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ENDODONTIA EM SESSÃO ÚNICA: RELATO DE CASO DE NECROSE PULPAR
SALES, Felipe de Oliveira[footnoteRef:1] [1: Graduando em Odontologia do Centro Universitário Maurício de Nassau - Cacoal, 2022. E-mail: felipesales125@gmail.com] 
FAGUNDES, Thais Lagassi Rigo[footnoteRef:2] [2: Graduanda em Odontologia do Centro Universitário Maurício de Nassau - Cacoal, 2022. E-mail: thais.lagassi@outlook.com] 
REIS, Ellen Rose Lima dos[footnoteRef:3] [3: 3 Mestrado em Odontologia pelo Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, (2015). Especialista em Endodontia pela Associação Brasileira de Odontologia (2006), graduada pela Faculdade de Odontologia de Lins (1997). Contato: ellenrose.reis@gmail.com
] 
RESUMO: 
A Endodontia é uma área do conhecimento que compreende a etiologia, o diagnóstico e a prevenção de doenças pulpares e periapicais, incluindo necrose pulpar e suas repercussões no organismo. A partir do emprego de recursos tecnológicos desde a avaliação terapêutica até o tratamento da necrose pulpar nota-se que é possível que seja realizada em sessão única, com padrões e índices elevados de sucesso, apesar de ainda existir controvérsias na literatura concernentes aos riscos e benefícios terapêuticos. O presente estudo teve como objetivo relatar um caso de necrose pulpar tratada através da Endodontia em sessão única. A metodologia consiste em um relato de caso a partir da anamnese e exame clínico, em paciente com trinta e oito anos de idade, que compareceu à clínica de Odontologia da UNIFACIMED – Unidade I, sendo constatado diagnóstico de periodontite apical assintomática, no elemento 14 com aproximadamente 4 mm de altura e largura. Sob o número de parecer do CEP, 5.707.90, foi realizado o tratamento endodôntico em sessão única, seguindo o processo de abertura coronária em forma ovalada de vestibular para palatina, exploração dos condutos até o comprimento de trabalho provisório, preparo do terço médio e cervical, odontometria com localizador apical e com raio x de confirmação, preparo do terço apical com as limas Manuais da easy, prova do cone e obturação com cone único, também foi realizado o selamento coronário com cimento obturador provisório e Cimento de Ionomero de vidro fotopolimerizável. Após todo o processo foi realizado a preservação do caso e pode-se constatar regressão da lesão após o período de quatro meses de acompanhamento radiográfico, indicando sucesso do tratamento endodôntico. Conclui-se que a Endodontia em sessão única é um tratamento que pode proporcionar efeitos satisfatórios em casos necrose pulpar. A paciente teve suas funções mastigatórias restauradas, além da eliminação do foco de infecção, evitando possíveis complicações futuras.
PALAVRAS-CHAVE: Endodontia. Sessão Única. Tratamento Endodôntico. 
1 INTRODUÇÃO
A Endodontia destaca-se por ser uma especialidade da Odontologia que vem passando por contínua evolução, com equipamentos, materiais, instrumentos e mais recentemente, em softwares e tecnologias (AOYAMA, 2022).
Além disso, a Endodontia é uma ciência que abarca a etiologia, diagnóstico, prevenção e clínica da periodontite apical e outras patologias e suas repercussões no organismo. Recursos tecnológicos na avaliação clínica, exploração e novas estratégias agregadas especialmente à limpeza e desinfecção do sistema de canais radiculares, modelagem e obturação do espaço endodôntico, conforme as bases biológicas, permitirão o alcance de melhores padrões de sucesso pós-terapêutica (LEONARDO, LEONARDO, 2012).
É importante mencionar que a endodontia tem a capacidade de estimular a reparação pelo próprio organismo, dos tecidos periapicais depois da intervenção terapêutica, e permite que o elemento dental tenha sua função restaurada, depois de ter sofrido uma injúria traumática. Atualmente, uma das pautas mais versadas no campo da endodontia é a realização da terapêutica de necrose pulpar com ou sem periodontite apical, por meio de uma única sessão. Diante disso, a opção entre sessão única ou múltipla, tem se tornado um critério de qualidade para os endodontistas (JESUS, FERNANDES, 2022).
O profissional que realiza a Endodontia se depara frequentemente com três condições basilares que demandam clínica endodôntica, que são: as polpas vitais, as polpas necrosadas e os casos de retratamento. Contudo, o sucesso clínico está relacionado ao reconhecimento das idiossincrasias de cada uma destas três condições. Vale enfatizar que, canais radiculares com a polpa necrosada e lesão perirradicular estão relacionados a um problema infeccioso e precisam ser tratados de maneira distinta dos dentes com polpa viva (ou seja, sem infecção). O resultado positivo da terapêutica endodôntica nestes casos depende especialmente do controle da infecção exercida pelo preparo químico-mecânico, medicação intracanal e obturação adequada (SIQUEIRA JÚNIOR et al., 2012).
Diante do exposto, destaca-se, a evolução tecnológica e o aprimoramento do preparo químico-mecânico no decorrer da limpeza e da modelagem do canal radicular. Além disso, o tempo para a prática desse método foi reduzido, permitindo a realização da clínica em sessão única (ENDO, 2015).
Kirchhoff, Viapiana e Ribeiro (2013), destacam que a Periodontite apical pode ocorrer na forma aguda ou crônica e, são caracterizadas conforme a inflamação dos tecidos situados em volta do ápice radicular, desse modo, primeiramente ocorre uma inflamação aguda do periodonto apical que se distende ao osso de suporte adjacente. Vale destacar também que estas especificações são mais microscópicas e sintomáticas do que radiográficas e visíveis. 
Sendo assim, o cirurgião-dentista tem o papel de planejar e determinar qual técnica pode ser mais adequada mediante a patologia que será tratada, bem como, o período de consulta, a experiência terapêutica e mecanismos disponíveis (JESUS; FERNANDES, 2022). Diante do exposto fica o questionamento se a endodontia em sessão única é capaz de promover o tratamento adequado em casos de necrose pulpar.
O objetivo da presente pesquisa foi relatar um caso de necrose pulpar associado a periodontite apical sintomática no elemento 14, tratado em sessão única e acompanhar radiograficamente se houve regressão da lesão, em um período de 6 meses.
2 RELATO DO CASO 
Trata-se de um relato de caso realizado em Cacoal/RO, tendo como amostra uma paciente com idade de 38 anos, a qual compareceu ao Centro Universitário Maurício de Nassau da rede privada de ensino, apresentando diagnóstico de periodontite apical assintomática.
A paciente relatou que havia sido realizada uma restauração no dente em questão e que a partir daí passou a sentir muita dor, sendo necessário o uso de analgésicos. De acordo com a mesma, a dor cessou após uma semana e no momento ela apresentava-se assintomática. Após anamnese, exame clínico, radiográfico e testes complementares foi constatado restauração de resina composta no elemento 14 e que se tratava de um quadro de Necrose Pulpar com Periodontite Apical Assintomática.
Foi estabelecido um plano de tratamento juntamente com a paciente e explicado sobre a necessidade do tratamento endodôntico. A paciente foi convidada a participar do trabalho de Conclusão de Curso e esclarecida sobre os seus direitos e a preservação do anonimato, bem como, o sigilo dos dados coletados, tais aspectos e normas foram rigorosamente respeitados por todos os pesquisadores em todas as fases do estudo, assim a participação foi confirmada através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
A paciente recebeu também as orientações sobre os riscos, sobre todos os procedimentos adotados e exames que foram realizados, visto, que o procedimento foi realizado por um dos pesquisadores integrantes da pesquisa na instituição de ensino. Foram respeitados todos os princípios éticos, especialmente, em se tratando do referenciamento das informações coletadas e da legalidade dos dados obtidos, assim, a terapêutica executada somente após a aprovação do projeto pelo comitê de Ética e pesquisa do Centro Universitário Maurício de Nassaude Cacoal/RO e pelo Ministério da Educação (MEC), sob o número 5.707.901.
Quanto aos riscos de exposição de imagens, as fotografias tiradas para a comprovação dos resultados. Salientando-se que não houve nenhuma dessas intercorrências durante o atendimento desta paciente, ficaram restritas à cavidade bucal. Além disso, dentre os riscos que podem ocorrer, estão relacionados desde a abertura do dente para o tratamento endodôntico até o selamento final, incluindo injeção anestésica. 
Em relação aos benefícios, a boa conduta profissional adotada nessa terapêutica teve como desígnio colaborar para a regressão do quadro de periodontite apical assintomática por meio da Endodontia em sessão única, o que pode evitar a perda do referido elemento dentário, além, de proporcionar a reabilitação funcional, promover a melhora na qualidade de vida nos aspectos sociais e psicológicos e, na estética da paciente. Todos os custos concernentes a execução da clínica, foram de total responsabilidade dos pesquisadores. 
O atendimento da paciente teve início no mês de maio de 2022 e a endodontia do elemento 14 ocorreu no dia 31 de maio de 2022, foi realizado o tratamento endodôntico em sessão única e selamento coronário em resina composta. Foi realizado acompanhamento radiográfico da paciente, com o intuito de verificar se houve alteração no tamanho da lesão, e consequentemente sucesso do tratamento endodôntico. Foram atendidos todos os preceitos que envolvem seres humanos pela Resolução Nº 466 de 12 de dezembro de 2012 do Conselho Nacional de Saúde que envolve riscos em tipos e gradações variadas. No item II, dessa Resolução, diz que os riscos da pesquisa como a possibilidade de danos à dimensão física, psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual do ser humano, em qualquer pesquisa e dela decorrente. Foram atendidos também os preceitos abordados na Resolução Nº 510, de 07 de abril de 2016. 
Foi realizada anamnese e exame clínico, a Radiografia inicial evidenciou a ocorrência de periodontite apical assintomática no elemento 14, com o comprimento aparente do dente (CAD) de 21 mm (Figura 1). A abertura coronária seguiu a forma ovalada de vestibular para lingual conforme o delineamento da câmara pulpar (Figura 2).
	Figura 1 - Radiografia inicial.
	Figura 2 - Forma de contorno e conveniência da abertura coronária.
	
	
	Fonte: Autores (2022).
	Fonte: Autores (2022).
A radiografia inicial (Figura 1), foi realizada para a confirmação do diagnóstico da patologia periapical, a qual apontou lesão apical de aproximadamente 4 mm. Em seguida, adotou-se a Endodontia em sessão única para tratar a necrose pulpar, a radiografia inicial confirma a patologia. Para o procedimento, primeiramente foi realizada a anestesia por bloqueio no nervo alveolar superior médio e a anestesia infiltrativa palatina na região do elemento 14, o anestésico de escolha para esse procedimento foi a mepivacaína a 3%. Foram utilizados três tubetes anestésicos e uma agulha curta. Após essa etapa realizou-se o isolamento absoluto com o grampo de numeração 206, para isso o lençol de borracha foi adaptado ao arco de ostby, fez-se uma perfuração no lençol de borracha com o perfurador de lençol e encaixou o grampo juntamente com o lençol no elemento dentário, conforme demonstra a Figura 1.
Para a abertura coronária foi empregada a ponta diamantada 1013 HL e ENDO Z, assim, a direção de trepanação foi feita ao longo eixo da broca paralelo ao longo eixo do dente, oval de vestibular para lingual. Quanto a forma de contorno foi ovalada, com maior diâmetro no sentido vestíbulo-lingual. Foi seguido o desenho da forma de contorno utilizando-se a ENDO Z. Durante a abertura coronária houve uma intercorrência clínica, foi realizado um desgaste excessivo na parede distal, gerando um enfraquecimento dessa parede (Figura 2).
Durante a localização da entrada dos canais radiculares e exploração dos condutos foram utilizadas limas de série especial K8 e K10, já para avaliar o diâmetro do canal no comprimento de trabalho provisório empregou-se uma lima tipo K15 que ficou bem justa. Em seguida, para o PBM deste terço, foi empregada a LIMA M 15.10- 17 MM, executando a cinemática rotatória de 360° no sentido horário. Destaca-se, que sempre que for necessário instrumentar um canal, é importante que o elemento seja inundado de clorexidina gel 2% e de irrigação abundante com soro fisiológico. 
	Figura 3 - Lima M Orifice Shaper 15/10 - Limas utilizadas para o preparo do terço cervical e médio
	Figura 4 - Preparo do terço cervical e médio.
	
	
	Fonte: Autores (2022).
	Fonte: Autores (2022).
Em seguida foi executada a odontometria do canal por meio da técnica de odontometria digital com o Localizador apical Finepex da marca Schuster e alça labial. Para a confirmação foi realizada a radiografia com a lima inicial K15 introduzida no CRT do dente (19 mm), (Figuras 5 e 6).
	Figura 5 - Odontometria digital.
	Figura 6 - Raio x de confirmação odontometria digital.
	
	
	Fonte: Autores (2022).
	Fonte: Autores (2022).
A instrumentação apical foi feita com as Limas M, seguindo a sequência Lima Inicial (LI) + 3 diâmetros de menor conicidade para a de maior conicidade do kit equivalente ao diâmetro do conduto, diâmetro CRT #15: #15.03 + 20.03, 25.05 e 30.05, com cinemática rotatória de 360° no sentido horário. Os canais foram instrumentados com irrigação abundante, realizando-se a patência no CRD a cada troca de instrumento (Figuras 7 e 8). 
	Figura 7 - Limas M da Easy, Utilizada no preparo do terço apical.
	Figura 8 - Preparo do terço apical.
	
	
	Fonte: Autores (2022).
	Fonte: Autores (2022).
Para a efetivação do debridamento final, foi realizada a irrigação final com easy clean empregando-se 3 X 20 segundos com Clorexidina 2%, seguida de irrigação com soro fisiológico e 3 X 20 segundos com EDTA 17%, sendo repetido novamente Clorexidina 2%, depois foi realizada a irrigação com soro fisiológico, secagem e obturação do elemento 14 (Figura 9). 
Figura 9 – Irrigação final com a Easy clean.
 
Fonte: Autores (2022).
A Prova do Cone foi feita conforme a seguinte sequência técnica: foi usado o cone único com conicidade de 35.04, consequentemente, foi realizado exame teste visual a fim de verificar se o cone havia chegado no CRT e, realizou-se o teste táctil para constatar se o cone estava travado no CRT. Foi feito o teste radiográfico para averiguar se o cone estava no CRT (1 mm aquém do ápice). A obturação foi realizada pela técnica do cone único e o cimento endodôntico utilizado foi o Sealer 26. 
Posteriormente, foi manipulado o cimento de acordo com o fabricante (sealer 26) e com o uso da espátula Simples 24, assim, foi impregnado o cone seco com o cimento em toda a sua extensão, realizando-se o movimento de pincelamento nas paredes, fazendo com que o cimento penetrasse em todo o comprimento do canal, cortou-se o cone na embocadura dos canais com a broca gates de numeração 6, logo após utilizou-se o condensador da marca easy na cor verde para realizar a condensação da gutapercha. Em seguida fez-se o selamento coronario do elemento com cimento obturador provisório e ionomero de vidro fotopolizavel para o posterior tratamento restaurador. (Figura 10), a seguir: 
Figura 10 - Prova do cone.
Fonte: Autores (2022).
A seguir foi realizada a obturação final, conforme demonstrado na radiografia (Figura 11).
Figura 11 - Obturação final. 
Fonte: Autores (2022).
Para a restauração do elemento foi utilizado resina composta, adesivo universal, espátulas de inserção de resina, ácido fosfórico a 37% e pontas diamantadas para acabamento. Foi realizada proservação do elemento dentário para acompanhamento do tamanho da lesão
No decorrer do tratamento foi realizado alguns testes radiográficos com filme radiográfico periapical, revelador e fixador da marca Carestream.
Para verificar como vem se desenvolvendo o pós-tratamento da paciente de 38 anos de idade atendida na clínica odontológica de uma instituição privada de ensino, foi realizada uma radiografia após quatro meses (Figura12) e outra depois de seis meses (Figura 13), sendo observado uma regressão significativa da lesão periapical, o que atende o plano de atendimento estabelecido pelo profissional e o almejado pela paciente.
	Figura 12 – Resultado após quatro meses.
	Figura 13 – Resultado após seis meses.
	
	
	Fonte: Autores (2022).
	Fonte: Autores (2022).
O quadro de Periodontite Apical Sintomática apresentado no elemento 14 da paciente em questão apresentou melhora significativa após seis meses, após esse período a lesão regrediu para aproximadamente 1 mm de largura e altura. A paciente relata não apresentar mais dores nesse elemento e estar satisfeita com os resultados.
A mesma foi alertada quanto ao enfraquecimento do dente no momento da abertura do elemento dental e optou-se em manter a restauração em infra oclusão, e posteriormente, se necessário, realizar uma restauração com a colocação de um pino intracanal.
4 DISCUSSÃO
O tratamento endodôntico é o conjunto de procedimentos endodônticos concernentes à conservação da cadeia asséptica, isolamento absoluto do campo operatório e odontometria, que agrupadamente embasam a filosofia da clínica biológica almejando a proservação da integridade dos tecidos periapicais (PÉCORA; SILVA, 2022). Atualmente, com os avanços tecnológicos e o aperfeiçoamento do preparo químico-mecânico durante a limpeza e modelagem do canal radicular são responsáveis pelo sucesso da clínica de canais radiculares (SOUZA et al., 2005). Quanto aos benefícios da utilização dos instrumentos no presente relato, destaca-se o emprego das limas de níquel titânio, as quais reduzem os riscos de fraturas, diminuem o tempo do procedimento e proporcionam mais conforto ao profissional.
As infecções odontogênicas constituem um dos problemas mais difíceis de se tratar em Odontologia, podem variar desde infecções bem localizadas, de baixa intensidade, a infecções graves nos espaços fasciais que causam risco de vida (PETERSON et al., 2000). Fundamentalmente, essas infecções têm duas origens principais: a periapical, em decorrência da necrose pulpar e da invasão bacteriana subsequente do tecido periapical, e periodontal, devido ao surgimento de uma bolsa periodontal profunda, que ocasiona a inoculação das bactérias nos tecidos subjacentes (PETERSON et al., 2000). No relato de caso da paciente atendida na clínica, consiste em necrose pulpar, com patologia do tecido periapical e assintomática.
A necrose pulpar, consiste em uma das modificações que agride a polpa corono-radicular, acontece quando há falta de irrigação sanguínea e da inervação decorrente de múltiplos fatores, dentre os quais destacam-se: restaurações insatisfatórias, doença cárie e traumatismos dentários. Mesmo com o aparecimento de diversas tecnologias na Endodontia, nos últimos anos, a terapêutica de dentes com necrose pulpar, associados ou não a radioluscência periapical, executada em única sessão, segue sendo é um dos temas mais controversos e polêmicos na especialidade (DOURADO; SILVA; BATISTA, 2018). O tratamento endodôntico em sessão única da presente pesquisa apontou que mesmo havendo controvérsias e/ou falta de consenso sobre o emprego da técnica supramencionada, o resultado foi satisfatório e ocorreu conforme o plano de tratamento delineado pelo profissional, a paciente relata que o ganho de tempo foi um dos fatores preponderantes. 
Com a terapia endodôntica torna-se possível encerrar o processo infeccioso do tecido pulpar. Esse tipo de tratamento abarca algumas fases e o sucesso da clínica está sujeito a execução de cada uma delas. Essas fases são delineadas pela literatura da seguinte forma: limpeza, modelagem e obturação dos canais radiculares (SILVA et al., 2013), o emprego de instrumentos adequados favorece a modelagem dos canais e a minimização dos riscos de infecção, como por exemplo, as limas utilizadas que possuem conicidade que se encaixam ao uso do cone único com taper proporcional. 
Para tratar essas infecções há uma diversidade de procedimentos cirúrgicos, que podem ser realizadas, mas é fundamental analisar: as contraindicações, o diagnóstico, limitações, indicações e a terapêutica que precisa ser utilizada em cada situação (SCHULER, 2020). Dentre as quais destaca-se a terapia de sessão única, empregada nesse relato de caso para tratar a Necrose Pulpar com Periodontite Apical Assintomática de uma paciente de 38 anos. 
Quanto a periodontite apical, cabe destacar, que é provocada por microrganismos no interior dos canais, e o sua terapêutica deve ser feita com a retirada da causa. Hoje em dia, tem-se observado muito interesse dos profissionais em completar a clínica em uma única sessão (ENDO et al., 2015). A sessão única, como na presente pesquisa, proporciona ao endodontista a possibilidade de atender o paciente em menor tempo, a técnica proporciona a verificação dos resultados num espaço de tempo menor, visto, que há a possiblidade de reduzir os riscos de intercorrências, dentre outros.
É importante preconizar que há diversos fatores que desempenham um papel relevante no processo de tomada de decisão da endodontia de sessão única, dentre os quais destacam os fatores essenciais que são: fatores objetivos - o diagnóstico pré-operatório, a capacidade de controlar a infecção, anatomia do canal radicular, complicações decorrentes do procedimento e, os fatores subjetivos – que compreendem os sinais e sintomas do paciente (PAREDES-VIEYRA; ENRIQUEZ, 2012), desse modo, a utilização da easy clean associada a clorexidina 2% e ao EDTA 17% utilizada no presente estudo, possibilitou a sanificação do conduto melhorando o preparo químico mecânico, o que auxiliou no controle da infecção, possibilitando a não utilização das medicações intracanais. 
A literatura abaliza, que os maiores casos de insucesso na técnica de única sessão, ainda são encontrados nas clínicas de necrose pulpar com periodontite apical. Entretanto, ainda são encontradas controvérsias em relação a recomendação de múltiplas sessões nesses casos, visto, que mesmo com o uso do fármaco intracanal, ainda são achados resquícios de bactérias no sistema radicular (RAJU, 2014), logo, a partir da execução e dos resultados da clínica da paciente, verificou-se, que não há diferenças significativas entre Endodontia em sessão única ou múltipla, pois, sendo o preparo mecânico e a sanificação executados corretamente, o tratamento proporcionará resultados satisfatórios.
Dessa forma, o tempo para o tratamento da necrose pulpar associado com Periodontite Apical Assintomática da paciente desse relato, destaca-se que o procedimento foi reduzido, o que possibilitou a realização do tratamento em sessão única de maneira segura. Sendo assim essa técnica consiste em uma possibilidade e realidade que depende fundamentalmente do conhecimento e habilidade do cirurgião-dentista, tempo hábil para a execução do procedimento e disponibilidade do paciente (WONG; ZHANG; CHU, 2014), verificou-se que as tecnologias associadas ao conhecimento do cirurgião dentista possibilitaram que o tratamento da paciente em sessão única ocorresse de forma positiva. 
Pontes et al. (2013), destacam que a American Association of Endodontists em 1987, deliberou sobre os critérios clínicos e radiográficos para a avaliação do sucesso ou fracasso endodôntico. Já, dentre os critérios clínicos para a avaliação destacam-se: dor a palpação, a mobilidade dentária, a doença periodontal, sensibilidade a percussão, fístula, os sinais de infecção ou edema, função do dente e os sintomas subjetivos. Quanto aos critérios considerados como fracassos endodônticos estão: os dentes que exibem sintomas subjetivos constantes, fístula recorrente ou edema, desconforto a palpação ou a percussão, possível fratura irreparável da unidade dentária, a excessiva mobilidade ou perda óssea periodontal progressiva. No decorrer da proservação, no período de seis meses, a paciente não apresentou flare up, fratura irreparável do elemento dentário, excessiva mobilidade ou perda óssea periodontal progressiva no decorrer dos seis meses.
Para averiguar os resultadosda terapia endodôntica, deve-se avaliar o índice de sucesso a partir de alguns critérios clínicos e radiográficos, as quais são articuladas e adotados pela Associação Americana de Endodontia, que são: o paciente precisa apresentar a ausência de sintomatologia dolorosa, provocada ou espontânea, a ausência de modificação na mucosa, ausência de mobilidade, bem como, a ausência ou reparo da lesão periapical, se preexistente (BRAGANTE et al., 2018), os resultados desse relato foram verificados a partir da realização de critérios clínicos e radiográficos, além da averiguação das medidas da lesão, sendo constatado resultados satisfatórios conforme almejado. 
Alguns fatores devem ser avaliados no momento da definição de uma modalidade de terapia endodôntica, dentre as quais destacam-se: a habilidade do operador, a experiência profissional, as condições do elemento dental (dente vital ou não vital, sintomático ou assintomático, presença ou ausência de exsudato e edema), o tempo apropriado de terapêutica, as limitações de tempo do indivíduo, o histórico médico e as considerações anatômicas e biológicas (ENDO et al., 2015), para o tratamento da paciente da presente pesquisa, foi importante a avaliação e um planejamento de acordo com as características diagnósticas apresentadas no elemento 14, posteriormente adotou-se a técnica de sessão única, em decorrência das condições do elemento dentário, o qual não apresentava exsudato e/ou edema.
Portanto, diante dos dados apresentados, verificou-se que tanto a técnica de sessão única e de sessões múltiplas podem ser realizadas e são aceitas na Endodontia, as quais demostraram efeitos idênticos em relação ao sucesso da terapêutica (JESUS; FERNANDES, 2022), desse modo, cabe ao profissional deliberar qual procedimento deve adotar, nesse relato, a paciente de 38 anos atendida no município do interior de Rondônia foi submetida a técnica de sessão única. 
5 CONCLUSÃO 
O quadro de Periodontite Apical Assintomática apresentado no elemento 14 da paciente em questão apresentou melhora significativa conforme resultado após seis meses (Figura 13), assim, a lesão permaneceu com altura e largura de 1mm. O dente da paciente foi restaurado e permanece em função na cavidade bucal. Recomenda-se proservação.
Mesmo que não haja um consenso na literatura em relação a Endodontia em sessão única na clínica de necrose pulpar, o presente relato de caso demonstrou que a técnica trouxe excelentes resultados para a paciente, proporcionando efeitos satisfatórios, contribuindo para melhora das funções estéticas e psicológicas, devolvendo melhora para o convívio social, assim, a mesma está satisfeita com o resultado final. 
ENDODONTICS IN A SINGLE SESSION: A CASE REPORT OF PULPAR NECROSIS
ABSTRACT: Endodontics is established as an area of knowledge that comprises the etiology, diagnosis, prevention and clinic of apical periodontitis, as well as its repercussions on the body, from the use of technological resources in therapeutic evaluation, exploration and even new strategies, such as the treatment of pulp necrosis treated in a single session. This technique may allow the achievement of better standards of post-clinical success, however, there are still controversies and different opinions in the literature concerning the therapeutic risks and benefits. The present study aimed to report a case of pulp necrosis treated through Endodontics in a single session. The methodology consists of a case report based on anamnesis and clinical examination, in a thirty-eight-year-old patient, who attended the UNIFACIMED Dental Clinic - Unit I, with a diagnosis of ectodermal dysplasia, with asymptomatic apical periodontitis in the element 14, the apparent length of the tooth (CAD) was 20 mm and the lesion was 4 mm. The results showed that the patient in her first contact reported that she did not feel pain, therefore, it was asymptomatic apical periodontitis. It is concluded that Endodontics in a single session is a treatment that can provide satisfactory effects in possible cases of pulp necrosis, thus, the patient had her aesthetic and psychological functions restored, making her social life better.
KEYWORDS: Endodontics. Single Session. Endodontic treatment.
REFERÊNCIAS 
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BRAGANTE, F. O.; BOTELHO FILHO, C. R.; SILVA, A. C.; SILVA, B. M.; FARINIUK, L. F.; LEONARDI, D. P. et al. Índice de sucesso do tratamento endodôntico dos pacientes atendidos no Centro de Especialidades Odontológicas. RSBO. Jan-Jun;15(1):27-33; 2018.
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