Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Escroto agudo na pediatria. 
O escroto agudo, ou síndrome escrotal aguda, é 
um quadro clínico caracterizado por dor súbita, 
seguida de aumento de volume e hiperemia, na região 
escrotal. Geralmente é unilateral e, em alguns casos, o 
paciente apresenta febre, náuseas, vômitos e dor 
abdominal. O escroto agudo pode ser desencadeado 
por afecções de natureza isquêmica, processos 
inflamatórios, traumatismos e até mesmo por 
encarceramento herniário. 
A síndrome escrotal aguda deve ser conduzida 
como uma situação de emergência, tendo em vista 
que, se for decorrente de uma torção do cordão 
espermático, levará, em poucas horas, à perda da 
gônada. Na impossibilidade de um diagnóstico 
etiológico seguro, o paciente deve ser levado à 
cirurgia em caráter de urgência. 
Para orientação diagnóstica, o médico deve levar 
em conta a idade da criança, os sintomas e os achados 
do exame físico. 
- A torção do cordão ocorre, geralmente, no 
período neonatal e no início da puberdade; a torção 
de apêndice testicular atinge mais os pré-púberes; e a 
epididimite é mais comum entre adolescentes e 
adultos jovens. 
- A dor súbita e muito intensa, principalmente se 
acompanhada de náuseas, vômitos e dor abdominal, é 
mais sugestiva de torção de testículo. Febre, sintomas 
urinários, afecções geniturinárias prévias ou 
instrumentação urológica fazem suspeitar de 
epididimite. 
- Durante o exame, além de dor, edema e 
hiperemia escrotal, deve ser avaliado o tamanho, a 
consistência e as alterações na posição do testículo. 
- Os dados de história e o exame físico cuidadoso 
são fundamentais para uma conduta rápida e 
adequada, evitando perda de tempo, que pode 
comprometer a viabilidade de um testículo isquêmico. 
- Exames laboratoriais e de imagem podem 
auxiliar, mas não devem retardar a terapêutica. Se a 
suspeita maior é de epididimite, deve-se coletar urina 
para análise. 
- O exame sonográfico com Doppler colorido, que 
é considerado de alta especificidade e sensibilidade 
na torção de testículo, pode ser realizado em muitos 
serviços de forma imediata. 
- É importante insistir: se a torção de cordão 
espermático não puder ser afastada rapidamente e 
com segurança, deve-se indicar com urgência a 
exploração cirúrgica. 
- A cintilografia com radioisótopos (tecnécio) 
também pode ser utilizada, entretanto, é mais 
demorada, não está prontamente disponível. 
Torção de testículo 
- Aproximadamente 1 entre 158 homens pode 
apresentar torção do cordão espermático antes dos 
25 anos; a incidência anual gira em torno de 1:4.000. 
- O episódio pode ocorrer em qualquer época da 
vida, mas a frequência é bimodal, com um pico na 
fase perinatal e outro próximo da puberdade. 
- Dois tipos de torção podem ocorrer: extra e 
intravaginal. 
- Torção extravaginal: A torção extravaginal é 
uma entidade rara. Ela ocorre durante o período 
perinatal quando o testículo desce e gira em torno do 
cordão espermático antes de fixar-se à parede 
escrotal posterior. 
- Mesórquio longo: O mesórquio é uma faixa 
densa de tecido conjuntivo que fixa os dúctulos 
eferentes do epidídimo à parede posterolateral dos 
testículos. Quando alongado, pode permitir que os 
testículos se torçam, e o epidídimo permaneça fixo. 
 
- Torção intravaginal: A torção intravaginal é o 
tipo mais comum de torção testicular. Ela ocorre por 
causa de uma fixação anormalmente alta da túnica 
vaginal ao cordão espermático, que permite a rotação 
do testículo dentro da bolsa. Geralmente é bilateral. 
- Durante o desenvolvimento anatômico normal, 
o testículo passa pelo canal inguinal coberto por uma 
camada de peritônio. Essa camada, a túnica vaginal, 
prende-se à parede escrotal posterior, na parte 
inferior posterior do testículo e na região testicular 
superior. Se as duas fixações da túnica vaginal 
ocorrerem na parte superior do testículo, se formará a 
 
deformidade em badalo de sino, o que aumenta a 
probabilidade de torção porque o testículo se move 
livremente dentro da túnica. 
Anamnese e exame físico: 
- Os sintomas clássicos da torção são 
representados por dor aguda na região escrotal, 
normalmente unilateral, seguido de aumento de 
volume, edema e hiperemia nessa região. Dor 
abdominal e vômitos podem estar presentes em 
muitos casos. 
- Deve-se diagnosticar a torção clinicamente e 
manter um alto índice de suspeita para identificar e 
fornecer tratamento definitivo o mais rápido possível. 
- Uma história e exame físico cuidadosos que 
sugiram torção testicular podem garantir a exploração 
cirúrgica imediata para reparo sem mais demora por 
causa de exames diagnósticos. 
- A torção testicular pode afetar homens de 
qualquer idade, mas meninos pré-puberais de 12 a 18 
anos geralmente têm um risco maior de apresentar 
torção intravaginal que as outras faixas etárias. 
Neonatos correm o risco de torção extravaginal 
durante o período perinatal, embora seja uma doença 
rara. 
- Em geral, há uma história de dor escrotal grave 
de início súbito, frequentemente com náuseas e 
vômitos. Em geral, não há alívio da dor com a 
elevação do escroto. Uma história de dor aguda que 
surge e desaparece ou intermitente pode indicar 
períodos de torção e destorção espontânea. 
- Febre, disúria e secreção do pênis geralmente 
não estão associadas à torção e devem ser mais 
sugestivas de uma causa inflamatória ou infecciosa 
para os sintomas. Acredita-se que o trauma seja 
responsável por apenas de 4% a 8% dos casos de 
torção. 
- Dependendo do tempo e do grau de torção, os 
dados de exame físico são mais acentuados e a 
palpação é mais difícil, pela falta de cooperação da 
criança. 
- A gravidade da torção define a intensidade do 
comprometimento vascular. 
- Pacientes que apresentam sintomas que duram 
menos de 4 a 6 horas têm maior probabilidade de 
manter a viabilidade testicular. As taxas de 
recuperação testicular caem conforme a duração dos 
sintomas aumenta. Se os sintomas durarem mais de 
48 horas, resultará sistematicamente em má 
recuperação testicular. 
- Quatro a 8 horas de torção podem levar a grave 
dano isquêmico, com repercussão permanente para a 
morfologia testicular e para a espermatogênese. Após 
12 horas, poucos testículos podem ser salvos. 
Exame abdominal geral 
• Pacientes com torção testicular intravaginal 
apresentam dor testicular intensa. Alguns também 
podem sentir dor abdominal. Deve-se avaliar uma 
possível torção em um paciente com história de 
criptorquidia que se apresente com dor abdominal 
súbita. 
Exame genital 
• Geralmente há sensibilidade exacerbada na 
palpação do testículo afetado. O testículo pode estar 
em uma posição transversal e mais alta que o 
testículo não afetado. Um reflexo cremastérico, 
obtido tocando-se a parte interna da coxa no lado 
afetado com elevação testicular subsequente, pode 
estar ausente nos casos de torção. Uma apresentação 
mais tardia revelaria um agravamento do eritema e 
edema escrotal, e uma hidrocele reativa poderia 
desenvolver-se. 
Exames de imagem 
- Exames de imagem devem ser realizados 
apenas nos casos duvidosos. O exame com 
radioisótopos era o estudo de escolha para os casos 
suspeitos. Atualmente a ultrassonografia (US) com 
Doppler colorido tem se tornado mais popular, pois é 
mais rápida, menos invasiva, oferece resultados 
semelhantes e está disponível em maior número de 
hospitais. 
- Para realizar um exame de ultrassonografia em 
um paciente com dor testicular, provavelmente será 
necessária analgesia. 
- Inicialmente, realiza-se uma ultrassonografia 
em escala de cinza bilateralmente. Ela fornece 
informações inespecíficas e, na maioria dos casos, não 
é suficiente parao diagnóstico. 
- A ultrassonografia em escala de cinza pode 
identificar a anatomia, a presença de liquido, alças 
intestinais ou gordura omental no escroto e o sinal do 
redemoinho. O sinal do redemoinho em tempo real 
(aparência deespiral do cordão espermático a partir 
da torção) é um sinal específico de torção testicular 
parcial ou completa. 
- Estudos de power Doppler e Doppler colorido 
também são necessários para estabelecer a presença 
ou ausência de fluxo sanguíneo. 
 
- O Doppler colorido é uma exibição em cores do 
fluxo sanguíneo. Os vasos do escroto que vão para o 
transdutor recebem uma cor e os que saem dele 
recebem outra. Esse modo é sensível à direção do 
fluxo sanguíneo. A identificação de perfusão vascular 
simétrica e homogênea do testículo não afetado 
comparada à perfusão diminuída completa ou parcial 
do testículo afetado determina um diagnóstico de 
torção. Fluxo sanguíneo intratesticular normal ou 
aumentado sugere um diagnóstico inflamatório ou 
destorção. 
- A cintilografia fornece informações sobre a 
anatomia e a perfusão vascular que podem ser usadas 
para distinguir uma torção testicular de outras causas 
não cirúrgicas de escroto agudo, evitando uma 
cirurgia desnecessária ou confirmando o diagnóstico 
de torção testicular em pacientes com um sonograma 
negativo ou equivocado. 
Fatores de risco: 
Fortes: 
Idade abaixo de 25 anos: A torção testicular 
pode afetar homens de qualquer idade, mas, em 
geral, meninos pré-puberais de 12 a 18 anos têm um 
risco maior de apresentar torção intravaginal que as 
outras faixas etárias. 
Neonato: Os neonatos correm o risco de torção 
extravaginal durante o período perinatal, embora seja 
uma condição rara. 
Deformidade em badalo de sino: A deformidade 
em badalo de sino, uma anomalia anatômica que 
permite que os testículos girem livremente dentro da 
túnica vaginal, responde por 90% dos casos de torção 
intravaginal. 
Além disso, o músculo cremastérico cria uma 
força rotacional em volta do cordão espermático, 
especificamente com uma forte contração, que 
também pode contribuir para o desenvolvimento da 
torção testicular. 
Fracos 
Trauma/exercício: Acredita-se que o trauma seja 
responsável por apenas de 4% a 8% dos casos de 
torção. Há casos de torção testicular induzida por 
trauma; é importante ser cauteloso para evitar o 
atraso do diagnóstico e do tratamento nesse caso. 
Dor testicular intermitente: Episódios 
recorrentes de dor escrotal unilateral aguda são 
comuns em pacientes com torção intermitente 
crônica. Os sintomas geralmente duram poucas horas, 
e o exame físico e os testes diagnósticos são 
geralmente normais no momento em que o paciente 
se apresenta. Em geral, a dor remite 
espontaneamente em poucas horas. Torção crônica 
intermitente raramente resulta em isquemia 
segmentar do testículo. 
Criptorquidia: A torção é 10 vezes mais provável 
em pacientes cujo testículo não desceu 
(criptorquidia). Por isso, deve-se avaliar uma possível 
torção em todo paciente com história de criptorquidia 
que se apresente com dor abdominal súbita. 
Clima frio: São relatadas taxas mais altas de 
torção durante os meses mais frios: 30% durante o 
outono e 24% durante o inverno em comparação com 
22% no verão. 
Tratamento 
Manejo cirúrgico em não neonatos 
- No caso de torção testicular aguda, a consulta 
urológica imediata para reparo operatório é essencial 
para otimizar a recuperação testicular. 
- A decisão de optar por orquiectomia ou 
orquidopexia depende da extensão do dano no tecido 
testicular. A função testicular muitas vezes é 
comprometida em pacientes com torção testicular. 
- A torção testicular pode ser parcial caso se 
mantenha uma continuação do fluxo sanguíneo; por 
isso, mesmo depois de um diagnóstico tardio, ainda 
pode-se tentar uma cirurgia de preservação. Durante 
a exploração, o testículo contralateral é fixo na parede 
posterior para evitar a torção testicular bilateral 
assíncrona. 
- Normalmente, realiza-se uma incisão na rafe 
mediana do escroto e aborda-se o lado afetado. O 
testículo comprometido é destorcido e envolto em 
compressas banhadas com soro fisiológico morno. Se 
a gônada revela-se inviável, deve ser retirada. 
- São candidatos a orquiectomia pacientes com 
mais de 8 horas de torção, sem fluxo na US com 
Doppler e sem sangramento cerca de 10 minutos após 
incisar a membrana vaginal. 
Destorção manual 
- Pode-se tentar a destorção manual se a cirurgia 
não estiver disponível em até 6 horas[13] ou 
enquanto estão sendo realizados os preparativos para 
a cirurgia. A destorção manual é uma medida 
provisória. 
- A técnica envolve a rotação do testículo direito 
no sentido anti-horário e do esquerdo no sentido 
horário. 
 
- Ou seja, gira-se o testículo afetado como se 
fosse abrir um livro, daí o método em "livro aberto". 
Deve-se fornecer sedação adequada e controle da 
dor. O fluxo sanguíneo no Doppler é a medida 
objetiva da destorção bem-sucedida. A melhora ou o 
alívio clínico após a destorção manual da torção 
testicular é altamente sugestivo do diagnóstico de 
torção. 
Manejo cirúrgico em neonatos 
Nascido com torção: O manejo da torção 
extravaginal que ocorre durante a descida testicular é 
controverso. 
Alguns urologistas defendem a intervenção não 
cirúrgica, enquanto outros recomendam a exploração 
cirúrgica, com excisão do testículo necrótico e fixação 
contralateral para evitar umatorção contralateral 
assíncrona e complicações permanentes em relação à 
fertilidade e produção hormonal. A maioria dos 
urologistas concorda que um neonato que nasce com 
torção unilateral pode ser estabilizado e explorado de 
forma semieletiva para otimizar o risco anestésico. 
- Deve-se lembrar que mesmo testículos fixados 
podem apresentar um novo episódio de torção ao 
longo da vida. O testículo contralateral deve ser 
fixado, preventivamente, com pontos de fio não 
absorvível às estruturas paratesticulares, tendo em 
vista que a condição anatômica que levou à torção, 
frequentemente, é bilateral. 
 
- O fenômeno isquemia-reperfusão, que ocorre 
durante o mecanismo de torção e distorção, libera 
radicais livres que agridem o testículo, sendo que 
pode haver dano no testículo contralateral, em 
virtude da formação de anticorpos antiesperma como 
resposta ao dano isquêmico. 
- Durante o processo de isquemia-reperfusão, 
acaba por ocorrer uma síndrome compartimental 
testicular com lesão na microcirculação, preconizando 
incisão na albugínea, como uma “fasciotomia”, para 
diminuir a pressão no parênquima da gônada. Com 
essa manobra, a melhora da irrigação é bastante 
evidente. 
- Na torção pré-natal, nota-se massa escrotal 
unilateral endurecida, de coloração escura e pele da 
bolsa aderida à massa, reflexo da evolução 
prolongada. Recomenda-se a fixação ou orquiectomia 
no lado comprometido e orquipexia preventiva no 
testículo normal. 
- A cirurgia somente deve ser protelada se 
houver alterações clínicas adversas que levem a um 
risco anestésico inadmissível. 
- Quando o evento ocorre no período pós-natal, a 
criança apresenta o quadro clássico do escroto agudo. 
Obviamente, a cirurgia deve ser realizada com 
urgência, recomendando-se também a fixação do 
testículo contralateral. 
Torção de apêndice testicular 
- Alguns remanescentes embrionários localizados 
no testículo ou no epidídimo persistem durante a vida 
adulta. O mais importante é o chamado apêndice 
testicular ou apêndice vesiculoso (hidátide de 
Morgagni). 
 
- Essa estrutura existe em 90% dos homens, tem 
a forma de um pequeno pólipo pediculado e sua 
torção é a causa mais comum de escroto agudo. 
- Trata-se de um resto mülleriano e, por ter 
receptores estrogênicos, aumenta por estímulo 
hormonal na fase pré-puberal, tornando sua torção, 
seguida de isquemia e necrose, mais frequente no 
período entre 7 e 12 anos de idade. 
- A sintomatologia é menos severa que a da 
torção do testículo, tem início mais insidioso e dor 
 
menos acentuada, localizada principalmente na região 
superior da gônada. O edema e a hiperemia aparecem 
de forma mais gradual, e os sintomas sistêmicos,como febre, náuseas e vômitos, raramente estão 
presentes. 
- Durante o exame físico, na fase inicial, pode-se 
palpar o testículo normal ou discretamente 
aumentado, pouco doloroso, e, às vezes, um nódulo 
na sua porção superior. O nódulo pode exibir uma 
coloração azulada escura, às vezes mais bem visto por 
transiluminação, sendo conhecido como sinal do 
ponto azul; representa o apêndice necrótico. 
-Com o tempo, os sinais inflamatórios 
aumentam, pode aparecer hidrocele reacional e, 
então, o diagnóstico diferencial com torção fica mais 
difícil. 
- Na ecografia, comparando-se com o lado não 
acometido, existe fluxo sanguíneo normal para o 
testículo e um nódulo ecogênico ou hipoecogênico na 
região superior da gônada, sem fluxo ao Doppler 
colorido. 
- Deve-se indicar a intervenção cirúrgica com 
ressecção do apêndice testicular isquêmico ou 
necrosado. 
- Quando a torção de testículo está totalmente 
descartada, pode- se optar pelo tratamento clínico, 
orientando-se analgesia e repouso. Os sintomas 
tendem a regredir em poucos dias, no máximo em 1 
semana. As recidivas de torção de anexos são raras. 
Epididimite e orquite 
O processo inflamatório do epidídimo ou de 
epidídimo e testículo é pouco frequente em crianças 
pequenas. Quando ocorre, deve-se pensar em 
anomalias das vias urinárias, que levam a refluxo de 
urina através do canal deferente. 
- O quadro clínico tem início arrastado, e as 
alterações do escroto podem ser precedidas por 
sintomas urinários. A febre não é incomum; encontra-
se dor, eritema e edema no lado afetado. O epidídimo 
e, muitas vezes, também o testículo estão dolorosos e 
aumentados de volume pelo processo inflamatório. 
- Não é raro, na evolução do processo, ocorrer 
hidrocele reacional. 
- O exame de urina pode ou não revelar 
bactérias, pois a epididimite pode ter natureza viral. 
- O exame ultrassonográfico com Doppler 
demonstra aumento de volume e de fluxo sanguíneo 
para epidídimo e testículo, quando comparado com o 
lado normal. 
- Afastada, com segurança, a possibilidade de um 
processo isquêmico testicular, institui-se tratamento 
clínico com antibióticos, anti-inflamatórios, 
analgésicos e repouso. 
Edema escrotal idiopático 
- Apresenta-se como processo escrotal agudo, 
inflamatório, na maior parte das vezes em crianças 
menores. 
- Cursa com edema e hiperemia da bolsa, 
eventualmente prurido, que pode atingir o períneo e 
a região inguinal. Não existem sintomas sistêmicos. 
Pode ser confundida com celulite ou, mais raramente, 
com torção de testículo. 
- O exame de urina não tem alterações e a 
ecografia mostra testículos normais. A causa é 
desconhecida, mas acredita-se que seja um fenômeno 
alérgico, eventualmente associado a picada de inseto 
ou infecção disseminada a partir da região anal. 
Geralmente regride em poucos dias e não exige 
tratamento além de analgesia. 
Parafimose na pediatria 
- Parafimose é uma doença que ocorre quando o 
prepúcio do pênis não circuncisado é retraído e 
permanece atrás da glande, causando ingurgitamento 
vascular e edema da glande distal. Essa doença é uma 
emergência médica quando identificada agudamente 
e requer tratamento imediato e eficaz para impedir a 
perda da glande distal. 
 
Fisiopatologia 
- A retração do prepúcio atrás da glande (na 
presença de prepúcio fimótico) causa constrição da 
glande distal pelo anel fimótico. Isso causa 
ingurgitamento vascular, pois os fluxos linfático e 
venoso do anel constritor estão prejudicados. Isso 
resulta em edema secundário. 
- As consequências são comprometimento 
vascular adicional, pois o fluxo arterial está 
prejudicado, e possível isquemia do pênis distal ao 
anel fimótico. Pode-se observar eventual necrose da 
glande. Em outros casos, a pele da glande se torna 
 
espessa e seca, causando a forma crônica da 
parafimose. 
Classificação 
A fimose pode ser classificada de acordo com o 
grau de exposição da glande que o estreitamento 
permite: 
• Grau 1: retração completa do prepúcio, sem 
estreitamento atrás da glande, mas há aderências 
congênitas à glande. 
• Grau 2: retração completa do prepúcio, com 
estreitamento do mesmo atrás da glande. 
• Grau 3: exposição parcial da glande, limitada 
pelo prepúcio. 
• Grau 4: retração discreta, mas não há exposição 
nem da glande, nem do meato uretral. 
• Grau 5: nenhuma retração prepucial é possível. 
 
Fatores de Risco: 
Fortes: 
- Ausência de circuncisão: A causa primária do 
desenvolvimento de parafimose. A afecção não ocorre 
em homens circuncisados. 
- Cateterismo urinário: A causa mais comum de 
parafimose é o cateterismo urinário quando, após a 
inserção do cateter, o prepúcio não é recolocado por 
cima da glande. 
- Dependência de um cuidador para higiene 
diária: Estes pacientes apresentam risco para 
parafimose. Os problemas surgem quando o prepúcio 
não é devolvido à posição original após retração para 
limpeza ou inserção de cateter. 
- Prepúcio apertado: Se um prepúcio apertado 
for retraído com força (por exemplo, durante relação 
sexual), ele pode ficar preso atrás da glande e causar 
parafimose. 
Fimose: Há fimose patológica quando a falha na 
retração decorre da cicatrização distal do prepúcio. 
Geralmente, essa cicatrização aparece como um anel 
branco fibroso e contraído ao redor do orifício do 
prepúcio. A abertura estreita do prepúcio tem forte 
associação com o desenvolvimento de parafimose. A 
densidade do anel fimótico determina o grau de 
comprometimento vascular que se desenvolve. 
Quanto mais denso for o anel, maior é o grau de 
ingurgitamento vascular, eventual comprometimento 
vascular e possibilidade de necrose da glande. 
Higiene precária: Torna a doença mais provável. 
Infecção bacteriana: A existência de surtos 
recorrentes de infecção bacteriana (balanopostite) 
torna a parafimose mais provável. 
Infecção parasitária: Infecções como filariose, 
que prejudicam a drenagem linfática, podem causar 
parafimose. 
Líquen escleroso: Essa condição afeta 
principalmente o prepúcio, causando perda de 
coloração da pele, cicatrização constrição. 
Diabetes: Condições crônicas, como diabetes, 
podem ocasionar episódios recorrentes de infecção 
peniana e eventual fimose. Isso aumenta o risco 
potencial de desenvolvimento de parafimose. Além 
disso, o diabetes aumenta a probabilidade de necrose 
subsequente. 
- Piercing peniano 
- Tipos de parafimose 
Embora a maioria dos casos seja aguda, uma 
forma crônica também pode ocorrer, em que os 
pacientes se apresentam vários dias após a queixa 
inicial. 
- Prevenção primária: Accircuncisão é preventiva 
para o desenvolvimento de parafimose. Além disso, é 
necessário orientar o homem não circuncisado ou 
seus cuidadores de que, depois que o prepúcio for 
retraído, ele deve ser devolvido à posição anterior, 
por cima da glande. Deve-se evitar a retração forçada 
do prepúcio fimótico. Anéis compressores, etc. devem 
ser evitados. 
- Prevenção secundária: O uso de práticas 
sexuais ou de saúde que deixam o prepúcio retraído 
deve ser evitado. Pacientes que tiveram parafimose 
decorrente de piercing corporal devem ser instruídos 
a não recolocar o piercing. Aqueles que tiveram a 
condição em decorrência de uma reação alérgica 
devem evitar o alérgeno. 
Abordagem passo a passo do diagnóstico 
História 
- Pacientes adultos geralmente se queixam de 
dor no pênis. Pacientes pediátricos podem se 
apresentar com sintomas obstrutivos de micção (ou 
seja, sensação de esvaziamento incompleto, esforço à 
micção e fluxo urinário reduzido). 
 
- É importante determinar a duração do episódio 
de parafimose, pois a redutibilidade manual pode 
estar comprometida em pacientes com evolução 
prolongada. Além disso, essa informação pode ser útil 
no aconselhamento de pacientes e famílias sobre a 
possibilidade de perda do tecido (por exemplo, glande 
ou prepúcio). 
Exame físico 
- No examefísico, a glande está aumentada e 
congestionada com um colar de prepúcio edematoso. 
- Uma faixa constritiva de tecido pode ser 
observada diretamente atrás da cabeça do pênis. O 
restante da haste peniana não apresenta nada digno 
de nota. 
- A glande e o prepúcio devem ser avaliados 
quanto a sinais precoces de necrose. Uma glande 
mole, rosada e maleável é tranquilizadora quanto à 
presença de fluxo sanguíneo. Áreas escuras, ou a 
presença de uma glande não maleável, são 
preocupações quanto à presença de necrose precoce. 
- Muitos pacientes têm um cateter de demora. 
Utiliza-se um cateter de demora se o paciente não 
pode urinar normalmente. Isso pode acontecer em 
algumas condições clínicas, como aumento da 
próstata ou depois de cirurgia na pelve ou no trato 
urinário. 
- Outro motivo para o uso de cateter é a 
incontinência urinária. Após determinar o motivo para 
a inserção do cateter, ele deve ser removido antes da 
tentativa de redução da parafimose. 
Em crianças, a parafimose pode se apresentar 
como obstrução urinária aguda. 
Principais fatores de diagnóstico 
Presença de fatores de risco (comum) 
- Os principais fatores de risco associados 
fortemente com a parafimose incluem ausência de 
circuncisão, cateterismo urinário, prepúcio apertado, 
fimose, piercing peniano, higiene deficiente, infecção 
bacteriana, infestação parasitária, líquen escleroso, 
dependência de um cuidador, diabetes e 
hemangiomas do pênis. 
Dor no pênis (comum): Pacientes adultos 
geralmente se queixam de dor no pênis. 
Faixa de tecido do prepúcio retraído atrás da 
glande (comum): Uma faixa constritiva de tecido pode 
ser observada diretamente atrás da cabeça do pênis. 
Glande edemaciada (comum): A glande está 
aumentada e congestionada com um colar de 
prepúcio edematoso. A haste do pênis não está 
edemaciada. 
Cateter de demora (comum): Muitos pacientes 
têm um cateter de demora. Após determinar o motivo 
para a inserção do cateter, ele deve ser removido 
antes da tentativa de redução da parafimose. 
Outros fatores de diagnóstico 
Eritema (comum): Pode haver vermelhidão. 
Tecido escuro na glande (incomum): Uma 
suspeita para a presença de necrose precoce. 
Abordagem passo a passo do tratamento: A 
parafimose deve ser considerada uma emergência 
médica, e providências devem ser tomadas 
rapidamente para remitir essa condição dolorosa e 
evitar perda de tecido. 
- Deve-se realizar uma inspeção cuidadosa do 
pênis para garantir que não há faixas constritivas ou 
corpos estranhos (por exemplo, piercing). Na 
presença de um cateter de demora, após determinar 
o motivo de sua inserção, deve-se removê-lo antes da 
tentativa de redução da parafimose. O cateter pode 
ser reintroduzido após redução bem-sucedida. 
Cirurgia de emergência 
Pacientes com evidência de isquemia significativa 
da glande, com necrose e descamação do prepúcio 
e/ou da glande, precisam de consulta com um 
urologista. Eles precisam de sedação ou anestesia 
geral para o procedimento, seguida por redução 
imediata por meio de técnicas cirúrgicas. O tecido 
desvitalizado requer desbridamento cirúrgico. 
Tipo agudo sem isquemia e necrose 
- Manipulação: O primeiro método de 
tratamento envolve a manipulação do pênis para 
reduzir o edemaciamento e para recolocar o prepúcio 
por cima da glande. A parafimose pode ser 
extremamente dolorosa. 
- Devem ser administrados analgésicos antes do 
tratamento. A quantidade de analgésicos depende do 
paciente. Alguns pacientes toleram formulações 
tópicas; outros preferem a injeção de um anestésico 
local. Garotos jovens geralmente necessitam de 
administração parenteral de opioides e agentes 
sedativos em associação com anestésicos locais. 
- O anestésico local pode ser usado como uma 
injeção única na linha média dorsal do pênis ou como 
bloqueio em anel na base do pênis. Um estudo 
utilizou a acupuntura como tratamento não 
farmacológico para redução da dor em pacientes 
 
pediátricos submetidos a procedimentos no pronto-
socorro, inclusive a redução da parafimose. 
- Aplica-se gelo, compressão ou um agente 
osmótico após a anestesia. 
- Bolsas de gelo: podem ser aplicadas ao pênis 
(depois que ele for coberto com plástico) para reduzir 
o edema. 
- Compressão: geralmente é realizada usando 
uma mão enluvada, mas também pode ser obtida com 
um curativo de 2 x 2 polegadas. A glande edematosa e 
o prepúcio devem ser comprimidos até que se 
observe melhora no edema. Essa técnica é bem-
sucedida na maioria dos garotos com parafimose. 
- Agente osmótico: esta técnica se baseia no 
princípio de que o líquido flui contrário a um 
gradiente de concentração; neste caso, o líquido 
hipotônico no pênis flui para o agente hipertônico no 
lado externo da pele. O agente mais comumente 
usado é açúcar granulado fino, em quantidades 
abundantes. 
- Tendo-se reduzido o edemaciamento do 
prepúcio o máximo possível, realiza-se a redução 
manual. O anel fimótico é puxado, ao passo que a 
glande é empurrada para baixo. 
- Técnica de punção: Pode ser usada após 
tentativas frustradas de redução com procedimentos 
minimamente invasivos. 
- A perfuração do prepúcio em vários locais 
(técnica de Dundee) permite exsudação do fluido 
edematoso e redução no edemaciamento. Após 
analgesia e sedação local adequadas, várias punções 
são feitas no prepúcio edematoso usando uma agulha 
hipodérmica de calibre 22. Em seguida, o prepúcio é 
reduzido por compressão e redução manual. 
- Hialuronidase, uma proteína natural que causa 
hidrólise do ácido hialurônico, um mucopolissacarídeo 
extracelular, pode ser usada para melhorar a técnica 
de punção. A injeção da hialuronidase no prepúcio 
edematoso causa degradação do ácido hialurônico e 
redução do edema. A redução imediata do edema 
será observada, e então pode-se tentar a redução. 
Redução cirúrgica seguida por circuncisão: 
Reservada para pacientes cujas tentativas 
conservadoras de redução não foram bem-sucedidas. 
Embora possa ser feita à beira do leito usando um 
bloqueio peniano (ou seja, anestesia local associada a 
sedação) em pacientes muito enfermos e idosos, na 
maioria dos pacientes será necessária anestesia geral. 
- Para o procedimento de fenda dorsal, o anel 
fimótico é incisado no aspecto dorsal do pênis até que 
a liberação do prepúcio seja identificada. Isso permite 
que o edema diminua. Para fechar as bordas usa-se 
sutura com categute crômico 4-0 ou semelhante. A 
conclusão da circuncisão é realizada em um segundo 
procedimento, depois que o edema do prepúcio 
remitir. 
Tipo crônico sem isquemia e necrose 
Estes pacientes também devem ser submetidos a 
redução cirúrgica seguida por circuncisão. 
Complicações: necrose da glande e/ou do 
prepúcio variável baixa 
- Esta é a complicação mais devastadora da 
parafimose. Podem ser observados vários graus de 
necrose. 
- Quadros clínicos preexistentes de diabetes e 
doença vascular periférica aumentam a probabilidade 
de necrose. A descompressão rápida da parafimose 
pode evitar essa complicação. 
 
Criptorquidia na pediatria 
- A criptorquidia, ou testículo não descido, ocorre 
quando um ou ambos os testículos não estão 
presentes na porção dependente do saco escrotal. 
- A prevalência de criptorquidia em neonatos a 
termo é de 2% a 8% em todo o mundo. Esse índice 
diminui para 1% a 2% após os primeiros meses de 
vida, pois a criptorquidia congênita pode remitir 
espontaneamente com o pico neonatal de 
testosterona aos 3 meses. 
- Etiologia 
Atualmente, sua etiologia é desconhecida. No 
entanto, vários fatores etiológicos foram sugeridos: 
• Hormonal: os pacientes podem apresentar 
anormalidades nas vias/sinalização da testosterona, 
substância inibidora mülleriana, hormônio 3 
semelhante à insulina ou seu receptor LGR8, fator de 
crescimento epidérmico e/ou estrogênios. 
• Toxinas ambientais ou maternas: 
organoclorados, estrogênios ambientais, ésteresde 
ftalatos e pesticidas foram associados ao aumento do 
risco de criptorquidia, embora a atual literatura seja 
inconclusiva. 
• Consumo materno de bebidas alcoólicas, 
consumo de analgésicos, e tabagismo também foram 
 
associados a um aumento do risco, embora os dados 
sejam conflitantes. 
• Demonstrou-se que o diabetes gestacional e/ou 
a obesidade estão relacionados com o 
desenvolvimento de criptorquidia. 
• Genético: até 23% dos casos foram associados a 
agrupamento hereditário, o que sugere uma mutação 
genética subjacente como etiologia nestes pacientes. 
Mutações específicas incluem as que envolvem o fator 
3 semelhante à insulina e seu receptor, LGR8, e as 
repetições CAG/GGC nos genes do receptor de 
androgênio. 
• Mecânicos: problemas com o desenvolvimento 
do gubernáculo ou fibras do músculo cremastérico, 
um conduto peritoniovaginal patente ou pressão 
intra-abdominal prejudicada também serviram de 
hipótese para a criptorquidia. 
• Neuromuscular: anormalidades do peptídeo 
relacionado ao gene da calcitonina do nervo 
genitofemoral ou do núcleo cremastérico foram 
postuladas como causadoras de criptorquidia. 
Fisiopatologia 
- Acredita-se que a fisiopatologia subjacente seja 
a migração incompleta do testículo durante a 
embriogênese da posição retroperitoneal original 
próxima aos rins até sua posição final no escroto. Isso 
ocorre em ambas as fases androgênio-dependente e 
androgênio-independente. 
- A etiologia subjacente pode ser um testículo 
ausente ou um testículo gravemente atrófico 
(pequeno caroço), geralmente considerado 
secundário à malformação ou resultado de torção 
testicular. 
Fatores de risco - Fortes 
História familiar de criptorquidia 
• Pode estar presente em até 23% dos casos. A 
genética subjacente pode desempenhar uma função 
significativa. Os loci genéticos precisos que são 
responsáveis pela criptorquidia permanecem 
indefinidos, e é provável que a afecção seja 
heterogênea e de processo multifatorial. 
Prematuridade: A descida do testículo da região 
inguinal para o escroto geralmente ocorre durante 24 
a 35 semanas de gestação. Bebês prematuros têm 
uma incidência de 9% a 30% de criptorquidia no 
nascimento e uma razão de chances (RC) de 2.5 
comparada aos controles. 
Baixo peso ao nascer (<2.5 kg) e/ou recém-
nascido pequeno para a idade gestacional: Aumento 
do risco isolado de criptorquidia em bebês pequenos 
para a idade gestacional e/ou com baixo peso ao 
nascer mesmo controlando a prematuridade, com RC 
variando de 1.2 a 3.53. 
Fracos 
Exposições ambientais: Há uma apreciação cada 
vez maior da toxicidade das interferências endócrinas 
causadas pelo ambiente. Elas podem incluir 
organoclorados, como bifenilo policlorado (BPC), 
estrogênios ambientais, ésteres de ftalato e bisfenol-A 
(BPA). Consumo de analgésicos, tabagismo e 
exposição a pesticidas agrícolas. 
Ingestão materna de bebidas alcoólicas: O 
consumo de 5 ou mais bebidas alcoólicas por semana 
durante a gravidez foi associado a uma RC ajustada de 
3.1 para criptorquidia entre meninos neonatos. 
Diabetes gestacional: Anormalidades no 
metabolismo da glicose materna durante a gestação 
foram associadas a uma RC de 2.44 a 3.98 de aumento 
do risco de criptorquidia em meninos neonatos 
finlandeses. 
Cirurgia inguinal anterior: A criptorquidia pode 
ser iatrogênica em tais casos. 
Criptorquidia Diagnóstico 
- Classificação: Consenso no tratamento de 
criptorquidia 
- Testículo não descido, palpável, idade acima de 
6 meses 
• Testículo retrátil: pode ser puxado para dentro 
do escroto e permanecer aí após a liberação da tração 
• Testículo com criptorquidia: não pode ser 
puxado para dentro do escroto ou retorna 
rapidamente para a posição superior após ser puxado 
para dentro do escroto. 
- Testículo unilateralmente não palpável: 
• Não é possível localizar o testículo, apesar do 
exame físico completo. 
- Testículos bilateralmente não palpáveis 
• Associado a um pênis normal 
• Associado a um micropênis ou hipospádia: 
encaminhar imediatamente para uma investigação de 
distúrbio do desenvolvimento sexual (DDS). 
 
 
Abordagem passo a passo do diagnóstico 
- A história característica e os achados no exame 
físico são suficientes para diagnosticar a doença. O 
diagnóstico por imagem e/ou a avaliação laboratorial 
não são indicados na avaliação inicial de criptorquidia. 
História 
- A criptorquidia é geralmente observada em 
exame físico de rotina, mas o paciente e/ou os pais 
devem ser questionados sobre a história de testículos 
palpáveis em exames prévios, presença dos testículos 
nos momentos em que o paciente está relaxado, 
como quando está no banho (pode indicar reflexo 
cremastérico excessivo ou testículos retráteis) e 
cirurgia inguinal prévia (criptorquidia iatrogênica). 
Pode haver história familiar. 
Exame físico 
- O exame físico deve ser realizado em posição 
supina. O paciente deve estar aquecido e o mais 
relaxado possível. 
- A presença ou ausência dos testículos, e a 
posição e o tamanho de cada testículo, deve ser 
observada, bem como a presença de um escroto 
assimétrico ou hipoplásico e qualquer cicatriz cirúrgica 
na região inguinal ou escrotal. 
- Um testículo retrátil é um testículo localizado 
em uma posição supraescrotal mas que pode ser 
puxado para baixo, de forma indolor, para o escroto, e 
permanecer aí mesmo após a liberação da tração. 
Essa é considerada uma variante de posição normal, e 
esses pacientes geralmente não são submetidos a 
tratamento, mas devem ser acompanhados para 
detectar criptorquidia adquirida e/ou volume 
testicular reduzido, o que poderia exigir o tratamento 
imediato. 
- Um testículo com criptorquidia palpável não 
pode ser puxado para dentro do escroto ou retorna 
rapidamente para a posição superior após ser puxado 
para dentro do escroto. 
- Um testículo não palpável não pode ser 
localizado/palpado no escroto, no canal inguinal ou 
nas regiões femoral ou perineal, apesar do exame 
físico completo. Alguns médicos aplicam um pouco de 
lubrificação na pele do paciente, pois isso pode ajudar 
a identificar um testículo intracanalicular. 
- A criptorquidia também pode se apresentar 
como um evento ascendente em pacientes 
previamente documentados com posição testicular 
normal no escroto. Nota-se posteriormente que o 
testículo ascendeu para a porção superior do escroto 
ou do canal inguinal. 
Finalmente, o exame físico deve incluir: 
• Inspeção e documentação do local do meato 
uretral (procurando especificamente por hipospádia) 
• Avaliação do comprimento do pênis menor que 
2 desvios padrão abaixo do normal para a idade 
(micropênis) 
•Exame de características sexuais 
secundárias/sinais puberais para pacientes 
apresentando criptorquidia em uma idade mais 
avançada. 
Principais fatores de diagnóstico 
 - presença de fatores de risco (comum): Em 
particular, história familiar de criptorquidia, baixo 
peso ao nascer e/ou prematuridade. 
- testículo mal posicionado ou ausente (comum): 
O testículo afetado pode ser palpável ou não palpável, 
unilateral ou bilateral. 
- testículo com criptorquidia palpável (comum): 
Não pode ser puxado para dentro do escroto ou 
rapidamente retorna para uma posição superior após 
ser puxado para dentro do escroto. 
- testículo não palpável (comum): O testículo 
não pode ser localizado/palpado no escroto, canal 
inguinal ou regiões femoral ou perineal, apesar do 
exame físico completo. 
Outros fatores de diagnóstico 
- assimetria testicular (comum): O testículo não 
descido unilateral pode ser menor que o testículo 
contralateral descido no nascimento. Provavelmente, 
o crescimento testicular na puberdade é também 
prejudicado em meninos com criptorquidia congênita. 
 
- hipoplasia ou assimetria escrotal (comum): A 
pele do escroto pode estar bem ou mal desenvolvida, 
com rugosidade reduzida e cor mais clara que a do 
escrotocontralateral em casos de criptorquidia 
unilateral, embora esta característica não seja 
consistente. Hipertrofia testicular pode ser um 
preditor de monorquidismo.[60] 
- testículo retrátil (comum): Testículo localizado 
em uma posição supraescrotal, mas que pode ser 
puxado para baixo, de forma indolor, para o escroto e 
permanecer aí mesmo após a liberação da tração. 
Exames diagnósticos 
Diagnóstico clínico: O diagnóstico por imagem 
e/ou a avaliação laboratorial geralmente não são 
recomendados. 
Ultrassonografia: Não recomendada. Em caso de 
testículo não palpável, a atual recomendação consiste 
em exame sob anestesia, seguido por laparoscopia 
diagnóstica (ou cirurgia por via aberta) se ainda for 
não palpável. 
Ressonância nuclear magnética (RNM): A RNM é 
o método mais eficaz para identificar o testículo, 
geralmente com a ajuda do agente de contraste 
gadolínio intravenoso (IV). No entanto, a RNM não é 
recomendada devido ao custo e à necessidade de 
anestesia. 
Cariotipagem: Os pacientes afetados com 
criptorquidia e hipospádia devem passar por um 
rastreamento com cariotipagem para verificar se há 
algum transtorno do desenvolvimento sexual. 
Abordagem passo a passo do tratamento 
- A base do tratamento para criptorquidia é a 
colocação cirúrgica do(s) testículo(s) na porção 
dependente do escroto. Há dúvidas quanto ao tempo 
ideal para a terapia cirúrgica, mas os dados sugerem 
que pode haver uma melhor preservação da 
espermatogênese e da produção hormonal, com 
diminuição do risco de câncer de testículo, quando 
realizada precocemente, idealmente antes dos 12 a 
18 meses de idade. 
Testículo(s) retrátil(eis) 
- Um exame de acompanhamento anual é 
recomendado. Se a criptorquidia ou assimetria 
testicular for encontrada em um exame anual 
subsequente, é necessária um nova intervenção 
cirúrgica. Os pacientes com testículos ascendentes 
que não puderem mais ser baixados para a porção 
dependente do escroto e/ou com assimetria testicular 
devem realizar orquiopexia conforme definido para os 
pacientes com criptorquidia palpável. Se houver um 
testículo retrátil no contexto de criptorquidia 
contralateral exigindo cirurgia, pode ser razoável 
discutir a execução 'proativa' de procedimentos de 
orquiopexia bilateral devido ao risco de criptorquidia 
metacrônica. 
Pré-púbere com testículo(s) não descido(s): 
testículo(s) palpável(is) unilateral ou bilateral 
- Várias organizações profissionais recomendam a 
orquiopexia como tratamento de primeira escolha 
para testículos palpáveis que não tenham descido 
para a porção dependente do escroto até os 6 meses 
de idade. 
- A abordagem cirúrgica é determinada pela 
preferência do cirurgião, geralmente através de uma 
incisão inguinal ou escrotal, com diferença mínima no 
desfecho. A reparação da hérnia inguinal para fechar 
o conduto peritoniovaginal patente associado é 
realizada na mesma cirurgia. 
- O tempo de cirurgia e a internação hospitalar 
parecem ser menores com a abordagem de incisão 
escrotal única. Esta é uma consideração razoável para 
refazer a orquiopexia também. 
- O tratamento bem-sucedido (posição escrotal 
sem atrofia) depende da posição testicular, da idade 
do paciente e da abordagem cirúrgica, mas tem sido 
relatada como 92% a 95% para testículos localizados 
além do anel inguinal externo. 
- Os efeitos colaterais incluem complicações 
relacionadas à cirurgia, mais comumente 
complicações com a anestesia, nova subida do 
testículo, hematoma, infecção da ferida, hidrocele 
reativa e, raramente, atrofia testicular. 
Pré-púbere com testículo(s) não descido(s): 
testículo não palpávelvunilateral 
- Um exame sob anestesia para localizar o 
testículo não palpável é indicado para esses pacientes. 
Ovdesfecho desse exame determina o tratamento 
adicional. 
- Se o testículo for palpável no exame sob 
anestesia, o cirurgião deve proceder à orquiopexia. 
- Se o testículo não for palpável no exame sob 
anestesia, dependendo da preferência do cirurgião, 
uma abordagem aberta ou por laparoscopia é usada 
para identificar o testículo remanescente. 
Pré-púbere com testículo(s) não descido(s): 
testículos não palpáveis bilaterais 
O encaminhamento imediato para avaliação 
endocrinológica e/ou genética com investigação 
 
bioquímica e do cariótipo para distúrbio do 
desenvolvimento sexual (DDS) é indicado em 
neonatos do sexo masculino nascidos a termo com 
testículos bilaterais não palpáveis. 
Testículos ausentes de acordo com a avaliação 
hormonal sérica: o paciente é encaminhado para 
avaliação e manejo endócrino e/ou genético, inclusive 
possível suplementação de testosterona e futuro 
aconselhamento sobre fertilidade. A família também é 
aconselhada sobre uma futura colocação de prótese 
testicular, se for desejado. 
• Testículos presentes de acordo com a 
avaliação hormonal sérica: proceder à cirurgia. Se um 
ou ambos os testículos não palpáveis puderem ser 
palpados no exame sob anestesia, o paciente será 
submetido a orquiopexia conforme descrito para os 
testículos palpáveis. Se um dos testículos for 
encontrado na região inguinal e o outro estiver 
localizado na região intra-abdominal, o cirurgião 
poderá escolher uma abordagem por etapas, 
realizando a orquiopexia no lado inguinal e depois 
retornando para a orquiopexia no testículo intra-
abdominal, ou pode realizar a orquiopexia bilateral na 
mesma cirurgia. Se nenhum dos testículos for palpável 
sob anestesia, o cirurgião pode optar por uma cirurgia 
por via aberta ou laparoscópica para identificação e 
orquiopexia concomitante (ou orquidectomia dos 
pequenos caroços testiculares) em um ou ambos os 
lados, dependendo do local exato dos testículos e da 
facilidade com que os testículos possam ser baixados 
para o escroto. Para testículos bilaterais intra-
abdominais, alguns cirurgiões preferem uma 
abordagem por etapas, realizando a orquiopexia 
unilateral em uma cirurgia, permitindo a cicatrização e 
assegurando que não haja atrofia do testículo e, 
depois, realizando uma orquiopexia por etapas no 
testículo contralateral. 
Testículos ausentes de acordo com a avaliação 
hormonal sérica: o paciente é encaminhado para 
avaliação e manejo endócrino e/ou genético, inclusive 
possível suplementação de testosterona e futuro 
aconselhamento sobre fertilidade. A família também é 
aconselhada sobre uma futura colocação de prótese 
testicular, se for desejado. 
• Testículos presentes de acordo com a 
avaliação hormonal sérica: proceder à cirurgia. Se um 
ou ambos os testículos não palpáveis puderem ser 
palpados no exame sob anestesia, o paciente será 
submetido a orquiopexia conforme descrito para os 
testículos palpáveis. Se um dos testículos for 
encontrado na região inguinal e o outro estiver 
localizado na região intra-abdominal, o cirurgião 
poderá escolher uma abordagem por etapas, 
realizando a orquiopexia no lado inguinal e depois 
retornando para a orquiopexia no testículo intra-
abdominal, ou pode realizar a orquiopexia bilateral na 
mesma cirurgia. Se nenhum dos testículos for palpável 
sob anestesia, o cirurgião pode optar por uma cirurgia 
por via aberta ou laparoscópica para identificação e 
orquiopexia concomitante em um ou ambos os lados, 
dependendo do local exato dos testículos e da 
facilidade com que os testículos possam ser baixados 
para o escroto. Para testículos bilaterais intra-
abdominais, alguns cirurgiões preferem uma 
abordagem por etapas, realizando a orquiopexia 
unilateral em uma cirurgia, permitindo a cicatrização e 
assegurando quenão haja atrofia do testículo e, 
depois, realizando uma orquiopexia por etapas no 
testículo contralateral. 
Diagnóstico tardio em um paciente pós-púbere 
Em raros casos, o diagnóstico de criptorquidia é 
feito em um paciente pós-puberal. O tratamento 
adicional dependerá dos achados dos exames e da 
idade do paciente: 
• Criptorquidia unilateral: uma cirurgia com 
orquiopexia, com ou sem biópsia testicular, é feita de 
acordo com a preferência do cirurgião, a posição 
testicular (escrotal alta, inguinal, intra-abdominal) e a 
aparência do testículo no momento da cirurgia. Se 
uma massa estiver presente no testículo não descido, 
os marcadores tumorais devem ser obtidos, com 
subsequente orquiectomia radical através de uma 
abordagem inguinal. 
• Criptorquidia bilateral: uma cirurgia com 
orquiopexia, com ou sem biópsia testicular, é feita 
para avaliar displasia/carcinoma in situ. A avaliação 
endócrina com análise de testosterona, hormônio 
luteinizante (LH), FSH e sêmen pode ser considerada 
para determinar o grau da função testicular. 
 
 
 
Monitoramento 
Após a orquiopexia, os pacientes devem ser 
acompanhados durante aproximadamente 1 mês, e 6 
a 12 meses depois, para documentar a viabilidade, 
posição e tamanho do testículo. A falha cirúrgica 
(atrofia e/ou posição não escrotal) foi estimada em 
26% para testículos intra-abdominais e em menos de 
5% para testículos inguinais. 
 
Hérnias na pediatria 
Para darmos início ao assunto, é importante que 
façamos observações e diferenciações entre alguns 
conceitos, como os a seguir: 
• Hidrocele: A hidrocele é uma coleção cheia de 
líquido que pode ocorrer em qualquer lugar ao longo 
do caminho de descida do testículo ou ovário. 
• Hérnia: uma hérnia é a protrusão de uma parte 
de um órgão ou tecido através de uma abertura 
anormal na parede que normalmente o contém. 
• Encarceramento: O encarceramento descreve 
uma hérnia que não pode ser reduzida 
pelamanipulação. Uma hérnia encarcerada pode ou 
não ser estrangulada. 
• Estrangulamento: O estrangulamento refere-se 
ao comprometimento vascular do conteúdo de uma 
hérnia encarcerada, causado por edema progressivo 
por obstrução venosa e linfática. O estrangulamento 
pode ocorrer dentro de duas horas após o 
encarceramento. O estrangulamento prolongado 
raramente pode causar necrose e, no caso de 
intestino, perfuração. 
HÉRNIA INGUINAL 
 Hérnia inguinal é um defeito na parede abdominal 
que permite passagem de conteúdo abdominal. 
Anatomia e Fisiopatologia 
O canal inguinal é um canal oblíquo através da 
parede abdominal através do qual o cordão 
espermático passa do abdômen para o escroto nos 
meninos e o ligamento redondo passa do abdômen 
para os grandes lábios nas meninas. É formada pela 
aponeurose do músculo oblíquo externo 
(anteriormente) e do músculo transverso do abdome 
e da fáscia transversal (posteriormente). O triângulo 
de Hesselbach, delimitado pelos vasos epigástricos 
inferiores, o ligamento inguinal e a bainha do reto, é 
uma área da parede posterior com risco particular de 
herniação direta. 
O anel inguinal externo é formado pelo músculo 
oblíquo externo imediatamente superior e lateral ao 
tubérculo púbico. O anel inguinal interno está 
localizado na fáscia transversal e é composto pelos 
músculos transverso abdominal e oblíquo interno. 
Em bebês, o canal inguinal é curto e cruza a parede 
abdominal perpendicularmente ao invés de 
obliquamente, de modo que o anel externo fica 
situado quase diretamente sobre o anel interno. Este 
alinhamento anatômico coloca os bebês em risco 
particular de desenvolvimento de hérnia inguinal, 
especialmente em prematuros nos quais a pressão 
intra-abdominal pode ser aumentada pela ventilação 
mecânica. 
Vários tipos de hérnias inguinais e hidroceles 
podem ocorrer dependendo de onde e em que grau o 
processo vaginalis se torna obliterado. Isso é ilustrado 
nos seguintes exemplos: 
Um processus vaginalis amplamente patente que 
permite a herniação do intestino através do anel 
inguinal interno resulta em uma hérnia inguinal 
indireta. 
Um processus vaginalis estreitamente patente que 
permite apenas a passagem do fluido peritoneal 
resulta em uma hidrocele comunicante. 
A hidrocele do cordão ocorre quando o processus 
vaginalis é obliterado proximal e distalmente, mas 
 
permanece patente na porção média ao longo do 
cordão espermático. 
O saco herniário geralmente contém fluido 
peritoneal (como em uma hidrocele comunicante) ou 
intestino. 
Nas meninas, o ovário é comumente afetado. 
Hérnias contendo trompa de Falópio e útero foram 
relatadas. 
As hérnias inguinais indiretas, o tipo mais comum 
em crianças, passam lateralmente aos vasos 
epigástricos profundos através do canal inguinal e 
provém de um defeito do fecha mento do processo 
vaginalis durante a passagem pelo anel inguinal 
interno. As hérnias inguinais diretas são mediais e 
inferiores aos vasos epigástricos profundos e não 
passam pelo canal inguinal, sendo justificada pela 
fraqueza da parede abdominal. 
Hérnias inguinais diretas são raras em crianças e 
geralmente seguem uma correção de hérnia inguinal 
indireta. 
As hérnias femorais, abaixo do ligamento inguinal 
e medial à artéria femoral, também são raras em 
crianças. 
 
 
Epidemiologia e fatores de risco 
É uma patologia extremamente frequente, 
representando cerca de 10% do total da população 
pediátrica, e de 30% da população pediátrica 
prematura. Vale salientar ainda que é mais frequente 
em crianças abaixo de 1 ano, e o pico de incidência, 
de acordo com estudos, acontece dentro do primeiro 
mês de vida, como era de se esperar. 
De acordo com o sexo, a prevalência é três vezes 
maior em crianças do sexo masculino do que no sexo 
feminino, ou seja, a cada menina com diagnóstico de 
hérnia inguinal, identificamos três meninos com o 
mesmo diagnóstico. 
Acerca da lateralidade, os estudos nos oferecem 
um percentual de incidência de 60% do lado direito, 
30% do lado esquerdo e 10% nos casos em que há 
diagnóstico de hérnia inguinal bilateral. Todos esses 
dados estão se referindo a prevalência da hérnia 
inguinal indireta. Sobre os fatores de risco. 
 Prematuridade 
 Doenças Urológicas (Criptorquidismo) 
 Gastrosquise/Onfalocele 
 Aumento Da Pressão Abdominal 
 Doenças Do Colágeno 
Classificação de Nyhus: 
 
Quadro clínico e diagnóstico 
Crianças com hérnia inguinal podem apresentar 
características clínicas que incluem história de massa 
intermitente, uma massa que é redutível ou 
encarceramento. Ou seja, o principal aspecto clínico 
que ajuda no diagnóstico é o abaulamento na região 
inguinal, que pode se tornar mais evidente ao choro 
(que pode representar a manobra de Valsalva). Além 
desses sintomas, podemos identificar um 
acometimento inguinoescrotal, edema e dor a 
palpação (manifestada com choro pela criança). 
Vale lembrar que todos esses aspectos, que são 
fáceis de identificação, devem ser vistos durante a 
execução de um exame físico muito bem feito, 
sempre se atentando a realização dos toques dos dois 
lados, e não somente do lado que os pais apontam 
como queixa principal. 
É muito importante que durante o exame físico, o 
médico fique atento para investigar sinais de alarme 
para encarceramento ou estrangulamento, que são as 
 
principais complicações, muitas vezes mortais. Isso 
auxiliará até mesmo na decisão de encaminhamento 
para uma cirurgia eletiva de uma cirurgia de urgência. 
Sendo assim, depois de realizado o exame, 
devemos conceituar e enquadrar o paciente de 
acordo com os achados, como colocado a seguir. 
Sem massa 
A maioria das crianças com hérnia inguinal tem 
história de protuberância intermitente na virilha que 
pode ter sido observada em momentos de aumento 
da pressão intra-abdominal, como esforço ou choro. 
Eles geralmente são assintomáticos quando isso 
ocorre. Frequentemente, uma massa inguinalnão 
está presente no exame. Manobras para aumentar a 
pressão intra-abdominal e demonstrar a hérnia 
geralmente não têm sucesso. 
Massa redutível 
Frequentemente, as famílias procuram 
atendimento médico porque se desenvolveu uma 
massa inguinal que não diminuiu espontaneamente. 
Podem ser relatados sintomas inespecíficos, como 
irritabilidade e diminuição do apetite. A massa 
inguinal pode se estender até o escroto e não deve 
ser sensível ao exame. 
Massa encarcerada 
Bebês com hérnia inguinal encarcerada geralmente 
ficam irritados e choram. Podem ocorrer vômitos e 
distensão abdominal, dependendo da duração do 
encarceramento e da ocorrência ou não de obstrução 
intestinal. 
O exame físico de crianças com hérnias inguinais 
encarceradas geralmente é diagnóstico. Uma massa 
inguinal firme e discreta, que pode se estender até o 
escroto ou grandes lábios, pode ser palpada na virilha. 
A massa geralmente é sensível e frequentemente 
circundada por edema com eritema da pele 
sobreposta. O testículo pode parecer azul escuro 
devido à congestão venosa causada pela pressão no 
cordão espermático. 
A hérnia encarcerada e estrangulada são as 
principais causas de abdome agudo na criança. 
Tratamento 
O tratamento definitivo da hérnia inguinal é o 
reparo cirúrgico. O encaminhamento a um cirurgião e 
o momento do reparo dependem se a hérnia é ou não 
redutível. Além disso, as hérnias encarceradas devem 
ser reduzidas o mais rápido possível para evitar o 
estrangulamento do conteúdo do saco herniário. No 
caso de hérnias já estranguladas, a cirurgia precisa ser 
de emergência, como já foi dito. 
Sem massa, massa redutível 
Uma história convincente de edema intermitente 
na virilha ou uma massa inguinal redutível são 
indicações para encaminhamento a um cirurgião. A 
consulta deve ser obtida prontamente, mas não é 
emergencial. Uma vez feito o diagnóstico, no entanto, 
o reparo deve ser realizado logo para evitar 
complicações, como o encarceramento. Enquanto 
aguardam a avaliação cirúrgica, os cuidadores devem 
ser informados sobre os sinais e sintomas do 
encarceramento e receber indicações para a procura 
de atendimento médico. 
Hérnia inguinal encarcerada 
Uma hérnia inguinal encarcerada deve ser reduzida 
de forma emergencial, manualmente ou 
cirurgicamente. 
Uma vez feito o diagnóstico, as crianças não devem 
comer nada por via oral, pois uma cirurgia de 
emergência pode ser necessária para reduzir a hérnia. 
Redução manual 
A menos que a criança pareça extremamente 
doente e apresente sinais de peritonite, obstrução 
intestinal ou toxicidade intestinal gangrenada, deve-se 
tentar a redução manual, que é um procedimento 
com elevadas taxas de sucesso clínico. O reparo 
eletivo após a redução manual bem-sucedida tem 
uma taxa de complicações menor do que a redução 
cirúrgica emergente. 
As taxas de sucesso da redução manual são 
influenciadas pela duração do encarceramento e pela 
idade da criança. A redução manual bem-sucedida 
pode ser facilitada pelo controle da dor (por exemplo, 
fentanil intranasal ou intravenoso) e posicionamento 
reverso de Trendelenburg. 
Uma técnica de redução manual de hérnias 
inguinais encarceradas é a seguinte: 
A pressão é aplicada ao longo do canal inguinal 
proximal com uma mão, enquanto a outra tenta 
“ordenhar” o gás ou o conteúdo do intestino 
encarcerado com uma leve pressão, por até cinco 
minutos. 
Depois de reduzir o conteúdo do intestino 
encarcerado, a pressão deve ser ligeiramente 
aumentada sobre a face distal da hérnia para reduzir 
o intestino. 
 
 
Alternativamente, o examinador usa o polegar e o 
dedo indicador de uma mão para formar um funil 
onde a massa sai do anel inguinal e, em seguida, 
exerce pressão circunferencial constante com a outra 
mão no aspecto inferomedial da massa. Um “chiado” 
de ar e uma diminuição no tamanho da massa podem 
acompanhar uma redução bem-sucedida. O sucesso é 
indicado por uma redução da massa. 
As tentativas de redução manual de um ovário 
prolapsado são dolorosas e devem ser realizadas 
apenas com sedação. Além disso, pode ocorrer torção 
do ovário dentro do saco herniário. 
Como uma alternativa, o médico varre ao longo 
da hérnia inguinal até o escroto e aplica tensão 
longitudinal, enquanto fornece tração que abre os 
anéis herniários interno e externo. A hérnia é então 
percorrida pela abertura. 
Se as etapas acima não forem bem-sucedidas, um 
cirurgião deve ser consultado. A maioria das 
autoridades recomendaria sedação para 
procedimento, posicionamento de Trendelenburg e 
uma bolsa de gelo na virilha, seguida por outra 
tentativa de redução manual. Pode ser necessário até 
40 minutos de pressão contínua para obter a redução. 
Na pequena porcentagem de casos em que a 
redução manual não é bem-sucedida, a hérnia deve 
ser reduzida cirurgicamente. O reparo geralmente é 
executado nesse momento. Uma pequena série de 
observações descreveu o sucesso usando uma 
abordagem laparoscópica para a redução e reparo de 
hérnias inguinais encarceradas em crianças. 
Correção cirúrgica 
Os procedimentos a seguir podem ser usados 
para a correção de hérnias inguinais em crianças: 
Ligadura alta e excisão do processus vaginalis, o 
procedimento mais comum, é usada quando a hérnia 
é pequena e de início recente. Em meninas, a 
confirmação de que o saco herniário não contém o 
ovário, a trompa de Falópio ou o útero é necessária 
antes de ser ligado. 
Além da ligadura e excisão, a plicatura do 
assoalho do canal inguinal (a fáscia transversal) pode 
ser necessária quando o anel inguinal foi aumentado 
por herniação repetitiva. 
A reconstrução completa do assoalho do canal 
inguinal usando o tendão conjunto é ocasionalmente 
necessária em bebês pequenos que têm grandes 
hérnias não tratadas, causando aumento progressivo 
do anel inguinal e ruptura total da fáscia transversal. 
A herniorrafia laparoscópica foi realizada em 
muitos pacientes com bons resultados. 
Tempo de reparo 
Embora os métodos de reparo sejam padrão, o 
tempo ideal é discutível. O reparo cirúrgico imediato 
após a redução manual bem-sucedida do 
encarceramento elimina o risco de encarceramento 
repetido. No entanto, se realizado imediatamente, o 
reparo pode ser tecnicamente difícil, aumentando o 
risco de desenvolvimento de uma hérnia direta como 
complicação. Além disso, o inchaço do tecido após o 
encarceramento pode causar distorção dos marcos 
anatômicos. Por outro lado, um atraso no reparo 
definitivo acarreta o risco de encarceramento 
recorrente e a necessidade de cirurgia de emergência. 
Muitos cirurgiões pediátricos hospitalizam 
crianças após a redução manual bem-sucedida da 
hérnia inguinal encarcerada e reparam a hérnia em 24 
a 48 horas. O curto retardo permite que os tecidos 
envolvidos voltem à sua textura normal antes da 
cirurgia. Para minimizar o risco de recorrência, a 
correção definitiva da hérnia deve ser realizada 
dentro de cinco dias (dentro de dois dias para bebês 
nascidos prematuramente) da redução manual. 
Aproximadamente um terço dos bebês 
prematuros com peso ao nascer inferior a 1000 g 
apresentam hérnias inguinais. Esses bebês podem ser 
observados na unidade de terapia intensiva neonatal 
(UTIN), desde que as hérnias sejam redutíveis. O 
momento ideal de reparo é incerto, mas sabe-se que 
o reparo precoce está associado a maior 
probabilidade de hérnia recorrente. 
Exploração contralateral 
A necessidade de exploração inguinal 
contralateral também é controversa. A história 
natural de uma patente do processo vaginal é o 
fechamento dentro de dois meses após o nascimento 
em 40% e em dois anos em outros 20%. Dos 40% 
 
restantes, as hérnias clínicas podem se desenvolver 
pela metade, então o achado de um processo vaginal 
patente na ausência de uma hérnia clínica não é um 
indicador claro de uma hérnia futura. 
Este declínio na exploração contralateralde 
rotina é apoiado por dados de grandes estudos 
prospectivos e uma meta-análise de crianças com 
hérnia inguinal unilateral que identifica um risco geral 
de hérnia metacrônica. Todos esses relatórios 
concluíram que a baixa incidência de hérnia 
contralateral não justificava a exploração de rotina. 
Ainda assim, a exploração contralateral é 
garantida para crianças com risco particular de hérnia 
inguinal metacrônica, incluindo aquelas com shunts 
ventriculoperitoneais, aumento da pressão intra-
abdominal, doença do tecido conjuntivo ou doença 
pulmonar crônica, assim como aqueles que têm uma 
condição médica subjacente que aumenta a risco de 
complicações anestésicas. 
Desse modo, os riscos e benefícios da exploração 
contralateral aberta para cada criança devem ser 
pesados individualmente. Os riscos da exploração 
contralateral aberta incluem danos ao cordão 
espermático, testículos ou canais deferentes em 
meninos e danos ao ovário em meninas. Já o benefício 
da exploração contralateral e reparo do processo 
vaginal patente é a eliminação do risco de 
encarceramento futuro e a necessidade de cirurgia 
subsequente. 
 Cuidados Pós-Operatórios 
A maioria das crianças que passa por correção de 
hérnia inguinal tem um curso pós-operatório sem 
complicações. O edema escrotal pode ocorrer como 
complicação pós-operatória e geralmente se resolve 
espontaneamente em aproximadamente três 
semanas. Os hematomas e hidroceles pós-
operatórios, por outro lado, podem levar até três 
meses para se resolver e devem ser acompanhados 
até a resolução pelo cirurgião. Por fim, a infecção pós-
operatória ocorre com uma frequência muito baixa, 
mas ainda assim, a ferida cirúrgica merece atenção e 
cuidado. 
Complicações 
O infarto intestinal, como resultado de 
estrangulamento, é a complicação mais séria de uma 
hérnia inguinal. O infarto pode ocorrer dentro de duas 
horas após o encarceramento. Apesar do fato de que 
o encarceramento não é incomum (particularmente 
em crianças pequenas), a necessidade de ressecção 
intestinal é rara. 
O encarceramento de uma hérnia inguinal pode 
comprometer o suprimento sanguíneo para os 
testículos, resultando em necrose isquêmica e atrofia. 
Meninos com hérnias inguinais também podem ter 
lesão dos canais deferentes, com o desenvolvimento 
de anticorpos aglutinantes de espermatozoides. 
Em meninas com hérnia inguinal encarcerada, a 
torção, em vez da compressão direta, compromete o 
suprimento de sangue ao ovário. Como a torção pode 
ocorrer em um ovário irredutível enquanto se aguarda 
o reparo eletivo da hérnia inguinal, alguns cirurgiões 
recomendam a redução e o reparo imediatos. 
Após o reparo cirúrgico de uma hérnia inguinal, 
existe um risco de recorrência baixa e ocorrendo em 
vários momentos após o reparo inicial. Os fatores de 
risco associados à recorrência incluem pressão intra-
abdominal elevada (shunt ventriculoperitoneal, 
fibrose cística, ascite), desnutrição, prematuridade, 
descida testicular interrompida, distúrbios do tecido 
conjuntivo e história de encarceramento. 
HÉRNIA UMBILICAL 
A hérnia umbilical é decorrente de uma abertura 
persistente do anel umbilical, que normalmente fecha 
espontaneamente. Alguns fatores de risco estão bem 
relacionados com a ocorrência dessa patologia, como 
a prematuridade, as crianças do sexo feminino e da 
raça negra. 
Hérnia umbilical é o fechamento incompleto da 
cicatriz umbilical que permite a passagem de 
conteúdo da cavidade abdominal para o tecido 
subcutâneo. 
História natural do fechamento do anel umbilical 
A abertura fascial (anel umbilical) existe para 
permitir a passagem dos vasos umbilicais da mãe para 
o feto. 
Após o nascimento, essa abertura fascial se fecha 
espontaneamente com o crescimento contínuo dos 
músculos retos abdominais em direção um ao outro. 
Por fim, o fechamento completo ocorre com a fusão 
das camadas peritoneal e fascial dentro de uma 
pequena área fibrosa do umbigo. O fechamento do 
anel umbilical é completo em quase todas as crianças 
até os cinco anos de idade, mas pode ser menor em 
crianças negras. 
O fechamento espontâneo é menos provável de 
ocorrer em pacientes que têm uma abertura fascial 
maior que 1,5 cm, uma quantidade significativa de 
 
pele protuberante, são mais velhos ou têm uma 
condição predisponente subjacente. 
Hérnias umbilicais devido à falha de fechamento 
espontâneo são frequentemente vistas em pacientes 
com Ehlers-Danlos, síndrome de Beckwith-
Wiedemann, síndrome de Down, 
mucopolissacaridoses, hipotireoidismo ou trissomia 
do cromossomo. Além disso, o aumento da pressão 
intra-abdominal devido a ascite ou diálise peritoneal 
também podem prevenir o fechamento do anel 
umbilical. 
 
Achados clínicos 
Embora a grande maioria dos pacientes pediátricos 
com hérnias umbilicais sejam assintomáticos, em 
casos raros a hérnia pode interferir na alimentação, 
especialmente em bebês com hérnias que contêm 
intestino. 
Em crianças, as hérnias umbilicais raramente ficam 
encarceradas (incapacidade de ser reduzida por 
manipulação) ou estranguladas (comprometimento 
vascular do conteúdo de uma hérnia encarcerada) ou, 
ainda mais raramente, ruptura. 
As hérnias umbilicais são detectadas durante o 
exame abdominal do recém-nascido, principalmente 
quando há aumento da pressão intra-abdominal 
decorrente do choro. Além disso, o abaulamento na 
região umbilical é um achado imprescindível para 
diagnóstico. As hérnias umbilicais são facilmente 
reduzidas, mesmo se forem muito grandes, e as 
bordas dos defeitos fasciais podem ser palpadas 
através da pele. O defeito fascial, não o grau de 
protrusão, é o mais indicativo de se ocorrerá 
fechamento espontâneo. É importante diferenciar 
hérnias umbilicais de hérnias supraumbilicais, que não 
se fecham espontaneamente. 
Tratamento 
Como o curso natural do anel umbilical é o 
fechamento eventual, a maioria das hérnias umbilicais 
se resolve espontaneamente. Em geral, crianças 
assintomáticas com anel umbilical que continua 
diminuindo podem ser observadas, 
independentemente da idade. 
A intervenção cirúrgica (herniorrafia aberta na 
maioria das vezes) é necessária apenas em uma 
minoria de pacientes. A intervenção cirúrgica deve ser 
considerada para crianças com defeitos 
excessivamente grandes aos 4 anos de idade, que não 
apresentam diminuição no tamanho do defeito fascial 
durante um ano ou mais de observação ou que 
desenvolvem sintomas. A cirurgia antes dos 4 anos 
não é recomendada, uma vez que o risco de 
recorrência é maior nessas crianças. 
Embora rara, uma hérnia umbilical encarcerada em 
crianças é uma indicação absoluta de correção 
cirúrgica para evitar estrangulamento. Crianças com 
grandes hérnias proboscoides (> 2cm), sem qualquer 
diminuição no tamanho do defeito do anel umbilical 
nos primeiros dois anos de vida, geralmente 
requerem cirurgia, pois suas hérnias provavelmente 
não fecham espontaneamente. Outras indicações 
relativas para reparo cirúrgico incluem defeitos que 
param de diminuir de tamanho, são sintomáticos ou 
criam problemas comportamentais significativos. 
Embora exista um folclore sobre a “aplicação de 
fita adesiva” na hérnia umbilical para promover o 
fechamento, essa prática pode levar a complicações 
cutâneas, como maceração e infecção, e não deve ser 
realizada. 
HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA 
O diafragma, como já sabemos, é um importante 
músculo para a nossa respiração e ventilação, 
propriamente dita, além disso separa o conteúdo da 
cavidade torácica da cavidade abdominal. Sobre esse 
músculo, sabemos que tem uma parte muscular (que 
é antero/lateral) e a parte tendínea (central) e que 
possui um orifício que permite a passagem do 
conteúdo abdominal para o tórax, como esôfago, veia 
cava e aorta, mas ainda faz com que as vísceras 
abdominal e pulmonares fiquem em espaços 
distintos. 
Assim sendo, quando há algumtipo de passagem 
dessas vísceras, pode ser que ocorra 
isquemia/obstrução do trato gastrointestinal ou então 
alteração do desenvolvimento pulmonar. 
É exatamente isso que acontece no caso dessa 
patologia. 
 
Existem dois tipos de hérnia diafragmática: a 
adquirida (por traumas e cirurgias) e as congênitas 
(quando ocorrem alterações na embriogênese). 
Etiologia 
A hérnia mais comumente associada ao processo 
de herniação congênito é a Hérnia de Bochdalek, que 
corresponde a 90% dos casos, e pode acontece devido 
a uma falha no desenvolvimento do folheto 
pleuroperitoneal, que é responsável pelo 
amadurecimento do peritônio e da pleura, 
fornecendo aparato para o crescimento do diafragma, 
ou seja, nesses casos há um orifício que permite a 
comunicação entre essas cavidades devido a migração 
inadequada da musculatura diafragmática. Suas 
principais complicações são a hipertensão pulmonar e 
a hipoplasia pulmonar devido ao efeito de massa de 
compressão pelas estruturas que migraram de 
cavidade. 
 O lado esquerdo é o lado mais comumente 
acometido. Cerca de 80-85%. 
Por sua vez, a Hérnia de Morgagni, que acontece 
em 5-10% dos casos, é um defeito anterior próximo à 
linha mediana (hiato esternocostal) e, diferentemente 
da que já vimos, é mais comum que ocorra do lado 
direito e é posteromedial. 
 
A taxa de incidência da hérnia diafragmática 
congênita é de 1 caso a cada 3000 nascidos vivos, que 
por mais que possa parecer não ser muito comum, 
possui uma alta taxa de mortalidade, em torno de 35-
45%. 
Em casos de pacientes prematuros ou RN, ou 
então se o paciente evoluir com sepse e/ou 
hipertensão pulmonar essas taxas são muito maiores. 
Quadro Clínico 
Após o nascimento, como é preconizado, já na sala 
de parto é realizado um exame físico no RN. A partir 
desse primeiro exame físico já é possível identificar 
alguns fatores que são indicativos da patologia e que 
podem acelerar o diagnóstico. São eles: 
• Diminuição do murmúrio vesicular do lado 
acometido (pela massa migrada) 
• Abdome escavado (devido a migração do 
conteúdo abdominal) 
• Ruído hidroaéreo no tórax (ao invés do abdome) 
• Dispneia (devido a compressão) 
• Cianose (em pacientes mais graves devido à 
compressão e mudanças na troca gasosa) 
• Insuficiência respiratória 
• Instabilidade hemodinâmica 
Quando o diagnóstico é tardio, muito 
provavelmente a hérnia desse paciente é de menor 
tamanho e o diagnóstico acaba por acontecer devido 
às complicações, como o volvo gástrico ou esplênico, 
obstrução intestinal, massa em tórax e até mesmo a 
sepse por perfuração intestinal. 
Diagnóstico 
Já se inicia em período pré natal, como é o caso 
das dosagens e níveis diminuídos de alfa-feto-proteína 
(AFP) materna associada a USG pré-natal, que fornece 
o diagnóstico anatômico e confirmação da patologia, 
já que pode-se identificar um bolha gástrica 
intratorácica, um polidrâmnio, e desvio mediastinal e 
cardíaco para o lado contralateral da hérnia. Outro 
exame muito utilizado é o Raio-X. 
Tratamento 
Pensando em um cenário de emergência, que é o 
cenário cujo o paciente com a patologia se enquadra 
na maioria das vezes, é sempre necessário que de 
início façamos o suporte ventilatório após o parto, por 
meio da intubação orotraqueal ou da ventilação 
oscilatória de alta frequência, essa última visando a 
diminuição de pressão nos pulmões e da lesão 
pulmonar. 
Além desses dispositivos de via aérea, o paciente, 
dependendo da sua elevada gravidade e da falha da 
ventilação assistida, pode precisar ir para o ECMO 
(Oxigenação por Membrana Extracorpórea) que visa 
estabilizar a criança antes da realização da cirurgia. 
 
 
Falando da cirurgia, o processo deve acontecer o 
mais rápido possível, e pode ser feita por duas vias: 
pela incisão subcostal ou pela videotoracoscopia. É 
feito a redução do conteúdo herniado para a cavidade 
de origem, e posterior a isso, a síntese primária do 
defeito. Em alguns casos em que a síntese primária 
não é possível, pode-se colocar uma tela de 
polipropileno para selar o defeito anatômico. 
Complicações 
Acerca das complicações, como já foi debatido no 
módulo, as principais delas são as que estão 
elencadas na tabela a seguir: 
 Hipoplasia Pulmonar 
 Insuficiência Respiratória 
 Obstrução/Perfuração Intestinal 
 Sepse 
 Recidiva Da Hérnia

Mais conteúdos dessa disciplina