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Questões resolvidas

Topos naturais de hidrogênio são relacionados ao peso atômico dos hidrogênios envolvidos na constituição da molécula de água. É como a água pode ser diferenciada entre si com relação ao peso atómico das moléculas, que compõe a substância. Isso se dá, pois o átomo de hidrogênio pode se apresentar naturalmente com três diferentes isótopos, que correspondem ao peso molar. Os valores de massa molar do hidrogênio determinam a denominação da molécula de água em prótio, deutério ou trítio (SUGUIO, 2006).

1 Sabemos que a água é a substância que permite a existência da vida no planeta Terra, pois é a base da vida orgânica na forma que conhecemos e isso só é possível por conta de características próprias da água. Com base no exposto, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Apesar de ser muito importante para a vida no planeta terra, é muito difícil que ela seja encontrada na natureza em sua forma elementar, ou seja completamente pura.
b) ( ) A água é denominada solvente universal, pois pode dissolver qualquer substância existente no universo.
c) ( ) Diversos elementos químicos apresentam características semelhantes à água, a grande diferença é que nenhuma outra substância é incolor.
d) ( ) As moléculas de água não estão ligadas entre si, apenas utilizam uma ponte de hidrogênio por onde se locomovem.

2 Considere que é a estrutura da molécula de água que confere ao elemento suas características particulares, como a união entre os átomos que ocorre por uma dupla ligação covalente que são ligações nem muito fortes, nem muito fracas, e, assim, permite reestabelecer uma ligação logo após ser rompida, considerando também a eletronegatividade da molécula de água que permite a ligação com outras moléculas desde que sejam polares e, por isso, a água é considerada como o solvente universal. Além disso, considere a grande massa da molécula do Oxigênio em comparação com a massa do Hidrogênio. Assim, considerando seus conhecimentos acerca das características da água, analise as afirmativas a seguir:
( ) Os prótons do Oxigênio atraem os elétrons do Hidrogênio.
( ) Os elétrons do Hidrogênio são apolares.
( ) A massa da molécula do Oxigênio é maior do que a massa da molécula do Hidrogênio.
( ) São os elétrons compartilhados entre o Oxigênio e o Hidrogênio que estabilizam a molécula de água.
a) ( ) V – F – V – V.
b) ( ) V – V – V – F.
c) ( ) V – V – F – F.
d) ( ) F – F – F – V.

3 A água é a base da vida orgânica, é o bem mais precioso para a sobrevivência da vida no planeta Terra, quando pura a água não tem cor, não tem cheiro e não tem sabor. Com base no exposto, avalie as sentenças a seguir e a relação proposta entre elas:
I - A água por não ter cheiro é inodora, por não ter sabor é insípida e por não ter cor é incolor.
II - Para ser considerada um solvente universal, a substância deve ser obrigatoriamente insípida, incolor e inodora.
a) ( ) A afirmativa I é verdadeira e justifica a afirmativa II.
b) ( ) A afirmativa I é verdadeira, mas não justifica a afirmativa II.
c) ( ) As afirmativas I

As características das chuvas se refletem diretamente no escoamento superficial, que poderá escorrer suavemente em pequenos volumes, ou ser forte até o ponto de formar enxurradas (MARTINS, 1976). O escoamento superficial drena as águas excedentes da infiltração, o escoamento se dá por canais naturais, que se concentram em vales principais, originando os rios que direcionam as águas para os lagos e oceanos (HOLTZ, 1976). O movimento do escoamento superficial é primordialmente impulsionado pela força da gravidade.

A parte da precipitação que não infiltra no solo, não fica retido na vegetação, ou tão pouco evapora, constitui o escoamento superficial, que impulsionado pela força da gravidade segue em direção a altitude zero, ou seja, a altitude do nível do mar. Todavia o escoamento pode acabar seguindo para áreas restritas acumulando água em corpos fechados, como por exemplo as lagoas.

Sabemos que o Sol fornece calor que impulsiona as moléculas de água na mudança de fase da água líquida para vapor, mas também do gelo para o líquido é através da mudança de fase que percebermos o ciclo hidrológico acontecer. A água pode existir em três estados físicos, sólido, líquido e gasoso, e essas mudanças de fase são fundamentais para a manutenção da vida no planeta. Com base no texto apresentado, assinale a alternativa correta:
A energia solar é a principal responsável por impulsionar os processos atmosféricos na Terra.
A constante solar é a insolação média que atinge o topo da atmosfera, na camada denominada Termopausa.
O ciclo hidrológico envolve apenas os aspectos geoquímicos da água, como precipitação, escoamento, acumulação, evaporação e condensação.
As mudanças climáticas aceleradas pelo modo de vida predominante no mundo atual não têm influência significativa no ciclo hidrológico.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
c) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Com base no exposto, analise as sentenças a seguir:

I - No estado sólido, a água tem comportamento semelhante a uma rocha, pois a cristalização da água na formação do gelo ocorre da mesma maneira que a cristalização das rochas ígneas na solidificação do magma.

II - No estado líquido, a densidade da água é maior do que no estado sólido, isso explica o motivo do gelo flutuar na água.

III - O vapor de água é o estado físico de menor densidade.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
c) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.

Com base nos trechos apresentados sobre a água no planeta Terra, é correto afirmar que:
A água pode existir simultaneamente nos três estados físicos: sólido, líquido e gasoso.
A insolação desigual recebida no planeta Terra influencia diretamente os movimentos atmosféricos.
As reservas subterrâneas, como o aquífero guarani, podem ser fonte de conflitos por água.
A maior parte da água do planeta Terra está nos oceanos, que são salgados.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas III e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Qual é a característica marcante do gelo em relação à sua temperatura de fusão?

a) O gelo possui uma temperatura de fusão de 0 ºC.
b) O gelo possui uma temperatura de fusão de 100 ºC.
c) O gelo possui uma temperatura de fusão de -10 ºC.

1 O planeta Terra possui grande quantidade de água distribuída na superfície da crosta, essas águas preenchem bacias oceânicas após escoarem por rios e canais. Com isso, grande parte da água do planeta Terra possui elevadas concentrações de sais, o que impede o consumo humano. Sobre a distribuição das águas no Planeta Terra, assinale a alternativa CORRETA:
Aproximadamente 57% de toda água do planeta Terra é salgada.
Em torno de 97% do volume total da água do Planeta é salgada.
Cientistas consideram 70% de toda água do planeta está imprópria para o consumo humano.
Os trechos com as maiores salinidades dos rios estão sempre a montante.
a) ( ) Aproximadamente 57% de toda água do planeta Terra é salgada.
b) ( ) Em torno de 97% do volume total da água do Planeta é salgada.
c) ( ) Cientistas consideram 70% de toda água do planeta está imprópria para o consumo humano.
d) ( ) Os trechos com as maiores salinidades dos rios estão sempre a montante.

2 Os rios assumem formas que se encaixam no relevo, sempre seguindo pela menor altitude até encontrar o mar, conforme o tipo de relevo, a geomorfologia e a geologia, os canais por onde escoam os rios. Acerca do exposto, assinale a alternativa CORRETA:
Canal retilíneo como o nome indica escoa sempre de forma retilínea ao litoral, por vezes, ocorre no Pantanal, sempre na época das cheias.
O canal anastomosado apresenta ramificações e reencontros do curso d’água ao longo do canal, por vezes, forma ilhas fluviais.
Meandrante é o tipo de canal que se apresenta na forma de meandros, ocorre apenas em rios de baixa energia em geral localizados em planícies, uma curiosidade é que nas curvas dos meandros ocorre ao mesmo tempo a deposição de sedimentos em uma das margens e erosão na margem oposta.
Canais retilíneos são pouco comuns, suas águas escoam praticamente em linha reta, esse tipo de canal está diretamente relacionado com aspectos da geologia do local.
( ) Canal retilíneo como o nome indica escoa sempre de forma retilínea ao litoral, por vezes, ocorre no Pantanal, sempre na época das cheias.
( ) O canal anastomosado apresenta ramificações e reencontros do curso d’água ao longo do canal, por vezes, forma ilhas fluviais.
( ) Meandrante é o tipo de canal que se apresenta na forma de meandros, ocorre apenas em rios de baixa energia em geral localizados em planícies, uma curiosidade é que nas curvas dos meandros ocorre ao mesmo tempo a deposição de sedimentos em uma das margens e erosão na margem oposta.
( ) Canais retilíneos são pouco comuns, suas águas escoam praticamente em linha reta, esse tipo de canal está diretamente relacionado com aspectos da geologia do local.

3 Os rios podem ser classificados por diferentes aspectos, dentre esses aspectos o tipo de drenagem é utilizado para classificar os rios conforme a disposição dos seus canais, pela frequência do escoamento e pelo destino da drenagem, com isso associe os itens, utilizando o código a seguir:
Exorreica.
Efêmero.
Anastomosado.
Intermitente.
Meandrante.
( ) III – II – I – II – I.
( ) III – II – I – I – II.
( ) II – I – III – III – I.
( ) I – II – III – II – I.

Como sabemos, a bacia hidrográfica é considerada a unidade fundamental para análises ambientais e para fins de uma explicação simplista e superficial, que pode ser comparada a um recipiente de lavar roupa, que chamamos justamente de “bacia”, em que a delimitação natural ocorre por divisores de águas e pode ser comparada com a parte superior das bordas do recipiente. Com isso em mente, é possível entender, como divisores de águas, a linha que pode ser traçada entre os pontos mais altos do terreno e pode ser representado cartograficamente por uma linha que segue pelas maiores altitudes encontradas nos interflúvios. Assim, ao separar os vales, delimita a bacia hidrográfica, mas também pode delimitar sub-bacias.

Em situações de enxurrada, qual é a recomendação de segurança para as pessoas?

a) Procurar um local abrigado e não tentar atravessar fluxos de água.
b) Tentar atravessar fluxos de água com cuidado.
c) Permanecer próximo aos canais de drenagem.
d) Andar por áreas alagadas para evitar ser arrastado.

Qual a definição de 'nascente' em uma bacia hidrográfica?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Linha de maior profundidade no leito fluvial.
c) Boca de descarga de um rio.

O que é o 'talvegue' em um rio?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Linha sinuosa formada na interseção entre dois planos de vertentes, por onde escoam as águas.
c) Desembocadura do rio.

Como é definida a 'foz' de um rio?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Boca de descarga de um rio.
c) Desembocadura do rio, sendo o local mais baixo.

A água é um agente transportador de sedimentos muito importante tanto para o ciclo sedimentar, como para os processos de erosão e assoreamento, o desenvolvimento das formas dos canais ao longo das bacias hidrográficas depende de diversos fatores, considerando os conhecimentos sobre as formas dos canais, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:

I - Um canal anastomosado tem forma irregular que pode ser alterada conforme ocorrem variações nos volumes de chuva.

PORQUE

II - A grande carga sedimentar que é transportada em um canal anastomosado é depositado formando pequenas ilhas durante os períodos de menor vazão, quando o volume de água aumenta, a energia do fluxo mais intenso transporta o sedimento rio abaixo alterando as formas no canal.

Assinale a alternativa CORRETA:
I - Um canal anastomosado tem forma irregular que pode ser alterada conforme ocorrem variações nos volumes de chuva.
II - A grande carga sedimentar que é transportada em um canal anastomosado é depositado formando pequenas ilhas durante os períodos de menor vazão, quando o volume de água aumenta, a energia do fluxo mais intenso transporta o sedimento rio abaixo alterando as formas no canal.
a) ( ) A sentença I não justifica da sentença II, pois ambas são falsas.
b) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença I é justificada pela sentença II.
c) ( ) A sentença I é verdadeira, a sentença II é falsa e justifica a sentença I.
d) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença II não justifica a sentença I.

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Questões resolvidas

Topos naturais de hidrogênio são relacionados ao peso atômico dos hidrogênios envolvidos na constituição da molécula de água. É como a água pode ser diferenciada entre si com relação ao peso atómico das moléculas, que compõe a substância. Isso se dá, pois o átomo de hidrogênio pode se apresentar naturalmente com três diferentes isótopos, que correspondem ao peso molar. Os valores de massa molar do hidrogênio determinam a denominação da molécula de água em prótio, deutério ou trítio (SUGUIO, 2006).

1 Sabemos que a água é a substância que permite a existência da vida no planeta Terra, pois é a base da vida orgânica na forma que conhecemos e isso só é possível por conta de características próprias da água. Com base no exposto, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Apesar de ser muito importante para a vida no planeta terra, é muito difícil que ela seja encontrada na natureza em sua forma elementar, ou seja completamente pura.
b) ( ) A água é denominada solvente universal, pois pode dissolver qualquer substância existente no universo.
c) ( ) Diversos elementos químicos apresentam características semelhantes à água, a grande diferença é que nenhuma outra substância é incolor.
d) ( ) As moléculas de água não estão ligadas entre si, apenas utilizam uma ponte de hidrogênio por onde se locomovem.

2 Considere que é a estrutura da molécula de água que confere ao elemento suas características particulares, como a união entre os átomos que ocorre por uma dupla ligação covalente que são ligações nem muito fortes, nem muito fracas, e, assim, permite reestabelecer uma ligação logo após ser rompida, considerando também a eletronegatividade da molécula de água que permite a ligação com outras moléculas desde que sejam polares e, por isso, a água é considerada como o solvente universal. Além disso, considere a grande massa da molécula do Oxigênio em comparação com a massa do Hidrogênio. Assim, considerando seus conhecimentos acerca das características da água, analise as afirmativas a seguir:
( ) Os prótons do Oxigênio atraem os elétrons do Hidrogênio.
( ) Os elétrons do Hidrogênio são apolares.
( ) A massa da molécula do Oxigênio é maior do que a massa da molécula do Hidrogênio.
( ) São os elétrons compartilhados entre o Oxigênio e o Hidrogênio que estabilizam a molécula de água.
a) ( ) V – F – V – V.
b) ( ) V – V – V – F.
c) ( ) V – V – F – F.
d) ( ) F – F – F – V.

3 A água é a base da vida orgânica, é o bem mais precioso para a sobrevivência da vida no planeta Terra, quando pura a água não tem cor, não tem cheiro e não tem sabor. Com base no exposto, avalie as sentenças a seguir e a relação proposta entre elas:
I - A água por não ter cheiro é inodora, por não ter sabor é insípida e por não ter cor é incolor.
II - Para ser considerada um solvente universal, a substância deve ser obrigatoriamente insípida, incolor e inodora.
a) ( ) A afirmativa I é verdadeira e justifica a afirmativa II.
b) ( ) A afirmativa I é verdadeira, mas não justifica a afirmativa II.
c) ( ) As afirmativas I

As características das chuvas se refletem diretamente no escoamento superficial, que poderá escorrer suavemente em pequenos volumes, ou ser forte até o ponto de formar enxurradas (MARTINS, 1976). O escoamento superficial drena as águas excedentes da infiltração, o escoamento se dá por canais naturais, que se concentram em vales principais, originando os rios que direcionam as águas para os lagos e oceanos (HOLTZ, 1976). O movimento do escoamento superficial é primordialmente impulsionado pela força da gravidade.

A parte da precipitação que não infiltra no solo, não fica retido na vegetação, ou tão pouco evapora, constitui o escoamento superficial, que impulsionado pela força da gravidade segue em direção a altitude zero, ou seja, a altitude do nível do mar. Todavia o escoamento pode acabar seguindo para áreas restritas acumulando água em corpos fechados, como por exemplo as lagoas.

Sabemos que o Sol fornece calor que impulsiona as moléculas de água na mudança de fase da água líquida para vapor, mas também do gelo para o líquido é através da mudança de fase que percebermos o ciclo hidrológico acontecer. A água pode existir em três estados físicos, sólido, líquido e gasoso, e essas mudanças de fase são fundamentais para a manutenção da vida no planeta. Com base no texto apresentado, assinale a alternativa correta:
A energia solar é a principal responsável por impulsionar os processos atmosféricos na Terra.
A constante solar é a insolação média que atinge o topo da atmosfera, na camada denominada Termopausa.
O ciclo hidrológico envolve apenas os aspectos geoquímicos da água, como precipitação, escoamento, acumulação, evaporação e condensação.
As mudanças climáticas aceleradas pelo modo de vida predominante no mundo atual não têm influência significativa no ciclo hidrológico.
a) Apenas a afirmativa I está correta.
b) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
c) Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Com base no exposto, analise as sentenças a seguir:

I - No estado sólido, a água tem comportamento semelhante a uma rocha, pois a cristalização da água na formação do gelo ocorre da mesma maneira que a cristalização das rochas ígneas na solidificação do magma.

II - No estado líquido, a densidade da água é maior do que no estado sólido, isso explica o motivo do gelo flutuar na água.

III - O vapor de água é o estado físico de menor densidade.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
c) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.

Com base nos trechos apresentados sobre a água no planeta Terra, é correto afirmar que:
A água pode existir simultaneamente nos três estados físicos: sólido, líquido e gasoso.
A insolação desigual recebida no planeta Terra influencia diretamente os movimentos atmosféricos.
As reservas subterrâneas, como o aquífero guarani, podem ser fonte de conflitos por água.
A maior parte da água do planeta Terra está nos oceanos, que são salgados.
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas III e IV estão corretas.
d) Todas as afirmativas estão corretas.

Qual é a característica marcante do gelo em relação à sua temperatura de fusão?

a) O gelo possui uma temperatura de fusão de 0 ºC.
b) O gelo possui uma temperatura de fusão de 100 ºC.
c) O gelo possui uma temperatura de fusão de -10 ºC.

1 O planeta Terra possui grande quantidade de água distribuída na superfície da crosta, essas águas preenchem bacias oceânicas após escoarem por rios e canais. Com isso, grande parte da água do planeta Terra possui elevadas concentrações de sais, o que impede o consumo humano. Sobre a distribuição das águas no Planeta Terra, assinale a alternativa CORRETA:
Aproximadamente 57% de toda água do planeta Terra é salgada.
Em torno de 97% do volume total da água do Planeta é salgada.
Cientistas consideram 70% de toda água do planeta está imprópria para o consumo humano.
Os trechos com as maiores salinidades dos rios estão sempre a montante.
a) ( ) Aproximadamente 57% de toda água do planeta Terra é salgada.
b) ( ) Em torno de 97% do volume total da água do Planeta é salgada.
c) ( ) Cientistas consideram 70% de toda água do planeta está imprópria para o consumo humano.
d) ( ) Os trechos com as maiores salinidades dos rios estão sempre a montante.

2 Os rios assumem formas que se encaixam no relevo, sempre seguindo pela menor altitude até encontrar o mar, conforme o tipo de relevo, a geomorfologia e a geologia, os canais por onde escoam os rios. Acerca do exposto, assinale a alternativa CORRETA:
Canal retilíneo como o nome indica escoa sempre de forma retilínea ao litoral, por vezes, ocorre no Pantanal, sempre na época das cheias.
O canal anastomosado apresenta ramificações e reencontros do curso d’água ao longo do canal, por vezes, forma ilhas fluviais.
Meandrante é o tipo de canal que se apresenta na forma de meandros, ocorre apenas em rios de baixa energia em geral localizados em planícies, uma curiosidade é que nas curvas dos meandros ocorre ao mesmo tempo a deposição de sedimentos em uma das margens e erosão na margem oposta.
Canais retilíneos são pouco comuns, suas águas escoam praticamente em linha reta, esse tipo de canal está diretamente relacionado com aspectos da geologia do local.
( ) Canal retilíneo como o nome indica escoa sempre de forma retilínea ao litoral, por vezes, ocorre no Pantanal, sempre na época das cheias.
( ) O canal anastomosado apresenta ramificações e reencontros do curso d’água ao longo do canal, por vezes, forma ilhas fluviais.
( ) Meandrante é o tipo de canal que se apresenta na forma de meandros, ocorre apenas em rios de baixa energia em geral localizados em planícies, uma curiosidade é que nas curvas dos meandros ocorre ao mesmo tempo a deposição de sedimentos em uma das margens e erosão na margem oposta.
( ) Canais retilíneos são pouco comuns, suas águas escoam praticamente em linha reta, esse tipo de canal está diretamente relacionado com aspectos da geologia do local.

3 Os rios podem ser classificados por diferentes aspectos, dentre esses aspectos o tipo de drenagem é utilizado para classificar os rios conforme a disposição dos seus canais, pela frequência do escoamento e pelo destino da drenagem, com isso associe os itens, utilizando o código a seguir:
Exorreica.
Efêmero.
Anastomosado.
Intermitente.
Meandrante.
( ) III – II – I – II – I.
( ) III – II – I – I – II.
( ) II – I – III – III – I.
( ) I – II – III – II – I.

Como sabemos, a bacia hidrográfica é considerada a unidade fundamental para análises ambientais e para fins de uma explicação simplista e superficial, que pode ser comparada a um recipiente de lavar roupa, que chamamos justamente de “bacia”, em que a delimitação natural ocorre por divisores de águas e pode ser comparada com a parte superior das bordas do recipiente. Com isso em mente, é possível entender, como divisores de águas, a linha que pode ser traçada entre os pontos mais altos do terreno e pode ser representado cartograficamente por uma linha que segue pelas maiores altitudes encontradas nos interflúvios. Assim, ao separar os vales, delimita a bacia hidrográfica, mas também pode delimitar sub-bacias.

Em situações de enxurrada, qual é a recomendação de segurança para as pessoas?

a) Procurar um local abrigado e não tentar atravessar fluxos de água.
b) Tentar atravessar fluxos de água com cuidado.
c) Permanecer próximo aos canais de drenagem.
d) Andar por áreas alagadas para evitar ser arrastado.

Qual a definição de 'nascente' em uma bacia hidrográfica?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Linha de maior profundidade no leito fluvial.
c) Boca de descarga de um rio.

O que é o 'talvegue' em um rio?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Linha sinuosa formada na interseção entre dois planos de vertentes, por onde escoam as águas.
c) Desembocadura do rio.

Como é definida a 'foz' de um rio?

a) Local de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse curso.
b) Boca de descarga de um rio.
c) Desembocadura do rio, sendo o local mais baixo.

A água é um agente transportador de sedimentos muito importante tanto para o ciclo sedimentar, como para os processos de erosão e assoreamento, o desenvolvimento das formas dos canais ao longo das bacias hidrográficas depende de diversos fatores, considerando os conhecimentos sobre as formas dos canais, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:

I - Um canal anastomosado tem forma irregular que pode ser alterada conforme ocorrem variações nos volumes de chuva.

PORQUE

II - A grande carga sedimentar que é transportada em um canal anastomosado é depositado formando pequenas ilhas durante os períodos de menor vazão, quando o volume de água aumenta, a energia do fluxo mais intenso transporta o sedimento rio abaixo alterando as formas no canal.

Assinale a alternativa CORRETA:
I - Um canal anastomosado tem forma irregular que pode ser alterada conforme ocorrem variações nos volumes de chuva.
II - A grande carga sedimentar que é transportada em um canal anastomosado é depositado formando pequenas ilhas durante os períodos de menor vazão, quando o volume de água aumenta, a energia do fluxo mais intenso transporta o sedimento rio abaixo alterando as formas no canal.
a) ( ) A sentença I não justifica da sentença II, pois ambas são falsas.
b) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença I é justificada pela sentença II.
c) ( ) A sentença I é verdadeira, a sentença II é falsa e justifica a sentença I.
d) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença II não justifica a sentença I.

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Indaial – 2020
RecuRsos HídRicos
Prof. Alexandre Schweitzer
1a Edição
Copyright © UNIASSELVI 2020
Elaboração:
Prof. Alexandre Schweitzer
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
S413r
Schweitzer, Alexandre
 Recursos hídricos. / Alexandre Schweitzer. – Indaial: 
UNIASSELVI, 2020.
 237 p.; il.
 ISBN 978-65-5663-254-4
 ISBN Digital 978-65-5663-251-3
1. Recursos hídricos - Desenvolvimento. - Brasil. II. Centro
Universitário Leonardo da Vinci.
CDD 551.48
ApResentAção
A relação da sociedade com os recursos hídricos é tão próxima que 
pode passar despercebida por muitos indivíduos. A água é muito mais do 
que um recurso a nosso alcance, é parte integrante do nosso próprio ser. 
Somos organismos vivos, organizados em corpos que dependem de água 
para se manter, afinal, sabemos instintivamente da recomendação de sempre 
beber água. Apesar da constante necessidade de água que temos, muitos 
hábitos cotidianos que algumas pessoas possuem podem estar contribuindo 
para a diminuição da água disponível para o consumo. Com isso, o papel 
dos profissionais de educação e meio ambiente é fundamental para auxiliar 
os indivíduos a desenvolverem a percepção da importância da manutenção 
de um equilíbrio entre utilização e conservação dos recursos hídricos 
do Planeta. Assim, o livro didático da disciplina de Recursos Hídricos da 
UNIASSELVI apresenta, em seu conteúdo, um olhar interdisciplinar. A partir 
da perspectiva da geografia, que considera tanto as questões físicas quanto 
as questões humanas, os temas abordados neste livro irão acompanhar o 
principal elemento desta disciplina: a água. 
A Unidade 1 do livro apresenta primeiramente o aspecto mais 
elementar dos recursos hídricos, ou seja, a água como elemento químico, com 
as características e propriedades únicas que regem seu o comportamento. A 
estrutura molecular da água formada por átomos e seus elétrons resultam em 
aspectos próprios do elemento químico que são apresentados nessa primeira 
unidade. As características biológicas, químicas e físicas da água também são 
discutidas. Assim como as propriedades físicas de coesão, tensão superficial, 
propriedades térmicas, mudanças de estado físico da água, são abordadas 
logo na sequência. 
As características da água são conhecimentos importantes para 
levar o leitor ao melhor entendimento do tópico seguinte, que trata do ciclo 
hidrológico, que é o ciclo de renovação da água no Planeta. O ciclo hidrológico 
complementa a reflexão do tópico seguinte, que trata das águas do planeta 
terra, em que são apresentadas informações que destacam a diminuta porção 
de água doce disponível no Planeta. Ainda, descortina uma visão sobre o 
planeta Terra que permite analisar a perspectiva de hemisfério terrestre e 
hemisfério oceânico. A quantidade de água disponível no planeta ao longo 
da história geológica, desde o início até os atuais, reservatórios superficiais 
e subterrâneos, bem como as reservas de água na atmosfera, que incluem as 
nuvens – que são apresentadas finalizando a Unidade 1.
A Unidade 2 inicia com o conceito de bacia hidrográfica, seguido por 
uma apresentação dos aspectos importantes na caracterização e delimitação 
das bacias hidrográficas e do uso e ocupação do solo. Os aspectos físicos 
da geomorfologia das bacias hidrográficas trazem elementos importantes 
da dinâmica da evolução das formas, bem como dos fluxos de chuva e a 
infiltração no solo. Em seguida a classificação da hierarquia fluvial é discutida 
apresentando as duas metodologias mais aceitas para essa ordenação dos 
cursos de água. 
A fisiografia fluvial é apresentada na unidade 2, oferecendo ao 
conteúdo conceitos importantes que compõe o entendimento da forma 
dos rios e do aspecto dos canais e dos tipos de drenagem. A distribuição 
mundial dos recursos é discutida na sequência e leva ao entendimento da 
escassez do recurso em muitas partes do Mundo, também destaca os grandes 
aquíferos e as grandes bacias hidrográficas dos cinco continentes, bem como 
a distribuição das geleiras ao redor do Planeta. Ainda, na unidade 2, são 
apresentadas as regiões hidrográficas do Brasil.
O uso e conservação dos recursos hídricos é o tema da Unidade 
3 deste livro. O uso da água é discutido, colocando em pauta os aspectos 
relacionados à água potável, saneamento básico e recreação e lazer, geração 
de energia elétrica e as hidrovias brasileiras, que são importantes vias de 
transporte. A poluição dos recursos hídricos é discutida iniciando pela 
apresentação do conceito e tipos de poluição. Em seguida, aborda-se o 
combate à poluição e o tratamento de esgotos. Os riscos à saúde por conta 
das doenças que podem ser transmitidas através da água são apresentados. 
Posteriormente, o último tópico do livro aborda o uso legal dos recursos 
hídricos, destaca a constituição federal, a lei das águas, apresenta a Agência 
Nacional de Águas e o Plano nacional de recursos hídricos, também descreve 
o enquadramento em classes dos corpos de água.
Os aspectos legais sobre a outorga de uso, a cobrança do uso, e o 
estabelecimento do sistema de informações sobre recursos hídricos também 
são apresentados. Assim como as condições e padrões de lançamento de 
efluentes, uma breve apresentação dos comitês de bacia. Finalizando o livro 
o aproveitamento das águas pluviais ganha destaque e apresenta algumas 
ações exitosas de reaproveitamento das águas da chuva.
Os conteúdos apresentados neste livro estão fundamentados nas 
bibliografias descritas nas referências bibliográficas. Todavia, é recomendado 
a todo acadêmico que busque ampliar o seu saber. Diante disso, vá além, 
construa a sua própria história, aproveite os seus estudos de nível superior 
para saber mais. 
Parabéns por estar aqui. Bons estudos!
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela 
um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conhecimento, construímos, além do livro 
que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você 
terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complemen-
tares, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento.
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Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
LEMBRETE
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você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novi-
dades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagra-
mação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui 
para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilida-
de de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assun-
to em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
sumáRioUNIDADE 1 — A ÁGUA ....................................................................................................................... 1
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA? ....................................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 ESTRUTURA MOLECULAR DA ÁGUA ........................................................................................ 4
3 CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA ..................................................................................................... 7
3.1 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS ................................................................................................ 8
3.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS .................................................................................................... 10
3.3 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ÁGUA ..................................................................... 11
4 PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA ......................................................................................... 11
4.1 COESÃO ........................................................................................................................................ 12
4.2 TENSÃO SUPERFICIAL .............................................................................................................. 12
4.3 ADESÃO ......................................................................................................................................... 13
5 PROPRIEDADES TÉRMICAS DA ÁGUA ................................................................................... 14
5.1 MUDANÇA DE FASE DA ÁGUA ............................................................................................. 14
5.2 DENSIDADE ................................................................................................................................. 15
5.3 VISCOSIDADE .............................................................................................................................. 16
6 PARÂMETROS DE ANÁLISE DA ÁGUA ................................................................................... 16
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 21
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 22
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO ............................................................................................ 25
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 25
2 CICLO DA ÁGUA ............................................................................................................................. 25
3 PROCESSOS DO CICLO HIDROLÓGICO NA RENOVAÇÃO DA ÁGUA 
 DO PLANETA ..................................................................................................................................... 28
4 PRINCIPAIS FORÇAS ATUANTES NO CICLO HIDROLÓGICO ........................................ 36
5 INFLUÊNCIA ANTRÓPICA NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: 
 AS CONSEQUÊNCIAS PARA O CICLO HIDROLÓGICO ...................................................... 38
RESUMO DO TÓPICO 2..................................................................................................................... 40
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 42
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA ......................................................................... 45
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 45
3 ÁGUA NO PLANETA TERRA ........................................................................................................ 48
4 O VOLUME DE ÁGUA NO PLANETA AO LONGO DO TEMPO GEOLÓGICO ................ 53
5 PROCESSOS ADIABÁTICOS, DIABÁTICOS E GRADIENTE ADIABÁTICO .................. 63
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................ 67
RESUMO DO TÓPICO 3..................................................................................................................... 72
AUTOATIVIDADE .............................................................................................................................. 74
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................................... 76
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS ....................................................... 79
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS ..................................................................................... 81
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................. 81
2 CONCEITO DE BACIA HIDROGRÁFICA .................................................................................. 81
3 CARACTERIZAÇÃO DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA ..................................................... 82
4 DELIMITAÇÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS ..................................................................... 83
5 CURVAS DE NÍVEL .......................................................................................................................... 85
6 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO ...................................................................................................... 85
7 ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS ............................. 88
7.1 FLUXOS DE CHUVA: INFILTRAÇÃO NO SOLO E ESCOAMENTO ................................. 88
7.2 ORDEM DOS RIOS: HIERARQUIA FLUVIAL ........................................................................ 89
7.3 CANAIS: RETILÍNEOS, ANASTOMOSADOS, MEANDRANTES ...................................... 94
7.4 ZONA RIPÁRIA: ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ....................................................... 98
RESUMO DO TÓPICO 1..................................................................................................................... 99
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 101
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS ........................... 103
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 103
2 RESERVAS DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS ............................................................................... 104
3 RESERVAS DE ÁGUAS SUPERFICIAIS ................................................................................... 109
3.1 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA ÁSIA .................................................................................... 109
3.2 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA OCEANIA .......................................................................... 111
3.3 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA EUROPA ............................................................................. 112
3.4 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA ÁFRICA .............................................................................. 114
3.5 BACIAS HIDROGRÁFICAS DAS AMÉRICAS ...................................................................... 115
4 DISTRIBUIÇÃO DAS GELEIRAS NO PLANETA TERRA .................................................... 119
RESUMO DO TÓPICO 2................................................................................................................... 121
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 122
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICASDO BRASIL....................................................... 125
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 125
2 DIFERENÇAS ENTRE BACIA HIDROGRÁFICA E REGIÃO HIDROGRÁFICA ............ 125
3 A HIDROGRAFIA BRASILEIRA ................................................................................................. 127
3.1 REGIÃO HIDROGRÁFICA TOCANTINS-ARAGUAIA ...................................................... 127
3.2 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE OCIDENTAL .............................. 129
3.3 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARNAÍBA ................................................................................ 131
3.4 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE ORIENTAL .................................. 133
3.5 REGIÃO HIDROGRÁFICA SÃO FRANCISCO ..................................................................... 135
3.6 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO LESTE ................................................................. 138
3.7 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE ........................................................... 139
3.8 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARANÁ ................................................................................... 141
3.9 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARAGUAI ................................................................................ 143
3.10 REGIÃO HIDROGRÁFICA URUGUAI ................................................................................ 145
3.11 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUL ................................................................... 146
3.12 REGIÃO HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA ......................................................................... 148
4 A IMPORTÂNCIA DA AMAZÔNIA NA DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS 
 HÍDRICOS NA AMÉRICA DO SUL ........................................................................................... 151
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 154
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 155
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 157
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 159
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS ............................. 165
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS ....................................................................... 167
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 167
2 ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO BÁSICO E LAZER ....................................................... 168
2.1 POTABILIDADE ......................................................................................................................... 168
2.2 BALNEABILIDADE ................................................................................................................... 169
3 USOS FREQUENTES DA ÁGUA E ASPECTOS AMBIENTAIS RELACIONADOS ........... 169
3.1 ABASTECIMENTO HUMANO ................................................................................................ 169
3.2 CONSUMO INDUSTRIAL ........................................................................................................ 170
3.3 CONSUMO AGROPECUÁRIO ................................................................................................ 170
3.4 RECREAÇÃO .............................................................................................................................. 171
3.5 SANEAMENTO .......................................................................................................................... 172
4 A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NA GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA ........................ 172
4.1 ENERGIA HIDRELÉTRICA ...................................................................................................... 173
4.2 ENERGIA MAREMOTRIZ ........................................................................................................ 173
4.3 ENERGIA ONDOMOTRIZ ....................................................................................................... 174
4.4 ENERGIA NUCLEAR ................................................................................................................ 174
4.5 TRANSPORTE: AS HIDROVIAS BRASILEIRAS ................................................................... 176
4.6 HIDROVIA DO SOLIMÕES AMAZONAS............................................................................. 176
4.7 HIDROVIA DO MADEIRA ....................................................................................................... 177
4.8 HIDROVIA DO MERCOSUL .................................................................................................... 178
4.9 HIDROVIA DO PARAGUAI ..................................................................................................... 179
4.10 HIDROVIA DO PARNAÍBA ................................................................................................... 180
4.11 HIDROVIA DO SÃO FRANCISCO ....................................................................................... 181
4.12 HIDROVIA DO TAPAJÓS/TELES PIRES .............................................................................. 182
4.13 HIDROVIA PARANÁ TIETÊ .................................................................................................. 183
4.14 HIDROVIA TOCANTINS-ARAGUAIA ............................................................................... 184
RESUMO DO TÓPICO 1................................................................................................................... 186
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 188
TÓPICO 2 — POLUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS ......................................................... 189
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 189
2 O QUE É POLUIÇÃO? .................................................................................................................... 190
3 TIPOS DE POLUIÇÃO ................................................................................................................... 190
3.1 POLUIÇÃO NATURAL ............................................................................................................. 191
3.2 POLUIÇÃO INDUSTRIAL ........................................................................................................ 191
3.3 POLUIÇÃO URBANA ............................................................................................................... 192
3.4 POLUIÇÃO AGRÍCOLA ........................................................................................................... 193
3.5 COMO EVITAR A POLUIÇÃO ................................................................................................ 195
3.6 TRATAMENTO DE ESGOTOS ................................................................................................. 196
3.7 TRATAMENTO ESGOTO RURAL ........................................................................................... 196
4 REDE COLETORA DE ESGOTOS URBANOS ......................................................................... 197
4.1 CHUVA ÁCIDA E A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA .............................................................. 198
5 RISCOS À SAÚDE – DOENÇAS TRANSMITIDAS ATRAVÉS DA ÁGUA ....................... 198
5.1 DOENÇAS E A ÁGUA NO CORPO HUMANO ................................................................... 199
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................201
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 202
TÓPICO 3 — USO LEGAL DOS RECURSOS HÍDRICOS ........................................................ 203
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 203
2 CONSTITUIÇÃO FEDERAL ......................................................................................................... 203
2.1 CONAMA .................................................................................................................................... 205
2.2 LEI DAS ÁGUAS – n° 9.433/1997 ............................................................................................. 206
2.3 A AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS (ANA) ...................................................................... 207
3 PLANO DE RECURSOS HÍDRICOS........................................................................................... 209
3.1 ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE ÁGUA .................................................................. 209
4 OUTORGA DE USO ....................................................................................................................... 215
5 COBRANÇA DO USO .................................................................................................................... 216
6 SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS ....................................... 217
6.1 CONDIÇÕES E PADRÕES DE LANÇAMENTO DE EFLUENTES .................................... 217
6.2 CLASSIFICAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS ................................................................ 218
6.3 COMITÊS DE BACIA ................................................................................................................. 218
6.4 COMPOSIÇÃO DE UM COMITÊ DE BACIA ........................................................................ 218
6.5 APROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS ....................................................................... 219
6.6 CISTERNAS NO SERTÃO ......................................................................................................... 220
6.7 CAPTAÇÃO RESIDENCIAL PARA USOS NÃO NOBRES ................................................. 221
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................................... 222
RESUMO DO TÓPICO 3................................................................................................................... 227
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................ 229
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 231
1
UNIDADE 1 — 
A ÁGUA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a estrutura molecular da água;
• relacionar a estrutura molecular da água com as características físicas e 
químicas;
• relacionar as etapas do ciclo hidrológico com as características da água;
• classificar os cursos d’água superficiais;
• descrever os diferentes reservatórios de água do Planeta.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO 1 – A ÁGUA
TÓPICO 2 – CICLO HIDROLÓGICO
TÓPICO 3 – AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
2
3
TÓPICO 1 — 
UNIDADE 1
O QUE É A ÁGUA?
1 INTRODUÇÃO
Iniciaremos a leitura realizando uma reflexão sobre a água. O que vem a 
sua mente quando ouve a palavra água? Lembra um copo com água fresca para 
beber? Ou um corpo doente por desidratação? Talvez pense em um rio com águas 
cristalinas; ou poluídas. Vem a sua mente o racionamento por conta da seca? Ou 
o temor de uma enxurrada? São muitos os aspectos que envolvem a água como 
elemento, mas também como recurso hídrico, o recurso natural que nos estrutura 
como seres vivos.
Pois bem, podemos refletir a água de diversas maneiras, com diferentes 
focos de interesse, pois a água é uma substância que está sempre presente em 
nossas vidas e, uma coisa é certa: sem água não existiria vida. Já que a vida orgânica 
na forma que conhecemos “[...] provavelmente, originou-se na água há mais de 
três bilhões de anos e todas as células vivas ainda dependem dela para existir” 
(MORAN et al., 2013, p. 29). A reflexão sobre a água pode ser levada muito além, 
como faz com maestria Petri ao refletir as pesquisas que envolvem o tema água:
A consciência de que a água constitui o bem mais precioso para a nossa 
sobrevivência de que sua falta conduz à morte em tempo mais curto 
do que a falta de alimento, de que o progresso tecnológico contribui 
para o prolongamento da expectativa de vida que, somado à explosão 
populacional, passa a exigir um consumo cada vez maior desse 
líquido e de que a estabilidade do ciclo hidrológico se apoia em tênue 
equilíbrio das relações entre diversos fatores ambientais conduziu os 
pesquisadores à intensificação das investigações sobre esta preciosa 
substância (2006 apud SUGUIO, 2006, p. 9).
A água é um composto único na natureza. Ela apresenta-se no Planeta 
Terra proporcionando o desenvolvimento da vida por conta do comportamento 
que esse elemento apresenta, justamente na faixa de amplitude térmica que ocorre 
no planeta. Trata-se de limites muito restritos na temperatura, que permitem que a 
água se apresente no planeta dessa maneira, permitindo ao elemento estabelecer as 
interações nos três estados físicos da matéria. Muitos aspectos podem ser abordados 
quando o tema central é a água, podemos relacionar a água em nosso cotidiano 
com aspectos de manutenção da saúde, com os diferentes tipos de florestas, com 
problemas urbanos, conflitos entre países, ou seja, a água é fundamental para a 
vida dos indivíduos, das sociedades e para manutenção dos ecossistemas.
UNIDADE 1 — A ÁGUA
4
Todavia, afinal, o que podemos afirmar sobre a água? Para contribuir com 
as suas reflexões, nas próximas páginas o conteúdo apresentado visa oportunizar 
o entendimento de alguns aspectos importantes da água e suas particularidades. 
O texto é moldado com um apanhado de conhecimentos sobre a água, como um 
elemento que atua tanto em processos de modelagem da superfície terrestre, quanto 
possibilitando a existência da vida no planeta Terra. Como veremos a seguir a água 
apresenta uma estrutura simples, mas bastante particular.
2 ESTRUTURA MOLECULAR DA ÁGUA
O conhecimento básico de química e física do ensino médio é importante 
para o melhor entendimento do contexto desse tópico. Ao mesmo tempo, todos 
sabemos que é muito difícil lembrar-se de todos os conteúdos que já aprendemos ao 
longo da vida de estudante. Assim, talvez uma revisão nos conceitos de química e 
física que aparecem nesse texto seja um bom auxílio para o melhor entendimento do 
assunto. Uma vez que os processos naturais que envolvem a água abrangem desde 
a base para a vida no planeta, até o desgaste de rochas no modelado da superfície 
da Terra, são regidos por entre outros os aspectos com relação às características 
específicas da água.
Toda matéria é constituída por moléculas ligadas entre si, que são resultado 
da ligação que ocorre entre átomos. Todo átomo é formado por prótons, elétrons e 
neutros. A estrutura de um átomo é resultante da força de energia potencial. Essa 
energia potencial cria nos prótons carga positiva, nos nêutrons carga neutra e nos 
elétrons carga negativa. Essa é a configuração básica de toda matéria, quando a 
matéria é sólida as ligações são mais fixas, quando a matéria é líquida ou gasosa 
essas ligações são mais instáveis (FROEHLICH, 2011).No caso da água, os prótons 
do oxigênio têm carga elétrica positiva suficiente para atrair os elétrons do átomo de 
Hidrogênio, que são negativos, estabelecendo ligações suficientes para estabilizar a 
molécula de água por conta da estrutura molecular que é formada. 
Muitos já ouviram que “A água pura é um líquido incolor, inodoro, insípido...” 
(RICHTER; NETTO, 1991, p. 24), ou seja, é um líquido sem cor, sem cheiro e sem sabor. 
Todavia, dificilmente será possível encontrar água pura na natureza, pois é esperado que 
sempre exista alguma partícula ou elemento químico na água, mesmo em uma gota 
de chuva podemos encontrar outros elementos dissolvidos, pois como veremos mais 
adiante, por conta da eletronegatividade da própria molécula de água, atrai e se liga a 
outras moléculas e átomos, com isso é denominada de solvente universal. Assim, nunca é 
encontrada em estado de absoluta pureza na natureza.
NOTA
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
5
Uma vez que os átomos se unem através de ligações e formam as estruturas 
moleculares, as características e propriedades da estrutura formada estão 
determinadas. Assim é possível compreender que é a estrutura molecular que 
determina as características e propriedades, tanto eletrônicas quanto moleculares da 
água. A estrutura molecular da água é composta pela ligação de três átomos, são 
dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio, é a conhecida H2O. A molécula 
de água (Figura 1) se forma quando átomos de Hidrogênio e Oxigênio estabelecem 
o compartilhamento de seus elétrons formando uma dupla ligação covalente polar, 
que liga os átomos na molécula de água (MAIA, 2007; MORAN et al., 2013). A ligação 
entre o átomo de Oxigênio com os dois átomos de Hidrogênio (Figura 2) resulta na 
molécula polar, ou seja, com polos positivo e negativo (MAIA, 2007).
FIGURA 1 – MODELO DE REPRESENTAÇÃO ESPACIAL DA ESTRUTURA DA MOLÉCULA DE ÁGUA
FONTE: Adaptada de Moran et al. (2013, p. 30) 
Pensando no comportamento eletrônico da molécula de água, é preciso 
ter em mente que os prótons no núcleo do átomo de Oxigênio têm o número 
atômico e de massa maior do que o Hidrogênio. Assim os prótons do Oxigênio 
atraem com mais força os elétrons do Hidrogênio do que o próprio e único próton 
que cada átomo de Hidrogênio possui. Assim, entendemos que Oxigênio é mais 
eletronegativo do que o Hidrogênio e por conta disso ocorre uma distribuição 
desigual da carga elétrica nas ligações da molécula de água, assim o oxigênio fica 
com carga parcial negativa e o hidrogênio com carga parcial positiva, é o que se 
chama de dipolo, ou ligação polar (MORAN et al., 2013).
Mais especificamente, a polaridade da molécula de água ocorre, pois, o 
átomo do Oxigênio (O2) é tetravalente, ou seja, possui quatro pares de elétrons. 
O átomo de oxigênio compartilha dois pares elétrons com dois átomos de 
Hidrogênio, sendo um par em cada átomo. Esse compartilhamento é o suficiente 
para estabilizar a molécula de água e ainda ficam disponíveis dois pares de 
elétrons na molécula para que ocorram outras ligações. Os elétrons são negativos 
e na molécula de água, o oxigênio compartilha um par de elétrons com os dois 
hidrogênios, dessa forma sobram elétrons na molécula. Esses elétrons que não 
se envolvem na ligação, deixam a molécula de água com eletronegatividade. É 
UNIDADE 1 — A ÁGUA
6
através da eletronegatividade da molécula que é regulado o compartilhamento 
de elétrons para as ligações químicas (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014). O que 
estabelece no composto químico H2O características que somente a água tem.
Na molécula de água representada na Figura 2 é possível observar os 
quatro pares de elétrons do oxigênio, sendo que dois desses pares estão ocupados 
no compartilhamento com o Hidrogênio e os outros dois pares de elétrons, 
determinando a eletronegatividade da molécula. Lembre-se: os elétrons são 
negativos. O compartilhamento de elétrons entre dois átomos de Hidrogênio e um 
átomo de Oxigênio estabiliza a molécula de água, onde cada átomo de Hidrogênio 
compartilha um elétron, e assim dois átomos de Hidrogênio compartilham o par 
de elétrons com o Oxigênio (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014).
Com relação aos aspectos moleculares da água a geometria tetraédrica 
com quatro pares de elétrons tem um comportamento bastante específico, pois, 
na molécula de água, a estrutura em forma de V resultante do arranjo dos átomos 
que estabelecerem um ângulo de 104,5° entre as ligações (MORAN et al., 2013). 
Isso se dá, pois, o oxigênio compartilha um par de elétrons, porém como destacam 
Azevedo, Fresqui e Trsic (2014, p. 22) “[...] irão dar à água não uma geometria 
linear, mas, sim, distorcida, na qual os elétrons irão “empurrar” os hidrogênios de 
forma a aumentar a distância entre si e minimizar a energia de repulsão entre eles”. 
Perceba, ainda, na Figura 2, a geometria da molécula de água, onde o 
oxigênio que é tetravalente, compartilha dois pares de elétrons com dois átomos 
de hidrogênio, o que estabiliza a molécula de água, mas continuam disponíveis 
dois pares de elétrons que podem estabelecer outras ligações. É o que explica a 
eletronegatividade da molécula de água e justifica a denominação de molécula polar.
FIGURA 2 – ÂNGULO E ESTRUTURA MOLECULAR DA ÁGUA
FONTE: Adaptada de Moran et al. (2013, p. 30)
A molécula de água mantém as ligações químicas através da força de 
ligação do hidrogênio, que são as pontes de ligação do hidrogênio, ou pontes de 
hidrogênio. A força de ligação do hidrogênio que ocorre entre as moléculas de água 
é muito fraca se for comparada com uma ligação molecular forte, ao mesmo tempo 
em relação ao que pode ser considerada uma ligação molecular fraca, a molécula de 
água apresenta ligações relativamente fortes (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014).
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
7
É importante ter em mente que as moléculas de água não permanecem es-
táveis por muito tempo, porém a força de ligação do hidrogênio permite que, logo 
após a molécula se desestabilizar separando seus átomos, estes átomos separados 
busquem imediatamente novos átomos na substância para formar ligações nova-
mente, reestabelecendo assim o compartilhamento de elétrons estruturando molé-
culas de água. Dessa forma, em uma massa líquida, moléculas de água estão cons-
tantemente se desfazendo e se formando novamente em seguida, por isso a água no 
estado líquido possui um alto calor específico (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014). 
Sendo que as moléculas de água estão unidas entre si através das pontes 
de hidrogênio, como destacado por Suguio (2006, p. 21): 
 
[...] o átomo de hidrogênio (H) da molécula da água (H2O) está ligado, 
de fato, a dois átomos de oxigênio (O), de tal modo que pode ser 
representado por O-H... O. O oxigênio do O-H, com esse hidrogênio (H), 
representa o oxigênio (O) de uma molécula de água e... O está ligada a 
uma outra molécula. No interior de cada molécula de água, o hidrogênio 
(H) e o oxigênio (O) acham-se fortemente ligados. Ao mesmo tempo, o 
hidrogênio (H) está também unido ao oxigênio da molécula vizinha. 
Essa força é chamada de ligação por pontes de hidrogênio. 
Assim entendemos que as moléculas de água estão constantemente se 
fazendo e desfazendo, pois a força de ligação dos átomos que a compõe ao mesmo 
tempo que são fracas, também são fortes o suficiente para que estas ligações sejam 
refeitas constantemente. E essas ligações são denominadas pontes de hidrogênio 
e unem as moléculas de água entre si.
3 CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA
Já sabemos que é a partir da estrutura molecular que as características 
da água se configuram, sejam as características químicas, físicas, ou até mesmo 
as características biológicas. Algumas dessas características da água podem ser 
percebidas ao utilizar a água de forma cotidiana. A água possui características 
próprias muito particulares, em especial por conta das ligações de hidrogênio, 
conforme destacaram Azevedo, Fresqui e Trsic (2014, p. 35):
Em razão das ligações de hidrogênio, a água comporta-se como uma 
substânciacom peso molecular cinco vezes maior do que realmente 
é, porque a interação faz com que as moléculas de água fiquem mais 
próximas umas das outras, aumentando a coesão entre elas. Também 
se não fosse pelas ligações de hidrogênio, os pontos de fusão e ebulição 
da água seriam muito diferentes [...] outra propriedade interessante 
é a capacidade calorífica da água [...] o que lhe permite adquirir ou 
perder grande quantidade de energia para mudar de estado físico.
Cinco vezes maior, é algo surpreendente, pois afeta diretamente a inteiração 
da água com outras moléculas e atribui as características e propriedades da água, 
que são temas abordados a seguir. O entendimento sobre a água é importante 
para perceber o papel da água não só no ciclo hidrológico, ou no ciclo da vida, 
mas também em demais sistemas existentes no planeta Terra, como no ciclo das 
UNIDADE 1 — A ÁGUA
8
rochas, participando dos processos de intemperismo e erosão, ou ainda atuando 
na formatação da geomorfologia dos terrenos, ou mesmo no entendimento 
de questões sociais tanto com relação à escassez quanto no aspecto de chuvas 
excessivas, ou ainda no saneamento básico, na produção de alimentos, entre 
tantos outros aspectos que envolvem a água.
3.1 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS
Dentre as características químicas da água, a denominação de (solvente 
universal) merece grande destaque, pois reflete a capacidade que a molécula de 
água tem de dissolver outras moléculas. Todavia, não é qualquer molécula que pode 
ser dissolvida em água. Para que a água possa dissolver uma molécula qualquer, 
seja orgânica ou inorgânica, esta deve obrigatoriamente ser uma molécula polar. 
Então em caso de moléculas apolares, como as gorduras, a dissolução não se dá de 
forma simples. Isso ocorre, pois, as moléculas de água possuem a capacidade de, 
através das ligações dos hidrogênios, que são as pontes de hidrogênio, formando 
os hidratos ou clatratos cristalinos, agrupando moléculas de água em volta de 
moléculas polares. A formação dos hidratos pode ser percebida quando se observa 
água e óleo em um mesmo recipiente, o que se vê é que estes não se misturam, 
justamente por conta do envolvimento das moléculas de água em torno das 
moléculas apolares do óleo (SPIRO; STIGLIANI; 2009).
A eletronegatividade se explica por conta da molécula de água ficar estável 
ao estabelecer a dupla ligação covalente com o núcleo do oxigênio, que é positivo 
e por conta de seu grande tamanho consegue atrair elétrons de outras moléculas 
como os do hidrogênio, que ao compartilhar um par de elétrons estabiliza a 
molécula de água deixando elétrons ainda livres e, como estes ainda possuem 
carga elétrica negativa, podem atrair outros elementos ou molécula e, com isso, a 
água consegue atrair e se ligar a outras moléculas, formando diversos compostos. 
Essa característica da água de formar hidratos em volta de moléculas 
apolares é bastante importante. Quando tomamos a perspectiva do aquecimento 
global, temos o caso das moléculas de metano, que é um dos gases responsáveis 
pelo efeito estufa do planeta, que na forma de hidrato do metano estão fora da 
atmosfera, mas com a elevação da temperatura dos oceanos podem rapidamente 
passar para a atmosfera, ampliando ainda mais o efeito estufa.
Água leve, água pesada e água dura ou prótio (¹H), deutério (²H) e 
trítio (³H), independente da forma de denominação dos três diferentes tipos 
de isótopos naturais de hidrogênio são relacionados ao peso atômico dos 
hidrogênios envolvidos na constituição da molécula de água. É como a água 
pode ser diferenciada entre si com relação ao peso atómico das moléculas, que 
compõe a substância. Isso se dá, pois o átomo de hidrogênio pode se apresentar 
naturalmente com três diferentes isótopos, que correspondem ao peso molar. Os 
valores de massa molar do hidrogênio determinam a denominação da molécula 
de água em prótio, deutério ou trítio (SUGUIO, 2006).
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
9
Prótio é o isótopo de hidrogênio mais abundante, é uma molécula estável que 
apresenta apenas um próton e um elétron e tem massa molar igual a 1. Deutério, é 
outro isótopo estável de hidrogênio, com massa molar igual a dois, apresenta-se por 
um próton, um elétron e um nêutron. Trítio é o isótopo radioativo do hidrogênio, 
emite radiação beta, é composto por um próton, um elétron e dois nêutrons apresenta 
massa molar igual a três. Os isótopos de hidrogênio são naturalmente alterados 
durante as trocas de fase do ciclo hidrológico (SUGUIO, 2006).
FIGURA 3 – ILUSTRAÇÃO DOS ISÓTOPOS DE HIDROGÊNIO, PRÓTIO COM UM ELÉTRON E UM 
PRÓTON, DEUTÉRIO COM UM ELÉTRON, UM PRÓTON E UM NEUTRON E O TRÍTIO COM UM 
ELÉTRON, UM PRÓTON E DOIS NEUTRONS
FONTE: O autor
Água pode ser analisada com relação a sua dureza, que é um aspecto 
químico determinado através da verificação da presença de íons metálicos na 
água para determinar a dureza do cálcio (Ca++) e do magnésio (Mg++) e em 
menor quantidade íons ferrosos (Fe++) e estrôncio (S++). O principal aspecto que 
leva ao monitoramento da dureza da água é o fato de águas duras não produzem 
espuma de sabão e criam incrustações em tubulações de água quente, o que em 
algumas indústrias pode ser um grande problema (RITCHER; NETTO, 1991), 
águas pesadas podem ter sabor salobra, o que prejudica o sabor para o consumo.
O sabor salgado é característico da água oceânica, a salinidade é o 
parâmetro que indica a concentração de sólidos dissolvidos na água. O Mar 
Morto, localizado no deserto de Israel, tem em suas águas tamanha concentração 
de sais que são denominadas como hipersalinas. A concentração de sais segue 
aumentando conforme o Mar Morto continua evaporando, uma vez que as 
descargas de água que chegam ao mar morto trazem sais dissolvidos e conforme 
ocorre a evaporação da água, a concentração de sólidos se eleva (SUGUIO, 2006).
UNIDADE 1 — A ÁGUA
10
A quantidade de sais dissolvidos na água determina também a 
condutividade elétrica, quanto mais sais na água maior será a condutividade 
(RITCHER; NETTO, 1991). 
3.2 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS
Uma característica física da água que a difere da maioria das substâncias é 
o seu comportamento anômalo. A água em estado sólido é menos densa do que no 
estado líquido. Isso se dá justamente pelo arranjo das moléculas ao se solidificarem 
formando cristais de água. Apesar de que o princípio geral da matéria faz a relação 
de que quanto menor a temperatura menor o volume, na água esse comportamento 
da matéria só é verdadeiro até os 4 °C (quatro graus centígrados). Aos 4 °C a água 
atinge a densidade máxima, abaixo dessa temperatura a água passa a se expandir 
por conta da formação de mais pontes de hidrogênio entre as moléculas, que vão 
se ligando mais fortemente umas às outras até atingir -29 °C, quando o aumento do 
volume atinge cerca de 9%. Essa expansão diminui a possibilidade de movimento 
dessas moléculas que se cristalizam quando a temperatura atinge 0 °C formando 
estruturas hexagonais, ou seja, estruturas com seis lados. Esse comportamento 
anômalo da água é muito interessante, pois ao mesmo tempo que apresentam 
a singularidade de que todo cristal de gelo ser diferente um do outro também 
apresenta a determinismo do princípio físico pois todos os cristais apresentam seis 
lados (CHRISTOPHERSON, 2012).
Ao se arranjarem para a solidificação as moléculas de água passam a 
formar mais e mais pontes de hidrogênio e, assim, assumem a forma de cristais, 
ocupando um espaço maior. A densidade do gelo puro é menor do que a da 
água líquida. Essa diferença na densidade da água líquida para o gelo garante 
que o gelo flutue. Sem essa característica a água doce do Planeta estaria presa em 
grandes blocos de gelo no fundo dos oceanos (CHRISTOPHERSON, 2012). 
Assim fica entendido que o volume da água aumenta no momento da 
mudança de fase, quando a massa líquida se solidifica formando cristais que, 
devido ao arranjo hexagonal, fica com menor densidade. Isso confere à água 
uma característica única, pois primeiro ocorrea solidificação na superfície das 
massas de água, mantendo a água em estado líquido nas maiores profundidades, 
permitindo assim que animais possam sobreviver em lagos congelados, uma vez 
que apenas a superfície do lado estará congelada.
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
11
A cor da água é importante ser analisada. Considerando que a água 
pura é incolor, a cor é um parâmetro que indica substâncias dissolvidas na 
água (RICHTER; NETTO, 1991). Em geral, a coloração é proveniente da matéria 
orgânica, dos metais e ainda por resíduos industriais presentes, o aspecto visual 
da água não determina se é ou não imprópria para o consumo, mas está bem 
relacionado, assim cor na água potável não é desejável (BRASIL, 2006). 
3.3 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS DA ÁGUA
As características biológicas da água indicam a presença ou ausência de 
organismos patogênicos na água como bactérias, vírus e protozoários, ou ainda 
algas que geram sabor e odor desagradáveis na água além de causar danos na 
estrutura de tratamento da água. Para examinar as características biológicas da água 
são realizadas análises bacteriológicas e hidrobiológicas, que englobam a contagem 
do número total de bactérias por centímetro cúbico, todavia uma contagem alta de 
bactérias não significa que há poluição, pois pode haver variações bruscas nesse 
parâmetro. Em geral, águas com baixos índices de poluição apresentam também 
baixa contagem de bactérias, porém na razão inversa o resultado não é propriamente 
indicador de contaminação, mas sim um parâmetro a ser considerado em conjunto 
com a pesquisa de bactérias coliformes, que são bactérias provenientes de intestinos 
de animais superiores. A pesquisa de bactérias coliformes indica a eficiência do 
sistema de tratamento (RICHTER; NETTO, 1991).
4 PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA
As propriedades físicas da água estabelecem os limites do comportamento 
da matéria água, que se apresenta de forma muito particular. Com suas 
características e propriedades físicas, a água se mostra uma substância única.
A Densidade (d) de uma substância é o resultado da divisão da massa (m) 
pelo volume (V), ou seja, d=m/V. De modo geral, sólidos são mais densos do que líquidos e 
líquidos são mais densos do que gases, ainda de modo geral quando a temperatura diminui 
o volume diminui e a densidade aumenta. No caso específico da água o menor volume 
ocorre aos 4 °C e quando atinge 0 °C as moléculas se organizaram de tal maneira que 
o volume aumentou por conta do arranjo molecular ocasionado pela mudança de fase, 
quando a água líquida passa para a fase sólida.
NOTA
UNIDADE 1 — A ÁGUA
12
4.1 COESÃO 
A coesão é a propriedade que une as moléculas entre si, criando a resistência 
contra a separação através das ligações de hidrogênio. Essas ligações são as pontes 
de hidrogênio que levam as moléculas de água a interagem entre si, aproximando 
as moléculas umas das outras aumentando assim a união entre as moléculas 
(AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014). Podemos perceber a força de coesão atuando 
quando derramamos água em uma superfície inclinada, ao observar tal ação é 
possível verificar que a água não se espalha completamente e tende a permanecer 
unida. Também é possível perceber essa força que une as moléculas de água quando 
estamos nos movendo dentro da água, sentimos certa resistência aos movimentos 
na água, mas aplicando alguma força podemos usar essa resistência para nadar, 
por exemplo.
4.2 TENSÃO SUPERFICIAL
Na superfície da água a coesão entre as moléculas é explicada como tensão 
superficial, é o fenômeno que permite por exemplo que pequenos animais caminhem 
suavemente sobre a lâmina de água. No limite entre o ar e a última camada do 
líquido um arranjo diferenciado das moléculas do líquido se configuram de forma 
diferenciada é a tensão superficial. As moléculas se atraem umas pelas outras de 
moléculas de água se forma a tensão superficial, que é um fenômeno coesivo e ocorre 
pelo fato de as moléculas de água nessa interface se atraírem umas pelas outras e, 
assim, tanto as moléculas de água que estão ao lado como as que estão abaixo no 
líquido exercem força de atração nas moléculas da última camada (Figura 4). O que 
cria a tendência dessas últimas moléculas de penetrem no líquido, porém esbarram 
na resistência da massa líquida o que faz com que essas moléculas fiquem mais 
próximas entre si, mais coesas, na interface ar-água. Com as moléculas mais coesas 
essa última camada da água na superfície líquida tem um comportamento como o 
de uma película elástica. A tensão superficial é criada pelas pontes de hidrogênio 
que une as moléculas de água de forma suficientemente forte a ponto de permitir 
por exemplo que mosquitos pousem na superfície da água sem afundar, pois não 
rompem as pontes de hidrogênio da superfície (CHRISTOPHERSON, 2012).
A tensão superficial da água é a maior dentre todos os líquidos, é a 
propriedade que atua em diversos fatores de controle fisiológico nos organismos 
vivos, mas também implica a formação de gotas e nas inteirações na superfície da 
água (TORRES, 2014). Devido a essa compressão das moléculas da última camada 
que confere uma resistência que permite inclusive que alguns animais possam 
caminhar sobre a superfície da água, como por exemplo a famosa imagem do 
mosquito da dengue pousado na superfície da água.
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
13
FIGURA 4 – COMPORTAMENTO DAS MOLÉCULAS DE ÁGUA CRIANDO A TENSÃO SUPERFICIAL
FONTE: Adaptada de <http://qnesc.sbq.org.br/online/qnesc16/v16_A02.pdf>. 
Acesso em 28 out. 2020.
4.3 ADESÃO
A adesão é resultante da polaridade da molécula de água, pode ser 
entendida como a força de atração entre moléculas de diferentes tipos através 
da carga elétrica das moléculas. Assim, a adesão permite que a água possa subir 
através da capilaridade, por exemplo, as moléculas de água ao interagir com 
moléculas de uma parede de tijolos a água, no caso, a umidade sobe pela parede, 
ou em outros exemplos como em um tubo de vidro de laboratório de análises ou 
em uma mangueira de nível utilizada por pedreiros na construção de casas, onde 
no contato da água com a parede do tubo ou mangueira as moléculas de água são 
atraídas pelas moléculas da parede do tubo, fazendo a água junto às paredes ficar 
um pouco acima devido à ação da capilaridade. Essa forma influenciada pela 
capilaridade é denominada de menisco (Figura 5).
FIGURA 5 – CAPILARIDADE DA ÁGUA NO INTERIOR DE UM TUBO, A) ÁGUA, B) MENISCO 
FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/37EWRxg>. Acesso em: 30 out. 2020.
UNIDADE 1 — A ÁGUA
14
5 PROPRIEDADES TÉRMICAS DA ÁGUA
A transformação da água de um estado físico para outro depende da 
quantidade de energia térmica liberada ou absorvida, ou seja, das mudanças de 
temperatura. Essa quantidade de energia deve ser capaz de afetar as pontes de 
hidrogênio e, como já apresentado, são estas que estabelecem as ligações entre as 
moléculas de água. Os processos atmosféricos estão diretamente relacionados com 
essas trocas de calor envolvidos nas mudanças de fase da água, tanto que, cerca 
de 30% (trinta por cento) da energia que movimenta os processos na circulação 
atmosféricos do planeta são provenientes dessas trocas de calor envolvidas na 
mudança do estado físico da água (CHRISTOPHENRSON, 2012). 
5.1 MUDANÇA DE FASE DA ÁGUA
A mudança de fase é a mudança do estado físico de uma substância. Existem 
três diferentes estados físicos, sólido, líquido e gasoso (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 
2014). A água em estado líquido quando está a uma atmosfera, ou seja, no nível do 
mar, funde-se, tornando-se sólida quando a temperatura fica em 0 ºC (zero graus 
Centigrados) ou abaixo disso (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014). Para que a água 
líquida passe para a fase gasosa isso, pode ocorrer por evaporação ou por ebulição. 
A evaporação é uma mudança de fase lenta sem agitação ou formação de bolhas, 
já a ebulição ocorre de forma bem mais agitada com formação de bolhas. Ao nível 
do mar a temperatura de ebulição da água é de 100 ºC (cem graus Centígrados),em 
locais com maiores altitudes, onde a pressão atmosférica é menor, a temperatura de 
ebulição da água também será menor.
É importante ter em mente que as mudanças de fase da água são resultantes 
das condições ambientais impostas ao elemento, devemos entender como condições 
ambientais temperatura e pressão. A pressão é alterada naturalmente pela altitude, 
quanto maior a altitude menor será a pressão atmosférica, pois haverá uma coluna 
menor de ar exercendo tal pressão. Dessa maneira, em elevadas altitudes, onde 
a pressão é menor, as temperaturas de fusão e ebulição são menores, por outro 
lado quando ocorre um aumento de pressão a temperatura de ebulição será maior 
(AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014).
Existe um ponto triplo, que remete ao estudo do diagrama de fases, que indica 
um ponto a determinada pressão e temperatura onde se encontram condições muito 
próximas para que o elemento assuma a fase líquida, sólida ou gasosa, podendo até 
mesmo existirem em pleno equilíbrio (AZEVEDO; FRESQUI; TRSIC, 2014).
Os processos da mudança de fase recebem denominações que indicam 
as fases da mudança (Figura 6). A sublimação é a denominação do processo de 
mudança de fase que leva um sólido a passar para vapor sem derreter. Vamos 
relacionar com a água: assim exemplificando, é a mudança de gelo para vapor, 
ou o inverso de vapor para gelo. Essa mudança direta do vapor para gelo também 
pode ser chamada de deposição quando forma geada. A geada é o congelamento 
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
15
do vapor de água na superfície. Quando a mudança se dá no sentido inverso, ou 
seja, quando a transformação se dá do gelo para névoa podemos denominar mais 
precisamente como sublimação reversa (CHRISTOPHERSON, 2012).
FIGURA 6 – MUDANÇAS DE FASE DA ÁGUA
FONTE: O autor
A condensação ou liquefação é quando o vapor passa para o estado 
líquido, como ocorre nas nuvens ao iniciar a chuva. Também podemos perceber 
a condensação quando em um dia quente, colocamos água gelada em um copo, 
se houver humidade no ar, em pouco tempo o copo ficará com gotas de água no 
lado externo, que há o vapor de água que compõe a humidade do ar, passando 
para o estado líquido ao tocar a superfície do copo.
A temperatura de fusão em 0 °C e a de ebulição em 100 °C se dá por conta 
das pontes de hidrogênio, caso as pontes de hidrogênio não estivessem presentes 
essas temperaturas seriam bem inferiores, quando a fusão iria ocorrer com -110 °C 
e a ebulição com -90 °C. E, assim, são as pontes de hidrogênio as responsáveis pela 
capacidade calorífica da água, que é a característica que a água possui de adquirir 
ou perder grande quantidade de calor para mudar de estado físico (AZEVEDO; 
FRESQUI; TRSIC, 2014).
5.2 DENSIDADE
A densidade é a grandeza que indica a relação entre massa e volume, 
assim a densidade absoluta, também denominada de massa específica, pode ser 
conhecida dividindo o valor da massa do corpo pelo seu volume. Por exemplo, no 
caso da água do mar, com temperatura de 25 °C (vinte e cinco graus Centígrados) 
a densidade é de 1000kg/m³ (um mil quilogramas por metro cúbico) uma vez 
que a massa de 1.000 kg (um mil quilogramas), ou seja, uma tonelada, para o 
volume de 1 m³ (um metro cúbico) (FROEHLICH, 2011). Cabe destacar que se 
UNIDADE 1 — A ÁGUA
16
encontramos a indicação da densidade da água do mar de 1g/cm³ (um grama 
por centímetro cúbico) trata-se exatamente da mesma densidade expressa em 
unidades diferentes. É sempre importante prestar atenção nas unidades que 
são utilizadas, isso vale não só para densidade da água, mas para a nossa vida 
cotidiana, muitas vezes a unidade utilizada para expressar determinados valores 
podem ser utilizadas para manipular a interpretação do leitor mais desavisado.
5.3 VISCOSIDADE
Viscosidade é o que podemos entender como capacidade de escoamento, 
por exemplo, um líquido de baixa densidade escoará facilmente, como a água em 
estado líquido, por exemplo, diferente de outros produtos com densidade maior, 
imagine um mingau, ou um pirão, que não escoam tão facilmente como a água. A 
viscosidade é o parâmetro que quantifica a capacidade de escoamento da água, ou 
seja, a capacidade de fluir, a fluidez da água varia de acordo com a viscosidade.
6 PARÂMETROS DE ANÁLISE DA ÁGUA
Pensando no consumo humano, a água potável deve estar livre de agentes 
patogênicos, que são microrganismos que podem causar doenças, também não 
pode haver a presença de bactérias que indiquem a contaminação fecal dessa água. 
A água destinada ao consumo humano deve ser saudável, isso significa que tal água 
não deve apresentar material visível em suspensão, assim como deve ser isenta de 
cor, sabor e odor, bem como desinfetada de organismos patológicos, bem como 
quaisquer substâncias que possam ser prejudiciais à saúde humana (RICHTER; 
NETTO; 1991).
No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece os parâmetros para determinar 
se a água está potável ou não através de exames bacteriológicos e análises 
físico-químicas (BRASIL, 2006). Trataremos do que é estabelecido em Lei, mais 
especificamente no Tópico 3, da Unidade 3, deste livro. Todavia, teremos em mente 
que conforme é através da composição química, física e bacteriológica da água que 
a qualidade desta pode ser definida (RITCHER; NETTO, 1991). Por hora, vamos 
focar no entendimento dos motivos que levam as determinações dos parâmetros 
das análises de água. 
O exame bacteriológico verifica a contaminação fecal da água através da 
quantificação da presença de bactérias Escherichia coli que é a principal espécie 
que representa o grupo das bactérias Coliformes. As bactérias Coliformes estão 
presentes nas fezes de animais, incluindo os humanos, assim a análise indica a 
presença e quantifica o grau de contaminação da água por fezes (BRASIL, 2006). 
A análise para verificação dos Coliformes totais e termolatentes, a contagem 
de bactérias heterotróficas é importante ser realizada, pois, grande concentração 
dessas bactérias pode alterar a detecção de coliformes mascarando o resultado da 
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
17
análise. Assim, a análise bacteriológica deve considerar a contagem de coliformes, 
para identificar contaminação por fezes, bem como contagem heterotrófica, que 
indica interferências nos resultados (BRASIL, 2006).
Análise físico-química da água envolve a verificação dos parâmetros de 
alcalinidade total, que é a verificação da concentração de hidróxidos, carbonatos 
e bicarbonatos. A alcalinidade deve ser entendida como a capacidade de 
neutralização de ácidos. Trata-se de um parâmetro importante, pois no processo 
de tratamento da água se faz necessário à reação da água com o sulfato de 
alumínio, e como a quantidade de reagente que será adicionado é estabelecida 
conforme a alcalinidade da água, a verificação desse parâmetro é fundamental 
para o bom tratamento da água (BRASIL, 2006).
Outro parâmetro que é monitorado no tratamento de água é o gás carbônico 
livre. O monitoramento se dá não por uma questão de saúde, mas por uma questão 
estrutural, já que em concentrações elevadas ocasionará corrosão de metais e cimento, 
materiais empregados nas tubulações de distribuição da água (BRASIL, 2006).
Os cloretos, de sódio, cálcio e magnésio, estão presentes na água bruta 
e na tratada, uma vez que o tratamento convencional de água não é capaz de 
remover ou reduzir as concentrações de cloretos. Para remover os cloretos da 
água, podem ser utilizados dois métodos; pois em altas concentrações os cloretos 
afetam o sabor da água e podem inviabilizar o consumo. A concentração de 
cloretos na água do mar é de aproximadamente 26.000mg/l, ou seja, 26 gramas 
para cada litro de água (BRASIL, 2006).
Dureza total da água é o parâmetro que apresenta a concentração dos íons 
metálicos na água, em especial de cálcio (Ca++) e de magnésio (Mg++), mas também 
ferrosos (Fe++) e estrôncio (S++). A dureza da água pode impedir a formação 
de espuma e gerar incrustações em tubulações de água quente. A dureza é um 
parâmetro classificado por duasmaneiras, com relação aos íons metálicos ou com 
relação aos ânions associados aos íons. A dureza da água pode ser classificada como 
mole, dureza moderada, dura e muito dura (RICHTER; NETTO, 1991). Também 
podemos considerar a dureza da água como temporária ou permanente.
Cloreto de sódio é um dos muitos sais que podem se formar na natureza. 
A forma molecular do sal cloreto de sódio é NaCl. Estamos falando do que conhecemos 
popularmente como sal de cozinha. Considerando a alta concentração de cloretos na água 
do mar e sabendo que cloreto de sódio equivale a aproximadamente 85% dos sais da água 
do mar, podemos entender o motivo da água do mar ser salgada.
NOTA
UNIDADE 1 — A ÁGUA
18
As moléculas que se formam com o cálcio e o magnésio são resistentes a 
ação dos sabões, podendo se decompor com o calor, ou não, e assim diferenciando 
a dureza em: dureza temporária e dureza permanente. A dureza temporária 
é quando se considera a presença de bicarbonatos de cálcio ou de magnésio, é 
temporária, pois o calor decompõe os bicarbonatos em carbonatos insolúveis, 
que com isso precipitam formando incrustações, água e gás carbônico. A dureza 
permanente é quantificada pela presença de sulfatos, cloretos e nitratos, também 
de cálcio ou de magnésio, são ditas permanentes, pois formam sais solúveis e que 
não se decompõem com o calor (BRASIL, 2006). 
Sulfatos podem ter efeito laxante se consumidos com água com altas 
concentrações e quando associados ao cálcio e magnésio, provocam a geração de 
moléculas de água com dureza permanente, o que pode indicar lançamento de 
esgoto industrial, por conta da relação que é encontrada na decomposição da matéria 
orgânica no ciclo biogeoquímico do enxofre. Alguns tipos de resíduos industriais 
possuem elevados níveis de sulfatos que devem ser tratados, podemos citar indústrias 
de papel, tecelagem, curtumes entre outras (RICHTER; NETTO, 1991).
Com os sulfatos, os cloretos, bicarbonatos e outros sais podem além do 
sabor salinizado, incidir um efeito laxante a água, sendo que os cloretos indicam 
contaminação por esgotos domésticos, assim como a presença do nitrogênio sendo que 
a quantidade deste pode indicar poluição recente ou remota, o ciclo biogeoquímico 
do nitrogênio permite avaliar essa distância do agente poluidor, no caso a presença 
do nitrogênio orgânico ou amoniacal proximidade da fonte poluidora, sendo que 
nitratos elevados indicam poluição remota (RICHTER; NETTO, 1991). 
A verificação do oxigênio dissolvido é importante no monitoramento da 
qualidade da água. Em águas superficiais limpas é esperada a alta concentração 
de oxigênio dissolvido. No entanto, pode ser consumido rapidamente quando 
ocorre contaminação por esgoto doméstico, o que elevará a demanda de oxigênio. 
Essa demanda pode ser química, que é a demanda química de oxigênio (DQO) 
relacionada com oxidação ou pode ser demanda bioquímica de oxigênio (DBO) 
relacionada com o metabolismo de bactérias aeróbicas (RICHTER; NETTO, 1991). 
Titulometria é a análise química que consiste, a grosso modo, de adicionar um 
reagente a uma determinada solução e verificar quanto reagente foi colocado (titulado) 
na solução até que se perceba a troca de cor, conhecendo as quantidades utilizadas, o 
químico responsável pela análise pode conhecer a concentração. 
NOTA
TÓPICO 1 — O QUE É A ÁGUA?
19
A análise do pH verifica o potencial Hidrogeniônico, ou seja, quantifica 
a concentração do íon hidrogênico na substância. O pH é medido em uma escala 
que vai de 0 até 14, sendo que, o pH (zero) é o mais ácido, o pH 7 indica uma 
substância neutra e quando uma substância é neutra significa que a concentração 
de íons de hidrogênio e de hidroxila são os mesmos, com pH acima de sete a 
substância é alcalina, ou básica (BRASIL, 2006; RICHTER; NETTO, 1991). 
No tratamento e distribuição de água potável, o monitoramento do pH é 
importante. Deve ser testado constantemente e deve estar compreendido entre 6,5 
e 9,5 uma vez que a água ácida compromete por corrosão as estruturas metálicas, 
de cimentos ou de concreto, enquanto com o pH mais alcalino a tendência é de 
ocorrer a formação de incrustações nas tubulações e reservatórios, que podem 
diminuir muito o fluxo de vazão e até interromper o fluxo de água (RICHTER; 
NETTO, 1991). A análise do pH nas diferentes fases do tratamento da água é 
importante, pois é um indicador de referência no tratamento de água.
O sabor é originado no odor, ambos são parâmetros de análise subjetiva, com 
base em sensações humanas para sua descrição e causados geralmente por conta-
minantes orgânicos, como fenóis, clorofenóis, gases dissolvidos ou ainda resíduos 
industriais. Odores e sabores no tratamento de água potável podem ser diminuídos 
com aeração e utilização de filtros de carvão ativado (RICHTER; NETTO, 1991).
A temperatura da água influencia na velocidade de reações químicas, na 
solubilidade de gases, na sensação de odor e sabor (RICHTER; NETTO, 1991). 
Em sistemas de tratamento de água alterações na temperatura ocorrem por 
fatores relacionados a etapas do tratamento como a fluoretação, mudança do pH, 
desinfecção com cloro, entre outras (BRASIL, 2006).
A turbidez da água indica a presença de materiais sólidos em suspensão, 
quanto maior a quantidade de sólidos em suspensão na água menor será a 
transparência. Os sólidos podem ser algas, plâncton, matéria orgânica, zinco, 
ferro, areia, argila, além de despejos domésticos e industriais (BRASIL, 2006). 
Segundo Richter e Netto (1991, p. 26) para efetuar a “...determinação da turbidez 
é fundamentada no método de Jackson. Consiste em se determinar qual a 
profundidade que pode ser vista a imagem da chama de uma vela, através da água 
colocada em um tubo de vidro”. A turbidez da água está inversamente relacionada 
com a eficiência da desinfecção para o consumo (RICHTER; NETTO, 1991).
O ferro e o manganês quando presentes na água, em geral, se apresentam 
de forma associada, deixando a água com sabor amargo, adstringente e deixando 
o líquido com coloração amarelada e com aspecto turva. Isso ocorre por conta da 
oxidação que acontece e que resulta na precipitação desses oxidados, interferindo 
assim no aspecto e no sabor da água (RICHTER; NETTO, 1991). 
Fenóis e detergentes são compostos resultantes de processos industriais 
que podem ser encontrados na água por conta de lançamentos irregulares. O fenol 
é tóxico, além de causar sabor e odor desagradável na água, já os detergentes, a 
maioria são constituídos de alquilabenzeno (ABS) e são naturalmente indestrutíveis, 
perdurando na água após o lançamento (RICHTER; NETTO, 1991). 
UNIDADE 1 — A ÁGUA
20
O cloro residual livre é mais um dos parâmetros testados na água 
potável, é monitorado pois o cloro é utilizado no tratamento de água, empregado 
para desinfecção da água. Para consumo deve apresentar concentração abaixo de 
2,0mg/l (BRASIL, 2006).
A adição de fluoretos na água distribuída para consumo humano é uma 
medida de prevenção a cárie dental, e assim a medição do flúor é necessária. 
A dosagem de flúor na água potável é estabelecida por uma relação com a 
temperatura máxima (BRASIL, 2006) 
O alumínio deve ser quantificado na água tratada quando o sulfato de 
alumínio é empregado como coagulante no processo de tratamento (BRASIL, 2006).
21
Neste tópico, você aprendeu que:
• A água é a base da vida orgânica, é o bem mais precioso para a sobrevivência 
da vida no planeta Terra, quando pura, a água não tem cor (incolor), não tem 
cheiro (inodoro) e não tem sabor (insípida). 
• A água é um composto químico único na natureza, a molécula de água atrai 
outros elementos químicos por conta da eletronegatividade.
• A forma química da molécula de água é representada por H2O, e indica um 
átomo de hidrogênio ligado a dois átomos de oxigênio. Ela é estável devido 
ao compartilhamento de elétrons. 
• A geometria tetravalente da molécula se apresenta com eletronegatividade, 
que permite a ligação com outras moléculas polares é considerada solvente 
universal.• As moléculas de água se unem por conta das pontes de hidrogênio, são 
ligações nem fortes, nem fracas, suficientes para ao se separarem se religarem 
em seguida.
• O comportamento da molécula de água é semelhante ao de uma molécula 
cinco vezes maior. 
• Os diferentes isótopos do hidrogênio nas moléculas de água resultam em 
água leve, pesada e dura.
• A água sólida é mais densa do que a água líquida, por isso o gelo boia, essa 
característica preserva ambientes aquáticos do congelamento total.
• As características biológicas da água apontam a presença ou não de patogênicos 
ou outros organismos que gerem sabor ou odor desagradáveis na água. 
• Propriedades como coesão, tensão superficial, adesão, as propriedades 
térmicas, trocas de fase (sólida, líquida e gasosa), características como 
densidade, e viscosidade, fazem parte do entendimento sobre a água.
• Os parâmetros da análise de água são importantes para o entendimento 
dos padrões de potabilidade e balneabilidade. O entendimento das 
particularidades, das características e propriedades da água são importantes 
na preservação e manutenção das fontes e cursos da água, bem como no uso 
e ocupação do solo nas bacias hidrográficas. 
RESUMO DO TÓPICO 1
22
1 Sabemos que a água é a substância que permite a existência da vida no 
planeta Terra, pois é a base da vida orgânica na forma que conhecemos e 
isso só é possível por conta de características próprias da água. Com base 
no exposto, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Apesar de ser muito importante para a vida no planeta terra, é muito 
difícil que ela seja encontrada na natureza em sua forma elementar, ou 
seja completamente pura. 
a) ( ) A água é denominada solvente universal, pois pode dissolver qualquer 
substância existente no universo.
a) ( ) Diversos elementos químicos apresentam características semelhantes à 
água, a grande diferença é que nenhuma outra substância é incolor.
a) ( ) As moléculas de água não estão ligadas entre si, apenas utilizam uma 
ponte de hidrogênio por onde se locomovem.
2 Considere que é a estrutura da molécula de água que confere ao elemento 
suas características particulares, como a união entre os átomos que ocorre 
por uma dupla ligação covalente que são ligações nem muito fortes, nem 
muito fracas, e, assim, permite reestabelecer uma ligação logo após ser 
rompida, considerando também a eletronegatividade da molécula de água 
que permite a ligação com outras moléculas desde que sejam polares e, 
por isso, a água é considerada como o solvente universal. Além disso, 
considere a grande massa da molécula do Oxigênio em comparação com a 
massa do Hidrogênio. Assim, considerando seus conhecimentos acerca das 
características da água, analise as afirmativas a seguir:
( ) Os prótons do Oxigênio atraem os elétrons do Hidrogênio.
( ) Os elétrons do Hidrogênio são apolares.
( ) A massa da molécula do Oxigênio é maior do que a massa da molécula 
do Hidrogênio.
( ) São os elétrons compartilhados entre o Oxigênio e o Hidrogênio que 
estabilizam a molécula de água.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – V.
b) ( ) V – V – V – F.
c) ( ) V – V – F – F.
d) ( ) F – F – F – V.
3 A água é a base da vida orgânica, é o bem mais precioso para a sobrevivência 
da vida no planeta Terra, quando pura a água não tem cor, não tem cheiro e 
não tem sabor. Com base no exposto, avalie as sentenças a seguir e a relação 
proposta entre elas:
AUTOATIVIDADE
23
I - A água por não ter cheiro é inodora, por não ter sabor é insípida e por não 
ter cor é incolor.
PORQUE
II - Para ser considerada um solvente universal, a substância deve ser 
obrigatoriamente insípida, incolor e inodora.
a) ( ) A afirmativa I é verdadeira e justifica a afirmativa II.
b) ( ) A afirmativa I é verdadeira, mas não justifica a afirmativa II. 
c) ( ) As afirmativas I e II são falsas.
d) ( ) A afirmativa I é falsa e a afirmativa II é verdadeira
4 O potencial Hidrogeniônico, ou pH, indica a concentração do íon 
hidrogênico nas substâncias, é medido em uma escala de 0 até 14, sendo 
que o pH 7 indica uma substância neutra. O pH é um importante parâmetro 
de referência para o controle e verificação do tratamento de água. Com base 
no pH e no tratamento de água, analise as afirmativas a seguir:
( ) Água ácida causa corrosão nas estruturas e tubulações da rede de 
distribuição de água.
( ) O pH mais alcalino (básico) favorece o surgimento de incrustações nas 
tubulações e reservatórios.
( ) Na etapa final do tratamento antes da distribuição, a água tem o pH 
controlado para que esteja entre 6,5 e 9,5.
( ) Quando mais próximo de zero mais básico é o pH.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – V – V.
b) ( ) V – V – V – F. 
c) ( ) V – F – V – F.
d) ( ) F – F – F – V.
24
25
TÓPICO 2 — 
UNIDADE 1
CICLO HIDROLÓGICO
1 INTRODUÇÃO
Vimos a água como molécula no tópico anterior, o que nos permitiu 
compreender a importância das características físicas, químicas e biológicas 
da água e, ainda, as propriedades físicas e térmicas. Agora, aplicaremos esse 
conhecimento para o entendimento do ciclo hidrológico, que também pode ser 
chamado de ciclo da água. 
2 CICLO DA ÁGUA
É de fundamental importância entendermos que o ciclo hidrológico é um 
dos muitos ciclos geoquímicos que ocorrem no planeta. E, quando falamos de 
ciclos geoquímicos, precisamos considerar que a atmosfera, a hidrosfera, a litosfera 
e a biosfera são os reservatórios geoquímicos dos elementos químicos da Terra. 
Ocorre sempre transporte desses elementos químicos entre os reservatórios e esse 
fluxo é o que constitui propriamente os ciclos geoquímicos. Quando a biosfera 
tem função nesses fluxos ou é envolvida como reservatório, então denominamos 
de ciclos biogeoquímicos (PRESS et al., 2006). O ciclo geoquímico ou ciclo curto, 
envolve padrões de comportamento físico da água, enquanto o ciclo longo ou 
ciclo biogeoquímico da água envolve elementos bióticos no ciclo da água, ou seja, 
considera a passagem da água pelos organismos vivos, considerando processos 
fisiológicos como a evapotranspiração.
FIGURA 7 – ILUSTRAÇÃO DO CICLO DA ÁGUA
FONTE: Garcez e Garcer (2017, p. 8)
26
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Ciclo curto
O ciclo curto da água envolve apenas o ciclo geoquímico da água, e pode ser 
entendido como o pequeno ciclo, pois envolve a evaporação da água, a condensação 
na atmosfera, além da precipitação, acumulação e do escoamento de volta para o 
oceano, onde a evaporação impulsionada pelo sol dá sequência ao ciclo.
FIGURA 8 – PEQUENO CICLO DA ÁGUA, GEOQUÍMICO
FONTE: O autor 
Ciclo longo – ciclo biogeoquímico
Os ciclos biogeoquímicos levam na denominação o termo “Bio”, que é 
referente a vida, o termo “geo” é referente às rochas, ar e água. A geoquímica trata 
da composição química do planeta e as trocas que ocorrem na crosta da Terra, na 
atmosfera e nas águas dos oceanos, rios, lagos e outros corpos de água. São ciclos 
importantes, pois disponibilizam elementos químicos como carbono, hidrogênio, 
oxigênio, nitrogênio entre tantos outros que são fundamentais para a existência 
dos organismos vivos (ODUM, 1986). Alguns desses elementos químicos são 
necessários em grandes quantidades, já outros em quantidades mínimas, mas 
independente do volume necessário, são essenciais à vida. 
Existem padrões e tipos básicos de ciclos biogeoquímicos. Os elementos 
químicos, inclusive todos os elementos essenciais do protoplasma, tendem a 
circular na biosfera em vias características, do ambiente aos organismos e destes, 
novamente, ao ambiente. Estas vias mais ou menos circulares se chamam ciclos 
biogeoquímicos. O movimento desses elementos e compostos inorgânicos que 
são essenciais para a vida pode ser adequadamente denominado ciclagem de 
nutrientes. Cada ciclo também pode ser convenientemente dividido em dois 
compartimentos ou pools: o pool reservatório, competente maior, de movimentos 
lentos, geralmente nãobiológico, e o pool lábil ou de ciclagem, uma parcela menor, 
porém mais ativa que se permuta (i.e., se move alternadamente nos dois sentidos) 
rapidamente, entre os organismos e o seu ambiente imediato. Do ponto de vista 
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
27
da biosfera como um todo, os ciclos biogeoquímicos se classificam em dois grupos 
básicos: os tipos gasosos, nos quais o reservatório está situado na atmosfera ou na 
hidrosfera (oceano), e os tipos sedimentares, nos quais o reservatório localiza-se 
na crosta terrestre (ODUM, 1986).
Conforme Press et al. (2006, p. 314) destaca, “O ciclo hidrológico é um 
componente do sistema Terra e, assim, interage com os componentes da atmosfera, 
do oceano e da paisagem”. Dentro desse contexto dos ciclos biogeoquímicos e com 
a necessária compreensão do conceito de geossistema, temos, assim, a paisagem na 
inteiração com o ciclo hidrológico que deve ser considerada, pois na paisagem estão 
englobados conceitos da geoquímica, que tratam do papel dos elementos químicos 
na síntese e na decomposição dos materiais em uma via de análise geológica do 
intemperismo, e os conceitos da biogeoquímica, que por sua vez trata das trocas de 
materiais entre componentes vivos e não vivos da biosfera (ODUM, 1986).
Para obter água os animais bebem, já as plantas absorvem água através 
da interceptação das chuvas pelas folhas ou pela absorção da água do solo 
através das raízes. Assim, após a absorção, uma das formas da água voltar para o 
ambiente é através da transpiração. Na transpiração, a água ao evaporar diminui a 
temperatura do organismo. Dessa maneira, a transpiração resulta em evaporação 
e assim tratamos o processo como evapotranspiração (MARTINS, 1976).
Assim a evaporação é a mudança de fase líquida para vapor que envolve 
apenas os aspectos físicos, que remete ao ciclo curto, um ciclo geoquímico. Assim, 
é necessário o entendimento de que a evapotranspiração remete a dois conceitos, a 
transpiração e a evaporação, que ocorrem através de processos orgânicos. Assim, 
perceberemos que quando consideramos a evapotranspiração, estamos com foco 
no ciclo longo da água, o que inclui seres vivos no ciclo e assim se caracteriza como 
um ciclo biogeoquímico, quando transpiração e evaporação são consideradas no 
ciclo hidrológico, a junção dos termos, passa a denominar de evapotranspiração.
“Em nível global, o ciclo de dióxido de carbono e o ciclo hidrológico são 
provavelmente os dois ciclos biogeoquímicos mais importantes com relação à humanidade. 
Os dois são caracterizados pools atmosféricos pequenos, porém muito ativos que, sendo 
vulneráveis a perturbações antropogênicas, por sua vez, podem mudar o tempo e os 
climas. Uma rede de mensurações mundiais foi estabelecida para se detectarem mudanças 
significativas nos ciclos de dióxido de carbono e água que, literalmente, poderão afetar 
nosso futuro na Terra” (ODUM, 1986, p. 126). 
DICAS
28
UNIDADE 1 — A ÁGUA
3 PROCESSOS DO CICLO HIDROLÓGICO NA RENOVAÇÃO 
DA ÁGUA DO PLANETA
O ciclo hidrológico ou ciclo da água tem influência nas formas vivas e não 
vivas do planeta. É o ciclo de renovação natural, pois a água é um recurso natural 
renovável, que está em constante movimento cíclico que a renova. Todavia, 
apesar da constante ciclagem da água, é preciso considerá-la como um recurso 
limitado, devido à velocidade de renovação natural dos elementos que ocorre nos 
ciclos biogeoquímicos. Suguio (2006, p. 13) destaca que “... toda a água existente 
na natureza exibe relações mútuas de intercâmbio (ou de transferência) através 
do chamado ciclo hidrológico”. 
O ciclo hidrológico explica os movimentos que ocorrem com a água desde 
o maior reservatório do planeta, os oceanos, até o menor reservatório a atmosfera. 
Através da evaporação e da precipitação, a água circula dos oceanos para a 
atmosfera, onde após a precipitação pode ocorrer a infiltração e o escoamento, 
resultando no retorno da água para os oceanos (TORRES, 2014). Parte da chuva 
volta para o ar por evaporação e transpiração da vegetação. A transpiração das 
plantas também é denominada de evapotranspiração e contribui no fornecimento 
de umidade para atmosfera.
Ainda nesse mesmo sentido de entendimento sobre o ciclo da água 
Christopherson (2012, p. 244) destaca que “Vastas correntes de água, vapor d’água, 
gelo e energia estão fluindo continuamente num sistema hidráulico elaborado, 
aberto e global” e continua: “Essas corretes formam o ciclo hidrológico, que tem 
atuado por bilhões de anos: da baixa atmosfera a vários quilômetros debaixo da 
superfície da Terra”. Ainda dentro da percepção do entendimento geossistêmico, 
contextualizando a abrangência o ciclo hidrológico, Christopherson” [...] envolve 
a circulação e transformação da água por meio da atmosfera, hidrosfera, criosfera, 
litosfera e biosfera da Terra”.
Dessa maneira vamos firmando o entendimento sobre o ciclo hidrológico, 
e passaremos a perceber que é muito mais complexo do que o entendimento 
simplificado em que o ciclo hidrológico é o movimento cíclico da água que 
segue dos oceanos para atmosfera por evaporação, que volta por precipitação 
da atmosfera para a superfície por meio das chuvas e que escoa pela superfície 
através dos rios retornando aos oceanos, onde irá evaporar novamente (PRESS et 
al., 2006). Apesar de não estar equivocado, o entendimento acima simplifica por 
demais os processos físicos, químicos e biológicos envolvidos no ciclo hidrológico.
O vapor da água pode facilmente mudar de fase, conforme vimos no tópico 
anterior. Quando a mudança de fase é de vapor para líquido temos a liquefação, 
que também podemos denominar de condensação; quando a mudança é de líquido 
para vapor denominamos de vaporização; agora quando a mudança é de sólido 
para gasoso temos a sublimação e a sublimação inversa é quando ocorre a mudança 
de gasoso para sólido. E, dessa maneira, ocorre o ciclo da água. Precisamos ter em 
mente que a temperatura é a principal responsável pela troca de fase da água.
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
29
Evaporação e evapotranspiração
Como já sabemos, a evaporação envolve a mudança no estado físico da 
água. A evaporação é um aspecto físico da água, ocorre a partir da troca de fase 
da água líquida para vapor (MARTINS, 1976). A evaporação ocorre quando uma 
molécula de água se afasta das demais, deixando o meio úmido da água líquida, 
passando para o meio menos saturado, a atmosfera (CHRISTOPHERSON, 2012).
A transpiração é resultante da ação fisiológica da água, os organismos, 
animais, fungos e plantas, utilizam a água nos processos de manutenção da 
vida. Das muitas funções da água nos organismos, é empregada no controle da 
temperatura interna através da transpiração. Quando a transpiração evapora, 
temos a evapotranspiração.
A umidade relativa do ar é uma relação em função da quantidade de 
vapor de água presente no ar em relação ao ponto de saturação. Assim, deve ser 
destacada a relação entre quantidade de vapor no ar, onde há mais vapor, há 
maior umidade e quanto maior for a umidade do ar, menor será a evaporação 
(MARTINS, 1976). Podemos facilmente observar essa relação, pois sabemos que 
em um dia de Sol, sem nuvens, ou seja, sem umidade no ar as roupas do varal 
secam muito mais rapidamente do que em um dia com muitas nuvens, com mais 
umidade no ar, situação que tem relação direta com a pressão atmosférica.
Dessa maneira entendemos que a intensidade da evaporação se dá através 
de uma relação direta em função da pressão atmosférica, pois a evaporação é 
maior em dias de sol; e dias de sol estão relacionados a maior pressão atmosférica 
(MARTINS, 1976). No entanto, é importante entender que além da pressão 
atmosférica, a temperatura, o vento e a própria insolação afetam a evaporação.
A temperatura é importante, pois “tem influência direta na evaporação 
porque eleva o valor da pressão de saturação do vapor de água, permitindo que 
maiores quantidades de vapor de água possam estar presentes no mesmo volume 
de ar” (MARTINS, 1976, p. 57).Pressão de saturação é a combinação entre 
temperatura e pressão que estabelece o ponto da mudança de fase da água, onde 
quanto maior a temperatura, maior será a pressão necessária para a saturação do 
vapor de água (MARTINS, 1976). 
O vento influencia na evaporação uma vez que o vento é o ar em 
movimento, e assim quando o ar se move leva junto a umidade do ar, e essa troca 
do ar que fica sobre as massas de água evita, ou pelo menos diminui muito a 
chegada até o ponto de saturação da umidade no ar, ou na ausência de vento, o 
ar fica mais parado facilitando a elevação da umidade (MARTINS, 1976). Você é 
capaz de perceber a diferença entre um dia de sol com vento e um dia de sol sem 
vento, no dia sem vento a sensação de calor é muito maior, quando há vento, o ar 
está se movendo, incrementando a evaporação e como resultado ocorre melhor 
controle da temperatura corporal.
30
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Sabendo do potencial de evaporação, vamos considerar a distribuição, 
em que cerca de 84% da evaporação é proveniente dos oceanos e 16% das terras 
emersas (SUGUIO, 2006). Considere evaporação das terras emersas a evaporação 
proveniente dos lagos, dos rios, das roupas no varal, entre tantas outras fontes 
incluindo a evapotranspiração. Dessa maneira, devemos entender por evaporação a 
vaporização que pode ocorrer em qualquer temperatura, se dá em velocidade lenta 
e age constantemente sobre as massas de água, apesar das variações de intensidade.
Sabemos que a mudança da fase líquida da água para a fase gasosa do 
vapor de água é denominada de vaporização, a vaporização pode ocorrer de três 
formas: por ebulição, quando a água ultrapassa os 100 ºC (cem graus centígrados); 
por calefação, que é a vaporização instantânea da água; ou ainda por evaporação, 
a que mais importa nos estudos em torno do ciclo hidrológico. 
Condensação
A água que evapora lentamente da superfície tem um tempo de residência 
médio de 10 dias na atmosfera (SUGUIO, 2006). Nesse período, a água passa pela 
condensação, podendo formar pequenas gotículas de água, ou mesmo grandes 
gotas. Em geral, dão origem às nuvens antes da precipitação. As nuvens são 
indicadores das condições gerais da atmosfera, são formadas conforme ocorre a 
saturação do ar pelo vapor de água. As nuvens são constituídas por minúsculas 
gotículas de umidade e cristais de gelo em suspensão no ar, agregadas de tal 
forma que permitem a sua visualização (CHRISTOPHERSON, 2012). 
As nuvens podem se formar através de processos de convecção. A 
convecção ocorre quando o ar úmido, após ser aquecido, sobe para camadas 
mais altas da atmosfera, conforme a altitude cresce, a temperatura e a pressão 
diminuem. A diminuição da pressão e da temperatura proporcionam as 
condições ideais para a umidade presente no ar condensar, formando gotículas 
e gotas, ou se ocorrer temperaturas negativas a umidade do ar ao trocar de fase 
passa pela sublimação reversa, ou seja passa de estado gasoso para estado sólido, 
cristalizando o vapor de água e dando origem a flocos de neve.
A insolação se dá pela incidência de raios solares sobre a superfície da Terra. 
É propriamente a energia motora do ciclo hidrológico, uma vez que a energia potencial 
média, calculada a partir da constante solar, fica entre 100 (cem) e 200 (duzentos) Watts por 
metro quadrado, o que é suficiente para evaporar uma lâmina de água com profundidade 
entre 1,3m a 2,6m (MARTINS, 1976).
NOTA
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
31
Quando uma nuvem toca o chão, é denominada de nevoeiro, a visibilidade 
no interior de um nevoeiro é mais restrita do que a visibilidade no interior de 
uma neblina, que também é uma nuvem, porém devido à menor umidade, 
possibilita uma maior visibilidade (CHRISTOPHERSON, 2012). O conceito vale 
tanto quando a nuvem toca a superfície no solo, ou sobre uma massa de água. Os 
nevoeiros e a neblina afetam tanto a aviação, impedindo pousos e decolagens, 
quanto o tráfego terrestre e o tráfego naval, dificultando a navegação.
As nuvens também refletem a insolação, diminuindo o aquecimento da 
superfície da Terra abaixo delas, ao mesmo tempo aprisionam na atmosfera o 
calor emitido pela Terra na forma de ondas longas. A retenção de calor abaixo 
das nuvens gera elevação na temperatura, é o que se denomina de efeito estufa 
(CHRISTOPHERSON, 2012).
Conforme as condições atmosféricas, podem se formar diferentes tipos de 
nuvens. Inicialmente, as menores gotículas de água vão se unindo, as características 
e propriedades da molécula de água atuam nesse processo agregando moléculas o 
que leva ao aumento do tamanho das gotículas. Quando ocorre a formação da nuvem 
em camadas da atmosfera com temperaturas positivas, em especial nos trópicos, 
esse processo é denominado de coalisão-coalescência (CHRISTOPHERSON, 2012). 
Contudo, quando a formação das nuvens ocorre em temperaturas abaixo de 
0 °C (zero grau centígrado), a umidade presente no ar pode se solidificar na forma 
cristais de gelo por conta da temperatura abaixo de zero, dando origem a cristais de 
gelo que formam flocos de neve ou, caso derretam durante a precipitação, chuva. 
Ao precipitar os cristais de gelo podem passar por camadas mais aquecidas da 
atmosfera atingindo a superfície como chuva (CHRISTOPHERSON, 2012), ou seja, 
quando as gotículas se agregam em temperaturas positivas, formam uma gota, 
que por conta do seu próprio peso não seja mais sustentável no ar e precipite, ou 
quando a formação das gotículas ocorrem em temperaturas abaixo de zero ocorre a 
cristalização da água, os cristais de gelo também crescem ao agregar mais moléculas 
de água até se tornar um floco de neve insustentável no ar e assim precipitar.
Precipitação
Segundo Holtz (1976, p. 7), “Entende-se por precipitação a água 
proveniente do vapor de água da atmosfera depositada na superfície terrestre de 
qualquer forma, como chuva, granizo, orvalho, neblina, neve ou geada”. A água 
que precipita é produto da mudança de fase que ocorre na condensação do vapor 
de água que em suspenção na atmosfera, ao passar para a fase líquida e por vezes 
para a fase sólida, passa a ser atraída para a superfície da Terra pela força da 
gravidade. A precipitação ocorre após a condensação da água, ou da sublimação 
inversa (mudança de gasoso para sólido), pois ao deixar a fase gasosa a força 
da gravidade atua intensamente fazendo cair água do céu, ou precipitando. É 
importante lembrar que cerca de 77% de toda água que precipita cai sobre os 
oceanos, apenas 23% dessas águas precipitam sobre terrar emersas. Apesar 
32
UNIDADE 1 — A ÁGUA
do maior percentual de precipitação ser sobre os oceanos, quando analisamos 
a relação entre precipitação e evaporação, descobrimos que, sobre os oceanos 
precipitam 7% menos do que evapora e sobre as terras emersas precipitam 7% a 
mais do que evapora (SUGUIO, 2006). Dessa maneira, nas terras emersas, ocorre 
mais precipitação do que evaporação, sendo que quando analisamos os oceanos 
a relação é inversa, evapora mais do que precipita.
Conhecer os volumes da precipitação é importante tanto para estudos 
climatológicos, meteorológicos, quanto atualmente é um indicador de risco, 
em especial, nas áreas urbanas, onde existe o perigo de desabamentos, 
desmoronamentos, inundações, enxurradas, entre outros eventos críticos 
relacionados a precipitações. A quantidade de precipitação pode ser medida 
com um equipamento denominado pluviômetro, que é composto por um copo 
de medição que recolhe a precipitação, que pode ser chuva, neve ou granizo, 
permitindo assim medir o volume, o peso ou a profundidade da água coletada 
(CHRISTOPHERSON, 2012). 
O principal processo que leva à condensação, que por sua vez resulta 
em precipitação, é o esfriamento dinâmico ou adiabático, pois é o movimento 
vertical ascendente das massas de ar que permite a condensação. Assim, devemos 
lembrar que, quanto maior a altitude menor a pressão atmosférica, pois é menor 
a coluna de ar da atmosfera que exerce pressão no local mais elevado. A menor 
pressão facilitao encontro das moléculas, pois essa subida da massa de ar 
resulta no resfriamento, e leva o ar até o ponto de saturação, que ocorre quando 
houver temperatura e pressão adequadas. Quando a condensação passa a formar 
gotículas de água, estas crescem até que devido a seu volume não possam mais 
se sustentar suspensas no ar, a atração exercida pela força da gravidade resulta 
na precipitação em forma de chuva (HOLTZ, 1976).
O granizo se forma quando as gotas de chuva passam por zonas da 
atmosfera com temperaturas abaixo de zero e com isso ocorrerá a solidificação da 
água em partículas de gelo. Além do grazino, pode ocorrer a chuva congelada, 
quando as partículas de gelo ainda possuem tamanho muito reduzido e alguma 
sustentação no ar, a precipitação é de gelo, porém se diferenciando do granizo 
pela trajetória mais suave da precipitação, podendo ser confundida com neve, 
apesar da precipitação da neve em flocos ser bastante distinta (HOLTZ, 1976).
A neve propriamente ocorre quando a condensação da água acontece 
com temperaturas inferiores à do ponto de congelamento, há formação de flocos 
de neve na mudança de fase, que ocorre diretamente de vapor para sólido e só 
ocorre em temperaturas abaixo de 0 ºC (zero grau centígrado) (HOLTZ, 1976).
A condensação pode ocorrer diretamente sobre uma superfície sólida, 
ocorrendo o orvalho, ou ainda quando a temperatura fica abaixo de 0 ºC (zero 
grau centígrado) é a geada que se forma. Nem todo o volume precipitado atinge 
o chão, uma pequena parte evapora ainda durante a queda da precipitação 
voltando para a atmosfera, e outra parte pode ser retida pela vegetação, é o 
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
33
processo de intercepção, que é realizado pelas plantas, assim como a transpiração 
é o mecanismo que controla a temperatura da planta que absorve água líquida e 
devolve para a atmosfera vapor de água (HOLTZ, 1976).
As precipitações podem ser frontais cíclicas, ciclônicas, orográficas, 
convectivas, essa classificação está relacionada com os fatores de origem da 
chuva. Podem ser chuvas convectivas, frontais ou orográficas (STEINKE, 2012).
A convecção térmica é o processo resultante do aquecimento do ar úmido 
próximo a superfície. Com o aquecimento o ar expande e sobe, ao subir ocorre 
o resfriamento adiabático, levando à saturação do ar, condensação, formação 
de nuvens cumuliformes e resultam chuvas intensas e rápidas tipicamente os 
temporais tropicais de final de tarde (STEINKE, 2012).
As chuvas frontais são originadas pela passagem de uma frente fria 
(STEINKE, 2012). Assim, o ar mais frio que é mais pesado se desloca mais rente 
à superfície. Quando vai de encontro a uma massa de ar mais quente, o ar frio 
segue por baixo e o ar mais quente tende a subir devido à diferença da densidade, 
ao subir o ar quente resfria e condensa sua umidade.
As chuvas orográficas se formam por conta do relevo, quando o ar quente 
e úmido encontra uma barreira natural como uma encosta de serra, ou uma 
cadeia de montanhas, para transpor essa barreira o ar sobe e ao subir diminui a 
pressão e a temperatura ocasionando a precipitação por influência do relevo, a 
chuva orográfica (STEINKE, 2012). 
Infiltração
O próprio termo infiltração fala por si, é a “Capacidade de penetração 
da água das chuvas” (GUERRA, GUERRA, 2015, p. 351-352). Quando se vê a 
infiltração pela perspectiva da geomorfologia seguindo a definição apresentada 
por Guerra e Guerra, onde a infiltração pode ser distinta a partir da análise de “... 
dois aspectos: o que diz respeito à permeabilidade de origem, como é o caso das 
areias; e a permeabilidade adquirida, produzida pelo fraturamento e pelos planos 
de estratificação” (GUERRA; GUERRA, 2015, p. 351-352). Estes dois aspectos estão 
relacionados com a gênese do terreno analisado. No entanto, vamos ainda buscar 
uma definição mais focada no processo de infiltração, que conforme apresentada 
por Martins: “Denomina-se infiltração ao fenômeno de penetração da água nas 
camadas do solo próximas a superfície do terreno, movendo-se para baixo, 
através dos vazios, sob a ação da gravidade, até atingir uma camada-suporte, que 
a retém, formando então a água do solo” (MARTINS, 1976, p. 44).
Dessa maneira, a infiltração pode ser entendida como o processo de 
descida da água no solo, o que permite a análise destacando três fases: intercâmbio, 
descida e circulação. O intercâmbio ocorre no início da infiltração, abarca as 
mudanças próximas à superfície, onde ainda pode haver evaporação ou absorção 
vegetal. Essa primeira fase dura até o momento, que devido à pressão gerada 
34
UNIDADE 1 — A ÁGUA
pelo próprio peso da água, a adesão e a capilaridade perdem a capacidade de 
resistência, quando tem início a fase de descida que é o deslocamento vertical da 
água até a profundidade de encontro com uma camada impermeável – camada-
suporte – que impede a continuidade da descida. Com isso, tem início a fase de 
circulação, onde devido ao acúmulo de água e pela ação da força da gravidade 
a infiltração vertical cessada na camada-suporte, passa ao deslocamento mais 
horizontal, formando os aquíferos (MARTINS, 1976) 
Assim levamos o entendimento de que a infiltração, como descreve Holtz 
(1976, p. 2) “... é o processo de penetração da água no solo”. Assim, quando a água 
é precipitada na forma de chuva, ao atingir a superfície da terra, passa a infiltrar-se, 
preenchendo as depressões e a porosidade do terreno até ultrapassar a capacidade 
de infiltração, para então iniciar o deslocamento por escoamento superficial.
Escoamento superficial
As características das chuvas se refletem diretamente no escoamento 
superficial, que poderá escorrer suavemente em pequenos volumes, ou ser forte 
até o ponto de formar enxurradas (MARTINS, 1976). O escoamento superficial 
drena as águas excedentes da infiltração, o escoamento se dá por canais naturais, 
que se concentram em vales principais, originando os rios que direcionam as águas 
para os lagos e oceanos (HOLTZ, 1976). O movimento do escoamento superficial é 
primordialmente impulsionado pela força da gravidade. 
Os rios são formados por águas que precipitaram sobre os continentes na 
forma de chuva ou neve, e que após infiltrarem no solo passam a se acumular como 
água subterrânea, ou a se escoar. Nesse sentido Press et al. afirmam que (2006, p. 315):
A água da chuva que não se infiltra no solo escoa superficialmente, 
sendo gradualmente coletada pelos rios e lagos. A quantidade total de 
água da chuva que flui sobre a superfície, incluindo a fração que pode 
temporariamente infiltrar se nas formações próximas a superfície e em 
seguida retornar para ela, é chamada de escoamento superficial.
As águas do escoamento superficial, além de se infiltrar para um aquífero, 
podem evaporar para atmosfera ou como ocorre com a maior parte escoar até 
que encontrem uma depressão, que retenha a água, formando uma bacia que 
acumulará a massa de água, algumas bacias são relativamente grandes, como 
Os aquíferos serão estudados no Tópico 3, todavia cabe aqui destacar que 
em bibliografias mais antigas podem ser encontrados termos como lençol subterrâneo 
ou lençol freático, que equivalem ao que atualmente é denominado de aquífero, lençol 
aquífero ou água subterrânea. 
NOTA
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
35
as bacias oceânicas, mas até um pequeno lago segue esse mesmo princípio de 
drenagem que é impulsionado pela força da gravidade (PRESS et al., 2006). 
Entender os processos do escoamento superficial é importante, pois são processos 
que se refletem diretamente no ambiente, no caso de um ambiente habitado pelo 
homem, os processos erosivos ou de cheias podem afetar as comunidades locais de 
diversas maneiras.
Para um melhor entendimento do escoamento superficial, vamos ter em 
mente que é a atração gravitacional que fará com que a água escoe sempre pelas 
passagens que a conduzam para baixo, com isso se formam os cursos d’água e 
mesmo os aquíferos. O escoamento superficial é só uma das vias que a água usa 
paraatingir o leito do curso de água. Conforme apresentado por Martins (1976), 
as vias que a água percorre até atingir o curso d’água podem abranger além do 
escoamento superficial, o escoamento subsuperficial que é formador logo abaixo da 
superfície, muito raso por onde a água flui; também há o escoamento subterrâneo 
propriamente dito que proporciona uma contribuição importante nos períodos 
de estiagem, além da precipitação que ocorre diretamente sobre o reservatório e 
sequer gera escoamento e segue diretamente para acumulação.
Acumulação
A parte da precipitação que não infiltra no solo, não fica retido na vegetação, 
ou tão pouco evapora, constitui o escoamento superficial, que impulsionado pela 
força da gravidade segue em direção a altitude zero, ou seja, a altitude do nível do 
mar. Todavia o escoamento pode acabar seguindo para áreas restritas acumulando 
água em corpos fechados, como por exemplo as lagoas.
A acumulação em depressões sem escoamento é comum em áreas mais 
planas, onde pequenos corpos de água se formam e o volume desses corpos 
só diminui por evaporação e infiltração, ou por conta do consumo da água por 
animais, incluindo nossa espécie, formam as drenagens arreicas, ou seja, sem 
padrão de cursos d’água, acumula água nas depressões do terreno.
Cabe destacar que atualmente o ser humano tem criado cada vez mais 
estratégias para acumular artificialmente as águas pluviais como forma de se 
abastecer de água, o que pode ser feito em pequenos sistemas em telhados usando 
calhas, filtros e caixas de água ou também pode levar até grandes reservatórios 
artificiais de água, construídos pelo homem em dimensões muito maiores.
Altitude é diferente de altura, altitude é a distância vertical desde o nível do 
mar até o ponto a ser conhecida a informação, enquanto altura é a distância vertical entre 
um ponto na base do elemento a ser obtida a informação e o ponto a ser conhecida a 
NOTA
36
UNIDADE 1 — A ÁGUA
4 PRINCIPAIS FORÇAS ATUANTES NO CICLO HIDROLÓGICO
O ciclo hidrológico possui dois movimentos importantes, a subida na 
atmosfera do vapor de água e a descida por precipitação até a superfície, sem a 
energia do sol não haverá evaporação, tão pouco a evapotranspiração, pois o sol 
é a fonte primária de energia do planeta, todavia pouco adianta ter o calor do Sol 
sem uma atmosfera capaz de reter o calor, a atmosfera da Terra é resultado da 
atração gravitacional que prende os gases em volta da Terra, da mesma maneira 
que prende os líquidos e demais elementos na superfície do planeta. Assim, a 
atração gravitacional e a energia solar são duas forças primordiais que atuam no 
ciclo hidrológico.
Energia solar
A energia solar pode desencadear a evaporação da água, ou seja, levar 
a água do estado líquido para o estado gasoso (HOLTZ, 1976), pois conforme o 
destacado por Catling e Kelvin (apud FROEHLICH, 2011, p. 67), “Todos os corpos 
do Sistema Solar são aquecidos pelo Sol”. O que, obviamente também é uma 
afirmação verdadeira, uma vez que o foco é a fonte de calor que aquece o planeta 
Terra. No entanto, quando falamos da distribuição de calor no planeta Terra, apesar 
de ser incontestável que o Sol é a fonte de calor que aquece o planeta, precisamos 
considerar o importante papel da atmosfera e ainda dos movimentos de rotação 
e translação do planeta, que participam da distribuição da energia calorífica que 
incide no planeta.
A distância entre a Terra e o Sol, que é algo em torno de 150.000.000km 
(cento e cinquenta milhões de quilômetros), viajando na velocidade da luz são 
aproximadamente oito minutos e vinte segundos de distância (CHRISTOPHERSON, 
2012). Tal distância pode parecer muito grande quando comparamos com distâncias 
que estamos acostumados a lidar, mas quando refletimos e consideramos os padrões 
de distâncias do Universo, a distância entre a Terra e o Sol já não parece mais tão 
longe assim. A Terra está, nem tão perto do Sol que faça os elementos do planeta 
entrarem em ebulição, nem tão longe que a energia recebida seja insuficiente para 
manter a temperatura acima do ponto de fusão. 
informação. Por exemplo, o topo de uma escarpa tem a altura medida a partir da base dessa 
escarpa, assim se algum esportista resolver descer de rapel, essa feição geomorfológica, 
saberá quanta corda utilizar na descida. Já a altitude faz referência a distância vertical do topo 
da escarpa até o nível médio do mar, o que pode ser pouco útil para a descida de rapel, pois 
apesar da altitude fornecer uma informação que influencia na temperatura do local, pois 
quanto maior a altitude menor a temperatura. Todavia, quando pensamos em montanhas e 
aviões, a informação da altura pouco importa, pois a referência para o voo é o nível do mar.
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
37
A captação de energia solar pela superfície da Terra corresponde apenas a dois 
bilionésimos da energia produzida pelo Sol, essa minúscula fração que chega até nós 
é energia suficiente para manutenção dos sistemas terrestres (CHRISTOPHERSON, 
2012). Insolação é como denominamos a radiação solar que atinge a superfície da Terra. 
Para fins mais científicos é aplicado o conceito de constante solar que é a insolação 
média que atinge o topo da atmosfera, na camada denominada Termopausa, que tem 
altitude em torno de 480 km. A constante solar tem um valor de 1372W/m² (watts por 
metro quadrado), é uma constante que é bastante utilizada em estudos científicos de 
climatologia (CHRISTOPHERSON, 2012).
Segundo Suguio (2006, p. 159), a energia solar “...é parcialmente absorvida 
pela superfície terrestre, mas retorna em grande parte para o espaço sideral”. O 
planeta Terra recebe a radiação solar em raios com comprimento de ondas curtas 
e ao refletir na superfície do planeta, o que não é absorvido é refletido como 
radiação de ondas longas, que é a radiação do infravermelho termal ou energia 
calorífica, essas ondas de comprimento longo são emitidas da Terra para o Espaço 
Sideral (CHRISTOPHERSON, 2012). 
Parte do calor que incide sobre a Terra é absorvido já nas camadas mais 
exteriores da atmosfera, a camada de ozônio absorve a radiação ultravioleta. A 
exposição à radiação ultravioleta, acima da estratosfera, ocasiona elevação de 
temperatura devido à intensidade da radiação.
A distância até o Sol garante que a energia solar que incide sobre a Terra 
não seja tão intensa a ponto de fazer que toda a água do planeta entre em ebulição 
e se torne gás, e nem que seja fraca que faça as temperaturas ficarem abaixo de 
0 °C (zero grau) o que solidificaria toda a água do planeta, ou seja, estamos em 
uma distância muito confortável em relação ao Sol. Contudo, dependemos da 
atuação da atmosfera para manutenção da vida no planeta Terra uma vez que a 
atmosfera equilibra os fatores atuantes. Manter a atmosfera saudável tem sido o 
grande desafio humano, atualmente geramos muito mais gases do efeito estufa 
do que o planeta é capaz de suportar, como resultado convivemos cada vez mais 
com chuvas mais intensas em alguns locais, ao mesmo tempo que temos secas 
mais intensas em outras áreas.
O Sol é a principal fonte de energia que impulsiona os processos atmosféricos 
do planeta Terra. A energia solar impulsiona o ciclo hidrológico, contribuindo nas 
mudanças de fase da água, que resulta na ascensão da água subindo pela atmosfera 
na forma de vapor ou na precipitação na forma líquida da chuva ou na sólida da 
neve e do granizo. “Cerca de um terço da incidência de energia solar está envolvida 
na condução do ciclo da água” (TORRES, 2014, p.162).
Gravidade
A força da gravidade já foi estudada por Galileu Galilei, foi ele quem 
descobriu que a velocidade de um objeto em queda livre dobra a cada 9,8 
segundos, determinando dessa maneira a constante de aceleração gravitacional, 
que foi aplicada mais tarde por Isaac Newton ao realizar a descrição da Lei da 
38
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Gravidade, que descreve a força de atração entre os corpos. Nós estamos sob 
influência da atração gravitacional gerada pela massa do planetaTerra. Pois, a lei 
da gravidade demonstra que todo corpo é atraído por outro corpo e quanto maior 
a massa maior será a força de atração entre esses corpos (RIDPATH, 2008).
Assim, quando ocorre a condensação e as moléculas de água se agrupam, 
primeiramente em gotículas minúsculas, conforme ganham massa ao agregar 
outras gotículas menores formam gotas de água maiores e assim a própria massa 
da gota é determinante para atuação da atração gravitacional da Terra. Resultando 
na queda, ou seja, a precipitação, pois “Movimentos verticais são causados pela 
força gravitacional e são relacionados com a estabilidade da coluna de fluído” 
CARVALHO JUNIOR, 2014. p. 30).
5 INFLUÊNCIA ANTRÓPICA NAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS: 
AS CONSEQUÊNCIAS PARA O CICLO HIDROLÓGICO
O que garante as condições de temperatura no planeta Terra é a grande 
capacidade de manutenção e distribuição da temperatura, que ocorre na atmosfera, 
devido ao efeito estufa, que é o aprisionamento de parte da energia solar de ondas 
curtas, que foi refletida pelo planeta Terra como radiação de ondas longas e parte 
dessa energia calorifica fica retida na atmosfera. A energia de ondas longas, que é 
energia calorifica no espectro infravermelho termal, emitida pela Terra é transmitida 
para o espaço interplanetário. A transmissão se dá através do N2 (Nitrogênio), O2 
(Oxigênio), entre outros gases atmosféricos, porém o CO2 e o H2O (vapor), assim 
como outros gases do efeito estufa, absorvem essa energia retendo calor na atmosfera 
(SUGUIO, 2006). O aumento dos gases do efeito estufa na atmosfera é resultado das 
atividades humanas, o que faz mais calor ser absorvido pela atmosfera, elevando 
as temperaturas, é um fenômeno que ocorre naturalmente, porém o modo de vida 
dos seres humanos está emitindo muitos gases do efeito estufa para a atmosfera e 
com isso as temperaturas médias do planeta têm ficado cada vez mais elevadas e 
isso tem reflexo direto nas quantidades de gelo nas calotas polares, entre muitos 
outros aspectos.
Cabe destacar ainda a importância da força da gravidade para os seres humanos, 
pois muitos dos avanços tecnológicos durante a evolução humana aplicaram o manejo da 
energia potencial dos cursos de água. Muito antes da máquina a vapor, que culminou em 
1850 na Revolução Industrial devido ao avanço no uso das máquinas movidas a vapor de 
água, os moinhos de água já eram tocados pela força da gravidade, que utiliza o escoamento 
superficial e direciona engenhosamente energia mecânica do fluxo de água para os moinhos. 
Atualmente, a geração de energia elétrica em usinas hidrelétricas utiliza o mesmo princípio, 
empregando a força da gravidade que move o fluxo da água através das turbinas que são 
responsáveis pela geração da energia elétrica.
DICAS
TÓPICO 2 — CICLO HIDROLÓGICO
39
Cabe destacar, no entanto, a crescente ocorrência de interferências 
antrópicas no ciclo hidrológico natural, representadas principalmente por 
construção de represas, transposições de bacias, retirada excessiva de água de rios 
(caso do encolhimento do Lago Aral), desmatamento, com consequente aumento 
do escoamento superficial (caso da elevação de nível do Lago Cáspio, o maior 
do mundo) e da erosão/assoreamento de cursos d’água. Estas ações obviamente 
não modificam o volume total de água existente no planeta Terra, mas provocam 
alterações nas quantidades disponíveis em cada compartimento (SPERLING, 2006).
40
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• O ciclo hidrológico ou ciclo da água pode ser estudado em duas vias: a do 
ciclo curto, que envolve apenas o transporte por fluxos entre os reservatórios; 
e o ciclo longo, que envolve elementos bióticos dos processos biológicos como 
a evapotranspiração. 
• O ciclo curto envolve apenas os aspectos geoquímicos da água, precipitação, 
escoamento, acumulação, evaporação e condensação. Enquanto o ciclo longo 
envolve além dos processos do ciclo curto os aspectos biológicos. 
• O ciclo longo da água é um dos ciclos biogeoquímicos. 
• Na evaporação e na evapotranspiração a água líquida muda de fase para vapor. 
• A condensação é a troca de fase na mudança do vapor para líquido, essa 
troca de fase ocorre na formação das gotículas que compõem as nuvens. As 
nuvens, nevoeiros e neblinas são formados por gotículas de água geradas por 
condensação. O que as diferencia é que as nuvens ocorrem em altitudes maiores, 
em diferentes camadas da atmosfera, já os nevoeiros ocorrem próximos ao solo, 
assim como a neblina. 
• O que diferencia a neblina do nevoeiro é que a visibilidade dentro do nevoeiro 
é muito menor do que a visibilidade na neblina. 
• Quando as gotículas formadas na condensação ganham volume, a atração 
gravitacional atua de forma mais intensa e ocorre a precipitação, que 
dependendo das condições pode ocorrer na forma de chuva, granizo, neve, 
orvalho ou geada. 
• Após a precipitação a água em estado líquido ao tocar a superfície do solo tende 
primeiramente a se infiltrar. A infiltração é o processo de penetração da água 
no solo. Após ultrapassada a capacidade de infiltração o escoamento superficial 
tem início e assim a água passa a fluir pela superfície impulsionada pela força da 
gravidade e dando origem à rede de drenagem superficial formando os cursos 
de água que seguem até depressões no terreno, permitindo a acumulação em 
lagos, lagoas, represas artificiais ou mesmo nos oceanos que são os maiores 
acúmulos de água do planeta.
• As principais forças atuantes no ciclo hidrológico são a energia solar e a 
gravidade.
41
• É importante destacar a influência antrópica no ciclo da água, uma vez 
que existem discussões científicas sobre a origem das mudanças climáticas, 
pois os registros geológicos indicam que as mudanças climáticas sempre 
ocorreram na história do planeta, porém como consequência do modo de 
vida predominante no mundo atual está acelerando muito esses processos 
naturais que resultam em mudanças climáticas que podem ser determinantes 
na existência da vida no planeta.
42
1 Sabemos que o Sol fornece calor que impulsiona as moléculas de água na 
mudança de fase da água líquida para vapor, mas também do gelo para o 
líquido é através da mudança de fase que percebermos o ciclo hidrológico 
acontecer. A água pode existir em três estados físico, sólido, líquido e 
gasoso. Com base no exposto, analise as sentenças a seguir:
I - No estado sólido, a água tem comportamento semelhante a uma rocha, 
pois a cristalização da água na formação do gelo ocorre da mesma 
maneira que a cristalização das rochas ígneas na solidificação do magma.
II - No estado líquido, a densidade da água é maior do que no estado sólido, 
isso explica o motivo do gelo flutuar na água.
III - O vapor de água é o estado físico de menor densidade.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
c) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
2 Ciclo hidrológico pode ser analisado estudando apenas o ciclo curto 
que envolve os fluxos de transporte entre os diferentes reservatórios, ou 
considerando o ciclo longo que envolve elementos bióticos dos processos 
biológicos, como a evapotranspiração. Com base nisso, classifique V para 
as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O ciclo curto envolve apenas os aspectos geoquímicos da água, 
precipitação, escoamento, acumulação, evaporação e condensação.
( ) O ciclo longo envolve além dos processos do ciclo curto os aspectos que 
consideram as inteirações da água com os organismos vivos.
( ) O ciclo longo da água é um dos ciclos biogeoquímicos.
( ) Atmosfera, oceanos e geleiras podem ser considerados reservatórios do 
ciclo hidrológico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – F.
b) ( ) F – V – F – V.
c) ( ) F – F – F – F.
d) ( ) V – V – V – V.
AUTOATIVIDADE
43
3 O ciclo hidrológico depende das trocas de estado físico da água para ocorrer,assim, devemos considerar que o planeta Terra se encontra em uma posição 
privilegiada, pois no mesmo planeta é possível ter água nos três estados 
físicos, sólido, líquido e gasoso. Podemos imaginar cenários em planetas 
conhecidos onde é tão quente que toda a água evaporou, ou em um planeta 
tão frio que a água permanece constantemente congelada. Sobre o ciclo da 
água, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) As principais forças atuantes no ciclo hidrológico são a energia solar e a 
gravidade.
( ) A força da gravidade é responsável por conduzir todos os cursos de água 
até os oceanos.
( ) A energia solar é responsável pela evaporação.
( ) A evaporação é a passagem do estado físico da água de líquido para 
sólido.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – F.
b) ( ) V – V – F – F.
c) ( ) V – V – V – V. 
d) ( ) F – V – F – V.
44
45
TÓPICO 3 — 
UNIDADE 1
AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
1 INTRODUÇÃO
A Terra é uma grande massa, formada de diversos elementos. A água é 
um desses elementos e, apesar do volume de água no planeta ser muito menor 
que o volume de rochas, a água merece destaque (SUGUIO, 2006). São cerca 
de um bilhão e trezentos milhões de quilômetros cúbicos de água compondo a 
hidrosfera terrestre (SPERLING, 2006). Nosso planeta reúne uma combinação de 
fatores bastante rara no universo conhecido. Ao abordar o planeta Terra como 
o nosso lugar no Universo, Schweitzer e Santos (2018, p. 51) destacam: “A Terra 
apresenta muitas características que a distinguem dos demais planetas. Em 
nenhum outro planeta conhecido ocorre uma combinação de fatores semelhante 
à que vivenciamos aqui. A combinação é perfeita para a existência de água em 
estado líquido e para a evolução da vida”.
Ampliando a reflexão, pode-se destacar, ainda, a participação das fases 
gasosas e sólidas da água no ciclo hidrológico, bem como das variáveis envolvidas 
nesse processo cíclico e natural de renovação da água, que permite entender a água 
como um recurso natural renovável, porém, limitado, em especial se considerarmos 
a grande e crescente demanda mundial por água.
A Terra é um grande reservatório de água e quantificar o volume total 
apresenta-se como um grande desafio. Fontes bibliográficas que tratam das 
quantidades de água no planeta podem divergir um pouco sobre os volumes de 
água no planeta Terra. Diferentes obras podem acabar citando diferentes volumes 
de água para o planeta. Considerando os valores que aparecem em fontes distintas 
entre 96% (noventa e seis por cento) e 97% (noventa e sete por cento) do total de 
água do planeta ser salgada (SUGUIO, 2006; PRESS et al., 2006). Assim, o trabalho 
de Sperling (2006) realizou uma revisão bibliográfica que destaca as variações 
encontradas entre diferentes estudos que quantificaram o volume de água do 
planeta e fundamentam assim a estimativa proposta de que o volume atual de água 
disponível no planeta Terra remete ao valor médio de 1,3 bilhão de km³ de água, 
sendo que desse total, cerca de 97,08% é água salgada, restando algo próximo de 
2,92% de águas não oceânicas que compõem as águas continentais, da atmosfera e 
da biosfera (SPERLING, 2006).
46
UNIDADE 1 — A ÁGUA
FIGURA 9 – DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO PLANETA TERRA
FONTE: Sperling (2006, p. 198)
TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DAS ÁGUAS NO PLANETA
Distribuição %
Oceanos 97,08%
Águas não oceânicas 2,92%
FONTE: Sperling (2006, p. 198)
Essa grande quantidade de água existente na Terra cobre vastas extensões 
do planeta, formando grandes acumulações, preenchendo as bacias oceânicas, 
escoando pelas bacias hidrográficas através dos córregos e rios, por vezes se 
acumula em lagos e também em espaços subterrâneos, além de outras parcelas 
que formam as geleiras e umedecem a atmosfera e assim contemplam a vida 
orgânica da biosfera (PRESS et al., 2006). A água é fundamental para a manutenção 
da existência da biosfera, que é o geossistema biótico e envolve todas as formas 
de vida orgânica do planeta Terra. 
A biosfera demanda por água na sua própria existência e assim se insere 
no ciclo biogeoquímico (ODUM 1986), as quantidades mudam, mas todos os 
animais, vegetais e fungos dependentes da água para existir. O geossistema 
biótico, a biosfera, é sustentado pelos geossistemas abióticos, que são a litosfera, 
a hidrosfera e a atmosfera (CHRISTORPHESON, 2012), ou seja, é a partir das 
rochas e minerais que compõem a litosfera, das águas que compõem a hidrosfera 
e dos gases que compõem a atmosfera que as condições ambientais se configuram 
na forma que conhecemos, permitindo assim o sucesso da existência da biosfera. 
A biosfera é a vida no planeta e que, com os demais geossistemas, dependem 
da energia solar para impulsionar os processos de cada geossistema. A água não 
é diferente, tem renovação cíclica e suas características físicas e químicas, bem 
como as propriedades térmicas, em especial, o comportamento das moléculas 
de água nas mudanças de fase, resultam na movimentação do ciclo hidrológico, 
que renova o elemento. Entendendo ainda que para existir água nos três estados 
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
47
da matéria, sólido, líquido e gasoso simultaneamente no planeta a combinação 
de fatores que precisa se estabelecer é muito específica. Mudanças nos padrões 
das temperaturas do planeta podem chegar ao extremo de inviabilizar a vida no 
planeta Terra. Como já sabemos a energia recebida do sol aqui na Terra é parte 
integrante de uma combinação perfeita da quantidade de energia que recebemos 
do astro, com a capacidade da atmosfera de filtrar, absorver, converter, emitir e 
ainda de reter partes da energia solar de uma maneira muito singular que permite 
equilibrar e distribuir o calor ao redor do planeta.
Com isso em mente, devemos considerar que recebemos insolação ideal e 
resta à humanidade o comprometimento de contribuir com atitudes cotidianas em 
busca de manter a saúde da atmosfera, pois é possível compreender que alterações 
nos elementos que compõem nossa atmosfera podem resultar em alterações nas 
condições ambientais do planeta Terra. Com o que já foi apresentado desde os 
tópicos anteriores até aqui, é possível compreender que se a temperatura na Terra 
fosse mais alta poderia levar a água ao ponto de ebulição e fazer todo o líquido 
ferver, evaporando, ou seja trocando de fase, passando para forma gasosa. Ao 
mesmo tempo, também é possível refletir considerando que a energia solar que 
recebemos nos aquece o suficiente para não permitir que as temperaturas fiquem 
abaixo do ponto de fusão da água, o que solidificaria a água do planeta.
A abundância de água na superfície do planeta, bem como a maneira muito 
particular que a água se comporta em resposta às condições ambientais impostas 
pela dinâmica terrestre devem ser foco de atenção, pois a variação de alguns graus 
a mais, ou a menos na temperatura do planeta pode inviabilizar as condições 
para existência da vida no planeta. A insolação apesar de muito importante e 
mesmo fundamental, não é o único fator que cria a condição ambiental que temos 
no planeta Terra. Assim, a insolação atua com as características físico-químicas 
da água, que conferem o comportamento singular ao elemento; permitindo que 
exista água simultaneamente nas diferentes partes do planeta e nos três estados 
físicos, sólido, líquido e gasoso (CHRISTOPHERSON, 2012). 
Como destaca Suguio (2006, p. 15): “É preciso admitir que a formação 
das matérias componentes da Terra e as condições de sua origem tenham sido 
extremamente favoráveis à preservação de grande volume de água”. A distância 
entre o Sol e a Terra é suficiente para absorvemos energia solar em quantidade 
ideal, pois a insolação não é tão forte a ponto de vaporizar totalmente a água 
para o Espaço Sideral, nem o Sol está tão distante que a temperatura fique baixa 
o suficiente para que a água do planeta se congele totalmente. O efeito estufa 
deve ser considerado, pois assim como os oceanos atua namanutenção das 
temperaturas do planeta. A insolação desigual recebida no planeta aquece mais 
intensamente os trópicos do que os círculos polares, e as diferenças de temperaturas 
criam movimentos atmosféricos (CHRISTOPHERSON, 2012). Levando as águas 
continentais, das geleiras, além das águas presentes na atmosfera e na biosfera aos 
movimentos que influenciam diretamente a vida no planeta Terra. 
48
UNIDADE 1 — A ÁGUA
O acesso à água causa disputas em diversas partes do mundo, o papel 
geopolítico que um território rico em água tem no cenário internacional que as 
disputas por água são recorrentes na história. As reservas subterrâneas como o 
aquífero guarani que se estende ultrapassando fronteiras na América do Sul, ou a 
retenção artificial de água o que impede que os usuários a jusante possam utilizar 
a água, são exemplos que podem estar no centro de conflitos entre atividades que 
utilizam água. As questões de acesso a água, disponibilidade, qualidade, entre 
outros, podem ser discutidas por diversas perspectivas da geografia.
Na perspectiva física, a geografia busca o entendimento dos processos e 
dos sistemas naturais, ainda pela perspectiva geográfica o foco pode ultrapassar 
o entendimento dos processos físicos indo até a compreensão das interferências 
humanas e das consequências sociais, alcançando até mesmo a percepção dos 
processos geopolíticos. Dessa maneira, reafirmamos que os conhecimentos que 
envolvem a água são fundamentais a todo cidadão.
3 ÁGUA NO PLANETA TERRA
É comum encontrarmos análises geográficas que dividem o planeta em 
hemisférios Norte-Sul e Oriente-Ocidente. A divisão Norte-Sul, ocorrendo na linha 
do equador, que é perpendicular ao eixo de rotação do planeta e o divide em duas 
metades a Norte e a Sul. A linha do equador pode ser indicada como o principal 
paralelo da rede geográfica. Outra divisão comum é referência para os meridianos 
principais e a partir deles as longitudes. A divisão Oriente e Ocidente tem um caráter 
mais civil e político por dividir o planeta em porções Leste e Oeste, considerando 
que o meridiano de Greenwich é o delimitador, e a latitude zero, assim utiliza o fuso 
horário 0 (zero), pois o meridiano de Greenwich é referência civil para as horas, é 
o meridiano principal e o antemeridiano de Greenwich, ou seja, no meridiano 
exatamente oposto, está a referência para a linha internacional da data.
Entretanto, quando abandonamos a perspectiva mais tradicional e 
amplamente adotada e nos permitimos, mesmo que por apenas algumas reflexões, 
acompanhar a perspectiva oferecida por Christopherson, que ao mudar o ponto de 
vista conclui “De fato, quando se olha para a Terra de determinados ângulos, parece 
Com isso fica a reflexão sobre o modo de vida dos seres humanos, pois 
dependemos da água não apenas por razões orgânicas, como os demais seres vivos, mas 
também utilizamos água em diversos processos tecnológicos que desenvolvemos ao 
longo da história da humanidade, utilizamos água para irrigação das plantações, também 
transformamos a força da gravidade em energia mecânica com as antigas rodas d’água os 
antigos moinhos e avançando para geração de energia elétrica, além dos diversos produtos 
de consumo que levam água em sua composição.
DICAS
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
49
haver um hemisfério oceânico e um hemisfério continental” (CHRISTOPHERSON, 
2012, p. 177). Como é possível observar na Figura 10, onde Brewer (1890) já oferecia essa 
perspectiva de análise ao apresentar o planisfério “The Land Hemisphere and the Water 
Hemisphere”, quem em uma tradução livre seria algo como “O hemisfério continental 
e o hemisfério oceânico”, onde se percebe que um hemisfério é predominantemente 
oceânico e outro massa continental ocupando área muito maior.
FIGURA 10 – HEMISFÉRIOS OCEÂNICO E CONTINENTAL
FONTE: <http://etc.usf.edu/maps/pages/10800/10871/10871b.pdf>. Acesso em: 2 dez. 2020.
A tecnologia disponível, em especial as ferramentas de diversos sites da internet, 
dentre eles as ferramentas do Google Earth, permitem gratuitamente a visualização de 
diversas partes do planeta. É possível visitar as bacias hidrográficas, ou pontos turísticos 
ao redor do mundo, ao permitir o usuário controle para mover o globo terrestre que é 
visualizado na tela do computador, assim permite a visualização por uma perspectiva onde 
se torna possível perceber o hemisfério oceânico.
DICAS
Indo além da perspectiva de hemisférios continental e oceânico, tomamos 
uma análise da distribuição da porção de água, encontrada no planeta Terra 
entre os oceanos, continentes (superfície e subsolo) e atmosfera. Nos oceanos 
estão acumulados a maior parte de toda essa água, podemos assumir que quase 
toda a água do planeta Terra contém sais dissolvidos em quantidades elevadas 
que impedem o consumo. E essa conclusão vem apenas com duas informações: a 
primeira, de que os oceanos são salgados; e a segunda, obtida pela visualização do 
50
UNIDADE 1 — A ÁGUA
mapa do planisfério físico da Terra com uma observação em torno da dimensão 
dos oceanos. Após a leitura do mapa, é possível perceber que a maior parte da 
superfície do planeta é água.
FIGURA 11 – PLANISFÉRIO FÍSICO
FONTE: Adaptada de <https://cutt.ly/GhBERTQ>. Acesso em 23 out. 2020.
Como já sabemos, das águas do planeta apenas 2,92% (dois vírgula 
noventa e dois por cento) não são salinizadas, é essa pequena proporção que 
compõe a parte de água potencialmente própria para o consumo humano, é a 
porção das águas do planeta que denominamos de água doce, que na realidade, 
é uma água com baixa concentração de sais. O que não significa que essa porção 
de água está disponível para o consumo, pois apenas uma ínfima quantidade de 
água doce está disponível de forma direta para o consumo. Podemos observar na 
figura 12 que os maiores reservatórios das águas não oceânicas são as geleiras e 
as águas continentais (SUGUIO, 2006).
A maior parte dessa água está na forma sólida das geleiras, em seguida 
estão as águas subterrâneas, sendo que as águas dos lagos, umidade do solo, 
atmosfera, rios e organismos totalizam apenas 0,7% (zero virgula sete por cento) 
sendo ainda menor a porção de água disponível para consumo direto, que são 
denominadas de águas continentais. Podemos entender por águas continentais, 
todos os rios, os lagos e as águas subterrâneas (PRESS et al., 2006).
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
51
FIGURA 12 – DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA DOCE DO PLANETA TERRA
FONTE: Sperling (2006, p. 198)
Com isso precisamos considerar os lagos e os rios como fontes diretas 
de água e assim percebemos que apenas 0,016% das águas do planeta estão 
disponíveis para o consumo (SPERLING, 2006). Ainda em tempo, cabe destacar 
que, dessa parcela de 0,016% de água disponível estão incluídas as águas que se 
apresentam poluídas e dessa maneira pode ser muito menor o volume de água 
disponível efetivamente para a humanidade. Considerando que já é possível 
através das tecnologias conhecidas conter muito dessa poluição. Ao perceber a 
realidade fica a impressão de que não temos sido muito eficientes no que diz 
respeito a usos sustentáveis do planeta até o presente momento, exceto por alguns 
poucos exemplos, mas que passam a ser multiplicadores de boas práticas.
TABELA 2 – DISTRIBUIÇÃO DAS ÁGUAS NÃO OCEÂNICAS 
Parcela da água % da água não oceânica % da água do planeta
Geleiras 65,484 % 1,915230 %
Águas subterrâneas 33,791 % 0,988280 %
Lagos 0,564 % 0,016460 %
Umidade do solo 0,127 % 0,003660 %
Atmosfera 0,034 % 0,000950 %
Rios 0,003 % 0,000090 %
Organismos 0,003 % 0,000070 %
FONTE: Adaptada de Sperling (2006)
52
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Partindo agora do pressuposto da riqueza brasileira em relação à 
disponibilidade de recursos hídricos, o país se destaca pela descarga de água 
doce que atinge os 177.900 m3/s (cento e setenta e sete mil e novecentos metros 
cúbicos por segundo) que se somados com a descarga da Amazônia internacional 
que atinge 73.000 m3/s (setenta e três mil metros cúbicospor segundo) e assim 
correspondem a mais da metade da produção de água doce da América do Sul e 
cerca de 12% da produção mundial de água (REBOUÇAS, 2006).
Com relação à disponibilidade de água, sabemos da riqueza hidrológicas 
brasileiras, que é formada por muitos rios, e que estes abastecem as diversas 
populações. Muito se ouve falar da imensa hidrografia brasileira, da grande 
quantidade de água que existe, ou pelo menos imaginava-se que deveria existir. 
Quando a análise se dá em razão da disponibilidade per capita, o Brasil aparece 
apenas em 9° nono lugar dentre os países com maiores disponibilidades de água 
doce (SPERLING, 2006) 
Mesmo com o nono lugar, ainda temos considerável disponibilidade 
de água para abastecer as cidades e o campo. Todavia, será que essa riqueza 
natural tem capacidade de suportar demandas crescentes? Não só da produção 
agropecuária, mas da indústria, e das cidades. Muitas atividades dependem 
diretamente da disponibilidade de água para ocorrer produção, as cidades 
dependem de água, todos precisam de água de boa qualidade. Por isso a gestão 
adequada dos recursos hídricos é muito importante assim como os demais ciclos 
biogeoquímicos e geoquímicos.
Nossa espécie tem uma demanda crescente por água, primeiro porque a 
população mundial vem crescendo constantemente, somamos 7 bilhões de pessoas no 
mundo em 2011, em 2020 temos mais de 7,6 bilhões de pessoas no mundo até 2050 seremos 
9 bilhões, como a humanidade está se preparando para esse crescimento? Será que o nosso 
planeta irá suportar tantas pessoas? Além do número de pessoas, a demanda per capita de 
água também cresce em grande parte por conta de que cada vez mais a produção industrial 
e agropecuária cresce e, assim, necessita de mais água em seus processos produtivos, além 
da crescente escassez de fontes de água potável para abastecer a população, a indústria e a 
agropecuária. No Brasil, a situação ainda confortável, apesar das secas no sertão, da poluição, 
dos racionamentos esporádicos no abastecimento urbano, entre outros aspectos que 
diminuem o acesso a água de alguns. Contudo, quando buscamos conhecer a realidade de 
outras regiões do planeta, mesmo que através de matérias jornalísticas, sites de internet, ou 
através de pesquisas científicas publicadas em periódicos acadêmicos, perceberemos que a 
dificuldade de acesso a água, já causa graves conflitos em algumas partes do planeta, alguns 
são conflitos violentos, conflitos armados, por conta do acesso a água. A água é uma questão 
geopolítica, pois chega a ser motivo de guerra entre nações.
DICAS
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
53
4 O VOLUME DE ÁGUA NO PLANETA AO LONGO DO 
TEMPO GEOLÓGICO
No início da formação do planeta Terra não havia água, tão pouco atmosfera. 
Os estudos científicos apontam que na história da formação da Terra, grande parte 
da água tem origem alienígena, pois as evidências indicam que grandes cometas 
gelados e detritos planetesimais carregados de hidrogênio e oxigênio contribuíram 
de forma eficaz para o acúmulo atual de água na Terra (CHRISTOPHERSON, 2012).
A quantidade de água na superfície da Terra é regulada pelo equilíbrio 
entre a água que emerge do interior profundo das camadas internas do planeta 
que adiciona água ao sistema e os escapes de água para fora da atmosfera. Essa 
proporção vem se mantendo estável quando consideramos o último 1,81 (um milhão 
e oitenta e um mil de anos) do recente período Quaternário (SUGUIO, 2006). Na 
escala de tempo geológico, o período quaternário é o período mais recente, que se 
divide em épocas, sendo o Pleistoceno mais antigo do que o atual Holoceno, apesar 
de já surgirem discussões sobre se estamos ou não em um novo período geológico, 
o que não vamos discutir agora.
A origem da água na Terra está diretamente relacionada com a formação 
do planeta, ainda no primórdio Éon Hadeano, dois eventos marcam a evolução o 
planeta e foram determinantes para existência de água por aqui. Um é que devido 
ao resfriamento do planeta uma fina crosta se solidifica formando uma superfície 
sólida o que permite a formação dos reservatórios de água líquida, e o outro é a 
intensificação do campo gravitacional que passou a aprisionar gases formando uma 
atmosfera primitiva rica em dióxido de carbono, amoníaco, metano, nitrogênio e 
vapor de água (POPP, 2010 apud SCHWEITZER, SANTOS, 2018) Assim, a força da 
gravidade aprisiona os gases que formam a atmosfera, que por sua vez se constitui 
como um reservatório de gases com destaque para o vapor de água. Ao mesmo tempo 
que a solidificação da crosta compõe a formação de bacias de acumulação para água 
líquida, assim se forma a condição primordial na origem da água no Planeta Terra. 
Ao longo da evolução, quando a Terra já apresentava uma superfície sólida 
capaz de armazenar líquidos e com atmosfera capturada pela força da gravidade, 
a Terra pela fase do bombardeamento que foi um período de cerca de 500 milhões 
de anos no início do Éon Arqueano. Nesse período, muita massa proveniente do 
espaço sideral colidiu com o planeta, que incorpora esse material e passa a ganhar 
massa. Logo a força gravitacional se eleva devido ao aumento de massa, e assim 
o planeta seguiu evoluindo. No final Arqueano, uma massa de água líquida já se 
distinguia na superfície da massa continental, que deixou registros de erosão há 3,8 
bilhões de anos, e registros fósseis de 3,5 bilhões de anos atrás evidenciam as mais 
antigas formas de vida orgânica no planeta (PRESS et al.,2006). As formas de vida 
do planeta estão relacionadas diretamente com a presença da água, mas também 
com as condições atmosféricas, não só no que diz respeito a temperaturas, ventos, 
chuva, raios, mas principalmente por conta da concentração dos diferentes gases, o 
que então influenciam na condição climática do planeta.
54
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Cabe destacar que a quantidade de água não está diretamente relacionada 
com os problemas atuais referentes à elevação do nível médio dos mares, pois essa 
variação no tempo presente é referente a mudanças nas quantidades armazenadas na 
forma de gelo como destaca Torres (2014, p. 162): “Ainda que hoje a quantidade global 
de água na Terra seja igual à da era glacial, a quantidade congelada variou muito 
ao longo do tempo geológico”. Essas variações alteram os litorais, e considerando 
que as populações ao redor do planeta estão concentradas em áreas litorâneas uma 
subida do nível dos mares tem potencial para afetar bilhões de pessoas.
Os reservatórios naturais de água do planeta Terra são os oceanos, as 
geleiras, os aquíferos, os lagos, os rios, a atmosfera e a biosfera. Na totalidade, esses 
reservatórios comportam toda a água envolvida no ciclo hidrológico. Todavia 
os diferentes reservatórios apresentam fluxos de entrada e saída, denominados 
influxo e defluxo respectivamente. São influxos a carga pluvial e fluvial de água que 
chega ao reservatório e defluxos a perda de volume que ocorre principalmente por 
evaporação ou por defluxo fluvial, a duração da permanência da água no reservatório 
é denominada de tempo de residência da água (PRESS et al., 2006, p. 314).
Águas superficiais
A superfície do planeta é predominantemente coberta por água dos 
oceanos e em quantidades bem menores por geleiras. O escoamento superficial 
das águas que precipitam aplaina e modela a superfície do planeta através dos 
processos de intemperismo, erosão, transporte e deposição. As águas meteóricas 
são as águas da superfície do planeta que estão constantemente inseridas no ciclo 
hidrológico (SUGUIO, 2006).
Águas oceânicas
As águas oceânicas são salgadas por conta da grande quantidade de 
elementos dissolvidos, onde apenas seis elementos formam 99% (noventa e 
nove por cento) dos sais marinhos, e destes apenas o sódio (Na) e cloreto (Cl) 
representam cerca de 85% (oitenta e cinco por cento) do total de sais. O sódio (Na) 
e cloreto (Cl) formam o cloreto de sódio ou NaCl que conhecemos cotidianamente 
como sal de cozinha. Na água do mar a salinidademédia é de 35g/kg, ou seja, para 
cada 1kg (um quilograma) de água do mar existem 35g (trinta e cinco gramas) de 
sólidos dissolvidos nela, em geral a salinidade é expressa em partes por milhão 
(ppm), no caso da água do mar representa 35ppm (CARVALHO JUNIOR, 2014).
Na foz dos rios com os mares ocorre o encontro de massas de água com 
densidades diferentes, pois as águas salgadas têm maior densidade do que as 
águas dos rios, ditas “doces”, nesse encontro a água do mar mais densa fica por 
baixo, formando a cunha salina que pode adentrar muitos quilômetros em rios 
de planícies. Também é a diferença de densidade, por conta das variações de 
temperatura e salinidade que ocorre a circulação termo-halina, que é uma lenta 
corrente no fundo dos oceanos que realiza trocas de calor redistribuindo o calor 
absorvido e com isso se apresenta com papel fundamental na manutenção do 
clima do planeta (CHRISTOPHERSON, 2012).
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
55
As correntes superficiais dos oceanos estão relacionadas com a fricção 
gerada pelo movimento do ar. Assim, as correntes oceânicas são resultantes da 
inteiração na interface atmosfera-oceano, onde o arrasto do vento na água e a 
força de Coriolis, além dos movimentos decorrentes da diferença de densidade e 
da atração gravitacional das marés geram movimentos de massas de água, esses 
movimentos são influenciados ainda pelas formas dos continentes e pelo relevo 
submarino (CHRISTOPHERSON, 2012).
As forças astronômicas da atração gravitacional envolvendo o Sol, a Lua e a 
Terra resultam em movimentos de subida e descida do nível do mar. São movimentos 
que por vezes regem a vida das pessoas que vivem no litoral, em especial quando 
essas pessoas são ligadas à pesca ou à navegação. As oscilações do nível da maré é 
consequência direta da Lei da Gravitação Universal. Ocorre que a Lua ao se manter 
na órbita da Terra, também exerce certa atração gravitacional que resulta na atração 
das águas elevando o nível da maré. O Sol também tem influência na variação das 
marés, em especial quando o Sol, a Lua e a Terra estão alinhados e assim a atração 
gravitacional fica mais intensa e o resultando é a maior amplitude do nível da maré, 
que denominamos maré de sizígia (PRESS et al., 2006). O nível da maré é regido 
pela maré astronômica, mas é influenciado também pela maré meteorológica, que 
pode elevar ainda mais o nível das águas devido ao empilhamento de águas sobre 
o continente devido à direção que o vento empurra as águas, como também pelo 
deslocamento de uma zona de baixa pressão atmosférica. São fatores que produzem 
as marés de ressaca que atingem o litoral durante as tempestades e podem causar 
erosão e destruição de estruturas (PRESS et al., 2006).
Lagos e pântanos: reservatórios superficiais
Os lagos e represas formam reservatórios importantes de água doce. Lagos 
e lagoas não possuem uma diferença estabelecida, mas é importante não confundir 
com laguna. As lagunas se ligam ao mar, enquanto os lagos são corpos fechados que 
retém a água que recebem. Os reservatórios são estruturas artificiais de acumulação 
de água, a denominação de açude também é comum para esses reservatórios. O 
termo açude tem origem árabe as-sudd e significa represar a água, destaca o termo 
como resultante da influência dos mouros sobre os colonizadores portugueses que 
ingressaram na colonização do semiárido nordestino (REBOUÇAS, 2006). 
Um lago é uma depressão no solo originada por causas diversas, com 
formas, profundidades e extensões variadas, são abastecidos pelas águas do 
escoamento superficial dos rios afluentes, também pode dar continuidade ao 
escoamento por rios emissários, evitando o transbordamento. Os lagos estão de 
forma mais frequente localizados junto a montanhas e predominantemente no 
Hemisfério Norte, a gênese dos lagos pode estar associada a processos tectônicos, 
vulcânicos, residuais, de erosão, de barragem, mistos entre outros de menor 
ocorrência (GUERRA; GUERRA, 2015). 
56
UNIDADE 1 — A ÁGUA
A maioria dos lagos do planeta possuem origem glaciária, tectônica ou 
vulcânica. A maior parte dos lagos, são lagos glaciares, que ocupam os vales 
modelados por geleiras, são predominantemente encontrados, no Canadá, na 
Escandinávia e na Rússia, juntos somam 58% (cinquenta e oito por cento) da 
superfície lacustre da Terra (REBOUÇAS, 2006).
Os lagos tectônicos são formados por movimentações tectônicas podem 
ocupar as linhas de falha ou vales. São mais comuns nas áreas de terra firme da planície 
amazônica, nas proximidades da cidade de Manaus onde os lagos apresentam formas 
de ângulo reto denominados ‘joelhos de fratura’ (GUERRA; GUERRA, 2015). 
Uma bacia de subsidência também pode originar um lago, como ocorre 
na África. O lago Vitória que tem nas suas águas a tríplice fronteira entre Uganda, 
Quênia e Tanzânia, essa acumulação de água se dá em uma bacia de subsidência 
(REBOUÇAS, 2006).
Os pântanos são áreas planas com baixadas inundadas próximas a rios 
(GUERRA; GUERRA, 2015). O termo pântano ou alagado indica terras que 
apresentam abundância de água na superfície. Um bom exemplo é o Pantanal 
Mato-grossense, que apresenta uma importante área de terras alagadas na época 
das cheias. Os pântanos formam ambientes aquáticos lênticos, por conta do 
escoamento lento de suas águas.
Rios
Conforme Guerra e Guerra (2015, p. 543) o termo rio define uma 
“Corrente líquida resultante da concentração do lençol de água em um vale”; 
ou, ainda, como aponta Medeiros (2016, p. 273) os rios “... podem ser definidos 
como correntes contínuas de água, mais ou menos caudalosas, que percorrem 
determinada distância ao longo da bacia e desaguam no mar ou em um lago”.
Os rios podem ser abastecidos por águas pluviais, por fontes naturais, 
pelo degelo da neve e de geleiras ou ainda por um emissário de um lago 
(GUERRA; GUERRA, 2015). De maneira geral, os rios devem ser considerados 
como a resultante do conjunto de cursos de água que escoam na bacia hidrografia, 
então o volume de água de um rio principal é resultado da drenagem, que se 
inicia no menor dos cursos de água que recebe a drenagem superficial e escoa 
para as partes mais baixas do terreno. Com isso, os primeiros cursos de água 
vão ganhando volume e, conforme escoam, encontram-se com outros cursos de 
água, incrementando o fluxo, até ganhar volume suficiente para ser considerado 
um córrego, riacho ou rio. O volume da água aumenta com as confluências e, 
assim, surgem os pequenos córregos, que, por sua vez, seguem drenando a bacia 
hidrográfica, ganhando volume e se encontrando com outros cursos de água até 
desaguarem em um rio principal (PINTO et al., 1976). 
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
57
Classificação dos cursos d’água superficiais
Conforme o Manual de Geomorfologia do IBGE, a classificação dos canais 
fluviais pode ser realizada em função da geometria, em que a sinuosidade do 
curso de água é o principal parâmetro para denominação. Os canais fluviais 
podem ser classificados em função do padrão e características dos canais em 
retilíneo, anastomosado e meandrante (IBGE, 2009). 
A ocorrência dos canais retilíneos é bastante restrita, escoam as águas 
quase em linha reta, em geral estão associados a linhas do controle estrutural 
do embasamento ou quando ocorrem em depósitos do quaternário podem ser 
indicadores de movimentos neotectônicos (IBGE, 2009; MEDEIROS, 2016).
Os canais anastomosados são caracterizados por conta das sucessivas 
ramificações e reencontros dos cursos de água, dando origem a ilhas fluviais. 
Sendo que os canais meandrantes se esgueiram pela planície em sinuosas 
curvas, como se fosse um movimento de serpente, erodindo a margem côncava e 
depositando na margem convexa (IBGE, 2009; MEDEIROS, 2016, p. 285).
Quanto à frequência do escoamento
Rios perenes, segundo Guerra e Guerra (2015, p. 547), são “Cursos de água 
cujo leito menor está sempre transportando o deflúvio da bacia contribuinte”. 
Dessa maneira podemos entender por rio perene aquele quesempre apresenta 
algum fluxo na vazão do escoamento superficial, ou seja, correm águas 
constantemente em seu leito. 
Rios intermitentes são aqueles rios temporários, que na época das chuvas 
se enchem, drenando áreas que receberam a irrigação das chuvas depois de longa 
estação seca. Na época seca, os rios intermitentes secam completamente, como 
acontece com os rios do interior do nordeste brasileiro (GUERRA; GUERRA, 2015).
Os rios efêmeros são aqueles que drenam apenas o escoamento superficial 
e subsuperficial das chuvas no momento que acontecem, cessando o escoamento 
praticamente no momento seguinte ao que cessam as chuvas, ou seja, drenam 
áreas onde não existem nascentes de água (GUERRA; GUERRA, 2015).
Quanto à disposição dos canais
O padrão de drenagem proposto de Howard (1967 apud IBGE, 2009) trata 
da disposição dos cursos de água que formam a drenagem e classifica os canais 
conforme a disposição destes, em drenagem: dendrítica, pinada, paralelo, treliça, 
retangular, radial, anelar, além de combinações com variações diversas (IBGE, 2009).
Drenagem dendrítica se apresenta ramificada convergindo a um rio 
principal. Drenagem pinada, ou retangular, apresenta cursos de água com 
ângulos quase retos, formas relacionadas com a estrutura e a tectônica local. 
58
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Drenagem paralelo em geral ocorrem em vertentes íngremes. Drenagem em treliça 
ocorre quando rios que correm em paralelo recebem afluentes transversais, a 
drenagem retangular os ângulos da drenagem são quase retos, 90º (noventa graus) 
por influência de condições estruturais e tectônicas, drenagem radial é quando as 
nascentes estão próximas e se irradiam em todas as direções. A drenagem anelar se 
apresenta em uma geometria circular (MEDEIROS, 2016).
Quanto ao destino de drenagem
O padrão do escoamento de uma bacia de drenagem pode se diferenciar 
conforme o destino das águas. Quando as águas correm da nascente para o litoral direto 
em direção ao mar, podemos dizer que temos uma bacia com drenagem exorreica. 
Quando as bacias drenam suas águas para o interior de depressões, em desertos 
arenosos, lagos ou para o interior do continente que mais adiante encontrará um rio 
principal com destino à foz junto ao mar, a drenagem é denominada endorreica. Nas 
planícies, temos a drenagem arreica onde o relevo não possui inclinação suficiente 
para formar uma rede de drenagem. Existe ainda a drenagem criptorreica, que ocorre 
em bacias de características cársticas, que formam uma drenagem subterrânea através 
dos calcários (CHRISTOFOLETTI, 1974 apud MEDEIROS, 2016).
Águas subterrâneas: aquíferos
O conceito de água subterrânea deve ser entendido como toda aquela água 
“...que se infiltra nas rochas e solos, caminhando até o nível hidrostático” (GUERRA, 
GUERRA, 2015, p. 28). As águas subterrâneas são formadas ao longo do tempo pela 
lenta infiltração de água no solo constituindo reservas de água doce (RIGHETTO, 
1998). “A quantidade de água no subsolo é cem vezes maior que aquela dos rios e 
lagos, mas a maior parte dela não é utilizável porque contém grandes quantidades 
de material dissolvido” (PRESS et al., 2006, p. 314).
Todavia cabe ainda lembrar que apenas é possível o acúmulo subterrâneo 
de água, por conta da existência de rochas permeáveis que formam camadas 
interiores, que permite a retenção de água (GUERRA; GUERRA, 2015). As rochas 
permeáveis possuem interstícios, por onde a água consegue penetrar e ocupar os 
espaços vazios existentes na rocha. 
Os aquíferos podem ser diferenciados em relação a suas águas estarem 
confinadas, aquíferos cativos, ou não confinadas formando os aquíferos freáticos 
(GUERRA; GUERRA, 2015). Os aquíferos cativos estão confinados entre camadas 
impermeáveis em pressões distintas da pressão atmosférica (MARTINS, 1976). Os 
aquíferos cativos também podem ser denominados aquíferos confinados (Figura 
13), em geral são mais profundos.
Podemos distinguir os aquíferos em superficiais ou freáticos dos aquíferos 
profundos (RIGHETO, 1998). Os aquíferos freáticos são os de superfície livre, 
assim ficam sujeitos à ação da pressão atmosférica e sob influência direta da 
insolação e da precipitação (MARTINS, 1976). 
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
59
FIGURA 13 – TIPOS DE AQUÍFEROS E NÍVEIS DE PRESSÃO
FONTE: Adaptada de <http://jrborghetti.com.br/site/images/livros/integracaodasaguas.pdf>. 
Acesso em: 31 out. 2020.
Geleiras
Os geólogos consideram o gelo como uma rocha, pois se percebem 
características semelhantes entre o gelo e a rocha, ambos são minerais e formam 
cristais. Quando a água fluída se solidifica formando gelo, o que se percebe é 
um comportamento semelhante ao que ocorre na solidificação do magma para 
formação de rochas ígneas. Assim como a neve que também se comporta como 
sedimento e forma depósitos sedimentares na superfície, que se somam com 
novas camadas ao longo do tempo e com isso as camadas que vão se sobrepondo 
aumentam o peso exercido nas camadas superiores, ou seja as camadas superiores 
passam a exercer pressão nas camadas inferiores. Ainda, de forma semelhante às 
rochas metamórficas, por conta do peso das camadas superiores o aumento da 
pressão resulta na recristalização de camadas inferiores (PRESS et al., 2006).
Assim, gelo é rocha, formado por cristais de água que é um mineral, com 
uma característica marcante que é a temperatura do ponto de fusão do gelo ser em 
0 ºC (zero grau centígrado). Para recordar o que já vimos, fusão é a mudança da 
fase sólida para a fase líquida. Para comparação o ponto de fusão para levar ferro 
sólido ao estado líquido é de 1535 °C (um mil, quinhentos e trinta e cinco graus 
centígrados). Com isso, vimos que o comportamento do gelo pode ser entendido 
de forma semelhante ao comportamento das rochas e com essa perspectiva 
consolidada podemos agora entender as geleiras, que são descritas por Press et al. 
(2006, p. 388) como “... grandes massas de gelo na superfície que mostram evidência 
de estarem em movimento ou de terem se movido alguma vez”.
A formação de geleiras depende diretamente da temperatura, pois sabemos 
que em temperaturas maiores que 0 °C (zero grau centígrado) o gelo vira água 
e assim a geleira se desfaz. Com isso as geleiras estão localizadas em elevados 
60
UNIDADE 1 — A ÁGUA
vales nas altas montanhas onde, devido à altitude, mesmo em regiões tropicais, 
as temperaturas se mantêm abaixo de zero. Nas regiões polar e subpolar, nas 
altas latitudes, a insolação é menor, e com isso as temperaturas se tornam mais 
baixas e propícias à formação de geleiras. Contudo, não basta que a temperatura 
seja adequada para a formação e manutenção da geleira, pois o segundo fator 
determinante para a formação das geleiras é a quantidade de precipitação da 
umidade do ar na forma de neve, em quantidades suficientes para acumular e 
dar origem então à geleira (PRESS et al. 2006). As geleiras podem ser classificadas 
conforme seu tamanho e forma.
Geleira de montanha
As geleiras de montanhas são as acumulações de neve e gelo recristalizado, 
também pode ser encontrada a denominação de glaciar ou geleira alpina, por 
conta dos Alpes, a cordilheira existente na Europa Central, onde as geleiras de 
montanhas são comuns. A geleira de vale é um dos principais tipos de geleiras 
de montanha. Podemos entender as geleiras de vale literalmente como um rio 
de gelo, pois apesar de lento, o deslocamento da massa congelada existe, segue 
descendo o vale confinada entre as cabeceiras nas montanhas que formam o vale, 
por vezes, ocupa toda a largura (figura 14) e mesmo a totalidade vertical do vale 
e se move muito lentamente impulsionado pela força da gravidade.
FIGURA 14 – GELEIRA DE VALE PERITO MORENO, SANTA CRUZ, ARGENTINA
FONTE: <www.elcalafate.tur.ar/img/img-bnn/perito-slider.jpg>. Acesso em: 5 out. 2020.
As geleiras de vale se apresentam como potente agente da erosão, uma vez 
que se apresentam como transportadores muito eficientes e pouco seletivos, são 
capazes de transportar elevada quantidadede sedimentos sem selecionar o tamanho 
das partículas, podem transportar desde silte e argila até matacões e blocos de rocha 
(PRESS et al. 2006). Ao se mover a geleira altera a montanha, vale ou cânions, pois 
passa com alta capacidade de erosão e transporte, escavando o terreno original e 
transportando os detritos para outras partes (CHRISTOPHERSON, 2012).
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
61
Além da geleira de montanha que é a forma mais expressiva dentre as 
geleiras continentais, outras denominações para formas específicas de glaciares 
existem, mas não são expressivas no que diz respeito ao volume de gelo.
Geleiras continentais
As geleiras continentais são formadas por acumulação de gelo sobre 
grande parte de um continente. Acumulam o espesso lençol de gelo que pode 
ser denominado manto de gelo, ocorrem lentos movimentos impulsionados pela 
gravidade. O acúmulo de camadas de neve gera o gelo glacial que é resultado do 
processo de recristalização que ocorre devido à pressão exercida pelas camadas 
superiores. As geleiras continentais não estão restritas ao preenchimento dos 
vales, pois transpassam os vales que são completamente preenchidos e as terras 
continentais emersas que sustentam geleiras continentais são cobertas quase que 
totalmente pelo manto de gelo. Nas bordas do continente, o gelo avança sobre o 
mar originando os icebergs que são grandes blocos de gelo que se desprendem e 
seguem flutuando pelo mar (PRESS et al. 2006).
Os maiores mantos de gelo continental do planeta Terra cobrem a 
Antártica e a Groelândia. São tão enormes que a massa continental subjacente, 
ou seja, abaixo, está isostaticamente deprimida, por conta do peso do gelo 
que comprime fortemente o terreno abaixo (CHRISTOPHERSON, 2012). Na 
Groelândia, a espessura do manto de gelo pode ultrapassar 3.200m (três mil e 
duzentos metros), são 2.800.000 km³ (dois milhões e oitocentos mil quilômetros 
cúbicos) de gelo cobrindo 80% da Groelândia que tem área de 4.500.000 km² 
(quatro milhões e quinhentos mil quilômetros quadrados). Apesar das dimensões 
grandiosas a Groelândia fica pequena quando comparada com a Antártica que 
abrange uma área continental de 12.500.000 km² (doze milhões e quinhentos mil 
quilômetros quadrados). As grandes geleiras formam um domo na porção central 
que se inclina em direção as margens (PRESS et al. 2006).
FIGURA 15 – VISTA DOS POLOS SUL (ANTÁRTICA) E NORTE (ÁRTICO)
FONTE: <https://cutt.ly/ZhBUM0D>. Acesso em: 28 out. 2020.
62
UNIDADE 1 — A ÁGUA
As calotas polares são grandes sólidos, grandes extensões de gelo que 
ocorrem nos polos. No Norte é denominada calota de gelo, o Ártico é uma formação 
de gelo que permanece flutuando sobre o oceano no Círculo Polar Ártico. A calota 
polar antártica, ou seja, a calota que está no oposto do Ártico, é uma calota que 
se forma sobre um continente, por isso, na Antártica, a calota polar é uma geleira 
continental e o Ártico não.
Sobre a fragilidade das geleiras frente ao aquecimento do planeta Suguio 
(2006, p. 26) destaca:
As geleiras continentais corresponderiam a 2,15% da água terrestre e 
90% delas são encontradas no Polo Sul. A fusão total dessas geleiras 
elevaria o nível dos oceanos em cerca de 50 m., portanto, este é um 
problema importante, quando se encara o aquecimento global, como 
uma das consequências do efeito-estufa.
Água na atmosfera
Sabemos que a atmosfera é um dos reservatórios de água do ciclo 
hidrológico, também sabemos que a água pode se apresentar em três fases 
distintas, sólida, líquida ou gasosa, sendo que na atmosfera quando a água se 
apresenta nas formas líquida ou sólida já ocorreu a condensação e a precipitação 
se inicia em seguida. Todavia, quando a água está armazenada na atmosfera, 
sua forma é de vapor. A umidade do ar é a quantidade de água armazenada 
na atmosfera, em forma de vapor, a capacidade de reter umidade pode variar 
conforme a temperatura que em geral é a mesma do vapor de água e do ar 
(CHRISTOPHERSON, 2012).
Precisamos refletir, pois muito ouvimos falar sobre o aquecimento global, sobre 
o efeito estufa, muita informação por vezes confusas para compreender, primeiro ponto que 
é certo, o gelo não existe em temperaturas maiores que 0°C (zero grau centígrado), segundo 
o efeito estufa é natural, uma vez é a capacidade que a combinação de gases da atmosfera 
tem de reter parte do calor recebido do Sol e refletido pela Terra. Já o aquecimento global é a 
elevação das temperaturas médias da Terra. O que acontece é que o modo de vida atual dos 
seres humanos, com consumo excessivo de recursos naturais gera emissões elevadas de gases 
do efeito estufa, o que aumenta a concentração desses gases na atmosfera, que passa a reter 
mais calor, elevando as temperaturas do planeta. Então, o aquecimento global é a resultante de 
um processo natural que tem sido impulsionado pelo modo de vida dos seres humanos.
DICAS
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
63
5 PROCESSOS ADIABÁTICOS, DIABÁTICOS E GRADIENTE 
ADIABÁTICO
Os processos adiabáticos não envolvem trocas de calor, são resultantes da 
variação de temperatura que ocorre em reposta à diminuição da pressão, onde 
o ar ao subir sofre menor pressão e as moléculas se expandem resultando no 
resfriando. Por outro lado, quando o movimento do ar é de descida ocorre um 
processo diabático, onde o ar é aquecido por conta da compressão das moléculas 
que ocorre com o aumento da pressão conforme diminui a altitude da parcela do 
ar, nesse movimento descendente ocorre troca de calor (CHRISTOPHERSON, 
2012). Dessa maneira, os processos diabáticos e adiabáticos estão relacionados com 
a pressão que muda conforme a altitude. Assim, pode ser entendido que, quando 
o ar é ascendente, a pressão diminui a molécula se expande e resfria sem troca de 
calor, e quando o ar é descendente, a pressão aumenta conforme desce. Afinal, fica 
maior a coluna de ar que pesa sobre essa molécula. Com a pressão aumentando as 
moléculas vão sendo comprimidas elevando a temperatura, no processo adiabático 
ocorrem trocas de calor (CHRISTOPHERSON, 2012), ou seja, através de taxas de 
aquecimento e resfriamento se conhece a expansão ou compressão do ar.
Umidade do ar
A umidade reflete a capacidade do ar de manter o vapor de água, e essa 
capacidade varia em conjunto com a temperatura, as precipitações são resultantes da 
umidade acumulada no ar, ao atingir a saturação ocorre a condensação da umidade.
Nuvens e nevoeiro 
Sabemos que as nuvens e os nevoeiros são formados a partir da 
condensação da umidade do ar. O que muitas vezes resulta na construção de 
verdadeiras obras de arte no céu, encantadoras, que seguem sua evolução 
mudando de forma, algumas podem parecer lindas e delicadas, enquanto outras, 
podem ser maravilhosas e assustadoras ao mesmo tempo. As diferentes altitudes 
e condições de formação criam variados tipos de nuvens (figura 16), os nevoeiros 
podem ser entendidos como nuvens junto ao solo que criem restrição de 1km (um 
quilometro) na visibilidade (CHRISTOPHERSON, 2012).
A formação do nevoeiro indica ar saturado. A condensação do nevoeiro 
pode ocorrer por diferentes motivos, e pode ocorrer em conjunto a inversão 
térmica que é quando uma camada de ar mais quente se põe sobre o ar frio que 
está junto ao solo, com temperaturas próximas ao do ponto de orvalho. Também 
pode se formar por advecção quando o ar mais quente passa sobre massas de 
água frias, ou, ainda, nevoeiros de encosta formados pela ascensão orográfica do 
ar, ou nevoeiros de vale onde o ar resfria no fundo do vale até atingir o ponto de 
orvalho (CHRISTOPHERSON, 2012).
64
UNIDADE 1 — A ÁGUA
FIGURA 16 – TIPOS DE NUVENS 
FONTE: <https://cutt.ly/NhBIzsM>. Acesso em: 21 nov. 2020.
A classificação internacional de nuvens utiliza as nomenclaturas propostas 
por Howard, em 1803, que apresentou nomenclaturas em latim. A proposta de 
Howard atendeu de forma significativa à explicação sobre os tipos de nuvens, 
tanto que é utilizada até hoje para a descrição das nuvens, essa classificaçãodefine 
o tipo de nuvem conforme sua altitude e forma, que resulta em dez tipos básicos 
de nuvens (CHRISTOPHERSON, 2012). 
Quanto à forma das nuvens elas podem ser classificadas planas (stratus), 
flocos (cumulus) ou filamentosas (cirrus); essas formas se distribuem em 
diferentes altitudes constituindo quatro classes de altitude, nuvens altas (CH), 
nuvens médias (CM), nuvens baixas (CL) as nuvens com desenvolvimento vertical 
(CHRISTOPHERSON, 2012).
As nuvens altas (CH), na maioria, são nuvens cirriformes, filamentosas, 
formadas por cristais de gelo, estão muito altas na atmosfera, entre 6.000 (seis mil) e 
13.000 (treze mil) metros de altitude. A classe das nuvens altas tem três tipos de nuvens: 
Cirrus (Ci), Cirrostratus (Cs) e Cirrocumulus (Cc) (CHRISTOPHERSON, 2012).
As nuvens médias (CM) são compostas por água e gelo, se estabelecem 
entre 2.000 (dois mil) e 6.000 (seis mil) metros de altitude com formas variando 
entre planas (stratus) e flocos (cumulus). Formam três tipos de nuvens: Altostratus 
(As), Altocumulus (Ac), Nimbostratus (Ns).
As nuvens baixas (CL) estão distribuídas da superfície até os 2.000 (dois 
mil) metros de altitude, são compostas por água e se apresentam na forma de 
flocos globulares (cumulus) e planas (stratus), três tipos de nuvens se formam 
nessa classe: Stratus (St), Stratocumulus (Sc) e Cumulus (Cu) (Figura 16).
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
65
FIGURA 17 – NUVEM TIPO CUMULUS, SÃO BAIXAS, DE CONTORNOS NÍTIDOS, BASE PLANA, 
COMUNS EM DIAS DE TEMPO BOM
FONTE: O autor
A classe das nuvens com desenvolvimento vertical engloba nuvens inicialmente 
baixas, como os Cumulus (Cu), ou médias como Nimbostratus (NS), que evoluem ao 
acumular umidade extrapolando a camada original subindo na atmosfera. A nuvem 
Cumulonimbos (Cb) é o tipo que representa essa classe de nuvem. 
As nuvens baixas do tipo Cumulus podem evoluir passando a apresentar 
um desenvolvimento vertical na atmosfera que chega a alcançar os 13.000 (treze mil) 
metros de altitude, quando ocorre essa ascensão na atmosfera a nuvem cumulus deixa 
de ser um floco branco e passa a ter coloração mais escura em sua base quando passa a 
ser denominada cumulonimbos. As nuvens cumulonimbos se apresentam carregadas 
de água e gelo, podendo produzir precipitações intensas com chuvas torrenciais, 
granizo, raios e fortes ventos. Na parte superior, a nuvem se espalha formando um 
topo que pode apresentar forma de bigorna (CHRISTOPHERSON, 2012).
ATIVIDADE PRÁTICA: CRIANDO NUVENS DENTRO DE GARRAFAS
Objetivo: visualizar os processos diabático e adiabático na troca de estado físico 
na condensação e na evaporação.
Materiais: uma garrafa PET, uma rolha, uma bomba de ar com bico de encher 
bola, 30 ml (aproximadamente) de álcool.
 
ATENÇÃO: ao manusear álcool tenha certeza de estar longe de fontes de 
calor, fagulha ou faíscas, não utilize aparelho de telefone celular próximo a 
líquidos explosivos como álcool ou gasolina, também não mexa com fósforos 
ou isqueiros durante a realização da atividade. 
Método: a atividade pode ser realizada de forma individual ou em grupos de 
alunos, sendo que essa atividade passa pelas seguintes etapas:
66
UNIDADE 1 — A ÁGUA
• 1° Etapa: furar a rolha com o bico de encher bola, de modo que a ponta do 
bico atravesse a rolha ficando para dentro da garrafa quando tampada.
• 2° Etapa: colocar 30 ml de álcool na garrafa PET, tampar a garrafa com a 
mão e agitar intensamente por 40 segundos, cuidando para não derramar 
o álcool, essa etapa ocorre a evaporação onde parte do álcool deixa a fase 
líquida e passa para a fase gasosa de forma muito semelhante como ocorre 
com a água, mas ainda não é possível observar. 
• 3° Etapa: após ter agitado bem a garrafa, é necessário tampar imediatamente 
com a rolha de modo que a garrafa fique bem fechada e a ponta do bico 
fique para dentro da garrafa. 
• Atenção – na próxima etapa, mantenha o rosto longe da garrafa!
• 4° Etapa: utilize a bomba de ar para encher a garrafa com ar elevando a pressão 
interna. Quando a garrafa já estiver bem dura por conta da pressão interna, 
retire a rolha que tampa a garrafa e nesse momento ocorrerá a condensação 
do vapor que estava na garrafa e será possível observar uma nuvem se 
formando dentro da garrafa devido a diminuição da pressão. A diminuição 
da pressão faz o vapor condensar passando para fase líquida no processo 
adiabático que ocorre sem troca de calor em um processo semelhante ao que 
ocorre com o ar ascendente que condensa com a diminuição da pressão. 
• 5° Etapa: com a nuvem ainda dentro da garrafa, tampe novamente a garrafa 
com a rolha e outra vez utilize a bomba de ar para injetar mais ar para 
dentro da garrafa. Isso vai elevar a pressão, agitando as moléculas. Quando 
as moléculas se agitam também produzem calor, então ocorre o processo 
diabático que com o aumento da pressão, a temperatura se eleva e ocorre 
a troca de calor entre as moléculas e assim a nuvem irá se desfazer com o 
aumento da pressão fazendo o líquido das gotículas da nuvem passarem 
para a forma de vapor.
• 6° Etapa: toda atividade prática pede a elaboração de um relatório, 
assim, é recomendado a elaboração de relatório de atividade prática, com 
uma introdução que apresente a ideia da proposta e explique a teoria do 
experimento, apresente também a metodologia (materiais e métodos) da 
atividade, apresente os resultados obtidos e elabore uma breve discussão 
dos resultados apresentando algumas conclusões ou comparações entre o 
resultado esperado e o resultado obtido.
Para visualizar o experimento, faça uma busca na internet por vídeos com o 
título “criando uma nuvem na garrada”. Você pode criar o seu próprio vídeo 
demonstrando o experimento.
FONTE: <www.encurtador.com.br/gtCH4>. Acesso em: 20 nov. 2020.
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
67
A PROTEÇÃO DAS ÁGUAS: RECURSO NATURAL LIMITADO
Margarida Regueira da Costa
Alexandre Luiz Souza Borba
José Liberato de Oliveira
Henrique Rodrigo de Oliveira Pereira
Albino Ferreira de França
Conflitos de uso da água 
A partir da constatação de que a escassez é um limitador ao desenvolvimento 
vê-se que, assim como aconteceu com o petróleo no passado, a água pode vir a ser 
motivo de confrontos futuros em pelo menos cinco regiões do mundo. A tensão 
maior parece acumular-se entre Etiópia e Egito, pelas águas do Rio Nilo. Todavia, 
existem pelo menos outros quatro pontos potenciais de conflitos, na avaliação 
de entidades ambientalistas como The Worldwatch Institute: a região do Mar de 
Aral, na ex-União Soviética, e as bacias do Ganges, Jordão, Tigre e Eufrates.
Um outro exemplo de conflito é a zona do Altiplano ou Puna, uma vasta 
região que compreende Equador, Peru, Bolívia, Chile e Argentina, caracterizada 
por ser uma zona árida onde a escassez de água tem gerado tensões, bem como 
os recentes atritos entre Bolívia e Chile por um pequeno curso d´água conhecido 
como Silala. 
A água é o recurso mais precioso no Oriente Médio. A disputa pelas 
águas do Rio Jordão foi uma das principais causas da guerra de 1967. Enquanto a 
população da região aumenta, a água se torna mais escassa, agravando as tensões. 
Com a limitação crescente na oferta de água, a agricultura deve percorrer 
duas rotas alternativas para alimentar uma população cada vez maior na avaliação 
de especialistas: adaptar geneticamente as plantas para ambientes mais secos e 
aperfeiçoar ao máximo as técnicas de irrigação. 
LEITURA COMPLEMENTAR
No site da Organização Meteorológica Mundial está disponível o Atlas 
Internacional das Nuvens, com muitas fotos, vídeos e textos explicativos: https://cloudatlas.
wmo.int/home.html. 
Assim, como no site da Marinha do Brasil, você encontra um Atlas de Nuvens, com fotos e 
informações: https://www.marinha.mil.br/chm/views-dados-do-smm-atlas-de-nuvens.
DICAS
68
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Todavia, sabe-se que novos conflitos internacionais, motivados na disputa 
pela água, deverão aparecer nas próximas décadas. Crescem as previsões de que, 
em regiõescomo o Oriente Médio e a bacia do Rio Nilo, na África, a água substituirá 
o petróleo como o grande causador de discórdia. 
As Nações Unidas preveem que o acesso a água talvez seja uma das 
principais causas de conflito e guerra na África, nos próximos 25 anos. Em 1991, 
o Egito advertiu: “Sem Gestão dos Recursos Hídricos, o futuro será um lugar 
devastado e poluído, árido, com escassez de comida e de outros recursos vitais”. 
Para cerca de 55 milhões de pessoas que vivem na bacia do Mar de Aral, na Ásia 
Central, esse futuro aterrorizante é a dura realidade presente. 
O Brasil, apesar de ter uma situação de disponibilidade hídrica 
privilegiada (maior disponibilidade hídrica do planeta), correspondendo a mais 
da metade da água da América do Sul e a 13,8% do total mundial, somando-se 
a isto cerca de 2/3 de um manancial subterrâneo que corre por baixo dos países 
do Mercosul, o aquífero Guarani, com extensão superior à Inglaterra, França e 
Espanha juntos, apresenta problemas relacionados à disponibilidade hídrica 
intra e inter-regionais, sendo afetado tanto pela escassez quanto pela abundância; 
assim como também pela degradação causada em decorrência da poluição de 
origem doméstica e industrial. 
Enquanto a Região Norte possui água em abundância, concentrando 68 % 
dos recursos hídricos brasileiros numa área com apenas 7% da população, a Região 
Nordeste apresenta como característica a de possuir grande parte do seu território 
coincidindo em área de clima semiárido, com uma precipitação anual média na 
casa dos 900 mm, chegando próxima a 400 mm em algumas regiões. Nesta, além 
de uma elevada variabilidade na distribuição espacial e temporal das chuvas 
(sazonalidade interanual), existem limitações nas possibilidades de extração de 
águas subterrâneas, devido tanto à existência de rochas cristalinas, quanto ao fato 
dos solos serem rasos, esparsos e com pouca ou nenhuma vegetação (caatinga e 
cerrado), o que agrava os picos de cheias devido a incapacidade de reter a água da 
chuva, fazendo com que a mesma escoe rapidamente para os rios, além de altos 
índices de evapotranspiração. De acordo com o Banco Mundial (2003), é o maior 
contingente populacional vivendo em área semiárida do mundo, onde em muitas 
áreas rurais não existe um acesso garantido à água potável. 
Um agravante a toda esta situação é que os recursos naturais permanecerão 
os mesmos e a população da Terra duplicará em 41 anos, segundo Freitas et al. 
(1998). No Brasil, a Lei nº 9.433/97, ao traçar as linhas gerais quanto às prioridades 
para os usos da água estabelece que: “em situações de escassez, o uso prioritário 
dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais”. 
Água: um bem de domínio público no brasil 
A proteção jurídica das águas brasileiras sofreu grande mudança com a 
aprovação e sanção da Lei nº 9.433/97, que passou a considerar a água como um 
bem de domínio público, recurso natural limitado e dotado de valor econômico. 
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
69
O sistema jurídico, anterior à Constituição da República de 1946, 
denominava a água como bem público e particular. Em 1849, o Suprimento do 
Tribunal de Justiça do Império, proclamou que um ribeiro pertencia ao domínio 
particular (CRUZ, 1999). Também, em 1916, reconheceu as nascentes como sendo 
de propriedade particular. 
O Código Civil brasileiro, em vigor desde 1916, ao dispor sobre as águas, 
diz em seu Art. 565 que: “o proprietário de fonte não captada, satisfeitas as 
necessidades de seu consumo, não pode impedir o curso natural das águas pelos 
prédios inferiores”. 
Entretanto, é com o Código de Águas (Decreto nº 24.643, de 10 de julho de 
1934), que se tem importantes avanços jurídicos sobre as águas. Na verdade, foi ele 
o primeiro a legislar sobre a sua classificação e utilização. A esse respeito Granziera 
(1993) ensina que “o Código de Águas dispõe sobre sua classificação e utilização, 
dando bastante ênfase ao aproveitamento do potencial hidráulico que, na década 
de 1930, representava uma condicionante do progresso industrial que o Brasil 
buscava. Contudo, a evolução da legislação ambiental no Brasil veio demonstrar a 
necessidade de revisão do Código de Águas”. 
Esse diploma legal classificou as águas como públicas – que podem ser de 
uso comum ou dominical – comuns, particulares e comuns de todos. 
De acordo com o Art. 5 do referido Código são consideradas públicas, de uso 
comum, todas as águas situadas nas zonas periodicamente assoladas pelas secas. Já o 
Art. 3 do Decreto-Lei nº 852, de 11 de novembro de 1938, diz que “são públicas de uso 
comum, em toda sua extensão, as águas dos lagos, bem como dos cursos de águas 
naturais que, em algum trecho, sejam flutuáveis ou navegáveis por um tipo qualquer 
de embarcação”. E consoante ao Art. 6 do supramencionado Código “são públicas 
dominicais todas as águas situadas em terrenos que também o sejam, quando as 
mesmas não forem do domínio público de uso comum, ou não forem comuns”. As 
águas comuns, por sua vez, estão disciplinadas no Art. 7º dessa mesma Norma, como 
sendo “as correntes não navegáveis ou flutuáveis e de que essas não se façam”. 
Diferentemente são as águas comuns de todos. Estas são todas as águas 
que se destinem às primeiras necessidades da vida (Art. 34 do Código de Águas). 
Finalmente, as águas particulares também protegidas pelo Código de 1934, foram 
assim conceituadas: “Art. 8º – são particulares as nascentes e todas as águas situadas 
em terrenos que também o sejam, quando as mesmas não estiverem classificadas 
entre as águas comuns de todos, as águas públicas ou as águas comuns”. 
No tocante ao tratamento dado às águas subterrâneas pelo referido Código, 
do Art. 96 ao 101, nota-se que estas também poderiam ser apropriadas pelo particular, 
desde que não inutilizassem ou prejudicassem o uso da água localizada “abaixo da 
superfície”. E, para explotação dessas, não era exigida concessão administrativa do 
particular, salvo se a abertura desses poços se desse em áreas de domínio público.
70
UNIDADE 1 — A ÁGUA
Outras legislações posteriores ao Código de Águas foram editadas, 
entretanto, não houve grandes modificações a respeito do domínio das águas. 
Todavia, em 1945, com a publicação do Decreto Lei nº 7.841, ao disciplinar sobre 
as águas minerais, assim conceituou: “águas minerais são aquelas possuidoras de 
composição química ou propriedades físico-químicas distintas das águas comuns, 
com característica que lhes confiram uma ação medicamentosa (Art. 1º)”. 
Na Constituição de 1946, o domínio público das águas sofreu considerável 
mudança (inciso III do Art. 29 do Código de Águas), passando a pertencer à União e 
aos Estados-membros, retirando dos municípios qualquer domínio fluvial ou lacustre. 
Nesta, estabeleceu-se como competência de a União legislar sobre águas, permitindo 
aos Estados apenas legislar sobre essa matéria supletiva e complementarmente. 
A Constituição Federal promulgada em 1988, no que diz respeito ao domínio 
das águas, manteve como bens da União “os lagos, rios e quaisquer correntes de água 
em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites 
com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem 
como os terrenos marginais e as praias fluviais (Art. 20, III)”. Passaram a pertencer aos 
Estados “as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, 
ressalvadas, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União (Art. 26, I)”.
Com a edição da Lei nº 9.433/97, conforme Meirelles (1999), foram “revogados 
os dispositivos do Código Civil, que tratavam da reposição das águas entre vizinhos e 
os do Código de Águas que lhe forem contrários”, a exemplo do dispositivo referente 
às águas particulares. Esse é também o entendimento de Freitas et al. (1998) ao se referir 
à propriedade dos recursos hídricos na Constituição vigente: “o disciplinamento dado 
pelo constituinte não é compatível com os antigos conceitos previstosno Código de 
Águas (Decreto nº 24.643, de 10 de julho de 1934), que classificava as águas em: águas 
públicas, águas particulares e águas comuns. As águas serão sempre públicas”. 
Assim, os antigos proprietários de poços, lagos ou qualquer outro corpo de água 
deveriam se adequar ao novo regramento constitucional e legislativo passando à 
condição de meros detentores dos direitos de uso dos recursos hídricos, desde que 
obtenham a necessária outorga prevista na lei citada. 
Conflitos de uso da água em Pernambuco 
A forte escassez de chuvas ocorridas nos anos de 1998/99 agravou ainda 
mais as reservas hídricas do Estado. A falta de chuvas repercutiu não só nas lavouras 
e criações como também nos próprios reservatórios de abastecimento público. 
Por conseguinte, a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) se 
viu obrigada a determinar um grande racionamento num momento em que a 
demanda mais aumentava. Essa situação levou parte da população, a intensificar 
as perfurações de poços em seus prédios. 
Boa Viagem – bairro de Recife – é um exemplo da excessiva exploração dos 
recursos hídricos subterrâneos. Esses desregramentos vêm ocasionando problemas 
devido ao brusco rebaixamento dos níveis, com alterações negativas da composição 
hidroquímica das águas, necessitando a cada nova perfuração de profundidade 
superiores para alcançar água em quantidade e qualidade razoáveis. 
TÓPICO 3 — AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA
71
Na tentativa de minorar tais problemas o governo estadual (órgão gestor 
dos Recursos Hídricos), vem limitando a captação da água por poço a até no 
máximo 30 m (três/dia) no bairro de Boa Viagem. 
Por outro lado, a valoração econômica da água e a dificuldade em 
consegui-la com boa qualidade, tem incentivado empresas a explorar águas 
minerais. Mercado este altamente promissor devido ao preço que varia de R$ 
0,90 a R$ 5,50, em média, o garrafão de vinte litros. 
Ocorre que as águas classificadas como minerais são bem de domínio federal, 
regulamentadas por lei específica e controlada pelo Departamento Nacional da 
Produção Mineral – DNPM. Diferem, portanto, da água subterrânea não mineral 
que, como bem estadual, a este compete administrá-la. Dessa forma, os interessados 
em explorar água mineral devem requerer autorização ao órgão competente. A estes 
o Decreto nº 62.934 de julho de 1968 – aprova e regulamenta o Código de Mineração 
(artigo 29) e autoriza o DNPM a conceder área de pesquisa, para exploração de até 
50 hectares. Por essa razão, têm sido inevitáveis os conflitos entre os concessionários 
de águas minerais e os outorgados pelo órgão gestor de recursos hídricos estadual de 
água não mineral, pois as áreas concedidas pelo DNPM, em regra, não pertencem em 
sua totalidade, ao titular da concessão, mas sim, a vários outros com os mais diversos 
interesses, inclusive, o de explorar água para comercializar através de caminhão 
pipa. Nos rios e açudes estaduais a realidade não é diferente. Nesses, os conflitos 
mais comuns são entre as usinas de cana de açúcar e álcool e pequenos irrigantes. 
Conclusões 
O Brasil é um país privilegiado em recursos hídricos, tanto em quantidade 
quanto em qualidade. Mesmo avançando na proteção jurídica de suas águas, não 
consegue imprimir uma dinamicidade na regulamentação de suas normas e na 
estruturação de seus órgãos, responsáveis pelo gerenciamento. É preciso, dessa 
forma, investir na real implantação da outorga, na real cobrança pelo uso da água 
e, principalmente, em uma eficaz fiscalização desses mecanismos de controle. 
O Estado de Pernambuco, nos últimos anos vem trabalhando na instituição 
de uma política de recursos hídricos comprometida com o gerenciamento. Aprovou 
as Lei nº 11.426 e nº 11.427, ambas de 17.1.1997, regulamentadas pelos respectivos 
Decreto nº 20.269, de 24.12.1997 e 20.423, de 26.3.1998 que dispõem sobre a política e 
o plano estadual de recursos hídricos, institui o sistema integrado de gerenciamento 
de recursos hídricos e dá outras providências; e sobre a conservação e a proteção das 
águas subterrâneas, respectivamente. Implantou, em 1998, o sistema de outorga de 
direito de uso dos recursos hídricos, aprovou o plano estadual através do Conselho 
Estadual de Recursos Hídricos, e vem fomentando a participação da sociedade, na 
administração desses recursos, através dos Comitês de Bacias Hidrográficas e dos 
Conselhos de Usuários de Água.
FONTE: <https://aguassubterraneas.abas.org/asubterraneas/issue/view/1184>. Acesso em: 10 
nov. 2020.
72
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A hidrosfera acumula cerca de um bilhão e trezentos milhões de quilômetros 
cúbicos de água nos três estados físicos. 
• Apenas cerca de 3% ou 4% da água do planeta Terra não é salgada. 
• A água é fundamental para a biosfera, todos os organismos vivos dependem 
de água para sobreviver. 
• Com relação à Geopolítica, os recursos hídricos são pivôs de diversos conflitos, 
alguns diplomáticos outros bélicos, nações que disputam o acesso e o controle 
da água. 
• As interferências humanas afetam a qualidade e a quantidade de água 
disponível e assim manter o domínio dos corpos hídricos desde a montante é 
estratégico em muitas regiões do Planeta.
• Uma perspectiva interessante e pouco lembrada do planeta Terra é a divisão 
do planeta em hemisférios oceânico e continental. É possível diferenciar 
metade do planeta predominantemente oceânica e outra continental. Através 
dessa perspectiva é possível perceber a grande quantidade de água que está 
acumulada na superfície do planeta.
• Apesar da grande quantidade de água líquida na superfície da Terra, apenas 
0,7% está própria para consumo, e está distribuída nas águas continentais 
entre rios, lagos, água subterrâneas, geleiras e na constituição dos organismos 
vivos.
• Considerando apenas água disponível em fontes diretas para o consumo 
(rios, lagos e reservatórios artificiais) percebemos que apenas 0,016% de toda 
a água do planeta está disponível para uso.
• Os rios podem ser classificados em função do padrão de drenagem e das 
características dos canais, em função da frequência do escoamento, conforme 
a disposição dos canais ou em relação ao destino da drenagem.
• As águas subterrâneas se infiltram no solo e formam reservatórios, são os 
aquíferos e podem ser classificados em dois tipos, confinados ou freáticos.
• As geleiras são consideradas como rochas pelos geólogos, pois são formados 
pela cristalização das moléculas de água, na forma cristalizada do gelo a água 
pode constituir geleiras de montanha ou geleiras continentais.
73
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pensando em facilitar sua compreensão. Acesse o QR Code, que levará ao 
AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo.
CHAMADA
• Na atmosfera, a água é armazenada na forma de vapor e através do gradiente 
adiabático volta à forma líquida como gotículas suspensas no ar que podem 
formar nuvens, neblina ou nevoeiros e assim permanecer suspensa até 
precipitar.
• As nuvens são classificadas em função da forma e da altitude. Pela forma 
podem ser planas (stratus), flocos (cumulus) ou filamentosas (cirrus) e, 
quanto à altitude, são ordenadas quatro classes, altas, médias, baixas e com 
desenvolvimento vertical.
74
1 O planeta Terra possui grande quantidade de água distribuída na superfície 
da crosta, essas águas preenchem bacias oceânicas após escoarem por 
rios e canais. Com isso, grande parte da água do planeta Terra possui 
elevadas concentrações de sais, o que impede o consumo humano. Sobre a 
distribuição das águas no Planeta Terra, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Aproximadamente 57% de toda água do planeta Terra é salgada.
b) ( ) Em torno de 97% do volume total da água do Planeta é salgada.
c) ( ) Cientistas consideram 70% de toda água do planeta está imprópria 
para o consumo humano.
d) ( ) Os trechos com as maiores salinidades dos rios estão sempre a montante.
2 Os rios assumem formas que se encaixam no relevo,sempre seguindo 
pela menor altitude até encontrar o mar, conforme o tipo de relevo, a 
geomorfologia e a geologia, os canais por onde escoam os rios. Acerca do 
exposto, assinale a alternativa CORRETA:
( ) Canal retilíneo como o nome indica escoa sempre de forma retilínea ao 
litoral, por vezes, ocorre no Pantanal, sempre na época das cheias.
( ) O canal anastomosado apresenta ramificações e reencontros do curso 
d’água ao longo do canal, por vezes, forma ilhas fluviais.
( ) Meandrante é o tipo de canal que se apresenta na forma de meandros, 
ocorre apenas em rios de baixa energia em geral localizados em planícies, 
uma curiosidade é que nas curvas dos meandros ocorre ao mesmo tempo a 
deposição de sedimentos em uma das margens e erosão na margem oposta.
( ) Canais retilíneos são pouco comuns, suas águas escoam praticamente em 
linha reta, esse tipo de canal está diretamente relacionado com aspectos 
da geologia do local. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – F – V.
b) ( ) F – V – V – V. 
c) ( ) F – F – F – F.
d) ( ) F – V – V – F.
3 Os rios podem ser classificados por diferentes aspectos, dentre esses 
aspectos o tipo de drenagem é utilizado para classificar os rios conforme a 
disposição dos seus canais, pela frequência do escoamento e pelo destino 
da drenagem, com isso associe os itens, utilizando o código a seguir:
I – Tipo de drenagem. 
II – Frequência do escoamento. 
III – Destino da drenagem.
AUTOATIVIDADE
75
( ) Exorreica.
( ) Efêmero.
( ) Anastomosado.
( ) Intermitente.
( ) Meandrante.
Assinale a alternativa com a ordem CORRETA:
a) ( ) III – II – I – II – I.
b) ( ) III – II – I – I – II.
c) ( ) II – I – III – III – I.
d) ( ) I – II – III – II – I.
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REFERÊNCIAS
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Volume II: água. Barueri: Manole, 2014.
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Saúde. 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_
analise_agua_2ed.pdf. Acesso em: 24 out. 2020.
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Philadelphia: Cowperthwait and Company. 1890. Disponível em: https://etc.usf.
edu/maps/pages/10800/10871/10871b.pdf. Acesso em: 24 out. 2020.
CARVALHO JUNIOR, O. de O. Introdução à oceanografia física. Rio de Janeiro: 
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Tradução de Francisco Elizeu Aquino. 7.ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. 
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FROEHLICH, M. L. Física geral. Indaial: UNIASSELVI, 2011.
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Paulo: Blucher. 1976.
IBGE. Manual técnico de geomorfologia: manuais técnicos em geociências. 2. ed. 
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MAIA, D. J. Química geral: fundamentos. São Paulo: Pearson Prentice Hall. 2007.
MAIA, D. J.; BIANCHI, J. C. de A. Química geral: fundamentos. São Paulo: 
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relevo [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2016.
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77
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REBOUÇAS, A. da C. Água doce no mundo e no Brasil. In: REBOUÇAS, A. 
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ecológico, uso e conservação. 3. ed. São Paulo: Escrituras, 2006.
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TORRES, E. Química ambiental. Indaial: UNIASSELVI. 2014.
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79
UNIDADE 2 — 
ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender aspectos de caracterização e da análise de uma bacia 
hidrográfica;
• descrever aspectos da geomorfologia de bacias hidrográficas;
• conhecer sobre a distribuição mundial dos recursos hídricos;
• perceber a importância dos reservatórios subterrâneos naturais de água;
• diferenciar região hidrográfica de bacia hidrográfica;
• conhecer a divisão do território brasileiro em regiões hidrográficas.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO 1 – BACIAS HIDROGRÁFICAS
TÓPICO 2 – DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
TÓPICO 3 – DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
80
81
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Como analisar uma bacia hidrográfica? Primeiro precisamos conhecer 
o que é uma bacia hidrográfica, devemos então considerar que são formas da 
superfície terrestre. Com isso em mente, consideraremos ainda alguns conceitos 
da geomorfologia, bem como os princípios físico-químicos que fazem da água 
um dos principais agentes atuantes no processamento da evolução das formas 
e modelados da superfície terrestre. O entendimento da evolução do modelado 
terrestre se inicia no estudo das formas.
A análise de bacias hidrográficas tem como objetivo estudar suas partes 
(estruturas) e seu funcionamento, tendo em vista a gestão ambiental 
ou o planejamento da exploração da água (abastecimento, irrigação, 
hidroeletricidade, piscicultura etc.). Em geral, as análises se iniciam pela 
caracterização morfométrica de uma bacia hidrográfica (MEDEIROS, 
2016, p. 278).
A caracterização morfométrica da bacia hidrográfica descreve a hidrologia, 
a fisiografia, o tipo de solo e a geologia, porém para o melhor entendimento de 
uma bacia hidrográfica, também devem ser considerados o tipo de clima, de 
cobertura e usos do solo e da influência antropogênica (LINKE et al., 2019).
2 CONCEITO DE BACIA HIDROGRÁFICA
Ao refletir o que é bacia hidrográfica, podemos buscar a comparação com 
uma simples bacia de lavar roupa colocada na chuva, quando como resultado é 
esperado que ela se encherá com as gotas de chuva que venham a cair dentro dela. 
Assim, buscando o significado para o termo hidrográfica, o dicionário remete ao 
que é relativo à hidrografia, que tem significado relacionado tanto a informações 
sobre a topografia e batimetria de ilhas e litorais destinadas à navegação quanto 
ao significado do que diz respeito ao “estudo descritivo do elemento líquido do 
conjunto das águas correntes ou estáveis” (MICHAELIS, 2015, s.p.).
Completando a reflexão, temos ainda o termo bacia, que tem como significadoprincipal “[...] Recipiente redondo, pouco profundo, de borda largas, feito de metal, 
plástico ou outros materiais, usado para vários fins associados a lavagens com água 
e/ou outros líquidos [...]” (MICHAELIS, 2015, s.p.), e prossegue na descrição do 
significado “[...] Conjunto de vertentes que circunscrevem um rio ou mar interior 
[...]” (MICHAELIS, 2015, s.p.) para em seguida apresentar o termo significado junto 
à expressão Bacia hidrográfica como “Conjunto das terras drenadas por um rio e por 
seus tributários [...]” (MICHAELIS, 2015, s.p.).
TÓPICO 1 — 
BACIAS HIDROGRÁFICAS
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
82
Atualmente, a expressão bacia hidrográfica é reconhecida o suficiente para 
que ao buscar uma reflexão sobre o que o conceito significa, é provável que venha 
à mente do leitor algo que concorde com o apresentado anteriormente. Da mesma 
maneira o entendimento inicial a partir de uma perspectiva técnica apresentará 
entendimentos mais complexos, mas que partem dos mesmos significados. Como o 
significado de inicial de bacia hidrográfica que a descreve como o “conjunto de terras 
drenadas por um rio principal e seus afluentes” (GUERRA; GUERRA, 2015, p. 76). 
Diante do exposto, ainda em mente, cabe destacar que as expressões 
bacia de drenagem, bacia fluvial e bacia hidrográfica possuem um significado 
semelhante (GUERRA; GUERRA, 2015). Portanto, é possível encontrar as três 
denominações na bibliografia que trata do assunto. Também é possível encontrar 
o termo bacia de contribuição na bibliografia. Este, por sua vez, possui significado 
muito semelhante ao conceito de bacia hidrográfica e pode, inclusive, indicar a 
contribuição da drenagem de uma bacia hidrográfica inteira. 
Quando o ponto de interesse é a foz de um rio, o conceito também pode ser 
aplicado de forma mais específica em análises de seções determinadas em algum 
trecho de um curso de água no interior da bacia hidrográfica. Concordando com 
o apresentado por Pinto et al. (2017, p. 38) que definem “[...] bacia de contribuição 
de uma seção de um curso de água é a arca geográfica coletora de água de chuva 
que, escoando pela superfície do solo, atinge a seção considerada”.
Dessa maneira, a bacia de contribuição está relacionada a um local, e pode 
ser entendida como toda a área em que o escoamento drena as águas até o ponto 
de interesse e, assim, permite analisar trechos específicos da drenagem no interior 
da bacia hidrográfica, por exemplo: quando ocorre alguma coloração estranha 
ou mortandade de peixes em algum rio, para realizar a busca pelo poluidor, a 
bacia de contribuição desse ponto pode ser investigada para identificar a origem 
da poluição. Assim, a bacia de contribuição pode ser considerada tanto como a 
totalidade da área de uma bacia hidrográfica quanto pode ser considerada apenas 
uma determinada área a partir de um ponto dentro da bacia hidrográfica.
3 CARACTERIZAÇÃO DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA
As características de uma bacia hidrográfica estão relacionadas diretamente 
aos aspectos físicos, como os aspectos do relevo, da infiltração no solo, do escoamento 
superficial, da pluviosidade, da área e do volume drenado, da declividade dentre 
outros fatores físicos etc. Devemos ainda considerar o conjunto de aspectos humanos, 
como a ocupação e o uso do solo, que são reflexos da atuação da população, da 
economia e da política. Estes aspectos devem ser parte integrante dos estudos de 
caracterização de bacias hidrográficas, pois contribuem na configuração dos atributos 
que interferem na bacia hidrográfica, o que, inclusive, leva à reflexão de Medeiros 
(2016, p. 275) sobre o fato de que “Os estudos contemporâneos têm apontado para 
a necessidade de uma abordagem sistêmica e complexa das bacias hidrográficas, 
buscando sua compreensão com base em estudos integrados dos vários elementos”. 
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
83
A caracterização de uma bacia hidrográfica pela análise dos atributos 
físicos pode levar à detalhada descrição dos elementos que se distribuem em 
uma determinada área entre divisores de águas, que, por sua vez, delimitam o 
recipiente da precipitação em função da drenagem para o rio principal. Dessa 
maneira, cada bacia hidrográfica apresentará aspectos próprios que devem ser 
analisados individualmente na sua caracterização. Com isso, a bacia hidrográfica 
representa uma unidade geomorfológica fundamental para análise. Assim como 
IBGE (2009, p. 92) define
A bacia hidrográfica representa uma unidade de análise fundamental 
na geomorfologia por se constituir na superfície de coleta e recipiente de 
armazenagem da precipitação, configurando o sistema através do qual 
a água e os sedimentos são transportados para o oceano ou lago interior. 
Indo além dos aspectos geomorfológicos, buscando o entendimento 
ambiental, a bacia hidrográfica passou a ser utilizada como recorte espacial 
básico, uma vez que a interferência humana no uso e ocupação do solo gera 
consequências diretas sobre o ambiente da própria bacia hidrográfica. Assim, a 
análise para caracterização deve extrapolar os aspectos físicos e naturais atingindo 
o entendimento das dinâmicas econômica e social (IBGE, 2009)
Do ponto de vista físico, a perspectiva natural se volta para a 
caracterização dos aspectos da geomorfologia e hidrologia, como área, rede e 
padrão de drenagem, hierarquia fluvial, entre outros. Todavia, a perspectiva 
através dos aspectos humanos, social e econômico, também são importantes para 
o entendimento da bacia hidrográfica, uma vez que a intervenção sobre o meio 
físico muito provavelmente resultará em consequências locais, que podem atingir 
a população estabelecida na própria bacia hidrográfica, resultando em escassez 
e/ou poluição dos recursos hídricos. As intervenções podem ainda causar 
assoreamentos, desmoronamentos ou deslizamentos, configurando, por vezes, 
cenários propícios à ocorrência de enchentes, enxurradas ou soterramentos.
4 DELIMITAÇÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
Como sabemos, a bacia hidrográfica é considerada a unidade fundamental 
para análises ambientais e para fins de uma explicação simplista e superficial, que 
pode ser comparada a um recipiente de lavar roupa, que chamamos justamente 
de “bacia”, em que a delimitação natural ocorre por divisores de águas e pode ser 
comparada com a parte superior das bordas do recipiente. Com isso em mente, é 
possível entender, como divisores de águas, a linha que pode ser traçada entre os 
pontos mais altos do terreno e pode ser representado cartograficamente por uma linha 
que segue pelas maiores altitudes encontradas nos interflúvios. Assim, ao separar os 
vales, delimita a bacia hidrográfica, mas também pode delimitar sub-bacias.
Todavia, para um entendimento mais aprofundado sobre a delimitação de 
bacias hidrográficas, é preciso abordar o método desenvolvido pelo engenheiro 
brasileiro Otto Pfafstetter, que, apesar de não ter publicado de forma acadêmica 
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
84
ou científica, aplicou o método desenvolvido no Departamento Nacional de Obras 
de Saneamento (DNOS) para organização de arquivos, mais tarde foi empregado 
em um programa governamental de irrigação, ganhando destaque e sendo 
reconhecimento internacionalmente. A hierarquização das Bacias hidrográficas da 
América do Sul foi utilizada para descrever o método no artigo, nunca publicado, 
que consagrou internacionalmente Pfafstetter (AGÊNCIA NACIONAL DE 
ÁGUAS, 2014). O método propõe uma codificação hierárquica da bacia hidrográfica 
a ser analisada, a partir da hierarquização da rede de drenagem e com códigos 
que indicam detalhes como a topologia do terreno, que devem ser considerados 
em seus aspectos naturais. Assim, aplicar o método na hierarquização das bacias 
hidrográficas brasileiras, requer desconsiderar fronteiras políticas internacionais, 
como fez Pfafsteter (1989 apud AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS, 2014). 
FIGURA 1 – CODIFICAÇÃO DE BACIAS HIDROGRÁFICAS (NÍVEL 1 DA AMÉRICA DO SUL, 
PROPOSTA POR PFAFSTETTER,1989)
FONTE: Agência Nacional de Águas (2014, p. 47)
O geoprocessamento possui técnicas computacionais que envolvem 
hardwares e softwares com sistema de informação geográfica e processamento de 
imagens, que podem ser aplicados para execução de estudos em bacias hidrográficas, 
gerando o modelo digital de terreno, o que contribui nas análises da Bacia hidrográfica.
NOTA
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
85
5 CURVAS DE NÍVEL
As curvas de nível são isolinhas (ou linhas isométricas). Com isso em 
mente, é fundamental saber que são linhas traçadas entre pontos com algo em 
comum. No caso das curvas de nível, a linha une pontos com a mesma altitude 
no terreno e, assim, permite representar no plano a elevação do relevo. Assim as 
curvas de nível indicam a altitude ou a cota no terreno em cartas e plantas através 
de linhas com equidistâncias indicando as altitudes (GUERRA; GUERRA, 2015). 
Dessa maneira, quando observamos curvas de nível é importante ter em 
mente que, quanto mais as linhas estiverem próximas umas das outras, maior será a 
declividade do terreno. Por outro lado, quanto mais afastadas estiverem as isolinhas, 
mais suave é o relevo. Na Figura 2, temos como exemplo um recorte de uma carta 
digital de altimetria, onde é possível notar algumas linhas laranjas, vermelhas e azuis. 
As linhas azuis indicam os cursos de água, as linhas laranjas e vermelhas são curvas 
de nível, as linhas laranjas indicam distâncias verticais de um metro entre as linhas e 
as linhas vermelhas indicam distâncias vertical de 10 metros entre as linhas. Quanto 
mais próximas as linhas estão entre si maior é a declividade do terreno.
FIGURA 2 – EXEMPLO DE CURVAS DE NÍVEL
FONTE: Adaptada de <http://geo.pmf.sc.gov.br/>. Acesso em: 20 out. 2020.
6 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
O tipo de uso e ocupação do solo que acontece em uma bacia hidrográfica é 
determinante nos efeitos que se sucedem ao longo do tempo e afetam a população. A 
análise dos tipos de uso e formas de ocupação das bacias hidrográficas é determinante 
para a compreensão de problemas locais, compreensão dos conflitos e na busca por 
soluções. As ocupações humanas nas cidades resultam na impermeabilização do solo, 
grandes estradas asfaltadas, avenidas e ruas com indústrias, casas, prédios, calçadas, 
estacionamentos, basicamente concreto e asfalto impermeabilizando a superfície.
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
86
Quando o solo é impermeabilizado, o escoamento superficial fica mais 
intenso, pois sem a infiltração no solo a quantidade de água que passa a escoar 
pela superfície é maior e ao mesmo tempo a retilinização imposta pelas redes 
urbanas, deixando o escoamento mais reto, favorece o aumento da velocidade 
de escoamento (GUERRA; CUNHA, 2012). Assim, é possível entender que a 
urbanização pode elevar o volume de água que escoa pela superfície e, ainda, 
aumentar a velocidade desse escoamento. Por outro lado, existem tecnologias e 
conhecimentos em planejamento urbano que podem contornar situações de risco, 
porém exigem investimentos em infraestrutura pública.
Assim, podemos recordar de diversas cidades que por vezes sofrem 
com enxurradas. Se por um lado, de forma generalista muitas cidades não estão 
preparadas com equipamentos urbanos que tenham capacidade para a drenagem 
pluvial dos grandes volumes de chuva, por outro lado, temos a intervenção 
humana em favor desses acontecimentos, não só com as alterações nos padrões de 
escoamento, mas também contribuindo com entupimento da rede de drenagem 
que por si só já não possui capacidade de drenar os volumes elevados de chuvas 
concentradas nas tempestades. Outro ponto de atenção nas tempestades é quanto 
ao uso e ocupação do solo nas encostas, que, por vezes, resulta em deslizamentos 
e desmoronamentos, fatos que atingem diversas cidades brasileiras.
Alguns leitores podem fazer menção às tempestades intensas ou às 
elevadas temperaturas e incêndios como resultado das mudanças climáticas, 
mas sempre existem posicionamentos mais céticos que seguem a contestar 
alegando que as mudanças sempre ocorreram e são parte da dinâmica natural 
do planeta Terra. Indiferente aos fatores da mudança, o fato é que o planeta está 
se modificando de uma maneira que começa a impactar a população humana e 
de algumas outras espécies vivas também. Estamos presenciando ocorrências de 
eventos cada vez mais intensos, e, assim, as cidades precisam estar preparadas.
A preservação de uma bacia hidrográfica pode resultar em maiores 
estoques locais de água, para enfrentar épocas de escassez, assim como garantir 
a capacidade de drenagem dos canais para escoar facilmente as águas durante as 
chuvas mais intensas. No entanto, a participação comunitária é importante, pois 
materiais deixados ao relento, desde pequenos plásticos atirados ao chão, até móveis 
deixados em calçadas ou entulho de obra, colocado em terreno baldio, facilmente 
são transportados pelo escoamento superficial até os canais de drenagem. Esses 
materiais quando carreados até pontos de estrangulamento da drenagem onde se 
acumulam, podem reduzir ou mesmo interromper o fluxo escoamento, levando 
a inundações das áreas do entorno. Com isso, fica a tentativa de destacar que a 
educação tem papel fundamental no funcionamento das cidades, na preservação 
ambiental e na própria sociedade.
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
87
Não só nas cidades, a cultura influencia diretamente nas condições 
ambientais das bacias hidrográficas, as práticas no campo também podem ser 
prejudiciais os mananciais de água. Conforme Guerra e Cunha (2012, p. 420), “As 
atividades agrícolas e pastoris são responsáveis pela transformação paisagística em 
amplas áreas”. Como exemplo, as terras deixadas nuas, ou seja, com o solo exposto 
sem nenhuma cobertura vegetal, ou alterações na drenagem. O solo exposto fica 
mais propício a erosão, pois ao cair no solo, o impacto de cada gota de chuva já 
faz mover alguns poucos grãos do solo dando início ao transporte sedimentar e de 
grão em grão, acarreta erosão, cria ravinas, leva ao assoreamento de canais. 
O destacamento das partículas do solo pelas gotas de chuva pode ser 
avaliado conforme a proposta de Righetto (1998), que apresenta de forma bastante 
detalhada as equações matemáticas envolvidas nos cálculos, que considera a 
proporcionalidade aplicando em análises específicas, que levam à quantificação 
das partículas que se descolam do solo por conta dos impactos das gotas de 
chuva. Para isso, são considerados fatores como: o tipo de solo, as quantidades 
de areia, a argila, a matéria orgânica – além da declividade – a compactação, a 
resistência do solo, o diâmetro da gota, a energia cinética do impacto da gota, a 
duração da chuva, a distribuição das gotas de chuva, entre outros aspectos não 
menos importantes quanto aos demais já apresentados. Por vezes, a capacidade 
de destacamento das partículas é maior do que a capacidade de transporte dessas 
partículas, nesses casos as análises devem se estender ao longo do tempo.
A vegetação tem papel importante na conservação do solo, protege o 
solo do primeiro impacto da gota de chuva, e, assim, diminui o carreamento das 
partículas no escoamento superficial, também protege as margens dos rios contra 
a erosão. A vegetação nas margens dos rios é denominada mata ciliar, também 
delimitada como zona ripária.
O planejamento da gestão de bacias hidrográfica deve ter um viés 
de preservação ambiental pois um rio é o reflexo do ambiente que ele drena. 
Conforme Guerra e Cunha (2012, p. 429), “A realização dos estudos de análise 
ambiental, considerando as transformações possíveis em função dos projetos 
Em situações de enxurrada, procure um local abrigado, não tente atravessar 
fluxos de água, pois é muito perigoso, devido à água ser um excelente agente transportador. 
Uma pessoa é facilmente arrastada em um fluxo de água. Mesmo que seja na altura dos 
joelhos, o risco existe. Lembre-se: a água é capaz de transportar até mesmo grandes e 
pesados pedaços de rocha. Nascidades é comum que as enxurradas arrastem os carros e 
mesmo as pessoas. As ocorrências com vítimas fatais por arrastamento em enxurradas se 
tornaram rotineiras. Durante uma enxurrada, mantenha-se fora dos fluxos de água, procure 
um local abrigado, aguarde a enxurrada perder força e só saia quando as águas baixarem, 
evitando ao máximo andar por áreas alagadas.
NOTA
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
88
de uso do solo, nas suas diversas categorias, é exigência que se encaixa como 
medida preliminar, em face da política de desenvolvimento sustentável”. Essa 
política apresenta os estudos ambientais em diferentes etapas, que iniciam na 
fase de diagnóstico com estudos físicos, social e econômico, em seguida, em uma 
fase analítica e multidisciplinar, com uma abordagem holística, cria de cenários 
futuros, contudo, os aspectos geomorfológicos da bacia hidrográfica são de 
fundamental importância nas avaliações e análises.
7 ASPECTOS GEOMORFOLÓGICOS DAS BACIAS 
HIDROGRÁFICAS
O entendimento do escoamento superficial e suas trajetórias são 
fundamentais para o entendimento da bacia hidrográfica. A denominada 
vocação hidrológica compreende aspectos de todo o escoamento da bacia, 
tanto o escoamento superficial – que é mais rápido – quanto o escoamento em 
subsuperfície – que é mais lento –, ambos contribuem na descarga pluvial, que, 
por sua vez, reflete-se na recarga do manancial da bacia (GUERRA; CUNHA, 
2012). Logo após o início de uma chuva, ocorre a formação de fluxos de água que 
se constitui no próprio escoamento superficial e pode gerar dois tipos de fluxos: 
o fluxo de base e o fluxo de chuva. 
7.1 FLUXOS DE CHUVA: INFILTRAÇÃO NO SOLO E 
ESCOAMENTO
O fluxo de base é importante, pois alimenta os fluxos canalizados, inclusive 
nos períodos secos, com a água residente nos solos e rochas. São águas que 
infiltraram no solo em chuvas do passado de poucos meses até milhares de anos, 
conforme as características do reservatório de Guerra e Cunha (2012). Assim, o 
fluxo de base corresponde às águas que infiltram no solo e, algum tempo depois, 
entre meses e milhares de anos, voltam a abastecer o manancial, contribuindo na 
vazão ao longo de períodos secos. 
O fluxo de chuva tem início após algum tempo de chuva e, conforme 
Guerra e Cunha (2012, p. 137), “[...] é produzido com o excedente de precipitação 
em relação à capacidade de infiltração[...]”, pois, ao iniciar uma chuva, as primeiras 
gotas ao cair no solo seco infiltram no solo de imediato, até que o volume de 
chuva ultrapasse a capacidade de infiltração, quando tem início o escoamento 
superficial, que leva as águas por escoamento superficial até um canal de 
drenagem, que segue incrementando o volume do fluxo canalizado (GUERRA; 
CUNHA, 2012). Cabe destacar que fluxo canalizado deve ser entendido como o 
fluxo de base que aflora e mantém o nível do curso de água ao longo do tempo 
seco, devido à infiltração de chuvas pretéritas que, após infiltrar no solo, ocorre 
o escoamento subterrâneo até que a água retorne à superfície, ao atingir um dos 
canais de drenagem da bacia hidrográfica (GUERRA; CUNHA, 2012).
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
89
7.2 ORDEM DOS RIOS: HIERARQUIA FLUVIAL
Conforme Guerra e Guerra (2015, p. 338), a hierarquia fluvial é o:
Processo que consiste em estabelecer a classificação de determinado 
curso d’água ou da área drenada onde o mesmo está inserido, no 
conjunto total de sua bacia hidrográfica. É realizado com a finalidade 
de facilitar e tornar mais objetivos os estudos morfométricos (análise 
linear areal e hipsométrica) das bacias hidrográficas.
A ordenação dos canais fluviais se constitui como a primeira etapa a 
ser realizada na análise e classificação de uma bacia hidrográfica (GUERRA; 
CUNHA, 2012). A ordenação é estabelecida para determinar a hierarquia do rio. 
A partir do escoamento dos fluxos de chuva, os canais de drenagem que vão 
se constituindo em cursos de água e ganhando volume. De maneira geral, esses 
canais formam rios, estes primeiros rios que se formam escoam as águas de uma 
bacia de contribuição sem receber aporte de nenhum outro canal tributário, assim, 
são denominados de rios de primeira ordem.
Conforme os rios se encontram, a ordenação da hierarquia fluvial vai se 
sucedendo, seguindo o método do modelo de ordenação adotado. Podemos 
encontrar em distintas referências bibliográficas, como Medeiros (2016), Guerra e 
Cunha (2012) e Christofoletti (1980) a indicação aos dois métodos, ambos são de 
ampla utilização de Horton (1945) e Strahler (1952). Inicialmente, vejamos o modelo 
de ordenação proposto por Horton (1945), em que cada segmento de canal que não 
recebe nenhum tributário é considerado como rio de primeira ordem, sendo que 
apenas a partir da confluência entre dois segmentos de canais de mesma ordem é 
que o canal passa, a partir desse encontro, a ter uma ordem acima, mas ainda pode 
receber afluentes de ordem inferior (GUERRA; CUNHA, 2012). 
Dessa maneira, no método de Horton, somente após conhecer todas as 
confluências ao longo de um rio é que será definida a ordem do canal principal, 
pois o valor da ordem final será transferido para todos os trechos do canal, desde 
a foz até a nascente do tributário mais longo da bacia (CHRISTOFOLETTI, 1980). 
Assim, pela proposta de Horton, o canal principal leva em toda sua extensão o 
valor da maior ordem. 
Todavia, com a evolução dos estudos, Strahler (1952 apud 
CHRISTOFOLETTI, 1980) introduziu algumas alterações propondo uma 
hierarquização dos canais fluviais onde na ordenação os canais de primeira ordem 
são aqueles sem tributários quando dois canais de primeira ordem se encontram 
formam um canal de segunda ordem, quando dois canais de segunda ordem se 
encontram, formam um canal de terceira ordem. Todavia, na confluência entre 
um canal de primeira ordem com um canal de segunda ordem, o canal que 
segue após a confluência continuará de segunda ordem, uma vez que conforme 
a proposta de Strahler a ordem só cresce no encontro de canais de mesma ordem 
(CHRISTOFOLETTI, 1980).
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
90
Na Figura 3 é possível notar a diferença na distribuição da ordem dos 
canais fluviais nas propostas de Horton (Figura 3A) e de Strahler (Figura 3B). 
A principal diferença entre as propostas ocorre em torno do canal principal. 
Conforme a proposta por Horton, o canal principal terá apenas um valor de ordem 
na hierarquização fluvial, assim, a ordem na foz será considerada para todo o 
percurso do rio até a nascente, dessa maneira, a ordem de um canal principal em 
determinado trecho só é conhecido após toda a análise da bacia, uma vez que a 
cada novo tributário a hierarquia no canal principal precisa ser reordenada. 
FIGURA 3 – HIERARQUIA HIDROGRÁFICA, A) ORDENAÇÃO DOS CANAIS FLUVIAIS CONFORME 
HORTON. B) ORDENAÇÃO DOS CANAIS FLUVIAIS CONFORME STRAHLER
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1980, p. 107)
Enquanto na proposta de Strahler o canal principal é ordenado conforme 
as confluências ocorrem e, assim, partindo das nascentes todo curso de água sem 
tributários é considerado como de ordem um e, conforme as confluências entre 
canais de mesma ordem acontecem, a hierarquia fluvial vai se ordenando de 
forma crescente até a foz (CHRISTOFOLETTI, 1980).
Processos erosivos e assoreamento
A erosão de uma área poderá acarretar diretamente no assoreamento de 
outra área a jusante. Devemos ter em mente o grande potencial da água, tanto como 
agente do intemperismo – que atua na desagregação da rocha – quanto como agente 
transportador – removendo o material desagregado da rocha. Dessa maneira, a água 
tem forte atuação nos processos erosivos, todavia, algumas condições resultantes 
da intervenção humana ampliam a capacidade erosiva da água em determinadas 
condições. De certa maneira existem interferências das atividades. 
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
91
Fisiografia fluvial 
Cabe destacar que no escoamento superficial quando algo está a montante 
em um rio, significa queestá rio acima, ou seja, em direção à nascente, já quando 
se diz que está a jusante, é que está mais abaixo no rio, ou seja, está em direção 
à foz. A direção da foz é a direção da corrente do rio, é a partir da direção da 
corrente do rio, ou seja, do sentido da nascente para a foz, que se determina qual 
é a margem direita e qual é a margem esquerda de qualquer rio. Assim, para 
discernir qual é a margem esquerda e qual é a margem direita, deve ser tomada a 
perspectiva de quem desce o rio em direção a foz. Para melhor entendimento da 
descrição da fisiografia fluvial, a compreensão de alguns conceitos importantes se 
faz necessária, montante, jusante, nascente, talvegue, foz são elementos da bacia 
hidrográfica que devem ser entendidos (MEDEIROS, 2016).
Montante, conforme definição de Guerra e Guerra (2015, p. 438), “Diz-se 
do lugar situado acima de outro, tomando-se em consideração a corrente fluvial 
que passa...”. Num sentido de orientação em relação ao rio, está a montante tudo 
aquilo que se localiza rio acima, em cota superior, em direção à nascente; ou, ainda, 
como descreve Medeiros (2016, p. 277), a “Porção superior da bacia hidrográfica, 
onde ocorrem os primeiros cursos d’água ou nascentes do rio principal”. Assim, 
o conceito de montante pode fazer referência à parte mais elevada da bacia 
hidrográfica, próxima às cabeceiras ou nascentes dos rios, ou ser utilizado para 
indicar algo que está localizado rio acima.
Em contraponto, o termo jusante, no que diz respeito à orientação dentro da 
bacia hidrográfica em análise, é apontado como o oposto de montante, indicando o 
sentido da foz do rio, conforme definição de Guerra e Guerra (2015, p. 366) para jusante 
“... área que fica abaixo da outra, ao se considerar a corrente fluvial...” e completam 
“costuma-se também empregar a expressão relevo de jusante ao se descrever 
uma região que está numa posição mais baixa em relação ao ponto considerado” 
(GUERRA; GUERRA, 2015, p. 366). O entendimento do termo por Medeiros (2016, 
p. 277) indica a “porção mais rebaixada do terreno da bacia, onde ocorre a deposição 
final de suas águas antes de se depositar em outro rio, mar ou oceano”.
Assim, ao longo do rio entre a nascente e a foz, podemos ter como 
referência espacial e de direção os termos montante e jusante, o primeiro indica a 
parte superior da bacia hidrográfica, tudo que está “a montante” está no sentido 
de acima no rio, enquanto o que está “a jusante” está rio abaixo, em direção a foz 
do rio (MEDEIROS, 2016).
Nascente, conforme descrição de Medeiros (2016, p. 277), indica o “Local 
de início de um curso d’água, caracteriza-se pelo lugar de maior altitude desse 
curso...”. Nascente, cabeceira, são termos que possuem o mesmo significado e é 
definida como uma “área onde existem olhos d’agua que dão origem a um curso 
fluvial” (GUERRA; GUERRA, 2015, p. 97). Dessa maneira, uma única fonte de 
água, mina de água ou olho d’água podem caracterizar uma nascente, sendo ainda 
importante entender que as cabeceiras de um rio, em geral, são formadas por um 
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
92
conjunto de nascentes. Trata-se “não é um ponto e sim uma zona considerável da 
superfície terrestre” (GUERRA; GUERRA, 2015, p. 444). Aqui cabe destacar que 
uma fonte de água é onde brotam (ou nascem) águas e dessa maneira o termo no 
plural, fontes, é sinônimo de cabeceira (GUERRA; GUERRA, 2015).
Talvegue significa “o caminho do vale”. É por onde escoam as águas, 
formando a “Linha de maior profundidade no leito fluvial” (GUERRA; GUERRA, 
2015, p. 595). É resultante do encontro em declive de superfícies convergentes que 
formam os vales. Um vale em V apresenta um talvegue, enquanto vales não tão 
encaixados ou em relevos mais suaves podem apresentar mais de um talvegue, 
a morfologia do talvegue é estudada a partir do traçado que liga os pontos mais 
profundos de um vale, por onde escoam as águas das vertentes (GUERRA; 
GUERRA; 2015). Considerando o que apresenta Medeiros (2016), talvegue é a 
linha sinuosa formada na interseção entre dois planos de vertentes, é a linha do 
fundo do vale por onde escoam as águas.
A foz de um rio é o local mais baixo, é a jusante. Trata-se da desembocadura 
do rio (MEDEIROS, 2016). Conforme Guerra e Guerra (2015, p. 287), foz é a “boca 
de descarga de um rio. Este desaguamento pode ser feito no mar, num lago, 
numa lagoa, ou mesmo num outro rio”. A foz de um rio pode ser classificada em 
dois tipos, estuário ou delta. Os estuários formam um canal longo e afunilado 
na foz, enquanto os deltas formam ilhas com canais e braços de mar entre elas 
(GUERRA; GUERRA, 2015).
Leito
Conforme a definição de Guerra e Guerra (2015, p. 386), leito fluvial é 
o “canal escavado pelo talvegue do rio para o escoamento dos materiais e das 
águas”. Leito é todo o espaço ocupado pelo rio, desde a área ocupada pelo fluxo 
do rio no período mais seco, até as áreas ocupadas pelas águas nas enchentes, 
excepcionalmente nos períodos mais cheios (MEDEIROS, 2016). 
Ou seja, o leito fluvial é o espaço por onde escoam as águas. Conforme 
os volumes e frequências das chuvas ocorrem, modificações se impõem sobre 
as feições geomorfológicas e se refletem na topografia dos canais. A erosão das 
margens e o assoreamento dos canais são processos físicos de transformação 
dos rios. O leito do rio apresenta características resultantes da inteiração do 
fluxo da água com a geologia local e, assim, moldam a drenagem superficial. 
Sendo ainda que o leito fluvial pode ser classificado como leito de vazante, leito 
menor, leito maior sazonal e leito maior excepcional (GUERRA; CUNHA, 2012; 
CHRISTOFOLETI, 1980.
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
93
FIGURA 4 – OS LEITOS FLUVIAIS
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1980, p. 83)
Outra referência ao volume do rio é o leito ordinário, que indica as águas 
que escoam com um volume intermediário entre o leito maior e o leito menor 
(MEDEIROS, 2016). O leito de vazante está inserido no leito menor, é a parte 
do canal por onde escoam as águas durante a estiagem no período mais seco 
do rio e segue a linha da maior profundidade, ou seja, segue o talvegue do rio 
(CHRISTOFOLETTI, 1980).
O leito menor é a parte do canal onde o fluxo constante de água impede 
o crescimento de vegetação, sendo bem delimitado por margens definidas, 
podendo conter depressões, formando trechos mais profundos, seguidos por 
deposição dos sedimentos erodidos em trechos a montante, deixando o rio mais 
largo e menos profundo. É comum nesses trechos que o fluxo de água, ao sentir 
a resistência do fundo, fique agitado, tornando-a esbranquiçada. Esses trechos 
podem ser denominadas de rifles em estudos de geomorfologia, todavia, são 
denominados de “umbrais” por Christofoletti (1980).
Outra área integrante do leito fluvial é o leito maior sazonal, esta parte 
do leito está geralmente emersa, ou seja, acima da água, ficando submersa 
periodicamente durante as cheias anuais (CHRISTOFOLETTI, 1980). São áreas 
que têm grande valor na história das civilizações humanas, uma vez que as cheias 
periódicas colaboram para a fertilidade do solo ao depositar e ciclar elementos. 
São chamadas também de planície de inundação, e foram áreas naturalmente 
propícias para o desenvolvimento da agricultura. Contudo, quando as águas do 
rio ultrapassam o leito maior, ocorrem as enchentes. Nessas situações, os rios 
ocupam o leito maior excepcional. (CHRISTOFOLETTI, 1980).
O que diferencia o leito maior sazonal do leito maior excepcional é que 
a subida das águas dentro do leito maior sazonal ocorre de forma rotineira, a 
cada estação chuvosa as águas sobem. Enquanto que o leito maior excepcional é 
tomado pelas águas apenas quando as chuvas acumuladas são maiores do que 
a capacidade de drenagem do canal fluvial, levando as águas a extrapolarem as 
margens do leito maior periódico ocasionando as enchentes que ocorrem em 
intervalos irregulares (GUERRA; GUERRA, 2015; CHRISTOFOLETTI, 1980).
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS94
7.3 CANAIS: RETILÍNEOS, ANASTOMOSADOS, MEANDRANTES
Uma bacia hidrográfica pode apresentar os três tipos de padrão de canais 
no mesmo rio. Os canais podem ser classificados conforme a geometria de cada 
trecho, pois a fisionomia do canal no ajuste com a superfície reflete os padrões 
de descarga líquida, carga sedimentar, declive, largura, profundidade do canal, 
velocidade do fluxo e rugosidade do leito do rio. Assim, conforme as condições 
específicas ao longo de um rio, diferentes tipos de canais podem se formar 
(GUERRA; CUNHA, 2012).
Os canais naturalmente retos ou retilíneos (Figura 5), geralmente, são 
pouco frequentes, com exceção dos canais que se formam sobre linhas tectônicas 
(fraturas, diaclases ou falhas) e dos canais de planície que seguem entre cordões 
arenosos. Todavia, um canal reto não requer um talvegue igualmente reto, 
podendo um mesmo trecho de rio se apresentar anastomosado em seu leito 
de vazante e passar ao padrão meandrante com a subida das águas e o retorno 
ao leito ordinário (GUERRA; CUNHA; 2012). Assim “um setor do rio pode ser 
anastomosado em período de ausência de chuva, quando há um excesso de carga 
sólida em relação à descarga, e exibir a fisionomia meandrante nos períodos de 
cheia” (GUERRA; CUNHA; 2012, p. 214).
FIGURA 5 – CANAL RETILÍNEO 
FONTE: Medeiros (2016, p. 286)
Um canal anastomosado (Figura 6) está relacionado com o grande 
volume de carga sólida, ou seja, sedimentos, que estão sendo transportado pelos 
fluxos mais intensos e se movem rio abaixo conforme a quantidade de chuvas. 
Por conta do grande volume da carga sedimentar em relação às águas, vários 
canais se formam seguindo um mesmo curso, com ramificações, subdivisões e 
reencontros que formam ilhas assimétricas e barras arenosas pelo trajeto por 
onde escoa o rio. O perfil transversal de um canal anastomosado em geral será 
um canal raso, largo, um pouco simétrico, com presença de ilhas e talvegues que 
seguem migrando conforme transportam sedimentos das margens. As variações 
no volume de água drenado se refletem na topografia irregular dos canais com 
cavidades e protuberâncias (GUERRA; CUNHA, 2012).
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
95
FIGURA 6 – CANAL ANASTOMOSADO
FONTE: Medeiros (2016, p. 286)
As sinuosidades são a maior referência para a forma dos canais meandrantes 
e, em geral, ocorrem em áreas úmidas com vegetação ciliar, por onde o escoamento 
serpenteia formando meandros com sinuosidades resultantes do um vasto conjunto 
de fatores, como a carga e a granulometria dos sedimentos, a declividade terreno, o 
volume e regularidade dos fluxos, entre outros fatores (GUERRA; CUNHA, 2012). 
O termo meandro, conforme Guerra e Guerra (2015, p. 417), remete a “sinuosidades 
descritas pelos rios, formando, por vezes, semicírculos, em zona de terrenos planos, 
sendo então, chamados de meandros divagantes”. Podem ocorrer ainda meandros 
abandonados e meandros encaixados na paisagem das planícies.
Você sabia que os meandros são formas móveis, pois estão em processo 
contínuo de erosão e deposição sedimentar? Os meandros estão propícios a mudar de 
forma por conta dos processos de erosão, transporte e deposição sedimentar. Pode ocorrer 
de um meandro ser abandonado pelo curso d’água, originando então um corpo de água 
fechado em forma de ferradura, que são denominados de meandros abandonados.
NOTA
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
96
FIGURA 7 – A SINUOSIDADE DO MEANDRO, CRIA DIFERENTES FEIÇÕES DENTRO DOS MEANDROS
FONTE: Medeiros (2016, p. 286)
Tipos de drenagem
Considerando a bacia hidrográfica com um todo, o declive é função 
inversa da vazão, uma vez que em direção a foz o rio ganha volume e o declive 
diminui (HORTON, 1945 apud MEDEIROS, 2016). Com isso, podemos afirmar 
que quanto mais próximo à foz, maior será o volume de água escoada pelo rio. 
O escoamento, conforme a proposta de Christofoletti (1974 apud MEDEIROS, 
2016) é classificado em quatro classes de drenagem e nominadas conforme o sentido 
do escoamento: exorreica, endorreica, arreica e criptorreica.
A drenagem exorreica é aquela em que o escoamento da bacia hidrográfica 
segue diretamente em direção do mar. Enquanto a drenagem endorreica tem como 
característica a direção do fluxo do escoamento seguir o interior do continente, ou 
mesmo para depressões como um lago, ou um deserto. A drenagem do tipo Arreica 
se dá sem nenhum tipo de estruturação da drenagem dentro da bacia hidrográfica. 
Também existe a drenagem criptorreica, que ocorre em bacias subterrâneas 
(MEDEIROS, 2016)
Além da classificação, conforme a direção do escoamento, a disposição dos 
canais apresenta padrões de drenagem. Na tabela a seguir estão apresentados e 
descritos os padrões, conforme a proposta de Christofoletti (1974 apud MEDEIROS, 
2016, p. 282-285).
TABELA 1 – PADRÕES DE REDE DE DRENAGEM FLUVIAL
Padrão Esquema do padrão Descrição do padrão
Retangular
Apresenta ângulos próximos de 90° (noventa 
graus), que dá um aspecto ortogonal para 
a Bacia. Geralmente, são associadas à 
estrutura geológica e atividade tectônica.
TÓPICO 1 — BACIAS HIDROGRÁFICAS
97
Dendrítico
Os canais do escoamento estão dispostos 
de maneira ramificada, semelhante a 
ramificações de galhos de árvores.
Anelar
Com geometria circular, que remete à 
forma de anéis, ocorre tipicamente em 
domos, de rochas ígneas, geralmente 
félsicas a ultramáficas, e relaciona-se com a 
drenagem radial.
Paralelo
Padrão característico de vertentes com 
declives acentuados, apresentam poucas 
ramificações e canais dispostos de forma 
paralela.
Radial
Quando diferentes rios nascem próximos 
uns dos outros e escoam para diferentes 
direções, temos o padrão radial, que pode 
ainda ter duas configurações, conforme 
o embasamento sobre o qual o rio escoa, 
sendo radial centrífuga ou radial centrípeta.
Treliça
Ocorre geralmente em bacias compostas 
por rios que correm de forma paralela, que 
recebem afluentes que chegam de direção 
transversal, próximas de 90° (noventa graus).
FONTE: Medeiros (2016, p. 282-285)
Talvegue
Nos rios, o talvegue coincide com a parte mais profunda do leito de 
vazante. O talvegue é uma linha sinuosa também conhecida por fundo de vale, é 
formada pelo encontro de duas vertentes, onde as águas do escoamento superficial 
se encontram formando um canal (MEDEIROS, 2016). 
Vazão
A vazão é o volume de água que escoa em um rio. Para determinar a vazão 
de um curso d’água é preciso diferenciar vazão nominal que é o fluxo ordinário 
do rio em determinada seção, da vazão de inundação, que é quando o volume 
que escoa ultrapassa a capacidade do leito ordinário. A vazão deve ser expressa 
em m3/s (metro cúbico por segundo) e fazer referência ao tempo considerado, 
seja em segundos, horas, ou mesmo dias, por exemplo. Existe ainda a aplicação 
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
98
do conceito sobre o termo vazão específica, que faz referência à relação entre a 
vazão e a área da bacia hidrográfica e deve ser expressa em l/s/km² (litros por 
segundos por quilometro quadrado) (PINTO et al., 2017).
7.4 ZONA RIPÁRIA: ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL
As zonas ripárias são áreas de saturação hídrica, encontradas nas cabeceiras e 
ao longo das margens dos rios, possuem importante função ecológica e hidrológica, 
contribuindo na resiliência dos cursos d’água, tanto pelo ponto de vista ecológico 
quanto pelo ponto de vista geomorfológico, pois todo um ecossistema se desenvolve 
criado por conta das características da vegetação e das inteirações biológicas que 
ocorrem na zona ripária, além de promover a estabilidade das margens (ATTANASIO 
et al. 2012). Assim, Kobiyama (2003, p. 1) destaca que “Zona ripária é definida como 
um espaço tridimensional, que contém vegetação, solo e rio”. Sendo importante 
destacar que a mata ciliar é a vegetação característica da zona ripária.
99
Neste tópico, você aprendeu que:
• A análise de uma bacia hidrográfica deve iniciar pela revisão dos aspectos da 
geomorfologia, da evolução da superfície daTerra na busca pelo entendimento 
das partes que integram a bacia, incluindo desde caracterização morfométrica 
e aspectos climáticos até a influência humana.
• Os limites de uma bacia hidrográfica são delineados pelos divisores de água.
• O conjunto de terras drenadas para um mesmo rio é a própria área da bacia 
hidrográfica. 
• Os termos bacia de drenagem, bacia fluvial possuem significados semelhantes 
à bacia hidrográfica; enquanto a bacia de contribuição é utilizada para indicar 
a área que contribui na descarga de determinado ponto, que pode ser a foz 
de um rio no mar, o que consideraria a bacia hidrográfica na integra, ou um 
afluente em algum trecho específico e, assim, seria considerado apenas a área 
que direciona a drenagem para o ponto de interesse.
• A bacia hidrográfica representa o recorte espacial básico para análise 
geomorfológica ou hidrológica, mas também passou a ser compreendida 
como unidade de análise de aspectos humanos, social e econômico, que 
envolvem questões político administrativa que envolvem a gestão.
• A delimitação das bacias hidrográficas pode ser realizada pelo método 
conhecido como Ottobacias, criado por um engenheiro brasileiro Otto 
Pfafstetter. Amplamente reconhecido o método é utilizado na delimitação de 
bacias hidrográficas. 
• O método Ottobacias apresenta uma codificação que aplicada à rede fluvial 
possibilita a delimitação das bacias hidrográficas.
• Na análise de uma bacia hidrográfica as curvas de nível, assim como o 
entendimento dos aspectos humanos na ocupação e uso do solo apresentam 
importantes informações sobre a bacia hidrográfica.
• O escoamento superficial, assim como o escoamento de subsuperfície e suas 
trajetórias, deve ser considerado, uma vez que é importante conhecer os fluxos 
que alimentam os canais das bacias analisadas. A hierarquia fluvial estabelece 
a ordenação dos cursos d’água de uma bacia. São duas as propostas mais 
aplicadas a de Strahler e a de Horton, cada qual com suas particularidades 
ambas são aplicadas em estudos hidrográficos.
RESUMO DO TÓPICO 1
100
• Jusante, montante, nascente, cabeceiras, talvegue, foz, assim como os tipos 
de leito são alguns dos conceitos importantes que devem ser conhecidos para 
o melhor entendimento da bacia hidrográfica. As formas dos canais podem 
ser retilíneas, anastomosados ou meandrantes e dependem de aspectos como 
carga sedimentar, declividade entre outros.
• A declividade interfere também no escoamento. O escoamento é classificado 
conforme a direção em exorreica, endorreica, arreica e criptorreica. Ainda, a 
rede de drenagem pode se configurar em diferentes padrões de canais, como 
retangular, dendrítico, anelar, paralelo, radial e treliça.
• Talvegue é a parte mais profunda de um canal de drenagem ou do fundo 
de um vale. Vazão é o volume de água que escoa pelo rio. Zona ripária é o 
conjunto de vegetação, solo e rio das cabeceiras e das margens, incluindo a 
vegetação característica denominada mata ciliar.
101
1 O entendimento sobre uma bacia hidrográfica depende diretamente da 
compreensão e da adoção de outros conceitos importantes que propriamente 
constituem uma bacia hidrográfica, como cabeceiras ou nascentes, divisores 
de águas, cursos de água principais, afluentes, subafluentes, assim como 
destaca a hierarquização das bacias hidrográficas, entre outros conceitos e 
definições importantes. Com base no exposto, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
( ) O termo talvegue pode indicar o percurso mais profundo de um rio, mas 
também pode indicar o encontro de duas vertentes que forma o fundo de 
um vale. 
( ) A drenagem de uma bacia hidrográfica pode ser classificada conforme o 
sentido do escoamento das águas, assim a drenagem do tipo endorreica se 
caracteriza quando a drenagem escoa as águas diretamente para o mar.
( ) O conceito de bacia hidrográfica remete ao conjunto de terras que tem a 
drenagem superficial das águas direcionadas para um rio principal.
( ) Meandro é um tipo de canal de drenagem que se apresenta com formas 
sinuosas, por conta da alta declividade do terreno por onde escoa.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – F.
b) ( ) F – F – V – F.
c) ( ) F – V – F – V.
d) ( ) V – V – F – F.
2 A água é um agente transportador de sedimentos muito importante tanto 
para o ciclo sedimentar, como para os processos de erosão e assoreamento, 
o desenvolvimento das formas dos canais ao longo das bacias hidrográficas 
depende de diversos fatores, considerando os conhecimentos sobre as formas 
dos canais, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I - Um canal anastomosado tem forma irregular que pode ser alterada 
conforme ocorrem variações nos volumes de chuva.
PORQUE
II - A grande carga sedimentar que é transportada em um canal anastomosado 
é depositado formando pequenas ilhas durante os períodos de menor 
vazão, quando o volume de água aumenta, a energia do fluxo mais intenso 
transporta o sedimento rio abaixo alterando as formas no canal.
Assinale a alternativa CORRETA:
AUTOATIVIDADE
102
a) ( ) A sentença I não justifica da sentença II, pois ambas são falsas.
b) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença I é justificada pela 
sentença II. 
c) ( ) A sentença I é verdadeira, a sentença II é falsa e justifica a sentença I.
d) ( ) As sentenças I e II são verdadeiras, a sentença II não justifica a sentença I.
3 O leito fluvial é todo o espaço ocupado por um rio, é por onde escoam as 
águas, tanto no período mais seco quanto durante as cheias. O leito fluvial 
apresenta características decorrentes da inteiração entre os fluxos de água 
com a geologia local, esculpindo no leito fluvial o resultado da ação das 
águas que formam as diferentes partes do leito. Assim, considerando as 
particularidades sobre os cursos d’água, em especial, sobre o leito fluvial, 
associe os itens, utilizando o código a seguir:
I - Leito maior excepcional.
II - Leito maior sazonal.
III - Leito menor.
IV - Talvegue.
V - Leito ordinário.
( ) Mantém-se inundado quando o volume de água que escoa pelo canal é 
intermediário entre o leito menor e o leito maior.
( ) Onde o fluxo constante do rio impede o crescimento de vegetação.
( ) Linha da maior profundidade do rio.
( ) Parte do leito do rio que geralmente está emersa, ficando imersa apenas 
nos períodos de cheias sazonais, é onde se encontram as planícies de 
inundação.
( ) Área atingida quando o rio extrapola o leito maior sazonal.
Assinale a alternativa com a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – II – III – I – V.
b) ( ) V – III – IV – II – I.
c) ( ) V – III – IV – I – II.
d) ( ) IV – III – I – V – II. 
103
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
As maiores bacias hidrográficas do planeta Terra podem ser comparadas 
entre si a partir de dados como volume ou área drenada ou, ainda, por uma 
perspectiva hidroambiental como a síntese apresentada por Linke et al. (2019), 
que padronizou informações em seis categorias: hidrologia, fisiografia, clima, 
cobertura e uso do solo, geologia, pedologia e influências antrópicas e organizou 
informações em uma grande base de dados compondo um Sistema de Informações 
Geográficas e, assim, permite ampliar as perspectivas de análise.
Podemos observar, na figura a seguir, que apresenta o volume e a 
distribuição dos rios sobre os continentes. É possível perceber que apesar de 
diferenças entre os volumes os rios estão distribuídos por todos os continentes. 
FIGURA 8 – VOLUME TOTAL DOS RIOS POR BACIA HIDROGRÁFICA
FONTE: Adaptada de <https://cutt.ly/ZhNws8j>. Acesso em: 12 nov. 2020.
TÓPICO 2 — 
DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
 Para os estudantes mais aventureiros, que se interessam pela utilização de sistemas 
de informações geográficas (SIG), a base de dados com as informações geográficas, as 
documentações e as publicações que compõem o HydroATLAS, relatado por Linke et al. 
(2013), estão disponíveis no site https://www.hydrosheds.org/page/hydroatlas.NOTA
104
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
2 RESERVAS DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
Existem reservas subterrâneas de água doce em diversas partes do planeta e 
podem ser encontradas em todos os continentes, como é possível perceber na figura 
a seguir. Nos tempos atuais, estamos convivendo em um cenário de crescimento 
contínuo da população, o que se reflete diretamente no crescimento contínuo da 
demanda por água doce potável, sendo os reservatórios subterrâneos de água doce 
uma fonte segura de água para usos doméstico, industrial e agrícola (MORAIS, 2009).
A distribuição e a profundidade dos reservatórios subterrâneos de água 
estão também apresentadas na Figura 9, onde é possível perceber que a distribuição 
geográfica é semelhante à dos rios. Quanto à profundidade, a variação, é diretamente 
proporcional à dificuldade de acesso ao reservatório, assim, podemos entender 
que: quanto maior a profundidade do reservatório, maior a dificuldade de acessar 
os volumes estocados.
FIGURA 9 – PROFUNDIDADE DOS AQUÍFEROS
FONTE: Adaptada de <https://cutt.ly/shNwEeB>. Acesso em: 24 nov. 2020.
Os reservatórios subterrâneos de água são denominados de aquíferos e 
constituem importantes estoques de água doce do planeta. De forma geral, um 
aquífero é uma formação geológica que permite o acúmulo, e um fluxo de água 
considerável através de poros ou fissuras na rocha (STEWART; HOWELL, 2003 
apud MORAES, 2009). Apesar das características geológicas se diferenciarem 
em cada lugar, uma característica comum que há nos diversos reservatórios 
subterrâneos de água é o risco de contaminação por conta de atividades humanas 
(PINTO-COELHO; HAVENS, 2014). 
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
105
Em especial, a contaminação por agrotóxicos é preocupante, todavia, 
outros aspectos como a capacidade de recarga desses aquíferos chama a atenção 
de pesquisadores, como apresentado por Richey et al. (2015), que aponta dentre 
outros aspectos o potencial de recarga dos maiores aquíferos do planeta (Figura 
10), indicando que diversos aquíferos têm recargas negativas. Assim, podemos 
perceber que, em muitos locais, o consumo é maior do que o aquífero consegue 
repor, indicando a tendência de esvaziamento de alguns reservatórios subterrâneos 
de água doce.
FIGURA 10 – TENDÊNCIA DE RECARGA NOS 37 MAIORES AQUÍFEROS DA PLANETA TERRA
FONTE: <https://cutt.ly/6hNwAhV>. Acesso em: 24 nov. 2020.
Acesse as figuras deste livro didático através dos links de fonte, informados na 
fonte da imagem, ou nas referências bibliográficas, para visualizar em maior detalhe as figuras.
NOTA
No Brasil, podemos destacar a preocupação da comunidade científica 
com aspectos que envolvem o Aquífero Guarani, que é um dos cinco maiores 
reservatórios de água subterrânea do planeta, as questões de análises por parte 
da comunidade científica envolvem temas como as demandas pela exploração 
da água disponível no Sistema Aquífero Guarani, a contaminação por produtos 
tóxicos provenientes da produção agrícola. Sendo que a partir dessas duas 
perspectivas de críticas o embate se direciona para o sistema produtivo controlado 
pelas classes dominantes (VILLAR, RIBEIRO, 2009). Da mesma maneira essa 
preocupação se estende a outros reservatórios subterrâneos ao redor do planeta. 
106
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
O maior aquífero da Terra é denominado de Arenito Núbia, com uma 
área de 2.000.000 km2 (dois milhões de quilômetros quadrados) e engloba quatro 
países a Líbia, Egito, Chade e Sudão (LERNER; LERNER, 2005 apud MORAES, 
2009). Trata-se de um sistema aquífero que não recebe recargas e, assim, com a 
exploração dos últimos quarenta anos para abastecer o Egito e a Líbia resultou no 
consumo de aproximadamente 40.000.000 km³ (quarenta bilhões de quilômetros 
cúbicos) do volume desse reservatório (QUADRI, 2017).
FIGURA 11 – DELIMITAÇÃO DO SISTEMA AQUÍFERO DO ARENITO NUBIA
FONTE: <https://cutt.ly/MhNw9NW>. Acesso em: 24 nov. 2020.
Reconhecido como o segundo maior aquífero do planeta a Grande bacia 
Artesiana da Austrália (Figura 12) ocupa uma área 1.700.000 km2 (um milhão e 
setecentos mil quilômetros quadrados) (LERNER; LERNER, 2005 apud MORAES, 
2009, p. 15). Conforme informa o governo australiano a Grande Bacia Artesiana 
possui uma área que equivalente a 22% (vinte e dois por cento) da área do 
território australiano, se estendendo por baixo do terreno de áreas de clima árido 
e semiárido de quatro das regiões da Austrália, Queensland, New South Wales, 
South Australia e the Northern Territory.
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
107
FIGURA 12 – MAPA DA GRANDE BACIA ARTESIANA AUSTRALIANA
FONTE: <https://www.agriculture.gov.au/sites/default/files/sitecollectionimages/water/gab-map.
gif>. Acesso em: 19 nov. 2020.
O terceiro maior aquífero do mundo é o já citado Aquífero Guarani. Este 
caracteriza um grande reservatório de água doce, que se estende por 1.200.000 km² 
(um milhão e duzentos mil quilômetros quadrados) desde o Paraguai, Argentina 
e Uruguai, até as regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, abrangendo oito 
estados brasileiros (LERNER; LERNER, 2005 apud MORAES, 2009). 
108
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 13 – MAPA ESQUEMÁTICO DO SISTEMA AQUÍFERO GUARANI
FONTE: <https://cutt.ly/khNeqIE>. Acesso em: 4 nov. 2020.
A Bacia Murray é outra grande reserva subterrânea de água, localizada na 
Austrália e abrange uma área de cerca de 297.000 Km², sendo a quarta maior bacia 
hidrográfica do planeta (LERNER; LERNER, 2005 apud MORAES, 2009).
O Kalahari\Karoo também figura na lista por ser o quinto maior aquífero 
se estendendo por 135.000 km² (cento e trinta e cinco mil quilômetros quadrados) 
abrangendo áreas da Namíbia, Botsuana e África do Sul (LERNER; LERNER, 
2005 apud MORAES, 2009).
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
109
3 RESERVAS DE ÁGUAS SUPERFICIAIS 
O escoamento das águas através dos rios até os reservatórios naturais ou 
artificiais representam os estoques de água doce, são as bacias hidrográficas os 
grandes reservatórios superficiais de água.
3.1 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA ÁSIA
A Ásia é o maior continente do mundo e assim concentra grande parte 
da população humana, atualmente cerca de 4,6 bilhões de pessoas vivem na Ásia 
(WORLDOMETER, 2020). Devido às dimensões do continente em geral ocorre uma 
subdivisão de suas áreas para melhor entendimento, uma divisão regional que 
considera aspectos políticos onde se dividem a Ásia Ocidental, também conhecida 
por Oriente Médio, que tem limites com dois continentes a África e a Europa; é 
banhada pelo Mar Mediterrâneo e pelo Oceano Índico, que também banha o 
Sudeste Asiático e a Ásia Meridional. A Ásia Central e a Ásia Setentrional também 
têm limites com o Leste europeu, este último banhado pelo Oceano Pacífico, assim 
como a Ásia Oriental e parte da Ásia meridional que é banhada por dois oceanos. 
FIGURA 14 – PRINCIPAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS DA ÁSIA
FONTE: Adaptado de Lehner (2019, p. 1)
Na Ásia Setentrional, no Território da Rússia, está o Lago Baikal que 
sozinho corresponde a um quinto de toda água doce do planeta. A Rússia é o 
segundo país do mundo em reservas de água doce, atrás apenas do Brasil. 
São milhares de rios que drenam o país mais extenso do mundo. Em contraste 
à disponibilidade hídrica encontrada na Rússia, o Oriente Médio que possui 
110
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
clima árido apresenta déficit hídrico e assim a escassez de água se apresenta em 
contraste com a riqueza do petróleo, dessa maneira alguns dos países ricos do 
Oriente Médio são os maiores compradores de água doce do mundo.
FIGURA 15 – DIVISÃO REGIONAL DA ÁSIA
FONTE: <https://pt-static.z-dn.net/files/d22/5752010236e8d2bb1ccbc74094ab6960.jpg>. 
Acesso em: 19 nov. 2020.
Conflitos por água são intensos na região do Oriente Médio, na Bacia 
hidrográfica do Rio Jordão, países disputam o domínio sobre as águas, Israel, 
Líbano, Síria, Jordânia estão frequentementeenvolvidos em conflitos armados, 
desde 1967, quando Israel invadiu a Síria e dominou as colinas de Golã onde 
estão as nascentes do Rio Jordão. Na Turquia, os rios Tigres e Eufrates nascem e 
escoam através da Síria e do Iraque desaguando no Golfo Pérsico, o que deixa a 
Turquia com grande importância na Geopolítica regional, entre os motivos, um 
deles é o controle sobre as nascentes de água.
Dentre as principais bacias hidrográficas da Ásia, podemos citar: Amu 
Darya. No Planalto da Ásia está o Tibete, historicamente seu território abrangia 
áreas que dominavam diversas nascentes de rios importantes de Ásia, como 
Indus River. O Tibete representa o controle sobre as nascentes de pelo menos 
10 grandes rios que drenam bacias hidrográficas que se estendem para além do 
Tibete, como a própria China que é o país que após conflitos ainda não totalmente 
resolvidos, mas que de fato incorpora o Tibet como parte de seu território, além 
de drenar e levar água para áreas na Mongólia, Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia, 
Mianmar, Bangladesh, Nepal, Índia, Paquistão, Butão. 
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
111
FIGURA 16 – MAIORES BACIAS HIDROGRÁFICAS DO SUL E SUDESTE ASIÁTICO
FONTE: <http://www.raon.ch/images/edu/map/southasia_riverbas001.gif>. Acesso em: 19 nov. 2020.
3.2 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA OCEANIA
A Oceania é o continente das águas, composto por treze países que estão 
distribuídos em muitas ilhas e numa grande porção de terra emersa, onde está 
estabelecida a Austrália. A maioria dos grandes rios da Oceania estão situados na 
Austrália, porém cabe destacar que o rio que drena o maior volume de água desse 
continente é o Rio Fly, que escoa as águas da ilha de Nova Guiné, (KIPROP, 2019). 
A Austrália, por conta do seu território ocupar a maior porção de terra 
da Oceania, concentra também muitos dos grandes rios dessa parte do planeta. 
Na porção central da massa de terra continental onde está a Austrália, há um 
grande deserto para onde convergem algumas bacias hidrográficas arreicas, ou 
seja, bacias hidrográficas que drenam as águas para o interior do continente. 
Em terras australianas os principais rios são o rio Murrumbidgee, que 
deságua em outro rio importante o rio Murray. Outros rios importantes do país 
são o rio Darling, rio Cooper Creek e o rio Flinders. Na Figura 17 é possível 
observar a divisão das bacias hidrográficas da Austrália.
112
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 17 – CARTAZ DO GOVERNO AUSTRALIANO APRESENTANDO AS REGIÕES 
HIDROGRÁFICAS DA AUSTRÁLIA
FONTE: <https://cutt.ly/UhNBapB>. Acesso em: 28 nov. 2020.
3.3 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA EUROPA
Os rios da Europa apresentam uma grande diversidade de aspectos naturais 
que os diferenciam, além de graves problemas ambientais, os principais rios 
europeus são em grande parte bastante poluídos tanto por efluentes domésticos, 
quanto por efluentes industriais e agrotóxicos. O maior rio da Europa é o Rio Volga 
é também o mais caudaloso, drena o território russo desde as cabeceiras nas colinas 
do planalto de Vadal entre San Petersburgo e Moscou, percorre cerca de 3.688km 
(três mil seiscentos e oitenta e oito quilômetros) até a foz no mar Cáspio. Existem 
importantes usinas hidrelétricas russas ao longo do rio Volga. Apresenta trechos 
navegáveis, sendo a principal hidrovia para o comércio local da Rússia, bem 
como fonte de água para irrigação e ainda exploração da pesca. Além da grande 
importância histórica, cultural e econômica, a bacia hidrográfica do rio Volga abriga 
cerca de metade da população da Rússia (KUZIN; MICKLIN, 2019). 
A Rússia é o maior país do mundo quando consideramos a área de domínio 
territorial da nação. O território russo possui ampla rede de drenagem superficial, 
composta por diversos cursos d’água, variados lagos naturais e artificiais das 
barragens de hidrelétricas. Indo além do território russo, para destacar alguns 
outros importantes rios da Europa, podemos destacar o Rio Danúbio, o rio Sena, 
Reno, entre muitos outros.
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
113
O rio Danúbio é o segundo maior rio da Europa, são cerca de 2.888km 
(dois mil oitocentos e oitenta e oito quilômetros) desde as nascentes localizadas 
na Selva Negra na Alemanha até a foz no mar Negro em território da Romênia. 
O rio Danúbio atravessa 19 (dezenove) países da Europa, drenando uma área 
em torno de 801.463km2 (oitocentos e um mil quatrocentos e sessenta e três 
quilômetros quadrados) (ICPDR, 2015). A geopolítica fica em evidenciada nas 
ações multilaterais, centradas em ações para recuperar e proteger o Rio Danúbio, 
pois é um importante recurso natural, econômico, social e ainda devido aos 
aspectos históricos da Europa (NESIRKY, 2019).
O rio Sena é outro rio europeu que merece destaque, pois drena terras 
francesas, sendo a maior parte dos 776 km (setecentos e setenta e seis quilômetros) 
de extensão deste rio navegável, o que confere grande importância deste rio para 
a França e o coloca entre os principais rios da Europa, historicamente muito 
importante (DACHARRY, SMAILES, 2014).
O rio Reno, assim como, os demais grandes rios da Europa, é um rio 
com importância não apenas social e econômica, mas também histórica. São 
aproximadamente 1.320 km entre as nascentes nos Alpes Suíços e a foz que forma 
um delta no mar do Norte. O rio Reno é uma hidrovia muito importante para a 
indústria local (SINNHUBER, MUTTON, 2020).
Por conta da extensão dos territórios europeus, bem como por conta da 
história da civilização ocidental em grande parte ter acontecido próxima aos rios, 
com isso, são bastante conhecidos e explorados, muitos desses rios estão descritos 
desde a antiguidade. Os rios do velho continente apresentam importância histórica. 
A figura a seguir apresenta a localização de alguns rios importantes da Europa.
114
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 18 – PRINCIPAIS RIOS DA EUROPA
FONTE: <https://viaxeaitaca.files.wordpress.com/2011/12/rios-de-europa.jpg>. Acesso em: 27 out. 2020.
3.4 BACIAS HIDROGRÁFICAS DA ÁFRICA
O continente africano possui imponentes rios, como o rio Nilo, que 
disputa com o rio Amazonas o título de maior rio do mundo. O continente 
africano apresenta diversidade nos recursos hídricos, ao mesmo tempo que em 
extensas áreas convivem com elevado déficit hídrico, como no deserto do Saara 
na porção mais ao Noroeste do continente, ou no Sul do continente no deserto 
do Kalahari, ou Calaari, em outras áreas os recursos hídricos são abundantes, 
como nas florestas do Congo. Na África, em especial, nas áreas com maior déficit 
hídrico, irrigar áreas de cultivo e abastecer as comunidades são a prioridade 
(LEMPÉRIÈRE, SAVIGNAC, 2013).
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
115
FIGURA 19 – OS MAIORES RIOS DA ÁFRICA
FONTE: <https://cutt.ly/PhNBElX>. Acesso em: 15 nov. 2020.
O rio Congo é o mais profundo rio do mundo com trechos onde a 
profundidade ultrapassa 220 metros), é ainda o segundo maior rio da África 
depois do Nilo e o segundo rio mais volumoso do mundo, atrás do rio Amazonas. 
Drena praticamente todo o território da República Democrática do Congo, além 
de áreas da República Centro-Africana, Zâmbia, Angola, Camarões e Tanzânia 
(SICCARDI, 2017). O volume da descarga do rio Congo é equivalente à metade da 
descarga de todos os rios africanos somados (LEMPÉRIÈRE, SAVIGNAC, 2013).
O Rio Zambezi escoa através de áreas na Angola, Namíbia, Botsuana, 
Zâmbia, Zimbábue e Moçambique (SICCARDI, 2017). É um importante rio para 
a região, abastecendo áreas do Moçambique, Zâmbia e Zimbábue (LEMPÉRIÈRE, 
SAVIGNAC, 2013). Outros rios africanos merecem destaque por conta da 
importância em especial para as comunidades locais, o rio Níger, bem como o rio 
Nilo, são rios importantes no continente africano.
3.5 BACIAS HIDROGRÁFICAS DAS AMÉRICAS
As américas, o Novo Continente, subdividida em três porções: do Norte, 
Central e do Sul, também pode ser entendida como América Anglo-saxônica e 
AméricaLatina. Todavia, vamos observar sob a perspectiva geográfica os principais 
cursos d’água de norte a sul do continente.
116
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
Bacias hidrográficas da América do Norte
O rio Mississippi é o maior rio em extensão da América do Norte, drena uma 
área com cerca de 3.100.000 km² (três milhões e cem mil quilômetros quadrados) 
dos Estados Unidos da América e mais duas províncias canadenses, os seus maiores 
tributários são os rios Missouri e o rio Ohio (WALLENFELDT, 2020).
O rio Mackenzie, com cerca de 4.241 km (quatro mil duzentos e quarenta e 
um quilômetros), é o segundo rio mais longo da América do Norte e o maior rio do 
Canadá, drena um grande lago, o Great Slave Lake e segue escoando e recebendo 
tributários até a foz no Oceano Ártico. É um rio selvagem, a navegação por si só já 
é especial, pois, inicialmente, já parte do desafio de navegar através de sua foz no 
litoral do oceano Ártico (ROBINSON, 2019).
O Rio Colorado nasce nas Montanhas rochosas, drena áreas de clima 
semiárido, ao longo do tempo geológico, erodiu seu trajeto formando cânions, o 
Grand Cannyon, suas águas atravessam a fronteira norte americana e adentra em 
território mexicano para desaguar no mar (WESCOAT, LOEFFLER, 2019).
O Yukon também recebe destaque, assim como o Big River e San Lorenzo 
River, que são rios que se destacam por suas características hidrográficas. Talvez 
um dos rios mais emblemáticos das Américas seja o Rio Grande, que constitui boa 
parte da fronteira entre o México e os Estados Unidos.
FIGURA 20 – PRINCIPAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS DA AMÉRICA DO NORTE
FONTE: Adaptado de Lehner (2019, p. 1)
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
117
Bacias hidrográficas da América Central
O istmo onde está localizada a América Central une fisicamente as Américas 
do Norte e do Sul, mas não se trata de uma simples ponte de terra. Ao analisar a 
divisão geopolítica o que se percebe é uma estreita faixa de terra bastante dividida 
politicamente, sendo que o estabelecimento das fronteiras entre os territórios 
dos sete países que ali se estabelecem, por vezes, utilizam como delimitadores os 
curso dos rios da região, e com isso existem bacias hidrográficas transfronteiriças 
importantes para a região (ECHAVARRÍA, 2020).
FIGURA 21 – BACIAS HIDROGRÁFICAS DA AMÉRICA CENTRAL
FONTE: <https://cutt.ly/4hNNdqf>. Acesso em: 8 abr. 2020.
As Américas do Norte e do Sul são interligadas pela América Central, são duas 
grandes massas de terras emersas interligadas por uma estreita faixa de terra, a América Central. 
Esta faixa é denominada de istmo. Conforme Guerra e Guerra descrevem “Istmo – Estreita 
faixa de terra situada entre dois mares, correspondendo, de modo geral, a uma zona onde se 
verificou um afundamento do terreno, ou, ao contrário, uma invasão do mar...” (2015, p. 362).
NOTA
118
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
A Nicarágua é um país que tem o curso de rios como parte de suas 
fronteiras. O rio San Juan delimita grande parte da fronteira norte da Costa Rica 
com a Nicarágua e na fronteira sul da Costa Rica com o Panamá o rio Sixaola, 
que desagua no mar do Caribe, é o limite internacional em parte da fronteira 
(ECHAVARRÍA, 2020).
Ao Norte, outro importante rio para a geopolítica da América Central 
é o rio Coco que define parte da borda entre a Nicarágua e Honduras. Como 
destacado por Echavarría (2020), na América Central o curso dos rios é bastante 
respeitado como fronteira política.
Bacias hidrográficas da América do Sul
A maior bacia hidrográfica do planeta está localizada na América do Sul, 
em grande parte no território brasileiro, é a bacia hidrográfica do rio Amazonas. As 
características do continente Sul-Americano que apresenta grande diversidade tanto 
de biomas que interferem diretamente no tipo dos rios quanto na Geomorfologia 
dos ambientes, que resultam em distintas formas de cursos d’água. A figura a 
seguir apresenta as grandes bacias hidrográficas da América do Sul. Ao analisar a 
imagem fica possível observar que as maiores bacias hidrográficas sul-americanas 
drenam áreas brasileiras e assim serão apresentadas no item 22 deste livro.
FIGURA 22 – PRINCIPAIS BACIAS HIDROGRÁFICAS DA AMÉRICA DO SUL
FONTE: Adaptado de Lehner (2019, p. 1)
TÓPICO 2 — DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
119
FIGURA 23 – MAPA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS DA AMÉRICA DO SUL
FONTE: Adaptada de Fao-Aquastat (2011)
4 DISTRIBUIÇÃO DAS GELEIRAS NO PLANETA TERRA
Existem vários tipos de geleiras, como já apresentado na Unidade 1 deste 
livro. Assim, as diferentes geleiras constituem o maior reservatório de água do 
planeta Terra. Todavia, tratando a distribuição geográfica dos mais importantes 
glaciares, destacam-se os gelos patagônicos da Cordilheira dos Andes. No 
Hemisfério Sul, a geleira ou glaciar Perito Moreno, localizada na Patagônia, é a 
geleira que apresenta a maior extensão superficial do planeta está localizada na 
Patagônia Argentina, província de Santa Cruz na cidade de El Calafate, onde há 
o Parque Nacional Los Glaciares, que regra as visitas ao local. A geleira Perito 
Moreno possui cerca de 13000 km² e paredões de até 60 metros de altura, porém 
suas dimensões estão diminuindo nos últimos anos.
Podemos encontrar diversas geleiras ao redor do planeta. Existem geleiras 
em praticamente todos os continentes, exceto na América Central. Em alguns 
lugares as geleiras são relativamente pequenas como as geleiras da África, enquanto 
em outros locais as geleiras são bastante volumosas, como nos Himalaias ou na 
Antártica, como podemos observar na figura a seguir. 
120
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 24 – DISTRIBUIÇÃO GLOBAL DAS GELEIRAS DESTACADAS EM AZUL
FONTE: <https://cutt.ly/zhNNDSA>. Acesso em: 24 nov. 2020.
121
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A distribuição mundial de água apresenta particularidades, desde 
características climáticas até a demanda per capta de água. Além disso, 
existem rios e reservas em todos os lugares do planeta. 
• Reservas de água podem ser subterrâneas, são os aquíferos que podem 
ser encontrados em diversas profundidades. Os aquíferos possuem áreas 
de recarga, que são os locais por onde as águas infiltram no solo sendo 
armazenadas nas rochas. Em geral, são rochas sedimentares. 
• O Aquífero Guarani é um importante aquífero da América do Sul. O maior 
aquífero do planeta é conhecido como arenito Núbia.
• As reservas superficiais de água, são constituídas pelas bacias hidrográficas, 
e são os estoques de acesso mais fácil. 
• Na grande extensão da Ásia importantes rios drenam as diferentes regiões. 
• A Rússia é o segundo país do mundo com maior disponibilidade hídrica, atrás 
apenas do Brasil. Nesse sentindo, outros países da Ásia com clima semiárido 
têm uma realidade contrastante por conta do déficit hídrico existente.
• A Oceania é denominada o continente das águas, porém a referência se dá pela 
extensão da área sobre o oceano Pacífico, sendo a Austrália a maior porção de 
terra desse continente e que apresenta diversas bacias hidrográficas. 
• A Europa possui rios de grande importância para indústria, mas também 
para o transporte e inclusive de grande valor histórico.
• O continente africano apresenta uma vasta rede de drenagem, em especial, na 
porção equatorial, grandes rios drenam o centro do continente africano.
• Nas Américas, importantes bacias hidrográficas drenam extensas áreas tanto 
na América do Norte quanto no América do Sul. 
• Grandes bacias hidrográficas como a dos rios Mississipi, Mackenzie, Colorado, 
são destaque no Norte.
• A maior bacia hidrográfica do planeta é a do rio Amazonas, drena boa parte 
da América do Sul, assim como rio da Prata e o Rio São Francisco, que são 
outras duas bacias hidrográficas de destaque na América do Sul.
• As geleiras também estão distribuídas ao redor do planeta, e representam 
importante reserva de água, assim como também de grande importância 
como indicador globaldas temperaturas do planeta.
122
1 Os reservatórios subterrâneos de água são denominados aquíferos. Aquífero 
é uma formação geológica que permite o acúmulo de água em seu interior. 
Os reservatórios podem estar logo abaixo da superfície ou a muitos metros 
de profundidade. Uma grande preocupação dos cientistas é a possibilidade 
de contaminação das águas subterrâneas por agrotóxicos utilizados nas áreas 
de recarga. Com base no exposto, analise as sentenças a seguir:
I- O aquífero Guarani é o maior reservatório de águas subterrâneas do planeta.
II- O aquífero Guarani é o maior reservatório de águas subterrâneas da América 
do Sul.
III- O aquífero Guarani abrange áreas do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina.
IV- O arenito Núbia na África e a Grande Bacia Artesiana na Austrália são os 
dois maiores aquíferos do planeta.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II, III e IV estão corretas.
b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
c) ( ) As sentenças II, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a sentença IV está correta.
2 Os recursos hídricos estão distribuídos de forma desigual pela superfície 
da Terra, o escoamento superficial dos rios e o acúmulo em reservatórios 
naturais ou artificiais são a principal fonte de água, pois são as reservas 
mais acessíveis. Considerando a distribuição geográfica das grandes bacias 
hidrográficas do planeta Terra, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Rio Mississipi.
II- Rio Volga.
III- Rio São Francisco.
IV- Rio Sena.
( ) Estado Unidos da América.
( ) Rússia.
( ) Brasil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – II – III – IV.
b) ( ) I – IV – III – II.
c) ( ) IV – II – III – I.
d) ( ) II – I – IV – III.
AUTOATIVIDADE
123
3 Sobre a riqueza hídrica do continente sul-americano, podemos destacar, 
ainda, a maior bacia hidrográfica do mundo: a bacia hidrográfica do rio 
Amazonas. Contudo, outras bacias hidrográficas muito importantes 
também estão presentes no continente. Com base no exposto, associe os 
itens, utilizando o código a seguir:
I- Bacia hidrográfica do rio Amazonas.
II- Bacia hidrográfica do Prata.
III- Bacia hidrográfica do Rio São Francisco.
( ) As cabeceiras estão localizadas na Cordilheira dos Andes.
( ) É formada por três sub-bacias, Bacia do Rio Paraguai, Bacia do Rio 
Uruguai e Bacia do Rio Paraná.
( ) A cidade de São Paulo está inserida na Bacia hidrográfica.
( ) A foz do rio principal é uma divisa estadual da Região Nordeste do 
Brasil.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) I – II – II – III.
b) ( ) I – II – III – I.
c) ( ) II – I – III – IIII.
d) ( ) II – III – II – I.
124
125
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A grande extensão territorial brasileira; as diferentes formas do relevo; a 
diversidade geológica; a cobertura vegetal; assim como a circulação atmosférica 
contribuem para a constituição dos cenários que originaram a grande diversidade 
hidrográfica do país. Reconhecer a importância da divisão hidrográfica do país 
é fundamental para a compreensão dos aspectos individuais de cada região 
hidrográfica. Uma região hidrográfica pode ser composta por uma ou mais bacias 
hidrográficas que drenam áreas contíguas.
2 DIFERENÇAS ENTRE BACIA HIDROGRÁFICA E REGIÃO 
HIDROGRÁFICA
Neste mesmo livro didático, já foi apresentada a definição de bacia 
hidrográfica. Assim, podemos afirmar que é correto considerar que a totalidade 
da área delimitada por divisores de águas, de onde as águas são drenadas até um 
mesmo canal principal, como definição de bacia hidrográfica. Apesar da bacia 
hidrográfica ser considerada a unidade de planejamento dos recursos hídricos, 
para entendimentos mais amplos em análises regionais é necessário que se tenha 
em mente o entendimento de que as regiões hidrográficas são a representação 
em escala nacional da divisão do território em relação à distribuição espacial dos 
recursos hídricos (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016, p. 321).
A divisão do território brasileiro em regiões hidrográficas foi institucionalizada 
oficialmente no Brasil a partir de 2003, em função da concretização da Política 
Nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional dos Recursos Hídricos (LIMA; 
CANO; NASCIMENTO, 2016). Observe na figura a seguir a imagem do mapa das 
bacias hidrográficas brasileiras, onde é possível observar a delimitação das principais 
bacias hidrográficas do país, algumas sub-bacias e sub-bacias conjugadas.
Sendo que por outra perspectiva, na Figura 26, é apresentada a imagem 
do mapa das regiões hidrográficas do Brasil. Perceba que em ambos os mapas 
são apresentados os principais rios do Brasil, porém o tema do primeiro busca 
delimitar a abrangência das principais bacias hidrográficas, enquanto o segundo 
mapa se preocupa em representar as regiões hidrográficas considerando assim 
aspectos que unem bacias hidrográficas em razão de aspectos administrativos e 
de características regionais. Todavia, cabe destacar que para determinados tipos 
de estudos, análises e planejamentos conforme o objetivo de cada trabalho um ou 
outro mapa se adequará melhor à proposta.
TÓPICO 3 — 
DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
126
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 25 – IMAGEM DO MAPA DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS (IBGE)
FONTE: <https://cutt.ly/FhNMSPt>. Acesso em: 10 mar. 2020.
FIGURA 26 – IMAGEM DO MAPA DAS REGIÕES HIDROGRÁFICAS BRASILEIRAS
FONTE: Lima, Cano e Nascimento (2016, p. 324)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
127
Cabe destacar que questões relacionadas com as águas no Brasil, a 
unidade básica de estudo é a bacia hidrográfica, considerando que uma bacia 
hidrográfica é a área onde toda água que ali cair será drenada em direção a um 
mesmo rio principal, ou, ainda, seguir para armazenamento em um mesmo 
reservatório. Todavia, para diversas análises uma abordagem que considere a 
região hidrográfica pode ser mais interessante, uma vez que bacias hidrográficas 
vizinhas podem ter muitas características em comum e com isso o entendimento 
dos aspectos envolvidos podem favorecer a tomada de decisão do gestor, ou 
mesmo responder a questões específicas em abordagens científicas.
3 A HIDROGRAFIA BRASILEIRA
A distribuição natural das águas do Brasil é bastante contrastante, 
apresenta diferenças regionais muito marcantes, que vão desde o volume e 
área, até aspectos como humanos como população que impacta diretamente na 
demanda por abastecimento de água, assim como a demanda para irrigação, 
agropecuária, usos industriais e ainda aspectos resultantes do mal-uso dos 
recursos naturais que por consequência podem resultar em poluição das águas, 
além de impactos como erosão e assoreamento. 
Com isso, serão apresentadas a seguir as regiões hidrográficas brasileiras 
com suas principais características. A divisão do território brasileiro em 12 regiões 
hidrográficas se deve ao Plano Nacional de Recursos Hídricos (PMRH), que é uma 
macrodivisão do território voltada para análise de caráter mais geral das regiões 
hidrográficas. Para estudos mais aprofundados o PNRH estabelece subdivisões 
em mais duas categorias, a classe denominada de sub1 apresenta 56 subdivisões e 
ainda a classe denominada sub2 apresenta 273 subunidades hidrográficas. Essas 
divisões são fundamentais para análises mais detalhadas (BRASIL, 2006i).
3.1 REGIÃO HIDROGRÁFICA TOCANTINS-ARAGUAIA
Com uma superfície que corresponde a cerca de 11% do território 
brasileiro com área em torno de 918.273 km2 a região hidrográfica Tocantins-
Araguaia (Figura 27) drena, além do Distrito Federal, partes dos estados de Goiás, 
Tocantins, Pará, Maranhão, Mato Grosso (BRASIL, 2006b).
Para melhor visualização acesse os mapas das figuras apresentadas através 
do link descrito na fonte de cada figura. Utilize as opções de aproximar, ou zoom, para 
visualizar partes específicas do mapa, para exercitar a leitura de mapas, busque identificar 
onde está o seu lugar no mapa, ou lugares do seu interesse.DICAS
128
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 27 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA TOCANTINS-ARAGUAIA
FONTE: <https://cutt.ly/ihNM80n>. Acesso em: 9 nov. 2020.
A maior ilha fluvial do mundo fica no rio Araguaia, é a Ilha do Bananal, a ilha 
tem aproximadamente 350 km (trezentos e cinquenta quilômetros) de comprimento e 85 
km (oitenta e cinco quilômetros) de largura.
NOTA
A maioria dos municípios da região possui menos de 5.000 habitantes, 
sendo que a população total é de 7.890.714 habitantes. Sendo Belém, capital do 
Pará, a cidade mais populosa da região, com 1.280.614 habitantes (BRASIL, 2006).
TABELA 2 – DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NA REGIÃO HIDROGRÁFICA TOCANTINS-ARAGUAIA
Bacias 
Hidrográficas
Área aprox. 
(Km²)
Pop. Urbana 
(n°)
Pop. Rural 
(n°)
Pop. Total 
(n°)
Araguaia 384.818 996.511 368.709 1.365.220
Tocantins alto 305.511 1.902.839 754.596 2.657.435
Tocantins baixo 227.944 2.808.041 1.060.018 3.868.059
Total 918.723 5.707.391 2.183.323 7.890.714
FONTE: Brasil (2006b, p. 22)
A região hidrográfica Tocantins-Araguaia tem grande importância em 
especial por conta da expansão agrícola na produção nacional de grãos que 
ocupou e vem levando desenvolvimento a região, outro aspecto de destaque é 
o potencial hidroenergético dos rios da região, são nove usinas hidrelétricas e 27 
pequenas centrais hidrelétricas, que geram 13,14 (gigawatts), o que representa 
15% da capacidade de produção hidrelétrica do pais (BRASIL, 2015).
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
129
Contudo, as faltas de operação nas eclusas nas barragens das hidrelétricas 
impedem o desenvolvimento do transporte fluvial para escoar a produção, ainda 
alguns aspectos naturais como a formação de bancos de areia no rio Araguaia e no 
rio das Mortes, assim como as cachoeiras no rio Tocantins dificultam a navegação 
comercial (BRASIL, 2015).
A produção agrícola na região está diretamente relacionada com a 
disponibilidade hídrica para abastecer os sistemas de irrigação das lavouras, 
principalmente do arroz, soja, milho, algodão, feijão (BRASIL, 2015). A pecuária 
da região é voltada para a produção de carne. Apesar da baixa capacidade de 
suporte animal das pastagens naturais, as pastagens plantadas e o manejo racional 
dos rebanhos permitiram o crescimento da atividade (BRASIL, 2006b), assim como 
o consequente aumento da demanda por água que a atividade impõe.
A mineração é um setor importante da economia na região hidrográfica 
Tocantins-Araguaia, praticamente metade do volume de ouro produzido no Brasil 
vem da região, assim como quase a totalidade das reservas de amianto, também 
ocorre a mineração de cobre, níquel, bauxita, ferro, manganês, prata, cassiterita, 
alumínio, hematita, silício e ferro gusa (BRASIL, 2015).
A pesca profissional é proibida na região, exceto nos rios dos estados do Pará e 
do Maranhão, porém a pesca esportiva e de subsistência pode acontecer. Estimativas 
indicam cerca de 8.500 ribeirinhos praticam a pesca de subsistência, sendo que cerca 
de 80% dos pescadores da região são pescadores amadores, em geral turistas. A pesca 
esportiva é uma das principais atividades turísticas da região (BRASIL, 2015).
O saneamento básico, em especial a falta dele, é um tema que compromete a 
qualidade de vida e dos corpos d’água da região hidrográfica Tocantins-Araguaia. 
A falta da instalação de equipamentos urbanos adequados para tratar esgotos 
se reflete nas estatísticas que apontam que apenas 15% do esgoto produzido na 
região é tratado (BRASIL, 2015).
3.2 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE 
OCIDENTAL
A região hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental ocupa cerca de 3% (três 
por cento) do território brasileiro, que representa 274.000 km² (BRASIL, 2006c). 
Localizada quase toda dentro do estado do Maranhão, além de pequena área do 
estado do Pará, drenando áreas de 198 (cento e noventa e oito) municípios no estado 
do Maranhão e 37 (trinta e sete) municípios no estado do Pará (BRASIL, 2015).
130
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 28 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE OCIDENTAL
FONTE: <https://cutt.ly/6hN19IQ>. Acesso em: 2 dezv. 2020.
A região é dividida em cinco unidades hidrográficas, Gurupi, Itapecuru, 
Litorânea MA, Litorânea MA/PA e Mearim, que juntas abrigam uma população 
em torno de 6.200.000 habitantes (Tabela 3), sendo 61% vivendo em áreas urbanas 
(BRASIL, 2015). Os rios Gurupi, Itapecuru, Mearim, e Munim têm destaque por 
conta da importância local, em especial como via de transporte fluvial.
FIGURA 29 – IMAGEM DO MAPA DAS UNIDADES HIDROGRÁFICAS E PRINCIPAIS CIDADES DA 
REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE OCIDENTAL
FONTE: Brasil (2015, p. 44)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
131
Na sub-bacia litorânea do Maranhão é onde se localizam os Lençóis 
Maranhenses que, junto às Reentrâncias Maranhenses, compõem cenários de 
importância histórica, paleontológica, além de atributos naturais, unidades de 
conservação e o conjunto arquitetônico urbanístico (BRASIL, 2016). Os municípios que 
compreendem a sub-bacia aproveitam o potencial turístico para o desenvolvimento 
de atividades de recreação e lazer.
TABELA 3 – DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NOR-
DESTE OCIDENTAL
Bacias 
Hidrográficas
Área aprox. 
(Km²)
Pop. Urbana 
(n°)
Pop. Rural 
(n°)
Pop. Total 
(n°)
Gurupi 34.775 205.752 83.071 288.823
Litoral Pará 7.119 22.521 65.732 88.253
Litoral Pará/
Maranhão 10.995 201.068 186.391 396.459
Pericumã 9.751 129.958 156.195 286.151
Turiaçu 23.334 173.582 165.453 339.035
Itapecuru 53.573 112.461 128.677 920.556
Litoral 
Maranhão 14.143 503.007 417.549 304.128
Munim 15.287 72.165 231.963 241.138
Mearim 99.920 1.681.100 944.433 2.625.557
FONTE: Brasil (2006c, p. 26)
A região apresenta demandas importantes, seja por água para dessedentação 
animal, abastecimento rural ou consumo industrial como acontece na bacia 
hidrográfica de Mearim, ou por conta da relação entre demanda e disponibilidade 
hídrica, que cria uma situação muito crítica no que diz respeito à disponibilidade 
de água para a população. Ainda, em torno da população o saneamento ambiental 
é um tema recorrente, pois, além da poluição das indústrias, o despejo de esgoto 
doméstico e de resíduos agrícolas pode resultar na poluição dos rios. Da mesma 
forma, ocorrem desmatamentos clandestinos o que além do dano ao solo, gera 
também um dano aos rios por conta do assoreamento (BRASIL, 2006c).
3.3 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARNAÍBA
A região hidrográfica do Parnaíba (Figura 30), não é a única localizada 
na Região Nordeste do Brasil, mas é bastante importante por conta de suas 
características. Drena áreas com paisagens distintas, nos biomas de Cerrado, da 
Caatinga e Costeiro. A região hidrográfica do Parnaíba ocupa cerca de 2.762 km² 
do estado Ceará, 65.492 km² do Estado do Maranhão, além de 99% do território 
do Estado do Piauí, abrangendo 249.497 km² (BRASIL, 2015).
132
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
Assim, a área total drenada na região hidrográficas do Parnaíba é de 
aproximadamente 330.056km², o que equivale a 3,9% do território brasileiro 
(BRASIL, 2015). A região hidrográfica se destaca pelo desenvolvimento de 
Teresina-PI, que é o único grande centro urbano do Nordeste brasileiro fora do 
litoral (BRASIL, 2015).
FIGURA 30 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARNAÍBA
FONTE: <https://cutt.ly/ohN08iN>. Acesso em: 2 dez. 2020.
A maior parte da Região Hidrográfica do Parnaíba está localizada 
no Semiárido brasileiro, onde as chuvas intermitentes caracterizam o clima, 
resultando em uma baixa disponibilidade hídrica (BRASIL, 2015).
A região hidrográfica do Parnaíba é dividida em três unidades hidrográficas 
(Tabela 4), o Parnaíba alto, Parnaíba Médio, Parnaíba Baixo. Sendo os principais 
rios da região o Parnaíba, Canindé, das Balsas, Piauí, Poti, Longá, Itaueira e Uruçuí 
Preto (BRASIL, 2015). Atravessando os biomas do Cerrado, Caatinga e Costeiro 
(BRASIL, 2006d).O Rio Parnaíba se destaca na região, em especial por sua extensão de 
aproximadamente 1.400 km sendo que é um rio perene na maior do seu curso 
(BRASIL, 2006d). 
TABELA 4 – DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARNAÍBA
Bacias 
Hidrográficas
Área aprox. 
(Km²)
Sedes 
Municipais
Pop. Urbana 
(nº)
Pop. Rural 
(nº)
Pop. Total 
(nº)
Alto Parnaíba 152.263 56 390.484 192.528 583.012
Médio Parnaíba 137.884 150 1.616.110 720.463 2.336.573
Baixo Parnaíba 43.080 57 685.662 547.618 1.233.280
FONTE: Brasil (2015, p. 111)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
133
A escassez de água é uma característica do semiárido brasileiro, a população 
que habita a região é atingida repetidamente por eventos de secas severas, o que afeta 
não só as zonas rurais, mas também as zonas urbanas. A grande demanda por água 
para abastecimento dos centros urbanos da região encontra uma forte concorrente 
por acesso a água, que é a demanda para irrigação nas atividades agrícolas, sendo 
além de consumirem grande quantidade de água, ainda contribuem em muito para 
a poluição dos recursos hídricos com fertilizantes e agrotóxicos (BRASIL, 2015).
Na região hidrográfica do Parnaíba, uma questão territorial envolve os 
estados do Piauí e Ceará desde o período colonial brasileiro. Conflito este que 
atualmente ainda é travado porém através das vias judiciais. A disputa por terras 
na linha de fronteira entre o Ceará e o Piauí tem início por volta de 1832. Boa parte 
dessas disputas ocorrem por conta das falhas na descrição da fronteira local no 
decreto de Dom Pedro III, especialmente falhas na descrição dos elementos naturais 
das bacias hidrográficas confrontantes, o que resulta ainda nos dias atuais litígios 
judiciais entre os estados do Ceará e Piauí em torno da demarcação de terras da 
fronteira, que deveria seguir a Bacia hidrográfica do rio Timonha (LIMA; LIMA. 
2016). Atualmente, a questão está em julgamento no Supremo Tribunal Federal e, 
conforme despacho na Ação Cível Originária 1.831 Piauí, o Exército brasileiro foi 
incumbido de executar perícia na região para definir os limites geográficos e assim 
embasar a decisão do poder judiciário sobre a questão.
3.4 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE 
ORIENTAL
Com uma área de 286.800 km² que equivale aproximadamente 3,4% do 
território brasileiro, a Região Hidrográfica Atlântico Nordeste oriental (Figura 31) 
ocupa áreas em seis Estados brasileiros: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, 
Pernambuco e Alagoas. Sendo a região dividida em treze unidades hidrográficas 
(Tabela 5) (BRASIL, 2015).
134
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 31 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE ORIENTAL
FONTE: <https://cutt.ly/6hN2Kw2>. Acesso em: 2 dez. 2020.
Cinco capitais nordestinas têm áreas drenadas pela Região Hidrográfica 
Atlântico Nordeste Oriental: Fortaleza/CE, Natal/RN, João Pessoa/PA, Recife/PE 
e Maceió/AL.
TABELA 5 – DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO NORDESTE 
ORIENTAL
Bacias Hidrográficas Área aprox. (Km²)
Sedes 
Municipais
Pop. Urbana 
(n°)
Pop. Rural 
(n°)
Pop. Total 
(n°)
Aracaú 14.604 25 485.598 181.758 667.356
Apodi-Mossoro 14.268 48 487.643 154.147 641.790
Curu 8.609 12 193.728 131.886 325.614
Jaguaribe 74.303 80 1.494.955 871.875 2.366.830
Litorânea-PE/PB/RN 10.197 67 1.623.727 346.921 1.970.648
Litorânea-AL/PE 23.057 96 2.381.034 678.638 3.059.672
Litorânea-CE 23.435 39 3.771.603 512.065 4.283.668
Litorânea-CE/PI 12.325 16 212.699 195.091 407.790
Litorânea-CE/RN 2.669 3 23.832 44.388 68.220
Litorânea-PB/RN 21.543 71 670.738 304.993 975.731
Litorânea-PE 18.934 79 5.318.688 668.712 5.987.400
Litorânea-RN 19.069 72 1.530.298 385.707 1.916.005
Piranhas-Açu 43.748 131 973.218 433.386 1.406.604
Total da RH-Atlântico 
NE Oriental 286.761 739 19.167.761 4.909.567 24.077.328
FONTE: Brasil (2015, p. 54)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
135
FIGURA 32 – UNIDADES HIDROGRÁFICAS E PRINCIPAIS CIDADES DA RH ATLÂNTICO NORDESTE 
ORIENTAL
FONTE: Brasil (2015, p. 53)
A baixa oferta hídrica na região, em parte, reflete as características do semiárido 
brasileiro que, em conjunto, com a perenidade dos rios e a sazonalidade das chuvas, 
intensificam conflitos na região, agravados ainda mais durante dos eventos críticos 
de seca, que também afetam gravemente o abastecimento urbano (BRASIL, 2015).
3.5 REGIÃO HIDROGRÁFICA SÃO FRANCISCO
A região hidrográfica São Francisco (figura 32) ocupa cerca de 7,5% do 
território brasileiro, o que representa uma área de aproximadamente 638.466 
km² (BRASIL, 2015). A região drena parte do Distrito Federal e áreas de mais sete 
estados brasileiros: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe 
(BRASIL, 2006f). Drenando áreas de 521 municípios além da Capital Federal, soma 
uma população de 15.015.855 pessoas sendo que a maior parte da população habita 
a região metropolitana de Belo Horizonte (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016).
136
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 32 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA SÃO FRANCISCO
FONTE: <https://cutt.ly/rhN9D5A>. Acesso em: 2 dez. 2020.
Desde as nascentes, na serra da Canastra, até a foz, no oceano Atlântico, 
entre os estados de Sergipe e Alagoas são pouco mais de 2.700 km (dois mil e 
setecentos quilômetros) de extensão, por onde o canal principal vem recebendo 
os tributários que deságuam o escoamento superficial da região hidrográfica. 
Cabe destacar que o canal principal dessa região hidrográfica é o próprio Rio São 
Francisco. É um rio de grande importância, especialmente por conta do volume 
de água que escoa pelo rio e banha áreas do Semiárido no Nordeste brasileiro 
(LIMA, CANO, NASCIMENTO, 2016). 
A vazão natural média do Rio São Francisco é de 2.846 m³/s, sendo que 
em períodos de muitas chuvas vazão pode atingir volumes de até 5.290 m³, assim 
como durante estiagens a vazão já tenha atingido um volume de 1.077 m³/s. Além 
do grande potencial hidrelétrico aproveitado, onde 10.473MW são gerados nas 
usinas de Três Marias, Queimadinho, Sobradinho, Itaparica, Complexo Paulo 
Afonso e Xingó (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016). A Região Hidrográfica 
São Francisco tem por base quatro sub-bacias, sendo elas: Alto São Francisco, 
Médio São Francisco, Submédio São Francisco e Baixo São Francisco. 
TABELA 6 – SUB-BACIAS DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO SÃO FRANCISCO
Bacias Hidrográficas Área aprox. (Km²)
Pop. Urbana 
(n°)
Pop. Rural 
(n°)
Pop. Total 
(n°)
Alto são Francisco 100.085 6.706.784 368.803 7.075.587
Médio São Francisco 402.491 2.189.862 1.349.447 3.539.309
Submédio São Francisco 110.473 1.340.371 893.532. 2.233.903
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
137
Baixo São Francisco 25.417 775.351 665.803 1.441.154
Total na Região 
Hidrográfica São Francisco 638.466 11.012.368 3.277.585 14.289.953
FONTE: Brasil (2015, p. 125)
O volume de água transportado pelo Rio São Francisco até as áreas de clima 
semiárido (Figura 33) é de fundamental importância para a irrigação de áreas agrícolas. 
O consumo de água na região hidrográfica São Francisco é predominantemente para 
uso na irrigação, o consumo de água para irrigação representa algo em torno de 77% 
de toda água captada na região, sendo que o consumo urbano e a segunda maior 
demanda do recurso e representa aproximadamente 11% da água consumida, a 
terceira maior atividade em consumo de água é a atividade industrial, que consome 
cerca de 7% e ainda a atividade pecuária de demais atividades rurais, que consomem 
respectivamente por 4% e 1% do volume captado de água (BRASIL, 2015).
FIGURA 33 – IMAGEM DO MAPA DA ÁREA DE DOMÍNIO DO SEMIÁRIDO NA REGIÃO HIDRO-
GRÁFICA DO SÃO FRANCISCO
FONTE: PBHSF (2004 apud BRASIL, 2006f, p. 32)
Atualmente, está em curso o projeto de integração do Rio São Francisco, 
um grande e antigo projeto nacional para levar água do rio São Francisco até outras 
áreas do sertão semiárido do Brasil através da transposição de águas da Região 
hidrográfica do São Franciscopara a Região Hidrográfica do Nordeste Oriental. 
A partir de dois eixos de transposição, o Eixo Norte e o Eixo Leste parte das águas 
do Rio São Francisco são desviadas de seu curso natural para levar segurança 
hídrica até áreas do semiárido nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio 
Grande do Norte, permitindo, dentre outros aspectos econômicos, desenvolver 
atividades agrícolas irrigadas (BNDES, 2020).
138
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
Além de prover recursos hídricos para regiões do semiárido, outro aspecto 
muito importante da Região Hidrográfica do São Francisco é o potencial como via 
de transporte, em especial no que diz respeito ao escoamento da produção agrícola 
da região. A Hidrovia do São Francisco permite a navegação em quatro trechos 
distintos, um no Alto São Francisco entre as cabeceiras até a Serra da Canastra em 
Pirapora, no estado de Minas Gerais, outro trecho no médio São Francisco entre 
Pirapora-MG e Remanso na Bahia. No Submédio, São Francisco se estende de 
Remanso-BA até Paulo Afonso-BA, daí em diante o trecho do Baixo São Francisco 
segue até a Foz no Oceano Atlântico (DNIT, 2016).
3.6 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO LESTE
A região hidrográfica do Atlântico Leste (Figura 34) drena uma área 
total com cerca de 388.160 km² e se estende por quatro estados: Bahia, Minas 
Gerais, Sergipe e Espírito Santo. A região engloba áreas de 491 municípios, 
que juntos equivalem a 3,9% do país. A população urbana representa 75% dos 
habitantes, destacando a elevada densidade demográfica que ocorre nas regiões 
metropolitanas de Salvador e Aracaju (BRASIL, 2015).
FIGURA 34 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO LESTE
FONTE: Brasil (2015, p. 30)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
139
Uma característica da região é que não há um rio principal que drena uma 
grande bacia hidrográfica, o que se apresenta é um conjunto de bacias hidrográficas 
costeiras que se agrupam em oito unidades hidrográficas: Vaza Barris, Litorânea BE-
SE, Itapicuru, Litorânea BA, Paraguaçu, Contas, Pardo Jequitinhonha e Litorânea 
ES-BA. Sendo que a maior demanda por recursos hídricos da Região Hidrográfica 
Atlântico Leste é para irrigação, abastecimento urbano de água, uso industrial, 
dessedentação animal, abastecimento da população rural. Sendo que essa demanda 
corresponde apenas a 5% da demanda nacional de água (BRASIL, 2015).
FIGURA 35 – DEMANDA POR ÁGUA NA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO LESTE
FONTE: Brasil (2015, p. 31)
Os principais temas para a gestão das águas na região hidrográfica do 
Atlântico Leste estão em torno da disponibilidade hídrica, para o abastecimento 
público e industrial e por consequência sobre a qualidade dessas águas, e ainda a 
demanda para irrigação que entre 2006 e 2012 registrou um crescimento de 46% 
nesse período.
Os biomas existentes na região hidrográfica do Atlântico Leste sofrem muita 
pressão antrópica por conta do desenvolvimento da pecuária, agricultura, extração 
de madeira e atividades de extrativismo. A caatinga foi bastante devastada pela 
expansão da pecuária para o sertão, a Mata Atlântica foi muito derrubada para 
exploração madeireira e substituição por plantações de cacau (LIMA, CANO, 
NASCIMENTO, 2016).
3.7 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE
Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná são as 
unidades da federação que têm áreas drenadas para a Região Hidrográficas 
do Atlântico Sudeste. Compreende 595 municípios e representa uma área de 
214.629 km² o que equivale a 2,5% do território nacional. A população da região 
é predominantemente urbana com alta densidade demográfica que chega a 131,6 
hab./km² (BRASIL, 2015).
140
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
Em parte, por conta da grande densidade demográfica populacional na 
região, que é a segunda região hidrográfica mais populosa e da consequente geração 
de grandes volumes de esgotos não tratados, ainda por conta do aumento das áreas 
de cultivos irrigados, bem como por conta da própria disponibilidade hídrica da 
região em alguns trechos de rios, a disponibilidade hídrica é bastante crítica. A região 
hidrográfica do Atlântico Sudeste apresenta grande variedade nas características 
individuais das bacias hidrográficas que compõem a região, pois em áreas distintas a 
região sofre tanto com enchentes, quanto com secas e estiagens (BRASIL, 2015).
FIGURA 36 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUDESTE
FONTE: Brasil (2015, p. 65)
Outro grande problema que ocorre na região é a ocupação irregular de áreas 
de encostas, ribeirinhas e de mananciais decorrente de um processo histórico de 
segregação social, agravado em parte pela especulação imobiliária (LIMA, CANO, 
NASCIMENTO, 2016).
Para acessar um produto cartográfico mais detalhado da RH Atlântico Sudeste, 
acesse no site da Agência Nacional de Águas o mapa da região hidrográfica Atlântico 
Sudeste, através do link: “https://www.ana.gov.br/todos-os-documentos-do-portal/
documentos-spr/mapas-regioes-hidrograficas/atlantico-sudeste-para-site-ana-a0.pdf”. 
DICAS
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
141
3.8 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARANÁ 
Podemos destacar a Região Hidrográfica do Paraná, tanto pela área que é 
a terceira maior região hidrográfica brasileira (BRASIL, 2006h), quanto pela sua 
grande importância no contexto nacional por drenar a região mais desenvolvida 
economicamente do país. A região drena uma área de 879.873 km2 (oitocentos 
e setenta e nove mil oitocentos e setenta e três quilômetros quadrados) que 
abrange áreas dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas 
Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal. Essa região está dividida em 11 
bacias hidrográficas (Figura 37), sendo elas: Aguapeí Peixe, Grande, Iguaçu, Ivaí, 
Paranaíba, Paranapanema, Piquiri, Tietê, Bacias de contribuição ao reservatório 
Ilha Solteira, Bacias de contribuição ao Reservatório de Itaipu e Afluentes da 
margem direita do Rio Paraná (BRASIL, 2015).
FIGURA 37 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARANÁ
FONTE: Brasil (2015, p. 97)
A Região Hidrográfica do Paraná abriga 32% (trinta e dois por cento) da 
população brasileira, ou seja, algo em torno de 64.322 habitantes (Tabela 7). Sendo 
que 93% da população vive em áreas urbanas. Nas áreas urbanas também estão 
muitas cabeceiras da região hidrográfica do Paraná, como na maior metrópole da 
América Latina, São Paulo, com mais de 11 milhões de habitantes, mas também 
Curitiba e Campinas, além de outros centros urbanos importantes como Brasília, 
Goiânia, Campo Grande, entre outros (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016). 
Nessa região hidrográfica encontramos a maior área irrigada do país, 
com mais de dois milhões de hectares o que corresponde a 36% do total de áreas 
irrigadas no Brasil (ANA, 2013 apud BRASIL, 2015). A demanda por recursos 
hídricos é crescente, sendo a irrigação a maior usuária do recurso. Em seguida 
142
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
temos a demanda industrial, para depois aparecerem outras demandas com 
porcentuais bem inferiores (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016). A retirada de 
água para irrigação ocorre principalmente na bacia do rio Mogi-Iguaçu e no Rio 
Paranaíba e afluentes (BRASIL, 2015).
No que diz respeito à distribuição de água os dados variam, mas apontam 
que 90% e 98% da população tenham acesso ao abastecimento por rede de água, 
em contrapartida o atendimento por rede coletora e tratamento de esgotos varia 
entre 38% na unidade hidrográfica de Piquiri e 96% de atendimento na Unidade 
Hidrográfica de Grande (LIMA; CANO; NASCIMENTO, 2016). O que indica 
nítida desigualdade no que diz respeito ao atendimento por rede coletora de 
esgotos. Todavia, quando se considera apenas as áreas urbanas a coleta de esgoto 
atende 70% da população (BRASIL, 2015).
TABELA 7 – CARACTERIZAÇÃO GERAL DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARANÁ
Bacias Hidrográficas Área aprox. (Km²)
Pop. Urbana 
(nº)
Pop. Rural 
(nº)
Pop. Total 
(nº)
Aguapeí Peixe 23.993 818.279 101.742920.021
Grande 143.624 7.706.767 871.229 8.577.996
Iguaçu 65.893 4.159.558 657.724 4.817.282
Ivaí 36.690 1.200.748 251.807 1.452.555
Bacias de contribuição 
ao reservatório Ilha 
Solteira
6.870 134.277 28.145 162.422
Bacias de contribuição 
ao reservatório Itaipu 13.007 596.479 102.669 699.148
Afluentes da margem 
direita do Rio Paraná 162.142 1.587.836 233.863 1.821.699
Paranaíba 223.564 8.293.935 469.571 8.763.506
Paranapanema 106.380 3.937.425 573.112 4.510.537
Piquiri 24.381 540.018 152.756 692.774
Tietê 73.548 28.154.616 717.716 28.872.332
FONTE: Brasil (2015, p. 98)
A cobertura vegetal original da região era composta Mata Atlântica e 
Cerrado, com diversas fisionomias de vegetação, a Savana, que denominamos 
de Cerrado e as florestas que compõem a Mata Atlântica: floresta ombrófila 
densa, floresta estacional semidecidual, floresta estacional decidual, bem como a 
floresta ombrófila mista que é a Mata de Araucária. Apesar da grande diversidade 
original, os desmatamentos em decorrência do intenso uso do solo ao longo 
dos ciclos econômicos da história brasileira levaram à descaracterização de boa 
parte da cobertura vegetal da Região Hidrográfica do Paraná (LIMA; CANO; 
NASCIMENTO, 2016, p. 336).
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
143
3.9 REGIÃO HIDROGRÁFICA PARAGUAI
A bacia hidrográfica do rio Paraguai é uma bacia transfronteiriça, pois 
drena áreas do Brasil, do Paraguai e da Bolívia (MARCUZZO; PEIXOTO, 2018). 
Dentro do território brasileiro, a Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai está inserida 
na Região Hidrográfica do Paraguai (Figura 38), que drena uma área com 363.446 
km² dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Assim, a região é dividida 
em duas grandes unidades hidrográficas, a do Pantanal e a do Planalto Paraguaio, 
ambas em território brasileiro. São 94 municípios que têm áreas drenadas para a 
Região Hidrográfica do Paraguai (BRASIL, 2015).
O rio principal da região hidrográfica é o próprio Rio Paraguai, que se 
apresenta com características típicas de um rio de planície. A maior parte da 
região hidrográfica está compreendida dentro do domínio do bioma Pantanal, 
sendo que o bioma Cerrado também ocorre em algumas áreas (LIMA; CANO; 
NASCIMENTO, 2016).
A unidade do Pantanal, abriga o Pantanal Mato-Grossense, que é uma das 
maiores extensões contínuas de áreas úmidas do planeta, tamanha importância 
elevou o bioma Pantanal a Patrimônio Nacional pela Constituição Brasileira de 
1988, também é declarado como reserva da Biosfera pela UNESCO e também como 
Patrimônio Natural da Humanidade (BRASIL, 2006i).
Acesse o mapa detalhado da região hidrográfica do Paraná, produzido pela 
Agência Nacional de águas. Confira em: https://www.ana.gov.br/todos-os-documentos-
do-portal/documentos-spr/mapas-regioes-hidrograficas/parana-para-site-ana-a0.pdf.
NOTA
144
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 38 – REGIÃO HIDROGRÁFICA DO PARAGUAI
FONTE: Brasil (2015, p. 90)
No que diz respeito à navegação fluvial a região hidrográfica está inserida 
em m dos maiores eixos de integração da América do Sul, que é formado pela 
hidrovia Paraná-Paraguai, que liga a cidade brasileira de Cáceres-MT à cidade 
uruguaia de Nueva Palmira, o trajeto da hidrovia tem cerca de 3.442 km de extensão 
(BRASIL, 2015).
TABELA 8 – CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA PARAGUAI
Bacias 
Hidrográficas
Área aprox. 
(Km²)
Pop. Urbana 
(nº)
Pop. Rural 
(nº)
Pop. Total 
(nº)
Pantanal 132.283 248.140 51.148 299.288
Planalto 
Paraguai 231.162 1.633.351 233.299 1.866.650
Total RH 
Paraguai 363.445 1.881.491 284.447 2.165.938
FONTE: Brasil (2015, p. 89)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
145
3.10 REGIÃO HIDROGRÁFICA URUGUAI
A Região Hidrográfica Uruguai (Figura 39) drena uma área de 274.300 
Km2, o que representa aproximadamente 3% do Território Nacional (BRASIL, 
2015). Constitui uma parcela do território muito importante para o país, tanto pelo 
potencial hidrelétrico, quanto pelas atividades agroindustriais desenvolvidas na 
região (BRASIL, 2006j). A região engloba 405 municípios dos estados de Santa 
Catarina e do Rio Grande do Sul (BRASIL, 2015, p. 149).
Como sabemos as delimitações naturais de uma bacia hidrográfica não 
respeitam fronteiras políticas, e, assim, a região hidrográfica Uruguai compreende 
apenas a porção brasileira de uma bacia hidrográfica transfronteiriça que drena 
áreas no Brasil, Argentina e Uruguai (BRASIL, 2006j). O principal rio da Região 
hidrográfica é o próprio Rio Uruguai, que se forma após a confluência dos rios 
Canoas e Pelotas. Materializando parte da linha divisória entre catarinenses e 
gaúchos, segue delimitando os dois estados até encontrar o território Argentino, 
onde o rio passa a delinear não mais o limite estadual, mas a fronteira do Brasil, 
no trecho do estado do Rio Grande do Sul com a Argentina, para então ao chegar 
ao Uruguai seguir como indicador da fronteira, porém a partir de então, entre 
Argentina e Uruguai (BRASIL, 2006j).
FIGURA 39 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA URUGUAI
FONTE: Brasil (2015, p. 150)
146
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
A bacia hidrográfica do Rio Uruguai apresenta grande potencial hidrelétrico, 
com a capacidade total estimada em 40,5 Kw/km², considerando toda a bacia e não 
apenas a região dentro do território brasileiro. Esse potencial é o maior potencial do 
mundo, apesar do subaproveitamento desse recurso, a geração de energia elétrica é 
destaque no trecho do Alto Rio Uruguai. Já no trecho médio da região, a demanda 
expressiva é por água para a irrigação, sendo 97% da demanda para a cultura de arroz. 
No trecho baixo do Rio Uruguai, o abastecimento urbano apresenta uma elevada 
demanda por água. E, de maneira geral, na Região Hidrográfica Uruguai, os serviços 
de coleta e tratamento de esgoto são precários, causam degradação da qualidade da 
água e impactam na qualidade do abastecimento e também em aspectos sanitários 
da população (BRASIL, 2015).
3.11 REGIÃO HIDROGRÁFICA ATLÂNTICO SUL
A Região Hidrográfica Atlântico Sul é subdividida em três unidades 
hidrográficas, Guaíba, Litorânea, Litorânea (Figura 40), sendo ainda subdividida em 
21 sub-bacias (BRASIL, 2006k). A região drena 464 (quatrocentos e sessenta e quatro) 
municípios nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul 
(BRASIL, 2015). Drena em torno de 2,2% do território brasileiro e abriga cerca de 6,8% 
da população do Brasil (BRASIL, 2006k). 
Para ter acesso ao detalhado mapa de Região Hidrográfica elaborado pela Agência 
Nacional de Águas, acesse o link da Agência Nacional de Águas e obtenha gratuitamente o 
material: https://www.ana.gov.br/todos-os-documentos-do-portal/documentos-spr/mapas-
regioes-hidrograficas/uruguai-para-site-ana-a0.pdf.
NOTA
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
147
FIGURA 40 – REGIÃO HIDROGRÁFICA DO ATLÂNTICO SUL
FONTE: <https://cutt.ly/ghMyxem>. Acesso em: 2 dez. 2020.
A característica predominantemente na região hidrográfica do Atlântico 
Sul são as pequenas bacias hidrográficas que escoam diretamente para o mar. 
Todavia, alguns rios de maior porte se destacam, como os rios Itajaí-Açu e o 
Capivari, em Santa Catarina, e os rios Taquari-Antas, Jacuí, Vacacaí e Camaquã no 
Rio Grande do Sul, esses rios do território Gaúcho estão integrados aos sistemas 
lagunares da lagoa Mirim e da lagoa dos Patos (BRASIL, 2015).
As maiores demandas de água da região se dão em função do atendimento 
da irrigação em especial da rizicultura e para uso industrial. A disponibilidade 
se agrava por conta dos efluentes domésticos e industriais, que se concentram 
particularmente próximas às regiões dos rios Itajaí-Açu e Guaíba, assim como 
em Joinville e na região metropolitana de Florianópolis em SC e Pelotas, Região 
metropolitana de Porto Alegre e vales dos rios Gravataí, Sinos e Caí no Estado do 
RS (BRASIL, 2015).
148
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 41 – IMAGEM DO MAPA DAS UNIDADES HIDROGRÁFICAS DA REGIÃO HIDROGRÁFICAATLÂNTICO SUL
FONTE: Brasil (2006k, p. 24)
3.12 REGIÃO HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA
A região hidrográfica amazônica compreende a área do território brasileiro, 
que está inserida na bacia hidrográfica do Rio Amazonas, que drena áreas de sete 
países, são eles: Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela, ou 
seja, é uma bacia hidrográfica transfronteiriça. Entre as nascentes mais distantes nas 
encostas da Cordilheira dos Andes, onde nasce o Rio Solimões, que no encontro com 
o Rio Negro forma o Rio Amazonas, e a Foz do Rio Amazonas no Oceano Atlântico 
são mais de 6.000 km de distância, drenando uma área com cerca de 6.925.674 km² da 
Amazônia, que é um bioma muito importante e variado (BRASIL, 2006a).
Além da importância por conta da biodiversidade da Amazônia, a 
disponibilidade de recursos hídricos é destaque, pois a rede hidrográfica amazônica, 
que ordena o escoamento superficial através de rios, lagos, igarapés que existem 
drenando o enorme volume de água que passa pela foz e assim deságua no oceano 
Atlântico (BRASIL, 2006a). 
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
149
Quando consideramos apenas o território brasileiro, a região hidrográfica 
amazônica (Figura 42) abrange uma área de aproximada 3.870.000 km², o que 
equivale a cerca de 45% do território nacional. Drena áreas de sete Estados: Acre, 
Amazonas, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará e Mato Grosso e assim configura 
uma grande rede hidrográfica (BRASIL, 2015). 
FIGURA 42 – IMAGEM DO MAPA DA REGIÃO HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA
FONTE: <https://cutt.ly/jhMy502>. Acesso em: 2 dez. 2020.
Amazônia, Amazônia Legal e Região Hidrográfica Amazônica são nomenclaturas 
semelhantes, que representam diferenças importantes. Amazônia diz respeito ao bioma que 
ultrapassa as fronteiras brasileiras, sendo que Amazônia legal é uma delimitação realizada 
pela perspectiva do desenvolvimento regional da Amazônia localizada dentro dos limites do 
território brasileiro, enquanto Região Hidrográfica Amazônica apesar de também ser restrita 
ao território brasileiro é ainda menor que a Amazônia Legal, pois compreende apenas as 
bacias litorâneas do Amapá e as áreas em que a drenagem superficial escoa em direção à 
foz do Rio Amazonas.
DICAS
A Região Hidrográfica Amazônica é uma delimitação física e possui uma 
área menor do que a denominada Amazônia Legal (Figura 43) que possui um 
caráter voltado ao desenvolvimento regional (BRASIL, 2006a).
150
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
FIGURA 43 – IMAGEM COMPARATIVA ENTRE OS LIMITES DA BACIA HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA 
E A AMAZÔNIA LEGAL
FONTE: BRASIL (2006, p. 25)
A Região Hidrográfica Amazônica é subdividida em 29 unidades (Tabela 
9), além da Foz do Amazonas, do Igarapé Rio Branco e das bacias litorâneas do 
Amapá, são sete regiões interbacias e 19 bacias hidrográficas dos rios principais. 
São drenados ao todo 313 munícipios com população em torno de 9.694.728 de 
pessoas (BRASIL, 2015). 
 
TABELA 9 – UNIDADES HIDROGRÁFICAS DA REGIÃO HIDROGRÁFICA AMAZÔNICA
Bacias 
Hidrográficas
Área 
aprox. 
(ha)
Sedes 
municipais 
(nº)
Pop. 
Urbana 
(nº)
Pop. 
Rural (nº)
Pop. Total 
(nº)
Xingu 512.279 23 291.803 221.571 513.374
Tapajós 493.986 49 922.564 325.580 1.248.144
Madeira 551.429 70 1.355.887 542.835 1.898.722
Purus 355.395 18 467.666 158.840 626.506
Juruá 178.107 16 208.603 138.807 347.410
Jutaí 79.195 1 10.552 9.183 19.735
Javari 82.288 6 0 11.038 11.038
Araguari 37.738 5 25.964 15.661 41.625
Curuá 28.147 2 33.503 35.513 69.016
Iça 19.277 3 63.565 31.950 95.515
Japurá 108.436 5 46.756 40.562 87.318
Jari 58.094 2 48.206 10.469 58.675
Jatapu 69.639 2 15.790 27.717 43.507
Litorânea AP 26.055 4 22.663 10.323 32.986
Jauari 3.592 1 25.466 7.545 33.011
Igarapé Rio 
Branco 12.006 1 8.959 11.839 20.798
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL
151
Negro 598.116 24 1.559.426 195.484 1.754.910
Nhamundá 31.520 3 23.473 33.869 57.342
Trombetas 126.900 1 40.147 37.046 77.193
Paru 58.503 2 44.530 30.483 75.013
Oiapoque 18.904 1 13.852 3.808 17.660
Foz do Amazonas 101.194 18 691.142 267.415 958.557
Interbacia Xingu-
Tapajós 45.129 2 29.284 96.422 125.706
Interbacia Purus-
Madeira 51.226 4 31.392 100.898 132.290
Interbacia Negro-
Uatumã 18.696 5 817.190 39.113 856.303
Interbacia 
Madeira-Tapajós 95.596 6 141.990 133.169 275.159
Interbacia Jutaí-
Juruá 1.390 - 0 376 376
Interbacia Juruá-
Purus 84.379 - 114.402 42.639 157.041
Interbacia Javari-
Jutaí 31.991 - 31.991 27.807 59.798
RH Amazônica 3.879.207 274 7.086.766 2.607.962 9.694.728
FONTE: Brasil (2015, p. 18)
A região possui ainda um enorme potencial natural para o transporte 
fluvial, uma vez que os rios da região naturalmente permitem a navegação em 
mais de 50.000 km de trechos navegáveis (BRASIL, 2006a).
4 A IMPORTÂNCIA DA AMAZÔNIA NA DISTRIBUIÇÃO DOS 
RECURSOS HÍDRICOS NA AMÉRICA DO SUL
Muito maior do que a região hidrográfica brasileira ou do que a delimitação 
da Amazônia Legal, o bioma Amazônico ocupa boa parte do continente Sul-
americano, é transfronteiriço, e como destacado por Rocha, Francis e Fonseca (2015).
A Amazônia é a única grande extensão contínua de floresta tropical 
úmida do mundo. Com uma área de aproximadamente 6,5 milhões de km², que 
corresponde a 56% das florestas tropicais da Terra, a Amazônia desempenha 
um importante papel nas trocas de energia, umidade e massa entre a superfície 
continental e a atmosfera, fornecendo serviços ambientais fundamentais para a 
manutenção do clima regional e global, tais como: o armazenamento e absorção 
do excesso de carbono da atmosfera, o transporte de gases traço, aerossóis e vapor 
d’água para regiões remotas e, principalmente, a reciclagem de precipitação. A 
floresta amazônica também atua como uma das fontes indispensáveis de calor 
152
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
para a atmosfera global por meio de sua intensa evapotranspiração e liberação de 
calor latente de condensação, na média e alta troposfera em nuvens convectivas 
tropicais, contribuindo na geração e manutenção da circulação atmosférica em 
escalas regional e global (ROCHA, FRANCIS, FONSECA, 2015).
Assim, empurrada pelos ventos, essa água é levada através do ciclo 
hidrológico. Trata-se de uma quantidade imensa de água que evapora do oceano 
atlântico equatorial segue através da planície amazônica, precipitando e evaporando 
continuamente até ser distribuída pela continente Sul-americano (figura 45). Ao 
atingir a Cordilheira dos Andes essa barreira natural força o ar para cima, ao 
subir a pressão atmosférica fica menor, e como já vimos sobreo ciclo da água, o ar 
expande e a umidade condensa. Uma parte da umidade que evaporou e chegou 
até Os Andes pode se manter em suspensão na atmosfera ou precipitar. Quando a 
precipitação ocorre nas vertentes leste da Cordilheira dos Antes, esta pode ser na 
forma de chuva ou neve, e vai abastecer as cabeceiras da Bacia Amazônica. 
A umidade que permaneceu no ar é empurrada em direção ao norte 
da Argentina e leva umidade até o Sudeste e o Sul do Brasil, demonstrando a 
importância desse sistema de distribuição da umidade. Sem a Amazônia e sem 
a Cordilheira dos Andes não haveria tantas chuvas no Sudeste e Sul do Brasil. 
Nesse sentido, Arraut e Satyamurty (2009 apud ROCHA, FRANCIS, FONSECA, 
2015) mostraram que a atividade convectiva sobre o sul do Brasil e norte da 
Argentina é influenciada pelo transporte de umidade através da fronteira sul da 
bacia amazônica, realizado pelos Jatos de Baixos Níveis (JBNs) a leste dos Andes.
Conforme a compilação apresentada por Rocha, Francis e Fonseca (2015, 
p. 60) “A Amazônia representa uma importante fonte de umidade para o Centro, 
Sudeste e Sul do Brasil, assim como para o norte da Argentina, incluindo a bacia 
do Prata, contribuindo para a ocorrência de precipitação nessas regiões”.
FIGURA 44 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS RIOS E LAGOS AÉREOS QUE SE FORMAM 
SOBRE A AMÉRICA DO SUL NA ESTAÇÃO ÚMIDA
FONTE: Arraut et. al. (2012, p. 548)
TÓPICO 3 — DIVISÕES HIDROGRÁFICAS DO BRASIL153
Acesse o caderno do professor, nomeado “Os rios voadores, a Amazônia 
e o clima brasileiro”, disponível em: http://riosvoadores.com.br/wp-content/uploads/
sites/5/2015/04/Caderno-Professor-Rios-Voadores-2015-INTERNETppp.pdf. 
DICAS
Na mesma linha, Barbosa (2015, p. 31), em compilação realizada, apresenta 
“A reciclagem da umidade, o processo no qual a evapotranspiração das regiões 
continentais retorna como precipitação sobre o continente, é particularmente 
importante para o ciclo hidrológico da América do Sul”. O que inclui não só as 
três sub-bacias integrantes da Bacia hidrográfica do rio da Prata (Rio Paraguai, 
Rio Paraná e Rio Uruguai), mas também pode atingir as cabeceiras do Rio São 
Francisco localizadas na Serra da Canastra em Minas Gerais.
154
UNIDADE 2 — ANÁLISE DE BACIAS HIDROGRÁFICAS
ANÁLISE MORFOMÉTRICA DE UMA BACIA HIDROGRÁFICA COSTEIRA: 
UM ESTUDO DE CASO
Os estudos relacionados com as drenagens fluviais sempre possuíram 
função relevante na Geomorfologia. Além disso, a análise da rede hidrográfica 
pode levar à compreensão e à elucidação de numerosas questões geomorfológicas, 
pois os cursos de água constituem processo morfogenético dos mais ativos na 
esculturação da paisagem terrestre. 
O estudo teve o objetivo de explorar a geomorfologia da bacia do rio 
Anil através de uma análise morfométrica. A rede hidrográfica, responsável 
pela drenagem de uma bacia, apresenta nas cartas topográficas configurações ou 
arranjos espaciais dos canais fluviais que refletem a estrutura geológica (litológica 
e tectônica) e a evolução morfogenética regional. Essas configurações definem 
diferentes padrões ou modelos de drenagem básicos (dendrítico, paralelo, 
retangular, treliça, radial e anelar) e combinações de padrões. A bacia hidrográfica 
ou a bacia de drenagem é constituída pelo conjunto de superfícies que, através de 
canais e tributários, drenam água de chuva, sedimentos e substâncias dissolvidas 
para um canal principal cuja vazão ou deflúvio converge numa saída única (foz 
do canal principal num outro rio, lago ou mar). As bacias hidrográficas são 
delimitadas pelos divisores de água e seus tamanhos podem variar desde dezenas 
de metros quadrados até milhões de metros quadrados. As bacias de tamanhos 
diferentes articulam-se a partir dos divisores de água, integrando um sistema de 
drenagem organizado hierarquicamente. Assim, dependendo da saída única que 
for escolhida, uma bacia pode ser subdividida em sub-bacias e microbacias de 
menor dimensão (GRANELL-PÉREZ, 2001).
Em grande velocidade e proporção, a ocupação urbana tem se acentuado 
sobre áreas em infraestrutura (ou redes de serviços e equipamentos urbanos) para 
receber tal expressão que tais contingentes populacionais provocam no contexto 
geral da ocupação regional, no caso, do contexto geral da ocupação regional, 
relativo ao espaço físico-geográfico, passando pelas estruturas urbanas até o meio 
ambiente – no qual destaca-se o recurso água. Quanto às interferências, no espaço 
urbano, cabe lembrar que apropriações do espaço em tal escala e velocidade têm 
efeitos prolongados de degradação ambiental. Sendo assim, de 1980 para 1999, 
a bacia de drenagem do rio Anil foi intensamente modificada pela crescente 
urbanização na bacia em estudo. Cabe aqui a proposta de realização de um estudo 
mais detalhado sobre as modificações na bacia de drenagem de 1980 a 1999.
FONTE: ALCÂNTARA, E. H.; AMORIM, A. de J. Análise morfométrica de uma bacia hidrográfica 
costeira: um estudo de caso. Caminhos de Geografia n. 7, v. 14, p. 70-77, fev./2005. Disponível 
em: www.ig.ufu.br/caminhos_de_geografia.html. Acesso em 12 nov. 2020.
LEITURA COMPLEMENTAR
155
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A divisão hidrográfica brasileira pode considerar uma ou mais bacias 
hidrográficas.
• Uma região hidrográfica pode (ou não) abranger mais de uma bacia 
hidrográfica.
• No Brasil, são definidas 12 regiões hidrográficas. 
• Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia drena áreas do Distrito Federal, 
Goiás, Tocantins, Pará, Maranhão e Mato Grosso. 
• Região Hidrográfica do Atlântico Nordeste Ocidental drena grande parte do 
estado do Maranhão e uma pequena área do Pará.
• Região Hidrográfica do Parnaíba drena áreas do Ceará, Maranhão e Piauí. 
• Região Hidrográfica Atlântico Nordeste Oriental ocupa áreas dos estados do 
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. 
• Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco recebe o escoamento superficial de 
áreas do distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas e 
Sergipe.
• Região Hidrográfica do Atlântico Leste recebe a drenagem de partes dos 
estados da Bahia, Minas Gerais, Sergipe e Espírito Santo. 
• Região Hidrográfica Atlântico Sudeste escoa para o mar águas drenadas de 
parte dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo 
e Paraná.
• A Região Hidrográfica do Paraná drena uma das áreas mais desenvolvidas 
do país, escoando as águas superficiais de parte dos estados de São Paulo, 
Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Distrito 
Federal. 
• Região Hidrográfica do Paraguai drena áreas nos estados do Mato Grosso e 
Mato Grosso do Sul englobando as áreas do Pantanal mato-grossense.
• Região Hidrográfica do Uruguai drena áreas de Santa Catarina e do Rio 
Grande do Sul. O curso do rio principal, o Rio Uruguai, serve como parte 
do limite estadual entre SC e RS, sendo que, em seguida, passa a delimitar 
a borda do território brasileiro na fronteira entre o estado brasileiro do Rio 
Grande do Sul e a Argentina. 
156
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CHAMADA
• Região Hidrográfica do Atlântico Sul drena as bacias hidrográficas costeiras 
de parte do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. 
• Região Hidrográfica Amazônica merece destaque especial por se tratar 
da parte brasileira da maior bacia hidrográfica do Planeta, drena parte da 
América do Sul abrangendo o Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana, 
Peru e Venezuela. No Brasil, drena áreas nos estados de Roraima, Amapá, 
Pará, Amazonas, Acre, Rondônia e Mato Grosso. 
• É importante distinguir no Bioma Amazônia, a divisão regional, a região 
hidrográfica e a Amazônia legal.
• A Amazônia é um importante sistema hídrico, e se destaca no Planeta pela 
quantidade de água transportada.
157
1 Considerando o conceito de bacia hidrográfica, assim como a divisão brasileira 
das regiões hidrográficas, analise as afirmativas a seguir e classifique V para 
verdadeiro e F para falso:
( ) O Brasil pode ser dividido em doze bacias hidrográficas.
( ) A Bacia do rio Paraná drena apenas áreas da região Sul do Brasil, o que 
incluí os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
( ) A Região Hidrográfica do Amazonas corresponde à porção brasileira da 
Bacia Hidrográfica do Rio Amazonas.
( ) A circulação atmosférica que passa sobre a Amazônia carrega umidade 
desde o oceano Atlântico Equatorial até o sudeste brasileiro.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – F – V – V.
b) ( ) F – V – V – V.
c) ( ) V – F – V – F. 
d) ( ) V – V – F – V.
2 Para o melhor entendimento da questão hidrográfica no Brasil, é importante 
ter em mente a distribuição dessas bacias no território nacional, assim como 
se torna muito importante o conhecimento sobre as regiões hidrográficas 
e suas particularidades. Sabendo que o conceito de bacia hidrográfica é 
diferente do conceito de região hidrográfica, analise as afirmativas a seguir:
I- As bacias hidrográficas são delimitadas exclusivamente por aspectos físicos.
II- As regiões hidrográficas brasileiras apesar de considerar os divisores de 
águas na delimitação física dessas regiões respeitam os limites políticos 
dos estados, pois cada estado da federação é soberano sobre a gestão das 
águas dentrodos territórios estaduais.
III- Região hidrográfica e bacia hidrográfica são termos que apesar de 
diferentes indicam exatamente o mesmo conceito.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
b) ( ) Somente a sentença III está correta.
c) ( ) Somente a sentença I está correta. 
d) ( ) Somente a sentenças I e III estão corretas.
3 O Brasil é relativamente privilegiado no que diz respeito à distribuição dos 
recursos hídricos. Algumas bacias hidrográficas brasileiras são transfronteiriças, 
ou seja, drenam áreas do território brasileiro, mas também se estendem por 
território estrangeiro, enquanto outras tem todo o percurso do rio principal, 
assim como a totalidade das áreas drenadas dentro do território nacional. 
Com isso, assinale a alternativa CORRETA que apresenta apenas bacias 
hidrográficas que se localizam inteiramente dentro do território brasileiro: 
AUTOATIVIDADE
158
a) ( ) Bacia Hidrográfica do rio Tocantins, Bacia hidrográfica do rio Uruguai.
b) ( ) Bacia Hidrográfica do rio Uruguai, Bacia Hidrográfica do rio Amazonas.
c) ( ) Bacia Hidrográfica do rio São Francisco, Bacia Hidrográfica do rio 
Parnaíba. 
d) ( ) Bacia Hidrográfica do rio Amazonas, Bacia Hidrográfica do rio Paraná.
159
REFERÊNCIAS
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Nordeste Setentrional. 2020. Disponível em: https://bit.ly/2J8E1HQ. Acesso em: 
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brasileiras. Edição especial. Brasília: ANA, 2015. Disponível em: http://www.
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BRASIL. Caderno da região hidrográfica Tocantins-Araguaia. Brasília: MMA. 
2006b.Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/161/_publicacao/161_
publicacao02032011035943.pdf. Acesso em: 13 nov. 2020.
BRASIL. Caderno da região hidrográfica Atlântico Nordeste Ocidental. 
Brasília: MMA. 2006c. Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/161/_
publicacao/161_publicacao03032011024629.pdf. Acesso em: 16 nov. 2020.
160
BRASIL. Caderno da região hidrográfica do Parnaíba. Brasília: MMA. 2006d. 
Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/161/_publicacao/161_
publicacao03032011023605.pdf. Acesso em: 16 nov. 2020.
BRASIL. Caderno da região hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental. 
Brasília: MMA. 2006e. Disponível em: https://www.mma.gov.br/estruturas/161/_
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BRASIL. Lei nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de 
Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos 
Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o 
art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 
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164
165
UNIDADE 3 — 
USO E CONSERVAÇÃO DOS 
RECURSOS HÍDRICOS 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender a importância da água como recurso natural e como bem 
de consumo;
• distinguir os diferentes usos da água;
• entender as consequências do uso inadequado dos recursos hídricos;
• diferenciar os tipos de poluição que afetam os recursos hídricos;
• entender aspectos gerais da legislação brasileira sobre recursos hídricos.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, 
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo 
apresentado.
TÓPICO 1 – USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
TÓPICO 2 – POLUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
TÓPICO 3 – USO LEGAL DOS RECURSOS HÍDRICOS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos 
em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá 
melhor as informações.
CHAMADA
166
167
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O uso dos recursos hídricos ocorre nas mais diversas atividades humanas. 
Quando se observa o espaço geográfico, facilmente observa-se algum tipo de 
interferência antrópica no ciclo hidrológico. A atividade humana, assim que 
estabelecida, passa a interferir com menor ou maior influência, seja no pisoteamento 
da vegetação, que estabelece uma trilha de passagem e acelera o processo de 
erosão; seja na construção de uma grande usina hidrelétrica, que armazena água 
em um enorme reservatório, aumentando consideravelmente a superfície do corpo 
de água, influenciando, assim, nas taxas de evaporação; ou, ainda, na urbanização, 
que impermeabiliza o solo e interfere na infiltração e no escoamento superficial, 
levando a muitas consequências – e, por vezes, desastrosas.
As águas subterrâneas também são afetadas pelo desenvolvimento 
das atividades antrópicas, conforme Tundisi e Tundisi (2011, p. 53) destacam: 
“Quando determinada área é desenvolvida para uso humano, muitos sistemas 
que retêm a água do ciclo hidrológico são removidos. Há um aumento rápido 
do escoamento urbano, por causa da pavimentação e da retirada da vegetação, 
fatores fundamentais na recarga dos aquíferos”. 
A utilização da água para a irrigação de lavouras; produção de aves, suínos 
e bovinos; consumo urbano; bem como para fins industriais e mesmo estruturais, 
como na geração de energia elétrica e na navegação, apresentam conflitosde 
interesse. Assim como os agrotóxicos utilizados no cultivo de alimentos nas áreas 
rurais, ou mesmo efluentes industriais e domésticos, que são lançados sem o devido 
tratamento nos rios, contaminando o ambiente e até mesmo em casos extremos 
atingindo locais de captação de água para abastecimento urbano. A disponibilidade 
de recursos hídricos além dos aspectos naturais, depende também da forma que a 
humanidade trata os ecossistemas, sendo muito importante o destaque de Tundisi 
e Tundisi de que “os benefícios dos usos dos ecossistemas aquáticos ao homem são 
múltiplos e variados e, além de apresentarem repercussão econômica, têm valores 
estéticos e culturais” (TUNDISI; TUNDISI, 2011, p. 62). Com isso, temos em mente a 
importância da manutenção dos ecossistemas aquáticos para a existência humana, 
pois, como destaca Derisio (2012, p. 20):
A água é patrimônio comum, cujo valor deve ser reconhecido por todos. 
Cada um tem o dever de economizá-la e de utilizá-la com atenção. 
Cada indivíduo é um consumidor e um utilizador da água. E como tal, 
tem uma responsabilidade para com os outros consumidores. Usar a 
água de maneira imprudente significa abusar do patrimônio natural. 
TÓPICO 1 — 
USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
168
Assim, reforça-se o papel individual que cada ser humano deve adotar ao 
reconhecer que é danoso o impacto das próprias atitudes sobre o planeta, assim, é 
esperado que se eleve o comprometimento pessoal e, que nas escolhas cotidianas, 
passem a ser mais considerados os reflexos dessas escolhas sobre o Planeta Terra. 
Uma vez que após se obter o conhecimento sobre as causas e consequências da 
poluição e da degradação ambiental que afeta não só os recursos hídricos, mas todo 
o equilíbrio natural do Planeta Terra, continuar a ter hábitos degradantes torna-se 
uma escolha que desrespeita os demais indivíduos que coabitam o Planeta.
2 ÁGUA POTÁVEL E SANEAMENTO BÁSICO E LAZER
Acesso a água potável é uma carência em muitos lugares do Planeta, 
sendo que no Brasil temos algumas áreas constantemente afetadas por períodos 
de estiagem, áreas do semiárido estão periodicamente sujeitas ao período seco 
do ano, alguns períodos de secas mais intensos que em outros, porém áreas do 
Sul e do Sudeste do Brasil também são afetadas por estiagens, que podem afetar 
a disponibilidade de água doce em muitas localidades. Por outro lado, a falta de 
redes coletoras, bem como as deficiências no tratamento dos esgotos, podem levar 
até mesmo à contaminação das pessoas através da água, uma vez que quando 
não há destinação correta dos esgotos, estes, em geral, são direcionados sem o 
devido tratamento para as águas superficiais, e mesmo para as águas subterrâneas, 
contaminando o lençol freático (CLARKE; KING, 2005).
Assim como existem dificuldades de obtenção de água em algumas áreas 
do país, em outras áreas, como nas periferias e como em muitas zonas urbanas, 
a rede de distribuição de água de abastecimento uma boa parcela da população, 
porém na média nacional apenas 53% das localidades que recebem atendimento 
da rede de distribuição de água também são atendidas com rede coletora de 
esgotos, sendo que apenas 46% desse esgoto gerado é tratado (SNIS, 2019), 
levando a diferentes e irregulares formas de descarte dos esgotos, sendo que em 
muitos casos o descarte ocorre diretamente nas águas da drenagem superficial, é 
o despejo in natura do esgoto doméstico nos cursos d’água. 
2.1 POTABILIDADE
A água para consumo humano deve ser potável, aqui deve ser entendido 
que água limpa é diferente de água potável, por exemplo: em uma praia qualquer do 
litoral, que tenha água limpa (ideal para um banho de mar). Só porque a água está 
água limpa, não quer dizer que a água seja potável, pois a água potável deve seguir 
o padrão de potabilidade, que, no Brasil, é estabelecido pela portaria nº 518/2004, do 
Ministério da Saúde, que define água potável como “água para consumo humano 
cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão 
de potabilidade que não ofereça riscos à saúde” (BRASIL, 2004). A mesma portaria 
estabelece o padrão de potabilidade da água, em que são elencadas as substâncias 
químicas que representam riscos à saúde e aos valores máximos permitidos, bem 
como a ausência total de coliformes, pois estes indicam a presença de agentes 
patógenos, que são organismos potencialmente transmissores de doenças.
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
169
Para ser potável, além de estar potencialmente livre de agentes patógenos, 
a água deve apresentar concentrações dentro do estabelecido. Dessa maneira, é 
necessário que sejam realizadas análises químicas para detecção e quantificação 
de elementos orgânicos e inorgânicos, por exemplo: cobre, chumbo, flúor, arsênio, 
cádmio, mercúrio, entre muitos outros potencialmente perigosos para a saúde dos 
seres humanos. Podemos destacar, ainda, as análises de níveis de salinidade e PH 
(BRASIL, 2004). Entre tantos parâmetros definidos pelos órgãos governamentais 
competentes, como Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Saúde e CONAMA, 
cabe destacar que o objetivo das análises é de garantir que a água destinada ao 
consumo humano tenha características físicas, químicas e biológicas dentro de 
padrões estabelecidos como requisitos de potabilidade indicando a qualidade da 
água destinada ao consumo humano.
2.2 BALNEABILIDADE
Assim como a potabilidade indica a qualidade de água para consumo, 
a Balneabilidade indica a condição da água para banho nas praias, balneários, 
rios e lagos destinados à atividade de recreação. A Balneabilidade classifica se 
a água analisada está própria ou imprópria para realização de atividades de 
contato direto, como o banho de mar. A classificação ocorre através da análise da 
quantidade da bactéria Escherichia coli (E.coli), a contagem ocorrem em amostras 
de 100 ml de água. A presença dessa bactéria está relacionada a contaminação 
fecal, pois é uma bactéria encontrada nas fezes, e assim indica um potencial de 
contaminação. O termo potencial é utilizado pois as fezes que contaminam a água 
podem ou não conter agentes patogênicos (DERISIO, 2012).
3 USOS FREQUENTES DA ÁGUA E ASPECTOS AMBIENTAIS 
RELACIONADOS
Podemos facilmente listar alguns dos diversos usos aos quais destinamos 
nossa água, primordialmente necessitamos de água para beber, mas também 
utilizamos água para irrigar o jardim, resfriar equipamentos nas indústrias, 
irrigar de lavouras, processar alimentos nas indústrias, enviar de volta para a 
natureza o nosso esgoto sanitário tratado ou não, enfim são muitos os usos que 
fazemos de forma direta ou indireta da água e a maneira como a sociedade se 
relaciona com a água pode ser a diferença entre a escassez e a disponibilidade. 
Assim, a seguir, entenderemos um pouco mais alguns aspectos do uso da água.
3.1 ABASTECIMENTO HUMANO
O abastecimento humano é prioritário em caso de escassez de água. No 
Brasil, o aumento da população levou a um acréscimo na demanda por água e, 
ao mesmo tempo, a ocupação das áreas dos mananciais de água, que deveriam 
ser protegidos, pois existe uma legislação para isso. A proteção dos mananciais, 
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
170
apesar da ampla legislação sobre o assunto, não ocorreu adequadamente no Brasil, 
levando a uma fragilização que degradou muitos dos mananciais de águas, tanto 
das metrópoles quanto das pequenas cidades (TUNDISI; TUNDISI, 2011). 
Uma questão importante para observar na conta de água é o valor referente 
ao tratamento de esgotos. Em geral, uma porcentagem do consumo é refletida 
como taxa de esgoto, uma vez que a maior parte da água que consumimos nas 
torneiras de casa são quase que imediatamente lançadas como efluente, ou seja, a 
água encanada quase que imediatamente após ser aberta a torneira, descarga ou 
chuveiro vira esgoto a ser tratado. 
3.2 CONSUMO INDUSTRIAL
O consumo industrial de água apresenta uma grande demandapor 
água, cerca de 20% de toda água utilizada no mundo é empregada em processos 
industriais, desde a geração de energia até a fabricação de produtos químicos e 
derivados de petróleo, passando pela indústria de metal, madeira, papel e celulose, 
processamento de alimentos entre outras. Em geral, a industrialização agrava 
problemas em relação à poluição. Em países subdesenvolvidos, em torno de 70% 
do lixo industrial é despejado sem tratamento nas águas (CLARKE; KING, 2005). 
Para fabricação de 1 kg de gasolina, são necessários 10 litros de água, sendo 
ainda que no processo de fabricação de Aço, para cada 1 kg produzido de aço são 
necessários 95 kg de água e para a produção de um quilograma de papel são empregados 
324 litros de água (CLARKE; KING, 2005).
NOTA
3.3 CONSUMO AGROPECUÁRIO
A atividade agrícola depende diretamente da disponibilidade de água 
para obter sucesso no empreendimento, sendo assim, contar apenas com as chuvas 
naturais pode tornar o negócio muito arriscado. Dessa maneira, a demanda por 
água para irrigação e abastecimento rural ganha destaque. Entretanto, modelos 
antigos de irrigação que tem baixo aproveitamento da água ainda são utilizados, 
apesar de que sistemas e técnicas mais modernos garantem maior retorno 
econômico para o agricultor e ao mesmo tempo garantem o uso racional da água 
(TUNDISI; TUNDISI, 2011).
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
171
O consumo de água pelo setor agropecuário é fundamental para garantir 
a produção e o processamento dos produtos. Com isso, o setor agropecuário 
entra em destaque, pois além de utilizar elevadas quantidades de água, também é 
responsável por gerar poluição e dano ambiental por conta do mal uso de defensivos 
agrícolas e fertilizantes, além da contaminação gerada a partir da má destinação dos 
excrementos animais gerados e dos resíduos industriais dessas (DERISIO, 2012).
Os usos agropastoris da água são diversificados desde a dessedentação 
animal até a rega artificial das plantações de alimentos que eventualmente são 
comidos crus. Com isso, a qualidade da água utilizada se reflete na saúde dos 
animais que a bebem, assim como na saúde daqueles que comem os frutos, 
hortaliças, legumes ou cogumelos irrigados, pois uma água contaminada pode 
contaminar que consome direta ou indiretamente essa água (DERISIO, 2012).
Cerca de 70% de toda a água consumida no mundo tem como destino a 
utilização na agricultura, seja na irrigação das lavouras e pastagens, na dessedentação 
do rebanho ou processamento agroindustrial. Tamanha demanda por água na 
produção de alimentos não se reflete em uma população mundialmente bem 
alimentada, pois, nas regiões úmidas, em geral, as populações estão mais alimentadas 
do que em regiões secas. Países em desenvolvimento destinam grandes quantidades 
de água doce para irrigação, porém a carência tecnológica resulta em enorme 
desperdício dessa água, enquanto a irrigação em países industrializados é bem mais 
eficiente. Parte da importância da irrigação para a agricultura, pode ser entendida 
com a informação de que apenas 17% das lavouras do mundo são irrigadas, porém 
são responsáveis por mais de 1/3 da produção agrícola (CLARKE; KING, 2005).
3.4 RECREAÇÃO
As águas interiores do Brasil representam importante parcela dos 
negócios de Turismo e recreação, com atividades econômicas importantes para as 
economias locais que sobrevivem das épocas de temporada de turismo (TUNDISI; 
TUNDISI, 2011).
As atividades de recreação são importantes para o desenvolvimento 
social dos indivíduos. Muitas das atividades de recreação da atualidade são 
desenvolvidas na água ou próximas dela. Atividades como pesca esportiva, 
mergulho contemplativo, natação, surfe, remo, vela entre tantos outros podem ser 
divididos em atividades de contato primário, aquelas que o indivíduo entra em 
contato direto com a água, e as atividade de contato secundário onde o indivíduo 
não tem contato direto com a água. Por exemplo, um passeio de barco é uma 
atividade de contato secundário, pois os participantes não entram em contato com 
a água, enquanto a natação, por exemplo, é uma atividade de contato primário pois 
o participante entra em contato direto com o líquido. Podendo ainda atividades 
como hospedagem em um hotel com vista para o mar ou um lago ser entendida 
como atividade ligada a água, sem contato, mas por conta de ser parte integrante 
da paisagem se torna destaque (DERISIO, 2012).
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
172
3.5 SANEAMENTO
O saneamento básico é a principal forma de evitar a proliferação de 
muitas doenças, bem como pode ser entendido também como o ponto de partida 
para implementar a melhoria das condições de vida dos habitantes das áreas com 
saneamento básico precário, uma vez que a devida destinação das fezes e demais 
dejetos humanos evita a proliferação de muitas doenças infecciosas. O tratamento 
dos esgotos está diretamente relacionado com a saúde pública, pois cerca de 1,7 
milhão de mortes por ano no mundo estão relacionadas com água suja e falta do 
saneamento básico, sendo que a maior parte desses óbitos ocorrem na África e no 
Sudeste Ásia (CLARKE; KING, 2005).
4 A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NA GERAÇÃO DE ENERGIA 
ELÉTRICA
Apesar da importância da água na geração de energia hidrelétrica 
elétrica, talvez a única relação que muitos possam fazer entre água e geração de 
energia elétrica é na geração hidrelétrica, com seus lagos das represas das usinas 
hidrelétricas. Devemos entender que outras formas de geração de energia elétrica 
também dependem da água. As usinas nucleares utilizam água no resfriamento dos 
reatores, nas usinas termelétricas a água é aquecida e o vapor gerado movimenta 
turbinas de geração de energia, ou ainda na produção de energia elétrica a partir 
da energia acumulada nos oceanos, como a geração maremotriz, em que é o 
movimento da água nas trocas de maré que movimentam turbinas que produzem 
energia elétrica, ou ainda a energia ondomotriz que utiliza a energia das ondas.
Com isso destacamos a importância da geração de energia elétrica em 
relação à utilização de água. A geração de energia hidrelétrica aproveita a atração 
gravitacional do planeta e coloca a força da gravidade para gerar energia elétrica, 
de forma generalista a atividade não gera diretamente poluição atmosférica.
Para saber mais sobre a geração de energia elétrica no Brasil? Fica como dica de 
leitura o Caderno Setorial de Recursos Hídricos: Geração de Energia Hidrelétrica editado pelo 
Ministério do Meio Ambiente (item 2). Confira: https://cnrh.mdr.gov.br/inserir-documentos-
nos-artigos/pnrh/linha-do-tempo/2343-caderno-geracao-energia-eletrica/file.
DICAS
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
173
4.1 ENERGIA HIDRELÉTRICA
Os recursos hídricos, impulsionados para baixo pela força da gravidade 
formam o principal potencial de geração de energia elétrica no Brasil, assim a energia 
hidroelétrica brasileira tem um aproveitamento em torno de 35% do potencial 
disponível, todavia cabe destacar que na região sudeste o potencial de geração de 
energia hidrelétrica está quase todo utilizado (TUNDISI; TUNDISI, 2011).
A energia hidrelétrica tem grande importância como matriz energética 
brasileira, é uma forma de geração de energia elétrica que utiliza a passagem de 
água por turbinas e assim transformar a energia da força da gravidade, que move a 
água em energia elétrica a partir do represamento de um curso d’água e da criação 
de um reservatório artificial de água, com o volume suficiente para que a vazão 
através de dutos seja capaz de movimentar turbinas. A energia elétrica gerada 
em usinas hidrelétricas é a mais importante fonte mundial de energia renovável, 
apesar de não emitir poluentes na geração de energia o custo socioambiental do 
alagamento de grandes áreas é elevado (CLARKE; KING, 2005). 
A energia elétrica é uma das componentes da infraestrutura que apresenta 
muitos impactos ao meio ambiente, desde os processos de geração até os processos 
de transmissão edistribuição, afetando em especial os ambientes aquáticos e 
ribeirinhos, com alterações profundas no curso do rio, na área de alagamento 
(REIS, CUNHA, 2006).
4.2 ENERGIA MAREMOTRIZ
A energia maremotriz emprega a força da inteiração gravitacional entre a 
Terra, a Lua e o Sol para gerar energia elétrica. O movimento ritmado das marés 
astronômicas são reflexos da atração gravitacional que mantem a Lua na órbita 
da Terra. Por isso, percebemos o nível do mar subir e descer continuamente, 
sendo o aproveitamento desse movimento capaz de gerar energia elétrica 
(PORTOGENTE, 2016). 
Existem diferentes propostas de aproveitamento da energia das marés na 
geração de energia elétrica. Uma aproveita a velocidade do fluxo da água acelerada 
pela troca de maré (figura 1). Tavares (2005, p. 3) destaca que “esse sistema parece 
vantajoso, devido aos baixos impactos ambientais e à facilidade de implantação”. 
Outro sistema opera represando as águas em um estuário gerando energia de forma 
semelhante a uma hidrelétrica. Existem algumas usinas de energia maremotriz em 
funcionamento, a mais antiga foi construída em 1966 e fica na França, é a barragem 
de maré de La Rance (TAVARES, 2005)
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
174
FIGURA 1 – ILUSTRAÇÃO DA INSTALAÇÃO DAS TURBINAS PARA GERAÇÃO DE ENERGIA 
MAREMOTRIZ
FONTE: Fachot (2014, p.18)
4.3 ENERGIA ONDOMOTRIZ
Energia ondomotriz é a energia elétrica gerada a partir do aproveitamento 
da força das ondas do mar, uma usina de ondas utiliza o sobe desce da superfície 
do mar para movimentar boias conectadas a grandes braços, que são a alavanca 
propulsora do sistema de geração de energia elétrica. No Brasil, foi desenvolvido 
um sistema que aplicou um diferencial que inclui pressão hidráulica no processo 
de geração de energia ondomotriz. O Porto de Pecém, no estado do Ceará recebeu 
a instalação experimental de uma usina de Ondas, porém o projeto demonstra um 
retorno financeiro negativo com pouca atração de investimento (NASCIMENTO, 
2017). É uma alternativa para geração de energia elétrica de baixo impacto ambiental.
4.4 ENERGIA NUCLEAR
A utilização de água na geração de energia elétrica em usinas nucleares é 
fundamental, pois a reação atômica que ocorre libera muito calor e a água é utilizada 
no processo de geração de energia elétrica e no resfriamento dos reatores. O grande 
problema ambiental desse uso da água é o descarte de água quente em ambientes 
naturais modificando a temperatura da água nesses locais, o que pode ser fatal para 
organismos que vivam nesses ambientas. Entretanto, como destacado pela Agência 
Nacional de Águas: 
A energia ondomotriz ainda é um tema com muito a ser desenvolvido. Para 
conhecer um pouco mais sobre o assunto, fica como dica de leitura a matéria do Portal 
Biossistemas Brasil, intitulada “Energia das ondas no Brasil”. Confira: http://www.usp.br/
portalbiossistemas/?p=7953.
NOTA
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
175
“Das formas de produção de eletricidade, a usina nuclear é uma das 
menos agressivas ao meio ambiente. Ainda assim, a possibilidade de 
a unidade provocar grande impacto socioambiental é um dos aspectos 
mais controversos de sua construção e operação. Isto porque toda a 
cadeia produtiva do urânio – da extração à destinação dos dejetos 
derivados da operação da usina – é permeada pela radioatividade” 
(BRASIL, 2008a. p. 127).
A utilização de usinas nucleares para geração de energia elétrica é bastante 
controversa, ao mesmo tempo que um dos argumentos é de que é uma energia limpa, 
os riscos envolvidos na cadeia produtiva são elevados e, como a história aponta, 
acidentes radioativos são catastróficos e de consequências graves e duradouras. 
No Brasil, as usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 estão em funcionamento 
desde 1985 e 2000 respectivamente, sendo que Angra 3 está construção, todas 
localizadas em Angra dos Reis, no litoral do estado do Rio de Janeiro, geram 
energia elétrica, amenizando a pressão sobre os reservatórios de água das usinas 
hidrelétricas (ELETRONUCLEAR, 2018).
FIGURA 2 – USINA NUCLEAR ANGRA 2
FONTE: <https://www.eletronuclear.gov.br/Nossas-Atividades/PublishingImages/angra_2.jpg>. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Você pode fazer um tour virtual, ou seja, visitar através da internet as 
instalações da usina nuclear Angra 2. Confira em: https://www.eletronuclear.gov.br/Visite-
nos/Documents/Tour%20Angra/index.html aproveite a visita virtual e bons estudos.
NOTA
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
176
Sendo importante destacar os grandes riscos que se apresentam na utilização 
de energia nuclear, por conta dos elementos radioativos envolvidos, qualquer 
acidente com material radioativo tem potencial para ser catastrófico.
O uso de material radioativo está presente não só na geração de energia 
elétrica que utiliza o Urânio, mas também na medicina, como as máquinas de Raio 
X e acidentes envolvendo radiação, que, em geral, são extremamente graves. Com 
relação às usinas nucleares, para geração de energia elétrica, podemos destacar 
os acidentes nas usinas de Chernobyl (1986) e Fukushima (2011), mas também 
devemos citar acidentes envolvendo equipamentos radiológicos, como o caso do 
Césio 137, ocorrido no Brasil, onde na cidade de Goiânia, em 1987, um equipamento 
radiológico que pertencia ao governo brasileiro estava em um prédio abandonado. 
Ele foi encontrado por pessoas que buscavam por materiais recicláveis. Ao desmonte 
do equipamento, a capsula de Césio 137 foi violada. O conjunto de fatos resultou 
em uma grande tragédia. 
Esses e outros fatos engrossam o discurso contra o uso da energia nuclear e 
nos mostram a importância das normas de segurança na utilização de equipamentos 
radiológicos e o intenso controle das normas de segurança se justificam. Assim, 
tamanho controle serve como argumento em prol da utilização de fontes nucleares 
para geração de energia elétrica. O tema é polêmico e deve ser considerado com 
muita seriedade.
4.5 TRANSPORTE: AS HIDROVIAS BRASILEIRAS
A navegação é um meio de transporte antigo e eficaz, porém nem todo 
curso d’água é navegável, mesmo grandes rios podem ter obstáculos naturais para 
a navegação. A navegação e o transporte realizados nos rios são denominados 
respectivamente de navegação fluvial e transporte fluvial, é um meio de transporte 
amplamente difundido e vantajoso, como afirmam Azevedo, Fresqui e Trsic 
(2014, p. 92): “É um meio de transporte global, mais barato e menos poluente do 
que o transporte terrestre”.
O transporte hidroviário brasileiro é subutilizado no que diz respeito 
à movimentação interna de cargas, pois representa menos de 15% (quinze por 
cento) do total de cargas transportadas. (POMPERMAYER; CAMPOS NETO; DE 
PAULA, 2014). 
4.6 HIDROVIA DO SOLIMÕES AMAZONAS
A rica malha fluvial da bacia hidrográfica amazônica confere um grande 
potencial de navegação, apesar da grande importância da navegação fluvial para a 
região que tem como característica a extensa área de floresta cortada por diversos 
rios ainda possui grande potencial que pode ser aproveitado (POMPERMAYER; 
CAMPOS NETO; DE PAULA, 2014). Atualmente, a hidrovia Solimões Amazonas 
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
177
é fundamental para o comércio interno e externo da região amazônica. O 
transporte hidroviário movimenta 65% das cargas da região amazônica, sendo 
que a estrutura hidroviária é composta tanto por trechos de correntes livres 
quanto por trechos onde foram construídos canais navegáveis, e conta com mais 
de 70 terminais e portos (DNIT, 2016a).
A foz do Rio Amazonas é um grande delta com muitas ilhas e canais 
(Figura 3), ampliando a importância da hidrovia, que segue até Manaus. O trajeto é 
importante não só para a navegação de cabotagem, mas também para navegação de 
longo curso, além da navegação interior que abastece as comunidades ribeirinhas. 
Na hidrovia, percebe-se desde atividades de turismo e lazer com barcos de recreio, 
embarcações ribeirinhas, balsas de cargas e derivadosde petróleo, além de navios 
mercantes e graneleiros (DNIT, 2016a).
FIGURA 3 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA HIDROVIA DO SOLIMÕES/AMAZONAS 
EM SEU TRECHO DE MANAUS A BELÉM
FONTE: DNIT (2015a. s.p.)
4.7 HIDROVIA DO MADEIRA
A hidrovia do Rio Madeira (figura 4) é a principal via de transporte das 
comunidades que vivem mas suas margens, sendo também a segunda mais 
importante da Amazônia, sendo um rio que permite navegação entre Porto Velho/
RO e a foz no rio Amazonas, em Itacoatiara/AM; e permite a navegação de grandes 
comboios, que transportam grandes cargas, configurando uma excelente via para o 
escoamento da produção de grãos do Estado do Mato Grosso (DNIT, 2016b).
Com 1.056 km (um mil e cinquenta e seis quilômetros) de extensão é navegável 
desde a cidade de Porto Velho/RO até sua foz no Rio Amazonas, entre a capital 
amazonense Manaus e a cidade de Itacoatiara/AM. Essa hidrovia apresenta grande 
potencial, em especial por conta das condições naturais do rio Madeira, que permitem 
uma navegação segura (POMPERMAYER; CAMPOS NETO; DE PAULA, 2014).
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
178
FIGURA 4 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA HIDROGRAFIA DO RIO MADEIRA
FONTE: DNIT (2015b, s.p.)
4.8 HIDROVIA DO MERCOSUL
A Hidrovia do Mercosul se estende por 1860 km (DNIT, 2018c). 
Compreende trechos navegáveis dos rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos, Gravataí e 
Jaguarão que se interligam através do lago do Guaíba e atingem a lagoa dos Patos, 
onde também deságua o rio Camaquã, a hidrovia segue através do canal de São 
Gonçalo adentrando a lagoa Mirim por onde se tem acesso ao Uruguai. Sendo, 
ainda, que a Bacia hidrográfica do Rio Uruguai também é incluída como trecho 
integrante da hidrovia do Mercosul, por conta da possibilidade de navegação 
desde o Rio Ibicui e a cidade de São Borja-RS até os portos de Nova Palmira, 
Montevideo e Buenos aires (DNIT, 2016c).
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
179
FIGURA 5 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA HIDROVIA DO MERCOSUL
FONTE: DNIT (2015c, s.p.)
4.9 HIDROVIA DO PARAGUAI
A hidrovia do Paraguai atravessa boa parte da América do Sul, desde 
Cáceres/MT no Brasil até Nova Palmira no Uruguai, onde tem sua foz no rio da 
Prata. O trecho brasileiro vai até a foz do rio Apa, na fronteira com o Paraguai. 
Em território nacional, a hidrovia do rio Paraguai, quando considerado apenas 
os trechos navegáveis durante o ano todo, percorre aproximadamente 1.270 km. 
Contudo, existem muitos outros trechos que são navegáveis apenas na época da 
cheia do rio e que quando considerados a hidrovia pode chegar a ter 3.100 km de 
extensão (POMPERMAYER; CAMPOS NETO; DE PAULA, 2014). 
No trecho brasileiro a hidrovia do rio Paraguai tem suas cabeceiras muito 
acima de Cáceres/MT, que por sua vez é o trecho mais a montante da hidrovia e no 
trajeto até Corumbá/MS a confluência do rio Cuiabá que é um importante afluente 
que permite a navegação até a capital do estado de Mato Grosso, sendo um trecho 
importante da hidrovia. A cidade de Coxim se integra a rede hidroviária através do 
rio Taquari. Através do rio Miranda desde a cidade de Miranda é possível navegar 
até Porto Esperança, na foz junto ao rio Paraguai, o trecho navegável continua até 
Porto Murtinho, e segue para logo depois, junto à foz do rio Apa, deixar o território 
brasileiro (DNIT, 2016d).
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
180
FIGURA 6 – IMAGEM DO PERCURSO DA HIDROVIA DO RIO PARAGUAI EM TERRITÓRIO BRASILEIRO
 FONTE: DNIT (2015d, s.p.)
4.10 HIDROVIA DO PARNAÍBA
A hidrovia do rio Parnaíba marca um longo trecho da divisa entre os 
estados do Piauí e Maranhão (figura 7) são incluídos nessa hidrovia trechos do 
próprio rio Parnaíba, mas também o trecho navegável do rio Balsas. A hidrovia 
atravessa 54 municípios, sendo navegável por um trecho de 1176km. Ela apresenta 
um trajeto com presença de bancos de areia e alguns afloramentos rochosos, de 
forma geral é uma hidrovia com pouco potencial para se desenvolver em especial 
por conta das condições de navegação (DNIT, 2018e).
Possui seu trajeto segmentado em três trechos, Alto Parnaíba, que vai das 
nascentes até o encontro com o Rio Gurgueia, com cerca de 784 km de extensão; a 
Barragem de Boa Esperança marca o fim desse trecho. Na sequência, o trecho do 
médio Parnaíba permite a navegação por outros 312 km até o Rio Poti. Sendo que 
o trecho do baixo Parnaíba percorre 389 km desde o rio Poti até a foz no rio São 
Francisco (DNIT, 2016e; DNIT, 2018e).
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
181
FIGURA 7 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA HIDROVIA DO PARNAÍBA
FONTE: DNIT (2015e, s.p.)
4.11 HIDROVIA DO SÃO FRANCISCO
As águas do ‘Velho Chico’, o rio são Francisco, são navegadas 
comercialmente desde o início do Século XVI, porém a primeira obra para 
melhorar a navegação que foi a barragem de Três Marias foi realizada entre 1957 e 
1961. Através da hidrovia do São Francisco (figura 8) é possível percorrer trechos 
entre os estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, são 1.400 
km de rotas fluviais com potencial de navegação aproveitado. O potencial de 
percursos navegáveis na hidrovia do São Francisco chega a 4.100 km de percurso 
(POMPERMAYER; CAMPOS NETO; DE PAULA, 2014).
A hidrovia do rio São Francisco é a via mais econômica para ligação 
entre o Centro sul do país com o Nordeste, ao todo são 2.354 km de extensão e 
integra uma cadeia multimodal de exportação de produtos agrícolas como grão e 
algodão, além de frutas e cana de açúcar, bem como produtos da avicultura e de 
mineração com destaque para o gesso e o calcário (DNIT, 2018f).
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
182
Dentre os terminais portuários da hidrovia do São Francisco, cabe destacar 
o de Pirapora/MG, Ibotirama/BA, Juazeiro/BA, Barra/BA, Barreiras/BA, Bom Jesus 
da Lapa/BA, Santa Maria da Vitória/BA, Santa Maria da Boa Vista/PE e Petrolina/
PE. É uma hidrovia com grande potencial, todavia é necessário o investimento em 
obras de infraestrutura para construir eclusas para viabilizar uma ampliação do 
aproveitamento do potencial da hidrovia do rio São Francisco (DNIT, 2016f).
FIGURA 8 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO
FONTE: DNIT (2015f, s.p.)
4.12 HIDROVIA DO TAPAJÓS/TELES PIRES
A bacia hidrográfica do Tapajós-Teles Pires está inserida na Bacia hidrográfica 
amazônica. A cabeceira está localizada na cidade de Sorriso/MT, sendo navegável 
após a cachoeira rasteira até a foz em Santarém/PA, onde desagua no Rio Amazonas 
(DNIT, 2016g). A hidrovia Tapajós-Teles Pires é bastante estratégica, em especial para 
escoamento da produção agrícola do Mato Grosso, pois configura uma grande via de 
integração da região Centro-oeste com a região Norte e assim permite o escoamento 
da produção de grãos do Centro-Oeste do Brasil (DNIT, 2018g). 
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
183
A hidrovia Tapajós/Teles Pires é dividida em três trechos, baixo Tapajós, 
Montante de Buburé e cidade de Jacareanga, sendo que o potencial para aproveitamento 
da hidrovia ultrapassa 1.000 km de vias navegáveis (POMPERMAYER; CAMPOS 
NETO; DE PAULA, 2014). O Baixo Tapajós está localizado entre Santarém/PA e 
Itaituba/PA, permite a navegação o ano todo e apresenta diversas ilhas fluviais. O 
trecho entre São Luís do Tapajós e Chacorão contém muitos obstáculos, afloramentos 
rochosos, saltos e corredeiras (DNIT, 2018g).
FIGURA 9 – IMAGEM DO MAPA COM A VISÃO DA HIDROVIA DO TAPAJÓS
FONTE: DNIT (2015g, s.p.)
4.13 HIDROVIA PARANÁ TIETÊ
A hidrovia Paraná-Tietê possui trechos nos estados de São Paulo, Paraná, 
Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, é bastante integrada com rodovias, 
ferrovias e dutovias, compondo um importante sistema de transporte multimodal 
de escoamento da produção (DNIT, 2016h). Nos limites da hidrovia Paraná-Tietê 
estão inseridos 286 municípios, sendo os principais as cidades de São Paulo/SP, 
Campinas/SP, Guarulhos/SP, Londrina/PR, Foz do Iguaçu/PR, Três Lagos/MS e 
Araguari/MG(DNIT, 2019).
Composta por um conjunto de eclusas em sequência como cascatas, 
que permite a navegação entre os lagos das barragens de usinas hidrelétricas 
nos rios Paraná e Tietê. A hidrovia se estende dentro do território brasileiro 
por aproximadamente 1900 km, são oito barragens com eclusas que permitem 
a navegação na hidrovia, porém as barragens de Itaipu e da Ilha Solteira não 
possuem eclusas e são barragens que limitam o potencial hidroviário. Quando os 
afluentes navegáveis são considerados a hidrovia Paraná Tietê pode atingir 4.800 
km navegáveis (POMPERMAYER; CAMPOS NETO; DE PAULA, 2014).
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
184
FIGURA 10 – IMAGEM DETALHANDO OS SEIS TECHOS DA HIDROVIA DO PARANÁ.
FONTE: DNIT (2015h, s.p.)
4.14 HIDROVIA TOCANTINS-ARAGUAIA
A hidrovia Tocantins-Araguaia tem vias navegáveis que se estendem 
por 1.152 km, porém os trechos não são totalmente interligados e em outros a 
navegação só é possível durante a época das cheias (DNIT, 2016i).
No rio Tocantins são 712 km navegáveis divididos em três trechos (figura 
11), de Imperatriz/MA até Marabá/PA são 214 km, outro trecho de Marabá/PA até 
Tucuruí/PA são mais 244 km que permitem a navegação. No trecho seguinte são 
mais 245 km navegáveis entre a barragem em Tucuruí/PA e a foz em Abaetetuba/
PA (ANTAQ, 2013).
TÓPICO 1 — USO DOS RECURSOS HÍDRICOS
185
FIGURA 11 – IMAGEM DO MAPA COM VISÃO GERAL DA HIDROVIA DO TOCANTINS EM SEU 
TRECHO DE MARABÁ À FOZ, PASSANDO PELA ECLUSA DE TUCURUÍ
FONTE: DNIT (2015i, s.p.)
Apesar da navegação ser possível apenas na época da cheia no rio Araguaia, 
existem três trechos navegáveis, que juntos somam 1.818km de extensão, desde a 
foz no rio Tocantins até a cidade goiana de Baliza. 
O trecho navegável a montante do rio Araguaia inicia em Baliza/GO e 
segue descendo o rio até Barra da Garça/MT. São 58 km navegáveis que apesar 
da limitação imposta pela profundidade mínima de 0,8 m é um trecho viável. Na 
sequência, o trecho que vai de Barra do Garça/MT até Aruanã/GO são outros 288 
km navegáveis. De Aruanã/GO até a foz no rio Tocantins o terceiro e mais extenso 
trecho navegável do rio Araguaia são mais 1.472 km (ANTAQ, 2013).
A hidrovia Tocantins-Araguaia conta ainda com um importante afluente do 
rio Araguaia, o rio das Mortes, que apresenta um trecho navegável de 567 km, entre 
Nova Xavantina/MT e São Félix do Araguaia/MT, onde está a foz (DNIT, 2016i).
186
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os recursos hídricos são importantes para diversas atividades humanas, 
porém algumas destas atividades podem interferir na dinâmica natural do 
ciclo das águas, afetando águas subterrâneas, águas da superfície, além da 
água na atmosfera e nas geleiras.
• Em muitos lugares do Planeta a água potável é escassa. Alguns lugares que 
a poucas décadas atrás estavam em áreas de grande disponibilidade hídrica 
atualmente estão passando por crises de abastecimento de água potável.
• A potabilidade um conjunto de características que a água deve ter para poder 
ser consumida com segurança, o padrão de potabilidade é estabelecido pela 
Portaria nº 518/2004 do Ministério da saúde. A Balneabilidade é a indicação 
das características da água que indicam se a água está própria ou imprópria 
para o contato direto como o banho de mar, por exemplo.
• O abastecimento humano é prioritário em caso de escassez de água. 
• O consumo industrial é o destino de 20% de toda água captada no mundo.
• Nos países subdesenvolvidos, 70% do lixo industrial é despejado sem 
tratamento nas águas.
• A agropecuária é uma atividade diretamente dependente dos recursos 
hídricos, 7% da água captada no mundo tem como destino a agricultura.
• A água como recreação impulsiona a indústria do turismo que, por sua vez, 
necessita da boa qualidade das águas como atrativo importante.
• Doenças podem ser transmitidas pela água, sendo que o saneamento 
é a principal forma de evitar a proliferação dessas doenças, onde há mais 
saneamento há menos mortes por doenças relacionadas com a água suja.
• A geração de energia elétrica nas mais variadas modalidades de geração, em 
muito, depende da água. Entre as modalidades de geração de energia elétrica 
que ganham destaque em razão da utilização de água estão as hidrelétricas, 
termoelétricas, ondomotriz e a energia nuclear.
• As hidrovias brasileiras têm seus percursos nos grandes rios brasileiros, 
representam uma via de transporte pouco explorada e a subutilização das 
hidrovias implica na utilização do transporte rodoviário que tem custo mais 
elevado. 
RESUMO DO TÓPICO 1
187
• As hidrovias brasileiras atravessam grandes porções do território nacional. 
São nove grandes hidrovias brasileiras: Solimões/Amazonas, Madeira, 
Mercosul, Paraguai, Parnaíba, São Francisco, Tapajós/Teles Pires, Paraná/
Tietê, Tocantins-Araguaia. 
• Cada uma das regiões hidrográficas apresenta características próprias e 
riquíssimas na diversidade, pois se apresentam a partir de ambientes, ecossistemas 
e ocupação do solo que imprimem características próprias aos lugares.
 
188
1 As hidrovias brasileiras têm seus percursos nos grandes rios brasileiros e 
tem seu potencial pouco explorado, enquanto se investe na utilização do 
transporte rodoviário que tem custo mais elevado. São nove as hidrovias 
brasileiras que, em seus trajetos, atravessam grandes porções do território 
nacional. Com base no exposto, assinale a alternativa CORRETA que 
apresenta apenas hidrovias:
a) ( ) Madeira, Parnaíba e São Francisco.
b) ( ) Tamoios, Tocantins e Raposo Tavares.
c) ( ) Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
c) ( ) Amazonas, Tocantins e Paraguai.
2 A geração de energia elétrica é uma necessidade estratégica para uma nação, 
por conta disso certos impactos ambientais são aceitáveis em projetos de 
construção de usinas de geração de energia. No Brasil, podemos destacar 
grandes usinas de geração de energia elétrica nas diferentes modalidades. 
Temos usinas nucleares, termoelétricas e hidrelétricas em pleno 
funcionamento. Com base nisso, analise as afirmativas a seguir:
I- O Brasil não consome combustíveis fósseis na geração de energia elétrica.
II- As usinas nucleares de Angra1 e Angra 2 já em operação e Angra 3, ainda 
em construção, estão localizadas no Estado do Rio de Janeiro.
III- A construção de Usinas hidrelétricas pode interromper fluxos naturais, 
impedindo não só migrações de peixes, mas também a navegação ao longo 
dos rios. 
IV- O Brasil possui diferentes fontes de geração de energia elétrica.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I, III e IV estão corretas.
b) ( ) As afirmativas I e IV estão corretas.
c) ( ) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa IV está correta.
3 A geração de energia hidrelétrica no Brasil ocupa papel fundamental na 
produção elétrica nacional, com isso, barragens para criação de reservatórios 
estão presentes nos mais diversos rios nacionais e transnacionais que cruzam 
ou delimitam grandes porções do território brasileiro, ao mesmo tempo, 
existem dificuldades no escoamento da produção agrícola e industrial do 
interior até os grandes centros e portos de exportação, por conta da grande 
dependência do transporte rodoviário. Assim, considerando que existem 
rios que se estendem por longos trechos através do país, inclusive compondo 
diversas hidrovias, disserte sobre a o compartilhamento dos recursos hídricos 
entre a geração de energia hidrelétrica e a navegação nas hidrovias. A resposta 
esperada deve versar sobre redes de transporte fluvial ou terrestre, conflitos 
e soluções adotadas para permitir a navegação nas hidrovias.
AUTOATIVIDADE
189
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O ser humano é poluidor e, desde o desenvolvimento da mais antiga 
técnica de agricultura, o ser humano passou a demandar de recursos naturais. 
Ao retirar a diversidade da vegetação natural e cultivar algumas poucas espécies, 
a agricultura passou a interferir na dinâmica natural do Planeta. Conformea 
agricultura foi se desenvolvendo, a população foi crescendo e, para alimentar 
mais pessoas, as florestas foram sendo derrubadas e o solo consumido. Os solos 
ricos em fósforo e potássio logo após algumas safras são exauridos, o que levava 
a derrubada de novas áreas. Seguindo na linha do tempo do desenvolvimento 
dos seres humanos, logo teve início a exploração de metais como ferro, cobre, 
chumbo, prata, níquel, ouro, entre outros (GALDINO, 2015).
Assim, no decorrer da pré-história, quando nossos ancestrais passaram a 
modificar o meio natural em que viviam, em especial, com o surgimento da agricultura, 
a poluição teve início. Podemos pensar o início da produção do espaço geográfico, em 
que cultivou-se de vegetais, em seguida, pastoreio, domínio de técnicas para produção 
de ferramentas e demais artefatos. Assim, a população mundial foi crescendo e as 
quantidades de resíduos também passaram a crescer, acumular e contaminar solo, 
ar e água. Um momento importante na história da poluição é a revolução industrial, 
ocorrida em meados do Século XVII, ampliando as concentrações urbanas em torno 
das áreas industriais que se desenvolveram, impulsionadas pela máquina a vapor, 
que resultou na intensificação do consumo dos recursos naturais do Planeta e resultou 
também na elevação das emissões atmosféricas, despejo de resíduos líquidos, e 
descartes de resíduos sólidos (GALDINO, 2015).
O crescimento populacional pós-revolução industrial elevou muito a 
exploração dos recursos naturais do Planeta e resultou na poluição e degradação 
ambiental. O desenvolvimento industrial e o desenvolvimento da agricultura 
seguiram contribuído de forma negativa para a manutenção das condições 
ambientais do Planeta Terra, de forma quase despercebida até que o livro “silente 
spring”, traduzido para o português como “Primavera silenciosa”, da bióloga Rachel 
Carson, trouxe à tona o problema da poluição ambiental e do uso dos agrotóxicos, 
despertando diversos setores da sociedade para o problema (GALDINO, 2015). 
Atualmente, a poluição é um problema grave em muitos locais do planeta e, em 
geral, os recursos hídricos são muito afetados pelos diferentes tipos de poluição.
TÓPICO 2 — 
POLUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
190
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
2 O QUE É POLUIÇÃO?
Poluição é uma palavra com origem no latim polluo, que significa sujar 
ou manchar, em língua portuguesa o verbete conforme apresentado no dicionário 
é o “ato ou efeito de poluir(-se) [...]”, e assim ao verificar o significado de poluir, 
encontra-se “Sujar, corromper, tornando prejudicial à saúde. 2. Sujar, macular. 
3. Manchar ou macular, [...] 4. Cometer ação infamante; corromper-se, perverter-
se,” (FERREIRA, 1988, p. 516). Podemos entender o conceito de poluição como 
as interferências que prejudicam os processos de transmissão de energia no 
ecossistema (CARVALHO, 1981 apud MENDONÇA; MENDONÇA, 2017). 
No Brasil, por força da Lei nº 6.938/1981, foi criada a Política Nacional 
de Meio Ambiente, que no Art. 3°, inciso III, estabelece: 
Poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividade 
que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c) afetem desfavoravelmente a biota; 
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões 
ambientais estabelecidos (BRASIL, 1981).
Com isso já é possível entender que poluição em todos seus sentidos 
é algo ruim. A poluição antropogênica, ou seja, aquela que é causada pelo ser 
humano, pode atingir a água, o ar, o solo, mas também pode ser evitada com o 
devido tratamento.
Para entender a fonte da poluição é necessário reconhecer a origem do 
lançamento dos efluentes contaminados, que podem ser pontuais ou difusas. 
As fontes pontuais de poluição são aquelas onde a emissão ocorre de forma 
concentrada em um local específico, o que torna possível identificar a origem 
da poluição, enquanto as fontes poluidoras difusas a origem só pode ser 
determinada de forma indireta (GALDINO, 2015). No caso de rios contaminados 
por agrotóxicos, por exemplos, a origem é a agricultura, porém dificilmente será 
possível apontar qual propriedade foi responsável pela contaminação.
A poluição pode apresentar efeitos diretos e indiretos. Efeitos diretos, 
por exemplo, são as doenças causadas por conta do ar poluído, enquanto efeitos 
indiretos são as doenças causadas pela ingestão de alimentos contaminados por 
poluentes do solo (GALDINO, 2015).
3 TIPOS DE POLUIÇÃO
Ao abordar os tipos de poluição pelo enfoque dos recursos hídricos, 
Derisio (2012) elenca as quatro principais, mas não as únicas fontes.
TÓPICO 2 — POLUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
191
3.1 POLUIÇÃO NATURAL
A poluição que não está relacionada com atividades humanas, é causada 
por conta da ocorrência de chuvas e escoamento superficial, mas também por conta 
da salinização de aquíferos ou ainda pela decomposição de vegetais e animais 
principalmente em ambientes naturalmente eutrofizados, em geral, é um tipo de 
poluição onde não são aplicadas medidas diretas de controle (DERISIO, 2012).
3.2 POLUIÇÃO INDUSTRIAL
A Poluição industrial consiste em resíduos sólidos, líquidos e gasosos 
gerados em processos de produção, como na produção de papel e celulose, em 
refinarias de petróleo, em usinas de açúcar e álcool, siderúrgicas, metalúrgicas, 
farmacêuticas, químicas, abatedouros de animais e frigoríficos, curtumes, têxteis, 
entre diversas outras atividades potencialmente poluidores e que, quando não 
são tomados os devidos cuidados no tratamento dos resíduos industriais, estes 
agridem o meio ambiente (DERISIO, 2012).
Uma das principais substâncias que as indústrias lançam no meio ambiente 
estão os poluentes orgânicos, que afetam gravemente os ecossistemas aquáticos 
consumindo o oxigênio dissolvido na água, deixando os animais sem oxigênio para 
sobreviver. Os metais pesados, como chumbo e mercúrio, resultantes de processos 
industriais mas também de atividades ilegal de garimpo e ainda outros produtos 
químicos ainda mais perigosos, conhecidos como Poluentes orgânicos persistentes 
(POPs), que seguem pela cadeia alimentar e podem contaminar quem se alimenta 
de organismos contaminados (CLARKE; KING, 2005).
A poluição industrial é relevante para os recursos hídricos pois segundo 
Clarke e King “A indústria utiliza cerca de 20% de toda a água doce consumida 
no planeta” (2005, p. 38). Esse percentual é equivalente a um consumo de 130.000 
litros por cada habitante do planeta por ano, metade desse volume é utilizado 
na produção de energia elétrica, sendo que a indústria química, petrolífera, 
metalúrgica, de madeira, papel e celulose, bem como as indústrias de processamento 
de alimentos e de maquinas, que são grandes consumidoras de água, o processo 
de industrialização gerou uma demanda consideravelmente alta por água para fins 
industriais. Nos países mais ricos e altamente industrializados, mais da metade de 
toda a água consumida é destinada à utilização industrial (CLARKE; KING, 2005). 
O uso industrial da água gera efluentes. Em alguns casos, os efluentes 
são submetidos a tratamentos eficazes e são lançados de volta ao ambiente sem 
impactos aos recursos hídricos, no entanto, são poucos os exemplos em que isso 
ocorre. Devemos tornar crítico o olhar para a realidade. Em especial, no tocante 
dos países em desenvolvimento, que, do total dos resíduos industriais lançados 
no meio ambiente, em torno de 70% dos resíduos industriais são lançados sem 
tratamento nas águas (CLARKE; KING, 2005).
192
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
O lançamento de efluentes indústrias das mais diversas fontes causa a 
contaminação das águas, atingindo águas superficiais e subterrâneas (CLARKE; 
KING, 2005). Além dos efeitos da contaminação dos solos, o processo de 
industrialização gerou grandes quantidades de resíduos industriais,muitos deles 
prejudiciais à saúde humana.
3.3 POLUIÇÃO URBANA
A poluição urbana é gerada pela população das cidades, os esgotos 
domésticos são a principal forma de poluição urbana das águas (DERISIO, 2012). 
A contaminação dos aquíferos urbanos pode ser em parte consequência da má 
localização de alguns aterros sanitários ou da má instalação, que permitem a 
contaminação do solo, assim como das águas subterrâneas, através da precipitação 
e da infiltração, em especial, quando estão localizados próximos ou em áreas de 
recarga dos aquíferos (TUCCI, 2006).
Conforme o crescimento populacional, acontece e resulta na densificação 
da população em áreas urbanas, o resultado são problemas como a poluição 
doméstica, que pode resultar no surgimento de condições ambientais inadequadas 
(TUCCI, 2006). O que pode gerar situações, onde, conforme Tucci (2006, p. 405) “a 
qualidade da água pluvial não é melhor do que a do efluente de um tratamento 
secundário. A quantidade de material suspenso na drenagem pluvial é superior 
à encontrada no esgoto in natura”. 
O desenvolvimento urbano impõe sobre a natureza a atuação dos 
elementos antrópicos, afetando diretamente a dinâmica da bacia hidrográfica. 
Com a urbanização, as superfícies do terreno são impermeabilizadas, que em 
conjunto com o maior aquecimento nas áreas urbanas por conta das ilhas de calor, 
as chuvas nessas áreas são mais intensas e de baixa duração. Dessa maneira, a 
impermeabilização do solo, que impede a infiltração; e as chuvas de grandes 
volumes, concentradas em pouco espaço de tempo, são fatores que agravam os 
eventos de enchentes urbanas (TUCCI, 2006). Nesses casos, ainda é importante 
destacar o entupimento das redes urbanas de drenagem pluvial por materiais 
descartados indevidamente nas vias públicas.
A Política nacional de resíduos sólidos, instituída pela Lei nº 12.305/2010, prevê 
a elaboração de um plano nacional de resíduos sólidos, após a leitura do plano busque 
informações sobre a elaboração e a execução desse plano no seu município ou estado. 
FONTE: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. 
Acesso em: 27 nov. 2020.
NOTA
TÓPICO 2 — POLUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS
193
Em áreas urbanas a contaminação das águas subterrâneas ocorre por conta 
do fato das cidades estarem equipadas com fossas sépticas, que são equipamentos 
que contaminam as águas subterrâneas, outro fator de poluição é a perfuração de 
poços sem o devido atendimento aos aspectos minimamente necessários para 
evitar a ligação entre diferentes camadas do subsolo. (TUCCI, 2006).
3.4 POLUIÇÃO AGRÍCOLA
Os processos agrícolas estão cada vez mais industrializados e, além dos 
impactos da derrubada de florestas para implementação de áreas de cultivo e 
criação de animais, outro aspecto importante é a utilização de produtos químicos, 
tanto como fertilizantes quanto como agrotóxicos. Em grande parte, são produtos 
venenosos para os seres humanos e denominados de defensivos agrícolas pela 
indústria química. Aparentemente, os fabricantes tentam diminuir a rejeição 
dos consumidores de alimentos produzidos com essas substâncias ao trocar a 
denominação do veneno, passando a chamar pelo termo ‘defensivo’. Todavia, além 
de ser um produto perigoso de ser consumido, também causa poluição ambiental, 
pois os produtos químicos aplicados nas lavouras são transportados pela água da 
chuva para os rios e lagos, sendo também levados através do solo, no processo de 
lixiviação, até contaminar as águas subterrâneas (CLARKE; KING, 2005). 
O uso de fertilizantes comerciais acarreta adições de metais pesados 
no solo, em adições controladas podem ser benéficos para a produção, todavia 
quando a aplicação é indevida acarreta em sérios problemas de contaminação do 
meio ambiente, em especial quando são considerados os metais tóxicos que são 
os metais não essenciais com o chumbo (Pb), Urânio (U), cádmio (Cd), arsênio 
(As) e mercúrio (Hg), estes metais provocam efeitos deletérios em organismos 
vivos e no meio ambiente (MENDES et al., 2010).
Sobre a concentração dos metais, Kabata-Pendas e Pendias destacam 
que “Na maioria das vezes, estes elementos estão presentes em concentrações 
que não oferecem risco ao ambiente. Todavia, nas últimas décadas, atividades 
antropogênicas têm elevado, substancialmente, a concentração de alguns desses 
elementos em diversos ecossistemas” (2001 apud MENDES et al. 2010), indicando 
que o uso exacerbado de fertilizantes e produtos tóxicos estão a contaminando cada 
vez mais os ecossistemas, aumentando os níveis de poluição.
A poluição por agrotóxicos é um grave problema do Aquífero Guarani, como já 
abordado na Unidade 1. Para complementar o seu conhecimento, assista ao documentário 
“O Magnífico aquífero Guarani”. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=VStbipVz0TY.
NOTA
194
UNIDADE 3 — USO E CONSERVAÇÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS 
A poluição agropastoril é resultante das atividades agrícolas e pecuárias. 
Ocorre por conta da utilização dos defensivos agrícolas, fertilizantes, excrementos 
de animais e da erosão do solo, está última é resultante dessas atividades que 
desnudam a terra (DERISIO, 2012). A poluição por produtos químicos é uma das 
mais prejudiciais, contamina o solo e a água. Quando originada na agricultura, 
em geral, ela é proveniente do uso de fertilizantes, pesticidas e agrotóxicos 
(GALDINO, 2015).
Mesmo a utilização de fertilizantes orgânicos podem gerar impactos 
ambientais negativos e da mesma forma que na agricultura convencional o 
maior problema se encontra na má utilização. Com a carência de orientação 
técnica, muitos produtores rurais realizam intervenções no meio sem seguir os 
critérios técnicos recomendados para aplicação dos produtos, sejam orgânicos ou 
industrializados e isso acarreta em superdosagens, o que além de potencializar a 
poluição das águas pode inviabilizar o solo para cultivos (HENTZ; CARVALHO, 
2014; MENDES et al., 2010).
Os ambientes também podem ser afetados por outros tipos de poluição 
que podem ser gerados por atividades humanas como ruídos que podem 
impactar na saúde dos indivíduos em aspectos físicos, psicológicos e sociais 
pois prejudica a audição; as vibrações comuns próximo a motores de máquinas 
e de indústrias, assim como os ruídos, afetam a saúde humana, porém de forma 
distinta ocasionando perda de equilíbrio, visão escurecida, perda de concentração 
entre outras consequências, as vibrações podem afetar as estruturas físicas, sejam 
as vigas do galpão de determinada indústria ou uma encosta as vibrações podem 
desencadear eventos de desmoronamento ou desabamento (DERISIO, 2012)
Outro tipo de poluição são as radiações, estão presentes em todos os lugares. 
São ondas eletromagnéticas os raios x, os raios infravermelhos, ultravioleta, de 
rádio frequência. Os efeitos da exposição à radiação não produzem consequências 
de imediato, exceto em casos de exposição extrema como em grandes acidentes 
nucleares. Contudo, a poluição por radiação é bastante prejudicial uma vez que 
por ser algo que não é possível visualizar ou sentir as medidas protetivas são 
muitas vezes deixadas de lado. O corpo humano quando exposto a radiação sofre 
alterações moleculares, quando a exposição é excessiva, os efeitos a longo prazo 
podem ser mais intensos, prejudiciais e mesmo deletérios (DERISIO, 2012)
Existem ainda outras formas mais específicas de classificar a poluição 
como apresentado em que indica as diferentes formas de poluição e lista, poluição 
atmosférica, poluição na hidrosfera, poluição marinha, poluição continental, 
poluição do solo, poluição nos agrossistemas, poluição industrial, poluição sonora 
e visual, poluição física, poluição térmica, poluição química, poluição nuclear, 
poluição biológica. Entretanto, por ser bastante ampla essa interpretação sobre os 
tipos de poluição e o agente poluidor, pode-se apresentar em mais de um dos tipos 
de poluição e assim sobrepor dois ou mais tipos de poluição ou agente poluidor 
(GALDINO, 2015).
TÓPICO

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