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CENTRO UNIVERSITÁRIO AUGUSTO MOTTA – UNISUAM
ALUNA:
JANAINA M. ANDRADE
KATIA DE PAULA HELENO
MARIANA DE ABREU BRITO
RUAN DE FARIAS DE CARVALHO
ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA
Rio de Janeiro
2021
JANAINA M. ANDRADE – MATRÍCULA: 09200562
KATIA DE PAULA HELENO – MATRÍCULA: 18200965
MARIANA DE ABREU BRITO - MATRÍCULA: 18102434
RUAN DE FARIAS DE CARVALHO – MATRÍCULA: 21103026
ATIVIDADE PRÁTICA SUPERVISIONADA
Trabalho apresentado na forma de Atividade Prática Supervisionada (APS), como formação parcial de nota na disciplina Direito Civil VI, ministrada pelo professor Luiz Augusto Castello Branco De Lacerda Marca Da Rocha, em 2021.2.
Rio de Janeiro
2021
O instituto família sofreu grande evolução ao longo do tempo. Partiu-se de uma concepção de parentalidade completamente restritiva até se apresentar, nos dias atuais, em um modelo mais moderno e flexível. Como ocorre com a entidade familiar, a filiação passou a ser identificada pela presença do vínculo afetivo, ampliando-se o conceito de paternidade, compreendendo-se, assim, o parentesco psicológico, que prevalece sobre a biológica e a realidade legal. Nesse sentido, Maria Berenice Dias: “As transformações mais recentes por que passou a família, deixando de ser unidade de caráter econômico, social e religioso para se afirmar fundamentalmente como grupo de afetividade e companheirismo, imprimiram considerável reforço ao esvaziamento biológico da paternidade”. Ou seja, a identificação dos vínculos de parentalidade não deve ser buscada somente no campo genético, pois a paternidade não é apenas um ato físico, mas uma opção, adentrando a área afetiva. Cabendo, assim, ao direito identificar o vínculo de parentesco entre pai e filho e responsabilizar o genitor aos deveres do poder familiar.
 	Como assim também assim se manifesta Rodrigo da Cunha Pereira sobre o moderno entendimento do que seja a relação paterno filial: “Para que um filho verdadeiramente se torne filho, ele deve ser adotado pelos pais, tendo ou não vínculos de sangue que os vinculem. A filiação biológica não é nenhuma garantia da experiência da paternidade, da maternidade ou da verdadeira filiação. Portanto, é insuficiente a verdade biológica, pois a filiação é uma construção que abrange muito mais do que uma semelhança entre os DNA. Afinal, o que é essencial para a formação de alguém, para que possa tornar-se sujeito e capaz de estabelecer laço social, é que uma pessoa tenha, em seu imaginário, o lugar simbólico de pai e de mãe. A presença do pai ou da mãe biológicos não é nenhuma garantia de que a pessoa se estruturará como sujeito. O cumprimento de funções paterna e materna, por outro lado, é o que pode garantir uma estruturação biopsíquica saudável de alguém. Por isso, a família não é apenas um dado natural, genético ou biológico, mas cultural, insista-se.”
Constata-se com isso que essa relação é o reflexo de um momento histórico, sendo que "a paternidade, em si mesma, não é um fato da natureza, mas um fato cultural." Como pode ser visto de acordo com o julgado (STJ – AREsp: 1796788 RJ 2020/0313818-3, Relator: Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Data de Publicação: DJ 09/04/2021) que o fato predominante é a afetividade, visto que necessidade de manter a estabilidade familiar faz com que se atribua papel secundário a verdade biológica, e cabe o que é melhor para o menor que no caso em questão é o afeto da família.
Sendo o julgado tratando-se de agravo manifestado contra decisão que negou seguimento a recurso especial interposto em face de acórdão com a seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. SENTENÇA (INDEXES 533 E 574) QUE JULGOU: (I) IMPROCEDENTE O PEDIDO DE ANULAÇÃO DE REGISTRO DE NASCIMENTO DE D.C. C. PARA DECLARAR QUE A CRIANÇA É FILHA DE P.C.G.C., E QUE O NOME DO SEGUNDO SUPLICADO DEVERÁ CONTINUAR CONSTANDO EM SEU REGISTRO DE NASCIMENTO; (II) PROCEDENTE O PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE PATERNIDADE PARA DECLARAR QUE F.S.E. É PAI BIOLÓGICO DE D.C.C, DEVENDO O NOME DO RECLAMANTE TAMBÉM CONSTAR DO REGISTRO. APELOS DO AUTOR E DOS RÉUS DESPROVIDOS. Demandante e Demandado apelaram, buscando o reconhecimento de somente uma das paternidades no registro de nascimento do menor. O Requerente afirma que conheceu a mãe do menor em 2004, mas que somente em 2006 começaram a manter relação esporádica. Assevera que, em meados de 2009, o relacionamento se tornou sério e perdurou até fevereiro de 2010. Relata o Requerente que, em 14/10/2010, foi avisado do nascimento de seu filho por mensagem de texto, mas a Requerida não informou em qual maternidade estaria. Alega o Demandante que teve a oportunidade de ir à casa da Ré para visitar seu filho, 5 (cinco) dias após seu nascimento, e, ao questionar qual seria o procedimento para efetivar o registro de nascimento, foi informado de que outro homem já havia registrado a criança como se seu filho fosse. Assim, passou a ter dúvidas sobre a paternidade e solicitou que fosse realizado o exame de DNA. In casu, foi acostado exame de DNA (index 09, fls. 11/14), realizado em 04/01/2012, no qual foi constatada a paternidade biológica do Suplicante. Dessa forma, a partir de meados de 2012, o menor passou a frequentar a casa do pai biológico, tendo contato inclusive com os avós paternos. O Autor menciona ter insistido para que fosse efetuada a retificação no registro de nascimento, mas não obteve sucesso. O segundo Reclamado (pai registral) alega que somente tomou conhecimento da existência da paternidade biológica após ter registrado a criança, em 15/10/2010, e, ainda assim, decidiu optar pela manutenção da família, demonstrando a presença da relação socioafetiva. Como ressaltado pelo r. Juízo a quo: “[...] A paternidade socioafetiva tem um conteúdo afetivo e social profundo e sua ruptura prejudicaria o interesse do filho, justamente aquele que não fez escolhas para viver a situação em que está. Sobre a absoluta prioridade do interesse do filho (que se equipara a criança neste contexto), existe o mandamento constitucional do artigo 227, além de a Convenção Internacional dos Direitos da Criança, da ONU, de 1989 (no direito interno brasileiro desde 1990) também estabelecer tal prioridade.[...]” Ressalte-se que o laudo da assistente social menciona que o segundo Requerido já “possui lugar socialmente assegurado junto ao menor”, e que a inclusão do Autor como segundo pai representaria ponto positivo, somando-se os esforços nos cuidados com a criança (index 445, fl.308). O parecer do psicólogo, no index 463, concluiu pelo reconhecimento das duas parentalidades como a melhor forma de atender ao interesse da criança (index 463, fls.320). Portanto, conclui-se que o vínculo socioafetivo já se encontra estabelecido entre o menor e o pai registral, bem como, por outro lado, que a convivência com o pai biológico se afigura salutar, conforme conclusão do laudo. Cabe ressaltar, como mencionado pelo r. Juízo de origem que: “[...] O estado de filiação, que decorre da paternidade socioafetiva, nada tem a ver com o direito de cada pessoa ao conhecimento de sua origem genética. As situações são diversas, tendo a primeira a natureza de direito de família e a segunda, de direito da personalidade. Observa-se que, para ver garantido o direito ao conhecimento da origem genética, não há necessidade de investigar a paternidade ou anular registro de nascimento. [...]” Nessa esteira, conforme registrado pela D. Procuradoria de Justiça, “no caso concreto, decidir pela escolha de um ou outro pai se mostra uma escolha trágica, tendo em vista que o interesse a ser resguardado é o do menor, especialmente, quando o laudo pericial demonstra o afeto de ambos pelo infante e pela possibilidade da multiparentalidade. Cumpre esclarecer que a exclusão de um ou outro do convívio da criança, esta sim, pode acarretar maiores prejuízos ao seu desenvolvimento do que o convívio com ambos os pais”. Sobre o tema, cabe destacar que o STF, apreciando o Tema 622 da repercussão geral (Recurso Extraordinário nº 898.060/SC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux), fixou a seguinte tese: “a paternidadesocioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitantemente baseado na origem biológica, com os efeitos próprios”. Nesse sentido, restou pacificada a possibilidade de reconhecimento da dupla parentalidade. Restou demonstrado que, conforme salientado pela sentença, “[...] a criança tem vínculo de afeto com o segundo réu, seu pai registral. As fotografias juntadas e os laudos mostram que Paulo, pai registral de Danilo, sempre exerceu a paternidade com bastante cuidado e atenção de modo que a criança teria imenso prejuízo em furtar-se ao seu convívio [....]”. Do mesmo modo, observou o decisum que “a criança possui vínculo genético com o autor, pai biológico, e com o mesmo conviveu em período significativo de tempo dentro da chamada”Primeira Infância”[....] As marcas de tal convívio ficam necessariamente em seu inconsciente e é preciso permitir que Danilo conviva com seu pai biológico e avós paternos biológicos para que possa construir uma boa relação com a própria história e estruturar adequadamente sua identidade subjetiva. [...]”. Assim, o reconhecimento da paternidade biológica para o Autor, de igual modo, permitirá o cumprimento dos deveres de assistência material e moral que até então eram assumidos apenas pela genitora e seu companheiro. Nesses termos, e considerando o princípio do melhor interesse do menor, impõe-se o reconhecimento do vínculo de paternidade biológica do Autor, concomitantemente à manutenção da paternidade socioafetiva do segundo Reclamado, até para garantir a ambos o direito à convivência com a criança. Alegou-se, no especial, violação dos artigos 3º, 4º, 7º e 19 do Estatuto da Criança e do Adolescente, associada a dissídio jurisprudencial, sob o argumento de que foram indevidos o reconhecimento da paternidade biológica e a determinação do registro no assentamento do filho da referida paternidade, porquanto já registrada em nome de outro pai. Assim delimitada a controvérsia, passo a decidir. Colhe-se dos autos que o agravado ajuizou pedido em face dos agravantes e de seu filho alegando ser pai biológico deste. As instâncias ordinárias reconheceram a referida paternidade biológica, concluindo o Tribunal local que, “considerando o princípio do melhor interesse do menor, impõe-se o reconhecimento do vínculo de paternidade biológica do Autor, concomitantemente à manutenção da paternidade socioafetiva do segundo Reclamado, até para garantir a ambos o direito à convivência com a criança” (e-STJ, fl. 699). Esta Corte tem entendimento de que não há violação da lei no reconhecimento da dupla paternidade, a biológica e a socioafetiva, inclusive para o exercício dos direitos dos pais e filho. Assim: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. FAMÍLIA. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.021, § 1º, DO CPC/2015. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. INVIABILIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. Nos termos do art. 1.021, § 1º, do CPC/2015, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. Incidência, por analogia, da Súmula n. 182/STJ. 2. Incabível o exame de tese não exposta no recurso especial e invocada apenas em recurso posterior, pois configura indevida inovação recursal. 3. A existência de vínculo com o pai registral não é obstáculo ao exercício do direito de busca da origem genética ou de reconhecimento de paternidade biológica. Os direitos à ancestralidade, à origem genética e ao afeto são, portanto, compatíveis. (REsp 1618230/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 10/05/2017). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl no AREsp 975.380/PR, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 1/6/2020, DJe 5/6/2020) RECURSO ESPECIAL. FAMÍLIA. AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE. DEFERIMENTO DE PROVA TESTEMUNHAL PARA FINS DE APURAÇÃO DE PATERNIDADE SOCIOAFETIVA. MODIFICAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR E PEDIDO APÓS A ESTABILIZAÇÃO DA LIDE. IMPOSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA PETITA. REPERCUSSÃO GERAL DO STF. TEMA Nº 622. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO NCPC. IMPOSSIBILIDADE. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 898.060/SC, da relatoria do Ministro LUIZ FUX, DJe de 24/8/2017, com repercussão geral, fixou a tese de que “A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos próprios”. 2. No caso trazido ao Superior Tribunal de Justiça, verifica-se que o pedido formulado na petição inicial foi voltado à investigação de paternidade na modalidade biológica, não podendo após a estabilização da lide, ele também se voltar para a sociafetiva, situação fática que não se amolda ao Tema nº 622 do STF, não sendo possível a realização de juízo de retratação (art. 1.040, II, do NCPC). 3. Respeito ao devido processo legal. 4. Juízo de retratação rejeitado. (REsp 1769328/DF, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 2/6/2020, DJe 9/6/2020) Consignado, pois, pelo Tribunal local que a paternidade biológica foi comprovada e que, em nome do melhor interesse do menor, há de haver duplo registro da pater nidade, a biológica e a socioafetiva, o reexame da causa esbarra nas disposições dos enunciados n. 7 e 83 da Súmula desta Casa. Diante do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial.		BIBLIOGRAFIA:
BIBLIOTECA VIRTUA SARAIVA. Disponível em: <https://bibliotecadigital.saraivaeducacao.com.br/epub/754442?title=Novo%20curso%20de%20direito%20civil%20-%20direito%20de%20fam%C3%ADlia > Acesso em: 25 de Nov. 2021.
SILVA, Carlos Brandão Ildefonso; PENA, Luciana Calado. Paternidade e seus aspectos registral, socioafetivo e biológico: A viabilidade jurídica de seus desmembramentos e os efeitos jurídicos decorrentes.Disponível em: <https://ibdfam.org.br/artigos/380/Paternidade+e+seus+aspectos+registral,+socioafetivo+e+biol%C3%B3gico:+A+viabilidade+jur%C3%ADdica++de+seus+desmembramentos+e+os+efeitos+jur%C3%ADdicos+decorrentes.> Acesso em: 25 de Nov. 2021.
SUZIGAN, Thábata Fernada. Filiação socioafetiva e a multiparentalidade. Disponível em: < https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/9204/Filiacao-socioafetiva-e-a-multiparentalidade > Acesso em: 25 de Nov. 2021.

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