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FISIOTERAPIA UROGENITAL Caso 2 – N.B., 32 anos, G4P2A1, 27 semanas de idade gestacional, professora de primários, comparecer ao serviço de fisioterapia com queixa de dor na coluna (região lombar), principalmente ao final do dia. Relata lombalgia prévia à gestação, esporadicamente, quando precisava se agachar muito na escola. Na anamnese relatou que as dores se iniciaram no primeiro trimestre de gestação, o que tem limitado muito suas atividades de vida diária e a deixado extremamente ansiosa. Refere dificuldade para pegar objetos no chão, o que precisa fazer com frequência devido a profissão. Esta interessada em iniciar um programa de exercícios, preferencialmente hidroterapia. Relata ganho de peso de 5kg até o momento. Além da lombalgia, relata que está com quadro de anemia, mas já faz uso de suplemento de ferro. Pré natal de risco habitual. Questões: - Essa gestante pode fazer fisioterapia? Algum cuidado especial? Essa gestante pode fazer fisioterapia, visto que já passou da 12ª semana gestacional. Os cuidados devem ser voltados a realização de movimentos ou manobras que não estimulem o parto prematuro, como o fortalecimento de rotadores externos e abdutores de quadril. Também é necessário moderar os exercícios aeróbicos, visto que, devido à própria alteração fisiológica do corpo da mulher durante o período gestacional, esta apresenta compressão do diafragma e diminuição da capacidade respiratória funcional, somado à anemia que diminui a quantidade de hemácias no sangue e, consequentemente, a oxigenação do sangue e tecidos. Quanto à hidroterapia, esta só pode ser indicada a gestantes em temperatura específica, por risco de hipotensão, um vez que, tendo a resistência vascular periférica diminuída, já apresentam tendência à uma baixa pressão arterial, exceto em casos patológicos, como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. - Qual a queixa principal e/ou limitações apresentadas pela gestante? Que teste(s)/avaliação podem ser feitos para comprovar a queixa? A principal queixa da gestante se refere à lombalgia e dificuldade na realização de movimentos que usualmente necessitem de flexão de quadril, como pegar objetos no solo. O quadro de dor pode ser quantificado através da Escala Visual Analógica. - Quais indicações terapêuticas para as queixas álgicas? Quais outras indicações e/ou orientações com foco em prevenção? Devido ao aumento de peso durante a gestação, aumento do volume uterino e das mamas, ocorre um deslocamento do centro de gravidade da gestante para frente, que é compensado por uma hiperlordose lombar; anteroversão pévica; stress medial no joelho, levando-o a uma postura em valgo; e aumento da sobrecarga no calcanhar. Todas estas alterações, somadas a um aumento da relaxina e consequente frouxidão ligamentar acarretam a dor lombar, frequentemente relatada pelas gestantes. A atuação do fisioterapeuta deve estar voltada para o fortalecimento da musculatura adjacente a estas articulações, considerando que se caracterizam como importante estabilizadores dinâmicos. É necessário, contudo, atentar para que não haja o fortalecimento inadequado da musculatura abdominal, a fim de não comprometer o desenvolvimento fetal. Outras condutas fisioterapêuticas incluem um trabalho de conscientização corporal para adequação ao novo centro de gravidade; orientações posturais da realização da atividades diárias, incluindo o alcance de objetos no solo e ao dormir (preferencialmente em decúbito lateral E).