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1 Ferramentas estatísticas da qualidade – contextualizações Wagner Cardoso Introdução Antes de falar sobre controle e confiabilidade de processos e as sete ferramentas estatísticas da qualidade é vital que tratemos do embasamento para a construção de controles de qualidade eficientes. Logo, neste quesito, abordar os conceitos completos, a diferenciação entre qualidade, controle e gestão, as dimensões e a evolução da qualidade como um todo ajuda para a compreensão correta dos temas abordados. Neste capítulo será tratada a definição original de qualidade, de controle da qualidade, e de gestão da qualidade em paralelo, concomitante, fazendo a correta e adequada distinção entre eles. Adicionalmente, este capítulo trará as dimensões da qualidade e a evolução da qualidade, desde seu início (nos primórdios da qualidade e do alcance dela) até a era da Indústria 4.0. Além disso, este capítulo tem a missão de trazer de forma coesa, coerente, clara, sem eufemismos ou palavras rebuscadas, todo o conteúdo necessário para embasar adequadamente o leitor sobre os temas que estão sendo abordados nele, de forma a minimizar desvios de aprendizagem. Objetivos Após o estudo minucioso e crítico deste capitulo, esperamos que você, aluno dedicado, seja capaz de: • identificar os conceitos principais de qualidade, controle e gestão da qualidade; • reconhecer a importância da qualidade e suas ferramentas no contexto atual; • encontrar a melhor maneira de aplicar os conceitos aprendidos durante o capítulo em suas vivências práticas; • elaborar a correta distinção entre controle e gestão da qualidade, bem como entre as ferramentas estatísticas e as ferramentas gerenciais da qualidade aplicadas em ambientes empresariais; • conhecer e reconhecer a profundidade e importância das ferramentas da qualidade para a correta e eficiente construção de estratégias inteligentes e perspicazes de controle e confiabilidade de processos produtivos; • possibilitar ao estudante leitor deste capítulo o conhecimento teórico e, principalmente, prático da aplicabilidade das ferramentas estatísticas da qualidade nos ambientes de tomada de decisões muito próximas de sua realidade de trabalho. Esquema 1.1 O que é Qualidade? 1.2 O que é Controle da Qualidade? 1.3 O que é Gestão da Qualidade? 1.4 Qual a diferença entre controlar e gerenciar a qualidade? 1.5 Dimensões da qualidade 1.6 Evolução da qualidade 1.7 Considerações finais 1.1 O que é Qualidade? Qualidade é um termo um tanto quanto complexo para ser definido em poucas palavras. Alguns autores definem qualidade como características esperadas em um produto ou serviço. Outros autores trazem que qualidade é simplesmente atender as especificações do projeto. Na verdade, qualidade é muito mais abrangente que isso, qualidade é atender e superar as expectativas dos clientes consumidores. Se levarmos em consideração o conceito de qualidade como apenas atender as expectativas do cliente estaríamos sendo levianos e superficiais, já que atender às expectativas todos os produtos já atendem. Ou seja, isso nos remete a dizer que qualidade é muito mais do que isso, é superar as expectativas do cliente. É encantar o cliente! Por isso, é errado quando alguém define qualidade apenas como atender expectativas ou características de um produto ou serviço. O conceito de qualidade é muito mais abrangente, ele caminha para a área estratégica da empresa. Podemos dizer que um produto que tem qualidade também tem um diferencial, uma vantagem competitiva perante a concorrência, o que dá a ele uma certa vantagem na corrida e na disputa pela preferência do consumidor final. Então, quando lhe perguntarem o que é qualidade, diga simplesmente que é superar as expectativas do cliente, é encantar o cliente. Adicionalmente, é importante frisar que qualidade é relativo. Mas como assim relativo, professor? Simples. O que é qualidade para mim é diferente do que é qualidade para você. Cada cliente tem um parâmetro de qualidade diferente, por isso qualidade é diferente de pessoa para pessoa. Não é difícil vermos no mercado produtos à venda nos quais nós não investiríamos um centavo, mas aquele produto tem público cativo e fiel, vendendo milhões de unidades por ano em todo o país. Nós poderíamos também exemplificar com marcas de refrigerante, onde uma marca X para um cliente tem boa qualidade mas para outro cliente é de péssima qualidade. Isso vale para todos os produtos disponíveis no mercado. Ou seja, isso prova que qualidade é relativo, depende da opinião, dos desejos, das expectativas, do conhecimento, da cultura, do poder aquisitivo, do nível educacional e simplesmente do gosto de cada cliente. Figura 1 – Prêmios de qualidade Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Nós podemos começar analisando o que é qualidade pelo ponto de vista de diversos tipos de situação de diversos tipos de clientes. Nem sempre o cliente fala claramente quais são as suas preferências e necessidades, mas também é verdade que isso não quer dizer que ele não saiba ou que ele não tenha preferências. Alguns clientes definem qualidade como a ausência de defeitos no produto ou serviço oferecido, mas nem sempre a ausência total de defeitos significa que o produto tenha qualidade. Uma coisa é fato, a qualidade sempre muda porque o cliente também muda e muda rápido, cabendo à empresa no mínimo acompanhar os desejos dos clientes, mas de preferência superar as expectativas e encantar o cliente. Também temos que levar em consideração que qualidade é subjetivo pela própria definição que já foi dada anteriormente, onde vimos que não há um parâmetro quantitativo específico que defina qualidade e sim alguns atributos. Alguns produtos podem ser caracterizados como produtos com grande qualidade simplesmente pelo fato do processo de produção dele ter um nível de confiabilidade elevado, mas como nós veremos a seguir, nos próximos capítulos, a confiabilidade do processo garante que o processo tenha qualidade mas não garante que o produto em si tenha qualidade, por que, de novo, quem define qualidade é o cliente, segundo suas perspectivas. Um item também pode ser considerado com qualidade por oferecer várias opções na sua usabilidade, mas também o excesso de opções pode confundir o cliente e o que antes era característica de qualidade se tornou defeito. Por fim, é preciso enfatizar fortemente que qualidade não é responsabilidade de uma área da empresa específica, qualidade é responsabilidade de todos que trabalham na empresa em todos os setores e em todas as fases do processo, pois o cliente percebe a qualidade ou a falta da qualidade quando já está de posse do produto em suas mãos e não quando está dentro do processo observando as etapas de fabricação (mesmo porque ele não tem acesso, na maioria das vezes, aos processos produtivos). Logo, a qualidade é um objetivo, uma meta a ser perseguida por todos os colaboradores da empresa sem distinção, do chão de fábrica a diretoria, definitivamente todos. 1.2 O que é Controle da Qualidade? Vamos começar definindo o que é controle. Qualidade já foi definido amplamente no tópico anterior deste mesmo capítulo. Controle é o ato ou efeito de exercer certa administração e gerência sobre fatos, dados, ações e estratégias. Nós controlamos algo quando nós monitoramos o andamento, processamento, a fabricação, a execução, enfim, nós controlamos quando nós não deixamos que algo seja feito fora dos padrões pré-estabelecidos. Posto isto, podemos dizer que o controle é exercido, ou pode ser exercido, em toda e qualquer atividade feita no meio empresarial. Nós podemos controlar orçamentos, vendas, entregas, folha de pagamento, custos, investimentos, despesas, mão de obra, matéria prima, ordens de produção, ordens de serviço, enfim,podemos controlar toda e qualquer atividade ou ação executada num processo produtivo, seja ele de um bem ou de um serviço. Agora, voltando para nosso tema, o controle da qualidade ocorre quando você analisa, monitora e acompanha o processamento de algum produto ou serviço, e compara as características deste produto ou serviço com um padrão pré-estabelecido previamente. Este padrão pré-estabelecido pode ter sido criado com base em normas, regras, leis ou especificações técnicas de projeto. Mas, este padrão também pode ser pré-estabelecido pelo mercado, pelo cliente (que é quem realmente define o que é qualidade). Se é o cliente quem define o que é qualidade, nada mais justo que o cliente também definir quais são os padrões de qualidade que a empresa deve controlar, monitorar, entregar para o mercado. Ou seja, podemos dizer que o controle de qualidade atua em duas nuances diferentes: no controle a partir dos parâmetros de projeto; e no controle a partir dos parâmetros do mercado. Em algumas áreas, setores da economia, um ou outro fica mais preponderante. Por exemplo, quando eu estiver fabricando caldeiras para usinas de açúcar e álcool, eu tenho padrões pré- estabelecidos a seguir rigorosamente, que são os padrões exigidos no projeto e em normas. Mas por outro lado, quando estiver fabricando cosméticos eu também tenho que seguir padrões determinados pelo mercado, como cor, odor, que são parâmetros um pouco mais subjetivos. Existem casos, como é o caso do próprio cosmético, em que nós temos que monitorar e controlar as duas nuances de padrões, tanto de projeto por lei, por exemplo, no caso do cosmético a Anvisa, quanto também olharmos o lado do mercado (a questão do odor que eu acabei de dizer). Além disso, o controle da qualidade pode ser separado em online e offline. O controle de qualidade online é aquele executado durante o processo produtivo, antes do produto ficar pronto. Para este tipo de controle online existem várias ferramentas da qualidade, por exemplo às 7 ferramentas da qualidade que nós começamos a tratar neste capítulo. Logo mais à frente nós explicaremos detalhadamente cada uma das ferramentas estatísticas da qualidade. As ferramentas estatísticas da qualidade utilizadas para o controle da qualidade online são extremamente importantes para o sucesso do processo produtivo e para a entrega do produto ou serviço ao cliente atendendo ou superando as expectativas do mercado. Já o controle de qualidade offline é aquele controle que nós fazemos após o processo produtivo. Este controle offline é feito depois que o produto já está no mercado, onde nós monitoramos a durabilidade, a manutenção, e fazemos também pós venda relativo ao controle de qualidade. É a parte em que a empresa se preocupa com o produto, sua vida útil, nas mãos do mercado. 1.3 O que é Gestão da Qualidade? Anteriormente já definimos o que é qualidade, o que é controle e o que é controle da qualidade. Agora passamos a definição do que é gestão da qualidade em si. Porém, antes da definição de gestão da qualidade propriamente dita, é preciso contextualizar a qualidade no nosso país. Antes da década de 1990 o que havia no Brasil era um mercado fechado, onde as indústrias e as empresas em geral não precisavam se preocupar em demasia com a qualidade dos seus produtos ou serviços oferecidos ao mercado. Antes da década de 1990 o cliente não tinha muitas ferramentas para cobrar qualidade das empresas, e em muitos casos ele nem sabia o que era qualidade de fato. Ou seja, o que havia era total desconhecimento sobre parâmetros de qualidade internacionais. Já na década de 1990 o mercado brasileiro foi aberto para o mundo, o que trouxe para dentro do nosso país diversas indústrias de diversos produtos com qualidades muito superiores aos que nosso país oferecia para os nossos consumidores internos. Logo, as empresas aqui estabelecidas, se viram frente à concorrência feroz dos produtos vindos de países de todos os cantos do mundo, que traziam e entregavam aos clientes brasileiros produtos e serviços com qualidade muito superior aos que as empresas daqui conseguiam fazer e entregar, infelizmente. Foi nessa década de 1990 que as empresas brasileiras sentiram na pele a real necessidade de se implantar ferramentas da qualidade, controles de qualidade e gestão da qualidade em suas empresas, para que assim pudessem então oferecer produtos e serviços com qualidade no mínimo igual à dos produtos e serviços que vieram de fora para cá. Com a abertura do mercado, o consumidor brasileiro pôde comparar a qualidade dos produtos oferecidos aqui pelos brasileiros com a qualidade dos produtos oferecidos pelos estrangeiros aqui dentro de nosso país. Surgiu aí então a comparação de padrões de qualidade distintos, no qual o consumidor já não admite mais produtos com qualidade inferior aquelas que ele consegue comprar no mercado de forma simplificada a um custo igual ou até menor do quê os produtos e serviços brasileiros. Isso provocou um aumento da competitividade entre as empresas e consequentemente quem ganhou foi o consumidor brasileiro que passou a ter produtos com qualidade melhor a um custo menor e maior vantagem na sua utilização. É importante frisar que a abertura do mercado brasileiro não trouxe somente acirramento da competição entre as empresas aqui dentro, mas também abriu o mercado internacional para que os produtos brasileiros pudessem ser exportados, ganhando assim o mundo, e estabelecendo padrões de qualidade internacionais. Naquela década de 1990 era nítido que só se manteria no mercado quem realmente investisse em gestão da qualidade. A nova realidade impunha para as empresas que elas teriam que produzir mais e melhor, ou seja com mais qualidade, mais rapidamente e de forma a reduzir os custos para assim se manterem competitivas no mercado e/ou sobreviverem. A qualidade se tornou tão importante para as empresas brasileiras que só tem crescido a procura por temas relativos à gestão da qualidade por parte dos empresários, diretores e gerentes que querem então alavancar o sucesso de seu negócio. Dito isto, é importante frisar que a qualidade não gera custos, pelo contrário, ela diminui custos, pois ela reduz drasticamente a quantidade de erros nos processos, fazendo as empresas gastarem menos e produzirem mais. São três os resultados básicos da implantação da qualidade na empresa: i. evita o desperdício de recursos; ii. reduz o tempo de produção; iii. diminui o estresse e a insatisfação do trabalhador, melhorando o clima organizacional. Agora passamos da definição de qualidade caminhando para a gestão da qualidade. A partir do momento que você já definiu qualidade e começou a tratar o tema qualidade com ganhos para a empresa, você já começou a falar de gestão da qualidade. Gestão nada mais é, de forma resumida, que administrar os recursos disponíveis para alcançar os objetivos e metas da empresa de forma a minimizar custos e maximizar resultados. Logo, a gestão da qualidade visa gerir os fatores que impactam na qualidade percebida pelo cliente de tal forma que essa percepção seja sempre positiva. Figura 2 – Reunião de nivelamento, valorizando o conhecimento dos funcionários Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Quando a gestão da qualidade é eficiente, o resultado são clientes satisfeitos, encantados e fiéis a marca. Gestão da qualidade vai além, passando para o patamar de prevenção de problemas, pois quando se atua de forma efetiva com a gestão da qualidade implantada adequadamente diminui-se os erros do processo, não pelo excesso de controle, mas pela qualidade do trabalho executado na fonte. Por isso o foco na prevenção de falhas e não no apagar incêndios. Gerir a qualidade é se prevenir, e não remediar. A gestão da qualidade não atua somente na pesquisa e registro de falhas, mas sim na eliminaçãodas causas das falhas, melhorando o desempenho tanto de homens quanto de máquinas, entregando então produtos melhores para o mercado. Obviamente vocês já devem ter percebido que a gestão da qualidade reduz custo e aumenta os lucros da empresa. Então a gestão da qualidade evoluiu para Total Quality Management TQM, ou Gestão da Qualidade Total, o que é a evolução na gestão da qualidade como era visto anteriormente agora mais focada no ser humano como elemento central na solução dos problemas, e não parte do problema. A TQM visa valorizar e reconhecer os funcionários que colaboram para a diminuição dos erros na fonte, ou seja, onde e quando eles acontecem, antes de transmitir as etapas seguintes um produto com defeito. Dessa forma, a TQM atua de forma responsável, criativa e autônoma com suas equipes de trabalho, dando-lhes poder para modificarem o que for necessário no processo para garantir a qualidade do produto final. Esse capítulo e essa disciplina não tem como foco esgotar o tema gestão da qualidade, vocês terão numa disciplina futura e num livro futuro, maior tratamento e aprofundamento neste tema. 1.4 Qual a diferença entre controlar e gerenciar a qualidade? Nós já definimos o que é qualidade, já definimos o que é controlar a qualidade, e já definimos o que é gerenciar a qualidade. Agora podemos analisar criticamente a diferença entre controlar e gerenciar a qualidade. Essa diferença é muito sutil e ao mesmo tempo é muito disruptiva. Enquanto controlar a qualidade é monitorar os padrões pré-estabelecidos e mantê-los dentro do esperado pelo cliente, gerenciar a qualidade é promover a transformação dos processos e das pessoas com foco na melhoria contínua e na redução de custos e desperdícios para podermos ter a cada dia que passa um produto melhor, mais barato e mais próximo de superar as expectativas do cliente final. Quem pratica o controle da qualidade também deve praticar o gerenciamento da qualidade, mesmo porque os dois são interdependentes. Precisamos controlar e monitorar os processos para mantê-los dentro dos limites estabelecidos no projeto, e, adicionalmente, precisamos gerenciar a qualidade para que o processo de evolução rumo à autonomia dos funcionários com relação aos padrões de qualidade seja alcançado com sucesso. Um não exclui o outro. Os dois precisam andar juntos. O gerenciamento da qualidade, por mais proativo que ele seja, necessita do controle da qualidade como ferramenta e metodologia de suporte e apoio a decisão. Controlar a qualidade é o primeiro passo, é a preparação para o segundo passo que é o gerenciamento da qualidade. O que não recomendo é que se mantenha somente controle da qualidade na sua empresa, pois assim você estaria perdendo a grande chance de transformar seus processos e suas pessoas do ponto de vista gerencial focados na qualidade. 1.5 Dimensões da qualidade A princípio, o conceito de qualidade parece ser de fácil entendimento mas, na realidade, é difícil defini-la. Sua definição não parte de uma ideia ou conceito absoluto, mas sim relativo a alguma coisa e, frequentemente, técnicas e metodologias se misturam a sua definição. A fim de se chegar a um melhor entendimento, qualidade pode ser representada por sete dimensões, a saber: 1. Características/Especificações: aqui são tratados os atributos dos produtos nos quais queremos melhorar seus desempenhos em qualidade, atributos estes que são esperados pelo mercado; 2. Desempenho: aqui são abordadas as características operacionais básicas dos produtos ou serviços, onde levamos em consideração todas as características de qualidade mensuráveis, como resistência, peso, viscosidade, capacidade de torque, rugosidade, dentre tantas outras; 3. Conformidade: já aqui tratamos do grau de concordância com as especificações. Importante frisar que as especificações podem vir de normas e legislação acerca do produto/serviço ofertado, ou também de anseios e expectativas do mercado consumidor; 4. Confiabilidade: nesta 4ª dimensão tratamos da probabilidade de ocorrência de falhas tanto no processo quanto no produto ou serviço, utilizando de ferramentas estatísticas da qualidade; 5. Durabilidade: aqui acompanhamos a medida da vida útil do produto ou serviço prestado. Muitos produtos e serviços são valorizados também pelo tempo que duram após sua aquisição, por isto esta é uma dimensão extremamente importante; 6. Imagem: já nesta dimensão analisamos a percepção do cliente perante o produto/serviço adquirido por ele. É a qualidade observada, um tanto quanto subjetiva mas totalmente possível de ser monitorada e melhorada; 7. Atendimento ao Cliente: e por fim a dimensão que trata do apoio ao cliente antes, durante e após a aquisição do produto/serviço, além da continuidade do uso, no pós- venda, tão importante nos dias atuais para encantar e fidelizar clientes, haja visto que é uma dimensão delicada e que em alguns setores da economia não tem ainda o devido tratamento. Estas sete dimensões, se bem administradas, tendem a trazer sucesso a organização que as estiver abordando em sua equipe gestora. Não existe uma dimensão mais importante que a outra, todas elas devem ser tratadas com igual importância pelas empresas, haja visto que todas elas trazem retornos positivos aos negócios, mas se negligenciadas podem levar as empresas a perderem ótimas oportunidades. 1.6 Evolução da qualidade A evolução da qualidade é um assunto amplo e vasto a ser definido e tratado por nós. Aqui neste capítulo não queremos esgotar o tema história da qualidade por entendermos que ele poderá ser abordado em outros livros e outras disciplinas. Porém, é salutar lembrar que a qualidade sempre existiu desde que o mundo é mundo. Desde os primeiros registros dos homens primitivos nós sabemos que havia um controle de qualidade dos alimentos retirados da natureza e de certa forma transformados e modificados para o seu consumo, ali havia também controle de qualidade. Passando pela idade média com as empresas familiares, as ferrarias, as tecelagens, tudo isso também utilizando os conceitos de qualidade para o seu desempenho. Mas a qualidade foi de fato concretizada com o advento da Primeira Revolução Industrial que mudou a forma como o mundo via as relações de trabalho e econômicas. Foi na Primeira Revolução Industrial que começaram as medições de qualidade através de comparativos e padrões preestabelecidos. Mas na era da Primeira Revolução Industrial, caminhando para a Segunda e Terceira Revoluções Industriais, inclusive dentro delas, o que víamos era que existia uma demanda maior do que a oferta de produtos e serviços. Logo, as empresas não se preocupavam em superar as expectativas dos clientes, e encantar os clientes, mas sim havia a preocupação somente em atender requisitos de projeto de produto. Taylor, o pai da Administração Científica, no início do século XX, criou diversas ferramentas de apoio à gestão industrial, como a padronização do processo e o controle do trabalho executado que vieram muito bem a calhar na época. O que existia antes de Taylor era uma anarquia total nas fábricas, onde não havia divisão justa e adequada da carga de trabalho e havia uma total desorganização do fluxo produtivo e das ordens de serviço. Taylor veio para organizar e com ele veio também a inspeção no processo, porém inspeção final. O que seria a inspeção final? A inspeção final é quando nós fabricamos todo o produto, passando por todas as etapas, chegando na etapa final, finalizando o produto, aí sim nós fazemos a inspeção final e verificamos se ele tem ou não qualidade, se ele passa ou não passa. O problema desse tipo de inspeção é que ele carrega consigo todo o custo de produção, e se em algum momento da fabricação ele obtiver um erro ou uma falha ele continua no processo produtivo carregando todo o custo. Então se este produto precisar ser descartado o prejuízo é imenso.Essa foi conhecida como a era das inspeções, onde sim era necessário ter inspeção em final de linha, por que era melhor ter inspeção em final de linha do que não ter nenhuma expressão, pois a produção não era confiável. Passada essa fase da inspeção final da qualidade, deu-se início ao controle estatístico da qualidade no final da década de 1930. O controle estatístico da qualidade visava sim controlar e inspecionar os produtos no final da linha de produção, mas agora nem todos os produtos fabricados eram controlados pois o controle estatístico trabalhava com amostragem, claro uma amostra que representasse o universo. Nessa era do controle estatístico da qualidade algumas ferramentas da qualidade já começaram a ser utilizadas. Mas os estudiosos da época viram que precisava evoluir mais um pouco por que ainda faziam inspeção somente no final de linha. Foi aí que começaram a pensar na inspeção na fonte. E aí começou-se a falar em gestão da qualidade. Observe a Figura 3 a seguir. Figura 3 – Inspeção da qualidade durante o processo numa indústria alimentícia Fonte: Getty Images. Acervo Uniube. Já na década de 1950 o controle estatístico da qualidade dava lugar a garantia da qualidade. Com a garantia da qualidade os olhos deixaram de se voltar para o final do processo e começaram a se voltar para as fases intermediárias de produção, levando os estudiosos a compreenderem que as falhas precisavam ser contidas no momento em que elas aconteciam e não ao final do processo. Foi nessa década de 50 que os Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, começaram a se distanciar um pouco dos padrões de qualidade, e começaram a focar em quantidade e não na qualidade como antes era. Porém o Japão não deixou de lado os investimentos em estudos da qualidade. Os estudiosos japoneses estavam em busca de novas teorias, técnicas e ferramentas para aprimorarem a garantia da qualidade e aí eles entenderam que a qualidade deveria ser responsabilidade de todos os funcionários e não de um departamento só, e que a qualidade não deveria ser feita somente no final do processo e sim durante todas as etapas do processo. Enquanto os Estados Unidos não se importavam para descobertas na área da qualidade, o Japão abraçava todas as teorias, todos os estudiosos da área, e investia em melhorias contínuas de suas fábricas a tal ponto que a qualidade dos produtos japoneses eram muito superiores a qualidade dos produtos do ocidente, tamanho foi o investimento em gestão e garantia da qualidade que foi feito naquele país. Já nas décadas de 80 e 90 surgia no Japão a gestão da qualidade total. Dessa vez os Estados Unidos não ficaram para trás e começaram a implantar também essa ferramenta. Porém observaram que ela não era simplesmente uma ferramenta mas sim uma nova metodologia de trabalho e de gestão, onde o foco era centrado na agregação de valor dos produtos e nos desejos e anseios do cliente final, chegando assim ao que nós definimos hoje como qualidade. Ou seja, qualidade é aquilo que o cliente sonha, indo além das expectativas. É importante destacar que durante essa década de 80 foi também o período que surgiram as normas internacionais do tipo ISO. 1.7 Considerações finais Este capítulo trouxa à luz do conhecimento conceitos extremamente importantes no tocante a qualidade, controle da qualidade e gestão da qualidade. Ressaltou-se as etapas evolutivas da qualidade como um todo, suas dimensões mais importantes na sua gestão e aplicação empresarial, e foi elaborada uma contextualização abrangente, eficiente e focada nas ferramentas estatísticas da qualidade, já preparando o leitor para os próximos capítulos deste livro. Tratou com a acuracidade necessária o tema contextualização das ferramentas estatísticas da qualidade em toda sua estrutura importante para o estudo das ferramentas propriamente ditas no próximo capítulo. Ficou claro que o intuito central do controle e gestão da qualidade é minimizar os erros e as falhas e maximizar os resultados positivos para o processo, e consequentemente para a empresa como um todo. Também ficou claro que as pessoas são peça primordial no processo evolutivo da qualidade nas organizações, sejam elas de produção ou de serviços. Resumo Este capítulo trouxe aos alunos que o lerem na totalidade e tiverem curiosidade e interesse pelo tema as técnicas e arcabouços teóricos mais importantes para o controle e confiabilidade dos processos, no tocante inicialmente as ferramentas estatísticas da qualidade. Além disso, o tema ferramentas estatísticas da qualidade saiu do arcabouço teórico pesado em que geralmente é inserido, principalmente em livros relacionados a controle da qualidade e estatística, e foi colocado neste livro de forma leve, lúdica, prática, coesa, coerente, enxuta, realística, para que assim o aluno possa enxergar com mais facilidade a aplicabilidade da referida teoria. Aliado a isso, este capítulo se propôs a deixar claro a importância da qualidade, seu controle e sua gestão, para o mundo dos negócios e do aprendizado organizacional. As ferramentas estatísticas da qualidade objetivam fomentar a melhoria contínua dos processos produtivos, aprimorando seus controles sem se tornarem mecanicistas, e sem se esquecerem que quem de fato importa em todo esse processo é o consumidor final. Mas ficou claro neste capítulo também que o funcionário é peça primordial no processo evolutivo do controle e gestão da qualidade, sem ele nada disso seria possível e nenhuma mudança transformadora de fato ocorreria. É um capítulo que enriquece o conteúdo do livro, amplia o horizonte de atuação do aluno que o lê e compreende bem, e contribui para a ampliação do material bibliográfico brasileiro acerca do tema, sob o ponto de vista prático e eficiente. Referências ALBERTIN, M. R.; PONTES, H. L. J. Administração da Produção e Operações. Curitiba: InterSaberes, 2016. ALBERTIN, M. R.; PONTES, H. L. J. Gestão de Processos e Técnicas de Produção Enxuta. Curitiba: InterSaberes, 2016. BARROS, E.; BONAFINI, F. Ferramentas da Qualidade. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. BOND, M. T.; BUSSE, A.; PUSTILNICK, R. Qualidade total: o que é e como alcançar. Curitiba: InterSaberes, 2012. CARDOSO, W. Engenharia de Métodos e Produtividade: a teoria na prática. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. 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