Logo Passei Direto
Buscar

Slides Serviço Social, identidade e alienação

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

SERVIÇO SOCIAL- IDENTIDADE E ALIENAÇÃO
MARIA LÚCIA MARTINELLI
O SÉCULO XX E A QUESTÃO SOCIAL
 O livro se inicia apresentando todo um contexto histórico para a criação e reconceituação do Serviço Social como profissão, tudo se inicia no século XX com a Grande Depressão rondando toda a Europa, com isso, os fluxos migratórios para os Estados Unidos aumentaram consideravelmente, testemunhando as crescentes dificuldades que se colocavam ao trabalhador europeu e sua família. Já os Estados Unidos, escapando quase ilesos da Grande Depressão pelo crescimento do capitalismo juntamente com a indústria ferroviária, os EUA constituíam um verdadeiro polo de atração para os trabalhadores empobrecidos e desempregados pela Grande Depressão. Na Europa, a classe dominante permanecia tentando resolver as consequências da presente crise, preocupando-se principalmente com a recuperação da economia, por isso os atingir diretamente,. buscavam estratégias que lhe pudessem expandir o capital como retorno.
III SERVIÇO SOCIAL: ROMPENDO COM A ALIENAÇÃO
III SERVIÇO SOCIAL: ROMPENDO COM A ALIENAÇÃO 
 No início do Século XX, o quadro se tornou temporariamente mais estável pois foi logo interrompido pelo conjunto de problemas políticos, sociais e econômicos que precederam a Primeira Guerra Mundial e a Revolução de 1917 na Rússia, com o passar do tempo o clima de ansiedade deixou minimamente os trabalhadores e passou para a classe dominante, temiam o amadurecimento nas ideias de capital e trabalho da massa mais pobre, entendendo finalmente seus direitos e colocando uma vírgula em toda sua história de exploração e servidão por parte da classe dominante. Ao longo do Século XIX, os trabalhadores já com esse pensamento amadurecido, passaram a ter mais visibilidade e entendimento por parte da classe burguesa que finalmente os daria condições mínimas de trabalho e qualidade de vida, além disso, a classe mais alta passou a considerar as reivindicações dos trabalhadores, rendendo-se, inclusive, à realização de negociações coletivas. Através da prática sindical e da militância orgânica, os trabalhadores europeus passaram a ganhar lugar de fala no mercado de trabalho e acabaram mudando a face do movimento trabalhista europeu. Mesmo sem poder fazer previsões seguras sobre a marcha dos acontecimentos no Século XX, pelo menos duas situações eram claras: A "questão social" estava posta no centro do palco histórico em toda sua plenitude e que no confronto entre suas grandes personagens o domínio da cena já não era mais do capital.
III SERVIÇO SOCIAL: ROMPENDO COM A ALIENAÇÃO
 Despojando o capitalismo de suas máscaras e desfazendo as ilusões por ele criadas, a "questão social" mostrou a dura realidades que se apresentava para aqueles que alimentavam sonhos de progresso econômico, mudança de vida e estabilidade financeira, a sociedade capitalista estava a beira do colapso, com uma economia deteriorada e um quadro social bastante preocupante, em que os índices de desemprego cresciam e o pauperismo (absoluta pobreza, miséria) se generalizava. Os anos iniciais da década haviam trazido esperança da recuperação econômica e da melhoria do quadro social, porém, com o surgimento da I grande guerra a esperança foi fortemente violentada e substituída pelo temor do que estava por vir, o final da terceira década do século XX foi marcado por uma crise econômica mais densa e profunda do que todas as crises provocadas pela Grande Depressão, o desemprego atingia níveis alarmantes tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos, pois não havia condições de absorção de mão-de-obra. A pobreza e todo conjunto de problemas sociais a ela associados cresciam sensivelmente e as possibilidades de reversão desse quadro eram vistas de forma sombria pela classe dominante que, aliada ao estado, conjugava esforços, tendo em vista a recuperação da economia.
III SERVIÇO SOCIAL: ROMPENDO COM A ALIENAÇÃO
 Nessa busca pelo reerguimento do capitalismo, o Estado foi assumindo um papel destacado na expansão dos investimentos e do mercado e a industrialização capitalista passou a se fazer com um elevado grau de monopólio, então, criavam-se bases para uma nova fase do capitalismo, o monopolista, em que a concorrência entre capitais era substituída pelos monopólios. Desenvolvendo mecanismos de absorção excedente e com isso garantindo a manutenção do crescimento, os monopólios foram se fortalecendo junto com as alianças internas entre a classe dominante e as alianças dos mesmos com o Estado, desse fortalecimento do poder burguês no início da década de 30 resultou uma grande pressão sobre os trabalhadores para impedir sua marcha organizativa. Entre 1930 e 1940, o direito de associação voltou a ser contestado, o que levou a uma coercitiva vigilância sobre a ação dos sindicatos, houve um recrudescimento da coibição das práticas de classe e os mecanismos de controle dos movimentos trabalhistas se tornaram altamente rigorosos.
 Tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos, os grandes empresários chegaram a constituir policias particulares para vigiar os trabalhadores no sindicato na própria fábrica, a violência atingia o sindicato como figura jurídica institucionalmente estabelecida, mas se voltava também contra seus membros, em especial aqueles que exerciam cargos de direção. Essa onda de opressão e violência apenas aumentou o poder de organização e a capacidade de luta da classe trabalhadora, que se tornava cada vez mais consciente de sua força enquanto classe, a medida que crescia o número de monopólios, o pauperismo também ganhava maior espaço nas ruas e bradava por um atendimento adequado. Após a primeira grande guerra, a estrutura societária sofreu diversas mudanças, por isso, as novas estratégias de atendimento à "questão social" precisavam acompanhar essa nova organização societária, em que operava uma renovada correlação de forças: de um lado um combativo proletariado, de outro uma defensiva classe dominante, ambos circundados por uma pauperizada e faminta massa de trabalhadores, já expulsos do mercado ou nele tentando adentrar.
III SERVIÇO SOCIAL: ROMPENDO COM A ALIENAÇÃO
 A classe dominante, como era usual, foi socorrer aqueles agentes que criara para cuidar do enfrentamento da" questão social", nesse momento, no curso da quarta década do século o mundo já se preparava para uma segunda guerra mundial, o número de assistentes sociais passou a crescer não só no continente europeu como também no continente americano, e sua prática já havia ganhado foro profissional propriamente dito. Operando sempre com a identidade atribuída pelo capitalismo e realizando uma prática por ele determinada o Serviço Social era "uma entidade global, mítica, acima do mal e abaixo do bem". 
RELAÇÃO DA OBRA COM O CONTEXTO HISTÓRICO
 Tarsila exibe nessa obra as distintas feições dos trabalhadores e trabalhadoras das fábricas. São pessoas de cores e etnias muito diferentes representadas lado a lado. E, apesar dos contrastes, todos carregam feições extremamente cansadas e sem esperança. São cinquenta e um rostos, alguns deles sobrepostos. Essa mistura de trabalhadores exibidos em sequência aponta para a massificação do trabalho. Os operários olham todos na mesma direção, mas não estabelecem nenhum contato visual uns com os outros. A disposição dos trabalhadores, em um formato crescente, de pirâmide, permite que se veja a paisagem ao fundo: uma série de chaminés cinzentas de fábricas.
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 Trabalhar no contexto da estrutura e das relações sociais que peculiarizavam a sociedade do pós guerra era a tarefa que a classe dominante reservava para os assistentes sociais naquele momento, não se tratava de algo de fácil execução, pois historicamente a realização da prática assistencial esteve mais próxima a noção de caridade do que a resolução das “questões sociais” que assolavam a sociedade. Além disso, trabalhavam mais em questões gerais para acalmar os ânimos da população, beneficiando cada vez mais os monopolistas, pois assim a populaçãoacreditava que estava sendo tratada de forma digna, quando na verdade não gozavam nem de seus próprios direitos básicos.
 Desde a antiguidade há referências à prática da assistência com essa conotação, no Velho Egito, na Grécia, na Itália, na Índia, enfim, nos mais diferentes pontos do mundo antigo a assistência era tarefa reservada as confrarias(Confraria, irmandade ou fraternidade é um grupo de pessoas que se associa em torno de interesses ou objetivos comuns, seja o mesmo ofício, a mesma profissão, modo de vida ou religiosos ou espirituais.). Anos distante, porém ainda na época pré-cristã, as confrarias se estenderam para as cidades buscando, por analogia, ajudar a caminhada daqueles que sofriam, seja por privações, pela dor, por doenças, perdas ou rupturas.
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 A ajuda, concretizava-se na esmola esporádica, na visita domiciliar, na concessão de gêneros alimentícios, roupas, calçados, enfim, em bens materiais indispensáveis para minorar o sofrimento das pessoas necessitadas, entre os judeus, essas práticas, em especial a de visitas domiciliares, eram também usuais, destinando-se principalmente a viúvas, órfãos, idosos e enfermos.
 A reflexão sobre a melhor forma de realizar a assistência e, sobretudo, de conceder a esmola envolveu, em suas respectivas épocas, filósofos gregos e latinos, entre os quais se distinguiram Aristóteles, Platão, Sêneca e Cícero.
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 O posicionamento desses filósofos apontava para a necessidade de se racionalizar a prestação da assistência, eliminando-lhe o caráter de manifestação meramente eventual ou episódica. Com o advento do cristianismo, a assistência ampliou a sua base, fundamentando-se não só por caridade mas especialmente na justiça social, ao lado da ajuda material ficava a preocupação com as questões da vida espiritual, apóstolos tinham entre suas missões a realização de assistência especialmente aos mais humildes.
 Com a organização da Igreja Católica, essa tarefa foi delegada aos diáconos(membros leigos da igreja) e logo em seguida estendida às confrarias, suas ações sociais acabaram se expandindo envolvendo realização de inquéritos sociais, além das visitas domiciliares para constatação das necessidades dos solicitantes de ajuda. 
 A organização da prática da assistência como expressão de caridade cristã foi objeto de preocupação de muitos teólogos e membros destacados da igreja, como São Paulo, São Domingos, Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Bernardo e São Bento, entre outros.
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 O grande organizador da doutrina Cristã foi São Tomás de Aquino, situando a caridade como um dos pilares da fé, imperativo de justiça social aos mais humildes. Com o passar do tempo, inúmeros caminhos foram tomados para a prática de assistência, porém, um elemento sempre esteve vinculado a mesma: a caridade para os pobres.
 Em nome da verdade histórica, é necessário que revele-se que muitas práticas de repressão, violação, exploração e dominação política e ideológica foram realizadas sob a denominação de caridade. Desde a era medieval até as épocas mais recentes, a assistência era encarada como forma de controlar a pobreza e de ratificar a sujeição daqueles que não detinham posses ou bens materiais, assim, seja na assistência prestada pela burguesia, seja naquela realizada pelas instituições religiosas, havia sempre intenções outras além da prática de caridade, pois o que se buscava das classes mais altas era perpetuar a servidão e ratificar a submissão.
 A igreja católica, à medida que caminhou em seus processo organizativo como instituição foi se distanciando dos pobres e aliando-se a burguesia, não impedindo que continuasse a proclamar a importância da caridade aos mais humildes, suas propostas e ações só aprofundavam o fosso que os separava dos poderosos.
 As questões temporais tornaram-se mais relevantes que as espirituais, levando a igreja católica mais uma vez a se adequar ao sistema capitalista monopolista e se envolver em lutas pelo poder e disputas por terras e propriedades. 
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 A espiritualidade religiosa foi substituída por uma preocupação mercenária que tornou a igreja insensível à sorte de milhões de camponeses que viviam num regime de brutal servidão, o capitalismo penetrou tão fortemente na igreja que a mesma passou a vender indulgências e perdão de forma natural. 
 No entanto, Martim Lutero indignado com a falta de moralidade e de espirito religioso do Vaticano, colocou-se publicamente contra o mesmo e contra o tráfico mercantil por ele sancionado, apoiando-se contra a própria doutrina da igreja. O mesmo publicou uma crítica rigorosa contendo 95 contestações à mercantilização das indulgências e do perdão.
 Com a presença de duas ideias completamente contrárias abriram-se as portas da reforma religiosa, dividindo a igreja em dois campos: o catolicismo e o protestantismo, que tem em Martim Lutero seu criador.
 Declarado herege e excomungado pelo Papa Leão X, o fundador do protestantismo atraiu para sua doutrina uma grande quantia de adeptos, entre os quais uma verdadeira massa de camponeses. O mesmo passou a difundir a supremacia da Fé em relação à caridade, da religiosidade interna em vez das manifestações externas.
 O cumprimento dos princípios da fé era de responsabilidade de cada pessoa e a organização da prática de assistência responsabilidade do Estado e não da igreja, segundo seus ensinamentos.
 
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 Durante o período das inúmeras lutas religiosas desencadeadas pela Reforma Luterana, a pratica da assistência passou por inúmeras alterações, das quais a mais significativa foi a sua organização em bases laicas e não mais religiosas.
 Foi somente no Século XVII, portanto um século após a reforma, na França, que São Vicente de Paulo tentou restabelecer bases cristãs da assistência, recuperando o sistema de confrarias e envolvendo os leigos em sua prática. Suas ideias tiveram grande repercussão, porém o mesmo local onde floresceram foi palco da Revolução francesa no século seguinte.
 Deslocaram então, novamente a base da assistência e a posicionando como um direito do cidadão e atribuindo a todos o dever de prestá-la, ao ser deixada mais uma vez pelo Estado de mão a assistência voltava ao limbo da indeterminação.
 Essa indeterminação interessava a classe dominante porque ao ficar ao seu livre-arbítrio a assistência se prestava, inclusive, a ser novamente uma estratégia de domínio de classe e de fortalecimento da submissão.
 No entanto, o poder da burguesia não era eterno, tampouco os trabalhadores eram uma massa de submissos, antes mesmo de finalizar a primeira metade do século XIX os trabalhadores deram ao mundo seu testemunho vivo de seu espírito de luta e do vigor da sua combatibilidade. A marcha histórica por eles desenvolvida no século XIX tornara impossível deixar de reconhecer a sua força política e sua presença de classe. 
 
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 A tarefa de racionalizar a assistência impusera-se ao final da primeira metade do século XIX, pois os trabalhadores revelavam-se inarredáveis de sua causa, não impedindo que tivessem sofrido grandes derrotas naquele momento. Da aliança da alta burguesia inglesa com a Igreja e o Estado nascera a Sociedade de Organização da Caridade, em seus esforços de racionalizar a assistência ela criara a primeira proposta prática para o serviço social no século XIX.
 A sociedade entendia que só coibindo as práticas de classe dos trabalhadores, impedindo suas manifestações coletivas e mantendo um controle sobre a “questão social” é que se poderia assegurar o funcionamento social adequado. 
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 DAS FUNÇÕES DA ASSISTÊNCIA
Função econômica: Garantir a expansão de capital, conforme concebida pela burguesia;
Função ideológica: Aderiu fortemente à prática social, expressando-se através da tácita ou explícitarepressão sobre a organização da classe trabalhadora e sobre sua expressão política;
Função de controle: Representava a resposta da burguesia à ameaça social que decorria da acelerada expansão da pobreza e da generalização da miséria. 
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 A tarefa assumida pela Sociedade de Organização da Caridade era de racionalizar a assistência e reorganiza-la em bases científicas, acabou constituindo, na verdade, uma estratégia política através da qual a burguesia procurava desenvolver o seu projeto de hegemonia de classe. A assistência posicionava-se como um, entre outros, mecanismo acionado pelo Estado burguês para garantir expansão do capital.
 Os problemas políticos, sociais e econômicos de grande dimensão exigiam medidas igualmente amplas, o movimento dos trabalhadores tornara-se cada vez mais organizado politicamente e o proletariado era uma presença marcantemente significativa no cenário social, não impedindo todos os esforços em contrário da burguesia.
 A essa altura, a pobreza era um fenômeno mundial, de massa, exigindo medidas urgentes dos governantes e das autoridades ligadas à área social, era preciso rever os mecanismos e estratégias operacionais da prática social, e mais uma vez essa classe dominante se uniu a Sociedade de Organização da Caridade, cobrando-lhe medidas mais globais e de maior efetividade para a “questão social”.
 O pioneirismo da Inglaterra na organização da assistência social e o relevante papel ocupado por sua Sociedade de Organização de Caridade, a primeira de todo continente europeu, valiam-lhe sempre uma posição de destaque na discussão dessa matéria.
RACIONALIZAÇÃO DA PRÁTICA DA ASSISTÊNCIA 
 O fato da Inglaterra ser berço tanto da revolução industrial quanto do movimento trabalhista europeu impulsionou desde cedo o povo a buscar respostas para o equacionamento da “questão social”.
 Em 1816, John Brunnel Davis, membro da burguesia, fundava em Londres um Centro de Proteção à Infância, baseando-se nos ensinamentos do humanista católico espanhol Juan Luiz Vivés. O mesmo organizou um grupo de visitadoras domiciliares voluntárias.
 A autora abrange várias influências, como: John Brunnel Davis, que fundou o Centro de Proteção à Infância; Juán Luiz Vivés, que escreveu um livro marcante na história da assistência social; Thomas C Halmers; Dr. Holland, médico preocupado com o nível de mortalidade da classe trabalhadora; Florence Nightingale, reformou a enfermagem; Wil liam Rathbone, elaborou o serviço de enfermagem a domicílio; Octavia Hill, exercitou um trabalho de educação familiar e social; Charles Loch que seguia a ideia d e Hill, com o propósito de reformar o caráter. Vemos aqui a importância dada a higiene e a educação, pela assistência.
 Ainda citando pessoas importantes para a assistência social , Samuel Barnett e sua esposa Henriette Rouland, com influências de Hill, fundaram o Centro de Ação Social, que sustentou a Sociedade de Organização da Caridade, e que até o final do século XIX, se tornou referência em Assistência Social e a sede inglesa oferecendo um curso de Formação de Visitadores Sociais Voluntários. Este curso, as mudanças na Lei dos Pobres, que tinha um caráter de inspeção , geraram algumas movimentações contrárias, inclusive de Edward Devine, secretário da Sociedade de Organização da Caridade em Nova Iorque, que também lutava pela qualificação dos visitadores voluntários americanos. 
Criação das escolas e profissionalização do serviço social 
 Como terceiro tópico deste capítulo, temos a “Criação das escolas e profissionalização do Serviço Social”. Como expoente da transformação da ideia de “qualificação dos voluntários na área da assistência social” em realidade, a autora cita Mary Richmond, que em 1899, na cidade de Nova Iorque inaugurou a Escola de Filantropia Aplicada. No mesmo ano inaugura-se a primeira escola europeia, em Amsterdã, e em 1908 em Berlim. Todas com o proposito de reformar o caráter dos desajustados, já que est e era o motivo de seus deslocamento na sociedade. Mary Richmond acreditava que só com um diagnóstico social bem elaborado, poderia ser feita reintegração do indivíduo na sociedade. Suas companheiras Mary Follet e Jane Adams acreditavam que esta reintegração precisava ser feita para haver uma harmonia social, ou seja, a atuação era no âmbito global. Estima-se que o número de escolas de assistência social, em 1925, na Europa Estados Unidos e América Latina, era de 200. Assim, já não era mais só a questão da caridade, dita pela Igreja, ou a manutenção da ordem social pela classe dominante, se tratava de conhecer os fundamentos muito mais embasados, e seus procedimentos próprios.
 Mary Richmond passa a chamar a assistência de “trabalho social”, o que a burguesia apoia já que traz a ideia de que os agentes sociais estão ali para ajudar a família do trabalhador, e que aqueles também são trabalhadores. Além de fazer parte, há um tempo, dos grupos médicos, que em 1905 Dr. Richard Cabot chamará de Serviço Social Médico, os trabalhadores sociais -que constituía-se predominantemente feminino- passam a compor as instituições públicas também, exemplo disso é a participação nos Tribunais da Infância. 
 
Criação das escolas e profissionalização do serviço social 
 Além dos pontos principais já citados: higiene, educação e saúde. Passou-se a valorizar a área escolar, tratando das crianças mais pobres. A família era tratada individualmente e todos deveriam ajustar seus comportamentos, era como se fosse uma lavagem cerebral para reintegrar o indivíduo à sociedade. Esta ideia, este modo de se fazer assistência era muito útil à burguesia. 
 Nota-se uma diferenciação da Europa para o Estados Unidos, quanto a ideia de trabalho. Enquanto nos Estados Unidos, a ideia era de que eram profissionais era muito comum, realizou-se até uma Conferência Nacional de Trabalhadores Sociais em 1916. Queriam um serviço social autônomo, livre de influência católica. Na Europa, a ideia era muito mais ligada a filantropia e aos preceitos religiosos, tanto que remuneração não importava muito. Havia uma troca de favo res: a Igreja queria os assistentes sociais para difundir sua doutrina, e os assistentes sociais queriam a Igreja para expandir suas ações sociais e assim se fortalecer. A partir deste momento, a Europa e os Estados Unidos tomaram rumos diferentes, o que influenciará suas práticas, e seus processos de profissionalização.
Trajetória de profissionalização do Serviço Social: Perspectiva europeia e americana. Influência doutrinária da igreja católica.
 Como quarto tópico, a autora traz “Trajetória de profissionalização do Serviço Social: perspectiva europeia e americana. Influência doutrinária da Igreja Católica”. A principio a autora descreve o cenário do final do século XX, os monopólios, as influências que o trabalhador sofrera com a Revolução Russa, a transferência de centro de referência do mundo capitalista, que passa a ser nos Estados Unidos, e não mais na Europa. Tratando de serviço social, temos nos Estados Unidos: em 1920, a fundação da Associação Nacional de Trabalhadores Sociais; o aprofundamento em conhecimentos como Psicologia, Medicina, Direito, Psicanálise; livro de Mary Richmond sobre a importância do trabalhador social, como reformador da sociedade, o que impulsionou o processo de profissionalização. E na Europa: a importância dada a compreensão da “sociedade” e não do indivíduo; Aprofundamento da Sociologia, Economia e Pesquisa Social. E aqui nós temos uma variação de citações de Le Play, Durkheim e Comte, sobre sociedade; a Doutrina Social da Igreja Católica era um traço marcante do Serviço Social europeu, e podemos citar duas encíclicas que retratam bem a posição da Igreja quanto a sociedade: Rerum Novarum (1891), assinada pelo Papa Leão XIII, que trazia em seu conteúdo a relação capital-trabalho; e a Quadragésimo Ano (1931), assinada pelo Papa Pio XI, tratando sobre a restauração da ordem social para vir a ser aperfeiçoada. 
Trajetória de profissionalizaçãodo Serviço Social: Perspectiva europeia e americana. Influência doutrinária da igreja católica.
 As manifestações dos trabalhadores se tornaram maiores, e com isso a atuação assistencial mais constante. Uma atuação que visava manter a aparente harmonia existente, garantir o processo social, ou seja esconder que existe uma luta de classes. Para as famílias mais pobres, ou seja as que realmente eram atingidas com esta ordem social, a assistência prestada era muito útil. Para a burguesia, a assistência prestada era de total conveniência, já que a ideia central era de que não deixas se se desenvolver uma consciência de classe no proletariado. Inicia-se aqui o paradoxo do assistente social: sua gênese esta no seio da classe dominante e da Igreja Católica, porém atendia a classe proletária, não atendendo seus anseios, mas sim a ideologia da classe burguesa. 
 A autora retrata a marcante influência católica na Europa, o que fez com que a noção de profissão demorasse mais a chegar, enquanto nos Estados Unidos, em 1920, a Associação Nacional dos Trabalhadores ganhava força. Na Europa, uma escola que fomentou o processo de profissionalização, foi a da França, que em 1911 tinha uns grupos que discutiam sobre este tema, sobre a questão social e o pensamento católico. Inicia aqui, uma grande expansão do Serviço Social na p arte organizativa e profissional. Surge na Itália, em 192 5, durante a I Conferência Internacional de Serviço Social, a União Católica Internacional de Serviço Social (UCISS) que influenciará o Serviço Social latino-americano. 
Trajetória de profissionalização do Serviço Social: Perspectiva europeia e americana. Influência doutrinária da igreja católica.
 As práticas assistenciais tinham a ver com moral cristã. Nos anos após a 2° Guerra, podemos notar uma base mais científica no ensino de Serviço Social, o ensino era divido em: científica, técnica, moral e doutrinária. O assistente social era responsável por, de certa forma, “esconder” a pobreza da sociedade, o que favoreceu muito sua entrada e permanência no Estado. 
Trajetória de profissionalização do Serviço Social: Perspectiva europeia e americana. Influência doutrinária da igreja católica.
Componentes: 
ANA BEATRIZ PEREIRA CARVALHO
HAYZA MILENNA PAZ
MARIA VITORIA MOURA
MARINA OLIVEIRA DE LIMA
MICHELLY LORRANE
RAYANE SANTOS SILVA
OBRIGADA!!!!

Mais conteúdos dessa disciplina