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GAROTA INTERROMPIDA
ANÁLISE
 O filme dá início com cenas de uma jovem de nome Suzana sendo socorrida com emergência após uma suposta tentativa de suicídio, por via oral utilizando aspirinas e bebida alcoólica.
O termo grego Tânatos segundo o vocabulário de psicanálise às vezes é utilizado para designar as pulsões de morte, por simetria com o termo “Eros” o seu emprego sublinha o caráter radical do dualismo pulsional conferindo um significado quase mítico. (pág.501)
Considera-se ser a força destrutiva de Tânatos o motor que impulsiona as diversas manifestações do comportamento suicida.
 Por vezes Suzana justifica tomar aspirina com a bebida alcoólica por estar com dor de cabeça, o que sugere a tentativa inconsciente de pôr um fim em sua dor e sofrimento psíquico.
Após a segunda guerra, Freud pontuou que as pessoas possuem um tipo de energia indispensável, para pôr fim a sua vida, vinculada talvez pelo desejo de matar um objeto identificado, e esse objeto se volta para si mesmo, assim não matando ninguém, observa se a pulsão de vida e pulsão de morte.
 Durante o Socorro Suzana vê um homem atrás da porta da sala onde é atendida, e fala coisas sem sentido, diz para examinarem suas mãos, pois não havia ossos nelas.
A alucinação é tomada por Freud como o instante em que o delírio vence a realidade de modo que o objeto do desejo se sobreponha, na percepção, aos objetos do mundo.
 A garota relata – “Às vezes é muito difícil para mim ficar num lugar”. 
 Após uma breve recuperação, a moça passa com um médico, a qual faz perguntas sobre as coisas que ela disse, e a questiona sobre como poderia pegar uma aspirina se não tinha ossos nas mãos, durante a conversa o médico pede explicações.
 Suzana pergunta como explicar para um médico, que as leis da física podem ser suspensas, e o que sobe pode não descer, e que o tempo não se pode controlar, pois vai do passado ao presente, e depois volta ao passado de novo, após isso, o médico a perguntar por que não pode controlar o tempo, Suzana ouve os latidos de um cachorro, sua mente a leva a um outro momento em que o homem casado com quem havia se envolvido, estava em sua casa com a esposa, a jovem não parecia estar presente na consulta.
 O transtorno de despersonalização, é caracterizado por uma sensação persistente ou recorrente de desligamento do próprio corpo ou dos próprios processos mentais, como se a pessoa fosse um observador externo da sua vida (despersonalização e/ ou por uma sensação de desligamento do ambiente em que se encontra (desrealização)
Segundo Christian Duker, a partir de Freud o conceito central é spaltung, a estrutura de uma divisão, que pode se dar por via de negações, daquilo que o eu reconhece como sendo seu.
 No caso de Suzana observa-se que o fenômeno está ligado a introversão.
 O médico a pergunta se ela estaria drogada, e decide interná-la em um hospital psiquiátrico, justificando que ela precisa de um descanso e além de tudo está magoando todos ao seu redor.
 A personagem vive uma tensão entre ego e superego. Para Freud o sentimento de culpa, tem duas origens, primeiramente exige-se uma renúncia as satisfações pulsionais e, em segundo, ao mesmo tempo em que faz isto, requer também uma punição. “O primeiro sentimento de culpa se expressa no complexo edipiano”. 
 Não houve despedida entre Suzana e sua mãe, o que segundo o médico seria melhor assim. Suzana chega ao hospital psiquiátrico confusa, não entendia se estava doente o apenas triste.
 Ao conhecer Lisa, Suzana passa a viver entre a sanidade e a loucura, Lisa apresenta indícios de transtorno de personalidade borderline, além de sociopatia, a moça fugia sempre do hospital, porém acaba voltando na mesma medida em que fugia.
 O médico comunica aos pais que Suzana está em uma condição chamada de distúrbio de limite de personalidade, neste momento Suzana sente se insignificante diante da reação dos pais, indicando estarem preocupados com o que os outros vão pensar.
 No enredo do filme Suzana vive momentos de amor e ódio com a personagem Lisa, onde se metem em confusões fugas e aventuras, mostrando as várias faces dos transtornos mentais, e a subjetividade de cada sujeito encontrado em um hospital psiquiátrico, porém tentam se entender e se ajudar mutualmente
 Depois do suicídio de uma de suas amigas, ocasião em que Lisa havia confrontado Dayse sobre sua vida e traumas, após ver a colega morta, Lisa a chama de idiota, pega dinheiro em seu bolso, não demonstra arrependimento, Suzana fica arrasada e com a ausência de Lisa, começa a se envolver nas terapias, escreve em seu diário e faz análise 3 vezes ela diz que deixava a psicanalista ouvir os pensamentos da sua cabeça.
 Suzana faz um diário onde relata suas observações e análises, sobre os transtornos que acometem cada uma de suas amigas incluindo Lisa, o que as deixam decepcionadas, dado momento Suzana fala em voz alta a respeito de Lisa, e a confronta sobre as fugas e as voltas da garota ao hospital, fazendo uma análise da amiga relacionada a esse comportamento onde ela demonstra inconscientemente sua solidão, e que não suporta estar ali, porém não tem para quem voltar, e por isso, já está morta.
 O filme mostra a crítica da época em relação aos problemas psicológicos que eram tratados como loucura. As pacientes eram medicadas e a maioria acabavam dependentes das substâncias. Na atualidade, entendemos o quanto uma análise pode fazer diferença entre transtornos para que possam ter diferentes formas de tratamento, sejam eles psicofármacos, e/ou psicoterapias.
 Suzana tem alta do hospital, pretende ser escritora. 
 
 
Referencias:
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cadpsi/v34n26/a10.pdf
Alucinação e delírio na obra de Freud: produção de desejo Hallucination 
https://www.msdmanuals.com 
https://youtu.be/NMYNZkdaIzc

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