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2018-Instrucoes_para_escolha_adequada_do_calcado_profissional_isolante_eletrico

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SÃO PAULO - 2021
Instruções para escolha 
adequada do calçado 
profissional isolante elétrico
Laboratório de Química e Manufaturados - Unidade Franca
Instruções para escolha adequada do calçado 
profissional isolante elétrico
Laboratório de Química e 
Manufaturados - Unidade Franca
3
Governador 
João Agripino da Costa Doria Junior
Secretaria de Desenvolvimento Econômico 
Patricia Ellen da Silva
Diretor Presidente do IPT 
Jefferson de Oliveira Gomes
Diretora de Inovação e Negócios 
Claudia Echevenguá Teixeira
Diretora Financeira e Administrativa 
Flávia Gutierrez Motta
Diretor de Operações 
Adriano Marim de Oliveira
Autores 
Felipe Cintra Clementino 
Nicole Aparecida Amorim de Oliveira
David Henrique Zago
Pedro Yuri Kovatch
Revisão Técnica 
Fernando Soares de Lima
ACC - Assessoria de Comunicação Corporativa 
Diagramação e projeto gráfico 
Luiz Silviano
Revisão 
Flavio Sergio Jorge de Freitas
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Instruções para escolha adequada ao calçadoprofissional isolante elétrico [livro eletrônico] / Felipe 
Clementino ... [et al.] ; Fernando Soares Lima. -- 1. ed. -- São Paulo : Instituto de Pesquisas Tecnológicas do 
Estado de São Paulo, 2021. -- (IPT publicação ; 3044)
PDF
Outros autores : Nicole Aparecida Amorim de Oliveira, David Henrique Zago, Pedro Yuri Kovatch.
Bibliografia
ISBN 978-65-5702-011-1
1. Acidentes de trânsito - Leis e legislação - Brasil 2. Calçado profissional isolante elétrico 3. Eletricidade - 
Acidentes e ferimentos 4. Segurança do trabalho - Equipamento e acessórios. I. Oliveira, Nicole Aparecida 
Amorim de. II. Zago, David Henrique. III. Kovatch, Pedro Yuri.
Índices para catálogo sistemático: 
1. Seguran a do trabalho : Bem-estar social 363.11 
Aline Graziele Benitez - Bibliotec ria - CRB-1/3129
21-69468 CDD-363.11
4
1 Objetivo ................................................................................................................................................................................... 5
2 Introdução ........................................................................................................................................................................... 5
3 Os calçados ...................................................................................................................................................................... 7
4 As normas vigentes ............................................................................................................................................. 8
 4.1 Norma para calçados isolantes elétricos de classe I. (ABNT NBR 16603:2017) ...... 9
 4.2 Norma para calçados isolantes elétricos de classe II. (EN 50321-1:2018) ................... 14
5 Conclusão .......................................................................................................................................................................... 17
6 Referências normativas ................................................................................................................................ 17
7 Referências bibliográficas ........................................................................................................................ 18
8 Siglas ......................................................................................................................................................................................... 19
9 Autores .................................................................................................................................................................................... 20
SUMÁRIO
5
1 Objetivo
O presente documento tem como objetivo auxiliar os profissionais que atuam nas proximidades 
de sistemas elétricos a realizarem a escolha adequada dos calçados profissionais em consonância 
com as normatizações adotadas pelos órgãos competentes, visando reduzir os danos decorrentes 
de acidentes de trabalho por fatores elétricos.
Instruções para escolha adequada 
do calçado profissional isolante elétrico
2 Introdução
Mais de 60% da constituição do corpo humano é de água e sais minerais: isso o torna um bom 
condutor elétrico (BARROS JUNIOR, 2020). Em decorrência, acidentes elétricos são bastante 
comuns, mas podem ser evitados com a adoção de medidas de segurança, conhecimento 
técnico e metodologias de trabalho adequados.
A norma regulamentadora Nº 10 (NR 10), determina as condições para o trabalho em instalações 
elétricas, desde o projeto até a manutenção e a ampliação de redes elétricas, visando elaborar 
medidas preventivas e de controle de acidentes de forma a garantir a integridade dos 
trabalhadores em serviços com eletricidade. 
Segundo as diretrizes da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a fiscalização dos serviços de 
distribuição é realizada pela Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE) e 
tem por propósito direcionar as empresas distribuidoras na adequada prestação do serviço público 
de distribuição de energia elétrica, especialmente nos aspectos relacionados ao atendimento 
comercial e aos indicadores de desempenho, técnicos e comercial, como também estipular que 
haja uma frequente manutenção nas redes (MACHADO, 2018). Para garantir a integridade do 
colaborador que realiza o serviço, é necessário que haja a qualificação do trabalhador, treinamentos 
e utilização de equipamentos de proteção coletiva e/ou individuais (NR10).
Conforme a Norma Regulamentadora n°6 (NR6), toda empresa deve fornecer de forma gratuita 
aos seus colaboradores os EPIs adequados aos riscos inerentes às funções, estando em perfeito 
estado de conservação e funcionamento. A escolha do EPI correto para a função deve ser efetuada 
por um profissional qualificado, pois a escolha de produtos inadequados pode corresponder 
à ausência de proteção para o usuário efetuar a atividade, elevando o risco de acidente para 
desempenho da função.
6
Essas classes são subdivididas ainda em segurança, proteção ou ocupacional. Os calçados de 
segurança e proteção possuem como característica uma biqueira que protege os dedos dos pés 
contra quedas de materiais pesados, enquanto os ocupacionais não têm como intuito este tipo 
de proteção. O Quadro 1 diferencia os tipos de calçados e mostra suas classificações de acordo 
com os resultados obtidos em ensaios:
Quadro 1: Tipos de calçados de acordo com os resultados dos ensaios
Segurança Sim 200 J 15 kN
Proteção Sim 100 J 10 kN
Ocupacional Não Não se aplica Não se aplica
Tipo de calçado Presença de biqueira
de desempenho
Energia de
impacto
Força de
compressão
Fonte: elaborado pelos autores
7
1
2
3
4
5
Figura 1: calçado em corte horizontal
Fonte: : OLIVEIRA, CLEMENTINO, ZAGO., 2020
Para entender um pouco mais sobre as informações seguintes, é necessário indicarmos as partes 
integrantes dos calçados.
A Figura 1 mostra um calçado em corte horizontal e as partes integrantes do calçado.
3 Os calçados
8
1 - Cabedal: parte superior do calçado; pode ser confeccionada em materiais como couro, laminados 
sintéticos, materiais têxteis, poliméricos e elastoméricos. Deve apresentar resistência mecânica e 
para calçados de classe I. O material deve ser transpirável, para absorver e expulsar parte do suor 
gerado pelo pé;
2- Palmilha interna: Palmilha para conforto, normalmente confeccionada em látex, Poliuretano (PU) 
ou Etileno Acetato de Vinila (EVA); deve apresentar capacidade de permear ou de absorver parte 
do suor gerado pelo pé, e deve possuir resistência ao desgaste pela abrasão;
3- Palmilha de montagem: Palmilha fixa, utilizada para auxiliar na montagem do calçado; deve 
possuir resistência ao desgaste e ser capaz de absorver e dessorver (eliminar) o suor.
4- Biqueira: Constituída em materiais rígidos como aço e composite, tem o objetivo de proteger os 
dedos do trabalhador contra quedas de materiais pesados.5- Solado: Parte inferior do calçado que irá em contato com o chão. Diversos materiais podem ser 
empregados na sua fabricação, desde que tenham propriedades físicas positivas, como baixo 
desgaste, resistência mecânica e resistência ao escorregamento, entre outras.
4 As normas vigentes
As normas a serem adotadas no Brasil para a certificação de calçados profissionais estão presentes 
na Portaria n° 121 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de 2009. Para calçados, foram 
adotadas como normas básicas a ABNT NBR ISO 20344, ABNT NBR ISO 20345, ABNT NBR ISO 20346 
e ABNT NBR ISO 20347. Estas versões foram atualizadas e regularizadas pela Portaria nº 11.437, de 
8 de maio de 2020, sendo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (SEPRT) responsável pela 
emissão dos certificados de aprovação (CA).
Os métodos de realização dos ensaios básicos em calçados e seus componentes, como cabedal, 
forros, palmilhas e solados, são especificados pela norma ABNT NBR ISO 20344, com exceção de 
alguns ensaios cujas metodologias estão em outras normas, porém são citadas pela NBR 20344.
Os parâmetros normativos de especificação a serem obrigatoriamente atendidos são indicados 
nas normas ABNT NBR ISO 20345, ABNT NBR ISO 20346 e ABNT NBR 20347; sendo as normas NBR 
ISO 20345 e NBR ISO 20346 similares e adotadas para calçados que possuem biqueiras, diferindo-
se apenas nos métodos dos ensaios de impacto e compressão de biqueira. Para essa, o ensaio de 
impacto deve ser realizado com energia de 100 J e força de 10 kN de compressão enquanto que, 
para aquela, o ensaio de impacto deve ser realizado com energia de 200 J. A norma NBR ISO 20347 
é utilizada para calçados que não possuem biqueiras para proteção dos dedos.
9
Os ensaios elétricos são determinados conforme a classe do calçado, sendo a norma ABNT NBR 
16603:2017 que trata de calçados isolante elétrico da classe I e a norma BS EN 50321-1:2018 para 
os calçados da classe II.
Os calçados para proteção contra agentes térmicos de alta intensidade (calçados para bombeiros), 
contra agentes químicos, corte por motosserra e calçados específicos para proteção contra metais 
fundidos (calçados para uso em metalúrgicas e siderúrgicas) não são abordados nesse documento, pois 
seguem métodos de ensaios e parâmetros de especificação detalhados por outras normas técnicas. 
4.1 Norma para calçados isolantes elétricos de classe I. (ABNT NBR 16603:2017)
Os calçados elétricos de classe I podem se enquadrar entre os desenhos A, B, C ouD, de acordo 
com a altura do cano do calçado, conforme a Figura 2:
calçado Baixo
A B C D
botina bota meio-cano bota de cano longo
Figura 2: Desenhos dos calçados
Fonte: ABNT NBR 16603:2017. 
Conforme a norma ABNT NBR 16603:2017, estes calçados são específicos para trabalhos em 
instalações de baixa voltagem, de até 500 V, em condições secas. Devem ser fabricados com sola 
não condutiva, resistente à passagem de corrente elétrica, de modo que proteja o usuário contra 
os perigos de um contato acidental com peças e/ou circuitos elétricos energizados.
Na construção do calçado não pode haver a presença de materiais metálicos, como alma de aço, 
ilhoses, fivelas, zíper, pregos, rebites, tarraxinhas, biqueira de aço e palmilha antiperfurante de aço, 
dentre outros. O calçado deve possuir o menor número possível de costuras e peças, não sendo 
permitido que haja costuras ornamentais ao longo do cabedal.
Caso haja a necessidade de costura, esta não pode se localizar na região de flexão do calçado 
(região hachurada da Figura 3), e sim preferencialmente próxima à região do salto.
10
Quadro 2: simbologia para o ensaio de escorregamento
Simbologia Significado atribuído
SRA Ensaio de escorregamento em piso cerâmico com solução de detergente. Ideal para calçados utilizados 
em posto de trabalho com superfícies secas que podem ter o contato com a água e detergentes, especial-
mente em pisos cerâmicos, por exemplo, serviços de limpeza, linha de produção, etc.
SRC Quando submetido aos dois tipos de ensaios citados anteriormente. São adequados a trabalhadores 
que podem se deparar com ambas situações no seu posto de trabalho.
SRB Quando submetido a ensaio de escorregamento tendo como premissa a utilização do calçado 
em um posto de trabalho de piso de aço ou outro similarmente liso na presença de lubrificantes, 
por exemplo; postos de combustíveis; plataforma para extração de petróleo; oficinas mecânicas; 
refinarias; usinas de álcool e açúcar; frigorífico e cozinhas.
Todos os calçados devem possuir marcação legível e que não seja de fácil remoção, contendo as 
seguintes informações: marca de identificação do fabricante, data de fabricação (lote), número 
do CA e pictograma, que devem se localizar no lado externo do calçado; o tamanho do calçado, 
a designação do modelo, o número e o ano da norma e a simbologia apropriada para proteção 
oferecida podem se localizar tanto na parte externa como na interna.
De acordo com a norma, os calçados devem apresentar as simbologias básicas SI, PI e OI aplicáveis 
a calçados de segurança, proteção e ocupacionais, respectivamente, significando que eles foram 
submetidos aos ensaios obrigatórios e obtiveram resultados satisfatórios em todos os requisitos. É 
exigida a aprovação em ao menos um tipo de ensaio de escorregamento, e é imprescindível que 
seja informado no calçado a simbologia correspondente deste ensaio, podendo variar de SRA, SRB 
ou SRC, conforme Quadro 2.
Fonte: Oliveira, et al. (2020).
calçado Baixo
A B C D
botina bota meio-cano bota de cano longo
Figura 3: Desenhos dos calçados
Fonte: ABNT NBR 16603:2017.
11
A proteção desse calçado é enfraquecida quando o calçado é exposto a ambientes úmidos, 
molhados, ao frio, produtos químicos, óleos, combustíveis e desgaste excessivo da sola como 
também possíveis danos no cabedal. Por estes possíveis problemas, este tipo de calçado possui 
restrição quanto aos ensaios adicionais, os quais estão apresentados no Quadro 3, impossibilitando 
de possuir as simbologias: CI (resistência ao frio), WR (resistência á água), FO (resistência ao óleo 
combustível) e CR (resistência ao corte).
Quadro 3: Simbologias adicionais aplicadas a calçados isolante elétricos
Ensaio Simbologia Utilizações
Penetração da Sola
Isolamento 
ao calor
Proteção do 
tornozelo
Resistência ao 
calor de contato
Absorção de 
energia na
região do salto
Proteção do 
metatarso 
P
HI
AN
HRO
E
M
Determina a resistência do calçado à penetração da sola por objetos perfurantes, como pregos, 
parafusos, estacas etc.
Determina a capacidade do calçado em proteger os pés em ambientes com altas temperaturas, 
evitando o ganho de calor excessivo do ambiente.
Determina a capacidade do calçado em proteger o usuário contra impactos na região do tornozelo.
Determina a resistência do solado a suportar altas temperaturas.
Calçado aplicado para trabalhos que exijam que o trabalhador fique muito tempo na posição em 
pé, absorvendo a energia e não sobrecarregando a coluna vertebral.
Determina a capacidade do calçado em proteger os pés contra impactos na região dorsal do pé.
Fonte: elaborado pelos autores com dados da ABNT NBR 16603:2017 e Oliveira et al. (2020).
O símbolo deve ser colocado na parte do cabedal do calçado e deve apresentar dimensões e cores 
conforme a Figura 4.
12
Fonte: : ABNT NBR 16603:2017.
Figura 4: Formato, dimensões e cores do pictograma
Acerca dos ensaios, o que diferencia o calçado isolante elétrico para os demais calçados profissionais 
de classe I, é a obrigatoriedade do ensaio de absorção e penetração de água no cabedal, o ensaio 
de resistência elétrica e de isolamento elétrico ou resistência à corrente de fuga, onde o mesmo é 
submetido á uma tensão de 14 kV.
O ensaio de penetração de água tem o objetivo de garantir que, mesmo que o calçado tenha 
contato com água, esta não penetre por seu cabedal. O ensaio consiste em retirar corpos de prova 
do cabedal e desgastar seu acabamento com uma lixa para simular o desgaste provocado pelotempo de seu acabamento muitas vezes impermeável, para assim coloca-los em contato com água 
por durante 1 hora, e medir o quanto penetra de água e o quanto o corpo de prova absorve, não 
podendo passar certo limite para aprovação do mesmo. Deve-se ressaltar que, apesar de requerer 
baixos índices de absorção e penetração de água, os materiais utilizados como cabedal da classe 
I devem ser respiráveis, ou seja, serem capazes de absorver e eliminar o suor produzido pelos 
pés durante o uso do calçado. O ensaio que avaliação o comportamento do calçado quanto a 
respirabilidade é o de Determinação da permeabilidade, absorção e coeficiente de vapor de água.
O ensaio de resistência elétrica consiste em colocar o calçado sobre uma placa de cobre contendo 
um eletrodo em sua extremidade, e adicionar por dentro do calçado 5 kg de esferas de aço com 
outro eletrodo fixado na palmilha perto da região de flexão do calçado, é aplicada uma tensão de 
100 V em corrente contínua e medida por meio de um megômetro a resistência do calçado. O ensaio 
também é realizado em condições críticas, sendo necessário um pré-condicionamento das amostras 
em uma câmara climática com temperatura controlada em (20 ± 2) º C e (85 ± 5)% de umidade relativa, 
13
por 168 horas (7 dias). Para evitar possíveis falsos positivos a sola do calçado é pintada antes do 
condicionamento com uma laca condutiva facilitando a identificação de possíveis defeitos/fissuras 
em regiões entre os ressaltos (cravos/relevos), pois essas regiões não entram em contato com a placa 
de cobre sobre qual o calçado fica durante a medição da resistência elétrica (CLEMENTINO, 2020).
Para o isolamento elétrico, os calçados são pré-condicionados em temperatura de (20 ± 2) º C e 
(50 ± 5) % de umidade relativa por 48 h (2 dias), após isso o calçado ensaiado é colocado sobre 
um dispositivo que possui um eletrodo em sua borda, esferas de aço também são colocadas por 
dentro do calçado junto com outro eletrodo, é utilizado uma fonte de alta-tensão (transformador) 
para aplicar a tensão em uma taxa de 1kV/s até 14 kV em 60 Hz por durante 1 minuto, para se obter 
o valor da corrente elétrica que passa pelo calçado.
 
14
4.2 Norma para calçados isolantes elétricos de classe II. (EN 50321-1:2018)
Os calçados isolantes elétricos produzidos completamente em material polimérico ou elastômeros 
são ensaiados de acordo com a norma EN 50321-1:2018, e visam fornecer proteção contra choques 
elétricos aos usuários que trabalham com linhas vivas ou próximos a elas, em instalações com 
tensão de até 36.000 V em corrente alternada ou 25.500 V em corrente contínua.
As marcações básicas deste calçado são similares aos calçados profissionais regidos pelas normas 
ABNT NBR ISO 20345, 20346, 20347, não possuindo simbologia específica para isolantes elétricos. 
Os ensaios básicos são: “SB” (Segurança Básico), “PB” (Proteção Básico) e “OB” (Ocupacional Básico).
Ao contrário do calçado isolante elétrico de classe I, este calçado pode ser exposto a ambientes 
úmidos, ao frio, a produtos químicos, óleos combustíveis, permitindo a possibilidade de se obter 
calçados com as seguintes simbologias adicionais: P (resistência à penetração), HI (resistência ao 
calor), CI (resistência ao frio), E (absorção de energia na área do salto), M (proteção do metatarso), 
AN (proteção do tornozelo), CR (resistência ao corte), HRO (resistência ao calor de contato) e FO 
(resistência ao óleo combustível).
Neste calçado não há restrição quanto à utilização de peças metálicas, possibilitando a existência 
de biqueiras e palmilhas antiperfurantes de aço como parte da sua composição.
Fonte: os autores.
Figura 5: Calçado após pré-condicionamento para ensaio de resistência elétrica
15
Há diferentes classes elétricas para este tipo de calçado, sendo que o fabricante deve informar no 
calçado qual é a classe pertencente. Essa classificação é feita de acordo com o nível de isolamento 
elétrico do calçado, conforme o Quadro 4.
Fonte: BSI Standards Organization BS EN 50321-1:2018.
Fonte: BSI Standards Organization BS EN 50321-1:2018
Quadro 4: Classificação do calçado elétrico de classe II e suas aplicações
Figura 6: Formato, dimensões e cores do pictograma.
Classe do calçado Aplicação do calçado
00 Para instalações com tensão nominal de até 500 V corrente alternada ou 750 V corrente contínua.
0
1
2
3
4
Para instalações com tensão nominal de até 1000 V corrente alternada ou 1500 V corrente contínua.
Para instalações com tensão nominal de até 7500 V corrente alternada ou 11250 V corrente contínua.
Para instalações com tensão nominal de até 17000 V corrente alternada ou 25500 V corrente contínua.
Para instalações com tensão nominal de até 26500 V corrente alternada.
Para instalações com tensão nominal de até 36000 V corrente alternada.
Este calçado deve possuir um pictograma e um campo próximo a ele destinado à anotação da 
data do primeiro uso, como também a data da inspeção periódica do calçado. Este pictograma 
tem o formato de duplo triângulo e possui uma cor específica para cada classe de aplicação. O 
pictograma e suas cores podem ser visualizados na Figura 5.
Para este tipo de calçado não é realizado o ensaio de penetração de água, pois o mesmo passa 
pelo ensaio de resistência ao vazamento de ar, quando é colocado em um tanque de água com 
sua borda superior vedada. É aplicado um jato de ar com uma determinada pressão, para garantir 
que não há presença de furos no calçado, garantindo sua impermeabilidade.
Classe
00
0
1
2
3
4
Cor
Beje
Vermelho
Branco
Amarelo
Verde
Laranja
16
O ensaio de resistência elétrica também não é aplicável para este tipo de calçado; além disso, o 
teste de isolamento elétrico é realizado após pré-condicionamento no qual o calçado é submerso 
em água por (16 ± 0,5) h. O calçado é então colocado em um recipiente contendo um eletrodo 
e novamente água; outro eletrodo é posicionado dentro do calçado, também na presença de 
água. O nível de água interno e externo depende do tipo do desenho do calçado e seu respectivo 
tamanho. A escolha do tipo de corrente utilizada no ensaio (contínua ou alternada), assim como o 
valor da tensão, é determinada pelo fabricante do calçado ao escolher a classe elétrica para o EPI.
Fonte: os autores.
Figura 7: Calçado sendo preparado para o ensaio de isolamento elétrico conforme a norma BS EN 50321-1:2018.
17
5 Conclusão
Apesar de serem submetidos a ensaios semelhantes, os dois tipos de calçados elétricos previstos 
possuem características diferentes, o que implica em usos diferenciados. Para garantir a proteção 
adequada do trabalhador, deve ser realizada uma análise do ambiente no qual o trabalhador 
irá operar para uma possível escolha do EPI correto. Além disso, o desgaste do calçado implica 
severamente no nível de proteção do mesmo, sendo necessária uma avaliação contínua do grau 
de conservação do calçado pelo usuário. É aconselhável que estes calçados sejam utilizados 
apenas nos postos de trabalho para diminuir o desgaste natural e possíveis perfurações e cortes. 
Vale entender que a simbologia “E” indica absorção de energia na região do salto e leva em 
consideração apenas a energia potencial causada pelo corpo humano e sua pisada, não possuindo 
necessariamente qualquer característica de isolamento elétrico, sendo necessária a presença das 
normas, pictogramas e/ou outras simbologias adequadas para este fim citadas neste documento.
6 Rerefências Normativas
Norma_Regulamentadora_Nº10
Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade - EPI.
Norma_Regulamentadora_Nº6 Portaria_Nº_121,_de_30_de_setembro_2009
Equipamento de Proteção Individual - EPI. Estabelece as normas técnicas de ensaios e os requisitos 
obrigatórios aplicáveis aos Equipamentos de Proteção Individual - EPI enquadrados no Anexo I da 
NR-6 e dá outras providências.
ABNT NBR ISO 20344:2015
Equipamento de proteção individual - Métodos de ensaio para calçados.
ABNT NBR ISO 20345:2015 
Equipamento de proteção individual - Calçadode segurança.
ABNT NBR ISO 20346:2015 
Equipamento de proteção individual - Calçadode proteção.
ABNT NBR ISO 20347:2015 
Equipamento de proteção individual - Calçado ocupacional.
18
Portaria nº 11.437, de 8 de maio de2020
Estabelece as normas técnicas de ensaios e osrequisitos obrigatórios aplicáveis aos Equipamentos de 
Proteção Individual - EPI enquadrados no Anexo I da NR-6 e dá outras providências.
ABNT NBR ISO 16603:2017 
Equipamento de Proteção Individual - Calçado Isolante Elétrico para Trabalhos em Instalações Elétricas 
de Baixa Tensão até 500 V em Ambiente Seco - Requisitos e Métodos de Ensaios.
BS EN 50321-1:2018 
Live Working - Footwear for Eletrical Protection - Insulation Footwear and Overboots. Brussels.
7 Referências bibliográficas
BARROS JÚNIOR, A. Riscos elétricos e acidentes no ambiente de trabalho. São Paulo: ABEE, 
2020. Disponível em: https://abee-sp.org.br/riscos-eletricos-e-acidentes-no-ambientede-trabalho 
Acessado em 27 jul.2020.
CLEMENTINO, F.C.et al. Um calçado de couro resistente à passagem de corrente elétrica. Revista 
Digital AdNormas, v.2, n.101, 5p., abr., 2020
MACHADO, R.P. et al. Estudos e desenvolvimento de produtos para a limpeza de EPI’s e EPC’s 
utilizados em redes energizadas. Gestão, Tecnologia e Inovação, v.2, n.6, p.52-62, 2018.
OLIVEIRA, N.A.A.de; CLEMENTINO, F. C.; ZAGO, David Henrique. Instruções para escolha adequada 
dos calçados profissionais de acordo com a simbologia empregada, revisado por Jorge Luiz 
Dias dos Santos e Fernando Soares de Lima. São Paulo: IPT, 2020. 20p. (IPT. Publicação, 3035)
OLIVEIRA, N..A.A.de. et al. Calçados profissionais contra riscos mecânicos e suas características 
específicas de proteção. Revista CIPA, ed.490, p.80-84, maio, 2020 
19
8 Siglas
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.
ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica.
CA - Certificado de Aprovação.
EPI - Equipamento de Proteção Individual.
EVA - Etileno Acetato de Vinila
MTE - Ministério do Trabalho e Emprego.
NBR - Norma Brasileira.
NR - Norma Regulamentadora.
PU - Poliuretano.
SEPRT - Secretaria Especial de Previdência e Trabalho.
SFE - Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade 
20
9 Sobre os autores
Nicole A. Amorim de Oliveira
Pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho (2015). Engenheira química pela 
Universidade de Franca (2013). Atua noLaboratorio de Quimica e Manufaturados do IPT (filial 
em Franca/SP) como assistente de pesquisas, com experiência em vestimentas e calçados desde 
2011. Dedica-se a pesquisa e desenvolvimento, publicações, análises laboratoriais, auditoria 
técnica e de sistemas pelas normas ISO 17025 e ISO 9001, representante da qualidade e comitês 
do setor calçadista.
Felipe Cintra Clementino
Graduado em engenharia química (2013), pós-graduado em engenharia de segurança do 
Trabalho (2015), licenciado em química (2017) e mestre em ciências pela UNIFRAN- Universidade 
de Franca (2019). Trabalha no Laboratorio de Quimica e Manufaturados do IPT (filial em Franca/
SP) como assistente de pesquisas, com experiencia em calçados e seus componentes desde 
2011. Atuação em projetos de capacitação, pesquisa e desenvolvimento, publicações, análises 
laboratoriais, auditoria técnica e representação em comitês do setor calçadista.
David Henrique Zago
Graduado e Licenciado em Química (2010) e (2017) respectivamente, técnico em curtimento 
(2014), atuou no desenvolvimento e apresentação do projeto de Fertilizantes Organominerais 
a partir de Lodos de Curtumes e Aproveitamento do Bucho Bovino (2012). Desde 2010 trabalha 
no Laboratorio de Quimica e Manufaturados, em São Paulo, como Assistente de Pesquisas, com 
atuação em pesquisa e desenvolvimento de materiais, consultoria em processos industriais, 
análises laboratoriais, auditoria técnica e representação em comitê calçadista.
Pedro Yuri Kovatch
Graduado em Química Industrial pela Universidade de Franca (2008),Química Licenciatura pela 
Universidade de Franca (2009) e Pedagogia pela Universidade de Franca (2016) . Mestrado em 
Ciências pelo Programa de pós-graduação em Ciências da Universidade de Franca (2019). 
Atualmente é Assistente de Pesquisa no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São 
Paulo - IPT , Professor efetivo de química da rede de educação básica do Estado de São Paulo e 
membro do CB-32 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) para elaboração e revisão 
de normas para couros, calçados e afins.
Fernando Soares de Lima
Licenciado em química pela Universidade de Mogi das Cruzes (2004), Mestre em Processos 
Industriais pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (2013) e Engenheiro 
de Produção Química pelas Faculdades Oswaldo Cruz (2017). Atualmente é gerente técnico do 
Laboratorio de Quimica e Manufaturados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de 
São Paulo. Atua principalmente nos seguintes temas: tecidos técnicos, ensaios de caracterização e 
avaliação do desempenho de têxteis e EPI’s, intemperismo e microencapsulação aplicada a têxteis.
IPT
Instituto de Pesquisas Tecnológicas 
do Estado de São Paulo
Av. Prof. Almeida Prado, 532
Cidade Universitária - São Paulo - SP
CEP 05508-901 - Brasil
Laboratório de Química e Manufaturados - Unidade Franca
Av. Wilsom Bego, 300 
Distrito Industrial I - Franca - SP
CEP 14406-091
(16) 3720-1033
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