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Crimes contra a 
paz pública 
 
 
 
 
 
 
Art. 286: Incitar, publicamente, a prática de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 
 
OBJETIVIDADE JURÍDICA 
 
O legislador tutela a paz pública, ou seja, o 
sentimento de tranquilidade, sossego e segurança da 
coletividade. 
 
 
SUJEITOS DO DELITO 
 
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, uma vez que 
o tipo não faz nenhuma referência a qualidades 
especiais do agente. 
 
Sujeito passivo é a coletividade, que teve a sua 
tranquilidade abalada. 
 
 
CONDUTA 
❖ O núcleo do tipo “incitar”. 
 
❖ A incitação deve ser feita em público, ou seja, de 
modo a ser percebida por um número indefinido 
de pessoas, podendo ocorrer das mais diversas 
formas (crime de ação livre). 
 
❖ A incitação feita em ambiente familiar ou quando 
visa a prática de contravenção penal ou atos 
apenas imorais, não caracterizam o delito. 
 
❖ Admite qualquer meio de execução: palavras, 
gestos, escritos e outros. 
 
 
 
 
 
❖ A incitação deve ser de crime determinado. O 
agente deve incitar, por exemplo, a prática de 
roubos, estupros etc. Não é necessário que o 
ofendido seja individualizado. 
➔ Assim, não é preciso, por exemplo, que o 
agente incite à prática de roubo na 
residência de determinada pessoa. Basta 
que incite à prática de roubos. 
 
VOLUNTARIEDADE 
 
É o dolo. O art. 286 não exige nenhum outro elemento 
especial por parte do agente. 
 
Se, entretanto, o sujeito incita à prática de crime 
contra a Segurança Nacional, o crime tipificado é o 
descrito no art. 23, IV, da Lei nº 7.170/83 (Lei de 
Segurança nacional). 
 
❖ Inexiste punição a título de culpa. 
 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
 
O crime consuma-se com a percepção, por 
indeterminado número de pessoas, da incitação 
pública ao crime. 
 
❖ É irrelevante que o crime ao qual foram tais 
pessoas incitadas seja praticado. 
 
 A tentativa é possível, uma vez que o inter criminis é 
passível de fracionamento no tempo. 
 
Exemplo: incitação ao crime por meio de panfletos, no 
caso de o agente encontrar-se em local público ou 
acessível ao público para distribuir tal material a ser 
obstado por circunstâncias alheias à sua vontade. 
 
Incitação ao crime 
QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA 
 
❖ O crime é de perigo abstrato, comum, simples e 
vago. 
 
➔ É abstrato porque o legislador presume 
de forma absoluta a superveniência de 
uma situação perigosa ao bem jurídico 
tutelado com a realização da conduta, não 
necessitando, portanto, ser provado no 
caso concreto. 
 
➔ É comum porque pode ser praticado por 
qualquer pessoa. 
 
➔ Crime simples é quando ofende uma só 
objetividade jurídica, a paz pública. 
 
➔ Trata-se de crime vago porque tem como 
sujeito passivo a coletividade, entidade 
sem personalidade jurídica. 
 
 
PENA E AÇÃO PENAL 
 
A pena cominada ao delito de incitação ao crime é 
alternativa; detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 
❖ A ação penal é pública incondicionada 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato 
criminoso ou de autor de crime: 
Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 
OBJETIVIDADE JURÍDICA 
 
O art. 287 do CP pune a chamada ‘incitação indireta”, 
sob o nomen juris de apologia de crime ou criminoso, 
com a seguinte redação: “Fazer, publicamente, 
apologia de fato criminoso ou de autor de crime”. 
 
O legislador tutela a paz pública, ou seja, protege a 
tranquilidade, sossego e segurança da coletividade. 
 
SUJEITOS DO DELITO 
 
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, com ressalva 
daqueles agentes invioláveis por suas opiniões, 
palavras e votos (senadores, deputados e vereadores) 
 
❖ O tipo penal não exige nenhuma qualidade 
especial, tratando-se, portanto, de crime 
comum. 
 
Sujeito passivo é a coletividade, ou seja, um número 
indeterminado e indeterminável de pessoas. 
 
ELEMENTOS OBJETIVOS DO TIPO 
 
A conduta incriminada consiste em fazer, 
publicamente, apologia (elogio, exaltação) de autor 
do crime ou de fato criminoso. 
 
❖ Fazer apologia significa exaltar, enaltecer, 
elogiar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
❖ É necessário que a apologia possa ser 
percebida por um número indefinido de 
pessoas. 
 
❖ A simples defesa, ou manifestação de 
pensamento é garantia constitucionalmente 
assegurada a todos os brasileiros ou 
estrangeiros residentes no Brasil. 
 
❖ A apologia deve ser de fato definido como 
crime, não configurando o delito o elogio de fato 
contravencional nem de fato imoral. 
 
➔ Contudo, afasta-se o delito na hipótese 
de o agente se referir a contravenção ou 
ao contraventor. 
 
➔ A apologia de fato criminoso culposo não 
constitui o delito porque é inconcebível 
que a paz pública, objeto jurídico deste 
delito, seja ameaçada pela exaltação de 
crime decorrentes da inobservância do 
cuidado objetivo necessário. 
 
❖ O fato criminoso deve ser determinado e ter 
realmente ocorrido anteriormente à apologia 
criminosa (se futuro, haverá incitação ao crime). É 
inexigível que crime cuja apologia seja feita seja 
declarado criminoso por sentença irrecorrível. 
 
A apologia criminosa pode ser feita também em 
relação a autor de crime. Neste caso, exige-se que o 
elogio feito pelo agente ao sujeito ativo do delito 
anteriormente realizado verse sobre a conduta 
criminosa deste e não sobre seus atributos morais ou 
intelectuais. 
 
❖ O crime admite qualquer forma de execução: 
palavras, gestos, escritos etc. 
Apologia de crime 
ou criminoso 
 
❖ É controvertida a necessidade da existência da 
sentença condenatória irrecorrível. 
 
 
ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO 
 
É o dolo, a vontade de fazer, publicamente, apologia 
de fato criminoso ou de autor de crime. 
 
❖ Não se exige nenhum motivo ou finalidade 
por parte do agente. 
 
A apologia de crime contra a Segurança Nacional 
constitui o delito descrito no art. 22, IV, da Lei nº 
7.170/83 (Lei de Segurança nacional). 
 
O STF, no julgamento da ADPF 187, decidiu ser 
legítima a reunião de pessoas para se manifestarem 
publicamente sua posição em favor da legalização 
das drogas, por se tratar de um movimento social 
espontâneo e garantindo o direito constitucional a 
livre manifestação de pensamento. 
 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
 
O crime consuma-se com a percepção, por 
indeterminado número de pessoas, dos elogios 
endereçados a crime determinado e anteriormente 
praticado ou a autor do crime. 
 
A tentativa é possível, se o sujeito inicia a execução 
do delito e é obstado de alcançar a consumação por 
circunstâncias alheias à sua vontade. Caso o agente 
pratique na forma oral, não haverá tentativa, pois o 
crime se torna unissubsistente. 
 
❖ Independe da efetiva perturbação da ordem 
pública (perigo abstrato). 
 
❖ Se o agente faz apologia a mais de um fato 
criminoso, não haverá concurso de delitos. 
QUALIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA 
 
É de perigo abstrato, uma vez que este é punido, de 
forma absoluta, pelo legislador. É também crime 
vago; tem como sujeito passivo a coletividade, 
entidade destituída de personalidade jurídica. 
 
É também instantâneo, uma vez que se consuma em 
determinado instante, sem continuidade temporal. 
Também é delito simples, tendo em vista ofender 
apenas um bem jurídico; a paz pública. 
 
PENA E AÇÃO PENAL 
 
A pena cominada à apologia de crime ou criminoso é 
alternativa: detenção, de três a seis meses, ou multa. 
 
A ação penal é pública incondicionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, 
para o fim específico de cometer crimes: (Redação 
dada pela Lei nº 12.850, de 2013) 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos. (Redação 
dadapela Lei nº 12.850, de 2013) 
 
Parágrafo único. A pena aumenta-se até a metade se 
a associação é armada ou se houver a participação de 
criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº 
12.850, de 2013). 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA 
 
Trata-se de crime comum, comissivo e, 
excepcionalmente, comissivo por omissão, de forma 
livre, formal, de perigo comum abstrato (aquele que 
coloca um número indeterminado de pessoas em 
perigo, mas não precisa ser demonstrado e provado, 
por ser presumido pela lei), permanente (a 
consumação se prolonga no 
tempo), plurissubjetivo, doloso, transeunte (costuma 
ser praticado de forma que não deixa vestígios, 
impossibilitando ou se tornando desnecessária a 
comprovação da materialidade por meio de prova 
pericial) e unissubsistente. 
 
OBJETOS JURÍDICO E MATERIAL 
 
O objeto jurídico do crime de associação criminosa é a 
paz pública, mantendo assim a tranquilidade e 
segurança coletiva que a ordem pública deve 
proporcionar. 
 
Considerando que objeto material é a pessoa ou 
coisa sobre a qual recai a conduta criminosa, 
entendemos que o delito em estudo não possui 
objeto material. 
 
 
 
 
 
 
SUJEITOS DO DELITO 
 
A associação criminosa é crime comum, assim, o 
sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, 
independentemente de qualquer qualidade ou 
condição especial. 
 
Trata-se, portanto, de crime plurissubjetivo (ou de 
concurso necessário) e de condutas paralelas, pois 
somente pode ser praticado por três ou mais pessoas 
que se auxiliam mutuamente, visando a produção de 
um resultado comum, qual seja a união estável 
permanente voltada à prática de crimes. 
 
➔ Bastando que somente uma das três pessoas 
seja imputável. 
 
A extinção da punibilidade de um ou mais 
integrantes da associação criminosa, não exclui o 
delito para os demais, mesmo que ainda não tenha 
sido iniciado o processo. Contudo, é indispensável 
que a denúncia faça referência a todos os 
integrantes. 
 
Sujeito passivo é a coletividade (crime vago) e, 
secundariamente, o próprio Estado que tem o dever 
de proporcionar o necessário sentimento de 
tranquilidade e segurança coletiva. 
 
CONDUTA TÍPICA 
 
O núcleo do tipo penal é associarem-se (unirem-se, 
agregarem-se, juntarem-se, agruparem-se). 
 
Assim, deve ter como característica a associação de 
três ou mais pessoas, que possuam uma 
união estável, permanente e duradora dessas 
pessoas, para o fim específico de cometer crimes, 
Associação criminosa 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12850.htm#art24
➔ Essa característica que distingue a associação 
criminosa do concurso de pessoas (coautoria ou 
participação) para a prática de crimes em geral. 
 
Além disso, a caracterização da associação criminosa 
não depende da existência de uma organização 
detalhadamente definida, com hierarquia entre seus 
membros e a divisão prévia das funções de cada um 
deles. 
 
Se a finalidade da associação for a prática de crimes 
previstos em legislação especial, em que o número 
de agentes seja elementar do tipo, haverá tão 
somente a incidência da lei especial, sob pena de 
incidência duas vezes sobre a mesma coisa. 
 
 Exemplos: 
 1 - Se a associação tiver conotação política, o fato 
poderá caracterizar crime contra a Segurança 
Nacional (Lei 7.170/1983, arts. 16 e 24); 
 
2 - Se a associação de mais de três pessoas tiver 
como objetivo o genocídio, ou seja, a destruição, no 
todo ou em parte, de grupo nacional étnico, racial ou 
religioso (Lei 2.889/1956, art. 2º); 
 
3 - Se a associação de duas ou mais pessoas tiver 
como finalidade o tráfico de drogas (Lei 11.343/2006, 
art. 35). 
 
O delito em estudo, em regra, é praticado de forma 
comissiva (decorrente de uma atividade positiva do 
agente), mas, excepcionalmente, pode ser praticado 
de forma comissiva por omissão, quando o agente 
gozando do status de garantidor (art. 13, § 2º, 
do Código Penal). 
 
 
Exemplo: 
Na hipótese em que um policial que, sabendo da 
existência de um agrupamento de pessoas para o fim 
de cometer crimes naquela cidade, dolosamente, 
nada faz para prendê-los em flagrante. O agente 
responde pelo delito de associação criminosa, pois, 
dolosamente, se omitiu quando devia e podia agir 
para impedir o resultado. 
❖ Para Magalhães Noronha, a participação da 
mesma pessoa em mais de uma quadrilha faz 
com que ela pratique diversos crimes (pluralidade 
de crimes). 
 
❖ O STF, entende ser possível a coexistência de 
múltiplas associações criminosas, ainda que com 
núcleos idênticos, desde que a alteração de 
composição demonstre que efetivamente se trata 
de diversos grupos. 
 
❖ É indiferente a posição ocupada por cada 
associado na organização, se conhecem uns aos 
outros ou não (associação via internet). 
 
❖ Não configura o crime: 
 
➔ O delito a reunião estável ou permanente para a 
prática de contravenções penais (ex: jogo do 
bicho) ou atos imorais. 
 
➔ Associação para a prática de crimes culposos ou 
preterdolosos. 
 
❖ Imprescindível que a reunião seja efetivada 
antes da deliberação dos delitos. 
 
 
VOLUNTARIEDADE 
 
O elemento subjetivo do crime de associação 
criminosa é o dolo, consistente na vontade consciente 
de associar-se a outras pessoas. 
 
Exige-se, ainda, o elemento subjetivo específico 
(finalidade específica), consubstanciado na expressão 
"para o fim específico de cometer crimes", 
indeterminados ou de qualquer natureza. O tipo penal 
não admite a modalidade culposa. 
 
❖ Apesar do mais comum, ser o agente buscar 
por lucro, é dispensável que a conduta gere 
lucro. 
 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
 
A associação criminosa é crime formal, que se 
consuma sem a produção do resultado naturalístico, 
consistente na efetiva perturbação da paz pública. 
 
Consuma-se, portanto, no momento em que três ou 
mais pessoas se associarem para o fim específico de 
cometer crimes, colocando em risco a paz pública, 
ainda que nenhum delito venha a ser efetivamente 
praticado. 
 
Para o sujeito que ingressa no grupo posteriormente, 
o delito estará consumado no momento da adesão à 
associação criminosa já existente. Independente da 
prática de algum crime pelos integrantes. 
 
O abandono por um integrante da associação 
criminosa depois de formada, não exclui o crime nem 
implica em desistência voluntária (CP, art. 15). 
 
➔ Entretanto, sua saída poderá ocasionar a 
dissolução da associação criminosa, caso a 
mesma tenha sido formada com o número 
mínimo de três pessoas. 
 
➔ É irrelevante que não tenha participado 
diretamente de eventuais crimes cometidos 
por membros da associação, bastando sua 
participação de alguma forma da organização 
 
Entendemos que a tentativa não é possível em razão 
da necessária estabilidade e permanência da 
associação. Os atos praticados com a finalidade de 
formar associação (anteriores à execução-formação) 
são meramente preparatórios. 
 
❖ A manutenção da associação criminosa após 
a condenação ou mesmo a denúncia constitui 
novo e idêntico crime formal. 
 
❖ Com o advento da lei 11.343/2006, associação 
estável e permanente, de 2 ou mais pessoas, 
para a prática do tráfico de drogas ou 
maquinários, sem enquadra no artigo35 da lei 
de drogas. 
MAJORANTE DE PENA 
O parágrafo único, do art. 288, do Código Penal, 
prevê duas causas especiais de aumento de pena, 
nas seguintes hipóteses: 
 
1ª) Se a associação é armada: Arma é todo objeto ou 
instrumento vulnerante, que pode ser utilizado para 
defesa ou ataque (própria ou impropria). 
 
Para a incidência deste aumento de pena, basta que 
somente um dos integrantes do grupo esteja armado, 
desde que os demais tenham ciência da existência da 
arma (entretanto a divergência na doutrina). 
 
➔ Evidentemente, não haverá incidência da 
majorante em estudo, àqueles que 
desconheciam a existência de arma na 
associação criminosa, para não incorrer na 
responsabilidade objetiva. 
 
A Lei 12.850/2013 modificou a redação do dispositivo 
legal em estudo, reduzindo o aumento de pena que 
era aplicado em dobro, passando a ser aplicado até a 
metade da pena cominada em abstrato. 
 
2ª) Se houver a participação de criança ou 
adolescente: Para a configuração do delito de 
associação criminosa, basta tão somente que uma 
das três pessoas seja penalmente imputável. 
 
➔ Para o Estatuto da Criança e do 
Adolescente, criança é a pessoa até doze 
anos de idade incompletos, 
e adolescente aquela entre doze e dezoito 
anos de idade (Lei 8.069/1990, art. 2º). 
 
➔ Os integrantes penalmente imputáveis 
deverão ter conhecimento de que se 
associaram a crianças ou adolescentes, pois, 
caso contrário, pode ser alegado erro de tipo 
(CP, art. 20, caput). 
 
 
FIGURA TÍPICA QUALIFICADA 
 
De acordo com o disposto no art. 8º da Lei dos Crimes 
Hediondos, "será de três a seis anos de reclusão a 
pena prevista no art. 288 do Código Penal, quando se 
tratar de crimes hediondos, prática da tortura, tráfico 
ilícito de entorpecentes e drogas afins ou terrorismo “. 
 
A figura qualificada em estudo é aplicável somente 
quando a associação criminosa for constituída com a 
finalidade de praticar crimes hediondos ou 
equiparados (tortura, tráfico e terrorismo), com 
exceção do tráfico de drogas, cuja conduta 
caracteriza o crime de associação para o tráfico de 
drogas (Lei 11.343/2006, art. 35). 
 
 
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E 
ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA 
 
A Lei do Crime Organizado (Lei 12.850/2013, art. 1º, §1º). 
 
"Considera-se organização criminosa a associação de 
4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada 
e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que 
informalmente, com o objetivo de obter, direta ou 
indiretamente, vantagem de qualquer natureza, 
mediante a prática de infrações penais cujas penas 
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que 
sejam de caráter transnacional”. 
 
A caracterização de organização criminosa autoriza a 
incidência de institutos a respeito da investigação e 
dos meios de obtenção da prova, a exemplo da 
colaboração premiada, da ação controlada, da 
interceptação de comunicações telefônicas e 
telemáticas e da infiltração de agentes policiais, 
conforme art. 3º da Lei 12.850/2013. 
 
 
 
 
 
DISTINÇÃO: 
 
Desta forma, a organização criminosa não se 
confunde com a associação criminosa em estudo, 
onde sua caracterização ocorre com apenas três 
pessoas (e não quatro), não se exige a estrutura 
ordenada com a respectiva divisão de tarefas, como 
também tem o fim específico de cometer crimes (mas 
não aqueles com pena máxima superior a quatro anos 
ou de caráter transnacional). 
 
MINORANTE DE PENA 
O parágrafo único do artigo 8° da Lei 8.072/1990, 
mostra a possibilidade de delação premiada com 
diminuição de pena, desde que preencha os 
requisitos: 
 
A) Deve partir de integrante ou participe 
 
B) Deve ser eficaz, possibilitando assim o 
desmantelamento da associação, havendo nexo 
entre a delação e a desorganização do bando. 
 
 
PENA E AÇÃO PENAL 
 
A pena do crime de associação criminosa, em sua 
figura simples (CP, art. 288, caput) e de reclusão, de 1 
a 3 anos. 
 
Na figura qualificada – crime hediondo – 
(Lei 8.072/1990, art. 8º), a pena é de reclusão, de 3 a 6 
anos. 
 
➔ Ainda podendo ser majorada pelo parágrafo 
único 
 
O crime de associação criminosa, em sua figura 
dolosa simples, em razão da pena mínima cominada 
não ser superior a um ano, o delito pertence ao rol 
das infrações penais de médio potencial ofensivo, 
sendo possível a suspensão condicional do processo, 
se presentes os demais requisitos legais 
(Lei 9.099/1995, art. 89). 
Nas demais figuras (simples com pena aumentada e 
qualificada pela finalidade de praticar crimes 
hediondos ou equiparados), é infração penal de alto 
potencial ofensivo, ficando afastados os benefícios da 
Lei 9.099/1995. 
 
A ação penal é pública incondicionada em todas as 
figuras, cujo oferecimento da denúncia para iniciar a 
ação penal não depende de qualquer condição de 
procedibilidade. 
 
 
PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE 
❖ Código penal X Lei 2.889/56: associação de 
mais de 3 pessoas, com objetivo de destruí 
grupo nacional, étnico, racial ou religioso. 
 
❖ Código penal X lei de drogas: associação de 
duas ou mais pessoas para fim de praticar, o 
tráfico de drogas ou de maquinários. 
 
❖ Código penal X lei 12.850/13: organização 
criminosa é composta por mais de 4 pessoas, 
caracterizada pela divisão de tarefas, com o 
objetivo de obter uma vantagem, 
promovendo, constituindo, financiando ou 
integrando a organização criminosa. 
 
❖ Código penal X lei 13.260/16: pune a conduta 
de promover, constituir, integrar ou prestar 
auxílio a organização criminosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou 
custear organização paramilitar, milícia particular, 
grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar 
qualquer dos crimes previstos neste Código: 
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos. 
 
CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 
 
Diferente da “formação de quadrilha”, não se exige, a 
priori, a finalidade da prática indeterminada de crimes, 
e tampouco estabeleceu um número mínimo de 
participantes. 
 
Admite-se, na verdade, a finalidade de praticar 
qualquer dos crimes previstos no Código Penal, 
estando excluídos, por conseguinte, os crimes 
previstos na legislação extravagante. 
 
BEM JURÍDICO TUTELADO 
 
A rigor, bem jurídico tutelado imediato é a sensação 
ou o sentimento da população em relação a 
segurança social, ou seja, aquela sensação de bem-
estar, de proteção e segurança geral. 
 
SUJEITOS DO CRIME 
 
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, em número 
mínimo de quatro (mais de três), tratando-se, por 
conseguinte, de crime plurissubjetivo (ou concurso 
necessário), de condutas paralelas (umas auxiliando 
as outras) . 
 
Há entendimento minoritário de que os inimputáveis 
(doentes mentais e menores de 18 anos) não podem 
ser incluídos no número mínimo dessa figura típica, 
apenas para incriminar determinado indivíduo. 
 
 
 
 
 
 
 
Sujeito passivo, a exemplo do que ocorre no crime de 
associação criminosa, é a coletividade em geral, um 
número indeterminado de indivíduos, ou seja, o 
próprio Estado, que tem a obrigação de garantir a 
segurança e o bem-estar de todos. 
 
 
Haveria um número mínimo necessário de 
participantes? 
 
Podemos ter dúvida, enfim, sobre a quantidade 
mínima, se três ou mais membros, mas uma coisa é 
certa: não pode ser menos, pois, nesse caso, 
repetindo, não seria um grupo, mas somente uma 
dupla, ou seja, apenas um par e não um grupo. 
 
Trata-se de um crime de ação múltipla ou de 
conteúdo variado, representado por quatro verbos 
nucleares, quais sejam: constituir (criar, estruturar, 
formatar, dar forma ao grupamento criminoso, em 
qualquer das modalidades elencadas); 
organizar (ordenar, regularizar sua estrutura, no 
formato adequado para otimizar seu funcionamento);integrar (é fazer parte, ser um de seus membros, 
fundador ou não do grupo); e manter ou custear 
(significa sustentar, arcar com os custos). 
➔ Demandando sempre que tenha uma 
estabilidade e durabilidade da associação. 
 
❖ O legislador devia ter conceituado e definido 
o significado dos grupos que elenca, 
atendendo, assim, o princípio da taxatividade 
estrita. A questão situa-se especialmente na 
grande dificuldade de estabelecer 
exatamente os conceitos dessas novas 
figuras. 
 
 
Constituição de 
milícia privada 
a) ORGANIZAÇÃO PARAMILITAR 
É uma associação civil armada constituída, 
basicamente, por civis, embora possa contar também 
com militares, mas em atividade civil, com estrutura 
similar à militar, com finalidade civil ilegal e violenta, 
que age na clandestinidade. 
Para Rogério Sanches, “Paramilitares são associações 
civis, armadas e com estrutura semelhante à militar. 
Possui as características de uma força militar, tem a 
estrutura e organização de uma tropa ou exército, 
sem sê-lo”. 
 
b) MILÍCIA PARTICULAR 
Grupo de pessoas (que podem ser civis e/ou 
militares), que, alegadamente, pretenderia garantir a 
segurança de famílias, residências e 
estabelecimentos comerciais ou industriais. Haveria, 
aparentemente, a intenção de praticar o bem comum, 
isto é, trabalhar em prol do bem-estar da 
comunidade. 
➔ Devolver a segurança a retirada das 
comunidades mais carentes, restaurando 
assim a paz. 
 
A atividade é imposta mediante coação, violência e 
grave ameaça , podendo resultar, inclusive, em 
eliminação de eventuais renitentes. Na realidade, há 
uma verdadeira ocupação de território, numa espécie 
de Estado paralelo, com a finalidade de 
 
 
c) GRUPO OU ESQUADRÃO 
 
❖ Mais conhecidos como grupos de 
extermínios que ganharam espaço, no Rio de 
Janeiro e São Paulo. 
 
Para Rogério Sanches: “Por grupo de extermínio 
entende-se a reunião de pessoas, matadores, 
“ justiceiros” (civis ou não) que atuam na ausência ou 
leniência do poder público, tendo como finalidade a 
matança generalizada, chacina de pessoas 
supostamente etiquetadas como marginais ou 
perigosas”. 
➔ O desmantelamento é dificultado pelo fato de, 
principalmente, terem quase sempre ligações 
com as polícias locais. 
 
➔ Ademais, a carência probatória da ação desses 
grupos reside na dificuldade de encontrar 
quem testemunhe a prática de seus crimes, 
pois, a sociedade é atemorizada pela ação 
violenta de referidos grupos. 
 
VOLUNTARIEDADE 
Elemento subjetivo é o dolo, representado pela 
vontade consciente de reunir-se para praticar crimes, 
criando um vínculo associativo entre os participantes. 
É indispensável que o indivíduo tenha consciência de 
que participa de uma “reunião de pessoas” que tem a 
finalidade de praticar crimes. 
 
CONSUMAÇÃO E TENTATIVA 
 
Consuma-se o crime com a simples constituição de 
milícia privada, isto é, com a mera associação de 
mais de três pessoas para a prática de crimes 
definidos no Código Penal, colocando em risco a paz 
pública . 
 
É absolutamente desnecessária a prática de 
qualquer crime pelo grupo representativo da figura 
penal constituição de milícia privada, em qualquer de 
suas modalidades. 
 
➔ Contrariamente, no entanto, no concurso de 
pessoas (coautoria e participação), pune-se 
somente os concorrentes se concretizarem a 
prática de algum crime, tanto na forma tentada 
quanto na consumada. 
 
❖ Trata-se de crime permanente, cuja 
consumação se protrai no tempo. 
A tentativa é inadmissível, pois os atos praticados 
com a finalidade de formar a associação (anteriores à 
execução- formação) são meramente preparatórios. 
CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA 
 
 Trata-se de crime comum, formal; de forma livre; 
comissivo; permanente; de perigo comum abstrato; 
plurissubjetivo; e unissubsistente 
 
PENA E AÇÃO PENAL 
 
A pena cominada, isoladamente, é a de reclusão, de 
quatro a oito anos. Não há previsão de pena 
pecuniária. 
 
A ação penal é pública incondicionada, não 
dependendo, por conseguinte, de qualquer 
manifestação de vontade da vítima ou de seu 
representante legal. 
 
Importante que a Lei nº 13.964/2019 inseriu dentre os 
delitos hediondos a figura da organização criminosa 
no seguinte contexto: 
 
Lei nº 8.072/90 
 
 “Artigo 1º: 
 (...) 
 Parágrafo único. Consideram-se também 
hediondos, tentados ou consumados: 
 (...) 
 V - o crime de organização criminosa, quando 
direcionado à prática de crime hediondo ou 
equiparado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)”.

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