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• Hipóxia, hipercapnia e mudanças de temperatura;
• Desbalanço autonômico;
• Isquemia;
• Substância tóxicas e drogas.
Cães e gatos:
• Diagnosticados com doenças que causam dilatação
atrial → maior chance de desenvolver arritmias
supraventriculares, como extrassístoles isoladas,
pareadas, bigeminismo ou trigeminismo
supraventricular, fibrilação e flutter atrial, além de
silencio atrial → devido ao estiramento atrial, capaz
de induzir ativação dos canais iônicos
transmembrana, liberação de fatores pró-fibróticos e
hipertrofia celular, alterando as propriedades
eletrofiológicas do tecido;
• Animais que apresentam estiramento apenas das
câmeras atriais quando acometidos por arritmias
ventriculares, tem risco menor de morte súbita do
que por CMD;
Felinos:
• Felinos acometidos por cardiomiopatia hipertrófica
→ arritmias ventriculares e supraventriculares
com elevada frequência e complexidade, devido ao
estiramento atrial e desarranjo estrutural do
miocárdio;
• Anormalidade da frequência, regularidade, local de
origem do impulso cardíaco e/ou disturbio de
condução deste estimulo, de modo que a sequência de
ativação normal dos átrios e ventrículos esteja
alterada;
• Podem refletir a ocorrência de doenças do sistema
cardiovascular ou alterações metabólicas, hormonal
ou relacionado ao sistema nervoso.
Principais causas de arritmias em cães e gatos:
• Doença ou trauma no sistema nervoso central;
• Alterações de tônus neural periférico ou mediado por
reflexos;
• Infecções (virais ou bacterianas);
• Trauma;
• Condições degenerativas ou fibróticas cardíacas;
• Doenças cardíacas congênitas ou adquiridas;
• Influência neuro-humoral e endócrina;
• Desequilíbrios acidobásicos e/ou eletrólicos;
introdução
Estudos indicam que Cardiomiopatia dilatada pode
causar → arritmias ventriculares → devido ao
desarranjo de miócitos ventriculares, fibrose e necrose
miocárdica, também pode causar fibrilação atrial por
aumento atrial importante;
arritmias arritmias
1
• A presença de doença cardíaca estrutural pode
aumentar as manifestações clínicas de certos tipos de
arritmias, já que existem vários motivos para a queda
do DC. Ex.: diminuição do inotropismo em
pacientes com CMD → diminuição do volume
sistólico e FC elevada → queda do volume diastólico
final;
• A relação temporal entre as frequências de ativação
atrial e ventricular relacionam-se à capacidade do nó
atrioventricular de limitar o número de impulsos
atriais que efetivamente despolarizam o território
ventricular. Taxas de ativações ventriculares mais
baixas, decorrentes do retardo fisiológico da
condução que ocorre no nó atrioventricular, podem
exercer um efeito protetivo nos ventrículos contra
frequências atriais muito elevadas, minimizando os
efeitos negativos destas sobre o adequado
enchimento ventricular na diástole.
• Por outro lado, quando há bloqueios
atrioventriculares, as frequências ventriculares
podem ser muito menores do que as atriais, fazendo
com que o animal apresente sinais de baixo débito
cardíaco decorrentes de frequências cardíacas muito
baixas.
Frequência atrial maior que a ventricular em um cão
com bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz
tipo 2 – DII, 25 mm/s
• Hipercalemia em casos de obstrução uretral, doença
renal de curso oligurico ou em lesões ou em lesões
de reperfusão → arritmias;
• Arritmias podem causar grandes alterações na FC →
mudanças no débito cardíaco;
• Os distúrbios do ritmo que geram comprometimento
hemodinâmico apresentam frequências muito
elevadas (ex.: taquicardia ventriculares sustentadas)
ou muito reduzidas (ex.: ritmos de escape muito
lentos).
• FC exageradamente elevadas promovem
encurtamento do período de diástole cardíaca,
reduzindo a perfusão coronariana, que ocorre
durante a diástole, além de impedir que o ventrículo
possa receber uma quantidade adequada de sangue,
reduzindo o volume diastólico final.
• FC muito baixas → diminuição do DC →
principalmente em casos de estresse e agitação que
demanda maior perfusão tecidual.
• Arritmias que causam grandes reduções no DC
causando episódios de hipotensão arterial e quadros
de pré-sincope, sincope ou convulsão;
• No caso de Dobbermans com CMD, as
manifestações clínicas podem ser morte súbita
desencadeada por arritmias ventricular;
• Em outros casos a queda do DC pode gerar
diminuição do nível de atividade do animal – pode
ser confundida com envelhecimento;
• Fatores levados em consideração: doença cardíaca
estrutural, relação temporal entre as ativações atrial
e ventricular, sequencia de ativação ventricular, a
duração do evento arrítmico, taxa de ativação
ventricular e a administração de terapia
antiarrítmica.
Efeitos hemodinâmicos das
arritmias cardíacas
• neoplásico) e/ou com alterações eletrofisiológicas
(condutibilidade ou refratariedade alteradas).
Fatores moduladores
• São condições teciduais, como pH, ação do sistema
nervoso autônomo e isquemia tecidual, que
favorecem o aparecimento e a perpetuação das
arritmias em situações específicas. Ex.: das arritmias
que ocorrem durante o sono, quando o tônus vagal
está aumentado, ou durante o estresse, sob o efeito
do sistema nervoso simpático.
O gatilho
• É representado pelo advento de um batimento
precoce (extrassístole), qualquer que seja sua
origem. Tal batimento determina alteração do
período refratário e da excitabilidade de certa porção
do tecido, podendo ser responsável pelo surgimento
de áreas de bloqueio funcional do estímulo elétrico
e levando.
• Ex.: ao surgimento de um circuito de reentrada.
• Na presença de componentes do triângulo de
Coumel, sabe-se que os principais mecanismos
arritmogênicos existentes são: o
hiperautomatismo, o automatismo anormal, o
automatismo deflagrado (pós-potenciais tardios
ou precoces), a reentrada e a condução lenta ou
bloqueio.
Hiperautomatismo
• Representa a propriedade de despolarização
espontânea que certas células cardíacas apresentam.
O marcapasso primário do coração é o nó sinoatrial
(sinusal), sendo que o mecanismo exato responsável
pelo automatismo destas células é muito discutido.
Aventa-se a possibilidade de que isso ocorra devido
a uma complexa dinâmica de ativação de correntes
iônicas, mediada por voltagem ou por cálcio.
• A sequência de ativação ventricular correlaciona-se
à sincronia intra e interventricular. Estímulos
elétricos que se propagam por vias que não os ramos
direito e esquerdo do feixe de His e fibras de
Purkinje podem causar prejuízos nas funções
sistólica e diastólica, assim como resultar em
insuficiência mitral, e, em pacientes com doença
estrutural presente, podem incorrer em
manifestações clínicas de insuficiência cardíaca (a
chamada "Síndrome do QRS largo").
• A duração de um evento arrítmico e sua frequência
cardíaca podem estar relacionadas à possibilidade de
ocorrência de taquicardiomiopatia. Essa alteração
representa uma disfunção ventricular sistólica
decorrente de arritmias supraventriculares ou
ventriculares persistentes ou repetitivas, com
frequência cardíaca elevada, cujas manifestações
clínicas são reversíveis com a normalização do ritmo
cardíaco em pacientes sem uma doença estrutural
cardíaca estabelecida.
• Para que uma arritmia ocorra, é necessário que um
ambiente com características específicas exista no
tecido cardíaco, independentemente dos
mecanismos eletrofisiológicos envolvidos. Assim, o
surgimento e/ou a manutençãode uma arritmia
dependem de uma tríade de fatores, denominada
triângulo de Coumel. Os componentes desse
conjunto são: o substrato, os fatores moduladores
e o gatilho.
Substrato
• O substrato arritmogênico é representado pelo
miocárdio com alterações histológicas (fibrose,
necrose e infiltração de tecido adiposo ou
neoplásico) e/ou com alterações eletrofisiológicas
Mecanismo gênese das
arritmias
Automatismo deflagrado
• Esse mecanismo baseia-se na existência de
oscilações nas fases do potencial de ação que
antecedem ou sucedem a repolarização celular.
Nestas situações, as fases 2, 3 ou 4 do potencial de
ação podem sofrer pequenas pós-despolarizações, as
quais podem ser suficientes para desencadear uma
extrassístole ou uma série delas.
• Esse mecanismo não depende da propriedade de
automatismo celular, mas, sim, da ocorrência de um
potencial de ação prévio, qualquer que seja sua
origem, alguns autores questionam o uso da
denominação "automatismo deflagrado", sendo
possível encontrar na literatura referências a esse
mecanismo arritmogênico como atividade
deflagrada".
Os pós-potenciais:
• Ocorrem devido à menor saída de cargas positivas
da célula despolarizada, prejudicando a
repolarização. Eles podem ser caracterizados como
precoces ou tardios. Os pós-potenciais precoces
estão relacionados às fases 2 e 3 do potencial de
ação, sendo implicado na ocorrência da arritmia
torsade de pointes (em pacientes com síndrome do
QT longo).
Pós-potenciais tardios:
• Ocorrem durante a fase 4 do potencial de ação,
devido a uma sobrecarga na quantidade de cálcio
intracelular, que desencadeia a ativação de diversos
canais iônicos, podendo levar a uma nova
despolarização celular efetiva. Esse tipo de
mecanismo relaciona-se com arritmias secundárias à
intoxicação digitálica, por exemplo.
• Pode surgir em células atriais, da junção
atrioventricular e do sistema His-Purkinje, porém,
em situações normais, as células do nó sinoatrial
despolarizam espontaneamente numa frequência
mais alta do que as anteriores, suprimindo seu
automatismo intrínseco por meio de um mecanismo
denominado overdrive supression.
• Em situações em que as células do nó sinusal deixam
de despolarizar espontaneamente ou o fazem em
frequências muito baixas (p. ex. em casos de
silêncio atrial ou disfunção do nó sinusal)
• Ritmo de escape: as células atriais, as da junção
atrioventricular ou as do sistema His-Purkinje
podem assumir o comando do ritmo cardíaco por
meio do automatismo, visto que não estão mais
suprimidas pelo nó sinoatrial, gerando os chamados
ritmos de escape. Por esse motivo, essas células são
denominadas marcapassos subsidiários do coração.
• Em algumas situações, o automatismo do
marcapasso primário ou dos marcapassos
subsidiários do coração é exacerbado,
caracterizando o chamado hiperautomatismo.
Nestas situações, a velocidade de despolarização
dessas células está aumentada, o que gera
taquiarritmias.
• O hiperautomatismo pode ocorrer em decorrência de
uma diminuição do potencial limiar, aumento do
potencial diastólico máximo ou aumento da taxa de
despolarização na fase 4.
Exemplos de arritmias que podem surgir em decorrência
do hiperautomatismo:
• Taquicardia sinusal, evento fisiológico no qual a
exacerbação do automatismo ocorre no próprio nó
sinoatrial
• Os ritmos juncional e idioventricular acelerado, nos
quais o evento ocorre nas células do nó
atrioventricular ou nas fibras de Purkinje.
Existem dois tipos de reentrada, a anatômica e a
funcional.
Os circuitos de reentrada anatômicos
• Possuem forma, sede e dimensões estáveis. Ex.: é o
circuito atrioventricular formado nas taquicardias
mediadas por via acessória, como ocorre na
síndrome de Wolff-Parkinson-White.
Reentradas funcionais
• Como ocorre em alguns casos de fibrilação atrial,
não há estrutura fixa presente, e o estímulo circula
em torno de um tecido que é mantido refratário por
ondas de despolarização centrípetas.
• A principal diferença entre esses tipos de reentrada
é, além da presença de circuito anatômico, a
ausência de período excitável nas reentradas
funcionais.
Condução lenta ou bloqueio
• A diminuição da velocidade de condução ou o
bloqueio da frente de despolarização são
representados pelos bloqueios sinoatriais e/ou
atrioventriculares de primeiro, segundo ou terceiro
grau. Podem ocorrer, portanto, na região da junção
do nó sinusal ao miocárdio atrial ou na junção
atrioventricular, seja no nó atrioventricular ou no
sistema de His-Purkinje.
• Bloqueios de primeiro grau relacionam-se à
condução lenta, enquanto aqueles de segundo e
terceiro graus dizem respeito aos bloqueios
propriamente ditos, nos quais há uma interrupção da
passagem da frente de onda em um determinado
tecido
Reentrada
• A reentrada ocorre quando uma mesma frente de
onda despolariza os átrios e/ou os ventrículos após o
fim do período refratário tecidual, ao invés de
extinguir-se após esse período.
• Existem alguns fatores essenciais para a instalação e
perpetuação de um circuito de reentrada, dentre os
quais destacam-se o bloqueio unidirecional da
condução, a presença de vias com velocidades de
condução diferentes e o gatilho.
• A reentrada ocorre quando uma frente de
despolarização encontra um obstáculo anatômico ou
funcional, contornando-o por vias de condução cujos
períodos refratários e velocidades de condução são
distintos. O impulso desce por uma via anterógrada
com velocidade lenta e encontra um bloqueio de
condução unidirecional na via contralateral. Essa
frente de despolarização completa o circuito,
despolarizando, de maneira retrógrada, a via
contendo o bloqueio unidirecional, A reentrada
efetiva-se quando o impulso que foi conduzido pela
via anterógrada atinge a via retrógrada fora de seu
período refratário.
Exemplo de mecanismo de reentrada em fibra de Purkinje e
miocárdio ventricular com área de bloqueio unidirecional de
condução (área hachurada)
Ritmos cardíacos normais em cães e gatos
Ritmo sinusal
• O ritmo sinusal define-se por ser originário
exclusivamente do nó sinoatrial (sinusal), de modo
que o eixo elétrico da onda P fica entre -18° e +90°
no cão e 0° e +90° no gato, e os intervalos RR variam
em, no máximo, 10% entre si. Sendo o marcapasso
primário do coração, a frequência cardíaca no ritmo
sinusal é de 60 a 160 batimentos por minuto (bpm)
no cão, podendo chegar a 180 bpm, em raças toy, e
a 240 bpm no gato.
• É importante frisar que todo complexo QRS deve ser
acompanhado de onda P precedente, a não ser que
haja bloqueio atrioventricular de segundo grau
associado, e que os complexos QRS devem ser de
morfologia normal, a não ser que haja aberrância de
condução associada.
Traçado de felino com ritmo sinusal – 50 mm/s N=1.
Arritmia sinusal
• A arritmia sinusal é também originária do nó
sinoatrial, sendo o ritmo mais comumente
encontrado em cães, e pode ser observada em
felinos, principalmente quando eles estão em
repouso.
• Essa arritmia é definida por eletrocardiografia como
uma variação gradual no intervalo R-R que excede
10% em cães, ou, ainda, como uma diferença maior
que 0,10 s entre ondas P consecutivas em gatos.
• A correta identificação das arritmias deve ser feita
por meio de uma análise sequencial e sistemática do
traçado eletrocardiográfico.• Segundo Bonow, as perguntas a serem respondidas
quando da análise eletrocardiográfica são: existem
ondas P presentes? Qual é a frequência atrial e
ventricular - são as mesmas? Os intervalos P-P e R-
R são regulares, irregulares ou regularmente
irregulares? Existe uma onda P para todo complexo
QRS? Essa onda P vem antes ou após o complexo
ORS? O intervalo PR ou RP é regular? Qual seu
comprimento? Todas as ondas P e os complexos
QRS são iguais em seu formato? As durações de P,
PR, QRS e QT são normais?
CLASSIFICAÇÃO DAS ARRITMIAS
• Existem diversos sistemas propostos para a
classificação das arritmias cardíacas, cada qual
baseado num critério principal. Alguns autores
descrevem as arritmias de acordo com o mecanismo
envolvido em sua gênese, sendo a geração e/ou a
condução dos impulsos, enquanto outros descrevem
um sistema que categoriza as arritmias de acordo
com sua origem.
• Neste último sistema, classificam-se as arritmias em
supraventriculares (englobando o tecido atrial e da
junção atrioventricular) e ventriculares (porção
abaixo do feixe de His). Para fins didáticos, optou-
se pela descrição dos ritmos cardíacos normais em
cães e gatos, seguindo-se a descrição das arritmias
com base na frequência cardíaca, dividindo-as em
bradiarritmias (frequência cardíaca baixa) e
taquiarritmias (frequência cardíaca elevada).
Diagnóstico das arritmias
Classificação das arritmias
• Em cães apresenta-se como a variação da amplitude
das ondas P de um mesmo traçado, de modo que, em
períodos de maior frequência cardíaca, há aumento
de sua amplitude.
Explicação fisiológica:
• Em períodos de domínio vagal: a ativação do nó
sinoatrial ocorre principalmente na região
posterosuperior dele, de modo que o impulso é
conduzido pelas vias internodais posterior e média.
• Em períodos de domínio simpático: ocorre na
porção anteroinferior do nodo, e a frente de
despolarização espalha-se por meio da via internodal
anterior, mudando a direção do vetor de
despolarização atrial e acarretando modificações da
morfologia das ondas P.
Taquicardia sinusal
• Relaciona-se ao hiperautomatismo das células do
próprio nó sinoatrial (sinusal)
Pode ser secundária à:
• Febre, hipotensão, hipertireoidismo, anemia,
ansiedade, exercícios físicos, hipovolemia,
embolismo pulmonar, isquemia miocárdica, dor,
insuficiência cardíaca congestiva e choque, entre
outros.
• Existem, ainda, relatos da chamada "taquicardia
sinusal inadequada" em cães, síndrome na qual o
animal apresenta tal arritmia de maneira persistente
sem causa de base identificável.
É caracterizada:
• Pela presença de ondas P de eixo normal,
relacionadas a complexos QRS com duração normal
(a não ser que haja distúrbio de condução ventricular
associado) e intervalos PR dentro dos limites de
normalidade.
• Geralmente está associada à respiração e
caracteriza-se por aumento da frequência cardíaca
na inspiração por estimulação simpática e inibição
vagal e ligeira bradicardia durante a expiração,
devido a um aumento do tônus vagal e inibição
simpática.
• Essa variação de ritmo está relacionada à interação
entre os sistemas cardíaco, respiratório, nervoso
central e autonômico, sendo que seus mecanismos
exatos ainda estão sendo elucidados. Acredita-se que
sua intensidade seja inversamente proporcional à
frequência cardíaca e diretamente proporcional ao
volume de ar inspirado.
• Existe ainda a arritmia sinusal não respiratória:
que não está relacionada aos movimentos de
inspiração e expiração, e cujas bases fisiológicas
ainda não estão bem esclarecidas, mas alguns
autores acreditam que podem indicar um certo grau
de disfunção sinusal.
Traçado eletrocardiográfico de um cao macho de 12
anos da raça shih-tzu apresentando arritmia sinusal com
marcapasso migratória – 50 mm/s, N = 1.
Marcapasso migratório
• A ocorrência de marcapasso migratório está
relacionada à origem da frente de despolarização em
diferentes regiões do nó sinoatrial devido à
influência do tônus do sistema nervoso autônomo.
taquicardias
• Dentre as causas sistêmicas da ocorrência desse
tipo de arritmia, estão toxemia, uremia,
intoxicação digitálica, uso de certos fármacos e
estímulo vagal.
Característica eletrocardiográfica:
• Sua característica eletrocardiográfica mais
importante: é a precocidade, determinada pela
análise do intervalo entre o batimento sinusal e o
ectópico, que deve ser menor que o intervalo PP
precedente.
• Outra característica eletrocardiográfica importante
é a presença de complexos QRS de morfologia
estreita (a não ser que haja aberrância de condução
ventricular concomitante), detalhe importante na
diferenciação dos batimentos ectópicos
ventriculares.
• O intervalo PR em geral é normal, podendo ser
prolongado em casos de ritmo atrial direito
inferior, enquanto a morfologia, a polaridade e o
eixo elétrico no plano frontal das ondas P podem
variar de acordo com o tecido de origem do
batimento ectópico.
• Os complexos atriais prematuros podem
apresentar pausa pós-extra-sistólica compensatória
ou não.
Pausa pós-extra-sistólica:
Compensatória:
• Quando o complexo prematuro é tardio e não
penetra o nó sinoatrial, apenas interfere na junção
sinoatrial, de modo que o intervalo entre o
batimento sinusal que antecede tal complexo e o
próximo batimento sinusal (intervalos P-P* e P'-P)
tem o dobro da duração intervalo PP base.
• Por frequência cardíaca maior que 140 bpm em cães
de raça gigante, 160 bpm nos de porte médio, 180
bpm naqueles de porte pequeno ou toy e 240 bpm
em felinos, sempre com início e final gradual
("aquecimento" e "esfriamento" da taquicardia).
Fêmea canina, poodle, de 15 anos de idade, com taquicardia
sinusal – 50 mm/s, N = 1.
Complexo atrial prematuro
• Podem também ser denominados "batimentos
ectópicos precoces" ou "extrassístoles".
• Estão englobados dentro das extrassístoles
supraventriculares
Podem originar-se no:
• Miocárdio atrial, no seio coronariano, nas veias
pulmonares, nas veias cavas ou no ligamento de
Marshall, origens que em algumas situações não são
diferenciáveis apenas com o uso do
eletrocardiograma.
Podem ser causados:
• Tanto por alterações do próprio miocárdio atrial,
sobretudo estiramento atrial, quanto por alterações
sistêmicas, podendo estar relacionados a
automatismo anormal, reentrada ou atividade
deflagrada.
Taquicardia atrial
• Caracteriza-se por uma série de três ou mais
batimentos ectópicos atriais em sequência e pode ser
definida como sustentada, quando dura 30 segundos
ou mais, ou não sustentada, quando de menor
duração.
• Em geral, está associada a manifestações clínicas de
baixo débito cardíaco quando é sustentada,
incessante (dura mais de 12 horas), associada a
doença cardíaca preexistente ou de frequência
cardíaca alta (condução atrioventricular 1:1).
Causas:
• São as mesmas dos batimentos ectópicos atriais, e a
análise das ondas P do traçado eletrocardiográfico é
essencial para seu correto diagnóstico.
• A taquicardia atrial pode ser definida como focal ou
multifocal.
Forma Focal:
• Presença de batimentos ectópicos atriais com uma só
morfologia de onda P (depende da origem do foco
ectópico único), intervalos RR regulares, relação RP'
/P'R > 0,7, complexos QRS estreitos (a não ser que
haja distúrbio de condução ventricularassociado) e
frequência cardíaca de 210 a 330 bpm no cão.
Forma multifocal:
• Está associada à doença atrial grave ou a alterações
pulmonares agudas, tendo como características
principais a presença de três ou mais morfologias
distintas de onda P', com intervalos P'R também
distintos entre si, além de intervalo RR irregular,
apresentando frequência cardíaca maior que 180
bpm em cães adultos.
Pausas não compensatórias:
• Ocorrem quando extrassístoles próximas ao nó
sinoatrial não interferem no ciclo sinusal normal e a
soma dos intervalos P-P' e P'-P é menor que o dobro
do intervalo PP base.
• Os complexos atriais prematuros podem apresentar-
se de forma isolada ou de maneira alorrítmica, ou
seja, que se repete em determinados intervalos.
O bigeminismo atrial:
• Caracterizado eletrocardiograficamente pela
presença de um batimento sinusal seguido de um
ectópico, e, após, outro sinusal.
O trigeminismo atrial
• Consiste na presença de dois batimentos sinusais,
seguidos de um ectópico, e assim por diante,
enquanto dois complexos atriais prematuros
seguidos são denominados pareados.
Traçado eletrocardiográfico de fêmea canina, sem definição
racial, de 12 anos de idade, com complexo supraventricular
prematuro. Notar que a duração do intervalo P-p° é menor
que o intervalo PP precedente e que há pausa não
compensatória - 50 mm/s, N = 1.
Holter 24 horas de cão com complexo juncional prematuro,
marcado com um arteristico. Notas que a onda P’ está contida
dentro do complexo QRS. Ritmo de base do paciente é
juncional e há um complexo ventricular prematuro marcado
em vermelho – 25 mm/s, N 1.
Taquicardia juncional
• São arritmias que obrigatoriamente precisam da
região da junção atrioventricular para se manter ou
ser iniciadas.
• Caracterizam-se: por três ou mais batimentos
juncionais prematuros sequenciais, e a frequência
cardíaca desses episódios, em cães, é maior que 100
bpm. Quando a frequência fica entre 60 e 100 bpm,
o ritmo é denominado apenas ritmo juncional.
• Existem dois tipos de taquicardias juncionais
descritas na literatura veterinária, quais sejam a
taquicardia juncional focal e a não paroxística.
Taquicardia juncional Focal:
• É mais descrita em cães da raça Labrador Retrievier
e está frequentemente associada à dissociação
atrioventricular isorrítmica, podendo, no entanto,
haver condução ventriculoatrial retrógrada 1:1.
• Este tipo de dissociação é caracterizado pela
existência de dois marcapassos independentes,
porém em sincronia: o nó sinoatrial despolarizando
os átrios e o foco juncional despolarizando os
ventrículos em uma taxa igual ou similar.
Cão com taquicardia supraventricular. Notar fusão das ondas
T = P’ = 50 mm/s, N = 1.
Complexo juncional prematuro
• São batimentos precoces que vêm da região nodal ou
transição entre região nodal e feixe de His do nó
atrioventricular, das porções baixas dos átrios ou do
próprio feixe de His.
• Em geral, associam-se ao mecanismo de
hiperautomatismo das células dessa região cardíaca,
podendo estar associadas à hipopotassemia
(hipocalemia), insuficiência cardíaca, intoxicação
digitálica, disfunção sinusal, entre outros fatores.
• Além de serem definidas por sua precocidade tal
qual descrito para os batimentos atriais prematuros,
as extrassístoles de origem juncional apresentam
alterações na morfologia da onda P' e no intervalo
PR.
• De acordo com a posição do foco ectópico e da
velocidade de condução do estímulo no sentido
anterógrado e retrógrado, a onda P' pode apresentar-
se antes do complexo QRS, estar contida dentro dele
ou vir depois dele, interposta no segmento ST.
• Em geral, quando a onda P' aparece antes do
complexo QRS, o intervalo P'R é mais curto que o
PR sinusal, dada a proximidade da região da junção
atrioventricular com o nó sinoatrial.
• despolarização, que pode também ter componentes
funcionais. Nesse tipo de flutter, o estímulo elétrico
percorre o território atrial em sentido anti-horário,
enquanto na forma típica inversa, ele o faz no sentido
horário.
Eletrocardiograficamente:
• Caracteriza-se pela presença de ondas F, com
morfologia bem definida e em formato de "dente de
serra", com intervalos FF regulares, podendo a
frequência atrial chegar a mais de 300 bpm, sendo,
em geral, menor do que na fibrilação atrial.
• Ademais, na forma típica, as ondas F têm polaridade
negativa nas derivações DIl, DIII e aVE, enquanto o
oposto ocorre na forma típica inversa. É importante
destacar que o flutter atrial representa uma atividade
elétrica atrial mais organizada que a fibrilação atrial
e, portanto, o flutter pode degenerar-se em uma
fibrilação atrial e vice-versa.
Holter 24h de femea canina com flutter atrial. Notar a
presença de ondas F – 25 mm/s, N = 1.
Fibrilação atrial
• Atividade elétrica atrial rápida e irregular, em
consequência de os átrios não contraírem
efetivamente.
• Representa uma condição na qual o nodo sinoatrial
perde o controle sobre o ritmo cardíaco, resultando
em atividade elétrica desordenada em diferentes
áreas dos átrios.
• Representa uma entidade mórbida importante,
frequentemente debilitante em cães e gatos.
•
• Nos momentos em que a frequência do foco
juncional supera a do nó sinoatrial, ocorre a ativação
retrógrada atrial, de modo que as ondas P' são
tipicamente posteriores ao complexo QRS, e seu
eixo elétrico é de -80 a -100°.
Taquicardia juncional não paroxística:
• Pode ser encontrada em indivíduos com miocardite,
doença cardíaca grave, intoxicação digitálica,
hipopotassemia, isquemia miocárdica ou doença
pulmonar obstrutiva crônica.
• Caracteriza-se: por início e término graduais, além
de frequência cardíaca de 60 a 130 bpm, sendo as
ondas P' tipicamente anteriores aos complexos QRS,
com eixo elétrico de -80° a -100° e com intervalo
P'R menor do que o sinusal.
Flutter atrial
• Arritmia decorrente de um circuito de
macrorreentrada atrial, independente do nó
atrioventricular.
• É secundário a doenças cardíacas que cursam com
remodelamento atrial (cardiomiopatias, valvopatia
mixomatosa mitral, PDA, displasia tricúspide,
defeito de septo interventricular, estenose pulmonar
e dirofilariose, entre outros, apesar de poder ser
encontrada em pacientes sem doença cardíaca
estrutural).
Flutter típico:
• A forma mais frequente de flutter atrial é o
dependente do istmo cavo-tricuspídeo, na qual o
circuito é confinado ao átrio direito. Isso se dá pela
presença de uma área de condução lenta na região
posterolateral a posteromedial desta câmara,
englobando a região de inserção da veia cava caudal,
a ponte de Eustachio e o ânulo da valva tricúspide,
formando uma barreira anatômica à frente de
despolarização, que pode também ter componentes
funcionais. Nesse tipo de flutter, o estímulo elétrico
Eletrocardiograficamente:
• A fibrilação atrial pode ser identificada por três
pontos principais: ritmo marcadamente irregular,
frequência cardíaca elevada (130 a 260 em cães e
200 a 280 em gatos) e ausência de ondas P, que são
substituídas por ondas de atividade elétrica
desorganizadas, denominadas ondas f.
• A frequência atrial nesses pacientes pode chegar a
400 a 600 bpm, de modo que a condução
atrioventricular é limitada fisiologicamente pelo nó
sinoatrial, de modo a impedir que a frequência
ventricular também se eleve aesses valores, visto
que isso poderia ser letal ao animal acometido.
Traçado eletrocardiográfico de cão com fibrilação atrial.
Notar a irregularidade do ritmo, a ausência de ondas P e a
frequência de até 230 bpm - 50 mm/s, N = 1.
OUTROS TIPOS DE TAQUICARDIA
SUPRAVENTRICULARES
• Outras taquicardias supraventriculares de
ocorrência menos frequente são:
Taquicardia atrioventricular reciprocante nodal
• Depende de um circuito de microrreentrada
anatômico, formado no nó atrioventricular – para
sua iniclação e manutenção;
Causas mais comuns:
• Nos cães são a idiopática, que pode ocorrer
sobretudo em cães de grande porte, a cardiomiopatia
dilatada e a insuficiência valvar crônica de mitral.
Com menos frequência, pode-se observar secundária
à endocardite, a doenças cardíacas congênitas não
tratadas, à dirofilariose com comprometimento
pulmonar, ao uso de fármacos arritmogênicos, à
neoplasia e ao trauma.
• Relacionada a pior prognóstico em cães com
valvopatia mitral mixomatosa.
• Essa taquiarritmia reflete a presença de alterações
cardíacas estruturais importantes, além de causar um
esvaziamento prejudicado do átrio esquerdo devido
à sua alta frequência cardíaca e, consequentemente,
a um aumento da pressão intra-atrial esquerda,
agravando o quadro de congestão. Ademais, a alta
frequência cardíaca por períodos prolongados pode
induzir uma disfunção sistólica do ventrículo
esquerdo, podendo evoluir para
taquicardiomiopatia.
Acredita-se que todos os mecanismos
supracitados de gênese de arritmias sejam válidos,
visto que a FA é uma entidade com etiologia
múltipla e diversa. Assim, sugere-se que o
hiperautomatismo de focos no óstio das veias
pulmonares esteja relacionado à ocorrência de FA
paroxística e em pacientes com a Síndrome do QT
longo, que a atividade deflagrada e os pós-
potenciais tardios estejam associados à FA em
pacientes com ICC ou com mutações nos
receptores de rianodina, e que a reentrada esteja
ligada ao advento e perpetuação dessa arritmia na
presença de obstáculos estruturais e aumento
atrial.
Outros tipos de taquicardia
supraventriculares
Taquicardia mais comum mediada por via
acessória:
Taquicardia atrioventricular ortodròmica
reciprocante
• baseia-se na presença de uma via usualmente
localizada na região posterosseptal que conduz
estímulos de maneira retrógrada. Nesse tipo de
taquicardia, os estímulos são conduzidos de maneira
anterógrada pelo nó atrioventricular e retrógrada
pelo feixe anômalo. Essa disritmia é descrita
principalmente em Labradores e Boxers.
• Eletrocardiograficamente: caracteriza-se pela
presença de ondas P° retrógradas observadas ao final
do segmento ST, RP'/P'R $ 0,7, alternância elétrica
do complexo QRS, condução ventrículo-atrial1:1,
intervalo RR regular, além de início e término
súbitos.
Complexo ventricular prematuro
• Os complexos ou batimentos ventriculares
prematuros são definidos por sua precocidade e
origem. Tais complexos originam-se no sistema de
condução especializado dos ventrículos (feixe de
His, ramos ou fibras de Purkinje) ou no miocárdio
de trabalho ordinário.
• É possível analisar a presença de pausa pós-
extrassistólica e a organização dos batimentos
ventriculares prematuros, sendo estes classificados
como quando provenientes de um só foco, ou
polimórficos quando há dois ou mais focos
ectópicos.
• É importante ressaltar que, devido à alteração da
repolarização ventricular, a onda T dos batimentos
ventriculares prematuros apresenta-se com duração
e amplitude aumentadas, além de polaridade inversa
à principal deflexão do complexo QRS.
Taquicardias mediadas por via acessória
• Dependem de circuitos de reentradas anatômicos,
formados pelo nó atrioventricular e por feixes
musculares que conectam os átrios e os ventrículos
→ Sendo estas representadas por feixes musculares
congênitos que não regrediram com a formação do
esqueleto cardíaco fibroso.
• A localização anatômica do feixe é variada e existem
trabalhos em cães descrevendo as propriedades
anatômicas e eletrofisiológicas desses feixes na
espécie. Sabe-se que essas conexões musculares
podem conduzir os estímulos de maneira
bidirecional ou unidirecional anterógrada (dos átrios
para os ventrículos) ou retrógrada (dos ventrículos
para os átrios).
• Manifestação sugestiva da presença de um feixe
anômalo:
Pré-excitação ventricular:
• Baseia-se na despolarização anterógrada ventricular
através da via acessória de maneira mais rápida do
que pelo sistema de condução de His-Purkinje.
• É importante destacar que a ausência de pré-
excitação ventricular não exclui o diagnóstico de
feixe acessório, pois está só se manifesta em alguns
casos nos quais a via de condução tem a habilidade
de conduzir estímulos em sentido anterógrado.
• Eletrocardiograficamente: a pré-excitação
ventricular manifesta-se pela presença de intervalos
PR curtos (menores que 0,06 segundos no cão e 0,05
segundos no gato), evidências de distúrbio da
repolarização ventricular (desnivelamentos de ST
e/ou ondas T simétricas e apiculadas) e pela
evidenciação de onda delta, deixando o complexo
QRS com duração aumentada e morfologia bizarra.
A onda delta consiste em um entalhe no início do
complexo QRS e resulta da fusão das frentes de
despolarização ventricular pelo feixe anômalo e pelo
sistema de His-Purkinje.
• No entanto, sabe-se que, quanto maior a
complexidade da arritmia ventricular, maior a
chance de que esta reflita uma doença cardíaca ou
sistêmica e que possa causar manifestações clínicas
ou degenerar para arritmias de caráter maligno.
Arritmias ventriculares de maior complexidade,
frequentes e com organização alorrítmica:
• estão relacionadas a uma grande diversidade de
agravos (afecções cardíacas, como cardiomiopatia
dilatada, cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo
direito, miocardite, insuficiência cardíaca
congestiva, neoplasias cardíacas, pericardite,
isquemia etc., além de doenças extracardíacas, como
síndrome da dilatação vólvulo-gástrica, neoplasias
abdominais ou torácicas, anemia, pancreatite,
uremia, trauma torácico, hipertireoidismo etc).
A, Be C- (A) Traçado de Holter 24 horas de cão com
bigeminismo ventricular - 50 mm/s, N = 1. (B) Traçado de
Holter 24 horas de cão com trigeminismo ventricular - 50
mm/s.
N=1. (C) Traçado de Holter 24 horas de cão com
• Frentes de despolarização oriundas do ventrículo
direito resultam em complexos com morfologia de
bloqueio de ramo esquerdo, e aquelas oriundas do
ventrículo esquerdo geram complexos com
características de bloqueio de ramo direito.
A e B - (A) Traçado eletrocardiográfico de cão com
batimento ectópico ventricular originário do ventrículo
direito -50 mm/s, N = 1. (B) Traçado eletrocardiográfico de
cão com batimentos ectópicos ventriculares pareados
originários do ventrículo esquerdo - 50 mm/s, N = 1.
Mecanismos responsáveis:
• Podem ser a reentrada, o
hiperautomatismo/automatismo anormal ou a
atividade deflagrada, esta última principalmente em
casos de intoxicação digitálica.
• A presença de complexos ventriculares prematuros
nem sempre está relacionada a doenças, podendo ser
encontrada em corações normais de cães e gatos,
desde que tais batimentos sejam isolados e
infrequentes ao Holter 24 horas.
• O ritmo idioventricular acelerado e a taquicardia
ventricular monomórfica são ritmos usualmente
regulares,enquanto a taquicardia ventricular
polimórfica é geralmente irregular.
• Outra característica que pode ajudar a identificar
taquicardias ventriculares, diferenciando-as de
taquicardias supraventriculares com aberrância de
condução, é a presença de dissociação ventricular e
de complexos de fusão e de captura.
Traçado eletrocardiográfico de cão com ritmo idioventricular
acelerado - frequência cardíaca 176 bpm-50 mm/s, N=1.
Traçado eletrocardiográfico de cão com episódio de
taquicardia ventricular polimórfica - frequência cardíaca
máxima 300 bpm. Notar irregularidade do ritmo - 50 mm/s,
N = 1.
Fibrilação ventricular
• É considerada um ritmo terminal, caótico,
desorganizado e que usualmente evolui para morte
do animal em poucos minutos. A frequência
cardíaca pode chegar a 500 a 600 bpm, incorrendo
em débito cardíaco praticamente inexistente.
Taquicardia ventricular
• É considerada a mais preocupante de todas as
taquiarritmias, devido à possibilidade de gerar
importante comprometimento hemodinâmico.
• É definida pela presença de três ou mais complexos
ventriculares prematuros, sejam eles monomórficos
ou polimórficos, com frequência cardíaca alta,
podendo apresentar-se na forma sustentada ou não
sustentada, conforme descrito para a taquicardia
atrial.
• São descritas na literatura também a forma
incessante, que dura mais de 12 horas; a paroxística,
que apresenta início e término súbitos; a não
paroxística e a bidirecional, que se baseiam na
variação do eixo elétrico no plano frontal da
extrassístole batimento a batimento.
Causas:
• São as mesmas descritas para os complexos
ventriculares prematuros, destacando-se a
importância da identificação correta deste tipo de
arritmia para o diagnóstico e prognóstico de
pacientes acometidos por cardiomiopatia
arritmogênica do ventrículo direito e cardiomiopatia
dilatada, esta última principalmente na raça
Dobermann.
• Um dos critérios eletrocardiográficos mais
importantes a ser analisado no curso de uma
taquicardia de QRS largo é a frequência cardíaca.
A taquicardia ventricular em cães e gatos
caracteriza-se por frequência maior que 180 bpm.
Em situações em que a frequência se encontra entre
66 e 180 bpm no cão e 140 e 180 bpm no gato, o
ritmo passa a ser denominado ritmo idioventricular
acelerado, que é, na maioria das situações, uma
arritmia benigna e hemodinamicamente tolerável.
Manifestações eletrocardiográficas:
• Disfunção do nó sinusal/síndrome do nó doente ou
pode ser secundária a algumas condições, como
adaptação fisiológica de animais atletas, hipotermia,
hipotireoidismo, aumento da pressão intracraniana,
lesões em tronco cerebral, doenças metabólicas
graves, compressão ocular ou do seio carotídeo e
aumento do tônus vagal (associado a doenças do
trato gastrintestinal ou respiratório).
Parada sinusal e bloqueio sinoatrial
• Devido à presença de arritmia sinusal em cães e
gatos como um ritmo normal, a diferenciação dos
eventos de parada sinusal e bloqueio sinoatrial
apenas por meio do eletrocardiograma não é possível
em algumas situações.
Parada sinusal
• Consiste em falha na formação do impulso sinusal
no nó sinoatrial, podendo ser secundária ao
hipertono vagal ou ser indicativa de disfunção do nó
sinusal. Sua característica eletrocardiográfica
principal é a presença de um intervalo RR maior que
o dobro do intervalo RR anterior;
Eletrocardiograficamente:
• Define-se pela presença de oscilações da linha de
base que podem ser finas ou grosseiras, tornando
impossível a identificação dos componentes P, QRS
e T do traçado.
Ocorre:
• Quando diversas áreas de refratariedade diferentes
coexistem no tecido miocárdico, incorrendo em uma
quebra da frente de despolarização em diversas
pequenas frentes.
• Em algumas situações, complexos ventriculares
prematuros podem ocasionar episódios de
taquicardia ventricular ou até mesmo de fibrilação
ventricular.
Mecanismos envolvidos:
• São complexos e não completamente entendidos,
mas sabe-se que os três componentes do triângulo de
Coumel são essenciais nesses casos. Um dos fatores
que aumentam o risco de fibrilação ventricular é o
fenômeno R sobre T, no qual a incidência de uma
extrassístole ventricular na onda T do batimento
anterior ocasiona uma despolarização na fase
vulnerável da repolarização, quando as células estão
em diferentes estágios de recuperação.
Bradicardias
Bradicardia sinusal
• É um ritmo decorrente da diminuição do
automatismo das células do nó sinoatrial. Assim
sendo, ela apresenta as mesmas características
descritas para o ritmo sinusal, apenas diferindo na
frequência cardíaca, que deve ser abaixo de 70 bpm
para cães adultos, 60 bpm para raças gigantes, 80
bpm para raças toy e menor que 160 bpm para gatos.
Bradicardias
• Reforça-se que, no caso de bloqueios sinoatriais de
segundo grau e/ou parada sinusal com pausas
longas, é comum observar batimentos de escape
juncionais ou ventriculares.
Silêncio atrial
• O silêncio atrial persistente é uma bradiarritmia de
origem familial, diagnosticada mais frequentemente
em cães das raças Springer Spaniel e Bobtail e
raramente em gatos Siameses. Em geral, associa-se
com distrofia muscular atrioventricular, na qual o
tecido atrial e, eventualmente, ventricular é
substituído por tecido fibroso.
• Caracteriza-se: pela ausência de despolarização das
células do nó sinoatrial, de modo que o ritmo
cardíaco é comandado pelos marcapassos
subsidiários juncionais ou ventriculares.
Eletrocardiograficamente:
• Manifesta-se pela ausência de onda P, intervalo RR
regular, ritmo menor que 60 para cães e 160 para
gatos, não responsivos à atropina.
Bloqueio atrioventricular
• Ocorrem quando os impulsos atriais sofrem retardo
ou falha de condução na sua transmissão para os
ventrículos. A localização exata do bloqueio só pode
ser definida pelo estudo eletrofisiológico, podendo
ser mais proximal ou mais distal, intra-atrial, no nó
atrioventricular, no feixe de His ou em seus ramos.
Causas:
• Diversas causas determinam os bloqueios
atrioventriculares, podendo ser observados em
corações normais durante a fase do sono por
estimulação vagal, em corações doentes com
endocardite bacteriana, miocardite, insuficiência
cardíaca congestiva, cardiomiopatia hipertrófica,
cardiomiopatia dilatada, tumores cardíacos,
Eletrocardiográfico de cão com episódio de parada sinusal.
Notar que o intervalo PP que contém a pausa é maior que o
dobro do intervalo PP anterior, porém não é múltiplo deste -
50 mm/s, N = 1.
Bloqueio sinoatrial
• Consiste numa falha da condução do impulso sinusal
para os átrios e pode ser classificado em primeiro,
segundo e terceiro graus, embora apenas os dois
últimos sejam identificáveis com acurácia pelo
eletrocardiograma em cães e gatos.
Bloqueio sinoatrial de primeiro grau:
• Consiste no retardo na condução da frente de
despolarização do nó sinusal para o tecido atrial
subjacente, que não ocasiona alterações
eletrocardiográficas detectáveis.
O de segundo grau:
• É caracterizado por uma efetiva ausência de
condução desse estímulo, de maneira que o traçado
eletrocardiográfico evidencia presença de um
intervalo RR maior que o dobro do intervalo RR
anterior e múltiplo deste.
O bloqueio sinoatrial de terceiro grau:
• Ocorre quando há ausência de despolarização atrial
por bloqueio da saída dos estímulos sinusais do nó
sinoatrial, sendo indistinguível do silêncio atrial sem
a realização de um estudo eletrofisiológico. Nesta
situação, oritmo de base será um ritmo de escape
juncional ou ventricular.
Bloqueios atrioventriculares de segundo grau
• Ocorrem quando há falha na transmissão da frente
de despolarização dos átrios para os ventrículos, em
períodos em que o nó atrioventricular já está
teoricamente fora de seu período refratário. Podem
ser classificados em tipo I, também chamado
Wenckebach ou Mobitz tipo 1, e tipo II, ou Mobitz
tipo 2.
O bloqueio atrioventricular de segundo grau
Mobitz tipo I:
• O corre quando há dificuldade de condução
progressiva, resultando em falha de condução
variável.
• O mecanismo eletrofisiológico responsável por este
tipo de alteração não é totalmente conhecido, porém
acredita-se que a condução decrimental dos
estímulos esteja envolvida.
• Neste tipo de bloqueio há um prolongamento
progressivo do intervalo PR antes do surgimento de
uma onda P bloqueada.
• Na forma típica: o primeiro batimento após a onda
P bloqueada apresenta o intervalo PR mais curto do
que o batimento que a precede, enquanto o segundo
batimento após a onda P bloqueada apresenta o
intervalo PR mais longo do ciclo. Além disso, há
diminuição progressiva do intervalo RR antes da
onda P não conduzida.
• Na forma atípica: que, paradoxalmente, é a mais
comum na rotina clínica, visto que ocorre na
presença de arritmia sinusal e alterações do tônus
vagal, não há a diminuição do intervalo RR e não
necessariamente o intervalo PR mais longo do ciclo
é o segundo após o bloqueio. No entanto, nessa
forma, o intervalo PR do batimento, imediatamente
após o bloqueio, deve ser mais curto que o anterior,
pois a capacidade de condução nodal é recuperada
após a pausa.
Traçado eletrocardiográfico de bloqueio atrioventricular
• cardiomiopatia dilatada, tumores cardíacos,
cardiopatias congênitas, secundariamente ao efeito
de medicamentos antiarrítmicos, distúrbios
eletrolíticos, hipotireoidismo e doenças autoimunes.
A classificação dos bloqueios atrioventriculares é
feita com base no eletrocardiograma em:
▪ Bloqueio atrioventricular de primeiro grau;
▪ Bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo I
ou tipo II;
▪ Bloqueio atrioventricular do tipo 2:1;
▪ Bloqueio atrioventricular de grau avançado;
▪ Bloqueio atrioventricular de terceiro grau (total).
Bloqueio atrioventricular de primeiro grau:
• Consiste no retardo de condução da frente de
despolarização atrial até os ventrículos, sem causar
um bloqueio completo.
Eletrocardiograficamente:
• Manifesta-se pelo prolongamento do intervalo PR
(maior que 0,13 segundos em cães e 0,09 segundos
em gatos), sendo a onda P de morfologia e eixo
sinusais. Em geral, são benignos, não incorrem em
manifestações clínicas e não requerem tratamento.
Traçado eletrocardiográfico de bloqueio atrioventricular de
primeiro grau. Notar que o intervalo PR = 0,14 segundos - 50
mm/s, N = 1.
• Nesses casos, o paciente pode apresentar
manifestações clínicas de baixo débito cardíaco,
como síncope e intolerância ao exercício, de modo
que o bloqueio atrioventricular total consiste em
uma das maiores indicações de colocação de
marcapasso artificial.
Traçado de Holter 24 horas de cão com bloqueio
atrioventricular de terceiro grau. Notar a presença de ritmo de
escape ventricular - 50 mm/s, N = 1.
Ritmos de escape
• Os ritmos de escape nada mais são do que ritmos
comandados por marcapassos cardíacos
subsidiários, na ausência de despolarização do
marcapasso cardíaco principal. Sabe-se que a
frequência de disparo do nó sinusal é maior que a do
nó atrioventricular, que é maior do que a do sistema
de condução ventricular. Assim, quando, por alguma
razão, o nó sinusal deixa de despolarizar em sua
frequência adequada, o nó atrioventricular passa a
assumir o ritmo cardíaco, e, quando este deixa de
despolarizar-se automaticamente, o sistema de
condução ventricular assume o controle.
• É essencial o correto diagnóstico desses tipos de
ritmo, pois o tratamento equivocado de um ritmo de
escape, confundindo-o com uma taquicardia
juncional ou ventricular, pode levar o animal a óbito
ao suprimir o marcapasso vigente e responsável pela
efetiva despolarização cardíaca.
Traçado eletrocardiográfico de bloqueio atrioventricular de
segundo grau Mobitz tipo 1 atípico. Notar o prolongamento
do intervalo PR antes da onda P bloqueada - DII, 25 mm/s, N
= 1.
Bloqueios atrioventriculares de segundo grau tipo
II:
• Ocorrem quando há intervalo PR constante e falhas
de condução dos estímulos para os ventrículos de
maneira periódica.
• Tais bloqueios são mais preocupantes do que os do
tipo I, por progredirem com mais frequência para
tipos mais avançados.
• Eletrocardiograficamente: caracteriza-se por
intervalos PR constantes, sejam normais ou
prolongados, e condução atrioventricular variável.
Traçado eletrocardiográfico de bloqueio atrioventricular de
segundo grau Mobitz tipo 2. Notar ausência de
prolongamento do intervalo PR antes da onda P bloqueada -
DII, 25 mm/s, N=1.
• Quando uma onda P bloqueada se alterna com uma
P conduzida num traçado eletrocardiográfico,
caracteriza-se o bloqueio atrioventricular
denominado tipo 2:1, visto que não há como analisar
se há aumento do intervalo PR antes do bloqueio
propriamente dito.
Bloqueio atrioventricular avançado:
• Consiste na presença de duas ou mais ondas P
bloqueadas em sequência, podendo haver períodos
de ritmo de escape, enquanto o bloqueio
atrioventricular total caracteriza-se pelo bloqueio de
todas as ondas P sinusais, sendo constantes o ritmo
de escape e a dissociação atrioventricular.
A e B - (A) Batimento ventricular prematuro. Notar que o
intervalo entre o batimento ectópico e o batimento anterior a
este é menor que o ciclo RR base - 50 mm/s, N = 1. (B)
Batimento de escape ventricular. Notar que o batimento em
questão vem após uma pausa no ritmo cardíaco - 50 mm/s, N
= 1.
Disfunção do nó sinusal e síndrome do nó doente
• Representa um distúrbio complexo e multifatorial de
formação e condução do impulso elétrico cardíaco
no nó sinoatrial. Quando tal disfunção se apresenta
associada a manifestações clínicas ou a longos
períodos de assistolia, é referida como Síndrome do
Nó Doente.
• Em cães: sabe-se que existe predisposição de
indivíduos de meia-idade a idosos, principalmente
fêmeas da raça Schnauzer. Outras raças também
apresentam predisposição à Síndrome do Nó
Doente, tais como Dachshund, West Highland
White Terrier, Cocker Spaniel e Pug. Wess et al.
relataram o diagnóstico da Síndrome do Nó Doente
em 13 Schnauzers Miniaturas, 10 Cocker Spaniels,
dois Labradores e um cão sem definição racial, que
foram posteriormente tratados com implantes de
marcapassos artificiais.
• Jonhson et al., por sua vez, descreveram a afecção
em 13 West Highland White Terriers, três Springer
Spaniels, um Labrador, um Boxer e um cão sem
definição racial.
• O principal método de identificação desse tipo de
alteração é a frequência cardíaca. Ritmos com
batimentos de morfologia juncional, intervalo RR
regular e frequência usualmente em torno de 40 a 60
bpm no cão são chamados ritmos de escape
juncional.
Traçado eletrocardiográfico ilustrando um ritmo de escape
juncional - 50 mm/s, N = 1.
• Ritmos de escape ventricular são também chamados
de ritmos idioventriculares e geralmente têm
frequência cardíaca menor que 40 a 50 bpm no cão,
menor que 100 bpm nogato e QRS de morfologia
bizarra.
• Da mesma forma, batimentos ectópicos que
interrompem uma pausa no ritmo cardíaco são
denominados batimentos de escape e também devem
ser diferenciados de batimentos prematuros.
TERAPIA ANTIARRÍTMICA
• Diante do baixo índice terapêutico da maioria dos
fármacos antiarrítmicos e dos resultados do estudo
CAST, que mostrou que alguns destes fármacos
aumentaram a mortalidade dos pacientes pós-infarto
agudo do miocárdio, tais alternativas vêm sendo
alvo de pesquisas mais frequentes nos últimos anos,
em detrimento dos medicamentos antiarrítmicos.
• Apesar de todos os riscos associados a essa classe de
medicamentos, na medicina veterinária eles ainda
são a única opção de tratamento para quase todos os
pacientes com arritmias potencialmente fatais,
devendo ser utilizados com o objetivo de aliviar
manifestações clínicas associadas, prevenir a
degeneração para arritmias malignas e para melhorar
a performance cardíaca se esta estiver deteriorada
pela taquicardia ou dissincronia inerentes ao ritmo
em questão.
• De modo geral, o consenso é de que devem ser
tratadas as arritmias que incorrem em manifestações
clínicas, instabilidade hemodinâmica (avaliada pela
pressão arterial, temperatura e perfusão do paciente),
risco de morte súbita e risco de desenvolvimento de
taquicardiomiopatia.
• Na escolha do melhor fármaco a ser utilizado, é
preciso levar em consideração o estado clínico do
animal, a presença de comorbidades cardíacas ou
sistêmicas associadas, medicamentos em uso e
lembrar-se de que toda medicação antiarrítmica tem
potencial pró-arrítmico.
• O objetivo do tratamento nem sempre é restaurar o
ritmo cardíaco sinusal, como ocorre na fibrilação
associada à cardiopatia estrutural. Em situações em
que há fibrilação atrial de curso crônico, com
remodelamento atrial, em geral adota-se a estratégia
de controle de frequência cardíaca, visto que sua
manutenção é mais factível do que a manutenção do
• Quando sintomáticos, os animais usualmente
apresentam manifestações clínicas secundárias ao
baixo débito cardíaco, como diminuição das
atividades cotidianas, intolerância ao exercício, pré-
síncope e síncope. Futuramente, esses animais
podem também desenvolver quadros de
insuficiência cardíaca congestiva associada à
disfunção.
Manifestações eletrocardiográficas:
• Que podem caracterizar essa afecção são a
bradicardia sinusal; parada sinusal com pausas de 2
a 8 segundos, seguidas de batimentos de escape
juncionais, (bloqueios sinoatriais de segundo e
terceiro grau); períodos de bradicardia seguidos de
ritmo idioventricular acelerado (síndrome
bradicardia-taquicardia); períodos de taquicardia
supraventricular seguidos de pausa prolongada
(síndrome taquicardia-bradicardia).
• Ainda existem poucos trabalhos embasando a
melhor estratégia terapêutica para a síndrome do nó
doente. Estudo recente sugere que animais
responsivos ao teste de atropinização podem ter boa
resposta terapêutica à terapia medicamentosa com
fármacos anticolinérgicos, enquanto aqueles não
responsivos podem precisar de implante de
marcapasso para aliviar as manifestações clínicas da
doença.
Traçado de Holter 24 horas de cão com Sin- drome do Nó
Doente. Notar parada sinusal prolongada seguida de
batimentos de escape juncional.
Terapia antiarrítmica
A procainamida
• Tem efeitos similares aos da quinidina, sendo
também utilizada para arritmias supraventriculares e
ventriculares, e especificamente com ação inibitória
em via acessória de cães com taquicardia
atrioventricular ortodrômica reentrante.
• Em cães da raça Boxer; observou-se boa redução de
arritmias ventriculares com o uso do fármaco, porém
sem melhora das manifestações clínicas e à custa de
efeitos colaterais acentuados.
Subclasse IB
• Fármacos deste subgrupo diminuem a
despolarização da fase 0 e a velocidade de condução
apenas nos tecidos lesados, isso porque possuem
afinidade por canais rápidos de sódio inativados.
Seus efeitos são mínimos nos tecidos condutores,
como nos nodos sinusal e atrioventricular, assim
como no músculo atrial e no inotropismo.
• Como membros desta classe, os mais comumente
utilizados em cardiologia veterinária são a lidocaína
(sem vasoconstritor) e o mexiletine - este último,
apesar de ser bastante utilizado em outros países por
ser extremamente eficaz, ainda não está disponível
no Brasil.
A lidocaína
• É utilizada por via intravenosa principalmente no
tratamento emergencial das arritmias ventriculares,
sendo bastante eficaz em especial em cães Pastores
Alemães com arritmia ventricular hereditária.
• Age suprimindo a automaticidade, diminuindo a
velocidade de condução e prolongando o período
refratário nas células lesadas.
• O profissional deve atentar para a possibilidade de
intoxicação, que se manifesta com alterações
neurológicas, como ataxia, diminuição do nível de
consciência e convulsões.
• ritmo sinusal após a cardioversão, e visto que
trabalhos humanos não comprovaram a
superioridade de uma estratégia sobre a outra.
Classe i
• Formada por fármacos que bloqueiam os canais
rápidos de sódio, influenciando na fase O do
potencial de ação e diminuindo, assim, a velocidade
de condução.
• São eficientes em arritmias causadas por mecanismo
de reentrada e funcionam melhor em células
altamente dependentes dos canais rápidos de sódio,
como as de Purkinje e as do miocárdio ventricular,
tendo sua eficácia reduzida na presença de
hipocalemia. Subdivide-se em:
Subclasse IA
• Inibem acentuadamente a fase, o do potencial de
ação, diminuindo a condutividade e prolongando o
período refratário absoluto. Por este motivo, são
úteis em suprimir mecanismos de reentrada. São
representados pela quinidina e pela procainamida.
A quinidina
• Pode diminuir a condutividade em vias acessórias,
prolongando o seu período refratário, além de ter
influência sobre potenciais tardios. Pode aumentar a
duração dos intervalos PR e QT e causar
alargamento do complexo QRS.
• Indicada para: tratamento de arritmias
supraventriculares e ventriculares, porém caiu em
desuso devido à grande inciência de efeitos
colaterais, incluindo efeitos pró-arrítmicos.
Classificação dos fármacos
antiarrítmicos
• Embora a estimulação adrenérgica exagerada não
seja a causadora de arritmias, ela pode piorar um
quadro preexistente e, nessas circunstâncias, o uso
de betabloqueadores pode ser benéfico, pois
minimiza os efeitos deletérios dessa condição.
• Utilizadas: para tratamento de arritmias de origem
supra- ventricular e também ventricular, geralmente
em associação com outros antiarrítmicos.
• Usado com cautela com animais com insuficiência
cardíaca.
São representantes desta classe:
• O atenolol → utilizado em gatos com
cardiomiopatia hipertrófica, com o intuito de, entre
outras coisas, diminuir a frequência cardíaca,
• O esmolo → disponível na apresentação injetável e
bastante utilizado em ambiente de terapia intensiva
no tratamento das arritmias ventriculares.
Classe Ill
• Possuem a capacidade de prolongar o potencial de
ação e o período refratário, e, para isso, bloqueiam
os canais de potássio, impedindo que o tecido em
questão gere novos potenciais de ação antes de
repolarizar por completo.
• Destacam-se nesta classe de fármacos a amiodarona
e o sotalol, ambos amplamente utilizados em
cardiologia veterinária.A amiodarona
• Antiarrítmico de amplo espectro, engloba
características de todas as classes.
• Tem interação com alguns fármacos, entre os quais
a digoxina, que tem sua concentração sérica
aumentada, e, por isso, deve ter sua dose diminuída
quando associada a este fármaco.
• Estas alterações tendem a desaparecer com a
interrupção da administração, porém o uso de
anticonvulsivantes pode ser necessário.
Subclasse IC
• É composta por fármacos que bloqueia canais lentos
de sódio e influenciam minimamente na duração do
período refratário e do potencial, deprimindo
acentuadamente a fase O e a velocidade de
condução.
Utilizados:
• Na medicina humana para tratamento de arritmias
supraventriculares, ventriculares e aquelas que
envolvam vias acessórias, têm efeito negativo sobre
o inotropismo, débito cardíaco e pressão arterial
sistêmica, sendo, dessa forma, contraindicados para
pacientes congestos e/ou com disfunção sistólica.
São representantes desta classe:
• Flecainida
• Propafenona → possui ação estabilizadora no
miocárdio, prolonga a condução no nodo
atrioventricular e possui efeitos betabloqueadores.
Dose de 3 a 5 mg/kg a cada 8 horas, por via oral em
cães com arritmias ventriculares sem IC. Ainda não
há comprovação cientifica.
Classe II
• Formada por agentes que possuem atividade
antiadrenérgica, ou seja, os betabloqueadores.
Atuam na fase 4 do potencial de ação, deprimindo-a
e diminuindo a automaticidade por meio do aumento
do limiar de excitação das células dos nodos sinusal
e atrioventricular.
• Embora uma discreta elevação de enzimas hepáticas
antes do tratamento seja motivo de atenção por parte
do médico-veterinário, isso não impede o uso da
amiodarona, podendo até mesmo haver diminuição
daquelas durante o tratamento.
• O mesmo vale para a presença de hipotireoidismo ou
o seu desenvolvimento durante o tratamento, e
apenas o profissional deverá estar atento e realizar
controle periódico da função hepática e dos
hormônios tireoidianos.
O sotalol
• Betabloqueador, possui efeitos desta classe em
baixas dosagens, porém, em doses mais altas, possui
efeitos de classe IlI, e, por isso, está incluso nesta
categoria. Apesar de possuir um efeito inotrópico
negativo e, por essa razão, requerer cautela na sua
utilização em animais com insuficiência cardíaca
congestiva, seus efeitos são modestos se comparados
com outros betabloqueadores, e aparentemente é
bem tolerado mesmo em animais com dilatação
atrial e disfunção sistólica.
• Sua administração deve se dar preferencialmente
sem alimento, pois apresenta melhor absorção nestas
condições, atingindo seu pico máximo de ação
dentro de 2 a 3 dias.
• Utilizado: principalmente no tratamento de
arritmias ventriculares, sendo considerado bastante
eficaz em diminuir o número de contrações
ventriculares prematuras, sua complexidade (foi
capaz de reduzir o aparecimento de padrões como
bigeminismo e trigeminismo, por exemplo) e a
frequência cardíaca. Apesar disso, os animais desse
estudo não apresentaram melhora das manifestações
clínicas, como síncope. Há indícios de que o sotalol
e outros betabloqueadores podem agravar síncopes
vasovagais (síncope associada à bradicardia) em
cães da raça Boxer, sendo esta uma possível
contraindicação do uso do fármaco.
• É utilizada: no tratamento tanto de arritmias
supraventriculares como nas de origem ventricular,
sendo efetiva em ambas as situações.
• Na fibrilação atrial, há a possibilidade de diferentes
abordagens, tanto aquela que tenta obter a reversão
para o ritmo sinusal como aquela que privilegia o
controle da frequência cardíaca com diminuição dos
efeitos deletérios dos altos valores dela, assumindo
que as chances de reversão são pequenas.
• Por via oral, a amiodarona apresentou bom controle
da frequência cardíaca, o que a torna uma opção
viável mesmo em pacientes com disfunção sistólica.
A reversão para o ritmo sinusal foi descrita em cães,
porém com uso da medicação por via intravenosa.
Reações adversas por via intravenosa:
• Hipotensão, taquipneia, broncoespasmo,
inquietação e alterações cutâneas, como prurido
intenso, eritema, edema subcutâneo e urticária.
Acredita-se que essas reações sejam decorrentes do
veículo utilizado na formação das apresentações de
amiodarona que contém polisorbato 80 e álcool
benzílico → cautela com o uso IV e que se opte, caso
seja possível, por apresentações com veiculos
isentos dessas substâncias, ou que o animal seja
medicado previamente com anti-histamínicos.
Reações adversas por via intravenosa:
• Em cães: são observadas alterações hepáticas,
gastrintestinais, tireotoxicidade e, ocasionalmente,
neutropenia e anemia. O efeito sobre a função
hepática é devido ao impacto do fármaco no
metabolismo lipídico, levando à lipidose e aumento
dos ácidos graxos não esterificados, com
consequente toxicidade aos hepatócitos. Cães da
raça Dobermann parecem ser mais sensíveis aos
efeitos colaterais hepáticos.
• Os efeitos adversos são incomuns, porém, em doses
altas, podem ocorrer bradicardia e bloqueio
atrioventricular, além de haver relatos de possível
efeito inotrópico negativo, ainda que não haja
confirmação científica em estudo prospectivo.
Outros
• Alguns fármacos antiarrítmicos não se encaixam na
classificação de Vaughan Williams, por exemplo, os
digitálicos. Esta classe de medicamentos vem sendo
menos utilizada em medicina humana, devido ao
benefício clínico limitado e aos efeitos colaterais
consideráveis. Em medicina veterinária, no entanto,
continuam a ser recomendados, principalmente a
digoxina, para a redução de frequência cardíaca na
fibrilação atrial.
• Por possuir baixo índice terapêutico, é essencial que
o cardiólogo conheça bem as particularidades e as
interações medicamentosas desse fármaco. Seu
mecanismo de ação baseia-se na inibição da Na+K+
ATPase, promovendo aumento da troca de Na+ por
Ca,+, aumentando a contratilidade miocárdica, ainda
que este efeito inotrópico positivo seja considerado
fraco. Além disso, ocorrem efeitos
parassimpaticomiméticos, aumentando o tônus
vagal nos nodos sinoatrial e atrioventricular,
incorrendo em efeito cronotrópico negativo.
Adicionalmente, também ocorre diminuição da
duração do potencial de ação e do período refratário,
o que ilustra o quão complexos são os digitálicos.
Digoxina
• Tem boa absorção oral, sendo a formulação em elixir
mais bem absorvida do que os comprimidos. A
meia-vida do fármaco é muito variável entre
indivíduos, tanto na espécie humana quanto na
espécie canina.
Classe iv
• Medicamentos desta classe são chamados de
bloqueadores de canais de cálcio, cuja principal ação
é diminuir o influxo de cálcio por canais lentos (tipo
L). De maneira geral, estes fármacos exercem efeitos
importantes sobre o nó sinoatrial e o atrioventricular,
alem de serem muito utilizados para o tratamento de
arritmias supraventriculares.
• Por afetarem os canais de cálcio tipo L, os
bloqueadores dos canais de cálcio agem em tecido
miocárdico, cuja ação é mediada por potenciais de
ação do tipo lento, e não agem bem em tecidos
mediados por potenciais de ação rápidos, mediados
por canais de sódio, como o sistema de condução
infranodal e os ventrículos.
• Seus principais representantes são o diltiazem e o
verapamil.
O diltiazem
• É mais amplamente empregado na prática clínica, e
sua principal indicação é na redução da frequência
cardíaca por meio do aumento do período refratário
efetivo e funcional do nó atrioventricular,podendo
gerar bloqueios atrioventriculares. Assim como
ocorre com a maioria dos antiarrítmicos, há falta de
trabalhos científicos embasando sua utilização,
porém existe evidência de que a combinação de
diltiazem e digoxina é superior ao uso de cada
fármaco isolado para o controle de frequência na
fibrilação atrial.
• É metabolizado no fígado e, quando administrado
por via oral nos cães, tem pico de ação em duas horas
e duração de seis horas, enquanto nos gatos tem pico
de concentração plasmática entre 30 e 90 minutos e
duração de oito horas.
• Portanto, para monitoramento de sua eficácia,
recomenda-se a dosagem sérica do fármaco, sendo
que a concentração terapêutica varia de 0,8 a 1,5
ng/mL, havendo recomendação de alguns
cardiólogos de manutenção deste parâmetro entre
0,9 e 1,0 ng/mL.
• Sua excreção é renal, portanto, em pacientes com
doença renal crônica o medicamento deve ser
utilizado com cuidado.
• Os sintomas mais frequentes da intoxicação por
digoxina são: anorexia, náusea, êmese, diarreia,
alterações neurológicas do SNC e alterações
cardíacas, como bradiarritmias e taquiarritmias.
• O diagnóstico: desse tipo de quadro é confirmado
pela dosagem dos níveis séricos de digoxina, e níveis
superiores a 2,5 ng/mL reforçam o diagnóstico.
Aliado ao histórico e às manifestações clínicas, o
eletrocardiograma pode auxiliar no diagnóstico,
podendo apresentar aumento do intervalo PR e da
onda T, alterações no segmento ST e bloqueio
atrioventricular de primeiro e segundo graus.
• Pode haver também hipercalemia em exposições
mais agudas. Hipocalemia e uso de medicamentos
que inibem a glicoproteína P podem potencializar os
efeitos da digoxina e predispor à intoxicação.
Fármaco Dose Indicação Outras informações
Classe I
Lidocaína
Cães
Bolus de 2 mg/kg/IV lentamente (2 a 5
minutos de infusão), podendo haver
repetição até a dose acumulada máxima
de 8 mg/kg
Gatos
Bolus de 0,25 a 0,5 mg/kg/IV
lentamente com repetição de 0,15 a
0,25 mg/kg até a dose acumulada
máxima de 4 mg/kg
Infusão contínua: 10 a 14
mcg/kg/minuto.
Arritmias
ventriculares
(taquiarritmias
ventriculares) com
comprometimento
hemodinâmico.
Fibrilação atrial
associada a alto tônus
vagal (paralisia de
larínge).
Efeitos colaterais
neurológicos
Bolus possuem duração de 15
a 20 minutos
Propofenona
3 a 4 mg/kg/VO a cada 8h Arritmias
supraventriculares, em
especial onde há
presença de vias
acessórias.
Taquicardia
ventricular
Usar com cautela em cães em
ICC.
Efeitos pró-arrítmicos
Classe II
Atelanol
Cães
0,2 a 1,5 mg/kg/VO a cada 12 a 24h
Gatos
6,25 a 12,5 mg/gato/VO a cada 12 a
24h
Arritmias
supraventriculares
Controle da FC na
fibrilação atrial
Síndrome de pré-
excitação ventricular
Arritmias pot
intoxicação digitálica.
Não utilizar em animais com
ICC ou propensos a
desenvolvê-la (fibrilação
atrial por aumento atrial),
Efeitos colaterais como
fraqueza hipotensão e
bradicardia
Esmolanol
Cães e gatos
0,1 a 0,5 mg/kg/IV lentamente durante
1 minuto
Infusão continua: 0,025 a 0,2
mg/kg/minuto
Taquicardia
supraventricular
(taquicardia atrial,
flutter atrial, fibrilação
atrial)
Pode causar hipotensão
Não utilizar em animais com
ICC
Metoprolol
Cães
Dose inicial de 0,2 mg/kg/VO a cada 8h
até 1 mg/kg a cada 8 a 12h
Arritmias
supraventriculares e
ventriculares
Cuidado com hipotensão,
iniciar com doses baixas e
titular até a dosagem efetiva
Carvedilol
0,2 a 0,3 mg/kg/VO Arritmias
supraventriculares
Cuidado com hipotensão,
iniciar com doses baixas e
titular até a dosagem eletiva
Fármaco Dose Indicação Outras informações
Classe III
Sotalol Cães
1 a 3,5 mg/kg/12h/VO
Gatos
10 a 20 mg/gato/12/VO (ou 2 a 4
mg/kg/12h/VO)
Arritmias
ventriculares
Cautela em animais em ICC
Amiodarona Cães
Arritmias supraventriculares
(fibrilação atrial): 8mg/kg/VO12h
(dose de ataque) e 4,5 mg/kg/VO/12h
(manutenção)
Arritmia ventricular; dose de ataque
de 10 a 15 mg/kg/VO a cada 12h por
7 dias, seguido por 5 a 7,5 mg/kg/24h
Intravenosa: 3 a 5 mg/kg lentamente
(durante 10 a 20 minutos, não
exceder 10 mg/kg em 1h)
Arritmias
supraventriculares
(controle de
FC/reversão para RS)
Arritmias
ventriculares
Efeitos colaterais, principalmente
por via intravenosa
Classe IV
Diltiazem Cães
Oral: dose de ataque de 0,5 mg/kg
seguido por 0,25 mg/kg a cada 1h até
atingir a dose acumulada
Arritmias
supraventriculares
Dosagens para uso com
apresentações de liberação normal
Efeitos colaterais como bradicardia,
hipotensão e fraqueza
Corrigir a causa base antes caso
taquicardia supraventriculares tenha
origem sistêmica (sob risco de
parada cardíaca)
Na fibrilação atrial, pode-se utilizar
a apresentação com liberação
prolongada na dosagem de 3
mg/kg/VO a cada 12h em associação
com digoxina para controle da FC
Outros fármacos
Digoxina Cães
0,005 a 0,008 mg/kg/VO a cada 12h
(reduzir em 10% caso opte pela
apresentação elixir)
Gatos
0,007 mg/kg/VO a cada 48h (ou ¼ do
comprimeto de 0,125 mg)
Arritmias
supraventriculares
Sinais de intoxicação
gastrointestinais, cardiovasculares e
neurológicas
Efeitos pró-arritmicos (pode induzir
variados tipos de arritmias,
monitorar ECG)
Associar ao diltiazem para controle
da FC a fibrilação atrial
Sulfato de
magnésio
20 a 60 mg/kg em bolus IV
(lentamente)
Tosade de pointes