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REVISÃO/RESUMO AV2 - DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO (DIP) - AULAS 5 A 10

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Yasmim Martins de Magalhães - Direito Internacional Público e Privado - 2022.2
REVISÃO AV2
DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO
AULA 05 5. Personalidade jurídica internacional e os elementos formadores do Estado
5.1. Estado: Formação, extinção e sucessão.
AULA 06 6. Formas de reconhecimento dos Estados e de Governo
6.1. Sucessão de Estados
6.2. Imunidades
AULA 07 7. Elementos da responsabilidade internacional do Estado e Sistema Internacional de
proteção aos Direitos Humanos
7.1. Excludente de ilicitude
7.2. Domínio aéreo
7.3. Sistema Internacional de proteção aos Direitos Humanos
AULA 08 8. Comércio internacional e o direito dos contratos
8.1. Aspectos jurídicos do Comércio Internacional, suas peculiaridades e pontos em
comum com o Direito dos Contratos
8.2. Contratos Internacionais e aspectos jurídicos do Comércio Internacional
AULA 09 9. Arbitragem Internacional como mecanismo de soluções às disputas no âmbito do
comércio internacional
9.1. Composição de um procedimento arbitral
9.2. Espécies de Arbitragem Internacional
9.3. Arbitragem no Brasil
9.4. Sistema de Resolução de Disputas da Arbitragem Comercial Internacional
AULA 10 10. Elementos do Direito Internacional que tratam da Guerra
10.1. Princípios Internacionais da Guerra
10.2. Prisioneiros e feridos em Guerra
10.3. Neutralidade diante da Guerra
10.4. Terrorismo Internacional
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Yasmim Martins de Magalhães - Direito Internacional Público e Privado - 2022.2
AULA 05
5. PERSONALIDADE JURÍDICA INTERNACIONAL E OS ELEMENTOS FORMADORES DO
ESTADO
O que é personalidade jurídica internacional?
O conceito consta na jurisprudência da Corte Internacional de Justiça (CIJ), mais especi�camente no
Parecer Consultivo de 1949, proferido no ilustre caso Bernadotte. Primeiro, cabe frisar que é possível levar à CIJ
tanto casos contenciosos (Disputas entre Estados, por exemplo.) quanto consultivos.
No caso Bernadotte, a CIJ entendeu que a Organização das Nações Unidas (ONU) teria personalidade
jurídica própria para tutelar direitos de seus funcionários. Para chegar a tal conclusão, a CIJ precisou responder a
uma pergunta precedente: A ONU tem personalidade jurídica internacional?
A ausência de posicionamento expresso sobre o tema provocava questionamentos se tais entidades
seriam sujeitos de Direito Internacional. Diante disso, a Assembleia Geral da ONU acionou a CIJ para dirimir a
questão. O caso concreto envolvia um diplomata sueco – Conde Bernadotte, por isso o nome do precedente. Em
1948, a ONU envia, a seu serviço, o diplomata sueco Conde Bernadotte como seu mediador na Palestina. Ele foi
assassinado no exercício de suas funções. Diante disso, a ONU, em defesa de seu funcionário, para buscar a
reparação devida, precisava ter claramente o limite de sua personalidade internacional.
O parecer da CIJ resolve a discussão ao reconhecer a personalidade jurídica da ONU, na qualidade de
organização internacional, ao entender que esta não poderia cumprir suas �nalidades e sua missão caso fosse
desprovida de personalidade jurídica. Com relação aos Estados, são considerados pessoas jurídicas internacionais
por excelência, pois representam a coletividade no plano jurídico internacional. No referido parecer que constitui a
decisão da CIJ, conceitua-se a personalidade jurídica internacional a partir de quem pode exercê-la.
Para a CIJ, quem detém personalidade jurídica internacional: É A ENTIDADE QUE TEM
CAPACIDADE DE SER TITULAR DE DIREITOS E DEVERES INTERNACIONAIS, E A CAPACIDADE
DE FAZER PREVALECER ESTES DIREITOS POR MEIO DE RECLAMAÇÃO INTERNACIONAL
Em Direito Internacional, a personalidade é um re�exo da capacidade de Direito acrescida da
capacidade de fato. A de�nição anterior demonstra exatamente esta ideia: é a capacidade de ser titular de direitos e
deveres (ser titular de direitos) e a capacidade de exercer esses mesmos direitos por meio de reclamação
internacional. O conceito de personalidade jurídica é dinâmico e tem caráter histórico: os sujeitos de direito não são
sempre os mesmos e podem variar a depender do contexto considerado.
5.1. ESTADO: FORMAÇÃO, EXTINÇÃO E SUCESSÃO
A principal entidade dotada de personalidade jurídica internacional é o Estado. É comum também ser
utilizada a expressão “coletividades estatais” porque existem casos em que todos os elementos estão presentes, mas as
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entidades não são necessariamente Estados. Tradicionalmente, entende-se que os elementos necessários para a
constituição de um Estado são: Território, povo e governo.
Algumas vezes se inclui um quarto elemento, a soberania, que aparece como um grau de governo. O
conceito de Estado envolve os seguintes elementos:
- é um ente jurídico, dotado de personalidade jurídica internacional;
- é formado por indivíduos organizados em determinado território; está sob autoridade de um
governo independente;
- sua �nalidade de atuação é tutelar aqueles que o habitam
TERRITÓRIO: Trata-se do âmbito de validade espacial do exercício da soberania. As fronteiras (O
início e o �m do território.) são delimitadas pelo Direito Internacional, notadamente por meio de tratados
internacionais. É também o elemento material do conceito, sendo a base física do Estado, em que ele exerce a sua
soberania.
Quanto ao âmbito de validade material, os Estados podem legislar, em seu território, sobre as matérias
de domínio reservado. Em outras palavras, os Estados podem legislar sobre temas que não tenham sido tratados
pelo Direito Internacional. Portanto, o domínio reservado é um conceito dado por exclusão, abrangendo toda e
qualquer matéria que não tenha sido objeto do Direito Internacional. O domínio reservado encontra previsão no
item 7 do art. 2º da Carta da ONU.
Sobre o âmbito de validade temporal, trata-se do princípio da efetividade, ou seja, existindo um Estado
de fato, há um Estado de Direito.
POVO: Trata-se dos nacionais de um país. O Estado, no entanto, não possui ampla liberdade para
conceder nacionalidade a quem desejar, tendo em vista que o Direito Internacional apresenta duas limitações:
- uso de critérios jus solis e/ou jus sanguinis; e
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- necessidade de vínculo efetivo entre a pessoa e o Estado.
De�nição importante é a do ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Francisco Rezek, que vai
tratar do povo como a dimensão pessoal do Estado, lembrando que povo e população não são conceitos sinônimos.
Por povo, entende o autor que este corresponde à:
- JUS SOLIS: Direito de solo: indica um princípio pelo qual uma nacionalidade pode ser atribuída a
um indivíduo de acordo com seu lugar de nascimento.
- JUS SANGUINIS Direito de sangue: indica um princípio pelo qual uma nacionalidade pode ser
atribuída a um indivíduo de acordo com sua ascendência e origem étnica.
GOVERNO: É o conjunto de pessoas encarregadas de conceder e�cácia ao ordenamento jurídico
nacional. Trata-se das pessoas que conferem e�cácia ao ordenamento jurídico interno. É quem é “capaz de decidir de
modo de�nitivo dentro do território estatal, não admitindo a ingerência de nenhuma outra autoridade exterior”.
O exercício do governo pelo Estado tem dois planos:
- Nacional: O governo do plano interno é a administração e gestão do país, traduzido na �gura do
Poder Executivo.
- Internacional: O Estado é quem representa o país perante outros Estados, participando das relações
internacionais e conduzindo a política externa. Existe uma controvérsia acerca da inserção da
soberania como elemento do Estado.
Na de�nição de Jean Bodin, a soberania é entendida como o poder supremo, inalienável, perpétuo e
indivisível que não reconhece qualquer outro superior a ele. Tal entendimento encontra-se superado, de modo que
o conceito de soberania, perante o Direito Internacional da atualidade, é a não subordinação ao Direito interno de
outro Estado (não signi�ca a não subordinação ao Direito Internacional).
A personalidade jurídica internacional
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