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1 Isabela Gameiro – 102 Exame Físico da gestante No exame ginecológico/obstétrico, deve-se avaliar a genitália externa, a vagina, o colo uterino e, no toque bidigital, o útero e os anexos. Depois da 12ª semana avaliamos o AFU (altura do fundo uterino), a ausculta fetal após 10ª – 12ª semana, com o sonar-doppler. - 1º Passo: inspecionar todo o abdome procurando estrias e cicatrizes, verificando as dimensões, formato e o contorno. Estrias violáceas e linha nigra são achados normais na gravidez. - 2º Passo: palpar o abdome procurando: • Órgãos e massas (achado do útero grávido é esperado); • Movimentos fetais, de modo que sinta os movimentos do feto após a 24ª semana de gravidez, enquanto a gestante geralmente consegue perceber esses movimentos entre as 18ª e 24ª semanas. • AFU (altura do fundo uterino): coloque o “zero” de uma fita métrica. Estique a fita até o ponto mais alto do fundo de útero. • Ausculta batimentos cardíacos fetais: o monitor com Doppler da frequência cardíaca fetal (FCF), sendo audível normalmente no período da 10ª a 12ª semana. • Localização: por volta da 10ª a 18ª semana de gestação, FCF 2 Isabela Gameiro – 102 sendo localizado ao longo da mediana da parte inferior do abdome, após esse período a ausculta fica melhor no dorso ou no tórax e depende da posição fetal. • Frequência cardíaca: varia entre 110 e 160 bpm. • Ritmo: podendo variar entre 10 e 15 bpm de segundo para outro. • Manobras: Usada para determinar a posição do feto no abdome da gestante no início do segundo trimestre. → 1ª manobra: o examinador se posiciona ao lado do paciente apalpando delicadamente a parte superior do útero com as palmas e os dedos de ambas as mãos. As nádegas fetais são irregulares e firmes, a cabeça é regular, lisa e endurecida. → 2ª manobra: o examinador vai deslizar suas mãos dispondo-as uma em cada extremidade lateral uterina. Deve-se identificar o lado do dorso fetal (regular, liso e rígido), as extremidades que contém os membros vão ser irregulares e seus movimentos podem ser notados. → 3ª manobra: com uma das mãos o polo inferior deve ser apreendido entre o polegar e os dedos da mão dominante, logo acima da sínfise púbica. Movimentar para as laterais para ver a mobilidade. Vai indicar a insinuação do feto na pelve e proximidade do trabalho de parto. → 4ª manobra: examinador vira- se de frente para os pés da paciente e com as mãos afastadas, tenta aprofundar as mãos na pelve para evidenciar qual região fetal está o polo inferior do útero (apresentação fetal). Apresentação cefálica é menor, lisa, irredutível e endurecida, os dedos em contato com a região occipital do feto avançam mais adentro na pelve que os dedos contralaterais; na pélvica apresenta maior, irregular e amolecida; transversal o polo vai estar vazio. Comece apalpando do polo cefálico, vai realizar a ausculta do BCF por quatro períodos de 15 segundos e calcule a média. O estímulo sonoro é através de uma buzina de Kobo (de bicicleta) sobre o polo cefálico fetal com ligeira compressão sobre o abdome materno (aplique o estímulo entre três e cinco segundos ininterruptos). Durante o estímulo, deve-se observar o 3 Isabela Gameiro – 102 abdome materno, procurando identificar movimentos fetais visíveis. Logo após o estímulo, repita a ausculta dos BCF por novos quatro períodos de 15 segundos e refaça a média dos batimentos. → Teste positivo: há um aumento de 15 batimentos em relação a média inicial ou presença de movimentos fetais fortes na observação do abdome materno através do estímulo. → Teste negativo: não há movimentação e pela falta de aumento do BC como resposta. Deve ser realizado duas vezes, com intervalo de, pelo menos, dez minutos para se considerar negativo. Relações de posicionamento fetal com pontos de referência. → Atitude: durante a gestação o feto se encontra em flexão generalizada, formando um ovoide, delimitado por dois polos. Um cefálico, menor, e um pélvico, maior. No parto, as atitudes fetais se modificam para a expulsão do concepto. → Situação: relação do eixo longitudinal fetal e uterino. Se paralelos, a situação é longitudinal, se perpendiculares a situação é transversa. → Apresentação: identificar a região fetal que se encontra no estreito superior da pelve. As situações longitudinais cefálica (cabeça fetal) ou pélvica (pelve fetal). Quando for transversal sempre será córmica. 4 Isabela Gameiro – 102 → Altura da apresentação: na gestação o feto se encontra afastado do estreito superior da pelve, descendo por este ao longo do trabalho de parto. Com o avançar do parto, a altura se torna insinuada quando a extremidade fetal apresentada está fixa na pelve. Podendo ser realizada pelo esquema de DeLee durante o toque vaginal. Relacionado com a extremidade mais baixa do feto com a linha imaginária traçada entre as espinhas isquiáticas. Para as alturas superiores à linha isquiática os valores recebem sinal de negativo e recebem sinal de positivo para os planos inferiores. → Posição: relação do dorso fetal com o lado direito ou esquerdo da mãe. A posição esquerda ocorre quando o feto está com o dorso no lado esquerdo materno e a posição direita quando o dorso se encontra no lado direito da mãe. → Variedade de posição: relaciona os pontos de referência fetais como referência maternos dispostos circularmente na pelve. cada apresentação possui um ponto de referência fetal. Este será descrito de acordo com sua proximidade aos pontos de referência na pelve materna (sacro, púbis, pontos transversais direitos e esquerdos). 5 Isabela Gameiro – 102 A gestante é colocada em decúbito dorsal com os pés apoiados nos estribos da mesa de exame. → Inspeção: a coloração violácea dos tecidos, a hipertrofia dos lábios e clitóris é esperada. → Exame especular: o colo é inspecionado com relação a sua forma, posição, coloração, abertura do orifício externo, secreções e lesões. Com a retirada do espéculo, as paredes vaginais são inspecionadas, descrevendo-se a integridade e a rugosidade mucosa e o conteúdo vaginal. Uma secreção branca e leitosa é normal. → Exame bimanual: a palpação é importante para a avaliação cervical e das alterações uterinas. A cérvice se encontra mais amolecida e congesta. Sua localização, seu comprimento (medido desde a borda cervical até o fórnice lateral) e a dilatação do orifício externo variam ao longo da gravidez e devem ser descritos sempre. Já nas multíparas o orifício externo pode ser permeável a uma polpa digital, o que não ocorre nas nulíparas.