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DIFICIÊNCIA VISUAL A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS DIDÁTICOS (DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, INDUSTRIALIZADA, ADAPTADA E SELEÇÃO, ADAPTAÇÃO E CONFECÇÃO) PROF. DEBORAH DANTAS PROF. JOYCE A. TORALES Recursos didáticos são todos os recursos físicos, utilizados com maior ou menor freqüência em todas as disciplinas, áreas de estudo ou atividades, sejam quais forem as técnicas ou métodos empregados, visando auxiliar o educando a realizar sua aprendizagem mais eficientemente, constituindo-se num meio para facilitar, incentivar ou possibilitar o processo ensino- aprendizagem. RECURSOS DIDÁTICOS Assim, os recursos didáticos utilizados na educação do deficiente visual devem ser numerosos (para atender a vários alunos simultaneamente); variados (para despertar o interesse do aluno, possibilitando a diversidade de experiências) e significativos (para atender aspectos da percepção tátil e/ou visual). Esses recursos podem ser obtidos através da seleção dentre os recursos utilizados pelos alunos videntes, da adaptação de materiais que necessitam de alterações para serem utilizados durante o ensino do aluno cego ou com baixa visão e da confecção de materiais. RECURSOS DIDÁTICOS Durante a seleção, adaptação e confecção de recursos didáticos para o deficiente visual, alguns aspectos devem ser considerados para obter a eficiência desejada: Tamanho Significação tátil Contrastes Aceitação Estimulação visual Fidelidade Facilidade de manuseio Resistência e Segurança TAMANHO Materiais excessivamente pequenos não ressaltam detalhes de suas partes componentes ou perdem-se com facilidade. O exagero no tamanho pode prejudicar a apreensão da totalidade (visão global). Os materiais devem ser confeccionados ou selecionados em tamanho adequado às condições dos alunos. SIGNIFICAÇÃO TÁTIL O material precisa apresentar um relevo perceptível e, tanto quanto possível, constituir-se de diferentes texturas para melhor destacar as partes componentes. Contrastes do tipo: liso/áspero, fino/espesso, permitem distinções adequadas. CONTRASTES ACEITAÇÃO O material não deve provocar rejeição ao manuseio, fato que ocorre com os que ferem ou irritam a pele, provocando reações de desagrado. ESTIMULAÇÃO VISUAL O material deve ter cores fortes e contrastantes para melhor estimular a visão funcional do aluno deficiente visual. FIDELIDADE E O material deve ter sua representação tão exata quanto possível do modelo original. FACILIDADE DE MANUSEIO: Os materiais devem ser simples e de fácil manuseio, proporcionando ao aluno uma prática de utilização. Os recursos didáticos devem ser confeccionados com materiais que não estraguem com facilidade, considerando o frequente manuseio pelos alunos. RESISTÊNCIA E SEGURANÇA Os materiais não devem oferecer Perigo para os educandos. RECURSOS BÁSICOS PARA O ALUNO CEGO E COM BAIXA VISÃO Os materiais básicos para o processo de ensino e aprendizagem do aluno cego são: REGLETE COM PUNÇÃO: Sempre acompanhada da punção, a reglete é um dos primeiros instrumentos criados para a escrita Braille. REGLETE POSITIVA É um instrumento usado para escrita manual do Braille. No modelo convencional de reglete é preciso aprender um alfabeto para leitura e outro para a escrita, mas com a Reglete Positiva, um único alfabeto é usado para ler e escrever. Com a Reglete Positiva é possível aprender Braille em até 60% menos tempo do que no modelo convencional! MAQUINA PERKINS BRAILLE. Desenvolvida em 1951, Perkins Brailler é a mais tradicional máquina de escrever que se tornou referência mundial por sua qualidade e eficiência na escrita Braille. Este modelo tradicional é robusto, portátil e durável. IMPRESSORAS BRAILLE TECLADO BRAILLE SOROBÃ É um recurso utilizado para o ensino e aprendizagem da matemática, usado para a realização das operações aritméticas. Esse recurso pode ser utilizado também por pessoas que possuem outras deficiências. Pois como se trata de um recurso concreto e que utiliza o tato como principal receptor. Os alunos Cegos necessitam de outros recursos como: o livro falado ( MCDAISY), o Thermoform e o microcomputador com programas específicos e periféricos (scanner de mesa). BENGALA A cor da bengala longa utilizada pela pessoa que tem problemas na visão indica o grau de deficiência. A bengala para o deficiente visual exerce função primordial como instrumento para orientação e mobilidade, sendo peça chave para a retomada da confiança e autonomia do mesmo. O cão guia é um animal adestrado especialmente para ajudar deficientes visuais em seu cotidiano com tarefas que demandam maior atenção e cuidado. CÃO GUIA Eles passam por um rigoroso treinamento, que normalmente dura de um ano e meio a dois anos. O adestramento é composto por três fases: socialização, treinamento e instrução, e começa quando esses animais ainda são filhotes. BAIXA VISÃO RECURSOS ÓPTICOS Educandos com baixa visão deverão ter acesso aos seguintes auxílios: Recursos Ópticos- São lentes que se antepõe entre o olho e o objeto. Recursos ópticos para longe: telescópio usado para leitura no quadro negro, telessistemas, telelupas e lunetas. Recursos ópticos para perto: óculos especiais com lentes de aumento que servem para melhorar a visão de perto (óculos bifocais, lentes esferoprismáticas, lentes monofocais esféricas, sistemas telemicroscópicos). Lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio: úteis para ampliar o tamanho de fontes para a leitura, as dimensões de mapas, gráficos, diagramas, figuras etc. Quanto maior a ampliação do tamanho, menor o campo de visão com diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual. RECURSOS NÃO- ÓPTICOS Melhoram a função visual sem o auxílio de lentes. Tipos ampliados: ampliação de fontes, de sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros. Acetato amarelo e impressão em folha colorida: diminui a incidência de claridade. Plano Inclinado O plano inclinado é extremamente simples e funcional, possibilita o aluno realizar as atividades com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral. Acessórios Lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores. Circuito fechado de televisão --- CCTV: aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático ou colorido que amplia até 60 vezes as imagens e as transfere para o monitor. Contraste: Aumento do contraste, usando cores bem contrastantes. Tiposcópio: sua função é diminuir a luz refletida sobre o papel branco, o que aumenta o contraste da linha e também a localização e orientação da ordem de leitura. A resolução visual é favorecida e a solução pode ser utilizada em conjunto com outros recursos ópticos, como um óculos padrão. O tiposcópio também favorece a concentração. Softwares com magnificadores de tela e Programas com síntese de voz. O sistema Braille é um código universal de leitura tátil escrita, usado por pessoas cegas, inventado na França por Louis Braille um jovem cego. O ano de 1825 é reconhecido como o marco para essta importante conquista para a educação e a inclusão dos deficientes visuais. HISTÓRIA DO SISTEMA BRAILLE Registram-se inúmeras tentativas, em diferentes países no sentido de encontrar um meio que proporcionasse as pessoas cegas condições e ler e escrever. Dentre estas tentativas, destaca-se o processo de representação de caracteres comuns com linha em alto relevo que dava aos alunos cegos apenas acesso à leitura. Seu Criador foi o francês Valentin Hauy, fundador da primeira escola para cegos no mundo, em 1784, em Paris, denominada Instituto real para jovens cegos. Valentin Hauy Louis Braille, que estudou nesta escola, era músico e professor de francês. Nasceu em 1809 na França perdeu a visão aos três anos de idade, e morreu em 1852. Enquanto estudante tomou conhecimentode uma invenção denominada sonografia ou código militar, desenvolvida por Charles Barbier, oficial do exército francês. O invento tinha como objetivo possibilitar a comunicação noturna entre oficiais nas campanhas de guerra e utilizava a significação tátil. Braille inventou sistema em 1825, tendo como base o invento de Barbier, para ser empregado em textos literários nos diversos idiomas, da Matemática, na música, na tecnologia, em desenhos e etc. Apesar da resistência de alguns países, o sistema Braille se impôs definitivamente como o melhor meio de leitura e escrita para pessoas cegas. O BRAILLE NO BRASIL O código Braille chegou ao Brasil através de José Álvares de Azevedo que nasceu no dia 8 de abril de 1834, filho de Manuel Álvares de Azevedo, de uma família abastada do Rio de Janeiro, então capital do Império. Cego de nascença, porém muito assistido pelos pais, que lhe eram totalmente dedicados, o menino desde cedo manifestou uma inteligência acima da média, então os pais na busca por dar ao filho as melhores condições de se desenvolver e seguindo os conselhos do Dr. Maximiliano Antônio de Lemos, os pais de José decidiram enviá-lo para estudar na única escola especializada na educação de cegos que havia no mundo naquela época - o Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris. O menino frequentou a escola, na condição de interno, dos 10 aos 16 anos de idade. Para alcançar o seu objetivo, José passou a fazer palestras em todos os lugares possíveis, incluindo os salões da Corte Imperial. José Álvares de Azevedo, com apenas 16 anos de idade, passou a trabalhar incansavelmente para ensinar o sistema a outros cegos, tornando-se não só a primeira pessoa cega a atuar como professor, como também o primeiro professor especializado no ensino de cegos no Brasil, e foi como professor que ele teve a oportunidade de se aproximar da única pessoa com poder suficiente para transformar seu sonho em realidade: o Imperador D. Pedro II D. Pedro II Além da inteligência que já o favorecia, José teve a sorte de estar no lugar e na hora certa, pois o sistema de leitura e escrita inventado pelo francês Louis Braille e que estava em fase de experimentação no Instituto de Paris. Quando concluiu o curso, o jovem Azevedo voltou para o Brasil em 1850, mas com um objetivo, que era disseminar esse sistema a todos os cegos que conseguisse, com a criação de uma escola semelhante àquela que havia tido o privilégio de frequentar. Entre os seus alunos havia uma moça cega, Adélia Sigaud, filha do Dr. Francisco Xavier Sigaud, médico da Corte Imperial. Impressionado com o desenvolvimento da filha, Xavier Sigaud - com o auxílio do Barão do Rio Bonito - conseguiu para José uma audiência com o imperador. Nela, José não só fez uma demonstração de como o Braille poderia acabar com o analfabetismo entre os cegos como propôs ao monarca a criação de uma escola especializada dos mesmos moldes do Instituto de Paris. Impressionado e sensibilizado pela apresentação, D. Pedro II decidiu abraçar a causa do professor, dando início ao processo de criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos - hoje, Instituto Benjamin Constant. Álvares de Azevedo participou intensamente das providências iniciais e decisivas para a fundação da escola, mas não chegou a ver seu sonho ser realizado - no dia 17 de março de 1854, seis meses antes da inauguração, o jovem morreu, vítima de tuberculose, aos 20 anos de idade. Por sua imensa contribuição para a inclusão social da pessoa cega brasileira, José Álvares de Azevedo recebeu o título de “Patrono da Educação dos Cegos no Brasil” e o dia do seu nascimento, 8 de abril, foi declarado oficialmente Dia Nacional do Braille. FORMAÇÃO: A CELA, OS 6 PONTOS O Sistema Braille é um sistema de escrita e leitura em relevo, expresso através da variação na combinação entre seis pontos organizados em um espaço denominado cela Braille ou célula Braille (ponto 123456); esse conjunto de pontos representa o sinal fundamental denominado de conjunto matricial. Tais pontos, quando combinados entre si, formam 64 sinais/combinações do sistema Braille. Quando você escreve na reglete negativa, você o faz da sua direita para a sua esquerda. Por isso, a numeração dos pontos do sistema Braille se faz da direita para a esquerda como se demonstra na ilustração seguinte: Quando você lê o que foi escrito na reglete, você o faz normalmente, de sua esquerda par a sua direita. É fácil você concluir que, quando você vira a folha de papel, para ler, o que estava a sua extrema direita passa, imediatamente, a sua extrema esquerda. Por isso, quando você lê a posição dos pontos do sistema Braille passa a ser a seguinte: A Primeira Série é constituída por 10 combinações; utilizando a parte superior da cela pontos 1, 2, 4 e 5. Essa série é denominada Série Superior, considerada como estrutura básica em que o Sistema foi concebido. Serve de base para as combinações da segunda, terceira e quarta séries, e de modelo para a quinta. Terceira Série: Possui 10 combinações e forma-se da adição do ponto 3 e 6 aos sinais da Primeira Série. Segunda Série: Possui 10 combinações e forma-se da adição do ponto 3 a cada um dos sinais da Primeira Série ; Quarta Série: forma-se da adição do ponto 06 aos sinais da Primeira Série. OBS: A letra Í grave não usamos na língua portuguesa, mas é importante praticar. Quinta Série: é formada na parte inferior- pontos 2,3,5 e 6 da Cela Braille. Reproduz a Primeira Série só que rebaixada, ou seja, na parte inferior da Cela Braille. Sexta Série: A 6ª série não deriva da 1ª, é formada pelos pontos 3, 4, 5, 6, e consta apenas de seis sinais. Sétima Série: Não deriva da Primeira Série; os sinais são formados pela combinação dos pontos 4, 5 e 6. É um trabalho de estimulação que muitas pessoas não sabem, mas deve ser feito desde muito pequeno, porque favorece o processo de alfabetização da criança com deficiência visual. PRÉ -BRAILLEPRÉ- BRAILLE Pré-Braille é o período que antecede a alfabetização Braille. É preciso que o alfabetizando cego tenha oportunidade de trabalhar e inúmeros "capacidades” e “habilidades.” O processo inclui o desenvolvimento de conceitos cognitivos básicos: habilidades motoras; linguagem, comunicação, coordenação motora fina e distinção sonora, olfativa e tátil. EMAIL: saop.nuedesp@gmail.com PROFª. DEBORAH D. A. O. SILVA PROFª. JOYCE ALVES TORALES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, Sonia Maria Dutra. O jogo simbólico numa proposta pedagógica para o deficiente visual. Revista Benjamin Constant. nº8, p.9-14 . Rio de Janeiro: Ministério da Educação e do Desporto, 1997. BRASIL, Ministério da Educação. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental: Deficiência visual vol.1. Brasília: MEC, SEESP, 2004. BRASIL, Ministério da Educação. Programa de Capacitação de Recursos Humanos do Ensino Fundamental: Deficiência visual vol.2. Brasília: MEC, SEESP, 2004. BRUNO, Marilda. M.G. O desenvolvimento integral do portado de deficiência visual. Da intervenção precoce à integração escolar. São Paulo: Laramara, - Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente visual, 1993. BRUNO, Marilda. M.G. & HEYMEYER, Úrsula. Educação Infantil - Referencial Curricular Nacional: das possibilidades às necessidades. Revista Benjamin Constant. Nº 25, p.9-13. Rio de Janeiro: Ministério da Educação, 2003. 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