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OLIVEIRA, Jorge. Curral da Morte. Rio de Janeiro - São Paulo; Editora Record, 2010, 206 p. Schandler Farias de Souza O livro Curral da Morte, escrito pelo jornalista Jorge Oliveira, surge motivado pelo fato ocorrido no impeachment de Muniz Falcão e no caminho percorrido pela violência nos anos seguintes em Alagoas. Reunindo os dados disponíveis na imprensa, nos livros, nas conversas e nas entrevistas, mesmo não se utilizando da formalidade acadêmica, o autor contribui para reportar a barbárie ocorrida em sua região que trás à tona depois de cinco décadas o caso Muniz Falcão, bem como seus personagens: Zé Gago, Zé Crispim, o clã dos Mendes, José Fernandes, Tenório Cavalcanti, Doroteu do Cintinho, Adeildo Nepomuceno e tantos outros. E suas relações de poder entre mandantes e contratados, políticos, governantes, empresários, fazendeiros, militares, que se dão nas vilas e cidades do interior, de prática política hereditária, em meio à violência refletida nas extensas áreas do interior do Brasil e à margem dos direitos individuais e da cidadania. O fato vai além de uma mera disputa partidária e ganha dimensões de batalhas sangrentas entre indivíduos e clãs familiares, entre grupos políticos que se entredevoram para manter a hegemonia em suas áreas de domínio, processo que se perpetua desde as capitanias hereditárias que insiste em não progredir e em não conceber a cidadania e a democracia plena. Alagoas viveu um de seus dias mais sangrentos em 1957, quando 35 deputados formaram trincheiras na Assembleia Legislativa, com sacos de areia e em torno de alguns minutos foram disparados mais de mil tiros que resultou em uma morte e dezenas de feridos, a partir daí foi o apogeu das disputas à bala que se estenderam por mais de trinta anos, entre famílias (os Mendes, informados com a morte de Humberto) que se enfrentaram e muitas delas foram praticamente dizimadas. O livro conta uma história fascinante envolvendo política, poder, dinheiro e muita intriga. Envolve personagens políticos que percorrem as páginas num emaranhados de acontecimentos e conspirações que resultaram no primeiro impeachment de um governador no Brasil, o de Muniz Falcão, em Alagoas, fruto de uma armação da antiga UDN, partido que durante décadas comandou o país. Nos relatos de testemunhas, jornalistas e sobreviventes notam-se os diversos conflitos que se desenrolaram tanto na capital quando no interior. Mortes no centro de Maceió, onde suas localizações se fossem marcadas por cruzes formariam um cemitério. Outros fatos importantes desse emaranhado se deram com a morte anunciada do deputado Marques da Silva e o confronto com os usineiros que incomodados com o projeto de Muniz Falcão, da taxa pró-educação, economia e saúde, que destinava 2% da produção de açúcar e álcool, tecidos, fumo e arroz para reinvestimento nos programas sociais e educacionais, como objetivo de reduzir a pobreza e as desigualdades gritantes em Alagoas. O resultado disto foi a pressão dos usineiros aos partidos políticos para providenciarem imediatamente o impeachment de Muniz Falcão. As demais intrigas e disputas ocorridas ao longo da história retratada no livro só vêm reforçar a modo do funcionamento do Sindicato do Crime e trazer o entendimento sobre a situação que alagoas amarga através de seu subdesenvolvimento, causado não pelos seus limites geográficos ou pelo seu povo, mas é decorrente de uma política perversa que se utiliza do latifúndio como máquina de geração de riqueza para uma minoria de família de usineiros que concentram toda renda do estado, disseminando a miséria para o restante da população, algo denominado por estudiosos como a Indústria da Morte.