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Dislipidemias 
INTRODUÇÃO: 
Grupo de distúrbios metabólicos que se 
caracterizam pelas alterações dos níveis 
séricos das principais lipoproteínas presentes 
no plasma. As principais consequências 
clínicas da dislipidemia são a aterosclerose 
(altos níveis de LDL) e a pancreatite aguda 
(altos níveis de TG). 
LIPÍDEOS E LIPOPROTEÍNAS: 
Os principais lipídios do corpo humano são os 
triglicerídeos, ácidos graxos, colesterol e 
fosfolipídeos. 
 
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA: 
O diagnóstico das dislipidemias é feito pela 
anamnese, exame físico e dosagem dos 
lipídios séricos. 
 
 
 
 
 
 
DOSAGEM DOS LIPÍDIOS PLASMÁTICOS: 
O perfil lipídico é definido pelas determinações 
bioquímica do CT, do HDL, do LDL e dos TG. 
Não é necessário estar de jejum para realizar 
o exame. 
O jejum só é necessário quando: 
• Os níveis de TG sem jejum são maiores 
que 440 mg/dL. 
• acompanhamento de 
hipertrigliceridemias 
• indivíduos em uso de medicações que 
aumentem os TG 
• após um episódio de pancreatite por 
hipertrigliceridemia. 
EM QUEM PEDIR PERFIL LIPÍDICO: 
Todo paciente com DAC outras 
manifestações de doença aterosclerótico, 
independentemente do sexo e da idade. 
A hipercolesterolemia é um dos principais 
fatores de risco modificáveis e pode ser 
secundária (uso de medicações e estilo de 
vida inadequado) ou primária (no caso da 
hipercolesterolemia familiar). 
Então deve-se fazer avaliação de risco 
cardiovascular e a determinação do perfil 
lipídico em todos os indivíduos com mais de 
20 anos de idade, esses exames devem ser 
repetidos a cada 5 anos, desde que não 
apareçam novos fatores de risco. 
Os valores de referência são: 
• CT < 190 mg/dl 
• HDL > 40 mg/dl 
• TG < 175 mg/dl sem jejum 
• TG < 150 mg/dl com jejum 
• LDL < 130 mg/dl 
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO 
CARDIOVASCULAR: 
Na maioria dos casos, os indivíduos que 
apresentam aterosclerose são assintomáticos 
e descobrem a doença após um primeiro 
evento coronariano agudo. 
Paciente com dislipidemia e que já teve algum 
evento cardiovascular ou doença 
aterosclerótica clinicamente manifesta já se 
enquadra em uma categoria de muito alto 
risco, sendo necessário uma abordagem mais 
agressiva na tentativa de prevenir um novo 
evento. 
 
Pacientes com hipercolesterolemia grave 
(LDL > ou = a 190 mg/dl), independentemente 
da idade, e adultos entre 40 e 75 anos 
portadores de DM são considerados 
categorias de alto risco, e provavelmente 
deverão iniciar tratamento com estatinas. 
 
DISTÚRBIOS DO METABOLISMO LIPÍDICO: 
as dislipidemias são classificadas em 
primárias (decorrente de distúrbios genéticos) 
e secundárias (por consequência de outras 
patologias o uso de determinados 
medicamentos). 
As dislipidemias se dividem em monogênicas 
(mutações em um só gene) e poligênicas 
(causadas por associações de múltiplas 
mutações que, isoladamente, não seriam de 
grande repercussão). 
 
 
 
 
Predominantemente hipertrigliceridemia: 
• Obesidade 
• DM 
• Alcoolismo 
• Uremia 
• Lipodistrofia 
Predominantemente hipercolesterolemia: 
• Hipotireoidismo 
• Colestase 
• Síndrome nefrótica 
DISLIPIDEMIAS COM 
HIPERTRIGLICERIDEMIA: 
1) Quilomicronemia familiar 
Rara. 
Distúrbio monogênico, autossômico 
recessivo, devido à ausência de atividade da 
lipase lipoproteica. 
Início na infância com crises recorrentes de 
dor abdominal e pancreatite, xantoma 
eruptivo, lipemia retinalis, hepatomegalia e 
esplenomegalia. 
Pacientes sem obesidade. 
TG de 1500 até 5000; CT pode estar elevado 
Relação TG/CT é de 5:1 
VLDL pode estar aumentado, mas LDL e HDL 
estão reduzidos. 
Diagnóstico de presunção = restrição na 
ingestão de gorduras para 10 a 15 g por dia 
resulta na queda dos triglicérides para 200 até 
600mg/dL. 
Confirmação da deficiência de LDL = aferição 
da atividade lipolítica do plasma após 
heparina EV (0,2 mg/kg). 
 
2) Hipertrigliceridemia familiar 
Frequente. 
Produção exagerada de VLDL. 
TG > 500 + CT normal ou discretamente 
elevado. 
Normalmente está associado com obesidade, 
DM, ingestão alcoólica; nesse caso, TG > 
1000. 
Sem clínica relevante. 
HF + TG elevado (diferença da 
hipertrigliceridemia esporádica) 
3) Disbetalipoproteinemia 
É mais predominante nos homens; nas 
mulheres se manifestam somente após a 
menopausa. 
LDL reduzido 
CT tão alto quanto TG (300 a 400) 
HDL normal 
Clínica após os 20 anos de idade com 
xantomas tuberosos, xantomas palmares. 
Doença aterosclerótica frequente. 
 
DISLIPIDEMIAS COM LDL: 
1) Hipercolesterolemia familiar 
Doença monogênica, autossômica 
dominante, mutação no gene do receptor do 
LDL. 
LDL aumentado. 
CT 600 a 1000 e LDL 550 a 950 = DAC Grave 
e prematura, estenose de valva aórtica; DAC 
na primeira década de vida e óbito na segunda 
década de vida. 
 
 
 
 
 
2) Hiperlipidemia familiar combinada 
Dislipidemia primária mais frequente. 
Autossômica dominante 
LDL e VLDL aumentados 
Manifesta-se inicialmente no adulto 
Xantelasmas 
Risco aumentado de DAC 
3 fenótipos possíveis: 
• Aumento de TG 
• Aumento de CT 
• Ambos 
DISLIPIDEMIAS COM HDL: 
1) Doença de Tangier 
Mutação no gene ABCA1 
HLD e LDL reduzidos 
Amígdalas alaranjadas (depósito de 
colesterol, DAC precoce, opacidade da 
córnea, neuropatia periférica). 
Não há tratamento específico. 
 
2) Deficiência de LCAT 
Rara. Autossômica recessiva. 
Insuficiência renal, DAC precoce, anemia 
normocítica, opacidade corneana. 
Colesterol livre se acumula nos tecidos 
periféricos 
Redução do HDL 
O tratamento consiste na restrição de 
gorduras dietéticas e tratamento sintomático. 
 
SINAIS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICO: 
Os pacientes com hipertrigliceridemia (> 
2000) Apresentam alguns sinais clínicos 
característicos como xantomas eruptivos, 
lipemia retinalis e nos casos de 
disbetaliproteinemia podem apresentar 
xantomas tuberosos e xantomas Palmares. oi 
xantomas tendíneo, o arco corneano e os 
xantelasmas não ocorrem na 
hipertrigliceridemia e são vistos apenas na 
hipercolesterolemia grave. 
 
POR QUE TRATAR? 
Pacientes com alto risco cardiovascular 
devem receber estatina mais um fibrato 
quando os níveis de TG > 150 mg/dl e/ou HDL 
< 40 mg/dl. O fibrato tenta reduzir a 
hipertrigliceridemia em pacientes com alto 
risco cardiovascular e diminui os eventos 
coronarianos. 
COMO TRATAR? 
Mudanças no estilo de vida = dieta apropriada, 
atividade física regular, redução do consumo 
de álcool e abandono do tabagismo. Perda de 
peso de 5 a 10%. 
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO: 
Na hipertrigliceridemia isolada, a opção são os 
fibratos. O ácido nicotínico e o ômega 3 
podem ser usados juntos ou como alternativa. 
Na hiperlipidemia mista, os níveis de TG 
devem orientar o tratamento. Inicia se com um 
fibrato e pode adicionar se necessário o ácido 
nicotínico ou ômega 3. Quando os níveis de 
TG < 500 o tratamento deve começar com 
uma estatina isolada ou associada com 
ezetimiba. 
 
ESTATINAS = fármacos de escolha para 
tratamento da hipercolesterolemia e redução 
do risco de CV. Ezetimibe é a segunda opção. 
Potência na redução do LDL: rosuvastatina – 
atorvastatina – sinvastatina. 
Efeito colateral – mialgia e elevação da 
glicemia 
FIBRATOS = fármacos mais eficazes para 
reduzir os TG. Também elevam o HDL e 
causam discreta redução do LDL. 
EZETIMIBE = Bloqueia a absorção do 
colesterol proveniente da alimentação e da 
bile. Reduz em até 25% o LDL. A combinação 
com estatina é superior ao uso isolado de 
estatina. 
Efeito colateral – raro.

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