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XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
 
IMUNOTERAPIA E OS AVANÇOS NO TRATAMENTO DO MELANOMA 
METASTÁTICO (ESTÁGIO III E IV): UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE 
LITERATURA 
 
Bruna Tanaka Gondo¹, Diogo Mendes ², Heber Amilcar Martins³ 
 
¹Acadêmica do curso de Medicina, Centro Universitário de Maringá – UNICESUMAR. brunagondo@hotmail.com 
²Acadêmico do curso de Medicina, Centro Universitário de Maringá – UNICESUMAR. diogomcalves@gmail.com 
³Orientador, Doutor, Docente do Departamento de Medicina, Centro Universitário de Maringá – UNICESUMAR. 
heber.martins@unicesumar.edu.br 
 
RESUMO 
 
O melanoma é a neoplasia dermatológica de pior prognóstico e apresenta alta taxa de mortalidade quando 
comparado com a classificação não melanoma. Pela alta capacidade de metástase, é necessário que seja 
diagnosticado em fase inicial para que o tratamento seja curativo. Porém, pacientes estadiados em III ou IV, 
necessitam de terapias sistêmicas para aumentar a sobrevida, obter resposta parcial ou total do tumor e evitar 
a progressão tumoral. Com os avanços da imunoterapia, que se mostrou promissora nos cânceres de pulmão, 
sarcoma e principalmente para melanoma metastático, apresentou resultados consideráveis no aumento da 
sobrevida e na sobrevida livre de progressão do tumor quando comparado com a quimioterapia. 
 
PALAVRAS- CHAVE: immunotherapy; immunotherapy plus chemotherapy; ipilimumab plus nivolumab; 
metastatic melanoma. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 O câncer de pele , em geral, é o tipo de câncer mais frequente na população mundial 
(INCA;2018), sendo o melanoma a neoplasia dermatológica de pior prognóstico, 
agressividade e que representa mais de 80% das mortes relacionadas ao cânceres de 
pele (SIEGEL; MILLER; JEMAL, 2019). A incidência global em 2015 foi de 352 mil casos 
e 60 mil mortes (FITZMAURICE et al., 2017). Em 2018, no Brasil, foram previstos 2920 
novos casos de melanoma no sexo masculino e 3340 no sexo feminino, tendo maior 
prevalência na região Sul e Sudeste (INCA; 2018). 
O desenvolvimento do melanoma inclui fatores extrínsecos e intrínsecos, sendo a 
exposição solar e os fatores genéticos as causas de maior impacto para sua progressão. 
Sua patogênese é resultante das alterações dos melanócitos, células pluripotentes 
derivadas da crista neural responsáveis pela produção de melanina (melanogênese), que 
tem função de proteger o núcleo celular e, consequentemente, o DNA contra os efeitos 
nocivos dos raios ultravioletas (UV) (ALI; YOUSAF; LARKIN, 2013). 
Após o diagnóstico, o melanoma é estadiado (grau I a IV) pela escala TNM, que 
avalia a gravidade do tumor através dos seguintes critérios: tamanho, espessura, ulceração, 
metástase para linfonodos e metástase à distância. Desta forma, as abordagens 
terapêuticas (cirurgia com ampliação de margens, metastasectomia, imunoterapia, 
quimioterapia e radioterapia) dependem do estadiamento do tumor. Quando diagnosticado 
no estágio inicial (I ou II), o tratamento por excisão cirúrgica pode ser curativo na maioria 
das vezes (SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA (SBOC), 2017) . 
 No entanto, os pacientes com melanoma metastático grau III ou IV, somente a 
ressecção cirúrgica não é eficaz, portanto, terapias sistêmicas podem ser introduzidas no 
tratamento a fim de diminuir os focos metastáticos, aumentar a sobrevida do paciente e 
aumentar a sobrevida livre de progressão (WOLCHOK et al., 2017). 
Com a evolução da imunoterapia, o Nivolumabe e o Pembrolizumabe (inibidores DP-
1), juntamente com o Ipilimumabe (anti-TLA-4) se mostraram superiores em relação ao 
tratamento convencional com a quimioterapia isolada (ROBERT et al., 2011). 
 
 
XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
 
2 MATERIAIS E MÉTODOS 
 
 O delineamento da pesquisa seguiu o modelo Cochrane Handbook para revisões 
sistemáticas como modelo metodológico (HIGGINS; GREEN, 2011). Os resultados parciais 
apresentados seguiram de acordo com os “principais itens para apresentar revisões 
sistemáticas” (PRISMA) (MOHER et al., 2015). 
Foram selecionados 8 artigos de um total de 155 artigos avaliados nas bases de 
dados Pubmed, Medline e Portal da Capes até junho de 2019 para elaborar uma revisão 
sistemática atualizada sobre o tratamento do melanoma metastático através da 
imunoterapia isolada, combinada e associada à quimioterapia. As palavras chaves 
utilizadas foram: immunotherapy; immunotherapy plus chemotherapy; metastatic 
melanoma; ipilimumab plus nivolumab. Utilizados somente termos em inglês. 
As características dos artigos científicos enquadrados na pesquisa foram extraídas 
por dois revisores independentes utilizando formulário padronizado, que inclui as 
informações sobre a autoria; ano de publicação; desenho do estudo (cruzado ou paralelo); 
tempo de duração da pesquisa; esquema terapêutico; agentes terapêuticos; estudo duplo-
cego, simples-cego ou aberto; tamanho da amostra; órgão de fomento e local do estudo. 
A qualidade metodológica dos artigos científicos para a extração dos dados serão 
avaliadas por meio da qualificação de Heyland (EQM) (HEYLAND et al., 2014), 
considerando o EQM ≥ 8 de alta qualidade. 
A segunda etapa das análises dos artigos será realizada a partir dos resultados, 
desfechos e das conclusões dos trabalhos, abrangendo: sobrevida global mediana, 
sobrevida livre de progressão, melhor reposta global, resposta parcial (diminuição de 50% 
da linha de base nas lesões de índice), doença estável e doença progressiva (aumento de 
25% em uma lesão existente ou o desenvolvimento de uma nova lesão). 
 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES PARCIAIS 
 
Foram selecionados 155 artigos nas bases de dados Pubmed, Medline e Portal da 
Capes até junho de 2019. Deste universo amostral, foram excluídos 147 artigos, destes, 
107 duplicatas e 40 que não se enquadravam no delineamento da pesquisa pelos seguintes 
fatores: 17 eram revisões sistemáticas ou meta análises; 11 consideravam outros tumores 
(câncer colorretal, carcinoma de células renais, melanoma uveal, melanoma mucoso) ou 
melanoma não metastático; 6 correspondiam à consensos, pôsteres e conferências; 4 
incluíam outros imunoterápicos e quimioterápicos e 2 eram de outro idioma. 
 Ao final, 8 artigos foram incorporados na revisão sistemática. Todos os ensaios 
clínicos mantiveram os mesmos critérios de inclusão e exclusão para os participantes da 
pesquisa (Tabela 1). Os pacientes selecionados tinham mais que 18 anos, confirmação 
histológica de melanoma em estágio III ou IV e sem terapia sistêmica prévia. Todos tiveram 
o consentimento informado por escrito sobre a pesquisa. 
 
Tabela 1. Critérios de inclusão e exclusão dos artigos selecionados para o estudo. 
Inclusão Exclusão 
Pacientes acima de 18 anos Melanoma mucoso 
Melanoma metastático (estágio III e IV) Melanoma uveal 
Previamente não tratados Metástase para cérebro 
 Pacientes com doenças autoimunes 
 Pacientes que receberam terapia prévia 
 
Imunossuprimidos 
Gravidez 
 
 
XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
 
Foram excluídos os pacientes que possuíam melanoma mucoso e uveal, metástase 
cerebral, doenças autoimunes (doença inflamatória intestinal, lúpus eritematoso, artrite 
reumatoide, doença de Crohn, entre outras), condições médicas ou psiquiátricas que 
poderiam comprometer o resultado do medicamento, gestantes e pacientes que receberam 
terapia antineoplásica prévia. 
Os artigos incluídos na pesquisa (Tabela 2) comparam a imunoterapia combinada, 
isolada ou associada à quimioterapia. Foram estabelecidos os imunoterápicos Nivolumabe 
e Ipilimumabe por sua melhor segurança e eficácia no melanoma metastático, além disso, 
os quimioterápicos de escolha foram a Dacarbazina e Temozolomida. 
No total de 8 artigos, 6 eram estudos cruzados e 2 paralelos; 5 duplo-cegos e 3 
abertos. O tempo de acompanhamento do estudo variou de 1 ano a 5 anos, sendo alguns 
deles prospectivos. Além disso, o tamanho da amostra no início da randomização se 
mostrou diretamente proporcionalao tempo de pesquisa, variando de 21 a 945 pacientes. 
As amostras maiores dispunham dos 6 estudos multicêntricos, sendo os outros 2 estudos 
realizados nos Estados Unidos e Japão. Todas as pesquisas tiveram o mesmo órgão 
patrocinador. 
 
Tabela 2. Características dos artigos científicos enquadrados na pesquisa. 
Autor, ano Desenho 
do 
estudo 
Tipo de 
estudo 
Tempo de 
estudo 
Esquema 
terapêutico 
Agentes 
terapêuticos 
Tamanho 
da 
amostra 
inicial 
Órgão 
de 
fomento 
Local do 
estudo 
HODI., et al 
2018 
Cruzado Duplo-
cego 
4 anos Imunoterapia 
combinada + 
Imunoterapia 
isolada 
 
Nivolumabe + 
Ipilimumabe 
945 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
MAIO et al., 
2015 
Cruzado Duplo-
cego 
5 anos Imunoterapia 
+ 
Quimioterapia 
 
 
Ipilimumabe 
+ Dacarbazina 
502 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
ROBERT et al., 
2011 
Cruzado Duplo-
cego 
4,5 anos Imunoterapia 
+ 
Quimioterapia 
 
 
Ipilimumabe 
+ Dacarbazina 
502 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
POSTOW et al., 
2015 
Cruzado Duplo-
cego 
15 meses Imunoterapia 
combinada + 
Imunoterapia 
isolada 
 
Nivolumabe + 
Ipiimumabe 
142 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
HERSH et al., 
2010 
Cruzado Aberto 20,9 meses 
(prospectivo) 
Imunoterapia 
+ 
quimioterapia 
 
 
Ipilimumabe 
+ Dacarbazina 
76 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
MCDERMORT., 
et al 2018 
Cruzado Duplo-
cego 
36 meses 
(prospectivo) 
Imunoterapia 
combinada + 
Imunoterapia 
isolada 
 
Ipilimumabe + 
Nivolumabe 
945 Bristol-
Myers 
Squibb 
Multicêntrico 
YAMAZAKI et 
al., 2018 
Paralelo Aberto 1 ano Imunoterapia 
+ 
Quimioterapia 
 
 
Ipilimumabe + 
Dacarbazina 
21 Bristol-
Myers 
Squibb 
Japão 
PATELA et al., 
2017 
Paralelo Aberto 2,5 anos Imunoterapia 
+ 
Quimioterapia 
Ipilimumabe + 
Temozolomide 
64 Bristol-
Myers 
Squibb 
Estados 
Unidos 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
 
XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
 
Espera-se que, ao final do estudo, os resultados incorporados e discutidos na revisão 
sistemática consigam nortear o tratamento mais eficaz e atualizado para o melanoma 
metastático. 
 Desta forma, a partir dos desfechos e conclusões dos ensaios clínicos, bem como 
o tipo de tratamento utilizado e os avanços na imunoterapia, é esperado que os 
imunoterápicos combinados demonstrem maior eficácia no tratamento do melanoma 
estágio III e IV. Espera-se também, uma melhora na regressão do tumor quando utilizado 
a imunoterapia em associação à quimioterapia, Ipilimumabe e Dacarbazina 
respectivamente. 
 A maior efetividade do tratamento associado, com a combinação dos 
imunoterápicos, pode ser observada em função dos melhores resultados, principalmente, 
quanto ao tempo de sobrevida global e o tempo de sobrevida livre de progressão da doença 
Vale ressaltar que, as terapêuticas abordadas estão focadas em melanomas de 
estágios avançados, logo, a validade destes métodos não se concentra necessariamente 
na cura da doença, mas também, no controle de seu avanço. Por essa razão se fez de 
grande importância o tempo de vida conquistado. 
 
5 REFERÊNCIAS 
 
ALI, Z.; YOUSAF, N.; LARKIN, J. Melanoma epidemiology, biology and prognosis. 
European Journal of Cancer, Supplement, v. 11, n. 2, p. 81–91, 2013. 
 
DAREN K. HEYLAND et al. Should Immunonutrition Become Routine A Systematic Review 
of the Evidence. Jama, v. 286, n. 8, p. 944–953, 2014. 
 
HIGGINS, Julian PT; GREEN, Sally (ed.). Cochrane handbook for systematic reviews of 
interventions. John Wiley & Sons, 2011. 
 
INCA. Instituto Nacional de Câncer. Câncer de pele melanoma.2018. Disponível em : 
https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pele-melanoma. 05 junho.2019. 
 
FITZMAURICE, et al. Global, regional, and national cancer incidence, mortality, years of life 
lost, years lived with disability, and disability-adjusted life-years for 32 cancer groups, 1990 
to 2015: a systematic analysis for the global burden of disease study. JAMA oncology, 3.4: 
524-548, 2017. 
 
ROBERT, C. et al. Ipilimumab plus dacarbazine for previously untreated metastatic 
melanoma. The New England journal of medicine, v. 364, n. 26, p. 2517–26, 2011. 
MOHER, D. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols 
(PRISMA-P) 2015 statement David. Systematic Reviews, v. 207, n. January, p. 1–9, 2015. 
 
SIEGEL, R. L.; MILLER, K. D.; JEMAL, A. Cancer statistics, 2019. CA: a cancer journal 
for clinicians, v. 69, n. 1, p. 7–34, 2019. 
 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA (SBOC). Manual de Condutas 
2017. p. 28, 2017. 
 
WOLCHOK, J. D. et al. Overall Survival with Combined Nivolumab and Ipilimumab in 
Advanced Melanoma. New England Journal of Medicine, v. 377, n. 14, p. 1345–1356, 
2017. 
 
XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019

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