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Fonte: Neville, 3 ed. 
 
 A osteomielite é um processo inflamatório agudo ou crônico nos espaços 
medulares ou nas superfícies corticais do osso que se estende além do sítio inicial 
de envolvimento. 
 A grande maioria de osteomielites é causada por infecção bacteriana e resulta em 
uma destruição lítica e expansiva do osso envolvido, com supuração e formação 
de sequestro ósseo. Muitos acreditam que esta condição é mais apropriadamente 
denominada osteomielite supurativa, osteomielite bacteriana ou osteomielite 
secundária. Este padrão de patologia óssea se opõe a um grupo mal definido de 
desordens ósseas inflamatórias idiopáticas, as quais não respondem com 
consistência a medicamentos antibacterianos e demonstram por fim esclerose 
óssea sem supuração ou formação de sequestro ósseo. Este segundo padrão de 
doença óssea inflamatória é mais apropriadamente denominado osteomielite 
crônica primária, porém muitas vezes é chamada pelo termo osteomielite 
esclerosante difusa. Este distúrbio e diversos outros padrões de doença óssea 
inflamatória (p. ex., osteomielite esclerosante focal. periostite proliferativa, 
osteite alveolar) são únicos. 
 A osteorradionecrose foi excluída desta discussão, pois trata de um problema 
primário de hipóxia, hipocelularidade e hipovascularização, no qual a presença de 
bactérias representa uma colonização secundária a uma não cicatrização óssea e 
não uma infecção bacteriana primária. Além disso, a osteonecrose associada aos 
bifosfonatos representa um outro padrão singular que parece ser mais fortemente 
relacionada à alteração do metabolismo ósseo. 
 A osteomielite supurativa dos ossos maxilares é incomum em países 
desenvolvidos, mas continua a ser uma fonte de significativas dificuldades em 
países em desenvolvimento. Na Europa e na América do Norte, a maioria dos 
casos surge após infecções odontogénicas ou de fraturas traumaticas dos 
maxilares. Além disso, muitos casos relatados na África ocorrem devido à 
presença de gengivite ulcerativa necrosante (GUN) ou noma. 
 Doenças crônicas sistêmicas, estados de imunocomprometimento e doenças 
associadas à diminuição da vascularização do osso parecem predispor os 
indivíduos à osteomiclite. O uso do tabaco, o abuso do álcool e de drogas 
intravenosas, diabetes melito, febres exantematosas malária, anemia falciforme, 
desnutrição, doenças malignas, doenças vasculares do colágeno e a AIDS têm sido 
associados a um aumento na frequência da osteomielite. Além da radiação, várias 
doenças (p. ex., osteopetrose, disosteo esclerose, doença de Paget tardia, displasia 
cemento-óssea em estágio final) podem resultar em hipovascularização do osso 
que fica predisponente à necrose e à inflamação. 
 
OSTOMIELITE 
A osteomielite supurativa aguda ocorre quando um processo inflamatório agudo se 
dissemina através dos espaços medulares do osso e o tempo é insuficiente para permitir a 
reação do corpo na presença do infiltrado inflama tório. A osteomielite supurativa crônica 
existe quando a resposta de defesa leva à produção de tecido de grane lação, o qual 
subsequentemente forma um tecido de cice trização denso, na tentativa de isolar a área 
infectada. 0 espaço morto circundado atua como um reservatório pan as bactérias, e os 
antibióticos têm grande dificuldade en alcançar essa região. Este padrão começa a evoluir 
cerca de 1 mês após a disseminação da infecção aguda inicial e re sulta em um processo 
latente que é dificil de ser resolvida a não ser que o problema seja tratado de modo 
agressivo. 
 
❖ CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS 
 
Existe uma forte predominância no gênero masculino, em torno de 75% em alguns 
estudos. A maioria dos casos envolve a mandíbula. O acometimento maxilar torna-se 
primariamente importante em pacientes pediátricos e nos casos originados de GUN ou 
noma (em populações africanas). 
 
OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA 
 
Pacientes com osteomielite aguda apresentam sinais sintomas de um processo 
inflamatório agudo que caracteristicamente possui menos de um mês de duração. Febre. 
leucocitose, linfadenopatia, sensibilidade significativa e tumefação dos tecidos moles da 
área afetada podem estar presentes. As radiografias podem não revelar alterações ou 
podem demonstrar imagens radiolúcidas mal definidas. A neoformação óssea periosteal 
também pode ser encontrada em resposta à disseminação subperiosteal da infecção. Essa 
proliferação é mais comum em pacientes jovens e se apresenta como uma linha radiopaca 
> linear composta por apenas uma camada separada da cortical normal por uma faixa 
radiolúcida entre clas. Algumas vezes, podem ser descobertos parestesia do lábio inferior, 
drenagem ou esfoliação de fragmentos de osso necrótico. Um fragmento de osso necrótico 
que se separa do osso vitalizado é denominado sequestro ósseo. Os sequestros geralmente 
apresentam esfoliação espontânea. Em alguns casos, fragmentos de osso necrótico podem 
ser circundados por osso vital neoformado, conhecido como invólucro. 
 
OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA 
 
Se a osteomiclite aguda não for tratada rapidamente, ocorre a evolução para à osteomielite 
crônica, ou o processo pode surgir primariamente sem a ocorrência de um episódio agudo 
prévio. Podem estar presentes tumefação, dor, formação de fistula, drenagem purulenta, 
formação de sequestro ósseo, perda de dentes ou fratura patológica. Os pacientes podem 
apresentar exacerbações agudas ou períodos de diminuição da dor associados à 
progressão lenta e crônica. 
 
As radiografias revelam imagens radiolúcidas mal definidas, disformes e irregulares, que 
em geral contêm sequestros ósseos radiopacos centrais. As alterações osteoliticas são 
continuas e podem exibir a disseminação para o periósteo por uma extensão direta. Isto 
se contrapõe à osteomielite crônica primária, na qual estão presentes áreas osteolíticas 
multifocais e separadas presentes no interior das zonas de esclerose. Ocasional mente, o 
osso circundante pode apresentar radiopacidade aumentada e a superfície cortical pode 
demonstrar significativa hiperplasia osteogênica do periósteo. Apesar do potencial para 
esclerose periférica, a principal característica radiográfica da osteomielite supurativa é a 
da alteração osteolitica radiolúcida expansiva. 
 
Devido a uma peculiaridade anatômica, grandes porções de cada osso gnático recebem 
seu suprimento sanguíneo por meio de múltiplas alças arteriais originadas de um único 
vaso sanguíneo. O envolvimento deste vaso san guíneo que promove a nutrição pode levar 
à necrose de. grande área do osso afetado. O sequestro ósseo envolvendo um quadrante 
inteiro de osso maxilar tem sido relatado em casos de osteomielite cronica de longa 
duração. 
CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS OSTEOMIELITE SUPURATIVA 
AGUDA 
 
A obtenção de material biopsiado de pacientes com osteomielite aguda é incomum devido 
ao predominio de conteúdo liquido e à ausência de um componente de tecido mole. 
Quando submetido a exame, o material consiste, predominantemente, em osso necrótico. 
O osso mostra a perda de osteócitos de suas lacunas, reabsorção periférica e colonização 
bacteriana. A periferia do osso e os canais de Havers contêm restos necróticos e um 
infiltrado inflamatório agudo que consiste em leucócitos polimorfo nucleares (material 
examinado será diagnosticado como um sequestro ósseo, a não ser que haja uma boa 
correlação clínico patológica que aponte o diagnóstico apropriado de osteomielite aguda. 
OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA 
 
O material biopsiado de um paciente com osteomielite crônica demonstra um componente 
de tecido mole significativo, que consiste em tecido conjuntivo fibroso inflamado de 
maneira subaguda ou crônica preenchendo os espaços intertrabeculares do osso. São 
comuns a formação de bolsas de abscessos e a presença de sequestros esparsos. 
 
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO 
 
OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA 
 
Se for observadaa formação evidente de abscesso, o tratamento da osteomielite aguda 
consiste em antibioticoterapia e drenagem. Estudos microbiológicos do material 
infeccioso revelam uma infecção polimicrobiana formada por organismos normalmente 
presentes na cavidade oral. Os antibióticos mais selecionados incluem a penicilina, a 
clindamicina, a cefalexina, a cefotaxima, a tobramicina e a gentamicina. 
 
Na maioria dos pacientes, um tratamento antibiótico suficiente e apropriado elimina a 
infecção e afasta a necessidade de intervenção cirúrgica. Em pacientes que recebem uma 
antibioticoterapia apropriada, pesquisadores têm sugerido que os fragmentos ósseos 
desvitalizados poderiam permanecer no local, servindo de alicerce para um futuro 
desenvolvimento ósseo. 
 
OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA 
 
A osteomielite crônica é de dificil tratamento medicamen toso, presumivelmente devido 
ao fato das cavidades de osso necrótico e dos organismos estarem protegidos da ação dos 
antibióticos pela cápsula de tecido conjuntivo fibroso circundante. A intervenção 
cirúrgica é obrigatória. Os antibióticos são semelhantes àqueles utilizados na forma 
aguda porém devem ser administrados por via intravenosa, em altas doses. 
 
A extensão da intervenção cirúrgica depende da disseminação do processo; a remoção de 
todo o material infectado para a obtenção de osso sadio sangrante é obrigatório em todos 
os casos. Para lesões pequenas, a curetagem, a remoção do osso necrótico e a saucerização 
são suficientes. Nos pacientes com osteomielite mais extensa, a decorticação ou a 
saucerização é muitas vezes combinada ao transplante de lâminas de osso medular. Nos 
casos de osteomielite persistente, é necessária a ressecção do osso acometido, seguida da 
reconstrução imediata com enxerto autólogo. Os ossos maxilares enfraquecidos devem 
ser Imobilizados. 
 
O objetivo da cirurgia é a remoção de todo o tecido Infectado. A persistencia de 
osteomielite cronica é o resul tado da remoção incompleta do osso acometido. Após ser 
realizada com sucesso a eliminação de todo o material infectado, espera-se que ocorra a 
resolução do processo. Raramente são necessários procedimentos acessórios (p. ex. 
oxigenação hiperbárica) se a curetagem cirúrgica completa e a sequestrotomia tiverem 
sido realizadas. Em uma tentativa de remover completamente todas as áreas de osso 
necrótico, a tetraciclina tem sido administrada 48 horas previamente à cirurgia e 
utilizada como marcador fluorescente de osso vital. No momento da cirurgia, o osso 
necrótico não fluorescerá sob a luz ultravioleta (UV) de uma lâmpada de Wood, indicando 
a necessidade da sua remoção. 
 
O tratamento de casos persistentes de osteomielite crónica geralmente requer a utilização 
de técnicas mais sofisticadas. Técnicas cintilográficas com tecnécio 99m (compostos 
fosfóricos marcados Te) podem ser utiliza das na avaliação da resposta terapéutica e do 
progresso do tratamento. O oxigénio hiperbárico é basicamente recomendado para os 
raros pacientes que não respondem ao tratamento padrão ou para doenças que surgem em 
osso hipovascularizado (p. ex.. ostcorradionecrose, osteopetrose. doença de Paget, 
displasia cemento óssea). 
• OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA 
 
Aosteomielite esclerosante difusa é um assunto bastante controverso e maldefinido que 
envolve a área da patologia oral. Este diagnóstico engloba um grupo de apresentações 
clinicas que se caracterizam por dor, inflamação e vários graus de hiperplasia periosteal 
dos ossos gnáticos, esclerose e radiolucidez. Em alguns casos, a osteomielite esclero sante 
difusa pode ser confundida com patologias intraos seas inflamatórias secundárias 
(displasia cemento óssea florida) ou doença óssea de Paget. Apesar das semelhanças 
clínicas e radiográficas, estes processos podem ser distinguidos da osteomielite esclero 
sante difusa por diversas diferenças clínicas, radiográficas e histopatológicas. 
As lesões subsistentes podem ser agrupadas em três grandes categorias: 
 
1. Osteomielite esclerosante difusa 2. Osteomielite crônica primária 3. Tendoperiostite 
crônica 
 
Apesar de os conceitos a respeito da natureza dessas condições continuarem a ser 
desvendados, muitos acredi tam que a tendoperiostite crónica representa um subtipo da 
osteomielite crónica primária, enquanto que duas outras desordens, a síndrome da 
sinovite-acne-pustu lose-hiperosotose-osteomielite (SAPHO) e a osteomie lite multifocal 
crônica recorrente (CRMO) constituem a osteomielite crônica primárla com 
manifestações extra orais adicionais. É muito debatido se estas representam variações de 
uma única doença ou processos patológicos diferentes, não havendo resposta clara no 
momento. Parece ser prudente que os clínicos considerem todas as possibili dades, em 
um esforço de proporcionar o tratamento mais indicado para os pacientes afetados por 
estas condições. 
Em uma visão simplista, a expressão osteomielite esclerosante difusa difere da 
osteomielite crônica primá ria e de todas as suas variantes. Este termo deve ser usado 
apenas quando o processo infeccioso evidente for direta mente responsável pela esclerose 
do osso. Nesses casos, a infecção bacteriana crônica Intraóssea cria uma massa latente de 
tecido de granulação cronicamente inflamada que estimula a esclerose do osso 
circundante. 
 
A osteomielite crônica primária é muitas vezes con fundida com a osteomielite supurativa 
crônica (osteomie lite crônica secundária), mas deve ser distinguida desta. Contrário à 
osteomielite supurativa, não há uma evidente infecção bacteriana associada e a supuração 
e o sequestro óssco estão tipicamente ausentes. Diversas causas foram propostas, como 
uma alterada resposta imune a um orga nismo de baixa virulência, porém, nenhuma das 
teorias obteve aceitação ampla. Ao contrário da osteomielite supu rativa, uma causa 
infecciosa primária pode não ser provada, pois muitos estudos foram incapazes de criar a 
cultura de organismos e as condições não respondem a tratamento com antibiótico de 
longa duração. 
Apesar de inicialmente ser considerada um processo infeccioso obscuro, a apresentação 
clínica da tendoperios tite crônica é semelhante à da osteomielite crônica primá ria; 
atualmente muitos clínicos acreditam que represente uma alteração da reação do osso que 
é iniciada e exacer bada pelo uso excessivo crónico dos músculos da masti gação, 
predominantemente o masseter e o digástrico. Em um grande número de pacientes, 
hábitos musculares para funcionais (p. ex.., bruxismo, apertamento, roer as unhas. 
cocontração, não relaxamento da musculatura mastigató ria) foram identificados ou se 
tornaram evidentes durante o acompanhamento do tratamento. Em estudos neurofi 
siológicos, os reflexos inibidores do masseter eram anor mais na vasta maioria dos 
pacientes estudados. A causa da tendoperiostite crónica é controversa e alguns 
pesquisadores acreditam que esta desordem possa representar uma variante da 
osteomielite crônica primária, na qual os hábitos musculares parafuncionais exacerbam o 
processo, mas não são a causa inicial. 
 
Algumas vezes, as lesões nos ossos gnáticos com o aspecto da ostcomielite crônica 
primária ocorrem em paciente com outras manifestações sistêmicas significantes. Como 
o nome sugere, a CRMO inclui o envolvimento de múltiplos ossos, que é considerada por 
muitos como representante de uma variante generalizada da osteomielite crônica primá 
ria. Como discutido, a síndrome SAPHO é um acrônimo para uma apresentação clínica 
complexa que inclui sino vite, acne, pustulose, hiperostose e osteíte, na qual as lesões 
ósseas se assemelham às da osteomiclite crônica primária e da CRMO. A causa da 
síndrome SAPHO é desconhecida. mas acredita-se que se desenvolva em individuos com 
uma predisposição genética. os quais desenvolvem um distúrbio autoimune secundário à 
exposição bacteriana dermatoló gica. Mesmo não sendo encontrada de forma consistente.um aumento na prevalência de antigeno de histocompatibl lidade 27 (HIA 27) em 
pacientes com a sindrome SAPHO tem sido notado por diversos pesquisadores. 
Teoricamente. uma resposta imune anormal ao micro-organismo tem uma reação cruzada 
com as estruturas ósseas e articulares nor mais, levando a uma variedade de manifestações 
clínicas. Outros fatores imunológicos foram sugeridos como sendo causadores da 
osteomielite crônica e da CRMO, porém essa teoria atualmente não foi comprovada. 
 
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRAFICAS 
 
OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA 
 
A osteomielite esclerosante difusa é semelhante à variante localizada (osteíite 
condensante; ver a seguir); entretanto, o distúrbio é também muito diferente. Ela acomete 
quase exclusivamente os adultos, não apresenta uma predomi nància por gênero e 
apresenta se primariamente na man dibula. Uma radiopacidade aumentada se desenvolve 
ao redor dos sitios de infecção crónica (p. ex., periodontite. pericoronarite, doença 
inflamatória apical), de um modo muito semelhante ao aumento da radiopacidade que 
pode ser observado ao redor das áreas de osteomielite supurativa crónica. Tipicamente, a 
área alterada é restrita a um único sitio, mas pode ser multifocal ou estender-se por todo 
um quadrante. A esclerose está localizada nas porções da crista do pro cesso alveolar 
relacionado ao dente e não parece originar nas áreas de inserção dos músculos masseter 
ou digás trico (Fig. 3-50). As radiopacidades não se desenvolvem de lesões fibro-ósseas 
anteriormente radiolúcidas e não exibem predileção por mulheres negras, como encontra 
das nos pacientes com displasia cemento-óssea florida. A dor e a tumefação não são 
tipicas. 
OSTEOMIELITE CRÔNICA PRIMÁRIA 
 
A osteomielite crônica primária é mais diagnosticada com um processo isolado, em geral 
localizado na mandi bula. Manifestações fora dos ossos gnáticos da síndrome SAPHO ou 
da CRMO são observadas com uma frequência muito O início dos sintomas tende a 
aparecer em dois picos, um na adolescência e o outro em adultos após a quinta década de 
vida. Os pacientes afetados apresentam episódios recorrentes dor, tumefação, 
endurecimento local e limitação de abertura de boca, os quais não estão associados a 
nenhuma infecção dentária evidente. Durante os períodos de atividade da doença, podem 
estar presentes a linfadenopatia regional e uma diminuição na sensibili dade ao longo da 
distribuição do nervo alveolar inferior. A ausência de febre. supuração, sequestro óssco e 
formação de fistulas são caracteristicas. A não associação evidente a uma infecção 
odontogênica e a apresentação não supu rativa dissocia claramente essa condição da 
osteomielite crônica supurativa. Nos estágios iniciais da osteomielite cronica primária, as 
radiografias tendem a demonstrar um padrão misto, com áreas radiolúcidas de osteólise 
entremeadas a zonas de esclerose. Ao contrário do padrão observado nas imagens de TC 
da osteomielite supurativa, as áreas osteolíticas não são continuadas e alternadas com as 
zonas de esclerose. A região afetada do osso está aumentada e apresenta uma proliferação 
periosteal que é mais sólida do que a típica periostite proliferativa laminada de origem 
inflamatória. A assimetria facial não é incomum e, muitas vezes, leva anos para se 
resolver devido à remodelação óssca lenta. Como passar do tempo, a região afetada se 
torna predominante mente esclerótica, porém durante períodos subsequentes de atividade 
da doença, aparecem novos focos de oste ólise e de destruição óssea cortical. Essas 
regiões recém afetadas subsequentemente sofrem esclerose, aguardando o próximo ciclo 
de atividade da doença. Com a progres são da doença, os sintomas clínicos são 
abrandados e o osso afetado apresenta uma esclerose progressiva e uma redução no 
volume. Áreas radiolúcidas osteoliticas podem remanescer, porém tendem a ser 
relativamente pequenas e amplamente esparsas. No geral, a alteração radiográ fica 
predominante da osteomielite crônica é a esclerose medular, um padrão que é 
invariavelmente observado nos pacientes afetados. A cintilografia óssea demonstra uma 
captação significativa nas regiões afetadas e deve ser rea lizada em todos os pacientes 
num esforço de se excluir o envolvimento de outros ossos que não os gnáticos. 
 
TENDOPERIOSTITE CRONICA 
 
Embora a faixa etária média de ocorrência seja aos 40 anos, a tendoperiostite cronica pode 
acometer individuos de qualquer idade. Não ha predileção por género. Sinto mas clássicos 
incluem a dor recorrente, tumefação da face e trismo. Não são encontradas supurações e 
infecções associadas. As culturas microbiológicas são caracteristica mente negativas, 
com as lesões não respondendo apropria damente aos antibióticos. Tem sido observada a 
resolução espontânca incomum com desenvolvimento de normali dade radiografica. Na 
maioria das vezes, a esclerose está limitada a apenas um quadrante e localizada na região 
anterior do ângulo de mandíbula e na porção posterior do corpo mandibular (p. ex., 
inserção do músculo masseter). Ocasionalmente podem estar envolvidas as regiões de 
caninos, pré-molares e anterior de mandíbula (inserção do músculo digástrico). Zonas 
relativamente radiolúcidas são visíveis no interior das áreas radiopacas, porém exames 
histopatológicos revelam apenas osso denso, formação de osso reacional e relativamente 
poucos sinais de inflamação. A margen infe rior do corpo mandibular é tipicamente 
afetada e ocorre erosão significativa da margen inferior em uma região ime. diatamente 
anterior ao angulo da mandíbula. 
 
SÍNDROME SAPHO 
 
Pacientes afetados pela sindrome SAPHO estão em geral abaixo dos 60 anos de idade e 
sofrem de osteomiclite mul tifocal crónica, que é associada à cultura microbiológica 
negativa e não responde ao tratamento com antibióticos. Em contrapartida com a 
osteomielite bacteriana, as areas osteo liticas são disseminadas aleatoriamente em regiões 
de osso esclerosado. Ancoformação óssea periosteal é comun, mas não está relacionada 
à perfuração da cortical óssca. A inves tigação de todo o esqueleto por meio de 
cintilografia óssea revela classicamente o envolvimento em múltiplos sítios. A 
localização mais envolvida é a da parede anterior do tórax. com o esterno, claviculas e 
costelas sendo afetadas indivi dualmente ou em conjunto. Outros ossos às vezes envolvi 
dos Incluem a espinha dorsal, a pélvis e ossos longos. 
 
Em lesões de ossos gnaticos em estágios iniciais, zonas osteoliticas difusas estão mais 
proeminentes que a esclerose; o osso afetado é aumentado devido à produção signi 
ficativa de neoformação óssea periosteal. Com o tempo, o osso se torna mais esclerótico 
e diminui em tamanho por causa da diminuição da aposição do periósteo, enquanto que a 
zona osteolítica diminul em tamanho e em quanti dade. São características das lesões em 
estágios tardios a reabsorção óssea externa e a deformidade da mandíbula. 
 
Em alguns casos, múltiplas lesões ósseas estão presen tes sem envolvimento da pele 
associada. Nesses casos as anormalidades ósseas têm sido chamadas de CRMO. As 
cintilografias e as radiografias demonstrarão um envolvi mento simultânco ou não de 
múltiplos ossos, tais como a clavícula, o úmero, o rádio, o fêmur ou a tibia. O envolvi 
mento mandibular na CRMO ocorre em menos de 10 dos casos relatados. O envolvimento 
dermatologico pode não ocorrer, aparecer após algum tempo ou ser tão sutil que não seja 
diagnosticado O Intervalo entre o reconheci mento inicial das lesões ósseas e o periodo 
final de desen volvimento de alteração da pele pode ser de até 20 anos. Comumente, as 
lesões de pele associadas incluem pústulas palmo-plantares, psoriase pustular ou plana, 
acne cinglo bata ou ulcerativa e hidrosademte supurativa 
 
CARACTERISTICAS HISTO PATOLOGICAS 
OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA 
 
A osteomielite esclerosante difusa apresenta esclerose e remodelação do osso. Oscanais 
de Havers são amplamente dispersos e poucas porções de tecido medular podem ser 
encontradas. Embora a esclerose ocorra adjacente às áreas de inflamação, o osso não está 
entremeado a um significa tivo componente inflamatório de tecido mole. Se o processo 
inflamatório adjacente estender-se para o osso esclerótico. então a necrose geralmente 
ocorre. O osso necrótico se separa do tecido vital adjacente e se torna circundado por um 
tecido de granulação inflamado subagudo, Frequente mente é observada a presença de 
colonização bacteriana secundária. 
 
OSTEOMIELITE CRONICA PRIMARIA 
 
Caracteristicas histopatológicas semelhantes são vistas na osteomielite cronica primária. 
na sindrome SAPHO e na CRMO. Nas areas de esclerose, diversas trabeculas irregu lares 
de osso pagetoide estão presentes e demonstram uma extensa evidencia de remodelação 
com linhas proeminen tes reversas, margens osteoblásticas e áreas locals de ati vidade 
osteoclastica (Fig. 351). A fibrose intertrabecular esta presente, com linfocitos e 
plasmocitos dispersos. A for mação de focos de microabscessos, a hialinıza, an ao redor 
DE pequenos vasos sanguíneos e a formação de osso subpe riosteal estão presentes em 
muitos casos, porém nem em todos. Os microabscessos foram correlacionados aos focos 
osteoliticos observados durante fases ativas da doença. Ao contrário da osteomielite 
supurativa cronica, a necrose 
óssea, a colonização bacteriana e a presença de purulência estão ausentes. 
 
TENDOPERIOSTITE CRÔNICA 
 
A tendoperiostite crônica apresenta esclerose e remodela ção da cortical e subcortical 
óssea, resultando no aumento do volume ósseo. Se estiverem presentes células inflama 
tórias crônicas, então elas estarão localizadas nos defeitos da reabsorção cortical e na 
subcortical óssea adjacente aos sitios de inserção muscular. 
 
TRATAMENTO E PROGNÓSTICO 
 
OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA 
 
O melhor tratamento para a osteomielite esclerosante. difusa é por meio da resolução dos 
focos de infecção crônica adjacentes. Após a resolução da infecção, a esclerose remo 
dela-se em alguns pacientes, mas permanece em outros. A esclerose óssea persistente é 
hipovascular, não apre senta remodelação tipica e é muita sensivel a inflamação, O 
paciente e o clínico devem trabalhar juntos para evitar futuros problemas com 
periodontite ou doença titlumató ria apical

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