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VIII SIMPÓSIO DE CIÊNCIAS DA UNESP – DRACENA 
IX ENCONTRO DE ZOOTECNIA DA UNESP – DRACENA 
26 e 27 DE SETEMBRO DE 2012 
 
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Manutenção de Jabutis em Cativeiro no Brasil 
 
Oliveira J.A¹; Menezes, T. J¹; Targanski, D. M¹; Kishimoto M. K.¹; Camargo, C. M. O. N¹; Leite, K.F¹; Poiatti 
L.M²; Soutello R.V.G²
 
 
1Acadêmicos do Curso de Zootecnia, UNESP – Campus de Dracena, Rodovia SP 294, Km 651, Dracena, SP. jaque_neni@hotmail.com 
²Docentes da UNESP – Campus de Dracena, Rodovia SP 294, km 651, Dracena, SP 
 
Introdução 
 
Os jabutis são animais pertencentes à classe Reptilia, ordem Chelonia, subordem 
Cryptodira, família Testudinidae, gênero Geochelone. As espécies brasileiras são: 
Geochelone denticulata popularmente conhecida como jabuti-tinga e Geochelone carbonaria, 
conhecida como jabuti-piranga ou jabuti-das-patas-vermelhas, por possuir escamas 
vermelhas na cabeça e nas patas. São animais terrestres, de corpo compacto, membros 
locomotores cilíndricos e robustos, próprios para suportar o pesado casco e caminhar em 
ambientes rústicos. Os répteis são ectodérmicos, o que demanda manejo e cuidados 
especiais aos quelônios em cativeiro. De forma geral, a temperatura de conforto para os 
quelônios está entre 25 a 30º C (CUBAS; BAPTISTOTTE, 2007). As cinturas escapulares e 
pélvicas inteiras encontram-se incorporadas dentro do casco ósseo, uma característica 
anatômica apresentada somente neste grupo animal. 
Em cativeiro, o jabuti deve ser alimentado com vários tipos de folhas, flores, frutos, 
verduras e proteína de origem animal, como pequenos vertebrados, minhocas, insetos e 
carne, uma vez na semana. Para garantir a reprodução é aconselhável a presença de 
diversos machos para que as fêmeas selecionem seus parceiros, uma vez que nem sempre 
o macho que vence uma briga consegue acasalar com a fêmea. 
As principais doenças do animal estão relacionadas à alimentação inadequada, 
podendo favorecer o surgimento de diarreias e descalcificação dos ossos, pela falta de 
cálcio, ocasionado casco mole, tremedeiras e impossibilidade de deslocamento. 
Os jabutis podem ser mantidos em recintos coletivos ou individuais. Recintos ou 
terrários decorados de modo a imitar ambientes naturais ajudam no bem estar dos animais. 
É importante haver área livre para incidência de sol e área sombreada, formando gradientes 
térmicos e áreas de refúgio. Animais mantidos em terrários sem incidência de luz solar 
precisam de lâmpada ultravioleta para a biotransformação da vitamina D (CUBAS; 
BAPTISTOTTE, 2007). 
 
Desenvolvimento 
 
Os criadouros devem estar atentos a todos os cuidados de manejo sanitário: 
avaliação clínica dos animais; medidas preventivas como análises parasitárias e bacterianas, 
adoção de terapêutica preventiva e curativa, além de medidas higiênicas das instalações. O 
mailto:jaque_neni@hotmail.com
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manejo nutricional prevê medidas com adoção de suplementos, formulação de dietas 
segundo a idade e o estado fisiológico do animal, correção alimentar segundo a exigência 
nutricional e a adoção de comedouros ambientais (DUTRA, 2012). 
Os jabutis devem receber uma dieta de qualidade e bem diversificada a fim de evitar 
doenças causadas pela carência de vitaminas e minerais. A inclusão de proteína é 
fundamental para o crescimento dos jabutis. Para o endurecimento do casco deve ser 
fornecido cálcio em quantidades adequadas e como suplementação desse mineral, cascas 
de ovo secas e trituradas devem ser disponibilizadas sobre os alimentos fornecidos, no 
mínimo três vezes por semana (SANTOS, 2011). Esses quelônios são animais onívoros, ou 
seja, alimentam-se de proteína animal (pequenos vertebrados, minhocas e insetos) e fibras 
vegetais (folhagens, verduras e frutas). O alimento deve ser oferecido diariamente e 
recomenda-se, assim que apresentar sinais de decomposição, remoção das sobras. O 
fornecimento de água deve ser constante e a vontade. 
O manejo reprodutivo deve priorizar a seleção de reprodutores e matrizes de boa 
qualidade genética, com adequação das dimensões dos recintos conforme as exigências da 
espécie e Instruções Normativas do Órgão Federal Ambiental. 
Segundo Oliveira et al. (2005), outro fator que deve ser levado em consideração para 
a manutenção desses animais em criadouro é a adoção do sistema de baias de reprodução, 
baias berçário, baias de descarte, bem como a manutenção da vegetação nativa e da área 
natural. 
Quando jovens, os jabutis podem ser mantidos em pequenos terrários ou caixas de 
madeira, desde que o seu comprimento seja superior a 10 vezes o tamanho do casco. Já a 
largura e a altura devem ter cerca de cinco a sete vezes o tamanho do animal. O substrato 
pode ser grama natural, terra batida, carpete para réptil, casca de árvore triturada, forração 
vegetal ou mesmo jornal, ideal para filhotes. Há necessidade de espaço para locomoção e 
local de terreno firme, para que suas patas possam se erguer retirando o plastrão - casco de 
baixo, totalmente do chão. 
Os répteis diurnos necessitam de radiação solar – 15 minutos ao dia para banhos de 
sol da manhã ou do fim de tarde – ou artificial que apresente radiação ultravioleta, presente 
em lâmpadas específicas para répteis. A lâmpada deve ser mantida a 30 cm, no máximo, do 
animal, para que as células basais da pele possam sintetizar o precursor da vitamina D3. O 
animal apresentará descalcificação, raquitismo e redução da expectativa de vida sem essa 
radiação. Uma fonte de aquecimento, de fácil acessibilidade, é necessária. Os mais 
indicados e práticos são as rochas ou placas aquecidas específicas para manutenção de 
répteis. Os jabutis brasileiros não hibernam e podem ficar letárgicos e doentes se mantidos 
em temperatura baixa por vários dias. Este procedimento constitui maus tratos sendo, 
portanto, passível de punição por lei. 
Os jabutis maiores acima de 15 cm são geralmente mantidos em ambientes externos 
cercados, como em jardins, com piso de grama ou outro material não abrasivo. Vários 
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abrigos, como tocas de pedra e ampla vegetação devem fazer parte desse ambiente. Esse 
espaço deve permitir a incidência de sol pelo menos durante algumas horas do dia. Para se 
abrigar do frio, principalmente à noite, os animais usarão as tocas. 
De acordo com Reis (2000), é necessário ter muito cuidado com lagos e piscinas, 
pois os animais podem cair e se afogar. Um fator de grande importância é o fato das fêmeas 
precisarem de terra propícia para a desova, pois podem acumular um número excessivo de 
ovos no corpo, podendo vir a óbito. Um recipiente raso com água limpa e a manutenção e 
limpeza do local são imprescindíveis ao animal. 
Em temperaturas abaixo do ideal podem apresentar pneumonia, manifestada através 
de secreção nasal e pelo comportamento do animal com a cabeça constantemente elevada. 
Podem apresentar desprendimento dos escudos córneos da carapaça deixando exposto o 
osso por excesso de umidade, a qual acarretará infecções por fungos ou bactérias, 
descalcificação e alteração do formato do casco (CUBAS; BAPTISTOTTE, 2007). Mas, as 
principais doenças normalmente estão associadas à alimentação inadequada que podem 
favorecer diarreias por excesso de mamão e alface, avitaminoses pelo oferecimento de 
alimentos inadequados, podendo ocasionar inchaço do globo ocular, raquitismo e 
descalcificação pela falta de cálcio, tremedeiras e impossibilidade de deslocamento. 
Para manter esses animais em cativeiro o criadouro deve ser registrado junto ao 
IBAMA. Considera-se crime se a origem do animal não puder ser comprovada, sobretudo se 
for um animal adquirido de fontes ilícitas, em estradas, depósitos, feiras livres, por meio de 
encomendas ou similares.A Lei de Crimes Ambientais considera crime contra a fauna a manutenção de 
animais silvestres em cativeiro sem a devida permissão, licença ou autorização da 
autoridade competente. No caso específico de fauna silvestre entende-se como autoridade 
competente o IBAMA. Há necessidade de nota fiscal que deve constar o nome cientifico e 
popular do animal, tipo e número de identificação individual do espécime, que poderá ser 
uma anilha fechada ou um microchip (MARRUL FILHO, 2012). 
 
Conclusão 
A intensificação da busca na manutenção de jabutis em cativeiro é muito positiva, 
pois essa prática visa diminuir os níveis de aquisições ilegais e aumento do grau de posse 
responsável dos criadores. O respeito pelas características comportamentais do indivíduo, os 
cuidados com alimentação, prevenção e tratamento de doenças, o fornecimento de abrigo e 
segurança adequados em cumprimento às leis vigentes favorecem a preservação dessa 
espécie animal. 
 
 
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Referências 
 
 
CUBAS, P. H.; BAPTISTOTTE, C. Chelonia (tartaruga, cágado e jabuti), In: CUBAS, 
Z. S.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de animais selvagens: medicina 
veterinária. São Paulo: Roca, 2007. p. 86-119. 
 
DUTRA, Gustavo Henrique Pereira. Criação de jabutis: Criação em cativeiro. 
Disponível em: <http://www.webanimal.com.br/reptil/index2.asp?menu=jabuticriacao.htm>. 
Acesso em: 11 set. 2012. 
 
MARRUL FILHO, Simão. Fauna: Dúvidas e Perguntas Frequentes sobre Fauna. 
Disponível em: <http://www.ibama.gov.br/fauna/animais.php>. Acesso em: 11 set. 2012. 
 
OLIVEIRA, R.T., Mundim, A.V., Mundim, M.J.S. Endoparasitas em jabutis 
(Geochelone carbonaria e Geochelone denticulata) em cativeiro. Revista Eletrônica 
PROPP.UFU, Edição 2005. 
 
REIS, I. J. Criação em cativeiro: cresce interesse pela criação e 
comercialização de quelônios. Chelonia. Goiânia: Cenaqua, Área técnica de criação em 
cativeiro, 2000. p.4. 
 
 SANTOS, G. J; PEREIRA, R. E. P. Levantamento de Aspergillus fumigatus e 
Strongyloides sp. em jabutis mantidos em cativeiro no bosque municipal Dr. Belírio 
Guimarães Brandão - Zoológico Municipal da Cidade de Garça- SP, Revista Científica 
Eletrônica de Medicina Veterinária, semestral, p. 2011.

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