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Traumatologia forense Porque fazer pericia em traumas? Os acidentes causam traumas, e essa pericia é para entender a dinâmica desse acidente, o que aconteceu e que consequências esse acidente traz na vida do periciando, também tem objetivo de esclarecer a justiça, para que ela penalize o agressor de acordo com o dano causado pelo trauma. Perguntas disparadoras: Qual o objetivo do exame de corpo de delito? Que informações sobre as lesões e obtém com o exame pericial? Como o perito poderá estabelecer o instrumento utilizado na situação de violência? Como o perito poderá estabelecer nexo causal e temporal entre o relatado pelo periciando e os achados no exame pericial? Introdução: Estudar as lesões corporais e estados patológicos imediatos ou tardios produzidos por violência sobre o corpo humano; Estudar as energias causadoras dos danos; Objetivo: Oferecer a justiça subsídios: nexo causal e temporal, gravidade do não, se vital ou pós- mortem. Energias lesivas: Mecânica; Física; Química; Físico-química; Lesão Danos. Bioquímica; Biodinâmica; Mista. Energia mecânica: É aquela capaz de modificar o estado de repouso ou de movimento de um corpo, produzindo lesões em parte ou no todo (pausa um corpo em movimento ou movimentando um corpo que estava em repouso). Instrumentos: objetos ou estruturas que transferem energia cinética que vão causar o dano. Lesão: ofensa a integridade física do individuo. Lesões punctórias; Causadas por instrumentos perfurantes; Aplicação da energia sobre um ponto; Mecanismo de ação por pressão e penetração. Ex.: alfinete, agulha, prego... Características: Exteriorização em forma de ponto; Abertura estreita; Raro sangramento; Gravidade dependendo do local; Diâmetro menor que o instrumento causador (no vivo); Pode ter orifícios de entrada e da saída. Embora circulares, podem ser deformadas pelas linhas de força das fibras elásticas e musculares subcutâneas (ferida oval, triangular, em seta, em quadrilátero), seguindo as leis de Filhos e Langer, que não se cumprem no cadáver, mas apenas no vivo. Lesões incisas ou cortantes: Instrumento cortante; Aplicação de energia sobre um alinha, deslizando. Mecanismo de ação por deslizamento. Ex.: navalha, gilete, estilete... Características: Apresenta-se mais profunda na parte central (corpo), superficializando-se nos extremos (cabeça e cauda, ou cauda de entrada e cauda de saída) -> profundidade menor que o comprimento. Forma linear; Bordas irregulares; Fundo sem trabéculas; Margens sem vestígios de trauma. Sangramento abundante; Predominância do comprimento em relação a profundidade. Maior profundidade no centro da lesão. Lesões contusas: Instrumento contundente; Aplicação de energia sobre uma área. Mecanismos de ação por pressão e por esmagamento. Ex.: pau, pedra, para-choque, mão. Podem ser superficiais ou profundas: Lesões superficiais: Rubefação. Bossas linfáticas e sanguíneas. Equimose. Hematoma. Escoriação. Ferida contusa. Lesões profundas: Entorse e luxação. Fratura. Ruptura visceral. Esmagamento. Equimose: Superficial. Infiltração hemorrágica nas malhas dos tecidos. Pode guardar a forma do objeto (fivela do cinto, salto do sapato, lábios...) Pode assumir diversas formas: Sugilações (grãos). Vícibes (estrias). Petéquias (cabeças de alfinetes). Espectro equimótico de Legrand Du Saule: Baseado na transformação da hemoglobina extravascular. Ocorre na periferia da lesão para seu centro. Escoriação: Há o arranchamento da epiderme e desnudamento da derme. Pode ou não sangrar (se as papilas dérmicas forem atingidas). Seção das cristas das papilas dérmicas. Extravasamento de serosidade e sangue. Crosta da lesão amarronzada. Sem seção das cristas das papilas dérmicas: Extravasamento de serosidade. Crosta da lesão amarelada. 4- cristas das papilas dérmicas. Sua forma pode indicar o instrumento: Semilunares: unhas. Retilíneas: instrumentos pontiagudos. Pinceladas: cascalho. Em placa: asfalto. Sua localização pode indicar o tipo de crime: Nariz: sufocação. Espalhadas no corpo: atropelamento. Em torno do pescoço: esganadura. Nádegas, coxas e seios: crimes sexuais. Ferida contusa: Fundo irregular. Bordas irregulares. Margens escoriadas e equimosadas. Pontes de tecidos entre as margens. Comprimento maior que a profundidade. Sangramento abundante. Lesões pérfuro-incisas: Lesões mistas. Instrumentos pérfuro-cortantes comuns ou dois gumes. Aplicação de energia sobre ponto e linha. Mecanismo de ação por pressão e deslizamento. Ex.: faca, adaga... Características: Feridas mais profundas do que largas, que tem a maioria dos elementos das lesões incisas (bordas, margens, vertentes e fundo). Assumem forma de botoeira, com uma comissura aguda (gume) e outra arredondada (costas) ou as duas em ângulo agudo (instrumentos com dois gumes), ou estreladas, quando a “lâmina” tem mais de dois gumes. Ocorre primeiro a penetração e depois o deslizamento. Por vezes há deformação do orifício de entrada, em face da movimentação da mão que empunha o instrumento, quer alargando ou ampliando a lesão, quando há inclinação maior na saída, quer mudando a forma, quando há rotação depois de fincada no corpo. Lesões corto-contusas: Lesões mistas. Instrumentos corto-contundentes Aplicação de energia sobre linha e massa. Mecanismo de ação por pressão e esmagamento. Ex.: machado, foice, dente... Características: Ferimentos incisos (efeito de cunha), mas produzidas pelo mecanismo das contusas, ou seja, pressão sem deslizamento. Quando, em acréscimo, o instrumento tem um gume afiado, pode provocar lesões que se assemelham mais às incisas. As lesões costumam ser muito devastadoras, decepando segmentos, fraturando ou seccionando ossos etc. Margens com contusões. Fundo com trabéculas. Bordas irregulares. Em geral são lesões graves. Lesões pérfuro-contusas: Lesões mistas. Instrumentos pérfuro-contundentes. Aplicação da energia sobre ponto e massa. Mecanismos de ação por pressão e penetração. Ex.: projetil de arma de fogo, chave de fenda.. Ferimento de entrada: Efeitos primários do tiro. Ações mecânicas do projetil sobre o alvo. Próprias do orifício de entrada. Independem da distancia entre armas a vitima. Tiro encostado – zona de tatuagem. Curta distancia. A distância – zona de enxugo. Efeitos secundários do tiro. Revisão: Referência: VANRELL, Jorge P. Odontologia Legal e Antropologia Forense, 3ª edição. Grupo GEN, 2019. E-book. ISBN 9788527735223. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527735223/. Acesso em: 07 dez. 2022.