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Órgãos do trato digestivo: boca e faringe MORFOLOGIA VETERINÁRIA II INTRODUÇÃO O aparelho digestório é constituído pelo trato alimentar, que se estende da boca ao ânus, e certas glândulas – glândulas salivares, pâncreas e fígado. Suas funções básicas são a apreensão, a mastigação, a digestão e a absorção do alimento, bem como a eliminação de resíduos sólidos. O canal alimentar pode ser dividido em cinco segmentos: boca e faringe, esôfago e estômago, intestino delgado, intestino grosso e canal anal. BOCA E FARINGE BOCA Lábios: Emolduram a abertura da boca. São usados para apreensão do alimento, comunicação e sucção em recém- nascidos. Seu formato é determinado pela dieta e pelos hábitos alimentares. Principais funções da cavidade oral: Obtenção, mastigação e trituração dos alimentos. Divisão da cavidade oral: Vestíbulo: o Vestíbulo labial: espaço entre os dentes e os lábios. o Vestíbulo bucal: espaço entre os dentes e as bochechas. Cavidade oral propriamente dita: o Espaço delimitado pelas arcadas dentárias, ocupado pela língua. o Cercada dorsalmente pelo palato duro, ventralmente pela língua, lateral e rostralmente pelos dentes e gengiva. PALATO FUNÇÃO: separa as passagens digestiva e respiratória da cabeça. É composto parcialmente de tecido ósseo e tecido mole. Palato duro: Formado pelos processos palatinos da maxila e pelos ossos incisivos. Lado oral: coberto por uma mucosa espessa atravessada por várias rugas/pregas palatinas. A mucosa do palato duro se une à mucosa da gengiva. Palato mole: É uma bainha musculosa que se estende na direção da base da epiglote. No equino: é bastante longo, sendo este animal o único incapaz de levantar o palato mole para permitir a passagem de ar da cavidade oral para a laringe. Por essa razão, os equinos são obrigados a respirar pelo nariz. Teto da cavidade oral de um bovino. LÍNGUA Características: Composta principalmente por músculo esquelético. Ocupa a maior parte da cavidade oral propriamente dita e prolonga-se até a parte oral da faringe. Possui receptores para paladar, temperatura e dor. Os músculos da língua têm fibras orientadas em várias direções, o que lhe possibilita uma grande variedade de movimentos. Funções: Captação de água e alimento. Manipulação do alimento dentro da boca. Deglutição. Classificação histológica: Epitélio estratificado pavimentoso ou escamoso queratinizado. Divisão da língua: Ápice: extremidade rostral livre. Base/raiz: caudal, adjacente à faringe. Frênulo lingual: prega mucosa que une o corpo da língua ao assoalho oral. Língua e faringe de um cão (vista dorsal). Tipos de papilas: Papilas mecânicas: auxiliam na lambida e no direcionamento do alimento, para que ele não saia da boca. o Papilas filiformes: - São menores e mais numerosas. - Parecem pelos. Papilas filiformes de um equino. Papilas gustativas: são cobertas por botões gustativos. o Papilas fungiformes: - Possuem semelhança com finos cogumelos. o Papilas circunvaladas: - São projeções grandes e circulares circundadas por um sulco profundo. - Estão dispostas em forma de V na parte caudal da língua e demarcam a divisão morfológica entre o corpo e a raiz da língua. o Papilas folhadas ou foliáceas: - Encontradas em equinos e suínos, lembram folhas ou folhagens de plantas. Localizam-se na margem lateral da língua. Língua, faringe e esôfago (secção do plano mediano). Papila fungiforme de um suíno. Papila circunvalada de um equino. Papilas folhadas de um coelho DENTES Conceitos importantes: Heterodontia: significa que os animais possuem vários tipos de dentes especializados (incisivos, caninos, pré- molares e molares). Dentição difiodonte: significa que os primeiros dentes a nascer são substituídos por uma dentição permanente. Dentição decídua: é a primeira a nascer. Também é conhecida como dentes de leite. Dentição polifiodonte: vários conjuntos de dentes surgem ao longo da vida do animal. Estrutura dos dentes: Coroa: o É a parte exposta do dente. Esmalte: o Reveste a coroa do dente. Colo: o Ligeira constrição localizada na linha da gengiva, onde termina o esmalte. Raiz: o É a parte abaixo da gengiva, cuja maior parte termina no alvéolo ósseo. Periodonto: Também conhecido como membrana periodontal, é responsável por fixar o dente na cavidade alveolar. Substâncias mineralizadas do dente: Esmalte: o É a substância mais dura do corpo. o É insubstituível, pois as células que o geram são perdidas após a formação do dente. o Dentes braquiodontes: - O esmalte envolve toda a coroa exposta. - Surgem totalmente antes da maturidade e costumam ser longos e resistentes o suficiente para sobreviver durante a vida inteira do indivíduo. o Dentes hipsodontes: - As estruturas mineralizadas do dente se dispõem em pregas e toda a coroa, acima e abaixo da linha da gengiva, é coberta por esmalte. - Apresentam uma coroa mais elevada, da qual grande parte costuma ser contida inicialmente até emergir gradualmente para compensar o atrito. - Exemplo: dentes incisivos do equino. Dentina: o Forma grande parte do dente, envolvendo a cavidade pulpar, e sua cor é branco-amarelada. o Possui uma cavidade dental (pulpar) no seu centro. Os tecidos conjuntivos, vasos sanguíneos e nervos ficam nessa cavidade e constituem a polpa do dente. Cemento: o É o tecido calcificado menos rígido do dente, bastante semelhante ao tecido ósseo. o Localiza-se na superfície do dente. Representação esquemática do dente incisivo do equino. Secção de um dente molar equino. Grupos de dentes: Incisivos: o São os dentes da frente, designados pela letra I nas fórmulas dentárias. Caninos: o Também conhecidos como presas. o Equinos: são bem desenvolvidos em garanhões e ausentes em éguas, geralmente. o Suínos: são grandes e continuam a crescer por toda a vida do animal (presas de raiz aberta). O canino inferior é maior do que o superior. Pré-molares: o São precedidos por dentes decíduos. Molares: o Não possuem dentição decídua precursora. DENTIÇÃO EQUINA: Todos os dentes do equino, com exceção dos dentes caninos e do primeiro pré-molar, quando presente, são dentes hipsodontes. Incisivos: São especializados para apreensão e corte do alimento. O equino apresenta 12 dentes incisivos, 6 em cada hemiarcada. Os decíduos são mais brancos, possuem um colo diferenciado e contém infundíbulos mais amplos e menos profundos do que os seus sucessores permanentes. Com o avançar da idade, desenvolvem espaços entre os dentes incisivos permanentes. Caninos: Decíduos: são estruturas residuais em formato de agulha que não emergem. Machos: apresentam dois dentes caninos permanentes maxilares e dois mandibulares. São dentes braquiodontes. Éguas: normalmente, não possuem caninos. Pré-molares: 2 – 4: funcionam com moedores para a mastigação. Possuem precursores decíduos. Os pré-molares emergem da cavidade oral devido à pressão do dente subjacente. O primeiro pré-molar de equinos costuma estar ausente e, quando presente, quase sempre é visto apenas na arcada superior (maxilar). Ao contrário dos outros dentes molares de equinos, o primeiro pré-molar superior não é usado, sendo chamado dente de lobo. Molares: Funcionam como moedores para a mastigação. OBSERVAÇÃO: a erupção dos dentes de equinos continua por toda avida do animal. Dentição permanente de um garanhão. Arcada mandibular e maxilar de um equino durante erupção (raízes dos dentes expostas). Cauda de andorinha: é um “gancho” presente no I3 superior, existente em cavalos de 7 a 8 anos. Sulco de Galvayne (sulco vestibular): forma- se na face labial do dente I3 superior. Face oclusal dos dentes incisivos mandibulares em um cavalo de três anos e meio (vista da superfície lingual). Face oclusal dos dentes incisivos mandibulares de um cavalo de 17 anos (vista da superfície lingual). Fórmula dentária do equino: 2 (I3 C1 PM3 M3). DENTIÇÃO DO CÃO: Os pequenos dentes incisivos permanentes se encaixam frouxamente na cavidade alveolar e costumam ser usados para mordiscar. Os dentes incisivos inferiores são semelhantes aos superiores. Os caninos são os dentes mais longos do cão e apresentam raízes mais longas que suas coroas. Os quatro pré-molares superiores são os maiores dentes cortadores da maxila. Eles recebem a denominação de carniceiros e algumas vezes são chamados de dentes cortantes. Os dentes molares não possuem antecessores decíduos e diminuem de tamanho do primeiro ao último. O primeiro dos molares inferiores é o maior dente na mandíbula. Ele também é chamado de dente carniceiro da arcada mandibular e está adaptado à ação de cortar. Secção sagital dos dentes maxilares e mandibulares de um cão (vista lateral). Fórmula dentária do cão: 2 (I6 C2 P8 M 2/3). DENTIÇÃO DO GATO: O gato não possui os dentes moedores de coroa plana, deixando-o com uma mordida exclusivamente cortante. O P4 superior e o M1 inferior são os maiores dentes, denominados dentes carniceiros. Os dentes incisivos decíduos estão todos presentes 15 dias após o nascimento e os dentes caninos emergem por volta do 18º dia. Os pré-molares aparecem entre o 24º e 32º dia após o nascimento. A substituição da dentição decídua pela permanente começa aos três meses e meio de idade e termina após o 7º mês. Dentição de um puma (vista frontal). Fórmula dentária do gato: 2 (I6 C2 PM3/2 M2). DENTIÇÃO DO SUÍNO: Os dentes caninos grandes e curvados ou presas são a característica mais marcante da dentição suína, os quais crescem continuamente por toda a vida do animal. A face oclusal dos dentes molares é ideal para triturar o alimento. Dentição de um suíno (vista lateral). Fórmula dentária do suíno: 2 (I3 C1 PM4 M3). FARINGE É a cavidade comum através da qual passam o ar e o alimento ingerido. Conecta a cavidade oral ao esôfago e a cavidade nasal à faringe. Pode ser dividida em três segmentos: orofaringe, nasofaringe e laringofaringe. Orofaringe: Delimitada pelo palato mole, ventralmente. Nasofaringe: Se prolonga dorsalmente ao palato mole desde as coanas até o óstio intrafaríngeo. É revestida pela mucosa respiratória e não participa do processo de deglutição, mas forma uma via passiva para o fluxo de ar. Laringofaringe: Prolonga-se desde o óstio intrafaríngeo até a entrada do esôfago e a laringe. A epiglote se projeta na parte laríngea da faringe e é acompanhada dos dois lados pelos recessos piriformes, os quais têm a função de escoamento para líquidos. Secção paramediano do pescoço e da cabeça de um gato. REFERÊNCIAS FRANDSON, R. D.; WILKE, W. L.; FAILS, A. D. Anatomia e fisiologia dos animais de fazenda. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. KÖNIG, H. E.; LIEBICH, H. G. Anatomia dos animais domésticos: texto e atlas colorido. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. Karisse Farias