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Atualidades 
Apostila 
Nilton Matos 
 
 
 
2012 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. 
 
 
 
Após 11 de setembro, o nome de Bin Laden ganhou fama mundial, inspirando 
militantes jihadistas no Iraque e em diversos lugares do mundo. Vários grupos 
começaram a se denominar como Al Qaeda, ou agindo em nome de seus 
objetivos, passaram a organizar atentados de impacto na Europa (Madri em 2004 
e Londres em 2005), no norte da África, no Oriente Médio e em outras partes da 
Ásia. 
Sua atividade consolidou a transformação da Al Qaeda, idealizada por Bin 
Laden, numa organização com estrutura descentralizada e difusa, que opera em 
braços autônomos. Nessa organização em rede, os grupos afiliados contavam 
principalmente com a liderança ideológica de Bin Laden e da Al Qaeda central, 
hoje, comandada pelo o egípcio Ayman al-Zawahiri, baseada no Afeganistão e 
no Paquistão. Apesar de subordinados a um comando central. Os grupos possuem 
autonomia para conduzir as operações – arrecadar fundos, recrutar militantes e 
realizar ataques. De acordo com a Intel Center, o instituto que monitora grupos 
terroristas, a Al Qaeda possui atualmente ao menos 14 grupos afiliados, que 
mantêm operações em quase 30 países. 
 
 
 
A maioria dos especialistas acredita que a morte de Bin Laden terá um 
impacto limitado no potencial da Al Qaeda de prosseguir com ações terroristas, 
uma vez que os grupos afiliados atuam com independência. Além disso, Bin Laden 
estava distante do dia a dia da Al Qaeda, exercendo pouca influência direta 
sobre os efetivos. Esse papel estava com o seu número 2, o médico egípcio Ayman 
AL Zawahri, agora o novo líder do grupo. 
Embora a Al Qaeda supostamente não dependesse mais de seu mentor, a 
saída de cena do maior símbolo do Jihad islâmico priva o movimento de sua fonte 
principal de inspiração e coesão. 
TERRORISMO 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 3 
 
O QUE É TERRORISMO? 
Afinal de contas o que é o terrorismo? A resposta não é simples, nem 
consensual. Pode-se dizer que é o uso sistemático da violência contra uma 
população para criar um ambiente de medo e assim alcançar um objetivo 
político. 
Historicamente, atos que seriam tidos como terroristas foram considerados 
legítimos quando correspondiam à luta contra a opressão de um Estado, à 
ocupação ou ao domínio colonial. É o caso da Resistência francesa, que lutou 
contra a ocupação nazista na II Guerra Mundial. 
Por causa dessas considerações políticas, é difícil que, em fóruns como a ONU, 
haja consenso para designar um grupo como terrorista. O terrorismo é um traço 
marcante da política contemporânea, em geral associado às lutas de grupos 
nacionalistas. A novidade da rede Al Qaeda é que ela não reconhece fronteiras e 
possui um objetivo internacional: atacar a influência ocidental no mundo atual 
A MODERNA CONCEPÇÃO POLÍTICA DE TERRORISMO 
O terrorismo, hoje, é considerado um instrumento de violência com fins 
estratégicos e políticos, patrocinado por ideologias, inclusive religiosas. 
No século XIX, surgiu essa acepção de ação política, sendo creditada ao 
alemão Karl Heinzen (1809-1880), que a descreve na sua obra Das Mord. Nela, 
Heinzen pregava o uso da violência e de métodos que tragam pânico e terror, 
como bombas e envenenamento, para atingir determinados objetivos 
considerados fundamentais para uma causa. Além disso, sempre em nome da 
causa, admitia alianças com a escória social e o recrutamento de pessoas para 
morrerem por ela. As idéias de Heinzen tiveram eco significativo no século XIX, 
influenciando Mikhail Bakunin e Piotr Kropotkin, que criaram o anarquismo. 
O termo anarquismo, ao qual frequentemente é associado o de “anarquia” 
tem uma origem precisa do grego, que significa “sem Governo”. Através deste 
vocábulo se indicou sempre uma sociedade livre de todo o domínio político 
autoritário, na qual o homem se afirmaria apenas através da própria ação 
exercida livremente num contexto sociopolítico em que todos deveriam ser livres. 
Anarquismo significou, portanto, a libertação de todo o poder superior, fosse 
ele de ordem ideológica (religião, doutrinas, políticas, etc.), fosse de ordem 
política (estrutura administrativa hierarquizada), de ordem econômica 
(propriedades dos meios de produção), de ordem social (integração numa classe 
ou num grupo determinado) ou até de ordem jurídica (a lei). A estes motivos se 
junta o impulso geral para a liberdade. 
(...) Precisados os termos, pode concluir então que Anarquismo se entende o 
movimento que atribui, ao homem como indivíduo e à coletividade, o direito de 
usufruir toda a liberdade, sem limitação de normas, de espaço e de tempo, fora 
dos limites existenciais do próprio indivíduo. Liberdade de agir sem ser oprimido por 
qualquer tipo de autoridade, admitindo unicamente os obstáculos da natureza, 
da “opinião”, do “senso comum” e da vontade da comunidade geral – ao qual o 
indivíduo se adapta sem constrangimento, por um ato livre de vontade. 
Atualidades 
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Característico do Anarquismo é o fenômeno da rebeldia, por seu lado exterior 
violento ou, pelo menos, não pacífico vizinho, mas não necessariamente conexo 
com o fenômeno paralelo do insurreicionismo. A rebeldia ou rebeldismo é a 
exteriorização violenta e de improviso, a maior parte das vezes manifestando-se 
irracionalmente, de uma ação eversiva contra a ordem constituída. 
Voltando ao Terrorismo, fica claro, portanto, a dificuldade de se conseguir uma 
definição suficientemente ampla e consensual para terrorismo, pois ela envolve 
conceitos políticos, ideológicos, militares, religiosos. No início do século XX, por 
exemplo, o termo terrorismo era definido, em dicionários, com uma conotação 
bem diferente da que temos hoje em dia: “pessoa que espalha boatos 
assustadores; que prediz catástrofes ou acontecimentos funestos; pessimista”. 
Vejamos algumas definições do que é terrorismo: 
 
§ “Terrorismo é o uso de violência política como forma de pressionar um governo 
e/ou sociedade para que aceitem uma mudança política ou social radical.” 
(ROBERTSON, D. A Dictionary of Modern Politics. New York: Oxford, 1993) 
 
§ “Prática do terror como instrumento de ação política, procurando alcançar, 
pelo uso da violência, objetivos que poderiam ou deveriam cometer-se ao 
exercício legal da vontade política. O terrorismo caracteriza-se, antes de 
qualquer coisa, pela indiscriminação das vítimas a atingir, pela generalização 
da violência, visando, em última análise, a liquidação, desativação ou retração 
da vontade de combater do inimigo predeterminado, ao mesmo tempo em 
que procura paralisar também a disponibilidade de reação da população.” 
(Enciclopédia Verbo do Direito e do Estado. Lisboa: Pólis-Portucalense, 1997. v. 
V) 
 
§ “O terrorismo assenta, pois, no recurso sistemático à violência como forma de 
intimidação da comunidade no seu todo. No entanto, a prática do ‘terror’ 
pode visar finalidades políticas muito distintas: a subversão do sistema político 
(como sucedeu com as Brigadas Vermelhas na Itália ou com o Baader-Meinhof 
na Alemanha), a destruição de movimentos cívicos ou democráticos (como 
sucedeu com a Aliança Anticomunista da Argentina e, em certa medida, com 
os Esquadrões da Morte do Brasil), o separatismo (como sucede com a ETA) ou a 
afirmação de convicções religiosas (como sucede com alguns movimentos 
fundamentalistas)” 
(BOBBIO, N) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
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AS FORMAS DE TERRORISMO 
Ao longo do século XX e início do século XXI, o sentido de terrorismo não ficou 
preso ao seu sentido original, ligado às ações de execução e de extermínio do 
Estado, sendo hoje muito mais identificado com ações violentas e de objetivos 
políticos de grupos ou de pessoas que se opõem a governos. 
No intrincado e complexo século XX, o terrorismo esteve presente em 
diferentes formas: 
§ de Estado – em que governos utilizaram genocídios, extermínios, prisões, torturas 
e deportações,invocando razões de Estado (ou a sua segurança), voltando-se 
contra minorias étnicas, religiosas ou políticas. 
§ de Pessoas ou Grupos – com o mesmo objetivo se reúnem para praticar atos 
que levem temor aos governos ou populações. 
§ de um único indivíduo – agindo sozinho, usando da prática do terror para 
conseguir seus objetivos. 
CURIOSIDADES! 
 
Faria tudo de novo, e melhor... 
 
Entre os anos de 1973 até 1994, o 
venezuelano Ilitch Ramirez Sanchez foi tido 
como o maior terrorista em atividade, pois 
praticou diversos atentados (seqüestros, 
atentados a bomba, assassinatos), 
encomendados e remunerados por serviços 
secretos de países como os da Europa do 
Leste, da URSS e os do mundo árabe. Ele é 
acusado de ter provocado a morte de 93 
pessoas e de ferir centenas de outras. 
Foi caçado por policiais de todo o 
mundo. Passou a ser chamado Carlos, o 
Chacal, como o personagem central da 
ficção de Frederick Forsyth, O Dia do 
Chacal, um homem misterioso que praticaria 
atentados pagos por organizações 
clandestinas ou serviços secretos, inclusive 
um frustrado atentado contra o ex-presidente 
francês, Charles de Gaulle. 
Nascido na Venezuela, o Chacal sofreu 
grande influência de seu pai, que era 
comunista. Na sua juventude, recebeu 
treinamento militar em Cuba e estudou na 
URSS. Em 1973, com 24 anos, ingressou na 
Frente Popular para a Libertação da 
Palestina (FPLP). 
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A POLÍTICA NORTE-AMERICANA 
Desde o fatídico 11 de setembro de 2001, o combate ao terrorismo global 
tornou-se a peça-chave da política eterna dos Estados Unidos, a única 
superpotência mundial após o fim da Guerra Fria. 
Nestes 10 anos, o país envolveu-se em duas guerras e gastou enorme quantia 
com o orçamento militar. As invasões do Afeganistão (2001) e do Iraque (2003) 
consumiram quase 1,3 trilhão de dólares, resultaram em ocupações militares ainda 
em curso e deslocaram mais de 300 mil soldados para os países da região, dos 
quais 6 mil perderam a vida. O alto custo financeiro e humano desses conflitos 
ofusca os ganhos na luta contra o terrorismo, em especial depois da crise 
econômica, mudando as prioridades internas dos EUA. 
Em 1975, praticou um dos seus 
atentados mais espetaculares, seqüestrando 
11 ministros, de países-membros da OPEP, 
reunidos em Viena, matando, nessa ocasião, 
três pessoas. 
Nos anos seguintes, continuou com suas 
atividades terroristas, tornando-se o homem 
mais procurado pelas polícias secretas do 
Ocidente. Mesmo assim, suas ações 
espetaculares não deixavam rastro, criando-
se uma aura de mistério em torno desse 
terrorista mercenário. 
 
 
 
Em 1994, com o fim da Guerra Fria, 
eram poucos os refúgios para o Chacal. 
Nesse ano ele foi preso no Sudão, onde 
morava, e extraditado para a França, onde 
foi julgado e condenado à prisão perpétua. 
 
 
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Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo, está morto. Na noite 
de 1º de maio de 2011, um grupo de elite da Marinha norte-americana invadiu o 
espaço aéreo do Paquistão, sob as ordens do presidente dos Estados Unidos, 
Barack Obama. Ao chegar à cidade de Abbottabad, executou a tiros o líder 
máximo da rede terrorista Al Qaeda, no complexo residencial em que vivia 
escondido. 
A bem-sucedida missão ocorreu quase dez anos depois do atentado sofrido 
pelos americanos ao World Trade Center pelos militantes da Al Qaeda. 
A morte de Bin Laden, porém, causou euforia nos Estados Unidos. Em plena 
madrugada, uma multidão se aglomerou em frente à Casa Branca e ocupou a 
Times Square, em Nova York, para comemorar. Obama deu ao acontecimento 
relevo histórico ao afirmar, em cadeia nacional, que representa “a conquista mais 
significativa até o momento no esforço dos EUA em derrotar a Al Qaeda”. O apoio 
popular ao presidente saltou 10 pontos nas pesquisas após o anuncio do fim da 
caçada ao líder terrorista. Nos EUA, o feito é considerado a maior vitória de seu 
governo no front externo e esvaziou o discurso da oposição republicana de que o 
presidente seria “fraco” na questão da segurança nacional. 
No entanto, a morte de Bin Laden tem um efeito, sobretudo simbólico na 
guerra contra o terrorismo, uma vez que o mentor do 11 de setembro estava 
aparentemente afastado do comando direto das operações da Al Qaeda. Além 
disso, acredita-se que a principal ameaça à segurança nacional parte não mais 
das bases da Al Qaeda central, sediada no Afeganistão e no Paquistão, pois 
foram muito debilitadas pelos ataques norte-americanos nos últimos anos. 
Hoje, o maior perigo estaria no norte da África e no Oriente Médio, onde 
grupos ligados à Al Qaeda estão ativos e planejando novos atentados. 
Por esse motivo, Obama salientou em seu discurso que a morte de Bin Laden 
“não marca o fim do nosso esforço”. “Devemos e iremos continuar vigilantes no 
país e no exterior”. 
Doutrina Bush 
A resposta dos EUA aos atentados de 11 de setembro não se limitou à guerra 
no Afeganistão. O governo do ex-presidente George W. Bush (2001-2008), então 
no poder, considerou o terrorismo a principal ameaça à segurança mundial e 
inaugurou um novo cenário geopolítico. 
Em 2002, Bush definiu a novo estratégia de segurança nacional dos Estados 
Unidos chamada de Doutrina Bush. 
Nela, os EUA resumiram as relações internacionais ao embate entre “forças do 
bem” (sociedades livres) e “forças do mal” (sociedades ou organizações que 
patrocinam o terrorismo). 
Como na lista de inimigos divulgada e redefinida periodicamente por 
Washington existiam vários países e organizações muçulmanas, a Doutrina Bush 
acabou criando uma polarização entre os países ocidentais e o mundo islâmico. 
 
A Doutrina Bush defendia, centralmente: 
 
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§ O Unilateralismo – a possibilidade de os EUA agirem no mundo de modo 
unilateral (sem a preocupação de consulta aos organismos multilaterais, como 
a Organização das Nações Unidas – ONU – e a Aliança Militar Ocidental – 
OTAN. 
§ Os ataques preventivos – o uso da força de forma preventiva (antes de um 
ataque inimigo) contra qualquer país que os Estados Unidos considerassem 
ameaçador à sua segurança. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Atualidades 
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Com base nela, os norte-americanos reforçaram a presença de suas tropas em 
todos os continentes e ampliaram seu orçamento militar, já muito maior do que o 
de qualquer outro país. 
Em seguida, Bush definiu o novo alvo da guerra ao terror: o Iraque de Saddam 
Hussein. Em 2003, os EUA invadiram o país, sem a aprovação da ONU e com o 
auxílio do Reino Unido. Diferentemente do ataque ao Afeganistão, a guerra no 
Iraque provocou enorme polêmica e foi reprovada por boa parte da comunidade 
internacional. 
A Casa Branca afirmava que Saddam, o ditador iraquiano, desenvolvia armas 
de destruição em massa e tinha ligações com a Al Qaeda. Depois da invasão, 
porém, ficou comprovado que as alegações eram falsas. 
Bush é acusado de ter ocupado o Iraque com outros objetivos: garantir o 
acesso às enormes reservas de petróleo do país e abrir caminho para que as 
multinacionais norte-americanas investissem na reconstrução, obtendo ganhos 
significativos. 
A intervenção no Iraque tomou um rumo complexo. 
 
Após a derrubada de Saddam, o país mergulhou numa guerra civil entre 
sunitas, xiitas e curdos, e os EUA fazem uma longa ocupação militar. E pior: se o 
Iraque de Saddam estava aparentemente livre de grupos terroristas, o país 
ocupado viu-os se multiplicar, principalmente após a criação da Al Qaeda local 
em 2004. Nos anos seguintes, o grupopromoveu uma brutal campanha de 
atentados contra alvos ocidentais. 
 
INVASÃO NO IRAQUE 
No dia 16 de Dezembro de 2011, Os Estados Unidos entregaram às forças 
armadas iraquianas a última das 505 bases militares de que dispunham no país, um 
dia após a cerimônia formal de retirada dos americanos do Iraque realizada em 
Bagdá. 
O representante do primeiro-ministro, Hussein al-Assadi, e um coronel 
americano assinaram os documentos em uma sala da base Camp Adder, 
conhecida pelos iraquianos como base Imam Ali, situada a sudoeste de Nasiriya, 
305 km ao sul de Bagdá. 
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Tudo o que resta das forças armadas americanas no Iraque são cerca de 4.000 
soldados de um total que chegou a quase 170 mil soldados durante o pico da 
guerra em 505 bases em todo o país. 
Após o final do ano, a embaixada dos EUA vai manter apenas 157 soldados 
para o treinamento das forças iraquianas, e um grupo de fuzileiros navais para 
proteger a missão diplomática. 
 
Retirada 
Militares desceram a bandeira dos Estados Unidos da haste e a enrolaram em 
um tecido, fechando o quartel-general do Exército americano em Bagdá. Assim 
foi encerrada oficialmente a guerra no Iraque, após quase nove anos de presença 
das tropas americanas no país. 
 
 
Secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, discursa em evento que encerra 
guerra no Iraque 
Com a participação do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Leon 
Panetta, o encerramento aconteceu duas semanas antes do prazo programado 
no acordo de segurança assinado entre os governos dos EUA e do Iraque em 2008. 
O documento estipulava que as tropas estrangeiras deveriam deixar o país do 
Oriente Médio até o dia 31 de dezembro de 2011. Os soldados chegaram no país 
no dia 19 de março de 2003. A data da cerimônia foi mantida em segredo 
durante semanas para evitar que insurgentes ou milícias pudessem planejar um 
ataque. 
Em seu discurso na cerimônia no aeroporto internacional de Bagdá, Panetta 
afirmou que os veteranos que fizeram parte dos quase nove anos de conflito 
poderiam estar certos de que o "sacrifício que fizeram ajudou o povo iraquiano a 
colocar a tirania de lado". 
"Depois de muito sangue derramado por iraquianos e americanos, a missão de 
um Iraque que pudesse se governar e garantir a própria segurança se 
concretizou", ressaltou. "Certamente, o custo foi alto – em mortes e em dinheiro 
para os Estados Unidos e para o povo iraquiano. Essas vidas não se perderam em 
vão". 
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Presença Militar 
Com o fechamento do quartel-general do Exército americano em Bagdá, é 
colocado um fim definitivo na presença militar americana no país. As últimas 
tropas já estão sendo retiradas. 
 
 
 
Os EUA queriam inicialmente que 40 mil americanos continuassem em território 
iraquiano trabalhando no treinamento de forças nacionais e ajudando na 
segurança local, plano que não se concretizará pela ausência de acordo entre os 
governos sobre o tema. 
Dar fim à guerra foi uma das promessas que ajudaram Barack Obama a 
chegar à Presidência em 2008, e permite que a Casa Branca foque no 
Afeganistão e na crise econômica doméstica. No entanto, críticos acusam 
Obama de usar o fim da guerra para dar força à sua campanha para a reeleição 
em 2012. 
IRAQUE E OS EFEITOS DA GUERRA 
O Iraque é um país arrasado e com muitas dificuldades de se restabelecer 
como um Estado normal. A sucessão de barreiras militares e controles, necessários 
num ambiente de guerra civil, impedem que haja o conceito básico de 
cidadania: não se pode ir e vir. 
A economia quase inexiste na prática, enquanto o desemprego e a 
informalidade campeiam. O parque petrolífero está se reorganizando, atraindo 
empresas de segurança privada, que estão sendo instaladas na região de Basra, 
no sul iraquiano. 
 
 
 
 
 
 
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A GUERRA DEFINITIVAMENTE ACABOU? 
 
Apesar de a guerra do Iraque ter sido oficialmente encerrada, uma análise do 
"Índice Iraque" da Brookings Institution, que rastreia desde 2003 variáveis de 
reconstrução e segurança no Iraque pós-Saddam Hussein, apresenta um retrato 
bem diferente. 
Desde 2003, foram 4.802 soldados da coalizão e cerca de 120 mil civis 
iraquianos mortos. Aproximadamente US$ 1 trilhão foi gasto pelos Estados Unidos 
na guerra. 
E mesmo assim, depois de nove anos, o Iraque está longe de ser um país 
seguro. Segundo o levantamento de Michael O'Hanlon no índice Iraque, ainda há 
mil integrantes da Al Qaeda ativos no país. O número de civis mortos chegou a um 
pico de 34.500 em 2006. Em 2011, foi de 1.215. Uma redução marcante, mas 1215 
não é exatamente um número de civis mortos condizente com um país onde 
supostamente a guerra acabou. 
Em julho de 2007, houve 1800 ataques de insurgentes, incluindo bombas de 
estrada, trocas de tiro, homens bomba. O número caiu para menos de 200 em 
agosto de 2011. De novo, não se pode falar em "normalidade" com 200 ataques 
por mês. 
O índice acompanha uma série de indicadores políticos: orçamento, nível de 
inclusão no governo, lei de aposentadoria, legislação eleitoral de províncias, saída 
de extremistas do governo. Aqui também o resultado é preocupante: a 
pontuação caiu de 6,5 de 12 em 2008 para 05 de 12 em 2011. 
Quando os últimos soldados americanos deixarem o Iraque, no dia 31 de 
dezembro, eles deixarão para trás "um país soberano, estável e auto-sustentável", 
disse o presidente Barack Obama. Não exatamente. É tudo uma questão de 
ponto de vista e necessidade de achar um ângulo positivo em plena campanha 
eleitoral. 
 
PRINCIPAIS ATENTADOS TERRORISTAS APÓS O 11 DE SETEMBRO 
 
§ PAQUISTÃO, KARACHI (2002) 
Diversos ataques terroristas ocorreram nos últimos anos em Karachi, a maior 
cidade do Paquistão. Em junho de 2002, um homem-bomba explodiu um 
caminhão em frente ao consulado dos EUA em Karachi, matando 14 
paquistaneses. O ataque ocorreu um mês depois de outro atentado suicida na 
cidade, que deixou 11 engenheiros franceses mortos. 
 
Atualidades 
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Em setembro de 2003, uma bomba, escondida em uma cesta de lixo, explodiu 
no décimo andar de um prédio comercial na cidade de Karachi, quebrando 
janelas e jogando destroços nas ruas sem deixar vítimas. A explosão foi tão grande 
que pode ser ouvida pela cidade de 14 milhões de habitantes. 
Em maio de 2011, uma base aérea paquistanesa em Karachi foi alvo de um 
"ataque terrorista”. Os talibãs paquistaneses aliados à Al-Qaeda, que realiza uma 
campanha de atentados suicidas e ataques que já deixaram cerca de 4.400 
mortos em quase quatro anos em todo o país, juraram vingar a morte de Osama 
bin Laden, morto no dia 2 de maio no norte do país por um comando americano. 
 
§ INDONÉSIA, BALI (2002) 
No dia 12 de outubro de 2002, em Bali (Indonésia), o terrorismo islâmico atacou 
jovens turistas e surfistas estrangeiros, arrasando boates, lojas, cafés e bares na ilha. 
Entre os mortos estavam cidadãos de vinte nacionalidades diferentes. Foi o maior 
atentado recente contra turistas estrangeiros no exterior. Bin Laden, por carta, se 
disse feliz. 
 
 
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Mais de 200 pessoas morreram e cerca de 330 ficaram feridas. Os radicais 
muçulmanos da facção Jemaah Islamiah, ligados à rede Al Qaeda assumiram a 
responsabilidade dos atentados. 
§ RÚSSIA, MOSCOU (2002) 
No dia 23 de outubro de 2002, em Moscou (Rússia). No segundo ato da peça 
em cartaz no Palácio da Cultura, os fuzis dos chechenos renderam público e 
atores. O governo russo se viu diante do eterno dilema apresentado pelo terror: 
ceder e negociar ou apenas atacar? Vladimir Putin ordenou a sangrenta invasão 
do teatro. Sua população o apoiou. 
O total de mortos foram: 118 inocentes e 54 terroristas. Além de 146 pessoas 
feridas. Os muçulmanos separatistas da Chechênia foram os responsáveis pelo 
atentado. 
 
Entenda o conflito na Chechênia 
A Chechênia declarou independência da Rússia em 1991, mas o ex-presidente 
russoBoris Yeltsin esperou até 1994 para enviar tropas à região, para restaurar a 
autoridade de Moscou. A primeira guerra da Chechênia terminou com uma 
humilhante derrota para as forças russas em 1996. 
Em 1º de outubro de 1999, o então primeiro-ministro russo (e depois presidente) 
Vladimir Putin deu início a uma nova ofensiva, uma "operação antiterrorista" 
parcialmente desencadeada por uma onda de atentados contra apartamentos 
em Moscou e em outras partes da Rússia. Putin atribuiu os ataques a rebeldes 
chechenos. 
Ainda no início de 1999, forças chechenas tentaram estabelecer um Estado 
islâmico na república autônoma russa do Daguestão, que faz fronteira com a 
Chechênia. 
O que querem os chechenos? 
Atualidades 
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A população média busca paz e tranqüilidade. Os combatentes rebeldes 
querem independência ou, pelo menos, um governo autônomo, que eles quase 
obtiveram após 1996. 
Assim que as forças militares deixaram o país, em 1997, os chechenos elegeram 
o seu próprio presidente - Aslan Maskhadov, um ex-oficial da artilharia soviética 
que havia sido o principal comandante militar dos rebeldes chechenos. 
A decisão sobre o status político da Chechênia foi adiada por cinco anos, 
após um acordo de paz ter sido negociado pelo governo checheno com Moscou. 
Mas, durante o período de paz, Maskhadov foi incapaz de controlar seus 
comandantes mais radicais e a república rebelde mergulhou na anarquia, 
tornando-se uma das "capitais mundiais" no ato de tomar reféns. 
No que se transformou a política de Putin? 
Em outubro de 2003, o líder checheno pró-Moscou Akhmad Kadyrov foi eleito 
presidente, após a realização de um controvertido referendo em março daquele 
ano. Os principais rivais de Kadyrov se retiraram da disputa antes da eleição. 
O referendo aprovou uma nova Constituição que dava à Chechênia maior 
autonomia, mas estipulava que a república continuaria integrando a Rússia. A 
eleição presidencial e o referendo puderam ser realizadas apesar da crescente 
violência e da presença de milhares de soldados russos na Chechênia. 
Se o presidente Putin imaginou que um líder pró-Moscou poderia resolver o 
problema, o líder russo subestimou a determinação e a brutalidade dos rebeldes 
chechenos. 
Kadyrov já havia escapado de uma série de tentativas de assassinato até ter 
sido morto na capital chechena, Grozni, em um mega-atentado a bomba num 
estádio de futebol, realizado em maio deste ano. E os rebeldes seguiram 
atacando outros alvos na Rússia. 
Diversos atentados suicidas a bomba contra alvos russos têm sido realizados 
desde o cerco de um teatro de Moscou em 2002, quando militantes chechenos 
tomaram centenas de reféns. 
Um ataque atribuído aos separatistas chechenos em fevereiro e realizado no 
metrô moscovita matou dezenas de pessoas. Continuam acontecendo ataques 
diários contra tropas russas na Chechênia e civis chechenos seguem 
desaparecendo em decorrência das operações de segurança das forças russas. 
Existem perspectivas para a paz? 
Não. O plano da Rússia de normalização da região está desordenado, após a 
morte de Kadyrov. 
Novas eleições presidenciais serão realizadas na Chechênia no dia 29 de agosto. 
O ministro do Interior checheno, Alu Alkhanov, deve ser o provável vencedor. Mas 
críticos e observadores internacionais afirmam que eleições limpas são impossíveis, 
já que a violência continua a atingir a sofrida república. 
Diferentemente de seu predecessor, Alkhanov não conta com uma forte base 
de apoio. Os rebeldes não deram qualquer sinal de que pretendem interromper 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 16 
seus ataques esporádicos, mas destrutivos - que agora vêm se intensificando 
através de atentados suicidas. 
Autoridades russas disseram que 250 rebeldes, disfarçados de policiais, 
lançaram um ataque coordenado em Grozni, no dia 21 de agosto, pouco antes 
de uma visita do presidente Putin. 
Moscou não está disposta a realizar negociações de paz com os rebeldes e 
desde os atentados de 11 de setembro de 2001 tem havido pouca pressão 
internacional por uma solução negociada por um conflito. 
Os rebeldes têm ligações com a Al-Qaeda? 
Parece provável. Sabe-se que há anos voluntários islâmicos viajaram para a 
Chechênia para se aliar à luta pela independência. Segundo relatos, eles 
aderiram aos rebeldes após terem feito treinamentos em campos do Afeganistão 
e do Paquistão. 
Em outubro de 2002, um dos suspeitos de realizar de realizar os atentados de 11 
de setembro disse a um tribunal alemão que o suposto líder dos seqüestradores 
dos aviões, Mohammed Atta, pretendia combater na Chechênia. 
Um dos principais militantes que combateu no conflito foi um árabe conhecido 
como Khattab - um veterano da guerra do Afeganistão contra a então União 
Soviética. Khattab teria supostamente mantido ligações telefônicas com Osama 
Bin Laden. 
Telefonemas interceptados também fizeram com que autoridades americanas 
alegassem que combatentes chechenos estabelecidos na Geórgia, perto da 
fronteira com a Chechênia, estavam em contato com a Al-Qaeda. 
§ MARROCOS, CASABLANCA (2003) 
Três espanhóis morreram, um ficou gravemente ferido e mais quatro ou cinco 
sofreram ferimentos menos sérios no atentado terrorista em Casablanca. O 
Ministério das Relações Exteriores da Itália e da França confirmaram que havia um 
italiano e dois franceses entre as vítimas dos atentados. Cinco atentados 
simultâneos foram realizados por terroristas suicidas na capital econômica de 
Marrocos. Segundo fontes do escritório da Generalitat (governo regional) da 
Catalunha em Casablanca, um dos falecidos é o empresário catalão Manuel 
Albiach, e um dos feridos, foi o vice-presidente da Casa da Catalunha na cidade 
marroquina, Joan Alie. 
Hassan Aourid, porta-voz do rei de Marrocos Mohammed, disse que os ataques 
foram responsabilidade de uma rede internacional de terrorismo, acrescentando 
que os culpados seriam punidos "sem misericórdia". Já o ministro marroquino do 
Interior, Mustafá Sahelos, sustenta que os atentados terroristas foram praticados por 
uma célula composta por 14 membros, pertencentes a cinco grupos, segundo a 
agência AFP. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 17 
 
 
O último balanço divulgado pelas autoridades do Marrocos informa que 41 
pessoas morreram e cem ficaram feridas na série de atentados suicidas contra a 
Casa da Espanha, o hotel Safir, Círculo da Aliança Israelense, um antigo cemitério 
judeu e em frente ao consulado da Bélgica. A prefeitura de Casablanca afirma 
que, entre os feridos, 55 já abandonaram o hospital. Hoje a polícia marroquinha 
identificou mais um corpo, do espanhol Domingos Mateus. Com isso, sobe para 
três o número de espanhóis mortos na ação. 
 
§ TURQUIA, ISTAMBUL (2003) 
No dia 15 e 20 de novembro de 2003, em Istambul (Turquia), terroristas suicidas 
se auto-explodiram diante de duas sinagogas, matando 25 pessoas. 
 
 
Cinco dias depois, carros-bombas explodiram na agência central do banco 
inglês HSBC na capital turca pela manhã, deixando 27 mortos. No total foram 52 
mortos, mais de 450 feridos. O grupo terrorista Al Qaeda assumiu a autoria das 
duas ações. 
§ ARÁBIA SAUDITA, RIAD (2003) 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 18 
Os atentados terroristas ocorridos na cidade saudita na noite desta segunda 
têm a marca da organização Al Qaeda, de Osama Bin Laden. Pelo menos três 
bombas explodiram em complexos residenciais habitados por estrangeiros, 
matando dezenas de pessoas. John Burgess, funcionário da embaixada dos 
Estados Unidos na capital saudita, disse que 91 pessoas haviam morrido no 
atentado, entre eles dez cidadãos americanos. Depois, porém, os EUA corrigiram a 
informação e confirmaram o cálculo das próprias autoridades sauditas, que 
falavam em 29 mortos. Outras 160 pessoas teriam ficado feridas durante o 
atentado terrorista contra Riad. 
Os líderes dos EUA e da Arábia Saudita condenaram os atentados e 
prometeram punir os culpados. O ex-presidente americano George W. Bushdisse 
que os autores da ação são "assassinos cuja única fé é o ódio", e prometeu que os 
responsáveis "aprenderão o significado da Justiça dos EUA". Para Bush, os 
assassinatos em Riad mostram que a guerra ao terror continua. Em Riad, o príncipe 
saudita Abdullah afirmou, em discurso transmitido em rede nacional de TV, que seu 
país irá destruir os grupos terroristas responsáveis pelos atentados. Em referência ao 
Corão, livro sagrado dos muçulmanos, Abdullah afirmou que os criminosos 
enfrentarão o "fogo do inferno". "Se eles acreditam que seus crimes sangrentos irão 
perturbar esta nação, eles estão enganados." 
 
§ ESPANHA (MADRI/2004) E INGLATERRA (LONDES/2005) 
 
Os ataques do 11 de Setembro popularizaram a imagem do terrorista à 
semelhança da figura hirsuta e fora de moda de Osama Bin Laden, como se a 
guerra santa promovida pelo Islã fosse um fenômeno de grotões que, 
ocasionalmente, transbordava para o coração da civilização ocidental. 
 
Madri, 2004. 
 
Porém de lá para cá, a Europa foi vítima de atentados terríveis - o de Madri, 
em 2004, que deixou mais de 190 mortos, e o de Londres, em 2005, que matou ao 
menos 50 pessoas - e passou a ver o terrorismo islâmico com outros olhos. 
Perceberam que ele também era parte da realidade européia. E mais: 
descobriram que o inimigo, que parecia morar em regiões longínquas do Oriente, 
muitas vezes morava ao lado e era cidadão europeu, alguém que nasceu e 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 19 
cresceu sob os princípios ocidentais, que freqüentou as escolas gerenciadas pelo 
estado laico. 
Tanto os atentados de Madri quanto os de Londres foram realizados por células 
de terroristas locais. Os autores do massacre em Madri eram, na maioria, 
marroquinos radicados na Espanha. Os autores das explosões no metrô londrino 
eram jovens cidadãos ingleses de classe média com boa escolaridade - três deles 
nascidos na própria Inglaterra, em famílias de imigrantes paquistaneses. Essa nova 
geração do terror comprovou o crescimento da mentalidade de jihad entre os 
muçulmanos que vivem no Ocidente e colocou uma nova questão para a Europa. 
Até a Alemanha, que se sentia menos ameaçada pelo terror por não ter enviado 
tropas ao Iraque, se viu diante desse mal "que vem dentro". Em 2007, três cidadãos 
convertidos ao islamismo foram presos porque planejavam uma série de atentados 
no país. Eles armazenavam 700 quilos de peróxido de hidrogênio, a matéria-prima 
dos explosivos usados em Madri e Londres. O fenômeno atingiu também a 
Dinamarca. Um dia antes da prisão dos alemães, a polícia de Copenhague evitou 
um ataque terrorista prendendo oito jovens muçulmanos nos subúrbios da cidade. 
 
Londres, 2005. 
Fechando o cerco - O problema, no entanto, parece ser anterior aos 
atentados, pelo menos em Londres. No início de 2004, nove jovens muçulmanos - 
do mesmo perfil daqueles que, no ano seguinte, planejariam e executariam as 
explosões assassinas - foram presos pela polícia inglesa com meia tonelada de 
nitrato de amônia, produto químico com o qual se podem fabricar explosivos. 
Naquele tempo, a conversão dos jovens ingleses à guerra santa islâmica e a forma 
metódica como se preparavam para chacinar seus concidadãos já 
prenunciavam a tragédia de depois. O governo, porém, ainda não tinha se dado 
conta do perigo que esses grupos fundamentalistas representavam. Para conter o 
avanço do extremismo, alguns países europeus estão fechando o cerco aos 
clérigos acusados de incitar o ódio ou de fomentar o terrorismo. Os governos da 
Espanha e da Alemanha estudam meios de monitorar os sermões nas mesquitas. A 
Itália e a França deportaram clérigos raivosos. A vigilância sobre grupos terroristas 
que agem ao estilo da Máfia, controlando atividades ilegais, como a venda de 
vistos falsificados, foi intensificada. 
Dilema ocidental - O problema, contudo, parece ser mais complexo e exigir 
mais do que soluções exclusivas. A geração de filhos de imigrantes nascida em 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 20 
solo europeu, os beurs, como são popularmente conhecidos na França, têm 
promovido um movimento de volta às origens que rechaça e se indigna com o 
tratamento que seus pais receberam na Europa. É também uma forma de se 
afirmarem diante das dificuldades que encontram para se adaptar à vida em 
terras alheias tão hostis. Um sentimento digno como esse, pode, no entanto, se 
aliado a uma visão mitificada do Islã, levar o jovem muçulmano a ser seduzido por 
movimentos islâmicos integristas que pregam o ódio à civilização ocidental. 
Combater o terrorismo sem violar os direitos civis dos muçulmanos ainda é um 
dilema para as democracias ocidentais, ainda mais para as européias, nas quais 
as populações islâmicas já chegam a 15 milhões de pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
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Atualidades 
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Atualidades 
Prof. Nilton Matos 23 
A onda de revoltas em países da África do Norte e do Ocidente Médio, 
iniciada em janeiro de 2011 na Tunísia, prosseguiu durante todo primeiro semestre 
do ano. No entanto, após a queda relativamente rápida dos ditadores da Tunísia e 
no Egito, a Primavera Árabe ingressou numa fase mais difícil e muito violenta. 
As revoluções populares espalharam-se pela região e expressaram-se de 
diferentes formas em países como a Líbia, Síria, Barein e Iêmen. No entanto, em vez 
de deixarem o poder ou promoverem reformas para melhorar a situação em seus 
países, os governantes usaram a força, com intensidades variadas, para dispersar 
a multidão nas ruas e abafar os protestos. Como resultado, alguns desses países 
estão imersos em conflitos, enquanto outros se encontram em graves crises 
políticas, que se prolongaram há meses. Tunísia e Egito, por seu lado, vivem um 
processo tumultuado e ainda incerto de transição de regimes autocráticos para 
democracia. 
O quadro de instabilidade inaugurado com a Primavera Árabe provoca 
inquietação nas potências ocidentais, que assistem à derrubada ou ao 
enfraquecimento de regimes que foram historicamente seus aliados. No contexto 
da guerra ao terror, com o objetivo de barrar a influência de grupos 
fundamentalistas islâmicos, os Estados Unidos firmaram aliança com os 
governantes do Egito, Arábia Saudita, Barein, Marrocos e Iêmen, entre outros. Com 
as mudanças rápidas e imprevistas que estão ocorrendo, temem-se o 
alastramento de choques étnicos e o avanço de movimentos extremistas islâmicos 
nessa área de predomínio muçulmano. 
TUNÍSIA E EGITO 
A derrubada dos ditadores Zine Al-Abidine Bem Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, 
no Egito, ainda no início de 2011, inaugurou um novo período na história dos dois 
países. Sob pressão dos protestos, vários ministros caíram na Tunísia, até que, em 
março, o governo civil se firmou. Uma junta militar está no comando do Egito. 
Ambos prometem eleições para 2011, mas ativistas pró-democracia estão 
insatisfeitos. Grupos seculares (não religiosos) e liberais pedem mais tempo para 
estruturar partidos políticos que possam competir em pé de igualdade com as 
tradicionais agremiações islâmicas. Embora banidas durante a ditadura, a 
Irmandade Muçulmana (Egito) e o Ennahda (Tunísia) possuem décadas de 
existência, sedes espalhadas pelo território e enorme quantidade de membros. Por 
isso, estariam em posição vantajosa para disputar as eleições para um Parlamento 
no Egito (em setembro) e uma Assembléia Constituinte na Tunísia (em outubro). 
Os representantes eleitos vão comandar o processo de elaboração das novas 
constituições. Uma questão importante é se o Egito e a Tunísia serão Estados 
seculares, pluralistas e democráticos, ou Estados religiosos, regidos pela sharia, a lei 
islâmica. A Irmandade Muçulmana é hoje um grupo heterogêneo, que reúne de 
fundamentalistas a liberais.O Ennahda afirma que é adepto da moderação e do 
pluralismo, embora a elite secular tunisiana afirme que sua real intenção seja um 
“PRIMAVERA ÁRABE” 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 24 
Estado islâmico. No Egito, choques sectários entre a minoria cristã e um grupo 
radical islâmico, os salafistas, aumentam os temores de que os fundamentalistas 
possam ampliar seu espaço político. Como não existem pesquisas de opinião, a 
resposta virá com as eleições, desde que elas sejam de fato democráticas. 
 
 
 
 
Julgamento do ex-ditador Mubarak 
 
O julgamento do ditador deposto do Egito, 
Hosni Mubarak, acusado pelo assassinato de 
manifestantes e por abuso de poder, foi retomado 
após um atraso de quase dois meses, em virtude 
da solicitação dos advogados de Mubarak por um 
novo juiz. 
Mubarak, seus dois filhos, o ex-ministro do 
Interior e altos funcionários da polícia enfrentam 
uma série de acusações, incluindo o 
envolvimento na morte de centenas de 
manifestantes e corrupção durante suas três 
décadas no cargo. Mubarak, que está sendo 
mantido sob prisão em um hospital onde médicos 
dizem que ele enfrenta um problema cardíaco, foi 
levado para o tribunal em uma maca hospitalar, 
cobrindo seus olhos com um braço e cercado pela 
polícia. 
Sessões anteriores foram marcadas por 
confrontos diante do edifício do tribunal do Cairo 
entre partidários de Mubarak e egípcios exigindo 
a pena de morte para o ex-líder. 
Cerca de 850 pessoas morreram no levante 
de 18 dias que derrubou Mubarak em fevereiro, 
dentro do contexto das chamadas revoltas árabes. 
Os advogados que representam as famílias 
dos mortos tinham arquivado um pedido para a 
substituição do juíz que preside o caso, Ahmed 
Refaat, e de outros dois juízes. O pedido foi 
rejeitado. 
Eles reclamaram que os juízes não 
conseguiram lhes dar tempo suficiente para 
questionar o marechal Mohamed Hussein 
Tantawi, que dirige o conselho militar que 
governa o Egito, durante sua aparição no tribunal. 
O ex-ministro do Interior, Habib al-Adli e 
seis oficiais de polícia também aguardam 
julgamento. O empresário Hussein Salem, um 
colaborador próximo de Mubarak, está sendo 
julgado à revelia. 
Novembro/2011 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 25 
 
 
Ex-ditador da Tunísia, Bem Ali, é 
condenado à revelia 
 
O ex-ditador Zine El Abidine Ben Ali foi 
condenado à revelia a cinco anos de prisão por 
um tribunal militar da Tunísia, informou nesta 
quarta-feira uma fonte judicial. 
Em seu primeiro julgamento no Tribunal 
Militar Permanente de primeira instância de Túnis, 
Ben Ali foi condenado por tortura contra oficiais 
do Exército acusados de tentativa de golpe de 
Estado contra seu regime no movimento 
conhecido como "Baraket Essahel", em 1991. 
No total, 17 oficiais foram acusados na época 
de manter reuniões secretas em Baraket Essahel, 
na região de Hamamet (50 km de Túnis), para 
preparar um suposto golpe de Estado contra o 
regime de Ben Ali. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 26 
INTERVENÇÃO MILITAR NA LÍBIA 
Algumas semanas depois da revolução na Tunísia, a vizinha Líbia viu surgir 
protestos contra o mais antigo ditador do mundo árabe, o coronel Muammar 
Kadafi, no poder desde 1969. A situação evoluiu rapidamente para uma guerra 
civil, com a disputa armada pelo controle de territórios. A costa leste é área de 
influência do movimento rebelde. A costa oeste é dominada pelo regime de 
Kadafi, com sede em Trípoli, a capital de Benghazi. 
O conflito é marcado por avanços e recuos das duas forças sobre cidades 
estratégicas da faixa litorânea. Num primeiro momento, a insurgência rumou para 
o oeste e conquistou uma vasta fatia do território. Porém, no início de março, as 
forças de Kadafi, apoiadas por bombardeios aéreos, realizaram uma contra-
ofensiva, chegando às portas de Benghazi. A situação levou a uma intervenção 
militar externa contra Kadafi. Em 17 de março, o Conselho de Segurança da ONU – 
com o voto contrário do Brasil – autorizou o uso da força contra o governo líbio, 
com o mandato de proteger a população civil. Dias depois, uma coalizão 
internacional liderada pelos Estados Unidos, França e Reino Unido, entrou em 
ação. 
 
O ex-ditador será julgado ainda por 
homicídio doloso, complô contra a segurança do 
Estado e tráfico de drogas, entre outras 
acusações. 
Ben Ali já foi condenado a 66 anos de prisão 
e ao lado da mulher, Leila Trabelsi, é alvo de uma 
ordem de captura internacional. O casal está 
refugiado na Arábia Saudita. 
Novembro/2011 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 27 
 
A campanha de ataques aéreos passou para o comando da Otan 
(Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar ocidental) e 
enfraqueceu a capacidade militar de Kadafi. Com isso, os rebeldes retomaram o 
controle do leste e da maior parte da cidade de Misrata, no oeste. 
No fim de abril, a Otan ampliou os bombardeios para instalações não militares 
do governo em Trípoli, atingindo a população civil. O conflito, porém, mergulhou 
num impasse. Nenhum dos lados teve recursos militares para realizar um ataque 
decisivo contra o inimigo. O pêndulo começou a oscilar em favor da insurgência 
no fim de junho. Enquanto o regime de Kadafi dava sinais de esgotamento, a 
insurgência avançava lentamente. Segundo os rebeldes, a ofensiva contra Trípoli 
dependia do fornecimento de mais armas – o que tem sido feito pela França – e 
do maior empenho da Otan. 
 
AMEAÇA À DITADURA SÍRIA 
O levante popular na Síria começou em março, no sul, e, em junho, havia se 
espalhado pelo território: todas as sextas-feiras, após as orações, mais de 100 mil 
pessoas protestavam em cerca de 150 cidades e vilarejos sírios. O movimento 
avançou apesar da violenta resposta do regime do ditador Bashar Al-Assad. No 
pior incidente até agora, 10 mil pessoas cruzaram a fronteira com a Turquia, 
fugindo dos bombardeios do governo Jisr al-Shoghour. O regime sírio é 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 28 
considerado um dos mais repressores do mundo árabe. Bashar é filho do ex-
ditador Hafiz al-Assad, que comandou o país com mão de ferro por 30 anos (1970-
2000). A família Assad pertence à seita alauíta, do ramo xiita, um grupo minoritário 
no país, junto com os cristãos – ambos perfazem cerca de 10% da população. 
Para se manter no poder, Hafiz selou uma aliança com os ricos negociantes da 
maioria sunita (75% da população). O ditador garantiu a prosperidade dessa elite 
e recebeu apoio político. Ergueu assim um Estado secular na Síria, amparado por 
um círculo leal e temido de militares alauítas. 
O símbolo da brutalidade do regime é a cidade de Hamah, onde, em 1982, 
Hafiz esmagou um levante sunita liderado pelo grupo Irmandade Muçulmana: 20 
mil pessoas foram mortas. 
É ali que, três décadas depois, o movimento por democracia ganhou uma 
dimensão inédita. Em 1° de julho de 2011, quase meio milhões de sírios tomaram o 
centro de Hamah na maior manifestação que já ocorreu contra o ditador. 
A ONU já aprovou sanções contra a Síria, embora Al-Assad esteja reprimido 
violentamente os opositores. 
 
 
A comunidade internacional reluta em intervir no país, pois teme que o 
agravamento da crise poderia ter conseqüências imprevisíveis para toda a região, 
causando instabilidade. 
A Síria é um dos protagonistas centrais das tensões no Oriente Médio e tem um 
conflito com Israel, país vizinho que ocupa parte de seu território, as Colinas de 
Golã, desde 1967. 
Juntamente com o Irã, seu grande aliado, o regime de Al-Assad apóia grupos 
terroristas que combatem o Estado judeu – o Hamas palestino e o Hezbollah (pró-
palestinos que atuam no sul do Líbano). A Síria ocupou o Líbano durante décadas 
e ainda exerce enorme influência no país. 
Por causa dessas considerações, as potências ocidentais parecem preferir uma 
saída negociada com o regime. Nesse cenário, a Turquia exerceria importante 
papel mediador, pois se aproximou da Síria na última década e mantém um 
diálogo com seu governo. Bashar vem fazendo promessasvagas de reformas, 
enquanto envia tanques para reprimir os protestos. 
No início, os manifestantes pediam democracia e liberdade, mas a multidão 
que agora se aglomera em Hamah exige a queda do regime. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 29 
GUERRA CIVIL NO IÊMEN 
Os jovens iemenistas que paralisaram Sanaa, a capital do Iêmen, pedindo a 
renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, acreditavam na viabilidade da 
democracia nesta nação pobre e tumultuada do mundo árabe. Os protestos, 
iniciados em janeiro, desestabilizaram o governo, mas ele resistiu e, em junho, o 
Iêmen caminhava para uma guerra civil. 
Saleh liderou um golpe militar no Iêmen do Norte em 1978. Com a unificação 
entre norte e sul, em 1990, tornou-se presidente e se manteve no cargo costurando 
alianças com líderes tribais, que formam a base do poder nacional. 
O regime de Saleh enfrenta um movimento separatista no sul e levantes xiitas 
no norte. Nos últimos anos, passou a combater a presença de militantes islâmicos 
da Al-Qaeda na península Arábica em operações conjunta com os EUA. 
O frágil equilíbrio político interno rompeu-se com a revolta popular de 2011: 
poderosos chefes tribais deixaram o governo em meio à crise e o Conselho de 
Cooperação do Golfo, liderado pela Arábia Saudita, passou a negociar com 
Saleh a transferência de poder para um governo de unidade nacional. Mas o 
presidente adiou várias vezes a assinatura de um acordo. 
No fim de maio, o impasse deu lugar a intensas batalhas em Sanaa entre 
forças leais ao clã de Saleh e milícias da influência tribo Ahmar, que controla o 
principal partido de oposição, o islâmico 
Al Islah. Um atentado ao palácio presidencial feriu Saleh e ele deixou o Iêmen 
para se tratar na Arábia Saudita. 
A disputa pelo poder entre dois clãs vem sendo acompanhada pela Arábia 
Saudita, que pressiona Saleh a não retornar ao Iêmen. 
Enquanto isso, militantes fundamentalistas islâmicos aproveitam-se do caos e 
expandem sua influência. 
No fim de maio, eles assumiram o controle de Zinjibar e avançaram para as 
imediações de Áden, porto estratégico na entrada do mar Vermelho. Autoridades 
locais afirmam que a região poderá se tornar um novo “Afeganistão da época do 
Taliban” se não houver uma ofensiva militar do governo. Os EUA afirmam que a Al 
Qaeda – que tem presença no país – pode estar transformando essa região do 
Iêmen em um novo centro de operações e treinamento, e a desagregação do 
Estado iemenita favorece o grupo. 
REVOLTA XIITA NO BAREIN 
O Barein abriga uma maioria xiita descontente com a dinastia sunita que 
governa o território desde o século XVIII, com mão de ferro. Na esteira das revoltas 
na região, os xiitas fizeram grandes protestos pedindo democracia e o fim da 
discriminação. 
O levante xiita no Barein, iniciado em fevereiro, provocou preocupação no 
governo dos Estados Unidos: ali está baseada a 5ª Frota Naval dos EUA. O reinado 
sunita da Arábia Saudita também está em alerta, pois possui uma minoria xiita no 
leste que pode seguir o exemplo Barein. Além disso, a Arábia Saudita disputa a 
hegemonia regional com a teocracia xiita do Irã. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 30 
O rei reprimiu os protestos com ajuda militar da Arábia Saudita e dos Emirados 
Árabes Unidos. Dezenas de pessoas morreram, centenas foram presas e milhares 
de xiitas perderam o emprego. 
O monumento da praça da Pérola, o palco central das manifestações, na capital 
Manama, foi destruído. Em junho, a maior parte das tropas estrangeiras deixou o 
país. A ordem foi restaurada, mas a raiz do problema persiste. O diálogo iniciado 
em julho é visto com ceticismo pelos xiitas, que não acreditam em mudanças no 
regime. 
O CONFLITO ÁRABE-ISRAELENSE 
Em maio de 2011, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um 
pronunciamento histórico sobre o conflito que opõe o Estado de Israel à 
população árabe da região, defendendo a criação de um Estado palestino 
desmilitarizado ao lado de Israel, com base nas fronteiras da região antes de 1967. 
Isso porque, em 1967, Israel ocupou territórios antes controlados por árabes: 
§ A Cisjordânia, território palestino então sob o controle da Jordânia, incluindo 
Jerusalém Oriental; 
§ A Faixa de Gaza, território palestino, então sob o controle do Egito; 
§ A península do Sinai, território egípcio devolvido em 1982; 
§ As colinas de Golã, território da Síria e anexado até hoje. 
Em seu discurso, Obama ressalvou que qualquer alteração territorial deveria ser 
acertada de comum acordo, e poderia haver uma “troca” de territórios entre as 
duas partes, tendo-se as fronteiras de 1967 como parâmetro. A posição de 
Obama sobre a questão é diferente da de seu antecessor, George W. Bush, pois 
busca entabular um diálogo com os palestinos e põe pressão sobre Israel para 
negociar algum acordo que coloque fim a décadas de conflitos. 
A reação israelense ao discurso, porém, não tardou, e o premiê Benyamin 
Netanyahu disse considerar as fronteiras pré 1967 “indefensáveis, deixando uma 
grande população de israelenses residentes em Judeia e Samaria fora das 
fronteiras de Israel”. Judeia e Samaria são os nomes bíblicos da Cisjordânia – onde 
existem hoje quase 500 mil judeus morando, em mais de 120 assentamentos 
espalhados pelo território. Desde 1967, mesmo com a condenação da 
comunidade internacional, Israel constrói colônias no território, onde vivem 2,5 
milhões de palestinos. Como resultado, a Cisjordânia é picotada e governada em 
fatias: 17% da região é controlada pelos palestinos; 24% do território tem 
administração compartilhada entre judeus e palestinos; e 59% possuem controle 
exclusivo de Israel. 
A proposta de Obama tampouco é de apoio à posição dos árabes palestinos, 
pois não resolve várias questões. em primeiro lugar, há o problema dos 4,7 milhões 
de refugiados, que vivem em campos espalhados pela região e reivindicam voltar 
para suas terras e casas, hoje dentro do Estado de Israel. Os líderes do Estado 
judeu rejeitam negociar esse ponto, pois consideram que a volta desse 
contingente questiona as próprias bases de existência do país. Com relação à 
constituição de um Estado palestino, qual seria sua capital? Para os palestinos, 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 31 
Jerusalém Oriental, mas os israelenses consideram a cidade toda sua capital. Além 
disso, não seria viável a existência de um Estado de fato soberano se ele for 
desmilitarizado (quer dizer, sem Exército), ao lado de outro país com modernas e 
equipadas Forças Armadas. Como se vê, a solução do conflito é complicada, pois 
as dificuldades acumularam-se em décadas de disputa. 
O marco do conflito foi a fundação do Estado de Israel, 1948, que provocou a 
expulsão de milhares de palestinos das terras nas quais viviam. No ano anterior, a 
Organização das Nações Unidas havia aprovado a divisão da região da Palestina 
em um Estado judeu e outro árabe, e esse último nunca se constituiu. A nova 
situação desestabilizou o Oriente Médio, e, durante décadas, houve várias guerras 
entre Israel e nações árabes vizinhas, com sucessivas mudanças na situação de 
Israel e dos território palestinos. 
Em 1993, o líder palestino Yasser Arafat e o primeiro ministro israelense Yitzhak 
Rabin assinaram o Acordo de Oslo, dando início a negociações inéditas de paz. 
Nos anos seguintes, os palestinos instalaram um governo com autonomia limitada 
na maioria da Faixa de Gaza e em partes da Cisjordânia, sob comando da 
incipiente Autoridade Nacional Palestina (ANP). Mas o processo de paz estancou 
na virada da década de 2000, quando os dois lados debatiam o status final do 
futuro Estado palestino. A etapa era considerada a prova de fogo, por tratar de 
questões difíceis, como a devolução aos palestinos da Cisjordânia e a situação de 
Jerusalém. O impasse no diálogo provocou um levante palestino contra a 
ocupação, em 2000, chamado de “segunda intifada”. Desde então, a situação 
não parou de se complicar. Em Israel, o primeiro ministro Ariel Sharon (2001-2006) 
praticamente congelou asnegociações de paz e consolidou o domínio sobre a 
Cisjordânia. 
Após lançar uma arrasadora ofensiva militar contra cidades palestinas em 
2002, Sharon ordenou o início da construção de um muro de concreto na 
Cisjordânia para separar as populações judaicas das árabes. A justificativa era 
impedir a entrada de terroristas em Israel, que venham promovendo atentados 
suicidas. Na prática, o muro segregou os territórios palestinos e limita a circulação 
de pessoas e mercadores pela região, e permitiu a Israel consolidar o controle 
sobre as áreas que deveriam ser entregues aos palestinos pelo acordo de Oslo. 
Ao mesmo tempo, em 2005, Israel abandonou a Faixa de Gaza. Além de ser 
bem menor e menos próspera do que a Cisjordânia, ali os colonos judeus vivam 
em tensão constante com a esmagadora maioria de palestinos. Após a retirada, 
ANP alertou para o risco de que a Faixa de Gaza ficasse asfixiada pelo isolamento, 
pois Israel ainda controlava as fronteiras terrestres (exceto o limite com o Egito) e 
marítimas e o espaço aéreo. 
As aspirações por um Estado palestino independente sofreram outro revés com 
a divisão dos palestinos em organizações hostis. Desde 2007, a Faixa de Gaza é 
governada pelo grupo fundamentalista islâmico Hamas, ao passo que o grupo 
laico Fatah, que dirige a ANP, direige a Cisjordânia. A ruptura ocorreu depois que 
o Hamas venceu as eleições parlamentares palestinas, em 2006, adquirindo o 
direito de nomear o primeiro ministro da ANP. A chegada iminente do Hamas ao 
poder teve conseqüências, pois o grupo prega a destruição de Israel para criar um 
Estado teocrático islâmico em toda a Palestina. Israel, Estados Unidos e União 
Européia reagiram com um boicote aos territórios palestinos, cortando a ajuda 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 32 
financeira e o repasse de taxas e impostos, até que o Hamas reconhecesse o 
Estado de Israel e renunciasse à luta armada. 
Sob pressão externa, o Hamas e o Fatah entraram em conflito enquanto 
tentavam formar um governo. Uma guerra aberta, em 2007, levou à expulsão do 
Fatah da Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, 
nomeou um novo governo, logo reconhecido por Israel e pelas potências 
ocidentais. Assim que o Hamas assumiu o poder na Faixa de Gaza, Israel decretou 
o bloqueio do território. Passou a proibir a circulação de bens e de pessoas para 
dentro e fora de lá, por terra e por mar, e teve o apoio do aliado Egito, que 
também fechou a fronteira. Assim, 1,3 milhões de palestinos ficaram presos numa 
minúscula faixa de terra. 
No fim de 2008, Israel atacou a Faixa de Gaza, afirmando que foguetes haviam 
sido lançados do território contra vilas israelenses próximas, causando prejuízos e 
deixando feridos. Os bombardeios, seguidos ataques por terra, mataram 1,3 mil 
palestinos, em sua enorme maioria civis, homens, mulheres e crianças, arrasando a 
infra-estrutura local. A Faixa de Gaza voltou as manchetes, em 2010, quando a 
Marinha de Israel matou nove pessoas ao atacar uma pequena frota de navios 
que tentavam furar o bloqueio para levar ao território 10 mil toneladas de 
suprimentos em ajuda humanitária. Atualmente, após quatro anos de bloqueio, o 
Hamas continua no poder. Embora Israel permita o ingresso de 15 mil toneladas de 
ajuda humanitária por semana (alimentos, medicamentos e outros bens de 
primeira necessidade). A ONU afirma que essa quantidade não é suficiente. 
A situação na Faixa de Gaza chegou a um ponto crítico. Agências da ONU 
afirmam que 70% das famílias vivem com menos de 1 dólar per capita ao dia e 
que 80% das moradias dependem de auxílio alimentar. 
As revoltas árabes, a partir do início de 2001, trouxeram importantes 
modificações no cenário da região. A queda do ditador Hosni Mubarak abalou o 
regime egípcio, mesmo que o país tenha continuado sob o controle dos militares. 
No início de maio de 2011, em uma reunião no Cairo intermediada pelo 
governo do Egito, o Hamas assinou um acordo de reconciliação com o Fatah. A 
perspectiva de união entre os dois grupos palestinos desagradou ao governo 
israelense, que considera o Hamas terrorista, e aumentou o poder de negociação 
dos palestinos. No mesmo mês, o governo do Egito decidiu abrir a fronteira com 
Gaza, permitindo a circulação de pessoas e mercadorias. Na prática, a decisão 
alivia a pressão do bloqueio. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 33 
UNESCO RECONHECE ESTADO PALESTINO COMO MEMBRO PLENO 
 
É primeira votação sobre o assunto de uma agência da ONU; EUA foram 
contra Unesco: 173 países participam da votação. 
A Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a 
Ciência e a Cultura (Unesco) aprovou no dia 31 de outubro de 2011 a admissão 
da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como membro de pleno direito em 
votação na sua sede, em Paris. Esta é a primeira votação sobre o assunto de uma 
agência da ONU, aprovada por 107 votos a favor (20 a mais que o mínimo 
necessário), 52 abtenções e 14 votos contra. 
Estados Unidos, Alemanha e Canadá votaram contra, enquanto Itália e Grã-
Bretanha se abstiveram. Quase todos os países árabes, africanos e latino-
americanos votaram pela adesão. O representante americano manifestou 
posição contrária à do governo de seu país. "Não podemos tomar atalhos. 
Esforços como os de hoje são contraprodutivos", disse, garantindo que, apesar do 
resultado, os EUA continuarão a apoiar os trabalhos da Unesco. Israel, por sua vez, 
avaliou a decisão como um "freio para a paz". "A Conferência Geral decidiu pela 
admissão da Palestina como membro da Unesco", afirmou a Unesco em um 
comunicado emitido imediatamente após a votação. "A entrada da Palestina 
leva o número de estados-membros da Unesco a 195", completa a resolução. O 
resultado foi recebido com uma salva de palmas na sede da Unesco e 
comemorado pelos palestinos. "Esta votação vai apagar uma pequena parte da 
injustiça cometida contra o povo palestino", afirmou o ministro das Relações 
Exteriores palestino, Riyad al-Malki. 
Próximos passos - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, fez o pedido oficial 
de reconhecimento à ONU no dia 23 de setembro. "Basta! É hora de os palestinos 
finalmente terem sua liberdade. A hora da independência chegou", declarou, em 
seu discurso na 66ª Assembleia Geral. Doze dias depois, a mesma solicitação em 
prol do estado palestino foi encaminhada à Unesco, que decidiu favoravelmente 
nesta segunda. Contudo, para se tornar membro pleno das Nações Unidas - seu 
grande objetivo - a Palestina precisa do apoio do Conselho de Segurança da 
ONU, que dará seu parecer em novembro. 
Entenda o processo: 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 34 
O QUE ESTÁ EM VOTAÇÃO NA ONU? 
A criação de um estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967: anexado aos 
territórios de Cisjordânia e Gaza, tendo Jerusalém Oriental como capital. A 
proposta busca o reconhecimento como membro da organização internacional - 
hoje com o status de “entidade observadora” e sem direito a voto nas Nações 
Unidas. 
QUAIS AS CHANCES DE APROVAÇÃO DA PROPOSTA PALESTINA? 
São quase nulas. A decisão precisa passar pelos 15 membros do Conselho de 
Segurança das Nações Unidas, no qual EUA, China, Rússia, França e Grã-Bretanha 
têm o poder de veto. E o presidente americano, Barack Obama, já adiantou que 
seu país usará o recurso que tem para impedir a decisão, embora admita que o 
melhor seria evitar essa medida drástica - que pode causar um descontentamento 
ainda maior no Oriente Médio, região de constantes conflitos. 
SE A PROPOSTA PASSAR PELO CONSELHO DE SEGURANÇA, QUAL SERÁ O 
PASSO SEGUINTE? 
Ela deverá ser votada na Assembleia Geral da ONU pelos 193 integrantes da 
organização e ter apoio de pelo menos dois terços deles. Historicamente, o bloco 
de países islâmicos e seus aliados têm votos suficientes para impor seguidas 
derrotas diplomáticas a Israel na Assembleia Geral. Os líderes palestinos dizem já 
ter confirmados cerca de 140 votos para a eleição. O embaixador israelense na 
ONU, Ron Prosor, já alertoua chancelaria de seu país sobre a falta de opções para 
frear o reconhecimento do estado palestino nesse caso. O máximo que Israel pode 
esperar é que um grupo de países se abstenha ou esteja ausente na hora de 
votar. 
O QUE ARGUMENTAM OS OPOSITORES À CRIAÇÃO DO NOVO ESTADO? 
Os Estados Unidos argumentam que os palestinos apenas conquistarão um 
estado significativo por meio de negociações. Para o presidente Barack Obama, a 
votação sobre a criação do novo estado na ONU seria uma "distração" no 
caminho para a paz com Israel. Já o estado judeu considera tal possibilidade 
"perigosa e desestabilizadora". "Os palestinos ficarão satisfeitos com a votação a 
seu favor, mas depois vão se dar conta de que nada vai mudar na prática. Com a 
frustração, e inspirados na Primavera Árabe, podem partir para a violência", 
alertou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor. 
ISRAEL É CONTRA A CRIAÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO? 
Israel se diz a favor, mas não sem antes ter garantias de segurança em seu 
território, já que a Faixa de Gaza é controlada desde 2007 pelo Hamas, grupo 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 35 
palestino fundamentalista que assumiu o controle da região por meio de um golpe 
e que prega abertamente a destruição do estado judeu. Se de fato ocorrer, a 
criação do estado palestino faria com que suas lideranças tivessem acesso a 
agências e convenções da ONU, o que poderia lhes dar o poder, por exemplo, de 
denunciar Israel ao Tribunal Penal Internacional. 
QUAL A POSIÇÃO DO BRASIL NESSA QUESTÃO? 
O Brasil já afirmou que votará a favor da resolução. Em um de seus últimos atos 
no governo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o 
reconhecimento do estado palestino nas fronteiras pré-1967 - posição mantida 
pela gestão Dilma Rousseff. 
QUAL SERIA O IMPACTO DA APROVAÇÃO DO ESTADO PALESTINO NA 
ASSEMBLEIA? 
Israel alega que a iniciativa palestina representa uma atitude unilateral diante 
das negociações iniciadas no ano passado, e sua aprovação significaria o fim do 
diálogo. Os israelenses ressaltam que os palestinos já conquistaram uma 
autonomia governamental em parte das áreas que almejam. Segundo o estado 
judeu, foram os palestinos que abandonaram as negociações em 2010 e a 
proposta levada à ONU torna o estado palestino uma realidade ainda mais 
distante. 
DILMA DEFENDE A CRIAÇÃO DE UM ESTADO PALESTINO NA ONU 
Primeira mulher a abrir a Assembleia Geral, a presidente brasileira repudiou a 
violência nos conflitos da Primavera Árabe e falou da crise econômica mundial. A 
presidente Dilma Rousseff, abriu os debates da 66ª Assembleia Geral da ONU, em 
Nova York, perpetuando a tradição que vigora desde 1947 de o Brasil inaugurar os 
debates anuais da assembleia. 
 
 
 
É a primeira vez que uma mulher dá início aos debates da organização 
internacional - na verdade, porque se trata da primeira mulher a assumir o cargo 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 36 
no Brasil que, por tradição, é responsável pelo discurso inicial do evento há 64 
anos. "Vivo este momento histórico com orgulho de mulher. Tenho certeza que 
este será o século da mulher", disse Dilma, no início de sua fala, após ser 
apresentada pelo presidente da 66ª Assembleia Geral da ONU, o diplomata do 
Qatar Nassir Abdulaziz Nasser, que falou sobre a manutenção da paz, a crise 
alimentar mundial, a reforma da ONU e uma maior velocidade na resposta a 
desastres naturais. "É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nessa 
tribuna, que tem compromisso de ser a mais representativa do mundo", enfatizou. 
Em um dos temas principais de seu discurso, Dilma defendeu abertamente o 
reconhecimento do estado palestino como membro pleno das Nações Unidas, sob 
aplausos da maioria da plateia formada por líderes internacionais. "Apenas uma 
Palestina livre e soberana poderá trazer a paz duradoura no Oriente Médio", 
defendeu, completando: "Venho de um país onde árabes e judeus são 
compatriotas". A posição de Dilma já era esperada, uma vez que ela apenas deu 
continuidade a uma posição histórica do governo brasileiro, que defende a 
autodeterminação dos palestinos. Afinal, desde 1975 o Brasil reconhece a 
Autoridade Palestina (na época, Organização para Libertação da Palestina) e, em 
1993, deu status diplomático à Delegação Especial Palestina. Mas foi a partir do 
governo antecessor, de Luiz Inácio Lula da Silva, que o Brasil se aproximou mais dos 
palestinos, com a criação do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, 
capital política da Cisjordânia, em 2004. Além disso, Lula reconheceu o estado 
palestino em 2010, e se mostrou um forte apoiador do ditador iraniano Mahmoud 
Ahmadinejad, que apoia a destruição de Israel e não reconhece o Holocausto. 
O que está em discussão, na verdade, não é a importância da criação de um 
estado palestino - há um consenso internacional em relação a isso, inclusive com o 
aval de Israel. Entretanto, essa decisão não pode ser impositiva, como querem os 
árabes, e só começará a ganhar forma a partir da retomada das negociações de 
paz, como defendem os judeus com apoio dos Estados Unidos. 
A postura invariavelmente assumida pelo Brasil de ficar sempre em cima do 
muro em polêmicas internacionais poderia ser mais acertada neste caso do que o 
apoio imediato à proposta palestina, já que é preciso considerar com mais 
cautela as consequências catastróficas que a criação de um novo estado pode 
levar àquela região - já fervilhante de conflitos. "Se o Brasil se negou a condenar o 
regime sírio de Bashar Assad, em um primeiro momento, porque deveria haver 
mais 'negociação', como agora pode apoiar a criação de um estado palestino 
sem uma negociação prévia com Israel?", destaca a socióloga Maria Lúcia Victor 
Barbosa. 
Primavera árabe - Dilma ainda falou da primavera árabe, ressaltando que o 
Brasil é pátria de refugiados e imigrantes da região. "Repudiamos com veemência 
as repressões brutais que vitimam populações civis", disse. "O recurso da força 
deve ser sempre a última alternativa." A presidente criticou a intervenção militar 
internacional em países em crise, afirmando que "o mundo sofre hoje as dolorosas 
consequências de intervenções, que permitiram o avanço do terrorismo onde ele 
não existia antes". 
O sociólogo Demétrio Magnoli observa que a posição passiva do Brasil em 
relação às revoltas do mundo islâmico foi desastrosa, a exemplo da "diplomacia 
companheira" de seu antecessor, Lula, que chamava o ex-ditador líbio Muamar 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 37 
Kadafi de "amigo e irmão". Em março, o governo brasileiro se recusou a apoiar a 
intervenção da Otan na Líbia e foi um dos últimos países a reconhecer o Conselho 
Nacional de Transição (CNT) como representante legítimo dos líbios. "E o Brasil 
errou mais vergonhosamente ainda ao atuar quase como um porta-voz informal 
do ditador Bashar Assad na Síria", acrescentou Magnoli. "A diplomacia brasileira se 
move desastrosamente pelo impulso do antiamericanismo." 
Emergentes - Também como era esperado, Dilma insistiu na necessidade de 
uma ampla reforma no Conselho de Segurança, com participação do Brasil. "O 
Brasil está pronto para assumir suas responsabilidades como membro permanente 
do Conselho de Segurança." E reivindicou mudanças também nas instituições 
financeiras multilaterais, para que permitam uma atuação maior dos países 
emergentes, "principais responsáveis pelo crescimento na economia global". Sobre 
a crise ecônomica, a presidente brasileira observou que o mundo vive um 
momento delicado, mas de grande oportunidade histórica, e que depende de 
união para não se tornar uma ruptura sem precedentes. "Ou nos unimos todos e 
saímos vencedores, ou sairemos todos derrotados", salientou, lembrando que mais 
importante do que procurar os culpados é encontrar soluções coletivas, rápidas e 
verdadeiras. "Essa crise é séria demais para que seja administrada por uns poucos 
países. Seus governos e bancos centrais continuam na responsabilidade da 
condução doprocesso, mas sofrem as consequências da crise, todos os países. 
Portanto, têm direito de participar das soluções." 
Secretário-geral - O evento começou na manhã desta sexta-feira com o 
discurso do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que aproveitou para apresentar 
o relatório anual da organização. 
 
 
Dilma Rousseff e Ban Ki-moon se cumprimentam na chegada à Assembleia 
"O desenvolvimento sustentável é o imperativo do século 21", declarou, 
falando ainda sobre as metas do milênio, destacando a importância do 
desenvolvimento sustentável, o combate à pobreza, às mudanças climáticas e à 
crise alimentar global. Da mesma forma que Dilma, e como já havia demonstrado 
anteriormente, Ban também se posicionou a favor da criação de um estado 
palestino. "No Oriente Médio é preciso sair do ponto morto. Os palestinos merecem 
um estado. Israel precisa de segurança", afirmou, enfatizando que ambas as 
partes querem a paz. 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 38 
O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de 
uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do 
Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã 
e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a 
população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe. 
 
 
O governo do presidente sudanês, Omar Bashir, reconheceu formalmente a 
independência da parte sul de seu país. O presidente participou em Juba da 
festa, assim como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que foi recepcionado 
pelo presidente interino do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit. 
Apesar de possuir grandes reservas de petróleo, o Sudão do Sul nasce como 
um dos países mais pobres do mundo, com a maior taxa de mortalidade materna, 
a maioria das crianças fora da escola e um índice de analfabetismo que chega 
em 84% entre as mulheres. Embora não haja estatísticas oficiais, a ONU estima que 
a população do país varie entre 7,5 e 9,5 milhões. O Sudão do Sul também nasce 
sendo um dos maiores do continente, superando as áreas de Quênia, Uganda e 
Ruanda juntas. 
Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 
2011 foi um ano de crise humanitária "sem precedentes na história recente". O 
panorama para as vítimas de desastres naturais, crise de fome, guerras e 
epidemias é sombrio. O agravamento do quadro está ligado ao surgimento de 
diversos novos conflitos que não foram solucionados ao longo do ano. Confira os 
locais que enfrentam cenário mais preocupante: 
 
SOMÁLIA 
SUDÃO RECONHECE A REPÚBLICA 
DO SUDÃO DO SUL 
 
CRISE HUMANITÁRIA 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 39 
 
O conflito civil que se arrasta desde 2009, somado à pior seca em mais de 50 
anos, provocou uma crise alimentar gravíssima no país. A guerra e a fome fizeram 
com que mais de 920.000 pessoas se refugiassem em países vizinhos. 
Dadaab, no Quênia, é o "maior campo de refugiados do planeta". Acolhe 
cerca de 500.000 pessoas - o que supera em cinco vezes sua capacidade original. 
Essa situação emergencial faz parte de um contexto maior que atinge todo o 
chifre da África e ameaça mais de 13 milhões de pessoas. 
 
COSTA DO MARFIM 
Atualidades 
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A recusa do ditador Laurente Gbagbo em aceitar a derrota eleitoral em 
novembro de 2010 provocou uma onda de violência no país que estendeu por seis 
meses - período no qual 3.000 pessoas morreram e mais de 150 mulheres foram 
estupradas. Além disso, entre 2002 e 2007, uma guerra civil colocou em confronto 
o norte muçulmano e o sul cristão, onde se encontram os principais seguidores de 
Dbagbo. Agora, cerca de 5.000 refugiados que vivem no Togo poderão retornar à 
Costa do Marfim de forma voluntária. 
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO 
Há 12 anos, a ONU enviou os primeiros capacetes azuis à Kinshasa. Eram 500 
militares. Hoje, o número de soldados chega a 20.000 - uma das maiores e mais 
caras missões militares da ONU, que custa 1,4 bilhões de dólares ao ano. 
 
 
Mesmo com todo o investimento, a guerra no leste do país não dá trégua e o 
essencial apoio da população é barrado pelo medo constante e a falta de 
confiança: soldados das Nações Unidas já exigiram sexo em troca de alimentos e 
se abstiveram quando a população foi estuprada em massa pelas milícias. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 41 
SUDÃO DO SUL 
 
 
Em 08 de julho de 2011, o ditador sudanês Omar Bashir reconheceu a 
República do Sudão do Sul como estado independente - definição simbólica na 
prática, visto o histórico de conflitos entre o Norte e o Sul, que já se enfrentaram 
em duas guerras civis. A nova nação já nasceu com grandes desafios políticos, 
econômicos e sociais. As décadas de conflitos na região arrasaram toda a infra-
estrutura local, exigindo uma reconstrução urgente do país, que ainda tem taxa 
de mortalidade e índice de HIV altíssimos. 
 
 
LÍBIA 
 
A revolta popular teve início em fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram 
um protesto em Bengasi, cidade que se tornou reduto da oposição. 
 
 
 
No dia 27 de março, a OTAN passa a controlar as operações no país, servindo 
de apoio às tropas insurgentes no confronto contra as formas de Muamar Kadafi, 
no poder havia 42 anos. Em março, a situação nas fronteiras fugia do controle: 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 42 
140.000 pessoas deixaram o país para fugir da repressão e o número poderia 
chegar a 77.000 refugiados no Egito, e 90.000, na Tunísia. 
SÍRIA 
 
 
Os sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de 
Bashar Assad, no poder há 11 anos. Desde então, os rebeldes sofrem violenta 
repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 
pessoas, segundo a ONU, que investiga denúncias de crimes contra a 
humanidade. Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a 
fronteira com a Turquia. Além disso, dos cerca de 4,7 milhões de iraquianos que 
buscaram refúgio fora de seu país, 215.000 vivem de forma precária na Síria. 
IÊMEN 
A revolta do país começou em 27 de janeiro, mas ganhou força em 21 de 
fevereiro, quando os jovens da Revolução montaram um acampamento na 
capital Sanaa, exigindo a queda do regime de Ali Abdullah Saleh, no poder há 33 
anos. 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 43 
Em agosto de 2011, o grupo armado Al Houthi e as forças de segurança do 
ditador entraram em violento confronto em Saada, província do norte, 
determinando o deslocamento de pelo menos 150.000 pessoas - que se somam às 
100.000 outras que já haviam sido deslocadas em guerras anteriores. 
 
PAQUISTÃO 
 
O grupo de extremistas islâmicos que pegam em armas e se explodem para 
defender a doutrina de Alá é uma criação do serviço secreto do Paquistão (ISI) 
dos anos 80. Conhecido pela forte inclinação fundamentalista dee alguns de seus 
altos membros, o ISI reuniu a milícia de estudantes fanáticos do Corão que depois 
fugiria de seu controle. Desde 2009, há uma rápida escalada da violência em todo 
o país. Mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas e calcula-se que mais de 
1.200 insurgentes tenham sido mortos. 
 
AFEGANISTÃO 
 
As necessidades humanitárias cresceram desde 2010, quando a guerra se 
espalhou para quase todas as províncias, que ainda enfretam a falta de equipes 
médicas e remédios básicos. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 44 
 
Para buscar atendimento, é preciso arrriscar a vida em longas viagens por 
estradas perigosas. Assim, doenças relativamente simples acabam se tornando 
fatais. 
O presidente Hamid Karzai pediu em vão que os talibãs nociassem a paz nos 
últimos anos e o tempoor geral é que, com a saída total das tropas da OTAN - 
marcada para 2014 -, o grupo volte ao poder. 
HAITI 
 
 
 
Após o violento terremoto registrado em 12 de janeiro de 2010 e suas réplicas 
que deixaram mais de 200.000 mortos e 2 milhões de desabrigados, o Haiti sofreu 
danos em cerca de 200.000 residências e perda financeira no valor de 7,8 bilhõesde dólares (120% do PIB). 
Para piorar, uma epidemia de cólera criou novas necessidades. A doença já 
matou 6.600 pessoas e infectou 475.000 no país. Segundo relatório divulgado pela 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 45 
Organização Mundial da Saúde (OMS), até o final de 2011, o país terá 500.000 
casos de cólera. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 46 
Desde o século XIX, o mundo conheceu uma intensificação das trocas 
comerciais, da produção e mesmo do trânsito de pessoas. Para se ter uma idéia, o 
comércio mundial entre 1800 e meados da década de 1910, cresceu 
aproximadamente vinte e cinco vezes. 
Depois da Segunda Guerra Mundial, essas trocas e a produção global 
aumentaram ainda mais, em um ritmo jamais registrado, os números apontando 
para um incremento em volume e valor 50 vezes maior do que o registrado na 
primeira metade do século XX. 
Nessa nova perspectiva, a economia deixou de ser local, espalhando-se pelo 
mundo, sendo movida pelo intenso comércio internacional. Em 1970, 14% da 
produção econômica mundial assentava-se nas trocas; em 2000, o fluxo 
internacional de comércio representava 28% do total de bens e serviços 
produzidos no globo. Houve uma sensível modificação na qualidade dessas 
trocas, registrando-se o predomínio de produtos manufaturados nas exportações 
em detrimento dos produtos primários. 
 
Nos últimos 25 anos, o valor das exportações de manufaturados saltou de 
45,2% para 62,4% do valor total. Em termos da produção global, observamos que 
as exportações passaram de 17% para 32% do PIB mundial, no período 
compreendido entre 1970 e 2008. 
O aumento das transações foi acompanhado por mudanças significativas na 
distribuição espacial da produção, com a internacionalização desta. 
A economia mundial passou por grandes transformações nos últimos anos. 
Nessa configuração contemporânea, os paradigmas sofreram grande 
transmutação. A revolução tecnológica adquiriu um papel preponderante não só 
nas relações humanas, como também nas de produção, sendo responsável pela 
aceleração na divulgação e propagação das informações, o que alterou as 
noções “tempo” e “espaço”. 
A economia globalizada tem nas empresas multinacionais um de seus 
principais agentes. Essas empresas atuam de modo global, deixando de 
individualizar mercados, sendo o faturamento de algumas delas superiores ao PIB 
de muitos países. 
Podemos definir globalização como a intensificação das trocas e da 
circulação de pessoas e do conhecimento, a integração cada vez mais intensa 
dos mercados, dos meios de transporte e das telecomunicações, o que gera a 
interdependência de todos os povos e países da superfície terrestre. 
Na globalização, a produção foi fragmentada espacialmente, buscando-se 
sempre a maior eficiência e o aumento da produtividade em um mercado 
mundial cada vez mais competitivo. 
A globalização, antes de qualquer coisa, é um fenômeno fundamentalmente 
geográfico que tem como base e inegável valor o território. 
A globalização pode ser compreendida a partir de um tripé, caracterizado da 
seguinte forma: 
GLOBALIZAÇÃO 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 47 
 
§ Fábrica Global: Hoje as etapas do processo produtivo estão mundializadas. Um 
único produto pode ter suas partes fabricadas em diversos países. 
 
§ Economia Mundo: O novo sistema produtivo mundial se caracteriza por mais 
concorrência e ao mesmo tempo por mais cooperação. As empresas 
estabelecem alianças para viabilizar investimentos gigantescos e enfrentar a 
concorrência. É a interdependência econômica. 
§ Aldeia Global: O avanço no sistema de comunicações possibilitou a 
simultaneidade das informações. Todos em qualquer parte e no mesmo 
momento vêem a mesma imagem. Esta integração da informação nos faz 
pensar que estamos diante de uma verdadeira Aldeia, no qual o mundo todo 
está inserido. 
A exclusão na Globalização 
Em toda a história da humanidade nunca se produziu tanta riqueza como nos 
tempos de hoje. O grande problema é que o crescimento que a globalização 
trouxe, apenas aprofundou as desigualdades. 
 
 
 
Estudos da ONU, neste começo de século, mostram que 1% dos mais ricos 
possuem o mesmo que 57% da população mundial mais pobre. Para piorar, cerca 
de 1,8 bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de dois dólares por dia. 
O mundo como fábula, como perversidade e como possibilidade 
 
Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um 
paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o 
extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são 
os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De 
outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e 
todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, 
porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização, 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 48 
aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente 
percebido. 
De fato, se desejamos escapar à crença de que esse mundo assim 
apresentado é verdadeiro, e não queremos admitir a permanência de sua 
percepção enganosa, devemos considerar a existência de pelo menos três 
mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a 
globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a 
globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: Uma 
Outra Globalização. 
(SANTOS, Milton. Por uma outra globalização. Do pensamento único à consciência 
universal). 
Indústria Cultural 
 
Em 1940, o filósofo alemão Theodor Adorno, exilado nos Estados Unidos, realizou 
a primeira crítica sistemática dos produtos veiculados pelos novos meios de 
comunicação de massas. Adorno criou o conceito da Indústria Cultural para se 
contrapor as noções usuais de “cultura de massas” e “cultura popular”, que 
transmitiam a idéia de que as massas e o povo eram os criadores das mercadorias 
culturais que consumiam. 
Segundo Adorno, a produção, a distribuição e a recepção dos produtos 
veiculados pelo rádio, pela televisão e mesmo pelas grandes editoras de revistas e 
de Best-sellers eram organizadas de maneira industrial. As mercadorias vendidas 
pela indústria cultural seguiam os mesmos processos (padronização, escolha de 
público-alvo, simplificação e obsolência) que aquelas produzidas pelos demais 
segmentos da indústria. As conseqüências dessa submissão do consumidor ao 
poder das grandes indústrias do entretenimento afetavam tanto a política das 
sociedades quanto a psicologia das pessoas. 
 
A Terceira Revolução Industrial e a Globalização Contemporânea 
Nas últimas três décadas do século XX, a produção em série do modelo 
fordista já se mostrava rígida e ineficiente para atender as demandas dos novos 
tempos. Por causa da inflexibilidade desse processo, que adota a divisão da 
produção em tarefas especializadas, o resultado era uma produção padronizada 
e em massa. Esse modelo não acompanhava as constantes e aceleradas 
mudanças tecnológicas. Para oferecer novos produtos, eram necessárias novas 
máquinas e a reestruturação da linha de montagem. 
Nos anos de 1970, iniciou-se o que viria a ser conhecido como a Terceira 
Revolução Industrial ou Informacional. Embora, essa revolução tenha ficado visível 
para todos nos anos 90, com o surgimento do computador e da internet, as 
mudanças nos processos produtivos começaram muito antes. A robótica, as 
máquinas programáveis com controles digitais e as novas invenções, como os 
aparelhos de fax, permitiram uma revolução nos processos produtivos e gerenciais 
e tornaram o processo produtivo mais flexível. Esses avanços tecnológicos 
trouxeram ainda maior rapidez não informações, acelerando o ritmo dos 
transportes e diminuindo tempo e distâncias em uma escala jamais alcançada. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 49 
Na última década do século XX, o mundo estava sob o predomínio do ciclo da 
informática, As novas tecnologias de informaçãopermitiram a formação de redes 
digitais e a programação por computador da produção e dos serviços, 
provocando transformações no sistema capitalista e na organização do trabalho. 
Os custos e os preços caíram, tornando acessíveis produtos anteriormente difíceis 
de serem adquiridos por uma parcela da população. 
 
A Política Neoliberal 
 
Desde 1980, tanto os EUA como o Reino Unido vinham adotando um estilo de 
política econômica que fiou conhecido como neoliberalismo. Os impostos sobre 
as empresas e sobre os mais ricos foram reduzidos alegando-se que isso seria um 
fator de incentivo ao investimento e ao progresso econômico. 
As regulamentações sobre as atividades econômicas e financeiras foram 
reduzidas ao mínimo. Empresas públicas foram privatizadas e os gastos públicos 
reduzidos. 
O neoliberalismo tornou-se um modelo de política econômica para ser 
seguido, inclusive pelos ex-países socialistas e países menos desenvolvidos que 
buscavam integra-se à economia mundial. Propunha-se que os Estados 
realizassem reformas estruturais e estabelecessem a mais ampla liberalização 
possível de seus mercados tanto de bens como financeiros. 
Muitas dessas regras básicas, formuladas em 1989 por economistas de 
instituições financeiras, ficaram conhecidas como Consenso de Washington. Essas 
normas passaram a ser recomendadas para o estabelecimento de uma agenda 
neoliberal de reformas nos países em desenvolvimento. 
Algumas das mudanças do papel do Estado nessa fase foram: 
§ Restringir sua ação sobre a economia, só intervindo em grau mínimo e em 
setores essenciais. Esse modelo é conhecido como Estado Mínimo. 
 
§ Promover a desregulamentação da economia, ou seja, eliminar regulamentos 
que pudessem impedir a liberdade de ação das empresas e dos bancos. 
 
§ Fazer reformas econômicas, como o ajuste fiscal (gastar menos do que o que se 
arrecada), o controle da inflação, a redução dos gastos públicos e a liberação 
das importações. 
 
§ Privatizar empresas estatais (venda para grupos privados) com a finalidade de 
garantir ingresso de capital a curto prazo. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 50 
Desregulamentação e expansão dos 
mercados financeiros 
Desde a década de 1970, o setor financeiro vem se expandindo. A 
desregulamentação promovida pela política neoliberal e as novas tecnologias 
que facilitaram as comunicações foram os fatores que permitiram essa expansão. 
Novos produtos financeiros foram criados, aumentando a segurança e a 
lucratividade das operações. Tudo isso permitiu grande expansão da produção e 
do comércio na economia mundial. 
Grande parte do capital produtivo destinado a ampliação, melhoria ou 
instalação de unidades produtoras, à compra de equipamentos e ao aumento da 
capacidade de produção passou a ser destinada à especulação financeira. O 
capital especulativo, capitais voláteis ou de curto prazo são aplicados em bolsas 
de valores buscando lucros rápidos. O capital apenas se acumula e, portanto, não 
gera empregos como o capital produtivo. 
Os avanços na informática facilitaram muito as transações financeiras, 
permitindo investimentos globalmente. Por outro lado, também permitem que 
enormes somas, ao menos sinal de instabilidade ou falta de confiança, sejam 
transferidas (fuga de dólares), provocando pânico nos mercados e desequilíbrios 
mundiais. Em poucas horas, moedas, papéis e ações perdem valor e a economia 
é abalada. 
Foi o que aconteceu, por exemplo, em 1992 com a Inglaterra e outros países 
europeus,; em 1995 com o México; em 1997, numa crise iniciada nos países 
asiáticos; em 1998, com a Federação Russa; em 1999, com o Brasil; em 2001, com 
a Argentina; e, em 2007, com os Estados Unidos. 
Crise Imobiliária dos EUA 
Em 2007-2008 estourou a principal crise econômica e financeira internacional 
desde 1929. crise financeira nos Estados Unidos que começou no setor imobiliário e 
espalhou-se rapidamente para os setores financeiro e automobilístico, e daí para 
toda a economia. Em 2008, essa crise tomou proporções globais, e o fantasma da 
Grande Depressão de 1929 voltou a assombrar a economia mundial. 
Se não fosse a intervenção massiva e concertada dos poderes públicos, que 
se tornaram o seguro dos bancos ladrões, a atual crise teria já proporções muito 
mais amplas. Também aqui, a interligação é impressionante. Entre 31 de Dezembro 
de 2007 e fins de setembro de 2008, todas as bolsas do mundo sofreram uma baixa 
muito significativa, entre 25 a 35% - por vezes mais - para as bolsas dos países mais 
industrializados, até 60% para a China, passando por 50% para a Rússia e a Turquia. 
A montagem colossal de dívidas privadas, criação pura de capital fictício, acabou 
por explodir de país em país industrializado, começando pelos EUA, a economia 
mais endividada do mundo. Com efeito, a soma das suas dívidas pública e 
privada elevou-se, em 2008, a 50 trilhões de dólares, ou seja, 350% do PIB. 
Esta crise econômica e financeira que já afetou todo o planeta afetará ainda 
mais os países em desenvolvimento que se crêem ainda protegidos. A 
mundialização capitalista não soltou ou não desligou as economias. Pelo 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 51 
contrário, países como China, Brasil, Índia ou Rússia não estão ao abrigo da crise e 
isto é só o início. 
No primeiro momento, a desvalorização dos imóveis arrasou os bancos 
americanos. Em seguida, com a decisão de reduzir os juros, o dólar começou a 
derreter nos mercados mundiais – e como a moeda americana é referência para 
o petróleo, o barril disparou e estava cotado a US$ 110 na semana passada. 
 
 
 
Com uma moeda fraca, uma política monetária frouxa e uma conta de energia 
cada vez mais pesada, o grande risco que paira sobre os Estados Unidos é a volta 
da inflação. 
Desemprego Estrutural e Conjuntural 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 52 
 
 
 
 
O desemprego é um dos principais problemas que assola o mundo atual. Na 
Europa, o problema é muito grave. O desemprego na zona do euro atingiu 10,3% 
da população ativa em outubro de 2011, com a Espanha apresentando a maior 
taxa (22,8%), segundo os números divulgados no 30 de novembro pela agência de 
estatísticas Eurostat. 
Em setembro, a taxa ficara em 10,2% e, em outubro de 2010, em 10,1%. Na 
União Europeia, em outubro deste ano, o desemprego ficou em 9,8%. O resultado 
supera as previsões dos analistas, que projetavam um índice de 10,2%. 
Eurostat estima que 16,294 milhões de desempregados estavam na zona do 
euro em outubro deste ano. Em relação a setembro, o número de pessoas 
desempregadas aumentou 130.000 na União Europeia e 126.000 na zona do euro. 
Os Estados Unidos criaram 120 mil postos de trabalho em novembro, segundo 
dados divulgados nesta sexta-feira 2 de dezembro pelo Departamento do 
Trabalho do país. Com isso, a taxa de desemprego recuou 0,4 ponto percentual 
em relação ao mês anterior, para 8,6%. 
 
 
 
A taxa de novembro é a menor desde março de 2009, quando também ficara 
em 8,6%. 
De abril a outubro deste ano, a taxa de desemprego se manteve entre 9% e 
9,2%. 
A criação de vagas foi puxada por contrações no varejo, com 50 mil novos 
postos, entretenimento e serviços de hospitalidade (mais 22 mil vagas). Já o 
emprego no setor público voltou a mostrar queda, com o corte de 5 mil postos de 
trabalho nos Correios do país. Entre os grupos, a taxa de desemprego para 
homens adultos recuou para 8,3%, enquanto para as mulheres adultas se manteve 
praticamente estável, em 7,8%. 
No Japão, atualmente observa-se a diminuição do número de vagas no 
mercado de trabalho; a Coréia do Sul enfrenta a mesma situação. Nos países 
subdesenvolvidos, a situação não é diferente. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 53 
No Brasil, é grande a preocupação dos trabalhadores, dos sindicatos, das 
autoridades e dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de não possuirmos 
dados precisos sobre o desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em taxa 
de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em 18% naregião metropolitana da 
Grande São Paulo. 
 
 
 
A verdade é que temos, hoje, em qualquer família alguém desempregado. 
Essa é uma realidade que está muito próxima de cada um de nós. 
O desemprego causa vários problemas: para o desempregado, para a família 
e para o Estado. Para o cidadão desempregado e sua família, o desemprego 
provoca insegurança, a indignidade, aquela sensação de inutilidade para o 
mundo social. 
Com a globalização, a informatização, as novas tecnologias, nós temos 
efetivamente um problema de desemprego estrutural. Vejam o exemplo do 
banco já citado, onde diminuem em menos da metade os postos de trabalho. 
Tudo é informatizado, as pessoas não precisam do caixa humano, elas vão 
direto ao caixa eletrônico. 
Esses funcionários perdem o emprego e não têm outra oportunidade, porque 
todos os ramos de atividade estão se modernizando, não só os bancos, mas as 
indústrias estão sendo robotizadas. É o chamado Desemprego Estrutural. 
A RECENTE CRISE ECONÔMICA DOS ESTADOS UNIDOS ATINGIU OS MAIS 
DIVERSOS SEGMENTOS E SETORES DA SOCIEDADE, GERANDO UM DOS MAIS 
ELEVADOS ÍNDICES DE DESEMPREGO. 
DIFERENTEMENTE DO DESEMPREGO ESTRUTURAL, ESSE TIPO É CLASSIFICADO 
COMO DESEMPREGO CONJUNTURAL. Reflexo de uma instabilidade temporária, 
como a crise econômica mencionada, que, mesmo momentaneamente, interfere 
diretamente no funcionamento de toda a sociedade. 
 
 
Crise do Liberalismo 
A doutrina econômica do século XVIII foi o liberalismo, segundo a qual o 
Estado não deveria intervir, de maneira alguma, na economia, ficando à mercê 
da livre concorrência que por sua própria dinâmica regularia o mercado. O 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 54 
liberalismo econômico foi preconizado por economistas ingleses como Adam 
Smith e David Ricardo. Essa mudança atendia aos interesses da burguesia 
industrial, que se mostrava forte o suficiente para renegar a interferência do 
Estado, inversamente ao que aconteceu com os burgueses durante o capitalismo 
comercial. 
As condições de trabalho eram desumanas, precárias, com homens, mulheres 
e crianças trabalhando incessantemente, em instalações insalubres, chegando à 
exaustão física causada pelas horas a fio junto às máquinas. A terrível situação de 
milhões de operários fabris não passou despercebida, provocando o surgimento 
de movimentos, no decorrer do século XIX, em defesa do operariado e uma 
doutrina que propunha a socialização dos meios de produção, a preponderância 
do Estado na condução da economia e da sociedade, conhecida como 
socialismo. 
As primeiras décadas do século XX marcaram a expansão do capitalismo, com 
aumento da demanda e da produção industrial em larga escala. Porém, a oferta 
crescente de mercadorias não conseguia ser absorvida pelo mercado interno em 
expansão dos países já industrializados, em especial os Estados Unidos, ou mesmo 
pela exportação para países que ainda não tinham passado pelo processo de 
industrialização. Nos Estados Unidos, o excesso de oferta, aliado às especulações 
financeiras, resultou em uma gravíssima crise econômica. 
Grandes companhias e bancos tiveram suas ações desvalorizadas e, em 
outubro de 1929, a Bolsa de valores de Nova York “quebrou”, levando milhares de 
empresas à falência e provocando desemprego e recessão que afetaram a 
nação norte-americana e o mundo. 
Com o Crash da bolsa de Nova York, percebeu-se que a livre-concorrência 
não suportava mais a dinâmica imposta até então pelo capitalismo “liberal”, que 
pregava a não intervenção do Estado como regulador da sociedade, das ações 
do capital privado e das relações de produção. Nesse contexto, um plano contra 
a crise, o New Deal, foi posto em prática pelo presidente Roosevelt. 
O Estado passou a intervir na economia, nas relações estruturais, direcionando 
e elaborando planos econômicos, investindo pesado em serviços de infra-estrutura 
e obras públicas, além de assistir a população com programas educacionais, de 
saúde e de previdência e seguridade social. O mentor dessa intervenção estatal 
que ajudou efetivamente a reerguer a economia norte-americana foi John 
Maynard Keynes, postulando seu princípio em sua obra Teoria Geral. 
O intervencionismo estatal funcionou bem para a economia capitalista até o 
início da década de 1970, quando uma nova crise econômica colocou em xeque 
a legitimidade do papel econômico do Estado, questionado pelos pensadores e 
ativistas “neoliberais”. 
 
Capitalismo Monopolista 
O capitalismo vem sofrendo modificações desde a Revolução Industrial até 
hoje. No início do século XX, quando já era o sistema predominante na Europa 
Ocidental e nos Estados Unidos, apresentou uma tendência à concentração de 
empresas e capitais. Nesse período iniciou-se a prática monopolista, quando uma 
empresa domina sozinha o mercado. E também as práticas de oligopólios, 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 55 
quando poucas empresas se unem, praticando uma política de preços e de 
controle de matérias-primas que impede que outras companhias pratiquem 
preços competitivos dentro de um mercado concorrência, assegurando o 
mercado para si. 
Também foi uma época de grandes fusões e incorporações de empresas e de 
integração do capital bancário com o industrial, dando origem ao capital 
financeiro. Esses grandes conglomerados evoluíram e deram origem às empresas 
multinacionais, atualmente conhecidas como transnacionais, pois operam em 
diferentes partes do globo, como as gigantes do petróleo (Exxon, Texaco), as de 
informática (IBM, Microsoft) e mesmo a potentíssima Nike, fabricante de artigos 
esportivos, entre milhares de outras. 
Existem formas monopolistas que persistem, embora não de forma explícita. 
Entre elas, temos: 
§ Truste – um conjunto de empresas se une ou se funde e faz acordos e 
combinações financeiras, controlando o capital conjunto e centralizando as 
decisões, embora muitas vezes as identidades das empresas sejam 
preservadas. A prática mais comum é o estabelecimento de uma política de 
preços elevados que assegure altas margens de lucro e vise sempre ao 
controle do mercado. 
§ Cartel – um grupo de empresas independentes, normalmente de um mesmo 
setor já oligopolizado, age de comum acordo, seguindo uma mesma 
orientação quanto a práticas comerciais, controle de matérias-primas, divisão 
de mercado e cotas de produção. 
§ Holding – dentro de um agrupamento de empresas, uma delas controla as 
outras, suas subsidiárias, por meio do controle acionário. Normalmente a holding 
não tem nenhuma atividade produtiva, mas centraliza a administração e dita a 
política do grupo, controlando o capital das empresas integrantes. As holdings 
são consideradas o estágio mais avançado de concentração do capital. 
 
 
 
A intensificação do comércio mundial acentuou a junção dos mercados 
mundiais e provocou enorme integração regional. Com a internacionalização, 
apesar de persistirem as fronteiras e as diferenças nacionais, muitos países uniram-
se a outros para formar grandes grupos econômicos, comerciais e políticos. 
A disputa pelo mercado global regionalizou-se a partir da formação dos 
grandes blocos econômicos. 
CELAC 
 
No dia 2 de dezembro de 2011, presidentes e representantes dos 33 países da 
América Latina se reuniram, em Caracas, para formalizar a criação da 
Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC). 
BLOCOS ECONÔMICOS 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 56 
Pela primeira vez, os países do continente se articularam em uma mesma 
plataforma política - com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional - 
sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá. 
Segundo analistas, a CELAC nasce com o desafio de criar uma organização 
capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de 
implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos. 
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir 
políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de 
desenvolvimento econômico,pobreza, crime organizado e, em especial, 
antagonismos no campo político-ideológico. 
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo 
de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou 
um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que 
ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles 
à esquerda ou à direita do campo político. 
O primeiro debate do grupo, realizado na noite da última quinta-feira, já 
mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. 
Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a 
tomada de decisões - por unanimidade ou por maioria qualificada. 
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de 
defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de 
Estado estabelecido pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas). 
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro 
da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser 
questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em 
Honduras, em 2009. 
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel 
histórico no hemisfério e deve ser substituída. 
"Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em 
Washington", defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da 
Cúpula. 
Especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de "liderança 
natural" na CELAC. 
UNIÃO EUROPEIA 
Em 1950, diante das restrições impostas pelo consumo reduzido de países 
europeus individualmente, foi traçado o Plano Shuman, que propunha a criação 
de mercado comum, unificando e centralizando a produção de aço e carvão da 
Alemanha e da França, com perspectiva de abrir esse acordo para outras nações 
européias. Em 1951, pelo Tratado de Paris, foi criada a CECA (Comunidade 
Européia do Carvão e do Aço), formada por Alemanha, França, Itália, Bélgica, 
Holanda e Luxemburgo (Benelux). 
O sucesso conseguido pelo Benelux e pela CECA fez com que esses embriões 
de zonas de livre-comércio se expandissem e se transformassem no Mercado 
Comum Europeu, ou Comunidade Econômica Européia, por meio do Tratado de 
Roma de 1957. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 57 
Em 1992, foi assinado o Tratado de Maastricht, que entrou em vigor em 1993, 
mudando o nome da CEE para União Européia. 
 
Os objetivos da União Européia são: 
 
§ Livre circulação entre os países integrantes. O estabelecimento de uma 
cidadania comum a todos. 
 
§ Integração econômica. Criação de uma moeda única, desenvolvimento de um 
mercado interno e de outras políticas econômicas que facilitem o processo. 
 
§ Colaboração em determinadas questões de segurança e política. 
 
§ Manutenção do papel europeu no cenário mundial mediante uma política 
comum de segurança e de assuntos internacionais. 
 
§ Integração de assuntos sociais. 
 
Em 2004, houve a maior ampliação da história do bloco, com o ingresso de 
mais dez nações. Em 2007, Romênia e Bulgária completaram o conjunto, hoje, 
formado por 27 países, das 53 nações européias. Do ponto de vista econômico, as 
expansões de 2004 e 2007 não trouxeram grandes mudanças à EU. Politicamente, 
porém a transformação foi bastante significativa, pois dez dos 12 novos membros 
são ex-repúblicas comunistas do Leste Europeu, ex-integrantes da Antiga “Cortina 
de Ferro” da época da Guerra Fria. Na prática, a União Européia está avançando 
em uma região que há séculos é área de influência direta do Estado russo. Mas, 
como nesses países há desemprego e salários baixos, as nações ocidentais vêem 
crescer a migração vinda do leste. Em 2009, foi aprovado o Tratado de Lisboa. A 
primeira vez em que se falou em aprofundar as instituições européias foi em 2001, 
quando se criou um grupo para discutir as medidas. Em outubro de 2004, chegou-
se à formulação da Constituição Européia que precisaria de aprovação de todos 
os países-membros para entrar em vigor, Mas, em referendo na França e na 
Holanda, a população derrubou a proposição, em 2005. Em 2007, a chanceler da 
Alemanha, Ângela Merkel, lançou a Declaração de Berlim, com diretrizes 
semelhantes às da Constituição européia, e manifestava a intenção dos líderes de 
criar uma nova base comum para o bloco até 2009. 
Atualmente, são candidatos a países-membros da União Européia: Turquia, 
Croácia, Macedônia e Islândia. Porém, para a admissão de novos integrantes do 
bloco, as condições são cada vez mais rígidas. A Turquia enfrenta muitos 
obstáculos para ser admitida na UE. Entre eles, está o fato de 70% dos 70 milhões 
de habitantes do país serem muçulmanos, o que abriria a Europa para um contato 
mais estreito com o mundo islâmico. Além do fato de dominar militarmente o norte 
do Chipre, país já integrante da UE, e por não reconhecer o genocídio dos 
armênios em 1915, ponto em que se mostram inflexíveis. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 58 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUÉCIA É 'ILHA DE PROSPERIDADE' EM 
MEIO À CRISE NA UNIÃO EUROPEIA 
 
PAÍS FOI O QUE MAIS CRESCEU NA 
UE EM 2010 E TEM UMA DAS DÍVIDAS 
MAIS BAIXAS; JUROS DOS TÍTULOS 
SUECOS SÃO OS MAIS BAIXOS DO 
BLOCO. 
Assim como a Grã-Bretanha, a Suécia 
decidiu não adotar o euro como moeda, apesar 
de fazer parte da União Europeia. As 
semelhanças entre os dois países, porém, param 
por aí. 
Enquanto a economia britânica patina, a 
Suécia aparece como uma verdadeira "ilha de 
prosperidade" em meio às perspectivas 
negativas na região. 
Os juros pagos pelos títulos da dívida sueca 
(com classificação de segurança máxima pelas 
agências de risco) são atualmente os mais 
baixos em toda a União Europeia, até mesmo 
que os da Alemanha, normalmente tidos como 
referência por serem os mais baixos. 
A economia sueca foi a que mais cresceu no 
ano passado na União Europeia (5,6%) e tem 
previsão de crescimento de 4% neste ano. A 
relação entre a dívida pública e o PIB está em 
queda acentuada, de 50,3% em 2004 para 
estimados 36,3% neste ano (maior apenas que 
as de Estônia, Bulgária e Luxemburgo na UE). 
A taxa de desemprego, que chegou a 9% 
após a crise global de 2008, caiu a 7,2% em 
setembro deste ano, segundo o último dado 
disponível. 
Apesar do quadro favorável, um relatório da 
Comissão Europeia (o braço executivo da UE) 
divulgado no início do mês adverte que o país 
não passará totalmente incólume à crise na zona 
do euro. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 59 
 
 
 
Novo tratado do euro tem participação de 23 países da UE 
 
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou na madrugada 
desta sexta-feira (9) que pelo menos 23 países da União Europeia (UE) 
farão parte do tratado intergovernamental para reforçar o euro. Reino 
Unido e Hungria, porém, informaram que não estão interessados no 
acordo, enquanto Suécia e República Tcheca disseram que deverão 
consultar seus Parlamentos. 
Após mais de 10 horas de reunião, em Bruxelas, os líderes europeus 
se comprometeram a adotar um novo pacto fiscal com regras mais rígidas. 
Além disso, ficou acertado adiantar em um ano a entrada em vigor do 
fundo de resgate permanente e a adição de 200 bilhões de euros às 
reservas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar as nações 
em crise. 
 
'Elementos chave' 
 
Para a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, os países da zona 
do euro deram uma resposta a três "elementos chave" da crise da dívida 
europeia. "Os países-membros que farão parte do novo tratado decidiram 
sobre três componentes principais: a união fiscal, a aceleração da 
implementação do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla 
em inglês) e a adição de US$ 270 bilhões às reservas do FMI, recursos a 
serem confirmados dentro de dez dias", afirmou Lagarde. O ESM é o 
mecanismo de resgate permanente. 
O tratado intergovernamental deve estar concluído em março, 
informou o presidentefrancês. "Preferíamos um tratado com os 27 países 
do bloco, mas não foi possível devido a nossos amigos ingleses", disse 
Sarkozy. 
 
Sem Reino Unido 
 
O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, surgiu como 
protagonista - acompanhado pela Hungria -, ao exigir a inclusão de um 
protocolo para exonerar o Reino Unido de algumas normas sobre a 
regulação dos serviços financeiros. "Cameron pediu o que todos 
considerávamos inaceitável", disse Sarkozy. "Aceitar essa reivindicação 
do Reino Unido seria duvidar de uma grande parte do trabalho feito (na 
UE) para a regulação deste setor", insistiu. "Se não podemos obter 
salvaguardas, é melhor ficar de fora", afirmou Cameron, pressionado pela 
ala mais eurocética de seu partido. "Foi uma decisão difícil, mas boa", 
declarou Cameron, que responsabiliza a zona do euro, principal sócio 
comercial de Londres, pelos males da economia britânica. 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 60 
Parlamento grego aprova plano de austeridade e resgate financeiro 
O Parlamento grego aprovou no dia 12 de fevereiro de 2012 o plano 
econômico de austeridade solicitado pelos credores do país com o qual se ativará 
o resgate financeiro e sua manutenção na Zona Euro. 
Pouco antes da votação crucial para o país e a Zona Euro, o primeiro-ministro 
grego, Lucas Papademos, disse que os deputados gregos "assumirão sua 
responsabilidade" e "definirão a escolha mais importante" para a Grécia, que é 
"avançar com a Europa e a moeda única". "A violência e a destruição não têm 
lugar em uma democracia", completou o premiê. 
Cerca de 100.000 pessoas, segundo a polícia, protestaram neste domingo em 
Atenas (80.000) e Tessalônica (20.000) contra o novo plano de ajuste ditado por UE 
e FMI. 
O plano aprovado pelos deputados prevê um pacote de medidas de 
austeridade em troca de um novo resgate financeiro do país por parte de seus 
credores institucionais e uma operação de eliminação da dívida por parte dos 
credores privados. 
Na capital seis pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas durante 
confrontos entre forças de segurança e grupos de jovens nas ruas adjacentes à 
praça Sintagma, em frente ao Parlamento, segundo fontes do Ministério da Saúde. 
Os incidentes ocorreram quando um grupo de manifestantes pressionou para 
romper um cordão policial colocado em torno da Assembleia Nacional, e a 
polícia respondeu imediatamente lançando bombas de gás. 
O líder francês rejeitou, porém, que esteja 
havendo uma divisão na UE. "Estamos 
tentando salvar nossa moeda e nos acusam de 
fazer uma Europa de duas velocidades'. 
 
Governo da zona do euro 
 
A chanceler alemã, Angela Merkel, 
celebrou o "bom resultado" do encontro, que 
segundo ela permitirá ao euro restaurar sua 
"credibilidade", bem como o presidente do 
Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, 
considerou que o acordo "se aproxima bastante 
de um bom pacto fiscal e certamente ajudará 
na situação atual". 
Entre outros detalhes, o tratado expressará 
de forma "clara e definitiva" o fim da 
participação privada nas eventuais 
reestruturações da dívida soberana. 
Além disso, haverá um governo da zona 
do euro, integrado por chefes de Estado e de 
governo, que se reunirá todos os meses 
durante a crise. 
 
 
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Os manifestantes se dirigiram então para as ruas adjacentes, rapidamente 
convertidas em campos de batalha, e lançaram pedras e bombas de coquetéis 
molotov contra as forças de segurança. Os confrontos se prolongaram durante 
mais de duas horas no centro da capital. Um imóvel de um andar, sede de uma 
loja de cristais de luxo, foi incendiado no centro de Atenas. Outros 10 edifícios 
vazios estavam em chamas por conta do lançamento de coquetéis molotov, 
segundo os bombeiros. 
Os manifestantes se dirigiram à Praça Sintagma pela tarde, convocados pelas 
duas grandes centrais sindicais do país, a GSEE para o setor privado, e Adedy, do 
público, assim como pela esquerda radical, para protestar contra o plano de 
ajuste. 
"Não é fácil viver nestas condições. De agora até 2020 seremos escravos dos 
alemães", disse à AFP Andréas Maragoudakis, engenheiro de 49 anos. Mais cedo, 
o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse que a Grécia espera 
lançar "antes de 17 de fevereiro" a oferta pública a seus credores privados para a 
reestruturação de sua dívida, caso contrário ficaria exposta à quebra. 
"Antes do domingo à noite, o parlamento deve ter adotado o novo programa 
de austeridade" ditado pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário 
Internacional (FMI) para que o país possa receber o visto positivo do Eurogrupo na 
quarta-feira para o desbloqueio do segundo plano de resgate, afirmou o ministro 
no início do debate parlamentar sobre este plano de medidas. 
"Caso isso não aconteça antes de 17 de fevereiro, não poderemos lançar 
oficialmente a operação de troca de títulos" para que haja o perdão de 100 
bilhões da dívida grega. "E não poderemos solucionar o problema do reembolso 
das obrigações que serão finalizadas entre 14 e 20 de março", em um montante 
total de 14,5 bilhões de euros, completou. O descumprimento dos prazos e a 
consequente quebra do país geraria uma Grécia sem sistema bancário, afirmou 
Venizelos com a voz tensa antes de ser interrompido pelas vaias da oposição 
comunista, a qual o ministro acusou de levar o país à "catástrofe". 
 
 
 
 
União Europeia: Croácia entra em 2013, mas Suécia corre risco de 
sair 
 
 
A Croácia será o 28º membro da União Europeia. O país assinou, 
nesta sexta-feira, o tratado de adesão ao bloco econômico em cerimônia 
realizada em Bruxelas, Bélgica. 
Antigo estado da ex-Iugoslávia, a Croácia tem sofrido reformas 
econômicas e democráticas que vão possibilitar sua aceitação no grupo 
em 2013. A esperança é que a adesão estimule outros países dos Bálcãs 
a acelerarem o processo de democratização nas regiões marcadas por 
conflitos étnicos desde a década de 90. Segundo o presidente da União 
Europeia, Herman Von Rompuy, a Croácia é "pioneira" e o "futuro dos 
Bálcãs ocidentais está na União Europeia”. 
 
 
Atualidades 
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CRESCE NA ESPANHA A REVOLUÇÃO DOS INDIGNADOS 
 
O movimento que iniciou no dia 15 de maio, chamado 15-M ou a “revolução 
espanhola”, cresceu às vésperas do dia 20 de maio, com enorme participação 
popular com panelas e colheres nas mãos. Multidões se reuniram em dezenas de 
cidades de todo o país para exigir a mudança de um sistema que consideram 
injusto. A revolta crescia a cada hora. Começou com uma convocatória nas redes 
sociais e internet para repudiar a corrupção endêmica do sistema e a falta de 
oportunidades para os mais jovens. 
A Revolução dos Indignados acusa, pela situação atual, o FMI, a OTAN, a 
União Europeia, as agências de classificação de risco, o Banco Mundial e, no caso 
da Espanha, os dois grandes partidos: PP e PSOE. 
A adesão foi assinada no mesmo dia em 
que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, 
anunciou novo tratado para participação de, no 
mínimo, 23 países da UE com o objetivo de 
reforçar o euro. Fora do tratado, estão Reino 
Unido e Hungria, que não se interessam pelo 
acordo, além da República Tcheca e Suécia, 
que ficaram de consultar os Parlamentos. 
O premiê sueco, Fredrik Reinfeldt, porém, 
não descartou a possibilidade do país 
abandonar o bloco. 
 
 
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A Junta Eleitoral Central da Espanha proibiu em todo o país qualquer 
manifestação desde a zero hora do dia 20 de maio até às 24 horas do dia 21 do 
mesmo mês, dia das eleições municipais, em uma clara alusão às mobilizações do 
movimento cidadão Democracia Real Já que, desde o dia 15 de maio promovem 
os repúdios ao modelo político e econômico vigente, que já se espalharam em 
escala nacional. 
Alfredo Peréz Rubalcaba, ministro do Interior, declarou que o governo só 
esperava o pronunciamento da junta eleitoral para decidir se ordena à polícia 
dispersar os manifestantes. Enquantoisso, milhares de cidadãos indignados na 
Porta do Sol, em Madri, na Praça da Catalunha, em Barcelona, na Praça do Pilar, 
em Zaragoza, e no Parasol da Encarnação, em Sevilla, entre outras, voltaram a 
romper o cerco policial e, uma vez mais, repudiaram a política, banqueiros e 
empresários. 
No quinto dia de mobilizações a afluência aumentou sensivelmente, sobretudo 
em Madri e Barcelona, onde dezenas de milhares entoaram palavras de ordem 
durante horas. Uma delas advertia: se vocês não nos deixam sonhar, nós não os 
deixaremos dormir. 
Os manifestantes desenvolveram métodos de organização através de 
comissões por setores – saúde, alimentação, meios de comunicação, etc. -, que 
decidem cada atividade. Nas assembleias gerais decidia-se a estratégia e 
buscava-se uma mensagem política unificada que mostrassem as principais razões 
de descontentamento e protesto. 
Apesar das proibições feiras pela Justiça, as mobilizações foram mantidas até o 
dia das eleições. 
Após observar que as manifestações não cessariam, a Junta Eleitoral Central 
declarou ilegais as concentrações, ao considerar que elas não se ajustam à lei 
eleitoral e excedem o direito de manifestação garantido constitucionalmente. De 
fato, desde o início da semana, todas as mobilizações, concentrações e marchas 
da “revolução espanhola” foram declaradas ilegais pela Junta Eleitoral de Madri. 
Em resposta, o número de indignados se multiplicou. 
Depois de conhecer a decisão da Junta Eleitoral Central, o movimento 
cidadão decidiu simplesmente manter o acampamento, ao mesmo tempo em 
que ecoou um grito unânime: não nos tirarão daqui, vamos ganhar esta 
revolução. Em seguida, foi lido o manifesto original do movimento em uma dezena 
de idiomas. O texto aponta a classe política e os meios de comunicação 
eletrônicos como os grandes aliados dos agentes financeiros, os causadores e 
grandes beneficiários da crise. Advertem que é preciso um discurso político capaz 
de reconstruir o tecido social, sistematicamente enfraquecido por anos de 
mentiras e corrupção. “Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos 
majoritários, mas isso não equivale a perder nosso sentido crítico. Não tememos a 
política. Tomar a palavra é política. Buscar alternativas de participação cidadã é 
política”. 
 
 
 
 
Atualidades 
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A reação da direita 
 
O líder do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que é preciso escutar e 
ter sensibilidade porque há razões para a expressão desse descontentamento e 
dessa crítica. O líder da Esquerda Unida, Cayo Lara, defendeu o fim da submissão 
e do bipartidarismo, propiciado pela atual lei eleitoral. 
Mas o setor duro da direita política e midiática reclamou com insistência a 
atuação policial para acabar com todas as mobilizações, sobretudo na Porta do 
Sul, e pediu inclusive ao Ministério do Interior para que adotasse meios violentos 
para assegurar esse fim. Uma das imagens do dia foi a do ex-ministro da Defesa 
durante o governo de José María Aznar, Federico Trillo, insultando com o dedo um 
grupo de cidadãos da revolução dos indignados. 
As desqualificações mais fortes vieram, porém, dos meios de comunicação 
conservadores e da televisão pública de Madri, que acusaram o movimento de 
ser comunista, socialista, antissistema e de ter relação com o ETA. Um dos 
ideólogos da direita, César Vidal, foi mais além e depois de chamar, 
depreciativamente os manifestantes de “perroflautas” (tribo urbana também 
conhecida como ‘pés pretos’, formada por punks, anarquistas, hippies e ‘gente 
desocupada’), assegurou que estes jovens mantém contato regular com o 
Batasuna-ETA e que receberam cursos de guerrilha urbana, da Segi (organização 
de juventude da esquerda basca). 
 
NAFTA 
 
Em 1993, foi ratificado um acordo de livre-comércio que une os três países da 
América do Norte – Estados Unidos, Canadá e México. 
Os desníveis das economias desses integrantes do Nafta são significativos. A 
economia norte-americana é a mais poderosa do mundo; o Canadá, embora 
apresente uma economia diversificada e desenvolvida, depende muito dos 
investimentos e do capital dos EUA. 
Por mais estranho que pareça, a explicação para a presença mexicana nesse 
bloco econômico é simples: além de mercado ativo, o México é grande produtor 
de petróleo, fonte de energia vital para as duas economias, e fornece mão de 
obra barata e abundante para a qualificada economia americana. 
Acordos comerciais têm incentivado investimentos americanos em território 
mexicano. Essa ação visa a geração de empregos para tentar barrar o intenso 
fluxo migratório ilegal mexicano e facilitar a instalação de unidades fabris 
americanas do outro da fronteira, com a finalidade de obter produções a custos 
menos, que serão totalmente absorvidas pelo mercado dos Estados Unidos. 
Atualidades 
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Os EUA pretendia implementar a ALCA (Área de Livre comércio das Américas), 
que englobaria todos os países americanos, exceção feita a CUBA, por viver sob 
uma ditadura. A ALCA alargaria o comércio dos EUA para toda a América, 
concorrendo diretamente com os produtos nacionais. Brasil e Argentina não 
concordaram com a proposta norte-americana, e a ALCA não vingou. O 
resultado foi a intensificação de acordos bilaterais com diversos países centro e 
sul-americanos, como Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica, etc. 
ALTENATIVAS LATINO-AMERICANA 
EM MEIO ÀS DIFICULDADES DA ALCA, PROJETO ESTRATÉGICO DE 
WASHINGTON, AVANÇAM O MERCOSUL EXPANDIDO E A ALBA (ALTERNATIVA 
BOLIVARIANA PARA A AMÉRICA) - POSSÍVEIS EMBRIÕES DE UM COMÉRCIO 
INTERNACIONAL DE NOVO TIPO. Configurou-se um enfrentamento entre a 
integração latino-americano e a ALCA, na verdade ferramenta para 
consolidação da hegemonia norte-americana. 
Entre as regiões do mundo vítimas das políticas neoliberais, a América Latina 
ocupa um lugar de destaque. Nenhum dos projetos de integração regional 
escapou de seus efeitos destrutivos. As medidas de liberalização comercial e 
financeira aceleraram o controle do mercado interno de cada país pelas 
multinacionais norte-americanas e européias. Estas medidas também acentuaram 
a dependência das economias regionais em relação aos mercados externos. 
No entanto, ao mesmo tempo em que os países da Europa e da América do 
Norte perseguiam seu processo de integração, projetos similares se desenvolviam, 
particularmente na América do Sul. Eles procuravam proteger, ainda que de 
maneira mínima, as economias da região das conseqüências negativas da 
globalização. Nas décadas de 1980 e 90, sugiram dois projetos antagônicos: o 
Mercosul, integrado inicialmente pelo Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai; e 
o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que reuniu EUA, 
Canadá e México. 
Washington tinha a ambição de estender o Nafta ao resto do continente. 
Quase no momento em que o bloco foi formalizado, e em que o Chile foi 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 66 
apresentado como o primeiro candidato a se integrar a ele, a crise mexicana de 
1994 levou o Congresso dos EUA a não oferecer à Casa Branca o chamado "fast 
track" ("via rápida). Ela dá ao Executivo o direito de negociar acordos comerciais 
com outras nações, limitando os poderes do Legistivo a aceitar ou rejeitar, em 
bloco, eventuais tratados. 
Com o ingresso da Venezuela e Bolívia no Mercosul, começa a se dissipar a 
dualidade entre este bloco e a Comunidade Sul-americana de Nações. 
 
Nascimento e declínio da ALCA 
O governo norte-americano teve, então que apelar para um projeto que 
havia ficado na gaveta: a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). 
Configurou-se assim um campo de enfrentamento entre um projeto de integração 
latino-americano e outro do conjunto do continente, em que a diferença - 
substancial - era a participação dos EUA nesta última. Representando 70% do PIB 
do total dos países, eles transformavam a ALCA em ferramenta de consolidação 
de sua hegemonia, jamais em processo de integração. 
Eram temposde extensão quase que ilimitada dos modelos neoliberais, dos 
quais a ALCA seria o complemento funcional. Essa tendência foi fortalecida com a 
crise brasileira de 1999, em que a brusca e grande desvalorização da moeda 
brasileira afetou diretamente a balança comercial com a Argentina, golpeando 
diretamente os graus de integração logrados no Mercosul. 
No entanto, paralelamente foi se intensificando uma tendência nova: a vitória 
e evolução ideológica de Hugo Chavez na Venezuela, a chegada ao poder de 
Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, de Nestor Kirchner, em Buenos Aires, e, mais 
tarde, de Tabaré Vázquez, em Montevidéu. 
A Venezuela, especialmente depois da vitória de Chávez sobre a oposição, no 
referendo revogatório de 15 de agosto de 2004, conquistou um espaço importante 
e se aproveitou para oxigenar o processo de integração. Este se deu, por um lado, 
através da constituição de uma espécie de coordenação da integração, entre os 
presidentes do Brasil, da Argentina e da Venezuela - as três principais economias 
da América do Sul. Esta coordenação promoveu reuniões setoriais entre ministros 
do setor energético, do de políticas sociais e da área econômica. Diversos 
acordos form firmados, sobre temas de comécio, energia e defesa. Para ficar 
apenas num exemplo, Chávez anunciou, em 2004, que a Venezuela, que importa, 
para sua indústria petroleira, 5 bilhões de dólares de bens e serviços nos Estados 
Unidos, realizaria, a partir de então, 25% destas compras no Brasil e Argentina. Ao 
fazê-lo, conquistou aliados de circunstância nestes dois países, ainda que as 
opções destes difiram sensivelmente de sua perspectiva radical. 
A ALBA BASEIA-SE NA MONTAGEM DE MECANISMOS PARA CRIAR 
VANTAGENS COOPERATIVAS - AO INVÉS DAS SUPOSTAS "VANTAGENS 
COMPETITIVAS", PARADIGMA DAS TEORIAS NEOLIBERAIS Mercosul ampliado e 
Comunidade Sul-americana 
Ao final de 2005, a Venezuela ingressou como membro pleno do Mercosul. Após a 
vitória eleitoral de Evo Morales em La Paz, o coordenador geral do bloco, o 
argentino Chacho Alvarez, anunciou que proporia o ingresso da Bolívia, na mesma 
condição. Começava assim a se dissipar a dualidade entre o Mercosul e a 
Atualidades 
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Comunidade Sul-americana de Nações. Nascida por iniciativa do Brasil, em 8 de 
dezembro de 2004, em Cuzco (Peru), esta era vista com reservas pelo governo de 
Kirchner, que se inclina pela expansão do Mercosul como prioridade. Foi em 
Cuzco, durante o encontro, que Chávez, em seu linguajar cheio de imagens, 
sugeriu uma consigna: "A política como locomotiva, o social como bandeira, o 
econômico como trilho e a cultura como combustível". 
Ao mesmo tempo, o governo venezuelano multiplicou iniciativas setoriais - 
como a Petrosul, a TVSul, a PetroCaribe, entre outros - e desenvolveu uma 
iniciativa estratégica de alianças com Cuba - a chamada Aliança Bolivariana 
para as Américas. Em documento assinado em abril de 2005, em Havana, os 
governos de Cuba e da Venezuela lançam uma modalidade superior de 
integração, entre economias que podem partir de um nível superior de 
identificação, sobretudo a partir do momento - em janeiro de 2005, no Fórum 
Social Mundial de Porto Alegre, em que Hugo Chavez anunciou a adesão de seu 
governo ao que chama de "socialismo do século XXI". 
A ALBA é uma proposta de integração que se fundamenta na montagem de 
mecanismos para criar vantagens cooperativas - no lugar das supostas "vantagens 
competitivas", paradigma das teorias neoliberais de comércio internacional. Já as 
vantagens cooperativas procuram reduzir as assimetrias existentes entre os países 
do continente. Elas apóiam-se em mecanismos de compensação, a fim de corrigir 
as disparidades de níveis de desenvolvimento entre os países da região. Têm na 
Venezuela e em Cuba seus grandes motores: a primeira com os recursos do 
petróleo, a segunda principalmente com os recursos de educação, saúde e 
esportes. 
CADA PAÍS OFERECE O QUE PODE PRODUZIR EM BOAS CONDIÇÕES, E 
RECEBE, EM CONTRAPARTIDA, AQUILO QUE PRECISA, INDEPENDENTEMENTE DOS 
PREÇOS NO MERCADO MUNDIAL. 
 
ALBA, contraponto ao "livre" comércio 
A ALBA pretende ser o contraponto da ALCA. Pretende integrar economias 
dissímiles desde baixo, envolvendo a todos os atores econômicos e sociais - como 
cooperativas, pequenas empresas, empresas públicas, empresas privadas 
grandes, médias e pequenas -, priorizando o atendimento de problemas essenciais 
para a massa da população, como alimentação, moradia, indústria e meio 
ambiente. Enquanto que a ALCA não diferencia entre países grandes e pequenos, 
entre países com grandes recursos naturais, financeiros, energéticos e os outros, 
acentuando mecanismos em que ganham os mais fortes - neste caso, os EUA. 
Além disso, a ALCA pretende impor aos paises critérios de segurança jurídica que 
favorecem as grandes corporações multinacionais, não se dispondo a atender aos 
paises mais fracos. 
A ALBA não subsidia, mas fomenta créditos, máquinas e tecnologias para 
empresas recuperadas, fábricas abandonadas em mãos dos seus trabalhadores, 
cooperativas, comunidades de pequenos produtores - industriais, de comércio ou 
de servicios -, empresas públicas. A ALBA recebe o apoio dos Estados em créditos, 
assistência técnica e jurídica, marketing e comércio internacional, enquanto a 
Atualidades 
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ALCA deixa tudo entregue às forças que dominam o mercado e as possibilidades 
financeiras dos grandes agentes econômicos. 
Em abril de 2005, dezenas de acordos foram firmados entre Caracas e Havana. 
Neste momento, decidiu-se criar, na Venezuela, 600 centros de diagnóstico 
integral de saúde, 600 creches e 35 centros de alta tecnologia, para assegurar ao 
conjunto da população o acesso gratuito à medicina e saúde. Também se 
decidiu a formação, por Cuba, de 40 mil médicos e 5 mil especialistas em 
tecnologias da saúde latino-americanos - além de 10 mil médicos e enfermeiros 
venezuelanos. Prosseguiu a operação "Milagre", que já permitiu a milhares de 
venezuelanos recuperar plenamente a visão, graças a uma intervenção cirúrgica 
(operação de catarata) realizada em Cuba. Ampliada para toda América latina, 
esta operação poderia ter até 100 mil beneficiários - 800 uruguaios foram os 
primeiros. 
PELA PRIMEIRA VEZ, UM CHEFE DE ESTADO CHILENO FOI CONVIDADO À 
POSSE DE UM PRESIDENTE BOLIVIANO - E ACEITOU COMPARECER ·. 
Uma seqüência de acordos latino-americanos 
De sua parte, a Venezuela decidiu abrir em Havana uma agência da empresa 
petroleira nacional (PDVSA) e uma sucursal do Banco Industrial da Venezuela. Os 
dois governos concederam preferências aduaneiras recíprocas para suas trocas 
comerciais. Cuba decidiu adquirir 412 milhões de dólares em produtos 
venezuelanos, o que poderia suscitar a criação de dezenas de milhares de 
empregos no país parceiro. 
Se o "eixo estratégico" Caracas-Havana é alvo de críticas entre setores 
conservadores, inconformados por ver Cuba sair de seu isolamento, o 
desenvolvimento destas políticas de saúde é acompanhado com grande interesse 
pelo conjunto dos movimentos sociais do continente. Estas trocas constituem bons 
exemplos de comércio "justo": cada país oferece o que está pode produzir em 
boas condições, e recebe, em contrapartida, aquilo que precisa, 
independentemente dos preços no mercado mundial. 
Trata-se de uma visão radicalmente diferente da que prevalece nos acordos 
bilaterais firmados por Washington com os países do continente - América Central, 
Chile, Uruguai, Peru e, em breve, Colômbia -, cujo resultado é acentuar as 
desigualdades, e graças aos quais os EUA, por seu peso determinante, consolidam 
posições que já lhes são estruturalmente favoráveis. 
Antes mesmo de sua posse em La Paz, no último 22 de janeiro, o novo 
presidente da Bolívia, Evo Morales, começou por Havana e Caracas uma viagem 
ao exterior que poderia abrir caminha a uma integração da Bolívia à ALBA. Algum 
tempo antes, havia sido criada a Petrocaribe, empresa destinada a oferecer a 
onze paísesda região petróleo a preços reduzidos e com facilidades de 
pagamento. Esta iniciativa do governo de Chávez procurava permitir aos países 
da região precaver-se contra a volatilidade e a escalada de preços do petróleo 
no mercado internacional, livrando-os parcialmente da pressão exercida por 
Washington para impor acordos bilaterais. 
Ainda em estado embrionário, e sem prejulgar seu sucesso, a ALBA é uma 
tentativa ambiciosa de integração regional que escapa às lógicas de mercado. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 69 
Não faltarão dificuldades, porque o objetivo é envolver países como Argentina, 
Brasil e Uruguai; provavelmente o México e talvez o Peru. As economias destes 
países são dominadas por empresas multinacionais, muito mais interessadas em 
manter sua fatia no mercado norte-americano e europeu que em um tipo de 
integração que pode privá-las deste privilégio. 
Os presidentes destas nações já enfrentam grandes dificuldades para avançar 
nos marcos bem menos ambiciosos do Mercosul. São prova os conflitos entre 
setores patronais do Brasil e Argentina, que sabotam o processo de integração. Na 
verdade, a ALBA só pode se realizar entre governos decididos a desenvolver um 
projeto estratégico de grandes transformações estruturais internas, de maneira que 
as decisões que tomam envolvam efetivamente a economia de seus países. 
Reconciliar "irmãos inimigos"? 
Ainda assim, algumas iniciativas emergem, preliminares de uma aliança entre 
países do continente. Como exemplos (não exaustivos), Chávez confirmou o 
investimento de 600 milhões de dólares da PDVSA no Uruguai, onde a empresa 
petroleira venezuelana trabalhará com sua homóloga, ANCAP, especializada em 
refino de óleo. Um acordo entre Caracas e Brasília permitirá a construção de uma 
importante refinaria no Nordeste brasileiro. Reunidos em 18 de janeiro, os 
presidentes Kirchner e Lula examinaram o projeto de construção de um oleoduto 
que, partindo da Venezuela, chegaria até a Argentina, passando pelo território 
brasileiro. A criação de uma grande companhia petroleira sul-americana, Petrosul, 
talvez não seja apenas um sonho. 
A Telesur já funciona. Tendo como acionistas Argentina, Cuba, Uruguai e 
Venezuela, esta cadeia de televisão procura fornecer informação lationo-
americana fora dos padrões das TVs privadas e da influência midiática vinda do 
Norte. 
Quem sabe se esta esquerda, em sua multiplicidade e diferenças, não é capaz 
de conciliar "irmãos inimigos"? Brasília tem excelentes relações com Santiago, mas 
também com Caracas - cujo presidente, Chávez, mantém laços estreitos com Evo 
Morales. Nos últimos dias de seu mandato, o presidente do Chile, Ricardo Lagos, 
aceitou participar da posse de Morales, em 22 de janeiro. Os dois países são 
protagonistas de uma das mais antigas disputas territoriais da América do Sul. Foi a 
primeira vez em que um chefe de Estado chileno foi convidado à posse de um 
presidente boliviano. 
Emir Sader, 
Le Monde Diplomatique, Edição brasileira, ano 7 número 73 
APEC 
 
Em 1993, surgiu a Cooperação da Ásia e do Pacífico, um bloco econômico 
regional, com o intuito de criar uma zona de livre=comércio entre os 21 países que 
a compõem até o ano de 2020. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 70 
Reúne cerca de 60% do PIB mundial. Conta com cerca de 2,7 bilhões de 
pessoas e um PIB de 31,7 trilhões de dólares. O volume das exportações move uma 
receita de aproximadamente 5,3 trilhões de dólares e nas importações o volume 
atinge cifras de cerca de 3,1 trilhões de dólares. APEC é um bloco econômico 
regional que pretende implantar a livre-circulação de mercadorias, capitais e 
serviços entre os estados-membros e poder concorrer com a União Européia. 
ASEAN 
A Associação das Nações do Sudeste Asiático foi criada em 1967 para 
fortalecer o desenvolvimento e a estabilidade dos países da região, área onde se 
desenvolvia a Guerra do Vietnã; A ASEAN é formada por 10 países, sendo a maior 
parte pertencente aos Tigres Asiáticos. Segundo o banco mundial, em 2004 esses 
países cresceram 5,7%, e junto com a China, que cresceu 9,0%, formam o motor 
econômico do planeta. Os líderes respeitaram o principio da ASEAN de não 
interferir em assuntos internos e evitaram falar dos conflitos do Sudeste Asiático, 
apesar de reconhecerem que sem estabilidade política não há desenvolvimento. 
 
TIGRES ASIÁTICOS 
Mais de uma década depois de seu modelo de crescimento inspirado pelo 
Japão naufragar, os Tigres Asiáticos se engatam à locomotiva chinesa para trilhar 
um novo caminho de crescimento, sustentado, desta vez, pelo comércio com 
outros grandes mercados emergentes. Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong e 
Taiwan se descolaram dos japoneses, que enfrentam anos a fio de estagnação, 
para se atrelar à segunda maior economia do mundo. 
Esse grupo de nações ainda promissoras apresenta expansão média de 4%, 
menos da metade das taxas de China e da Índia. A volta aos espetaculares 
índices de expansão registrados no fim do século passado continua limitada a 
uma histórica dependência das vendas externas, prejudicadas após a crise global. 
Além de se beneficiar das trocas comerciais com a China, os tigres 
começaram a repetir seu comportamento controverso na arena mundial. “A 
novidade é que os Tigres Asiáticos passaram a adotar, nos últimos anos, as práticas 
de comércio desleais largamente usadas pela China”, comenta Josefina Guedes, 
consultora de comércio internacional. 
Ela explica que os quatro têm peculiaridades, a exemplo da agressividade das 
marcas próprias de Coreia e Taiwan no mercado externo. Apesar disso, “todos 
reagiram juntos à onda protecionista pós-crise de 2008 e estão sintonizados com o 
dragão chinês”. 
Os tigres ampliaram as trocas comerciais e a articulação produtiva com a 
China. O objetivo é manter a atividade das fábricas em nível elevado e aproveitar 
a ascensão dos novos consumidores. “Tal qual os norte-americanos e 
diferentemente dos japoneses, os chineses não têm compromissos com a 
economia mundial. 
Para atingir seus alvos, lançam mão de fraudes e dumping”, afirma Josefina. 
Ela lembra que, como gigantescos entrepostos, Cingapura e outros países 
asiáticos ajudam Pequim a driblar barreiras erigidas pelos competidores. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 71 
Crise asiática 
 
Somadas, as economias dos quatro correspondem ao tamanho da brasileira, 
com um Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas geradas) de US$ 2,2 trilhões. 
Mas as semelhanças com o líder da América do Sul acabam aí. Os tempos 
mudaram. Até os anos 1990, os tigres representavam o melhor exemplo de 
economias emergentes. Os frutos de seu espetacular desempenho comercial, 
influenciado pelo sucesso japonês, acabaram sucumbindo à crise asiática, de 
julho de 1997, que derrubou bolsas de valores mundo afora. Em menos de um ano, 
investidores sacaram US$ 200 bilhões aplicados na Ásia, levando à quebradeira 
generalizada de empresas e à recessão. 
A China foi a única a passar ilesa ao primeiro grande abalo da globalização, 
quando se acelerava a maior abertura econômica da história. Apesar do colapso, 
a renda per capita na Ásia pulou de US$ 424 para mais de US$ 1 mil entre 1990 e 
2004. Guiados hoje pelo farol chinês, esses territórios e países tentam ampliar 
presença no comércio global com venda crescente de artigos industrializados 
baratos e de alta tecnologia. Dois deles têm laços históricos com a China: depois 
de um período de domínio inglês, Hong Kong é hoje parte do gigante asiático, 
mas mantém instituições políticas e econômicas capitalistas. Taiwan é tida pelo 
governo chinês como uma província rebelde. 
A expressão “tigre” já foi sinônimo de economia regional com crescimento 
acelerado e voltada à exportação. Com mão de obra qualificada e barata, 
excelente infraestrutura logística de portos e capacidade de produzir quase todo 
tipo de artigo industrializado para exportar, sua força é proporcional à demanda 
externa. Os integrantes da grife oferecem incentivos fiscais a multinacionais,mas 
ainda deixam de apostar no consumo doméstico. Outro ponto em comum está na 
prioridade à educação como meio de aumentar a produtividade, fato sempre 
destacado em estudos e fóruns internacionais. 
 
MERCOSUL 
O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) foi criado em 1991 por meio do Tratado 
de Assunção, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A Venezuela que 
aderiu, em 2006, ao Protocolo de Adesão da República Bolivariana da Venezuela 
ao MERCOSUL. 
 Esse bloco econômico tem por objetivo principal o estabelecimento de um 
mercado comum, o que significa, na prática, a construção de um espaço 
econômico comum entre os países que o compõem. 
O MERCOSUL é hoje uma realidade econômica de dimensões continentais. As 
origens do MERCOSUL remontam à crise das economias argentina e brasileira de 
meados da década de 1980, quando elas encontravam-se altamente 
endividadas, estagnadas e com dificuldades de atrair capitais produtivos 
internacionais, correndo o risco de ver o sucateamento de seus parques industriais, 
principalmente na questão da renovação tecnológica e, assim, perder 
competitividade nas exportações. Nesse quadro, os países iniciaram políticas de 
abertura e aproximação econômica e comercial, com o objetivo de juntar forças 
em um mercado internacional altamente concorrencial. A incorporação do 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 72 
Uruguai e do Paraguai ampliou possibilidade de cooperação econômica, 
embora a sustentação dessa relação estivesse com Brasil e Argentina, as 
economias, mais fortes do bloco. 
A união entre os países prevê a instauração de uma política de alíquotas para 
importação comum de não membros, ou seja, a união alfandegária que se baseia 
na TEC – tarifa externa comum – e a isenção de tarifas alfandegárias entre os 
países membros. 
Outros países sul-americanos manifestaram interesse em integrar o bloco. Chile 
e Bolívia assinaram tratados e tornaram-se membros associados ao MERCOSUL, 
mas ainda não foi estendida a eles a política aduaneira re as relações comerciais 
entre os países membros. 
 
 
 
 
No Uruguai, Chávez volta a pleitear entrada da Venezuela no 
Mercosul 
 
Entrada da Venezuela no bloco está emperrada no Parlamento 
paraguaio. 
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a insistir, em 
Montevidéu, na entrada de seu país no Mercosul como membro 
pleno do bloco, algo que já está em negociação desde 2006 e que 
depende da aprovação do Parlamento paraguaio. 
O tema é um dos assuntos centrais da Cúpula de Presidentes 
do Mercosul, que ocorre na capital uruguaia. 
Já de manhã, antes mesmo da abertura oficial da cúpula, 
Chávez disse aos jornalistas que "unir o Rio da Prata ao Orinoco é 
o que queremos". 
"Já somos quase 30 milhões de habitantes (na Venezuela), e é 
aos países pequenos que mais vai beneficiar a entrada da 
Venezuela como membro pleno do Mercosul. Nosso norte é o sul", 
disse o venezuelano. 
O Mercosul tem como Estados plenos Argentina, Brasil, 
Uruguai e Paraguai. Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru são 
membros associados. O Peru também estuda a entrada plena ao 
bloco. A adesão venezuelana ao Mercosul foi autorizada há cinco 
anos, mas permanece emperrada no Legislativo paraguaio. 
O presidente do Uruguai, José Mujica, pede que a entrada de 
Caracas seja acelerada por uma "revisão dos critérios" do bloco. 
Mas a declaração foi vista por críticos como um atropelamento do 
tratado original do Mercosul, que prevê a adesão de novos 
membros somente após decisão unânime dos Executivos e 
Legislativos dos membros atuais. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 73 
Defesa comercial 
 
Durante a reunião foram discutidos 
mecanismos de defesa comercial a serem 
adotados dentro do bloco para enfrentar a 
crise financeira internacional - como adiantou 
o ministro da Fazenda, Guido Mantega. 
O bloco deve negociar a ampliação da 
lista de produtos importados que podem ser 
sobretaxados, além de discutir divergências 
sobre práticas consideradas protecionistas por 
alguns membros. 
Os países menores - Uruguai e Paraguai – 
frequentemente reclamam de supostas 
barreiras comerciais a seus produtos nos 
mercados maiores, Brasil e Argentina. 
Os Estados-parte também assinarão um 
acordo de livre comércio com a Palestina. O 
instrumento segue os mesmos moldes de 
acordos semelhantes assinados entre o 
Mercosul e Israel, e entre o bloco sul-
americano e o Egito, em 2011. 
O acordo, para abertura de mercados para 
bens, também inclui capítulos sobre medidas 
sanitárias e fitossanitárias (destinadas ao 
controle de pragas agrícolas), cooperação 
técnica e tecnológica, e solução de 
controvérsias. 
A presidente Dilma Rousseff chegou à 
capital uruguaia acompanhada dos ministros 
Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), 
Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e 
Marco Aurélio Garcia (assessor especial para 
assuntos internacionais). 
Mantega e o chanceler Antonio Patriota 
já estão na capital uruguaia. Participam do 
encontro de mandatários também Cristina 
Kircher, da Argentina; Fernando Lugo, do 
Paraguai; e Rafael Correa, do Equador. 
 
20/12/2011 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 74 
AMÉRICA DO SUL E INTEGRAÇÃO REGIONAL 
UNASUL 
A União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) é formada pelos doze países da 
América do Sul. O tratado constitutivo da organização foi aprovado durante 
Reunião Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Brasília, 
em 23 de maio de 2008. Dez países já depositaram seus instrumentos de ratificação 
(Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e 
Venezuela), completando o número mínimo de ratificações necessárias para a 
entrada em vigor do Tratado no dia 11 de março de 2011 
CALC 
Desde meados do século XX, a integração regional consolida-se como 
importante fenômeno internacional. O estreitamento dos laços políticos e 
econômicos entre povos que compartilham herança histórica e vizinhança 
geográfica permite enfrentar melhor os desafios do mundo globalizado. 
CELAC 
A Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos – CELAC foi criada 
na “Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe”, realizada na Riviera 
Maya (México), em fevereiro de 2010, em histórica decisão dos Chefes de Estado 
e de Governo da região. A Cúpula da Unidade compreendeu a II Cúpula da 
América Latina e o Caribe sobre Integração e Desenvolvimento – CALC e a XXI 
Cúpula do Grupo do Rio. 
MERCOSUL 
A Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai assinaram, em 26 de março de 
1991, o Tratado de Assunção, com vistas a criar o Mercado Comum do Sul 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 75 
(MERCOSUL). O objetivo primordial do Tratado de Assunção é a integração dos 
quatro Estados Partes por meio da livre circulação de bens, serviços e fatores 
produtivos, do estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC), da adoção 
de uma política comercial comum, da coordenação de políticas 
macroeconômicas e setoriais, e da harmonização de legislações nas áreas 
pertinentes. Em dezembro de 1994, foi aprovado o Protocolo de Ouro Preto, que 
estabelece a estrutura institucional do MERCOSUL e o dota de personalidade 
jurídica internacional. 
ALADI 
A ALADI é o maior mecanismo latino-americano de integração, composto por 
12 países-membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, 
México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esse conjunto de países totaliza 20 
milhões de quilômetros quadrados e mais de 500 milhões de habitantes. 
Atualmente, a ALADI passa por um processo de expansão para a América Central, 
com a Adesão de Nicarágua e Panamá. 
BRICS 
(BRASIL-RÚSSIA-ÍNDIA-CHINA-ÁFRICA DO SUL) 
 
 
A idéia dos BRICS foi formulada pelo economista-chefe da Goldman Sachs, Jim 
O´Neil, em estudo de 2001, intitulado “Building Better Global Economic BRICs”. 
Fixou-se como categoria da análise nos meios econômico-financeiros, 
empresariais, acadêmicos e de comunicação. Em 2006, o conceito deu origem a 
um agrupamento, propriamente dito, incorporadoà política externa de Brasil, 
Rússia, Índia e China. Em 2011, por ocasião da III Cúpula, a África do Sul passou a 
fazer parte do agrupamento, que adotou a sigla BRICS. 
O peso econômico dos BRICS é certamente considerável. Entre 2003 e 2007, o 
crescimento dos quatro países representou 65% da expansão do PIB mundial. Em 
paridade de poder de compra, o PIB dos BRICS já supera hoje o dos EUA ou o da 
União Européia. Para dar uma idéia do ritmo de crescimento desses países, em 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 76 
2003 os BRICs respondiam por 9% do PIB mundial, e, em 2009, esse valor aumentou 
para 14%. Em 2010, o PIB conjunto dos cinco países (incluindo a África do Sul), 
totalizou US$ 11 trilhões, ou 18% da economia mundial. Considerando o PIB pela 
paridade de poder de compra, esse índice é ainda maior: US$ 19 trilhões, ou 25%. 
Até 2006, os BRICs não estavam reunidos em mecanismo que permitisse a 
articulação entre eles. O conceito expressava a existência de quatro países que 
individualmente tinham características que lhes permitiam ser considerados em 
conjunto, mas não como um mecanismo. Isso mudou a partir da Reunião de 
Chanceleres dos quatro países organizada à margem da 61ª. Assembléia Geral 
das Nações Unidas, em 23 de setembro de 2006. Este constituiu o primeiro passo 
para que Brasil, Rússia, Índia e China começassem a trabalhar coletivamente. 
Pode-se dizer que, então, em paralelo ao conceito “BRICs” passou a existir um 
grupo que passava a atuar no cenário internacional, o BRIC. Em 2011, após o 
ingresso da África do Sul, o mecanismo tornou-se o BRICS (com "s" maiúsculo ao 
final). 
Como agrupamento, o BRICS tem um caráter informal. Não tem um 
documento constitutivo, não funciona com um secretariado fixo nem tem fundos 
destinados a financiar qualquer de suas atividades. Em última análise, o que 
sustenta o mecanismo é a vontade política de seus membros. Ainda assim, o BRICS 
tem um grau de institucionalização que se vai definindo, à medida que os cinco 
países intensificam sua interação. 
Etapa importante para aprofundar a institucionalização vertical do BRICS foi a 
elevação do nível de interação política que, desde junho 2009, com a Cúpula de 
Ecaterimburgo, alcançou o nível de Chefes de Estado/Governo. A II Cúpula, 
realizada em Brasília, em 15 de abril de 2010, levou adiante esse processo. A III 
Cúpula ocorreu em Sanya, na China, em 14 de abril de 2011, e demonstrou que a 
vontade política de dar seguimento à interlocução dos países continua presente 
até o nível decisório mais alto. A III Cúpula reforçou a posição do BRICS como 
espaço de diálogo e concertação no cenário internacional. Ademais, ampliou a 
voz dos cinco países sobre temas da agenda global, em particular os econômico-
financeiros, e deu impulso político para a identificação e o desenvolvimento de 
projetos conjuntos específicos, em setores estratégicos como o agrícola, o de 
energia e o científico-tecnológico. A IV Cúpula será realizada em 29 de março 
próximo, em Nova Delhi. 
Além da institucionalização vertical, o BRICS também se abriu para uma 
institucionalização horizontal, ao incluir em seu escopo diversas frentes de 
atuação. A mais desenvolvida, fazendo jus à origem do grupo, é a econômico-
financeira. Ministros encarregados da área de Finanças e Presidentes dos Bancos 
Centrais têm-se reunido com freqüência. Os Altos Funcionários Responsáveis por 
Temas de Segurança do BRICS já se reuniram duas vezes. Os temas segurança 
alimentar, agricultura e energia também já foram tratados no âmbito do 
agrupamento, em nível ministerial. As Cortes Supremas assinaram documento de 
cooperação e, com base nele, foi realizado, no Brasil, curso para magistrados dos 
BRICS. Já realizaram-se, ademais, eventos buscando a aproximação entre 
acadêmicos, empresários, representantes de cooperativas. Foi, ainda, assinado 
acordo entre bancos de desenvolvimento. Os institutos estatísticos também se 
encontraram em preparação para a II e a III Cúpulas e publicaram uma 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 77 
coletânea de dados, disponível nesse site. Versão atualizada da coletânea foi 
lançada por ocasião da Cúpula de Sanya. 
Em síntese, o BRICS abre para seus cinco membros espaço para (a) diálogo, 
identificação de convergências e concertação em relação a diversos temas; e (b) 
ampliação de contatos e cooperação em setores específicos. 
 
 
VENEZUELA 
 
 
O Hugo Chávez começou sua trajetória política em 1992, quando era coronel, 
e comandou uma tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Carlos 
Andrés Pérez. O movimento foi derrotado, e seus líderes, presos. Contudo, o 
prestígio de Chávez passou a crescer, identificado como defensor da 
independência nacional e dos interesses dos pobres. 
Solto em 1994, conseguiu se eleger presidente em 1998, com 56% dos votos. Ao 
tomar posse, encaminhou a adoção de uma nova Constituição, que reforçou os 
poderes do presidente, cujo mandato passou de cinco para seis anos, com direito 
a reeleição. Com as mudanças, Chávez submeteu-se novamente as eleições, em 
2000, e recebeu 60% dos votos. O presidente adotou então uma política de 
esquerda, entrando em choque com setores conservadores. Iniciou-se uma 
disputa com a oposição, que, entre 2001 e 2002, promoveu três paralisações 
nacionais. Em 2002, uma tentativa frustrada de golpe chegou a afastar Chávez, 
mas a mobilização de setores das Forças Armadas e das camadas mais pobres da 
população o reconduziu ao poder. A oposição então buscou milhões de 
assinaturas para forçar a convocação de um referendo, em 2004, para decidir se 
POLÍTICA INTERNACIONAL 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 78 
o presidente deveria ou não continuar. Depois de uma campanha acirrada, sua 
permanência foi aprovada por quase 60% dos eleitores. 
Socialismo do Século XXI 
Respaldado pelo apoio popular, o presidente viu seus poderes aumentar nas 
eleições legislativas de dezembro de 2005. Os principais líderes da oposição, com 
base em acusações de falta de democracia no processo eleitoral, decidiram 
boicotar o pleito. Com resultado, os partidos de apoio a Chávez ocuparam todas 
as cadeiras do Parlamento. Ao ser reeleito com 63% doso votos, em dezembro de 
2006, conquistou o direito de governar o país até 2011. 
Para Chávez, a Venezuela vive a Revolução Bolivariana – em referência a 
Simón Bolívar (veja a História, ao lado) – e vai implantar o “socialismo do século 
XXI”. Durante o seu governo, realizou a reforma agrária, restringiu a participação 
de multinacionais na exploração de petróleo e autorizou o regime de co-gestão 
entre o Estado e funcionários para reerguer empresas falidas, além de estatizar os 
setores considerados estratégicos pelo governo, como de telecomunicações, 
energia elétrica e indústrias básicas de minerais. 
No caso do petróleo, a estatal Petróleo de Venezuela S.A. (PDVSA) tem pelo 
menos 60% das ações e o controle das operações feitas em colaboração com as 
multinacionais do setor. Chávez anunciou também a ampliação dos Conselhos 
Comunais, organizações similares a associações de bairro, que poderão substituir 
as prefeituras no futuro. 
Petrodólares 
Nas últimas décadas, a economia venezuelana se baseia na exploração das 
reservas de petróleo. Dona da segunda maior reserva mundial de petróleo e 
integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a 
Venezuela tem no “ouro negro” cerca de um terço de seu PIB e 90% de suas 
receitas com exportações. 
Apesar da retórica anti-Estados Unidos de Chávez, a Venezuela depende das 
volumosas compras de petróleo feitas pelos norte-americanos. Ano a ano, porém, 
a quantia importada pelos Estados Unidos da Venezuela vem caindo: 16,1% do 
total importado pelos norte-americanos em 1998, inicio da era Chávez, para 9,1%, 
em 2009. Chávez vem tentando diminuir essa dependência e busca achar novos 
países para exportar sua produção. 
Em razão de queda do preço do petróleo no mercado internacional desde 
2009, a Venezuela enfrenta sérios problemaseconômicos. A redução de receitas 
afeta diretamente os programas sociais de Chávez. A queda atinge também as 
relações externas, que se apóiam na oferta de petróleo barato a países aliados. 
Em abril de 2010, a Venezuela obteve um empréstimo de 20 bilhões de dólares da 
China, em troca de fornecimento de petróleo. O contrato é estratégico, porque o 
mercado chinês pode absorver parte do petróleo atualmente vendido aos EUA. 
Nacionalismo 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 79 
Com freqüência, a imprensa refere-se a Hugo Chávez como um “populista”, 
palavra que pode ter vários sentidos. Em sua origem, populista costumava ser o 
governante carismático, que exercia o poder numa relação direta com a 
população, quase sem intermediação de partidos políticos. 
Chávez também pode ser considerado um “nacionalista”. O termo identifica 
uma posição política de defesa de soberania nacional, contra a influência de 
potências estrangeiras ou de empresas multinacionais. No caso venezuelano, 
desde o inicio de seu mandato, em 1998, Chávez é um crítico contundente da 
política norte-americana e da interferência de organismos multilaterais, como o 
Fundo Monetário Internacional (FMI), nos países latino-americanos. Em seus 
discursos inflamados, o presidente aponta os Estados Unidos como um inimigo a ser 
combatido. 
No fim da década de 1990, num momento de auge do neoliberalismo e de 
privatizações na América Latina, Chávez colocou-se do lado oposto e passou a 
liderar um bloco político com outros países, depois de ajudar nas eleições e nos 
governos de Evo Morales, na Bolívia; Daniel Ortega, na Nicarágua; e Rafael 
Correa, no Equador. É o bloco dos governantes mais à esquerda na região. Além 
disso, a Venezuela é hoje o país que mais ajuda economicamente Cuba. 
Poderes Concentrados 
Após perder, em dezembro de 2007, um referendo de proposta constitucional, 
que abrangia a possibilidade de reeleições presidenciais por tempo indefinido, a 
Assembléia Nacional aprovou, pouco mais de um ano depois, a convocação de 
um novo pleito sobre essa mesma questão. Manifestações oposicionistas, que 
denunciavam que a proposta já havia sido derrotada antes, foram reprimidas pelo 
governo. Em fevereiro de 2009, a reeleição por tempo indeterminado foi aprovada 
por 54,8% dos votantes. As pressões contra líderes da oposição se aprofundam e, 
desde então, várias emissoras de TV e de rádio foram tiradas do ar. A relação com 
a Colômbia também piorou, por causa do acordo de cooperação militar do país 
com os EUA, que mantém bases militares na nação vizinha. 
Nas eleições de 2010, a oposição elegeu 64 dos 165 parlamentares, o que foi 
considerado uma derrota para Chávez, já que, embora ainda majoritário, seu 
partido não mais terá os dois terços de votos necessários para bloquear iniciativas 
da oposição. Um novo fato tem aplicada instabilidade política no país: em junho 
de 2011, o presidente anunciou que está com câncer. Em tratamento em Cuba, 
Chávez se recusou a passar o poder ao vice. Entre os chavistas, uma possível 
sucessão poderia causar conflitos, uma vez que não há consenso sobre quem 
poderia substituir o coronel. 
 
BOLÍVIA 
O presidente boliviano Evo Morales foi reeleito em dezembro de 2009, com 65% 
dos votos – crescimento significativo em comparação com os cerca de 54% que 
obtivera na eleição de 2005. Além disso, o partido de Morales, o Movimento ao 
Socialismo manteve a maioria na Câmara dos Deputados e conquistou-a também 
no Senado. Esses resultados prolongaram a vitória obtida no início de 2009 por 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 80 
Morales, quando a nova Constituição boliviana foi aprovada em referendo 
popular por 61% dos eleitores. 
A consolidação do poder de Morales pode levar a uma diminuição dos 
conflitos ocorridos nos últimos anos, que colocaram a unidade do país sob 
ameaça. As lutas opõem o governo central aos prefeitos (como são chamados os 
governadores) dos quatro departamentos (estados) mais ricos do país – Santa 
Cruz, Tarija, Pando e Beni -, que formam a região da Meia Lua. 
O governo de Morales é marcado pela estatização da exploração do gás e 
do petróleo no país, decidida em 2006. Por trás dessa decisão, está a pressão de 
um forte movimento popular, que reúne sindicatos, associações de bairros, 
estudantes e associações de cocaleiros (plantadores de coca, cultura tradicional 
no país). Esses setores iniciaram uma mobilização, em 2003, que já exigia a 
estatização das reservas de gás e petróleo. Sua ação foi a responsável pela 
queda de dois presidentes e pela própria eleição de Morales, que concorreu com 
esse compromisso. 
A partir de então, as relações com os Estados Unidos são conflituosas. A Bolívia 
expulsou o embaixador norte-americano, em 2008, acusando-o de conspirar 
contra o governo. Pelo mesmo motivo, Morales suspendeu as atividades no país 
da agência antidrogas norte-americana, a DEA. 
Em retaliação, o governo norte-americano iniciou o processo para excluir a 
Bolívia de um programa que isenta de tarifas as exportações provenientes de 
países andinos. Em julho de 2009, Obama confirmou a eliminação da |Bolívia 
desse programa. A decisão levou Morales a criticar duramente Obama, 
comparando-o ao ex-presidente Bush. 
CUBA 
Até a revolução, Cuba era um país inteiramente subordinador a política norte-
americana, fornecedor de produtos como o tabaco e derivados da cana-de-
açúcar. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 81 
Após alguns meses de revolução, marcados por forte mobilização popular, 
Castro adotou medidas como a reforma agrária e a expropriação de empresas 
multinacionais norte-americanas. O governo dos EUA reagiu com força crescente 
contra o regime “castrista”. 
A radicalização das posições levou o governo cubano a expropriar empresas e 
fazendas, tomar a propriedade coletiva e erguer um Estado comunista inspirado 
no modelo da então União Soviética (URSS). 
O regime passou a ser uma ditadura de partido único, que controla a vida 
política, censura, reprimem e prende os opositores. Porém, o apoio soviético 
permitiu que avanços em áreas sociais, como a saúde e a educação, garantissem 
algum respaldo popular ao regime. 
Atualmente, Cuba enfrenta graves dificuldades, sobretudo por causa da 
queda no preço de seus produtos de exportação e da diminuição das remessas 
financeiras dos cubanos que vivem nos Estados Unidos, como decorrência da crise 
econômica global deflagrada em 2008. 
Em reação, o presidente Raul Castro, que assumiu o cargo no lugar de seu 
irmão, Fidel, há três anos, chegou a anunciar planos para demitir até meio milhão 
de funcionários, medida drástica permanece apenas como uma possibilidade 
grave. 
Uma das mudanças do regime cubano foi incentivar o trabalho autônomo, 
reconhecer a existência de empresas privadas e incentivar o trabalho em 
cooperativas e empresas familiares. 
Outra medida liberalizante adotada pelo Congresso do Partido Comunista 
Cubana foi autorizar a compra e venda de casas e carros por particulares (antes 
proíbidas), dar maior autonomia administrativa às estatais e acabar gradualmente 
com as “cadernetas de racionamento”, chamadas libretas, uma lista de alimentos 
e produtos de higiene subsidiada pelo governo. Por ano, o país investe cerca de 1 
bilhão de dólares na compra de alimentos para essas cadernetas, que existem 
desde 1962 e eram consideradas uma das grandes conquistas da revolução, 
juntamente com os serviços de saúde e educação. Cuba tem a população mais 
alfabetizada do mundo, segundo ranking das Nações Unidas, e a segunda menor 
taxa de mortalidade infantil do continente, atrás apenas do Canadá. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 82 
Na última década, Cuba vem estreitando laços com a China. Não apenas por 
necessidade econômica, pois os dirigentes cubanos buscam inspiração no 
modelo chinês: um país comunista que acelerou sua economia permitindo a 
presença de multinacionais em zonas especiais. 
Há uma década, a ilha também conta com a Venezuela como aliada. O 
governo de HugoChávez ajuda a ilha com programas de intercâmbio em saúde 
e fornece 100 mil barris de petróleo ao dia por preços inferiores aos de mercado. 
Como Cuba produz dois terços dos 120 mil barris que consome diariamente, pode 
exportar o excedente. 
A relação com a Organização dos Estados Americanos (OEA) permanece 
rompida e não há um prazo para o reingresso do país. Em junho de 2009, os 34 
países membros da instituição decidiram anular o ato que suspendia Cuba da 
entidade. O reingresso à OEA traria vantagens ao país, como o acesso aos 
recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas essa votação 
teve, sobretudo, caráter simbólico, pois a reintegração de Cuba depende da 
adequação do país aos princípios da organização, ou seja, do fim do regime 
comunista ou de amplas negociações com a organização. 
CHINA 
Em 2010, economia da China totalizou o segundo maior volume de riqueza 
(Produto Interno Bruto) mundial, e superou a do Japão que se mantinha nessa 
posição há quatro décadas, Trata-se de um novo patamar que em parte foi 
provado pela crise financeira iniciada em 2008 que resultou em baixa atividade 
econômica do Japão e também dos Estados Unidos e da União Européia. Porém, 
é inegável que o crescimento da economia chinesa impressiona, e se mantém em 
ritmo acelerado há mais de três décadas. 
O país é um dos geradores globais de crescimento, ao lado de Bangladesh, 
Egito, Indonésia, Índia, Iraque, Mongólia, Nigéria, Filipinas, Sri Lanka e Vietnã. São 
países que atraem investimentos estrangeiros em razão, principalmente, do grande 
número de habitantes em idade produtiva. 
A China tem a maior população do mundo, mais de 1,3 bilhão de pessoas, 73% 
em idade economicamente ativa, entre 15 e 64 anos. 
Há pelo menos 30 anos, a indústria é a grande responsável pelo forte ritmo de 
crescimento econômico chinês. Neste período, a partir de 1978, o país criou zonas 
econômicas especiais para multinacionais que produzem principalmente para 
exportar. Elas são atraídas por impostos baixos, subsídios diretos do governo e 
abundância de mão de obra a ser paga em iuan, moeda de baixo valor. 
Hoje, a China é o maior exportador mundial, sobretudo de bens industrializados 
– os manufaturados –, e seu principal comprador é o mercado dos Estados Unidos. 
As reservas internacionais da China também não param de crescer: bateram a 
marca dos 3 trilhões de dólares em março de 2011, o maior estoque de moeda 
estrangeira do mundo. Isso acontece graças aos investimentos estrangeiros na 
economia local e aos seguidos superávits na balança comercial (quando o valor 
total das exportações é maior que o das importações), dois fatores que enchem o 
mercado chinês de dólares. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 83 
Além de manter o cofre cheio de dólares norte-americanos, o governo chinês 
mantém o controle do câmbio de sua moeda, o iuan, em relação ao dólar. Nesse 
controle, o iuan tem sempre um valor bem baixo em relação ao dólar, o que 
garante ótimos preços, em dólares, para os produtos que os chineses exportam. 
Essa é a principal queixa dos parceiros comerciais da China, pois o iuan 
desvalorizado em relação ao dólar dificulta as vendas de outros países. Outro 
aspecto importante dessa política econômica é que o governo chinês consegue 
manter um bom valor e poder de compra para o iuan em sua economia interna, o 
que é importante quando o país tem milhões de trabalhadores com salários 
baixos. Mas, como o valor baixo do iuan em relação ao dólar torna mais caras as 
importações de alimentos e matérias-primas, o governo administra a economia de 
forma a evitar uma escalada inflacionária. 
Tanto vigor faz com que a China pareça um país rico. De fato, desde a 
abertura parcial da economia ao capitalismo em 1978, a China retirou 500 milhões 
de pessoas da pobreza absoluta, segundo o Banco Mundial. Mesmo assim, ainda 
há 57 milhões vivendo com menos de 125 dólares por ano (ou 34 centavos de 
dólar por dia). A situação mais grave é nas áreas rurais, onde está concentrada a 
população mais carente. 
Um dos resultados ruins dessa política econômica é o crescimento lento, mas 
constante da desigualdade de renda. A renda média dos 10% mais ricos do país é 
12 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Na década de 1990, essa proporção 
era de apenas quatro vezes. 
O Partido Comunista Chinês (PCCh) governa o país há seis décadas, e a cada 
cinco anos elabora diretrizes e metas de desenvolvimento econômico e social 
para o qüinqüênio seguinte, o que são aprovadas em congresso. O último Plano 
Quinquenal, referendado em março de 2011, no congresso anual do Partido 
Comunista, revela uma mudança de rumos na política econômica chinesa. A 
idéia é basear o crescimento do país no consumo interno e na melhoria de vida 
dos chineses. 
Ditadura 
A China é um país comunista desde 1949, mas desde o inicio das reformas 
econômicas, em 1978, o país vive uma situação paradoxal, pois os donos de 
empresas e fazendas foram expropriados, e a propriedade passou a ser coletiva 
na revolução, mas nas zonas econômicas especiais criadas nessas reformas 
empresas multinacionais têm livre acesso para produzir em moldes de uma 
economia de mercado, com relações capitalistas. Esse tem sido o motor da 
economia chinesa. Nessa política, o PCCh deu início, em 1997, a um processo de 
privatizações. 
Politicamente a China vive uma ditadura de partido único – o Partido Comunista 
Chinês, que reprime as oposições e viola direitos humanos. 
Na China não liberdade de imprensa, e endereços de internet são bloqueados 
como medida de controle de informações. Em 2010, o site Google fechou as 
portas na China, acusando o governo de espionar as contas de e-mail de ativistas 
de oposição. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 84 
Em 2011, o governo chinês ampliou a repressão política depois que começaram a 
circular pela internet convocações para protestos inspirados nos levantes em 
países árabes. Pelo menos 26 pessoas ligadas a movimentos políticos foram presas 
ou desapareceram, segundo entidades de defesa dos direitos humanos. O regime 
é duro também contra os criminosos comuns. A anistia internacional afirma que o 
número de execuções na China a cada ano é superior ao total registrado no resto 
do mundo. 
Aproximação com o Brasil 
A China passou a ver o Brasil como um parceiro estratégico, sobretudo por que 
suas indústrias precisam de matérias-primas que nosso país exporta. Companhias 
chinesas investem aqui em setores como produção de aço, petróleo, minérios e 
eletricidade. 
Ela também está concedendo empréstimos bilionários à Petrobrás, para 
explorar o óleo da camada do pré-sal no mar, em troca da garantia no 
fornecimento de petróleo. 
A China também está comprando terras para produzir alimentos, no Brasil, na 
América Latina e na África. Em abril, a presidente Dilma Rousseff viajou para 
Pequim. Além de conseguir o apoio forma chinês à campanha brasileira por uma 
vaga no Conselho de Segurança das Nações Unidas (a China é um dos cinco 
membros permanentes do órgão), o Brasil fez 22 acordos, que representam 120 
milhões de dólares em trocas comerciais e 13 bilhões de dólares em investimentos. 
 
Um dos mais expressivos será a construção de um grande complexo da 
empresa Foxconn, que prevê criar 100 mil empregos. A empresa de eletrônicos de 
origem taiwanesa e com fábricas na China já possui cinco fábricas no Brasil, e a 
nova unidade será responsável pela produção de telas para tablets e telefones 
celulares da multinacional norte-americana Apple. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 85 
 
 
 
 
O Brasil fecha a primeira década do século XXI com um resultado positivo no 
combate à pobreza e na melhoria da distribuição de renda. O país, porém, ainda 
continua com boa parte de sua renda muito concentra nas mãos de uma 
pequena minoria. 
Uma distribuição mais equitativa da renda pela população é um fator básico 
para promover justiça social e o desenvolvimento do país. Isso porque, com a 
elevação progressiva darenda, os mais pobres conseguem melhorar suas 
condições de vida. Pelo estudo mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), a situação é a seguinte: 
§ Os 10% de brasileiros mais ricos detém 43% de toda a renda nacional. 
 
§ Os 10% mais pobres vivem com apenas 1% da renda nacional. 
É um quadro muito grave de concentração, com raízes históricas. Felizmente, 
essa situação começou a mudar nas últimas décadas. De acordo com o Centro 
de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o número de pobres no 
Brasil diminuiu 67% de 1994 até 2010. Em nove anos, de 2001 a 2009, a renda dos 
10% mais pobres cresceu 69%, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu bem menos, 
12,5%. 
O aumento maior na renda dos mais pobres indica que está havendo 
redistribuição de renda e redução na concentração. Essa redistribuição é uniforme 
quando se avança dos segmentos mais pobres para os mais ricos. 
Outro indicador usado para mostrar a situação do rendimento dos brasileiros é 
o da evolução da renda per capita familiar (a renda das famílias dividida por seu 
número de membros). Se dividirmos a sociedade em cinco grupos conforme a 
renda – as chamadas classes econômicas, desde a A (a mais rica) até a E (a mais 
pobre) –, a renda em reais cresceu mais nas famílias dos grupos C, D e E, em 
relação as dos grupos A e B, de acordo com a FGV. 
Mesmo com essas mudanças, os indicadores referentes à concentração de 
renda ainda são insatisfatórios. Segundo dados preliminares do Censo de 2010, 
divulgados pelo IBG, 56% das famílias brasileiras vivem com uma renda per capita 
de até um salário mínimo. 
A concentração de renda brasileira também pode ser observada pelo índice 
de Gini. Esse indicador é adotado internacionalmente para medir a concentração 
de renda. Ele varia de 0 a 1: quanto mais próximo de zero, menor é a 
desigualdade. No Brasil, o índice de Gini evoluiu de 0,567, 1999, para 0,518, em 
2010. 
A má distribuição de renda no Brasil tem causas históricas, tais como: 
§ Concentração Fundiária – quase metade das terras cultivadas no país são 
grandes propriedades (cima de mil hectares). 
 
BRASIL 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 86 
§ Industrialização – aconteceu tardiamente no Brasil e ficou quase todo o século 
XX no Sudeste e no Sul, concentrando a riqueza. 
§ Urbanização acelerada – a rápida urbanização decorrente do êxodo rural e da 
industrialização atraiu muito gente para as cidades, que estavam 
despreparadas: o resultado são favelas e as carências urbanas, como falta de 
escolas, hospitais, moradias e transporte. 
§ Analfabetismo – A falta de instrução mantém o trabalhador mal remunerado, 
com dificuldade para ascender profissionalmente. O acesso ao ensino para 
parcelas maiores da população é uma das causas da melhoria de renda. 
 
§ Discriminação racial – Ao final da escravidão, o Estado brasileiro lavou as mãos 
sem políticas de apoio à população negra para que pudesse ter acesso à terra, 
à educação e à ascensão social. As gerações seguintes enfrentaram um ciclo 
vicioso de pobreza. Hoje, sete em cada dez brasileiros entre os 10% mais pobres 
são negros. 
 
§ Estrutura Fundiária – A distribuição dos impostos no Brasil é injusta. Segundo o 
IPEA, pessoas que ganham até dois salários mínimos gastam 54% da renda com 
impostos, diretos e indiretos. Já as famílias com renda superior a 30 salários 
mínimos desembolsam. 
O acesso dos brasileiros à educação melhorou muito, segundo dados até 2010. 
Quase todas as crianças a partir dos 7 anos estão matriculadas, e a taxa de 
alfabetização continuou a subir, chegando a quase 92% das pessoas com mais de 
15 anos, pelo último censo. Esses resultados acompanharam as diretrizes da 
Constituição de 1988 e o esforço para alcançar as metas do Plano Nacional da 
Educação (PNE) de combate ao analfabetismo e de universalização do Ensino 
Fundamental e Médio. Houve, porém, uma queda na qualidade do ensino no 
país. O acesso à Educação Superior cresceu, mas ainda é pequeno. 
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura 
(UNESCO), no relatório de 2010, elogia as ações do Brasil para universalizar a 
educação básica, bem como os programas de inclusão e acompanhamento 
escolar das crianças beneficiadas pelo Bolsa Família, mas ressalva que os 
indicadores do país continuam muito ruins. Em 2011, Além do valor usado 
tradicionalmente para indicar o desenvolvimento humano de cada país, o 
relatório deste ano apresenta novos índices: IDH Ajustado à Desigualdade, Índice 
de Desigualdade de Gênero e Índice de Pobreza Multidimensional. 
Em 2000, éramos 169,6 milhões de habitantes. Até 2007, o número de brasileiros 
foi sendo calculado por projeção com base nas taxas de crescimento 
populacional apuradas em 2000, tendo como base principal a estimativa média 
de filhos por mulher. Descobriu-se, então, que o número de filhos por mulher vem 
caindo bem mais rápido do que se calculava. Assim, as projeções estavam 
superestimando o crescimento populacional, e, em sete anos, o erro acumulado 
era de cerca de 6 milhões de pessoas a mais. Agora, segundo os dados do novo 
Censo, divulgados em novembro de 2010, sabemos que somos aproximadamente 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 87 
193 milhões de brasileiros. O aumento de 12% da população nos últimos dez anos 
ficou bem abaixo dos 15,6% registrados na década anterior (1991-2000), o que 
comprova que o ritmo de crescimento populacional vem caindo. A principal 
razão para essa redução é a queda na taxa de fecundidade das brasileiras. 
Os resultados preliminares do Censo de 2010 ainda não atualizaram esse dado. 
Mas as projeções e estimativas feitas pelo IBGE nos últimos anos mostram que a 
taxa que era de 6,3 filhos por mulher em 1960, atingira apenas dois filhos em 2006 e 
1,8 filhos por mulher em 2010. Isso também se reflete na redução do tamanho das 
famílias: a média nacional de moradores em cada domicílio caiu de 3,75 em 2000 
para 3,3 agora. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 88 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A queda da taxa de fecundidade altera também a pirâmide etária. Com 
menos nascimentos, a proporção de crianças em relação à população adulta 
fica menor. De outro lado, o brasileiro vive cada vez mais. 
 
 
 
 
Segundo o IBGE, a expectativa de vida de uma criança nascida em 2009 era 
de 73,1 anos. Para os idosos, era melhor ainda: uma pessoa que completasse 60 
anos em 2009, tinha expectativa de viver outros 21,2 anos. 
Outra constatação extraída do Censo de 2010 é que a população brasileira 
hoje é mais feminina. Nascem mais homens, mas sobrevivem mais mulheres, Elas 
representam 51% da população, superando os homens em 3,9 milhões de pessoas. 
ECONOMIA BRASILEIRA 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 89 
Política Agrícola 
Um conjunto de ações voltadas para o planejamento, o financiamento e o 
seguro da produção constitui a base da Política Agrícola do Ministério da 
Agricultura. Por meio de estudos na área de gestão de risco, linhas de créditos, 
subvenções econômicas e levantamentos de dados, o apoio do estado 
acompanha todas as fases do ciclo produtivo. Essas ações se dividem em três 
grandes linhas de atuação: gestão do risco rural, crédito e comercialização. 
A gestão do risco rural realiza-se em duas frentes. Antes de iniciar o cultivo, o 
agricultor conta com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Essa ferramenta 
tecnológica indica o melhor período para se plantar em cada município do País, 
conforme a análise histórica do comportamento do clima. E, para se proteger dos 
prejuízos causados por eventos climáticos adversos, o produtor pode contratar o 
Seguro Rural com parte do prêmio subsidiado pelo ministério. 
As políticas de mobilização de recursos viabilizam os ciclos do plantio. O 
homem do campo tem acesso a linhas de crédito para custeio, investimento e 
comercialização. Vários programas financiam diversas necessidades dos 
produtores, desdea compra de insumos até a construção de armazéns. 
Café 
O Brasil é o maior produtor mundial de café e o segundo maior consumidor da 
bebida. Os principais grãos são das variedades Arábica e Conilon. A cafeicultura 
se fixou, inicialmente, no Sudeste e depois se expandiu para o Paraná e Bahia. 
Atualmente, é produzido em 14 estados, com área plantada de 2,3 milhões de 
hectares, o equivalente a cerca de seis bilhões de pés. O setor emprega direta e 
indiretamente oito milhões de trabalhadores. 
O País é um dos principais exportadores de café solúvel e torrado. O 
crescimento do consumo de cafés especiais vem estimulando produtores 
nacionais a aprimorar a qualidade para atender às demandas do mercados 
mundial, com valorização de características como aroma, sabor, corpo, acidez e 
sabor residual. 
Responsável pela geração e transferência de conhecimentos e tecnologias 
para o setor, a Embrapa coordena o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e 
Desenvolvimento do Café. As pesquisas promovem o desenvolvimento de 
variedades de alta qualidade bem como novas tecnologias de mecanização, 
irrigação, armazenamento, correção de solo, rotação de culturas, adubação, 
produção e distribuição de sementes. 
Um dos trabalhos de maior relevância para a cultura cafeeira é o Projeto 
Genoma Café, que busca a identificação dos genes do cafeeiro, para obter 
rapidez e eficiência no desenvolvimento de variedades mais produtivas, tolerantes 
à seca e resistentes a pragas. Com o projeto, já é possível gerar novas cultivares 
com qualidade superior em aroma e sabor e com melhores características 
nutritivas e farmacêuticas. 
O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) torna disponíveis recursos 
para custeio, colheita, estocagem e aquisição de café, bem como para a 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 90 
recuperação de cafezais. Somente em 2009, o fundo repassou R$ 1,66 bilhão para 
o financiamento de linhas de crédito. 
 
Cana-de-açúcar 
Introduzida no período colonial, a cana-de-açúcar se transformou em uma das 
principais culturas da economia brasileira. O Brasil não é apenas o maior produtor 
de cana. É também o primeiro do mundo na produção de açúcar e etanol e 
conquista, cada vez mais, o mercado externo com o uso do biocombustível como 
alternativa energética. 
Responsável por mais da metade do açúcar comercializado no mundo, o País 
deve alcançar taxa média de aumento da produção de 3,25%, até 2018/19, 
e colher 47,34 milhões de toneladas do produto, o que corresponde a um 
acréscimo de 14,6 milhões de toneladas em relação ao período 2007/2008. Para 
as exportações, o volume previsto para 2019 é de 32,6 milhões de toneladas. 
O etanol, produzido no Brasil, a partir da cana-de-açúcar, também conta com 
projeções positivas para os próximos anos, devidas principalmente, ao crescimento 
do consumo interno. A produção projetada para 2019 é de 58,8 bilhões de litros, 
mais que o dobro da registrada em 2008. O consumo interno está projetado em 50 
bilhões de litros e as exportações em 8,8 bilhões. 
A política nacional para a produção da cana-de-açúcar se orienta na 
expansão sustentável da cultura, com base em critérios econômicos, ambientais e 
sociais. O programa Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAEcana) 
regula o plantio da cana, levando em consideração o meio ambiente e a aptidão 
econômica da região. A partir de um estudo minucioso, são estipuladas as áreas 
propícias ao plantio com base nos tipos de clima, solo, biomas e necessidades de 
irrigação. 
Está previsto, ainda, um calendário para redução gradual, até 2017, da 
queimada da cana-de-açúcar em áreas onde a colheita é mecanizada, 
proibindo o plantio na Amazônia, no Pantanal, na Bacia do Alto Paraguai (BAP) e 
em áreas com cobertura vegetal nativa. 
Soja 
A soja é a cultura agrícola brasileira que mais cresceu nas últimas três décadas 
e corresponde a 49% da área plantada em grãos do país. O aumento da 
produtividade está associado aos avanços tecnológicos, ao manejo e eficiência 
dos produtores. O grão é componente essencial na fabricação de rações animais 
e com uso crescente na alimentação humana encontra-se em franco 
crescimento. 
Cultivada especialmente nas regiões Centro Oeste e Sul do país, a soja se 
firmou como um dos produtos mais destacados da agricultura nacional e na 
balança comercial. 
No cerrado, o cultivo da soja tornou-se possível graças aos resultados obtidos 
pelas pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em 
parceria com produtores, industriais e centros privados de pesquisa. Os avanços 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 91 
nessa área possibilitaram também o incremento da produtividade média por 
hectare, atingindo os maiores índices mundiais. 
O cultivo de soja no Brasil se orienta por um padrão ambientalmente 
responsável, ou seja, com o uso de práticas de agricultura sustentável, como o 
sistema integração-lavoura-pecuária e a utilização da técnica do plantio 
direto. São técnicas que permitem o uso intensivo da terra e com menor impacto 
ambiental, o que reduz a pressão pela abertura de novas áreas e contribui para a 
preservação do meio ambiente. 
Trigo 
O trigo é o segundo cereal mais produzido no mundo, com significativo peso 
na economia agrícola global. No Brasil, o trigo é cultivado nas regiões Sul, Sudeste 
e Centro-Oeste. A produção recebe reforço sistemático dos órgãos de governo, 
uma vez que as condições climáticas são desfavoráveis à cultura. 
O Ministério da Agricultura tem como desafio estimular a produção do trigo 
minimizando os efeitos climáticos. Estudos de zoneamento de risco climático para 
os principais estados produtores, reajuste dos preços mínimos em níveis que 
sustentem a formação da renda da atividade e ampliação do limite de 
financiamento para custeio das lavouras são algumas das ações desenvolvidas 
para aumentar a produção de trigo e diminuir a dependência externa do País em 
relação ao cereal. 
Estimativas do ministério prevêem uma taxa de aumento de consumo do trigo 
de 1,31% ao ano. Ainda assim, acredita-se na possibilidade de redução das 
importações, uma vez que o Brasil vem investindo na autossuficiência da 
produção interna do cereal. Em 2009, a política de incentivos lançada pelo 
ministério propiciou aumento de 50% em relação à safra do ano anterior. 
Uva 
A viticultura brasileira ocupa, atualmente, área de 81 mil hectares, com 
vinhedos desde o extremo Sul até regiões próximas à Linha do Equador. Duas 
regiões se destacam: o Rio Grande do Sul por contribuir, em média, com 777 
milhões de quilos de uva por ano, e os polos de frutas de Petrolina/ PE e de 
Juazeiro/BA, no Submédio do Vale do São Francisco, responsável por 95% das 
exportações nacionais de uvas finas de mesa. 
Embora a produção de vinhos, suco de uva e derivados da uva e do vinho 
também ocorra em outras regiões, a maior concentração está no Rio Grande do 
Sul, onde são elaborados, em média anual, 330 milhões de litros de vinhos e mostos 
(sumo de uvas frescas que ainda não tenham passado pelo processo de 
fermentação). 
Além dos fatores naturais da Serra Gaúcha, que permitem a obtenção de uvas 
com elevado teor de acidez, a estrutura agroindustrial existente também é 
favorável para a produção de destilados de vinho, como o conhaque. Apenas 
uma pequena parte das uvas cultivadas no sul do País é destinada ao consumo in 
natura. A fruta é utilizada, em sua maioria, na elaboração de vinhos concentrando 
mais de 90% da produção nacional. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 92 
Já no semiárido brasileiro, o cultivo de vinhas teve início, na segunda metade 
da década de 1980, com o plantio de variedades adaptadas à região. A 
intenção, no entanto, é buscar outras cultivares para assegurar novas opções de 
vinho. Para isso, a Embrapa faz testes com variedades de uvas para a produção 
da bebida com origens portuguesa, espanhola, italiana, francesa e alemã, em um 
total de 28 tipos. 
Milho 
 
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de milho, totalizando53,2 milhões 
de toneladas na safra 2009/2010. A primeira ideia é o cultivo do grão para atender 
ao consumo na mesa dos brasileiros, mas essa é a parte menor da produção. O 
principal destino da safra são as indústrias de rações para animais. 
Cultivado em diferentes sistemas produtivos, o milho é plantado principalmente 
nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O grão é transformado em óleo, farinha, 
amido, margarina, xarope de glicose e flocos para cereais matinais. 
O estudo das projeções de produção do cereal, realizado pela Assessoria de 
Gestão Estratégica do Mapa, indica aumento de 19,11 milhões de toneladas entre 
a safra de 2008/2009 e 2019/2020. Em 2019/2020, a produção deverá ficar em 
70,12 milhões de toneladas e o consumo em 56,20 milhões de toneladas. Esses 
resultados indicam que o Brasil deverá fazer ajustes no seu quadro de suprimentos 
para garantir o abastecimento do mercado interno e obter excedente para 
exportação, estimado em 12,6 milhões de toneladas em 2019/2020. Número que 
poderá chegar a 19,2 milhões de toneladas. 
O Brasil está entre os países que terão aumento significativo das exportações 
de milho, ao lado da Argentina. O crescimento será obtido por meio de ganhos de 
produtividade. Enquanto a produção de milho está projetada para crescer 2,67% 
ao ano nos próximos anos, a área plantada deverá aumentar 0,73%. 
 
Citrus 
Setor altamente organizado e competitivo, a citricultura é uma das 
mais destacadas agroindústrias do país. Responsável por 60% da produção 
mundial de suco de laranja, o Brasil é também o campeão de exportações do 
produto. 
O cultivo de laranja no Brasil se dividide em dois períodos distintos. O primeiro, 
de 1990 a 1999, se caracteriza pelo aumento da produção e conquista da 
posição de líder do setor. O segundo, a partir de 1999, é o período 
de consolidação da capacidade e desempenho produtivo. São colhidas, 
anualmente no País, mais de 18 milhões de toneladas de laranja ou cerca de 30% 
da safra mundial da fruta. 
Para manter a liderança do setor, o Ministério da Agricultura investe no apoio a 
adoção de 
sistemas mais eficientes, como a produção integrada, com medidas para reduzir 
os custos, aperfeiçoar e ampliar a comercialização do produto. O ministério tem, 
ainda, ação efetiva na fiscalização e prevenção ao aparecimento de pragas e 
doenças. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 93 
Feijão 
O Brasil é o maior produtor mundial de feijão com produção média anual de 
3,5 milhões de toneladas. Típico produto da alimentação brasileira é cultivado por 
pequenos e grandes produtores em todas as regiões. Os maiores são Paraná, que 
colheu 298 mil toneladas na safra 2009/2010, e Minas Gerais, com a produção de 
214 mil toneladas no mesmo período. 
A safra tem taxa anual de aumento projetada de 1,77%, de acordo com 
estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura. Os dados 
também mostram crescimento no consumo, cerca de 1,22% ao ano, no período 
2009/2010 a 2019/2020, passando de 3,7 milhões de toneladas para 4,31 milhões 
de toneladas. As projeções indicam também a possibilidade de importação de 
feijão nos próximos anos. Porém, a taxa equivaleria a 161,3 mil toneladas em 
2019/2020, quantidade pouco expressiva. 
Arroz 
O arroz está entre os cereais mais consumidos do mundo. O Brasil é o nono 
maior produtor mundial e colheu 11,26 milhões de toneladas na safra 2009/2010. A 
produção está distribuída nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e 
Mato Grosso. 
O cultivo de arroz irrigado, praticado na região Sul do Brasil contribui, em 
média, com 54% da produção nacional, sendo o Rio Grande do Sul o maior 
produtor brasileiro. Em Santa Catarina, o plantio por meio do sistema pré-
germinado responde pelo segundo lugar na produção do grão irrigado, com 800 
mil toneladas anuais. 
As projeções de produção e consumo de arroz, avaliadas pela Assessoria de 
Gestão Estratégica do Mapa, mostram que o Brasil vai colher 14,12 milhões de 
toneladas de arroz na safra 2019/2020. Equivale ao aumento anual da produção 
de 1,15% nos próximos dez anos. O consumo deverá crescer a uma taxa média 
anual de 0,86%, alcançando 14,37 milhões de toneladas em 2019/2020. Assim, a 
importação projetada para o final do período é de 652,85 mil toneladas. A taxa 
anual projetada para o consumo de arroz nos próximos anos, de 0,86%, está 
pouco abaixo da expectativa de crescimento da população brasileira. 
Algodão 
O avanço da tecnologia e o aumento da produtividade permitiram ao Brasil 
passar de maior importador mundial de algodão para o terceiro maior exportador 
do produto em 12 anos. A produção nacional de algodão é, prioritariamente, 
destinada à indústria têxtil. 
A principal preocupação da cotonicultura é com a qualidade da fibra, para 
atender às exigências das indústrias nacionais e clientes externos. Técnicas 
avançadas de plantio, aliadas à utilização de cultivares melhor adaptadas ao tipo 
de solo e clima das regiões produtoras contribuíram para o avanço da produção. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 94 
Com índice de produtividade 60% superior aos Estados Unidos, a cotonicultura 
brasileira mudou radicalmente, passando, em uma década, de lavoura manual 
para totalmente mecanizada no plantio, nos tratos culturais e na colheita. 
Mato Grosso e Bahia são responsáveis por 82% da produção nacional e se 
destacam pelo investimento em biotecnologia, gerenciamento do setor e novas 
técnicas de manejo. 
Bovinos 
 
A bovinocultura é um dos principais destaques do agronegócio brasileiro no 
cenário mundial. O Brasil é dono do segundo maior rebanho efetivo do mundo, 
com cerca de 200 milhões de cabeças. Além disso, desde 2004, assumiu a 
liderança nas exportações, com um quinto da carne comercializada 
internacionalmente e vendas em mais de 180 países. 
O rebanho bovino brasileiro proporciona o desenvolvimento de dois segmentos 
lucrativos. As cadeias produtivas da carne e leite. O valor bruto da produção 
desses dois segmentos, estimado em R$ 67 bilhões, aliado a presença da atividade 
em todos os estados brasileiros, evidenciam a importância econômica e social da 
bovinocultura em nosso país. 
O clima tropical a extensão territorial do Brasil contribuem para esse resultado, 
uma vez que permitem a criação da maioria do gado em pastagens. Além disso, 
o investimento em tecnologia e capacitação profissional; o desenvolvimento de 
políticas públicas, que permitem que o animal seja rastreado do seu nascimento 
até o abate; o controle da sanidade animal e segurança alimentar, contribuíram 
para que o País atendesse às exigências dos mercados rigorosos e 
conquistasse espaço no cenário mundial. 
 
Bubalinos 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 95 
 
Embora ainda mais tímida, a bubalinocultura está se desenvolvendo no país 
como uma alternativa rentável e saudável. Isso porque o búfalo se adapta 
facilmente em qualquer ambiente. A produção e o consumo de leite de búfalo 
vêm crescendo em função da demanda por alimentos como queijos e manteiga. 
Os elevados teores de gordura e sólidos totais no leite de búfala aumentam o 
rendimento na fabricação dos derivados em relação ao leite de vaca. A carne 
desses animais também é apreciada, contém menores índices de gordura, 
colesterol, calorias e contém mais proteína e minerais que a dos bovinos. 
O rebanho brasileiro está estimado em torno de 1,15 milhão de bubalinos, sendo a 
região Norte, com 720 mil animais, a maior produtora do País, com destaque para 
o Pará, que responde por 39% do rebanho nacional. Em seguida aparecem o 
Nordeste e o Sudeste, com 135 e 104 mil cabeças, respectivamente. 
Aves 
 
 
Nas últimas três décadas, a avicultura brasileira tem apresentado altos índices 
de crescimento. Seu bem principal, o frango, conquistou os mais exigentes 
mercados. O País se tornou o terceiro produtor mundial e líder em exportação. 
Atualmente, a carne nacional chega a 142 países. Outras aves, como peru e 
avestruz, também têm se destacado nos últimos anos,contribuindo para 
diversificar a pauta de exportação do agronegócio brasileiro. Presente em todo 
território nacional, a carne de frango tem destaque na região Sul, sendo os 
estados do Paraná e Rio Grande do Sul os principais fornecedores. A região 
Centro-Oeste, por ser grande produtora de grãos, vem crescendo no setor e 
recebendo novos investimentos. Fatores como qualidade, sanidade e preço 
contribuíram para aperfeiçoar a produtividade no setor. O Brasil buscou 
modernização e empregou instrumentos como o manejo adequado do aviário, 
sanidade, alimentação balanceada, melhoramento genético e produção 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 96 
integrada. A parceria entre indústria e avicultores também contribuiu para a 
excelência técnica em todas as etapas da cadeia produtiva, resultando em 
reduzidos custos de transação e na qualidade, que atende às demandas de todo 
o mundo. 
A taxa de crescimento de produção da carne de frango, por exemplo, deve 
alcançar 4,22%, anualmente, nas exportações, com expansão prevista em 5,62% 
ao ano, o Brasil deverá continuar na liderança mundial. 
Suinos 
 
Estudos e investimentos na suinocultura posicionaram o Brasil em quarto lugar 
no ranking de produção e exportação mundial de carne suína. Alguns elementos 
como sanidade, nutrição, bom manejo da granja, produção integrada e, 
principalmente, aprimoramento gerencial dos produtores, contribuíram para 
aumentar a oferta interna e colocar o País em destaque no cenário mundial. 
Especialistas brasileiros também investiram na evolução genética da espécie 
por 20 anos, o que reduziu em 31% a gordura da carne, 10% do colesterol e 14% de 
calorias, tornando a carne suína brasileira mais magra e nutritiva, além de 
saborosa. 
Consequência de investimento, a produção vem crescendo em torno de 4% 
ao ano, sendo os estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul os 
principais produtores de suínos do País. Atualmente, o Brasil representa 10% do 
volume exportado de carne suína no mundo, chegando a lucrar mais de US$ 1 
bilhão por ano. 
Esses fatores apontam para um crescimento ainda mais satisfatório: estima-se 
que a produção de carne suína atinja média anual de 2,84%, no período de 
2008/2009 a 2018/2019, e o seu consumo, 1,79%. Em relação às exportações, a 
representatividade do mercado brasileiro de carne suína saltará de 10,1%, em 
2008, para 21% em 2018/2019 
Caprinos e Ovinos 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 97 
 
A caprinocultura e a ovinocultura têm se destacado no agronegócio brasileiro. 
A criação de caprinos, com rebanho estimado em 14 milhões de animais, 
distribuído em 436 mil estabelecimentos agropecuários, colocou o Brasil em 18º 
lugar do ranking mundial de exportações. Grande parte do rebanho caprino 
encontra-se no Nordeste, com ênfase para Bahia, Pernambuco, Piauí e Ceará. A 
ovinocultura tem representatividade na região Nordeste e no estado do Rio 
Grande do Sul. 
Carne, pele e lã estão entre os principais produtos. A produção de leite de 
cabra é de cerca de 21 milhões de litros e envolve, em grande parte, empresas de 
pequeno porte. 
 
Ovinocultura 
 
A ovinocultura tem maior representatividade nos estados da Bahia, Ceará, 
Piauí e Pernambuco, Rio grande do Norte, Rio Grande do Sul, Paraná e Mato 
Grosso do Sul. 
A produção anual alcança 11 milhões de toneladas de lã, principalmente no 
Rio Grande do Sul, com cadeia produtiva formada por 35 mil estabelecimentos 
agropecuários. A ovinocultura leiteira no País apresenta potencial para a 
produção de queijos finos, muito valorizados no mercado. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 98 
O SETOR DE SERVIÇOS BRASILEIRO 
 
A relevância do setor terciário (que envolve as atividades de comércio e de 
serviços) vem ganhando a atenção de investidores e governos no Brasil e no 
mundo. A título de ilustração, em 2009 o setor de serviços correspondeu a 68,5% do 
PIB brasileiro (quando medido pelo valor adicionado). 
Apenas entre as empresas cuja atividade principal estava no âmbito dos 
serviços empresariais não financeiros, o IBGE estimou em 2008 a existência de 
879.691 empresas, que tiveram uma receita operacional líquida de mais de 680 
bilhões de reais e empregaram 9,2 milhões de pessoas (Pesquisa Anual de Serviços 
- PAS 2008, do IBGE). O setor foi também o principal destino dos investimentos 
estrangeiros diretos no Brasil: 14,1 bilhões de dólares, ou 44,9% do total de IED no 
País, foram investidos no setor em 2009. 
Além disso, em 2008 o setor terciário respondeu por 77,3% dos empregos 
formais do País, com as atividades de serviços, comércio e construção civil 
representando 54,6% da População Economicamente Ativa. Destes empregos, 
52% foram gerados por microempresas e empresas de pequeno porte – que 
representam 98% dos estabelecimentos comerciais do setor terciário brasileiro 
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009 do IBGE e Relação 
Anual de Informações Sociais (RAIS) 2009 do Ministério do Trabalho e Emprego). 
Ciente da importância do setor de serviços para a economia brasileira, o 
Governo Federal, por meio do Decreto nº 5.532, de 6 de setembro de 2005, criou a 
Secretaria de Comércio e Serviços (SCS) no âmbito do Ministério do 
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Como órgão específico e 
singular do Ministério, compete à SCS, por exemplo, a formulação, coordenação, 
implementação e avaliação das políticas públicas e dos programas e ações para 
o desenvolvimento dos setores de comércio e de serviços; a análise e 
acompanhamento das tendências dos setores de comércio e serviços no País e no 
exterior; a formulação, implementação e divulgação de sistemáticas de coleta de 
informações sobre os setores; e a supervisão dos registros de comércio e atividades 
afins, em todo o território nacional. 
Produção industrial cresce em 9 de 14 locais em 2011, aponta IBGE 
A produção industrial regional cresceu em nove dos 14 locais pesquisados pelo 
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), durante todo o ano de 2011. 
As altas mais acentuadas, com taxas acima da média nacional de 0,3%, foram 
verificadas em seis locais: Paraná (7%), Espírito Santo (6,8%), Goiás (6,2%), 
Amazonas (4%), Pará (2,7%) e Rio Grande do Sul (2%). Minas Gerais (0,3%), Rio de 
Janeiro (0,3%) e São Paulo (0,2%) também tiveram taxas positivas em 2011. 
Pernambuco registrou estabilidade e repetiu o patamar do ano de 2010. 
Tiveram recuo na produção a Bahia (-4,4%), região Nordeste (-4,7%), Santa 
Catarina (-5,1%) e Ceará (-11,7%). 
Na comparação de dezembro de 2011 com o mesmo mês de 2010, o setor 
industrial nacional mostrou queda de 1,2%, com recuo na produção em sete de 14 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 99 
locais. A taxa negativa mais intensa foi registrada em Santa Catarina (-10,9%), 
pressionada pela queda na maior parte dos setores investigados no local, seguida 
por Ceará (-7,4%), Bahia (-4,9%), região Nordeste (-3,7%), São Paulo (-3,2%), Minas 
Gerais (-2,8%) e Rio de Janeiro (-2,1%). 
Entre os locais que apontaram avanço na produção, Paraná (23,5%) assinalou 
a expansão mais elevada, impulsionado em grande parte pelos setores de 
veículos automotores e de edição e impressão. Os demais resultados positivos 
foram verificados no Espírito Santo (7,4%), Goiás (6,6%), Pará (5,2%), Pernambuco 
(3,8%), Amazonas (3,6%) e Rio Grande do Sul (3,2%). 
Na análise trimestral (outubro, novembro, dezembro), o setor industrial recuou 
2% e deu sequência a trajetória de queda iniciada no primeiro trimestre de 2010 
(18,2%) --ambas comparações são ante igual período do ano anterior. No último 
trimestre de 2011, o total da indústria mostrou o primeiro resultado negativo desde 
o terceiro trimestre de 2009 (8,2%). 
Em nível regional, ainda no confronto com igual período do ano anterior, sete 
locais assinalaram taxas negativas no quarto trimestre de 2011, com Santa 
Catarina (-8,8%) e Ceará (-6,8%) apontando as perdas mais intensas. 
Agroindústria 
Já a agroindústria brasileirarecuou 2,3% em 2011, ante alta de 4,7% em 2010. 
Os setores vinculados à agricultura (-1,6%), de maior peso na agroindústria, 
apresentaram desempenho abaixo dos setores associados à pecuária (-0,6%). 
O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário 
decresceu 16,9% em 2011, impactado negativamente pelo aumento das 
importações, enquanto o segmento de madeira avançou 4,9%. 
No resultados trimestrais, a agroindústria apresentou resultados negativos nos 
quatro trimestres do ano: -3,9% no primeiro, -2,8% no segundo, -0,7% no terceiro e -
2,5% no quarto trimestre. As comparações trimestrais são relativas a igual período 
do ano anterior. 
 
China deve investir cerca de R$ 7 bi em alta tecnologia no Brasil neste ano 
A China investiu no ano de 2011 quase 9 bilhões de dólares (R$ 15 bilhões) no 
Brasil, metade desta quantia na indústria de alta tecnologia. 
O Brasil vende sobretudo matérias-primas para a China, principal sócio 
comercial do país e maior investidor estrangeiro em 2010, e quer diversificar suas 
exportações para produtos com alto valor agregado. 
No fim de 2009, 95% dos investimentos chineses acumulados no Brasil, que 
chegavam a 12,67 bilhões de dólares, foram feitos nas áreas de energia (45%), 
agricultura (20%), minas (20%) e siderurgia (10%), segundo o banco Bradesco, em 
dados citados pelo jornal chinês. Em 2010, os investimentos aumentaram a US$ 17 
bilhões, de acordo com o China Daily, que não apresenta detalhes dos gastos. 
O Brasil pediu às empresas chinesas que iniciem investimentos em setores 
diferentes para reequilibrar a balança. Teixeira afirmou ao jornal de Pequim que 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 100 
para investir em agricultura a partir de agora as empresas estrangeiras terão que 
encontrar sócios locais. 
Durante uma visita ao Brasil em maio, o ministro do Comércio chinês, Chen 
Deming, afirmou estar interessado em investimentos na modernização das 
infraestruturas do país. 
A China se tornou em 2010 o principal parceiro comercial do Brasil, superando 
os Estados Unidos. "As matérias-primas constituem 70% do comércio bilateral". 
As empresas chinesas de telecomunicação Huawei e ZTE fizeram investimentos 
importantes no Brasil nos últimos anos, afirma o China Daily, que lembra que a ZTE 
criou um parque industrial em Hortolândia, interior de São Paulo. 
Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) 
Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva mudou-se com a família para 
Santos (SP), deixando o interior de Pernambuco em busca de melhores 
oportunidades de vida. Quatro anos mais tarde, em 1956, foi para a capital do 
Estado de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor ambulante, 
engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico. 
Em 1970, depois de perder a esposa grávida do primeiro filho, Lula passou a se 
dedicar intensamente à atividade sindical. Em 1973, casou-se com Marisa, sua 
atual mulher. Em 1975, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de 
São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira greve de operários do 
ABC paulista em 1978, durante o regime militar. 
Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros líderes sindicais, para fundar o PT 
(Partido dos Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No ano seguinte, liderou 
nova greve de metalúrgicos, foi preso e teve seu mandato sindical cassado. 
Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, em junho 
de 1983, integrou a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a presidência 
da República com os governadores de São Paulo, Franco Montoro (PMDB), e do 
Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT). 
Lula foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com a maior votação do 
país. Concorreu à presidência da República em 1989, quando foi derrotado no 
segundo turno por Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu 
para Fernando Henrique Cardoso. 
Em 1995, deixou a presidência do PT e tornou-se presidente de honra do 
partido. Em 2002, foi eleito presidente do Brasil com votação recorde de 50 milhões 
de votos. Reelegeu-se em 2006, vencendo, em segundo turno, o candidato do 
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), Geraldo Alckmin. 
Na presidência, a gestão de Lula seguiu a política econômica de seu 
antecessor, conseguindo com isso colocar o país no rumo do desenvolvimento 
econômico. 
Lula também surpreendeu os observadores da cena política por conseguir 
manter altos índices de aprovação e popularidade, descolando-se das denúncias 
de corrupção que atingiram seus auxiliares mais próximos. 
É inédito na história do Brasil o fato de um presidente concluir seu segundo 
mandato com um índice de popularidade de 87% (pesquisa CNT/Sensus). Trata-se 
de um recorde mundial. Fiel ao estilo que marcou seu governo, Lula se despediu 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 101 
da Presidência com choro e nos braços da multidão, tendo sido o centro das 
atenções na cerimônia de entrega da faixa à sucessora Dilma Rousseff, no Palácio 
do Planalto, em 1 de janeiro de 2011. 
Dilma Rousseff 
Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como 
Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana Rousseff, 
em 1969, já vivendo na clandestinidade, usa vários codinomes para não ser 
encontrada pelas forças de repressão aos opositores do regime militar. 
No mesmo ano, o Colina e a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) se 
unem, formando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). 
Em julho, a VAR-Palmares rouba o "cofre do Adhemar", que teria pertencido ao ex-
governador de São Paulo Adhemar de Barros. 
A ação ocorreu no Rio de Janeiro e teria rendido à guerrilha US$ 2,4 milhões. 
Dilma nega ter participado dessa operação, mas há quem afirme que ela teria, 
pelo menos, ajudado a planejar o assalto. 
Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, o promotor militar responsável 
pela acusação a qualificou de "papisa da subversão". Fica detida na Oban 
(Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. 
Condenada em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter conseguido redução 
de pena no STM (Superior Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre, onde 
cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do RS. 
DO PDT AO PT 
Filia-se, então, ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel 
Brizola em 1979, depois que o governo militar concedeu anistia política a todos os 
envolvidos nos anos duros da ditadura. 
Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de 
Porto Alegre (1986-89), presidente da Fundação de Economia e Estatística do 
Estado do Rio Grande do Sul (1991-93) e secretária de estado de Energia, Minas e 
Comunicações em dois governos: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). Filiada 
ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001, coordenou a equipe de Infra-
Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando Henrique 
Cardoso e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se membro do grupo 
responsável pelo programa de Energia do governo petista. 
MINISTÉRIOS 
Dilma Rousseff foi ministra da pasta das Minas e Energia entre 2003 e junho de 
2005, passando a ocupar o cargo de Ministra-Chefe da Casa Civil desde a 
demissão de José Dirceu de Oliveira e Silva, em 16 de junho de 2005, acusado de 
corrupção. 
Em 2008, a Casa Civil foi envolvida em duas denúncias. Primeiro, a da 
montagem de um provável dossiê contendo gastos pessoais do ex-presidente 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 102 
Fernando Henrique Cardoso. O dossiê seria uma suposta tentativa de silenciar a 
oposição, que, diante do escândalo dos gastos com cartões de créditos 
corporativos realizados por membros do governo federal, exigia a divulgação dos 
gastos pessoais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua esposa. Depois, em 
junho, a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, 
acusou a CasaCivil de ter pressionado a agência durante o processo de venda 
da empresa Varig ao fundo de investimentos norte-americano Matlin Patterson e 
seus três sócios brasileiros. Dilma Rousseff negou enfaticamente todas as 
acusações. 
Em 9 de agosto de 2009, a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, disse 
ao jornal Folha de S. Paulo que, num encontro com Dilma, a ministra teria pedido 
que uma investigação realizada em empresas da família Sarney fosse concluída 
rapidamente. Dilma negou a declaração de Lina, que, por sua vez, reafirmou a 
acusação em depoimento no Senado Federal, mas não apresentou provas. 
De guerrilheira na década de 1970 a participante da administração pública 
em diferentes governos, Dilma Vana Rousseff tornou-se uma figura pragmática, de 
importância central no governo Lula. No dia 20 de fevereiro de 2010, durante o 4º 
Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, Dilma foi aclamada pré-
candidata do PT à presidência da República. Em 31 de março, obedecendo à lei 
eleitoral, afastou-se do cargo de ministra-chefe da Casa Civil. Durante a cerimônia 
de transferência do cargo, assumido por Erenice Guerra, Dilma afirmou, referindo-
se ao governo Lula: "Com o senhor nós vencemos. Vencemos a miséria, a pobreza 
ou parte dela, vencemos a submissão, a estagnação, o pessimismo, o 
conformismo e a indignidade". 
Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais de 2010, no segundo turno, 
com 56,05% dos votos válidos (derrotou o candidato José Serra, que obteve 43,95% 
dos votos válidos), tornando-se a primeira mulher na presidência da República 
Federativa do Brasil. Ao tomar posse, no dia 1º de janeiro de 2011, discursando no 
Congresso Nacional, Dilma afirmou: “Meu compromisso supremo [...] é honrar as 
mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! [...] A luta mais 
obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a 
criação de oportunidades para todos”. 
 
 
Crise nos Ministérios 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 103 
Ao todo, sete ministérios já foram alvos de denúncias de irregularidades nos 
últimos meses. No Turismo, pasta comandada pelo peemedebista Pedro Novais, a 
Polícia Federal investiga desvios relacionados a convênios de capacitação 
profissional no Amapá. Na ação, com cerca de 200 policiais federais, divididos em 
São Paulo, Brasília e Macapá, a PF cumpriu 19 mandados de prisão preventiva e 19 
mandados de prisão temporária-também foram expedidos sete mandados de 
busca e apreensão. 
A operação investiga o desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do 
Turismo por meio de emendas parlamentares. Além dos presos, estão envolvidos 
funcionários do Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura 
Sustentável), foco da fraude, e empresários, de acordo com a PF. 
 
 
 
A devassa no Ministério do Turismo acontece pouco após Dilma comandar 
uma espécie de "faxina" no Ministério dos Transportes, alvo de suspeitas de 
corrupção e de superfaturamento de obras envolvendo também o Dnit 
(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e a Valec (estatal de 
ferrovias). Reportagem da revista "Veja" revelou um suposto esquema de 
cobrança de propinas em obras federais da pasta e mencionou o envolvimento 
de assessores diretos do ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), 
que pediu demissão do cargo no mês passado. 
Após as denúncias, mais de 20 pessoas deixaram os cargos, entre servidores do 
ministério, do Dnit e da Valec. A "faxina" no ministério, comandado pelo PR, 
estremeceu a relação do governo com o partido da base aliada. O governo 
também enfrenta suspeita de irregularidades no Ministério da Agriculutra desde 
que ex-diretor financeiro da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), 
Oscar Jucá Neto, irmão do líder no governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), 
afirmar que "há bandidos" no órgão e sugerir que o ministro Wagner Rossi 
participava de esquemas de corrupção. 
Reportagem da revista "Isto É" mostrou que o Ministério das Cidades libera 
recursos para obras classificadas como irregulares pelo TCU (Tribunal de Contas da 
União) e que age a favor de empresas que, juntas, doaram cerca de R$ 15 milhões 
em 2010 para campanhas eleitorais do PP, partido que comanda o ministério. 
A revista "Época" revelou a existência de um esquema de cobrança de 
propinas dentro da ANP (Agência Nacional do Petróleo), ligada ao Ministério de 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 104 
Minas e Energia. Segundo a revista, a advogada Vanusa Sampaio, que representa 
companhias do ramo, foi procurada por dois assessores do órgão em 2008. Os 
dois, Antonio José Moreira e Daniel Carvalho de Lima, disseram falar em nome do 
então superintendente Edson Silva, ex-deputado federal pelo PC do B, e 
explicaram que cobravam propina em troca de facilidades na agência. O 
encontro foi gravado. Em nota, a ANP rejeitou as acusações, que classificou como 
"falsidades", e afirmou que os dois assessores nunca foram do quadro de servidores 
permanentes da agência. 
No último domingo, 4 de dezembro de 2011, O ministro do Trabalho e Emprego, 
Carlos Lupi, renunciou neste domingo, tornando-se o sexto ministro do governo de 
Dilma Rousseff a deixar o cargo após denúncias de corrupção. Lupi foi alvo de 
diversas denúncias nas últimas semanas, como a de se beneficiar de convênios 
irrelugares do seu ministério com ONGs, a de ter trabalhado como "funcionário 
fantasma" na Câmara de Deputados e a de ter viajado em um jatinho de 
propriedade de Adair Meira, dirigente da ONG Pró-Cerrado, que possui convênios 
com o ministério. 
Perto de completar 12 meses de governo, a presidente Dilma Rousseff (PT) 
mantém um nível de avaliação estável, segundo nova pesquisa Datafolha. O 
levantamento mostra que as medidas recentes para conter a atividade 
econômica e o crédito ao consumidor, além de denúncias de corrupção em seu 
ministério, não afetaram a percepção dos brasileiros sobre o desempenho da 
presidente. Segundo a pesquisa, realizada entre os dias 2 e 5 de agosto, o governo 
da petista é considerado ótimo ou bom por 48% dos brasileiros com 16 anos ou 
mais. É um índice similar ao verificado em levantamentos feitos em junho (49%) e 
março (47%) passados. 
Nem mesmo a demissão de diversos colaboradores suspeitos de atos de 
corrupção e tráfico de influência em seu governo afetaram, positivamente ou 
negativamente, a avaliação da presidente. A fatia dos que consideram a gestão 
de Dilma regular é de 39%, variação positiva de um ponto sobre a marca de julho 
(38%). Em março, foi de 34%. Consideram o governo Dilma Rousseff ruim ou 
péssimo 11% dos brasileiros, ante 10% em junho e 7% em março. Na pesquisa atual, 
3% não souberam avaliar a presidência da petista. O Datafolha ouviu 5.254 
pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil. A margem de erro do 
levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 
Estabilidade 
 
Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, Dilma tem um nível de ótimo e bom 
menor (43%) do que a média (48%) e do que entre as demais faixas de idade. No 
grupo formado pelos menos escolarizados, que estudaram até o ensino 
fundamental (52%), o índice dos que avaliam o governo da petista como ótimo ou 
bom é, proporcionalmente, maior do que entre aqueles que possuem ensino 
médio (45%) e superior (44%). 
Na análise por renda, ela também é melhor avaliada por aqueles que têm 
renda mensal de até cinco salários mínimos (49%) do que entre os brasileiros que 
têm renda familiar de mais de 10 salários mínimos por mês (44%). 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 105 
No interior, 51% avaliam a gestão Dilma como ótima ou boa, fatia 
proporcionalmente maior do que nas regiões metropolitanas (44%). 
A nota atribuída ao governo de Dilma também se mantém estável: era de 6,9 
em março, foi a 6,8 em julho e agora fica em 6,7. 
AQUÍFERO ALTER DO CHÃO 
DEBAIXO DA TERRA EXISTEM LAGOS GIGANTES, DE ÁGUA POTÁVEL, 
CHAMADOS AQUÍFEROS. AQUÍFERO É UMA FORMAÇÃO OU GRUPO DE 
FORMAÇÕES GEOLÓGICAS QUEPODE ARMAZENAR ÁGUA SUBTERRÂNEA. 
ATÉ AGORA, O MAIOR DO PLANETA ERA O GUARANI, QUE SE ESPALHA 
PELO BRASIL, PARAGUAI, ARGENTINA E URUGUAI. PORÉM, RECENTEMENTE, 
PESQUISADORES DO PARÁ E DO CEARÁ DESCOBRIRAM QUE A AMAZÔNIA 
TEM O MAIOR RESERVATÓRIO SUBTERRÂNEO DE ÁGUA DO PLANETA. 
A reserva subterrânea está localizada sob os estados do Amazonas, Pará e 
Amapá e tem volume de 86 mil km³ de água doce, o que seria suficiente para 
abastecer a população mundial em cerca de 300 a 400 anos. Em termos 
comparativos, a reserva Alter do Chão tem quase o dobro do volume de água 
potável que o Aquífero Guarani - com 45 mil km³ de volume. Para Marco Antonio 
Oliveira, superintendente do Serviço Geológico do Brasil, em Manaus, a revelação 
de que o Aquífero Alter do Chão é o maior do mundo comprova que esse tipo de 
reserva segue a proporção de tamanho da Bacia Hidrográfica que fica acima 
dela. "Cerca de 40% do abastecimento de água de Manaus é originário do 
Aquífero Alter do Chão. 
As demais cidades do Amazonas têm 100% do abastecimento tirado da 
reserva subterrânea. São Paulo, por exemplo, tem seu abastecimento em torno de 
30% vindo do Aquífero Guarani." 
ENERGIA E MEIO AMBIENTE 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 106 
 
 
O Superintendente disse, ainda, que a reserva, na área que corresponde a 
Manaus, já está muito contaminada. "É onde o aquífero aflora e também onde a 
coleta de esgoto é insuficiente. Ainda é alto o volume de emissão de esgoto 'in 
natura' nos igarapés da região." Marcos Antônio Oliveira faz um alerta para a 
exploração comercial da água no Aquífero Alter do Chão. "A água dessa reserva 
é potável, o que demanda menos tratamento químico. Por outro lado, a médio e 
longo prazo, a exploração mais interessante é da água dos rios, pois a 
recuperação da reserva é mais rápida. A vazão do Rio Amazonas é de 200 mil 
m³/segundo. Já nas reservas subterrâneas, a recarga é muito mais lenta. 
Segundo o superintendente a qualidade da água que pode ser explorada no 
Alter do Chão é incomparável ao do aquífero Guarani. "A região amazônica é 
menos habitada e por isso menos poluente. 
No Guarani, há um problema sério de flúor, metais pesados e inseticidas 
usados na agricultura. A formação rochosa é diferente e filtra menos a água da 
superfície. No Alter do Chão as rochas são mais arenosas, o que permite uma 
filtragem da recarga de água na reserva subterrânea". 
ÁGUA, UMA ESCASSEZ ANUNCIADA! 
O volume de água na Terra está estimado em 1 trilhão e 386 bilhões de 
quilômetros cúbicos (Km3). Apesar de aparentemente abundante, a maior parte 
da água é salgada. A cada ano, a energia do Sol faz com que um volume de 
aproximadamente 500.000 Km3 de água se evapore especialmente dos oceanos, 
embora também de lagos e rios. Essa água retorna para os continentes e ilhas, ou 
para os oceanos, sob a forma de precipitações: chuva ou neve. Os continentes e 
ilhas têm um saldo positivo nesse processo. Estima-se que eles “retirem” dos 
oceanos perto de 40.000 Km3 por ano. É esse saldo que alimenta as nascentes dos 
rios, recarrega os depósitos subterrâneos, e depois retorna aos oceanos pelo 
deságüe dos rios. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 107 
 
 
Toda vez que é discutida a falta de água em muitas regiões do mundo, o bom 
senso pergunta: com tantos oceanos, por que não transformar a água do mar em 
água potável em grande escala por meio da dessalinização? É uma solução 
interessante, mas não tão simples nem tão viável quanto parece. Será a 
dessalinização da água do mar a resposta aos problemas de escassez de água no 
mundo? Muitos acham que sim, sendo esta uma opinião bastante difundida na 
opinião pública. 
Muitos consideram a dessalinização como uma solução de alta tecnologia de 
custos proibitivos, não é adequada para resolver um problema global de 
abastecimento em água causado, principalmente, pelo desperdício. Para eles, no 
melhor dos casos ela pode representar apenas uma das soluções possíveis para 
resolver problemas pontuais de abastecimento, relativos a uma demanda 
específica. 
 
 
 
BIOCOMBUSTÍVEIS: HERÓIS OU VILÕES? 
 
Diante da fome e da escassez de água potável, o que significa plantar 
energia? A utilização de parcela crescente das terras agriculturáveis do mundo 
para o plantio de matéria prima de biocombustívies levanta questão sobre os 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 108 
problemas da fome e da falta d’água que atingem cerca de um bilhão de 
pessoas. 
O etanol, combustível muito em voga depois da recente divulgação das 
perspectivas sombrias do aquecimento global, há tempos tem jogado um papel 
importante no cenário agrícola mundial, uma vez que se trata de energia 
produzida, basicamente, a partir da cana de açúcar, do milho e de madeira. 
Para o mercado internacional, é fato que o etanol é muito mais uma 
alternativa aos altos preços do petróleo do que uma preocupação ambiental, o 
que alimenta todo tipo de especulações sobre o seu potencial de crescimento. 
Segundo o consultor ambiental e editor da revista inglesa New Scientist, Fred 
Pearce, “a cana é uma das culturas mais sedentas do planeta. Na maior parte do 
mundo, utilizam-se caros sistemas de irrigação que têm atingido grandes rios e 
lençóis freáticos. A medida de consumo da cana é de 600 toneladas de água 
para uma tonelada de produto”. Atualmente, adenda, 1 bilhão de pessoas não 
tem acesso à água potável. 
Segundo o pesquisador da Embrapa, José Maria Ferraz, os gastos de água 
embutidos tanto na produção de cana quanto na do próprio etanol – na 
produção de um litro de álcool gasta-se 13 litros de água, e ainda sobram 12 litros 
de vinhoto, sub-produto extremamente poluente normalmente utilizado na 
adubação dos canaviais – não é considerada no preço de venda, o que, do 
ponto de vista econômico, é uma grande desvantagem para o produtor, uma vez 
que a água está se tornando um bem altamente valorizado. 
Em um mundo onde, de acordo com as Nações Unidas, 1 bilhão de pessoas 
sofre de fome crônica e má nutrição, e 24 mil morrem diariamente de causas 
relacionadas a esses problemas, entre estes, 18 mil são crianças. 
A situação é mais grave na Somália, onde 29 mil crianças morreram de julho a 
setembro – uma média de 300 por dia – e 640 mil estão subnutridas, podendo 
morrer nos próximos meses. Cerca de 3,2 milhões de somalianos (quase metade da 
população) dependem de doações de alimentos para sobreviver. A ONU 
(Organização das Nações Unidas) decretou crise de fome no país em 20 de julho. 
O estado de emergência é declarado quando a fome atinge 20% das famílias e o 
índice de subnutrição ultrapassa 30% da população infantil. Na região de Bay, 
uma das seis em estado crítico na Somália, a taxa de desnutrição entre crianças é 
de 58%, a mais alta no país. 
Desde os anos 1980, foi a primeira vez que a ONU declarou crise de fome no 
continente africano. Todos os dias, centenas de pessoas partem de suas cidades 
em direção a acampamentos improvisados na capital, Mogadíscio, e nos 
arredores. As barracas já abrigam mais de 400 mil somalianos. 
Campos de refugiados mantidos pela ONU como o de Dadaab, na fronteira com 
o Quênia, tornaram-se refúgio para os exilados. O campo foi criado em 1991 para 
receber refugiados da guerra civil da Somália e hoje é o maior do mundo, com 
440 mil pessoas. Desde o começo do ano, recebeu mais 170 mil refugiados por 
conta da fome, e o número aumenta a cada dia. Faz-se necessário questionar se 
as terras do planeta se destinarão preferencialmente a atender aos cerca de 800 
milhões de proprietários de automóveis, ou à garantia da segurança alimentar 
mundial. E mais, se o Sul continuará a desempenhar o papel de fornecedor da 
matéria prima necessária para possibilitar ao Norte manter seu padrão de 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 109 
consumo. O caso mais conhecido de impactos da demanda por etanol sobre a 
segurança alimentar vem ocorrendo no México, atualmente grande fornecedor 
de milho para fabricação de biocombustível para os EUA. Nos últimos anos,a 
exportação do grão levou a um aumento exponencial (em algumas regiões 
chegou a 100%) do preço da tortilla de milho, base da alimentação de mais de 
50% da população mexicana. Em proporção parecida, também houve aumento 
da ração animal (gado, aves, suínos e outros) e das sementes para plantio. 
 
CRISE MUNDIAL DE ALIMENTOS 
 
Os alimentos estão mais caros e, no mundo todo, o tema deixa autoridades em 
alerta e esquenta debates em torno das possíveis causas para a escassez de 
comida. 
Para explicar a crise atual, no entanto, não é possível eleger um “vilão” 
específico. Segundo especialistas, são muitos os fatores que culminaram no 
cenário de inflação agravado desde 2008. 
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e 
Alimentação (FAO) os principais fatores que influenciam a alta dos preços dos 
alimentos relacionam-se ao(s): 
1ª - O aumento da demanda. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 110 
2ª - Biocombustíveis. 
3ª - Condições climáticas desfavoráveis. 
4ª - A alta do petróleo. 
 
Durante seu segundo mandato, o ex-presidente Lula transcreveu o slogan “O 
Petróleo é Nosso” da era Vargas para “O Biodiesel é Nosso”. Começam a 
aparecer propostas que representam um consenso mundial em tornar as políticas 
públicas ambientalmente mais sustentáveis. Mas até onde vai a vontade política? 
Em que medida os governos e o mercado têm direito de transformar a 
agricultura produtora de alimentos em produtora de combustível? É um debate 
ético urgente. Ou, mais que ética, quando esta em jogo a sobrevivência mais 
básica da população mundial e seu direito fundamental à comida e à água. 
 
HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE 
O Projeto de construção da usina de Belo Monte tem cerca de 30 anos. Ela 
nasceu de estudos feitos pela estatal Central Elétricas do Norte do Brasil 
(Eletronorte), empresa que fornece energia elétrica aos nove estados da 
Amazônia Legal. A previsão é que, em janeiro de 2015, a concessionária que 
venceu o leilão ligará a primeira máquina da usina e começará a gerar energia. 
Apesar de o projeto prever a capacidade instalada de 11.233 MW, a oferta 
média de energia não passará de 4.500 MW médios. 
A relação entre potência instalada e geração firme que poderá ser extraída da 
usina será de 40% do poder das turbinas que receberão as águas do Rio Xingu. É 
uma das piores relações potência/energia firme do sistema elétrico brasileiro. 
Além disso, existem inúmeros impactos ambientais, socioeconômicos e histórico-
culturais que serão gerados com a construção da usina. Mais de 600 km2 serão 
inundados, forçando a retirada de populações ribeirinhas e de várias reservas 
indígenas. Nas áreas inundadas, muitas plantas sofrerão processos de 
apodrecimento, decorrentes da não adaptação as inundações, gerando a 
emissão de gases do efeito estufa. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 111 
 
 
 
 
VAZAMENTO NA BACIA DE CAMPOS (RJ) 
 
O vazamento de milhares de litros de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de 
Janeiro, evidenciou o quanto o governo brasileiro está despreparado para lidar 
com acidentes dessa natureza. 
O acidente aconteceu no Campo do Frade, localizado a 120 km do litoral 
fluminense, no dia 8 de novembro. Ainda não se sabe ao certo a extensão do 
desastre e nem o impacto à biodiversidade marinha e à pesca na região. 
A multinacional Chevron do Brasil, que explora o campo, assumiu a 
responsabilidade pelo derramamento de óleo. No dia 23 de novembro, a ANP 
(Agência Nacional do Petróleo) determinou a suspensão das atividades da 
empresa no país até que sejam explicadas as causas e identificados os 
responsáveis pelo acidente. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 112 
 
 
A ANP também negou o pedido de abertura de um novo poço no Campo do 
Frade, que teria como objetivo atingir a camada pré-sal. A empresa americana 
explora 12 poços na Bacia de Campos e produz 79 mil barris diários. 
 
 
 
A Chevron já recebeu multas de R$ 50 milhões e de R$ 100 milhões, aplicadas, 
respectivamente, pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos 
Naturais Renováveis) e pela ANP. O Estado do Rio de Janeiro também entrou com 
uma ação civil pública para pedir indenizações de R$ 100 milhões. 
A mancha de óleo se estendeu por uma área de 163 quilômetros quadrados, o 
equivalente a 16,3 mil campos de futebol. No último dia 22, a ANP informou que a 
mancha havia sido reduzida a dois quilômetros quadrados. 
O volume vazado seria o correspondente a 2,4 mil barris (381,6 mil litros), de 
acordo com a Chevron. Dezenas de espécies de baleias, golfinhos e pequenos 
cetáceos que usam a Bacia de Campos como rota de migração podem ser 
afetados pelo óleo. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 113 
 
 
Em janeiro de 2000, 1,3 milhão de litros de óleo vazaram na Refinaria Duque de 
Caxias, da Petrobras, na Baía de Guanabara. Em julho do mesmo ano, outros 4 
milhões de litros de óleo cru foram derramados da Refinaria Presidente Getúlio 
Vargas, em Araucária (PR). 
A Bacia de Campos possui as maiores reservas de petróleo do Brasil e responde 
por 80% de toda a produção nacional do minério. Há quatro anos foi anunciada 
as descoberta de uma imensa reserva na camada pré-sal, o que tornaria o Brasil 
um dos principais produtores e exportadores mundiais de petróleo e derivados. 
 
 
Há hoje 140 plataformas marítimas em atividades nas bacias de Campos, 
Santos e Espírito Santo, a maioria pertencente à Petrobras. 
O vazamento no Campo do Frade serviu de alerta para a falta de fiscalização 
e de preparo do Estado em prevenir e conter desastres ambientais provocados 
por derramamento de óleo, na exploração de petróleo na camada pré-sal. Como 
o pré-sal fica distante da costa, medidas de segurança envolvem custos mais altos 
e complexa logística na sua adoção. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 114 
No ano passado, após o desastre ocorrido no Golfo do México, um dos maiores 
vazamentos do mundo, o governo brasileiro se comprometeu em criar um Plano 
Nacional de Contingência para Derramamento de Óleo. 
O objetivo do plano seria preparar uma estratégia de contenção de 
vazamentos de grandes proporções, evitando a degradação ambiental, 
contaminação da fauna e da flora marinhas e prejuízos à pesca e turismo. De 
acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o projeto está em fase de conclusão e 
será enviado ao Congresso para ser votado. 
 
PRODUÇÃO NUCLEAR BRASILEIRA 
 
Em setembro de 2011, o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, anunciou 
que o Brasil deve manter os planos para concluir a terceira usina nuclear do país e 
construir outras quatro após ter revisado de maneira satisfatória a segurança das 
duas usinas que estão atualmente em operação. 
Após o acidente nuclear em Fukushima, no dia 11 de março deste ano, vários 
países decidiram revisar seus programas nucleares em diferentes setores. 
O Brasil opera duas usinas nucleares com tecnologia alemã em Angra dos Reis, 
no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Angra I, com capacidade de 657 
megawatts, entrou em operação plena em 1982 e Angra II, com uma potência de 
1.350 megawatts, em 2001. 
A terceira usina, Angra III, já está em construção e deve começar a funcionar, 
com uma capacidade de geração de 1.300 megawatts, em 2015. 
O Governo definirá somente em 2012 os locais nos quais serão construídas as 
outras quatro usinas, embora o ministro tenha admitido que duas delas vão estar 
localizadas no sudeste do país e as outras duas no nordeste. 
A reserva conhecida de Urânio no Brasil é de 309.000 toneladas, sendo a 6ª 
reserva mundial. 
Essa reserva corresponde a apenas 30% do território prospectado, apenas até 
100 m de profundidade e seria suficiente para operar Angra I, II e III por mais 520 
anos. 
Fukushima não foi o primeiro acidente nuclear da história, nem tão pouco o 
pior. 
Em 1986, O desastre em Chernobyl, na Ucrânia, foi o mais grave da história. 
Uma falha no resfriamento causou a explosão do reator, mas as autoridades 
levaram 30 horas para orientara população a sair, tarde demais: o então governo 
soviético admitiu 15 mil mortes, mas, pelas contas de organizações não 
governamentais foram pelo menos 80 mil vítimas. 
Um exército de operários, sem equipamento apropriado, passou seis meses 
construindo uma estrutura de isolamento sobre o reator. Nenhum trabalhador 
sobreviveu. 
Após 25 anos, os níveis de radiação baixaram e o governo da Ucrânia abriu a 
área para a visitação. Na cidade abandonada, a cena é fantasmagórica: as 
construções ainda guardam os símbolos do regime soviético, que controlava a 
vida e a morte das pessoas. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 115 
 
 
 
 
No Brasil, em 1987, o acidente com o césio-137 atingiu Goiânia, quando uma 
cápsula com 19 gramas do elemento radioativo foi aberta em um ferro-velho. 
Quatro pessoas morreram no mês seguinte devido à exposição aguda à 
radiação. Este é o número oficial de mortes considerado pela Secretaria da Saúde 
do Estado de Goiás, que tem hoje 943 vítimas cadastradas para receber 
acompanhamento no Centro de Assistência aos Radioacidentados Leide das 
Neves Ferreira (fundado no ano seguinte para atender a população afetada). 
Apesar dos acidentes citados, ressalta-se que a produção nuclear é considerada 
uma das mais seguras do mundo, porém passível de desastres, como os que foram 
mencionados. 
Aspectos Positivos 
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Prof. Nilton Matos 116 
- Não há emissões de gases de efeito estufa 
- Poucas limitações de recursos 
- Alta densidade energética 
Aspectos Negativos 
- Sem solução para eliminação dos resíduos 
- Operação arriscada e perigosa 
- Muito intensivo em capital 
IRÃ E A QUESTÃO NUCLEAR 
 
O Conselho de Diretores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) 
adotou, no dia 18 de novembro de 2011, uma nova resolução contra o Irã, 
expressando sua profunda preocupação quanto à suspeita dimensão militar de 
seu programa nuclear. Como resposta a essa resolução, dezenas de manifestantes 
invadiram, no último dia 29 de novembro, o prédio da embaixada do Reino Unido 
em Teerã, capital do Irã. 
Os manifestantes, que protestavam contra as sanções de Londres a Teerã por 
causa de seu programa nuclear, também quebraram as janelas com pedras e 
queimaram bandeiras britânicas e israelenses. O Parlamento iraniano aprovou 
uma lei que reduz as relações diplomáticas ao nível de encarregado de negócios 
e prevê a expulsão do embaixador britânico em um prazo de duas semanas. A 
decisão foi adotada em represália às novas sanções econômicas contra o Irã 
anunciadas pelo Reino Unido, em conjunto com Estados Unidos e Canadá, depois 
da publicação de um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica 
(AIEA) que evidencia as suspeitas dos ocidentais de que o Irã tenta produzir 
armamento nuclear. 
 
 
 
 
O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse, após a resolução, que 
a decisão apenas fortalece a determinação iraniana de prosseguir com suas 
atividades nucleares. O presidente Barack Obama "ressaltou em diversas ocasiões 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 117 
que estamos decididos a evitar que o Irã adquira bombas nucleares" porque isso 
"representaria um grave atentado à paz regional e à segurança mundial". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O governo americano indicou que a AIEA aprovou a resolução "porque 
trabalhamos com outros (países) para construir uma extensa coalizão internacional 
para pressionar e isolar o regime iraniano, incluindo sanções sem precedentes 
contra o regime". 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 118 
 
O Reino Unido e a Alemanha afirmaram, no dia 1º de dezembro, em Bruxelas, 
que pretendem isolar financeiramente o governo iraniano, em um momento em 
que se intensifica a crise diplomática entre Teerã e Londres após os ataques e 
saques da sede da representação britânica na capital iraniana. 
No mesmo dia, os senadores norte-americanos votaram a favor de incluir a 
medida, que visa a isolar o Banco Central do Irã do sistema financeiro mundial, no 
projeto de lei de financiamento do Pentágono para 2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 119 
 
 
A medida, incluída através de emenda, autoriza o presidente Barack Obama a 
congelar os ativos de qualquer instituição financeira estrangeira que negocie com 
o Banco Central iraniano no setor petroleiro, e também impede o trabalho destas 
entidades nos Estados Unidos. 
O presidente tem autoridade para suspender as sanções em caso de força 
maior ou por razões humanitárias, e sua adoção também depende do 
fornecimento de petróleo suficiente por parte de outros países para não perturbar 
o mercado mundial do produto. 
PERSPECTIVAS NUCLEARES APÓS DESASTRE EM FUKUSHIMA 
O desastre na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi no nordeste do Japão 
chamou mais uma vez a atenção sobre a segurança da energia nuclear. O 
desastre irá criar reações em diferentes graus, de critérios mais severos de 
segurança (que subirão os preços de construção e diminuirão a aprovação de 
usinas) até mais resistência política e pública para o uso da energia nuclear. 
Mesmo assim, a energia nuclear aparenta continuar como uma parte significante 
do total global de produção energética, uma vez que as alternativas com maior 
viabilidade fazem com que a dependência em relação a combustíveis fósseis 
poluentes cresça. A China, em particular, está preparada para expandir sua 
indústria nuclear de forma massiva na próxima década. Ainda que a escala desses 
planos não pareça realista, em termos do conjunto global, o crescimento do 
poder nuclear na China irá, parcial ou integralmente, equivaler aos fechamentos e 
suspensões de usinas nos outros lugares. 
Antes de acontecer o desastre japonês, a energia nuclear parecia prestes a 
um renascimento cauteloso. O setor é responsável por perto de 14% da geração 
global de energia. Suas principais vantagens são que esse tipo de usina possibilita 
uma energia mais barata quando estão construídas e funcionando (tirando os 
altos custos iniciais) e não produz emissões de carbono. A energia nuclear é 
atraente também para países altamente dependentes da importação de 
hidrocarbonetos, e para aqueles com demanda de potência com crescimento 
acelerado e que não são inteiramente abastecidas com a energia fóssil, apenas. 
Japão e Coreia do Sul, ambas consumidores entusiastas da energia nuclear, 
caíram na primeira categoria. Antes do desastre de 11 de março invalidar os 
reatores de Fukushima Daiichi e forçar o desligamento de tantos outros, o Japão 
tinha 54 usinas operáveis de acordo com a Agência Internacional de Energia 
Atômica (AIEA), atrás somente dos Estados Unidos (com 104) e da França, com 58. 
Esse tipo de energia foi responsável por 27% do total da energia gerada pelo 
Japão em 2010. A Coreia do Sul tem menos usinas em operação – 21 no total – 
mas isso gerou 33% da eletricidade do país ano passado. 
A segunda categoria de países para os quais a energia nuclear manteve sua 
atratividade é daqueles de crescimento e desenvolvimento acelerado como 
China e Índia. Em ambos, a combinação de fatores, como uma população 
massiva, crescimento econômico acelerado e uma grande dependência em 
carvão, fez com que as autoridades encarassem a energia nuclear como uma 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 120 
maneira de elevar a segurança energética e combater a poluição do ar. O 
carvão continua sendo o principal combustível em ambos os países, mas reduzir 
sua parcela na geração de potência surgiu como um elemento-chave para 
políticas energéticas. Ambos os países tem planos ambiciosos para construção de 
usinas nas próximas décadas. 
O que exatamente os recentes eventos no Japão significarão para a indústria 
global permanece sem clareza. O esperado era que aumentasse a visibilidade e 
foco na questão da segurança, mas no mundo em desenvolvimento em particular 
a necessidade causada pela crescente demanda de energia ultimamente 
parece superar tais preocupações. A China, por exemplo,foi rápida em fazer 
simbólicas manifestações sobre a sua necessidade de se aproximar devagar e 
cuidadosamente da aprovação e construção de suas estações nucleares. 
Em outras partes do mundo, o impacto do incidente de Fukushima Daiichi nas 
perspectivas da indústria nuclear parecem estar misturados. O Japão está, 
seguramente, na posição mais difícil. Isso não só porque o desastre desligou usinas 
térmicas e nucleares que significavam uma porcentagem grande ta capacidade 
de geração total. Também foi porque as opções de energia não nuclear são 
muito limitadas. Maior importação de carvão e óleo, em particular, será necessária 
para acertar a questão energética até que a situação nuclear se torne mais clara. 
A maioria dos grandes usuários da energia nuclear – Estados Unidos, França, 
Rússia e Reino Unido – estão se agarrando, de diferentes maneiras, com o mesmo 
problema essencial de possuir reatores velhos que precisam ser substituídos. A 
extensão de quais precauções com segurança representarão um obstáculo para 
o processo de melhoramento parece variar. 
A França anunciou uma revisão da segurança, mas o país seguramente está 
muito comprometido com a energia nuclear, que representa 77% da geração, 
para mudar de curso dramaticamente. Também há um consenso antigo de todos 
partidos políticos em apoiar a energia nuclear. 
 
COP-17: DURBAN, ÁFRICA DO SUL. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 121 
 
 
A COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações 
Unidas), na cidade sul-africana de Durban, enfrenta grandes desafios para manter 
viva a luta contra a mudança climática. 
O acordo de cooperação entre países foi firmado em 1992 durante a Cúpula 
da Terra, realizada no Rio de Janeiro. 
A 17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas teve 
início dia 28 de novembro e irá até o dia 9 de dezembro. É um fórum multilateral 
mais amplo (com 195 países) para discutir e adotar medidas contra o 
aquecimento global. 
O texto aprovado reconhece que há uma lacuna entre a redução de 
emissões proposta pelos países e os cortes necessários para conter o aquecimento 
médio do planeta em 2 graus acima da era pré-industrial, objetivo acordado na 
última cúpula climática, em Cancún, no final do ano passado. 
Cita-se a formação de um grupo de trabalho para conduzir a criação desse 
instrumento, que deve ser concluída em 2015. A implementação deve acontecer 
a partir de 2020. O processo é denominado "Plataforma de Durban para Ação 
Aumentada". 
Segundo o texto, ele deve levar em conta recomendações do novo relatório 
do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em 
inglês), ainda por ser lançado. Estima-se que as avaliações científicas sobre as 
medidas para conter o aquecimento global devam ser mais severas. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 122 
 
Protocolo de Kyoto 
Além do texto que prevê a criação de um novo instrumento internacional para 
que os países reduzam suas emissões de carbono, foi aprovado também um 
segundo período do Protocolo de Kyoto, único acordo legalmente vinculante de 
redução de gases causadores de efeito estufa atualmente em vigor e que expira 
em 2012. O novo período vai, pelo menos, até 2017. 
O texto pretende "garantir" que até 2020 as reduções de emissões dos países 
envolvidos (basicamente os da União Europeia e a Austrália) sejam de, pelo 
menos, 25 a 40% em relação aos níveis de 1990. Como anexo, o acordo tem uma 
tabela com metas de redução para os países. 
Fundo verde 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 123 
Aprovou-se ainda, neste sábado, um texto que aprofunda o funcionamento 
do "fundo verde" climático. A Coreia do Sul, de acordo com o texto, ofereceu 
recursos para dar início a seu funcionamento. 
Mas um outro artigo "convida" as partes a contribuírem para o fundo. Um dos 
temores na COP 17 era que se estabelecesse o funcionamento desse mecanismo, 
mas que ele virasse uma "casca vazia", sem dinheiro suficiente para ser efetivo. 
Esse risco, diante da pouca disponibilidade de contribuição mostrada pelas partes 
em Durban, é iminente. 
 
Centro Tecnológico 
Outros itens acordados na última conferência do clima, em Cancún, como a 
criação de um Centro de Tecnologia do Clima, foram aprovados. Definiu-se que 
ele deve ser estabelecido no próximo ano 
Negociação 
 
O acordo foi discutido durante duas semanas. A conferência terminaria nesta 
sexta-feira, mas impasses nas negociações fizeram com que demorasse um dia a 
mais. A aprovação veio na madrugada do sábado, ministros e delegados já 
exaustos, vários deles cochilando no plenário. 
Boa parte das negociações aconteceram em "indabas", reuniões que a 
presidência sul-africana da conferência convocou nos moldes das tradicionais 
reuniões de anciãos zulus. 
A metodologia sul-africana preza pela transparência para evitar que o 
processo se corroesse por haver conversas paralelas, deixando algumas partes de 
fora - o que prejudicou, por exemplo, a conferência do Clima de Copenhague, 
em 2009. 
 
 
 
Em 2010, a cúpula de Cancún (COP-16), no México, devolveu a esperança de 
se obter um acordo internacional para a luta contra a mudança climática depois 
do fracasso da edição de Copenhague (COP-15). 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 124 
Apesar de não ter apresentado solução à questão mais complexa – a 
renovação de um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto –, a 
reunião mexicana conseguiu despertar a vontade dos países emergentes de se 
comprometer com a redução das emissões, uma das principais exigências das 
economias ocidentais. 
Além disso, foi criado o Fundo Verde para o Clima, que disponibilizará aos 
países em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 voltados para 
energias mais "limpas" e ao combate das alterações climáticas. 
Cancún designou um Comitê Transitório para traçar os mecanismos do fundo, 
que canalizará as contribuições dos países ricos aos em desenvolvimento, cujo 
objetivo é criar um novo marco econômico em que todos concorram em 
igualdade de condições. 
O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 e que entrou em vigor em 2005, 
estabeleceu compromissos legalmente vinculativos de redução de emissões de 
gases do efeito estufa para 37 países desenvolvidos e a União Europeia. O acordo 
não foi ratificado pelos Estados Unidos e não obriga que China, Índia e Brasil o 
cumpram por serem economias emergentes. 
O protocolo expira em 2012 e os negociadores estudam um segundo período 
de compromisso que sirva de transição para um novo acordo internacional 
juridicamente vinculativo. 
 
Os países em desenvolvimento consideram imprescindível que as economias 
ocidentais ratifiquem esse segundo período de compromisso do Protocolo, 
enquanto Rússia, Japão e Canadá anunciaram que não renovarão o tratado 
enquanto seus concorrentes comerciais, China, Índia e Estados Unidos não 
assumirem compromissos similares. Os países voltarão a se reunir no Catar (COP-18) 
ao final de 2012. No entanto, caso não se acerte em Durban um segundo período 
de compromisso do Protocolo de Kyoto, ele expirará em 2012, invalidando o único 
acordo de vínculo legal para a redução de emissões de gases de efeito estufa.Em 
2012, será comemorado 40 anos da primeira conferência realizadas pelas Nações 
Unidas, em Estocolmo (ECO-72), na Suécia. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 125 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AÇÃO DA CHINA E DA ÍNDIA CONTRA A 
MUDANÇA CLIMÁTICA 
É MAIOR DO QUE SE IMAGINA 
 
No ano passado, David Wheeler, um 
pesquisador do Centro para o Desenvolvimento 
Global em Washington, D.C., calculou que, se 
nada mudasse, em 2075 as emissões de gases 
de efeito estufa da Índia e da China combinadas 
equivaleriam a todas as emissões atuais e do 
passado dos países mais ricos do mundo. Em 
outras palavras, mesmo que pudéssemos fazer 
desaparecer num passe de mágica os impactos 
climáticos de todas as revoluções industriais que 
aconteceramantes dos anos 90, isso faria pouca 
diferença. Sem uma mudança dramática na 
forma como a Índia e a China fazem negócios, 
apenas postergaríamos o acerto de contas em 
algumas décadas; em 2060, estaríamos 
novamente no mesmo ponto em que estamos 
agora, correndo contra o relógio para evitar a 
catástrofe. 
Quando o Protocolo de Kyoto estava sendo 
negociado no começo dos anos 90, a Índia e a 
China mal haviam começado seu estonteante 
desenvolvimento das duas últimas décadas. O 
momento que foi um marco, há 18 meses, 
quando a China ultrapassou os EUA como o 
maior emissora de dióxido de carbono do 
mundo, mal podia ser imaginado na época. 
Ambas as nações haviam sido agrupadas 
juntamente com outros países em 
desenvolvimento. 
Até três anos atrás, a mudança climática 
não era um tema presente no debate público da 
China, embora na época a nação mais populosa 
do mundo tivesse apresentado a maior e mais 
rápida revolução industrial da história. 
Isso só mudou quando os líderes chineses 
começaram a perceber que sua situação de 
maior emissor do mundo não poderia mais ser 
ignorada. 
Os líderes também tiveram de lidar com o 
fato de que o modelo econômico sobre o qual se 
baseavam - de produtos baratos voltados para a 
exportação, com pouco valor agregado - estava 
perdendo força. 
Especialistas das universidades do país 
foram convocados para informar aos líderes 
sobre os efeitos que a mudança climática 
poderia ter para o futuro da China. 
Sua mensagem foi severa: a prosperidade 
que o Partido Comunista havia prometido, e da 
qual depende sua contínua reivindicação do 
monopólio do poder político, estaria ameaçada. 
As reservas de água do país estavam 
vulneráveis; sua segurança alimentar não 
poderia ser garantida; as cidades recém-
construídas no litoral seriam inundadas pelo 
aumento do nível dos oceanos. Partes do sul e 
do leste do país estavam vulneráveis a 
tempestades tropicais. 
O tema da mudança climática, que antes 
era tabu, logo se transformou numa aula 
obrigatória de cidadania. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 126 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O carvão continua o principal motor da 
economia, mas a China agora também tem 
as maiores instalações de energia solar e 
eólica. 
A Índia poderia ser vista como um 
problema maior. O desenvolvimento da 
Índia foi mais lento, o que significa que 
suas necessidades futuras serão maiores. E 
enquanto Pequim compreende que só a 
política não salvará o país de um clima em 
mudança, para o governo da Índia e para a 
maior parte de sua sociedade civil 
altamente ativa, falar de atenuação continua 
sendo uma conspiração contra o interesse 
nacional. 
Como a China, a Índia empreendeu 
uma corrida tardia em direção a um futuro 
de baixas emissões, anunciando planos 
ambíguos para energia solar e outros 
projetos de desenvolvimento, incluindo 
uma estratégia nacional para a água, planos 
para agricultura sustentável e a substituição 
das estações de energia ineficientes a base 
de carvão. Quase todas as noites em Nova 
Déli, há reuniões públicas lotadas para 
discutir a mudança climática, e as empresas 
indianas são bem mais eficientes do que as 
empresas públicas da China em se 
responsabilizar pelas emissões e reduzí-las. 
Nas semanas antes de Copenhague, a 
Índia começou a sinalizar uma nova 
flexibilidade - ansiosa, talvez, para se livrar 
de sua imagem obstrutiva. A China 
anunciou que irá obrigar as empresas locais 
a responderem por suas emissões e a 
reduzí-las. Essas são ofertas sérias que 
demandam uma resposta séria. Mas 
nenhum país acredita que é possível um 
acordo forte em Copenhague. 
Isabel Hilton 
(22 de novembro de 2009) 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 127 
BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO 
O buraco na camada de ozônio é causado por reações químicas na 
estratosfera, a camada superior da atmosfera, provocadas por substâncias como 
os clorofluorcarbonos (CFC), cujo uso em produtos industrializados foi restringido 
pelo Protocolo de Montreal, que entrou em vigor em 1989. 
Apesar do tratado, o efeito dessas substâncias ainda deve se fazer sentir na 
atmosfera por décadas. Acredita-se que a o buraco sobre a Antártida esteja 
recuperado até 2060. O ozônio bloqueia raios ultravioletas do Sol, que podem 
causar câncer de pele e outras doenças. 
Um estudo da Organização Mundial de Meteorologia (OMM) revelou, em 2010, 
que a camada de ozônio ficou estável na última década, com o buraco em sua 
superfície mantendo o mesmo diâmetro, sem diminuir, nem aumentar. 
Esses estudos foram divulgados no Dia Internacional pela Preservação da 
Camada de Ozônio, o trabalho foi feito e revisado por 300 cientistas ligados ao 
órgão da ONU. 
 
 
O Protocolo de Montreal é apontado como um dos responsáveis pela 
preservação da camada pelos especialistas. O montante de substâncias 
degradadoras de ozônio, lançadas na atmosfera em 2010, foi cinco vezes menor 
do que o previsto pelo acordo de Kyoto para o período entre 2008 e 2012. O 
índice que leva em conta a diminuição das emissões expressas em CO2. 
A expectativa é que a camada de ozônio volte a ser restaurada nas próximas 
décadas. Com a interrupção nos aumentos dos buracos na Antártida e no Ártico, 
o nível da película protetora da Terra deve retornar durante o meio do século 21 
ao padrão anterior a 1980, época da criação do Protocolo de Montreal. 
Cientistas anunciaram em outubro de 2011 que foi aberto um buraco na 
camada de ozônio sobre o Ártico de dimensão equivalente a cinco vezes o 
tamanho da Alemanha, igualando-se ao que existe sobre a região da Antártida. 
Provocado por um frio excepcional no Pólo Norte, este buraco se moveu 
durante 15 dias sobre o leste europeu, Rússia e Mongólia, expondo as populações 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 128 
em alguns casos a níveis elevados de radiação ultravioleta. Os cientistas 
afirmaram ainda que, a cerca de 20 quilômetros acima da superfície terrestre, 80% 
do ozônio tinha desaparecido. 
O frio intenso continua a ser o fator principal da destruição do ozônio. Pelo 
efeito do frio, o vapor da água e as moléculas de ácido nítrico se condensam e 
formam nuvens nas camadas inferiores da atmosfera. Nessas nuvens o cloro é 
formado e finalmente provoca a destruição do ozônio. 
Observações de satélites feitas entre o inverno de 2010 e a primavera de 2011 
mostraram que a camada de ozônio foi afetada entre 15 e 23 km de altura. As 
perdas mais importantes - mais de 80% - foram registradas entre os 18 e 20 km. 
Além das emissões liberadas na queima de combustíveis fósseis, o problema do 
derretimento do gelo nos solos ártico e antártico pode ser um sério problema 
futuro. A quantidade de gases-estufa liberados até 2100 pelo derretimento do 
permafrost (o solo congelado do Ártico e da Antártida) poderá ser até cinco vezes 
maior do que se imaginava. Para piorar, esses gases serão ricos em metano, que 
tem um alto poder de "multiplicar" o aquecimento global. 
A afirmação é de mais de 40 cientistas da Rede de Carbono do Permafrost, 
liderados por Edward Schuur e Benjamin Abbott, em artigo na revista científica 
"Nature". 
De acordo com a equipe de cientistas, a falta de estudos fez com que, até 
agora, a quantidade certa de carbono contido no permafrost fosse subestimada, 
assim como seus potenciais efeitos sobre o clima global. 
 
 
NOVO CÓDIGO FLORESTAL 
Criado em 1965, o Código Florestal regulamenta a exploração da terra no 
Brasil, baseado no fato de que ela é bem de interesse comum a toda a 
população. 
Ele estabelece parâmetros e limites para preservar a vegetação nativa e 
determina o tipo de compensação que deve ser feito por setores que usem 
matérias-primas, como reflorestamento, assim como as penas para responsáveis 
por desmate e outros crimes ambientais relacionado. Sua elaboração durou mais 
de dois anos e foi feita por uma equipe de técnicos. A lei que está em vigor tem 46 
anos. Agora, o Congresso Nacional prepara um novo texto.O projeto foi 
aprovado na Câmara dos Deputados em maio e desde então tramita no Senado. 
No dia 23 de novembro, o relatório foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente 
do Senado. 
A área destinada à Reserva Legal continua a mesma do texto aprovado pela 
Câmara de Deputados. Na Amazônia Legal, ela deve corresponder a 80% da 
propriedade; no cerrado, a 35%; e nas outras regiões país, a 20%. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 129 
 
Uma mudança foi abrir exceção para as pequenas propriedades. Aquelas 
com até quatro módulos fiscais ficariam isentas de recompor a Reserva Legal. O 
módulo fiscal varia de estado para estado. Quatro módulos podem ir de 20 a 440 
hectares. Outra mudança é que mesmo nas propriedades com menos de quatro 
módulos, as matas ciliares, nas margens de rios, devem ser recuperadas. Os rios 
com até dez metros de largura devem ter uma faixa de mata com no mínimo 15 
metros em cada margem. Nos rios com mais de dez metros, a faixa pode variar de 
um mínimo de 30 a um máximo de cem metros. 
As chamadas Áreas de Preservação Permamente (APPs) são os terrenos mais 
vulneráveis em propriedades particulares rurais ou urbanas. Como têm uma maior 
probabilidade de serem palco de deslizamento, erosão ou enchente, devem ser 
protegidas. É o caso das margens de rios e reservatórios, topos de morros, encostas 
em declive ou matas localizadas em leitos de rios e nascentes. A polêmica se dá 
porque o projeto de Rebelo flexibiliza a extensão e o uso dessas áreas, 
especialmente nas margens de rios já ocupadas. 
As regras agradaram ao Ministério do Meio Ambiente. “Está no equilíbrio entre 
o que é possível permitir de ocupação e o que é o mínimo necessário de 
recuperação para manter as funções ecológicas das florestas”, justifica Bráulio 
Dias, secretário da Biodiversidade do ministério. Uma das mudanças no texto foi o 
artigo 11, que proibia o uso do solo para atividades agrícolas em encostas com 
inclinação entre 25 e 45 graus. Por pressão da bancada ruralista, uma nova 
emenda modificou esse item. O novo código passaria a permitir o uso dessas 
áreas. Só seria proibida a utilização das encostas e morros com inclinação acima 
de 45 graus. 
Um dos pontos de maior discussão foi o das multas por retirada de vegetação 
em Reserva Legal e APP, Área de Preservação Permanente. Elas não seriam 
cobradas pelas infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008. A partir dessa 
data, o pagamento em dinheiro seria convertido em serviços de preservação e 
recuperação do meio ambiente. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 130 
O biólogo Ricardo Rodrigues integrou o grupo técnico da SBPC, Sociedade 
Brasileira para o Progresso da Ciência, e da ABC, Academia Brasileira de Ciências, 
na discussão sobre o novo Código Florestal. 
“A negociação política foi mais forte do que a sustentação técnica. Os pontos 
positivos são a exigência da restauração de algumas áreas, a política 
diferenciada ambiental e agrícola para a propriedade familiar e reforçar a 
possibilidade de pagamento por serviços ambientais. Já os principais pontos 
negativos são considerar que a áreas que já foram degradadas são áreas 
consolidadas até 2008 e as matas ciliares só serão recuperadas parcialmente”. 
 
ETANOL E O PROBLEMA DA ENTRESSAFRA 
 
Preço do álcool dispara e chega a custar R$ 2,40 em algumas cidades. 
O preço do álcool está mais de 20% mais caro do que em 2010 e a situação 
deve piorar, pois a entressafra da cana está só começando. Os motoristas que 
têm carro flex estão preferindo abastecer com gasolina. Para os representantes do 
setor, o problema está no campo, já que a colheita da cana diminuiu por causa 
do clima mais seco e frio e também por falta de renovação dos canaviais. 
No Acre, o litro do etanol já passou de R$ 2,40 e custa em média R$ 2,52, o 
preço mais alto do país. Em quase todos os estados, o preço do álcool passa de 
R$ 2,00. As únicas exceções são Goiás (preço médio: R$ 1,98) e São Paulo (preço 
médio R$ 1,91), que é o maior produtor do país. Mesmo assim, no litoral do estado 
os motoristas têm reclamado do aumento. 
A produção de álcool caiu 20%, enquanto a frota de carros flex aumentou. 
Diante da disparada no preço, o motorista só tem uma opção: abastecer com 
gasolina. O rendimento do álcool é bem menor e para compensar, o litro tem que 
custar 30% a menos que a gasolina. 
 
 
O governo de Ernesto Geisel foi o responsável por criar o Programa Nacional do 
Álcool, o Proálcool, em 1975, com o intuito de substituir combustíveis derivados do 
petróleo, como a gasolina, por uma fonte alternativa e renovável. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 131 
 
Foi desenvolvido para evitar o aumento da dependência externa de divisas 
quando dos choques de preço de petróleo. 
O alto preço do barril estimulou o governo brasileiro a criar regras para que, 
num primeiro momento, o álcool anidro fosse adicionado à gasolina como forma 
de diminuir a importação dos barris em meio às crises no Oriente Médio. 
O consumidor responde à disparada dos preços do álcool. Na semana 
passada, as vendas pelas distribuidoras caíram 40% no país, em relação à média 
semanal de Novembro e Dezembro de 2010, de cerca de 160 milhões de litros. 
Os dados, referentes a 60% do mercado, são do Sindicom (sindicato dos 
distribuidores de combustíveis). Do início da entressafra, em novembro, até as 
últimas semanas, os preços do etanol subiram 22% no país. 
 
 
 
O fato é que desde a crise de 2008 houve poucos investimentos em aumento 
de capacidade e a oferta de álcool não acompanha o ritmo de crescimento da 
demanda. 
Na última safra, a oferta aumentou 2,7 bilhões de litros. "Mas isso ficou muito 
aquém, não conseguimos responder à velocidade da demanda com a mesma 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 132 
agilidade", completa o secretário de Agroenergia do Ministério da Agricultura, 
Manoel Bertone. 
GÁS NATURAL 
Hoje, o gás natural é um combustível largamente utilizado no mundo todo, 
respondendo por cerca de 20% do total da produção de energia. Algumas 
projeções apontam que em 2020 haverá um aumento no consumo da ordem de 
86%. Pode ser usado na forma liquida ou gasosa e há grandes reservas de gás no 
planeta. Outra vantagem do seu uso está na menor quantidade de poluição que 
provoca na atmosfera, comparativamente ao petróleo e ao carvão. 
Nos EUA, o gás natural vem sendo cada vez mais utilizado como fonte 
energética, embora sua exploração seja mais difícil e requeira altos investimentos, 
mesmo para o transporte por meio de gasodutos. Por outro lado, nem sempre a 
construção de gasodutos que tenham, por exemplo, de atravessar mais de um 
país ou caminhos extremamente longos, pode viabilizar os projetos. As maiores 
reservas do mundo estão na região do Mar Cáspio, norte da África e Rússia, 
bastante distantes das principais economias mundiais, o que dificulta e encarece 
o uso dessa fonte de energia. No Brasil cresce também o uso de gás natural, 
representando atualmente 8% do consumo total de energia. A maior parte do gás 
natural brasileiro é retirada da Bacia de Campos, onde se encontra a nossa maior 
reserva dessa fonte de energia. 
 
 
 
O funcionamento do gasoduto Bolívia-Brasil foi muito importante para o setor 
energético brasileiro, gerando um considerável aumento na oferta de gás natural 
no país. 
Esse gasoduto tem 2.593 km de extensão em território nacional e 557 km na 
Bolívia, e custou aproximadamente 2 bilhões de dólares. A rede de dutos atravessa 
os Estados de Mato grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande 
do Sul e beneficia indiretamente Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
O município de Corumbá é a porta de entrada do Gasoduto Bolívia-Brasil no 
país. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 133 
O Estado de São Paulo recebe 75% do gás natural boliviano. Os principais 
setores beneficiados diretamente pelo gás são os de química e petroquímica, 
papel e celulose, metalurgia e de alimentos e bebidas, além de ser o combustível 
também utilizado em veículos, em diversasregiões do estado. O presidente da 
Bolívia, Evo Morales, quando foi eleito em 2005, afirmou, em La Paz, que pretende 
estreitar as relações do governo boliviano com empresas estatais que exploram e 
produzem petróleo e gás natural. “Vamos fortalecer as relações com petrolíferas 
de Estado”, disse Morales. “É importante que as empresas de Estado façam um 
grande consórcio.” Apesar de não ser exatamente uma estatal, a Petrobras foi 
citada pelo presidente eleito como uma das empresas que poderiam ajudar a 
estatal boliviana YPFB a se fortalecer. A Petrobras é, segundo a definição do 
próprio governo, uma sociedade de economia mista orientada pelo governo 
brasileiro, que ainda detém a maioria das ações ordinárias da empresa com 
direito a voto. Há alguns meses, uma mudança na legislação boliviana determinou 
que a estatal YPFB volte a atuar no mercado de exploração de gás e petróleo. De 
acordo com Morales, o novo governo boliviano vê com bons olhos iniciativas 
como a Petrosul, a associação entre Brasil, Argentina e Venezuela para 
cooperação no setor de petróleo e gás. 
Evo Morales também reafirmou que pretende renegociar os contratos com 
empresas estrangeiras que exploram recursos naturais no país, mas procurou 
tranqüilizar as companhias que investiram nas reservas bolivianas. 
“Tem que haver o diálogo entre os governos e as empresas correspondentes”, 
afirmou Morales. “Aos sócios, vamos garantir que eles tenham todo o direito de 
recuperar seus investimentos. Não somente recuperar seus investimentos, mas 
tenham também o direito de lucro quando investem. Mas lucro com base no 
princípio de equilíbrio.” 
Uma das empresas que mais investiram na Bolívia nos últimos dez anos foi a 
Petrobras – mais de US$ 1 bilhão. 
Além disso, os recursos arrecadados pelo governo boliviano com impostos e 
investimentos da companhia brasileira representam cerca de 20% do PIB do país. 
O uso dos combustíveis fósseis ocorre da seguinte forma: 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 134 
 
 
 
CARVÃO MINERAL 
Embora o petróleo tenha superado o carvão mineral como principal fonte de 
energia ainda no século XIX, ele ainda é a segunda fonte de energia mais usada 
no planeta, representando 26% do total da produção mundial. 
O carvão apesar dos problemas ambientais que acarreta, é um combustível 
muito eficiente, pois tem alto poder calorífico e, ao queimar, libera grande 
quantidade de energia. Assim, é usado até hoje em siderúrgicas e em usinas 
termelétricas (para produzir vapor usado em geradores de energia elétrica), para 
aquecimento de caldeiras e de ambientes em países com invernos rigorosos, 
como também na indústria de fertilizantes. 
Assim como o Petróleo e o Gás Natural, o Carvão Mineral é extraído de bacias 
sedimentares. O carvão é o resultado de um processo de milhões de anos que 
teve início no Paleozoico, quando formações florestais foram soterradas. O carvão 
mineral terá maior qualidade quanto mais carbono tiver. 
No Brasil, além de poucas, o carvão energético brasileiro não é de boa 
qualidade. 
As bacias carboníferas ou cinturão carbonífero estão concentrados em Santa 
Catarina, no Rio Grande do Sul e no Paraná. 
As jazidas de Santa Catarina são as que apresentam melhor qualidade e, 
portanto, maior aproveitamento industrial. Apesar disso, esse carvão precisa passar 
por um processo de purificação e ser misturado ao carvão importado, antes que 
as usinas siderúrgicas o possam utilizar. 
 
ENERGIAS RENOVÁVEIS 
Energia Eólica 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 135 
 
A energia eólica tem aumentado sua participação entre as alternativas não-
poluentes de geração energética. Uma das zonas preferenciais para o 
aproveitamento da energia eólica são as áreas costeiras (litorâneas). 
 
 
 
O elevado potencial de energia eólica na interface “oceano-continente” se 
deve aos ventos regulares e constantes resultantes das diferenças térmicas e 
barométricas entre terra e mar. 
Atualmente, existem mais de 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo. 
Em 1991, a Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu como metas a 
instalação de 4.000 MW de energia eólica na Europa até o ano 2000 e 11.500 MW 
até o ano 2005. Essas e outras metas estão sendo cumpridas muito antes do 
esperado (4.000 MW em 1996, 11.500 MW em 2001). As metas atuais são de 40.000 
MW na Europa até 2010. Nos Estados Unidos, o parque eólico existente é da ordem 
de 4.600 MW instalados e com um crescimento anual em torno de 10%. Estima-se 
que em 2020 o mundo terá 12% da energia gerada pelo vento. 
No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores especiais 
para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando de Noronha (PE), 
no início dos anos 1990. Os resultados dessas medições possibilitaram a 
determinação do potencial eólico local e a instalação das primeiras turbinas 
eólicas do Brasil. 
Embora ainda haja divergências entre especialistas e instituições na estimativa 
do potencial eólico brasileiro, vários estudos indicam valores extremamente 
consideráveis. Até poucos anos, as estimativas eram da ordem de 20.000 MW. Hoje 
a maioria dos estudos indica valores maiores que 60.000 MW. 
De qualquer forma, os diversos levantamentos e estudos realizados e em 
andamento (locais, regionais e nacionais) têm dado suporte e motivado 
a exploração comercial da energia eólica no País. Os primeiros estudos foram 
feitos na região Nordeste, principalmente no Ceará e em Pernambuco. Com o 
apoio da ANEEL e do Ministério de Ciência e Tecnologia – MCT, o Centro Brasileiro 
de Energia Eólica – CBEE, da Universidade Federal 
de Pernambuco – UFPE, publicou em 1998 a primeira versão do Atlas Eólico da 
Região Nordeste. A continuidade desse trabalho resultou no Panorama do 
Potencial Eólico no Brasil. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 136 
No Brasil, a participação da energia eólica na geração de energia elétrica 
ainda é pequena. Em setembro de 2003 havia apenas 6 centrais eólicas em 
operação no País, perfazendo uma capacidade instalada de 22.075 kW. Entre 
essas centrais, destacam-se Taíba e Prainha, no Estado do Ceará, que 
representam 68% do parque eólico nacional. 
Energia Solar 
A Petrobras vai instalar no Rio Grande do Norte o maior parque de placas 
fotovoltaicas (energia solar) do Brasil. A instalação será feita em Guamaré; e o 
parque terá ao todo 956 placas. A instalação dos painéis deve estar concluída até 
o final do ano. O investimento nessa estrutura é de R$ 710.400,00. Quando estiver 
funcionando, o maior parque solar do Brasil gerará 80MWh. Toda essa energia será 
usada na Unidade Experimental de Biodiesel I. 
Quem informou foi o coordenador do Núcleo de Energias Renováveis da 
Petrobras, Henrique Landa. A energia fotovoltaica tem sido utilizada cada vez mais 
pela Petrobras em diversas unidades pelo Brasil. Em algumas plataformas 
desabitadas, a energia solar substituiu o diesel na alimentação dos dispositivos de 
medição e monitoramento. No RN, um exemplo está em Mossoró, onde uma 
unidade de bombeamento é alimentada pela eletricidade obtida através de 
painéis solares. 
O coordenador do Núcleo de Energias Renováveis da Petrobras, Henrique 
Landa, declara que o projeto de Guamaré se destaca porque serão utilizados 900 
painéis que estarão sendo verificados operacionalmente. “Em uma fase seguinte, 
vamos utilizar também a energia térmica para aquecer o fluido utilizado na 
produção da UTPF, economizando o gás que hoje é queimado”. 
Por serem coletores solares de alto rendimento, Landa explica que a 
temperatura chega a até 200 graus, utilizando toda a potencialidade. A 
expectativa é que até o final do ano o projeto esteja totalmente implantado em 
Guamaré. Os painéis já estão disponíveis no Pólo de Guamaré e aguardam 
apenas a montagem. 
Com o andamento deste projeto, a expectativa é que a tecnologia possa 
servir para as indústrias potiguares interessadas na produção de energia elétrica a 
partir do calor do sol. “Visamos, em uma fase seguinte, o uso dessa tecnologia 
para aindústria. É a possibilidade de produzir energia elétrica sem queimar um 
combustível fóssil”. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 137 
 
 
O gerente executivo de Desenvolvimento Energético, Mozart Schmitt, enfatiza 
o interesse da Petrobras em investir nestes estudos de energia renovável. “Nós 
temos olhado com atenção os potenciais da energia solar, a gente sabe que 
temos altos índices de insolação. A gente tem estudado alguns projetos para 
termossolares, isso é viável hoje economicamente, porém a competitividade de 
projetos de geração de energia elétrica a partir do aquecimento solar, hoje ainda 
não existe por aqui”. 
Não é á toa que a Petrobras vai instalar este projeto piloto de energia solar no 
Rio Grande do Norte. O Estado tem cerca de 300 dias (ou mais) de sol, cada um 
deles com aproximadamente 10 horas de sol visível. Apesar da abundância, este 
tipo de energia não é explorada em larga escala no Estado (nem no Brasil). Em 
Natal, o uso mais comum da energia que vem do sol é feito por hotéis e pousadas 
como forma de reduzir os custos relativos a energia elétrica. 
Em geral, as placas são usadas para aquecimento da água usada pelos 
hospedes. A economia gira em torno de 30%. O sistema de captação de energia 
solar é composto por painéis que captam a luz e transferem seu calor para a água 
armazenada num reservatório chamado “boiler”. E época de chuva, esse tipo de 
aquecimento tem de ser auxiliado com energia elétrica. Para aquecer água 
usada numa residência com quatro moradores, são necessários cerca de 4 metros 
quadrados de painéis. 
Energia das Marés 
É o modo de geração de eletricidade através da utilização da energia 
contida no movimento de massas de água devido às marés. Dois tipos de energia 
maremotriz podem ser obtidas: energia cinética das correntes devido às marés e 
energia potencial pela diferença de altura entre as marés alta e baixa. 
Em qualquer local a superfície do oceano oscila entre pontos altos e baixo, 
chamados marés, a cada 12h e 25m. Em certas baías e estuários, como junto ao 
Monte Saint-Michel , no estuário do rio Rance, na França, ou em São Luís, no Brasil, 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 138 
essas marés são bastante amplificadas, podendo atingir alturas da ordem de 15 
metros. As gigantescas massas de água que cobrem dois terços do planeta 
constituem o maior coletor de energia solar imaginável. 
As marés, originadas pela atração lunar, também representam uma tentadora 
fonte energética. 
Em conjunto, a temperatura dos oceanos, as ondas e as marés poderiam 
proporcionar muito mais energia do que a humanidade seria capaz de gastar , 
hoje ou no futuro, mesmo considerando que o consumo global simplesmente 
dobra de dez em dez anos. A energia das marés é obtida de modo semelhante 
ao da energia hidrelétrica. 
 
 
Constrói-se uma barragem, formando-se um reservatório junto ao mar. Quando 
a maré é alta, a água enche o reservatório, passando através da turbina 
hidráulica, tipo bulbo, e produzindo energia elétrica. Na maré baixa, o reservatório 
é esvaziado e a água que sai do reservatório passa novamente através da turbina, 
em sentido contrário, produzindo energia elétrica. 
Este tipo de fonte é também usado no Japão, na França e na Inglaterra. A 
primeira usina maremotriz construída no mundo para geração de eletrecidade foi 
a de La Rance, em 1963 capaz de gerar 240 MW. A usina possui 24 turbinas de 5,3 
metros de diâmetro, 470 toneladas e uma potência unitária de 10 MW. 
Energia Geotérmica 
 
Energia geotérmica é a energia adquirida a partir do calor que provêm do 
interior da Terra. O potencial da energia geotérmica como uma fonte limpa de 
energia levantou grandes esperanças. É importante ressaltar que o calor utilizado 
para gerar energia, vem repleto de inúmeros gases dentre eles o enxofre. Portanto, 
considerá-la plenamente limpa é arriscado. Seus defensores acreditam que ela 
pode afetar significativamente a dependência americana de combustíveis fósseis 
– potencialmente suprindo aproximadamente 15% da eletricidade do país até 
2030. 
O calor da Terra está sempre ali, esperando para ser extraído, ao contrário das 
energias eólica e solar, que são intermitentes e, portanto, mais inconstantes. 
Segundo um relatório geotérmico de 2007, financiado pelo Departamento de 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 139 
Energia, a energia geotérmica avançada poderia, em teoria, produzir 60 mil vezes 
mais a que é usada anualmente pelo país. 
Frente aos resultados estimulantes obtidos por experiências como a Central 
Geotérmica de Soultz-sous-Forêt, a revista britânica The Economist não hesitou em 
apontar a energia geotérmica, em um relatório publicado em junho, como uma 
das cinco fontes de energia do futuro. Embora o custo de exploração seja um 
problema, o maior entrave à viabilidade comercial é outro: geólogos e 
engenheiros ainda não sabem como dominar os terremotos, um de seus 
potenciais "efeitos colaterais". 
 
 
 
Nas experiências realizadas na Alsácia, o risco de micro-sismos revelou-se o 
maior empecilho técnico. O desafio é encontrar um meio de impedir que as 
injeções de água em baixa temperatura não causem rachaduras na camada de 
rochas aquecidas. O choque térmico, apontaram os testes no subsolo, podem 
provocar reacomodação e abalos sísmicos. A prova disso ocorreu em 2003, 
quando um terremoto de 2,9 graus na escala Richter foi sentido na região de 
Soultz-sous-Forêt. 
"Há risco de que zonas geológicas estáveis enfrentem mudanças de 
sismicidade. Ainda não conseguimos responder a essa questão”, reconhece 
Philippe Duma, delegado do Conselho Europeu de Energia Geotérmica. Esse 
obstáculo é o desafio dos próximos anos. Em Soultz, a solução foi a "estimulação 
química": injeção de ácido clorídrico, que reage nas rochas dissolvendo os 
carbonetos. Resta saber qual será o impacto a longo termo da solução. As 
informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 
 
 
 
 
RESERVA RAPOSA SERRA DO SOL 
Uma disputa está em curso no norte de Roraima, em torno da criação da Terra 
Indígena Raposa Serra do Sol, caracterizada por um complexo conflito de 
POLÍTICAS SÓCIOECONÔMICAS E 
TERRITORIAS 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 140 
interesses entre arrozeiros, indígenas, políticos locais, federais e ONGs. Tal 
contenda envolve aspectos econômicos, políticos, geográficos, antropológicos e 
ambientais. 
No local, fronteira com a Guiana e a Venezuela, o STF (Supremo Tribunal 
Federal) suspendeu uma operação da Polícia Federal que retirava os rizicultores 
(plantadores de arroz) da área. A decisão tomada pelo STF atende a uma 
reivindicação do governo estadual, que defende uma solução consensual para 
pôr fim ao conflito. 
 
 
Em sua defesa, os rizicultores alegam que chegaram à área antes de a reserva 
ser criada e que a atividade representa 40% da produção agrícola do Estado. 
Considerada a última grande terra indígena da Amazônia, a reserva foi 
estabelecida pelo governo federal em uma área onde havia assentamentos de 
não-índios. Para evitar o conflito, o governo de Roraima sugeriu que a reserva fosse 
delimitada por "ilhas" e não em terras contínuas, para permitir a manutenção da 
atividade agrícola. Esta proposta, porém, não foi aceita pelo governo federal, o 
que remeteu a questão ao STF. Outra grande reserva em conflito permanente é a 
Ianomâmi, que fica entre o norte do Amazonas e Roraima. Com 9,7 milhões de 
hectares (o equivalente a todo o Estado de Santa Catarina), a reserva foi invadida 
por garimpeiros e fazendeiros. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 141 
 
Um levantamento realizado pela Funai (Fundação Nacional do Índio) mostra 
que a regularização da terra não significa tranqüilidade para os indígenas. Em 
todo o país, existem aproximadamente 107 milhões de hectares destinados aos 
índios, sendo que desse total, 97 milhões (o equivalente a 90,6%) estão 
homologados. 
Em 1910 foi criado no Brasil o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), órgão que 
inaugurou a política indigenista no país.O serviço foi pioneiro na demarcação de 
terras, o que garantiu a sobrevivência das tribos. O SPI foi substituído, em 1967, pela 
Fundação Nacional do Índio (Funai). 
 
DIVISÃO DO PARÁ 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 142 
A divisão do Pará, que acontecerá caso a decisão seja aprovada em 
plebiscito estadual marcado para o dia 11 de dezembro, daria origem a três 
estados muito desiguais tanto em tamanho quanto em extensão territorial: Pará, 
Carajás e Tapajós. 
Atualmente, as principais forças da economia do Pará são a extração de 
minério e de madeira, com destaque para o ferro, bauxita, manganês, calcário, 
ouro e estanho; além da agricultura, pecuária, indústria e turismo. 
Os eleitores paraenses rejeitaram no dia 11 de dezembro a divisão do Estado. 
O resultado mostrou que 69,68% disseram não à criação do Tapajós, no sudeste do 
Pará, e 70,2%% disseram não à criação do Carajás, no oeste. 
A decisão foi considerada um revés para os partidários do sim à separação. A 
população do que seria o novo Pará, majoritariamente antidivisão, é muito 
superior à soma dos moradores das áreas separatistas: 4,6 milhões, ante 2,9 
milhões. 
Mesmo que a divisão fosse aprovada, ainda precisaria ser submetida ao crivo 
do Congresso, por meio de uma lei complementar, conforme rege a Constituição. 
Agora, uma nova proposta de consulta pela divisão do Estado só poderá ser 
apresentada na próxima legislatura, a partir de 2015. 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 143 
 
 
Estudo realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e 
Ambiental do Pará (Idesp) aponta que, caso a divisão se tornasse realidade, 
Tapajós teria mais de três vezes o tamanho do Pará já dividido, e apenas um 
quinto do seu Produto Interno Bruto (PIB). 
Para o economista Célio Costa, descentralizar a administração é fundamental 
em estados que ele classifica como “superdimensionado”, como o Pará. Segundo 
ele, o Pará tem quatro vezes o tamanho da média dos territórios dos estados 
brasileiros e “não arrecada o suficiente para cuidar dos seus milhões de 
habitantes”. Números levantados por Costa apontam que, em 2010, o estado 
gastou R$ 110 milhões a mais do que arrecadou em 2010. 
"Do ponto de vista das finanças e da dimensão territorial, que é enorme, o Pará 
é inadministrável”, afirma Costa. "Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas 
Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que têm os cinco orçamentos mais 
ricos do país, cabem dentro da área do Pará, que tem um orçamento para toda a 
região. 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 144 
 
O presidente americano é até o momento o único nome entre os democratas 
e a expectativa é de que seja confirmado como o candidato do seu partido na 
disputa. 
Em um sistema político dominado por duas siglas – Democrata e Republicano -, 
a eleição presidencial nos Estados Unidos é um processo longo e complexo. 
Veja as principais etapas do caminho rumo à Casa Branca: 
Como são escolhidos os candidatos que vão concorrer à Presidência? 
Uma candidatura à Presidência dos Estados Unidos começa mais de um ano 
antes da data da eleição, quando os políticos que pretendem concorrer formam 
comitês para analisar suas chances na disputa e arrecadar fundos para a 
campanha. 
 
Campanha nos Estados começa com um ano de antecedência 
 
ELEIÇÕES NOS EUA 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 145 
O segundo passo é declarar oficialmente sua candidatura à indicação do 
partido para concorrer à Presidência. A partir de então, os pré-candidatos 
democratas e republicanos (os dois partidos que dominam a política americana) 
começam a fazer campanha nos diferentes Estados, em uma disputa quase tão 
competitiva quanto a própria corrida presidencial. 
De janeiro a junho do ano eleitoral ocorre a temporada de primárias e caucus 
dos dois partidos, nos quais os eleitores de cada um dos 50 Estados americanos e 
alguns territórios escolhem delegados partidários, que prometem apoiar 
determinado pré-candidato. 
São esses delegados eleitos durante a temporada de prévias que irão 
participar da convenção nacional de cada partido, realizada por volta de agosto 
ou setembro, na qual o candidato de cada partido é oficialmente escolhido. 
Qual a diferença entre caucus e primária? 
Os procedimentos nos caucus e primárias variam de acordo com o partido e 
também com a lei de cada Estado. 
Nos caucus a escolha dos delegados é feita em reuniões políticas realizadas 
em residências, escolas e outros prédios públicos, nas quais os eleitores debatem 
sobre seus candidatos e temas eleitorais. 
No caso do caucus republicano de Iowa, após as discussões é realizada uma 
votação para escolher o candidato e eleger os delegados, que prometem apoiar 
aquele candidato nas convenções. 
Os delegados eleitos no caucus participam de convenções nos condados, nas 
quais são eleitos os delegados que irão às convenções estaduais que, por fim, 
definem os delegados a serem enviados à convenção nacional. Nas primárias, a 
votação segue o formato tradicional, no qual os eleitores votam em seu 
candidato por meio de cédulas. O pré-candidato que vencer a primária ganha os 
delegados daquele Estado, que irão apoiá-lo na convenção nacional. As 
primárias podem ser de três tipos. Nas fechadas, os eleitores só podem escolher o 
candidato do partido em que forem registrados. Nas abertas, geralmente os 
eleitores podem votar em apenas uma das primárias, mas independentemente do 
partido - ou seja, um democrata pode votar na primária republicana. Há ainda 
casos de primárias em que os eleitores podem votar nos candidatos dos dois 
partidos. 
Como é definido o calendário de prévias? 
Historicamente, Iowa realiza o primeiro caucus e New Hampshire a primeira 
primária. Críticos reclamam do fato de esses Estados serem pequenos (3 milhões e 
1,3 milhão de habitantes, respectivamente), rurais e com população 
majoritariamente branca, pouco representativos da população geral do país. 
Ambos, porém, defendem o lugar privilegiado no calendário eleitoral e têm leis 
estaduais que determinam que suas votações devem ocorrer antes das de outros 
Estados. 
Geralmente, há uma briga entre os Estados para realizar suas votações antes 
dos outros e, assim, receber maior atenção dos candidatos, o que também ajuda 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 146 
a colocar em evidência questões importantes para seus eleitores e aumenta as 
chances de que os problemas locais ganhem mais atenção pelo futuro 
presidente. 
Além disso, a economia dos Estados que abrem o calendário eleitoral lucra 
com os recursos extras decorrentes das propagandas eleitorais, das visitas 
frequentes dos candidatos e do assédio da imprensa. Para os candidatos, vencer 
um grande número de prévias já no início do calendário eleitoral representa um 
estímulo à campanha, e depois de muitas vitórias, as disputas nos últimos Estados 
podem se tornar irrelevantes. Diante dessa briga por influência, a cada ano 
eleitoral, novos Estados desafiam as regras de seus partidos e antecipam suas 
prévias, fazendo com que outros Estados também realizem a votação mais cedo, 
e alterando o calendário eleitoral. Neste ano, o caucus de Iowa será realizado 
nesta terça-feira, e a primária de New Hampshire no dia 10, cerca de um mês 
antes do previsto inicialmente. 
Qual a importância da Super Terça-Feira 
A Super Terça-Feira é dia em que diversos Estados realizam prévias simultâneas. 
O termo começou a ser usado na década de 80, quando três Estados realizaram 
prévias simultâneas na segunda terça-feira de março. Neste ano, está marcada 
para 6 de março e ocorre em mais de 10 Estados. 
A data é considerada crucial, já que um candidato com bom desempenho 
nessas votações simultâneas pode assumir a liderança da corrida e, em alguns 
casos, dependendo do número de delegados conquistados, já garantir a 
indicação do partido antes mesmo da convenção nacional. 
O que são os Estados decisivos? 
 
Militante de Mitt Romney hasteia bandeira de Iowa antes do caucus nopaís 
Os Estados chamados de "swing states" são aqueles em que nenhum dos dois 
partidos possui uma maioria clara na preferência dos eleitores. Portanto, esses 
Estados podem pender para um lado ou para o outro e serem decisivos na 
eleição. Flórida, Ohio, Virgínia, Colorado e Nevada são exemplos desses Estados. 
Quem são os principais pré-candidatos? 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 147 
Até então, do lado democrata, o presidente Barack Obama parece não ter 
adversários com chance de desafiar sua candidatura. 
Entre os republicanos, os principais pré-candidatos são Mitt Romney, ex-
governador de Massachusetts que já tentou a candidatura em 2008, Newt 
Gingrich, ex-presidente da Câmara dos Representantes (deputados federais) que 
galgou posições nas pesquisas de intenção de voto mais recentes, os congressitas 
Ron Paul e Michelle Bachmann, o governador do Texas, Rick Perry, o ex-senador 
Rick Santorum e o ex-governador de Utah Jon Huntsman. 
Há candidatos de outros partidos além do Democrata e do Republicano? 
Sim. Mais de 300 americanos já se inscreveram para concorrer à presidência na 
eleição de 2012, tanto pelos dois principais partidos quanto por agremiações 
menores ou mesmo como independentes. A Constituição determina que qualquer 
cidadão americano nascido nos Estados Unidos que tenha no mínimo 35 anos de 
idade e tenha vivido no país por pelo menos 14 anos pode concorrer à 
Presidência. No entanto, esses candidatos não têm chances reais de chegar à 
etapa final da disputa e terem seus nomes inscritos na cédula de votação. As 
regras para que um candidato que não seja o indicado democrata ou 
republicano tenha seu nome na cédula variam em cada Estado. Geralmente é 
exigida a apresentação de uma petição com um número determinado de 
assinaturas de eleitores registrados, que pode chegar a dezenas de milhares, 
dependendo do Estado. 
Quando os candidatos oficiais são formalmente anunciados? 
O anúncio oficial do candidato que vai concorrer à Presidência por 
determinado partido é realizado na convenção nacional, quando os delegados 
selecionados nas prévias votam no nome escolhido pelos eleitores de seus Estados. 
Nesse sistema, o pré-candidato que vencer o maior número de prévias ganha 
a promessa de apoio do maior número de delegados. O pré-candidato com o 
apoio do maior número de delegados na convenção nacional ganha a 
nomeação do partido. 
Na disputa republicana deste ano, os pré-candidatos precisarão do apoio de 
1.144 delegados (ou seja, metade mais um do total de 2.286 delegados) para 
ganhar a indicação do partido. 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 148 
Presidente Barack Obama deve concorrer a um segundo mandato 
Geralmente, quando a convenção nacional é realizada já se sabe quem será 
o indicado do partido, e o evento funciona mais como uma oportunidade de 
promover o nomeado e a agenda política do partido. No entanto, também é 
possível que dois ou mais pré-candidatos cheguem à convenção praticamente 
empatados, fazendo com que a votação seja competitiva, e não apenas uma 
coroação do candidato mais bem-sucedido. 
Além dos delegados escolhidos nas prévias, também participam das 
convenções nacionais os chamados "superdelegados". Esses "superdelegados" 
não são definidos nas prévias e não tem alinhamento definido com os pré-
candidatos, e podem escolher seu indicado na própria convenção. A convenção 
nacional também costuma ser a ocasião em que o indicado oficial do partido 
escolhe o vice de sua chapa, muitas vezes entre os pré-candidatos derrotados. 
 
Como é a votação final? 
A reta final da eleição presidencial americana começa após as convenções 
nacionais dos partidos, quando o candidato democrata e o republicano reforçam 
o investimento em prograganda e campanhas nos Estados e se enfrentam em 
debates. 
A votação final é realizada sempre na terça-feira após a primeira segunda-
feira de novembro, que neste ano cai no dia 6. Tecnicamente, os americanos não 
participam de uma eleição direta. Eles escolhem "eleitores" que se comprometem 
com determinado candidato e formam um Colégio Eleitoral que vai eleger o 
presidente. O número desses "eleitores" varia em cada Estado, de acordo com o 
tamanho da população. 
Geralmente o candidato vencedor do voto popular leva todos os votos do 
colégio eleitoral daquele Estado, mesmo que a vitória seja por uma margem 
pequena. Esse sistema permite que um candidato chegue à Casa Branca sem 
necessariamente ter o maior número de votos populares no âmbito nacional. Isso 
ocorreu em 2000, quando George W. Bush venceu Al Grore. 
Além de escolher o presidente, a eleição de 6 de novembro também vai 
renovar a Câmara dos Representantes (deputados federais) e um terço do 
Senado, além de eleger governadores em 11 Estados e dois territórios. O novo 
presidente americano, conforme a Constituição, deve tomar posse no dia 20 de 
janeiro do ano seguinte à eleição. 
A INFLUÊNCIA DO ORIENTE MÉDIO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL DOS EUA. 
Nos últimos dias, uma série de reportagens da mídia americana e europeia 
analisou as possibilidades e os efeitos de uma ofensiva aérea israelense contra as 
instalações nucleares iranianas. O NEW YORK TIMES avaliou que um ataque 
maciço, utilizando cerca 100 aviões de combate mais aeronaves de 
reabastecimento no ar – visto que os caças israelenses teriam de cruzar 3.200 km 
de ida e volta, e enfrentar a defesa antiaérea do inimigo para completar a 
operação – não garantia a destruição da ameaça nuclear do Irã. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 149 
 
 
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o país não vai ceder a 
pressões 
 
Na circunstância, Israel precisaria bombardear simultaneamente quatro 
instalações nucleares bem defendidas no sul de Teerã, sendo que duas delas, a de 
Natanz e a de Fordo, são subterrâneas. Segundo o jornal americano, a ofensiva 
poderia seguir a rota mais curta, que atravessa o espaço aéreo da Jordânia e em 
seguida o do Iraque, que não possui defesa antiaérea. 
Respondendo ao NEW YORK TIMES num artigo publicado no JERUSALEM POST, 
Yaakov Katz, comentarista militar do jornal israelense, acusou o jornal nova-
iorquino e o governo americano de “tentar minar a confiança de Israel em suas 
próprias capacidades militares” ao sublinhar os limites estratégicos da eventual 
ofensiva contra o Irã. Katz argumenta que um entendimento prévio entre Israel e 
os Estados Unidos será necessário para garantir que, após um ataque israelense, o 
Irã não possa reconstruir suas instalações militares. Na mesma ordem de ideias, 
citando o jornal israelense HAARETZ, o francês LE MONDE reproduz declarações de 
oficiais da força aérea de Israel, segundo os quais os projetos nucleares de Teerã 
só sofrerão uma interrupção “de dois ou três anos no máximo”, depois de um 
primeiro ataque. Consequentemente, uma segunda ofensiva deverá ser realizada 
em seguida, segundo o diário. 
Tais perspectivas, anunciando um conflito durável e de grandes proporções no 
Oriente Médio e na Ásia Central, levam a reativação das negociações 
diplomáticas. Um novo encontro terá lugar em breve entre o governo de Teerã e o 
chamado Grupo dos Seis que reúne os cinco membros permanentes do Conselho 
de Segurança da ONU (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia), mais 
a Alemanha. 
De todo modo, as tensões entre Israel e Irã já aumentaram o preço do petróleo 
e provocaram uma mudança no debate presidencial americano. Na verdade, 
nas primárias para disputar a eleição contra Barack Obama, os pré-candidatos 
republicanos haviam abandonado as críticas à política econômica da Casa 
Branca depois do anúncio surpreendentemente favorável do mês de janeiro, 
quando a taxa de desemprego americana caiu para 8,3%, no seu nível mais baixo 
dos últimos três anos. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 150 
Reiniciou-se então a chamada “guerra cultural”, na qual os republicanos 
atacavam o presidente Obama a respeito de questões ligadas ao aborto, à 
religião e à escola pública. Porém, a radicalizaçãodesses debates deu lugar a 
excessos – de novo voltaram as acusações de que Obama seria um muçulmano 
disfarçado – prejudicais aos pré-candidatos republicanos e em particular a Mitt 
Romney, o oponente mais ameaçador do atual presidente, segundo a maioria 
das sondagens. 
Agora, com a alta do barril do petróleo e o aumento nos postos de gasolina 
americanos, os republicanos podem retomar os ataques à Casa Branca num 
terreno mais banal e menos controverso: a alta do custo de vida durante a 
presidência de Barack Obama. 
SEMELHANÇAS ENTRE AS CAMPANHAS PRESIDENCIAIS NA FRANÇA E NOS EUA. 
Quem viaja da França para os Estados Unidos, onde as campanhas 
presidenciais estão em pleno vapor, não pode deixar de comparar o debate 
eleitoral nos dois países. Embora a eleição presidencial francesa, com os dois 
turnos fixados em abril e maio, esteja mais próxima que a presidencial americana, 
as primárias do partido republicano mergulham os Estados Unidos num longo 
período pré-eleitoral. Às vezes a cultura política dos dois países parece bastante 
próxima. Outras vezes, as diferenças são marcantes. 
 
Mitt Romney admite que fala francês e conhece a França, mas nem por isso 
deixou de atacar o "europeismo" de Obama 
 
Residindo há muito tempo em Paris e colaborador regular da revista TIME, o 
jornalista americano Donald Morrison publicou no LE MONDE um artigo sobre as 
presidenciais nos dois países. Intitulado “Uma boa escolha para o Palácio 
[presidencial] do Eliseu: Barack Obama”, o texto alinha num tom irônico as 
qualidades de Obama – sua calma, sua formação nas grandes universidades e 
sua expressão verbal bem articulada – que o aproximariam do perfil tradicional 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 151 
dos presidentes franceses anteriores a Sarkozy e o tornariam um perfeito candidato 
à presidência da França. 
Em seu primeiro grande comício dentro da campanha de reeleição - realizado 
na cidade de Marselha -, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que os 
franceses escaparam de uma grande "catástrofe" econômica e que suas 
propostas seguem centradas na unidade do país. 
Diante de aproximadamente 11 mil pessoas, Sarkozy apresentou um discurso 
moderado. "Não pretendo dizer que tivemos êxito em tudo, mas escapamos de 
uma grande catástrofe", disse o presidente em seu discurso de quase uma hora. 
Neste, o atual Chefe de Estado francês afirmou que não quer ser "um candidato 
da elite contra o povo". 
O candidato conservador, que aspira seu segundo mandato, exaltou valores 
como o trabalho, responsabilidade e autoridade, os mesmos que transformaram 
Sarkozy em presidente no ano de 2007 e que seguirão fazendo parte de sua atual 
campanha. 
Vestido com terno e gravata preto e tendo a bandeira francesa como pano 
de fundo, Sarkozy defendeu as conquistas de sua gestão diante da "tempestade" 
econômica e financeira "mais grave e perigosa que o mundo conheceu desde os 
anos 30". 
"Os que dizem que não enfrentaram nada grave estão mentindo", acrescentou 
o candidato da UMP diante dos olhares de sua esposa, Carla Bruni; do primeiro-
ministro francês, François Fillon, e do ministro de Relações Exteriores, Alain Juppé, 
entre outros que estavam nas primeiras filas. 
Além de usar em várias ocasiões seu slogan de campanha, "França forte", 
Sarkozy chegou a desafiar os presentes para mostrar os avanços de seu Governo. 
"Se um francês duvidar do que acabo digo, que pergunte aos operários 
gregos, aos aposentados italianos, aos funcionários portugueses e aos 
desempregados espanhóis, onde o índice de desemprego aparece três vezes 
mais alto que na França", prosseguiu. 
Segundo uma pesquisa publicada pela "LH2-Yahoo!" antes do comício, Sarkozy 
reduziu ligeiramente sua desvantagem ao aspirante socialista, François Hollande, e 
teria 26% dos votos no primeiro turno das eleições do próximo dia 22 de abril. No 
entanto, a mesma pesquisa aponta para uma derrota de Sarkozy no segundo 
turno, previsto para o dia 6 de maio. 
Quatro dias depois de confirmar sua intenção de reeleição, o candidato 
conservador também abordou assuntos relacionados com a imigração ilegal, 
presente em suas propostas sobre a "identidade nacional". 
"Uma imigração não controlada acarreta muito sofrimento e pode provocar 
uma tensão social, já que a taxa de desemprego na França já alcança 10%", 
alertou Sarkozy, que exaltou os "valores republicanos" contra aqueles que querem 
"separar os homens das mulheres nas piscinas municipais". 
ELEIÇÕES NA FRANÇA 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 152 
"Não queremos que nossa identidade seja sacrificada diante da moda do 
momento", ressaltou o presidente francês, que não citou expressamente o 
casamento homossexual. 
Entre bandeiras da França e gritos de incentivo, o candidato se mostrou contra 
Hollande no campo econômico, já que o opositor foi acusado de manter um 
discurso duplo e parecer "Margareth Thatcher em Londres e Mitterrand em Paris", 
em referência a uma entrevista concedida recentemente por seu rival à imprensa 
britânica. 
No âmbito energético, Sarkozy criticou o acordo alcançado entre socialistas e 
ecologistas para reduzir o peso da eletricidade de origem atômica na França, de 
75% para 50% até o ano de 2025. 
O Estreito de Ormuz, no Irã, é uma importante rota de trânsito de petróleo e 
gás mundial. A tensão internacional entre o Irã e os Estados Unidos, agora 
focalizada no estreito de Ormuz, que fecha o golfo Pérsico, mostra a importância 
desta região e, de maneira mais geral, do golfo de Omã e do Mar Arábico (parte 
norte do Oceano Índico). Situada na convergência das vias marítimas e terrestres 
que ligam o Mediterrâneo ao Índico, e conectam a Europa à África Oriental e à 
Ásia, esta parte do mundo sempre teve grande peso geopolítico. A entrada dos 
europeus foi inaugurada pelas incursões do almirante português Afonso de 
Albuquerque, que conquistou a ilha de Ormuz em 1515, depois de ter conquistado 
Malaca em 1511, controlando assim os dois principais estreitos do Oriente Médio e 
da Ásia. 
 
 
No volume 2 de suas "Décadas da Ásia" (1553), o historiador João de Barros, 
que foi também donatário (falido) das capitanias hereditárias do Pará e do Ceará, 
escreveu sobre Ormuz: “A cidade em si é muito magnífica em edifícios, grossa em 
trato por ser uma escala onde concorrem todas as mercadorias orientais e 
CRISE NO ESTREITO DE ORMUZ 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 153 
ocidentais... de maneira que não tendo a ilha em si coisa própria, por carreto tem 
todas as estimadas do mundo”. 
Os portugueses ficaram em Ormuz até 1622, quando sua fortaleza foi tomada 
por uma frota de guerra anglo-persa, armada numa dessas inesperadas alianças 
militares que sacodem periodicamente o golfo Pérsico. A partir de então o golfo 
Pérsico ficou sob a dupla influência da Pérsia (atual Irã) e da Inglaterra. 
Com a descolonização inglesa, a independência dos países da região e suas 
imensas reservas de petróleo, o golfo Pérsico ganhou de novo destaque 
estratégico nas relações internacionais. As três guerras das últimas décadas 
ilustram a redistribuição das cartas no Golfo. 
A primeira, a guerra entre o Irã e o Iraque (1980-1988), mostrou, mais uma vez, o 
antagonismo entre persas e árabes. Enfraquecido pela guerra, o Iraque foi 
descontar a fatura nas costas do Kuwait, invadindo o rico país vizinho e 
desencadeando a segunda guerra do Golfo (1990-1991). A terceira guerra do 
Golfo (2003-2011) termina com a destruição do Iraque e a instalação de um 
governo pró-ocidental em Bagdad. No meio tempo, a presença militar e 
econômica americana na região se reforçou, aumentando a pressão sobre o 
regime dos aitolás que dirige o Irã com mão de ferro. Dotado de um programa 
nuclear que intimida Israel e os países ocidentais, majoritariamente de religião 
muçulmana xiita, o Irã aparece também como uma ameaça às monarquias 
árabes do golfo Pérsico, sunitas em sua maioria. Já existe uma disputa de fronteiras 
no Golfo: três ilhas ocupadas pelos iranianos em 1971 são reinvidicadaspelos 
Emirados Árabes Unidos. 
Reagindo às últimas sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos, o 
regime de Teerã iniciou manobras militares no golfo Pérsico e, mais uma vez, 
ameaçou bloquear o estreito de Ormuz, por onde passam 40% do petróleo 
comercializado no mundo. Tanto a Rússia como a China veem a possibilidade de 
uma intervenção americana na região como um ato hostil aos seus interesses 
econômicos e geopolíticos. Assim, Pequim e Moscou bloquearão, no Conselho de 
Segurança da ONU, qualquer iniciativa militar dos Estados Unidos e da Europa 
contra o Irã. 
Neste enfrentamento entre velhas rivalidades (ocidentais versus orientais, 
persas versus árabes, xiitas versus sunitas) pouco tem se falado de um novo ator: a 
Índia. 
Em novembro de 2010, a presidente da Índia, Pratibha Patil, visitou Abu Dhabi, 
o principal emirado do golfo Pérsico, onde trabalham centenas de milhares de 
imigrantes indianos. Na mesma semana, concluiam-se os principais trabalhos do 
oleduto de 400 km de Abu Dhabi que contorna o estreito de Ormuz e transportará, 
por dia, 1,5 milhão de barris de petróleo até o golfo de Omã. 
Ora, o golfo de Omã é uma área onde a presença naval e econômica indiana se 
faz sentir pesadamente. Nos comunicados oficiais, não houve alusão à 
coincidência das datas da visita da presidente indiana e da conclusão do 
oleoduto de Abu Dhabi. Mas é evidente que a Índia age discretamente para 
evitar qualquer conflagração no golfo Pérsico. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 154 
O líder norte-coreano Kim Jong-Il morreu no dia 17 de dezembro de 2011 vítima 
de um ataque cardíaco, aos 69 anos. A informação foi confirmada pela televisão 
estatal do país, um dos mais fechados do mundo. 
Ele havia sofrido em agosto de 2008 um derrame cerebral, mas, segundo a 
agência estatal de notícias do país, faleceu em consequência de um "infarto do 
miocárdio severo e de uma crise cardíaca" quando viajava de trem em um de 
seus deslocamentos habituais para fora da capital. 
Desde 2008, as aparições públicas de Kim foram contadas e nelas mostrou 
uma figura cada vez mais frágil e cansada, embora sempre com seus inseparáveis 
óculos de sol e o uniforme militar que se transformaram em sua marca 
registrada. Um analista japonês, Toshimitsu Shigemura, chegou a defender que 
Jong-il teria morrido de diabete em 2003 e seria interpretado por sósias em eventos 
públicos – um deles, inclusive, teria se submetido a cirurgias plásticas para ficar 
mais parecido com o líder. 
O filho mais novo do ditador Kim Jong-Un, de apenas 30 anos e general de 
quatro estrelas do Exército, foi designado como sucessor, disse entre lágrimas uma 
apresentadora do canal de televisão estatal. 
DINASTIA COMUNISTA 
Kim Jong-Il herdou o poder após a morte, em 1994, do pai, Kim Il-Sung, 
fundador da República Democrática da Coreia do Norte, instaurando assim a 
primeira dinastia comunista da história. Durante seu regime ditatorial, baseado na 
glorificação de sua pessoa e na de seu pai, o "amado líder" se consolidou como 
um estrategista desafiante e anacrônico que, apesar de uma economia 
destroçada, erigiu seu país em uma potência atômica. 
 
O MISTERIOSO DITADOR 
 
 
SUCESSÃO NA CORÉIA DO NORTE 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 155 
Kim Jong-Il é considerado um dos chefes de Estado mais misteriosos do mundo. 
Ao redor dele, há muita especulação e poucas certezas. A começar da data de 
seu nascimento: a história oficial afirma que ele nasceu em 1942, em uma cabana 
na sagrada montanha norte-coreana de Paektu, acompanhado de um duplo 
arco-íris e uma nova estrela no céu, enquanto seu pai dedicava-se à luta de 
guerrilha contra a ocupação japonesa. Mas documentos da ex-União Soviética 
deslocam seu nascimento para a Sibéria, no ano de 1941, enquanto seu pai 
estava no exílio. Nesses registros, aparece com o nome de Yuri Ilsungyevichi Kim. 
Com ele, a Coreia do Norte também viveu alguns breves períodos de 
distensão com Coreia do Sul e Estados Unidos, mas sempre truncados por 
repentinos testes nucleares ou lançamentos de mísseis. 
Após sua graduação assumiu os departamentos de cultura e propaganda do 
Partido dos Trabalhadores, onde foi escalando postos conforme recebia formação 
política. Em 1980, foi designado oficialmente o sucessor de seu pai e membro do 
Comitê Central e do Comitê Militar da formação. Mas o primeiro posto de poder 
real lhe chegaria em 1991, quando assumiu as Forças Armadas como 
Comandante Supremo. 
Considerado impaciente e excêntrico, amante da boa mesa e do álcool, Kim 
Jong-il também ganhou fama de mulherengo, embora sua vida particular tenha 
transcorrido envolvida em mistério. Com 1,57 metros de altura, sempre aparecia 
em público com sapatos de plataforma e cabelos arrepiados, para parecer mais 
alto. Fã de cinema, especula-se que esteve por trás do sequestro do cineasta sul-
coreano Shin Sang-ok e sua mulher, em 1978, para que fizesse filmes para 
“melhorar a imagem da Coreia”. O cineasta produziu sete filmes na Coreia do 
Norte antes de fugir, em 1986, durante uma visita a Vienna. 
Também especula-se que Kim possua mais de 20 mil filmes de Hollywood em 
sua estante e seja fã de James Bond. Outro boato sobre Kim Jong-il diz respeito a 
sua apreciação alcoólica, em especial por conhaque Hennessey, vendido por 
US$630 na Coreia. 
 
SUCESSÃO 
O filho mais novo agora é chamado a encarnar a terceira geração a liderar 
um país que continua fiel a um sistema totalitário comunista desde o fim da 
Segunda Guerra Mundial. 
O primogênito, de cerca de 40 anos, caiu em desgraça após ser descoberto 
ao tentar entrar ao Japão com passaporte falso para visitar a Disneylândia em 
Tóquio. O segundo na linha sucessória, Kim Jong-chul, que se acredita tenha uma 
idade similar a Kim Jong-un, foi considerado por seu pai, segundo alguns 
testemunhos, afeminado demais para liderar o país. 
Os meios de imprensa sul-coreanos descreveram Kim Jong-un como um jovem 
muito parecido com seu pai tanto fisicamente, com seus 1,68 metros e 87 quilos, 
como em sua personalidade, o que lhe teria transformado na pessoa ideal para 
sucedê-lo nos olhos do ditador. O jovem começou a ganhar mais protagonismo 
na política nacional depois que seu pai sofreu a apoplexia, em 2008, fato que 
acelerou o processo de escolha de um sucessor que pudesse dar continuidade ao 
sistema comunista norte-coreano. Fruto do casamento de Kim Jong-Il com sua 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 156 
terceira mulher, Ko-Young-hee, uma ex-dançarina que morreu de câncer em 2004, 
Kim Jong-un viveu em sua adolescência em colégios de Berna (Suíça), oculto atrás 
de um pseudônimo. Acredita-se que após sua etapa na Suíça retornou em 2000 
para a Coreia do Norte, onde se graduou, em 2007, na Universidade Militar Kim Il-
sung. 
Segundo as fontes, Kim Jong-un estaria casado desde 2010 com uma jovem 
estudante norte-coreana de 20 anos e teria tido uma filha com ela nesse mesmo 
ano. Embora apenas se tenha detalhes de sua vida, a maioria de sua etapa na 
Suíça, acredita-se que fale inglês, alemão e francês, e é amante do basquete e 
dos filmes de ação. Sua designação em setembro de 2010 como vice-presidente 
da Comissão Militar Central do Partido dos Trabalhadores, e as aparições públicas 
ao lado de seu pai em atos oficiais nos últimos meses o consolidaram na frente da 
linha de sucessão com relação ao primogênito do líder, Kim Jong-nam. 
 
Depois do anúncio, a Agência Central de Imprensa Coreana (KCNA), canal 
privilegiado do regime, pediu à população que reconheça o filho mais novo de 
Kim Jong-Il como sucessor na chefia do Estado norte-coreano. "Todos os membros 
do Partido (dos Trabalhadores), os militares e o povo devem seguir fielmente a 
autoridade do camarada Kim Jong-Un e proteger e reforçar a frente unida do 
partido, do Exército e da cidadania", afirma uma nota da KCNA. 
CHINA TEME COLAPSO DA “MONARQUIA COMUNISTA” DA CORÉIA DO NORTE 
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao noticiário os absurdos e a rudeza da 
sinistra ditaduranorte-coreana, regime comunista que segue um processo 
sucessório semelhante ao regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim Jong-il e 
neto do fundador do regime Kim Sung-il – será o próximo ditador de um país meio 
flagelado que assusta meio mundo. E a China pode ter papel fundamental na 
pacificação da região. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 157 
A morte de Kim Jong-il traz de novo ao noticiário os absurdos e a rudeza da 
sinistra ditadura norte-coreana, regime comunista que segue um processo 
sucessório semelhante ao regime monárquico. Kim Jong-un, - filho de Kim Jong-il e 
neto do fundador do regime Kim Sung-il – será o próximo ditador de um país meio 
flagelado que assusta meio mundo. E a China pode ter papel fundamental na 
pacificação da região. 
Segundo os especialistas, na crise alimentar que devastou a Coreia do Norte 
entre 1995 e 1998, morreram perto de 600 mil, ou seja, 4 % dos habitantes. Com sua 
indústria estagnada e uma agricultura deficiente, o país depende até hoje da 
ajuda alimentar internacional para diminuir a penúria em que vive sua população. 
Ainda assim, a Coreia do Norte constitui uma verdadeira ameaça para todo o 
Extremo Oriente, possuindo plutônio suficiente para construir seis ou sete bombas 
atômicas e contando ainda com cerca de 1.000 mísseis, incluindo alguns com 
alcance de 2900 km. 
Conforme escreve o jornal britânico "The Telegraph", o governo norte coreano 
tem ainda entre 2.500 e 5.000 toneladas de armas químicas. A revista “Economist” 
classificou a Coreia do Norte como a “única monarquia comunista do mundo”. Na 
realidade, o poder é exercido pelo Exército norte-coreano que conta com 1,2 
milhão de militares, representando um soldado em cada 25 habitantes. Tais 
circunstâncias explicam a inquietação com que o resto do mundo acompanha a 
subida ao poder do balofo Kim Jong-un após a morte de seu pai. À exceção das 
suas relações com a China, a Coreia do Norte sente-se ameaçada pelo mundo 
inteiro. Colônia japonesa entre 1905 e 1945, a Coreia do Norte (que na época 
estava ligada à Coreia do Sul) é particularmente hostil ao Japão e à Coreia do Sul, 
considerada como lacaia dos japoneses e dos ocidentais. 
Depois de vários períodos de tensão, um acordo de desnuclerização do país 
foi assinado em 2007, no âmbito do Grupo dos Seis, formado pelas duas Coreias, 
China, Estados Unidos, Japão e Rússia. A doença de Kim Jong-il perturbou o 
andamento do acordo, mas uma nova reunião do grupo deverá ser realizada no 
final do mês de dezembro. 
Grande parte da solução do problema norte-coreano e da pacificação da 
região repousa nas mãos da China. Segundo a imprensa britânica, Pequim impôs 
nos últimos anos mais moderação a Kim Jong-ill, restringindo sua ajuda alimentar, 
energética e militar aos norte-coreanos. 
Embora se sirva do regime norte-coreano como um escudo contra a Coreia do 
Sul, o Japão e as forças militares americanas estacionadas na região, a China 
teme o colapso da “monarquia comunista”. De fato, dividindo 1.400 km de 
fronteira com a Coreia do Norte, a China sabe que o desabamento do regime dos 
Kim poderá provocar um êxodo de milhões de norte-coreanos para as terras 
chinesas. 
Como escreve a “Economist”, “a China pode estar tão preocupada com a 
Coreia do Norte quanto os Estados Unidos”. 
 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 158 
 
Desde o dia 3 de janeiro a Polícia Militar realiza uma operação para combater 
o tráfico de drogas e dispersar viciados da região conhecida como cracolândia, 
no centro da cidade de São Paulo. 
O objetivo do Estado é dificultar o acesso às drogas pelos dependentes, 
forçando-os a procurar ajuda especializada para deixarem o vício. A estratégia, 
chamada “dor e sofrimento”, consiste em impedir a venda e o uso de drogas, por 
meio da ocupação policial, e, com isso, obrigar os usuários a buscarem apoio 
junto à rede municipal de saúde e assistência social. A eficácia do cerco, 
entretanto, vem sendo questionada por especialistas em segurança pública e 
saúde. Um dos pontos criticados é que a “limpeza” não resolveria o problema. Os 
frequentadores do local estariam apenas sendo deslocados para outros bairros da 
região. O Ministério Público também investiga possíveis abusos por parte da PM. 
Em dez dias de operação, 69 pessoas foram presas (a maioria, pequenos 
traficantes), 152 usuários foram encaminhados para unidades de tratamento e 
3.607 pessoas revistadas, de acordo com o balanço da PM. A maior apreensão 
ocorreu no dia 12, quando uma mulher foi detida com 16 mil pedras de crack. 
Nesse mesmo período, 50 crianças foram recolhidas das ruas, segundo a 
Secretaria Municipal de Assistência Social. Elas foram encaminhadas ao serviço de 
saúde pública, para tratamento, ou a abrigos, conselhos tutelares e suas famílias. A 
ocupação é por tempo indeterminado. 
 
EUFORIA 
O crack é uma droga de alto poder viciante, composta de pasta de cocaína 
e bicarbonato de sódio. Vendida em forma de pedra e fumado em cachimbo, a 
substância produz um efeito de euforia que dura alguns minutos, ao fim dos quais 
o usuário sofre depressão e é levado a consumir mais. A droga surgiu nos Estados 
Unidos nos anos 1980. Em 1990 o prefeito de Washington, Marion Barry, foi preso por 
uso e porte de crack. Desde então, o país conseguiu reverter os índices de 
criminalidade associados ao entorpecente, com medidas policiais, de saúde e 
campanhas educativas. 
No Brasil, o crack se popularizou nos anos 1990 (a primeira apreensão ocorreu 
em 1991). Ele se espalhou rapidamente por ser mais barato que a cocaína, ter 
uma produção doméstica e por ser consumido mais facilmente, dispensando o 
uso de seringas. O país tem hoje estimados 1,2 milhão de usuários. 
Uma pesquisa recente da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o 
Governo Federal, apontou a existência de 29 cracolândias em 17 capitais 
brasileiras, que se movem de acordo com as investidas da polícia e o confronto 
entre traficantes. Nenhuma delas, contudo, possui as dimensões da existente em 
São Paulo. 
OPERAÇÃO NA CRACOLÂNDIA 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 159 
BOCA DO LIXO 
A cracolândia existe há 20 anos no bairro da Luz e imediações, no centro da 
capital. O local é frequentado diariamente por cerca de 400 pessoas, mas a 
população flutuante chega a mais de 2 mil. 
A “boca do lixo” ficou conhecida nos anos 1960 por concentrar produções de 
cinema brasileiro. Era um lugar de boemia, casas de jogos, prostituição e tráfico, 
que proliferou com a conivência do Estado. 
Nos anos 1990 houve um pico de violência urbana em São Paulo, com 
chacinas em bairros de periferia. Entre as vítimas dessas matanças estavam os 
“noias”, como são chamados os viciados em crack. Eles eram mortos por furtarem 
objetos nas comunidades em que viviam (para sustentar o vício), por delatarem 
traficantes ou acumularem dívida junto ao tráfico. 
Os “noias” então buscaram refúgio no centro, que acabou se tornando um 
território livre para o consumo e a venda ilegal de drogas. Diferente das periferias, 
onde a venda de drogas é controlada por facções criminosas, na cracolândia o 
comércio ocorre de forma indiscriminada. Essa facilidade de acesso, combinada 
com o uso “liberado” em imóveis abandonados ou nas ruas, fez surgir a 
cracolândia. 
 
SOLUÇÕES 
Nos últimos anos, houve uma tentativa mais sistemática de resolver o 
problema. A Prefeitura de São Paulo lançou o programa Nova Luz, para revigorar 
a região central e atrair investimentos imobiliários. Entre as medidas adotadas 
estão a isenção de IPTU, para estimular a reforma de fachadas, e a 
desapropriação de imóveis. 
Outras providências do governo incluem o fechamento de bares e hotéis 
ligados ao tráfico, o encaminhamento de moradores de rua para programas 
assistenciais e o reforço do policiamento nos bairros. 
Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou um programa “Crack, é 
possível vencer”, com investimentos de R$ 4 bilhões, aplicados até 2014, em ações 
de prevenção, tratamento médico e açõesde repressão ao tráfico. 
Estão previstas a ampliação da oferta de tratamento aos usuários e a criação 
de enfermarias especializadas em hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), com 
leitos exclusivos para usuários. Além disso, serão oferecidos cursos de qualificação 
profissional e feitas campanhas preventivas nas escolas. 
 
 
 
 
 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 160 
Reis e rainhas fazem parte do imaginário popular como símbolos de poder 
absoluto no continente europeu. Na maior parte das monarquias remanescentes, 
entretanto, a nobreza exerce mais uma função cerimonial do que política. É este o 
caso da rainha Elizabeth 2a, que no dia 6 de janeiro de 2012 completou seis 
décadas no trono do Reino Unido. 
Monarquia é uma forma de governo em que o poder é concentrado em uma 
pessoa, o rei ou a rainha, que se mantém no cargo até morrer ou abdicar ao 
trono. A sucessão, na maioria dos casos, é hereditária, ou seja, a coroa passa de 
pais para filhos. Na Europa, essa tradição predominou desde a queda do Império 
Romano até por volta do século 18. Após esse período, as monarquias foram 
substituídas por repúblicas ou por uma versão mais moderna, chamada 
monarquia constitucional, em que o monarca é limitado pela Constituição ou 
restrito a um papel simbólico. 
Atualmente, 44 países preservam o regime monárquico. Na Europa, todas as 
monarquias são constitucionais (com exceção da cidade do Vaticano) e plenas 
democracias, como Dinamarca, Bélgica, Espanha, Suíça e Reino Unido. Países 
asiáticos, como Japão e Tailândia, também conservam esse antigo modelo de 
governo. 
Já no Oriente Médio, reis ainda detêm poderes absolutos, como em Brunei, 
Omar e Arábia Saudita. Desde o final de 2010, os reinados árabes são 
confrontados por protestos inéditos na região, mas nenhum rei até agora foi 
deposto, apenas presidentes. O maior reino do mundo é o Commonwealth Realm 
(Comunidade do Reino Unido). Ele é formado por 16 nações independentes que 
reconhecem a rainha Elizabeth 2a como chefe de Estado: Antígua e Barbuda, 
Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Ilhas Salomão, Jamaica, 
Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lucia, São 
Vicente e Granadinas, Tuvalu e Reino Unido (Inglaterra Escócia, País de Gales e 
Irlanda do Norte). No total, 135 milhões de pessoas vivem no Commonwealth 
Realm. 
 
JUBILEU DE DIAMANTE 
A rainha Elizabeth 2a, 85 anos, é a mais longeva da história da Inglaterra e a 
segunda em tempo de reinado, superada apenas pela rainha Vitória, que ficou 63 
anos no trono (1837-1901). Ela é também a monarca há mais tempo no poder na 
Europa e a segunda no mundo, atrás apenas do rei Bhumibol Adulyadej, da 
Tailândia, que ocupa o cargo desde 1946. 
Elizabeth Alexandra Mary foi coroada em 6 de fevereiro de 1952, há 60 anos, 
após a morte do pai, o rei Jorge 6o. Desde então, superou escândalos familiares, 
crises políticas e tendências antimonarquistas na Grã-Bretanha. 
Na prática, a função da rainha é restrita a cerimoniais e outras formalidades, 
como nomeação do premiê e concessão de títulos a cidadãos ingleses. Para isso, 
RAINHA ELIZABETH COMPLETA 
60 ANOS NO TRONO 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 161 
recebe salários que somam R$ 20 milhões ao ano. O poder político, de fato, é 
exercido pelo Parlamento, composto pela Câmara dos Lordes e pela Câmara dos 
Comuns, e pelo Primeiro-Ministro e seu gabinete. 
A rainha é casada desde 1947 com o príncipe Philip, com quem teve quatro 
filhos: Charles, Anne, Andrew e Edward. O Príncipe Charles é o primeiro na linha de 
sucessão, seguido pelo neto da rainha, o Príncipe William. 
No Jubileu de Diamante, Elizabeth 2a reafirmou seus compromissos com a 
realeza britânica, afastando a hipótese que poderia abdicar em favor do Príncipe 
Charles. Os ingleses, no entanto, preferem que o trono britânico seja ocupado 
pelo príncipe William, que em 29 de abril do ano passado se casou com Catherine 
Middleton, numa cerimônia acompanhada por dois bilhões de pessoas em todo o 
mundo. 
A razão da impopularidade do Príncipe Charles foram os escândalos que 
cercaram o casamento com a princesa Diana, em um dos períodos mais difíceis 
do reinado de Elizabeth 2a. A crise atingiu o auge quando a princesa Diana, muito 
querida entre os ingleses, morreu em um acidente de carro em 31 de agosto de 
1997. 
Na ocasião, a rainha estava de férias na Escócia, com o filho e os netos. A 
ausência da família real em Londres e o silêncio da rainha – que relutou em emitir 
um comunicado oficial sobre a morte da ex-nora – motivaram críticas da opinião 
pública (situação retratada no filme “A Rainha”). 
Hoje, ela recuperou a boa reputação entre os ingleses, amparada pela 
complacência da imprensa britânica e a repercussão positiva do casamento do 
neto. 
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no último dia 16 de fevereiro de 2012, 
que a Lei da Ficha Limpa é constitucional e que valerá para as eleições municipais 
deste ano. O resultado do julgamento pôs fim a quase dois anos de batalhas 
jurídicas para que a lei pudesse vigorar no país. 
A Ficha Limpa tornou mais rigorosos os critérios que impedem políticos 
condenados pela Justiça de se candidatarem. Por sete votos a quatro, o Supremo 
aprovou a aplicação integral da nova legislação, que terá, inclusive, alcance 
para condenações anteriores a 4 de julho de 2010, data em que foi sancionada 
pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. 
Diferente da maioria das leis – que são elaboradas pelos próprios congressistas 
– a Ficha Limpa surgiu por iniciativa popular. O projeto contou com a assinatura de 
mais de 1,6 milhão de brasileiros, e foi a pressão do povo que fez com que fosse 
votado e aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. 
Na ocasião, a proposta de mudança na legislação eleitoral foi comemorada 
como uma vitória da democracia. A Ficha Limpa era vista como um mecanismo 
de combate à corrupção política no Brasil. 
Na prática, porém, nem tudo estava resolvido. Alguns pontos da nova lei se 
chocavam com a Constituição Federal, como o princípio de anuidade e o 
LEI DA FICHA LIMPA 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 162 
princípio da inocência presumida. Em casos assim, cabe ao STF julgar a 
legitimidade. 
Mas enquanto o STF não se pronunciava, permaneciam incertezas. Em 2010 
foram eleitos presidente, governadores, deputados e senadores. Ao todo, 149 
candidatos foram impedidos de tomar posse devido a condenações judiciais, 
segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 
Em 23 de março do ano passado, o STF se pronunciou quanto ao princípio da 
anuidade. De acordo com a Constituição, qualquer mudança na legislação 
eleitoral só é válida se for promulgada um ano antes das eleições. Como a Ficha 
Limpa havia sido sancionada naquele mesmo ano, os ministros do Supremo 
decidiram que a lei só valeria para 2012. 
Como resultado, os candidatos barrados tiveram o direito de assumir as vagas. 
Isso alterou as bancadas no Congresso Nacional e em Assembleias Legislativas dos 
Estados. No Senado, por exemplo, Jader Barbalho (PMDB-PA), que havia 
renunciado em 2001 para evitar a cassação, pode tomar posse no lugar de 
Marinor Brito (Psol-PA). 
Faltava ainda a palavra final do Supremo a respeito de recursos que 
questionavam outros aspectos da constitucionalidade da lei. 
 
MORAL 
Os ministros do STF primeiro discutiram se a Ficha Limpa não contrariava o 
princípio da inocência, previsto do artigo 5o da Constituição e aplicado ao direito 
penal. Este artigo afirma que “ninguém será considerado culpado até o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória”. 
Trânsito em julgado é uma expressão judicial que se aplica a uma sentença 
definitiva, da qual não se pode mais recorrer. Em geral, ocorre quando já se 
esgotaram todos os recursos de apelação. 
Um processo cível ou criminal começa a ser julgado no Fórum da cidade, 
onde acontece a decisão de primeira instância, que é a sentença proferida por 
um juiz. Se houver recurso, o pedido é analisadopor juízes do Tribunal de Justiça 
dos Estados. Há ainda a possibilidade de apelar a uma terceira instância, que 
pode ser tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto, em se tratando de 
artigos da Constituição, o STF. 
Antes de a Ficha Limpa entrar em vigor, de acordo com a Lei Complementar 
no 64, de 1990, somente quando esgotados todos esses recursos o político que 
responde a processo poderia ser impedido de se candidatar. A lentidão do 
andamento de processos, que levam até uma década para serem concluídos, 
acabava beneficiando políticos corruptos. 
Já a Ficha Limpa impede a candidatura por oito anos de políticos condenados 
por um órgão colegiado (com mais de um juiz, como o Tribunal de Justiça), que 
tiverem mandato cassado ou que tiverem renunciado para evitar a cassação 
(como no caso do senador Jader Barbalho). Os ministros do Supremo entenderam 
que a inocência presumida se restringe ao direito penal, ou seja, ela não se aplica 
às leis eleitorais. 
Em geral, os ministros do STF basearam a decisão no princípio constitucional da 
moralidade administrativa. Eles consideraram que o histórico ético de um 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 163 
candidato é fundamental para evitar casos de corrupção na política brasileira. O 
consenso sobre isso é que, independente da lei, a melhor forma de excluir maus 
políticos, num regime democrático, ainda é a consciência do cidadão. 
Os dois militares mortos em um incêndio na Estação Comandante Ferraz, na 
Antártica, foram homenageados no dia 28 de fevereiro de 2012 no Rio de Janeiro. 
O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto 
Lopes dos Santos foram promovidos ao posto de segundo-tenente, admitidos na 
Ordem do Mérito da Defesa, no grau Cavaleiro, honraria concedida pela 
presidente Dilma Rousseff, e agraciados com a Medalha Naval de Serviços 
Distintos, da Marinha. 
Os dois morreram na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2012 enquanto 
combatiam um incêndio que começou na área dos geradores de energia da 
estação. 
Uma pessoa ficou ferida. A base que abrigava 45 pesquisadores de diversas 
áreas ficou destruída e o governo anunciou que ela deve ser reconstruída em dois 
anos. 
Heroísmo 
Durante a cerimônia, o vice-presidente da República, Michel Temer, lamentou 
as mortes. “Esses homens que se foram agora não têm medo, se temessem, não 
teriam tido o gesto de heroísmo que tiveram na Antártida. Que o exemplo deles 
sirva para seus filhos, para a Marinha e para todos os brasileiros. Em nome do povo 
brasileiro, que está acompanhando tudo isso, quero prestar solidariedade à família 
e à Marinha do Brasil”, disse o vice-presidente. 
De acordo com o ministro da Defesa, Celso Amorim, os militares são exemplo 
de heroísmo e profissionalismo e serão lembrados sempre pela Marinha e pelas 
Forças Armadas do Brasil. “Reconstruiremos a estação da Antártica também em 
homenagem a esses homens que tombaram no cumprimento do dever”, ressaltou 
o ministro. 
Também participaram da cerimônia os comandantes das três Forças Armadas: 
almirante-de-esquadra Julio Soares Moura Neto, da Marinha; tenente-brigadeiro 
do ar Juniti Saito, da Aeronáutica, e general Enzo Martins Peri, do Exército. "Por 
mais que tentemos externar nossos sentimentos, nunca será o suficiente. Nossos 
dois heróis realizaram esse último sacrifício e ofereceram suas vidas no 
cumprimento do dever", afirmou o almirante Julio Neto. 
 
Peritos investigam incêndio 
Os peritos que vão investigar as causas do incêndio que destruiu a base de 
pesquisas científicas da Marinha brasileira já estão na Antártica. O avião da FAB 
(Força Aérea Brasileira) que foi para a base chilena Eduardo Frei resgatar o corpos 
ACIDENTE NA ANTÁRTIDA 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 164 
dos dois militares que morreram na estação levou o embaixador brasileiro no Chile, 
integrantes da diplomacia e militares. Eles dividem espaço com suprimentos, 
caixas, roupas, equipamentos de comunicação e comida para os 12 militares que 
estavam na estação na hora do incêndio e que foram levados para a base 
chilena. 
O capitão Fernando Coimbra, chefe da estação brasileira na Antártica, diz 
que não houve explosão antes do incêndio. Ele contou que o suboficial Carlos 
Figueiredo e o primeiro sargento Roberto dos Santos, que morreram no incêndio, 
tentavam fechar a válvula do reservatório de etanol para evitar que o fogo se 
espalhasse pela mangueira e chegasse ao tanque, que ficava atrás do gerador. 
Segundo o capitão, a equipe tentou usar água do mar para controlar o 
incêndio, mas a água congelou na mangueira. 
Os corpos dos dois foram encontrados a dez metros do compartimento dos 
geradores a óleo, onde o fogo teria começado. “Mais do que perda material, 
mais do que da nossa casa durante um ano é a perda dos nossos amigos”, 
afirmou o chefe da estação antártica brasileira, Fernando Coimbra. 
Quarenta e cinco militares e pesquisadores, que estavam na base brasileira na 
Antártica, chegaram ao Brasil na madrugada do dia 27 de fevereiro. 
A maior parte do grupo desembarcou na Base Aérea do Galeão. Cansados e 
abalados com o acidente, traziam apenas as roupas do corpo. Contaram que o 
fogo se espalhou rapidamente e não puderam salvar objetos pessoais. 
Entre os que chegaram estava o primeiro sargento Luciano Gomes Medeiros, 
que sofreu queimaduras nas mãos. Ao sair do avião, ele foi colocado numa 
cadeira de rodas e levado para o hospital da Marinha, onde permanece em 
observação. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 165 
 
01ª. Após os ataques de 11 de setembro, os Estados Unidos adotaram em sua 
política externa uma estratégia unilateral para consolidarem sua supremacia 
político-militar. Essa política ficou conhecida como “Doutrina Bush”. 
Sobre os atentados aos EUA e a política desenvolvida para combater o terrorismo, 
julgue os itens abaixo 
I - Sob o pretexto de liderar uma luta sem tréguas ao terrorismo, em âmbito 
internacional, a “Doutrina Bush” impulsionou e justificou a postura intervencionista 
da política externa dos Estados Unidos. 
II - Inicialmente as ações mais incisivas dirigiram-se contra o governo do Talibã, do 
Afeganistão e contra o regime autoritário de Saddam Hussein, no Iraque, logo, 
EXERCÍCIOS 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 166 
essas se estenderam a outros países que não necessariamente opunham-se a 
Washington, como a Coréia do Norte e o Irã. 
III - A partir da defesa do mundo contra o terrorismo os Estados Unidos afirmaram 
seus interesses econômicos, expandiram sua dominação cultural e redesenharam 
um novo cenário de dominação político-militar em áreas hostis. 
É correto inferir que 
a) I, apenas está correto. 
b) II, apenas está correto. 
c) III, apenas está correto. 
d) I e II estão corretos. 
e) todos estão corretos. 
02ª. Com os atentados de 2001 e o impacto psicológico provocado sobre a 
população norte-americana e mundial, o governo Bush desenvolveu um discurso 
no qual a nação norte-americana seria a defensora dos valores do Ocidente 
diante do terrorismo. Tendo o texto acima como ponto de partida e utilizando seus 
conhecimentos, julgue os itens seguintes 
I - a ação dos Estados Unidos no mundo islâmico – Afeganistão e Iraque – 
modificada pela luta contra o terrorismo, constituiu numa ação de violência 
extrema, que violou direitos internacionais, provocou a morte de civis, além de 
desencadear uma série reações e resistências a essa intervenção, tornando essas 
regiões ainda mais instáveis. 
II - Antes dos atentados em setembro de 2001, os Estados Unidos já haviam se 
constituído como maior poder econômico, cultural e militar. 
III - O mundo, na verdade, não mudou, pois continua-se a assistir a supremacia dos 
Estados Unidos nos âmbitos econômicos, culturais e militares. 
Sobre o objetivo geopolítico estadunidense, está correto o que se afirma em 
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) III, apenas. 
d) I e II. 
e) I, II e III 
 
03ª. Após os acontecimentos no World Trade Center, que fizeram do 11 de 
setembrode 2001 o pior atentado terrorista já realizado em solo americano, os 
Estados Unidos passaram a dar sinais cada vez mais fortes de que o Iraque, após o 
Afeganistão, seria a próxima vítima do que Washington chama de "guerra contra o 
terrorismo". Num famoso discurso, George W. Bush incluiu, além do Iraque, outros 
países integrantes do "eixo do mal". 
Sobre os países integrantes o “Eixo do Mal”, é correto inferir que 
a) Venezuela, que possui grande parte de seu território controlado por 
narcotraficantes associados à guerrilha, conhecidos como as FARC. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 167 
b) Rússia, que tem graves conflitos separatistas internos e é detentora do segundo 
maior arsenal bélico mundial. 
c) Espanha, por não respeitar acordos internacionais como os da OMC e violar as 
normas da ONU para os direitos humanos. 
d) Paquistão, por seu apoio financeiro a organizações terroristas internacionais, 
como o Hamas e o Al Qaeda. 
e) Irã, país de regime fechado que possui capacidade de produzir e exportar 
armas nucleares. 
04ª. Leia atentamente o texto abaixo: 
“As grandes organizações criminosas não podem assegurar a lavagem e a 
reciclagem dos fabulosos lucros extraídos de suas atividades a não ser com a 
cumplicidade dos meios de negócios e (...) do poder político. Esse concluio de 
interesses constitui um componente essencial da economia mundial, o lubrificante 
indispensável ao “bom” funcionamento do capitalismo. (...) Um fantástica 
pilhagem da qual nunca uma contabilidade global será feita. (...) Bancos e 
grandes empresas são ávidos em captar, depois de feita a lavagem, os lucros dos 
negócios do crime organizado. (..) Cada país acoberta seus meios criminosos. 
Centenas de grupos rivais dividem os mercados nacionais e internacionais do 
crime.” 
“Máfia Global”, Le Monde Diplomatique, ed. Brasileira, in: Caros Amigos, abr. 2000, 
p. 10 
A partir do texto pode-se afirmar que: 
a) o crime organizado age atualmente em escala mundial, tendo os bancos 
instalados nos paraísos fiscais como forte concorrente nos lucros obtidos. 
b) os bancos que operam em paraísos fiscais não aceitam os recursos obtidos 
através das atividades criminosas, devido à ameaça de represálias por parte da 
ONU. 
c) os paraísos fiscais vivem, sobretudo dos recursos gerados pelas atividades 
criminosas e pela corrupção, pois lhes garante total sigilo bancário fiscal, 
impedindo a identificação da lavagem de dinheiro e favorecendo o crime 
organizado em escala mundial. 
d) todos os países estão empenhados em combater o narcotráfico, impedindo 
através da criação de leis específicas e rigorosas, sua disseminação. 
e) o narcotráfico não constitui um problema global, apenas alguns países, 
geralmente subdesenvolvidos, enfrentam esse problema. 
05ª. A foto abaixo retrata a derrubada de uma estátua representando Saddam 
Hussein em Bagdá, quando da invasão do Iraque pelas tropas dos EUA. Em relação 
ao recente conflito naquele país, é CORRETO afirmar que: 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 168 
 
a) Representa uma das iniciativas do atual governo estadunidense na chamada 
“Guerra contra o Terror”, ofensiva militar e política que abalou a importância da 
ONU e do direito internacional. 
b) O Iraque era governado por um regime fundamentalista, cujas lideranças 
políticas confundiam-se com as religiosas e tinham em Hussein seu guia espiritual. 
c) A invasão do Iraque ocorreu após deliberação da ONU, que assim procedeu 
em represália ao uso de armas de destruição em massa pelo regime iraquiano 
contra o Ocidente. 
d) Os EUA invadiram o Iraque ao seu tradicional aliado no Oriente Médio, o Irã, 
país que mantém uma disputa territorial com seu vizinho (Guerra Irã-Iraque) desde 
o início da década de 80 do século XX. 
e) Teve pouco impacto interno nos EUA, uma vez que não foi e não tem sido 
debatido pelas lideranças políticas daquele país. 
06ª. Transformações políticas marcaram o “Mundo Árabe” nos últimos meses. 
Estimulados por desigualdades sociais e autoritarismos políticos, os movimentos 
redefiniram os rumos dos governos em países como Tunísia, Egito e Líbia e 
evidenciaram o desejo da população por políticas mais justas e pacíficas. Com 
relação às consequências dessas alterações é correto afirmar-se que 
a) o conjunto de mudanças influenciou praticamente a todos os países árabes a 
democratizarem os seus governos. 
b) a escalada da violência contra manifestantes pró-democracia foi uma reação 
dos movimentos políticos, com destaque para a repressão popular na Síria e a 
Líbia. 
c) o Egito foi o único país árabe onde as transformações políticas não foram tão 
significativas, especialmente em função do carisma e da liderança do presidente 
Hosni Mubarak. 
d) houve uma ação rápida e objetiva de tomada de poder na Líbia, onde as 
forças rebeldes ao governo do Ditador Muammar Kaddafi, apoiadas pelos Estados 
Unidos e outros países da Europa Ocidental, conseguiram implantar um governo 
pacífico de coalizão, envolvendo líbios e estrangeiros. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 169 
e) Os primeiros protestos que aconteceram na Tunísia foram inspirados pela 
“Revolução de Jasmim” no Egito, primeiro país a iniciar o processo de deposição 
do então presidente Bem Ali. 
07ª. Pela primeira vez na história, um líder árabe foi deposto por força de 
movimentos populares. Isso aconteceu na Tunísia, país mulçumano localizado ao 
norte da África. O presidente Zine Al-Abdine Bem Ali renunciou em 14 de janeiro 
após um mês de violentos protestos contra o governo. Ele estava há 23 anos no 
poder. A África é, entre todos os continentes, aquele onde se encontram as mais 
típicas manifestações do subdesenvolvimento, cuja compreensão requer o 
reconhecimento não só da pesada herança colonial européia como também das 
especificidades e características diversas de sua população. 
Com relação às características políticas e econômicas da África e os constantes 
conflitos iniciados na Tunísia e já presentes na maioria dos países árabes no norte 
da África. Não podemos afirmar corretamente que 
a) O novo ativismo no mundo árabe é explicado pela instabilidade econômica e 
pelo surgimento de uma juventude bem educada e insatisfeita com as restrições à 
liberdade. 
b) Na Tunísia, os protestos começaram depois da morte de um desempregado em 
dezembro de 2010. Mohamed Bouazizi, 26 anos, se autoimolou depois que a 
polícia o impediu de vender frutas e vegetais em uma barraca de rua. 
c) Os primeiros protestos que aconteceram na Marrocos, inspirando todos os 
países árabes a democratizarem seus governos. 
d) A Líbia e o Egito foram os únicos países onde os protestos não atingiram seus 
reais objetivos. 
e) Sociedades árabes conhecem apenas duas formas de governo: monarquias 
absolutistas ou ditaduras sejam elas militares ou religiosas. Assim, nessas nações 
não existem partidos que possam disputar eleições após a queda de um tirano. 
08ª. Há vários anos, a região, acima representada, vem sendo atingida por sérios 
conflitos políticos, sociais e étnicos, com fortes enfrentamentos bélicos. 
 
Acerca das dinâmicas socioespaciais em curso nessa região e considerando os 
aspectos significativos da Atualidade, julgue os itens abaixo 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 170 
I. A Tunísia deu o pontapé inicial, depois da morte de um desempregado em 
dezembro de 2010. 
II. Os conflitos no mundo árabe são explicados pela instabilidade econômica e 
pelo surgimento de uma juventude bem educada e insatisfeita com as 
restrições à liberdade. 
III. A "revolução do jasmim", que derrubou o presidente Ben Áli, na Tunísia, em 
janeiro de 2011, representou pela primeira vez na história a queda de um líder 
árabe, deposto por um movimento popular. 
IV. Houve uma ação rápida e objetiva de tomada de poder na Síria, onde as 
forças rebeldes ao governo do Ditador Bashar Al Assad, conseguiram implantar 
um governo pacífico de coalizão, envolvendo líbios e estrangeiros. 
V. O Iêmen foi o único país árabe onde as transformações políticasnão foram tão 
significativas. 
VI. O significado do termo "Primavera Árabe" está relacionado ao florescimento 
de movimentos sociais em alguns países norte-africanos e do Oriente Médio, 
visando principalmente, à destituição do poder de ditaduras instaladas há 
décadas, como, por exemplo, Tunísia, Egito e Líbia. 
VII. Em 2011, na área assinalada com o circulo, ocorreu a criação de um novo 
país, o Sudão do Sul. Tal fato deveu-se, principalmente, ao predomínio na 
região do cristianismo e do animismo, o que diferencia a referida região do 
restante do país. 
É correto o que se afirma em 
a) I, III e V. 
b) II, IV, V e VI 
c) I, II, III, VI e VII 
d) IV, V, VI e VII 
e) I, II, IV e VII 
09ª. O Terrorismo tem sido apontado como o grande fenômeno global deste início 
de século XXI, fenômeno que teria começado, simbolicamente, com os atentados 
de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. O mapa a seguir apresenta uma 
série de atos terroristas que evidenciam a insegurança provocada por essas ações 
em grande parte do mundo. 
 
Tendo o texto acima como referência inicial, julgue os próximos ítens. 
I. O terrorismo hoje é um fenômeno do mundo islâmico, com grupos atuantes na 
Europa, como o ETA (na Espanha), o IRA (na Irlanda) e os movimentos dos 
guerrilheiros esquerdistas na América, FARC e ELN (na Colômbia). 
II. Movimentos extremados não são recentes, haja vista que já a 1ª Guerra 
Mundial teve início com um ato terrorista: o assassinato do arquiduque 
Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, por um estudante 
sérvio, em Serajevo, atual capital da Bósnia-Herzegovina. 
III. A Al-Qaeda é uma organização que reúne de 20 a 30 grupos terroristas 
islâmicos que operam por conta própria, no mundo todo. Dos atentados 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 171 
identificados no mapa, grande parte atribuídos a essa organização ou nela 
inspirados, apenas o continente americano não foi alvo desses atos. 
IV. O sentimento de ódio contra os EUA e seus aliados tem colocado em alerta 
países como Inglaterra e Itália. Sobretudo entre os italianos, por causa de sua 
participação na Guerra do Iraque, tem crescido o temor de um atentado, 
motivo que fez o governo aumentar a segurança naquele país peninsular. 
É correto o que se afirma em 
a) I apenas. 
b) II e IV. 
c) III apenas. 
d) III e IV. 
10ª. A Agência Internacional de Energia Atômica censurou o Irã por ter iniciado 
clandestinamente a construção de uma usina de enriquecimento de urânio. Teerã 
reagiu anunciando mais dez usinas e a busca de tecnologia própria para 
enriquecer urânio até o teor de 20%, usado na produção de isótopos para 
medicina e pesquisa – para reatores, bastam 3% a 5%; para bombas atômicas, 
necessita-se de 80% ou mais. 
Revista Carta Capital, ano XV, nº 575, 09/12/2009, p. 22. 
 
 
A análise da notícia acima conduz à conclusão sobre o Irã de que: (BNDES / 2010) 
a).O enriquecimento do urânio é incompatível com essa região do planeta. 
b).O país é considerado por essa Agência a mais forte potência nuclear regional. 
c).O governo atual se empenha para recuperar o status de potência nuclear. 
d).O programa nuclear iraniano está paralisado devido aos Estados Unidos. 
e).A sua capacidade nuclear é insuficiente para produzir bombas atômicas. 
11ª. A recente intermediação brasileira junto ao Irã, buscando uma solução para a 
polêmica questão nuclear que envolve esse último e boa parte das grandes 
potências ocidentais, em especial os EUA, é um dos fenômenos mais 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 172 
emblemáticos da Política Internacional atual. Sobre o passado, presente e 
principais aspectos desse confronto entre o Irã e seus adversários é correto afirmar, 
exceto: 
a).Os iranianos alegam que seu programa nuclear é pacífico e seu país é vítima 
da agressividade e interferência do Ocidente na região. Alegam também que 
Israel, seu principal inimigo na região, foi armado e é apoiado pelo Ocidente, em 
particular pelos EUA. 
b).O Irã é visto com desconfiança pelos países ocidentais desde a Revolução 
Iraniana de 1979, que colocou no poder um regime de marcada orientação 
religiosa, visto pelo ocidente como hostil, fanático e conflituoso. 
c).O Brasil solucionou a crise através da assinatura de um protocolo que prevê a 
transferência de tecnologia nuclear brasileira, que o Brasil adquiriu da Alemanha 
Ocidental nos anos 70 do século XX. Esta tecnologia impede a fabricação de 
armas nucleares e resolve a crise entre o país do Oriente Médio e o Ocidente. 
d).Após a negociação entre o presidente brasileiro e o governo iraniano, várias 
potências ocidentais elogiaram a iniciativa brasileira, mas questionaram a eficácia 
da solução negociada, alegando que os iranianos não cumprirão o acordo ou 
que o mesmo é insuficiente para impedir a criação de armas nucleares por esse 
país. 
“A estrutura etária da população mundial mudou nos últimos anos. Entre as causas 
desta mudança, podemos apontar a expectativa de vida, as taxas de natalidade, 
as taxas de mortalidade e a taxa de fecundidade, entre outros indicadores. Um 
fenômeno demográfico apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU) faz 
estimativas de aumento dos grupos etários mais avançados (80, 90 e 100 anos), 
que tem apresentado crescimento de 60% entre 1970 e 1998. Países como o 
Japão, Itália e Suíça já apresentam um elevado número de idosos. Este fenômeno 
resultou na criação de um ‘Plano Internacional de Ação para o Envelhecimento’ 
pela ONU.” 
12ª. Este “envelhecimento” da população poderá trazer como conseqüência 
geral, sobretudo para os países em desenvolvimento: (Geógrafo – IFET-RS / 2010) 
a) Aumento do IDH da população em geral e das taxas de fecundidade devido 
ao gradativo aumento da longevidade. 
b) A sobrecarga do sistema de previdência social pela diminuição da PEA, que 
notadamente contribui para este sistema. 
c) Maior longevidade da população masculina devido aos programas 
governamentais que se preocupam com a saúde do homem. 
d) Ociosidade total da população velha e a criação de centros gerontológicos 
estatais que onerarão, ainda mais, o Estado. 
e) Que os velhos representarão em torno de 1% da população total, provocando 
um alargamento da base da pirâmide etária da maioria dos países. 
13ª. A Geopolítica mundial do início do século XXI foi significativamente 
influenciada pela crise dos EUA. Neste contexto, a economia norte-americana 
abalada pela catástrofe de 11 de setembro, passa a ser orientada por uma política 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 173 
“megalomaníaca” de força militar que destrói quase que por completo as bases 
políticas e ideológicas do país. Dessa forma, a geopolítica mundial durante a 
primeira década do século XXI pode ser caracterizada da seguinte forma: 
I..É possível afirmar que no contexto da última década assistimos a um progressivo 
crescimento da economia mundial em função dos dinâmicos asiáticos, 
fundamentalmente através do crescimento Chinês. Contudo, o peso das 
economias dos países do velho atlântico norte (união européia e EUA) ainda 
representam a maior parte do produto mundial. 
II..É possível afirmar que no contexto da última década assistimos a um expressivo 
crescimento da economia mundial em função dos dinâmicos asiáticos, 
fundamentalmente através do crescimento Chinês. Nesse sentido, houve uma 
transformação no cenário da economia mundial, transferindo o centro econômico 
do velho atlântico norte para o continente asiático. 
III..Embora a fragilidade da economia norte americana no início do século XXI, o 
governo norte-americano conseguiu recuperar sua economia e retomar a posição 
hegemônica no contexto mundial. 
Assinale a alternativa que melhor descreve a geopolítica mundial no contexto da 
primeira década do século XXI. (Geógrafo – IFET-RS / 2010) 
a) Apenas o item I está correto. 
b) Apenas o item II está correto. 
c) Apenas o item III está correto. 
d) Apenas os itens I e III estão corretos. 
e) Apenas os itens II e III estão corretos. 
14ª. Os tigres asiáticos sãopaíses que desenvolveram a sua indústria, a partir da 
década de 1970. E, enquanto muitos países viviam nos anos de 1980 a década 
perdida, estes apresentam os maiores índices de crescimento econômico. Hoje 
constituem as economias que mais rapidamente incorporam novas tecnologias ao 
processo produtivo. Assinale a alternativa que contempla os três países 
denominados tigres asiáticos: (PMQ-CE / 2010) 
a).Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan. 
b).Canadá, Japão e Austrália. 
c).Hungria, Polônia e Ucrânia. 
d).Filipinas, Iraque e Sri Lanka. 
“Por meio do Tratado de Assunção, em 1991, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai 
constituíram o Mercosul. Em 1995, instalou-se uma zona de livre-comércio, onde as 
mercadorias produzidas nos quatro países poderiam ser comercializadas 
internamente, sem a cobrança de tarifas de importação. Em 1996, a Bolívia e o 
Chile aderiram como associados do Mercosul. Após a aprovação da Argentina e 
do Uruguai, foi a vez do Senado brasileiro, em sessão polêmica do dia 16 de 
dezembro de 2009, ratificar o ingresso de um novo país, como componente no 
bloco Mercosul. Assim, fica faltando apenas a confirmação do Congresso 
paraguaio, para que esse país seja legitimado como membro pleno do Mercosul.” 
 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 174 
15ª. De acordo com o texto, assinale a alternativa que contempla o país em 
questão e seu presidente: (PMQ-CE / 2010) 
a).Honduras, de Manuel Zelaya. 
b).Venezuela, de Hugo Chávez. 
c).África do Sul, de Jacob Zuma. 
d).Colômbia, de Álvaro Uribe. 
“Após a 2ª Guerra Mundial, vários países subdesenvolvidos conseguiram chegar à 
industrialização, graças à forte participação do capital estrangeiro, aos baixos 
salários dos trabalhadores, à isenção de certos impostos, além de outros estímulos 
fiscais, e à importante participação do Estado na indústria de base. Atualmente, 
esses países modernizaram sua economia, ampliaram o poder de compra do seu 
mercado consumidor e ainda começaram a exportar produtos industrializados, 
passando a ser denominados países emergentes.” 
16ª. Assinale a alternativa que apresenta somente países emergentes: (PMQ-CE / 
2010) 
a).Argélia, Etiópia, Quênia e Somália. 
b).Alemanha, Canadá, Inglaterra e Japão. 
c).África do Sul, Brasil, Coréia do Sul e México. 
d).Cuba, Haiti, Guatemala e Honduras. 
17ª. No mundo atual, a procura por fonte de energia limpa, ou seja, não-poluidora, 
é prioridade, tendo em vista as seguintes características: 
I..Produz energia limpa. 
II..A sua instalação não causa impacto ambiental. 
III..Não apresenta riscos de grandes acidentes. 
IV..Utiliza um recurso natural renovável. 
V..As condições mais favoráveis de instalação dessa usina, no Brasil, apresentam-
se no litoral nordestino. 
Assinale a alternativa que identifica a fonte de energia que apresenta essas 
características. (PMQ-CE / 2010) 
a) Usina Termelétrica, com a queima de carvão mineral ou de petróleo. 
b) Usina Termonuclear, com a fissão do urânio enriquecido (minério atômico). 
c) Usina Hidroelétrica, que aproveita a força da água da chuva e do mar. 
d) Usina Eólica, que usa a força dos ventos. 
18ª. Seguindo uma tendência mundial de formação de blocos, em 1991, o Brasil, a 
Argentina, o Paraguai e o Uruguai estruturaram o MERCOSUL enquanto que os 
Estados Unidos, o México e o Canadá estabeleceram o NAFTA em 1994. Em 
relação aos blocos econômicos, assinale a alternativa correta: (Analista 
Administrativo – FESF-BA / 2010) 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 175 
a).Tanto o MERCOSUL quanto o NAFTA, são contrários ao neoliberalismo porque 
propõem economias nacionais e proteção aos pequenos agricultores e micro e 
pequenas empresas. 
b).A formação desses grupos, apesar das contradições, significou um grande 
avanço porque deram inicio à defesa de um comércio mais intenso entre os 
países. 
c).Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, em 23 de 
maio de 2008, a criação de um novo bloco econômico que incluirá todos os 
países latino-americanos – a UNASUL. 
d).A formação do MERCOSUL foi prejudicial para as relações diplomáticas entre 
Brasil e Paraguai, impedindo que mantivessem, por questões políticas, a parceria 
da Usina Hidrelétrica de Itaipu. 
e).O MERCOSUL está consolidado no atual formato, de forma que não aceita mais 
a entrada de outros países, sendo que sua formação atual é: Brasil, Argentina, 
Paraguai, Uruguai e Venezuela. 
19ª. Quais são as práticas de comércio consideradas como desleais? (Gestão e 
Comércio Exterior – IFET-RS / 2010) 
a) Dumping e subsídio. 
b) Cartel e dumping. 
c) Subsídio e abonos comerciais. 
d) Subsídio e acordos compensatórios. 
e) Cartel e subsídio. 
20ª. O termo globalização, muito propalado atualmente, possui suas origens a 
partir de contextos históricos que nos remontam a séculos passados, como por 
exemplo: o processo das grandes navegações que estabeleceram conexões 
socioeconômicas entre diferentes continentes. No entanto, nas últimas décadas a 
crescente integração econômica entre as regiões sob diversos aspectos: 
comercial, produtivo e financeiro, tem acelerado tal processo. Atualmente a 
globalização pode ser percebida fundamentalmente através da produção e 
distribuição de bens e serviços dentro de redes em escala mundial, que podem 
levar a redução de barreiras no comércio mundial e a conseqüente formação de 
blocos econômicos. Desde 1980, quando esse processo se acelerou, a economia 
mundial passou a crescer 4% ao ano, o que teoricamente deveria contribuir para a 
melhoria do padrão de vida das sociedades em escala mundial. Entretanto, 
historicamente, a globalização tem contribuído para o desequilíbrio econômico 
entre as sociedades, esse processo pode ser percebido através de aspectos 
como: (Geógrafo – IFET-RS / 2010) 
a) A quebra das barreiras fiscais, onde as economias nacionais se aglutinam 
formando os chamados trustes. Neste contexto, a livre concorrência é 
incentivada, a fim de que as leis do mercado possam encaminhar as economias 
ao desenvolvimento. 
b) O declínio dos Estados nacionais modernos que hoje não mais controlam de 
forma hegemônica a economia mundial. Dessa forma, a formação de grandes 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 176 
blocos econômicos supranacionais suprime o imperialismo e possibilita o acesso de 
toda a população mundial aos mais diversos benefícios tecnológicos. 
c) O aumento do desemprego estrutural em muitos países, pois o novo paradigma 
tecnológico requer mão de obra mais qualificada, marginalizando parcela 
significativa de trabalhadores. Observa-se também a concentração da produção 
em grandes empresas multinacionais, o que tem levado a desnacionalização de 
grande parte do setor produtivo, principalmente nos países menos desenvolvidos 
ou emergentes. 
d) O expansionismo territorial dos países mais desenvolvidos que, através da 
coerção militar, estabeleceram domínios sobre regiões economicamente 
estratégicas. Nesse sentido, o acesso aos benefícios ficou restrito a classes 
favorecidas da estrutura social, que na maioria das vezes representam a maioria 
da população. 
e) O aumento do desemprego estrutural em muitos países, em função do 
monopólio tecnológico exercido pelos grandes centros. Dessa maneira, 
economias periféricas passam a atrair investimentos, devido a grande oferta de 
mão de obra especializada, pois os governos destes países enfatizam por principio 
o incentivo a políticas públicas, de cunho social. 
21ª. A intensificação da globalização econômica acirrou a concorrência na 
economia mundial durante as últimas décadas, trazendo para o debate das 
relações de mercado a chamada economia policêntrica. A partir deste novo 
contexto temos por característica fundamental a formação de blocos 
econômicos, os quais a União Européia foi o pioneiro, ainda na conjuntura da 
Guerra Fria. Para Demétrio Magnoli, existem tipos característicos de blocos 
econômicos. Dentre estes: 
I..Zona Livre de Comércio, União Aduaneira, Mercado Comum. 
II..Zona Livre de Comércio, União Econômica, LegislaçãoÚnica. 
III..União Econômica, Mercado Comum, Áreas de integração por Investimentos. 
Qual das alternativas descreve de forma incorreta, os tipos característicos de 
blocos econômicos. (Geógrafo – IFET-RS / 2010) 
a) Apenas o item I. 
b) Apenas o item II. 
c) Apenas o item III. 
d) Apenas os itens I e II. 
e) Apenas os itens II e III. 
22ª. “Uma das características da história do capitalismo tem sido a intensa 
mobilidade espacial da população. Dentro dos próprios países e mesmo para fora 
destes, a migração é uma característica atual da demografia mundial. Um tipo de 
migração seletiva vem ocorrendo nos últimos tempos: profissionais bem 
preparados intelectualmente e de excelente qualificação profissional dirigem-se 
para os mais importantes centros de pesquisa do mundo, ao que se convencionou 
chamar de ‘fuga de cérebros’.” 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 177 
São, respectivamente, grupos de países de emigração e de imigração de 
“cérebros”: (Geógrafo – IFET-RS / 2010) 
I..Índia, Brasil e México. 
II..Estados Unidos, Japão e Alemanha. 
III..África do Sul, Nova Zelândia e Grécia. 
IV..Canadá, Argentina e França. 
a).I e II. 
b).I e III. 
c).II e III. 
d).II e IV. 
e).III e IV. 
23ª. Cumprindo um caráter social, a produção do biodiesel pretende, também, 
gerar trabalho e agregar valores à produção de pequenos agricultores de 
determinadas matérias-primas. Quanto ao biodiesel, assinale a alternativa 
incorreta: (Assistente Administrativo – FESF-BA / 2010) 
a) A produção do biodiesel tem a finalidade única de utilização no mercado 
automotivo. 
b) O biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis. 
c) O uso do biodiesel deverá colaborar para diminuir a agressão à camada de 
ozônio. 
d) A mamona é a melhor opção para o semi-árido nordestino produzir o biodiesel. 
e) Canola, soja, pinhão manso, entre outros, são apropriados para produção do 
biodiesel. 
24ª. Assinale a alternativa correta. A história da humanidade é repleta de 
narrativas sobre epidemias e pandemias que, muitas vezes, limitaram o 
crescimento demográfico ou ainda, dizimaram populações. (Assistente 
Administrativo – FESF-BA / 2010) 
a) O vírus da “gripe suína” é o “H1N1”, doença da atualidade, para a qual ainda 
não existe vacina. 
b) A “Peste negra” é uma epidemia que no século VI dizimou um terço da 
população européia. 
c) Os índios sucumbiram ao vírus da gripe dos brancos porque não possuíam 
anticorpos para ela. 
d) A “malária” está totalmente erradicada no Brasil graças à campanhas de 
vacinação nacional. 
e) A tuberculose foi o grande mal da Idade Média, matando milhares de pessoas 
na Europa. 
25ª. A celeuma em torno de duas hidroelétricas a serem construídas em Rondônia 
envolveu desde preocupações ambientais até o modelo das linhas de transmissão 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 178 
de energia a ser utilizado, passando por disputa empresarial entre grupos 
interessados nas obras. Essas usinas, de Jirau e Santo Antônio, irão integrar o 
complexo hidroelétrico do rio: (PRF / 2008) 
a).Madeira. 
b).Negro. 
c).Solimões. 
d).Tocantins. 
e).Branco. 
26ª..O governo brasileiro anunciou sua intenção de, em 2009, licitar e conceder a 
exploração de 4 milhões de hectares de florestas públicas situadas, 
principalmente, em Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e Acre. Ao afirmar que 
esse modelo de gestão de florestas públicas viabiliza a conservação das áreas 
licitadas e torna a exploração ambientalmente adequada, socialmente justa e 
economicamente viável, o poder público brasileiro pretende aproximar-se de um 
modelo de desenvolvimento entendido atualmente como: (PRF / 2008) 
a).Integrado à economia de mercado globalizada, que enfatiza os resultados 
econômicos. 
b).Monitorado por ONGs e submetido às leis do mercado. 
c).Pragmático, segundo o qual a necessidade e a viabilidade do progresso devem 
ser defendidas a qualquer custo. 
d).Sustentável, em que a geração de riquezas está associada à preservação da 
vida no presente e no futuro. 
e).Refratário à ingerência externa e às teses ambientalistas mais difundidas no 
mundo. 
“O cultivo de grãos na Amazônia – entre eles a soja, apontada como uma das 
vilãs do desmatamento – pode ser uma alternativa para a recuperação de áreas 
já degradadas da floresta. Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, que 
consiste na integração de culturas como o cultivo de grãos, a pecuária e o 
reflorestamento, começa a ser implantada em fazendas experimentais na região 
Norte do país. É o chamado sistema integrado de produção.” 
Folha de S. Paulo, 03/02/2008, p. A18 (com adaptações). 
27ª. Tendo o texto acima como referência inicial e considerando as diversas 
implicações do tema por ele focalizado, assinale a opção incorreta. (PRF / 2008) 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 179 
a).O Brasil tem no agronegócio, que faz da soja uma de suas estrelas, um de seus 
mais fortes instrumentos para inserção no mercado mundial. 
b).A empresa estatal mencionada no texto torna o Brasil uma referência 
internacional no campo da pesquisa científica vinculada ao campo. 
c).O comércio de grãos, no atual estágio da economia mundial globalizada, 
adquire importância capital devido ao montante de recursos que movimenta. 
d).Áreas já degradadas da floresta, conforme se afirma no texto, podem ser 
utilizadas pela pecuária ou ainda para a produção de cultivos de exportação. 
e).Infere-se do texto que os lucros da ampliação de áreas de plantio na Amazônia 
compensam os efeitos ambientais do desmatamento na região. 
28ª. Em geral, a região Norte do Brasil tem sua economia baseada no extrativismo 
vegetal, a exemplo do látex, do açaí e da castanha. Não obstante, a região é 
muito rica em minérios. Exemplos disso são a Serra do Navio, no Amapá, rica em 
manganês, e a Serra dos Carajás, no Pará, de onde se extrai: (PRF / 2008) 
a).A maior concentração de diamantes do país. 
b).Grande parte do minério de ferro que o Brasil exporta. 
c).A maior parte da produção aurífera brasileira. 
d).A totalidade da bauxita existente na América do Sul. 
e).O combustível que impulsiona as usinas de Angra dos Reis. 
“Portaria publicada no Diário Oficial da União – que obriga todas as entidades 
autorizadas a trabalhar em áreas indígenas e de proteção ao meio ambiente a se 
recadastrarem em um prazo de 120 dias permitirá a expulsão do país das ONGs 
em situação irregular. Oficialmente, o governo não revela, mas já tem uma lista 
com cerca de 20 ONGs estrangeiras sob ameaça de expulsão. Principalmente 
aquelas ligadas a grupos externos que pregam a internacionalização da 
Amazônia.” 
Jornal do Brasil, 05/07/2008, capa (com adaptações). 
29..Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos 
aspectos do tema que ele aborda, assinale a opção correta. (PRF / 2008) 
a).As ONGs expandiram-se no mundo contemporâneo, especialmente na primeira 
metade do século XX, tendo por foco principal a luta pelo desarmamento e pelo 
fim dos conflitos regionais. b).Infere-se do texto que a exigência de 
recadastramento das ONGs é mera formalidade, já que não se tem notícia, até o 
momento, de indícios de irregularidade no funcionamento dessas organizações. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 180 
c).A tese de internacionalização da Amazônia, mencionada no texto, é inédita, 
tendo surgido no início do século XXI em alguns dos principais centros dirigentes da 
economia mundial. 
d).No Congresso Nacional, parlamentares de diferentes correntes partidárias, 
sobretudo da região Norte, têm-se manifestado criticamente quanto à ação de 
ONGs que atuam junto a comunidades indígenas. 
e).Temeroso diante de eventual reação da comunidade internacional, o Estado 
brasileiro silencia-se diante da presença de organismos e instituições estrangeiras 
com atuação no território nacional. 
30..Surgida em 1969, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) 
impulsionou a economia amazonense, sobretudo a de Manaus, que hoje responde 
por mais de 50% do PIB do estado do Amazonas. A ZonaFranca está em 
transformação; desde os anos 80 do século XX, vêm sendo reduzidos os incentivos 
presentes na sua origem. Isso se deve, entre outras razões, à contestação feita por 
outros estados às vantagens fiscais concedidas ao Amazonas. Com relação a esse 
assunto, assinale a opção correta. (PRF / 2008) 
a).O pólo industrial de Manaus tradicionalmente concentra-se na produção de 
bens primários, como os alimentícios. 
b).A contestação citada no texto pode ser entendida como parte da chamada 
guerra fiscal entre estados brasileiros. 
c).A maior vantagem obtida pela Zona Franca de Manaus sempre foi a isenção 
de impostos para a exportação de seus produtos. 
d).A proliferação de hidroelétricas na bacia amazônica estimula a industrialização 
não só em Manaus, mas também em outras cidades do Amazonas. 
e).Em geral, tal como ocorre no Amazonas, a população da região Norte é 
desconcentrada, disseminada pelo interior. 
“Os três religiosos paraenses ameaçados de morte, segundo denúncia da 
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) à Anistia Internacional, estão na 
linha de frente da luta pelos direitos humanos. Um deles, o bispo de Xingu, se 
destaca na luta pelos direitos indígenas e contra os grileiros que agem no sudeste 
do Pará, principalmente em Altamira. As ameaças ao bispo de Abaetetuba vieram 
após o religioso ter denunciado o caso da menina de 16 anos mantida em um 
cárcere masculino. Outro religioso ameaçado é um frei, advogado da Comissão 
Pastoral da Terra em Xinguara, no sul do Pará, há décadas engajado na luta dos 
trabalhadores rurais sem terra por reforma agrária.” 
O Globo, 12/04/2008, p. 12 (com adaptações). 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 181 
31ª..Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a abrangência 
do tema por ele tratado, julgue os itens a seguir. 
I..A questão da terra sempre foi tema explosivo no Brasil e ganhou maior 
intensidade a partir de meados do século passado, quando o tema da reforma 
agrária entrou na agenda política do país. 
II..Deduz-se do texto que os três religiosos ora ameaçados defendem uma solução 
conciliatória, de modo que posseiros e grileiros possam ser atendidos e respeitados 
em seus direitos. 
III..O incidente de Abaetetuba ganhou visibilidade ao ser amplamente noticiado, 
e o fato de uma adolescente ter sido encarcerada junto a homens, que a 
violentaram no cárcere, gerou repulsa em amplos setores da sociedade. 
IV..A inexistência de assentamentos rurais na região amazônica funciona como 
estopim que incendeia o cenário de tensão existente em várias localidades, entre 
as quais estão o sul e o sudeste do Pará. 
V..Há consenso entre os especialistas de que o enfrentamento adequado do 
problema fundiário na região Norte e no país exige a criação de órgão específico 
da administração federal para tratar da reforma agrária. 
Estão corretas: (PRF / 2008 – adapt.) 
a).II e V. 
b).I e III. 
c).III e V. 
d).I e IV. 
e).III e IV. 
32ª..O exercício da cidadania, no Brasil, vem sendo favorecido pela criação de 
leis que regulamentam diretrizes da Constituição Federal de 1988. Uma lei criada 
em 2001, visando a amparar o ordenamento territorial do país, por meio de Planos 
Diretores e outros instrumentos, é denominada de Estatuto da(o): (CEF / 2008) 
a).Terra. 
b).Idoso. 
c).Cidade. 
d).Desarmamento. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 182 
e).Criança e do Adolescente. 
33ª..Observe a tabela: 
 
Os gastos sociais do governo brasileiro cresceram, nos setores acima indicados. 
Uma explicação para esse crescimento vincula-se, explicitamente, ao seguinte 
fator demográfico: (CEF / 2008) 
a).Aumento da expectativa de vida. 
b).Estabilização da taxa de natalidade. 
c).Redução da taxa de mortalidade infantil. 
d).Incremento do índice de fecundidade. 
e).Diminuição da população adulta. 
34ª..A política brasileira nas áreas rurais é caracterizada por enfrentamentos que se 
expressam, dentre outros, por organizações da sociedade civil, em associações, 
sindicatos, movimentos sociais etc. O par de entidades da sociedade civil que 
representam distintas classes sociais e interesses conflitantes quanto à questão da 
terra é: (CEF / 2008) 
a).Liga Camponesa / Via Campesina. 
b).Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra / Via Campesina. 
c).Movimento dos Atingidos por Barragens / Liga Camponesa. 
d).União Democrática Ruralista / Sindicato dos Proprietários Rurais. 
e).União Democrática Ruralista / Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. 
35ª..Fidel Castro, como figura política latino-americana, chamou a atenção da 
opinião pública internacional, no início de 2008, por ter tomado a decisão de: (CEF 
/ 2008) 
a).Comandar a resistência dos guerrilheiros colombianos. 
b).Deixar o posto de chefe de Estado da República de Cuba. 
c).Pressionar o governo equatoriano a ceder espaço às FARC. 
d).Anistiar os dissidentes da Revolução Cubana residentes no exterior. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 183 
e).Negociar com os governos da Venezuela e da Colômbia contra as FARC. 
36ª..As energias eólica e solar são consideradas fontes alternativas por serem 
renováveis, contrapondo-se aos tipos de energia produzidos a partir da queima de 
combustíveis fósseis. No Brasil atual, o uso dessas energias alternativas indicadas 
pode ser, adequadamente, classificado como: (CEF / 2008) 
a).Restritivo, em função das condições naturais gerais do país. 
b).Predominante, quanto às unidades produtivas atendidas. 
c).Inexistente, tendo em vista os obstáculos jurídicos. 
d).Inviável, haja vista os históricos impasses tecnológicos. 
e).Incipiente, quanto a sua efetiva produtividade. 
A PESSOA COMO EXISTÊNCIA POTENCIAL 
Qual o estatuto humano do embrião? Que tipo de ser é o embrião humano? É 
pessoa? É coisa? É material biológico? O embrião é pessoa potencial, um ser 
pertencente à nossa espécie. Mas este fato biológico significa que ele já é pessoa 
humana com iguais direitos de uma criança, de um adulto ou de um ancião? (...) 
Centralizando a questão: quando começa a pessoa humana? 
Pegoraro, O. In: Araújo, L. e Barbosa, R. (orgs). Filosofia prática e modernidade. Rio 
de Janeiro: EDUERJ, 2003:83. 
37ª..Em 2008, as questões acima freqüentaram o debate público brasileiro, devido 
ao julgamento da constitucionalidade das pesquisas com células-tronco 
embrionárias, no país, realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Quanto ao 
problema julgado, a posição final do STF foi: (CEF / 2008) 
a).Suspender esse tipo de pesquisa laboratorial, temporariamente. 
b).Restringir as pesquisas à manipulação de embriões não humanos. 
c).Aprovar a continuidade dessa categoria de pesquisa laboratorial. 
d).Impedir definitivamente o uso de embriões humanos congelados. 
e).Definir a equivalência entre embrião, criança, adulto e ancião. 
38ª..No Brasil, é recorrente a problemática da demarcação de terras indígenas, tal 
é o caso atual da Reserva Raposa/Serra do Sol, na Amazônia. Com relação a esse 
tipo de área protegida, são feitas as afirmativas a seguir: 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 184 
I..A área indígena demarcada continua sendo propriedade da União. 
II..Os índios têm direito ao usufruto da superfície, mas não à exploração do subsolo 
de uma reserva demarcada. 
III..As Forças Armadas não podem atuar nessas áreas demarcadas. 
Estão corretas: (CEF / 2008) 
a).I, apenas. 
b).I e II, apenas. 
c).I e III, apenas. 
d).II e III, apenas. 
e).I, II e III. 
39ª..Analise a definição de sustentabilidade ambiental e as situações de ameaça 
à Amazônia Brasileira: 
Definição 
Sustentabilidade ambiental está relacionada à capacidade da natureza para 
absorver e recuperar-se das agressões do homem. 
Becker, B. e Miranda, M. (orgs). A geografia política do desenvolvimento 
sustentável. EDUFRJ, 1995:33. 
Situações 
I..Índios: a alta concentração de terras indígenas e as unidades de conservação 
em certos estados da região restringem espaço para se alavancar a economia. 
II..Madeireiras: o crescimento da indústriailegal madeireira está destruindo 
rapidamente a fauna e a flora. 
III..Arrozeiros: o agrotóxico da agricultura vai para os rios e parte da floresta é 
derrubada para a agricultura. 
IV..ONGs: estima-se que existam 100 mil ONGs operando na região e que muitas se 
envolvem com biopirataria e lavagem de dinheiro. 
V..Pasto: pecuaristas compram terrenos na região e utilizam-nos para pastagem 
até que se tornem inférteis. 
Revista Isto é, 28 maio de 2008. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 185 
O tipo de sustentabilidade definido está diretamente comprometido com as 
ameaças descritas nas situações numeradas de I a V, com exceção da ameaça: 
(CEF / 2008) 
a).I. 
b).II. 
c).III. 
d).IV. 
e).V. 
“O conceito de hotspots foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers, ao 
observar que a biodiversidade não está distribuída no planeta de forma 
homogênea, com isso procurou identificar quais as regiões que concentram os 
mais altos níveis de biodiversidade e que eram ameaçadas. Hotspots são áreas 
prioritárias para a conservação, com pelo menos 1500 espécies endêmicas de 
plantas e que tenham perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.” 
CEDERJ, 2009 (com adaptações). 
40ª..A partir das características enunciadas, pode-se afirmar que, no Brasil, são 
considerados(as) como hotspots: (IBGE / 2009) 
a).A floresta amazônica e a caatinga. 
b).O cerrado e a floresta amazônica. 
c).A mata atlântica e o cerrado. 
d).O cerrado e a caatinga. 
e).A mata atlântica e a floresta amazônica. 
“Há um paradoxo de difícil equacionamento para a superação da crise global. A 
maioria está de acordo que um passo indispensável é a recuperação americana 
(...).” 
José Carlos de Assis. In: Jornal do Brasil, 13/02/2009. 
41ª..A atual crise da economia mundial se tornou evidente a partir do segundo 
semestre de 2008, nos Estados Unidos. O episódio mais marcante dessa evidência 
foi o momento em que o governo federal dos Estados Unidos ofereceu: (IBGE-SP / 
2009) 
a).Apoio aos soldados americanos no Iraque. 
b).Ajuda financeira aos bancos norte-americanos. 
c).Doação internacional aos refugiados da fome. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 186 
d).Solidariedade aos presos políticos em Cuba. 
e).Oportunidade aos que buscam o primeiro emprego. 
42ª..No período de outubro a fevereiro, como de costume, o governo brasileiro 
adota em quase todo o território nacional o horário de verão. Esse horário 
alternativo é adotado no Brasil porque: (IBGE-SP / 2009) 
a).O governo atende a uma orientação internacional. 
b).O país é tropical, condição para adotar esse horário. 
c).O governo se promove frente a outros países latino-americanos. 
d).O país economiza energia e dinheiro no período. 
e).As regiões do país gastam a mesma cota de energia no período. 
43ª..A agricultura brasileira vem crescendo e se modernizando com base em 
alguns cultivos voltados para o mercado externo. Atualmente, em direção à 
Amazônia, sobretudo no estado do Mato Grosso, se expande um desses cultivos 
agrícolas voltados para a exportação. O cultivo agrícola em expansão na área 
em foco é o de: (IBGE-SP / 2009) 
a).Café. 
b).Soja. 
c).Trigo. 
d).Cana. 
e).Erva-Mate. 
44ª..De acordo com o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou nos 
últimos anos. Isso implica uma atenção maior com o funcionamento da 
previdência social e com a expansão de uma faixa etária específica da 
população, exigindo-se uma legislação adequada. Na área da legislação 
brasileira, a faixa etária em questão foi especificamente contemplada com o 
Estatuto do(da): (IBGE-SP / 2009) 
a).Desarmamento. 
b).Idoso. 
c).Igualdade Racial. 
d).Cidade. 
e).Criança e do Adolescente. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 187 
45ª..No campo das relações internacionais, o governo brasileiro incrementou 
negociações diplomáticas com o governo boliviano, em função do fornecimento 
de um recurso natural estratégico importado, daquele país, pelo Brasil. O recurso 
natural estratégico em pauta, importado da Bolívia pelo Brasil, é o(a): (IBGE-SP / 
2009) 
a).Petróleo. 
b).Carvão Mineral. 
c).Biomassa. 
d).Gás Natural. 
e).Xisto Betuminoso. 
 
“A rua 25 de março, no centro de São Paulo, é um dos principais pontos de 
redistribuição de mercadorias do país.” 
Le Monde Diplomatique Brasil, mar./2009, p. 8. 
46ª..A fotografia acima registra o movimento cotidiano da economia de uma 
metrópole como São Paulo. O movimento registrado tem como foco uma parte da 
economia nacional vinculada diretamente ao setor: (IBGE-SP / 2009) 
a).Financeiro global. 
b).Industrial moderno. 
c).Bancário nacional. 
d).Informal popular. 
e).Institucional local. 
47ª..Integrado ao mercado global e recebendo as influências do capitalismo 
neoliberal, um dos principais problemas do Brasil é o desemprego. São 
consideradas causas de desemprego no país: 
I..A abertura comercial e a concorrência com produtos estrangeiros, o que 
diminuiu o poder de venda de vários ramos industriais brasileiros. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 188 
II..Eliminação de postos de trabalho nas indústrias devido à modernização. 
III..Competição internacional, a qual é responsável pelo desemprego de 
trabalhadores altamente qualificados no país. 
Estão corretas: (IBGE / 2008) 
a).Todas. 
b).I e II. 
c).I e III. 
d).II e III. 
e).Nenhuma. 
“Mas nesta nova época dita de globalização não há propriamente um mercado 
global, embora o vejamos assim nomeado nos jornais. A inteligência dita global 
fica com as instituições internacionais – Nações Unidas, FMI, Banco Mundial –, mas 
que tampouco são completamente globais. O exercício do trabalho global é feito 
por firmas que chamamos globais, mas que não o são realmente. Elas escolhem as 
frações em que desejam atuar e as fragmentam ainda mais. Isso pouco lhes 
importa. O que significa que os atores que movem o chamado mundo 
globalizado, de um lado, não são globais, e, de outro lado, são cegos. Cegos para 
o que está em torno deles, porque a ação das firmas multinacionais e 
internacionais é indiferente aos contextos em que se inserem, pouco se 
incomodando com o resultado da sua presença para o que está ao redor. Só 
pensam em si próprias.” 
Santos, M. Território & Sociedade. Entrevista com Milton Santos. Ed. Fundação 
Perseu Abramo, 2000, p. 29. 
48ª..Com relação ao texto e ao atual processo de globalização em curso, pode-se 
afirmar que, exceto: (IBGE / 2008) 
a).Os atores que movem o mundo global são, notadamente, beneficiados pelo 
neoliberalismo, o qual reduz as barreiras e permite uma maior interferência nos 
países subdesenvolvidos. 
b).De acordo com o texto, o conceito de globalização empregado por muitos é 
inadequado, pois exprime a idéia de crescimento e desenvolvimento dentro de 
uma ótica de totalidade e igualdade. 
c).O mercado global a que se refere o texto não existe porque não são todos os 
países do mundo que possuem acesso ao desenvolvimento tecnológico e 
informacional. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 189 
d).Como as firmas internacionais são cegas às realidades do países 
subdesenvolvidos, passa a existir uma tendência à ampliação da capacidade das 
nações subdesenvolvidas de realizar investimentos públicos e solucionar problemas 
sociais. 
e).O texto faz cair por terra o conceito de globalização enquanto fenômeno 
econômico, cultural e social que atinge a todos em escala mundial. 
“A partir do desastre em Chernobyl, na Ucrânia, na década de 80 do século XX, 
diversos países como Inglaterra e Alemanha reduziram investimentos, cancelando 
projetos que envolviam a mesma fonte de energia gerada pela Usina de 
Chernobyl antes do referido acidente. Atualmente, passados mais de 20 anos, esta 
energia é considerada, por vários especialistas, como limpa e barata.” 
49ª..O texto se refere à energia: (IBGE / 2008) 
a).Fóssil. 
b).Eólica. 
c).Hidráulica. 
d).Nuclear. 
e).Solar. 
“Um país como o Brasil não se interessa em ser apenas um país grande, 
economicamente forte, com um monte de gente pobre do seu lado. Épreciso que 
todos cresçam, que tenham condições de se desenvolver.” 
50ª..Com esta afirmação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falava, após 
reunião em julho de 2008, com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe, sobre: 
(IBGE / 2008) 
a).A participação do Brasil no Conselho de Segurança permanente da ONU. 
b).A importância do Mercosul para os países-membros. 
c).O apoio que o Brasil vem prestando aos países pobres da África. 
d).A responsabilidade do Brasil na integração da América do Sul. 
e).A necessidade de união de todos os países pobres do planeta no combate à 
miséria. 
“O Ministério do Meio Ambiente lançou, no segundo semestre de 2008, um 
programa que possui como principal novidade a estipulação de um prazo de até 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 190 
13 meses para que processos de licenciamento sejam concluídos, já que não 
havia prazo legal e as licenças demoravam até 37 meses.” 
51ª..O programa lançado pelo Governo e tratado pelo texto é o: (IBGE / 2008) 
a).Destrava Ibama. 
b).Licenciamento Já. 
c).Desburocratização no Meio Ambiente. 
d).PAC Ambiental. 
e).Brasil Licenciado. 
 
52ª..Na foto acima observa-se a atividade de um garimpeiro de ouro, no rio 
Tapajós, Amazônia. Um problema ambiental provocado diretamente pela 
atividade do garimpo, na região em foco, é a(o): (IBGE / 2007) 
a).Ocorrência de chuvas ácidas em áreas rurais isoladas. 
b).Agravamento das conseqüências do efeito estufa regional. 
c).Contaminação do meio natural e das pessoas pelo mercúrio. 
d).Desmatamento em larga escala na área da bacia hidrográfica. 
e).Avanço das áreas atingidas pelo fenômeno da pororoca. 
53ª..Na década de 90, a economia brasileira foi caracterizada por um fenômeno 
denominado “guerra fiscal”. Esse fenômeno corresponde à competição entre 
estados e municípios para atrair empresas, o que provocou uma desconcentração 
industrial no país. Essa desconcentração é claramente exemplificada pelo(a): 
(IBGE / 2007) 
a).Desmantelamento da indústria de base no país. 
b).Aumento do emprego de mão-de-obra familiar. 
c).Redução do consumo de eletrodomésticos. 
d).Descentralização da produção de automóveis. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 191 
e).Descapitalização dos principais setores exportadores. 
54ª. A produção de biocombustíveis vem despertando interesses e aplicações em 
diversos países. No Brasil, tem sido muito discutida atualmente a produção de um 
biocombustível que tem como fonte um produto agrícola. Trata-se da(o): (IBGE / 
2007) 
a).Gasolina. 
b).Acetona. 
c).Paracetamol. 
d).Etanol. 
e).Propanol. 
55ª. Analise a foto e o trecho da matéria jornalística: 
(...) Falo na operação militar no Rio de Janeiro, que talvez venha a ser conhecida, 
pelos historiadores futuros, como a batalha inicial de uma guerra que já vinha em 
curso, mas somente agora ganha pinta de guerra mesmo, com blindados, 
canhões e tudo mais. Já não temos que passar muita vergonha, diante do Iraque 
ou do Afeganistão. Ou do próprio Haiti.(...) 
João Ubaldo Ribeiro, “O sonho do Urutu próprio”. 
In: O Globo, 12/03/06. 
 
Canhão aponta para a casa de um morador, na Mangueira In: O Globo, 12/03/06 
O conteúdo da foto e a reflexão crítica expressa no trecho acima referem-se ao 
seguinte aspecto do cotidiano brasileiro, no exemplo do Rio de Janeiro: (IBGE / 
2006) 
a).Crise das Forças Armadas. 
b).Crise da segurança pública. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 192 
c).Avanço das ações terroristas. 
d).Consolidação de nova ditadura militar. 
e).Reconhecimento oficial de uma guerra civil. 
 
Sene & Moreira, 1999, p. 296. 
56..O produto agrícola cuja evolução está representada nos mapas acima e a 
destinação principal de sua produção, respectivamente, são: (IBGE / 2006) 
a).Soja/Mercado Interno. 
b).Café/Exportação. 
c).Milho/Mercado Interno. 
d).Café/Mercado Interno. 
e).Soja/Exportação. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 193 
 
Revista JB Ecológico, ago./2006. 
As perspectivas para a evolução do clima no planeta não são animadoras. 
Segundo os meteorologistas, as massas de ar frio que deveriam amenizar o verão 
no Hemisfério Norte e esfriar o inverno no Brasil foram bloqueadas. 
Revista Veja, 02 ago./2006. 
57ª..De acordo com estudos atuais, há grande probabilidade de esse tipo de 
bloqueio ser causado pela(o): (IBGE / 2006) 
a).Concentração de terras emersas no hemisfério norte. 
b).Multiplicação das ilhas de calor nas metrópoles. 
c).Expansão das áreas cobertas por desertos. 
d).Agravamento do efeito estufa planetário. 
e).Avanço da industrialização no hemisfério sul. 
58ª..Com relação à atual crise energética atravessada pela sociedade brasileira, 
são feitas as afirmativas abaixo. 
I..Avançam as pesquisas e a exploração de fontes alternativas, tais como o 
biodiesel e a energia eólica. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 194 
II..Expande-se a produção de energia hidroelétrica, através da construção de 
novas usinas e ampliação da capacidade geradora de antigas unidades. 
III..Discutem-se projetos de lei para exigir da indústria de eletrodomésticos a 
fabricação de produtos de menor consumo energético. 
Estão corretas: (IBGE / 2006) 
a).I, apenas. 
b).I e II. 
c).I e III. 
d).II e III. 
e).I, II e III. 
 
Revista Veja, 20 set./2006. 
59ª..Há seis anos, o governo norte-americano ameaçou o Brasil com a exclusão 
das exportações de produtos brasileiros para os EUA, devido à pirataria de DVDs e 
softwares. Em fevereiro deste ano, a ameaça foi suspensa. Essa suspensão teve 
como principal motivo a(o): (IBGE / 2006) 
a).Intensificação das importações brasileiras de produtos de origem norte-
americana. 
b).Eliminação de produção e comercialização de mercadorias falsas no país. 
c).Apreensão pela Polícia Federal de produtos ilegais de procedência dos EUA. 
d).Proibição do comércio de eletroeletrônicos na fronteira Brasil-Paraguai. 
e).Reforço de ações do governo brasileiro no combate a produtos falsificados. 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 195 
60ª..Crises periódicas podem afetar os setores produtivos, como nos exemplos da 
doença da vaca louca, da gripe aviária e do vírus da febre aftosa. No caso do 
último exemplo, a pecuária brasileira foi recentemente afetada, tendo como 
conseqüência direta o(a): (IBGE / 2006) 
a).Sacrifício de milhares de cabeças de gado em todas as regiões do país. 
b).Interrupção das importações de carne de origem argentina. 
c).Colapso dos órgãos de segurança sanitária em todo o Brasil. 
d).Suspensão da compra de carne bovina brasileira no exterior. 
e).Reequilíbrio dos rebanhos bovinos entre as regiões brasileiras. 
61ª..Analise o gráfico da matriz de transportes de carga brasileira, no ano de 2006. 
 
Assinale a alternativa que associa corretamente as modalidades listadas a seguir 
com os percentuais apresentados no gráfico acima: (ANTT / 2008) 
I..Rodoviária. 
II..Ferroviária. 
III..Dutoviária. 
IV..Aquaviária. 
a).I-a, II-c, III-d e IV-b. 
b).I-b, II-a, III-c e IV-d. 
c).I-d, II-a, III-b e IV-c. 
d).I-d, II-b, III-c e IV-a. 
e).I-a, II-d, III-c e IV-b. 
62ª..Avalie as afirmativas a seguir: 
Atualidades 
Prof. Nilton Matos 196 
I..A privatização das malhas ferroviárias criou condições para o aumento de 
investimentos, aumentando a competitividade deste subsetor. 
II..Os investimentos do Governo Federal no subsetor hidroviário melhoraram as 
condições de navegabilidade dos rios. 
III..Os arrendamentos de áreas portuárias reduziram os custos portuários, 
viabilizando a navegação de cabotagem. 
Assinale a alternativa que faz a análise correta dessas afirmativas: (ANTT / 2008) 
a).Apesar dos investimentos nas modalidades aquaviária e ferroviária, a matriz de 
transporte brasileira deverá permanecer inalterada. 
b).Os investimentos do setor privado na modalidade ferroviária e do setor público 
no subsetor hidroviário não devem aumentar a participação destas modalidades 
na matriz de transporte. 
c).Apesar dos investimentos nas modalidades aquaviária e ferroviária, a 
participação

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