Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Andrezza Karine Araújo de 
Medeiros Pereira
PROGRAMA 
DE EDUCAÇÃO 
PERMANENTE 
EM SAÚDE 
DA FAMÍLIA
Módulo: 
Procedimentos 
de Enfermagem 
na APS
UNIDADE 1
Administração de 
medicamentos
2Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Administração de medicamentos
 
 
Caro educando, sejam bem-vindo ao módulo “Procedimentos de Enfermagem na APS”. 
A primeira unidade irá versar sobre a administração de medicamentos. Na aula 1, iremos 
dialogar e refletir sobre a administração de medicamentos na Atenção Primária à Saúde 
(APS), destacando a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI).
3Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Aula 1 – Administração de 
medicamentos APS e equipamentos de 
proteção individual 
Questões que envolvem a administração de 
medicamentos na APS
De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a atenção primária à saúde 
(APS) deve funcionar como a porta de entrada dos indivíduos/famílias aos serviços de saúde, 
devendo para tanto estar preparada com estrutura, insumos e trabalhadores qualificados 
para atender as necessidades existentes (BRASIL, 2017).
É de responsabilidade das equipes de saúde da atenção básica ofertar uma atenção de qua-
lidade e segura para os indivíduos/famílias. Dentre os diversos procedimentos ofertados 
pela equipe de enfermagem, a administração de medicamentos assume um papel impor-
tante e rotineiro, sendo assim necessário refletir um pouco sobre como você está pratican-
do essa administração. 
Vamos pensar um pouco sobre essas questões a partir do que acon-
teceu na situação-problema deste módulo. 
A dona Filomena Expedita foi à unidade e teve duas medicações 
injetáveis administradas.
- Você acha realmente uma tarefa importante se dedicar a fazer 
leituras e estudos acerca da administração de medicamentos?
- Quais têm sido as facilidades e dificuldades para ofertar uma admi-
nistração de medicamentos segura?
- Como essa prática poderia ser avaliada e utilizada como ponto de 
partida para o planejamento de uma nova prática? 
4Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Pensar a administração de medicamentos nos remete a vários saberes e práticas, não 
devendo tal administração ser vista apenas como uma tarefa mecânica a ser executada em 
complacência rígida com a prescrição médica. Requer pensamento e o exercício do juízo 
final (UNITED KINGDOM CENTRAL COUNCIL FOR NURSING,1992). 
Dessa forma, há diversas questões a serem pensadas, como a segurança do usuário e do 
trabalhador, a necessidade de conhecimento técnico científico e prático, a estrutura dos 
serviços de saúde, a leitura e compreensão da prescrição médica, a disponibilidade de uma 
equipe de saúde, entre outras. 
Pensando em tudo isso, e relembrando a situação-problema: como tem sido a atenção à 
saúde que você tem ofertado aos usuários da atenção básica, no que se refere à prática de 
administração de medicamentos? Você tem conseguido dedicar tempo para garantir uma 
prática de administração de medicamentos segura, ou tem delegado esta função ao técnico 
de enfermagem? 
VOCÊ SABIA QUE O CÓDIGO DE ÉTICA DE ENFERMAGEM MUDOU?
O próprio código de ética da enfermagem coloca, como uma das 
responsabilidades do enfermeiro, a administração de medicamentos. 
Nesse contexto, é PROIBIDO:
Art. 78 Administrar medicamentos sem conhecer indicação, 
ação da droga, via de administração e potenciais riscos, res-
peitados os graus de formação do profissional. 
Art. 80 Executar prescrições e procedimentos de qualquer 
natureza que comprometam a segurança da pessoa (CONSE-
LHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2017).
Dessa forma, é importante relembrar o código de ética da enfer-
magem, bem como resoluções que tratem sobre a relação entre a 
administração de medicamentos e a enfermagem, atualizando-se 
sobre resoluções que sejam alteradas ou criadas.
5Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Retomando a situação-problema, vimos que o técnico de enfermagem não conseguiu com-
preender qual era a medicação a ser administrada na usuária. Você tem conversado sobre 
isso com os técnicos de enfermagem sobre os quais você é responsável?
É necessário refletir sobre isso, visto que, quando o enfermeiro está trabalhando na atenção 
básica, pensa cotidianamente sobre o pré-natal, o crescimento e o desenvolvimento dos 
bebês, a coleta de citologia oncótica, os preenchimentos das fichas, o planejamento familiar 
e por vezes se esquece da administração de medicamentos, dos curativos e das sondas, 
percebendo essas práticas como uma preocupação maior dos profissionais da enfermagem 
que estão trabalhando no espaço hospitalar. 
Entretanto, você sabe que não é bem assim. Hoje as unidades básicas de saúde estão muito 
próximas às comunidades e muitos desses procedimentos de enfermagem mais presentes 
no espaço hospitalar são demandados para a UBS. Afinal, o usuário tem direito à continui-
dade do seu cuidado.
É necessário lembrar que, apesar da administração de medicamentos ser uma atividade 
rotineira da enfermagem, diversos estudos e noticiários vêm mostrando que ela nem sem-
pre traz uma resolução para os problemas dos usuários, sendo muitas vezes responsável 
pelo agravamento de sua condição de saúde, pelo surgimento de novos problemas e, em 
alguns casos, até pela sua morte.
6Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Estas reportagens revelam a necessidade de se refletir um pouco sobre essa prática, pen-
sando em estratégias de como realizá-la com maior segurança para os usuários e para quem 
a está administrando. Você já vivenciou alguma situação como essa?
Embora a maioria dos noticiários e artigos apresentem os erros de medicações ocorridos 
na atenção hospitalar, é importante também pensar na sua possibilidade de ocorrência na 
atenção básica. Estudos como os de Paese e Sasso (2013) e Marchon e Mendes Júnior (2014) 
mostram que a segurança do paciente ainda é pouco pensada e estudada na APS, entretan-
to, é neste espaço que muitas vezes o cuidado se inicia e é concluído, sendo assim importan-
te que haja estudos e pesquisas abordando essa temática na APS. 
Bebê de um mês e meio de vida teve a medicação aplicada na veia 
quando deveria ser feita por via respiratória, por meio de aparelho 
de aerossol. O caso aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento 
(UPA) do bairro José Walter, em Fortaleza. Segundo a família, Kalleb 
Levy Rodrigues começou a passar mal após receber a medicação 
que, no lugar de ser inalada, foi injetada por uma enfermeira. Ele foi 
transferido em estado grave para a Unidade de Tratamento Intensivo 
do Hospital Infantil Albert Sabin, no bairro Vila União.
Fonte: Jornal O povo. Disponível em: https://www.opovo.com.br/jornal/
dom/2017/09/fortaleza-bebe-vai-para-uti-por-erro-na-medicacao.html. 
Acesso em: 18 dez. 2017.
O suposto erro na aplicação de uma injeção obrigou a promotora 
de vendas Ana Paula de Andrade Dias a se submeter a um processo 
de drenagem para retirada do abscesso formado nas nádegas. O 
problema se agravou quatro dias depois dela ter sido medicada 
com uma injeção de Benzetacil no Posto de Atendimento 24 Horas 
do Augusto Franco, quando voltou ao local porque não suportava as 
dores. “Procurei o posto porque estava com dor de cabeça e acabei 
tendo de voltar para fazer uma mini-cirurgia, sem contar das dores 
que senti por causa deste abscesso, já que o mesmo estava sobre 
um músculo e dos dias em que deixei de trabalhar”, reclama. Com 
base nas reclamações da promotora de vendas, a enfermeira teria 
aplicado a medicação muito rápido e a médica que avaliou o abscesso 
e lhe encaminhou para a drenagem, esclareceu que a injeção teria 
sido aplicada no local errado.
 Fonte: Blog Info Net. Disponível em: http://www.infonet.com.br/noti-
cias/saude//ler.asp?id=7151. Acesso em: 18 dez. 2017.
7Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Diante dessa realidade, o Ministério da Saúde lançou em 2014 o Programa Nacional de Segu-
rança do Paciente (PNSP), estando mais voltado para o ambiente hospitalar(BRASIL, 2014). 
Todavia, como já abordado, diante do papel que a atenção básica assume hoje na vida das 
famílias, sendo responsável pela realização de uma gama de procedimentos de enferma-
gem, é mais do que necessário trazer alguns pontos orientadores da PNSP para também 
orientar os diversos serviços e ações de saúde desenvolvidos nesse espaço.
Você pode acessar o documento de referência do Programa Nacional 
de Segurança do Paciente no link: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf
O PNSP aborda a necessidade de ofertar práticas seguras nos estabelecimentos de saú-
de, trazendo como seus principais eixos: o estímulo à oferta de uma assistência segura; o 
envolvimento dos indivíduos/famílias na sua segurança; a inclusão da temática no ensino; 
e o incremento da pesquisa nessa área (BRASIL, 2014).
É preciso imprimir no cotidiano das unidades de saúde uma cultura de segurança dos usu-
ários, sendo também da responsabilidade das unidades de saúde a criação dessa cultura 
na prática de administração de medicamentos.
Quadro 1 - Conceitos de cultura de segurança do paciente na Portaria MS/GM nº 529/2013
Fonte: Brasil (2014)
Cultura na qual todos os trabalhadores, incluindo profissionais envolvidos no cuidado e gestores, 
assumem responsabilidade pela sua própria segurança, pela segurança de seus colegas, pacientes 
e familiares.
Cultura que prioriza a segurança acima de metas financeiras e operacionais.
Cultura que encoraja e recompensa a identificação, a notificação e a resolução dos problemas 
 relacionados à segurança.
Cultura que, a partir da ocorrência de incidentes, promove o aprendizado organizacional.
Cultura que proporciona recursos, estrutura e responsabilização para a manutenção efetiva da 
segurança.
8Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Fica claro que a cultura de executar administração de medicamentos de forma mais seguran-
ça para o paciente não envolve somente o enfermeiro e a equipe de enfermagem, mas todos 
os trabalhadores das unidades básicas de saúde, gestores, comunidade e as instituições de 
ensino superior. Frentes a estas informações é importante pensar:
Mais uma vez pensando na situação-problema, na qual se descreve a falta de luvas e de local 
adequado para descarte da seringa e agulha, reflita: você e sua equipe têm conseguido ofertar 
uma administração de medicamentos que preze pela segurança do paciente, pela sua segu-
rança e pela da equipe de enfermagem sob sua responsabilidade?
Infográfico 1
Esses exemplos lhe fazem lembrar algumas situações cotidianas que têm comprometido a qua-
lidade dos serviços ofertados por você ou pela equipe de saúde a que você está vinculado/a?
Pensar sobre o uso de EPIs como necessário
Relembrando a situação-problema e dando continuidade à necessidade de responder a ela de 
forma segura, agora gostaria que você refletisse um pouco sobre como esta segurança vem 
sendo garantida para você, enfermeiro, e para a equipe de enfermagem que você supervisio-
na na unidade básica de saúde à qual está vinculado. 
Na situação apresentada, o técnico de enfermagem estava com dificuldades de acesso a EPIs. 
E na sua realidade de trabalho: você tem utilizado equipamentos de proteção individual ao 
administrar medicamentos? E com relação à equipe de enfermagem pela qual você é respon-
sável, qual tem sido seu papel? 
Você tem supervisionado a ação dos técnicos de enfermagem responsáveis pela administra-
ção de medicamentos, assegurando que esta seja segura para os trabalhadores que a execu-
tam e para os usuários? Você tem conseguido dialogar com a gestão no sentido de garantir o 
acesso da enfermagem aos EPIs, com qualidade e quantidades suficientes?
9Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Vários são os riscos que os trabalhadores correm ao executarem sua atividade laboral, poden-
do adquirir problemas de saúde que venham comprometer sua saúde e a de seus familiares. 
Portanto, o uso de EPI é um direito e dever do trabalhador para garantir sua saúde.
10Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Uma outra questão importante é a garantia de que todos os trabalhadores da unidade bási-
ca de saúde estejam imunizados contra Hepatite, Tétano, Rubéola, Influenza e, a depender 
da região, a febre amarela. Faz parte ainda da proteção dos trabalhadores a garantia do 
acondicionamento de materiais perfurocortantes, como seringas e agulhas, em caixas apro-
priadas (ANVISA, 2013).
É preciso ainda estabelecer fluxos e condutas para as situações de acidentes com perfuro-
cortantes e exposição a material biológico (BRASIL, 2012a).
Na próxima aula, vamos refletir um pouco sobre as vias de administração de medicamentos. 
Afinal, revisar é sempre necessário e na APS precisamos estar atentos a esse conhecimento teó-
rico para dialogar com os próprios indivíduos/famílias e com a equipe com quem trabalhamos.
Segundo a NR-06, entende-se por EPI “todo dispositivo ou produto, 
de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção 
de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho” 
(BRASIL, 2001, p. 1).
As instituições de saúde devem responsabilizar-se por disponibilizar 
gratuitamente os EPIs adequados ao risco, estando eles em perfeito 
estado de conservação e funcionamento. Os principais EPIs utilizados 
na ABS são: luvas descartáveis, luvas térmicas, luvas de borracha 
com cano longo, máscaras descartáveis, gorros de proteção, avental 
e calçados fechados (BRASIL, 2001).
Você pode acessar a NR-06 em: http://trabalho.gov.br/images/
Documentos/SST/NR/NR6.pdf. Acesso em: 14 dez. 2017.
Outra NR importante está disponível em: NR-05 – CIPA. http://trabalho.
gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR5.pdf. Acesso em: 14 dez. 2017. 
Você precisa estar atento ao fato de que não basta apenas que estes 
equipamentos estejam disponíveis, é necessário haver a garantia cor-
reta e segura de seu uso, sendo você o profissional responsável por 
conversar com toda a equipe de enfermagem sobre quando usar o 
EPI. Necessita-se também orientar sobre qual EPI deve ser usado de 
acordo com o procedimento a ser utilizado, empregando para tanto 
a educação permanente em saúde (BRASIL, 2001).
O trabalhador da saúde deve utilizar o EPI apenas para a atividade a 
que se destina, sendo responsável pela guarda e conservação dele, 
devendo ainda comunicar aos gestores quando houver necessidade 
de troca (BRASIL, 2001).
11Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Aula 2 – Técnicas de administração 
de medicamentos e administração de 
Penicilina Benzantina na APS
Na aula passada, nós refletimos um pouco sobre as diversas questões que envolvem a 
administração de medicamentos na atenção básica, chamando a atenção para a necessida-
de de que você esteja atento a essa prática que, às vezes, é totalmente direcionada para os 
profissionais de enfermagem de nível médio. Também discutimos algumas questões éticas, 
a segurança do usuário e da equipe e o uso de EPIs.
 Na situação-problema você viu que a qualquer momento podem surgir demandas 
ligadas a essa administração, como, por exemplo, a necessidade de ensinar a usuária e sua 
família a administrar a insulina. Você está preparado para fazer esse diálogo com a comuni-
dade? Ou teria, por exemplo, algumas dúvidas acerca da administração de injetável por via 
subcutânea?
Diante dessas questões, nesta aula vamos relembrar um pouco a respeito das vias de admi-
nistração de medicamentos, bem como iremos conversar sobre a administração de peni-
cilina benzatina na unidade básica de saúde, já que está prática às vezes causa algumas 
interrogações.
12Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Principais vias de administração de medicamentos 
 
- Oral 
- Intramuscular 
- Endovenosa 
- Intradérmica 
- Subcutânea 
- Nasal 
- Oftálmica 
- Otológica 
- Sublingual 
- Retal 
- Tópica
Fonte: Giovani (2012).
 
13Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Você relembrou alguns cuidados básicos antes de administrara medicação, agora vamos 
discutir um pouco as principais técnicas utilizadas na administração de medicamentos por 
via parenteral: 
Via Intramuscular
Tem uma absorção muito rápida da solução administrada, perdendo apenas para a via 
Endovenosa. É importante você lembrar que o tecido muscular localiza-se logo após o teci-
do subcutâneo. 
Ao escolher o músculo onde a medicação será administrada, atentar para: o tamanho do 
músculo, a facilidade de acesso e a necessidade de não ter vasos sanguíneos calibrosos. 
Importante: quanto menor o volume de líquido administrado, menor será o risco de com-
plicações. Além disso, quanto ao calibre da agulha, é importante observar a solubilidade da 
solução, a idade do usuário e se ele é obeso ou não.
É necessário ainda você avaliar qual músculo será utilizado, podendo ser: o deltoide (gran-
des volumes são contraindicados); o da região dorsoglútea (músculo glúteo máximo); o da 
região ventroglútea (músculos glúteos médios e mínimos); e o da região anterolateral da 
coxa (músculo vasto lateral).
14Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Técnica para administrar no músculo deltoide 
Após ter feito todos os passos citados na tirinha:
 
- Coloque o usuário em posição, com o braço paralelo ao corpo ou 
fletido sobre o abdômen;
- Faça a antissepsia com movimento em espiral, iniciando com 
o ponto onde deverá ser a aplicação. É importante deixar a pele 
secar em ar ambiente;
- Delimite a localização exata da aplicação;
- Segure o algodão entre os dedos da mão esquerda e retire o pro-
tetor da agulha. Solicite ao usuário para relaxar a musculatura e 
oriente-o de que o músculo tenso poderá aumentar a dor e causar 
sangramento local;
- Segure a maior parte possível da massa muscular (mais ou menos 
quatro dedos abaixo da articulação do ombro) e introduza a agulha 
obedecendo a uma angulação de 90º na parte central;
- Solte o músculo e aspire para certificar-se de que não puncionou 
um vaso acidentalmente. Se retornar sangue, retire a seringa e 
reinicie o procedimento no outro braço, descartando a medicação 
e preparando outra;
- Se após a aspiração não houver retorno de sangue, injete a medi-
cação em velocidade moderada;
- Retire a agulha e se necessário limpe o local com algodão;
- Registre o procedimento no prontuário do usuário.
Está contraindicada a utilização da região deltoide para administração por via intramuscular 
nas seguintes situações:
- Crianças de 0 a 10 anos;
- Pacientes com pequeno desenvolvimento do músculo deltoide, em 
especial idosos; 
- Volume superior a 2 ml e substâncias irritantes como a Penicilina;
- Injeções consecutivas; 
- Usuários vítimas de AVE com parestesia ou paralisia do(s) braço(s);
- Usuários submetidos a mastectomia e/ou esvaziamento cervical.
Fonte: Giovani (2012). 
15Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Técnica para administrar na região dorsoglútea
A região em que será administrada a medicação é o quadrante lateral superior externo, uma 
vez que anatomicamente o nervo ciático (principal responsável pela motricidade dos mem-
bros inferiores) localiza-se na região dorsoglútea e a técnica de localização desse quadrante 
irá evitar que este nervo seja lesionado e cause possíveis lesões irreversíveis. Por essa região 
ser bastante vascularizada, a técnica certa irá evitar ainda que alguma artéria ou veia sejam 
lesionadas (GIOVANI, 2012). Veja a imagem abaixo indicando o local a ser puncionado: 
No momento da aplicação, o usuário pode ficar na posição ventral ou em decúbito lateral, 
sendo a primeira a mais aconselhada, pois além de facilitar o relaxamento do músculo, ela 
promove menos distorções nos limites anatômicos da região. Caso o usuário precise ficar na 
posição ventral, é necessário seguir a seguinte orientação: flexionar o joelho e a articulação 
do quadril do membro inferior que está por cima, devendo o membro que está por baixo 
ficar estendido (GIOVANI, 2012).
16Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
 
Em último caso, a depender das condições do usuário, você pode posicioná-lo em pé, 
porém, para administrar a medicação, é preciso que ele posicione os pés virados para den-
tro, de modo a permitir um melhor relaxamento do músculo.
17Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Técnica para administrar na região anterolateral da coxa 
(músculo vasto lateral)
Este é um músculo bastante indicado para administrar medicação por via IM, pois seu tama-
nho é maior quando comparado aos músculos anteriormente comentados, além de ser des-
provido de vasos e nervos e ser de fácil acesso, possibilitando inclusive a autoadministração.
 Para realizar o procedimento, procure seguir estes passos:
- Oriente e posicione o usuário em decúbito lateral ou sentado com a perna sempre fletida; 
- Observe e delimita o local da aplicação, utilizando o terço médio do músculo, em média 12 
cm acima do joelho e de 12 a 15 cm abaixo do trocanter do fêmur;
- Faça a antissepsia como já descrito;
- Faça a prega muscular para punção, obedecendo uma angulação de 45º a 60º. A agulha 
deve ficar inclinada em direção ao pé (posição podálica);
- Aspire seguindo as orientações apresentadas anteriormente, administre, descarte os 
materiais em locais apropriados, organize e faça o registro no prontuário e nos formulários 
específicos.
Via Endovenosa
Devemos escolher sempre uma veia de maior calibre para evitar irritação vascular. Após a 
aplicação da medicação, o local deve ser avaliado, em se tratando de soro, deve-se observar 
a infusão do mesmo. A solução a ser administrada deve ser límpida, transparente, não oleo-
sa e sem cristais visíveis, sendo assim muito importante atenção na diluição. Vamos revisar 
a técnica de administração;
- Dialogue com os familiares do usuário e com ele próprio sobre a medicação que irá receber; 
- Prepare a medicação evitando a contaminação dela e da agulha, bem como fazendo antis-
sepsia da ampola ou frasco;
- Calce luvas de procedimentos; 
- Selecione veia de grande calibre para punção e posicione o usuário; 
- Garroteie mais ou menos 4 dedos acima do local escolhido para dilatar a veia e facilitar 
a visualização;
- Peça para o usuário fechar a mão, aumentando assim a distensão venosa; 
- Apalpe levemente a veia para ver se ela está rígida. Se sim, procure outra veia para fazer 
a administração; 
18Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
- Realize antissepsia do local escolhido com álcool a 70%, em movimentos circulares, inician-
do do local onde será a aplicação e fazendo círculo para fora; 
-Puncione a veia, com o bisel do dispositivo posicionado para cima, a fim de evitar transfixa-
ção. Utilize um ângulo de 45%; 
- Aspire e observe se há retorno venoso;
- Solte o garrote; 
- Fixe o dispositivo, para evitar que perca o acesso venoso; 
- Administre a medicação lentamente, observando o retorno venoso, o paciente e as reações 
apresentadas, buscando ao máximo evitar infiltrações; 
- Retire o dispositivo juntamente com a seringa e pressione o algodão no local da punção, 
descartando os materiais em local e recipientes adequados; 
- Faça anotações no prontuário do usuário registrando a hora da realização do procedimen-
to, o local da punção, o calibre do dispositivo ou cateter utilizado, as reações do paciente 
antes, durante e após a administração do medicamento; 
- Preencha formulários específicos da APS.
Via Intradérmica
Aqui os medicamentos são administrados na derme. Por esta ser pouco extensa, devemos 
utilizar o volume máximo de 0,5 ml, sendo habitualmente utilizado entre 0,1 ml a 0,5 ml. 
Essa via tem seu uso bem restrito, sendo mais utilizada para reações de hipersensibilidade 
(PPD), testes alérgicos, dessensibilização, autovacina e aplicação da vacina BCG.
19Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Técnica de Administração por via intradérmica
- Esclareça ao usuário sobre a medicação que irá receber; 
- Calce luvas de procedimentos; 
- Confira a medicação prescrita atentando para os 9 certos;
- Separe e organizeos materiais necessários, não esquecendo a seringa de 1 ml, agulha 
calibrosa para a aspiração (25x7, ou 25x8) e agulha 13 x 4,5 ou 13 x 3,8 para aplicar;
- Aspire a vacina ou medicação seguindo técnica asséptica;
20Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
- Posicione o usuário e escolha o local da administração, que deve ter pouca pigmentação, 
pouco pelo, pouca vascularização e fácil acesso para leitura. A face anterior do antebraço é 
a mais utilizada;
- Faça a antissepsia da pele com água e sabão neutro. Lembre-se de que para esta via o álco-
ol 70% não é indicado, uma vez que pode possibilitar reações falso positivas nos testes, bem 
como redução na ação das vacinas a serem administradas;
- Segure firmemente com a mão o local, distendendo a pele com o polegar e o indicador; 
- Introduzir a agulha paralelamente à pele (ângulo de 15º), com o bisel voltado para cima, até 
que ele desapareça; 
- Aspire para se certificar de que não pegou um vaso e injete a solução lentamente, com o 
polegar na extremidade do êmbolo, até introduzir toda a dose; 
- Observe a formação de uma pápula, após a injeção total da solução; 
- Retire a agulha e não faça massagem;
- Faça os registros necessários. 
21Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Administração de medicamentos por via subcutânea
Os medicamentos administrados por via subcutânea têm uma absorção mais lenta, pois a 
absorção ocorre a nível de capilares. A administração de medicamentos por via subcutânea 
quando deseja-se uma absorção lenta, contínua, segura e com eficiência da dosagem. A 
escolha desta região é indicada principalmente na administração de: vacinas, anticoagulan-
tes e hipoglicemiantes (insulinas). Recomenda-se administrar pela via SC um volume de no 
máximo 2ml, sendo habitualmente administrado 1 ml.
Técnica para administração subcutânea
- Dialogar com os familiares do usuário e com ele próprio sobre a medicação que irá receber;
- Calçar luvas de procedimentos; 
- Escolher local da administração; 
- Fazer antissepsia da pele com algodão/ álcool; 
- Fazer uma prega no local de aplicação, utilizando o dedo indicador e o polegar;
- Posicionar seringa com o bisel voltado para o lado; 
- Introduzir a agulha no subcutâneo fazendo um ângulo de 90º; 
- Aspirar observando se atingiu algum vaso sanguíneo (caso aconteça, retirar agulha 
do local, desprezar todo material e reiniciar o procedimento); 
- Injetar o líquido lentamente; 
- Retirar a seringa/agulha em movimento único e firme; 
- Fazer leve compressão no local; 
- Desprezar o material perfurocortante em recipiente apropriado (caixa de resíduo perfuro-
cortante); 
- Lavar as mãos; 
- Fazer os registros necessários 
Fonte: Giovani (2012). 
22Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Administração de penicilina benzatina na APS
No seu dia a dia de trabalho você já deve ter passado por diversas situações em que os 
membros da equipe com quem trabalha e os próprios usuários vêm lhe questionar se a 
penicilina benzatina deve ser feita na unidade básica de saúde. E ainda, por vezes, alguém 
vem lhe perguntar sobre alguma portaria ou resolução que proíba a realização dessa medi-
cação a nível de atenção básica. E, então, qual tem sido a sua postura diante dessa situação? 
Você encaminha o usuário para a unidade hospitalar ou de pronto atendimento mais próxi-
ma ou realiza o procedimento na unidade básica, desde que tenha a presença de um profis-
sional médico? E se a usuária é uma gestante com sífilis e argumenta que não tem como se 
deslocar até a unidade hospitalar mais próxima, qual será a sua conduta? 
Você precisa pensar sobre essas situações, pois são muitas as problemáticas que envolvem 
o uso da penicilina como indispensável, a exemplo do caso do tratamento da sífilis, princi-
palmente em gestantes. E é justamente na atenção básica em que essa gestante normal-
mente é acompanhada, devendo dentro desse acompanhamento, ter acesso garantido ao 
exame de diagnóstico da sífilis, bem como ao seu tratamento.
Frente às possíveis reações adversas que a penicilina pode causar, como reação alérgica ou 
choque anafilático, grande tem sido a resistência ao seu uso por parte do enfermeiro, mes-
mo nas situações em que é indicado (BRASIL, 2015).
 Os argumentos mais fortes usados pelos trabalhadores da enfermagem dizem respeito ao 
medo de que os usuários tenham uma grave reação alérgica e não haja uma equipe médica 
e/ou materiais e insumos de urgência para evitar o agravamento da sua situação ou até a 
morte do usuário.
Assim, o enfermeiro teme se responsabilizar por essa situação. Vamos ver alguns depoi-
mentos acerca da resistência dos trabalhadores da enfermagem em administrar a penicilina 
no ambiente da UBS:
23
Programa de edUcaÇÃo Permanente em saÚde da famÍLia
UNIDADE 1
“Elaboramos uma cartografia dos procedimentos de tratamento das ges-
tantes com sífilis, primeiramente, em Salvador. Cada profissional fazia uma 
autoanálise do seu trabalho. Percebemos que havia todo um movimento 
entre os profissionais de enfermagem, muitas vezes por medo, de tentar se 
eximir da responsabilidade pela aplicação da penicilina. Observou-se, por 
exemplo, que na unidade fazia-se a solicitação do exame, entregava-se o 
resultado do exame, e então a gestante era encaminhada para uma unidade 
de pronto atendimento para receber a penicilina. Conclusão: perdia-se de 
vista essa pessoa na atenção básica”. 
Jeane Magnavita, Coordenadora estadual de DST, Aids e Hepatites Virais – BA
“Era importante fazer entender que, se eu sou profissional de saúde e não 
trato uma gestante com sífilis, essa é uma forma de negligência e, caso haja 
risco de vida, ou mesmo óbito, existe a possibilidade de interpretação como 
omissão de socorro ou homicídio culposo”. “Se eu tenho a medicação e a 
habilidade técnica para proceder, eu sou obrigada a fazê-lo. Se eu faço e há 
reação, a qual está fora do meu controle, eu não serei responsabilizada por 
negligência profissional, e a gestão vai responder junto comigo, reafirmando 
que houve intenção de salvar”.
 Jeane Magnavita, Coordenadora estadual de DST, Aids e Hepatites Virais – BA
“Sou formada há 31 anos. Em toda a vida, nunca vi um choque anafilático 
com penicilina. Essa percepção de risco vem se normalizando. Temos que 
realizar uma conscientização em todas as UBS. No município de SP, já não há 
mais resistência”. 
Carmem Domingues, Coordenadora de Vigilância de Saúde do Estado de São Paulo.
“Até mesmo uma aspirina pode levar a óbito. Se os profissionais de saúde 
partem do pressuposto de que a reação adversa é um risco grande, então 
nenhum medicamento será aplicado. É importante reforçar sempre nas capa-
citações que o medicamento eficaz para a sífilis em gestante é a penicilina”. 
 Edivan Miranda dos Santos, Coordenador de Prevenção de DST, Aids e Hepatites Virais do Estado de Goiás
24Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
Você se reconhece em algum desses depoimentos? Na unidade onde você trabalha há resis-
tência à administração da penicilina por parte da enfermagem e dos profissionais médicos? 
A secretaria estadual e municipal de saúde tem feito algum trabalho no sentido de capacitar 
vocês para administração da penicilina? Se todas essas respostas forem negativas, é impor-
tante que trabalhadores, gestores e usuários se organizem para trabalhar essa resistência 
e medo quanto ao uso da penicilina, podendo esse enfrentamento ser através de educação 
permanente, criação de protocolos, participar de web-conferências, entre outros.
A Portaria nº 3.161 de 2 de dezembro de 2011, no seu artigo 1º, “determina que a penicilina 
seja administrada em todas as unidades de Atenção Básica à Saúde, no âmbito do Sistema 
Único de Saúde (SUS), nas situações em que seu uso é indicado”, devendo sua administração 
ser da responsabilidade da equipe de enfermagem, médicos ou farmacêuticos.
Já a nota técnica COFEN/CTLN Nº 03/2017, traz em seu texto escla-
recimentos acerca da importância da penicilina benzatinaser admi-
nistrada nas Unidades básicas de saúde do SUS, principalmente no 
enfrentamento da sífilis adquirida e gestacional.
Desde a publicação da Portaria Ministerial n° 156, 19 
de janeiro de 2006, que preconizou a necessidade de 
disponibilização de material de primeiros socorros nas 
unidades básicas para utilização em caso de anafilaxia 
(reação alérgica à penicilina) e o treinamento de pro-
fissionais nesse procedimento como condição para 
aplicação do medicamento, constatou-se a resistência de 
profissionais de enfermagem ao uso da penicilina no esta-
do. Desde aquela época, os usuários também passaram 
a procurar os hospitais e pronto-socorros para qualquer 
caso de atendimento com penicilina (BRASIL, 2015, p. 19).
Veja a portaria e a nota técnica nos links a seguir:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/
prt3161_27_12_2011.html
http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2017/06/NOTA-
T%C3%89CNICA-COFEN-CTLN-N%C2%B0-03-2017.pdf
25Procedimentos de enfermagem na aPs
UNIDADE 1
 
 
 
 
Sugiro que, para saber mais, você acesse o “Caderno de Boas Práticas” 
e veja algumas experiências exitosas de alguns estados brasileiros 
no enfrentamento da resistência à administração da penicilina em 
UBS. Quem sabe algumas dessas experiências possam ser adaptadas 
para a sua realidade de trabalho.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de boas práticas: o uso da penicilina na 
Atenção Básica para a prevenção da sífilis congênita no Brasil. Brasília: Ministério 
da Saúde, 2015. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/penici-
lina_para_prevencao_sifilis_congenita%20_brasil.pdf. Acesso em: 18 mar. 2019.

Mais conteúdos dessa disciplina