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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas Ciências Socioambientais Discente: Rafaela Vianna Waisman Docente: Andreia Zhouri DUPUY, Jean-Pierre. Introdução à crítica da Ecologia Política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981. Jean-Pierre Dupuy é Professor Emérito de Filosofia Política e Social, Ecole Polytechnique, Paris e Professor de Ciência Política (por cortesia), Universidade de Stanford. Ele é membro da Academia Francesa de Tecnologia, uma divisão da Academia de Ciências e do Conselho Geral das Minas, a Alta Magistratura Francesa que supervisiona e regula a indústria, a energia e o meio ambiente. Preside o Comitê de Ética da Alta Autoridade Francesa de Segurança Nuclear. Diretor do programa de pesquisa da Imitatio, uma fundação de São Francisco dedicada à disseminação e discussão da teoria mimética de René Girard. (Fonte: https://stanford.academia.edu/JeanPierreDupuy) Capítulo 1: Da ecologia à crítica radical da sociedade industrial – p. 15 Especialmente em países de “terceiro mundo”, como o Brasil, a ecologia é vista como “um luxo de ricos, [...]uma ideologia reacionária que se preocupa mais em conservar as árvores e os passarinhos do que em pôr fim à dominação do homem pelo homem”. – p.15 - Ecologia como crítica global e radical do modo de produção industrial – p.15 - Ecologia X marxismo; capitalismo X ecologia. Crise ecológica e a oportunidade de instaurar uma lógica social onde o “livre desenvolvimento de todos seria ao mesmo tempo o fim e a condição do livre desenvolvimento de cada um”. – p.15/16 1. A ecologia do capitalismo – p.16 “A ecologia do capitalismo é a integração dos constrangimentos ecológicos na lógica capitalista” – p.16 Marx e Keynes: insuficiência da demanda – ameaça à economia do crescimento. – p.16 Demanda: reconhecimento pelo mercado do valor social dos produtos. Produção de demanda: Marketing, publicidade, aparelhos ideológicos etc. – p.16 Bens colocados no mercado -> maior utilidade social quanto mais desigualmente forem repartidos; diminuem seu valor de uso quando cresce o número daqueles que os possuem. – p.17 “Diminuição do tempo de vida dos bens de consumo. A produção desses bens hoje existe mais para satisfazer uma demanda de renovamento do que para aumentar o número dos que o possuem.” – p.17 - Obsolescência programada: descarte de aparelhos novos, troca por outros “mais novos”, que custam mais caro e contêm mais matérias primas não renováveis e mais energia. – p. 17 - Para o capitalismo se sustentar, é necessário superar as limitações ao lucro, ao crescimento econômico. Mais crescimento exige o aumento das desigualdades sociais, e o aumento da exploração de matérias primas não renováveis e de energia. - P.17 - Esgotamento e poluição de “recursos naturais” necessários à reprodução do sistema. Desperdícios e degradações do meio ambiente. A indústria passa a se preocupar cada vez mais com a questão ecológica, para poder continuar a funcionar. – p.18/19 - Capacidade de adaptação do capitalismo diante de circunstâncias imprevistas: Nova divisão internacional do trabalho -> produção de “bens imateriais”. – p.19/20 “Necessidades pós-industriais”: saúde, educação, cultura, preservação do meio ambiente, conhecimento de outros países e civilizações, segurança, lazer, boas relações com os outros. -> economia de serviços – p.20 “Novo crescimento” ou “nova ordem econômica internacional”: redesdobramento da indústria à escala mundial. “Terceirização” dos impactos socioambientais causados pelas indústrias pesadas das empresas de “primeiro mundo”. – p. 20 Capitalismo ecológico: cartelização geral, programação planetária da repartição e da utilização dos recursos minerais e energéticos, planificação das técnicas e dos preços. -> capitalismo não concorrencial de não-crescimento. – p.21 · “Michel Bosquet: “ecofascismo” ou “tecnofascismo”. 2. A crise segundo os ecologistas – p. 22 - Ambiguidade da ecologia: logos sobre oikos – o discurso racional sobre o habitat, a ciência de habitar. – p. 22 - Ecologistas – cientistas “tradicionais” ou ideólogos, militantes. Crítica ao modo industrial de produção, não somente às relações sociais capitalistas; crítica às técnicas, não somente ao uso capitalista delas. – p. 23 - Ecologistas na política e marginalização do movimento ecológico. Confronto com a esquerda conservadora e a fragmentação em diversas tendências – p.25/26 - Crítica pós-marxista da sociedade industrial. – p.27 Ivan Illich, Paul Goodman e Michel Bosquet. Temas da contestação ecológica: - Questão da sobrevivência da humanidade na escala planetária Estocolmo, 1972 – Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente – p.27 - Crítica do fetichismo das forças produtivas e a crítica da economia – conivência marxista ao capitalismo – p.29 - Crítica das ferramentas e do modo de produção industrial – p.31 “[...]conjunto de relações que os homens tecem entre si e com o mundo. Essas relações, os homens não as produzem mais por si próprios, de modo autônomo, elas lhes aparecem como o produto não desejado de forças, mecanismos e instituições cujo controle lhes escapa. É a esse processo de exteriorização, a essa alienação, que Illich dá o nome de heteronomia” – p.32 Todo valor de uso pode ser produzido de modo autônomo e de modo heterônomo – p.33 - Crítica do Estado e da heteronomia política – p.35