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Prévia do material em texto

Banco do Nordeste do Brasil 
 
ANALISTA BANCÁRIO 
 
LÍNGUA PORTUGUESA 
Valter 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 
Bruno Santos 
 
INFORMÁTICA 
Nestor Dias 
 
CONHECIMENTOS BANCÁRIOS 
Thallis Medeiros 
 
MATEMÁTICA 
Felipe Melo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2018
 
 
Copyright 2018 
 
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei nº 9.610/98. 
Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem autorização expressa e por escrito dos autores e da 
editora. 
 
BNB Analista Bancário – 315p 
 
 
 
 
ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR: 
Dúvidas, reclamações e sugestões 
WhatsApp(85) 9.8632.4802 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rua Barão do Rio Branco, 1620 - Centro 
CEP: 60.025-060 - Fortaleza - Ceará 
 LÍNGUA PORTUGUESA 1 
 
LÍNGUA PORTUGUESA 
RESUMO DESCOMPLICADO 
Teoria, dicas e questões de concursos de provas. 
Prof. Valter 
2018 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: 
1 Compreensão e interpretação de textos de gêneros 
variados. ..................................................................... 1 
2 Reconhecimento de tipos e gêneros textuais. ............... 2 
3 Domínio da ortografia oficial. ....................................... 17 
4 Domínio dos mecanismos de coesão textual. ............... 8 
4.1 Emprego de elementos de referenciação, substituição 
e repetição, de conectores e de outros elementos de 
sequenciação textual. ................................................. 6 
4.2 Emprego de tempos e modos verbais. ..................... 34 
5 Domínio da estrutura morfossintática do período. ........ 43 
5.1 Emprego das classes de palavras. ........................... 43 
5.2 Relações de coordenação entre orações e entre 
termos da oração. ..................................................... 31 
5.3 Relações de subordinação entre orações e entre 
termos da oração. ..................................................... 31 
5.4 Emprego dos sinais de pontuação. .......................... 24 
5.5 Concordância verbal e nominal. ............................... 39 
5.6 Regência verbal e nominal. ...................................... 40 
5.7 Emprego do sinal indicativo de crase. ...................... 29 
5.8 Colocação dos pronomes átonos. ............................ 41 
6 Reescrita de frases e parágrafos do texto. .................. 11 
6.1 Significação das palavras. ........................................ 44 
6.2 Substituição de palavras ou de trechos de texto. ...... 11 
 6.3 Reorganização da estrutura de orações e de períodos 
do texto. ...................................................................... 7 
6.4 Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de 
formalidade. ............................................................... 11 
Questões de provas CESPE ................................... 46 
 ...................................................................................... 
 
TEXTO: COMPREENSÃO, INTERPRETAÇÃO 
E ARTICULAÇÕES SEMÂNTICO-TEXTUAIS. 
COMO INTERPRETAR TEXTOS 
É muito comum, entre os candidatos a um cargo 
público a preocupação com a interpretação de textos. Isso 
acontece porque lhes faltam informações específicas a 
respeito desta tarefa constante em provas relacionadas a 
concursos públicos. 
Por isso, vão aqui alguns detalhes que poderão 
ajudar no momento de responder as questões 
relacionadas a textos. 
TEXTO – é um conjunto de ideias organizadas e 
relacionadas entre si, formando um todo significativo 
capaz de produzir INTERAÇÃO COMUNICATIVA 
(capacidade de CODIFICAR E DECODIFICAR). 
CONTEXTO – um texto é constituído por diversas 
frases. Em cada uma delas, há uma certa informação que 
a faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando 
condições para a estruturação do conteúdo a ser 
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de 
CONTEXTO. Nota-se que o relacionamento entre as 
frases é tão grande, que, se uma frase for retirada de seu 
contexto original e analisada separadamente, poderá ter 
um significado diferente daquele inicial. 
INTERTEXTO - comumente, os textos 
apresentam referências diretas ou indiretas a outros 
autores através de citações. Esse tipo de recurso 
denomina-se INTERTEXTO. 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - o primeiro 
objetivo de uma interpretação de um texto é a 
identificação de sua ideia principal. A partir daí, localizam-
se as ideias secundárias, ou fundamentações, as 
argumentações, ou explicações, que levem ao 
esclarecimento das questões apresentadas na prova. 
Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: 
1. IDENTIFICAR – é reconhecer os elementos 
fundamentais de uma argumentação, de um 
processo, de uma época (neste caso, 
procuram-se os verbos e os advérbios, os 
quais definem o tempo). 
2. COMPARAR – é descobrir as relações de 
semelhança ou de diferenças entre as 
situações do texto. 
3. COMENTAR - é relacionar o conteúdo 
apresentado com uma realidade, opinando a 
respeito. 
4. RESUMIR – é concentrar as ideias centrais e/ou 
secundárias em um só parágrafo. 
5. PARAFRASEAR – é reescrever o texto com 
outras palavras. 
Exemplo: 
 Título do texto Paráfrases 
 "O homem unido” 
 A integração do mundo 
A integração da humanidade 
A união do homem 
Homem + homem = mundo 
A macacada se uniu (sátira) 
 
CONDIÇÕES BÁSICAS PARA INTERPRETAR 
Fazem-se necessários: 
a) Conhecimento Histórico – literário (escolas e 
gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática; 
b) Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades 
do texto) e semântico; 
Observação – na semântica (significado das 
palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, 
denotação e conotação, sinonímia e antonimia, 
polissemia, figuras de linguagem, entre outros. 
c) Capacidade de observação e de síntese e 
d) Capacidade de raciocínio. 
 
INTERPRETAR x COMPREENDER 
Interpretar significa Compreender significa 
- EXPLICAR, 
COMENTAR, JULGAR, 
TIRAR CONCLUSÕES, 
DEDUZIR. 
- TIPOS DE 
ENUNCIADOS 
• Através do texto, 
INFERE-SE que... 
• É possível DEDUZIR 
que... 
- INTELECÇÃO, 
ENTENDIMENTO, ATENÇÃO 
AO QUE REALMENTE ESTÁ 
ESCRITO. 
- TIPOS DE ENUNCIADOS: 
• O texto DIZ que... 
• É SUGERIDO pelo autor 
que... 
• De acordo com o texto, é 
CORRETA ou ERRADA a 
2 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
• O autor permite 
CONCLUIR que... 
• Qual é a INTENÇÃO do 
autor ao afirmar 
que... 
afirmação... 
• O narrador AFIRMA... 
 
ERROS DE INTERPRETAÇÃO 
É muito comum, mais do que se imagina, a 
ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes 
são: 
a) Extrapolação (viagem) 
Ocorre quando se sai do contexto, acrescentado 
ideias que não estão no texto, quer por conhecimento 
prévio do tema quer pela imaginação. 
 
b) Redução 
É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas 
a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto 
de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do 
entendimento do tema desenvolvido. 
 
c) Contradição 
Não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do 
candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e, 
consequentemente, errando a questão. 
Observação - Muitos pensam que há a ótica do 
escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, 
mas numa prova de concurso qualquer, o que 
deve ser levado em consideração é o que o 
AUTOR DIZ e nada mais. 
COESÃO - é o emprego de mecanismo de sintaxe 
que relacionam palavras, orações, frases e/ou parágrafos 
entre si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, 
através de um pronome relativo, uma conjunção 
(NEXOS), ou um pronome oblíquo átono, há uma relação 
correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. 
Observação – São muitos os erros de coesão no 
dia-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome 
relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende 
da regência do verbo; aquele do seu antecedente. 
Não se pode esquecertambém de que os 
pronomes relativos têm, cada um, valor semântico, 
por isso a necessidade de adequação ao 
antecedente. 
Os pronomes relativos são muito importantes na 
interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de 
coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que 
existe um pronome relativo adequado a cada 
circunstância, a saber: 
QUE (NEUTRO) - RELACIONA-SE COM 
QUALQUER ANTECEDENTE. MAS DEPENDE 
DAS CONDIÇÕES DA FRASE. 
QUAL (NEUTRO) IDEM AO ANTERIOR. 
QUEM (PESSOA) 
CUJO (POSSE) - ANTES DELE, APARECE O 
POSSUIDOR E DEPOIS, O OBJETO 
POSSUÍDO. 
COMO (MODO) 
ONDE (LUGAR) 
QUANDO (TEMPO) 
QUANTO (MONTANTE) 
EXEMPLO: 
Falou tudo QUANTO queria (correto) 
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, 
deveria aparecer o demonstrativo O). 
• VÍCIOS DE LINGUAGEM – há os vícios de 
linguagem clássicos (BARBARISMO, SOLECISMO, 
CACOFONIA...); no dia-a-dia, porém, existem expressões 
que são mal empregadas, e, por força desse hábito 
cometem-se erros graves como: 
- “Ele correu risco de vida“, quando a verdade o 
risco era de morte. 
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem“. Neste caso, 
o pronome correto oblíquo átono correto é O. 
- “No bar: “ME VÊ um café”. Além do erro de 
posição do pronome, há o mau uso 
 
TIPOLOGIA TEXTUAL 
Tipologia textual é a forma como um determinado 
enunciado de um texto é representado. 
 
1. Narração 
Modalidade em que um narrador, participante ou 
não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num 
determinado tempo e lugar, envolvendo certos 
personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma 
relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal 
predominante é o passado. Estamos cercados de 
narrações desde as que nos contam histórias infantis até 
às piadas do cotidiano. É o tipo predominante nos 
gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela, 
depoimento, piada, relato etc. 
 
2. Descrição 
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um 
lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de 
palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela 
sua função caracterizadora. Numa abordagem mais 
abstrata, pode-se até descrever sensações ou 
sentimentos. Não há relação de anterioridade e 
posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do 
objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do 
objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um 
tipo textual que se agrega facilmente aos outros tipos em 
diversos gêneros textuais. Tem predominância em 
gêneros como: cardápio, folheto turístico, anúncio 
classificado etc. 
 
3. Dissertação 
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar 
um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo 
do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo. 
3.1 Dissertação-Exposição 
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou 
um saber teórico. Apresenta informações sobre assuntos, 
expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O 
texto expositivo apenas expõe ideias sobre um 
determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer. 
Ex: aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos 
expositivos de revistas e jornais, etc. 
3.1 Dissertação-Argumentação 
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de 
ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de 
explicar, também persuade o interlocutor, objetivando 
convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão 
lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. 
É tipo predominante em: sermão, ensaio, monografia, 
 LÍNGUA PORTUGUESA 3 
 
dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de 
jornais e revistas. 
 
4. Injunção / Instrucional 
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem 
objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, 
empregados no modo imperativo, porém nota-se também 
o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo 
indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e 
instruções para montagem ou uso de aparelhos e 
instrumentos; textos com regras de comportamento; 
textos de orientação (ex: recomendações de trânsito); 
receitas, cartões com votos e desejos (de natal, 
aniversário etc.). 
OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam 
apenas os tipos acima. Alguns outros consideram 
que existe também o tipo predição. 
 
5. Predição 
Caracterizado por predizer algo ou levar o 
interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por 
ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões 
astrológicas, previsões meteorológicas, previsões 
escatológicas/apocalípticas. 
OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo 
Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada 
mais é que o tipo narrativo aplicado em certos 
contextos, pois toda conversação envolve 
personagens, um momento temporal (não 
necessariamente explícito), um espaço (real ou 
virtual), um enredo (assunto da conversa) e um 
narrador, aquele que relata a conversa. 
Dialogal / Conversacional 
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É 
o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa 
telefônica, chat etc. 
 
GÊNEROS TEXTUAIS 
Os Gêneros textuais são as estruturas com que se 
compõem os textos, sejam eles orais ou escritos. Essas 
estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm 
sempre muito parecidas, com características comuns, 
procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e 
ocorrem em situações específicas. Pode-se dizer que se 
tratam das variadas formas de linguagem que circulam 
em nossa sociedade, sejam eles formais ou informais. 
Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo 
então, ser identificado e diferenciado dos demais através 
de suas características. Exemplos: 
Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao 
leitor", tende a ser do tipo dissertativo-argumentativo com 
uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou 
a leitores. Quando se trata de "carta pessoal", a presença 
de aspectos narrativos ou descritivos e uma linguagem 
pessoal é mais comum. No caso da "carta denúncia", em 
que há o relato de um fato que o autor sente necessidade 
de o expor ao seu público, os tipos narrativos 
e dissertativo-expositivo são mais utilizados. 
Propaganda: é um gênero textual dissertativo-
expositivo onde há a o intuito de propagar informações 
sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor 
apresentando, na maioria das vezes, mensagens que 
despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo. 
Bula de remédio: trata-se de um gênero 
textual descritivo, dissertativo-expositivo e injuntivo que 
tem por obrigação fornecer as informações necessárias 
para o correto uso do medicamento. 
Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo 
que tem por objetivo informar a fórmula para preparar tal 
comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, 
além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido de 
ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções. 
Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num 
guia que tem por finalidade explicar ao leitor, passo a 
passo e de maneira simplificada, como fazer algo. 
Editorial: é um gênero textual dissertativo-
argumentativo que expressa o posicionamento da 
empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação da 
presença da objetividade. 
Notícia: podemos perfeitamente identificar 
características narrativas, o fato ocorrido que se deu em 
um determinado momento e em um determinado lugar, 
envolvendo determinadas personagens. Características 
do lugar, bem como dos personagens envolvidos são, 
muitas vezes, minuciosamente descritos. 
Reportagem: é um gênero textual jornalístico de 
caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por 
objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma 
maneira clara, com linguagem direta. 
Entrevista: é um gênero textual 
fundamentalmente dialogal, representado pela conver-
sação de duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) 
entrevistado(s),para obter informações sobre ou do 
entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente 
envolve também aspectos dissertativo-expositivos, 
especialmente quando se trata de entrevista a imprensa 
ou entrevista jornalística. Mas pode também envolver 
aspectosnarrativos, como na entrevista de emprego, ou 
aspectos descritivos, como na entrevista médica. 
História em quadrinhos: é um gênero narrativo que 
consiste em enredos contados em pequenos quadros 
através de diálogos diretos entre seus personagens, 
gerando uma espécie de conversação. 
Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz 
uma espécie de ilustração cômica, através de caricaturas, 
com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou 
comentário sobre algum acontecimento atual, em sua 
grande maioria. 
Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. 
Além dos versos, pode ser estruturado em estrofes. 
Rimas e métrica também podem fazer parte de sua 
composição. Pode ou não ser poético. Dependendo de 
sua estrutura, pode receber classificações específicas, 
como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, dramático 
etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos 
e descritivos são mais frequentes neste gênero. 
Importante também é a distinção entre poema e poesia. 
Poesia é o conteúdo capaz de transmitir emoções por 
meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e 
comove pode ser considerado como poético. 
Assim, quando aplica-se a poesia ao gênero <poema>, 
resulta-se em um poema poético, quando aplicada à 
prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça 
ou um filme podem ser assim considerados). 
Canção: possui muitas semelhanças com o gênero 
poema, como a estruturação em estrofes e as rimas. Ao 
contrário do poema, costuma apresentar em sua estrutura 
um refrão, parte da letra que se repete ao longo do texto, 
e quase sempre tem uma interação direta com os 
instrumentos musicais. A tipologia narrativa tem 
prevalência neste caso. 
4 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Adivinha: é um gênero cômico, o qual consiste em 
perguntas cujas respostas exigem algum nível de 
engenhosidade. Predominantemente dialogal. 
Anais: um registro da história resumido, 
estruturado ano a ano. Atualmente, é utilizado para 
publicações científicas ou artísticas que ocorram de modo 
periódico, não necessariamente a cada ano. Possui 
caráter fundamentalmente dissertativo. 
Anúncio publicitário: utiliza linguagem apelativa 
para persuadir o público a desejar aquilo que é oferecido 
pelo anúncio. Por meio do uso criativo das imagens e 
dalinguagem, consegue utilizar todas as tipologias 
textuais com facilidade. 
Boletos, faturas, carnês: predomina o 
tipo descrição nestes casos, relacionados a informações 
de um indivíduo ou empresa. O tipo injuntivo também se 
manifesta, através da orientação que cada um traz. 
Profecia: em geral, estão em um contexto 
religioso, e tratam de eventos que podem ocorrer no 
futuro da época do autor. A predominância é a do 
tipo preditivo, havendo também características dos 
tipos narrativo e descritivo. 
Domínio Principal Gêneros textuais 
Científico 
Artigo científico 
Verbete de enciclopédia 
Nota de aula 
Nota de rodapé 
Tese 
Dissertação 
Trabalho de conclusão 
Biografia 
Patente 
Tabela 
Mapa 
Gráfico 
Resumo 
Resenha 
Jornalístico 
Editorial 
Notícia 
Reportagem 
Artigo de opinião 
Entrevista 
Anúncio 
Carta ao leitor 
Resumo de novela 
Capa de revista 
Expediente 
Errata 
Programação semanal 
Debate 
Religioso 
Oração 
Reza 
Lamentação 
Catecismo 
Homilia 
Cântico religioso 
Sermão 
Comercial 
Nota de venda 
Nota de compra 
Fatura 
Anúncio 
Comprovante de pagamento 
Nota promissória 
Nota fiscal 
Boleto 
Código de barras 
Rótulo 
Logomarca 
Comprovante de renda 
Curriculum vitae 
Instrucional 
Receita culinária 
Manual de instrução 
Manual de montagem 
Regra de jogo 
Roteiro de viagem 
Contrato 
Horóscopo 
Formulário 
Edital 
Placa 
Catálogo 
Glossário 
Receita médica 
Bula de remédio 
Jurídico 
Contrato 
Lei 
Regimento 
Regulamento 
Estatuto 
Norma 
Certidão 
Atestado 
Declaração 
Alvará 
Parecer 
Certificado 
Diploma 
Edital 
Documento pessoal 
Boletim de ocorrência 
 
Publicitário 
Propaganda 
Anúncio 
Cartaz 
Folheto 
Logomarca 
Endereço postal 
Humorístico 
Piada 
Adivinha 
Charge 
Interpessoal 
Carta pessoal 
Carta comercial 
Carta aberta 
Carta do leitor 
Carta oficial 
Carta convite 
 LÍNGUA PORTUGUESA 5 
 
Bilhete 
Ata 
Telegrama 
Agradecimento 
Convite 
Advertência 
Bate-papo 
Aviso 
Informe 
Memorando 
Mensagem 
Relato 
Requerimento 
Petição 
Órdem 
E-mail 
Ameaça 
Fofoca 
Entrevista médica 
Ficcional 
Poema 
Conto 
Mito 
Peça de teatro 
Lenda 
Fábula 
Romance 
Drama 
Crônica 
História em quadrinhos 
RPG 
 
GÊNEROS LITERÁRIOS: 
 . Gênero Narrativo: 
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários 
reconhecidos eram apenas o épico, o lírico e o 
dramático. Com o passar dos anos, o gênero épico 
passou a ser considerado apenas uma variante do gênero 
literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de 
prosa com características diferentes: o romance, a novela, 
o conto, a crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as 
obras narrativas possuem elementos estruturais e 
estilísticos em comum e devem responder a 
questionamentos, como: quem? o que? quando? onde? 
por quê? Vejamos a seguir: 
Épico (ou Epopeia): os textos épicos são 
geralmente longos e narram histórias de um povo ou de 
uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens, gestos 
heroicos etc. Normalmente apresentam um tom de 
exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus 
feitos. Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de 
Camões, e Odisséia, de Homero. 
Romance: é um texto completo, com tempo, espaço 
e personagens bem definidos e de caráter 
mais verossímil. Também conta as façanhas de um 
herói, mas principalmente uma história de amor vivida por 
ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele. 
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive sua 
paixão proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso, 
costuma ser punido no final. É o tipo de narrativa mais 
comum na Idade Média. Ex: Tristão e Isolda. 
Novela: é um texto caracterizado por ser 
intermediário entre a longevidade do romance e a 
brevidade do conto. Como exemplos de novelas, podem 
ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis, e 
A Metamorfose, de Kafka. 
Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, 
geralmente em prosa, que conta situações rotineiras, 
anedotas e até folclores. Inicialmente, fazia parte da 
literatura oral. Boccacio foi o primeiro a reproduzi-lo de 
forma escrita com a publicação de Decamerão. Diversos 
tipos do gênero textual conto surgiram na tipologia textual 
narrativa: conto de fadas, que envolve personagens do 
mundo da fantasia; contos de aventura, que envolvem 
personagens em um contexto mais próximo da realidade; 
contos folclóricos (conto popular); contos de terror ou 
assombração, que se desenrolam em um contexto 
sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos 
de mistério, que envolvem o suspense e a solução de um 
mistério. 
Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca 
ser inverossímil. As personagens principais são não 
humanos e a finalidade é transmitir alguma lição de moral. 
Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada 
à vida cotidiana, com linguagem coloquial. Pode ter um 
tom humorístico ou um toque de crítica indireta, 
especialmente, quando aparece em seção ou artigo de 
jornal, revistas e programas da TV. 
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância 
entre os momentos narrativos e manifestos descritivos. 
Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o 
poético e o didático, expondo ideias, críticas e reflexões 
moraise filosóficas a respeito de certo tema. É menos 
formal e mais flexível que o tratado. Consiste também na 
defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um 
tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, 
moral, comportamental etc.), sem que se paute em 
formalidades como documentos ou provas empíricas ou 
dedutivas de caráter científico. Exemplo: Ensaio sobre a 
tolerância, de John Locke. 
 
· Gênero Dramático: 
Trata-se do texto escrito para ser encenado no 
teatro. Nesse tipo de texto, não há um narrador contando 
a história. Ela “acontece” no palco, ou seja, é 
representada por atores, que assumem os papéis das 
personagens nas cenas. 
Tragédia: é a representação de um fato trágico, 
suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles 
afirmava que a tragédia era "uma representação duma 
ação grave, de alguma extensão e completa, em 
linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, 
inspirando dó e terror". Ex.: Romeu e Julieta, de 
Shakespeare. 
Farsa: A farsa consiste no exagero do cômico, 
graças ao emprego de processos como o absurdo, as 
incongruências, os equívocos, a caricatura, o humor 
primário, as situações ridículas e, em especial, o engano. 
Comédia: é a representação de um fato inspirado 
na vida e no sentimento comum, de riso fácil. Sua origem 
grega está ligada às festas populares. 
Tragicomédia: modalidade em que se misturam 
elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava 
a mistura do real com o imaginário. 
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em 
que se retrata, com forte apelo linguístico e cultural 
nordestinos, fatos diversos da sociedade e da realidade 
vivida por este povo. 
6 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
· Gênero Lírico: 
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que 
fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor) 
exprime suas emoções, ideias e impressões em face do 
mundo exterior. Normalmente os pronomes e os verbos 
estão em 1ª pessoa e há o predomínio da função emotiva 
da linguagem. 
Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, 
sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do 
texto. O emissor expressa tristeza, saudade, ciúme, 
decepção, desejo de morte. É um poema melancólico. Um 
bom exemplo é a peça Roan e yufa, de william 
shakespeare. 
Epitalâmia: é um texto relativo às noites 
nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e 
cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu 
e Julieta nas noites nupciais. 
Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor 
faz uma homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às 
divindades, à mulher amada, ou a alguém ou algo 
importante para ele. O hino é uma ode com 
acompanhamento musical; 
Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o 
emissor expressa uma homenagem à natureza, 
às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o 
poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de 
desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada 
(pastora), que enriquece ainda mais a paisagem, espaço 
ideal para a paixão. A écloga é um idílio com diálogos 
(muito rara); 
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma 
crítica a alguém ou a algo, em tom sério ou irônico. 
Acalanto: ou canção de ninar; 
Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), 
composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso 
formam uma palavra ou frase; 
Balada: uma das mais primitivas manifestações 
poéticas, são cantigas de amigo (elegias) com ritmo 
característico e refrão vocal que se destinam à dança; 
Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com 
acompanhamento musical; 
Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e 
árabes; odes do oriente médio; 
Haicai: expressão japonesa que significa “versos 
cômicos” (=sátira). E o poema japonês formado de três 
versos que somam 17 sílabas assim distribuídas: 1° 
verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3° verso 5 sílabas; 
Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, 
dividido em dois quartetos e dois tercetos, com rima 
geralmente em a-ba-b a-b-b-a c-d-c d-c-d. 
Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas 
vilões (cantigas de escárnio e de maldizer); satíricas, 
portanto. 
 
EMPREGO DE ELEMENTOS DE 
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E 
REPETIÇÃO, DE CONECTORES E DE OUTROS 
ELEMENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL 
Introdução 
Palavras como preposições, conjunções e 
pronomes possuem a função de criar um sistema de 
relações, referências e retomadas no interior de um texto; 
garantindo unidade entre as diversas partes que o 
compõe. Essa relação, esse entrelaçamento de 
elementos no texto recebe o nome de Coesão Textual. 
Há, portanto, coesão, quando seus vários 
elementos estão articulados entre si, estabelecendo 
unidade em cada uma das partes, ou seja, entre os 
períodos e entre os parágrafos. 
Tal unidade se dá pelo emprego de conectivos ou 
elementos coesivos, cuja função é evidenciar as várias 
relações de sentido entre os enunciados. Veja um 
exemplo de um texto coeso: 
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse 
neste domingo que o Brasil não vai atender ao 
governo interino de Honduras, que deu prazo de 
dez dias para uma definição sobre a situação do 
presidente deposto Manuel Zelaya, abrigado na 
embaixada brasileira desde que retornou a 
Tegucigalpa, há uma semana. Caso contrário, o 
governo de Micheletti ameaça retirar a imunidade 
diplomática da embaixada brasileira no país, 
segundo informou comunicado da chancelaria 
hondurenha divulgado na noite de sábado, em 
Tegucigalpa”. 
(Jornal O Globo – 27/09/2009) 
Quando um conectivo não é usado corretamente, 
há prejuízo na coesão. Observe: 
A escola possui um excelente time de futebol, 
portanto até hoje não conseguiu vencer o campeonato. O 
conectivo “portanto” confere ao período valor de 
conclusão, porém não há verdadeira relação de sentido 
entre as duas frases: a conclusão de não vencer não é 
possuir um excelente time de futebol. Analisaremos, a 
seguir, o problema na coesão: 
É óbvio que existem duas ideias que se opõem, 
são elas: possuir um time de futebol x não vencer o 
campeonato. 
Logo, só podemos empregar um conector que 
expresse ideia adversativa, são eles: mas, porém, 
contudo, todavia, entretanto, no entanto, não obstante. O 
período reescrito de forma adequada, fica assim:A escola 
possui um excelente time de futebol, mas até hoje não 
conseguiu vencer o campeonato….,porém até hoje não 
conseguiu vencer o campeonato. 
…,contudo até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…,todavia até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…,entretanto até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…, no entanto até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
…, não obstante até hoje não conseguiu vencer o 
campeonato. 
A palavra texto provém do latim”textum”, que 
significa tecido, entrelaçamento. Expondo de forma 
prática, podemos dizer que texto é um entrelaçamento de 
enunciados oracionais e não oracionais organizados de 
acordo com a lógica do autor. 
Há de se convir que um texto também deve ser 
claro, estando essa qualidade relacionada diretamente 
aos elementos coesivos (ligação entre as partes). 
Falar em coesão é necessariamente falar 
em endófora e exófora. Aquela se impõe no emprego de 
pronomes e expressões que se referem a elementos 
nominais presentes na superfície textual; esta faz 
remissão a um elemento fora dos limites do texto. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 7 
 
A referenciação ocorre, basicamente, por meio de 
dois movimentos, chamados de movimentos retrospectivo 
e progressivo, respectivamente anáfora e catáfora. 
Tomando como objeto de análise o mesmo exemplo, 
vamos observar agora as anáforas e catáforas. 
Vejamos as principais características de cada uma 
delas: 
 
Endófora 
É dividida em: anáfora e catáfora. 
a) Anáfora: expressão que retoma uma ideia 
anteriormente expressa. 
“Secretáriade Educação escreve pichação com 
“x”. Ela justifica a gafe pela pressa”. 
Observe que o pronome “Ela” retoma uma 
expressão já citada anteriormente – Secretária de 
Educação –, portanto trata-se de uma retomada por 
anáfora.Dica: vale lembrar que a expressão retomada (no 
exemplo acima representada pela porção Secretária de 
Educação) é, também, chamada, em provas de Concurso, 
de referente ideológico. 
b) Catáfora: pronome ou expressão nominal que 
antecipa uma expressão presente em porção posterior do 
texto. Observe: 
Só queremos isto: a aprovação! 
No exemplo, o pronome “isto” só pode ser 
recuperado se identificarmos o termo aprovação, que 
aparece na porção posterior à estrutura. É, portanto, um 
exemplo clássico de catáfora. 
Vejamos outros: 
Eu quero ajuda de alguém: pode ser de você. 
(catáfora ou remissão catafórica) Não viu seu 
amigo na festa. 
(catáfora ou remissão catafórica) 
“A manicure Vanessa foi baleada na Tijuca. Ela 
levou um tiro no abdome”. 
(anáfora ou remissão anafórica) 
Três homens e uma mulher tentaram roubar um 
Xsara Picasso na Tijuca: deram 10 tiros no carro, mas 
não conseguiram levá-lo. (anáfora ou remissão anafórica) 
 
Exófora 
a remissão é feita a algum elemento da situação 
comunicativa, ou seja, o referente está fora da superfície 
textual. 
MECANISMOS DE COESÃO: é meio pelo qual 
ocorre a coesão em um texto. Os principais são: 
1) Coesão por substituição: 
Consiste na colocação de um item em lugar de 
outro(s) elemento(s) do texto, ou até mesmo de uma 
oração inteira. 
Ele comprou um carro. Eu também quero comprar 
um. 
Ele comprou um carro novo e eu também. 
Observe que ocorre uma redefinição, ou seja, não 
há identidade entre o item de referência e o item 
pressuposto. O que existe, na verdade, é uma nova 
definição nos termos: um, também. Comparemos com 
outro exemplo: 
Comprei um carro vermelho, mas Pedro preferiu 
um verde. 
O termo “vermelho” é o adjunto adnominal de 
carro. Ele é, então, o modificador do substantivo. 
Todavia, esse termo é silenciado e, em seu lugar, 
faz-se presente a porção especificativa “verde”. Logo, 
trata-se de uma redefinição do referente. 
2) Coesão por elipse: ocorre quando elemento do 
texto é omitido em algum dos contextos em que deveria 
ocorrer. 
-Pedro vai comprar o carro? 
– Vai! 
Houve a omissão dos termos Paulo (sujeito) e 
comprar o carro (predicado verbal), todavia essa não 
prejudicou nem a correção gramatical nem a clareza do 
texto. Exemplo clássico de coesão por elipse. 
 
3) Coesão por Conjunção: 
Estabelece relações significativas entre os 
elementos ou orações do texto, através do uso de 
marcadores formais – as conjunções. Essas podem 
exprimir valor semântico de adição, adversidade, causa, 
tempo… 
Perdeu as forças e caiu. (adição) 
Perdeu as forças, mas permaneceu firme. 
(adversidade) 
Perdeu as forças, porque não se alimentou. 
(causa) 
Perdeu as forças, quando soube a verdade. 
(tempo) 
Observe que todas as relações de sentido 
estabelecidas entre as duas porções textuais são feitas 
por meio dos conectores: e, mas, porque, quando. 
 
4) Coesão Lexical: 
É obtida pela seleção vocabular. Tal mecanismo é 
garantido por dois tipos de procedimentos: 
a) Reiteração (repetição): ocorre por repetição do 
mesmo item lexical ou através de hiperônimos, sinônimos 
ou nomes genéricos. 
O aluno estava nervoso. O aluno havia sido 
assaltado. (repetição do mesmo item lexical)Uma menina 
desapareceu. A garota estava envolvida com drogas. 
(coesão resultante do uso de sinônimo)Havia 
muitas ferramentas espalhadas, mas só precisava achar o 
martelo. 
(coesão por hiperônimo: ferramentas é o gênero 
de que martelo é a espécie) 
Todos ouviram um barulho atrás da porta. Abriram-
na e viram uma coisa em cima da mesa. 
(coesão resultante de um nome genérico) 
Observação: nos exemplos acima, observamos 
que retomar um referente por meio de uma 
expressão genérica ou por hiperônimo é um 
recurso natural de um texto. 
Muitos estudantes de concursos ou vestibulares 
perguntam se é errado repetir palavras em suas 
redações. A resposta é simples: se houver, na repetição, 
finalidade enfática você não será penalizado. 
Todavia, a escolha dos recursos coesivos mais 
adequados deve ser feita, levando-se em consideração a 
articulação geral do texto e, eventualmente, os efeitos 
estilísticos que se deseja obter. 
b) Coesão por colocação ou contiguidade: 
consiste no uso de termos pertencentes a um mesmo 
campo semântico. 
Houve um grande evento nas areias de 
Copacabana, no último dia 02. 
https://resumosparaconcursos.com.br/2018/02/09/colocacao-pronominal/
https://resumosparaconcursos.com.br/2018/02/09/colocacao-pronominal/
8 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
O motivo da festa foi este: o Rio sediará as 
olimpíadas de 2016 
 
ARTICULAÇÕES SEMÂNTICO-TEXTUAIS 
ARTICULAÇÃO TEXTUAL: OPERADORES 
SEQUENCIAIS, EXPRESSÕES REFERENCIAIS 
Para construir um texto, necessitam-se de palavras 
(óbvio!). Estas palavras podem estar conectadas entre si 
por meio de conjunções, pronomes, os quais irão dar 
sentido ao texto. Os operadores sequenciais e as 
expressões referenciais podem ser tanto sinônimos, os 
quais irão recuperar termos, como antônimos, 
pronomes. Dessa forma, a unidade textual não fica 
redundante ou repetitiva - daí a importância desses 
operadores e expressões de referência. 
Em uma redação, por exemplo, é preciso saber 
qual conectivo (conjunções e preposições) ligam as ideias 
para que estas se tornem claras. Esses elementos estão 
inclusos no que se convencionou, em Linguística, chamar 
de coesão, tema que veremos nas linhas seguintes. 
De acordo com Neves (2011, p. 449), os 
pronomes têm “a capacidade de fazer referência”. São 
eles: 
 Eu, Tu (Você), Ele (Ela), Nós, Vós (Vocês), Eles 
(Elas) 
 Me, Nos, Te, Vos, O, A, Lhe, Se 
 Mim, Comigo, Nós, Conosco, Ti, Contigo, Vós, 
Convosco, Si, Consigo. 
As preposições também são operadores 
sequenciais. São elas: a, até, com, contra, de, em, entre, 
para, por, sob, sobre, ante, após, desde, perante, sem. 
As conjunções, por sua vez, podem ser tanto 
coordenativas ou subordinativas. O primeiro tipo liga duas 
orações independentes entre si. A segunda liga o sentido 
entre as frases dependentes. 
 
Conjunções Coordenativas: 
 Aditivas: e, nem, também, como também, bem 
como, mas ainda, não só… mas, não só... mas também, 
não só... como também, não só... bem como, não só... 
mas ainda. 
 Adversativas: mas, entretanto, no entanto, 
porém, todavia, contudo, não obstante. 
 Alternativas: ou, ou… ou, ora… ora, já… já, 
quer… quer, seja… seja. 
 Conclusivas: logo, portanto, por isso, assim, por 
conseguinte, então. 
 Explicativas: que, porque, porquanto, pois. 
 
Conjunções Subordinativas: 
 Causais: porque, uma vez que, sendo que, visto 
que, como, já que, desde que, pois. 
 Consecutivas: que (precedido de tal, tão, tanto, 
tamanho), sem que, de modo que, de forma que, de 
maneira que. 
 Comparativas: como, tal qual, que, do que, assim 
como, mais… que, menos… que, (tanto) quanto. 
 Conformativas: conforme, assim como, segundo, 
consoante, como, de acordo com que. 
 Condicionais: se, caso, contanto que, a menos 
que, sem que, salvo se, desde que. 
 Concessivas: mesmo que, por mais que, ainda 
que, ainda quando, quando mesmo, se bem que, embora, 
conquanto, posto que, por muito que, apesar de que, que, 
malgrado, dado que, suposto que. 
 Proporcionais: à medida que, à proporção que, 
ao passo que, quanto mais (tanto menos), quanto menos. 
 Finais: a fim de que, para que. 
 Temporais: quando, enquanto, sempre que, logo, 
que, depois que, desde que, assim que, até que, cada vez 
que, sem que. 
 Coerência: manifestada em grande parte 
macrotextualmente, refere-se aos modos como os 
componentes do universo textual se unem de maneira 
acessível e relevante; 
 
COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL 
Por essas duas palavras - coesão e coerência- 
compreendemos a relação de sentido que se estabelece 
entre as partes do texto, criando uma unidade de sentido 
(ou seja, criando um discurso que faça sentido para o 
receptor). A coesão auxilia a coerência, mas não é algo 
necessário para que esta se dê: mesmo não havendo 
coesão, pode haver coerência. A coerência manifestada 
no nível microtextual refere-se aos modos como os 
componentes do universo textual estão ligados entre si 
dentro de uma sequência. 
 Coesão: quando manifestada no nível 
microtextual, refere-se aos modos como os componentes 
do universo textual estão ligados entre si dentro de uma 
sequência; 
Há vários tipos de coesão. São eles: 
 Referência: exofórica e endofórica (que pode ser 
anáfora e catáfora); 
Exofórica é quando há uma relação 
extralinguística, isto é, textos orais. Já a endofórica é uma 
relação interna. Será anáfora quando houver retomada, 
recuperação de termos, com o uso de pronomes, por 
exemplo. Já a catáfora indica um termo subsequente, que 
será ainda falado. 
Por exemplo: 
- O menino brigou com a menina. Ela não teve 
culpa (anáfora) 
- Vou lhe dizer isto: fique longe de mim (catáfora) 
 Substituição: quando ocorre substituição de 
termos, como sinônimos que não são completamente 
idênticos para a troca. 
 Elisão: um exemplo claro é quando suprimos as 
palavras do português. 
 Conjunção: estabelece vínculos semânticos, 
como a causalidade, temporalidade. 
 Coesão lexical: termos que são retomados por 
sinônimos ou hiperônimos. 
 
ELEMENTOS DE COESÃO 
Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os 
elementos de um texto. Percebemos tal definição quando 
lemos um texto e verificamos que as palavras, as frases e 
os parágrafos estão entrelaçados, um dando continuidade 
ao outro. 
Os elementos de coesão determinam a transição 
de ideias entre as frases e os parágrafos. 
Observe a coesão presente no texto a seguir: 
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília 
contra a política agrária do país, porque consideram 
injusta a atual distribuição de terras. Porém o ministro da 
Agricultura considerou a manifestação um ato de 
 LÍNGUA PORTUGUESA 9 
 
rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária 
pretende assentar milhares de sem-terra.” 
JORDÃO, R., BELLEZI C. Linguagens. São Paulo: 
Escala Educacional, 2007, p. 566 
As palavras destacadas têm o papel de ligar as 
partes do texto, podemos dizer que elas são responsáveis 
pela coesão do texto. 
Há vários recursos que respondem pela coesão do 
texto, os principais são: 
- PALAVRAS DE TRANSIÇÃO: são palavras 
responsáveis pela coesão do texto, estabelecem a inter-
relação entre os enunciados (orações, frases, parágrafos), 
são preposições, conjunções, alguns advérbios e 
locuções adverbiais. 
Veja algumas palavras e expressões de 
transição e seus respectivos sentidos: 
- inicialmente (começo, introdução) 
- primeiramente (começo, introdução) 
- primeiramente (começo, introdução) 
- antes de tudo (começo, introdução) 
- desde já (começo, introdução) 
- além disso (continuação) 
- do mesmo modo (continuação) 
- acresce que (continuação) 
- ainda por cima (continuação) 
- bem como (continuação) 
- outrossim (continuação) 
- enfim (conclusão) 
- dessa forma (conclusão) 
- em suma (conclusão) 
- nesse sentido (conclusão) 
- portanto (conclusão) 
- afinal (conclusão) 
- logo após (tempo) 
- ocasionalmente (tempo) 
- posteriormente (tempo) 
- atualmente (tempo) 
- enquanto isso (tempo) 
- imediatamente (tempo) 
- não raro (tempo) 
- concomitantemente (tempo) 
- igualmente (semelhança, conformidade) 
- segundo (semelhança, conformidade) 
- conforme (semelhança, conformidade) 
- assim também (semelhança, conformidade) 
- de acordo com (semelhança, conformidade) 
- daí (causa e consequência) 
- por isso (causa e consequência) 
- de fato (causa e consequência)- em virtude de 
(causa e consequência) 
- assim (causa e consequência) 
- naturalmente (causa e consequência) 
- então (exemplificação, esclarecimento) 
- por exemplo (exemplificação, esclarecimento) 
- isto é (exemplificação, esclarecimento) 
- a saber (exemplificação, esclarecimento) 
- em outras palavras (exemplificação, 
esclarecimento) 
- ou seja (exemplificação, esclarecimento) 
- quer dizer (exemplificação, esclarecimento) 
- rigorosamente falando (exemplificação, 
esclarecimento). 
Ex.: A prática de atividade física é essencial ao 
nosso cotidiano. Assim sendo, quem a pratica possui 
uma melhor qualidade de vida. 
- COESÃO POR REFERÊNCIA: existem palavras 
que têm a função de fazer referência, são elas: 
- pronomes pessoais: eu, tu, ele, me, te, os... 
- pronomes possessivos: meu, teu, seu, nosso... 
- pronomes demonstrativos: este, esse, aquele... 
- pronomes indefinidos: algum, nenhum, todo... 
- pronomes relativos: que, o qual, onde... 
- advérbios de lugar: aqui, aí, lá... 
Ex.: Marcela obteve uma ótima colocação no 
concurso. Tal resultado demonstra que ela se esforçou 
bastante para alcançar o objetivo que tanto almejava. 
- Coesão por substituição: substituição de um 
nome (pessoa, objeto, lugar etc.), verbos, períodos ou 
trechos do texto por uma palavra ou expressão que tenha 
sentido próximo, evitando a repetição no corpo do texto. 
Ex.: Porto Alegre pode ser substituída por “a 
capital gaúcha”; 
Castro Alves pode ser substituído por “O Poeta 
dos Escravos”; 
João Paulo II: Sua Santidade; 
Vênus: A Deusa da Beleza. 
Ex.: Castro Alves é autor de uma vastíssima obra 
literária. Não é por acaso que o "Poeta dos Escravos" é 
considerado o mais importante da geração a qual 
representou. 
Assim, a coesão confere textualidade aos 
enunciados agrupados em conjuntos. 
 
EXERCÍCIOS SOBRE COERÊNCIA TEXTUAL 
01. Sobre a coerência textual, é incorreto afirmar: 
a) A coerência é uma conformidade entre fatos ou ideias, 
própria daquilo que tem nexo, conexão, portanto, 
podemos associá-la ao processo de construção de 
sentidos do texto e à articulação das ideias. 
b) Por serem os sentidos elementos subjetivos, podemos 
dizer que a coerência não pode ser delimitada, pois o 
leitor é o responsável pela constituição dos 
significados do texto. 
c) A coerência é imaterial e não está na superfície textual. 
Compreender aquilo que está escrito dependerá dos 
níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por 
esse motivo, um mesmo texto pode 
apresentar múltiplas interpretações. 
d) A não contradição, a não tautologia e o princípio da 
relevância são elementos básicos que garantem a 
coerência textual. 
e) A coerência textual dispensa o uso adequado dos 
conectivos, elementos que apenas colaboram para a 
estruturação do texto sem apresentar relação direta 
com a semântica textual. 
 
02. Observe a tirinha Calvin e Haroldo, de Bill Watterson, 
e responda à questão: 
10 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
 
Para cada situação interativa existe uma variedade de 
língua adequada. O falante pode optar pela variedade 
padrão ou pela variedade não padrão 
Sobre o nível de linguagem adotado por Calvin, podemos 
afirmar que se trata, em relação aos tipos de 
coerência, de uma 
a) incoerência pragmática. 
b) incoerência genérica. 
c) incoerência estilística. 
d) incoerência temática. 
e) incoerência semântica. 
 
03. Observe o discurso de Calvin e responda à questão: 
 
A identificação de elementos textuais como as figuras 
de linguagem é essencial para a interpretação de 
textos 
A incoerência na fala de Calvin sobre a TV pode ser 
explicada através da seguinte figura de linguagem: 
a) Eufemismo. 
b) Hipérbole. 
c) Paradoxo. 
d) Ironia. 
e) Personificação. 
 
04. Oito Anos 
“Por que você é Flamengo 
E meu pai Botafogo 
O que significa 
"Impávido colosso"? 
Por que os ossos doem 
enquanto a gente dorme 
Por que os dentes caem 
Por onde os filhos saem 
Por que osdedos murcham 
quando estou no banho 
Por que as ruas enchem 
quando está chovendo 
Quanto é mil trilhões 
vezes infinito 
Quem é Jesus Cristo 
Onde estão meus primos 
Well, well, well 
Gabriel (...)”. 
(Paula Toller/Dunga. CD Partimpim, de Adriana Calcanhoto, 
São Paulo, 2004) 
Julgue as seguintes proposições: 
I. Pode-se dizer que se trata de um conjunto de frases 
interrogativas sem ligação entre si, configurando então 
um texto desprovido de coerência. 
II. Embora o texto apresente uma série de interrogações 
aparentemente sem ligação entre si, existem nele 
elementos linguísticos que nos permitem construir a 
coerência textual. 
III. A letra da canção é constituída por uma “lista” das 
perguntas que um filho faz para a mãe, e a 
sequenciação de perguntas aparentemente 
desconexas, na verdade, explicita o grande número de 
questionamentos que povoam o imaginário infantil. 
IV. A ausência de elementos sintáticos, como conectivos, 
prejudica a construção de sentidos do texto. 
a) Todas estão corretas. 
b) Apenas II e III estão corretas. 
c) Apenas I e IV estão corretas. 
d) Apenas I e III estão corretas. 
e) I, III e IV estão corretas. 
 
Respostas 
Questão 1. Alternativa “e”. O uso adequado dos conectivos é 
um importante mecanismo de estruturação do texto, seja nos 
aspectos relacionados à semântica, seja nos aspectos 
relacionados à sintaxe. Um texto pode ser coerente sem 
conectivos, contudo, esses elementos garantem dois 
movimentos de leitura essenciais em uma redação: a 
retrospecção e a prospecção. 
Questão 2. Alternativa “c”. De acordo com a coerência 
estilística, cada situação interativa exige do falante ou do 
produtor do texto a adequação à variedade linguística, ou 
seja, devemos optar, de acordo com o contexto 
comunicacional, pela variedade padrão ou pela variedade 
não padrão. Analisando as falas de Calvin, podemos inferir 
que, ao adotar a variedade padrão fora de seu contexto ideal 
de uso, ele cometeu uma incoerência estilística. 
Questão 3. Alternativa “d”. A ironia é a figura de linguagem 
capaz de explicar a incoerência presente no discurso de 
Calvin. Sem captar a ironia de sua fala, o discurso 
transforma-se em apologia, quando, na verdade, a intenção 
do cartunista foi tecer uma crítica aos meios de 
comunicação. 
Questão 4. Alternativa “b”. 
 
 LÍNGUA PORTUGUESA 11 
 
REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS DO 
TEXTO 
Figuras de estilo, figuras ou Desvios de linguagem 
são nomes dados a alguns processos que priorizam a 
palavra ou o todo para tornar o texto mais rico e 
expressivo ou buscar um novo significado, possibilitando 
uma reescritura correta de textos. 
Podem ser: 
 
Figuras de palavras 
As figuras de palavra consistem no emprego de 
um termo com sentido diferente daquele 
convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um 
efeito mais expressivo na comunicação. 
São figuras de palavras: 
Comparação: 
Ocorre comparação quando se estabelece 
aproximação entre dois elementos que se identificam, 
ligados por conectivos comparativos explícitos – feito, 
assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – 
e alguns verbos – parecer, assemelhar-se e outros. 
Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse 
máquina. / Beijou sua mulher como se fosse lógico.” 
(Chico Buarque); 
“As solteironas, os longos vestidos negros 
fechados no pescoço, negros xales nos ombros, pareciam 
aves noturnas paradas…” (Jorge Amado). 
 
Metáfora: 
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro 
através de uma relação de semelhança resultante da 
subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode 
ser entendida como uma comparação abreviada, em que 
o conectivo não está expresso, mas subentendido. 
Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta 
concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair 
pérolas, que é a razão.” (Machado de Assis). 
 
Metonímia: 
Ocorre metonímia quando há substituição de uma 
palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de 
semelhança, relação, proximidade de sentido ou 
implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa 
relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos: 
– o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes 
de sair, tomamos um cálice (o conteúdo de um 
cálice) de licor. 
– a causa pelo efeito e vice-versa: “E assim o 
operário ia / Com suor e com cimento (com 
trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante 
um apartamento.” (Vinicius de Moraes). 
– o lugar de origem ou de produção pelo produto: 
Comprei uma garrafa do legítimo porto (o vinho 
da cidade do Porto). 
– o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a 
obra de Jorge Amado). 
– o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não 
devemos contar com o seu coração 
(sentimento, sensibilidade). 
– o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o 
poder) foi disputada pelos revolucionários. 
– a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o 
bronze (o sino) soa. 
– o inventor pelo invento: Edson (a energia 
elétrica) ilumina o mundo. 
– a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício 
da Prefeitura). 
– o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um 
bom garfo (guloso, glutão). 
 
Sinédoque: 
Ocorre sinédoque quando há substituição de um 
termo por outro, havendo ampliação ou redução do 
sentido usual da palavra numa relação quantitativa. 
Encontramos sinédoque nos seguintes casos: 
– o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira 
(o povo) viu assombrada, de queixo caído, o 
pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos 
(parte das patas) de seu cavalo.” (J. Cândido 
de Carvalho) 
– o singular pelo plural e vice-versa: O paulista 
(todos os paulistas) é tímido; o carioca (todos 
os cariocas), atrevido. 
– o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo 
nome comum): Para os artistas ele foi um 
mecenas (protetor). 
 
Catacrese: 
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, “é 
uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se 
sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual 
e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguístico, já fora 
do âmbito estilístico.” (Othon M. Garcia). 
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele 
de tomate / dente de alho / montar em burro / céu da boca 
/ cabeça de prego / mão de direção / ventre da terra / asa 
da xícara / sacar dinheiro no banco. 
 
Sinestesia: 
A sinestesia consiste na fusão de sensações 
diferentes numa mesma expressão. Essas sensações 
podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) 
ou psicológicas (subjetivas). 
Exemplo: “A minha primeira recordação é um muro 
velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias 
feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela 
mancha verde [sensação visual] e úmida, macia 
[sensações táteis], quase irreal.” (Augusto Meyer) 
 
Antonomásia: 
Ocorre antonomásia quando designamos uma 
pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a 
distingue. 
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo 
que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um 
aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio. 
Exemplos: “E ao rabi simples (Cristo), que a 
igualdade prega, / Rasga e enlameia a túnica inconsútil; 
(Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Arantes do 
Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta 
dos escravos (= Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e 
Souza) / O Corso (= Napoleão) 
 
Alegoria: 
A alegoria é uma acumulação de metáforas 
referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que 
consiste em expressar uma situação global por meio de 
12 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na 
alegoria, todas as palavras estão transladadas para um 
plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos 
completos e perfeitos – um referencial e outro metafórico. 
Exemplo: “A vida é uma ópera, é uma grande 
ópera. O tenor e o barítono lutam pelosoprano, em 
presença do baixo e dos comprimários, quando não são o 
soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença 
do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros 
numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente…” 
(Machado de Assis). 
 
FIGURAS DE SINTAXE OU DE CONSTRUÇÃO: 
As figuras de sintaxe ou de construção dizem 
respeito a desvios em relação à concordância entre os 
termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou 
omissões. 
Elas podem ser construídas por: 
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma; 
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto; 
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e 
hipálage; 
d) ruptura: anacoluto; 
e) concordância ideológica: silepse. 
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: 
Assíndeto: 
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras 
deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, 
aparecem justapostas ou separadas por vírgulas. 
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada 
fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas). 
Exemplo: “Não nos movemos, as mãos é que se 
estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, 
apertando-se, fundindo-se.” (Machado de Assis). 
 
Elipse: 
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou 
oração que facilmente podemos identificar ou 
subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de 
pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um 
poderoso recurso de concisão e dinamismo. 
Exemplo: “Veio sem pinturas, em vestido leve, 
sandálias coloridas.” (elipse do pronome ela (Ela veio) e 
da preposição de (de sandálias…). 
 
Zeugma: 
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na 
frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição. 
Exemplo: “Foi saqueada a vida, e assassinados os 
partidários dos Felipes.” (Zeugma do verbo: “e foram 
assassinados…”) (Camilo Castelo Branco). 
 
Anáfora: 
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de 
palavras no início de um período, frase ou verso. 
Exemplo: “Depois o areal extenso… / Depois o 
oceano de pó… / Depois no horizonte imenso / 
Desertos… desertos só…” (Castro Alves). 
 
Pleonasmo: 
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma 
ideia, isto é, redundância de significado. 
1. a) Pleonasmo literário: 
É o uso de palavras redundantes para reforçar 
uma ideia, tanto do ponto de vista semântico quanto do 
ponto de vista sintático. Usado como um recurso 
estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à 
mensagem. 
Exemplos: 
“Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os 
olhos eu quis ver de perto / Quando em visão com os da 
saudade via.” (Alberto de Oliveira). 
“Morrerás morte vil na mão de um forte.” 
(Gonçalves Dias) 
“Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas 
de Portugal” (Fernando Pessoa). 
 
1. b) Pleonasmo vicioso: 
É o desdobramento de ideias que já estavam 
implícitas em palavras anteriormente expressas. 
Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm 
valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do 
descobrimento do sentido real das palavras. 
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / 
repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de 
sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / principal 
protagonista. 
 
Polissíndeto: 
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática 
de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige 
a norma gramatical (geralmente a conjunção e). É um 
recurso que sugere movimentos ininterruptos ou 
vertiginosos. 
Exemplo: “Vão chegando as burguesinhas pobres, 
/ e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do 
povo, e as lavadeiras da redondeza.” (Manuel Bandeira). 
 
Anástrofe: 
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão 
de palavras vizinhas (determinante/determinado). 
Exemplo: “Tão leve estou (estou tão leve) que nem 
sombra tenho.” (Mário Quintana). 
 
Hipérbato: 
Ocorre hipérbato quando há uma inversão 
completa de membros da frase. 
Exemplo: “Passeiam à tarde, as belas na Avenida.” 
(As belas passeiam na Avenida à tarde.) (Carlos 
Drummond de Andrade). 
 
Sínquise: 
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta 
de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado. 
Exemplo: “A grita se alevanta ao Céu, da gente. ” 
(A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões). 
 
Hipálage: 
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do 
adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é 
atribuída a outro, na mesma frase. 
Exemplo: “… as lojas loquazes dos barbeiros.” (as 
lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros). 
 
Anacoluto: 
 LÍNGUA PORTUGUESA 13 
 
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano 
sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a 
sequência lógica. A construção do período deixa um ou 
mais termos – que não apresentam função sintática 
definida – desprendidos dos demais, geralmente depois 
de uma pausa sensível. 
Exemplo: “Essas empregadas de hoje, não se 
pode confiar nelas.” (Alcântara Machado). 
 
Silepse: 
Ocorre silepse quando a concordância não é feita 
com as palavras, mas com a ideia a elas associada. 
a) Silepse de gênero: 
Ocorre quando há discordância entre os gêneros 
gramaticais (feminino ou masculino). 
Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer 
bonito.” (Guimarães Rosa). 
 
b) Silepse de número: 
Ocorre quando há discordância envolvendo o 
número gramatical (singular ou plural). 
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.” 
(Mário Barreto). 
 
c) Silepse de pessoa: 
Ocorre quando há discordância entre o sujeito 
expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve 
se inclui no sujeito enunciado. 
Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas 
algumas pessoas.” (Machado de Assis). 
 
FIGURAS DE PENSAMENTO: 
As figuras de pensamento são recursos de 
linguagem que se referem ao significado das palavras, ao 
seu aspecto semântico. 
São figuras de pensamento: 
Antítese: 
Ocorre antítese quando há aproximação de 
palavras ou expressões de sentidos opostos. 
Exemplo: “Amigos ou inimigos estão, amiúde, em 
posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos 
bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal.” 
(Rui Barbosa). 
 
Apóstrofe: 
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma 
pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar 
presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise 
sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão. 
Exemplo: “Deus! ó Deus! onde estás, que não 
respondes?” (Castro Alves). 
 
Paradoxo: 
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de 
palavras de sentido oposto, mas também na de ideias que 
se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma 
verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro 
(ou oximoron) é outra designação para paradoxo. 
Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver; / É 
ferida que dói e não se sente; / É um contentamento 
descontente; / É dor que desatina sem doer;” (Camões) 
 
Eufemismo: 
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou 
expressão é empregada para atenuar uma verdade tida 
como penosa, desagradável ou chocante. 
Exemplo: “E pela paz derradeira (morte) que enfim 
vai nos redimir Deus lhe pague”. (Chico Buarque). 
 
Gradação: 
Ocorre gradação quando há uma sequência de 
palavras que intensificam uma mesma ideia. 
Exemplo: “Aqui… além… mais longe por onde eu 
movo o passo.” (Castro Alves). 
 
Hipérbole: 
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, 
a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de 
impacto. 
Exemplo: “Rios te correrão dos olhos, se 
chorares!” (Olavo Bilac). 
 
Ironia: 
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela 
entonação, pela contradição de termos, sugere-se o 
contrário do que as palavras ou orações parecem 
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica. 
Exemplo: “Moça linda, bem tratada, / três séculos 
de família, / burra como uma porta: / um amor.” (Mário de 
Andrade). 
 
Prosopopeia: 
Ocorre prosopopeia (ou animização ou 
personificação) quando se atribui movimento, ação, fala, 
sentimento,enfim, caracteres próprios de seres animados 
a seres inanimados ou imaginários. 
Também a atribuição de características humanas a 
seres animados constitui prosopopeia o que é comum nas 
fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de 
Quintana: “O peixinho (…) silencioso e levemente 
melancólico…” 
Exemplos: “… os rios vão carregando as queixas 
do caminho.” (Raul Bopp) 
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…” 
(Clarice Lispector) 
 
Perífrase: 
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de 
palavras para expressar algum objeto, acidente 
geográfico ou situação que não se quer nomear. 
Exemplo: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos 
mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil.” (André 
Filho). 
Até este ponto retirei informações do site PCI 
cursos 
 
VÍCIOS DE LINGUAGEM 
Ambiguidade 
Ambiguidade é a possibilidade de uma 
mensagem ter dois sentidos. Ela geralmente é provocada 
pela má organização das palavras na frase. A 
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a 
possibilidade de uma palavra apresentar vários sentidos 
em um contexto. 
 
14 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Exs: 
 “Onde está a vaca da sua avó?” (Que vaca? A 
avó ou a vaca criada pela avó?) 
 “Onde está a cachorra da sua mãe?” (Que 
cachorra? A mãe ou a cadela criada pela mãe?) 
 “Este líder dirigiu bem sua nação”(“Sua”? Nação 
da 2ª ou 3ª pessoa (o líder)?). 
Obs 1: O pronome possessivo “seu(ua)(s)” gera 
muita confusão por ser geralmente associado 
ao receptor da mensagem. 
Obs 2: A preposição “como” também gera 
confusão com o verbo “comer” na 1ª pessoa do 
singular. 
A ambiguidade normalmente é indesejável na 
comunicação unidirecional, em particular na escrita, pois 
nem sempre é possível contactar o emissor da mensagem 
para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa 
original e assim obter a interpretação correta da 
mensagem. 
 
Barbarismo 
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrang
eirismo (para os latinos qualquer estrangeiro era bárbaro) 
é o uso de palavra, expressão ou construção estrangeira 
no lugar de equivalente vernácula. 
De acordo com a língua de origem, os 
estrangeirismos recebem diferentes nomes: 
 Galicismo ou francesismo, quando 
provenientes do francês (de Gália, antigo nome 
da França); 
 anglicismo, quando do inglês; 
 castelhanismo, quando vindos do espanhol; 
Exs.: 
 Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o 
mais adequado seria “quanto mais penso, 
(tanto) mais fico inteligente”); 
 Comeu um roast-beef(anglicismo; o mais 
adequado seria “comeu um rosbife“); 
 Havia links para sua página (anglicismo; o mais 
adequado seria “Havia ligações (ou vínculos) 
para sua página”. 
 Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais 
adequado seria “Eles têm serviço de entrega”). 
 Premiê apresenta prioridades da Presidência 
lusa da UE (galicismo, o mais adequado 
seria Primeiro-ministro) 
 Nesta receita gastronômica usaremos 
Blueberries e Grapefruits. (anglicismo, o mais 
adequado seria Mirtilo e Toranja) 
 Convocamos para a Reunião do Conselho 
de DA’s(plural da sigla de Diretório 
Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta 
língua não se usa apóstrofo „s‟ para pluralizar; 
o mais adequado seria AA. ou DAs.) 
Há quem considere barbarismo também 
divergências de pronúncia, grafia, morfologia, etc., tais 
como “adevogado” ou “eu sabo“, pois seriam atitudes 
típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta 
fluência no dialeto padrão da língua. 
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é 
indesejável porque os receptores da mensagem 
frequentemente conhecem o termo em questão na língua 
nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre 
conhecem o termo correspondente na língua ou dialeto 
estrangeiro à comunidade com a qual ele está 
familiarizado. Em nível político, um barbarismo também 
pode ser interpretado como uma ofensa cultural por 
alguns receptores que se encontram ideologicamente 
inclinados a repudiar certos tipos de influência sobre suas 
culturas. Pode-se assim concluir que o conceito de 
barbarismo é relativo ao receptor da mensagem. 
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da 
própria língua do receptor poderia ser considerada como 
um barbarismo. Tal é o caso de um cultismo (ex: 
“abdômen”) quando presente em uma mensagem a um 
receptor que não o entende (por exemplo, um indivíduo 
não escolarizado, que poderia compreender melhor os 
sinônimos “barriga”, “pança” ou “bucho”). 
 
Cacofonia 
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno 
formado pela união das sílabas de palavras contíguas. 
Por isso temos que cuidar quando falamos sobre algo 
para não ofendermos a pessoa que ouve. São exemplos 
desse fato: 
 “Ele beijou a boca dela.” 
 “Bata com um mamão para mim, por favor.” 
 “Deixe ir-me já, pois estou atrasado.” 
 “Não tem nada de errado a cerca dela“ 
 “Vou-me já que está pingando. Vai chover!” 
 “Instrumento para socar alho.” 
 “Daqui vai, se for dai.” 
 
Não são cacofonia: 
 “Eu amo ela demais !!!” 
 “Eu vi ela.” 
 “você veja‖ 
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas 
são algumas vezes usadas de propósito em certas 
piadas, trocadilhos e “pegadinhas”. 
 
Plebeísmo 
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de 
baixo calão, gírias e termos considerados informais. 
Exemplos: 
 “Ele era um tremendo mané!” 
 “Tô ferrado!” 
 “Tá ligadonas quebradas, meu chapa?” 
 “Esse bagulho é „radicaaaal‟!!! Tá ligado 
mano?” 
 „Vô piá lá‟mais tarde „ !!! Se ligou maluko? 
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de 
plebeísmos em contextos sociais que requeiram maior 
formalismo no tratamento comunicativo. 
 
Prolixidade 
É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou 
argumentos e à sua superabundância. É o excesso de 
palavras para exprimir poucas ideias. Ao texto prolixo falta 
objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza 
e cansa o leitor. 
A prevenção à prolixidade requer que se tenha 
atenção à concisão e precisão da mensagem. Concisão é 
a qualidade de dizer o máximo possível com o mínimo de 
palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra certa 
para dizer exatamente o que se quer. 
 
 LÍNGUA PORTUGUESA 15 
 
Pleonasmo vicioso 
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando 
consiste numa redundância inútil e desnecessária de 
significado em uma sentença, é considerado um vício de 
linguagem. A esse tipo de pleonasmo chamamos 
pleonasmo vicioso. 
Exs.: 
 “Ele vai ser o protagonista principal da peça”. 
(Um protagonista é, necessariamente, a 
personagem principal) 
 “Meninos, entrem já para dentro!” (O verbo 
“entrar” já exprime ideia de ir para dentro) 
 “Estou subindo para cima.” (O verbo “subir” já 
exprime ideia de ir para cima) 
 “Não deixe de comparecer pessoalmente.” (É 
impossível comparecer a algum lugar de outra 
forma que não pessoalmente) 
 “Meio-ambiente” – o meio em que vivemos = o 
ambiente em que vivemos. 
 
Não é pleonasmo: 
 “As palavras são de baixo calão“. Palavras 
podem ser de baixo ou de alto calão. 
O pleonasmo nem sempre é um vício de 
linguagem, mesmo para os exemplos supra citados, a 
depender do contexto. Em certos contextos, ele é um 
recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a 
determinado aspecto da mensagem. 
Especialmente em contextos literários, musicais e 
retóricos, um pleonasmo bem colocado pode causar uma 
reação notável nos receptores (como a geração de uma 
frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A maestria 
no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado 
no receptor depende fortemente do desenvolvimento da 
capacidade de interpretação textual do emissor. Na 
dúvida, é melhor que seja evitado para não se incorrer 
acidentalmente em um uso vicioso. 
 
Solecismo 
Solecismo é uma inadequação na estrutura 
sintática da frase com relação à gramáticanormativa do 
idioma. Há três tipos de solecismo: 
De concordância: 
 “Fazem três anos que não vou ao médico.” (Faz 
três anos que não vou ao médico.) 
 “Aluga-se salas nesse edifício.” (Alugam-se salas 
nesse edifício.) 
De regência: 
 “Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu 
assisti a um filme de época.) 
De colocação: 
 “Me empresta um lápis, por favor.” (Empresta-me 
um lápis, por favor.) 
 “Me parece que ela ficou contente.” (Parece-me 
que ela ficou contente.) 
 “Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.” 
(Eu não lhe respondi nada do que perguntou.) 
 
Eco 
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre 
quando há na frase terminações iguais ou semelhantes, 
provocando dissonância. 
 “Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, 
saúde e educação.” 
 “O aluno repetente mente alegremente.” 
 O presidente tinha dor de dente constantemente. 
 
Colisão 
O uso de uma mesma vogal ou consoante em 
várias palavras é denominado aliteração. Aliterações são 
preciosos recursos estilísticos quando usados com a 
intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a 
atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não 
são intencionais ou quando causam um efeito estilístico 
ruim ao receptor da mensagem, a aliteração torna-se um 
vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome 
de colisão. Exemplos: 
 “Eram comunidades camponesas com cultivos c‖ 
 “O papa Paulo VI pediu a p” 
Uma colisão pode ser remediada com a 
reestruturação sintática da frase que a contém ou com a 
substituição de alguns termos ou expressões por outras 
similares ou sinônimas. 
 
A LÍNGUA PADRÃO CULTA NAS SUAS 
MODALIDADES ORAL E ESCRITA, NESTA 
INCLUÍDOS OS ASPECTOS FORMAIS 
RELATIVOS À ORTOGRAFIA OFICIAL, À 
ACENTUAÇÃO GRÁFICA E À PONTUAÇÃO. 
LINGUAGEM ORAL E LINGUAGEM ESCRITA 
As modalidades oral e escrita constituem 
universos específicos de linguagem e, como tal, 
possuem características próprias. A modalidade escrita 
parece caminhar para o espaço da totalidade, do 
distanciamento máximo entre produtor e interlocutor, 
enquanto a oralidade pressupõe um envolvimento maior 
entre os falantes. Entretanto, sabe-se que essa 
configuração nem sempre se realiza. 
Quando escrevemos, podemos impedir que nosso 
leitor interfira diretamente em nosso texto. Indiretamente, 
porém essa intervenção acaba por acontecer, visto que, 
continuamente, ajustamos a escrita à imagem que 
fazemos dele, prevendo possíveis perguntas que ele nos 
faria – e tentando respondê-las. Desse modo, a presença 
desse leitor virtual exige de nós um esforço de elaboração 
e precisão, levando o texto escrito para um certo grau de 
completude e preenchimento, refletidos no vocabulário 
apurado, no rigor gramatical, na obediência à norma culta, 
na objetividade e clareza de ideias, na eliminação de 
ambiguidades. 
Por outro lado, na oralidade, a relação que 
estabelecemos com quem falamos é direta, traduzida em 
um processo de dialogação, que pode ainda contar com 
uma série de recursos extralinguísticos, como gestos, 
expressões faciais, entonação, postura, que facilitarão 
a transmissão de ideias, emoções e possibilitarão refazer 
a mensagem, caso esta não seja assimilada ou bem 
interpretada. 
Em ambas as modalidades (oral e escrita), espera-
se que a comunicação seja efetiva e possa, de fato, se 
concretizar pelo contínuo ajustamento de linguagem que o 
emissor da mensagem faz com relação ao seu 
destinatário. 
A língua é rica e múltipla de possibilidades. 
Atualizá-la em função das exigências do momento da 
comunicação é nossa tarefa e nosso desafio. 
 
16 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
NOVA ORTOGRAFIA: NOVAS REGRAS 
ORTOGRÁFICAS DA LÍNGUA PORTUGUESA 
Com as novas regras de ortografia em vigor é 
preciso ficar atento ao que muda na hora de escrever, 
uma vez que será considerado como erros gramaticais 
em provas, concursos, e o Enem (a principal forma de 
entrada em uma universidade atualmente). Confira abaixo 
o que muda: 
 
ALFABETO 
A primeira mudança pode ser estranha a alguns, 
mas só agora o alfabeto português possui 26 letras, uma 
vez que foram incluídas as letras K, W e Y. 
Os acentos podem ser as mudanças que mais 
geram dúvidas: Palavras paroxítonas que tem o acento 
gráfico nos ditongos EI e OI não têm mais acento. 
Exemplo: 
o Estréia – Estreia 
o Ideia – Ideia 
o Paranóico – Paranoico 
o Assembléia – Assembleia 
o Geléia – Geleia 
o Jibóia – Jiboia 
o Apóio – Apoio 
o Platéia – Plateia 
o Jóia – Joia 
o Bóia – Boia 
o Coréia – Coreia 
Outras palavras que perderam seu acento foram: 
creem, deem, leem, veem e seus derivados: descreem, 
desdeem, releem, reveem e as que têm acento no último 
o do hiato (Os hiatos são o encontro de vogais de sílabas 
diferentes): Voos, enjoo, abençoo. 
 
ACENTOS DIFERENCIAIS 
Os acentos diferenciais das palavras também não 
são usados mais. Exemplo: 
o Pára (verbo) – Para 
o Pará-brisa – Para-brisa 
o Péla (substantivo) – Pela 
o Péla (verbo) – Pela 
o Pela (per+la) 
o Pêra – Pera 
o Pélo (verbo) – Pelo 
o Pêlo (substantivo) – Pelo 
o Pelo (per+lo) 
o Pólo (substantivo) – Polo 
o Polo (por+lo) 
 
TREMA 
O trema foi totalmente eliminado da língua 
portuguesa, seu uso não era obrigatório e agora não 
existe mais, com exceção às palavras estrangeiras e em 
nomes próprios. 
 
HÍFEN: 
O hífen é usado em palavras que a segunda 
palavra começa com a mesma vogal que a primeira 
palavra. Exemplo: micro-ondas, anti-inflamatório, arqui-
inimigo, semi-integral, micro-organismo. 
Usa o hífen quando a segunda palavra começar 
com H: tele-homenagem, proto-história, sobre-humano, 
extra-humano, pré-história, anti-higiênico, semi-hospitalar. 
O hífen - quando o primeiro elemento acabar com 
vogal e o segundo começar com vogal diferente - deixa de 
existir: socioeconômico, semiárido, autoestima, 
infraestrutura, ultrainterino. 
Não se usa quando o primeiro elemento terminar 
em vogal e o segundo elemento começar com R ou S. 
Nesse caso, a primeira letra do segundo elemento deverá 
ser duplicada: antissemita, contrarregra, antirreligioso, 
cosseno, extrarregular, minissaia, biorritmo, 
microssistema, ultrassom, antissocial. 
 
FONÉTICA E FONOLOGIA: SOM E FONEMA, 
ENCONTROS VOCÁLICOS E 
CONSONANTAIS E DÍGRAFOS. 
A Gramática registra e descreve todos os 
aspectos das línguas. Como sabemos, esses aspectos 
são diversos e seu estudo é organizados em 
partes: Fonética e Fonologia, Morfologia e Sintaxe 
 
Fonética 
A Fonética, ou Fonologia, estuda os sons emitidos 
pelo ser humano, para efetivar a comunicação. 
Diferentemente da escrita, que conta com vogais e 
consoantes, a Fonética se ocupa dos fonemas (= sons); 
são eles as vogais, as consoantes e as semivogais. 
Vogal = São as cinco já conhecidas - a, e, i, o, u -
quando funcionam como base de uma sílaba. Em cada 
sílaba há apenas uma vogal. NUNCA HAVERÁ MAIS DO 
QUE UMA VOGAL EM UMA MESMA SÍLABA. 
Consoante = Qualquer letra - ou conjunto de letras 
representando um som só - que só possa ser soada com 
o auxílio de uma vogal (com + soante = soa com...). Na 
fonética são consoantes b, d, f, g(ga, go, gu), j (ge, gi, 
j) k (c ou qu), l, m (antes de vogal), n (antes de vogal), p, 
r, s (s, c, ç, ss, sc, sç, xc), t, 
v, x (inclusive ch), z (s, z), nh, lh, rr. 
Semivogal = São as letras e, i, o e u quando 
formarem sílaba com uma vogal, antes ou depois dela, e 
as letras m e n, nos grupos AM, EM e EN, em final de 
palavra -somente em final de palavra. 
Quando a semivogal possuir som de i, será 
representada foneticamente pela letra Y; com som de u, 
pela letra W. 
Então teremos, por exemplo, na palavra caixeiro, 
que se separa silabicamente cai-xei-ro, o seguinte: 3 
vogais = a, e, o; 3 consoantes = k (c), x, r; 2 semivogais = 
y (i, i). Representando a palavra foneticamente, ficaremos 
com kayxeyro. 
Na palavra artilheiro, ar-ti-lhei-ro, o seguinte: 4 
vogais = a, i, e, o; 4 consoantes = r, t, lh, r; 1semivogal = y 
(i).Foneticamente = artiĹeyro. 
Na palavra viagem, vi-a-gem, 3 vogais = i, a, e; 2 
consoantes = v, g; 1 semivogal = y (m). viajẽy. 
M / N 
As letras M e N devem ser analisadas com muito 
cuidado. Elas podem ser: 
Consoantes = Quando estiverem no início da 
sílaba. 
Semivogais = Quando formarem os 
grupos AM, EM e EN, em final de palavra - somente em 
http://portugues.uol.com.br/gramatica/
http://portugues.uol.com.br/gramatica/sintaxe.html
 LÍNGUA PORTUGUESA 17 
 
final de palavra - sendo representadas foneticamente 
por Y ou W. 
Ressoo Nasal = Quando estiverem após vogal, na 
mesma sílaba que ela, excetuando os três grupos acima. 
Indica que o M e o N não são pronunciados, apenas 
tornam a vogal nasal, portanto haverá duas letras (a vogal 
+ M ou N) com um fonema só (a vogal nasal). 
Por exemplo, na palavra manchem, terceira 
pessoa do plural do presente do subjuntivo do verbo 
manchar, teremos o seguinte: man-chem, 2 vogais = a, e; 
2 consoantes = o 1º m, x(ch); 1 semivogal = y (o 2º m); 1 
ressôo nasal = an (ã). mãxẽy. 
 
Encontros Vocálicos 
É o agrupamento de vogais e semivogais. Há três 
tipos de encontros vocálicos: 
Hiato = É o agrupamento de duas vogais, cada 
uma em uma sílaba diferente. 
Lu-a-na, a-fi-a-do, pi-a-da 
Ditongo = É o agrupamento de uma vogal e uma 
semivogal, em uma mesma sílaba. Quando a vogal 
estiver antes da semivogal, chamaremos de Ditongo 
Decrescente, e, quando a vogal estiver depois da 
semivogal, de Ditongo Crescente. Chamaremos ainda 
de oral e nasal, conforme ocorrer a saída do ar pelas 
narinas ou pela boca. 
Cai-xa = Ditongo decrescente oral. 
Cin-quen-ta = Ditongo crescente nasal, com a ocorrência 
do Ressôo Nasal. 
Tritongo = É o agrupamento de uma vogal e duas 
semivogais. Também pode ser oral ou nasal. 
A-guei = Tritongo oral. 
Á-guem = Tritongo nasal, com a ocorrência da 
semivogal m. 
Além desse três, há dois outros encontros 
vocálicos importantes: 
Iode = É o agrupamento de uma semivogal entre 
duas vogais. 
São aia, eia, oia, uia, aie, eie, oie, uie, aio, eio, oi
o, uio, uiu, em qualquer lugar da palavra - começo, meio 
ou fim. Foneticamente, ocorre duplo ditongo ou tritongo + 
ditongo, conforme o número de semivogais. A Iode será 
representada com duplo Y: ay-ya, ey-ya, representando o 
"y" um fonema apenas, e não dois como possa parecer. A 
palavra vaia, então, tem quatro letras (v - a - i - a) e 
quatro fonemas (v - a - y - a), sendo que o "y" pertence a 
duas sílabas, não havendo, no entanto, "silêncio" entre as 
duas no momento de pronunciar a palavra. 
Vau = O mesmo que a Iode, porém com a 
semivogal W. 
Pi-au-í = Vau, com a representação fonética Pi-aw-
wi. Com o "w" ocorre o mesmo que ocorreu com o "y", ou 
seja, representa um fonema apenas. 
Ocorrem, também, na Língua Portuguesa, 
encontros vocálicos que ora são pronunciados como 
ditongo, ora como hiato. São eles: 
Sinérese = São os agrupamentos ae, ao, ea, ee, 
eo, ia, ie, io, oa, oe, ua, ue, uo, uu. 
Ca-e-ta-no, Cae-ta-no; ge-a-da, gea-da; com-pre-
en-der, com-preen-der; Na-tá-li-a, Na-tá-lia; du-e-lo, due-
lo; du-un-vi-ra-to, duun-vi-ra-to. 
Diérese = São os agrupamentos ai, au, ei, eu, iu, 
oi, ui. 
re-in-te-grar, rein-te-grar; re-u-nir, reu-nir; di-u-tur-
no, diu-tur-no. 
Obs.: Há palavras que, mesmo contendo esses 
agrupamentos não sofrem sinérese ou diérese. Há que se 
ter bom senso, no momento de se separarem as sílabas. 
Nas palavras rua, tia, magoa, por exemplo, é claro que só 
há hiato. 
 
Encontros Consonantais 
É o agrupamento de consoantes. Há três tipos de 
encontros consonantais: 
 
Encontro Consonantal Puro = É o agrupamento 
de consoantes, lado a lado, na mesma sílaba. 
Bra-sil, pla-ne-ta, a-dre-na-li-na 
 
Encontro Consonantal Disjunto = É o 
agrupamento de consoantes, lado a lado, em sílabas 
diferentes. 
ap-to, cac-to, as-pec-to 
 
Encontro Consonantal Fonético = É a letra x 
com som de ks. 
Maxi, nexo, axila = maksi, nekso, aksila. 
Não se esqueça de que as letras M e N pós-
vocálicas não são consoantes, e sim semivogais ou 
simples sinais de nasalização (ressôo nasal). 
 
Dígrafos 
Dígrafo é o agrupamento de duas letras com 
apenas um fonema. Os principais dígrafos são rr, ss, sc, 
sç, xc, xs, lh, nh, ch, qu, gu. 
Representam-se os dígrafos por letras maiores 
que as demais, exatamente para estabelecer a diferença 
entre uma letra e um dígrafo. Qu e gu só serão dígrafos, 
quando estiverem seguidos de e ou i, sem trema. Os 
dígrafos rr, ss, sc, sç, xc e xs têm suas letras separadas 
silabicamente; lh, nh, ch, qu, gu, não. 
arroz = ar-roz - aRos; 
assar = as-sar - aSar; 
nascer = nas-cer - naSer; 
desço = des-ço - deSo; 
exceção = ex-ce-ção - eSesãw; 
exsudar = ex-su-dar - eSudar; 
alho = a-lho - aĹo; 
banho = ba-nho - baÑo; 
cacho = ca-cho - kaXo; 
querida = que-ri-da - Kerida; 
sangue = san-gue - sãGe. 
Dígrafo Vocálico = É o outro nome que se dá ao 
Ressôo Nasal, pelo fato de serem duas letras com um 
fonema vocálico. 
sangue = san-gue - sãGe 
Não confunda dígrafo com encontro consonantal, 
que é o encontro de consoantes, cada uma representando 
um fonema. 
 
ORTOGRAFIA OFICIAL 
A ortografia se caracteriza por estabelecer padrões 
para a forma escrita das palavras. Essa escrita está 
relacionada tanto a critérios etimológicos (ligados à 
origem das palavras) quanto fonológicos (ligados aos 
fonemas representados). É importante compreender que 
18 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
a ortografia é fruto de uma convenção. A forma de grafar 
as palavras é produto de acordos ortográficos que 
envolvem os diversos países em que a língua portuguesa 
é oficial. A melhor maneira de treinar a ortografia é ler, 
escrever e consultar o dicionário sempre que houver 
dúvida. 
 
EMPREGO DAS LETRAS K, W E Y 
Utilizam-se nos seguintes casos: 
a) Em antropônimos originários de outras línguas e 
seus derivados. 
Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; 
Taylor, taylorista. 
b) Em topônimos originários de outras línguas e 
seus derivados. 
Exemplos: Kuwait, kuwaitiano. 
c) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras 
adotadas como unidades de medida de curso 
internacional. 
Exemplos: K (Potássio), W (West), kg 
(quilograma), km (quilômetro), Watt. 
 
EMPREGO DE X E CH 
Emprega-se o X: 
1) Após um ditongo. 
Exemplos: caixa, frouxo, peixe 
Exceção: recauchutar e seus derivados 
2) Após a sílaba inicial "en". 
Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca 
Exceção: palavras iniciadas por "ch" que recebem 
o prefixo "en-" 
Exemplos: encharcar (de charco), enchiqueirar 
(de chiqueiro), encher e seus derivados (enchente, 
enchimento, preencher...) 
3) Após a sílaba inicial "me-". 
Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão 
Exceção: mecha 
4) Em vocábulos de origem indígena ou africana e nas 
palavras inglesas aportuguesadas: 
abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu 
5) Nas seguintes palavras: 
Exemplos: bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, 
lagartixa, lixa, lixo, puxar, rixa, oxalá, praxe, roxo, 
vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara, xale, xingar etc. 
 
Emprega-se o dígrafo Ch: 
1) Nos seguintes vocábulos: 
bochecha, bucha, cachimbo, chalé, charque, 
chimarrão, chuchu, chute, cochilo, debochar, fachada, 
fantoche, ficha, flecha, mochila, pechincha, salsicha, 
tchau etc. 
 
EMPREGO DO G E J: 
Para representar o fonema /j/ na forma escrita, a 
grafia considerada correta é aquela que ocorre de acordo 
com a origem da palavra. Veja os exemplos: 
gesso: Origina-se do grego gypsos 
jipe: Origina-se do inglês jeep. 
 
 
 
Emprega-se o G: 
1) Nos substantivos terminados em -agem, -igem, -
ugem 
Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, 
ferrugem 
Exceção: pajem 
2) Nas palavras terminadas em -ágio, -égio, -ígio, -
ógio, -úgio 
Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio, 
refúgio3) Nas palavras derivadas de outras que se grafam 
com g 
Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de 
massagem), vertiginoso (de vertigem) 
4) Nos seguintes vocábulos: 
algema, auge, bege, estrangeiro, geada, gengiva, 
gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge, 
rabugento, vagem. 
 
Emprega-se o J: 
1) Nas formas dos verbos terminados em -jar ou -jear 
Exemplos: 
arranjar: arranjo, arranje, arranjem 
despejar:despejo, despeje, despejem 
gorjear: gorjeie, gorjeiam, gorjeando 
enferrujar: enferruje, enferrujem 
viajar: viajo, viaje, viajem (3ª pessoa do plural do 
presente do subjuntivo) 
2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou 
exótica 
Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, 
manjericão, Moji 
3) Nas palavras derivadas de outras que já 
apresentam j 
Exemplos: 
laranja- 
laranjeira 
loja- lojista 
lisonja - 
lisonjeador 
nojo- nojeira 
cereja- 
cerejeira 
varejo- 
varejista 
rijo- enrijecer jeito- ajeitar 
4) Nos seguintes vocábulos: 
berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade, jeito, 
jejum, laje, traje, pegajento 
 
EMPREGO DAS LETRAS S E Z 
Emprega-se o S: 
1) Nas palavras derivadas de outras que já 
apresentam s no radical 
Exemplos: 
análise- analisar catálise- catalisador 
casa- casinha, casebre liso- alisar 
2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, 
título ou origem 
Exemplos: 
burguês- burguesa inglês- inglesa 
chinês- chinesa milanês- milanesa 
 
 
 LÍNGUA PORTUGUESA 19 
 
3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e -
osa 
Exemplos: 
catarinense 
gostoso- 
gostosa 
amoroso- 
amorosa 
palmeirense 
gasoso- 
gasosa 
teimoso- 
teimosa 
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -ose 
Exemplos: 
catequese, diocese, poetisa, profetisa, 
sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose 
5) Após ditongos 
Exemplos: 
coisa, pouso, lousa, náusea 
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em 
seus derivados 
Exemplos: 
pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse, 
puséssemos 
quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera, 
quiséssemos 
repus, repusera, repusesse, repuséssemos 
7) Nos seguintes nomes próprios personativos: 
Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa, 
Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás 
8) Nos seguintes vocábulos: 
abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa, 
cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível, 
maisena, mesada, paisagem, paraíso, pêsames, 
presépio, presídio, querosene, raposa, surpresa, tesoura, 
usura, vaso, vigésimo, visita etc. 
 
Emprega-se o Z: 
1) Nas palavras derivadas de outras que já 
apresentam z no radical 
Exemplos: 
deslize- deslizar razão- razoável vazio- esvaziar 
raiz- enraizar cruz-cruzeiro 
 
2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos 
abstratos a partir de adjetivos 
Exemplos: 
inválido- 
invalidez 
limpo-
limpeza 
macio- 
maciez 
rígido- 
rigidez 
frio- frieza 
nobre- 
nobreza 
pobre-
pobreza 
surdo- 
surdez 
3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao 
formar substantivos 
Exemplos: 
civilizar- civilização hospitalizar- hospitalização 
colonizar- colonização realizar- realização 
4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -
zita 
Exemplos: 
cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozit
o, avezita 
 
 
 
5) Nos seguintes vocábulos: 
azar, azeite, azedo, amizade, buzina, bazar, 
catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, proeza, 
vizinho, xadrez, verniz etc. 
6) Nos vocábulos homófonos, estabelecendo 
distinção no contraste entre o S e o Z 
Exemplos: 
cozer (cozinhar) e coser (costurar) 
prezar(ter em consideração) e presar (prender) 
traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior) 
 Observação: em muitas palavras, a letra X soa 
como Z. 
Veja os exemplos: 
exame exato exausto exemplo existir exótico inexorável 
 
EMPREGO DE S, Ç, X E DOS DÍGRAFOS SC, SÇ, SS, 
XC, XS 
Existem diversas formas para a representação do 
fonema /S/. Observe: 
 
Emprega-se o S: 
Nos substantivos derivados de verbos terminados 
em "andir","ender", "verter" e "pelir" 
Exemplos: 
expandir- 
expansão 
pretender- 
pretensão 
verter- 
versão 
expelir-
 expulsão 
estender- 
extensão 
suspender- 
suspensão 
converter - 
conversão 
repelir-
 repulsão 
 
Emprega-se Ç: 
Nos substantivos derivados dos verbos "ter" e 
"torcer" 
Exemplos: 
ater- atenção torcer- torção 
deter- detenção distorcer-distorção 
manter- manutenção contorcer- contorção 
 
Emprega-se o X: 
Em alguns casos, a letra X soa como Ss 
Exemplos: 
auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta, 
sintaxe, texto, trouxe 
 
Emprega-se Sc: 
Nos termos eruditos 
Exemplos: 
acréscimo, ascensorista, consciência, descender, 
discente, fascículo, fascínio, imprescindível, 
miscigenação, miscível, plebiscito, rescisão, seiscentos, 
transcender etc. 
 
Emprega-se Sç: 
Na conjugação de alguns verbos 
Exemplos: 
nascer- nasço, nasça 
crescer- cresço, cresça 
descer- desço, desça 
 
20 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Emprega-se Ss: 
Nos substantivos derivados de verbos terminados 
em "gredir", "mitir", "ceder" e "cutir" 
Exemplos: 
agredir- 
agressão 
demitir- 
demissão 
ceder- 
cessão 
discutir- 
discussão 
progredir- 
progressão 
transmitir- 
transmissão 
exceder- 
excesso 
repercutir- 
repercussão 
 
Emprega-se o Xc e o Xs: 
Em dígrafos que soam como Ss 
Exemplos: 
exceção, excêntrico, excedente, excepcional, 
exsudar 
 
Observações sobre o uso da letra X 
1) O X pode representar os seguintes fonemas: 
/ch/ - xarope, vexame 
/cs/ - axila, nexo 
/z/ - exame, exílio 
/ss/ - máximo, próximo 
/s/ - texto, extenso 
2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci- 
Exemplos: excelente, excitar 
 
EMPREGO DAS LETRAS E e I 
Na língua falada, a distinção entre as vogais 
átonas /e/ e /i / pode não ser nítida. Observe: 
 
Emprega-se o E: 
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -
uar 
Exemplos: 
magoar - magoe, magoes 
continuar- continue, continues 
2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes, 
anterior) 
Exemplos: antebraço, antecipar 
3) Nos seguintes vocábulos: 
cadeado, confete, disenteria, empecilho, irrequieto, 
mexerico, orquídea etc. 
 
Emprega-se o I: 
1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -air, -
oer, -uir 
Exemplos: 
cair- cai 
doer- dói 
influir- influi 
2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra) 
Exemplos: 
Anticristo, antitetânico 
3) Nos seguintes vocábulos: 
aborígine, artimanha, chefiar, digladiar, penicilina, 
privilégio etc. 
 
EMPREGO DAS LETRAS O e U 
Emprega-se o O/U: 
A oposição o/u é responsável pela diferença de 
significado de algumas palavras. Veja os exemplos: 
-comprimento (extensão) e cumprimento 
(saudação, realização) 
-soar (emitir som) e suar (transpirar) 
Grafam-se com a letra O: bolacha, bússola, 
costume, moleque. 
Grafam-se com a letra U: camundongo, jabuti, 
Manuel, tábua 
 
EMPREGO DA LETRA H 
Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem 
valor fonético. Conservou-se apenas como símbolo, por 
força da etimologia e da tradição escrita. A 
palavra hoje, por exemplo, grafa-se desta forma devido a 
sua origem na forma latina hodie. 
 
Emprega-se o H: 
1) Inicial, quando etimológico 
Exemplos: hábito, hesitar, homologar, Horácio 
2) Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh 
Exemplos: flecha, telha, companhia 
3) Final e inicial, em certas interjeições 
Exemplos: ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum! etc. 
4) Em compostos unidos por hífen, no início do 
segundo elemento, se etimológico 
Exemplos: anti-higiênico, pré-histórico, super-
homem etc. 
Observações: 
1) No substantivo Bahia, o "h" sobrevive por 
tradição. Note que nos substantivos derivados 
como baiano, baianada ou baianinha ele não é 
utilizado. 
2) Os vocábulos erva, Espanha 
e inverno não possuema letra "h" na sua 
composição. No entanto, seus derivados eruditos 
sempre são grafados com h. Veja: 
herbívoro, hispânico, hibernal. 
 
EMPREGO DAS INICIAIS MAIÚSCULAS E 
MINÚSCULAS 
1) UTILIZA-SE INICIAL MAIÚSCULA: 
a) No começo de um período, verso ou citação direta. 
Exemplos: 
Disse o Padre Antonio Vieira: "Estar com Cristo em 
qualquer lugar, ainda que seja no inferno, é estar no 
Paraíso." 
"Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que à luz do sol encerra 
As promessas divinas da Esperança…" 
(Castro Alves) 
Observações: No início dos versos que não 
abrem período, é facultativo o uso da letra 
maiúscula. 
Por Exemplo: 
"Aqui, sim, no meu cantinho, 
vendo rir-me o candeeiro, 
gozo o bem de estar sozinho 
e esquecer o mundo inteiro." 
 LÍNGUA PORTUGUESA 21 
 
- Depois de dois pontos, não se tratando de 
citação direta, usa-se letra minúscula. 
Por Exemplo: 
"Chegam os magos do Oriente, com suas 
dádivas: ouro, incenso, mirra." (Manuel Bandeira) 
b) Nos antropônimos, reais ou fictícios. 
Exemplos: 
Pedro Silva, Cinderela, D. Quixote. 
c) Nos topônimos, reais ou fictícios. 
Exemplos: 
Rio de Janeiro, Rússia, Macondo. 
d) Nos nomes mitológicos. 
Exemplos: 
Dionísio, Netuno. 
e) Nos nomes de festas e festividades. 
Exemplos: 
Natal, Páscoa, Ramadã. 
f) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais. 
Exemplos: 
ONU, Sr., V. Ex.ª. 
g) Nos nomes que designam altos conceitos 
religiosos, políticos ou nacionalistas. 
Exemplos: 
Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Estado, 
Nação, Pátria, União etc. 
Observação: esses nomes escrevem-se com 
inicial minúscula quando são empregados em 
sentido geral ou indeterminado. 
Exemplo: 
Todos amam sua pátria. 
 
Emprego FACULTATIVO de letra maiúscula: 
a) Nos nomes de logradouros públicos, templos e 
edifícios. 
Exemplos: 
Rua da Liberdade ou rua da Liberdade 
Igreja do Rosário ou igreja do Rosário 
Edifício Azevedo ou edifício Azevedo 
 
2) UTILIZA-SE INICIAL MINÚSCULA: 
a) Em todos os vocábulos da língua, nos usos 
correntes. 
Exemplos: 
carro, flor, boneca, menino, porta etc. 
b) Nos nomes de meses, estações do ano e dias 
da semana. 
Exemplos: 
janeiro, julho, dezembro etc. 
segunda, sexta, domingo etc. 
primavera, verão, outono, inverno 
c) Nos pontos cardeais. 
Exemplos: 
Percorri o país de norte a sul e de leste a oeste. 
Estes são os pontos colaterais: nordeste, 
noroeste, sudeste, sudoeste. 
Observação: quando empregados em sua forma 
absoluta, os pontos cardeais são grafados com 
letra maiúscula. 
 
Exemplos: 
Nordeste (região do Brasil) 
Ocidente (europeu) 
Oriente (asiático) 
Lembre-se: 
Depois de dois-pontos, não se tratando de citação 
direta, usa-se letra minúscula. 
Exemplo: 
"Chegam os magos do Oriente, com suas 
dádivas: ouro, incenso, mirra." (Manuel Bandeira) 
 
Emprego FACULTATIVO de letra minúscula: 
a) Nos vocábulos que compõem uma citação 
bibliográfica. 
Exemplos: 
Crime e Castigo ou Crime e castigo 
Grande Sertão: Veredas ou Grande sertão: 
veredas 
Em Busca do Tempo Perdido ou Em busca do 
tempo perdido 
 
b) Nas formas de tratamento e reverência, bem como 
em nomes sagrados e que designam crenças 
religiosas. 
Exemplos: 
Governador Mário Covas ou governador Mário 
Covas 
Papa João Paulo II ou papa João Paulo II 
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo 
senhor reitor 
Santa Maria ou santa Maria. 
 
c) Nos nomes que designam domínios de saber, 
cursos e disciplinas. 
Exemplos: 
Português ou português 
Línguas e Literaturas Modernas ou línguas e 
literaturas modernas 
História do Brasil ou história do Brasil 
Arquitetura ou arquitetura 
 
ACENTUAÇÃO GRÁFICA 
Regras de Acentuação Gráfica 
Baseiam-se na constatação de que, em nossa 
língua, as palavras mais numerosas são as paroxítonas, 
seguidas pelas oxítonas. A maioria das paroxítonas 
termina em -a, -e, -o, -em, podendo ou não ser seguidas 
de "s". Essas paroxítonas, por serem maioria, não são 
acentuadas graficamente. Já as proparoxítonas, por 
serem pouco numerosas, são sempre acentuadas. 
 
Proparoxítonas 
Sílaba tônica: antepenúltima 
As proparoxítonas são todas acentuadas 
graficamente. 
Exemplos: trágico, patético, árvore 
 
Paroxítonas 
Sílaba tônica: penúltima 
22 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Acentuam-se as paroxítonas terminadas em: 
l fácil 
n pólen 
r cadáver 
ps bíceps 
x tórax 
us vírus 
i, is júri, lápis 
om, ons iândom, íons 
um, uns álbum, álbuns 
ã(s), ão(s) 
órfã, órfãs, 
órfão, órfãos 
ditongo oral (seguido 
ou não de s) 
jóquei, túneis 
Observações: 
1) As paroxítonas terminadas em "n" são 
acentuadas (hífen), mas as que terminam 
em "ens", não (hifens, jovens). 
2) Não são acentuados os prefixos terminados 
em "i "e "r" (semi, super). 
3) Acentuam-se as paroxítonas terminadas em 
ditongos crescentes: ea(s), oa(s), eo(s), ua(s), ia(s), 
ue(s), ie(s), uo(s), io(s). 
Exemplos: várzea, mágoa, óleo, régua, férias, 
tênue, cárie, ingênuo, início. 
 
Oxítonas 
Sílaba tônica: última 
Acentuam-se as oxítonas terminadas em: 
a(s): sofá, sofás 
e(s): jacaré, vocês 
o(s): paletó, avós 
em, ens: ninguém, armazéns 
 
Monossílabos 
Os monossílabos, conforme a intensidade com que 
se proferem, podem ser tônicos ou átonos. 
 
Monossílabos Tônicos 
Possuem autonomia fonética, sendo proferidos 
fortemente na frase onde aparecem. Acentuam-se os 
monossílabos tônicos terminados em: 
a(s): lá, cá 
e(s): pé, mês 
o(s): só, pó, nós, pôs 
 
Monossílabos Átonos 
Não possuem autonomia fonética, sendo 
proferidos fracamente, como se fossem sílabas átonas 
do vocábulo a que se apoiam. 
Exemplos: 
o(s), a(s), um, uns, me, te, se, lhe nos, de, em, e, 
que etc. 
Observações: 
1) Os monossílabos átonos são palavras vazias de 
sentido, vindo representados por artigos, pronomes 
oblíquos, elementos de ligação (preposições, 
conjunções). 
2) Há monossílabos que são tônicos numa frase e 
átonos em outras. 
Exemplos: 
Você trouxe sua mochila para quê? (tônico) 
/ Que tem dentro da sua mochila? (átono) 
Há sempre um mas para questionar. (tônico) / Eu 
sei seu nome, mas não me recordo agora. (átono) 
 
Saiba que: 
 Muitos verbos, ao se combinarem com pronomes 
oblíquos, produzem formas oxítonas ou monossilábicas 
que devem ser acentuadas por acabarem assumindo 
alguma das terminações contidas nas regras. Exemplos: 
beijar + a = beijá-la fez + o = fê-lo 
dar + as = dá-las fazer + o = fazê-lo 
 
Acento de Insistência 
 Sentimentos fortes (emoção, alegria, raiva, 
medo) ou a simples necessidade de enfatizar uma ideia 
podem levar o falante a emitir a sílaba tônica ou a 
primeira sílaba de certas palavras com uma intensidade e 
duração além do normal. 
Exemplos: 
Está muuuuito frio hoje! 
Deve haver equilíbrio entre exportação e 
importação. 
 
Regras Especiais 
Além das regras fundamentais, há um conjunto de 
regras destinadas a por em evidência alguns detalhes 
sonoros das palavras. Observe: 
 
Ditongos Abertos 
Os ditongos éi, éu e ói, sempre que tiverem 
pronúncia aberta em palavras oxítonas (éi e não êi), são 
acentuados. Veja: 
éi (s): anéis, fiéis, papéis 
éu (s): troféu, céus 
ói (s): herói, constrói, caubóis 
Obs.: os ditongos abertos ocorridos em 
palavras paroxítonas NÃO são acentuados. 
Exemplos: assembleia, boia, colmeia, Coreia, 
estreia, heroico, ideia, jiboia, joia, paranoia, plateia etc. 
Atenção: a palavra destróier é acentuada por ser 
uma paroxítona terminada em "r" (e não por 
possuir ditongo aberto "ói"). 
 
Hiatos 
Acentuam-se o "i" e "u" tônicos quando formam 
hiato com a vogal anterior, estando eles sozinhos na 
sílaba ou acompanhados apenas de "s", desde que não 
sejam seguidos por "-nh". 
Exemplos: 
sa - í - da e - go - ís -mo sa - ú -de 
Não se acentuam, portanto, hiatos como os das 
palavras: 
ju - iz ra - iz ru - im ca - ir 
 LÍNGUA PORTUGUESA 23 
 
Razão: -i ou -u não estão sozinhos nem 
acompanhados de -s na sílaba. 
Observação: cabe esclarecer que existem hiatos 
acentuados não por serem hiatos, mas por outras razões. 
Veja os exemplos abaixo: 
po-é-ti-co: proparoxítona 
bo-ê-mio: paroxítona terminada em ditongo 
crescente. 
ja-ó: oxítona terminada em "o". 
 
Verbos Ter e Vir 
Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plural 
do presente do indicativo dos verbos ter e vir, bem como 
nos seus compostos (deter, conter, reter, advir, convir, 
intervir etc.). Veja: 
Ele tem Eles têm 
Ela vem Elas vêm 
Ele retém Eles retêm 
Ele 
intervém 
Eles 
intervêm 
OBS.: nos verbos compostos de ter e vir, o 
acento ocorre obrigatoriamente, mesmo no singular. 
Distingue-se o plural do singular mudando o acento 
de agudo para circunflexo: 
ele detém - eles detêm 
ele advém - eles advêm. 
 
Acento Diferencial 
 Na língua escrita, existem dois casos em que os 
acentos são utilizados para diferenciar palavras 
homógrafas (de mesma grafia). Veja: 
a) pôde / pode 
Pôde é a forma do pretérito perfeito do indicativo 
do verbo poder. Pode é a forma do presente do indicativo. 
Exemplos: 
O ladrão pôde fugir. 
O ladrão pode fugir. 
b) pôr / por 
Pôr é verbo e por é preposição. Exemplos: 
Você deve pôr o livro aqui. 
Não vá por aí! 
 Saiba que: 
Para acentuar as formas verbais com 
pronome oblíquo em ênclise (depois do verbo) 
ou mesóclise (no meio do verbo), cada 
elemento deve ser considerado como uma 
palavra independente. Observe: 
jogá-lo 
jogá = oxítona terminada em a 
(portanto, com acento) 
lo = monossílabo átono (portanto, sem 
acento) 
 
jogá-lo-íamos 
jogá = oxítona terminada em a 
(portanto, com acento) 
lo = monossílabo átono (portanto, sem 
acento) 
íamos = proparoxítona (portanto, com 
acento) 
 
Acento Grave 
O acento grave usa-se exclusivamente para indicar 
a crase da preposição "a" com os artigos a, as e com os 
demonstrativos a, as, aquele(s), aquela(s), aquilo: à, 
às, àquele(s), àquela(s), àquilo. 
 
ORTOÉPIA E PROSÓDIA 
ORTOÉPIA 
Ortoépia é a correta pronúncia dos grupos fônicos. 
A ortoépia está relacionada com: a perfeita 
emissão das vogais, a correta articulação das consoantes 
e a ligação de vocábulos dentro de contextos. 
Erros cometidos contra a ortoépia são chamados 
de cacoepia. Alguns exemplos: 
a- pronunciar erradamente as vogais quanto ao 
timbre: 
- pronúncia correta, timbre fechado (ê, ô): omelete, 
alcova, crosta... 
- pronúncia errada, timbre aberto (é, ó): omelete, 
alcova, crosta... 
b- omitir fonemas: cantar/ canta, 
trabalhar/trabalha, amor/amo, abóbora/abóbra, 
prostrar/ prostar, reivindicar/revindicar... 
c- acréscimo de fonemas: pneu/peneu, freada/ 
freiada,bandeja/ bandeija... 
d- substituição de fonemas: cutia/cotia, 
cabeçalho/ cabeçário, bueiro/ boeiro. 
e- troca de posição de um ou mais fonemas: 
caderneta/ cardeneta, bicarbonato/ bicabornato, 
muçulmano/ mulçumano. 
f- nasalização de vogais: sobrancelha/ 
sombrancelha, mendigo/ mendingo, bugiganga/ 
bungiganga ou buginganga 
g- pronunciar a crase: A aula iria acabar às 
cinco horas./ A aula iria acabar "àas" cinco horas. 
h- ligar as palavras na frase de forma incorreta: 
correta: A aula/ iria acabar/ às cinco horas. 
Exemplo de ligação incorreta: A/ aula iria/ acabar/ 
às/ cinco horas. 
 
PROSÓDIA 
A prosódia está relacionada com a correta 
acentuação das palavras, tomando como padrão a língua 
considerada culta. 
Abaixo estão relacionados alguns exemplos de 
vocábulos que frequentemente geram dúvidas quanto à 
prosódia: 
 
1) oxítonas: 
cateter, Cister, condor, hangar, mister, negus, 
Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil, ureter. 
 
2) paroxítonas: 
avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia, 
ciclope, erudito, ibero, gratuito, ônix, poliglota, pudico, 
rubrica, tulipa. 
 
3) proparoxítonas: 
aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago, antídoto, 
elétrodo, lêvedo, protótipo, quadrúmano, vermífugo, 
zéfiro. 
Há algumas palavras cujo acento prosódico é 
incerto, oscilante, mesmo na língua culta. 
24 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Exemplos: 
acrobata e acróbata / crisântemo e crisantemo/ 
Oceânia e Oceania/ réptil e reptil/ xerox e xérox e outras. 
Outras assumem significados diferentes, de acordo 
a acentuação: 
Exemplos: 
valido/ válido 
Vivido /Vívido 
 
Casos mais frequentes de pronúncias diferentes da 
língua padrão: 
 
PONTUAÇÃO 
1 - Ponto (.) 
a) indicar o final de uma frase declarativa. 
Ex.: Lembro-me muito bem dele. 
b) separar períodos entre si. 
Ex.: Fica comigo. Não vá embora. 
c) nas abreviaturas 
Ex.: Av.; V. Ex.ª 
 
2 - Dois-pontos (:) 
a) iniciar a fala dos personagens: 
Ex.: Então o padre respondeu 
- Parta agora. 
b) antes de apostos ou orações apositivas, 
enumerações ou sequência de palavras que explicam, 
resumem ideias anteriores. 
Ex.: Meus amigos são poucos: Fátima, Rodrigo e 
Gilberto. 
c) antes de citação 
Ex.: Como já dizia Vinícius de Morais: “Que o amor 
não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito 
enquanto dure.” 
 
3 - Reticências (...) 
a) indicar dúvidas ou hesitação do falante. 
Ex.: Sabe... eu queria te dizer que... esquece. 
b) interrupção de uma frase deixada 
gramaticalmente incompleta. 
Ex.: - Alô! João está? 
- Agora não se encontra. Quem sabe se ligar mais 
tarde... 
c) ao fim de uma frase gramaticalmente 
completa com a intenção de sugerir prolongamento 
de ideia. 
Ex.: “Sua tez, alva e pura como um foco de 
algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...” 
(Cecília - José de Alencar) 
d) indicar supressão de palavra (s) numa frase 
transcrita. 
Ex.: “Quando penso em você (...) menos a 
felicidade.” (Canteiros - Raimundo Fagner) 
 
4- Parênteses (()) 
a) isolar palavras, frases intercaladas de 
caráter explicativo e datas. 
Exemplos: 
Na 2ª Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu 
inúmeras perdas humanas. 
"Uma manhã lá no Cajapió (Joca lembrava-se 
como se fora na véspera), acordara depois duma grande 
tormenta no fim do verão.” (O milagre das chuvas no 
Nordeste- Graça Aranha) 
DICAS: Os parênteses também podem substituir a 
vírgula ou o travessão. 
 
5- Ponto de Exclamação (!) 
a) Após vocativo 
Ex.: “Parte, Heliel!” (As violetas de Nossa Srª. - 
Humberto de Campos) 
b) Após imperativo 
Ex.: Cale-se! 
c) Após interjeição 
Ex.: Ufa! Ai! 
d) Após palavras ou frases que denotem 
caráter emocional 
Ex.: Que pena! 
6- Ponto de Interrogação (?) 
a) Em perguntas diretas 
Ex.: Como você se chama? 
b) Às vezes, juntamente com o ponto de 
exclamação 
Ex.: - Quem ganhou na loteria? 
- Você. 
- Eu?! 
 
7 - Vírgula (,) 
É usada para marcar uma pausa do enunciado 
com a finalidade de nos indicar que os termos por ela 
separados, apesar de participarem da mesma frase ou 
oração, não formam uma unidade sintática. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 25 
 
Ex.: Lúcia, esposa de João, foi a ganhadora única 
da Sena. 
DICAS: 
Podemos concluir que quando há uma 
relação sintática entre termos da oração, não se 
pode separá-los por meio de vírgula. 
Não se separam por vírgula: 
a) predicado de sujeito; 
b) objeto de verbo; 
c) adjunto adnominal de nome; 
d) complemento nominal de nome; 
e) predicativo do objeto do objeto; 
f) oração principal da subordinada substantiva 
(desde que esta não seja apositiva nem 
apareça na ordem inversa) 
 
A vírgula no interior da oração 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar o vocativo. 
Exemplos: 
Maria, traga-me uma xícara de café. 
A educação, meus amigos, é fundamental para o 
progresso do país. 
b) separar algunsapostos. 
Ex.: Valdete, minha antiga empregada, esteve aqui 
ontem. 
c) separar o adjunto adverbial antecipado ou 
intercalado. 
Exemplos: 
Chegando de viagem, procurarei por você. 
As pessoas, muitas vezes, são falsas. 
d) separar elementos de uma enumeração. 
Ex.: Precisa-se de pedreiros, serventes, mestre-
de-obras. 
e) isolar expressões de caráter explicativo ou 
corretivo. 
Ex.: Amanhã, ou melhor, depois de amanhã 
podemos nos encontrar para acertar a viagem. 
f) separar conjunções intercaladas. 
Ex.: Não havia, porém, motivo para tanta raiva. 
g) separar o complemento pleonástico 
antecipado. 
Ex.: A mim, nada me importa. 
h) isolar o nome de lugar na indicação de 
datas. 
Ex.: Belo Horizonte, 26 de janeiro de 2001. 
i) separar termos coordenados assindéticos. 
Ex.: "Lua, lua, lua, lua, 
por um momento meu canto contigo compactua..." 
(Caetano Veloso) 
j) marcar a omissão de um termo (normalmente 
o verbo). 
Ex.: Ela prefere ler jornais e eu, revistas. (omissão 
do verbo preferir) 
DICAS: Termos coordenados ligados pelas 
conjunções: e, ou, nem dispensam o uso da 
vírgula. 
Exemplos: 
Conversaram sobre futebol, religião e política. 
Não se falavam nem se olhavam. 
Ainda não me decidi se viajarei para Bahia ou 
Ceará. 
Entretanto, se essas conjunções aparecerem 
repetidas, com a finalidade de dar ênfase, o uso da 
vírgula passa a ser obrigatório. 
Ex.: Não fui nem ao velório, nem ao enterro, nem à 
missa de sétimo dia. 
 
A vírgula entre orações 
É utilizada nas seguintes situações: 
a) separar as orações subordinadas adjetivas 
explicativas. 
Ex.: Meu pai, de quem guardo amargas 
lembranças, mora no Rio de Janeiro. 
 
b) separar as orações coordenadas sindéticas e 
assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção 
―e‖). 
Exemplos: 
Acordei, tomei meu banho, comi algo e saí para o 
trabalho. 
Estudou muito, mas não foi aprovado no exame. 
ATENÇÃO: 
Há três casos em que se usa a vírgula antes 
da conjunção e: 
1) quando as orações coordenadas 
possuírem sujeitos diferentes. 
Ex.: Os ricos estão cada vez mais ricos, e os 
pobres, cada vez mais pobres. 
2) quando a conjunção ―e‖ vier repetida 
com a finalidade de dar ênfase (polissíndeto). 
Ex.: E chora, e ri, e grita, e pula de alegria. 
3) quando a conjunção ―e‖ assumir valores 
distintos que não retratarem sentido de adição 
(adversidade, consequência, por exemplo) 
Ex.: Coitada! Estudou muito, e ainda assim não 
foi aprovada. 
 
c) separar orações subordinadas adverbiais 
(desenvolvidas ou reduzidas), principalmente se 
estiverem antepostas à oração principal. 
Ex.: "No momento em que o tigre se lançava, 
curvou-se ainda mais; e fugindo com o corpo apresentou 
o gancho." (O selvagem - José de Alencar) 
 
d) separar as orações intercaladas. 
Ex.: "- Senhor, disse o velho, tenho grandes 
contentamentos em estar plantando-a...” 
DICAS: Essas orações poderão ter suas vírgulas 
substituídas por duplo travessão. 
Ex.: "Senhor - disse o velho - tenho grandes 
contentamentos em estar plantando-a...” 
 
e) separar as orações substantivas antepostas à 
principal. 
Ex.: Quanto custa viver, realmente não sei. 
 
8- Ponto e vírgula (;) 
a) separar os itens de uma lei, de um decreto, de uma 
petição, de uma sequência etc. 
Ex.: Art. 127 – São penalidades disciplinares: 
I- advertência; 
26 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
II- suspensão; 
III- demissão; 
IV- cassação de aposentadoria ou disponibilidade; 
V- destituição de cargo em comissão; 
VI- destituição de função comissionada. (cap. V 
das penalidades referentes ao Direito Administrativo) 
 
b) separar orações coordenadas muito extensas ou 
orações coordenadas nas quais já tenham utilizado a 
vírgula. 
Ex.: “O rosto de tez amarelenta e feições 
inexpressivas, numa quietude apática, era 
pronunciadamente vultuoso, o que mais se acentuava no 
fim da vida, quando a bronquite crônica de que sofria 
desde moço se foi transformando em opressora asma 
cardíaca; os lábios grossos, o inferior um tanto tenso (...) " 
(O visconde de Inhomerim - Visconde de Taunay) 
 
9- Travessão (—) 
a) dar início à fala de um personagem 
Ex.: O filho perguntou: 
— Pai, quando começarão as aulas? 
 
b) indicar mudança do interlocutor nos diálogos 
Ex.: - Doutor, o que tenho é grave? 
- Não se preocupe, é uma simples infecção. É só 
tomar um antibiótico e estará bom 
 
c) unir grupos de palavras que indicam itinerários 
Ex.: A rodovia Belém-Brasília está em péssimo 
estado. 
DICAS: Também pode ser usado em substituição 
à virgula em expressões ou frases explicativas 
Ex.: Xuxa — a rainha dos baixinhos — será mãe. 
 
10- ASPAS (― ‖) 
a) isolar palavras ou expressões que fogem à 
norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões, 
neologismos, arcaísmos e expressões populares. 
Exemplos: 
Maria ganhou um apaixonado “ósculo” do seu 
admirador. 
A festa na casa de Lúcio estava “chocante”. 
Conversando com meu superior, dei a ele um 
“feedback” do serviço a mim requerido. 
 
b) indicar uma citação textual 
Ex.: “Ia viajar! Viajei. Trinta e quatro vezes, às 
pressas, bufando, com todo o sangue na face, desfiz e 
refiz a mala”. (O prazer de viajar - Eça de Queirós) 
DICAS: Se dentro de um trecho já destacado por 
aspas, se fizer necessário a utilização de novas 
aspas, estas serão simples. (' ') 
 
Recursos alternativos para pontuação: 
Parágrafo (§) 
Chave ({ }) 
Colchete ([ ]) 
Barra (/) 
 
A PALAVRA: ESTRUTURA, PROCESSOS DE 
FORMAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, FLEXÃO E 
EMPREGO. 
1. ESTRUTURA DAS PALAVRAS 
As palavras podem ser analisadas: 
a) do ponto de vista fonológico; 
b) do ponto de vista morfológico; 
c) do ponto de vista sintático; 
d) do ponto de vista semântico. 
Nessa parte da gramática (morfologia), interessa-
nos analisar as palavras do ponto de vista morfológico, 
isto é, de sua forma e de alguns aspectos de sua flexão. 
Para isso, iniciamos com os morfemas. 
Não se deve confundir morfema com palavra. A 
palavra é a menor unidade que pode ser falada sozinha, 
durante a comunicação oral. Um morfema não ocorre 
sozinho. 
No entanto, uma palavra inteira pode ser um único 
morfema. As palavras rei e luz, por exemplo, não podem 
ser divididas em unidades significativas menores: são 
palavras de um só morfema. Já as palavras reis e luzes 
têm mais de um morfema: rei- + -s; luz- + -es. 
Morfema lexical é a parte da palavra que se 
refere ao mundo biológico, social ou psicológico. É a parte 
do significado propriamente dito, que se relaciona com o 
mundo extralinguístico. 
Radical é o morfema que contém a significação 
básica da palavra. O radical é o morfema lexical da 
palavra. 
Léxico é o conjunto de palavras de uma língua. 
Palavras que têm o mesmo radical são chamadas de 
cognatas. 
Morfema gramatical é a porção da palvra que 
situa essa palavra no sistema linguístico a que ela 
pertence. 
São considerados morfemas gramaticais: 
a) a vogal temática; 
b) as desinências; 
c) os afixos. 
Vogal temática é aquela que se junta ao radical 
de uma palavra, para permitir que a ele se acrescentem 
elementos que indicam noções gramaticais como plural, 
gênero, tempo, modo etc. 
Assim, pode-se dizer que a vogal temática 
funciona como um catalizador, pois está entre o radical e 
a desinência. 
A vogal temática aparece: 
a) em nomes (substantivos e adjetivos): a vogal 
temática aparece em substantivos e adjetivos 
terminados em a, e e o átonos: rosa, dente, 
contente, fruto etc. Já os nomes (substantivos e 
adjetivos) terminados em vogal tônica não 
apresentam vogal temática: urubu, dendê, 
vovô. 
b) em verbos, a vogal temática indica a conjugação 
a que pertence o verbo: a - primeira 
conjugação; e - segunda conjugação; i - 
terceira conjugação. 
Dá-se o nome de tema ao grupo formado por 
radical + vogal temática. 
Desinências são morfemas gramaticais que 
permitem as flexões das palavras. Os morfemasLÍNGUA PORTUGUESA 27 
 
gramaticais responsáveis por indicar agente, tempo e 
modo verbais são também desinências. 
As desinências indicam: 
a) nos substantivos e adjetivos: gênero e número 
Gatos 
gat-: radical 
-o-: desinência de masculino 
-s: desinência de plural 
b) nos verbos, as desinências podem indicar 
tempo, modo, pessoa e número 
permitissem: permit+i+ssem 
-i-: vogal temática 
-sse-: desinência que indica tempo pretérito 
imperfeito do modo subjuntivo 
-m: que indica pessoa (3°) e número (plural). 
Afixos são morfemas gramaticais que se 
acrescentam ao radical ou à palavra, atribuindo-lhe uma 
ideia acessória ou modificando-lhe o sentido. 
Os afixos são classificados de acordo com a sua 
posição em relação ao radical da palavra. São 
denominados prefixos ou sufixos: 
a) prefixo é o afixo colocado antes de um radical 
ou uma palavra, atribuindo-lhe uma ideia acessória. 
b) sufixo é o afixo colocado depois do radical, do 
tema ou da palavra, atribuindo-lhe uma ideia acessória. 
Vogal e consoante de ligação constituem-se 
elementos não portadores de significação que servem 
para evitar dissonâncias. Raramente entram na estrutura 
das palavras. 
A vogal e a consoante de ligação servem apenas 
como elementos que auxiliam na pronúncia da palavra. 
Como não apresentam significação, não são morfemas. 
Há três tipos de sufixos: 
a) nominal - forma substantivos e adjetivos 
cruel – crueldade 
resistir (resist-, radical) - resistente 
b) verbal - forma verbos: 
dedo – dedilhar 
chuva - chuviscar 
c)adverbial - forma advérbios: 
feroz - ferozmente 
O único sufixo adverbial existente em português é -
mente. Esse sufixo é acrescentado ao feminino dos 
adjetivos, se houver feminino: bondosamente, 
religiosamente, antigamente. 
 
2. FORMAÇÃO DAS PALAVRAS 
O léxico - conjunto de palavras de uma língua - 
das línguas vivas nunca se esgota, uma vez que está 
aberto a novas contribuições. 
As palavras novas - chamadas de neologismos - 
suprem deficiências de comunicação decorrentes do 
desenvolvimento dos diversos ramos da atividade 
humana (arte, ciência, técinca, política etc.). 
Quando se estuda a formação de palavras, é 
necessário considerar, além dos neologismos e dos 
empréstimos, dois outros grupos de palavras: as que 
caem em desuso e aquelas que têm sua significação 
alterada ou seu uso ampliado em determinado momento 
da história da língua. 
Os processos mais utilizados para formar 
palavras em português são a derivação e a 
composição. Além desses dois, empregam-se outros, 
como hibridismo, onomatopeia, siglas e redução (ou 
abreviação vocabular). 
 
2.1. Derivação 
Derivação é o processo pelo qual se forma uma 
palavra a partir de outra já existente na língua. 
Essenciamente, a derivação é um processo de 
combinação binária entre uma base e um afixo. A 
combinação de três elementos é mais rara. A palavra que 
pode dar origem a outra(s) e que não provém de 
nenhuma outra dentro da própria língua chama-se 
primitiva. A palavra que se origina de outra da própria 
língua chama-se derivada. Exemplo: 
dente - palavra primitiva, pois não deriva de 
nenhuma outra da língua portuguesa 
dental - palavra derivada, relativo a dente 
dentista - palavra derivada 
dentina - palavra derivada, o marfim dos dentes 
A derivação pode ser prefixal, sufixal, 
parassintética, regressiva e imprópria. 
Derivação prefixal ou prefixação ocorre pelo 
acréscimo de um prefixo a um radical. Exemplos: 
Desamor 
Rever 
Antever 
Prever 
Derivação sufixal ou sufixação ocorre pelo 
acréscimo de um sufixo a um radical, a uma palavra 
primitiva ou a uma palavra já derivada. Exemplos: 
Leiteiro 
Amoroso 
Amorosamente 
Esse tipo de derivação pode gerar substantivos, 
adjetivos, verbos e advérbios. De acordo com essa 
potencialidade de gerar novos tipos de palavras, o sufixo 
pode ser: 
a) nominal - dá origem a substantivos e adjetivos 
ferro – ferreiro 
mar - marítimo 
b) verbal - dá origem a verbos 
dedo - dedilhar 
c) adverbial - dá origem a advérbios 
feroz – ferozmente 
Ocorrência muito mais rara que as anteriores, a 
derivação parassintética ou parassíntese depende da 
junção simultânea de um prefixo e de um sufixo a um 
radical. Implica, portanto, a junção de três elementos. 
a + vermelh + ar 
en + gavet + ar 
es + clar + ecer 
re + quent + ar 
A maioria dos parassintéticos é constituída de 
verbos, mas há muitos adjetivos formados por 
parassíntese: 
abobado - a + bob + ado 
achocolatado - a + chocolat + ado 
descamisado - des + camis + ado 
Quando a junção do prefixo e do sufixo não se dá 
ao mesmo tempo, o processo não se classifica como 
parassíntese e sim como derivação prefixal e sufixal. 
Compare: 
28 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
desgraçado: não houve parassíntese porque já 
existia em português a forma "desgraça", 
composta de des + graça 
descabelar: houve parassíntese, pois não existem 
em português as formas "cabelar" ou 
"descabela" (substantivo) 
Derivação regressiva ocorre pela redução de 
elementos já existentes na palavra primitiva. Nesse caso, 
portanto, não ocorrem afixos na palavra derivada. 
Exemplo: 
buscar (primitiva) - busca (derivada) 
Esse tipo de derivação é bastante comum na 
formação de substantivos baseados em verbos. Os 
substantivos assim derivados, chamados de deverbais 
ou pós-verbais, formam-se com o radical do verbo + as 
vogais a, e, o. Exemplos: 
verbo pescar - pesca (derivado) 
verbo resgatar - resgate (derivado) 
verbo chorar - choro (derivado) 
Em determinados casos, o radical sofre alteração 
gráfica. 
atacar – ataque 
destacar - destaque 
Na correspondência verbo/substantivo, em casos 
de derivação regressiva, fica difícil saber se o substantivo 
é a palavra derivada ou a primitiva. Mário Barreto sugere 
o seguinte critério: "... se o substantivo denota ação, será 
palavra derivada, e o verbo palavra primitiva; mas, se o 
nome denota algum objeto ou substância, se verificará o 
contrário. Portanto, os substantivos briga, grito e ataque, 
por exemplo, são formas derivadas, pois denotam 
respectivamente as ações de brigar, gritar e atacar. Já as 
formas planta, âncora, alfinete, pincel, escudo são formas 
primitivas que dão origem aos verbos plantar, ancorar, 
escovar, alfinetar, pincelar e escudar." 
Derivação imprópria consiste na mudança de 
classe gramatical da palavra, sem alteração da forma 
primitiva. Na derivação imprópria é muito comum a 
substantivação, isto é, a transformação de qualquer 
classe gramatical em substantivo. 
Ela disse um nunca definitivo 
Parecia ser um indivíduo muito lido 
Ocorre ainda derivação imprópria nos seguintes 
casos: 
a) transformação de um substantivo próprio em comum 
Damasco (nome de cidade) - damasco (tipo de 
tecido) 
b) transformação de um substantivo comum em próprio 
rocha - Rocha (sobrenome) 
Atualmente consideram-se derivadas as palavras 
simples em que é possível reconhecer os afixos que ainda 
atuam na língua na formação de novas palavras, além 
das resultantes da derivação imprópria ou regressiva. As 
demais serão primitivas, ainda que em outro estágio da 
língua fossem consideradas derivadas. 
Portanto, a palavra desleal é uma palavra 
derivada. A palavra absolver (ab+solver) é uma palavra 
primitiva. 
 
2.2 Composição 
Composição é o processo de formação de 
palavras pelo qual se criam novos termos a partir de dois 
radicais ou de duas palavras já existentes na língua. 
Exemplos: 
amor-perfeito 
vaivém 
aguardente 
Essas palavras têm necessariamente mais de um 
radical: são, portanto, palavras compostas. As palavras 
que apresentam apenas um radical são chamadas 
de simples. A palavra resultante de composição 
geralmente exprime um significado novo, diferente do 
significado de cada um dos elementos que a compõem. 
A composição pode realizar-se por justaposição e 
por aglutinação. 
Composição por justaposiçãoé um processo de 
formação de palavras em que cada elemento do termo 
composto mantém sua autonomia fonética. Exemplos: 
guarda-chuva 
vaivém 
sexta-feira 
arco-íris 
malmequer 
Note que o hífen nem sempre aparece nos casos 
de justaposição. 
Composição por aglutinação é um processo de 
formação de palavras em que um dos elementos - 
geralmente o primeiro - perde sua autonomia fonética. 
Exemplos: 
planalto (plano + alto) 
aguardente (água + ardente) 
A linguística atual tende a considerar como simples 
as palavras em que se perdeu a noção de composição. 
Há casos em que só a análise etimológica é capaz de 
determinar os elementos do termo composto, como 
nestes exemplos: fidalgo (filho + de + algo), embora (em + 
boa + hora), Portugal (porto + Cale), vinagre (vinum + 
acre). O falante de hoje não reconhece de imediato os 
componentes das palavras, pois a fusão foi muito 
acentuada. No português atual, tais palavras devem ser 
consideradas como primitivas. 
 
2.3 Hibridismo 
Hibridismo é um processo de composição de 
palavras em que concorrem termos de diferentes línguas. 
Alguns exemplos de hibridismo: 
a) grego e latim 
monocultura (mono + cultura) 
televisão (tele + visão) 
monóculo (mono + óculo) 
endovenoso (endo + venoso) 
 
b) latim e grego 
altímetro (alto + metro) 
bígamo (bi + gamo) 
decímetro (deci + metro) 
sociologia (socio + logia) 
 
c) outras línguas 
alcalóide (árabe e grego) 
abreugrafia (português e grego) 
biodança (grego e português) 
microondas (grego e português) 
 
2.4 Onomatopéia 
Onomatopéia é a palavra que procura reproduzir, 
aproximadamente, certos sons ou ruídos. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 29 
 
zunzum 
tique-taque 
toque-toque 
reco-reco 
pife-pafe 
cricri 
Alguns substantivos que sugerem sons e vozes 
derivam de onomatopéias e podem dar origem a verbos: 
Substantivo onomatopaico: cicio (voz da cigarra) 
verbo derivado: ciciar 
Substantivo onomatopaico: pio (voz de algumas 
aves) 
verbo derivado: piar 
Substantivo onomatopaico: zunzum (zumbido) 
verbo derivado: zunzunir 
Substantivo onomatopaico: cocoricó (voz do 
galo) 
verbo derivado: cocoricar 
Substantivo onomatopaico: chio (voz de alguns 
animais) 
verbo derivado: chiar 
 
2.5 Sigla 
Sigla é a redução de certos títulos ou expressões 
compostas. A sigla resulta da utilização da letra ou da 
sílaba inicial de cada um dos componentes da expressão. 
Não é raro que das siglas derivem palavras: 
celetista - indivíduo cujo contrato de trabalho é 
regido pela CLT; 
uspiano - estudante da USP 
 
2.6 Abreviação vocabular ou redução 
Não se deve confundir o processo de redução com 
a abreviatura ou com a sigla: 
cine - abreviação ou redução da palavra "cinema" 
Av. - abreviatura da palavra "avenida" 
CPF - sigla que significa "Cadastro de Pessoas 
Físicas" 
 
3. NEOLOGISMOS NO PORTUGUÊS ATUAL 
Entre as inúmeras ocorrências que têm 
caracterizado o enriquecimento do léxico contemporâneo 
do português falado no Brasil, pode-se citar: 
1) Largo emprego de palavra estrangeiras, 
sobretudo emprestadas do inglês, 
aportuguesadas ou não; 
2) Autonomia de alguns prefixos: híper, súper, 
contra, míni e máxi. 
3) Ocorrência expressiva dos prefixos não-, pró-, 
sem-, mega- e dos sufixos -ável e –dromo 
4) Emprego bastante acentuado de siglas e 
palavras derivadas de sigla. 
 
USO DA CRASE 
Utilizar a crase corretamente é uma dificuldade 
encontrada por muitos alunos, pensando nisso, criamos 
este texto, que irá ajudar você a compreender melhor. 
A crase pode ajudar uma pessoa a conseguir uma vaga 
desejada, ou seja, dominar a sua utilização pode ser 
fundamental em uma prova. 
 
O que é a crase? 
A crase tem origem grega, utilizada quando uma 
palavra termina e outra começa com vogal. Com a 
evolução da linguagem, a crase ganhou mais destaque, e 
foi percebido que não era necessário utilizar duas vogais 
iguais. 
 
USO DA CRASE. 
 
Ela está muito presente em pegadinhas 
de concursos públicos, e conhecer as suas regrinhas 
básicas é fundamental para se dar bem. No Enem 
(Exame Nacional do Ensino Médio), o ideal é que o 
candidato não cometa esse tipo de erro, e sempre utilize a 
crase quando necessário, o que ajudara o aluno a atingir 
o seu objetivo. 
 
Quando utilizar a crase? 
A crase só deve ser utilizada antes de palavras 
femininas. Ela pode ser utilizada antes de alguns 
pronomes, entre eles estão: aquilo, aquele, aquela, e 
também no plural. 
 
Quem deseja aprender sobre a crase, pode ler em 
livros, e encontrar diversos exemplos, ou então através de 
vídeos na internet, clique aqui e veja várias dicas, e 
explica muito sobre a utilização da crase. 
 
Exemplos da utilização da crase 
Na internet é possível encontrar milhares de 
exemplos com a utilização de crase, dessa forma você 
pode entender melhor, e se em algum momento enfrentar 
uma dessas questões, certamente saberá a resposta. 
 
Exemplos da utilização da crase. 
Exemplo 1: Cheguei cedo à casa de meu pai. 
Exemplo 2: Os colonizadores chegaram à terra 
procurada. 
Exemplo 3: Ela voltou à terra dos pais. 
Exemplo 4: Namoro à moda antiga. 
Acesse e saiba mais informações: Como fazer 
uma boa introdução para redação do ENEM! 
 
Exemplos da não utilização da crase 
A crase não é utilizada em vários casos, cada um 
por uma circunstância diferente, confira alguns exemplos 
abaixo. 
Exemplo 1: Vou a Porto Alegre (Quem vai a algum 
lugar, volta, no caso volta DE Porto Alegre, por 
isso não vai crase). 
Exemplo 2: Vou passear a cavalo. 
Exemplo 3: Ante a descoberta o cientista gritou. 
Exemplo 4: Nunca devi dinheiro a alguém. 
https://www.youtube.com/watch?v=ktz7kM1Jkjk
http://www.horadoenem.org/como-fazer-uma-boa-introducao-para-redacao-do-enem/
http://www.horadoenem.org/como-fazer-uma-boa-introducao-para-redacao-do-enem/
30 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
Regras de verificação de crase 
 Existem algumas regras que facilitam a sua vida, 
e ajudam a saber se a frase leva crase ou não. 
 
EXEMPLOS DA NÃO UTILIZAÇÃO DA CRASE. 
 
 Regra 1: Deve trocar a preposição A por EM ou 
PARA. Se o A continuar sendo necessário, deve usar 
crase. 
Exemplo com crase: Jonas viajou para a Região 
Sul. 
Exemplo sem crase: Jonas viajou para São Paulo. 
 Regra 2: Deve trocar a preposição A por um 
substantivo masculino, se com isso for necessário utilizar 
AO, deverá ter crase. 
Exemplo com crase: Prestou serviços ao povo. 
Exemplo sem crase: Ele chegará a um minuto. 
 
CRASE FACULTATIVA 
Em alguns casos a crase é facultativa, e o escritor 
decide se vai utilizar ou não. Ela não é necessária antes 
de nomes próprios femininos. Exemplo: Refiro-me a (à) 
Mariana. Antes de pronomes possessivos femininos. 
Exemplo: Vá a (à) sua chácara. E também depois da 
preposição até. Exemplo: Caminhe até a(à) janela. 
 
CLASSES DE PALAVRAS: FUNÇÕES, 
GÊNERO, NÚMERO, EMPREGO 
As palavras se distribuem em classes fora de 
contexto, na forma como aparecem do dicionário. Já a 
função só pode ser determinada a partir da análise de sua 
ocorrência em frases. 
Vejamos a diferença entre classe e função. O 
dicionário classifica a palavra galinha como substantivo. 
Esta é a classe de que a palavra faz parte. Em frases, 
podemos identificar a função do substantivo galinha: 
A galinha bota ovos. 
Nesta frase, o substantivo galinha exerce a função 
de núcleo do sujeito. 
Vi uma galinha carijó 
Nesta outra, o substantivo galinha exerce a função 
de núcleo do objeto direto. 
Gosto de carne de galinha. 
Nesta terceira frase, o substantivo galinha exerce a 
função de núcleo do adjunto adnominal. 
A NGB divide as palavras da língua portuguesa em 
dez classes, chamadas de classes gramaticais. São 
elas: 
1) substantivo - palavra que dá nome aos seres: 
crianças, língua, tribo, Brasil. 
2) adjetivo - palavra que caracterizaos seres e as 
coisas: longa, humanitário, novo. 
3) verbo - palavra que indica fato ou estado: 
aprender, mandar, permanecer, estar. 
4) pronome - palavra que representa ou 
acompanha o substantivo, considerado-o 
apenas como pessoa do discurso: eles, sua. 
5) numeral - palavra que indica quantidade ou 
ordem: 1533, II. 
6) artigo - palavra que acompanha o substantivo, 
determinado ou indeterminado-o: a, uma. 
7) advérbio - palavra que indica circunstância de 
lugar, modo, intensidade etc.: aqui, bem, 
8) preposição - palavra que serve para ligar 
dois termos de uma oração: de. 
9) conjunção - palavra que serve para relacionar 
duas orações ou termos semelhantes de uma 
mesma oração: e. 
10) Interjeição - palavra que expressa sentimento 
ou emoção: Nossa!. 
Essas dez classes de palavras distribuem-se em 
dois grupos: 
a) variáveis: palavras que podem apresentar 
mudança na forma, quando contextualizadas. 
São elas: substantivo, adjetivo, verbo, artigo, 
pronome e numeral. 
b) invariáveis: palavras que não apresentam 
mudança na forma, mesmo contextualizadas. 
São elas: advérbio, preposição, conjunção e 
interjeição. 
 
1. FLEXÃO 
Flexão é a variação de forma e, 
consequentemente, de significado, de uma palavra. As 
palavras são submetidas a flexão apenas quando 
empregadas num enunciado. Duas observações 
importantes: 
a) somente podem ser flexionadas as palavras 
variáveis; 
b) cada tipo de flexão é sistemático, ou seja, vale 
para todas ou quase todas as palavras da 
mesma classe. Por exemplo: todos os 
substantivos podem se flexionar em número, 
com raras exceções. 
Em português, as palavras podem apresentar 
flexões de gênero, número, grau, tempo, modo e pessoa. 
 
1.1. Flexão de Gênero 
Gênero é o termo que a gramática utiliza para 
enquadrar as palavras variáveis da língua em masculinas 
ou femininas. Na gramática há, portanto, gênero 
masculino e gênero feminino. Apresentam flexão de 
gênero as seguintes classes de palavras: substantivo, 
adjetivo, artigo, pronome e numeral. 
Não se deve confundir gênero com sexo, pois a 
noção de gênero se aplica não só a seres animais 
(providos de sexo) como também a coisas (logicamente, 
desprovidas de sexo). Exemplos: 
a) palavras do gênero masculino 
seres animais: moço, menino, leão, gato, cantor 
coisas: pente, lápis, disco, amor, mar 
b) palavras do gênero feminino 
seres animais: moça, menina, leoa, gata, cantora 
coisas: colher, revista, fumaça, raiva, chuva. 
As demais palavras que admitem esse tipo de 
flexão (artigo, adjetivo, pronome e numeral) acompanham 
o gênero do substantivo a que se referem. Exemplos: 
as crianças órfãs 
pequenos índios 
esses meninos 
duas crianças 
 LÍNGUA PORTUGUESA 31 
 
 
1.2. Flexão de Número 
As palavras variáveis podem mudar sua 
terminação para indicar singular ou plural. Apresentam 
flexão de número o substantivo, o artigo, o adjetivo, o 
numeral e o verbo. Exemplo: 
Sua irmã sofreu um arranhão. (singular) 
Suas irmãs sofreram uns arranhões. (plural) 
 
1.3. Flexão de Grau 
São as mudanças efetuadas na terminação para 
indicar tamanho (nos substantivos) e intensidade (nos 
adjetivos). 
O menino estava nervoso. 
O menininho estava nervoso. 
O menino estava nervosíssimo. 
O grau, algumas vezes, não indica intensidade ou 
tamanho, mas expressa apenas estado emotivo. 
Que doutorzinho, hein! (ironia) 
Filhinho, venha cá. (carinho) 
O advérbio, embora seja uma palavra invariável, 
admite flexão de grau: 
O fato aconteceu cedo. (advérbio não-flexionado) 
O fato aconteceu cedinho. (advérbio flexionado) 
Para a linguística atual, o grau não se constitui 
numa flexão. Os motivos para negar essa flexão podem 
ser resumido nestes pontos: 
a) para indicar variação de tamanho, há duas 
possibilidades e nenhuma delas implica o emprego de 
uma desinência. Vejamos: 
É um menino pequeno. - O substantivo não se 
flexionou. 
É um menininho. - O substantivo recebeu apenas 
um sufixo (-inho) e não uma desinência. 
Estou muito feliz - O adjetivo não se flexionou. 
Estou felicíssimo - O adjetivo recebeu um sufixo (-
íssimo) e não uma desinência. 
b) o grau do adjetivo não exige concordância com 
o grau do substantivo, isto é, o adjetivo pode indicar 
mudança de grau sem que o substantivo o acompanhe 
nessa mudança. 
"Era um homem felicíssimo" e não 
obrigatoriamente "Era um homenzarrão felicíssimo". 
Segundo os linguístas, a flexão obriga, 
necessariamente, palavras em relação de 
interdependência a assumirem as mesmas mudanças. 
Esse fenômeno (concordância) ocorre sempre entre o 
substantivo e o adjetivo que a ele se refere. Como essa 
concordância não é obrigatória em relação ao grau, mas 
apenas em relação ao gênero e ao número, nega-se a 
expressão de grau como uma flexão. 
As mudanças formais das palavras para expressar 
graus seriam casos de derivação sufixal. Apesar dessas 
objeções, a NGB considera a expressão de grau como um 
tipo de flexão. 
 
1.4 Flexões de tempo, modo e pessoa 
Só os verbos apresentam esses tipos de flexão. 
a) tempo: é a mudança da forma para indicar o 
momento em que ocorre o fato. 
O jesuíta assiste à chegada dos órfãos (presente) 
O jesuíta assistiu à chegada dos órfãos (pretérito) 
O jesuíta assistirá à chegada dos órfãos (futuro) 
b) modo: é a mudança da forma para indicar as 
diferentes atitudes do emissor em relação ao fato que se 
deseja expressar. São três os modos: indicativo, 
subjuntivo e imperativo. 
O menino desligou-se da tribo (indicativo) 
É possível que o menino se desligue da tribo 
(subjuntivo) 
Menino, ouça um conselho: desligue-se da tribo 
(imperativo) 
c) pessoa: esse tipo de flexão permite que o verbo 
se relacione com as três pessoas gramaticais 
1° pessoa: eu, nós 
2° pessoa: tu, vós 
3° pessoa: ele(s), ela(s) 
A flexão de pessoa indica a concordância do 
verbo com a pessoa gramatical que lhe serve de sujeito. 
Compare: 
Forma não-flexionada: comprar não se refere a 
qualquer sujeito 
Formas flexionadas do presente, modo indicativo: 
eu compro 
tu compras 
ele compra 
nós compramos 
vós comprais 
eles compram 
As desinências verbais sâo morfemas que 
carregam dois significados simultâneos: de tempo e 
pessoa. Na forma amávamos, por exemplo, o morfema -
mos indica 1° pessoa (flexão de pessoa) do plural (flexão 
de número). 
 
SINTAXE: RELAÇÕES SINTÁTICO-
SEMÂNTICAS ESTABELECIDAS ENTRE 
ORAÇÕES, PERÍODOS OU PARÁGRAFOS 
(PERÍODO SIMPLES E PERÍODO 
COMPOSTO POR COORDENAÇÃO E 
SUBORDINAÇÃO). 
Para que possamos compreender a sintaxe da 
Língua Portuguesa, ou seja, o conjunto das relações que 
as palavras estabelecem entre si, é necessário, antes de 
tudo, estudarmos a respeito dos enunciados e suas 
unidades, os quais apresentam características estruturais 
próprias: a Frase, a Oração e o Período. Vejamos cada 
um deles! 
 
FRASE 
A frase pode ser definida por seu propósito 
comunicativo. Isso significa que Frase é todo enunciado 
capaz de transmitir, de traduzir sentidos completos em 
um contexto de comunicação, de interação verbal. 
 
Observe algumas características das frases: 
 O início e o final da frase são marcados, na 
escrita, por pontuação específica (. ! ? …); 
 Na fala, o início e o final da frase são marcados 
por uma entoação característica. Não se esqueça de que 
a entoação é a forma como os falantes associam o 
contorno da expressividade, como é visto na frase 
interrogativa ou declarativa; 
 Podem ser elaboradas por uma única ou por 
várias palavras; 
32 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 Podem apresentar um verbo ou não; 
 Na escrita, os limites da frase são indicados pela 
letra inicial maiúscula e pelo sinal de pontuação (. ! ? …). 
 
Observe alguns exemplos de frases: 
– Ai! 
– Socorro! 
– O quê? 
– Mas que coisa terrível! 
– Quanta bagunça... 
– Que tragédia! 
– Como assim?– Tenho muito a fazer. 
– Fogo! 
 
Tipos de Frases 
 Frases interrogativas: Entonação de pergunta. 
Geralmente, é finalizada com ponto de interrogação 
(?). Exemplo: Que dia você volta? 
 Frases exclamativas: Entonação expressiva, 
reação mais exaltada. Geralmente, finalizada com ponto 
de exclamação ou reticências (! …). Exemplo: Que 
horror! 
 Frases declarativas: Não são marcadas pela 
entonação expressiva ou intencional. Geralmente 
apresentam declarações afirmativas ou negativas e são 
finalizadas com o ponto final (.). Exemplo: Amanhã não 
poderei levantar. 
 Frases imperativas: Enunciado que traz um 
verbo no modo imperativo. Geralmente sugere uma 
ordem e é finalizado pelos pontos de exclamação e final 
(!.). Exemplo: Fale mais baixo! 
 
ORAÇÃO 
A oração é uma unidade sintática. Trata-se de 
um enunciado linguístico cuja estrutura caracteriza-se, 
obrigatoriamente, pela presença de um verbo. Na 
verdade, a oração é caracterizada, sintaticamente, pela 
presença de um predicado, o qual é introduzido na língua 
portuguesa pela presença de um verbo. Geralmente, a 
oração apresenta um sujeito, termos essenciais, 
integrantes ou acessórios. 
Observe alguns exemplos de orações: 
– Corra! 
– Esses doces parecem muito gostosos. 
– Chove muito no inverno. 
 
PERÍODO 
O período é uma unidade sintática. Trata-se de 
um enunciado construído por uma ou mais orações e 
possui sentido completo. Na fala, o início e o final do 
período são marcados pela entonação e, na escrita, são 
marcados pela letra maiúscula inicial e a pontuação 
específica que delimita sua extensão. 
Os períodos podem ser simples ou compostos. 
Vejamos cada um deles: 
 Período simples 
Os períodos simples são aqueles constituídos 
por uma oração, ou seja, um enunciado com apenas 
um verbo e sentido completo. 
Exemplos: 
Os dias de verão são muito longos! (verbo ser) 
O amor é eterno. 
As plantas necessitam de cuidados especiais. 
Quero aquelas rosas. 
O tempo é o melhor remédio. 
 
 Período composto 
Os períodos compostos são aqueles constituídos 
por mais de uma oração, ou seja, dois ou mais verbos. 
Exemplos: 
Mariana me ligou para dizer que não virá mais 
tarde. (Período composto por três orações: 
verbos ligar, dizer e vir.) 
Quando você partiu minha vida ficou sem alegrias 
Quero aquelas flores para presentear minha mãe. 
Vou gritar para 
todos ouvirem que estou sabendo o que acontece ao 
anoitecer. 
Cheguei, jantei e fui dorm 
 
Tipos de período composto 
Há dois tipos de período composto: 
1. PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO 
Como o nome já diz, um período composto por 
coordenação é formado por duas ou mais orações 
coordenadas, ou seja, que não possuem nenhum tipo de 
dependência uma das outras. 
Exemplo: 
Corram depressa e saiam pela direita! 
Ele sabia a verdade mas ela negou tudo. 
 
2. PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO 
Este tipo de período é formado por uma oração 
principal que é complementada com uma ou mais orações 
subordinadas. Estas orações poderão exercer a função de 
sujeito, complemento nominal, adjunto adverbial, adjunto 
adnominal etc, dentro da estrutura da oração principal. 
Exemplo: 
A polícia sabia que havia pessoas no prédio. 
Quando eu voltar, farei o jantar. 
Há também casos em que um mesmo período é 
composto por COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO. 
Neste caso, o período possui dois tipos de relação: 
subordinação e coordenação. No caso abaixo, há uma 
oração principal, que possui duas orações subordinadas a 
ela, e estas duas orações são coordenadas entre si. 
Observe: 
É bom que ela venha amanhã e traga os livros. 
Observe que a oração “que ela venha amanhã” 
não possui nenhum tipo de dependência com a 
oração “(que ela) traga os livros”. Contudo, ambas são 
subordinadas à oração principal, iniciada com “É bom 
que...”. 
 
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO 
Apesar de prescindíveis são necessários para o 
entendimento do enunciado porque informam alguma 
característica ou circunstância dos substantivos, 
pronomes ou verbos que os acompanham. São 
considerados termos acessórios da oração: 
 adjunto adnominal; 
 adjunto adverbial; 
 aposto 
 
 
http://portugues.uol.com.br/gramatica/vozes-verbo-.html
http://portugues.uol.com.br/gramatica/termos-constituintes-oracao---sujeito-predicado.html
http://portugues.uol.com.br/gramatica/tipos-sujeito.html
 LÍNGUA PORTUGUESA 33 
 
ADJUNTO ADNOMINAL 
São palavras que acompanham o substantivo para 
caracteriza-lo, determina-lo ou individualiza-lo. O adjunto 
adnominal pode ser representado por: 
 adjetivos; 
 artigos; 
 numerais; 
 pronomes adjetivos; 
 locuções adjetivas. 
 
Adjetivo: 
As casas antigas eram mais trabalhadas. 
 Adj. Adnominal 
 Adjetivo 
O sol brilhava intensamente hoje. 
 Adj. Adnominal 
 Adjetivo 
 
Artigo: 
 As estrelas iluminavam a noite. 
Adj. Adnominal Adj. adnominal 
 Artigo artigo 
Os carros estavam descontrolados. 
Adj. Adnominal 
 Artigo 
 
Numeral: 
Três árvores caíram. 
Adj. Adnominal 
 Numeral 
Dois carros chocaram-se violentamente. 
Adj. Adnominal 
 Numeral 
 
Pronome adjetivo 
Aqueles computadores estão quebrados. 
Adj. Adnominal 
Pronome adjetivo 
Aqueles garotos estão impossíveis hoje. 
Adj. Adnominal 
Pronome adjetivo 
 
Locução adjetiva: 
O suco de laranja estava gostoso. 
 Adj. Adnominal 
 Locução adjetiva 
OBSERVAÇÃO: 
Funcionam também como adjuntos adnominais 
os pronomes oblíquos quando assumem o valor de 
pronomes possessivos. 
Feriram-me as pernas. (Feriram minhas 
pernas) 
 
ADJUNTO ADVERBIAL 
Termo que se refere ao verbo, ao adjetivo ou a outro 
advérbio, para indicar uma circunstância. 
Circunstância de tempo: 
Só obtivemos os gabaritos do vestibular no dia seguinte. 
 Adj. Adverbial 
Circunstância de lugar: 
O trânsito está engarrafado na Avenida Recife. 
 Adj. Adverbial 
Circunstância de modo: 
Os turistas foram recebidos alegremente. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de intensidade: 
Comemos pouco no almoço. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de causa: 
Estávamos tremendo de frio. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de companhia: 
Vou sair com você. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de instrumento: 
Com a vassoura retirou a sujeira da sala. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de dúvida: 
Possivelmente chegaremos atrasados. 
Adj. Adverbial 
 
Circunstância de finalidade: 
Estudo para aumentar meus conhecimentos. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de meio: 
Prefiro viajar de carro. 
 Adj. Adverbial 
 
Circunstância de assunto: 
Conversamos sobre economia. 
 Adj. Adverbial 
Circunstância de negação: 
Não deixarei desarrumarem a casa. 
Adj. Adverbial 
 
Circunstância de afirmação: 
Com certeza iremos ao parque. 
Adj. Adverbial. 
 
APOSTO 
É o termo que tem por objetivo explicar, esclarecer, 
resumir ou comentar algo sobre outro termo da oração. 
Recife, a Veneza brasileira, sofre durante o período chuvoso. 
 
Aposto 
AMD, fabricante de processadores, vem ganhando mercado. 
 
Aposto 
OBSERVAÇÕES: 
O aposto pode aparecer anteposto ao termo a 
que se refere. 
Veneza brasileira, Recife está sofrendo com o começo do inverno. 
 
Aposto 
O aposto pode aparecer precedido de expressões 
explicativas. Vejamos. 
Algumas matérias, a saber, matemática, física e 
química, são as que apresentam maiores dificuldades de 
aprovação no vestibular. 
 
 
 
34 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
VOCATIVO – TERMO INDEPENDENTE 
É consideradoum termo independente da oração 
porque não faz parte de sua estrutura. É usado para 
expressar o sentimento do falante; sentimento esse usado 
para invocar, chamar, interpelar ou apelar a quem o 
falante se dirige. 
Menino, venha cá! 
 
Vocativo 
Meus filhos, tenham calma. 
 
DIFERENÇA ENTRE VOCATIVO E APOSTO 
O vocativo não mantém relação sintática com nenhum 
termo da oração, enquanto o aposto mantém relação 
sintática com um ou vários termos da oração. 
Meninos, voltem aqui. 
 
Vocativo 
São Paulo, centro financeiro, sofre com as altas 
taxas de desemprego. 
 Aposto 
 
LOCUÇÕES VERBAIS (PERÍFRASES 
VERBAIS). 
Considera-se que estamos em face de uma 
perífrase verbal sempre que do mesmo domínio 
predicativo participam um verbo auxiliar (também 
designado por «verbo morfemático») e uma forma 
nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio passado) do 
verbo principal (também classificado como «verbo pleno») 
– com intermediação, ou não, de preposição 
(a, de, por, para). Exemplos: 
Estou a escrever um romance. 
Está vendo? 
O Zé foi atropelado por uma bicicleta. 
 
1. VERBO AUXILIAR 
O verbo auxiliar é o resultado de um processo de 
gramaticalização (ou de deslexicalização). Este processo 
ocorre quando uma palavra de significação lexical passa a 
ser ativada como uma palavra de significação gramatical 
[fornecendo a informação gramatical de pessoa, número, 
tempo, modo e aspecto]. 
Exemplo: 
Verbo andar com significação lexical: 
Ando todos os dias 10 km 
Verbo andar com significação gramatical: 
Ando a ler O Livro do Desassossego 
 
2. VERBO PRINCIPAL 
O verbo principal é o verbo que detém a 
significação do processo, evento ou estado; o seu 
conteúdo referencia diretamente a ação existente no 
mundo extralinguístico. 
 
AS PERÍFRASES VERBAIS PODEM SER: 
– Temporais 
– Modais 
– Aspectuais 
– Diatéticas (voz) 
 
 
1. Verbos auxiliares de tempos compostos: 
ter e haver 
Ele já tinha entrado em casa quando se deu a 
explosão. 
 
2. Verbos auxiliares de modo (verbos modais): 
ter (de/que); dever; poder 
Para vires ter a minha casa deves apanhar o 78 ou 
o 35. 
O Zé deve estar a chegar. 
O Zé pode estar dois dias sem comer. 
 
3. Verbos auxiliares de aspecto (também designados 
por «semiauxiliares») 
acabar (de/por); andar (a); começar (a/por); 
continuar (a); estar (a/para/por); ficar (a/por); ir (a) 
De notar que é na referenciação de valores 
aspectuais que o procedimento perifrástico patenteia 
maior sistematicidade. Deste modo, é comum recorrer aos 
termos «conjugação perifrástica» e «perífrase verbal» 
quando se quer designar construções aspectuais. 
 
PERÍFRASE VERBAL E LOCUÇÃO VERBAL 
Perífrase: processo que consiste em exprimir por 
muitas palavras o que se pode exprimir em poucas; o 
mesmo que «circunlóquio». 
Locução (em análise gramatical): grupo de 
palavras que funciona como uma palavra só. 
Se atendermos às definições, poderemos concluir 
que uma locução verbal pode ser uma perífrase verbal e 
vice-versa. Muitas vezes, trata-se de uma questão 
convencional ou de opção terminológica
1
. Como já foi 
referido, uma perífrase verbal será, primeiramente, uma 
perífrase aspectual. Mas, por outro lado, as construções 
com verbo leve (ou verbo suporte) não são, por norma, 
classificadas como perífrases. 
 
1. Construções com verbo leve 
Verbo + nome (deverbal ou não) 
O processo de deslexicalização do verbo leve não 
é total. Por outro lado, é atribuída ao nome a função 
predicativa. 
Exemplos: 
dar beijos (= beijar) 
fazer a apresentação (= apresentar) 
ter em consideração (=considerar) 
pôr em risco (= arriscar) 
tirar fotografias (= fotografar) 
 
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS 
O verbo pode se flexionar de quatro maneiras: 
PESSOA, NÚMERO, TEMPO e MODO. É a classe mais 
rica em variações de forma ou acidentes gramaticais. 
Através de um morfema chamado DESINÊNCIA MODO 
TEMPORAL, são marcados o tempo e o modo de um 
verbo. Vejamos mais detalhadamente… 
O MODO VERBAL caracteriza as várias maneiras 
como podemos utilizar o verbo, dependendo da 
significação que pretendemos dar a ele. Rigorosamente, 
são três os modos verbais: INDICATIVO, SUBJUNTIVO e 
IMPERATIVO. Porém, alguns gramáticos incluem, 
também como modos verbais, o PARTICÍPIO, o 
 LÍNGUA PORTUGUESA 35 
 
GERÚNDIO e o INFINITIVO. Alguns autores, no entanto, 
as denominam FORMAS NOMINAIS DO VERBO. 
Segundo o gramático Rocha Lima, existem 
algumas particularidades em cada uma destas formas que 
podem impedir-nos de considerá-las modos verbais: 
 INFINITIVO: tem características de um 
substantivo, podendo assumir a função de sujeito ou de 
complemento de um outro verbo, e até mesmo ser 
precedido por um artigo. 
 GERÚNDIO: assemelha-se mais a um advérbio, 
já que exprime condições de tempo, modo, condição e 
lugar. 
 PARTICÍPIO: possui valor e forma de adjetivo, 
pois além de modificar o substantivo, apresenta ainda 
concordância em gênero e número. 
Mas voltemos aos modos verbais, propriamente 
ditos: 
 MODO INDICATIVO: O verbo expressa um ação 
que provavelmente acontecerá, uma certeza, trabalhando 
com reais possibilidades de concretização da ação verbal 
ou com a certeza comprovada da realização daquela 
ação. 
 MODO SUBJUNTIVO: Ao contrário do indicativo, 
é o modo que expressa a dúvida, a incerteza, trabalhando 
com remotas possibilidades de concretização da ação 
verbal. 
 MODO IMPERATIVO: Apresenta-se na forma 
afirmativa e na forma negativa. Com ele nos dirigimos 
diretamente a alguém, em segunda pessoa, expressando 
o que queremos que esta(s) pessoa(s) faça(m). Pode 
indicar uma ordem, um pedido, um conselho etc., 
dependendo da entonação e do contexto em que é 
aplicado. 
Já o TEMPO VERBAL informa, de uma maneira 
geral, se o verbo expressa algo que já aconteceu, que 
acontece no momento da fala ou que ainda irá acontecer. 
São essencialmente três tempos: PRESENTE, PASSADO 
ou PRETÉRITO e FUTURO. 
Os tempos verbais são: 
 PRESENTE SIMPLES (amo) – expressa algo 
que acontece no momento da fala. 
 PRETÉRITO PERFEITO (amei) – expressa uma 
ação pontual, ocorrida em um momento anterior à fala. 
 PRETÉRITO IMPERFEITO (amava) – expressa 
uma ação contínua, ocorrida em um intervalo de tempo 
anterior à fala. 
 PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO (amara) –
 contrasta um acontecimento no passado ocorrido 
anteriormente a outro fato também anterior ao momento 
da fala. 
 FUTURO DO PRESENTE (amarei) – expressa 
algo que possivelmente acontecerá em um momento 
posterior ao da fala. 
 FUTURO DO PRETÉRITO (amaria) – expressa 
uma ação que era esperada no passado, porém que não 
aconteceu. 
 
MODO E TEMPO VERBAL 
Modo verbal é uma classificação dada a 
um verbo, que apresenta diferenças e diversas formas de 
um mesmo verbo. Verbos possuem por classificação: 
tempo, pessoa, número e modo. 
 
Tempo 
O tempo é usado para indicar quando ocorreu a 
ação a qual o verbo se refere. 
 Presente – Indica o facto no momento em que 
se fala (ele conjuga). 
 Pretérito imperfeito – Indica um acontecimento 
que se prolongou ao longo do tempo com inicio e fim no 
passado (eu estudava). 
 Pretérito perfeito – Indica um acontecimento 
que se iniciou e terminou no passado durante pouco 
tempo (eu caí é quase imediato). 
 Pretérito mais-que-perfeito – Indica um facto 
passado em relação a outro (ele conjugara). 
 Futuro do presente – Indica um facto que irá 
acontecer no futuro (eu conjugarei). 
 Futuro do pretérito – Indica um futuro que 
ocorre no passado (ele conjugaria)-uma coisa que poderia 
ter acontecido. 
 
Pessoa 
Pessoa é a quem se refere o verbo. 
Eu e nós pertencem à primeira, tu e vós/vocês 
à segunda e ele/ela, eles/elas à terceira. 
 Eu – (eu consigo) 
 Tu – (tu consegues) 
 Ele/Ela – (ele consegue) 
 Nós – (nós conseguimos) 
 Vós – (vós conseguis) / Vocês– (vocês 
conseguem) 
 Eles/Elas – (eles conseguem) 
 
Número 
Indica a quantidade de pessoas. Se são uma ou 
mais de uma. 
 Singular– Indica uma pessoa (eu estou). 
 Plural– Indica duas ou mais pessoas 
(eles estão) 
 
Modos verbais 
As flexões de Modo determinam as diversas 
atitudes da pessoa que fala com relação ao fato 
enunciado. Assim: 
 uma atitude que expressa certeza com relação 
ao fato que aconteceu, que acontece ou que acontecerá, 
é característica do Modo Indicativo. Exemplos: 
 Ele trabalhou ontem. 
 Ela está em casa. 
 Nós iremos amanhã. 
 uma atitude que revela uma incerteza, uma 
dúvida ou uma hipótese é característica do Modo 
Subjuntivo (ou Conjuntivo). Exemplos: 
 Se eu trabalhasse,… 
 Quando eu partir,… 
 uma atitude que expressa uma ordem, um 
pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é 
característica do Modo Imperativo. Exemplo: 
 Faça isto, agora! 
Com relação ao Tempo, podemos expressar um 
facto basicamente de três maneiras diferentes: 
1. No presente: significa que o fato está 
acontecendo relativamente ao momento em 
que se fala; 
36 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
2. No pretérito: significa que o fato já aconteceu 
relativamente ao momento em que se fala; 
3. No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer 
relativamente ao momento em que se fala. 
Entretanto, as possibilidades de se localizar um 
processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com 
as necessidades da pessoa que fala ou que relata um 
evento. 
Neste contexto, a Língua Portuguesa oferece-nos 
as seguintes possibilidades para combinarmos Modos e 
Tempos: 
 
MODO INDICATIVO 
Expressa certeza absolutamente apresentando o 
fato de uma maneira real, certa, positiva. 
Presente do Indicativo 
Expressa o fato no momento em que se fala. 
 O aluno lê um poema. 
 Posso afirmar que meus valores mudaram. 
 Um aluno dorme. 
 
Pretérito Imperfeito 
Expressa o passado inacabado, um processo 
anterior ao momento em que se fala, mas que durou um 
tempo no passado, ou ainda, um fato habitual, diário. Por 
tanto ele não indica a certeza de um fato acontecido, 
sendo assim chamado este tempo verbal de pretérito 
imperfeito, pois não se refere a um conceito situado 
perfeitamente num contexto de passado. 
Emprega-se o pretérito imperfeito do Indicativo 
para assinalar: 
 um fato passado contínuo, permanente ou 
habitual, ou casual. 
Eles „vendiam‟ sempre fiado. “Uma noite, eu me 
lembro… ela „dormia‟”. 
Numa rede encostada molemente (Castro Alves, 
Adormecida). Ela „vendia‟ flores “Glória „usava‟ no peito 
um broche com um medalhão de duas faces.” (Raquel de 
Queirós, As Três Marias). 
 um fato passado, mas de incerta localização no 
tempo: 
„Era‟ uma vez,… 
 um fato simultâneo em relação a outro no 
passado, indicando a simultaneidade de ambos os fatos: 
Eu „lia‟ quando ela chegou. “Nessa mesma noite, 
leu-lhe o artigo em que „advertia‟ o partido da 
conveniência de não ceder às perfídias do poder.” (poema 
de Quincas Borba). 
Pretérito Perfeito 
Indica um fato que se perfez. Já ocorrido e 
concluído. Daí o nome: Pretérito Perfeito; referindo-se a 
um facto que se situa completo no passado. 
Emprega-se o Pretérito Perfeito do Indicativo para 
assinalar: 
 um facto já ocorrido ou concluído: 
 „Trocaram beijos ao luar tranqüilo.‖ (Augusto 
Gil, Luar de Janeiro) 
 “„Andei‟ longe terras, 
„Lidei‟ cruas guerras, 
„Vaguei‟ pelas serras, 
Dos vis Aimorés.” (Gonçalves Dias, I-Juca-
Pirama). 
 Posso afirmar que meus valores „mudaram‟. 
 “„Apanhou‟ o rifle, „saiu‟ ao meio da trilha e 
„detonou‟.”(Coelho Neto, Banzo). 
 Na forma composta, é usado para indicar uma 
ação que se prolonga até ao momento presente; através 
da locução verbal, na qual se usa o particípio. 
 „Tenho estudado‟ todas as noites. 
 “Eu, que „tenho sofrido‟ a angústia das pequenas 
coisas ridículas, Eu „verifico‟ que não tenho par nisto tudo 
neste mundo.” (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta 
– caiu) 
 
Pretérito mais-que-perfeito 
Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito para 
assinalar um fato passado em relação a outro também no 
passado (o passado do passado, algo que aconteceu 
antes de outro fato também passado). 
O pretérito mais-que-perfeito aparece nas formas 
„simples‟ e „composta‟, sendo que a primeira costuma 
aparecer em discursos mais formais e a segunda, na fala 
coloquial. 
Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito 
simples: 
 Ele comprou o apartamento com o dinheiro do 
carro que vendera. 
 “Levava comigo um retrato de Maria 
Cora; alcançara-o dela mesma… com uma 
pequena dedicatória cerimoniosa.” (Machado 
de Assis, Relíquias de Casa) 
 Morava.. no arraial de São Gonçalo da Ponte, 
cuja ponte o rio levara, deixando dela somente 
os pilares de alvenaria.” (Gustavo Barroso, O 
Sertão e o Mundo) 
 Te dou meu coração, quisera dar o mundo 
 
Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito 
composto: 
 Quando eu cheguei, ela já tinha saído. 
 Tinha chovido muito naquela noite. 
 
Futuro do presente composto 
Assinala um fato posterior ao tempo atual, mas 
anterior a outro fato futuro. 
Exemplo: 
“Até meus bisnetos nascerem, eu terei me 
aposentado“. 
“Quando ele chegar, já terei saído. 
 
Futuro do Indicativo 
Emprega-se o futuro do Indicativo para assinalar 
uma ação que ocorrerá no futuro relativamente ao 
momento em que se fala. 
 Quando eleito, lutarei pelos menores carentes. 
 “… era Vadinho, herói indiscutível, jamais 
outro virá tão íntimo das estrelas,…” (Jorge Amado, Dona 
Flor e Seus Dois Maridos) 
 “A qual escolherei, se, neste estado, 
Eu não sei distinguir esta daquela?” (Alvarenga Peixoto, 
Jôninha e Nice). 
Exemplos de futuro composto: 
 Ele vai fazer (fará) compras e vai voltar 
(voltará) em breve. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 37 
 
 
Futuro do Pretérito / Condicional 
Emprega-se o futuro do pretérito para assinalar: 
 Um facto futuro em relação a outro no passado 
 “Se eu morresse amanhã, viria ao menos 
Fechar meus olhos minha triste irmã; 
Minha mãe de saudades morreria. (Álvares 
Azevedo, Se Eu Morresse Amanhã). 
 Uma ironia ou um pedido de cortesia: 
 Daria para fazer silêncio! 
 Poderia fazer o favor de sair!? 
 
Modo Subjuntivo 
Revela um fato duvidoso, incerto. 
 
Presente 
Emprega-se o presente do subjuntivo para 
assinalar: 
 um fato presente, mas duvidoso ou incerto, um 
desejo ou um sentimento. 
 Talvez eles façam tudo aquilo que nós 
pedimos. 
 Talvez ele saiba sobre o que está falando. 
 um fato futuro, mas duvidoso ou incerto 
 Talvez eles venham amanhã. 
 um desejo ou uma vontade 
 Espero que eles façam o serviço corretamente. 
 Espero que me tragam o dinheiro 
 
Pretérito Imperfeito 
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo 
para assinalar: 
 uma hipótese ou uma condição numa ação 
passada, mas posterior e dependente de outra 
ação passada. 
 “Talvez a lágrima subisse do coração à 
pupila…” (Coelho Neto, Sertão) 
 “Como fizesse bom tempo, as senhoras 
combinaram em tomar o café na chácara.” 
(Aluísio Azevedo, Casa de Pensão) 
 “Estou hoje vencido, como se soubesse a 
verdade. 
 Estou hoje vencido, como se estivesse para 
morrer.” (Fernando Pessoa, Tabacaria – Álvaro 
de Campos) 
 uma condição contrafactual, ou seja, que não 
se verifica na realidade, que teria uma certa 
consequência; pode se referir ao passado, ao 
presente ou ao futuro. 
 Se ele estivesse aqui ontem, poderia ter 
ajudado. 
 Se ele estivesse aqui agora, poderia ajudar. 
 Se ele viesse amanhã, poderia ajudar. 
 
Futuro 
Emprega-se o futuro do subjuntivo para assinalar 
uma possibilidade a ser concluída em relação a um fato 
no futuro, uma ação vindoura, mas condicional a outra 
ação também futura. 
 Quando eu voltar, saberei o que fazer. 
 Quando os sinos badalarem nove horas,voltarei 
para casa. 
Também pode indicar uma condição incerta, 
presente ou futura. 
 Se ele estiver lá amanhã, certamente ela 
também estará. 
É a formação de locução verbal com o auxiliar ter 
ou haver no Futuro do Subjuntivo simples e o principal no 
particípio, tendo o mesmo valor que o Futuro do 
Subjuntivo simples. 
Por exemplo: 
Quando você tiver terminado sua série de 
exercícios, eu caminharei 6 Km. 
 
Pretérito Perfeito 
Emprega o passado com relação a um futuro certo. 
 Caso eu tenha sido escolhido, ficarei muito feliz. 
 
Pretérito mais-que-perfeito composto 
Formado pelo imperfeito do subjuntivo do verbo 
auxiliar (ter, haver) mais o particípio do verbo principal 
Tem valor semelhante ao Imperfeito do subjuntivo Ex: Eu 
teria caminhado todos os dias desse ano, se não tivesse 
trabalhado tanto. 
Eu teria viajado se não tivesse chovido 
Obs: Perceba que todas as frases remetem a ação 
para o passado. A frase: Se eu estudasse, 
aprenderia; é diferente de Se eu tivesse 
estudado, teria aprendido. 
 
Imperativo 
Exprime uma atitude de solicitação, mando. É 
formado por afirmativo e negativo. 
Este modo verbal não possui a primeira pessoa do 
singular (eu), pois não podemos mandar em nós mesmos. 
Uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, 
um conselho, uma vontade ou um desejo é característica 
do Modo Imperativo. Exemplo: Faça isto, agora! Com 
relação ao Tempo, podemos expressar um fato 
basicamente de três maneiras diferentes: 
 No presente: significa que o fato está 
acontecendo relativamente ao momento em 
que se fala; 
 No pretérito: significa que o fato já aconteceu 
relativamente ao momento em que se fala; 
 No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer 
relativamente ao momento em que se fala. 
Entretanto, as possibilidades de se localizar um 
processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com 
as necessidades da pessoa que fala ou que relata um 
evento. Neste contexto, a língua portuguesa oferece-nos 
as seguintes possibilidades para combinarmos modos e 
tempo 
Exemplo 
 Parcele sua compra! 
 Faça sua tarefa! 
 Lave a louça! 
 Escove os dentes! 
 Compre aqui e ganhe um brinde! 
 
 
 
38 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Gerúndio 
Uma ação que está em curso no momento da fala. 
No português, é terminado por “ando”, “endo” e “indo” (no 
caso do verbo pôr e seus derivados, terminado em 
“ondo”). 
Exemplos: “Eu estou falando contigo…”; “Nós 
estamos correndo em círculos!”; “Eles estão indo para a 
escola.”; “Estou pondo novas informações neste artigo”. 
“Estou Dirigindo o carro‖. 
 
FUNÇÕES DO ―QUE‖ E DO ―SE‖ 
Há muitas dúvidas quanto ao emprego do que e 
do se, pois podem ser empregados em várias funções 
morfossintáticas. Portanto, iremos analisar cada termo 
individualmente, a fim de que as análises se tornem mais 
claras. 
 
Funções do QUE 
1 – Substantivo 
Quando equivale a alguma coisa virá sempre 
antecedida de artigo ou outro determinante, e receberá 
acento por ser monossílabo tônico terminado em e. Como 
substantivo, designa também a 16ª letra de nosso 
alfabeto. Quando a palavra que for substantivo, exercerá 
as funções sintáticas próprias dessa classe de palavra 
(sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo etc.) 
Ex.: Há nisso um quê de mistério. (=alguma coisa) 
Há paixões que dominam os impérios. (Sujeito) 
Sofro as penas que eu próprio busquei… (Objeto 
direto) 
A pessoa a que me referi, chegou. (Objeto indireto) 
“Não conheço que fui no que hoje sou.” 
(Predicativo) 
Que horas são? (Adjunto adnominal) 
O projeto a que sou favorável é este e não aquele. 
(Complemento nominal) 
Esta é a escola em que estudo. (Adjunto adverbial) 
Encontrou-se a arma por que ela foi ferida. (Agente 
da passiva) 
 
2- Pronome 
 Adjetivo interrogativo: 
Ex.: Que matérias você perdeu? (= quais) 
 Substantivo interrogativo: 
Ex.: O que viste por onde viajaste? (= que coisa) 
 Adjetivo indefinido: 
Ex.: Veja que horas são. (= quantas) 
 Substantivo indefinido: 
Ex.: Não compreendo por que não me escutas. (= 
que motivo) 
 Relativo: 
Ex.: Os amigos que me restam são de data 
recente. 
3 – Preposição (de) 
Ex.: Ele tem que aparecer para conversar comigo. 
Doença é pior que todas as coisas. 
 
4 – Advérbio de intensidade 
Refere-se sempre a um adjetivo. 
EX.: Que maravilhoso é o amor! (=quão) 
Que difícil foi a conversa! (=quão) 
 
5 – Interjeição 
Ex.: Quê! Foi roubado! 
 
6 – Partícula expletiva (ou de realce) 
Ex.: Quase que ela perdeu. 
O último que chegar que feche a porta. 
 
7 – Conjunção subordinativa 
Integrante: 
 Ex.: É justo que ele pague pelo que fez. 
 Final: 
Ex.: Faço votos que seja feliz. 
 Causal: 
Ex.: “Trevas, caí, que o dia é morto.” 
“Antes que cases, olha o que fazes, que não é nó 
que desates.” 
 Comparativa: 
Ex.: Os homens são menos detalhistas que as 
mulheres. 
 Temporal: 
Ex.: “Porém já cinco sóis eram passados que dali 
nos partíramos.” 
 Consecutiva: 
Ex.: Estudou tanto, que acabou perdendo a hora 
 Concessiva: 
EX.: Muito que ele come, nunca engorda. 
 
8 – Conjunção coordenativa 
 Aditiva: 
EX.: “Maravilha feita de Deus que não de humilde braço.” 
 Explicativa: 
Ex.: Não saiam, que vai chover. 
 Adversativa: 
Ex.: Façam eles, que não eu. 
 Alternativa: 
Ex.: Que permitam, que não permitam, irei vê-la. 
 
FUNÇÕES DO SE 
Funções morfológicas 
1 – Conjunção subordinativa 
 Integrante: 
Ex.: Não sei se vocês já leram Guimarães Rosa. 
 Condicional: 
EX.: Se você pretende ser universitário, estude. 
 Concessiva: 
Ex.: “Se não teceu o Próprio enxoval, ganhou-o, fio 
a fio, no tear.” 
 Causal: 
Ex.: “Se a morte sabes dar com fogo e ferro, 
sabe também dar vida com clemência.” 
2 – Conjunção coordenativa alternativa 
Ex.: Se há lágrimas, se há risos, o amor brilha nos 
seus lábios. 
3 – Pronome (ou partícula) apassivador 
Ex.: Nota-se que eles estão animados. 
4 – Partícula (ou índice) de indeterminação do 
sujeito 
Ex.: Vive-se brigando nesta casa. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 39 
 
5- Parte integrante de verbo 
Ex.: Ela se arrependeu de ter esperado tanto. 
6 – Partícula expletiva ou de realce (junto a 
verbos intransitivos) 
Ex.: Passam-se os anos e nada mudou. 
7 – Pronome 
 Reflexivo: 
Ex.: Ele feriu-se gravemente. 
 Recíproco: 
Ex.: Abraçaram-se, mas já era tarde. 
 
Funções sintáticas 
Como pronome, o se pode exercer as seguintes 
funções sintáticas de objeto direto, objeto indireto e sujeito 
de uma oração definitiva. 
EX.: Ela se trancou por dentro, calada, esperando. 
(Objeto direto) 
“O chefe reservou-se um objetivo ambicioso: a 
chaminé.” (Objeto indireto) 
“Sofia deixou-se estar à janela.” (Sujeito) 
 
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL 
CONCORDÂNCIA VERBAL 
A regra básica da concordância verbal é o verbo 
concordar em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª 
ou 3ª) com o sujeito da frase. 
1. Sujeito simples – o verbo concordará com ele em 
número e pessoa. 
Ex.: O artista excursionará por várias cidades do 
interior. 
 
2. Sujeito composto – em regra geral, o verbo vai para o 
plural. 
Ex.: Sua avareza e seu egoísmo fizeram com que 
todos o abandonassem. 
Se o sujeito vier depois do verbo, concorda com o 
núcleo mais próximo, ou vai para o plural. 
Ex.: “Ainda reinavam (ou reinava) a confusão e a 
tristeza” (Dinah S. de Queiroz). 
Se o sujeito vier composto por pronomes pessoais 
diferentes – o verbo concordará conforme a prioridade 
gramatical das pessoas. 
Ex.: Eu e você somos pessoas responsáveis. 
Atenção! Tu e ela estudais / estudam. A segunda forma é 
mais usada atualmente. 
 
3. Expressões não só... mas também, tanto/quanto que 
relacionam sujeitos compostos permitem a concordância 
do verbo no singular ou no plural. 
Ex.: Tanto o rapaz quanto o amigo 
obtiveram/obteve notamáxima na redação do ENEM 
 
4. Sujeito composto ligado por ou: 
- indicando exclusão, ou sinonímia – o verbo fica 
no singular. 
Ex.: Maria ou Joana será representante. 
- indicando inclusão, ou antonímia – o verbo 
fica no plural. 
Ex.: O amor ou o ódio estão presentes. 
- indicando retificação – o verbo concorda com o 
núcleo mais próximo. 
Ex.: O aluno ou os alunos cuidarão da exposição. 
 
5. Quando o sujeito é representado por expressões 
como a maioria de, a maior parte de e um nome no 
plural, o verbo concorda no singular (realçando o todo) ou 
no plural (destacando a ação dos indivíduos). 
Ex.: A maioria dos jovens quer as reformas. (ou) A 
maioria dos jovens querem as reformas. 
 
6. Não sou daqueles que recusa / recusam as obrigações. 
Nesse caso, o referente do pronome relativo que 
é daqueles, a regra fundamental de concordância com o 
sujeito deverá levar o verbo para a 3ª pessoa do plural. 
Entretanto, também é aceito quando refletimos em uma 
concordância com um daqueles que. 
 
7. Verbo ser + pronome pessoal + que – o verbo 
concorda com o pronome pessoal. 
Ex.: Sou eu que executo a obra. Seremos nós que 
executaremos a obra. 
Verbo ser + pronome pessoal + quem – o verbo 
concorda com o pronome pessoal ou fica na 3ª pessoa do 
singular. 
Ex.: Sou eu quem inicio a leitura. Sou eu quem 
inicia a leitura. 
8. Nomes próprios locativos ou intitulativos – se 
precedidos de artigo plural, o verbo irá para o plural; não 
sendo assim, irá para o singular. 
Ex.: Os Estados Unidos reforçam as suas bases. 
Minas Gerais progride muito. 
 
9. Pronome relativo antecedido da expressão ―um 
dos‖, ―uma das‖ – verbo na 3ª pessoa do singular ou do 
plural. 
Ex.: Ela é uma das que mais impressiona (ou 
impressionam). 
Quando apresenta uma ideia de seletividade, fica 
obrigatoriamente no singular. 
Ex.: Aquela é uma das peças de Nelson Rodrigues 
que hoje se apresentará neste teatro. 
 
10. Concordância do verbo ser: 
a) sujeito nome de coisa ou um dos pronomes 
nada, tudo, isso ou aquilo + verbo ser + PREDICATIVO 
no plural: verbo no singular ou no plural (mais comum). 
Ex.: "A pátria não é ninguém: são todos.” (Rui 
Barbosa) 
b) NAS ORAÇÕES INTERROGATIVAS iniciadas 
pelos pronomes quem, que, o que – verbo ser concorda 
com o nome ou pronome que vem depois. 
Ex.: Quem eram os culpados? 
c) 1º TERMO – SUJEITO = substantivo; 2º termo 
= pronome pessoal, o verbo concorda com o pronome 
pessoal. 
Ex: Os defensores somos nós. 
d) Nas expressões é muito, é pouco, é mais de, 
é tanto, é bastante + determinação de preço, medida 
ou quantidade: verbo no singular. 
Ex.: Dez reais é quase nada. 
e) Indicando hora, data ou distância – o verbo 
concorda com o predicativo. 
Ex.: São três horas. Hoje são 15 de fevereiro. 
 
40 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
11. PASSIVO – NA VOZ PASSIVA SINTÉTICA, com o 
pronome apassivador SE, o verbo concorda com o 
sujeito paciente (que é um aparente objeto direto). 
Ex.: Escutavam-se vozes. 
INDETERMINADO – com o pronome 
indeterminador do sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do 
singular. 
Ex.: Precisa-se de operários. 
 
CONCORDÂNCIA NOMINAL 
As relações que as palavras estabelecem com o 
substantivo que as rege constitui o que em gramática se 
chama de sintagma nominal. Essa relação caracteriza 
os casos de concordância nominal. 
 
1. Concordância de gênero e número entre o núcleo 
nominal e os artigos que o precedem, os pronomes 
indefinidos variáveis, os demonstrativos, os possessivos, 
os numerais cardinais e os adjetivos. 
Ex.: Um luar claro e belíssimo. 
 
2. Concordância do adjetivo com dois ou mais 
substantivos 
a) Substantivos do mesmo gênero, o adjetivo irá 
para o plural desse gênero ou concordará com o mais 
próximo (concordância atrativa). 
Ex.: Bondade e alegria raras ou rara. 
b) Substantivos de gêneros diferentes, o adjetivo 
irá para o masculino plural ou concordará com o mais 
próximo. 
Ex.: Atitude e caráter apropriados ou apropriado. 
c) Adjetivo anteposto aos substantivos, nos dois 
casos acima, a norma geral é que ele concorde com o 
substantivo mais próximo. 
Ex.: Mantenha desligadas as lâmpadas e os 
eletrodomésticos. 
d) Substantivos com sentido equivalente ou 
expressam gradação, o adjetivo concorda com o mais 
próximo. 
Ex.: Revelava pura alma e espírito. 
 
CASOS PARTICULARES 
1. POSSÍVEL 
a) precedido de o mais, o menor, o melhor, o pior – 
singular; 
b) precedido de os mais, os menores, os melhores, 
os piores – plural. 
Ex.: Estampas o mais possível claras. / Estampas 
as mais claras possíveis. 
 
2. ANEXO / INCLUSO – adjetivos, concordam com o 
substantivo a que se referem. 
Ex.: Envio-lhe anexos / inclusos os documentos. 
(em anexo, junto a são invariáveis) 
 
3. LESO (adjetivo = lesado, prejudicado) concorda com o 
substantivo com o qual forma uma composição. 
Ex.: Cometeu crime de lesa-pátria. 
 
4. PREDICATIVO 
a) substantivo com sentido indeterminado (sem 
artigo) – adjetivo no masculino. 
Ex.: É proibido entrada; 
b) substantivo com sentido determinado (com 
artigo) – adjetivo concorda com o substantivo. Ex.: É 
necessária muita cautela. 
 
5. MEIO – numeral = metade (variável) 
Ex.: Falou meias verdades. 
Advérbio = parcialmente (variável). 
Ex.: Encontrava-se meio fatigada. 
 
6. MUITO, POUCO, BASTANTE, TANTO – PRONOMES 
– (variáveis). 
Ex.: Li bastantes livros. ADVÉRBIOS (invariáveis). 
Ex.: Estavam bastante felizes. 
 
7. SÓ – adjetivo = sozinho (variável). 
Ex.: Eles se sentiam sós. Palavra denotativa de 
exclusão (invariável). 
Ex.: Só os alunos compareceram à reunião (= 
somente). 
8. PSEUDO, ALERTA, SALVO, EXCETO – são 
palavras invariáveis. 
Ex.: Ela é pseudo-administradora, por isso 
fiquemos sempre alerta. 
9. QUITE = LIVRE – concorda com aquele a que 
se refere. 
Ex.: Estamos quites com a mensalidade. 
10. OBRIGADO, MESMO, PRÓPRIO – concordam 
com o gênero e número da pessoa a que se referem. 
Ex.: Ela disse: 
- Muito obrigada, eu mesma cuidarei do assunto. 
 
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL 
Entre os diversos termos de uma oração ocorre 
regência verbal e regência nominal. Há um termo regente 
que apresenta um sentido incompleto sem o termo regido, 
que atua como seu complemento. 
A regência verbal indica a relação que um verbo 
(termo regente) estabelece com o seu complemento 
(termo regido) através do uso ou não de uma preposição. 
Na regência verbal os termos regidos são o objeto direto 
(sem preposição) e o objeto indireto (preposicionado). 
A regência nominal indica a relação que um 
nome (termo regente) estabelece com o seu complemento 
(termo regido) através do uso de uma preposição. 
 
Exemplos de regência verbal preposicionada: 
 assistir a; 
 obedecer a; 
 avisar a; 
 agradar a; 
 morar em; 
 apoiar-se em; 
 transformar em; 
 morrer de; 
 constar de; 
 sonhar com; 
 indignar-se com; 
 ensaiar para; 
 apaixonar-se por; 
 LÍNGUA PORTUGUESA 41 
 
 cair sobre. 
 
Exemplos de regência nominal: 
 favorável a; 
 apto a; 
 livre de; 
 sedento de; 
 intolerante com; 
 compatível com; 
 interesse em; 
 perito em; 
 mau para; 
 pronto para; 
 respeito por; 
 responsável por. 
 
Regência verbal com verbos transitivos diretos 
Os verbos transitivos diretos apresentam um 
objeto direto como termo regido, não sendo necessária 
uma preposição para estabelecer a regência verbal. O 
objeto direto responde, principalmente, às perguntas o 
quê? e quem?, indicando o elemento que sofre a ação 
verbal. 
Exemplos: 
 Você já fez os deveres? 
 Eu quero um carro novo. 
 A criança bebeu o suco. 
 
Regência verbal com verbos transitivos indiretos 
Os verbos transitivos indiretos apresentam um 
objeto indireto como termo regido, sendo obrigatória a 
presença de uma preposição para estabelecera regência 
verbal. O objeto indireto responde, principalmente, às 
perguntas de quê? para quê? de quem? para quem? em 
quem?, indicando o elemento ao qual se destina a ação 
verbal. 
Exemplos: 
 O funcionário não se lembrou da reunião. 
 Ninguém simpatiza com ele. 
 Você não respondeu à minha pergunta. 
As preposições usadas na regência verbal podem 
aparecer na sua forma simples, bem como contraídas ou 
combinadas com artigos e pronomes. 
Preposições simples: a, de, com, em, para, por, 
sobre, desde, até, sem,... 
Contração e combinação de preposições: à, ao, 
do, das, destes, no, numa, nisto, pela, pelo,... 
As preposições mais utilizadas na regência verbal 
são: a, de, com, em, para e por. 
 Preposição a: perdoar a, chegar a, sujeitar-se 
a,... 
 Preposição de: vangloriar-se de, libertar de, 
precaver-se de,... 
 Preposição com: parecer com, zangar-se com, 
guarnecer com,... 
 Preposição em: participar em, teimar em, viciar-
se em,... 
 Preposição para: esforçar-se para, convidar 
para, habilitar para,... 
 Preposição por: interessar-se por, começar por, 
ansiar por,... 
 
Regência nominal: principais preposições 
As preposições mais utilizadas na regência 
nominal são, também: a, de, com, em, para, por. 
 Preposição a: anterior a, contrário a, equivalente 
a,... 
 Preposição de: capaz de, digno de, incapaz 
de,... 
 Preposição com: impaciente com, cuidadoso 
com, descontente com,... 
 Preposição em: negligente em, versado em, 
parco em,... 
 Preposição para: essencial para, próprio para, 
apto para,... 
 Preposição por: admiração por, ansioso por, 
devoção por,... 
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL 
É a parte da gramática que trata da correta 
colocação dos pronomes oblíquos átonos na frase. 
Embora na linguagem falada a colocação dos pronomes 
não seja rigorosamente seguida, algumas normas devem 
ser observadas, sobretudo, na linguagem escrita. 
Dicas: Existe uma ordem de prioridade na 
colocação pronominal: 1º tente fazer próclise, 
depois mesóclise e em último caso, ênclise. 
 
COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS: 
Existem os seguintes pronomes 
Os pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele, 
nós, vós, eles) exercem a função de sujeito da oração. 
Os pronomes do caso oblíquo exercem a 
função de complemento do verbo da oração. (= 
me/mim/comigo; te/ti/contigo; se/si/consigo; o(s)/a(s); 
lhe(s); nos/conosco; vos/convosco. 
Os pronomes oblíquos tônicos: mim, comigo, ti, 
contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, 
eles, elas (possuem individualidade tônica). 
Mas o que nos interessa agora é: 
Os pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, a, 
lhe, nos, vos, se, os, as, lhes (sem individualidade tônica). 
 
Colocação dos pronomes átonos 
Há algumas tendências de colocação dos 
pronomes átonos adotadas no Brasil que não estão de 
acordo com as normas adotadas pela Gramática 
Tradicional. Atualmente, essas questões estão sendo 
revistas pela linguística, que busca outras razões para 
justificar a funcionalidade da língua: fatores fonéticos, 
lógicos, estético, estilísticos, históricos e outros mais. 
Portanto, há algumas marcas enraizadas no português 
brasileiro, como a tendência de colocar o pronome na 
forma proclítica, forma diferente do uso em Portugal. 
 
Posição dos pronomes oblíquos átonos: 
 Antes do verbo: Próclise 
 No meio do verbo: Mesóclise 
 Depois do verbor: Ênclise 
 
Próclise: 
1. Elementos que atraem o pronome átono: 
42 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 Palavras negativas: nem, não, nunca, jamais: 
Não me incomodo com eles. 
 Advérbios: Acolá, aí, aqui, lá, já: 
Aqui se aprende com qualidade. 
 Pronomes relativos: que, o qual, os quais: 
O líder do grupo, o qual nos visitou hoje, 
pometeu-nos trabalhar pela paz de todos. 
 
2. Partículas exclamativas e optativas: 
Quem me dera! 
Que Deus o acompanhe! 
 
3. Em sentenças interrogativas diretas e 
indiretas: 
Diga-me quem lhe disse isso. 
Quem lhe disse tamanha asneira? 
 
4. Orações subordinadas desenvolvidas. 
Pedi que lhe entregasse meus documentos. 
 
5. Orações coordenadas alternativas: 
Ora me maltratava, ora me beijava. 
 
6. Orações com inversão sintática: 
Lógico me pareceu o seu argumento. 
 
7. Gerúndio precedido da preposição em: 
Em se tratando de estratégia, ele é mestre. 
 
8. Orações com verbo antecedidos de pronome 
não pessoal: 
Isto se refere a interesses particulares. 
Aqui se trabalha. 
Alguém me disse que ela não viria. 
Nota: Advérbios, locuções adverbiais e o 
numeral ambos (ambas) atraem o pronome desde 
que não haja pausa em relação ao verbo. 
1. Sem pausa: 
Aqui se trabalha duro. 
Ambos se prejudicavam com a gritaria. 
2. Com pausa: 
Aqui, trabalha-se duro. 
Ambos, prejudicavam-se com a gritaria. 
 
Mesóclise 
Ocorre a mesóclise com o verbo nos 
tempos futuro do presente e futuro do pretérito do 
modo indicativo: 
Os brinquedos, comprá-los-ei ainda hoje. 
Não quero os brinquedos, comprá-los-ia se 
estivessem mais baratos. 
Nota1: 
Esta forma de mesóclise tende a desaparecer no 
português brasileiro. Na língua falada, ela está 
praticamente em desuso. Para substitui-la, 
costuma-se usar um verbo auxiliar junto com o 
principal: 
compraria = teria comprado; 
comprarei = vou comprar, etc. 
 
Nota2: 
A mesóclise deixa de ocorrer se na frase houver 
algum fator de próclise. 
 
Ênclise 
Não havendo próclise, ocorre ênclise (ou 
mesóclise). Essa é uma regra prática para compreender 
quando ocorre a ênclise. Atenção especial deve-se às 
locuções verbais. 
 
TEMPOS COMPOSTOS E LOCUÇÕES VERBAIS: 
1. Verbo auxiliar + verbo principal no infinitivo 
Ocorre ênclise ou mesóclise no auxiliar ou somente 
ênclise no principal. 
Deve-se lembrar das obrigações. (ênclise auxiliar) 
Dever-lhes-ia entregar a correspondência antes do meio-
dia. (mesóclise no auxiliar) 
Ou 
Deve lembrar-se das obrigações. (ênclise 
principal) 
Deveria entregar-lhes a correspondência antes do 
meio-dia. (mesóclise no auxiliar) 
No português brasileiro há tendência para o uso da 
próclise com a forma nominal: 
Ele deve se preparar para o vestibular o quanto 
antes. 
Já começamos a nos preparar para as olimpíadas. 
Devo lhe dizer a verdade. (sem hífen é forma 
brasileira) 
 
2. Verbo auxiliar + verbo principal no particípio: 
„particípio rejeita pronome‟ 
Ter-nos-iam avisado. 
Tinham nos avisado. 
 
3. Verbo auxiliar + verbo principal no gerúndio: 
Podem estar em próclise ou ênclise, ou com o 
auxiliar ou com o principal: 
Ele foi-se envolvendo com o novo trabalho. 
Ele foi envolvendo-se com o novo trabalho. 
Ele foi se envolvendo com o novo trabalho. (forma 
brasileira) 
 
Modalidades lo, la, los, las 
Quanto a colocação essas formas podem 
ser enclíticas ou mesoclíticas. 
Quando ocorrem? 
– Quando estão associadas com as terminações 
verbais: -r, -s ou -z: 
Podíamos comprá-los, se quiséssemos (comprar). 
A tarefa, Marina fê-la com carinho (fez). 
Buscamo-lo em seguida à nossa chegada 
(buscamos). 
 
Modalidades no, na, nos, nas 
Quanto a colocação essas formas são enclíticas. 
Quando ocorrem? 
– Após as formas verbais com ditongo nasal final (-
ão, -õe(m), -am, -em): 
Façam-nos; fazem-no; dão-nos; põe-nas. 
 
 LÍNGUA PORTUGUESA 43 
 
Nota3: 
Ver caso especial para os verbos. 
 
Forma correta de uso para certos verbos 
Deve-se tomar cuidado quando ocorre mesóclise 
com os verbos dizer, trazer e fazer. São erradas as 
colocações: trazê-lo-ia, dizê-lo-ei, etc. 
A forma correta: 
 Trazer + o 
futuro do presente: trá-lo-ei, trá-lo-ás, etc. 
futuro do pretérito: trá-lo-ia, trá-lo-ias, etc. 
 Dizer + o 
futuro do presente: di-lo-ei, di-lo-ás, etc. 
futuro do pretérito: di-lo-ia, di-lo-ias, etc. 
 Fazer + o 
futuro do presente: fá-lo-ei, fá-lo-ás, etc. 
futuro do pretérito:fá-lo-ia, fá-lo-ias, etc. 
 
MORFOLOGIA: CLASSES DE PALAVRAS 
VARIÁVEIS E INVARIÁVEIS E SEUS 
EMPREGOS NO TEXTO 
Você já parou para contar quantas palavras 
existem ao total? Deve ter percebido que são muitas, não 
é? É quase impossível contar quantas palavras existem. 
Por causa disso, existe uma necessidade de classificar 
essas palavras, dividir elas em vários grupos 
menores. Assim fica mais fácil da gente estudar português 
e entender o significado e a função de cada palavra, para 
assim saber como melhor utilizá-las na hora de falar ou 
escrever. 
 
Quais são as classes gramaticais? 
Ao todo existem 10 classes gramaticais. São elas: 
 Substantivos: nessa classe ficam apenas as 
palavras que dão nome às coisas. Por exemplo: caderno, 
mesa, lápis etc. 
 Adjetivos: são as palavras que dão uma 
característica, qualidade ou um defeito ao substantivo. 
Por exemplo: bonita, gordo, alto, pequeno, quente etc. 
 Numerais: São palavras que expressam uma 
ideia de quantidade. Por exemplo: dois, primeira, triplo, 
meio etc. 
 Artigos: essa classe é formada por palavras 
que ficam antes dos substantivos, e determinam a eles 
um gênero e uma quantidade plural ou singular. São eles: 
o, a, os, as, um, uma, uns, umas. 
 Verbos: é a classe das palavras que indicam 
uma ação, estado, fenômeno ou fato, e podem variar em 
conjugações de acordo com o tempo, número, pessoa, 
modo e voz. Exemplo: ficar, fazer, estar, ser, comer, fugir, 
chover, queimar etc. 
 Pronomes: são palavras que substituem o 
nome ou a que ele se refere. Exemplo: eu, ela, aquele, 
minha etc. 
 Preposições: essa classe possui palavras que 
ligam duas outras palavras ou termos. Exemplo: até, 
após, portanto etc. 
 Advérbios: são palavras que podem indicar 
circunstâncias diversas, como tempo, lugar, modo, 
dúvida, negação, entre outros. Exemplo: hoje, aqui, muito, 
não etc. 
 Conjunções: 
 Interjeições: As interjeições são palavras 
invariáveis que exprimem emoções, sensações, estado de 
espírito ou até mesmo que procuram agir sobre o 
interlocutor, fazendo com que ele adote certo 
comportamento sem que seja preciso usar algumas 
estruturas linguísticas mais elaboradas. Ex.: Droga! Errei 
o alvo outra vez! 
 
Classes variáveis e invariáveis 
As dez classes gramaticais, ou também chamadas 
de classes morfológicas ou classes de palavras, ainda 
são divididas em dois grupos, as variáveis e invariáveis. 
As classes variáveis podem ser flexionadas, ou 
seja, as palavras dessas classes aceitam sofrer 
alterações de acordo com plural e singular, masculino e 
feminino, superlativo… São elas: artigo, adjetivo, 
pronome, numeral, substantivo e verbo. 
Já as classes advérbio, conjunção, interjeição e 
preposição são classes invariáveis, pois elas não aceitam 
nenhuma alteração, permanecem iguais, independente se 
estão sendo usadas no plural, singular, masculino ou 
feminino. 
 
PRONOMES DE TRATAMENTO 
Conhecer como são usados os pronomes de 
tratamento é fundamental em instituições públicas. 
Vossa Excelência é o tratamento utilizado para as 
seguintes autoridades: 
Do Poder Executivo 
Presidente da República 
Vice-Presidente da República 
Ministros de Estado 
Secretário-Geral da Presidência da República 
Chefe da Casa Civil da Presidência da República 
Consultor-Geral da República 
Advogado-Geral da União 
Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas 
Chefe do Gabinete Militar da Presidência da 
República 
Chefe do Gabinete Pessoal da Presidência da 
República 
Chefe da Corregedoria-Geral da União 
Chefe do Gabinete de Segurança Institucional 
Secretários da Presidência da República 
Procurador-Geral da República 
https://www.estudokids.com.br/substantivos-classificacao-e-flexoes/
https://www.estudokids.com.br/verbos-classificacao-flexao-conjugacoes-e-morfologia/
https://www.estudokids.com.br/interjeicoes-definicao-e-exemplos/
44 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Governadores e Vice-Governadores de Estado e 
do Distrito Federal 
Chefes de Estado-Maior das Três Armas 
Oficiais-Generais das Forças Armadas 
Embaixadores 
Secretário Executivo e Secretário Nacional de 
Ministérios 
Secretários de Estado dos Governos Estaduais 
Prefeitos Municipais 
 
Do Poder Legislativo 
Presidente, Vice-Presidente e membros da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal 
Presidente e membros do Tribunal de Contas da 
União 
Presidente e membros dos tribunais de contas 
estaduais 
Presidentes e membros das assembleias 
legislativas estaduais 
Presidente das câmaras municipais 
Do Poder Judiciário 
Presidente e membros do Supremo Tribunal 
Federal 
Presidente e membros dos Tribunais Superiores 
Juízes 
Desembargadores 
Auditores da Justiça Militar 
Procurador-Geral do Estado 
Procurador de Estado 
Membros do Ministério Público 
Membros das Defensorias Públicas 
O vocativo a ser empregado em comunicações 
dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, 
seguido do cargo respectivo, por exemplo: Excelentíssimo 
Senhor Presidente da República. 
É usado o pronome Vossa Magnificência para as 
comunicações endereçadas a reitores de universidade. O 
vocativo é Magnífico Reitor. 
Quando as comunicações são dirigidas a 
religiosos: Vossa Santidade, ao Papa; Vossa 
Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima, aos 
Cardeais; Vossa Excelência Reverendíssima, a 
Arcebispos e Bispos (o vocativo, nesses casos, é Vossa 
Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima); Vossa 
Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima, a 
Monsenhores, Cônegos e superiores religiosos; e Vossa 
Reverência, a sacerdotes, clérigos e demais religiosos. 
É importante ressaltar que se usa: 
Vossa para a pessoa com quem se fala, a quem se 
dirige a correspondência; Sua para a pessoa de quem se 
fala. 
 
SIGNIFICAÇÃO DE PALAVRAS E EXPRESSÕES. 
RELAÇÕES DE SINONÍMIA E DE ANTONÍMIA 
Quanto à significação, as palavras são divididas 
nas seguintes categorias: 
Sinônimos 
As palavras que possuem significados próximos 
são chamadas sinônimos. 
Exemplos: 
casa - lar - moradia – residência 
longe – distante 
delicioso – saboroso 
carro - automóvel 
Observe que o sentido dessas palavras 
são próximos, mas não são exatamente equivalentes. 
Dificilmente encontraremos um sinônimo perfeito, uma 
palavra que signifique exatamente a mesma coisa que 
outra. 
Há uma pequena diferença de significado entre 
palavras sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam 
sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte 
frase: 
Comprei um novo lar. 
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de 
grande utilidade nos processos de retomada de 
elementos que inter-relacionam as partes dos 
textos. 
 
Antônimos 
São palavras que possuem significados opostos, 
contrários. Exemplos: 
mal / bem 
ausência / presença 
fraco / forte 
claro / escuro 
subir / descer 
cheio / vazio 
possível / impossível 
 
Polissemia 
Polissemia é a propriedade que uma mesma 
palavra tem de apresentar mais de um significado nos 
múltiplos contextos em que aparece. Veja alguns 
exemplos de palavras polissêmicas: 
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da 
vassoura, da faca) 
banco (instituição comercial financeira, assento) 
manga (parte da roupa, fruta) 
 
Homônimos 
São palavras que possuem a mesma pronúncia 
(algumas vezes, a mesma grafia), mas significados 
diferentes. Veja alguns exemplos no quadro abaixo: 
acender (colocar fogo) ascender (subir) 
acento (sinal gráfico) 
assento (local onde se 
senta) 
acerto (ato de acertar) asserto (afirmação) 
apreçar (ajustar o preço) apressar (tornar rápido) 
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto) 
bucho (estômago) buxo (arbusto) 
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito) 
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar) 
cela (pequeno quarto) 
sela (forma do verbo selar; 
arreio) 
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo) 
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)LÍNGUA PORTUGUESA 45 
 
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar) 
cerrar (fechar) serrar (cortar) 
cervo (veado) servo (criado) 
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã) 
cheque (ordem de 
pagamento) 
xeque (lance no jogo de 
xadrez) 
círio (vela) sírio (natural da Síria) 
cito (forma do verbo citar) sito (situado) 
concertar (ajustar, 
combinar) 
consertar (reparar, corrigir) 
concerto (sessão musical) conserto (reparo) 
coser (costurar) cozer (cozinhar) 
esotérico (secreto) 
exotérico (que se expõe em 
público) 
espectador (aquele que 
assiste) 
expectador (aquele que tem 
esperança, que espera) 
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito) 
espiar (observar) expiar (pagar pena) 
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar) 
estático (imóvel) extático (admirado) 
esterno (osso do peito) externo (exterior) 
estrato (camada) 
extrato (o que se extrai de 
algo) 
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar) 
incerto (não certo, 
impreciso) 
inserto (inserido, 
introduzido) 
incipiente (principiante) insipiente (ignorante) 
laço (nó) lasso (frouxo) 
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia) 
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo) 
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa) 
 
Homônimos Perfeitos 
Possuem a mesma grafia e o mesmo som. 
Por Exemplo: 
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = 
verbo) 
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio 
de tempo) 
Atenção: 
Existem algumas palavras que possuem 
a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o 
significado são sempre diferentes. Essas palavras são 
chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos 
homônimos. Observe os exemplos: 
almoço (substantivo, nome da refeição) 
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do 
sing. do tempo presente do modo indicativo) 
gosto (substantivo) 
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do 
sing. do tempo presente do modo indicativo) 
 
Parônimos 
É a relação que se estabelece entre palavras que 
possuem significados diferentes, mas são muito parecidas 
na pronúncia e na escrita. Veja alguns exemplos no 
quadro abaixo. 
absolver (perdoar, 
inocentar) 
absorver (aspirar, sorver) 
apóstrofe (figura de 
linguagem) 
apóstrofo (sinal gráfico) 
aprender (tomar 
conhecimento) 
apreender (capturar, 
assimilar) 
arrear (pôr arreios) arriar (descer, cair) 
ascensão (subida) 
assunção (elevação a um 
cargo) 
bebedor (aquele que bebe) 
bebedouro (local onde se 
bebe) 
cavaleiro (que cavalga) cavalheiro (homem gentil) 
comprimento (extensão) cumprimento (saudação) 
deferir (atender) diferir (distinguir-se, divergir) 
delatar (denunciar) dilatar (alargar) 
descrição (ato de 
descrever) 
discrição (reserva, 
prudência) 
descriminar (tirar a culpa) discriminar (distinguir) 
despensa (local onde se 
guardam mantimentos) 
dispensa (ato de dispensar) 
docente (relativo a 
professores) 
discente (relativo a alunos) 
emigrar (deixar um país) imigrar (entrar num país) 
eminência (elevado) 
iminência (qualidade do que 
está iminente) 
eminente (elevado) iminente (prestes a ocorrer) 
esbaforido (ofegante, 
apressado) 
espavorido (apavorado) 
estada (permanência em 
um lugar) 
estadia (permanência 
temporária em um lugar) 
flagrante (evidente) fragrante (perfumado) 
fluir (transcorrer, decorrer) fruir (desfrutar) 
fusível (aquilo que funde) fuzil (arma de fogo) 
imergir (afundar) emergir (vir à tona) 
inflação (alta dos preços) infração (violação) 
infligir (aplicar pena) infringir (violar, desrespeitar) 
mandado (ordem judicial) mandato (procuração) 
peão (aquele que anda a 
pé, domador de cavalos) 
pião (tipo de brinquedo) 
precedente (que vem 
antes) 
procedente (proveniente; 
que tem fundamento) 
46 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
ratificar (confirmar) retificar (corrigir) 
recrear (divertir) recriar (criar novamente) 
soar (produzir som) suar (transpirar) 
sortir (abastecer, misturar) surtir (produzir efeito) 
sustar (suspender) suster (sustentar) 
tráfego (trânsito) tráfico (comércio ilegal) 
vadear (atravessar a vau) vadiar (andar ociosamente) 
 
 
QUESTÕES DE PROVAS CESPE 
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. 2 
TIPOLOGIA TEXTUAL. 
(Delegado PF-2002) Texto de base às questões 01, 02 
e 03. 
O que incomoda o terror 
O verdadeiro alvo visado pelos terroristas que 
atacaram Nova York e Washington não foram as torres 
gêmeas do sul de Manhattam nem o edifício do 
Pentágono. O atentado foi cometido contra um sistema 
social e econômico que, mesmo longe da perfeição, é o 
mais justo e livre que a humanidade conseguiu fazer 
funcionar ininterruptamente até hoje. 
Não foi um ataque de Davi contra Golias. Nem um 
grito dos excluídos do Terceiro Mundo que, de modo 
trágico mas efetivo, se fez ouvir no império. Foi uma 
agressão perpetrada contra os mais caros e mais frágeis 
valores ocidentais: a democracia e a economia de 
mercado. 
O que realmente incomoda a ponto de provocar a 
exasperação dos fundamentalistas, apontados como os 
principais suspeitos da autoria dos atentados, não é a 
arrogância americana ou seu apoio ao Estado de Israel. O 
que os radicais não toleram, mais que tudo, é a 
modernidade. É a existência de uma sociedade em que 
os justos podem viver sem ser incomodados e os pobres 
têm possibilidades reais de atingir a prosperidade com o 
fruto de seu trabalho. 
É esse o verdadeiro anátema dos terroristas que 
atacaram os EUA. Eles são enviados da morte, da elite 
teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder absoluto 
em seus feudos. Para eles, a democracia é satânica. Por 
isso, tem de ser combatida. 
 
01. Julgue os itens que seguem, referentes ao texto. 
1) O texto considera que o sistema defensivo dos EUA, 
apesar de estar em vigor há muitos anos, é imperfeito. 
2) Segundo o texto, o ataque aos EUA teve por principais 
motivações fatores ideológicos e econômicos. 
3) Segundo o texto, os "excluídos do Terceiro Mundo" 
(l.10) não externalizaram seu grito de revolta perante a 
tragédia causada pelo atentado, porque, mesmo se o 
tivessem feito, não seriam escutados pelos 
imperialistas norte-americanos. 
4) Sabendo que "Davi" e "Golias", citados na linha 9, são 
personagens bíblicas que lutam entre si, sendo 
pequeno o primeiro, e o segundo, um gigante, conclui-
se que elas são aludidas no texto em uma referência à 
diferença entre o poder de um grupo terrorista e o da 
maior potência mundial, após a Guerra Fria. 
5) Segundo o texto, a "modernidade" (l.20) estadunidense 
é um paradigma de sociedade perfeita por ser 
constituída pelos seguintes valores: democracia, 
trabalho, tranquilidade e justiça. 
 
02. Com referência ao uso de palavras e expressões 
no texto, julgue os itens abaixo. 
1) No contexto, é correto estabelecer-se uma relação 
semântica entre "torres gêmeas"(l.3) e "economia de 
mercado" (l.14) 
2) A palavra "perpetrada"(l.12) está empregada no sentido 
de perpetuada, ou seja, que perdurará na memória da 
humanidade para sempre. 
3) O adjetivo "caros" (l.13), no contexto, admite dois 
sentidos: o afetivo, significando estimados ou 
queridos, e o econômico, na acepção de valiosos. 
4) O termo "anátema” (l.25) está empregado em sentido 
denotativo, significando ódio profundo, aversão 
exacerbada. 
5) Pelo vocabulário empregado no último parágrafo do 
texto, depreende-se que o ataque aos EUA foi movido, 
também, por motivos religiosos. 
 
03. Julgue os itens a seguir quanto às ideias do texto 
e à correção gramatical. 
1) Infere-se, pelo terceiro parágrafo do texto, que a 
moderna sociedade americana é maniqueísta, por ser 
constituída por "justos” (l.21), sinônimo contextual de 
ricos, e "pobres" (l.22), homônimo também contextual 
de injustos. 
2) Mais do que a "arrogância americana” (l.18), conhecida 
internacionalmente, o que exaspera os terroristas é o 
apoio dos governantes americanos ao Estado de 
Israel. 
3) Segundo o autordo texto para os americanos, 
democracia e economia mercadológica são termos 
antônimos e de transitório apreço. 
4) No terceiro parágrafo, radicais e fundamentalistas são 
palavras usadas para se referir aos suspeitos da 
autoria dos atentados. 
5) O verdadeiro anátema dos terroristas que atacaram os 
EUA é a modernidade. São enviados da elite 
teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder 
absoluto em seus feudos da morte. Para esses 
terroristas, a democracia tem de ser combatida e 
destruída, pois é satânica. 
 
(Perito) Os textos a seguir servirão de base às 
questões 04, 05 e 06. 
Texto I 
A construção de uma cidade futurista, em pleno 
planalto central, que viria a ser a nova capital do país, 
ficará marcada para sempre na história brasileira como 
emblema maior da era JK. O presidente mais identificado 
com o sonho de um Brasil moderno, industrializado e 
desenvolvido. Quarenta anos depois, este Brasil está um 
pouco mais próximo de nós. E os ideais de progresso e 
modernidade, que se tornaram realidade naquele ano de 
1960, são o compromisso da Tele A para os próximos 
anos. Mas, para que os próximos anos sejam como todos 
nós esperamos, a Tele A está trabalhando desde já, 
criando e incorporando novas tecnologias, produtos e 
serviços. Em dois anos, foram instalados 250 mil novas 
linhas. A oferta de telefones públicos cresceu 50%, 
chegando a quem mais precisa. Modernizamos o 
atendimento aos nossos clientes, permitindo a você 
resolver tudo pelo telefone ou pela Internet. A Tele A 
investe anualmente mais de 150 milhões de reais e apóia 
 LÍNGUA PORTUGUESA 47 
 
projetos culturais e sociais efetivos que ajudam a tirar as 
crianças das ruas e possibilitam a integração dos 
deficientes físicos à sociedade. 40 anos depois da 
inauguração de Brasília, fica para nós a certeza de que 
estamos prontos para os próximos quarenta. 
Vogue Brasil, nº 266(com adaptações) 
 
Texto II 
Tem muita gente perdendo dinheiro e novos 
negócios por não usar a ferramenta de telecomunicação 
ideal. Por isso, existe a Tele B que, além dos tradicionais 
serviços de voz, que utilizam linhas 100% digitais, oferece 
dois novos produtos exclusivos: o 0800 Light e o Vox 
Direta. 
No primeiro, além da alta qualidade da voz e do 
tráfego em linha digital, o benefício é o custo reduzido. Ele 
é ideal para as empresas que recebem grande quantidade 
de chamada 0800 de uma mesma cidade O segundo é 
indicado para as empresas que geram grande quantidade 
de chamada de longa distância para uma mesma cidade e 
precisam de um pacote econômico de custos. Esses 
produtos ainda contam com o excelente atendimento da 
equipe de apoio técnico e comercial, o que já é um padrão 
da Tele B. Se sua empresa cresceu, a rede de 
telecomunicações tem de acompanhar esse crescimento. 
Mas sem levar os custos junto. Por isso, a Tele B 
disponibiliza uma verdadeira comunidade virtual entre 
matriz, filiais, escritórios, clientes e fornecedores de sua 
empresa, formando uma rede de negócios segura, 
competitiva e muita veloz. 
Veja, 19/9/2001,p.33(com adaptações) 
 
04. Julgue os itens, a partir das ideias expostas nos 
textos I e II. 
1) Os dois textos objetivam a venda de aparelhos 
telefônicos, distintos quanto à matéria de fabricação e 
quanto à procedência. 
2) O texto I aborda, com enfoque histórico, o serviço que 
está sendo disponibilizado ao mercado consumidor. 
3) Os destinatários do texto I são, exclusivamente, as 
empresas públicas ou privadas localizadas no Distrito 
Federal. 
4) Diferentemente dos clientes da Tele B, que poderiam 
acessar a Internet em tecnologia digital, os clientes da 
Tele A, no acesso à Internet mencionado na linha 16 
do texto, devem utilizar exclusivamente as redes 
dialup. 
5) A oferta de novos produtos e serviços, o incremento no 
número de linhas telefônicas e o aumento da 
competição no mercado das telecomunicações vêm 
ocorrendo no cenário das grandes privatizações desse 
setor, desencadeadas na década passada. 
 
05. Quanto aos aspectos gramaticais dos textos I e II, 
julgue os itens abaixo. 
1) No texto I, a palavra "futurista" (l.1) foi empregada 
indevidamente, uma vez que o adjetivo referente a 
futuro é futurística. 
2) No texto I, a oração "Para que os próximos anos sejam 
como todos nós esperamos"(l.9-10), por expressar 
uma circunstância de tempo, é classificada como 
adverbial temporal. 
3) As palavras "apóia" (l.17, texto I) e "apoio" (l.14, texto 
II), embora cognatas, não pertencem a mesma classe 
gramatical. 
4) Na linha 17 do texto II, está gramaticalmente correta a 
substituição de "crescimento. Mas" por crescimento, 
mas. 
5) Na linha 19 do texto II, os vocábulos "matriz" e "filiais" 
apresentam diferença de tratamento quanto à flexão 
de número por motivos semânticos. 
 
06. A partir das ideias dos textos I e II, julgue os itens 
subsequentes. 
1) Segundo o texto I, a empresa Tele A investe 
anualmente mais de 150 milhões de reais no apoio a 
projetos sociopolíticos para tirar as crianças das ruas. 
2) As empresas anunciadoras, Tele A e Tele B, 
apresentam, em comum, o fato de estarem fazendo 
propaganda de serviços de telecomunicações 
prestados à comunidade. 
3) Enquanto a propaganda do texto I dirige-se, 
principalmente, a um cidadão, tratando-o por você, a 
do texto II visa à comunicação com empresas. 
4) Infere-se do texto II que, no 0800 Light,a qualidade da 
voz e do tráfego em linha digital é a principal 
vantagem do beneficiário e que, no Vox Direta, a 
economia da própria empresa é favorecida. 
5) A "comunidade virtual" descrita no último período do 
texto II refere-se ao projeto Internet 2, também 
denominado segunda geração da Internet, em que, 
por meio de linha "100% digitais", disponibiliza uma 
banda larga capaz de permitir o tráfego de dados a 
uma taxa superior a 1 Gbps entre dois pontos 
quaisquer da rede e, graças às técnicas de 
criptografia, torna as transações na internet 
completamente seguras. 
 
(Agente PF) Texto de base ás questões 07 e 08 
Atualmente, a concepção de ato violento é 
bastante ampla, indo além da noção tradicional, que o 
vinculava à existência de dano físico. Somos sensíveis a 
novos tipos de violência, que antes não eram 
considerados como tal: discriminação por cor, sexo, 
idade, etnia, religião, escolha sexual, e situações de 
constrangimento, exclusão ou humilhação. Trata-se, 
portanto, de uma definição de longo alcance, abrangente, 
que decorre de um processo histórico que resultou na 
pacificação da sociedade, na ampliação das normas e em 
uma maior intolerância ao que será considerado violência. 
(Andrea Buoro et al. Violência urbana - dilemas e 
desafios) 
 
07. Considerando o texto, julgue os itens a seguir. 
1) Mantêm-se as relações semânticas e preserva-se a 
correção sintática do primeiro período do texto ao se 
substituir "indo além" (l.2) por porque vai além. 
2) Antes de "vinculava" (l.2), "o" é pronome que se refere 
a "ato violento".(l.1) 
3) O uso do sinal de dois-pontos após "tal" (l.4) justifica-se 
por anteceder uma enumeração, que, no caso, é 
composta por dois núcleos: discriminação e situações. 
4) Pelo emprego das formas verbais do texto, em especial 
pela utilização de "Trata-se" (l.7), o uso da primeira 
pessoa do plural em "Somos" (l.3) provoca 
inconsistência gramatical e incoerência textual. 
5) Um dos tipos de violência explicitados pelo texto foi 
considerado crime inafiançável pela Constituição da 
República de 1988; posteriormente, a legislação penal 
brasileira tipificou-o como crime hediondo. 
48 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
 
08. Ainda considerando o texto, julgue os itens 
subsequentes. 
1) Mantém-se o sentido do último período do texto 
substituindo-se "decorre de um processo"(l.8) por 
decorre como um processo. 
2) A supressão do artigo indefinido na expressão "uma 
maior intolerância"(l.10)não prejudica a correção 
gramatical nem a argumentação da autora. 
3) A expressão "Intolerância ao que será"(l.10) pode ser 
reescrita de forma gramaticalmente correta como 
intolerância àquilo que será. 
4) Segundo o texto, a forma como se concebe o ato de 
violência é histórica, isto é, evolui com a 
transformação da sociedade. No Brasil, é exemplo 
disso a naturalidade com que a escravidão foi aceita 
por mais de três séculos e, nos dias de hoje, mostra-
se anacrônica para a maioria da sociedade. 
5) Na atualidade, o Brasil discute a implementação de 
políticas públicas voltadas para a valorização da 
população negra, inclusive com a fixação de cotas que 
lhe garantam acesso à educação superior, proposta 
consensualmente aceita por governantes e lideranças 
sociais. 
 
09. (Escrivão PF) Os fragmentos abaixo constituem 
um texto, mas estão ordenados aleatoriamente. 
I) Isso sugere uma crescente percepção de que existe 
algo que pode ser chamado de “bem público”, algo 
que pertence à coletividade e deve ser protegido. 
II) Aparecem muito nos noticiários, associados ao crime 
organizado, ao tráfico de drogas. É como se esse tipo 
de crime, ao atingir setores até então protegidos da 
sociedade, descobrisse seu lado mais sombrio. 
III) Hoje em dia, fala-se muito em crimes de corrupção e 
roubo ao patrimônio público. 
IV) Porém os crimes que mais reconhecemos como tal 
são o roubo ao patrimônio particular, os furtos, os 
assaltos e os assassinatos que ocorrem nas cidades. 
V) Consequentemente, nossa atenção está muito voltada 
para os roubos seguidos de assassinato e para os 
dados estatísticos que indicam o aumento do número 
de homicídios em determinados bairros. Esses têm 
sido os crimes “por excelência”, os que mais ocupam 
o espaço do debate público. 
 
Considerando que a organização de um texto 
pressupõe a ordenação lógica e coerente de seus 
fragmentos, julgue os itens a seguir. 
1) O fragmento II deve ser o período inicial do texto 
porque traz uma ideia introdutória e não se refere a 
antecedentes. 
2) No fragmento I, a expressão “Isso sugere” resume e 
retoma a ideia do fragmento IV. 
3) A conjunção “Porém”, no fragmento IV, introduz uma 
ideia oposta à argumentação colocada nos fragmentos 
I e III. 
4) O termo “Consequentemente” , no fragmento V, 
relaciona-se à ideia daquilo que “mais reconhecemos” 
como crime, apresentado no fragmento IV. 
5) O sujeito de “Aparecem” , no fragmento II, está no 
fragmento I; por isso, esses fragmentos devem ser 
mantidos juntos na ordem em que estão. 
 
(Escrivão PF) 
Texto 
Perguntamo-nos qual é o valor da vida humana. 
Alguns setores da sociedade acreditam que a vida do 
criminoso não tem o mesmo valor da vida das pessoas 
honestas. O problema é que o criminoso pensa do mesmo 
modo: se a vida dele não vale nada, por que a vida do 
dono da carteira deve ter algum valor? Se provavelmente 
estará morto antes dos trinta anos de idade (como várias 
pesquisas comprovam), por que se preocupar em não 
matar o proprietário do automóvel que ele vai roubar? 
 
10. Em relação ao texto acima, julgue os itens que se 
seguem. 
1) Há um consenso na sociedade de que o valor da vida 
não é hierárquico, é equivalente para todos os seres 
humanos. 
2) Os criminosos acreditam que o valor da vida das 
pessoas que são por eles roubadas é superior ao 
valor de sua própria vida. 
3) O uso da primeira pessoa do plural em “Perguntamo-
nos” tem a função generalizada de estender o 
questionamento a qualquer ser humano. 
4) O primeiro período do texto dispensa o ponto de 
interrogação por tratar-se de interrogação indireta. 
5) Seria correto colocar sinal de dois-pontos após 
“Perguntamo-nos” e ponto de interrogação após 
“humana”. 
 
(BB )Texto: 
O futuro se constrói 
A vida socioeconômica de qualquer sociedade 
depende da ação humana, cujos orientação, coordenação 
e controle, mais ou menos frouxos ou impositivos, de 
acordo com a natureza mais ou menos democrática ou 
autoritária dos regimes políticos, a sociedade delega ao 
Estado. É, portanto, obrigação do Estado a supervisão da 
vida nacional, tanto nos regimes autoritários como, 
resguardadas as proporções quanto ao grau de 
autoridade, nos democráticos. Nem mesmo o pensamento 
liberal aceita em sua plenitude a ideia de que a 
espontaneidade do mercado resolve tudo, cabendo ao 
Estado apenas prover segurança e justiça. 
Mário César Flores. O Estado de S. P. 28/8/2001 
 
11. De acordo com as ideias e estruturas linguísticas 
do texto, julgue os itens que se seguem. 
1) Ocorre um jogo de ideias com o emprego do pronome 
“se‖ no título, que tanto pode ser interpretado como o 
futuro constrói a si mesmo, quanto como alguém 
constrói o futuro. 
2) De acordo com as regras de concordância da norma 
culta, o pronome relativo “cujos” admite, 
opcionalmente, ser substituído por em que. 
3) A expressão “mais ou menos frouxos ou impositivos” 
subentende: mais frouxo ou menos frouxo, mais 
impositivo ou menos impositivo. 
4) De acordo com a argumentação do texto, caracteriza-
se a “ supervisão da vida nacional” como: presente em 
diferentes tipos de regime político; obrigação do 
Estado; mais abrangente que a simples provisão de 
segurança e justiça. 
5) Pela estrutura sintática em que ocorre, a forma verbal 
“resolve” admite a substituição por resolva. 
 
(Delegado PF) 
 LÍNGUA PORTUGUESA 49 
 
Texto de base às questões 12 e 13. 
Ser ou não ser mãe é opção que todas as 
mulheres devem ter condições de fazer. Embora a 
maternidade resulte do impulso natural ao sexo, é 
absolutamente certo que a decisão de procriar independe 
da busca do prazer, ao qual, no entanto, está ligada. 
Em um país como o Brasil, onde os tabus ainda 
prevalecem sobre a ciência, mesmo nas classes sociais 
mais favorecidas, podem ocorrer situações de gravidez 
indesejada. Que se dirá então das classes pobres, onde a 
informação não chega e a miséria instalou o caos? 
A lei brasileira proíbe o aborto, com exceção dos 
casos em que a gravidez tenha resultado de estupro. Nos 
demais casos, por mais pungente que seja a situação de 
fato, é vedado à mulher escolher o destino que será dado 
a si mesma. Isso porque a nossa sociedade não assume 
suas crianças, não se responsabiliza pela miséria de 
quase todos, não se sensibiliza com o desespero alheio, 
não respeita a autodeterminação feminina. 
Analisando-se a permissão legal dada ao 
abortamento em caso de estupro, verificamos que o 
legislador preocupou-se com a natureza do ato sexual de 
que resultou a gravidez e com a violência brutal que o 
acompanhou. E julgou injusto obrigar a mulher a carregar 
em si um filho fruto de um momento que lhe causou 
horror. Esse entendimento é correto, porém insuficiente. 
Vivemos imersos na hipocrisia. Quem tem dinheiro 
faz aborto na hora que quer e como quer. Quem não tem, 
faz como pode, submetendo–se a técnicas precárias, que 
muitas vezes levam à morte. Mas, de qualquer maneira, a 
proibição legal não impede coisa alguma, apenas agrava 
a situação. 
Os princípios religiosos que fundamentam algumas 
posições contrárias à legalização do aborto devem 
prevalecer, mas apenas em relação às pessoas que 
acreditam neles. Crenças religiosas devem ser opções do 
cidadão, não imposição para todos. 
 
12. Considerando o texto, julgue os itens 
subsequentes. 
1) O texto tem por tema o exercício do direito de vida ou 
morte sobre o destino de um ser neonatal. 
2) No Brasil, principalmente nas classes sociais menos 
favorecidas, as situações de gravidez indesejada, 
seguida ou não de aborto, estão muitas vezes 
relacionadas a problemas como o abandono e a 
prostituição infantil. 
3) O assunto do texto é tratado em linguagem 
predominantemente conotativa. 
4) Para o legislador, segundo a autora do texto, a 
preocupação com os condicionantes do ato sexual de 
que resulta a gravidez importa mais que o afeto entrecriador e criatura. 
5) Ao afirmar que “Vivemos imersos na hipocrisia” 
(grifado), a autora do texto manifesta uma visão 
pessimista no tocante à conduta da classe jurídica. 
 
13. Ao avaliar a questão do aborto, a autora do texto 
julga que 
1) abortar ou não é opção feminina que só pode ser 
tomada pela mulher a partir de orientação médica. 
2) os preconceitos ainda prevalecem sobre a ciência, no 
Brasil, mesmo entre as pessoas das classes 
socioeconômicas mais abastadas. 
3) a sociedade brasileira falha com referência ao aborto; 
não respeita também a autodeterminação feminina, as 
crianças, a miséria e o desespero alheio. 
4) a proibição legal ao aborto não impede que se 
cometam transgressões de qualquer ordem; apenas 
agrava a situação. 
5) as crenças religiosas devem influenciar as decisões 
particulares dos cidadãos, e não embasar imposições 
legais para toda a coletividade. 
 
14. (PRF) 
Não podemos ignorar as mudanças que se 
processam no mundo, sobretudo a emergência de países 
em desenvolvimento como atores importantes no cenário 
internacional, muitas vezes exercendo papel crucial na 
busca de soluções pacíficas e equilibradas para os 
conflitos. 
O Brasil está pronto a dar a sua contribuição. Não 
para defender uma concepção exclusivista da segurança 
internacional. Mas para refletir as percepções e os 
anseios de um continente que hoje se distingue pela 
convivência harmoniosa e constitui um fator de 
estabilidade mundial. O apoio que temos recebido, na 
América do Sul e fora dela, nos estimula a persistir na 
defesa de um Conselho de Segurança adequado à 
realidade contemporânea. 
 
Em relação ao texto acima, julgue os itens a seguir 
1) A partícula "se" (l.1) indica um sujeito indeterminado 
para o verbo processar. 
2) Preservam-se a coerência e a correção gramatical do 
texto ao se transformar a frase nominal "como atores 
importantes" (l.3) em oração subordinada adjetiva : 
que são atores importantes. 
3) São preservadas as relações lógicas e a correção 
gramatical do texto ao se substituir o ponto final 
imediatamente antes de "Mas" (l.8) por uma vírgula e 
fazer o necessário ajuste na letra inicial maiúscula 
desse vocábulo. 
4) Subentende-se do texto que alguns países em 
desenvolvimento buscam soluções pacíficas para os 
conflitos e que o Brasil pode representar os anseios 
de uma convivência harmoniosa. 
5) Infere-se do texto que um Conselho de Segurança 
adequado à realidade contemporânea não 
corresponde a uma concepção exclusivista da 
segurança internacional. 
 
15. (PRF) 
Que minhas primeiras palavras diante deste 
Parlamento Mundial sejam de confiança na capacidade 
humana de vencer desafios e evoluir para formas 
superiores de convivência no interior das nações e no 
plano internacional. 
Em nome do povo brasileiro, reafirmo nossa 
crença nas Nações Unidas. Seu papel na promoção da 
paz e da justiça permanece insubstituível. Rendo 
homenagem ao Secretário-Geral, Kofi Annan, por sua 
liderança na defesa de um mundo irmanado pelo respeito 
ao direito internacional e pela solidariedade entre as 
nações. 
O aperfeiçoamento do sistema multilateral é a 
contraparte necessária do convívio democrático no interior 
das nações. 
50 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
Toda nação comprometida com a democracia, no 
plano interno, deve zelar para que, também no plano 
externo, os processos decisórios sejam transparentes, 
legítimos, representativos. 
(Luis Inácio Lula da Silva. Fragmento de discurso na 
abertura da 58ª Assembleia Geral da ONU. Nova 
Iorque, 23/9/2003 - com adaptações) 
 
1) A ideia expressa por "confiança" (l.2) é 
complementada, sintática e semanticamente, por duas 
outras ideias expressas no texto como: "na 
capacidade humana de vencer desafios"(l.2-3) e 
"evoluir para formas superiores de convivência no 
interior das nações e no plano internacional" (l.3-5). 
2) As estruturas linguísticas do texto permitem inferir que, 
mesmo anteriormente ao discurso, já se tinha fé nas 
Nações Unidas e no seu papel de promoção da paz e 
da justiça. 
3) Textualmente, o emprego do pronome possessivo 
"nossa" (l.6) remete à crença dos países-membros das 
Nações Unidas. 
4) Subentende-se uma oposição expressa por "interior 
das nações" (l.4-5) e "plano internacional" (l.5), 
oposição que é retomada, por coesão, com "plano 
interno" (l.15) e "plano externo" (l.15-16), 
respectivamente. 
5) A expressão "no plano interno" (l.15) está demarcada 
por vírgulas por exigência da mesma regra gramatical 
que justifica seu uso à linha 9: a inserção de uma 
circunstância. 
6) Preservam-se as relações semânticas, a coerência de 
argumentação e a correção gramatical do texto ao 
substituir "para que" (l.15) por a fim de. 
7) Por constituir um termo singular de ideia genérica, 
mantêm-se as relações de significação e a coerência 
da argumentação do texto se o termo "nação" (l.14) for 
empregado no plural - nações, mas, para preservar a 
correção gramatical do período, deve-se adequar a 
flexão de número de "Toda", "comprometida" e "deve" 
para Todas, comprometidas e devem e acrescentar 
as entre Todas e nações. 
8) Do último parágrafo do texto, a argumentação permite 
inferir uma relação de condição assim expressa: se a 
nação zela pela democracia, zela também pelo 
aperfeiçoamento do sistema multilateral. 
 
16. (PRF) 
Por obrigação profissional, vivo metido no meio de 
pessoas de sucesso, marcadas pela notável superação 
de limites. Vejo como o brilho provoca a ansiedade do 
reconhecimento permanente. Aplauso vicia. Arriscando-
me a fazer psicologia de botequim, frase de auto-ajuda ou 
reflexões vulgares da meia-idade, exponho uma 
desconfiança: o adulto que gosta de brincar e não faz 
sucesso tem, em contrapartida, a magnífica chance de ser 
mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo das 
coisas simples. O problema é que parece ridículo uma 
escola informar aos pais que mais importante do que 
gerar bons profissionais, máquinas de produção, é fazer 
pessoas felizes por serem o que são e gostarem do que 
gostam. 
(Gilberto Dimenstein. O direito de brincar In Folha de 
S.Paulo, 2/11/2001, p. C8-com adaptações) 
 
1) A opção pelo emprego do ponto de vista em primeira 
pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade e 
configura um gênero de artigo em que as opiniões são 
assumidas de forma pessoal. 
2) Expressões como "vivo metido no meio de pessoas" 
(l.1) e "psicologia de botequim" (l-4-5) denotam 
interesse em produzir um texto coloquial, informal, que 
se distancia dos gêneros próprios do discurso 
científico. 
3) No contexto, a alusão a "livro de auto-ajuda" (l.5) 
configura valorização e respeito científico a esse tipo 
de publicação. 
4) A direção argumentativa do texto defende a ideia de 
que o indivíduo tem chance de ser mais feliz quando 
persegue e alcança o sucesso, já que supera seus 
limites e os dos outros. 
 
(PF –agente) 
A vida humana como valor jurídico 
Vivemos sob a égide de uma Constituição que 
orienta o Estado no sentido da dignidade da pessoa 
humana, tendo como normas a promoção do bem 
comum, a garantia da integridade física e moral do 
cidadão e a proteção incondicional do direito à vida. Essa 
proteção é de tal forma solene que o atentado a essa 
integridade eleva-se à condição de ato de lesa-
humanidade: um atentado contra todos os homens. 
Afirma-se que a Constituição do Brasil protege a 
vida e que tudo aquilo que soa diferente é contrário ao 
Direito e por isso não pode realizar-se.Todavia, dizer que 
a vida depende da proteção da Carta Maior é 
superfetação porque a vida está acima das normas e 
compõe todos os artigos, parágrafos, incisos e alíneas de 
todas as constituintes. 
A cada dia que passa, a consciência atual, 
despertada e aturdida pela insensibilidade e pela 
indiferença do mundo tecnicista, começa a se reencontrar 
com a mais lógica de suas normas: a tutela da vida. Essa 
consciência de que a vida humana necessita de uma 
imperiosaproteção vai criando uma série de regras que 
se ajustam mais e mais com cada agressão sofrida, não 
apenas no sentido de se criar dispositivos legais, mas 
como maneira de estabelecer formas mais fraternas de 
convivência. 
Este, sim, seria o melhor caminho. Tudo isso vai 
sedimentando a ideia de que a vida de todo ser humano é 
ornada de especial dignidade, o que deve ser colocado de 
forma clara em defesa da proteção das necessidades e 
da sobrevivência de cada um. Esses direitos 
fundamentais e irrecusáveis da pessoa humana devem 
ser definidos por um conjunto de normas que possibilitem 
que cada um tenha condições de desenvolver suas 
aptidões e suas possibilidades. 
(Internetwww.dhnet.org.br/denúncia/tortura/textos/pe
rícia) 
 
17.Considerando as ideias e a estrutura do texto 
acima, julgue os itens seguintes e marque a 
alternativa correta. 
1) O texto defende que a sociedade brasileira, apesar de 
vítima da violência do contexto tecnológico atual, tem 
por valor super-afetado a proteção do direito à vida, 
garantido constitucionalmente. 
2) Entre os pilares que sustentam a Carta Magna 
brasileira – a dignidade da pessoa, o respeito ao 
cidadão, a garantia da sua integridade, o 
fortalecimento do bem comum e o resguardo do direito 
http://www.dhnet.org.br/denúncia/tortura/textos
 LÍNGUA PORTUGUESA 51 
 
à vida - , sobreleva-se este último, pela qualidade de 
incondicional. 
3) É redundante afirmar que a Constituição do Brasil dá 
especial ênfase à defesa à existência no país, uma 
vez que a vida sobreleva-se a constituições sociais e 
está pressuposta em vários dispositivos legais. 
4) O texto argumenta que é universal e incontestável a 
consciência de que urge o estabelecimento de formas 
mais fraternas de convivência no mundo atual. 
5) O texto estrutura-se de forma dissertativa, com léxico 
predominantemente denotativo, apesar de haver 
palavras empregadas em sentido conotativo, a 
exemplo de “soa”e “ornada”. 
 
(PF-agente) 
Perito, com orgulho 
Ben Hur, um senhor de aspecto venerando, 
prepara-se para comemorar os seus 86 anos de vida. 
Homem grande e de olhar calmo, perito aposentado da 
Polícia Federal, é um perito à moda antiga: entrou para a 
Polícia Federal em 1955, após um curso ministrado pelo 
PCF Villanova ( hoje, uma referência para os profissionais 
da área). 
Foram 71 anos dedicados ao serviço público, pois 
antes trabalhou como guarda civil patrulhando o trânsito 
em uma motocicleta. Uma de suas memórias mais 
queridas foi ter participado da inauguração de um dos 
maiores estádios de futebol do mundo – o Maracanã - , 
em 1950. 
A Polícia Federal foi minha casa, minha vida, 
orgulha-se o perito aposentado. Ele diz ainda que gostava 
muito do trabalho que realizava: “Fazia com muito amor e 
respeito”. Das 1.260 perícias realizadas, nenhum laudo 
cancelado. “Apenas um foi contestado, mas fui ao juiz e 
expliquei tudo. Deu tudo certo”, afirmou. 
Ben Hur lembra que as técnicas periciais eram 
outras. “A perícia no meu tempo era feita à mão. Também 
não tínhamos máquina fotográfica para auxiliar no 
trabalho”, disse ele. Entre uma lembrança e outra, não se 
esquece de elogiar seus atuais colegas. “Os peritos 
sempre foram muito respeitados”. 
Depois de tantos anos servindo a sociedade, hoje 
o perito aposentado aproveita seu descanso curtindo os 
netos, sem nunca deixar de reverenciar a querida esposa, 
falecida no início da década de 90, a quem ele, até hoje, 
dedica muito amor e carinho. 
 
18. Os fragmentos seguintes, na ordem em que são 
apresentados, correspondem a reescrituras 
sucessivas dos parágrafos do texto acima. Julgue-os 
quanto à correção gramatical e à manutenção de 
ideias originais. 
1) Ben Hur, um senhor de olhar calmo e venerável 
aparência, perito aposentado, ingressou na Polícia 
Federal à maneira de antigamente: depois de um 
curso ministrado por um profissional mais experiente 
que hoje é considerado uma referência na área da 
perícia. 
2) Ben Hur trabalhou, inicialmente como guarda-civil, 
patrulhando o trânsito de motocicleta. Desta época, 
uma de suas recordações mais queridas foi ter 
tomado parte da inauguração do Maracanã, em 1950. 
3) O perito aposentado afirmou, vaidosamente, que a 
Policia Federal era a sua casa, a sua vida, e que 
apreciava muito da atividade que realizava com amor 
e respeito. Não teve cancelado sequer um dos mil, 
duzentos e sessenta laudos periciais realizados; 
apenas uma vez foi contestado, mas ele foi ao juiz e 
explicou tudo, saindo vitorioso ao final. 
4) As técnicas periciais antigamente eram outras: a 
perícia era feita à mão, não existiam máquina 
fotográfica para auxiliar o trabalho; mesmo assim, os 
peritos sempre eram muito elogiados. 
5) Por ser uma pessoa muito afetuosa, Ben Hur serviu à 
sociedade brasileira muitos anos, e agora, 
aposentado, aproveita o descanso, para cuidar dos 
netos e lembrar da querida esposa, falecida no início 
dos anos 90, cujo carinho e amor, até hoje ele dedica 
 
(CNPq-Programa de Ação Afirmativa – Bolsas – 
Prêmio de Vocação para a Diplomacia) 
A partir das últimas décadas do século XVIII, 
quando a pintura mineira, principalmente caracterizada 
pelos forros de igrejas pintados em perspectiva ilusionista, 
evolui para o estilo rococó, com sua típica decoração em 
concheados e trama arquitetônica vazada, já os artistas 
mulatos, filhos de portugueses escravas, sobrepujavam 
em número os brancos, filhos de casais legítimos de 
portugueses ou recentemente emigrados. 
 
19. Em relação ao texto acima, julgue os itens que se 
seguem. 
1) Alteram-se as relações de sentido, mas preserva-se a 
coerência textual, ao se substituir “A partir das” por 
Nas; mas, nesse caso, torna-se obrigatória a retirada 
do advérbio “já”, para que seja também preservada a 
correção gramatical. 
2) As vírgulas logo depois de “XVIII” e de “mineira” 
demarcam um aposto de valor temporal, por isso 
nenhuma delas deve ser retirada para que o texto se 
mantenha gramaticalmente correto. 
3) O emprego da preposição em “sobrepujavam em 
número os brancos” obedece às regras de regência da 
norma padrão para o verbo sobrepujar; por isso, 
seria incorreta do ponto de vista da regência a 
seguinte estrutura: sobrepujava o número de 
brancos. 
4) Depreende-se do fragmento que o estilo rococó foi o 
primeiro estilo arquitetônico utilizado nas igrejas de 
Minas, caracteriza-se por pinturas em perspectiva 
ilusionista e apresenta decoração em forma de concha 
e trama arquitetônica vazada. 
5) O fragmento é constituído por um só período sintático; 
por isso, seus sentidos são ambíguos e pouco claros, 
o que inviabilizaria a utilização dele em 
correspondência oficial. 
 
Gabarito: 01. ECECE. 02. CECCC; 03. EEECE; 04. 
ECEEC; 05. EECCC; 06. ECCEE; 07. ECCEE; 08. 
ECCCE; 09. EECCE; 10. EECCC; 11. CECCC; 12. 
ECECE; 13. ECCCC; 14. ECCCC; 15. ECECEECE; 
16. CCEE; 17. ECEEC; 18. CEEEE; 19. EEEEE 
 
TEXTO DE BASE PARA AS QUESTÕES 20 E 21. 
Para falar de ética hoje em dia, temos de ter 
consciência de que qualquer tentativa de construir uma 
ciência dos valores terá diante de si o árduo trabalho de 
desvendar a trama da ruptura da ética com a política, a 
qual caracteriza o processo de formação da modernidade. 
Perdido o entrelaçamento profundo entre as duas esferas 
da práxis, próprio da pólis grega, e diante da crítica radical 
que a modernidade operou nos conceitos fundamentais 
52 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
da ética clássica, não sobrou espaço para uma 
construção dos laços que a uniam à política que não leve 
em conta as novas fronteiras da ação humana traçadas 
em um mundo dominado pela crítica demolidora da razão 
e pela crise que a acompanha. 
 
20. Julgue os itens que se seguem, com relação à 
coesão e ao sentido textual estabelecido no texto. 
1) O valor coesivo de "a qual" (l.5) permite inferirque o 
processo de formação da modernidade é 
caracterizado pelo distanciamento entre ética e 
política. 
2) O sentido textual induz a afirmar não só que ética e 
política representavam esferas da práxis; mas também 
que o entrelaçamento de ambas era característico da 
pólis grega. 
3) Depreende-se do texto que a política não leva em 
consideração as novas fronteiras entre os homens. 
4) A oração "que a uniam à política" mantém coesão e 
coerência com o texto ao ser reescrita como:que 
uniam tal ética à política. 
5) Não serão mantidas as relações de sentido e de 
coesão do texto ao se substituir o pronome "a" 
(grifado) pelo seu correspondente masculino o. 
 
21. Julgue os itens abaixo quanto à coerência em 
relação à argumentação do texto. 
1) A ruptura entre as duas vertentes da moderna reflexão 
acerca da ética remonta à ética clássica, em que a 
pólis grega resolvia seus conflitos políticos pelo 
caminho mais prático e ético. 
2) Um mundo dominado pela crise que acompanha a 
crítica demolidora da razão criou condições 
necessárias e suficientes para a reconstrução dos 
laços entre ética e pólis. 
3) Desvendar os fenômenos que conduziram à ruptura 
entre ética e política constitui o processo de formação 
da modernidade. 
4) Da ética clássica, a moderna concepção de ética 
herdou o entrelaçamento profundo com o conceito de 
pólis grega, sobre o qual opera o processo de uma 
modernidade racional. 
5) A construção de laços entre ética e política, em um 
mundo dominado pela crítica da razão e pela crise que 
a acompanha, somente é possível a partir da 
perspectiva das novas fronteiras da ação humana. 
 
22. (Agente PF) Julgue se os itens seguintes 
apresentam relações de sentido que 
correspondem à estrutura semântica dada pela 
fórmula genérica abaixo, em que X é uma estrutura 
linguística que expressa condição ou concessão, e 
Y é uma estrutura linguística afirmativa X, não Y 
1) Apesar da proteção da justiça e do Estado, não parece 
que a resolução dos conflitos se desvie do âmbito 
privado. 
2) Embora a nossa concepção de violência tenha sido 
ampliada, não é possível afirmar que nossa 
sensibilidade e tolerância em relação a ela estejam 
igualmente distribuídas. 
3) Se alguns autores propõem que estamos vivendo um 
movimento de pacificação progressiva da vida em 
sociedade, não estão afirmando que esse processo 
seja fácil. 
4) Não devemos pensar na pacificação da sociedade de 
forma isolada, mas sim dentro de um conceito mais 
geral das transformações econômicas que afetam o 
mundo. 
5) Violência, direitos, justiça e o papel do Estado, se 
analisados como problemas fundamentais, estão 
dentro do quadro das transformações ocorridas, não 
só econômicas como também públicas. 
 
23. Quanto à sequência lógica, julgue os itens que 
complementam com coesão e coerência o texto A 
equiparação de salário pressupõe o confronto de 
produtividade, qualitativa e quantitativamente, 
entre o trabalhador que recebe mais e o que 
recebe menos... 1) entretanto, esse confronto só será 
possível e correto caso os empregados estejam em 
serviço simultaneamente. 
2) à medida que os empregados possam estar em serviço 
simultaneamente nunca se deve confrontar a 
produtividade. 
3) consequentemente não se devem equiparar os 
vencimentos entre empregados comparando a 
produtividade. 
4) quando talvez pudessem desconsiderar as diferenças 
de qualidade e quantidade de trabalho. 
5) nem sempre se deve considerar o trabalho simultâneo 
e equivalente para fins de equiparação da 
produtividade salarial. 
 
24. (PF/Agente administrativo) 
Texto 
A proximidade não nos tem tornado mais solidários 
e amigos. À luz da crescente mercantilização das 
relações humanas, quase tudo é encarado em termos de 
lucro e benefício. Não importa que guerras fratricidas 
ameacem a existência de nações africanas. Os países 
metropolitanos continuarão fabricando e exportando 
armas – que a África não produz – e permanecerão 
insensíveis ao genocídio se, no palco das operações, não 
houver diamantes, petróleo ou qualquer outra riqueza que 
justifique a intervenção das tropas globocolonizadas, 
como ocorreu no Iraque e na Iugoslávia. 
Tendo o texto acima como referência e 
considerando o cenário mundial contemporâneo, 
julgue os itens que se seguem. 
1) Osama bin Laden, considerado inimigo público número 
1 dos norte-americanos, justamente por suas ações 
terroristas, foi capturado, julgado e executado pelos 
EUA, alguns meses após a invasão do Iraque. 
2) No texto, a substituição de “ À luz” (l.2) por Sob a luz 
prejudicaria a coerência e a correção gramatical do 
período. 
3) A ideia expressa pela palavra “ mercantilização “ (l.2), 
que é oposta à de solidariedade e à de amizade, 
articula-se com as noções de mercado e de relações 
baseadas em vantagens(...). 
4) Depreende-se das ideias do texto que somente haverá 
intervenção estrangeira para impedir ou atenuar 
guerras nos países e regiões onde existam riquezas 
que possam interessar outros países. 
5) A palavra “genocídeo” (l.7) significa extermínio 
deliberado, parcial ou total de uma comunidade, grupo 
étnico, racial ou religioso. 
6) Pelo contexto, compreende-se que a palavra “palco” 
(l.8) foi empregada em seu sentido denotativo. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 53 
 
7) Depreende-se do neologismo “globocolonizadas” que 
os exércitos que atuam nas intervenções em países 
que vivem guerras genocidas representam forças 
hegemônicas do processo de globalização. 
8) A oração “ que justifique a intervenção das tropas 
“globocolonizadas” (l.9-10) não está antecedida por 
vírgula porque expressa restrição. 
 
25. (CAIXA/adv.júnior) Texto 
Quebrar o círculo vicioso da pobreza significa 
oferecer oportunidades para as camadas de renda mais 
baixa da população, sobretudo por meio da educação de 
qualidade. O Governo Federal vem perseguindo, desde 
1995, combater a pobreza estrutural e promover a 
inclusão social, após ampliar a oferta de vagas no ensino 
fundamental. 
Desenvolvido a partir de iniciativas bem-sucedidas 
de alguns municípios brasileiros, o Programa Nacional do 
Bolsa Escola foi criado em 2001 com a proposta de se 
conceder benefício monetário mensal a milhares de 
famílias brasileiras em troca da manutenção de suas 
crianças nas escolas. O dinheiro é pago diretamente à 
população por meio de cartões magnéticos, nas agências 
da Caixa Econômica Federal, nos postos de atendimento 
do Caixa Aqui ou em casas lotéricas. 
Com referência ao texto acima, julgue os itens 
subsequentes. 
1) Com relação à tipologia textual, o texto, 
fundamentalmente descritivo, pertence ao gênero 
propaganda. 
2) A expressão “iniciativas bem-sucedidas” (l.7) é o sujeito 
sintático do período que se estende das linhas 7 a 12. 
3) Não se altera a ideia básica do texto, ao se 
complementar o sentido do vocábulo “oportunidades” 
(l.2) com a expressão de vida melhor. 
4) A forma verbal “vem perseguindo” (l.4) possui três 
complementos diretos: pobreza, inclusão e oferta de 
vagas. 
 
(PRF) Texto 
Por obrigação profissional, vivo metido no meio de 
pessoas de sucesso, marcadas pela notável superação 
de limites. Vejo como o brilho provoca a ansiedade do 
reconhecimento permanente. Aplauso vicia. Arriscando-
me a fazer psicologia de botequim, frase de livro de auto-
ajuda ou reflexões vulgares da meia-idade, exponho uma 
desconfiança: o adulto que gosta de brincar e não faz 
sucesso tem, em contrapartida, a magnífica chance de ser 
mais feliz, livre do vício do aplauso, mais próximo das 
coisas simples. O problema é que parece ridículo uma 
escola informar aos pais que mais importante do que 
gerar bons profissionais, máquinas de produção, é fazer 
pessoas felizes por serem o que são e gostarem do que 
gostam. 
(Gilberto Dimenstein. O direito de brincar) 
26. Acerca das ideias e das estruturas do texto acima, 
que aborda aspectos da sociedade 
contemporânea,e considerando as 
transformações históricas ocorridas no Brasil a 
partir do século XX, julgue os itens que se 
seguem. 
1) A opção pelo emprego do ponto de vista em primeira 
pessoa atribui ao texto certo grau de subjetividade e 
configura um gênero de artigo em que as opiniões são 
assumidas de forma pessoal. 
2) Expressões como “vivo metido no meio de 
pessoas”(l.1) e “psicologia de botequim” (l.4-5) 
denotam interesse em produzir um texto coloquial, 
informal, que se distancia dos gêneros próprios do 
discurso científico. 
3) No contexto, a alusão a “livro de auto-ajuda” (l.5) 
configura valorização e respeito científico a esse tipo 
de publicação. 
4) A direção argumentativa do texto defende a ideia de 
que o indivíduo tem chance de ser mais feliz quando 
persegue e alcança o sucesso, já que supera seus 
limites e os dos outros. 
 
Texto 
______(1)______ a globalização tem aspectos 
altamente positivos, criando pontes entre as nações, em 
substituição aos antigos muros que as separavam, e 
permitindo ______(2)______ uma ampla divulgação e 
utilização das tecnologias mais modernas. 
________(3)______ é evidente que a globalização 
pode tornar-se, em determinados casos, um elemento 
destruidor da cultura nacional e da escala de valores de 
uma sociedade. Cabe ______(4)______ ao Estado, tendo 
em vista o contexto nacional, ser um fiscal e catalisador 
eficiente do nível adequado da globalização que interessa 
ao país, abrindo a sua economia, num mundo que não 
mais admite que as nações se transformem em 
verdadeiras autarquias, 
______(5)_______ protegendo adequadamente os 
valores humanos, econômicos, intelectuais e morais do 
País e dos cidadãos. 
 
27. Quanto ao preenchimento correto das lacunas do 
texto acima, julgue os itens a seguir. 
1) O texto permaneceria correto se iniciado pela 
expressão Não há dúvida de que (1). 
2) É opcional o uso de também, entre vírgulas, em (2). 
3) Como se trata de uma oposição de ideias, é correto o 
uso de Entretanto em (3) 
4) O articulador sintático correto para (4) é conquanto. 
5) Em (5), para acentuar a oposição de ideias, seria 
correto colocar porquanto. 
 
28. (PRF) Texto 
É opinião unânime entre os analista políticos que, 
até agora, o melhor desempenho do governo Luiz Inácio 
Lula da Silva está se dando no campo diplomático. O 
primeiro grande êxito foi a intermediação do conflito entre 
o presidente venezuelano Hugo Cháves e seus 
opositores. 
O segundo grande êxito dessa política refere-se às 
negociações para a criação da Área de Livre Comércio 
das Américas (ALCA). Na última conferência da 
Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada no 
balneário mexicano de Cancum, o Itamaraty, manobrando 
habilmente nos meandros da diplomacia internacional, 
impediu que os Estados Unidos da América (EUA) 
escondessem seu protecionismo ferrenho atrás da 
propaganda do livre comércio, que constitui a justificativa 
para a formação da ALCA. O mais recente êxito de Lula 
na ordem internacional foi o discurso proferido na 
Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, 
em Nova Iorque, quando propôs a criação de um comitê 
de chefes de Estado para dinamizar as ações de combate 
à fome e à miséria em todo o mundo. 
54 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
(Plínio de Arruda Sampaio, Política Externa 
Independente, com adaptações) 
Tendo o texto por referência inicial e 
considerando situações históricas relativas à 
inserção internacional do Brasil e o quadro 
econômico mundial contemporâneo, julgue os itens 
seguintes. 
1) A substituição da expressão “está se dando (l.3) por 
vêm se dando mantém a correção gramatical e a 
coerência semântica do período. 
2) A expressão “ dessa política” (l.6) refere-se à política 
diplomática do governo de Luiz Inácio Lula da Silva 
em relação aos conflitos da Venezuela. 
3) Na linha 6, o sinal indicativo de crase deve ser mantido 
caso se prefira a redação refere-se à negociações. 
4) A palavra “ meandros” (l.10), empregada em sentido 
conotativo, confere à ideia de “ diplomacia 
internacional “ (l.11) a noção de complexidade, ou 
seja, emaranhado de processos e negociações 
sinuosas. 
5) A expressão “ferrenho” (l.12) está associada à ideia de 
implacável, duro, férreo. 
6) De acordo com as informações do texto, a justificativa 
para a formação da ALCA é o protecionismo inerente 
ao livre comércio. 
7) Os sinais indicativos de crase em “ combate à fome e à 
miséria” (l.18) podem ser eliminados sem prejuízo 
para a correção do período. 
 
29. (Agente PF) 
O valor da vida é de tal magnitude que até mesmo 
nos momentos mais graves, quando tudo parece perdido 
dadas as condições mais excepcionais e precárias – 
como nos conflitos internacionais, na hora em que o 
direito da força se instala negando o próprio Direito, e 
quando tudo é paradoxal e inconcebível -, ainda assim a 
intuição humana tenta protegê-lo contra a insânia coletiva, 
criando regras que impeçam a prática de crueldades 
inúteis. 
Quando a paz passa a ser apenas um instante 
entre dois tumultos, o homem tenta encontrar nos céus do 
amanhã uma aurora de salvação. A ciência, de forma 
desesperada, convoca os cientistas a se debruçarem 
sobre as mesas de seus laboratórios, na procura de 
meios salvadores da vida. Nas salas de conversação 
internacionais, mesmo entre intrigas e astúcias, os líderes 
do mundo inteiro tentam se reencontrar com a mais 
irrecusável de suas normas: o respeito pela vida humana. 
Assim, no âmago de todos os valores, está o mais 
indeclinável de todos eles: a vida humana. Sem ela, não 
existe a pessoa humana, não existe a base de sua 
identidade. Mesmo diante da proletária tragédia de cada 
homem e de cada mulher, quase naufragados na luta 
desesperada pela sobrevivência do dia-a-dia, ninguém 
abre mão do seu direito de viver. Essa consciência é que 
faz a vida mais que um bem: um valor. 
A partir dessa concepção, hoje, mais ainda, a vida 
passa a ser respeitada não só como um bem afetivo ou 
patrimonial, mas pelo valor ético de que ela se reveste. 
Não se constitui apenas de um meio de 
continuidade biológica, mas de uma qualidade e de uma 
dignidade que faz com que cada um realize seu destino 
de criatura humana. 
(Internet:http://www.dhnet.org.br Acesso em ago./2004 - 
com adaptações) 
Com base no texto acima, julgue os itens a seguir. 
1) O texto estrutura-se de forma argumentativa em torno 
de uma ideia fundamental e constante: a vida humana 
como um bem indeclinável. 
2) O primeiro parágrafo discorre acerca da valorização da 
existência e da necessidade de proteção da vida 
contra a insânia coletiva, por intermédio de normas de 
convivência que impeçam a prática de crueldades 
inúteis, principalmente em épocas de graves conflitos 
internacionais, quando o direito da força contrapõe-se 
à força do Direito e quando a situação se apresenta 
paradoxal e inconcebível. 
3) No segundo parágrafo, estão presentes as ideias de 
que a paz é ilusória, não passando de um instante 
apenas de tréguas entre dois tumultos, e de que, para 
mantê – la, os cientistas se desdobram à procura de 
fórmulas salvadoras da humanidade e os líderes 
mundiais se encontram para preservar o respeito 
recíproco. 
4) No penúltimo parágrafo, encontra-se uma redundância: 
a afirmação de que o soberano dos valores é a vida 
humana, sem a qual não existe a pessoa humana, 
sequer a sua identidade. 
5) O comprometimento ético para com a humanidade é 
defendido no último parágrafo do texto, que discorre 
acerca da vida não só como um meio de continuidade 
biológica, mas como a responsável pelo destino da 
criatura humana. 
 
30. (Perito Criminal Federal) Texto I 
Diversos municípios brasileiros, especialmente 
aqueles que se urbanizam de forma muito rápida, não 
oferecem à população espaços públicos para a prática de 
atividades culturais, esportivas e de lazer. A ausência 
desses espaços limita a criação e o fortalecimento de 
redes de relações sociais. Em um tecidosocial 
esgarçado, a violência é cada vez maior, ameaçando a 
vida e enclausurando ainda mais as pessoas nos espaços 
domésticos. 
(Internet:http://www.polis.org.br - com adaptações). 
Considerando o texto I, julgue os seguintes itens. 
1) A expressão “tecido social esgarçado”(l.6) está 
empregada em sentido figurado e representa a ideia 
de que as estruturas sociais estão fortalecidas em 
suas instituições oficiais. 
2) A inserção da palavra consequentemente, entre 
vírgulas, antes de “cada vez”(l.7) torna explícita a 
relação entre ideias desse período e aquelas 
apresentadas anteriormente no texto. 
3) A expressão “ainda mais”(l.8) reforça a ideia implícita 
de que há dois motivos para o enclausuramento das 
pessoas: a falta de espaços públicos que favoreçam 
as relações sociais com atividades culturais, 
esportivas e de lazer e o aumento da ameaça de 
violência. 
 
31. (Perito Criminal Federal) Texto II 
Entre os primatas, o aumento da densidade 
populacional não conduz necessariamente à violência 
desenfreada. Diante da redução do espaço físico, criamos 
leis mais fortes para controlar os impulsos individuais e 
impedir a barbárie. Tal estratégia de sobrevivência tem 
lógica evolucionista: descendemos de ancestrais que 
tiveram sucesso na defesa da integridade de seus grupos; 
os incapazes de fazê-lo não deixaram descendentes. 
Definitivamente, não somos como os ratos. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 55 
 
(Dráuzio Varella Internet: 
www.drauziovarella.com.br. -com adaptações). 
Acerca dos textos I e II , julgue os itens a seguir. 
1) Tanto no texto I como no II, a questão do espaço físico 
como um dos fatores intervenientes no processo de 
intensificação da violência é vista sob o prisma da 
densidade populacional excessiva. 
2) Como a escolha de estruturas gramaticais pode 
evidenciar informações pressupostas e significações 
implícitas, no texto II, o emprego da forma verbal em 
primeira pessoa – “criamos” (l.3) – autoriza a 
inferência de que os seres humanos pertencem à 
ordem dos primatas. 
3) Por funcionar como um recurso coesivo de substituição 
de ideias já apresentadas, no texto II, a expressão “Tal 
estratégia de sobrevivência”(l.5) retoma o termo 
antecedente “violência desenfreada” (l.2 – 3. UnB-
CESPE)A MAIOR RIQUEZA É O CONHECIMENTO 
 
TEXTO l 
A televisão é o meio que mais influi no atual 
estágio da sociedade brasileira, graças à excelência de 
nosso sistema de telecomunicações, à penetração das 
cadeias nacionais de televisão e, também, à facilidade de 
recepção da imagem e sua decodificação num país com 
tão grande número de iletrados e tão pouco interesse pela 
cultura escrita. A TV difunde primordialmente a pronúncia 
padrão e o vocabulário básico do Centro-Sul, salvo nas 
reportagens locais e nas caracterizações de personagens 
regionais, em que se percebem as variedades Norte-Sul, 
campo-cidade. A massa poderosa de informações 
veiculadas por este meio eletrônico deve ser integrada no 
processo escolar, para que se aproveitem suas múltiplas 
possibilidades de motivação e sensibilização. 
 
32. Considerando o texto I, julgue os itens que se 
seguem. 
1) Infere-se do texto que a facilidade de recepção e de 
decodificação da imagem explica, em grande parte, o 
poder da influência da televisão. 
2) A televisão é responsável pelo grande número de 
iletrados e pelo pouco interesse pela cultura escrita 
verificado entre os estudantes. 
3) A excelência do sistema brasileiro de telecomunicações 
explica por si só a grande influência exercida pela 
televisão no atual estágio da sociedade brasileira. 
4) A escola deveria aproveitar o potencial pedagógico 
contido nas informações difundidas pela televisão. 
5) O acento grave indicador da crase antes de facilidade 
na L4 está correto, pois é complemento de graças L2. 
 
33. Considerando o texto I, julgue os itens que se 
seguem. 
1) percebem na L11 está no plural pois tem como sujeito 
personagens regionais L10. 
2) caracterizações L10 está no plural pois refere-se a 
reportagens L9. 
3) Pode-se substituir para que L14 por a fim de que sem 
prejuízo da compreensão do texto e sem provocar 
incorreção gramatical. 
4) Seriam mantidos a correção gramatical e o sentido 
original do texto se a última oração fosse assim 
reescrita: para que sejam aproveitadas suas 
múltiplas possibilidades de motivação e 
sensibilização. 
5) Se fosse acentuado com o acento grave indicador da 
crase o as antes de variedades (L11), seria mantida a 
correção gramatical. 
 
34. Os fragmentos abaixo são parágrafos de um texto 
ordenados aleatoriamente. 
I) Para isso, é bom saber em que aspectos cruciais, 
críticos, o mundo está mudando – e com isso pode 
afetar a sua carreira, a sua empresa, as suas 
escolhas. 
II) Pois bem: nada será como antes. Mas isso não quer 
dizer que será pior. Nem melhor. Quer dizer que será 
diferente. Quem vai fazer seu futuro ser melhor ou pior 
– eis uma das coisas que não mudam nunca – será 
você. 
III) Curiosamente, repetir à exaustão que tudo está 
mudando é uma forma de preservar a rotina. A 
observação fica relegada ao campo do discurso, 
continua-se a agir como se foi ensinando a agir e, 
quando isso não dá os mesmos resultados que 
costumava, passa-se ao terreno das queixas. Pense 
na expressão “nada será como antes”, ela é usada 
como um tom de ameaça ou de nostalgia. Como se 
“antes” fosse o certo, o natural, o bom. 
IV) É o que mais se fala: a globalização, a revolução 
tecnológica, a ansiosa busca da competitividade 
mudaram para sempre o mundo dos negócios e, por 
consequência direta, as nossas vidas profissionais. 
V) O problema, quando um discurso se torna assim tão 
generalizado, é que tendemos a repeti-lo 
mecanicamente, sem realmente prestar atenção no 
seu real significado. Tendemos a tratar o assunto 
como se fosse alheio a nós mesmos:”É o mundo que 
está mudando, é a economia que está começando a 
funcionar de outra forma.” 
Considerando que a organização textual pressupõe a 
ordenação dos parágrafos de maneira lógica e 
coerente, julgue os seguintes itens. 
1. Introduzido por uma expressão que supõe um referente 
anterior, o fragmento I é inadequado como parágrafo 
introdutório. 
2. Pela situação contextual e por conter as expressões 
“Pois bem” e “você”, o fragmento II contém 
incoerência sintática. 
3. Por sua extensão e sua estrutura, o fragmento III pode 
se caracterizado como parágrafo de desenvolvimento 
temático. 
4. O fragmento IV contém ideias abrangentes, embora 
não as desenvolva ou as detalhe. 
5. Para se constituir um texto dissertativo com cinco 
parágrafos organizados adequadamente a partir dos 
fragmentos apresentados, é correta a utilização da 
seguinte sequência: IV, V, III, II, I. 
A partir da pergunta O novo tipo de relação trabalhista 
(contrato temporário) vai colaborar para a criação 
de mais empregos?, foram emitidas duas opiniões, a 
seguir transcritas parcialmente. Leia-as para 
responder às questões de 35 a 37. 
Opinião A – de Paulo Paiva (Ministro do Trabalho) 
Os investimentos propiciados, já por quatro anos 
ininterruptos, pelo Plano Real, o apoio às micros e 
pequenas empresas, a qualificação em massa de 
trabalhadores e a adequação legislativa à realidade de 
mercado, são eixos fundamentais para a criação de 
empregos que vêm sendo incentivados pelo governo 
Fernando Henrique Cardoso. O contrato de trabalho por 
http://www.drauziovarella.com.br/
56 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
prazo determinado e o denominado banco de horas são 
importantes instrumentos para estimular a geração e a 
preservação de empregos. 
O projeto trata de dois simples e novos 
mecanismos rumo à modernização das leis trabalhistas. 
Atualização que todos os atores sociais relevantes 
consideram como indispensáveis para a inserção 
competitiva do Brasil no comércio internacional. De fato, 
taismedidas vem sendo observadas na sociedade 
brasileira. 
Opinião B – de João V. Neto (Vice-presidente da CUT) 
O mercado de trabalho no Brasil já é um dos mais 
flexíveis do mundo e também apresenta um dos mais 
baixos custos do trabalho. Somos um dos países com as 
piores desigualdades de renda do planeta. Segundo 
dados oficiais (PNAD/IBGE-95), os 10% mais ricos do 
país detém cerca de 48,1% do total de rendimentos 
mensais de todos os ocupados. 
Essa enorme concentração de renda está 
associada diretamente à imensa flexibilidade do mercado 
de trabalho. (...) A informatização só tem crescido. 
Segundo o Ministério do Trabalho, entre 90 e 96, 
foram eliminados cerca de 2,06 milhões de empregos no 
mercado formal de trabalho.(...) 
Sejamos francos. O que gera postos de trabalho 
são as necessidades reais de produção. O que gera 
emprego não é facilidade para demitir, mas mais 
investimentos. 
“Economia & Trabalho”. In: Correio Braziliense, 
14/1/98, p.19 (com adaptações) 
35. Analisando comparativamente os fragmentos das 
duas opiniões sob o foco do estilo utilizado na 
língua escrita, em relação à falada, julgue os itens 
a seguir: 
1. A opinião A apresenta maior objetividade e 
impessoalidade que a B, pois esta contém marcas de 
subjetividade. 
2. A opinião B é superior à opinião A no aspecto referente 
à clareza da mensagem, devido à simplicidade do seu 
vocabulário e da sua sintaxe. 
3. A opinião A apresenta maior correção gramatical, uma 
vez que não registra qualquer desvio à norma culta da 
língua. 
4. A coerência da opinião A é superior à da opinião B, 
porque esta faz alusão àquela, e a recíproca não é 
verdadeira. 
5. A coesão, derivada do uso de conectivos, na opinião B 
é superior à evidenciada na opinião A, porque nesta 
não são empregados elementos relacionais. 
 
36. Ainda comparando os fragmentos das duas 
respostas em relação à pergunta formulada, julgue 
os itens abaixo: 
1. .A relação de coerência entre pergunta e resposta e a 
fidelidade aos fatos são critérios qualitativos 
observados tanto na opinião A quanto na B. 
2. Maior conhecimento do tópico da pergunta – ―novo 
tipo de relação trabalhista‖ – e tangenciamento ao 
ponto fulcral do problema – “criação de mais 
empregos‖- são observados na opinião A 
3. Os “atores sociais relevantes” (em A) desempenham 
papéis de liderança, como a exercida pelo autor da 
opinião B. 
4. .Como forma de provocação, encontra-se, na opinião B, 
uma alusão ao local de trabalho e ao exercício 
profissional do autor da opinião A. 
5. .Na opinião A, predomina a função emotiva da 
linguagem; na B, a função apelativa. 
 
37. Evidenciando a compreensão das ideias expostas 
nas duas opiniões, julgue os itens seguintes. 
1. Na opinião A, aparecem cinco exemplos de ações 
desenvolvidas pelo governo que favorecem a geração 
de empregos. 
2. Segundo a opinião B, os investimentos citados em A 
são insuficientes, porque vêm de encontro às 
necessidades de produção. 
3. A opinião A evidencia que o governo está convicto de 
que o novo tipo de contrato de trabalho é importante 
não só para a criação de novos empregos quanto para 
a preservação dos já existentes. 
4. A opinião B, fundamentada em dados estatísticos de 
organismo governamental, associa a má distribuição 
de renda à carência de empregos no mercado formal 
de trabalho. 
5. Embora divirja de partes da opinião A, a opinião B 
responde afirmativamente à pergunta proposta. 
 
(Escrivão PF)Texto de base às questões 38 e 39. 
Lembremos que a modernidade se caracteriza não 
apenas por um novo modo de produção e de vida, mas 
também por uma nova forma de relacionamento entre os 
homens na sociedade, o que influi até mesmo no 
julgamento que fazemos uns dos outros. Essa forma de 
relacionamento, que vem desde a Revolução Industrial, é 
intermediada pelo trabalho, e os parâmetros para julgar as 
pessoas são o dinheiro e a propriedade. 
Entretanto, trabalho e dinheiro não estão 
disponíveis para todos. Em cidades superpopulosas, em 
meio às crises das indústrias, frequentemente os 
trabalhadores se veem sem meios de sobreviver. Essa 
relação entre os homens é, portanto, uma relação 
desigual, em que geralmente os trabalhadores estão em 
desvantagem, já que não possuem meios estáveis de 
sobrevivência e dependem de empregadores. 
 
38. Com respeito às ideias do texto, julgue os itens a 
seguir. 
1) A argumentação do texto reforça a ideia de que os 
parâmetros do dinheiro e da propriedade são justos e 
igualitários. 
2) O segundo parágrafo é um comentário que apresenta 
ideias desfavoráveis à situação apresentada no 
primeiro. 
3) O emprego do tempo e modo verbais de “Lembremos” 
(l.1) indica uma sugestão para o raciocínio que se 
segue. 
4) A expressão “mas também” introduz a 
complementação da ideia iniciada pela expressão 
antecedente “não apenas”. 
5) Pelas relações semânticas, a estrutura linguística 
localizada após a última vírgula do texto corresponde 
ao seguinte esquema: não possuem meios estáveis 
de sobrevivência já que dependem de empregadores. 
 
39. Julgue os itens seguintes, a respeito das 
estruturas linguísticas empregadas no texto. 
 LÍNGUA PORTUGUESA 57 
 
1) A substituição de “Lembremos” (l.1) por Lembremo-
nos de provoca erro gramatical. 
2) O trecho “que vem desde a Revolução Industrial”, está 
entre vírgulas por se tratar de uma oração explicativa. 
3) A palavra “meio” e seu plural “meios” sugerem a ideia 
de incompletude para a expressão “cidades 
superpopulosas” , a que se referem. 
4) O emprego do sinal indicativo de crase antes de 
“crises” indica que aí está presente também o artigo 
definido feminino plural as. 
5) Se o pronome relativo “que”(grifado) for substituído por 
qual, a preposição que o antecede deve ser 
substituída por na . 
 
40. (Escrivão PF) No texto abaixo, cada item indicado 
corresponde à expressão em negrito que o 
antecede. Julgue se cada uma dessas expressões 
está, no texto, gramaticalmente correta. 
O fato de a 1( ) polícia agir violentamente contra 
as pessoas classificadas como suspeitas anula um dos 
direitos básicos da vida em 2( ) democracia: o de ser 
considerado inocente até que prove se 3( ) o contrário. 
Todos os trâmites 4( ) legais que envolvem a 
investigação, o processo e a possível condenação são 
substituídos pelo julgamento e pela execução sumária da 
pena, mediante à 5( ) decisão isolada e arbitrária do 
policial. 
 
(Escrivão-PF)Texto de base às questões 41 e 42. 
A maioria dos comentários sobre crimes ou se 
limitam a pedir de volta o autoritarismo ou a culpar a 
violência do cinema e da televisão, por excitar a 
imaginação criminosa dos jovens. Poucos pensam que 
vivemos em uma sociedade que estimula, de forma 
sistemática, a passividade, o rancor, a impotência, a 
inveja e o sentimento de nulidade nas pessoas. Não 
podemos interferir na política, porque nos ensinaram a 
perder o gosto pelo bem comum; não podemos tentar 
mudar nossas relações afetivas, porque isso é assunto de 
cientista; não podemos, enfim, imaginar modos de viver 
mais dignos, mais cooperativos e solidários, porque isso é 
coisa de “obscurantista, idealista, perdedor ou ideológico 
fanático” , e o mundo é dos fazedores de dinheiro. 
Somos uma espécie que possui o poder da 
imaginação, da criatividade, da afirmação e da 
agressividade. Se isso não pode aparecer, surge, no 
lugar, a reação cega ao que nos impede de criar, de 
colocar no mundo algo de nossa marca, de nosso desejo, 
de nossa vontade de poder. Quem sabe e pode usar – 
com firmeza, agressividade, criatividade e afirmatividade – 
a sua capacidade de doar e transformar a vida, raramente 
precisa matar inocentes, de maneira bruta. 
Existem mil outras maneiras de nos sentirmos 
potentes, de nos sentirmos capazes de imprimir um curso 
à vida que não seja pela força das armas, da violência 
física ou da evasão pelas drogas, legais ouilegais, pouco 
importa. 
Jurandir Freira Costa In: Quatro autores em 
busca do Brasil 
41. Acerca das ideias do texto V, julgue os seguintes 
itens. 
1) Muitos acreditam que a censura aos meios de 
comunicação seria uma forma de reduzir a violência 
entre jovens. 
2) A argumentação do texto põe em confronto atitudes 
possíveis: uma que se caracteriza por passividade e 
impotência ; outra, por resistência criativa. 
3) O trecho “Não podemos... dinheiro” apresenta 
exemplificações que funcionam como argumentos 
para a afirmação do período que o antecede. 
4) Infere-se do texto que o autor culpa a violência do 
cinema e da televisão pela disseminação da violência 
nos dias atuais. 
5) De acordo com as ideias defendidas no texto, as 
formas positivas de dar sentido à vida e experimentar 
a sensação de poder vinculam-se à maneira como se 
usa a capacidade de doação e de transformação. 
 
42. Julgue os itens a seguir, a respeito do emprego 
das estruturas linguísticas do texto. 
1) É obrigatório o emprego da forma verbal 
“limitam”(grifado) para concordar com o sujeito da 
oração. 
2) As relações semânticas entre os dois primeiros 
períodos do texto permitiram iniciar o segundo período 
com a conjunção No entanto. 
3) O pronome indefinido “Poucos” (grifado) refere-se a 
jovens de imaginação criminosa. 
4) O emprego das aspas (“de obscurantista ... 
até...fanático”) indica a simulação de comentários de 
outras pessoas, retomadas pelo autor. 
5) Antes da forma verbal “Somos”, seria coerente com as 
ideias do texto introduzir, para o fim de articulação 
sintática entre os parágrafos, a expressão Em 
consequência disso. 
 
(Escrivão PF) Texto de base às questões 43 e 44. 
No nosso cotidiano, estamos envolvidos com a 
violência que tendemos a acreditar que o mundo nunca foi 
tão violento como agora: pelo que nos contam nossos 
pais e outras pessoas mais velhas, há dez, vinte ou trinta 
anos, a vida era mais segura, certos valores eram mais 
respeitados e cada coisa parecia ter o seu lugar. 
Essa percepção pode ser correta, mas precisamos 
pensar nas diversas dimensões em que pode ser 
interpretada. Se ampliarmos o tempo histórico, por 
exemplo, ela poderá se mostrar incorreta. 
Embora a violência não seja um fenômeno dos 
dias de hoje, pois está presente em toda e qualquer 
sociedade humana, sua ocorrência varia no grau, na 
forma, no sentido que adquire e na própria lógica nos 
diferentes períodos da História. O modo como o homem a 
vê e a vivencia atualmente é muito diferente daquele que 
havia na Idade Média, por exemplo, ou em outros 
períodos históricos em outras sociedades. 
Andréa Buoro et al. Violência urbana – dilemas e 
desafios 
43. Com relação ao emprego das estruturas 
linguísticas do texto VI, julgue os itens abaixo. 
1) Por referir ao sujeito da oração iniciada com 
“tendemos” , a forma verbal no infinitivo “acreditar” 
poderia ser empregada flexionada: acreditarmos. 
2) Se, em lugar do pronome plural “nos”, fosse 
empregado o singular, me, o verbo que o segue 
deveria ser empregado no singular: conta. 
3) A forma verbal “parecia ter”, empregada no singular, é 
gramaticalmente invariável: mesmo que o sujeito fosse 
plural, ele teria de ser empregada no singular. 
58 LÍNGUA PORTUGUESA 
 
4) Se o trecho “toda e qualquer sociedade humana” fosse 
reescrito no plural, ter-se-ia: todas e qualquer 
sociedades humanas. 
5) Se “O modo” (grifado) for empregado no plural, é 
obrigatória a substituição do restante do sujeito por 
como os homens a veem e a vivenciam. 
 
44. Julgue os seguintes itens, a respeito do emprego 
dos sinais de pontuação no texto. 
1) Pela função que desempenha no texto, o sinal de dois 
pontos depois de “agora” corresponde à ideia de pois, 
colocado entre vírgulas. 
2) Para melhorar a clareza do texto, sem ferir a correção 
gramatical, deveria ser introduzido o termo atrás, 
entre vírgulas, imediatamente após a palavra “anos”. 
3) Pelo seu sentido textual, a oração entre vírgulas “pois 
está presente em toda e qualquer sociedade humana”, 
poderia ver entre parênteses. 
4) Se a oração “pois está presente em toda e qualquer 
sociedade humana” fosse retirada do texto, seria 
também obrigatória a retirada da ambas as vírgulas 
que a isolam. 
5) A inserção de uma vírgula após “períodos históricos” 
alteraria as relações semânticas entre essa expressão 
e “outras sociedades”. 
 
Gabarito: 20. ECECC; 21. EEEEE; 22. CCCEE; 23. 
CEEEE; 24. EECCCECC; 25. EECE; 26. CCEE; 27. 
CCCEE; 28. EEECCEC; 29. CCECE; 30. ECE; 31. ECE; 
32. CCEEC; 33. EEEEC; 34. CECCC; 35. CCEEE; 36. 
CCCEE; 37. EECCE; 38. ECCCC; 39. ECECC; 40. 
CCECE; 41. CCCEC; 42. ECECE; 43. EEEEE; 44. 
CECEC 
 
CONHECIMENTOS GERAIS 1 
CONHECIMENTOS GERAIS 
Inclui questões das últimas provas 
Bruno Santos 
 
CONTEÚDO: 
TÓPICOS RELEVANTES E ATUAIS DE DIVERSAS 
ÁREAS, tais como segurança, transportes, política, 
economia, sociedade, educação, saúde, cultura, 
tecnologia, energia, relações internacionais, 
desenvolvimento sustentável e ecologia, suas inter-
relações e suas vinculações históricas. ...................... 1 
O NORDESTE BRASILEIRO: geografia, atividades 
econômicas, contrastes intra-regionais, o polígono das 
secas e as características das regiões naturais do 
Nordeste; o Nordeste no contexto nacional. ............. 31 
O BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A: legislação 
básica, programas e informações gerais de sua 
atuação como agente impulsionador do 
desenvolvimento sustentável da região Nordeste. ... 41 
Questões de provas anteriores ....................................... 63 
 
 
NOTÍCIAS INTERNACIONAIS E LOCAIS 
MADURO ASSUME “RESPONSABILIDADE” POR 
CRISE ECONÔMICA DA VENEZUELA 
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, 
reconheceu nesta segunda-feira (30) sua 
“responsabilidade” na crise econômica que aflige o país e 
estimou precisar de dois anos para “conseguir” uma 
recuperação com “alto nível de estabilidade”. 
Apesar de sua enorme riqueza em recursos 
naturais, especialmente petróleo, a Venezuela atravessa 
uma severa crise econômica, resultando em uma 
escassez de alimentos básicos e remédios, má prestação 
dos serviços públicos e uma altíssima inflação, que o 
Fundo Monetário Internacional (FMI) estima fechar em 
1.000.000% neste ano. 
 
SECRETÁRIO-GERAL DA ONU APELA PARA QUE 
PAÍSES SE UNAM CONTRA O TRÁFICO 
Ao pedir que os países se unam contra o tráfico 
humano, o secretário-geral da Organização das Nações 
Unidas (ONU), o português António Guterrez, ressaltou 
que os traficantes se beneficiam da esperança e do 
desespero principalmente de mulheres e meninas. O 
apelo se deu no Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, 
que ocorreu nesta segunda-feira (30). 
De acordo com a Organização Internacional do 
Trabalho (OIT), 21 milhões de pessoas são vítimas de 
trabalho forçado no mundo. O cálculo inclui vítimas de 
tráfico humano que sofrem, inclusive, exploração no 
trabalho e sexual. 
 
EUA INVESTIRÃO US$ 113 MILHÕES NA ÁSIA 
 
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike 
Pompeo, anunciou que o governo norte-americano irá 
investir US$ 113 milhões (cerca de R$ 419,7 milhões) em 
iniciativas energéticas, tecnológicas e de infraestrutura na 
Ásia. 
A medida é uma tentativa de resistir à crescente 
influência da China nesta área. Pompeo afirmou que os 
novos fundos representam o compromisso econômico do 
país com a paz e prosperidade na região. 
 
PROIBIÇÃO DO USO DE VÉU LEVA A PROTESTO 
CONTRA DISCRIMINAÇÃO 
A proibição do uso de qualquer peça que cubra o 
rosto, incluindo a burca e o nicabe, vestimentas islâmicas, 
entrou em vigor nesta quarta-feira (1) na Dinamarca. A 
legislação dinamarquesa segue exemplo do que ocorre na 
França, Bélgica, Bulgária, Letônia, Áustria e regiões da 
Suíça, Itália e Alemanha. 
A multa pela desobediência pode chegar a mil 
euros. Porém, as muçulmanas da Dinamarca resolveram 
enfrentar a lei e protestar. Convocaram para esta quarta-
feirauma manifestação pacífica em favor da liberdade 
religiosa e do direito de usar os trajes do Islã. 
 
VATICANO MODIFICA CATECISMO E DECLARA 
‘INADMISSÍVEL’ A PENA DE MORTE 
O Papa Francisco aprovou a modificação do 
Catecismo católico para declarar “inadmissível” a pena de 
morte e indicou o compromisso da Igreja em encorajar 
sua abolição no mundo todo, informou nesta quinta (2) a 
Santa Sé. 
Na modificação se assinala que “durante muito 
tempo o recurso à pena de morte por parte da autoridade 
legítima, depois de um devido processo, foi considerado 
uma resposta apropriada à gravidade de alguns crimes e 
um meio admissível, embora extremo, para a tutela do 
bem comum”. 
 
COPA DO MUNDO: RÚSSIA 2018 
A Copa do Mundo de Futebol de 2018 vai ser 
disputada na Rússia, o maior país do mundo, entre os 
dias 14 de junho e 15 de julho. O torneio terá a 
participação de 32 nações, incluindo o Brasil, com jogos 
em 11 cidades e 12 estádios. 
A definição da sede da 21ª edição do torneio 
aconteceu em dezembro de 2010, em uma disputa com 
outras três candidaturas de países europeus: Inglaterra; 
Portugal e Espanha; Holanda e Bélgica. Na mesma 
ocasião, ficou definido que o Catar vai receber a Copa de 
2022. 
Ao todo, serão disputados 64 jogos nas cidades de 
Moscou, São Petersburgo, Samara, Kazan, 
 CONHECIMENTOS GERAIS 2 
Ecaterimburgo, Sochi, Kaliningrado, Saransk, Volgogrado, 
Rostov e Nizhny Novgorod. A capital Moscou vai receber 
jogos em dois estádios. 
 
Participantes 
As 32 seleções participantes, com exceção da 
Rússia, conseguiram a vaga na Copa do Mundo de 2018 
por meio de competições continentais eliminatórias. A 
Rússia ganhou a vaga por ser o país-sede do evento, 
assim como aconteceu com o Brasil na Copa de 2014. 
A Federação Internacional de Futebol (FIFA) 
determina a quantidade de vagas para cada continente. 
Veja: 
África: 5 vagas (Tunísia, Nigéria, Marrocos, 
Senegal e Egito) 
Ásia: 4 vagas + 1 repescagem (Irã, Japão, Coreia 
do Sul, Arábia Saudita + Austrália) 
América Central e do Norte: 3 vagas + 1 
repescagem (México, Costa Rica, Panamá + Honduras) 
América do Sul: 4 vagas + 1 repescagem (Brasil, 
Uruguai, Argentina, Colômbia + Peru) 
Europa: 13 vagas (França, Portugal, Alemanha, 
Sérvia, Polônia, Inglaterra, Espanha, Bélgica, Islândia, 
Suíça, Croácia, Suécia e Dinamarca) 
Oceania: 1 vaga repescagem (Nova Zelândia) 
No caso da Copa do Mundo de 2018, ficaram 
definidos os seguintes confrontos pela repescagem: 
-América Central e do Norte (Honduras) x Ásia 
(Austrália): Austrália vencedor 
-América do Sul (Peru) x Oceania (Nova Zelândia): 
Peru vencedor 
A Austrália compete nas eliminatórias asiáticas por 
ter um nível muito superior aos seus vizinhos de 
continente. Para se ter uma ideia, quando a Austrália 
competia nas eliminatórias da Oceania, era comum um 
placar de 30 a 0. O mesmo acontece na América do Sul, 
onde Guiana Francesa, Guiana e Suriname competem 
pela América Central. 
 
Brasil está no grupo E, junto com Suíça, Costa Rica e 
Sérvia 
 
Jogos 
As 32 seleções classificadas para a Copa do 
Mundo da Rússia foram divididas em oito grupos. O 
Brasil está no grupo E junto com Suíça, Costa 
Rica e Sérvia. O primeiro jogo do Brasil será no dia 17 de 
junho contra a Suíça, o segundo no dia 22 de junho contra 
a Costa Rica e, no dia 27 de junho, faz o último jogo da 
fase de grupos contra a Sérvia. 
Os dois primeiros lugares de cada grupo se 
classificam para a fase eliminatória, popularmente 
chamada de mata-mata, na qual duas equipes se 
enfrentam para decidir quem avança para a próxima 
etapa. A primeira fase eliminatória são as oitavas de final, 
depois vem a semifinal e, por fim, a tão esperada final, 
que será realizada no dia 15 de julho em Moscou. 
 
TERROR NA EUROPA 
Atentados reivindicados pelo Estado Islâmico 
foram cometidos no Reino Unido, na Suécia, na França e 
na Espanha. Episódios de islamofobia proliferaram pelo 
continente. Logo após os atentados de 11 de setembro de 
2001, que atingiram o Pentágono e destruíram os edifícios 
do World Trade Center, o presidente norte-americano 
George W. Bush declarou uma campanha de "Guerra ao 
Terror", anunciando uma mobilização nunca antes vista 
para combater o terrorismo. Desde então, o mundo 
presenciou uma escalada de guerras, ocupações militares 
e investimentos em tecnologia bélica com a justificativa de 
combate às ações terroristas. A ameaça a populações 
civis, no entanto, ainda permanece. 
 
GUERRA CIVIL NA SÍRIA CONTINUA 
 
O conflito, que dura desde 2011, ainda está longe 
de ter fim. Em março, o governo sírio foi acusado de 
utilizar armas químicas na cidade de Khan Sheikhoun: 
mais de 80 pessoas morreram. Apesar do Estado Islâmico 
ter perdido a maior parte dos territórios conquistados no 
Iraque e na Síria, a situação política ainda é de 
instabilidade. Enquanto os Estados Unidos apoiam os 
grupos políticos contrários ao presidente sírio Bashar Al-
Assad, a Rússia defende sua permanência à frente do 
governo do país árabe. 
 
UM CONFLITO NUCLEAR À VISTA? 
 
Após a Coreia do Norte realizar testes com armas 
nucleares e mísseis balísticos, os Estados Unidos 
aumentaram as ameaças contra o regime de Kim Jong-
un. Por enquanto, o conflito ainda não passa de trocas de 
bravatas entre o ditador norte-coreano e Donald Trump: 
https://s4.static.brasilescola.uol.com.br/img/2018/02/GRUPOS_COPA.JPG
CONHECIMENTOS GERAIS 3 
analistas consideram que a estratégia de Kim é aumentar 
as ameaças para conseguir melhores acordos bilaterais e 
relaxamento dos embargos econômicos. Apesar de se 
auto-denominar um país socialista, a ideologia que 
governa a Coreia do Norte é chamada de Juche, e está 
ligada ao culto da personalidade do líder coreano. 
 
TEMPO DE FURACÕES 
Uma sequência de furacões — Harvey, 
Irma, Maria e Nate — causou destruição em países do 
Caribe e nos Estados Unidos: Porto Rico, que é 
considerado um território norte-americano, foi um dos 
locais mais afetados pelos furacões. De acordo com 
cientistas, mudanças climáticas contribuíram para a fúria 
dessa temporada de furacões. 
 
ATAQUE HACKER 
Em junho, o vírus Wanna Cry invadiu 
computadores de instituições privadas e públicas de 
quase 150 países. No Brasil, servidores da Previdência 
Social foram afetados pelo ataque. A invasão ocorreu em 
virtude de uma falha no sistema operacional do Windows, 
que se tornou pública após vazamentos de informações 
sobre uma ferramenta sigilosa utilizada pela Agência de 
Segurança Nacional dos Estados Unidos, a NSA. Após o 
ataque, novos episódios de infecções em massa foram 
registrados em diferentes partes do mundo. 
 
O FIM DA MISSÃO CASSINI 
Chegou ao fim a missão da sonda que coletou 
informações sobre Saturno e suas luas. Foram 13 anos 
de descobertas no planeta mais charmoso do Sistema 
Solar, em uma das missões espaciais mais produtivas da 
história. O projeto conjunto da NASA e da ESA consistiu 
em dois elementos principais: a sonda Huygens e o 
orbitador Cassini. Lançada em 1997, a missão Cassini-
Huygens revolucionou o conhecimento sobre Saturno, 
suas 62 luas e oito grupos de anéis. 
 
NACIONAL 
BRASÍLIA EM CHAMAS 
Em maio, a publicação de uma conversa gravada 
entre o empresário Joesley Batista, um dos donos da 
JBS, e o presidente Michel Temer aprofundou a crise 
política entre os Três Poderes. Teve de tudo: o senador 
Aécio Neves (PSDB/MG), candidato derrotado às eleições 
presidenciais de 2014, também teve seu nome envolvido 
nas investigações e chegou a ser afastado de seu cargo 
pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após duas 
denúncias conduzidas por Rodrigo Janot, ex-Procurador 
Geral da República, Michel Temer se safou de ser julgado 
pelo STF graças a votações favoráveis na Câmara dos 
Deputados. 
 
GOVERNO BRASILEIRO EXINGUE A RENCA (E 
VOLTA ATRÁS) 
Em agosto, decreto publicado por Michel Temer 
extinguiu a Reserva Nacional de Cobre e Associados 
(Renca), área de 47 mil quilômetros quadrados localizada 
entreo Amapá e o Pará. A região, que tem o tamanho do 
estado do Espírito Santo, ficaria livre para ser 
explorada por empresas que realizam atividades de 
mineração. A sociedade civil obrigou o governo a recuar: 
a Justiça do Amapá declarou que a decisão promulgada 
por Temer era inconstitucional. Em setembro, um novo 
episódio da tensão crescente na Amazônia: a Fundação 
Nacional do Índio (Funai) denunciou um massacre 
cometido por garimpeiros contra uma aldeia isolada. 
 
ESTADO QUEBRADO 
Sem receitas, o Rio de Janeiro enfrenta uma das 
piores crises de sua história, com atrasos recorrentes no 
pagamento de funcionários públicos e aumento da 
violência urbana. Parecer técnico divulgado pelo Tesouro 
Nacional no início de setembro recomendava que o 
estado do Rio de Janeiro privatizasse as universidades 
públicas estaduais para ajudar nas metas de equilíbrio 
fiscal propostas pelo Ministério da Fazenda — em ranking 
publicado pela revista britânica Times Higher Education, a 
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) foi 
considerada a 13ª melhor instituição do país. 
 
SATÉLITE VERDE E AMARELO 
Lançado em maio, o primeiro satélite 
geoestacionário brasileiro será utilizado para 
comunicação estratégica e ampliação da banda 
larga em regiões remotas do país. A Embraer e a 
Telebras uniram forças para estimular o setor espacial do 
país e absorveram tecnologia francesa para a construção 
do satélite. 
 
CRISE NAS CADEIAS 
Séries de massacres e rebeliões em penitenciárias 
nas regiões Norte e Nordeste no início de 2017 expõem a 
falência do sistema carcerário do país. Em setembro de 
2015, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) 
reconheceu que as prisões brasileiras descumprem 
preceitos fundamentais da Constituição e precisam de 
reformas. A população carcerária brasileira é a quarta 
maior do mundo, com mais de 600 mil pessoas privadas 
de liberdade. 
 
OS OBSTÁCULOS POLÍTICOS DE TEMER EM 2017 
Em seu segundo ano no comando do Palácio do 
Planalto, o presidente Michel Temer terá o desafio de driblar, 
em 2017, uma série de obstáculos políticos para manter a 
governabilidade e ter força no Congresso Nacional para 
aprovar reformas como a previdenciária e a trabalhista, 
avaliam analistas ouvidos pelo G1. 
O peemedebista, que assumiu a Presidência após o 
impeachment de Dilma Rousseff, vira o ano com um cenário 
político nebuloso. 
No horizonte do presidente da República, há 
preocupações com os imprevisíveis desdobramentos das 
delações premiadas dos executivos da Odebrecht, com o 
processo em andamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) 
que pode cassar o mandato dele e com os baixíssimos 
índices de popularidade que ele tem registrado nos últimos 
meses. 
Temer foi citado no pré-acordo de delação 
premiada do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da 
Odebrecht Cláudio Melo Filho. Segundo o ex-dirigente da 
empreiteira, o presidente pediu, em 2014, R$ 10 milhões para 
campanhas do PMDB. Os fatos são investigados pela 
Operação Lava Jato. 
Além disso, o TSE apura se a chapa formada por 
Dilma Rousseff e Temer para a eleição presidencial de 2014 
cometeu abuso de poder econômico e se beneficiou do 
esquema de corrupção que atuou na Petrobras. Se o tribunal 
concluir que sim, Temer poderá ser afastado da Presidência. 
Segundo pesquisa Ibope, Temer tem aprovação de 
13% dos entrevistados. De acordo com o instituto 
 CONHECIMENTOS GERAIS 4 
Datafolha, apenas 10% dos entrevistados avaliam como 
ótima ou boa a gestão do peemedebista. 
Em meio a este ambiente político em crise é que o 
governo buscará aprovar no Congresso Nacional, ao longo de 
2017, as propostas de reforma previdenciária, com idade 
mínima de 65 anos para homens e mulheres poderem se 
aposentar, e trabalhista, com 12 pontos que poderão ser 
negociados entre patrões e empregados e, em caso de 
acordo, passarão a ter força de lei. 
 
ODEBRECHT 
A maior delação da Lava Jato trouxe à tona relações 
promíscuas entre empresas e políticos. Os delatores falaram 
em nome de um sistema ilegal, do qual eles faziam parte, e 
dizem ter contaminado quase todas as campanhas eleitorais 
no Brasil. 
Foi assim que muitos ex-executivos da Odebrecht 
explicaram o uso do caixa dois, que são doações não 
contabilizadas e não declaradas à Justiça Eleitoral. 
A delação de Marcelo Odebrecht descreve a relação 
do caixa dois e a corrupção nas campanhas eleitorais. 
“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha 
conseguido fazer qualquer eleição sem caixa dois. O caixa 
dois era três quartos, o que eu estimo. Não existe ninguém no 
Brasil eleito sem caixa dois. O cara até pode dizer que não 
sabia, mas recebeu dinheiro do partido que era caixa dois. 
Não existe, não existe; era um círculo vicioso que se criou. 
Tanto é assim que, na hora que resolveram cancelar, o que 
se começou a discutir a mais, teve que aumentar o fundo 
partidário para início de conversa. A eleição ficou agora mais 
barata. Não tinha como. Não existe. O político que disser que 
não recebeu caixa dois está mentindo”, disse Marcelo 
Odebrecht. 
Marcelo Odebrecht também tratou do financiamento 
de campanha em outro depoimento, ao juiz Sérgio Moro. Ele 
relacionou as doações a uma troca vantajosa para 
empresários e políticos, e disse que pedidos, sejam legítimos 
ou ilegítimos, geravam expectativa de contrapartidas. 
 “Essa questão de eu ser um grande doador, de eu ter 
esse valor, no fundo, é o quê? É também abrir portas. Apesar 
de não vir um pedido específico, é o que eu digo: toda relação 
empresarial com um político infelizmente era assim, 
especialmente quando se podia financiar, os empresários iam 
pedir. Por mais que eles pedissem pleitos legítimos, 
investimentos, obras, geração de empregos, no fundo, tudo 
que você pedia, sendo legítimo ou não, gerava uma 
expectativa de retorno. Então, quanto maior a agenda que eu 
levava, mais criava expectativa de que eu iria doar tanto”, 
disse. 
Apesar de ser tratado com naturalidade pelos 
delatores, o caixa dois tem pena prevista em lei. É 
enquadrado como falsidade na prestação de contas, no artigo 
350 do Código Eleitoral, que prevê até cinco anos de prisão e 
multa para quem omitir informações em documento público 
ou particular. 
O ex-ministro do Supremo Carlos Ayres Britto foi 
taxativo ao condenar o caixa dois. 
"O caixa dois é um caixa espúrio, irregular, 
correspondendo a ingresso intencionalmente não 
contabilizado, é falsidade ideológica, é falsidade documental, 
é omissão ilícita de valores, recursos, serviços, e tudo mais 
que se traduza em pecúnia. É hora da reação e o Brasil agora 
chegou o seu momento de passar a si mesmo a limpo", disse. 
Mais de 70 políticos, entre deputados, senadores e 
ministros tiveram inquéritos abertos no Supremo com base 
nas delações da Odebrecht. E um terço é suspeito de ter 
recebido via caixa dois. 
Delatores afirmaram que em muitos casos o caixa 
dois está ligado ao crime de corrupção, e tem pena bem 
maior: 12 anos. O próprio Marcelo Odebrecht já tinha dito à 
Justiça que pagar fora da contabilidade pode ser uma 
contrapartida num esquema de corrupção. 
Na delação, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Mello 
Filho afirma que a empresa não tinha como garantir o que os 
políticos faziam com o dinheiro. 
“O motivo do pedido era, a pretexto, doação de 
campanha. Agora quero deixar claro pra senhora: eu não 
posso afirmar se ele foi usado pra doação de campanha. 
Nem eu nem a empresa pode afirmar isso, entendeu?”, disse. 
Outro ex-funcionário da Odebrecht explicou que não 
importava a motivação. 
Hilberto Mascarenhas trabalhava no setor de 
propinas, um departamento criado pela construtora para 
esses pagamentos. A ordem era executar sem questionar. 
“Não há porque entrar no mérito do porque pagar. 
Não nos era dito. Se a gente perguntasse, a resposta era 
muito simples: Não é da sua conta isso. Sua conta é pagar o 
que foi autorizado pra quem de direito. Cabou”, disse. 
O presidente da Associação dos Juízes Federais do 
Brasil(Ajufe) defende punição rigorosa ao caixa dois. 
"Todos aqueles que utilizam o caixa dois deveriam ser 
condenados e ter os madatos caçados, porque se trata de 
crime de falsidade ideológica. A pessoa recebeu o dinheiro e 
não declarar. E muitas vezes esse recebimento, por baixo 
dele, está o crime de corrupção, porque a pessoa recebe o 
dinheiro supostamente para gastar nas esleições, mas ele 
recebe, na verdade, uma propina. Um dinheiro vindo da 
corrupção", explica Roberto Veloso, presidente da Ajufe. 
 
RANKING DA CORRUPÇÃO 
Estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pela entidade 
Transparência Internacional aponta que o Brasil fechou o ano 
de 2016 em 79º lugar entre 176 países em ranking sobre a 
percepção de corrupção no mundo. Além do Brasil, estão 
empatados em 79º lugar Bielorrússia, China e Índia. 
O ranking leva em consideração a percepção que a 
população tem sobre a corrupção entre servidores públicos e 
políticos. Quanto melhor um país está situado no ranking, 
menor é a percepção da corrupção por seus cidadãos. 
A pontuação do ranking vai de 0 (extremamente 
corrupto) a 100 (muito transparente). Segundo o estudo da 
Transparência Internacional, o índice brasileiro em 2016 é 40 
– dois pontos a mais do que em 2015, quando foi 38. Apesar 
da melhora na pontuação, em 2016, o Brasil caiu três posições 
em comparação com 2015. 
"O país [Brasil] mostrou que, através do trabalho 
independente de organismos responsáveis pela 
aplicação da lei, é possível responsabilizar publicamente 
aqueles antes considerados intocáveis." 
Para a entidade, a posição do Brasil no ranking caiu 
"significativamente" nos últimos anos devido aos escândalos 
de corrupção que envolvem políticos e empresários, como os 
revelados pelas investigações da Operação Lava Jato. 
"Apesar disso, o país mostrou neste ano (2016) que, 
através do trabalho independente de organismos 
responsáveis pela aplicação da lei, é possível responsabilizar 
publicamente aqueles antes considerados intocáveis", diz a 
entidade. 
http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/ranking-de-corrupcao-coloca-brasil-em-76-lugar-entre-168-paises.html
CONHECIMENTOS GERAIS 5 
 
Ranking do Índice de Percepção da Corrupção, da 
Transparência Internacional (Foto: Editoria de Arte / G1) 
 
Ranking 
Os países que lideram o ranking da corrupção são 
Dinamarca e Nova Zelândia, com índice de transparência de 
90. Entre os cinco países mais bem avaliados também estão 
Finlândia (com 89 pontos), Suécia (com 88) e Suíça (com 86 
pontos). 
A entidade destaca que, embora nenhum país esteja 
livre de corrupção, os países mais bem avaliados no ranking 
"compartilham características de governo aberto, liberdade de 
imprensa, liberdades civis e sistemas judiciais 
independentes". 
De acordo com o ranking da Transparência 
Internacional, a Somália, com 10 pontos no ranking, é o país 
com maior percepção de corrupção dentre as nações 
analisadas. O país africano ocupa a última posição no ranking 
pelo décimo ano consecutivo. 
Em um comunicado, a Transparência Internacional 
cita que 69% dos 176 países analisados no estudo tiveram 
pontuação menor que 50. Isso, segundo a entidade, expõe 
"quão universal e sólida é a corrupção do setor público em 
todo mundo". 
"Neste ano mais países caíram no índice do que 
melhoraram, mostrando a necessidade de ação urgente", 
afirma o relatório. 
Ao citar exemplos de casos de corrupção nos últimos 
anos, a Transparência Internacional cita o escândalo da 
Petrobras, investigado pela Operação Lava Jato; os 
escândalos que levaram à queda e à fuga do ex-presidente 
da Ucrânia Viktor Yanukovych em 2014; e escândalos de 
corrupção na FIFA, que investigam, entre outros pontos, a 
compra de votos na escolha de sedes da Copa do Mundo. 
 
Metodologia 
Para estabalecer o Índice de Percepção de 
Corrupção, a Transparência Internacional reúne dados de 
várias fontes diferentes que fornecem percepções de 
empresários e peritos de países do nível de corrupção no 
setor público. 
Cada fonte de dados que é usada para construir o 
Índice de Percepção de Corrupção deve preencher os 
seguintes critérios para se qualificar como uma fonte válida: 
 Deve ter uma pesquisa que quantifica 
percepções de corrupção no setor público 
 Deve basear-se numa metodologia confiável e 
válida, que pontue e classifique vários países 
na mesma escala 
 Deve ter sido realizada por uma instituição 
confiável e que tenha repetido ou venha a repetir a 
pesqusa regularmente 
O ranking de 2016 levou em conta 13 pesquisas 
diferentes de 12 instituições que tenham analisado a 
percepção da corrupção nos últimos dois anos (leia ao final 
desta reportagem quais foram as instituições utilizadas na 
pesquisa). 
Para que um país seja classificado no ranking, ao 
menos três diferentes fontes devem ter analisado a 
percepção de corrupção daquele país. A pontuação de 
determinado país é feita pela média de todas as fontes que o 
analisaram. 
Veja as pesquisas utilizadas pela Transparência 
Internacional para elaborar o ranking de corrupção: 
 African Development Bank Governance Ratings 
2015 
 Bertelsmann Foundation Sustainable 
Governance Indicators 2016 
 Bertelsmann Foundation Transformation Index 
2016 
 Economist Intelligence Unit Country Risk Ratings 
2016 
 Freedom House Nations in Transit 2016 
 Global Insight Country Risk Ratings 2015 
 IMD World Competitiveness Yearbook 2016 
 Political and Economic Risk Consultancy Asian 
Intelligence 2016 
 Political Risk Services International Country Risk 
Guide 2016 
 World Bank - Country Policy and Institutional 
Assessment 2015 
 World Economic Forum Executive Opinion 
Survey (EOS) 2016 
 World Justice Project Rule of Law Index 2016 
 Varieties of Democracy (VDEM) Project 2016 
 
VIOLÊNCIA E SEGURANÇA 
O Brasil bateu recorde no número de homicídios 
em 2016, chegando a mais de 61 mil assassinatos no 
ano. Isso coloca o tema Violência e Segurança no centro 
dos debates, e, portanto, dos concursos públicos. 
Esse é um tema bastante amplo, que pode ser 
especificamente tratado sobre os seguintes prismas: 
 Política de drogas 
 Controle de armas 
 Atuação e reforma das polícias 
 Educação para a paz 
 Midiatização da violência 
 
MINORIAS 
Tal qual o tema da violência, falar sobre minorias 
permite apontar para vários tópicos: 
 Direito das mulheres 
 Direito dos negros e indígenas 
 CONHECIMENTOS GERAIS 6 
 Direitos de pessoas LGBT 
 Direitos da criança e do adolescente 
 Direitos do idoso 
 Direito dos portadores de necessidades 
especiais 
Uma minoria, de acordo com o sociólogo Mendes 
Chaves, pode ser definida assim: 
“Um grupo de pessoas que de algum modo e em 
algum setor das relações sociais se encontra numa 
situação de dependência ou desvantagem em relação a 
um outro grupo, ‘maioritário’, ambos integrando uma 
sociedade mais ampla. As minorias recebem quase 
sempre um tratamento discriminatório por parte da 
maioria.” 
Os casos de racismo, violência contra a mulher e 
falta de inclusão social no país fortalecem a atenção para 
esses temas. 
 
AUTOESTIMA, DEPRESSÃO E ANSIEDADE 
Enquanto as redes sociais inflam a criação de 
mundos artificiais, na realidade do cotidiano muitas 
pessoas o sofrimento emocional é um gigante a ser 
vencido. 
Você sabia que o consumo de 
antidepressivos aumentou 74% nos últimos seis anos no 
Brasil? Esse é um fenômeno contemporâneo que está 
sendo cada vez mais discutido. 
 
MEIO AMBIENTE 
Parece repetitivo, mas a preservação do meio 
ambiente será cada vez mais prioritário nos próximos 
anos, e 2018 não fica de fora disso. 
Podemos falar sobre o Brasil (desmatamentos e 
poluição), mas também sobre o mundo. A atuação de 
países como Estados Unidos e China é cada vez mais 
decisiva para tornar o país mais ou menos habitável. 
Primeiro, é bom compreender o ato político mais 
importante na área ambiental nos últimos anos, a saída 
dos Estados Unidos do Acordo de Paris. 
 
RIO +20 
 
O Rio +20 é aConferência das Nações 
Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, que 
ocorreu entre os dias 13 e 22 de junho de 2012 no Rio 
de Janeiro. O evento recebeu esse nome como 
comemoração do aniversário de 20 anos da Rio 92, a 
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento. A ideia era propor decisões para 
o desenvolvimento sustentável nas próximas 
décadas. 
A conferência tinha o objetivo de estabelecer o 
comprometimento político com o desenvolvimento 
sustentável, implementar processos e avaliar resultados 
pertinentes ao tema. 
 
Os principais temas são: 
 A economia verde no contexto do 
desenvolvimento sustentável e da erradicação da 
pobreza; 
 A estrutura institucional para o desenvolvimento 
sustentável. 
Dos dias 13 a 15 de junho ocorreu a III Reunião 
do Comitê Preparatório com a presença de governantes 
para negociar os documentos usados na Conferência. 
Entre os dias 16 e 19 de junho foram realizados eventos 
com a sociedade civil. 
Entre 20 e 22 de junho, foi realizado o Segmento 
de Alto Nível da Conferência, com a presença de diversos 
membros e chefes de estado de todo o mundo. Foram 
aproximadamente 193 estados-membros que 
compareceram ao local com diversos participantes de 
variadas áreas da sociedade civil. 
 
Fatos Ocorridos durante a Conferência do Rio +20 
 O presidente Mahmoud Ahmadinejad 
tentou se aproximar dos Brics com um encontro com 
a presente Dilma Rousseff, mas a reunião não 
aconteceu. 
 O presidente Barack Obama não 
compareceu. Assim como Angela Merkel e David 
Cameron, respectivamente chanceler da Alemanha e o 
primeiro-ministro do Reino Unido. 
 O Rio de Janeiro decretou 3 dias de feriado 
durante o evento para evitar trânsito e muitos transtornos. 
No entanto, a cidade precisa se preparar, pois nos 
próximos anos o Rio de Janeiro irá sediar Os Jogos 
Olímpicos e a Copa do Mundo. 
 As 59 maiores cidades do mundo acordaram 
a decisão de reduzir mais de 1 bilhão de toneladas das 
emissões de carbono até 2030. 
 
ECONOMIA. 
CRISE ECONÔMICA MUNDIAL E LOCAL 
 
1
a
 Fase: A criação e difusão das hipotecas 
subprime foi resultado, grosso modo, do processo de 
intensificação da concorrência bancária e financeira 
verificada durante a década de 1990. Mais 
especificamente, esta década foi marcada pelo 
enfraquecimento das fronteiras dos espaços de atuação 
entre bancos e instituições financeiras não bancárias, e 
também pelos rendimentos relativamente baixos dos 
mercados tradicionais de crédito (empréstimos a firmas, 
consumidores e governos). Neste período, o acirramento 
das pressões competitivas teve como um de seus 
resultados a articulação entre inovações financeiras nos 
contratos hipotecários e processos de securitização. Tal 
articulação possibilitou, por sua vez, a expansão do 
sistema de financiamento imobiliário americano em 
direção a operações de maior risco associadas ao grupo 
subprime. A expressão subprime está referida a um 
enorme contingente de tomadores até então excluídos do 
http://www.okconcursos.com.br/apostilas/apostila-gratis/113-atualidades-para-concursos/1243-rio-20
CONHECIMENTOS GERAIS 7 
mercado de crédito. Esse grupo incluía tomadores sem 
histórico de crédito, tomadores sem comprovação de 
renda, contudo com bom histórico de pagamento e até 
mesmo tomadores de crédito com registros de 
inadimplência. Conforme dito, as hipotecas foram 
viabilizadas, pelo lado dos credores, pela combinação de 
inovações financeiras com processos de securitização. 
Nesse quadro, a transformação de operações de crédito 
extremamente arriscadas em títulos bem avaliados por 
agências de classificação de risco respeitadas resultou 
em um aumento significativo da oferta de crédito. 
2 Fase: Nos países ricos, o retrocesso no ritmo de 
expansão apresenta-se ainda mais evidente. A partir de 
2009, o ritmo médio de expansão anual do conjunto de 
países representados pelos Estados Unidos, Japão e da 
União Europeia passou a ser de apenas 38% do 
observado na fase anterior à crise de dimensão global. A 
situação mais grave ocorre no conjunto dos países 
constitutivos da chamada zona do euro, que em 2014 
ainda não conseguiu retornar ao nível da produção 
estabelecido em 2008. Os Estados Unidos, por exemplo, 
registram crescimento médio anual de menos da metade 
do apresentado até 2008, enquanto o Japão apontou para 
apenas 33% do que se contabilizou no período anterior à 
crise. 
Mesmo nos países que constituem os BRICS 
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), houve 
também influência negativa da crise de dimensão global. 
Antes de 2008, o crescimento médio anual era de quase 
8%, ao passou que decaiu para quase 5% a partir de 
2009. Isto é, 60% da taxa de expansão verificada no pré-
crise. 
O melhor desempenho dos BRICS entre os 
períodos considerados ocorreu na Índia, que registra após 
2009 o crescimento médio anual equivalente a 89% da 
taxa de expansão da produção verificada até o ano de 
2008. Na sequência, constata-se o caso da China, com 
variação média anual de 8,6% entre 2009 e 2004 ante 
10,4% registrada no período de 2000 – 2008. Ou seja, 
17% menor na fase pós 2008 do que o período 
imediatamente anterior. O pior desempenho desde o ano 
de 2009 foi verificado na Rússia, que apresenta ritmo de 
crescimento médio anual de somente 16% do verificado 
entre 2000 e 2008. Na sequência da Rússia, observa-se a 
África do Sul, cujo crescimento médio anual foi 60% 
inferior desde 2009 se comparado ao estabelecido entre 
os anos de 2000 e 2008. 
3
a
 Fase: Em seu último relatório, o órgão reduziu 
sua previsão para o crescimento global em 2014 para 
3,3% (0,4% a menos que em abril) e 3,8% em 2015. O 
banco de investimentos americano Goldman Sachs prevê 
que a economia mundial tenha crescido 3% em 2014 e vá 
crescer 3,4% neste ano. A Economist Intelligence Unit 
(EIU), consultoria ligada à revista britânica The 
Economist, calcula a taxa de crescimento de 2,2%, em 
2014, e 2,9%, em 2015. "Na comparação com a crise 
financeira de 2008, o cenário para 2015 não é 
encorajador". 
Uma diferença em relação aos anos anteriores é 
que 2015 começa com o preço do barril de petróleo 
valendo quase a metade do verificado em 2014. Em 
meados de dezembro o preço do barril caiu para baixo 
dos US$ 65 (R$ 170) e, de acordo com muitos analistas, 
poderia cair para US$ 50 (R$ 135) já no primeiro 
semestre de 2015. O cenário é desalentador para os 
exportadores da matéria-prima, como Rússia, Equador e 
Venezuela, para as ações das petroleiras e para os 
balanços dos bancos expostos a essas empresas. Mas 
por todo o mundo o efeito tende a ser positivo. Nos anos 
70 e 80, o preço elevado do petróleo produziu crises 
globais. No final do século 20 e começo do 21, com o 
petróleo a níveis baixos, a economia mundial cresceu. É 
desejável, portanto, o preço da commodity se mantenha 
próximo dos níveis atuais, dizem analistas. Mas o petróleo 
não é a solução de todos os problemas: o crescimento da 
economia global não depende apenas de seu preço. 
Calculamos que para cada 10 centavos a menos 
no preço do petróleo, a economia mundial cresce 0,1%. 
Se o valor do barril se mantiver a esse nível, o impacto na 
economia será de 0,3%. É um fator positivo, mas não 
resolve todos os problemas econômicos globais. Mesmo 
em uma zona de livre comércio como a União Europeia, 
pode ter um efeito deflacionário contraproducente, Mike 
Jakeman, analista da EIU Global. "Calculamos que para 
cada 10 centavos a menos no preço do petróleo, a 
economia mundial cresce 0,1%. Se o valor do barril se 
mantiver a esse nível, o impacto na economia será de 
0,3%. É um fator positivo, mas não resolve todos os 
problemas econômicos globais. Mesmo em uma zona de 
livre comércio como a União Europeia, pode ter um efeito 
deflacionário contraproducente". 
 
Crescimento chinês em 2014 
 
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da 
China desacelerou no terceiro trimestre, ficando em 7,3%, 
o mais baixo em cinco anos, apesar de os economistas 
ressaltaremuma estabilização da segunda potência 
econômica mundial. Segundo dados do Escritório 
Nacional de Estatísticas (ONS), o PIB chinês registrou 
uma expansão de 7,3% entre julho e setembro, o nível 
mais baixo desde o primeiro trimestre de 2009. No 
segundo trimestre, o crescimento foi de 7,5%. O dado do 
terceiro trimestre é superior à média de 7,2%, prevista por 
um painel de 17 analistas entrevistados pela AFP.Nos 
primeiros nove meses, a economia chinesa cresceu 7,4%, 
segundo ONS, abaixo da meta do governo de 7,5% para 
o ano. 
A economia chinesa acusa uma redução da bolha 
imobiliária, os efeitos de uma vasta campanha 
anticorrupção e a fragilidade da demanda da Europa. É 
quase certo que o dado vai suscitar dúvidas sobre a força 
da economia mundial, mas autoridades econômicas 
chinesas e vários analistas deram rapidamente uma 
imagem positiva das perspectivas do país. "A economia 
registrou uma dinâmica de crescimento estável nos três 
primeiros trimestres de 2014", afirmou a ONS em um 
comentário, admitindo que "o meio tanto interno como 
externo continua muito difícil e nosso desenvolvimento 
econômico enfrenta inúmeros desafios". 
"A desaceleração se explica em parte pelos 
contratempos inesperados e dolorosos provocados pelas 
reformas estruturais em curso", explicou Sheng Laiyun, 
porta-voz da ONS. O governo de Pequim tem o objetivo 
 CONHECIMENTOS GERAIS 8 
de reequilibrar o modelo econômico, reduzindo os 
monopólios dos grandes grupos públicos e as sobre 
capacidades industriais, dando um papel maior ao setor 
privado e reduzindo a dívida privada. E isso apesar de o 
crescimento econômico ter de ressentir-se um pouco. 
 
Produção industrial se fortalece 
Depois de um crescimento de 7,7% em 2012 e em 
2013 - um nível que não se via desde 1999 -, os analistas 
entrevistados pela AFP preveem um crescimento este ano 
de 7,3%, o que seria o pior resultado do país em 25 anos. 
A deterioração da conjuntura e a desaceleração da 
atividade no início do ano levaram Pequim a adotar no 
ano passado medidas seletivas - reduções fiscais e 
flexibilização monetária limitada - para incentivar os 
empréstimos às pequenas empresas. Mas este "miniplano 
de relançamento" se viu rapidamente ofuscado por vários 
indicadores econômicos divulgados posteriormente. 
Segundo o órgão, a produção industrial cresceu 8% em 
setembro, muito mais que em agosto (6,9%). 
 
Reunião do G-20 em 2015 
 
Autoridades financeiras do Grupo dos 20 devem 
rejeitar uma proposta para definir metas específicas de 
investimentos para países para impulsionar uma 
economia global que parece cada vez mais dependente 
dos Estados Unidos para crescer. A reunião de ministros 
das Finanças e presidentes de bancos centrais em 
Istambul acontece ao mesmo tempo em que a Grécia 
coloca uma nova sombra sobre a Europa, o petróleo 
barato causa distúrbios na inflação e projeções de 
crescimento e um dólar cada vez mais fortalecido 
ameaçam economias emergentes. O vice-primeiro-
ministro Ali Babacan disse que a Turquia que tem a 
presidência do G-20 em 2015, prefere definir metas 
vinculantes de investimento nacional, mas parece que 
enfrenta dificuldades em ganhar apoio. O Secretário do 
Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, disse na semana 
passada que os EUA não podem ser "o único motor de 
crescimento", e uma autoridade norte-americana sênior 
disse que a mensagem de Washington novamente será 
de que a Europa não está fazendo o suficiente. A 
Alemanha, com seu volumoso superávit em conta 
corrente e um orçamento equilibrado, tem sido 
pressionada em sucessivos encontros do G20 para gastar 
mais. 
Os líderes das principais economias do mundo 
acertaram no ano passado que lançariam novas medidas 
para elevar o crescimento do Produto Interno Bruto 
coletivo em 2 pontos percentuais adicionais ao longo dos 
próximos cinco anos acima do nível projetado em 2013. A 
promessa, chamada de Plano de Ação de Brisbane, reúne 
cerca de 1.000 compromissos, que agora devem ser 
reduzidos para um número mais administrável para sua 
execução. Cumprir essas promessas poderia adicionar 
mais de 2 trilhões de dólares à economia global e criar 
milhões de novos empregos durante os próximos quatro 
anos, disse a chefe do Fundo Monetário Internacional, 
Christine Lagarde. 
 
Durante a VI Conferência de Cúpula dos BRICS 
(julho de 2014) – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, 
China e África do Sul, foi anunciado o acordo que 
oficializa a criação do chamado Novo Banco de 
Desenvolvimento (NBD). Os BRICS - países emergentes 
considerados subdesenvolvidos, mas que, nas últimas 
décadas, apresentaram um crescimento industrial alto. 
Pertencem ao grupo: Brasil, Rússia, Índia, China e, mais 
recentemente, África do Sul. O banco foi criado com o 
objetivo de financiar projetos de infraestrutura em países 
emergentes. 
O projeto do banco dos BRICS vem sendo 
discutido desde 2012. No ano passado, em Durban, na 
África do Sul, os cinco países deram sinal verde tanto 
para essa iniciativa. O NBD foi criado à semelhança do 
Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). 
O NBD vai ter capital inicial de US$ 50 bilhões, divididos 
igualmente entre os membros fundadores. Entretanto, 
esse valor pode chegar a US$ 100 bilhões. Os 
empréstimos também poderão ser concedidos a países 
emergentes fora dos BRICS. 
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido 
Mantega, os países terão prazo de sete anos para 
disponibilizar o valor, em parcelas crescentes. No caso do 
Brasil, o aporte virá de recursos do Tesouro. O acordo 
também permite que novos países se associem ao banco. 
Entretanto, os cinco fundadores deverão manter um 
mínimo de 55% de participação conjunta. A Índia terá o 
direito de indicar o primeiro presidente e, a Rússia, o 
presidente do Conselho de Governadores. A China 
venceu a disputa para sediar a instituição, que ficará em 
Xangai. A África do Sul vai sediar o Centro Regional 
Africano do banco. Pelos termos do acordo, haverá 
rotatividade na presidência do banco. 
 
CRISE POLÍTICA NO BRASIL 
Desde 2016 o Brasil vive o momento de maior 
instabilidade política e econômica da sua história recente. 
Tivemos o impeachment de Dilma Rousseff, a Operação 
Lava-Jato (que denunciou um esquema de pagamentos 
de propinas bilionárias envolvendo grandes empresas e 
vários partidos políticos) e demais escândalos envolvendo 
vários políticos (ministros, deputados, senadores e o atual 
presidente da República, Michel Temer, acabaram 
arrolados nas denúncias sobre corrupção e pagamento de 
propinas). 
 
PREVIDÊNCIA SOCIAL 
O Congresso Nacional discute este ano uma 
reforma na Previdência Social do Brasil, um dos pontos 
mais polêmicos e importante para o país tentar amenizar 
a atual crise econômica. Muitas pessoas hoje 
consideram a previdência social (que é uma poupança 
CONHECIMENTOS GERAIS 9 
feita pelo governo para garantir ao cidadão uma renda ao 
parar de trabalhar) como um grande problema por gerar 
muitos custos para a máquina pública. Entretanto é 
preciso lembrar que esse sistema garante uma vida digna 
para os inativos – e impulsiona o consumo para essas 
classes. 
O problema começa quando o sistema é mal 
gerido e a economia não é forte o suficiente para pagar a 
própria previdência. O caso do Brasil é bastante 
dramático, pois a renda per capta (se você não sabe o 
que é isso, é muito baixa, e a população economicamente 
inativa vai passar a crescer cada vez mais. Há também 
uma falta de regulação de contribuição e pagamentos 
entre o funcionalismo público e empregados da iniciativa 
privada. Os dados mostram que um servidor aposentado 
custa o triplo de um empregado privado. 
 
RACISMO NO BRASIL E NO MUNDO 
Os últimos anos foram marcados pelo grande 
número de casos de racismo que ganharam forte 
repercussão no país e no mundo. Alguns pela barbárie, 
como o atirador que entrou numa igreja e matou nove 
pessoas nos Estados Unidos, outros pela exposição, 
como o caso da jornalista da TV Globo Maria Júlia 
Coutinho, a Maju,atacada pelo Facebook. 
 
OS NOVOS PROBLEMAS DE PRIVACIDADE NA 
INTERNET 
O assunto parece batido, mas se prestarmos 
atenção às notícias dos últimos dois anos vemos que as 
discussões têm ganhado grandes proporções. Um 
exemplo é a Justiça brasileira, que em 2016 tentou várias 
vezes bloquear o aplicativo de conversas WhatsApp. Em 
todas elas, a justificativa da Justiça para suspender 
temporariamente o serviço foi a mesma: a empresa não 
teria liberado uma troca de mensagens que supostamente 
ajudariam a comprovar os culpados de algum crime. 
 
SOCIEDADE. 
 
O governo federal publicou duas medidas 
provisórias (MPs) 664 e 665 que alteram as regras da 
concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas. 
Entre eles, a concessão do seguro-desemprego, do 
abono salarial, auxílio-doença e pensão por morte. As 
medidas alteraram as concessões dos benefícios, com o 
intuito de inibir fraudes e gerar uma economia de R$ 18 
bilhões ao ano a partir de 2015, segundo informou o 
ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante. Se prazo, o 
benefício passa a ser contado a partir dos 31º dia, tem 
data de início, para fins de pagamento. Se ele der entrada 
a partir do 46º dia, esse benefício, terá validade a partir do 
requerimento no INSS, o que o leva a ficar sem receber 
do 31º até o 46º dia, quando o INSS assume o 
pagamento." 
 
 
A maioridade penal durante o período colonial de 
1830 foi instaurado no Brasil com o advento do primeiro 
Código Criminal do Império, uma tradição Europeia a fim 
de que haja rigor na legislação brasileira, bem como 
punição aos infratores de delitos. Essa sistemática 
estendeu-se por décadas, porém houve a inobservância a 
inimputabilidade do menor, somente com o advento do 
Decreto nº 847 promulgado em 11 de outubro de 1890 
sob o comando do Chefe de Governo Provisório da 
República dos Estados Unidos do Brazil - General Manoel 
Deodoro da Fonseca, constituído pelo Exército e Armada, 
em nome da Nação, tendo ouvido o Ministro dos Negócios 
da Justiça, houve o reconhecimento e a urgente 
necessidade de reformar o regime penal, incluindo uma 
preocupação específica à maioridade penal quanto à 
inimputabilidade. Diante desse contexto o código 
Republicano determinava a inimputabilidade absoluta aos 
menores de nove anos completos onde o objetivo 
principal e primário estava centrado na garantia e 
proteção do menor. 
Os direitos peculiares ao menor de idade era uma 
preocupação de décadas vista pelos juristas, médicos e a 
sociedade. Já no início do século XX uma luta árdua 
nesse contexto para que haja uma lei que amparasse as 
crianças e adolescentes e com ações do Estado que 
visassem à moralização e proteção as crianças e 
adolescentes, ou melhor, os infanto-juvenis. Durante o 
período de 1872 a 1899, havia um acentuado índice de 
mortalidade, ainda um aumento da população 
correspondente a 279%, e um aumento do índice de 
 CONHECIMENTOS GERAIS 10 
crianças que morriam ao nascer que alcançou 7,7% entre 
os anos de 1895 e 1899. 
No Brasil foi criado o Decreto nº 17.943 de 12 de 
outubro de 1927 o primeiro Código intitulado como Código 
de Menores, composto de 123 artigos, conhecido como 
Código Mello Mattos, realizado por uma comissão 
chefiada pelo jurista José Cândido de Mello Matos, no 
qual visava além da proteção da criança que antes estava 
desprotegida a repressão aos crimes cometidos na época 
por crianças e adolescentes ou infanto-juvenil. 
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 
171/93, de autoria do deputado Benedito Domingos (PP-
DF), há 22 anos divide opiniões e levanta discussões 
acaloradas na sociedade, em especial depois que as 
redes sociais passaram a ser usadas como meio de 
debate e mobilização. Ela propõe uma modificação na 
redação do artigo 228 da Constituição. O texto em vigor 
diz: "são penalmente inimputáveis os menores de dezoito 
anos, sujeitos às normas da legislação especial", e, 
dependendo da avaliação do Senado Federal, seria 
modificado para "são penalmente inimputáveis os 
menores de dezesseis anos, sujeitos às normas da 
legislação especial". 
A 'legislação especial' a que se refere o artigo 228, 
é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), 
instituído pela Lei 8.069 de 13 de julho de 1990. Ela 
orienta medidas socioeducativas, desde advertência e 
prestação de serviços à comunidade até a internação em 
estabelecimento educacional, para adolescentes menores 
de 18 anos que pratiquem atos infracionais. 
Para o ECA, a internação só deve ocorrer nos 
casos de atos violentos ou com grave ameaça, quando há 
reincidência de infrações consideradas graves ou quando 
há descumprimento de uma medida socioeducativa. 
Nestes casos, as internações não podem ser superiores a 
três anos e a liberdade deve ocorrer, obrigatoriamente, 
aos 21 anos de idade. 
 
AUMENTO DO IDH DO BRASIL EM 2014 
 
O Brasil melhorou em 2013 sua colocação em um 
ranking internacional que classifica as nações conforme a 
expectativa de vida, os estudos e a renda de suas 
populações. O chamado Índice de Desenvolvimento 
Humano (IDH) alcançado pelo País é o 79º em uma lista 
de 187 países. Em 2012, o Brasil estava na 85ª posição, 
mas a metodologia do IDH era outra. Com a aplicação da 
atual metodologia à pesquisa anterior, o Brasil teria 
aparecido na 80ª colocação no ano passado. O IDH é 
calculado desde a década de 90 pelo Programa das 
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), uma 
das várias agências temáticas da ONU. Seu objetivo é ser 
uma referência da qualidade de vida que vá além de 
análises baseadas no critério de renda. Também leva em 
conta a esperança de vida, a expectativa de anos de 
estudo e o tempo médio efetivo de estudos. 
No Relatório de Desenvolvimento Humano de 
2014, que traz o IDH de 2013, o Brasil figura de novo no 
grupo dos países com desenvolvimento humano 'alto', a 
segunda entre quatro categorias definidas pelo PNUD. 
Existem 49 nações com índice “muito alto”, 53 com “alto”, 
42 com “médio” e 43 com “baixo”. De 2012 para 2013, só 
38 países melhoraram seu IDH e apenas 18, ou seja, 10% 
do total, conseguiram ganhar posição. O Brasil faz parte 
dos dois times. Segundo o PNUD, à medida que os 
países avançam, é mais difícil observar variações no IDH. 
Uma da razões para a melhoria do Brasil foi a mudança 
nas estatísticas sobre educação usadas pelo PNUD, uma 
reivindicação antiga do governo. Até 2013, o IDH recorria 
a dados de 2005 sobre a expectativa de tempo de 
estudos. O PNUD argumentava que era uma maneira de 
tratar os países de modo igual, pois nem todos têm a 
mesma capacidade de manter estatísticas atualizadas. As 
nações emergentes, Brasil entre elas, reclamavam que 
isso era injusto, pois deixava de lado avanços recentes. 
Os números utilizados no relatório de 2014 são mais 
“frescos”. 
Em 2013, informa o estudo, o brasileiro tinha 73,9 
anos de esperança de vida (73,8 em 2012), 15,2 anos de 
expectativa de anos de estudo (14,2 em 2012), 7,2 anos 
de média efetiva de estudo (igual a 2012) e renda per 
capita anual de 14,275 mil dólares (14,081 mil dólares em 
2012). Essa combinação deu ao País um IDH de 0,744. 
Na versão 2012, o índice do País era de 0,742. “O Brasil 
melhorou nos últimos 30 anos e será um país ainda 
melhor no futuro, mas perde muito no IDH por causa da 
desigualdade de renda”, diz Jorge Chedieki, chefe do 
escritório do PNUD em Brasília. O país líder do IDH 
continua sendo a Noruega, com 81,5 anos de esperança 
de vida, 12,6 anos de média de estudo, 17,6 anos de 
expectativa de anos de estudo e renda per capita de 63,9 
mil dólares por ano. Em seguida aparecem Austrália, 
Suíça, Holanda e Estados Unidos. Na América Latina, o 
Brasil perde no ranking para Chile (41ª posição), Cuba 
(44ª), Argentina (49ª), Uruguai (50ª), Bahamas (51ª), 
Antígua e Barbuda (61ª), Trinidad e Tobago (64ª), 
Panamá (65ª), Venezuela (67ª), Costa Rica (68ª), México 
(71ª) e Ilha de São Cristovão (73ª). 
CONHECIMENTOS GERAIS 11 
 
Em 2012, 112.709 pessoas morreram em 
situações de violência no país, segundoo Mapa da 
Violência 2014. O número equivale a 58,1 habitantes a 
cada grupo de 100 mil, e é o maior da série histórica do 
estudo, divulgado a cada dois anos. Desse total, 56.337 
foram vítimas de homicídio, 46.051, de acidentes de 
transporte (que incluem aviões e barcos, além dos que 
ocorrem nas vias terrestres), e 10.321, de suicídios. Entre 
2002 e 2012, o número total de homicídios registrados 
pelo Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do 
Ministério da Saúde, passou de 49.695 para 56.337, 
também o maior número registrado. Os jovens foram às 
vítimas em 53,4% dos casos, o que mostra outra 
tendência diagnosticada pelo estudo: a maior vitimização 
de pessoas com idade entre 15 e 29 anos. As taxas de 
homicídio nessa faixa passaram de 19,6 em 1980, para 
57,6 em 2012, a cada 100 mil jovens. 
Segundo o responsável pela análise, Julio Jacobo 
Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência 
da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, 
ainda não é possível saber “se o que ocorreu em 2012 foi 
um surto que vai terminar rapidamente ou se realmente 
está sendo inaugurado novo ciclo ou nova tendência”. Ele 
lista situações que podem ter gerado o aumento, como 
greves de agentes das forças de segurança ou ataques 
de grupos criminosos organizados. Uma tendência já 
confirmada é a disseminação da violência nas diferentes 
regiões e cidades. Entre 2002 e 2012, os quantitativos só 
não cresceram no Sudeste. As regiões Norte e Nordeste 
experimentaram aumento exponencial da violência. No 
Norte, por exemplo, foram registrados 6.098 homicídios 
em 2012, mais que o dobro dos 2.937 verificados em 
2002. 
Amazonas, Pará e Tocantins tiveram o dobro de 
assassinatos registrados no mesmo intervalo de tempo. 
No Nordeste, o Maranhão, a Bahia e o Rio Grande do 
Norte mais que triplicaram os homicídios. Na década, o 
Sul e o Centro-Oeste tiveram incrementos percentuais de 
41,2% e 49,8%, respectivamente. No Sudeste, a situação 
foi mais variada, com diminuição significativa em estados 
importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Já em 
Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002 
e 2012. As desigualdades são vivenciadas entre as 
regiões e também dentro dos estados. Nenhuma capital, 
em 2012, teve taxa de homicídio abaixo do nível 
epidêmico, segundo o Mapa da Violência. Todas as 
capitais do Nordeste registraram mais de 100 homicídios 
por 100 mil jovens. Maceió, a mais violenta, passou dos 
200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a 
menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o 
número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil. 
 
OS ATUAIS BLOCOS ECONÔMICOS DO MUNDO 
Os blocos econômicos mundiais estabelecem 
relações sociais e econômicas, com certos privilégios, a 
grupos de países. Esses blocos são formados a partir de 
interesses comuns. 
Essa regionalização da economia ganhou força 
no mundo todo a partir da década de 90, e hoje grupos 
economicamente fortes dominam o cenário 
internacional. 
Os blocos econômicos são zonas de livre 
comércio, que apresentam união aduaneira, mercado 
comum e união econômica e monetária. 
 
Veja abaixo a lista dos principais blocos econômicos da 
atualidade: 
Alca – Área de Livre Comércio das Américas - 
Foi criada em 1994 para eliminar as barreiras 
alfandegárias entre os 34 países americanos. 
Apec - Cooperação Econômica da Ásia e do 
Pacífico - Foi criada em 1989 na Austrália. Os países 
desse grupo se comprometeram a transformar o Oceano 
Pacífico em uma área de livre comércio. 
Cei - Comunidade dos Estados Independentes – 
Foi criada em 1991. Integra 12 repúblicas que formavam 
a antiga URSS. 
G-8 – Grupo formado pelos 8 países mais 
industrializados do mundo. 
Mercosul - Mercado Comum do Sul – Foi criado 
na década de 80. O grupo é formado por Argentina, 
Brasil, Paraguai e Uruguai. 
 CONHECIMENTOS GERAIS 12 
Nafta - Acordo de Livre Comércio da América do 
Norte – Foi criado em 1988. Integra economicamente 
EUA, Canadá e México. 
União Européia –É um dos maiores blocos 
econômicos do mundo e com um dos maiores PIBs 
(Produto Interno Bruto). O bloco é formado por França, 
Itália, Luxemburgo, Holanda, Bélgica, Alemanha, 
Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Grécia, Espanha, 
Portugal, Áustria, Suécia, Finlândia, Letônia, Estônia, 
Lituânia, Eslovênia, República Tcheca, Eslováquia, 
Polônia, Hungria, Malta e Chipre. 
Existem ainda blocos menores, mas também 
importantes e estratégicos economicamente, como: 
Aec - Associação dos Estados do Caribe 
Aladi - Associação Latino-americana de 
Integração 
Anzcerta - Acordo Comercial sobre Relações 
Econômicas entre Austrália e Nova Zelândia 
Asean - Associação de Nações do Sudeste 
Asiático 
Can - Comunidade Andina, Grupo Andino ou 
Pacto Andino 
Caricom - Mercado Comum e Comunidade do 
Caribe 
Efta - Associação Européia de Livre Comércio 
Mcca - Mercado Comum Centro Americano 
Sadc - Comunidade para o Desenvolvimento da 
África Austral 
Uma - União do Magreb Árabe 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS 
Os blocos econômicos são classificados em vários 
tipos diferentes, que variam conforme o nível de 
proximidade e a qualidade da integração entre seus 
países-membros. 
Um dos aspectos mais proeminentes do mundo 
globalizado e da atual ordem mundial é a formação dos 
acordos regionais, mais conhecidos como blocos 
econômicos, que, ao invés de se estabelecerem como 
um contraponto à integração mundial da globalização, 
atuaram no sentido de intensificá-la. Hoje em dia, existem 
diferentes tipos de blocos econômicos que se organizam 
em diferentes denominações e níveis de integração entre 
os seus países-membros. 
Dessa forma, como existem diferentes objetivos e 
distintos níveis de avanço em termos econômicos entre os 
acordos regionais, adota-se uma classificação dos blocos 
econômicos a fim de melhor estudá-los. Sendo assim, 
eles são postos em uma hierarquia que vai desde a zona 
de preferências tarifárias até uma união econômica e 
monetária. Confira: 
Zona de preferências tarifárias: é um passo 
inicial de integração entre os países, de forma que esses 
adotam apenas algumas tarifas preferenciais envolvendo 
alguns produtos, tornando-os mais baratos em relação a 
países não participantes do bloco. 
Exemplo: ALADI (Associação Latino-Americana de 
Integração). 
Zona de livre comércio: consiste na eliminação 
ou diminuição significativa das tarifas alfandegárias dos 
produtos comercializados entre os países-membros. 
Assim como o tipo anterior, trata-se de um acordo 
meramente comercial. 
Exemplos: NAFTA (Tratado de Livre Comércio das 
Américas), CAN (Comunidade Andina), entre outros. 
União Aduaneira: trata-se de uma zona de livre 
comércio que também adotou uma Tarifa Externa Comum 
(TEC), que é uma tarifa que visa taxar os produtos 
advindos de países não membros dos blocos. Dessa 
forma, além de reduzir o preço dos produtos 
comercializados entre os países-membros, a União 
Aduaneira ainda torna os produtos de países externos ao 
bloco ainda mais caros. 
Exemplo: Mercosul (Mercado Comum do Sul). A 
TEC, nesse caso, é adotada apenas entre os seus 
membros efetivos (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai*). 
Mercado Comum: é um bloco econômico que 
conta com um avançado nível de integração econômica, 
indo muito além de um acordo comercial, pois envolve a 
livre circulação de produtos, pessoas, bens, capital e 
trabalho, tornando as fronteiras entre os seus membros 
quase que inexistentes em termos comerciais e de 
mobilidade populacional. 
União Política e Monetária: consiste em um 
mercado comum que ampliou ainda mais o seu nível de 
integração, que passa a alcançar também o campo 
monetário. Adota-se, então, uma moeda comum que 
substitui as moedas locais ou passa a valer 
comercialmente em todos os países-membros. Também é 
criado um Banco Central do bloco, que passa a adotar 
uma política econômica comum para todos os integrantes. 
O único exemplo de mercado comum e, ao mesmo 
tempo, de união política e monetáriaé a União Europeia, 
que é hoje considerada o mais importante bloco 
econômico da atualidade em razão do seu avançado nível 
de integração. Em muitos casos, essa integração alcança 
até mesmo as decisões políticas que eventualmente são 
tomadas em conjunto pelos países-membros. 
* A Venezuela foi suspensa do Mercosul, por 
tempo indeterminado em dezembro de 2016. 
 
MERCOSUL E A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA 
Definição do Bloco Econômico 
A prioridade da Política Externa Brasileira é a 
América do Sul, mas dentro da América do Sul, a 
prioridade é o Mercosul. E, por fim, dentro do 
Mercosul, a prioridade é a Argentina. 
O Mercosul é uma União Aduaneira 
Imperfeita, pois: 
 Possui uma Zona de Livre-Comércio, inclusive 
com tarifa zero entre diversos produtos (exceto no setor 
automobilístico e no açúcar, são alguns produtos que não 
gozam de tarifa zero); 
 É uma União Aduaneira, caracterizada 
pela Tarifa Externa Comum (TEC), apesar de possuir 
algumas exceções; 
 Tem intenções de constituir-se em Mercado 
Comum, com livre circulação de pessoas, de bens e de 
capital (o que ainda não ocorre). 
Há imenso grau de superávit do Brasil com a 
Argentina, pois os carros que não são feitos na Argentina, 
são confeccionados com peças brasileiras. Além disso, 
70% dos carros produzidos na Argentina, são exportados 
para o Brasil. 
CONHECIMENTOS GERAIS 13 
 
Objetivos do Mercosul 
A ideia é que o Mercosul seja um mecanismo de 
adaptação competitiva na economia global. Dessa forma, 
as preferências tarifárias irão possibilitar ganhos de 
escala, por exemplo, a Argentina tem setor 
automobilístico graças ao mercado brasileiro. Então, no 
esboço da globalização assimétrica, o Mercosul possui 
um papel chave na economia. 
 
Países Membros do Mercosul 
Em 1991, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai 
assinaram o Tratado de Assunção, que deu origem ao 
Mercosul. Em 1994, com o Protocolo de Ouro Preto, o 
Mercosul ganha personalidade jurídica de direito 
internacional e, dessa forma, competência para negociar 
acordos internacionais. A Venezuela está em processo de 
adesão, em que será totalmente integrada ao Mercosul 
em 2014. 
Em 1996, Bolívia e Chile associaram-se ao 
Mercosul. Em 2003, foi a vez do Peru tornar-se membro 
associado. E, em 2004, tornaram-se Estados Associados 
ao Mercosul Colômbia e Equador. O México participa das 
reuniões do Mercosul como País Observador. 
 
Regionalismo Aberto 
Segundo Felipe Lampréia, "o Mercosul é o 
laboratório da Globalização." O Regionalismo aberto é 
compatível com as regras da OMC - Organização Mundial 
de Comércio (exceção ao art. 24). Os acordos abertos 
podem ser negociados, desde que o nível de proteção do 
bloco não seja superior às tarifas em relação à terceiros, 
pois quando o Mercosul se consolidou, tanto o Brasil 
quanto a Argentina praticavam tarifas altíssimas. 
 
Compensação dos Aspectos Negativos da 
Globalização 
Considerando-se que a globalização é assimétrica, 
o Mercosul possui um perfil de comércio diferente entre os 
países do sul, com relação ao comércio com os países do 
Norte, o que permite um aspecto mais positivo da 
globalização, e, consequentemente, gera uma 
globalização mais simétrica. Por causa do Mercosul, o 
Brasil passou a ter vantagem comparativa, que não tinha 
com os outros países, por exemplo, televisão e monitores 
de LCD. 
Aumento do Poder Global de Barganha dos 
Estados Partes: Os países precisam dos mercados 
consumidores dos outros Estados que, por sua vez, 
necessitam dessa dependência. 
É preciso que os países se unam para aumentar a 
competitividade mútua. As correntes econômicas mais 
importantes estão no Atlântico Norte, e o Mercosul está 
no Atlântico Sul, ou seja, é esquecido pela economia 
global. Então, os países do sul devem se unir para fazer 
frente aos países do norte. 
 
Identidade Diplomática 
O Mercosul faz parte da identidade diplomática. 
O Mercosul nasceu com personalidade jurídica em 2004, 
coincidindo com a criação da ALCA. Por isso, o Mercosul 
foi sobrevalorizado em razão da ameaça da ALCA. 
Porém, nos dias atuais, a ALCA fracassou e o Mercosul 
teve êxito. 
 
Legitimidade do Mercosul 
O Mercosul é um fator de legitimidade da Política 
Externa Brasileira, é um símbolo da capacidade de 
construção de consensos, pois o Brasil não fala sozinho, 
ele fala com mais quatro países. Em 1980, todos os 
países do Mercosul sofreram democratização, e o 
Mercosul aparece para melhorar vulnerabilidades 
decorrentes da democratização. A Cláusula Democrática 
é consequência dessa relação em prol da democracia. 
As relações entre o Brasil e a Argentina sempre 
tiveram um padrão de Afastamento e Aproximação, como 
por exemplo na Guerra do Paraguai, na Guerra das 
Malvinas, com Perón e com Frondisi, após o qual, veio o 
Golpe Militar. No final da década de 1970, há uma 
aproximação sistêmica entre Brasil e Argentina, e os dois 
países caminham para uma Política Externa mais 
próxima. Nessa época, cessam os retrocessos com o 
acordo Tripartite entre Brasil, Argentina e Paraguai, na 
hidroelétrica de Itaipu. 
 
Política Externa Brasileira 
Há uma correlação de forças desfavorável para os 
países em desenvolvimento. Dessa forma, os países 
desenvolvidos se recusam em abrir seus mercados para 
os produtos dos países em desenvolvimento, pois os 
países desenvolvidos voltam seus interesses para 
aumentar a Segurança. 
Há uma correlação de forças entre os países do 
sul, com convergência de interesses. O Brasil pode adotar 
a estratégia da Integração Regional para tornar-se um 
Global Player. A integração regional não é uma opção de 
um governo específico, é uma escolha racional e lógica 
do Estado. 
Como o Mercosul é uma prioridade de Estado, a 
aproximação entre Brasil com a Argentina é necessária. 
Essa aproximação sistêmica começou no Governo de 
Figueiredo, depois foi continuada nos governos Sarney, 
Collor e Itamar, e foi aprofundada nos Governos de 
Fernando Henrique Cardoso e no Governo Lula. O 
Mercosul sempre se manteve como prioridade, 
independentemente do Governo, pois não é uma escolha 
política, é uma escolha racional e lógica. 
Segundo Fernando Henrique Cardoso, "para o 
Brasil, o Mercosul não é um mercado, é um destino". 
Segundo Lula, "a prioridade da Política Externa 
Brasileira é a construção de uma América do Sul 
próspera, unida e politicamente estável e esse esforço 
passa por uma revitalização do Mercosul." 
 
TEMAS DIVERSOS 
REFORMA TRABALHISTA 
 
No dia 11 de novembro de 2017 entrou em vigor a 
reforma trabalhista, cujo projeto de lei havia sido 
 CONHECIMENTOS GERAIS 14 
sancionado em julho pelo presidente Temer. As principais 
alterações consideram que: 
 Férias: podem ser divididas em até 3 vezes 
(antes havia a possibilidade de serem divididas em até 2 
vezes) 
 Jornada de trabalho: até 12 horas diárias (antes, 
8) 
 Grávidas e lactantes: podem trabalhar em locais 
que apresentem graus médio e leve de insalubridade 
(antes estavam proibidas dessa condição) 
 Tempo de deslocação: o tempo gasto para 
chegar ao trabalho por aqueles que têm dificuldades com 
meios de transporte em decorrência da falta de acesso 
não é contado como hora de trabalho (antes era). 
 
MOBILIDADE URBANA 
 
O tema mobilidade urbana esteve em discussão 
em 2017. Isso porque o aumento da população leva à 
crescente dificuldade de deslocamento nas grandes 
cidades brasileiras e, em consequência, resulta em um 
grande desafio de gestão pública. 
Dentre outros fatores, a qualidade do transporte 
coletivo leva ao uso preferencial dos transportes 
individuais. Essa atitude reverte em congestionamentos 
frequentes e aumenta a poluição no país. 
Ao passo que o índice populacional aumenta, o 
registro de veículos também aumenta, chegando a existir 
1 carro por cada 1,8 habitante em Curitiba. Essa é a 
capital com mais carros do Brasil. 
Uma das soluções apresentadas é o rodízio, o qual 
é adotado em São Paulo. Nessa cidade, conforme o final 
das placas, há um dia dasemana (em horários 
determinados) em que carros e caminhões não podem 
circular. 
Além do rodízio, a deslocação por meio de 
bicicletas ou por transportes públicos são outras medidas 
que visam atenuar essa situação. 
 
OPERAÇÃO LAVA JATO 
 
A operação Lava Jato é o maior escândalo de 
lavagem e desvio de dinheiro da história brasileira. Com 
ela, caiu a credibilidade internacional do Brasil. Ela 
envolve políticos, grandes empreiteiros e aquela que é 
uma das maiores petrolíferas do mundo e também a 
maior empresa estatal do Brasil, a Petrobras. 
As empreiteiras combinavam os preços das obras 
simulando uma concorrência real. Isso fez com que as 
organizações envolvidas enriquecessem e, em 
contrapartida, resultou num grande prejuízo aos cofres 
públicos. 
Descoberta em março de 2014, as investigações 
continuaram em 2017, ano que surge entre os 
investigados o nome do presidente Michel Temer. 
 
CENTENÁRIO DA MORTE DE OLAVO BILAC 
 
Em 2018, completa-se 100 anos da morte do autor 
do nosso Hino à Bandeira e um dos escritores mais 
importantes do Parnasianismo no Brasil. 
Olavo Bilac é conhecido como "Príncipe dos 
Poetas Brasileiros", título que recebeu em 1907. Além 
disso, é membro fundador da Academia Brasileira de 
Letras e patrono do serviço militar. 
Defensor da obrigatoriedade do serviço militar, 
com outros intelectuais, fundou a Liga da Defesa 
Nacional. Tendo em conta o seu ideal cívico, o Dia do 
Reservista é comemorado no dia do seu nascimento, 16 
de dezembro. 
 
OPERAÇÃO CARNE FRACA 
 
A operação Carne Fraca foi descoberta em março 
de 2017. Nela, grandes empresas brasileiras do ramo de 
carnes são investigadas pelo crime de adulteração de 
seus produtos, incluindo também os crimes de lavagem 
de dinheiro e outros. 
O Brasil é um dos maiores produtores de carne do 
mundo. Segundo a investigação, a carne vendida em 
território nacional ou exportada para outros países não 
eram próprias para consumo. 
Passando por licenças e fiscalizações irregulares 
as carnes eram submetidas a substâncias químicas que 
davam à carne vencida o aspecto de carne fresca. Além 
disso, para que ela pesasse mais, água era injetada nas 
peças de carne. 
Em dezembro de 2017, o veterinário Flávio Cassou 
(que está preso) disse em depoimento que o deputado 
federal Sérgio Souza (PMDB-PR) recebia uma mesada de 
R$ 20 mil do esquema. 
 
INTOLERÂNCIA 
 
A intolerância tem sido um assunto constante 
quando se fala do mundo, especialmente no que respeita 
à xenofobia. Acontece que no Brasil a intolerância tem 
CONHECIMENTOS GERAIS 15 
aumentado largamente em vários campos, passando de 
forma despercebida por alguns. 
Não só a intolerância racial ou sexual, como 
a intolerância religiosa tem crescido no País. Ao passo 
que a diversidade religiosa aumenta, também aumenta 
esse tipo de discriminação entre os brasileiros. 
Por isso, desde 2007, há um dia dedicado a esse 
tipo de intolerância - Dia Nacional de Combate à 
Intolerância Religiosa. 
 
CRISE ECONÔMICA 
 
O governo conseguiu driblar a crise mundial a 
partir de 2008, no entanto, não conseguiu manter as 
medidas tomadas, o que provocou um grande 
desequilíbrio nas contas públicas. Eram essas medidas 
que estimulavam o consumo no Brasil. 
Além de tudo isso, a situação é agravada pela 
desconfiança no Brasil pelos outros países, o que surge 
com os sucessivos escândalos de corrupção. 
Para tentar salvar a situação, uma das propostas 
do governo anunciada em 2017 é a privatização de cerca 
de 57 estatais, dentre as quais da Eletrobras - Centrais 
Elétricas Brasileiras S.A., que tem sede no Rio de Janeiro. 
No pacote ainda está incluída a privatização da 
Casa da Moeda. 
Congonhas, o aeroporto doméstico da cidade de 
São Paulo, que estava incluído no pacote de 
privatizações, foi retirado da lista. 
 
REFORMA POLÍTICA 
 
A reforma política está em análise. A proposta 
contempla mudança no sistema eleitoral, as coligações, o 
financiamento das campanhas eleitorais, entre outros. 
Na mesa está a previsão do fim das coligações 
partidárias. O voto distrital acabaria com a eleição de 
deputados pelo sistema proporcional, que faz com que os 
mais votados de um partido elejam os menos votados. 
Assim, seriam eleitos apenas os mais votados. 
Outra ideia é criar um fundo eleitoral destinado às 
campanhas. Na sequência, os horários eleitorais 
deixariam de ser transmitidos pela tv e pela rádio, sendo 
realocados para meios publicitários menos dispendiosos. 
Na proposta ainda são citadas a adoção do voto 
facultativo, bem como a mudança do sistema de governo, 
de Presidencialismo para Parlamentarismo. 
 
CONDENAÇÃO DE LULA 
 
Em julho de 2017 o ex-presidente Luiz Inácio Lula 
da Silva foi condenado na Operação Lava Jato. Trata-se 
de uma ocorrência inédita na história do Brasil, uma vez 
que nenhum ex-presidente da república havia sido 
condenado antes. 
A acusação decorre do recebimento de um 
apartamento triplex no Guarujá da Construtora OAS, S.A. 
como propina em troca de contratos com a Petrobras e da 
nomeação de diretores que favoreciam a empresa. 
A pena de 9 anos e 6 meses de prisão foi 
aumentada para 12 anos e 1 mês após, em janeiro de 
2018, tribunal ter condenado Lula em segunda instância 
pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 
Enquanto não se esgotarem todos os recursos, Lula 
aguarda em liberdade. 
 
SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO 
 
No início de 2017, mais de 100 detentos morreram 
em decorrência de guerras de facções dentro dos 
presídios. Logo no dia 1.º de janeiro, foram 60 mortes 
apenas no estado do Amazonas. 
A situação levanta, mais uma vez, a discussão 
para o problema das condições e superlotação das 
penitenciárias no Brasil. 
O Brasil é o país que tem a 4.ª maior população 
carcerária do mundo. Com mais de 600 mil presos, mais 
de 200 mil aguardam por julgamento. O número de vagas, 
no entanto, revela que há um déficit de 250 mil vagas, 
conforme dados de 2014. 
 
ESTUPRO 
 
O aumento no número de estupros no Brasil tem 
estado em discussão. Segundo dados divulgados pelo 
Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 45 460 
pessoas foram vítimas de estupro no nosso país em 2015. 
A maior parte são crianças e adolescentes, vítimas de 
pessoas conhecidas por elas, inclusivamente parentes. 
Em função desses dados, há muita discussão em 
torno do que se chama “cultura do estupro”, que é o fato 
de delegar a culpa da agressão à própria vítima. 
 CONHECIMENTOS GERAIS 16 
Grande parte das pessoas acredita, por exemplo, 
que em muitas situações a vítima se expõe exibindo 
roupas que despertam a sensualidade. 
Em 2016, um caso chocou o País. Uma 
adolescente de 16 anos foi estuprada por 30 homens no 
Rio de Janeiro. 
 
CHACINA MATA 14 NO CEARÁ E É A MAIOR NA 
HISTÓRIA DO ESTADO 
Uma chacina matou 14 pessoas em uma festa no 
bairro Cajazeiras, na periferia de Fortaleza. Homens 
armados invadiram o local e dispararam aleatoriamente 
contra o público do Forró do Gago. Segundo a Secretaria 
de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, trata-se 
da maior chacina já registrada no estado. 
Das vítimas, sete já foram identificadas. Os nomes 
não foram divulgados, mas a secretaria informou que três 
são homens maiores de idade e quatro são mulheres, 
duas maiores e duas adolescentes. Pelo menos seis 
pessoas atingidas no tiroteio seguem internadas no 
Instituto Doutor José Frota (IJF), maior centro médico de 
urgência e emergência da capital. O secretário da 
Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, afirmou 
em coletiva de imprensa que duas estão em estado grave. 
Em entrevista à imprensa, o secretário afirmou que 
as investigações já foram iniciadas, mas que ainda não é 
possível precisar o motivo do crime. “O que nós temos de 
concreto é que, às 0h39min, recebemos uma chamada da 
Ciops [Coordenadoria Integrada de Operações de 
Segurança] de um tiroteio em um local no bairro das 
Cajazeiras, conhecido como Forró do Gago. De imediato, 
viaturas do Cotam [Comando Tático Motorizado]compareceram ao local, depois outras viaturas foram. 
Chegando lá, encontraram corpos e foram feitos trabalhos 
periciais”, afirmou. 
 
Facções criminosas 
A chacina reitera o cenário de violência que marca 
o estado atualmente. O Atlas da Violência 2017, estudo 
realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança 
Pública, mostra que a taxa de homicídios por 100 mil 
habitantes no estado do Ceará cresceu 47% entre 2010 e 
2015, ano em que foram contabilizados 4.163 homicídios. 
 
CHACINA E COLAPSO NAS PRISÕES BRASILEIRAS 
Nestes poucos dias do Ano da graça de 2017, o 
Brasil e o Mundo viram estarrecidos o massacre brutal de 
cerca de pelo menos 134 detentos, dentro das prisões do 
país. Logo nos primeiros dias deste novo ano a sociedade 
brasileira foi surpreendida pela tragédia da rebelião 
ocorrida no Complexo Prisional Anisio Jobim, em Manaus, 
quando 56 presos foram executados e 87 fugiram. Quatro 
dias depois 33 presos foram mortos em prisão de 
Roraima, na Penitenciaria Agrícola de Monte Cristo. O 
presídio tem mais de 1400 internos, muito mais que o 
dobro de sua capacidade. 
O movimento se alastrou. Na Penitenciaria de 
Alcaçuz, Rogerio Coutinho Madruga (seguindo o veso 
tipicamente brasileiro de dar nome de políticos e 
autoridades a cada edifício público) a cadeia do Rio 
Grande do Norte, inaugurada em 1998, fica a uns 50 km 
da capital Natal, plantada no meio de dunas, com vista 
para o mar. Aí eclodiu na madrugada do dia 17, pavorosa 
rebelião que durou mais de 72 horas e foi difícil de ser 
controlada. O cenário é belíssimo e contrasta com a 
arquitetura miserável do local. Seu entorno é feito de areia 
fofa, propósito expresso para evitar a fuga de presos, mas 
o que dificulta a chegada de viaturas. O governo liberou 
verbas para compra de brita e asfalto para abrir as 
primeiras estradas de acesso ao presídio de carros de 
agentes e da polícia. 
Parte dos internos subiram nos telhados de alguns 
dos quatro pavilhões, exibiam bandeiras de facções rivais, 
arrancaram telhas e madeirame dos telhados, que lhes 
serviam de armas. No final da manhã, foi possível ouvir 
do lado de fora da prisão, o barulho de tiros e de bombas, 
vindo da penitenciária. O motim deixou pelo menos 26 
mortos. O Presidio está superlotado; onde cabem 500 
pessoas, tem muito mais de mil, em cubículos sem 
ventilação e no calor estafante do Nordeste. 
As vitimas foram brutalizadas, decapitadas, 
mutiladas, esquartejadas. O Presídio teve novo motim em 
17 de janeiro, e os detentos montaram barricadas dentro 
da unidade prisional. As brigas se deram entre as facções 
rivais: o PCC, com cerca de 400 pessoas e o “Sindicato 
do Crime”, com quase 600. As Forças Militares tentaram 
separar as duas facções, evitando mais mortes. O 
governador prometeu contratar mais 700 agentes 
penitenciários. 
O sistema prisional brasileiro abriga a quarta maior 
população de presos de todo o planeta: são mais de 600 
mil, em sua maioria jovem, de origem humilde, semi 
alfabetizada e negra. Desse total cerca de 220 mil estão 
em prisão provisória, sem previsão de quando os juízes 
irão determinar se são réus ou se podem obter a 
liberdade. 
O sistema prisional do Espírito Santo é tido, como 
modelo, pois depois da reestruturação feita pelo 
Secretario da Justiça, em 2016, o número de mortes foi 
reduzido nas prisões. Alguns o consideram como exemplo 
de gestão, com a implantação da chamada “arquitetura 
primoral”. O governo do Estado gastou R$ 500 milhões na 
reforma e construção dos presídios. Eram 13 unidades 
em 2005 e são 35 em 2017, com mais 3 previstas para o 
próximo ano. 
O importante, segundo o Secretário da Justiça, é a 
forma como foram construídos e que segue o modelo 
arquitetônico dos Estados Unidos, no qual os detentos 
ficam divididos em três galerias de celas que não se 
comunicam entre si. O edifício tem também salas 
especificas, onde os presos podem ter aulas. Escolas 
funcionam em 29 unidades; podem participar de oficinas 
profissionalizantes, além de ter espaços para atendimento 
médico. Esse atendimento material, educacional, jurídico, 
médico e trabalhista à população carcerária, tem o apoio 
da população, e é prevista pela lei brasileira. Essa 
estrutura permite ao governo aumentar o controle diário e 
implantar iniciativas de ressocialização que ajudam na 
diminuição da tensão interna. 
Mas, o Espírito Santo é um dos Estados que mais 
prendem e é muito grande o número de presos 
provisórios, num encarceramento que mais cresce no 
país. Seus internos vivem num regime de forte controle, 
onde se usa da velha tortura policial, para faltas, mesmo 
as mais leves, como forma arcaica de manter a disciplina 
e o pavor, pois acredita-se ainda que a tortura impede as 
rebeliões. É um sistema que não leva em consideração a 
humanização, e deixa o preso amontoado, em cubículos 
superlotados, sem ventilação e por 23 horas, num calor 
intenso. O preso só tem uma hora de banho de sol por 
dia. 
“O sistema prisional brasileiro abriga a quarta 
maior população de presos de todo o planeta: são 
mais de 600 mil, em sua maioria jovem, de origem 
humilde, semi alfabetizada e negra”. 
A reação ao massacre dos presos de Manaus, de 
Roraima e agora do Rio Grande do Norte, tudo em 
CONHECIMENTOS GERAIS 17 
poucos dias, foi imediata na imprensa internacional e 
nacional, nas lideranças de Direitos Humanos, em 
organismos de toda parte, como a Human Rights Watch 
do Brasil que denuncia o fracasso absoluto do Estado 
brasileiro nesse sentido. Forte foi ainda a preocupação do 
líder mundial, o Papa Francisco, que afirmou: “eu gostaria 
de renovar meu apelo para que as instituições prisionais 
sejam locais de reabilitação social e que as condições de 
vida dos detidos sejam dignas de seres humanos”. O Alto 
Comissariado das Nações Unidas para os Direitos 
Humanos também se pronunciou e cobrou investigação e 
punição dos responsáveis pelo crime hediondo. A OAB 
anunciou que irá levar o caso para a Corte Interamericana 
de Direitos Humanos. Outras organizações e jornais de 
vários países destacaram a pavorosa e chocante chacina. 
Pressionado, o Presidente Michel Temer anunciou 
a construção de mais cinco centros de segurança máxima 
para enfrentar a crise, além de verbas para os Estados 
afetados e do envio de Forças Nacionais de Segurança 
(que não estão treinadas para esse tipo de confronto) 
para acabar com as rebeliões e chacinas. Temer 
anunciou ainda a liberação do uso das Forças Armadas 
para enfrentar o domínio dos presos no governo interno 
dessas prisões. Mas esses soldados nunca foram 
preparados para essa função policial. 
Polícia e Forças Armadas são organizações de 
formação e estilos diferentes. O aparato militar nos 
presídios é um erro constitucional; distorce a objetivo 
primeiro das Forças Armadas que é a defesa da Pátria. 
Segundo o Presidente, as Forças Armas vão para 
inspecionar as prisões e eliminar armas, celulares, etc., 
mas não agirão junto aos presos (o que seria 
inconstitucional). No entanto, se o sistema carcerário é 
incapaz de manter a ordem nos presídios, cabe à 
segurança dos Estados restabelecer a ordem. 
A imprensa nacional começou atribuindo o fato 
primordialmente às disputas entre lideranças de facções 
criminosas rivais e de traficantes de drogas e de armas, 
que dominam as prisões do país. Uma delas é a Família 
do Norte do Amazonas, que controla a quase totalidade 
do tráfico de drogas da região Norte do País, região 
vizinha da Colômbia, Venezuela e Peru; outra estaria 
ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que 
domina o crime organizado e as cadeias de São Paulo, na 
rota do tráfico de drogas e de armas que vem do Paraguai 
e da Bolívia. Inclui-se ainda o Sindicato do Crime, do Rio 
Grande do Norte, que domina 28 das 32 cadeias desse 
Estado. 
Nova e poderosa facção criminosa nasceu de uma 
dissidência do PCC, em 2013, e logo dominou o 
submundo das prisões, buscando o monopólio da venda 
de drogas, dentro e fora dos presídios, Hoje o Sindicato é 
o inimigomortal do PCC. O Rio Grande do Norte entrou 
na mira do PCC por ser um dos Estados brasileiros mais 
próximos da Europa, destino final de parte das drogas 
contrabandeadas pelos paulistas e uma das mais 
lucrativas rotas do tráfico internacional. Por aí se vê que o 
massacre dentro das cadeias do Brasil tem tudo a ver 
com o tráfico mundial de drogas e de armas. 
“A reação ao massacre dos presos de Manaus, 
de Roraima e agora do Rio Grande do Norte, tudo em 
poucos dias, foi imediata na imprensa internacional e 
nacional, nas lideranças de Direitos Humanos, em 
organismos de toda parte, como a Human Rights 
Watch do Brasil que denuncia o fracasso absoluto do 
Estado brasileiro nesse sentido” 
Pouco se falou sobre a realidade vivida atrás das 
grades. E é necessário considerar que não há espaço 
mais apropriado para a preparação de rebeliões do que o 
ócio nos presídios, aliado à negligencia de seus 
administradores, ao permitirem, por ação ou por omissão, 
que o PCC ou as outras facções passassem a coordenar 
de fato as cadeias. 
As explicações são mais complexas e as causas 
vêm de muito mais tempo. Não se limitam a essas 
explicações imediatas. A mais forte explicação está antes 
de tudo na permanente e na persistente ausência do 
poder público em fazer cumprir sua obrigação de zelar 
pelo que ocorre no interior do sistema prisional, na 
prevenção e na repressão dos delitos nas cadeias, no 
combate à tortura pelos agentes penitenciários contra os 
presos, como manda a lei. 
A preservação da vida do detento é dever do 
Estado. A ação de prender e de soltar pessoas é 
exclusiva dos juízes. E a maioria dos juízes, para facilitar 
sua tarefa, prende preventivamente a maioria dos 
flagrantes e lá deixa, sem pressa de verificar cada caso e 
eventualmente dar ordem de soltura. Colaboram assim 
para a lotação excessiva das cadeias. Levantamento do 
próprio Conselho Nacional de Justiça constatou que, na 
maioria dos Estados brasileiros, os juízes mais prendem 
do que soltam. Estima-se que haja mais de 200 mil presos 
em regime de prisão provisória. O fracasso absoluto do 
Estado nesse sentido viola os direitos dos presos. 
A outra explicação está na altíssima superlotação 
do sistema de encarceramento, não apenas de adultos, 
mas também do sistema de internamento de jovens 
menores de idade, contrariando todos os princípios de 
Direitos Humanos e desrespeitando seriamente o respeito 
à dignidade da pessoa humana que está sob a custódia 
do Estado e o direito de ressocialização do preso. A 
guerra nas prisões é resultante de uma política de 
encarceramento em massa, que amplifica as péssimas 
condições das prisões brasileiras. A prisão em flagrante 
nas ruas sempre foi a regra e a investigação a exceção. 
Mas há outra explicação de causa mais profunda: 
a inexistência da educação de valores éticos e sociais na 
família e particularmente na escola, em todos os seus 
níveis. Não há uma educação para a Paz, que se 
anteponha à tendência perversa que existe em cada ser 
humano. Inexiste o conhecimento dos Direitos Humanos 
de cada cidadão, causa pétrea da Constituição brasileira. 
Em sentido inverso a imprensa falada, escrita e 
televisionada ajuda na educação para a violência, ao 
mostrar predominantemente casos de violência 
doméstica, de assassinatos, de latrocínios e outros. Cada 
jornal de noticias vem coberto por casos de violência, com 
ênfase nas novas formas perversas de agressão ao ser 
humano ou a seu patrimônio inventadas pelos agressores. 
É uma verdadeira escola que desperta, incentiva, 
multiplica os exemplos novos de delinquência. Foi assim, 
para citar aqui alguns poucos exemplos, o relato do 
primeiro seqüestro relâmpago; ou da descrição detalhada 
e didática da primeira explosão de caixa eletrônica (e seu 
resultado estimulador de resgate imediato de milhares e 
milhares de dinheiro vivo de notas monetárias), do roubo 
em estradas de caminhões com cargas preciosas. Desses 
primeiros poucos exemplos que aqui lembramos, 
originaram-se milhares de novas violências, multiplicando-
se as prisões provisórias. 
O governo, nacional, regional e local abandonou 
de há muito, abandona ainda hoje, na periferia e nas 
favelas das cidades, parte considerável de sua sociedade. 
Está ai o reduto de grupos de traficantes de drogas e de 
armas, donos desses espaços. Não há praticamente 
programa político eficaz, nem forças policiais que possam 
garantir indefinidamente a tranquilidade. A desigualdade 
social injusta pode provocar, por parte dos excluídos do 
 CONHECIMENTOS GERAIS 18 
sistema político, social e econômico, reações de violência. 
Assim como o bem tende a difundir-se, também o mal, 
que é a injustiça, tende a expandir-se e a minar 
silenciosamente as bases de qualquer sistema político e 
social. Defender privilégios, silenciar frente à corrupção, 
alimentar a sede de vingança, segregar os condenados, 
contribuir para o desemprego é envenenar nosso próprio 
futuro. 
“Levantamento do próprio Conselho Nacional 
de Justiça constatou que, na maioria dos Estados 
brasileiros, os juízes mais prendem do que soltam. 
Estima-se que haja mais de 200 mil presos em regime 
de prisão provisória. O fracasso absoluto do Estado 
nesse sentido viola os direitos dos presos” 
É preciso ter metas claras para a redução da 
população prisional. E o sistema carcerário não pode 
violar os direitos fundamentais do preso. Na democracia 
em que vivemos o condenado, o preso, não tem o direito 
de votar. Estão na mesma situação que há poucas 
décadas atrás estavam os analfabetos, as mulheres, os 
religiosos, categorias que precisaram de longas lutas para 
obter o direito de cidadania. 
Como qualquer um reconhece, o preso que sai da 
cadeia é mais perigoso do que quando entrou. Na 
realidade, o presídio é a escola que está a serviço do 
tráfico de drogas e de armas. Assim, quanto mais se 
prende mais se fortalece o crime no sistema carcerário. 
Segundo a Pastoral carcerária do Brasil, o que o 
preso de todas as prisões mais pede para ler é o Código 
Penal, mas isso é proibido em quase todos os cárceres do 
país. Eles não podem conhecer a lei que mostra quais 
são seus direitos. O temor dos agentes penitenciários é 
que esse conhecimento possa desencadear rebeliões 
internas. 
Como o próprio Conselho Nacional de Justiça 
reconhece, 44% dos presos no País são provisórios. Isso 
em grande parte por serem pobres sem condições de 
pagar um advogado que os defenda pessoalmente, 
descubra sua situação, como manda a lei. 
A Lei Complementar n. 80, de 12 de janeiro de 
1994, expedida pela Presidência da República, por meio 
de sua Casa Civil organiza a Defensoria Pública da União, 
extensiva aos Estados e Municípios. A Defensoria Pública 
diz a Lei “é uma instituição permanente, essencial à 
função jurisdicional do Estado, como expressão virtual do 
regime democrático, fundamental, da orientação jurídica, 
da promoção dos direitos humanos e da defesa em todos 
os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e 
coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados”. 
Essa Lei foi modificada em 2009 (Lei Complementar 
132/2009) que alterou substancialmente a lei orgânica da 
Defensoria Pública da União de 1994. “Cabe aos 
Defensores Públicos Federais defender a primazia da 
dignidade da pessoa humana, a redução das 
desigualdades sociais e a prevalência e efetividade dos 
direitos humanos dos necessitados em todos os graus”. 
Mas o número de defensores públicos é 
extremamente pequeno face ao número dos que deles 
necessitam. A ANADEP e o Ipea lançaram, em março de 
2013, uma pesquisa inédita que comprova a falta de 
defensores públicos em 72% das comarcas brasileiras, ou 
seja, a Defensoria Pública só está presente em 754, das 
2.680 comarcas distribuídas em todo o país. 
De acordo com a pesquisa, dos 8.489 cargos de 
defensor público criados no Brasil, apenas 5.054 estão 
providos (59,5%). Além disso, Paraná e Santa Catarina, 
os últimos estados a criarem suas Defensorias Públicas, 
em 2011 e2012, respectivamente, ainda não têm o órgão 
efetivamente implantado, assim como Goiás e Amapá. 
Os únicos estados que não apresentam déficit de 
defensores públicos, considerando o número de cargos 
providos, são Distrito Federal e Roraima; os que possuem 
déficit de até 100 defensores públicos são Acre, 
Tocantins, Amapá, Mato Grosso do Sul, Paraíba, 
Rondônia e Sergipe. Os estados com maiores déficits em 
números absolutos são São Paulo (2.471), Minas Gerais 
(1.066), Bahia (1.015) e Paraná (834). O déficit total do 
Brasil é de 10.578 defensores públicos. Mais uma vez fica 
registrada a ausência dos governos na defesa dos mais 
pobres e necessitados. 
Concluímos este pequeno escrito com as palavras 
do Papa Francisco em sua Mensagem para a celebração 
do Dia Mundial da Paz, em 1º de janeiro de 2014: “No 
coração de cada Homem e de cada Mulher habita o 
anseio de uma vida plena que contém uma aspiração 
irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com 
os outros, em que não encontramos inimigos ou 
concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e 
abraçar”. 
 
BULLYING 
 
De acordo com o Programa Internacional de 
Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, a cada dez 
estudantes um é vítima de bullying no Brasil. 
O bullying é a pressão psicológica ou atos de 
violência sofridos por colegas na escola. Esse tipo de 
atitude decorre principalmente em consequência da 
aparência física, classe social, cor da pele e preferência 
sexual. 
Humilhados com frequência, os estudantes têm a 
tendência de se deixar intimidar, sofrendo calados por 
vergonha. Isso leva à desmotivação e redução no 
rendimento escolar. 
 
NAUFRÁGIOS 
 
Dois naufrágios chocaram o Brasil em agosto de 
2017. Um aconteceu no dia 22 no Pará, quando uma 
lancha de passageiros (sem licença) levou mais de 20 
pessoas à morte e vários desaparecidos. 
Dois dias depois, na Bahia, fato semelhante 
aconteceu deixando 18 pessoas mortas. A lancha, que 
apresentava péssimas condições e que transportava 133 
pessoas, virou 10 minutos depois de ter zarpado. 
Os acidentes levantaram à discussão sobre a 
precariedade do transporte náutico no País. 
https://www.todamateria.com.br/bullying/
CONHECIMENTOS GERAIS 19 
 
COTAS SOCIAIS E RACIAIS 
 
O debate sobre as cotas tem estado em cima da 
mesa desde que a então presidente Dilma Rousseff 
sancionou o projeto de lei das cotas. 
De acordo com a lei, uma percentagem das vagas 
no ensino superior devem ser reservadas para os alunos 
vindos da rede pública e para negros, pardos ou 
indígenas. 
 
MASSACRE INDÍGENA 
 
As autoridades brasileiras investigam um 
massacre indígena ocorrido em maio de 2017, o qual tem 
como suspeitos garimpeiros ilegais. 
Além da investigação desse crime, também está 
em curso a investigação do massacre de pelo menos 10 
índios flecheiros, forma como são conhecidos. Esse 
ocorreu em agosto do mesmo ano e suspeita-se que 
tenha sido ordenado por um produtor agrícola. 
Ambos ocorreram numa tribo da Amazônia, onde 
os índios não têm contato com o homem branco. Isso 
porque a tribo é bastante isolada e o acesso somente é 
possível através de barco. 
 
FIM DA MISSÃO DE PAZ NO HAITI 
 
No dia 31 de agosto de 2017 foi oficialmente 
encerrada a Missão das Nações Unidas para 
Estabilização do Haiti (Minustah). Iniciada em 2004, após 
13 anos as Forças Armadas do Brasil deixam o país e a 
missão de paz que contou com tropas de 15 países e que 
foi liderada pelos brasileiros. 
O objetivo da missão era restabelecer a 
estabilidade no Haiti na sequência da destituição do 
presidente que resultou numa grave crise de violência. 
Nesse período, entretanto, o Haiti passou também 
por um terremoto que deixou cerca de 200 mil mortos e 
mais de 1 milhão de desabrigados. 
Esta foi a primeira Missão de Paz das Nações 
Unidas comandada pelas Forças Armadas Brasileiras. 
 
ELEIÇÕES 2018 
 
No dia 7 de outubro de 2018 os brasileiros votam 
para Presidente da República, governadores, senadores e 
deputados federais e estaduais. 
Caso necessário, o segundo turno tem lugar no dia 
28 de outubro. 
Em fevereiro de 2018 peritos da Polícia Federal 
divulgaram nota a defender a impressão do voto após 
votação eletrônica. Essa seria uma forma de conferência 
que visa inibir as fraudes. A ideia, no entanto, é 
contestada pela procuradora-geral da República. 
 
CRISE POLÍTICA NO BRASIL 
Desde 2016 o Brasil vive o momento de maior 
instabilidade política e econômica da sua história recente. 
Tivemos o impeachment de Dilma Rousseff, a Operação 
Lava-Jato (que denunciou um esquema de pagamentos 
de propinas bilionárias envolvendo grandes empresas e 
vários partidos políticos) e demais escândalos envolvendo 
vários políticos (ministros, deputados, senadores e o atual 
presidente da República, Michel Temer, acabaram 
arrolados nas denúncias sobre corrupção e pagamento de 
propinas). Quem conhece a série House of Cards, do 
Netflix (aliás, recomendadíssimo pela equipe do 
Vestibular.com.br!) sabe que a vida real na política 
brasileira já é muito mais eletrizante (e decepcionante, por 
tratar de crimes envolvendo o nosso patrimônio públicos) 
que a ficção. 
 
PREVIDÊNCIA SOCIAL 
O Congresso Nacional discute este ano uma 
reforma na Previdência Social do Brasil, um dos pontos 
mais polêmicos e importante para o país tentar amenizar 
a atual crise econômica. Muitas pessoas hoje 
consideram a previdência social (que é uma poupança 
feita pelo governo para garantir ao cidadão uma renda ao 
parar de trabalhar) como um grande problema por gerar 
muitos custos para a máquina pública. Entretanto é 
preciso lembrar que esse sistema garante uma vida digna 
para os inativos – e impulsiona o consumo para essas 
classes. 
O problema começa quando o sistema é mal 
gerido e a economia não é forte o suficiente para pagar a 
própria previdência. O caso do Brasil é bastante 
dramático, pois a renda per capta (se você não sabe o 
que é isso, dê uma lida neste texto antes de continuar) é 
muito baixa, e a população economicamente inativa vai 
passar a crescer cada vez mais. Há também uma falta de 
regulação de contribuição e pagamentos entre o 
funcionalismo público e empregados da iniciativa privada. 
Os dados mostram que um servidor aposentado custa o 
triplo de um empregado privado. 
 
ESTATUTO DO DESARMAMENTO 
O Estatuto do Desarmamento é uma lei 
sancionada pelo ex-presidente Lula em 2003 que trata 
sobre o registro, a posse e a comercialização de armas de 
fogo e munição. Se você quer saber detalhes sobre o 
texto, este artigo da Wikipedia explica todos os pontos 
do estatuto. O tema, você deve imaginar, é para lá de 
 CONHECIMENTOS GERAIS 20 
polêmico. Envolve ideologias pessoais e uma indústria 
que, apesar de no Brasil não ser tão forte quanto em 
outros países, movimenta muito dinheiro. 
De doze anos para cá, mais de 130 mil armas 
saíram de circulação no país. A proposta foi uma tentativa 
de reduzir o número de homicídios no Brasil. De acordo 
com o Mapa da Violência de 2015, a lei foi bem 
sucedida. Dados apontam que mais de 160 mil vidas 
foram salvas desde que o estatuto entrou em vigor. 
Como esses números são contestados por alguns 
parlamentares, o assunto voltou à tona nos últimos 
meses. Desde 2012 eles tentam votar no Congresso um 
projeto de lei que revoga o estatuto. Nos últimos três 
anos, esses deputados, que ficaram conhecidos como a 
“bancada da bala”, cederam em muitos pontos, mas 
propuseram no final de setembro um novo projeto de lei 
que anula o Estatuto do Desarmamento e propõe a 
manutenção de alguns pontos. 
Outro ponto é que o assunto deve estar na pauta 
das eleições de 2018. Se você quiser se aprofundar no 
assunto, dois dados que são importantes para você 
entender o Brasil e ir bem caso a sua prova venha a 
relacionar questões do gênero. 
 
ATUALIDADES NO MUNDO 
1. Donald Trump 
Donald Trump tomou posse como o 45.º 
presidente dos Estados Unidos da América (EUA) no dia 
20 de janeiro de 2017. 
Durante a campanha, o seu discurso ficoumarcado por xenofobia. Trump mostrou-se muito radical 
com o tema dos refugiados e com os vizinhos mexicanos, 
prometendo, inclusive, construir um muro na fronteira 
entre os EUA e o México, cuja construção de oito 
protótipos foram iniciados em setembro de 2017. 
Dentre as suas decisões mais polêmicas, 
encontra-se a ordem executiva que o presidente assinou 
7 dias depois da sua tomada de posse. "Protegendo a 
Nação da Entrada de Terroristas Estrangeiros nos 
Estados Unidos" é o nome da ordem que restringe a 
entrada de pessoas vindas de 7 países onde a religião 
predominante é o Islamismo. 
Além disso, depois da reaproximação movida por 
Barack Obama entre EUA e Cuba, cujas relações haviam 
sido rompidas na década de 60, Trump cancelou o 
acordo. Na sequência, o Departamento do Comércio e do 
Tesouro dos EUA identificou dezenas de empresas 
cubanas com as quais a relação de negócios foi proibida. 
 
COREIA DO NORTE 
Em 2016 a Coreia do Norte voltou a ameaçar os 
EUA com o seu programa nuclear. 
Segundo fontes, a ameaça de utilizar bombas 
nucleares é feita em resposta às sanções impostas pelo 
Conselho de Segurança da Organização das Nações 
Unidas (ONU) contra o país liderado por Kim Jong-un. 
Além dos EUA, a Coreia também se manifesta 
contra o Japão, aliado americano. 
A Coreia do Norte realizou seu sexto teste nuclear 
no dia 3 de setembro de 2017. Tendo sido o mais potente 
realizado, sua força equivale a 16 vezes a da primeira 
bomba atômica da história e que destruiu a cidade de 
Hiroshima. 
No primeiro dia do ano de 2018, o líder coreano 
ameaça os EUA anunciando que o botão nuclear fica na 
sua mesa. 
 
GUERRA NA SÍRIA 
Em 2017, os EUA atacou a Síria, agindo de forma 
contrária ao que Trump havia prometido. No mês de abril, 
o ataque aéreo americano deixou 15 mortos na Síria após 
o lançamento de 59 mísseis sobre a base aérea síria. 
Segundo o governo americano, esse ato teria sido 
avançado em resposta ao ataque promovido pela Síria 
com armas químicas, o qual deixou dezenas de mortos. 
O presidente sírio nega essa ação, no entanto, 
segundo investigadores de crimes de guerra da ONU as 
forças sírias já fizeram uso desse tipo de armas por mais 
de vinte vezes. 
A Guerra na Síria teve início em 2011. 
 
BREXIT 
Brexit, junção das palavras Britain (Bretanha) 
e exit (saída), é o nome usado para indicar a saída do 
Reino Unido da União Europeia (UE). 
O processo teve início em junho de 2016 após o 
referendo que manifestou a vontade da maioria dos 
ingleses em abandonar o bloco econômico. 
A situação é muito difícil e coloca em risco a 
estabilidade de toda a UE. Como consequência, todos os 
tratados feitos com o Reino Unidos deverão ser 
renegociados. É por isso que a negociação do Brexit pode 
durar 2 anos. 
Apesar de suas consequências ainda não poderem 
ser calculadas, somente no início de 2017 já são milhares 
os imigrantes europeus expulsos do Reino Unido. 
 
REFUGIADOS 
A perseguição e o terror vividos em situações de 
extrema intolerância levam o mundo a passar pela pior 
crise humanitária do século, segundo a ONU. 
Principalmente com origem de países africanos e 
do Oriente Médio, são milhões os refugiados. A Guerra na 
Síria é das maiores situações que motivam a tentativa de 
ingresso em países europeus, a qual é feita via marítima 
em condições precárias. 
Apesar de muito se falar sobre a crise dos 
refugiados na Europa, a grande maioria dos refugiados 
sírios partiram para países mais próximos. São exemplos 
Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Turquia. 
 
ACORDO DE PARIS 
A saída dos EUA do Acordo de Paris foi uma das 
promessas feitas por Donald Trump, a qual cumpriu 
meses depois da sua tomada de posse. 
O acordo que trata da mudança climática em 
decorrência da poluição da atmosfera havia sido ratificado 
pelo então presidente Barack Obama em 1995. 
Até então, os EUA, um dos maiores poluidores 
mundiais, assumia o compromisso de fazer uma redução 
gradual na emissão de poluentes até 2025. 
Quase 200 nações assinam esse acordo, 
excetuando-se, por exemplo, a Síria. 
 
CRISE NA VENEZUELA 
A Venezuela é um dos maiores produtores de 
petróleo, no entanto, a drástica queda de preço no 
petróleo venezuelano foi um dos grandes propulsores da 
crise financeira no país, uma vez que é da importação que 
a economia da Venezuela se mantém. 
https://www.todamateria.com.br/brexit/
CONHECIMENTOS GERAIS 21 
Como consequência, a inflação disparou, ao 
mesmo tempo que os salários baixaram, dentre outros 
fatores que resultaram no empobrecimento da população. 
Em função disso, a inibição do consumo tornou-se 
tão grave que a maior parte dos venezuelanos deixou de 
conseguir sequer comprar os bens de primeira 
necessidade. 
Não há alimentos, nem medicamentos. Acresce a 
onda de violência. Em busca de condições melhores, os 
venezuelanos atravessam a fronteira para o Brasil, fato 
que preocupa a segurança nacional. 
 
ATENTADOS TERRORISTAS 
Em 2017 o mundo presenciou mais uma série de 
atentados, dentre os quais citamos: 
Em abril, no metrô de São Petersburgo, na Rússia, 
um explosivo matou 14 pessoas, ferindo mais de 50. O 
atentado terá sido ordenado pela Al Qaeda. 
Nesse mesmo mês, ataques explosivos em igrejas 
no Egito durante o Domingo de Ramos fizeram um total 
de 43 mortos e mais de 100 feridos. A responsabilidade 
dos ataques suicidas é conferida ao Estado Islâmico. 
Em maio, após o show da cantora Ariana Grande 
em Manchester, aconteceu uma explosão no exterior do 
evento provocada por um homem bomba. Causando a 
morte de 22 pessoas e mais 60 feridas, o Estado Islâmico 
do Iraque e do Levante (EIIL) foram os responsáveis pelo 
ataque. 
No mês seguinte, também no Reino Unido, várias 
pessoas foram atropeladas e esfaqueadas. Pelo menos 8 
pessoas morreram, enquanto cerca de 48 ficaram feridas. 
Acredita-se que a autoria esteja a cargo do Estado 
Islâmico. 
Em agosto foi a vez de Barcelona. Um 
atropelamento levou pelo menos 12 pessoas à morte e 
mais de 100 ficaram feridas. A autoria foi reivindicada pelo 
Estado Islâmico. 
Nas proximidades do Natal, no dia 17 de 
dezembro, durante a missa de domingo em uma igreja 
metodista, um atentado suicida fez ao menos 5 mortos e 
30 feridos no Paquistão. 
 
RACISMO NOS EUA 
Os EUA é conhecido por ser um país racista e 
xenófobo. 
Em agosto, em Charlottesville (Virgínia), uma 
cidade caracterizada pela calma, foi palco de uma grande 
marcha de supremacistas brancos. 
O grupo protestava contra a decisão da prefeitura 
de retirar a estátua do oficial militar norte-americano 
Robert E. Lee, a qual é considerada uma homenagem à 
escravidão. 
Na marcha, uma pessoa morreu após ter sido 
propositalmente atropelada e várias pessoas ficaram 
feridas. 
Na sequência dessa tragédia, a ONU recomenda a 
punição de todos os que incentivam crimes racistas nos 
EUA. 
 
OS 100 ANOS DO FIM DA PRIMEIRA GUERRA 
Em 2018 completa-se o centenário do fim 
da Primeira Guerra (1914-1918). Foi no dia 11 de 
novembro de 1918 que a rendição alemã foi assinada. 
No ano seguinte, o Tratado de Versalhes impôs 
que a Alemanha, a principal derrotada e responsável 
pelos prejuízos causados, indenizasse a França. 
Estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas, 
entre soldados e civis, morreram nesse conflito, um dos 
que mais matou pessoas na história da humanidade. 
 
OS 200 ANOS DO NASCIMENTO DE KARL MARX 
Há 200 anos nasceu o alemão Karl Marx (1918-
1833), o mais ilustre teórico socialista, que influenciou 
vários outros teóricos. 
Marx foi um dos fundadores do socialismo 
científico e é o autor de O Capital, sua obra mais 
importante. 
Faleceu no dia 14 de março de 1883 vítima de 
doença. 
 
 OS 100 ANOS DO NASCIMENTO DE NELSON 
MANDELA 
Em 2018, o mundo também comemora o 
centenário do nascimento do primeiro presidente negro da 
África do Sul, Nelson Mandela. 
Nascido no dia 18 de julho de 1918, a principal 
figura na luta contra o Apartheid esteve preso durante 27 
anos, até que, em 1994 foi eleito presidenteda África do 
Sul, governando ate 1999. 
Em 1993 foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz 
e faleceu 20 anos depois com 95 anos de idade. 
 
OS 50 ANOS DA MORTE DE MARTIN LUTHER KING 
Há 50 anos morria um dos principais líderes 
negros, Martin Luther King. 
Pastor batista, nasceu no dia 15 de janeiro de 
1929 em Atlanta e morreu assassinado em 4 de abril de 
1968, sendo desconhecida a autoria do crime. 
Luther King, que pregava o amor ao próximo, é o 
autor do famoso discurso "Eu tenho um sonho", o qual foi 
proferido em 1963 para cerca de 250 mil pessoas em 
Washington. 
Em 1964 foi condecorado com o Prêmio Nobel da 
Paz. 
 
FURACÃO IRMA 
O furacão Irma distribuiu catástrofes pelos 14 
locais em que passou, dentre os quais Antígua e Barbuda, 
Ilhas Virgens Britânicas e Estados Unidos. 
Formado no dia 30 de agosto, sua intensidade foi 
aumentando de forma bastante rápida. No dia 5 de 
setembro o furacão alcançou a categoria 5, com ventos 
que chegaram a atingir 300 quilômetros por hora. Essa 
classificação fez desse fenômeno o maior da história do 
Atlântico. 
No dia 12 de setembro, Irma se dissipou. Milhões 
de pessoas foram evacuadas e mais de 60 morreram. 
 
ATENTADO EM LAS VEGAS 
Na noite do dia 1 de outubro de 2017, 59 pessoas 
morreram em Las Vegas. Além dessas, mais de 500 
ficaram feridas após um homem ter atirado do 32.º andar 
de um quarto de hotel para uma multidão que assistia um 
show num domingo à noite. 
Trata-se do maior tiroteio em massa da história 
dos Estados Unidos. O atirador, Stephen Paddock, tinha 
 CONHECIMENTOS GERAIS 22 
64 anos e foi encontrado morto no quarto de onde 
disparou com metralhadoras. 
Apesar de o Estado Islâmico ter assumido a 
autoria do ataque, a polícia informou a suspeita de que o 
atirador teria agido sozinho. 
 
COPA DO MUNDO 2018 
Em 2018 acontece a 21ª edição da Copa do 
Mundo. Pela primeira vez, o evento esportivo tem lugar 
na Rússia, sendo disputado entre os dias 14 de junho e 
15 de julho. 
Mantendo a preocupação com o ambiente, o 
mascote da competição é um lobo. Seu nome, Zabivaka, 
significa "aquele que marca um gol", em russo. 
A edição anterior, a Copa de 2014, foi disputada 
no Brasil. A Alemanha conquistou o título de tetracampeã 
ao ganhar a batalha final com a Argentina, enquanto o 
Brasil ficou na 4ª colocação. 
 
ASSÉDIO SEXUAL 
Em outubro de 2017 um dos homens mais 
poderosos de Hollywood, o produtor Harvey Weinstein, foi 
acusado de ter abusado sexualmente de cerca de 
mulheres ao longo de aproximadamente 30 anos. 
As vítimas, atrizes e funcionárias, mantiveram 
segredo com medo das consequências da denúncia, até 
que o jornal The New York Times denunciou o produtor, o 
qual foi demitido. 
Depois dessa denúncia, novos casos de assédio 
foram revelados. Os mesmos envolvem atores premiados, 
além de um jornalista e outro produtor, todos eles 
demitidos ou afastados dos seus projetos profissionais. 
 
OS NOVOS PROBLEMAS DE PRIVACIDADE NA 
INTERNET 
O assunto parece batido, mas se prestarmos 
atenção às notícias dos últimos dois anos vemos que as 
discussões têm ganhado grandes proporções. Um 
exemplo é a Justiça brasileira, que em 2016 tentou várias 
vezes bloquear o aplicativo de conversas WhatsApp. Em 
todas elas, a justificativa da Justiça para suspender 
temporariamente o serviço foi a mesma: a empresa não 
teria liberado uma troca de mensagens que supostamente 
ajudariam a comprovar os culpados de algum 
crime. Neste texto nós esmiuçamos o assunto, tratando 
de questões relacionadas à privacidade e direitos digitais, 
questão bastante discutida na sociedade brasileira depois 
da elaboração do Marco Civil da Internet (tem mais 
detalhes sobre isso no link do início desta frase). 
 
A DÉCADA DA CHINA 
A China, é claro, não poderia ficar de fora. A última 
década foi de reviravoltas para o país asiático, 
que vem cumprindo um papel de protagonismo no 
crescimento das economias de todo o mundo, sendo o 
principal parceiro comercial em todos os continentes. Nos 
últimos anos, no entanto, uma desaceleração na 
produção vem causando temor nas bolsas de valores e 
em governos mundo afora. Neste texto, mais do que 
explicar a complexidade da China, explicamos todo o 
contexto por trás da segunda maior economia do mundo. 
 
COREIA DO NORTE 
No nordeste do continente asiático, um pequeno 
país banhado pelo mar do Japão vem preocupando o 
mundo. Trata-se da Coreia do Norte, a mais fechada das 
nações do planeta, que volta e meia aparece com uma 
medida polêmica que vai na contramão da diplomacia. A 
tensão política entre Coreia do Norte e Estados 
Unidos desde a eleição do republicano Donald 
Trump vale a revisão sobre o conflito entre a Coreia do 
Norte e a Coreia do Sul. 
 
O ESTADO ISLÂMICO E A SÍRIA 
O Estado Islâmico se estabeleceu como uma das 
maiores forças terroristas da atualidade. O tema não é tão 
recente – desde 2015 forças rebeldes da região da Síria e 
do Iraque assassinam jornalistas, invadem povos e 
destroem cidades históricas. Nos últimos meses o grupo 
vem perdendo força, mas vários atentados terroristas, 
principalmente na Europa, ainda são reivindicados pelo 
Estado Islâmico. 
Ainda sobre o Estado Islâmico, vale notar que ele 
não é um estado propriamente dito. Não há uma estrutura 
política, uma territorialidade e, muito menos, um 
reconhecimento de outras nações. Além disso, é possível 
dizer que o grupo tampouco representa 
o islamismo. Neste texto explicamos os princípios do 
islamismo, vale dar uma olhada. 
Todo esse imbróglio envolve, principalmente, a 
Síria. Muitas regiões do país foram controladas por um 
bom tempo pelo Estado Islâmico. O presidente Bashar al-
Assad, foi bem sucedido em diminuir a presença dos 
rebeldes, mas seus métodos e sua visão de democracia 
são extremamente questionáveis. Por conta disso uma 
série de manifestações populares seguem na região, num 
processo que teve início na chamada Primavera Árabe e 
que ainda persiste. 
Dito isso, vale ressaltar que toda essa instabilidade 
no Oriente Médio e na África saariana (além das questões 
religiosas que nós explicamos neste texto) tem como um 
grande pivô a busca por petróleo, commodity que é 
abundante na região. 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS 
O Senado uruguaio aprovou, nesta terça 
feira(10.12.2013), um projeto de lei que representa 
uma experiência ainda inédita no mundo. Segundo 
um representante do governo, "há uma boa 
possibilidade de que a iniciativa do Uruguai tenha 
um impacto similar na opinião pública da América 
Latina". 
http://g1.globo.com/mundo/noticias/2013/12/uruguai-
aprova-projeto-de-lei. Adaptado) 
01.O projeto de lei destacado na noticia:(Policia Civil-
SP/2014) 
a)Obriga bancos a oferecer empréstimos aos 
trabalhadores. 
b)Libera a Classe Média do pagamento de impostos. 
c)Regula a produção e venda de maconha no país. 
d)Instaura a morte por crimes de corrupção. 
e)Cria leis trabalhistas especiais para mulheres. 
 
02.A respeito do atual quadro eleitoral no Brasil e no 
resto da América Latina, é correto afirmar 
que:(BNB/2014) 
a)No Chile, Michelle Bachelet se reelegeu em 2013 e 
anunciou diminuir as desigualdades sociais, mediante 
uma reforma tributária e investimentos para oferecer 
um sistema educacional público. 
CONHECIMENTOS GERAIS 23 
b)Na Colômbia, o atual presidente Álvaro Uribe pretende 
concorrer ao segundo mandato, e, para tanto, está 
abrindo o diálogo com os guerrilheiros das Forças 
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). 
c)No Uruguai, a direita, representada pelo presidente José 
Mujica, se lança à reeleição prometendo ampliar o 
combate à dependência química iniciado em 2013, 
com a criminalização do uso de maconha. 
d)No Brasil, os candidatos de oposição à reeleição da 
atual Presidente Dilma Roussef (PT), Eduardo 
Campos (PSDB) e Aécio Neves (PMDB), têm bases 
em Pernambuco e em Minas Gerais, estados nos 
quais já foram governadores. 
e)Na Bolívia, Evo Morales anuncia concorrer em 2014 ao 
segundo mandato presidencial, dando prosseguimentoao programa de apoio aos movimentos camponeses e 
indígenas na América Latina. 
 
“Isso é uma demonstração infeliz de por que esse 
país, um gigante econômico e cultural, continua 
um anão diplomático”, disse o porta-voz Yigal 
Palmor. (Último Segundo. http://goo.gl/kE6SDm, 
24.07.14 Adaptado) 
03.A expressão “anão diplomático” foi utilizada pelo 
porta-voz de Israel referindo-se: (Pref.Ribeirão 
Preto/2014) 
a)Ao Irã, após fracassarem as negociações de paz com a 
Síria. 
b)Aos EUA, após negarem um assento a Israel no 
Conselho de Segurança da ONU. 
c)Ao Brasil, após o governo brasileiro classificar como 
desproporcional a ofensiva israelense em Gaza. 
d)À Palestina, após se negarem a mais uma rodada de 
negociações para o cessar-fogo na Cisjordânia. 
e)À China, após o país negar o pedido aos seus cidadãos 
de suspenderem o controle de natalidade e terem 
mais de um filho por família. 
 
Em meados de maio(2014), o ministro Teori Zavascki 
suspendeu os inquéritos da Operação Lava Jato, 
mandando soltar todos os presos e pediu que tudo 
fosse enviado ao Supremo Tribunal Federal. 
03.Motivou a decisão do ministro o fato de:(COPASA-
MG/2014) 
a)A ausência de indícios de corrupção ter sido detectada 
pela Justiça do Paraná. 
b)A operação ter sido feita de forma indevida pela Polícia 
Federal. 
c)Dois dos investigados terem foro especial por 
prerrogativa de função. 
d)O ministro ter se recusado a examinar os autos. 
 
04.A charge apresentada faz uma clara alusão à crise 
na Ucrânia. Quanto ao tema, assinale a alternativa 
correta.(CONAB/2014) 
a)A União Europeia se encontra em uma difícil situação 
nesse conflito, pois apoia os ucranianos na sua 
integridade territorial e, ao mesmo tempo, depende 
das importações de gás da Rússia. 
b)A Ucrânia possui uma explícita divisão: o oeste é pró-
Rússia, tanto étnica como economicamente, enquanto 
o oeste é pró-Ocidente e europeizante. 
c)A revolta popular na Ucrânia se iniciou com a decisão 
do presidente Viktor Yanukovich de rejeitar um acordo 
comercial com a Rússia e aceitar a ajuda econômica 
da União Europeia e dos Estados Unidos. 
d)A Rússia de Vladimir Putin quer continuar com um 
grande domínio sobre a Ucrânia, pois depende das 
importações de gás desse país para se abastecer. 
e)A anexação da Península da Crimeia pela Rússia foi o 
estopim da crise ucraniana, quando a população 
crimeana saiu às ruas exigindo permanecer ligada à 
Crimeia. 
 
Gabarito: 
01 02 03 04 
C A C C 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS 
06. Durante a suspensão temporária do Paraguai das 
atividades ligadas ao Mercosul (suspenso em 
decorrência da deposição do ex-presidente 
Fernando Lugo, em 2012), Brasil, Argentina e 
Uruguai aprovaram a entrada de um novo país no 
bloco econômico. Que país passou a fazer parte 
do Mercosul durante a suspensão do Paraguai? 
(PM-PI/2014) 
a)Chile. 
b)Bolívia. 
c)Peru. 
d)Colômbia. 
e)Venezuela. 
 
Robert Shiller alerta para bolha imobiliária. O 
economista que previu o colapso imobiliário 
americano acredita que uma bolha semelhante 
está se formando no Brasil.(Revista Exame, 
http://goo.gl/ydtL4z, 05.11.2013. Adaptado) 
07.A respeito do fenômeno citado no artigo, é correto 
afirmar que: (CHQAOPM-SP/2014) 
a)a alegada “bolha imobiliária” refere-se ao acúmulo de 
imóveis vazios e à venda causado principalmente pelo 
excesso de construções e reformas em relação à 
demanda do mercado. 
b)o que gera previsões de bolha imobiliária no Brasil é a 
alta dos preços dos imóveis em um curto período de 
tempo a exemplo do que, aliado a outros fatores, 
atingiu os Estados Unidos. 
c)as análises e previsões dos economistas brasileiros e 
americanos são unânimes em afirmar que haverá uma 
bolha imobiliária em todas as capitais dos estados 
brasileiros a partir do ano de 2014. 
d)a bolha imobiliária é causada pelo excesso de 
financiamentos a juros altos concedidos pelos bancos 
estrangeiros para cobrir o pagamento do imóvel ainda 
não entregue aos futuros proprietários brasileiros. 
e)a bolha imobiliária somente atinge os imóveis de baixo 
padrão, uma vez que os imóveis de luxo e de alto 
padrão estão cobertos por seguros, pelas próprias 
regras do mercado financeiro e pelas bolsas de 
valores. 
 CONHECIMENTOS GERAIS 24 
A crise cambial na Argentina pode reduzir em cerca 
de US$ 2 bilhões o saldo da balança comercial 
brasileira deste ano. (O Estado de São Paulo, 
http://goo.gl/AsGrU0, 18.02.2014) 
08.Assinale a alternativa que explica essa possível 
causa da redução do saldo da balança comercial 
brasileira.(CHQAOPM-SP/2014) 
a)O Brasil reduzirá a exportação de veículos para a 
Argentina. 
b)O temor dos investidores estrangeiros de que a crise 
argentina contamine o Brasil. 
c)O Brasil e a Argentina possuem produção conjunta nos 
setores têxtil e calçadista. 
d)O Brasil deixará de importar carne bovina e vinhos 
argentinos. 
e)Os brasileiros reduzirão drasticamente o turismo na 
Argentina. 
 
09..Em março de 2013, realizou-se a V Cúpula dos 
BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do 
Sul). Assinale a alternativa que identifica 
corretamente a decisão tomada nessa reunião: 
a).Oposição ao G-20, criando um espaço alternativo para 
tomada de decisões das economias emergentes. 
b).Início das negociações para a criação de um Banco de 
Desenvolvimento, proposto na cúpula anterior. 
c).Estabelecimento dos meios para realizar um combate 
mundial contra o terror, em defesa da segura 
internacional. 
d).Acordo para reduzir as emissões de gases causadores 
de efeito estufa (GEEs) e investir em desenvolvimento 
sustentável. 
e).Saída dos países-membros dos demais fóruns 
multilaterais de negociação, privilegiando as cúpulas 
dos BRICS. 
 
10.Com relação à expansão do PIB, 36 países tiveram 
dados divulgados até a quarta semana de 
novembro de 2014. Dentre eles temos: China com 
1,9%; EUA, com 1%; Espanha, com 0,5%; México, 
com 0,5%; Chile, com 0,4%; França, com 0,3%; 
África do Sul, com 0,3%; Alemanha, com 0,1% e 
Brasil, com 0,1%. Destes, o país europeu melhor 
classificado é: (CPTM-SP/2015) 
a)EUA. 
b)França. 
c)Espanha. 
d)Alemanha. 
e)China. 
 
GABARITO 
05 06 07 08 09 10 
A E B B B D 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS 
11.Seguindo o exemplo de outros países latino 
americanos que passaram por experiências de 
governos ditatoriais, o Brasil criou uma comissão 
para investigar os crimes de tortura, prisão 
arbitrária e assassinatos ocorridos durante o 
Estado Novo e a Ditadura Militar brasileira. Sobre o 
poder de atuação e a natureza da Comissão da 
Verdade no Brasil, é correto afirmar que essa 
Comissão: (CFOPM-PR/2014) 
a)Tem um caráter punitivo, tendo em vista as prisões dos 
militares envolvidos nas acusações. 
b)Está sendo coordenada por entidades civis ligadas aos 
Direitos Humanos, e não possui relação com o 
Governo Federal. 
c)Está sendo coordenada por familiares dos 
desaparecidos políticos, e possui um caráter punitivo. 
d)Pretende ampliar o debate sobre as ditaduras no Brasil 
através da investigação de documentos e do 
recolhimento de relatos dos envolvidos. 
e)Não possui um caráter punitivo, pois os acusados 
poderão permanecer em liberdade mediante o 
pagamento de fiança. 
 
Observe a imagem: 
 
12.Considerando-se a charge acima, o Estatuto do 
menor e do adolescente e outros conhecimentos 
sobre o assunto é correto afirmar que:(CEMIG-
TELECOM/2010-Adaptada) 
a)segundo o chargista é irrelevante a alteração da 
maioridade penal, uma vez que os jovens dificilmente 
ultrapassam os 16 anos. 
b)de acordo com a legislação vigente a maioridade penal 
é a partir dos 18 anos de idade. 
c)os jovens que optam pelo voto facultativo aos 16 anos 
estão automaticamente emancipados, podendo ser 
criminalmente responsabilizados. 
d)independentemente da escalada da violência, os 
diferentes setores sociais têm se colocado contrários à 
redução da maioridade penal. 
e)a aprovação da redução da maioridade civil, tem amplo 
apoio da sociedade brasileira, dada a onda de 
violência que assola

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