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MEDICINA VETERINÁRIA DE DESASTRES E CATÁSTROFES MEDICINA VETERINÁRIA DO COLETIVO E EXTENSÃO PROFA. MARCELA VIANA TRIGINELLI CATÁSTROFE De acordo com a OMS: Acontecimento que cause estragos, desestabilização econômica, perda de vidas humanas e deterioração da saúde, a uma escala tal, que justifique uma mobilização excepcional de auxílios vindos de fora da comunidade e da zona atingida. DESASTRES AMBIENTAIS CONSIDERADOS CATASTRÓFICOS Situações variadas MEDICINA DE CATÁSTROFES Objetivos: Reverter os efeitos negativos sobre a saúde Modificar o perigo responsável pelo incidente Reduzir a vulnerabilidade da sociedade para eventos futuros Melhorar a preparação de resposta a incidentes futuros CLASSIFICAÇÃO DAS CATÁSTROFES • Duração do evento: - Curtas: < 1 hora, Média: entre 6 e 24 horas e Longas: mais de 24 horas • Extensão: - Raio de até 1 km, Raio entre 1 e 100 km e Raio > 100 km • Número de vítimas: - Menor: entre 25 e 100 casos, Moderada: entre 100 e 1000 casos e Maior > 1000 casos Incidente limitado x grande catástrofe Relação entre as necessidades e os recursos disponíveis DIVISÃO POR FASE Leva em consideração o tempo e as necessidades previsíveis: Fase 1 – Emergência: • Cuidados iniciais de emergência médica • Deve ser autossustentável • Deve estar no terreno até 24 horas após o incidente, sendo necessária à sua ação durante 48 horas. DIVISÃO POR FASE Fase 2: Acompanhamento médico e trauma Deve ser providenciado acompanhamento médico e de trauma Deve estar operando entre o terceiro e o quinto dia, com um conjunto específico de especialidades Deve ser capaz de se manter durante um período máximo de 15 dias, com um suporte mínimo das estruturas locais. DIVISÃO POR FASE Fase 3: Infraestrutura de saúde temporária: Deve ser providenciado o apoio médico e cirúrgico durante a fase de reconstrução. E O MÉDICO VETERINÁRIO? O MÉDICO VETERINÁRIO É O PROFISSIONAL HABILITADO A PRESTAR ATENDIMENTO EMERGENCIAL A QUALQUER ESPÉCIE ANIMAL, ASSIM COMO ELABORAR PROTOCOLOS ESPECÍFICOS APOIO VETERINÁRIO Equipes serão responsáveis: organizar e apoiar o resgate e evacuação animal instalar pontos de triagem (tratamento no local x transporte para centro de atendimento x direcionado para alojamento) APOIO VETERINÁRIO Nos alojamentos: assegurar o correto manejo dos animais alojados e, periodicamente, sujeitá-los a inspeções que visem à garantia da saúde, segurança e bem-estar animal. O QUE É NECESSÁRIO PARA ATUAR EM UMA CATÁSTROFE? Conhecer os riscos inerentes à situação. Saber trabalhar em equipe. Saber orientar leigos e membros da equipe. Saber utilizar EPI’s. Ter conhecimento dos protocolos de emergência a serem utilizados a campo. Boa condição física e preparo psicológico. Vacinação. PLANO DE AÇÃO Deve-se propor um plano de ação para subsidiar a Medicina Veterinária para Casos de Desastres e Catástrofes. EQUIPE DE RECONHECIMENTO E SEGURANÇA MÉDICA VETERINÁRIA Profissionais habilitados que realizam o reconhecimento: das infraestruturas danificadas ou em risco previsão do número de animais vitimados, da sua localização e das condições para o seu socorro Utilizar um inventário sistematizado (classificação do incidente, localização exata, hora do incidente, tipos de perigos presentes e potenciais, tipos e vias de acesso, número de animais vitimados e capacidades de apoio existentes). EQUIPE DE BUSCA E SALVAMENTO MÉDICO VETERINÁRIO “SEARCH AND RESCUE” Equipes com capacidade técnica para atendimento dos animais vitimados em infraestrutura precária Funções: triagem, transporte para o Ponto de Recolhimento de Animais Feridos (PRAF) PRAF: encaminhamento dos animais para área de evacuação ou para Centro de Recolhimento Avançado de Saúde Animal (CRASA) onde ficarão sob responsabilidade da Equipe Móvel de Saúde Animal (EMSA) EQUIPE MÓVEL DE SAÚDE ANIMAL - EMSA Constituídas por dois médicos veterinários • apoio dos animais vitimados na área do PRAF (suporte básico de vida e imobilização primária) • transporte em condições de estabilidade, para o Centro de Recolhimento Avançado de Saúde Animal (CRASA). Funções: CENTRO DE RECOLHIMENTO AVANÇADO DE SAÚDE ANIMAL (CRASA) Composto por nove áreas: 1. Triagem de campo médica veterinária 2. Triagem médica veterinária 3. Unidades de descontaminação médica veterinária 4. Unidade de terapia intensiva animal 5. Enfermaria veterinária 6. Armazém de insumos veterinários 7. Unidade médico cirúrgica veterinária 8. Unidade de diagnóstico laboratorial 9. Unidade de liberação e adoção de animais resgatados TRIAGEM DE CAMPO MÉDICA VETERINÁRIA Tabela 1. Triagem de campo médica veterinária, de acordo com o estado do paciente. TRIAGEM MÉDICA VETERINÁRIA Funções: Identificar e classificar os animais admitidos individualmente; Realizar uma triagem secundária (FR, FC, PA, TºC, escore, hidratação, condição neurológica e ferimentos); Completar ou inserir os dados na FCEA; Iniciar ou dar continuidade aos cuidados médicos veterinários e destinar aos setores e/ou unidades adequados. TRIAGEM MÉDICA VETERINÁRIA Tabela 2. Triagem Médica Veterinária Preto: não apresentam melhora clínica, lesões sem recurso, eutanásia Vermelho e amarelo: tratamento no momento Verde: observado periodicamente em área específica UNIDADES DE DESCONTAMINAÇÃO MÉDICA VETERINÁRIA Unidade para grandes animais e unidade para pequenos animais Um médico veterinário epidemiologista e um voltado à medicina veterinária do coletivo Essa unidade visa criar diretrizes e procedimentos para que a descontaminação seja bem-sucedida UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA ANIMAL (UTIA) E CIRURGIAS DE BAIXA COMPLEXIDADE Sob a supervisão de um médico veterinário intensivista e um cirurgião geral Essa unidade deve garantir procedimentos de reanimação, estabilização e monitorização; além de realizar pequenas cirurgias e tratamentos ortopédicos conservativos ENFERMARIA VETERINÁRIA Constituída por cinco unidades, sendo elas a Enfermaria veterinária para grandes animais, para animais de fazenda, para caninos, para felinos e para animais selvagens Cada unidade sob a supervisão de um médico veterinário especialista. Essas unidades devem garantir a estabilização, monitorização e recuperação total dos animais vitimados ARMAZÉM DE INSUMOS VETERINÁRIOS Constituído por uma unidade e equipamentos logísticos de apoio Sob a supervisão de um médico veterinário com formação e/ou experiência em gestão/logística hospitalar Identificar e classificar os produtos hospitalares e todos os demais que serão utilizados na identificação dos animais, alimentação, vacinação, desinfecção dentre outros. UNIDADE MÉDICO- CIRÚRGICA VETERINÁRIA Unidade destinada ao preparo cirúrgico, uma unidade pré-operatória, um bloco cirúrgico e uma unidade pós-operatória Supervisão de um médico veterinário cirurgião geral, um ortopedista, um anestesista e um intensivista. Cirurgias de média a alta complexidade UNIDADE DIAGNÓSTICA E LABORATORIAL Unidade destinada à coleta e envio de amostras para avaliações laboratoriais e de exames de imagem Supervisão de um médico veterinário patologista clínico e veterinário com experiência em diagnóstico por imagem UNIDADE DE LIBERAÇÃO E ADOÇÃO DE ANIMAIS RESGATADOS Constituída por uma unidade destinada a liberar os animais vitimados ao(s) seu(s) respectivo(s) tutor(es) ou para adoção Supervisão de um médico veterinário com experiência na saúde do coletivo GESTÃO DA EMERGÊNCIA Processo contínuo que visa prevenir, mitigar e preparar a resposta e recuperação de um incidente que ameace a vida, a propriedade, operações ou ambiente. GESTÃO DA EMERGÊNCIA CICLO DA GESTÃO DA EMERGÊNCIA Pré-desastre: Medidas efetivas a serem adotadas visandoprevenir e preparar a população para o possível incidente Durante o desastre: Medidas para mitigar os efeitos ocasionados pelo desastre (espécies envolvidas, número de animais afetados, mortalidade, morbidade, lesões e doenças, danos às infraestruturas, qualidade e fornecimento de comida e água) Pós-desastre: recuperação, reabilitação e devolução/adoção dos animais Prestar apoio aos cães de busca e salvamento CONSIDERAÇÕES FINAIS Necessidade de atuação de médicos veterinários com experiência Código de Ética Manual com plano de emergência direcionado para as famílias Referência/fonte: SOUZA, M.V. Medicina veterinária de desastres e catástrofes: plano de ação. PUBMED, v.13, n.10, a429, p.1-7, Out., 2019.