessoas, participação de 25 países, ora representados por 13.000 expositores (BIBLIOTECA NACIONAL, 2020) 3 Joseph Paxton (1801-1865) destacou-se profissionalmente como paisagista e projetista de estufas. Trabalhou como superintendente em Chatsworth, de propriedade do Duque Derbyshire. Além do Palácio de Cristal projetado em ocasião da Exposição Universal em Londres (1851), Paxton também projetou estruturas similares para o conservatório de espécies dos jardins de Chatsworth (1840) e desenhou o edifício intitulado de Casa dos Lírios (1850) ou Victoria Regia House (BRITANNICA, 2021) 40 A solução tectônica para o Palácio de Cristal consistia basicamente na racionalização de peças elementares que, dispostas articuladamente, propõe criar um arranjo ou um sistema construtivo. Convertendo uma estrutura envidraçada voltada para atividades de jardinagem ou propriamente de estufa em específico, para um espaço que contemplasse atividades de encontro, Paxton, através da utilização componentes pré-fabricados, obteve otimização de recursos e de tempo de construção facilitando, em paralelo, o quantitativo de mão-de-obra para erigir uma obra dessa envergadura. Se, o sistema estrutural de ferro permitiu vãos largos, o vidro trouxe uma nova possibilidade de comunicação entre os espaços internos e externos, distribuindo equitativamente a luz do sol para os ambientes internos do palácio (SCHOENEFELDT, 2008, p. 285). Fig. 10 – Interior do Palácio de Cristal em Londres para a Exposição Universal de 1851 Fonte: ArchDaily, 2021 Desde a elaboração no projeto, considerou-se para a execução do Palácio de Cristal, uma modulação baseada na maior folha de vidro disponível na época, com objetivo de atender a conciliação ou articulação dos elementos pré-moldados conjuntamente. Agrupando o sistema modular de 10 x 49 polegadas através de um desenho geométrico de formas básicas, isto é, triângulos e retângulos replicados em configurações de barras de ferro fundido, essas, por sua vez, apoiavam-se no sistema tradicional de pilar e viga, esbeltos e resistentes, proporcionando espacialidades amplas no interior do edifício; 41 O Comitê responsável pela organização da Exposição de 1851, impressionado com os orçamentos baixos e de seu plano de execução, aprovou o projeto com prazo de construção de 8 meses em Hyde Park. Somam-se nesse empreendimento um número de 5.000 trabalhadores, os quais manusearam cerca de 84.000m² de superfície de vidro, com instalação de 18.000 folhas de vidro a cada semana. Em apenas 5 meses foram fixadas por inteiro as peças do sistema estrutural, que contou com mais de 1.000 pilares para sua sustentação (MERIN, 2013). Anos depois, com a consolidação da Exposição Universal em Londres, criou-se um calendário de encontros sucessivos em outras capitais europeias. Semelhantemente como cidade-sede, em Paris, próximo da virada do século XIX para o século XX, erigiu-se uma edificação inspirada no Palácio de Cristal de Londres. Não obstante, a capital francesa uma construção de modo permanente, diferentemente do edifício-sede do evento antecessor, no qual se podia desmontar a sua estrutura. O Palácio das Indústrias, ou Grand Palais, situado nos Champs-Élysées às margens do Rio Sena, teve seu período de construção entre 1897 e 1900, consagrando-se hoje como um dos edifícios exemplares do patrimônio industrial francês (RMMGP, 2014, p. 4) Para além dos frontões de pedra que configuram o desenho das fachadas do Grand Palais, assim representando o tradicionalismo beaux-arts, o elemento qualificador dessa arquitetura seria a sua cobertura composta de ferro e vidro, que permite a passagem de luz para o interior do edifício a partir das naves principal e secundária, constituindo uma tipologia de galeria. No cruzamento entre as duas naves então abobadadas, um domo repousa na parte posterior do transepto, fazendo assim um arremate e destaque da porção central do edifício. Em Paris, o emprego de ferro e vidro no Palácio das Indústrias deu-se de modo sofisticado, a julgar pelos elementos ornamentais na sua composição. Seguindo os moldes da experiência comissionada em Londres, a arquitetura do Grand Palais é resultante de um segundo concurso para o evento, cujo prêmio da proposta vencedora foi atribuído a um grupo de quatro arquitetos: Henri Deglane, Albert Louvet e Albert Thomas, com supervisão de Charles Girault (DAUL, 2021). O processo de sua construção ocorreu de modo paulatino, dado que às margens do Sena constatou-se a presença de solo argiloso, o que demandou um trabalho mais apurado na instalação das peças de fundação do edifício. 42 Fig. 11 –Vista da cobertura do Grand Palais, em Paris, a partir do Sena Foto: Haniel Israel, 2019 (Acervo pessoal) 1.3.2. Ainda em Paris: Galeria das Máquinas e Torre Eiffel Ainda em se tratando do legado dos eventos da Exposição Universal para a cidade de Paris, há muito que se discutir sobre as inovações tecnológicas que contribuíram para a ampliação do conhecimento das técnicas construtivas e de seus sistemas estruturais. Enquanto a cobertura do Grand Palais figurava uma sofisticação tectônica do emprego de metal e vidro, do outro lado do Sena, no Champs de Mars, erigiam-se outros edifícios e monumentos para que se representasse a presença das indústrias em razão daquele evento. Nesse contexto, estão inseridas as construções da Galeria das Máquinas ou Palais des Machines e da icônica Torre Eiffel. O projeto da Galeria das Máquinas foi concebido pelo arquiteto Charles Dutert com o auxílio do engenheiro Victor Contamin, inovando assim o emprego das estruturas metálicas para edificações no fim do século XIX. Sua espacialidade consiste basicamente em um grande galpão constituído de sequências de pórticos arqueados, os quais permitiram a configuração de um vão generoso em suas medidas, isto é, o próprio sistema estrutural é o elemento que protagoniza a arquitetura dessa edificação, em primeira análise, de caráter efêmero. Por conseguinte, o que se observa em planta é que o grande espaço ou nave central é constituída por uma geometria simples, cujo retângulo teria em suas medidas aproximadamente 420 metros de comprimento por 114 metros de largura, com um espaço de 43 planta livre que soma pouco mais de 48.000m². No ponto mais alto de sua seção, que tem por desenho um arco abaulado, a distância até o réz-de-chaussez media próximo dos 43 metros de pé-direito. Tamanha é a monumentalidade proposta na sua configuração arquitetônica, uma vez que que caberiam, nessas proporções, uma área equivalente a três manzanas do Plano Cerdá de Barcelona, como compara Autor (LINARES, 2018, p. 35) De modo sempre a superar as experiências precedentes, o dimensionamento das peças estruturais constituídas de ferro e/ou ferro fundido era como um desafio para os projetos arquitetônicos e os cálculos de cargas elaborados, em suma, pelos arquitetos e engenheiros. A partir da segunda metade do século XIX, mais precisamente com a obra do Pavilhão ou do Palácio de Cristal de Londres, outras construções que seguiam esses moldes tipológicos, estariam grosso modo, imersas numa competição, em prol de se alcançar o maior vão projetado possível. Assim, após a experiência de Londres, duplicou-se o vão de 20 metros em Viena (1873) e triplicou-se a medida em Philadelphia (1876); logo depois seria a vez de Pancras Station, em Londres, com seus 70 metros de vão, sendo respectivamente superado pela largura da Galeria das Máquinas em Paris. Fig. 12 –Vista da nave central do Palais des Machines de Paris, 1889 Fonte: LINARES, 2018, p. 43 44 Fig. 13 –Recorte fotográfico do detalhe dos pórticos - Palais des Machines de Paris, 1889 Fonte: LINARES, 2018, p. 48 Com efeito, a tipologia estrutural adotada embasou-se a partir de uma unidade, isto é, um pórtico metálico arqueado e triarticulado, o que atribui identidade arquitetônica ao edifício como um todo. Tal como elemento qualificador, o sistema estrutural da Galeria das Máquinas distribui os esforços em duas direções opostas para que os mesmos pórticos estruturais, ora dispostos transversalmente, pudessem possibilitar uma planta livre de estruturas intermediárias no interior do vão. Esses, por sua vez, distavam entre si cerca de 21,50 metros a partir dos seus eixos, com poucos acréscimos em posições pontuais daquele edifício. Inicialmente projetado para receber uma estrutura similar à da estação Pancras Station de Londres, ou seja, através de um sistema articulado em arcos rígidos e elípticos, com engastes nas extremidades, a ideia foi abortada no projeto e substituída por uma proposta de arco triarticulado. Esse conceito inovador permitiu uma configuração “formada por semiarcos rígidos descansados no solo sobre um de seus extremos e reciprocamente apoiados na outra extremidade” (LINARES, 2018, p. 44). Tal propositiva, além de se caracterizar em três pontos de contato, dois na base um no cume dos arcos, são reforçados com o emprego de rótulas. Em razão das comemorações do centenário da Revolução Francesa e em função do evento da Exposição Universal, a Torre Eiffel teve, por sua vez, a inauguração em 31 de março de 45 1889. Dentro do planejamento do evento, o Governo da França elaborou um concurso de arquitetura para que a cidade representasse o espírito artístico-cultural, econômico e científico-tecnológico com o advento da modernidade promovida pela industrialização. A projeto eleito na competição em questão foi aquele que havia sido elaborado pelo escritório do engenheiro Gustave Eiffel, cujo desenho contemplava uma torre em estrutura metálica, a qual viria ser naquela época, a mais alta do mundo até então construída. Quase demolida, a torre que após a Exposição Universal serviu de base transmissora de rádio, passou a ser símbolo turístico da capital francesa (PORTELLA, 2009). Até aquele momento, nenhuma estrutura daquela envergadura havia sido construída, qualquer que atingisse a altura de 300 metros como no caso parisiense no fim do século XIX. A partir de sua experiência com estruturas metálicas, Eiffel reconheceu a importância dos ventos e a distribuição da pressão por meio de formas curvadas, de modo a atender a isostática do objeto composto, assim como havia trabalhado nas pontes que adotavam estruturas similares. Nessas experiências, no entando, Eiffel percebeu as deficiências do ferro fundido, uma vez que sua resistência à tração era relativamente baixa e que, por fim, a função desse material estaria também limitada, de modo a desempenhar, na construção civil, o papel estrutural para absorver as cargas de compressão. Constando que havia novas possibilidades da capacidade estrutural de materiais metálicos, Eiffel, obtendo o conhecimento prévio sobre e ferro forjado, passou a estudar o módulo de elasticidade obedecendo os pressupostos teóricos de Robert Hooke e Thomas Young (RAMASWAMY, 2009, p 846). Tendo em vista essa abordagem técnico-científica, Eiffel determinou no projeto, a dispersão de cargas através de formas diferentes, uma vezque tal passo facilitava obter novas possibilidades estéticas no conjunto da obra. No que tange em específico a composição estrutural da torre Eiffel, essa se configura através de uma base que forma um “quadripé” treliçado; ambos os 4 pilares da base se inclinam inicialmente a 54º em direção ao céu até que a curvatura cessa gradativamente no ponto em que sua aparência se torna uniforme, prosseguindo na mesma direção até o pináculo. Considerando a força dos ventos como condicionante no dimensionamento das barras treliçada, houve a necessidade de estabelecer pontos específicos para posicionamento dos rebites. Segundo os cálculos de Eiffel, a torre pesaria um total de 6.500 toneladas metálicas, mas com a execução do projeto, esse quantitativo ultrapassou para 7.300 toneladas, custando também “duas vezes e meia mais do que era esperado” (LUKE, 2016). 46 Outro ponto considerável a ser ressaltado nesse empreendimento é que, mesmo com os quantitativos notáveis de ferro utilizado na sua composição, a mão-de-obra contratada para sua execução tem um número estimado de 300 trabalhadores, que tiveram envolvidos na construção da torre, dentro de um prazo de aproximadamente dois anos. Nessa construção, contou-se com o fornecimento de 18.000 peças na fundição própria de Eiffel localizada em Levallois-Perret, o que exigiu um trabalho de logística para resolver o problema de transporte pela distância até o canteiro. Assim sendo, utilizaram-se guindastes a vapor, o que favoreceu a otimização do transporte das peças. 1.3.3. Galleria Vittorio Emanuelle II Como parte das inovações tecnológicas ocorridas no século XIX na construção civil, sobretudo no emprego do ferro e do vidro, insere-se o caso da Galeria Vittorio Emanuelle II, localizada em Milão. O projeto partiu do interesse de diversas entidades sociais locais que se mobilizaram em prol de uma solução que resolvesse o desenho da cidade a partir do edifício, em suma, na ligação entre espaços públicos que estavam fragmentados ou pouco articulados (GASPAROLI et. al, 2016). A municipalidade então oficializou a abertura do concurso arquitetônico para que fosse providenciado não só um edifício suficiente por si e em si apenas, mas que atendesse às demandas emergentes dos milaneses. Após alguns entraves no processo, por fim, o desenho eleito classificado como uma menção honrosa, teria sido aquele de autoria do arquiteto bolonhês Giuseppe Mengoni4. A Galleria Vittorio Emanuelle II consagrou-se como um edifício de importância qualitativa, não só em relação à sua inserção urbana, mas também pelas soluções tecnológicas adotadas na época. Originalmente, o projeto foi concebido em um só braço de ligação, fazendo o percurso entre as praças Duomo-Scala, obteve novas características no desenho de planta, adquirindo um novo braço transversal ao de conexão das praças. No ponto de encontro, na porção central do edifício, destaca-se um espaço ortogonal que funciona como um ponto de referência para localização das entradas da galeria. 4 Giuseppe Mangoni (1829-1877), consagrou-se como um expoente da arquitetura italaiana, sobretudo na Lombardia ao realizar o projeto para Galleria Vittorio Emanuele, na cidade de Milão (1861–77). Tal obra, como se observa, é emblemática no constexto das arquiteturas de ferro e vidro na Europa do século XIX. Além da obra milanesa, Mangoni é autor de outros projetos reconhecidos em Bolonga, como convém citar o Palazzo della Cassa di Risparmio (1868–76) e as arcadas do Campo Santo na década de 1860 (OXFORD REFERENCE, 2021) 47 Todo o percurso proposto por meio do edifício é demarcado por meio das abóbadas envidraçadas e estruturadas com o auxílio de ferro fundido e, no encontro dessas, é ressaltado ponto de articulação dos braços através de uma cúpula. A procedência dessa técnica construtiva, como se sabe, é inspirada nas escolas inglesa e francesa, essa última dando ênfase às arquiteturas de ferro e vidro tardosetecentesca. Em Milão, ainda que a galeria Vittorio Emanuelle não desfrute de um pioneirismo, visto que o projeto inédito, mesmo que não-construído, utilizando essa tecnologia data do período entre 1830 e 1832 arquitetado por Andrea Pizzala, a cobertura envidraçada é um marco na história da arquitetura milanesa.A inovação arquitetônica do edifício encontra-se no aspecto qualitativo e funcional da cobertura, a qual simbolizava o advento da modernidade na construção civil em voga. Em concorrência com os clássicos sistemas construtivos de alvenaria, o ferro permitiu proporcionar um sistema de vãos consideráveis subordinados ao emprego de tirantes, o que facilitava seus aspectos de resistência e de elasticidade, além de sua clareza compositiva. Com direção do engenheiro Jean-Luois Protche, o fornecimento de matéria-prima contou com o apoio das sociedades das estradas de ferro principalmente das regiões da Lombardia e de Veneto. A estrutura da cobertura era composta então de peças metálicas articuladas entre si, produzidas na França, com a intervenção de consultoria e acompanhamento do especialista Henri Joret, que desfrutava de reconhecimento em outros empreendimentos desse caráter. Semelhantemente a estrutura de um galpão, as peças pré-moldadas que faziam o desenho dos arcos abaulados para a galeria milanesa continham 14.50 metros de largura e, uma vez dispostos linearmente, tantalizava-se uma distância aproximadamente de 192 metros. A cúpula, por sua vez, foi projetada com 36,98 metros de diâmetro. Toda a carga metálica da galeria somaria então um total de 350.000 kg, distribuídos em 6.300m² de superfície (GASPAROLI et. al, 2016). Em síntese, o que se observa particularmente na cobertura da Galleria Vittorio Emanuelle e, não obstante, na materialidade de arquiteturas em ferro e vidro do século XIX, em suma, na Europa, é que os sistemas estruturais metálicos contribuíram para as novas tendências inovadoras, não só do ponto de vista funcional como também da questão estética na configuração desses edifícios (SILVA, 2012). Ora, uma vez modernizadas as técnicas construtivas e com o conhecimento disponível à época com as produções industriais trabalhando intensamente, a tipologia da ossatura construtiva em ferro, bem como seu projeto articulado de modo a atender as modulações específicas, passaram a possibilitar vãos e alturas cada vez mais amplos. 48 O emprego do ferro durante a segunda metade do século XIX, permitiu que novos rumos fossem sondados com relação aos materiais metálicos em prol da construção que se verá em casos emblemáticos do século XX. A própria ideia do ferro inauguraria um período na história da arquitetura ocidental, uma vez que seus pórticos, abóbadas, arcos, pilares, vigas, entre outras peças estruturais, permitiram uma linguagem arquitetônica na qual o próprio sistema estrutural assumiria protagonismo de identidade na edificação. Desse modo é que se rompeu com os volumes tradicionais, em grande parte fechados, para dar lugar a um volume com maior passagem de ar e luz e renovando a inserção comunicativa entre o interior e o exterior dos edifícios. Fig. 14 –Instalação das peças metálicas na cobertura da Galleria Vittorio Emanuelle II Foto: Deroche & Heyland (1866) Fonte: GASPAROLI et. al, 2016 1.3.4. Os arranha-céus em Nova York Nesse amplo contexto no qual se insere as dinâmicas do setor imobiliário, a produção de edificações com alturas sem precedentes – e cada vez mais altas; as constantes renovações da ciência moderna por meio das inovações tecnológicas no âmbito da construção civil; as ligas metálicas que se desenvolviam em paralelo aos melhoramentos da eletricidade, bem como as possibilidades do motor à explosão e a ampliação do universo da química orgânica, caracterizaram, em síntese, o advento da Segunda Revolução Industrial,com suas transformações significativas nas conjunturas sociais, políticas e econômicas (CASARIL et. al, 2011). 49 A fabricação de bens de consumo para populações em massa, trouxe de modo simular, um forte impacto na produção de elementos construtivos, destacando-se, para além do concreto armado, a fabricação de peças de vidros e peças estruturais pré-moldadas que, uma vez sistematizadas em articulações pré-definidas, passariam por processos cada vez mais intensos de racionalização modular imbricadas nas definições do projeto arquitetônico e da experiência de canteiro de obras. Se, no final do século XIX prevalecia a necessidade desafiadora do homem em vencer as leis da natureza através da superação de alturas de edificações grandiosas, no início do século XX tal preceito passa a ser alinhado com processos de construção que primam pela organização seriada e produtiva de elementos construtivos para que a arquitetura encontre o seu bom funcionamento de modo idêntico, isto é, desenho racionalizado para otimizar tempo e recursos. Tal efervescência dar-se-ia veemente e entusiasmadamente representada na obra do arquiteto Walter Gropius que, nos anos 1920, desacatara-se como um dos nomes precursores do Estilo Internacional em prol do Movimento Moderno. No intuito de instrumentalizar a arquitetura para reconstrução da Alemanha, considerando o emprego de elementos pré- fabricados, o mesmo arquiteto fundou a escola Bauhaus, na qual inclinava-se para disseminar o conhecimento preconizador dos processos de industrialização nas concepções do design moderno. Intentando assim na produção em massa a partir da matéria-prima com aplicação de uma estética funcional, a Bauhaus obteve repercussões para além da Europa, aliando-se a princípios identitários que configuram as linhas de produção no ambiente estadunidense tipicamente industrial. Dentro dessas considerações apresentadas, os edifícios Crysler, e Empire State (CARASIL et. al, 2011), são tidos como emblemáticos do ponto de vista das inovações tecnológicas promovidas pelo setor da construção civil nos primórdios do século XX. Manhattan, tal como centro das atividades financeiras de Nova York e dos Estados Unidos, promovia de certo modo, um cenário competitivo entre as grandes empresas que obtinham pujança e crescimento no setor industrial, figurando parte dessa ascensão por meio da arquitetura de seus próprios edifícios. Nesse ínterim é que se insere as façanhas necessárias para que se erigisse o edifício Chrysler, entre os anos de 1926 e 1930. Por trás dessa torre icônica, sabe-se que a sua construção teria sido capitaneada por Walter P. Chrysler, quem obteve um considerável acúmulo de capital por meio da indústria automobilística que, por sua vez, teria impulsionado os interesses de representar tal riqueza, materializando uma 50 edificação que ultrapassasse a Torre Eiffel em altura e que cuja concepção contemplasse o trabalho do arquiteto Willian Van Allen. Fig. 15 –Edifício Chrysler, o mais alto à época no centro da imagem Fonte: NYC Architecure Em se tratando de soluções estruturais, percebe-se que na configuração do Edifício Chrysler, empregou-se o sistema construtivo de concreto armado, preconizando uma montagem eficiente e econômica para resistir a dinâmica das forças, principalmente daquelas provenientes no sentido horizontal. A inovação do sistema estrutural deste caso, também abarcaria na eficiência da disposição das colunas que, graças a uma articulação rígida entre as suas peças como um todo, permitira um quantitativo reduzido sem que se perdesse a qualidade isostática, no que tange ao vencimento dos esforços mediante às cargas previstas nos seus 77 andares (GUNEL; ILGIN, 2007, p. 2669). O Empire State Building é um edifício construído, desde sua implantação em uma localização frequentada por pessoas com poder aquisitivo elevado, mais especificamente na 5ª Avenida no distrito de Manhattan em Nova York, nos Estados Unidos. Sua construção levou aproximadamente 410 dias para ser concluída, entre 1930 e 1931, tempo considerado muito ágil dado ao porte da obra. A princípio seu entorno não apresentava muita ocupação, fato que acabou se transformando com o crescimento da cidade, mesmo tendo grandes elementos da arquitetura nova iorquina e até mesmo mundial, contemporâneos ou anteriores a ele em sua proximidade, como o complexo de edifícios Rockfeller Center (1930) e Chrysler Building (1930). https://viagemeturismo.abril.com.br/atracao/5a-avenida/ 51 Fig. 16 –Evolução da construção do Empire State Building Fonte: History.com O edifício foi financiado pela empresa Empire State Realty Trust, parte da Empire State Incorporação, que contratou o arquiteto William F. Lamb do escritório Shreve, Lamb & Harmon Associados e o engenheiro Homer Gage Balcom como responsáveis pelo projeto. Em um contexto próximo a crise de 29, Nova York acaba passando por uma “corrida” por prédios mais altos do mundo, no caso o arranha-céu apresenta 102 andares divididos em 381 metros de altura, sustentando o título de edifício mais alto do mundo desde sua inauguração até o ano de 1972, com o final da construção do World Trade Center. O programa inicial contava com salas e escritórios, que atualmente acaba incluindo um mirante no 86º andar e demais atrações turísticas, adicionadas devido a repercussão emblemática na cidade, mantida até os dias atuais. Destacando-se como elemento cultural estadunidense, sendo classificado até como uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis. Assim como boa parte dos ícones arquitetônicos construídos no mesmo período presentes na cidade apresenta uma linguagem art-déco, não inclui tantas ornamentações como janelas em forma de arcos, como os demais representantes do movimento arquitetônico. Foi projetado de forma a ser pensado de cima para baixo. Evidencia-se que devido a históricos de tremores das ruas, o distrito de Manhattan aprovou em 1916 um Regulamento de Zoneamento que exigia recuos para edifícios que passassem de uma certa altura dependendo da zona em que se localizassem. O processo de construção contou com aproximadamente 3.500 trabalhadores. 52 Em relação ao sistema construtivo, a estrutura contava com 365.000 toneladas formadas por 60.000 toneladas de vigas e pilares metálicos, laje com sistema misto espacial e revestimentos como tijolos, vidro, calcário e granito. Como sustentação utilizou-se uma fundação de 210 afundadas 17 metros abaixo do nível da rua em um terreno de rochedo de granito resistente, característicos do distrito em que se localiza. Custou mais de 4,5 milhões de dólares e seu interior apresenta 186.000 m² de escritórios e 208.879 m² de área. Nota-se que o sistema construtivo e produção da arquitetura estão fundidos tanto no processo de projeto quanto durante a construção e conclusão e assim criam uma influência mútua dentro da obra e da constituição da linguagem arquitetura que se insere. Isso pode ser evidenciado de diversas formas das mais distintas como a escolha dos revestimentos, estruturas, volumes dos edifícios, entre outros que acabam se mostrando no Empire State. 1.3.5. Villa Savoye: a consolidação de um novo paradigma arquitetônico Fig. 17 –Diagrama da organização dos espaços e da estrutura em planta da Vila Savoye Fonte: Blog Estúdio IV Na região da Grand Paris, mais precisamente em Poissy, encontra-se a residência que é considerada, grosso modo, como a síntese do Movimento Moderno e a definição de seus rumos através do conhecimento e engenhosidade de Charles-Edouard Jeanneret-Gris, ou Le Corbuisier. Originalmente, a casa teria sido arquitetada segundo as necessidades de uma família composta por um casal e um filho, a qual encomendou o projeto a Le Corbusier, para que ele projetasse uma casa para finsde semana (MACIEL, 2002). Para além de sua 53 representação emblemática, a Vila Savoye converge em si mesma, de modo consolidado, a evolução do pensamento corbusieriano no que tange às definições dos cinco pontos do que seria a “Nova Arquitetura”, sobre os quais já se tinha experimentado em maior ou menor grau através de seu próprio repertório arquitetônico, isto é, em casos anteriores ao projeto da Vila Savoye. Para compreender o processo de definição dos cinco pontos e da espacialidade proposta para essa residência, é necessário também entender dentro de um contexto mais amplo, o papel contributivo das tecnologias construtivas para que se engendrasse as suas inovações específicas. Quanto a esse assunto, a configuração arquitetônica da Vila Savoye adquiriria uma sofisticação engenhosa se atentadas as soluções empregadas de estruturas impermeabilizadas e do refinamento do sistema estrutural em concreto armado, que até então já havia se consolidado como a técnica construtiva identitária da produção arquitetônica do século XX. Le Corbusier priorizava a técnica em detrimento das consequências plásticas, classificando-a como uma condição para o processo de projeto e, em conjunto com o arquiteto August Perret, amplia o campo das possibilidades tecnológicas. Tal como uma condição, a instrumentalização da técnica como critério para que se alcançasse os resultados estéticos esperados e estimados, permitiria por hipótese que Le Corbusier definisse com mais precisão os cinco pontos. Desse modo, com a tecnologia construtiva disponível, a qual esteve amparada pela modernização da indústria e da sua produção em termos de materiais construtivos, garantiu que se estabelecesse, em primeiro lugar, a propositiva dos pilotis, que consiste basicamente em um arranjo ortogonal de pilares em planta e que, uma vez organizados em vãos consideráveis no rés da própria edificação, faria com o volume edificado invocasse um aparente percepção de desprendimento do solo; em segundo, tem-se o terraço-jardim, contribuindo para que a cobertura abrigasse novos usos; e em terceiro, e não último, as relações gerais de independência entre sistemas primários e sistemas secundários de estruturas, isto é, o desprendimento entre as peças estruturais – pilares, vigas, lajes, etc; com relação aos subsistemas que compõem a(s) fachada(s). 54 Fig. 18 –Vista do Terraço-Jardim da Vila Savoye Fonte: Haniel Israel, 2019 (Acervo Pessoal) 1.3.6. Palácio Capanema: expoente da arquitetura moderna brasileira Originalmente construído por intermédio do Ministro Gustavo Capanema em face da efervescência cultural e econômica que sucedia no Rio de Janeiro, na condição de Distrito Federal brasileiro nos anos 1930, o edifício que hoje leva seu nome como homenagem, serviu de sede para funcionamento do Ministério da Educação e Saúde no contexto de reformas nacionais no âmbito público-administrativo daquela época. Trata-se de um dos expoentes da arquitetura moderna brasileira, no qual também estão reunidos os trabalhos de Burle Marx, Portinari, Lipschitz. Assim, o Palácio Gustavo Capanema, é um marco na trajetória dos arquitetos Carlos Leão, Jorge Moreira, Affonso Reidy, Ernani Varconcellos e Oscar Niemeyer, intermediados por Lúcio Costa, sendo compreendido como uma “verdadeira escola da arquitetura moderna brasileira.” (COHEN, 2021). A concepção estrutural do edifício em questão está diretamente vinculada ao pensamento corbusieriano, em específico à Villa Savoye, no que tange os “cinco pontos”. Talvez o mais sobressaltante desses postulados seja aquele relacionado ao emprego dos pilotis, visto que o conjunto de colunas que sustentam o bloco prismático ou administrativo, atribuem uma sensação visual de leveza ao edifício como um todo, para além de suas qualidades de permeabilidade no térreo. Esse sistema estrutural contou massivamente com o emprego do concreto armado, tida como a mais inovadora técnica construtiva à época, a partir da colaboração de Emílio Baumgart, no objetivo de propor soluções específicas para os desafios pontuais que a edificação exigia (CINTRA; LEAL, 2020, p. 91). Desse modo, dada a 55 complexidade em face das peculiaridades envolvidas, existem tratamentos genéricos e específicos nos volumes do auditório, da lâmina vertical ou bloco administrativo e da lâmina horizontal ou salão de exposições. Fig. 19 – Palácio Gustavo Capanema, antigo Ministério da Educação e Saúde em construção Fonte: Vitruvius.com Fig. 20 –Palácio Gustavo Capanema Autor: Nelson Kon Fonte: Vitruvius.com 56 57 CAPÍTULO II SISTEMAS ESTRUTURAIS: PENSAMENTO, ENSINO E REPERCUSSÕES Uma vez tratados no capítulo anterior os aspectos histórico-conceituais na bibliografia selecionada, este capítulo próximo, em congruência, tratará de apresentar o legado de engenheiros e arquitetos que inovaram os métodos construtivos por meio de edificações experimentais ou postulados teóricos, assim como também os possíveis modelos arquitetônicos ou edificações icônicas que ilustrem como primazia o ato de “surpreender” as leis naturais da Física, quais que sejam, buscassem através de estratégias de projeto que empreguem tecnologia de ponta na elaboração de seus sistemas estruturais. Visto como um partido arquitetônico, tal como expressa um arranjo de peças de estrutura em largos vãos, ou que sustentam volumes com pesos consideráveis por meio de elementos leves, esse arranjo intenta para representar o emprego de sistemas estruturais como fator de protagonismo na configuração arquitetônica do edifício. Ter-se-ia nesse ínterim, a seleção de obras de caráter experimental quanto ao emprego inovador de tecnologias avançadas para a construção civil, tidas como experiências precursoras para que, paulatinamente, fossem aprimorados seus estudos e posterior elevação de qualidade técnica. Entende-se, portanto, que a prototipagem aplicada em escala real na composição de edifícios, torna-se fator crucial para o desenvolvimento de tecnologias transversais às áreas de conhecimento da construção civil. Assim, serão analisadas obras emblemáticas nesse quesito, sobretudo aquelas elaboradas durante o século XX e início do século XXI, delimitação cronológica recente e precedente quanto ao progresso que hoje é exercido pela indústria tecnológica. Serão apresentados exemplares da arquitetura brasileira que testifiquem a exploração plástica ou estética da materialidade atrelada à configuração estrutural do objeto arquitetônico. Pretende-se, portanto, apresentar obras selecionadas de arquitetos consagrados ou que tenham obras particulares reconhecidas no âmbito acadêmico. Tendo como mote a apresentação pontual desses exemplos de arquitetura experimental quanto ao emprego de sistemas estruturais inusitados ou inéditos, pretende-se também elucidar por meio desses, as relações inquebrantáveis entre arquitetura e o desenvolvimento de tecnologias construtivas, visto que o assunto não se esgota apenas nas discussões estritamente teóricas, mas é fortemente estimulado pelo desempenho da prática constante para atingir graus maiores de aperfeiçoamento. 58 2.1. ENTRE ARQUITETOS E ENGENHEIROS: OS GRANDES MESTRES DO SÉCULO XX, SUAS OBRAS E SUAS LIÇÕES Como visto em partes no capítulo anterior, o século XX é emblemático do ponto de vista do desenvolvimento dos campos da tecnologia, em especial, aos processos de industrialização que desencadearam os avanços inovadores na construção civil. Assim, ao passo que alguns sistemas construtivos se tornavam obsoletos em face do crescimento tecnológico, aumentava-se a insatisfação de arquitetos à época, os quais buscavam em contrapartida, equacionar os novos paradigmas arquitetônicos por meio de propostasque fossem independentes das soluções tradicionais. As figuras de Horta, Van de Velde e Waner em seus trabalhos exemplares são parte desse movimento, cuja concepção se consolidará paulatinamente na arquitetura e na cidade moderna e industrial do século XX (BENEVELO, 2021, 733) É notória a produção de conhecimento e de melhorias tecnológicas ao longo do século XX, visto que no plano dos seus fatos antecedentes, semeou-se as bases que lhe permitiram alcançar níveis sofisticados na ação projetual arquitetônica e na construção das cidades ou partes de cidades. Mesmo no século XIX, a disseminação do conhecimento do aço através de Bessemer (1856), os desafios competitivos por vencer vãos cada vez maiores nos pavilhões da Exposição Universal, as pontes suspensas e os arranha-céus americanos que desenhavam a paisagem de cidades como Chicaco e Nova York, por exemplo, bem como a invenção do telefone, da lâmpada elétrica, do elevador e do motor à explosão, preparariam caminhos ampliados para que permitissem as inovações nos campos das engenharias e também da arquitetura a partir dos seus sistemas construtivos. Feitas as considerações preliminares de modo suscinto, justifica-se então a necessidade de identificar os grandes nomes da arquitetura e da engenharia civil, no intuito de compreender os pensamentos e lições singulares que atravessam décadas e ainda são importantes para entender o quadro da produção arquitetônica e as soluções de sistemas estruturais promovidas pelas figuras de engenheiros icônicos também do século XX. Não obstante, percebe-se que tanto a atuação profissional de arquitetos quanto as intervenções trazidas por engenheiros, confluem-se em convergência para a questão estrutural e da forma das edificações, tidos como elementos indissociáveis e, portanto, imprescindíveis, para qualificar a estrutura ou o sistema estrutural como parte protagonista da configuração arquitetônica em diversas experiências. Em face da justificativa apresentada, previu-se que a listagem desses nomes, ora relevantes para a produção de conhecimento das engenharias construtivas e para a inovação da 59 arquitetura, seria quase que infindável como de fato se sucedeu. No entanto, tornou-se necessário aplicar um novo recorte, tendo como mote os critérios estéticos e funcionais inerentes à proposição de sistemas estruturais inovadores. Grosso modo, buscou-se analisar experiências de engenheiros que traziam preocupações estéticas em suas obras, assim como as visões de arquitetos que enxergavam potencialidades funcionais – e estética como resultado decorrente – ambas vinculadas à forma e ao funcionamento de sistemas estruturais. De antemão, nomes como August Perret, Adolf Loos, Le Corbusier, Mies Van Der Rohe, Louis Khan, Frank L. Wright, Walter Gropius (CARRIERI, 2007, p. 63), por exemplo, mereceriam um capítulo à parte. Por conseguinte, na presente pesquisa, foram eleitos os nomes dos engenheiros Fritz Leonhardt (1909-1999) e Pier Luigi Nervi (1891-1979), e do arquiteto Buckminster Fuller (1895-1983), os quais obtiveram notoriedade no cenário internacional e cuja repercussão se tornou palpável no ensino de estruturas, bem como em aspectos tangíveis em obras emblemáticas da arquitetura brasileira do século XX. Os aprofundamentos nas suas respectivas experiências, tornaram-se cruciais para compreender os modos de pensamento e inovação da configuração dos sistemas estruturais em se tratando de edificações importantes e reconhecidas no âmbito acadêmico. 2.1.1. Fritz Leonhardt Fig. 21 – Fotografia de Fritz Leonhardt Fonte: Fernsehturm Stuttgart “O engenheiro estrutural também deve considerar sua profissão como a de um planejador, arquiteto e projetista e considerar os edifícios em sua totalidade. Ele também deve, pelo menos, ter um sentimento e compreensão para o design estético, uma vez que seus edifícios também fazem parte do ambiente construído. " Fritz Leonhardt 60 Fritz Leonhardt obteve uma carreira de êxito e com trabalhos importantes, sobretudo do ponto de vista das tecnologias construtivas e a exploração das possibilidades por meio do concreto armado. Seus estudos teórico-científicos e a aplicabilidade desses no seu viés prático de obras de pontes, torres e outras edificações, permitiram-lhe conquistar cargos altos na Universidade de Stuttgart, na Alemanha, onde foi professor e ex-reitor (GERWICK, 2001, p. 1999). Ali na porção sul da Alemanha, Fritz nasceu e consolidou sua carreira universitária. Além disso, ponto de destaque na sua trajetória profissional foi a parceria criada com Wolfhart Andra, que juntos se destacaram no cenário mundial como os maiores especialistas na construção de grandes pontes, assim como também em consultorias prestadas a arquitetos, como convém citar o caso emblemático de Frei Otto, na concepção de estruturas tensionadas. Em se tratando de sua obra escrita, revela-se a clarividência e facilidade de explicação da dinâmica de forças, transmissão de cargas e estabilidade das construções, onde Fritz empregava quantitativa e qualitativamente os recursos gráficos para transmitir tal conhecimento de modo visual. Nesse sentido, na série de volumes publicados “Construções de Concreto”, popularmente conhecidos como “os livros de capa vermelha”, Fritz elucida aspectos cruciais sobre os princípios básicos para dimensionamento de estruturas (LEONHARDT, 1981), tanto em assuntos gerais quanto em casos particulares; em continuidade, traz especificações sobre a armação de estruturas em concreto armado; busca explicitar problemas relacionados ao comportamento físico dessas estruturas segundo suas limitações e, além desses, esmiuça as propriedades do concreto protendido e encerra a coleção das publicações em questão discursando sobre sistemas estruturais para pontes, esse último seu maior objeto de interesse primário. Tais publicações consagraram-se como um dos clássicos, quase que manuais básicos vinculados à didática no ensino superior, em suma, nas escolas de engenharia no Brasil e mundo afora. O fato de ter sido filho de um arquiteto poderia contribuir para que Fritz desenvolvesse um olhar atento para as questões estéticas, contribuindo assim com sua visão no campo das engenharias, tendo como mote as intencionalidades ou princípios estéticos para construção de pontes (LEONHARDT, 1968, p. 15). Fruto de discussões com profissionais do ramo, ambas feitas a partir de observações in-loco em suas viagens por diversas estradas de alta velocidade, em suma, arquitetos e engenheiros participaram conjuntamente sobre as indagações de peças estruturais, tendo como resultado a propositiva de regras ou princípios estéticos para construção e pontes. Assim, são totalizadas em uma publicação intitulada “Aesthetics of Brigde Design” oito regras estéticas para concepção dessas estruturas (FRITZ, 1968, p. 15 – 16): 61 Ordem – para que a configuração de pontes atenda a uma boa forma estética, deve- se considerar a organização de linhas e limites, bem como os espaçamentos entre os elementos que compõem a sua estrutura, ora representada pela definição clara de direções e de um sistema único, seja esse proposto em arco, linhas de suspensão ou por uma organização arquitravada simples; Harmonia – partindo das leis antecedentes de proporções, as quais desenhavam as pontes tradicionais, Leonhardt intenta para que o design de pontes tenha como objetivo, nesse sentido, o equilíbrio entre larguras e alturas, entre o dimensionamento de vãos e de profundidades, entre o funcionamento de peças estruturais suportantes e suportadas, no intuito de obter tal balanço de modo harmônico sem perder os contrastes necessários; Simplicidade e/ou purismo de formas – aqui o engenheiro propõe como princípio, a busca pela eliminação de ornamentos, em prol da configuração de pontes com poucos ou simples elementos,sem que haja omissões; ao invés de elementos excessivamente decorativos, deve-se empregar aqueles com formas geométricas simples para que também atendam o bom desempenho estrutural-funcional das pontes em questão; Beleza de produtos técnicos – Fritz Leonhardt defende que nas formas ou elementos puramente técnicos ou desprovidos de intencionalidades estéticas – em contraposição às peças decorativas, sejam apurados e empreendidos valores estéticos, tendo em vista a sua adequação e conciliação com a funcionalidade estrutural; Facilidades de execução – tendo como mote os processo de fabricação e de justaposição de peças, isto é, de elementos estruturais, neste quinto princípio Leonhardt propõe que o design final concebido seja uma consequência coesa do material empregado. Para tanto, observa-se as questões de exequibilidade elementar das fabricações peças estruturais e, a partir dessas, a organização compositiva e adequada para o resultado da construção; Otimização de custos – o design de pontes deve também atender às questões de economia em razão do material empregado, isto é, no que tange àqueles produtos técnicos e vistos preconceituosamente como desprovidos de estética, conforme supracitado nos princípios estéticos anteriores; grosso modo, pontes que apresentam custo elevado de construção, não seriam um sinônimo ou critério para eleger uma ponte com bom design; Tecnologia e métodos de fabricação – a avaliação estética sobre o design de pontes deve ponderar os procedimentos de fabricação e as inovações tecnológicas atuais, considerando que tais critérios estão em constante renovação, o qual exige, por outro lado, uma atualização dos métodos de concepção de pontes e seus resultados estéticos. Ao estabelecer tal princípio, Leonhardt ressalta a importância do progresso tecnológico que, à época, já se fazia avançada em comparação com o design de pontes dos anos 1930; Criatividade – por fim a criatividade surge nos princípios de Fritz Leonardt como um dos instrumentos mais influenciáveis e mais importantes no processo de design de pontes, pelo qual se possibilita, o desenvolvimento de novas formas e o ajustamento dessas em função do desempenho estrutural em face também da disponibilidade de recursos tecnológicos para tal empreendimento. 62 Desse modo, Leonhardt Fritz frisa sobre a importância de engenheiros participarem das discussões estéticas. Visa fomentar que, tal assunto dentro do campo da engenharia, é uma questão de necessidade para se obter um bom design, indo além do pensamento racionalista e, transformando-o em instrumento criativo para resultar não só em um produto puramente funcional, como no caso das pontes, mas que essas tenham também suas intencionalidades estéticas por meio de elementos estruturais (LEONHARDT, 1968, p. 16). Assim sendo, a configuração de pontes pode ser validade por meio dos princípios apresentados, sobretudo nas questões de organização de sistemas estruturais e suas proporções formais; trata-se de uma necessidade vinculada às questões arquitetônicas ou de outros artefatos elencados à construção civil. Para além do assunto das pontes, um dos objetos pelos quais Leonhardt se debruçou veementemente durante sua trajetória acadêmica e profissional, há que mencionar suas demais contribuições no ramo da construção civil. Dentre essas, destaca-se como exemplo a torre de televisão, consagrada como símbolo da cidade de Stuttgart, bem como os métodos analíticos para configuração de estruturas tensionadas em cabo de aço, em específico nos eventos do Pavilhão da Alemanha nas Olimpíadas de Montreal (1967) e, partindo dessa propositiva arquitetônica e experimental, sua influência nas Olimpíadas de Munique (1972), em suma, com relação às coberturas de aço e vidro que qualificam a arquitetura do Estádio Olímpico construído para esse propósito (GERWICK, 2001, p. 1999). Tal experiência, formulada inicialmente em Montreal e afinada de modo consolido em Munique por meio de uma equipe de trabalho multidisciplinar, a princípio, entre arquitetos e engenheiros, Leonhardt em conjunto com seu sócio e engenheiro Wolfhardt Andra, prestou consultoria para que Frei Otto5 alcançasse o resultado esperado em suas obras (BOLLER; SCHWARTZ, 2020, p. 566) Expressiva pela sua cobertura, a arquitetura do Estádio Olímpico de Munique é um dos casos inovadores em termos de sistemas estruturais para a construção civil. A configuração de seus elementos estruturais consiste basicamente em um arranjo de linhas flexíveis, cuja tensão faz 5 “Frei Otto nasceu em Siegmar, Alemanha, em 31 de maio de 1925, e cresceu em Berlim. ‘Frei’ em alemão significa “livre”; sua mãe pensou no nome depois de assistir a uma palestra sobre liberdade. O pai e o avô de Otto eram escultores e, quando jovem estudante, ele trabalhou como aprendiz de pedreiro durante as férias escolares. Como hobby, ele voou e projetou planadores - essa atividade despertou seu interesse em como as membranas finas esticadas sobre armações de luz poderiam responder às forças aerodinâmicas e estruturais. Quando obteve o diploma de ingresso na universidade em 1943, Otto se inscreveu imediatamente para estudar arquitetura, mas não foi autorizado a fazê-lo. Em vez disso, ele foi convocado para a força de trabalho. Em setembro de 1943, Otto foi chamado para o serviço militar e treinou como piloto. O treinamento do piloto foi interrompido no final de 1944 e Otto tornou-se um soldado de infantaria. Em abril de 1945, ele foi capturado perto de Nürnberg e tornou-se um prisioneiro de guerra. Ele ficou dois anos em um campo de prisioneiros de guerra perto de Chartres, na França. Lá ele trabalhou como arquiteto de acampamento; e ele aprendeu a construir muitos tipos de estruturas com o mínimo de material possível.” – Biografia de Frei Otto em razão comemorativa do Prêmio Pritzker, tradução livre do autor (HYATT FOUNDATION, 2015) 63 com que às mesmas sejam atribuídas a função de cabo; esse último recebe tal nome devido a sua forma que é definida em função das cargas. Ora, quando os cabos passam por processo de protensão, estão sujeitos a pequenas deformações se comparadas com os cabos não- protendidos (OTTO, 1969, p. 34). Desse modo, a estrutura pensada para a cobertura do Estádio Olímpico Munique assume protagonismo importante, dado que as superfícies compostas de membranas translúcidas em vidro, bem como a sustentação em cabos de aço, partiram de diversos estudos para que se chegasse a tal resultado funcional e estético. Fig. 22 – Momento da discussão sobre o modelo do Estádio Olimpico de Munique: da esquerda para a direita tem-se os seguintes profissionais – Gabriel, Bergermann, Leonhardt, Schlaich, Otto, Auer, Isler reunidos em 1968 Fonte: BOLLER; SCHWARTZ, 2020, p. 569 A partir do entendimento dessa estrutura, ou seja, do conceito aplicado de um sistema em cabos flexíveis e protendidos e que, cuja caracterização se viabilizou devidamente aos estudos analíticos de Fritz Leonhardt e equipe, constatou-se a importância da aplicabilidade de cálculos por meio de experiências empíricas, seja em casos similares e antecedentes, seja por meio de modelos experimentais, instrumental esse que não só possibilitou mas também inovou na realização desse tipo de estrutura, ao passo que tais testes e experimentos também recebiam verificações através de medições tecnológicas disponíveis à época (REGAZZONI, 2015, p. 16). 64 Fig. 23 – Desenho de implantação do Parque Olímpico de Munique, com destaque às linhas principais de estrutura da cobertura do complexo (recorte) Fonte: REGAZZONI, 2015 Fig. 24 – Possibilidades de articulação de membranas de cobertura a partir de cabos flexíveis e tensionados Fonte: OTTO, 1969 65 2.1.2. Pier Luigi Nervi Fig. 25 – Fotografiade Pier Luigi Nervi Fonte: AAS Architecture.com “Se você pudesse entender a estática - não digo como Brunelleschi ou os arquitetos do Pantão fizeram, ma se você pude ao menos chegar o mais perto desse nível de conhecimento e se pudesse, ao mesmo tempo, compreender as possibilidades de construção mecânica, as possibilidades de materiais e da técnica, um futuro com esplendor sem fim te aguardaria. " Pier Luigi Nervi Natural da Itália, sabe-se que Pier Luigi Nervi (1891-1979) obteve sua formação como engenheiro. No entanto, quando analisado no âmbito acadêmico por meio de suas obras, bem como de seu legado, percebe-se que seu nome está vinculado a uma profusão de conhecimento que interseciona os campos da engenharia e da arquitetura, no que tange a compreensão dos sistemas estruturais. Nesse sentido, a confluência de Nervi nessas disciplinas revela a importância de sua própria exploração em face das tecnologias do concreto armado, na qual o “engenheiro-arquiteto” desenvolveu seu trabalho ao propor projetos estruturais inventivos (PATRICK, 2017). O protagonismo criativo de Nervi possibilitou a ampliação das possibilidades sobre o emprego do concreto armado, alinhando assim a função à estética, cujo aprofundamento parte de métodos construtivos tendo como base a formulação de modelos, objetivando a experimentação de estruturas. Em plena efervescência de revoluções tecnológicas no início do século XX, com impactos veementes na construção civil conforme apresentado panoramicamente no capítulo anterior, Nervi está atrelado a esse contexto, no qual vivenciou e esteve envolvido notoriamente com a evolução das técnicas construtivas, tendo como elemento-chave o concreto armado – ora dominante no seu repertório e produção arquitetônica. Assim como engenheiros e arquitetos que exerciam sua atuação profissional à época, Nervi teria sido um dos precursores 66 vinculados ao descobrimento gradativo das configurações de elementos estruturais, elegendo o concreto armado como o material de mais alta tecnologia para não apenas garantir a isostática das edificações mas, ao mesmo tempo, para que fossem pensadas congruentemente os aspectos funcionais com as questões estéticas acerca de elementos estruturais, antes vistos como meros quantitativos no conjunto de uma edificação. Conquanto haja divergências entre críticos da história da arquitetura em relação a inserção do engenheiro italiano com o movimento brut, sabe-se que suas contribuições começam a tomar formar entre as décadas de 1910 e 1920, tendo como referência, mesmo assim, a estética brutalista que, grosso modo, significa em expor o material tal nu ou tal como ele é, empregando-o em formas estruturais considerando seus aspectos qualitativos (BUTLER, 2021). Desse modo, o reconhecimento pelo trabalho de Nervi passou a despertar interesse por parte de engenheiros e arquitetos preocupados em trazer respostas inovadoras em face das questões socioeconômicas emergentes, às edificações que esses projetavam à luz do conhecimento disponível, então pouco explorado na técnica construtiva do concreto armado. No entanto, a influência dessa técnica construtiva dentro de seu repertório construtivo, não seria uma novidade na sua trajetória profissional, visto que, já na formação como engenheiro civil em Bolonha, seminou-se o conhecimento prévio por intermédio de Attilio Muggia, mentor da sua tese de láurea e, posteriormente, seu empregador na firma Muggia, Societa Anonima per Construzioni Cementizie (BUTLER, 2021). Em parceria com Muggia, Nervi o teria auxiliado no desenvolvimento de projetos estruturais para edificações na Emilia-Romagna, e em demais regiões vizinhas ou próximas como Toscana e Marche, adotando a patente do sistema Hennebique. Objetivando inovar e superar as limitações da patente Hennebique, Nervi, em 1917, propõe o sidero-cemento, criado para ser aplicado na construção de grandes vãos com redução considerável das peças estruturais em barras, isto é, sem reforços de concreto. No sidero- cemento, misturava-se concreto com fios de ferro e, embora a busca pela superação da patente Hennebique não tenha sido bem-sucedida, por outro lado, parte dessa pesquisa repercutiu no desenvolvimento do ferro-cemento, ou simplesmente argamassa armada, como sublinhado em entrevista pelo arquiteto brasileiro João Filgueiras Lima, Lelé, no que tange o emprego inovador dessa técnica construtiva. Não obstante, Lelé em entrevista afirmava que Nervi teria utilizado em larga escala tal material na técnica do “ferrocimento”, na qual se tinha um alto teor de aço e que, portanto, diferiria dos padrões técnicos vigentes aprimorados pela tectônica de Lelé. (MILHEIRO, 2018). 67 No contexto das engenharias, materiais e técnicas construtivas, ressalta-se que Nervi pertenceu à escola italiana, tornando-se um dos seus expoentes significativos. O sucesso da engenharia italiana ao longo do século XX, está relacionado aos exercícios de experimentação nos quais foram adotados o emprego de concreto armado para fins de simulações em diversos estudos. Além de Nervi, os trabalhos antecedentes de seus também referenciais profissionais, tais como Camilo Guidi (1853-1941), Silvio Canevazzi (1852-1918), Arturo Danusso (1880-1968) e Gustavo Colonnetti (1886-1968), somaram-se às explorações do concreto armado. A escola como um todo, teria influenciado na consolidação do sistema Hennebique e do desenvolvimento de abóbadas esguias, solucionando os problemas da baixa resistência física e da alta probabilidade de ruptura de cimento (MADALLUNO, 2020, p. 2) Por conseguinte, o mesmo grupo de engenheiros teria trazido as inovações de experimentação por meio de práticas laboratoriais, a princípio, no Instituto Politécnico de Milão, no ano de 1931 e, vinte anos depois, em Bergamo. Nesse mesmo intervalo, Nervi teria acrescentado com a sofisticação qualitativa de seu trabalho em meio às experiências dessa escola, através do primeiro modelo de celuloide por ele desenvolvido para um projeto de hangar da Força Aérea em Orvieto. Também desenvolveu um método de concepção para sistemas estruturais com a alcunha de Sistema Nervi, no qual o engenheiro visava obter dupla vantagem: a primeira, diz respeito à redução considerável de componentes do concreto armado; a segunda, trataria dos procedimentos de pré-fabricação e montagem local por meio do “ferrocimento”. Em se tratando do ensino de sistemas estruturais, ressalta-se a importância que Nervi teria exercido como professor adjunto de tecnologia de materiais e técnicas construtivas na Faculdade de Arquitetura da Universidade Sapienza de Roma, entre 1945 e 1962 (ANTONUCCI; NANNINI, 2019, p. 13). Sucedeu que, dentro desse período, Nervi teria transmitido conhecimento aos seus alunos adotando os preceitos teórico-práticos da escola italiana em questão, em específico, à sua própria genealogia de formação dos mestres com quem tivera contato em Bolonha. Assim sendo, as figuras dos engenheiros e professores Silvio Canevazzi e Attilio Muggia teriam assumido um papel crucial na formação das novas gerações de construtores que ali, em Roma, passariam a herdar tal conhecimento através de Nervi. Nesse sentido, Canevazzi teria sido um dos precursores que trabalhou em prol do desenvolvimento científico nas ciências da construção e nas particularidades do concreto armado na Itália; a influência de Canevazzi reside nos métodos pelos quais fossem possíveis a aplicação de cálculos e posterior verificação investigativa de materiais e modelos 68 caracterizando-os em aproximações empíricas, isto é, em observações reais, considerando a compreensão intuitiva concomitantemente ao comportamento estático das edificações experimentadas. Muggia, por sua vez, o qual esteve embebido dos ensinamentos de Canevazzi, obteve destaque por conciliar as práticas científico-investigativasem paralelo às experiências de obras; os ensinamentos de Muggia, mentor de Nervi durante sua formação e no decorrer da sua trajetória profissional, direcionam-se em salientar a observação de casos bem-sucedidos na história da arquitetura. Enfatizando os aspectos históricos das técnicas construtivas, Muggia transformou sua experiência docente em publicações no intuito de que os alunos percebessem a evolução da arquitetura e de suas tecnologias construtivas ao longo do tempo. Para além dessas duas figuras de peso na sua formação, Nervi também teria absorvido da intelectualidade de outros movimentos que surgiam no ensino superior italiano. Para Antonucci e Nannini (2019, p. 14): Claramente, Nervi deve ter aprendido de Muggia tanto como construir com concreto armado e a importância de conhecer a evolução das formas arquitetônicas e técnicas de construção. Por um lado, A educação acadêmica de Nervi foi profundamente influenciada por o longo 'movimento politécnico' do século XIX, cujo 'treinamento politécnico acreditava na unidade das artes de construção’ (...). Por outro lado, ambos Nervi e seus professores também podem ter sido influenciados pelo legado de Jean-Baptiste Rondelet e suas opiniões sobre história da construção (...) e pela teoria de uma arquitetura de Eugène Emmanuel Viollet Le-Duc 'baseada em novos princípios de estrutura'. Semelhantemente a Muggia, Nervi costumava introduzir as suas aulas com exemplificações da história da arquitetura para, por conseguinte, transmistir os ensinamentos de projetos e cálculos de sistemas estruturais de concreto armado. Desse modo, Nervi inclinava-se à compreensão de que, para projetar e calcular modelos e a articulação de peças estruturais em seus respectos sistemas, deve-se, em primeiro lugar, conhecer as técnicas precedentes para propor desenhos futuros. Nesse sentido, os casos isolados da história da arquitetura serviriam de subsídios para que os alunos obtivessem entendimento do comportamento estrutural dos edifícios do passado, além de sevir de instrumentos de ensino quanto às associações entre estética e tecnologia vinculadas à própria arquitetura. Nervi entendia que tal método de ensino, seria o mais eficiente e eficaz para transmitir a síntese em questão aos seus discentes. Em adendo, Nervi tinha profunda admiração pela cúpula de Santa Maria del Fiore construída por Filippo Brunelleschi, a qual considerava “o exemplo perfeitio de uma arquitetura tecnicamente perfeita” (ANTONUCCI; NANNINI, 2019, p. 14), assim como também pelo Panteão e Basílica de Maxentius em Roma, e uma série de exemplares do estilo arquitetônico gótico. 69 Assim como Canevazzi, Nervi tinha como interesse primário fazer com que os alunos percebessem que os cálculos e outros insumos matemáticos, por si só, não seriam suficientes para a compreensão necessária das tecnologias construtivas e do desenho projetual de sistemas estruturais. A princípio, Nervi já explicitava tal interesse se analisada a sua publicação ensaística em 1939, na qual o mesmo se debruçou em esmiuçar a causa dos problemas de patologias construtivas, em escecífico, as fissuras que surgiam na cúpula de Santa Maria del Fiore, reforçando assim a condução de estudos esmpíricos em análises dedutivas de estruturas. Ainda nessa publicação, Nervi afirmava que o próprio caso da cúpula analisada em Firenze, seria para ele um paradigma que explicaria o equilíbrio físico das estruturas do ponto de vista da aplicabilidade, o qual estaria distante dos resultados alcançados em modelos matemáticos e que, por fim, o trabalho de Brunelleschi representaria um dos exemplos canônicos da relação entre a intuição da sensibilidade estática e a matemática pura em cálculos isolados da experiência empírica . Fig. 26 – Palazzo dell Esposizioni Internacionale del Lavoro (1961), Pier Luigi Nervi Fonte: Archdaily,2021 70 Fig. 27 – Palazzetto dello Sport, Pier Luigi Nervi Fonte: Archdaily,2021 Fig. 28 – Proposta para o Hanger em Orvieto (1935), Pier Luigi Nervi Fonte: Archdaily,2021 71 2.1.3. Buckminster Fuller Fig. 29 – Buckminster Fuller manuseando um de seus experimentos estruturais Fonte: Buckminster Fuller Institute, 2021 “ Você nunca muda as coisas lutando contra a realidade existente. Para mudar algo, construa um novo modelo que torne o modelo existente obsoleto." Buckminster Fuller A produção do arquiteto Richard Buckminster Fuller é amplamente divulgada no âmbito acadêmico e no meio midiático internacional. Sua figura é emblemática quanto à sua concepção inovadora das formas geodésicas nos Estados Unidos, as quais foram difundidas conforme Fuller desenvolvia seus experimentos durante os 50 anos de atuação profissional (PEREIRA, 2021). O domo geodésico assumiria o protagonismo de suas obras, visto que após ter se debruçado sobre experimentos e modelos matemáticas, Fuller conseguira realizar o mais notório desses, popularmente conhecido como a Biosfera de Montreal, construída em 1967 para o evento da Exposição Mundial que acontecia no Canadá. Tendo como princípio os critérios de “versatilidade, flexibilidade e de eficiência energética” (PEREIRA, 2021), Fuller buscava materializar em suas obras experimentais o aprimoramento de conceitos geométricos relacionados às articulações entre as arestas elementares para assim obter as formas estruturais espaciais pretendidas no todo. Ao adotar o modelo da cúpula, Fuller enxergava novas possibilidades de configuração de vãos mais espaçados, visto que o desenho de arco e a concepção desse dentro de um sistema complexo, permitiria alcançar a superação dos sistemas estruturais retilíneos e que, uma vez amarradas as barras 72 estruturais em nós, distribuiria as cargas de modo homogêneo no corpo do domo. Conforme descrição publica por Langdon (LANGDON, 2016): Arquitetos nunca tiveram uma posição de mais suprema proeminência do que na visão de Buckminster "Bucky" Fuller. Para ele, apenas os arquitetos eram capazes de compreender e navegar as complexas inter-relações da sociedade, tecnologias e meio ambiente, visto através do paradigma compreensivo da teoria dos sistemas. A arquitetura, neste modelo, era destinada a existir em contato estreito com tanto a humanidade como a natureza, exercendo o papel mais crítico da civilização em elevar o estado da humanidade e promover sua gestão responsável do meio ambiente. Emergindo da positividade ética do modernismo do pós-guerra, esta perspectiva meliorista marca, talvez, o auge da ascensão do otimismo no pensamento de meados do século XX, e deu a Fuller um diagrama exclusivamente moral para seus projetos revolucionários. O caminho trilhado por Buckminster Fuller, em primeira análise, é peculiar para arquitetura e construção civil, sobretudo no que tange às suas propositivas de sistemas estruturais. A começar pelas preocupações ligadas ao problema da habitação, é sabido que Fuller inclinava- se em transgredir, no sentido da palavra, as tradicionais configurações arquitetônicas para residências unifamiliares, trazendo inovações em seus projetos ao desenhar casas com fechamentos circulares. Nessa perspectiva, buscava entender a quarta dimensão enquanto uma abstração comensurável, objetivando assim trazer ideias inusitadas como se sucedeu no caso da “Casa 4D” (ANANTHASURESH, 2015, na qual Fuller propôs uma unidade de habitação com possibilidades diversas de locomoção, semelhantemente aos estudos do grupo Archigram na concepção de hiperlugares móveis (ISRAEL; et. al, 2019). Por conseguinte, ainda em se tratando das propositivas habitacionais, Fuller esboçou alguns de seus estudos que se desdobraram anos depois, em uma publicação por ele elaborada e intitulada de Time Lock 4D. Com esse pequeno livro, ora submetido ao American Institue of Architects, o arquitetovisava explorar a produção de unidades de habitação seguindo os moldes da fabricação em massa em voga, aproximando-se com os métodos da produção automobilística que se desenvolvia cada vez mais à época. Não obstante, assim como um veículo inteligente, Fuller projetou uma casa autossuficiente com relação aos recursos energéticos, isto é, com captação de vento, chuva e sol para diversas atividades e autônoma com as possibilidades de deslocamento e locação em lugares diferentes. A AIA, a princípio, teria rechaçado tais inovações, recorrendo do despercebido apenas décadas depois (ANANTHASURESH, 2015). Conquanto as ideias precedentes acerca das questões habitacionais em paralelo às suas propositivas de formas arquitetônicas criativas vieram a compor um repertório de formulações 73 iniciais, o modelo da Casa 4D, inerente à tal processo, seria recuperado para materializar uma nova versão de unidade habitacional de modo mais consolidado. A convite da Marshall Field, uma rede de loja de departamentos dos Estados Unidos, Fuller expôs a casa Dymaxion, em conjunção da tripartite conceitual baseadas em dinâmica, máximo e íons (ANANTHASURESH, 2015). A partir dessa conjunção, as casas projetadas por Fuller consistiram basicamente na capacidade de locomoção das mesmas, adotando na materialidade de suas respectivas configurações, o que se tinha de mais inovador em termos de descobertas científicas no campo das ciências da natureza, isto é, os íons, esse último item preconizado em atendimento à promoção de vendas. A tríade conceitual por trás da palavra Dymaxion seria aplicada em projetos posteriores de Buckminster Fuller. No que diz respeito às questões de mobilidade, Fuller projetou um automóvel com capacidade de locomover-se na terra, na água e no ar. No entanto, por falta de viabilidade técnica e praticidade de aplicação, o protótipo teria sido bem-sucedido apenas nos deslocamentos feitos em terra. No veículo em questão, ou no carro Dymaxion, o protótipo foi desenvolvido com três rodas funcionando em conjunto como um sistema de direção e propulsão simultâneos, aplicando o conhecimento feito com base na observação do movimento de natação dos peixes. Para além de outras inspirações advindas da própria natureza no caso do veículo Dymaxion, Fuller teria convocado o engenheiro Sarling Burgess, conhecido pelo seu prestígio na arquitetura naval e pensamento de desing, o qual teria auxiliado Fuller na façanha do automóvel Dymaxion. Tamanho sucesso dessa invenção que, posteriormente, seria levada à exposição e contemplada pelos grandes industriais automobilísticos Walter Chrysler e Henry Ford, entretanto, os investidores não demonstraram interesses comerciais para a produção do automóvel Dymaxion em larga escala. Como parte das inovações promovidas por Buckminster Fuller, tem-se o conceito de “tensegridade” no tocante à sistematização de elementos estruturais (ELIPE, 2020, p. 11). Trata-se de uma proeminência relevante do ponto de vista dessa lógica, a qual incide diretamente na articulação combinada entre tensão e integridade, isto é, obtenção de um sistema compreendido entre cabos tensionados capazes de suportar escoras ou elementos de compressão. Desse modo, permite-se que tais elementos sejam justapostos em apoio mútuo para transmissão de esforços e em cujo equilíbrio estático se possibilita apoiar um peso muito maior do que o peso das hastes estruturais da tensão que existe nos cabos. Assim sendo, constata-se a admiração profunda de Fuller pelas estruturas ou elementos estruturais de caráter tensil, a qual o conduziu nos experimentos de sistemas de tensegridade. Para Ananthasuresh (2015, p. 107 – 118): 74 Bucky acreditava que os elementos tensionais são a chave para qualquer boa estrutura. Se uma estrutura de tensegridade experimenta cargas que tornam os cabos esticados afrouxados, a estrutura perde sua rigidez e forma. Quando as cargas são removidas, ele retorna à sua forma original como era antes. Isso não é mágica. Uma estrutura de tensegridade requer que os cabos sejam esticados durante a montagem. Isso armazena tensão elástica nesse processo. Um equilíbrio estático estável requer que esta energia seja a mínima possível. Então, a estrutura faz a transição para uma configuração que tenha energia mínima. Quando uma força é aplicada em uma estrutura de tensegridade, a configuração mínima muda devido ao potencial de trabalho causado pela força; quando a força é removida, retorna à configuração mínima original. Consequentemente, a tensegridade estrutural pode ser aplicada em dispositivos exequíveis como no caso das antenas espaciais e painéis solares que precisam ser colocados em pequenos espaços (...). Bucky descreveu tensegridade como ‘ilhas de compressão em um oceano de tensão’. Caso bem-sucedido na conjuntura dos experimentos e obras inventivas de Fuller são as geodésicas, conforme inicial e sumariamente exposto. Em se tratando de modo específico da experiência de Montreal, o domo geodésico da Biosfera foi projetado para comportar um diâmetro de 76 metros em planta e possui uma altura de 72 metros com relação à altura máxima de pé-direito; dentro desse domo está inserida uma edificação de 7 pavimentos, a qual foi construída para abrigar parte das exibições da Exposição Universal de 1967. Sua forma inusitada e vista como sem precedentes alcançou um público de visitantes de 5.3 milhões de pessoas em seus primeiros 6 meses de abertura (LANGDON, 2021). Semelhantemente a uma forma de cúpula, a estrutura geodésica da Biosfera consiste basicamente um icosaedro modulado a partir da conjunção de pentágonos em uma malha hexagonal. Essa geometria complexa, no entanto, ainda pode ser subdivida em partes menores em forma de triângulos, os quais são agrupados por meio de tubos de aço soldados nos nós. Conquanto uma espécie de membrana de material acrílico fazia o revestimento entre os módulos de geometria precisa tenha-se perdido com o incêndio ocorrido em 1976, conservou-se a integridade da estrutura, modificando apenas o aspecto visual do domo geodésico, ou seja, definindo a eliminação da camada translúcida que recobria todo o volume – quase que totalmente opaca, tornando-se aparente a própria estrutura metálica que traz a síntese da configuração arquitetônica inovadora projetada por Fuller. 75 Fig. 30 – Desenhos de Fuller com estudos para estruturas geodésicas Fonte: FullerDome, 2021 Fig. 31 – Pavilhão da Exposição Universal de 1967, a “Biosfera de Montreal” Fonte: ArchDaily, 2021 76 Fig. 32 – Dymaxion House, projeto arquitetônico de Buckminster Fuller Fonte: ArchDaily, 2021 Fig. 33 –Buckminster Fuller segurando um modelo de estrutura de tensegridade Fonte: ELIPE, 2020. 77 2.2. O LEGADO DO ENSINO DE SISTEMAS ESTRUTURAIS Tradicionalmente no Brasil, a implementação e atualização dos tópicos relacionados às tecnologias construtivas, em suma, no que diz respeito ao emprego de sistemas estruturais aplicados no desenho da edificação, vem sendo realizada por meio de engenheiros civis que atuam tanto no exercício da profissão em si quanto no corpo docente das escolas de arquitetura e urbanismo (SARAMAGO, 2011, p. 79). Dentro desse contexto amplo, sabe-se que, em última análise, o engenheiro e professor Adolpho Polillo teria se destacado por ser precursor na inovação de ensino em questão, colaborando como assistente do professor Anderson Moreira da Rocha, esse último responsável por lecionar ao que hoje se entende por Estabilidade das Construções, durante os anos 1950, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, FAU-UFRJ. Dada a ocasião de transferência do professor Anderson da Rocha para Brasília, Polillo defendia que a aplicação de modelos de cálculo empregados no curso, unicamente por si só, apresentava insuficiênciasno processo de ensino-aprendizagem, o que em tese dificultaria a apreensão dos componentes do Comportamento Estrutural diante das capacidades cognitivas de seus alunos. Essa oportunidade permitiu que Adolpho Polillo desenvolvesse outras abordagens de ensino, as quais direcionavam-se para além dos métodos analíticos, no intuito de tornar o assunto das tecnologias construtivas mais compreensível aos discentes e assim facilitar as interconexões com outros campos do conhecimento durante o curso. Em síntese, o segundo capítulo da dissertação de Mestrado de Rita de Cássia Saramago (2011), é esclarecedor quanto ao panorama do ensino de estruturas aplicadas na construção civil, em se tratando das escolas de arquitetura no panorama brasileiro, citando a influência desses catedráticos nas práticas pedagógicas inovadoras, assim como a disseminação dessas por meio de eventos científicos. Há muito o que discutir sobre as inovações metodológicas de ensino, no que tange a busca por meios adequados de inserção dos componentes curriculares das tecnologias construtivas no âmbito das escolas de arquitetura. No entanto, os três casos brevemente citados permitem vislumbrar o histórico dessa situação na conjuntura brasileira, vista aqui ainda como uma experiência recente no sentido cronológico, dado que se iniciou, grosso modo, em meados dos anos 1950. É nesse contexto que se justifica a necessidade de estudar as práticas de ensino sobre sistemas de estrutura, tendo em vista os problemas decorrentes da multidisciplinaridade dos cursos de arquitetura, no sentido de compreender eventuais fragmentações, estanqueidades e desarticulações de conteúdo das tecnologias construtivas. 78 2.2.1. Aluízio Margarido Semelhantemente à experiência de mudanças propostas por Polillo, na situação paulista, por sua vez, destacou-o professor Aluízio Fontana Margarido6 quando ingressara para lecionar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), sendo convidado por Figueiredo Ferraz7, na sua importância de engenheiro civil. O professor e engenheiro civil Margarido então trouxe consigo contribuições imediatas ao ensino nessa escola, visando superar as inadequações acadêmicas e a defasagem de tempo quanto à estruturação dos tópicos inerentes às tecnologias construtivas. O professor Aluízio Margarido, paralelemente às contribuições de Mário Franco8, favorecia a introdução de conceitos e fundamentos das tecnologias construtivas, bem como seus aspectos físicos, geométricos e matemáticos, desde as primeiras etapas da graduação para assim suceder, progressivamente, o grau de complexidade nas outras cadeiras subsequentes desse mesmo eixo temático (SARAMAGO, 2011, p. 82). Desse modo, os professores Polillo, Franco e Margarido, representariam uma posição de “fomentadores de novas possibilidades”, a qual teria incidido diretamente nos aspectos inovadores que se sucederam nas disciplinas vinculadas ao “Comportamento Estrutural” (SARAMAGO, 2011, p. 84). Esse mesmo trio de docentes, com base na implementação de novas possibilidades no ensino das técnicas construtivas na FAU-USP, protagonizariam ainda o lugar de precursores, se analisados os eventos científicos que abordassem os assuntos correlatos aos sistemas estruturais no campo da construção civil no Brasil. Assim sendo, participaram da organização 6 Aluízio Fontana Margarido obteve formação de engenheiro civil pela Escola Politécnica da USP (1960). Ali também obteve seu título de Doutor em Engenharia pela mesma universidade (1972). Durante anos atuou no Departamento das “Tecnologias Construtivas”, ministrando a disciplina de “Sistemas Estruturais” na FAU-USP, no período compreendido entre 1964 e 1996. Além de sua experiência docente na USP, atuou como professor na universidade São Judas Tadeu em cursos e disciplinas de naturezas idênticas. Foi consultor técnico da Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto, empresa da qual assumiu a diretoria durante 36 anos (ONO; et. al, 2014, p. 12). 7 “José Carlos de Figueiredo Ferraz formou-se em 1940 e, no que compete a sua carreira de engenheiro civil – dado que Ferraz exercera outras funções para além dessa, sendo a mais notória a sua experiência como Prefeito de São Paulo -, Ferraz ao longo de seus 50 anos de atuação no campo da construção civil, onde somam-se mais de 3500 projetos assinados por seu escritório, respondia por obras icônicas erigidas em São Paulo, tais como o prédio do Museu de Arte de São Paulo (MASP), a cúpula e as torres da Catedral da Sé, o Planetário do Parque do Ibirapuera, o Paço Municipal, o edifício Casper Líbero, entre outros (ASSUNÇÃO, 1991). 8 Na FAU-USP, obteve distinção o professor e engenheiro civil Mário Franco. Após ter iniciado sua jornada como professor no curso de Estruturas, dentro da Escola Politécnica da USP, em 1957, e na disciplina de Teoria de Estruturas na Universidade de Brasília, no ano de 1969, Franco regressou a São Paulo para dirigir as disciplinas “Resistência dos Materiais e Estabilidade das Construções” e “Sistemas Estruturais I” na FAU-USP, em 1971 (SARAMAGO, 2011, p. 83). Dentro das suas contribuições, ressalta-se a ênfase dada nos respectivos cursos, quanto aplicações de exercícios numéricos e exposição de conceitos históricos sobre as tipologias de sistemas estruturais. 79 do 1º Encontro Nacional de Professores de Estrutura para Escolas de Arquitetura, ocorrido no ano de 1974, na cidade de São Paulo. Nesse evento, buscou-se trazer à discussão os principais problemas que decorriam da defasagem ou obsolescência do tema, de modo a ampliar e oficializar tal questão no âmbito nacional. Aluízio Margarido, por sua vez, engajou-se na representação do tema proposto no evento, que tinha como linha categórica a questão da “Pesquisa Experimental”. Dentro desse eixo temático, Margarido teria divulgado seus resultados através de pesquisas por ele elaboradas, no que tange os modelos didáticos, visando em paralelo, trazer explicações das inovações em voga acerca dos processos de fabricação e o emprego de materiais de construção. Com base nessas orientações, Margarido constatou que o corpo discente apresentava dificuldades de apreensão em face do conteúdo exposto ou ministrado durante suas aulas e que, por conseguinte, teria como preocupação pensar uma nova didática que facilitasse o entendimento dos fenômenos físicos, no tocante às suas propriedades elementares e sua configuração unitária em sistemas estruturais. Margarido inclinava-se à ideia de tornar visíveis tais fenômenos, recorrendo a instrumentais que permitissem a percepção dos comportamentos estruturais por parte dos alunos de arquitetura (SARAMAGO, 2011, p. 86). Ainda em se tratando do legado da didática construído por Aluízio Margarido, a célebre publicação “Fundamentos de Estrutura” (MARGARIDO, 2001)9, amplamente disseminada em planos de disciplina ligadas ao assunto das técnicas construtivas – seja em escolas de engenharia ou de arquitetura, consolida-se como um marco na sua trajetória docente, visto que, na mesma publicação e demais subsequentes, Margarido reúne em pontos seminais a sua experiência de ensino em sistemas estruturais durante décadas de vivência em classes do ensino superior. Ao introduzi-la, Margarido sublinha os pontos cruciais para entendimento do assunto da “Engenharia de Estruturas”, indicado no primeiro capítulo da publicação em questão. Para tanto, traz definições conceituais sobre estruturas, de modo a facilitar tal percepção através de casos empíricos do cotidiano; intenta em explicitar a função do engenheiro de estruturas e as suas principais relações com profissionais do ramo, inclusive os arquitetos. Além dessas explicações básicas, Margarido também ressalta a importância das condições e particularidades que devem ser compreendidasperante à elaboração de uma estrutura. 9 “Este livro oferece o conhecimento necessário para que o profissional de engenharia ou de arquitetura possa conceber uma estrutura em seu projeto e sinta-se habilitado a dialogar sobre o assunto com outros técnicos. É dada a base de cálculo de estruturas hiperestáticas utilizando a energia de deformação método fundamental do qual derivam todos os demais (...)” – trecho de sinopse do livro em sua edição publicada recente (MARGARIDO, 2001) 80 2.2.2. Yopanan Rebello No bojo das preocupações vinculadas entre aprendizagem e prática profissional, ambos inseridos no âmbito do ensino superior de arquitetura e engenharia no Brasil, encontra-se os estudos do engenheiro Yopanan Rebello10 que, tal como seu mentor Aluízio Margarido no período em que esteve envolvido no desenvolvimento de sua dissertação de Mestrado intitulada “Contribuição ao ensino de estruturas em escolas de Arquitetura” (REBELLO, 1991)11, desfruta da disseminação notória no que tange as propositivas didáticas através de suas próprias publicações. Em rápida pesquisa em planos de ensino de escolas de arquitetura no Brasil, verifica-se que suas publicações “A concepção estrutural e a arquitetura” (REBELLO, 2001), bem como “Estrutura de Aço, Concreto e Madeira” (REBELLO, 2006), ou mesmo “Bases para projeto estrutural na arquitetura” (REBELLO, 2007), figuram entre as bibliografias básicas nas disciplinas ligadas à ampla temática dos sistemas estruturais, materialidades e suas tecnologias construtivas em cursos, pelo menos, de arquitetura no Brasil. Embora Rebello reconheça o papel fundamental de arquitetos para gerar forma e definir sistemas e estruturas para edificações, tendo como pano de fundo o próprio cenário de produção da arquitetura brasileira datados, em suma, aquele profundido na segunda metade do século XX nas obras de Afonso Reidy, Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer, entre outros, o mesmo engenheiro reforça suas preocupações na didática com relação à concepção estrutural na formação de arquitetos. Ora, o problema da formação do arquiteto na universidade e o abismo existente entre essa e sua experiência no campo profissional, tem origens na obsoleta dicotomia entre os perfis profissionais de engenheiros e arquitetos, a qual teria sido rompida com a propositiva didática da Bauhaus e a sua influência impactante em diversas escolas de arquitetura em escala global. Afirma que (REBELLO; LEITE, 2015, p. 6): 10 Yopanan Rebello “possui graduação em Engenharia Civil pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1972), mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1993) e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (1999). Atualmente é professor titular da Escola da Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Estruturas. Atuando principalmente nos seguintes temas: Ensino, Estrutura, Arquitetura.” – texto retirado da súmula curricular na plataforma Lattes. 11 A dissertação de Mestrado parte do interesse primário do autor sobre a relação entre o desenvolvimento ou concepção estrutural de edificações e o papel profissional arquiteto, tendo em vista a necessidade de elaboração de soluções construtivas adequadas e inovadoras. Ainda que tal conhecimento seja absorvido de modo fragmentado, Rebello frisa sobre o problema das improvisações ligadas à didática do assunto, a qual tem formado jovens arquitetos com pouca aplicabilidade do conhecimento obtido em se tratando das suas respectivas carreiras iniciais, visto que o jovem profissional lida com dificuldades em conceber estruturas correntes nas edificações que projetam. Com base no preâmbulo apresentado é que se fundamenta a dissertação de Yopanan Rebello, uma vez que seu trabalho de Mestrado busca analisar a situação do ensino de estruturas em escolas de arquitetura, através de alunos, professores e currículos do programa de formação. 81 A dicotomia entre os dois padrões de formação profissional - Arquitetura como manifestação de arte plástica nos tradicionais moldes acadêmicos, e Engenharia como campo científico-matemático voltado aos meios industriais de produção - persiste até praticamente meados do século XX, tendo como talvez o único evento tentativo de integração, ou novo caminho, a instalação do Departamento de Arquitetura da Bauhaus em 1919. O marco cravado pela nova escola na linha do ensino pode ser sucintamente descrito como o ideal da obra de arte total sob a diretriz da arte de construir. Nesta perspectiva, mesmo que com certa dubiedade quanto à sua destinação - ensino, experimentação ou atendimento da produção de mercado - o aprendizado em oficinas surge como um caráter particular e inédito, bem como a ênfase em uma formação teórico-científica. Mesmo os efeitos surtidos com o advento inspirador da Bauhaus no ensino de arquitetura de escolas brasileiras, a título da FAU-USP como um exemplo, surgiam-se em paralelo, outras dificuldades que tornavam a superação da clássica dicotomia supracitada de modo moroso ou a galgas lentas. Ocorreu que, com a Reforma de 1962 da FAU-USP, houve então a tripartite do ensino que passou a concentrar-se em três grandes áreas do conhecimento relacionado com a interdisciplinaridade da arquitetura em si, criando assim os departamentos de “Projeto, História e Tecnologia”. Como consequência dessa compartimentação gerada em linhas herméticas e abruptas, os “departamentos” trouxeram o isolamento e a ausência do vínculo entre tais divisões que antes eram percebidas de maneira mais próxima do que distante. Assim sendo, as disciplinas de cunho mais “técnico”, foram reservadas para professores que migravam da área de exatas: “Matemática, Física, Engenharia, entre outras” (REBELLO; LEITE, 2015, p. 6). Esses docentes, no entanto, devida à formação herdada de caráter excessivamente matemática, ainda que tenham habilidade para ministrar os conhecimentos inerentes àquilo que tivessem aprendido, teriam que lidar com o problema de transmissão desse conhecimento “técnico”, de maneira a facilitar a percepção de questões puramente técnicas ou matemáticas no universo repertorial de alunos que compartilhavam seus interesses inclinando-se às particularidades das ciências humanas. Conquanto tais lacunas ainda persistam na contemporaneidade do ensino de estruturas em escolas tradicionais de arquitetura no Brasil, Rebello e Leite (2015) reforçam para revisões em práticas didáticas, em se tratando, principalmente, dos instrumentais didático- pedagógicos, os quais não se esgotariam em modelos matemáticos ou cálculos exaustivos mas, sobretudo, com facilidades de aplicação em canteiros experimentais, confecção de modelos físicos, visitas às obras arquitetônicas com expressividade estética na configuração de sistemas estruturais, bem como o conhecimento de técnicas retrospectivas para melhor compreensão do assunto de um modo mais interativo entre os corpos docente e discente. 82 2.2.3. Augusto Carlos Vasconcelos Como parte do escopo das didáticas inovadoras no seio do ensino de estruturas em escolas de arquitetura brasileiras, também extensivo às faculdades de engenharia, tem-se a notável figura do engenheiro e professor Augusto Carlos Vasconcelos12, conhecido entre seus alunos e colegas de docência como professor “Vasco”. O mesmo engenheiro, teria um claro divisor de águas na sua trajetória acadêmica e profissional, cujo marco remete à sua viagem de estudos que fizera na Alemanha, onde defendeu sua tese de Doutorado entre 1954 e 1955. Ali em solo germânio, Vasconcelos teve contato com o concreto protendido e que, a partir do conhecimento apreendido, trouxe a disseminaçãodas técnicas construtivas vinculadas à tal inovação da construção civil que se tinha na época, passando a lecioná-lo na Escola de Engenharia Civil da Universidade Mackenzie, assim que retornara ao Brasil (ABCP, 2020). Em entrevista, Vasconcelos afirmou pontos cruciais dessa jornada científica na Alemanha (VASCONCELOS, 2010): Cheguei à Alemanha pouco antes de completar 30 anos e Munique estava destruída, excetuando-se a vida cultural, que me concedeu oportunidades de ir a muitos concertos. Naquela época, tudo estava em reconstrução e para a construção ou substituição de pontes, por exemplo, estava sendo utilizado o concreto protendido, que possibilitava alcançar vãos maiores com menos custos. E os professores das universidades, como Hubert Rüsch, meu orientador e professor do curso de concreto protendido estavam encarregados de verificar o projeto. Assim que soube dessa disciplina, pensei: não vou perder essa oportunidade e me matriculei, pois era algo muito novo. Rusch confiou em mim e começou a emprestar-me essas verificações para estudo, o que me deram subsídio para pesquisas futuras sobre estruturas, pontes e concreto. Me considero muito sortudo por ter estado na Alemanha nessa época, em que os projetos precisavam ser verificados. Aproveitei muito esse momento. Augusto Vasconcelos destaca-se por ser um dos nomes precursores no entendimento dos pré-moldados, visto que no ano de 1957, teria fundado “a primeira fábrica de estruturas pré- moldadas de concreto protendido, de fio aderente, do Brasil” (OLIVEIRA, 2012). Durante o seu engajamento profissional e atuação como docente, o engenheiro Vasconcelos trouxe contribuições importantes sobre particularidades de projetos e técnicas ligados à construção de pontes, tanto na prática quanto na reflexão. Em se tratando da prática em si, no Brasil, não se tinha material didático suficientemente claro para compreensão da técnica de concreto 12 Augusto Carlos Vasconcelos foi renomado pela Academia Nacional de Engenharia, sendo empossado em 1991 na Cadeira de número 170, tendo como patrono, Nilo Amaral. Vasconcelos foi “graduado em engenharia mecânica eletricista, em 1946, e engenharia civil, em 1948, ambas pela Escola Politécnica da USP, com especializações: tese de doutorado sobre modelos fotoelásticos, pela Alexander Von Humboldt Stiftung (Alemanha), em 1956. Trabalhou na no IPT, Escola Politécnica, Universidade Mackenzie, Protendit. Exerceu os seguintes cargos: professor assistente de “Cálculo Diferencial e Integral” e “Cálculo Vetorial”, na Poli-USP; e de Física I e II na FEI; professor da disciplina “Resistência dos Materiais, Estabilidade das Construções”, na Poli-USP.” – texto fornecido na íntegra pela Academia Nacional de Engenharia. 83 protendidos e as primeiras obras dessa envergadura foram elaboras segundo consultoria de escritórios franceses entre os anos 1947 e 1949, fato esse que teria motivado o engenheiro Vasconcelos a introduzir o concreto protendido com sistema de “pré-tração”. Sabe-se que, no que tange esse sistema, pouco se fazia ou se produzia a respeito. No entanto, em fases experimentais dessa técnica, Vasconcelos realizou a concretização de elementos estruturais com cabos de pré-tração de 5mm. Em relato, afirmava que “tive a sorte de começar com estacas que só necessitavam de protensão até serem posicionadas verticalmente para a cravação. Depois de tudo dar certo aventurei-me a estudar a produção para a galpões pré- moldados tipo ‘shed’” (VASCONCELOS, 2010). No que tange ao campo da reflexão sobre a concepção de estruturas ou sistemas estruturais e suas tecnologias construtivas, Augusto Vasconcelos apresenta-se com sensibilidade, como se observa em uma das suas publicações mais conhecidas entre professores que lecionam em escolas de arquitetura e de engenharia, o clássico “Estruturas da Natureza” (VASCONCELOS, 2000). Com a finalidade de trazer aproximações entre os campos das engenharias e das ciências biológicas, Vasconcelos traz uma série de casos analisados, os quais representam os pormenores que desenham a estrutura de elementos da Natureza. Nesse sentido, o autor perpassa por paisagens rochosas, árvores frondosas e suas folhagens, bem como animais, entre tantos outros, fruto esse gerado a partir de uma pesquisa esmiuçada e esforços exaustivos para obter informações específicas de como a Natureza trabalha para que seus elementos, grosso modo, conseguem ficar de pé. No bojo das publicações, Vasconcelos foi vencedor do Prêmio Jabuti 2001, na categoria de “Ciências Exatas, Tecnologia e Informática”, com o livro “Estruturas da Natureza”. Outra publicação onde sua sensibilidade no campo da reflexão das estruturas se dá de modo palpável, incide no título “O Concreto no Brasil - Pré-fabricação - Monumentos – Fundações” (VASCONCELOS, 2002). Nessa última, Vasconcelos objetiva em retomar o histórico da pré- fabricação no contexto brasileiro, descrevendo os percursos e percalços conforme o avançar e expansão do domínio da técnica em vasto território nacional. Desse modo, busca destacar monumentos notórios pelo emprego do concreto, tais como o Monumento da Cabanagem, o Monumento e Mausoléu ao Soldado Paulista de 1932, o Monumento a Cleriston Andrade, bem como os outros monumentos erigidos em homenagem à Imigração Japonesa e aos Bandeirantes. Semelhantemente a esses monumentos, Vasconcelos explora sobre o emprego de concreto em obras de infraestrutura para geração de energia “limpa”, a exemplificar diversos casos relatados nos canteiros de obras de principais barragens hidroelétricas do país. 84 2.3. A ESTRUTURA COMO ELEMENTO PROTAGONISTA DO EDIFÍCIO: REPERCUSSÕES EXEMPLARES NA ARQUITETURA BRASILEIRA Tendo em vista que os processos de ensino-aprendizagem sobre estruturas e a configuração de peças em sistemas estruturais simples ou complexos não se esgotam em modelos físicos, tampouco em modelos matemáticos ou ainda em revisões bibliográficas de cunho histórico- descrito e/ou histórico-contextualista, insere-se a necessidade de fomentar a apreensão e tal conhecimento por meio do conhecimento in-loco de obras exemplares da arquitetura brasileira. Sabe-se que as próprias obras arquitetônicas, consistem basicamente em um conjunto de subsídios que demonstram, em escala real, as dimensões e proporções de elementos estruturais em face da configuração arquitetônica, de modo a provocar ações ativas por parte do público discente, com o crescente protagonismo estudantil – seja esse implícito ou explícito em diretrizes pedagógicas de escolas de arquitetura no Brasil. Não obstante, percebe-se que a produção arquitetônica brasileira é ampla, mesmo se considerada as inovações tecnológicas que aqui sucederam em empreendimentos notórios, os quais resultaram em obras relevantes para análises e divulgação no âmbito acadêmico. Ao longo do século XX, portanto, podem ser constatadas as implementações paulatinas de diversos recursos tecnológicos que aprimoraram a qualidade da tectônica e permitiram que arquitetos engajados no compromisso de unir a técnica com a arte, ou simplesmente ao seu “fazer arquitetônico”, constituíram edificações que construíram parte do legado do movimento Moderno em solo brasileiro. Tal contexto, profundiu uma série de sistemas estruturais, dos quais podem ser observados em projetos e construções arquitetados por Lina Bo Bardi, Afonso Reidy, Paulo Mendes da Rocha, Pedro Paulo de Melo Saraiva, Mayumi Lima Watanabe, Franz Heep, Rino Levi, Oscar Niemeyer, entre tantos outros nomes importantes. Conquanto o celeiro que abrange as obras célebres no contexto brasileiro seja fartamente abastecido, o qual ainda teria crescido exponencialmente ao longo do século XX, tais arquiteturas em face dos procedimentos metodológicos desta pesquisa, antes de sua apresentação, passaria por critério deescolhas, visto que a lista dessa produção seria quase que infindável. Assim sendo, buscou-se em primeiro lugar selecionar obras da segunda metade do século XX para, em segundo, determinar um recorte mais apurado em se tratando das tipologias de sistemas estruturais proeminentes e suas técnicas construtivas inovadoras, tendo como mote o concreto armado, a argamassa a armada e o emprego da madeira pré- fabricada para constituição de grelhas; por fim, e em terceiro lugar, elencou-se nomes que protagonizassem o domínio das respectivas técnicas com cada saber arquitetônico na configuração de sistemas estruturais inovadores: Vilanova Artigas, Lelé e Marcos Acayaba. 85 2.3.1. Concreto armado: a proeminência de Vilanova Artigas Tradicionalmente, o nome do arquiteto João Batista Vilanova Artigas é considerado no âmbito acadêmico como um representante notório e simbólico da “escola paulista” em face da conjuntura da arquitetura brasileira (ISRAEL; LEME; DIAS, 2021). A proeminência de suas obras bem como o legado de seu pensamento nessas materializado em estratégias implícitas e explícitas, implica na contínua relevância desse acervo dessa produção arquitetônica, a qual se consolidou ao longo do século XX (ROSIN, 2016, p. 156), a qual tem sido examinada e recorrida no cenário científico nacional com relação aos objetos que tratam das suas obras particulares em eventuais periodizações, e/ou seleções temáticas, assim como também em procedimentos metodológicos categorizados e aplicados em casos isolados. Assim sendo, Artigas desenvolveu um conjunto de edificações com usos, interesses e escalas diversas e, quais que sejam, buscou-se por meio dessas, preconizar o emprego do concreto armado não tão somente quanto uma técnica construtiva inovadora, mas que tal empenho tecnológico tivesse imbuído concomitantemente, a configuração dos respectivos sistemas estruturais e das possibilidades de seus resultados plásticos e/ou estéticos. Nesse viés, insere-se a necessidade de apresentar as soluções estruturais em experiências icônicas do mesmo arquiteto, nas quais foram verificados os aspectos técnico-formais na configuração de estruturas dos edifícios da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Paulo (FAU-USP), da Garagem de Barcos do Clube Santapaula, e da Estação Rodoviária de Jaú, obras essas que carregam sobre si a explicitação de forças e tensões como elemento qualificador de suas arquiteturas, alinhando assim tais estratégias para gerar forma-estrutura (AGUIAR; FAVERO, 2018). Em se tratando da FAU-USP, sabe-se de antemão que sua configuração estrutural enquanto elemento que define a arquitetura da edificação como um todo, apresenta uma organização complexa se analisadas esmiuçadamente as particularidades de suas peças estruturais (BAROSSI, 2016, p. 46). Tamanha complexidade de seu sistema estrutural que não se esgotaria em os subsídios meramente técnicos do próprio assunto, ao constatar, por exemplo, o tratamento da superfície de pilares, vigas, lajes e empenas, que se consubstancia ora em aparência lisa - possibilitada por fôrmas de acabamento em compensado -, ora em efeito rugoso através das marcas deixadas pelas tábuas e sarrafos que flanqueavam o preenchimento do concreto durante a construção do edifício. No que tange à configuração do sistema estrutural adotado na sustentação dos pavimentos e do plano de cobertura da FAU-USP, constatou-se arranjos diferentes em casa situação: no primeiro caso, tem-se a organização de vigas unidirecionais, desse modo articuladas para 86 distribuir as cargas das lajes que formam os meios-níveis da edificação como um todo; no segundo, estabeleceu-se a justaposição de vigas para transmitir as cargas bidirecionalmente em amarrações do tipo grelha. A descrição de Antônio Carlos Barossi é esclarecedora quanto aos aspectos quantitativos e mensuráveis da propositiva desse sistema estrutural, em específico no que tange à transmissão dos esforços entre lajes e vigas. Para o autor (BAROSSI, 2016, p. 46): Além das lajes de quatro a oito centímetros de espessura que recebem diretamente as sobrecargas, esse sistema tem dois tipos de vigas hierarquicamente distintos em relação às cargas: no sentido transversal, as vigas secundárias (ou nervuras) e, na direção longitudinal, as vigas principais. As vigas secundárias recebem somente as cargas das lajes que estão sobre elas, transferindo-as para as vigas principais onde se apoiam. As vigas principais recebem as secundárias, transferindo diretamente suas cargas para os pilares. As vigas principais e as secundárias (nervuras), nos vãos de onze metros são armadas, já as secundárias nos vãos de vinte e dois metros são também protendidas pelo sistema desenvolvido pelo engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz. Como parte das complementações necessárias ao sistema estabelecido em configuração de grelha, tem-se também as vigas de distribuição e travamento, projetadas para reforçar o apoio das nervuras entre si e, por conseguinte, otimizar a distribuição de cargas para assim evitar a flambagem na extensão lateral das peças. Além dessa tipologia de viga, ainda existem no edifício da FAU-USP as vigas de acabamento em cada pavimento, a laje colocada sob as vigas para dar efeito de continuidade nos respectivos planos e das vigas da cobertura que foram definidas com desenhos e modulações específicos em função das claraboias que permitem a passagem de iluminação natural pela própria cobertura. Para além dos pilares que sustentam os planos de pavimento e de cobertura, ambos localizados na porção interna da edificação, os pilares externos que cumprem com a função de suportar as cargas das vigas-paredes e/ou empenas cegas da “caixa flutuante”, foram desenhados de modo particular e que, em decorrência dessa especificidade técnica e do tratamento formal-estético, o qual resultou condicionalmente em parâmetros de equilíbrio, isto é, na “separação entre os pilares e sua base tronco-piramidal, desvinculando a superestrutura da infraestrutura que emergia do solo.” (AGUIAR; FAVERO, 2018). 87 Fig. 34 –Detalhe dos pilares externos do edifício da FAU-USP Fonte: AGUIAR; FAVERO, 2018 Fig. 35 – Corte Transversal do edifício da FAU-USP Fonte: Arquitetura Brutalista 88 A plasticidade empregada no tratamento da estrutura, ou melhor, da forma-estrutura que Artigas passaria a perseguir e a explorar assiduamente nas suas obras, coincidiria ainda com os projetos antecedentes à experiência da FAU-USP. Não obstante, o setor náutico que projetara junto com Carlos Cascaldi em 1961 para o Iate Clube Santapaula, às margens do Lago do Guarapiranga, seria um antecedente repertorial próximo ao novo edifício da Cidade Universitária, tanto na cronologia em si quanto em termos de soluções estruturais inovadoras e arrojadas para assim propor a forma longitudinal que, por sua vez, definiu qualitativamente o anexo para abrigar funções de um “varadouro social” do clube. Em conjunto com o projeto e construção desenvolvidos para a FAU-USP, a Garagem de Barcos do Clube Santapaula é considerado um marco na produção arquitetônica de Artigas, uma vez que ali foram reveladas preocupações “estruturais e formais do arquiteto num dos momentos mais criativos e produtivos de sua vida profissional” (VASQUEZ RAMOS, 2016, p. 204). O partido arquitetônico para a Garagem de Barcos respaldou-se decididamente sobre a preocupação da forma estrutural, dado que, na articulação dos elementos que compõem o desenho do sistema como um todo e do desempenho da distribuição e transmissão de cargas, surgia em paralelo o problema das dilatações térmicas vinculadas às propriedades físico- químicas do concreto armado em suas variações suscetíveis de deformação (ACROPOLE, 1966, p. 23). Com base nessas preocupações buscou-se, por conseguinte,evitar a utilização de caixilhos e outras vedações em demasia para assim dispensar a configuração de ambientes fechados e suas eventuais variações de temperatura. Embora o programa especificado fosse relativamente simples, por outro lado, a configuração em modelo de pavilhão para a Garagem de Barcos, permitiu por isso mesmo, a sofisticação da complexidade em propositivas de formas estruturais. A forma-estrutura da Garagem de Barcos consiste basicamente em uma implantação volumétrica distinta. Projetada como um abrigo para fazer jus às suas funções, a cobertura assume um protagonismo notável, a qual estabeleceu-se segundo às proporções longitudinais do edifício e em cuja estrutura destinou-se duas vigas principais na mesma direção com aplicação de concreto protendido em, aproximadamente, 70 metros de comprimento e; dos quais inserem-se ao longo dessa extensão dois balanços laterais externos de 10 metros; dois vãos de 10 metros e uma porção central com vão de 30 metros (ZEIN; OLIVEIRA, 2003). As vigas principais, que recebem as cargas das nervuras, por sua vez, transferem as cargas da cobertura sobre os 4 eixos de apoio triangulares – não necessariamente em formato de pilar, totalizando 8 pontos de encontro entre a cobertura e o muro de arrimo prolongado para tal intencionalidade de forma. Nessas juntas, encontram-se 8 roletes metálicos maciços, cada par de apoio seguindo 4 desenhos específicos no encontro entre cobertura e arrimo. 89 Fig. 36 – Vista parcial lateral da Garagem de Barcos do Clube Santapaula Foto: José Moscardi Fonte: ACROPOPLE, 1966, p. 25 Fig. 37 – Vista da fachada da Garagem de Barcos: face voltada para Guarapiranga Fonte: ACROPOPLE, 1966, p. 23 90 Uma vez mais, como se pode observar no terceiro exemplar aqui proposto para apresentação, Artigas promove subverter a lógica da “prática cotidiana” que tem por princípio, em primeiro lugar, definir a forma para, em segundo, providenciar a viabilidade construtiva no cenário da arquitetura paulista entre os anos 1960 e 1970. Desse modo, o prodígio inexorável entre forma e construção torna-se cada vez mais amplo, cuja produção de Artigas evidencia “o predomínio da horizontalidade e a economia dos meios” e que, por conseguinte, tem por resultado a síntese da configuração da forma por meio de estratégias projetuais nas quais são priorizados os planos horizontais sustentados com “o menor número possível de apoios verticais (MAHFUZ, 2005). Ressalta-se que no período, em questão, construía-se estações rodoviárias de arquitetura notória (ISRAEL; MICHELIN, CALDANA, 2021). É nesse contexto que se fundamenta o conceito estrutural ou “forma-estrutura” adotada por Artigas para a concepção arquitetônica da Estação Rodoviária de Jaú.. Nesse edifício é proposta uma volumetria horizontal que conforma a “presença de um teto” no intuito de organizar os espaços internos do terminal. Trata-se de um volume “espesso e pesado” que dista a 2.5 metros do chão e, uma vez suspenso, permite materializar contrastes entre espaços iluminados e espaços sombreados através dos pontos de abertura zenital no arranjo dos pilares, com desenho específico e peculiar para essa edificação (IWAMIZU, 2007, p. 40). Na Rodoviária de Jaú, são subvertidas as operações do tradicionalismo rigoroso do desenho linear de sistemas estruturais. Assim sendo, (IWAMIZU, 2007, p. 41): A engenhosidade dessa solução retoma uma lógica estrutural e uma poética construtiva nos os tradicionais elementos que compõem a estrutura – fundações, pilares, vigas, fechamentos – são desenhados de movo a subverter sua utilização corrente: vigas que se transformam em fechamentos, pilares que se transformam em vigas, blocos de fundações que afloram do chão e se transformam nos próprios pilares. Os projetos realizados por Artigas criam uma fusão entre os elementos estruturais que definem o edifício, gerando soluções técnicas e formais onde o que realmente importa é a lógica estrutural do conjunto. Ao longo dos aproximados 2.600m² de área de cobertura com volumetria monolítica, as cargas são transmitidas em conjunto com os esforços das lajes dos três níveis distintos para 18 pilares. Repousando poeticamente sobre esses apoios, os quais assumem a característica qualificadora do desenho estrutural e arquitetônico da edificação como um todo, tais pilares fazem referência às formas orgânicas de um lírio e que, quando alcançam no encontro da cobertura, desdobram-se em vigas para compor as nervuras, dais quais são associáveis à forma de flor (PISANI; CORRÊA, 2007, p. 12). Por fim, o arremate superior desses apoios são pormenorizados por aberturas zenitais para permitir passagem de luz natural. 91 Fig. 38 – Vista panorâmica interna da Rodoviária de Jaú Fonte: Arquivo Arq, 2021 Fig. 39 – Rodoviária de Jaú em construção: detalhe dos pilares e abertura zenital Fonte: Arquivo Arq, 2021 92 2.3.2. Ainda sobre concreto armado: Joaquim Cardozo, Francisco Petracco e Pedro Paulo de Melo Saraiva Sabe-se de passagem que, no Brasil, foram desenvolvidas arquiteturas inovadoras ao longo do século XX, obtendo assim contribuições notórias em face da produção arquitetônica modernista em escala mundial. Conquanto o assunto seja amplo e frutifique análises que caberiam e mereceriam capítulos à parte, optou-se por selecionar e dissertar suscintamente ainda sobre obras expressivas que fizeram uso inovador do concreto armado. Nesse ínterim, as obras da Escola Rural Alberto Torres e do Clube XV de Santos, tornaram-se cruciais para compreensão de engenheiros de estruturas e arquitetos que desempenharam estruturas qualificadoras e inovadoras em seus respectivos projetos. Para além das obras renomadas de Oscar Niemeyer, dentre as quais Joaquim Cardozo13 tivera participação como engenheiro de estruturas, convém salientar a solução estrutural proposta para o projeto do edifício da Escola Rural Alberto Torres, construído na cidade do Recife, no ano de 1935 (MARQUES; NASLAVSKY, 2011). Participando em conjunto com Luiz Nunes, arquiteto com formação da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro e discípulo dos ideais pregados por Lúcio Costa acerca do “novo estilo”, a edificação em questão pode ser compreendida como um dos marcos exponenciais da arquitetura modernista brasileira, com influência significativa dos princípios corbusierianos, a julgar pelo protagonismo do sistema estrutural adotado. A estrutura do edifício escolar surgiria então a partir do programa definido e na organização espacial de seus ambientes. Desse modo, a estrutura do edifício expressaria a integração do trabalho entre as figuras profissionais do arquiteto e do engenheiro, destacando-se por sua inovação e qualidade construtiva. As peças componentes da ossatura do edifício consistem basicamente em um arranjo de vigas arqueadas que, uma vez justapostas nas regiões próximas aos pilares, aumentam a forma estrutural, de modo a suportar e transmitir eficiente e adequadamente os esforços em direção às fundações. Assim sendo, destaca-se veementemente o elemento estrutural da fachada, o qual foi configurado em três arcos para sustentação de rampas por meio de tirantes. No corpo principal, isto é, no bloco das salas, a estrutura foi concebida de modo a facilitar questões econômicas durante à sua execução (INOJOSA, BUZAR, 2020, p. 25): 13 Joaquim Moreira Cardozo formou-se em engenharia civil pela Escola de Engenharia do Pernambuco, em 1930. Obteve participação notória com contribuições importantes na definição de sistemas estruturais que configuram qualitativamente a produção arquitetônica modernista brasileira, principalmente aquelas com autoria do arquiteto Oscar Niemeyer. Tal parceria teria início nos anos 1940 com o desenvolvimento do projeto estruturalpara o Conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte (BARATTO, 2021) 93 O sistema estrutural do bloco das salas é formado por quatro módulos de 8,60mx8,60m o que permite o uso racional de vigas com as mesmas dimensões nos dois sentidos. São vigas arqueadas, cuja altura da seção varia entre 43cme 64cm, com base de 30cm. As vigas menores, também arqueadas, encontradas no volume transversal que abriga os sanitários possuem vão de 5,75m e as vigas possuem a mesma seção com altura variando entre 43cme 64 cm e base de 30cm, acompanhando a arquitetura sugerida pelo desenho estrutural.Os 12 pilares do bloco principal também possuem as mesmas dimensões entre eles e, a exemplo das vigas possuem seção variável. Na base dos pilares a seção quadrada mede 30cm x30cm, chegando a 38cm x38cm no topo do nível térreo e a 45cm x45cm no topo do segundo pavimento.As lajes são nervuradas nas duas direções e, conforme mencionado, preenchidas com tijolos cerâmicos. A espessura total das lajes é de 17cm, com 5cm de capa. Semelhantemente ao edifício representante da arquitetura escolar brasileira supracitado, o Clube XV de Santos, por sua vez, apresenta conceito arquitetônico de coincidência entre o partido volumétrico e as soluções estruturais da própria edificação. Desse modo, sua singularidade reside no emprego de pórticos de concreto armado, ora dispostos com ritmos espaçadamente homogêneos entre si que, na volumetria, define a característica alongada da do edifício. Ainda do ponto de vista da arquitetura estrutural, Ruth Zein (2005, p. 150) esclarece que a solução “nasce de um raciocínio estrutural simples, mas engenhoso, definindo uma estrutura de grande força gráfica e plástico-formal, destacando-se seu caráter escultórico”. Francisco Petracco e Pedro Paulo de Melo Saraiva, arquitetos que desenharam a proposta vencedora para o concurso arquitetônico do Clube XV de Santos, tiveram como princípio definidor a horizontalidade da edificação, uma vez que as vigas longitudinais assumiam veementemente o protagonismo da arquitetura como um todo (PRÓSPERO, 2018, p. 95). Mesmo demolido, o edifício do Clube XV destaca-se por seu apelo qualitativo ao aspecto estético consolidado a partir do elementarismo dos pórticos estruturais. Ainda para Victor Próspero (2018, p. 95): Em croqui de inserção do projeto, Saraiva demonstra o aspecto horizontal notável diante do entorno adensado e verticalizado da orla. Este desenho marca com força o caráter de praça que o edifício busca construir. A força do concreto armado e de seu desenho, talvez superdimensionado, é típica daquele momento da produção paulista, trabalhando procedimentos de desenho da estrutura por meio do tensionamento nos pontos de apoio que, de certa forma, dialogam com as Megaestruturas por tratar de modo tão enfático a proporção da estrutura com relação ao todo e aos espaços gerados pelo edifício. 94 Fig. 40 – Vista da fachada principal da Escola Rural Alberto Torres Fonte: MARQUES; NASLAVSKY, 2011 Fig. 41 – Desenho do projeto original da Escola Rural Alberto Torres Fonte: MARQUES; NASLASKY, 2011. 95 Fig. 42 – Vista da estrutura do Clube XV de Santos Fonte: Archdaily, 2021 Fig. 43 – Desenho em vista do projeto arquitetônico do Clube XV de Santos Fonte: Archdaily, 2021 96 2.3.3. Argamassa armada: o prodígio criativo de Lelé No que tange à inserção das técnicas construtivas em argamassa no Brasil, convém apresentar suscintamente experiências significativas na produção arquitetônica de João Filgueiras Lima14. Em se tratando do amplo contexto da arquitetura contemporânea, Lelé tornou-se uma figura emblemática e importante para a compreensão das edificações que, quais que sejam, buscassem adequar os determinismos geográficos à configuração arquitetônica do edifício, sobretudo no quesito dos “imperativos climáticos”, visando assim obter resultados de eficiência energética (MARQUES, 2020, p. 72). Para além das qualidades dinâmicas que protagonizam as questões climáticas, ora preconizadas em diversas obras do arquiteto, Lelé é conhecido como um dos precursores de inovação na indústria da construção civil brasileira na segunda metade do século XX, dado que seu trabalho primou pela sofisticação das tecnologias construtivas ligadas à usinagem e concepção de elementos estruturais em pré-moldados em concreto armado e em argamassa armada. A dissertação de Cristina Trigo clareia a relação entre os pré-fabricados e a técnica da argamassa no acervo arquitetônico de Lelé. Versa sobre os entraves econômicos, sociais, culturais e tecnológicos que esmorecem a disseminação consolidada da argamassa em amplo território brasileiro (TRIGO, 2009, p. 43). Conquanto os esforços de Lelé sobre a exploração das possibilidades arquitetônicas por meio da argamassa armada implicassem em também explicitar que tal técnica permitisse diversas facilidades – ao invés de meras limitações, os casos bem-sucedidos dessa aplicação nas suas obras pareceram não convencer suficientemente os modos de fabrico e de construção tradicionais, ou quando muito, tiveram impactos paulatinos ou mesmo sendo processados a galgas lentas na construção civil. Não obstante, a tamanha inovação técnico-construtiva empregada com engenhosidade em poucos casos de edificações privadas, em síntese, nos exemplares de residências unifamiliares e, veementemente com destaque louvável na promoção e produção de infraestrutura urbana, mobiliário para espaços públicos, assim como também em projetos de 14 João Filgueiras Lima (1932-2014), arquiteto em cujo trabalho se tem o reconhecimento das qualidades vinculadas à arquitetura brasileira no âmbito acadêmico, teve o início da sua carreira profissional ainda nos anos 1960, em plena efervescência cultural de mudanças consideráveis no cenário político nacional, a julgar pela construção de Brasília e do crescimento vertiginoso das grandes cidades no amplo território brasileiro. Ali em Brasília, por intermédio de Oscar Niemayer e de Darcy Ribeiro, tornou-se secretário para o desenvolvimento do plano urbanístico para que se viabilizasse de modo ordenando, as eventuais construções que seriam acrescidas conforme expansão do campus da Universidade do Brasil, hoje Universidade de Brasília – UnB (MARQUES, 2020, p. 27). Outras experiências ligadas à sua produção arquitetônica “pós-Brasília”, encontram-se no Rio de Janeiro e em Salvador, cidades onde receberam as fábricas de pré-fabricados em argamassa armada. 97 arquitetura e de viabilidade construtiva para equipamentos públicos escolares, hospitalares e outros edifícios de cunho assistencialista – em específico aqueles elaborados por meio de políticas públicas preocupadas com as questões sociais emergentes nas décadas de 1980 e 1990 nas cidades do Salvador e do Rio de Janeiro, permitiram que Lelé conduzisse seu trabalho de modo a aprimorar, obra após obra, a sofisticação de elementos construtivos em pré-fabricados, tanto em concreto armado ou argamassa armada, assim obedecendo criteriosamente sistemas de modulação entre as peças de material cimentício e a articulação dessas com materiais de naturezas e propriedades mistas e/ou distintas. O movimento da pré-fabricação para peças de estrutura e outros elementos de vedação começaria a tomar forma de modo inicialmente consolidado no Hospital de Taguatinga, uma das cidades satélites que compõem o atual Distrito Federal. Embora a figura de Lelé seja quase que automaticamente atrelada à arquitetura dos hospitais da rede Sarah Kubitschek, o Hospital de Taguatinga teria sido um marco seminal na sua trajetória profissional, onde se testoue verificou as capacidades de produção de pré-moldados bem próximo ao canteiro de obras, de modo a construir tal edifício com operações de logística e confecção com rigor racionalista e, por conseguinte, sistematizar criteriosamente a instalação desses elementos ordenados por modulações para otimizar os recursos em função do tempo de execução da obra. Caso similar, também teria sucedido com os prédios das secretarias do Centro Administrativo da Bahia, em Salvador. Ainda sobre o Hospital de Taguatinga, Lelé afirmava que (LIMA, 2012, p. 77): O nível de industrialização estabelecido para a construção desse hospital foi bastante ambicioso para os padrões da época. As divisórias removíveis, em compensado de madeira, revestidas com chapas de aço, foram executadas em indústrias especializadas em pré-moldados de concreto executados no próprio canteiro. Contudo, foram criados desenhos específicos para os componentes estruturais e paredes de modo que todos os componentes de concreto pré-moldado fossem produzidos em canteiro de obra; este foi montado ao lado da construção para reduzir as operações de transporte (...). A maioria das peças pré-fabricadas foi interligada após a montagem através de concretagem de segunda fase, tornando a construção praticamente monolítica. Dentro dessas condições, o Hospital de Taguatinga teria sido elementar no contexto de pré- fabricação, visto que a sua execução permitiu que fossem aplicados os melhoramentos técnico-construtivos, otimizando as operações logísticas. Embora já se tivesse o conhecimento da pré-fabricação em Brasília nos anos 1950 (TRIGO, 2009, p. 30), deduz-se que em Taguatinga Lelé experimentaria a utilização dessa técnica em larga escala, a julgar pelo porte ou escala da edificação, compreendida como uma megaforma (PRÓSPERO, 2018, p. 93-94), possibilitada pela inovação importada por Lelé do leste europeu. 98 Fig. 44 – Croquis do Hospital Regional de Taguatinga: detalhamento de peças pré-moldadas Autor: João Filgueiras Lima (Lelé) Fonte: Archdaily, 2015 Fig. 45 – Croquis de implantação e partido arquitetônico do Hospital Regional de Taguatinga Autor: João Filgueiras Lima (Lelé) Fonte: Archdaily, 2015 99 Como parte dos planos de “assistência primária” e de “implementação de ações primárias” (LIMA, 2012, p. 44; p. 54), ambos desenvolvidos no âmbito das políticas públicas de saúde, educação e assistência social – mote principal da concretização de edificações contempladas pelos projetos arquitetônicos de Lelé, encontram-se nesse bojo as fábricas de pré-moldados de concreto e de argamassa armada, as quais foram construídas em Salvador e no Rio de Janeiro para usinar peças em prol da construção de uma série de equipamentos públicos e de infraestrutura urbana. Na capital baiana, a fábrica da Renurb fundada em 1979, consagrou-se como a primeira do gênero no âmbito nacional, voltada especificamente para usinar componentes de argamassa armada (EKERMAN, 2016, p. 2). A realização desse empreendimento contou com consultorias e orientações técnicas do engenheiro e professor Frederido Schiel15, um dos precursores e em solo brasileiro da técnica construtiva em argamassa armada. As contribuições de Schieel elaboradas em São Carlos na Universidade de São Paulo, permitiu que fossem testados os protótipos de argamassa armada por meio de procedimentos simples. Assim sendo, Schiel propunha imergir os corpos de pré-moldados em argamassa armada após fundição das peças para promover a cura do próprio material e, depois de quatro dias imersas em tanques, ter-se-iam peças mais resistentes quanto aos eventuais fissuramentos provenientes do fenômeno físico-químico da retração. Com o desempenho adquirido, viabilizou-se soluções de saneamento básico para a cidade de Salvador, como por exemplo, o caso das “escadas drenantes” (LIMA, 2012, p. 48). Semelhantemente à situação soteropolitana, no Rio de Janeiro, as ações de saneamento básico centradas na baixada fluminense para canalização e córregos e esgotos, foram promovidas através da Fábrica de Escolas, implementada por intermédio de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para a construção dos CIEPs – Centros Integrados de Educação Pública (LIMA, 2012, p. 53). Para tanto, percebe-se a importância das fábricas de pré-moldados em argamassa armada, as quais foram benéficas para a solução de problemas e implementação de infraestrutura urbana e equipamentos públicos nessas cidades, onde cresciam bolsões de pobreza nas periferias extremas então precárias e com ausência de serviços públicos. As fábricas produziam estações de transbordo, arrimos escalonados, mobiliário urbano, abrigos para pontos de ônibus, entre outros componentes de reurbanização (MARQUES, 2020, p. 63) 15 Frederico Schiel, natural da Romênia, graduou-se como engenheiro na Escola de Engenharia de Viena em 1924, obtendo o mesmo título na Escola de Engenharia de Dresden (1932) e também na Escola dos Oficiais Técnicos da Reserva do Exército romeno em Bucareste. Continuou parte de sua trajetória profissional em Paris entre 1948 e 1950. A naturalização brasileira ocorreu em 1954 e, posteriormente, ocupou a cadeira de Materiais de Construção em 1955 na Escola de Engenharia de São Carlos (EKERMAN, 2016, p. 2) 100 Fig. 46 – Construção do canal para o Vale do Rio Camurujipe em Salvador Fonte: EKERMAN, 2016, p. 3 Fig. 47 – Casa Comunitária e Casa da Criança implantada no Rio de Janeiro Fonte: Vitruvius, 2018 101 Outro projeto arquitetônico com emprego massivo de componentes em argamassa armada seria aquele desenvolvido para ser implementado em amplo território nacional durante a gestão do presidente Fernando Collor, como fruto de uma política pública educacional, mesmo que administrada pelo Ministério da Saúde na época em que foram criados os CIACs – Centros Integrados de Assistência à Criança e ao Adolescente. Embora Lelé evitasse falar desse projeto, dadas as intercorrências que aconteceram com as construtoras que participaram do processo de licitação para execução desse empreendimento, os CIACs representam o último plano de construção escolar brasileiro vinculado ao pensamento de Anísio Teixeira (ISRAEL; LEME; CALDANA, 2021, p. 6.). Nos CIACs, portanto, se verifica a evolução da tectônica promovida pela engenhosidade de Lelé, a qual tem como estratégia de implantação o modelo de Escola-Parque brasileiro (ISRAEL, 2020, p. 127). Caso precedente e seminal na trajetória de Lelé com relação à arquitetura escolar, foi a experiência em Abadiânia, no interior do Goiás, com a qual se compreende a evolução tectônica do próprio arquiteto, ao passo que esse também perpassou posteriormente com o trabalho colaborativo ao projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer para os CIEPs, no Rio de Janeiro. Sucedeu que, após anos desse envolvimento no projeto de arquitetura e prática de canteiro no interior em Abadiânia, no qual se preconizou a utilização de sistemas estruturais e componentes construtivos em argamassa armada, com o advento dos CIACs ou CAICs (AFONSO; PEREIRA, 2020), portanto, tal propositiva enraizada nos casos precedentes, encontrou a sofisticação da complexidade e organização construtiva tanto da funcionalidade quanto da tectônica em si: empregou-se mais de 200 componentes de desenhos diferentes e funções distintas no “quebra-cabeça” dos CIACs, sendo essas majoritariamente confeccionadas em argamassa armada. Com relação aos sistemas construtivos de pré- moldados par arquitetura escolar padronizada, Haniel Isael afirma que (ISRAEL, 2020, p. 137): Na condição de escola como arquitetura padroniza, o sistema construtivo de pré-moldados, cujo emprego seria estimulado pelas facilidades de uma obra “limpa”, rápida, e de baixo custo, entretanto, encontraria problemas quanto à sua manutenção,posto que as patologias que passaram a surgir nesse tipo de arquitetura escolar, comprometem a utilização de técnicas mais práticas e convencionais disponibilizadas pela construção civil, havendo eventuais necessidades de reposição de componentes inteiros. Os gestores dessas escolas, poderiam deparar-se com situações mais dificultosas, uma vez que as fábricas ora pertencentes à jurisdição pública e que produziam componentes construtivos em larga escala para erigir equipamentos urbanos, disseminadas nos moldes de Lelé, passaram por processo de desmonte e/ou tiveram suas atividades encerradas (...). Em Salvador, o fechamento da FAEC e das demolições das escolas que tiveram composição de Lelé e uso de pré-moldados por ele elaborados, evidenciam as fragmentações e as segmentações premeditadas no cenário político, resultando em retrocessos para a cidade. 102 Fig. 48 – Detalhes construtivos do CAIC de Campina Grande Autor: Ivanilson Pereira Fonte: AFONSO; PEREIRA, 2020 Fig. 49 – Foto aérea do CIAC Nações Unidas, Rio de Janeiro Fonte: Cid Lopes, 2021 103 2.3.4. Grelhas de madeira: a tectônica de Marcos Acayaba Em se tratando dos sistemas estruturais de caráter distinto na arquitetura brasileira, em especial no seu período de produção contemporânea, destacam-se aqueles compostos por elementos híbridos ou de materialidades diferentes, que inovaram ou romperam com tradicionalismos nas últimas décadas. Nessa trajetória ampla, a madeira tem tomado posição de protagonismo em obras icônicas, as quais tem sido recorridas em pesquisas de interesses diversos no âmbito acadêmico da arquitetura e da engenharia. Tendo em vista a profusão desse conhecimento e a difusão das estratégias projetuais que buscam conceber estruturas por meio de critérios de plasticidade, insere-se a necessidade de apresentar brevemente a obra do arquiteto Marcos Acayaba16, sobretudo àquelas que trazem em si o uso predominante da madeira em sistemas estruturais de residências. Durante tal processo, percebeu-se que a produção e prestígio de Acayaba não se esgotaria apenas em edifícios recentes com emprego considerável de peças estruturais em madeira. Portanto, convém ressaltar que sua produção arquitetônica antecedente - ora caracterizada em diversos aspectos qualitativos, configurou-se em outras materialidades para além da conformação da madeira em sistemas estruturais, como por exemplo, o aço, o concreto armado, a alvenaria tradicional de tijolos, dentre outras possibilidades representadas no contexto de suas arquiteturas representativas (ACABAYBA, 2021). Não obstante, o conhecimento acumulado por meio de seu percurso profissional, independente das materialidades e suas concepções de vãos, por hipótese, teria contribuído decisivamente para que Acayaba inovasse e/ou sofisticasse o uso de peças de madeira para assim compor elementos estruturais. Esses ainda atribuiriam revelada e notoriamente a qualidade plástica nos respectivos projetos, onde a “madeira sempre é vista em seu aspecto natural, mas bem aparelhada industrialmente e aplicada em projetos onde o entorno faz sentido” (GALVÃO, 2009, p. 77). Para tanto, a presente pesquisa abordará a tríade de residências unifamiliares selecionadas: Residência Hélio Olga (1990); Residência Baeta (1993) – local e data, e; a Residência Guarujá (1997). 16 “Nasceu em São Paulo em 1944. Entre 1964 e 1969 estudou na FAUUSP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), onde tornou-se doutor em 2005. Professor de Projeto da FAUUSP de 1972 a 1976, e desde 1994.Recebeu os prêmios: Cubo de Bronze na Bienal Internacional de Buenos Aires em 1985; Premiação Nacional IAB em 1991; Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 1993 - Destaque da Obra; Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 1997 - Grande Prêmio Ex-Aequo; Prêmio Fundação Vilanova Artigas, em 1991. Participou de Concursos Públicos: 1o Prêmios nos ERPLANs de Marília, Bauru e Araçatuba, em 1976; 4o lugar na Sede da FAPESP, em 1998; Menção Honrosa na Reurbanização do Vale do Anhangabaú, em 1981; Menção Honrosa no Pavilhão Brasileiro, Expo de Sevilha, em 1991; Menção Honrosa na Reurbanização do Carandiru, em 1999; É autor de diversos projetos e obras dentre as quais se destacam: Pavilhão Pindorama, 1985; Vila Butantã, 2004; FDE - Escola Estadual Jd. Bela Vista, em Mogi das Cruzes, 2005; Residências: Milan, 1975 - Olga, 1990 - Baeta, 1993 - Acayaba, 1997” - Trecho de biografia apresentada em internet. Fonte: MarcosAcayaba.com 104 Sabe-se que a Residência Hélio Olga, situa-se como a primeira obra da tríade supracitada, dados os contextos semelhantes que sucederão nas obras posteriores de mesmo emprego e providenciamento de soluções tectônicas: “terreno íngreme, entorno com vegetação intensa, pré-fabricação em madeira” (GALVÃO, 2009, p. 78). Tal edificação recebeu o nome seu proprietário, o engenheiro Hélio Olga, podendo ser compreendida como uma homenagem, dado que Olga teria contribuído com experimentos técnicos para confeccionar as peças de madeira que desenhariam a casa tal como se tem hoje construída. Como parte dos dados e informações complementares quanto o contexto do projeto arquitetônico que abarca essa residência, a dissertação de Fernando Galvão sublinha as justificativas e critérios de escolha do arquiteto (GALVÃO, 2009, p. 80): Neste projeto, a concepção da estrutura pré-fabricada em madeira tem suas raízes em outro projeto de Acayaba desenvolvido 11 anos antes, em 1986, com a Casa Oscar Teiman, no Guarujá ± São Paulo. Naquela ocasião, o arquiteto traçou os riscos básicos de como seria a casa que, por insistência do proprietário deveria ser nos moldes da carpintaria tradicional japonesa. O detalhamento ficou a cargo do arquiteto japonês Yoshinori Taguchi. Acayaba utilizou esse aprendizado empírico de algumas soluções formais e técnicas orientais de construção arquitetônica em projetos posteriores, onde em cada oportunidade pôde refinar suas ideias acerca dessa linguagem estrutural. O partido estrutural para a Residência Hélio Olga consiste basicamente em uma composição de 20 módulos geometricamente bem definidos em configurações cúbicas, seguindo as medidas de 3.30m x 3.30m x 3.30m que, por sua vez, estariam conjugados em pares. Essa solução estrutural teve como princípio atender e alinhar, em concomitância, os interesses primários de plasticidade do sistema estrutural como um todo, bem como a organização do programa qualitativo e funcional para a implantação (NAKANISHI; FABRÍCIO, 2009, p. 47). A medida padronizada em seguimentos de 3.30m, portanto, foi assim proposta visando uma flexibilidade das subestruturas em conciliação com a estrutura principal ou, em outras palavras, uma vez adotada a medida de 3.30m, ter-se-ia uma maior flexibilidade para encaixe das vedações, cujo módulo base mede 1.10m (Idem, 2009, p. 47). Outro elemento importante para o melhor desempenho estrutural da edificação como um todo, incide na articulação desse com os cabos de contraventamento, utilizados em longa escala nas fachadas da residência. Desse modo, os cabos compostos por vergalhões de aço galvanizado, estariam sujeitos às amarrações na própria estrutura de madeira. Tais articulações foram definidas em tarugos metálicos, de mesma propriedade e material dos vergalhões que, por sua vez, foram rosqueados à estrutura de madeira. Desse modo, os contraventamentos evitariam deformações horizontais e verticais (NAKANISHI; FABRÍCIO, 2008, p. 48) 105 Fig. 50 – Estudo esquemático tridimensional da estrutura – Residência Hélio Olga Fonte: Construtora ITA Fig. 51 – Processo de constituição de elementos estruturais in-loco – Residência Hélio Olga Fonte: Construtora ITA 106 Marcos Acayaba retomaria a experiênciaconstrutiva que teve como referência a execução da Residência Hélio Olga. Anos depois, a expressividade arquitetônica dessa casa - que é devido ao emprego da madeira na sua composição estrutural, passaria a ser (re)formulada para a Residência Baeta. As peças de madeira inicialmente articuladas para criar uma “ponte dentro de treliças” na residência anterior (ACAYABA, 2021, p. 177), consolidou-se como partido de estrutura no projeto arquitetônico da Residência Baeta17, em cujo terreno se observa a particularidade topográfica que determinou condicionantes à implementação dessa casa, no tocante às dificuldades locais para providenciar um canteiro de obras, bem como às limitações encontradas para estabelecer um quantitativo reduzido de pontos de apoio (GALVÃO, 2009, p. 85). Sucedeu-se que no caso da Residência Baeta, foram viabilizadas técnicas construtivas para implementar peças maciças de jatobá, tanto para estrutura principal, quanto para elementos de estruturas secundárias e arremates, tais como “caixilharia, divisórias e piso” (ESPÓSITO, 2007, p. 275). Mesmo a madeira obtendo predominância nessa residência, existem ainda peças articuladoras do sistema estrutural constituídas de material metálico, aplicação de cobertura em alumínio e também concreto armado em se tratando especificamente dos pontos de apoio e da fundação. A estrutura da Residência Baeta parte da funcionalidade estrutural estabelecida por meio do módulo elementar do triângulo, cuja geometria permite obter estabilidade e flexibilidade ao especializar subunidades vinculadas à estrutura principal que, por conseguinte, apresenta como resultado final, facilidades de montagem rápida e logística de transporte das peças pré- fabricadas. O conceito triangular que fundamenta o arranjo estrutural da casa, esse teria o respaldo qualitativo de trazer definições geométricas claras no conjunto da obra como um todo, com incidências diretas na volumetria e na organização do programa funcional da residência em si mesma. Assim sendo, “tudo respeita a diagramação da célula estrutural, seja por múltiplos de seu tamanho ou por subdivisões do mesmo” (GALVÃO, 2009, p. 87). Outro aspecto relevante na estrutura da Residência Baeta, encontra-se na composição total em forma de árvore, contando com seis pilares nos pontos de apoio, os quais recebem as cargas transmitidas com o auxílio de mãos francesas (Idem, 2009, p. 88) 17 A casa Baeta foi assim intitulada por pertencer ao casal Raquel e Ricardo Baeta. Esse último, engenheiro de formação, teria tido contado com a obra de Acayaba por intermédio do engenheiro Hélio Olga, com quem Acayaba trabalhara no desenvolvimento do projeto de sua residência. Olga atuou como projetista estrutural para a Residência Baeta que, cujo projeto arquitetônico, data do ano de 1991. A execução da Residência Baeta, que soma 267m² de área construída – dentro de um terreno generoso de 1.200m², no litoral paulista, mais precisamente em Iporanga, Guarujá, foi elaborada pelo próprio engenheiro Ricardo Baeta entre os anos de 1992 e 1994 (ACAYABA, 2021, p. 195) 107 Fig. 52 – Croqui da Residência Baeta Autor: Marcos Acayaba Fonte: Arquivo Arq Fig. 53 – Detalhe da “árvore estrutural”, modulações triangulares e ponto de apoio Autor: Nelson Kon Fonte: Arquivo Arq 108 Conquanto o projeto da residência do próprio arquiteto Marcos Acayaba tenha sido datado no ano de 1996 (ACAYABA, 2021, p. 206), a ideia seminal formulada na residência de Hélio Olga e, posteriormente, a oportunidade que Acayaba tivera de experimentar novamente a mesma técnica empregada para o projeto da residência Ricardo Baeta, acumularam-se no seu “fazer arquitetura”, de modo a provocar o interesse dessa estrutura para elaboração de sua própria residência em Tijucopava, nas proximidades do Guarujá. Tendo em vista tal conhecimento empírico aplicado nessas tipologias arquitetônicas e estruturais, Acayaba havia decidido construir sua casa em um terreno de características semelhantes às casas citadas: entorno com mata fechada, terreno muito acidentado e execução de obra em meia-encosta (Idem, 2021, p. 208). Sobre a organização do programa qualitativo e funcional, Fernando Galvão descreve o seguinte exposto (GALVÃO, 2009, p. 91): Os espaços distribuem-se em quatro pavimentos que se articulam num volume formado por uma sucessão de planos geométricos com modulação triangular. Devido a sua forma hexagonal, a implantação encaixa-se entre as principais árvores existentes, tornando-se naturalmente parte do meio onde está inserida. Uma passarela em madeira, com apoio central e que está ancorada na laje de concreto que serve de base para o estacionamento, dá acesso ao principal pavimento da residência, onde estão as salas de estar e jantar, cozinha e três terraços em balanço. No andar inferior, três suites e um terraço organizam-se em torno de uma escada em caracol com degraus em madeira suspensos por tirantes de aço que interliga todos os pavimentos. A área de serviço (lavanderia) está no primeiro pavimento, suspenso pela estrutura superior mas que tem acesso ao terreno por uma pequena ponte em madeira mais simples que a principal (que dá acesso à residência). O terraço de cobertura é uma área de estar ao ar livre e projeta-se acentuadamente do volume principal para protegê-lo das intempéries. Ora, o partido arquitetônico para a concepção estrutural de sua casa, teve como primeira referência de seu repertório, a modulação da grelha triangular utilizada na residência de Ricardo Baeta, a qual dispunha da medida 1.25 metro para cada lado do triângulo equilátero – célula básica da modulação da grelha. Da mesma residência, Acayaba tomou como também como partido o mesmo parâmetro aplicado para estabelecer o quantitativo reduzido de pontos de apoio, os quais receberiam as mãos francesas para suportar os três hexágonos-satélites que compõem a planta da casa, esses amarrados ao hexágono central. Essa performance dos elementos estruturais em madeira articulados com um desenho semelhante a de uma árvore, permitiu que a planta “correspondesse a um hexágono irregular, [adotando] composição de 33 triângulos equiláteros, com 2,5 metros de lado” (ACAYABA, 2021, p. 208). 109 Fig. 54 – Exposição de modelo físico e protótipo de estrutura da Residência Acayaba Fotos: Juan Guerra Fonte: Vitruvius (2014) Fig. 55 – Vista parcial de uma das fachadas da Residência Acayaba Fonte: Arquivo Arq 110 111 CAPÍTULO III SISTEMAS ESTRUTURAIS: COMPONENTES CURRICULARES E MÉTODOS DE ENSINO EM ESCOLAS DE ARQUITETURA Para além de uma revisão textual e bibliográfica, vista como pressuposto deste trabalho como um todo, as etapas subsequentes para sua conclusão, em específico do capítulo terceiro, centram-se em obter dados complementares, cujos são necessários a uma compreensão aprofundada do estudo de caso aqui inicialmente estudado, no intuito de apresentar resultados consistentes quanto aos aspectos práticos do ensino de sistemas estruturais e suas tecnologias construtivas inseridas em componentes curriculares dos cursos de arquitetura aqui analisados. Entende-se que os instrumentais metodológicos adotados, em síntese, as matrizes curriculares e os planos de ensino foram importantes para o levantamento empírico e inicial desta pesquisa, porém, tais objetos limitaram a enxergar os métodos de ensino e seus componentes curriculares no âmbito de sua estruturação e/ou programação de ensino. Nesse sentido, convém frisar a importância de tomar o conhecimento desses assuntos vistos à luz das práticas, estendendo o escopo dos instrumentais metodológicos para entrevistas com docentescatedráticos e/ou pesquisadores dessas instituições, assim como também seriam entrevistados discentes brasileiros e estrangeiros que realizaram intercâmbio durante o seu processo de formação. Como produto do estudo de caso, o quadro comparativo objetivou sintetizar as informações encontradas para, posteriormente, desenvolver a sua análise comparativa de modo adequado, considerando a aplicação de leituras gráficas sobre o mesmo objeto. Além dessas atividades. 3.1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS: CONSIDERAÇÕES INICIAIS A partir da organização dos cursos programáticos ligados às estruturas e suas tecnologias construtivas, constatou-se em breve levantamento, a difusão de referenciais teóricos e bibliográficos recorrentes ao tema em questão. Tais publicações consistem basicamente nas abordagens dos fundamentos e conceitos direcionados aos aspectos técnico-construtivos da arquitetura. Nesse sentido, as publicações de Heino Engel (2013), Francis Ching em coautoria com Barry Onouye e Douglas Zuberbuhler (2010), Yopanan Rebello (2012) e Aluízio Margarido (2003), a título de exemplo, destacam-se veementemente no cenário brasileiro, 112 dada a sua importância didática voltada diretamente para o ensino de arquitetura. Buscou-se, portanto, compreender a partir dessa literatura selecionada, a conceituação de sistemas estruturais no seu viés prático e/ou didático. 3.1.1. Conceituação de Estrutura e Sistemas Estruturais A obra de Rebello, “A Concepção Estrutural e a Arquitetura”, como o próprio título sugere, traz análises amplas quanto ao emprego de sistemas estruturais. O autor considera as interfaces da aplicação de estruturas com elementos condicionantes, componentes e qualificadores inerentes ao objeto arquitetônico, enfatizando as relações de dependências da concepção estrutural com fatores externos, isto é, “estética, custos, possibilidades construtivas, materiais e tantas outras variáveis” (REBELLO, 2000, p. 17).Também se reforça, nesta obra, a classificação de peças estruturais elementares como sistemas estruturais básicos que, por sua vez, são associados para composição de sistemas maiores e mais complexos, uma vez que os sistemas estruturais básicos, tais como vigas, pilares, arcos, por exemplo, por si só, perderiam sentido prático e técnico quando aplicados isoladamente em determinada construção. Para o autor (2000, p. 117): É a associação adequada dos sistemas estruturais básicos, em quantidade, forma e processo, que dá sentido à estrutura e, em consequência, à arquitetura. Essas associações ocorrem como resultado natural da concepção arquitetônica: das funções, dos espaços e intenções formais. A criação de linhas e planos que se harmonizam na criação de formas arquitetônicas e que se integram ao meio em que se inserem, está intimamente ligada às possibilidades de associações entre os sistemas estruturais básicos Aluízio Margarido em “Fundamentos de Estrutura”, traça paralelos na conceituação de sistemas estruturais, introduzindo a relevância profissional protagonizada pela figura do engenheiro na concepção estrutural da edificação. No entanto, tendo em vista que o assunto das estruturas se estende a outros profissionais que lidam com a construção civil, Margarido ressalta sobre a importância de envolvimento e engajamento de arquitetos quanto à aplicação de conceitos estruturais na prática do projeto arquitetônico, partindo do entendimento básico acerca do comportamento de peças estruturais. Desse modo, o âmbito do ofício desses profissionais orientaria, na prática, as condições necessárias para o entendimento de estruturas da edificação e seus sistemas de construção. Nesse ínterim pragmático, a estrutura ou sistema estrutural de um objeto arquitetônico estaria correlacionada à sua própria forma, garantindo que “o edifício fique de pé” mediante esforços físicos impostos por suas funções e cargas pré-determinadas, seus materiais componentes e pelas ações do contexto ambiental (MARGARIDO, 2003, p. 1), para, enfim, alcançar o 113 dimensionamento adequado de seus elementos. Seu objetivo seria, prioritariamente, permitir o funcionamento da edificação atendendo às normativas de segurança, no que tange aos padrões de resistência exigidos quanto às cargas previstas em projeto. Assim, a categorização hierarquizada e o lançamento desses elementos em sistema, poderiam ser considerados, para além de seus estudos analíticos em seus aspectos puramente técnicos, instrumentos inexoráveis ao exercício profissional, passíveis de aplicação ao desenho e execução do edifício como um todo. Paralelamente aos autores apresentados, tem-se também literatura estrangeira amplamente empregada nas principais escolas brasileiras de arquitetura. De cunho nitidamente didático, as publicações de Heino Engel (2013) e Francis Ching et. al (2010), tratam das especificidades técnicas acerca dos sistemas estruturais, explicando suas variações de funcionamento por meio de estudos tipológicos. Enquanto o primeiro apresenta tais estudos de modo hierarquizado, focando na categorização estritamente do desenho de sistemas estruturais, o segundo abrange leituras na perspectiva do funcionamento e composição de peças estruturais, estendendo-se à articulação desses para elaboração de um sistema coeso ou tecnicamente viável. Ambos os livros, de modo geral, são estimados por docentes e discentes quanto ao tratamento de assuntos técnicos por meio de linguagem gráfica. Em se tratando de Engel (2013, p. 25), o autor infere sobre as elementaridades dos sistemas estruturais: O meio material do homem está composto por objetos isolados ou em conjunção, amimados ou inanimados, crescidos e construídos. De acordo com sua origem, estão dividos em duas categorias: objetos naturais e objetos técnicos. Também os elementos, dos quais o objeto separado está composto, são objetos que, no inverso daquele grande sistema, outra vez figuram como peças, onde vários objetos separados integram um único. Portanto, os objetos materiais não pertencem a sua grandeza particular. Eles são componentes de ambos: macrocosmo e microcosmo. Como noção eles compreendem todos os sólidos definíveis no meio material. Dentro desse espectro literário, ainda que sejam divulgados em menor grau, destacam-se ainda os clássicos escritos pelos alemães Neufert e Leonhardt, no tocante à configuração de espaços mediante o dimensionamento estrutural e ao aprofundamento de sistemas estruturais em concreto armado, respectivamente. Dando prosseguimento a essa lista, não menos importante são os clássicos publicados por Manuel Henrique Campos Botelho, e Falcão Bauer, uma vez que tangenciam alguns assuntos pertinentes aos sistemas estruturais e suas tecnologias, ainda que tenham como objeto central de estudo as características materiais do concreto armado. Por fim, percebe-se que a conceituação de sistemas estruturais é ampla dentro do universo das tecnologias construtivas e indicam abordagens que variam nos campos de conhecimento 114 das ciências exatas e das ciências humanas. Tamanha importância do assunto, que não se esgota unicamente em uma disciplina em si, no âmbito do ensino de arquitetura, obtendo, desse modo, sua transversalidade aos demais eixos pedagógicos de diferentes cursos. 3.1.3. Metodologia de pesquisa O âmago dos procedimentos metodológicos desta pesquisa, em específico neste capítulo, centrou-se na elaboração de um estudo de caso aplicado sobre o objeto pré-determinado, isto é, o ensino de sistemas estruturais e suas tecnologias nos cursos tradicionais de arquitetura. Para tanto, recorreu-se à seleção de cursos de graduação em arquitetura, os quais desfrutassem de seu reconhecimento no âmbito acadêmico e no cenário nacional e internacional. Para além da referência de ensino, tida como critério inicial para escolha dessas escolas, buscou-se examinaraspectos qualitativos promovidos por essas instituições quanto à relevância de ensino e de pesquisa. Em cada caso pesquisado, adotou-se por estratégia de análise o escalonamento sobre as questões de ensino, partindo de seus aspectos gerais rumo às suas particularidades, objetivando assim conhecer os traços históricos e identitários em cada curso investigado, suas principais características quanto à formação dos discentes e eventuais repercussões nas produções arquitetônicas e científicas influenciadas por essas escolas. Buscou-se, em específico, analisar as disciplinas diretamente ligadas aos conteúdos programados do eixo das tecnologias de construção, bem como suas aplicabilidades teóricas e práticas quanto ao ensinamento e desenho de sistemas estruturais por meio de aulas expositivas e exercícios de projeto. Para efetivar as diretrizes metodológicas deste trabalho, recorreu-se, em primeiro lugar, às grades curriculares dos cursos de arquitetura, cujas matrizes apresentassem as disciplinas obrigatórias, selecionando àquelas que preconizassem o conhecimento das técnicas, materiais, sistemas de construção e o emprego de suas tecnologias. Embora essa delimitação fosse necessária para melhor compreender o objeto de estudo em questão, verificou-se a existência de cursos de extensão e eventuais disciplinas optativas atreladas à disseminação das tecnologias construtivas, as quais auxiliariam na capacitação técnica e científica dos discentes através de assuntos extraclasse. Ainda sobre a matriz curricular dos cursos selecionados para apreciação, constatou-se sua relevância como instrumental metodológico para visualizar a função das disciplinas e suas articulações no curso como um todo. Em se tratando das leituras gráficas das grades curriculares, priorizou-se as disciplinas do eixo das tecnologias construtivas, cada uma por 115 vez, a fim de examinar suas relações horizontal e vertical com as demais disciplinas dos cursos. Desse modo, possibilitou-se, no primeiro quesito, o acompanhamento progressivo do grau de complexidade e da subsequência dos assuntos das tecnologias construtivas; e, no segundo, as interconexões de assuntos comuns às disciplinas lecionadas de modo paralelo no mesmo período, como por exemplo, as aulas ministradas nos estúdios/ateliers de projeto arquitetônico e as de cunho histórico e/ou teórico. Ressalta-se que, em face da pouca produção bibliográfica específica no assunto desta pesquisa, as plataformas digitais das escolas analisadas foram imprescindíveis para a coleta de dados e informações pertinentes às práticas de ensino, aos conteúdos programados e à estruturação dos cursos. Nesse sentido, os catálogos on-line permitiram estudar as características históricas dos bacharelados e/ou licenciaturas em arquitetura, bem como seu processo de consolidação, além de examinar diferentes matrizes curriculares, como já mencionado, e pesquisar estritamente os planos de ensino das disciplinas voltadas às tecnologias construtivas. Talvez o instrumental utilizado com mais frequência para obter avanços neste estudo seja o plano de ensino de disciplina. Este documento consiste basicamente na definição dos conteúdos a serem ministrados de acordo com o título da disciplina, seus créditos ou carga horária equivalente. Através do plano de ensino é possível também identificar as expectativas de aprendizagem do curso em si e os pré-requisitos exigidos dos discentes em cada caso. O plano de ensino é o principal instrumento que sintetiza informações básicas do curso e, além dessas, explicita concomitantemente seus objetivos gerais e específicos, métodos de avaliação e de ensino-aprendizagem, ao passo que apresenta o referencial teórico por meio das referências bibliográficas. 3.2. ESTUDO DE CASO Como parte dos componentes metodológicos de estudo de caso, foram selecionados cursos de arquitetura com nacionalidades e perfis de formação distintos entre si, no intuito de realizar análises descritivas para, a partir dessas, prosseguir com leituras comparativas e discussão de resultados. Ressalta-se, portanto, o caráter empírico desta investigação Desse modo, elencou-se duas escolas de arquitetura de quatro países diferentes, totalizando os oito cursos analisados em instituições localizadas no Brasil, na Alemanha, na Itália e no Portugal, em específico, as graduações de arquitetura e institutos avançados de pesquisa em tecnologias construtivas ofertados pela Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em se tratando dos casos brasileiros; Universidade 116 Tecnológica de Munique (TUM) e Universidade de Stuttgart, assim representando o contexto de ensino germânico; os tradicionais institutos politécnicos italianos das cidades de Milão (PoliMi) e Turim (PoliTo); e as escolas lusitanas de arquitetura representadas pela Universidade do Porto – mais conhecida como Escola do Porto (FAUP), e pela Universidade de Lisboa (FAUL). Para elaboração dessa listagem, pesquisou-se incialmente as questões históricas atreladas aos processos de industrialização em cada país, considerando os respectivos contextos geográficos e culturais, e que, por hipótese, ocasionaria repercussões de cunho reformista nos métodos tradicionais do ensino de arquitetura. Dentro desse amplo espectro sociopolítico e educacional, ressalta-se o método beuxartiano (ABRUNHOSA; BREIA, 2017), que vigorou noas tradicionais cursos de arquitetura ligados às academias de belas artes. Não obstante, conastatou-se que algumas das escolas pesquisadas nasceram ou foram precursoras do modelo École, passando por fases de transição quanto ao novo paradigma de ensino em arquitetura, o qual, grosso modo, requisitou um alinhamento com as inovações tecnológicas advindas do progresso industrial em voga. Cabe mencionar ainda que, diante desse debate, isto é, de um lado as contestações do tradicionalismo acadêmico e, de outro, a busca crescente por atualizações no ensino de arquitetura, o surgimento dos institutos politécnicos teria favorecido a disseminação desses aspectos de cunho industrial na formação e atuação profissional de novas gerações de arquitetos. Além disso, se antes os institutos politécnicos reforçavam significativamente a cisão das práticas de ensino em face das escolas conservadoras, percebe-se hoje que, na atual estruturação dos cursos aqui analisados, algumas escolas de arquitetura apresentam uma configuração de conciliação, com incorporação do ensino politécnico por parte das faculdades tradicionais e vice-versa. A partir das considerações breves acerca do panorama histórico e da complexidade dos paradigmas de ensino de arquitetura, os quais ainda enfatizariam, seja em maior ou menor grau, as características qualitativas dos componentes curriculares das tecnologias construtivas, organizou-se fichas de identificação para cada curso pesquisado, objetivando assim descrever suas apresentações de modo sintético. 117 3.2.1. Institut für Leichtbau Entwerfen und Konstruieren (ILEK) Universitat Stuttgart Fig. 56 – Sede do Instituto de Estruturas Leves, Universidade de Stuttgart Fonte: ResearchGate DADOS DE IDENTIFICAÇÃO FUNDAÇÃO DO INSTITUTO: 01/04/2001 (BLANDINI; SOBEK, 2020) CIDADE/PAÍS: Stuttgart, Alemanha INSTITUIÇÃO: Universidade de Stuttgart ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: Sistemas Estruturais, Arquitetura & Design CURSO: Engenharia Civil ATUAL DIRETOR: Werner Sobek PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO INSTITUTO Ligado à Faculdade de Engenharia Civil da Universidade de Stuttgart, o “Instituto de Estruturas Leves e Projeto Conceitual”, ILEK, consagrou-se como referência global na disseminação de conhecimento a partir de pesquisas feitas, no campo das tecnologias construtivas, no que tange o uso de concreto armado. Suas origens remontam o início do século XX, entretanto,o ILEK veio a surgir com a fusão de dois institutos precedentes da mesma universidade, as quais acumularam conhecimento e pesquisa científica acerca de sistemas estruturais leves (BLANDINI; SOBEK, 2020). Nesse sentido, o ILEK tornou-se inovador ao reunir disciplinas de arquitetura e de eangenharia civil em prol do desenvolvimento de estruturas leves. Ao longo da trajetória, o ILEK contou com a contribuição de mestres, arquitetos e engenheiros renomados como Emil Morsch, Karl Deininger, Fritz Leonhardt, Jorg Schlaich, Frei Otto e Werner Sobek, este último seu atual diretor (UNIVERSITAT STUTTGART, 2021). Ressalta-se ainda, a importância do trabalho de Otto para o ILEK, arquiteto laureado postumamente pela Fundação Pritzker no ano de 2015, uma vez que suas obras primam pela utilização de estruturas leves, em suma com o emprego massivo de aço e vidro. Leonhardt, por sua vez, consagrou-se como referência mundial por meio de suas publicações sobre concreto armado. 118 De modo geral, os cursos de arquitetura na Alemanha são conhecidos por sua metodologia peculiar quanto aos aspectos práticos da construção civil. Esse viés pragmático e as preocupações pedagógicas quanto a conciliação da arte com a técnica no ensino de arquitetura, o qual, por hipótese, passaria por modificações consideráveis com o advento da industrialização vivenciado no sul do país, trata-se, em análise inicial, de um processo de longo prazo, o qual tem atravessado o decorrer do século XX (MEISSNER; NERDINGER, 2021). Talvez caso mais divulgado no âmbito acadêmico dessa experiência alemã, seja a influência da escola Bauhaus, criada em 1919. Mesmo na contemporaneidade, os cursos germânicos de arquitetura têm servido de referência quanto ao ensino das inovações tecnológicas no campo da arquitetura. Nesse contexto, insere-se a necessidade de analisar o exemplo do ILEK, o Instituto de Estruturas Leves e Projeto Conceitual. Ainda que não seja precisamente uma faculdade de arquitetura, o ILEK atua como instituto de estudos avançados vinculado à Faculdade de Engenharia da Universidade de Stuttgart, sendo responsável por integrar assuntos pertinentes a ambos os campos do conhecimento. Este centro de pesquisa tem por objetivo investigar tipologias de arquitetura junto à composição de formas, com foco em composição de novos elementos construtivos e, por conseguinte, no aprofundamento de sistemas estruturais inovadores em face do cenário global. Para tanto, o ILEK visa abordar seus conteúdos ministrados a partir de métodos interdisciplinares para trazer soluções de tecnologia para construção, tratamento de fachadas e composição de sistemas estruturais, tendo como mote a durabilidade, resistência, montagem e montagem de experimentos. Dentro desse espectro, o ILEK trabalha para a disseminação de novas tecnologias construtivas, unindo os tópicos de sistemas estruturais a partir das materialidades fornecidas pela indústria local e internacional, atuando na análise de vidros especiais, ligas metálicas, elementos têxtis e peças em concreto protendido, assim como na fabricação desses, desde a criação de ferramentas digitais para procedimentos de prototipagem até a composição do produto final. Assim, o ILEK, é detentor de sua própria experiência laboratorial consolidada ao longo dos anos, cuja identidade é transversal aos cursos de arquitetura e de engenharia civil da mesma instituição. A experiência do ILEK tem servido de estudo de caso para eventuais atualizações 119 e/ou reformas em cursos tradicionais na Europa, sobretudo aqueles ainda influenciados veementemente pelo ensino Beux-arts (TOMOVIC; SOBEK, 2019). O próprio edifício da sede do ILEK é marco referencial simbólico no que tange a arquitetura experimental de estruturas leves. Em forma de tenda, o edifício foi desenhado pelo arquiteto Frei Otto e erigido em 1966, serviu como modelo para projetos posteriores como o Pavilhão de Montreal e o Estádio Olímpico de Munique, ambos também projetados pelo mesmo arquiteto. A utilização de estrutura de malha metálica tensionada, em conjunto com placas de vidro para materializar a vedação da cobertura, tornou-se a principal linguagem estética adotada por Frei Otto. Subordinado à Faculdade de Engenharia, supõe-se que tal ligação, no entanto, não impede que o ILEK desenvolva pesquisas e conhecimento de tecnologias inovadoras de modo autônomo e quase que independente à estrutura curricular do curso de engenharia. Entretanto, a análise das práticas de ensino de sistemas estruturais direcionadas aos estudantes e profissionais do ramo da construção civil dentro deste Instituto, inclusive àqueles da área de arquitetura e design, limitou-se ao histórico e perfil do ILEK em si, uma vez que o mesmo não apresentava, de modo claro, uma sistematização do ensino de sistemas estruturais. Por outro lado, identificou-se linhas de pesquisa e programas de Mestrado científico e profissional sobre tecnologias construtivas, emprego de novos materiais e inovações de sistemas estruturais, o que permitiu analisar e descrever características gerais do ILEK. O instituto conta com cinco áreas de concentração de pesquisa: SFB 1244; Construções leves; Flexibilidade e adaptação física de materiais; Tópicos de Engenharia Civil; e Áreas diversas. Esse último agrupa ainda mais quatro subáreas correlatas ao estudo de desempenho de materiais e composição de sistemas modulares. 120 3.2.2. Fakultät für Architektur, TUM (Alemanha) Technische Universität München (TUM) Fig. 57 – Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique Fonte: TUM DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura FUNDAÇÃO DO CURSO: 1868 CIDADE/PAÍS: Munique, Alemanha INSTITUIÇÃO: Universidade Técnica de Munique ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Transformação Urbana e Paisagística; Tecnologias Integradas de Construção; Patrimônio Cultural, História e Crítica. ATUAL DIRETOR: Andreas Hild PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO O Departamento de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique conta com 1.500 alunos, 200 pesquisadores e 30 professores. Seu corpo docente e discente busca por abordagens de integração do ensino e da pesquisa, a partir das políticas cooperativas e extensivas às organizações públicas e privadas na região metropolitana de Munique. Como principal diretriz pedagógica, esta escola visa trazer melhoramentos de modo sustentável à sociedade, tendo em vista as transformações no ambiente construído, bem como a intersecção deste em aspectos socioeconômicos e culturais (TUM, 2021). O surgimento deste departamento e da universidade em si como um todo, remonta ao episódio de resistência por parte da antiga Academia de Artes de Munique, em específico, da Escola de Construção, que permanecera então relutante com o advento da industrialização no sul da Alemanha, e seu impacto eminente no processo de ensino das práticas construtivas. Em 1833, foi fundada a Escola Politécnica de Munique, em face do debate entre o ensino de cunho academicista e o de perfil tecnológico (MEISSNER; NERDINGER, 2021). Por alguns anos, não havia uma distinção clara dos títulos de arquiteto e engenheiro, o que provavelmente consolidou uma identidade própria no curso de Arquitetura da TUM, no que tange a abordagem da tectônica e de sua transversalidade em diferentes disciplinas do curso. https://www.tum.de/ https://www.ar.tum.de/startseite/ 121 De acordo com a matriz curricular apresentada pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique, seu curso estrutura-se em etapas semestrais, totalizando oito semestres para obtenção do bacharelado em arquitetura. Dessas etapas, dois semestres sucessivos são dedicados às experiências de intercâmbio por parte dos discentes, funcionando como um período divisor entre as matérias básicas do curso e o último ano da graduação. Em últimaanálise, percebe-se nesta matriz curricular, um perfil de curso consideravelmente direcionado às práticas construtivas no âmbito da arquitetura, visto a carga horária expressiva para as disciplinas de projeto arquitetônico, das técnicas construtivas e de sistemas estruturais, a começar pelos três semestres iniciais da graduação. Em paralelo às disciplinas de projeto arquitetônico, isto é, “Projektarbeit” ou Trabalho de Projeto I, II e III, são ofertados os cursos de Estática e Teoria da Força, Estruturas de Apoio e Conforto Térmico e Tecnologia da Construção, ambos organizados de modo sequencial, visando o acompanhamento das atividades de projeto arquitetônico. Entremeando-se a essas, existem as disciplinas do eixo de construção, “Konstruktion”, onde constatou-se a concentração dos conteúdos atrelados ao ensino de sistemas estruturais. O conjunto desses conteúdos estão distribuídos em três semestres, também designados para funcionar em atendimento às demandas das disciplinas de projeto arquitetônico, de maneira a fornecer subsídios teórico-práticos para o desenho das edificações. Em cada semestre, as disciplinas “Konstruktion” recebem enfoques específicos. A disciplina “Konstruktion 1”, ou Construção I, consiste basicamente em apresentar e aplicar conceitos fundamentais de projeto de arquitetura em relação às suas tipologias de construção. Em síntese, trata-se de trazer à luz do conhecimento para o corpo discente o processo de criação bem como os parâmetros da prática projetual em arquitetura, o conhecimento de componentes básicos da edificação como fundações, paredes, aberturas, lajes, coberturas e escadas em seus aspectos construtivos, as variedades de materiais e seus comportamentos físicos no campo da estática e sua estruturação em sistemas na edificação. A partir disso, espera-se que os alunos desenvolvam competências quanto à compreensão de termos técnicos da construção civil e de funções primordiais de componentes construtivos na organização de sistemas estruturais, quanto ao entendimento da utilização adequada de materiais construtivos segundo suas propriedades físicas e químicas, e também quanto à distinção necessária entre as tipologias construtivas, para além do conhecimento de conceitos fundamentais da física aplicada à construção civil. Como método de avaliação, são aplicados 122 testes escritos durante o final de semestre, somando-se ao desenvolvimento de análise predial numa configuração de seminário em grupo. Por conseguinte, a etapa sucessiva do ensino de sistemas estruturais dentro do curso de Arquitetura da TUM, ocorre em “Konstruktion 2”, ou Construção II. Nesta cadeira, é atribuído um enfoque específico para sistemas estruturais de madeira, cujo conteúdo central traz abordagens tipológicas entre a composição de elementos estruturais desse material e o desenho da edificação. Desse modo, as dimensões humanas, as configurações espaciais, as questões de flexibilidade e de sustentabilidade são examinadas visando o melhor aproveitamento da madeira na construção. Além desses tópicos, são ministrados também conceitos de proteção contra o incêndio em conjunto com as propriedades térmicas da madeira e instruções normativas que vigoram no país e na região. Como parte das expectativas previstas para o curso de Construção II, almeja-se, através da apreensão dos tópicos ministrados, a capacitação prática dos discentes sobre as leis físicas e a organização de sistemas estruturais a partir do emprego adequado da madeira. Em específico, espera-se também que os alunos desenvolvam competências no quesito de configuração do espaço, do domínio dos termos estruturais relacionados com a madeira e suas classificações como um sistema estrutural. Quanto a avaliação dos conteúdos ministrados em Construção II, a mesma segue de modo idêntico à da disciplina Construção I. Konstruktion 3 ou Construção III, por sua vez, objetiva por meio dos conteúdos programados, preparar os discentes na identificação de materiais relevantes à construção civil, ampliando a complexidade nesta cadeira, no que tange a combinação, articulação e adaptação de sistemas estruturais diferentes entre si. Desse modo, a disciplina tem por perspectiva estimular práticas projetuais que melhorem o grau de precisão e a utilização adequada de materiais de origem mineral e de ligas metálicas na composição de sistemas estruturais e do arranjo como um todo no desenho da edificação. Por fim, no último ano da graduação, os estudantes estão sujeitos a cursar módulos obrigatórios para fins de conclusão do bacharelado, inclusive parte desses, são extensivos do conteúdo das técnicas construtivas e da pesquisa de novas tecnologias aplicadas em edificações, como um processo contínuo no conjunto dessas disciplinas e da matriz curricular dessa graduação. Como produto final de conclusão de curso, os alunos são avaliados mediante apresentação da tese de graduação e de exercício projetual na cadeira “Projektarbeit 5”. 123 3.2.3. Escola de Artes e Ofícios Bauhaus (Alemanha) Staatliches Bauhaus Fig. 58 – Escola Bauhaus em Dessau, Alemanha. Fonte: Portal ArchDaily Brasil. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura e Design FUNDAÇÃO DA ESCOLA: 1919 CIDADE/PAÍS: Weimar, Dessau e Berlim, Alemanha INSTITUIÇÃO: Staatliches Bauhaus ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Artes e Ofícios DATA DE ENCERRAMENTO DA ESCOLA: 1933 PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO A Escola Bauhaus foi uma escola vanguardista fundada na Alemanha, por Walter Gropius em 1919, com o objetivo combinar o ensinos de artes e ofícios como por exemplo arquitetura, design e artesanato, integrando-os com as indústrias e comerciantes. O corpo docente contava com artistas de grande reconhecimento como Kandinsky e Mies Van der Rohe. A escola se tornou um importante disseminador das ideologias do movimento modernista na Europa, desde políticas a artísticas, até o governo nazista encerrar suas atividades em 1933. Apesar do curto período em atividade, a escola ficou marcada como a mais importante do movimento moderno, aplicando em seu ensino a ideologia funcionalista, diretrizes as quais, encontram-se enraizadas em diversas filosofias seguidas até os dias atuais. E tendo sua relevância reconhecida por pessoas e profissionais dentro e fora do ramo de arquitetura e artes. . 124 Dentre os cursos oferecidos pela escola podem ser citados como exemplo arquitetura, decoração, pintura, escultura, fotografia, cinema, teatro, balé, design industrial, cerâmica, tecelagem, publicidade, tipografia, entre outros. Destaca-se a conquista da instituição do reconhecimento da máquina como instrumento do artista, proposta que está presente até na expressão que dá nome a escola, pois Bauhaus significa “casa de construção”. A proposta da instituição era de universalização do ensino, unificar os ofícios, compreende- los como interdependentes e indissociáveis, projetando e idealizando o processo produtivo por inteiro. Valorizava-se também a máquina, a produção industrial e a criação de algo inédito, funcional e dinâmico, distanciando-se de possíveis padrões passados enraizados, por esse motivo, a grade curricular incluía poucos estudos históricos. A estrutura do programa era dividida em três etapas, a primeira tratava-se de um curso preliminar obrigatório, no período de um semestre. A segunda etapa, eram exercícios em forma de oficinas, laboratórios e ateliers, onde os alunos praticavam e aprimoravam suas habilidades de resoluções de questionamentos e situações, instigando as habilidades criativas e possibilitando um conhecimento técnico. A última etapa, era uma especialização optativa a qual os estudantes poderia obter o título de mestre e focava os esforços ao ensino da construção. O objetivo era incentivar a interação de estudantes das mais diferentes áreas, para que houvesse umintercâmbio de conhecimentos e técnicas, podendo aprender uns com os outros dentre e fora das salas de aula. Tal instrumento de ensino que pode ser reconhecido na Faculdade de Arquitetura de Lisboa até os dias atuais, tornando-se um bom exemplo de como a Escola Bauhaus continua sendo muito influente, nas mais diversas esferas, sendo em método de ensino, filosofia ou qualquer outra. Lina Bo Bardi em seu texto Arte Industrial de 1958, reitera a alma modernista que é compartilhada com a escola, e a Bauhaus foi um dos grandes vetores de disseminação das ideias do movimento, se não o maior, contando os encontros de pensadores da linguagem na instituição, discorrendo sobre a necessidade da interação das disciplinas dentro de um mesmo objetivo, no caso, a arquiteta exemplifica que o responsável pelo projeto de arquitetura precisa se comunicar e conhecer o engenheiro da obra, o marceneiro e demais responsáveis pela execução do projeto, já que estão trabalhando com um objetivo comum. Cada contratado para a execução de uma obra ou objeto, necessita conhecer o básico do produto final, para que o projeto seja feito e concretizado da maneira correta, criticando a forma dissociada de fazer a arquitetura ou o design, “o arquiteto de prancha que não conhece a realidade da obra, o 125 operário que não sabe “ler” uma planta, o desenhista de móveis que projeta uma cadeira de madeira com as características do ferro [...]”. Os resultados da produção da escola também apresentaram relevância em diversas áreas, dentro do design de interiores, produtos como a “Cadeira Barcelona”, “Poltrona Wassily” e as “Mesas aninhadas de Breuer”, objetos como a “Chaleira Marianne Brandt”, o “Abajur Bauhaus- Leuchte” e o “Tabuleiro de xadrez de Hartwig”. Esses produtos acabaram por mudar a concepção de um objeto, se tornando elementos de influência e grande valor no mercado até a atualidade. Na arquitetura além do funcionalismo as características predominantes são: linhas retas, simples, formas geométricas, janelas em fita, tetos livres, cores puras, uso de pilotis, valorização das estruturas, espaços abertos. O objetivo era criar uma relação integrada entre os espaços arquitetônicos e urbanísticos, evidenciando o sistema estrutural das construções. Como a escola não dissociava seus ensinos, é possível tanto pela característica do movimento que foi pioneira, quanto por suas diretrizes, destacar a grande presença do ensino do sistema construtivo e buscar uma relação estética e volumétrica com a estrutura. A interlocução entre forma-estrutura começa então a considerar o sistema construtivo e materiais, não apenas como elemento de sustentação e estabilidade para um objeto, mas também como meio de possibilitar funcionalidade, interação com os ambientes externos e internos e como um elemento estético. Característica que influencia e se apresenta em diversos outros estilos e construções influenciadas pela escola. Concretizando o objetivo da estrutura pedagógica de unificar o trabalho do profissional. A Escola Bauhaus deixou uma herança imensurável, não apenas nas áreas artísticas, mas também em metodologia, pedagogia e em muitas outras, que não são possíveis de serem contabilizadas. Alguns exemplos disso foi o traçado urbano da cidade de Lagos na Nigéria, o conjunto arquitetônico de mais de 4 mil construções no estilo bauhausiano tombados como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 2003, presente na capital israelense, esse acervo inclusive rendeu o apelido de “Cidade Branca” à Tel Aviv, por conta do uso de tons neutros proposto pela escola. Fora da arquitetura e do urbanismo destaca-se a aplicação da funcionalidade de Bauhaus aplicada no design dos produtos da empresa de Tecnologia e Computação Apple, a qual seu fundador Steve Jobs (2011), revelou a influência da escola no processo de desenho de seus produtos. 126 3.2.4. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, FAU-UnB (Brasil) Universidade de Brasília Fig. 59 – Vista do prédio principal da Universidade de Brasília Fonte: UnB DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura e Urbanismo FUNDAÇÃO DO CURSO: 1962 CIDADE/PAÍS: Brasília, Brasil INSTITUIÇÃO: Universidade de Brasília, UnB ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Teoria, História e Crítica; Tecnologia, Ambiente e Sustentabilidade; Projeto e Planejamento. ATUAL DIRETOR: Marcos Thadeu Queiroz Magalhães PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO A história da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília está intimamente ligada com os eventos subsequentes da inauguração da nova capital federal no Cerrado brasileiro. A instituição em si fora idealizada pelo presidente Juscelino Kubitschek e pelo educador Darcy Ribeiro, contando com o apoio de Cyro dos Anjos e Alcides da Rocha Miranda, esse último que foi arquiteto e primeiro coordenador do curso da FAU-UnB, além de contribuições de Anísio Teixeira que, no momento, estava empenhado na formulação do Plano Educacional de Brasília (ALIAGA FUENTES, 2017, p. 25). Destacam-se os arquitetos Oscar Niemeyer e João Filgueiras Lima na configuração de seus edifícios e da consolidação do CEPLAN, Centro de Estudos e Planejamento Arquitetônico e Urbanístico (ISRAEL, 2020), talvez caso pioneiro, e senão o mais bem-sucedido canteiro experimental aliado às práticas inovadoras de ensino de arquitetura no Brasil. Diferente das escolas existentes no cenário nacional, a FAU-UnB é emblemática quanto à reforma do ensino de arquitetura, no que tange a incorporação de novos componentes curriculares (ALIAGA FUENTES, 2017, p. 45). https://www.tum.de/ 127 A atual configuração do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAU-UnB, consiste basicamente na estruturação de disciplinas a partir de pesquisas em que a escola se insere e desenvolve em conjunto com sua pós-graduação nas seguintes áreas: Teoria, História e Crítica; Tecnologia, Ambiente e Sustentabilidade; Projeto e Planejamento. A partir desse tripé de áreas de concentração, presume-se que a segunda área mencionada estaria voltada aos estudos, pesquisa e disseminação do conhecimento de sistemas estruturais nesta escola. Na FAU-UnB, a organização sistemática dos conteúdos que abordam os sistemas estruturais, dar-se-ia de modo claro e conciso, ao concentrar seus assuntos diversos em três cadeiras específicas: Sistemas Estruturais em Concreto Armado; Sistemas Estruturais em Aço; Sistemas Estruturais em Madeira. Quanto à disciplina de Sistemas Estruturais em Concreto Armado, observou-se no plano de ensino, que o escopo de assuntos abordados concentra uma quantidade considerável de tópicos, visto que os mesmos distribuem-se de modo denso sobre os aspectos históricos do concreto armado, a compatibilização entre projeto estrutural e projeto, as instruções normativas exigidas pela ABNT NBR 6118/2014, o pré-dimensionamento de pilares, vigas, lajes e fundações, assim como o estudo de fundações rasas e profundas de concreto armado. Para além desses assuntos mencionados, a disciplina direcionada para o estudar o lançamento de concreto armado em sistemas estruturais, compreende como objetivo a apresentação de conceitos e comportamentos dos esforços físicos desse material, em prol do dimensionamento adequado de peças estruturais. Embora o conteúdo seja aparentemente amplo, a bibliografia selecionada para esta disciplina é concisa, contando com as contribuições dos seguintes autores: João Carlos Clímaco, José Carlos Sussekind, Aluizio Fontana Margarido e Yopanan Rebello. Na ministração das aulas de Sistemas Estruturais em Aço são considerados a aplicação do ferro e aço na construção civil brasileira, no intuito de estudar as flechas em vigas, assim como o projeto de elementos estruturais que configuram sistemas primários e secundários de estruturas metálicas, desde pisos e pilares, até sistemas de coberturas. São abordados também, o dimensionamentode perfis metálicos específicos e suas conexões, a concepção de pórticos metálicos e projetos arquitetônicos que enfatizem veementemente a aplicação do aço na condição de material estrutural. O plano de ensino de Sistemas Estruturais em Aço, define como objetivos específicos por parte do corpo discente, o desenvolvimento das seguintes aptidões: conhecer os tipos de 128 perfis estruturais em aço e a sua aplicação nas estruturas; explicar como as forças externas e as tensões internas se relacionam com a forma estrutural; aplicar os princípios da estática e da resistência dos materiais a elementos estruturais em aço; aplicar os procedimentos básicos de verificação de elementos a situações práticas; analisar um sistema estrutural estabelecendo a hierarquia de seus elementos e a correlação de forças entre eles; projetar e detalhar utilizando o aço como material estrutural. Ainda em se tratando de Sistemas Estruturais em Aço, na matriz curricular da FAU-UnB, sua forma de avaliação adota procedimentos de exame e aplicação de um projeto que atenda os conteúdos lecionados durante a disciplina. Na disciplina de Sistemas Estruturais em Madeira, o principal objetivo das aulas centra-se nos aspectos identitários da madeira quanto às suas propriedades físicas e plásticas para fins de dimensionamento e composição de peças estruturais. Constatou-se como método de avaliação, no plano de ensino desta disciplina, a aplicação de exames e de um projeto prático especificamente para a cadeira em questão, independente dos ateliers de projeto de arquitetura quanto à sua avaliação. No referencial bibliográfico estão presentes literaturas específicas no assunto de autores diversos, além de normas da ABNT e do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, IBDF. Como parte extensiva do conhecimento aplicado em prol de inovações tecnológicas em sistemas estruturais da arquitetura brasileira, destaca-se o CEPLAN, Centro de Estudos e Planejamento Arquitetônico e Urbanístico, outrora coordenado por Oscar Niemeyer durante sua fase inicial, mas com protagonismo veemente do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, responsável por disseminar no Brasil as tecnologias de pré-moldados na construção civil, a partir de suas expedições de pesquisa no leste europeu. Atuando como um canteiro experimental, o CEPLAN, departamento vinculado à FAU-UnB, ampliou o experimento de novas técnicas construtivas em argamassa armada, de modo a viabilizar a usinagem dessas peças para reduzir custos na edificação de equipamentos públicos em diversas localidades brasileiras, sem abrir mão da qualidade arquitetônica e da flexibilidade desses sistemas estruturais. Caso exemplar dessas repercussões efetivas, foram as fábricas de pré-moldados criadas especificamente para produzir peças para os CIEPs no Rio de Janeiro, e para equipamentos públicos e mobiliários urbanos em Salvador. Caso semelhante, ocorreu também em São Paulo por meio do CEDEC, que esteve sob a gestão notória de Mayumi Lima Watanabe. 129 3.2.5. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, FAU-Mackenzie (Brasil) Universidade Presbiteriana Mackenzie Fig. 60 – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie Fonte: FAU Mackenzie DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura e Urbanismo FUNDAÇÃO DO CURSO: 1917 CIDADE/PAÍS: São Paulo, Brasil INSTITUIÇÃO: Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Arquitetura moderna e contemporânea; Urbanismo moderno e contemporâneo; ATUAL DIRETOR(A): Angélica Alvim PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO Fundado em 1917, o curso surgiu a partir da antiga Escola de Engenharia do Mackenzie College, como um tipo de formação adicional e/ou complementar àqueles alunos com formação inicial de engenharia, os quais pretendessem seguir com a carreira da arquitetura (ABRUNHOSA; BREIA, 2017). Nesse contexto, o curso de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, remonta nas suas origens quanto às práticas de ensino de arquitetura, ao modelo Beux-Arts ou da École de Paris, cuja referência entrelaça-se com o pragmatismo da construção civil do mesmo curso aplicado na Universidade da Pensilvânia. Cristiano Stokler das Neves, arquiteto egresso da Universidade da Pensilvânia e fundador do curso de Arquitetura do Mackenzie College, organizou o projeto pedagógico nesses moldes, primando pela conciliação da arte e da técnica na formação dos primeiros engenheiros-arquitetos e arquitetos mackenzistas. Mesmo ao perpassar por diversas transições, sendo a mais significativa a de mudança do perfil Beux-Arts do curso para o ensino de arquitetura modernista, a FAU Mackenzie mantém sua identidade do caráter técnico e pragmático do ensino de arquitetura. https://www.tum.de/ 130 Sabe-se que os cursos de Arquitetura e Urbanismo no Brasil tem apresentado um caráter multidisciplinar na sua estruturação, a qual, de modo geral, reúne assuntos técnicos, histórico- teóricos e práticos da profissão, a serem ministrados anualmente ou semestralmente em disciplinas inerentes às tais áreas temáticas e à formação do arquiteto e urbanista. Semelhantemente, o curso de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, FAU Mackenzie, conquanto tenha passado por modificações em sua estrutura curricular nos últimos anos, é reconhecido nacionalmente pela ênfase dada às disciplinas de projeto de arquitetura e urbanismo, a considerar a carga horária ofertada nessas cadeiras. Visando diminuir a fragmentação excessiva do ensino, assim como o número de disciplinas do curso, algumas dessas passaram a ser agregadas aos ateliers de projeto de arquitetura e de urbanismo, ocasionando, por um lado, a conexão de assuntos comuns antes ministrados e avaliados de modo estanque entre si. Nesse sentido, a integração das disciplinas de cunho técnico e/ou tecnológico como parte complementar nos ateliers de projeto, teria como objetivo, seja esse implícito ou explícito, facilitar a apreensão de conteúdos pelo corpo discente, no que tange a distância e as dificuldades de conciliar a teoria e a prática no processo de ensino- aprendizagem. Em se tratando das disciplinas do eixo técnico e/ou tecnológico, as quais integraram-se como módulo das disciplinas de projeto de arquitetura, essas mantiveram-se sequenciais em relação às suas divisões nos respectivos dez semestres. Desse modo, o ensino de Sistemas Estruturais não se esgota puramente a uma cadeira desse eixo temático, mas abrange seus conteúdos numa configuração hierarquizada e progressiva, no intuito de fornecer subsídios e elementos-chave balizadores para capacitar o corpo discente, em suma, na leitura, compreensão e desenho de peças estruturais e de entender o comportamento dessas em conjunto com a concepção projetual do edifício. Nessas condições, os assuntos pertencentes à área dos Sistemas Estruturais dar-se-ia na FAU Mackenzie, em atividades que abordem o emprego de materiais e técnicas construtivas, o ensinamento de cálculos acerca da estabilidade das construções, a composição de sistemas construtivos e o entendimento da mecânica dos solos. Assim, da primeira à terceira etapa do curso, são introduzidos conceitos básicos para a compreensão dos sistemas estruturais, a partir dos conceitos de física e geometria aplicados no desenho de edifício. De acordo com os planos de ensino disponibilizados pela FAU Mackenzie, constatou-se que nos três semestres iniciais do curso, são ministrados no quesito de sistemas estruturais, os conteúdos de cálculos de isostática, do conhecimento de materiais 131 de construção, bem como da composição e do dimensionamento de peças estruturais. Observou-se também, que o modo introdutório desses conteúdos estaria articulado com o grau de complexidade dos exercícios de projeto de arquitetura. Com relação ao intervalo entre a quarta e a sexta etapas do curso, constatou-se o aumento da complexidade das atividadesde projeto que, por conseguinte, passa a requisitar o aprofundamento dos assuntos pertinentes ao campo dos sistemas estruturais. Na quarta etapa, dá-se atenção para sistemas estruturais em concreto armado, em especial, à aplicação de elementos pré-moldados na configuração do edifício, enquanto que, na quinta etapa, são lecionados sistemas estruturais em alvenaria armada, em aço e alumínio, e em madeira como soluções alternativas de arquitetura em variáveis de projeto. Identificou-se que, na sexta etapa, o emprego de sistemas estruturais estaria voltado para o entendimento de compatibilização em termos de infraestrutura da edificação. Por fim, nas últimas etapas do curso de Arquitetura e Urbanismo da FAU Mackenzie, isto é, a sétima e a oitava, ora também precedentes ao ano correspondente do Trabalho Final de Graduação (TFG), a carga horária dos conteúdos de sistemas estruturais é atenuada, uma vez que o foco do exercício projetual dessas etapas passa a ser a relação entre o edifício e a cidade. Embora haja essa significativa mudança de escala nas atividades projetuais do quarto ano, considerada imprescindível para o funcionamento do curso como um todo, não menos importante no prosseguimento dos sistemas estruturais está lotada, neste intervalo, a disciplina de Mecânica dos Solos. Ainda no TFG, a atividade 4 encarrega-se da aplicação de testes e experimentos específicos do comportamento estrutural de acordo com o projeto elaborado especificamente por cada aluno em fase de conclusão do curso. O ensino de sistemas estruturais no curso de Arquitetura e Urbanismo da FAU Mackenzie, estende-se também em seus projetos de extensão programados anualmente ou semestralmente, mesmo em eventuais palestras e workshops de curta duração. Cabe mencionar, dentro dessa categoria, o curso de extensão “Materiais de Construção”, que reúne alunos de todos os semestres, no intuito de disseminar a inovação e aplicação de materiais apresentados por associações da construção civil. Além desse curso, são organizados tópicos especiais e disciplinas optativas que trazem aprofundamentos no âmbito da construção civil e dos sistemas estruturais. 132 Nessa categoria, o protagonismo estudantil ganha força com o projeto da Viagem Cultural organizado pelo DAFAM, Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, com eventuais visitas in-loco a obras de relevância em outras cidades, assim como marcos importantes da arquitetura brasileira, principalmente aquelas que explicitem em suas respectivas volumetrias, o sistema estrutural como representação estética ou de intenções plásticas. Em meados de 2014, surgiram as primeiras reuniões de mobilização para implementação do “ExperimentAÇÃO”, o canteiro experimental da FAU Mackenzie, que realizou seu primeiro experimento no dia 9 de maio de 2014. O projeto, que buscou analisar laboratórios de mesma natureza em diversas escolas de arquitetura no Brasil, cresceu paulatinamente até funcionar efetivamente como um dos laboratórios independentes da mesma unidade acadêmica. O canteiro experimental da FAU Mackenzie, realiza atividades transversais às todas as etapas do curso de arquitetura, indicando uma aproximação do corpo discente com a prática profissional, no que tange a aplicação de conceitos referentes aos materiais de construção e do funcionamento de sistemas estruturais. 133 3.2.6. Dipartimento di Architettura e Design, PoliTo (Itália) Politecnico di Torino Fig. 61 – Vista do campus do Instituto Politécnico de Torino Fonte: PoliTo DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura FUNDAÇÃO DO CURSO: 1906 CIDADE/PAÍS: Torino, Itália INSTITUIÇÃO: Instituto Politecnico de Torino ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Arquitetura, Planejamento Urbano e Design. ATUAL DIRETOR: Paolo Mellano PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO O atual bacharelado em Arquitetura do Instituto Politecnico de Turim, é fruto da unificação de dois cursos pré-existentes na mesma instituição. Trata-se da fusão recente das faculdades de Ciências da Arquitetura e de Arquitetura e Design, ocorrido em meados de 2010, e tal processo entre esses cursos pode ser compreendido como um evento simbólico, no tocante à otimização das oportunidades de educação e de acesso ao ensino superior nesta área do conhecimento. A graduação em questão apresenta três anos, com oferta de disciplinas obrigatórias e optativas na modalidade semestral e anual, para obtenção do título de bacharel em arquitetura (PoliTo, 2021). Dentro do escopo das diretrizes pedagógicas do curso, destaca-se a ênfase dada à história da arquitetura e da construção, seus instrumentos e meios de representação, no intuito de viabilizar o estudo de modelos matemáticos e de outras áreas científicas para solucionar problemas pertencentes à área da arquitetura. Além disso, o bacharelado como um todo prima também pela inovação no ensino, pesquisa e extensão, através das tecnologias de ponta desenvolvidas para ou pelo setor da construção civil. https://www.tum.de/ 134 É notório o quantitativo de disciplinas ligadas às tecnologias construtivas no curso de arquitetura do Politécnico de Turim, mesmo aquelas programadas para serem lecionadas entre o primeiro e segundo semestres do primeiro ano, funcionando de modo introdutório à graduação. Nesse período, chama-se atenção para três dessas: “Cálculo”; “Morfologia e Conceito de Estruturas”; e “Tecnologia Arquitetônica: Cultura e Fundamentos”. Seus conteúdos, objetivos e eventuais particularidades serão apresentados a seguir. O objetivo geral da cadeira de Cálculo direciona-se à transmissão de conceitos fundamentais de operações matemáticas, de maneira integrar aspectos teóricos e práticos empregados na construção civil. O programa deste curso traz subsídios para engajar o corpo discente em modelos matemáticos, considerando a pluralidade de formação precedente e a proveniência dos alunos quanto aos demais cursos e outras áreas de conhecimento do mesmo Instituto. Nesse contexto, o curso de Cálculo, ainda que abranja um público multidisciplinar, visa apontar conexões com assuntos relacionados à arquitetura e à construção civil, no sentido de preparar o corpo discente para os cursos subsequentes, inclusive sobre as questões de sistemas estruturais. Assim, o conteúdo programático de Cálculo é subdivido em três módulos, considerando os níveis de complexidade dos modelos matemáticos lecionados. O primeiro concentra os assuntos de álgebra linear e de geometria plana, no intuito de esmiuçar as operações em matrizes, vetores e planos, adotando basicamente os modelos de Cramer e de Rouché- Capelli; a segunda unidade modular traz os conteúdos elementares das funções e de cálculos de derivadas, ambos para fins de operações matemáticas em si e de leituras e análises gráficas; o terceiro e último grupo de conteúdos enfoca o cálculo integral de variável única em suas propriedades. Como parte subsequente do conteúdo de Cálculo e como componente do eixo das tecnologias construtivas na graduação como um todo, o curso de “Morfologia e Conceitos Estruturais”, por sua vez, compreende os elementos teóricos e os procedimentos necessários à concepção de estruturas em projetos arquitetônicos. Em primeira análise, esta disciplina aborda especificamente o lançamento de sistemas estruturais, agrupando tal conteúdo de maneira única em relação às demais cadeiras de caráter tecnológico e/ou construtivo da grade curricular. Constatou-se no curso em questão, que seu enfoque introduz o conhecimento específico de lançamento de estruturas de construção, a partir de diferentes materiais, isto é, aço, concreto armado, alvenaria e madeira, mediante desenvolvimento de sistemas estruturais simples e 135 compostos, ambos aplicados durante exercício projetual da própriadisciplina, com utilização do software “Architecture Design Studio”. Desse modo, são estudados elementos primários de estruturas aporticadas, no que tange o pré-dimensionamento de pilares, vigas e lajes, bem como sua composição ou articulação dessas peças através de sistemas estruturais, mesmo aqueles de longo vão, tais como arcos, estruturas estaiadas e suspensas, treliças planas e espaciais. Finalizando o primeiro ano letivo, no tocante à gama de assuntos das tecnologias construtivas inseridas no bacharelado de arquitetura, ainda se ministra a disciplina intitulada “Tecnologia Arquitetônica: Cultura e Fundamentos”. Aqui, é esperado que os discentes apreendam os conteúdos tratados de maneira paralela, não apenas na relação desta cadeira com os demais cursos da matriz curricular, como também nas suas dinâmicas internas organizadas para funcionar a partir do tripé: I – Tecnologias de materiais de construção e de sistemas estruturais; II – Programa de necessidades; e III - Sistemas prediais. Assim sendo, o curso visa explicitar a relação entre as tecnologias construtivas e a prática do projeto, entendida no decorrer do curso como um método de partido arquitetônico. Objetiva, em segundo lugar, a compreensão dos materiais de construção quanto à sua concepção, construção, manutenção e desempenho no desenho do edifício. No segundo ano da graduação, aumenta-se o grau de complexidade dos conteúdos e dos exercícios propostos. Em “Estúdio de Construção do Edifício”, os alunos são conduzidos a métodos experimentais de projeto, os quais preconizem o desenho de sistemas estruturais. Nesta disciplina, são aprimorados os conceitos tipológicos desses sistemas, considerando as possibilidades conceptivas em concreto armado, aço e madeira, para, por conseguinte, realizar avaliações de viabilidade por meio das soluções apresentadas. Para procedimentos de avaliação em “Estúdio de Construção do Edifício”, solicita-se um exercício em três etapas de desenvolvimento, adotando como critério de trabalho a divisão por escalas de aproximação, onde na primeira etapa se discute a relação do edifício com a cidade na escala urbana propriamente dita e, na segunda, se desenvolve a proposta de projeto arquitetônico e estrutural em escala 1/100, encerrando essa avaliação na terceira etapa, na qual os alunos são convidados a apresentar detalhes de suas respectivas propostas em escala 1/50 e 1/20. As aulas teóricas ministradas pelos professores acompanham, paralelamente, as etapas do exercício projetual proposto ao longo do curso. Trabalhando como um atelier multidisciplinar, o “Estúdio de Construção do Edifício” divide seus conteúdos em três módulos que são distintos 136 quanto à escala do desenho, embora sejam subsequentes entre si quanto à sua programação de tópicos. No módulo I, “Projeto arquitetônico e urbano”, frisa-se a importância das relações biunívocas entre a adoção do partido estrutural, o desenho do edifício mediante abordagens de sustentabilidade, e da inserção desse no espaço urbano; na sequência, o módulo II, “Tecnologia de Arquitetura”, as aulas são direcionadas à capacitação teórico-prática para o exercício de projeto; “Mecânica Estrutural”, título do terceiro módulo, abarca os métodos de análise estrutural durante o desenvolvimento do projeto arquitetônico, bem como os comportamentos físicos dos elementos empregados dentro de um sistema estrutural. As aulas e conteúdo programático da disciplina “Ciência e Tecnologia dos Materiais de Construção”, a qual está lotada no segundo ano da matriz curricular, compreende o aprofundamento técnico-científico acerca dos materiais de construção, bem como suas articulações em sistemas estruturais para o desenho da edificação. Assim, são tratados nesta cadeira as propriedades físicas e químicas quanto à funcionalidade e desempenho por meio de casos selecionados. Tem-se então os ligantes aéreos e hidráulicos, tais como gesso, cal, cal hidratada, cimentos Portland nas suas composições variadas; também discutem-se os usos de pedras, cerâmicas tradicionais, vidros, bem como os materiais metálicos – aço, ferro fundido, alumínio, cobre e ligas a base de titânio. Conquanto o título da disciplina “Física da Construção” fosse sugestivo por si só, verificou-se, no entanto, que seu conteúdo tratava estritamente das questões de conforto ambiental, merecendo um subitem à parte para contemplar sua análise. Outro fator importante na formação do corpo discente, ocorre no terceiro ano do bacharelado de arquitetura, no qual as atividades laboratoriais do período em questão são condensadas na disciplina de “Sistemas Tecnológicos Inovadores”, componente curricular adicional para cumprimento dos créditos requisitados. Programado para atender às demandas de ensino e pesquisa da graduação, este laboratório intenta para realizar aproximações de seus resultados investigados com setores específicos da sociedade. Além disso, supõe-se que as discussões promovidas pelo laboratório servem de subsídios para inovação no ensino, pesquisa e extensão, e, nesse sentido, a transversalidade desse tripé seria favorável e imprescindível aos trabalhos de consultoria que o mesmo laboratório fornece. 137 3.2.7. Progetazionne della’Architettura, PoliMi (Itália) Politecnico di Milano Fig. 62 – Anexo da Escola de Arquitetura do Politécnico de Milão Fonte: PoliMi DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Projeto de Arquitetura FUNDAÇÃO DA ESCOLA: A pesquisar CIDADE/PAÍS: Milão, Itália (Campus Leonardo) INSTITUIÇÃO: Instituto Politécnico de Milão ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Arquitetura, Planejamento Urbano e Construção Civil. ATUAL DIRETOR: A pesquisar PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO Dentro dos programas relevantes na pesquisa e no ensino do ramo da construção civil, destacam-se os cursos promovidos pela “Escola de Arquitetura, Planejamento Urbano e Engenharia de Construção”, departamento vinculado ao Instituto Politécnico de Milão. Semelhantemente à atual estrutura pedagógica promovida pelo Politécnico de Turim, o curso milanês passou por uma alteração recente e importante quanto à unificação das escolas de engenharia e arquitetura ora pré-existentes no PoliMi, no intuito de facilitar as interlocuções entre os campos das ciências exatas e das humanidades. Tal processo culminou com a fusão das escolas de “Arquitetura e sociedade, Arquitetura civil e Engenharia Edilícia – Arquitetura” (VACCARI; CADORE, 2016). Nesse contexto de conjugação de diferentes nichos do conhecimento sobre o tema da construção civil, ressalta-se a flexibilidade de montagem da grade curricular por parte do corpo discente mediante aprovação das secretarias administrativas. Nessas condições, optou-se por analisar especificamente a matriz curricular do bacharelado de Projeto de Arquitetura. https://www.tum.de/ 138 O Instituto Politécnico de Milão, PoliMi, apresenta organização peculiar quanto à sua faculdade de arquitetura, se comparada com outros cursos tradicionais reconhecidos no âmbito acadêmico e no cenário global. Na “Escola de Arquitetura, Planejamento Urbano e Engenharia de Construção” estão lotados os cursos básicos de graduação para obtenção de bacharelado, com duração mínima de três anos e que, porventura, seriam acrescidos de mais dois anos em caso de continuidade dos cursos em seus respectivos programas específicos de Mestrado. Desse modo, a Escola em questão subdivide-se nos seguintes cursos de bacharelado: “Projeto Arquitetônico”; “Engenharia de Construções”; e “Planejamento Urbano: Cidade, Meio- Ambiente e Paisagem”. Dentre os citados programas de graduação, selecionou-se o primeiro para fins de apreciação. Na matriz curricular do bacharelado em Projeto Arquitetônico, por sua vez, em específico o curso ofertado no campus Leonardo, na cidade de Milão, constatou-se a existência de disciplinas com duração anuale semestral, onde, no primeiro caso, estariam agrupadas as disciplinas de Projeto de Arquitetura I, II e III, respectivamente programadas para o primeiro, segundo e terceiro ano do curso. Além das disciplinas de conteúdo histórico e teórico, os assuntos das técnicas construtivas e de sistemas estruturais seriam tratados paralelamente aos laboratórios de projeto, sob programação semestral como disciplinas únicas no seu eixo temático, embora, por outro lado, orbitem em torno dos exercícios projetuais. A partir dessas condições de estruturação, os cursos correspondentes à disseminação do conhecimento de sistemas estruturais estariam numa relação mais próxima com as disciplinas de “Curso Integrado de Matemática” e de “Fundamentos da Tecnologia na Arquitetura”, ambas ministradas no primeiro ano; em seguida, “Estática” e “Laboratório de Construção de Arquitetura” representariam tais conteúdos durante o segundo ano do curso; e no terceiro ano, a cadeira de “Ciência da Construção” daria sequência como finalização das disciplinas de cunho técnico, seguindo abordagens do emprego da tectônica na construção civil. De acordo com o plano de ensino do “Curso Integrado de Matemática”, ou CI Matematica, a cadeira tem por conteúdo os seguintes módulos: o primeiro que abarca conceitos e aplicações de conjuntos numéricos, álgebra elementar e trigonometria, geometria analítica, plano cartesiano e funções elementares e trigonométricas; o segundo que traz revisões sobre as matrizes e suas transformações lineares, bem como suas operações; o módulo terceiro aborda sobre álgebra vetorial enquanto que o quarto visa ensinar conceitos de geometria 139 espacial; os módulos quinto e sexto são direcionados às práticas de cálculo adotando modelos matemáticos de variáveis e integradas. A partir desses módulos sequenciais, o Curso Integrado de Matemática intenta para o fornecimento de ferramentas que auxiliem o corpo discente na aplicação de seus respectivos conceitos e modelos matemáticos no exercício projetual, no que tange a compreensão de sistemas estruturais e suas interfaces econômica, social e urbana. De rigor, grosso modo, racionalista, o curso prima pela difusão das formas paramétricas e suas tecnologias, explicitando as relações intrínsecas entre geometria e física, imprescindíveis à formação do arquiteto na contemporaneidade. Em se tratando da disciplina “Fundamentos da Tecnologia na Arquitetura”, lecionada no segundo semestre do primeiro ano da graduação, são enfocadas as questões inerentes à tomada de decisões em face do exercício projetual, tais como as opções técnicas e sistêmicas considerando o ciclo de vida de um edifício. Nesse sentido, são discutidos nas unidades modulares do curso, o panorama tecnológico de sistemas estruturais paralelamente ao estudo de materiais empregados no setor da construção civil, introduzindo os alunos ao pensamento analítico-crítico das tecnologias construtivas, em suma, do processo de construção e suas relações dinâmicas quanto às avaliações de desempenho para a realização de um edifício. Neste curso são abordados os tópicos direcionados à compreensão de materiais construtivos e sistemas estruturais quanto ao seu lançamento para configuração de formas arquitetônicas e definição de espaços. Para entendimento breve do amplo panorama de seu conteúdo, poder-se-ia categorizar os assuntos lecionados a partir dos materiais construtivos e de sistemas estruturais, objeto do curso, segundo seus aspectos condicionantes, componentes e qualificadores em relação ao processo construtivo do edifício. Assim, no primeiro grupo, protagonizam os tópicos atrelados aos determinismos geográficos e às questões socioculturais, os quais permitiriam justificar a escolha adequada de materiais em face de contextos locais e, por conseguinte, a adoção de sistemas estruturais coerentes às escolhas técnicas e econômicas; no tocante aos aspectos componentes, estariam agrupadas as abordagens das características físicas dos materiais quanto às suas propriedades de fabricação, de resistência e de desempenho no processo de construção do edifício, bem como as classificações dos elementos construtivos e sua organização em sistemas principais e secundários de estrutura; quanto aos aspectos qualificadores, são estudados os tópicos relacionados à forma e à volumetria do edifício em seus efetivos resultados prévios de projeto. 140 No segundo ano do curso, “Estática” é a disciplina na qual o aluno de arquitetura passa a experimentar de modo aprofundado o conhecimento sobre sistemas estruturais. Ministrada no primeiro semestre, a matéria do curso direciona-se à orientação de escolhas estruturais para o exercício projetual, oferecendo insumos teóricos em práticas laboratoriais. Nesse contexto, como resultado do processo de ensino-aprendizagem, é esperado que os alunos obtenham o domínio de conceitos fundamentais de cálculos isostáticos através de tipologias estruturais, assim como o conhecimento de elementos estruturais no seu funcionamento e na sua articulação com as tecnologias construtivas. Os tópicos lecionados nesta cadeira tangenciam o aporte conceitual das cargas e dinâmica das forças, isto é, vetor mecânico, torque, concentração e distribuição de forças, operações vetoriais e invariantes; aborda os modelos estruturais quanto às propriedades físicas, o entendimento de corpo rígido e corpo articulado; aplica o ensinamento de cálculos da mecânica clássica, em suma, das equações que permitam visualizar soluções quanto ao ponto de equilíbrio nas estruturas analisadas. Por conseguinte, a grade horária do curso, ainda na área das tecnologias construtivas, segue em seu segundo ano e no segundo semestre com a disciplina intitulada “Física Técnica”, que tem por objetivo estudar os problemas de eficiência energética dos edifícios, alinhando o conhecimento das técnicas de construção com métodos analíticos de conforto ambiental. 141 3.2.8. Ingegneria Edile, UNIVPM (Itália) Università Politecnica delle Marche Fig. 63 – Vista do campus universitário em Ancona Fonte: Universidade Politécnica de Marche DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Engenharia da Edificação FUNDAÇÃO DA ESCOLA: 1969 CIDADE/PAÍS: Ancona, Itália INSTITUIÇÃO: Universidade Politécnica de Marche ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Construção Civil, Tecnologias Construtivas, Planejamento Urbano ATUAL DIRETOR: Alessandro Lacopini PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO Este curso tem por objetivo formar engenheiros-arquitetos por meio de seu programa intitulado “Engenharia de Edificações” ou “Engenharia de Edifícios”, visando assim capacitar o corpo discente no seu rigor técnico para posterior atuação na área da construção civil e suas relações de produção a esse campo interligado. Assim como nos demais casos italianos pesquisados, a graduação em questão inicia-se a nível de licenciatura de três anos, com possibilidade de prolongamento do curso para mais dois anos, no nível de Mestrado. Em síntese, este curso estrutura-se, no primeiro ano, em disciplinas básicas, ora inerentes aos conhecimentos fundamentais para capacitação de assuntos mais complexos nos anos subsequentes. A partir do segundo ano os discentes são avaliados mediante suas habilidades com aplicação prática dos conteúdos correlacionados à engenharia de construção, obtendo destaque as disciplinas de cálculo, projeto de estruturas, geotécnica, termodinâmica, infraestruturas prediais, tecnologias construtivas e de materiais, planejamento urbano, bem como disciplinas direcionadas à gestão de empreendimentos. 142 Reitera-se o objetivo principal do curso como o de instigar um certo grau de competência disciplinar dos discentes, integrando habilidades das mais gerais às mais específicas como gestão de obra, segurança operacional, sustentabilidade ambiental,automatização, economia, técnicas digitais, entre outras, atreladas ao campo da construção civil, incluindo processos construtivos e engenharia de sistemas. Formando profissionais capacitados a atuar em diferentes áreas do desenvolvimento de um projeto, também habilitando-os a ter um compreendimento da obra como um todo, abrangendo âmbitos de engenharia, arquitetura, design, administrativo e gestacional. Além disso, pode-se destacar que o curso por meio de sua oferta educacional possibilita os alunos a escolherem disciplinas que mais têm afinidade ou melhor se adaptem. Dois dos principais requisitos para a obtenção da licenciatura são; uma prova final e um estágio supervisionado por um docente selecionado, que visão facilitar a inclusão do aluno no mercado de trabalho e capacitá-los. A graduação é reconhecida internacionalmente, possibilitando créditos estrangeiros pelo Erasmus Mundus, programa que facilita o intercâmbio de estudantes ao redor do mundo. É certificado pelo departamento de Engenharia Civil, Edifícios e Arquitetura da universidade. Tal, classificado entre os principais departamentos de excelências do país no setor da construção. Oferecendo aos discentes um suporte com laboratórios, grupos de pesquisa, intercâmbio cultural e intelectual, oportunidades profissionais, contato com demais institutos ou empresas, inclusive internacionais, entre outras. Com o objetivo de explicitar a diversidade da grade de ensino do curso atualizada em 2020, disponibilizado pela plataforma digital da universidade, serão expostas as disciplinas ofertadas de acordo com o ano a qual cada uma é oferecida. O primeiro ano inclui: Química Básica, Geometria Básica, Análise Matemática 1 Básica, Física Experimental Básica, Análise Matemática 2 Básica e Desenho (Caracterização de Projeto). No segundo apresenta: Ciência da Construção, Geologia Aplicada, Hidráulica, Topografia, Língua Estrangeira, Construções Hidráulicas, Construção de estradas, Ciência e Tecnologia dos materiais. Já o último está destinado a realização do exame final, do estágio obrigatório, disciplinas optativas, porém conta com mais três obrigatórias; Caracterização de Estruturas de concreto armado, Engenharia Sanitária e Ambiental e Caracterização da Geotecnia. As disciplinas optativas relacionadas ao ensino de sistema construtivo são: Engenharia Costeira, Gestão e Manutenção de pavimentação de estrada, Fundações, Física Técnica Ambiental e Tecnologia Aplicada de tratamento de resíduos sólidos. 143 3.2.9. Escola do Porto, FAUP (Portugal) Universidade do Porto Fig. 64 – Escola do Porto Fonte: FAUP DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura (Mestrado Integrado) FUNDAÇÃO DO CURSO: 1979 CIDADE/PAÍS: Porto, Portugal INSTITUIÇÃO: Universidade do Porto ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Arquitetura; Tecnologia da Construção; Desenho; Urbanística. ATUAL DIRETOR: João Pedro Sampaio Xavier PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO A Escola do Porto é reconhecida como uma das mais influentes escolas de arquitetura do mundo, tendo formado profissionais como os arquitetos portugueses Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, representando o país lusitano no grupo de arquitetos laureados pela Fundação Pritkzer, análoga ao “Prêmio Nobel” no reconhecimento desses trabalhos. Alguns destes retornaram a instituição como docentes. Fundada em 1979, o curso foi precedido pela “Aula de projeto e desenho”, datada de 1779 até 1803, sendo uma continuação parcial da Escola de Belas Artes da Universidade do Porto, EBASP. O Campo Alegra, trata-se de um conjunto de dez volumes distintos, que compõe a sede da Escola do Porto, por si só, considera-se como um exemplo de uma lição “viva” aos estudantes e futuros arquitetos provenientes da formação portuguesa. Construídos na metade dos anos 80 e sendo finalizado em 1986, o responsável pelo projeto foi o arquiteto formado pela própria instituição, Álvaro Siza. E abriga uma infraestrutura com ambientes dos mais essenciais como salas de aula e administração até salas de exposições e auditório. https://www.tum.de/ 144 A Universidade é mundialmente reconhecida, não apenas pelos representantes por ela formados, mas também, por presar pela qualidade de ensino do projeto arquitetônico, sendo contemplada com mais de 140 prêmios, além fazer parte do Programa Erasmus Mundus, e tem um forte incentivo a programas de internacionalização. Objetivando a melhoria da competência dos serviços prestados dentro da profissão, a instituição apresenta como principais valores, cinco pontos, tais: 1- Orientação para o utilizador: que visa cumprir o programa de forma clara e confortável ao cliente; 2- Humildade: estar disposto a novas alterações e aprendizagens; 3- Equidade: aplicar um caráter justo e acessível a todos; 4- Rigor: em relação aos processos da construção, gestão e execução da obra; 5- Qualidade: excelência do desempenho e eficácia dos serviços. Dentro do âmbito acadêmico a FAUP incentiva a pesquisa de diversas formas. Algumas dessas iniciativas são grupos de pesquisa como o Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura (CEFA) e o Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo (CEAU), que consistem em grupos de prestação de serviços e investigação em diferentes áreas da arquitetura, com foco em oito linhas: Arquitetura: Teoria, Projeto, História (ATPH); Arquitetura, Arte e Imagem (AAI); Arquitetura e Modos de Habitar (AMH); Atlas da Casa (AdC); Laboratório de Fabricação Digital (CFL); Morfologias e Dinâmicas do Território (MDT) e Teoria e Práticas de Projeto (T2P). Além desses grupos, outras iniciativas são apresentadas, eventos como eventos e exposições com diferentes temas, o Porto Academy (2013) que consiste em simpósios, workshops e palestras que ligam profissionais e estudantes de diversos continentes, desde da Europa, America Latina e Ásia. Destaca-se também a Revista Unidade, criada em 1988. Há quatro áreas científicas presentes na Escola: Arquitetura, Tecnologia da Construção, Desenho e Urbanística. Dentre essas já é perceptível a preocupação com o conhecimento das técnicas e sistemas de construção, onde as disciplinas relacionadas a esse assunto se enquadram na unidade de Tecnologia da Construção. O curso ofertado pela instituição trata- se de uma graduação integrada com mestrado, com a duração de cinco anos e possibilidade de educação continua e especialização em Engenharia, Indústrias transformadoras e Construção. 145 A estrutura do curso visa um entendimento sobre o espaço que se constrói a partir da articulação de diferentes áreas disciplinares. E a grade curricular obrigatória consiste em, no primeiro ano: Projeto, Teoria Geral da Organização do Espaço, Desenho, Geometria e Arquitetura, História da Arquitetura Antiga e Medieval. No segundo ano: Projeto 2, Teoria 1, Construção 1, Desenho 2 e História da Arquitetura Moderna. O terceiro ano inclui: Projeto 3, Teoria 2, Construção 2, Urbanística 1 e História da Arquitetura Contemporânea. Concluindo a seção da licenciatura, os últimos anos são destinados ao mestrado, tendo o quarto ano incluindo: Projeto 4, História da Arquitetura Portuguesa, Teoria 3, Sistemas Estruturais e Construção 3. Já o último ano é destinado a dissertação e a disciplina de Projeto 5. Destaca-se que é apenas a partir do segundo ano que a grade obrigatória inclui uma disciplina relacionada ao estudo de sistemas construtivos. Porém, cada uma tem seu próprio objetivo que agrega na formação do conhecimento do arquiteto em sua área de atuação de forma geral. A disciplina de Construção 1, trata-se de uma disciplina de carga horária total de 243 horas e consiste na análise do ambiente arquitetônico como um todo, para que entendido a dimensão construtiva, a partir do estudo científico sobre os materiais, técnicas e processos construtivos. Instigando uma “consciência construtiva” queirá trazer ao aluno um sentido crítico sobre o método de construir e uma nova perspectiva de análise da arquitetura. Introduzindo esses aspectos também às demais futuras matérias relacionadas. As aulas trazem desde contextos e panoramas históricos até estudos de estruturas, fundações, paredes, muros de contenção, lajes, coberturas, incluindo outros elementos como materiais, impermeabilização, resistência, revestimentos isolamento térmico e acústico, entre outros. Já a de Construção 2 tem a mesma carga horária, porém objetiva introduzir a construção dos edifícios tendo como temas principais projetos e inovações; elementos e sistemas de construção; elementos de composição do edifício; funções, regulamentação exigências e gestão de obras; e materiais em sua aplicação e comportamento. Dentro desses pontos são enquadrados questões como modelagem 3D, BIM, novas tecnologias em processo de projeto e construção, patologias da construção, projeto de reabilitação, paredes, coberturas, revestimentos, vãos externos, noções de conforto, qualidade das construções, relações com o espaço urbano, entre outros pontos que tocam a construção de uma obra. Em continuação das anteriores, a disciplina de Construção 3 tem o objetivo de entender o objeto como corpo edificado, evidenciando os materiais e sistemas construtivos como parte integrante essencial para o processo de projeto e aprimorar as habilidades de desenvolvimento da obra a partir de conhecimentos mais aprofundados. 146 3.2.10. Faculdade de Arquitectura de Lisboa, FAUL (Portugal) Universidade de Lisboa Fig. 65 – Faculdade de Arquitectura de Lisboa Fonte: FAUL DADOS DE IDENTIFICAÇÃO CURSO: Arquitetura (Mestrado Integrado) FUNDAÇÃO DO CURSO: 1979 CIDADE/PAÍS: Lisboa, Portugal INSTITUIÇÃO: Universidade de Lisboa ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO: Arquitetura; Urbanismo; Design. ATUAL DIRETOR: Carlos Francisco Lucas Dias Coelho PERFIL/CARACTERIZAÇÃO DO CURSO Na capital portuguesa, a FAUL, Faculdade de Arquitetura de Lisboa foi criada a partir de uma secção da Escola Superior de Belas Artes dentro da Universidade Técnica de Lisboa, em 1979, e obtém destaque no cenário edificado da cidade, ao passo que pertence ao grupo dos 18 institutos que disseminam o ensino superior na mesma universidade. O curso de arquitetura passou então a integrar a Universidade de Lisboa, por conta de um processo de fusão entre as instituições ocorrido no ano de 2013. A instituição tem uma grande diversidade de cursos de licenciatura como design, moda, entre outros. Por isso, destaca-se das demais, possibilitando o intercâmbio de ideias entre alunos de diferentes cursos criativos. Outra troca possível é a entre culturas, já que há existe a intenção de incluir alunos estrangeiros e possibilitar experiências internacionais para alunos locais, com esse objetivo, são destinados alguns esforços como abertura de uma quantidade de vagas apenas à alunos internacionais, parcerias com o Programa Erasmus Mundus, Universidades da América Latina, Canadá, Israel, Japão, Coreia, entre outros. https://www.tum.de/ 147 Essa pluralidade se aplica de mesma forma no ensino, por se caracterizar uma “Escola Plural”, que não é condicionada a nenhuma tendência. Em particular, o curso de Arquitetura com mestrado integrado é posicionado pelos principais rankings de análise como o primeiro colocado em Portugal. No intuito de manter a qualidade de ensino, há a presença de iniciativas. Destaca-se os prêmios para as produções que incluem remunerações, os prêmios Comendador Joaquim Matias e Arq.º Quelhas dos Santos bonificam com, respectivamente, 1000 e 300 euros a melhor classificação de projeto final de mestrado, já o Prêmio Professor António Pardal Monteiro, concede 500 euros à melhor média nas unidades curriculares de Tecnologias. O curso, tem como mote a prática de exercícios projetuais, estrutura-se de modo similar aos demais cursos de arquitetura do contexto europeu, subdivide-se em etapas hierarquizadas segundo seus respectivos graus de complexidade. Nos três primeiros anos, os discentes são engajados e capacitados em disciplinas projetuais, integrando-as frente aos desafios questionados no âmbito acadêmico, mediante transformações sociais do contexto local. Em seguida, o curso de licenciatura é passível de prosseguimento através do Metrado Integrado, no qual os discentes têm por escolha alternada entre a área de arquitetura e a área de urbanismo. O segundo ciclo, voltado para a especialização em arquitetura, tem o foco principal de permitir aos alunos um conhecimento mais aprofundado na área científica da arquitetura, podendo ser aplicados de diferentes formas, principalmente dentro de contextos investigativos. Conferindo a capacidade do profissional de compreender e resolver questões a partir integração de conhecimentos interdisciplinares, desde os saberes técnicos até reflexões éticas e sociais. Cada ano letivo é dividido em dois semestres. Os três primeiros anos destinados a licenciatura apresentam cadeiras obrigatórias de cunho prático e teórico. No primeiro semestre não há nenhuma disciplina relacionada ao ensino de sistemas construtivos, apenas elementos introdutórios componentes de disciplinas como “Complementos de matemática e Estatística” e “Geometria Descritiva e Conceitual I”, no segundo semestre esse ensino continua em caráter introdutório em “Geometria Descritiva e Conceitual II”, porém encontra-se de maneira mais marcante em “Materiais”, item disciplinar destinado ao estudo de materiais construtivos e seus comportamentos físico, químico, patológico e ambiental. Já o segundo ano existe uma presença maior de conteúdo relacionado a preparação de terreno, física e elementos construtivos com “Geografia Física”, “Edificações I – Elementos de Suporte”, “Física das Construções” e “Edificações II – Revestimentos e Materiais”. O último ano da licenciatura é complementado por “Edificações III – Redes e Instalações Técnicas”, “Estática” e “Estruturas 148 I”. Entendendo que de 33 disciplinas ofertadas pela licenciatura, 7 são destinadas a assuntos relacionados ao sistema construtivo. 3.3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS OBTIDOS De antemão, este estudo centrou-se no ensino de sistemas estruturais em escolas de arquitetura, limitando-se às análises de suas respectivas matrizes curriculares e planos de ensino que tratassem do objeto desta pesquisa. Assim sendo, pressupõe-se que caberia muito o que se discutir entre o plano e a prática de ensino desses tópicos e que, tal debate, não se esgotaria nos resultados que serão apresentados a seguir. Entende-se, portanto, que para avançar nas leituras em questão, mais precisamente quanto ao quesito da prática do ensino, esta investigação teria que recorrer às visitas in-loco nas unidades acadêmicas escolhidas para o aprofundamento nessa questão. 3.3.1. Brasil Nas faculdades de arquitetura e urbanismo brasileiras, ora representadas pela Universidade de Brasília, no Distrito Federal, e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, na cidade de São Paulo, notou-se de início suas diferenças e similaridades quanto à estruturação do curso na sua totalidade. Nesse sentido, os componentes curriculares de ambos os cursos consistem basicamente na multidisciplinaridade que agrupa, grosso modo, os eixos de história e teoria da arquitetura, projeto de arquitetura, projeto de urbanismo, e de tecnologias construtivas. Assim, tais áreas são articuladas de modo a fornecer elementos teóricos e práticos para atender as demandas das cadeiras de projeto arquitetônico, as quais destacam-se como mote do ofício de arquitetura e como traço forte na identidade dessas escolas, a julgar pelo quantitativo de carga horária. Constatou-se que a FAU-UnB apresenta uma estruturação concisa e ordenada em relação às disciplinas das tecnologias construtivas, em suma, sobreos conteúdos programados de sistemas estruturais. Essas cadeiras, em face da grade curricular, denota uma provável relação de independência, uma vez que os componentes de Sistemas Estruturais I, II e III deste curso, trazem enfoques diferentes de materiais construtivos para composição e desenho de elementos e sistemas, adotando o concreto armado, a madeira e o aço, respectivamente. 149 Por outro lado, também se supõe que tal estanqueidade é atenuada na interdisciplinaridade com as disciplinas de projeto arquitetônico, nas quais os discentes são estimulados a exercitar o conhecimento de sistemas estruturais no desenho da edificação, para além dos exercícios de projeto solicitados nas disciplinas “Sistemas Estruturais”, vistos como parte dos métodos avaliativos inerentes ao processo de ensino-aprendizagem no curso como um todo. Tal situação talvez seja vista de modo feliz na FAU Mackenzie, onde se aplica carga horária considerável às disciplinas de projeto de arquitetura, tornando-se uma referência brasileira no ensino quanto ao desenho arquitetônico. Nesta escola, a qual vem passando por alterações recentes e pontuais na configuração da matriz curricular, destaca-se a junção de alguns componentes do eixo das tecnologias de construção nas tradicionais disciplinas de projeto arquitetônico do curso, funcionando como um segundo módulo das cadeiras em questão. Essa (re)inovação, por um lado, permitiria a ampliação dos conteúdos das tecnologias construtivas, concomitantemente à otimização da transmissão de seus tópicos programados, além de tornar mais eficiente a interdisciplinaridade entre tais disciplinas anteriormente separadas, assim como também o aumento da eficácia quanto aos métodos avaliativos, ora conciliados no teor prático entre ambos os módulos. Desse modo, há uma confluência na abordagem de sistemas estruturais nas disciplinas de “Projeto Arquitetônico I, II, III, IV, V e VI”, uma vez que essas passaram a agregar efetivamente os conteúdos das tecnologias construtivas e vice-e-versa, tanto no primeiro quanto no segundo módulo de cada curso. As disciplinas de projeto arquitetônico do quarto ano desta escola, no entanto, trazem como foco a escala da cidade para o desenho do edifício, o que explicaria hipoteticamente a diminuição da carga horária das disciplinas das tecnologias construtivas neste período letivo, ora atreladas ao exercício projetual como ocorre nas cadeiras dos anos precedentes. Em ambas as escolas, ter-se-ia a diminuição da fragmentação dos conteúdos e do ensino, intentando, nessa direção, para a otimização do ensino de graduação. Essa diretriz, seja implícita ou explícita nos projetos pedagógicos da FAU-UnB e da FAU Mackenzie, se trata, portanto, de um processo que vem galgando a longos passos e que tem surtido efeitos no reforço e na eficácia da multidisciplinaridade desses cursos, vista como imprescindível para compreensão e da prática dos sistemas estruturais, e da formação do profissional no âmbito da arquitetura brasileira. Caberia também ressaltar a importância da implementação de canteiros experimentais em escolas de arquitetura e urbanismo no Brasil, tendo em vista sua relevância pedagógica para 150 a visualização e experimentação de exercícios que mostrem “na prática” o conhecimento das tecnologias construtivas. Mesmo o recém inaugurado Canteiro Experimental da FAU Mackenzie, vem apresentando avanços no processo de ensino-aprendizagem por parte do corpo discente através de seus experimentos iniciais. Caso veementemente representativo desse contexto, como apontado anteriormente, se trata do CEPLAN, da FAU-Unb, que contou com importantes contribuições de Oscar Niemeyer e Lelé, no tocante à industrialização da construção e suas repercussões na arquitetura de equipamentos públicos em distintas cidades brasileiras. 3.3.2. Alemanha No panorama germânico, há muito que se discutir sobre os exemplares selecionados, dado que um desses se trata, na verdade, de um instituto de pesquisas avançadas em construções leves e não necessariamente de uma licenciatura ou bacharelado em arquitetura em si. Ainda que parte de conteúdos ministrados em seus cursos livres ou de pós-graduação sejam tangenciáveis ao campo da arquitetura, ressalva-se que o “Instituto de Estruturas Leves e Projeto Conceitual” concentra áreas de pesquisa extremamente relevantes para o estudo de tecnologias construtivas e que conta com participação multidisciplinar no seu corpo discente e docente, mesmo que esteja diretamente vinculado à Escola de Engenharia da mesma universidade. Por ora, o acesso limitado sobre informações específicas dos cursos e pesquisas desenvolvidas pelo ILEK inviabilizou o prosseguimento de sua devida apreciação para o exame de qualificação, cabendo, portanto, uma análise aprofundada em momento posterior, tendo em vista a disponibilidade de seus componentes curriculares, assim que obtidos os planos de ensino deste Instituto. Dentro dessas condições, caberia ainda, mediante cumprimentos metodológicos desta pesquisa, frisar algumas características da Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Munique. Na TUM, a Faculdade de Arquitetura se destaca por empreender práticas de ensino que tem uma identidade tradicionalmente alemã, as quais obtém êxito influente em face do cenário da construção civil local e internacional. Diga-se de passagem, que, em grande parte das normas técnicas de construção brasileiras, em suma as que são empreendidas pela ABNT, a 151 Associação Brasileira de Normas Técnicas, adota-se como referência técnica, os documentos normativos advindos da cultura alemã de construção civil. Como visto em breve pesquisa sobre o histórico do curso de arquitetura da TUM, constatou- se que, na época em que tal faculdade pertencia à Escola Real de Belas Artes de Munique, o título de formação do que hoje se conhece por arquiteto, antes tinha um significado que se atrelava à profissão de “construtor”, o que hipoteticamente explicaria o teor pragmático da profissão e, concomitantemente a esse, o rigor técnico de formação requisitado tradicionalmente pelas escolas germânicas de arquitetura. Nessa identidade de cunho técnico e pragmático amplamente voltada para os aspectos construtivos no ensino de arquitetura, as matérias das tecnologias construtivas exerceriam protagonismo considerável. No caso da matriz curricular do curso da TUM, as cadeiras de “Konstruktion” apresentam carga horária notável e são direcionadas de modo explícito ao conteúdo programático dos estúdios de Projeto, ao menos nos três primeiros semestres do curso. Desse modo, as disciplinas ou estúdios de Projeto absorvem massivamente os tópicos das técnicas construtivas durante os exercícios de projeto arquitetônico, relacionando-se com a estruturação concisa quanto aos enfoques em sistemas estruturais, paralelamente à escolha de materiais de construção para o ensino das disciplinas de “Construção I, II e II”, isto é, concreto armado, madeira e ligas metálicas, respectivamente. No que tange à experiência da Bauhaus, em face dessa pesquisa é necessário enfatizar a importância do legado deixado em duas frentes. A primeira relacionada com a valorização da estrutura e integração do sistema construtivo na obra arquitetônica como elemento em evidência, atribuindo uma nova utilidade a ele e aumentando a importância de seu estudo, a unificação do ensino contrapõem um hábito errôneo de retratar o projeto construtivo (abordado pela engenharia civil) e o projeto de arquitetura como camadas distintas de um produto final, sendo estes interdependentes. Em uma segunda frente, é possível notar a presença de resquícios da filosofia bauhausiana no método de ensino de outras universidades, principalmente com a forte presença de exercícios práticos e laboratórios, o enfoque narelação do edifício com o estudante, assim como a proposta do Espaço 24 na FAUL, na Bauhaus eram promovidos eventos como encontros sociais, exposições, concertos, além do ambiente de ensino, destaca-se também a relação do ensino com as experiências de internacionalização, a escola mesmo se encontrando na Alemanha, tinha um corpo docente multicultural com profissionais das mais diversas partes do mundo. Características que se destacaram em uma análise comparativa 152 com os demais estudos de caso, porém se iluminada por outras perspectivas poderiam se evidenciar outros pontos de importância equivalente 3.3.3. Itália Com relação às escolas examinadas no contexto italiano, constatou-se mudanças significativas devido à Declaração de Bolonha (1999), bem como a incorporação dos créditos ECTS, European Credit Transfer System, e à reestruturação de políticas públicas nacionais que unificaram, de modo geral, o ensino de áreas do conhecimento então segmentadas e/ou fragmentadas em demasiado, intentando assim, por hipótese, otimizar a organização do ensino superior no país e suas facilidades de ingresso. Os institutos politécnicos sediados em Turim e em Milão, que antes ofereciam opções diferentes de curso de arquitetura, são exemplos emblemáticos dessa política educacional de unificação, integração e conciliação nos âmbitos italiano e europeu. Embora as graduações analisadas sejam nitidamente influenciadas pelo ensino politécnico, notam-se diferenças quanto suas respectivas estruturações curriculares e perfis identitários de formação, as quais vão além do compartilhamento de experiências e fatores históricos semelhantes entre si. O curso de “Projeto de Arquitetura” da PoliMi talvez seja privilegiado no que tange o impacto da internacionalização das universidades. Funcionando como uma unidade acadêmica que se articula em rede com demais instituições de ensino superior no cenário global, o curso poderia ser visto como uma representatividade importante na linha de frente das escolas de arquitetura do país, disseminando assim a tradição italiana na concepção de projetos arquitetônicos. Por outro lado, tal curso estaria sujeito à influência de conteúdos e métodos pedagógicos dessa rede, o que poderia explicar a associação de conceitos da arquitetura paramétrica na disciplina de Cálculo, com traços de abordagens similares aos ensinamentos empreendidos pela Architectural Association School of Architecture, sediada em Londres. Não menos importante que a visibilidade internacional citada sobre o caso milanês, o curso de arquitetura do Instituto Politécnico de Turim, o qual também desfrutaria em menor grau de sua internacionalização, apresenta uma abrangência de seus trabalhos no contexto regional e nacional, obtendo destaque em eventuais chamadas para aplicação de trabalhos de pesquisa. Ressalta-se, nesse sentido, o caráter de extensão executado por meio de laboratórios do próprio curso que, além de estimular a transversalidade na pesquisa por meio das tecnologias construtivas, promove pontes de parceria para trocas de experiências com 153 entidades da construção civil. A disciplina “Sistemas Tecnológicos Inovadores”, lecionada através de práticas laboratoriais, exemplifica tal situação. Do ponto de vista quantitativo, a matriz curricular entre ambos os cursos é idêntica. No entanto, dentro do PoliMi, as disciplinas das tecnologias construtivas estão mais distribuídas ao longo do curso de Projeto de Arquitetura e seus conteúdos apresentam sinergia eficiente para com as disciplinas de projeto, essas, portanto, com duração de um ano. No caso da Faculdade de Arquitetura do PoliTo, as disciplinas das tecnologias construtivas estão concentradas nos dois primeiros anos do bacharelado, como se, intencionalmente, tal proposta favorecesse carga horária maior no último ano para execução do trabalho de láurea. Há que se considerar a oferta de disciplinas optativas desse mesmo eixo temático em ambos os cursos para cumprimento de créditos, ainda que não sejam obrigatórias em suas respectivas matrizes curriculares. Independente das metodologias aplicadas no ensino de arquitetura, seja no caso representado pelo PoliMi, onde ocorreu a congregação de cursos ligados à construção civil, à concepção arquitetônica e ao desenho urbano dentro de uma mesma unidade acadêmica, ou no Politécnico de Turim que, por sua vez, passou a unificar dois cursos de arquitetura de perfis diferentes ora pré-existentes na mesma instituição, isto é, transformando-os em um só, ambas as escolas possuem meios de entrelaçamento entre os campos do conhecimento das exatas e das humanidades. Nesse sentido, ainda que as disciplinas ligadas às tecnologias construtivas, em específico os tópicos de estruturas e seus sistemas de construção, pareçam configurar-se de modo axialmente temático nas grades curriculares, no entanto, percebe-se, por outro lado, que seu caráter estritamente técnico passa a mesclar-se ao teor humanístico da arquitetura e da tradição italiana, buscando assim compreender os contextos socioeconômicos em múltiplas escalas. Em se tratando da experiência do ensino de sistemas estruturais na escola analisa em Marche, levou-se em consideração a quantidade de crédito por disciplina, na qual pode-se perceber que há uma parcela considerável destinada a sistemas construtivos e aspectos relacionados a eles, como ciência dos materiais, dentre os créditos totais, correspondentes à 180, aproximadamente 45 são direcionados ao tema, ou seja, 25%. Garantindo um conhecimento técnico mais aprofundado sobre o assunto e criando uma rede interligada de entendimento da construção civil e projeto de arquitetura. 154 É notável a diferença da estrutura educacional oferecida comparada com a maioria das universidades do Brasil, devido ao sistema educacional aplicado pelas diferentes universidades, por se tratar de um curso de três anos, com a possibilidade de extensão por mais dois anos para obtenção de título de mestre. Porém, a diminuição do período letivo não banaliza a importância do ensino do sistema estrutural dentro da instituição, como mencionado anteriormente, a grade curricular obrigatória sendo ocupada por uma parcela importante, tendo a possibilidade de ser ainda mais aprimorada pelas cadeiras optativas. A preocupação com a inclusão do sistema construtivo dentro do ensino da Arquitetura e Urbanismo na Universidade Politécnica de Marche permanece na extensão de curso de mestrado de Arquitetura e Engenharia de Edifícios-Arquitetura, o qual, oferece disciplinas Técnicas e Princípios Construtivos (essas que também incluem a possibilidade de laboratórios), Física Geral Básica, Sistemas Construtivos, entre outras. 3.3.4. Portugal O programa da Escola do Porto é dividido em dois “tempos”, o primeiro é o teórico, que por sua vez também é seccionado em vertentes: Disciplina e Regra na prática do projeto, a qual é destinada ao contato do profissional com algumas necessidades do projeto, como programa de necessidade, terreno, iluminação, forma, construção, análise crítica; a de Princípios da Física das Construções que abrange as propriedades dos materiais de construção, noções de agentes externos e internos que interferem no edifício; Constituição básica de envolvente construtiva de um edifício, voltada para pavimentação, paredes, coberturas, fundações em seus tipos e comportamentos; Detalhes particulares de um edifício que trata das especificações construtivas dos espaços exteriores e interiores como divisórias, escadas, instalações sanitárias; Desenho de espaços externos; Técnicas de construção, que objetiva o ensinamento de noções de sistema e lógica construtiva, processos de execução e montagem de obra, racionalização, entre outros; por último, Prática do projeto integrado, que trabalha a interdisciplinaridadedo projeto, abrangendo, gestão, concepção, regulamentação, bases para especificidades técnicas. O segundo tempo é o prático, voltado a práticas com temas de concepção estrutural e de infraestrutura, definição construtiva de envolvente e detalhes mais significativos de interior e exterior. O último elemento curricular obrigatório voltado ao ensino das estruturas é a matéria de Sistemas Estruturais, cuja carga horária é de 162 horas. E apresenta um objetivo mais 155 específico comparada com as demais, o entendimento das estruturas em qualquer forma arquitetônica, a partir do estudo de cada uma delas e das competências básicas necessárias para uma concepção estrutural. Em seu programa é apresentado uma introdução geral e histórica, seguida de materiais estruturais, ações em estruturas de edifícios, segurança estrutural, mecânica estrutural, esforço norma, curvatura, flexão e torção de peças lineares, estruturas funiculares, cabos e arcos, membranas, estruturas articuladas (asnas), reticuladas (vigas e pórticos), laminares (lajes e cascas), estruturas de betão, estruturas de aço e elementos estruturais básicos, noções elementares de pré-dimensionamento. Referentes as disciplinas optativas, têm caráter semestral e são ofertadas diversas opções que incluem o ensino do sistema construtivo, mas apenas a partir do terceiro ano de curso, com Geometria construtiva 1 e 2 e seguidas por mais quatro disciplinas ofertadas para alunos de quarto ou quinto ano de curso; Concepção e experimentação estrutural, Construção circula, certificação e design consciente, Construção da Arquitetura em madeira e Construir no construído. Destaca-se que a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Porto dispões aos alunos múltiplas formas de ensino dos métodos e processos construtivos dentro da arquitetura e do urbanismo, das mais diversas, desde uma grade curricular obrigatória que oferece as noções básicas sobre o assunto, até disciplinas optativas e mais específicas, mas também instiga as experiências acadêmicas como pesquisas e laboratórios e profissionais como estágios e contato com construções, mesmo antes da obtenção de algum título, a partir dos centros de estudos. Ponto considerável a ser ressalto, refere-se a integração com programas de pós-graduação na Faculdade de Arquitetura de Lsiboa. Em relação ao mestrado integrado, durante todo o período de dois anos de duração do curso, consiste em 16 disciplinas obrigatórias e 4 optativas divididas nos três primeiros semestres, considerando que o último semestre é destinado apenas a dissertação e seminário do projeto final. Onde dentro dessa grade, 5 são relacionadas ao aprofundamento do conhecimento do sistema construtivo das edificações e aprimoramento das capacidades de resolução de problemas associados ao tema, tais “Estruturas II”, “Inovações Tecnológicas e Novos Materiais”, “Sistemas Estruturais Construtivos” e “Edificações IV - Apoio ao projeto”. Nas optativos apenas uma disciplina relacionada a um tipo sistema construtivo; “Construção em Madeira”. É possível alavancar a ideia de que o curso de mestrado integrado em Arquitetura da Faculdade de Lisboa tem um perfil interdisciplinar, mesmo contando com uma estrutura 156 curricular mais engessada em comparação com as demais instituições europeias, porém também carrega um traço de autonomia do estudantes, que dessa vez não está presente nos componentes curriculares, este por sua vez, garante os conhecimentos técnicos básicos necessários para a formação do profissional, incluindo o conhecimento do sistema construtivo. Mas sim na interação e troca dos alunos com o ambiente acadêmico, tirando proveito da diversidade de licenciaturas ofertadas na mesma escola e ainda mais incentivada pela disposição dos espaços, um exemplo disso é o chamado Espaço 24, um ambiente aberto durante todo o dia destinado a ocupação e apropriação dos estudantes, outros exemplos podem ser os espaços destinados a exposições de trabalhos e ambientes livres, demonstrando uma interlocução dos cursos, a interdisciplinaridade e abrangência da própria arquitetura. O conjunto de edifícios que formam a FAUL, por si só, também já apresentam um caráter mais didático. Trata-se de quatro blocos, os quais são abrigam aulas com temas majoritários. No bloco central encontra-se salas auxiliares como biblioteca, gabinetes, secretarias, centro de informática, centro de investigação, garagem e espaço destinado aos alunos. Ao norte encontra-se um bloco menor destinado a aulas de mestrado e do curso de moda. Os blocos laterais são maiores, o da esquerda (Figura 45), abriga aulas de arquitetura, auditórios e espaço de exposições de trabalhos, já o da direita é voltado para o urbanismo, design e oficinas, destaca-se desse edifício que não há divisões e o ambiente é livre, evidenciando as estruturas da construção e possibilitando uma experiência real com o sistema estrutural do prédio em que o indivíduo se insere, aprimorando o olhar crítico do estudante, mesmo que nele sejam estudas disciplinas dissociadas dos sistemas estruturais. 157 CONSIDERAÇÕES FINAIS Gostaria de finalizar este trabalho, levando em conta que toda a pesquisa feita a respeito do Ensino de Estruturas em Escolas de Arquitetura, foi realizada tomando-se como base inicial o que se pratica neste sentido há mais de 20 anos, nas nossas aulas relativas às Técnicas como base imprescindível, na formação dos estudantes e futuros arquitetos. Ao longo dos semestres, são ministrados sequencialmente, nas diversas disciplinas, em cada um dos semestres, que compõem este eixo vertical de conhecimentos, a ênfase inicial de uma tríade fundamental das Estruturas: 1) O que é; 2) Para que serve e 3) Como se utiliza. Desta forma o entendimento do que se pretende ensinar, está além de simplesmente divulgar uma série de informações, mas sim tornar-se, passo a passo, de forma organizada, racional e prática, uma cadeia de Conhecimentos, agregados às outra disciplinais projetuais, que absorvidos e claramente entendidos, através de exemplos práticos terão o valor agregado desejado pelos professores que atuam em conjunto, com o objetivo de excelência no ensinamento e correspondente aprendizado, cativando os alunos, desde os primeiros dias de aula. Neste trabalho de Dissertação, procurou-se pesquisar em outras Escolas de Arquitetura, inclusive em outros países, como é elaborado e sistematizado o ensino desta espinha dorsal, que se chama genericamente de Estrutura. A comparação entre as diversas matrizes pesquisadas, nos propõe de que maneira podemos otimizar as formas e métodos de ensino, para que continuamente tenhamos uma integração entre as disciplinas integrantes do curso de Arquitetura, além de tornar mais simples, funcional e objetiva o ensinamento de bases das técnicas estruturais para os alunos de Arquitetura. Sempre existirá a premissa a ser firmada e entendida pelos alunos, de que não existe Arquitetura sem Estrutura, assim como não é possível elaborar uma Estrutura sem Arquitetura. 158 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland. O adeus ao inigualável Professor Vasconcelos. 26 dez. 2020. Disponível em: < https://abcp.org.br/o-adeus-ao-inigualavel- professor-vasconcelos/>. 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Salienta-se que os planos de ensino bem como as matrizes curriculares referentes às escolas italianas e portuguesas encontram-se em plataforma digital, o que por razões técnicas inviabilizou a adição de deus conteúdos programáticos neste anexo. Architektur (B.A.) - FPSO 2018 Semester 1 Entwerfen, Raum und Konstruktion Projektarbeit 8 ECTS Projektarbeit 8 ECTS Konstruktion 1 Klausur 6 ECTS Statik und Festigkeitslehre Klausur 6 ECTS Entwurfsmethodik+ Gebäudelehre Baukonstruktion 1 Statik und Festigkeitslehre Übungen zur Statik Semester 2 Entwerfen, Typus und Konstruktion Konstruktion 2 Klausur 6 ECTS Tragkonstruktionen Klausur 6 ECTS Gebäudetypologie Baukonstruktion 2 Tragkonstruktionen Übungen zu Tragkonstruktionen Semester 3 Konstruktion 3 Klausur 6 ECTS Bauklimatik & Haustechnik Klausur 6 ECTS Werkstoffe Baukonstruktion 3 Bauklimatik und Haustechnik Energieversorgung Theorie & Geschichte von Architektur, Kunst & Design Wiss. Ausarbeitung 6 ECTS Digitale Formfindung Klausur + Übungsleistung 6 ECTS Architekturgeschichte Kunstgeschichte thematische Wahlmodule 18 ECTS Stadtbaugeschichte 2 SWS 3 ECTS Exkursion Baugeschichte und Bildnerisches Gestalten Projektarbeit 3 ECTS Wissenschaftliches Arbeiten Wiss. Ausarbeitung 3 ECTS 5 Prüfungen* 32 ECTS 7 Prüfungen* 32 ECTS 6 Prüfungen 32 ECTS 6 Prüfungen 32 ECTS 26 ECTS 26 ECTS 4+ Prüfungen 30 ECTS 5+ Prüfungen30 ECTS Exkursion Grundlagen der Darstellung und Gestaltung Lernportfolio 3 ECTS Wiss. Ausarbeitung+Kolloquium 15 ECTS Baugeschichte 4 SWS 6 ECTS Grundlagen der Gestaltung Lernportfolio 6 ECTS Grundlagen der Darstellung Übungsleistung 6 ECTS CAAD Digitale Formfindung Bildnerisches Gestalten Projektarbeit 6 ECTS Bildnerische Praxis Rauminterventionen Semester 4 Städtebau Übungsleistung 6 ECTS Urbanistik Klausur 6 ECTS Städtebau Urbanistische Modelle Raumökonomie Landschaftsarchitektur Semester 5 Auslandsstudium 26 ECTS Projektarbeit 1 Projekt Projektarbeit 9 ECTS Projektarbeit 5 Bachelor‘s Thesis Bachelorkolloquium Projektarbeit 2 Fächer und Module werden mit der jeweiligen Partneruniversitäät abgestimmt und in einem Learning Agreement festgelegt. Während des Auslandsaufenthaltes sollten mindestens 20 Credits pro Semester belegt werden. Für diverse Länder/Universitäten gibt es Umrechnungsschlüssel auf das hiesige ECTS. Semester 6 Semester 7 Semester 8 Bachelor‘s Thesis 0 5 10 15 20 25 30 ECTS Technik 6 ECTS Gestalten 6 ECTS Geschichte, Theorie und Denkmalpflege 6 ECTS Konstruktives Entwerfen und Material Projektarbeit 8 ECTS Projektarbeit 3 Städtebauliches Entwerfen Projektarbeit 8 ECTS Projektarbeit 4 26 ECTS freie Wahlmodule 12 ECTS Wahlmodule 6 ECTS allgemeinbildende Wahlmodule 6 ECTS Baurecht, Bauprozess und Baumanagement Klausur 6 ECTS Baurecht Bauprozess Baumanagement ECTS = European Credit Transfer System Pflichtmodule Wahlmodule * = Grundlagen der Darstellung / Gestaltung dauert zwei Semester, die Prüfungen finden semesterbegleitend statt + = je nach gewählten Modulen kann sich die zahl der Prüfungen erhöhen Stand 05.03.2013 Bachelor Modulbeschreibung AR20002: Konstruktion 1 Fakultät für Architektur Modulniveau: Deutsch Sprache: Einsemestrig Semesterdauer: Wintersemester Häufigkeit: 6 Credits:* 180 Gesamtstunden: 120 Eigenstudiumsstunden: 60 Präsenzstunden: Schriftliche Prüfung am Semesterende; Erarbeiten einer Gebäudeanalyse in Gruppenarbeit und allgemeine Präsentation im Rahmen der Vorlesung; Beschreibung der Studien-/ Prüfungsleistungen: schriftlich Prüfungsart: 90 Prüfungsdauer (min.): Folgesemester Wiederholungsmöglichkeit: Ja Hausaufgabe: Grundkenntnis und praktische Erfahrung im Bezug auf den Entstehungsprozess von Bauwerken; (Empfohlene) Voraussetzungen: Zentrale Inhalte des Moduls sind die Grundlagen des Entwerfens von Gebäuden im Zusammenhang mit den konstruktiven und typologischen Bedingungen des Bauens. Besonderes Gewicht liegt auf folgenden Aspekten: - Analyse der Situation als Grundlage jeden entwerferischen Handelns; - Erkennen der sinnlichen Präsenz und konstruktiven Eigenschaften von Materialien und die daraus resultierenden Entwurfsparameter; - Darstellung der gegenseitigen Abhängigkeit von Raumbildung und konstruktiven Möglichkeiten, wobei die Inhalte der Baukonstruktion vertieft werden: baukonstruktive Begriffe, Grundwissen zu den Bauelementen (Fundamente, Wand, Öffnungen, Decke, Dach, Treppen); - Bauablauf; - Regeln der Plandarstellung; - bauphysikalische Zusammenhänge, Baugesetze und Normen; Inhalt: * Die Zahl der Credits kann in Einzelfällen studiengangsspezifisch variieren. Es gilt der im Transcript of Records oder Leistungsnachweis ausgewiesene Wert. Stand 05.03.2013 Nach der Teilnahme an den Modulveranstaltungen sind die Studierenden in der Lage, ...die Begriffe der Baukonstruktion zu verstehen und anzuwenden; ...Materialien entsprechend deren spezifischen Materialeigenschaften einzusetzen; ...die wesentlichen Funktionsweisen der unterschiedlichen Bauteile eines Bauwerks zu verstehen und diese entsprechend einzusetzen; ...einzelne Baumethoden zu unterscheiden und bei unterschiedlichen Bautypologien anwenden zu können; ...grundlegende bauphysikalische Begriffe und Wirkungsweisen zu erfassen und den Gesamtzusammenhang im System Bauwerk zu begreifen; ...einen Bauablauf nachzuvollziehen; ...die wichtigsten baugesetzlichen Regeln und Normen anwenden zu können; ...Gebäudetypologien zu erkennen, zu unterscheiden und anzuwenden; ...Gebäude hinsichtlich Einbindung in die Umgebung, Organisation, Konstruktion, Materialisierung und Gestaltung zu analysieren; Lernergebnisse: Das Modul besteht aus einer Vorlesung zur Entwurfsmethodik und gebäudelehre (2SWS) und einer Vorlesung zu den Grundlagen der Baukonstruktion (1SWS). Vorlesungsbegleitend werden von den Studierenden in Gruppenarbeit Gebäudeanalysen angefertigt und im Rahmen der Vorlesung präsentiert (1SWS). Die hier erworbenen theoretischen theoretischen Kenntnisse und Fähigkeiten sollen im zugeordneten Modul 1P angewandt und erprobt werden. Lehr- und Lernmethoden: Vorlesung mit Bildpräsentationen; Die Skripte und Folien der Vorträge werden auf der Webseite des Lehrstuhls zur Verfügung gestellt. Medienform: Architektur Konstruieren. vom Rohmaterial zum Bauwerk, Andrea Deplazes, Birkhäuser-Verlag für Architektur, ISBN-10: 3-7643-7313-X Elementare Architektur,Raimund Abraham Verlag Anton Puste, ISBN 3-7025-0439-7 Konstruktionsatlanten, Edition Detail, Institut für Internationale Architektur-Dokumentation. Literatur: Florian Nagler, Modulverantwortliche(r): Lehrveranstaltungen (Lehrform, SWS) Dozent(in): Modul 2 P: Konstruktion 1: Entwurfsmethodik + Gebäudelehre (Vorlesung, 3 SWS) Nagler F, Bannert S Modul 2 P: Konstruktion 1: Baukonstruktion 1 (Vorlesung, 1 SWS) Nagler F, Bannert S Stand 05.03.2013 Bachelor Modulbeschreibung AR20006: Konstruktion 2 Fakultät für Architektur Modulniveau: Deutsch Sprache: Einsemestrig Semesterdauer: Sommersemester Häufigkeit: 6 Credits:* 180 Gesamtstunden: 120 Eigenstudiumsstunden: 60 Präsenzstunden: Schriftliche Prüfung am Semesterende Beschreibung der Studien-/ Prüfungsleistungen: schriftlich Prüfungsart: 90 Prüfungsdauer (min.): Folgesemester Wiederholungsmöglichkeit: Ja Hausaufgabe: Positiver Abschluss Modul 2P Baukonstruktion 1.Voraussetzungen sind Grundlagenwissen im Bereich Baukonstruktion. (Empfohlene) Voraussetzungen: Zentraler Inhalt des Moduls ist das Erkennen der Zusammenhänge von Baukonstruktion und Gebäudetypologie. Dabei wird der Baustoff Holz exemplarisch behandelt. Die fachlichen Inhalte sind: Gebäudetypologie, menschliches Maß, Maßanordnungen, Flexibilität, nachhaltige Strategien. Diese Themen werden integral in Zusammenhang gestellt mit den Inhalten der Baukonstruktion, Schwerpunktthema Holz: Bauelemente aus Holz (Wand, Öffnung, Decke, Dach, Treppen, Fenster, Innenausbau), Bau- und Werkstoffkunde Holz, Holzschutz, Brandschutz, Wärmeschutz, Baugesetze und Normen. Inhalt: * Die Zahl der Credits kann in Einzelfällen studiengangsspezifisch variieren. Es gilt der im Transcript of Records oder Leistungsnachweis ausgewiesene Wert. Stand 05.03.2013 Nach der Teilnahme an den Modulveranstaltungen sind die Studierenden in der Lage zu verstehen, in welchem Zusammenhang die Gesetzmässigkeiten der Gebäudetypologie mit den baukonstruktiven Gesetzmässigkeiten steht. & sind die Studierenden in der Lage, Gebäudetypologien zu unterscheiden. ... sind die Studierenden in der Lage, die Grundsätze der wichtigsten Konstruktionsprinzipien zu verstehen. ... sind die Studierenden in der Lage zu verstehen, wie die menschlichen Maße funktionelle Lösungen beeinflussen. ... sind die Studierenden in der Lage, die baukonstruktiven Begriffe im Zusammenhang mit Holzbau zu verstehen und in das Gesamtsystem Bauwerk einzuordnen.... sind die Studierenden in der Lage, die wesentlichen Funktionen und Aufbauten der Bauteile zu begreifen. ... sind die Studierenden in der Lage, einzelne Holzbaumethodenzu unterscheiden sowie deren Anwendung für diverse Gebäudetypologien zu verstehen. Lernergebnisse: Vorlesungszyklus mit begleitendem Selbststudium anhand von Skripten, Übungsaufgaben und Texten. Die hier erworbenen theoretischen Kenntnisse und Fähigkeiten sollen im zugeordneten Modul 5 P angewendetund erprobt werden. Lehr- und Lernmethoden: Präsentationen, Skript Medienform: Holzbau-Atlas; Thomas Herzog, Julius Natterer, Michael Volz und Roland Schweitzer, Birkhäuser-Verlag, ISBN 3764369841. Holzbau-Atlas Zwei; Julius Natterer, Thomas Herzog und Michael Volz, Birkhäuser-Verlag, ISBN 3764362308 Hochbaukonstruktion; Heinrich Schmitt und Andreas Heene, Vieweg + Teubner in GWV Fachverlage GmbH, ISBN 978-3-528-08854-5 Architektur Konstruieren vom Rohmaterial zum Bauwerk; Prof. Andrea Deplazes, Zürich, Birkhäuser-Verlag AG ISBN 3-7643-7187-0 Holzbau mit System; Josef Kolb, Birkhäuser-Verlag AG ISBN 3764388234 Raumpilot Grundlagen; Thomas Jocher, Sigrid Loch; kraemerverlag, ISBN 978-3-7828-1525-3 Neufert Bauentwurfslehre; Ernst Neufert, Johannes Kister; Vieweg Verlag ISBN 3-528-99651-X" Literatur: Hermann Kaufmann, kaufmann@lrz.tum.de Modulverantwortliche(r): Lehrveranstaltungen (Lehrform, SWS) Dozent(in): Modul 6 P: Konstruktion 2: Gebäudelehre (Vorlesung, 2 SWS) Kaufmann H Modul 6 P: Konstruktion 2: Baukonstruktion 2 (Vorlesung, 2 SWS) Kaufmann H Stand 05.03.2013 Bachelor Modulbeschreibung AR20011: Konstruktion 3 Werkstoffe und Baukonstruktion Fakultät für Architektur Modulniveau: Deutsch Sprache: Einsemestrig Semesterdauer: Wintersemester Häufigkeit: 6 Credits:* 180 Gesamtstunden: 120 Eigenstudiumsstunden: 60 Präsenzstunden: Schriftliche Prüfung am Ende des Semesters Beschreibung der Studien-/ Prüfungsleistungen: schriftlich Prüfungsart: 180 Prüfungsdauer (min.): Folgesemester Wiederholungsmöglichkeit: Ja Hausaufgabe: Die erfolgreiche Teilnahme an den den Modulen 01P bis 09P der vorangegangenen Semester wird empfohlen. (Empfohlene) Voraussetzungen: In der Vorlesungsreihe im Modul 11P werden den Studierenden die Zusammenhänge zwischen Baustoffen, Baukonstruktion und architektonischer Form vermittelt. Dazu werden Grundkenntnisse über organische, mineralische und metallische Werkstoffe sowie Prinzipen der Hochbautechnologie gelehrt. Inhalt: Nach der Teilnahme an der Modulveranstaltung sind die Studierenden in der Lage: - die Eigenschaften der wichtigsten Materialgruppen zu benennen - sinnvolle Einsatzgebiete von Baustoffen entsprechend ihrer Materialeigenschaften einzuschätzen - einfache Konstruktionsprinzipien und gängige Lösungsansätze zu verstehen und anzuwenden - Werkstoffe und Konstruktionsweisen für individuelle Lösungsansätze sinnvoll zu kombinieren, anzupassen oder weiterzuentwickeln - gefundene Lösungen durch geeignete Mittel wie z.B. Zeichnung und Modell sparsam und genau zu vermitteln Lernergebnisse: Vorlesungszyklus mit begleitendem Selbststudium anhand von Skripten und Texten. Die hier erworbenen theoretischen Kenntnisse und Fähigkeiten sollen im zugeordneten Modul 10P angewendet und erprobt werden. Lehr- und Lernmethoden: * Die Zahl der Credits kann in Einzelfällen studiengangsspezifisch variieren. Es gilt der im Transcript of Records oder Leistungsnachweis ausgewiesene Wert. Stand 05.03.2013 Vorlesungsfolien werden durch Herleitung von Details an der Tafel ergänzt, Literatur und Lernmaterial wie Skripten werden unter www.ebb.ar.tum.de zur Verfügung gestellt. Medienform: Lehrbuch: "Architektur konstruieren" von Andrea Deplazes (Hrsg.), Birkhäuser Basel 2005 Aktuelle Literaturliste auf der Website des Lehrstuhls. Literatur: Prof. Dipl.-Ing.Florian Musso, mail@ebb.ar.tum.de Modulverantwortliche(r): Lehrveranstaltungen (Lehrform, SWS) Dozent(in): Modul 11P: Konstruktion 3: Baukonstruktion 3 (Vorlesung, 2 SWS) Musso F Modul 11P: Konstruktion 3: Werkstoffe (Vorlesung, 2 SWS) Musso F Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de Tecnologia Universidade de Brasília PLANO DE CURSO 1° SEMESTRE DE 2019 Disciplina: SISTEMAS ESTRUTURAIS EM CONCRETO ARMADO Professora: CLÁUDIA ESTRELA PORTO 2 1. DADOS DA DISCIPLINA Disciplina: Sistemas Estruturais em Concreto Armado, Código: 154695 Pré-requisito: Sistemas Estruturais na Arquitetura, Código: 154687 Créditos: 08 (06-02-04) Horário: 3a e 5a das 8 às 12 horas Turma: A 2. INTRODUÇÃO O curso sobre Sistemas Estruturais, ministrado no terceiro semestre do Curso de Arquitetura e Urbanismo, tem como tema principal o concreto armado. Dos materiais disponíveis ao arquiteto para realizar os seus projetos, o concreto armado é, sem dúvida, o mais largamente utilizado. O curso tentará enfatizar o Projeto Estrutural, entretanto cálculos serão desenvolvidos, pois se faz necessário um mínimo de instrumentação teórica e prática nos cálculos de concreto armado para que se possa projetar obras coerentes e maravilhosas neste material. Como a estrutura, em última análise, é resultante do projeto arquitetônico, acreditamos que o arquiteto, líder natural da equipe, saiba que tipo de trabalho executam os seus auxiliares, dentre estes se destacando o calculista. E, para entender este trabalho, nada melhor que praticá-lo. 3. EMENTA ! Apresentar as possibilidades do uso estrutural do concreto armado, inserindo-o na história da tecnologia das edificações. ! Estudo da composição do concreto (traços) e do aço (tipos) usados no concreto armado. ! Dimensionamento dos elementos estruturais em concreto armado: lajes, vigas isostáticas e hiperestáticas, pilares e fundações. 3 4. OBJETIVOS GERAIS ! Desenvolver a capacidade de interagir o conhecimento teórico das estruturas em concreto armado e sua utilização na concepção do espaço arquitetônico. ! Aprender e interpretar os princípios físicos aplicáveis às estruturas das construções, principalmente as condições de equilíbrio, os estados de tensão, a resistência e a deformação, determinados pela ação das cargas e forças atuantes nas mesmas. ! Pré-dimensionar e detalhar peças de sistemas estruturais em concreto armado, tendo em vista a realidade do espaço arquitetônico e sua construção. ! Familiarizar-se com o esqueleto estrutural, tendo em vista o projetar corretamente, isto é, conceber o projeto arquitetônico em sintonia com o projeto estrutural. 5. TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS 5.1. Introdução ! História do concreto armado ! Concreto armado como material de construção ! Normas ABNT ! Cargas atuantes nas estruturas 5.2. Lajes ! Classificação ! Lajes maciças ! Avaliação das cargas ! Cargas das lajes nas vigas ! Determinação dos esforços ! Dimensionamento ! Detalhamento 4 5.3. Vigas ! Vigas Isostáticas ! Vigas Hiperestáticas ! Vigas contínuas, pelo método de Clapeyron ! Dimensionamento à Flexão ! Dimensionamento ao Cisalhamento ! Detalhamento 5.4. Pilares ! Noções sobre Flambagem ! Dimensionamento ! Detalhamento 5.5. Fundações ! Diretas ! Profundas ! Dimensionamento ! Detalhamento 4. PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS a) Aulas teóricas, eventualmente acompanhadas de slides. b) Aulas práticas, destinadas aos Exercícios de fixação da matéria ministrada. c) Visita a canteiro de obras, com o objetivo de analisar “in loco” os elementos estruturais em concreto armado, seus respectivos dimensionamentos e armaduras. 5 5. AVALIAÇÃO O desenvolvimento do aluno será acompanhado ao longo do semestre letivo através de exercícios de fixação, questionários e provas. 5.1. Provas Durante o semestre letivo serão realizadas DUAS provas: a primeira mais ou menos 8 (oito) semanas após o início do curso, versando sobre a matéria dada até a aula imediatamente anterior à data da prova; a segunda no final do curso, incluindo toda a matéria dada até então. 5.2. Questionários Serão realizados questionários de curta duração (uma ou duas horas), em datas aleatoriamente escolhidas pelo Professor, compreendendo perguntas e resoluções de problemas sobre a matéria já estudada. Os questionários poderão ser com ousem consulta, a critério do Professor. Servem para o aluno se auto-controlar, demonstrando estar acompanhando com proveito o que vem sendo explicado e, prevendo assim, com boa antecipação, qual deve ser sua menção final. 5.3. Lista de Exercícios As listas de exercícios deverão ser resolvidas em casa. Os alunos são estimulados a resolverem os exercícios, discutindo as soluções com os colegas. Haverá um monitor para eventuais dúvidas. A entrega dos exercícios está vinculada à realização das duas provas, isto é, os alunos deverão ter entregue todos os exercícios na ocasião das mesmas. 5.4. Atividades Complementares Visita à obra: será realizada visita a uma obra executada em concreto armado, com vistas a uma melhor compreensão, por parte dos alunos, dos sistemas estruturais adotados. 6. MENÇÃO FINAL Será calculada, somando as seguintes médias e notas: a) 50% da média obtida nas duas Provas; b) 40% da média obtida nos Questionários; 6 c) 10% da média obtida nas Listas de Exercícios; A conversão das Notas nos critérios adotados pela UnB será: Média Final = 0,00 a 2,99 - II 3,00 a 4,99 - MI 5,00 a 6,99 - MM 7,00 a 8,99 - MS 9,00 a 10,00 - SS Observações: ! O não comparecimento a uma das provas implica na reprovação do aluno. ! O aluno deverá ter média mínima de 5,0 nas Provas e Questionários para aprovação no Curso, independente da soma total das outras notas. ! Quanto às faltas: de acordo com as normas da UnB, o aluno poderá faltar até 25% das aulas (incluídas as faltas por problemas de saúde). Em casos graves, o aluno ou seu representante deve trancar o curso. Alunas nos últimos meses de gravidez devem pedir tarefas domiciliares. As faltas não eximem o aluno de se inteirar do assunto então ministrado, procurando o seu conhecimento. 7. BIBLIOGRAFIA 7.1. Básica ! Botelho, Campos; Henrique, Manoel, Concreto Armado – Eu te amo, São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda, 1983. (624.012.45 B748C) ! Clímaco, João Carlos Teatini de Souza, Estruturas de concreto armado, Brasília: Editora UnB, Finatec, 2005. ! Margarido, Alúzio Fontana, Fundamentos de Estruturas – Um programa para arquitetos e engenheiros que se iniciam no estudo das estruturas, São Paulo: Zigurate Editora, 2001. ! Moraes, Marcello da Cunha, Concreto Armado, São Paulo: Editora MacGraw-Hill, 1982. (624.012.45 (076.1) M827CM) ! Muttoni, Aurélio, L´art des Structures – Une introduction au fonctionnement des structures en architecture, Lausanne: Presses Polytechniques et Universitaires Romandes, 2004. 7 ! Rebello, Yopanan C.P., A concepção estrutural e a Arquitetura, São Paulo: Zigurate Editora, 2001. ! Rocha, Aderson Moreira, Concreto Armado (Volume I e II), São Paulo: Editora Nobel, 1989. (624.012.45 R672CO / 23a ed.) ! Rüsch, Hubert, Concreto Armado e Protendido, Rio de Janeiro: Editora Campus, 1981. ! Silva, Daiçon Maciel da; Souto, André Kraemer, Estruturas – Uma abordagem Arquitetônica,Porto Alegre: Editora Sagra Luzzato, 2000. ! Apostila (Fluxograma e Tabelas) fornecidas pelo Curso. 7.2. Complementar ! Collins, Peter, Splendeur du Béton – Les prédécesseurs et l´oeuvre d´Auguste Perret, Paris: Éditions Hazan, 1995. ! Collins, Peter, Concrete: the vision of a new architecture, a study of Auguste Perret and his precursor, Londres: Faber & Faber. (72.693.55 C712C) ! Delhumeau, Gwenaël, L´invention du Béton Armé, Institut Français d´Architecture, Paris: Éditions Norma, 1999. ! Encyclopédie Perret, Centre des monuments nationaux/Monum, Paris: Éditons du patrimoine, 2002. ! Les Frères PERRET – L´oeuvre complète, Institut Français d´Architecture, Paris, Éditions Norma, 2000. ! Leonhardt, Fritz; Moennig, Eduard, Contruções de Contreto Armado, Rio de Janeiro: Editora Interciência, 1977. (624.012.45 L584V=690) ! Montoya, Jimenez P.; Meseguer, A Garcia; Cabré, F Monan, Hormigón Armado, Barcelona: Editora Gustavo Gili, 1973. (624.012.45 J61H / 7a ed.) ! Ordónez, José António Fernández; Vera, José Ramón Navarro, Eduardo Torroja Miret, ingeniers, engineer, Madrid: Ediciones Pronaos, 1999. ! Süssekind, José Carlos, Curso de Concreto Armado (Volume I e II - Concreto Armado), Rio de Janeiro: Editora Globo, 1991. (624.012.45 S964C) ! Torroja, Eduardo, Razón y Ser de los Tipos Estructurales, Madrid: ed. I.E.T.C.C (Instituto Eduardo Torroja de la Construcción y del Cemento), 1991. (624.04 T697R /7ª ed.) ! Textos, extraídos de autores renomados, sobre tópicos do Curso. Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de Tecnologia PLANO DE CURSO 2◦ Semestre/2019 1 DADOS DA DISCIPLINA E NÚMERO DE AULAS Disciplina: Sistemas Estruturais em Aço Turma: C Professor: Luis Alejandro Pérez Peña E-mail: alejandrop@unb.br Horários: Segunda e Quarta-feira � 19:00-20:40 hs Sala: LACAM ASS549 Agosto - 6 aulas Setembro - 7 aulas Outubro - 9 aulas Novembro - 8 aulas Dezembro - 3 aulas 2 OBJETIVOS Aprofundar o conhecimento do fenômeno estrutural, dentro de um contexto arquitetônico, através do estudo dos sistemas estruturais que utilizam o aço como material construtivo. Ao �nal do curso o aluno deverá ser capaz de: • Conhecer os tipos de per�s estruturais em aço e a sua aplicação nas estruturas; • Explicar como as forças externas e as tensões internas se relacionam com a forma estrutural; • Aplicar os princípios da estática e da resistência dos materiais a elementos estruturais em aço; • Aplicar os procedimentos básicos de veri�cação de elementos a situações práticas; • Analisar um sistema estrutural estabelecendo a hierarquia de seus elementos e a correlação de forças entre eles; • Projetar e detalhar utilizando o aço como material estrutural. 3 EMENTA Ferro e aço. Per�s estruturais. Flechas em vigas. Projeto de vigas, projeto de pisos, pilares e coberturas. Dimensionamento de per�s de chapa dobrada a frio. Conexões soldadas. Projeto de pórticos. Projetos arquitetônicos utilizando o aço como material estrutural. 3.1 Estática (Revisão) • Treliças • Vigas • Pórticos • Arcos 1 3.2 Aço e Resistência dos Materiais • Aço e Ferro. Per�s Estruturais • Tensões e deformações • Propriedades das Seções • Flechas em Vigas • Flambagem 3.3 Sistemas Estruturais de Edifícios de Andares Múltiplos • Pré-dimensionamento de Vigas, Pilares e Tirantes • Projeto de Pavimentos • Sistemas de Contraventamento • Tipos de lajes e vedações 3.4 Sistemas Estruturais de Coberturas Leves • Projeto de Coberturas • Per�s de Chapa Dobrada a Frio • Conexões parafusadas e soldadas 4 PROJETO • Cálculo, dimensionamento e detalhamento de um projeto em estrutura de aço; • Lançamento da estrutura; • Cargas nas vigas, pilares e tirantes; • Lançamento das cargas de cobertura; • Dimensionamento treliças e pilares; • Dimensionamento das ligações; • Apresentação do projeto. 5 AVALIAÇÃO O desenvolvimento do aluno será acompanhado ao longo do semestre letivo através de provas e um projeto. 5.1 Provas (P) Serão realizadas duas (02) provas escritas e individuais, com duração máxima de 02 horas. As datas das mesmas são dadas a seguir: • Prova 1 (P1): 02/10/2019 (quarta-feira); • Prova 2 (P2): 02/12/2019 (segunda-feira). 2 5.2 Projeto (Pj) O projeto terá que ser entregue por meio físico e deverá ser entregue na seguinte data: • Entrega do projeto (Pj): 27/11/2019 (quarta-feira). 5.3 Menção �nal (MF) A menção �nal será entregue na segunda-feira 09/12/2019 e será calculada com a fórmula mostrada a seguir: M.F = 30%(P1) + 30%(P2) + 40%(Pj) Caros alunos, Caso o aluno faltasse alguma das provas sem justi�cativa, a nota do projeto será considerada igual a zero. 6 OBSERVAÇÕES • Apenas no caso de problemas de saúde o aluno poderá faltar a uma das provas. Nesse caso deverá justi�car a falta no dia da prova, apresentando um laudo médico ao professor; • O aluno deverá ter média mínimade 5,0 nas provas escritas para aprovação no curso, independente da soma total das outras notas; • Quanto às faltas: de acordo com as normas da UnB, o aluno poderá faltar até 25% das aulas. Acima disso implica automaticamente em menção �nal igual a SR. Em casos graves, o aluno ou seu representante deve trancar o curso. As faltas não eximem o aluno de se inteirar do assunto então ministrado, procurando o seu conhecimento; • O aluno deverá possuir calculadora, de preferência cientí�ca. Não será permitido o uso de calculadora de telefone celular durante as provas. Do mesmo modo, desligar os celulares durante as aulas; • Assinar a presença até o �m do curso é obrigatória. O atestado médico não abona faltas. Veri�car periodicamente o número de faltas durante o semestre; • A nota do projeto será 25% menor para cada dia de atraso na entrega. O projeto deverá ser entregue em sala de aula. Trabalhos iguais não serão avaliados. Projeto incompleto não será considerado na menção �nal 7 BIBLIOGRAFIA • Dias, L. A. de M. Estruturas de Aço � Conceitos, Técnicas e Linguagem. São Paulo: Zigurate Editora, 2002. 196p. • Rebello,Y. C. P. Estruturas de Aço, Concreto e Madeira: Atendimento da Expectativa Dimensional. São Paulo: Zigurate Editora, 2005. • Pfeil, W.; Pfeil, M. Estruturas de Aço � Dimensionamento Prático. Rio de Janeiro: LTC � Livros Técnicos e Cientí�co, 2000. 336p. • Süssekind, J.C. Curso de Análise Estrutural, vol 1. Porto Alegre: Globo, 1989. • Hibbeler, R. C. Estática: Mecânica para engenharia, 10a edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 3 • Hibbeler, R. C. Resistência dos Materiais, 5a edição. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. • Popov, E. P. Introdução à mecânica dos sólidos. São Paulo: E Blücher, 1978. 534 p. • Pinheiro, A. C. F. B. Estruturas Metálicas. Cálculos, Detalhes, Exercícios e Projetos.São Paulo: Edgard Blucher, 2001. 300p. • Moliterno, A. Elementos para Projetos em Per�s Leves de Aço. São Paulo: EdgardBlucher, 1989. 209p. • DIAS, L.A.M., Estruturas de aço, 2a Edição. São Paulo: Editora Zigurate, 1998. • DIAS, L.A.M., Edi�cações de aço no Brasil. São Paulo: Editora Zigurate, 1993. • DIAS, L.A.M., Aço e Arquitetura: Edi�cações de Aço no Brasil. São Paulo: Editora Zigurate, 2001. • NBR 6120 Cargas para o cálculo de estruturas em edi�cações. ABNT, 1982. • NBR 6123 Forças devidas ao vento em edi�cações. ABNT, 1986. • NBR 8800 Projeto e Execução de estruturas de aço em edifícios (método dos estados limites). ABNT, 1988. 4 Universidade de Brasília Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Departamento de Tecnologia PLANO DE CURSO 2◦ Semestre/2019 1 DADOS DA DISCIPLINA E NÚMERO DE AULAS Disciplina: Sistemas Estruturais em Madeira Turma: A Professor: Luis Alejandro Pérez Peña E-mail: alejandrop@unb.br Horários: Terça-feira � 14:00-17:40 hs Sala: LACAM ASS549 Agosto - 3 aulas Setembro - 3 aulas Outubro - 5 aulas Novembro - 4 aulas Dezembro - 1 aulas 2 OBJETIVOS Identi�car o material através de suas propriedades físicas, mecânicas e anatômicas e mostrar os procedimentos para o cálculo e dimensionamento de estruturas de madeira. 3 CONTEÚDO DA MATÉRIA • Propriedades anatômicas macroscópicas da madeira; • Propriedades físicas; • Propriedades mecânicas; • Durabilidade natural e preservação; • Secagem; • Classi�cação em usos �nais; • Tensões admissíveis; • Flexão estática; • Compressão paralela às �bras; • Compressão perpendicular às �bras; • Tração paralela às �bras; • Tração perpendicular às �bras; • Cisalhamento paralelo às �bras; • Ligações pregadas e parafusadas; 1 4 AVALIAÇÃO O desenvolvimento do aluno será acompanhado ao longo do semestre letivo através de provas e um projeto. 4.1 Provas (P) Serão realizadas duas (02) provas escritas e individuais, com duração máxima de 02 horas. As datas das mesmas são dadas a seguir: • Prova 1 (P1): 01/10/2019 (terça-feira); • Prova 2 (P2): 03/12/2019 (terça-feira). 4.2 Projeto (Pj) O projeto terá que ser entregue por meio físico e deverá ser entregue na seguinte data: • Entrega do projeto (Pj): 26/11/2019 (terça-feira). 4.3 Menção �nal (M.F) A menção �nal será entregue na segunda-feira 09/12/2019 e será calculada com a fórmula mostrada a seguir: M.F = 30%(P1) + 30%(P2) + 40%(Pj) Caros alunos, Caso o aluno faltasse alguma das provas sem justi�cativa, a nota do projeto será considerada igual a zero. 5 OBSERVAÇÕES • Apenas no caso de problemas de saúde o aluno poderá faltar a uma das provas. Nesse caso deverá justi�car a falta no dia da prova, apresentando um laudo médico ao professor; • O aluno deverá ter média mínima de 5,0 nas provas escritas para aprovação no curso, independente da soma total das outras notas; • Quanto às faltas: de acordo com as normas da UnB, o aluno poderá faltar até 25% das aulas. Acima disso implica automaticamente em menção �nal igual a SR. Em casos graves, o aluno ou seu representante deve trancar o curso. As faltas não eximem o aluno de se inteirar do assunto então ministrado, procurando o seu conhecimento; • O aluno deverá possuir calculadora, de preferência cientí�ca. Não será permitido o uso de calculadora de telefone celular durante as provas. Do mesmo modo, desligar os celulares durante as aulas; • Assinar a presença até o �m do curso é obrigatória. O atestado médico não abona faltas. Veri�car periodicamente o número de faltas durante o semestre; • A nota do projeto será 25% menor para cada dia de atraso na entrega. O projeto deverá ser entregue em sala de aula. Trabalhos iguais não serão avaliados. Projeto incompleto não será considerado na menção �nal 2 6 BIBLIOGRAFIA • ABNT, NBR 7190/82. Cálculo e Dimensionamento de Estruturas de Madeira, 1981 • ABNT, NBR 7190/97. Projeto de Estruturas de Madeira, 1997 • AMERICAN INSTITUTE OF TIMBER CONSTRUCTION. Timber Construction Ma- nual. Ed. John Wiley & Sons, Inc. USA, 1966 • BODIG, J., JAYNE, B. A. Mechanics of Wood and Wood Composites. Ed. Van Nostrand Reinhold Company. New York, 1982 • CORADIN, V. T. R. Noções sobre Identi�cação de Madeiras. Laboratório de Produtos Florestais - IBAMA (Apostila). Brasília. DF, 1990 • FERNÁNDEZ-VILLEGAS, F. R., ECHENIQUE-MANRIQUE, R. Estructuras de Made- ras. Ed. Limusa, Mexico,1983 • GALVÃO, A. P. M. Estimativa de Umidade de Equilíbrio da Madeira em diferentes Cidades do Brasil. ESALQ / USP. Piracicaba, SP. s.d. • GESUALDO, F. Universidade Federal de Uberlândia � UFU. Estruturas de madeira: Notas de aulas, 2008. • GONZAGA, L. A. Madeira: Uso e Conservação. Programa Monumenta, C. Técnicos, 6. 2006. 246 p. • INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO FLORESTAL - IBDF. Madeiras da Amazônia: Características e Utilização. V.1, CNPq, Brasília. DF, 1981. • INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO FLORESTAL - IBDF. Madeiras da Amazônia: Características e Utilização. V.2, Brasília. DF, 1988. • INSTITUTO DE PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Cobertura com Estrutura de Madeira e Telhados com Telhas Cerâmicas. Manual de Execução. Divisão de Edi�cações. SÃO PAULO, 1988 • JUNIOR, C. C. BRITO, L. D. Manual de Projetos e Construção de Estruturas em Peças Roliças de Madeira de Re�orestamento. ISBN 978-85-8023-000-0. EESC/USP, São Carlos, 2010 http://www.montana.com.br/Noticias/Publicacoes/Livros-e-Manuais • JUNIOR, C.C. Treliças de madeira para coberturas. Notas de Aula. EESC/USP. SÃO CARLOS,1995 • JUNIOR, C.C. Estruturas s de Madeira. Notas de Aula. EESC/USP. SÃO CARLOS, 1999 • JUNIOR, C. C. at al. Dimensionamento de Elementos Estruturais de Madeira. Barueri, SP. Ed. Manole, 2003 • JUNTA DEL ACUERDO DE CARTAGENA. Manual de Diseño para Maderas del Grupo Andino. Peru. Lima, 1982 • KATHERINE ESAU. Anatomia das Plantas com Sementes; Trad. Morretes, B. L. Ed. Edgard Blucher. São Paulo, 1976 • MADSEN, B. Structural Behaviour of timber. Publicado por Timber enginneering Ltd. Canada, 1992. 3 • MELO, J.E. CAMARGOS. J. A. A. A Madeira e seus Usos. ISBN 978-85-912590-0-7, www.mundo�orestal.com.br • MELO, J.E. Curso de Estruturas de Madeira. Apostila, 2012. • MOLITERNO, A. cadernode Projetos de Telhado em Estruturas de Madeira. Ed. Edgard Blucher Ltda. São Paulo, 1981 • PFEIL, W. Estruturas de Madeira. Ed. Livros Técnicos e Cientí�cos S. A. Rio de Janeiro, 1977. • WOOD HANDBOOK: Wood as an Engineering Material. Forest products Laboratory. United States Department of Agriculture. Madison, USA, 2002. 7 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR • BOOTH, L. G. REECE, P. O. The Structural Use of Timber. Ed. E. & F. N. SPON LTD, London, 1967 • BURGER, L. M. RICHTER, H. G. Anatomia da Madeira. São Paulo. SP. Ed. Nobel, 1991 • FOREST PRODUCTS LABORATORY, FOREST SERVICE, USDA. Wood: Engineering Design Concepts. Pennsylvania State University. USA, 1986. • FOREST PRODUCTS LABORATORY, FOREST SERVICE, USDA. Wood: Its Structure and Propertie. Ed.F. F. Wangaard. USA, 1981 • HELMEISTER, J.C. Estruturas de Madeira. Escola de Engenharia de S. Carlos. USP. Notas de Aulas. S. Carlos, 1977 • HOYLE, R. J. Wood Technology in the Design of Structures. College of Engineering. Washington State University. Pullman, Washington, 1971 • LISBOA, C. D. J; MATOS, J. L. M. MELO, J. E. Amostragem e Propriedades Físico- mecânicas de Madeiras da Amazônia. Coleção Meio Ambiente. Floresta, no 1. IBAMA. Brasília, 1993 • MOLITERNO, A. Escoramentos, Cimbramentos, Fôrmas para concreto e Travessias em Estruturas de Madeira. Ed. Edgard Blucher Ltda. São Paulo, 1989 • PARKER, T. L. H. AMBROSE, J. Simpli�ed Design of Wood Structures. Ed. John Wiley & Sons, Inc. USA, 1994 • TIMOSHENKO, SP. Resistência dos Materiais. Trad. José R. de Carvalho. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico, v. 1, 1969 4 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Unidade Universitária: FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO Curso: Arquitetura e Urbanismo Disciplina: Estabilidade das Construções 1 – Física/Geometria Código da Disciplina: 36031038 Professor(es): Bruno Ribeiro Ernesto Sica Tronolone Renato Carrieri Jr. DRT 1074540 1030336 1101624 Etapa: 1ª Carga horária: 57 horas-aula no semestre Semestre Letivo: 1/2018 Ementa: Introdução aos principais conceitos de geometria plana e da física, aplicados às estruturas estáticas. Estudo das características físico-mecânicas dos materiais, do comportamento dos elementos e sistemas estruturais básicos, por meio de modelos físicos. Objetivos: Contribuir para o desenvolvimento do estudante no ambiente acadêmico e na formação profissional. Dar o conhecimento aos estudantes sobre os fundamentos de física e geometria aplicadas às estruturas e subsidiar o desenvolvimento das demais disciplinas do curso que exigem essa formação. Conceituação, visualização, construção e teoria de geometria plana, em linguagem específica para arquitetos e suas necessidades. Fatos e Conceitos Procedimentos e Habilidades Atitudes, Normas e Valores Conhecer os fundamentos de geometria plana e física. Dimensionar os esforços aplicados nas estruturas isostáticas.. Conhecer as vigas isostáticas e treliças planas para aplicações em projetos. Conteúdo Programático: Geometria plana básica. Noções geométricas das estruturas. Sistema internacional de unidades Conceitos de física aplicados às estruturas estáticas. Estruturas: tipos e partes componentes. Treliças planas. Metodologia: Aulas expositivas com resolução de exercícios práticos. UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Critérios de Avaliação: Composição da Nota Final do aluno: Nota A – Prova escrita (peso 40%). Nota B – Prova escrita (peso 60%). O aluno que obtiver nota igual ou superior a 7,5, correspondente à média das notas das avaliações intermediárias (Notas A e B) e tiver a frequência mínima de 75% às aulas, será considerado aprovado. O aluno que obtiver nota inferior a 7,5, correspondente à média das notas das avaliações intermediárias (Notas A e B), deverá fazer a Avaliação Final, e será considerado aprovado se obtiver nota igual ou superior a 6,0, correspondente à média simples da nota de aproveitamento do semestre letivo e da avaliação final e tiver a frequência mínima de 75% às aulas. Sobre a PROVA SUBSTITUTIVA das Avaliações Intermediárias (de acordo com o Art. 69., da Resolução 29/2013 – Regulamento Acadêmico dos Cursos de Graduação da UPM). O aluno terá a oportunidade de substituir apenas uma das avaliações intermediárias, no caso de ter deixado de comparecer a qualquer das avaliações intermediárias ou com o objetivo de substituir a menor nota obtida. A prova substitutiva contemplará todo o conteúdo programático da disciplina. Bibliografia Básica: 1. GIONGO, Alfonso. Desenho Geométrico. São Paulo: Editora Nobel, 1979. 2. REBELLO, Yopanan C.P. A Concepção Estrutural e a Arquitetura. Zigurate Editora, 2003. 3ª edição. 3. MELCONIAN, Sarkis. Mecânica Técnica e Resistência dos Materiais. São Paulo. Érica Editora, 2004. 14ªedição. Bibliografia Complementar: 1. MONTENEGRO, Gildo. Desenho Arquitetônico. Ed. Edgard Blücher, São Paulo. 2. FRANCO, Mário. Resistência dos Materiais para Arquitetura. São Paulo . USP Editora. 3. VASCONCELOS, Augusto Carlos. Estruturas Arquitetônicas. Studio Nobel Editora,1994 4. REBELLO, Yopanan C.P. Estruturas de Aço e Madeira. Zigurate Editora. 2005 UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Planejamento Semanal de Aulas Semana Data Atividade 1ª 06e09/02/18 Início do semestre – Recepção aos calouros. Apresentação da disciplina. Divulgação do plano de ensino e critérios de avaliação. 2ª 13e16/02/18 Construções básicas de geometria plana. Mediatriz, bissetriz, Teorema de Tales e Divisão de Circunferências 3ª 20e23/02/18 Sistemas de Unidades. 4ª 27/02e02/03 Equilíbrio de um ponto material. 5ª 06e09/03/18 Equilíbrio de um ponto material. 6ª 13e16/03/18 Vigas Engastadas. 7ª 20e23/03/18 Cargas aplicadas. 8ª 27e30/03/18 1ª prova parcial 9ª 03e06/04/18 Cargas aplicadas. 10ª 10e13/04/18 Semana da Integração. 11ª 17e20/03/18 Cargas uniformemente distribuídas. 12ª 24e27/03/18 Cargas uniformemente distribuídas. 13ª 01e04/05/18 Treliças. 14ª 08e11/05/18 Treliças. 15ª 15e18/05/18 Treliças. 16ª 22e25/05/18 Segunda Prova Parcial. 17ª 29/05e01/06 Prova Substitutiva. 18ª 05e08/06/18 Prova Final. 19ª 12e15/06/18 Divulgação das Notas. 20ª 19e22/06/18 Encerramento. UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Unidade Universitária: FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO Curso: ARQUITETURA E URBANISMO Disciplina: Estabilidade das Construções II – Resistência dos Materiais Código da Disciplina: 360.3203.4 Professores Bruno Ribeiro Luiz Eduardo Guimarães Dias DRT: 1074540 1089555 Etapa: 2a. Carga horária: 54 h/a Semestre Letivo: 1o/2015 Ementa: Estudo dos Conceitos Fundamentais de Estrutura, tomando-se como base as premissas imprescindíveis das deformações e esforços, inexoráveis em qualquer situação. Para tanto são apresentadas estruturas planas, suas propriedades e comportamentos. Objetivos: Despertar, através de exemplos práticos e usuais de Formas e Materiais de uso nas Estruturas, o conhecimento dos alunos dos principais conceitos e critérios de avaliação, para mensuração e decisão na escolha de uma estrutura, com embasamento e razões apropriadas. UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE Fatos e Conceitos Conhecer fundamentos que possibilitem o estudo, a resolução de exercícios, a aplicação de casos reais, de acordo com as Normas Brasileiras de Estrutura em vigor. Procedimentos e Habilidades Pesquisar e apresentar alguns sistemas básicos estruturais, através de casos e utilizações pontuais. A exemplificação de utilizações de materiais, através de comparações de métodos e resultados, é continuamente demonstrada. Atitudes,