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PLACAS OCLUSAIS terapia com Universidade Federal do Espírito Santo Estágio Clínico Interdisciplinar IV Amy Brian, Ester Coser, Isabela Trannin e Manuella Placas Oclusais Dispositivos intrabucais removíveis confeccionados geralmente em resina acrílica. Recobrem as superfícies incisais e/ou oclusais dos dentes, alterando a oclusão do paciente e criando contatos oclusais mais adequados e um relacionamento maxilomandibular mais favorável. → Proteger dentes e estruturas de suporte em parafunção → Proteger reabilitações pós reequilíbrio funcional → Estabilização de ATM em uma posição ortopedicamente estável → Melhorar sintomatologia dolorosa do bruxismo em vigília → Controle de DTMs de origem miofascial PLACA ESTABILIZADORA É a mais utilizada, pois causa menor risco de alterações oclusais irreversíveis ao paciente, como mordida aberta anterior, extrusões dentárias e migrações patológicas. Envolvem todos os elementos dentários de uma arcada, os quais controlam e mantêm a posição dental e podem ser confeccionadas tanto para maxila quanto para mandíbula. Pacientes com sintomas da síndrome da dor-disfunção, considerando o fato de que interferências oclusais ou discrepâncias entre a posição de MIH e a RC sejam fatores etiológicos. hiperatividade muscular, apertamento, mioespasmo e miosite CARACTERÍSTICAS → Plana e lisa seguindo curva anatômica dos dentes. → Rígida, estável e com retenção. → Espessuras de 1 a 3 mm promovem melhor redução da pressão intra-articular. Ajuste em relação cêntrica. Todas as pontas de cúspides vestibulares inferiores devem contatar uniformemente e bilateralmente uma superfície plana da placa. → RC: Os contatos posteriores devem ser bem mais fortes que os anteriores. → Protrusão: A desoclusão deve ser nos dentes anteriores. → Lateralidade: A desoclusão deve ser pelo canino. Teoria do Desengajamento Oclusal Um esquema oclusal livre de interferências pode reduzir ou eliminar toda atividade muscular anormal causada por interferências oclusais. Para isso, a placa possui contatos bilaterais posteriores, múltiplos e simultâneos, com guia excursiva no canino e/ou nos dentes anteriores. Teoria do Reposicionamento da ATM Melhorando a posição do côndilo na fossa, a função da ATM e do sistema neuromuscular melhora. Teoria do Realinhamento Maxilomandibular Alterando a relação de MIH para RC (mais anatômica e fisiologicamente correta) por meio da placa, os vários sintomas da disfunção musculoesquelética melhoram ou desaparecem. Teoria da Consciência Cognitiva Ter uma placa constantemente na boca lembra o paciente de alterar o seu comportamento habitual de modo que a atividade muscular anormal fica diminuída. Alteração do Estímulo Periférico ao SNC A mudança nos contatos oclusais obtida após a instalação da placa promove uma alteração dos estímulos periféricos enviados ao SNC, inibindo alguma atividade descendente desse sistema, como bruxismo ou hábitos parafuncionais. pode haver retorno à condição inicial se o paciente se “acostumar” com essa alteração nos contatos oclusais Embora existam várias teorias para explorar os efeitos das placas oclusais, nenhuma predomina e, algumas vezes, estas podem estar associadas. DISFUNÇÕES TEMPOROMANDIBULARES Compreendem um espectro de condições que afetam as articulações temporomandibulares e músculos da mastigação. RAM H.K. and SHAH D.N., 2021 → Indicadas para DTM relacionada à hiperatividade muscular. o tratamento conservador da DTM geralmente envolve o uso de placas oclusais → Teoria: As placas são responsáveis pelo relaxamento dos músculos e permitem o assentamento do côndilo em RC, além de reduzir a sobrecarga da articulação. DTM MORTAZAVI, S.H. et al 2010 70 60 50 40 30 20 10 0 64% completamente aliviados 22% moderadamente aliviados 14% sem alterações perceptíveis 2001 → 2010 138 pacientes com sinais e sintomas precoces de DTM (dor e/ou estalido na ATM) avaliados no período utilizaram a terapia com placas oclusais de acrílica somente durante a noite. Os resultados mostram que a DTM precoce é reversível com placas oclusais, sendo eficaz em mais de 80% dos pacientes durante o período de acompanhamento, desde que a causa seja tratada. DTM PFICER, J.K. et al., 2017 meta-análise dos efeitos a curto e longo prazo 33 ensaios clínicos randomizados comparando o uso de placas interoclusais e outras modalidades terapêuticas no tratamento de DTMs e seus efeitos a curto e longo prazo placa não oclusiva aparelho oclusais orais fisioterapia terapia comportamental aconselhamento nenhum tratamento Em curto prazo, a placa oclusal apresentou efeito global positivo na redução da dor e da intensidade da dor, equiparando-se às outras modalidades a longo prazo. redução da dor e da sensibilidade muscular e melhora na abertura de boca Deve ser considerado: planejamento, tratamento e manutenção da reabilitação oral. As restaurações ficam vulneráveis à falhas: concentração de tensão, desgaste, e contatos oclusais mal planejados ou defeituosos. Na presença de implantes, pode ocorrer complicações biológicas e mecânicas, como: falhas prematuras ou tardias, risco de fratura, perda óssea marginal e falha na osseointegração. Hábitos parafuncionais e longevidade de reabilitações protéticas (Mendonça et al., 2022) (Koenig V., et al. 2019) 95 coroas dentárias de zircônia monolítica em 45 pacientes. 61,7% dos pacientes eram bruxistas. Após dois anos, 80% das falhas catastróficas e 76,9% das complicações ocorreram em bruxistas. (RAM H.K. and SHAH D.N., 2021)(Koenig V., et al. 2019) 144 pacientes, 507 unidades de prótese fixa. 69 (47,9%) apresentavam bruxismo; nove com placa interoclusal. As fraturas de cerâmicas em bruxistas tiveram uma probabilidade de 3,6 vezes e defeitos maiores. REABILITAÇÕES sobrevida de facetas na presença de bruxismo e no uso de placas total de 323 facetas em 70 pacientes, sendo 30 com hábitos parafuncionais: 153 facetas em 40 pacientes sem bruxismo 89 facetas em 15 bruxistas com placa 81 facetas em 15 bruxistas sem placa 8 vezes menos falhas em pacientes com uso de placas quase 3 vezes mais de descolamento dos laminados maior probabilidade de fraturas (Granell-Ruíz et al. 2014) BRUXISMO DE VIGÍLIA Os hábitos não funcionais dos períodos de vigília têm sido descritos como importantes fatores de risco no desenvolvimento e prolongamento de distúrbios funcionais e dor orofacial. O bruxismo de vigília parece ser o mais prejudicial ao paciente. Fatores emocionais CONCENTRAÇÃO ANSIEDADE MEDO RAIVA REVERSÃO DOS FATORES REDUÇÃO DO CONTATO DENTÁRIO REDUÇÃO DA DOR (Haggiagi e Speciali, 2020) Mini placa personalizada presa nos dentes posteriores do paciente que atua monitorando os apertamentos dentários para que o paciente tome consciência do tensionamento mandibular e das contrações musculares da face e da cabeça. Toda vez que contrações inconscientes acontecem, o dispositivo é acionado e voluntariamente, o paciente relaxa a musculatura, eliminando o hábito responsável pela dor gradativamente. DISPOSITIVO INTRAORAL DE VIGÍLIA DIVA (Haggiagi e Speciali, 2020) BRUXISMO EM VIGÍLIA (RAM H.K. and SHAH D.N., 2021)(Haggiagi e Speciali, 2020) De 223 pacientes com dor orofacial, 74 também apresentavam enxaqueca crônica e foram selecionados para o estudo Submetidos a tratamento com o DIVA® durante 90 dias Utilizando durante todo o dia, exceto ao se alimentar e dormir Antes do tratamento (t0), 72 pacientes relataram dor por mais de 6 meses e enxaqueca por pelo menos 15 dias por mês Após 30 dias de uso houve uma melhora significativa da dor Entre 30 e 90 dias a melhora se manteve no mesmo nível. E mesmo após a retirada do aparelho após 180 e 360 dias observou-se que a melhora permaneceu. As placas interoclusais estabelecem uma relação maxilomandibular mais estável e confortável, reorganizando a atividade neuromuscular. Isso reduz a atividademuscular anormal, diminuindo assim a sintomatologia muscular relacionada à DTM, por exemplo. A remissão dessa sintomatologia sugere que sua etiologia seja de origem oclusal. CONCLUSÃO Referências HAGGIAG, A.; SPECIALI, J. G. A new biofeedback approach for the control of awake bruxism and chronic migraine headache: utilization of an awake posterior interocclusal device. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 78, n. 7, p. 397–402, jul. 2020. MORTAZAVI, S.H. et al. Resultados do tratamento das disfunções precoces da articulação temporomandibular: Qual a eficácia da terapia não cirúrgica a longo prazo? National Journal of Maxillofacial Surgery, v.1, n.2, p. 108-111, 2010. PFICER, J.K. et al. Occlusal stabilization splint for patients with temporomandibular disorders: Meta-analysis of short and long term effects. Plos One, v.12, n.2, p.1-21, 2017. RAM H.K. and SHAH D.N. Comparative evaluation of occlusal splint therapy and muscle energy technique in the management of temporomandibular disorders: A randomized controlled clinical trial. J Indian Prosthodont Soc, v.21, n.4, p.356-365, 2021. .