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A síndrome metabólica (SM) é um conjunto de fato-res 
associados a risco aumentado de doença cardiovascu-
lar aterosclerótica (DCVA), diabetes mellitus tipo 2 
(DM2) e suas complicações. Consiste em cinco fatores 
de risco metabólico, que incluem: dislipidemia 
aterogênica, hipertensão arterial sistêmica, glicemia 
elevada, um estado protrombótico e proinflamatório 
 Fisiopatologia: 
Apesar de a agregação dos fatores metabólicos não 
ocorrer ao acaso, a SM ainda não tem seus mecanismos 
patogênicos determinados. Parece que essa agregação 
dos fatores metabólicos depende de outros dois 
fatores importantes: suscetibilidade metabólica e 
excesso de gordura corporal. Muitas pessoas com 
suscetibilidade metabólica têm resistência à insulina. 
Se esta é causa ou consequência, ainda é incerto. 
Múltiplos fatores predispõem a essa suscetibilidade, 
como defeitos genéticos na via de sinalização da 
insulina, distúrbios nos adipócitos, inatividade física, 
disfunção das mitocôndrias, variabilidade poligênica 
em indivíduos e em certos grupos étnicos, idade 
avançada, disfunções endócrinas e certos 
medicamentos. A obesidade, especialmente aquela 
com acúmulo excessivo de gordura abdominal, é o 
principal fator etiológico que predispõe à resistência 
insulínica e à SM. A SM é relativamente incomum na 
ausência de algum excesso de gordura corporal, 
embora alguns grupos étnicos apresentem resistência 
à insulina sem obesidade, como os asiáticos. O estudo 
Dallas avaliou a influência da gordura corporal total e 
sua distribuição com os fatores de riscos metabólicos 
de acordo com sexo e etnia. A gordura de tronco 
mostrou ter correlação positiva maior do que o 
percentual de gordura total com os fatores de risco 
metabólicos, em especial a dislipidemia. A 
circunferência abdominal para ambos os sexos foi 
preditiva para a presença dos fatores de riscos 
metabólicos, enquanto a relação cintura/quadril não 
foi demonstrada de modo estatisticamente 
significativo. O excesso de gordura visceral está mais 
fortemente associado à resistência à insulina e à SM 
do que em qualquer outro compartimento em que 
esteja depositada, como a gordura depositada no 
segmento inferior. O tecido adiposo participa 
ativamente na fisiopatologia da SM, mediante sua 
função armazenadora de energia, seu papel endócrino, 
ele age no controle da hemostasia da energia, 
mediante a integração dos sinais endócrinos, 
metabólicos e inflamatórios. Entretanto, com a 
obesidade, esse tecido sofre disfunção, com alteração 
na morfologia e na atividade dos adipócitos. Uma 
variedade de proteínas biologicamente ativas é 
secretada, e esses produtos têm sido implicados como 
causadores de um ou outro fator de risco metabólico, 
como os ácidos graxos não esterificados (AGNE), 
citocinas inflamatórias, como fator de necrose tumoral 
α (TNF-α) e interleucina 6 (IL-6), e fatores 
protrombóticos, como plasminogen-activator inhibitor 
type 1 (PAI-1), leptina, resistina e adiponectina 
 • AGNE: o tecido adiposo perde a capacidade de 
controlar a produção dos AGNE e contribui para 
atividade aberrante da função endócrina, com 
potenciais consequências em termos de disfunção 
metabólica, resistência à insulina e risco de doença 
cardiovascular. Os AGNE em excesso causam 
deposição de gordura em tecidos ectópicos, como 
fígado e músculos, o que parece predispor à 
resistência à insulina e à dislipidemia. Estudos 
postularam que os AGNE inibem a oxidação da glicose, 
o que mais tarde, associado à deficiência secretória de 
insulina, resultará em hiperglicemia. No fígado, os 
AGNE causam acúmulo de gordura, o que reduz a ação 
da insulina e aumenta a neoglicogênese e o débito de 
glicose hepática, acentuando a hiperglicemia naqueles 
que têm baixa secreção de insulina, além de promover 
o desenvolvimento da dislipidemia aterogênica, isto é, 
níveis elevados de triglicerídeos, apolipo-proteína B 
(apo-B) e LDL-c pequeno e denso. Níveis séricos 
elevados de triglicerídeos reduzem o HDL-c mediante 
troca dos ésteres de HDL-c por VLDL rico em 
triglicerídeos. Essa redução é intensificada pela 
aumentada síntese da lipase hepática que ocorre em 
pessoas com esteatose hepática induzida pela 
obesidade. 
• Citocinas inflamatórias: nos obesos, ocorrem 
maiores síntese e liberação de citocinas inflamatórias, 
IL-6 e TNF-α. É incerto se essas citocinas circulantes 
promovem resistência à insulina no músculo, se 
causariam aumento da síntese hepática de proteína C 
reativa (PCR) e fibrinogênio, ou se ativariam os 
macrófagos nas placas aterogênicas. O TNF-α 
produzido mais no tecido adiposo resistente à insulina, 
diminui a atividade da tirosina cinase do receptor da 
insulina, o que levanta a possibilidade de ser este um 
dos mediadores da resistência à insulina na obesidade 
Sindrome metabolica 
 
 
e no diabetes. 
• PAI-1: seus níveis estão mais elevados em obesos, 
com predomínio de gordura visceral. Essa elevação, 
junto com o fibrinogênio, contribui para o estado 
protrombótico. O nível aumentado de PAI-1 reduz a 
atividade fibrinolítica. 
• Outras adipocinas: as adiponectinas, em tecidos 
sensíveis à insulina, participam na modulação do 
metabolismo da glicose e dos lipídios. A associação de 
níveis reduzidos de adiponectinas com obesidade, 
resistência à insulina, doença coronariana (DAC) e 
dislipidemia indica que essa proteína pode ser um 
importante novo marcador da SM. Menores níveis de 
adiponectinas são encontrados em pacientes com 
hipertensão arterial e diabéticos, quando comparados 
a indivíduos não diabéticos, e são ainda 
particularmente mais baixos naqueles com DAC. A 
adiponectina atenua a expressão de adesão molecular 
do TNF-α no endotélio vascular, o que é imputado 
como etapa inicial da aterosclerose. No estudo de 
Hotta os níveis de adiponectinas estiveram 
correlacionados com os níveis de triglicerídeos. A 
hipertrigliceridemia é um dos principais componentes 
clínicos da síndrome de resistência à insulina (RI) e está 
frequentemente acompanhada de níveis plasmáticos 
elevados de PAI-1. A leptina é produzida 
especificamente pelos adipócitos e transmite o sinal de 
saciedade para o sistema nervoso central (SNC), além 
de afetar o metabolismo da glicose e a sensibilidade da 
insulina, entretanto, ainda precisa ser determinado se 
a associação desse hormônio com a SM independe da 
obesidade 
 Outros mecanismos: A proteína adipocyte-fatty 
acid binding protein (A-FABP), liberada na corrente 
sanguínea a partir dos adipócitos, tem sido 
correlacionada com quadro da SM. Os efeitos 
aterogênicos da A-FABP parecem ser mediados por sua 
ação direta nos macrófagos, mediante modificações do 
fluxo de colesterol e ativação de várias vias 
inflamatórias, independente de seus efeitos no 
metabolismo dos lipídios e na sensibilidade à insulina 
O funcionamento do circuito osso-cérebro foi 
elucidado a partir da evidência recente de que a 
osteocalcina exerce sinalização direta nos neurônios 
do núcleo arqueado hipotalâmico para controlar a 
homeostase óssea em um circuito fechado de feedback 
negativo que envolve o neuropeptídeo Y (NPY). 
Exposição crônica e excessiva à osteocalcina nesses 
neurônios leva à inibição da formação óssea 
O NPY, produzido no SNC, encontra-se aumentado na 
obesidade e atua diminuindo a formação óssea, via 
aumento da esclerostina. Além disso, o NPY diminui a 
produção de osteocalcina, a qual exerce sinalização 
direta nos neurônios do núcleo arqueado 
hipotalâmico, via Glut-1, inibindo retroativamente o 
NPY. A redução da osteocalcina desencadeia 
diminuição na produção pancreática de insulina e 
dificulta a ação periférica desta nos adipócitos. 
 Diagnóstico 
Atualmente, cinco critérios são propostos para 
definição da síndrome 
 OMS 
Critérios DM2, Intolerância à 
glicose, glicose de jejum 
alterada ou resistência à 
insulina + dois dos 
seguintes 
ObesidadeIMC > 30kg/m2 ou 
relação cintura/quadril > 
0,90 (homem) ou > 0,85 
(mulher)
 
Triglicerídeos (TG) TG ≥ 150mg/dL 
HDL-c HDL-c 300 mg/dL ou TG > 400 mg/dL em parentes de 
1° grau); com doenças que cursam com DLP 
secundárias; a quem se pretende administrar 
medicamentos que podem causar DLP; adultos com 
idade > 20 anos com fatores de risco para doença 
coronariana (DM, doença ateroesclerótica, história 
familiar de doença coronariana, tabagismo, 
hipertensão, obesidade); homens com idade > 35 anos 
e mulheres com idade > 45 anos como rastreamento. 
 Valores de referência de lípides, conforme avaliação 
de risco cardiovascular estimado, para adultos acima 
de 20 anos segundo a Sociedade Brasileira de 
Cardiologia 
Classificação: 
 Colesterol total (mg/dL) 40: Desejável (com ou sem jejum) 
 TG (mg/dL) 
 20% para homens ou > 10% para 
mulheres; aterosclerose na forma subclínica, 
significativa, documentada por metodologia 
diagnóstica; aneurisma de aorta abdominal; doença 
renal crônica com taxa de filtração glomerularentre 70 e 189 mg/dL e presença de estratificadores de 
risco ou doença aterosclerótica subclínica; 
 Risco intermediário: ERG entre 5 a 20% para 
homens e 5 a 10% para mulheres; DM tipos 1 ou 2 sem 
estratificadores de risco ou doença aterosclerótica 
subclínica; 
 Risco baixo: ERG 1,5 mm 
 Índice tornozelo-braquial (ITB) 10 unidades Agatston 
 Presença de placas ateroscleróticas na 
angiotomografia de coronárias 
 LDL entre 70 e 189 mg/dL, com ERG > 20% para 
homens e > 10% para mulheres 
 Tratamento 
A redução dos níveis de colesterol não HDL já é aceita 
como fator importante na prevenção de eventos 
cardiovasculares e cerebrovasculares, como 
demonstraram diversos estudos e metanálises. Da 
mesma forma, o aumento do HDL é visto como fator de 
proteção. 
A instituição recomenda o tratamento de DLP para 4 
grupos de pacientes: 
 Com doença cardiovascular clínica (presença de 
alguma das seguintes doenças: síndrome coronariana 
aguda, história de infarto do miocárdio, angina estável 
ou instável, revascularização coronariana ou de outros 
locais, AVC, ataque isquêmico transitório, doença 
arterial periférica, incluindo aneurisma de aorta, de 
origem presumivelmente aterosclerótica); 
Recomendacões de uso de estatina para adultos > 21 
anos segundo a American Heart Association 
 Doença aterosclerótica 
Idade 75 anos – dose moderada 
 LDL > 190 mg/dL 
 Dose alta 
 DM tipo 1 ou 2, 40-75 anos 
 Dose moderada 
 Escore de risco em 10 anos ≥ 20% 
 Dose alta 
 Escore de risco em 10 anos ≥ 7,5% e 400 mg/dL. 
 Ácido nicotínico: melhora todo o perfil lipídico, 
reduzindo o LDL em 5 a 25% e o TG em 20 a 50%, além 
de aumentar o HDL em 15 a 35%. Alta frequência de 
efeito colateral; 
 Ômega-3: pode ser usado isoladamente, quando 
há refratariedade ou intolerância aos fibratos, ou em 
associação com outras drogas, lembrando-se que sua 
eficácia está associada ao uso de doses altas; 
Alguns medicamentos estão atualmente em fase de 
estudo para confirmar eficácia no tratamento da DLP. 
Tratamento da hipertrigliceridemia 
Deve ser o alvo primário do tratamento das DLP 
quando sua concentração ultrapassa 1.000 mg/dL 
(pelo risco iminente de pancreatite) e o alvo 
secundário nas DLP mistas, após o controle de LDL. 
Inicialmente, sempre se deve avaliar a possibilidade de 
DLP secundária, tratar as doenças de base e, se 
possível, retirar medicamentos que possam ser a causa 
da hipertrigliceridemia. 
As metas do tratamento são: 
 Em indivíduos com doença aterosclerótica 
estabelecida ou de alto risco, manter TG 500 mg/dL pelo risco de pancreatite; 
 Naqueles que não atingiram as metas: após 3 meses 
de mudança de estilo de vida. 
As estatinas de meia-vida curta (fluvastatina, 
lovastatina e sinvastatina) devem ser administradas à 
noite. 
A associação de estatinas com ezetimiba permite 
reduzir 20% a mais os níveis do LDL, podendo ser 
usada em casos de elevações persistentes do LDL, 
apesar de doses adequadas de estatinas, em casos de 
hipercolesterolemia familiar homozigótica ou como 
primeira opção terapêutica conforme indicação 
clínica. A ezetimiba é empregada na dose única de 10 
mg ao dia, sendo administrada a qualquer hora do dia. 
Está disponível no mercado brasileiro como 
medicamento isolado ou em associação com 
sinvastatina. 
O uso de estatinas requer alguns cuidados: dosagem 
dos níveis basais de bilirrubina direta, 
creatinofosfocinase (CPK), também chamada de 
creatinocinase (CK), e transaminases, devendo ser 
repetidos na primeira reavaliação ou quando houver 
aumento de dose. Aquelas pessoas com aumento de 
CK de 3a 7 vezes o limite superior da normalidade 
(LSN) ou com dor muscular devem ser monitoradas 
cuidadosamente, devendo suspender a medicação se 
houver aumento progressivo da CK, aumento da CK 
acima de 10 vezes o LSN ou persistência dos sintomas 
musculares. Naquelas com sinais de hepatotoxicidade 
(icterícia, hepatomegalia, aumento de bilirrubina 
direta e do tempo de protrombina), recomenda-se a 
suspensão da estatina e pesquisa da etiologia. Nas 
assintomáticas, uma elevação das transaminases 
isolada e superior a 3 vezes o LSN deve ser confirmada 
por meio de novo exame, e a etiologia deve ser 
investigada. Nesses casos, a redução da dose ou a 
suspensão da estatina deverá ser baseada no 
julgamento clínico. 
Cabe ressaltar que não há contraindicação ao uso de 
estatinas em pessoas com doença hepática crônica ou 
esteatose não alcoólica. Entretanto, seu uso é 
contraindicado na presença de hepatopatias agudas. 
Na presença de hipertrigliceridemia isolada ou HDL 
baixo baixo, opta-se por fibratos (1a escolha) ou ácido 
nicotínico, ou ambos. Quando os triglicérides forem 
muito elevados (> 500 mg/dL), são recomendados 
inicialmente, junto com as medidas não 
farmacológicas. Os efeitos colaterais são infrequentes. 
Casos de rabdomiólise têm sido descritos com a 
associação de estatinas com genfibrozila, devendo ser 
evitada. Recomenda-se atenção especial nos 
portadores de doença biliar, no uso concomitante de 
anticoagulante oral, cuja posologia deve ser ajustada, 
e nas pessoas com função renal diminuída. O ácido 
nicotínico pode ser usado em pessoas com HDL baixo 
isolado, mesmo sem hipertrigliceridemia associada, e 
como alternativa aos fibratos e estatinas ou em 
associação com esses fármacos em portadores de 
hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia ou 
dislipidemia mista. Sugere-se iniciar com uma dose de 
500 mg ao dia, com aumento gradual, em geral para 
750 mg e depois para 1.000 mg, com intervalos de 4 
semanas a cada titulação de dose, buscando-se atingir 
1 a 2 g diários. 
Na hiperlipidemia mista, a conduta dependerá dos 
níveis de triglicérides: 
● Acima de 500 mg/dL: introduzir um fibrato, 
adicionando, se necessário, o ácido nicotínico. Após 
reavaliação, caso haja necessidade de redução 
adicional da colesterolemia, acrescenta-se uma 
estatina. 
● Abaixo de 500 mg/dL: iniciar o tratamento com uma 
estatina isoladamente ou associada à ezetimiba.18 
É importante lembrar-se de que a alteração dos 
lipídeos pode ser secundária ao hipotireoidismo 
(clinicamente manifesto ou subclínico), devendo ser 
tratada com posterior avaliação da necessidade de 
introduzir medicamentos para dislipidemia. 
 
Metas LDL 
 
 Risco em 10 anos > 20% 
 Nível de LDL no qual se inicia MEV: ≥ 100 (mg/dL) 
 Nível de LDL no qual se considera terapia 
medicamentosa (mg/dL): ≥ 130 (100-129 – 
medicamento é opcional) 
 Alguns estudos sugerem uso de medicamento nesta 
categoria se LDLpessoas com hiperuricemia 
desenvolve gota durante a vida. Em níveis fisiológicos 
de pH, o ácido úrico existe em grande medida como 
urato, a forma ionizada, dada a sua fraca propriedade 
acídica (pKa, 5,8). Consideradas como parte da 
síndrome de resistência à insulina, hiperuricemia e 
gota estão associadas a múltiplas comorbidades 
cardiovasculares-metabólicas, incluindo obesidade, 
hipertensão, diabetes tipo 2, infarto do miocárdio, 
acidente vascular cerebral e nefrolitíase por urato os 
fatores de risco modificáveis incluem obesidade, dieta 
ocidental, consumo de álcool, sedentarismo e uso de 
diurético 
 
 
 
 Fatores desencadeantes de gota: 
 Produção excessiva: Doenças mieloproliferativas 
Síndrome de lise tumoral, Psoríase; Anemia hemolítica; 
Aumento da atividade da fosforibosil-pirofosfato 
sintetase (PRPP); Deficiência da hipoguaninal-
fosforibosil-transferase (HPRT); Obesidade; 
Hemorragias ou transfusões; Início de alopurinol; 
Deficiência de G6PD; Dieta rica em purinas; Trauma; 
Álcool; Varfarina; Rápida perda de peso; Idiopática 
 Excreção diminuída: Insuficiência renal crônica; 
Desidratação; Doença renal policística; Obesidade; 
Hipotireoidismo; Diuréticos; Levodopa; Hipertensão; 
Hiperparatireoidismo; Álcool; Drogas (ciclosporina; 
pirazinamida; etambutol; baixas doses de salicilatos); 
Deficiência de G6PD; Cetoacidose diabética 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quadro clínico 
 Crise aguda de gota e período intercrítico: 
A gota inicial se caracteriza por exacerbações agudas e 
recorrentes. Em homens, em geral, a crise ocorre entre 
a 4ª e 5ª décadas de vida, sendo em mulheres um 
pouco mais tardiamente a depender da idade de 
menopausa e outros fatores desencadeantes como uso 
de tiazídicos. Normalmente apenas uma articulação é 
inicialmente acometida, embora com o tempo possa 
haver o desenvolvimento de exacerbações de gota 
oligoarticulares ou poliarticulares. A articulação 
metatarsofalângica do hálux é envolvida em 70 a 90% 
dos casos (podagra), seguida pelas articulações 
tarsais, tornozelos e joelhos. Também pode haver 
envolvimento de dedos, punhos e cotovelos, mais 
frequentemente em pacientes idosos ou com doença 
avançada. As exacerbações da gota costumam 
começar à noite ou no início da manhã, sendo uma 
das condições mais dolorosas experimentadas pelos 
seres humanos. As articulações acometidas tornam-
se rapidamente quentes, avermelhadas, dolorosas e 
substancialmente inchadas, com um aspecto clínico 
que, com frequência, simula o da celulite 
(pseudocelulite). As exacerbações típicas tendem a 
regredir espontaneamente no transcorrer de 1 a 2 
semanas, com a maioria dos pacientes exibindo 
intervalos de duração variável sem sintomas residuais 
até o próximo episódio (gota intercrítica). Sintomas 
associados como febre, calafrios e adinamia podem 
ocorrer, mimetizando artrite séptica. Em geral após 
anos de exacerbações de gota sem tratamento, pode 
ocorrer a artrite gotosa crônica, muitas vezes associada 
à sinovite continuada, a tofos subcutâneos, a 
deformidades e à destruição óssea. 
 Gota tofácea crônica e complicações: 
Um sinal clínico característico de pacientes com gota 
não tratada são as nodulações chamadas de tofos, que 
acometem principalmente joelhos, cotovelos e dedos, 
além da clássica apresentação em pavilhão auricular. 
A apresentação radiográfica da gota vai desde cistos 
ósseos e edema de subcutâneo até a sua 
concomitância com erosões com margens escleróticas, 
“imagens em mordida de rato”. No entanto, em geral, 
há preservação do espaço articular e ausência de 
osteopenia justa-articular. 
Alguns órgãos podem sofrer agressão pela deposição 
de cristais, sendo o rim o mais frequentemente 
afetado, em torno de 25%, com formação de cálculos 
de ácido úrico, podendo ocorrer ainda deposição no 
interstício, ocasionando a nefropatia intersticial por 
urato 
 Diagnóstico 
faz-se importante a análise de líquido sinovial, através 
da punção articular com pesquisa de Gram, cultura e 
pesquisa de cristais com birrefringência negativa, ou 
seja, amarelos quando paralelos ao compensador 
vermelho na microscopia de luz polarizada. A 
celularidade do líquido sinovial na gota tem 
características claramente inflamatórias, tipicamente 
entre 20.000-100.000 leucócitos/mm3 com 
predomínio de polimorfonucleares. É importante 
lembrar que no líquido sinovial da artrite séptica pode 
haver presença de cristais de monourato 
concomitantemente, daí a importância do Gram e 
culturas para o diagnóstico diferencial dessas 
doenças. 
Para a vasta maioria dos pacientes, a tríade 
monoartrite aguda em topografia compatível, 
hiperuricemia (pode estar ausente em até 25% dos 
casos na crise aguda) e uma resposta dramática ao 
tratamento sela um diagnóstico presuntivo aceitável, 
definida como resolução do quadro clínico em 48 
horas e não recorrência em 1 semana. Também 
podem ser usados os critérios propostos pelo 
American College of Rheumatology. São eles: 
 Presença de cristais de monourato de sódio nas 
articulações; tofo com prova de presença de cristal de 
ácido úrico por método químico ou luz polarizada; 
  Presença de 6 das 12 características clínicas, 
laboratoriais e radiográficas a seguir: 
 > 1 crise de artrite aguda; pico de inflamação 
desenvolvido em 24 horas; 1 evento de monoartrite 
aguda; rubor articular presente; 1ª metatarsofalângica 
acometida por dor ou edema; podagra unilateral; 
envolvimento unilateral de qualquer metatarsal; tofo 
suspeito; hiperuricemia; edema doloroso de uma 
articulação sem erosão ou cisto em RX; cistos 
subcorticais sem erosões; cultura negativa no líquido 
sinovial durante a crise articular. 
 Tratamento 
O tratamento do paciente com gota distingue-se em 2 
momentos, o do crise aguda e o do período intercrítico. 
 Crise aguda: AINEs administrados em doses anti-
inflamatórias plenas são efetivos na grande maioria 
dos pacientes (p. ex., indometacina 25-50 mg, 3×/dia; 
naproxeno 500 mg, 2×/dia; ibuprofeno 800 mg, 3×/dia; 
e celecoxibe 800 mg seguidos por 400 mg 12 horas 
depois e, então, 400 mg, 2×/dia) e manter por 5-7 dias. 
Colchicina, um alcaloide da família Colchicum 
autumnale que regula proliferação celular, é usado 
com sucesso no tratamento da crise aguda há séculos, 
sendo seu principal fator limitante o surgimento de 
náusea, vômitos e diarreia com doses crescentes. A 
dose inicial segundo o consenso de 2012 do American 
College of Rheumatology é de 1,0 mg na hora zero, 
depois 0,5 mg de 2 a 3x dia por 7 dias. A partir de então, 
2 a 3x dia por 7 dias. 
Para indivíduos com função renal diminuída, 
corticosteroides passam a ser a droga de 1ª linha. 
Prednisona até 0,5 mg/kg/dia por 7 dias é uma medida 
bastante eficaz nesses casos 
 Período intercrítico: Após a resolução da crise 
aguda se faz necessário um tratamento de longo prazo 
para que as complicações citadas anteriormente sejam 
evitadas. Para isso, pelo menos 2 dosagens de ácido 
úrico sérico e em urina de 24 horas são necessárias 
para definir se o paciente é um hipoexcretor (90% dos 
casos), hiperprodutor ou uma associação desses 2 
mecanismos. 
 Hipoexcretores: pode-se iniciar a administração de 
benzbromarona com dose inicial de 25 mg, podendo 
chegar a 200 mg/dia, em dose única; no entanto, doses 
> 100 mg/dia são raramente necessárias. Esta 
medicação é efetiva para pacientes com clearance de 
creatinina acima de 20 mL/min. 
 Hiperprodutores ou com duplo mecanismo: 
devem ser tratados com inibidores de xantina-oxidase. 
O alopurinol tem dose que varia de 100 a 600 mg/dia 
em tomada única. Iniciar preferencialmente com 100 
mg/dia e ir aumentando paulatinamente até atingir 
meta de ácido úricomg, 1 a 2x 
por dia nos primeiros 6 meses. 
Uma opção terapêutica promissora é o lesinurade com 
dose de 200 mg/dia, devendo este medicamento ser 
utilizado sempre junto com o alopurinol. É 
contraindicado em clearance de creatinina

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