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Banco do Nordeste do Brasil
ANALISTA BANCÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Valter
CONHECIMENTOS GERAIS
Bruno Santos
INFORMÁTICA
Nestor Dias
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS
Thallis Medeiros
MATEMÁTICA
Felipe Melo
2018
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LÍNGUA PORTUGUESA 1
LÍNGUA PORTUGUESA
RESUMO DESCOMPLICADO
Teoria, dicas e questões de concursos de provas.
Prof. Valter
2018
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros
variados. ..................................................................... 1
2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais. ............... 2
3 Domínio da ortografia oficial. ....................................... 17
4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. ............... 8
4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição
e repetição, de conectores e de outros elementos de
sequenciação textual. ................................................. 6
4.2 Emprego de tempos e modos verbais. ..................... 34
5 Domínio da estrutura morfossintática do período. ........ 43
5.1 Emprego das classes de palavras. ........................... 43
5.2 Relações de coordenação entre orações e entre
termos da oração. ..................................................... 31
5.3 Relações de subordinação entre orações e entre
termos da oração. ..................................................... 31
5.4 Emprego dos sinais de pontuação. .......................... 24
5.5 Concordância verbal e nominal. ............................... 39
5.6 Regência verbal e nominal. ...................................... 40
5.7 Emprego do sinal indicativo de crase. ...................... 29
5.8 Colocação dos pronomes átonos. ............................ 41
6 Reescrita de frases e parágrafos do texto. .................. 11
6.1 Significação das palavras. ........................................ 44
6.2 Substituição de palavras ou de trechos de texto. ...... 11
6.3 Reorganização da estrutura de orações e de períodos
do texto. ...................................................................... 7
6.4 Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de
formalidade. ............................................................... 11
Questões de provas CESPE ................................... 46
......................................................................................
TEXTO: COMPREENSÃO, INTERPRETAÇÃO
E ARTICULAÇÕES SEMÂNTICO-TEXTUAIS.
COMO INTERPRETAR TEXTOS
É muito comum, entre os candidatos a um cargo
público a preocupação com a interpretação de textos. Isso
acontece porque lhes faltam informações específicas a
respeito desta tarefa constante em provas relacionadas a
concursos públicos.
Por isso, vão aqui alguns detalhes que poderão
ajudar no momento de responder as questões
relacionadas a textos.
TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e
relacionadas entre si, formando um todo significativo
capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA
(capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR).
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas
frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que
a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando
condições para a estruturação do conteúdo a ser
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de
CONTEXTO. Nota-se que o relacionamento entre as
frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu
contexto original e analisada separadamente, poderá ter
um significado diferente daquele inicial.
INTERTEXTO - comumente, os textos
apresentam referências diretas ou indiretas a outros
autores através de citações. Esse tipo de recurso
denomina-se INTERTEXTO.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro
objetivo de uma interpretação de um texto é a
identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-
se as ideias secundárias, ou fundamentações, as
argumentações, ou explicações, que levem ao
esclarecimento das questões apresentadas na prova.
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a:
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos
fundamentais de uma argumentação, de um
processo, de uma época (neste caso,
procuram-se os verbos e os advérbios, os
quais definem o tempo).
2. COMPARAR – é descobrir as relações de
semelhança ou de diferenças entre as
situações do texto.
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo
apresentado com uma realidade, opinando a
respeito.
4. RESUMIR – é concentrar as ideias centrais e/ou
secundárias em um só parágrafo.
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com
outras palavras.
Exemplo:
Título do texto Paráfrases
"O homem unido”
A integração do mundo
A integração da humanidade
A união do homem
Homem + homem = mundo
A macacada se uniu (sátira)
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR
Fazem-se necessários:
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e
gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática;
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades
do texto) e semântico;
Observação – na semântica (significado das
palavras) incluem-se: homônimos e parônimos,
denotação e conotação, sinonímia e antonimia,
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
c) Capacidade de observação e de síntese e
d) Capacidade de raciocínio.
INTERPRETAR x COMPREENDER
Interpretar significa Compreender significa
- EXPLICAR,
COMENTAR, JULGAR,
TIRAR CONCLUSÕES,
DEDUZIR.
- TIPOS DE
ENUNCIADOS
• Através do texto,
INFERE-SE que...
• É possível DEDUZIR
que...
- INTELECÇÃO,
ENTENDIMENTO, ATENÇÃO
AO QUE REALMENTE ESTÁ
ESCRITO.
- TIPOS DE ENUNCIADOS:
• O texto DIZ que...
• É SUGERIDO pelo autor
que...
• De acordo com o texto, é
CORRETA ou ERRADA a
2 LÍNGUA PORTUGUESA
• O autor permite
CONCLUIR que...
• Qual é a INTENÇÃO do
autor ao afirmar
que...
afirmação...
• O narrador AFIRMA...
ERROS DE INTERPRETAÇÃO
É muito comum, mais do que se imagina, a
ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes
são:
a) Extrapolação (viagem)
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado
ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
prévio do tema quer pela imaginação.
b) Redução
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas
a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto
de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
entendimento do tema desenvolvido.
c) Contradição
Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do
candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e,
consequentemente, errando a questão.
Observação - Muitos pensam que há a ótica do
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam,
mas numa prova de concurso qualquer, o que
deve ser levado em consideração é o que o
AUTOR DIZ e nada mais.
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sintaxe
que relacionam palavras, orações, frases e/ou parágrafos
entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando,
através de um pronome relativo, uma conjunção
(NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação
correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito.
Observação – São muitos os erros de coesão no
dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome
relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende
da regência do verbo; aquele do seu antecedente.
Não se pode esquecertambém de que os
pronomes relativos têm, cada um, valor semântico,
por isso a necessidade de adequação ao
antecedente.
Os pronomes relativos são muito importantes na
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
existe um pronome relativo adequado a cada
circunstância, a saber:
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM
QUALQUER ANTECEDENTE. MAS DEPENDE
DAS CONDIÇÕES DA FRASE.
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR.
QUEM (PESSOA)
CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O
POSSUIDOR E DEPOIS, O OBJETO
POSSUÍDO.
COMO (MODO)
ONDE (LUGAR)
QUANDO (TEMPO)
QUANTO (MONTANTE)
EXEMPLO:
Falou tudo QUANTO queria (correto)
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE,
deveria aparecer o demonstrativo O).
• VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de
linguagem clássicos (BARBARISMO, SOLECISMO,
CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém, existem expressões
que são mal empregadas, e, por força desse hábito
cometem-se erros graves como:
- “Ele correu risco de vida“, quando a verdade o
risco era de morte.
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem“. Neste caso,
o pronome correto oblíquo átono correto é O.
- “No bar: “ME VÊ um café”. Além do erro de
posição do pronome, há o mau uso
TIPOLOGIA TEXTUAL
Tipologia textual é a forma como um determinado
enunciado de um texto é representado.
1. Narração
Modalidade em que um narrador, participante ou
não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num
determinado tempo e lugar, envolvendo certos
personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma
relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal
predominante é o passado. Estamos cercados de
narrações desde as que nos contam histórias infantis até
às piadas do cotidiano. É o tipo predominante nos
gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela,
depoimento, piada, relato etc.
2. Descrição
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um
lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de
palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela
sua função caracterizadora. Numa abordagem mais
abstrata, pode-se até descrever sensações ou
sentimentos. Não há relação de anterioridade e
posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do
objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do
objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um
tipo textual que se agrega facilmente aos outros tipos em
diversos gêneros textuais. Tem predominância em
gêneros como: cardápio, folheto turístico, anúncio
classificado etc.
3. Dissertação
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar
um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo
do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo.
3.1 Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou
um saber teórico. Apresenta informações sobre assuntos,
expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O
texto expositivo apenas expõe ideias sobre um
determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer.
Ex: aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos
expositivos de revistas e jornais, etc.
3.1 Dissertação-Argumentação
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de
ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de
explicar, também persuade o interlocutor, objetivando
convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão
lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa.
É tipo predominante em: sermão, ensaio, monografia,
LÍNGUA PORTUGUESA 3
dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de
jornais e revistas.
4. Injunção / Instrucional
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem
objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria,
empregados no modo imperativo, porém nota-se também
o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo
indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e
instruções para montagem ou uso de aparelhos e
instrumentos; textos com regras de comportamento;
textos de orientação (ex: recomendações de trânsito);
receitas, cartões com votos e desejos (de natal,
aniversário etc.).
OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam
apenas os tipos acima. Alguns outros consideram
que existe também o tipo predição.
5. Predição
Caracterizado por predizer algo ou levar o
interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por
ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões
astrológicas, previsões meteorológicas, previsões
escatológicas/apocalípticas.
OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo
Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada
mais é que o tipo narrativo aplicado em certos
contextos, pois toda conversação envolve
personagens, um momento temporal (não
necessariamente explícito), um espaço (real ou
virtual), um enredo (assunto da conversa) e um
narrador, aquele que relata a conversa.
Dialogal / Conversacional
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É
o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa
telefônica, chat etc.
GÊNEROS TEXTUAIS
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se
compõem os textos, sejam eles orais ou escritos. Essas
estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm
sempre muito parecidas, com características comuns,
procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e
ocorrem em situações específicas. Pode-se dizer que se
tratam das variadas formas de linguagem que circulam
em nossa sociedade, sejam eles formais ou informais.
Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo
então, ser identificado e diferenciado dos demais através
de suas características. Exemplos:
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao
leitor", tende a ser do tipo dissertativo-argumentativo com
uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou
a leitores. Quando se trata de "carta pessoal", a presença
de aspectos narrativos ou descritivos e uma linguagem
pessoal é mais comum. No caso da "carta denúncia", em
que há o relato de um fato que o autor sente necessidade
de o expor ao seu público, os tipos narrativos
e dissertativo-expositivo são mais utilizados.
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-
expositivo onde há a o intuito de propagar informações
sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor
apresentando, na maioria das vezes, mensagens que
despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo.
Bula de remédio: trata-se de um gênero
textual descritivo, dissertativo-expositivo e injuntivo que
tem por obrigação fornecer as informações necessárias
para o correto uso do medicamento.
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo
que tem por objetivo informar a fórmula para preparar tal
comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes,
além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido de
ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções.
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num
guia que tem por finalidade explicar ao leitor, passo a
passo e de maneira simplificada, como fazer algo.
Editorial: é um gênero textual dissertativo-
argumentativo que expressa o posicionamento da
empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação da
presença da objetividade.
Notícia: podemos perfeitamente identificar
características narrativas, o fato ocorrido que se deu em
um determinado momento e em um determinado lugar,
envolvendo determinadas personagens. Características
do lugar, bem como dos personagens envolvidos são,
muitas vezes, minuciosamente descritos.
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por
objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma
maneira clara, com linguagem direta.
Entrevista: é um gênero textual
fundamentalmente dialogal, representado pela conver-
sação de duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s)
entrevistado(s),para obter informações sobre ou do
entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente
envolve também aspectos dissertativo-expositivos,
especialmente quando se trata de entrevista a imprensa
ou entrevista jornalística. Mas pode também envolver
aspectosnarrativos, como na entrevista de emprego, ou
aspectos descritivos, como na entrevista médica.
História em quadrinhos: é um gênero narrativo que
consiste em enredos contados em pequenos quadros
através de diálogos diretos entre seus personagens,
gerando uma espécie de conversação.
Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz
uma espécie de ilustração cômica, através de caricaturas,
com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou
comentário sobre algum acontecimento atual, em sua
grande maioria.
Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos.
Além dos versos, pode ser estruturado em estrofes.
Rimas e métrica também podem fazer parte de sua
composição. Pode ou não ser poético. Dependendo de
sua estrutura, pode receber classificações específicas,
como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, dramático
etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos
e descritivos são mais frequentes neste gênero.
Importante também é a distinção entre poema e poesia.
Poesia é o conteúdo capaz de transmitir emoções por
meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e
comove pode ser considerado como poético.
Assim, quando aplica-se a poesia ao gênero <poema>,
resulta-se em um poema poético, quando aplicada à
prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça
ou um filme podem ser assim considerados).
Canção: possui muitas semelhanças com o gênero
poema, como a estruturação em estrofes e as rimas. Ao
contrário do poema, costuma apresentar em sua estrutura
um refrão, parte da letra que se repete ao longo do texto,
e quase sempre tem uma interação direta com os
instrumentos musicais. A tipologia narrativa tem
prevalência neste caso.
4 LÍNGUA PORTUGUESA
Adivinha: é um gênero cômico, o qual consiste em
perguntas cujas respostas exigem algum nível de
engenhosidade. Predominantemente dialogal.
Anais: um registro da história resumido,
estruturado ano a ano. Atualmente, é utilizado para
publicações científicas ou artísticas que ocorram de modo
periódico, não necessariamente a cada ano. Possui
caráter fundamentalmente dissertativo.
Anúncio publicitário: utiliza linguagem apelativa
para persuadir o público a desejar aquilo que é oferecido
pelo anúncio. Por meio do uso criativo das imagens e
dalinguagem, consegue utilizar todas as tipologias
textuais com facilidade.
Boletos, faturas, carnês: predomina o
tipo descrição nestes casos, relacionados a informações
de um indivíduo ou empresa. O tipo injuntivo também se
manifesta, através da orientação que cada um traz.
Profecia: em geral, estão em um contexto
religioso, e tratam de eventos que podem ocorrer no
futuro da época do autor. A predominância é a do
tipo preditivo, havendo também características dos
tipos narrativo e descritivo.
Domínio Principal Gêneros textuais
Científico
Artigo científico
Verbete de enciclopédia
Nota de aula
Nota de rodapé
Tese
Dissertação
Trabalho de conclusão
Biografia
Patente
Tabela
Mapa
Gráfico
Resumo
Resenha
Jornalístico
Editorial
Notícia
Reportagem
Artigo de opinião
Entrevista
Anúncio
Carta ao leitor
Resumo de novela
Capa de revista
Expediente
Errata
Programação semanal
Debate
Religioso
Oração
Reza
Lamentação
Catecismo
Homilia
Cântico religioso
Sermão
Comercial
Nota de venda
Nota de compra
Fatura
Anúncio
Comprovante de pagamento
Nota promissória
Nota fiscal
Boleto
Código de barras
Rótulo
Logomarca
Comprovante de renda
Curriculum vitae
Instrucional
Receita culinária
Manual de instrução
Manual de montagem
Regra de jogo
Roteiro de viagem
Contrato
Horóscopo
Formulário
Edital
Placa
Catálogo
Glossário
Receita médica
Bula de remédio
Jurídico
Contrato
Lei
Regimento
Regulamento
Estatuto
Norma
Certidão
Atestado
Declaração
Alvará
Parecer
Certificado
Diploma
Edital
Documento pessoal
Boletim de ocorrência
Publicitário
Propaganda
Anúncio
Cartaz
Folheto
Logomarca
Endereço postal
Humorístico
Piada
Adivinha
Charge
Interpessoal
Carta pessoal
Carta comercial
Carta aberta
Carta do leitor
Carta oficial
Carta convite
LÍNGUA PORTUGUESA 5
Bilhete
Ata
Telegrama
Agradecimento
Convite
Advertência
Bate-papo
Aviso
Informe
Memorando
Mensagem
Relato
Requerimento
Petição
Órdem
E-mail
Ameaça
Fofoca
Entrevista médica
Ficcional
Poema
Conto
Mito
Peça de teatro
Lenda
Fábula
Romance
Drama
Crônica
História em quadrinhos
RPG
GÊNEROS LITERÁRIOS:
. Gênero Narrativo:
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários
reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o
dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico
passou a ser considerado apenas uma variante do gênero
literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de
prosa com características diferentes: o romance, a novela,
o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as
obras narrativas possuem elementos estruturais e
estilísticos em comum e devem responder a
questionamentos, como: quem? o que? quando? onde?
por quê? Vejamos a seguir:
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são
geralmente longos e narram histórias de um povo ou de
uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos
heroicos etc. Normalmente apresentam um tom de
exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus
feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de
Camões, e Odisséia, de Homero.
Romance: é um texto completo, com tempo, espaço
e personagens bem definidos e de caráter
mais verossímil. Também conta as façanhas de um
herói, mas principalmente uma história de amor vivida por
ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele.
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive sua
paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso,
costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais
comum na Idade Média. Ex: Tristão e Isolda.
Novela: é um texto caracterizado por ser
intermediário entre a longevidade do romance e a
brevidade do conto. Como exemplos de novelas, podem
ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e
A Metamorfose, de Kafka.
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção,
geralmente em prosa, que conta situações rotineiras,
anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia parte da
literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de
forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos
tipos do gênero textual conto surgiram na tipologia textual
narrativa: conto de fadas, que envolve personagens do
mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem
personagens em um contexto mais próximo da realidade;
contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou
assombração, que se desenrolam em um contexto
sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos
de mistério, que envolvem o suspense e a solução de um
mistério.
Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca
ser inverossímil. As personagens principais são não
humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral.
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada
à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um
tom humorístico ou um toque de crítica indireta,
especialmente, quando aparece em seção ou artigo de
jornal, revistas e programas da TV.
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância
entre os momentos narrativos e manifestos descritivos.
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o
poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões
moraise filosóficas a respeito de certo tema. É menos
formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na
defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um
tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural,
moral, comportamental etc.), sem que se paute em
formalidades como documentos ou provas empíricas ou
dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a
tolerância, de John Locke.
· Gênero Dramático:
Trata-se do texto escrito para ser encenado no
teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando
a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é
representada por atores, que assumem os papéis das
personagens nas cenas.
Tragédia: é a representação de um fato trágico,
suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles
afirmava que a tragédia era "uma representação duma
ação grave, de alguma extensão e completa, em
linguagem figurada, com atores agindo, não narrando,
inspirando dó e terror". Ex.: Romeu e Julieta, de
Shakespeare.
Farsa: A farsa consiste no exagero do cômico,
graças ao emprego de processos como o absurdo, as
incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor
primário, as situações ridículas e, em especial, o engano.
Comédia: é a representação de um fato inspirado
na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem
grega está ligada às festas populares.
Tragicomédia: modalidade em que se misturam
elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava
a mistura do real com o imaginário.
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em
que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural
nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade
vivida por este povo.
6 LÍNGUA PORTUGUESA
· Gênero Lírico:
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que
fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor)
exprime suas emoções, ideias e impressões em face do
mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos
estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva
da linguagem.
Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém,
sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do
texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme,
decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um
bom exemplo é a peça Roan e yufa, de william
shakespeare.
Epitalâmia: é um texto relativo às noites
nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e
cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu
e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor
faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às
divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo
importante para ele. O hino é uma ode com
acompanhamento musical;
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o
emissor expressa uma homenagem à natureza,
às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o
poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de
desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada
(pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço
ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos
(muito rara);
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma
crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico.
Acalanto: ou canção de ninar;
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha),
composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso
formam uma palavra ou frase;
Balada: uma das mais primitivas manifestações
poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo
característico e refrão vocal que se destinam à dança;
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com
acompanhamento musical;
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e
árabes; odes do oriente médio;
Haicai: expressão japonesa que significa “versos
cômicos” (=sátira). E o poema japonês formado de três
versos que somam 17 sílabas assim distribuídas: 1°
verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas;
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos,
dividido em dois quartetos e dois tercetos, com rima
geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d.
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas
vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas,
portanto.
EMPREGO DE ELEMENTOS DE
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E
REPETIÇÃO, DE CONECTORES E DE OUTROS
ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL
Introdução
Palavras como preposições, conjunções e
pronomes possuem a função de criar um sistema de
relações, referências e retomadas no interior de um texto;
garantindo unidade entre as diversas partes que o
compõe. Essa relação, esse entrelaçamento de
elementos no texto recebe o nome de Coesão Textual.
Há, portanto, coesão, quando seus vários
elementos estão articulados entre si, estabelecendo
unidade em cada uma das partes, ou seja, entre os
períodos e entre os parágrafos.
Tal unidade se dá pelo emprego de conectivos ou
elementos coesivos, cuja função é evidenciar as várias
relações de sentido entre os enunciados. Veja um
exemplo de um texto coeso:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse
neste domingo que o Brasil não vai atender ao
governo interino de Honduras, que deu prazo de
dez dias para uma definição sobre a situação do
presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na
embaixada brasileira desde que retornou a
Tegucigalpa, há uma semana. Caso contrário, o
governo de Micheletti ameaça retirar a imunidade
diplomática da embaixada brasileira no país,
segundo informou comunicado da chancelaria
hondurenha divulgado na noite de sábado, em
Tegucigalpa”.
(Jornal O Globo – 27/09/2009)
Quando um conectivo não é usado corretamente,
há prejuízo na coesão. Observe:
A escola possui um excelente time de futebol,
portanto até hoje não conseguiu vencer o campeonato. O
conectivo “portanto” confere ao período valor de
conclusão, porém não há verdadeira relação de sentido
entre as duas frases: a conclusão de não vencer não é
possuir um excelente time de futebol. Analisaremos, a
seguir, o problema na coesão:
É óbvio que existem duas ideias que se opõem,
são elas: possuir um time de futebol x não vencer o
campeonato.
Logo, só podemos empregar um conector que
expresse ideia adversativa, são eles: mas, porém,
contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. O
período reescrito de forma adequada, fica assim:A escola
possui um excelente time de futebol, mas até hoje não
conseguiu vencer o campeonato….,porém até hoje não
conseguiu vencer o campeonato.
…,contudo até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…,todavia até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…,entretanto até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…, no entanto até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
…, não obstante até hoje não conseguiu vencer o
campeonato.
A palavra texto provém do latim”textum”, que
significa tecido, entrelaçamento. Expondo de forma
prática, podemos dizer que texto é um entrelaçamento de
enunciados oracionais e não oracionais organizados de
acordo com a lógica do autor.
Há de se convir que um texto também deve ser
claro, estando essa qualidade relacionada diretamente
aos elementos coesivos (ligação entre as partes).
Falar em coesão é necessariamente falar
em endófora e exófora. Aquela se impõe no emprego de
pronomes e expressões que se referem a elementos
nominais presentes na superfície textual; esta faz
remissão a um elemento fora dos limites do texto.
LÍNGUA PORTUGUESA 7
A referenciação ocorre, basicamente, por meio de
dois movimentos, chamados de movimentos retrospectivo
e progressivo, respectivamente anáfora e catáfora.
Tomando como objeto de análise o mesmo exemplo,
vamos observar agora as anáforas e catáforas.
Vejamos as principais características de cada uma
delas:
Endófora
É dividida em: anáfora e catáfora.
a) Anáfora: expressão que retoma uma ideia
anteriormente expressa.
“Secretáriade Educação escreve pichação com
“x”. Ela justifica a gafe pela pressa”.
Observe que o pronome “Ela” retoma uma
expressão já citada anteriormente – Secretária de
Educação –, portanto trata-se de uma retomada por
anáfora.Dica: vale lembrar que a expressão retomada (no
exemplo acima representada pela porção Secretária de
Educação) é, também, chamada, em provas de Concurso,
de referente ideológico.
b) Catáfora: pronome ou expressão nominal que
antecipa uma expressão presente em porção posterior do
texto. Observe:
Só queremos isto: a aprovação!
No exemplo, o pronome “isto” só pode ser
recuperado se identificarmos o termo aprovação, que
aparece na porção posterior à estrutura. É, portanto, um
exemplo clássico de catáfora.
Vejamos outros:
Eu quero ajuda de alguém: pode ser de você.
(catáfora ou remissão catafórica) Não viu seu
amigo na festa.
(catáfora ou remissão catafórica)
“A manicure Vanessa foi baleada na Tijuca. Ela
levou um tiro no abdome”.
(anáfora ou remissão anafórica)
Três homens e uma mulher tentaram roubar um
Xsara Picasso na Tijuca: deram 10 tiros no carro, mas
não conseguiram levá-lo. (anáfora ou remissão anafórica)
Exófora
a remissão é feita a algum elemento da situação
comunicativa, ou seja, o referente está fora da superfície
textual.
MECANISMOS DE COESÃO: é meio pelo qual
ocorre a coesão em um texto. Os principais são:
1) Coesão por substituição:
Consiste na colocação de um item em lugar de
outro(s) elemento(s) do texto, ou até mesmo de uma
oração inteira.
Ele comprou um carro. Eu também quero comprar
um.
Ele comprou um carro novo e eu também.
Observe que ocorre uma redefinição, ou seja, não
há identidade entre o item de referência e o item
pressuposto. O que existe, na verdade, é uma nova
definição nos termos: um, também. Comparemos com
outro exemplo:
Comprei um carro vermelho, mas Pedro preferiu
um verde.
O termo “vermelho” é o adjunto adnominal de
carro. Ele é, então, o modificador do substantivo.
Todavia, esse termo é silenciado e, em seu lugar,
faz-se presente a porção especificativa “verde”. Logo,
trata-se de uma redefinição do referente.
2) Coesão por elipse: ocorre quando elemento do
texto é omitido em algum dos contextos em que deveria
ocorrer.
-Pedro vai comprar o carro?
– Vai!
Houve a omissão dos termos Paulo (sujeito) e
comprar o carro (predicado verbal), todavia essa não
prejudicou nem a correção gramatical nem a clareza do
texto. Exemplo clássico de coesão por elipse.
3) Coesão por Conjunção:
Estabelece relações significativas entre os
elementos ou orações do texto, através do uso de
marcadores formais – as conjunções. Essas podem
exprimir valor semântico de adição, adversidade, causa,
tempo…
Perdeu as forças e caiu. (adição)
Perdeu as forças, mas permaneceu firme.
(adversidade)
Perdeu as forças, porque não se alimentou.
(causa)
Perdeu as forças, quando soube a verdade.
(tempo)
Observe que todas as relações de sentido
estabelecidas entre as duas porções textuais são feitas
por meio dos conectores: e, mas, porque, quando.
4) Coesão Lexical:
É obtida pela seleção vocabular. Tal mecanismo é
garantido por dois tipos de procedimentos:
a) Reiteração (repetição): ocorre por repetição do
mesmo item lexical ou através de hiperônimos, sinônimos
ou nomes genéricos.
O aluno estava nervoso. O aluno havia sido
assaltado. (repetição do mesmo item lexical)Uma menina
desapareceu. A garota estava envolvida com drogas.
(coesão resultante do uso de sinônimo)Havia
muitas ferramentas espalhadas, mas só precisava achar o
martelo.
(coesão por hiperônimo: ferramentas é o gênero
de que martelo é a espécie)
Todos ouviram um barulho atrás da porta. Abriram-
na e viram uma coisa em cima da mesa.
(coesão resultante de um nome genérico)
Observação: nos exemplos acima, observamos
que retomar um referente por meio de uma
expressão genérica ou por hiperônimo é um
recurso natural de um texto.
Muitos estudantes de concursos ou vestibulares
perguntam se é errado repetir palavras em suas
redações. A resposta é simples: se houver, na repetição,
finalidade enfática você não será penalizado.
Todavia, a escolha dos recursos coesivos mais
adequados deve ser feita, levando-se em consideração a
articulação geral do texto e, eventualmente, os efeitos
estilísticos que se deseja obter.
b) Coesão por colocação ou contiguidade:
consiste no uso de termos pertencentes a um mesmo
campo semântico.
Houve um grande evento nas areias de
Copacabana, no último dia 02.
https://resumosparaconcursos.com.br/2018/02/09/colocacao-pronominal/
https://resumosparaconcursos.com.br/2018/02/09/colocacao-pronominal/
8 LÍNGUA PORTUGUESA
O motivo da festa foi este: o Rio sediará as
olimpíadas de 2016
ARTICULAÇÕES SEMÂNTICO-TEXTUAIS
ARTICULAÇÃO TEXTUAL: OPERADORES
SEQUENCIAIS, EXPRESSÕES REFERENCIAIS
Para construir um texto, necessitam-se de palavras
(óbvio!). Estas palavras podem estar conectadas entre si
por meio de conjunções, pronomes, os quais irão dar
sentido ao texto. Os operadores sequenciais e as
expressões referenciais podem ser tanto sinônimos, os
quais irão recuperar termos, como antônimos,
pronomes. Dessa forma, a unidade textual não fica
redundante ou repetitiva - daí a importância desses
operadores e expressões de referência.
Em uma redação, por exemplo, é preciso saber
qual conectivo (conjunções e preposições) ligam as ideias
para que estas se tornem claras. Esses elementos estão
inclusos no que se convencionou, em Linguística, chamar
de coesão, tema que veremos nas linhas seguintes.
De acordo com Neves (2011, p. 449), os
pronomes têm “a capacidade de fazer referência”. São
eles:
Eu, Tu (Você), Ele (Ela), Nós, Vós (Vocês), Eles
(Elas)
Me, Nos, Te, Vos, O, A, Lhe, Se
Mim, Comigo, Nós, Conosco, Ti, Contigo, Vós,
Convosco, Si, Consigo.
As preposições também são operadores
sequenciais. São elas: a, até, com, contra, de, em, entre,
para, por, sob, sobre, ante, após, desde, perante, sem.
As conjunções, por sua vez, podem ser tanto
coordenativas ou subordinativas. O primeiro tipo liga duas
orações independentes entre si. A segunda liga o sentido
entre as frases dependentes.
Conjunções Coordenativas:
Aditivas: e, nem, também, como também, bem
como, mas ainda, não só… mas, não só... mas também,
não só... como também, não só... bem como, não só...
mas ainda.
Adversativas: mas, entretanto, no entanto,
porém, todavia, contudo, não obstante.
Alternativas: ou, ou… ou, ora… ora, já… já,
quer… quer, seja… seja.
Conclusivas: logo, portanto, por isso, assim, por
conseguinte, então.
Explicativas: que, porque, porquanto, pois.
Conjunções Subordinativas:
Causais: porque, uma vez que, sendo que, visto
que, como, já que, desde que, pois.
Consecutivas: que (precedido de tal, tão, tanto,
tamanho), sem que, de modo que, de forma que, de
maneira que.
Comparativas: como, tal qual, que, do que, assim
como, mais… que, menos… que, (tanto) quanto.
Conformativas: conforme, assim como, segundo,
consoante, como, de acordo com que.
Condicionais: se, caso, contanto que, a menos
que, sem que, salvo se, desde que.
Concessivas: mesmo que, por mais que, ainda
que, ainda quando, quando mesmo, se bem que, embora,
conquanto, posto que, por muito que, apesar de que, que,
malgrado, dado que, suposto que.
Proporcionais: à medida que, à proporção que,
ao passo que, quanto mais (tanto menos), quanto menos.
Finais: a fim de que, para que.
Temporais: quando, enquanto, sempre que, logo,
que, depois que, desde que, assim que, até que, cada vez
que, sem que.
Coerência: manifestada em grande parte
macrotextualmente, refere-se aos modos como os
componentes do universo textual se unem de maneira
acessível e relevante;
COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL
Por essas duas palavras - coesão e coerência-
compreendemos a relação de sentido que se estabelece
entre as partes do texto, criando uma unidade de sentido
(ou seja, criando um discurso que faça sentido para o
receptor). A coesão auxilia a coerência, mas não é algo
necessário para que esta se dê: mesmo não havendo
coesão, pode haver coerência. A coerência manifestada
no nível microtextual refere-se aos modos como os
componentes do universo textual estão ligados entre si
dentro de uma sequência.
Coesão: quando manifestada no nível
microtextual, refere-se aos modos como os componentes
do universo textual estão ligados entre si dentro de uma
sequência;
Há vários tipos de coesão. São eles:
Referência: exofórica e endofórica (que pode ser
anáfora e catáfora);
Exofórica é quando há uma relação
extralinguística, isto é, textos orais. Já a endofórica é uma
relação interna. Será anáfora quando houver retomada,
recuperação de termos, com o uso de pronomes, por
exemplo. Já a catáfora indica um termo subsequente, que
será ainda falado.
Por exemplo:
- O menino brigou com a menina. Ela não teve
culpa (anáfora)
- Vou lhe dizer isto: fique longe de mim (catáfora)
Substituição: quando ocorre substituição de
termos, como sinônimos que não são completamente
idênticos para a troca.
Elisão: um exemplo claro é quando suprimos as
palavras do português.
Conjunção: estabelece vínculos semânticos,
como a causalidade, temporalidade.
Coesão lexical: termos que são retomados por
sinônimos ou hiperônimos.
ELEMENTOS DE COESÃO
Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os
elementos de um texto. Percebemos tal definição quando
lemos um texto e verificamos que as palavras, as frases e
os parágrafos estão entrelaçados, um dando continuidade
ao outro.
Os elementos de coesão determinam a transição
de ideias entre as frases e os parágrafos.
Observe a coesão presente no texto a seguir:
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília
contra a política agrária do país, porque consideram
injusta a atual distribuição de terras. Porém o ministro da
Agricultura considerou a manifestação um ato de
LÍNGUA PORTUGUESA 9
rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária
pretende assentar milhares de sem-terra.”
JORDÃO, R., BELLEZI C. Linguagens. São Paulo:
Escala Educacional, 2007, p. 566
As palavras destacadas têm o papel de ligar as
partes do texto, podemos dizer que elas são responsáveis
pela coesão do texto.
Há vários recursos que respondem pela coesão do
texto, os principais são:
- PALAVRAS DE TRANSIÇÃO: são palavras
responsáveis pela coesão do texto, estabelecem a inter-
relação entre os enunciados (orações, frases, parágrafos),
são preposições, conjunções, alguns advérbios e
locuções adverbiais.
Veja algumas palavras e expressões de
transição e seus respectivos sentidos:
- inicialmente (começo, introdução)
- primeiramente (começo, introdução)
- primeiramente (começo, introdução)
- antes de tudo (começo, introdução)
- desde já (começo, introdução)
- além disso (continuação)
- do mesmo modo (continuação)
- acresce que (continuação)
- ainda por cima (continuação)
- bem como (continuação)
- outrossim (continuação)
- enfim (conclusão)
- dessa forma (conclusão)
- em suma (conclusão)
- nesse sentido (conclusão)
- portanto (conclusão)
- afinal (conclusão)
- logo após (tempo)
- ocasionalmente (tempo)
- posteriormente (tempo)
- atualmente (tempo)
- enquanto isso (tempo)
- imediatamente (tempo)
- não raro (tempo)
- concomitantemente (tempo)
- igualmente (semelhança, conformidade)
- segundo (semelhança, conformidade)
- conforme (semelhança, conformidade)
- assim também (semelhança, conformidade)
- de acordo com (semelhança, conformidade)
- daí (causa e consequência)
- por isso (causa e consequência)
- de fato (causa e consequência)- em virtude de
(causa e consequência)
- assim (causa e consequência)
- naturalmente (causa e consequência)
- então (exemplificação, esclarecimento)
- por exemplo (exemplificação, esclarecimento)
- isto é (exemplificação, esclarecimento)
- a saber (exemplificação, esclarecimento)
- em outras palavras (exemplificação,
esclarecimento)
- ou seja (exemplificação, esclarecimento)
- quer dizer (exemplificação, esclarecimento)
- rigorosamente falando (exemplificação,
esclarecimento).
Ex.: A prática de atividade física é essencial ao
nosso cotidiano. Assim sendo, quem a pratica possui
uma melhor qualidade de vida.
- COESÃO POR REFERÊNCIA: existem palavras
que têm a função de fazer referência, são elas:
- pronomes pessoais: eu, tu, ele, me, te, os...
- pronomes possessivos: meu, teu, seu, nosso...
- pronomes demonstrativos: este, esse, aquele...
- pronomes indefinidos: algum, nenhum, todo...
- pronomes relativos: que, o qual, onde...
- advérbios de lugar: aqui, aí, lá...
Ex.: Marcela obteve uma ótima colocação no
concurso. Tal resultado demonstra que ela se esforçou
bastante para alcançar o objetivo que tanto almejava.
- Coesão por substituição: substituição de um
nome (pessoa, objeto, lugar etc.), verbos, períodos ou
trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha
sentido próximo, evitando a repetição no corpo do texto.
Ex.: Porto Alegre pode ser substituída por “a
capital gaúcha”;
Castro Alves pode ser substituído por “O Poeta
dos Escravos”;
João Paulo II: Sua Santidade;
Vênus: A Deusa da Beleza.
Ex.: Castro Alves é autor de uma vastíssima obra
literária. Não é por acaso que o "Poeta dos Escravos" é
considerado o mais importante da geração a qual
representou.
Assim, a coesão confere textualidade aos
enunciados agrupados em conjuntos.
EXERCÍCIOS SOBRE COERÊNCIA TEXTUAL
01. Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar:
a) A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias,
própria daquilo que tem nexo, conexão, portanto,
podemos associá-la ao processo de construção de
sentidos do texto e à articulação das ideias.
b) Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos
dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o
leitor é o responsável pela constituição dos
significados do texto.
c) A coerência é imaterial e não está na superfície textual.
Compreender aquilo que está escrito dependerá dos
níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por
esse motivo, um mesmo texto pode
apresentar múltiplas interpretações.
d) A não contradição, a não tautologia e o princípio da
relevância são elementos básicos que garantem a
coerência textual.
e) A coerência textual dispensa o uso adequado dos
conectivos, elementos que apenas colaboram para a
estruturação do texto sem apresentar relação direta
com a semântica textual.
02. Observe a tirinha Calvin e Haroldo, de Bill Watterson,
e responda à questão:
10 LÍNGUA PORTUGUESA
Para cada situação interativa existe uma variedade de
língua adequada. O falante pode optar pela variedade
padrão ou pela variedade não padrão
Sobre o nível de linguagem adotado por Calvin, podemos
afirmar que se trata, em relação aos tipos de
coerência, de uma
a) incoerência pragmática.
b) incoerência genérica.
c) incoerência estilística.
d) incoerência temática.
e) incoerência semântica.
03. Observe o discurso de Calvin e responda à questão:
A identificação de elementos textuais como as figuras
de linguagem é essencial para a interpretação de
textos
A incoerência na fala de Calvin sobre a TV pode ser
explicada através da seguinte figura de linguagem:
a) Eufemismo.
b) Hipérbole.
c) Paradoxo.
d) Ironia.
e) Personificação.
04. Oito Anos
“Por que você é Flamengo
E meu pai Botafogo
O que significa
"Impávido colosso"?
Por que os ossos doem
enquanto a gente dorme
Por que os dentes caem
Por onde os filhos saem
Por que osdedos murcham
quando estou no banho
Por que as ruas enchem
quando está chovendo
Quanto é mil trilhões
vezes infinito
Quem é Jesus Cristo
Onde estão meus primos
Well, well, well
Gabriel (...)”.
(Paula Toller/Dunga. CD Partimpim, de Adriana Calcanhoto,
São Paulo, 2004)
Julgue as seguintes proposições:
I. Pode-se dizer que se trata de um conjunto de frases
interrogativas sem ligação entre si, configurando então
um texto desprovido de coerência.
II. Embora o texto apresente uma série de interrogações
aparentemente sem ligação entre si, existem nele
elementos linguísticos que nos permitem construir a
coerência textual.
III. A letra da canção é constituída por uma “lista” das
perguntas que um filho faz para a mãe, e a
sequenciação de perguntas aparentemente
desconexas, na verdade, explicita o grande número de
questionamentos que povoam o imaginário infantil.
IV. A ausência de elementos sintáticos, como conectivos,
prejudica a construção de sentidos do texto.
a) Todas estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e IV estão corretas.
d) Apenas I e III estão corretas.
e) I, III e IV estão corretas.
Respostas
Questão 1. Alternativa “e”. O uso adequado dos conectivos é
um importante mecanismo de estruturação do texto, seja nos
aspectos relacionados à semântica, seja nos aspectos
relacionados à sintaxe. Um texto pode ser coerente sem
conectivos, contudo, esses elementos garantem dois
movimentos de leitura essenciais em uma redação: a
retrospecção e a prospecção.
Questão 2. Alternativa “c”. De acordo com a coerência
estilística, cada situação interativa exige do falante ou do
produtor do texto a adequação à variedade linguística, ou
seja, devemos optar, de acordo com o contexto
comunicacional, pela variedade padrão ou pela variedade
não padrão. Analisando as falas de Calvin, podemos inferir
que, ao adotar a variedade padrão fora de seu contexto ideal
de uso, ele cometeu uma incoerência estilística.
Questão 3. Alternativa “d”. A ironia é a figura de linguagem
capaz de explicar a incoerência presente no discurso de
Calvin. Sem captar a ironia de sua fala, o discurso
transforma-se em apologia, quando, na verdade, a intenção
do cartunista foi tecer uma crítica aos meios de
comunicação.
Questão 4. Alternativa “b”.
LÍNGUA PORTUGUESA 11
REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS DO
TEXTO
Figuras de estilo, figuras ou Desvios de linguagem
são nomes dados a alguns processos que priorizam a
palavra ou o todo para tornar o texto mais rico e
expressivo ou buscar um novo significado, possibilitando
uma reescritura correta de textos.
Podem ser:
Figuras de palavras
As figuras de palavra consistem no emprego de
um termo com sentido diferente daquele
convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um
efeito mais expressivo na comunicação.
São figuras de palavras:
Comparação:
Ocorre comparação quando se estabelece
aproximação entre dois elementos que se identificam,
ligados por conectivos comparativos explícitos – feito,
assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem –
e alguns verbos – parecer, assemelhar-se e outros.
Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse
máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico.”
(Chico Buarque);
“As solteironas, os longos vestidos negros
fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam
aves noturnas paradas…” (Jorge Amado).
Metáfora:
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro
através de uma relação de semelhança resultante da
subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode
ser entendida como uma comparação abreviada, em que
o conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta
concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair
pérolas, que é a razão.” (Machado de Assis).
Metonímia:
Ocorre metonímia quando há substituição de uma
palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de
semelhança, relação, proximidade de sentido ou
implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa
relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:
– o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes
de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um
cálice) de licor.
– a causa pelo efeito e vice-versa: “E assim o
operário ia / Com suor e com cimento (com
trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante
um apartamento.” (Vinicius de Moraes).
– o lugar de origem ou de produção pelo produto:
Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho
da cidade do Porto).
– o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a
obra de Jorge Amado).
– o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não
devemos contar com o seu coração
(sentimento, sensibilidade).
– o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o
poder) foi disputada pelos revolucionários.
– a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o
bronze (o sino) soa.
– o inventor pelo invento: Edson (a energia
elétrica) ilumina o mundo.
– a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício
da Prefeitura).
– o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um
bom garfo (guloso, glutão).
Sinédoque:
Ocorre sinédoque quando há substituição de um
termo por outro, havendo ampliação ou redução do
sentido usual da palavra numa relação quantitativa.
Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
– o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira
(o povo) viu assombrada, de queixo caído, o
pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos
(parte das patas) de seu cavalo.” (J. Cândido
de Carvalho)
– o singular pelo plural e vice-versa: O paulista
(todos os paulistas) é tímido; o carioca (todos
os cariocas), atrevido.
– o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo
nome comum): Para os artistas ele foi um
mecenas (protetor).
Catacrese:
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, “é
uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se
sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual
e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguístico, já fora
do âmbito estilístico.” (Othon M. Garcia).
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele
de tomate / dente de alho / montar em burro / céu da boca
/ cabeça de prego / mão de direção / ventre da terra / asa
da xícara / sacar dinheiro no banco.
Sinestesia:
A sinestesia consiste na fusão de sensações
diferentes numa mesma expressão. Essas sensações
podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato)
ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: “A minha primeira recordação é um muro
velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias
feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela
mancha verde [sensação visual] e úmida, macia
[sensações táteis], quase irreal.” (Augusto Meyer)
Antonomásia:
Ocorre antonomásia quando designamos uma
pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a
distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo
que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um
aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.
Exemplos: “E ao rabi simples (Cristo), que a
igualdade prega, / Rasga e enlameia a túnica inconsútil;
(Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Arantes do
Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta
dos escravos (= Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e
Souza) / O Corso (= Napoleão)
Alegoria:
A alegoria é uma acumulação de metáforas
referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que
consiste em expressar uma situação global por meio de
12 LÍNGUA PORTUGUESA
outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na
alegoria, todas as palavras estão transladadas para um
plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos
completos e perfeitos – um referencial e outro metafórico.
Exemplo: “A vida é uma ópera, é uma grande
ópera. O tenor e o barítono lutam pelosoprano, em
presença do baixo e dos comprimários, quando não são o
soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença
do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros
numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente…”
(Machado de Assis).
FIGURAS DE SINTAXE OU DE CONSTRUÇÃO:
As figuras de sintaxe ou de construção dizem
respeito a desvios em relação à concordância entre os
termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou
omissões.
Elas podem ser construídas por:
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e
hipálage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse.
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
Assíndeto:
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras
deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas,
aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada
fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: “Não nos movemos, as mãos é que se
estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se,
apertando-se, fundindo-se.” (Machado de Assis).
Elipse:
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou
oração que facilmente podemos identificar ou
subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de
pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um
poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: “Veio sem pinturas, em vestido leve,
sandálias coloridas.” (elipse do pronome ela (Ela veio) e
da preposição de (de sandálias…).
Zeugma:
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na
frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
Exemplo: “Foi saqueada a vida, e assassinados os
partidários dos Felipes.” (Zeugma do verbo: “e foram
assassinados…”) (Camilo Castelo Branco).
Anáfora:
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de
palavras no início de um período, frase ou verso.
Exemplo: “Depois o areal extenso… / Depois o
oceano de pó… / Depois no horizonte imenso /
Desertos… desertos só…” (Castro Alves).
Pleonasmo:
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma
ideia, isto é, redundância de significado.
1. a) Pleonasmo literário:
É o uso de palavras redundantes para reforçar
uma ideia, tanto do ponto de vista semântico quanto do
ponto de vista sintático. Usado como um recurso
estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à
mensagem.
Exemplos:
“Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os
olhos eu quis ver de perto / Quando em visão com os da
saudade via.” (Alberto de Oliveira).
“Morrerás morte vil na mão de um forte.”
(Gonçalves Dias)
“Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas
de Portugal” (Fernando Pessoa).
1. b) Pleonasmo vicioso:
É o desdobramento de ideias que já estavam
implícitas em palavras anteriormente expressas.
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm
valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do
descobrimento do sentido real das palavras.
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro /
repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de
sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / principal
protagonista.
Polissíndeto:
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática
de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige
a norma gramatical (geralmente a conjunção e). É um
recurso que sugere movimentos ininterruptos ou
vertiginosos.
Exemplo: “Vão chegando as burguesinhas pobres,
/ e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do
povo, e as lavadeiras da redondeza.” (Manuel Bandeira).
Anástrofe:
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão
de palavras vizinhas (determinante/determinado).
Exemplo: “Tão leve estou (estou tão leve) que nem
sombra tenho.” (Mário Quintana).
Hipérbato:
Ocorre hipérbato quando há uma inversão
completa de membros da frase.
Exemplo: “Passeiam à tarde, as belas na Avenida.”
(As belas passeiam na Avenida à tarde.) (Carlos
Drummond de Andrade).
Sínquise:
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta
de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: “A grita se alevanta ao Céu, da gente. ”
(A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões).
Hipálage:
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do
adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é
atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: “… as lojas loquazes dos barbeiros.” (as
lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros).
Anacoluto:
LÍNGUA PORTUGUESA 13
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano
sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a
sequência lógica. A construção do período deixa um ou
mais termos – que não apresentam função sintática
definida – desprendidos dos demais, geralmente depois
de uma pausa sensível.
Exemplo: “Essas empregadas de hoje, não se
pode confiar nelas.” (Alcântara Machado).
Silepse:
Ocorre silepse quando a concordância não é feita
com as palavras, mas com a ideia a elas associada.
a) Silepse de gênero:
Ocorre quando há discordância entre os gêneros
gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer
bonito.” (Guimarães Rosa).
b) Silepse de número:
Ocorre quando há discordância envolvendo o
número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.”
(Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa:
Ocorre quando há discordância entre o sujeito
expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve
se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas
algumas pessoas.” (Machado de Assis).
FIGURAS DE PENSAMENTO:
As figuras de pensamento são recursos de
linguagem que se referem ao significado das palavras, ao
seu aspecto semântico.
São figuras de pensamento:
Antítese:
Ocorre antítese quando há aproximação de
palavras ou expressões de sentidos opostos.
Exemplo: “Amigos ou inimigos estão, amiúde, em
posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos
bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal.”
(Rui Barbosa).
Apóstrofe:
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma
pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar
presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise
sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Exemplo: “Deus! ó Deus! onde estás, que não
respondes?” (Castro Alves).
Paradoxo:
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de
palavras de sentido oposto, mas também na de ideias que
se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma
verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro
(ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver; / É
ferida que dói e não se sente; / É um contentamento
descontente; / É dor que desatina sem doer;” (Camões)
Eufemismo:
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou
expressão é empregada para atenuar uma verdade tida
como penosa, desagradável ou chocante.
Exemplo: “E pela paz derradeira (morte) que enfim
vai nos redimir Deus lhe pague”. (Chico Buarque).
Gradação:
Ocorre gradação quando há uma sequência de
palavras que intensificam uma mesma ideia.
Exemplo: “Aqui… além… mais longe por onde eu
movo o passo.” (Castro Alves).
Hipérbole:
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia,
a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de
impacto.
Exemplo: “Rios te correrão dos olhos, se
chorares!” (Olavo Bilac).
Ironia:
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela
entonação, pela contradição de termos, sugere-se o
contrário do que as palavras ou orações parecem
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: “Moça linda, bem tratada, / três séculos
de família, / burra como uma porta: / um amor.” (Mário de
Andrade).
Prosopopeia:
Ocorre prosopopeia (ou animização ou
personificação) quando se atribui movimento, ação, fala,
sentimento,enfim, caracteres próprios de seres animados
a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas a
seres animados constitui prosopopeia o que é comum nas
fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de
Quintana: “O peixinho (…) silencioso e levemente
melancólico…”
Exemplos: “… os rios vão carregando as queixas
do caminho.” (Raul Bopp)
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…”
(Clarice Lispector)
Perífrase:
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de
palavras para expressar algum objeto, acidente
geográfico ou situação que não se quer nomear.
Exemplo: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos
mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil.” (André
Filho).
Até este ponto retirei informações do site PCI
cursos
VÍCIOS DE LINGUAGEM
Ambiguidade
Ambiguidade é a possibilidade de uma
mensagem ter dois sentidos. Ela geralmente é provocada
pela má organização das palavras na frase. A
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a
possibilidade de uma palavra apresentar vários sentidos
em um contexto.
14 LÍNGUA PORTUGUESA
Exs:
“Onde está a vaca da sua avó?” (Que vaca? A
avó ou a vaca criada pela avó?)
“Onde está a cachorra da sua mãe?” (Que
cachorra? A mãe ou a cadela criada pela mãe?)
“Este líder dirigiu bem sua nação”(“Sua”? Nação
da 2ª ou 3ª pessoa (o líder)?).
Obs 1: O pronome possessivo “seu(ua)(s)” gera
muita confusão por ser geralmente associado
ao receptor da mensagem.
Obs 2: A preposição “como” também gera
confusão com o verbo “comer” na 1ª pessoa do
singular.
A ambiguidade normalmente é indesejável na
comunicação unidirecional, em particular na escrita, pois
nem sempre é possível contactar o emissor da mensagem
para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa
original e assim obter a interpretação correta da
mensagem.
Barbarismo
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrang
eirismo (para os latinos qualquer estrangeiro era bárbaro)
é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira
no lugar de equivalente vernácula.
De acordo com a língua de origem, os
estrangeirismos recebem diferentes nomes:
Galicismo ou francesismo, quando
provenientes do francês (de Gália, antigo nome
da França);
anglicismo, quando do inglês;
castelhanismo, quando vindos do espanhol;
Exs.:
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o
mais adequado seria “quanto mais penso,
(tanto) mais fico inteligente”);
Comeu um roast-beef(anglicismo; o mais
adequado seria “comeu um rosbife“);
Havia links para sua página (anglicismo; o mais
adequado seria “Havia ligações (ou vínculos)
para sua página”.
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais
adequado seria “Eles têm serviço de entrega”).
Premiê apresenta prioridades da Presidência
lusa da UE (galicismo, o mais adequado
seria Primeiro-ministro)
Nesta receita gastronômica usaremos
Blueberries e Grapefruits. (anglicismo, o mais
adequado seria Mirtilo e Toranja)
Convocamos para a Reunião do Conselho
de DA’s(plural da sigla de Diretório
Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta
língua não se usa apóstrofo „s‟ para pluralizar;
o mais adequado seria AA. ou DAs.)
Há quem considere barbarismo também
divergências de pronúncia, grafia, morfologia, etc., tais
como “adevogado” ou “eu sabo“, pois seriam atitudes
típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta
fluência no dialeto padrão da língua.
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é
indesejável porque os receptores da mensagem
frequentemente conhecem o termo em questão na língua
nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre
conhecem o termo correspondente na língua ou dialeto
estrangeiro à comunidade com a qual ele está
familiarizado. Em nível político, um barbarismo também
pode ser interpretado como uma ofensa cultural por
alguns receptores que se encontram ideologicamente
inclinados a repudiar certos tipos de influência sobre suas
culturas. Pode-se assim concluir que o conceito de
barbarismo é relativo ao receptor da mensagem.
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da
própria língua do receptor poderia ser considerada como
um barbarismo. Tal é o caso de um cultismo (ex:
“abdômen”) quando presente em uma mensagem a um
receptor que não o entende (por exemplo, um indivíduo
não escolarizado, que poderia compreender melhor os
sinônimos “barriga”, “pança” ou “bucho”).
Cacofonia
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno
formado pela união das sílabas de palavras contíguas.
Por isso temos que cuidar quando falamos sobre algo
para não ofendermos a pessoa que ouve. São exemplos
desse fato:
“Ele beijou a boca dela.”
“Bata com um mamão para mim, por favor.”
“Deixe ir-me já, pois estou atrasado.”
“Não tem nada de errado a cerca dela“
“Vou-me já que está pingando. Vai chover!”
“Instrumento para socar alho.”
“Daqui vai, se for dai.”
Não são cacofonia:
“Eu amo ela demais !!!”
“Eu vi ela.”
“você veja‖
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas
são algumas vezes usadas de propósito em certas
piadas, trocadilhos e “pegadinhas”.
Plebeísmo
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de
baixo calão, gírias e termos considerados informais.
Exemplos:
“Ele era um tremendo mané!”
“Tô ferrado!”
“Tá ligadonas quebradas, meu chapa?”
“Esse bagulho é „radicaaaal‟!!! Tá ligado
mano?”
„Vô piá lá‟mais tarde „ !!! Se ligou maluko?
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de
plebeísmos em contextos sociais que requeiram maior
formalismo no tratamento comunicativo.
Prolixidade
É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou
argumentos e à sua superabundância. É o excesso de
palavras para exprimir poucas ideias. Ao texto prolixo falta
objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza
e cansa o leitor.
A prevenção à prolixidade requer que se tenha
atenção à concisão e precisão da mensagem. Concisão é
a qualidade de dizer o máximo possível com o mínimo de
palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra certa
para dizer exatamente o que se quer.
LÍNGUA PORTUGUESA 15
Pleonasmo vicioso
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando
consiste numa redundância inútil e desnecessária de
significado em uma sentença, é considerado um vício de
linguagem. A esse tipo de pleonasmo chamamos
pleonasmo vicioso.
Exs.:
“Ele vai ser o protagonista principal da peça”.
(Um protagonista é, necessariamente, a
personagem principal)
“Meninos, entrem já para dentro!” (O verbo
“entrar” já exprime ideia de ir para dentro)
“Estou subindo para cima.” (O verbo “subir” já
exprime ideia de ir para cima)
“Não deixe de comparecer pessoalmente.” (É
impossível comparecer a algum lugar de outra
forma que não pessoalmente)
“Meio-ambiente” – o meio em que vivemos = o
ambiente em que vivemos.
Não é pleonasmo:
“As palavras são de baixo calão“. Palavras
podem ser de baixo ou de alto calão.
O pleonasmo nem sempre é um vício de
linguagem, mesmo para os exemplos supra citados, a
depender do contexto. Em certos contextos, ele é um
recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a
determinado aspecto da mensagem.
Especialmente em contextos literários, musicais e
retóricos, um pleonasmo bem colocado pode causar uma
reação notável nos receptores (como a geração de uma
frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A maestria
no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado
no receptor depende fortemente do desenvolvimento da
capacidade de interpretação textual do emissor. Na
dúvida, é melhor que seja evitado para não se incorrer
acidentalmente em um uso vicioso.
Solecismo
Solecismo é uma inadequação na estrutura
sintática da frase com relação à gramáticanormativa do
idioma. Há três tipos de solecismo:
De concordância:
“Fazem três anos que não vou ao médico.” (Faz
três anos que não vou ao médico.)
“Aluga-se salas nesse edifício.” (Alugam-se salas
nesse edifício.)
De regência:
“Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu
assisti a um filme de época.)
De colocação:
“Me empresta um lápis, por favor.” (Empresta-me
um lápis, por favor.)
“Me parece que ela ficou contente.” (Parece-me
que ela ficou contente.)
“Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.”
(Eu não lhe respondi nada do que perguntou.)
Eco
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre
quando há na frase terminações iguais ou semelhantes,
provocando dissonância.
“Falar em desenvolvimento é pensar em alimento,
saúde e educação.”
“O aluno repetente mente alegremente.”
O presidente tinha dor de dente constantemente.
Colisão
O uso de uma mesma vogal ou consoante em
várias palavras é denominado aliteração. Aliterações são
preciosos recursos estilísticos quando usados com a
intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a
atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não
são intencionais ou quando causam um efeito estilístico
ruim ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se um
vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome
de colisão. Exemplos:
“Eram comunidades camponesas com cultivos c‖
“O papa Paulo VI pediu a p”
Uma colisão pode ser remediada com a
reestruturação sintática da frase que a contém ou com a
substituição de alguns termos ou expressões por outras
similares ou sinônimas.
A LÍNGUA PADRÃO CULTA NAS SUAS
MODALIDADES ORAL E ESCRITA, NESTA
INCLUÍDOS OS ASPECTOS FORMAIS
RELATIVOS À ORTOGRAFIA OFICIAL, À
ACENTUAÇÃO GRÁFICA E À PONTUAÇÃO.
LINGUAGEM ORAL E LINGUAGEM ESCRITA
As modalidades oral e escrita constituem
universos específicos de linguagem e, como tal,
possuem características próprias. A modalidade escrita
parece caminhar para o espaço da totalidade, do
distanciamento máximo entre produtor e interlocutor,
enquanto a oralidade pressupõe um envolvimento maior
entre os falantes. Entretanto, sabe-se que essa
configuração nem sempre se realiza.
Quando escrevemos, podemos impedir que nosso
leitor interfira diretamente em nosso texto. Indiretamente,
porém essa intervenção acaba por acontecer, visto que,
continuamente, ajustamos a escrita à imagem que
fazemos dele, prevendo possíveis perguntas que ele nos
faria – e tentando respondê-las. Desse modo, a presença
desse leitor virtual exige de nós um esforço de elaboração
e precisão, levando o texto escrito para um certo grau de
completude e preenchimento, refletidos no vocabulário
apurado, no rigor gramatical, na obediência à norma culta,
na objetividade e clareza de ideias, na eliminação de
ambiguidades.
Por outro lado, na oralidade, a relação que
estabelecemos com quem falamos é direta, traduzida em
um processo de dialogação, que pode ainda contar com
uma série de recursos extralinguísticos, como gestos,
expressões faciais, entonação, postura, que facilitarão
a transmissão de ideias, emoções e possibilitarão refazer
a mensagem, caso esta não seja assimilada ou bem
interpretada.
Em ambas as modalidades (oral e escrita), espera-
se que a comunicação seja efetiva e possa, de fato, se
concretizar pelo contínuo ajustamento de linguagem que o
emissor da mensagem faz com relação ao seu
destinatário.
A língua é rica e múltipla de possibilidades.
Atualizá-la em função das exigências do momento da
comunicação é nossa tarefa e nosso desafio.
16 LÍNGUA PORTUGUESA
NOVA ORTOGRAFIA: NOVAS REGRAS
ORTOGRÁFICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA
Com as novas regras de ortografia em vigor é
preciso ficar atento ao que muda na hora de escrever,
uma vez que será considerado como erros gramaticais
em provas, concursos, e o Enem (a principal forma de
entrada em uma universidade atualmente). Confira abaixo
o que muda:
ALFABETO
A primeira mudança pode ser estranha a alguns,
mas só agora o alfabeto português possui 26 letras, uma
vez que foram incluídas as letras K, W e Y.
Os acentos podem ser as mudanças que mais
geram dúvidas: Palavras paroxítonas que tem o acento
gráfico nos ditongos EI e OI não têm mais acento.
Exemplo:
o Estréia – Estreia
o Ideia – Ideia
o Paranóico – Paranoico
o Assembléia – Assembleia
o Geléia – Geleia
o Jibóia – Jiboia
o Apóio – Apoio
o Platéia – Plateia
o Jóia – Joia
o Bóia – Boia
o Coréia – Coreia
Outras palavras que perderam seu acento foram:
creem, deem, leem, veem e seus derivados: descreem,
desdeem, releem, reveem e as que têm acento no último
o do hiato (Os hiatos são o encontro de vogais de sílabas
diferentes): Voos, enjoo, abençoo.
ACENTOS DIFERENCIAIS
Os acentos diferenciais das palavras também não
são usados mais. Exemplo:
o Pára (verbo) – Para
o Pará-brisa – Para-brisa
o Péla (substantivo) – Pela
o Péla (verbo) – Pela
o Pela (per+la)
o Pêra – Pera
o Pélo (verbo) – Pelo
o Pêlo (substantivo) – Pelo
o Pelo (per+lo)
o Pólo (substantivo) – Polo
o Polo (por+lo)
TREMA
O trema foi totalmente eliminado da língua
portuguesa, seu uso não era obrigatório e agora não
existe mais, com exceção às palavras estrangeiras e em
nomes próprios.
HÍFEN:
O hífen é usado em palavras que a segunda
palavra começa com a mesma vogal que a primeira
palavra. Exemplo: micro-ondas, anti-inflamatório, arqui-
inimigo, semi-integral, micro-organismo.
Usa o hífen quando a segunda palavra começar
com H: tele-homenagem, proto-história, sobre-humano,
extra-humano, pré-história, anti-higiênico, semi-hospitalar.
O hífen - quando o primeiro elemento acabar com
vogal e o segundo começar com vogal diferente - deixa de
existir: socioeconômico, semiárido, autoestima,
infraestrutura, ultrainterino.
Não se usa quando o primeiro elemento terminar
em vogal e o segundo elemento começar com R ou S.
Nesse caso, a primeira letra do segundo elemento deverá
ser duplicada: antissemita, contrarregra, antirreligioso,
cosseno, extrarregular, minissaia, biorritmo,
microssistema, ultrassom, antissocial.
FONÉTICA E FONOLOGIA: SOM E FONEMA,
ENCONTROS VOCÁLICOS E
CONSONANTAIS E DÍGRAFOS.
A Gramática registra e descreve todos os
aspectos das línguas. Como sabemos, esses aspectos
são diversos e seu estudo é organizados em
partes: Fonética e Fonologia, Morfologia e Sintaxe
Fonética
A Fonética, ou Fonologia, estuda os sons emitidos
pelo ser humano, para efetivar a comunicação.
Diferentemente da escrita, que conta com vogais e
consoantes, a Fonética se ocupa dos fonemas (= sons);
são eles as vogais, as consoantes e as semivogais.
Vogal = São as cinco já conhecidas - a, e, i, o, u -
quando funcionam como base de uma sílaba. Em cada
sílaba há apenas uma vogal. NUNCA HAVERÁ MAIS DO
QUE UMA VOGAL EM UMA MESMA SÍLABA.
Consoante = Qualquer letra - ou conjunto de letras
representando um som só - que só possa ser soada com
o auxílio de uma vogal (com + soante = soa com...). Na
fonética são consoantes b, d, f, g(ga, go, gu), j (ge, gi,
j) k (c ou qu), l, m (antes de vogal), n (antes de vogal), p,
r, s (s, c, ç, ss, sc, sç, xc), t,
v, x (inclusive ch), z (s, z), nh, lh, rr.
Semivogal = São as letras e, i, o e u quando
formarem sílaba com uma vogal, antes ou depois dela, e
as letras m e n, nos grupos AM, EM e EN, em final de
palavra -somente em final de palavra.
Quando a semivogal possuir som de i, será
representada foneticamente pela letra Y; com som de u,
pela letra W.
Então teremos, por exemplo, na palavra caixeiro,
que se separa silabicamente cai-xei-ro, o seguinte: 3
vogais = a, e, o; 3 consoantes = k (c), x, r; 2 semivogais =
y (i, i). Representando a palavra foneticamente, ficaremos
com kayxeyro.
Na palavra artilheiro, ar-ti-lhei-ro, o seguinte: 4
vogais = a, i, e, o; 4 consoantes = r, t, lh, r; 1semivogal = y
(i).Foneticamente = artiĹeyro.
Na palavra viagem, vi-a-gem, 3 vogais = i, a, e; 2
consoantes = v, g; 1 semivogal = y (m). viajẽy.
M / N
As letras M e N devem ser analisadas com muito
cuidado. Elas podem ser:
Consoantes = Quando estiverem no início da
sílaba.
Semivogais = Quando formarem os
grupos AM, EM e EN, em final de palavra - somente em
http://portugues.uol.com.br/gramatica/
http://portugues.uol.com.br/gramatica/sintaxe.html
LÍNGUA PORTUGUESA 17
final de palavra - sendo representadas foneticamente
por Y ou W.
Ressoo Nasal = Quando estiverem após vogal, na
mesma sílaba que ela, excetuando os três grupos acima.
Indica que o M e o N não são pronunciados, apenas
tornam a vogal nasal, portanto haverá duas letras (a vogal
+ M ou N) com um fonema só (a vogal nasal).
Por exemplo, na palavra manchem, terceira
pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo
manchar, teremos o seguinte: man-chem, 2 vogais = a, e;
2 consoantes = o 1º m, x(ch); 1 semivogal = y (o 2º m); 1
ressôo nasal = an (ã). mãxẽy.
Encontros Vocálicos
É o agrupamento de vogais e semivogais. Há três
tipos de encontros vocálicos:
Hiato = É o agrupamento de duas vogais, cada
uma em uma sílaba diferente.
Lu-a-na, a-fi-a-do, pi-a-da
Ditongo = É o agrupamento de uma vogal e uma
semivogal, em uma mesma sílaba. Quando a vogal
estiver antes da semivogal, chamaremos de Ditongo
Decrescente, e, quando a vogal estiver depois da
semivogal, de Ditongo Crescente. Chamaremos ainda
de oral e nasal, conforme ocorrer a saída do ar pelas
narinas ou pela boca.
Cai-xa = Ditongo decrescente oral.
Cin-quen-ta = Ditongo crescente nasal, com a ocorrência
do Ressôo Nasal.
Tritongo = É o agrupamento de uma vogal e duas
semivogais. Também pode ser oral ou nasal.
A-guei = Tritongo oral.
Á-guem = Tritongo nasal, com a ocorrência da
semivogal m.
Além desse três, há dois outros encontros
vocálicos importantes:
Iode = É o agrupamento de uma semivogal entre
duas vogais.
São aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oi
o, uio, uiu, em qualquer lugar da palavra - começo, meio
ou fim. Foneticamente, ocorre duplo ditongo ou tritongo +
ditongo, conforme o número de semivogais. A Iode será
representada com duplo Y: ay-ya, ey-ya, representando o
"y" um fonema apenas, e não dois como possa parecer. A
palavra vaia, então, tem quatro letras (v - a - i - a) e
quatro fonemas (v - a - y - a), sendo que o "y" pertence a
duas sílabas, não havendo, no entanto, "silêncio" entre as
duas no momento de pronunciar a palavra.
Vau = O mesmo que a Iode, porém com a
semivogal W.
Pi-au-í = Vau, com a representação fonética Pi-aw-
wi. Com o "w" ocorre o mesmo que ocorreu com o "y", ou
seja, representa um fonema apenas.
Ocorrem, também, na Língua Portuguesa,
encontros vocálicos que ora são pronunciados como
ditongo, ora como hiato. São eles:
Sinérese = São os agrupamentos ae, ao, ea, ee,
eo, ia, ie, io, oa, oe, ua, ue, uo, uu.
Ca-e-ta-no, Cae-ta-no; ge-a-da, gea-da; com-pre-
en-der, com-preen-der; Na-tá-li-a, Na-tá-lia; du-e-lo, due-
lo; du-un-vi-ra-to, duun-vi-ra-to.
Diérese = São os agrupamentos ai, au, ei, eu, iu,
oi, ui.
re-in-te-grar, rein-te-grar; re-u-nir, reu-nir; di-u-tur-
no, diu-tur-no.
Obs.: Há palavras que, mesmo contendo esses
agrupamentos não sofrem sinérese ou diérese. Há que se
ter bom senso, no momento de se separarem as sílabas.
Nas palavras rua, tia, magoa, por exemplo, é claro que só
há hiato.
Encontros Consonantais
É o agrupamento de consoantes. Há três tipos de
encontros consonantais:
Encontro Consonantal Puro = É o agrupamento
de consoantes, lado a lado, na mesma sílaba.
Bra-sil, pla-ne-ta, a-dre-na-li-na
Encontro Consonantal Disjunto = É o
agrupamento de consoantes, lado a lado, em sílabas
diferentes.
ap-to, cac-to, as-pec-to
Encontro Consonantal Fonético = É a letra x
com som de ks.
Maxi, nexo, axila = maksi, nekso, aksila.
Não se esqueça de que as letras M e N pós-
vocálicas não são consoantes, e sim semivogais ou
simples sinais de nasalização (ressôo nasal).
Dígrafos
Dígrafo é o agrupamento de duas letras com
apenas um fonema. Os principais dígrafos são rr, ss, sc,
sç, xc, xs, lh, nh, ch, qu, gu.
Representam-se os dígrafos por letras maiores
que as demais, exatamente para estabelecer a diferença
entre uma letra e um dígrafo. Qu e gu só serão dígrafos,
quando estiverem seguidos de e ou i, sem trema. Os
dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs têm suas letras separadas
silabicamente; lh, nh, ch, qu, gu, não.
arroz = ar-roz - aRos;
assar = as-sar - aSar;
nascer = nas-cer - naSer;
desço = des-ço - deSo;
exceção = ex-ce-ção - eSesãw;
exsudar = ex-su-dar - eSudar;
alho = a-lho - aĹo;
banho = ba-nho - baÑo;
cacho = ca-cho - kaXo;
querida = que-ri-da - Kerida;
sangue = san-gue - sãGe.
Dígrafo Vocálico = É o outro nome que se dá ao
Ressôo Nasal, pelo fato de serem duas letras com um
fonema vocálico.
sangue = san-gue - sãGe
Não confunda dígrafo com encontro consonantal,
que é o encontro de consoantes, cada uma representando
um fonema.
ORTOGRAFIA OFICIAL
A ortografia se caracteriza por estabelecer padrões
para a forma escrita das palavras. Essa escrita está
relacionada tanto a critérios etimológicos (ligados à
origem das palavras) quanto fonológicos (ligados aos
fonemas representados). É importante compreender que
18 LÍNGUA PORTUGUESA
a ortografia é fruto de uma convenção. A forma de grafar
as palavras é produto de acordos ortográficos que
envolvem os diversos países em que a língua portuguesa
é oficial. A melhor maneira de treinar a ortografia é ler,
escrever e consultar o dicionário sempre que houver
dúvida.
EMPREGO DAS LETRAS K, W E Y
Utilizam-se nos seguintes casos:
a) Em antropônimos originários de outras línguas e
seus derivados.
Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo;
Taylor, taylorista.
b) Em topônimos originários de outras línguas e
seus derivados.
Exemplos: Kuwait, kuwaitiano.
c) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras
adotadas como unidades de medida de curso
internacional.
Exemplos: K (Potássio), W (West), kg
(quilograma), km (quilômetro), Watt.
EMPREGO DE X E CH
Emprega-se o X:
1) Após um ditongo.
Exemplos: caixa, frouxo, peixe
Exceção: recauchutar e seus derivados
2) Após a sílaba inicial "en".
Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca
Exceção: palavras iniciadas por "ch" que recebem
o prefixo "en-"
Exemplos: encharcar (de charco), enchiqueirar
(de chiqueiro), encher e seus derivados (enchente,
enchimento, preencher...)
3) Após a sílaba inicial "me-".
Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão
Exceção: mecha
4) Em vocábulos de origem indígena ou africana e nas
palavras inglesas aportuguesadas:
abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu
5) Nas seguintes palavras:
Exemplos: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa,
lagartixa, lixa, lixo, puxar, rixa, oxalá, praxe, roxo,
vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar etc.
Emprega-se o dígrafo Ch:
1) Nos seguintes vocábulos:
bochecha, bucha, cachimbo, chalé, charque,
chimarrão, chuchu, chute, cochilo, debochar, fachada,
fantoche, ficha, flecha, mochila, pechincha, salsicha,
tchau etc.
EMPREGO DO G E J:
Para representar o fonema /j/ na forma escrita, a
grafia considerada correta é aquela que ocorre de acordo
com a origem da palavra. Veja os exemplos:
gesso: Origina-se do grego gypsos
jipe: Origina-se do inglês jeep.
Emprega-se o G:
1) Nos substantivos terminados em -agem, -igem, -
ugem
Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem,
ferrugem
Exceção: pajem
2) Nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -
ógio, -úgio
Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio,
refúgio3) Nas palavras derivadas de outras que se grafam
com g
Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de
massagem), vertiginoso (de vertigem)
4) Nos seguintes vocábulos:
algema, auge, bege, estrangeiro, geada, gengiva,
gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge,
rabugento, vagem.
Emprega-se o J:
1) Nas formas dos verbos terminados em -jar ou -jear
Exemplos:
arranjar: arranjo, arranje, arranjem
despejar:despejo, despeje, despejem
gorjear: gorjeie, gorjeiam, gorjeando
enferrujar: enferruje, enferrujem
viajar: viajo, viaje, viajem (3ª pessoa do plural do
presente do subjuntivo)
2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou
exótica
Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico,
manjericão, Moji
3) Nas palavras derivadas de outras que já
apresentam j
Exemplos:
laranja-
laranjeira
loja- lojista
lisonja -
lisonjeador
nojo- nojeira
cereja-
cerejeira
varejo-
varejista
rijo- enrijecer jeito- ajeitar
4) Nos seguintes vocábulos:
berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade, jeito,
jejum, laje, traje, pegajento
EMPREGO DAS LETRAS S E Z
Emprega-se o S:
1) Nas palavras derivadas de outras que já
apresentam s no radical
Exemplos:
análise- analisar catálise- catalisador
casa- casinha, casebre liso- alisar
2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade,
título ou origem
Exemplos:
burguês- burguesa inglês- inglesa
chinês- chinesa milanês- milanesa
LÍNGUA PORTUGUESA 19
3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e -
osa
Exemplos:
catarinense
gostoso-
gostosa
amoroso-
amorosa
palmeirense
gasoso-
gasosa
teimoso-
teimosa
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -ose
Exemplos:
catequese, diocese, poetisa, profetisa,
sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose
5) Após ditongos
Exemplos:
coisa, pouso, lousa, náusea
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em
seus derivados
Exemplos:
pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse,
puséssemos
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera,
quiséssemos
repus, repusera, repusesse, repuséssemos
7) Nos seguintes nomes próprios personativos:
Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa,
Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás
8) Nos seguintes vocábulos:
abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa,
cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível,
maisena, mesada, paisagem, paraíso, pêsames,
presépio, presídio, querosene, raposa, surpresa, tesoura,
usura, vaso, vigésimo, visita etc.
Emprega-se o Z:
1) Nas palavras derivadas de outras que já
apresentam z no radical
Exemplos:
deslize- deslizar razão- razoável vazio- esvaziar
raiz- enraizar cruz-cruzeiro
2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos
abstratos a partir de adjetivos
Exemplos:
inválido-
invalidez
limpo-
limpeza
macio-
maciez
rígido-
rigidez
frio- frieza
nobre-
nobreza
pobre-
pobreza
surdo-
surdez
3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao
formar substantivos
Exemplos:
civilizar- civilização hospitalizar- hospitalização
colonizar- colonização realizar- realização
4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -
zita
Exemplos:
cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozit
o, avezita
5) Nos seguintes vocábulos:
azar, azeite, azedo, amizade, buzina, bazar,
catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, proeza,
vizinho, xadrez, verniz etc.
6) Nos vocábulos homófonos, estabelecendo
distinção no contraste entre o S e o Z
Exemplos:
cozer (cozinhar) e coser (costurar)
prezar(ter em consideração) e presar (prender)
traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior)
Observação: em muitas palavras, a letra X soa
como Z.
Veja os exemplos:
exame exato exausto exemplo existir exótico inexorável
EMPREGO DE S, Ç, X E DOS DÍGRAFOS SC, SÇ, SS,
XC, XS
Existem diversas formas para a representação do
fonema /S/. Observe:
Emprega-se o S:
Nos substantivos derivados de verbos terminados
em "andir","ender", "verter" e "pelir"
Exemplos:
expandir-
expansão
pretender-
pretensão
verter-
versão
expelir-
expulsão
estender-
extensão
suspender-
suspensão
converter -
conversão
repelir-
repulsão
Emprega-se Ç:
Nos substantivos derivados dos verbos "ter" e
"torcer"
Exemplos:
ater- atenção torcer- torção
deter- detenção distorcer-distorção
manter- manutenção contorcer- contorção
Emprega-se o X:
Em alguns casos, a letra X soa como Ss
Exemplos:
auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta,
sintaxe, texto, trouxe
Emprega-se Sc:
Nos termos eruditos
Exemplos:
acréscimo, ascensorista, consciência, descender,
discente, fascículo, fascínio, imprescindível,
miscigenação, miscível, plebiscito, rescisão, seiscentos,
transcender etc.
Emprega-se Sç:
Na conjugação de alguns verbos
Exemplos:
nascer- nasço, nasça
crescer- cresço, cresça
descer- desço, desça
20 LÍNGUA PORTUGUESA
Emprega-se Ss:
Nos substantivos derivados de verbos terminados
em "gredir", "mitir", "ceder" e "cutir"
Exemplos:
agredir-
agressão
demitir-
demissão
ceder-
cessão
discutir-
discussão
progredir-
progressão
transmitir-
transmissão
exceder-
excesso
repercutir-
repercussão
Emprega-se o Xc e o Xs:
Em dígrafos que soam como Ss
Exemplos:
exceção, excêntrico, excedente, excepcional,
exsudar
Observações sobre o uso da letra X
1) O X pode representar os seguintes fonemas:
/ch/ - xarope, vexame
/cs/ - axila, nexo
/z/ - exame, exílio
/ss/ - máximo, próximo
/s/ - texto, extenso
2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci-
Exemplos: excelente, excitar
EMPREGO DAS LETRAS E e I
Na língua falada, a distinção entre as vogais
átonas /e/ e /i / pode não ser nítida. Observe:
Emprega-se o E:
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -
uar
Exemplos:
magoar - magoe, magoes
continuar- continue, continues
2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes,
anterior)
Exemplos: antebraço, antecipar
3) Nos seguintes vocábulos:
cadeado, confete, disenteria, empecilho, irrequieto,
mexerico, orquídea etc.
Emprega-se o I:
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -air, -
oer, -uir
Exemplos:
cair- cai
doer- dói
influir- influi
2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra)
Exemplos:
Anticristo, antitetânico
3) Nos seguintes vocábulos:
aborígine, artimanha, chefiar, digladiar, penicilina,
privilégio etc.
EMPREGO DAS LETRAS O e U
Emprega-se o O/U:
A oposição o/u é responsável pela diferença de
significado de algumas palavras. Veja os exemplos:
-comprimento (extensão) e cumprimento
(saudação, realização)
-soar (emitir som) e suar (transpirar)
Grafam-se com a letra O: bolacha, bússola,
costume, moleque.
Grafam-se com a letra U: camundongo, jabuti,
Manuel, tábua
EMPREGO DA LETRA H
Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem
valor fonético. Conservou-se apenas como símbolo, por
força da etimologia e da tradição escrita. A
palavra hoje, por exemplo, grafa-se desta forma devido a
sua origem na forma latina hodie.
Emprega-se o H:
1) Inicial, quando etimológico
Exemplos: hábito, hesitar, homologar, Horácio
2) Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh
Exemplos: flecha, telha, companhia
3) Final e inicial, em certas interjeições
Exemplos: ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum! etc.
4) Em compostos unidos por hífen, no início do
segundo elemento, se etimológico
Exemplos: anti-higiênico, pré-histórico, super-
homem etc.
Observações:
1) No substantivo Bahia, o "h" sobrevive por
tradição. Note que nos substantivos derivados
como baiano, baianada ou baianinha ele não é
utilizado.
2) Os vocábulos erva, Espanha
e inverno não possuema letra "h" na sua
composição. No entanto, seus derivados eruditos
sempre são grafados com h. Veja:
herbívoro, hispânico, hibernal.
EMPREGO DAS INICIAIS MAIÚSCULAS E
MINÚSCULAS
1) UTILIZA-SE INICIAL MAIÚSCULA:
a) No começo de um período, verso ou citação direta.
Exemplos:
Disse o Padre Antonio Vieira: "Estar com Cristo em
qualquer lugar, ainda que seja no inferno, é estar no
Paraíso."
"Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que à luz do sol encerra
As promessas divinas da Esperança…"
(Castro Alves)
Observações: No início dos versos que não
abrem período, é facultativo o uso da letra
maiúscula.
Por Exemplo:
"Aqui, sim, no meu cantinho,
vendo rir-me o candeeiro,
gozo o bem de estar sozinho
e esquecer o mundo inteiro."
LÍNGUA PORTUGUESA 21
- Depois de dois pontos, não se tratando de
citação direta, usa-se letra minúscula.
Por Exemplo:
"Chegam os magos do Oriente, com suas
dádivas: ouro, incenso, mirra." (Manuel Bandeira)
b) Nos antropônimos, reais ou fictícios.
Exemplos:
Pedro Silva, Cinderela, D. Quixote.
c) Nos topônimos, reais ou fictícios.
Exemplos:
Rio de Janeiro, Rússia, Macondo.
d) Nos nomes mitológicos.
Exemplos:
Dionísio, Netuno.
e) Nos nomes de festas e festividades.
Exemplos:
Natal, Páscoa, Ramadã.
f) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais.
Exemplos:
ONU, Sr., V. Ex.ª.
g) Nos nomes que designam altos conceitos
religiosos, políticos ou nacionalistas.
Exemplos:
Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Estado,
Nação, Pátria, União etc.
Observação: esses nomes escrevem-se com
inicial minúscula quando são empregados em
sentido geral ou indeterminado.
Exemplo:
Todos amam sua pátria.
Emprego FACULTATIVO de letra maiúscula:
a) Nos nomes de logradouros públicos, templos e
edifícios.
Exemplos:
Rua da Liberdade ou rua da Liberdade
Igreja do Rosário ou igreja do Rosário
Edifício Azevedo ou edifício Azevedo
2) UTILIZA-SE INICIAL MINÚSCULA:
a) Em todos os vocábulos da língua, nos usos
correntes.
Exemplos:
carro, flor, boneca, menino, porta etc.
b) Nos nomes de meses, estações do ano e dias
da semana.
Exemplos:
janeiro, julho, dezembro etc.
segunda, sexta, domingo etc.
primavera, verão, outono, inverno
c) Nos pontos cardeais.
Exemplos:
Percorri o país de norte a sul e de leste a oeste.
Estes são os pontos colaterais: nordeste,
noroeste, sudeste, sudoeste.
Observação: quando empregados em sua forma
absoluta, os pontos cardeais são grafados com
letra maiúscula.
Exemplos:
Nordeste (região do Brasil)
Ocidente (europeu)
Oriente (asiático)
Lembre-se:
Depois de dois-pontos, não se tratando de citação
direta, usa-se letra minúscula.
Exemplo:
"Chegam os magos do Oriente, com suas
dádivas: ouro, incenso, mirra." (Manuel Bandeira)
Emprego FACULTATIVO de letra minúscula:
a) Nos vocábulos que compõem uma citação
bibliográfica.
Exemplos:
Crime e Castigo ou Crime e castigo
Grande Sertão: Veredas ou Grande sertão:
veredas
Em Busca do Tempo Perdido ou Em busca do
tempo perdido
b) Nas formas de tratamento e reverência, bem como
em nomes sagrados e que designam crenças
religiosas.
Exemplos:
Governador Mário Covas ou governador Mário
Covas
Papa João Paulo II ou papa João Paulo II
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo
senhor reitor
Santa Maria ou santa Maria.
c) Nos nomes que designam domínios de saber,
cursos e disciplinas.
Exemplos:
Português ou português
Línguas e Literaturas Modernas ou línguas e
literaturas modernas
História do Brasil ou história do Brasil
Arquitetura ou arquitetura
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
Regras de Acentuação Gráfica
Baseiam-se na constatação de que, em nossa
língua, as palavras mais numerosas são as paroxítonas,
seguidas pelas oxítonas. A maioria das paroxítonas
termina em -a, -e, -o, -em, podendo ou não ser seguidas
de "s". Essas paroxítonas, por serem maioria, não são
acentuadas graficamente. Já as proparoxítonas, por
serem pouco numerosas, são sempre acentuadas.
Proparoxítonas
Sílaba tônica: antepenúltima
As proparoxítonas são todas acentuadas
graficamente.
Exemplos: trágico, patético, árvore
Paroxítonas
Sílaba tônica: penúltima
22 LÍNGUA PORTUGUESA
Acentuam-se as paroxítonas terminadas em:
l fácil
n pólen
r cadáver
ps bíceps
x tórax
us vírus
i, is júri, lápis
om, ons iândom, íons
um, uns álbum, álbuns
ã(s), ão(s)
órfã, órfãs,
órfão, órfãos
ditongo oral (seguido
ou não de s)
jóquei, túneis
Observações:
1) As paroxítonas terminadas em "n" são
acentuadas (hífen), mas as que terminam
em "ens", não (hifens, jovens).
2) Não são acentuados os prefixos terminados
em "i "e "r" (semi, super).
3) Acentuam-se as paroxítonas terminadas em
ditongos crescentes: ea(s), oa(s), eo(s), ua(s), ia(s),
ue(s), ie(s), uo(s), io(s).
Exemplos: várzea, mágoa, óleo, régua, férias,
tênue, cárie, ingênuo, início.
Oxítonas
Sílaba tônica: última
Acentuam-se as oxítonas terminadas em:
a(s): sofá, sofás
e(s): jacaré, vocês
o(s): paletó, avós
em, ens: ninguém, armazéns
Monossílabos
Os monossílabos, conforme a intensidade com que
se proferem, podem ser tônicos ou átonos.
Monossílabos Tônicos
Possuem autonomia fonética, sendo proferidos
fortemente na frase onde aparecem. Acentuam-se os
monossílabos tônicos terminados em:
a(s): lá, cá
e(s): pé, mês
o(s): só, pó, nós, pôs
Monossílabos Átonos
Não possuem autonomia fonética, sendo
proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas
do vocábulo a que se apoiam.
Exemplos:
o(s), a(s), um, uns, me, te, se, lhe nos, de, em, e,
que etc.
Observações:
1) Os monossílabos átonos são palavras vazias de
sentido, vindo representados por artigos, pronomes
oblíquos, elementos de ligação (preposições,
conjunções).
2) Há monossílabos que são tônicos numa frase e
átonos em outras.
Exemplos:
Você trouxe sua mochila para quê? (tônico)
/ Que tem dentro da sua mochila? (átono)
Há sempre um mas para questionar. (tônico) / Eu
sei seu nome, mas não me recordo agora. (átono)
Saiba que:
Muitos verbos, ao se combinarem com pronomes
oblíquos, produzem formas oxítonas ou monossilábicas
que devem ser acentuadas por acabarem assumindo
alguma das terminações contidas nas regras. Exemplos:
beijar + a = beijá-la fez + o = fê-lo
dar + as = dá-las fazer + o = fazê-lo
Acento de Insistência
Sentimentos fortes (emoção, alegria, raiva,
medo) ou a simples necessidade de enfatizar uma ideia
podem levar o falante a emitir a sílaba tônica ou a
primeira sílaba de certas palavras com uma intensidade e
duração além do normal.
Exemplos:
Está muuuuito frio hoje!
Deve haver equilíbrio entre exportação e
importação.
Regras Especiais
Além das regras fundamentais, há um conjunto de
regras destinadas a por em evidência alguns detalhes
sonoros das palavras. Observe:
Ditongos Abertos
Os ditongos éi, éu e ói, sempre que tiverem
pronúncia aberta em palavras oxítonas (éi e não êi), são
acentuados. Veja:
éi (s): anéis, fiéis, papéis
éu (s): troféu, céus
ói (s): herói, constrói, caubóis
Obs.: os ditongos abertos ocorridos em
palavras paroxítonas NÃO são acentuados.
Exemplos: assembleia, boia, colmeia, Coreia,
estreia, heroico, ideia, jiboia, joia, paranoia, plateia etc.
Atenção: a palavra destróier é acentuada por ser
uma paroxítona terminada em "r" (e não por
possuir ditongo aberto "ói").
Hiatos
Acentuam-se o "i" e "u" tônicos quando formam
hiato com a vogal anterior, estando eles sozinhos na
sílaba ou acompanhados apenas de "s", desde que não
sejam seguidos por "-nh".
Exemplos:
sa - í - da e - go - ís -mo sa - ú -de
Não se acentuam, portanto, hiatos como os das
palavras:
ju - iz ra - iz ru - im ca - ir
LÍNGUA PORTUGUESA 23
Razão: -i ou -u não estão sozinhos nem
acompanhados de -s na sílaba.
Observação: cabe esclarecer que existem hiatos
acentuados não por serem hiatos, mas por outras razões.
Veja os exemplos abaixo:
po-é-ti-co: proparoxítona
bo-ê-mio: paroxítona terminada em ditongo
crescente.
ja-ó: oxítona terminada em "o".
Verbos Ter e Vir
Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plural
do presente do indicativo dos verbos ter e vir, bem como
nos seus compostos (deter, conter, reter, advir, convir,
intervir etc.). Veja:
Ele tem Eles têm
Ela vem Elas vêm
Ele retém Eles retêm
Ele
intervém
Eles
intervêm
OBS.: nos verbos compostos de ter e vir, o
acento ocorre obrigatoriamente, mesmo no singular.
Distingue-se o plural do singular mudando o acento
de agudo para circunflexo:
ele detém - eles detêm
ele advém - eles advêm.
Acento Diferencial
Na língua escrita, existem dois casos em que os
acentos são utilizados para diferenciar palavras
homógrafas (de mesma grafia). Veja:
a) pôde / pode
Pôde é a forma do pretérito perfeito do indicativo
do verbo poder. Pode é a forma do presente do indicativo.
Exemplos:
O ladrão pôde fugir.
O ladrão pode fugir.
b) pôr / por
Pôr é verbo e por é preposição. Exemplos:
Você deve pôr o livro aqui.
Não vá por aí!
Saiba que:
Para acentuar as formas verbais com
pronome oblíquo em ênclise (depois do verbo)
ou mesóclise (no meio do verbo), cada
elemento deve ser considerado como uma
palavra independente. Observe:
jogá-lo
jogá = oxítona terminada em a
(portanto, com acento)
lo = monossílabo átono (portanto, sem
acento)
jogá-lo-íamos
jogá = oxítona terminada em a
(portanto, com acento)
lo = monossílabo átono (portanto, sem
acento)
íamos = proparoxítona (portanto, com
acento)
Acento Grave
O acento grave usa-se exclusivamente para indicar
a crase da preposição "a" com os artigos a, as e com os
demonstrativos a, as, aquele(s), aquela(s), aquilo: à,
às, àquele(s), àquela(s), àquilo.
ORTOÉPIA E PROSÓDIA
ORTOÉPIA
Ortoépia é a correta pronúncia dos grupos fônicos.
A ortoépia está relacionada com: a perfeita
emissão das vogais, a correta articulação das consoantes
e a ligação de vocábulos dentro de contextos.
Erros cometidos contra a ortoépia são chamados
de cacoepia. Alguns exemplos:
a- pronunciar erradamente as vogais quanto ao
timbre:
- pronúncia correta, timbre fechado (ê, ô): omelete,
alcova, crosta...
- pronúncia errada, timbre aberto (é, ó): omelete,
alcova, crosta...
b- omitir fonemas: cantar/ canta,
trabalhar/trabalha, amor/amo, abóbora/abóbra,
prostrar/ prostar, reivindicar/revindicar...
c- acréscimo de fonemas: pneu/peneu, freada/
freiada,bandeja/ bandeija...
d- substituição de fonemas: cutia/cotia,
cabeçalho/ cabeçário, bueiro/ boeiro.
e- troca de posição de um ou mais fonemas:
caderneta/ cardeneta, bicarbonato/ bicabornato,
muçulmano/ mulçumano.
f- nasalização de vogais: sobrancelha/
sombrancelha, mendigo/ mendingo, bugiganga/
bungiganga ou buginganga
g- pronunciar a crase: A aula iria acabar às
cinco horas./ A aula iria acabar "àas" cinco horas.
h- ligar as palavras na frase de forma incorreta:
correta: A aula/ iria acabar/ às cinco horas.
Exemplo de ligação incorreta: A/ aula iria/ acabar/
às/ cinco horas.
PROSÓDIA
A prosódia está relacionada com a correta
acentuação das palavras, tomando como padrão a língua
considerada culta.
Abaixo estão relacionados alguns exemplos de
vocábulos que frequentemente geram dúvidas quanto à
prosódia:
1) oxítonas:
cateter, Cister, condor, hangar, mister, negus,
Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil, ureter.
2) paroxítonas:
avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia,
ciclope, erudito, ibero, gratuito, ônix, poliglota, pudico,
rubrica, tulipa.
3) proparoxítonas:
aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago, antídoto,
elétrodo, lêvedo, protótipo, quadrúmano, vermífugo,
zéfiro.
Há algumas palavras cujo acento prosódico é
incerto, oscilante, mesmo na língua culta.
24 LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplos:
acrobata e acróbata / crisântemo e crisantemo/
Oceânia e Oceania/ réptil e reptil/ xerox e xérox e outras.
Outras assumem significados diferentes, de acordo
a acentuação:
Exemplos:
valido/ válido
Vivido /Vívido
Casos mais frequentes de pronúncias diferentes da
língua padrão:
PONTUAÇÃO
1 - Ponto (.)
a) indicar o final de uma frase declarativa.
Ex.: Lembro-me muito bem dele.
b) separar períodos entre si.
Ex.: Fica comigo. Não vá embora.
c) nas abreviaturas
Ex.: Av.; V. Ex.ª
2 - Dois-pontos (:)
a) iniciar a fala dos personagens:
Ex.: Então o padre respondeu
- Parta agora.
b) antes de apostos ou orações apositivas,
enumerações ou sequência de palavras que explicam,
resumem ideias anteriores.
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e
Gilberto.
c) antes de citação
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor
não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito
enquanto dure.”
3 - Reticências (...)
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante.
Ex.: Sabe... eu queria te dizer que... esquece.
b) interrupção de uma frase deixada
gramaticalmente incompleta.
Ex.: - Alô! João está?
- Agora não se encontra. Quem sabe se ligar mais
tarde...
c) ao fim de uma frase gramaticalmente
completa com a intenção de sugerir prolongamento
de ideia.
Ex.: “Sua tez, alva e pura como um foco de
algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...”
(Cecília - José de Alencar)
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase
transcrita.
Ex.: “Quando penso em você (...) menos a
felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner)
4- Parênteses (())
a) isolar palavras, frases intercaladas de
caráter explicativo e datas.
Exemplos:
Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu
inúmeras perdas humanas.
"Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se
como se fora na véspera), acordara depois duma grande
tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no
Nordeste- Graça Aranha)
DICAS: Os parênteses também podem substituir a
vírgula ou o travessão.
5- Ponto de Exclamação (!)
a) Após vocativo
Ex.: “Parte, Heliel!” (As violetas de Nossa Srª. -
Humberto de Campos)
b) Após imperativo
Ex.: Cale-se!
c) Após interjeição
Ex.: Ufa! Ai!
d) Após palavras ou frases que denotem
caráter emocional
Ex.: Que pena!
6- Ponto de Interrogação (?)
a) Em perguntas diretas
Ex.: Como você se chama?
b) Às vezes, juntamente com o ponto de
exclamação
Ex.: - Quem ganhou na loteria?
- Você.
- Eu?!
7 - Vírgula (,)
É usada para marcar uma pausa do enunciado
com a finalidade de nos indicar que os termos por ela
separados, apesar de participarem da mesma frase ou
oração, não formam uma unidade sintática.
LÍNGUA PORTUGUESA 25
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única
da Sena.
DICAS:
Podemos concluir que quando há uma
relação sintática entre termos da oração, não se
pode separá-los por meio de vírgula.
Não se separam por vírgula:
a) predicado de sujeito;
b) objeto de verbo;
c) adjunto adnominal de nome;
d) complemento nominal de nome;
e) predicativo do objeto do objeto;
f) oração principal da subordinada substantiva
(desde que esta não seja apositiva nem
apareça na ordem inversa)
A vírgula no interior da oração
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar o vocativo.
Exemplos:
Maria, traga-me uma xícara de café.
A educação, meus amigos, é fundamental para o
progresso do país.
b) separar algunsapostos.
Ex.: Valdete, minha antiga empregada, esteve aqui
ontem.
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou
intercalado.
Exemplos:
Chegando de viagem, procurarei por você.
As pessoas, muitas vezes, são falsas.
d) separar elementos de uma enumeração.
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras.
e) isolar expressões de caráter explicativo ou
corretivo.
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã
podemos nos encontrar para acertar a viagem.
f) separar conjunções intercaladas.
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva.
g) separar o complemento pleonástico
antecipado.
Ex.: A mim, nada me importa.
h) isolar o nome de lugar na indicação de
datas.
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001.
i) separar termos coordenados assindéticos.
Ex.: "Lua, lua, lua, lua,
por um momento meu canto contigo compactua..."
(Caetano Veloso)
j) marcar a omissão de um termo (normalmente
o verbo).
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omissão
do verbo preferir)
DICAS: Termos coordenados ligados pelas
conjunções: e, ou, nem dispensam o uso da
vírgula.
Exemplos:
Conversaram sobre futebol, religião e política.
Não se falavam nem se olhavam.
Ainda não me decidi se viajarei para Bahia ou
Ceará.
Entretanto, se essas conjunções aparecerem
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso da
vírgula passa a ser obrigatório.
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem à
missa de sétimo dia.
A vírgula entre orações
É utilizada nas seguintes situações:
a) separar as orações subordinadas adjetivas
explicativas.
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas
lembranças, mora no Rio de Janeiro.
b) separar as orações coordenadas sindéticas e
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção
―e‖).
Exemplos:
Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí para o
trabalho.
Estudou muito, mas não foi aprovado no exame.
ATENÇÃO:
Há três casos em que se usa a vírgula antes
da conjunção e:
1) quando as orações coordenadas
possuírem sujeitos diferentes.
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os
pobres, cada vez mais pobres.
2) quando a conjunção ―e‖ vier repetida
com a finalidade de dar ênfase (polissíndeto).
Ex.: E chora, e ri, e grita, e pula de alegria.
3) quando a conjunção ―e‖ assumir valores
distintos que não retratarem sentido de adição
(adversidade, consequência, por exemplo)
Ex.: Coitada! Estudou muito, e ainda assim não
foi aprovada.
c) separar orações subordinadas adverbiais
(desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se
estiverem antepostas à oração principal.
Ex.: "No momento em que o tigre se lançava,
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou
o gancho." (O selvagem - José de Alencar)
d) separar as orações intercaladas.
Ex.: "- Senhor, disse o velho, tenho grandes
contentamentos em estar plantando-a...”
DICAS: Essas orações poderão ter suas vírgulas
substituídas por duplo travessão.
Ex.: "Senhor - disse o velho - tenho grandes
contentamentos em estar plantando-a...”
e) separar as orações substantivas antepostas à
principal.
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei.
8- Ponto e vírgula (;)
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de uma
petição, de uma sequência etc.
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares:
I- advertência;
26 LÍNGUA PORTUGUESA
II- suspensão;
III- demissão;
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V- destituição de cargo em comissão;
VI- destituição de função comissionada. (cap. V
das penalidades referentes ao Direito Administrativo)
b) separar orações coordenadas muito extensas ou
orações coordenadas nas quais já tenham utilizado a
vírgula.
Ex.: “O rosto de tez amarelenta e feições
inexpressivas, numa quietude apática, era
pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no
fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria
desde moço se foi transformando em opressora asma
cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso (...) "
(O visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay)
9- Travessão (—)
a) dar início à fala de um personagem
Ex.: O filho perguntou:
— Pai, quando começarão as aulas?
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos
Ex.: - Doutor, o que tenho é grave?
- Não se preocupe, é uma simples infecção. É só
tomar um antibiótico e estará bom
c) unir grupos de palavras que indicam itinerários
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo
estado.
DICAS: Também pode ser usado em substituição
à virgula em expressões ou frases explicativas
Ex.: Xuxa — a rainha dos baixinhos — será mãe.
10- ASPAS (― ‖)
a) isolar palavras ou expressões que fogem à
norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões,
neologismos, arcaísmos e expressões populares.
Exemplos:
Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do seu
admirador.
A festa na casa de Lúcio estava “chocante”.
Conversando com meu superior, dei a ele um
“feedback” do serviço a mim requerido.
b) indicar uma citação textual
Ex.: “Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às
pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e
refiz a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós)
DICAS: Se dentro de um trecho já destacado por
aspas, se fizer necessário a utilização de novas
aspas, estas serão simples. (' ')
Recursos alternativos para pontuação:
Parágrafo (§)
Chave ({ })
Colchete ([ ])
Barra (/)
A PALAVRA: ESTRUTURA, PROCESSOS DE
FORMAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, FLEXÃO E
EMPREGO.
1. ESTRUTURA DAS PALAVRAS
As palavras podem ser analisadas:
a) do ponto de vista fonológico;
b) do ponto de vista morfológico;
c) do ponto de vista sintático;
d) do ponto de vista semântico.
Nessa parte da gramática (morfologia), interessa-
nos analisar as palavras do ponto de vista morfológico,
isto é, de sua forma e de alguns aspectos de sua flexão.
Para isso, iniciamos com os morfemas.
Não se deve confundir morfema com palavra. A
palavra é a menor unidade que pode ser falada sozinha,
durante a comunicação oral. Um morfema não ocorre
sozinho.
No entanto, uma palavra inteira pode ser um único
morfema. As palavras rei e luz, por exemplo, não podem
ser divididas em unidades significativas menores: são
palavras de um só morfema. Já as palavras reis e luzes
têm mais de um morfema: rei- + -s; luz- + -es.
Morfema lexical é a parte da palavra que se
refere ao mundo biológico, social ou psicológico. É a parte
do significado propriamente dito, que se relaciona com o
mundo extralinguístico.
Radical é o morfema que contém a significação
básica da palavra. O radical é o morfema lexical da
palavra.
Léxico é o conjunto de palavras de uma língua.
Palavras que têm o mesmo radical são chamadas de
cognatas.
Morfema gramatical é a porção da palvra que
situa essa palavra no sistema linguístico a que ela
pertence.
São considerados morfemas gramaticais:
a) a vogal temática;
b) as desinências;
c) os afixos.
Vogal temática é aquela que se junta ao radical
de uma palavra, para permitir que a ele se acrescentem
elementos que indicam noções gramaticais como plural,
gênero, tempo, modo etc.
Assim, pode-se dizer que a vogal temática
funciona como um catalizador, pois está entre o radical e
a desinência.
A vogal temática aparece:
a) em nomes (substantivos e adjetivos): a vogal
temática aparece em substantivos e adjetivos
terminados em a, e e o átonos: rosa, dente,
contente, fruto etc. Já os nomes (substantivos e
adjetivos) terminados em vogal tônica não
apresentam vogal temática: urubu, dendê,
vovô.
b) em verbos, a vogal temática indica a conjugação
a que pertence o verbo: a - primeira
conjugação; e - segunda conjugação; i -
terceira conjugação.
Dá-se o nome de tema ao grupo formado por
radical + vogal temática.
Desinências são morfemas gramaticais que
permitem as flexões das palavras. Os morfemasLÍNGUA PORTUGUESA 27
gramaticais responsáveis por indicar agente, tempo e
modo verbais são também desinências.
As desinências indicam:
a) nos substantivos e adjetivos: gênero e número
Gatos
gat-: radical
-o-: desinência de masculino
-s: desinência de plural
b) nos verbos, as desinências podem indicar
tempo, modo, pessoa e número
permitissem: permit+i+ssem
-i-: vogal temática
-sse-: desinência que indica tempo pretérito
imperfeito do modo subjuntivo
-m: que indica pessoa (3°) e número (plural).
Afixos são morfemas gramaticais que se
acrescentam ao radical ou à palavra, atribuindo-lhe uma
ideia acessória ou modificando-lhe o sentido.
Os afixos são classificados de acordo com a sua
posição em relação ao radical da palavra. São
denominados prefixos ou sufixos:
a) prefixo é o afixo colocado antes de um radical
ou uma palavra, atribuindo-lhe uma ideia acessória.
b) sufixo é o afixo colocado depois do radical, do
tema ou da palavra, atribuindo-lhe uma ideia acessória.
Vogal e consoante de ligação constituem-se
elementos não portadores de significação que servem
para evitar dissonâncias. Raramente entram na estrutura
das palavras.
A vogal e a consoante de ligação servem apenas
como elementos que auxiliam na pronúncia da palavra.
Como não apresentam significação, não são morfemas.
Há três tipos de sufixos:
a) nominal - forma substantivos e adjetivos
cruel – crueldade
resistir (resist-, radical) - resistente
b) verbal - forma verbos:
dedo – dedilhar
chuva - chuviscar
c)adverbial - forma advérbios:
feroz - ferozmente
O único sufixo adverbial existente em português é -
mente. Esse sufixo é acrescentado ao feminino dos
adjetivos, se houver feminino: bondosamente,
religiosamente, antigamente.
2. FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
O léxico - conjunto de palavras de uma língua -
das línguas vivas nunca se esgota, uma vez que está
aberto a novas contribuições.
As palavras novas - chamadas de neologismos -
suprem deficiências de comunicação decorrentes do
desenvolvimento dos diversos ramos da atividade
humana (arte, ciência, técinca, política etc.).
Quando se estuda a formação de palavras, é
necessário considerar, além dos neologismos e dos
empréstimos, dois outros grupos de palavras: as que
caem em desuso e aquelas que têm sua significação
alterada ou seu uso ampliado em determinado momento
da história da língua.
Os processos mais utilizados para formar
palavras em português são a derivação e a
composição. Além desses dois, empregam-se outros,
como hibridismo, onomatopeia, siglas e redução (ou
abreviação vocabular).
2.1. Derivação
Derivação é o processo pelo qual se forma uma
palavra a partir de outra já existente na língua.
Essenciamente, a derivação é um processo de
combinação binária entre uma base e um afixo. A
combinação de três elementos é mais rara. A palavra que
pode dar origem a outra(s) e que não provém de
nenhuma outra dentro da própria língua chama-se
primitiva. A palavra que se origina de outra da própria
língua chama-se derivada. Exemplo:
dente - palavra primitiva, pois não deriva de
nenhuma outra da língua portuguesa
dental - palavra derivada, relativo a dente
dentista - palavra derivada
dentina - palavra derivada, o marfim dos dentes
A derivação pode ser prefixal, sufixal,
parassintética, regressiva e imprópria.
Derivação prefixal ou prefixação ocorre pelo
acréscimo de um prefixo a um radical. Exemplos:
Desamor
Rever
Antever
Prever
Derivação sufixal ou sufixação ocorre pelo
acréscimo de um sufixo a um radical, a uma palavra
primitiva ou a uma palavra já derivada. Exemplos:
Leiteiro
Amoroso
Amorosamente
Esse tipo de derivação pode gerar substantivos,
adjetivos, verbos e advérbios. De acordo com essa
potencialidade de gerar novos tipos de palavras, o sufixo
pode ser:
a) nominal - dá origem a substantivos e adjetivos
ferro – ferreiro
mar - marítimo
b) verbal - dá origem a verbos
dedo - dedilhar
c) adverbial - dá origem a advérbios
feroz – ferozmente
Ocorrência muito mais rara que as anteriores, a
derivação parassintética ou parassíntese depende da
junção simultânea de um prefixo e de um sufixo a um
radical. Implica, portanto, a junção de três elementos.
a + vermelh + ar
en + gavet + ar
es + clar + ecer
re + quent + ar
A maioria dos parassintéticos é constituída de
verbos, mas há muitos adjetivos formados por
parassíntese:
abobado - a + bob + ado
achocolatado - a + chocolat + ado
descamisado - des + camis + ado
Quando a junção do prefixo e do sufixo não se dá
ao mesmo tempo, o processo não se classifica como
parassíntese e sim como derivação prefixal e sufixal.
Compare:
28 LÍNGUA PORTUGUESA
desgraçado: não houve parassíntese porque já
existia em português a forma "desgraça",
composta de des + graça
descabelar: houve parassíntese, pois não existem
em português as formas "cabelar" ou
"descabela" (substantivo)
Derivação regressiva ocorre pela redução de
elementos já existentes na palavra primitiva. Nesse caso,
portanto, não ocorrem afixos na palavra derivada.
Exemplo:
buscar (primitiva) - busca (derivada)
Esse tipo de derivação é bastante comum na
formação de substantivos baseados em verbos. Os
substantivos assim derivados, chamados de deverbais
ou pós-verbais, formam-se com o radical do verbo + as
vogais a, e, o. Exemplos:
verbo pescar - pesca (derivado)
verbo resgatar - resgate (derivado)
verbo chorar - choro (derivado)
Em determinados casos, o radical sofre alteração
gráfica.
atacar – ataque
destacar - destaque
Na correspondência verbo/substantivo, em casos
de derivação regressiva, fica difícil saber se o substantivo
é a palavra derivada ou a primitiva. Mário Barreto sugere
o seguinte critério: "... se o substantivo denota ação, será
palavra derivada, e o verbo palavra primitiva; mas, se o
nome denota algum objeto ou substância, se verificará o
contrário. Portanto, os substantivos briga, grito e ataque,
por exemplo, são formas derivadas, pois denotam
respectivamente as ações de brigar, gritar e atacar. Já as
formas planta, âncora, alfinete, pincel, escudo são formas
primitivas que dão origem aos verbos plantar, ancorar,
escovar, alfinetar, pincelar e escudar."
Derivação imprópria consiste na mudança de
classe gramatical da palavra, sem alteração da forma
primitiva. Na derivação imprópria é muito comum a
substantivação, isto é, a transformação de qualquer
classe gramatical em substantivo.
Ela disse um nunca definitivo
Parecia ser um indivíduo muito lido
Ocorre ainda derivação imprópria nos seguintes
casos:
a) transformação de um substantivo próprio em comum
Damasco (nome de cidade) - damasco (tipo de
tecido)
b) transformação de um substantivo comum em próprio
rocha - Rocha (sobrenome)
Atualmente consideram-se derivadas as palavras
simples em que é possível reconhecer os afixos que ainda
atuam na língua na formação de novas palavras, além
das resultantes da derivação imprópria ou regressiva. As
demais serão primitivas, ainda que em outro estágio da
língua fossem consideradas derivadas.
Portanto, a palavra desleal é uma palavra
derivada. A palavra absolver (ab+solver) é uma palavra
primitiva.
2.2 Composição
Composição é o processo de formação de
palavras pelo qual se criam novos termos a partir de dois
radicais ou de duas palavras já existentes na língua.
Exemplos:
amor-perfeito
vaivém
aguardente
Essas palavras têm necessariamente mais de um
radical: são, portanto, palavras compostas. As palavras
que apresentam apenas um radical são chamadas
de simples. A palavra resultante de composição
geralmente exprime um significado novo, diferente do
significado de cada um dos elementos que a compõem.
A composição pode realizar-se por justaposição e
por aglutinação.
Composição por justaposiçãoé um processo de
formação de palavras em que cada elemento do termo
composto mantém sua autonomia fonética. Exemplos:
guarda-chuva
vaivém
sexta-feira
arco-íris
malmequer
Note que o hífen nem sempre aparece nos casos
de justaposição.
Composição por aglutinação é um processo de
formação de palavras em que um dos elementos -
geralmente o primeiro - perde sua autonomia fonética.
Exemplos:
planalto (plano + alto)
aguardente (água + ardente)
A linguística atual tende a considerar como simples
as palavras em que se perdeu a noção de composição.
Há casos em que só a análise etimológica é capaz de
determinar os elementos do termo composto, como
nestes exemplos: fidalgo (filho + de + algo), embora (em +
boa + hora), Portugal (porto + Cale), vinagre (vinum +
acre). O falante de hoje não reconhece de imediato os
componentes das palavras, pois a fusão foi muito
acentuada. No português atual, tais palavras devem ser
consideradas como primitivas.
2.3 Hibridismo
Hibridismo é um processo de composição de
palavras em que concorrem termos de diferentes línguas.
Alguns exemplos de hibridismo:
a) grego e latim
monocultura (mono + cultura)
televisão (tele + visão)
monóculo (mono + óculo)
endovenoso (endo + venoso)
b) latim e grego
altímetro (alto + metro)
bígamo (bi + gamo)
decímetro (deci + metro)
sociologia (socio + logia)
c) outras línguas
alcalóide (árabe e grego)
abreugrafia (português e grego)
biodança (grego e português)
microondas (grego e português)
2.4 Onomatopéia
Onomatopéia é a palavra que procura reproduzir,
aproximadamente, certos sons ou ruídos.
LÍNGUA PORTUGUESA 29
zunzum
tique-taque
toque-toque
reco-reco
pife-pafe
cricri
Alguns substantivos que sugerem sons e vozes
derivam de onomatopéias e podem dar origem a verbos:
Substantivo onomatopaico: cicio (voz da cigarra)
verbo derivado: ciciar
Substantivo onomatopaico: pio (voz de algumas
aves)
verbo derivado: piar
Substantivo onomatopaico: zunzum (zumbido)
verbo derivado: zunzunir
Substantivo onomatopaico: cocoricó (voz do
galo)
verbo derivado: cocoricar
Substantivo onomatopaico: chio (voz de alguns
animais)
verbo derivado: chiar
2.5 Sigla
Sigla é a redução de certos títulos ou expressões
compostas. A sigla resulta da utilização da letra ou da
sílaba inicial de cada um dos componentes da expressão.
Não é raro que das siglas derivem palavras:
celetista - indivíduo cujo contrato de trabalho é
regido pela CLT;
uspiano - estudante da USP
2.6 Abreviação vocabular ou redução
Não se deve confundir o processo de redução com
a abreviatura ou com a sigla:
cine - abreviação ou redução da palavra "cinema"
Av. - abreviatura da palavra "avenida"
CPF - sigla que significa "Cadastro de Pessoas
Físicas"
3. NEOLOGISMOS NO PORTUGUÊS ATUAL
Entre as inúmeras ocorrências que têm
caracterizado o enriquecimento do léxico contemporâneo
do português falado no Brasil, pode-se citar:
1) Largo emprego de palavra estrangeiras,
sobretudo emprestadas do inglês,
aportuguesadas ou não;
2) Autonomia de alguns prefixos: híper, súper,
contra, míni e máxi.
3) Ocorrência expressiva dos prefixos não-, pró-,
sem-, mega- e dos sufixos -ável e –dromo
4) Emprego bastante acentuado de siglas e
palavras derivadas de sigla.
USO DA CRASE
Utilizar a crase corretamente é uma dificuldade
encontrada por muitos alunos, pensando nisso, criamos
este texto, que irá ajudar você a compreender melhor.
A crase pode ajudar uma pessoa a conseguir uma vaga
desejada, ou seja, dominar a sua utilização pode ser
fundamental em uma prova.
O que é a crase?
A crase tem origem grega, utilizada quando uma
palavra termina e outra começa com vogal. Com a
evolução da linguagem, a crase ganhou mais destaque, e
foi percebido que não era necessário utilizar duas vogais
iguais.
USO DA CRASE.
Ela está muito presente em pegadinhas
de concursos públicos, e conhecer as suas regrinhas
básicas é fundamental para se dar bem. No Enem
(Exame Nacional do Ensino Médio), o ideal é que o
candidato não cometa esse tipo de erro, e sempre utilize a
crase quando necessário, o que ajudara o aluno a atingir
o seu objetivo.
Quando utilizar a crase?
A crase só deve ser utilizada antes de palavras
femininas. Ela pode ser utilizada antes de alguns
pronomes, entre eles estão: aquilo, aquele, aquela, e
também no plural.
Quem deseja aprender sobre a crase, pode ler em
livros, e encontrar diversos exemplos, ou então através de
vídeos na internet, clique aqui e veja várias dicas, e
explica muito sobre a utilização da crase.
Exemplos da utilização da crase
Na internet é possível encontrar milhares de
exemplos com a utilização de crase, dessa forma você
pode entender melhor, e se em algum momento enfrentar
uma dessas questões, certamente saberá a resposta.
Exemplos da utilização da crase.
Exemplo 1: Cheguei cedo à casa de meu pai.
Exemplo 2: Os colonizadores chegaram à terra
procurada.
Exemplo 3: Ela voltou à terra dos pais.
Exemplo 4: Namoro à moda antiga.
Acesse e saiba mais informações: Como fazer
uma boa introdução para redação do ENEM!
Exemplos da não utilização da crase
A crase não é utilizada em vários casos, cada um
por uma circunstância diferente, confira alguns exemplos
abaixo.
Exemplo 1: Vou a Porto Alegre (Quem vai a algum
lugar, volta, no caso volta DE Porto Alegre, por
isso não vai crase).
Exemplo 2: Vou passear a cavalo.
Exemplo 3: Ante a descoberta o cientista gritou.
Exemplo 4: Nunca devi dinheiro a alguém.
https://www.youtube.com/watch?v=ktz7kM1Jkjk
http://www.horadoenem.org/como-fazer-uma-boa-introducao-para-redacao-do-enem/
http://www.horadoenem.org/como-fazer-uma-boa-introducao-para-redacao-do-enem/
30 LÍNGUA PORTUGUESA
Regras de verificação de crase
Existem algumas regras que facilitam a sua vida,
e ajudam a saber se a frase leva crase ou não.
EXEMPLOS DA NÃO UTILIZAÇÃO DA CRASE.
Regra 1: Deve trocar a preposição A por EM ou
PARA. Se o A continuar sendo necessário, deve usar
crase.
Exemplo com crase: Jonas viajou para a Região
Sul.
Exemplo sem crase: Jonas viajou para São Paulo.
Regra 2: Deve trocar a preposição A por um
substantivo masculino, se com isso for necessário utilizar
AO, deverá ter crase.
Exemplo com crase: Prestou serviços ao povo.
Exemplo sem crase: Ele chegará a um minuto.
CRASE FACULTATIVA
Em alguns casos a crase é facultativa, e o escritor
decide se vai utilizar ou não. Ela não é necessária antes
de nomes próprios femininos. Exemplo: Refiro-me a (à)
Mariana. Antes de pronomes possessivos femininos.
Exemplo: Vá a (à) sua chácara. E também depois da
preposição até. Exemplo: Caminhe até a(à) janela.
CLASSES DE PALAVRAS: FUNÇÕES,
GÊNERO, NÚMERO, EMPREGO
As palavras se distribuem em classes fora de
contexto, na forma como aparecem do dicionário. Já a
função só pode ser determinada a partir da análise de sua
ocorrência em frases.
Vejamos a diferença entre classe e função. O
dicionário classifica a palavra galinha como substantivo.
Esta é a classe de que a palavra faz parte. Em frases,
podemos identificar a função do substantivo galinha:
A galinha bota ovos.
Nesta frase, o substantivo galinha exerce a função
de núcleo do sujeito.
Vi uma galinha carijó
Nesta outra, o substantivo galinha exerce a função
de núcleo do objeto direto.
Gosto de carne de galinha.
Nesta terceira frase, o substantivo galinha exerce a
função de núcleo do adjunto adnominal.
A NGB divide as palavras da língua portuguesa em
dez classes, chamadas de classes gramaticais. São
elas:
1) substantivo - palavra que dá nome aos seres:
crianças, língua, tribo, Brasil.
2) adjetivo - palavra que caracterizaos seres e as
coisas: longa, humanitário, novo.
3) verbo - palavra que indica fato ou estado:
aprender, mandar, permanecer, estar.
4) pronome - palavra que representa ou
acompanha o substantivo, considerado-o
apenas como pessoa do discurso: eles, sua.
5) numeral - palavra que indica quantidade ou
ordem: 1533, II.
6) artigo - palavra que acompanha o substantivo,
determinado ou indeterminado-o: a, uma.
7) advérbio - palavra que indica circunstância de
lugar, modo, intensidade etc.: aqui, bem,
8) preposição - palavra que serve para ligar
dois termos de uma oração: de.
9) conjunção - palavra que serve para relacionar
duas orações ou termos semelhantes de uma
mesma oração: e.
10) Interjeição - palavra que expressa sentimento
ou emoção: Nossa!.
Essas dez classes de palavras distribuem-se em
dois grupos:
a) variáveis: palavras que podem apresentar
mudança na forma, quando contextualizadas.
São elas: substantivo, adjetivo, verbo, artigo,
pronome e numeral.
b) invariáveis: palavras que não apresentam
mudança na forma, mesmo contextualizadas.
São elas: advérbio, preposição, conjunção e
interjeição.
1. FLEXÃO
Flexão é a variação de forma e,
consequentemente, de significado, de uma palavra. As
palavras são submetidas a flexão apenas quando
empregadas num enunciado. Duas observações
importantes:
a) somente podem ser flexionadas as palavras
variáveis;
b) cada tipo de flexão é sistemático, ou seja, vale
para todas ou quase todas as palavras da
mesma classe. Por exemplo: todos os
substantivos podem se flexionar em número,
com raras exceções.
Em português, as palavras podem apresentar
flexões de gênero, número, grau, tempo, modo e pessoa.
1.1. Flexão de Gênero
Gênero é o termo que a gramática utiliza para
enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas
ou femininas. Na gramática há, portanto, gênero
masculino e gênero feminino. Apresentam flexão de
gênero as seguintes classes de palavras: substantivo,
adjetivo, artigo, pronome e numeral.
Não se deve confundir gênero com sexo, pois a
noção de gênero se aplica não só a seres animais
(providos de sexo) como também a coisas (logicamente,
desprovidas de sexo). Exemplos:
a) palavras do gênero masculino
seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor
coisas: pente, lápis, disco, amor, mar
b) palavras do gênero feminino
seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora
coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva.
As demais palavras que admitem esse tipo de
flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham
o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos:
as crianças órfãs
pequenos índios
esses meninos
duas crianças
LÍNGUA PORTUGUESA 31
1.2. Flexão de Número
As palavras variáveis podem mudar sua
terminação para indicar singular ou plural. Apresentam
flexão de número o substantivo, o artigo, o adjetivo, o
numeral e o verbo. Exemplo:
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular)
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural)
1.3. Flexão de Grau
São as mudanças efetuadas na terminação para
indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos
adjetivos).
O menino estava nervoso.
O menininho estava nervoso.
O menino estava nervosíssimo.
O grau, algumas vezes, não indica intensidade ou
tamanho, mas expressa apenas estado emotivo.
Que doutorzinho, hein! (ironia)
Filhinho, venha cá. (carinho)
O advérbio, embora seja uma palavra invariável,
admite flexão de grau:
O fato aconteceu cedo. (advérbio não-flexionado)
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado)
Para a linguística atual, o grau não se constitui
numa flexão. Os motivos para negar essa flexão podem
ser resumido nestes pontos:
a) para indicar variação de tamanho, há duas
possibilidades e nenhuma delas implica o emprego de
uma desinência. Vejamos:
É um menino pequeno. - O substantivo não se
flexionou.
É um menininho. - O substantivo recebeu apenas
um sufixo (-inho) e não uma desinência.
Estou muito feliz - O adjetivo não se flexionou.
Estou felicíssimo - O adjetivo recebeu um sufixo (-
íssimo) e não uma desinência.
b) o grau do adjetivo não exige concordância com
o grau do substantivo, isto é, o adjetivo pode indicar
mudança de grau sem que o substantivo o acompanhe
nessa mudança.
"Era um homem felicíssimo" e não
obrigatoriamente "Era um homenzarrão felicíssimo".
Segundo os linguístas, a flexão obriga,
necessariamente, palavras em relação de
interdependência a assumirem as mesmas mudanças.
Esse fenômeno (concordância) ocorre sempre entre o
substantivo e o adjetivo que a ele se refere. Como essa
concordância não é obrigatória em relação ao grau, mas
apenas em relação ao gênero e ao número, nega-se a
expressão de grau como uma flexão.
As mudanças formais das palavras para expressar
graus seriam casos de derivação sufixal. Apesar dessas
objeções, a NGB considera a expressão de grau como um
tipo de flexão.
1.4 Flexões de tempo, modo e pessoa
Só os verbos apresentam esses tipos de flexão.
a) tempo: é a mudança da forma para indicar o
momento em que ocorre o fato.
O jesuíta assiste à chegada dos órfãos (presente)
O jesuíta assistiu à chegada dos órfãos (pretérito)
O jesuíta assistirá à chegada dos órfãos (futuro)
b) modo: é a mudança da forma para indicar as
diferentes atitudes do emissor em relação ao fato que se
deseja expressar. São três os modos: indicativo,
subjuntivo e imperativo.
O menino desligou-se da tribo (indicativo)
É possível que o menino se desligue da tribo
(subjuntivo)
Menino, ouça um conselho: desligue-se da tribo
(imperativo)
c) pessoa: esse tipo de flexão permite que o verbo
se relacione com as três pessoas gramaticais
1° pessoa: eu, nós
2° pessoa: tu, vós
3° pessoa: ele(s), ela(s)
A flexão de pessoa indica a concordância do
verbo com a pessoa gramatical que lhe serve de sujeito.
Compare:
Forma não-flexionada: comprar não se refere a
qualquer sujeito
Formas flexionadas do presente, modo indicativo:
eu compro
tu compras
ele compra
nós compramos
vós comprais
eles compram
As desinências verbais sâo morfemas que
carregam dois significados simultâneos: de tempo e
pessoa. Na forma amávamos, por exemplo, o morfema -
mos indica 1° pessoa (flexão de pessoa) do plural (flexão
de número).
SINTAXE: RELAÇÕES SINTÁTICO-
SEMÂNTICAS ESTABELECIDAS ENTRE
ORAÇÕES, PERÍODOS OU PARÁGRAFOS
(PERÍODO SIMPLES E PERÍODO
COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E
SUBORDINAÇÃO).
Para que possamos compreender a sintaxe da
Língua Portuguesa, ou seja, o conjunto das relações que
as palavras estabelecem entre si, é necessário, antes de
tudo, estudarmos a respeito dos enunciados e suas
unidades, os quais apresentam características estruturais
próprias: a Frase, a Oração e o Período. Vejamos cada
um deles!
FRASE
A frase pode ser definida por seu propósito
comunicativo. Isso significa que Frase é todo enunciado
capaz de transmitir, de traduzir sentidos completos em
um contexto de comunicação, de interação verbal.
Observe algumas características das frases:
O início e o final da frase são marcados, na
escrita, por pontuação específica (. ! ? …);
Na fala, o início e o final da frase são marcados
por uma entoação característica. Não se esqueça de que
a entoação é a forma como os falantes associam o
contorno da expressividade, como é visto na frase
interrogativa ou declarativa;
Podem ser elaboradas por uma única ou por
várias palavras;
32 LÍNGUA PORTUGUESA
Podem apresentar um verbo ou não;
Na escrita, os limites da frase são indicados pela
letra inicial maiúscula e pelo sinal de pontuação (. ! ? …).
Observe alguns exemplos de frases:
– Ai!
– Socorro!
– O quê?
– Mas que coisa terrível!
– Quanta bagunça...
– Que tragédia!
– Como assim?– Tenho muito a fazer.
– Fogo!
Tipos de Frases
Frases interrogativas: Entonação de pergunta.
Geralmente, é finalizada com ponto de interrogação
(?). Exemplo: Que dia você volta?
Frases exclamativas: Entonação expressiva,
reação mais exaltada. Geralmente, finalizada com ponto
de exclamação ou reticências (! …). Exemplo: Que
horror!
Frases declarativas: Não são marcadas pela
entonação expressiva ou intencional. Geralmente
apresentam declarações afirmativas ou negativas e são
finalizadas com o ponto final (.). Exemplo: Amanhã não
poderei levantar.
Frases imperativas: Enunciado que traz um
verbo no modo imperativo. Geralmente sugere uma
ordem e é finalizado pelos pontos de exclamação e final
(!.). Exemplo: Fale mais baixo!
ORAÇÃO
A oração é uma unidade sintática. Trata-se de
um enunciado linguístico cuja estrutura caracteriza-se,
obrigatoriamente, pela presença de um verbo. Na
verdade, a oração é caracterizada, sintaticamente, pela
presença de um predicado, o qual é introduzido na língua
portuguesa pela presença de um verbo. Geralmente, a
oração apresenta um sujeito, termos essenciais,
integrantes ou acessórios.
Observe alguns exemplos de orações:
– Corra!
– Esses doces parecem muito gostosos.
– Chove muito no inverno.
PERÍODO
O período é uma unidade sintática. Trata-se de
um enunciado construído por uma ou mais orações e
possui sentido completo. Na fala, o início e o final do
período são marcados pela entonação e, na escrita, são
marcados pela letra maiúscula inicial e a pontuação
específica que delimita sua extensão.
Os períodos podem ser simples ou compostos.
Vejamos cada um deles:
Período simples
Os períodos simples são aqueles constituídos
por uma oração, ou seja, um enunciado com apenas
um verbo e sentido completo.
Exemplos:
Os dias de verão são muito longos! (verbo ser)
O amor é eterno.
As plantas necessitam de cuidados especiais.
Quero aquelas rosas.
O tempo é o melhor remédio.
Período composto
Os períodos compostos são aqueles constituídos
por mais de uma oração, ou seja, dois ou mais verbos.
Exemplos:
Mariana me ligou para dizer que não virá mais
tarde. (Período composto por três orações:
verbos ligar, dizer e vir.)
Quando você partiu minha vida ficou sem alegrias
Quero aquelas flores para presentear minha mãe.
Vou gritar para
todos ouvirem que estou sabendo o que acontece ao
anoitecer.
Cheguei, jantei e fui dorm
Tipos de período composto
Há dois tipos de período composto:
1. PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
Como o nome já diz, um período composto por
coordenação é formado por duas ou mais orações
coordenadas, ou seja, que não possuem nenhum tipo de
dependência uma das outras.
Exemplo:
Corram depressa e saiam pela direita!
Ele sabia a verdade mas ela negou tudo.
2. PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
Este tipo de período é formado por uma oração
principal que é complementada com uma ou mais orações
subordinadas. Estas orações poderão exercer a função de
sujeito, complemento nominal, adjunto adverbial, adjunto
adnominal etc, dentro da estrutura da oração principal.
Exemplo:
A polícia sabia que havia pessoas no prédio.
Quando eu voltar, farei o jantar.
Há também casos em que um mesmo período é
composto por COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO.
Neste caso, o período possui dois tipos de relação:
subordinação e coordenação. No caso abaixo, há uma
oração principal, que possui duas orações subordinadas a
ela, e estas duas orações são coordenadas entre si.
Observe:
É bom que ela venha amanhã e traga os livros.
Observe que a oração “que ela venha amanhã”
não possui nenhum tipo de dependência com a
oração “(que ela) traga os livros”. Contudo, ambas são
subordinadas à oração principal, iniciada com “É bom
que...”.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
Apesar de prescindíveis são necessários para o
entendimento do enunciado porque informam alguma
característica ou circunstância dos substantivos,
pronomes ou verbos que os acompanham. São
considerados termos acessórios da oração:
adjunto adnominal;
adjunto adverbial;
aposto
http://portugues.uol.com.br/gramatica/vozes-verbo-.html
http://portugues.uol.com.br/gramatica/termos-constituintes-oracao---sujeito-predicado.html
http://portugues.uol.com.br/gramatica/tipos-sujeito.html
LÍNGUA PORTUGUESA 33
ADJUNTO ADNOMINAL
São palavras que acompanham o substantivo para
caracteriza-lo, determina-lo ou individualiza-lo. O adjunto
adnominal pode ser representado por:
adjetivos;
artigos;
numerais;
pronomes adjetivos;
locuções adjetivas.
Adjetivo:
As casas antigas eram mais trabalhadas.
Adj. Adnominal
Adjetivo
O sol brilhava intensamente hoje.
Adj. Adnominal
Adjetivo
Artigo:
As estrelas iluminavam a noite.
Adj. Adnominal Adj. adnominal
Artigo artigo
Os carros estavam descontrolados.
Adj. Adnominal
Artigo
Numeral:
Três árvores caíram.
Adj. Adnominal
Numeral
Dois carros chocaram-se violentamente.
Adj. Adnominal
Numeral
Pronome adjetivo
Aqueles computadores estão quebrados.
Adj. Adnominal
Pronome adjetivo
Aqueles garotos estão impossíveis hoje.
Adj. Adnominal
Pronome adjetivo
Locução adjetiva:
O suco de laranja estava gostoso.
Adj. Adnominal
Locução adjetiva
OBSERVAÇÃO:
Funcionam também como adjuntos adnominais
os pronomes oblíquos quando assumem o valor de
pronomes possessivos.
Feriram-me as pernas. (Feriram minhas
pernas)
ADJUNTO ADVERBIAL
Termo que se refere ao verbo, ao adjetivo ou a outro
advérbio, para indicar uma circunstância.
Circunstância de tempo:
Só obtivemos os gabaritos do vestibular no dia seguinte.
Adj. Adverbial
Circunstância de lugar:
O trânsito está engarrafado na Avenida Recife.
Adj. Adverbial
Circunstância de modo:
Os turistas foram recebidos alegremente.
Adj. Adverbial
Circunstância de intensidade:
Comemos pouco no almoço.
Adj. Adverbial
Circunstância de causa:
Estávamos tremendo de frio.
Adj. Adverbial
Circunstância de companhia:
Vou sair com você.
Adj. Adverbial
Circunstância de instrumento:
Com a vassoura retirou a sujeira da sala.
Adj. Adverbial
Circunstância de dúvida:
Possivelmente chegaremos atrasados.
Adj. Adverbial
Circunstância de finalidade:
Estudo para aumentar meus conhecimentos.
Adj. Adverbial
Circunstância de meio:
Prefiro viajar de carro.
Adj. Adverbial
Circunstância de assunto:
Conversamos sobre economia.
Adj. Adverbial
Circunstância de negação:
Não deixarei desarrumarem a casa.
Adj. Adverbial
Circunstância de afirmação:
Com certeza iremos ao parque.
Adj. Adverbial.
APOSTO
É o termo que tem por objetivo explicar, esclarecer,
resumir ou comentar algo sobre outro termo da oração.
Recife, a Veneza brasileira, sofre durante o período chuvoso.
Aposto
AMD, fabricante de processadores, vem ganhando mercado.
Aposto
OBSERVAÇÕES:
O aposto pode aparecer anteposto ao termo a
que se refere.
Veneza brasileira, Recife está sofrendo com o começo do inverno.
Aposto
O aposto pode aparecer precedido de expressões
explicativas. Vejamos.
Algumas matérias, a saber, matemática, física e
química, são as que apresentam maiores dificuldades de
aprovação no vestibular.
34 LÍNGUA PORTUGUESA
VOCATIVO – TERMO INDEPENDENTE
É consideradoum termo independente da oração
porque não faz parte de sua estrutura. É usado para
expressar o sentimento do falante; sentimento esse usado
para invocar, chamar, interpelar ou apelar a quem o
falante se dirige.
Menino, venha cá!
Vocativo
Meus filhos, tenham calma.
DIFERENÇA ENTRE VOCATIVO E APOSTO
O vocativo não mantém relação sintática com nenhum
termo da oração, enquanto o aposto mantém relação
sintática com um ou vários termos da oração.
Meninos, voltem aqui.
Vocativo
São Paulo, centro financeiro, sofre com as altas
taxas de desemprego.
Aposto
LOCUÇÕES VERBAIS (PERÍFRASES
VERBAIS).
Considera-se que estamos em face de uma
perífrase verbal sempre que do mesmo domínio
predicativo participam um verbo auxiliar (também
designado por «verbo morfemático») e uma forma
nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio passado) do
verbo principal (também classificado como «verbo pleno»)
– com intermediação, ou não, de preposição
(a, de, por, para). Exemplos:
Estou a escrever um romance.
Está vendo?
O Zé foi atropelado por uma bicicleta.
1. VERBO AUXILIAR
O verbo auxiliar é o resultado de um processo de
gramaticalização (ou de deslexicalização). Este processo
ocorre quando uma palavra de significação lexical passa a
ser ativada como uma palavra de significação gramatical
[fornecendo a informação gramatical de pessoa, número,
tempo, modo e aspecto].
Exemplo:
Verbo andar com significação lexical:
Ando todos os dias 10 km
Verbo andar com significação gramatical:
Ando a ler O Livro do Desassossego
2. VERBO PRINCIPAL
O verbo principal é o verbo que detém a
significação do processo, evento ou estado; o seu
conteúdo referencia diretamente a ação existente no
mundo extralinguístico.
AS PERÍFRASES VERBAIS PODEM SER:
– Temporais
– Modais
– Aspectuais
– Diatéticas (voz)
1. Verbos auxiliares de tempos compostos:
ter e haver
Ele já tinha entrado em casa quando se deu a
explosão.
2. Verbos auxiliares de modo (verbos modais):
ter (de/que); dever; poder
Para vires ter a minha casa deves apanhar o 78 ou
o 35.
O Zé deve estar a chegar.
O Zé pode estar dois dias sem comer.
3. Verbos auxiliares de aspecto (também designados
por «semiauxiliares»)
acabar (de/por); andar (a); começar (a/por);
continuar (a); estar (a/para/por); ficar (a/por); ir (a)
De notar que é na referenciação de valores
aspectuais que o procedimento perifrástico patenteia
maior sistematicidade. Deste modo, é comum recorrer aos
termos «conjugação perifrástica» e «perífrase verbal»
quando se quer designar construções aspectuais.
PERÍFRASE VERBAL E LOCUÇÃO VERBAL
Perífrase: processo que consiste em exprimir por
muitas palavras o que se pode exprimir em poucas; o
mesmo que «circunlóquio».
Locução (em análise gramatical): grupo de
palavras que funciona como uma palavra só.
Se atendermos às definições, poderemos concluir
que uma locução verbal pode ser uma perífrase verbal e
vice-versa. Muitas vezes, trata-se de uma questão
convencional ou de opção terminológica
1
. Como já foi
referido, uma perífrase verbal será, primeiramente, uma
perífrase aspectual. Mas, por outro lado, as construções
com verbo leve (ou verbo suporte) não são, por norma,
classificadas como perífrases.
1. Construções com verbo leve
Verbo + nome (deverbal ou não)
O processo de deslexicalização do verbo leve não
é total. Por outro lado, é atribuída ao nome a função
predicativa.
Exemplos:
dar beijos (= beijar)
fazer a apresentação (= apresentar)
ter em consideração (=considerar)
pôr em risco (= arriscar)
tirar fotografias (= fotografar)
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS
O verbo pode se flexionar de quatro maneiras:
PESSOA, NÚMERO, TEMPO e MODO. É a classe mais
rica em variações de forma ou acidentes gramaticais.
Através de um morfema chamado DESINÊNCIA MODO
TEMPORAL, são marcados o tempo e o modo de um
verbo. Vejamos mais detalhadamente…
O MODO VERBAL caracteriza as várias maneiras
como podemos utilizar o verbo, dependendo da
significação que pretendemos dar a ele. Rigorosamente,
são três os modos verbais: INDICATIVO, SUBJUNTIVO e
IMPERATIVO. Porém, alguns gramáticos incluem,
também como modos verbais, o PARTICÍPIO, o
LÍNGUA PORTUGUESA 35
GERÚNDIO e o INFINITIVO. Alguns autores, no entanto,
as denominam FORMAS NOMINAIS DO VERBO.
Segundo o gramático Rocha Lima, existem
algumas particularidades em cada uma destas formas que
podem impedir-nos de considerá-las modos verbais:
INFINITIVO: tem características de um
substantivo, podendo assumir a função de sujeito ou de
complemento de um outro verbo, e até mesmo ser
precedido por um artigo.
GERÚNDIO: assemelha-se mais a um advérbio,
já que exprime condições de tempo, modo, condição e
lugar.
PARTICÍPIO: possui valor e forma de adjetivo,
pois além de modificar o substantivo, apresenta ainda
concordância em gênero e número.
Mas voltemos aos modos verbais, propriamente
ditos:
MODO INDICATIVO: O verbo expressa um ação
que provavelmente acontecerá, uma certeza, trabalhando
com reais possibilidades de concretização da ação verbal
ou com a certeza comprovada da realização daquela
ação.
MODO SUBJUNTIVO: Ao contrário do indicativo,
é o modo que expressa a dúvida, a incerteza, trabalhando
com remotas possibilidades de concretização da ação
verbal.
MODO IMPERATIVO: Apresenta-se na forma
afirmativa e na forma negativa. Com ele nos dirigimos
diretamente a alguém, em segunda pessoa, expressando
o que queremos que esta(s) pessoa(s) faça(m). Pode
indicar uma ordem, um pedido, um conselho etc.,
dependendo da entonação e do contexto em que é
aplicado.
Já o TEMPO VERBAL informa, de uma maneira
geral, se o verbo expressa algo que já aconteceu, que
acontece no momento da fala ou que ainda irá acontecer.
São essencialmente três tempos: PRESENTE, PASSADO
ou PRETÉRITO e FUTURO.
Os tempos verbais são:
PRESENTE SIMPLES (amo) – expressa algo
que acontece no momento da fala.
PRETÉRITO PERFEITO (amei) – expressa uma
ação pontual, ocorrida em um momento anterior à fala.
PRETÉRITO IMPERFEITO (amava) – expressa
uma ação contínua, ocorrida em um intervalo de tempo
anterior à fala.
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO (amara) –
contrasta um acontecimento no passado ocorrido
anteriormente a outro fato também anterior ao momento
da fala.
FUTURO DO PRESENTE (amarei) – expressa
algo que possivelmente acontecerá em um momento
posterior ao da fala.
FUTURO DO PRETÉRITO (amaria) – expressa
uma ação que era esperada no passado, porém que não
aconteceu.
MODO E TEMPO VERBAL
Modo verbal é uma classificação dada a
um verbo, que apresenta diferenças e diversas formas de
um mesmo verbo. Verbos possuem por classificação:
tempo, pessoa, número e modo.
Tempo
O tempo é usado para indicar quando ocorreu a
ação a qual o verbo se refere.
Presente – Indica o facto no momento em que
se fala (ele conjuga).
Pretérito imperfeito – Indica um acontecimento
que se prolongou ao longo do tempo com inicio e fim no
passado (eu estudava).
Pretérito perfeito – Indica um acontecimento
que se iniciou e terminou no passado durante pouco
tempo (eu caí é quase imediato).
Pretérito mais-que-perfeito – Indica um facto
passado em relação a outro (ele conjugara).
Futuro do presente – Indica um facto que irá
acontecer no futuro (eu conjugarei).
Futuro do pretérito – Indica um futuro que
ocorre no passado (ele conjugaria)-uma coisa que poderia
ter acontecido.
Pessoa
Pessoa é a quem se refere o verbo.
Eu e nós pertencem à primeira, tu e vós/vocês
à segunda e ele/ela, eles/elas à terceira.
Eu – (eu consigo)
Tu – (tu consegues)
Ele/Ela – (ele consegue)
Nós – (nós conseguimos)
Vós – (vós conseguis) / Vocês– (vocês
conseguem)
Eles/Elas – (eles conseguem)
Número
Indica a quantidade de pessoas. Se são uma ou
mais de uma.
Singular– Indica uma pessoa (eu estou).
Plural– Indica duas ou mais pessoas
(eles estão)
Modos verbais
As flexões de Modo determinam as diversas
atitudes da pessoa que fala com relação ao fato
enunciado. Assim:
uma atitude que expressa certeza com relação
ao fato que aconteceu, que acontece ou que acontecerá,
é característica do Modo Indicativo. Exemplos:
Ele trabalhou ontem.
Ela está em casa.
Nós iremos amanhã.
uma atitude que revela uma incerteza, uma
dúvida ou uma hipótese é característica do Modo
Subjuntivo (ou Conjuntivo). Exemplos:
Se eu trabalhasse,…
Quando eu partir,…
uma atitude que expressa uma ordem, um
pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é
característica do Modo Imperativo. Exemplo:
Faça isto, agora!
Com relação ao Tempo, podemos expressar um
facto basicamente de três maneiras diferentes:
1. No presente: significa que o fato está
acontecendo relativamente ao momento em
que se fala;
36 LÍNGUA PORTUGUESA
2. No pretérito: significa que o fato já aconteceu
relativamente ao momento em que se fala;
3. No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer
relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um
processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com
as necessidades da pessoa que fala ou que relata um
evento.
Neste contexto, a Língua Portuguesa oferece-nos
as seguintes possibilidades para combinarmos Modos e
Tempos:
MODO INDICATIVO
Expressa certeza absolutamente apresentando o
fato de uma maneira real, certa, positiva.
Presente do Indicativo
Expressa o fato no momento em que se fala.
O aluno lê um poema.
Posso afirmar que meus valores mudaram.
Um aluno dorme.
Pretérito Imperfeito
Expressa o passado inacabado, um processo
anterior ao momento em que se fala, mas que durou um
tempo no passado, ou ainda, um fato habitual, diário. Por
tanto ele não indica a certeza de um fato acontecido,
sendo assim chamado este tempo verbal de pretérito
imperfeito, pois não se refere a um conceito situado
perfeitamente num contexto de passado.
Emprega-se o pretérito imperfeito do Indicativo
para assinalar:
um fato passado contínuo, permanente ou
habitual, ou casual.
Eles „vendiam‟ sempre fiado. “Uma noite, eu me
lembro… ela „dormia‟”.
Numa rede encostada molemente (Castro Alves,
Adormecida). Ela „vendia‟ flores “Glória „usava‟ no peito
um broche com um medalhão de duas faces.” (Raquel de
Queirós, As Três Marias).
um fato passado, mas de incerta localização no
tempo:
„Era‟ uma vez,…
um fato simultâneo em relação a outro no
passado, indicando a simultaneidade de ambos os fatos:
Eu „lia‟ quando ela chegou. “Nessa mesma noite,
leu-lhe o artigo em que „advertia‟ o partido da
conveniência de não ceder às perfídias do poder.” (poema
de Quincas Borba).
Pretérito Perfeito
Indica um fato que se perfez. Já ocorrido e
concluído. Daí o nome: Pretérito Perfeito; referindo-se a
um facto que se situa completo no passado.
Emprega-se o Pretérito Perfeito do Indicativo para
assinalar:
um facto já ocorrido ou concluído:
„Trocaram beijos ao luar tranqüilo.‖ (Augusto
Gil, Luar de Janeiro)
“„Andei‟ longe terras,
„Lidei‟ cruas guerras,
„Vaguei‟ pelas serras,
Dos vis Aimorés.” (Gonçalves Dias, I-Juca-
Pirama).
Posso afirmar que meus valores „mudaram‟.
“„Apanhou‟ o rifle, „saiu‟ ao meio da trilha e
„detonou‟.”(Coelho Neto, Banzo).
Na forma composta, é usado para indicar uma
ação que se prolonga até ao momento presente; através
da locução verbal, na qual se usa o particípio.
„Tenho estudado‟ todas as noites.
“Eu, que „tenho sofrido‟ a angústia das pequenas
coisas ridículas, Eu „verifico‟ que não tenho par nisto tudo
neste mundo.” (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta
– caiu)
Pretérito mais-que-perfeito
Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito para
assinalar um fato passado em relação a outro também no
passado (o passado do passado, algo que aconteceu
antes de outro fato também passado).
O pretérito mais-que-perfeito aparece nas formas
„simples‟ e „composta‟, sendo que a primeira costuma
aparecer em discursos mais formais e a segunda, na fala
coloquial.
Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito
simples:
Ele comprou o apartamento com o dinheiro do
carro que vendera.
“Levava comigo um retrato de Maria
Cora; alcançara-o dela mesma… com uma
pequena dedicatória cerimoniosa.” (Machado
de Assis, Relíquias de Casa)
Morava.. no arraial de São Gonçalo da Ponte,
cuja ponte o rio levara, deixando dela somente
os pilares de alvenaria.” (Gustavo Barroso, O
Sertão e o Mundo)
Te dou meu coração, quisera dar o mundo
Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito
composto:
Quando eu cheguei, ela já tinha saído.
Tinha chovido muito naquela noite.
Futuro do presente composto
Assinala um fato posterior ao tempo atual, mas
anterior a outro fato futuro.
Exemplo:
“Até meus bisnetos nascerem, eu terei me
aposentado“.
“Quando ele chegar, já terei saído.
Futuro do Indicativo
Emprega-se o futuro do Indicativo para assinalar
uma ação que ocorrerá no futuro relativamente ao
momento em que se fala.
Quando eleito, lutarei pelos menores carentes.
“… era Vadinho, herói indiscutível, jamais
outro virá tão íntimo das estrelas,…” (Jorge Amado, Dona
Flor e Seus Dois Maridos)
“A qual escolherei, se, neste estado,
Eu não sei distinguir esta daquela?” (Alvarenga Peixoto,
Jôninha e Nice).
Exemplos de futuro composto:
Ele vai fazer (fará) compras e vai voltar
(voltará) em breve.
LÍNGUA PORTUGUESA 37
Futuro do Pretérito / Condicional
Emprega-se o futuro do pretérito para assinalar:
Um facto futuro em relação a outro no passado
“Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria. (Álvares
Azevedo, Se Eu Morresse Amanhã).
Uma ironia ou um pedido de cortesia:
Daria para fazer silêncio!
Poderia fazer o favor de sair!?
Modo Subjuntivo
Revela um fato duvidoso, incerto.
Presente
Emprega-se o presente do subjuntivo para
assinalar:
um fato presente, mas duvidoso ou incerto, um
desejo ou um sentimento.
Talvez eles façam tudo aquilo que nós
pedimos.
Talvez ele saiba sobre o que está falando.
um fato futuro, mas duvidoso ou incerto
Talvez eles venham amanhã.
um desejo ou uma vontade
Espero que eles façam o serviço corretamente.
Espero que me tragam o dinheiro
Pretérito Imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo
para assinalar:
uma hipótese ou uma condição numa ação
passada, mas posterior e dependente de outra
ação passada.
“Talvez a lágrima subisse do coração à
pupila…” (Coelho Neto, Sertão)
“Como fizesse bom tempo, as senhoras
combinaram em tomar o café na chácara.”
(Aluísio Azevedo, Casa de Pensão)
“Estou hoje vencido, como se soubesse a
verdade.
Estou hoje vencido, como se estivesse para
morrer.” (Fernando Pessoa, Tabacaria – Álvaro
de Campos)
uma condição contrafactual, ou seja, que não
se verifica na realidade, que teria uma certa
consequência; pode se referir ao passado, ao
presente ou ao futuro.
Se ele estivesse aqui ontem, poderia ter
ajudado.
Se ele estivesse aqui agora, poderia ajudar.
Se ele viesse amanhã, poderia ajudar.
Futuro
Emprega-se o futuro do subjuntivo para assinalar
uma possibilidade a ser concluída em relação a um fato
no futuro, uma ação vindoura, mas condicional a outra
ação também futura.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
Quando os sinos badalarem nove horas,voltarei
para casa.
Também pode indicar uma condição incerta,
presente ou futura.
Se ele estiver lá amanhã, certamente ela
também estará.
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter
ou haver no Futuro do Subjuntivo simples e o principal no
particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do
Subjuntivo simples.
Por exemplo:
Quando você tiver terminado sua série de
exercícios, eu caminharei 6 Km.
Pretérito Perfeito
Emprega o passado com relação a um futuro certo.
Caso eu tenha sido escolhido, ficarei muito feliz.
Pretérito mais-que-perfeito composto
Formado pelo imperfeito do subjuntivo do verbo
auxiliar (ter, haver) mais o particípio do verbo principal
Tem valor semelhante ao Imperfeito do subjuntivo Ex: Eu
teria caminhado todos os dias desse ano, se não tivesse
trabalhado tanto.
Eu teria viajado se não tivesse chovido
Obs: Perceba que todas as frases remetem a ação
para o passado. A frase: Se eu estudasse,
aprenderia; é diferente de Se eu tivesse
estudado, teria aprendido.
Imperativo
Exprime uma atitude de solicitação, mando. É
formado por afirmativo e negativo.
Este modo verbal não possui a primeira pessoa do
singular (eu), pois não podemos mandar em nós mesmos.
Uma atitude que expressa uma ordem, um pedido,
um conselho, uma vontade ou um desejo é característica
do Modo Imperativo. Exemplo: Faça isto, agora! Com
relação ao Tempo, podemos expressar um fato
basicamente de três maneiras diferentes:
No presente: significa que o fato está
acontecendo relativamente ao momento em
que se fala;
No pretérito: significa que o fato já aconteceu
relativamente ao momento em que se fala;
No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer
relativamente ao momento em que se fala.
Entretanto, as possibilidades de se localizar um
processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com
as necessidades da pessoa que fala ou que relata um
evento. Neste contexto, a língua portuguesa oferece-nos
as seguintes possibilidades para combinarmos modos e
tempo
Exemplo
Parcele sua compra!
Faça sua tarefa!
Lave a louça!
Escove os dentes!
Compre aqui e ganhe um brinde!
38 LÍNGUA PORTUGUESA
Gerúndio
Uma ação que está em curso no momento da fala.
No português, é terminado por “ando”, “endo” e “indo” (no
caso do verbo pôr e seus derivados, terminado em
“ondo”).
Exemplos: “Eu estou falando contigo…”; “Nós
estamos correndo em círculos!”; “Eles estão indo para a
escola.”; “Estou pondo novas informações neste artigo”.
“Estou Dirigindo o carro‖.
FUNÇÕES DO ―QUE‖ E DO ―SE‖
Há muitas dúvidas quanto ao emprego do que e
do se, pois podem ser empregados em várias funções
morfossintáticas. Portanto, iremos analisar cada termo
individualmente, a fim de que as análises se tornem mais
claras.
Funções do QUE
1 – Substantivo
Quando equivale a alguma coisa virá sempre
antecedida de artigo ou outro determinante, e receberá
acento por ser monossílabo tônico terminado em e. Como
substantivo, designa também a 16ª letra de nosso
alfabeto. Quando a palavra que for substantivo, exercerá
as funções sintáticas próprias dessa classe de palavra
(sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo etc.)
Ex.: Há nisso um quê de mistério. (=alguma coisa)
Há paixões que dominam os impérios. (Sujeito)
Sofro as penas que eu próprio busquei… (Objeto
direto)
A pessoa a que me referi, chegou. (Objeto indireto)
“Não conheço que fui no que hoje sou.”
(Predicativo)
Que horas são? (Adjunto adnominal)
O projeto a que sou favorável é este e não aquele.
(Complemento nominal)
Esta é a escola em que estudo. (Adjunto adverbial)
Encontrou-se a arma por que ela foi ferida. (Agente
da passiva)
2- Pronome
Adjetivo interrogativo:
Ex.: Que matérias você perdeu? (= quais)
Substantivo interrogativo:
Ex.: O que viste por onde viajaste? (= que coisa)
Adjetivo indefinido:
Ex.: Veja que horas são. (= quantas)
Substantivo indefinido:
Ex.: Não compreendo por que não me escutas. (=
que motivo)
Relativo:
Ex.: Os amigos que me restam são de data
recente.
3 – Preposição (de)
Ex.: Ele tem que aparecer para conversar comigo.
Doença é pior que todas as coisas.
4 – Advérbio de intensidade
Refere-se sempre a um adjetivo.
EX.: Que maravilhoso é o amor! (=quão)
Que difícil foi a conversa! (=quão)
5 – Interjeição
Ex.: Quê! Foi roubado!
6 – Partícula expletiva (ou de realce)
Ex.: Quase que ela perdeu.
O último que chegar que feche a porta.
7 – Conjunção subordinativa
Integrante:
Ex.: É justo que ele pague pelo que fez.
Final:
Ex.: Faço votos que seja feliz.
Causal:
Ex.: “Trevas, caí, que o dia é morto.”
“Antes que cases, olha o que fazes, que não é nó
que desates.”
Comparativa:
Ex.: Os homens são menos detalhistas que as
mulheres.
Temporal:
Ex.: “Porém já cinco sóis eram passados que dali
nos partíramos.”
Consecutiva:
Ex.: Estudou tanto, que acabou perdendo a hora
Concessiva:
EX.: Muito que ele come, nunca engorda.
8 – Conjunção coordenativa
Aditiva:
EX.: “Maravilha feita de Deus que não de humilde braço.”
Explicativa:
Ex.: Não saiam, que vai chover.
Adversativa:
Ex.: Façam eles, que não eu.
Alternativa:
Ex.: Que permitam, que não permitam, irei vê-la.
FUNÇÕES DO SE
Funções morfológicas
1 – Conjunção subordinativa
Integrante:
Ex.: Não sei se vocês já leram Guimarães Rosa.
Condicional:
EX.: Se você pretende ser universitário, estude.
Concessiva:
Ex.: “Se não teceu o Próprio enxoval, ganhou-o, fio
a fio, no tear.”
Causal:
Ex.: “Se a morte sabes dar com fogo e ferro,
sabe também dar vida com clemência.”
2 – Conjunção coordenativa alternativa
Ex.: Se há lágrimas, se há risos, o amor brilha nos
seus lábios.
3 – Pronome (ou partícula) apassivador
Ex.: Nota-se que eles estão animados.
4 – Partícula (ou índice) de indeterminação do
sujeito
Ex.: Vive-se brigando nesta casa.
LÍNGUA PORTUGUESA 39
5- Parte integrante de verbo
Ex.: Ela se arrependeu de ter esperado tanto.
6 – Partícula expletiva ou de realce (junto a
verbos intransitivos)
Ex.: Passam-se os anos e nada mudou.
7 – Pronome
Reflexivo:
Ex.: Ele feriu-se gravemente.
Recíproco:
Ex.: Abraçaram-se, mas já era tarde.
Funções sintáticas
Como pronome, o se pode exercer as seguintes
funções sintáticas de objeto direto, objeto indireto e sujeito
de uma oração definitiva.
EX.: Ela se trancou por dentro, calada, esperando.
(Objeto direto)
“O chefe reservou-se um objetivo ambicioso: a
chaminé.” (Objeto indireto)
“Sofia deixou-se estar à janela.” (Sujeito)
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
CONCORDÂNCIA VERBAL
A regra básica da concordância verbal é o verbo
concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª
ou 3ª) com o sujeito da frase.
1. Sujeito simples – o verbo concordará com ele em
número e pessoa.
Ex.: O artista excursionará por várias cidades do
interior.
2. Sujeito composto – em regra geral, o verbo vai para o
plural.
Ex.: Sua avareza e seu egoísmo fizeram com que
todos o abandonassem.
Se o sujeito vier depois do verbo, concorda com o
núcleo mais próximo, ou vai para o plural.
Ex.: “Ainda reinavam (ou reinava) a confusão e a
tristeza” (Dinah S. de Queiroz).
Se o sujeito vier composto por pronomes pessoais
diferentes – o verbo concordará conforme a prioridade
gramatical das pessoas.
Ex.: Eu e você somos pessoas responsáveis.
Atenção! Tu e ela estudais / estudam. A segunda forma é
mais usada atualmente.
3. Expressões não só... mas também, tanto/quanto que
relacionam sujeitos compostos permitem a concordância
do verbo no singular ou no plural.
Ex.: Tanto o rapaz quanto o amigo
obtiveram/obteve notamáxima na redação do ENEM
4. Sujeito composto ligado por ou:
- indicando exclusão, ou sinonímia – o verbo fica
no singular.
Ex.: Maria ou Joana será representante.
- indicando inclusão, ou antonímia – o verbo
fica no plural.
Ex.: O amor ou o ódio estão presentes.
- indicando retificação – o verbo concorda com o
núcleo mais próximo.
Ex.: O aluno ou os alunos cuidarão da exposição.
5. Quando o sujeito é representado por expressões
como a maioria de, a maior parte de e um nome no
plural, o verbo concorda no singular (realçando o todo) ou
no plural (destacando a ação dos indivíduos).
Ex.: A maioria dos jovens quer as reformas. (ou) A
maioria dos jovens querem as reformas.
6. Não sou daqueles que recusa / recusam as obrigações.
Nesse caso, o referente do pronome relativo que
é daqueles, a regra fundamental de concordância com o
sujeito deverá levar o verbo para a 3ª pessoa do plural.
Entretanto, também é aceito quando refletimos em uma
concordância com um daqueles que.
7. Verbo ser + pronome pessoal + que – o verbo
concorda com o pronome pessoal.
Ex.: Sou eu que executo a obra. Seremos nós que
executaremos a obra.
Verbo ser + pronome pessoal + quem – o verbo
concorda com o pronome pessoal ou fica na 3ª pessoa do
singular.
Ex.: Sou eu quem inicio a leitura. Sou eu quem
inicia a leitura.
8. Nomes próprios locativos ou intitulativos – se
precedidos de artigo plural, o verbo irá para o plural; não
sendo assim, irá para o singular.
Ex.: Os Estados Unidos reforçam as suas bases.
Minas Gerais progride muito.
9. Pronome relativo antecedido da expressão ―um
dos‖, ―uma das‖ – verbo na 3ª pessoa do singular ou do
plural.
Ex.: Ela é uma das que mais impressiona (ou
impressionam).
Quando apresenta uma ideia de seletividade, fica
obrigatoriamente no singular.
Ex.: Aquela é uma das peças de Nelson Rodrigues
que hoje se apresentará neste teatro.
10. Concordância do verbo ser:
a) sujeito nome de coisa ou um dos pronomes
nada, tudo, isso ou aquilo + verbo ser + PREDICATIVO
no plural: verbo no singular ou no plural (mais comum).
Ex.: "A pátria não é ninguém: são todos.” (Rui
Barbosa)
b) NAS ORAÇÕES INTERROGATIVAS iniciadas
pelos pronomes quem, que, o que – verbo ser concorda
com o nome ou pronome que vem depois.
Ex.: Quem eram os culpados?
c) 1º TERMO – SUJEITO = substantivo; 2º termo
= pronome pessoal, o verbo concorda com o pronome
pessoal.
Ex: Os defensores somos nós.
d) Nas expressões é muito, é pouco, é mais de,
é tanto, é bastante + determinação de preço, medida
ou quantidade: verbo no singular.
Ex.: Dez reais é quase nada.
e) Indicando hora, data ou distância – o verbo
concorda com o predicativo.
Ex.: São três horas. Hoje são 15 de fevereiro.
40 LÍNGUA PORTUGUESA
11. PASSIVO – NA VOZ PASSIVA SINTÉTICA, com o
pronome apassivador SE, o verbo concorda com o
sujeito paciente (que é um aparente objeto direto).
Ex.: Escutavam-se vozes.
INDETERMINADO – com o pronome
indeterminador do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do
singular.
Ex.: Precisa-se de operários.
CONCORDÂNCIA NOMINAL
As relações que as palavras estabelecem com o
substantivo que as rege constitui o que em gramática se
chama de sintagma nominal. Essa relação caracteriza
os casos de concordância nominal.
1. Concordância de gênero e número entre o núcleo
nominal e os artigos que o precedem, os pronomes
indefinidos variáveis, os demonstrativos, os possessivos,
os numerais cardinais e os adjetivos.
Ex.: Um luar claro e belíssimo.
2. Concordância do adjetivo com dois ou mais
substantivos
a) Substantivos do mesmo gênero, o adjetivo irá
para o plural desse gênero ou concordará com o mais
próximo (concordância atrativa).
Ex.: Bondade e alegria raras ou rara.
b) Substantivos de gêneros diferentes, o adjetivo
irá para o masculino plural ou concordará com o mais
próximo.
Ex.: Atitude e caráter apropriados ou apropriado.
c) Adjetivo anteposto aos substantivos, nos dois
casos acima, a norma geral é que ele concorde com o
substantivo mais próximo.
Ex.: Mantenha desligadas as lâmpadas e os
eletrodomésticos.
d) Substantivos com sentido equivalente ou
expressam gradação, o adjetivo concorda com o mais
próximo.
Ex.: Revelava pura alma e espírito.
CASOS PARTICULARES
1. POSSÍVEL
a) precedido de o mais, o menor, o melhor, o pior –
singular;
b) precedido de os mais, os menores, os melhores,
os piores – plural.
Ex.: Estampas o mais possível claras. / Estampas
as mais claras possíveis.
2. ANEXO / INCLUSO – adjetivos, concordam com o
substantivo a que se referem.
Ex.: Envio-lhe anexos / inclusos os documentos.
(em anexo, junto a são invariáveis)
3. LESO (adjetivo = lesado, prejudicado) concorda com o
substantivo com o qual forma uma composição.
Ex.: Cometeu crime de lesa-pátria.
4. PREDICATIVO
a) substantivo com sentido indeterminado (sem
artigo) – adjetivo no masculino.
Ex.: É proibido entrada;
b) substantivo com sentido determinado (com
artigo) – adjetivo concorda com o substantivo. Ex.: É
necessária muita cautela.
5. MEIO – numeral = metade (variável)
Ex.: Falou meias verdades.
Advérbio = parcialmente (variável).
Ex.: Encontrava-se meio fatigada.
6. MUITO, POUCO, BASTANTE, TANTO – PRONOMES
– (variáveis).
Ex.: Li bastantes livros. ADVÉRBIOS (invariáveis).
Ex.: Estavam bastante felizes.
7. SÓ – adjetivo = sozinho (variável).
Ex.: Eles se sentiam sós. Palavra denotativa de
exclusão (invariável).
Ex.: Só os alunos compareceram à reunião (=
somente).
8. PSEUDO, ALERTA, SALVO, EXCETO – são
palavras invariáveis.
Ex.: Ela é pseudo-administradora, por isso
fiquemos sempre alerta.
9. QUITE = LIVRE – concorda com aquele a que
se refere.
Ex.: Estamos quites com a mensalidade.
10. OBRIGADO, MESMO, PRÓPRIO – concordam
com o gênero e número da pessoa a que se referem.
Ex.: Ela disse:
- Muito obrigada, eu mesma cuidarei do assunto.
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL
Entre os diversos termos de uma oração ocorre
regência verbal e regência nominal. Há um termo regente
que apresenta um sentido incompleto sem o termo regido,
que atua como seu complemento.
A regência verbal indica a relação que um verbo
(termo regente) estabelece com o seu complemento
(termo regido) através do uso ou não de uma preposição.
Na regência verbal os termos regidos são o objeto direto
(sem preposição) e o objeto indireto (preposicionado).
A regência nominal indica a relação que um
nome (termo regente) estabelece com o seu complemento
(termo regido) através do uso de uma preposição.
Exemplos de regência verbal preposicionada:
assistir a;
obedecer a;
avisar a;
agradar a;
morar em;
apoiar-se em;
transformar em;
morrer de;
constar de;
sonhar com;
indignar-se com;
ensaiar para;
apaixonar-se por;
LÍNGUA PORTUGUESA 41
cair sobre.
Exemplos de regência nominal:
favorável a;
apto a;
livre de;
sedento de;
intolerante com;
compatível com;
interesse em;
perito em;
mau para;
pronto para;
respeito por;
responsável por.
Regência verbal com verbos transitivos diretos
Os verbos transitivos diretos apresentam um
objeto direto como termo regido, não sendo necessária
uma preposição para estabelecer a regência verbal. O
objeto direto responde, principalmente, às perguntas o
quê? e quem?, indicando o elemento que sofre a ação
verbal.
Exemplos:
Você já fez os deveres?
Eu quero um carro novo.
A criança bebeu o suco.
Regência verbal com verbos transitivos indiretos
Os verbos transitivos indiretos apresentam um
objeto indireto como termo regido, sendo obrigatória a
presença de uma preposição para estabelecera regência
verbal. O objeto indireto responde, principalmente, às
perguntas de quê? para quê? de quem? para quem? em
quem?, indicando o elemento ao qual se destina a ação
verbal.
Exemplos:
O funcionário não se lembrou da reunião.
Ninguém simpatiza com ele.
Você não respondeu à minha pergunta.
As preposições usadas na regência verbal podem
aparecer na sua forma simples, bem como contraídas ou
combinadas com artigos e pronomes.
Preposições simples: a, de, com, em, para, por,
sobre, desde, até, sem,...
Contração e combinação de preposições: à, ao,
do, das, destes, no, numa, nisto, pela, pelo,...
As preposições mais utilizadas na regência verbal
são: a, de, com, em, para e por.
Preposição a: perdoar a, chegar a, sujeitar-se
a,...
Preposição de: vangloriar-se de, libertar de,
precaver-se de,...
Preposição com: parecer com, zangar-se com,
guarnecer com,...
Preposição em: participar em, teimar em, viciar-
se em,...
Preposição para: esforçar-se para, convidar
para, habilitar para,...
Preposição por: interessar-se por, começar por,
ansiar por,...
Regência nominal: principais preposições
As preposições mais utilizadas na regência
nominal são, também: a, de, com, em, para, por.
Preposição a: anterior a, contrário a, equivalente
a,...
Preposição de: capaz de, digno de, incapaz
de,...
Preposição com: impaciente com, cuidadoso
com, descontente com,...
Preposição em: negligente em, versado em,
parco em,...
Preposição para: essencial para, próprio para,
apto para,...
Preposição por: admiração por, ansioso por,
devoção por,...
COLOCAÇÃO PRONOMINAL
É a parte da gramática que trata da correta
colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase.
Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes
não seja rigorosamente seguida, algumas normas devem
ser observadas, sobretudo, na linguagem escrita.
Dicas: Existe uma ordem de prioridade na
colocação pronominal: 1º tente fazer próclise,
depois mesóclise e em último caso, ênclise.
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS:
Existem os seguintes pronomes
Os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele,
nós, vós, eles) exercem a função de sujeito da oração.
Os pronomes do caso oblíquo exercem a
função de complemento do verbo da oração. (=
me/mim/comigo; te/ti/contigo; se/si/consigo; o(s)/a(s);
lhe(s); nos/conosco; vos/convosco.
Os pronomes oblíquos tônicos: mim, comigo, ti,
contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco,
eles, elas (possuem individualidade tônica).
Mas o que nos interessa agora é:
Os pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, a,
lhe, nos, vos, se, os, as, lhes (sem individualidade tônica).
Colocação dos pronomes átonos
Há algumas tendências de colocação dos
pronomes átonos adotadas no Brasil que não estão de
acordo com as normas adotadas pela Gramática
Tradicional. Atualmente, essas questões estão sendo
revistas pela linguística, que busca outras razões para
justificar a funcionalidade da língua: fatores fonéticos,
lógicos, estético, estilísticos, históricos e outros mais.
Portanto, há algumas marcas enraizadas no português
brasileiro, como a tendência de colocar o pronome na
forma proclítica, forma diferente do uso em Portugal.
Posição dos pronomes oblíquos átonos:
Antes do verbo: Próclise
No meio do verbo: Mesóclise
Depois do verbor: Ênclise
Próclise:
1. Elementos que atraem o pronome átono:
42 LÍNGUA PORTUGUESA
Palavras negativas: nem, não, nunca, jamais:
Não me incomodo com eles.
Advérbios: Acolá, aí, aqui, lá, já:
Aqui se aprende com qualidade.
Pronomes relativos: que, o qual, os quais:
O líder do grupo, o qual nos visitou hoje,
pometeu-nos trabalhar pela paz de todos.
2. Partículas exclamativas e optativas:
Quem me dera!
Que Deus o acompanhe!
3. Em sentenças interrogativas diretas e
indiretas:
Diga-me quem lhe disse isso.
Quem lhe disse tamanha asneira?
4. Orações subordinadas desenvolvidas.
Pedi que lhe entregasse meus documentos.
5. Orações coordenadas alternativas:
Ora me maltratava, ora me beijava.
6. Orações com inversão sintática:
Lógico me pareceu o seu argumento.
7. Gerúndio precedido da preposição em:
Em se tratando de estratégia, ele é mestre.
8. Orações com verbo antecedidos de pronome
não pessoal:
Isto se refere a interesses particulares.
Aqui se trabalha.
Alguém me disse que ela não viria.
Nota: Advérbios, locuções adverbiais e o
numeral ambos (ambas) atraem o pronome desde
que não haja pausa em relação ao verbo.
1. Sem pausa:
Aqui se trabalha duro.
Ambos se prejudicavam com a gritaria.
2. Com pausa:
Aqui, trabalha-se duro.
Ambos, prejudicavam-se com a gritaria.
Mesóclise
Ocorre a mesóclise com o verbo nos
tempos futuro do presente e futuro do pretérito do
modo indicativo:
Os brinquedos, comprá-los-ei ainda hoje.
Não quero os brinquedos, comprá-los-ia se
estivessem mais baratos.
Nota1:
Esta forma de mesóclise tende a desaparecer no
português brasileiro. Na língua falada, ela está
praticamente em desuso. Para substitui-la,
costuma-se usar um verbo auxiliar junto com o
principal:
compraria = teria comprado;
comprarei = vou comprar, etc.
Nota2:
A mesóclise deixa de ocorrer se na frase houver
algum fator de próclise.
Ênclise
Não havendo próclise, ocorre ênclise (ou
mesóclise). Essa é uma regra prática para compreender
quando ocorre a ênclise. Atenção especial deve-se às
locuções verbais.
TEMPOS COMPOSTOS E LOCUÇÕES VERBAIS:
1. Verbo auxiliar + verbo principal no infinitivo
Ocorre ênclise ou mesóclise no auxiliar ou somente
ênclise no principal.
Deve-se lembrar das obrigações. (ênclise auxiliar)
Dever-lhes-ia entregar a correspondência antes do meio-
dia. (mesóclise no auxiliar)
Ou
Deve lembrar-se das obrigações. (ênclise
principal)
Deveria entregar-lhes a correspondência antes do
meio-dia. (mesóclise no auxiliar)
No português brasileiro há tendência para o uso da
próclise com a forma nominal:
Ele deve se preparar para o vestibular o quanto
antes.
Já começamos a nos preparar para as olimpíadas.
Devo lhe dizer a verdade. (sem hífen é forma
brasileira)
2. Verbo auxiliar + verbo principal no particípio:
„particípio rejeita pronome‟
Ter-nos-iam avisado.
Tinham nos avisado.
3. Verbo auxiliar + verbo principal no gerúndio:
Podem estar em próclise ou ênclise, ou com o
auxiliar ou com o principal:
Ele foi-se envolvendo com o novo trabalho.
Ele foi envolvendo-se com o novo trabalho.
Ele foi se envolvendo com o novo trabalho. (forma
brasileira)
Modalidades lo, la, los, las
Quanto a colocação essas formas podem
ser enclíticas ou mesoclíticas.
Quando ocorrem?
– Quando estão associadas com as terminações
verbais: -r, -s ou -z:
Podíamos comprá-los, se quiséssemos (comprar).
A tarefa, Marina fê-la com carinho (fez).
Buscamo-lo em seguida à nossa chegada
(buscamos).
Modalidades no, na, nos, nas
Quanto a colocação essas formas são enclíticas.
Quando ocorrem?
– Após as formas verbais com ditongo nasal final (-
ão, -õe(m), -am, -em):
Façam-nos; fazem-no; dão-nos; põe-nas.
LÍNGUA PORTUGUESA 43
Nota3:
Ver caso especial para os verbos.
Forma correta de uso para certos verbos
Deve-se tomar cuidado quando ocorre mesóclise
com os verbos dizer, trazer e fazer. São erradas as
colocações: trazê-lo-ia, dizê-lo-ei, etc.
A forma correta:
Trazer + o
futuro do presente: trá-lo-ei, trá-lo-ás, etc.
futuro do pretérito: trá-lo-ia, trá-lo-ias, etc.
Dizer + o
futuro do presente: di-lo-ei, di-lo-ás, etc.
futuro do pretérito: di-lo-ia, di-lo-ias, etc.
Fazer + o
futuro do presente: fá-lo-ei, fá-lo-ás, etc.
futuro do pretérito:fá-lo-ia, fá-lo-ias, etc.
MORFOLOGIA: CLASSES DE PALAVRAS
VARIÁVEIS E INVARIÁVEIS E SEUS
EMPREGOS NO TEXTO
Você já parou para contar quantas palavras
existem ao total? Deve ter percebido que são muitas, não
é? É quase impossível contar quantas palavras existem.
Por causa disso, existe uma necessidade de classificar
essas palavras, dividir elas em vários grupos
menores. Assim fica mais fácil da gente estudar português
e entender o significado e a função de cada palavra, para
assim saber como melhor utilizá-las na hora de falar ou
escrever.
Quais são as classes gramaticais?
Ao todo existem 10 classes gramaticais. São elas:
Substantivos: nessa classe ficam apenas as
palavras que dão nome às coisas. Por exemplo: caderno,
mesa, lápis etc.
Adjetivos: são as palavras que dão uma
característica, qualidade ou um defeito ao substantivo.
Por exemplo: bonita, gordo, alto, pequeno, quente etc.
Numerais: São palavras que expressam uma
ideia de quantidade. Por exemplo: dois, primeira, triplo,
meio etc.
Artigos: essa classe é formada por palavras
que ficam antes dos substantivos, e determinam a eles
um gênero e uma quantidade plural ou singular. São eles:
o, a, os, as, um, uma, uns, umas.
Verbos: é a classe das palavras que indicam
uma ação, estado, fenômeno ou fato, e podem variar em
conjugações de acordo com o tempo, número, pessoa,
modo e voz. Exemplo: ficar, fazer, estar, ser, comer, fugir,
chover, queimar etc.
Pronomes: são palavras que substituem o
nome ou a que ele se refere. Exemplo: eu, ela, aquele,
minha etc.
Preposições: essa classe possui palavras que
ligam duas outras palavras ou termos. Exemplo: até,
após, portanto etc.
Advérbios: são palavras que podem indicar
circunstâncias diversas, como tempo, lugar, modo,
dúvida, negação, entre outros. Exemplo: hoje, aqui, muito,
não etc.
Conjunções:
Interjeições: As interjeições são palavras
invariáveis que exprimem emoções, sensações, estado de
espírito ou até mesmo que procuram agir sobre o
interlocutor, fazendo com que ele adote certo
comportamento sem que seja preciso usar algumas
estruturas linguísticas mais elaboradas. Ex.: Droga! Errei
o alvo outra vez!
Classes variáveis e invariáveis
As dez classes gramaticais, ou também chamadas
de classes morfológicas ou classes de palavras, ainda
são divididas em dois grupos, as variáveis e invariáveis.
As classes variáveis podem ser flexionadas, ou
seja, as palavras dessas classes aceitam sofrer
alterações de acordo com plural e singular, masculino e
feminino, superlativo… São elas: artigo, adjetivo,
pronome, numeral, substantivo e verbo.
Já as classes advérbio, conjunção, interjeição e
preposição são classes invariáveis, pois elas não aceitam
nenhuma alteração, permanecem iguais, independente se
estão sendo usadas no plural, singular, masculino ou
feminino.
PRONOMES DE TRATAMENTO
Conhecer como são usados os pronomes de
tratamento é fundamental em instituições públicas.
Vossa Excelência é o tratamento utilizado para as
seguintes autoridades:
Do Poder Executivo
Presidente da República
Vice-Presidente da República
Ministros de Estado
Secretário-Geral da Presidência da República
Chefe da Casa Civil da Presidência da República
Consultor-Geral da República
Advogado-Geral da União
Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas
Chefe do Gabinete Militar da Presidência da
República
Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da
República
Chefe da Corregedoria-Geral da União
Chefe do Gabinete de Segurança Institucional
Secretários da Presidência da República
Procurador-Geral da República
https://www.estudokids.com.br/substantivos-classificacao-e-flexoes/
https://www.estudokids.com.br/verbos-classificacao-flexao-conjugacoes-e-morfologia/
https://www.estudokids.com.br/interjeicoes-definicao-e-exemplos/
44 LÍNGUA PORTUGUESA
Governadores e Vice-Governadores de Estado e
do Distrito Federal
Chefes de Estado-Maior das Três Armas
Oficiais-Generais das Forças Armadas
Embaixadores
Secretário Executivo e Secretário Nacional de
Ministérios
Secretários de Estado dos Governos Estaduais
Prefeitos Municipais
Do Poder Legislativo
Presidente, Vice-Presidente e membros da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal
Presidente e membros do Tribunal de Contas da
União
Presidente e membros dos tribunais de contas
estaduais
Presidentes e membros das assembleias
legislativas estaduais
Presidente das câmaras municipais
Do Poder Judiciário
Presidente e membros do Supremo Tribunal
Federal
Presidente e membros dos Tribunais Superiores
Juízes
Desembargadores
Auditores da Justiça Militar
Procurador-Geral do Estado
Procurador de Estado
Membros do Ministério Público
Membros das Defensorias Públicas
O vocativo a ser empregado em comunicações
dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor,
seguido do cargo respectivo, por exemplo: Excelentíssimo
Senhor Presidente da República.
É usado o pronome Vossa Magnificência para as
comunicações endereçadas a reitores de universidade. O
vocativo é Magnífico Reitor.
Quando as comunicações são dirigidas a
religiosos: Vossa Santidade, ao Papa; Vossa
Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, aos
Cardeais; Vossa Excelência Reverendíssima, a
Arcebispos e Bispos (o vocativo, nesses casos, é Vossa
Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima); Vossa
Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima, a
Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos; e Vossa
Reverência, a sacerdotes, clérigos e demais religiosos.
É importante ressaltar que se usa:
Vossa para a pessoa com quem se fala, a quem se
dirige a correspondência; Sua para a pessoa de quem se
fala.
SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES.
RELAÇÕES DE SINONÍMIA E DE ANTONÍMIA
Quanto à significação, as palavras são divididas
nas seguintes categorias:
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos
são chamadas sinônimos.
Exemplos:
casa - lar - moradia – residência
longe – distante
delicioso – saboroso
carro - automóvel
Observe que o sentido dessas palavras
são próximos, mas não são exatamente equivalentes.
Dificilmente encontraremos um sinônimo perfeito, uma
palavra que signifique exatamente a mesma coisa que
outra.
Há uma pequena diferença de significado entre
palavras sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam
sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte
frase:
Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de
grande utilidade nos processos de retomada de
elementos que inter-relacionam as partes dos
textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos,
contrários. Exemplos:
mal / bem
ausência / presença
fraco / forte
claro / escuro
subir / descer
cheio / vazio
possível / impossível
Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma
palavra tem de apresentar mais de um significado nos
múltiplos contextos em que aparece. Veja alguns
exemplos de palavras polissêmicas:
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da
vassoura, da faca)
banco (instituição comercial financeira, assento)
manga (parte da roupa, fruta)
Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia
(algumas vezes, a mesma grafia), mas significados
diferentes. Veja alguns exemplos no quadro abaixo:
acender (colocar fogo) ascender (subir)
acento (sinal gráfico)
assento (local onde se
senta)
acerto (ato de acertar) asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço) apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto)
sela (forma do verbo selar;
arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)LÍNGUA PORTUGUESA 45
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de
pagamento)
xeque (lance no jogo de
xadrez)
círio (vela) sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar) sito (situado)
concertar (ajustar,
combinar)
consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical) conserto (reparo)
coser (costurar) cozer (cozinhar)
esotérico (secreto)
exotérico (que se expõe em
público)
espectador (aquele que
assiste)
expectador (aquele que tem
esperança, que espera)
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito)
espiar (observar) expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar)
estático (imóvel) extático (admirado)
esterno (osso do peito) externo (exterior)
estrato (camada)
extrato (o que se extrai de
algo)
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo,
impreciso)
inserto (inserido,
introduzido)
incipiente (principiante) insipiente (ignorante)
laço (nó) lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Homônimos Perfeitos
Possuem a mesma grafia e o mesmo som.
Por Exemplo:
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo =
verbo)
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio
de tempo)
Atenção:
Existem algumas palavras que possuem
a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o
significado são sempre diferentes. Essas palavras são
chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos
homônimos. Observe os exemplos:
almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do
sing. do tempo presente do modo indicativo)
gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do
sing. do tempo presente do modo indicativo)
Parônimos
É a relação que se estabelece entre palavras que
possuem significados diferentes, mas são muito parecidas
na pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no
quadro abaixo.
absolver (perdoar,
inocentar)
absorver (aspirar, sorver)
apóstrofe (figura de
linguagem)
apóstrofo (sinal gráfico)
aprender (tomar
conhecimento)
apreender (capturar,
assimilar)
arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair)
ascensão (subida)
assunção (elevação a um
cargo)
bebedor (aquele que bebe)
bebedouro (local onde se
bebe)
cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem gentil)
comprimento (extensão) cumprimento (saudação)
deferir (atender) diferir (distinguir-se, divergir)
delatar (denunciar) dilatar (alargar)
descrição (ato de
descrever)
discrição (reserva,
prudência)
descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir)
despensa (local onde se
guardam mantimentos)
dispensa (ato de dispensar)
docente (relativo a
professores)
discente (relativo a alunos)
emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país)
eminência (elevado)
iminência (qualidade do que
está iminente)
eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer)
esbaforido (ofegante,
apressado)
espavorido (apavorado)
estada (permanência em
um lugar)
estadia (permanência
temporária em um lugar)
flagrante (evidente) fragrante (perfumado)
fluir (transcorrer, decorrer) fruir (desfrutar)
fusível (aquilo que funde) fuzil (arma de fogo)
imergir (afundar) emergir (vir à tona)
inflação (alta dos preços) infração (violação)
infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar)
mandado (ordem judicial) mandato (procuração)
peão (aquele que anda a
pé, domador de cavalos)
pião (tipo de brinquedo)
precedente (que vem
antes)
procedente (proveniente;
que tem fundamento)
46 LÍNGUA PORTUGUESA
ratificar (confirmar) retificar (corrigir)
recrear (divertir) recriar (criar novamente)
soar (produzir som) suar (transpirar)
sortir (abastecer, misturar) surtir (produzir efeito)
sustar (suspender) suster (sustentar)
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal)
vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente)
QUESTÕES DE PROVAS CESPE
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. 2
TIPOLOGIA TEXTUAL.
(Delegado PF-2002) Texto de base às questões 01, 02
e 03.
O que incomoda o terror
O verdadeiro alvo visado pelos terroristas que
atacaram Nova York e Washington não foram as torres
gêmeas do sul de Manhattam nem o edifício do
Pentágono. O atentado foi cometido contra um sistema
social e econômico que, mesmo longe da perfeição, é o
mais justo e livre que a humanidade conseguiu fazer
funcionar ininterruptamente até hoje.
Não foi um ataque de Davi contra Golias. Nem um
grito dos excluídos do Terceiro Mundo que, de modo
trágico mas efetivo, se fez ouvir no império. Foi uma
agressão perpetrada contra os mais caros e mais frágeis
valores ocidentais: a democracia e a economia de
mercado.
O que realmente incomoda a ponto de provocar a
exasperação dos fundamentalistas, apontados como os
principais suspeitos da autoria dos atentados, não é a
arrogância americana ou seu apoio ao Estado de Israel. O
que os radicais não toleram, mais que tudo, é a
modernidade. É a existência de uma sociedade em que
os justos podem viver sem ser incomodados e os pobres
têm possibilidades reais de atingir a prosperidade com o
fruto de seu trabalho.
É esse o verdadeiro anátema dos terroristas que
atacaram os EUA. Eles são enviados da morte, da elite
teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder absoluto
em seus feudos. Para eles, a democracia é satânica. Por
isso, tem de ser combatida.
01. Julgue os itens que seguem, referentes ao texto.
1) O texto considera que o sistema defensivo dos EUA,
apesar de estar em vigor há muitos anos, é imperfeito.
2) Segundo o texto, o ataque aos EUA teve por principais
motivações fatores ideológicos e econômicos.
3) Segundo o texto, os "excluídos do Terceiro Mundo"
(l.10) não externalizaram seu grito de revolta perante a
tragédia causada pelo atentado, porque, mesmo se o
tivessem feito, não seriam escutados pelos
imperialistas norte-americanos.
4) Sabendo que "Davi" e "Golias", citados na linha 9, são
personagens bíblicas que lutam entre si, sendo
pequeno o primeiro, e o segundo, um gigante, conclui-
se que elas são aludidas no texto em uma referência à
diferença entre o poder de um grupo terrorista e o da
maior potência mundial, após a Guerra Fria.
5) Segundo o texto, a "modernidade" (l.20) estadunidense
é um paradigma de sociedade perfeita por ser
constituída pelos seguintes valores: democracia,
trabalho, tranquilidade e justiça.
02. Com referência ao uso de palavras e expressões
no texto, julgue os itens abaixo.
1) No contexto, é correto estabelecer-se uma relação
semântica entre "torres gêmeas"(l.3) e "economia de
mercado" (l.14)
2) A palavra "perpetrada"(l.12) está empregada no sentido
de perpetuada, ou seja, que perdurará na memória da
humanidade para sempre.
3) O adjetivo "caros" (l.13), no contexto, admite dois
sentidos: o afetivo, significando estimados ou
queridos, e o econômico, na acepção de valiosos.
4) O termo "anátema” (l.25) está empregado em sentido
denotativo, significando ódio profundo, aversão
exacerbada.
5) Pelo vocabulário empregado no último parágrafo do
texto, depreende-se que o ataque aos EUA foi movido,
também, por motivos religiosos.
03. Julgue os itens a seguir quanto às ideias do texto
e à correção gramatical.
1) Infere-se, pelo terceiro parágrafo do texto, que a
moderna sociedade americana é maniqueísta, por ser
constituída por "justos” (l.21), sinônimo contextual de
ricos, e "pobres" (l.22), homônimo também contextual
de injustos.
2) Mais do que a "arrogância americana” (l.18), conhecida
internacionalmente, o que exaspera os terroristas é o
apoio dos governantes americanos ao Estado de
Israel.
3) Segundo o autordo texto para os americanos,
democracia e economia mercadológica são termos
antônimos e de transitório apreço.
4) No terceiro parágrafo, radicais e fundamentalistas são
palavras usadas para se referir aos suspeitos da
autoria dos atentados.
5) O verdadeiro anátema dos terroristas que atacaram os
EUA é a modernidade. São enviados da elite
teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder
absoluto em seus feudos da morte. Para esses
terroristas, a democracia tem de ser combatida e
destruída, pois é satânica.
(Perito) Os textos a seguir servirão de base às
questões 04, 05 e 06.
Texto I
A construção de uma cidade futurista, em pleno
planalto central, que viria a ser a nova capital do país,
ficará marcada para sempre na história brasileira como
emblema maior da era JK. O presidente mais identificado
com o sonho de um Brasil moderno, industrializado e
desenvolvido. Quarenta anos depois, este Brasil está um
pouco mais próximo de nós. E os ideais de progresso e
modernidade, que se tornaram realidade naquele ano de
1960, são o compromisso da Tele A para os próximos
anos. Mas, para que os próximos anos sejam como todos
nós esperamos, a Tele A está trabalhando desde já,
criando e incorporando novas tecnologias, produtos e
serviços. Em dois anos, foram instalados 250 mil novas
linhas. A oferta de telefones públicos cresceu 50%,
chegando a quem mais precisa. Modernizamos o
atendimento aos nossos clientes, permitindo a você
resolver tudo pelo telefone ou pela Internet. A Tele A
investe anualmente mais de 150 milhões de reais e apóia
LÍNGUA PORTUGUESA 47
projetos culturais e sociais efetivos que ajudam a tirar as
crianças das ruas e possibilitam a integração dos
deficientes físicos à sociedade. 40 anos depois da
inauguração de Brasília, fica para nós a certeza de que
estamos prontos para os próximos quarenta.
Vogue Brasil, nº 266(com adaptações)
Texto II
Tem muita gente perdendo dinheiro e novos
negócios por não usar a ferramenta de telecomunicação
ideal. Por isso, existe a Tele B que, além dos tradicionais
serviços de voz, que utilizam linhas 100% digitais, oferece
dois novos produtos exclusivos: o 0800 Light e o Vox
Direta.
No primeiro, além da alta qualidade da voz e do
tráfego em linha digital, o benefício é o custo reduzido. Ele
é ideal para as empresas que recebem grande quantidade
de chamada 0800 de uma mesma cidade O segundo é
indicado para as empresas que geram grande quantidade
de chamada de longa distância para uma mesma cidade e
precisam de um pacote econômico de custos. Esses
produtos ainda contam com o excelente atendimento da
equipe de apoio técnico e comercial, o que já é um padrão
da Tele B. Se sua empresa cresceu, a rede de
telecomunicações tem de acompanhar esse crescimento.
Mas sem levar os custos junto. Por isso, a Tele B
disponibiliza uma verdadeira comunidade virtual entre
matriz, filiais, escritórios, clientes e fornecedores de sua
empresa, formando uma rede de negócios segura,
competitiva e muita veloz.
Veja, 19/9/2001,p.33(com adaptações)
04. Julgue os itens, a partir das ideias expostas nos
textos I e II.
1) Os dois textos objetivam a venda de aparelhos
telefônicos, distintos quanto à matéria de fabricação e
quanto à procedência.
2) O texto I aborda, com enfoque histórico, o serviço que
está sendo disponibilizado ao mercado consumidor.
3) Os destinatários do texto I são, exclusivamente, as
empresas públicas ou privadas localizadas no Distrito
Federal.
4) Diferentemente dos clientes da Tele B, que poderiam
acessar a Internet em tecnologia digital, os clientes da
Tele A, no acesso à Internet mencionado na linha 16
do texto, devem utilizar exclusivamente as redes
dialup.
5) A oferta de novos produtos e serviços, o incremento no
número de linhas telefônicas e o aumento da
competição no mercado das telecomunicações vêm
ocorrendo no cenário das grandes privatizações desse
setor, desencadeadas na década passada.
05. Quanto aos aspectos gramaticais dos textos I e II,
julgue os itens abaixo.
1) No texto I, a palavra "futurista" (l.1) foi empregada
indevidamente, uma vez que o adjetivo referente a
futuro é futurística.
2) No texto I, a oração "Para que os próximos anos sejam
como todos nós esperamos"(l.9-10), por expressar
uma circunstância de tempo, é classificada como
adverbial temporal.
3) As palavras "apóia" (l.17, texto I) e "apoio" (l.14, texto
II), embora cognatas, não pertencem a mesma classe
gramatical.
4) Na linha 17 do texto II, está gramaticalmente correta a
substituição de "crescimento. Mas" por crescimento,
mas.
5) Na linha 19 do texto II, os vocábulos "matriz" e "filiais"
apresentam diferença de tratamento quanto à flexão
de número por motivos semânticos.
06. A partir das ideias dos textos I e II, julgue os itens
subsequentes.
1) Segundo o texto I, a empresa Tele A investe
anualmente mais de 150 milhões de reais no apoio a
projetos sociopolíticos para tirar as crianças das ruas.
2) As empresas anunciadoras, Tele A e Tele B,
apresentam, em comum, o fato de estarem fazendo
propaganda de serviços de telecomunicações
prestados à comunidade.
3) Enquanto a propaganda do texto I dirige-se,
principalmente, a um cidadão, tratando-o por você, a
do texto II visa à comunicação com empresas.
4) Infere-se do texto II que, no 0800 Light,a qualidade da
voz e do tráfego em linha digital é a principal
vantagem do beneficiário e que, no Vox Direta, a
economia da própria empresa é favorecida.
5) A "comunidade virtual" descrita no último período do
texto II refere-se ao projeto Internet 2, também
denominado segunda geração da Internet, em que,
por meio de linha "100% digitais", disponibiliza uma
banda larga capaz de permitir o tráfego de dados a
uma taxa superior a 1 Gbps entre dois pontos
quaisquer da rede e, graças às técnicas de
criptografia, torna as transações na internet
completamente seguras.
(Agente PF) Texto de base ás questões 07 e 08
Atualmente, a concepção de ato violento é
bastante ampla, indo além da noção tradicional, que o
vinculava à existência de dano físico. Somos sensíveis a
novos tipos de violência, que antes não eram
considerados como tal: discriminação por cor, sexo,
idade, etnia, religião, escolha sexual, e situações de
constrangimento, exclusão ou humilhação. Trata-se,
portanto, de uma definição de longo alcance, abrangente,
que decorre de um processo histórico que resultou na
pacificação da sociedade, na ampliação das normas e em
uma maior intolerância ao que será considerado violência.
(Andrea Buoro et al. Violência urbana - dilemas e
desafios)
07. Considerando o texto, julgue os itens a seguir.
1) Mantêm-se as relações semânticas e preserva-se a
correção sintática do primeiro período do texto ao se
substituir "indo além" (l.2) por porque vai além.
2) Antes de "vinculava" (l.2), "o" é pronome que se refere
a "ato violento".(l.1)
3) O uso do sinal de dois-pontos após "tal" (l.4) justifica-se
por anteceder uma enumeração, que, no caso, é
composta por dois núcleos: discriminação e situações.
4) Pelo emprego das formas verbais do texto, em especial
pela utilização de "Trata-se" (l.7), o uso da primeira
pessoa do plural em "Somos" (l.3) provoca
inconsistência gramatical e incoerência textual.
5) Um dos tipos de violência explicitados pelo texto foi
considerado crime inafiançável pela Constituição da
República de 1988; posteriormente, a legislação penal
brasileira tipificou-o como crime hediondo.
48 LÍNGUA PORTUGUESA
08. Ainda considerando o texto, julgue os itens
subsequentes.
1) Mantém-se o sentido do último período do texto
substituindo-se "decorre de um processo"(l.8) por
decorre como um processo.
2) A supressão do artigo indefinido na expressão "uma
maior intolerância"(l.10)não prejudica a correção
gramatical nem a argumentação da autora.
3) A expressão "Intolerância ao que será"(l.10) pode ser
reescrita de forma gramaticalmente correta como
intolerância àquilo que será.
4) Segundo o texto, a forma como se concebe o ato de
violência é histórica, isto é, evolui com a
transformação da sociedade. No Brasil, é exemplo
disso a naturalidade com que a escravidão foi aceita
por mais de três séculos e, nos dias de hoje, mostra-
se anacrônica para a maioria da sociedade.
5) Na atualidade, o Brasil discute a implementação de
políticas públicas voltadas para a valorização da
população negra, inclusive com a fixação de cotas que
lhe garantam acesso à educação superior, proposta
consensualmente aceita por governantes e lideranças
sociais.
09. (Escrivão PF) Os fragmentos abaixo constituem
um texto, mas estão ordenados aleatoriamente.
I) Isso sugere uma crescente percepção de que existe
algo que pode ser chamado de “bem público”, algo
que pertence à coletividade e deve ser protegido.
II) Aparecem muito nos noticiários, associados ao crime
organizado, ao tráfico de drogas. É como se esse tipo
de crime, ao atingir setores até então protegidos da
sociedade, descobrisse seu lado mais sombrio.
III) Hoje em dia, fala-se muito em crimes de corrupção e
roubo ao patrimônio público.
IV) Porém os crimes que mais reconhecemos como tal
são o roubo ao patrimônio particular, os furtos, os
assaltos e os assassinatos que ocorrem nas cidades.
V) Consequentemente, nossa atenção está muito voltada
para os roubos seguidos de assassinato e para os
dados estatísticos que indicam o aumento do número
de homicídios em determinados bairros. Esses têm
sido os crimes “por excelência”, os que mais ocupam
o espaço do debate público.
Considerando que a organização de um texto
pressupõe a ordenação lógica e coerente de seus
fragmentos, julgue os itens a seguir.
1) O fragmento II deve ser o período inicial do texto
porque traz uma ideia introdutória e não se refere a
antecedentes.
2) No fragmento I, a expressão “Isso sugere” resume e
retoma a ideia do fragmento IV.
3) A conjunção “Porém”, no fragmento IV, introduz uma
ideia oposta à argumentação colocada nos fragmentos
I e III.
4) O termo “Consequentemente” , no fragmento V,
relaciona-se à ideia daquilo que “mais reconhecemos”
como crime, apresentado no fragmento IV.
5) O sujeito de “Aparecem” , no fragmento II, está no
fragmento I; por isso, esses fragmentos devem ser
mantidos juntos na ordem em que estão.
(Escrivão PF)
Texto
Perguntamo-nos qual é o valor da vida humana.
Alguns setores da sociedade acreditam que a vida do
criminoso não tem o mesmo valor da vida das pessoas
honestas. O problema é que o criminoso pensa do mesmo
modo: se a vida dele não vale nada, por que a vida do
dono da carteira deve ter algum valor? Se provavelmente
estará morto antes dos trinta anos de idade (como várias
pesquisas comprovam), por que se preocupar em não
matar o proprietário do automóvel que ele vai roubar?
10. Em relação ao texto acima, julgue os itens que se
seguem.
1) Há um consenso na sociedade de que o valor da vida
não é hierárquico, é equivalente para todos os seres
humanos.
2) Os criminosos acreditam que o valor da vida das
pessoas que são por eles roubadas é superior ao
valor de sua própria vida.
3) O uso da primeira pessoa do plural em “Perguntamo-
nos” tem a função generalizada de estender o
questionamento a qualquer ser humano.
4) O primeiro período do texto dispensa o ponto de
interrogação por tratar-se de interrogação indireta.
5) Seria correto colocar sinal de dois-pontos após
“Perguntamo-nos” e ponto de interrogação após
“humana”.
(BB )Texto:
O futuro se constrói
A vida socioeconômica de qualquer sociedade
depende da ação humana, cujos orientação, coordenação
e controle, mais ou menos frouxos ou impositivos, de
acordo com a natureza mais ou menos democrática ou
autoritária dos regimes políticos, a sociedade delega ao
Estado. É, portanto, obrigação do Estado a supervisão da
vida nacional, tanto nos regimes autoritários como,
resguardadas as proporções quanto ao grau de
autoridade, nos democráticos. Nem mesmo o pensamento
liberal aceita em sua plenitude a ideia de que a
espontaneidade do mercado resolve tudo, cabendo ao
Estado apenas prover segurança e justiça.
Mário César Flores. O Estado de S. P. 28/8/2001
11. De acordo com as ideias e estruturas linguísticas
do texto, julgue os itens que se seguem.
1) Ocorre um jogo de ideias com o emprego do pronome
“se‖ no título, que tanto pode ser interpretado como o
futuro constrói a si mesmo, quanto como alguém
constrói o futuro.
2) De acordo com as regras de concordância da norma
culta, o pronome relativo “cujos” admite,
opcionalmente, ser substituído por em que.
3) A expressão “mais ou menos frouxos ou impositivos”
subentende: mais frouxo ou menos frouxo, mais
impositivo ou menos impositivo.
4) De acordo com a argumentação do texto, caracteriza-
se a “ supervisão da vida nacional” como: presente em
diferentes tipos de regime político; obrigação do
Estado; mais abrangente que a simples provisão de
segurança e justiça.
5) Pela estrutura sintática em que ocorre, a forma verbal
“resolve” admite a substituição por resolva.
(Delegado PF)
LÍNGUA PORTUGUESA 49
Texto de base às questões 12 e 13.
Ser ou não ser mãe é opção que todas as
mulheres devem ter condições de fazer. Embora a
maternidade resulte do impulso natural ao sexo, é
absolutamente certo que a decisão de procriar independe
da busca do prazer, ao qual, no entanto, está ligada.
Em um país como o Brasil, onde os tabus ainda
prevalecem sobre a ciência, mesmo nas classes sociais
mais favorecidas, podem ocorrer situações de gravidez
indesejada. Que se dirá então das classes pobres, onde a
informação não chega e a miséria instalou o caos?
A lei brasileira proíbe o aborto, com exceção dos
casos em que a gravidez tenha resultado de estupro. Nos
demais casos, por mais pungente que seja a situação de
fato, é vedado à mulher escolher o destino que será dado
a si mesma. Isso porque a nossa sociedade não assume
suas crianças, não se responsabiliza pela miséria de
quase todos, não se sensibiliza com o desespero alheio,
não respeita a autodeterminação feminina.
Analisando-se a permissão legal dada ao
abortamento em caso de estupro, verificamos que o
legislador preocupou-se com a natureza do ato sexual de
que resultou a gravidez e com a violência brutal que o
acompanhou. E julgou injusto obrigar a mulher a carregar
em si um filho fruto de um momento que lhe causou
horror. Esse entendimento é correto, porém insuficiente.
Vivemos imersos na hipocrisia. Quem tem dinheiro
faz aborto na hora que quer e como quer. Quem não tem,
faz como pode, submetendo–se a técnicas precárias, que
muitas vezes levam à morte. Mas, de qualquer maneira, a
proibição legal não impede coisa alguma, apenas agrava
a situação.
Os princípios religiosos que fundamentam algumas
posições contrárias à legalização do aborto devem
prevalecer, mas apenas em relação às pessoas que
acreditam neles. Crenças religiosas devem ser opções do
cidadão, não imposição para todos.
12. Considerando o texto, julgue os itens
subsequentes.
1) O texto tem por tema o exercício do direito de vida ou
morte sobre o destino de um ser neonatal.
2) No Brasil, principalmente nas classes sociais menos
favorecidas, as situações de gravidez indesejada,
seguida ou não de aborto, estão muitas vezes
relacionadas a problemas como o abandono e a
prostituição infantil.
3) O assunto do texto é tratado em linguagem
predominantemente conotativa.
4) Para o legislador, segundo a autora do texto, a
preocupação com os condicionantes do ato sexual de
que resulta a gravidez importa mais que o afeto entrecriador e criatura.
5) Ao afirmar que “Vivemos imersos na hipocrisia”
(grifado), a autora do texto manifesta uma visão
pessimista no tocante à conduta da classe jurídica.
13. Ao avaliar a questão do aborto, a autora do texto
julga que
1) abortar ou não é opção feminina que só pode ser
tomada pela mulher a partir de orientação médica.
2) os preconceitos ainda prevalecem sobre a ciência, no
Brasil, mesmo entre as pessoas das classes
socioeconômicas mais abastadas.
3) a sociedade brasileira falha com referência ao aborto;
não respeita também a autodeterminação feminina, as
crianças, a miséria e o desespero alheio.
4) a proibição legal ao aborto não impede que se
cometam transgressões de qualquer ordem; apenas
agrava a situação.
5) as crenças religiosas devem influenciar as decisões
particulares dos cidadãos, e não embasar imposições
legais para toda a coletividade.
14. (PRF)
Não podemos ignorar as mudanças que se
processam no mundo, sobretudo a emergência de países
em desenvolvimento como atores importantes no cenário
internacional, muitas vezes exercendo papel crucial na
busca de soluções pacíficas e equilibradas para os
conflitos.
O Brasil está pronto a dar a sua contribuição. Não
para defender uma concepção exclusivista da segurança
internacional. Mas para refletir as percepções e os
anseios de um continente que hoje se distingue pela
convivência harmoniosa e constitui um fator de
estabilidade mundial. O apoio que temos recebido, na
América do Sul e fora dela, nos estimula a persistir na
defesa de um Conselho de Segurança adequado à
realidade contemporânea.
Em relação ao texto acima, julgue os itens a seguir
1) A partícula "se" (l.1) indica um sujeito indeterminado
para o verbo processar.
2) Preservam-se a coerência e a correção gramatical do
texto ao se transformar a frase nominal "como atores
importantes" (l.3) em oração subordinada adjetiva :
que são atores importantes.
3) São preservadas as relações lógicas e a correção
gramatical do texto ao se substituir o ponto final
imediatamente antes de "Mas" (l.8) por uma vírgula e
fazer o necessário ajuste na letra inicial maiúscula
desse vocábulo.
4) Subentende-se do texto que alguns países em
desenvolvimento buscam soluções pacíficas para os
conflitos e que o Brasil pode representar os anseios
de uma convivência harmoniosa.
5) Infere-se do texto que um Conselho de Segurança
adequado à realidade contemporânea não
corresponde a uma concepção exclusivista da
segurança internacional.
15. (PRF)
Que minhas primeiras palavras diante deste
Parlamento Mundial sejam de confiança na capacidade
humana de vencer desafios e evoluir para formas
superiores de convivência no interior das nações e no
plano internacional.
Em nome do povo brasileiro, reafirmo nossa
crença nas Nações Unidas. Seu papel na promoção da
paz e da justiça permanece insubstituível. Rendo
homenagem ao Secretário-Geral, Kofi Annan, por sua
liderança na defesa de um mundo irmanado pelo respeito
ao direito internacional e pela solidariedade entre as
nações.
O aperfeiçoamento do sistema multilateral é a
contraparte necessária do convívio democrático no interior
das nações.
50 LÍNGUA PORTUGUESA
Toda nação comprometida com a democracia, no
plano interno, deve zelar para que, também no plano
externo, os processos decisórios sejam transparentes,
legítimos, representativos.
(Luis Inácio Lula da Silva. Fragmento de discurso na
abertura da 58ª Assembleia Geral da ONU. Nova
Iorque, 23/9/2003 - com adaptações)
1) A ideia expressa por "confiança" (l.2) é
complementada, sintática e semanticamente, por duas
outras ideias expressas no texto como: "na
capacidade humana de vencer desafios"(l.2-3) e
"evoluir para formas superiores de convivência no
interior das nações e no plano internacional" (l.3-5).
2) As estruturas linguísticas do texto permitem inferir que,
mesmo anteriormente ao discurso, já se tinha fé nas
Nações Unidas e no seu papel de promoção da paz e
da justiça.
3) Textualmente, o emprego do pronome possessivo
"nossa" (l.6) remete à crença dos países-membros das
Nações Unidas.
4) Subentende-se uma oposição expressa por "interior
das nações" (l.4-5) e "plano internacional" (l.5),
oposição que é retomada, por coesão, com "plano
interno" (l.15) e "plano externo" (l.15-16),
respectivamente.
5) A expressão "no plano interno" (l.15) está demarcada
por vírgulas por exigência da mesma regra gramatical
que justifica seu uso à linha 9: a inserção de uma
circunstância.
6) Preservam-se as relações semânticas, a coerência de
argumentação e a correção gramatical do texto ao
substituir "para que" (l.15) por a fim de.
7) Por constituir um termo singular de ideia genérica,
mantêm-se as relações de significação e a coerência
da argumentação do texto se o termo "nação" (l.14) for
empregado no plural - nações, mas, para preservar a
correção gramatical do período, deve-se adequar a
flexão de número de "Toda", "comprometida" e "deve"
para Todas, comprometidas e devem e acrescentar
as entre Todas e nações.
8) Do último parágrafo do texto, a argumentação permite
inferir uma relação de condição assim expressa: se a
nação zela pela democracia, zela também pelo
aperfeiçoamento do sistema multilateral.
16. (PRF)
Por obrigação profissional, vivo metido no meio de
pessoas de sucesso, marcadas pela notável superação
de limites. Vejo como o brilho provoca a ansiedade do
reconhecimento permanente. Aplauso vicia. Arriscando-
me a fazer psicologia de botequim, frase de auto-ajuda ou
reflexões vulgares da meia-idade, exponho uma
desconfiança: o adulto que gosta de brincar e não faz
sucesso tem, em contrapartida, a magnífica chance de ser
mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo das
coisas simples. O problema é que parece ridículo uma
escola informar aos pais que mais importante do que
gerar bons profissionais, máquinas de produção, é fazer
pessoas felizes por serem o que são e gostarem do que
gostam.
(Gilberto Dimenstein. O direito de brincar In Folha de
S.Paulo, 2/11/2001, p. C8-com adaptações)
1) A opção pelo emprego do ponto de vista em primeira
pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade e
configura um gênero de artigo em que as opiniões são
assumidas de forma pessoal.
2) Expressões como "vivo metido no meio de pessoas"
(l.1) e "psicologia de botequim" (l-4-5) denotam
interesse em produzir um texto coloquial, informal, que
se distancia dos gêneros próprios do discurso
científico.
3) No contexto, a alusão a "livro de auto-ajuda" (l.5)
configura valorização e respeito científico a esse tipo
de publicação.
4) A direção argumentativa do texto defende a ideia de
que o indivíduo tem chance de ser mais feliz quando
persegue e alcança o sucesso, já que supera seus
limites e os dos outros.
(PF –agente)
A vida humana como valor jurídico
Vivemos sob a égide de uma Constituição que
orienta o Estado no sentido da dignidade da pessoa
humana, tendo como normas a promoção do bem
comum, a garantia da integridade física e moral do
cidadão e a proteção incondicional do direito à vida. Essa
proteção é de tal forma solene que o atentado a essa
integridade eleva-se à condição de ato de lesa-
humanidade: um atentado contra todos os homens.
Afirma-se que a Constituição do Brasil protege a
vida e que tudo aquilo que soa diferente é contrário ao
Direito e por isso não pode realizar-se.Todavia, dizer que
a vida depende da proteção da Carta Maior é
superfetação porque a vida está acima das normas e
compõe todos os artigos, parágrafos, incisos e alíneas de
todas as constituintes.
A cada dia que passa, a consciência atual,
despertada e aturdida pela insensibilidade e pela
indiferença do mundo tecnicista, começa a se reencontrar
com a mais lógica de suas normas: a tutela da vida. Essa
consciência de que a vida humana necessita de uma
imperiosaproteção vai criando uma série de regras que
se ajustam mais e mais com cada agressão sofrida, não
apenas no sentido de se criar dispositivos legais, mas
como maneira de estabelecer formas mais fraternas de
convivência.
Este, sim, seria o melhor caminho. Tudo isso vai
sedimentando a ideia de que a vida de todo ser humano é
ornada de especial dignidade, o que deve ser colocado de
forma clara em defesa da proteção das necessidades e
da sobrevivência de cada um. Esses direitos
fundamentais e irrecusáveis da pessoa humana devem
ser definidos por um conjunto de normas que possibilitem
que cada um tenha condições de desenvolver suas
aptidões e suas possibilidades.
(Internetwww.dhnet.org.br/denúncia/tortura/textos/pe
rícia)
17.Considerando as ideias e a estrutura do texto
acima, julgue os itens seguintes e marque a
alternativa correta.
1) O texto defende que a sociedade brasileira, apesar de
vítima da violência do contexto tecnológico atual, tem
por valor super-afetado a proteção do direito à vida,
garantido constitucionalmente.
2) Entre os pilares que sustentam a Carta Magna
brasileira – a dignidade da pessoa, o respeito ao
cidadão, a garantia da sua integridade, o
fortalecimento do bem comum e o resguardo do direito
http://www.dhnet.org.br/denúncia/tortura/textos
LÍNGUA PORTUGUESA 51
à vida - , sobreleva-se este último, pela qualidade de
incondicional.
3) É redundante afirmar que a Constituição do Brasil dá
especial ênfase à defesa à existência no país, uma
vez que a vida sobreleva-se a constituições sociais e
está pressuposta em vários dispositivos legais.
4) O texto argumenta que é universal e incontestável a
consciência de que urge o estabelecimento de formas
mais fraternas de convivência no mundo atual.
5) O texto estrutura-se de forma dissertativa, com léxico
predominantemente denotativo, apesar de haver
palavras empregadas em sentido conotativo, a
exemplo de “soa”e “ornada”.
(PF-agente)
Perito, com orgulho
Ben Hur, um senhor de aspecto venerando,
prepara-se para comemorar os seus 86 anos de vida.
Homem grande e de olhar calmo, perito aposentado da
Polícia Federal, é um perito à moda antiga: entrou para a
Polícia Federal em 1955, após um curso ministrado pelo
PCF Villanova ( hoje, uma referência para os profissionais
da área).
Foram 71 anos dedicados ao serviço público, pois
antes trabalhou como guarda civil patrulhando o trânsito
em uma motocicleta. Uma de suas memórias mais
queridas foi ter participado da inauguração de um dos
maiores estádios de futebol do mundo – o Maracanã - ,
em 1950.
A Polícia Federal foi minha casa, minha vida,
orgulha-se o perito aposentado. Ele diz ainda que gostava
muito do trabalho que realizava: “Fazia com muito amor e
respeito”. Das 1.260 perícias realizadas, nenhum laudo
cancelado. “Apenas um foi contestado, mas fui ao juiz e
expliquei tudo. Deu tudo certo”, afirmou.
Ben Hur lembra que as técnicas periciais eram
outras. “A perícia no meu tempo era feita à mão. Também
não tínhamos máquina fotográfica para auxiliar no
trabalho”, disse ele. Entre uma lembrança e outra, não se
esquece de elogiar seus atuais colegas. “Os peritos
sempre foram muito respeitados”.
Depois de tantos anos servindo a sociedade, hoje
o perito aposentado aproveita seu descanso curtindo os
netos, sem nunca deixar de reverenciar a querida esposa,
falecida no início da década de 90, a quem ele, até hoje,
dedica muito amor e carinho.
18. Os fragmentos seguintes, na ordem em que são
apresentados, correspondem a reescrituras
sucessivas dos parágrafos do texto acima. Julgue-os
quanto à correção gramatical e à manutenção de
ideias originais.
1) Ben Hur, um senhor de olhar calmo e venerável
aparência, perito aposentado, ingressou na Polícia
Federal à maneira de antigamente: depois de um
curso ministrado por um profissional mais experiente
que hoje é considerado uma referência na área da
perícia.
2) Ben Hur trabalhou, inicialmente como guarda-civil,
patrulhando o trânsito de motocicleta. Desta época,
uma de suas recordações mais queridas foi ter
tomado parte da inauguração do Maracanã, em 1950.
3) O perito aposentado afirmou, vaidosamente, que a
Policia Federal era a sua casa, a sua vida, e que
apreciava muito da atividade que realizava com amor
e respeito. Não teve cancelado sequer um dos mil,
duzentos e sessenta laudos periciais realizados;
apenas uma vez foi contestado, mas ele foi ao juiz e
explicou tudo, saindo vitorioso ao final.
4) As técnicas periciais antigamente eram outras: a
perícia era feita à mão, não existiam máquina
fotográfica para auxiliar o trabalho; mesmo assim, os
peritos sempre eram muito elogiados.
5) Por ser uma pessoa muito afetuosa, Ben Hur serviu à
sociedade brasileira muitos anos, e agora,
aposentado, aproveita o descanso, para cuidar dos
netos e lembrar da querida esposa, falecida no início
dos anos 90, cujo carinho e amor, até hoje ele dedica
(CNPq-Programa de Ação Afirmativa – Bolsas –
Prêmio de Vocação para a Diplomacia)
A partir das últimas décadas do século XVIII,
quando a pintura mineira, principalmente caracterizada
pelos forros de igrejas pintados em perspectiva ilusionista,
evolui para o estilo rococó, com sua típica decoração em
concheados e trama arquitetônica vazada, já os artistas
mulatos, filhos de portugueses escravas, sobrepujavam
em número os brancos, filhos de casais legítimos de
portugueses ou recentemente emigrados.
19. Em relação ao texto acima, julgue os itens que se
seguem.
1) Alteram-se as relações de sentido, mas preserva-se a
coerência textual, ao se substituir “A partir das” por
Nas; mas, nesse caso, torna-se obrigatória a retirada
do advérbio “já”, para que seja também preservada a
correção gramatical.
2) As vírgulas logo depois de “XVIII” e de “mineira”
demarcam um aposto de valor temporal, por isso
nenhuma delas deve ser retirada para que o texto se
mantenha gramaticalmente correto.
3) O emprego da preposição em “sobrepujavam em
número os brancos” obedece às regras de regência da
norma padrão para o verbo sobrepujar; por isso,
seria incorreta do ponto de vista da regência a
seguinte estrutura: sobrepujava o número de
brancos.
4) Depreende-se do fragmento que o estilo rococó foi o
primeiro estilo arquitetônico utilizado nas igrejas de
Minas, caracteriza-se por pinturas em perspectiva
ilusionista e apresenta decoração em forma de concha
e trama arquitetônica vazada.
5) O fragmento é constituído por um só período sintático;
por isso, seus sentidos são ambíguos e pouco claros,
o que inviabilizaria a utilização dele em
correspondência oficial.
Gabarito: 01. ECECE. 02. CECCC; 03. EEECE; 04.
ECEEC; 05. EECCC; 06. ECCEE; 07. ECCEE; 08.
ECCCE; 09. EECCE; 10. EECCC; 11. CECCC; 12.
ECECE; 13. ECCCC; 14. ECCCC; 15. ECECEECE;
16. CCEE; 17. ECEEC; 18. CEEEE; 19. EEEEE
TEXTO DE BASE PARA AS QUESTÕES 20 E 21.
Para falar de ética hoje em dia, temos de ter
consciência de que qualquer tentativa de construir uma
ciência dos valores terá diante de si o árduo trabalho de
desvendar a trama da ruptura da ética com a política, a
qual caracteriza o processo de formação da modernidade.
Perdido o entrelaçamento profundo entre as duas esferas
da práxis, próprio da pólis grega, e diante da crítica radical
que a modernidade operou nos conceitos fundamentais
52 LÍNGUA PORTUGUESA
da ética clássica, não sobrou espaço para uma
construção dos laços que a uniam à política que não leve
em conta as novas fronteiras da ação humana traçadas
em um mundo dominado pela crítica demolidora da razão
e pela crise que a acompanha.
20. Julgue os itens que se seguem, com relação à
coesão e ao sentido textual estabelecido no texto.
1) O valor coesivo de "a qual" (l.5) permite inferirque o
processo de formação da modernidade é
caracterizado pelo distanciamento entre ética e
política.
2) O sentido textual induz a afirmar não só que ética e
política representavam esferas da práxis; mas também
que o entrelaçamento de ambas era característico da
pólis grega.
3) Depreende-se do texto que a política não leva em
consideração as novas fronteiras entre os homens.
4) A oração "que a uniam à política" mantém coesão e
coerência com o texto ao ser reescrita como:que
uniam tal ética à política.
5) Não serão mantidas as relações de sentido e de
coesão do texto ao se substituir o pronome "a"
(grifado) pelo seu correspondente masculino o.
21. Julgue os itens abaixo quanto à coerência em
relação à argumentação do texto.
1) A ruptura entre as duas vertentes da moderna reflexão
acerca da ética remonta à ética clássica, em que a
pólis grega resolvia seus conflitos políticos pelo
caminho mais prático e ético.
2) Um mundo dominado pela crise que acompanha a
crítica demolidora da razão criou condições
necessárias e suficientes para a reconstrução dos
laços entre ética e pólis.
3) Desvendar os fenômenos que conduziram à ruptura
entre ética e política constitui o processo de formação
da modernidade.
4) Da ética clássica, a moderna concepção de ética
herdou o entrelaçamento profundo com o conceito de
pólis grega, sobre o qual opera o processo de uma
modernidade racional.
5) A construção de laços entre ética e política, em um
mundo dominado pela crítica da razão e pela crise que
a acompanha, somente é possível a partir da
perspectiva das novas fronteiras da ação humana.
22. (Agente PF) Julgue se os itens seguintes
apresentam relações de sentido que
correspondem à estrutura semântica dada pela
fórmula genérica abaixo, em que X é uma estrutura
linguística que expressa condição ou concessão, e
Y é uma estrutura linguística afirmativa X, não Y
1) Apesar da proteção da justiça e do Estado, não parece
que a resolução dos conflitos se desvie do âmbito
privado.
2) Embora a nossa concepção de violência tenha sido
ampliada, não é possível afirmar que nossa
sensibilidade e tolerância em relação a ela estejam
igualmente distribuídas.
3) Se alguns autores propõem que estamos vivendo um
movimento de pacificação progressiva da vida em
sociedade, não estão afirmando que esse processo
seja fácil.
4) Não devemos pensar na pacificação da sociedade de
forma isolada, mas sim dentro de um conceito mais
geral das transformações econômicas que afetam o
mundo.
5) Violência, direitos, justiça e o papel do Estado, se
analisados como problemas fundamentais, estão
dentro do quadro das transformações ocorridas, não
só econômicas como também públicas.
23. Quanto à sequência lógica, julgue os itens que
complementam com coesão e coerência o texto A
equiparação de salário pressupõe o confronto de
produtividade, qualitativa e quantitativamente,
entre o trabalhador que recebe mais e o que
recebe menos... 1) entretanto, esse confronto só será
possível e correto caso os empregados estejam em
serviço simultaneamente.
2) à medida que os empregados possam estar em serviço
simultaneamente nunca se deve confrontar a
produtividade.
3) consequentemente não se devem equiparar os
vencimentos entre empregados comparando a
produtividade.
4) quando talvez pudessem desconsiderar as diferenças
de qualidade e quantidade de trabalho.
5) nem sempre se deve considerar o trabalho simultâneo
e equivalente para fins de equiparação da
produtividade salarial.
24. (PF/Agente administrativo)
Texto
A proximidade não nos tem tornado mais solidários
e amigos. À luz da crescente mercantilização das
relações humanas, quase tudo é encarado em termos de
lucro e benefício. Não importa que guerras fratricidas
ameacem a existência de nações africanas. Os países
metropolitanos continuarão fabricando e exportando
armas – que a África não produz – e permanecerão
insensíveis ao genocídio se, no palco das operações, não
houver diamantes, petróleo ou qualquer outra riqueza que
justifique a intervenção das tropas globocolonizadas,
como ocorreu no Iraque e na Iugoslávia.
Tendo o texto acima como referência e
considerando o cenário mundial contemporâneo,
julgue os itens que se seguem.
1) Osama bin Laden, considerado inimigo público número
1 dos norte-americanos, justamente por suas ações
terroristas, foi capturado, julgado e executado pelos
EUA, alguns meses após a invasão do Iraque.
2) No texto, a substituição de “ À luz” (l.2) por Sob a luz
prejudicaria a coerência e a correção gramatical do
período.
3) A ideia expressa pela palavra “ mercantilização “ (l.2),
que é oposta à de solidariedade e à de amizade,
articula-se com as noções de mercado e de relações
baseadas em vantagens(...).
4) Depreende-se das ideias do texto que somente haverá
intervenção estrangeira para impedir ou atenuar
guerras nos países e regiões onde existam riquezas
que possam interessar outros países.
5) A palavra “genocídeo” (l.7) significa extermínio
deliberado, parcial ou total de uma comunidade, grupo
étnico, racial ou religioso.
6) Pelo contexto, compreende-se que a palavra “palco”
(l.8) foi empregada em seu sentido denotativo.
LÍNGUA PORTUGUESA 53
7) Depreende-se do neologismo “globocolonizadas” que
os exércitos que atuam nas intervenções em países
que vivem guerras genocidas representam forças
hegemônicas do processo de globalização.
8) A oração “ que justifique a intervenção das tropas
“globocolonizadas” (l.9-10) não está antecedida por
vírgula porque expressa restrição.
25. (CAIXA/adv.júnior) Texto
Quebrar o círculo vicioso da pobreza significa
oferecer oportunidades para as camadas de renda mais
baixa da população, sobretudo por meio da educação de
qualidade. O Governo Federal vem perseguindo, desde
1995, combater a pobreza estrutural e promover a
inclusão social, após ampliar a oferta de vagas no ensino
fundamental.
Desenvolvido a partir de iniciativas bem-sucedidas
de alguns municípios brasileiros, o Programa Nacional do
Bolsa Escola foi criado em 2001 com a proposta de se
conceder benefício monetário mensal a milhares de
famílias brasileiras em troca da manutenção de suas
crianças nas escolas. O dinheiro é pago diretamente à
população por meio de cartões magnéticos, nas agências
da Caixa Econômica Federal, nos postos de atendimento
do Caixa Aqui ou em casas lotéricas.
Com referência ao texto acima, julgue os itens
subsequentes.
1) Com relação à tipologia textual, o texto,
fundamentalmente descritivo, pertence ao gênero
propaganda.
2) A expressão “iniciativas bem-sucedidas” (l.7) é o sujeito
sintático do período que se estende das linhas 7 a 12.
3) Não se altera a ideia básica do texto, ao se
complementar o sentido do vocábulo “oportunidades”
(l.2) com a expressão de vida melhor.
4) A forma verbal “vem perseguindo” (l.4) possui três
complementos diretos: pobreza, inclusão e oferta de
vagas.
(PRF) Texto
Por obrigação profissional, vivo metido no meio de
pessoas de sucesso, marcadas pela notável superação
de limites. Vejo como o brilho provoca a ansiedade do
reconhecimento permanente. Aplauso vicia. Arriscando-
me a fazer psicologia de botequim, frase de livro de auto-
ajuda ou reflexões vulgares da meia-idade, exponho uma
desconfiança: o adulto que gosta de brincar e não faz
sucesso tem, em contrapartida, a magnífica chance de ser
mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo das
coisas simples. O problema é que parece ridículo uma
escola informar aos pais que mais importante do que
gerar bons profissionais, máquinas de produção, é fazer
pessoas felizes por serem o que são e gostarem do que
gostam.
(Gilberto Dimenstein. O direito de brincar)
26. Acerca das ideias e das estruturas do texto acima,
que aborda aspectos da sociedade
contemporânea,e considerando as
transformações históricas ocorridas no Brasil a
partir do século XX, julgue os itens que se
seguem.
1) A opção pelo emprego do ponto de vista em primeira
pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade e
configura um gênero de artigo em que as opiniões são
assumidas de forma pessoal.
2) Expressões como “vivo metido no meio de
pessoas”(l.1) e “psicologia de botequim” (l.4-5)
denotam interesse em produzir um texto coloquial,
informal, que se distancia dos gêneros próprios do
discurso científico.
3) No contexto, a alusão a “livro de auto-ajuda” (l.5)
configura valorização e respeito científico a esse tipo
de publicação.
4) A direção argumentativa do texto defende a ideia de
que o indivíduo tem chance de ser mais feliz quando
persegue e alcança o sucesso, já que supera seus
limites e os dos outros.
Texto
______(1)______ a globalização tem aspectos
altamente positivos, criando pontes entre as nações, em
substituição aos antigos muros que as separavam, e
permitindo ______(2)______ uma ampla divulgação e
utilização das tecnologias mais modernas.
________(3)______ é evidente que a globalização
pode tornar-se, em determinados casos, um elemento
destruidor da cultura nacional e da escala de valores de
uma sociedade. Cabe ______(4)______ ao Estado, tendo
em vista o contexto nacional, ser um fiscal e catalisador
eficiente do nível adequado da globalização que interessa
ao país, abrindo a sua economia, num mundo que não
mais admite que as nações se transformem em
verdadeiras autarquias,
______(5)_______ protegendo adequadamente os
valores humanos, econômicos, intelectuais e morais do
País e dos cidadãos.
27. Quanto ao preenchimento correto das lacunas do
texto acima, julgue os itens a seguir.
1) O texto permaneceria correto se iniciado pela
expressão Não há dúvida de que (1).
2) É opcional o uso de também, entre vírgulas, em (2).
3) Como se trata de uma oposição de ideias, é correto o
uso de Entretanto em (3)
4) O articulador sintático correto para (4) é conquanto.
5) Em (5), para acentuar a oposição de ideias, seria
correto colocar porquanto.
28. (PRF) Texto
É opinião unânime entre os analista políticos que,
até agora, o melhor desempenho do governo Luiz Inácio
Lula da Silva está se dando no campo diplomático. O
primeiro grande êxito foi a intermediação do conflito entre
o presidente venezuelano Hugo Cháves e seus
opositores.
O segundo grande êxito dessa política refere-se às
negociações para a criação da Área de Livre Comércio
das Américas (ALCA). Na última conferência da
Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada no
balneário mexicano de Cancum, o Itamaraty, manobrando
habilmente nos meandros da diplomacia internacional,
impediu que os Estados Unidos da América (EUA)
escondessem seu protecionismo ferrenho atrás da
propaganda do livre comércio, que constitui a justificativa
para a formação da ALCA. O mais recente êxito de Lula
na ordem internacional foi o discurso proferido na
Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas,
em Nova Iorque, quando propôs a criação de um comitê
de chefes de Estado para dinamizar as ações de combate
à fome e à miséria em todo o mundo.
54 LÍNGUA PORTUGUESA
(Plínio de Arruda Sampaio, Política Externa
Independente, com adaptações)
Tendo o texto por referência inicial e
considerando situações históricas relativas à
inserção internacional do Brasil e o quadro
econômico mundial contemporâneo, julgue os itens
seguintes.
1) A substituição da expressão “está se dando (l.3) por
vêm se dando mantém a correção gramatical e a
coerência semântica do período.
2) A expressão “ dessa política” (l.6) refere-se à política
diplomática do governo de Luiz Inácio Lula da Silva
em relação aos conflitos da Venezuela.
3) Na linha 6, o sinal indicativo de crase deve ser mantido
caso se prefira a redação refere-se à negociações.
4) A palavra “ meandros” (l.10), empregada em sentido
conotativo, confere à ideia de “ diplomacia
internacional “ (l.11) a noção de complexidade, ou
seja, emaranhado de processos e negociações
sinuosas.
5) A expressão “ferrenho” (l.12) está associada à ideia de
implacável, duro, férreo.
6) De acordo com as informações do texto, a justificativa
para a formação da ALCA é o protecionismo inerente
ao livre comércio.
7) Os sinais indicativos de crase em “ combate à fome e à
miséria” (l.18) podem ser eliminados sem prejuízo
para a correção do período.
29. (Agente PF)
O valor da vida é de tal magnitude que até mesmo
nos momentos mais graves, quando tudo parece perdido
dadas as condições mais excepcionais e precárias –
como nos conflitos internacionais, na hora em que o
direito da força se instala negando o próprio Direito, e
quando tudo é paradoxal e inconcebível -, ainda assim a
intuição humana tenta protegê-lo contra a insânia coletiva,
criando regras que impeçam a prática de crueldades
inúteis.
Quando a paz passa a ser apenas um instante
entre dois tumultos, o homem tenta encontrar nos céus do
amanhã uma aurora de salvação. A ciência, de forma
desesperada, convoca os cientistas a se debruçarem
sobre as mesas de seus laboratórios, na procura de
meios salvadores da vida. Nas salas de conversação
internacionais, mesmo entre intrigas e astúcias, os líderes
do mundo inteiro tentam se reencontrar com a mais
irrecusável de suas normas: o respeito pela vida humana.
Assim, no âmago de todos os valores, está o mais
indeclinável de todos eles: a vida humana. Sem ela, não
existe a pessoa humana, não existe a base de sua
identidade. Mesmo diante da proletária tragédia de cada
homem e de cada mulher, quase naufragados na luta
desesperada pela sobrevivência do dia-a-dia, ninguém
abre mão do seu direito de viver. Essa consciência é que
faz a vida mais que um bem: um valor.
A partir dessa concepção, hoje, mais ainda, a vida
passa a ser respeitada não só como um bem afetivo ou
patrimonial, mas pelo valor ético de que ela se reveste.
Não se constitui apenas de um meio de
continuidade biológica, mas de uma qualidade e de uma
dignidade que faz com que cada um realize seu destino
de criatura humana.
(Internet:http://www.dhnet.org.br Acesso em ago./2004 -
com adaptações)
Com base no texto acima, julgue os itens a seguir.
1) O texto estrutura-se de forma argumentativa em torno
de uma ideia fundamental e constante: a vida humana
como um bem indeclinável.
2) O primeiro parágrafo discorre acerca da valorização da
existência e da necessidade de proteção da vida
contra a insânia coletiva, por intermédio de normas de
convivência que impeçam a prática de crueldades
inúteis, principalmente em épocas de graves conflitos
internacionais, quando o direito da força contrapõe-se
à força do Direito e quando a situação se apresenta
paradoxal e inconcebível.
3) No segundo parágrafo, estão presentes as ideias de
que a paz é ilusória, não passando de um instante
apenas de tréguas entre dois tumultos, e de que, para
mantê – la, os cientistas se desdobram à procura de
fórmulas salvadoras da humanidade e os líderes
mundiais se encontram para preservar o respeito
recíproco.
4) No penúltimo parágrafo, encontra-se uma redundância:
a afirmação de que o soberano dos valores é a vida
humana, sem a qual não existe a pessoa humana,
sequer a sua identidade.
5) O comprometimento ético para com a humanidade é
defendido no último parágrafo do texto, que discorre
acerca da vida não só como um meio de continuidade
biológica, mas como a responsável pelo destino da
criatura humana.
30. (Perito Criminal Federal) Texto I
Diversos municípios brasileiros, especialmente
aqueles que se urbanizam de forma muito rápida, não
oferecem à população espaços públicos para a prática de
atividades culturais, esportivas e de lazer. A ausência
desses espaços limita a criação e o fortalecimento de
redes de relações sociais. Em um tecidosocial
esgarçado, a violência é cada vez maior, ameaçando a
vida e enclausurando ainda mais as pessoas nos espaços
domésticos.
(Internet:http://www.polis.org.br - com adaptações).
Considerando o texto I, julgue os seguintes itens.
1) A expressão “tecido social esgarçado”(l.6) está
empregada em sentido figurado e representa a ideia
de que as estruturas sociais estão fortalecidas em
suas instituições oficiais.
2) A inserção da palavra consequentemente, entre
vírgulas, antes de “cada vez”(l.7) torna explícita a
relação entre ideias desse período e aquelas
apresentadas anteriormente no texto.
3) A expressão “ainda mais”(l.8) reforça a ideia implícita
de que há dois motivos para o enclausuramento das
pessoas: a falta de espaços públicos que favoreçam
as relações sociais com atividades culturais,
esportivas e de lazer e o aumento da ameaça de
violência.
31. (Perito Criminal Federal) Texto II
Entre os primatas, o aumento da densidade
populacional não conduz necessariamente à violência
desenfreada. Diante da redução do espaço físico, criamos
leis mais fortes para controlar os impulsos individuais e
impedir a barbárie. Tal estratégia de sobrevivência tem
lógica evolucionista: descendemos de ancestrais que
tiveram sucesso na defesa da integridade de seus grupos;
os incapazes de fazê-lo não deixaram descendentes.
Definitivamente, não somos como os ratos.
LÍNGUA PORTUGUESA 55
(Dráuzio Varella Internet:
www.drauziovarella.com.br. -com adaptações).
Acerca dos textos I e II , julgue os itens a seguir.
1) Tanto no texto I como no II, a questão do espaço físico
como um dos fatores intervenientes no processo de
intensificação da violência é vista sob o prisma da
densidade populacional excessiva.
2) Como a escolha de estruturas gramaticais pode
evidenciar informações pressupostas e significações
implícitas, no texto II, o emprego da forma verbal em
primeira pessoa – “criamos” (l.3) – autoriza a
inferência de que os seres humanos pertencem à
ordem dos primatas.
3) Por funcionar como um recurso coesivo de substituição
de ideias já apresentadas, no texto II, a expressão “Tal
estratégia de sobrevivência”(l.5) retoma o termo
antecedente “violência desenfreada” (l.2 – 3. UnB-
CESPE)A MAIOR RIQUEZA É O CONHECIMENTO
TEXTO l
A televisão é o meio que mais influi no atual
estágio da sociedade brasileira, graças à excelência de
nosso sistema de telecomunicações, à penetração das
cadeias nacionais de televisão e, também, à facilidade de
recepção da imagem e sua decodificação num país com
tão grande número de iletrados e tão pouco interesse pela
cultura escrita. A TV difunde primordialmente a pronúncia
padrão e o vocabulário básico do Centro-Sul, salvo nas
reportagens locais e nas caracterizações de personagens
regionais, em que se percebem as variedades Norte-Sul,
campo-cidade. A massa poderosa de informações
veiculadas por este meio eletrônico deve ser integrada no
processo escolar, para que se aproveitem suas múltiplas
possibilidades de motivação e sensibilização.
32. Considerando o texto I, julgue os itens que se
seguem.
1) Infere-se do texto que a facilidade de recepção e de
decodificação da imagem explica, em grande parte, o
poder da influência da televisão.
2) A televisão é responsável pelo grande número de
iletrados e pelo pouco interesse pela cultura escrita
verificado entre os estudantes.
3) A excelência do sistema brasileiro de telecomunicações
explica por si só a grande influência exercida pela
televisão no atual estágio da sociedade brasileira.
4) A escola deveria aproveitar o potencial pedagógico
contido nas informações difundidas pela televisão.
5) O acento grave indicador da crase antes de facilidade
na L4 está correto, pois é complemento de graças L2.
33. Considerando o texto I, julgue os itens que se
seguem.
1) percebem na L11 está no plural pois tem como sujeito
personagens regionais L10.
2) caracterizações L10 está no plural pois refere-se a
reportagens L9.
3) Pode-se substituir para que L14 por a fim de que sem
prejuízo da compreensão do texto e sem provocar
incorreção gramatical.
4) Seriam mantidos a correção gramatical e o sentido
original do texto se a última oração fosse assim
reescrita: para que sejam aproveitadas suas
múltiplas possibilidades de motivação e
sensibilização.
5) Se fosse acentuado com o acento grave indicador da
crase o as antes de variedades (L11), seria mantida a
correção gramatical.
34. Os fragmentos abaixo são parágrafos de um texto
ordenados aleatoriamente.
I) Para isso, é bom saber em que aspectos cruciais,
críticos, o mundo está mudando – e com isso pode
afetar a sua carreira, a sua empresa, as suas
escolhas.
II) Pois bem: nada será como antes. Mas isso não quer
dizer que será pior. Nem melhor. Quer dizer que será
diferente. Quem vai fazer seu futuro ser melhor ou pior
– eis uma das coisas que não mudam nunca – será
você.
III) Curiosamente, repetir à exaustão que tudo está
mudando é uma forma de preservar a rotina. A
observação fica relegada ao campo do discurso,
continua-se a agir como se foi ensinando a agir e,
quando isso não dá os mesmos resultados que
costumava, passa-se ao terreno das queixas. Pense
na expressão “nada será como antes”, ela é usada
como um tom de ameaça ou de nostalgia. Como se
“antes” fosse o certo, o natural, o bom.
IV) É o que mais se fala: a globalização, a revolução
tecnológica, a ansiosa busca da competitividade
mudaram para sempre o mundo dos negócios e, por
consequência direta, as nossas vidas profissionais.
V) O problema, quando um discurso se torna assim tão
generalizado, é que tendemos a repeti-lo
mecanicamente, sem realmente prestar atenção no
seu real significado. Tendemos a tratar o assunto
como se fosse alheio a nós mesmos:”É o mundo que
está mudando, é a economia que está começando a
funcionar de outra forma.”
Considerando que a organização textual pressupõe a
ordenação dos parágrafos de maneira lógica e
coerente, julgue os seguintes itens.
1. Introduzido por uma expressão que supõe um referente
anterior, o fragmento I é inadequado como parágrafo
introdutório.
2. Pela situação contextual e por conter as expressões
“Pois bem” e “você”, o fragmento II contém
incoerência sintática.
3. Por sua extensão e sua estrutura, o fragmento III pode
se caracterizado como parágrafo de desenvolvimento
temático.
4. O fragmento IV contém ideias abrangentes, embora
não as desenvolva ou as detalhe.
5. Para se constituir um texto dissertativo com cinco
parágrafos organizados adequadamente a partir dos
fragmentos apresentados, é correta a utilização da
seguinte sequência: IV, V, III, II, I.
A partir da pergunta O novo tipo de relação trabalhista
(contrato temporário) vai colaborar para a criação
de mais empregos?, foram emitidas duas opiniões, a
seguir transcritas parcialmente. Leia-as para
responder às questões de 35 a 37.
Opinião A – de Paulo Paiva (Ministro do Trabalho)
Os investimentos propiciados, já por quatro anos
ininterruptos, pelo Plano Real, o apoio às micros e
pequenas empresas, a qualificação em massa de
trabalhadores e a adequação legislativa à realidade de
mercado, são eixos fundamentais para a criação de
empregos que vêm sendo incentivados pelo governo
Fernando Henrique Cardoso. O contrato de trabalho por
http://www.drauziovarella.com.br/
56 LÍNGUA PORTUGUESA
prazo determinado e o denominado banco de horas são
importantes instrumentos para estimular a geração e a
preservação de empregos.
O projeto trata de dois simples e novos
mecanismos rumo à modernização das leis trabalhistas.
Atualização que todos os atores sociais relevantes
consideram como indispensáveis para a inserção
competitiva do Brasil no comércio internacional. De fato,
taismedidas vem sendo observadas na sociedade
brasileira.
Opinião B – de João V. Neto (Vice-presidente da CUT)
O mercado de trabalho no Brasil já é um dos mais
flexíveis do mundo e também apresenta um dos mais
baixos custos do trabalho. Somos um dos países com as
piores desigualdades de renda do planeta. Segundo
dados oficiais (PNAD/IBGE-95), os 10% mais ricos do
país detém cerca de 48,1% do total de rendimentos
mensais de todos os ocupados.
Essa enorme concentração de renda está
associada diretamente à imensa flexibilidade do mercado
de trabalho. (...) A informatização só tem crescido.
Segundo o Ministério do Trabalho, entre 90 e 96,
foram eliminados cerca de 2,06 milhões de empregos no
mercado formal de trabalho.(...)
Sejamos francos. O que gera postos de trabalho
são as necessidades reais de produção. O que gera
emprego não é facilidade para demitir, mas mais
investimentos.
“Economia & Trabalho”. In: Correio Braziliense,
14/1/98, p.19 (com adaptações)
35. Analisando comparativamente os fragmentos das
duas opiniões sob o foco do estilo utilizado na
língua escrita, em relação à falada, julgue os itens
a seguir:
1. A opinião A apresenta maior objetividade e
impessoalidade que a B, pois esta contém marcas de
subjetividade.
2. A opinião B é superior à opinião A no aspecto referente
à clareza da mensagem, devido à simplicidade do seu
vocabulário e da sua sintaxe.
3. A opinião A apresenta maior correção gramatical, uma
vez que não registra qualquer desvio à norma culta da
língua.
4. A coerência da opinião A é superior à da opinião B,
porque esta faz alusão àquela, e a recíproca não é
verdadeira.
5. A coesão, derivada do uso de conectivos, na opinião B
é superior à evidenciada na opinião A, porque nesta
não são empregados elementos relacionais.
36. Ainda comparando os fragmentos das duas
respostas em relação à pergunta formulada, julgue
os itens abaixo:
1. .A relação de coerência entre pergunta e resposta e a
fidelidade aos fatos são critérios qualitativos
observados tanto na opinião A quanto na B.
2. Maior conhecimento do tópico da pergunta – ―novo
tipo de relação trabalhista‖ – e tangenciamento ao
ponto fulcral do problema – “criação de mais
empregos‖- são observados na opinião A
3. Os “atores sociais relevantes” (em A) desempenham
papéis de liderança, como a exercida pelo autor da
opinião B.
4. .Como forma de provocação, encontra-se, na opinião B,
uma alusão ao local de trabalho e ao exercício
profissional do autor da opinião A.
5. .Na opinião A, predomina a função emotiva da
linguagem; na B, a função apelativa.
37. Evidenciando a compreensão das ideias expostas
nas duas opiniões, julgue os itens seguintes.
1. Na opinião A, aparecem cinco exemplos de ações
desenvolvidas pelo governo que favorecem a geração
de empregos.
2. Segundo a opinião B, os investimentos citados em A
são insuficientes, porque vêm de encontro às
necessidades de produção.
3. A opinião A evidencia que o governo está convicto de
que o novo tipo de contrato de trabalho é importante
não só para a criação de novos empregos quanto para
a preservação dos já existentes.
4. A opinião B, fundamentada em dados estatísticos de
organismo governamental, associa a má distribuição
de renda à carência de empregos no mercado formal
de trabalho.
5. Embora divirja de partes da opinião A, a opinião B
responde afirmativamente à pergunta proposta.
(Escrivão PF)Texto de base às questões 38 e 39.
Lembremos que a modernidade se caracteriza não
apenas por um novo modo de produção e de vida, mas
também por uma nova forma de relacionamento entre os
homens na sociedade, o que influi até mesmo no
julgamento que fazemos uns dos outros. Essa forma de
relacionamento, que vem desde a Revolução Industrial, é
intermediada pelo trabalho, e os parâmetros para julgar as
pessoas são o dinheiro e a propriedade.
Entretanto, trabalho e dinheiro não estão
disponíveis para todos. Em cidades superpopulosas, em
meio às crises das indústrias, frequentemente os
trabalhadores se veem sem meios de sobreviver. Essa
relação entre os homens é, portanto, uma relação
desigual, em que geralmente os trabalhadores estão em
desvantagem, já que não possuem meios estáveis de
sobrevivência e dependem de empregadores.
38. Com respeito às ideias do texto, julgue os itens a
seguir.
1) A argumentação do texto reforça a ideia de que os
parâmetros do dinheiro e da propriedade são justos e
igualitários.
2) O segundo parágrafo é um comentário que apresenta
ideias desfavoráveis à situação apresentada no
primeiro.
3) O emprego do tempo e modo verbais de “Lembremos”
(l.1) indica uma sugestão para o raciocínio que se
segue.
4) A expressão “mas também” introduz a
complementação da ideia iniciada pela expressão
antecedente “não apenas”.
5) Pelas relações semânticas, a estrutura linguística
localizada após a última vírgula do texto corresponde
ao seguinte esquema: não possuem meios estáveis
de sobrevivência já que dependem de empregadores.
39. Julgue os itens seguintes, a respeito das
estruturas linguísticas empregadas no texto.
LÍNGUA PORTUGUESA 57
1) A substituição de “Lembremos” (l.1) por Lembremo-
nos de provoca erro gramatical.
2) O trecho “que vem desde a Revolução Industrial”, está
entre vírgulas por se tratar de uma oração explicativa.
3) A palavra “meio” e seu plural “meios” sugerem a ideia
de incompletude para a expressão “cidades
superpopulosas” , a que se referem.
4) O emprego do sinal indicativo de crase antes de
“crises” indica que aí está presente também o artigo
definido feminino plural as.
5) Se o pronome relativo “que”(grifado) for substituído por
qual, a preposição que o antecede deve ser
substituída por na .
40. (Escrivão PF) No texto abaixo, cada item indicado
corresponde à expressão em negrito que o
antecede. Julgue se cada uma dessas expressões
está, no texto, gramaticalmente correta.
O fato de a 1( ) polícia agir violentamente contra
as pessoas classificadas como suspeitas anula um dos
direitos básicos da vida em 2( ) democracia: o de ser
considerado inocente até que prove se 3( ) o contrário.
Todos os trâmites 4( ) legais que envolvem a
investigação, o processo e a possível condenação são
substituídos pelo julgamento e pela execução sumária da
pena, mediante à 5( ) decisão isolada e arbitrária do
policial.
(Escrivão-PF)Texto de base às questões 41 e 42.
A maioria dos comentários sobre crimes ou se
limitam a pedir de volta o autoritarismo ou a culpar a
violência do cinema e da televisão, por excitar a
imaginação criminosa dos jovens. Poucos pensam que
vivemos em uma sociedade que estimula, de forma
sistemática, a passividade, o rancor, a impotência, a
inveja e o sentimento de nulidade nas pessoas. Não
podemos interferir na política, porque nos ensinaram a
perder o gosto pelo bem comum; não podemos tentar
mudar nossas relações afetivas, porque isso é assunto de
cientista; não podemos, enfim, imaginar modos de viver
mais dignos, mais cooperativos e solidários, porque isso é
coisa de “obscurantista, idealista, perdedor ou ideológico
fanático” , e o mundo é dos fazedores de dinheiro.
Somos uma espécie que possui o poder da
imaginação, da criatividade, da afirmação e da
agressividade. Se isso não pode aparecer, surge, no
lugar, a reação cega ao que nos impede de criar, de
colocar no mundo algo de nossa marca, de nosso desejo,
de nossa vontade de poder. Quem sabe e pode usar –
com firmeza, agressividade, criatividade e afirmatividade –
a sua capacidade de doar e transformar a vida, raramente
precisa matar inocentes, de maneira bruta.
Existem mil outras maneiras de nos sentirmos
potentes, de nos sentirmos capazes de imprimir um curso
à vida que não seja pela força das armas, da violência
física ou da evasão pelas drogas, legais ouilegais, pouco
importa.
Jurandir Freira Costa In: Quatro autores em
busca do Brasil
41. Acerca das ideias do texto V, julgue os seguintes
itens.
1) Muitos acreditam que a censura aos meios de
comunicação seria uma forma de reduzir a violência
entre jovens.
2) A argumentação do texto põe em confronto atitudes
possíveis: uma que se caracteriza por passividade e
impotência ; outra, por resistência criativa.
3) O trecho “Não podemos... dinheiro” apresenta
exemplificações que funcionam como argumentos
para a afirmação do período que o antecede.
4) Infere-se do texto que o autor culpa a violência do
cinema e da televisão pela disseminação da violência
nos dias atuais.
5) De acordo com as ideias defendidas no texto, as
formas positivas de dar sentido à vida e experimentar
a sensação de poder vinculam-se à maneira como se
usa a capacidade de doação e de transformação.
42. Julgue os itens a seguir, a respeito do emprego
das estruturas linguísticas do texto.
1) É obrigatório o emprego da forma verbal
“limitam”(grifado) para concordar com o sujeito da
oração.
2) As relações semânticas entre os dois primeiros
períodos do texto permitiram iniciar o segundo período
com a conjunção No entanto.
3) O pronome indefinido “Poucos” (grifado) refere-se a
jovens de imaginação criminosa.
4) O emprego das aspas (“de obscurantista ...
até...fanático”) indica a simulação de comentários de
outras pessoas, retomadas pelo autor.
5) Antes da forma verbal “Somos”, seria coerente com as
ideias do texto introduzir, para o fim de articulação
sintática entre os parágrafos, a expressão Em
consequência disso.
(Escrivão PF) Texto de base às questões 43 e 44.
No nosso cotidiano, estamos envolvidos com a
violência que tendemos a acreditar que o mundo nunca foi
tão violento como agora: pelo que nos contam nossos
pais e outras pessoas mais velhas, há dez, vinte ou trinta
anos, a vida era mais segura, certos valores eram mais
respeitados e cada coisa parecia ter o seu lugar.
Essa percepção pode ser correta, mas precisamos
pensar nas diversas dimensões em que pode ser
interpretada. Se ampliarmos o tempo histórico, por
exemplo, ela poderá se mostrar incorreta.
Embora a violência não seja um fenômeno dos
dias de hoje, pois está presente em toda e qualquer
sociedade humana, sua ocorrência varia no grau, na
forma, no sentido que adquire e na própria lógica nos
diferentes períodos da História. O modo como o homem a
vê e a vivencia atualmente é muito diferente daquele que
havia na Idade Média, por exemplo, ou em outros
períodos históricos em outras sociedades.
Andréa Buoro et al. Violência urbana – dilemas e
desafios
43. Com relação ao emprego das estruturas
linguísticas do texto VI, julgue os itens abaixo.
1) Por referir ao sujeito da oração iniciada com
“tendemos” , a forma verbal no infinitivo “acreditar”
poderia ser empregada flexionada: acreditarmos.
2) Se, em lugar do pronome plural “nos”, fosse
empregado o singular, me, o verbo que o segue
deveria ser empregado no singular: conta.
3) A forma verbal “parecia ter”, empregada no singular, é
gramaticalmente invariável: mesmo que o sujeito fosse
plural, ele teria de ser empregada no singular.
58 LÍNGUA PORTUGUESA
4) Se o trecho “toda e qualquer sociedade humana” fosse
reescrito no plural, ter-se-ia: todas e qualquer
sociedades humanas.
5) Se “O modo” (grifado) for empregado no plural, é
obrigatória a substituição do restante do sujeito por
como os homens a veem e a vivenciam.
44. Julgue os seguintes itens, a respeito do emprego
dos sinais de pontuação no texto.
1) Pela função que desempenha no texto, o sinal de dois
pontos depois de “agora” corresponde à ideia de pois,
colocado entre vírgulas.
2) Para melhorar a clareza do texto, sem ferir a correção
gramatical, deveria ser introduzido o termo atrás,
entre vírgulas, imediatamente após a palavra “anos”.
3) Pelo seu sentido textual, a oração entre vírgulas “pois
está presente em toda e qualquer sociedade humana”,
poderia ver entre parênteses.
4) Se a oração “pois está presente em toda e qualquer
sociedade humana” fosse retirada do texto, seria
também obrigatória a retirada da ambas as vírgulas
que a isolam.
5) A inserção de uma vírgula após “períodos históricos”
alteraria as relações semânticas entre essa expressão
e “outras sociedades”.
Gabarito: 20. ECECC; 21. EEEEE; 22. CCCEE; 23.
CEEEE; 24. EECCCECC; 25. EECE; 26. CCEE; 27.
CCCEE; 28. EEECCEC; 29. CCECE; 30. ECE; 31. ECE;
32. CCEEC; 33. EEEEC; 34. CECCC; 35. CCEEE; 36.
CCCEE; 37. EECCE; 38. ECCCC; 39. ECECC; 40.
CCECE; 41. CCCEC; 42. ECECE; 43. EEEEE; 44.
CECEC
CONHECIMENTOS GERAIS 1
CONHECIMENTOS GERAIS
Inclui questões das últimas provas
Bruno Santos
CONTEÚDO:
TÓPICOS RELEVANTES E ATUAIS DE DIVERSAS
ÁREAS, tais como segurança, transportes, política,
economia, sociedade, educação, saúde, cultura,
tecnologia, energia, relações internacionais,
desenvolvimento sustentável e ecologia, suas inter-
relações e suas vinculações históricas. ...................... 1
O NORDESTE BRASILEIRO: geografia, atividades
econômicas, contrastes intra-regionais, o polígono das
secas e as características das regiões naturais do
Nordeste; o Nordeste no contexto nacional. ............. 31
O BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A: legislação
básica, programas e informações gerais de sua
atuação como agente impulsionador do
desenvolvimento sustentável da região Nordeste. ... 41
Questões de provas anteriores ....................................... 63
NOTÍCIAS INTERNACIONAIS E LOCAIS
MADURO ASSUME “RESPONSABILIDADE” POR
CRISE ECONÔMICA DA VENEZUELA
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro,
reconheceu nesta segunda-feira (30) sua
“responsabilidade” na crise econômica que aflige o país e
estimou precisar de dois anos para “conseguir” uma
recuperação com “alto nível de estabilidade”.
Apesar de sua enorme riqueza em recursos
naturais, especialmente petróleo, a Venezuela atravessa
uma severa crise econômica, resultando em uma
escassez de alimentos básicos e remédios, má prestação
dos serviços públicos e uma altíssima inflação, que o
Fundo Monetário Internacional (FMI) estima fechar em
1.000.000% neste ano.
SECRETÁRIO-GERAL DA ONU APELA PARA QUE
PAÍSES SE UNAM CONTRA O TRÁFICO
Ao pedir que os países se unam contra o tráfico
humano, o secretário-geral da Organização das Nações
Unidas (ONU), o português António Guterrez, ressaltou
que os traficantes se beneficiam da esperança e do
desespero principalmente de mulheres e meninas. O
apelo se deu no Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas,
que ocorreu nesta segunda-feira (30).
De acordo com a Organização Internacional do
Trabalho (OIT), 21 milhões de pessoas são vítimas de
trabalho forçado no mundo. O cálculo inclui vítimas de
tráfico humano que sofrem, inclusive, exploração no
trabalho e sexual.
EUA INVESTIRÃO US$ 113 MILHÕES NA ÁSIA
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike
Pompeo, anunciou que o governo norte-americano irá
investir US$ 113 milhões (cerca de R$ 419,7 milhões) em
iniciativas energéticas, tecnológicas e de infraestrutura na
Ásia.
A medida é uma tentativa de resistir à crescente
influência da China nesta área. Pompeo afirmou que os
novos fundos representam o compromisso econômico do
país com a paz e prosperidade na região.
PROIBIÇÃO DO USO DE VÉU LEVA A PROTESTO
CONTRA DISCRIMINAÇÃO
A proibição do uso de qualquer peça que cubra o
rosto, incluindo a burca e o nicabe, vestimentas islâmicas,
entrou em vigor nesta quarta-feira (1) na Dinamarca. A
legislação dinamarquesa segue exemplo do que ocorre na
França, Bélgica, Bulgária, Letônia, Áustria e regiões da
Suíça, Itália e Alemanha.
A multa pela desobediência pode chegar a mil
euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram
enfrentar a lei e protestar. Convocaram para esta quarta-
feirauma manifestação pacífica em favor da liberdade
religiosa e do direito de usar os trajes do Islã.
VATICANO MODIFICA CATECISMO E DECLARA
‘INADMISSÍVEL’ A PENA DE MORTE
O Papa Francisco aprovou a modificação do
Catecismo católico para declarar “inadmissível” a pena de
morte e indicou o compromisso da Igreja em encorajar
sua abolição no mundo todo, informou nesta quinta (2) a
Santa Sé.
Na modificação se assinala que “durante muito
tempo o recurso à pena de morte por parte da autoridade
legítima, depois de um devido processo, foi considerado
uma resposta apropriada à gravidade de alguns crimes e
um meio admissível, embora extremo, para a tutela do
bem comum”.
COPA DO MUNDO: RÚSSIA 2018
A Copa do Mundo de Futebol de 2018 vai ser
disputada na Rússia, o maior país do mundo, entre os
dias 14 de junho e 15 de julho. O torneio terá a
participação de 32 nações, incluindo o Brasil, com jogos
em 11 cidades e 12 estádios.
A definição da sede da 21ª edição do torneio
aconteceu em dezembro de 2010, em uma disputa com
outras três candidaturas de países europeus: Inglaterra;
Portugal e Espanha; Holanda e Bélgica. Na mesma
ocasião, ficou definido que o Catar vai receber a Copa de
2022.
Ao todo, serão disputados 64 jogos nas cidades de
Moscou, São Petersburgo, Samara, Kazan,
CONHECIMENTOS GERAIS 2
Ecaterimburgo, Sochi, Kaliningrado, Saransk, Volgogrado,
Rostov e Nizhny Novgorod. A capital Moscou vai receber
jogos em dois estádios.
Participantes
As 32 seleções participantes, com exceção da
Rússia, conseguiram a vaga na Copa do Mundo de 2018
por meio de competições continentais eliminatórias. A
Rússia ganhou a vaga por ser o país-sede do evento,
assim como aconteceu com o Brasil na Copa de 2014.
A Federação Internacional de Futebol (FIFA)
determina a quantidade de vagas para cada continente.
Veja:
África: 5 vagas (Tunísia, Nigéria, Marrocos,
Senegal e Egito)
Ásia: 4 vagas + 1 repescagem (Irã, Japão, Coreia
do Sul, Arábia Saudita + Austrália)
América Central e do Norte: 3 vagas + 1
repescagem (México, Costa Rica, Panamá + Honduras)
América do Sul: 4 vagas + 1 repescagem (Brasil,
Uruguai, Argentina, Colômbia + Peru)
Europa: 13 vagas (França, Portugal, Alemanha,
Sérvia, Polônia, Inglaterra, Espanha, Bélgica, Islândia,
Suíça, Croácia, Suécia e Dinamarca)
Oceania: 1 vaga repescagem (Nova Zelândia)
No caso da Copa do Mundo de 2018, ficaram
definidos os seguintes confrontos pela repescagem:
-América Central e do Norte (Honduras) x Ásia
(Austrália): Austrália vencedor
-América do Sul (Peru) x Oceania (Nova Zelândia):
Peru vencedor
A Austrália compete nas eliminatórias asiáticas por
ter um nível muito superior aos seus vizinhos de
continente. Para se ter uma ideia, quando a Austrália
competia nas eliminatórias da Oceania, era comum um
placar de 30 a 0. O mesmo acontece na América do Sul,
onde Guiana Francesa, Guiana e Suriname competem
pela América Central.
Brasil está no grupo E, junto com Suíça, Costa Rica e
Sérvia
Jogos
As 32 seleções classificadas para a Copa do
Mundo da Rússia foram divididas em oito grupos. O
Brasil está no grupo E junto com Suíça, Costa
Rica e Sérvia. O primeiro jogo do Brasil será no dia 17 de
junho contra a Suíça, o segundo no dia 22 de junho contra
a Costa Rica e, no dia 27 de junho, faz o último jogo da
fase de grupos contra a Sérvia.
Os dois primeiros lugares de cada grupo se
classificam para a fase eliminatória, popularmente
chamada de mata-mata, na qual duas equipes se
enfrentam para decidir quem avança para a próxima
etapa. A primeira fase eliminatória são as oitavas de final,
depois vem a semifinal e, por fim, a tão esperada final,
que será realizada no dia 15 de julho em Moscou.
TERROR NA EUROPA
Atentados reivindicados pelo Estado Islâmico
foram cometidos no Reino Unido, na Suécia, na França e
na Espanha. Episódios de islamofobia proliferaram pelo
continente. Logo após os atentados de 11 de setembro de
2001, que atingiram o Pentágono e destruíram os edifícios
do World Trade Center, o presidente norte-americano
George W. Bush declarou uma campanha de "Guerra ao
Terror", anunciando uma mobilização nunca antes vista
para combater o terrorismo. Desde então, o mundo
presenciou uma escalada de guerras, ocupações militares
e investimentos em tecnologia bélica com a justificativa de
combate às ações terroristas. A ameaça a populações
civis, no entanto, ainda permanece.
GUERRA CIVIL NA SÍRIA CONTINUA
O conflito, que dura desde 2011, ainda está longe
de ter fim. Em março, o governo sírio foi acusado de
utilizar armas químicas na cidade de Khan Sheikhoun:
mais de 80 pessoas morreram. Apesar do Estado Islâmico
ter perdido a maior parte dos territórios conquistados no
Iraque e na Síria, a situação política ainda é de
instabilidade. Enquanto os Estados Unidos apoiam os
grupos políticos contrários ao presidente sírio Bashar Al-
Assad, a Rússia defende sua permanência à frente do
governo do país árabe.
UM CONFLITO NUCLEAR À VISTA?
Após a Coreia do Norte realizar testes com armas
nucleares e mísseis balísticos, os Estados Unidos
aumentaram as ameaças contra o regime de Kim Jong-
un. Por enquanto, o conflito ainda não passa de trocas de
bravatas entre o ditador norte-coreano e Donald Trump:
https://s4.static.brasilescola.uol.com.br/img/2018/02/GRUPOS_COPA.JPG
CONHECIMENTOS GERAIS 3
analistas consideram que a estratégia de Kim é aumentar
as ameaças para conseguir melhores acordos bilaterais e
relaxamento dos embargos econômicos. Apesar de se
auto-denominar um país socialista, a ideologia que
governa a Coreia do Norte é chamada de Juche, e está
ligada ao culto da personalidade do líder coreano.
TEMPO DE FURACÕES
Uma sequência de furacões — Harvey,
Irma, Maria e Nate — causou destruição em países do
Caribe e nos Estados Unidos: Porto Rico, que é
considerado um território norte-americano, foi um dos
locais mais afetados pelos furacões. De acordo com
cientistas, mudanças climáticas contribuíram para a fúria
dessa temporada de furacões.
ATAQUE HACKER
Em junho, o vírus Wanna Cry invadiu
computadores de instituições privadas e públicas de
quase 150 países. No Brasil, servidores da Previdência
Social foram afetados pelo ataque. A invasão ocorreu em
virtude de uma falha no sistema operacional do Windows,
que se tornou pública após vazamentos de informações
sobre uma ferramenta sigilosa utilizada pela Agência de
Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA. Após o
ataque, novos episódios de infecções em massa foram
registrados em diferentes partes do mundo.
O FIM DA MISSÃO CASSINI
Chegou ao fim a missão da sonda que coletou
informações sobre Saturno e suas luas. Foram 13 anos
de descobertas no planeta mais charmoso do Sistema
Solar, em uma das missões espaciais mais produtivas da
história. O projeto conjunto da NASA e da ESA consistiu
em dois elementos principais: a sonda Huygens e o
orbitador Cassini. Lançada em 1997, a missão Cassini-
Huygens revolucionou o conhecimento sobre Saturno,
suas 62 luas e oito grupos de anéis.
NACIONAL
BRASÍLIA EM CHAMAS
Em maio, a publicação de uma conversa gravada
entre o empresário Joesley Batista, um dos donos da
JBS, e o presidente Michel Temer aprofundou a crise
política entre os Três Poderes. Teve de tudo: o senador
Aécio Neves (PSDB/MG), candidato derrotado às eleições
presidenciais de 2014, também teve seu nome envolvido
nas investigações e chegou a ser afastado de seu cargo
pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após duas
denúncias conduzidas por Rodrigo Janot, ex-Procurador
Geral da República, Michel Temer se safou de ser julgado
pelo STF graças a votações favoráveis na Câmara dos
Deputados.
GOVERNO BRASILEIRO EXINGUE A RENCA (E
VOLTA ATRÁS)
Em agosto, decreto publicado por Michel Temer
extinguiu a Reserva Nacional de Cobre e Associados
(Renca), área de 47 mil quilômetros quadrados localizada
entreo Amapá e o Pará. A região, que tem o tamanho do
estado do Espírito Santo, ficaria livre para ser
explorada por empresas que realizam atividades de
mineração. A sociedade civil obrigou o governo a recuar:
a Justiça do Amapá declarou que a decisão promulgada
por Temer era inconstitucional. Em setembro, um novo
episódio da tensão crescente na Amazônia: a Fundação
Nacional do Índio (Funai) denunciou um massacre
cometido por garimpeiros contra uma aldeia isolada.
ESTADO QUEBRADO
Sem receitas, o Rio de Janeiro enfrenta uma das
piores crises de sua história, com atrasos recorrentes no
pagamento de funcionários públicos e aumento da
violência urbana. Parecer técnico divulgado pelo Tesouro
Nacional no início de setembro recomendava que o
estado do Rio de Janeiro privatizasse as universidades
públicas estaduais para ajudar nas metas de equilíbrio
fiscal propostas pelo Ministério da Fazenda — em ranking
publicado pela revista britânica Times Higher Education, a
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) foi
considerada a 13ª melhor instituição do país.
SATÉLITE VERDE E AMARELO
Lançado em maio, o primeiro satélite
geoestacionário brasileiro será utilizado para
comunicação estratégica e ampliação da banda
larga em regiões remotas do país. A Embraer e a
Telebras uniram forças para estimular o setor espacial do
país e absorveram tecnologia francesa para a construção
do satélite.
CRISE NAS CADEIAS
Séries de massacres e rebeliões em penitenciárias
nas regiões Norte e Nordeste no início de 2017 expõem a
falência do sistema carcerário do país. Em setembro de
2015, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF)
reconheceu que as prisões brasileiras descumprem
preceitos fundamentais da Constituição e precisam de
reformas. A população carcerária brasileira é a quarta
maior do mundo, com mais de 600 mil pessoas privadas
de liberdade.
OS OBSTÁCULOS POLÍTICOS DE TEMER EM 2017
Em seu segundo ano no comando do Palácio do
Planalto, o presidente Michel Temer terá o desafio de driblar,
em 2017, uma série de obstáculos políticos para manter a
governabilidade e ter força no Congresso Nacional para
aprovar reformas como a previdenciária e a trabalhista,
avaliam analistas ouvidos pelo G1.
O peemedebista, que assumiu a Presidência após o
impeachment de Dilma Rousseff, vira o ano com um cenário
político nebuloso.
No horizonte do presidente da República, há
preocupações com os imprevisíveis desdobramentos das
delações premiadas dos executivos da Odebrecht, com o
processo em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
que pode cassar o mandato dele e com os baixíssimos
índices de popularidade que ele tem registrado nos últimos
meses.
Temer foi citado no pré-acordo de delação
premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da
Odebrecht Cláudio Melo Filho. Segundo o ex-dirigente da
empreiteira, o presidente pediu, em 2014, R$ 10 milhões para
campanhas do PMDB. Os fatos são investigados pela
Operação Lava Jato.
Além disso, o TSE apura se a chapa formada por
Dilma Rousseff e Temer para a eleição presidencial de 2014
cometeu abuso de poder econômico e se beneficiou do
esquema de corrupção que atuou na Petrobras. Se o tribunal
concluir que sim, Temer poderá ser afastado da Presidência.
Segundo pesquisa Ibope, Temer tem aprovação de
13% dos entrevistados. De acordo com o instituto
CONHECIMENTOS GERAIS 4
Datafolha, apenas 10% dos entrevistados avaliam como
ótima ou boa a gestão do peemedebista.
Em meio a este ambiente político em crise é que o
governo buscará aprovar no Congresso Nacional, ao longo de
2017, as propostas de reforma previdenciária, com idade
mínima de 65 anos para homens e mulheres poderem se
aposentar, e trabalhista, com 12 pontos que poderão ser
negociados entre patrões e empregados e, em caso de
acordo, passarão a ter força de lei.
ODEBRECHT
A maior delação da Lava Jato trouxe à tona relações
promíscuas entre empresas e políticos. Os delatores falaram
em nome de um sistema ilegal, do qual eles faziam parte, e
dizem ter contaminado quase todas as campanhas eleitorais
no Brasil.
Foi assim que muitos ex-executivos da Odebrecht
explicaram o uso do caixa dois, que são doações não
contabilizadas e não declaradas à Justiça Eleitoral.
A delação de Marcelo Odebrecht descreve a relação
do caixa dois e a corrupção nas campanhas eleitorais.
“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha
conseguido fazer qualquer eleição sem caixa dois. O caixa
dois era três quartos, o que eu estimo. Não existe ninguém no
Brasil eleito sem caixa dois. O cara até pode dizer que não
sabia, mas recebeu dinheiro do partido que era caixa dois.
Não existe, não existe; era um círculo vicioso que se criou.
Tanto é assim que, na hora que resolveram cancelar, o que
se começou a discutir a mais, teve que aumentar o fundo
partidário para início de conversa. A eleição ficou agora mais
barata. Não tinha como. Não existe. O político que disser que
não recebeu caixa dois está mentindo”, disse Marcelo
Odebrecht.
Marcelo Odebrecht também tratou do financiamento
de campanha em outro depoimento, ao juiz Sérgio Moro. Ele
relacionou as doações a uma troca vantajosa para
empresários e políticos, e disse que pedidos, sejam legítimos
ou ilegítimos, geravam expectativa de contrapartidas.
“Essa questão de eu ser um grande doador, de eu ter
esse valor, no fundo, é o quê? É também abrir portas. Apesar
de não vir um pedido específico, é o que eu digo: toda relação
empresarial com um político infelizmente era assim,
especialmente quando se podia financiar, os empresários iam
pedir. Por mais que eles pedissem pleitos legítimos,
investimentos, obras, geração de empregos, no fundo, tudo
que você pedia, sendo legítimo ou não, gerava uma
expectativa de retorno. Então, quanto maior a agenda que eu
levava, mais criava expectativa de que eu iria doar tanto”,
disse.
Apesar de ser tratado com naturalidade pelos
delatores, o caixa dois tem pena prevista em lei. É
enquadrado como falsidade na prestação de contas, no artigo
350 do Código Eleitoral, que prevê até cinco anos de prisão e
multa para quem omitir informações em documento público
ou particular.
O ex-ministro do Supremo Carlos Ayres Britto foi
taxativo ao condenar o caixa dois.
"O caixa dois é um caixa espúrio, irregular,
correspondendo a ingresso intencionalmente não
contabilizado, é falsidade ideológica, é falsidade documental,
é omissão ilícita de valores, recursos, serviços, e tudo mais
que se traduza em pecúnia. É hora da reação e o Brasil agora
chegou o seu momento de passar a si mesmo a limpo", disse.
Mais de 70 políticos, entre deputados, senadores e
ministros tiveram inquéritos abertos no Supremo com base
nas delações da Odebrecht. E um terço é suspeito de ter
recebido via caixa dois.
Delatores afirmaram que em muitos casos o caixa
dois está ligado ao crime de corrupção, e tem pena bem
maior: 12 anos. O próprio Marcelo Odebrecht já tinha dito à
Justiça que pagar fora da contabilidade pode ser uma
contrapartida num esquema de corrupção.
Na delação, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Mello
Filho afirma que a empresa não tinha como garantir o que os
políticos faziam com o dinheiro.
“O motivo do pedido era, a pretexto, doação de
campanha. Agora quero deixar claro pra senhora: eu não
posso afirmar se ele foi usado pra doação de campanha.
Nem eu nem a empresa pode afirmar isso, entendeu?”, disse.
Outro ex-funcionário da Odebrecht explicou que não
importava a motivação.
Hilberto Mascarenhas trabalhava no setor de
propinas, um departamento criado pela construtora para
esses pagamentos. A ordem era executar sem questionar.
“Não há porque entrar no mérito do porque pagar.
Não nos era dito. Se a gente perguntasse, a resposta era
muito simples: Não é da sua conta isso. Sua conta é pagar o
que foi autorizado pra quem de direito. Cabou”, disse.
O presidente da Associação dos Juízes Federais do
Brasil(Ajufe) defende punição rigorosa ao caixa dois.
"Todos aqueles que utilizam o caixa dois deveriam ser
condenados e ter os madatos caçados, porque se trata de
crime de falsidade ideológica. A pessoa recebeu o dinheiro e
não declarar. E muitas vezes esse recebimento, por baixo
dele, está o crime de corrupção, porque a pessoa recebe o
dinheiro supostamente para gastar nas esleições, mas ele
recebe, na verdade, uma propina. Um dinheiro vindo da
corrupção", explica Roberto Veloso, presidente da Ajufe.
RANKING DA CORRUPÇÃO
Estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pela entidade
Transparência Internacional aponta que o Brasil fechou o ano
de 2016 em 79º lugar entre 176 países em ranking sobre a
percepção de corrupção no mundo. Além do Brasil, estão
empatados em 79º lugar Bielorrússia, China e Índia.
O ranking leva em consideração a percepção que a
população tem sobre a corrupção entre servidores públicos e
políticos. Quanto melhor um país está situado no ranking,
menor é a percepção da corrupção por seus cidadãos.
A pontuação do ranking vai de 0 (extremamente
corrupto) a 100 (muito transparente). Segundo o estudo da
Transparência Internacional, o índice brasileiro em 2016 é 40
– dois pontos a mais do que em 2015, quando foi 38. Apesar
da melhora na pontuação, em 2016, o Brasil caiu três posições
em comparação com 2015.
"O país [Brasil] mostrou que, através do trabalho
independente de organismos responsáveis pela
aplicação da lei, é possível responsabilizar publicamente
aqueles antes considerados intocáveis."
Para a entidade, a posição do Brasil no ranking caiu
"significativamente" nos últimos anos devido aos escândalos
de corrupção que envolvem políticos e empresários, como os
revelados pelas investigações da Operação Lava Jato.
"Apesar disso, o país mostrou neste ano (2016) que,
através do trabalho independente de organismos
responsáveis pela aplicação da lei, é possível responsabilizar
publicamente aqueles antes considerados intocáveis", diz a
entidade.
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/ranking-de-corrupcao-coloca-brasil-em-76-lugar-entre-168-paises.html
CONHECIMENTOS GERAIS 5
Ranking do Índice de Percepção da Corrupção, da
Transparência Internacional (Foto: Editoria de Arte / G1)
Ranking
Os países que lideram o ranking da corrupção são
Dinamarca e Nova Zelândia, com índice de transparência de
90. Entre os cinco países mais bem avaliados também estão
Finlândia (com 89 pontos), Suécia (com 88) e Suíça (com 86
pontos).
A entidade destaca que, embora nenhum país esteja
livre de corrupção, os países mais bem avaliados no ranking
"compartilham características de governo aberto, liberdade de
imprensa, liberdades civis e sistemas judiciais
independentes".
De acordo com o ranking da Transparência
Internacional, a Somália, com 10 pontos no ranking, é o país
com maior percepção de corrupção dentre as nações
analisadas. O país africano ocupa a última posição no ranking
pelo décimo ano consecutivo.
Em um comunicado, a Transparência Internacional
cita que 69% dos 176 países analisados no estudo tiveram
pontuação menor que 50. Isso, segundo a entidade, expõe
"quão universal e sólida é a corrupção do setor público em
todo mundo".
"Neste ano mais países caíram no índice do que
melhoraram, mostrando a necessidade de ação urgente",
afirma o relatório.
Ao citar exemplos de casos de corrupção nos últimos
anos, a Transparência Internacional cita o escândalo da
Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato; os
escândalos que levaram à queda e à fuga do ex-presidente
da Ucrânia Viktor Yanukovych em 2014; e escândalos de
corrupção na FIFA, que investigam, entre outros pontos, a
compra de votos na escolha de sedes da Copa do Mundo.
Metodologia
Para estabalecer o Índice de Percepção de
Corrupção, a Transparência Internacional reúne dados de
várias fontes diferentes que fornecem percepções de
empresários e peritos de países do nível de corrupção no
setor público.
Cada fonte de dados que é usada para construir o
Índice de Percepção de Corrupção deve preencher os
seguintes critérios para se qualificar como uma fonte válida:
Deve ter uma pesquisa que quantifica
percepções de corrupção no setor público
Deve basear-se numa metodologia confiável e
válida, que pontue e classifique vários países
na mesma escala
Deve ter sido realizada por uma instituição
confiável e que tenha repetido ou venha a repetir a
pesqusa regularmente
O ranking de 2016 levou em conta 13 pesquisas
diferentes de 12 instituições que tenham analisado a
percepção da corrupção nos últimos dois anos (leia ao final
desta reportagem quais foram as instituições utilizadas na
pesquisa).
Para que um país seja classificado no ranking, ao
menos três diferentes fontes devem ter analisado a
percepção de corrupção daquele país. A pontuação de
determinado país é feita pela média de todas as fontes que o
analisaram.
Veja as pesquisas utilizadas pela Transparência
Internacional para elaborar o ranking de corrupção:
African Development Bank Governance Ratings
2015
Bertelsmann Foundation Sustainable
Governance Indicators 2016
Bertelsmann Foundation Transformation Index
2016
Economist Intelligence Unit Country Risk Ratings
2016
Freedom House Nations in Transit 2016
Global Insight Country Risk Ratings 2015
IMD World Competitiveness Yearbook 2016
Political and Economic Risk Consultancy Asian
Intelligence 2016
Political Risk Services International Country Risk
Guide 2016
World Bank - Country Policy and Institutional
Assessment 2015
World Economic Forum Executive Opinion
Survey (EOS) 2016
World Justice Project Rule of Law Index 2016
Varieties of Democracy (VDEM) Project 2016
VIOLÊNCIA E SEGURANÇA
O Brasil bateu recorde no número de homicídios
em 2016, chegando a mais de 61 mil assassinatos no
ano. Isso coloca o tema Violência e Segurança no centro
dos debates, e, portanto, dos concursos públicos.
Esse é um tema bastante amplo, que pode ser
especificamente tratado sobre os seguintes prismas:
Política de drogas
Controle de armas
Atuação e reforma das polícias
Educação para a paz
Midiatização da violência
MINORIAS
Tal qual o tema da violência, falar sobre minorias
permite apontar para vários tópicos:
Direito das mulheres
Direito dos negros e indígenas
CONHECIMENTOS GERAIS 6
Direitos de pessoas LGBT
Direitos da criança e do adolescente
Direitos do idoso
Direito dos portadores de necessidades
especiais
Uma minoria, de acordo com o sociólogo Mendes
Chaves, pode ser definida assim:
“Um grupo de pessoas que de algum modo e em
algum setor das relações sociais se encontra numa
situação de dependência ou desvantagem em relação a
um outro grupo, ‘maioritário’, ambos integrando uma
sociedade mais ampla. As minorias recebem quase
sempre um tratamento discriminatório por parte da
maioria.”
Os casos de racismo, violência contra a mulher e
falta de inclusão social no país fortalecem a atenção para
esses temas.
AUTOESTIMA, DEPRESSÃO E ANSIEDADE
Enquanto as redes sociais inflam a criação de
mundos artificiais, na realidade do cotidiano muitas
pessoas o sofrimento emocional é um gigante a ser
vencido.
Você sabia que o consumo de
antidepressivos aumentou 74% nos últimos seis anos no
Brasil? Esse é um fenômeno contemporâneo que está
sendo cada vez mais discutido.
MEIO AMBIENTE
Parece repetitivo, mas a preservação do meio
ambiente será cada vez mais prioritário nos próximos
anos, e 2018 não fica de fora disso.
Podemos falar sobre o Brasil (desmatamentos e
poluição), mas também sobre o mundo. A atuação de
países como Estados Unidos e China é cada vez mais
decisiva para tornar o país mais ou menos habitável.
Primeiro, é bom compreender o ato político mais
importante na área ambiental nos últimos anos, a saída
dos Estados Unidos do Acordo de Paris.
RIO +20
O Rio +20 é aConferência das Nações
Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que
ocorreu entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 no Rio
de Janeiro. O evento recebeu esse nome como
comemoração do aniversário de 20 anos da Rio 92, a
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento. A ideia era propor decisões para
o desenvolvimento sustentável nas próximas
décadas.
A conferência tinha o objetivo de estabelecer o
comprometimento político com o desenvolvimento
sustentável, implementar processos e avaliar resultados
pertinentes ao tema.
Os principais temas são:
A economia verde no contexto do
desenvolvimento sustentável e da erradicação da
pobreza;
A estrutura institucional para o desenvolvimento
sustentável.
Dos dias 13 a 15 de junho ocorreu a III Reunião
do Comitê Preparatório com a presença de governantes
para negociar os documentos usados na Conferência.
Entre os dias 16 e 19 de junho foram realizados eventos
com a sociedade civil.
Entre 20 e 22 de junho, foi realizado o Segmento
de Alto Nível da Conferência, com a presença de diversos
membros e chefes de estado de todo o mundo. Foram
aproximadamente 193 estados-membros que
compareceram ao local com diversos participantes de
variadas áreas da sociedade civil.
Fatos Ocorridos durante a Conferência do Rio +20
O presidente Mahmoud Ahmadinejad
tentou se aproximar dos Brics com um encontro com
a presente Dilma Rousseff, mas a reunião não
aconteceu.
O presidente Barack Obama não
compareceu. Assim como Angela Merkel e David
Cameron, respectivamente chanceler da Alemanha e o
primeiro-ministro do Reino Unido.
O Rio de Janeiro decretou 3 dias de feriado
durante o evento para evitar trânsito e muitos transtornos.
No entanto, a cidade precisa se preparar, pois nos
próximos anos o Rio de Janeiro irá sediar Os Jogos
Olímpicos e a Copa do Mundo.
As 59 maiores cidades do mundo acordaram
a decisão de reduzir mais de 1 bilhão de toneladas das
emissões de carbono até 2030.
ECONOMIA.
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E LOCAL
1
a
Fase: A criação e difusão das hipotecas
subprime foi resultado, grosso modo, do processo de
intensificação da concorrência bancária e financeira
verificada durante a década de 1990. Mais
especificamente, esta década foi marcada pelo
enfraquecimento das fronteiras dos espaços de atuação
entre bancos e instituições financeiras não bancárias, e
também pelos rendimentos relativamente baixos dos
mercados tradicionais de crédito (empréstimos a firmas,
consumidores e governos). Neste período, o acirramento
das pressões competitivas teve como um de seus
resultados a articulação entre inovações financeiras nos
contratos hipotecários e processos de securitização. Tal
articulação possibilitou, por sua vez, a expansão do
sistema de financiamento imobiliário americano em
direção a operações de maior risco associadas ao grupo
subprime. A expressão subprime está referida a um
enorme contingente de tomadores até então excluídos do
http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/113-atualidades-para-concursos/1243-rio-20
CONHECIMENTOS GERAIS 7
mercado de crédito. Esse grupo incluía tomadores sem
histórico de crédito, tomadores sem comprovação de
renda, contudo com bom histórico de pagamento e até
mesmo tomadores de crédito com registros de
inadimplência. Conforme dito, as hipotecas foram
viabilizadas, pelo lado dos credores, pela combinação de
inovações financeiras com processos de securitização.
Nesse quadro, a transformação de operações de crédito
extremamente arriscadas em títulos bem avaliados por
agências de classificação de risco respeitadas resultou
em um aumento significativo da oferta de crédito.
2 Fase: Nos países ricos, o retrocesso no ritmo de
expansão apresenta-se ainda mais evidente. A partir de
2009, o ritmo médio de expansão anual do conjunto de
países representados pelos Estados Unidos, Japão e da
União Europeia passou a ser de apenas 38% do
observado na fase anterior à crise de dimensão global. A
situação mais grave ocorre no conjunto dos países
constitutivos da chamada zona do euro, que em 2014
ainda não conseguiu retornar ao nível da produção
estabelecido em 2008. Os Estados Unidos, por exemplo,
registram crescimento médio anual de menos da metade
do apresentado até 2008, enquanto o Japão apontou para
apenas 33% do que se contabilizou no período anterior à
crise.
Mesmo nos países que constituem os BRICS
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), houve
também influência negativa da crise de dimensão global.
Antes de 2008, o crescimento médio anual era de quase
8%, ao passou que decaiu para quase 5% a partir de
2009. Isto é, 60% da taxa de expansão verificada no pré-
crise.
O melhor desempenho dos BRICS entre os
períodos considerados ocorreu na Índia, que registra após
2009 o crescimento médio anual equivalente a 89% da
taxa de expansão da produção verificada até o ano de
2008. Na sequência, constata-se o caso da China, com
variação média anual de 8,6% entre 2009 e 2004 ante
10,4% registrada no período de 2000 – 2008. Ou seja,
17% menor na fase pós 2008 do que o período
imediatamente anterior. O pior desempenho desde o ano
de 2009 foi verificado na Rússia, que apresenta ritmo de
crescimento médio anual de somente 16% do verificado
entre 2000 e 2008. Na sequência da Rússia, observa-se a
África do Sul, cujo crescimento médio anual foi 60%
inferior desde 2009 se comparado ao estabelecido entre
os anos de 2000 e 2008.
3
a
Fase: Em seu último relatório, o órgão reduziu
sua previsão para o crescimento global em 2014 para
3,3% (0,4% a menos que em abril) e 3,8% em 2015. O
banco de investimentos americano Goldman Sachs prevê
que a economia mundial tenha crescido 3% em 2014 e vá
crescer 3,4% neste ano. A Economist Intelligence Unit
(EIU), consultoria ligada à revista britânica The
Economist, calcula a taxa de crescimento de 2,2%, em
2014, e 2,9%, em 2015. "Na comparação com a crise
financeira de 2008, o cenário para 2015 não é
encorajador".
Uma diferença em relação aos anos anteriores é
que 2015 começa com o preço do barril de petróleo
valendo quase a metade do verificado em 2014. Em
meados de dezembro o preço do barril caiu para baixo
dos US$ 65 (R$ 170) e, de acordo com muitos analistas,
poderia cair para US$ 50 (R$ 135) já no primeiro
semestre de 2015. O cenário é desalentador para os
exportadores da matéria-prima, como Rússia, Equador e
Venezuela, para as ações das petroleiras e para os
balanços dos bancos expostos a essas empresas. Mas
por todo o mundo o efeito tende a ser positivo. Nos anos
70 e 80, o preço elevado do petróleo produziu crises
globais. No final do século 20 e começo do 21, com o
petróleo a níveis baixos, a economia mundial cresceu. É
desejável, portanto, o preço da commodity se mantenha
próximo dos níveis atuais, dizem analistas. Mas o petróleo
não é a solução de todos os problemas: o crescimento da
economia global não depende apenas de seu preço.
Calculamos que para cada 10 centavos a menos
no preço do petróleo, a economia mundial cresce 0,1%.
Se o valor do barril se mantiver a esse nível, o impacto na
economia será de 0,3%. É um fator positivo, mas não
resolve todos os problemas econômicos globais. Mesmo
em uma zona de livre comércio como a União Europeia,
pode ter um efeito deflacionário contraproducente, Mike
Jakeman, analista da EIU Global. "Calculamos que para
cada 10 centavos a menos no preço do petróleo, a
economia mundial cresce 0,1%. Se o valor do barril se
mantiver a esse nível, o impacto na economia será de
0,3%. É um fator positivo, mas não resolve todos os
problemas econômicos globais. Mesmo em uma zona de
livre comércio como a União Europeia, pode ter um efeito
deflacionário contraproducente".
Crescimento chinês em 2014
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da
China desacelerou no terceiro trimestre, ficando em 7,3%,
o mais baixo em cinco anos, apesar de os economistas
ressaltaremuma estabilização da segunda potência
econômica mundial. Segundo dados do Escritório
Nacional de Estatísticas (ONS), o PIB chinês registrou
uma expansão de 7,3% entre julho e setembro, o nível
mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009. No
segundo trimestre, o crescimento foi de 7,5%. O dado do
terceiro trimestre é superior à média de 7,2%, prevista por
um painel de 17 analistas entrevistados pela AFP.Nos
primeiros nove meses, a economia chinesa cresceu 7,4%,
segundo ONS, abaixo da meta do governo de 7,5% para
o ano.
A economia chinesa acusa uma redução da bolha
imobiliária, os efeitos de uma vasta campanha
anticorrupção e a fragilidade da demanda da Europa. É
quase certo que o dado vai suscitar dúvidas sobre a força
da economia mundial, mas autoridades econômicas
chinesas e vários analistas deram rapidamente uma
imagem positiva das perspectivas do país. "A economia
registrou uma dinâmica de crescimento estável nos três
primeiros trimestres de 2014", afirmou a ONS em um
comentário, admitindo que "o meio tanto interno como
externo continua muito difícil e nosso desenvolvimento
econômico enfrenta inúmeros desafios".
"A desaceleração se explica em parte pelos
contratempos inesperados e dolorosos provocados pelas
reformas estruturais em curso", explicou Sheng Laiyun,
porta-voz da ONS. O governo de Pequim tem o objetivo
CONHECIMENTOS GERAIS 8
de reequilibrar o modelo econômico, reduzindo os
monopólios dos grandes grupos públicos e as sobre
capacidades industriais, dando um papel maior ao setor
privado e reduzindo a dívida privada. E isso apesar de o
crescimento econômico ter de ressentir-se um pouco.
Produção industrial se fortalece
Depois de um crescimento de 7,7% em 2012 e em
2013 - um nível que não se via desde 1999 -, os analistas
entrevistados pela AFP preveem um crescimento este ano
de 7,3%, o que seria o pior resultado do país em 25 anos.
A deterioração da conjuntura e a desaceleração da
atividade no início do ano levaram Pequim a adotar no
ano passado medidas seletivas - reduções fiscais e
flexibilização monetária limitada - para incentivar os
empréstimos às pequenas empresas. Mas este "miniplano
de relançamento" se viu rapidamente ofuscado por vários
indicadores econômicos divulgados posteriormente.
Segundo o órgão, a produção industrial cresceu 8% em
setembro, muito mais que em agosto (6,9%).
Reunião do G-20 em 2015
Autoridades financeiras do Grupo dos 20 devem
rejeitar uma proposta para definir metas específicas de
investimentos para países para impulsionar uma
economia global que parece cada vez mais dependente
dos Estados Unidos para crescer. A reunião de ministros
das Finanças e presidentes de bancos centrais em
Istambul acontece ao mesmo tempo em que a Grécia
coloca uma nova sombra sobre a Europa, o petróleo
barato causa distúrbios na inflação e projeções de
crescimento e um dólar cada vez mais fortalecido
ameaçam economias emergentes. O vice-primeiro-
ministro Ali Babacan disse que a Turquia que tem a
presidência do G-20 em 2015, prefere definir metas
vinculantes de investimento nacional, mas parece que
enfrenta dificuldades em ganhar apoio. O Secretário do
Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, disse na semana
passada que os EUA não podem ser "o único motor de
crescimento", e uma autoridade norte-americana sênior
disse que a mensagem de Washington novamente será
de que a Europa não está fazendo o suficiente. A
Alemanha, com seu volumoso superávit em conta
corrente e um orçamento equilibrado, tem sido
pressionada em sucessivos encontros do G20 para gastar
mais.
Os líderes das principais economias do mundo
acertaram no ano passado que lançariam novas medidas
para elevar o crescimento do Produto Interno Bruto
coletivo em 2 pontos percentuais adicionais ao longo dos
próximos cinco anos acima do nível projetado em 2013. A
promessa, chamada de Plano de Ação de Brisbane, reúne
cerca de 1.000 compromissos, que agora devem ser
reduzidos para um número mais administrável para sua
execução. Cumprir essas promessas poderia adicionar
mais de 2 trilhões de dólares à economia global e criar
milhões de novos empregos durante os próximos quatro
anos, disse a chefe do Fundo Monetário Internacional,
Christine Lagarde.
Durante a VI Conferência de Cúpula dos BRICS
(julho de 2014) – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia,
China e África do Sul, foi anunciado o acordo que
oficializa a criação do chamado Novo Banco de
Desenvolvimento (NBD). Os BRICS - países emergentes
considerados subdesenvolvidos, mas que, nas últimas
décadas, apresentaram um crescimento industrial alto.
Pertencem ao grupo: Brasil, Rússia, Índia, China e, mais
recentemente, África do Sul. O banco foi criado com o
objetivo de financiar projetos de infraestrutura em países
emergentes.
O projeto do banco dos BRICS vem sendo
discutido desde 2012. No ano passado, em Durban, na
África do Sul, os cinco países deram sinal verde tanto
para essa iniciativa. O NBD foi criado à semelhança do
Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O NBD vai ter capital inicial de US$ 50 bilhões, divididos
igualmente entre os membros fundadores. Entretanto,
esse valor pode chegar a US$ 100 bilhões. Os
empréstimos também poderão ser concedidos a países
emergentes fora dos BRICS.
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, os países terão prazo de sete anos para
disponibilizar o valor, em parcelas crescentes. No caso do
Brasil, o aporte virá de recursos do Tesouro. O acordo
também permite que novos países se associem ao banco.
Entretanto, os cinco fundadores deverão manter um
mínimo de 55% de participação conjunta. A Índia terá o
direito de indicar o primeiro presidente e, a Rússia, o
presidente do Conselho de Governadores. A China
venceu a disputa para sediar a instituição, que ficará em
Xangai. A África do Sul vai sediar o Centro Regional
Africano do banco. Pelos termos do acordo, haverá
rotatividade na presidência do banco.
CRISE POLÍTICA NO BRASIL
Desde 2016 o Brasil vive o momento de maior
instabilidade política e econômica da sua história recente.
Tivemos o impeachment de Dilma Rousseff, a Operação
Lava-Jato (que denunciou um esquema de pagamentos
de propinas bilionárias envolvendo grandes empresas e
vários partidos políticos) e demais escândalos envolvendo
vários políticos (ministros, deputados, senadores e o atual
presidente da República, Michel Temer, acabaram
arrolados nas denúncias sobre corrupção e pagamento de
propinas).
PREVIDÊNCIA SOCIAL
O Congresso Nacional discute este ano uma
reforma na Previdência Social do Brasil, um dos pontos
mais polêmicos e importante para o país tentar amenizar
a atual crise econômica. Muitas pessoas hoje
consideram a previdência social (que é uma poupança
CONHECIMENTOS GERAIS 9
feita pelo governo para garantir ao cidadão uma renda ao
parar de trabalhar) como um grande problema por gerar
muitos custos para a máquina pública. Entretanto é
preciso lembrar que esse sistema garante uma vida digna
para os inativos – e impulsiona o consumo para essas
classes.
O problema começa quando o sistema é mal
gerido e a economia não é forte o suficiente para pagar a
própria previdência. O caso do Brasil é bastante
dramático, pois a renda per capta (se você não sabe o
que é isso, é muito baixa, e a população economicamente
inativa vai passar a crescer cada vez mais. Há também
uma falta de regulação de contribuição e pagamentos
entre o funcionalismo público e empregados da iniciativa
privada. Os dados mostram que um servidor aposentado
custa o triplo de um empregado privado.
RACISMO NO BRASIL E NO MUNDO
Os últimos anos foram marcados pelo grande
número de casos de racismo que ganharam forte
repercussão no país e no mundo. Alguns pela barbárie,
como o atirador que entrou numa igreja e matou nove
pessoas nos Estados Unidos, outros pela exposição,
como o caso da jornalista da TV Globo Maria Júlia
Coutinho, a Maju,atacada pelo Facebook.
OS NOVOS PROBLEMAS DE PRIVACIDADE NA
INTERNET
O assunto parece batido, mas se prestarmos
atenção às notícias dos últimos dois anos vemos que as
discussões têm ganhado grandes proporções. Um
exemplo é a Justiça brasileira, que em 2016 tentou várias
vezes bloquear o aplicativo de conversas WhatsApp. Em
todas elas, a justificativa da Justiça para suspender
temporariamente o serviço foi a mesma: a empresa não
teria liberado uma troca de mensagens que supostamente
ajudariam a comprovar os culpados de algum crime.
SOCIEDADE.
O governo federal publicou duas medidas
provisórias (MPs) 664 e 665 que alteram as regras da
concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas.
Entre eles, a concessão do seguro-desemprego, do
abono salarial, auxílio-doença e pensão por morte. As
medidas alteraram as concessões dos benefícios, com o
intuito de inibir fraudes e gerar uma economia de R$ 18
bilhões ao ano a partir de 2015, segundo informou o
ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante. Se prazo, o
benefício passa a ser contado a partir dos 31º dia, tem
data de início, para fins de pagamento. Se ele der entrada
a partir do 46º dia, esse benefício, terá validade a partir do
requerimento no INSS, o que o leva a ficar sem receber
do 31º até o 46º dia, quando o INSS assume o
pagamento."
A maioridade penal durante o período colonial de
1830 foi instaurado no Brasil com o advento do primeiro
Código Criminal do Império, uma tradição Europeia a fim
de que haja rigor na legislação brasileira, bem como
punição aos infratores de delitos. Essa sistemática
estendeu-se por décadas, porém houve a inobservância a
inimputabilidade do menor, somente com o advento do
Decreto nº 847 promulgado em 11 de outubro de 1890
sob o comando do Chefe de Governo Provisório da
República dos Estados Unidos do Brazil - General Manoel
Deodoro da Fonseca, constituído pelo Exército e Armada,
em nome da Nação, tendo ouvido o Ministro dos Negócios
da Justiça, houve o reconhecimento e a urgente
necessidade de reformar o regime penal, incluindo uma
preocupação específica à maioridade penal quanto à
inimputabilidade. Diante desse contexto o código
Republicano determinava a inimputabilidade absoluta aos
menores de nove anos completos onde o objetivo
principal e primário estava centrado na garantia e
proteção do menor.
Os direitos peculiares ao menor de idade era uma
preocupação de décadas vista pelos juristas, médicos e a
sociedade. Já no início do século XX uma luta árdua
nesse contexto para que haja uma lei que amparasse as
crianças e adolescentes e com ações do Estado que
visassem à moralização e proteção as crianças e
adolescentes, ou melhor, os infanto-juvenis. Durante o
período de 1872 a 1899, havia um acentuado índice de
mortalidade, ainda um aumento da população
correspondente a 279%, e um aumento do índice de
CONHECIMENTOS GERAIS 10
crianças que morriam ao nascer que alcançou 7,7% entre
os anos de 1895 e 1899.
No Brasil foi criado o Decreto nº 17.943 de 12 de
outubro de 1927 o primeiro Código intitulado como Código
de Menores, composto de 123 artigos, conhecido como
Código Mello Mattos, realizado por uma comissão
chefiada pelo jurista José Cândido de Mello Matos, no
qual visava além da proteção da criança que antes estava
desprotegida a repressão aos crimes cometidos na época
por crianças e adolescentes ou infanto-juvenil.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
171/93, de autoria do deputado Benedito Domingos (PP-
DF), há 22 anos divide opiniões e levanta discussões
acaloradas na sociedade, em especial depois que as
redes sociais passaram a ser usadas como meio de
debate e mobilização. Ela propõe uma modificação na
redação do artigo 228 da Constituição. O texto em vigor
diz: "são penalmente inimputáveis os menores de dezoito
anos, sujeitos às normas da legislação especial", e,
dependendo da avaliação do Senado Federal, seria
modificado para "são penalmente inimputáveis os
menores de dezesseis anos, sujeitos às normas da
legislação especial".
A 'legislação especial' a que se refere o artigo 228,
é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA),
instituído pela Lei 8.069 de 13 de julho de 1990. Ela
orienta medidas socioeducativas, desde advertência e
prestação de serviços à comunidade até a internação em
estabelecimento educacional, para adolescentes menores
de 18 anos que pratiquem atos infracionais.
Para o ECA, a internação só deve ocorrer nos
casos de atos violentos ou com grave ameaça, quando há
reincidência de infrações consideradas graves ou quando
há descumprimento de uma medida socioeducativa.
Nestes casos, as internações não podem ser superiores a
três anos e a liberdade deve ocorrer, obrigatoriamente,
aos 21 anos de idade.
AUMENTO DO IDH DO BRASIL EM 2014
O Brasil melhorou em 2013 sua colocação em um
ranking internacional que classifica as nações conforme a
expectativa de vida, os estudos e a renda de suas
populações. O chamado Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) alcançado pelo País é o 79º em uma lista
de 187 países. Em 2012, o Brasil estava na 85ª posição,
mas a metodologia do IDH era outra. Com a aplicação da
atual metodologia à pesquisa anterior, o Brasil teria
aparecido na 80ª colocação no ano passado. O IDH é
calculado desde a década de 90 pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), uma
das várias agências temáticas da ONU. Seu objetivo é ser
uma referência da qualidade de vida que vá além de
análises baseadas no critério de renda. Também leva em
conta a esperança de vida, a expectativa de anos de
estudo e o tempo médio efetivo de estudos.
No Relatório de Desenvolvimento Humano de
2014, que traz o IDH de 2013, o Brasil figura de novo no
grupo dos países com desenvolvimento humano 'alto', a
segunda entre quatro categorias definidas pelo PNUD.
Existem 49 nações com índice “muito alto”, 53 com “alto”,
42 com “médio” e 43 com “baixo”. De 2012 para 2013, só
38 países melhoraram seu IDH e apenas 18, ou seja, 10%
do total, conseguiram ganhar posição. O Brasil faz parte
dos dois times. Segundo o PNUD, à medida que os
países avançam, é mais difícil observar variações no IDH.
Uma da razões para a melhoria do Brasil foi a mudança
nas estatísticas sobre educação usadas pelo PNUD, uma
reivindicação antiga do governo. Até 2013, o IDH recorria
a dados de 2005 sobre a expectativa de tempo de
estudos. O PNUD argumentava que era uma maneira de
tratar os países de modo igual, pois nem todos têm a
mesma capacidade de manter estatísticas atualizadas. As
nações emergentes, Brasil entre elas, reclamavam que
isso era injusto, pois deixava de lado avanços recentes.
Os números utilizados no relatório de 2014 são mais
“frescos”.
Em 2013, informa o estudo, o brasileiro tinha 73,9
anos de esperança de vida (73,8 em 2012), 15,2 anos de
expectativa de anos de estudo (14,2 em 2012), 7,2 anos
de média efetiva de estudo (igual a 2012) e renda per
capita anual de 14,275 mil dólares (14,081 mil dólares em
2012). Essa combinação deu ao País um IDH de 0,744.
Na versão 2012, o índice do País era de 0,742. “O Brasil
melhorou nos últimos 30 anos e será um país ainda
melhor no futuro, mas perde muito no IDH por causa da
desigualdade de renda”, diz Jorge Chedieki, chefe do
escritório do PNUD em Brasília. O país líder do IDH
continua sendo a Noruega, com 81,5 anos de esperança
de vida, 12,6 anos de média de estudo, 17,6 anos de
expectativa de anos de estudo e renda per capita de 63,9
mil dólares por ano. Em seguida aparecem Austrália,
Suíça, Holanda e Estados Unidos. Na América Latina, o
Brasil perde no ranking para Chile (41ª posição), Cuba
(44ª), Argentina (49ª), Uruguai (50ª), Bahamas (51ª),
Antígua e Barbuda (61ª), Trinidad e Tobago (64ª),
Panamá (65ª), Venezuela (67ª), Costa Rica (68ª), México
(71ª) e Ilha de São Cristovão (73ª).
CONHECIMENTOS GERAIS 11
Em 2012, 112.709 pessoas morreram em
situações de violência no país, segundoo Mapa da
Violência 2014. O número equivale a 58,1 habitantes a
cada grupo de 100 mil, e é o maior da série histórica do
estudo, divulgado a cada dois anos. Desse total, 56.337
foram vítimas de homicídio, 46.051, de acidentes de
transporte (que incluem aviões e barcos, além dos que
ocorrem nas vias terrestres), e 10.321, de suicídios. Entre
2002 e 2012, o número total de homicídios registrados
pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do
Ministério da Saúde, passou de 49.695 para 56.337,
também o maior número registrado. Os jovens foram às
vítimas em 53,4% dos casos, o que mostra outra
tendência diagnosticada pelo estudo: a maior vitimização
de pessoas com idade entre 15 e 29 anos. As taxas de
homicídio nessa faixa passaram de 19,6 em 1980, para
57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens.
Segundo o responsável pela análise, Julio Jacobo
Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência
da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais,
ainda não é possível saber “se o que ocorreu em 2012 foi
um surto que vai terminar rapidamente ou se realmente
está sendo inaugurado novo ciclo ou nova tendência”. Ele
lista situações que podem ter gerado o aumento, como
greves de agentes das forças de segurança ou ataques
de grupos criminosos organizados. Uma tendência já
confirmada é a disseminação da violência nas diferentes
regiões e cidades. Entre 2002 e 2012, os quantitativos só
não cresceram no Sudeste. As regiões Norte e Nordeste
experimentaram aumento exponencial da violência. No
Norte, por exemplo, foram registrados 6.098 homicídios
em 2012, mais que o dobro dos 2.937 verificados em
2002.
Amazonas, Pará e Tocantins tiveram o dobro de
assassinatos registrados no mesmo intervalo de tempo.
No Nordeste, o Maranhão, a Bahia e o Rio Grande do
Norte mais que triplicaram os homicídios. Na década, o
Sul e o Centro-Oeste tiveram incrementos percentuais de
41,2% e 49,8%, respectivamente. No Sudeste, a situação
foi mais variada, com diminuição significativa em estados
importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Já em
Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002
e 2012. As desigualdades são vivenciadas entre as
regiões e também dentro dos estados. Nenhuma capital,
em 2012, teve taxa de homicídio abaixo do nível
epidêmico, segundo o Mapa da Violência. Todas as
capitais do Nordeste registraram mais de 100 homicídios
por 100 mil jovens. Maceió, a mais violenta, passou dos
200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a
menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o
número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.
OS ATUAIS BLOCOS ECONÔMICOS DO MUNDO
Os blocos econômicos mundiais estabelecem
relações sociais e econômicas, com certos privilégios, a
grupos de países. Esses blocos são formados a partir de
interesses comuns.
Essa regionalização da economia ganhou força
no mundo todo a partir da década de 90, e hoje grupos
economicamente fortes dominam o cenário
internacional.
Os blocos econômicos são zonas de livre
comércio, que apresentam união aduaneira, mercado
comum e união econômica e monetária.
Veja abaixo a lista dos principais blocos econômicos da
atualidade:
Alca – Área de Livre Comércio das Américas -
Foi criada em 1994 para eliminar as barreiras
alfandegárias entre os 34 países americanos.
Apec - Cooperação Econômica da Ásia e do
Pacífico - Foi criada em 1989 na Austrália. Os países
desse grupo se comprometeram a transformar o Oceano
Pacífico em uma área de livre comércio.
Cei - Comunidade dos Estados Independentes –
Foi criada em 1991. Integra 12 repúblicas que formavam
a antiga URSS.
G-8 – Grupo formado pelos 8 países mais
industrializados do mundo.
Mercosul - Mercado Comum do Sul – Foi criado
na década de 80. O grupo é formado por Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai.
CONHECIMENTOS GERAIS 12
Nafta - Acordo de Livre Comércio da América do
Norte – Foi criado em 1988. Integra economicamente
EUA, Canadá e México.
União Européia –É um dos maiores blocos
econômicos do mundo e com um dos maiores PIBs
(Produto Interno Bruto). O bloco é formado por França,
Itália, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Alemanha,
Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grécia, Espanha,
Portugal, Áustria, Suécia, Finlândia, Letônia, Estônia,
Lituânia, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia,
Polônia, Hungria, Malta e Chipre.
Existem ainda blocos menores, mas também
importantes e estratégicos economicamente, como:
Aec - Associação dos Estados do Caribe
Aladi - Associação Latino-americana de
Integração
Anzcerta - Acordo Comercial sobre Relações
Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia
Asean - Associação de Nações do Sudeste
Asiático
Can - Comunidade Andina, Grupo Andino ou
Pacto Andino
Caricom - Mercado Comum e Comunidade do
Caribe
Efta - Associação Européia de Livre Comércio
Mcca - Mercado Comum Centro Americano
Sadc - Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral
Uma - União do Magreb Árabe
CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS
Os blocos econômicos são classificados em vários
tipos diferentes, que variam conforme o nível de
proximidade e a qualidade da integração entre seus
países-membros.
Um dos aspectos mais proeminentes do mundo
globalizado e da atual ordem mundial é a formação dos
acordos regionais, mais conhecidos como blocos
econômicos, que, ao invés de se estabelecerem como
um contraponto à integração mundial da globalização,
atuaram no sentido de intensificá-la. Hoje em dia, existem
diferentes tipos de blocos econômicos que se organizam
em diferentes denominações e níveis de integração entre
os seus países-membros.
Dessa forma, como existem diferentes objetivos e
distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os
acordos regionais, adota-se uma classificação dos blocos
econômicos a fim de melhor estudá-los. Sendo assim,
eles são postos em uma hierarquia que vai desde a zona
de preferências tarifárias até uma união econômica e
monetária. Confira:
Zona de preferências tarifárias: é um passo
inicial de integração entre os países, de forma que esses
adotam apenas algumas tarifas preferenciais envolvendo
alguns produtos, tornando-os mais baratos em relação a
países não participantes do bloco.
Exemplo: ALADI (Associação Latino-Americana de
Integração).
Zona de livre comércio: consiste na eliminação
ou diminuição significativa das tarifas alfandegárias dos
produtos comercializados entre os países-membros.
Assim como o tipo anterior, trata-se de um acordo
meramente comercial.
Exemplos: NAFTA (Tratado de Livre Comércio das
Américas), CAN (Comunidade Andina), entre outros.
União Aduaneira: trata-se de uma zona de livre
comércio que também adotou uma Tarifa Externa Comum
(TEC), que é uma tarifa que visa taxar os produtos
advindos de países não membros dos blocos. Dessa
forma, além de reduzir o preço dos produtos
comercializados entre os países-membros, a União
Aduaneira ainda torna os produtos de países externos ao
bloco ainda mais caros.
Exemplo: Mercosul (Mercado Comum do Sul). A
TEC, nesse caso, é adotada apenas entre os seus
membros efetivos (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai*).
Mercado Comum: é um bloco econômico que
conta com um avançado nível de integração econômica,
indo muito além de um acordo comercial, pois envolve a
livre circulação de produtos, pessoas, bens, capital e
trabalho, tornando as fronteiras entre os seus membros
quase que inexistentes em termos comerciais e de
mobilidade populacional.
União Política e Monetária: consiste em um
mercado comum que ampliou ainda mais o seu nível de
integração, que passa a alcançar também o campo
monetário. Adota-se, então, uma moeda comum que
substitui as moedas locais ou passa a valer
comercialmente em todos os países-membros. Também é
criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar
uma política econômica comum para todos os integrantes.
O único exemplo de mercado comum e, ao mesmo
tempo, de união política e monetáriaé a União Europeia,
que é hoje considerada o mais importante bloco
econômico da atualidade em razão do seu avançado nível
de integração. Em muitos casos, essa integração alcança
até mesmo as decisões políticas que eventualmente são
tomadas em conjunto pelos países-membros.
* A Venezuela foi suspensa do Mercosul, por
tempo indeterminado em dezembro de 2016.
MERCOSUL E A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA
Definição do Bloco Econômico
A prioridade da Política Externa Brasileira é a
América do Sul, mas dentro da América do Sul, a
prioridade é o Mercosul. E, por fim, dentro do
Mercosul, a prioridade é a Argentina.
O Mercosul é uma União Aduaneira
Imperfeita, pois:
Possui uma Zona de Livre-Comércio, inclusive
com tarifa zero entre diversos produtos (exceto no setor
automobilístico e no açúcar, são alguns produtos que não
gozam de tarifa zero);
É uma União Aduaneira, caracterizada
pela Tarifa Externa Comum (TEC), apesar de possuir
algumas exceções;
Tem intenções de constituir-se em Mercado
Comum, com livre circulação de pessoas, de bens e de
capital (o que ainda não ocorre).
Há imenso grau de superávit do Brasil com a
Argentina, pois os carros que não são feitos na Argentina,
são confeccionados com peças brasileiras. Além disso,
70% dos carros produzidos na Argentina, são exportados
para o Brasil.
CONHECIMENTOS GERAIS 13
Objetivos do Mercosul
A ideia é que o Mercosul seja um mecanismo de
adaptação competitiva na economia global. Dessa forma,
as preferências tarifárias irão possibilitar ganhos de
escala, por exemplo, a Argentina tem setor
automobilístico graças ao mercado brasileiro. Então, no
esboço da globalização assimétrica, o Mercosul possui
um papel chave na economia.
Países Membros do Mercosul
Em 1991, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai
assinaram o Tratado de Assunção, que deu origem ao
Mercosul. Em 1994, com o Protocolo de Ouro Preto, o
Mercosul ganha personalidade jurídica de direito
internacional e, dessa forma, competência para negociar
acordos internacionais. A Venezuela está em processo de
adesão, em que será totalmente integrada ao Mercosul
em 2014.
Em 1996, Bolívia e Chile associaram-se ao
Mercosul. Em 2003, foi a vez do Peru tornar-se membro
associado. E, em 2004, tornaram-se Estados Associados
ao Mercosul Colômbia e Equador. O México participa das
reuniões do Mercosul como País Observador.
Regionalismo Aberto
Segundo Felipe Lampréia, "o Mercosul é o
laboratório da Globalização." O Regionalismo aberto é
compatível com as regras da OMC - Organização Mundial
de Comércio (exceção ao art. 24). Os acordos abertos
podem ser negociados, desde que o nível de proteção do
bloco não seja superior às tarifas em relação à terceiros,
pois quando o Mercosul se consolidou, tanto o Brasil
quanto a Argentina praticavam tarifas altíssimas.
Compensação dos Aspectos Negativos da
Globalização
Considerando-se que a globalização é assimétrica,
o Mercosul possui um perfil de comércio diferente entre os
países do sul, com relação ao comércio com os países do
Norte, o que permite um aspecto mais positivo da
globalização, e, consequentemente, gera uma
globalização mais simétrica. Por causa do Mercosul, o
Brasil passou a ter vantagem comparativa, que não tinha
com os outros países, por exemplo, televisão e monitores
de LCD.
Aumento do Poder Global de Barganha dos
Estados Partes: Os países precisam dos mercados
consumidores dos outros Estados que, por sua vez,
necessitam dessa dependência.
É preciso que os países se unam para aumentar a
competitividade mútua. As correntes econômicas mais
importantes estão no Atlântico Norte, e o Mercosul está
no Atlântico Sul, ou seja, é esquecido pela economia
global. Então, os países do sul devem se unir para fazer
frente aos países do norte.
Identidade Diplomática
O Mercosul faz parte da identidade diplomática.
O Mercosul nasceu com personalidade jurídica em 2004,
coincidindo com a criação da ALCA. Por isso, o Mercosul
foi sobrevalorizado em razão da ameaça da ALCA.
Porém, nos dias atuais, a ALCA fracassou e o Mercosul
teve êxito.
Legitimidade do Mercosul
O Mercosul é um fator de legitimidade da Política
Externa Brasileira, é um símbolo da capacidade de
construção de consensos, pois o Brasil não fala sozinho,
ele fala com mais quatro países. Em 1980, todos os
países do Mercosul sofreram democratização, e o
Mercosul aparece para melhorar vulnerabilidades
decorrentes da democratização. A Cláusula Democrática
é consequência dessa relação em prol da democracia.
As relações entre o Brasil e a Argentina sempre
tiveram um padrão de Afastamento e Aproximação, como
por exemplo na Guerra do Paraguai, na Guerra das
Malvinas, com Perón e com Frondisi, após o qual, veio o
Golpe Militar. No final da década de 1970, há uma
aproximação sistêmica entre Brasil e Argentina, e os dois
países caminham para uma Política Externa mais
próxima. Nessa época, cessam os retrocessos com o
acordo Tripartite entre Brasil, Argentina e Paraguai, na
hidroelétrica de Itaipu.
Política Externa Brasileira
Há uma correlação de forças desfavorável para os
países em desenvolvimento. Dessa forma, os países
desenvolvidos se recusam em abrir seus mercados para
os produtos dos países em desenvolvimento, pois os
países desenvolvidos voltam seus interesses para
aumentar a Segurança.
Há uma correlação de forças entre os países do
sul, com convergência de interesses. O Brasil pode adotar
a estratégia da Integração Regional para tornar-se um
Global Player. A integração regional não é uma opção de
um governo específico, é uma escolha racional e lógica
do Estado.
Como o Mercosul é uma prioridade de Estado, a
aproximação entre Brasil com a Argentina é necessária.
Essa aproximação sistêmica começou no Governo de
Figueiredo, depois foi continuada nos governos Sarney,
Collor e Itamar, e foi aprofundada nos Governos de
Fernando Henrique Cardoso e no Governo Lula. O
Mercosul sempre se manteve como prioridade,
independentemente do Governo, pois não é uma escolha
política, é uma escolha racional e lógica.
Segundo Fernando Henrique Cardoso, "para o
Brasil, o Mercosul não é um mercado, é um destino".
Segundo Lula, "a prioridade da Política Externa
Brasileira é a construção de uma América do Sul
próspera, unida e politicamente estável e esse esforço
passa por uma revitalização do Mercosul."
TEMAS DIVERSOS
REFORMA TRABALHISTA
No dia 11 de novembro de 2017 entrou em vigor a
reforma trabalhista, cujo projeto de lei havia sido
CONHECIMENTOS GERAIS 14
sancionado em julho pelo presidente Temer. As principais
alterações consideram que:
Férias: podem ser divididas em até 3 vezes
(antes havia a possibilidade de serem divididas em até 2
vezes)
Jornada de trabalho: até 12 horas diárias (antes,
8)
Grávidas e lactantes: podem trabalhar em locais
que apresentem graus médio e leve de insalubridade
(antes estavam proibidas dessa condição)
Tempo de deslocação: o tempo gasto para
chegar ao trabalho por aqueles que têm dificuldades com
meios de transporte em decorrência da falta de acesso
não é contado como hora de trabalho (antes era).
MOBILIDADE URBANA
O tema mobilidade urbana esteve em discussão
em 2017. Isso porque o aumento da população leva à
crescente dificuldade de deslocamento nas grandes
cidades brasileiras e, em consequência, resulta em um
grande desafio de gestão pública.
Dentre outros fatores, a qualidade do transporte
coletivo leva ao uso preferencial dos transportes
individuais. Essa atitude reverte em congestionamentos
frequentes e aumenta a poluição no país.
Ao passo que o índice populacional aumenta, o
registro de veículos também aumenta, chegando a existir
1 carro por cada 1,8 habitante em Curitiba. Essa é a
capital com mais carros do Brasil.
Uma das soluções apresentadas é o rodízio, o qual
é adotado em São Paulo. Nessa cidade, conforme o final
das placas, há um dia dasemana (em horários
determinados) em que carros e caminhões não podem
circular.
Além do rodízio, a deslocação por meio de
bicicletas ou por transportes públicos são outras medidas
que visam atenuar essa situação.
OPERAÇÃO LAVA JATO
A operação Lava Jato é o maior escândalo de
lavagem e desvio de dinheiro da história brasileira. Com
ela, caiu a credibilidade internacional do Brasil. Ela
envolve políticos, grandes empreiteiros e aquela que é
uma das maiores petrolíferas do mundo e também a
maior empresa estatal do Brasil, a Petrobras.
As empreiteiras combinavam os preços das obras
simulando uma concorrência real. Isso fez com que as
organizações envolvidas enriquecessem e, em
contrapartida, resultou num grande prejuízo aos cofres
públicos.
Descoberta em março de 2014, as investigações
continuaram em 2017, ano que surge entre os
investigados o nome do presidente Michel Temer.
CENTENÁRIO DA MORTE DE OLAVO BILAC
Em 2018, completa-se 100 anos da morte do autor
do nosso Hino à Bandeira e um dos escritores mais
importantes do Parnasianismo no Brasil.
Olavo Bilac é conhecido como "Príncipe dos
Poetas Brasileiros", título que recebeu em 1907. Além
disso, é membro fundador da Academia Brasileira de
Letras e patrono do serviço militar.
Defensor da obrigatoriedade do serviço militar,
com outros intelectuais, fundou a Liga da Defesa
Nacional. Tendo em conta o seu ideal cívico, o Dia do
Reservista é comemorado no dia do seu nascimento, 16
de dezembro.
OPERAÇÃO CARNE FRACA
A operação Carne Fraca foi descoberta em março
de 2017. Nela, grandes empresas brasileiras do ramo de
carnes são investigadas pelo crime de adulteração de
seus produtos, incluindo também os crimes de lavagem
de dinheiro e outros.
O Brasil é um dos maiores produtores de carne do
mundo. Segundo a investigação, a carne vendida em
território nacional ou exportada para outros países não
eram próprias para consumo.
Passando por licenças e fiscalizações irregulares
as carnes eram submetidas a substâncias químicas que
davam à carne vencida o aspecto de carne fresca. Além
disso, para que ela pesasse mais, água era injetada nas
peças de carne.
Em dezembro de 2017, o veterinário Flávio Cassou
(que está preso) disse em depoimento que o deputado
federal Sérgio Souza (PMDB-PR) recebia uma mesada de
R$ 20 mil do esquema.
INTOLERÂNCIA
A intolerância tem sido um assunto constante
quando se fala do mundo, especialmente no que respeita
à xenofobia. Acontece que no Brasil a intolerância tem
CONHECIMENTOS GERAIS 15
aumentado largamente em vários campos, passando de
forma despercebida por alguns.
Não só a intolerância racial ou sexual, como
a intolerância religiosa tem crescido no País. Ao passo
que a diversidade religiosa aumenta, também aumenta
esse tipo de discriminação entre os brasileiros.
Por isso, desde 2007, há um dia dedicado a esse
tipo de intolerância - Dia Nacional de Combate à
Intolerância Religiosa.
CRISE ECONÔMICA
O governo conseguiu driblar a crise mundial a
partir de 2008, no entanto, não conseguiu manter as
medidas tomadas, o que provocou um grande
desequilíbrio nas contas públicas. Eram essas medidas
que estimulavam o consumo no Brasil.
Além de tudo isso, a situação é agravada pela
desconfiança no Brasil pelos outros países, o que surge
com os sucessivos escândalos de corrupção.
Para tentar salvar a situação, uma das propostas
do governo anunciada em 2017 é a privatização de cerca
de 57 estatais, dentre as quais da Eletrobras - Centrais
Elétricas Brasileiras S.A., que tem sede no Rio de Janeiro.
No pacote ainda está incluída a privatização da
Casa da Moeda.
Congonhas, o aeroporto doméstico da cidade de
São Paulo, que estava incluído no pacote de
privatizações, foi retirado da lista.
REFORMA POLÍTICA
A reforma política está em análise. A proposta
contempla mudança no sistema eleitoral, as coligações, o
financiamento das campanhas eleitorais, entre outros.
Na mesa está a previsão do fim das coligações
partidárias. O voto distrital acabaria com a eleição de
deputados pelo sistema proporcional, que faz com que os
mais votados de um partido elejam os menos votados.
Assim, seriam eleitos apenas os mais votados.
Outra ideia é criar um fundo eleitoral destinado às
campanhas. Na sequência, os horários eleitorais
deixariam de ser transmitidos pela tv e pela rádio, sendo
realocados para meios publicitários menos dispendiosos.
Na proposta ainda são citadas a adoção do voto
facultativo, bem como a mudança do sistema de governo,
de Presidencialismo para Parlamentarismo.
CONDENAÇÃO DE LULA
Em julho de 2017 o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva foi condenado na Operação Lava Jato. Trata-se
de uma ocorrência inédita na história do Brasil, uma vez
que nenhum ex-presidente da república havia sido
condenado antes.
A acusação decorre do recebimento de um
apartamento triplex no Guarujá da Construtora OAS, S.A.
como propina em troca de contratos com a Petrobras e da
nomeação de diretores que favoreciam a empresa.
A pena de 9 anos e 6 meses de prisão foi
aumentada para 12 anos e 1 mês após, em janeiro de
2018, tribunal ter condenado Lula em segunda instância
pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Enquanto não se esgotarem todos os recursos, Lula
aguarda em liberdade.
SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO
No início de 2017, mais de 100 detentos morreram
em decorrência de guerras de facções dentro dos
presídios. Logo no dia 1.º de janeiro, foram 60 mortes
apenas no estado do Amazonas.
A situação levanta, mais uma vez, a discussão
para o problema das condições e superlotação das
penitenciárias no Brasil.
O Brasil é o país que tem a 4.ª maior população
carcerária do mundo. Com mais de 600 mil presos, mais
de 200 mil aguardam por julgamento. O número de vagas,
no entanto, revela que há um déficit de 250 mil vagas,
conforme dados de 2014.
ESTUPRO
O aumento no número de estupros no Brasil tem
estado em discussão. Segundo dados divulgados pelo
Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 45 460
pessoas foram vítimas de estupro no nosso país em 2015.
A maior parte são crianças e adolescentes, vítimas de
pessoas conhecidas por elas, inclusivamente parentes.
Em função desses dados, há muita discussão em
torno do que se chama “cultura do estupro”, que é o fato
de delegar a culpa da agressão à própria vítima.
CONHECIMENTOS GERAIS 16
Grande parte das pessoas acredita, por exemplo,
que em muitas situações a vítima se expõe exibindo
roupas que despertam a sensualidade.
Em 2016, um caso chocou o País. Uma
adolescente de 16 anos foi estuprada por 30 homens no
Rio de Janeiro.
CHACINA MATA 14 NO CEARÁ E É A MAIOR NA
HISTÓRIA DO ESTADO
Uma chacina matou 14 pessoas em uma festa no
bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza. Homens
armados invadiram o local e dispararam aleatoriamente
contra o público do Forró do Gago. Segundo a Secretaria
de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, trata-se
da maior chacina já registrada no estado.
Das vítimas, sete já foram identificadas. Os nomes
não foram divulgados, mas a secretaria informou que três
são homens maiores de idade e quatro são mulheres,
duas maiores e duas adolescentes. Pelo menos seis
pessoas atingidas no tiroteio seguem internadas no
Instituto Doutor José Frota (IJF), maior centro médico de
urgência e emergência da capital. O secretário da
Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, afirmou
em coletiva de imprensa que duas estão em estado grave.
Em entrevista à imprensa, o secretário afirmou que
as investigações já foram iniciadas, mas que ainda não é
possível precisar o motivo do crime. “O que nós temos de
concreto é que, às 0h39min, recebemos uma chamada da
Ciops [Coordenadoria Integrada de Operações de
Segurança] de um tiroteio em um local no bairro das
Cajazeiras, conhecido como Forró do Gago. De imediato,
viaturas do Cotam [Comando Tático Motorizado]compareceram ao local, depois outras viaturas foram.
Chegando lá, encontraram corpos e foram feitos trabalhos
periciais”, afirmou.
Facções criminosas
A chacina reitera o cenário de violência que marca
o estado atualmente. O Atlas da Violência 2017, estudo
realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, mostra que a taxa de homicídios por 100 mil
habitantes no estado do Ceará cresceu 47% entre 2010 e
2015, ano em que foram contabilizados 4.163 homicídios.
CHACINA E COLAPSO NAS PRISÕES BRASILEIRAS
Nestes poucos dias do Ano da graça de 2017, o
Brasil e o Mundo viram estarrecidos o massacre brutal de
cerca de pelo menos 134 detentos, dentro das prisões do
país. Logo nos primeiros dias deste novo ano a sociedade
brasileira foi surpreendida pela tragédia da rebelião
ocorrida no Complexo Prisional Anisio Jobim, em Manaus,
quando 56 presos foram executados e 87 fugiram. Quatro
dias depois 33 presos foram mortos em prisão de
Roraima, na Penitenciaria Agrícola de Monte Cristo. O
presídio tem mais de 1400 internos, muito mais que o
dobro de sua capacidade.
O movimento se alastrou. Na Penitenciaria de
Alcaçuz, Rogerio Coutinho Madruga (seguindo o veso
tipicamente brasileiro de dar nome de políticos e
autoridades a cada edifício público) a cadeia do Rio
Grande do Norte, inaugurada em 1998, fica a uns 50 km
da capital Natal, plantada no meio de dunas, com vista
para o mar. Aí eclodiu na madrugada do dia 17, pavorosa
rebelião que durou mais de 72 horas e foi difícil de ser
controlada. O cenário é belíssimo e contrasta com a
arquitetura miserável do local. Seu entorno é feito de areia
fofa, propósito expresso para evitar a fuga de presos, mas
o que dificulta a chegada de viaturas. O governo liberou
verbas para compra de brita e asfalto para abrir as
primeiras estradas de acesso ao presídio de carros de
agentes e da polícia.
Parte dos internos subiram nos telhados de alguns
dos quatro pavilhões, exibiam bandeiras de facções rivais,
arrancaram telhas e madeirame dos telhados, que lhes
serviam de armas. No final da manhã, foi possível ouvir
do lado de fora da prisão, o barulho de tiros e de bombas,
vindo da penitenciária. O motim deixou pelo menos 26
mortos. O Presidio está superlotado; onde cabem 500
pessoas, tem muito mais de mil, em cubículos sem
ventilação e no calor estafante do Nordeste.
As vitimas foram brutalizadas, decapitadas,
mutiladas, esquartejadas. O Presídio teve novo motim em
17 de janeiro, e os detentos montaram barricadas dentro
da unidade prisional. As brigas se deram entre as facções
rivais: o PCC, com cerca de 400 pessoas e o “Sindicato
do Crime”, com quase 600. As Forças Militares tentaram
separar as duas facções, evitando mais mortes. O
governador prometeu contratar mais 700 agentes
penitenciários.
O sistema prisional brasileiro abriga a quarta maior
população de presos de todo o planeta: são mais de 600
mil, em sua maioria jovem, de origem humilde, semi
alfabetizada e negra. Desse total cerca de 220 mil estão
em prisão provisória, sem previsão de quando os juízes
irão determinar se são réus ou se podem obter a
liberdade.
O sistema prisional do Espírito Santo é tido, como
modelo, pois depois da reestruturação feita pelo
Secretario da Justiça, em 2016, o número de mortes foi
reduzido nas prisões. Alguns o consideram como exemplo
de gestão, com a implantação da chamada “arquitetura
primoral”. O governo do Estado gastou R$ 500 milhões na
reforma e construção dos presídios. Eram 13 unidades
em 2005 e são 35 em 2017, com mais 3 previstas para o
próximo ano.
O importante, segundo o Secretário da Justiça, é a
forma como foram construídos e que segue o modelo
arquitetônico dos Estados Unidos, no qual os detentos
ficam divididos em três galerias de celas que não se
comunicam entre si. O edifício tem também salas
especificas, onde os presos podem ter aulas. Escolas
funcionam em 29 unidades; podem participar de oficinas
profissionalizantes, além de ter espaços para atendimento
médico. Esse atendimento material, educacional, jurídico,
médico e trabalhista à população carcerária, tem o apoio
da população, e é prevista pela lei brasileira. Essa
estrutura permite ao governo aumentar o controle diário e
implantar iniciativas de ressocialização que ajudam na
diminuição da tensão interna.
Mas, o Espírito Santo é um dos Estados que mais
prendem e é muito grande o número de presos
provisórios, num encarceramento que mais cresce no
país. Seus internos vivem num regime de forte controle,
onde se usa da velha tortura policial, para faltas, mesmo
as mais leves, como forma arcaica de manter a disciplina
e o pavor, pois acredita-se ainda que a tortura impede as
rebeliões. É um sistema que não leva em consideração a
humanização, e deixa o preso amontoado, em cubículos
superlotados, sem ventilação e por 23 horas, num calor
intenso. O preso só tem uma hora de banho de sol por
dia.
“O sistema prisional brasileiro abriga a quarta
maior população de presos de todo o planeta: são
mais de 600 mil, em sua maioria jovem, de origem
humilde, semi alfabetizada e negra”.
A reação ao massacre dos presos de Manaus, de
Roraima e agora do Rio Grande do Norte, tudo em
CONHECIMENTOS GERAIS 17
poucos dias, foi imediata na imprensa internacional e
nacional, nas lideranças de Direitos Humanos, em
organismos de toda parte, como a Human Rights Watch
do Brasil que denuncia o fracasso absoluto do Estado
brasileiro nesse sentido. Forte foi ainda a preocupação do
líder mundial, o Papa Francisco, que afirmou: “eu gostaria
de renovar meu apelo para que as instituições prisionais
sejam locais de reabilitação social e que as condições de
vida dos detidos sejam dignas de seres humanos”. O Alto
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos
Humanos também se pronunciou e cobrou investigação e
punição dos responsáveis pelo crime hediondo. A OAB
anunciou que irá levar o caso para a Corte Interamericana
de Direitos Humanos. Outras organizações e jornais de
vários países destacaram a pavorosa e chocante chacina.
Pressionado, o Presidente Michel Temer anunciou
a construção de mais cinco centros de segurança máxima
para enfrentar a crise, além de verbas para os Estados
afetados e do envio de Forças Nacionais de Segurança
(que não estão treinadas para esse tipo de confronto)
para acabar com as rebeliões e chacinas. Temer
anunciou ainda a liberação do uso das Forças Armadas
para enfrentar o domínio dos presos no governo interno
dessas prisões. Mas esses soldados nunca foram
preparados para essa função policial.
Polícia e Forças Armadas são organizações de
formação e estilos diferentes. O aparato militar nos
presídios é um erro constitucional; distorce a objetivo
primeiro das Forças Armadas que é a defesa da Pátria.
Segundo o Presidente, as Forças Armas vão para
inspecionar as prisões e eliminar armas, celulares, etc.,
mas não agirão junto aos presos (o que seria
inconstitucional). No entanto, se o sistema carcerário é
incapaz de manter a ordem nos presídios, cabe à
segurança dos Estados restabelecer a ordem.
A imprensa nacional começou atribuindo o fato
primordialmente às disputas entre lideranças de facções
criminosas rivais e de traficantes de drogas e de armas,
que dominam as prisões do país. Uma delas é a Família
do Norte do Amazonas, que controla a quase totalidade
do tráfico de drogas da região Norte do País, região
vizinha da Colômbia, Venezuela e Peru; outra estaria
ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que
domina o crime organizado e as cadeias de São Paulo, na
rota do tráfico de drogas e de armas que vem do Paraguai
e da Bolívia. Inclui-se ainda o Sindicato do Crime, do Rio
Grande do Norte, que domina 28 das 32 cadeias desse
Estado.
Nova e poderosa facção criminosa nasceu de uma
dissidência do PCC, em 2013, e logo dominou o
submundo das prisões, buscando o monopólio da venda
de drogas, dentro e fora dos presídios, Hoje o Sindicato é
o inimigomortal do PCC. O Rio Grande do Norte entrou
na mira do PCC por ser um dos Estados brasileiros mais
próximos da Europa, destino final de parte das drogas
contrabandeadas pelos paulistas e uma das mais
lucrativas rotas do tráfico internacional. Por aí se vê que o
massacre dentro das cadeias do Brasil tem tudo a ver
com o tráfico mundial de drogas e de armas.
“A reação ao massacre dos presos de Manaus,
de Roraima e agora do Rio Grande do Norte, tudo em
poucos dias, foi imediata na imprensa internacional e
nacional, nas lideranças de Direitos Humanos, em
organismos de toda parte, como a Human Rights
Watch do Brasil que denuncia o fracasso absoluto do
Estado brasileiro nesse sentido”
Pouco se falou sobre a realidade vivida atrás das
grades. E é necessário considerar que não há espaço
mais apropriado para a preparação de rebeliões do que o
ócio nos presídios, aliado à negligencia de seus
administradores, ao permitirem, por ação ou por omissão,
que o PCC ou as outras facções passassem a coordenar
de fato as cadeias.
As explicações são mais complexas e as causas
vêm de muito mais tempo. Não se limitam a essas
explicações imediatas. A mais forte explicação está antes
de tudo na permanente e na persistente ausência do
poder público em fazer cumprir sua obrigação de zelar
pelo que ocorre no interior do sistema prisional, na
prevenção e na repressão dos delitos nas cadeias, no
combate à tortura pelos agentes penitenciários contra os
presos, como manda a lei.
A preservação da vida do detento é dever do
Estado. A ação de prender e de soltar pessoas é
exclusiva dos juízes. E a maioria dos juízes, para facilitar
sua tarefa, prende preventivamente a maioria dos
flagrantes e lá deixa, sem pressa de verificar cada caso e
eventualmente dar ordem de soltura. Colaboram assim
para a lotação excessiva das cadeias. Levantamento do
próprio Conselho Nacional de Justiça constatou que, na
maioria dos Estados brasileiros, os juízes mais prendem
do que soltam. Estima-se que haja mais de 200 mil presos
em regime de prisão provisória. O fracasso absoluto do
Estado nesse sentido viola os direitos dos presos.
A outra explicação está na altíssima superlotação
do sistema de encarceramento, não apenas de adultos,
mas também do sistema de internamento de jovens
menores de idade, contrariando todos os princípios de
Direitos Humanos e desrespeitando seriamente o respeito
à dignidade da pessoa humana que está sob a custódia
do Estado e o direito de ressocialização do preso. A
guerra nas prisões é resultante de uma política de
encarceramento em massa, que amplifica as péssimas
condições das prisões brasileiras. A prisão em flagrante
nas ruas sempre foi a regra e a investigação a exceção.
Mas há outra explicação de causa mais profunda:
a inexistência da educação de valores éticos e sociais na
família e particularmente na escola, em todos os seus
níveis. Não há uma educação para a Paz, que se
anteponha à tendência perversa que existe em cada ser
humano. Inexiste o conhecimento dos Direitos Humanos
de cada cidadão, causa pétrea da Constituição brasileira.
Em sentido inverso a imprensa falada, escrita e
televisionada ajuda na educação para a violência, ao
mostrar predominantemente casos de violência
doméstica, de assassinatos, de latrocínios e outros. Cada
jornal de noticias vem coberto por casos de violência, com
ênfase nas novas formas perversas de agressão ao ser
humano ou a seu patrimônio inventadas pelos agressores.
É uma verdadeira escola que desperta, incentiva,
multiplica os exemplos novos de delinquência. Foi assim,
para citar aqui alguns poucos exemplos, o relato do
primeiro seqüestro relâmpago; ou da descrição detalhada
e didática da primeira explosão de caixa eletrônica (e seu
resultado estimulador de resgate imediato de milhares e
milhares de dinheiro vivo de notas monetárias), do roubo
em estradas de caminhões com cargas preciosas. Desses
primeiros poucos exemplos que aqui lembramos,
originaram-se milhares de novas violências, multiplicando-
se as prisões provisórias.
O governo, nacional, regional e local abandonou
de há muito, abandona ainda hoje, na periferia e nas
favelas das cidades, parte considerável de sua sociedade.
Está ai o reduto de grupos de traficantes de drogas e de
armas, donos desses espaços. Não há praticamente
programa político eficaz, nem forças policiais que possam
garantir indefinidamente a tranquilidade. A desigualdade
social injusta pode provocar, por parte dos excluídos do
CONHECIMENTOS GERAIS 18
sistema político, social e econômico, reações de violência.
Assim como o bem tende a difundir-se, também o mal,
que é a injustiça, tende a expandir-se e a minar
silenciosamente as bases de qualquer sistema político e
social. Defender privilégios, silenciar frente à corrupção,
alimentar a sede de vingança, segregar os condenados,
contribuir para o desemprego é envenenar nosso próprio
futuro.
“Levantamento do próprio Conselho Nacional
de Justiça constatou que, na maioria dos Estados
brasileiros, os juízes mais prendem do que soltam.
Estima-se que haja mais de 200 mil presos em regime
de prisão provisória. O fracasso absoluto do Estado
nesse sentido viola os direitos dos presos”
É preciso ter metas claras para a redução da
população prisional. E o sistema carcerário não pode
violar os direitos fundamentais do preso. Na democracia
em que vivemos o condenado, o preso, não tem o direito
de votar. Estão na mesma situação que há poucas
décadas atrás estavam os analfabetos, as mulheres, os
religiosos, categorias que precisaram de longas lutas para
obter o direito de cidadania.
Como qualquer um reconhece, o preso que sai da
cadeia é mais perigoso do que quando entrou. Na
realidade, o presídio é a escola que está a serviço do
tráfico de drogas e de armas. Assim, quanto mais se
prende mais se fortalece o crime no sistema carcerário.
Segundo a Pastoral carcerária do Brasil, o que o
preso de todas as prisões mais pede para ler é o Código
Penal, mas isso é proibido em quase todos os cárceres do
país. Eles não podem conhecer a lei que mostra quais
são seus direitos. O temor dos agentes penitenciários é
que esse conhecimento possa desencadear rebeliões
internas.
Como o próprio Conselho Nacional de Justiça
reconhece, 44% dos presos no País são provisórios. Isso
em grande parte por serem pobres sem condições de
pagar um advogado que os defenda pessoalmente,
descubra sua situação, como manda a lei.
A Lei Complementar n. 80, de 12 de janeiro de
1994, expedida pela Presidência da República, por meio
de sua Casa Civil organiza a Defensoria Pública da União,
extensiva aos Estados e Municípios. A Defensoria Pública
diz a Lei “é uma instituição permanente, essencial à
função jurisdicional do Estado, como expressão virtual do
regime democrático, fundamental, da orientação jurídica,
da promoção dos direitos humanos e da defesa em todos
os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e
coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados”.
Essa Lei foi modificada em 2009 (Lei Complementar
132/2009) que alterou substancialmente a lei orgânica da
Defensoria Pública da União de 1994. “Cabe aos
Defensores Públicos Federais defender a primazia da
dignidade da pessoa humana, a redução das
desigualdades sociais e a prevalência e efetividade dos
direitos humanos dos necessitados em todos os graus”.
Mas o número de defensores públicos é
extremamente pequeno face ao número dos que deles
necessitam. A ANADEP e o Ipea lançaram, em março de
2013, uma pesquisa inédita que comprova a falta de
defensores públicos em 72% das comarcas brasileiras, ou
seja, a Defensoria Pública só está presente em 754, das
2.680 comarcas distribuídas em todo o país.
De acordo com a pesquisa, dos 8.489 cargos de
defensor público criados no Brasil, apenas 5.054 estão
providos (59,5%). Além disso, Paraná e Santa Catarina,
os últimos estados a criarem suas Defensorias Públicas,
em 2011 e2012, respectivamente, ainda não têm o órgão
efetivamente implantado, assim como Goiás e Amapá.
Os únicos estados que não apresentam déficit de
defensores públicos, considerando o número de cargos
providos, são Distrito Federal e Roraima; os que possuem
déficit de até 100 defensores públicos são Acre,
Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Paraíba,
Rondônia e Sergipe. Os estados com maiores déficits em
números absolutos são São Paulo (2.471), Minas Gerais
(1.066), Bahia (1.015) e Paraná (834). O déficit total do
Brasil é de 10.578 defensores públicos. Mais uma vez fica
registrada a ausência dos governos na defesa dos mais
pobres e necessitados.
Concluímos este pequeno escrito com as palavras
do Papa Francisco em sua Mensagem para a celebração
do Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2014: “No
coração de cada Homem e de cada Mulher habita o
anseio de uma vida plena que contém uma aspiração
irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com
os outros, em que não encontramos inimigos ou
concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e
abraçar”.
BULLYING
De acordo com o Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, a cada dez
estudantes um é vítima de bullying no Brasil.
O bullying é a pressão psicológica ou atos de
violência sofridos por colegas na escola. Esse tipo de
atitude decorre principalmente em consequência da
aparência física, classe social, cor da pele e preferência
sexual.
Humilhados com frequência, os estudantes têm a
tendência de se deixar intimidar, sofrendo calados por
vergonha. Isso leva à desmotivação e redução no
rendimento escolar.
NAUFRÁGIOS
Dois naufrágios chocaram o Brasil em agosto de
2017. Um aconteceu no dia 22 no Pará, quando uma
lancha de passageiros (sem licença) levou mais de 20
pessoas à morte e vários desaparecidos.
Dois dias depois, na Bahia, fato semelhante
aconteceu deixando 18 pessoas mortas. A lancha, que
apresentava péssimas condições e que transportava 133
pessoas, virou 10 minutos depois de ter zarpado.
Os acidentes levantaram à discussão sobre a
precariedade do transporte náutico no País.
https://www.todamateria.com.br/bullying/
CONHECIMENTOS GERAIS 19
COTAS SOCIAIS E RACIAIS
O debate sobre as cotas tem estado em cima da
mesa desde que a então presidente Dilma Rousseff
sancionou o projeto de lei das cotas.
De acordo com a lei, uma percentagem das vagas
no ensino superior devem ser reservadas para os alunos
vindos da rede pública e para negros, pardos ou
indígenas.
MASSACRE INDÍGENA
As autoridades brasileiras investigam um
massacre indígena ocorrido em maio de 2017, o qual tem
como suspeitos garimpeiros ilegais.
Além da investigação desse crime, também está
em curso a investigação do massacre de pelo menos 10
índios flecheiros, forma como são conhecidos. Esse
ocorreu em agosto do mesmo ano e suspeita-se que
tenha sido ordenado por um produtor agrícola.
Ambos ocorreram numa tribo da Amazônia, onde
os índios não têm contato com o homem branco. Isso
porque a tribo é bastante isolada e o acesso somente é
possível através de barco.
FIM DA MISSÃO DE PAZ NO HAITI
No dia 31 de agosto de 2017 foi oficialmente
encerrada a Missão das Nações Unidas para
Estabilização do Haiti (Minustah). Iniciada em 2004, após
13 anos as Forças Armadas do Brasil deixam o país e a
missão de paz que contou com tropas de 15 países e que
foi liderada pelos brasileiros.
O objetivo da missão era restabelecer a
estabilidade no Haiti na sequência da destituição do
presidente que resultou numa grave crise de violência.
Nesse período, entretanto, o Haiti passou também
por um terremoto que deixou cerca de 200 mil mortos e
mais de 1 milhão de desabrigados.
Esta foi a primeira Missão de Paz das Nações
Unidas comandada pelas Forças Armadas Brasileiras.
ELEIÇÕES 2018
No dia 7 de outubro de 2018 os brasileiros votam
para Presidente da República, governadores, senadores e
deputados federais e estaduais.
Caso necessário, o segundo turno tem lugar no dia
28 de outubro.
Em fevereiro de 2018 peritos da Polícia Federal
divulgaram nota a defender a impressão do voto após
votação eletrônica. Essa seria uma forma de conferência
que visa inibir as fraudes. A ideia, no entanto, é
contestada pela procuradora-geral da República.
CRISE POLÍTICA NO BRASIL
Desde 2016 o Brasil vive o momento de maior
instabilidade política e econômica da sua história recente.
Tivemos o impeachment de Dilma Rousseff, a Operação
Lava-Jato (que denunciou um esquema de pagamentos
de propinas bilionárias envolvendo grandes empresas e
vários partidos políticos) e demais escândalos envolvendo
vários políticos (ministros, deputados, senadores e o atual
presidente da República, Michel Temer, acabaram
arrolados nas denúncias sobre corrupção e pagamento de
propinas). Quem conhece a série House of Cards, do
Netflix (aliás, recomendadíssimo pela equipe do
Vestibular.com.br!) sabe que a vida real na política
brasileira já é muito mais eletrizante (e decepcionante, por
tratar de crimes envolvendo o nosso patrimônio públicos)
que a ficção.
PREVIDÊNCIA SOCIAL
O Congresso Nacional discute este ano uma
reforma na Previdência Social do Brasil, um dos pontos
mais polêmicos e importante para o país tentar amenizar
a atual crise econômica. Muitas pessoas hoje
consideram a previdência social (que é uma poupança
feita pelo governo para garantir ao cidadão uma renda ao
parar de trabalhar) como um grande problema por gerar
muitos custos para a máquina pública. Entretanto é
preciso lembrar que esse sistema garante uma vida digna
para os inativos – e impulsiona o consumo para essas
classes.
O problema começa quando o sistema é mal
gerido e a economia não é forte o suficiente para pagar a
própria previdência. O caso do Brasil é bastante
dramático, pois a renda per capta (se você não sabe o
que é isso, dê uma lida neste texto antes de continuar) é
muito baixa, e a população economicamente inativa vai
passar a crescer cada vez mais. Há também uma falta de
regulação de contribuição e pagamentos entre o
funcionalismo público e empregados da iniciativa privada.
Os dados mostram que um servidor aposentado custa o
triplo de um empregado privado.
ESTATUTO DO DESARMAMENTO
O Estatuto do Desarmamento é uma lei
sancionada pelo ex-presidente Lula em 2003 que trata
sobre o registro, a posse e a comercialização de armas de
fogo e munição. Se você quer saber detalhes sobre o
texto, este artigo da Wikipedia explica todos os pontos
do estatuto. O tema, você deve imaginar, é para lá de
CONHECIMENTOS GERAIS 20
polêmico. Envolve ideologias pessoais e uma indústria
que, apesar de no Brasil não ser tão forte quanto em
outros países, movimenta muito dinheiro.
De doze anos para cá, mais de 130 mil armas
saíram de circulação no país. A proposta foi uma tentativa
de reduzir o número de homicídios no Brasil. De acordo
com o Mapa da Violência de 2015, a lei foi bem
sucedida. Dados apontam que mais de 160 mil vidas
foram salvas desde que o estatuto entrou em vigor.
Como esses números são contestados por alguns
parlamentares, o assunto voltou à tona nos últimos
meses. Desde 2012 eles tentam votar no Congresso um
projeto de lei que revoga o estatuto. Nos últimos três
anos, esses deputados, que ficaram conhecidos como a
“bancada da bala”, cederam em muitos pontos, mas
propuseram no final de setembro um novo projeto de lei
que anula o Estatuto do Desarmamento e propõe a
manutenção de alguns pontos.
Outro ponto é que o assunto deve estar na pauta
das eleições de 2018. Se você quiser se aprofundar no
assunto, dois dados que são importantes para você
entender o Brasil e ir bem caso a sua prova venha a
relacionar questões do gênero.
ATUALIDADES NO MUNDO
1. Donald Trump
Donald Trump tomou posse como o 45.º
presidente dos Estados Unidos da América (EUA) no dia
20 de janeiro de 2017.
Durante a campanha, o seu discurso ficoumarcado por xenofobia. Trump mostrou-se muito radical
com o tema dos refugiados e com os vizinhos mexicanos,
prometendo, inclusive, construir um muro na fronteira
entre os EUA e o México, cuja construção de oito
protótipos foram iniciados em setembro de 2017.
Dentre as suas decisões mais polêmicas,
encontra-se a ordem executiva que o presidente assinou
7 dias depois da sua tomada de posse. "Protegendo a
Nação da Entrada de Terroristas Estrangeiros nos
Estados Unidos" é o nome da ordem que restringe a
entrada de pessoas vindas de 7 países onde a religião
predominante é o Islamismo.
Além disso, depois da reaproximação movida por
Barack Obama entre EUA e Cuba, cujas relações haviam
sido rompidas na década de 60, Trump cancelou o
acordo. Na sequência, o Departamento do Comércio e do
Tesouro dos EUA identificou dezenas de empresas
cubanas com as quais a relação de negócios foi proibida.
COREIA DO NORTE
Em 2016 a Coreia do Norte voltou a ameaçar os
EUA com o seu programa nuclear.
Segundo fontes, a ameaça de utilizar bombas
nucleares é feita em resposta às sanções impostas pelo
Conselho de Segurança da Organização das Nações
Unidas (ONU) contra o país liderado por Kim Jong-un.
Além dos EUA, a Coreia também se manifesta
contra o Japão, aliado americano.
A Coreia do Norte realizou seu sexto teste nuclear
no dia 3 de setembro de 2017. Tendo sido o mais potente
realizado, sua força equivale a 16 vezes a da primeira
bomba atômica da história e que destruiu a cidade de
Hiroshima.
No primeiro dia do ano de 2018, o líder coreano
ameaça os EUA anunciando que o botão nuclear fica na
sua mesa.
GUERRA NA SÍRIA
Em 2017, os EUA atacou a Síria, agindo de forma
contrária ao que Trump havia prometido. No mês de abril,
o ataque aéreo americano deixou 15 mortos na Síria após
o lançamento de 59 mísseis sobre a base aérea síria.
Segundo o governo americano, esse ato teria sido
avançado em resposta ao ataque promovido pela Síria
com armas químicas, o qual deixou dezenas de mortos.
O presidente sírio nega essa ação, no entanto,
segundo investigadores de crimes de guerra da ONU as
forças sírias já fizeram uso desse tipo de armas por mais
de vinte vezes.
A Guerra na Síria teve início em 2011.
BREXIT
Brexit, junção das palavras Britain (Bretanha)
e exit (saída), é o nome usado para indicar a saída do
Reino Unido da União Europeia (UE).
O processo teve início em junho de 2016 após o
referendo que manifestou a vontade da maioria dos
ingleses em abandonar o bloco econômico.
A situação é muito difícil e coloca em risco a
estabilidade de toda a UE. Como consequência, todos os
tratados feitos com o Reino Unidos deverão ser
renegociados. É por isso que a negociação do Brexit pode
durar 2 anos.
Apesar de suas consequências ainda não poderem
ser calculadas, somente no início de 2017 já são milhares
os imigrantes europeus expulsos do Reino Unido.
REFUGIADOS
A perseguição e o terror vividos em situações de
extrema intolerância levam o mundo a passar pela pior
crise humanitária do século, segundo a ONU.
Principalmente com origem de países africanos e
do Oriente Médio, são milhões os refugiados. A Guerra na
Síria é das maiores situações que motivam a tentativa de
ingresso em países europeus, a qual é feita via marítima
em condições precárias.
Apesar de muito se falar sobre a crise dos
refugiados na Europa, a grande maioria dos refugiados
sírios partiram para países mais próximos. São exemplos
Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia.
ACORDO DE PARIS
A saída dos EUA do Acordo de Paris foi uma das
promessas feitas por Donald Trump, a qual cumpriu
meses depois da sua tomada de posse.
O acordo que trata da mudança climática em
decorrência da poluição da atmosfera havia sido ratificado
pelo então presidente Barack Obama em 1995.
Até então, os EUA, um dos maiores poluidores
mundiais, assumia o compromisso de fazer uma redução
gradual na emissão de poluentes até 2025.
Quase 200 nações assinam esse acordo,
excetuando-se, por exemplo, a Síria.
CRISE NA VENEZUELA
A Venezuela é um dos maiores produtores de
petróleo, no entanto, a drástica queda de preço no
petróleo venezuelano foi um dos grandes propulsores da
crise financeira no país, uma vez que é da importação que
a economia da Venezuela se mantém.
https://www.todamateria.com.br/brexit/
CONHECIMENTOS GERAIS 21
Como consequência, a inflação disparou, ao
mesmo tempo que os salários baixaram, dentre outros
fatores que resultaram no empobrecimento da população.
Em função disso, a inibição do consumo tornou-se
tão grave que a maior parte dos venezuelanos deixou de
conseguir sequer comprar os bens de primeira
necessidade.
Não há alimentos, nem medicamentos. Acresce a
onda de violência. Em busca de condições melhores, os
venezuelanos atravessam a fronteira para o Brasil, fato
que preocupa a segurança nacional.
ATENTADOS TERRORISTAS
Em 2017 o mundo presenciou mais uma série de
atentados, dentre os quais citamos:
Em abril, no metrô de São Petersburgo, na Rússia,
um explosivo matou 14 pessoas, ferindo mais de 50. O
atentado terá sido ordenado pela Al Qaeda.
Nesse mesmo mês, ataques explosivos em igrejas
no Egito durante o Domingo de Ramos fizeram um total
de 43 mortos e mais de 100 feridos. A responsabilidade
dos ataques suicidas é conferida ao Estado Islâmico.
Em maio, após o show da cantora Ariana Grande
em Manchester, aconteceu uma explosão no exterior do
evento provocada por um homem bomba. Causando a
morte de 22 pessoas e mais 60 feridas, o Estado Islâmico
do Iraque e do Levante (EIIL) foram os responsáveis pelo
ataque.
No mês seguinte, também no Reino Unido, várias
pessoas foram atropeladas e esfaqueadas. Pelo menos 8
pessoas morreram, enquanto cerca de 48 ficaram feridas.
Acredita-se que a autoria esteja a cargo do Estado
Islâmico.
Em agosto foi a vez de Barcelona. Um
atropelamento levou pelo menos 12 pessoas à morte e
mais de 100 ficaram feridas. A autoria foi reivindicada pelo
Estado Islâmico.
Nas proximidades do Natal, no dia 17 de
dezembro, durante a missa de domingo em uma igreja
metodista, um atentado suicida fez ao menos 5 mortos e
30 feridos no Paquistão.
RACISMO NOS EUA
Os EUA é conhecido por ser um país racista e
xenófobo.
Em agosto, em Charlottesville (Virgínia), uma
cidade caracterizada pela calma, foi palco de uma grande
marcha de supremacistas brancos.
O grupo protestava contra a decisão da prefeitura
de retirar a estátua do oficial militar norte-americano
Robert E. Lee, a qual é considerada uma homenagem à
escravidão.
Na marcha, uma pessoa morreu após ter sido
propositalmente atropelada e várias pessoas ficaram
feridas.
Na sequência dessa tragédia, a ONU recomenda a
punição de todos os que incentivam crimes racistas nos
EUA.
OS 100 ANOS DO FIM DA PRIMEIRA GUERRA
Em 2018 completa-se o centenário do fim
da Primeira Guerra (1914-1918). Foi no dia 11 de
novembro de 1918 que a rendição alemã foi assinada.
No ano seguinte, o Tratado de Versalhes impôs
que a Alemanha, a principal derrotada e responsável
pelos prejuízos causados, indenizasse a França.
Estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas,
entre soldados e civis, morreram nesse conflito, um dos
que mais matou pessoas na história da humanidade.
OS 200 ANOS DO NASCIMENTO DE KARL MARX
Há 200 anos nasceu o alemão Karl Marx (1918-
1833), o mais ilustre teórico socialista, que influenciou
vários outros teóricos.
Marx foi um dos fundadores do socialismo
científico e é o autor de O Capital, sua obra mais
importante.
Faleceu no dia 14 de março de 1883 vítima de
doença.
OS 100 ANOS DO NASCIMENTO DE NELSON
MANDELA
Em 2018, o mundo também comemora o
centenário do nascimento do primeiro presidente negro da
África do Sul, Nelson Mandela.
Nascido no dia 18 de julho de 1918, a principal
figura na luta contra o Apartheid esteve preso durante 27
anos, até que, em 1994 foi eleito presidenteda África do
Sul, governando ate 1999.
Em 1993 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz
e faleceu 20 anos depois com 95 anos de idade.
OS 50 ANOS DA MORTE DE MARTIN LUTHER KING
Há 50 anos morria um dos principais líderes
negros, Martin Luther King.
Pastor batista, nasceu no dia 15 de janeiro de
1929 em Atlanta e morreu assassinado em 4 de abril de
1968, sendo desconhecida a autoria do crime.
Luther King, que pregava o amor ao próximo, é o
autor do famoso discurso "Eu tenho um sonho", o qual foi
proferido em 1963 para cerca de 250 mil pessoas em
Washington.
Em 1964 foi condecorado com o Prêmio Nobel da
Paz.
FURACÃO IRMA
O furacão Irma distribuiu catástrofes pelos 14
locais em que passou, dentre os quais Antígua e Barbuda,
Ilhas Virgens Britânicas e Estados Unidos.
Formado no dia 30 de agosto, sua intensidade foi
aumentando de forma bastante rápida. No dia 5 de
setembro o furacão alcançou a categoria 5, com ventos
que chegaram a atingir 300 quilômetros por hora. Essa
classificação fez desse fenômeno o maior da história do
Atlântico.
No dia 12 de setembro, Irma se dissipou. Milhões
de pessoas foram evacuadas e mais de 60 morreram.
ATENTADO EM LAS VEGAS
Na noite do dia 1 de outubro de 2017, 59 pessoas
morreram em Las Vegas. Além dessas, mais de 500
ficaram feridas após um homem ter atirado do 32.º andar
de um quarto de hotel para uma multidão que assistia um
show num domingo à noite.
Trata-se do maior tiroteio em massa da história
dos Estados Unidos. O atirador, Stephen Paddock, tinha
CONHECIMENTOS GERAIS 22
64 anos e foi encontrado morto no quarto de onde
disparou com metralhadoras.
Apesar de o Estado Islâmico ter assumido a
autoria do ataque, a polícia informou a suspeita de que o
atirador teria agido sozinho.
COPA DO MUNDO 2018
Em 2018 acontece a 21ª edição da Copa do
Mundo. Pela primeira vez, o evento esportivo tem lugar
na Rússia, sendo disputado entre os dias 14 de junho e
15 de julho.
Mantendo a preocupação com o ambiente, o
mascote da competição é um lobo. Seu nome, Zabivaka,
significa "aquele que marca um gol", em russo.
A edição anterior, a Copa de 2014, foi disputada
no Brasil. A Alemanha conquistou o título de tetracampeã
ao ganhar a batalha final com a Argentina, enquanto o
Brasil ficou na 4ª colocação.
ASSÉDIO SEXUAL
Em outubro de 2017 um dos homens mais
poderosos de Hollywood, o produtor Harvey Weinstein, foi
acusado de ter abusado sexualmente de cerca de
mulheres ao longo de aproximadamente 30 anos.
As vítimas, atrizes e funcionárias, mantiveram
segredo com medo das consequências da denúncia, até
que o jornal The New York Times denunciou o produtor, o
qual foi demitido.
Depois dessa denúncia, novos casos de assédio
foram revelados. Os mesmos envolvem atores premiados,
além de um jornalista e outro produtor, todos eles
demitidos ou afastados dos seus projetos profissionais.
OS NOVOS PROBLEMAS DE PRIVACIDADE NA
INTERNET
O assunto parece batido, mas se prestarmos
atenção às notícias dos últimos dois anos vemos que as
discussões têm ganhado grandes proporções. Um
exemplo é a Justiça brasileira, que em 2016 tentou várias
vezes bloquear o aplicativo de conversas WhatsApp. Em
todas elas, a justificativa da Justiça para suspender
temporariamente o serviço foi a mesma: a empresa não
teria liberado uma troca de mensagens que supostamente
ajudariam a comprovar os culpados de algum
crime. Neste texto nós esmiuçamos o assunto, tratando
de questões relacionadas à privacidade e direitos digitais,
questão bastante discutida na sociedade brasileira depois
da elaboração do Marco Civil da Internet (tem mais
detalhes sobre isso no link do início desta frase).
A DÉCADA DA CHINA
A China, é claro, não poderia ficar de fora. A última
década foi de reviravoltas para o país asiático,
que vem cumprindo um papel de protagonismo no
crescimento das economias de todo o mundo, sendo o
principal parceiro comercial em todos os continentes. Nos
últimos anos, no entanto, uma desaceleração na
produção vem causando temor nas bolsas de valores e
em governos mundo afora. Neste texto, mais do que
explicar a complexidade da China, explicamos todo o
contexto por trás da segunda maior economia do mundo.
COREIA DO NORTE
No nordeste do continente asiático, um pequeno
país banhado pelo mar do Japão vem preocupando o
mundo. Trata-se da Coreia do Norte, a mais fechada das
nações do planeta, que volta e meia aparece com uma
medida polêmica que vai na contramão da diplomacia. A
tensão política entre Coreia do Norte e Estados
Unidos desde a eleição do republicano Donald
Trump vale a revisão sobre o conflito entre a Coreia do
Norte e a Coreia do Sul.
O ESTADO ISLÂMICO E A SÍRIA
O Estado Islâmico se estabeleceu como uma das
maiores forças terroristas da atualidade. O tema não é tão
recente – desde 2015 forças rebeldes da região da Síria e
do Iraque assassinam jornalistas, invadem povos e
destroem cidades históricas. Nos últimos meses o grupo
vem perdendo força, mas vários atentados terroristas,
principalmente na Europa, ainda são reivindicados pelo
Estado Islâmico.
Ainda sobre o Estado Islâmico, vale notar que ele
não é um estado propriamente dito. Não há uma estrutura
política, uma territorialidade e, muito menos, um
reconhecimento de outras nações. Além disso, é possível
dizer que o grupo tampouco representa
o islamismo. Neste texto explicamos os princípios do
islamismo, vale dar uma olhada.
Todo esse imbróglio envolve, principalmente, a
Síria. Muitas regiões do país foram controladas por um
bom tempo pelo Estado Islâmico. O presidente Bashar al-
Assad, foi bem sucedido em diminuir a presença dos
rebeldes, mas seus métodos e sua visão de democracia
são extremamente questionáveis. Por conta disso uma
série de manifestações populares seguem na região, num
processo que teve início na chamada Primavera Árabe e
que ainda persiste.
Dito isso, vale ressaltar que toda essa instabilidade
no Oriente Médio e na África saariana (além das questões
religiosas que nós explicamos neste texto) tem como um
grande pivô a busca por petróleo, commodity que é
abundante na região.
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
O Senado uruguaio aprovou, nesta terça
feira(10.12.2013), um projeto de lei que representa
uma experiência ainda inédita no mundo. Segundo
um representante do governo, "há uma boa
possibilidade de que a iniciativa do Uruguai tenha
um impacto similar na opinião pública da América
Latina".
http://g1.globo.com/mundo/noticias/2013/12/uruguai-
aprova-projeto-de-lei. Adaptado)
01.O projeto de lei destacado na noticia:(Policia Civil-
SP/2014)
a)Obriga bancos a oferecer empréstimos aos
trabalhadores.
b)Libera a Classe Média do pagamento de impostos.
c)Regula a produção e venda de maconha no país.
d)Instaura a morte por crimes de corrupção.
e)Cria leis trabalhistas especiais para mulheres.
02.A respeito do atual quadro eleitoral no Brasil e no
resto da América Latina, é correto afirmar
que:(BNB/2014)
a)No Chile, Michelle Bachelet se reelegeu em 2013 e
anunciou diminuir as desigualdades sociais, mediante
uma reforma tributária e investimentos para oferecer
um sistema educacional público.
CONHECIMENTOS GERAIS 23
b)Na Colômbia, o atual presidente Álvaro Uribe pretende
concorrer ao segundo mandato, e, para tanto, está
abrindo o diálogo com os guerrilheiros das Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
c)No Uruguai, a direita, representada pelo presidente José
Mujica, se lança à reeleição prometendo ampliar o
combate à dependência química iniciado em 2013,
com a criminalização do uso de maconha.
d)No Brasil, os candidatos de oposição à reeleição da
atual Presidente Dilma Roussef (PT), Eduardo
Campos (PSDB) e Aécio Neves (PMDB), têm bases
em Pernambuco e em Minas Gerais, estados nos
quais já foram governadores.
e)Na Bolívia, Evo Morales anuncia concorrer em 2014 ao
segundo mandato presidencial, dando prosseguimentoao programa de apoio aos movimentos camponeses e
indígenas na América Latina.
“Isso é uma demonstração infeliz de por que esse
país, um gigante econômico e cultural, continua
um anão diplomático”, disse o porta-voz Yigal
Palmor. (Último Segundo. http://goo.gl/kE6SDm,
24.07.14 Adaptado)
03.A expressão “anão diplomático” foi utilizada pelo
porta-voz de Israel referindo-se: (Pref.Ribeirão
Preto/2014)
a)Ao Irã, após fracassarem as negociações de paz com a
Síria.
b)Aos EUA, após negarem um assento a Israel no
Conselho de Segurança da ONU.
c)Ao Brasil, após o governo brasileiro classificar como
desproporcional a ofensiva israelense em Gaza.
d)À Palestina, após se negarem a mais uma rodada de
negociações para o cessar-fogo na Cisjordânia.
e)À China, após o país negar o pedido aos seus cidadãos
de suspenderem o controle de natalidade e terem
mais de um filho por família.
Em meados de maio(2014), o ministro Teori Zavascki
suspendeu os inquéritos da Operação Lava Jato,
mandando soltar todos os presos e pediu que tudo
fosse enviado ao Supremo Tribunal Federal.
03.Motivou a decisão do ministro o fato de:(COPASA-
MG/2014)
a)A ausência de indícios de corrupção ter sido detectada
pela Justiça do Paraná.
b)A operação ter sido feita de forma indevida pela Polícia
Federal.
c)Dois dos investigados terem foro especial por
prerrogativa de função.
d)O ministro ter se recusado a examinar os autos.
04.A charge apresentada faz uma clara alusão à crise
na Ucrânia. Quanto ao tema, assinale a alternativa
correta.(CONAB/2014)
a)A União Europeia se encontra em uma difícil situação
nesse conflito, pois apoia os ucranianos na sua
integridade territorial e, ao mesmo tempo, depende
das importações de gás da Rússia.
b)A Ucrânia possui uma explícita divisão: o oeste é pró-
Rússia, tanto étnica como economicamente, enquanto
o oeste é pró-Ocidente e europeizante.
c)A revolta popular na Ucrânia se iniciou com a decisão
do presidente Viktor Yanukovich de rejeitar um acordo
comercial com a Rússia e aceitar a ajuda econômica
da União Europeia e dos Estados Unidos.
d)A Rússia de Vladimir Putin quer continuar com um
grande domínio sobre a Ucrânia, pois depende das
importações de gás desse país para se abastecer.
e)A anexação da Península da Crimeia pela Rússia foi o
estopim da crise ucraniana, quando a população
crimeana saiu às ruas exigindo permanecer ligada à
Crimeia.
Gabarito:
01 02 03 04
C A C C
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
06. Durante a suspensão temporária do Paraguai das
atividades ligadas ao Mercosul (suspenso em
decorrência da deposição do ex-presidente
Fernando Lugo, em 2012), Brasil, Argentina e
Uruguai aprovaram a entrada de um novo país no
bloco econômico. Que país passou a fazer parte
do Mercosul durante a suspensão do Paraguai?
(PM-PI/2014)
a)Chile.
b)Bolívia.
c)Peru.
d)Colômbia.
e)Venezuela.
Robert Shiller alerta para bolha imobiliária. O
economista que previu o colapso imobiliário
americano acredita que uma bolha semelhante
está se formando no Brasil.(Revista Exame,
http://goo.gl/ydtL4z, 05.11.2013. Adaptado)
07.A respeito do fenômeno citado no artigo, é correto
afirmar que: (CHQAOPM-SP/2014)
a)a alegada “bolha imobiliária” refere-se ao acúmulo de
imóveis vazios e à venda causado principalmente pelo
excesso de construções e reformas em relação à
demanda do mercado.
b)o que gera previsões de bolha imobiliária no Brasil é a
alta dos preços dos imóveis em um curto período de
tempo a exemplo do que, aliado a outros fatores,
atingiu os Estados Unidos.
c)as análises e previsões dos economistas brasileiros e
americanos são unânimes em afirmar que haverá uma
bolha imobiliária em todas as capitais dos estados
brasileiros a partir do ano de 2014.
d)a bolha imobiliária é causada pelo excesso de
financiamentos a juros altos concedidos pelos bancos
estrangeiros para cobrir o pagamento do imóvel ainda
não entregue aos futuros proprietários brasileiros.
e)a bolha imobiliária somente atinge os imóveis de baixo
padrão, uma vez que os imóveis de luxo e de alto
padrão estão cobertos por seguros, pelas próprias
regras do mercado financeiro e pelas bolsas de
valores.
CONHECIMENTOS GERAIS 24
A crise cambial na Argentina pode reduzir em cerca
de US$ 2 bilhões o saldo da balança comercial
brasileira deste ano. (O Estado de São Paulo,
http://goo.gl/AsGrU0, 18.02.2014)
08.Assinale a alternativa que explica essa possível
causa da redução do saldo da balança comercial
brasileira.(CHQAOPM-SP/2014)
a)O Brasil reduzirá a exportação de veículos para a
Argentina.
b)O temor dos investidores estrangeiros de que a crise
argentina contamine o Brasil.
c)O Brasil e a Argentina possuem produção conjunta nos
setores têxtil e calçadista.
d)O Brasil deixará de importar carne bovina e vinhos
argentinos.
e)Os brasileiros reduzirão drasticamente o turismo na
Argentina.
09..Em março de 2013, realizou-se a V Cúpula dos
BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do
Sul). Assinale a alternativa que identifica
corretamente a decisão tomada nessa reunião:
a).Oposição ao G-20, criando um espaço alternativo para
tomada de decisões das economias emergentes.
b).Início das negociações para a criação de um Banco de
Desenvolvimento, proposto na cúpula anterior.
c).Estabelecimento dos meios para realizar um combate
mundial contra o terror, em defesa da segura
internacional.
d).Acordo para reduzir as emissões de gases causadores
de efeito estufa (GEEs) e investir em desenvolvimento
sustentável.
e).Saída dos países-membros dos demais fóruns
multilaterais de negociação, privilegiando as cúpulas
dos BRICS.
10.Com relação à expansão do PIB, 36 países tiveram
dados divulgados até a quarta semana de
novembro de 2014. Dentre eles temos: China com
1,9%; EUA, com 1%; Espanha, com 0,5%; México,
com 0,5%; Chile, com 0,4%; França, com 0,3%;
África do Sul, com 0,3%; Alemanha, com 0,1% e
Brasil, com 0,1%. Destes, o país europeu melhor
classificado é: (CPTM-SP/2015)
a)EUA.
b)França.
c)Espanha.
d)Alemanha.
e)China.
GABARITO
05 06 07 08 09 10
A E B B B D
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
11.Seguindo o exemplo de outros países latino
americanos que passaram por experiências de
governos ditatoriais, o Brasil criou uma comissão
para investigar os crimes de tortura, prisão
arbitrária e assassinatos ocorridos durante o
Estado Novo e a Ditadura Militar brasileira. Sobre o
poder de atuação e a natureza da Comissão da
Verdade no Brasil, é correto afirmar que essa
Comissão: (CFOPM-PR/2014)
a)Tem um caráter punitivo, tendo em vista as prisões dos
militares envolvidos nas acusações.
b)Está sendo coordenada por entidades civis ligadas aos
Direitos Humanos, e não possui relação com o
Governo Federal.
c)Está sendo coordenada por familiares dos
desaparecidos políticos, e possui um caráter punitivo.
d)Pretende ampliar o debate sobre as ditaduras no Brasil
através da investigação de documentos e do
recolhimento de relatos dos envolvidos.
e)Não possui um caráter punitivo, pois os acusados
poderão permanecer em liberdade mediante o
pagamento de fiança.
Observe a imagem:
12.Considerando-se a charge acima, o Estatuto do
menor e do adolescente e outros conhecimentos
sobre o assunto é correto afirmar que:(CEMIG-
TELECOM/2010-Adaptada)
a)segundo o chargista é irrelevante a alteração da
maioridade penal, uma vez que os jovens dificilmente
ultrapassam os 16 anos.
b)de acordo com a legislação vigente a maioridade penal
é a partir dos 18 anos de idade.
c)os jovens que optam pelo voto facultativo aos 16 anos
estão automaticamente emancipados, podendo ser
criminalmente responsabilizados.
d)independentemente da escalada da violência, os
diferentes setores sociais têm se colocado contrários à
redução da maioridade penal.
e)a aprovação da redução da maioridade civil, tem amplo
apoio da sociedade brasileira, dada a onda de
violência que assola