Prévia do material em texto
Fonte: Neville, 3 ed. A osteomielite é um processo inflamatório agudo ou crônico nos espaços medulares ou nas superfícies corticais do osso que se estende além do sítio inicial de envolvimento. A grande maioria de osteomielites é causada por infecção bacteriana e resulta em uma destruição lítica e expansiva do osso envolvido, com supuração e formação de sequestro ósseo. Muitos acreditam que esta condição é mais apropriadamente denominada osteomielite supurativa, osteomielite bacteriana ou osteomielite secundária. Este padrão de patologia óssea se opõe a um grupo mal definido de desordens ósseas inflamatórias idiopáticas, as quais não respondem com consistência a medicamentos antibacterianos e demonstram por fim esclerose óssea sem supuração ou formação de sequestro ósseo. Este segundo padrão de doença óssea inflamatória é mais apropriadamente denominado osteomielite crônica primária, porém muitas vezes é chamada pelo termo osteomielite esclerosante difusa. Este distúrbio e diversos outros padrões de doença óssea inflamatória (p. ex., osteomielite esclerosante focal. periostite proliferativa, osteite alveolar) são únicos. A osteorradionecrose foi excluída desta discussão, pois trata de um problema primário de hipóxia, hipocelularidade e hipovascularização, no qual a presença de bactérias representa uma colonização secundária a uma não cicatrização óssea e não uma infecção bacteriana primária. Além disso, a osteonecrose associada aos bifosfonatos representa um outro padrão singular que parece ser mais fortemente relacionada à alteração do metabolismo ósseo. A osteomielite supurativa dos ossos maxilares é incomum em países desenvolvidos, mas continua a ser uma fonte de significativas dificuldades em países em desenvolvimento. Na Europa e na América do Norte, a maioria dos casos surge após infecções odontogénicas ou de fraturas traumaticas dos maxilares. Além disso, muitos casos relatados na África ocorrem devido à presença de gengivite ulcerativa necrosante (GUN) ou noma. Doenças crônicas sistêmicas, estados de imunocomprometimento e doenças associadas à diminuição da vascularização do osso parecem predispor os indivíduos à osteomiclite. O uso do tabaco, o abuso do álcool e de drogas intravenosas, diabetes melito, febres exantematosas malária, anemia falciforme, desnutrição, doenças malignas, doenças vasculares do colágeno e a AIDS têm sido associados a um aumento na frequência da osteomielite. Além da radiação, várias doenças (p. ex., osteopetrose, disosteo esclerose, doença de Paget tardia, displasia cemento-óssea em estágio final) podem resultar em hipovascularização do osso que fica predisponente à necrose e à inflamação. OSTOMIELITE A osteomielite supurativa aguda ocorre quando um processo inflamatório agudo se dissemina através dos espaços medulares do osso e o tempo é insuficiente para permitir a reação do corpo na presença do infiltrado inflama tório. A osteomielite supurativa crônica existe quando a resposta de defesa leva à produção de tecido de grane lação, o qual subsequentemente forma um tecido de cice trização denso, na tentativa de isolar a área infectada. 0 espaço morto circundado atua como um reservatório pan as bactérias, e os antibióticos têm grande dificuldade en alcançar essa região. Este padrão começa a evoluir cerca de 1 mês após a disseminação da infecção aguda inicial e re sulta em um processo latente que é dificil de ser resolvida a não ser que o problema seja tratado de modo agressivo. ❖ CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRÁFICAS Existe uma forte predominância no gênero masculino, em torno de 75% em alguns estudos. A maioria dos casos envolve a mandíbula. O acometimento maxilar torna-se primariamente importante em pacientes pediátricos e nos casos originados de GUN ou noma (em populações africanas). OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA Pacientes com osteomielite aguda apresentam sinais sintomas de um processo inflamatório agudo que caracteristicamente possui menos de um mês de duração. Febre. leucocitose, linfadenopatia, sensibilidade significativa e tumefação dos tecidos moles da área afetada podem estar presentes. As radiografias podem não revelar alterações ou podem demonstrar imagens radiolúcidas mal definidas. A neoformação óssea periosteal também pode ser encontrada em resposta à disseminação subperiosteal da infecção. Essa proliferação é mais comum em pacientes jovens e se apresenta como uma linha radiopaca > linear composta por apenas uma camada separada da cortical normal por uma faixa radiolúcida entre clas. Algumas vezes, podem ser descobertos parestesia do lábio inferior, drenagem ou esfoliação de fragmentos de osso necrótico. Um fragmento de osso necrótico que se separa do osso vitalizado é denominado sequestro ósseo. Os sequestros geralmente apresentam esfoliação espontânea. Em alguns casos, fragmentos de osso necrótico podem ser circundados por osso vital neoformado, conhecido como invólucro. OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA Se a osteomiclite aguda não for tratada rapidamente, ocorre a evolução para à osteomielite crônica, ou o processo pode surgir primariamente sem a ocorrência de um episódio agudo prévio. Podem estar presentes tumefação, dor, formação de fistula, drenagem purulenta, formação de sequestro ósseo, perda de dentes ou fratura patológica. Os pacientes podem apresentar exacerbações agudas ou períodos de diminuição da dor associados à progressão lenta e crônica. As radiografias revelam imagens radiolúcidas mal definidas, disformes e irregulares, que em geral contêm sequestros ósseos radiopacos centrais. As alterações osteoliticas são continuas e podem exibir a disseminação para o periósteo por uma extensão direta. Isto se contrapõe à osteomielite crônica primária, na qual estão presentes áreas osteolíticas multifocais e separadas presentes no interior das zonas de esclerose. Ocasional mente, o osso circundante pode apresentar radiopacidade aumentada e a superfície cortical pode demonstrar significativa hiperplasia osteogênica do periósteo. Apesar do potencial para esclerose periférica, a principal característica radiográfica da osteomielite supurativa é a da alteração osteolitica radiolúcida expansiva. Devido a uma peculiaridade anatômica, grandes porções de cada osso gnático recebem seu suprimento sanguíneo por meio de múltiplas alças arteriais originadas de um único vaso sanguíneo. O envolvimento deste vaso san guíneo que promove a nutrição pode levar à necrose de. grande área do osso afetado. O sequestro ósseo envolvendo um quadrante inteiro de osso maxilar tem sido relatado em casos de osteomielite cronica de longa duração. CARACTERÍSTICAS HISTOPATOLÓGICAS OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA A obtenção de material biopsiado de pacientes com osteomielite aguda é incomum devido ao predominio de conteúdo liquido e à ausência de um componente de tecido mole. Quando submetido a exame, o material consiste, predominantemente, em osso necrótico. O osso mostra a perda de osteócitos de suas lacunas, reabsorção periférica e colonização bacteriana. A periferia do osso e os canais de Havers contêm restos necróticos e um infiltrado inflamatório agudo que consiste em leucócitos polimorfo nucleares (material examinado será diagnosticado como um sequestro ósseo, a não ser que haja uma boa correlação clínico patológica que aponte o diagnóstico apropriado de osteomielite aguda. OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA O material biopsiado de um paciente com osteomielite crônica demonstra um componente de tecido mole significativo, que consiste em tecido conjuntivo fibroso inflamado de maneira subaguda ou crônica preenchendo os espaços intertrabeculares do osso. São comuns a formação de bolsas de abscessos e a presença de sequestros esparsos. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO OSTEOMIELITE SUPURATIVA AGUDA Se for observadaa formação evidente de abscesso, o tratamento da osteomielite aguda consiste em antibioticoterapia e drenagem. Estudos microbiológicos do material infeccioso revelam uma infecção polimicrobiana formada por organismos normalmente presentes na cavidade oral. Os antibióticos mais selecionados incluem a penicilina, a clindamicina, a cefalexina, a cefotaxima, a tobramicina e a gentamicina. Na maioria dos pacientes, um tratamento antibiótico suficiente e apropriado elimina a infecção e afasta a necessidade de intervenção cirúrgica. Em pacientes que recebem uma antibioticoterapia apropriada, pesquisadores têm sugerido que os fragmentos ósseos desvitalizados poderiam permanecer no local, servindo de alicerce para um futuro desenvolvimento ósseo. OSTEOMIELITE SUPURATIVA CRÔNICA A osteomielite crônica é de dificil tratamento medicamen toso, presumivelmente devido ao fato das cavidades de osso necrótico e dos organismos estarem protegidos da ação dos antibióticos pela cápsula de tecido conjuntivo fibroso circundante. A intervenção cirúrgica é obrigatória. Os antibióticos são semelhantes àqueles utilizados na forma aguda porém devem ser administrados por via intravenosa, em altas doses. A extensão da intervenção cirúrgica depende da disseminação do processo; a remoção de todo o material infectado para a obtenção de osso sadio sangrante é obrigatório em todos os casos. Para lesões pequenas, a curetagem, a remoção do osso necrótico e a saucerização são suficientes. Nos pacientes com osteomielite mais extensa, a decorticação ou a saucerização é muitas vezes combinada ao transplante de lâminas de osso medular. Nos casos de osteomielite persistente, é necessária a ressecção do osso acometido, seguida da reconstrução imediata com enxerto autólogo. Os ossos maxilares enfraquecidos devem ser Imobilizados. O objetivo da cirurgia é a remoção de todo o tecido Infectado. A persistencia de osteomielite cronica é o resul tado da remoção incompleta do osso acometido. Após ser realizada com sucesso a eliminação de todo o material infectado, espera-se que ocorra a resolução do processo. Raramente são necessários procedimentos acessórios (p. ex. oxigenação hiperbárica) se a curetagem cirúrgica completa e a sequestrotomia tiverem sido realizadas. Em uma tentativa de remover completamente todas as áreas de osso necrótico, a tetraciclina tem sido administrada 48 horas previamente à cirurgia e utilizada como marcador fluorescente de osso vital. No momento da cirurgia, o osso necrótico não fluorescerá sob a luz ultravioleta (UV) de uma lâmpada de Wood, indicando a necessidade da sua remoção. O tratamento de casos persistentes de osteomielite crónica geralmente requer a utilização de técnicas mais sofisticadas. Técnicas cintilográficas com tecnécio 99m (compostos fosfóricos marcados Te) podem ser utiliza das na avaliação da resposta terapéutica e do progresso do tratamento. O oxigénio hiperbárico é basicamente recomendado para os raros pacientes que não respondem ao tratamento padrão ou para doenças que surgem em osso hipovascularizado (p. ex.. ostcorradionecrose, osteopetrose. doença de Paget, displasia cemento óssea). • OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA Aosteomielite esclerosante difusa é um assunto bastante controverso e maldefinido que envolve a área da patologia oral. Este diagnóstico engloba um grupo de apresentações clinicas que se caracterizam por dor, inflamação e vários graus de hiperplasia periosteal dos ossos gnáticos, esclerose e radiolucidez. Em alguns casos, a osteomielite esclero sante difusa pode ser confundida com patologias intraos seas inflamatórias secundárias (displasia cemento óssea florida) ou doença óssea de Paget. Apesar das semelhanças clínicas e radiográficas, estes processos podem ser distinguidos da osteomielite esclero sante difusa por diversas diferenças clínicas, radiográficas e histopatológicas. As lesões subsistentes podem ser agrupadas em três grandes categorias: 1. Osteomielite esclerosante difusa 2. Osteomielite crônica primária 3. Tendoperiostite crônica Apesar de os conceitos a respeito da natureza dessas condições continuarem a ser desvendados, muitos acredi tam que a tendoperiostite crónica representa um subtipo da osteomielite crónica primária, enquanto que duas outras desordens, a síndrome da sinovite-acne-pustu lose-hiperosotose-osteomielite (SAPHO) e a osteomie lite multifocal crônica recorrente (CRMO) constituem a osteomielite crônica primárla com manifestações extra orais adicionais. É muito debatido se estas representam variações de uma única doença ou processos patológicos diferentes, não havendo resposta clara no momento. Parece ser prudente que os clínicos considerem todas as possibili dades, em um esforço de proporcionar o tratamento mais indicado para os pacientes afetados por estas condições. Em uma visão simplista, a expressão osteomielite esclerosante difusa difere da osteomielite crônica primá ria e de todas as suas variantes. Este termo deve ser usado apenas quando o processo infeccioso evidente for direta mente responsável pela esclerose do osso. Nesses casos, a infecção bacteriana crônica Intraóssea cria uma massa latente de tecido de granulação cronicamente inflamada que estimula a esclerose do osso circundante. A osteomielite crônica primária é muitas vezes con fundida com a osteomielite supurativa crônica (osteomie lite crônica secundária), mas deve ser distinguida desta. Contrário à osteomielite supurativa, não há uma evidente infecção bacteriana associada e a supuração e o sequestro óssco estão tipicamente ausentes. Diversas causas foram propostas, como uma alterada resposta imune a um orga nismo de baixa virulência, porém, nenhuma das teorias obteve aceitação ampla. Ao contrário da osteomielite supu rativa, uma causa infecciosa primária pode não ser provada, pois muitos estudos foram incapazes de criar a cultura de organismos e as condições não respondem a tratamento com antibiótico de longa duração. Apesar de inicialmente ser considerada um processo infeccioso obscuro, a apresentação clínica da tendoperios tite crônica é semelhante à da osteomielite crônica primá ria; atualmente muitos clínicos acreditam que represente uma alteração da reação do osso que é iniciada e exacer bada pelo uso excessivo crónico dos músculos da masti gação, predominantemente o masseter e o digástrico. Em um grande número de pacientes, hábitos musculares para funcionais (p. ex.., bruxismo, apertamento, roer as unhas. cocontração, não relaxamento da musculatura mastigató ria) foram identificados ou se tornaram evidentes durante o acompanhamento do tratamento. Em estudos neurofi siológicos, os reflexos inibidores do masseter eram anor mais na vasta maioria dos pacientes estudados. A causa da tendoperiostite crónica é controversa e alguns pesquisadores acreditam que esta desordem possa representar uma variante da osteomielite crônica primária, na qual os hábitos musculares parafuncionais exacerbam o processo, mas não são a causa inicial. Algumas vezes, as lesões nos ossos gnáticos com o aspecto da ostcomielite crônica primária ocorrem em paciente com outras manifestações sistêmicas significantes. Como o nome sugere, a CRMO inclui o envolvimento de múltiplos ossos, que é considerada por muitos como representante de uma variante generalizada da osteomielite crônica primá ria. Como discutido, a síndrome SAPHO é um acrônimo para uma apresentação clínica complexa que inclui sino vite, acne, pustulose, hiperostose e osteíte, na qual as lesões ósseas se assemelham às da osteomiclite crônica primária e da CRMO. A causa da síndrome SAPHO é desconhecida. mas acredita-se que se desenvolva em individuos com uma predisposição genética. os quais desenvolvem um distúrbio autoimune secundário à exposição bacteriana dermatoló gica. Mesmo não sendo encontrada de forma consistente.um aumento na prevalência de antigeno de histocompatibl lidade 27 (HIA 27) em pacientes com a sindrome SAPHO tem sido notado por diversos pesquisadores. Teoricamente. uma resposta imune anormal ao micro-organismo tem uma reação cruzada com as estruturas ósseas e articulares nor mais, levando a uma variedade de manifestações clínicas. Outros fatores imunológicos foram sugeridos como sendo causadores da osteomielite crônica e da CRMO, porém essa teoria atualmente não foi comprovada. CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E RADIOGRAFICAS OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA A osteomielite esclerosante difusa é semelhante à variante localizada (osteíite condensante; ver a seguir); entretanto, o distúrbio é também muito diferente. Ela acomete quase exclusivamente os adultos, não apresenta uma predomi nància por gênero e apresenta se primariamente na man dibula. Uma radiopacidade aumentada se desenvolve ao redor dos sitios de infecção crónica (p. ex., periodontite. pericoronarite, doença inflamatória apical), de um modo muito semelhante ao aumento da radiopacidade que pode ser observado ao redor das áreas de osteomielite supurativa crónica. Tipicamente, a área alterada é restrita a um único sitio, mas pode ser multifocal ou estender-se por todo um quadrante. A esclerose está localizada nas porções da crista do pro cesso alveolar relacionado ao dente e não parece originar nas áreas de inserção dos músculos masseter ou digás trico (Fig. 3-50). As radiopacidades não se desenvolvem de lesões fibro-ósseas anteriormente radiolúcidas e não exibem predileção por mulheres negras, como encontra das nos pacientes com displasia cemento-óssea florida. A dor e a tumefação não são tipicas. OSTEOMIELITE CRÔNICA PRIMÁRIA A osteomielite crônica primária é mais diagnosticada com um processo isolado, em geral localizado na mandi bula. Manifestações fora dos ossos gnáticos da síndrome SAPHO ou da CRMO são observadas com uma frequência muito O início dos sintomas tende a aparecer em dois picos, um na adolescência e o outro em adultos após a quinta década de vida. Os pacientes afetados apresentam episódios recorrentes dor, tumefação, endurecimento local e limitação de abertura de boca, os quais não estão associados a nenhuma infecção dentária evidente. Durante os períodos de atividade da doença, podem estar presentes a linfadenopatia regional e uma diminuição na sensibili dade ao longo da distribuição do nervo alveolar inferior. A ausência de febre. supuração, sequestro óssco e formação de fistulas são caracteristicas. A não associação evidente a uma infecção odontogênica e a apresentação não supu rativa dissocia claramente essa condição da osteomielite crônica supurativa. Nos estágios iniciais da osteomielite cronica primária, as radiografias tendem a demonstrar um padrão misto, com áreas radiolúcidas de osteólise entremeadas a zonas de esclerose. Ao contrário do padrão observado nas imagens de TC da osteomielite supurativa, as áreas osteolíticas não são continuadas e alternadas com as zonas de esclerose. A região afetada do osso está aumentada e apresenta uma proliferação periosteal que é mais sólida do que a típica periostite proliferativa laminada de origem inflamatória. A assimetria facial não é incomum e, muitas vezes, leva anos para se resolver devido à remodelação óssca lenta. Como passar do tempo, a região afetada se torna predominante mente esclerótica, porém durante períodos subsequentes de atividade da doença, aparecem novos focos de oste ólise e de destruição óssea cortical. Essas regiões recém afetadas subsequentemente sofrem esclerose, aguardando o próximo ciclo de atividade da doença. Com a progres são da doença, os sintomas clínicos são abrandados e o osso afetado apresenta uma esclerose progressiva e uma redução no volume. Áreas radiolúcidas osteoliticas podem remanescer, porém tendem a ser relativamente pequenas e amplamente esparsas. No geral, a alteração radiográ fica predominante da osteomielite crônica é a esclerose medular, um padrão que é invariavelmente observado nos pacientes afetados. A cintilografia óssea demonstra uma captação significativa nas regiões afetadas e deve ser rea lizada em todos os pacientes num esforço de se excluir o envolvimento de outros ossos que não os gnáticos. TENDOPERIOSTITE CRONICA Embora a faixa etária média de ocorrência seja aos 40 anos, a tendoperiostite cronica pode acometer individuos de qualquer idade. Não ha predileção por género. Sinto mas clássicos incluem a dor recorrente, tumefação da face e trismo. Não são encontradas supurações e infecções associadas. As culturas microbiológicas são caracteristica mente negativas, com as lesões não respondendo apropria damente aos antibióticos. Tem sido observada a resolução espontânca incomum com desenvolvimento de normali dade radiografica. Na maioria das vezes, a esclerose está limitada a apenas um quadrante e localizada na região anterior do ângulo de mandíbula e na porção posterior do corpo mandibular (p. ex., inserção do músculo masseter). Ocasionalmente podem estar envolvidas as regiões de caninos, pré-molares e anterior de mandíbula (inserção do músculo digástrico). Zonas relativamente radiolúcidas são visíveis no interior das áreas radiopacas, porém exames histopatológicos revelam apenas osso denso, formação de osso reacional e relativamente poucos sinais de inflamação. A margen infe rior do corpo mandibular é tipicamente afetada e ocorre erosão significativa da margen inferior em uma região ime. diatamente anterior ao angulo da mandíbula. SÍNDROME SAPHO Pacientes afetados pela sindrome SAPHO estão em geral abaixo dos 60 anos de idade e sofrem de osteomiclite mul tifocal crónica, que é associada à cultura microbiológica negativa e não responde ao tratamento com antibióticos. Em contrapartida com a osteomielite bacteriana, as areas osteo liticas são disseminadas aleatoriamente em regiões de osso esclerosado. Ancoformação óssea periosteal é comun, mas não está relacionada à perfuração da cortical óssca. A inves tigação de todo o esqueleto por meio de cintilografia óssea revela classicamente o envolvimento em múltiplos sítios. A localização mais envolvida é a da parede anterior do tórax. com o esterno, claviculas e costelas sendo afetadas indivi dualmente ou em conjunto. Outros ossos às vezes envolvi dos Incluem a espinha dorsal, a pélvis e ossos longos. Em lesões de ossos gnaticos em estágios iniciais, zonas osteoliticas difusas estão mais proeminentes que a esclerose; o osso afetado é aumentado devido à produção signi ficativa de neoformação óssea periosteal. Com o tempo, o osso se torna mais esclerótico e diminui em tamanho por causa da diminuição da aposição do periósteo, enquanto que a zona osteolítica diminul em tamanho e em quanti dade. São características das lesões em estágios tardios a reabsorção óssea externa e a deformidade da mandíbula. Em alguns casos, múltiplas lesões ósseas estão presen tes sem envolvimento da pele associada. Nesses casos as anormalidades ósseas têm sido chamadas de CRMO. As cintilografias e as radiografias demonstrarão um envolvi mento simultânco ou não de múltiplos ossos, tais como a clavícula, o úmero, o rádio, o fêmur ou a tibia. O envolvi mento mandibular na CRMO ocorre em menos de 10 dos casos relatados. O envolvimento dermatologico pode não ocorrer, aparecer após algum tempo ou ser tão sutil que não seja diagnosticado O Intervalo entre o reconheci mento inicial das lesões ósseas e o periodo final de desen volvimento de alteração da pele pode ser de até 20 anos. Comumente, as lesões de pele associadas incluem pústulas palmo-plantares, psoriase pustular ou plana, acne cinglo bata ou ulcerativa e hidrosademte supurativa CARACTERISTICAS HISTO PATOLOGICAS OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA A osteomielite esclerosante difusa apresenta esclerose e remodelação do osso. Oscanais de Havers são amplamente dispersos e poucas porções de tecido medular podem ser encontradas. Embora a esclerose ocorra adjacente às áreas de inflamação, o osso não está entremeado a um significa tivo componente inflamatório de tecido mole. Se o processo inflamatório adjacente estender-se para o osso esclerótico. então a necrose geralmente ocorre. O osso necrótico se separa do tecido vital adjacente e se torna circundado por um tecido de granulação inflamado subagudo, Frequente mente é observada a presença de colonização bacteriana secundária. OSTEOMIELITE CRONICA PRIMARIA Caracteristicas histopatológicas semelhantes são vistas na osteomielite cronica primária. na sindrome SAPHO e na CRMO. Nas areas de esclerose, diversas trabeculas irregu lares de osso pagetoide estão presentes e demonstram uma extensa evidencia de remodelação com linhas proeminen tes reversas, margens osteoblásticas e áreas locals de ati vidade osteoclastica (Fig. 351). A fibrose intertrabecular esta presente, com linfocitos e plasmocitos dispersos. A for mação de focos de microabscessos, a hialinıza, an ao redor DE pequenos vasos sanguíneos e a formação de osso subpe riosteal estão presentes em muitos casos, porém nem em todos. Os microabscessos foram correlacionados aos focos osteoliticos observados durante fases ativas da doença. Ao contrário da osteomielite supurativa cronica, a necrose óssea, a colonização bacteriana e a presença de purulência estão ausentes. TENDOPERIOSTITE CRÔNICA A tendoperiostite crônica apresenta esclerose e remodela ção da cortical e subcortical óssea, resultando no aumento do volume ósseo. Se estiverem presentes células inflama tórias crônicas, então elas estarão localizadas nos defeitos da reabsorção cortical e na subcortical óssea adjacente aos sitios de inserção muscular. TRATAMENTO E PROGNÓSTICO OSTEOMIELITE ESCLEROSANTE DIFUSA O melhor tratamento para a osteomielite esclerosante. difusa é por meio da resolução dos focos de infecção crônica adjacentes. Após a resolução da infecção, a esclerose remo dela-se em alguns pacientes, mas permanece em outros. A esclerose óssea persistente é hipovascular, não apre senta remodelação tipica e é muita sensivel a inflamação, O paciente e o clínico devem trabalhar juntos para evitar futuros problemas com periodontite ou doença titlumató ria apical