Prévia do material em texto
Modulares
Atualidades
Apostila
Nilton Matos
2012 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor.
Após 11 de setembro, o nome de Bin Laden ganhou fama mundial, inspirando
militantes jihadistas no Iraque e em diversos lugares do mundo. Vários grupos
começaram a se denominar como Al Qaeda, ou agindo em nome de seus
objetivos, passaram a organizar atentados de impacto na Europa (Madri em 2004
e Londres em 2005), no norte da África, no Oriente Médio e em outras partes da
Ásia.
Sua atividade consolidou a transformação da Al Qaeda, idealizada por Bin
Laden, numa organização com estrutura descentralizada e difusa, que opera em
braços autônomos. Nessa organização em rede, os grupos afiliados contavam
principalmente com a liderança ideológica de Bin Laden e da Al Qaeda central,
hoje, comandada pelo o egípcio Ayman al-Zawahiri, baseada no Afeganistão e
no Paquistão. Apesar de subordinados a um comando central. Os grupos possuem
autonomia para conduzir as operações – arrecadar fundos, recrutar militantes e
realizar ataques. De acordo com a Intel Center, o instituto que monitora grupos
terroristas, a Al Qaeda possui atualmente ao menos 14 grupos afiliados, que
mantêm operações em quase 30 países.
A maioria dos especialistas acredita que a morte de Bin Laden terá um
impacto limitado no potencial da Al Qaeda de prosseguir com ações terroristas,
uma vez que os grupos afiliados atuam com independência. Além disso, Bin Laden
estava distante do dia a dia da Al Qaeda, exercendo pouca influência direta
sobre os efetivos. Esse papel estava com o seu número 2, o médico egípcio Ayman
AL Zawahri, agora o novo líder do grupo.
Embora a Al Qaeda supostamente não dependesse mais de seu mentor, a
saída de cena do maior símbolo do Jihad islâmico priva o movimento de sua fonte
principal de inspiração e coesão.
TERRORISMO
Atualidades
Prof. Nilton Matos 3
O QUE É TERRORISMO?
Afinal de contas o que é o terrorismo? A resposta não é simples, nem
consensual. Pode-se dizer que é o uso sistemático da violência contra uma
população para criar um ambiente de medo e assim alcançar um objetivo
político.
Historicamente, atos que seriam tidos como terroristas foram considerados
legítimos quando correspondiam à luta contra a opressão de um Estado, à
ocupação ou ao domínio colonial. É o caso da Resistência francesa, que lutou
contra a ocupação nazista na II Guerra Mundial.
Por causa dessas considerações políticas, é difícil que, em fóruns como a ONU,
haja consenso para designar um grupo como terrorista. O terrorismo é um traço
marcante da política contemporânea, em geral associado às lutas de grupos
nacionalistas. A novidade da rede Al Qaeda é que ela não reconhece fronteiras e
possui um objetivo internacional: atacar a influência ocidental no mundo atual
A MODERNA CONCEPÇÃO POLÍTICA DE TERRORISMO
O terrorismo, hoje, é considerado um instrumento de violência com fins
estratégicos e políticos, patrocinado por ideologias, inclusive religiosas.
No século XIX, surgiu essa acepção de ação política, sendo creditada ao
alemão Karl Heinzen (1809-1880), que a descreve na sua obra Das Mord. Nela,
Heinzen pregava o uso da violência e de métodos que tragam pânico e terror,
como bombas e envenenamento, para atingir determinados objetivos
considerados fundamentais para uma causa. Além disso, sempre em nome da
causa, admitia alianças com a escória social e o recrutamento de pessoas para
morrerem por ela. As idéias de Heinzen tiveram eco significativo no século XIX,
influenciando Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin, que criaram o anarquismo.
O termo anarquismo, ao qual frequentemente é associado o de “anarquia”
tem uma origem precisa do grego, que significa “sem Governo”. Através deste
vocábulo se indicou sempre uma sociedade livre de todo o domínio político
autoritário, na qual o homem se afirmaria apenas através da própria ação
exercida livremente num contexto sociopolítico em que todos deveriam ser livres.
Anarquismo significou, portanto, a libertação de todo o poder superior, fosse
ele de ordem ideológica (religião, doutrinas, políticas, etc.), fosse de ordem
política (estrutura administrativa hierarquizada), de ordem econômica
(propriedades dos meios de produção), de ordem social (integração numa classe
ou num grupo determinado) ou até de ordem jurídica (a lei). A estes motivos se
junta o impulso geral para a liberdade.
(...) Precisados os termos, pode concluir então que Anarquismo se entende o
movimento que atribui, ao homem como indivíduo e à coletividade, o direito de
usufruir toda a liberdade, sem limitação de normas, de espaço e de tempo, fora
dos limites existenciais do próprio indivíduo. Liberdade de agir sem ser oprimido por
qualquer tipo de autoridade, admitindo unicamente os obstáculos da natureza,
da “opinião”, do “senso comum” e da vontade da comunidade geral – ao qual o
indivíduo se adapta sem constrangimento, por um ato livre de vontade.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 4
Característico do Anarquismo é o fenômeno da rebeldia, por seu lado exterior
violento ou, pelo menos, não pacífico vizinho, mas não necessariamente conexo
com o fenômeno paralelo do insurreicionismo. A rebeldia ou rebeldismo é a
exteriorização violenta e de improviso, a maior parte das vezes manifestando-se
irracionalmente, de uma ação eversiva contra a ordem constituída.
Voltando ao Terrorismo, fica claro, portanto, a dificuldade de se conseguir uma
definição suficientemente ampla e consensual para terrorismo, pois ela envolve
conceitos políticos, ideológicos, militares, religiosos. No início do século XX, por
exemplo, o termo terrorismo era definido, em dicionários, com uma conotação
bem diferente da que temos hoje em dia: “pessoa que espalha boatos
assustadores; que prediz catástrofes ou acontecimentos funestos; pessimista”.
Vejamos algumas definições do que é terrorismo:
§ “Terrorismo é o uso de violência política como forma de pressionar um governo
e/ou sociedade para que aceitem uma mudança política ou social radical.”
(ROBERTSON, D. A Dictionary of Modern Politics. New York: Oxford, 1993)
§ “Prática do terror como instrumento de ação política, procurando alcançar,
pelo uso da violência, objetivos que poderiam ou deveriam cometer-se ao
exercício legal da vontade política. O terrorismo caracteriza-se, antes de
qualquer coisa, pela indiscriminação das vítimas a atingir, pela generalização
da violência, visando, em última análise, a liquidação, desativação ou retração
da vontade de combater do inimigo predeterminado, ao mesmo tempo em
que procura paralisar também a disponibilidade de reação da população.”
(Enciclopédia Verbo do Direito e do Estado. Lisboa: Pólis-Portucalense, 1997. v.
V)
§ “O terrorismo assenta, pois, no recurso sistemático à violência como forma de
intimidação da comunidade no seu todo. No entanto, a prática do ‘terror’
pode visar finalidades políticas muito distintas: a subversão do sistema político
(como sucedeu com as Brigadas Vermelhas na Itália ou com o Baader-Meinhof
na Alemanha), a destruição de movimentos cívicos ou democráticos (como
sucedeu com a Aliança Anticomunista da Argentina e, em certa medida, com
os Esquadrões da Morte do Brasil), o separatismo (como sucede com a ETA) ou a
afirmação de convicções religiosas (como sucede com alguns movimentos
fundamentalistas)”
(BOBBIO, N)
Atualidades
Prof. Nilton Matos 5
AS FORMAS DE TERRORISMO
Ao longo do século XX e início do século XXI, o sentido de terrorismo não ficou
preso ao seu sentido original, ligado às ações de execução e de extermínio do
Estado, sendo hoje muito mais identificado com ações violentas e de objetivos
políticos de grupos ou de pessoas que se opõem a governos.
No intrincado e complexo século XX, o terrorismo esteve presente em
diferentes formas:
§ de Estado – em que governos utilizaram genocídios, extermínios, prisões, torturas
e deportações,invocando razões de Estado (ou a sua segurança), voltando-se
contra minorias étnicas, religiosas ou políticas.
§ de Pessoas ou Grupos – com o mesmo objetivo se reúnem para praticar atos
que levem temor aos governos ou populações.
§ de um único indivíduo – agindo sozinho, usando da prática do terror para
conseguir seus objetivos.
CURIOSIDADES!
Faria tudo de novo, e melhor...
Entre os anos de 1973 até 1994, o
venezuelano Ilitch Ramirez Sanchez foi tido
como o maior terrorista em atividade, pois
praticou diversos atentados (seqüestros,
atentados a bomba, assassinatos),
encomendados e remunerados por serviços
secretos de países como os da Europa do
Leste, da URSS e os do mundo árabe. Ele é
acusado de ter provocado a morte de 93
pessoas e de ferir centenas de outras.
Foi caçado por policiais de todo o
mundo. Passou a ser chamado Carlos, o
Chacal, como o personagem central da
ficção de Frederick Forsyth, O Dia do
Chacal, um homem misterioso que praticaria
atentados pagos por organizações
clandestinas ou serviços secretos, inclusive
um frustrado atentado contra o ex-presidente
francês, Charles de Gaulle.
Nascido na Venezuela, o Chacal sofreu
grande influência de seu pai, que era
comunista. Na sua juventude, recebeu
treinamento militar em Cuba e estudou na
URSS. Em 1973, com 24 anos, ingressou na
Frente Popular para a Libertação da
Palestina (FPLP).
Atualidades
Prof. Nilton Matos 6
A POLÍTICA NORTE-AMERICANA
Desde o fatídico 11 de setembro de 2001, o combate ao terrorismo global
tornou-se a peça-chave da política eterna dos Estados Unidos, a única
superpotência mundial após o fim da Guerra Fria.
Nestes 10 anos, o país envolveu-se em duas guerras e gastou enorme quantia
com o orçamento militar. As invasões do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003)
consumiram quase 1,3 trilhão de dólares, resultaram em ocupações militares ainda
em curso e deslocaram mais de 300 mil soldados para os países da região, dos
quais 6 mil perderam a vida. O alto custo financeiro e humano desses conflitos
ofusca os ganhos na luta contra o terrorismo, em especial depois da crise
econômica, mudando as prioridades internas dos EUA.
Em 1975, praticou um dos seus
atentados mais espetaculares, seqüestrando
11 ministros, de países-membros da OPEP,
reunidos em Viena, matando, nessa ocasião,
três pessoas.
Nos anos seguintes, continuou com suas
atividades terroristas, tornando-se o homem
mais procurado pelas polícias secretas do
Ocidente. Mesmo assim, suas ações
espetaculares não deixavam rastro, criando-
se uma aura de mistério em torno desse
terrorista mercenário.
Em 1994, com o fim da Guerra Fria,
eram poucos os refúgios para o Chacal.
Nesse ano ele foi preso no Sudão, onde
morava, e extraditado para a França, onde
foi julgado e condenado à prisão perpétua.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 7
Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo, está morto. Na noite
de 1º de maio de 2011, um grupo de elite da Marinha norte-americana invadiu o
espaço aéreo do Paquistão, sob as ordens do presidente dos Estados Unidos,
Barack Obama. Ao chegar à cidade de Abbottabad, executou a tiros o líder
máximo da rede terrorista Al Qaeda, no complexo residencial em que vivia
escondido.
A bem-sucedida missão ocorreu quase dez anos depois do atentado sofrido
pelos americanos ao World Trade Center pelos militantes da Al Qaeda.
A morte de Bin Laden, porém, causou euforia nos Estados Unidos. Em plena
madrugada, uma multidão se aglomerou em frente à Casa Branca e ocupou a
Times Square, em Nova York, para comemorar. Obama deu ao acontecimento
relevo histórico ao afirmar, em cadeia nacional, que representa “a conquista mais
significativa até o momento no esforço dos EUA em derrotar a Al Qaeda”. O apoio
popular ao presidente saltou 10 pontos nas pesquisas após o anuncio do fim da
caçada ao líder terrorista. Nos EUA, o feito é considerado a maior vitória de seu
governo no front externo e esvaziou o discurso da oposição republicana de que o
presidente seria “fraco” na questão da segurança nacional.
No entanto, a morte de Bin Laden tem um efeito, sobretudo simbólico na
guerra contra o terrorismo, uma vez que o mentor do 11 de setembro estava
aparentemente afastado do comando direto das operações da Al Qaeda. Além
disso, acredita-se que a principal ameaça à segurança nacional parte não mais
das bases da Al Qaeda central, sediada no Afeganistão e no Paquistão, pois
foram muito debilitadas pelos ataques norte-americanos nos últimos anos.
Hoje, o maior perigo estaria no norte da África e no Oriente Médio, onde
grupos ligados à Al Qaeda estão ativos e planejando novos atentados.
Por esse motivo, Obama salientou em seu discurso que a morte de Bin Laden
“não marca o fim do nosso esforço”. “Devemos e iremos continuar vigilantes no
país e no exterior”.
Doutrina Bush
A resposta dos EUA aos atentados de 11 de setembro não se limitou à guerra
no Afeganistão. O governo do ex-presidente George W. Bush (2001-2008), então
no poder, considerou o terrorismo a principal ameaça à segurança mundial e
inaugurou um novo cenário geopolítico.
Em 2002, Bush definiu a novo estratégia de segurança nacional dos Estados
Unidos chamada de Doutrina Bush.
Nela, os EUA resumiram as relações internacionais ao embate entre “forças do
bem” (sociedades livres) e “forças do mal” (sociedades ou organizações que
patrocinam o terrorismo).
Como na lista de inimigos divulgada e redefinida periodicamente por
Washington existiam vários países e organizações muçulmanas, a Doutrina Bush
acabou criando uma polarização entre os países ocidentais e o mundo islâmico.
A Doutrina Bush defendia, centralmente:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 8
§ O Unilateralismo – a possibilidade de os EUA agirem no mundo de modo
unilateral (sem a preocupação de consulta aos organismos multilaterais, como
a Organização das Nações Unidas – ONU – e a Aliança Militar Ocidental –
OTAN.
§ Os ataques preventivos – o uso da força de forma preventiva (antes de um
ataque inimigo) contra qualquer país que os Estados Unidos considerassem
ameaçador à sua segurança.
atatataqaqueue inimigogo) ) cocontrara q quaualqlqueuer papaísís q queue o os s EsEstatadodos s UnUnididosos c cononsisidederarassssemem
amameaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaeaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçaçadodododododododododododododododododododor à sua sesesesesesesesesesesesesesesesegugugugugugugugugugugugugugugugugugurançnça.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 9
Com base nela, os norte-americanos reforçaram a presença de suas tropas em
todos os continentes e ampliaram seu orçamento militar, já muito maior do que o
de qualquer outro país.
Em seguida, Bush definiu o novo alvo da guerra ao terror: o Iraque de Saddam
Hussein. Em 2003, os EUA invadiram o país, sem a aprovação da ONU e com o
auxílio do Reino Unido. Diferentemente do ataque ao Afeganistão, a guerra no
Iraque provocou enorme polêmica e foi reprovada por boa parte da comunidade
internacional.
A Casa Branca afirmava que Saddam, o ditador iraquiano, desenvolvia armas
de destruição em massa e tinha ligações com a Al Qaeda. Depois da invasão,
porém, ficou comprovado que as alegações eram falsas.
Bush é acusado de ter ocupado o Iraque com outros objetivos: garantir o
acesso às enormes reservas de petróleo do país e abrir caminho para que as
multinacionais norte-americanas investissem na reconstrução, obtendo ganhos
significativos.
A intervenção no Iraque tomou um rumo complexo.
Após a derrubada de Saddam, o país mergulhou numa guerra civil entre
sunitas, xiitas e curdos, e os EUA fazem uma longa ocupação militar. E pior: se o
Iraque de Saddam estava aparentemente livre de grupos terroristas, o país
ocupado viu-os se multiplicar, principalmente após a criação da Al Qaeda local
em 2004. Nos anos seguintes, o grupopromoveu uma brutal campanha de
atentados contra alvos ocidentais.
INVASÃO NO IRAQUE
No dia 16 de Dezembro de 2011, Os Estados Unidos entregaram às forças
armadas iraquianas a última das 505 bases militares de que dispunham no país, um
dia após a cerimônia formal de retirada dos americanos do Iraque realizada em
Bagdá.
O representante do primeiro-ministro, Hussein al-Assadi, e um coronel
americano assinaram os documentos em uma sala da base Camp Adder,
conhecida pelos iraquianos como base Imam Ali, situada a sudoeste de Nasiriya,
305 km ao sul de Bagdá.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 10
Tudo o que resta das forças armadas americanas no Iraque são cerca de 4.000
soldados de um total que chegou a quase 170 mil soldados durante o pico da
guerra em 505 bases em todo o país.
Após o final do ano, a embaixada dos EUA vai manter apenas 157 soldados
para o treinamento das forças iraquianas, e um grupo de fuzileiros navais para
proteger a missão diplomática.
Retirada
Militares desceram a bandeira dos Estados Unidos da haste e a enrolaram em
um tecido, fechando o quartel-general do Exército americano em Bagdá. Assim
foi encerrada oficialmente a guerra no Iraque, após quase nove anos de presença
das tropas americanas no país.
Secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, discursa em evento que encerra
guerra no Iraque
Com a participação do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon
Panetta, o encerramento aconteceu duas semanas antes do prazo programado
no acordo de segurança assinado entre os governos dos EUA e do Iraque em 2008.
O documento estipulava que as tropas estrangeiras deveriam deixar o país do
Oriente Médio até o dia 31 de dezembro de 2011. Os soldados chegaram no país
no dia 19 de março de 2003. A data da cerimônia foi mantida em segredo
durante semanas para evitar que insurgentes ou milícias pudessem planejar um
ataque.
Em seu discurso na cerimônia no aeroporto internacional de Bagdá, Panetta
afirmou que os veteranos que fizeram parte dos quase nove anos de conflito
poderiam estar certos de que o "sacrifício que fizeram ajudou o povo iraquiano a
colocar a tirania de lado".
"Depois de muito sangue derramado por iraquianos e americanos, a missão de
um Iraque que pudesse se governar e garantir a própria segurança se
concretizou", ressaltou. "Certamente, o custo foi alto – em mortes e em dinheiro
para os Estados Unidos e para o povo iraquiano. Essas vidas não se perderam em
vão".
Atualidades
Prof. Nilton Matos 11
Presença Militar
Com o fechamento do quartel-general do Exército americano em Bagdá, é
colocado um fim definitivo na presença militar americana no país. As últimas
tropas já estão sendo retiradas.
Os EUA queriam inicialmente que 40 mil americanos continuassem em território
iraquiano trabalhando no treinamento de forças nacionais e ajudando na
segurança local, plano que não se concretizará pela ausência de acordo entre os
governos sobre o tema.
Dar fim à guerra foi uma das promessas que ajudaram Barack Obama a
chegar à Presidência em 2008, e permite que a Casa Branca foque no
Afeganistão e na crise econômica doméstica. No entanto, críticos acusam
Obama de usar o fim da guerra para dar força à sua campanha para a reeleição
em 2012.
IRAQUE E OS EFEITOS DA GUERRA
O Iraque é um país arrasado e com muitas dificuldades de se restabelecer
como um Estado normal. A sucessão de barreiras militares e controles, necessários
num ambiente de guerra civil, impedem que haja o conceito básico de
cidadania: não se pode ir e vir.
A economia quase inexiste na prática, enquanto o desemprego e a
informalidade campeiam. O parque petrolífero está se reorganizando, atraindo
empresas de segurança privada, que estão sendo instaladas na região de Basra,
no sul iraquiano.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 12
A GUERRA DEFINITIVAMENTE ACABOU?
Apesar de a guerra do Iraque ter sido oficialmente encerrada, uma análise do
"Índice Iraque" da Brookings Institution, que rastreia desde 2003 variáveis de
reconstrução e segurança no Iraque pós-Saddam Hussein, apresenta um retrato
bem diferente.
Desde 2003, foram 4.802 soldados da coalizão e cerca de 120 mil civis
iraquianos mortos. Aproximadamente US$ 1 trilhão foi gasto pelos Estados Unidos
na guerra.
E mesmo assim, depois de nove anos, o Iraque está longe de ser um país
seguro. Segundo o levantamento de Michael O'Hanlon no índice Iraque, ainda há
mil integrantes da Al Qaeda ativos no país. O número de civis mortos chegou a um
pico de 34.500 em 2006. Em 2011, foi de 1.215. Uma redução marcante, mas 1215
não é exatamente um número de civis mortos condizente com um país onde
supostamente a guerra acabou.
Em julho de 2007, houve 1800 ataques de insurgentes, incluindo bombas de
estrada, trocas de tiro, homens bomba. O número caiu para menos de 200 em
agosto de 2011. De novo, não se pode falar em "normalidade" com 200 ataques
por mês.
O índice acompanha uma série de indicadores políticos: orçamento, nível de
inclusão no governo, lei de aposentadoria, legislação eleitoral de províncias, saída
de extremistas do governo. Aqui também o resultado é preocupante: a
pontuação caiu de 6,5 de 12 em 2008 para 05 de 12 em 2011.
Quando os últimos soldados americanos deixarem o Iraque, no dia 31 de
dezembro, eles deixarão para trás "um país soberano, estável e auto-sustentável",
disse o presidente Barack Obama. Não exatamente. É tudo uma questão de
ponto de vista e necessidade de achar um ângulo positivo em plena campanha
eleitoral.
PRINCIPAIS ATENTADOS TERRORISTAS APÓS O 11 DE SETEMBRO
§ PAQUISTÃO, KARACHI (2002)
Diversos ataques terroristas ocorreram nos últimos anos em Karachi, a maior
cidade do Paquistão. Em junho de 2002, um homem-bomba explodiu um
caminhão em frente ao consulado dos EUA em Karachi, matando 14
paquistaneses. O ataque ocorreu um mês depois de outro atentado suicida na
cidade, que deixou 11 engenheiros franceses mortos.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 13
Em setembro de 2003, uma bomba, escondida em uma cesta de lixo, explodiu
no décimo andar de um prédio comercial na cidade de Karachi, quebrando
janelas e jogando destroços nas ruas sem deixar vítimas. A explosão foi tão grande
que pode ser ouvida pela cidade de 14 milhões de habitantes.
Em maio de 2011, uma base aérea paquistanesa em Karachi foi alvo de um
"ataque terrorista”. Os talibãs paquistaneses aliados à Al-Qaeda, que realiza uma
campanha de atentados suicidas e ataques que já deixaram cerca de 4.400
mortos em quase quatro anos em todo o país, juraram vingar a morte de Osama
bin Laden, morto no dia 2 de maio no norte do país por um comando americano.
§ INDONÉSIA, BALI (2002)
No dia 12 de outubro de 2002, em Bali (Indonésia), o terrorismo islâmico atacou
jovens turistas e surfistas estrangeiros, arrasando boates, lojas, cafés e bares na ilha.
Entre os mortos estavam cidadãos de vinte nacionalidades diferentes. Foi o maior
atentado recente contra turistas estrangeiros no exterior. Bin Laden, por carta, se
disse feliz.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 14
Mais de 200 pessoas morreram e cerca de 330 ficaram feridas. Os radicais
muçulmanos da facção Jemaah Islamiah, ligados à rede Al Qaeda assumiram a
responsabilidade dos atentados.
§ RÚSSIA, MOSCOU (2002)
No dia 23 de outubro de 2002, em Moscou (Rússia). No segundo ato da peça
em cartaz no Palácio da Cultura, os fuzis dos chechenos renderam público e
atores. O governo russo se viu diante do eterno dilema apresentado pelo terror:
ceder e negociar ou apenas atacar? Vladimir Putin ordenou a sangrenta invasão
do teatro. Sua população o apoiou.
O total de mortos foram: 118 inocentes e 54 terroristas. Além de 146 pessoas
feridas. Os muçulmanos separatistas da Chechênia foram os responsáveis pelo
atentado.
Entenda o conflito na Chechênia
A Chechênia declarou independência da Rússia em 1991, mas o ex-presidente
russoBoris Yeltsin esperou até 1994 para enviar tropas à região, para restaurar a
autoridade de Moscou. A primeira guerra da Chechênia terminou com uma
humilhante derrota para as forças russas em 1996.
Em 1º de outubro de 1999, o então primeiro-ministro russo (e depois presidente)
Vladimir Putin deu início a uma nova ofensiva, uma "operação antiterrorista"
parcialmente desencadeada por uma onda de atentados contra apartamentos
em Moscou e em outras partes da Rússia. Putin atribuiu os ataques a rebeldes
chechenos.
Ainda no início de 1999, forças chechenas tentaram estabelecer um Estado
islâmico na república autônoma russa do Daguestão, que faz fronteira com a
Chechênia.
O que querem os chechenos?
Atualidades
Prof. Nilton Matos 15
A população média busca paz e tranqüilidade. Os combatentes rebeldes
querem independência ou, pelo menos, um governo autônomo, que eles quase
obtiveram após 1996.
Assim que as forças militares deixaram o país, em 1997, os chechenos elegeram
o seu próprio presidente - Aslan Maskhadov, um ex-oficial da artilharia soviética
que havia sido o principal comandante militar dos rebeldes chechenos.
A decisão sobre o status político da Chechênia foi adiada por cinco anos,
após um acordo de paz ter sido negociado pelo governo checheno com Moscou.
Mas, durante o período de paz, Maskhadov foi incapaz de controlar seus
comandantes mais radicais e a república rebelde mergulhou na anarquia,
tornando-se uma das "capitais mundiais" no ato de tomar reféns.
No que se transformou a política de Putin?
Em outubro de 2003, o líder checheno pró-Moscou Akhmad Kadyrov foi eleito
presidente, após a realização de um controvertido referendo em março daquele
ano. Os principais rivais de Kadyrov se retiraram da disputa antes da eleição.
O referendo aprovou uma nova Constituição que dava à Chechênia maior
autonomia, mas estipulava que a república continuaria integrando a Rússia. A
eleição presidencial e o referendo puderam ser realizadas apesar da crescente
violência e da presença de milhares de soldados russos na Chechênia.
Se o presidente Putin imaginou que um líder pró-Moscou poderia resolver o
problema, o líder russo subestimou a determinação e a brutalidade dos rebeldes
chechenos.
Kadyrov já havia escapado de uma série de tentativas de assassinato até ter
sido morto na capital chechena, Grozni, em um mega-atentado a bomba num
estádio de futebol, realizado em maio deste ano. E os rebeldes seguiram
atacando outros alvos na Rússia.
Diversos atentados suicidas a bomba contra alvos russos têm sido realizados
desde o cerco de um teatro de Moscou em 2002, quando militantes chechenos
tomaram centenas de reféns.
Um ataque atribuído aos separatistas chechenos em fevereiro e realizado no
metrô moscovita matou dezenas de pessoas. Continuam acontecendo ataques
diários contra tropas russas na Chechênia e civis chechenos seguem
desaparecendo em decorrência das operações de segurança das forças russas.
Existem perspectivas para a paz?
Não. O plano da Rússia de normalização da região está desordenado, após a
morte de Kadyrov.
Novas eleições presidenciais serão realizadas na Chechênia no dia 29 de agosto.
O ministro do Interior checheno, Alu Alkhanov, deve ser o provável vencedor. Mas
críticos e observadores internacionais afirmam que eleições limpas são impossíveis,
já que a violência continua a atingir a sofrida república.
Diferentemente de seu predecessor, Alkhanov não conta com uma forte base
de apoio. Os rebeldes não deram qualquer sinal de que pretendem interromper
Atualidades
Prof. Nilton Matos 16
seus ataques esporádicos, mas destrutivos - que agora vêm se intensificando
através de atentados suicidas.
Autoridades russas disseram que 250 rebeldes, disfarçados de policiais,
lançaram um ataque coordenado em Grozni, no dia 21 de agosto, pouco antes
de uma visita do presidente Putin.
Moscou não está disposta a realizar negociações de paz com os rebeldes e
desde os atentados de 11 de setembro de 2001 tem havido pouca pressão
internacional por uma solução negociada por um conflito.
Os rebeldes têm ligações com a Al-Qaeda?
Parece provável. Sabe-se que há anos voluntários islâmicos viajaram para a
Chechênia para se aliar à luta pela independência. Segundo relatos, eles
aderiram aos rebeldes após terem feito treinamentos em campos do Afeganistão
e do Paquistão.
Em outubro de 2002, um dos suspeitos de realizar de realizar os atentados de 11
de setembro disse a um tribunal alemão que o suposto líder dos seqüestradores
dos aviões, Mohammed Atta, pretendia combater na Chechênia.
Um dos principais militantes que combateu no conflito foi um árabe conhecido
como Khattab - um veterano da guerra do Afeganistão contra a então União
Soviética. Khattab teria supostamente mantido ligações telefônicas com Osama
Bin Laden.
Telefonemas interceptados também fizeram com que autoridades americanas
alegassem que combatentes chechenos estabelecidos na Geórgia, perto da
fronteira com a Chechênia, estavam em contato com a Al-Qaeda.
§ MARROCOS, CASABLANCA (2003)
Três espanhóis morreram, um ficou gravemente ferido e mais quatro ou cinco
sofreram ferimentos menos sérios no atentado terrorista em Casablanca. O
Ministério das Relações Exteriores da Itália e da França confirmaram que havia um
italiano e dois franceses entre as vítimas dos atentados. Cinco atentados
simultâneos foram realizados por terroristas suicidas na capital econômica de
Marrocos. Segundo fontes do escritório da Generalitat (governo regional) da
Catalunha em Casablanca, um dos falecidos é o empresário catalão Manuel
Albiach, e um dos feridos, foi o vice-presidente da Casa da Catalunha na cidade
marroquina, Joan Alie.
Hassan Aourid, porta-voz do rei de Marrocos Mohammed, disse que os ataques
foram responsabilidade de uma rede internacional de terrorismo, acrescentando
que os culpados seriam punidos "sem misericórdia". Já o ministro marroquino do
Interior, Mustafá Sahelos, sustenta que os atentados terroristas foram praticados por
uma célula composta por 14 membros, pertencentes a cinco grupos, segundo a
agência AFP.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 17
O último balanço divulgado pelas autoridades do Marrocos informa que 41
pessoas morreram e cem ficaram feridas na série de atentados suicidas contra a
Casa da Espanha, o hotel Safir, Círculo da Aliança Israelense, um antigo cemitério
judeu e em frente ao consulado da Bélgica. A prefeitura de Casablanca afirma
que, entre os feridos, 55 já abandonaram o hospital. Hoje a polícia marroquinha
identificou mais um corpo, do espanhol Domingos Mateus. Com isso, sobe para
três o número de espanhóis mortos na ação.
§ TURQUIA, ISTAMBUL (2003)
No dia 15 e 20 de novembro de 2003, em Istambul (Turquia), terroristas suicidas
se auto-explodiram diante de duas sinagogas, matando 25 pessoas.
Cinco dias depois, carros-bombas explodiram na agência central do banco
inglês HSBC na capital turca pela manhã, deixando 27 mortos. No total foram 52
mortos, mais de 450 feridos. O grupo terrorista Al Qaeda assumiu a autoria das
duas ações.
§ ARÁBIA SAUDITA, RIAD (2003)
Atualidades
Prof. Nilton Matos 18
Os atentados terroristas ocorridos na cidade saudita na noite desta segunda
têm a marca da organização Al Qaeda, de Osama Bin Laden. Pelo menos três
bombas explodiram em complexos residenciais habitados por estrangeiros,
matando dezenas de pessoas. John Burgess, funcionário da embaixada dos
Estados Unidos na capital saudita, disse que 91 pessoas haviam morrido no
atentado, entre eles dez cidadãos americanos. Depois, porém, os EUA corrigiram a
informação e confirmaram o cálculo das próprias autoridades sauditas, que
falavam em 29 mortos. Outras 160 pessoas teriam ficado feridas durante o
atentado terrorista contra Riad.
Os líderes dos EUA e da Arábia Saudita condenaram os atentados e
prometeram punir os culpados. O ex-presidente americano George W. Bushdisse
que os autores da ação são "assassinos cuja única fé é o ódio", e prometeu que os
responsáveis "aprenderão o significado da Justiça dos EUA". Para Bush, os
assassinatos em Riad mostram que a guerra ao terror continua. Em Riad, o príncipe
saudita Abdullah afirmou, em discurso transmitido em rede nacional de TV, que seu
país irá destruir os grupos terroristas responsáveis pelos atentados. Em referência ao
Corão, livro sagrado dos muçulmanos, Abdullah afirmou que os criminosos
enfrentarão o "fogo do inferno". "Se eles acreditam que seus crimes sangrentos irão
perturbar esta nação, eles estão enganados."
§ ESPANHA (MADRI/2004) E INGLATERRA (LONDES/2005)
Os ataques do 11 de Setembro popularizaram a imagem do terrorista à
semelhança da figura hirsuta e fora de moda de Osama Bin Laden, como se a
guerra santa promovida pelo Islã fosse um fenômeno de grotões que,
ocasionalmente, transbordava para o coração da civilização ocidental.
Madri, 2004.
Porém de lá para cá, a Europa foi vítima de atentados terríveis - o de Madri,
em 2004, que deixou mais de 190 mortos, e o de Londres, em 2005, que matou ao
menos 50 pessoas - e passou a ver o terrorismo islâmico com outros olhos.
Perceberam que ele também era parte da realidade européia. E mais:
descobriram que o inimigo, que parecia morar em regiões longínquas do Oriente,
muitas vezes morava ao lado e era cidadão europeu, alguém que nasceu e
Atualidades
Prof. Nilton Matos 19
cresceu sob os princípios ocidentais, que freqüentou as escolas gerenciadas pelo
estado laico.
Tanto os atentados de Madri quanto os de Londres foram realizados por células
de terroristas locais. Os autores do massacre em Madri eram, na maioria,
marroquinos radicados na Espanha. Os autores das explosões no metrô londrino
eram jovens cidadãos ingleses de classe média com boa escolaridade - três deles
nascidos na própria Inglaterra, em famílias de imigrantes paquistaneses. Essa nova
geração do terror comprovou o crescimento da mentalidade de jihad entre os
muçulmanos que vivem no Ocidente e colocou uma nova questão para a Europa.
Até a Alemanha, que se sentia menos ameaçada pelo terror por não ter enviado
tropas ao Iraque, se viu diante desse mal "que vem dentro". Em 2007, três cidadãos
convertidos ao islamismo foram presos porque planejavam uma série de atentados
no país. Eles armazenavam 700 quilos de peróxido de hidrogênio, a matéria-prima
dos explosivos usados em Madri e Londres. O fenômeno atingiu também a
Dinamarca. Um dia antes da prisão dos alemães, a polícia de Copenhague evitou
um ataque terrorista prendendo oito jovens muçulmanos nos subúrbios da cidade.
Londres, 2005.
Fechando o cerco - O problema, no entanto, parece ser anterior aos
atentados, pelo menos em Londres. No início de 2004, nove jovens muçulmanos -
do mesmo perfil daqueles que, no ano seguinte, planejariam e executariam as
explosões assassinas - foram presos pela polícia inglesa com meia tonelada de
nitrato de amônia, produto químico com o qual se podem fabricar explosivos.
Naquele tempo, a conversão dos jovens ingleses à guerra santa islâmica e a forma
metódica como se preparavam para chacinar seus concidadãos já
prenunciavam a tragédia de depois. O governo, porém, ainda não tinha se dado
conta do perigo que esses grupos fundamentalistas representavam. Para conter o
avanço do extremismo, alguns países europeus estão fechando o cerco aos
clérigos acusados de incitar o ódio ou de fomentar o terrorismo. Os governos da
Espanha e da Alemanha estudam meios de monitorar os sermões nas mesquitas. A
Itália e a França deportaram clérigos raivosos. A vigilância sobre grupos terroristas
que agem ao estilo da Máfia, controlando atividades ilegais, como a venda de
vistos falsificados, foi intensificada.
Dilema ocidental - O problema, contudo, parece ser mais complexo e exigir
mais do que soluções exclusivas. A geração de filhos de imigrantes nascida em
Atualidades
Prof. Nilton Matos 20
solo europeu, os beurs, como são popularmente conhecidos na França, têm
promovido um movimento de volta às origens que rechaça e se indigna com o
tratamento que seus pais receberam na Europa. É também uma forma de se
afirmarem diante das dificuldades que encontram para se adaptar à vida em
terras alheias tão hostis. Um sentimento digno como esse, pode, no entanto, se
aliado a uma visão mitificada do Islã, levar o jovem muçulmano a ser seduzido por
movimentos islâmicos integristas que pregam o ódio à civilização ocidental.
Combater o terrorismo sem violar os direitos civis dos muçulmanos ainda é um
dilema para as democracias ocidentais, ainda mais para as européias, nas quais
as populações islâmicas já chegam a 15 milhões de pessoas.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 21
Atualidades
Prof. Nilton Matos 22
Atualidades
Prof. Nilton Matos 23
A onda de revoltas em países da África do Norte e do Ocidente Médio,
iniciada em janeiro de 2011 na Tunísia, prosseguiu durante todo primeiro semestre
do ano. No entanto, após a queda relativamente rápida dos ditadores da Tunísia e
no Egito, a Primavera Árabe ingressou numa fase mais difícil e muito violenta.
As revoluções populares espalharam-se pela região e expressaram-se de
diferentes formas em países como a Líbia, Síria, Barein e Iêmen. No entanto, em vez
de deixarem o poder ou promoverem reformas para melhorar a situação em seus
países, os governantes usaram a força, com intensidades variadas, para dispersar
a multidão nas ruas e abafar os protestos. Como resultado, alguns desses países
estão imersos em conflitos, enquanto outros se encontram em graves crises
políticas, que se prolongaram há meses. Tunísia e Egito, por seu lado, vivem um
processo tumultuado e ainda incerto de transição de regimes autocráticos para
democracia.
O quadro de instabilidade inaugurado com a Primavera Árabe provoca
inquietação nas potências ocidentais, que assistem à derrubada ou ao
enfraquecimento de regimes que foram historicamente seus aliados. No contexto
da guerra ao terror, com o objetivo de barrar a influência de grupos
fundamentalistas islâmicos, os Estados Unidos firmaram aliança com os
governantes do Egito, Arábia Saudita, Barein, Marrocos e Iêmen, entre outros. Com
as mudanças rápidas e imprevistas que estão ocorrendo, temem-se o
alastramento de choques étnicos e o avanço de movimentos extremistas islâmicos
nessa área de predomínio muçulmano.
TUNÍSIA E EGITO
A derrubada dos ditadores Zine Al-Abidine Bem Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak,
no Egito, ainda no início de 2011, inaugurou um novo período na história dos dois
países. Sob pressão dos protestos, vários ministros caíram na Tunísia, até que, em
março, o governo civil se firmou. Uma junta militar está no comando do Egito.
Ambos prometem eleições para 2011, mas ativistas pró-democracia estão
insatisfeitos. Grupos seculares (não religiosos) e liberais pedem mais tempo para
estruturar partidos políticos que possam competir em pé de igualdade com as
tradicionais agremiações islâmicas. Embora banidas durante a ditadura, a
Irmandade Muçulmana (Egito) e o Ennahda (Tunísia) possuem décadas de
existência, sedes espalhadas pelo território e enorme quantidade de membros. Por
isso, estariam em posição vantajosa para disputar as eleições para um Parlamento
no Egito (em setembro) e uma Assembléia Constituinte na Tunísia (em outubro).
Os representantes eleitos vão comandar o processo de elaboração das novas
constituições. Uma questão importante é se o Egito e a Tunísia serão Estados
seculares, pluralistas e democráticos, ou Estados religiosos, regidos pela sharia, a lei
islâmica. A Irmandade Muçulmana é hoje um grupo heterogêneo, que reúne de
fundamentalistas a liberais.O Ennahda afirma que é adepto da moderação e do
pluralismo, embora a elite secular tunisiana afirme que sua real intenção seja um
“PRIMAVERA ÁRABE”
Atualidades
Prof. Nilton Matos 24
Estado islâmico. No Egito, choques sectários entre a minoria cristã e um grupo
radical islâmico, os salafistas, aumentam os temores de que os fundamentalistas
possam ampliar seu espaço político. Como não existem pesquisas de opinião, a
resposta virá com as eleições, desde que elas sejam de fato democráticas.
Julgamento do ex-ditador Mubarak
O julgamento do ditador deposto do Egito,
Hosni Mubarak, acusado pelo assassinato de
manifestantes e por abuso de poder, foi retomado
após um atraso de quase dois meses, em virtude
da solicitação dos advogados de Mubarak por um
novo juiz.
Mubarak, seus dois filhos, o ex-ministro do
Interior e altos funcionários da polícia enfrentam
uma série de acusações, incluindo o
envolvimento na morte de centenas de
manifestantes e corrupção durante suas três
décadas no cargo. Mubarak, que está sendo
mantido sob prisão em um hospital onde médicos
dizem que ele enfrenta um problema cardíaco, foi
levado para o tribunal em uma maca hospitalar,
cobrindo seus olhos com um braço e cercado pela
polícia.
Sessões anteriores foram marcadas por
confrontos diante do edifício do tribunal do Cairo
entre partidários de Mubarak e egípcios exigindo
a pena de morte para o ex-líder.
Cerca de 850 pessoas morreram no levante
de 18 dias que derrubou Mubarak em fevereiro,
dentro do contexto das chamadas revoltas árabes.
Os advogados que representam as famílias
dos mortos tinham arquivado um pedido para a
substituição do juíz que preside o caso, Ahmed
Refaat, e de outros dois juízes. O pedido foi
rejeitado.
Eles reclamaram que os juízes não
conseguiram lhes dar tempo suficiente para
questionar o marechal Mohamed Hussein
Tantawi, que dirige o conselho militar que
governa o Egito, durante sua aparição no tribunal.
O ex-ministro do Interior, Habib al-Adli e
seis oficiais de polícia também aguardam
julgamento. O empresário Hussein Salem, um
colaborador próximo de Mubarak, está sendo
julgado à revelia.
Novembro/2011
Atualidades
Prof. Nilton Matos 25
Ex-ditador da Tunísia, Bem Ali, é
condenado à revelia
O ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali foi
condenado à revelia a cinco anos de prisão por
um tribunal militar da Tunísia, informou nesta
quarta-feira uma fonte judicial.
Em seu primeiro julgamento no Tribunal
Militar Permanente de primeira instância de Túnis,
Ben Ali foi condenado por tortura contra oficiais
do Exército acusados de tentativa de golpe de
Estado contra seu regime no movimento
conhecido como "Baraket Essahel", em 1991.
No total, 17 oficiais foram acusados na época
de manter reuniões secretas em Baraket Essahel,
na região de Hamamet (50 km de Túnis), para
preparar um suposto golpe de Estado contra o
regime de Ben Ali.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 26
INTERVENÇÃO MILITAR NA LÍBIA
Algumas semanas depois da revolução na Tunísia, a vizinha Líbia viu surgir
protestos contra o mais antigo ditador do mundo árabe, o coronel Muammar
Kadafi, no poder desde 1969. A situação evoluiu rapidamente para uma guerra
civil, com a disputa armada pelo controle de territórios. A costa leste é área de
influência do movimento rebelde. A costa oeste é dominada pelo regime de
Kadafi, com sede em Trípoli, a capital de Benghazi.
O conflito é marcado por avanços e recuos das duas forças sobre cidades
estratégicas da faixa litorânea. Num primeiro momento, a insurgência rumou para
o oeste e conquistou uma vasta fatia do território. Porém, no início de março, as
forças de Kadafi, apoiadas por bombardeios aéreos, realizaram uma contra-
ofensiva, chegando às portas de Benghazi. A situação levou a uma intervenção
militar externa contra Kadafi. Em 17 de março, o Conselho de Segurança da ONU –
com o voto contrário do Brasil – autorizou o uso da força contra o governo líbio,
com o mandato de proteger a população civil. Dias depois, uma coalizão
internacional liderada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, entrou em
ação.
O ex-ditador será julgado ainda por
homicídio doloso, complô contra a segurança do
Estado e tráfico de drogas, entre outras
acusações.
Ben Ali já foi condenado a 66 anos de prisão
e ao lado da mulher, Leila Trabelsi, é alvo de uma
ordem de captura internacional. O casal está
refugiado na Arábia Saudita.
Novembro/2011
Atualidades
Prof. Nilton Matos 27
A campanha de ataques aéreos passou para o comando da Otan
(Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar ocidental) e
enfraqueceu a capacidade militar de Kadafi. Com isso, os rebeldes retomaram o
controle do leste e da maior parte da cidade de Misrata, no oeste.
No fim de abril, a Otan ampliou os bombardeios para instalações não militares
do governo em Trípoli, atingindo a população civil. O conflito, porém, mergulhou
num impasse. Nenhum dos lados teve recursos militares para realizar um ataque
decisivo contra o inimigo. O pêndulo começou a oscilar em favor da insurgência
no fim de junho. Enquanto o regime de Kadafi dava sinais de esgotamento, a
insurgência avançava lentamente. Segundo os rebeldes, a ofensiva contra Trípoli
dependia do fornecimento de mais armas – o que tem sido feito pela França – e
do maior empenho da Otan.
AMEAÇA À DITADURA SÍRIA
O levante popular na Síria começou em março, no sul, e, em junho, havia se
espalhado pelo território: todas as sextas-feiras, após as orações, mais de 100 mil
pessoas protestavam em cerca de 150 cidades e vilarejos sírios. O movimento
avançou apesar da violenta resposta do regime do ditador Bashar Al-Assad. No
pior incidente até agora, 10 mil pessoas cruzaram a fronteira com a Turquia,
fugindo dos bombardeios do governo Jisr al-Shoghour. O regime sírio é
Atualidades
Prof. Nilton Matos 28
considerado um dos mais repressores do mundo árabe. Bashar é filho do ex-
ditador Hafiz al-Assad, que comandou o país com mão de ferro por 30 anos (1970-
2000). A família Assad pertence à seita alauíta, do ramo xiita, um grupo minoritário
no país, junto com os cristãos – ambos perfazem cerca de 10% da população.
Para se manter no poder, Hafiz selou uma aliança com os ricos negociantes da
maioria sunita (75% da população). O ditador garantiu a prosperidade dessa elite
e recebeu apoio político. Ergueu assim um Estado secular na Síria, amparado por
um círculo leal e temido de militares alauítas.
O símbolo da brutalidade do regime é a cidade de Hamah, onde, em 1982,
Hafiz esmagou um levante sunita liderado pelo grupo Irmandade Muçulmana: 20
mil pessoas foram mortas.
É ali que, três décadas depois, o movimento por democracia ganhou uma
dimensão inédita. Em 1° de julho de 2011, quase meio milhões de sírios tomaram o
centro de Hamah na maior manifestação que já ocorreu contra o ditador.
A ONU já aprovou sanções contra a Síria, embora Al-Assad esteja reprimido
violentamente os opositores.
A comunidade internacional reluta em intervir no país, pois teme que o
agravamento da crise poderia ter conseqüências imprevisíveis para toda a região,
causando instabilidade.
A Síria é um dos protagonistas centrais das tensões no Oriente Médio e tem um
conflito com Israel, país vizinho que ocupa parte de seu território, as Colinas de
Golã, desde 1967.
Juntamente com o Irã, seu grande aliado, o regime de Al-Assad apóia grupos
terroristas que combatem o Estado judeu – o Hamas palestino e o Hezbollah (pró-
palestinos que atuam no sul do Líbano). A Síria ocupou o Líbano durante décadas
e ainda exerce enorme influência no país.
Por causa dessas considerações, as potências ocidentais parecem preferir uma
saída negociada com o regime. Nesse cenário, a Turquia exerceria importante
papel mediador, pois se aproximou da Síria na última década e mantém um
diálogo com seu governo. Bashar vem fazendo promessasvagas de reformas,
enquanto envia tanques para reprimir os protestos.
No início, os manifestantes pediam democracia e liberdade, mas a multidão
que agora se aglomera em Hamah exige a queda do regime.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 29
GUERRA CIVIL NO IÊMEN
Os jovens iemenistas que paralisaram Sanaa, a capital do Iêmen, pedindo a
renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, acreditavam na viabilidade da
democracia nesta nação pobre e tumultuada do mundo árabe. Os protestos,
iniciados em janeiro, desestabilizaram o governo, mas ele resistiu e, em junho, o
Iêmen caminhava para uma guerra civil.
Saleh liderou um golpe militar no Iêmen do Norte em 1978. Com a unificação
entre norte e sul, em 1990, tornou-se presidente e se manteve no cargo costurando
alianças com líderes tribais, que formam a base do poder nacional.
O regime de Saleh enfrenta um movimento separatista no sul e levantes xiitas
no norte. Nos últimos anos, passou a combater a presença de militantes islâmicos
da Al-Qaeda na península Arábica em operações conjunta com os EUA.
O frágil equilíbrio político interno rompeu-se com a revolta popular de 2011:
poderosos chefes tribais deixaram o governo em meio à crise e o Conselho de
Cooperação do Golfo, liderado pela Arábia Saudita, passou a negociar com
Saleh a transferência de poder para um governo de unidade nacional. Mas o
presidente adiou várias vezes a assinatura de um acordo.
No fim de maio, o impasse deu lugar a intensas batalhas em Sanaa entre
forças leais ao clã de Saleh e milícias da influência tribo Ahmar, que controla o
principal partido de oposição, o islâmico
Al Islah. Um atentado ao palácio presidencial feriu Saleh e ele deixou o Iêmen
para se tratar na Arábia Saudita.
A disputa pelo poder entre dois clãs vem sendo acompanhada pela Arábia
Saudita, que pressiona Saleh a não retornar ao Iêmen.
Enquanto isso, militantes fundamentalistas islâmicos aproveitam-se do caos e
expandem sua influência.
No fim de maio, eles assumiram o controle de Zinjibar e avançaram para as
imediações de Áden, porto estratégico na entrada do mar Vermelho. Autoridades
locais afirmam que a região poderá se tornar um novo “Afeganistão da época do
Taliban” se não houver uma ofensiva militar do governo. Os EUA afirmam que a Al
Qaeda – que tem presença no país – pode estar transformando essa região do
Iêmen em um novo centro de operações e treinamento, e a desagregação do
Estado iemenita favorece o grupo.
REVOLTA XIITA NO BAREIN
O Barein abriga uma maioria xiita descontente com a dinastia sunita que
governa o território desde o século XVIII, com mão de ferro. Na esteira das revoltas
na região, os xiitas fizeram grandes protestos pedindo democracia e o fim da
discriminação.
O levante xiita no Barein, iniciado em fevereiro, provocou preocupação no
governo dos Estados Unidos: ali está baseada a 5ª Frota Naval dos EUA. O reinado
sunita da Arábia Saudita também está em alerta, pois possui uma minoria xiita no
leste que pode seguir o exemplo Barein. Além disso, a Arábia Saudita disputa a
hegemonia regional com a teocracia xiita do Irã.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 30
O rei reprimiu os protestos com ajuda militar da Arábia Saudita e dos Emirados
Árabes Unidos. Dezenas de pessoas morreram, centenas foram presas e milhares
de xiitas perderam o emprego.
O monumento da praça da Pérola, o palco central das manifestações, na capital
Manama, foi destruído. Em junho, a maior parte das tropas estrangeiras deixou o
país. A ordem foi restaurada, mas a raiz do problema persiste. O diálogo iniciado
em julho é visto com ceticismo pelos xiitas, que não acreditam em mudanças no
regime.
O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE
Em maio de 2011, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um
pronunciamento histórico sobre o conflito que opõe o Estado de Israel à
população árabe da região, defendendo a criação de um Estado palestino
desmilitarizado ao lado de Israel, com base nas fronteiras da região antes de 1967.
Isso porque, em 1967, Israel ocupou territórios antes controlados por árabes:
§ A Cisjordânia, território palestino então sob o controle da Jordânia, incluindo
Jerusalém Oriental;
§ A Faixa de Gaza, território palestino, então sob o controle do Egito;
§ A península do Sinai, território egípcio devolvido em 1982;
§ As colinas de Golã, território da Síria e anexado até hoje.
Em seu discurso, Obama ressalvou que qualquer alteração territorial deveria ser
acertada de comum acordo, e poderia haver uma “troca” de territórios entre as
duas partes, tendo-se as fronteiras de 1967 como parâmetro. A posição de
Obama sobre a questão é diferente da de seu antecessor, George W. Bush, pois
busca entabular um diálogo com os palestinos e põe pressão sobre Israel para
negociar algum acordo que coloque fim a décadas de conflitos.
A reação israelense ao discurso, porém, não tardou, e o premiê Benyamin
Netanyahu disse considerar as fronteiras pré 1967 “indefensáveis, deixando uma
grande população de israelenses residentes em Judeia e Samaria fora das
fronteiras de Israel”. Judeia e Samaria são os nomes bíblicos da Cisjordânia – onde
existem hoje quase 500 mil judeus morando, em mais de 120 assentamentos
espalhados pelo território. Desde 1967, mesmo com a condenação da
comunidade internacional, Israel constrói colônias no território, onde vivem 2,5
milhões de palestinos. Como resultado, a Cisjordânia é picotada e governada em
fatias: 17% da região é controlada pelos palestinos; 24% do território tem
administração compartilhada entre judeus e palestinos; e 59% possuem controle
exclusivo de Israel.
A proposta de Obama tampouco é de apoio à posição dos árabes palestinos,
pois não resolve várias questões. em primeiro lugar, há o problema dos 4,7 milhões
de refugiados, que vivem em campos espalhados pela região e reivindicam voltar
para suas terras e casas, hoje dentro do Estado de Israel. Os líderes do Estado
judeu rejeitam negociar esse ponto, pois consideram que a volta desse
contingente questiona as próprias bases de existência do país. Com relação à
constituição de um Estado palestino, qual seria sua capital? Para os palestinos,
Atualidades
Prof. Nilton Matos 31
Jerusalém Oriental, mas os israelenses consideram a cidade toda sua capital. Além
disso, não seria viável a existência de um Estado de fato soberano se ele for
desmilitarizado (quer dizer, sem Exército), ao lado de outro país com modernas e
equipadas Forças Armadas. Como se vê, a solução do conflito é complicada, pois
as dificuldades acumularam-se em décadas de disputa.
O marco do conflito foi a fundação do Estado de Israel, 1948, que provocou a
expulsão de milhares de palestinos das terras nas quais viviam. No ano anterior, a
Organização das Nações Unidas havia aprovado a divisão da região da Palestina
em um Estado judeu e outro árabe, e esse último nunca se constituiu. A nova
situação desestabilizou o Oriente Médio, e, durante décadas, houve várias guerras
entre Israel e nações árabes vizinhas, com sucessivas mudanças na situação de
Israel e dos território palestinos.
Em 1993, o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro ministro israelense Yitzhak
Rabin assinaram o Acordo de Oslo, dando início a negociações inéditas de paz.
Nos anos seguintes, os palestinos instalaram um governo com autonomia limitada
na maioria da Faixa de Gaza e em partes da Cisjordânia, sob comando da
incipiente Autoridade Nacional Palestina (ANP). Mas o processo de paz estancou
na virada da década de 2000, quando os dois lados debatiam o status final do
futuro Estado palestino. A etapa era considerada a prova de fogo, por tratar de
questões difíceis, como a devolução aos palestinos da Cisjordânia e a situação de
Jerusalém. O impasse no diálogo provocou um levante palestino contra a
ocupação, em 2000, chamado de “segunda intifada”. Desde então, a situação
não parou de se complicar. Em Israel, o primeiro ministro Ariel Sharon (2001-2006)
praticamente congelou asnegociações de paz e consolidou o domínio sobre a
Cisjordânia.
Após lançar uma arrasadora ofensiva militar contra cidades palestinas em
2002, Sharon ordenou o início da construção de um muro de concreto na
Cisjordânia para separar as populações judaicas das árabes. A justificativa era
impedir a entrada de terroristas em Israel, que venham promovendo atentados
suicidas. Na prática, o muro segregou os territórios palestinos e limita a circulação
de pessoas e mercadores pela região, e permitiu a Israel consolidar o controle
sobre as áreas que deveriam ser entregues aos palestinos pelo acordo de Oslo.
Ao mesmo tempo, em 2005, Israel abandonou a Faixa de Gaza. Além de ser
bem menor e menos próspera do que a Cisjordânia, ali os colonos judeus vivam
em tensão constante com a esmagadora maioria de palestinos. Após a retirada,
ANP alertou para o risco de que a Faixa de Gaza ficasse asfixiada pelo isolamento,
pois Israel ainda controlava as fronteiras terrestres (exceto o limite com o Egito) e
marítimas e o espaço aéreo.
As aspirações por um Estado palestino independente sofreram outro revés com
a divisão dos palestinos em organizações hostis. Desde 2007, a Faixa de Gaza é
governada pelo grupo fundamentalista islâmico Hamas, ao passo que o grupo
laico Fatah, que dirige a ANP, direige a Cisjordânia. A ruptura ocorreu depois que
o Hamas venceu as eleições parlamentares palestinas, em 2006, adquirindo o
direito de nomear o primeiro ministro da ANP. A chegada iminente do Hamas ao
poder teve conseqüências, pois o grupo prega a destruição de Israel para criar um
Estado teocrático islâmico em toda a Palestina. Israel, Estados Unidos e União
Européia reagiram com um boicote aos territórios palestinos, cortando a ajuda
Atualidades
Prof. Nilton Matos 32
financeira e o repasse de taxas e impostos, até que o Hamas reconhecesse o
Estado de Israel e renunciasse à luta armada.
Sob pressão externa, o Hamas e o Fatah entraram em conflito enquanto
tentavam formar um governo. Uma guerra aberta, em 2007, levou à expulsão do
Fatah da Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas,
nomeou um novo governo, logo reconhecido por Israel e pelas potências
ocidentais. Assim que o Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza, Israel decretou
o bloqueio do território. Passou a proibir a circulação de bens e de pessoas para
dentro e fora de lá, por terra e por mar, e teve o apoio do aliado Egito, que
também fechou a fronteira. Assim, 1,3 milhões de palestinos ficaram presos numa
minúscula faixa de terra.
No fim de 2008, Israel atacou a Faixa de Gaza, afirmando que foguetes haviam
sido lançados do território contra vilas israelenses próximas, causando prejuízos e
deixando feridos. Os bombardeios, seguidos ataques por terra, mataram 1,3 mil
palestinos, em sua enorme maioria civis, homens, mulheres e crianças, arrasando a
infra-estrutura local. A Faixa de Gaza voltou as manchetes, em 2010, quando a
Marinha de Israel matou nove pessoas ao atacar uma pequena frota de navios
que tentavam furar o bloqueio para levar ao território 10 mil toneladas de
suprimentos em ajuda humanitária. Atualmente, após quatro anos de bloqueio, o
Hamas continua no poder. Embora Israel permita o ingresso de 15 mil toneladas de
ajuda humanitária por semana (alimentos, medicamentos e outros bens de
primeira necessidade). A ONU afirma que essa quantidade não é suficiente.
A situação na Faixa de Gaza chegou a um ponto crítico. Agências da ONU
afirmam que 70% das famílias vivem com menos de 1 dólar per capita ao dia e
que 80% das moradias dependem de auxílio alimentar.
As revoltas árabes, a partir do início de 2001, trouxeram importantes
modificações no cenário da região. A queda do ditador Hosni Mubarak abalou o
regime egípcio, mesmo que o país tenha continuado sob o controle dos militares.
No início de maio de 2011, em uma reunião no Cairo intermediada pelo
governo do Egito, o Hamas assinou um acordo de reconciliação com o Fatah. A
perspectiva de união entre os dois grupos palestinos desagradou ao governo
israelense, que considera o Hamas terrorista, e aumentou o poder de negociação
dos palestinos. No mesmo mês, o governo do Egito decidiu abrir a fronteira com
Gaza, permitindo a circulação de pessoas e mercadorias. Na prática, a decisão
alivia a pressão do bloqueio.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 33
UNESCO RECONHECE ESTADO PALESTINO COMO MEMBRO PLENO
É primeira votação sobre o assunto de uma agência da ONU; EUA foram
contra Unesco: 173 países participam da votação.
A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco) aprovou no dia 31 de outubro de 2011 a admissão
da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como membro de pleno direito em
votação na sua sede, em Paris. Esta é a primeira votação sobre o assunto de uma
agência da ONU, aprovada por 107 votos a favor (20 a mais que o mínimo
necessário), 52 abtenções e 14 votos contra.
Estados Unidos, Alemanha e Canadá votaram contra, enquanto Itália e Grã-
Bretanha se abstiveram. Quase todos os países árabes, africanos e latino-
americanos votaram pela adesão. O representante americano manifestou
posição contrária à do governo de seu país. "Não podemos tomar atalhos.
Esforços como os de hoje são contraprodutivos", disse, garantindo que, apesar do
resultado, os EUA continuarão a apoiar os trabalhos da Unesco. Israel, por sua vez,
avaliou a decisão como um "freio para a paz". "A Conferência Geral decidiu pela
admissão da Palestina como membro da Unesco", afirmou a Unesco em um
comunicado emitido imediatamente após a votação. "A entrada da Palestina
leva o número de estados-membros da Unesco a 195", completa a resolução. O
resultado foi recebido com uma salva de palmas na sede da Unesco e
comemorado pelos palestinos. "Esta votação vai apagar uma pequena parte da
injustiça cometida contra o povo palestino", afirmou o ministro das Relações
Exteriores palestino, Riyad al-Malki.
Próximos passos - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, fez o pedido oficial
de reconhecimento à ONU no dia 23 de setembro. "Basta! É hora de os palestinos
finalmente terem sua liberdade. A hora da independência chegou", declarou, em
seu discurso na 66ª Assembleia Geral. Doze dias depois, a mesma solicitação em
prol do estado palestino foi encaminhada à Unesco, que decidiu favoravelmente
nesta segunda. Contudo, para se tornar membro pleno das Nações Unidas - seu
grande objetivo - a Palestina precisa do apoio do Conselho de Segurança da
ONU, que dará seu parecer em novembro.
Entenda o processo:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 34
O QUE ESTÁ EM VOTAÇÃO NA ONU?
A criação de um estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967: anexado aos
territórios de Cisjordânia e Gaza, tendo Jerusalém Oriental como capital. A
proposta busca o reconhecimento como membro da organização internacional -
hoje com o status de “entidade observadora” e sem direito a voto nas Nações
Unidas.
QUAIS AS CHANCES DE APROVAÇÃO DA PROPOSTA PALESTINA?
São quase nulas. A decisão precisa passar pelos 15 membros do Conselho de
Segurança das Nações Unidas, no qual EUA, China, Rússia, França e Grã-Bretanha
têm o poder de veto. E o presidente americano, Barack Obama, já adiantou que
seu país usará o recurso que tem para impedir a decisão, embora admita que o
melhor seria evitar essa medida drástica - que pode causar um descontentamento
ainda maior no Oriente Médio, região de constantes conflitos.
SE A PROPOSTA PASSAR PELO CONSELHO DE SEGURANÇA, QUAL SERÁ O
PASSO SEGUINTE?
Ela deverá ser votada na Assembleia Geral da ONU pelos 193 integrantes da
organização e ter apoio de pelo menos dois terços deles. Historicamente, o bloco
de países islâmicos e seus aliados têm votos suficientes para impor seguidas
derrotas diplomáticas a Israel na Assembleia Geral. Os líderes palestinos dizem já
ter confirmados cerca de 140 votos para a eleição. O embaixador israelense na
ONU, Ron Prosor, já alertoua chancelaria de seu país sobre a falta de opções para
frear o reconhecimento do estado palestino nesse caso. O máximo que Israel pode
esperar é que um grupo de países se abstenha ou esteja ausente na hora de
votar.
O QUE ARGUMENTAM OS OPOSITORES À CRIAÇÃO DO NOVO ESTADO?
Os Estados Unidos argumentam que os palestinos apenas conquistarão um
estado significativo por meio de negociações. Para o presidente Barack Obama, a
votação sobre a criação do novo estado na ONU seria uma "distração" no
caminho para a paz com Israel. Já o estado judeu considera tal possibilidade
"perigosa e desestabilizadora". "Os palestinos ficarão satisfeitos com a votação a
seu favor, mas depois vão se dar conta de que nada vai mudar na prática. Com a
frustração, e inspirados na Primavera Árabe, podem partir para a violência",
alertou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor.
ISRAEL É CONTRA A CRIAÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO?
Israel se diz a favor, mas não sem antes ter garantias de segurança em seu
território, já que a Faixa de Gaza é controlada desde 2007 pelo Hamas, grupo
Atualidades
Prof. Nilton Matos 35
palestino fundamentalista que assumiu o controle da região por meio de um golpe
e que prega abertamente a destruição do estado judeu. Se de fato ocorrer, a
criação do estado palestino faria com que suas lideranças tivessem acesso a
agências e convenções da ONU, o que poderia lhes dar o poder, por exemplo, de
denunciar Israel ao Tribunal Penal Internacional.
QUAL A POSIÇÃO DO BRASIL NESSA QUESTÃO?
O Brasil já afirmou que votará a favor da resolução. Em um de seus últimos atos
no governo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o
reconhecimento do estado palestino nas fronteiras pré-1967 - posição mantida
pela gestão Dilma Rousseff.
QUAL SERIA O IMPACTO DA APROVAÇÃO DO ESTADO PALESTINO NA
ASSEMBLEIA?
Israel alega que a iniciativa palestina representa uma atitude unilateral diante
das negociações iniciadas no ano passado, e sua aprovação significaria o fim do
diálogo. Os israelenses ressaltam que os palestinos já conquistaram uma
autonomia governamental em parte das áreas que almejam. Segundo o estado
judeu, foram os palestinos que abandonaram as negociações em 2010 e a
proposta levada à ONU torna o estado palestino uma realidade ainda mais
distante.
DILMA DEFENDE A CRIAÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO NA ONU
Primeira mulher a abrir a Assembleia Geral, a presidente brasileira repudiou a
violência nos conflitos da Primavera Árabe e falou da crise econômica mundial. A
presidente Dilma Rousseff, abriu os debates da 66ª Assembleia Geral da ONU, em
Nova York, perpetuando a tradição que vigora desde 1947 de o Brasil inaugurar os
debates anuais da assembleia.
É a primeira vez que uma mulher dá início aos debates da organização
internacional - na verdade, porque se trata da primeira mulher a assumir o cargo
Atualidades
Prof. Nilton Matos 36
no Brasil que, por tradição, é responsável pelo discurso inicial do evento há 64
anos. "Vivo este momento histórico com orgulho de mulher. Tenho certeza que
este será o século da mulher", disse Dilma, no início de sua fala, após ser
apresentada pelo presidente da 66ª Assembleia Geral da ONU, o diplomata do
Qatar Nassir Abdulaziz Nasser, que falou sobre a manutenção da paz, a crise
alimentar mundial, a reforma da ONU e uma maior velocidade na resposta a
desastres naturais. "É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nessa
tribuna, que tem compromisso de ser a mais representativa do mundo", enfatizou.
Em um dos temas principais de seu discurso, Dilma defendeu abertamente o
reconhecimento do estado palestino como membro pleno das Nações Unidas, sob
aplausos da maioria da plateia formada por líderes internacionais. "Apenas uma
Palestina livre e soberana poderá trazer a paz duradoura no Oriente Médio",
defendeu, completando: "Venho de um país onde árabes e judeus são
compatriotas". A posição de Dilma já era esperada, uma vez que ela apenas deu
continuidade a uma posição histórica do governo brasileiro, que defende a
autodeterminação dos palestinos. Afinal, desde 1975 o Brasil reconhece a
Autoridade Palestina (na época, Organização para Libertação da Palestina) e, em
1993, deu status diplomático à Delegação Especial Palestina. Mas foi a partir do
governo antecessor, de Luiz Inácio Lula da Silva, que o Brasil se aproximou mais dos
palestinos, com a criação do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah,
capital política da Cisjordânia, em 2004. Além disso, Lula reconheceu o estado
palestino em 2010, e se mostrou um forte apoiador do ditador iraniano Mahmoud
Ahmadinejad, que apoia a destruição de Israel e não reconhece o Holocausto.
O que está em discussão, na verdade, não é a importância da criação de um
estado palestino - há um consenso internacional em relação a isso, inclusive com o
aval de Israel. Entretanto, essa decisão não pode ser impositiva, como querem os
árabes, e só começará a ganhar forma a partir da retomada das negociações de
paz, como defendem os judeus com apoio dos Estados Unidos.
A postura invariavelmente assumida pelo Brasil de ficar sempre em cima do
muro em polêmicas internacionais poderia ser mais acertada neste caso do que o
apoio imediato à proposta palestina, já que é preciso considerar com mais
cautela as consequências catastróficas que a criação de um novo estado pode
levar àquela região - já fervilhante de conflitos. "Se o Brasil se negou a condenar o
regime sírio de Bashar Assad, em um primeiro momento, porque deveria haver
mais 'negociação', como agora pode apoiar a criação de um estado palestino
sem uma negociação prévia com Israel?", destaca a socióloga Maria Lúcia Victor
Barbosa.
Primavera árabe - Dilma ainda falou da primavera árabe, ressaltando que o
Brasil é pátria de refugiados e imigrantes da região. "Repudiamos com veemência
as repressões brutais que vitimam populações civis", disse. "O recurso da força
deve ser sempre a última alternativa." A presidente criticou a intervenção militar
internacional em países em crise, afirmando que "o mundo sofre hoje as dolorosas
consequências de intervenções, que permitiram o avanço do terrorismo onde ele
não existia antes".
O sociólogo Demétrio Magnoli observa que a posição passiva do Brasil em
relação às revoltas do mundo islâmico foi desastrosa, a exemplo da "diplomacia
companheira" de seu antecessor, Lula, que chamava o ex-ditador líbio Muamar
Atualidades
Prof. Nilton Matos 37
Kadafi de "amigo e irmão". Em março, o governo brasileiro se recusou a apoiar a
intervenção da Otan na Líbia e foi um dos últimos países a reconhecer o Conselho
Nacional de Transição (CNT) como representante legítimo dos líbios. "E o Brasil
errou mais vergonhosamente ainda ao atuar quase como um porta-voz informal
do ditador Bashar Assad na Síria", acrescentou Magnoli. "A diplomacia brasileira se
move desastrosamente pelo impulso do antiamericanismo."
Emergentes - Também como era esperado, Dilma insistiu na necessidade de
uma ampla reforma no Conselho de Segurança, com participação do Brasil. "O
Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades como membro permanente
do Conselho de Segurança." E reivindicou mudanças também nas instituições
financeiras multilaterais, para que permitam uma atuação maior dos países
emergentes, "principais responsáveis pelo crescimento na economia global". Sobre
a crise ecônomica, a presidente brasileira observou que o mundo vive um
momento delicado, mas de grande oportunidade histórica, e que depende de
união para não se tornar uma ruptura sem precedentes. "Ou nos unimos todos e
saímos vencedores, ou sairemos todos derrotados", salientou, lembrando que mais
importante do que procurar os culpados é encontrar soluções coletivas, rápidas e
verdadeiras. "Essa crise é séria demais para que seja administrada por uns poucos
países. Seus governos e bancos centrais continuam na responsabilidade da
condução doprocesso, mas sofrem as consequências da crise, todos os países.
Portanto, têm direito de participar das soluções."
Secretário-geral - O evento começou na manhã desta sexta-feira com o
discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que aproveitou para apresentar
o relatório anual da organização.
Dilma Rousseff e Ban Ki-moon se cumprimentam na chegada à Assembleia
"O desenvolvimento sustentável é o imperativo do século 21", declarou,
falando ainda sobre as metas do milênio, destacando a importância do
desenvolvimento sustentável, o combate à pobreza, às mudanças climáticas e à
crise alimentar global. Da mesma forma que Dilma, e como já havia demonstrado
anteriormente, Ban também se posicionou a favor da criação de um estado
palestino. "No Oriente Médio é preciso sair do ponto morto. Os palestinos merecem
um estado. Israel precisa de segurança", afirmou, enfatizando que ambas as
partes querem a paz.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 38
O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de
uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do
Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã
e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a
população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe.
O governo do presidente sudanês, Omar Bashir, reconheceu formalmente a
independência da parte sul de seu país. O presidente participou em Juba da
festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que foi recepcionado
pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit.
Apesar de possuir grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul nasce como
um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna,
a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega
em 84% entre as mulheres. Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que
a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce
sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e
Ruanda juntas.
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur),
2011 foi um ano de crise humanitária "sem precedentes na história recente". O
panorama para as vítimas de desastres naturais, crise de fome, guerras e
epidemias é sombrio. O agravamento do quadro está ligado ao surgimento de
diversos novos conflitos que não foram solucionados ao longo do ano. Confira os
locais que enfrentam cenário mais preocupante:
SOMÁLIA
SUDÃO RECONHECE A REPÚBLICA
DO SUDÃO DO SUL
CRISE HUMANITÁRIA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 39
O conflito civil que se arrasta desde 2009, somado à pior seca em mais de 50
anos, provocou uma crise alimentar gravíssima no país. A guerra e a fome fizeram
com que mais de 920.000 pessoas se refugiassem em países vizinhos.
Dadaab, no Quênia, é o "maior campo de refugiados do planeta". Acolhe
cerca de 500.000 pessoas - o que supera em cinco vezes sua capacidade original.
Essa situação emergencial faz parte de um contexto maior que atinge todo o
chifre da África e ameaça mais de 13 milhões de pessoas.
COSTA DO MARFIM
Atualidades
Prof. Nilton Matos 40
A recusa do ditador Laurente Gbagbo em aceitar a derrota eleitoral em
novembro de 2010 provocou uma onda de violência no país que estendeu por seis
meses - período no qual 3.000 pessoas morreram e mais de 150 mulheres foram
estupradas. Além disso, entre 2002 e 2007, uma guerra civil colocou em confronto
o norte muçulmano e o sul cristão, onde se encontram os principais seguidores de
Dbagbo. Agora, cerca de 5.000 refugiados que vivem no Togo poderão retornar à
Costa do Marfim de forma voluntária.
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO
Há 12 anos, a ONU enviou os primeiros capacetes azuis à Kinshasa. Eram 500
militares. Hoje, o número de soldados chega a 20.000 - uma das maiores e mais
caras missões militares da ONU, que custa 1,4 bilhões de dólares ao ano.
Mesmo com todo o investimento, a guerra no leste do país não dá trégua e o
essencial apoio da população é barrado pelo medo constante e a falta de
confiança: soldados das Nações Unidas já exigiram sexo em troca de alimentos e
se abstiveram quando a população foi estuprada em massa pelas milícias.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 41
SUDÃO DO SUL
Em 08 de julho de 2011, o ditador sudanês Omar Bashir reconheceu a
República do Sudão do Sul como estado independente - definição simbólica na
prática, visto o histórico de conflitos entre o Norte e o Sul, que já se enfrentaram
em duas guerras civis. A nova nação já nasceu com grandes desafios políticos,
econômicos e sociais. As décadas de conflitos na região arrasaram toda a infra-
estrutura local, exigindo uma reconstrução urgente do país, que ainda tem taxa
de mortalidade e índice de HIV altíssimos.
LÍBIA
A revolta popular teve início em fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram
um protesto em Bengasi, cidade que se tornou reduto da oposição.
No dia 27 de março, a OTAN passa a controlar as operações no país, servindo
de apoio às tropas insurgentes no confronto contra as formas de Muamar Kadafi,
no poder havia 42 anos. Em março, a situação nas fronteiras fugia do controle:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 42
140.000 pessoas deixaram o país para fugir da repressão e o número poderia
chegar a 77.000 refugiados no Egito, e 90.000, na Tunísia.
SÍRIA
Os sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de
Bashar Assad, no poder há 11 anos. Desde então, os rebeldes sofrem violenta
repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000
pessoas, segundo a ONU, que investiga denúncias de crimes contra a
humanidade. Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a
fronteira com a Turquia. Além disso, dos cerca de 4,7 milhões de iraquianos que
buscaram refúgio fora de seu país, 215.000 vivem de forma precária na Síria.
IÊMEN
A revolta do país começou em 27 de janeiro, mas ganhou força em 21 de
fevereiro, quando os jovens da Revolução montaram um acampamento na
capital Sanaa, exigindo a queda do regime de Ali Abdullah Saleh, no poder há 33
anos.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 43
Em agosto de 2011, o grupo armado Al Houthi e as forças de segurança do
ditador entraram em violento confronto em Saada, província do norte,
determinando o deslocamento de pelo menos 150.000 pessoas - que se somam às
100.000 outras que já haviam sido deslocadas em guerras anteriores.
PAQUISTÃO
O grupo de extremistas islâmicos que pegam em armas e se explodem para
defender a doutrina de Alá é uma criação do serviço secreto do Paquistão (ISI)
dos anos 80. Conhecido pela forte inclinação fundamentalista dee alguns de seus
altos membros, o ISI reuniu a milícia de estudantes fanáticos do Corão que depois
fugiria de seu controle. Desde 2009, há uma rápida escalada da violência em todo
o país. Mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas e calcula-se que mais de
1.200 insurgentes tenham sido mortos.
AFEGANISTÃO
As necessidades humanitárias cresceram desde 2010, quando a guerra se
espalhou para quase todas as províncias, que ainda enfretam a falta de equipes
médicas e remédios básicos.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 44
Para buscar atendimento, é preciso arrriscar a vida em longas viagens por
estradas perigosas. Assim, doenças relativamente simples acabam se tornando
fatais.
O presidente Hamid Karzai pediu em vão que os talibãs nociassem a paz nos
últimos anos e o tempoor geral é que, com a saída total das tropas da OTAN -
marcada para 2014 -, o grupo volte ao poder.
HAITI
Após o violento terremoto registrado em 12 de janeiro de 2010 e suas réplicas
que deixaram mais de 200.000 mortos e 2 milhões de desabrigados, o Haiti sofreu
danos em cerca de 200.000 residências e perda financeira no valor de 7,8 bilhõesde dólares (120% do PIB).
Para piorar, uma epidemia de cólera criou novas necessidades. A doença já
matou 6.600 pessoas e infectou 475.000 no país. Segundo relatório divulgado pela
Atualidades
Prof. Nilton Matos 45
Organização Mundial da Saúde (OMS), até o final de 2011, o país terá 500.000
casos de cólera.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 46
Desde o século XIX, o mundo conheceu uma intensificação das trocas
comerciais, da produção e mesmo do trânsito de pessoas. Para se ter uma idéia, o
comércio mundial entre 1800 e meados da década de 1910, cresceu
aproximadamente vinte e cinco vezes.
Depois da Segunda Guerra Mundial, essas trocas e a produção global
aumentaram ainda mais, em um ritmo jamais registrado, os números apontando
para um incremento em volume e valor 50 vezes maior do que o registrado na
primeira metade do século XX.
Nessa nova perspectiva, a economia deixou de ser local, espalhando-se pelo
mundo, sendo movida pelo intenso comércio internacional. Em 1970, 14% da
produção econômica mundial assentava-se nas trocas; em 2000, o fluxo
internacional de comércio representava 28% do total de bens e serviços
produzidos no globo. Houve uma sensível modificação na qualidade dessas
trocas, registrando-se o predomínio de produtos manufaturados nas exportações
em detrimento dos produtos primários.
Nos últimos 25 anos, o valor das exportações de manufaturados saltou de
45,2% para 62,4% do valor total. Em termos da produção global, observamos que
as exportações passaram de 17% para 32% do PIB mundial, no período
compreendido entre 1970 e 2008.
O aumento das transações foi acompanhado por mudanças significativas na
distribuição espacial da produção, com a internacionalização desta.
A economia mundial passou por grandes transformações nos últimos anos.
Nessa configuração contemporânea, os paradigmas sofreram grande
transmutação. A revolução tecnológica adquiriu um papel preponderante não só
nas relações humanas, como também nas de produção, sendo responsável pela
aceleração na divulgação e propagação das informações, o que alterou as
noções “tempo” e “espaço”.
A economia globalizada tem nas empresas multinacionais um de seus
principais agentes. Essas empresas atuam de modo global, deixando de
individualizar mercados, sendo o faturamento de algumas delas superiores ao PIB
de muitos países.
Podemos definir globalização como a intensificação das trocas e da
circulação de pessoas e do conhecimento, a integração cada vez mais intensa
dos mercados, dos meios de transporte e das telecomunicações, o que gera a
interdependência de todos os povos e países da superfície terrestre.
Na globalização, a produção foi fragmentada espacialmente, buscando-se
sempre a maior eficiência e o aumento da produtividade em um mercado
mundial cada vez mais competitivo.
A globalização, antes de qualquer coisa, é um fenômeno fundamentalmente
geográfico que tem como base e inegável valor o território.
A globalização pode ser compreendida a partir de um tripé, caracterizado da
seguinte forma:
GLOBALIZAÇÃO
Atualidades
Prof. Nilton Matos 47
§ Fábrica Global: Hoje as etapas do processo produtivo estão mundializadas. Um
único produto pode ter suas partes fabricadas em diversos países.
§ Economia Mundo: O novo sistema produtivo mundial se caracteriza por mais
concorrência e ao mesmo tempo por mais cooperação. As empresas
estabelecem alianças para viabilizar investimentos gigantescos e enfrentar a
concorrência. É a interdependência econômica.
§ Aldeia Global: O avanço no sistema de comunicações possibilitou a
simultaneidade das informações. Todos em qualquer parte e no mesmo
momento vêem a mesma imagem. Esta integração da informação nos faz
pensar que estamos diante de uma verdadeira Aldeia, no qual o mundo todo
está inserido.
A exclusão na Globalização
Em toda a história da humanidade nunca se produziu tanta riqueza como nos
tempos de hoje. O grande problema é que o crescimento que a globalização
trouxe, apenas aprofundou as desigualdades.
Estudos da ONU, neste começo de século, mostram que 1% dos mais ricos
possuem o mesmo que 57% da população mundial mais pobre. Para piorar, cerca
de 1,8 bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de dois dólares por dia.
O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade
Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um
paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o
extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são
os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De
outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e
todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses,
porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização,
Atualidades
Prof. Nilton Matos 48
aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente
percebido.
De fato, se desejamos escapar à crença de que esse mundo assim
apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua
percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três
mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a
globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a
globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: Uma
Outra Globalização.
(SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência
universal).
Indústria Cultural
Em 1940, o filósofo alemão Theodor Adorno, exilado nos Estados Unidos, realizou
a primeira crítica sistemática dos produtos veiculados pelos novos meios de
comunicação de massas. Adorno criou o conceito da Indústria Cultural para se
contrapor as noções usuais de “cultura de massas” e “cultura popular”, que
transmitiam a idéia de que as massas e o povo eram os criadores das mercadorias
culturais que consumiam.
Segundo Adorno, a produção, a distribuição e a recepção dos produtos
veiculados pelo rádio, pela televisão e mesmo pelas grandes editoras de revistas e
de Best-sellers eram organizadas de maneira industrial. As mercadorias vendidas
pela indústria cultural seguiam os mesmos processos (padronização, escolha de
público-alvo, simplificação e obsolência) que aquelas produzidas pelos demais
segmentos da indústria. As conseqüências dessa submissão do consumidor ao
poder das grandes indústrias do entretenimento afetavam tanto a política das
sociedades quanto a psicologia das pessoas.
A Terceira Revolução Industrial e a Globalização Contemporânea
Nas últimas três décadas do século XX, a produção em série do modelo
fordista já se mostrava rígida e ineficiente para atender as demandas dos novos
tempos. Por causa da inflexibilidade desse processo, que adota a divisão da
produção em tarefas especializadas, o resultado era uma produção padronizada
e em massa. Esse modelo não acompanhava as constantes e aceleradas
mudanças tecnológicas. Para oferecer novos produtos, eram necessárias novas
máquinas e a reestruturação da linha de montagem.
Nos anos de 1970, iniciou-se o que viria a ser conhecido como a Terceira
Revolução Industrial ou Informacional. Embora, essa revolução tenha ficado visível
para todos nos anos 90, com o surgimento do computador e da internet, as
mudanças nos processos produtivos começaram muito antes. A robótica, as
máquinas programáveis com controles digitais e as novas invenções, como os
aparelhos de fax, permitiram uma revolução nos processos produtivos e gerenciais
e tornaram o processo produtivo mais flexível. Esses avanços tecnológicos
trouxeram ainda maior rapidez não informações, acelerando o ritmo dos
transportes e diminuindo tempo e distâncias em uma escala jamais alcançada.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 49
Na última década do século XX, o mundo estava sob o predomínio do ciclo da
informática, As novas tecnologias de informaçãopermitiram a formação de redes
digitais e a programação por computador da produção e dos serviços,
provocando transformações no sistema capitalista e na organização do trabalho.
Os custos e os preços caíram, tornando acessíveis produtos anteriormente difíceis
de serem adquiridos por uma parcela da população.
A Política Neoliberal
Desde 1980, tanto os EUA como o Reino Unido vinham adotando um estilo de
política econômica que fiou conhecido como neoliberalismo. Os impostos sobre
as empresas e sobre os mais ricos foram reduzidos alegando-se que isso seria um
fator de incentivo ao investimento e ao progresso econômico.
As regulamentações sobre as atividades econômicas e financeiras foram
reduzidas ao mínimo. Empresas públicas foram privatizadas e os gastos públicos
reduzidos.
O neoliberalismo tornou-se um modelo de política econômica para ser
seguido, inclusive pelos ex-países socialistas e países menos desenvolvidos que
buscavam integra-se à economia mundial. Propunha-se que os Estados
realizassem reformas estruturais e estabelecessem a mais ampla liberalização
possível de seus mercados tanto de bens como financeiros.
Muitas dessas regras básicas, formuladas em 1989 por economistas de
instituições financeiras, ficaram conhecidas como Consenso de Washington. Essas
normas passaram a ser recomendadas para o estabelecimento de uma agenda
neoliberal de reformas nos países em desenvolvimento.
Algumas das mudanças do papel do Estado nessa fase foram:
§ Restringir sua ação sobre a economia, só intervindo em grau mínimo e em
setores essenciais. Esse modelo é conhecido como Estado Mínimo.
§ Promover a desregulamentação da economia, ou seja, eliminar regulamentos
que pudessem impedir a liberdade de ação das empresas e dos bancos.
§ Fazer reformas econômicas, como o ajuste fiscal (gastar menos do que o que se
arrecada), o controle da inflação, a redução dos gastos públicos e a liberação
das importações.
§ Privatizar empresas estatais (venda para grupos privados) com a finalidade de
garantir ingresso de capital a curto prazo.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 50
Desregulamentação e expansão dos
mercados financeiros
Desde a década de 1970, o setor financeiro vem se expandindo. A
desregulamentação promovida pela política neoliberal e as novas tecnologias
que facilitaram as comunicações foram os fatores que permitiram essa expansão.
Novos produtos financeiros foram criados, aumentando a segurança e a
lucratividade das operações. Tudo isso permitiu grande expansão da produção e
do comércio na economia mundial.
Grande parte do capital produtivo destinado a ampliação, melhoria ou
instalação de unidades produtoras, à compra de equipamentos e ao aumento da
capacidade de produção passou a ser destinada à especulação financeira. O
capital especulativo, capitais voláteis ou de curto prazo são aplicados em bolsas
de valores buscando lucros rápidos. O capital apenas se acumula e, portanto, não
gera empregos como o capital produtivo.
Os avanços na informática facilitaram muito as transações financeiras,
permitindo investimentos globalmente. Por outro lado, também permitem que
enormes somas, ao menos sinal de instabilidade ou falta de confiança, sejam
transferidas (fuga de dólares), provocando pânico nos mercados e desequilíbrios
mundiais. Em poucas horas, moedas, papéis e ações perdem valor e a economia
é abalada.
Foi o que aconteceu, por exemplo, em 1992 com a Inglaterra e outros países
europeus,; em 1995 com o México; em 1997, numa crise iniciada nos países
asiáticos; em 1998, com a Federação Russa; em 1999, com o Brasil; em 2001, com
a Argentina; e, em 2007, com os Estados Unidos.
Crise Imobiliária dos EUA
Em 2007-2008 estourou a principal crise econômica e financeira internacional
desde 1929. crise financeira nos Estados Unidos que começou no setor imobiliário e
espalhou-se rapidamente para os setores financeiro e automobilístico, e daí para
toda a economia. Em 2008, essa crise tomou proporções globais, e o fantasma da
Grande Depressão de 1929 voltou a assombrar a economia mundial.
Se não fosse a intervenção massiva e concertada dos poderes públicos, que
se tornaram o seguro dos bancos ladrões, a atual crise teria já proporções muito
mais amplas. Também aqui, a interligação é impressionante. Entre 31 de Dezembro
de 2007 e fins de setembro de 2008, todas as bolsas do mundo sofreram uma baixa
muito significativa, entre 25 a 35% - por vezes mais - para as bolsas dos países mais
industrializados, até 60% para a China, passando por 50% para a Rússia e a Turquia.
A montagem colossal de dívidas privadas, criação pura de capital fictício, acabou
por explodir de país em país industrializado, começando pelos EUA, a economia
mais endividada do mundo. Com efeito, a soma das suas dívidas pública e
privada elevou-se, em 2008, a 50 trilhões de dólares, ou seja, 350% do PIB.
Esta crise econômica e financeira que já afetou todo o planeta afetará ainda
mais os países em desenvolvimento que se crêem ainda protegidos. A
mundialização capitalista não soltou ou não desligou as economias. Pelo
Atualidades
Prof. Nilton Matos 51
contrário, países como China, Brasil, Índia ou Rússia não estão ao abrigo da crise e
isto é só o início.
No primeiro momento, a desvalorização dos imóveis arrasou os bancos
americanos. Em seguida, com a decisão de reduzir os juros, o dólar começou a
derreter nos mercados mundiais – e como a moeda americana é referência para
o petróleo, o barril disparou e estava cotado a US$ 110 na semana passada.
Com uma moeda fraca, uma política monetária frouxa e uma conta de energia
cada vez mais pesada, o grande risco que paira sobre os Estados Unidos é a volta
da inflação.
Desemprego Estrutural e Conjuntural
Atualidades
Prof. Nilton Matos 52
O desemprego é um dos principais problemas que assola o mundo atual. Na
Europa, o problema é muito grave. O desemprego na zona do euro atingiu 10,3%
da população ativa em outubro de 2011, com a Espanha apresentando a maior
taxa (22,8%), segundo os números divulgados no 30 de novembro pela agência de
estatísticas Eurostat.
Em setembro, a taxa ficara em 10,2% e, em outubro de 2010, em 10,1%. Na
União Europeia, em outubro deste ano, o desemprego ficou em 9,8%. O resultado
supera as previsões dos analistas, que projetavam um índice de 10,2%.
Eurostat estima que 16,294 milhões de desempregados estavam na zona do
euro em outubro deste ano. Em relação a setembro, o número de pessoas
desempregadas aumentou 130.000 na União Europeia e 126.000 na zona do euro.
Os Estados Unidos criaram 120 mil postos de trabalho em novembro, segundo
dados divulgados nesta sexta-feira 2 de dezembro pelo Departamento do
Trabalho do país. Com isso, a taxa de desemprego recuou 0,4 ponto percentual
em relação ao mês anterior, para 8,6%.
A taxa de novembro é a menor desde março de 2009, quando também ficara
em 8,6%.
De abril a outubro deste ano, a taxa de desemprego se manteve entre 9% e
9,2%.
A criação de vagas foi puxada por contrações no varejo, com 50 mil novos
postos, entretenimento e serviços de hospitalidade (mais 22 mil vagas). Já o
emprego no setor público voltou a mostrar queda, com o corte de 5 mil postos de
trabalho nos Correios do país. Entre os grupos, a taxa de desemprego para
homens adultos recuou para 8,3%, enquanto para as mulheres adultas se manteve
praticamente estável, em 7,8%.
No Japão, atualmente observa-se a diminuição do número de vagas no
mercado de trabalho; a Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. Nos países
subdesenvolvidos, a situação não é diferente.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 53
No Brasil, é grande a preocupação dos trabalhadores, dos sindicatos, das
autoridades e dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de não possuirmos
dados precisos sobre o desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em taxa
de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em 18% naregião metropolitana da
Grande São Paulo.
A verdade é que temos, hoje, em qualquer família alguém desempregado.
Essa é uma realidade que está muito próxima de cada um de nós.
O desemprego causa vários problemas: para o desempregado, para a família
e para o Estado. Para o cidadão desempregado e sua família, o desemprego
provoca insegurança, a indignidade, aquela sensação de inutilidade para o
mundo social.
Com a globalização, a informatização, as novas tecnologias, nós temos
efetivamente um problema de desemprego estrutural. Vejam o exemplo do
banco já citado, onde diminuem em menos da metade os postos de trabalho.
Tudo é informatizado, as pessoas não precisam do caixa humano, elas vão
direto ao caixa eletrônico.
Esses funcionários perdem o emprego e não têm outra oportunidade, porque
todos os ramos de atividade estão se modernizando, não só os bancos, mas as
indústrias estão sendo robotizadas. É o chamado Desemprego Estrutural.
A RECENTE CRISE ECONÔMICA DOS ESTADOS UNIDOS ATINGIU OS MAIS
DIVERSOS SEGMENTOS E SETORES DA SOCIEDADE, GERANDO UM DOS MAIS
ELEVADOS ÍNDICES DE DESEMPREGO.
DIFERENTEMENTE DO DESEMPREGO ESTRUTURAL, ESSE TIPO É CLASSIFICADO
COMO DESEMPREGO CONJUNTURAL. Reflexo de uma instabilidade temporária,
como a crise econômica mencionada, que, mesmo momentaneamente, interfere
diretamente no funcionamento de toda a sociedade.
Crise do Liberalismo
A doutrina econômica do século XVIII foi o liberalismo, segundo a qual o
Estado não deveria intervir, de maneira alguma, na economia, ficando à mercê
da livre concorrência que por sua própria dinâmica regularia o mercado. O
Atualidades
Prof. Nilton Matos 54
liberalismo econômico foi preconizado por economistas ingleses como Adam
Smith e David Ricardo. Essa mudança atendia aos interesses da burguesia
industrial, que se mostrava forte o suficiente para renegar a interferência do
Estado, inversamente ao que aconteceu com os burgueses durante o capitalismo
comercial.
As condições de trabalho eram desumanas, precárias, com homens, mulheres
e crianças trabalhando incessantemente, em instalações insalubres, chegando à
exaustão física causada pelas horas a fio junto às máquinas. A terrível situação de
milhões de operários fabris não passou despercebida, provocando o surgimento
de movimentos, no decorrer do século XIX, em defesa do operariado e uma
doutrina que propunha a socialização dos meios de produção, a preponderância
do Estado na condução da economia e da sociedade, conhecida como
socialismo.
As primeiras décadas do século XX marcaram a expansão do capitalismo, com
aumento da demanda e da produção industrial em larga escala. Porém, a oferta
crescente de mercadorias não conseguia ser absorvida pelo mercado interno em
expansão dos países já industrializados, em especial os Estados Unidos, ou mesmo
pela exportação para países que ainda não tinham passado pelo processo de
industrialização. Nos Estados Unidos, o excesso de oferta, aliado às especulações
financeiras, resultou em uma gravíssima crise econômica.
Grandes companhias e bancos tiveram suas ações desvalorizadas e, em
outubro de 1929, a Bolsa de valores de Nova York “quebrou”, levando milhares de
empresas à falência e provocando desemprego e recessão que afetaram a
nação norte-americana e o mundo.
Com o Crash da bolsa de Nova York, percebeu-se que a livre-concorrência
não suportava mais a dinâmica imposta até então pelo capitalismo “liberal”, que
pregava a não intervenção do Estado como regulador da sociedade, das ações
do capital privado e das relações de produção. Nesse contexto, um plano contra
a crise, o New Deal, foi posto em prática pelo presidente Roosevelt.
O Estado passou a intervir na economia, nas relações estruturais, direcionando
e elaborando planos econômicos, investindo pesado em serviços de infra-estrutura
e obras públicas, além de assistir a população com programas educacionais, de
saúde e de previdência e seguridade social. O mentor dessa intervenção estatal
que ajudou efetivamente a reerguer a economia norte-americana foi John
Maynard Keynes, postulando seu princípio em sua obra Teoria Geral.
O intervencionismo estatal funcionou bem para a economia capitalista até o
início da década de 1970, quando uma nova crise econômica colocou em xeque
a legitimidade do papel econômico do Estado, questionado pelos pensadores e
ativistas “neoliberais”.
Capitalismo Monopolista
O capitalismo vem sofrendo modificações desde a Revolução Industrial até
hoje. No início do século XX, quando já era o sistema predominante na Europa
Ocidental e nos Estados Unidos, apresentou uma tendência à concentração de
empresas e capitais. Nesse período iniciou-se a prática monopolista, quando uma
empresa domina sozinha o mercado. E também as práticas de oligopólios,
Atualidades
Prof. Nilton Matos 55
quando poucas empresas se unem, praticando uma política de preços e de
controle de matérias-primas que impede que outras companhias pratiquem
preços competitivos dentro de um mercado concorrência, assegurando o
mercado para si.
Também foi uma época de grandes fusões e incorporações de empresas e de
integração do capital bancário com o industrial, dando origem ao capital
financeiro. Esses grandes conglomerados evoluíram e deram origem às empresas
multinacionais, atualmente conhecidas como transnacionais, pois operam em
diferentes partes do globo, como as gigantes do petróleo (Exxon, Texaco), as de
informática (IBM, Microsoft) e mesmo a potentíssima Nike, fabricante de artigos
esportivos, entre milhares de outras.
Existem formas monopolistas que persistem, embora não de forma explícita.
Entre elas, temos:
§ Truste – um conjunto de empresas se une ou se funde e faz acordos e
combinações financeiras, controlando o capital conjunto e centralizando as
decisões, embora muitas vezes as identidades das empresas sejam
preservadas. A prática mais comum é o estabelecimento de uma política de
preços elevados que assegure altas margens de lucro e vise sempre ao
controle do mercado.
§ Cartel – um grupo de empresas independentes, normalmente de um mesmo
setor já oligopolizado, age de comum acordo, seguindo uma mesma
orientação quanto a práticas comerciais, controle de matérias-primas, divisão
de mercado e cotas de produção.
§ Holding – dentro de um agrupamento de empresas, uma delas controla as
outras, suas subsidiárias, por meio do controle acionário. Normalmente a holding
não tem nenhuma atividade produtiva, mas centraliza a administração e dita a
política do grupo, controlando o capital das empresas integrantes. As holdings
são consideradas o estágio mais avançado de concentração do capital.
A intensificação do comércio mundial acentuou a junção dos mercados
mundiais e provocou enorme integração regional. Com a internacionalização,
apesar de persistirem as fronteiras e as diferenças nacionais, muitos países uniram-
se a outros para formar grandes grupos econômicos, comerciais e políticos.
A disputa pelo mercado global regionalizou-se a partir da formação dos
grandes blocos econômicos.
CELAC
No dia 2 de dezembro de 2011, presidentes e representantes dos 33 países da
América Latina se reuniram, em Caracas, para formalizar a criação da
Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC).
BLOCOS ECONÔMICOS
Atualidades
Prof. Nilton Matos 56
Pela primeira vez, os países do continente se articularam em uma mesma
plataforma política - com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional -
sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
Segundo analistas, a CELAC nasce com o desafio de criar uma organização
capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de
implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir
políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de
desenvolvimento econômico,pobreza, crime organizado e, em especial,
antagonismos no campo político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo
de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou
um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que
ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles
à esquerda ou à direita do campo político.
O primeiro debate do grupo, realizado na noite da última quinta-feira, já
mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco.
Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a
tomada de decisões - por unanimidade ou por maioria qualificada.
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de
defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de
Estado estabelecido pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro
da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser
questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em
Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel
histórico no hemisfério e deve ser substituída.
"Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em
Washington", defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da
Cúpula.
Especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de "liderança
natural" na CELAC.
UNIÃO EUROPEIA
Em 1950, diante das restrições impostas pelo consumo reduzido de países
europeus individualmente, foi traçado o Plano Shuman, que propunha a criação
de mercado comum, unificando e centralizando a produção de aço e carvão da
Alemanha e da França, com perspectiva de abrir esse acordo para outras nações
européias. Em 1951, pelo Tratado de Paris, foi criada a CECA (Comunidade
Européia do Carvão e do Aço), formada por Alemanha, França, Itália, Bélgica,
Holanda e Luxemburgo (Benelux).
O sucesso conseguido pelo Benelux e pela CECA fez com que esses embriões
de zonas de livre-comércio se expandissem e se transformassem no Mercado
Comum Europeu, ou Comunidade Econômica Européia, por meio do Tratado de
Roma de 1957.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 57
Em 1992, foi assinado o Tratado de Maastricht, que entrou em vigor em 1993,
mudando o nome da CEE para União Européia.
Os objetivos da União Européia são:
§ Livre circulação entre os países integrantes. O estabelecimento de uma
cidadania comum a todos.
§ Integração econômica. Criação de uma moeda única, desenvolvimento de um
mercado interno e de outras políticas econômicas que facilitem o processo.
§ Colaboração em determinadas questões de segurança e política.
§ Manutenção do papel europeu no cenário mundial mediante uma política
comum de segurança e de assuntos internacionais.
§ Integração de assuntos sociais.
Em 2004, houve a maior ampliação da história do bloco, com o ingresso de
mais dez nações. Em 2007, Romênia e Bulgária completaram o conjunto, hoje,
formado por 27 países, das 53 nações européias. Do ponto de vista econômico, as
expansões de 2004 e 2007 não trouxeram grandes mudanças à EU. Politicamente,
porém a transformação foi bastante significativa, pois dez dos 12 novos membros
são ex-repúblicas comunistas do Leste Europeu, ex-integrantes da Antiga “Cortina
de Ferro” da época da Guerra Fria. Na prática, a União Européia está avançando
em uma região que há séculos é área de influência direta do Estado russo. Mas,
como nesses países há desemprego e salários baixos, as nações ocidentais vêem
crescer a migração vinda do leste. Em 2009, foi aprovado o Tratado de Lisboa. A
primeira vez em que se falou em aprofundar as instituições européias foi em 2001,
quando se criou um grupo para discutir as medidas. Em outubro de 2004, chegou-
se à formulação da Constituição Européia que precisaria de aprovação de todos
os países-membros para entrar em vigor, Mas, em referendo na França e na
Holanda, a população derrubou a proposição, em 2005. Em 2007, a chanceler da
Alemanha, Ângela Merkel, lançou a Declaração de Berlim, com diretrizes
semelhantes às da Constituição européia, e manifestava a intenção dos líderes de
criar uma nova base comum para o bloco até 2009.
Atualmente, são candidatos a países-membros da União Européia: Turquia,
Croácia, Macedônia e Islândia. Porém, para a admissão de novos integrantes do
bloco, as condições são cada vez mais rígidas. A Turquia enfrenta muitos
obstáculos para ser admitida na UE. Entre eles, está o fato de 70% dos 70 milhões
de habitantes do país serem muçulmanos, o que abriria a Europa para um contato
mais estreito com o mundo islâmico. Além do fato de dominar militarmente o norte
do Chipre, país já integrante da UE, e por não reconhecer o genocídio dos
armênios em 1915, ponto em que se mostram inflexíveis.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 58
SUÉCIA É 'ILHA DE PROSPERIDADE' EM
MEIO À CRISE NA UNIÃO EUROPEIA
PAÍS FOI O QUE MAIS CRESCEU NA
UE EM 2010 E TEM UMA DAS DÍVIDAS
MAIS BAIXAS; JUROS DOS TÍTULOS
SUECOS SÃO OS MAIS BAIXOS DO
BLOCO.
Assim como a Grã-Bretanha, a Suécia
decidiu não adotar o euro como moeda, apesar
de fazer parte da União Europeia. As
semelhanças entre os dois países, porém, param
por aí.
Enquanto a economia britânica patina, a
Suécia aparece como uma verdadeira "ilha de
prosperidade" em meio às perspectivas
negativas na região.
Os juros pagos pelos títulos da dívida sueca
(com classificação de segurança máxima pelas
agências de risco) são atualmente os mais
baixos em toda a União Europeia, até mesmo
que os da Alemanha, normalmente tidos como
referência por serem os mais baixos.
A economia sueca foi a que mais cresceu no
ano passado na União Europeia (5,6%) e tem
previsão de crescimento de 4% neste ano. A
relação entre a dívida pública e o PIB está em
queda acentuada, de 50,3% em 2004 para
estimados 36,3% neste ano (maior apenas que
as de Estônia, Bulgária e Luxemburgo na UE).
A taxa de desemprego, que chegou a 9%
após a crise global de 2008, caiu a 7,2% em
setembro deste ano, segundo o último dado
disponível.
Apesar do quadro favorável, um relatório da
Comissão Europeia (o braço executivo da UE)
divulgado no início do mês adverte que o país
não passará totalmente incólume à crise na zona
do euro.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 59
Novo tratado do euro tem participação de 23 países da UE
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou na madrugada
desta sexta-feira (9) que pelo menos 23 países da União Europeia (UE)
farão parte do tratado intergovernamental para reforçar o euro. Reino
Unido e Hungria, porém, informaram que não estão interessados no
acordo, enquanto Suécia e República Tcheca disseram que deverão
consultar seus Parlamentos.
Após mais de 10 horas de reunião, em Bruxelas, os líderes europeus
se comprometeram a adotar um novo pacto fiscal com regras mais rígidas.
Além disso, ficou acertado adiantar em um ano a entrada em vigor do
fundo de resgate permanente e a adição de 200 bilhões de euros às
reservas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar as nações
em crise.
'Elementos chave'
Para a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, os países da zona
do euro deram uma resposta a três "elementos chave" da crise da dívida
europeia. "Os países-membros que farão parte do novo tratado decidiram
sobre três componentes principais: a união fiscal, a aceleração da
implementação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla
em inglês) e a adição de US$ 270 bilhões às reservas do FMI, recursos a
serem confirmados dentro de dez dias", afirmou Lagarde. O ESM é o
mecanismo de resgate permanente.
O tratado intergovernamental deve estar concluído em março,
informou o presidentefrancês. "Preferíamos um tratado com os 27 países
do bloco, mas não foi possível devido a nossos amigos ingleses", disse
Sarkozy.
Sem Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, surgiu como
protagonista - acompanhado pela Hungria -, ao exigir a inclusão de um
protocolo para exonerar o Reino Unido de algumas normas sobre a
regulação dos serviços financeiros. "Cameron pediu o que todos
considerávamos inaceitável", disse Sarkozy. "Aceitar essa reivindicação
do Reino Unido seria duvidar de uma grande parte do trabalho feito (na
UE) para a regulação deste setor", insistiu. "Se não podemos obter
salvaguardas, é melhor ficar de fora", afirmou Cameron, pressionado pela
ala mais eurocética de seu partido. "Foi uma decisão difícil, mas boa",
declarou Cameron, que responsabiliza a zona do euro, principal sócio
comercial de Londres, pelos males da economia britânica.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 60
Parlamento grego aprova plano de austeridade e resgate financeiro
O Parlamento grego aprovou no dia 12 de fevereiro de 2012 o plano
econômico de austeridade solicitado pelos credores do país com o qual se ativará
o resgate financeiro e sua manutenção na Zona Euro.
Pouco antes da votação crucial para o país e a Zona Euro, o primeiro-ministro
grego, Lucas Papademos, disse que os deputados gregos "assumirão sua
responsabilidade" e "definirão a escolha mais importante" para a Grécia, que é
"avançar com a Europa e a moeda única". "A violência e a destruição não têm
lugar em uma democracia", completou o premiê.
Cerca de 100.000 pessoas, segundo a polícia, protestaram neste domingo em
Atenas (80.000) e Tessalônica (20.000) contra o novo plano de ajuste ditado por UE
e FMI.
O plano aprovado pelos deputados prevê um pacote de medidas de
austeridade em troca de um novo resgate financeiro do país por parte de seus
credores institucionais e uma operação de eliminação da dívida por parte dos
credores privados.
Na capital seis pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas durante
confrontos entre forças de segurança e grupos de jovens nas ruas adjacentes à
praça Sintagma, em frente ao Parlamento, segundo fontes do Ministério da Saúde.
Os incidentes ocorreram quando um grupo de manifestantes pressionou para
romper um cordão policial colocado em torno da Assembleia Nacional, e a
polícia respondeu imediatamente lançando bombas de gás.
O líder francês rejeitou, porém, que esteja
havendo uma divisão na UE. "Estamos
tentando salvar nossa moeda e nos acusam de
fazer uma Europa de duas velocidades'.
Governo da zona do euro
A chanceler alemã, Angela Merkel,
celebrou o "bom resultado" do encontro, que
segundo ela permitirá ao euro restaurar sua
"credibilidade", bem como o presidente do
Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi,
considerou que o acordo "se aproxima bastante
de um bom pacto fiscal e certamente ajudará
na situação atual".
Entre outros detalhes, o tratado expressará
de forma "clara e definitiva" o fim da
participação privada nas eventuais
reestruturações da dívida soberana.
Além disso, haverá um governo da zona
do euro, integrado por chefes de Estado e de
governo, que se reunirá todos os meses
durante a crise.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 61
Os manifestantes se dirigiram então para as ruas adjacentes, rapidamente
convertidas em campos de batalha, e lançaram pedras e bombas de coquetéis
molotov contra as forças de segurança. Os confrontos se prolongaram durante
mais de duas horas no centro da capital. Um imóvel de um andar, sede de uma
loja de cristais de luxo, foi incendiado no centro de Atenas. Outros 10 edifícios
vazios estavam em chamas por conta do lançamento de coquetéis molotov,
segundo os bombeiros.
Os manifestantes se dirigiram à Praça Sintagma pela tarde, convocados pelas
duas grandes centrais sindicais do país, a GSEE para o setor privado, e Adedy, do
público, assim como pela esquerda radical, para protestar contra o plano de
ajuste.
"Não é fácil viver nestas condições. De agora até 2020 seremos escravos dos
alemães", disse à AFP Andréas Maragoudakis, engenheiro de 49 anos. Mais cedo,
o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse que a Grécia espera
lançar "antes de 17 de fevereiro" a oferta pública a seus credores privados para a
reestruturação de sua dívida, caso contrário ficaria exposta à quebra.
"Antes do domingo à noite, o parlamento deve ter adotado o novo programa
de austeridade" ditado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) para que o país possa receber o visto positivo do Eurogrupo na
quarta-feira para o desbloqueio do segundo plano de resgate, afirmou o ministro
no início do debate parlamentar sobre este plano de medidas.
"Caso isso não aconteça antes de 17 de fevereiro, não poderemos lançar
oficialmente a operação de troca de títulos" para que haja o perdão de 100
bilhões da dívida grega. "E não poderemos solucionar o problema do reembolso
das obrigações que serão finalizadas entre 14 e 20 de março", em um montante
total de 14,5 bilhões de euros, completou. O descumprimento dos prazos e a
consequente quebra do país geraria uma Grécia sem sistema bancário, afirmou
Venizelos com a voz tensa antes de ser interrompido pelas vaias da oposição
comunista, a qual o ministro acusou de levar o país à "catástrofe".
União Europeia: Croácia entra em 2013, mas Suécia corre risco de
sair
A Croácia será o 28º membro da União Europeia. O país assinou,
nesta sexta-feira, o tratado de adesão ao bloco econômico em cerimônia
realizada em Bruxelas, Bélgica.
Antigo estado da ex-Iugoslávia, a Croácia tem sofrido reformas
econômicas e democráticas que vão possibilitar sua aceitação no grupo
em 2013. A esperança é que a adesão estimule outros países dos Bálcãs
a acelerarem o processo de democratização nas regiões marcadas por
conflitos étnicos desde a década de 90. Segundo o presidente da União
Europeia, Herman Von Rompuy, a Croácia é "pioneira" e o "futuro dos
Bálcãs ocidentais está na União Europeia”.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 62
CRESCE NA ESPANHA A REVOLUÇÃO DOS INDIGNADOS
O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução
espanhola”, cresceu às vésperas do dia 20 de maio, com enorme participação
popular com panelas e colheres nas mãos. Multidões se reuniram em dezenas de
cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram
injusto. A revolta crescia a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes
sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de
oportunidades para os mais jovens.
A Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a
União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso
da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE.
A adesão foi assinada no mesmo dia em
que o presidente da França, Nicolas Sarkozy,
anunciou novo tratado para participação de, no
mínimo, 23 países da UE com o objetivo de
reforçar o euro. Fora do tratado, estão Reino
Unido e Hungria, que não se interessam pelo
acordo, além da República Tcheca e Suécia,
que ficaram de consultar os Parlamentos.
O premiê sueco, Fredrik Reinfeldt, porém,
não descartou a possibilidade do país
abandonar o bloco.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 63
A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em todo o país qualquer
manifestação desde a zero hora do dia 20 de maio até às 24 horas do dia 21 do
mesmo mês, dia das eleições municipais, em uma clara alusão às mobilizações do
movimento cidadão Democracia Real Já que, desde o dia 15 de maio promovem
os repúdios ao modelo político e econômico vigente, que já se espalharam em
escala nacional.
Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior, declarou que o governo só
esperava o pronunciamento da junta eleitoral para decidir se ordena à polícia
dispersar os manifestantes. Enquantoisso, milhares de cidadãos indignados na
Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em Barcelona, na Praça do Pilar,
em Zaragoza, e no Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras, voltaram a
romper o cerco policial e, uma vez mais, repudiaram a política, banqueiros e
empresários.
No quinto dia de mobilizações a afluência aumentou sensivelmente, sobretudo
em Madri e Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram palavras de ordem
durante horas. Uma delas advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não os
deixaremos dormir.
Os manifestantes desenvolveram métodos de organização através de
comissões por setores – saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -, que
decidem cada atividade. Nas assembleias gerais decidia-se a estratégia e
buscava-se uma mensagem política unificada que mostrassem as principais razões
de descontentamento e protesto.
Apesar das proibições feiras pela Justiça, as mobilizações foram mantidas até o
dia das eleições.
Após observar que as manifestações não cessariam, a Junta Eleitoral Central
declarou ilegais as concentrações, ao considerar que elas não se ajustam à lei
eleitoral e excedem o direito de manifestação garantido constitucionalmente. De
fato, desde o início da semana, todas as mobilizações, concentrações e marchas
da “revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela Junta Eleitoral de Madri.
Em resposta, o número de indignados se multiplicou.
Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral Central, o movimento
cidadão decidiu simplesmente manter o acampamento, ao mesmo tempo em
que ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui, vamos ganhar esta
revolução. Em seguida, foi lido o manifesto original do movimento em uma dezena
de idiomas. O texto aponta a classe política e os meios de comunicação
eletrônicos como os grandes aliados dos agentes financeiros, os causadores e
grandes beneficiários da crise. Advertem que é preciso um discurso político capaz
de reconstruir o tecido social, sistematicamente enfraquecido por anos de
mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos
majoritários, mas isso não equivale a perder nosso sentido crítico. Não tememos a
política. Tomar a palavra é política. Buscar alternativas de participação cidadã é
política”.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 64
A reação da direita
O líder do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que é preciso escutar e
ter sensibilidade porque há razões para a expressão desse descontentamento e
dessa crítica. O líder da Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da submissão
e do bipartidarismo, propiciado pela atual lei eleitoral.
Mas o setor duro da direita política e midiática reclamou com insistência a
atuação policial para acabar com todas as mobilizações, sobretudo na Porta do
Sul, e pediu inclusive ao Ministério do Interior para que adotasse meios violentos
para assegurar esse fim. Uma das imagens do dia foi a do ex-ministro da Defesa
durante o governo de José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o dedo um
grupo de cidadãos da revolução dos indignados.
As desqualificações mais fortes vieram, porém, dos meios de comunicação
conservadores e da televisão pública de Madri, que acusaram o movimento de
ser comunista, socialista, antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos
ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e depois de chamar,
depreciativamente os manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana também
conhecida como ‘pés pretos’, formada por punks, anarquistas, hippies e ‘gente
desocupada’), assegurou que estes jovens mantém contato regular com o
Batasuna-ETA e que receberam cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização
de juventude da esquerda basca).
NAFTA
Em 1993, foi ratificado um acordo de livre-comércio que une os três países da
América do Norte – Estados Unidos, Canadá e México.
Os desníveis das economias desses integrantes do Nafta são significativos. A
economia norte-americana é a mais poderosa do mundo; o Canadá, embora
apresente uma economia diversificada e desenvolvida, depende muito dos
investimentos e do capital dos EUA.
Por mais estranho que pareça, a explicação para a presença mexicana nesse
bloco econômico é simples: além de mercado ativo, o México é grande produtor
de petróleo, fonte de energia vital para as duas economias, e fornece mão de
obra barata e abundante para a qualificada economia americana.
Acordos comerciais têm incentivado investimentos americanos em território
mexicano. Essa ação visa a geração de empregos para tentar barrar o intenso
fluxo migratório ilegal mexicano e facilitar a instalação de unidades fabris
americanas do outro da fronteira, com a finalidade de obter produções a custos
menos, que serão totalmente absorvidas pelo mercado dos Estados Unidos.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 65
Os EUA pretendia implementar a ALCA (Área de Livre comércio das Américas),
que englobaria todos os países americanos, exceção feita a CUBA, por viver sob
uma ditadura. A ALCA alargaria o comércio dos EUA para toda a América,
concorrendo diretamente com os produtos nacionais. Brasil e Argentina não
concordaram com a proposta norte-americana, e a ALCA não vingou. O
resultado foi a intensificação de acordos bilaterais com diversos países centro e
sul-americanos, como Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, etc.
ALTENATIVAS LATINO-AMERICANA
EM MEIO ÀS DIFICULDADES DA ALCA, PROJETO ESTRATÉGICO DE
WASHINGTON, AVANÇAM O MERCOSUL EXPANDIDO E A ALBA (ALTERNATIVA
BOLIVARIANA PARA A AMÉRICA) - POSSÍVEIS EMBRIÕES DE UM COMÉRCIO
INTERNACIONAL DE NOVO TIPO. Configurou-se um enfrentamento entre a
integração latino-americano e a ALCA, na verdade ferramenta para
consolidação da hegemonia norte-americana.
Entre as regiões do mundo vítimas das políticas neoliberais, a América Latina
ocupa um lugar de destaque. Nenhum dos projetos de integração regional
escapou de seus efeitos destrutivos. As medidas de liberalização comercial e
financeira aceleraram o controle do mercado interno de cada país pelas
multinacionais norte-americanas e européias. Estas medidas também acentuaram
a dependência das economias regionais em relação aos mercados externos.
No entanto, ao mesmo tempo em que os países da Europa e da América do
Norte perseguiam seu processo de integração, projetos similares se desenvolviam,
particularmente na América do Sul. Eles procuravam proteger, ainda que de
maneira mínima, as economias da região das conseqüências negativas da
globalização. Nas décadas de 1980 e 90, sugiram dois projetos antagônicos: o
Mercosul, integrado inicialmente pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai; e
o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que reuniu EUA,
Canadá e México.
Washington tinha a ambição de estender o Nafta ao resto do continente.
Quase no momento em que o bloco foi formalizado, e em que o Chile foi
Atualidades
Prof. Nilton Matos 66
apresentado como o primeiro candidato a se integrar a ele, a crise mexicana de
1994 levou o Congresso dos EUA a não oferecer à Casa Branca o chamado "fast
track" ("via rápida). Ela dá ao Executivo o direito de negociar acordos comerciais
com outras nações, limitando os poderes do Legistivo a aceitar ou rejeitar, em
bloco, eventuais tratados.
Com o ingresso da Venezuela e Bolívia no Mercosul, começa a se dissipar a
dualidade entre este bloco e a Comunidade Sul-americana de Nações.
Nascimento e declínio da ALCA
O governo norte-americano teve, então que apelar para um projeto que
havia ficado na gaveta: a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
Configurou-se assim um campo de enfrentamento entre um projeto de integração
latino-americano e outro do conjunto do continente, em que a diferença -
substancial - era a participação dos EUA nesta última. Representando 70% do PIB
do total dos países, eles transformavam a ALCA em ferramenta de consolidação
de sua hegemonia, jamais em processo de integração.
Eram temposde extensão quase que ilimitada dos modelos neoliberais, dos
quais a ALCA seria o complemento funcional. Essa tendência foi fortalecida com a
crise brasileira de 1999, em que a brusca e grande desvalorização da moeda
brasileira afetou diretamente a balança comercial com a Argentina, golpeando
diretamente os graus de integração logrados no Mercosul.
No entanto, paralelamente foi se intensificando uma tendência nova: a vitória
e evolução ideológica de Hugo Chavez na Venezuela, a chegada ao poder de
Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, de Nestor Kirchner, em Buenos Aires, e, mais
tarde, de Tabaré Vázquez, em Montevidéu.
A Venezuela, especialmente depois da vitória de Chávez sobre a oposição, no
referendo revogatório de 15 de agosto de 2004, conquistou um espaço importante
e se aproveitou para oxigenar o processo de integração. Este se deu, por um lado,
através da constituição de uma espécie de coordenação da integração, entre os
presidentes do Brasil, da Argentina e da Venezuela - as três principais economias
da América do Sul. Esta coordenação promoveu reuniões setoriais entre ministros
do setor energético, do de políticas sociais e da área econômica. Diversos
acordos form firmados, sobre temas de comécio, energia e defesa. Para ficar
apenas num exemplo, Chávez anunciou, em 2004, que a Venezuela, que importa,
para sua indústria petroleira, 5 bilhões de dólares de bens e serviços nos Estados
Unidos, realizaria, a partir de então, 25% destas compras no Brasil e Argentina. Ao
fazê-lo, conquistou aliados de circunstância nestes dois países, ainda que as
opções destes difiram sensivelmente de sua perspectiva radical.
A ALBA BASEIA-SE NA MONTAGEM DE MECANISMOS PARA CRIAR
VANTAGENS COOPERATIVAS - AO INVÉS DAS SUPOSTAS "VANTAGENS
COMPETITIVAS", PARADIGMA DAS TEORIAS NEOLIBERAIS Mercosul ampliado e
Comunidade Sul-americana
Ao final de 2005, a Venezuela ingressou como membro pleno do Mercosul. Após a
vitória eleitoral de Evo Morales em La Paz, o coordenador geral do bloco, o
argentino Chacho Alvarez, anunciou que proporia o ingresso da Bolívia, na mesma
condição. Começava assim a se dissipar a dualidade entre o Mercosul e a
Atualidades
Prof. Nilton Matos 67
Comunidade Sul-americana de Nações. Nascida por iniciativa do Brasil, em 8 de
dezembro de 2004, em Cuzco (Peru), esta era vista com reservas pelo governo de
Kirchner, que se inclina pela expansão do Mercosul como prioridade. Foi em
Cuzco, durante o encontro, que Chávez, em seu linguajar cheio de imagens,
sugeriu uma consigna: "A política como locomotiva, o social como bandeira, o
econômico como trilho e a cultura como combustível".
Ao mesmo tempo, o governo venezuelano multiplicou iniciativas setoriais -
como a Petrosul, a TVSul, a PetroCaribe, entre outros - e desenvolveu uma
iniciativa estratégica de alianças com Cuba - a chamada Aliança Bolivariana
para as Américas. Em documento assinado em abril de 2005, em Havana, os
governos de Cuba e da Venezuela lançam uma modalidade superior de
integração, entre economias que podem partir de um nível superior de
identificação, sobretudo a partir do momento - em janeiro de 2005, no Fórum
Social Mundial de Porto Alegre, em que Hugo Chavez anunciou a adesão de seu
governo ao que chama de "socialismo do século XXI".
A ALBA é uma proposta de integração que se fundamenta na montagem de
mecanismos para criar vantagens cooperativas - no lugar das supostas "vantagens
competitivas", paradigma das teorias neoliberais de comércio internacional. Já as
vantagens cooperativas procuram reduzir as assimetrias existentes entre os países
do continente. Elas apóiam-se em mecanismos de compensação, a fim de corrigir
as disparidades de níveis de desenvolvimento entre os países da região. Têm na
Venezuela e em Cuba seus grandes motores: a primeira com os recursos do
petróleo, a segunda principalmente com os recursos de educação, saúde e
esportes.
CADA PAÍS OFERECE O QUE PODE PRODUZIR EM BOAS CONDIÇÕES, E
RECEBE, EM CONTRAPARTIDA, AQUILO QUE PRECISA, INDEPENDENTEMENTE DOS
PREÇOS NO MERCADO MUNDIAL.
ALBA, contraponto ao "livre" comércio
A ALBA pretende ser o contraponto da ALCA. Pretende integrar economias
dissímiles desde baixo, envolvendo a todos os atores econômicos e sociais - como
cooperativas, pequenas empresas, empresas públicas, empresas privadas
grandes, médias e pequenas -, priorizando o atendimento de problemas essenciais
para a massa da população, como alimentação, moradia, indústria e meio
ambiente. Enquanto que a ALCA não diferencia entre países grandes e pequenos,
entre países com grandes recursos naturais, financeiros, energéticos e os outros,
acentuando mecanismos em que ganham os mais fortes - neste caso, os EUA.
Além disso, a ALCA pretende impor aos paises critérios de segurança jurídica que
favorecem as grandes corporações multinacionais, não se dispondo a atender aos
paises mais fracos.
A ALBA não subsidia, mas fomenta créditos, máquinas e tecnologias para
empresas recuperadas, fábricas abandonadas em mãos dos seus trabalhadores,
cooperativas, comunidades de pequenos produtores - industriais, de comércio ou
de servicios -, empresas públicas. A ALBA recebe o apoio dos Estados em créditos,
assistência técnica e jurídica, marketing e comércio internacional, enquanto a
Atualidades
Prof. Nilton Matos 68
ALCA deixa tudo entregue às forças que dominam o mercado e as possibilidades
financeiras dos grandes agentes econômicos.
Em abril de 2005, dezenas de acordos foram firmados entre Caracas e Havana.
Neste momento, decidiu-se criar, na Venezuela, 600 centros de diagnóstico
integral de saúde, 600 creches e 35 centros de alta tecnologia, para assegurar ao
conjunto da população o acesso gratuito à medicina e saúde. Também se
decidiu a formação, por Cuba, de 40 mil médicos e 5 mil especialistas em
tecnologias da saúde latino-americanos - além de 10 mil médicos e enfermeiros
venezuelanos. Prosseguiu a operação "Milagre", que já permitiu a milhares de
venezuelanos recuperar plenamente a visão, graças a uma intervenção cirúrgica
(operação de catarata) realizada em Cuba. Ampliada para toda América latina,
esta operação poderia ter até 100 mil beneficiários - 800 uruguaios foram os
primeiros.
PELA PRIMEIRA VEZ, UM CHEFE DE ESTADO CHILENO FOI CONVIDADO À
POSSE DE UM PRESIDENTE BOLIVIANO - E ACEITOU COMPARECER ·.
Uma seqüência de acordos latino-americanos
De sua parte, a Venezuela decidiu abrir em Havana uma agência da empresa
petroleira nacional (PDVSA) e uma sucursal do Banco Industrial da Venezuela. Os
dois governos concederam preferências aduaneiras recíprocas para suas trocas
comerciais. Cuba decidiu adquirir 412 milhões de dólares em produtos
venezuelanos, o que poderia suscitar a criação de dezenas de milhares de
empregos no país parceiro.
Se o "eixo estratégico" Caracas-Havana é alvo de críticas entre setores
conservadores, inconformados por ver Cuba sair de seu isolamento, o
desenvolvimento destas políticas de saúde é acompanhado com grande interesse
pelo conjunto dos movimentos sociais do continente. Estas trocas constituem bons
exemplos de comércio "justo": cada país oferece o que está pode produzir em
boas condições, e recebe, em contrapartida, aquilo que precisa,
independentemente dos preços no mercado mundial.
Trata-se de uma visão radicalmente diferente da que prevalece nos acordos
bilaterais firmados por Washington com os países do continente - América Central,
Chile, Uruguai, Peru e, em breve, Colômbia -, cujo resultado é acentuar as
desigualdades, e graças aos quais os EUA, por seu peso determinante, consolidam
posições que já lhes são estruturalmente favoráveis.
Antes mesmo de sua posse em La Paz, no último 22 de janeiro, o novo
presidente da Bolívia, Evo Morales, começou por Havana e Caracas uma viagem
ao exterior que poderia abrir caminha a uma integração da Bolívia à ALBA. Algum
tempo antes, havia sido criada a Petrocaribe, empresa destinada a oferecer a
onze paísesda região petróleo a preços reduzidos e com facilidades de
pagamento. Esta iniciativa do governo de Chávez procurava permitir aos países
da região precaver-se contra a volatilidade e a escalada de preços do petróleo
no mercado internacional, livrando-os parcialmente da pressão exercida por
Washington para impor acordos bilaterais.
Ainda em estado embrionário, e sem prejulgar seu sucesso, a ALBA é uma
tentativa ambiciosa de integração regional que escapa às lógicas de mercado.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 69
Não faltarão dificuldades, porque o objetivo é envolver países como Argentina,
Brasil e Uruguai; provavelmente o México e talvez o Peru. As economias destes
países são dominadas por empresas multinacionais, muito mais interessadas em
manter sua fatia no mercado norte-americano e europeu que em um tipo de
integração que pode privá-las deste privilégio.
Os presidentes destas nações já enfrentam grandes dificuldades para avançar
nos marcos bem menos ambiciosos do Mercosul. São prova os conflitos entre
setores patronais do Brasil e Argentina, que sabotam o processo de integração. Na
verdade, a ALBA só pode se realizar entre governos decididos a desenvolver um
projeto estratégico de grandes transformações estruturais internas, de maneira que
as decisões que tomam envolvam efetivamente a economia de seus países.
Reconciliar "irmãos inimigos"?
Ainda assim, algumas iniciativas emergem, preliminares de uma aliança entre
países do continente. Como exemplos (não exaustivos), Chávez confirmou o
investimento de 600 milhões de dólares da PDVSA no Uruguai, onde a empresa
petroleira venezuelana trabalhará com sua homóloga, ANCAP, especializada em
refino de óleo. Um acordo entre Caracas e Brasília permitirá a construção de uma
importante refinaria no Nordeste brasileiro. Reunidos em 18 de janeiro, os
presidentes Kirchner e Lula examinaram o projeto de construção de um oleoduto
que, partindo da Venezuela, chegaria até a Argentina, passando pelo território
brasileiro. A criação de uma grande companhia petroleira sul-americana, Petrosul,
talvez não seja apenas um sonho.
A Telesur já funciona. Tendo como acionistas Argentina, Cuba, Uruguai e
Venezuela, esta cadeia de televisão procura fornecer informação lationo-
americana fora dos padrões das TVs privadas e da influência midiática vinda do
Norte.
Quem sabe se esta esquerda, em sua multiplicidade e diferenças, não é capaz
de conciliar "irmãos inimigos"? Brasília tem excelentes relações com Santiago, mas
também com Caracas - cujo presidente, Chávez, mantém laços estreitos com Evo
Morales. Nos últimos dias de seu mandato, o presidente do Chile, Ricardo Lagos,
aceitou participar da posse de Morales, em 22 de janeiro. Os dois países são
protagonistas de uma das mais antigas disputas territoriais da América do Sul. Foi a
primeira vez em que um chefe de Estado chileno foi convidado à posse de um
presidente boliviano.
Emir Sader,
Le Monde Diplomatique, Edição brasileira, ano 7 número 73
APEC
Em 1993, surgiu a Cooperação da Ásia e do Pacífico, um bloco econômico
regional, com o intuito de criar uma zona de livre=comércio entre os 21 países que
a compõem até o ano de 2020.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 70
Reúne cerca de 60% do PIB mundial. Conta com cerca de 2,7 bilhões de
pessoas e um PIB de 31,7 trilhões de dólares. O volume das exportações move uma
receita de aproximadamente 5,3 trilhões de dólares e nas importações o volume
atinge cifras de cerca de 3,1 trilhões de dólares. APEC é um bloco econômico
regional que pretende implantar a livre-circulação de mercadorias, capitais e
serviços entre os estados-membros e poder concorrer com a União Européia.
ASEAN
A Associação das Nações do Sudeste Asiático foi criada em 1967 para
fortalecer o desenvolvimento e a estabilidade dos países da região, área onde se
desenvolvia a Guerra do Vietnã; A ASEAN é formada por 10 países, sendo a maior
parte pertencente aos Tigres Asiáticos. Segundo o banco mundial, em 2004 esses
países cresceram 5,7%, e junto com a China, que cresceu 9,0%, formam o motor
econômico do planeta. Os líderes respeitaram o principio da ASEAN de não
interferir em assuntos internos e evitaram falar dos conflitos do Sudeste Asiático,
apesar de reconhecerem que sem estabilidade política não há desenvolvimento.
TIGRES ASIÁTICOS
Mais de uma década depois de seu modelo de crescimento inspirado pelo
Japão naufragar, os Tigres Asiáticos se engatam à locomotiva chinesa para trilhar
um novo caminho de crescimento, sustentado, desta vez, pelo comércio com
outros grandes mercados emergentes. Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong e
Taiwan se descolaram dos japoneses, que enfrentam anos a fio de estagnação,
para se atrelar à segunda maior economia do mundo.
Esse grupo de nações ainda promissoras apresenta expansão média de 4%,
menos da metade das taxas de China e da Índia. A volta aos espetaculares
índices de expansão registrados no fim do século passado continua limitada a
uma histórica dependência das vendas externas, prejudicadas após a crise global.
Além de se beneficiar das trocas comerciais com a China, os tigres
começaram a repetir seu comportamento controverso na arena mundial. “A
novidade é que os Tigres Asiáticos passaram a adotar, nos últimos anos, as práticas
de comércio desleais largamente usadas pela China”, comenta Josefina Guedes,
consultora de comércio internacional.
Ela explica que os quatro têm peculiaridades, a exemplo da agressividade das
marcas próprias de Coreia e Taiwan no mercado externo. Apesar disso, “todos
reagiram juntos à onda protecionista pós-crise de 2008 e estão sintonizados com o
dragão chinês”.
Os tigres ampliaram as trocas comerciais e a articulação produtiva com a
China. O objetivo é manter a atividade das fábricas em nível elevado e aproveitar
a ascensão dos novos consumidores. “Tal qual os norte-americanos e
diferentemente dos japoneses, os chineses não têm compromissos com a
economia mundial.
Para atingir seus alvos, lançam mão de fraudes e dumping”, afirma Josefina.
Ela lembra que, como gigantescos entrepostos, Cingapura e outros países
asiáticos ajudam Pequim a driblar barreiras erigidas pelos competidores.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 71
Crise asiática
Somadas, as economias dos quatro correspondem ao tamanho da brasileira,
com um Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas geradas) de US$ 2,2 trilhões.
Mas as semelhanças com o líder da América do Sul acabam aí. Os tempos
mudaram. Até os anos 1990, os tigres representavam o melhor exemplo de
economias emergentes. Os frutos de seu espetacular desempenho comercial,
influenciado pelo sucesso japonês, acabaram sucumbindo à crise asiática, de
julho de 1997, que derrubou bolsas de valores mundo afora. Em menos de um ano,
investidores sacaram US$ 200 bilhões aplicados na Ásia, levando à quebradeira
generalizada de empresas e à recessão.
A China foi a única a passar ilesa ao primeiro grande abalo da globalização,
quando se acelerava a maior abertura econômica da história. Apesar do colapso,
a renda per capita na Ásia pulou de US$ 424 para mais de US$ 1 mil entre 1990 e
2004. Guiados hoje pelo farol chinês, esses territórios e países tentam ampliar
presença no comércio global com venda crescente de artigos industrializados
baratos e de alta tecnologia. Dois deles têm laços históricos com a China: depois
de um período de domínio inglês, Hong Kong é hoje parte do gigante asiático,
mas mantém instituições políticas e econômicas capitalistas. Taiwan é tida pelo
governo chinês como uma província rebelde.
A expressão “tigre” já foi sinônimo de economia regional com crescimento
acelerado e voltada à exportação. Com mão de obra qualificada e barata,
excelente infraestrutura logística de portos e capacidade de produzir quase todo
tipo de artigo industrializado para exportar, sua força é proporcional à demanda
externa. Os integrantes da grife oferecem incentivos fiscais a multinacionais,mas
ainda deixam de apostar no consumo doméstico. Outro ponto em comum está na
prioridade à educação como meio de aumentar a produtividade, fato sempre
destacado em estudos e fóruns internacionais.
MERCOSUL
O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) foi criado em 1991 por meio do Tratado
de Assunção, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Venezuela que
aderiu, em 2006, ao Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela
ao MERCOSUL.
Esse bloco econômico tem por objetivo principal o estabelecimento de um
mercado comum, o que significa, na prática, a construção de um espaço
econômico comum entre os países que o compõem.
O MERCOSUL é hoje uma realidade econômica de dimensões continentais. As
origens do MERCOSUL remontam à crise das economias argentina e brasileira de
meados da década de 1980, quando elas encontravam-se altamente
endividadas, estagnadas e com dificuldades de atrair capitais produtivos
internacionais, correndo o risco de ver o sucateamento de seus parques industriais,
principalmente na questão da renovação tecnológica e, assim, perder
competitividade nas exportações. Nesse quadro, os países iniciaram políticas de
abertura e aproximação econômica e comercial, com o objetivo de juntar forças
em um mercado internacional altamente concorrencial. A incorporação do
Atualidades
Prof. Nilton Matos 72
Uruguai e do Paraguai ampliou possibilidade de cooperação econômica,
embora a sustentação dessa relação estivesse com Brasil e Argentina, as
economias, mais fortes do bloco.
A união entre os países prevê a instauração de uma política de alíquotas para
importação comum de não membros, ou seja, a união alfandegária que se baseia
na TEC – tarifa externa comum – e a isenção de tarifas alfandegárias entre os
países membros.
Outros países sul-americanos manifestaram interesse em integrar o bloco. Chile
e Bolívia assinaram tratados e tornaram-se membros associados ao MERCOSUL,
mas ainda não foi estendida a eles a política aduaneira re as relações comerciais
entre os países membros.
No Uruguai, Chávez volta a pleitear entrada da Venezuela no
Mercosul
Entrada da Venezuela no bloco está emperrada no Parlamento
paraguaio.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a insistir, em
Montevidéu, na entrada de seu país no Mercosul como membro
pleno do bloco, algo que já está em negociação desde 2006 e que
depende da aprovação do Parlamento paraguaio.
O tema é um dos assuntos centrais da Cúpula de Presidentes
do Mercosul, que ocorre na capital uruguaia.
Já de manhã, antes mesmo da abertura oficial da cúpula,
Chávez disse aos jornalistas que "unir o Rio da Prata ao Orinoco é
o que queremos".
"Já somos quase 30 milhões de habitantes (na Venezuela), e é
aos países pequenos que mais vai beneficiar a entrada da
Venezuela como membro pleno do Mercosul. Nosso norte é o sul",
disse o venezuelano.
O Mercosul tem como Estados plenos Argentina, Brasil,
Uruguai e Paraguai. Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru são
membros associados. O Peru também estuda a entrada plena ao
bloco. A adesão venezuelana ao Mercosul foi autorizada há cinco
anos, mas permanece emperrada no Legislativo paraguaio.
O presidente do Uruguai, José Mujica, pede que a entrada de
Caracas seja acelerada por uma "revisão dos critérios" do bloco.
Mas a declaração foi vista por críticos como um atropelamento do
tratado original do Mercosul, que prevê a adesão de novos
membros somente após decisão unânime dos Executivos e
Legislativos dos membros atuais.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 73
Defesa comercial
Durante a reunião foram discutidos
mecanismos de defesa comercial a serem
adotados dentro do bloco para enfrentar a
crise financeira internacional - como adiantou
o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O bloco deve negociar a ampliação da
lista de produtos importados que podem ser
sobretaxados, além de discutir divergências
sobre práticas consideradas protecionistas por
alguns membros.
Os países menores - Uruguai e Paraguai –
frequentemente reclamam de supostas
barreiras comerciais a seus produtos nos
mercados maiores, Brasil e Argentina.
Os Estados-parte também assinarão um
acordo de livre comércio com a Palestina. O
instrumento segue os mesmos moldes de
acordos semelhantes assinados entre o
Mercosul e Israel, e entre o bloco sul-
americano e o Egito, em 2011.
O acordo, para abertura de mercados para
bens, também inclui capítulos sobre medidas
sanitárias e fitossanitárias (destinadas ao
controle de pragas agrícolas), cooperação
técnica e tecnológica, e solução de
controvérsias.
A presidente Dilma Rousseff chegou à
capital uruguaia acompanhada dos ministros
Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia),
Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e
Marco Aurélio Garcia (assessor especial para
assuntos internacionais).
Mantega e o chanceler Antonio Patriota
já estão na capital uruguaia. Participam do
encontro de mandatários também Cristina
Kircher, da Argentina; Fernando Lugo, do
Paraguai; e Rafael Correa, do Equador.
20/12/2011
Atualidades
Prof. Nilton Matos 74
AMÉRICA DO SUL E INTEGRAÇÃO REGIONAL
UNASUL
A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) é formada pelos doze países da
América do Sul. O tratado constitutivo da organização foi aprovado durante
Reunião Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Brasília,
em 23 de maio de 2008. Dez países já depositaram seus instrumentos de ratificação
(Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e
Venezuela), completando o número mínimo de ratificações necessárias para a
entrada em vigor do Tratado no dia 11 de março de 2011
CALC
Desde meados do século XX, a integração regional consolida-se como
importante fenômeno internacional. O estreitamento dos laços políticos e
econômicos entre povos que compartilham herança histórica e vizinhança
geográfica permite enfrentar melhor os desafios do mundo globalizado.
CELAC
A Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos – CELAC foi criada
na “Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe”, realizada na Riviera
Maya (México), em fevereiro de 2010, em histórica decisão dos Chefes de Estado
e de Governo da região. A Cúpula da Unidade compreendeu a II Cúpula da
América Latina e o Caribe sobre Integração e Desenvolvimento – CALC e a XXI
Cúpula do Grupo do Rio.
MERCOSUL
A Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai assinaram, em 26 de março de
1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o Mercado Comum do Sul
Atualidades
Prof. Nilton Matos 75
(MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos
quatro Estados Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores
produtivos, do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC), da adoção
de uma política comercial comum, da coordenação de políticas
macroeconômicas e setoriais, e da harmonização de legislações nas áreas
pertinentes. Em dezembro de 1994, foi aprovado o Protocolo de Ouro Preto, que
estabelece a estrutura institucional do MERCOSUL e o dota de personalidade
jurídica internacional.
ALADI
A ALADI é o maior mecanismo latino-americano de integração, composto por
12 países-membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador,
México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esse conjunto de países totaliza 20
milhões de quilômetros quadrados e mais de 500 milhões de habitantes.
Atualmente, a ALADI passa por um processo de expansão para a América Central,
com a Adesão de Nicarágua e Panamá.
BRICS
(BRASIL-RÚSSIA-ÍNDIA-CHINA-ÁFRICA DO SUL)
A idéia dos BRICS foi formulada pelo economista-chefe da Goldman Sachs, Jim
O´Neil, em estudo de 2001, intitulado “Building Better Global Economic BRICs”.
Fixou-se como categoria da análise nos meios econômico-financeiros,
empresariais, acadêmicos e de comunicação. Em 2006, o conceito deu origem a
um agrupamento, propriamente dito, incorporadoà política externa de Brasil,
Rússia, Índia e China. Em 2011, por ocasião da III Cúpula, a África do Sul passou a
fazer parte do agrupamento, que adotou a sigla BRICS.
O peso econômico dos BRICS é certamente considerável. Entre 2003 e 2007, o
crescimento dos quatro países representou 65% da expansão do PIB mundial. Em
paridade de poder de compra, o PIB dos BRICS já supera hoje o dos EUA ou o da
União Européia. Para dar uma idéia do ritmo de crescimento desses países, em
Atualidades
Prof. Nilton Matos 76
2003 os BRICs respondiam por 9% do PIB mundial, e, em 2009, esse valor aumentou
para 14%. Em 2010, o PIB conjunto dos cinco países (incluindo a África do Sul),
totalizou US$ 11 trilhões, ou 18% da economia mundial. Considerando o PIB pela
paridade de poder de compra, esse índice é ainda maior: US$ 19 trilhões, ou 25%.
Até 2006, os BRICs não estavam reunidos em mecanismo que permitisse a
articulação entre eles. O conceito expressava a existência de quatro países que
individualmente tinham características que lhes permitiam ser considerados em
conjunto, mas não como um mecanismo. Isso mudou a partir da Reunião de
Chanceleres dos quatro países organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral
das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este constituiu o primeiro passo
para que Brasil, Rússia, Índia e China começassem a trabalhar coletivamente.
Pode-se dizer que, então, em paralelo ao conceito “BRICs” passou a existir um
grupo que passava a atuar no cenário internacional, o BRIC. Em 2011, após o
ingresso da África do Sul, o mecanismo tornou-se o BRICS (com "s" maiúsculo ao
final).
Como agrupamento, o BRICS tem um caráter informal. Não tem um
documento constitutivo, não funciona com um secretariado fixo nem tem fundos
destinados a financiar qualquer de suas atividades. Em última análise, o que
sustenta o mecanismo é a vontade política de seus membros. Ainda assim, o BRICS
tem um grau de institucionalização que se vai definindo, à medida que os cinco
países intensificam sua interação.
Etapa importante para aprofundar a institucionalização vertical do BRICS foi a
elevação do nível de interação política que, desde junho 2009, com a Cúpula de
Ecaterimburgo, alcançou o nível de Chefes de Estado/Governo. A II Cúpula,
realizada em Brasília, em 15 de abril de 2010, levou adiante esse processo. A III
Cúpula ocorreu em Sanya, na China, em 14 de abril de 2011, e demonstrou que a
vontade política de dar seguimento à interlocução dos países continua presente
até o nível decisório mais alto. A III Cúpula reforçou a posição do BRICS como
espaço de diálogo e concertação no cenário internacional. Ademais, ampliou a
voz dos cinco países sobre temas da agenda global, em particular os econômico-
financeiros, e deu impulso político para a identificação e o desenvolvimento de
projetos conjuntos específicos, em setores estratégicos como o agrícola, o de
energia e o científico-tecnológico. A IV Cúpula será realizada em 29 de março
próximo, em Nova Delhi.
Além da institucionalização vertical, o BRICS também se abriu para uma
institucionalização horizontal, ao incluir em seu escopo diversas frentes de
atuação. A mais desenvolvida, fazendo jus à origem do grupo, é a econômico-
financeira. Ministros encarregados da área de Finanças e Presidentes dos Bancos
Centrais têm-se reunido com freqüência. Os Altos Funcionários Responsáveis por
Temas de Segurança do BRICS já se reuniram duas vezes. Os temas segurança
alimentar, agricultura e energia também já foram tratados no âmbito do
agrupamento, em nível ministerial. As Cortes Supremas assinaram documento de
cooperação e, com base nele, foi realizado, no Brasil, curso para magistrados dos
BRICS. Já realizaram-se, ademais, eventos buscando a aproximação entre
acadêmicos, empresários, representantes de cooperativas. Foi, ainda, assinado
acordo entre bancos de desenvolvimento. Os institutos estatísticos também se
encontraram em preparação para a II e a III Cúpulas e publicaram uma
Atualidades
Prof. Nilton Matos 77
coletânea de dados, disponível nesse site. Versão atualizada da coletânea foi
lançada por ocasião da Cúpula de Sanya.
Em síntese, o BRICS abre para seus cinco membros espaço para (a) diálogo,
identificação de convergências e concertação em relação a diversos temas; e (b)
ampliação de contatos e cooperação em setores específicos.
VENEZUELA
O Hugo Chávez começou sua trajetória política em 1992, quando era coronel,
e comandou uma tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Carlos
Andrés Pérez. O movimento foi derrotado, e seus líderes, presos. Contudo, o
prestígio de Chávez passou a crescer, identificado como defensor da
independência nacional e dos interesses dos pobres.
Solto em 1994, conseguiu se eleger presidente em 1998, com 56% dos votos. Ao
tomar posse, encaminhou a adoção de uma nova Constituição, que reforçou os
poderes do presidente, cujo mandato passou de cinco para seis anos, com direito
a reeleição. Com as mudanças, Chávez submeteu-se novamente as eleições, em
2000, e recebeu 60% dos votos. O presidente adotou então uma política de
esquerda, entrando em choque com setores conservadores. Iniciou-se uma
disputa com a oposição, que, entre 2001 e 2002, promoveu três paralisações
nacionais. Em 2002, uma tentativa frustrada de golpe chegou a afastar Chávez,
mas a mobilização de setores das Forças Armadas e das camadas mais pobres da
população o reconduziu ao poder. A oposição então buscou milhões de
assinaturas para forçar a convocação de um referendo, em 2004, para decidir se
POLÍTICA INTERNACIONAL
Atualidades
Prof. Nilton Matos 78
o presidente deveria ou não continuar. Depois de uma campanha acirrada, sua
permanência foi aprovada por quase 60% dos eleitores.
Socialismo do Século XXI
Respaldado pelo apoio popular, o presidente viu seus poderes aumentar nas
eleições legislativas de dezembro de 2005. Os principais líderes da oposição, com
base em acusações de falta de democracia no processo eleitoral, decidiram
boicotar o pleito. Com resultado, os partidos de apoio a Chávez ocuparam todas
as cadeiras do Parlamento. Ao ser reeleito com 63% doso votos, em dezembro de
2006, conquistou o direito de governar o país até 2011.
Para Chávez, a Venezuela vive a Revolução Bolivariana – em referência a
Simón Bolívar (veja a História, ao lado) – e vai implantar o “socialismo do século
XXI”. Durante o seu governo, realizou a reforma agrária, restringiu a participação
de multinacionais na exploração de petróleo e autorizou o regime de co-gestão
entre o Estado e funcionários para reerguer empresas falidas, além de estatizar os
setores considerados estratégicos pelo governo, como de telecomunicações,
energia elétrica e indústrias básicas de minerais.
No caso do petróleo, a estatal Petróleo de Venezuela S.A. (PDVSA) tem pelo
menos 60% das ações e o controle das operações feitas em colaboração com as
multinacionais do setor. Chávez anunciou também a ampliação dos Conselhos
Comunais, organizações similares a associações de bairro, que poderão substituir
as prefeituras no futuro.
Petrodólares
Nas últimas décadas, a economia venezuelana se baseia na exploração das
reservas de petróleo. Dona da segunda maior reserva mundial de petróleo e
integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a
Venezuela tem no “ouro negro” cerca de um terço de seu PIB e 90% de suas
receitas com exportações.
Apesar da retórica anti-Estados Unidos de Chávez, a Venezuela depende das
volumosas compras de petróleo feitas pelos norte-americanos. Ano a ano, porém,
a quantia importada pelos Estados Unidos da Venezuela vem caindo: 16,1% do
total importado pelos norte-americanos em 1998, inicio da era Chávez, para 9,1%,
em 2009. Chávez vem tentando diminuir essa dependência e busca achar novos
países para exportar sua produção.
Em razão de queda do preço do petróleo no mercado internacional desde
2009, a Venezuela enfrenta sérios problemaseconômicos. A redução de receitas
afeta diretamente os programas sociais de Chávez. A queda atinge também as
relações externas, que se apóiam na oferta de petróleo barato a países aliados.
Em abril de 2010, a Venezuela obteve um empréstimo de 20 bilhões de dólares da
China, em troca de fornecimento de petróleo. O contrato é estratégico, porque o
mercado chinês pode absorver parte do petróleo atualmente vendido aos EUA.
Nacionalismo
Atualidades
Prof. Nilton Matos 79
Com freqüência, a imprensa refere-se a Hugo Chávez como um “populista”,
palavra que pode ter vários sentidos. Em sua origem, populista costumava ser o
governante carismático, que exercia o poder numa relação direta com a
população, quase sem intermediação de partidos políticos.
Chávez também pode ser considerado um “nacionalista”. O termo identifica
uma posição política de defesa de soberania nacional, contra a influência de
potências estrangeiras ou de empresas multinacionais. No caso venezuelano,
desde o inicio de seu mandato, em 1998, Chávez é um crítico contundente da
política norte-americana e da interferência de organismos multilaterais, como o
Fundo Monetário Internacional (FMI), nos países latino-americanos. Em seus
discursos inflamados, o presidente aponta os Estados Unidos como um inimigo a ser
combatido.
No fim da década de 1990, num momento de auge do neoliberalismo e de
privatizações na América Latina, Chávez colocou-se do lado oposto e passou a
liderar um bloco político com outros países, depois de ajudar nas eleições e nos
governos de Evo Morales, na Bolívia; Daniel Ortega, na Nicarágua; e Rafael
Correa, no Equador. É o bloco dos governantes mais à esquerda na região. Além
disso, a Venezuela é hoje o país que mais ajuda economicamente Cuba.
Poderes Concentrados
Após perder, em dezembro de 2007, um referendo de proposta constitucional,
que abrangia a possibilidade de reeleições presidenciais por tempo indefinido, a
Assembléia Nacional aprovou, pouco mais de um ano depois, a convocação de
um novo pleito sobre essa mesma questão. Manifestações oposicionistas, que
denunciavam que a proposta já havia sido derrotada antes, foram reprimidas pelo
governo. Em fevereiro de 2009, a reeleição por tempo indeterminado foi aprovada
por 54,8% dos votantes. As pressões contra líderes da oposição se aprofundam e,
desde então, várias emissoras de TV e de rádio foram tiradas do ar. A relação com
a Colômbia também piorou, por causa do acordo de cooperação militar do país
com os EUA, que mantém bases militares na nação vizinha.
Nas eleições de 2010, a oposição elegeu 64 dos 165 parlamentares, o que foi
considerado uma derrota para Chávez, já que, embora ainda majoritário, seu
partido não mais terá os dois terços de votos necessários para bloquear iniciativas
da oposição. Um novo fato tem aplicada instabilidade política no país: em junho
de 2011, o presidente anunciou que está com câncer. Em tratamento em Cuba,
Chávez se recusou a passar o poder ao vice. Entre os chavistas, uma possível
sucessão poderia causar conflitos, uma vez que não há consenso sobre quem
poderia substituir o coronel.
BOLÍVIA
O presidente boliviano Evo Morales foi reeleito em dezembro de 2009, com 65%
dos votos – crescimento significativo em comparação com os cerca de 54% que
obtivera na eleição de 2005. Além disso, o partido de Morales, o Movimento ao
Socialismo manteve a maioria na Câmara dos Deputados e conquistou-a também
no Senado. Esses resultados prolongaram a vitória obtida no início de 2009 por
Atualidades
Prof. Nilton Matos 80
Morales, quando a nova Constituição boliviana foi aprovada em referendo
popular por 61% dos eleitores.
A consolidação do poder de Morales pode levar a uma diminuição dos
conflitos ocorridos nos últimos anos, que colocaram a unidade do país sob
ameaça. As lutas opõem o governo central aos prefeitos (como são chamados os
governadores) dos quatro departamentos (estados) mais ricos do país – Santa
Cruz, Tarija, Pando e Beni -, que formam a região da Meia Lua.
O governo de Morales é marcado pela estatização da exploração do gás e
do petróleo no país, decidida em 2006. Por trás dessa decisão, está a pressão de
um forte movimento popular, que reúne sindicatos, associações de bairros,
estudantes e associações de cocaleiros (plantadores de coca, cultura tradicional
no país). Esses setores iniciaram uma mobilização, em 2003, que já exigia a
estatização das reservas de gás e petróleo. Sua ação foi a responsável pela
queda de dois presidentes e pela própria eleição de Morales, que concorreu com
esse compromisso.
A partir de então, as relações com os Estados Unidos são conflituosas. A Bolívia
expulsou o embaixador norte-americano, em 2008, acusando-o de conspirar
contra o governo. Pelo mesmo motivo, Morales suspendeu as atividades no país
da agência antidrogas norte-americana, a DEA.
Em retaliação, o governo norte-americano iniciou o processo para excluir a
Bolívia de um programa que isenta de tarifas as exportações provenientes de
países andinos. Em julho de 2009, Obama confirmou a eliminação da |Bolívia
desse programa. A decisão levou Morales a criticar duramente Obama,
comparando-o ao ex-presidente Bush.
CUBA
Até a revolução, Cuba era um país inteiramente subordinador a política norte-
americana, fornecedor de produtos como o tabaco e derivados da cana-de-
açúcar.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 81
Após alguns meses de revolução, marcados por forte mobilização popular,
Castro adotou medidas como a reforma agrária e a expropriação de empresas
multinacionais norte-americanas. O governo dos EUA reagiu com força crescente
contra o regime “castrista”.
A radicalização das posições levou o governo cubano a expropriar empresas e
fazendas, tomar a propriedade coletiva e erguer um Estado comunista inspirado
no modelo da então União Soviética (URSS).
O regime passou a ser uma ditadura de partido único, que controla a vida
política, censura, reprimem e prende os opositores. Porém, o apoio soviético
permitiu que avanços em áreas sociais, como a saúde e a educação, garantissem
algum respaldo popular ao regime.
Atualmente, Cuba enfrenta graves dificuldades, sobretudo por causa da
queda no preço de seus produtos de exportação e da diminuição das remessas
financeiras dos cubanos que vivem nos Estados Unidos, como decorrência da crise
econômica global deflagrada em 2008.
Em reação, o presidente Raul Castro, que assumiu o cargo no lugar de seu
irmão, Fidel, há três anos, chegou a anunciar planos para demitir até meio milhão
de funcionários, medida drástica permanece apenas como uma possibilidade
grave.
Uma das mudanças do regime cubano foi incentivar o trabalho autônomo,
reconhecer a existência de empresas privadas e incentivar o trabalho em
cooperativas e empresas familiares.
Outra medida liberalizante adotada pelo Congresso do Partido Comunista
Cubana foi autorizar a compra e venda de casas e carros por particulares (antes
proíbidas), dar maior autonomia administrativa às estatais e acabar gradualmente
com as “cadernetas de racionamento”, chamadas libretas, uma lista de alimentos
e produtos de higiene subsidiada pelo governo. Por ano, o país investe cerca de 1
bilhão de dólares na compra de alimentos para essas cadernetas, que existem
desde 1962 e eram consideradas uma das grandes conquistas da revolução,
juntamente com os serviços de saúde e educação. Cuba tem a população mais
alfabetizada do mundo, segundo ranking das Nações Unidas, e a segunda menor
taxa de mortalidade infantil do continente, atrás apenas do Canadá.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 82
Na última década, Cuba vem estreitando laços com a China. Não apenas por
necessidade econômica, pois os dirigentes cubanos buscam inspiração no
modelo chinês: um país comunista que acelerou sua economia permitindo a
presença de multinacionais em zonas especiais.
Há uma década, a ilha também conta com a Venezuela como aliada. O
governo de HugoChávez ajuda a ilha com programas de intercâmbio em saúde
e fornece 100 mil barris de petróleo ao dia por preços inferiores aos de mercado.
Como Cuba produz dois terços dos 120 mil barris que consome diariamente, pode
exportar o excedente.
A relação com a Organização dos Estados Americanos (OEA) permanece
rompida e não há um prazo para o reingresso do país. Em junho de 2009, os 34
países membros da instituição decidiram anular o ato que suspendia Cuba da
entidade. O reingresso à OEA traria vantagens ao país, como o acesso aos
recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas essa votação
teve, sobretudo, caráter simbólico, pois a reintegração de Cuba depende da
adequação do país aos princípios da organização, ou seja, do fim do regime
comunista ou de amplas negociações com a organização.
CHINA
Em 2010, economia da China totalizou o segundo maior volume de riqueza
(Produto Interno Bruto) mundial, e superou a do Japão que se mantinha nessa
posição há quatro décadas, Trata-se de um novo patamar que em parte foi
provado pela crise financeira iniciada em 2008 que resultou em baixa atividade
econômica do Japão e também dos Estados Unidos e da União Européia. Porém,
é inegável que o crescimento da economia chinesa impressiona, e se mantém em
ritmo acelerado há mais de três décadas.
O país é um dos geradores globais de crescimento, ao lado de Bangladesh,
Egito, Indonésia, Índia, Iraque, Mongólia, Nigéria, Filipinas, Sri Lanka e Vietnã. São
países que atraem investimentos estrangeiros em razão, principalmente, do grande
número de habitantes em idade produtiva.
A China tem a maior população do mundo, mais de 1,3 bilhão de pessoas, 73%
em idade economicamente ativa, entre 15 e 64 anos.
Há pelo menos 30 anos, a indústria é a grande responsável pelo forte ritmo de
crescimento econômico chinês. Neste período, a partir de 1978, o país criou zonas
econômicas especiais para multinacionais que produzem principalmente para
exportar. Elas são atraídas por impostos baixos, subsídios diretos do governo e
abundância de mão de obra a ser paga em iuan, moeda de baixo valor.
Hoje, a China é o maior exportador mundial, sobretudo de bens industrializados
– os manufaturados –, e seu principal comprador é o mercado dos Estados Unidos.
As reservas internacionais da China também não param de crescer: bateram a
marca dos 3 trilhões de dólares em março de 2011, o maior estoque de moeda
estrangeira do mundo. Isso acontece graças aos investimentos estrangeiros na
economia local e aos seguidos superávits na balança comercial (quando o valor
total das exportações é maior que o das importações), dois fatores que enchem o
mercado chinês de dólares.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 83
Além de manter o cofre cheio de dólares norte-americanos, o governo chinês
mantém o controle do câmbio de sua moeda, o iuan, em relação ao dólar. Nesse
controle, o iuan tem sempre um valor bem baixo em relação ao dólar, o que
garante ótimos preços, em dólares, para os produtos que os chineses exportam.
Essa é a principal queixa dos parceiros comerciais da China, pois o iuan
desvalorizado em relação ao dólar dificulta as vendas de outros países. Outro
aspecto importante dessa política econômica é que o governo chinês consegue
manter um bom valor e poder de compra para o iuan em sua economia interna, o
que é importante quando o país tem milhões de trabalhadores com salários
baixos. Mas, como o valor baixo do iuan em relação ao dólar torna mais caras as
importações de alimentos e matérias-primas, o governo administra a economia de
forma a evitar uma escalada inflacionária.
Tanto vigor faz com que a China pareça um país rico. De fato, desde a
abertura parcial da economia ao capitalismo em 1978, a China retirou 500 milhões
de pessoas da pobreza absoluta, segundo o Banco Mundial. Mesmo assim, ainda
há 57 milhões vivendo com menos de 125 dólares por ano (ou 34 centavos de
dólar por dia). A situação mais grave é nas áreas rurais, onde está concentrada a
população mais carente.
Um dos resultados ruins dessa política econômica é o crescimento lento, mas
constante da desigualdade de renda. A renda média dos 10% mais ricos do país é
12 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Na década de 1990, essa proporção
era de apenas quatro vezes.
O Partido Comunista Chinês (PCCh) governa o país há seis décadas, e a cada
cinco anos elabora diretrizes e metas de desenvolvimento econômico e social
para o qüinqüênio seguinte, o que são aprovadas em congresso. O último Plano
Quinquenal, referendado em março de 2011, no congresso anual do Partido
Comunista, revela uma mudança de rumos na política econômica chinesa. A
idéia é basear o crescimento do país no consumo interno e na melhoria de vida
dos chineses.
Ditadura
A China é um país comunista desde 1949, mas desde o inicio das reformas
econômicas, em 1978, o país vive uma situação paradoxal, pois os donos de
empresas e fazendas foram expropriados, e a propriedade passou a ser coletiva
na revolução, mas nas zonas econômicas especiais criadas nessas reformas
empresas multinacionais têm livre acesso para produzir em moldes de uma
economia de mercado, com relações capitalistas. Esse tem sido o motor da
economia chinesa. Nessa política, o PCCh deu início, em 1997, a um processo de
privatizações.
Politicamente a China vive uma ditadura de partido único – o Partido Comunista
Chinês, que reprime as oposições e viola direitos humanos.
Na China não liberdade de imprensa, e endereços de internet são bloqueados
como medida de controle de informações. Em 2010, o site Google fechou as
portas na China, acusando o governo de espionar as contas de e-mail de ativistas
de oposição.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 84
Em 2011, o governo chinês ampliou a repressão política depois que começaram a
circular pela internet convocações para protestos inspirados nos levantes em
países árabes. Pelo menos 26 pessoas ligadas a movimentos políticos foram presas
ou desapareceram, segundo entidades de defesa dos direitos humanos. O regime
é duro também contra os criminosos comuns. A anistia internacional afirma que o
número de execuções na China a cada ano é superior ao total registrado no resto
do mundo.
Aproximação com o Brasil
A China passou a ver o Brasil como um parceiro estratégico, sobretudo por que
suas indústrias precisam de matérias-primas que nosso país exporta. Companhias
chinesas investem aqui em setores como produção de aço, petróleo, minérios e
eletricidade.
Ela também está concedendo empréstimos bilionários à Petrobrás, para
explorar o óleo da camada do pré-sal no mar, em troca da garantia no
fornecimento de petróleo.
A China também está comprando terras para produzir alimentos, no Brasil, na
América Latina e na África. Em abril, a presidente Dilma Rousseff viajou para
Pequim. Além de conseguir o apoio forma chinês à campanha brasileira por uma
vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas (a China é um dos cinco
membros permanentes do órgão), o Brasil fez 22 acordos, que representam 120
milhões de dólares em trocas comerciais e 13 bilhões de dólares em investimentos.
Um dos mais expressivos será a construção de um grande complexo da
empresa Foxconn, que prevê criar 100 mil empregos. A empresa de eletrônicos de
origem taiwanesa e com fábricas na China já possui cinco fábricas no Brasil, e a
nova unidade será responsável pela produção de telas para tablets e telefones
celulares da multinacional norte-americana Apple.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 85
O Brasil fecha a primeira década do século XXI com um resultado positivo no
combate à pobreza e na melhoria da distribuição de renda. O país, porém, ainda
continua com boa parte de sua renda muito concentra nas mãos de uma
pequena minoria.
Uma distribuição mais equitativa da renda pela população é um fator básico
para promover justiça social e o desenvolvimento do país. Isso porque, com a
elevação progressiva darenda, os mais pobres conseguem melhorar suas
condições de vida. Pelo estudo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), a situação é a seguinte:
§ Os 10% de brasileiros mais ricos detém 43% de toda a renda nacional.
§ Os 10% mais pobres vivem com apenas 1% da renda nacional.
É um quadro muito grave de concentração, com raízes históricas. Felizmente,
essa situação começou a mudar nas últimas décadas. De acordo com o Centro
de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de pobres no
Brasil diminuiu 67% de 1994 até 2010. Em nove anos, de 2001 a 2009, a renda dos
10% mais pobres cresceu 69%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu bem menos,
12,5%.
O aumento maior na renda dos mais pobres indica que está havendo
redistribuição de renda e redução na concentração. Essa redistribuição é uniforme
quando se avança dos segmentos mais pobres para os mais ricos.
Outro indicador usado para mostrar a situação do rendimento dos brasileiros é
o da evolução da renda per capita familiar (a renda das famílias dividida por seu
número de membros). Se dividirmos a sociedade em cinco grupos conforme a
renda – as chamadas classes econômicas, desde a A (a mais rica) até a E (a mais
pobre) –, a renda em reais cresceu mais nas famílias dos grupos C, D e E, em
relação as dos grupos A e B, de acordo com a FGV.
Mesmo com essas mudanças, os indicadores referentes à concentração de
renda ainda são insatisfatórios. Segundo dados preliminares do Censo de 2010,
divulgados pelo IBG, 56% das famílias brasileiras vivem com uma renda per capita
de até um salário mínimo.
A concentração de renda brasileira também pode ser observada pelo índice
de Gini. Esse indicador é adotado internacionalmente para medir a concentração
de renda. Ele varia de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, menor é a
desigualdade. No Brasil, o índice de Gini evoluiu de 0,567, 1999, para 0,518, em
2010.
A má distribuição de renda no Brasil tem causas históricas, tais como:
§ Concentração Fundiária – quase metade das terras cultivadas no país são
grandes propriedades (cima de mil hectares).
BRASIL
Atualidades
Prof. Nilton Matos 86
§ Industrialização – aconteceu tardiamente no Brasil e ficou quase todo o século
XX no Sudeste e no Sul, concentrando a riqueza.
§ Urbanização acelerada – a rápida urbanização decorrente do êxodo rural e da
industrialização atraiu muito gente para as cidades, que estavam
despreparadas: o resultado são favelas e as carências urbanas, como falta de
escolas, hospitais, moradias e transporte.
§ Analfabetismo – A falta de instrução mantém o trabalhador mal remunerado,
com dificuldade para ascender profissionalmente. O acesso ao ensino para
parcelas maiores da população é uma das causas da melhoria de renda.
§ Discriminação racial – Ao final da escravidão, o Estado brasileiro lavou as mãos
sem políticas de apoio à população negra para que pudesse ter acesso à terra,
à educação e à ascensão social. As gerações seguintes enfrentaram um ciclo
vicioso de pobreza. Hoje, sete em cada dez brasileiros entre os 10% mais pobres
são negros.
§ Estrutura Fundiária – A distribuição dos impostos no Brasil é injusta. Segundo o
IPEA, pessoas que ganham até dois salários mínimos gastam 54% da renda com
impostos, diretos e indiretos. Já as famílias com renda superior a 30 salários
mínimos desembolsam.
O acesso dos brasileiros à educação melhorou muito, segundo dados até 2010.
Quase todas as crianças a partir dos 7 anos estão matriculadas, e a taxa de
alfabetização continuou a subir, chegando a quase 92% das pessoas com mais de
15 anos, pelo último censo. Esses resultados acompanharam as diretrizes da
Constituição de 1988 e o esforço para alcançar as metas do Plano Nacional da
Educação (PNE) de combate ao analfabetismo e de universalização do Ensino
Fundamental e Médio. Houve, porém, uma queda na qualidade do ensino no
país. O acesso à Educação Superior cresceu, mas ainda é pequeno.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO), no relatório de 2010, elogia as ações do Brasil para universalizar a
educação básica, bem como os programas de inclusão e acompanhamento
escolar das crianças beneficiadas pelo Bolsa Família, mas ressalva que os
indicadores do país continuam muito ruins. Em 2011, Além do valor usado
tradicionalmente para indicar o desenvolvimento humano de cada país, o
relatório deste ano apresenta novos índices: IDH Ajustado à Desigualdade, Índice
de Desigualdade de Gênero e Índice de Pobreza Multidimensional.
Em 2000, éramos 169,6 milhões de habitantes. Até 2007, o número de brasileiros
foi sendo calculado por projeção com base nas taxas de crescimento
populacional apuradas em 2000, tendo como base principal a estimativa média
de filhos por mulher. Descobriu-se, então, que o número de filhos por mulher vem
caindo bem mais rápido do que se calculava. Assim, as projeções estavam
superestimando o crescimento populacional, e, em sete anos, o erro acumulado
era de cerca de 6 milhões de pessoas a mais. Agora, segundo os dados do novo
Censo, divulgados em novembro de 2010, sabemos que somos aproximadamente
Atualidades
Prof. Nilton Matos 87
193 milhões de brasileiros. O aumento de 12% da população nos últimos dez anos
ficou bem abaixo dos 15,6% registrados na década anterior (1991-2000), o que
comprova que o ritmo de crescimento populacional vem caindo. A principal
razão para essa redução é a queda na taxa de fecundidade das brasileiras.
Os resultados preliminares do Censo de 2010 ainda não atualizaram esse dado.
Mas as projeções e estimativas feitas pelo IBGE nos últimos anos mostram que a
taxa que era de 6,3 filhos por mulher em 1960, atingira apenas dois filhos em 2006 e
1,8 filhos por mulher em 2010. Isso também se reflete na redução do tamanho das
famílias: a média nacional de moradores em cada domicílio caiu de 3,75 em 2000
para 3,3 agora.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 88
A queda da taxa de fecundidade altera também a pirâmide etária. Com
menos nascimentos, a proporção de crianças em relação à população adulta
fica menor. De outro lado, o brasileiro vive cada vez mais.
Segundo o IBGE, a expectativa de vida de uma criança nascida em 2009 era
de 73,1 anos. Para os idosos, era melhor ainda: uma pessoa que completasse 60
anos em 2009, tinha expectativa de viver outros 21,2 anos.
Outra constatação extraída do Censo de 2010 é que a população brasileira
hoje é mais feminina. Nascem mais homens, mas sobrevivem mais mulheres, Elas
representam 51% da população, superando os homens em 3,9 milhões de pessoas.
ECONOMIA BRASILEIRA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 89
Política Agrícola
Um conjunto de ações voltadas para o planejamento, o financiamento e o
seguro da produção constitui a base da Política Agrícola do Ministério da
Agricultura. Por meio de estudos na área de gestão de risco, linhas de créditos,
subvenções econômicas e levantamentos de dados, o apoio do estado
acompanha todas as fases do ciclo produtivo. Essas ações se dividem em três
grandes linhas de atuação: gestão do risco rural, crédito e comercialização.
A gestão do risco rural realiza-se em duas frentes. Antes de iniciar o cultivo, o
agricultor conta com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Essa ferramenta
tecnológica indica o melhor período para se plantar em cada município do País,
conforme a análise histórica do comportamento do clima. E, para se proteger dos
prejuízos causados por eventos climáticos adversos, o produtor pode contratar o
Seguro Rural com parte do prêmio subsidiado pelo ministério.
As políticas de mobilização de recursos viabilizam os ciclos do plantio. O
homem do campo tem acesso a linhas de crédito para custeio, investimento e
comercialização. Vários programas financiam diversas necessidades dos
produtores, desdea compra de insumos até a construção de armazéns.
Café
O Brasil é o maior produtor mundial de café e o segundo maior consumidor da
bebida. Os principais grãos são das variedades Arábica e Conilon. A cafeicultura
se fixou, inicialmente, no Sudeste e depois se expandiu para o Paraná e Bahia.
Atualmente, é produzido em 14 estados, com área plantada de 2,3 milhões de
hectares, o equivalente a cerca de seis bilhões de pés. O setor emprega direta e
indiretamente oito milhões de trabalhadores.
O País é um dos principais exportadores de café solúvel e torrado. O
crescimento do consumo de cafés especiais vem estimulando produtores
nacionais a aprimorar a qualidade para atender às demandas do mercados
mundial, com valorização de características como aroma, sabor, corpo, acidez e
sabor residual.
Responsável pela geração e transferência de conhecimentos e tecnologias
para o setor, a Embrapa coordena o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e
Desenvolvimento do Café. As pesquisas promovem o desenvolvimento de
variedades de alta qualidade bem como novas tecnologias de mecanização,
irrigação, armazenamento, correção de solo, rotação de culturas, adubação,
produção e distribuição de sementes.
Um dos trabalhos de maior relevância para a cultura cafeeira é o Projeto
Genoma Café, que busca a identificação dos genes do cafeeiro, para obter
rapidez e eficiência no desenvolvimento de variedades mais produtivas, tolerantes
à seca e resistentes a pragas. Com o projeto, já é possível gerar novas cultivares
com qualidade superior em aroma e sabor e com melhores características
nutritivas e farmacêuticas.
O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) torna disponíveis recursos
para custeio, colheita, estocagem e aquisição de café, bem como para a
Atualidades
Prof. Nilton Matos 90
recuperação de cafezais. Somente em 2009, o fundo repassou R$ 1,66 bilhão para
o financiamento de linhas de crédito.
Cana-de-açúcar
Introduzida no período colonial, a cana-de-açúcar se transformou em uma das
principais culturas da economia brasileira. O Brasil não é apenas o maior produtor
de cana. É também o primeiro do mundo na produção de açúcar e etanol e
conquista, cada vez mais, o mercado externo com o uso do biocombustível como
alternativa energética.
Responsável por mais da metade do açúcar comercializado no mundo, o País
deve alcançar taxa média de aumento da produção de 3,25%, até 2018/19,
e colher 47,34 milhões de toneladas do produto, o que corresponde a um
acréscimo de 14,6 milhões de toneladas em relação ao período 2007/2008. Para
as exportações, o volume previsto para 2019 é de 32,6 milhões de toneladas.
O etanol, produzido no Brasil, a partir da cana-de-açúcar, também conta com
projeções positivas para os próximos anos, devidas principalmente, ao crescimento
do consumo interno. A produção projetada para 2019 é de 58,8 bilhões de litros,
mais que o dobro da registrada em 2008. O consumo interno está projetado em 50
bilhões de litros e as exportações em 8,8 bilhões.
A política nacional para a produção da cana-de-açúcar se orienta na
expansão sustentável da cultura, com base em critérios econômicos, ambientais e
sociais. O programa Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAEcana)
regula o plantio da cana, levando em consideração o meio ambiente e a aptidão
econômica da região. A partir de um estudo minucioso, são estipuladas as áreas
propícias ao plantio com base nos tipos de clima, solo, biomas e necessidades de
irrigação.
Está previsto, ainda, um calendário para redução gradual, até 2017, da
queimada da cana-de-açúcar em áreas onde a colheita é mecanizada,
proibindo o plantio na Amazônia, no Pantanal, na Bacia do Alto Paraguai (BAP) e
em áreas com cobertura vegetal nativa.
Soja
A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas
e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. O aumento da
produtividade está associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e eficiência
dos produtores. O grão é componente essencial na fabricação de rações animais
e com uso crescente na alimentação humana encontra-se em franco
crescimento.
Cultivada especialmente nas regiões Centro Oeste e Sul do país, a soja se
firmou como um dos produtos mais destacados da agricultura nacional e na
balança comercial.
No cerrado, o cultivo da soja tornou-se possível graças aos resultados obtidos
pelas pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em
parceria com produtores, industriais e centros privados de pesquisa. Os avanços
Atualidades
Prof. Nilton Matos 91
nessa área possibilitaram também o incremento da produtividade média por
hectare, atingindo os maiores índices mundiais.
O cultivo de soja no Brasil se orienta por um padrão ambientalmente
responsável, ou seja, com o uso de práticas de agricultura sustentável, como o
sistema integração-lavoura-pecuária e a utilização da técnica do plantio
direto. São técnicas que permitem o uso intensivo da terra e com menor impacto
ambiental, o que reduz a pressão pela abertura de novas áreas e contribui para a
preservação do meio ambiente.
Trigo
O trigo é o segundo cereal mais produzido no mundo, com significativo peso
na economia agrícola global. No Brasil, o trigo é cultivado nas regiões Sul, Sudeste
e Centro-Oeste. A produção recebe reforço sistemático dos órgãos de governo,
uma vez que as condições climáticas são desfavoráveis à cultura.
O Ministério da Agricultura tem como desafio estimular a produção do trigo
minimizando os efeitos climáticos. Estudos de zoneamento de risco climático para
os principais estados produtores, reajuste dos preços mínimos em níveis que
sustentem a formação da renda da atividade e ampliação do limite de
financiamento para custeio das lavouras são algumas das ações desenvolvidas
para aumentar a produção de trigo e diminuir a dependência externa do País em
relação ao cereal.
Estimativas do ministério prevêem uma taxa de aumento de consumo do trigo
de 1,31% ao ano. Ainda assim, acredita-se na possibilidade de redução das
importações, uma vez que o Brasil vem investindo na autossuficiência da
produção interna do cereal. Em 2009, a política de incentivos lançada pelo
ministério propiciou aumento de 50% em relação à safra do ano anterior.
Uva
A viticultura brasileira ocupa, atualmente, área de 81 mil hectares, com
vinhedos desde o extremo Sul até regiões próximas à Linha do Equador. Duas
regiões se destacam: o Rio Grande do Sul por contribuir, em média, com 777
milhões de quilos de uva por ano, e os polos de frutas de Petrolina/ PE e de
Juazeiro/BA, no Submédio do Vale do São Francisco, responsável por 95% das
exportações nacionais de uvas finas de mesa.
Embora a produção de vinhos, suco de uva e derivados da uva e do vinho
também ocorra em outras regiões, a maior concentração está no Rio Grande do
Sul, onde são elaborados, em média anual, 330 milhões de litros de vinhos e mostos
(sumo de uvas frescas que ainda não tenham passado pelo processo de
fermentação).
Além dos fatores naturais da Serra Gaúcha, que permitem a obtenção de uvas
com elevado teor de acidez, a estrutura agroindustrial existente também é
favorável para a produção de destilados de vinho, como o conhaque. Apenas
uma pequena parte das uvas cultivadas no sul do País é destinada ao consumo in
natura. A fruta é utilizada, em sua maioria, na elaboração de vinhos concentrando
mais de 90% da produção nacional.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 92
Já no semiárido brasileiro, o cultivo de vinhas teve início, na segunda metade
da década de 1980, com o plantio de variedades adaptadas à região. A
intenção, no entanto, é buscar outras cultivares para assegurar novas opções de
vinho. Para isso, a Embrapa faz testes com variedades de uvas para a produção
da bebida com origens portuguesa, espanhola, italiana, francesa e alemã, em um
total de 28 tipos.
Milho
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, totalizando53,2 milhões
de toneladas na safra 2009/2010. A primeira ideia é o cultivo do grão para atender
ao consumo na mesa dos brasileiros, mas essa é a parte menor da produção. O
principal destino da safra são as indústrias de rações para animais.
Cultivado em diferentes sistemas produtivos, o milho é plantado principalmente
nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O grão é transformado em óleo, farinha,
amido, margarina, xarope de glicose e flocos para cereais matinais.
O estudo das projeções de produção do cereal, realizado pela Assessoria de
Gestão Estratégica do Mapa, indica aumento de 19,11 milhões de toneladas entre
a safra de 2008/2009 e 2019/2020. Em 2019/2020, a produção deverá ficar em
70,12 milhões de toneladas e o consumo em 56,20 milhões de toneladas. Esses
resultados indicam que o Brasil deverá fazer ajustes no seu quadro de suprimentos
para garantir o abastecimento do mercado interno e obter excedente para
exportação, estimado em 12,6 milhões de toneladas em 2019/2020. Número que
poderá chegar a 19,2 milhões de toneladas.
O Brasil está entre os países que terão aumento significativo das exportações
de milho, ao lado da Argentina. O crescimento será obtido por meio de ganhos de
produtividade. Enquanto a produção de milho está projetada para crescer 2,67%
ao ano nos próximos anos, a área plantada deverá aumentar 0,73%.
Citrus
Setor altamente organizado e competitivo, a citricultura é uma das
mais destacadas agroindústrias do país. Responsável por 60% da produção
mundial de suco de laranja, o Brasil é também o campeão de exportações do
produto.
O cultivo de laranja no Brasil se dividide em dois períodos distintos. O primeiro,
de 1990 a 1999, se caracteriza pelo aumento da produção e conquista da
posição de líder do setor. O segundo, a partir de 1999, é o período
de consolidação da capacidade e desempenho produtivo. São colhidas,
anualmente no País, mais de 18 milhões de toneladas de laranja ou cerca de 30%
da safra mundial da fruta.
Para manter a liderança do setor, o Ministério da Agricultura investe no apoio a
adoção de
sistemas mais eficientes, como a produção integrada, com medidas para reduzir
os custos, aperfeiçoar e ampliar a comercialização do produto. O ministério tem,
ainda, ação efetiva na fiscalização e prevenção ao aparecimento de pragas e
doenças.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 93
Feijão
O Brasil é o maior produtor mundial de feijão com produção média anual de
3,5 milhões de toneladas. Típico produto da alimentação brasileira é cultivado por
pequenos e grandes produtores em todas as regiões. Os maiores são Paraná, que
colheu 298 mil toneladas na safra 2009/2010, e Minas Gerais, com a produção de
214 mil toneladas no mesmo período.
A safra tem taxa anual de aumento projetada de 1,77%, de acordo com
estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura. Os dados
também mostram crescimento no consumo, cerca de 1,22% ao ano, no período
2009/2010 a 2019/2020, passando de 3,7 milhões de toneladas para 4,31 milhões
de toneladas. As projeções indicam também a possibilidade de importação de
feijão nos próximos anos. Porém, a taxa equivaleria a 161,3 mil toneladas em
2019/2020, quantidade pouco expressiva.
Arroz
O arroz está entre os cereais mais consumidos do mundo. O Brasil é o nono
maior produtor mundial e colheu 11,26 milhões de toneladas na safra 2009/2010. A
produção está distribuída nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Mato Grosso.
O cultivo de arroz irrigado, praticado na região Sul do Brasil contribui, em
média, com 54% da produção nacional, sendo o Rio Grande do Sul o maior
produtor brasileiro. Em Santa Catarina, o plantio por meio do sistema pré-
germinado responde pelo segundo lugar na produção do grão irrigado, com 800
mil toneladas anuais.
As projeções de produção e consumo de arroz, avaliadas pela Assessoria de
Gestão Estratégica do Mapa, mostram que o Brasil vai colher 14,12 milhões de
toneladas de arroz na safra 2019/2020. Equivale ao aumento anual da produção
de 1,15% nos próximos dez anos. O consumo deverá crescer a uma taxa média
anual de 0,86%, alcançando 14,37 milhões de toneladas em 2019/2020. Assim, a
importação projetada para o final do período é de 652,85 mil toneladas. A taxa
anual projetada para o consumo de arroz nos próximos anos, de 0,86%, está
pouco abaixo da expectativa de crescimento da população brasileira.
Algodão
O avanço da tecnologia e o aumento da produtividade permitiram ao Brasil
passar de maior importador mundial de algodão para o terceiro maior exportador
do produto em 12 anos. A produção nacional de algodão é, prioritariamente,
destinada à indústria têxtil.
A principal preocupação da cotonicultura é com a qualidade da fibra, para
atender às exigências das indústrias nacionais e clientes externos. Técnicas
avançadas de plantio, aliadas à utilização de cultivares melhor adaptadas ao tipo
de solo e clima das regiões produtoras contribuíram para o avanço da produção.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 94
Com índice de produtividade 60% superior aos Estados Unidos, a cotonicultura
brasileira mudou radicalmente, passando, em uma década, de lavoura manual
para totalmente mecanizada no plantio, nos tratos culturais e na colheita.
Mato Grosso e Bahia são responsáveis por 82% da produção nacional e se
destacam pelo investimento em biotecnologia, gerenciamento do setor e novas
técnicas de manejo.
Bovinos
A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no
cenário mundial. O Brasil é dono do segundo maior rebanho efetivo do mundo,
com cerca de 200 milhões de cabeças. Além disso, desde 2004, assumiu a
liderança nas exportações, com um quinto da carne comercializada
internacionalmente e vendas em mais de 180 países.
O rebanho bovino brasileiro proporciona o desenvolvimento de dois segmentos
lucrativos. As cadeias produtivas da carne e leite. O valor bruto da produção
desses dois segmentos, estimado em R$ 67 bilhões, aliado a presença da atividade
em todos os estados brasileiros, evidenciam a importância econômica e social da
bovinocultura em nosso país.
O clima tropical a extensão territorial do Brasil contribuem para esse resultado,
uma vez que permitem a criação da maioria do gado em pastagens. Além disso,
o investimento em tecnologia e capacitação profissional; o desenvolvimento de
políticas públicas, que permitem que o animal seja rastreado do seu nascimento
até o abate; o controle da sanidade animal e segurança alimentar, contribuíram
para que o País atendesse às exigências dos mercados rigorosos e
conquistasse espaço no cenário mundial.
Bubalinos
Atualidades
Prof. Nilton Matos 95
Embora ainda mais tímida, a bubalinocultura está se desenvolvendo no país
como uma alternativa rentável e saudável. Isso porque o búfalo se adapta
facilmente em qualquer ambiente. A produção e o consumo de leite de búfalo
vêm crescendo em função da demanda por alimentos como queijos e manteiga.
Os elevados teores de gordura e sólidos totais no leite de búfala aumentam o
rendimento na fabricação dos derivados em relação ao leite de vaca. A carne
desses animais também é apreciada, contém menores índices de gordura,
colesterol, calorias e contém mais proteína e minerais que a dos bovinos.
O rebanho brasileiro está estimado em torno de 1,15 milhão de bubalinos, sendo a
região Norte, com 720 mil animais, a maior produtora do País, com destaque para
o Pará, que responde por 39% do rebanho nacional. Em seguida aparecem o
Nordeste e o Sudeste, com 135 e 104 mil cabeças, respectivamente.
Aves
Nas últimas três décadas, a avicultura brasileira tem apresentado altos índices
de crescimento. Seu bem principal, o frango, conquistou os mais exigentes
mercados. O País se tornou o terceiro produtor mundial e líder em exportação.
Atualmente, a carne nacional chega a 142 países. Outras aves, como peru e
avestruz, também têm se destacado nos últimos anos,contribuindo para
diversificar a pauta de exportação do agronegócio brasileiro. Presente em todo
território nacional, a carne de frango tem destaque na região Sul, sendo os
estados do Paraná e Rio Grande do Sul os principais fornecedores. A região
Centro-Oeste, por ser grande produtora de grãos, vem crescendo no setor e
recebendo novos investimentos. Fatores como qualidade, sanidade e preço
contribuíram para aperfeiçoar a produtividade no setor. O Brasil buscou
modernização e empregou instrumentos como o manejo adequado do aviário,
sanidade, alimentação balanceada, melhoramento genético e produção
Atualidades
Prof. Nilton Matos 96
integrada. A parceria entre indústria e avicultores também contribuiu para a
excelência técnica em todas as etapas da cadeia produtiva, resultando em
reduzidos custos de transação e na qualidade, que atende às demandas de todo
o mundo.
A taxa de crescimento de produção da carne de frango, por exemplo, deve
alcançar 4,22%, anualmente, nas exportações, com expansão prevista em 5,62%
ao ano, o Brasil deverá continuar na liderança mundial.
Suinos
Estudos e investimentos na suinocultura posicionaram o Brasil em quarto lugar
no ranking de produção e exportação mundial de carne suína. Alguns elementos
como sanidade, nutrição, bom manejo da granja, produção integrada e,
principalmente, aprimoramento gerencial dos produtores, contribuíram para
aumentar a oferta interna e colocar o País em destaque no cenário mundial.
Especialistas brasileiros também investiram na evolução genética da espécie
por 20 anos, o que reduziu em 31% a gordura da carne, 10% do colesterol e 14% de
calorias, tornando a carne suína brasileira mais magra e nutritiva, além de
saborosa.
Consequência de investimento, a produção vem crescendo em torno de 4%
ao ano, sendo os estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul os
principais produtores de suínos do País. Atualmente, o Brasil representa 10% do
volume exportado de carne suína no mundo, chegando a lucrar mais de US$ 1
bilhão por ano.
Esses fatores apontam para um crescimento ainda mais satisfatório: estima-se
que a produção de carne suína atinja média anual de 2,84%, no período de
2008/2009 a 2018/2019, e o seu consumo, 1,79%. Em relação às exportações, a
representatividade do mercado brasileiro de carne suína saltará de 10,1%, em
2008, para 21% em 2018/2019
Caprinos e Ovinos
Atualidades
Prof. Nilton Matos 97
A caprinocultura e a ovinocultura têm se destacado no agronegócio brasileiro.
A criação de caprinos, com rebanho estimado em 14 milhões de animais,
distribuído em 436 mil estabelecimentos agropecuários, colocou o Brasil em 18º
lugar do ranking mundial de exportações. Grande parte do rebanho caprino
encontra-se no Nordeste, com ênfase para Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará. A
ovinocultura tem representatividade na região Nordeste e no estado do Rio
Grande do Sul.
Carne, pele e lã estão entre os principais produtos. A produção de leite de
cabra é de cerca de 21 milhões de litros e envolve, em grande parte, empresas de
pequeno porte.
Ovinocultura
A ovinocultura tem maior representatividade nos estados da Bahia, Ceará,
Piauí e Pernambuco, Rio grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato
Grosso do Sul.
A produção anual alcança 11 milhões de toneladas de lã, principalmente no
Rio Grande do Sul, com cadeia produtiva formada por 35 mil estabelecimentos
agropecuários. A ovinocultura leiteira no País apresenta potencial para a
produção de queijos finos, muito valorizados no mercado.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 98
O SETOR DE SERVIÇOS BRASILEIRO
A relevância do setor terciário (que envolve as atividades de comércio e de
serviços) vem ganhando a atenção de investidores e governos no Brasil e no
mundo. A título de ilustração, em 2009 o setor de serviços correspondeu a 68,5% do
PIB brasileiro (quando medido pelo valor adicionado).
Apenas entre as empresas cuja atividade principal estava no âmbito dos
serviços empresariais não financeiros, o IBGE estimou em 2008 a existência de
879.691 empresas, que tiveram uma receita operacional líquida de mais de 680
bilhões de reais e empregaram 9,2 milhões de pessoas (Pesquisa Anual de Serviços
- PAS 2008, do IBGE). O setor foi também o principal destino dos investimentos
estrangeiros diretos no Brasil: 14,1 bilhões de dólares, ou 44,9% do total de IED no
País, foram investidos no setor em 2009.
Além disso, em 2008 o setor terciário respondeu por 77,3% dos empregos
formais do País, com as atividades de serviços, comércio e construção civil
representando 54,6% da População Economicamente Ativa. Destes empregos,
52% foram gerados por microempresas e empresas de pequeno porte – que
representam 98% dos estabelecimentos comerciais do setor terciário brasileiro
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009 do IBGE e Relação
Anual de Informações Sociais (RAIS) 2009 do Ministério do Trabalho e Emprego).
Ciente da importância do setor de serviços para a economia brasileira, o
Governo Federal, por meio do Decreto nº 5.532, de 6 de setembro de 2005, criou a
Secretaria de Comércio e Serviços (SCS) no âmbito do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Como órgão específico e
singular do Ministério, compete à SCS, por exemplo, a formulação, coordenação,
implementação e avaliação das políticas públicas e dos programas e ações para
o desenvolvimento dos setores de comércio e de serviços; a análise e
acompanhamento das tendências dos setores de comércio e serviços no País e no
exterior; a formulação, implementação e divulgação de sistemáticas de coleta de
informações sobre os setores; e a supervisão dos registros de comércio e atividades
afins, em todo o território nacional.
Produção industrial cresce em 9 de 14 locais em 2011, aponta IBGE
A produção industrial regional cresceu em nove dos 14 locais pesquisados pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), durante todo o ano de 2011.
As altas mais acentuadas, com taxas acima da média nacional de 0,3%, foram
verificadas em seis locais: Paraná (7%), Espírito Santo (6,8%), Goiás (6,2%),
Amazonas (4%), Pará (2,7%) e Rio Grande do Sul (2%). Minas Gerais (0,3%), Rio de
Janeiro (0,3%) e São Paulo (0,2%) também tiveram taxas positivas em 2011.
Pernambuco registrou estabilidade e repetiu o patamar do ano de 2010.
Tiveram recuo na produção a Bahia (-4,4%), região Nordeste (-4,7%), Santa
Catarina (-5,1%) e Ceará (-11,7%).
Na comparação de dezembro de 2011 com o mesmo mês de 2010, o setor
industrial nacional mostrou queda de 1,2%, com recuo na produção em sete de 14
Atualidades
Prof. Nilton Matos 99
locais. A taxa negativa mais intensa foi registrada em Santa Catarina (-10,9%),
pressionada pela queda na maior parte dos setores investigados no local, seguida
por Ceará (-7,4%), Bahia (-4,9%), região Nordeste (-3,7%), São Paulo (-3,2%), Minas
Gerais (-2,8%) e Rio de Janeiro (-2,1%).
Entre os locais que apontaram avanço na produção, Paraná (23,5%) assinalou
a expansão mais elevada, impulsionado em grande parte pelos setores de
veículos automotores e de edição e impressão. Os demais resultados positivos
foram verificados no Espírito Santo (7,4%), Goiás (6,6%), Pará (5,2%), Pernambuco
(3,8%), Amazonas (3,6%) e Rio Grande do Sul (3,2%).
Na análise trimestral (outubro, novembro, dezembro), o setor industrial recuou
2% e deu sequência a trajetória de queda iniciada no primeiro trimestre de 2010
(18,2%) --ambas comparações são ante igual período do ano anterior. No último
trimestre de 2011, o total da indústria mostrou o primeiro resultado negativo desde
o terceiro trimestre de 2009 (8,2%).
Em nível regional, ainda no confronto com igual período do ano anterior, sete
locais assinalaram taxas negativas no quarto trimestre de 2011, com Santa
Catarina (-8,8%) e Ceará (-6,8%) apontando as perdas mais intensas.
Agroindústria
Já a agroindústria brasileirarecuou 2,3% em 2011, ante alta de 4,7% em 2010.
Os setores vinculados à agricultura (-1,6%), de maior peso na agroindústria,
apresentaram desempenho abaixo dos setores associados à pecuária (-0,6%).
O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário
decresceu 16,9% em 2011, impactado negativamente pelo aumento das
importações, enquanto o segmento de madeira avançou 4,9%.
No resultados trimestrais, a agroindústria apresentou resultados negativos nos
quatro trimestres do ano: -3,9% no primeiro, -2,8% no segundo, -0,7% no terceiro e -
2,5% no quarto trimestre. As comparações trimestrais são relativas a igual período
do ano anterior.
China deve investir cerca de R$ 7 bi em alta tecnologia no Brasil neste ano
A China investiu no ano de 2011 quase 9 bilhões de dólares (R$ 15 bilhões) no
Brasil, metade desta quantia na indústria de alta tecnologia.
O Brasil vende sobretudo matérias-primas para a China, principal sócio
comercial do país e maior investidor estrangeiro em 2010, e quer diversificar suas
exportações para produtos com alto valor agregado.
No fim de 2009, 95% dos investimentos chineses acumulados no Brasil, que
chegavam a 12,67 bilhões de dólares, foram feitos nas áreas de energia (45%),
agricultura (20%), minas (20%) e siderurgia (10%), segundo o banco Bradesco, em
dados citados pelo jornal chinês. Em 2010, os investimentos aumentaram a US$ 17
bilhões, de acordo com o China Daily, que não apresenta detalhes dos gastos.
O Brasil pediu às empresas chinesas que iniciem investimentos em setores
diferentes para reequilibrar a balança. Teixeira afirmou ao jornal de Pequim que
Atualidades
Prof. Nilton Matos 100
para investir em agricultura a partir de agora as empresas estrangeiras terão que
encontrar sócios locais.
Durante uma visita ao Brasil em maio, o ministro do Comércio chinês, Chen
Deming, afirmou estar interessado em investimentos na modernização das
infraestruturas do país.
A China se tornou em 2010 o principal parceiro comercial do Brasil, superando
os Estados Unidos. "As matérias-primas constituem 70% do comércio bilateral".
As empresas chinesas de telecomunicação Huawei e ZTE fizeram investimentos
importantes no Brasil nos últimos anos, afirma o China Daily, que lembra que a ZTE
criou um parque industrial em Hortolândia, interior de São Paulo.
Luiz Inácio Lula da Silva (Lula)
Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva mudou-se com a família para
Santos (SP), deixando o interior de Pernambuco em busca de melhores
oportunidades de vida. Quatro anos mais tarde, em 1956, foi para a capital do
Estado de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor ambulante,
engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico.
Em 1970, depois de perder a esposa grávida do primeiro filho, Lula passou a se
dedicar intensamente à atividade sindical. Em 1973, casou-se com Marisa, sua
atual mulher. Em 1975, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de
São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira greve de operários do
ABC paulista em 1978, durante o regime militar.
Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros líderes sindicais, para fundar o PT
(Partido dos Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No ano seguinte, liderou
nova greve de metalúrgicos, foi preso e teve seu mandato sindical cassado.
Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, em junho
de 1983, integrou a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a presidência
da República com os governadores de São Paulo, Franco Montoro (PMDB), e do
Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT).
Lula foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com a maior votação do
país. Concorreu à presidência da República em 1989, quando foi derrotado no
segundo turno por Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu
para Fernando Henrique Cardoso.
Em 1995, deixou a presidência do PT e tornou-se presidente de honra do
partido. Em 2002, foi eleito presidente do Brasil com votação recorde de 50 milhões
de votos. Reelegeu-se em 2006, vencendo, em segundo turno, o candidato do
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin.
Na presidência, a gestão de Lula seguiu a política econômica de seu
antecessor, conseguindo com isso colocar o país no rumo do desenvolvimento
econômico.
Lula também surpreendeu os observadores da cena política por conseguir
manter altos índices de aprovação e popularidade, descolando-se das denúncias
de corrupção que atingiram seus auxiliares mais próximos.
É inédito na história do Brasil o fato de um presidente concluir seu segundo
mandato com um índice de popularidade de 87% (pesquisa CNT/Sensus). Trata-se
de um recorde mundial. Fiel ao estilo que marcou seu governo, Lula se despediu
Atualidades
Prof. Nilton Matos 101
da Presidência com choro e nos braços da multidão, tendo sido o centro das
atenções na cerimônia de entrega da faixa à sucessora Dilma Rousseff, no Palácio
do Planalto, em 1 de janeiro de 2011.
Dilma Rousseff
Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como
Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana Rousseff,
em 1969, já vivendo na clandestinidade, usa vários codinomes para não ser
encontrada pelas forças de repressão aos opositores do regime militar.
No mesmo ano, o Colina e a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) se
unem, formando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares).
Em julho, a VAR-Palmares rouba o "cofre do Adhemar", que teria pertencido ao ex-
governador de São Paulo Adhemar de Barros.
A ação ocorreu no Rio de Janeiro e teria rendido à guerrilha US$ 2,4 milhões.
Dilma nega ter participado dessa operação, mas há quem afirme que ela teria,
pelo menos, ajudado a planejar o assalto.
Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, o promotor militar responsável
pela acusação a qualificou de "papisa da subversão". Fica detida na Oban
(Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops.
Condenada em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter conseguido redução
de pena no STM (Superior Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre, onde
cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do RS.
DO PDT AO PT
Filia-se, então, ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel
Brizola em 1979, depois que o governo militar concedeu anistia política a todos os
envolvidos nos anos duros da ditadura.
Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de
Porto Alegre (1986-89), presidente da Fundação de Economia e Estatística do
Estado do Rio Grande do Sul (1991-93) e secretária de estado de Energia, Minas e
Comunicações em dois governos: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). Filiada
ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001, coordenou a equipe de Infra-
Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando Henrique
Cardoso e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se membro do grupo
responsável pelo programa de Energia do governo petista.
MINISTÉRIOS
Dilma Rousseff foi ministra da pasta das Minas e Energia entre 2003 e junho de
2005, passando a ocupar o cargo de Ministra-Chefe da Casa Civil desde a
demissão de José Dirceu de Oliveira e Silva, em 16 de junho de 2005, acusado de
corrupção.
Em 2008, a Casa Civil foi envolvida em duas denúncias. Primeiro, a da
montagem de um provável dossiê contendo gastos pessoais do ex-presidente
Atualidades
Prof. Nilton Matos 102
Fernando Henrique Cardoso. O dossiê seria uma suposta tentativa de silenciar a
oposição, que, diante do escândalo dos gastos com cartões de créditos
corporativos realizados por membros do governo federal, exigia a divulgação dos
gastos pessoais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua esposa. Depois, em
junho, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu,
acusou a CasaCivil de ter pressionado a agência durante o processo de venda
da empresa Varig ao fundo de investimentos norte-americano Matlin Patterson e
seus três sócios brasileiros. Dilma Rousseff negou enfaticamente todas as
acusações.
Em 9 de agosto de 2009, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, disse
ao jornal Folha de S. Paulo que, num encontro com Dilma, a ministra teria pedido
que uma investigação realizada em empresas da família Sarney fosse concluída
rapidamente. Dilma negou a declaração de Lina, que, por sua vez, reafirmou a
acusação em depoimento no Senado Federal, mas não apresentou provas.
De guerrilheira na década de 1970 a participante da administração pública
em diferentes governos, Dilma Vana Rousseff tornou-se uma figura pragmática, de
importância central no governo Lula. No dia 20 de fevereiro de 2010, durante o 4º
Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, Dilma foi aclamada pré-
candidata do PT à presidência da República. Em 31 de março, obedecendo à lei
eleitoral, afastou-se do cargo de ministra-chefe da Casa Civil. Durante a cerimônia
de transferência do cargo, assumido por Erenice Guerra, Dilma afirmou, referindo-
se ao governo Lula: "Com o senhor nós vencemos. Vencemos a miséria, a pobreza
ou parte dela, vencemos a submissão, a estagnação, o pessimismo, o
conformismo e a indignidade".
Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais de 2010, no segundo turno,
com 56,05% dos votos válidos (derrotou o candidato José Serra, que obteve 43,95%
dos votos válidos), tornando-se a primeira mulher na presidência da República
Federativa do Brasil. Ao tomar posse, no dia 1º de janeiro de 2011, discursando no
Congresso Nacional, Dilma afirmou: “Meu compromisso supremo [...] é honrar as
mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! [...] A luta mais
obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a
criação de oportunidades para todos”.
Crise nos Ministérios
Atualidades
Prof. Nilton Matos 103
Ao todo, sete ministérios já foram alvos de denúncias de irregularidades nos
últimos meses. No Turismo, pasta comandada pelo peemedebista Pedro Novais, a
Polícia Federal investiga desvios relacionados a convênios de capacitação
profissional no Amapá. Na ação, com cerca de 200 policiais federais, divididos em
São Paulo, Brasília e Macapá, a PF cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 19
mandados de prisão temporária-também foram expedidos sete mandados de
busca e apreensão.
A operação investiga o desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do
Turismo por meio de emendas parlamentares. Além dos presos, estão envolvidos
funcionários do Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura
Sustentável), foco da fraude, e empresários, de acordo com a PF.
A devassa no Ministério do Turismo acontece pouco após Dilma comandar
uma espécie de "faxina" no Ministério dos Transportes, alvo de suspeitas de
corrupção e de superfaturamento de obras envolvendo também o Dnit
(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e a Valec (estatal de
ferrovias). Reportagem da revista "Veja" revelou um suposto esquema de
cobrança de propinas em obras federais da pasta e mencionou o envolvimento
de assessores diretos do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM),
que pediu demissão do cargo no mês passado.
Após as denúncias, mais de 20 pessoas deixaram os cargos, entre servidores do
ministério, do Dnit e da Valec. A "faxina" no ministério, comandado pelo PR,
estremeceu a relação do governo com o partido da base aliada. O governo
também enfrenta suspeita de irregularidades no Ministério da Agriculutra desde
que ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento),
Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB),
afirmar que "há bandidos" no órgão e sugerir que o ministro Wagner Rossi
participava de esquemas de corrupção.
Reportagem da revista "Isto É" mostrou que o Ministério das Cidades libera
recursos para obras classificadas como irregulares pelo TCU (Tribunal de Contas da
União) e que age a favor de empresas que, juntas, doaram cerca de R$ 15 milhões
em 2010 para campanhas eleitorais do PP, partido que comanda o ministério.
A revista "Época" revelou a existência de um esquema de cobrança de
propinas dentro da ANP (Agência Nacional do Petróleo), ligada ao Ministério de
Atualidades
Prof. Nilton Matos 104
Minas e Energia. Segundo a revista, a advogada Vanusa Sampaio, que representa
companhias do ramo, foi procurada por dois assessores do órgão em 2008. Os
dois, Antonio José Moreira e Daniel Carvalho de Lima, disseram falar em nome do
então superintendente Edson Silva, ex-deputado federal pelo PC do B, e
explicaram que cobravam propina em troca de facilidades na agência. O
encontro foi gravado. Em nota, a ANP rejeitou as acusações, que classificou como
"falsidades", e afirmou que os dois assessores nunca foram do quadro de servidores
permanentes da agência.
No último domingo, 4 de dezembro de 2011, O ministro do Trabalho e Emprego,
Carlos Lupi, renunciou neste domingo, tornando-se o sexto ministro do governo de
Dilma Rousseff a deixar o cargo após denúncias de corrupção. Lupi foi alvo de
diversas denúncias nas últimas semanas, como a de se beneficiar de convênios
irrelugares do seu ministério com ONGs, a de ter trabalhado como "funcionário
fantasma" na Câmara de Deputados e a de ter viajado em um jatinho de
propriedade de Adair Meira, dirigente da ONG Pró-Cerrado, que possui convênios
com o ministério.
Perto de completar 12 meses de governo, a presidente Dilma Rousseff (PT)
mantém um nível de avaliação estável, segundo nova pesquisa Datafolha. O
levantamento mostra que as medidas recentes para conter a atividade
econômica e o crédito ao consumidor, além de denúncias de corrupção em seu
ministério, não afetaram a percepção dos brasileiros sobre o desempenho da
presidente. Segundo a pesquisa, realizada entre os dias 2 e 5 de agosto, o governo
da petista é considerado ótimo ou bom por 48% dos brasileiros com 16 anos ou
mais. É um índice similar ao verificado em levantamentos feitos em junho (49%) e
março (47%) passados.
Nem mesmo a demissão de diversos colaboradores suspeitos de atos de
corrupção e tráfico de influência em seu governo afetaram, positivamente ou
negativamente, a avaliação da presidente. A fatia dos que consideram a gestão
de Dilma regular é de 39%, variação positiva de um ponto sobre a marca de julho
(38%). Em março, foi de 34%. Consideram o governo Dilma Rousseff ruim ou
péssimo 11% dos brasileiros, ante 10% em junho e 7% em março. Na pesquisa atual,
3% não souberam avaliar a presidência da petista. O Datafolha ouviu 5.254
pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil. A margem de erro do
levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Estabilidade
Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, Dilma tem um nível de ótimo e bom
menor (43%) do que a média (48%) e do que entre as demais faixas de idade. No
grupo formado pelos menos escolarizados, que estudaram até o ensino
fundamental (52%), o índice dos que avaliam o governo da petista como ótimo ou
bom é, proporcionalmente, maior do que entre aqueles que possuem ensino
médio (45%) e superior (44%).
Na análise por renda, ela também é melhor avaliada por aqueles que têm
renda mensal de até cinco salários mínimos (49%) do que entre os brasileiros que
têm renda familiar de mais de 10 salários mínimos por mês (44%).
Atualidades
Prof. Nilton Matos 105
No interior, 51% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa, fatia
proporcionalmente maior do que nas regiões metropolitanas (44%).
A nota atribuída ao governo de Dilma também se mantém estável: era de 6,9
em março, foi a 6,8 em julho e agora fica em 6,7.
AQUÍFERO ALTER DO CHÃO
DEBAIXO DA TERRA EXISTEM LAGOS GIGANTES, DE ÁGUA POTÁVEL,
CHAMADOS AQUÍFEROS. AQUÍFERO É UMA FORMAÇÃO OU GRUPO DE
FORMAÇÕES GEOLÓGICAS QUEPODE ARMAZENAR ÁGUA SUBTERRÂNEA.
ATÉ AGORA, O MAIOR DO PLANETA ERA O GUARANI, QUE SE ESPALHA
PELO BRASIL, PARAGUAI, ARGENTINA E URUGUAI. PORÉM, RECENTEMENTE,
PESQUISADORES DO PARÁ E DO CEARÁ DESCOBRIRAM QUE A AMAZÔNIA
TEM O MAIOR RESERVATÓRIO SUBTERRÂNEO DE ÁGUA DO PLANETA.
A reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e
Amapá e tem volume de 86 mil km³ de água doce, o que seria suficiente para
abastecer a população mundial em cerca de 300 a 400 anos. Em termos
comparativos, a reserva Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água
potável que o Aquífero Guarani - com 45 mil km³ de volume. Para Marco Antonio
Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil, em Manaus, a revelação
de que o Aquífero Alter do Chão é o maior do mundo comprova que esse tipo de
reserva segue a proporção de tamanho da Bacia Hidrográfica que fica acima
dela. "Cerca de 40% do abastecimento de água de Manaus é originário do
Aquífero Alter do Chão.
As demais cidades do Amazonas têm 100% do abastecimento tirado da
reserva subterrânea. São Paulo, por exemplo, tem seu abastecimento em torno de
30% vindo do Aquífero Guarani."
ENERGIA E MEIO AMBIENTE
Atualidades
Prof. Nilton Matos 106
O Superintendente disse, ainda, que a reserva, na área que corresponde a
Manaus, já está muito contaminada. "É onde o aquífero aflora e também onde a
coleta de esgoto é insuficiente. Ainda é alto o volume de emissão de esgoto 'in
natura' nos igarapés da região." Marcos Antônio Oliveira faz um alerta para a
exploração comercial da água no Aquífero Alter do Chão. "A água dessa reserva
é potável, o que demanda menos tratamento químico. Por outro lado, a médio e
longo prazo, a exploração mais interessante é da água dos rios, pois a
recuperação da reserva é mais rápida. A vazão do Rio Amazonas é de 200 mil
m³/segundo. Já nas reservas subterrâneas, a recarga é muito mais lenta.
Segundo o superintendente a qualidade da água que pode ser explorada no
Alter do Chão é incomparável ao do aquífero Guarani. "A região amazônica é
menos habitada e por isso menos poluente.
No Guarani, há um problema sério de flúor, metais pesados e inseticidas
usados na agricultura. A formação rochosa é diferente e filtra menos a água da
superfície. No Alter do Chão as rochas são mais arenosas, o que permite uma
filtragem da recarga de água na reserva subterrânea".
ÁGUA, UMA ESCASSEZ ANUNCIADA!
O volume de água na Terra está estimado em 1 trilhão e 386 bilhões de
quilômetros cúbicos (Km3). Apesar de aparentemente abundante, a maior parte
da água é salgada. A cada ano, a energia do Sol faz com que um volume de
aproximadamente 500.000 Km3 de água se evapore especialmente dos oceanos,
embora também de lagos e rios. Essa água retorna para os continentes e ilhas, ou
para os oceanos, sob a forma de precipitações: chuva ou neve. Os continentes e
ilhas têm um saldo positivo nesse processo. Estima-se que eles “retirem” dos
oceanos perto de 40.000 Km3 por ano. É esse saldo que alimenta as nascentes dos
rios, recarrega os depósitos subterrâneos, e depois retorna aos oceanos pelo
deságüe dos rios.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 107
Toda vez que é discutida a falta de água em muitas regiões do mundo, o bom
senso pergunta: com tantos oceanos, por que não transformar a água do mar em
água potável em grande escala por meio da dessalinização? É uma solução
interessante, mas não tão simples nem tão viável quanto parece. Será a
dessalinização da água do mar a resposta aos problemas de escassez de água no
mundo? Muitos acham que sim, sendo esta uma opinião bastante difundida na
opinião pública.
Muitos consideram a dessalinização como uma solução de alta tecnologia de
custos proibitivos, não é adequada para resolver um problema global de
abastecimento em água causado, principalmente, pelo desperdício. Para eles, no
melhor dos casos ela pode representar apenas uma das soluções possíveis para
resolver problemas pontuais de abastecimento, relativos a uma demanda
específica.
BIOCOMBUSTÍVEIS: HERÓIS OU VILÕES?
Diante da fome e da escassez de água potável, o que significa plantar
energia? A utilização de parcela crescente das terras agriculturáveis do mundo
para o plantio de matéria prima de biocombustívies levanta questão sobre os
Atualidades
Prof. Nilton Matos 108
problemas da fome e da falta d’água que atingem cerca de um bilhão de
pessoas.
O etanol, combustível muito em voga depois da recente divulgação das
perspectivas sombrias do aquecimento global, há tempos tem jogado um papel
importante no cenário agrícola mundial, uma vez que se trata de energia
produzida, basicamente, a partir da cana de açúcar, do milho e de madeira.
Para o mercado internacional, é fato que o etanol é muito mais uma
alternativa aos altos preços do petróleo do que uma preocupação ambiental, o
que alimenta todo tipo de especulações sobre o seu potencial de crescimento.
Segundo o consultor ambiental e editor da revista inglesa New Scientist, Fred
Pearce, “a cana é uma das culturas mais sedentas do planeta. Na maior parte do
mundo, utilizam-se caros sistemas de irrigação que têm atingido grandes rios e
lençóis freáticos. A medida de consumo da cana é de 600 toneladas de água
para uma tonelada de produto”. Atualmente, adenda, 1 bilhão de pessoas não
tem acesso à água potável.
Segundo o pesquisador da Embrapa, José Maria Ferraz, os gastos de água
embutidos tanto na produção de cana quanto na do próprio etanol – na
produção de um litro de álcool gasta-se 13 litros de água, e ainda sobram 12 litros
de vinhoto, sub-produto extremamente poluente normalmente utilizado na
adubação dos canaviais – não é considerada no preço de venda, o que, do
ponto de vista econômico, é uma grande desvantagem para o produtor, uma vez
que a água está se tornando um bem altamente valorizado.
Em um mundo onde, de acordo com as Nações Unidas, 1 bilhão de pessoas
sofre de fome crônica e má nutrição, e 24 mil morrem diariamente de causas
relacionadas a esses problemas, entre estes, 18 mil são crianças.
A situação é mais grave na Somália, onde 29 mil crianças morreram de julho a
setembro – uma média de 300 por dia – e 640 mil estão subnutridas, podendo
morrer nos próximos meses. Cerca de 3,2 milhões de somalianos (quase metade da
população) dependem de doações de alimentos para sobreviver. A ONU
(Organização das Nações Unidas) decretou crise de fome no país em 20 de julho.
O estado de emergência é declarado quando a fome atinge 20% das famílias e o
índice de subnutrição ultrapassa 30% da população infantil. Na região de Bay,
uma das seis em estado crítico na Somália, a taxa de desnutrição entre crianças é
de 58%, a mais alta no país.
Desde os anos 1980, foi a primeira vez que a ONU declarou crise de fome no
continente africano. Todos os dias, centenas de pessoas partem de suas cidades
em direção a acampamentos improvisados na capital, Mogadíscio, e nos
arredores. As barracas já abrigam mais de 400 mil somalianos.
Campos de refugiados mantidos pela ONU como o de Dadaab, na fronteira com
o Quênia, tornaram-se refúgio para os exilados. O campo foi criado em 1991 para
receber refugiados da guerra civil da Somália e hoje é o maior do mundo, com
440 mil pessoas. Desde o começo do ano, recebeu mais 170 mil refugiados por
conta da fome, e o número aumenta a cada dia. Faz-se necessário questionar se
as terras do planeta se destinarão preferencialmente a atender aos cerca de 800
milhões de proprietários de automóveis, ou à garantia da segurança alimentar
mundial. E mais, se o Sul continuará a desempenhar o papel de fornecedor da
matéria prima necessária para possibilitar ao Norte manter seu padrão de
Atualidades
Prof. Nilton Matos 109
consumo. O caso mais conhecido de impactos da demanda por etanol sobre a
segurança alimentar vem ocorrendo no México, atualmente grande fornecedor
de milho para fabricação de biocombustível para os EUA. Nos últimos anos,a
exportação do grão levou a um aumento exponencial (em algumas regiões
chegou a 100%) do preço da tortilla de milho, base da alimentação de mais de
50% da população mexicana. Em proporção parecida, também houve aumento
da ração animal (gado, aves, suínos e outros) e das sementes para plantio.
CRISE MUNDIAL DE ALIMENTOS
Os alimentos estão mais caros e, no mundo todo, o tema deixa autoridades em
alerta e esquenta debates em torno das possíveis causas para a escassez de
comida.
Para explicar a crise atual, no entanto, não é possível eleger um “vilão”
específico. Segundo especialistas, são muitos os fatores que culminaram no
cenário de inflação agravado desde 2008.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e
Alimentação (FAO) os principais fatores que influenciam a alta dos preços dos
alimentos relacionam-se ao(s):
1ª - O aumento da demanda.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 110
2ª - Biocombustíveis.
3ª - Condições climáticas desfavoráveis.
4ª - A alta do petróleo.
Durante seu segundo mandato, o ex-presidente Lula transcreveu o slogan “O
Petróleo é Nosso” da era Vargas para “O Biodiesel é Nosso”. Começam a
aparecer propostas que representam um consenso mundial em tornar as políticas
públicas ambientalmente mais sustentáveis. Mas até onde vai a vontade política?
Em que medida os governos e o mercado têm direito de transformar a
agricultura produtora de alimentos em produtora de combustível? É um debate
ético urgente. Ou, mais que ética, quando esta em jogo a sobrevivência mais
básica da população mundial e seu direito fundamental à comida e à água.
HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE
O Projeto de construção da usina de Belo Monte tem cerca de 30 anos. Ela
nasceu de estudos feitos pela estatal Central Elétricas do Norte do Brasil
(Eletronorte), empresa que fornece energia elétrica aos nove estados da
Amazônia Legal. A previsão é que, em janeiro de 2015, a concessionária que
venceu o leilão ligará a primeira máquina da usina e começará a gerar energia.
Apesar de o projeto prever a capacidade instalada de 11.233 MW, a oferta
média de energia não passará de 4.500 MW médios.
A relação entre potência instalada e geração firme que poderá ser extraída da
usina será de 40% do poder das turbinas que receberão as águas do Rio Xingu. É
uma das piores relações potência/energia firme do sistema elétrico brasileiro.
Além disso, existem inúmeros impactos ambientais, socioeconômicos e histórico-
culturais que serão gerados com a construção da usina. Mais de 600 km2 serão
inundados, forçando a retirada de populações ribeirinhas e de várias reservas
indígenas. Nas áreas inundadas, muitas plantas sofrerão processos de
apodrecimento, decorrentes da não adaptação as inundações, gerando a
emissão de gases do efeito estufa.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 111
VAZAMENTO NA BACIA DE CAMPOS (RJ)
O vazamento de milhares de litros de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de
Janeiro, evidenciou o quanto o governo brasileiro está despreparado para lidar
com acidentes dessa natureza.
O acidente aconteceu no Campo do Frade, localizado a 120 km do litoral
fluminense, no dia 8 de novembro. Ainda não se sabe ao certo a extensão do
desastre e nem o impacto à biodiversidade marinha e à pesca na região.
A multinacional Chevron do Brasil, que explora o campo, assumiu a
responsabilidade pelo derramamento de óleo. No dia 23 de novembro, a ANP
(Agência Nacional do Petróleo) determinou a suspensão das atividades da
empresa no país até que sejam explicadas as causas e identificados os
responsáveis pelo acidente.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 112
A ANP também negou o pedido de abertura de um novo poço no Campo do
Frade, que teria como objetivo atingir a camada pré-sal. A empresa americana
explora 12 poços na Bacia de Campos e produz 79 mil barris diários.
A Chevron já recebeu multas de R$ 50 milhões e de R$ 100 milhões, aplicadas,
respectivamente, pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis) e pela ANP. O Estado do Rio de Janeiro também entrou com
uma ação civil pública para pedir indenizações de R$ 100 milhões.
A mancha de óleo se estendeu por uma área de 163 quilômetros quadrados, o
equivalente a 16,3 mil campos de futebol. No último dia 22, a ANP informou que a
mancha havia sido reduzida a dois quilômetros quadrados.
O volume vazado seria o correspondente a 2,4 mil barris (381,6 mil litros), de
acordo com a Chevron. Dezenas de espécies de baleias, golfinhos e pequenos
cetáceos que usam a Bacia de Campos como rota de migração podem ser
afetados pelo óleo.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 113
Em janeiro de 2000, 1,3 milhão de litros de óleo vazaram na Refinaria Duque de
Caxias, da Petrobras, na Baía de Guanabara. Em julho do mesmo ano, outros 4
milhões de litros de óleo cru foram derramados da Refinaria Presidente Getúlio
Vargas, em Araucária (PR).
A Bacia de Campos possui as maiores reservas de petróleo do Brasil e responde
por 80% de toda a produção nacional do minério. Há quatro anos foi anunciada
as descoberta de uma imensa reserva na camada pré-sal, o que tornaria o Brasil
um dos principais produtores e exportadores mundiais de petróleo e derivados.
Há hoje 140 plataformas marítimas em atividades nas bacias de Campos,
Santos e Espírito Santo, a maioria pertencente à Petrobras.
O vazamento no Campo do Frade serviu de alerta para a falta de fiscalização
e de preparo do Estado em prevenir e conter desastres ambientais provocados
por derramamento de óleo, na exploração de petróleo na camada pré-sal. Como
o pré-sal fica distante da costa, medidas de segurança envolvem custos mais altos
e complexa logística na sua adoção.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 114
No ano passado, após o desastre ocorrido no Golfo do México, um dos maiores
vazamentos do mundo, o governo brasileiro se comprometeu em criar um Plano
Nacional de Contingência para Derramamento de Óleo.
O objetivo do plano seria preparar uma estratégia de contenção de
vazamentos de grandes proporções, evitando a degradação ambiental,
contaminação da fauna e da flora marinhas e prejuízos à pesca e turismo. De
acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o projeto está em fase de conclusão e
será enviado ao Congresso para ser votado.
PRODUÇÃO NUCLEAR BRASILEIRA
Em setembro de 2011, o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou
que o Brasil deve manter os planos para concluir a terceira usina nuclear do país e
construir outras quatro após ter revisado de maneira satisfatória a segurança das
duas usinas que estão atualmente em operação.
Após o acidente nuclear em Fukushima, no dia 11 de março deste ano, vários
países decidiram revisar seus programas nucleares em diferentes setores.
O Brasil opera duas usinas nucleares com tecnologia alemã em Angra dos Reis,
no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Angra I, com capacidade de 657
megawatts, entrou em operação plena em 1982 e Angra II, com uma potência de
1.350 megawatts, em 2001.
A terceira usina, Angra III, já está em construção e deve começar a funcionar,
com uma capacidade de geração de 1.300 megawatts, em 2015.
O Governo definirá somente em 2012 os locais nos quais serão construídas as
outras quatro usinas, embora o ministro tenha admitido que duas delas vão estar
localizadas no sudeste do país e as outras duas no nordeste.
A reserva conhecida de Urânio no Brasil é de 309.000 toneladas, sendo a 6ª
reserva mundial.
Essa reserva corresponde a apenas 30% do território prospectado, apenas até
100 m de profundidade e seria suficiente para operar Angra I, II e III por mais 520
anos.
Fukushima não foi o primeiro acidente nuclear da história, nem tão pouco o
pior.
Em 1986, O desastre em Chernobyl, na Ucrânia, foi o mais grave da história.
Uma falha no resfriamento causou a explosão do reator, mas as autoridades
levaram 30 horas para orientara população a sair, tarde demais: o então governo
soviético admitiu 15 mil mortes, mas, pelas contas de organizações não
governamentais foram pelo menos 80 mil vítimas.
Um exército de operários, sem equipamento apropriado, passou seis meses
construindo uma estrutura de isolamento sobre o reator. Nenhum trabalhador
sobreviveu.
Após 25 anos, os níveis de radiação baixaram e o governo da Ucrânia abriu a
área para a visitação. Na cidade abandonada, a cena é fantasmagórica: as
construções ainda guardam os símbolos do regime soviético, que controlava a
vida e a morte das pessoas.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 115
No Brasil, em 1987, o acidente com o césio-137 atingiu Goiânia, quando uma
cápsula com 19 gramas do elemento radioativo foi aberta em um ferro-velho.
Quatro pessoas morreram no mês seguinte devido à exposição aguda à
radiação. Este é o número oficial de mortes considerado pela Secretaria da Saúde
do Estado de Goiás, que tem hoje 943 vítimas cadastradas para receber
acompanhamento no Centro de Assistência aos Radioacidentados Leide das
Neves Ferreira (fundado no ano seguinte para atender a população afetada).
Apesar dos acidentes citados, ressalta-se que a produção nuclear é considerada
uma das mais seguras do mundo, porém passível de desastres, como os que foram
mencionados.
Aspectos Positivos
Atualidades
Prof. Nilton Matos 116
- Não há emissões de gases de efeito estufa
- Poucas limitações de recursos
- Alta densidade energética
Aspectos Negativos
- Sem solução para eliminação dos resíduos
- Operação arriscada e perigosa
- Muito intensivo em capital
IRÃ E A QUESTÃO NUCLEAR
O Conselho de Diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)
adotou, no dia 18 de novembro de 2011, uma nova resolução contra o Irã,
expressando sua profunda preocupação quanto à suspeita dimensão militar de
seu programa nuclear. Como resposta a essa resolução, dezenas de manifestantes
invadiram, no último dia 29 de novembro, o prédio da embaixada do Reino Unido
em Teerã, capital do Irã.
Os manifestantes, que protestavam contra as sanções de Londres a Teerã por
causa de seu programa nuclear, também quebraram as janelas com pedras e
queimaram bandeiras britânicas e israelenses. O Parlamento iraniano aprovou
uma lei que reduz as relações diplomáticas ao nível de encarregado de negócios
e prevê a expulsão do embaixador britânico em um prazo de duas semanas. A
decisão foi adotada em represália às novas sanções econômicas contra o Irã
anunciadas pelo Reino Unido, em conjunto com Estados Unidos e Canadá, depois
da publicação de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica
(AIEA) que evidencia as suspeitas dos ocidentais de que o Irã tenta produzir
armamento nuclear.
O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse, após a resolução, que
a decisão apenas fortalece a determinação iraniana de prosseguir com suas
atividades nucleares. O presidente Barack Obama "ressaltou em diversas ocasiões
Atualidades
Prof. Nilton Matos 117
que estamos decididos a evitar que o Irã adquira bombas nucleares" porque isso
"representaria um grave atentado à paz regional e à segurança mundial".
O governo americano indicou que a AIEA aprovou a resolução "porque
trabalhamos com outros (países) para construir uma extensa coalizão internacional
para pressionar e isolar o regime iraniano, incluindo sanções sem precedentes
contra o regime".
Atualidades
Prof. Nilton Matos 118
O Reino Unido e a Alemanha afirmaram, no dia 1º de dezembro, em Bruxelas,
que pretendem isolar financeiramente o governo iraniano, em um momento em
que se intensifica a crise diplomática entre Teerã e Londres após os ataques e
saques da sede da representação britânica na capital iraniana.
No mesmo dia, os senadores norte-americanos votaram a favor de incluir a
medida, que visa a isolar o Banco Central do Irã do sistema financeiro mundial, no
projeto de lei de financiamento do Pentágono para 2012.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 119
A medida, incluída através de emenda, autoriza o presidente Barack Obama a
congelar os ativos de qualquer instituição financeira estrangeira que negocie com
o Banco Central iraniano no setor petroleiro, e também impede o trabalho destas
entidades nos Estados Unidos.
O presidente tem autoridade para suspender as sanções em caso de força
maior ou por razões humanitárias, e sua adoção também depende do
fornecimento de petróleo suficiente por parte de outros países para não perturbar
o mercado mundial do produto.
PERSPECTIVAS NUCLEARES APÓS DESASTRE EM FUKUSHIMA
O desastre na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi no nordeste do Japão
chamou mais uma vez a atenção sobre a segurança da energia nuclear. O
desastre irá criar reações em diferentes graus, de critérios mais severos de
segurança (que subirão os preços de construção e diminuirão a aprovação de
usinas) até mais resistência política e pública para o uso da energia nuclear.
Mesmo assim, a energia nuclear aparenta continuar como uma parte significante
do total global de produção energética, uma vez que as alternativas com maior
viabilidade fazem com que a dependência em relação a combustíveis fósseis
poluentes cresça. A China, em particular, está preparada para expandir sua
indústria nuclear de forma massiva na próxima década. Ainda que a escala desses
planos não pareça realista, em termos do conjunto global, o crescimento do
poder nuclear na China irá, parcial ou integralmente, equivaler aos fechamentos e
suspensões de usinas nos outros lugares.
Antes de acontecer o desastre japonês, a energia nuclear parecia prestes a
um renascimento cauteloso. O setor é responsável por perto de 14% da geração
global de energia. Suas principais vantagens são que esse tipo de usina possibilita
uma energia mais barata quando estão construídas e funcionando (tirando os
altos custos iniciais) e não produz emissões de carbono. A energia nuclear é
atraente também para países altamente dependentes da importação de
hidrocarbonetos, e para aqueles com demanda de potência com crescimento
acelerado e que não são inteiramente abastecidas com a energia fóssil, apenas.
Japão e Coreia do Sul, ambas consumidores entusiastas da energia nuclear,
caíram na primeira categoria. Antes do desastre de 11 de março invalidar os
reatores de Fukushima Daiichi e forçar o desligamento de tantos outros, o Japão
tinha 54 usinas operáveis de acordo com a Agência Internacional de Energia
Atômica (AIEA), atrás somente dos Estados Unidos (com 104) e da França, com 58.
Esse tipo de energia foi responsável por 27% do total da energia gerada pelo
Japão em 2010. A Coreia do Sul tem menos usinas em operação – 21 no total –
mas isso gerou 33% da eletricidade do país ano passado.
A segunda categoria de países para os quais a energia nuclear manteve sua
atratividade é daqueles de crescimento e desenvolvimento acelerado como
China e Índia. Em ambos, a combinação de fatores, como uma população
massiva, crescimento econômico acelerado e uma grande dependência em
carvão, fez com que as autoridades encarassem a energia nuclear como uma
Atualidades
Prof. Nilton Matos 120
maneira de elevar a segurança energética e combater a poluição do ar. O
carvão continua sendo o principal combustível em ambos os países, mas reduzir
sua parcela na geração de potência surgiu como um elemento-chave para
políticas energéticas. Ambos os países tem planos ambiciosos para construção de
usinas nas próximas décadas.
O que exatamente os recentes eventos no Japão significarão para a indústria
global permanece sem clareza. O esperado era que aumentasse a visibilidade e
foco na questão da segurança, mas no mundo em desenvolvimento em particular
a necessidade causada pela crescente demanda de energia ultimamente
parece superar tais preocupações. A China, por exemplo,foi rápida em fazer
simbólicas manifestações sobre a sua necessidade de se aproximar devagar e
cuidadosamente da aprovação e construção de suas estações nucleares.
Em outras partes do mundo, o impacto do incidente de Fukushima Daiichi nas
perspectivas da indústria nuclear parecem estar misturados. O Japão está,
seguramente, na posição mais difícil. Isso não só porque o desastre desligou usinas
térmicas e nucleares que significavam uma porcentagem grande ta capacidade
de geração total. Também foi porque as opções de energia não nuclear são
muito limitadas. Maior importação de carvão e óleo, em particular, será necessária
para acertar a questão energética até que a situação nuclear se torne mais clara.
A maioria dos grandes usuários da energia nuclear – Estados Unidos, França,
Rússia e Reino Unido – estão se agarrando, de diferentes maneiras, com o mesmo
problema essencial de possuir reatores velhos que precisam ser substituídos. A
extensão de quais precauções com segurança representarão um obstáculo para
o processo de melhoramento parece variar.
A França anunciou uma revisão da segurança, mas o país seguramente está
muito comprometido com a energia nuclear, que representa 77% da geração,
para mudar de curso dramaticamente. Também há um consenso antigo de todos
partidos políticos em apoiar a energia nuclear.
COP-17: DURBAN, ÁFRICA DO SUL.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 121
A COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações
Unidas), na cidade sul-africana de Durban, enfrenta grandes desafios para manter
viva a luta contra a mudança climática.
O acordo de cooperação entre países foi firmado em 1992 durante a Cúpula
da Terra, realizada no Rio de Janeiro.
A 17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas teve
início dia 28 de novembro e irá até o dia 9 de dezembro. É um fórum multilateral
mais amplo (com 195 países) para discutir e adotar medidas contra o
aquecimento global.
O texto aprovado reconhece que há uma lacuna entre a redução de
emissões proposta pelos países e os cortes necessários para conter o aquecimento
médio do planeta em 2 graus acima da era pré-industrial, objetivo acordado na
última cúpula climática, em Cancún, no final do ano passado.
Cita-se a formação de um grupo de trabalho para conduzir a criação desse
instrumento, que deve ser concluída em 2015. A implementação deve acontecer
a partir de 2020. O processo é denominado "Plataforma de Durban para Ação
Aumentada".
Segundo o texto, ele deve levar em conta recomendações do novo relatório
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em
inglês), ainda por ser lançado. Estima-se que as avaliações científicas sobre as
medidas para conter o aquecimento global devam ser mais severas.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 122
Protocolo de Kyoto
Além do texto que prevê a criação de um novo instrumento internacional para
que os países reduzam suas emissões de carbono, foi aprovado também um
segundo período do Protocolo de Kyoto, único acordo legalmente vinculante de
redução de gases causadores de efeito estufa atualmente em vigor e que expira
em 2012. O novo período vai, pelo menos, até 2017.
O texto pretende "garantir" que até 2020 as reduções de emissões dos países
envolvidos (basicamente os da União Europeia e a Austrália) sejam de, pelo
menos, 25 a 40% em relação aos níveis de 1990. Como anexo, o acordo tem uma
tabela com metas de redução para os países.
Fundo verde
Atualidades
Prof. Nilton Matos 123
Aprovou-se ainda, neste sábado, um texto que aprofunda o funcionamento
do "fundo verde" climático. A Coreia do Sul, de acordo com o texto, ofereceu
recursos para dar início a seu funcionamento.
Mas um outro artigo "convida" as partes a contribuírem para o fundo. Um dos
temores na COP 17 era que se estabelecesse o funcionamento desse mecanismo,
mas que ele virasse uma "casca vazia", sem dinheiro suficiente para ser efetivo.
Esse risco, diante da pouca disponibilidade de contribuição mostrada pelas partes
em Durban, é iminente.
Centro Tecnológico
Outros itens acordados na última conferência do clima, em Cancún, como a
criação de um Centro de Tecnologia do Clima, foram aprovados. Definiu-se que
ele deve ser estabelecido no próximo ano
Negociação
O acordo foi discutido durante duas semanas. A conferência terminaria nesta
sexta-feira, mas impasses nas negociações fizeram com que demorasse um dia a
mais. A aprovação veio na madrugada do sábado, ministros e delegados já
exaustos, vários deles cochilando no plenário.
Boa parte das negociações aconteceram em "indabas", reuniões que a
presidência sul-africana da conferência convocou nos moldes das tradicionais
reuniões de anciãos zulus.
A metodologia sul-africana preza pela transparência para evitar que o
processo se corroesse por haver conversas paralelas, deixando algumas partes de
fora - o que prejudicou, por exemplo, a conferência do Clima de Copenhague,
em 2009.
Em 2010, a cúpula de Cancún (COP-16), no México, devolveu a esperança de
se obter um acordo internacional para a luta contra a mudança climática depois
do fracasso da edição de Copenhague (COP-15).
Atualidades
Prof. Nilton Matos 124
Apesar de não ter apresentado solução à questão mais complexa – a
renovação de um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto –, a
reunião mexicana conseguiu despertar a vontade dos países emergentes de se
comprometer com a redução das emissões, uma das principais exigências das
economias ocidentais.
Além disso, foi criado o Fundo Verde para o Clima, que disponibilizará aos
países em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 voltados para
energias mais "limpas" e ao combate das alterações climáticas.
Cancún designou um Comitê Transitório para traçar os mecanismos do fundo,
que canalizará as contribuições dos países ricos aos em desenvolvimento, cujo
objetivo é criar um novo marco econômico em que todos concorram em
igualdade de condições.
O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que entrou em vigor em 2005,
estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de
gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos e a União Europeia. O acordo
não foi ratificado pelos Estados Unidos e não obriga que China, Índia e Brasil o
cumpram por serem economias emergentes.
O protocolo expira em 2012 e os negociadores estudam um segundo período
de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional
juridicamente vinculativo.
Os países em desenvolvimento consideram imprescindível que as economias
ocidentais ratifiquem esse segundo período de compromisso do Protocolo,
enquanto Rússia, Japão e Canadá anunciaram que não renovarão o tratado
enquanto seus concorrentes comerciais, China, Índia e Estados Unidos não
assumirem compromissos similares. Os países voltarão a se reunir no Catar (COP-18)
ao final de 2012. No entanto, caso não se acerte em Durban um segundo período
de compromisso do Protocolo de Kyoto, ele expirará em 2012, invalidando o único
acordo de vínculo legal para a redução de emissões de gases de efeito estufa.Em
2012, será comemorado 40 anos da primeira conferência realizadas pelas Nações
Unidas, em Estocolmo (ECO-72), na Suécia.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 125
AÇÃO DA CHINA E DA ÍNDIA CONTRA A
MUDANÇA CLIMÁTICA
É MAIOR DO QUE SE IMAGINA
No ano passado, David Wheeler, um
pesquisador do Centro para o Desenvolvimento
Global em Washington, D.C., calculou que, se
nada mudasse, em 2075 as emissões de gases
de efeito estufa da Índia e da China combinadas
equivaleriam a todas as emissões atuais e do
passado dos países mais ricos do mundo. Em
outras palavras, mesmo que pudéssemos fazer
desaparecer num passe de mágica os impactos
climáticos de todas as revoluções industriais que
aconteceramantes dos anos 90, isso faria pouca
diferença. Sem uma mudança dramática na
forma como a Índia e a China fazem negócios,
apenas postergaríamos o acerto de contas em
algumas décadas; em 2060, estaríamos
novamente no mesmo ponto em que estamos
agora, correndo contra o relógio para evitar a
catástrofe.
Quando o Protocolo de Kyoto estava sendo
negociado no começo dos anos 90, a Índia e a
China mal haviam começado seu estonteante
desenvolvimento das duas últimas décadas. O
momento que foi um marco, há 18 meses,
quando a China ultrapassou os EUA como o
maior emissora de dióxido de carbono do
mundo, mal podia ser imaginado na época.
Ambas as nações haviam sido agrupadas
juntamente com outros países em
desenvolvimento.
Até três anos atrás, a mudança climática
não era um tema presente no debate público da
China, embora na época a nação mais populosa
do mundo tivesse apresentado a maior e mais
rápida revolução industrial da história.
Isso só mudou quando os líderes chineses
começaram a perceber que sua situação de
maior emissor do mundo não poderia mais ser
ignorada.
Os líderes também tiveram de lidar com o
fato de que o modelo econômico sobre o qual se
baseavam - de produtos baratos voltados para a
exportação, com pouco valor agregado - estava
perdendo força.
Especialistas das universidades do país
foram convocados para informar aos líderes
sobre os efeitos que a mudança climática
poderia ter para o futuro da China.
Sua mensagem foi severa: a prosperidade
que o Partido Comunista havia prometido, e da
qual depende sua contínua reivindicação do
monopólio do poder político, estaria ameaçada.
As reservas de água do país estavam
vulneráveis; sua segurança alimentar não
poderia ser garantida; as cidades recém-
construídas no litoral seriam inundadas pelo
aumento do nível dos oceanos. Partes do sul e
do leste do país estavam vulneráveis a
tempestades tropicais.
O tema da mudança climática, que antes
era tabu, logo se transformou numa aula
obrigatória de cidadania.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 126
O carvão continua o principal motor da
economia, mas a China agora também tem
as maiores instalações de energia solar e
eólica.
A Índia poderia ser vista como um
problema maior. O desenvolvimento da
Índia foi mais lento, o que significa que
suas necessidades futuras serão maiores. E
enquanto Pequim compreende que só a
política não salvará o país de um clima em
mudança, para o governo da Índia e para a
maior parte de sua sociedade civil
altamente ativa, falar de atenuação continua
sendo uma conspiração contra o interesse
nacional.
Como a China, a Índia empreendeu
uma corrida tardia em direção a um futuro
de baixas emissões, anunciando planos
ambíguos para energia solar e outros
projetos de desenvolvimento, incluindo
uma estratégia nacional para a água, planos
para agricultura sustentável e a substituição
das estações de energia ineficientes a base
de carvão. Quase todas as noites em Nova
Déli, há reuniões públicas lotadas para
discutir a mudança climática, e as empresas
indianas são bem mais eficientes do que as
empresas públicas da China em se
responsabilizar pelas emissões e reduzí-las.
Nas semanas antes de Copenhague, a
Índia começou a sinalizar uma nova
flexibilidade - ansiosa, talvez, para se livrar
de sua imagem obstrutiva. A China
anunciou que irá obrigar as empresas locais
a responderem por suas emissões e a
reduzí-las. Essas são ofertas sérias que
demandam uma resposta séria. Mas
nenhum país acredita que é possível um
acordo forte em Copenhague.
Isabel Hilton
(22 de novembro de 2009)
Atualidades
Prof. Nilton Matos 127
BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO
O buraco na camada de ozônio é causado por reações químicas na
estratosfera, a camada superior da atmosfera, provocadas por substâncias como
os clorofluorcarbonos (CFC), cujo uso em produtos industrializados foi restringido
pelo Protocolo de Montreal, que entrou em vigor em 1989.
Apesar do tratado, o efeito dessas substâncias ainda deve se fazer sentir na
atmosfera por décadas. Acredita-se que a o buraco sobre a Antártida esteja
recuperado até 2060. O ozônio bloqueia raios ultravioletas do Sol, que podem
causar câncer de pele e outras doenças.
Um estudo da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) revelou, em 2010,
que a camada de ozônio ficou estável na última década, com o buraco em sua
superfície mantendo o mesmo diâmetro, sem diminuir, nem aumentar.
Esses estudos foram divulgados no Dia Internacional pela Preservação da
Camada de Ozônio, o trabalho foi feito e revisado por 300 cientistas ligados ao
órgão da ONU.
O Protocolo de Montreal é apontado como um dos responsáveis pela
preservação da camada pelos especialistas. O montante de substâncias
degradadoras de ozônio, lançadas na atmosfera em 2010, foi cinco vezes menor
do que o previsto pelo acordo de Kyoto para o período entre 2008 e 2012. O
índice que leva em conta a diminuição das emissões expressas em CO2.
A expectativa é que a camada de ozônio volte a ser restaurada nas próximas
décadas. Com a interrupção nos aumentos dos buracos na Antártida e no Ártico,
o nível da película protetora da Terra deve retornar durante o meio do século 21
ao padrão anterior a 1980, época da criação do Protocolo de Montreal.
Cientistas anunciaram em outubro de 2011 que foi aberto um buraco na
camada de ozônio sobre o Ártico de dimensão equivalente a cinco vezes o
tamanho da Alemanha, igualando-se ao que existe sobre a região da Antártida.
Provocado por um frio excepcional no Pólo Norte, este buraco se moveu
durante 15 dias sobre o leste europeu, Rússia e Mongólia, expondo as populações
Atualidades
Prof. Nilton Matos 128
em alguns casos a níveis elevados de radiação ultravioleta. Os cientistas
afirmaram ainda que, a cerca de 20 quilômetros acima da superfície terrestre, 80%
do ozônio tinha desaparecido.
O frio intenso continua a ser o fator principal da destruição do ozônio. Pelo
efeito do frio, o vapor da água e as moléculas de ácido nítrico se condensam e
formam nuvens nas camadas inferiores da atmosfera. Nessas nuvens o cloro é
formado e finalmente provoca a destruição do ozônio.
Observações de satélites feitas entre o inverno de 2010 e a primavera de 2011
mostraram que a camada de ozônio foi afetada entre 15 e 23 km de altura. As
perdas mais importantes - mais de 80% - foram registradas entre os 18 e 20 km.
Além das emissões liberadas na queima de combustíveis fósseis, o problema do
derretimento do gelo nos solos ártico e antártico pode ser um sério problema
futuro. A quantidade de gases-estufa liberados até 2100 pelo derretimento do
permafrost (o solo congelado do Ártico e da Antártida) poderá ser até cinco vezes
maior do que se imaginava. Para piorar, esses gases serão ricos em metano, que
tem um alto poder de "multiplicar" o aquecimento global.
A afirmação é de mais de 40 cientistas da Rede de Carbono do Permafrost,
liderados por Edward Schuur e Benjamin Abbott, em artigo na revista científica
"Nature".
De acordo com a equipe de cientistas, a falta de estudos fez com que, até
agora, a quantidade certa de carbono contido no permafrost fosse subestimada,
assim como seus potenciais efeitos sobre o clima global.
NOVO CÓDIGO FLORESTAL
Criado em 1965, o Código Florestal regulamenta a exploração da terra no
Brasil, baseado no fato de que ela é bem de interesse comum a toda a
população.
Ele estabelece parâmetros e limites para preservar a vegetação nativa e
determina o tipo de compensação que deve ser feito por setores que usem
matérias-primas, como reflorestamento, assim como as penas para responsáveis
por desmate e outros crimes ambientais relacionado. Sua elaboração durou mais
de dois anos e foi feita por uma equipe de técnicos. A lei que está em vigor tem 46
anos. Agora, o Congresso Nacional prepara um novo texto.O projeto foi
aprovado na Câmara dos Deputados em maio e desde então tramita no Senado.
No dia 23 de novembro, o relatório foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente
do Senado.
A área destinada à Reserva Legal continua a mesma do texto aprovado pela
Câmara de Deputados. Na Amazônia Legal, ela deve corresponder a 80% da
propriedade; no cerrado, a 35%; e nas outras regiões país, a 20%.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 129
Uma mudança foi abrir exceção para as pequenas propriedades. Aquelas
com até quatro módulos fiscais ficariam isentas de recompor a Reserva Legal. O
módulo fiscal varia de estado para estado. Quatro módulos podem ir de 20 a 440
hectares. Outra mudança é que mesmo nas propriedades com menos de quatro
módulos, as matas ciliares, nas margens de rios, devem ser recuperadas. Os rios
com até dez metros de largura devem ter uma faixa de mata com no mínimo 15
metros em cada margem. Nos rios com mais de dez metros, a faixa pode variar de
um mínimo de 30 a um máximo de cem metros.
As chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs) são os terrenos mais
vulneráveis em propriedades particulares rurais ou urbanas. Como têm uma maior
probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente, devem ser
protegidas. É o caso das margens de rios e reservatórios, topos de morros, encostas
em declive ou matas localizadas em leitos de rios e nascentes. A polêmica se dá
porque o projeto de Rebelo flexibiliza a extensão e o uso dessas áreas,
especialmente nas margens de rios já ocupadas.
As regras agradaram ao Ministério do Meio Ambiente. “Está no equilíbrio entre
o que é possível permitir de ocupação e o que é o mínimo necessário de
recuperação para manter as funções ecológicas das florestas”, justifica Bráulio
Dias, secretário da Biodiversidade do ministério. Uma das mudanças no texto foi o
artigo 11, que proibia o uso do solo para atividades agrícolas em encostas com
inclinação entre 25 e 45 graus. Por pressão da bancada ruralista, uma nova
emenda modificou esse item. O novo código passaria a permitir o uso dessas
áreas. Só seria proibida a utilização das encostas e morros com inclinação acima
de 45 graus.
Um dos pontos de maior discussão foi o das multas por retirada de vegetação
em Reserva Legal e APP, Área de Preservação Permanente. Elas não seriam
cobradas pelas infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008. A partir dessa
data, o pagamento em dinheiro seria convertido em serviços de preservação e
recuperação do meio ambiente.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 130
O biólogo Ricardo Rodrigues integrou o grupo técnico da SBPC, Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência, e da ABC, Academia Brasileira de Ciências,
na discussão sobre o novo Código Florestal.
“A negociação política foi mais forte do que a sustentação técnica. Os pontos
positivos são a exigência da restauração de algumas áreas, a política
diferenciada ambiental e agrícola para a propriedade familiar e reforçar a
possibilidade de pagamento por serviços ambientais. Já os principais pontos
negativos são considerar que a áreas que já foram degradadas são áreas
consolidadas até 2008 e as matas ciliares só serão recuperadas parcialmente”.
ETANOL E O PROBLEMA DA ENTRESSAFRA
Preço do álcool dispara e chega a custar R$ 2,40 em algumas cidades.
O preço do álcool está mais de 20% mais caro do que em 2010 e a situação
deve piorar, pois a entressafra da cana está só começando. Os motoristas que
têm carro flex estão preferindo abastecer com gasolina. Para os representantes do
setor, o problema está no campo, já que a colheita da cana diminuiu por causa
do clima mais seco e frio e também por falta de renovação dos canaviais.
No Acre, o litro do etanol já passou de R$ 2,40 e custa em média R$ 2,52, o
preço mais alto do país. Em quase todos os estados, o preço do álcool passa de
R$ 2,00. As únicas exceções são Goiás (preço médio: R$ 1,98) e São Paulo (preço
médio R$ 1,91), que é o maior produtor do país. Mesmo assim, no litoral do estado
os motoristas têm reclamado do aumento.
A produção de álcool caiu 20%, enquanto a frota de carros flex aumentou.
Diante da disparada no preço, o motorista só tem uma opção: abastecer com
gasolina. O rendimento do álcool é bem menor e para compensar, o litro tem que
custar 30% a menos que a gasolina.
O governo de Ernesto Geisel foi o responsável por criar o Programa Nacional do
Álcool, o Proálcool, em 1975, com o intuito de substituir combustíveis derivados do
petróleo, como a gasolina, por uma fonte alternativa e renovável.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 131
Foi desenvolvido para evitar o aumento da dependência externa de divisas
quando dos choques de preço de petróleo.
O alto preço do barril estimulou o governo brasileiro a criar regras para que,
num primeiro momento, o álcool anidro fosse adicionado à gasolina como forma
de diminuir a importação dos barris em meio às crises no Oriente Médio.
O consumidor responde à disparada dos preços do álcool. Na semana
passada, as vendas pelas distribuidoras caíram 40% no país, em relação à média
semanal de Novembro e Dezembro de 2010, de cerca de 160 milhões de litros.
Os dados, referentes a 60% do mercado, são do Sindicom (sindicato dos
distribuidores de combustíveis). Do início da entressafra, em novembro, até as
últimas semanas, os preços do etanol subiram 22% no país.
O fato é que desde a crise de 2008 houve poucos investimentos em aumento
de capacidade e a oferta de álcool não acompanha o ritmo de crescimento da
demanda.
Na última safra, a oferta aumentou 2,7 bilhões de litros. "Mas isso ficou muito
aquém, não conseguimos responder à velocidade da demanda com a mesma
Atualidades
Prof. Nilton Matos 132
agilidade", completa o secretário de Agroenergia do Ministério da Agricultura,
Manoel Bertone.
GÁS NATURAL
Hoje, o gás natural é um combustível largamente utilizado no mundo todo,
respondendo por cerca de 20% do total da produção de energia. Algumas
projeções apontam que em 2020 haverá um aumento no consumo da ordem de
86%. Pode ser usado na forma liquida ou gasosa e há grandes reservas de gás no
planeta. Outra vantagem do seu uso está na menor quantidade de poluição que
provoca na atmosfera, comparativamente ao petróleo e ao carvão.
Nos EUA, o gás natural vem sendo cada vez mais utilizado como fonte
energética, embora sua exploração seja mais difícil e requeira altos investimentos,
mesmo para o transporte por meio de gasodutos. Por outro lado, nem sempre a
construção de gasodutos que tenham, por exemplo, de atravessar mais de um
país ou caminhos extremamente longos, pode viabilizar os projetos. As maiores
reservas do mundo estão na região do Mar Cáspio, norte da África e Rússia,
bastante distantes das principais economias mundiais, o que dificulta e encarece
o uso dessa fonte de energia. No Brasil cresce também o uso de gás natural,
representando atualmente 8% do consumo total de energia. A maior parte do gás
natural brasileiro é retirada da Bacia de Campos, onde se encontra a nossa maior
reserva dessa fonte de energia.
O funcionamento do gasoduto Bolívia-Brasil foi muito importante para o setor
energético brasileiro, gerando um considerável aumento na oferta de gás natural
no país.
Esse gasoduto tem 2.593 km de extensão em território nacional e 557 km na
Bolívia, e custou aproximadamente 2 bilhões de dólares. A rede de dutos atravessa
os Estados de Mato grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul e beneficia indiretamente Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O município de Corumbá é a porta de entrada do Gasoduto Bolívia-Brasil no
país.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 133
O Estado de São Paulo recebe 75% do gás natural boliviano. Os principais
setores beneficiados diretamente pelo gás são os de química e petroquímica,
papel e celulose, metalurgia e de alimentos e bebidas, além de ser o combustível
também utilizado em veículos, em diversasregiões do estado. O presidente da
Bolívia, Evo Morales, quando foi eleito em 2005, afirmou, em La Paz, que pretende
estreitar as relações do governo boliviano com empresas estatais que exploram e
produzem petróleo e gás natural. “Vamos fortalecer as relações com petrolíferas
de Estado”, disse Morales. “É importante que as empresas de Estado façam um
grande consórcio.” Apesar de não ser exatamente uma estatal, a Petrobras foi
citada pelo presidente eleito como uma das empresas que poderiam ajudar a
estatal boliviana YPFB a se fortalecer. A Petrobras é, segundo a definição do
próprio governo, uma sociedade de economia mista orientada pelo governo
brasileiro, que ainda detém a maioria das ações ordinárias da empresa com
direito a voto. Há alguns meses, uma mudança na legislação boliviana determinou
que a estatal YPFB volte a atuar no mercado de exploração de gás e petróleo. De
acordo com Morales, o novo governo boliviano vê com bons olhos iniciativas
como a Petrosul, a associação entre Brasil, Argentina e Venezuela para
cooperação no setor de petróleo e gás.
Evo Morales também reafirmou que pretende renegociar os contratos com
empresas estrangeiras que exploram recursos naturais no país, mas procurou
tranqüilizar as companhias que investiram nas reservas bolivianas.
“Tem que haver o diálogo entre os governos e as empresas correspondentes”,
afirmou Morales. “Aos sócios, vamos garantir que eles tenham todo o direito de
recuperar seus investimentos. Não somente recuperar seus investimentos, mas
tenham também o direito de lucro quando investem. Mas lucro com base no
princípio de equilíbrio.”
Uma das empresas que mais investiram na Bolívia nos últimos dez anos foi a
Petrobras – mais de US$ 1 bilhão.
Além disso, os recursos arrecadados pelo governo boliviano com impostos e
investimentos da companhia brasileira representam cerca de 20% do PIB do país.
O uso dos combustíveis fósseis ocorre da seguinte forma:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 134
CARVÃO MINERAL
Embora o petróleo tenha superado o carvão mineral como principal fonte de
energia ainda no século XIX, ele ainda é a segunda fonte de energia mais usada
no planeta, representando 26% do total da produção mundial.
O carvão apesar dos problemas ambientais que acarreta, é um combustível
muito eficiente, pois tem alto poder calorífico e, ao queimar, libera grande
quantidade de energia. Assim, é usado até hoje em siderúrgicas e em usinas
termelétricas (para produzir vapor usado em geradores de energia elétrica), para
aquecimento de caldeiras e de ambientes em países com invernos rigorosos,
como também na indústria de fertilizantes.
Assim como o Petróleo e o Gás Natural, o Carvão Mineral é extraído de bacias
sedimentares. O carvão é o resultado de um processo de milhões de anos que
teve início no Paleozoico, quando formações florestais foram soterradas. O carvão
mineral terá maior qualidade quanto mais carbono tiver.
No Brasil, além de poucas, o carvão energético brasileiro não é de boa
qualidade.
As bacias carboníferas ou cinturão carbonífero estão concentrados em Santa
Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná.
As jazidas de Santa Catarina são as que apresentam melhor qualidade e,
portanto, maior aproveitamento industrial. Apesar disso, esse carvão precisa passar
por um processo de purificação e ser misturado ao carvão importado, antes que
as usinas siderúrgicas o possam utilizar.
ENERGIAS RENOVÁVEIS
Energia Eólica
Atualidades
Prof. Nilton Matos 135
A energia eólica tem aumentado sua participação entre as alternativas não-
poluentes de geração energética. Uma das zonas preferenciais para o
aproveitamento da energia eólica são as áreas costeiras (litorâneas).
O elevado potencial de energia eólica na interface “oceano-continente” se
deve aos ventos regulares e constantes resultantes das diferenças térmicas e
barométricas entre terra e mar.
Atualmente, existem mais de 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo.
Em 1991, a Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu como metas a
instalação de 4.000 MW de energia eólica na Europa até o ano 2000 e 11.500 MW
até o ano 2005. Essas e outras metas estão sendo cumpridas muito antes do
esperado (4.000 MW em 1996, 11.500 MW em 2001). As metas atuais são de 40.000
MW na Europa até 2010. Nos Estados Unidos, o parque eólico existente é da ordem
de 4.600 MW instalados e com um crescimento anual em torno de 10%. Estima-se
que em 2020 o mundo terá 12% da energia gerada pelo vento.
No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores especiais
para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando de Noronha (PE),
no início dos anos 1990. Os resultados dessas medições possibilitaram a
determinação do potencial eólico local e a instalação das primeiras turbinas
eólicas do Brasil.
Embora ainda haja divergências entre especialistas e instituições na estimativa
do potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam valores extremamente
consideráveis. Até poucos anos, as estimativas eram da ordem de 20.000 MW. Hoje
a maioria dos estudos indica valores maiores que 60.000 MW.
De qualquer forma, os diversos levantamentos e estudos realizados e em
andamento (locais, regionais e nacionais) têm dado suporte e motivado
a exploração comercial da energia eólica no País. Os primeiros estudos foram
feitos na região Nordeste, principalmente no Ceará e em Pernambuco. Com o
apoio da ANEEL e do Ministério de Ciência e Tecnologia – MCT, o Centro Brasileiro
de Energia Eólica – CBEE, da Universidade Federal
de Pernambuco – UFPE, publicou em 1998 a primeira versão do Atlas Eólico da
Região Nordeste. A continuidade desse trabalho resultou no Panorama do
Potencial Eólico no Brasil.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 136
No Brasil, a participação da energia eólica na geração de energia elétrica
ainda é pequena. Em setembro de 2003 havia apenas 6 centrais eólicas em
operação no País, perfazendo uma capacidade instalada de 22.075 kW. Entre
essas centrais, destacam-se Taíba e Prainha, no Estado do Ceará, que
representam 68% do parque eólico nacional.
Energia Solar
A Petrobras vai instalar no Rio Grande do Norte o maior parque de placas
fotovoltaicas (energia solar) do Brasil. A instalação será feita em Guamaré; e o
parque terá ao todo 956 placas. A instalação dos painéis deve estar concluída até
o final do ano. O investimento nessa estrutura é de R$ 710.400,00. Quando estiver
funcionando, o maior parque solar do Brasil gerará 80MWh. Toda essa energia será
usada na Unidade Experimental de Biodiesel I.
Quem informou foi o coordenador do Núcleo de Energias Renováveis da
Petrobras, Henrique Landa. A energia fotovoltaica tem sido utilizada cada vez mais
pela Petrobras em diversas unidades pelo Brasil. Em algumas plataformas
desabitadas, a energia solar substituiu o diesel na alimentação dos dispositivos de
medição e monitoramento. No RN, um exemplo está em Mossoró, onde uma
unidade de bombeamento é alimentada pela eletricidade obtida através de
painéis solares.
O coordenador do Núcleo de Energias Renováveis da Petrobras, Henrique
Landa, declara que o projeto de Guamaré se destaca porque serão utilizados 900
painéis que estarão sendo verificados operacionalmente. “Em uma fase seguinte,
vamos utilizar também a energia térmica para aquecer o fluido utilizado na
produção da UTPF, economizando o gás que hoje é queimado”.
Por serem coletores solares de alto rendimento, Landa explica que a
temperatura chega a até 200 graus, utilizando toda a potencialidade. A
expectativa é que até o final do ano o projeto esteja totalmente implantado em
Guamaré. Os painéis já estão disponíveis no Pólo de Guamaré e aguardam
apenas a montagem.
Com o andamento deste projeto, a expectativa é que a tecnologia possa
servir para as indústrias potiguares interessadas na produção de energia elétrica a
partir do calor do sol. “Visamos, em uma fase seguinte, o uso dessa tecnologia
para aindústria. É a possibilidade de produzir energia elétrica sem queimar um
combustível fóssil”.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 137
O gerente executivo de Desenvolvimento Energético, Mozart Schmitt, enfatiza
o interesse da Petrobras em investir nestes estudos de energia renovável. “Nós
temos olhado com atenção os potenciais da energia solar, a gente sabe que
temos altos índices de insolação. A gente tem estudado alguns projetos para
termossolares, isso é viável hoje economicamente, porém a competitividade de
projetos de geração de energia elétrica a partir do aquecimento solar, hoje ainda
não existe por aqui”.
Não é á toa que a Petrobras vai instalar este projeto piloto de energia solar no
Rio Grande do Norte. O Estado tem cerca de 300 dias (ou mais) de sol, cada um
deles com aproximadamente 10 horas de sol visível. Apesar da abundância, este
tipo de energia não é explorada em larga escala no Estado (nem no Brasil). Em
Natal, o uso mais comum da energia que vem do sol é feito por hotéis e pousadas
como forma de reduzir os custos relativos a energia elétrica.
Em geral, as placas são usadas para aquecimento da água usada pelos
hospedes. A economia gira em torno de 30%. O sistema de captação de energia
solar é composto por painéis que captam a luz e transferem seu calor para a água
armazenada num reservatório chamado “boiler”. E época de chuva, esse tipo de
aquecimento tem de ser auxiliado com energia elétrica. Para aquecer água
usada numa residência com quatro moradores, são necessários cerca de 4 metros
quadrados de painéis.
Energia das Marés
É o modo de geração de eletricidade através da utilização da energia
contida no movimento de massas de água devido às marés. Dois tipos de energia
maremotriz podem ser obtidas: energia cinética das correntes devido às marés e
energia potencial pela diferença de altura entre as marés alta e baixa.
Em qualquer local a superfície do oceano oscila entre pontos altos e baixo,
chamados marés, a cada 12h e 25m. Em certas baías e estuários, como junto ao
Monte Saint-Michel , no estuário do rio Rance, na França, ou em São Luís, no Brasil,
Atualidades
Prof. Nilton Matos 138
essas marés são bastante amplificadas, podendo atingir alturas da ordem de 15
metros. As gigantescas massas de água que cobrem dois terços do planeta
constituem o maior coletor de energia solar imaginável.
As marés, originadas pela atração lunar, também representam uma tentadora
fonte energética.
Em conjunto, a temperatura dos oceanos, as ondas e as marés poderiam
proporcionar muito mais energia do que a humanidade seria capaz de gastar ,
hoje ou no futuro, mesmo considerando que o consumo global simplesmente
dobra de dez em dez anos. A energia das marés é obtida de modo semelhante
ao da energia hidrelétrica.
Constrói-se uma barragem, formando-se um reservatório junto ao mar. Quando
a maré é alta, a água enche o reservatório, passando através da turbina
hidráulica, tipo bulbo, e produzindo energia elétrica. Na maré baixa, o reservatório
é esvaziado e a água que sai do reservatório passa novamente através da turbina,
em sentido contrário, produzindo energia elétrica.
Este tipo de fonte é também usado no Japão, na França e na Inglaterra. A
primeira usina maremotriz construída no mundo para geração de eletrecidade foi
a de La Rance, em 1963 capaz de gerar 240 MW. A usina possui 24 turbinas de 5,3
metros de diâmetro, 470 toneladas e uma potência unitária de 10 MW.
Energia Geotérmica
Energia geotérmica é a energia adquirida a partir do calor que provêm do
interior da Terra. O potencial da energia geotérmica como uma fonte limpa de
energia levantou grandes esperanças. É importante ressaltar que o calor utilizado
para gerar energia, vem repleto de inúmeros gases dentre eles o enxofre. Portanto,
considerá-la plenamente limpa é arriscado. Seus defensores acreditam que ela
pode afetar significativamente a dependência americana de combustíveis fósseis
– potencialmente suprindo aproximadamente 15% da eletricidade do país até
2030.
O calor da Terra está sempre ali, esperando para ser extraído, ao contrário das
energias eólica e solar, que são intermitentes e, portanto, mais inconstantes.
Segundo um relatório geotérmico de 2007, financiado pelo Departamento de
Atualidades
Prof. Nilton Matos 139
Energia, a energia geotérmica avançada poderia, em teoria, produzir 60 mil vezes
mais a que é usada anualmente pelo país.
Frente aos resultados estimulantes obtidos por experiências como a Central
Geotérmica de Soultz-sous-Forêt, a revista britânica The Economist não hesitou em
apontar a energia geotérmica, em um relatório publicado em junho, como uma
das cinco fontes de energia do futuro. Embora o custo de exploração seja um
problema, o maior entrave à viabilidade comercial é outro: geólogos e
engenheiros ainda não sabem como dominar os terremotos, um de seus
potenciais "efeitos colaterais".
Nas experiências realizadas na Alsácia, o risco de micro-sismos revelou-se o
maior empecilho técnico. O desafio é encontrar um meio de impedir que as
injeções de água em baixa temperatura não causem rachaduras na camada de
rochas aquecidas. O choque térmico, apontaram os testes no subsolo, podem
provocar reacomodação e abalos sísmicos. A prova disso ocorreu em 2003,
quando um terremoto de 2,9 graus na escala Richter foi sentido na região de
Soultz-sous-Forêt.
"Há risco de que zonas geológicas estáveis enfrentem mudanças de
sismicidade. Ainda não conseguimos responder a essa questão”, reconhece
Philippe Duma, delegado do Conselho Europeu de Energia Geotérmica. Esse
obstáculo é o desafio dos próximos anos. Em Soultz, a solução foi a "estimulação
química": injeção de ácido clorídrico, que reage nas rochas dissolvendo os
carbonetos. Resta saber qual será o impacto a longo termo da solução. As
informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
RESERVA RAPOSA SERRA DO SOL
Uma disputa está em curso no norte de Roraima, em torno da criação da Terra
Indígena Raposa Serra do Sol, caracterizada por um complexo conflito de
POLÍTICAS SÓCIOECONÔMICAS E
TERRITORIAS
Atualidades
Prof. Nilton Matos 140
interesses entre arrozeiros, indígenas, políticos locais, federais e ONGs. Tal
contenda envolve aspectos econômicos, políticos, geográficos, antropológicos e
ambientais.
No local, fronteira com a Guiana e a Venezuela, o STF (Supremo Tribunal
Federal) suspendeu uma operação da Polícia Federal que retirava os rizicultores
(plantadores de arroz) da área. A decisão tomada pelo STF atende a uma
reivindicação do governo estadual, que defende uma solução consensual para
pôr fim ao conflito.
Em sua defesa, os rizicultores alegam que chegaram à área antes de a reserva
ser criada e que a atividade representa 40% da produção agrícola do Estado.
Considerada a última grande terra indígena da Amazônia, a reserva foi
estabelecida pelo governo federal em uma área onde havia assentamentos de
não-índios. Para evitar o conflito, o governo de Roraima sugeriu que a reserva fosse
delimitada por "ilhas" e não em terras contínuas, para permitir a manutenção da
atividade agrícola. Esta proposta, porém, não foi aceita pelo governo federal, o
que remeteu a questão ao STF. Outra grande reserva em conflito permanente é a
Ianomâmi, que fica entre o norte do Amazonas e Roraima. Com 9,7 milhões de
hectares (o equivalente a todo o Estado de Santa Catarina), a reserva foi invadida
por garimpeiros e fazendeiros.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 141
Um levantamento realizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) mostra
que a regularização da terra não significa tranqüilidade para os indígenas. Em
todo o país, existem aproximadamente 107 milhões de hectares destinados aos
índios, sendo que desse total, 97 milhões (o equivalente a 90,6%) estão
homologados.
Em 1910 foi criado no Brasil o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que
inaugurou a política indigenista no país.O serviço foi pioneiro na demarcação de
terras, o que garantiu a sobrevivência das tribos. O SPI foi substituído, em 1967, pela
Fundação Nacional do Índio (Funai).
DIVISÃO DO PARÁ
Atualidades
Prof. Nilton Matos 142
A divisão do Pará, que acontecerá caso a decisão seja aprovada em
plebiscito estadual marcado para o dia 11 de dezembro, daria origem a três
estados muito desiguais tanto em tamanho quanto em extensão territorial: Pará,
Carajás e Tapajós.
Atualmente, as principais forças da economia do Pará são a extração de
minério e de madeira, com destaque para o ferro, bauxita, manganês, calcário,
ouro e estanho; além da agricultura, pecuária, indústria e turismo.
Os eleitores paraenses rejeitaram no dia 11 de dezembro a divisão do Estado.
O resultado mostrou que 69,68% disseram não à criação do Tapajós, no sudeste do
Pará, e 70,2%% disseram não à criação do Carajás, no oeste.
A decisão foi considerada um revés para os partidários do sim à separação. A
população do que seria o novo Pará, majoritariamente antidivisão, é muito
superior à soma dos moradores das áreas separatistas: 4,6 milhões, ante 2,9
milhões.
Mesmo que a divisão fosse aprovada, ainda precisaria ser submetida ao crivo
do Congresso, por meio de uma lei complementar, conforme rege a Constituição.
Agora, uma nova proposta de consulta pela divisão do Estado só poderá ser
apresentada na próxima legislatura, a partir de 2015.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 143
Estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e
Ambiental do Pará (Idesp) aponta que, caso a divisão se tornasse realidade,
Tapajós teria mais de três vezes o tamanho do Pará já dividido, e apenas um
quinto do seu Produto Interno Bruto (PIB).
Para o economista Célio Costa, descentralizar a administração é fundamental
em estados que ele classifica como “superdimensionado”, como o Pará. Segundo
ele, o Pará tem quatro vezes o tamanho da média dos territórios dos estados
brasileiros e “não arrecada o suficiente para cuidar dos seus milhões de
habitantes”. Números levantados por Costa apontam que, em 2010, o estado
gastou R$ 110 milhões a mais do que arrecadou em 2010.
"Do ponto de vista das finanças e da dimensão territorial, que é enorme, o Pará
é inadministrável”, afirma Costa. "Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm os cinco orçamentos mais
ricos do país, cabem dentro da área do Pará, que tem um orçamento para toda a
região.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 144
O presidente americano é até o momento o único nome entre os democratas
e a expectativa é de que seja confirmado como o candidato do seu partido na
disputa.
Em um sistema político dominado por duas siglas – Democrata e Republicano -,
a eleição presidencial nos Estados Unidos é um processo longo e complexo.
Veja as principais etapas do caminho rumo à Casa Branca:
Como são escolhidos os candidatos que vão concorrer à Presidência?
Uma candidatura à Presidência dos Estados Unidos começa mais de um ano
antes da data da eleição, quando os políticos que pretendem concorrer formam
comitês para analisar suas chances na disputa e arrecadar fundos para a
campanha.
Campanha nos Estados começa com um ano de antecedência
ELEIÇÕES NOS EUA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 145
O segundo passo é declarar oficialmente sua candidatura à indicação do
partido para concorrer à Presidência. A partir de então, os pré-candidatos
democratas e republicanos (os dois partidos que dominam a política americana)
começam a fazer campanha nos diferentes Estados, em uma disputa quase tão
competitiva quanto a própria corrida presidencial.
De janeiro a junho do ano eleitoral ocorre a temporada de primárias e caucus
dos dois partidos, nos quais os eleitores de cada um dos 50 Estados americanos e
alguns territórios escolhem delegados partidários, que prometem apoiar
determinado pré-candidato.
São esses delegados eleitos durante a temporada de prévias que irão
participar da convenção nacional de cada partido, realizada por volta de agosto
ou setembro, na qual o candidato de cada partido é oficialmente escolhido.
Qual a diferença entre caucus e primária?
Os procedimentos nos caucus e primárias variam de acordo com o partido e
também com a lei de cada Estado.
Nos caucus a escolha dos delegados é feita em reuniões políticas realizadas
em residências, escolas e outros prédios públicos, nas quais os eleitores debatem
sobre seus candidatos e temas eleitorais.
No caso do caucus republicano de Iowa, após as discussões é realizada uma
votação para escolher o candidato e eleger os delegados, que prometem apoiar
aquele candidato nas convenções.
Os delegados eleitos no caucus participam de convenções nos condados, nas
quais são eleitos os delegados que irão às convenções estaduais que, por fim,
definem os delegados a serem enviados à convenção nacional. Nas primárias, a
votação segue o formato tradicional, no qual os eleitores votam em seu
candidato por meio de cédulas. O pré-candidato que vencer a primária ganha os
delegados daquele Estado, que irão apoiá-lo na convenção nacional. As
primárias podem ser de três tipos. Nas fechadas, os eleitores só podem escolher o
candidato do partido em que forem registrados. Nas abertas, geralmente os
eleitores podem votar em apenas uma das primárias, mas independentemente do
partido - ou seja, um democrata pode votar na primária republicana. Há ainda
casos de primárias em que os eleitores podem votar nos candidatos dos dois
partidos.
Como é definido o calendário de prévias?
Historicamente, Iowa realiza o primeiro caucus e New Hampshire a primeira
primária. Críticos reclamam do fato de esses Estados serem pequenos (3 milhões e
1,3 milhão de habitantes, respectivamente), rurais e com população
majoritariamente branca, pouco representativos da população geral do país.
Ambos, porém, defendem o lugar privilegiado no calendário eleitoral e têm leis
estaduais que determinam que suas votações devem ocorrer antes das de outros
Estados.
Geralmente, há uma briga entre os Estados para realizar suas votações antes
dos outros e, assim, receber maior atenção dos candidatos, o que também ajuda
Atualidades
Prof. Nilton Matos 146
a colocar em evidência questões importantes para seus eleitores e aumenta as
chances de que os problemas locais ganhem mais atenção pelo futuro
presidente.
Além disso, a economia dos Estados que abrem o calendário eleitoral lucra
com os recursos extras decorrentes das propagandas eleitorais, das visitas
frequentes dos candidatos e do assédio da imprensa. Para os candidatos, vencer
um grande número de prévias já no início do calendário eleitoral representa um
estímulo à campanha, e depois de muitas vitórias, as disputas nos últimos Estados
podem se tornar irrelevantes. Diante dessa briga por influência, a cada ano
eleitoral, novos Estados desafiam as regras de seus partidos e antecipam suas
prévias, fazendo com que outros Estados também realizem a votação mais cedo,
e alterando o calendário eleitoral. Neste ano, o caucus de Iowa será realizado
nesta terça-feira, e a primária de New Hampshire no dia 10, cerca de um mês
antes do previsto inicialmente.
Qual a importância da Super Terça-Feira
A Super Terça-Feira é dia em que diversos Estados realizam prévias simultâneas.
O termo começou a ser usado na década de 80, quando três Estados realizaram
prévias simultâneas na segunda terça-feira de março. Neste ano, está marcada
para 6 de março e ocorre em mais de 10 Estados.
A data é considerada crucial, já que um candidato com bom desempenho
nessas votações simultâneas pode assumir a liderança da corrida e, em alguns
casos, dependendo do número de delegados conquistados, já garantir a
indicação do partido antes mesmo da convenção nacional.
O que são os Estados decisivos?
Militante de Mitt Romney hasteia bandeira de Iowa antes do caucus nopaís
Os Estados chamados de "swing states" são aqueles em que nenhum dos dois
partidos possui uma maioria clara na preferência dos eleitores. Portanto, esses
Estados podem pender para um lado ou para o outro e serem decisivos na
eleição. Flórida, Ohio, Virgínia, Colorado e Nevada são exemplos desses Estados.
Quem são os principais pré-candidatos?
Atualidades
Prof. Nilton Matos 147
Até então, do lado democrata, o presidente Barack Obama parece não ter
adversários com chance de desafiar sua candidatura.
Entre os republicanos, os principais pré-candidatos são Mitt Romney, ex-
governador de Massachusetts que já tentou a candidatura em 2008, Newt
Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes (deputados federais) que
galgou posições nas pesquisas de intenção de voto mais recentes, os congressitas
Ron Paul e Michelle Bachmann, o governador do Texas, Rick Perry, o ex-senador
Rick Santorum e o ex-governador de Utah Jon Huntsman.
Há candidatos de outros partidos além do Democrata e do Republicano?
Sim. Mais de 300 americanos já se inscreveram para concorrer à presidência na
eleição de 2012, tanto pelos dois principais partidos quanto por agremiações
menores ou mesmo como independentes. A Constituição determina que qualquer
cidadão americano nascido nos Estados Unidos que tenha no mínimo 35 anos de
idade e tenha vivido no país por pelo menos 14 anos pode concorrer à
Presidência. No entanto, esses candidatos não têm chances reais de chegar à
etapa final da disputa e terem seus nomes inscritos na cédula de votação. As
regras para que um candidato que não seja o indicado democrata ou
republicano tenha seu nome na cédula variam em cada Estado. Geralmente é
exigida a apresentação de uma petição com um número determinado de
assinaturas de eleitores registrados, que pode chegar a dezenas de milhares,
dependendo do Estado.
Quando os candidatos oficiais são formalmente anunciados?
O anúncio oficial do candidato que vai concorrer à Presidência por
determinado partido é realizado na convenção nacional, quando os delegados
selecionados nas prévias votam no nome escolhido pelos eleitores de seus Estados.
Nesse sistema, o pré-candidato que vencer o maior número de prévias ganha
a promessa de apoio do maior número de delegados. O pré-candidato com o
apoio do maior número de delegados na convenção nacional ganha a
nomeação do partido.
Na disputa republicana deste ano, os pré-candidatos precisarão do apoio de
1.144 delegados (ou seja, metade mais um do total de 2.286 delegados) para
ganhar a indicação do partido.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 148
Presidente Barack Obama deve concorrer a um segundo mandato
Geralmente, quando a convenção nacional é realizada já se sabe quem será
o indicado do partido, e o evento funciona mais como uma oportunidade de
promover o nomeado e a agenda política do partido. No entanto, também é
possível que dois ou mais pré-candidatos cheguem à convenção praticamente
empatados, fazendo com que a votação seja competitiva, e não apenas uma
coroação do candidato mais bem-sucedido.
Além dos delegados escolhidos nas prévias, também participam das
convenções nacionais os chamados "superdelegados". Esses "superdelegados"
não são definidos nas prévias e não tem alinhamento definido com os pré-
candidatos, e podem escolher seu indicado na própria convenção. A convenção
nacional também costuma ser a ocasião em que o indicado oficial do partido
escolhe o vice de sua chapa, muitas vezes entre os pré-candidatos derrotados.
Como é a votação final?
A reta final da eleição presidencial americana começa após as convenções
nacionais dos partidos, quando o candidato democrata e o republicano reforçam
o investimento em prograganda e campanhas nos Estados e se enfrentam em
debates.
A votação final é realizada sempre na terça-feira após a primeira segunda-
feira de novembro, que neste ano cai no dia 6. Tecnicamente, os americanos não
participam de uma eleição direta. Eles escolhem "eleitores" que se comprometem
com determinado candidato e formam um Colégio Eleitoral que vai eleger o
presidente. O número desses "eleitores" varia em cada Estado, de acordo com o
tamanho da população.
Geralmente o candidato vencedor do voto popular leva todos os votos do
colégio eleitoral daquele Estado, mesmo que a vitória seja por uma margem
pequena. Esse sistema permite que um candidato chegue à Casa Branca sem
necessariamente ter o maior número de votos populares no âmbito nacional. Isso
ocorreu em 2000, quando George W. Bush venceu Al Grore.
Além de escolher o presidente, a eleição de 6 de novembro também vai
renovar a Câmara dos Representantes (deputados federais) e um terço do
Senado, além de eleger governadores em 11 Estados e dois territórios. O novo
presidente americano, conforme a Constituição, deve tomar posse no dia 20 de
janeiro do ano seguinte à eleição.
A INFLUÊNCIA DO ORIENTE MÉDIO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL DOS EUA.
Nos últimos dias, uma série de reportagens da mídia americana e europeia
analisou as possibilidades e os efeitos de uma ofensiva aérea israelense contra as
instalações nucleares iranianas. O NEW YORK TIMES avaliou que um ataque
maciço, utilizando cerca 100 aviões de combate mais aeronaves de
reabastecimento no ar – visto que os caças israelenses teriam de cruzar 3.200 km
de ida e volta, e enfrentar a defesa antiaérea do inimigo para completar a
operação – não garantia a destruição da ameaça nuclear do Irã.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 149
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o país não vai ceder a
pressões
Na circunstância, Israel precisaria bombardear simultaneamente quatro
instalações nucleares bem defendidas no sul de Teerã, sendo que duas delas, a de
Natanz e a de Fordo, são subterrâneas. Segundo o jornal americano, a ofensiva
poderia seguir a rota mais curta, que atravessa o espaço aéreo da Jordânia e em
seguida o do Iraque, que não possui defesa antiaérea.
Respondendo ao NEW YORK TIMES num artigo publicado no JERUSALEM POST,
Yaakov Katz, comentarista militar do jornal israelense, acusou o jornal nova-
iorquino e o governo americano de “tentar minar a confiança de Israel em suas
próprias capacidades militares” ao sublinhar os limites estratégicos da eventual
ofensiva contra o Irã. Katz argumenta que um entendimento prévio entre Israel e
os Estados Unidos será necessário para garantir que, após um ataque israelense, o
Irã não possa reconstruir suas instalações militares. Na mesma ordem de ideias,
citando o jornal israelense HAARETZ, o francês LE MONDE reproduz declarações de
oficiais da força aérea de Israel, segundo os quais os projetos nucleares de Teerã
só sofrerão uma interrupção “de dois ou três anos no máximo”, depois de um
primeiro ataque. Consequentemente, uma segunda ofensiva deverá ser realizada
em seguida, segundo o diário.
Tais perspectivas, anunciando um conflito durável e de grandes proporções no
Oriente Médio e na Ásia Central, levam a reativação das negociações
diplomáticas. Um novo encontro terá lugar em breve entre o governo de Teerã e o
chamado Grupo dos Seis que reúne os cinco membros permanentes do Conselho
de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), mais
a Alemanha.
De todo modo, as tensões entre Israel e Irã já aumentaram o preço do petróleo
e provocaram uma mudança no debate presidencial americano. Na verdade,
nas primárias para disputar a eleição contra Barack Obama, os pré-candidatos
republicanos haviam abandonado as críticas à política econômica da Casa
Branca depois do anúncio surpreendentemente favorável do mês de janeiro,
quando a taxa de desemprego americana caiu para 8,3%, no seu nível mais baixo
dos últimos três anos.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 150
Reiniciou-se então a chamada “guerra cultural”, na qual os republicanos
atacavam o presidente Obama a respeito de questões ligadas ao aborto, à
religião e à escola pública. Porém, a radicalizaçãodesses debates deu lugar a
excessos – de novo voltaram as acusações de que Obama seria um muçulmano
disfarçado – prejudicais aos pré-candidatos republicanos e em particular a Mitt
Romney, o oponente mais ameaçador do atual presidente, segundo a maioria
das sondagens.
Agora, com a alta do barril do petróleo e o aumento nos postos de gasolina
americanos, os republicanos podem retomar os ataques à Casa Branca num
terreno mais banal e menos controverso: a alta do custo de vida durante a
presidência de Barack Obama.
SEMELHANÇAS ENTRE AS CAMPANHAS PRESIDENCIAIS NA FRANÇA E NOS EUA.
Quem viaja da França para os Estados Unidos, onde as campanhas
presidenciais estão em pleno vapor, não pode deixar de comparar o debate
eleitoral nos dois países. Embora a eleição presidencial francesa, com os dois
turnos fixados em abril e maio, esteja mais próxima que a presidencial americana,
as primárias do partido republicano mergulham os Estados Unidos num longo
período pré-eleitoral. Às vezes a cultura política dos dois países parece bastante
próxima. Outras vezes, as diferenças são marcantes.
Mitt Romney admite que fala francês e conhece a França, mas nem por isso
deixou de atacar o "europeismo" de Obama
Residindo há muito tempo em Paris e colaborador regular da revista TIME, o
jornalista americano Donald Morrison publicou no LE MONDE um artigo sobre as
presidenciais nos dois países. Intitulado “Uma boa escolha para o Palácio
[presidencial] do Eliseu: Barack Obama”, o texto alinha num tom irônico as
qualidades de Obama – sua calma, sua formação nas grandes universidades e
sua expressão verbal bem articulada – que o aproximariam do perfil tradicional
Atualidades
Prof. Nilton Matos 151
dos presidentes franceses anteriores a Sarkozy e o tornariam um perfeito candidato
à presidência da França.
Em seu primeiro grande comício dentro da campanha de reeleição - realizado
na cidade de Marselha -, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que os
franceses escaparam de uma grande "catástrofe" econômica e que suas
propostas seguem centradas na unidade do país.
Diante de aproximadamente 11 mil pessoas, Sarkozy apresentou um discurso
moderado. "Não pretendo dizer que tivemos êxito em tudo, mas escapamos de
uma grande catástrofe", disse o presidente em seu discurso de quase uma hora.
Neste, o atual Chefe de Estado francês afirmou que não quer ser "um candidato
da elite contra o povo".
O candidato conservador, que aspira seu segundo mandato, exaltou valores
como o trabalho, responsabilidade e autoridade, os mesmos que transformaram
Sarkozy em presidente no ano de 2007 e que seguirão fazendo parte de sua atual
campanha.
Vestido com terno e gravata preto e tendo a bandeira francesa como pano
de fundo, Sarkozy defendeu as conquistas de sua gestão diante da "tempestade"
econômica e financeira "mais grave e perigosa que o mundo conheceu desde os
anos 30".
"Os que dizem que não enfrentaram nada grave estão mentindo", acrescentou
o candidato da UMP diante dos olhares de sua esposa, Carla Bruni; do primeiro-
ministro francês, François Fillon, e do ministro de Relações Exteriores, Alain Juppé,
entre outros que estavam nas primeiras filas.
Além de usar em várias ocasiões seu slogan de campanha, "França forte",
Sarkozy chegou a desafiar os presentes para mostrar os avanços de seu Governo.
"Se um francês duvidar do que acabo digo, que pergunte aos operários
gregos, aos aposentados italianos, aos funcionários portugueses e aos
desempregados espanhóis, onde o índice de desemprego aparece três vezes
mais alto que na França", prosseguiu.
Segundo uma pesquisa publicada pela "LH2-Yahoo!" antes do comício, Sarkozy
reduziu ligeiramente sua desvantagem ao aspirante socialista, François Hollande, e
teria 26% dos votos no primeiro turno das eleições do próximo dia 22 de abril. No
entanto, a mesma pesquisa aponta para uma derrota de Sarkozy no segundo
turno, previsto para o dia 6 de maio.
Quatro dias depois de confirmar sua intenção de reeleição, o candidato
conservador também abordou assuntos relacionados com a imigração ilegal,
presente em suas propostas sobre a "identidade nacional".
"Uma imigração não controlada acarreta muito sofrimento e pode provocar
uma tensão social, já que a taxa de desemprego na França já alcança 10%",
alertou Sarkozy, que exaltou os "valores republicanos" contra aqueles que querem
"separar os homens das mulheres nas piscinas municipais".
ELEIÇÕES NA FRANÇA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 152
"Não queremos que nossa identidade seja sacrificada diante da moda do
momento", ressaltou o presidente francês, que não citou expressamente o
casamento homossexual.
Entre bandeiras da França e gritos de incentivo, o candidato se mostrou contra
Hollande no campo econômico, já que o opositor foi acusado de manter um
discurso duplo e parecer "Margareth Thatcher em Londres e Mitterrand em Paris",
em referência a uma entrevista concedida recentemente por seu rival à imprensa
britânica.
No âmbito energético, Sarkozy criticou o acordo alcançado entre socialistas e
ecologistas para reduzir o peso da eletricidade de origem atômica na França, de
75% para 50% até o ano de 2025.
O Estreito de Ormuz, no Irã, é uma importante rota de trânsito de petróleo e
gás mundial. A tensão internacional entre o Irã e os Estados Unidos, agora
focalizada no estreito de Ormuz, que fecha o golfo Pérsico, mostra a importância
desta região e, de maneira mais geral, do golfo de Omã e do Mar Arábico (parte
norte do Oceano Índico). Situada na convergência das vias marítimas e terrestres
que ligam o Mediterrâneo ao Índico, e conectam a Europa à África Oriental e à
Ásia, esta parte do mundo sempre teve grande peso geopolítico. A entrada dos
europeus foi inaugurada pelas incursões do almirante português Afonso de
Albuquerque, que conquistou a ilha de Ormuz em 1515, depois de ter conquistado
Malaca em 1511, controlando assim os dois principais estreitos do Oriente Médio e
da Ásia.
No volume 2 de suas "Décadas da Ásia" (1553), o historiador João de Barros,
que foi também donatário (falido) das capitanias hereditárias do Pará e do Ceará,
escreveu sobre Ormuz: “A cidade em si é muito magnífica em edifícios, grossa em
trato por ser uma escala onde concorrem todas as mercadorias orientais e
CRISE NO ESTREITO DE ORMUZ
Atualidades
Prof. Nilton Matos 153
ocidentais... de maneira que não tendo a ilha em si coisa própria, por carreto tem
todas as estimadas do mundo”.
Os portugueses ficaram em Ormuz até 1622, quando sua fortaleza foi tomada
por uma frota de guerra anglo-persa, armada numa dessas inesperadas alianças
militares que sacodem periodicamente o golfo Pérsico. A partir de então o golfo
Pérsico ficou sob a dupla influência da Pérsia (atual Irã) e da Inglaterra.
Com a descolonização inglesa, a independência dos países da região e suas
imensas reservas de petróleo, o golfo Pérsico ganhou de novo destaque
estratégico nas relações internacionais. As três guerras das últimas décadas
ilustram a redistribuição das cartas no Golfo.
A primeira, a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), mostrou, mais uma vez, o
antagonismo entre persas e árabes. Enfraquecido pela guerra, o Iraque foi
descontar a fatura nas costas do Kuwait, invadindo o rico país vizinho e
desencadeando a segunda guerra do Golfo (1990-1991). A terceira guerra do
Golfo (2003-2011) termina com a destruição do Iraque e a instalação de um
governo pró-ocidental em Bagdad. No meio tempo, a presença militar e
econômica americana na região se reforçou, aumentando a pressão sobre o
regime dos aitolás que dirige o Irã com mão de ferro. Dotado de um programa
nuclear que intimida Israel e os países ocidentais, majoritariamente de religião
muçulmana xiita, o Irã aparece também como uma ameaça às monarquias
árabes do golfo Pérsico, sunitas em sua maioria. Já existe uma disputa de fronteiras
no Golfo: três ilhas ocupadas pelos iranianos em 1971 são reinvidicadaspelos
Emirados Árabes Unidos.
Reagindo às últimas sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos, o
regime de Teerã iniciou manobras militares no golfo Pérsico e, mais uma vez,
ameaçou bloquear o estreito de Ormuz, por onde passam 40% do petróleo
comercializado no mundo. Tanto a Rússia como a China veem a possibilidade de
uma intervenção americana na região como um ato hostil aos seus interesses
econômicos e geopolíticos. Assim, Pequim e Moscou bloquearão, no Conselho de
Segurança da ONU, qualquer iniciativa militar dos Estados Unidos e da Europa
contra o Irã.
Neste enfrentamento entre velhas rivalidades (ocidentais versus orientais,
persas versus árabes, xiitas versus sunitas) pouco tem se falado de um novo ator: a
Índia.
Em novembro de 2010, a presidente da Índia, Pratibha Patil, visitou Abu Dhabi,
o principal emirado do golfo Pérsico, onde trabalham centenas de milhares de
imigrantes indianos. Na mesma semana, concluiam-se os principais trabalhos do
oleduto de 400 km de Abu Dhabi que contorna o estreito de Ormuz e transportará,
por dia, 1,5 milhão de barris de petróleo até o golfo de Omã.
Ora, o golfo de Omã é uma área onde a presença naval e econômica indiana se
faz sentir pesadamente. Nos comunicados oficiais, não houve alusão à
coincidência das datas da visita da presidente indiana e da conclusão do
oleoduto de Abu Dhabi. Mas é evidente que a Índia age discretamente para
evitar qualquer conflagração no golfo Pérsico.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 154
O líder norte-coreano Kim Jong-Il morreu no dia 17 de dezembro de 2011 vítima
de um ataque cardíaco, aos 69 anos. A informação foi confirmada pela televisão
estatal do país, um dos mais fechados do mundo.
Ele havia sofrido em agosto de 2008 um derrame cerebral, mas, segundo a
agência estatal de notícias do país, faleceu em consequência de um "infarto do
miocárdio severo e de uma crise cardíaca" quando viajava de trem em um de
seus deslocamentos habituais para fora da capital.
Desde 2008, as aparições públicas de Kim foram contadas e nelas mostrou
uma figura cada vez mais frágil e cansada, embora sempre com seus inseparáveis
óculos de sol e o uniforme militar que se transformaram em sua marca
registrada. Um analista japonês, Toshimitsu Shigemura, chegou a defender que
Jong-il teria morrido de diabete em 2003 e seria interpretado por sósias em eventos
públicos – um deles, inclusive, teria se submetido a cirurgias plásticas para ficar
mais parecido com o líder.
O filho mais novo do ditador Kim Jong-Un, de apenas 30 anos e general de
quatro estrelas do Exército, foi designado como sucessor, disse entre lágrimas uma
apresentadora do canal de televisão estatal.
DINASTIA COMUNISTA
Kim Jong-Il herdou o poder após a morte, em 1994, do pai, Kim Il-Sung,
fundador da República Democrática da Coreia do Norte, instaurando assim a
primeira dinastia comunista da história. Durante seu regime ditatorial, baseado na
glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o "amado líder" se consolidou como
um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia
destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica.
O MISTERIOSO DITADOR
SUCESSÃO NA CORÉIA DO NORTE
Atualidades
Prof. Nilton Matos 155
Kim Jong-Il é considerado um dos chefes de Estado mais misteriosos do mundo.
Ao redor dele, há muita especulação e poucas certezas. A começar da data de
seu nascimento: a história oficial afirma que ele nasceu em 1942, em uma cabana
na sagrada montanha norte-coreana de Paektu, acompanhado de um duplo
arco-íris e uma nova estrela no céu, enquanto seu pai dedicava-se à luta de
guerrilha contra a ocupação japonesa. Mas documentos da ex-União Soviética
deslocam seu nascimento para a Sibéria, no ano de 1941, enquanto seu pai
estava no exílio. Nesses registros, aparece com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim.
Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de
distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por
repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis.
Após sua graduação assumiu os departamentos de cultura e propaganda do
Partido dos Trabalhadores, onde foi escalando postos conforme recebia formação
política. Em 1980, foi designado oficialmente o sucessor de seu pai e membro do
Comitê Central e do Comitê Militar da formação. Mas o primeiro posto de poder
real lhe chegaria em 1991, quando assumiu as Forças Armadas como
Comandante Supremo.
Considerado impaciente e excêntrico, amante da boa mesa e do álcool, Kim
Jong-il também ganhou fama de mulherengo, embora sua vida particular tenha
transcorrido envolvida em mistério. Com 1,57 metros de altura, sempre aparecia
em público com sapatos de plataforma e cabelos arrepiados, para parecer mais
alto. Fã de cinema, especula-se que esteve por trás do sequestro do cineasta sul-
coreano Shin Sang-ok e sua mulher, em 1978, para que fizesse filmes para
“melhorar a imagem da Coreia”. O cineasta produziu sete filmes na Coreia do
Norte antes de fugir, em 1986, durante uma visita a Vienna.
Também especula-se que Kim possua mais de 20 mil filmes de Hollywood em
sua estante e seja fã de James Bond. Outro boato sobre Kim Jong-il diz respeito a
sua apreciação alcoólica, em especial por conhaque Hennessey, vendido por
US$630 na Coreia.
SUCESSÃO
O filho mais novo agora é chamado a encarnar a terceira geração a liderar
um país que continua fiel a um sistema totalitário comunista desde o fim da
Segunda Guerra Mundial.
O primogênito, de cerca de 40 anos, caiu em desgraça após ser descoberto
ao tentar entrar ao Japão com passaporte falso para visitar a Disneylândia em
Tóquio. O segundo na linha sucessória, Kim Jong-chul, que se acredita tenha uma
idade similar a Kim Jong-un, foi considerado por seu pai, segundo alguns
testemunhos, afeminado demais para liderar o país.
Os meios de imprensa sul-coreanos descreveram Kim Jong-un como um jovem
muito parecido com seu pai tanto fisicamente, com seus 1,68 metros e 87 quilos,
como em sua personalidade, o que lhe teria transformado na pessoa ideal para
sucedê-lo nos olhos do ditador. O jovem começou a ganhar mais protagonismo
na política nacional depois que seu pai sofreu a apoplexia, em 2008, fato que
acelerou o processo de escolha de um sucessor que pudesse dar continuidade ao
sistema comunista norte-coreano. Fruto do casamento de Kim Jong-Il com sua
Atualidades
Prof. Nilton Matos 156
terceira mulher, Ko-Young-hee, uma ex-dançarina que morreu de câncer em 2004,
Kim Jong-un viveu em sua adolescência em colégios de Berna (Suíça), oculto atrás
de um pseudônimo. Acredita-se que após sua etapa na Suíça retornou em 2000
para a Coreia do Norte, onde se graduou, em 2007, na Universidade Militar Kim Il-
sung.
Segundo as fontes, Kim Jong-un estaria casado desde 2010 com uma jovem
estudante norte-coreana de 20 anos e teria tido uma filha com ela nesse mesmo
ano. Embora apenas se tenha detalhes de sua vida, a maioria de sua etapa na
Suíça, acredita-se que fale inglês, alemão e francês, e é amante do basquete e
dos filmes de ação. Sua designação em setembro de 2010 como vice-presidente
da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, e as aparições públicas
ao lado de seu pai em atos oficiais nos últimos meses o consolidaram na frente da
linha de sucessão com relação ao primogênito do líder, Kim Jong-nam.
Depois do anúncio, a Agência Central de Imprensa Coreana (KCNA), canal
privilegiado do regime, pediu à população que reconheça o filho mais novo de
Kim Jong-Il como sucessor na chefia do Estado norte-coreano. "Todos os membros
do Partido (dos Trabalhadores), os militares e o povo devem seguir fielmente a
autoridade do camarada Kim Jong-Un e proteger e reforçar a frente unida do
partido, do Exército e da cidadania", afirma uma nota da KCNA.
CHINA TEME COLAPSO DA “MONARQUIA COMUNISTA” DA CORÉIA DO NORTE
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao noticiário os absurdos e a rudeza da
sinistra ditaduranorte-coreana, regime comunista que segue um processo
sucessório semelhante ao regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim Jong-il e
neto do fundador do regime Kim Sung-il – será o próximo ditador de um país meio
flagelado que assusta meio mundo. E a China pode ter papel fundamental na
pacificação da região.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 157
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao noticiário os absurdos e a rudeza da
sinistra ditadura norte-coreana, regime comunista que segue um processo
sucessório semelhante ao regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim Jong-il e
neto do fundador do regime Kim Sung-il – será o próximo ditador de um país meio
flagelado que assusta meio mundo. E a China pode ter papel fundamental na
pacificação da região.
Segundo os especialistas, na crise alimentar que devastou a Coreia do Norte
entre 1995 e 1998, morreram perto de 600 mil, ou seja, 4 % dos habitantes. Com sua
indústria estagnada e uma agricultura deficiente, o país depende até hoje da
ajuda alimentar internacional para diminuir a penúria em que vive sua população.
Ainda assim, a Coreia do Norte constitui uma verdadeira ameaça para todo o
Extremo Oriente, possuindo plutônio suficiente para construir seis ou sete bombas
atômicas e contando ainda com cerca de 1.000 mísseis, incluindo alguns com
alcance de 2900 km.
Conforme escreve o jornal britânico "The Telegraph", o governo norte coreano
tem ainda entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas. A revista “Economist”
classificou a Coreia do Norte como a “única monarquia comunista do mundo”. Na
realidade, o poder é exercido pelo Exército norte-coreano que conta com 1,2
milhão de militares, representando um soldado em cada 25 habitantes. Tais
circunstâncias explicam a inquietação com que o resto do mundo acompanha a
subida ao poder do balofo Kim Jong-un após a morte de seu pai. À exceção das
suas relações com a China, a Coreia do Norte sente-se ameaçada pelo mundo
inteiro. Colônia japonesa entre 1905 e 1945, a Coreia do Norte (que na época
estava ligada à Coreia do Sul) é particularmente hostil ao Japão e à Coreia do Sul,
considerada como lacaia dos japoneses e dos ocidentais.
Depois de vários períodos de tensão, um acordo de desnuclerização do país
foi assinado em 2007, no âmbito do Grupo dos Seis, formado pelas duas Coreias,
China, Estados Unidos, Japão e Rússia. A doença de Kim Jong-il perturbou o
andamento do acordo, mas uma nova reunião do grupo deverá ser realizada no
final do mês de dezembro.
Grande parte da solução do problema norte-coreano e da pacificação da
região repousa nas mãos da China. Segundo a imprensa britânica, Pequim impôs
nos últimos anos mais moderação a Kim Jong-ill, restringindo sua ajuda alimentar,
energética e militar aos norte-coreanos.
Embora se sirva do regime norte-coreano como um escudo contra a Coreia do
Sul, o Japão e as forças militares americanas estacionadas na região, a China
teme o colapso da “monarquia comunista”. De fato, dividindo 1.400 km de
fronteira com a Coreia do Norte, a China sabe que o desabamento do regime dos
Kim poderá provocar um êxodo de milhões de norte-coreanos para as terras
chinesas.
Como escreve a “Economist”, “a China pode estar tão preocupada com a
Coreia do Norte quanto os Estados Unidos”.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 158
Desde o dia 3 de janeiro a Polícia Militar realiza uma operação para combater
o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia,
no centro da cidade de São Paulo.
O objetivo do Estado é dificultar o acesso às drogas pelos dependentes,
forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A estratégia,
chamada “dor e sofrimento”, consiste em impedir a venda e o uso de drogas, por
meio da ocupação policial, e, com isso, obrigar os usuários a buscarem apoio
junto à rede municipal de saúde e assistência social. A eficácia do cerco,
entretanto, vem sendo questionada por especialistas em segurança pública e
saúde. Um dos pontos criticados é que a “limpeza” não resolveria o problema. Os
frequentadores do local estariam apenas sendo deslocados para outros bairros da
região. O Ministério Público também investiga possíveis abusos por parte da PM.
Em dez dias de operação, 69 pessoas foram presas (a maioria, pequenos
traficantes), 152 usuários foram encaminhados para unidades de tratamento e
3.607 pessoas revistadas, de acordo com o balanço da PM. A maior apreensão
ocorreu no dia 12, quando uma mulher foi detida com 16 mil pedras de crack.
Nesse mesmo período, 50 crianças foram recolhidas das ruas, segundo a
Secretaria Municipal de Assistência Social. Elas foram encaminhadas ao serviço de
saúde pública, para tratamento, ou a abrigos, conselhos tutelares e suas famílias. A
ocupação é por tempo indeterminado.
EUFORIA
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína
e bicarbonato de sódio. Vendida em forma de pedra e fumado em cachimbo, a
substância produz um efeito de euforia que dura alguns minutos, ao fim dos quais
o usuário sofre depressão e é levado a consumir mais. A droga surgiu nos Estados
Unidos nos anos 1980. Em 1990 o prefeito de Washington, Marion Barry, foi preso por
uso e porte de crack. Desde então, o país conseguiu reverter os índices de
criminalidade associados ao entorpecente, com medidas policiais, de saúde e
campanhas educativas.
No Brasil, o crack se popularizou nos anos 1990 (a primeira apreensão ocorreu
em 1991). Ele se espalhou rapidamente por ser mais barato que a cocaína, ter
uma produção doméstica e por ser consumido mais facilmente, dispensando o
uso de seringas. O país tem hoje estimados 1,2 milhão de usuários.
Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o
Governo Federal, apontou a existência de 29 cracolândias em 17 capitais
brasileiras, que se movem de acordo com as investidas da polícia e o confronto
entre traficantes. Nenhuma delas, contudo, possui as dimensões da existente em
São Paulo.
OPERAÇÃO NA CRACOLÂNDIA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 159
BOCA DO LIXO
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz e imediações, no centro da
capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a
população flutuante chega a mais de 2 mil.
A “boca do lixo” ficou conhecida nos anos 1960 por concentrar produções de
cinema brasileiro. Era um lugar de boemia, casas de jogos, prostituição e tráfico,
que proliferou com a conivência do Estado.
Nos anos 1990 houve um pico de violência urbana em São Paulo, com
chacinas em bairros de periferia. Entre as vítimas dessas matanças estavam os
“noias”, como são chamados os viciados em crack. Eles eram mortos por furtarem
objetos nas comunidades em que viviam (para sustentar o vício), por delatarem
traficantes ou acumularem dívida junto ao tráfico.
Os “noias” então buscaram refúgio no centro, que acabou se tornando um
território livre para o consumo e a venda ilegal de drogas. Diferente das periferias,
onde a venda de drogas é controlada por facções criminosas, na cracolândia o
comércio ocorre de forma indiscriminada. Essa facilidade de acesso, combinada
com o uso “liberado” em imóveis abandonados ou nas ruas, fez surgir a
cracolândia.
SOLUÇÕES
Nos últimos anos, houve uma tentativa mais sistemática de resolver o
problema. A Prefeitura de São Paulo lançou o programa Nova Luz, para revigorar
a região central e atrair investimentos imobiliários. Entre as medidas adotadas
estão a isenção de IPTU, para estimular a reforma de fachadas, e a
desapropriação de imóveis.
Outras providências do governo incluem o fechamento de bares e hotéis
ligados ao tráfico, o encaminhamento de moradores de rua para programas
assistenciais e o reforço do policiamento nos bairros.
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou um programa “Crack, é
possível vencer”, com investimentos de R$ 4 bilhões, aplicados até 2014, em ações
de prevenção, tratamento médico e açõesde repressão ao tráfico.
Estão previstas a ampliação da oferta de tratamento aos usuários e a criação
de enfermarias especializadas em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), com
leitos exclusivos para usuários. Além disso, serão oferecidos cursos de qualificação
profissional e feitas campanhas preventivas nas escolas.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 160
Reis e rainhas fazem parte do imaginário popular como símbolos de poder
absoluto no continente europeu. Na maior parte das monarquias remanescentes,
entretanto, a nobreza exerce mais uma função cerimonial do que política. É este o
caso da rainha Elizabeth 2a, que no dia 6 de janeiro de 2012 completou seis
décadas no trono do Reino Unido.
Monarquia é uma forma de governo em que o poder é concentrado em uma
pessoa, o rei ou a rainha, que se mantém no cargo até morrer ou abdicar ao
trono. A sucessão, na maioria dos casos, é hereditária, ou seja, a coroa passa de
pais para filhos. Na Europa, essa tradição predominou desde a queda do Império
Romano até por volta do século 18. Após esse período, as monarquias foram
substituídas por repúblicas ou por uma versão mais moderna, chamada
monarquia constitucional, em que o monarca é limitado pela Constituição ou
restrito a um papel simbólico.
Atualmente, 44 países preservam o regime monárquico. Na Europa, todas as
monarquias são constitucionais (com exceção da cidade do Vaticano) e plenas
democracias, como Dinamarca, Bélgica, Espanha, Suíça e Reino Unido. Países
asiáticos, como Japão e Tailândia, também conservam esse antigo modelo de
governo.
Já no Oriente Médio, reis ainda detêm poderes absolutos, como em Brunei,
Omar e Arábia Saudita. Desde o final de 2010, os reinados árabes são
confrontados por protestos inéditos na região, mas nenhum rei até agora foi
deposto, apenas presidentes. O maior reino do mundo é o Commonwealth Realm
(Comunidade do Reino Unido). Ele é formado por 16 nações independentes que
reconhecem a rainha Elizabeth 2a como chefe de Estado: Antígua e Barbuda,
Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Ilhas Salomão, Jamaica,
Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lucia, São
Vicente e Granadinas, Tuvalu e Reino Unido (Inglaterra Escócia, País de Gales e
Irlanda do Norte). No total, 135 milhões de pessoas vivem no Commonwealth
Realm.
JUBILEU DE DIAMANTE
A rainha Elizabeth 2a, 85 anos, é a mais longeva da história da Inglaterra e a
segunda em tempo de reinado, superada apenas pela rainha Vitória, que ficou 63
anos no trono (1837-1901). Ela é também a monarca há mais tempo no poder na
Europa e a segunda no mundo, atrás apenas do rei Bhumibol Adulyadej, da
Tailândia, que ocupa o cargo desde 1946.
Elizabeth Alexandra Mary foi coroada em 6 de fevereiro de 1952, há 60 anos,
após a morte do pai, o rei Jorge 6o. Desde então, superou escândalos familiares,
crises políticas e tendências antimonarquistas na Grã-Bretanha.
Na prática, a função da rainha é restrita a cerimoniais e outras formalidades,
como nomeação do premiê e concessão de títulos a cidadãos ingleses. Para isso,
RAINHA ELIZABETH COMPLETA
60 ANOS NO TRONO
Atualidades
Prof. Nilton Matos 161
recebe salários que somam R$ 20 milhões ao ano. O poder político, de fato, é
exercido pelo Parlamento, composto pela Câmara dos Lordes e pela Câmara dos
Comuns, e pelo Primeiro-Ministro e seu gabinete.
A rainha é casada desde 1947 com o príncipe Philip, com quem teve quatro
filhos: Charles, Anne, Andrew e Edward. O Príncipe Charles é o primeiro na linha de
sucessão, seguido pelo neto da rainha, o Príncipe William.
No Jubileu de Diamante, Elizabeth 2a reafirmou seus compromissos com a
realeza britânica, afastando a hipótese que poderia abdicar em favor do Príncipe
Charles. Os ingleses, no entanto, preferem que o trono britânico seja ocupado
pelo príncipe William, que em 29 de abril do ano passado se casou com Catherine
Middleton, numa cerimônia acompanhada por dois bilhões de pessoas em todo o
mundo.
A razão da impopularidade do Príncipe Charles foram os escândalos que
cercaram o casamento com a princesa Diana, em um dos períodos mais difíceis
do reinado de Elizabeth 2a. A crise atingiu o auge quando a princesa Diana, muito
querida entre os ingleses, morreu em um acidente de carro em 31 de agosto de
1997.
Na ocasião, a rainha estava de férias na Escócia, com o filho e os netos. A
ausência da família real em Londres e o silêncio da rainha – que relutou em emitir
um comunicado oficial sobre a morte da ex-nora – motivaram críticas da opinião
pública (situação retratada no filme “A Rainha”).
Hoje, ela recuperou a boa reputação entre os ingleses, amparada pela
complacência da imprensa britânica e a repercussão positiva do casamento do
neto.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no último dia 16 de fevereiro de 2012,
que a Lei da Ficha Limpa é constitucional e que valerá para as eleições municipais
deste ano. O resultado do julgamento pôs fim a quase dois anos de batalhas
jurídicas para que a lei pudesse vigorar no país.
A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os critérios que impedem políticos
condenados pela Justiça de se candidatarem. Por sete votos a quatro, o Supremo
aprovou a aplicação integral da nova legislação, que terá, inclusive, alcance
para condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data em que foi sancionada
pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
Diferente da maioria das leis – que são elaboradas pelos próprios congressistas
– a Ficha Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto contou com a assinatura de
mais de 1,6 milhão de brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que fosse
votado e aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Na ocasião, a proposta de mudança na legislação eleitoral foi comemorada
como uma vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como um mecanismo
de combate à corrupção política no Brasil.
Na prática, porém, nem tudo estava resolvido. Alguns pontos da nova lei se
chocavam com a Constituição Federal, como o princípio de anuidade e o
LEI DA FICHA LIMPA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 162
princípio da inocência presumida. Em casos assim, cabe ao STF julgar a
legitimidade.
Mas enquanto o STF não se pronunciava, permaneciam incertezas. Em 2010
foram eleitos presidente, governadores, deputados e senadores. Ao todo, 149
candidatos foram impedidos de tomar posse devido a condenações judiciais,
segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 23 de março do ano passado, o STF se pronunciou quanto ao princípio da
anuidade. De acordo com a Constituição, qualquer mudança na legislação
eleitoral só é válida se for promulgada um ano antes das eleições. Como a Ficha
Limpa havia sido sancionada naquele mesmo ano, os ministros do Supremo
decidiram que a lei só valeria para 2012.
Como resultado, os candidatos barrados tiveram o direito de assumir as vagas.
Isso alterou as bancadas no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas dos
Estados. No Senado, por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia
renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode tomar posse no lugar de
Marinor Brito (Psol-PA).
Faltava ainda a palavra final do Supremo a respeito de recursos que
questionavam outros aspectos da constitucionalidade da lei.
MORAL
Os ministros do STF primeiro discutiram se a Ficha Limpa não contrariava o
princípio da inocência, previsto do artigo 5o da Constituição e aplicado ao direito
penal. Este artigo afirma que “ninguém será considerado culpado até o trânsito
em julgado de sentença penal condenatória”.
Trânsito em julgado é uma expressão judicial que se aplica a uma sentença
definitiva, da qual não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando já se
esgotaram todos os recursos de apelação.
Um processo cível ou criminal começa a ser julgado no Fórum da cidade,
onde acontece a decisão de primeira instância, que é a sentença proferida por
um juiz. Se houver recurso, o pedido é analisadopor juízes do Tribunal de Justiça
dos Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma terceira instância, que
pode ser tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de
artigos da Constituição, o STF.
Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de acordo com a Lei Complementar
no 64, de 1990, somente quando esgotados todos esses recursos o político que
responde a processo poderia ser impedido de se candidatar. A lentidão do
andamento de processos, que levam até uma década para serem concluídos,
acabava beneficiando políticos corruptos.
Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito anos de políticos condenados
por um órgão colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal de Justiça), que
tiverem mandato cassado ou que tiverem renunciado para evitar a cassação
(como no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros do Supremo entenderam
que a inocência presumida se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se aplica
às leis eleitorais.
Em geral, os ministros do STF basearam a decisão no princípio constitucional da
moralidade administrativa. Eles consideraram que o histórico ético de um
Atualidades
Prof. Nilton Matos 163
candidato é fundamental para evitar casos de corrupção na política brasileira. O
consenso sobre isso é que, independente da lei, a melhor forma de excluir maus
políticos, num regime democrático, ainda é a consciência do cidadão.
Os dois militares mortos em um incêndio na Estação Comandante Ferraz, na
Antártica, foram homenageados no dia 28 de fevereiro de 2012 no Rio de Janeiro.
O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto
Lopes dos Santos foram promovidos ao posto de segundo-tenente, admitidos na
Ordem do Mérito da Defesa, no grau Cavaleiro, honraria concedida pela
presidente Dilma Rousseff, e agraciados com a Medalha Naval de Serviços
Distintos, da Marinha.
Os dois morreram na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2012 enquanto
combatiam um incêndio que começou na área dos geradores de energia da
estação.
Uma pessoa ficou ferida. A base que abrigava 45 pesquisadores de diversas
áreas ficou destruída e o governo anunciou que ela deve ser reconstruída em dois
anos.
Heroísmo
Durante a cerimônia, o vice-presidente da República, Michel Temer, lamentou
as mortes. “Esses homens que se foram agora não têm medo, se temessem, não
teriam tido o gesto de heroísmo que tiveram na Antártida. Que o exemplo deles
sirva para seus filhos, para a Marinha e para todos os brasileiros. Em nome do povo
brasileiro, que está acompanhando tudo isso, quero prestar solidariedade à família
e à Marinha do Brasil”, disse o vice-presidente.
De acordo com o ministro da Defesa, Celso Amorim, os militares são exemplo
de heroísmo e profissionalismo e serão lembrados sempre pela Marinha e pelas
Forças Armadas do Brasil. “Reconstruiremos a estação da Antártica também em
homenagem a esses homens que tombaram no cumprimento do dever”, ressaltou
o ministro.
Também participaram da cerimônia os comandantes das três Forças Armadas:
almirante-de-esquadra Julio Soares Moura Neto, da Marinha; tenente-brigadeiro
do ar Juniti Saito, da Aeronáutica, e general Enzo Martins Peri, do Exército. "Por
mais que tentemos externar nossos sentimentos, nunca será o suficiente. Nossos
dois heróis realizaram esse último sacrifício e ofereceram suas vidas no
cumprimento do dever", afirmou o almirante Julio Neto.
Peritos investigam incêndio
Os peritos que vão investigar as causas do incêndio que destruiu a base de
pesquisas científicas da Marinha brasileira já estão na Antártica. O avião da FAB
(Força Aérea Brasileira) que foi para a base chilena Eduardo Frei resgatar o corpos
ACIDENTE NA ANTÁRTIDA
Atualidades
Prof. Nilton Matos 164
dos dois militares que morreram na estação levou o embaixador brasileiro no Chile,
integrantes da diplomacia e militares. Eles dividem espaço com suprimentos,
caixas, roupas, equipamentos de comunicação e comida para os 12 militares que
estavam na estação na hora do incêndio e que foram levados para a base
chilena.
O capitão Fernando Coimbra, chefe da estação brasileira na Antártica, diz
que não houve explosão antes do incêndio. Ele contou que o suboficial Carlos
Figueiredo e o primeiro sargento Roberto dos Santos, que morreram no incêndio,
tentavam fechar a válvula do reservatório de etanol para evitar que o fogo se
espalhasse pela mangueira e chegasse ao tanque, que ficava atrás do gerador.
Segundo o capitão, a equipe tentou usar água do mar para controlar o
incêndio, mas a água congelou na mangueira.
Os corpos dos dois foram encontrados a dez metros do compartimento dos
geradores a óleo, onde o fogo teria começado. “Mais do que perda material,
mais do que da nossa casa durante um ano é a perda dos nossos amigos”,
afirmou o chefe da estação antártica brasileira, Fernando Coimbra.
Quarenta e cinco militares e pesquisadores, que estavam na base brasileira na
Antártica, chegaram ao Brasil na madrugada do dia 27 de fevereiro.
A maior parte do grupo desembarcou na Base Aérea do Galeão. Cansados e
abalados com o acidente, traziam apenas as roupas do corpo. Contaram que o
fogo se espalhou rapidamente e não puderam salvar objetos pessoais.
Entre os que chegaram estava o primeiro sargento Luciano Gomes Medeiros,
que sofreu queimaduras nas mãos. Ao sair do avião, ele foi colocado numa
cadeira de rodas e levado para o hospital da Marinha, onde permanece em
observação.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 165
01ª. Após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos adotaram em sua
política externa uma estratégia unilateral para consolidarem sua supremacia
político-militar. Essa política ficou conhecida como “Doutrina Bush”.
Sobre os atentados aos EUA e a política desenvolvida para combater o terrorismo,
julgue os itens abaixo
I - Sob o pretexto de liderar uma luta sem tréguas ao terrorismo, em âmbito
internacional, a “Doutrina Bush” impulsionou e justificou a postura intervencionista
da política externa dos Estados Unidos.
II - Inicialmente as ações mais incisivas dirigiram-se contra o governo do Talibã, do
Afeganistão e contra o regime autoritário de Saddam Hussein, no Iraque, logo,
EXERCÍCIOS
Atualidades
Prof. Nilton Matos 166
essas se estenderam a outros países que não necessariamente opunham-se a
Washington, como a Coréia do Norte e o Irã.
III - A partir da defesa do mundo contra o terrorismo os Estados Unidos afirmaram
seus interesses econômicos, expandiram sua dominação cultural e redesenharam
um novo cenário de dominação político-militar em áreas hostis.
É correto inferir que
a) I, apenas está correto.
b) II, apenas está correto.
c) III, apenas está correto.
d) I e II estão corretos.
e) todos estão corretos.
02ª. Com os atentados de 2001 e o impacto psicológico provocado sobre a
população norte-americana e mundial, o governo Bush desenvolveu um discurso
no qual a nação norte-americana seria a defensora dos valores do Ocidente
diante do terrorismo. Tendo o texto acima como ponto de partida e utilizando seus
conhecimentos, julgue os itens seguintes
I - a ação dos Estados Unidos no mundo islâmico – Afeganistão e Iraque –
modificada pela luta contra o terrorismo, constituiu numa ação de violência
extrema, que violou direitos internacionais, provocou a morte de civis, além de
desencadear uma série reações e resistências a essa intervenção, tornando essas
regiões ainda mais instáveis.
II - Antes dos atentados em setembro de 2001, os Estados Unidos já haviam se
constituído como maior poder econômico, cultural e militar.
III - O mundo, na verdade, não mudou, pois continua-se a assistir a supremacia dos
Estados Unidos nos âmbitos econômicos, culturais e militares.
Sobre o objetivo geopolítico estadunidense, está correto o que se afirma em
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II.
e) I, II e III
03ª. Após os acontecimentos no World Trade Center, que fizeram do 11 de
setembrode 2001 o pior atentado terrorista já realizado em solo americano, os
Estados Unidos passaram a dar sinais cada vez mais fortes de que o Iraque, após o
Afeganistão, seria a próxima vítima do que Washington chama de "guerra contra o
terrorismo". Num famoso discurso, George W. Bush incluiu, além do Iraque, outros
países integrantes do "eixo do mal".
Sobre os países integrantes o “Eixo do Mal”, é correto inferir que
a) Venezuela, que possui grande parte de seu território controlado por
narcotraficantes associados à guerrilha, conhecidos como as FARC.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 167
b) Rússia, que tem graves conflitos separatistas internos e é detentora do segundo
maior arsenal bélico mundial.
c) Espanha, por não respeitar acordos internacionais como os da OMC e violar as
normas da ONU para os direitos humanos.
d) Paquistão, por seu apoio financeiro a organizações terroristas internacionais,
como o Hamas e o Al Qaeda.
e) Irã, país de regime fechado que possui capacidade de produzir e exportar
armas nucleares.
04ª. Leia atentamente o texto abaixo:
“As grandes organizações criminosas não podem assegurar a lavagem e a
reciclagem dos fabulosos lucros extraídos de suas atividades a não ser com a
cumplicidade dos meios de negócios e (...) do poder político. Esse concluio de
interesses constitui um componente essencial da economia mundial, o lubrificante
indispensável ao “bom” funcionamento do capitalismo. (...) Um fantástica
pilhagem da qual nunca uma contabilidade global será feita. (...) Bancos e
grandes empresas são ávidos em captar, depois de feita a lavagem, os lucros dos
negócios do crime organizado. (..) Cada país acoberta seus meios criminosos.
Centenas de grupos rivais dividem os mercados nacionais e internacionais do
crime.”
“Máfia Global”, Le Monde Diplomatique, ed. Brasileira, in: Caros Amigos, abr. 2000,
p. 10
A partir do texto pode-se afirmar que:
a) o crime organizado age atualmente em escala mundial, tendo os bancos
instalados nos paraísos fiscais como forte concorrente nos lucros obtidos.
b) os bancos que operam em paraísos fiscais não aceitam os recursos obtidos
através das atividades criminosas, devido à ameaça de represálias por parte da
ONU.
c) os paraísos fiscais vivem, sobretudo dos recursos gerados pelas atividades
criminosas e pela corrupção, pois lhes garante total sigilo bancário fiscal,
impedindo a identificação da lavagem de dinheiro e favorecendo o crime
organizado em escala mundial.
d) todos os países estão empenhados em combater o narcotráfico, impedindo
através da criação de leis específicas e rigorosas, sua disseminação.
e) o narcotráfico não constitui um problema global, apenas alguns países,
geralmente subdesenvolvidos, enfrentam esse problema.
05ª. A foto abaixo retrata a derrubada de uma estátua representando Saddam
Hussein em Bagdá, quando da invasão do Iraque pelas tropas dos EUA. Em relação
ao recente conflito naquele país, é CORRETO afirmar que:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 168
a) Representa uma das iniciativas do atual governo estadunidense na chamada
“Guerra contra o Terror”, ofensiva militar e política que abalou a importância da
ONU e do direito internacional.
b) O Iraque era governado por um regime fundamentalista, cujas lideranças
políticas confundiam-se com as religiosas e tinham em Hussein seu guia espiritual.
c) A invasão do Iraque ocorreu após deliberação da ONU, que assim procedeu
em represália ao uso de armas de destruição em massa pelo regime iraquiano
contra o Ocidente.
d) Os EUA invadiram o Iraque ao seu tradicional aliado no Oriente Médio, o Irã,
país que mantém uma disputa territorial com seu vizinho (Guerra Irã-Iraque) desde
o início da década de 80 do século XX.
e) Teve pouco impacto interno nos EUA, uma vez que não foi e não tem sido
debatido pelas lideranças políticas daquele país.
06ª. Transformações políticas marcaram o “Mundo Árabe” nos últimos meses.
Estimulados por desigualdades sociais e autoritarismos políticos, os movimentos
redefiniram os rumos dos governos em países como Tunísia, Egito e Líbia e
evidenciaram o desejo da população por políticas mais justas e pacíficas. Com
relação às consequências dessas alterações é correto afirmar-se que
a) o conjunto de mudanças influenciou praticamente a todos os países árabes a
democratizarem os seus governos.
b) a escalada da violência contra manifestantes pró-democracia foi uma reação
dos movimentos políticos, com destaque para a repressão popular na Síria e a
Líbia.
c) o Egito foi o único país árabe onde as transformações políticas não foram tão
significativas, especialmente em função do carisma e da liderança do presidente
Hosni Mubarak.
d) houve uma ação rápida e objetiva de tomada de poder na Líbia, onde as
forças rebeldes ao governo do Ditador Muammar Kaddafi, apoiadas pelos Estados
Unidos e outros países da Europa Ocidental, conseguiram implantar um governo
pacífico de coalizão, envolvendo líbios e estrangeiros.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 169
e) Os primeiros protestos que aconteceram na Tunísia foram inspirados pela
“Revolução de Jasmim” no Egito, primeiro país a iniciar o processo de deposição
do então presidente Bem Ali.
07ª. Pela primeira vez na história, um líder árabe foi deposto por força de
movimentos populares. Isso aconteceu na Tunísia, país mulçumano localizado ao
norte da África. O presidente Zine Al-Abdine Bem Ali renunciou em 14 de janeiro
após um mês de violentos protestos contra o governo. Ele estava há 23 anos no
poder. A África é, entre todos os continentes, aquele onde se encontram as mais
típicas manifestações do subdesenvolvimento, cuja compreensão requer o
reconhecimento não só da pesada herança colonial européia como também das
especificidades e características diversas de sua população.
Com relação às características políticas e econômicas da África e os constantes
conflitos iniciados na Tunísia e já presentes na maioria dos países árabes no norte
da África. Não podemos afirmar corretamente que
a) O novo ativismo no mundo árabe é explicado pela instabilidade econômica e
pelo surgimento de uma juventude bem educada e insatisfeita com as restrições à
liberdade.
b) Na Tunísia, os protestos começaram depois da morte de um desempregado em
dezembro de 2010. Mohamed Bouazizi, 26 anos, se autoimolou depois que a
polícia o impediu de vender frutas e vegetais em uma barraca de rua.
c) Os primeiros protestos que aconteceram na Marrocos, inspirando todos os
países árabes a democratizarem seus governos.
d) A Líbia e o Egito foram os únicos países onde os protestos não atingiram seus
reais objetivos.
e) Sociedades árabes conhecem apenas duas formas de governo: monarquias
absolutistas ou ditaduras sejam elas militares ou religiosas. Assim, nessas nações
não existem partidos que possam disputar eleições após a queda de um tirano.
08ª. Há vários anos, a região, acima representada, vem sendo atingida por sérios
conflitos políticos, sociais e étnicos, com fortes enfrentamentos bélicos.
Acerca das dinâmicas socioespaciais em curso nessa região e considerando os
aspectos significativos da Atualidade, julgue os itens abaixo
Atualidades
Prof. Nilton Matos 170
I. A Tunísia deu o pontapé inicial, depois da morte de um desempregado em
dezembro de 2010.
II. Os conflitos no mundo árabe são explicados pela instabilidade econômica e
pelo surgimento de uma juventude bem educada e insatisfeita com as
restrições à liberdade.
III. A "revolução do jasmim", que derrubou o presidente Ben Áli, na Tunísia, em
janeiro de 2011, representou pela primeira vez na história a queda de um líder
árabe, deposto por um movimento popular.
IV. Houve uma ação rápida e objetiva de tomada de poder na Síria, onde as
forças rebeldes ao governo do Ditador Bashar Al Assad, conseguiram implantar
um governo pacífico de coalizão, envolvendo líbios e estrangeiros.
V. O Iêmen foi o único país árabe onde as transformações políticasnão foram tão
significativas.
VI. O significado do termo "Primavera Árabe" está relacionado ao florescimento
de movimentos sociais em alguns países norte-africanos e do Oriente Médio,
visando principalmente, à destituição do poder de ditaduras instaladas há
décadas, como, por exemplo, Tunísia, Egito e Líbia.
VII. Em 2011, na área assinalada com o circulo, ocorreu a criação de um novo
país, o Sudão do Sul. Tal fato deveu-se, principalmente, ao predomínio na
região do cristianismo e do animismo, o que diferencia a referida região do
restante do país.
É correto o que se afirma em
a) I, III e V.
b) II, IV, V e VI
c) I, II, III, VI e VII
d) IV, V, VI e VII
e) I, II, IV e VII
09ª. O Terrorismo tem sido apontado como o grande fenômeno global deste início
de século XXI, fenômeno que teria começado, simbolicamente, com os atentados
de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. O mapa a seguir apresenta uma
série de atos terroristas que evidenciam a insegurança provocada por essas ações
em grande parte do mundo.
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os próximos ítens.
I. O terrorismo hoje é um fenômeno do mundo islâmico, com grupos atuantes na
Europa, como o ETA (na Espanha), o IRA (na Irlanda) e os movimentos dos
guerrilheiros esquerdistas na América, FARC e ELN (na Colômbia).
II. Movimentos extremados não são recentes, haja vista que já a 1ª Guerra
Mundial teve início com um ato terrorista: o assassinato do arquiduque
Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, por um estudante
sérvio, em Serajevo, atual capital da Bósnia-Herzegovina.
III. A Al-Qaeda é uma organização que reúne de 20 a 30 grupos terroristas
islâmicos que operam por conta própria, no mundo todo. Dos atentados
Atualidades
Prof. Nilton Matos 171
identificados no mapa, grande parte atribuídos a essa organização ou nela
inspirados, apenas o continente americano não foi alvo desses atos.
IV. O sentimento de ódio contra os EUA e seus aliados tem colocado em alerta
países como Inglaterra e Itália. Sobretudo entre os italianos, por causa de sua
participação na Guerra do Iraque, tem crescido o temor de um atentado,
motivo que fez o governo aumentar a segurança naquele país peninsular.
É correto o que se afirma em
a) I apenas.
b) II e IV.
c) III apenas.
d) III e IV.
10ª. A Agência Internacional de Energia Atômica censurou o Irã por ter iniciado
clandestinamente a construção de uma usina de enriquecimento de urânio. Teerã
reagiu anunciando mais dez usinas e a busca de tecnologia própria para
enriquecer urânio até o teor de 20%, usado na produção de isótopos para
medicina e pesquisa – para reatores, bastam 3% a 5%; para bombas atômicas,
necessita-se de 80% ou mais.
Revista Carta Capital, ano XV, nº 575, 09/12/2009, p. 22.
A análise da notícia acima conduz à conclusão sobre o Irã de que: (BNDES / 2010)
a).O enriquecimento do urânio é incompatível com essa região do planeta.
b).O país é considerado por essa Agência a mais forte potência nuclear regional.
c).O governo atual se empenha para recuperar o status de potência nuclear.
d).O programa nuclear iraniano está paralisado devido aos Estados Unidos.
e).A sua capacidade nuclear é insuficiente para produzir bombas atômicas.
11ª. A recente intermediação brasileira junto ao Irã, buscando uma solução para a
polêmica questão nuclear que envolve esse último e boa parte das grandes
potências ocidentais, em especial os EUA, é um dos fenômenos mais
Atualidades
Prof. Nilton Matos 172
emblemáticos da Política Internacional atual. Sobre o passado, presente e
principais aspectos desse confronto entre o Irã e seus adversários é correto afirmar,
exceto:
a).Os iranianos alegam que seu programa nuclear é pacífico e seu país é vítima
da agressividade e interferência do Ocidente na região. Alegam também que
Israel, seu principal inimigo na região, foi armado e é apoiado pelo Ocidente, em
particular pelos EUA.
b).O Irã é visto com desconfiança pelos países ocidentais desde a Revolução
Iraniana de 1979, que colocou no poder um regime de marcada orientação
religiosa, visto pelo ocidente como hostil, fanático e conflituoso.
c).O Brasil solucionou a crise através da assinatura de um protocolo que prevê a
transferência de tecnologia nuclear brasileira, que o Brasil adquiriu da Alemanha
Ocidental nos anos 70 do século XX. Esta tecnologia impede a fabricação de
armas nucleares e resolve a crise entre o país do Oriente Médio e o Ocidente.
d).Após a negociação entre o presidente brasileiro e o governo iraniano, várias
potências ocidentais elogiaram a iniciativa brasileira, mas questionaram a eficácia
da solução negociada, alegando que os iranianos não cumprirão o acordo ou
que o mesmo é insuficiente para impedir a criação de armas nucleares por esse
país.
“A estrutura etária da população mundial mudou nos últimos anos. Entre as causas
desta mudança, podemos apontar a expectativa de vida, as taxas de natalidade,
as taxas de mortalidade e a taxa de fecundidade, entre outros indicadores. Um
fenômeno demográfico apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU) faz
estimativas de aumento dos grupos etários mais avançados (80, 90 e 100 anos),
que tem apresentado crescimento de 60% entre 1970 e 1998. Países como o
Japão, Itália e Suíça já apresentam um elevado número de idosos. Este fenômeno
resultou na criação de um ‘Plano Internacional de Ação para o Envelhecimento’
pela ONU.”
12ª. Este “envelhecimento” da população poderá trazer como conseqüência
geral, sobretudo para os países em desenvolvimento: (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Aumento do IDH da população em geral e das taxas de fecundidade devido
ao gradativo aumento da longevidade.
b) A sobrecarga do sistema de previdência social pela diminuição da PEA, que
notadamente contribui para este sistema.
c) Maior longevidade da população masculina devido aos programas
governamentais que se preocupam com a saúde do homem.
d) Ociosidade total da população velha e a criação de centros gerontológicos
estatais que onerarão, ainda mais, o Estado.
e) Que os velhos representarão em torno de 1% da população total, provocando
um alargamento da base da pirâmide etária da maioria dos países.
13ª. A Geopolítica mundial do início do século XXI foi significativamente
influenciada pela crise dos EUA. Neste contexto, a economia norte-americana
abalada pela catástrofe de 11 de setembro, passa a ser orientada por uma política
Atualidades
Prof. Nilton Matos 173
“megalomaníaca” de força militar que destrói quase que por completo as bases
políticas e ideológicas do país. Dessa forma, a geopolítica mundial durante a
primeira década do século XXI pode ser caracterizada da seguinte forma:
I..É possível afirmar que no contexto da última década assistimos a um progressivo
crescimento da economia mundial em função dos dinâmicos asiáticos,
fundamentalmente através do crescimento Chinês. Contudo, o peso das
economias dos países do velho atlântico norte (união européia e EUA) ainda
representam a maior parte do produto mundial.
II..É possível afirmar que no contexto da última década assistimos a um expressivo
crescimento da economia mundial em função dos dinâmicos asiáticos,
fundamentalmente através do crescimento Chinês. Nesse sentido, houve uma
transformação no cenário da economia mundial, transferindo o centro econômico
do velho atlântico norte para o continente asiático.
III..Embora a fragilidade da economia norte americana no início do século XXI, o
governo norte-americano conseguiu recuperar sua economia e retomar a posição
hegemônica no contexto mundial.
Assinale a alternativa que melhor descreve a geopolítica mundial no contexto da
primeira década do século XXI. (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Apenas o item I está correto.
b) Apenas o item II está correto.
c) Apenas o item III está correto.
d) Apenas os itens I e III estão corretos.
e) Apenas os itens II e III estão corretos.
14ª. Os tigres asiáticos sãopaíses que desenvolveram a sua indústria, a partir da
década de 1970. E, enquanto muitos países viviam nos anos de 1980 a década
perdida, estes apresentam os maiores índices de crescimento econômico. Hoje
constituem as economias que mais rapidamente incorporam novas tecnologias ao
processo produtivo. Assinale a alternativa que contempla os três países
denominados tigres asiáticos: (PMQ-CE / 2010)
a).Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan.
b).Canadá, Japão e Austrália.
c).Hungria, Polônia e Ucrânia.
d).Filipinas, Iraque e Sri Lanka.
“Por meio do Tratado de Assunção, em 1991, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
constituíram o Mercosul. Em 1995, instalou-se uma zona de livre-comércio, onde as
mercadorias produzidas nos quatro países poderiam ser comercializadas
internamente, sem a cobrança de tarifas de importação. Em 1996, a Bolívia e o
Chile aderiram como associados do Mercosul. Após a aprovação da Argentina e
do Uruguai, foi a vez do Senado brasileiro, em sessão polêmica do dia 16 de
dezembro de 2009, ratificar o ingresso de um novo país, como componente no
bloco Mercosul. Assim, fica faltando apenas a confirmação do Congresso
paraguaio, para que esse país seja legitimado como membro pleno do Mercosul.”
Atualidades
Prof. Nilton Matos 174
15ª. De acordo com o texto, assinale a alternativa que contempla o país em
questão e seu presidente: (PMQ-CE / 2010)
a).Honduras, de Manuel Zelaya.
b).Venezuela, de Hugo Chávez.
c).África do Sul, de Jacob Zuma.
d).Colômbia, de Álvaro Uribe.
“Após a 2ª Guerra Mundial, vários países subdesenvolvidos conseguiram chegar à
industrialização, graças à forte participação do capital estrangeiro, aos baixos
salários dos trabalhadores, à isenção de certos impostos, além de outros estímulos
fiscais, e à importante participação do Estado na indústria de base. Atualmente,
esses países modernizaram sua economia, ampliaram o poder de compra do seu
mercado consumidor e ainda começaram a exportar produtos industrializados,
passando a ser denominados países emergentes.”
16ª. Assinale a alternativa que apresenta somente países emergentes: (PMQ-CE /
2010)
a).Argélia, Etiópia, Quênia e Somália.
b).Alemanha, Canadá, Inglaterra e Japão.
c).África do Sul, Brasil, Coréia do Sul e México.
d).Cuba, Haiti, Guatemala e Honduras.
17ª. No mundo atual, a procura por fonte de energia limpa, ou seja, não-poluidora,
é prioridade, tendo em vista as seguintes características:
I..Produz energia limpa.
II..A sua instalação não causa impacto ambiental.
III..Não apresenta riscos de grandes acidentes.
IV..Utiliza um recurso natural renovável.
V..As condições mais favoráveis de instalação dessa usina, no Brasil, apresentam-
se no litoral nordestino.
Assinale a alternativa que identifica a fonte de energia que apresenta essas
características. (PMQ-CE / 2010)
a) Usina Termelétrica, com a queima de carvão mineral ou de petróleo.
b) Usina Termonuclear, com a fissão do urânio enriquecido (minério atômico).
c) Usina Hidroelétrica, que aproveita a força da água da chuva e do mar.
d) Usina Eólica, que usa a força dos ventos.
18ª. Seguindo uma tendência mundial de formação de blocos, em 1991, o Brasil, a
Argentina, o Paraguai e o Uruguai estruturaram o MERCOSUL enquanto que os
Estados Unidos, o México e o Canadá estabeleceram o NAFTA em 1994. Em
relação aos blocos econômicos, assinale a alternativa correta: (Analista
Administrativo – FESF-BA / 2010)
Atualidades
Prof. Nilton Matos 175
a).Tanto o MERCOSUL quanto o NAFTA, são contrários ao neoliberalismo porque
propõem economias nacionais e proteção aos pequenos agricultores e micro e
pequenas empresas.
b).A formação desses grupos, apesar das contradições, significou um grande
avanço porque deram inicio à defesa de um comércio mais intenso entre os
países.
c).Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, em 23 de
maio de 2008, a criação de um novo bloco econômico que incluirá todos os
países latino-americanos – a UNASUL.
d).A formação do MERCOSUL foi prejudicial para as relações diplomáticas entre
Brasil e Paraguai, impedindo que mantivessem, por questões políticas, a parceria
da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
e).O MERCOSUL está consolidado no atual formato, de forma que não aceita mais
a entrada de outros países, sendo que sua formação atual é: Brasil, Argentina,
Paraguai, Uruguai e Venezuela.
19ª. Quais são as práticas de comércio consideradas como desleais? (Gestão e
Comércio Exterior – IFET-RS / 2010)
a) Dumping e subsídio.
b) Cartel e dumping.
c) Subsídio e abonos comerciais.
d) Subsídio e acordos compensatórios.
e) Cartel e subsídio.
20ª. O termo globalização, muito propalado atualmente, possui suas origens a
partir de contextos históricos que nos remontam a séculos passados, como por
exemplo: o processo das grandes navegações que estabeleceram conexões
socioeconômicas entre diferentes continentes. No entanto, nas últimas décadas a
crescente integração econômica entre as regiões sob diversos aspectos:
comercial, produtivo e financeiro, tem acelerado tal processo. Atualmente a
globalização pode ser percebida fundamentalmente através da produção e
distribuição de bens e serviços dentro de redes em escala mundial, que podem
levar a redução de barreiras no comércio mundial e a conseqüente formação de
blocos econômicos. Desde 1980, quando esse processo se acelerou, a economia
mundial passou a crescer 4% ao ano, o que teoricamente deveria contribuir para a
melhoria do padrão de vida das sociedades em escala mundial. Entretanto,
historicamente, a globalização tem contribuído para o desequilíbrio econômico
entre as sociedades, esse processo pode ser percebido através de aspectos
como: (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) A quebra das barreiras fiscais, onde as economias nacionais se aglutinam
formando os chamados trustes. Neste contexto, a livre concorrência é
incentivada, a fim de que as leis do mercado possam encaminhar as economias
ao desenvolvimento.
b) O declínio dos Estados nacionais modernos que hoje não mais controlam de
forma hegemônica a economia mundial. Dessa forma, a formação de grandes
Atualidades
Prof. Nilton Matos 176
blocos econômicos supranacionais suprime o imperialismo e possibilita o acesso de
toda a população mundial aos mais diversos benefícios tecnológicos.
c) O aumento do desemprego estrutural em muitos países, pois o novo paradigma
tecnológico requer mão de obra mais qualificada, marginalizando parcela
significativa de trabalhadores. Observa-se também a concentração da produção
em grandes empresas multinacionais, o que tem levado a desnacionalização de
grande parte do setor produtivo, principalmente nos países menos desenvolvidos
ou emergentes.
d) O expansionismo territorial dos países mais desenvolvidos que, através da
coerção militar, estabeleceram domínios sobre regiões economicamente
estratégicas. Nesse sentido, o acesso aos benefícios ficou restrito a classes
favorecidas da estrutura social, que na maioria das vezes representam a maioria
da população.
e) O aumento do desemprego estrutural em muitos países, em função do
monopólio tecnológico exercido pelos grandes centros. Dessa maneira,
economias periféricas passam a atrair investimentos, devido a grande oferta de
mão de obra especializada, pois os governos destes países enfatizam por principio
o incentivo a políticas públicas, de cunho social.
21ª. A intensificação da globalização econômica acirrou a concorrência na
economia mundial durante as últimas décadas, trazendo para o debate das
relações de mercado a chamada economia policêntrica. A partir deste novo
contexto temos por característica fundamental a formação de blocos
econômicos, os quais a União Européia foi o pioneiro, ainda na conjuntura da
Guerra Fria. Para Demétrio Magnoli, existem tipos característicos de blocos
econômicos. Dentre estes:
I..Zona Livre de Comércio, União Aduaneira, Mercado Comum.
II..Zona Livre de Comércio, União Econômica, LegislaçãoÚnica.
III..União Econômica, Mercado Comum, Áreas de integração por Investimentos.
Qual das alternativas descreve de forma incorreta, os tipos característicos de
blocos econômicos. (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
a) Apenas o item I.
b) Apenas o item II.
c) Apenas o item III.
d) Apenas os itens I e II.
e) Apenas os itens II e III.
22ª. “Uma das características da história do capitalismo tem sido a intensa
mobilidade espacial da população. Dentro dos próprios países e mesmo para fora
destes, a migração é uma característica atual da demografia mundial. Um tipo de
migração seletiva vem ocorrendo nos últimos tempos: profissionais bem
preparados intelectualmente e de excelente qualificação profissional dirigem-se
para os mais importantes centros de pesquisa do mundo, ao que se convencionou
chamar de ‘fuga de cérebros’.”
Atualidades
Prof. Nilton Matos 177
São, respectivamente, grupos de países de emigração e de imigração de
“cérebros”: (Geógrafo – IFET-RS / 2010)
I..Índia, Brasil e México.
II..Estados Unidos, Japão e Alemanha.
III..África do Sul, Nova Zelândia e Grécia.
IV..Canadá, Argentina e França.
a).I e II.
b).I e III.
c).II e III.
d).II e IV.
e).III e IV.
23ª. Cumprindo um caráter social, a produção do biodiesel pretende, também,
gerar trabalho e agregar valores à produção de pequenos agricultores de
determinadas matérias-primas. Quanto ao biodiesel, assinale a alternativa
incorreta: (Assistente Administrativo – FESF-BA / 2010)
a) A produção do biodiesel tem a finalidade única de utilização no mercado
automotivo.
b) O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis.
c) O uso do biodiesel deverá colaborar para diminuir a agressão à camada de
ozônio.
d) A mamona é a melhor opção para o semi-árido nordestino produzir o biodiesel.
e) Canola, soja, pinhão manso, entre outros, são apropriados para produção do
biodiesel.
24ª. Assinale a alternativa correta. A história da humanidade é repleta de
narrativas sobre epidemias e pandemias que, muitas vezes, limitaram o
crescimento demográfico ou ainda, dizimaram populações. (Assistente
Administrativo – FESF-BA / 2010)
a) O vírus da “gripe suína” é o “H1N1”, doença da atualidade, para a qual ainda
não existe vacina.
b) A “Peste negra” é uma epidemia que no século VI dizimou um terço da
população européia.
c) Os índios sucumbiram ao vírus da gripe dos brancos porque não possuíam
anticorpos para ela.
d) A “malária” está totalmente erradicada no Brasil graças à campanhas de
vacinação nacional.
e) A tuberculose foi o grande mal da Idade Média, matando milhares de pessoas
na Europa.
25ª. A celeuma em torno de duas hidroelétricas a serem construídas em Rondônia
envolveu desde preocupações ambientais até o modelo das linhas de transmissão
Atualidades
Prof. Nilton Matos 178
de energia a ser utilizado, passando por disputa empresarial entre grupos
interessados nas obras. Essas usinas, de Jirau e Santo Antônio, irão integrar o
complexo hidroelétrico do rio: (PRF / 2008)
a).Madeira.
b).Negro.
c).Solimões.
d).Tocantins.
e).Branco.
26ª..O governo brasileiro anunciou sua intenção de, em 2009, licitar e conceder a
exploração de 4 milhões de hectares de florestas públicas situadas,
principalmente, em Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Acre. Ao afirmar que
esse modelo de gestão de florestas públicas viabiliza a conservação das áreas
licitadas e torna a exploração ambientalmente adequada, socialmente justa e
economicamente viável, o poder público brasileiro pretende aproximar-se de um
modelo de desenvolvimento entendido atualmente como: (PRF / 2008)
a).Integrado à economia de mercado globalizada, que enfatiza os resultados
econômicos.
b).Monitorado por ONGs e submetido às leis do mercado.
c).Pragmático, segundo o qual a necessidade e a viabilidade do progresso devem
ser defendidas a qualquer custo.
d).Sustentável, em que a geração de riquezas está associada à preservação da
vida no presente e no futuro.
e).Refratário à ingerência externa e às teses ambientalistas mais difundidas no
mundo.
“O cultivo de grãos na Amazônia – entre eles a soja, apontada como uma das
vilãs do desmatamento – pode ser uma alternativa para a recuperação de áreas
já degradadas da floresta. Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, que
consiste na integração de culturas como o cultivo de grãos, a pecuária e o
reflorestamento, começa a ser implantada em fazendas experimentais na região
Norte do país. É o chamado sistema integrado de produção.”
Folha de S. Paulo, 03/02/2008, p. A18 (com adaptações).
27ª. Tendo o texto acima como referência inicial e considerando as diversas
implicações do tema por ele focalizado, assinale a opção incorreta. (PRF / 2008)
Atualidades
Prof. Nilton Matos 179
a).O Brasil tem no agronegócio, que faz da soja uma de suas estrelas, um de seus
mais fortes instrumentos para inserção no mercado mundial.
b).A empresa estatal mencionada no texto torna o Brasil uma referência
internacional no campo da pesquisa científica vinculada ao campo.
c).O comércio de grãos, no atual estágio da economia mundial globalizada,
adquire importância capital devido ao montante de recursos que movimenta.
d).Áreas já degradadas da floresta, conforme se afirma no texto, podem ser
utilizadas pela pecuária ou ainda para a produção de cultivos de exportação.
e).Infere-se do texto que os lucros da ampliação de áreas de plantio na Amazônia
compensam os efeitos ambientais do desmatamento na região.
28ª. Em geral, a região Norte do Brasil tem sua economia baseada no extrativismo
vegetal, a exemplo do látex, do açaí e da castanha. Não obstante, a região é
muito rica em minérios. Exemplos disso são a Serra do Navio, no Amapá, rica em
manganês, e a Serra dos Carajás, no Pará, de onde se extrai: (PRF / 2008)
a).A maior concentração de diamantes do país.
b).Grande parte do minério de ferro que o Brasil exporta.
c).A maior parte da produção aurífera brasileira.
d).A totalidade da bauxita existente na América do Sul.
e).O combustível que impulsiona as usinas de Angra dos Reis.
“Portaria publicada no Diário Oficial da União – que obriga todas as entidades
autorizadas a trabalhar em áreas indígenas e de proteção ao meio ambiente a se
recadastrarem em um prazo de 120 dias permitirá a expulsão do país das ONGs
em situação irregular. Oficialmente, o governo não revela, mas já tem uma lista
com cerca de 20 ONGs estrangeiras sob ameaça de expulsão. Principalmente
aquelas ligadas a grupos externos que pregam a internacionalização da
Amazônia.”
Jornal do Brasil, 05/07/2008, capa (com adaptações).
29..Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos
aspectos do tema que ele aborda, assinale a opção correta. (PRF / 2008)
a).As ONGs expandiram-se no mundo contemporâneo, especialmente na primeira
metade do século XX, tendo por foco principal a luta pelo desarmamento e pelo
fim dos conflitos regionais. b).Infere-se do texto que a exigência de
recadastramento das ONGs é mera formalidade, já que não se tem notícia, até o
momento, de indícios de irregularidade no funcionamento dessas organizações.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 180
c).A tese de internacionalização da Amazônia, mencionada no texto, é inédita,
tendo surgido no início do século XXI em alguns dos principais centros dirigentes da
economia mundial.
d).No Congresso Nacional, parlamentares de diferentes correntes partidárias,
sobretudo da região Norte, têm-se manifestado criticamente quanto à ação de
ONGs que atuam junto a comunidades indígenas.
e).Temeroso diante de eventual reação da comunidade internacional, o Estado
brasileiro silencia-se diante da presença de organismos e instituições estrangeiras
com atuação no território nacional.
30..Surgida em 1969, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA)
impulsionou a economia amazonense, sobretudo a de Manaus, que hoje responde
por mais de 50% do PIB do estado do Amazonas. A ZonaFranca está em
transformação; desde os anos 80 do século XX, vêm sendo reduzidos os incentivos
presentes na sua origem. Isso se deve, entre outras razões, à contestação feita por
outros estados às vantagens fiscais concedidas ao Amazonas. Com relação a esse
assunto, assinale a opção correta. (PRF / 2008)
a).O pólo industrial de Manaus tradicionalmente concentra-se na produção de
bens primários, como os alimentícios.
b).A contestação citada no texto pode ser entendida como parte da chamada
guerra fiscal entre estados brasileiros.
c).A maior vantagem obtida pela Zona Franca de Manaus sempre foi a isenção
de impostos para a exportação de seus produtos.
d).A proliferação de hidroelétricas na bacia amazônica estimula a industrialização
não só em Manaus, mas também em outras cidades do Amazonas.
e).Em geral, tal como ocorre no Amazonas, a população da região Norte é
desconcentrada, disseminada pelo interior.
“Os três religiosos paraenses ameaçados de morte, segundo denúncia da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Anistia Internacional, estão na
linha de frente da luta pelos direitos humanos. Um deles, o bispo de Xingu, se
destaca na luta pelos direitos indígenas e contra os grileiros que agem no sudeste
do Pará, principalmente em Altamira. As ameaças ao bispo de Abaetetuba vieram
após o religioso ter denunciado o caso da menina de 16 anos mantida em um
cárcere masculino. Outro religioso ameaçado é um frei, advogado da Comissão
Pastoral da Terra em Xinguara, no sul do Pará, há décadas engajado na luta dos
trabalhadores rurais sem terra por reforma agrária.”
O Globo, 12/04/2008, p. 12 (com adaptações).
Atualidades
Prof. Nilton Matos 181
31ª..Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a abrangência
do tema por ele tratado, julgue os itens a seguir.
I..A questão da terra sempre foi tema explosivo no Brasil e ganhou maior
intensidade a partir de meados do século passado, quando o tema da reforma
agrária entrou na agenda política do país.
II..Deduz-se do texto que os três religiosos ora ameaçados defendem uma solução
conciliatória, de modo que posseiros e grileiros possam ser atendidos e respeitados
em seus direitos.
III..O incidente de Abaetetuba ganhou visibilidade ao ser amplamente noticiado,
e o fato de uma adolescente ter sido encarcerada junto a homens, que a
violentaram no cárcere, gerou repulsa em amplos setores da sociedade.
IV..A inexistência de assentamentos rurais na região amazônica funciona como
estopim que incendeia o cenário de tensão existente em várias localidades, entre
as quais estão o sul e o sudeste do Pará.
V..Há consenso entre os especialistas de que o enfrentamento adequado do
problema fundiário na região Norte e no país exige a criação de órgão específico
da administração federal para tratar da reforma agrária.
Estão corretas: (PRF / 2008 – adapt.)
a).II e V.
b).I e III.
c).III e V.
d).I e IV.
e).III e IV.
32ª..O exercício da cidadania, no Brasil, vem sendo favorecido pela criação de
leis que regulamentam diretrizes da Constituição Federal de 1988. Uma lei criada
em 2001, visando a amparar o ordenamento territorial do país, por meio de Planos
Diretores e outros instrumentos, é denominada de Estatuto da(o): (CEF / 2008)
a).Terra.
b).Idoso.
c).Cidade.
d).Desarmamento.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 182
e).Criança e do Adolescente.
33ª..Observe a tabela:
Os gastos sociais do governo brasileiro cresceram, nos setores acima indicados.
Uma explicação para esse crescimento vincula-se, explicitamente, ao seguinte
fator demográfico: (CEF / 2008)
a).Aumento da expectativa de vida.
b).Estabilização da taxa de natalidade.
c).Redução da taxa de mortalidade infantil.
d).Incremento do índice de fecundidade.
e).Diminuição da população adulta.
34ª..A política brasileira nas áreas rurais é caracterizada por enfrentamentos que se
expressam, dentre outros, por organizações da sociedade civil, em associações,
sindicatos, movimentos sociais etc. O par de entidades da sociedade civil que
representam distintas classes sociais e interesses conflitantes quanto à questão da
terra é: (CEF / 2008)
a).Liga Camponesa / Via Campesina.
b).Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra / Via Campesina.
c).Movimento dos Atingidos por Barragens / Liga Camponesa.
d).União Democrática Ruralista / Sindicato dos Proprietários Rurais.
e).União Democrática Ruralista / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
35ª..Fidel Castro, como figura política latino-americana, chamou a atenção da
opinião pública internacional, no início de 2008, por ter tomado a decisão de: (CEF
/ 2008)
a).Comandar a resistência dos guerrilheiros colombianos.
b).Deixar o posto de chefe de Estado da República de Cuba.
c).Pressionar o governo equatoriano a ceder espaço às FARC.
d).Anistiar os dissidentes da Revolução Cubana residentes no exterior.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 183
e).Negociar com os governos da Venezuela e da Colômbia contra as FARC.
36ª..As energias eólica e solar são consideradas fontes alternativas por serem
renováveis, contrapondo-se aos tipos de energia produzidos a partir da queima de
combustíveis fósseis. No Brasil atual, o uso dessas energias alternativas indicadas
pode ser, adequadamente, classificado como: (CEF / 2008)
a).Restritivo, em função das condições naturais gerais do país.
b).Predominante, quanto às unidades produtivas atendidas.
c).Inexistente, tendo em vista os obstáculos jurídicos.
d).Inviável, haja vista os históricos impasses tecnológicos.
e).Incipiente, quanto a sua efetiva produtividade.
A PESSOA COMO EXISTÊNCIA POTENCIAL
Qual o estatuto humano do embrião? Que tipo de ser é o embrião humano? É
pessoa? É coisa? É material biológico? O embrião é pessoa potencial, um ser
pertencente à nossa espécie. Mas este fato biológico significa que ele já é pessoa
humana com iguais direitos de uma criança, de um adulto ou de um ancião? (...)
Centralizando a questão: quando começa a pessoa humana?
Pegoraro, O. In: Araújo, L. e Barbosa, R. (orgs). Filosofia prática e modernidade. Rio
de Janeiro: EDUERJ, 2003:83.
37ª..Em 2008, as questões acima freqüentaram o debate público brasileiro, devido
ao julgamento da constitucionalidade das pesquisas com células-tronco
embrionárias, no país, realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Quanto ao
problema julgado, a posição final do STF foi: (CEF / 2008)
a).Suspender esse tipo de pesquisa laboratorial, temporariamente.
b).Restringir as pesquisas à manipulação de embriões não humanos.
c).Aprovar a continuidade dessa categoria de pesquisa laboratorial.
d).Impedir definitivamente o uso de embriões humanos congelados.
e).Definir a equivalência entre embrião, criança, adulto e ancião.
38ª..No Brasil, é recorrente a problemática da demarcação de terras indígenas, tal
é o caso atual da Reserva Raposa/Serra do Sol, na Amazônia. Com relação a esse
tipo de área protegida, são feitas as afirmativas a seguir:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 184
I..A área indígena demarcada continua sendo propriedade da União.
II..Os índios têm direito ao usufruto da superfície, mas não à exploração do subsolo
de uma reserva demarcada.
III..As Forças Armadas não podem atuar nessas áreas demarcadas.
Estão corretas: (CEF / 2008)
a).I, apenas.
b).I e II, apenas.
c).I e III, apenas.
d).II e III, apenas.
e).I, II e III.
39ª..Analise a definição de sustentabilidade ambiental e as situações de ameaça
à Amazônia Brasileira:
Definição
Sustentabilidade ambiental está relacionada à capacidade da natureza para
absorver e recuperar-se das agressões do homem.
Becker, B. e Miranda, M. (orgs). A geografia política do desenvolvimento
sustentável. EDUFRJ, 1995:33.
Situações
I..Índios: a alta concentração de terras indígenas e as unidades de conservação
em certos estados da região restringem espaço para se alavancar a economia.
II..Madeireiras: o crescimento da indústriailegal madeireira está destruindo
rapidamente a fauna e a flora.
III..Arrozeiros: o agrotóxico da agricultura vai para os rios e parte da floresta é
derrubada para a agricultura.
IV..ONGs: estima-se que existam 100 mil ONGs operando na região e que muitas se
envolvem com biopirataria e lavagem de dinheiro.
V..Pasto: pecuaristas compram terrenos na região e utilizam-nos para pastagem
até que se tornem inférteis.
Revista Isto é, 28 maio de 2008.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 185
O tipo de sustentabilidade definido está diretamente comprometido com as
ameaças descritas nas situações numeradas de I a V, com exceção da ameaça:
(CEF / 2008)
a).I.
b).II.
c).III.
d).IV.
e).V.
“O conceito de hotspots foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers, ao
observar que a biodiversidade não está distribuída no planeta de forma
homogênea, com isso procurou identificar quais as regiões que concentram os
mais altos níveis de biodiversidade e que eram ameaçadas. Hotspots são áreas
prioritárias para a conservação, com pelo menos 1500 espécies endêmicas de
plantas e que tenham perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.”
CEDERJ, 2009 (com adaptações).
40ª..A partir das características enunciadas, pode-se afirmar que, no Brasil, são
considerados(as) como hotspots: (IBGE / 2009)
a).A floresta amazônica e a caatinga.
b).O cerrado e a floresta amazônica.
c).A mata atlântica e o cerrado.
d).O cerrado e a caatinga.
e).A mata atlântica e a floresta amazônica.
“Há um paradoxo de difícil equacionamento para a superação da crise global. A
maioria está de acordo que um passo indispensável é a recuperação americana
(...).”
José Carlos de Assis. In: Jornal do Brasil, 13/02/2009.
41ª..A atual crise da economia mundial se tornou evidente a partir do segundo
semestre de 2008, nos Estados Unidos. O episódio mais marcante dessa evidência
foi o momento em que o governo federal dos Estados Unidos ofereceu: (IBGE-SP /
2009)
a).Apoio aos soldados americanos no Iraque.
b).Ajuda financeira aos bancos norte-americanos.
c).Doação internacional aos refugiados da fome.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 186
d).Solidariedade aos presos políticos em Cuba.
e).Oportunidade aos que buscam o primeiro emprego.
42ª..No período de outubro a fevereiro, como de costume, o governo brasileiro
adota em quase todo o território nacional o horário de verão. Esse horário
alternativo é adotado no Brasil porque: (IBGE-SP / 2009)
a).O governo atende a uma orientação internacional.
b).O país é tropical, condição para adotar esse horário.
c).O governo se promove frente a outros países latino-americanos.
d).O país economiza energia e dinheiro no período.
e).As regiões do país gastam a mesma cota de energia no período.
43ª..A agricultura brasileira vem crescendo e se modernizando com base em
alguns cultivos voltados para o mercado externo. Atualmente, em direção à
Amazônia, sobretudo no estado do Mato Grosso, se expande um desses cultivos
agrícolas voltados para a exportação. O cultivo agrícola em expansão na área
em foco é o de: (IBGE-SP / 2009)
a).Café.
b).Soja.
c).Trigo.
d).Cana.
e).Erva-Mate.
44ª..De acordo com o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou nos
últimos anos. Isso implica uma atenção maior com o funcionamento da
previdência social e com a expansão de uma faixa etária específica da
população, exigindo-se uma legislação adequada. Na área da legislação
brasileira, a faixa etária em questão foi especificamente contemplada com o
Estatuto do(da): (IBGE-SP / 2009)
a).Desarmamento.
b).Idoso.
c).Igualdade Racial.
d).Cidade.
e).Criança e do Adolescente.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 187
45ª..No campo das relações internacionais, o governo brasileiro incrementou
negociações diplomáticas com o governo boliviano, em função do fornecimento
de um recurso natural estratégico importado, daquele país, pelo Brasil. O recurso
natural estratégico em pauta, importado da Bolívia pelo Brasil, é o(a): (IBGE-SP /
2009)
a).Petróleo.
b).Carvão Mineral.
c).Biomassa.
d).Gás Natural.
e).Xisto Betuminoso.
“A rua 25 de março, no centro de São Paulo, é um dos principais pontos de
redistribuição de mercadorias do país.”
Le Monde Diplomatique Brasil, mar./2009, p. 8.
46ª..A fotografia acima registra o movimento cotidiano da economia de uma
metrópole como São Paulo. O movimento registrado tem como foco uma parte da
economia nacional vinculada diretamente ao setor: (IBGE-SP / 2009)
a).Financeiro global.
b).Industrial moderno.
c).Bancário nacional.
d).Informal popular.
e).Institucional local.
47ª..Integrado ao mercado global e recebendo as influências do capitalismo
neoliberal, um dos principais problemas do Brasil é o desemprego. São
consideradas causas de desemprego no país:
I..A abertura comercial e a concorrência com produtos estrangeiros, o que
diminuiu o poder de venda de vários ramos industriais brasileiros.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 188
II..Eliminação de postos de trabalho nas indústrias devido à modernização.
III..Competição internacional, a qual é responsável pelo desemprego de
trabalhadores altamente qualificados no país.
Estão corretas: (IBGE / 2008)
a).Todas.
b).I e II.
c).I e III.
d).II e III.
e).Nenhuma.
“Mas nesta nova época dita de globalização não há propriamente um mercado
global, embora o vejamos assim nomeado nos jornais. A inteligência dita global
fica com as instituições internacionais – Nações Unidas, FMI, Banco Mundial –, mas
que tampouco são completamente globais. O exercício do trabalho global é feito
por firmas que chamamos globais, mas que não o são realmente. Elas escolhem as
frações em que desejam atuar e as fragmentam ainda mais. Isso pouco lhes
importa. O que significa que os atores que movem o chamado mundo
globalizado, de um lado, não são globais, e, de outro lado, são cegos. Cegos para
o que está em torno deles, porque a ação das firmas multinacionais e
internacionais é indiferente aos contextos em que se inserem, pouco se
incomodando com o resultado da sua presença para o que está ao redor. Só
pensam em si próprias.”
Santos, M. Território & Sociedade. Entrevista com Milton Santos. Ed. Fundação
Perseu Abramo, 2000, p. 29.
48ª..Com relação ao texto e ao atual processo de globalização em curso, pode-se
afirmar que, exceto: (IBGE / 2008)
a).Os atores que movem o mundo global são, notadamente, beneficiados pelo
neoliberalismo, o qual reduz as barreiras e permite uma maior interferência nos
países subdesenvolvidos.
b).De acordo com o texto, o conceito de globalização empregado por muitos é
inadequado, pois exprime a idéia de crescimento e desenvolvimento dentro de
uma ótica de totalidade e igualdade.
c).O mercado global a que se refere o texto não existe porque não são todos os
países do mundo que possuem acesso ao desenvolvimento tecnológico e
informacional.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 189
d).Como as firmas internacionais são cegas às realidades do países
subdesenvolvidos, passa a existir uma tendência à ampliação da capacidade das
nações subdesenvolvidas de realizar investimentos públicos e solucionar problemas
sociais.
e).O texto faz cair por terra o conceito de globalização enquanto fenômeno
econômico, cultural e social que atinge a todos em escala mundial.
“A partir do desastre em Chernobyl, na Ucrânia, na década de 80 do século XX,
diversos países como Inglaterra e Alemanha reduziram investimentos, cancelando
projetos que envolviam a mesma fonte de energia gerada pela Usina de
Chernobyl antes do referido acidente. Atualmente, passados mais de 20 anos, esta
energia é considerada, por vários especialistas, como limpa e barata.”
49ª..O texto se refere à energia: (IBGE / 2008)
a).Fóssil.
b).Eólica.
c).Hidráulica.
d).Nuclear.
e).Solar.
“Um país como o Brasil não se interessa em ser apenas um país grande,
economicamente forte, com um monte de gente pobre do seu lado. Épreciso que
todos cresçam, que tenham condições de se desenvolver.”
50ª..Com esta afirmação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falava, após
reunião em julho de 2008, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe, sobre:
(IBGE / 2008)
a).A participação do Brasil no Conselho de Segurança permanente da ONU.
b).A importância do Mercosul para os países-membros.
c).O apoio que o Brasil vem prestando aos países pobres da África.
d).A responsabilidade do Brasil na integração da América do Sul.
e).A necessidade de união de todos os países pobres do planeta no combate à
miséria.
“O Ministério do Meio Ambiente lançou, no segundo semestre de 2008, um
programa que possui como principal novidade a estipulação de um prazo de até
Atualidades
Prof. Nilton Matos 190
13 meses para que processos de licenciamento sejam concluídos, já que não
havia prazo legal e as licenças demoravam até 37 meses.”
51ª..O programa lançado pelo Governo e tratado pelo texto é o: (IBGE / 2008)
a).Destrava Ibama.
b).Licenciamento Já.
c).Desburocratização no Meio Ambiente.
d).PAC Ambiental.
e).Brasil Licenciado.
52ª..Na foto acima observa-se a atividade de um garimpeiro de ouro, no rio
Tapajós, Amazônia. Um problema ambiental provocado diretamente pela
atividade do garimpo, na região em foco, é a(o): (IBGE / 2007)
a).Ocorrência de chuvas ácidas em áreas rurais isoladas.
b).Agravamento das conseqüências do efeito estufa regional.
c).Contaminação do meio natural e das pessoas pelo mercúrio.
d).Desmatamento em larga escala na área da bacia hidrográfica.
e).Avanço das áreas atingidas pelo fenômeno da pororoca.
53ª..Na década de 90, a economia brasileira foi caracterizada por um fenômeno
denominado “guerra fiscal”. Esse fenômeno corresponde à competição entre
estados e municípios para atrair empresas, o que provocou uma desconcentração
industrial no país. Essa desconcentração é claramente exemplificada pelo(a):
(IBGE / 2007)
a).Desmantelamento da indústria de base no país.
b).Aumento do emprego de mão-de-obra familiar.
c).Redução do consumo de eletrodomésticos.
d).Descentralização da produção de automóveis.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 191
e).Descapitalização dos principais setores exportadores.
54ª. A produção de biocombustíveis vem despertando interesses e aplicações em
diversos países. No Brasil, tem sido muito discutida atualmente a produção de um
biocombustível que tem como fonte um produto agrícola. Trata-se da(o): (IBGE /
2007)
a).Gasolina.
b).Acetona.
c).Paracetamol.
d).Etanol.
e).Propanol.
55ª. Analise a foto e o trecho da matéria jornalística:
(...) Falo na operação militar no Rio de Janeiro, que talvez venha a ser conhecida,
pelos historiadores futuros, como a batalha inicial de uma guerra que já vinha em
curso, mas somente agora ganha pinta de guerra mesmo, com blindados,
canhões e tudo mais. Já não temos que passar muita vergonha, diante do Iraque
ou do Afeganistão. Ou do próprio Haiti.(...)
João Ubaldo Ribeiro, “O sonho do Urutu próprio”.
In: O Globo, 12/03/06.
Canhão aponta para a casa de um morador, na Mangueira In: O Globo, 12/03/06
O conteúdo da foto e a reflexão crítica expressa no trecho acima referem-se ao
seguinte aspecto do cotidiano brasileiro, no exemplo do Rio de Janeiro: (IBGE /
2006)
a).Crise das Forças Armadas.
b).Crise da segurança pública.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 192
c).Avanço das ações terroristas.
d).Consolidação de nova ditadura militar.
e).Reconhecimento oficial de uma guerra civil.
Sene & Moreira, 1999, p. 296.
56..O produto agrícola cuja evolução está representada nos mapas acima e a
destinação principal de sua produção, respectivamente, são: (IBGE / 2006)
a).Soja/Mercado Interno.
b).Café/Exportação.
c).Milho/Mercado Interno.
d).Café/Mercado Interno.
e).Soja/Exportação.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 193
Revista JB Ecológico, ago./2006.
As perspectivas para a evolução do clima no planeta não são animadoras.
Segundo os meteorologistas, as massas de ar frio que deveriam amenizar o verão
no Hemisfério Norte e esfriar o inverno no Brasil foram bloqueadas.
Revista Veja, 02 ago./2006.
57ª..De acordo com estudos atuais, há grande probabilidade de esse tipo de
bloqueio ser causado pela(o): (IBGE / 2006)
a).Concentração de terras emersas no hemisfério norte.
b).Multiplicação das ilhas de calor nas metrópoles.
c).Expansão das áreas cobertas por desertos.
d).Agravamento do efeito estufa planetário.
e).Avanço da industrialização no hemisfério sul.
58ª..Com relação à atual crise energética atravessada pela sociedade brasileira,
são feitas as afirmativas abaixo.
I..Avançam as pesquisas e a exploração de fontes alternativas, tais como o
biodiesel e a energia eólica.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 194
II..Expande-se a produção de energia hidroelétrica, através da construção de
novas usinas e ampliação da capacidade geradora de antigas unidades.
III..Discutem-se projetos de lei para exigir da indústria de eletrodomésticos a
fabricação de produtos de menor consumo energético.
Estão corretas: (IBGE / 2006)
a).I, apenas.
b).I e II.
c).I e III.
d).II e III.
e).I, II e III.
Revista Veja, 20 set./2006.
59ª..Há seis anos, o governo norte-americano ameaçou o Brasil com a exclusão
das exportações de produtos brasileiros para os EUA, devido à pirataria de DVDs e
softwares. Em fevereiro deste ano, a ameaça foi suspensa. Essa suspensão teve
como principal motivo a(o): (IBGE / 2006)
a).Intensificação das importações brasileiras de produtos de origem norte-
americana.
b).Eliminação de produção e comercialização de mercadorias falsas no país.
c).Apreensão pela Polícia Federal de produtos ilegais de procedência dos EUA.
d).Proibição do comércio de eletroeletrônicos na fronteira Brasil-Paraguai.
e).Reforço de ações do governo brasileiro no combate a produtos falsificados.
Atualidades
Prof. Nilton Matos 195
60ª..Crises periódicas podem afetar os setores produtivos, como nos exemplos da
doença da vaca louca, da gripe aviária e do vírus da febre aftosa. No caso do
último exemplo, a pecuária brasileira foi recentemente afetada, tendo como
conseqüência direta o(a): (IBGE / 2006)
a).Sacrifício de milhares de cabeças de gado em todas as regiões do país.
b).Interrupção das importações de carne de origem argentina.
c).Colapso dos órgãos de segurança sanitária em todo o Brasil.
d).Suspensão da compra de carne bovina brasileira no exterior.
e).Reequilíbrio dos rebanhos bovinos entre as regiões brasileiras.
61ª..Analise o gráfico da matriz de transportes de carga brasileira, no ano de 2006.
Assinale a alternativa que associa corretamente as modalidades listadas a seguir
com os percentuais apresentados no gráfico acima: (ANTT / 2008)
I..Rodoviária.
II..Ferroviária.
III..Dutoviária.
IV..Aquaviária.
a).I-a, II-c, III-d e IV-b.
b).I-b, II-a, III-c e IV-d.
c).I-d, II-a, III-b e IV-c.
d).I-d, II-b, III-c e IV-a.
e).I-a, II-d, III-c e IV-b.
62ª..Avalie as afirmativas a seguir:
Atualidades
Prof. Nilton Matos 196
I..A privatização das malhas ferroviárias criou condições para o aumento de
investimentos, aumentando a competitividade deste subsetor.
II..Os investimentos do Governo Federal no subsetor hidroviário melhoraram as
condições de navegabilidade dos rios.
III..Os arrendamentos de áreas portuárias reduziram os custos portuários,
viabilizando a navegação de cabotagem.
Assinale a alternativa que faz a análise correta dessas afirmativas: (ANTT / 2008)
a).Apesar dos investimentos nas modalidades aquaviária e ferroviária, a matriz de
transporte brasileira deverá permanecer inalterada.
b).Os investimentos do setor privado na modalidade ferroviária e do setor público
no subsetor hidroviário não devem aumentar a participação destas modalidades
na matriz de transporte.
c).Apesar dos investimentos nas modalidades aquaviária e ferroviária, a
participação