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0 MA Elemento Textual - Projeto Integrador Artes Aplicadas

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PROJETO INTEGRADOR: ARTES 
APLICADAS 
Elisabete Castanheira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
SUMÁRIO 
 
1 A ARTE, A OBRA E O PROCESSO ............................................................... 3 
2 FORMAS DE ARTE .................................................................................. 23 
3 DIVERGÊNCIA ENTRE ARTE E CIDADE .................................................... 43 
4 ARTE E ARQUITETURA ........................................................................... 65 
5 ARTE E DESIGN DE PRODUTO ................................................................ 80 
6 CONTEXTO E ESTRUTURA ...................................................................... 97 
 
 
 
 
 
3 
 
 
1 A ARTE, A OBRA E O PROCESSO 
O primeiro Bloco da disciplina Projeto Integrador: Artes Aplicadas, busca discutir a Arte 
como produto e também como processo, numa abordagem preliminar, que faça sentido 
para uma posterior discussão sobre outro âmbito da arte: a arte aplicada. 
Há muitas definições para o conceito “Arte” e diversas perspectivas também, por isso, 
não há uma única definição que abarque toda a sua abrangência. Entretanto, o senso 
comum afirma que o papel da arte é promover uma reação, uma resposta, que, não 
necessariamente, é positiva ou negativa, sendo apenas uma reação. 
Além disso, veremos ainda a diferença entre “Belas Artes” e “Arte Aplicada”, pois 
queremos entender “O que é considerado Belas Artes? ” e “O que é considerado Arte 
Aplicada?”. 
Em alguns momentos, a arte não é apenas uma, sua personalidade é múltipla, podendo 
até se sobrepor. Em outros, apresenta uma dualidade: um pouco arte, um pouco 
técnica. Portanto, é sobre isso que queremos refletir. Vamos? 
 
1.1 A arte, a obra e o processo 
A arte é parte integrante do universo humano, da essência do indivíduo. Por meio das 
mais distintas linguagens, plasticidades criam materialização e se consolidam enquanto 
obras de arte. 
O processo artístico promove uma ligação entre o mundo interior e o mundo exterior e, 
na medida em que facilita a compreensão desses dois mundos, permite maior 
flexibilidade no olhar, no criar e um direcionamento aprimorado dos pensamentos e 
atitudes. 
A dimensão estética do homem sempre o acompanhou ao longo da história fazendo-o 
se expressar de diferentes maneiras em relação ao universo reconhecido e valorizado 
 
 
 
4 
 
das produções artísticas e culturais, mas também em relação as suas ações cotidianas 
mais simples. 
No processo de transformações históricas, o homem iniciou a elaboração de objetos e 
passou a criar utensílios que, inicialmente, serviam apenas para auxiliar na superação 
de suas dificuldades, mas que, posteriormente, passaram a ser criados também com a 
finalidade de expressar suas potencialidades. 
Figura 1.1 - Objetos pré-históricos 
 
Um excelente exemplar é a criação do arco e da flecha, que a princípio eram apenas 
objetos utilitários, porém, gradualmente, tornaram-se objetos ornamentados, 
carregando consigo, além de uma preocupação estética, uma preocupação simbólica. O 
homem esculpiu a lâmina, mas também dedicou tempo à sua decoração, como uma 
forma de acrescentar à utilidade do instrumento: uma crença, uma reverência à 
divindade, por meio de algo belo. Dessa forma, assim está materializada o princípio da 
expressão estética do homem, pois “o facto de se falar em origens, não deve induzir em 
 
 
 
5 
 
um erro: não se trata de balbucios infantis ou da inexperiência dos primórdios, mas de 
um sistema completo e adequado de comunicação significativa” (FORMAGGIO, 1973 p. 
18). 
Na Grécia Antiga, a arte deveria ser perfeita, uma verdadeira cópia e, enquanto obra, 
próxima da realidade. Logo, era teoria primeira da arte, a imitação. Havia a busca formal 
da representatividade da natureza, da harmonia. Este era o sentido da arte. 
A arte é obra da imaginação criadora, e a insistência de Platão no caráter 
imitativo da música afasta a ideia da mimese como mera cópia “fotográfica”. 
Trata-se, antes, de simbolismo imaginativo, razão por que a imitação artística 
não pode comportar em si verdade nem falsidade: “a arte serve ao verdadeiro 
ou ao falso, tertium non datur” (NOUGUÉ, s/d, p. 7). 
 
Figura 1.2 - Arte grega 
 
Durante a Idade Média, os artistas encaravam as suas obras de arte como a expressão 
de um louvor a Deus, o único e efetivo criador. Assim, a obra de arte persegue o ideal 
de beleza do criador, sendo o seu objetivo a procura pelo “belo”, feito à sua imagem e 
semelhança. 
 
 
 
6 
 
Fonte: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Meister_der_Schule_von_Nowgorod_001.jpg>
Figura 1.3 – Arte: Idade Média 
 
O Renascimento, no entanto, devolveu o protagonismo do homem enquanto ser 
criativo, porém, a ideia de imitação e proximidade da realidade perdura. 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
Fonte: <https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-
venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-
BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672
309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%
22%3A1.2375000000000007%7D%7D> 
Figura 1.4 – Arte: Renascimento 
 
Durante o século XIX e o início do século XX, com o advento da fotografia e depois do 
cinema, ocorreu uma progressiva desvalorização da dimensão imitativa da obra de arte, 
devido a sua dimensão expressiva. Nesse contexto, uma obra de arte só podia ser 
reconhecida como tal se exprimisse os sentimentos e as emoções do artista. 
Enquanto Kant (1974), atribui à obra de arte o desinteresse e o sentimento estético da 
universalidade como resultado, para Hegel (1835 apud FORMAGGIO, 1973), o belo 
transforma-se em ideia, sendo a manifestação da individualidade imediata, adequada a 
esta criação do espírito, e não apenas um conceito absoluto. 
Logo, a obra de arte é, na perspectiva de Jung (1964), o resultado da energia psíquica, 
transformada em imagens, cujos símbolos sobressaem os seus conteúdos mais internos 
e profundos. 
https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%22%3A1.2375000000000007%7D%7D
https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%22%3A1.2375000000000007%7D%7D
https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%22%3A1.2375000000000007%7D%7D
https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%22%3A1.2375000000000007%7D%7D
https://artsandculture.google.com/asset/the-birth-of-venus/MQEeq50LABEBVg?hl=pt-BR&ms=%7B%22x%22%3A0.5%2C%22y%22%3A0.5%2C%22z%22%3A8.986231844672309%2C%22size%22%3A%7B%22width%22%3A1.5957116449998494%2C%22height%22%3A1.2375000000000007%7D%7D
 
 
 
8 
 
Para referenciar essa multiplicidade de possibilidades Plaza, se vale de Umberto Eco e 
da sua teoria da Obra Aberta, na qual o autor define a arte como uma mensagem 
fundamentalmente ambígua, uma pluralidade de significados em um só significante. Se 
por um lado, este conceito de obra de arte inaugura a chamada abertura de primeiro 
grau. Por outro lado, a noção de poética como programa operacional proposto pelo 
artista corresponde ao projeto de formação de determinada obra. Os graus de abertura 
da obra servirão para equacionar a participação (PLAZA, 2000 p.3). 
Aquilo a que chamamos obra de arte não é fruto de uma atividade misteriosa, mas um 
conjunto de objetos feitos por seres humanos e para os seres humanos (GOMBRICH, 
1961). Cada uma dassuas características é o resultado de uma decisão pessoal do 
artista, expressa por meio de sua linguagem, de sua assinatura visual. 
Para Heidegger (1936 apud FORMAGGIO, 1973), há um aspecto lúdico na obra de arte, 
na medida em que se configura como um exercício projetual dos significados, ou seja, 
ela consolida um projeto da verdade e da luta original, através do qual a verdade se 
integra à obra num constante embate entre o que está visível e o que está oculto. Dessa 
forma, a arte como forma de expressão permite desenvolver a sensibilidade estética e 
a criatividade. 
A atividade criadora ou criatividade foi definida por Vygotsky (1982) como qualquer 
realização humana que concretize o novo, seja em relação ao reflexo de algum objeto 
do mundo exterior ou em relação a determinadas construções do cérebro ou do 
sentimento, que vivem e se manifestam apenas no próprio ser humano. 
Segundo este autor, existem dois tipos básicos de impulsos na conduta humana: 1) o 
impulso reprodutor ou reprodutivo; 2) o impulso criador ou combinador. O primeiro 
estreitamente vinculado à memória e o segundo intimamente ligado à imaginação. 
Vygotsky (1982), demonstra que é exatamente a atividade criadora dos indivíduos que 
faz com que a espécie humana possa se projetar no futuro, transformando a realidade 
e modificando o presente. A atividade do cérebro humano que se baseia na combinação 
é por ele denominada como imaginação e fantasia. 
 
 
 
9 
 
Na nossa mente existe um reservatório de imagens (imaginário) capaz de tornar sensível 
e material o lado imaterial da vida (GOMES, 2009). O processo de elaboração que 
permite a tangibilização desse contingente resguardado, ou seja, quando somos capazes 
de transferir essa “ideia” para algo tangível, a expressão visual configura uma forma de 
apropriação do mundo por meio de uma leitura pessoal. 
Nessa perspectiva, podemos dizer que criatividade é a capacidade que o indivíduo tem 
de concretizar algo novo, com a qual o seu imaginário contribui de forma relevante, 
logo, a fluidez do pensamento e o contingente criativo são complementares e se 
potencializem mutuamente. A expressão plástica, durante o seu processo de produção, 
transita entre a sensibilidade e a razão e é passível de inúmeras leituras. 
A produção artística é um processo de autoconhecimento e, até mesmo, de 
reconhecimento, acontecendo por meio de complexas operações que o indivíduo é 
capaz de realizar como conectar, relacionar, entender, ordenar, entre tantas outras. O 
indivíduo participa ativamente desse processo, percebendo a realidade e 
transformando, renovando, recriando, entre tantas outras possibilidades. 
Enquanto a obra de arte se processa, é estabelecido um diálogo entre o mundo afetivo 
e o cognitivo, que se complementam no desenvolvimento da sensibilidade estética e da 
criatividade, promovendo a estruturação da vida interior e a integração sociocultural. 
Nas palavras de Dondis (2007), 
 
Trata-se da subestrutura, da composição elementar abstrata, e, portanto, da 
mensagem visual pura. Anton Ehrenzweig1 desenvolveu uma teoria da arte 
com base num processo primário de desenvolvimento e visão, ou seja, o nível 
consciente, e, num nível secundário, o pré-consciente (DONDIS, 2007 p. 21). 
 
O nível de pré-consciência é o que Dondis (2007) define como energia visual pura, ao 
passo que o nível consciente é aquele passível de adquirir competência para a 
elaboração da composição, através do entendimento dos elementos visuais e suas 
técnicas de manipulação, logo, trata-se do entendimento do aspecto técnico. 
 
1 Anton Ehrenzweig – Teórico da arte moderna e autor dos livros “A Ordem Oculta da Arte” e “Psicanálise 
da Percepção Artística”, entre outros. 
 
 
 
10 
 
Este nível se, por um lado, é mais “informado”, no sentido de ser “contagiado” pelo 
ambiente externo, por outro lado, é exatamente isto que pode deturpa-lo. No entanto, 
o que isto quer dizer? 
Nesse contexto, deturpar está no sentido de alterar, uma vez que este nível pode ser 
contaminado por “estereótipos visuais”, imagens pré-concebidas, que, supostamente, 
teriam qualidade, mas, na realidade, não apresentam consistência de forma ou 
conteúdo. 
A visão inconsciente provou-se capaz de coletar mais informações que um 
escrutínio consciente durante um tempo cem vezes mais longo a estrutura 
indiferenciada da visão inconsciente exibe poderes de escaneamento 
superiores aos da visão consciente (EHRENZWEIG, s/d apud Gray, 2005 p. 79). 
 
A obra avança, não a partir de um projeto previamente estabelecido, mas de acordo 
com um processo. A formulação em processo significa que a obra é um processo de 
formação, isto é, ela acaba por ser o processo de formação levado a termo e cada passo 
neste processo de construção contém em si todo o movimento. 
A obra, ao questionar os sentidos, funciona como um agente ativo na construção ou 
desconstrução de significados, podendo ainda ativar um rearranjo daquilo que já está 
estabelecido. 
Dessa forma, finalizamos, assim, o primeiro subtema deste bloco. Espero que essa 
discussão sobre arte tenha sido interessante. Até o próximo encontro! 
 
 
1.2 Âmbito da Arte 
Para definirmos o conceito de arte, é fundamental delimitarmos o seu âmbito, ou seja, 
as suas muitas derivações. 
Segundo Dondis (2007), um dos principais obstáculos para o entendimento em 
profundidade da arte, consiste numa classificação que coloca o conceito de belas artes 
em oposição ao de artes aplicadas. Mas, afinal, o que são belas artes e artes aplicadas? 
 
 
 
11 
 
O termo belas artes está diretamente relacionado ao que se convencionou denominar 
artes superiores, a qual contempla as manifestações artísticas de ordem plástica ou 
visual. Diametralmente oposto a essa denominação, há o termo arte aplicada que, como 
o próprio nome indica, tem em sua essência uma aplicação prática. 
Essa noção é incorporada ao vocabulário da história e da crítica de arte com 
o auxílio da obra Les Beaux-Arts Réduits à un Même Principe, 1746, de autoria 
de Charles Batteaux (1713-1780). Batteaux defende ser a "imitação da beleza 
natural" o princípio comum e definidor da poesia, da pintura, da música e da 
dança, consideradas, por isso mesmo, belas-artes, distintas daquelas que 
combinam beleza e utilidade (a arquitetura, por exemplo) (BEAUX ARTS, 
2017). 
 
Essa distinção entre arte maior e arte menor tem relação com a antiguidade clássica e a 
diferenciação entre as atividades “intelectuais” e “braçais”, respectivamente, as artes 
liberais e as artes mecânicas. 
 
De modo similar, os gregos distinguem as artes superiores (que dizem 
respeito aos sentidos considerados superiores, visão e audição) das menores, 
de modo geral associadas aos ofícios manuais e ao artesanato. "Artes 
nobres", porque mais "perfeitas" (século XVI); "artes memoriais", que 
mantêm a memória das coisas e acontecimentos (século XVI), "artes 
pictóricas", que trabalham com imagens (século XVII); "artes agradáveis" 
(Giambattista Vico, 1744), todos esses são termos empregados para 
classificar e hierarquizar as várias formas de criação artística (BEAUX ARTS, 
2017). 
Essas ideias convergem com a perspectiva de Vasari2, para quem, o desempenho 
artístico estaria diretamente relacionado a capacidade intelectual do indivíduo e a sua 
potencialidade em empreender reflexões, resultando na obra artística. Esse é o caráter 
de “superioridade” da arte e, consequentemente, do artista, além da evidente divisão 
entre as “grandes artes” (pintura, escultura e arquitetura) e as demais artes, que 
estariam associadas à manufatura, ou seja, ao artesanato, colocando este último como 
uma atividade meramente braçal. Temos aqui a cisão entre artes e ofícios (BEAUX ARTS, 
2017). 
O aprendizado da arte não ocorre mais no âmbito das associações (guildas), na qual 
artistas consagrados admitiam aspirantes à artistas, e o compartilhamentode saberes 
 
2 Giorgio Vasari (1511-1574), arquiteto e pintor do Renascimento italiano. 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3178/cr%C3%ADtica-de-arte
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3637/renascimento
 
 
 
12 
 
acontecia na prática. Há o surgimento das academias de arte, por meio de formações 
científicas e humanistas, o que contribuiu para o aprofundamento dessa cisão. 
Na perspectiva de Dondis (2007), no Renascimento, o diagrama do posicionamento de 
todas as artes poderia ser o que segue abaixo, no qual é possível notar uma divisão 
muito clara entre Belas Artes e Artes Aplicadas. 
É notável que, a Arquitetura se encontra muito mais próxima das Belas Artes do que da 
pintura ou da escultura. Além disso, os demais ofícios são todos agrupados e tomam um 
posicionamento extremo ao das Belas Artes firmando o seu caráter “prático”. 
 
Fonte: Dondis, 2007, p. 9. 
Gráfico 1.1 – Diagrama: Artes, Renascimento 
 
 
Ao longo do século XVIII, as academias ganham protagonismo na formação dos artistas 
e começam a dominar os padrões artísticos vigentes, uma vez que também começam a 
promover competições, premiações e exposições. 
Posteriormente, há uma nova cisão, mas, em relação às formações acadêmicas, pois as 
Academias de Arte passam a ser Escolas de Belas Artes e o ensino das artes aplicadas 
fica a cargo dos Liceus de Artes e Ofícios (ARTES, 2017). 
 
Se as academias separam artistas e mestres de ofícios, fazendo das belas-
artes sinônimos de arte acadêmica, é possível notar ao longo da história da 
arte ocidental - e, sobretudo, no interior da arte moderna - aproximações 
entre as conhecidas como belas-artes e as chamadas artes aplicadas. 
Lembrando, entre outros, o exemplo do Arts and Crafts inglês, quando 
teóricos e artistas reafirmam a importância do trabalho artesanal diante da 
mecanização industrial e da produção em massa; o art nouveau europeu e 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo349/academicismo
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo355/arte-moderna
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo4986/arts-and-crafts
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo909/art-nouveau
 
 
 
13 
 
norte-americano que esmaece as fronteiras entre arte e artesanato pela 
valorização dos ofícios e trabalhos manuais; a experiência da Bauhaus, 
ancorada na associação entre arte, artesanato e indústria; ou ainda o art 
déco, ou "estilo anos 20", que aproxima arte e design (ARTES, 2017). 
Logo após a Revolução Industrial, o movimento Arts and Crafts reitera o seu 
posicionamento contrário a divisão entre Belas Artes e Artes Aplicadas, sob pena de 
haver uma completa destruição do padrão estético para atender o padrão industrial. 
Para Ruskin, o porta-voz do movimento, esta divisão seria destrutiva e artificial uma vez 
que a manufatura guarda uma beleza incompatível com os processos fabris (DONDIS, 
2007). 
Com o surgimento da Bauhaus, aparece também uma nova perspectiva acerca do 
âmbito das muitas artes. Walter Gropius, responsável pela escola, tinha como objetivo 
primeiro suprimir a fronteira entre as “oposições” - Belas Artes e Artes Aplicadas - que, 
na sua perspectiva impunham uma distinção entre as classes, que não concordava com 
os princípios sociais da Bauhaus. A transversalidade da proposta do movimento 
propunha um sistema sem hierarquias, no qual não havia maior ou menor importância 
de atividades, mas sim uma complementaridade de possibilidades. 
Tal abordagem, para Dondis (2007), se resumiria no diagrama abaixo, no qual várias 
artes estariam em um ponto médio entre as polaridades Belas Artes e Artes Aplicadas. 
 
Fonte: Dondis, 2007, p.9 
Gráfico 1.2 – Diagrama: Artes, Bauhaus 
 
A proposta pedagógica da Bauhaus era reflexo da sua premissa conceitual enquanto 
movimento, ou seja, a formação deveria ser ampla e transversal: os alunos 
experimentavam distintos materiais, os mais diversos processos de fabricação, as 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo352/art-d%C3%A9co
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo352/art-d%C3%A9co
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3179/design
 
 
 
14 
 
muitas possibilidades plásticas e, sobretudo, refletiam sobre o contexto social, 
econômico e industrial emergente no pós Primeira Guerra Mundial. 
A racionalidade da Bauhaus pressupunha associar o conhecimento tecnológico 
adquirido até então ao campo da arte e do artesanato, o que fatalmente resultaria em 
produtos onde a forma (estética) e a função estariam integradas. 
A concepção contemporânea da “divisão” das artes visuais, 
Avançou para além da mera polaridade entre as artes “belas” e “aplicadas”, 
e passou a abordar questões relativas à expressão subjetiva e à função 
objetiva, tendendo, mais uma vez, à associação da interpretação individual 
com a expressão criadora como pertencente às “belas artes”, e à resposta à 
finalidade e ao uso como pertencente ao âmbito das “artes aplicadas” 
(DONDIS, 2007 p.10). 
 
Assim sendo, seria natural para Dondis (2007) que o diagrama contemporâneo das Belas 
Artes e das Artes Aplicadas tivesse a seguinte configuração: 
 
 
Fonte: Dondis, 2007, p.9. 
Gráfico 1.3 – Diagrama: Artes, Contemporaneidade 
 
A autora levanta ainda a questão da subjetividade e da objetividade na projetação. 
Exemplificando: quando um artesão elabora uma peça, supostamente, está presente o 
seu gosto pessoal, a sua visão e linguagem, ou seja, sua perspectiva subjetiva. Já, no 
projeto de arquitetura ou de design, por exemplo, há a necessidade de haver uma 
objetividade para se responder, de forma eficaz e eficiente, a uma demanda inicial. 
 
 
 
15 
 
Talvez na atualidade o artesanato não esteja apenas circunscrito ao âmbito da 
subjetividade, pois há um resgate dos saberes e fazeres que constituem a identidade de 
uma localidade, a cultura de um povo. 
A ideia que afirma que o artesanato é uma arte menor ou menos elaborada começa a 
tomar outro rumo, já que não poderia estar mais equivocada e distante da real 
importância e profundidade do artesanato. Se pensarmos um pouco, é possível dizer 
que o artesanato está presente desde sempre. 
A desvalorização sofrida pelo artesanato diante da Revolução Industrial está relacionada 
a valorização da perfeição imposta pelos processos industriais, contrária a “imperfeição” 
que a manualidade imprimia e continua a imprimir. O passar do tempo trouxe uma visão 
distinta da perfeição versus a imperfeição, pois afinal, o que é perfeição? E o que é 
imperfeição? Em oposição a essa ideia de artesanato como elemento identitário, de 
resgate cultural, o produto elaborado de forma artesanal tem surgido como mais valia 
no mercado de luxo. 
Marcas como Louis Vuitton, por exemplo, seguiram na produção de produtos 
manufaturados, e hoje se distinguem da concorrência justamente pela assinatura 
inigualável que seus produtos apresentam. Diante dessa reflexão sobre o artesanato, 
chagamos ao fim desse subtema unidade. Até a próxima! 
 
1.3 Arte Aplicada 
A definição de arte pode ser complexa e não apresentar consenso, mas, definir a palavra 
aplicada (o) é mais simples e, num certo sentido, até literal. 
De acordo com a definição do dicionário para aplicada (o), trata-se de utilização, de 
empregar alguma coisa, pode-se definir ainda como adaptação, acomodação ou 
manipulação. Mas haverá sempre um sentido, um objetivo determinado. Portanto, se 
estamos falando de arte aplicada estamos considerando uma arte com objetivo prático 
 
 
 
16 
 
e que responda a determinada meta, intenção. O escopo é amplo. Estão incluídos aqui 
as construções, os objetos, as vestimentas, entre tantas outras coisas. 
Nessa perspectiva, estamos falando da arquitetura, do design, do mobiliário, da 
comunicação visual (design gráfico) e muitas outras formas de expressão, sempre 
voltadas para o desempenho de determinada função. 
No século XIX, o aspecto decorativo do mobiliáriocomeçava a ceder lugar à 
funcionalidade, de acordo com um contexto histórico cujos objetivos comerciais 
despontaram em virtude do êxodo para as grandes cidades na busca de oportunidades 
profissionais e das diferenças sociais que desse processo resultaram. 
A Revolução Industrial alterou não apenas os modos produtivos, mas, também, os 
hábitos, as necessidades, as formas de consumo, a relação com os objetos, entre tantas 
coisas. O artesanato não atende mais uma sociedade em desenvolvimento. 
Logo, 
Na segunda metade do século XIX, na Inglaterra, teóricos e artistas reunidos 
no Arts and Crafts reafirmam a importância do trabalho artesanal diante da 
mecanização industrial e da produção em massa. Liderado por John Ruskin 
(1819 - 1900) e William Morris (1834 - 1896), o movimento tem grande 
inclinação pela reforma social e pelas questões político-econômicas, o que o 
impele à junção entre arte e vida social (ARTES, 2017). 
 
Em meados do século XIX, o carpinteiro e o entalhador alemão Michael Thonet inicia a 
produção de móveis utilizando uma técnica, até então inovadora, de moldagem de 
madeiras à vapor. 
Para além da introdução dessa técnica, que Alvar Aalto e Charles Eames retomariam 
posteriormente, Thonet introduziu também a produção em série, através da 
padronização das peças envolvidas no projeto, o que influenciariam de forma 
determinante a produção industrial do século XX. 
 
 
 
17 
 
Na segunda metade do século XIX surge o movimento Arts & Crafts (Artes & Ofícios) 
liderado por William Morris e, para fazer frente ao processo mecanizado de produção, 
defende a produção artesanal. 
Na sequência, inspirado no movimento Arts & Crafts, surge o Art Nouveau que, através 
de formas orgânicas e curvilíneas, buscou retratar a expressão artística da natureza. 
Movimento bastante abrangente, o Art Nouveau viria a influenciar a manufatura de 
objetos, a arquitetura, as artes plásticas e as artes gráficas. 
 
Figura 1.5 - Entrada de oficina no estilo Art Nouveau, Dortmund, Alemanha 
 
 
 
 
18 
 
Figura 1.6 – O Beijo Artista: Gustave Klimt Figura 1.7 – Cartaz Art Nouveau 
 Designer: Alfonse Mucha 
 Figura 1.8 – Cadeira Argyle Figura 1.9 – Cadeira Hill House 
Arquiteto: Charles Mackintosh 3Arquiteto: Charles Mackintosh 
 Coleções do Museu Nacional 
 De Etnologia, Osaka 
 
 
³Fonte:<https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Furniture_by_Charles_Rennie_Mackintosh#/me
dia/File:National_Museum_of_Ethnology,_Osaka_-_Chair_%22Ladder-back_chair%22_-
_Glasgow_in_United_Kingdom_-
_Made_by_Charles_Rennie_Mackintosh_in_2006_(originally_1903).jpg> 
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Furniture_by_Charles_Rennie_Mackintosh#/media/File:National_Museum_of_Ethnology,_Osaka_-_Chair_%22Ladder-back_chair%22_-_Glasgow_in_United_Kingdom_-_Made_by_Charles_Rennie_Mackintosh_in_2006_(originally_1903).jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Furniture_by_Charles_Rennie_Mackintosh#/media/File:National_Museum_of_Ethnology,_Osaka_-_Chair_%22Ladder-back_chair%22_-_Glasgow_in_United_Kingdom_-_Made_by_Charles_Rennie_Mackintosh_in_2006_(originally_1903).jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Furniture_by_Charles_Rennie_Mackintosh#/media/File:National_Museum_of_Ethnology,_Osaka_-_Chair_%22Ladder-back_chair%22_-_Glasgow_in_United_Kingdom_-_Made_by_Charles_Rennie_Mackintosh_in_2006_(originally_1903).jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Furniture_by_Charles_Rennie_Mackintosh#/media/File:National_Museum_of_Ethnology,_Osaka_-_Chair_%22Ladder-back_chair%22_-_Glasgow_in_United_Kingdom_-_Made_by_Charles_Rennie_Mackintosh_in_2006_(originally_1903).jpg
 
 
 
19 
 
Ruskin reflete sobre o papel social do design, ao mesmo tempo que compreende a 
necessidade que este tem de recuperar o seu viés artístico, por meio da convergência 
entre forma, função, política e estética. Morris, ainda que fortemente influenciado pelo 
socialismo, não vê o design como um produto de massa, mas como um processo criativo 
e fator de reforma social, uma vez que ele tem um papel reflexivo no processo de 
concepção de produtos. Dessa forma, a arte alça a categoria de utilidade. 
Bauhaus, escola alemã que uniu arquitetura, arte e artesanato, teve forte relação com 
as ideias de De Stijl, que se deram por meio de Walter Gropius e tinham como objetivo 
final a integração entre artista e artesão, sempre sob a perspectiva da produção 
industrial e do funcionalismo. 
 
Com a mudança da escola para Dessau em 1925, a relação entre arte e 
indústria se fortalece e consolidam-se as marcas características do "estilo 
bauhaus" expressas na série de objetos confeccionados - mobiliário, 
tapeçaria, luminárias etc. - como as cadeiras e mesas em aço tubular criadas 
por Marcel Breuer (1902 - 1981) e Ludwig Mies van der Rohe (1886 - 1969), 
produzidas em larga escala pela Standard Möbel de Berlim e pela Thonet 
(ARTES, 2017). 
 
No Brasil, o artista italiano aqui radicado Eliseu Visconti, desenvolveu extensa obra no 
campo das artes visuais, sendo considerado o primeiro designer gráfico nacional. É de 
sua responsabilidade a introdução do impressionismo no Brasil, e a extensão de sua obra 
é tão grande quanto a abrangência do design: pinturas, cartazes, selos, capas de revistas 
e design de interiores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
 Figura 1.9 – Cartaz Figura 1.10 – Cartaz 
 Designer: Eliseu Visconti Designer: Eliseu Visconti 
 
Dois momentos históricos no Brasil contribuíram para a consolidação das artes 
aplicadas: A Semana de 22 e o Movimento Concreto. No primeiro momento estavam 
em pauta, entre outros temas, a valorização da identidade e da cultura brasileira, a 
liberdade de expressão, a ruptura com a tradição artística e acadêmica, além de 
experimentações estéticas. No segundo momento, houve o distanciamento do 
expressionismo, a busca por precisão da forma e da racionalidade. 
Em relação a literatura, o Movimento Concreto valorizou o conteúdo visual, a sintaxe 
visual se sobrepôs ao discurso, pois, de acordo com este movimento, o escritor está para 
o papel assim como o artista está para a tela, ou seja, há uma preocupação visual na 
elaboração textual. 
No Brasil, as artes aplicadas têm lugar no interior do modernismo de 
1922 com os trabalhos - pinturas, tapeçarias e objetos - de John Graz (1891 - 
1980) e dos irmãos Regina Graz (1897 - 1973) e Antonio Gomide (1895 - 
1967). No interior do grupo concreto paulista, na década de 1950, o nome 
de Geraldo de Barros (1923 - 1998) se destaca pela sua proximidade com o 
desenho industrial e com a criação visual, sobretudo a partir de 1954, quando 
funda a cooperativa Unilabor e a Hobjeto móveis, dedicadas à produção de 
móveis. A Form-inform, também criada por ele, destina-se à criação de 
marcas e logotipos (ARTES, 2017). 
 
Portanto, finalizamos, assim, este bloco. Até o próximo encontro! 
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21 
 
Conclusão 
Afinal, o que é arte? É obra? É processo? 
Pode parecer estranho uma conclusão começar com uma pergunta ao invés de uma 
resposta, mas, a Arte é isso. É provocação! É indagação! É questionamento! 
Ela está e, sempre esteve, presente em todos os períodos da História da humanidade e, 
seu desenvolvimento também sempre esteverelacionado aos mais diversos contextos 
sociais, econômicos e técnicos de cada um desses períodos. 
Teóricos, ao classificarem a Arte, buscaram identificar e alinhar objetivos que pudessem 
agrupar suas múltiplas possibilidades artísticas, dessa forma, a mesma se apresentou 
como atividades intelectuais e atividades braçais, contemplativas e práticas, “belas” e 
“aplicadas”, como afirma Dondis (2007). 
No entanto, será que, na contemporaneidade, é possível atribuir essa denominação de 
Arte à Arquitetura? E à Fotografia? E ao Design? São campos que articulam a técnica e 
o sentido estético, sim, e, justamente, por esse motivo, muitas vezes não se coadunam 
com classificações inflexíveis e fechadas, devido suas características híbridas. 
 
REFERÊNCIAS 
ARTES Aplicadas. ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: 
Itaú Cultural, 23 fev. 2017. Disponível em: 
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo908/artes-aplicadas>. Acesso em: 10 Jun. 
2019. Verbete da Enciclopédia. 
BEAUX ARTS. ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú 
Cultural, 23 fev. 2017. Disponível em: 
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo6177/beaux-arts>. Acesso em: 09 Jun. 
2019. Verbete da Enciclopédia. 
 
 
 
22 
 
DONDIS, D. Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2007. 
FORMAGGIO, D. Arte. Editora: Coleção Dimensões, 1973. 
GRAY, J. Cachorros de palha. São Paulo: Editora Record, 2005. 
GOMBRICH, E. Art and IIlusion: The A.W. Mellon Lectures in the Fine Arts. Nova Iorque: 
Bollingen Series, 1961. 
GOMES, A. M. P. M. A arte de e para superar a vida. Revista Saber & Educar. Porto, 
2009. Disponível em: 
<https://www.researchgate.net/publication/276457998_A_Arte_de_e_para_superar_
a_Vida> Acesso: 06 jun. 2019. 
JUNG, C. G. O Homem e os seus símbolos: Cadê a Cidade. Rio de Janeiro: Editora Nova 
Fronteira, 1964. 
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes: Crítica da razão pura e outros 
textos filosóficos. São Paulo: Abril Cultural, 1974. (Coleção Os Pensadores). 
NOUGUÉ, C. O belo e a arte segundo Platão. S/D. Disponível em: < 
https://docplayer.com.br/254177-O-belo-e-a-arte-segundo-platao-prof-carlos-
nougue.html> Acesso: 06 jun. 2019. 
PLAZA, J. Arte e interatividade: Autor-obra-recepção. São Paulo: MAC - USP, 2000. 
Disponível em: 
<http://www.mac.usp.br/mac/expos/2013/julio_plaza/pdfs/arte_e_interatividade.pdf
>. Acesso: 06 jun. 2019. 
VYGOTSKY , L. S. Psicologia da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1982. 
 
 
https://www.researchgate.net/publication/276457998_A_Arte_de_e_para_superar_a_Vida
https://www.researchgate.net/publication/276457998_A_Arte_de_e_para_superar_a_Vida
https://docplayer.com.br/254177-O-belo-e-a-arte-segundo-platao-prof-carlos-nougue.html
https://docplayer.com.br/254177-O-belo-e-a-arte-segundo-platao-prof-carlos-nougue.html
http://www.mac.usp.br/mac/expos/2013/julio_plaza/pdfs/arte_e_interatividade.pdf
http://www.mac.usp.br/mac/expos/2013/julio_plaza/pdfs/arte_e_interatividade.pdf
 
 
 
23 
 
 
2 FORMAS DE ARTE 
O segundo Bloco da disciplina Projeto Integrador: Arte Aplicada, aborda as variadas 
formas artísticas e suas múltiplas linguagens. As definições e, sobretudo, as 
classificações a respeito da Arte, sofreram alterações ao longo da história devido ao 
desenvolvimento tecnológico e também, em função do desdobramento da forma, do 
formato e das premissas do ato de comunicar. 
Dessa forma, não cabe mais a Arte uma organização classificatória fechada ou inflexível, 
mas sim uma reflexão aprofundada a respeito dos modos de produção da forma. 
Além disso, este bloco presenta, ainda, de forma sucinta, a perspectiva da estudiosa 
Donis Dondis, diante de um panorama das formas de expressão artísticas que, nas 
palavras da autora, recebe o nome de estilo. São apresentadas cinco grandes categorias 
(Primitivo, Expressionista, Clássico, Ornamental e Funcional), que não configuram uma 
classificação cronológica, mas, antes, agrupamentos por afinidades conceituais e, 
consequentemente, formais. Vamos entender um pouco mais sobre as variadas formas 
de expressão? 
 
2.1 Formas de Arte 
Para Dondis (2007), é evidente que a forma como apreendemos o cotidiano, o que nos 
rodeia e, sobretudo, a maneira como expressamos reações diante desses estímulos, está 
diretamente relacionada a experiência visual. Desde sempre, o homem encontra na 
linguagem visual um caminho para atender a uma necessidade intrínseca: a de se 
comunicar. 
Diante disso, ele busca formas distintas de materializar a comunicação por meio da 
pintura, da ilustração, da escultura, do design gráfico, do artesanato, do design 
industrial, da fotografia, entre outras expressões. 
 
 
 
 
24 
 
 Pintura 
É provável que a pintura seja a forma mais comumente associada ao conceito de arte. 
Uma grande tela, pintada com tinta à óleo, tinta acrílica ou técnica mista, que repousa 
sobre uma parede podendo ou não conviver com obras similares, é claramente 
entendida como arte. 
Essa forma última das artes visuais derivou de muitas fontes, começando 
pelas primeiras tentativas feitas pelo homem pré-histórico para criar 
imagens, desenhadas ou pintadas, até chegar ao cenário da arte 
contemporânea, com seu “establishment” de críticos, museus e critérios para 
o reconhecimento e o sucesso (DONDIS, 2007 p.198). 
 
Desde a presença da pintura nas cavernas até a pintura contemporânea as temáticas se 
alteraram. Num primeiro momento, a pintura surge por motivações cotidianas, como 
uma forma de consolidar registros de propriedades, por exemplo; ou pela crença, pois 
acreditava-se que por meio da imagem seria possível dominar os animais. Na sequência, 
por um enorme período, a pintura foi responsável por materializar a intangibilidade da 
religião. Apenas posteriormente, ela adquiriu autonomia por meio da mão do artista e 
começou a expressar conceitos e ideias. 
A Revolução Industrial permitiu a produção em série de objetos e a reprodutibilidade 
que, segundo Benjamim (1955), nos fez refletir sobre a autenticidade e a unicidade da 
arte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
 
Fonte: < https://www.wikiart.org/pt/alfredo-volpi/catedral-1973> 
Figura 2.1 – Catedral, 1970, Alfredo Volpi 
 
 Ilustração 
O tema levantado por Benjamim (1955), o da reprodutibilidade da obra de arte, torna 
possível a emancipação do design gráfico e dos elementos figurativos na construção de 
sua mensagem, pois, antes do desenvolvimento dos processos gráficos era possível 
pensar no design gráfico apenas por meio da tipografia. A partir do momento que a 
utilização da cor e da imagem se popularizou em função dos avanços técnicos, houve 
uma verdadeira revolução na forma de interagir, do ponto de vista visual, com o 
receptor da comunicação. A ilustração demanda, invariavelmente, um grande poder de 
síntese. O ilustrador deve estar imerso no universo da obra para compreender 
claramente os pontos relevantes e captar a linguagem mais adequada no processo de 
mediação, entre o conteúdo e o leitor. 
 
 
 
 
26 
 
Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nina-Pandolfo-Rivington-Wall.jpg> 
Figura 2.2 – Nina Pandolfo 
 
 Escultura 
A escultura é a forma de arte que se caracteriza pela volumetria, ou seja, pela 
“tridimensionalização” de uma ideia. Dessa forma, apresenta 3 dimensões: largura, 
altura e profundidade. Por meio dela, a construção dos sentidos da obra se faz presente 
de forma importante. 
As pontas dos nossos dedos colocados sobre uma foto ou pintura não nos 
dariam nenhuma informação sobre a configuração física do tem 
representado, mas, a evolução da representação bidimensional de objetos 
tridimensionais nos condicionou a aceitar a ilusão de uma forma que, na 
verdade, é apenas sugerida. Na escultura, porém, a forma ali está; pode ser 
tocada, lida ou compreendida pelos cegos. (DONDIS, 2007 p.189) 
Nesta forma de concretização da arte, o material éum elemento de importância 
fundamental. Não apenas pelas qualidades e especificidades que apresenta, as quais 
estão diretamente relacionadas às reações promovidas no interlocutor, mas, também, 
pelos aspectos logísticos de sua manipulação. Entretanto, o que isso quer dizer? 
 
 
 
27 
 
Estamos nos referindo às características dos materiais, como a dureza do mármore, por 
exemplo, comparado à maleabilidade da argila. 
Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Monumento_Tomie_Ohtake.jpg > 
Figura 2.3 – Tomie Ohtake 
 Arquitetura 
Além da escultura, a arquitetura também apresenta como atributo a dimensão, ou seja, 
a volumetria. Ela apresenta como finalidade essencial, a oferta de abrigo, de 
acolhimento, de proteção. Porém, o desenvolvimento social e econômico demandou da 
arquitetura novas formas de proteção, que visam os interesses do indivíduo, como a 
religião, a política, o lazer, o bem-estar, o saber, entre outros. 
 
À medida que as culturas se tornaram mais desenvolvidas, a arte e a técnica 
da construção passaram a servir também às atividades e aos interesses do 
homem: a sua religião, com igrejas, santuários e monumentos; a seu governo, 
com edifícios administrativos, câmaras legislativas e palácios da justiça; a seu 
lazer, com teatros, auditórios, ginásios de esporte e museus; a seu bem-estar 
e sua educação, com hospitais, escolas, universidades e bibliotecas. (DONDIS, 
2007, p.194) 
 
 
 
28 
 
O mesmo avanço social e econômico também propiciou o desenvolvimento de técnicas 
construtivas e materiais disponíveis que influenciaram, de forma direta, a 
transformação do ofício da arquitetura. 
Segundo Dondis (2007), a transformação da forma edificada, tem estreita relação com 
a cultura, a localidade e os padrões estéticos, o que influencia novos estilos e novas 
soluções arquitetônicas. 
Fonte:<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5e/Walt_Disney_Concert
_Hall%2C_Los_Angeles_%285592139283%29.jpg> 
Figura 2.4 – Walt Disney Concert Hall, Frank Gehry 
 
 Artesanato 
É comum associarmos o artesanato a uma produção de objeto com qualidade técnica 
ou estética inferior, uma vez que o mesmo é fruto de uma manufatura e, portanto, não 
apresenta a precisão e o rigor que, supostamente, um objeto industrializado 
apresentaria. 
No entanto, o artesanato é capaz de materializar os saberes e fazeres de determinadas 
regiões tornando-se responsável por traduzir a cultura daquele local. De acordo com 
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5e/Walt_Disney_Concert_Hall%2C_Los_Angeles_%285592139283%29.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5e/Walt_Disney_Concert_Hall%2C_Los_Angeles_%285592139283%29.jpg
 
 
 
29 
 
Lina Bo Bardi (1994), as opções culturais no campo do Desenho Industrial poderiam ter 
sido outras, mais aderentes às necessidades reais do país. Entretanto, ela ressalta que 
isso só seria possível se houvesse um panorama de artesanato brasileiro, de raiz, e não 
somente uma herança esparsa da artesania e manufatura europeia recebida no século 
XIX, que constituiu o que Lina denomina de pré-artesanato. 
Para ela, o Brasil deveria ter elaborado um artesanato próprio, que fosse capaz de 
imprimir a identidade brasileira, e direcionado à produção industrial em série, 
entretanto, o país decidiu “importar” a estética europeia, considerada pela elite como 
mais elegante, porém, totalmente desvinculada dos saberes e fazeres brasileiros. 
Figura 2.5 – Artesanato 
 
Logo, levantamos um questionamento, o que isso quer dizer? Para Argan (1998), objeto 
e sujeito são indissociáveis na medida em que a “realidade" (ou um fragmento dela) se 
materializa no objeto e "pensada por um sujeito, adquire a singularidade do sujeito" 
(ARGAN, 1998 p. 252). 
 
 
 
30 
 
Admitindo essa indissociabilidade e de acordo com Lina Bo Bardi (1994), o artesanato e 
o produto brasileiro não refletiriam o valor identitário nacional. De qualquer forma, para 
além dessa afirmação, há iniciativas que tentam resgatar este contingente de técnicas e 
linguagens, que estão refletidas em diversos objetos encontrados pelo país. É 
importante dizer que, no artesanato, mesmo que ocorra a construção de várias peças a 
partir de um mesmo modelo, cada um dos objetos reproduzidos é único, pois, o fato 
dele não sofrer um processo de fabricação industrial faz com que sua reprodução não 
seja rigorosamente igual. 
 Design Industrial 
Para Dondis (2007), é (quase) possível afirmar que o design industrial é o artesanato 
materializado por meio da reprodutibilidade em série, ou seja, todos os objetos são 
exatamente iguais. 
O desenvolvimento técnico na produção de objetos teve oposição firme do movimento 
Arts and Crafts, como afirma Dondis (2007), por receio que a reprodutibilidade em série 
pudesse colocar em risco a qualidade estética. No entanto, o movimento Bauhaus vê na 
serialidade a possibilidade de uma “democratização” do bom design. 
Tendo como objetivo a funcionalidade, a Bauhaus traz a questão da síntese e do mínimo 
indispensável para que o objeto pudesse cumprir o seu objetivo final. Nesse contexto, o 
profissional do design, o designer, se vê num processo de projetação híbrida, ou seja, 
que envolve a técnica (ergonomia, pesquisa de materiais, entre outros) e a estética 
(fatores compositivos, de equilíbrio, cromáticos, entre tantos outros). 
Em paralelo ao desenvolvimento técnico, surgem novas necessidades, que, por sua vez, 
devem ser atendidas. Surgem também novos perfis de consumidores que, igualmente, 
devem ter as suas solicitações atendidas. E, por fim, surgem novas formas de fomentar 
o consumo como, por exemplo, a obsolescência, que determina que um objeto pode se 
tornar obsoleto mesmo que ainda esteja em perfeitas condições de uso. Estamos 
falando de obsolescência percebida, ou a obsolescência programada, que faz com que 
 
 
 
31 
 
o produto saia da fábrica com a sua vida útil pré-estabelecida, garantindo, assim, que o 
círculo do consumo permaneça em movimento. 
 Design Gráfico 
Embora, segundo Dondis (2007), haja um marco de fundamental importância para o 
design gráfico - a invenção dos tipos, por Gutenberg - a Revolução Industrial também foi 
extremamente relevante para o desenvolvimento do ofício. A projetação em design 
gráfico estava, antes dela, nas mãos de artistas que recebiam a denominação de “artista 
comercial”. 
Atualmente, assim como o design industrial, o design gráfico também não é considerado 
arte, mas sim uma zona híbrida, pois também demanda técnica e estética. Logo, é 
comum, quando falamos em design, considerá-lo um detalhe, uma espécie de 
finalização, quase uma “maquiagem”. Quando tudo parece já ter sido pensado “entra” 
o design “para dar um toque final” “um embelezamento” ou “uma caixa”, quando se 
fala em design de produto, por exemplo, ou a mera elaboração de cartão de visita ou 
“flyer”, quando se fala em design gráfico, sem reconhecer, ao menos, a existência de 
uma identidade visual4 ou conceito5, que tenha norteado as decisões tomadas. 
Portanto, o design, seja gráfico ou de produto, são de grande importância devido ao seu 
caráter sistêmico e abrangente. 
 
Hoje, o design é entendido como um ofício transdisciplinar, pois cada vez mais os 
escritórios de design possuem equipes múltiplas com a presença de designers, 
sociólogos, historiadores, engenheiros, especialistas em marketing, entre outros; e 
estruturante, o que cria uma convergência fundamental para o entendimento de novos 
 
4 Identidade visual é o nome dado ao conjunto de elementos gráfico-visuais (Representação Gráfica - 
Símbolo, Logotipo ou Marca, Cor, Tipografia, Aplicações, etc.) que identifica e representa, em termos 
visuais, um produto ou serviço. Voltaremos a falar deste assunto posteriormente. 
5 Conceito: Ideia que está na origem do projeto desenvolvido e que estrutura as opções e decisões 
tomadas.32 
 
mercados, de novos modos de consumir, de novos formatos de interagir e de possíveis 
impactos, sejam eles ambientais, sociais ou econômicos. 
Diante da economia criativa, o design se posiciona como vetor de crescimento 
sustentável e extrapola o domínio da pequena escala projetual para se instalar como 
agente ativo na solução de problemas complexos, além de ganhar relevância em termos 
econômicos. 
 Fotografia 
Como afirmamos anteriormente, a imagem é um elemento de vital importância para o 
homem não apenas pela sua relação com o mundo, mas, também como resgate da 
memória, da história e na forma como o homem empreende a comunicação. 
Na atualidade é comum realizarmos registros imagéticos por meio dos nossos celulares, 
equipamentos cada vez mais sofisticados e ao alcance de todos nós, eles garantem uma 
memória adicional de todos os eventos cotidianos. Como nem sempre foi assim, esse 
salto qualitativo e representativo da fotografia alterou a forma como estabelecemos, 
recebemos e interagimos com uma profusão de informações visuais presentes em nosso 
cotidiano. 
A fotografia pode ser apenas um registro de um evento banal, mas também pode ser 
fotografia pensada e elaborada com fins específicos no âmbito da comunicação. Por 
fim, há ainda a fotografia enquanto expressão de uma linguagem própria que, seja 
pela temática ou construção formal, materializa um produto de arte, comercializado 
como uma obra de arte “clássica”. Assim, com o tema fotografia, chegamos ao final de 
um dos subtemas deste bloco. Espero que tenham gostado, até o próximo encontro! 
 
2.2 Formas de Expressão 
Ao falarmos em expressão buscamos compreender como uma determinada 
manifestação, ou seja, um determinado produto, seja ele um desenho, uma pintura, 
entre outros, será elaborado e se mostrará ao observador, pois a expressão está 
relacionada à exteriorização, ao mostrar, ao revelar. 
 
 
 
33 
 
Na perspectiva de Dondis (2007), essa manifestação é denominada estilo. Por estar 
associado a outros ofícios como moda, por exemplo, cabe dizer que, na perspectiva da 
autora, estilo é o ato de sintetizar. No entanto, sintetizar o quê? 
Tudo que diz respeito à elaboração da forma: elementos básicos, aspectos cromáticos, 
técnicas, entre outras. Por isso, é correto afirmar que a maneira como acontece a 
construção visual tem impacto direto no seu resultado e, por consequência, na forma 
como o observador a percebe. 
Para Dondis (2007), o “estilo visual” apresenta 5 grandes categorias, são elas: Primitivo, 
Expressionista, Clássico, Ornamental e Funcional 
 Primitivo 
Primitivo, enquanto definição, pode estar associado a algo menos interessante e mais 
básico, uma vez que contempla em seu significado o fato de ser a origem de tudo. Dessa 
forma, em termos visuais, o primitivo está ligado às pinturas rupestres. Para Dondis 
(2007), embora sejam as primeiras manifestações visuais do homem, elas apresentam 
qualidades gráficas e intencionais que caracterizam um estilo que busca, sobretudo, o 
realismo. É importante não esquecer o contexto de total ausência de qualquer material 
ou técnica previamente desenvolvida. 
A única maneira válida de classificar esses desenhos pré-históricos é tentar 
definir o primitivo como um estilo, com base em uma finalidade e algumas 
técnicas. A arte e o design primitivos são estilisticamente simples, ou seja, 
não desenvolveram técnicas de reprodução realista da informação visual 
natural. Na verdade, trata-se de um estilo muito rico em “símbolos” com forte 
carga de significado, e, por essa razão, podem ter muito mais a ver com o 
desenvolvimento da escrita do que com a expressão visual. (DONDIS, 2007 
p.168) 
Ehrenzweig (1953 apud DONDIS, 2007), consegue situar no primitivo um atributo 
infantil, pois trata-se de uma construção formal que, por si, dispensa os detalhes em 
detrimento da visão do todo. Por fim, a autora apresenta um conjunto de técnicas 
visuais que, por suas características, convergem para a síntese formal do primitivo. São 
elas: 
 
 
 
 
34 
 
 Exagero; 
 Espontaneidade; 
 Atividade; 
 Simplicidade; 
 Distorção; 
 Planura; 
 Irregularidade; 
 Rotundidade; 
 Colorismo. 
Figura 2.6 – Pintura Rupestre 
 
 Expressionismo 
Dondis (2007), faz uma interessante analogia entre o expressionismo e o estilo primitivo: 
enquanto o primeiro busca a realidade e, por vezes, tenta obtê-la por meio do exagero, 
por exemplo, no segundo há uma intencionalidade na distorção da realidade. A 
 
 
 
35 
 
denominação expressionismo já deixa explícito um conjunto de atributos como a 
gestualidade, o movimento, a dramaticidade e o exagero. Algumas técnicas, por esse 
motivo, parecem estabelecer uma proximidade com a solução formal do 
expressionismo. São elas: 
 Exagero; 
 Espontaneidade; 
 Atividade; 
 Simplicidade; 
 Distorção; 
 Planura; 
 Irregularidade; 
 Rotundidade; 
 Colorismo. 
 Figura 2.7 – O grito, Edvard Munch 
 Classicismo 
Segundo Dondis (2007), o classicismo, como conceito, está apoiado em dois pilares: a 
influência direta da natureza e a verdade pura. 
 
 
 
36 
 
O primeiro está alinhado ao ideal grego de adoração à muitos deuses, e ao amor à 
natureza. Os gregos procuravam a beleza na realidade. Glorificavam o homem e seu 
ambiente natural (DONDIS, 2007 p. 174). 
Já o segundo está diretamente relacionado à busca incessante pela verdade e a 
elaboração artística que visa à perfeição. 
 
Os gregos buscavam a verdade pura em sua filosofia e ciência e aqui se 
encontra a segunda fonte do estilo clássico. Formalizavam sua arte através da 
matemática, e criaram a seção áurea, uma fórmula para orientar as decisões 
no campo do design (DONDIS, 2007 p.174). 
 
Na perspectiva da autora, as técnicas a seguir são aquelas que convergem para o 
conceito clássico na estruturação da forma: 
 Harmonia; 
 Simplicidade; 
 Exatidão; 
 Simetria; 
 Monocromatismo; 
 Profundidade; 
 Estabilidade; 
 Unidade. 
 
 
 
 
37 
 
Fonte: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:David_-_(Michelangelo).jpg> 
Figura 2.8 – Davi, Michelângelo 
 
 Estilo Ornamental 
Claramente distante da realidade, o estilo ornamental, para Dondis (2007), busca 
estruturar a forma por meio da dramaticidade, da fantasia, do exagero. Por estas 
características, devido a exuberância desse estilo, para ela ele está associado ao poder, 
à riqueza. 
Ao longo do panorama da história da arte, existiram muitos movimentos nos quais é 
possível encontrar tais características. Além do Art Nouveau, estilo vitoriano e romano 
tardio, Dondis (2007) destaca que o Barroco é, sem dúvida, o período da arte que mais 
se aproxima da essência da exuberância ornamental. O ornamento aqui é entendido 
como um elemento “decorativo”, que tem como característica formal a atenuação dos 
ângulos agudos, aliado a uma busca “decorativa” na sua utilização, que torna a 
composição exagerada, de acordo com a teórica. 
As técnicas que convergem para o estilo ornamental, segundo Dondis (2007), são as que 
seguem: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:David_-_(Michelangelo).jpg
 
 
 
38 
 
 Complexidade; 
 Profusão; 
 Exagero; 
 Rotundidade; 
 Ousadia; 
 Fragmentação; 
 Variação; 
 Colorismo. 
Figura 2.9 – Alphonse Mucha 
 Funcionalidade 
Para discorrer sobre o estilo da Funcionalidade, Dondis (2007) faz uma referência 
interessante que, obviamente, se relaciona ao advento da Revolução Industrial, mas, 
também a satisfação das necessidades básicas do homem. O que em si já guarda, 
aparentemente, um paradoxo: 
 
 
 
39 
 
 
Embora a funcionalidade costume ser fundamentalmente associada ao 
design contemporâneo, ela é na verdade tão antiga quanto o primeiro 
recipiente para água criado pelo homem. É uma metodologia de design 
estreitamente ligada à regra da utilidade e a considerações de ordem 
econômica. (DONDIS, 2007p.178) 
 
A autora afirma que movimentos cujas premissas conceituais assentem na 
funcionalidade, trabalham com o desenvolvimento projetual focado nas necessidades 
do usuário aliado à uma síntese formal. 
A Escola Bauhaus é o mais emblemático exemplo desse conceito, que via na Revolução 
Industrial e seus novos processos produtivos, múltiplas possibilidades de solucionar as 
necessidades básicas do indivíduo, além de demandas decorrentes de um contexto em 
mudança. Há aqui um caminho que se distancia de qualquer ornamento, de qualquer 
aspecto formal que seja dispensável na busca da essência do objeto: a função. 
Walter Gropius, no pós Primeira Guerra, empreende a Bauhaus pautada na criação de 
novas formas e novas soluções. 
Predecessor da Bauhaus, o Deutscher Werkbund (Associação Alemã de Artesãos – que 
incluía designers, arquitetos, entre outros), entendia ser de fundamental importância a 
projetação da habitação de forma integrada, ou seja, edificação e objetos numa 
interação estética e funcional. Segundo Dondis (2007), esse grupo tinha como premissa 
conceitual, uma consciência mais profunda do significado interior e da natureza das 
coisas, que concebiam através da busca da Sachlichkeit (DONDIS, 2007 p. 178), o 
conceito de perspectiva realista e objetivo. 
Nesse contexto, Dondis (2007) associa funcionalidade com as seguintes técnicas: 
 Simplicidade; 
 Simetria; 
 Angularidade; 
 Previsibilidade; 
 Estabilidade; 
 Sequencialidade; 
 Unidade; 
 
 
 
40 
 
 Repetição; 
 Economia; 
 Sutileza; 
 Planura; 
 Regularidade; 
 Agudeza; 
 Monocromatismo; 
 Mecanicidade. 
Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LC4,_chaise_longue.png> 
Figura 2.10 – Chaise, Le Corbusier 
 
 
Dessa forma, com a Bauhaus, chegamos ao final deste bloco. Espero que tenham 
gostado, vejo vocês no próximo encontro! 
 
 
 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:LC4,_chaise_longue.png
 
 
 
41 
 
Conclusão 
 Segundo Dondis (2007), as razões básicas e inerentes encontradas na elaboração visual, 
seja ela qual for, são sempre uma resposta a uma necessidade. Portanto, se 
considerarmos que, as necessidades do indivíduo são amplas, teremos também uma 
amplitude na forma como elaboramos essas respostas. Tal amplitude está, obviamente, 
como afirma a autora, relacionada ao contexto, aos objetivos, as identidades, e tantas 
outras condicionantes que definem como o processo de comunicação ocorre. 
Diante disso, apresentamos, neste bloco, um panorama sintético das formas de arte e 
seus respectivos âmbitos. Formas artísticas clássicas como, pintura e escultura, sofreram 
alterações ao longo da história, em função de contextualizações sociais, econômicas e 
técnicas. 
A Arquitetura, por exemplo, abandonou sua função, exclusivamente, de abrigo para 
adotar soluções múltiplas e complexas em prol do indivíduo contemporâneo. Já o 
artesanato permeia a construção da identidade de um povo e, muitas vezes, sem 
acolhimento afetivo, dispersa uma possibilidade de difusão cultural. 
Anteriormente apresentadas, as definições de Design Gráfico e Design Industrial - 
também conhecido como Design de Produto - são entendidas, na atualidade, como 
especialidades híbridas, ou seja, que contemplam a técnica e a estética. A Ilustração e 
a Fotografia, assim como as demais formas, também sofreram alterações devido ao 
desenvolvimento técnico e estético, porém sempre com a intenção de responder a 
maior das necessidades humanas: a de se comunicar. 
Dessa forma, este bloco não tem como objetivo realizar um panorama cronológico das 
distintas formas de expressão ou estilo, porém, buscou, sobretudo, dar um panorama 
das características que incidem, de forma direta, na construção e na percepção da 
mensagem visual. 
Para Dondis (2007), considerando a aplicação prática de determinada linguagem na 
construção de uma mensagem, o agrupamento de categorias de estilo facilita a 
compreensão da interpretação e elaboração visual. 
 
 
 
42 
 
Entender que o primitivo está relacionado a um realismo menos técnico, o 
expressionismo está assente na gestualidade e na força do movimento, o classicismo 
está diretamente associado à perfeição, o estilo ornamental tem como premissa a 
exuberância na composição e, que, por fim, a funcionalidade está apoiada na síntese da 
forma, certamente configura um panorama transversal de atributos que colaboram na 
elaboração assertiva da mensagem visual. 
 
 
REFERÊNCIAS 
ARGAN, G. C. História da Arte como História da Cidade. São Paulo: Editora Martins 
Fontes, 1998. 
BARDI, L. B. Tempos de grossura: O design no impasse. São Paulo: Instituto Pietro e Lina 
Bo Bardi, 1994. 
BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, 1955. Disponível 
em: < https://philarchive.org/archive/DIATAT>. Acesso em: 06 jun. 2019. 
DONDIS, D. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2007. 
 
 
https://philarchive.org/archive/DIATAT
 
 
 
43 
 
 
3 DIVERGÊNCIA ENTRE ARTE E CIDADE 
O terceiro Bloco da disciplina Projeto Integrador: Arte Aplicada, discutirá, de forma 
ampla, as manifestações artísticas que utilizam a cidade como suporte. 
Manifestações como, por exemplo, o grafite e a pichação, coexistem nas metrópoles e, 
mais recentemente, se consolidaram como expressões artísticas, pois estão cada vez 
mais engajadas e compõem as cidades contemporâneas. 
Nesse caso, a cidade é, ao mesmo tempo, suporte e produto final, pois altera e é 
alterada. 
Há ainda a Arte enquanto elemento da paisagem urbana que, ao mesmo tempo em que 
rende homenagem, também se constitui como um marco na cidade. Mas o que quer 
dizer essa afirmação? Sabe aquele ponto que todos conhecem, mas, que muitas vezes, 
desconhecem o seu real significado ou o que homenageia? Então, isto é arte pública! 
Portanto, vamos entender um pouco melhor como a arte é, simultaneamente, suporte 
e produto artístico? 
 
3.1 Divergência entre arte e cidade 
Segundo Sevcenko (2001), atualmente a arte atravessa uma desmaterialização dos 
suportes que, na perspectiva do autor, se deve ao impacto das grandes mudanças 
tecnológicas e a supervalorização da exposição como exibição, que dilui o valor inerente 
à expressão artística e distancia o público da arte. Entretanto, o que isso quer dizer? 
Ao contrário de outros momentos da história da humanidade, atualmente a arte se 
encontra sob outras formas de expressão além das formas clássicas, pintura, escultura, 
etc. Mais do que isso, a arte empreendeu uma expansão que ultrapassou a fronteira dos 
espaços destinados à apreciação, como galerias e museus. 
Mas, afinal se a arte não está apenas nas galerias ou museus, aonde mais ela está? A 
arte também está na cidade. É evidente que as galerias e os museus também estão nas 
 
 
 
44 
 
cidades, e continuam abrigando a arte, na forma clássica de exposição, entretanto, 
estamos falando da cidade não apenas como localização, mas como suporte da arte. 
Fonte:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Beco_do_Batman#/media/Ficheiro:Grafites_na_
Alameda_Tim_Maia,_em_S%C3%A3o_Paulo-SP.jpg> 
Figura 3.1 - Beco do Batman, São Paulo 
Dessa forma, discutir sobre arte e cidade é, sobretudo, discutir sobre aquilo que é 
público e aquilo que é privado. 
Espaço público é o ambiente que pode ser utilizado por todos os cidadãos, trata-se, por 
exemplo, da rua, do viaduto, entre outros. Mas, a cidade é muito mais do que apenas 
os espaços de trânsito dos cidadãos, ela também contempla lugares que materializam o 
convívio, a interação, o encontro. 
Ao falarmos sobre arte e cidade, sendo a cidade suporte direto da arte, é possível 
destacar formas de intervenção que ocorrem nela como, por exemplo, o grafite e a 
pichação. Tratam-se de intervenções gráficas urbanas, produtos comunicacionais na sua 
vertente cultural, social e simbólica, abarcam um diálogo, no qual a cidade é causa e, ao 
mesmo tempo, consequência, cujainteração altera todos os medianeiros do processo: 
emissores e receptores. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Beco_do_Batman#/media/Ficheiro:Grafites_na_Alameda_Tim_Maia,_em_S%C3%A3o_Paulo-SP.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Beco_do_Batman#/media/Ficheiro:Grafites_na_Alameda_Tim_Maia,_em_S%C3%A3o_Paulo-SP.jpg
 
 
 
45 
 
A busca por identidade, territorialidade, hierarquia e tantos outros significados, pode 
ser evidenciada por meio de dimensões gráficas distintas, cujos processos e técnicas são 
fundamentais no estabelecimento de fronteiras, se é que esta existe alguma, entre o 
grafite e a pichação. 
Figura 3.2 - Pichação 
 
O resultado da pluralidade desse gênero discursivo, se materializa por meio da alteração 
da paisagem urbana, da forma como ela se apresenta ao cidadão e, por consequência, 
da forma como a interação entre ambos se processa. 
 Pichação 
A pichação, (pixação ou ainda o pixo) é uma manifestação, essencialmente, tipográfica, 
ou seja, se materializa por meio de letras e, como afirma Pereira (2010), é uma iniciativa 
estética que parte da população jovem das zonas periféricas das cidades. 
 
Trata-se da grafia estilizada de palavras nos espaços públicos da cidade que 
se referem, quase sempre, à denominação de um grupo de jovens ou ao 
apelido de um pixador individual. Essa pixação possui um formato bastante 
peculiar: com traços retos e angulosos, ela diferencia-se do que seria o estilo 
norte-americano de pixação, designado tag, cujo formato arredondado 
lembra mais uma rubrica (PEREIRA, 2010 p.146). 
 
 
 
 
46 
 
Toda manifestação dessa natureza deve ser “assinada” e, por esse motivo, deve sempre 
ser acompanhada daquilo que é conhecido no meio como “grife”, pois, é dessa forma 
que o autor e sua procedência serão identificados. A grife, geralmente, é composta por 
um agrupamento, que pode, inclusive, ter um número enorme de integrantes, e em sua 
base está os princípios e os deveres a serem cumpridos. A grife, no grafite, também 
valoriza, pois trata-se de uma modalidade de aliança de grupos de pixadores, por isso 
não se pixa seu nome por extenso, mas o seu símbolo ao lado da pixação principal 
(PEREIRA, 2010 p.148). 
Em São Paulo existe, o que parece ser, uma coexistência entre Pichação e Grafite. Para 
Pereira (2010), aquilo que na capital paulista é entendido como antagonismo, no 
exterior, é apenas classificado como um tipo de grafite. 
 
Enquanto em outras cidades do mundo o que aqui se denomina pixação é 
apenas um estilo dentro do grafite, na capital paulistana ela é vista por uns 
como o seu oposto – o grafite é entendido como arte enquanto ela é 
considerada sujeira e poluição visual – e, por outros, como um estágio inferior 
do grafite, que seria o patamar mais alto dessa forma de expressão. Por conta 
dessa aversão à pixação, principalmente pelo poder público e pela imprensa, 
os grafiteiros conseguiram adquirir até certa notoriedade junto à mídia e à 
população (PEREIRA, 2010 p.148). 
 
 
 
 
47 
 
Fonte:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Picha%C3%A7%C3%A3o#/media/Ficheiro:Sao_vit
o2.JPG> 
Figura 3.3 - Pichação 
 
O senso comum que defende o grafite como expressão ou intervenção artística e o pixo 
como poluição visual, faz com que estes estabeleçam uma permanente relação com a 
transgressão. Além disso, há a questão da inserção dos pixos. 
Você já reparou como muitas pichações estão em locais, aparentemente, impossíveis de 
serem acessados? Você sabe a razão disso? É porque aquele que realiza a maior proeza 
e enfrenta os maiores desafios consegue maior reconhecimento (PEREIRA, 2010 p.152). 
Na perspectiva do pichador, o pixo materializa uma contestação social sendo, portanto, 
exatamente o seu caráter de protesto, o responsável por relacionar essa manifestação 
à transgressão. Para Pereira (2010), se por um lado a manifestação muitas vezes está 
esvaziada de um sentido político, em essência, pois, a motivação não é clara ou explícita, 
sendo apenas, vaga. 
 
 
 
48 
 
Por outro lado, é perceptível que a manifestação pixo é um modo contemporâneo de 
comunicar a exclusão, por meio de experiências plásticas, sociais e urbanas. 
 Grafite 
O grafite, segundo Costa (2007), é a designação para vários tipos de intervenção que, ao 
contrário do que se pensa, existem desde o início da civilização, pois, se pensarmos bem, 
as inscrições nas cavernas pré-históricas são uma forma de grafite, não? 
É interessante também notar que, Pompéia (cidade do Império Romano que ficou 
ocultada, depois da erupção do vulcão Vesúvio, do ano de 79 até o de 1748), quando foi 
“redescoberta” também apresentou inscrições similares ao grafite como o conhecemos 
na atualidade. 
 
Fonte: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pompeia-ViaAbundancia-
propagandaElectoral-5445.jpg> 
Figura 3.4 - Pichação em Pompéia, Itália 
 
Na contemporaneidade, o “resgate” da prática artística do grafite ocorreu na cidade de 
Nova York, na década de 1970, por meio do designer e artista Keith Haring e, 
posteriormente, pelo artista Jean Michel Basquiat. 
No Brasil, ainda na década de 1970, Alex Vallauri extrapola os limites dos espaços de 
arte para dar início a uma trajetória incrível de intervenção urbana. Em seguida, artistas 
como Speto, Os Gêmeos, Kobra, Rui Amaral, Crânio, entre tantos outros, se apropriam 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pompeia-ViaAbundancia-propagandaElectoral-5445.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Pompeia-ViaAbundancia-propagandaElectoral-5445.jpg
 
 
 
49 
 
da cidade enquanto suporte, e contribuem, até os dias de hoje, para a interação entre 
arte e cidade. 
 
 
Fonte:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Grafite_na_entrada_do_MAM,_osgeme
os_(5878026408).jpg> 
Figura 3.5 - Os Gêmeos 
 
3.2 Convergência entre arte e cidade 
Quando falamos em cidade qual é a primeira ideia que passa pela sua cabeça? Um 
complexo de artérias? Um conglomerado de edificações com seus muitos objetivos? 
Gente apressada? Carros? Poluição? A cidade é tudo isso e muito mais e também é arte. 
Essa arte surge por meio de assinaturas indecifráveis, como, por exemplo, a pichação, 
ela também brota em muitas empenas cegas6, alterando a paisagem e identificando a 
 
6 Laterais dos edifícios que, por não apresentarem nenhum tipo de abertura (portas ou janelas) podem 
servir de zona de interface com as demais construções. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Grafite_na_entrada_do_MAM,_osgemeos_(5878026408).jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Grafite_na_entrada_do_MAM,_osgemeos_(5878026408).jpg
 
 
 
50 
 
edificação. É apenas isso, certo? Errado. E aquele monumento da praça? Aquela 
escultura na porta de um edifício? Aquele painel de azulejos? 
Existem muitas manifestações artísticas, que são comportadas pela cidade e atendem 
pela denominação de arte pública, ou seja, a arte que está inserida no espaço público. 
A designação, que não reúne consenso, procura distinguir as formas de arte instaladas 
no ambiente urbano daquelas que estão instaladas no âmbito do binômio galeria de 
arte/museu. É, justamente, essa distinção, entre o que está exposto na esfera pública e 
o que está exposto na esfera privada, que levanta questionamentos. 
O museu ou a galeria contêm arte (contêm no sentido literal do termo), 
tornam-se numa espécie de contentor, de depósito, de recipiente que acolhe 
passiva e indiferentemente uma obra sem ser dela parte integrante, 
imobilizam a arte e instalam-na quase numa inércia. No espaço da galeria, a 
arte associa-se a uma espécie de elitismo, pois trata-se de um espaço 
exclusivo, em que a arte se transforma num comércio de objetos muito 
dispendiosos economicamente, e, por conseguinte o que a galeria contém é 
inacessível ao grande público. Numa galeria a obra de arte é um objeto 
voltado para o interior dos circuitos artísticos (comerciantes de arte, 
leiloeiros, curadores, críticos, colecionadores), queprocuram criar a ligação 
entre o artista, a obra, os colecionadores, e o público dessas obras de arte. 
(CORREIA, 2013 p.24) 
 
Muitos autores definem essa incongruência entre a arte, ora como produção para a 
“elite” (esfera privada), ora aberta para apreciação geral (esfera pública). A primeira 
estaria relacionada a uma parcela da população que tem acesso a informação e, por isso 
está mais familiarizada com o assunto; já a segunda, por se tratar de uma produção 
exposta no âmbito do espaço público, estaria voltada para a apreciação geral e irrestrita. 
Nesta perspectiva, o público pode ou não estar próximo do assunto e é confrontado com 
a produção artística de maneira “imposta”, ou seja, não há escolha como na anterior. 
 
 
 
 
51 
 
Figura 3.6 – Qingdao, China 
A arte pública apresenta, segundo Abreu (2013), uma série de especificidades cuja 
finalidade é levar a arte para todos os cidadãos o que, por si só, já define sua condição 
de inclusão por estar disponível para a apreciação de todos. No entanto, justamente por 
essa condição, ela está sujeita a todo o tipo de manifestação, positiva ou negativa, 
incluindo as de teor físico como depredação, vandalismo, entre outras. Além disso, esse 
tipo de construção artística ainda considera as condicionantes de uma permanente 
exposição externa, sendo constantemente afetada pelas condições de tempo, o local, 
entre outros fatores, o que, de certa forma, pode condicionar o trabalho do artista. 
Outra especificidade da arte pública é o seu caráter comemorativo. Para Correia (2013), 
ao contrário da arte pública contemporânea, a arte pública tradicional tem como 
motivação uma comemoração. 
 
Como comemoração, a arte pública tradicional constitui um meio de 
expressão à semelhança de outros implantados no espaço público em épocas 
mais remotas, tais como o obelisco, o arco triunfal, a coluna, e o monólito. A 
comemoração é uma evocação de determinados acontecimentos do passado, 
a que se atribui valor, de caráter sagrado ou profano (CORREIA, 2013 p. 63). 
 
 
 
 
 
52 
 
Fonte:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Obelisco#/media/Ficheiro:Louxor_obelisk_Paris_
dsc00780.jpg> 
Figura 3.7 - Obelisco 
Fonte: 
<https://pt.wikipedia.org/wiki/Arco_do_triunfo#/media/Ficheiro:Arco_Triunfal_da_Ru
a_Augusta_September_2014.jpg> 
Figura 3.8 - Arco do Triunfo 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Obelisco#/media/Ficheiro:Louxor_obelisk_Paris_dsc00780.jpg
https://pt.wikipedia.org/wiki/Obelisco#/media/Ficheiro:Louxor_obelisk_Paris_dsc00780.jpg
 
 
 
53 
 
A arte pública pode ainda ser a expressão de uma homenagem, uma honraria, o marco 
de uma data de relevante. Se distingue da comemoração, na medida em que se destina 
a alguém cujos feitos merecem destaque. Geralmente, se trata de um produto artístico 
individual, embora possa acontecer uma homenagem ao coletivo. 
 
Figura 3.9 - Monumento George Washington, Massachusetts (EUA) 
 
Há ainda um outro tipo de homenagem, que está relacionada à devoção. Nas palavras 
de Correia (2013), a veneração está intimamente ligada ao simbolismo da religião e à 
força da religiosidade que se move por meio de uma vasto potencial de símbolos e 
figuras sagradas, que merecem homenagens. 
A veneração está associada ao culto de um santo, mas um não crente pode 
apenas homenageá-lo (considerá-lo uma figura de alto valor humano, do 
ponto de vista filantrópico, por exemplo). Além da homenagem, em relação 
a um santo pode também comemorar-se o seu nascimento ou a sua morte, 
por isso as atitudes que estão presentes na celebração em torno das grandes 
personalidades (veneração, homenagem e comemoração), podem-se por 
vezes associar-se (CORREIA, 2013 p. 64). 
 
 
 
54 
 
Figura 3.10 - Cristo Redentor 
 
Por fim, existe a homenagem ao que é abstrato. Valores e princípios, segundo Correia 
(2013), também são passíveis de serem homenageados embora sejam abstratos. 
Sabemos o que é, mas, não existe uma única forma que os defina. Existem diversas 
interpretações. É o caso da Estátua da Liberdade, em Nova Yorque, ou do Monumento 
dos Direitos Humanos, em Paris. 
No que diz respeito aos valores e princípios que orientam normativamente e 
idealmente a sociedade, do ponto de vista da sua representação abstrata (a 
liberdade, a igualdade, a justiça, etc.), também existe arte pública a eles 
dedicada (por exemplo a estátua da liberdade, em Nova Iorque). Não se 
comemoram (não são acontecimentos), não se homenageiam (a não ser em 
sentido figurado), nem se veneram (no sentido religioso), pelo que a melhor 
designação é a de honrar, reverenciar ou exaltar. (CORREIA, 2013 p. 64) 
 
 
 
 
 
55 
 
 
Figura 3.11 - Estátua da Liberdade 
Fonte:<https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Human_Rights_Monument_2,_Paris
_23_June_2013.jpg> 
Figura 3.12 - Monumento dos Direitos Humanos 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Human_Rights_Monument_2,_Paris_23_June_2013.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Human_Rights_Monument_2,_Paris_23_June_2013.jpg
 
 
 
56 
 
Em termos históricos, é possível dizer que a produção de arte pública, até metade do 
século XX, aproximadamente, apresentava, de maneira geral, características acadêmicas 
se regendo pelos padrões estéticos das escolas de Belas Artes e/ou Artes e Ofícios, como 
afirma (Alves, 2008). 
Parte considerável desses artistas era de origem europeia, onde haviam 
recebido rígida formação acadêmica, e emigraram para o novo continente em 
busca de uma vida melhor. Foram eles que realizaram significativos conjuntos 
comemorativos, esculturas decorativas e trabalhos funcionais (fontes e 
chafarizes) (ALVES, 2008 p. 6). 
Posteriormente, a arte pública, assim como a arte em geral, que está inserida em seu 
contexto social, histórico e econômico, passou a integrar a paisagem urbana enquanto 
elemento compositivo. Pode, claro, haver uma motivação para acontecerem 
homenagens específicas ou comemorações de datas relevantes, mas, na 
contemporaneidade, o espaço urbano passa a ser suporte e, ao mesmo tempo, 
elemento dessa manifestação, na qual a linguagem do artista é protagonista juntamente 
com o simbolismo que a obra carrega. 
 
3.3 Arte e Cidade/Lugar 
Articular arte e cidade é discutir sobre uma produção artística inserida em um 
determinado espaço, um lugar. Pode parecer óbvio, mas, discutir a arte pública na 
contemporaneidade é dialogar também com o papel que o lugar desempenha na 
elaboração do produto artístico, podendo ser outro além da cidade. 
No entanto, o que isso quer dizer? Significa que, considerar o espaço no qual a obra de 
arte será inserida é fundamental, pois este também interferirá na obra e, portanto, é 
parte integrante. Assim sendo, uma obra, quando concebida para determinado lugar, só 
faz sentido enquanto produto de arte se colocada no local para o qual foi pensada, 
concebida. A arte ambiental é uma dessas manifestações. 
 
 
 
 
 
57 
 
A arte ambiente ou ambiental não faz referência a um movimento artístico 
particular, mas sinaliza uma tendência da arte contemporânea que se volta 
mais decididamente para o espaço - incorporando-o à obra e/ou 
transformando-o -, seja ele o espaço da galeria, o ambiente natural ou as 
áreas urbanas. Diante da expansão da obra no espaço, o espectador é 
convocado a se colocar dentro dela, experimentando-a; não como 
observador distanciado, mas parte integrante do trabalho (AMBIENTE, 2018). 
 
Fonte: <http://michaelmcgillis.com/wake-1> 
Figura 3.13 - Arte Ambiental: Michael Mcgillis 
 
Na arte ambiental, a paisagem não é mais tema, é obra. Não é mais “retratada” e sim 
elemento que, incorporado à obra, faz fusão com o lugar e se integra ao produto 
artístico. Artistas vinculados ao movimento, utilizam distintos espaços como territórios 
para intervenções e interfaces artísticas por meio de diversas linguagens. É o caso de 
Walter Maria (1935/2013), artista americano que, na década de 1970, realizou a 
instalação Lightning Field, dispondo 400