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Questões resolvidas

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Leia o caso clínico a seguir e responda às questões 1, 2 e 3 
Paciente de 35 anos com 32 semanas de gestação comparece à maternidade com queixa de 
cefaleia holocraniana iniciada há 8 horas, sem melhora com o uso de analgésicos. Está 
fazendo pré natal regularmente e não apresenta comorbidades. Relata movimentação fetal e 
nega sangramento vaginal. Ao exame físico, apresenta-se corada no limiar, hidratada, 
eupneica. Peso 85 Kg. PA: 150/110 mmHg. BCF 152 bpm. Uterofita 30 cm. Ausência de 
contrações uterinas. Ao toque vaginal, apresenta colo grosso, posterior e fechado. 
 
1. Qual é o diagnóstico da paciente do caso acima? 
a) Pré eclâmpsia leve 
b) Pré eclâmpsia grave 
c) Pré eclampsia sobreposta 
d) Síndrome Hellp 
 
Justificativa: A presença de sintomas como cefaleia occiptal/holocraniana, epigastralgia ou 
escotomas caracteriza a pré eclâmpsia grave, independente dos níveis pressóricos. e A pré 
eclâmpsia leve não apresenta tais sintomas. A paciente em questão não apresenta hipertensão 
arterial crônica (HAC) e, por isso, não podemos considerar a alternativa de pré eclampsia 
sobreposta. A Sindrome HELLP, em geral, é uma complicação da pré eclâmpsia grave e 
somente é diagnosticada através de exames laboratorias (hemólise , plaquetopenia e elevação 
das enzimas hepáticas ) . 
 
2. Em relação à fisiopatologia da intercorrência gestacional apresentada pela paciente, 
podemos afirmar que: 
a) está relacionada à diminuição da perfusão placentária modulada por predisposição 
genética . 
b) a ausência da invasão trofoblástica no segmento decidual é a principal teoria que 
explica sua ocorrência. 
c) o desequilíbrio entre tromboxano e prostaciclina é a causa do sintoma apresentado 
pela paciente . 
d) a lesão endotelial focal leva aos distúrbios de coagulação e ao aumento da resistência 
vascular placentária . 
 
Justificativa: A teoria mais aceita e que explica todas as alterações sistêmicas determinadas 
pela pré eclampsia (PE ) está relacionada à ausência da segunda onda de invasão trofoblástica 
no segmento miometrial (não ocorre no segmento decidual) das artérias espiraladas, ou 
mesmo uma invasão incompleta, diminuindo a perfusão placentária. Esse acontecimento pode 
estar modulado por predisposição genética, já que a historia familiar positiva de PE é um forte 
fator de risco para a sua ocorrência. O desequilíbrio entre tromboxano e prostaciclina não é 
considerado fisiopatologia da PE e a lesão endotelial que ocorre não é focal e sim, difusa. 
 
3. Podem ser consideradas complicações maternas do caso acima: 
a) coagulopatia, hematoma subcapsular hepático e edema agudo de pulmão 
b) trombofilia , coagulopatia e hiperrreflexia 
c) amaurose , descolamento prematuro de placenta e prematuridade 
d) insuficiência renal crônica , edema agudo de pulmão e acidente vascular cerebral 
 
Justificativa: São consideradas complicações das Pré eclâmpsia grave os distúrbios de 
coagulação, o hematoma subapsular hepático, o edema agudo de pulmão, a insuficiência renal 
aguda (e não crônica) e o acidente vascular cerebral . A trombofilia é fator de risco/causa da 
pré eclâmpsia. A amaurose é um sinal/sintoma apresentado pela paciente com pré eclâmpsia. 
E o descolamento prematuro de placenta e a prematuridade são complicações fetais. 
 
4. O diagnóstico do crescimento intrauterino restrito (CIUR) é realizado através do peso fetal 
menor que o percentil 10 à ultrassonografia associado à dopplervelocimetria das artérias 
umbilicais e cerebral média. Marque a alternativa que corresponde às alterações apresentadas 
pelo feto com CIUR. 
a) Placentomegalia 
b) Vasodilatação cerebral 
c) Aumento do diâmetro cerebral 
d) Polidrâmnio 
 
Justificativa: O feto com crescimento intrauterino restrito apresenta mecanismos 
compensatórios para proteger órgãos alvo como cérebro, coração e suprarrenais. Assim, 
ocorre uma vasodilatação cerebral que é vista através da dopplervelocimetria da artéria 
cerebral media. Não há placentomegalia nem aumento do diâmetro cerebral. A alteração no 
líquido amniótico que pode ocorrer em fetos com CIUR é o oligodrâmnio pela redução da 
diurese fetal consequente ao menor aporte sanguíneo renal e não o polidrâmnio. 
 
5. A gravidez induz a inúmeras mudanças na fisiologia do organismo materno a fim de fornecer 
o principal substrato energético para o feto que é a glicose. Por isso, considera-se a gravidez 
como um estado diabetogênico e pode ser nessa ocasião que o diabetes se manifeste pela 
primeira vez. São fatores de risco para diabetes na gestação: 
a) extremos de idade e macrossomia fetal. 
b) malformações fetais ou natimorto prévios. 
c) abortamento tardio anterior e síndrome de ovários policísticos. 
d) tabagismo e sedentarismo. 
 
Justificativa: São considerados fatores de risco para a ocorrência da diabetes na gestação: 
idade maior ou igual a 35 anos (e não extremos de idade), obesidade ou ganho excessivo de 
peso na gestação atual, história obstétrica de abortamentos de repetição, malformações ou 
morte fetal (natimorto ou neomorto), macrossomia, síndrome de ovários policísticos, baixa 
estatura. Tabagismo, sedentarismo, abortamento tardio prévio não são considerados fatores de 
risco para a Diabetes na gestação. 
 
6. Gestante de 27 anos, G3P1A1, com gestação de 35 semanas confirmada por informação 
contida no cartão de acompanhamento pré-natal e ultrassonografia precoce, procura a 
maternidade com queixa de perda de líquido via vaginal. O exame especular confirma a 
amniorrexe. Qual é a melhor conduta a ser adotada nesse caso? 
a) Administrar corticoide para acelerar o amadurecimento pulmonar fetal e induzir o parto 
após 48 horas. 
b) Iniciar a antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B, administrar corticoide e 
aguardar o início espontâneo do trabalho de parto. 
c) Realizar a antibioticoprofilaxia para sepse neonatal por estreptococo do grupo B e 
iniciar a indução do parto. 
d) Realizar uma ultrassonografia para avaliar o volume de líquido amniótico residual. 
 
Justificativa: Diante de amniorrexe confirmada após 34 semanas de gestação, a conduta deve 
ser a indução do parto e a antibioticoprofilaxia para Streptococos grupo B, caso a paciente não 
tenha realizado a cultura. Não há necessidade de corticoide, pois, após 34 semanas, já existe 
maturidade pulmonar fetal. O diagnóstico da amniorrexe prematura só deve ser confirmado por 
exame ultrassonográfico em caso de duvida ao exame físico e o volume de líquido amniótico 
residual não interfere na conduta intervencionista que é indicada após 34 semanas. 
 
7. Casal, ambos com 32 anos, comparecem à consulta ginecológica de rotina com queixa de 
dificuldade para engravidar. Relatam coito desprotegido há quase dois anos sem gestação. 
Negam doenças ou internações prévias. Seguem abaixo os resultados de exames realizados 
previamente. 
Histerossalpingografia: Prova de Cotte negativa bilateralmente. 
Ultrassonografia transvaginal: aspecto policístico em ambos os ovários. 
Espermograma: sem alterações. 
Diante desses resultados, qual tratamento deve ser indicado para o casal? 
a) Inseminação artificial 
b) Coito programado 
c) Rastreamento de ovulação 
d) Fecundação in vitro ( FIV ) 
 
Justificativa: A histerossalpingografia é um exame propedêutico que deve ser realizado em 
todo casal com diagnostico de infertilidade e que tenha indicação de tratamentos de baixa 
complexidade. A prova de Cotte negativa indica que não há permeabilidade tubária, e se 
bilateralmente, é indicação formal de Fecundação in vitro (FIV). Para que sejam indicados, 
corretamente, a inseminação artificial, o coito programado e o rastreamento de ovulação deve 
haver permeabilidade tubária, pois são tratamentos onde nos quais a fecundação ocorrerá no 
organismo materno, mais precisamente na tuba uterina, ao contrário da FIV. A Síndrome de 
ovários policísticos (SOP) não contra indica nenhumtratamento de baixa ou alta complexidade. 
 
8. Paciente de 30 anos, G1P0A0, com gestação de 18 semanas, comparece à maternidade 
com relato de sangramento vaginal iniciado há poucas horas. Nega dor ou perda de líquido 
pela vagina. Exame ultrassonográfico realizado há uma semana não apresentava alterações. 
Ao exame físico, a paciente encontra-se corada, hidratada, eupneica, com PA 110/80 mmHg e 
FC: 84 bpm. Volume uterino compatível com a idade gestacional. BCF positivo ao sonar. 
Ausência de contrações uterinas. Exame especular com sangramento moderado pelo orifício 
externo do colo uterino. Ao toque vaginal, colo dilatado 5 cm, apagado 50%, com bolsa 
amniótica protusa. Qual é a causa mais provável do quadro clínico apresentado pela paciente? 
a) Trombofilia 
b) Placenta com inserção baixa 
c) Incompetência istmocervical 
d) Mioma subseroso. 
 
Justificativa: A incompetência istmocervical é a principal causa de abortamento tardio. Seu 
diagnóstico é retrospectivo e a paciente apresenta dilatação cervical e sangramento vaginal, 
sem contrações ou cólicas uterinas. Gestantes com trombofilia, em geral, evoluem com 
abortamentos precoces ou pré–eclampsia levando a perdas fetais por infarto e trombose 
placentária . A placenta com inserção baixa cursa com sangramentos intermitentes, indolores e 
sem alterações cervicais. O mioma subseroso não interfere no desenvolvimento da gestação e 
não é causa de abortamento tardio. 
 
 
9. Paciente mulher, 45 anos, procura atendimento porque sua última mamografia evidenciou 
um nódulo mamário, categoria 5 de Bi-rads. Ao exame, foi palpado nódulo endurecido em uma 
das mamas. O nódulo foi biopsiado. A descrição da microscopia da lesão foi a de proliferação 
de células de núcleos hipercorados, monomórficos, que infiltravam o estroma com aspecto de 
¨fila indiana¨. Sobre o quadro descrito acima, é correto afirmar que: 
a) é uma neoplasia cujo surgimento associa-se à perda da expressão da E-caderina. 
b) trata-se da principal causa de derrame papilar espontâneo, unilateral e sanguinolento. 
c) tem o pior prognóstico dentre os carcinomas mamários, por ser frequentemente bilateral. 
d) pode surgir a partir de lesões mamárias prévias, como as alterações fibrocísticas da mama. 
 
 
JUSTIFICATIVAS 
A descrição da microscopia da lesão foi a de proliferação de células de núcleos hipercorados, 
monomórficos, que infiltravam o estroma com aspecto de fila indiana é de um carcinoma lobular 
invasor, uma neoplasia mamária cujas células perdem a expressão da E-caderina. A principal 
causa de derrame papilar sanguinolento é o papiloma ductal e não o carcinoma lobular. O 
carcinoma lobular, apesar de ser mais frequentemente bilateral, tem melhor prognóstico que o 
carcinoma ductal. As alterações fibrocísticas da mama não constituem lesões que evoluem 
para malignidade 
(Bogliolo, nona edição; Robbins nona edição) 
 
 
10. Mulher, 32 anos, terceira gestação, sendo que os dois partos anteriores ocorreram por 
cesárea. Atualmente, com 39 semanas de gestação. Teve indicação de ser novamente 
submetida à cesárea e, após retirada do bebê, a placenta ficou “retida”. Ocorreu, então, 
sangramento volumoso, de difícil controle, motivando uma histerectomia intraparto. Diante da 
situação descrita, analise as assertivas abaixo. 
 
I. No exame microscópico do útero seriam encontradas áreas com vilosidades coriônicas 
hidrópicas inseridas diretamente no miométrio. 
 
Porque 
 
II- Existem, no útero, áreas com ausência de decídua como, por exemplo, as áreas de 
cicatrizes das cesáreas prévias. 
 
Assinale a alternativa com informações corretas. 
a) I e II são corretas e II justifica I 
b) I e II são corretas, mas II não justifica I 
c) I é correta e II é incorreta 
d) I é incorreta e II é correta. 
 
Justificativas 
I- Incorreta: o quadro clínico descreve uma paciente com acretismo placentário. No acretismo 
placentário, as vilosidades se inserem diretamente no miométrio, devido à ausência de 
decídua. Porém, elas não são hidrópicas. Essa última situação acontece em casos de mola 
invasora, no contexto da doença trofoblástica gestacional. 
II-Correta: o acretismo placentário ocorre por uma ausência de decídua, ficando as vilosidades 
coriônicas diretamente inseridas no miométrio. Condições em que há ausência decídua são 
precipitadas, por exemplo, por cesáreas prévias, curetagens uterinas profundas prévias e 
placenta prévia. 
 (Bogliolo, nona edição; Robbins nona edição) 
 
11. Mulher, 55 anos, comparece ao ambulatório queixando-se de intensas dores por todo o 
corpo há cerca de 10 anos. Alega, também, que não tem dormido bem e vem passando por 
problemas familiares que a deixam muito preocupada. Apresenta episódios de choro frequente. 
Nega comorbidades prévias ou uso de medicações contínuas. O exame físico revela 
sensibilidade dolorosa na maior parte dos grupamentos musculares. Sem evidências de 
artrites. Força muscular preservada. Sobre a principal hipótese diagnóstica para essa paciente, 
podemos afirmar que: 
a) deve-se solicitar FAN, enzimas musculares e eletroneuromiografia. 
b) deve-se orientar sobre a benignidade da doença, higiene do sono e atividade física 
aeróbica e prescrever amitriptilina 25 mg/dia. 
c) as provas inflamatórias (VHS e PCR) encontram-se elevadas na maioria dos casos. 
d) o tratamento de escolha é com anti-inflamatórios não esteroidais, devendo-se 
prescrever opióides em caso de falha terapêutica. 
 
Justificativa: O diagnóstico da fibromialgia é clínico, não sendo necessários exames 
complementares. As provas inflamatórias não se alteram diante do diagnóstico de fibromialgia. 
O tratamento é feito com higiene do sono e atividade física aeróbica e prescrição de 
amitriptilina 25 mg/dia. 
 
 
12. Paciente de 43 anos, vendedora, relata que há 6 meses vem apresentando artralgia em 
punhos, metacarpofalangeanas (MCFs), interfalangeanas proximais (IFPs), tornozelos e 
metatarsos. Informa que a dor é pior pela manhã, associada à rigidez, com cerca de duas 
horas de duração. Nota que os sintomas melhoram ao longo do dia. Foi avaliada pelo médico 
do centro de saúde que prescreveu Ibuprofeno, solicitou alguns exames e encaminhou ao 
reumatologista. Ao ser avaliada pelo reumatologista, o mesmo percebeu artrite em punhos, 2ª e 
3ª MCFs direitas, 2ª e 4ª MCFs esquerdas, 1ª e 2ª IFPs bilateralmente e tornozelos. Os 
resultados dos exames laboratoriais foram: VHS= 70mm 60min; PCR= 25 (VR <5), Hb 11 VCM 
88 HCM 32 Plaq 450.000 GL 8.500 (diferencial normal) Cr 0,8 Ur 46. De acordo com o 
diagnóstico mais provável para essa paciente, assinale a alternativa correta. 
 
a) Radiografias de mãos e punhos podem evidenciar diminuição dos espaços articulares, 
erosões ósseas e osteopenia periarticular. 
b) O fator reumatóide não deve ser solicitado, pois é um exame pouco sensível. 
c) As manifestações extra-articulares dessa doença são menos frequentes nos pacientes 
com anticorpo antipeptídeo citrulinado (anti-CCP) positivo. 
d) Devido à intensa atividade da doença deve-se iniciar imunobiológico prontamente. 
 
Justificativa: O fator reumatóide deverá ser solicitado, pois oferece tanto informações 
diagnósticas quanto prognósticas. É um exame mais sensível do que específico. O anticorpo 
antipeptídeo citrulinado está associado a um pior prognóstico da doença além de 
manifestações extra-articulares. Os imunobiológicos ficam reservados para casos refratários da 
doença. A primeira linha de tratamento é o metotrexate. 
 
13. Homem, 72 anos, queixa-se de dor em joelhos, sobretudo após caminhadas e ao subir e 
descer escadas. É obeso, hipertenso e diabético. Ao exame físico, apresenta genovaro, 
hipotrofia muscular de quadríceps, dor e crepitações aos movimentos de flexão. Sem sinais de 
artrite. Radiografia evidencia diminuição do compartimento medial dos joelhos. Em relação ao 
diagnóstico da doença e seu tratamento, assinale a alternativa correta. 
a) A dor do paciente é caracterizada como ritmo inflamatório.b) Recomenda-se tratamento com antiinflamatório não esteroidal diariamente. 
c) Recomenda-se a perda ponderal, que reduz a progressão radiográfica da doença. 
d) Atividade física encontra-se proscrita, pois pode agravar a doença. 
 
Justificativas: A dor do paciente é de ritmo caracteristicamente mecânico, com piora após 
atividades físicas. O paciente é idoso, com comorbidades, não sendo indicado uso crônico de 
antiinflamatórios não esteroidais. Deve-se recomendar atividades com o objetivo de 
fortalecimento muscular e a perda ponderal, pois tal medida reduz a progressão radiográfica e 
os sintomas da doença. 
 
14. Homem, 45 anos, comparece ao Pronto-Atendimento com dor de forte intensidade em 1ª 
metatarsofalangeana direita e tornozelo direito há 24 horas. Nega febre. Hipertenso, obeso, 
portador de doença renal crônica e gota. Em uso de losartan 50mg 12/12h e hidroclorotiazida 
25mg 24/24h. Ao exame apresenta dor, calor, rubor e edema em 1ª metatarsofalangeana e 
tornozelo direito. Aos exames: hemograma normal, glicemia 84 mg/dl, VHS 30, PCR 14 (VR 
<5), ácido úrico 2,5 (VR: 2,5-7 mg/dl). O tratamento do paciente deve ser feito com: 
a) antibiótico venoso de amplo espectro. 
b) alopurinol. 
c) metotrexate. 
d) prednisona. 
 
Justificativas: Não se trata de artrite séptica, não sendo indicado antibioticoterapia. O paciente 
apresenta crise de gota e o alopurinol não deve ser iniciado na crise de gota. Metotrexate deve 
ser usado como agente hipouricemiante, após resolução da crise. 
15. Mulher jovem, 23 anos, procura o reumatologista queixando-se de dor e dificuldade ao 
movimento das mãos com piora gradual há 4 meses. Ao exame físico observa-se dor leve nos 
punhos e dor leve e edema discreto nas metacarpofalangeanas e inter-falângicas proximais 
das mãos. Após algumas perguntas sobre a realização de atividades diárias, a paciente 
descreveu que nesses meses, ela apresentava dificuldade em terminar seus bordados e cortar 
os alimentos. Baseado no exposto, qual a melhor conduta para a obtenção de um diagnóstico 
preciso da doença associado à condição clínica da paciente? 
a) Solicitar o teste para anticorpos anti-CCP. 
b) Pedir teste FAN. 
c) Solicitar os testes de VHS e FR+. 
d) Solicitar provas de proteínas de fase aguda como PCR e albumina. 
 
Justificativa: O exame que melhor discrimina a reatividade de soros de pacientes com AR é o 
teste ultrassensível para anticorpos anti-CCP, uma vez que possui alta especificidade com 
quase 100%, além de serem detectados em fase precoce da doença. O teste FAN apresenta-
se positivo para várias doenças reumáticas. Além disso, alguns indivíduos sem evidência 
clínica ou laboratorial de doença autoimune também apresentam resultado positivo. Esses 
testes apresentam alta sensibilidade, mas baixa especificidade. O primeiro encontra-se 
aumentado em diferentes situações, pois reflete apenas o aumento da concentração 
plasmática de proteínas de fase aguda. O segundo encontra-se positivo em diferentes doenças 
reumáticas, não sendo exclusivo da AR. Títulos baixos podem ser encontrados em indivíduos 
sadios. As proteínas de fase aguda são indicadores inespecíficos da presença de inflamação. 
A PCR encontra-se aumentada em processos inflamatórios de origem infecciosa ou não. A 
albumina apresenta níveis diminuídos em doenças hepáticas, desnutrição, síndrome nefrótica, 
infecções crônicas, dentre outras. Pode estar aumentada em pacientes desidratados. A 
dosagem dessas duas proteínas não dará diagnóstico específico. 
 
16. Menino de 03 anos de idade é levado à Unidade Básica de Saúde, com histórico de há 4 
dias ter sofrido queda, em casa, com escoriação do cotovelo esquerdo que evoluiu com 
secreção purulenta. No dia anterior à consulta iniciou quadro de febre alta, irritabilidade, 
inapetência e incapacidade em permanecer em ortostatismo. Chora muito ao movimentar o 
quadril direito. Ao exame físico, observa-se criança chorosa, com desidratação moderada, 
temperatura axilar de 39,4°C e que não consegue manter-se em ortostatismo. Em decúbito 
dorsal, mantém o quadril direito em posição de flexão, abdução e rotação externa e chora 
muito à mobilização dessa articulação. Presença de crosta com secreção piossanguinolenta na 
região do cotovelo esquerdo. Considerando o histórico e o exame físico do paciente, assinale a 
alternativa correta. 
a) O exame laboratorial que melhor se presta ao controle de cura é a medida da 
velocidade de hemossedimentação. 
b) O tratamento de escolha é antibioticoterapia, que deve ser instituída somente após 
coleta e resultado da cultura do material intra-articular. 
c) A postura do membro acometido deve-se à maior capacidade de acomodação de 
líquido intra-articular na posição, o que reduz a dor, conhecida com pseudoparalisia. 
d) O diagnóstico é uma artrite séptica da articulação coxofemoral direita e o quadro atual 
não mantém correlação com a infecção da lesão cutânea no cotovelo esquerdo. 
 
Justificativa: O aumento do conteúdo líquido intra-articular distende a cápsula da articulação, 
causando desconforto e dor. Por esse motivo, o paciente coloca a articulação acometida em 
posição de maior relaxamento da cápsula articular e ligamentos, o que possibilita acomodação 
de maior volume intra-articular e reduz o desconforto. Muitas vezes, o agente etiológico das 
infecções osteoarticulares tem como porta de entrada uma infecção bacteriana conhecida. A 
antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente, baseando-se empiricamente no germe mais 
prevalente naquela faixa etária; se a cultura evidenciar germe resistente, a terapia é ajustada. 
O exame que melhor reflete a remissão do quadro é a PCR; a VHS permanece elevada 
durante algum tempo, mesmo quando existe melhora do quadro infeccioso. 
 
17. Homem de 29 anos, destro, realizou esforço físico intenso ao fazer uma limpeza no quintal 
de casa. Depois de 03 dias, acordou com dor intensa no ombro direito, com dificuldade para 
escovar os dentes com a mão direita. Também se queixou de dificuldades para pilotar sua 
motocicleta e praticar suas atividades físicas diárias na academia. Ao examinar esse paciente, 
observou-se teste de Neer positivo à direita, além de limitação dolorosa da abdução e da 
rotação externa do ombro direito, ao movimento ativo e passivo. Diante do exposto, assinale a 
alternativa que contém informações corretas. 
a) Como tratamento, inicialmente, deve-se prescrever AINE, repouso relativo e fornecer 
atestado médico de alguns dias. 
b) A capsulite adesiva não deve ser considerada como diagnóstico diferencial. 
c) O tendão mais frequentemente acometido nessas situações é o do músculo 
subescapular. 
d) O exame dos movimentos passivos é dispensável, pois o movimento ativo já mostrou 
limitação. 
 
Justificativa: Trata-se de processo inflamatório agudo de tendões do ombro direito, 
necessitando o uso de AINEs, repouso e afastamento temporário da atividade laboral para 
evitar piora do quadro. A capsulite adesiva pode sim ser desencadeada por esforço com o 
ombro e se manifesta com dor e limitação funcional, especialmente dos movimentos de 
rotação. O exame da mobilidade passiva é dispensável apenas quando os movimentos ativos 
estão normais. O tendão acometido mais frequentemente nesses casos é o do músculo 
supraespinhal. 
18. Você atende um homem de 51 anos de idade, com queixa de dor lombar baixa há mais de 
10 anos, sem irradiação para os membros inferiores, sem relato de traumas ou esforços 
extenuantes. Ele informa que, frequentemente, acorda de madrugada em virtude da dor, que 
melhora algum tempo após levantar-se. Observou, mais recentemente, surgimento de dores 
matinais na região plantar dos pés, mais em sua região mais posterior, que também melhoram 
algum tempo após ter-se levantado. O paciente lhe apresenta uma radiografia de coluna 
lombossacra, datada de um ano antes, na qual é possível observar esclerose e indefinição 
parcial de bordas das articulações sacroilíacas e presença de volumosososteófitos nas 
vértebras lombares, que se fundem uns aos outros em alguns pontos. Assinale a afirmativa 
correta, levando em consideração algumas manobras semiológicas disponíveis para 
elucidação diagnóstica do caso:. 
 
a) A manobra de Patrick-Fabère presta-se especialmente ao diagnóstico de processos 
inflamatórios das articulações sacroilíacas. 
b) O teste de Schober informa se há irritação do nervo ciático. 
c) O teste de Trendelenburg se presta a detectar rigidez da coluna vertebral. 
d) O teste de Lasègue, quando positivo, evidencia limitação da mobilidade da coluna 
lombossacra. 
 
Justificativa: A manobra de Patrick-Fabère é executada para evidenciar processos inflamatórios 
dolorosos das articulações sacroilíacas. O Teste de Lasègue, que faz a flexão da coxofemoral 
com o joelho em extensão, provoca distensão do n. ciático, reproduzindo dor no trajeto deste 
nervo e indicando processo irritativo dele, ou das raízes nervosas que o formam. O Teste de 
Schober comprova a presença de rigidez da coluna vertebral. O teste de Trendelenburg 
evidencia fraqueza dos músculos abdutores do quadril (tensor do fáscia lata e glúteo médio). 
19. Você está de plantão em uma UPA e recebe para atendimento um homem de 64 anos de 
idade que se queixa de dor intensa e aumento de volume do joelho esquerdo, com 03 dias de 
evolução. Nega traumatismos. Informa diabetes mellitus em tratamento com metformina e 
hipertensão arterial sistêmica em tratamento com losartana associada à hidroclorotiazida. 
Interrogado quanto aos seus hábitos, informa gostar de tomar uma cerveja e comer uns “tira-
gostos”, o que diz fazer com pouca frequência. Ao exame, apresenta-se com estado geral 
regular, afebril, com obesidade grau II (IMC= 35,3), PA=150/95 mmHg. Caminha com marcha 
claudicante à esquerda, com grande aumento de volume do joelho, onde apresenta dor e 
limitação dos movimentos. De acordo com o caso, assinale a alternativa correta. 
a) O diagnóstico é o de osteoartrite do joelho, devido ao biotipo do paciente. 
b) O tratamento deve ser iniciado com uso de analgésicos comuns e fisioterapia. 
c) Os movimentos da articulação afetada são a flexão, extensão, abdução e adução. 
d) O uso do diurético tiazídico sugere diagnóstico de gota induzida por droga. 
 
Justificativa: A osteoartrite, em geral, se manifesta por início insidioso e a obesidade, 
isoladamente, não é fator determinante nem para o início dos sintomas, nem para o 
diagnóstico. Na hipótese de gota, deve-se iniciar com AINE e repouso da articulação 
acometida. O joelho realiza movimentos de flexão e extensão, apenas. Os diuréticos tiazídicos 
são hiperuricemiantes. 
 
20. Homem de 18 anos procura atendimento médico por dor em joelho direito nos últimos 3 
meses. Não há alterações ao exame físico, exceto por dor local em região distal de fêmur 
direito. A radiografia mostra massa bem definida envolvendo a metáfise femoral com elevação 
do periósteo adjacente. A biópsia evidencia células fusiformes pleomórficas com núcleos 
hipercromáticos, alta atividade mitótica, com produção de matriz osteoide. Qual o diagnóstico 
mais provável? 
a) Sarcoma de Ewing 
b) Condrossarcoma 
c) Osteossarcoma 
d) Tumor marrom 
 
Justificativa: O osteossarcoma exibe um pico de incidência em adolescentes do sexo 
masculino. Ocorre principalmente na metáfise de ossos longos e à microscopia é uma 
neoplasia formadora de matriz osteoide (letra C correta). O sarcoma de Ewing caracteriza-se 
na microscopia por uma proliferação monomórfica de células pequenas, redondas e azuis (letra 
A incorreta). O condrossarcoma ocorre principalmente em homens acima de 40 anos, no 
esqueleto axial, e produz matriz cartilaginosa (letra B incorreta). O tumor marrom não é uma 
neoplasia (não exibe atipias e alta atividade mitótica) e está relacionado ao 
hiperparatireoidismo (letra D incorreta). 
 
21. Paciente do sexo feminino, 23 anos, chega ao pronto-socorro com história de dor 
abdominal difusa súbita, espontânea, iniciada há cerca de 8 horas. No exame físico 
apresentava-se corada, afebril, taquicárdica, sem sinal de irritação peritoneal. Fez hemograma 
que demonstrava hemoglobina de 10,1 g/dL e leucograma de 13.000, sem desvio para a 
esquerda. Ultrassom de abdome na urgência revelou líquido intra-abdominal na pelve e nas 
regiões periesplênica e peri hepática (exame dificultado pela presença de gases). O 
diagnóstico mais provável é 
a) apendicite aguda 
b) isquemia intestinal 
c) gravidez ectópica 
d) úlcera perfurada 
Justificativa: A paciente apresenta provável caso de gravidez ectópica rota com o ultrassom 
mostrando líquido na cavidade (sangue provável). Perda de sangue se nota na HB de 10,1 g/dl. 
A leucocitose é normal para casos de resposta metabólica aumentada e não significa infecção. 
Na apendicite aguda e isquemia intestinal, não se encontra líquido livre em cavidade 
abdominal. Na úlcera perfurada, o paciente apresentaria sinal de irritação peritoneal. 
22. Homem de 70 anos, diabético, hipertenso (usa hipoglicemiante oral e diuréticos) e é 
submetido a cirurgia eletiva para reparo de uma hérnia inguinal. Na cirurgia foi encontrada uma 
hérnia inguinal indireta. Sobre esse tipo de hérnia é correto afirmar que: 
a) é mais comum em mulheres idosas, múltiparas. 
b) é causada pela persistência do conduto peritônio vaginal. 
c) se apresenta-se na parede posterior do canal inguinal, medial ao anel inguinal profundo. 
d) está no localizada no trígono de Hesselbach. 
Justificativa: A hérnia direta surge no trígono de Hasselbach, medial aos vasos epigástricos. A 
hérnia indireta representa a persistência do conduto peritonio vaginal. É a mais comum das 
hérnias inguinais e, principalmente, ocorre nos pacientes mais jovens. 
23. Ainda sobre o caso anterior, assinale a afirmativa correta sobre o preparo pré-operatório do 
paciente. 
a) Trata-se de um paciente de classificação ASA IV. 
b) A cirurgia realizada é considerada contaminada, por isso é indicado antibioticoterapia 
profilática. 
c) A medicação antihipertensiva do paciente deve ser suspensa 48 horas antes da 
cirurgia, principalmente o diurético. 
d) Devido a diabetes, o uso da insulina regular está indicado no pré, per e pós operatório 
de acordo com a glicemia, suspendendo o hipoglicemiante oral. 
Justificativa: Asa IV seria um paciente de alto risco e doença não controlada. A herniorrafia se 
trata de uma cirurgia limpa e não contaminada. Os medicamentos para hipertensão, inclusive 
diuréticos, são administrados até no dia da cirurgia e a insulina regular está indicada de acordo 
com a glicemia, suspendendo o hipoglicemiante oral. 
24. Um paciente de 64 anos, com queixa de dor e distensão abdominal associada à parada de 
eliminação de gases e fezes há dois dias, em regular estado geral, desidratado e taquicárdico, 
realiza TC de abdome e pelve que evidencia lesão vegetante e estenosante em cólon 
sigmoide. Assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta cirúrgica a ser adotada, após 
a reposição hidroeletrolítica inicial. 
a) Transversostomia. 
b) Colectomia total com anastomose ileorretal. 
c) Cirurgia de Hartman. 
d) Hemicolectomia esquerda com anastomose colorretal. 
Justificativa: A conduta em paciente com condições favoráveis após tratamento inicial com a 
hidratação venosa adequada seria a hemicolectomia esquerda com anastomose colorretal 
como primeira escolha. As outras condutas transversostomia( colostomia no colon transverso e 
Hartman) poderiam ser utilizadas, mas tem maior morbidade e ficam para pacientes mais 
graves, em que a anastomose primária estaria contra indicada. A colectomia total não estaria 
indicada nesse caso pois a lesão está restrita ao sigmoide. 
 
25. O megacólon chagásico ainda é uma afecção comum no nosso meio. Sobre essa doença, 
assinale a alternativa correta. 
a) O tratamento inicial do volvo no megacólon é a sua distorção com auxílio de 
retossigmoidoscópio ou colonoscopia. 
b) O tratamento cirúrgico deve serprontamente proposto no momento do seu diagnóstico. 
c) Nesse caso, não há necessidade de investigação de acometimento em outros órgãos 
devido à doença de Chagas. 
d) A incontinência anal é manifestação frequentemente associada nessa afecção. 
 
Justificativa: O tratamento do volvo preferencial é por via baixa fazendo a descompressão com 
colonoscopia e ou a retosigmoidoscopia de forma a desobstruir e evitando, assim, a cirurgia de 
urgência que tem maior morbidade (Caso clínico e imagem disponibilizada no NED). É 
importante, em casos de megacólon chagásico, avaliar os outros órgãos acometidos pela 
doença de Chagas, como esôfago e coração. Não ocorre acometimento de esfíncter, não 
causando incontinência anal. 
 
26. Paciente diabético de 30 anos foi submetido à cirurgia de mamoplastia há 5 dias. Retorna 
hoje ao pronto socorro com dor na ferida operatória. No exame se apresenta febril, temperatura 
38,5ºC, FC de 110 bpm e hiperemia na ferida com abaulamento na área central. Sobre esse 
caso, assinale a afirmativa verdadeira. 
a) Trata-se de diagnóstico de fístula provável e o tratamento deve ser somente com 
antibioticoterapia de largo espectro e realização de TC de tórax. 
b) Deve haver crescimento de E.Coli e Pseudomonas na hemocultura, se esta for 
realizada. 
c) O paciente apresenta sinais de SIRS, por isso, além da drenagem da ferida, a 
prescrição de antibióticos está indicada. 
d) Por se tratar de uma cirurgia contaminada, a antibioticoprofilaxia deveria ter sido 
indicada. 
Justificativa: Espera-se provável crescimento de estafilococos, que é germe de pele, por se 
tratar de cirurgia limpa, sem indicação de ATB profilático. O paciente apresenta sinais de SIRS 
(febre e taquicardia) e, por, ATB terapêutico estaria indicado e a drenagem é fundamental nos 
casos de ISC. Não é realizada sutura e não há abertura de TGI ou TGU ou vias aéreas, 
excluindo fístula. 
27. Paciente de 55 anos, etilista pesado, é internado com dor abdominal e vômitos. Resultados 
de exame mostraram amilase e lipase bastante elevadas. A radiografia de tórax mostrou 
derrame pleural esquerdo. Sobre esse caso, assinale a afirmativa correta. 
a) O diagnóstico provável é de pancreatite crônica com acutização, sendo indicados 
internação e tratamento cirúrgico. 
b) Deve-se solicitar TC de abdome na admissão para classificação de Balthazar. 
c) A conduta inicial deve ser hidratação venosa, suspensão da dieta e ultrassom de 
abdome. 
d) O derrame pleural, dor abdominal persistente e alcoolismo são critérios de gravidade 
no “BISAP”. 
Justificativa: Hidratação venosa, suspensão da dieta, ultrassom de abdome são condutas 
iniciais. O tratamento inicial não inclui a cirurgia e esta deve ser evitada e realizada em casos 
graves e tardiamente. A TC serve para classificação de Balthazar e sugere critérios de 
gravidade pela extensão da necrose e sinais de infecção, mas não deve ser realizada na 
admissão, e sim após alguns dias em casos de pacientes graves. Apenas o derrame pleural é 
sinal de gravidade no critério de bisap. 
B = uréia (Blood Urea nitrogen) 
I= (impaired mental) confusão mental 
S = sinais de SIRS 
A = (age) idade 
P= Pleural efusion (derrame pleural) 
28. Mulher de 40 anos apresenta dor epigástrica e em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos 
há 3 dias e icterícia, colúria e acolia há 1 dia. Exame físico: BEG, ictérica (+/4+). Abdome 
globoso, flácido, sem reação à palpação, com discreta dor à palpação de epigástrio. Exames 
laboratoriais: Hb = 12,8 g/dL; Ht = 38%; GB = 4.500 /mm3; Plaquetas = 222.500 /mm3; TGO = 
68 U/L; TGP = 73 U/L; GGT = 546 U/L, FA = 334 U/L, BT = 4,3 mg/dL (BD = 3,2 mg/dL), 
amilase = 49 U/L. O primeiro exame de imagem a ser realizado é 
a) ultrassonografia de abdome. 
b) tomografia de abdome. 
c) ressonância de abdome. 
d) colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. (CPRE) 
 
Justificativa: 
O US de abdome é o primeiro exame para avaliar um quadro de icterícia obstrutiva, pois avalia 
muito bem as vias biliares e vesícula biliar. Em casos de dúvida, a colangioressonância seria 
indicada. A TC de abdome deve ser realizada para suspeita de neoplasia de pâncreas após 
avaliação clínica e a CPRE está indicada somente para fins de tratamento da coledocolitíase 
ou para drenagem de tumor de pâncreas com stent, mas não para diagnóstico. 
 
 
29. Homem de 50 anos de idade vem apresentando náusea persistente há 5 anos com vômitos 
ocasionais. Ao exame físico não há achados abdominais. Ele realiza, então, uma endoscopia 
digestiva alta (EDA) que evidencia uma pequena área na mucosa de fundo gástrico com perda 
de pregueamento. Biópsia é realizada e mostra um adenocarcinoma bem diferenciado 
confinado à mucosa. O paciente apresentava na EDA de 5 anos atrás uma gastrite 
caracterizada microscopicamente por inflamação crônica com atividade inflamatória. Qual das 
opções a seguir é o fator de risco mais provável para o desenvolvimento dessa neoplasia? 
 
a) Mutação no gene APC. 
b) Infecção pelo Helicobacter pylori. 
c) Abuso crônico de álcool. 
d) Uso de anti-inflamatórios não esteroidais. 
 
Justificativa: A infecção pelo H. pylori leva a uma gastrite crônica com atividade inflamatória 
que pode evoluir para atrofia e metaplasia intestinal, fator de risco para o desenvolvimento do 
adenocarcinoma do tipo intestinal de Laurén (letra B correta). O carcinoma gástrico precoce 
não está associado à mutação do gene APC (letra A incorreta). O álcool, assim como os 
AINEs, está associado a alterações agudas da mucosa gástrica (letras C e D incorretas). 
 
 
30. Homem de 20 anos, saudável, mas com história familiar de câncer colorretal em indivíduos 
jovens. Não há nenhuma alteração no exame físico. Ele realiza uma colonoscopia que 
identifica mais de 200 adenomas tubulares variando de 0,2cm a 1,0cm de tamanho. Qual das 
doenças genéticas a seguir, provavelmente, ele é portador? 
a) Síndrome do carcinoma colônico hereditário não associado à polipose. 
b) Síndrome de Gardner. 
c) Síndrome de Peutz-Jeguers. 
d) Polipose adenomatosa familiar. 
 
Justificativa: A polipose adenomatosa familiar cursa com múltiplos pólipos adenomatosos (mais 
de 100 adenomas, em sua forma clássica) em adolescentes e adultos jovens e é causada por 
herança do gene APC anormal (letra D correta). A síndrome do carcinoma colônico hereditário 
não associado à polipose é acompanhado por poucos pólipos que surgem na meia idade (letra 
A incorreta). A síndrome de Gardner exibe múltiplos pólipos colônicos, mas é menos comum e 
apresenta lesões extraintestinais associadas com osteomas (letra B incorreta). Na síndrome 
de Peutz-Jeguers os pólipos são hamartomatosos, não adenomatosos (letra C incorreta). 
 
As questões de 31 a 34 se referem ao caso clínico abaixo: 
 
Paciente homem, 72 anos, é trazido ao serviço de emergência. Ao tentar escapar de um 
incêndio em seu apartamento, acabou sofrendo uma queda, tendo batido com a cabeça e 
inalado grande quantidade de fumaça. Foi, então, socorrido pelos vizinhos e por bombeiros. No 
primeiro exame, constatou-se a possibilidade de um trauma cranioencefálico. Realizado exame 
de imagem (tomografia sem contraste do encéfalo) que evidenciou lesão hiperdensa, com 
formato côncavo-convexo (em crescente), em correspondência com a região frontoparietal. O 
paciente foi internado para observação e, cerca de três dias após a internação, evoluiu com 
insuficiência respiratória importante. Não havia indícios de aumento da pressão hidrostática 
pulmonar. O paciente foi transferido para o CTI para tratamento e acompanhamento do quadro. 
 
31. Em relação ao trauma cranioencefálico apresentado pelo paciente, é correto afirmar que 
 
a) tem como mecanismo de formação a aceleração e desaceleração em sentido látero-lateral. 
b) situa-se classicamente na região da convexidade cerebral e pode causar hipertensão 
intracraniana. 
c) caracteriza-se, macroscopicamente, pela presença de sangue recobrindo giros e 
preenchendo sulcos. 
d) resulta do rompimentoda artéria meníngea média, que se situa muito próxima ao osso 
nessa região. 
 
Justificativa: A tomografia computadorizada sem contraste mostra uma imagem hiperdensa, 
côncavo-convexa, situada na região frontoparietal. Nesse caso, o diagnóstico é de um 
hematoma subdural, que aparece na região de convexidade cerebral e, pelo acúmulo de 
sangue, pode levar ao aumento da pressão intracraniana. O mecanismo de formação deste 
trauma é por aceleração e desaceleração sagital e não látero-lateral. No hematoma subdural, o 
sangue não preenche sulcos; isso ocorre na hemorragia subaracnóidea. Os vasos que se 
rompem no hematoma subdural são as veias-ponte. A artéria meníngea média se rompe no 
hematoma extradural 
(Bogliolo, nona edição, capítulo 26; Robbins, nona edição, capítulo 28) 
 
32. Os sinais clínicos que poderiam sugerir hipertensão intracraniana neste paciente são: 
a) taquicardia, edema de papila e Glasgow 15. 
b) bradicardia, hipertensão arterial e alteração de ritmo respiratório. 
c) alteração da consciência, taquipneia e isocoria. 
d) bradicardia, taquipneia e edema de papila. 
 
Justificativa: A hipertensão intracraniana pode ser sugerida pela tríade de Cushing, que inclui 
bradicardia, alteração de ritmo respiratório e hipertensão arterial, para garantir a pressão de 
perfusão cerebral. Um paciente com hipertensão intracraniana evolui com rebaixamento do 
nível de consciência e, nos casos de hemorragia intracraniana, com anisocoria. 
 
33. Em relação ao quadro pulmonar apresentado pelo paciente, analise as assertivas abaixo: 
 
I-A inalação de fumaça foi, provavelmente, o evento que desencadeou o quadro pulmonar do 
paciente. 
II-O aspecto microscópico esperado para o pulmão é de uma hiperemia passiva crônica. 
III-Na sua patogênese observa-se um aumento da atividade de macrófagos e, posteriormente, 
um aumento da atividade fibroblástica. 
 
Está correto o descrito em: 
a) I, II e III 
b) I e II, apenas 
c) I e III, apenas 
d) II e III, apenas 
 
Justificativa: 
I- Verdadeira: o paciente tem um quadro de insuficiência respiratória, sem indícios de aumento da 
pressão hidrostática e após ter inalado fumaça em um incêndio. Nesse caso, o diagnóstico mais provável 
é de dano alveolar difuso (edema pulmonar não cardiogênico). Vários fatores podem desencadear o 
quadro, incluindo inalação de fumaça, que é o que faz parte da história do paciente. 
II-Falsa: o aspecto microscópico esperado para o pulmão com dano alveolar difuso é de membrana 
hialina revestindo internamente os alvéolos. A hiperemia passiva crônica, com congestão dos septos 
alveolares, ocorre no edema pulmonar cardiogênico crônico. 
III-Verdadeira: na patogênese do dano alveolar difuso, há um aumento da atividade inflamatória, com 
ação de macrófagos e, posteriormente, um aumento da atividade fibroblástica, gerando uma fibrose 
pulmonar. 
 (Bogliolo, nona edição, capítulo 14; Robbins, nona edição, capítulo 15) 
 
34. A insuficiência respiratória do paciente acima pode ser classificada como: 
a) Hipercápnica, com gradiente alvéolo-arterial normal. 
b) Hipercápnica, com gradiente alvéolo-arterial aumentado. 
c) Hipoxêmica, com gradiente alvéolo-arterial normal. 
d) Hipoxêmica, com gradiente alvéolo-arterial aumentado. 
 
Justificativa: A insuficiência respiratória hipercápnica ocorre por redução da ventilação ou 
aumento do espaço morto, cursando com gradiente alvéolo-arterial normal. O dano alveolar 
difuso (decorrente da inalação de fumaça) causa dificuldade de troca gasosa, com hipoxemia e 
aumento do gradiente alvéolo-arterial. 
35. Paciente de 18 anos, diabético há três anos, chegou ao Pronto Atendimento em mau 
estado geral, desidratado, taquipneico, prostrado, sonolento e com leve confusão mental. Os 
exames laboratoriais da admissão eram: Glicemia capilar: 400 mg/dL, Na: 131 mEq/ L (VR 
135- 145 mEq/L), K: 6,8 mEq/L (VR: 3,5- 5,0 mEq/L), pH 7,2 (VR 7,35- 7,45) pO2 98,3 
mmHg (VR 80-100mmHg) , pCO2 21 mmHg (VR 35-45 mmHg), HCO3 8,2 mEq/ l (VR 22-26 
mmHg) , SatO2 98,3%. A conduta inicial para o tratamento desse paciente é 
a) iniciar medidas para diminuir o potássio sérico, pois com a correção da glicemia os níveis 
séricos de potássio tendem a aumentar. 
b) iniciar hidratação venosa e insulinoterapia, pois com a correção da glicemia a tendência é 
que o potássio sérico volte aos valores normais. 
c) iniciar hidratação e adiar a insulinoterapia até que ocorra melhora dos níveis séricos de 
potássio. 
d) suspender a hidratação até que o potássio sérico esteja menor que 5,0 mEq/l. 
 
Justificativa: O tratamento da cetoacidose é baseado na reposição de volume, na correção dos 
distúrbios eletrolíticos, principalmente de potássio, e na insulinoterapia. O potássio tende a sair 
do intracelular e acumular-se no extracelular durante a cetoacidose, devido à 
hiperosmolaridade, acidose e depleção de insulina. A conduta varia com os níveis de potássio. 
Se potássio menor que 3,5; iniciar hidratação venosa e reposição de potássio e adiar a 
insulinoterapia até que ocorra melhora dos níveis séricos de potássio. Potássio 3,5 a 5,5; 
hidratação venosa, insulinoterapia e reposição de potássio. Se potássio maior que 5,5; iniciar 
hidratação venosa e insulinoterapia, pois com a correção da glicemia a tendência é que o 
potássio sérico volte aos valores normais. 
 
36. Paciente de 55 anos, obeso, diabético e hipertenso chega a UPA com dor precordial típica 
de 50 minutos de evolução, com PA 150 x 90 mmHg, FC 90 bpm. Realizou o ECG abaixo. 
 
 
Após administração de nitrato sublingual, esse paciente evoluiu com piora da dor 
precordial associada à dispneia e pré-síncope, PA 60 x 40 mmHg e FC 55bpm, sem 
sopros, e apresentava murmúrio vesicular fisiológico, sem crepitações. Qual o 
diagnóstico mais provável para esse paciente? 
a) IAM inferior complicado com edema agudo de pulmão. 
b) IAM anterior complicado com edema agudo de pulmão. 
c) IAM lateral com fibrilação ventricular. 
d) IAM inferior com acometimento de ventrículo direito. 
Justificativa: O ECG é de IAM inferior, com supra de ST nas derivações de parede inferior DII, 
DIII e aVF. Um terço dos casos de IAM de parede inferior associa-se a infarto de ventrículo 
direito, por isso é importante complementar o ECG com derivações precordiais direitas (V3R e 
V4R). No IAM de VD, o débito cardíaco depende do retorno venoso e pré-carga, sendo 
importante evitar drogas venodilatadoras, como os nitratos, que podem causar falência aguda 
de VD com hipotensão sem congestão pulmonar, como no caso do paciente da questão. 
37. Homem, 28 anos, em uma disputa de equitação, sofreu queda durante um salto, sendo 
arremessado do cavalo em alta velocidade. Ao exame de admissão no pronto atendimento 
apresentava PA 90 x 60 mmHg, FC 120 bpm, dispneia, FR 32 irpm e dor em ombro direito. Foi 
realizada radiografia de tórax que evidenciou pneumotórax à direita. O tórax foi drenado e 
conectado a sistema de selo d'água com borbulhamento contínuo de ar pelo dreno. Ao exame 
do tórax, após a drenagem, o paciente mantinha taquipneia, sons respiratórios abolidos e 
hipertimpanismo em hemitórax direito. Foi realizada radiografia simples de tórax que mostrou 
que o dreno estava bem posicionado e havia colabamento total de pulmão direito, com 
pneumotórax persistente. A principal hipótese diagnóstica para esse paciente é: 
a) tórax instável 
b) ruptura de brônquio 
c) ruptura diafragmática à esquerda 
d) rolha de secreção no brônquio esquerdo 
 
A drenagem torácica resolve mais de 90 % dos casos de pneumotórax. Se, mesmo após a 
drenagem torácica adequada, persistem sinais clínicos e radiográficos de pneumotórax, deve-
se pensar em lesão de grande via aérea, como brônquio, que não pode ser resolvida apenas 
com drenagem. Essa lesão requer broncoscopia e cirurgia para tratamento adequado. Na 
ruptura diafragmática evidenciam-se alças intestinais no tórax. No tórax instável evidencia-se 
contusão pulmonar e a rolha de secreção causariaatelectasia. 
 
38. Uma criança de cinco anos chega ao pronto-socorro com história de ter sido vítima de 
atropelamento por automóvel, com múltiplas escoriações pelo corpo e abdome. Ao exame 
físico, apresentava Glasgow 14, dispneia leve, FR 24 irpm, com murmúrio vesicular fisiológico e 
dor abdominal importante, impedindo a palpação do médico. A radiografia realizada na UPA 
encontra-se abaixo. 
 
A principal hipótese diagnóstica para essa criança é: 
a) Perfuração de parede posterior do duodeno 
b) Rotura de baço 
c) Rotura de alça de intestino delgado. 
d) Rotura de ureter 
Justificativa: A radiografia evidencia pneumoperitônio bilateral, que indica perfuração de alça de 
intestino delgado. Se houvesse perfuração de parede posterior do duodeno, seria encontrado 
retropneumoperitônio. Na perfuração de baço e ureter não ocorre pneumoperitônio. 
 
39. Um paciente vítima de trauma abdominal por arma de fogo foi submetido à laparotomia 
exploradora. Durante a cirurgia foram corrigidos vários danos às estruturas intra-abdominais, 
realizadas várias transfusões de sangue e infundido 5.000 ml de soro fisiológico. No CTI, o 
paciente apresentou distensão abdominal, oligúria, acidose, aumento da PVC, hipercapnia e 
hipoxemia, com murmúrio vesicular presente, mas reduzido em bases, além de hipotensão 
arterial com bulhas normorrítmicas e normofonéticas. Quais são, respectivamente, a hipótese 
diagnóstica mais provável e a melhor conduta para esse paciente? 
a) Tamponamento cardíaco - pericardiocentese. 
b) Pneumotórax hipertensivo - toracocentese no 2º espaço intercostal. 
c) Síndrome do compartimento abdominal - reabrir parede abdominal e deixar aberta com 
bolsa plástica. 
d) Hérnia diafragmática - laparotomia exploradora. 
 
Justificativa: O paciente apresenta sintomas clássicos da síndrome do compartimento 
abdominal (distensão abdominal, oligúria, acidose, aumento da PVC, hipercapnia e hipoxemia, 
hipotensão arterial) após realização de laparotomia com correção de múltiplos danos 
abdominais, múltiplas hemotransfusões e reposição volêmica abundante. O tratamento dessa 
síndrome é a reabertura da cavidade abdominal com realização de laparostomia e colocação 
de Bolsa de Bogotá ou outro dispositivo equivalente, até que ocorra regressão do edema de 
alças intestinais e ascite, com redução da pressão intra-abdominal, possibilitando o fechamento 
definitivo da parede abdominal. 
 
40. Um paciente de 20 anos, vítima de acidente automobilístico, foi admitido no Pronto Socorro 
consciente, orientado, referindo dor abdominal. Ao exame físico, apresentava FC 86 bpm, PA 
120 x 80 mmHg, palpação abdominal dolorosa, sem sinais de irritação peritoneal. Foi realizada 
ultrassonografia (FAST) na sala de emergência que evidenciou pequena quantidade de líquido 
livre periesplênico e na pelve. A próxima conduta a ser adotada para esse paciente é: 
a) Laparotomia exploradora. 
b) Lavado peritoneal diagnóstico. 
c) FAST de controle. 
d) Tomografia computadorizada de abdome. 
 
Justificativa: O paciente foi vítima de trauma contuso no abdome, mantém-se estável 
hemodinamicamente (PA 120 x 80 mmHg e FC 86 bpm), com dor abdominal à palpação, mas 
sem sinais de irritação peritoneal. FAST com líquido livre em paciente estável NÃO é indicação 
de laparotomia. O próximo passo é a realização de TC de abdome para avaliar melhor a 
víscera lesada e o grau de lesão. Se a TC confirmar apenas pequena lesão esplênica e o 
paciente se mantiver estável, o controle é clínico.

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