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Estatuto	da	Pessoa
com	Deficiência
COMENTADO
ARTIGO	POR	ARTIGO
COORDENADOR
Costa	Machado
ORGANIZADORAS
Maria	Amália	de	Figueiredo	Pereira	Alvarenga
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Estatuto	da	pessoa	com	deficiência	:	comentado	artigo	por	artigo	/	coordenador:
Copyright	©	2019	by	Antônio	Carlos	da	Costa	Machado,	Maria	Amália	de
Figueiredo	Pereira
Alvarenga,	Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Copyright	©	2019	by	Novo	Século	Editora	Ltda.
COORDENAÇÃO	EDITORIAL:	Nair	Ferraz
PREPARAÇÃO:	Equipe	Novo	Século
REVISÃO:	Luiza	Bonfin
CAPA:	Brenda	Sório
PROJETO	GRÁFICO	E	DIAGRAMAÇÃO:	Nair	Ferraz
IMAGEM	DE	CAPA:	Símbolo	Internacional	de	Acessibilidade	(ONU)
EDITORIAL
Bruna	Casaroti	•	Jacob	Paes	•	João	Paulo	Putini	•	Nair	Ferraz	•	Renata	de	Mello
do	Vale	•	Vitor	Donofrio
DESENVOLVIMENTO	DE	EBOOK
Loope	Editora	|	www.loope.com.br
Texto	de	acordo	com	as	normas	do	Novo	Acordo	Ortográfico	da	Língua
Portuguesa	(1990),	em	vigor	desde	1º	de	janeiro	de	2009.
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
Angélica	Ilacqua	CRB-8/7057
Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência:	comentado	artigo	por	artigo
Costa	Machado;	organizadoras:	Maria	Amália	de	Figueiredo	Pereira	Alvarenga,
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro.	--	Barueri,	SP	:	Novo	Século,	2019.
ISBN:	9788542817119
1.	Deficientes	–	Estatuto	legal,	leis	etc.	–	Brasil	2.	Brasil.	[Estatuto	da	Pessoa
com	Deficiência	(2015)]	–	Comentários	I.	Machado,	Costa	II.	Alvarenga,	Maria
Amália	de	Figueiredo	Pereira	III.	Ribeiro,	Luciana	Esteves	Zumstein
19-0472	CDD-346.81013
Índice	para	catálogo	sistemático:
1.	Direito	–	Deficientes	–	Estatuto	Legal
São	de	responsabilidade	dos	autores	as	informações	contidas	nesta	obra.
Alameda	Araguaia,	2190	–	Bloco	A	–	11º	andar	–	Conjunto	1111
CEP	06455-000	–	Alphaville	Industrial,	Barueri	–	SP	–	Brasil
Tel.:	(11)	3699-7107	|	Fax:	(11)	3699-7323
www.gruponovoseculo.com.br	|	atendimento@novoseculo.com.br
http://www.gruponovoseculo.com.br
AUTORES
Acir	de	Matos	Gomes	|	Andreia	Maria	Ribeiro	Silva	|	Cristiany	de	Castro	|
Denilson	Pereira	Afonso	de	Carvalho	|	Edwirges	Elaine	Rodrigues	|	Erton
Evandro	de	Sousa	David	|	Esdras	Lovo	|	Fábio	Cantizani	Gomes	|	Flávio
Henrique	Amado	Tersi	|	Gabriela	Giaqueto	Gomes	|	Gabriela	Pirajá	Cecilio
Bunhola	|	Isadora	Beatriz	Magalhães	Santos	|	Kátia	Maria	Ranzani	|	Kelly
Cristina	Canela	|	Kleber	Antonio	Galerani	|	Leandro	Jorge	de	Oliveira	Lino	|
Letícia	Machel	Lovo	|	Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro	|	Luciano	Crotti
Peixoto	|	Luciano	Dal	Sasso	Masson	|	Maiara	Motta	|	Maísa	Rezende	Ferraro
Alvarenga	|	Márcio	de	Freitas	Cunha	|	Murilo	Colombini	|	Paula	Baraldi	Artoni	|
Paula	Santiago	Soares	|	Roberto	Alves	de	Oliveira	Filho	|	Victor	Hugo	de
Almeida
CONSELHO	EDITORIAL
Prof.	Dr.	Antônio	Cláudio	da	Costa	Machado	(USP/SP)
Prof.	Dr.	Carlos	Eduardo	de	Abreu	Boucault	(FCHS/UNESP)
Prof.	Dr.	Eudes	Quintino	de	Oliveira	Júnior	(UNORP;	FAMERP/SJRP)
Profª.	Drª.	Kelly	Cristina	Canela	(FCHS/UNESP)
Profª.	Drª.	Maria	Flávia	Figueiredo	(UNIVERSIDADE	DE	FRANCA)
Prof.	Dr.	Murilo	Gaspardo	(FCHS/UNESP)
Prof.	Dr.	Victor	Hugo	de	Almeida	(FCHS/UNESP)
COORDENADOR
Antônio	Cláudio	da	Costa	Machado
É	graduado	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	da	Universidade	de	São	Paulo
(USP).	Mestre	e	Doutor	em	Direito	Processual	Civil	pela	Faculdade	de	Direito
da	USP.
Professor	de	Teoria	Geral	do	Processo	e	Direito	Processual	Civil	da	Faculdade
de	Direito	da	USP	desde	1984	e	de	Mestrado	em	Prestação	Jurisdicional	e
Direitos	Humanos	da	Universidade	Federal	do	Tocantins	–	ESMAT,	desde	2010.
Foi,	também,	professor	do	Mestrado	em	Direito	do	Centro	Universitário	Fieo
(Unifieo)	entre	2000	e	2003.
Professor	de	Mestrado	em	Direitos	Humanos	Fundamentais	do	Centro
Universitário	Fieo	(Unifieo)	desde	2004.	Ex-professor	do	curso	de	mestrado	da
Universidade	de	Guarulhos	(UNG)	entre	2000	e	2004	e	da	Universidade	de
Franca	(Unifran)	entre	2000	e	2006.	Ex-coordenador	de	Processo	Civil	da	Escola
Paulista	de	Direito	(EPP)	entre	2008	e	2013.	Autor	e	organizador	de	mais	de	30
livros	jurídicos,	integrou	mais	de	250	aulas	de	pós-graduação	e	preferiu	mais	de
300	palestras.	É	advogado,	consultor	jurídico	e	parecerista.
ORGANIZADORAS
Maria	Amália	de	Figueiredo	Pereira	Alvarenga
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1984).	Mestre
(1994)	e	Doutora	(1999)	em	Direito	pela	FHDSS.	Foi	Coordenadora	dos	Cursos
de	Pós-Graduação	Stricto	Sensu:	Mestrado	em	Direito	Público	e	Direito	Privado
(2003)	da	Universidade	de	Franca.	Coordenadora	de	técnicas	e	elaboração	de
Monografia	da	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1999-2001).	Coordenadora	do
Curso	de	Aperfeiçoamento	da	FHDSS	(2007).	Coordenou	o	Curso	de	Direito	da
Unesp,	Franca	(2011-2014).	Atualmente	é	Chefe	do	Departamento	de	Direito
Privado,	de	Processo	Civil	e	do	Trabalho	da	FHDSS	e	Professora	Assistente
Doutora	(RDIPD),	com	experiência	na	área	de	Direito,	com	ênfase	em	Direito
Civil,	atuando	principalmente	nos	seguintes	temas:	parte	geral,	direitos	da
personalidade,	direito	de	família	e	responsabilidade	civil.	Docente	da	Pós-
Graduação	(Mestrado)	em	Direito	na	área	de	Direito	de	Família	da	UNESP,
Franca.	Avaliadora	de	Cursos	e	Institucional	do	Ministério	da	Educação.	Líder
de	Pesquisa	da	CNPq	e	Membro	do	IBDFAM.
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1997).	Mestre	em
Direito	Público	pela	Universidade	de	Franca	(2001).	Advogada.	Professora	de
Direito	do	Consumidor	na	Universidade	de	Franca	(2017);	e	Professora	Titular
da	disciplina	Direito	Civil	na	Universidade	de	Franca	(2018):	Direito	das
Obrigações,	Contratos,	Direito	de	Família	e	Direito	das	Sucessões.	Membro	do
Grupo	de	Pesquisa	“O	Direito	de	Família	contemporâneo	e	as	relações	sociais”
da	CNPq.
AUTORES
Acir	de	Matos	Gomes
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1994).	Mestrado	em
Linguística	(com	ênfase	em	análise	do	discuro	jurídico)	pela	Unifran	(2011).
Doutor	em	Língua	Portuguesa	(com	ênfase	em	retórica	jurídica)	pela	PUC-SP
(2017).	Pós-graduado	(especialista)	em	psicanálise	contemporânea	pela	Unifran
(2013).	Pós	graduação	(especialista)	em	Processo	Civil	pela	Facon	(2017).
Professor	de	Direito	Processual	Civil	II	e	IV	na	Unifran.	Professor	de	Medicina
Legal	na	Unifran.	Professor	da	Escola	Superior	da	Advocacia	do	núcleo	de
Franca-SP.	Professor	de	comunicação	e	oratória	da	OAB/Franca.	Professor	na
escola	Meta	–	preparatório	para	concurso	público.	Advoga	nas	áreas	cível,
família	e	criminal.	Mediador/Conciliador	certificado	pelo	Nupemec/CNJ	(2017).
Articulista	do	Jornal	Diário	Verdade	da	cidade	de	Franca.	Integrante	do	Grupo
de	Pesquisa	ERA	(estudos	retóricos	e	argumentativos)	PUC	–	São	Paulo.
Integrante	do	Grupo	de	Pesquisa	PARE	(Pesquisa	em	Argumentação	e	retórica)
da	Unifran	–	São	Paulo.	Autor	do	livro:	Discurso	Jurídico,	Mulher	e	Ideologia:
uma	análise	da	Lei	Maria	da	Penha	e	do	livro	União	Homoafetiva:	análise
retórica	e	jurídica.	Procurador	Jurídico	da	Federação	das	Apaes	do	Estado	de
São	Paulo.
Andreia	Maria	Ribeiro	Silva
Mestre	em	Linguística	pela	Universidade	de	Franca	–	Unifran.	Especialista	em
Gestão	Jurídica	da	Empresa	pela	Universidade	Estadual	Paulista	Júlio	de
Mesquita	Filho	–	Unesp/Franca.	Graduada	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito
de	Franca	–	FDF.	Graduada	em	Serviço	Social	pela	Unesp/Franca.	Coordenadora
do	Curso	de	Serviço	Social	da	Universidade	de	Franca/Unifran.	Professora
titular	da	disciplina	“Legislação	Social	e	Serviço	Social”	no	Curso	de	Serviço
Social	da	Unifran.	Professora	titular	das	disciplinas	“Direito	do	Trabalho	I”	e
“Direito	do	Trabalho	II”,	no	Curso	de	Direito	da	Unifran.	Advogada	militante.
Cristiany	de	Castro
Graduada	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca.	Pós-graduanda	pela
Faculdade	de	Direito	de	Franca.	Advogada	atuante	nas	áreas	civil	e
administrativa.	Ampla	atuação	na	defesa	dos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.
Procuradora	jurídica	da	APAE/Franca.	Presidente	da	Federação	das	APAES	do
Estado	de	São	Paulo	(FEAPAES-SP).	Palestrante	sobre	a	Legislação	Brasileirada	Inclusão	(LBI).
Denilson	Pereira	Afonso	de	Carvalho
Advogado	militante	na	cidade	de	Franca	e	Região	(desde	2003).	Graduação	em
Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1999).	Secretário	de	Negócios
Jurídicos	no	Município	de	Franca	(2000-2003).	Professor	universitário	na
Universidade	de	Franca	(2003-2008).	Professor	universitário	na	Faculdade	de
Direito	Fafram	(2005-2007).
Edwirges	Elaine	Rodrigues
Mestre	em	Direito	pela	FCHS/Unesp.	Especialista	em	Direito	Processual	Civil
pela	FCHS/Unesp.	Membro	do	Grupo	de	Pesquisa	“O	Direito	de	Família
contemporâneo	e	as	relações	sociais”	da	CNPq;	Membro	do	Instituto	Brasileiro
de	Direito	de	Família	–	IBDFAM.	Professora	Substituta	de	Direito	Civil	da
FCHS/Unesp.
Erton	Evandro	de	Sousa	David
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1999).
Especialização	em	Direito	Processual	Penal	pela	Universidade	de	Franca.
Especialização	em	Direito	Público	pelo	Instituto	LFG/Uniderp.	Especialização
em	Direito	Processual	Civil	pelo	Instituto	LFG/Uniderp.	Promotor	de	Justiça	do
Estado	de	São	Paulo	na	Comarca	de	Ituverava/SP.	Membro	associado	do
Instituto	Brasileiro	de	Direito	de	Família	–	IBDFAM.	Membro	associado	do
Ministério	Público	Democrático	–	MPD.	Membro	dos	grupos	de	pesquisa	“O
Direito	de	Família	contemporâneo	e	as	relações	sociais”	e	“As	novas	vertentes
do	Direito	da	Personalidade”,	ambos	da	CNPq.	Mestre	em	Direito	pela	Unesp.
Esdras	Lovo
Doutor	em	Direito	Constitucional	pela	PUC/SP.	Mestre	em	Direito	Empresarial
pela	Universidade	de	Franca.	Professor	titular	de	Direito	Empresarial	e	Prática
Trabalhista,	Coordenador	do	Curso	de	Direito	da	Universidade	de	Franca,
Diretor	Jurídico	Adjunto	do	CIESP	e	Sócio	Fundador	do	Escritório	Lovo
Advogados.
Fábio	Cantizani	Gomes
Graduado	e	mestre	em	Direito	pela	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de
Mesquita	Filho”	–	Unesp.	Doutorando	em	Direito	pelo	Centro	Universitário	de
Bauru	–	CEUB,	da	Instituição	Toledo	de	Ensino	–	ITE.	Professor	de	Direito
Constitucional	da	Universidade	de	Franca	e	da	Faculdade	de	Direito	de	Franca	–
FDF.
Flavio	Henrique	Amado	Tersi
Bacharel	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	–	FDF.	Mestre	em
Direito	pela	Universidade	de	Franca.	Professor	de	Direito	Penal	do	curso	de
Direito	da	Universidade	de	Franca.
Gabriela	Giaqueto	Gomes
Mestranda	em	Direito	pela	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita
Filho”	–	Unesp	(2018).	Bacharel	em	Direito	pela	Unesp	(2017).	Pesquisadora
CNPq/PIBIC:	“Mudanças	no	modelo	familiar:	as	novas	intervenções	no	Direito
de	Família”.	Membro	do	Grupo	de	Estudos	e	Pesquisas	sobre	Família	–
GEPEFA.	Membro	do	Grupo	de	pesquisas:	“O	Direito	de	Família
contemporâneo	e	as	relações	sociais:	inovações	no	direito	de	família
contemporâneo”,	coordenado	pela	professora-orientadora	Maria	Amália	de
Figueiredo	Pereira	Alvarenga.	Membro	do	Instituto	Brasileiro	de	Direito	de
Família	–	IBDFAM.	Estagiária	de	pós-graduação	junto	ao	Tribunal	de	Justiça	de
Minas	Gerais.
Gabriela	Pirajá	Cecilio	Bunhola
Advogada	com	ênfase	nas	áreas	Trabalhista,	Direito	de	Família	e	Direito
Médico;	Pós-Graduada	em	Direito	e	Processo	do	Trabalho	pela	Universidade
Gama	Filho;	Mestranda	em	Direito	pela	Unesp/Franca	e	Advogada	do	Conselho
Regional	de	Medicina	–	CRM.
Isadora	Beatriz	Magalhães	Santos
Advogada.	Formada	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca.	Mestranda	em
Direitos	Fundamentais	pela	Unesp/Franca.	Tutora	na	disciplina	Ciências
Jurídicas	e	Sociais	do	NEaD	–	Núcleo	de	Educação	a	Distância/Unesp.
Kátia	Maria	Ranzani
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1993)	e	em
Pedagogia	pela	Universidade	de	Franca	(1988)	e	Mestrado	em	Direito
Empresarial	pela	Universidade	de	Franca	(2001).	Tem	experiência	na	área	de
Direito	com	ênfase	em	Direito	Civil,	Tributário,	Direito	Administrativo,
Antropologia	e	Sociologia	Jurídica,	atuando	principalmente	nos	seguintes	temas:
direito,	educação	e	cidadania.	É	professora	em	cursos	preparatórios	para
concursos	públicos	e	consultora	jurídica.	Especialista	e	Mestre	em	Direito
Tributário,	Direito	Civil	e	Processo	Civil.	Advogada	Militante.	Graduanda	em
Medicina	Veterinária	pela	Unifran.
Kelly	Cristina	Canela
Graduação	pela	Faculdade	de	Direito	da	Universidade	de	São	Paulo
(1998-2002),	com	habilitação	em	Direito	Privado	e	Processo	Civil.	É	mestre	em
Direito	pela	Università	di	Roma	“Tor	Vergata”	(2004-2006)	e	doutora,	na	Área
de	Direito	Privado,	pela	Faculdade	de	Direito	da	Universidade	de	São	Paulo
(2004-2009).	É	professora	do	Departamento	de	Direito	Privado	da	Universidade
Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”	(Unesp)	e	advogada	inscrita	na
Ordem	dos	Advogados	do	Brasil	(OAB).
Kleber	Antonio	Galerani
Mestre	em	Relações	Internacionais	pela	Universidade	Federal	do	Rio	Grande	do
Sul	(UFRGS).	Bacharel	em	Relações	Internacionais	pela	Universidade	Estadual
Paulista	(Unesp).	Especialização,	em	andamento,	em	Direito	Público	pela
Pontifícia	Universidade	Católica	de	Minas	Gerais	(PUC–MG).	Professor	de
Direito	Internacional,	Direito	Constitucional,	Ciência	Política	e	Teoria	Geral	do
Estado	da	Universidade	de	Franca	(Unifran).	Foi	professor	no	Programa	de	Pós-
Graduação	em	Gestão	Urbana	da	Unifran	e	nos	cursos	de	graduação	em
Relações	Internacionais	e	Ciências	Econômicas	do	Centro	Universitário	Moura
Lacerda	(CUML)	de	Ribeirão	Preto/SP.	Pesquisador	na	área	de	tecnologias
digitais	e	metodologias	ativas	aplicadas	ao	ensino	superior.
Leandro	Jorge	de	Oliveira	Lino
Advogado	especializado	em	Direito	Público	com	ênfase	em	Direito	Tributário,
com	pós-graduação	em	Direito	Tributário	Material	e	Processual	pela	Escola
Paulista	de	Direito	(EPD).	Presidente	da	Comissão	de	informática	e	membro	da
comissão	de	terceiro	da	87ª	Subseção	da	OAB/SP	em	Bebedouro	(2008-2009).
Palestrante	convidado	na	área	de	Direito	do	Consumidor	da	Comissão	de
Estudos	OAB	vai	à	Escola	da	87ª	Subseção	da	OAB	em	Bebedouro.	Docente	na
Escola	Superior	da	Advocacia	da	OAB/SP	e	OAB/MG,	no	curso	de	Processo
Digital	e	Peticionamento	eletrônico.	Membro	da	Comissão	Permanente	do
Processo	Judicial	Digital	da	OAB/SP,	representando	a	87ª	Subseção	de
Bebedouro/SP.	Mestre	em	Direito	da	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de
Mesquita	Filho”.
Letícia	Machel	Lovo
Mestre	em	Linguística	pela	Universidade	de	Franca.	Mestranda	em	Filosofia	do
Direito	pela	PUC-SP.	Professora	titular	de	Direito	Civil	e	Direito	do	Consumidor
no	Curso	de	Direito	da	Universidade	de	Franca.	Professora	de	Ética	Profissional
nos	Cursos	Márcio	Cunha.	Pesquisadora	e	Advogada.
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Graduação	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca	(1993-1997).	Mestre
em	Direito	Público	pela	Universidade	de	Franca	(1999-2001).	Advogada.
Professora	de	Direito	do	Consumidor	na	Universidade	de	Franca	(2016-2017).
Professora	titular	da	disciplina	Direito	Civil	na	Universidade	de	Franca
(2001-2018),	com	ênfase	em	Direito	das	Obrigações,	Contratos,	Direito	de
Família	e	Direito	das	Sucessões.
Luciano	Crotti	Peixoto
Graduado	em	Direito	pela	FCHS/Unesp.	Especialista	em	Direito	Notarial	e
Registral	pela	Faculdade	Damásio	de	Jesus	e	especialista	em	Direito	Notarial	e
Registral	pela	Universidade	Candido	Mendes.	Mestrando	em	Direito	pela
FCHS/Unesp.	Membro	do	grupo	de	pesquisa	“O	Direito	de	Família
contemporâneo	e	as	relações	sociais”	e	“As	novas	vertentes	do	Direito	da
Personalidade”,	ambos	da	CNPq.
Luciano	Dal	Sasso	Masson
Especialista	em	Direito	Público	pela	Universidade	de	Franca.	Mestre	em
Direitos	coletivos	e	cidadania	pela	Universidade	de	Ribeirão	Preto.	Professor
Universitário	e	em	cursos	preparatórios	para	concursos	públicos.	Defensor
Público	no	Estado	de	São	Paulo.
Maiara	Motta
Mestranda	em	Direito	Civil	pela	Unesp/Franca.	Especialista	em	Processo	Civil
pela	Escola	Paulista	da	Magistratura	(EPM).	Mediadora	certificada	pelo
NupeMEC.	Bacharel	em	Direito	pela	Unesp/Franca.
Maísa	Rezende	Ferraro	Alvarenga
Graduada	em	Terapia	Ocupacional	pelo	Centro	Universitário	Claretiano	de
Batatais	–	Ceuclar.	Mestre	em	Ciências	Médicas	pela	Faculdade	de	Medicinade
Ribeirão	Preto	–	FMRP/USP.	Extensão	Universitária	em	Preparação	Pedagógica
pela	FMRP-USP	(bolsista	Capes).	Extensão	Universitária	em	Estágio
Supervisionado	em	Docência	pela	FMRP-USP	(bolsista	Capes).	Curso	em
Comunicação	Alternativa	pela	APAE	–	Franca-SP.	Formação	em	Terapia	Motora
Cognitiva	pela	Universidade	Federal	de	Minas	Gerais	–	UFMG.	Formação	em
Integração	Sensorial	pela	clínica	Lúdens	–	Campinas.	Formação	em	Medicina
Tradicional	Chinesa	(Acupuntura).	Docente	no	curso	de	Terapia	Ocupacional	do
Centro	Universitário	Claretiano	de	Batatais	(2013).	Docente	da	Pós-Graduação
em	Neuroaprendizagem	e	Psicopedagogia	da	Faculdade	Metropolitana	de	São
Paulo	(2017-2018)	–	Pólo	Franca-SP.
Márcio	de	Freitas	Cunha
Graduado	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de	Franca/SP	(2000),
Especialista	em	Direito	Penal	pela	Universidade	de	Franca/SP	(Unifran	–	2010)
e	Mestre	em	Direito	pela	Universidade	de	Ribeirão	Preto	(Unaerp	–	2013).	É
advogado	militante	na	comarca	de	Franca/SP	e	região	(Márcio	Cunha	Advogado
&	Associados),	bem	como	Diretor	do	Departamento	Jurídico	da	Prefeitura
Municipal	de	Ribeirão	Corrente/SP.	Docente	da	Universidade	de	Franca
(Unifran).	Coordenador	e	Docente	do	Cursos	Márcio	Cunha	Preparatório	para	o
Exame	da	Ordem	e	Concursos	Públicos.	Cofundador	do	NACCRIM	(Núcleo
Avançado	de	Ciências	Criminais)	da	Faculdade	de	Direito	de	Franca.
Murilo	Colombini
Advogado	habilitado	pela	Ordem	dos	Advogados	do	Brasil	(OAB)	desde	2005.
Graduado	em	2005	pela	Universidade	de	Franca.	Membro	da	Comissão	dos
Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência	(CDPCD)	da	OAB,	Seccional	Goiás.	Foi
Analista	Jurídico	na	Federação	das	APAES	do	Estado	de	São	Paulo	–
FEAPAES/SP.	Aluno	especial	do	Programa	de	Pós-Graduação	Stricto	Sensu	em
Planejamento	e	Análise	de	Políticas	Públicas	da	Unesp	–	Franca.
Paula	Baraldi	Artoni
Graduada	em	direito	e	mestranda	em	direito	civil	pela	Universidade	Estadual
Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”	–	UNESP.	Pós	graduada	em	Direito	Notarial	e
Registral	pela	Rede	de	Ensino	Luis	Flávio	Gomes	–	LFG.	Procuradora	Jurídica
do	Serviço	de	Previdência,	Saúde	e	Assistência	(SEPREM)	do	Município	de
Jaboticabal/SP.
Paula	Santiago	Soares
Graduanda	em	Direito	pela	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita
Filho”	(UNESP-Franca).	Aluna	pesquisadora	PIBIC,	com	financiamento	pela
CNPq	sobre	o	tema	“A	Situação	do	Instituto	da	Curatela	após	o	Estatuto	da
Pessoa	com	Deficiência	e	o	Novo	Código	de	Processo	Civil”,	sob	orientação	da
Profa.	Dra.	Maria	Amália	F.	P.	Alvarenga.	Membro	do	grupo	de	pesquisa	“O
Direito	de	Família	contemporâneo	e	as	relações	sociais”.
Roberto	Alves	de	Oliveira	Filho
Mestre	em	Direito	Civil	pela	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita
Filho”	–	FCHS	–	UNESP-Franca.	L.L.M.	em	Direito	Civil	pela	Universidade	de
São	Paulo	–	FDRP-USP.	Especialista	em	Direito	Contratual	pela	Universidade
Pontifícia	de	Salamanca.	Graduado	em	Direito	pela	Faculdade	de	Direito	de
Franca.	Advogado.
Victor	Hugo	de	Almeida
Doutor	em	Direito	do	Trabalho	pela	Faculdade	de	Direito	da	Universidade	de
São	Paulo	–	Largo	São	Francisco	(FADUSP).	Mestre	pela	Faculdade	de
Filosofia,	Ciências	e	Letras	de	Ribeirão	Preto	da	Universidade	de	São	Paulo
(FFCLRP/USP).	Docente	de	Direito	do	Trabalho,	Vice-Chefe	do	Departamento
de	Direito	Privado,	de	Processo	Civil	e	do	Trabalho	e	Vice-Coordenador	do
Programa	de	Pós-Graduação	em	Direito	da	UNESP	–	Universidade	Estadual
Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”	–	Faculdade	de	Ciências	Humanas	e	Sociais	–
Campus	Franca	(SP).	Membro	Pesquisador	do	Grupo	de	Pesquisa	(CNPQ)	“A
transformação	do	Direito	do	Trabalho	na	sociedade	pós-moderna	e	seus	reflexos
no	mundo	do	trabalho”	da	Faculdade	de	Direito	de	Ribeirão	Preto	da
Universidade	de	São	Paulo	(FDRP/USP).	Membro-pesquisador	do	“Consorcio
Latinoamericano	de	Posgrado	en	Derechos	Humanos	–	Políticas	de	regulación
das	empresas	transnacionales	por	las	violaciones	de	los	derechos	humanos	en
América	Latina”,	com	o	projeto	“Análise	sistêmica	da	sustentabilidade	na
empresa	de	nióbio?	Araxá/MG:	políticas	de	regulación	de	las	empresas
transnacionales	por	violaciones	a	los	derechos	humanos	en	America	Latina”.
Membro	Externo	do	Conselho	Curador	da	Fundação	Instituto	de	Enfermagem	de
Ribeirão	Preto	(FIERP)	–	Escola	de	Enfermagem	de	Ribeirão	Preto	–
Universidade	de	São	Paulo	(EERP/USP).
ÍNDICE	DOS	COMENTÁRIOS
Arts.	1°	e	2°	–	Kleber	Antonio	Galerani
Art.	3°	–	Paula	Santiago	Soares
Arts.	4°	a	8°	–	Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Art.	9°	–	Denilson	Pereira	Afonso	de	Carvalho
Arts.	10	a	13	–	Acir	de	Matos	Gomes	e	Cristiany	de	Castro
Arts.	14	a	17	–	Paula	Baraldi	Artoni
Arts.	18	a	26	–	Luciano	Dal	Sasso	Masson
Arts.	27	a	30	–	Kátia	Maria	Ranzani
Arts.	31	a	33	–	Gabriela	Giaqueto	Gomes
Arts.	34	e	35	–	Andreia	Maria	Ribeiro	Silva
Art.	36	–	Márcio	de	Freitas	Cunha
Arts.	37	e	38	–	Victor	Hugo	de	Almeida
Arts.	39	a	41	–	Leandro	Jorge	de	Oliveira	Lino
Arts.	42	a	45	–	Gabriela	Pirajá	Cecilio	Bunhola
Arts.	46	a	52	–	Isadora	Beatriz	Magalhães	Santos
Arts.	53	a	62	–	Kelly	Cristina	Canela	e	Luciano	Crotti	Peixoto
Arts.	63	a	68	–	Roberto	Alves	de	Oliveira	Filho
Arts.	69	a	73	–	Esdras	Lovo	e	Letícia	Machel	Lovo
Arts.	74	e	75	–	Luciano	Crotti	Peixoto	e	Maísa	Rezende	Ferraro	Alvarenga
Art.	76	–	Fábio	Cantizani	Gomes
Arts.	77	e	78	–	Roberto	Alves	de	Oliveira	Filho
Arts.	79	a	83	–	Flavio	Henrique	Amado	Tersi
Arts.	84	a	87	–	Paula	Santiago	Soares
Arts.	88	a	91	–	Flavio	Henrique	Amado	Tersi
Arts.	92	a	95	–	Maiara	Motta
Arts.	96	a	103	–	Erton	Evandro	de	Sousa	David
Arts.	104	a	113	–	Murilo	Colombini
Arts.	114	a	127	–	Edwirges	Elaine	Rodrigues
Capa
Folha	de	Rosto
Créditos
Coordenador
Antônio	Cláudio	da	Costa	Machado
Organizadoras
Maria	Amália	de	Figueiredo	Pereira	Alvarenga
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Autores
Acir	de	Matos	Gomes
Andreia	Maria	Ribeiro	Silva
Cristiany	de	Castro
Denilson	Pereira	Afonso	de	Carvalho
Edwirges	Elaine	Rodrigues
Erton	Evandro	de	Sousa	David
Esdras	Lovo
Fábio	Cantizani	Gomes
Flavio	Henrique	Amado	Tersi
Gabriela	Giaqueto	Gomes
Gabriela	Pirajá	Cecilio	Bunhola
Isadora	Beatriz	Magalhães	Santos
Kátia	Maria	Ranzani
Kelly	Cristina	Canela
Kleber	Antonio	Galerani
Leandro	Jorge	de	Oliveira	Lino
Letícia	Machel	Lovo
Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro
Luciano	Crotti	Peixoto
Luciano	Dal	Sasso	Masson
Maiara	Motta
Maísa	Rezende	Ferraro	Alvarenga
Márcio	de	Freitas	Cunha
Murilo	Colombini
Paula	Baraldi	Artoni
Paula	Santiago	Soares
Roberto	Alves	de	Oliveira	Filho
Victor	Hugo	de	Almeida
Índice	dos	comentários
Prefácio
Apresentação	1
Apresentação	2
Livro	1	–	Parte	Geral
Título	1	–	Disposições	preliminares
Capítulo	I	–	Disposições	gerais
Capítulo	II	–	Da	Igualdade	e	da	Não	Discriminação
Seção	única	–	Do	Atendimento	Prioritário
Título	II	–	Dos	Direitos	Fundamentais
Capítulo	I	–	Do	Direito	à	Vida
Capítulo	II	–	Do	Direito	à	Habilitação	e	à	Reabilitação
Capítulo	III	–	Do	Direito	à	Saúde
Capítulo	IV	–	Do	Direito	à	Educação
Capítulo	V	–	Do	Direito	à	Moradia
Capítulo	VI	–	Do	Direito	ao	Trabalho
Seção	1	–	Disposições	Gerais
Seção	II	–	Da	Habilitação	Profissional	e	Reabilitação	Profissional
Seção	III	–	Da	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	no	Trabalho
Capítulo	VII	–	Do	Direito	à	Assistência	Social
Capítulo	VIII	–	Do	Direito	à	Previdência	Social
Capítulo	IX	–	Do	Direito	à	Cultura,	ao	Esporte,	ao	Turismo	e	ao	Lazer
Capítulo	X	–	Do	Direito	ao	Transporte	e	à	Mobilidade
Título	III	–	Da	Acessibilidade
Capítulo	I	–	Disposições	Gerais
Capítulo	II	–	Do	Acesso	à	Informação	e	à	Comunicação
Capítulo	III	–	Da	Tecnologia	Assistiva
Capítulo	IV	–	Do	Direito	à	Participação	na	Vida	Pública	e	Política
Título	IV	–	Da	Ciência	e	Tecnologia
Livro	II	–	Parte	Especial
Título	I	–	Do	Acesso	à	Justiça
Capítulo	I	–	Disposições	Gerais
Capítulo	II	–	Do	Reconhecimento	Igual	perante	a	Lei
Título	II	–	Dos	Crimes	e	das	Infrações	Administrativas
Título	III	–	Disposições	Finais	e	Transitórias
Capítulo	III	–	Da	Tomada	de	Decisão	Apoiada
Anexos
Anexo	I	–	Leis
Lei	n.	7.405,	de	12	denovembro	de	1985
Lei	n.	7.853,	de	24	de	outubro	de	1989
Lei	n.	8.160,	de	8	de	janeiro	de	1991
Lei	n.	8.213,	de	24	de	julho	de	1991
Título	I	–	Da	finalidade	e	dos	princípios	básicos	da	previdência	social
Título	II	–	Do	plano	de	benefícios	da	previdência	social
Título	III	–	Do	regime	geral	de	previdência	social
Título	IV	–	Das	disposições	finais	e	transitórias
Lei	n.	8.899,	de	29	de	junho	de	1994
Lei	n.	8.989,	de	24	de	fevereiro	de	1995
Lei	n.	10.048,	de	8	de	novembro	de	2000
Lei	n.	10.098,	de	19	de	dezembro	de	2000
Lei	n.	10.754,	de	31	de	outubro	de	2003
Lei	n.	11.126,	de	27	de	junho	de	2005
Lei	n.	11.307,	de	19	de	maio	de	2006.
Lei	n.	12.587,	de	3	de	janeiro	de	2012
Lei	n.	13.409,	de	28	de	dezembro	de	2016
Anexo	II	–	Decretos
Decreto	n.	3.298,	de	20	de	dezembro	de	1999
Decreto	n.	3.956,	de	8	de	outubro	de	2001
Decreto	n.	5.296,	de	2	de	dezembro	de	2004
Decreto	n.	5.626,	de	22	de	dezembro	de	2005
Decreto	n.	6.214,	de	26	de	setembro	de	2007
Decreto	n.	6.949,	de	25	de	agosto	de	2009
Decreto	n.	7.612,	de	17	de	novembro	de	2011
Decreto	n.	8.954,	de	10	de	janeiro	de	2017
Decreto	n.	9.296,	de	1°	de	março	de	2018
Decreto	n.	9.404,	de	11	de	junho	de	2018
Decreto	n.	9.405,	de	11	de	junho	de	2018
Anexo	III	–	Portarias
Portaria	n.	142,	de	16	de	novembro	de	2006
Portaria	n.	793,	de	24	de	abril	de	2012
Anexo	IV	–	Resoluções
Resolução	n.	109,	de	11	de	novembro	de	2009
Resolução	n.	230,	de	22	de	junho	de	2016
Resolução	n.	304,	de	18	de	dezembro	de	2008,	CONTRAN
Resolução	TSE	n.	23.381,	de	19	de	junho	de	2012
Referências	bibliográficas
PREFÁCIO
O	Direito,	pela	sua	característica	pragmática,	regulador	que	é	das	relações
humanas,	deve	formar	um	conjunto	único	e	harmônico.	Excepcionalmente,	para
atender	situações	consideradas	especiais	e	que	não	receberam	um	conteúdo
legislativo	suficiente,	cinde-se	em	ordenamentos	estanques,	sem,	no	entanto,
afastar-se	dos	princípios	básicos	e	norteadores	da	linha	mestra	constitucional.
Justificam-se,	desta	forma,	o	Estatuto	da	Criança	e	do	Adolescente	(Lei	n.
8.069/90),	Estatuto	da	Juventude	(Lei	n.	12.852/2013),	o	Estatuto	do	Idoso	(Lei
n.	10.741/2003),	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	(Lei	n.	13.146/2015)	e
outros	de	segmentos	diversos.
É	o	demonstrativo	da	evolução	do	pensamento	jurídico	que,	acompanhando
todas	as	transformações	sociais,	vai	se	amoldando	de	tal	forma	a	acampar	os
anseios	e	reclamos	das	novas	dimensões	do	Direito,	conforme	proclamado	por
Norberto	Bobbio.	A	elasticidade	é	tamanha	que	comporta	a	inserção	ilimitada	de
benefícios	que	sejam	convenientes	e	adequados	para	o	ser	humano.
A	presente	obra,	que	reflete	o	produto	das	investigações	e	pesquisas	de
relevantes	nomes	do	cenário	jurídico	nacional,	que	se	comprometeram	em	pinçar
temas	atuais	e	necessários,	muitos	deles	apresentando	teses	e	hipóteses	agora
esgrimidas	pelos	tribunais	superiores,	representa	um	marco	de	suma	importância
não	só	para	a	parcela	significativa	de	cidadãos	com	deficiência,	para	que	possam
buscar	as	orientações	adequadas,	mas,	também,	para	o	meio	jurídico,	que	vai	se
instrumentalizar	de	forma	mais	consistente	para	fazer	prevalecer	judicialmente	a
efetiva	e	tão	proclamada	inclusão.
Percebe-se	que,	pela	leitura	dos	comentários	da	inusitada	obra,	embora
individualizados	em	tópicos	da	lei	protetiva,	vão	se	pulverizando	em	variadas
direções,	ultrapassando	–	e	muito	–	os	conceitos	já	sedimentados,	com	a	nítida
intenção	de	criar	horizontes	novos	no	Direito,	todos	gravitando	em	torno	do	eixo
constitucional	recomendado,	com	inspiração	em	acentuado	humanismo.
Assim,	o	leitor	poderá	percorrer	com	incontida	satisfação	os	labirintos	que
rondam	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	e	neles	penetrar	com	a	convicção
de	que	encontrará	a	melhor	interpretação	da	mens	legis,	visando	à	construção	de
uma	nova	realidade	social,	calcada	na	política	da	igualdade,	tanto	com	relação
aos	direitos	conquistados	como	também	ao	rastreamento	do	nascedouro	dos	que
estão	por	vir.
A	comunidade	jurídica,	desta	forma,	é	brindada	pela	presente	obra	que,	de	forma
lúcida,	expõe,	com	clareza	de	pensamento	e	consistência	jurídica	invejável,
temas	que	pedem	enfrentamento	judicial	mais	acurado.
Vários	juristas	deitaram	seus	conhecimentos	para	que	a	obra	pudesse	ganhar
corpo	e	materializar-se	num	só	compêndio	com	tantas	informações	relevantes.
Com	certeza	foi	lançado	o	fermento	na	massa.
Fica,	ao	final	da	leitura,	comprovado	que	a	beleza	de	uma	obra	escrita	a	várias
mãos	reside	na	harmoniosa	solidariedade	dos	talentos	dos	autores.
Eudes	Quintino	de	Oliveira	Júnior,
Mestre	em	Direito	do	Estado	pela	Universidade	de	Franca	–	Unifran	(1999);
Doutor	em	Ciências	da	Saúde	pela	Faculdade	de	Medicina	de	São	José	do	Rio
Preto	–	Famerp	(2010);	Promotor	de	Justiça	aposentado	pelo	estado	de	São
Paulo;	Advogado	e	Reitor	do	Centro	Universitário	do	Norte	Paulista.
APRESENTAÇÃO	1
A	ideia	de	fazer	um	livro	de	comentários,	artigo	por	artigo,	ao	Estatuto	da	Pessoa
com	Deficiência	surgiu	em	minha	mente	no	início	de	2018,	à	luz	da	experiência
dos	últimos	quinze	anos	de	códigos	interpretados	que	tive	a	oportunidade	de
organizar.
O	segundo	e	necessário	passo	era	naturalmente	o	de	convidar	um	grande
professor	de	Direito	Civil	que	pudesse	montar	um	time	de	comentaristas,	dividir
suas	tarefas	e	comandar	a	realização	conjunta	do	trabalho.	A	escolhida	foi	a	Dra.
Maria	Amália	Alvarenga,	amiga	querida	de	tantas	jornadas	em	Franca	(SP),
acadêmica	brilhante,	professora	de	mão	cheia	e	entusiasta	por	projetos
desafiadores.	Aceito	o	convite,	para	a	minha	alegria,	coube	à	professora	Maria
Amália	a	iniciativa	de	repartir	seu	trabalho	de	organização	com	a	não	menos
competente	Dra.	Luciana	Esteves	Zumstein	Ribeiro,	do	seu	relacionamento
próximo,	e,	a	partir	daí,	constituir	a	equipe	de	jovens	juristas	–	quase	todos	com
vínculos	acadêmicos	com	as	organizadoras	e	com	a	Universidade	Estadual
Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”	(Unesp),	e	a	Universidade	de	Franca
(Unifran)	–,	com	o	objetivo	de	construir	o	livro	que	ora	vem	à	luz.
O	que	eu	realmente	espero	é	que	este	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência:
comentado	artigo	por	artigo,	possa	de	fato	representar	uma	contribuição
significativa	para	compreensão	desta	lei	que,	sob	a	inspiração	direta	da	igualdade
substancial	e	da	dignidade	da	pessoa	humana,	pretende	transformar	a	realidade
das	pessoas	–	milhões,	no	Brasil	–	no	sentido	de	que	se	sintam	verdadeiramente
mais	incluídas,	mais	livres	e	mais	felizes.
Que	Deus	nos	abençoe	neste	sonho.
Santana	do	Parnaíba,	maio	de	2019.
Antônio	Cláudio	da	Costa	Machado,
organizador
APRESENTAÇÃO	2
Encontramo-nos	em	uma	época	de	constante	luta	pela	igualdade,	o	que	não	pode
excluir	as	pessoas	com	deficiência	que,	devido	à	ignorância	e	preconceito	da
sociedade,	encontram-se	ainda	segregadas	e	marginalizadas	em	razão	das	suas
diferenças.	Foi	por	isso	que	o	legislador	criou	o	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência	(EPD),	também	conhecido	como	Lei	Brasileira	de	Inclusão	(LBI),
que	surge	no	ordenamento	jurídico	brasileiro	com	a	ideia	de	inclusão	e
acessibilidade,	de	modo	a	que	a	pessoa	com	deficiência	possa	exercer	sua
cidadania	de	forma	plena	e	efetiva,	com	acesso	a	todos	os	recursos	disponíveis
para	a	eliminação	das	barreiras	existentes.
O	Estatuto	aponta	para	grandes	avanços	ao	declarar	todas	as	pessoas	com
deficiência	como	capazes	para	a	prática	de	seus	direitos	individuais.	A	pessoa
com	deficiência	passa	a	ter	o	direito	de	casar	e	constituir	união	estável,	de	adotar,
de	tomar	decisões	quanto	ao	próprio	corpo,	de	votar,	entre	outros	direitos
fundamentais.	Entretanto,	para	que	esses	direitos	sejam	respeitados	e	exercidos
com	efetividade	é	necessário	que	as	pessoas	com	deficiência	tenham	acesso	a
tratamentos,	informações	sobre	autoajuda,	provisão	de	tecnologias	assistivas
apropriadas,	recebimento	de	serviços	de	reabilitação	e	apoio	para	seu	pleno
empoderamento	e	inclusão,	o	que	deve	ocorrer	por	meio	da	criação	de	políticas
públicas	que	respeitem	a	dignidade	de	todas	as	pessoas,	o	que	parece	coerente
com	a	busca	da	efetivação	do	Estatutoda	Pessoa	com	Deficiência.
Como	modo	de	alcançar	tais	objetivos	e	valendo-se	dos	valores	da	não
discriminação	e	da	igualdade	de	todos,	princípios	tão	caros	ao	Estatuto	e	à
Constituição,	é	que	o	presente	trabalho	pretende	ajudar	juristas,	estudantes	e
profissionais	com	vista	à	compreensão	daquilo	que	permeia	a	vida	da	pessoa
com	deficiência,	seus	direitos	e	necessidades,	auxiliando	na	remoção	das
barreiras	que	restringem	a	autonomia	e	a	capacidade	da	pessoa	com	deficiência,
revelando,	por	meio	de	um	exame	minucioso,	os	fundamentos	e	os	direitos	que
revolvem	a	liberdade,	a	inclusão	e	a	dignidade	das	pessoas	com	deficiência,	de
modo	a	conscientizar	a	sociedade	de	que	todos	realmente	são	iguais.
Paula	Santiago	Soares,
autora
DISPOSIÇÕES	PRELIMINARES
CAPÍTULO	I
DISPOSIÇÕES	GERAIS
Art.	1º	É	instituída	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência
(Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência),	destinada	a	assegurar	e	a	promover,
em	condições	de	igualdade,	o	exercício	dos	direitos	e	das	liberdades
fundamentais	por	pessoa	com	deficiência,	visando	à	sua	inclusão	social	e
cidadania.
A	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	(LBI),	conhecida
também	como	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	(EPD),	é	o	principal
instrumento	normativo	que	versa,	no	direito	protetivo	pátrio,	sobre	os	direitos
das	pessoas	com	deficiência.	Essa	legislação	federal	sistematiza	num	único
instrumento	legal	temas	que	estavam	presentes	em	outras	leis,	decretos	e
portarias	e	altera	algumas	leis	existentes	para	harmonizá-las	à	Convenção	da
Organização	das	Nações	Unidas	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	e
seu	Protocolo	Facultativo,	dos	quais	o	Brasil	é	signatário.
Fundamentada	em	princípios	constitucionais	basilares,	como	o	princípio	da
dignidade	da	pessoa	humana	(CF,	art.	1º,	III),	e	na	Convenção	da	ONU	sobre	a
matéria,	a	LBI	foi	aprovada	em	2015,	após	quinze	anos	em	tramitação.	Em	2000,
o	então	deputado	Paulo	Paim	apresentou	um	projeto	de	lei	(PL	n.	3.638/2000)
com	o	nome	de	EPD,	na	Câmara	dos	Deputados,	mas	o	projeto,	inicialmente,
não	avançou.	Dessa	forma,	em	2003,	após	ter	sido	eleito	senador,	Paulo	Paim
apresentou	um	novo	projeto	de	lei	(PLS	n.	6/2003),	com	idêntico	teor,	no	Senado
Federal.
Durante	o	processo	de	elaboração	do	tratado	multilateral	sobre	esse	tema,	a
tramitação	desses	projetos	de	lei	na	Câmara	e	no	Senado	ficou	suspensa	até
2006,	quando	foi	finalizado	o	texto	da	Convenção.	No	mesmo	ano,	os	dois
projetos	foram	aprovados	nas	suas	respectivas	casas	e,	em	2007,	houve	o
apensamento	de	ambos	(PL	n.	7.699/2006).	Entretanto,	ao	invés	de	dar
continuidade	ao	processo	legislativo	da	lei	nacional,	os	esforços	do	Congresso
Nacional	voltaram-se	para	a	aprovação	da	Convenção	da	ONU	e	seu	Protocolo
Facultativo.	Em	2008,	após	a	aprovação	de	ambos	os	tratados	pelo	Poder
Legislativo,	conforme	o	rito	previsto	na	CF	(art.	5º,	§	3º),	o	governo	brasileiro
depositou	o	instrumento	de	ratificação	junto	ao	Secretário-Geral	das	Nações
Unidas	e,	em	2009,	promulgou	a	Convenção	e	o	seu	respectivo	Protocolo
(Decreto	federal	n.	6.949/2009).
Após	a	ratificação,	houve	divergência	entre	setores	da	sociedade	civil	sobre	a
necessidade	de	uma	legislação	pátria,	uma	vez	que	o	texto	da	Convenção
onusiana	foi	aprovado	com	envergadura	de	norma	constitucional.	Superado	o
impasse,	decidiu-se	pela	edição	de	uma	legislação	nacional,	contudo,	grupos	da
sociedade	civil	alegavam	que	o	PL	n.	7.699/2006	não	era	plenamente	compatível
com	o	texto	da	Convenção.	Dessa	forma,	o	Conselho	Nacional	dos	Direitos	das
Pessoas	com	Deficiência	(Conade)	promoveu	cinco	encontros,	nas	diversas
regiões	do	país,	que	subsidiou	o	entendimento	sobre	quais	pontos	do	EPD
precisavam	ser	melhor	debatidos,	em	virtude	de	eventuais	incompatibilidades
com	a	Convenção.	Em	2012,	a	Secretaria	de	Direitos	Humanos	(SDH)	da
Presidência	da	República	instituiu	um	Grupo	de	Trabalho	dedicado	ao	EPD,	cujo
objetivo	era	o	aprimoramento	do	texto	do	PL	n.	7.699/2006	para	compatibilizá-
lo	à	Convenção	da	ONU.	A	composição	desse	grupo	contou	com	membros	da
sociedade	civil,	do	Ministério	Público,	acadêmicos	e	integrantes	dos	Três
Poderes.	Por	fim,	em	2013,	foi	elaborado	o	Substitutivo	do	Grupo	de	Trabalho
do	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	que	se	tornou	o	texto	base	para	as
futuras	discussões.
De	2013	a	2015,	ano	da	aprovação	do	EPD,	incentivou-se	uma	intensa
participação	social	de	não	deficientes	e,	principalmente,	de	deficientes,	em
diversas	consultas	e	audiências	públicas	para	o	aprimoramento	do	texto	base.
Sob	o	lema	“nada	sobre	nós,	sem	nós”,	o	ideário	de	inclusão	dos	deficientes
esteve	presente,	inclusive,	no	processo	de	elaboração	do	estatuto.	Com	esse
intuito,	para	permitir	a	participação	das	pessoas	com	deficiência	auditiva,	o
projeto	do	estatuto	foi	convertido	em	vídeo	traduzido	em	Libras	e,	para
possibilitar	a	participação	das	pessoas	com	deficiência	visual,	utilizou-se	do	e-
Democracia,	o	portal	de	participação	social	do	Congresso	Nacional,	que	se
adapta	às	necessidades	desses	cidadãos.	Após	intensa	participação	da	sociedade,
em	2014,	a	relatora	do	estatuto	na	Câmara,	a	deputada	federal	Mara	Gabrilli,
apresentou	um	novo	Substitutivo	do	EPD	e,	em	2015,	o	estatuto	foi	aprovado	em
ambas	as	casas	legislativas,	tendo	sido	sancionado	pela	presidente	Dilma
Rousseff	no	mesmo	ano.
É	notório	que	a	LBI	é	o	principal	instrumento	legal	que	objetiva	promover,	em
condições	de	igualdade,	o	exercício	dos	direitos	e	das	liberdades	fundamentais
por	pessoa	com	deficiência,	visando	à	sua	inclusão	social	e	cidadania.	Para	tanto,
é	imprescindível	garantir	a	efetividade	na	aplicação	desse	instrumento	protetivo,
uma	vez	que	é	primordial	o	respeito	ao	art.	3º,	IV,	do	texto	constitucional,	que
indica	o	compromisso	do	Brasil	com	a	promoção	do	bem	de	todos,	sem
preconceitos	de	origem,	raça,	sexo,	cor,	idade	e	quaisquer	outras	formas	de
discriminação.
Parágrafo	único.	Esta	Lei	tem	como	base	a	Convenção	sobre	os	Direitos	das
Pessoas	com	Deficiência	e	seu	Protocolo	Facultativo,	ratificados	pelo
Congresso	Nacional	por	meio	do	Decreto	Legislativo	nº	186,	de	9	de	julho	de
2008,	em	conformidade	com	o	procedimento	previsto	no	§	3º	do	art.	5º	da
Constituição	da	República	Federativa	do	Brasil,	em	vigor	para	o	Brasil,	no
plano	jurídico	externo,	desde	31	de	agosto	de	2008,	e	promulgados	pelo
Decreto	nº	6.949,	de	25	de	agosto	de	2009,	data	de	início	de	sua	vigência	no
plano	interno.
A	LBI	tem	como	base	a	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência	e	seu	Protocolo	Facultativo,	ambos	assinados,	em	2007,	pelo	Brasil.
Esses	instrumentos	protetivos	internacionais	são	fruto	de	cinco	anos	de	trabalho
de	um	Comitê	ad	hoc	criado	pela	ONU,	em	2001,	com	o	objetivo	de	elaborar	o
texto	base	para	ser	apresentado	e	discutido	na	1ª	Conferência	Internacional	sobre
os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,	que	foi	realizada	em	2006,	na	sede
geral	da	ONU,	em	Nova	York.	A	conferência	contou	com	a	participação	de
representantes	de	governos	e	de	organizações	da	sociedade	civil	de	192	países	e
resultou	no	mais	importante	instrumento	protetivo	às	pessoas	com	deficiência	no
âmbito	multilateral.
A	Convenção,	que	já	conta	com	147	Estados	signatários,	reafirma	o
entendimento	sobre	a	necessidade	de	garantir	que	todas	as	pessoas	com
deficiência	possam	fruir	dos	direitos	humanos,	sem	discriminação,	uma	vez	que
nesse	documento	está	consagrado	o	entendimento	quanto	à	universalidade,
indivisibilidade,	interdependência	e	inter-relação	de	todos	os	direitos	humanos	e
liberdades	fundamentais.
O	Comitê	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	da	ONU	é	o	órgão
responsável	pelo	monitoramento	do	cumprimento	da	Convenção.	Além	das
funções	previstas	na	Convenção,	quando	o	Estado	se	vincula	também	ao
Protocolo	Facultativo,	esse	comitê	exerce	dois	mandatos	adicionais:	a)	o
recebimento	e	o	exame	de	petições	individuais;	e	b)	a	instauração	e	a	apuração
de	inquéritos	no	caso	de	provas	confiáveis	de	violações	graves	e	sistemáticas	à
Convenção.
O	Brasil	é	signatário	da	Convenção	desde	2007	e	ratificou	esse	tratado
multilateralno	ano	seguinte.	Em	conformidade	com	a	previsão	constitucional	do
art.	49,	I,	o	Congresso	Nacional	aprovou	a	Convenção	e	o	Protocolo,	por	meio
do	Decreto	legislativo	n.	186,	de	9	de	julho	de	2008,	conforme	o	procedimento
disposto	no	§	3°	do	art.	5º	da	Constituição.	Ressalta-se	que,	após	a	aprovação	da
EC	n.	45/2004,	esses	foram	os	primeiros	tratados	aprovados	com	quórum
qualificado,	ou	seja,	foram	aprovados	em	cada	Casa	do	Congresso	Nacional,	em
dois	turnos,	por	3/5	dos	votos	dos	respectivos	membros,	e,	portanto,	a
Convenção	e	o	Protocolo,	são	equivalentes	às	emendas	constitucionais.	Em	1°	de
agosto	de	2008,	após	aprovação	do	Congresso	Nacional,	o	governo	brasileiro
depositou	o	instrumento	de	ratificação	dos	referidos	atos	junto	ao	Secretário-
Geral	das	Nações	Unidas,	sendo	que	após	trinta	dias,	a	Convenção	e	o	Protocolo
entraram	em	vigor	para	o	Brasil,	no	plano	jurídico	externo.	No	plano	jurídico
interno,	após	a	promulgação	do	Decreto	federal	n.	6.949,	em	2009,	esses
instrumentos,	em	virtude	do	quórum	de	aprovação	no	legislativo,	entraram	em
vigor	e	passaram	a	posicionar-se	no	mais	alto	grau	da	hierarquia	das	normas
internas.
Art.	2º	Considera-se	pessoa	com	deficiência	aquela	que	tem	impedimento	de
longo	prazo	de	natureza	física,	mental,	intelectual	ou	sensorial,	o	qual,	em
interação	com	uma	ou	mais	barreiras,	pode	obstruir	sua	participação	plena
e	efetiva	na	sociedade	em	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.
A	principal	inovação	do	EPD	está	na	mudança	do	conceito	de	deficiência	e	no
reconhecimento	de	que	este	conceito	está	em	evolução.	Tradicionalmente,	a
deficiência	é	compreendida,	numa	perspectiva	médica,	como	uma	condição
estática	e	biológica	da	pessoa.	Entretanto,	a	Convenção	da	ONU,	adotada	pelo
EPD,	dispõe	que	a	deficiência	resulta	da	interação	entre	pessoas	que	têm
impedimentos	de	longo	prazo	de	natureza	física,	mental,	intelectual	ou	sensorial
e	as	barreiras	resultantes	das	atitudes	e	do	ambiente,	que	podem	impedir	a	plena
e	efetiva	participação	dessas	pessoas	na	sociedade	em	igualdade	de
oportunidades	com	as	demais	pessoas.
Ressalta-se	o	avanço	quanto	à	terminologia	empregada	no	art.	2º:	“pessoa	com
deficiência”.	Designações	comumente	utilizadas,	tais	como	pessoas	portadoras
de	deficiência,	pessoas	com	necessidades	especiais,	deficientes,	entre	outras,
muitas	vezes	de	cunho	pejorativo	e	degradante,	restam	ultrapassadas	e	devem	ser
abandonadas.
Essa	mudança	conceitual	e	terminológica	é	de	grande	relevância,	visto	que	além
de	redefinir	o	conjunto	de	beneficiários	de	direitos,	demonstra	a	opção	pelo
paradigma	dos	direitos	humanos,	que	enfatiza	o	papel	da	sociedade	e	do	Poder
Público	na	eliminação	e	na	superação	das	barreiras	existentes,	para	permitir	a
inclusão	social	das	pessoas	com	deficiência,	em	condições	de	igualdade,
princípio	consagrado	no	caput	do	art.	5º	da	Constituição	Federal.
§	1º	A	avaliação	da	deficiência,	quando	necessária,	será	biopsicossocial,
realizada	por	equipe	multiprofissional	e	interdisciplinar	e	considerará:
O	novo	conceito	de	deficiência	presente	na	LBI	(cf.	art.	2º)	implica	num	novo
modelo	de	avaliação	da	deficiência	e	de	seu	respectivo	grau.	No	modelo
tradicional,	conhecido	como	modelo	médico,	predomina	a	avaliação	médica	da
deficiência,	que	se	restringe	à	aplicação	de	critérios	técnicos	e	funcionais	para
elaboração	de	uma	perícia	médica,	que	define	o	tipo	de	deficiência	(física,
visual,	auditiva,	mental	e	múltipla).	No	novo	modelo,	conhecido	como	modelo
social,	a	avaliação,	quando	necessária,	é	realizada	por	uma	equipe
multiprofissional	e	interdisciplinar,	da	qual	participam	profissionais	de	áreas
distintas,	como	assistentes	sociais,	médicos	e	psicólogos,	que	trabalham	em
sinergia	para	permitir	uma	avaliação	na	qual	se	considerem	fatores	biológicos,
psicológicos	e	sociais.	Dessa	forma,	além	do	quadro	clínico,	também	é
considerado	o	contexto	social	em	que	o	indivíduo	está	inserido,	uma	vez	que	a
deficiência	resulta	da	interação	entre	os	indivíduos	que	têm	impedimentos	de
longo	prazo	de	natureza	física,	mental,	intelectual	ou	sensorial	e	as	barreiras,	ou
seja,	os	entraves,	obstáculos,	as	atitudes	ou	os	comportamentos	que	podem
impedir	ou	dificultar	sua	participação	plena	e	efetiva	na	sociedade	em	igualdade
de	condições	com	as	demais	pessoas.
I	–	os	impedimentos	nas	funções	e	nas	estruturas	do	corpo;
Para	a	avaliação	da	deficiência	e	de	seu	respectivo	grau,	a	avaliação	médica	deve
considerar	os	impedimentos	nas	funções	e	nas	estruturas	do	corpo.	Conforme	a
Classificação	Internacional	da	Funcionalidade,	Incapacidade	e	Saúde	(CIF),
consideram-se	funções	do	corpo	as	funções	fisiológicas	dos	sistemas	orgânicos,
incluindo	as	funções	psicológicas,	sendo	que	o	termo	“corpo”	refere-se	ao
organismo	humano	como	um	todo,	incluindo-se	o	cérebro	e	as	suas	funções,	a
exemplo	da	mente.	Desse	modo,	as	funções	mentais	ou	psicológicas	são,
portanto,	incluídas	nas	funções	do	corpo.	Segundo	a	mesma	classificação,	as
estruturas	do	corpo	são	as	partes	anatômicas	do	corpo,	tais	como	órgãos,
membros	e	seus	componentes.
II	–	os	fatores	socioambientais,	psicológicos	e	pessoais;
As	avaliações	médicas	e	sociais	devem	considerar	os	fatores	sociais,	ambientais
e	pessoais	na	avaliação	da	deficiência.	A	LBI,	em	sintonia	com	a	perspectiva
interdisciplinar	presente	na	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência,	propõe	um	novo	modelo	para	a	avaliação	da	deficiência	que,	além
da	avaliação	médica,	pressupõe	uma	avaliação	social,	na	qual	são	considerados
os	fatores	socioambientais,	psicológicos	e	pessoais.	Dessa	forma,	conforme
prescreve	a	CIF,	a	avaliação	da	deficiência	é	realizada	de	forma	a	considerar	o
ambiente	físico,	social	e	atitudinal	em	que	as	pessoas	vivem	e	conduzem	suas
vidas.
III	–	a	limitação	no	desempenho	de	atividades;
As	avaliações	médicas	e	sociais	devem	considerar	a	limitação	no	desempenho	de
atividades	para	a	avaliação	da	deficiência.	Segundo	a	CIF,	a	limitação	no
desempenho	caracteriza-se	pelas	dificuldades	que	o	indivíduo	pode	ter	na
execução	das	atividades,	ou	seja,	na	execução	de	tarefas	ou	ações.	A	CIF	contém
uma	listagem	que	contempla	diversas	atividades,	de	inúmeras	áreas	da	vida,	que
devem	ser	consideradas	para	elaboração	da	avaliação	biopsicossocial,	tais	como
as	capacidades	de	aprendizagem	e	aplicação	do	conhecimento;	comunicação;
mobilidade;	e	de	ministrar	autocuidados.	Desse	modo,	parte-se	da	premissa	de
que	quanto	melhor	for	o	conhecimento	do	indivíduo,	maiores	serão	as	chances
de	uma	avaliação	satisfatória	e	benéfica.
IV	–	a	restrição	de	participação.
As	avaliações	médicas	e	sociais	devem	considerar	a	restrição	da	participação
social	na	avaliação	da	deficiência.	Segundo	a	CIF,	participação	é	o	envolvimento
de	um	indivíduo	numa	situação	da	vida	real,	sendo	que	as	restrições	de
participação	são	problemas	que	um	indivíduo	pode	enfrentar	quando	está
envolvido	nessas	situações,	como	as	dificuldades	de	estabelecer	interações	e
relacionamentos	interpessoais.	Dado	que	essas	restrições	devem	ser	analisadas
conforme	o	contexto	vivencial	do	indivíduo,	os	fatores	ambientais,	como	o
ambiente	físico,	social	e	atitudinal	em	que	as	pessoas	vivem	e	conduzem	as	suas
vidas,	são	importantes	para	a	melhor	compreensão	dos	impactos	dessas
restrições.
§	2º	O	Poder	Executivo	criará	instrumentos	para	avaliação	da	deficiência.
Conquanto	há	mais	de	uma	década	estudam-se	instrumentos	alternativos	que
contemplem	fatores	biológicos,	psicológicos	e	sociais	para	a	avaliação	da
deficiência,	a	criação	de	instrumentos	avaliativos	é	um	grande	desafio
enfrentado	pelos	governos	nacionais.	Em	2000,	a	Organização	Mundial	da	Saúde
(OMS)	publicou	a	Classificação	Internacional	da	Funcionalidade,	Incapacidade	e
Saúde	(CIF),	uma	metodologia	que	tem	por	objetivo	contemplar	as	mudanças
exigidas	pelo	emergente	modelo	social	de	avaliação	e	que	tem	sido	utilizada	por
muitos	países,	inclusive	o	Brasil,	como	base	para	a	elaboração	dos	modelos	de
avaliação	nacionais.
No	Brasil,	a	transição	do	modelo	médico	para	o	biopsicossocial	vem	ocorrendo
de	forma	gradativa.	Os	instrumentosavaliativos	tradicionais,	que	classificavam	o
tipo	de	deficiência	(física,	visual,	auditiva,	mental	e	múltipla)	baseados
exclusivamente	em	critérios	médicos,	vêm	sendo	aprimorados	de	modo	a
contemplar	aspectos	do	modelo	social.	Há	alguns	anos,	o	Instituto	de	Estudos	do
Trabalho	e	Sociedade	(IETS),	em	parceria	com	a	Secretaria	de	Direitos	Humanos
da	Presidência	da	República,	desenvolveu	o	Índice	de	Funcionalidade	Brasileiro
(IF-Br),	que	é	baseado	na	CIF	e	está	sendo	avaliado	pela	comunidade	técnico-
científica,	devendo	servir	a	todas	as	políticas	públicas	do	Estado	brasileiro.
Com	o	objetivo	de	criar	uma	Avaliação	Unificada	da	Deficiência,	que	sirva	para
orientar	o	Estado	brasileiro	na	condução	das	políticas	públicas	para	pessoas	com
deficiência,	em	2017,	o	Decreto	federal	n.	8.954	instituiu	o	Comitê	do	Cadastro
Nacional	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	e	da	Avaliação	Unificada	da
Deficiência.	Entre	as	competências	desse	Comitê	estão:	a)	a	criação	de
instrumentos	para	a	avaliação	da	deficiência;	e	b)	o	estabelecimento	de
diretrizes,	a	definição	de	estratégias	e	a	adoção	de	medidas	para	subsidiar	a
validação	técnico-científica	dos	instrumentos	de	avaliação	biopsicossocial	da
deficiência,	com	base	no	IF-Br.	Esse	comitê,	composto	por	membros	de	diversos
setores	da	administração	pública	(Ministérios,	INSS,	IBGE	e	Conade),	sob	a
coordenação	da	Secretaria	Especial	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência	do
Ministério	da	Justiça	e	Cidadania,	desempenha	um	papel	fundamental,	uma	vez
que	o	resultado	do	seu	trabalho	subsidiará	as	políticas	públicas	em	diversas
áreas,	tais	como	a	previdenciária,	a	assistência	social,	a	saúde,	a	habitação,	o
transporte	e	a	educação.
Art.	3º	Para	fins	de	aplicação	desta	Lei,	consideram-se:
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	em	seu	art.	3º,	traz	conceitos	de	diversas
expressões	que	serão	utilizadas	ao	longo	do	presente	dispositivo	normativo,
buscando	a	mesma	compreensão	de	seus	significados,	prevenindo,	deste	modo,
que	surjam	divergências	quanto	à	aplicação	destes	termos	ou	que	eles	passem	a
ser	utilizados	em	sentido	outro	daquele	defendido	tanto	pelo	próprio	EPD	como
pela	Convenção	das	Nações	Unidas	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência,	a	qual	foi	adotada	pelo	sistema	normativo	brasileiro	por	meio	do
Decreto	n.	6.949,	de	25	de	agosto	de	2009,	com	força	de	Emenda	Constitucional.
É	importante	também	a	apreciação	de	que	dentro	de	todos	estes	conceitos
trazidos	pelo	EPD	encontra-se	a	ideia	de	inclusão,	uma	real	inclusão,	não	aquela
disfarçada	e	que	na	realidade	leva	à	segregação	das	pessoas	com	deficiência,
designando-se	espaços	específicos	para	estas,	como	se	não	pudessem	se
locomover	ou	utilizar	os	espaços	nos	quais	elas	decidirem	estar	presentes.
I	–	acessibilidade:	possibilidade	e	condição	de	alcance	para	utilização,	com
segurança	e	autonomia,	de	espaços,	mobiliários,	equipamentos	urbanos,
edificações,	transportes,	informação	e	comunicação,	inclusive	seus	sistemas
e	tecnologias,	bem	como	de	outros	serviços	e	instalações	abertos	ao	público,
de	uso	público	ou	privados	de	uso	coletivo,	tanto	na	zona	urbana	como	na
rural,	por	pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida;
Por	meio	do	conceito	de	acessibilidade	trazido	pelo	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência,	tem-se	que	acessibilidade	é	a	possibilidade	que	as	pessoas	com
deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida	têm	de	participar	dos	mais	diversos
espaços,	sejam	eles	urbanos	ou	rurais,	privados	de	uso	coletivo	ou	públicos,	em
igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.	Assim,	a	acessibilidade	permite
a	livre	movimentação,	a	livre	utilização	desses	espaços	e	de	seus	mobiliários	e
equipamentos,	com	segurança	e	sem	necessitar	de	qualquer	auxílio,	tendo
guarida	no	direito	constitucional	de	ir	e	vir.
Este	conceito	como	vem	determinado	pelo	EPD	é	de	extrema	importância,	haja
vista	que	transmite	a	ideia	de	inclusão,	como	já	comentado,	pois	a	partir	do
momento	em	que	a	acessibilidade,	da	forma	retratada,	deve	estar	presente	em
todos	os	espaços,	tem-se	que	esta	não	pode	mais	ocorrer	somente	em
determinados	lugares	isolados	dentro	de	um	mesmo	local,	levando	à	segregação
da	pessoa	com	deficiência	e	não	à	sua	inclusão.	Um	exemplo	de	acessibilidade
restritiva	é	a	sala	de	cinema.	Muitos	podem	defender	que	estas	apresentam
acessibilidade,	quando	na	realidade	segregam	a	pessoa	com	deficiência	física	ou
múltipla	ou,	ainda,	pessoas	com	mobilidade	reduzida	a	locais	na	frente	da	sala,
os	quais	muitas	vezes	não	apresentam	o	conforto	necessário	no	momento	de
assistir	ao	filme.	Nesses	casos,	a	pessoa	com	deficiência	não	tem	a	possibilidade
de	escolher,	na	sala	de	cinema,	um	local	de	sua	preferência,	uma	vez	que	a
acessibilidade	está	restrita	às	primeiras	fileiras	da	sala.
II	–	desenho	universal:	concepção	de	produtos,	ambientes,	programas	e
serviços	a	serem	usados	por	todas	as	pessoas,	sem	necessidade	de	adaptação
ou	de	projeto	específico,	incluindo	os	recursos	de	tecnologia	assistiva;
A	ideia	de	desenho	universal	surgiu	com	o	arquiteto	americano	Ronald	Mace,
que	por	volta	de	1985	começou	a	se	envolver	com	a	proposta	de	criar	ambientes
mais	acessíveis	para	todas	as	pessoas,	buscando	adequar,	por	meio	da
arquitetura,	os	ambientes	às	mais	variadas	necessidades	físicas.	A	ideia	do
desenho	universal	é	a	de	que	os	objetos	e	os	espaços	projetados	com	esta	base
possam	ser	utilizados	por	qualquer	pessoa,	com	qualquer	tipo	de	restrição
(sensorial,	cognitiva,	físico-motora	ou	múltipla).
O	desenho	universal	é	regido	por	5	(cinco)	princípios	criados	por	Ronald	Mace
na	década	de	1990,	que	são	adotados	pelos	programas	que	se	utilizam	da
acessibilidade	plena.¹	São	eles:	i)	o	igualitário,	de	acordo	com	o	qual	objetos,
produtos	e	ambientes	devem	poder	ser	utilizados	por	pessoas	com	diferentes
capacidades;	ii)	o	adaptável,	para	o	qual	o	design	de	produtos	e	espaços	deve	ser
realizado	de	forma	que	estes	possam	ser	utilizados	para	qualquer	uso;	iii)	o
óbvio,	em	que	deve	haver,	por	exemplo,	sinais	de	fácil	entendimento	para	que
qualquer	pessoa	possa	compreender,	independentemente	do	seu	nível	de
conhecimento,	concentração	ou	habilidade	de	linguagem;	iv)	o	conhecido,	em
que	se	deve	transmitir	a	informação	necessária	de	forma	a	atender	as
necessidades	do	receptor,	seja	uma	pessoa	estrangeira	ou	com	dificuldade	de
comunicação;	e,	por	fim,	v)	o	seguro,	de	acordo	com	o	qual	sempre	se	deve
procurar	realizar	um	design	que	minimize	riscos	e	consequências	de	possíveis
acidentes.
Entre	alguns	exemplos	de	objetos	que	se	utilizam	do	conceito	de	desenho
universal,	há	tesouras	que	se	adaptam	a	destros	e	canhotos;	mapas	com
informações	em	alto	relevo;	fechaduras	e	maçanetas	que	podem	ser	abertas	sem
a	necessidade	de	força,	podendo-se	utilizar	do	punho	ou	cotovelo,	entre	outros.
III	–	tecnologia	assistiva	ou	ajuda	técnica:	produtos,	equipamentos,
dispositivos,	recursos,	metodologias,	estratégias,	práticas	e	serviços	que
objetivem	promover	a	funcionalidade,	relacionada	à	atividade	e	à
participação	da	pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,
visando	à	sua	autonomia,	independência,	qualidade	de	vida	e	inclusão
social;
Tecnologia	assistiva	é	a	expressão	utilizada	para	se	referir	ao	arsenal	de	recursos
e	serviços	que	buscam	prover	uma	vida	independente	e	a	inclusão	das	pessoas
com	deficiência	ou	mobilidade	reduzida.	Esse	conceito	surgiu	no	sistema
brasileiro	em	2007,	criado	pelo	Comitê	de	Ajudas	Técnicas	(CAT),	o	qual	foi
instituído	pela	Secretaria	Especial	dos	Direitos	Humanos	da	Presidência	da
República,	por	meio	da	Portaria	nº	142,	de	16	de	novembro	de	2006,	de	acordo
com	o	qual	“Tecnologia	Assistiva	é	uma	área	do	conhecimento,	de	característica
interdisciplinar,	que	engloba	produtos,	recursos,	metodologias,	estratégias,
práticas	e	serviços	que	objetivam	promover	a	funcionalidade,	relacionada	à
atividade	e	participação,	de	pessoas	com	deficiência,	incapacidades	ou
mobilidade	reduzida,	visando	sua	autonomia,	independência,	qualidade	de	vida	e
inclusão	social”	(BRASIL	–	SDHPR	–	Comitê	de	Ajudas	Técnicas	–	ATA	VII).
Atualmente	existem	doze	categoriasde	tecnologia	assistiva:	i)	auxílios	para	a
vida	diária	e	vida	prática;	ii)	comunicação	aumentativa	e	alternativa;	iii)	recursos
de	acessibilidade	para	computador;	iv)	sistemas	de	controle	de	ambiente;	v)
projetos	arquitetônicos	para	acessibilidade;	vi)	órteses	e	próteses;	vii)	adequação
postural;	viii)	auxílios	de	mobilidade;	ix)	auxílio	para	qualificação	da	habilidade
visual	e	recursos	que	ampliam	a	informação	a	pessoas	com	baixa	visão	ou	cegas;
x)	auxílios	para	pessoas	com	surdez	ou	déficit	auditivo;	xi)	mobilidade	em
veículos;	xii)	esporte	e	lazer.	Os	produtos	que	fazem	parte	dessas	classificações
podem	ser	verificados	por	qualquer	pessoa	interessada	no	Catálogo	Nacional	de
Produtos	de	Tecnologia	Assistiva,	disponível	na	página	do	Portal	Nacional	de
Tecnologia	Assistiva	na	internet.
IV	–	barreiras:	qualquer	entrave,	obstáculo,	atitude	ou	comportamento	que
limite	ou	impeça	a	participação	social	da	pessoa,	bem	como	o	gozo,	a	fruição
e	o	exercício	de	seus	direitos	à	acessibilidade,	à	liberdade	de	movimento	e	de
expressão,	à	comunicação,	ao	acesso	à	informação,	à	compreensão,	à
circulação	com	segurança,	entre	outros,	classificadas	em:
Entre	os	significados	presentes	no	dicionário	Michaelis	da	Língua	Portuguesa
para	o	termo	“barreira”,	o	que	melhor	traduz	o	conceito	que	o	EPD	apresenta
neste	dispositivo	é	o	de	que	barreira	é	“Qualquer	coisa	que	dificulte	ou	impeça	a
realização	ou	a	obtenção	de	algo;	estorvo,	impedimento,	obstáculo”,	pois	este
documento	se	refere	aos	impedimentos	em	relação	à	participação	social	da
pessoa	e	a	outros	direitos	essenciais,	devendo-se	atentar	para	o	fato	de	que	este
dispositivo	não	se	restringe	apenas	às	pessoas	com	deficiência,	mas,	também,	a
toda	e	qualquer	pessoa	que	se	encontre	cerceada	por	qualquer	“entrave,
obstáculo,	atitude	ou	comportamento	que	a	limite”.
Deve-se	atentar,	também,	para	o	fato	de	que	o	EPD	explora,	no	significado	de
“barreiras”,	não	apenas	aquelas	físicas,	mas	também	sociais,	como	é	o	caso	de
certas	atitudes	e	comportamentos.	Assim,	ao	estabelecer,	no	art.	2º,	deste	mesmo
dispositivo	normativo,	o	conceito	de	pessoa	com	deficiência	e	se	referir	à
interação	com	barreiras	que	limitam	a	sua	plena	e	efetiva	participação	em
sociedade,	deve-se	entender	que	essas	barreiras	podem	ser	tanto	físicas	como
decorrer	de	uma	atitude,	como	é	o	caso	do	preconceito	muitas	vezes	praticado
em	relação	às	pessoas	com	deficiência,	que	leva	muitos	a	acreditarem	que	estas
são	incapazes,	quando,	na	realidade,	apresentam	uma	grande	capacidade	de
compreender,	de	se	fazer	compreender	e	de	tomar	suas	próprias	decisões.
a)	barreiras	urbanísticas:	as	existentes	nas	vias	e	nos	espaços	públicos	e
privados	abertos	ao	público	ou	de	uso	coletivo;
As	barreiras	urbanísticas	são	aquelas	construídas	ou	implantadas	no	ambiente
urbano,	tendo	se	tornado	comuns,	principalmente	nas	grandes	cidades,	em	razão
do	crescimento	desordenado	destas,	o	que	levou	a	alterações	em	ruas,	avenidas	e
áreas	urbanas,	sem	que	se	realizasse,	primeiramente,	um	projeto.	Entre	os
exemplos	de	barreiras	urbanísticas	podem	ser	citados	semáforos,	quiosques,
árvores,	cabines	telefônicas,	pontos	de	transporte	público,	que	acabam	por
impedir	a	livre	movimentação	das	pessoas,	além	das	calçadas	desniveladas,	com
degraus	e	buracos.
Em	linhas	gerais,	para	que	se	alcance	a	plena	acessibilidade	urbanística	é
necessário	a	implantação	de	ruas	planas,	com	pouco	declínio	nas	estações	e
paradas	de	transporte	público;	faixa	livre	para	a	exclusiva	circulação	de
pedestres,	sem	qualquer	obstáculo;	rebaixamento	de	calçadas	nas	faixas	de
travessia	de	pedestres;	piso	tátil	de	alerta;	piso	direcional;	vagas	reservadas	em
estacionamentos	etc.²
b)	barreiras	arquitetônicas:	as	existentes	nos	edifícios	públicos	e	privados;
As	barreiras	arquitetônicas	são	aquelas	que	impedem	que	as	pessoas	desfrutem
do	espaço	físico,	estando	presentes	em	residências,	estabelecimentos	comerciais
e	em	edifícios	públicos.	Para	que	se	alcance	a	plena	acessibilidade	nas
edificações,	faz-se	necessária	a	implantação	de	entradas	e	saídas	livres	de
obstáculos,	com	uma	superfície	regular,	estável	e	antiderrapante;	catracas	e
cancelas	acessíveis	às	pessoas	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida;
elevadores	ou	plataformas	elevatórias;	portas	e	vãos	de	passagem	devidamente
dimensionados	e	sinalizados;	sanitários	adaptados	etc.³
c)	barreiras	nos	transportes:	as	existentes	nos	sistemas	e	meios	de
transportes;
Entre	as	barreiras	no	transporte	e	em	seu	sistema,	pode-se	ter	como	exemplos,
estações	e	terminais	de	ônibus	sem	acessibilidade;	ônibus	que	não	possuem	a
plataforma	elevatória	para	as	pessoas	com	deficiência	física	que	utilizam
cadeiras	de	rodas	ou	que	não	possuem	mobilidade	para	subir	as	escadas	dos
ônibus	e	passar	pela	catraca.	Há	casos	em	que	a	barreira	ainda	é	mantida	de
forma	mascarada,	como	nos	casos	de	ônibus	públicos	acessíveis	e	adaptados	que
funcionam	somente	em	poucos	horários	e	em	quantidade	reduzida,	o	que	acaba
por	limitar	a	própria	liberdade	de	movimento	da	pessoa	e	o	seu	direito	ao	uso	de
transportes	públicos.
Uma	solução	encontrada	para	a	existência	de	barreiras	nos	transportes	são	os
carros	ou	vans	preferenciais,	que	são	preparados	para	idosos	e	para	pessoas	com
mobilidade	reduzida.	Entretanto,	além	de	grande	parte	da	população	desconhecer
esse	serviço,	este	também	costuma	ser	extremamente	burocrático,	por	não
atender	à	demanda	da	população	que	se	beneficiaria	deste	serviço.	Neste	ponto
verificamos	ainda	mais	uma	barreira,	a	“barreira	burocrática”.
d)	barreiras	nas	comunicações	e	na	informação:	qualquer	entrave,
obstáculo,	atitude	ou	comportamento	que	dificulte	ou	impossibilite	a
expressão	ou	o	recebimento	de	mensagens	e	de	informações	por	intermédio
de	sistemas	de	comunicação	e	de	tecnologia	da	informação;
As	barreiras	nas	comunicações	e	na	informação	passam	a	existir	quando	estas
não	estão	disponíveis	para	todos,	seja	porque	não	existem	meios,	seja	porque	as
informações	não	são	apresentadas	de	maneira	acessível.	Assim,	as	barreiras
podem	ocorrer	na	comunicação	interpessoal,	quando	se	busca	diálogo	com	uma
pessoa	com	deficiência	auditiva	e	não	se	sabe	a	Língua	Brasileira	de	Sinais
(Libras);	na	comunicação	escrita,	quando	informações	não	estão	disponíveis,	por
exemplo,	em	Braile,	o	que	tende	a	ocorrer	em	bibliotecas	e	placas	de	sinalização;
e	nos	espaços	virtuais,	quando	não	são	disponibilizados	recursos	como	tradução
automática,	audiodescrição	e	textos	alternativos	na	imagem.
e)	barreiras	atitudinais:	atitudes	ou	comportamentos	que	impeçam	ou
prejudiquem	a	participação	social	da	pessoa	com	deficiência	em	igualdade
de	condições	e	oportunidades	com	as	demais	pessoas;
Essas	barreiras	se	referem	a	preconceitos,	medos,	desconhecimento	sobre	como
agir	adequadamente	diante	de	uma	pessoa	com	deficiência,	frutos	dos
estereótipos	que	produzem	a	discriminação.	Constituem	barreiras	atitudinais	a
ignorância,	que	consiste	no	desconhecimento	da	potencialidade	da	pessoa	com
deficiência;	a	rejeição,	a	recusa	de	interagir	com	a	pessoa	com	deficiência;	a
inferioridade,	que	consiste	em	acreditar	que	a	pessoa	com	deficiência	não	tem
capacidade	de	compreensão	ou	de	realizar	diversos	atos	simplesmente	pela	visão
estigmatizada	que	o	indivíduo	tem	sobre	a	pessoa	com	deficiência;	estereótipos,
comparar	a	pessoa	com	deficiência	a	outras	que	apresentam	essa	mesma
deficiência,	construindo	generalizações;	atitude	de	segregação;	adjetivação,
classificando	a	pessoa	com	deficiência	a	partir	de	termos	pejorativos	e	a
generalizando	a	isso	etc.⁴
f)	barreiras	tecnológicas:	as	que	dificultam	ou	impedem	o	acesso	da	pessoa
com	deficiência	às	tecnologias;
As	barreiras	tecnológicas	são	geradas	pela	evolução	social	e	por	avanços
tecnológicos	que	não	atendem	às	limitações	de	determinadas	pessoas,	limitando
ou	impedindo	a	acessibilidade	a	espaços,	objetos,	determinados	aparelhos,
comunicações	etc.	Como	exemplo,	podem	ser	citados	produtos	comercializados
por	meio	eletrônico	sem	elementos	necessários	para	que	as	pessoas	com
deficiência	visual	possam	verificar	o	quebuscam	adquirir.	Um	site	acessível	é
aquele	em	que	a	pessoa	consegue	acessar,	navegar,	entender	e	interagir	sem	o
auxílio	de	outras	pessoas,	independentemente	de	suas	dificuldades	e	restrições.
Para	que	as	informações	disponibilizadas	através	de	meios	tecnológicos	atinjam
as	pessoas	com	deficiência,	é	necessário	que	se	atente	para	cada	tipo	de
deficiência,	sendo	necessárias	modificações	na	estrutura	física	ou	virtual,	além
da	disponibilização	de	serviços	para	atendimento	das	necessidades
informacionais.	A	construção	de	uma	sociedade	igualitária	demanda	uma
interação	efetiva	entre	todos	os	cidadãos,	atentando-se	à	acessibilidade	e
inclusão,	buscando	alcançar	um	ponto	em	que	todos	os	cidadãos	tenham	acesso
às	mais	diversas	informações	e	tecnologias,	de	forma	efetiva,	de	acordo	com
suas	especificidades.
V	–	comunicação:	forma	de	interação	dos	cidadãos	que	abrange,	entre
outras	opções,	as	línguas,	inclusive	a	Língua	Brasileira	de	Sinais	(Libras),	a
visualização	de	textos,	o	Braille,	o	sistema	de	sinalização	ou	de	comunicação
tátil,	os	caracteres	ampliados,	os	dispositivos	multimídia,	assim	como	a
linguagem	simples,	escrita	e	oral,	os	sistemas	auditivos	e	os	meios	de	voz
digitalizados	e	os	modos,	meios	e	formatos	aumentativos	e	alternativos	de
comunicação,	incluindo	as	tecnologias	da	informação	e	das	comunicações;
A	comunicação	é	o	ato	de	transmitir	uma	mensagem,	assim	como	receber	uma,
sendo	o	modo	de	transmitir	uma	informação	o	seu	conteúdo.	O	Estatuto	da
Pessoa	com	Deficiência,	com	fulcro	no	direito	constitucional	de	liberdade	de
expressão,	busca	neste	inciso	a	inclusão	dentro	da	comunicação,	trazendo	todas
as	possibilidades	em	que	essa	possa	ocorrer,	principalmente	em	relação	às
pessoas	com	deficiência,	como	a	utilização	de	caracteres	ampliados,	sistemas
auditivos,	meios	de	voz	digitalizados,	deixando	em	aberto	para	a	possibilidade
de	outros	meios	e	formatos	aumentativos	e	alternativos	de	comunicação,	que
ainda	possam	vir	a	surgir	e	auxiliar	todas	as	pessoas	na	realização	da
comunicação	mútua.
VI	–	adaptações	razoáveis:	adaptações,	modificações	e	ajustes	necessários	e
adequados	que	não	acarretem	ônus	desproporcional	e	indevido,	quando
requeridos	em	cada	caso,	a	fim	de	assegurar	que	a	pessoa	com	deficiência
possa	gozar	ou	exercer,	em	igualdade	de	condições	e	oportunidades	com	as
demais	pessoas,	todos	os	direitos	e	liberdades	fundamentais;
As	adaptações	razoáveis	geralmente	são	requeridas	e	feitas	em	relação	ao
ambiente	escolar	e	de	trabalho,	sendo	decorrentes	da	acessibilidade	e	do
princípio	da	igualdade,	buscando	garantir	a	equidade	de	oportunidades.	O	ideal	é
que	os	ambientes	já	apresentem	as	adaptações	necessárias,	mas	como	esta	não	é
a	realidade,	e	o	legislador	ao	criar	o	Estatuto	teve	consciência	disso,	faz-se
necessário	que	a	sociedade	se	adapte	conforme	a	necessidade	for	surgindo.	Por
se	tratar	de	algo	que	deva	atender	à	especificidade	da	pessoa	com	deficiência,	é
esta	que	deve	indicar	suas	necessidades	e	as	alterações	necessárias	a	serem
realizadas.
VII	–	elemento	de	urbanização:	quaisquer	componentes	de	obras	de
urbanização,	tais	como	os	referentes	a	pavimentação,	saneamento,
encanamento	para	esgotos,	distribuição	de	energia	elétrica	e	de	gás,
iluminação	pública,	serviços	de	comunicação,	abastecimento	e	distribuição
de	água,	paisagismo	e	os	que	materializam	as	indicações	do	planejamento
urbanístico;
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	decidiu	tratar	sobre	esse	conceito,	pois
defende	que	os	elementos	de	urbanização	devem	ser	acessíveis	a	todas	as
pessoas,	devendo	estar,	desde	a	etapa	de	planejamento,	de	acordo	com	as	normas
de	acessibilidade,	mesmo	que	não	seja	isso	que	ocorra	na	realidade,	como	se
pode	observar	no	comentário	do	artigo	anterior.
Quanto	ao	tema,	é	importante	mencionar	o	Projeto	de	Lei	n.	4.767	de	2016,	o
qual	ainda	está	votação,	de	autoria	da	Senadora	Gleisi	Hoffmann,	que	busca
estabelecer	normas	gerais	e	critérios	básicos	para	a	promoção	da	acessibilidade
das	pessoas	com	deficiência,	e	que	em	seu	Capítulo	II	objetiva	estabelecer
normas	relativas	aos	elementos	da	urbanização,	como	se	segue:
CAPÍTULO	II
DOS	ELEMENTOS	DA	URBANIZAÇÃO
Art.	3º	O	planejamento	e	a	urbanização	das	vias	públicas,	dos	parques	e	dos
demais	espaços	de	uso	público	deverão	ser	concebidos	e	executados	de	forma	a
torná-los	acessíveis	para	as	pessoas	portadoras	de	deficiência	ou	com
mobilidade	reduzida.
Art.	4º	As	vias	públicas,	os	parques	e	os	demais	espaços	de	uso	público
existentes,	assim	como	as	respectivas	instalações	de	serviços	e	mobiliários
urbanos	deverão	ser	adaptados,	obedecendo-se	ordem	de	prioridade	que	vise	à
maior	eficiência	das	modificações,	no	sentido	de	promover	mais	ampla
acessibilidade	às	pessoas	portadoras	de	deficiência	ou	com	mobilidade
reduzida.
Art.	5º	O	projeto	e	o	traçado	dos	elementos	de	urbanização	públicos	e	privados
de	uso	comunitário,	nestes	compreendidos	os	itinerários	e	as	passagens	de
pedestres,	os	percursos	de	entrada	e	de	saída	de	veículos,	as	escadas	e	rampas,
deverão	observar	os	parâmetros	estabelecidos	pelas	normas	técnicas	de
acessibilidade	da	NBR	9050	da	Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas	–
ABNT.
Art.	6º	Os	banheiros	de	uso	público	existentes	ou	a	construir	em	parques,
praças,	jardins	e	espaços	livres	públicos	deverão	ser	acessíveis	e	dispor,	pelo
menos,	de	um	sanitário	e	um	lavatório	que	atendam	às	especificações	da	NBR
9050	da	ABNT.
Art.	7º	Em	todas	as	áreas	de	estacionamento	de	veículos,	localizadas	em	vias	ou
em	espaços	públicos,	deverão	ser	reservadas	vagas	próximas	dos	acessos	de
circulação	de	pedestres,	devidamente	sinalizadas,	para	veículos	que	transportem
pessoas	portadoras	de	deficiência	com	dificuldades	de	locomoção.
Parágrafo	único.	As	vagas	a	que	se	refere	o	caput	deste	artigo	deverão	ser	em
número	equivalente	a	dois	por	cento	do	total,	garantida,	no	mínimo,	uma	vaga,
devidamente	sinalizada	e	com	as	especificações	técnicas	de	desenho	e	traçado
de	acordo	com	as	normas	técnicas	vigentes.
VIII	–	mobiliário	urbano:	conjunto	de	objetos	existentes	nas	vias	e	nos
espaços	públicos,	superpostos	ou	adicionados	aos	elementos	de	urbanização
ou	de	edificação,	de	forma	que	sua	modificação	ou	seu	traslado	não
provoque	alterações	substanciais	nesses	elementos,	tais	como	semáforos,
postes	de	sinalização	e	similares,	terminais	e	pontos	de	acesso	coletivo	às
telecomunicações,	fontes	de	água,	lixeiras,	toldos,	marquises,	bancos,
quiosques	e	quaisquer	outros	de	natureza	análoga;
Conforme	exposto	no	inciso,	mobiliário	urbano	são	móveis	implantados	em
espaços	públicos,	disponíveis	para	ser	utilizados	pela	população.	Não	havendo
um	consenso	do	que	especificamente	seja	o	mobiliário	urbano,	cada	Município
tem	sua	própria	legislação	sobre	o	tópico.	São	exemplos	de	mobiliários	urbanos
passíveis	de	citação:	pontos	de	táxi,	hidrantes,	lixeiras,	postes	de	iluminação,
fontes	ou	bebedouros	etc.	Entretanto,	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	ao
tratar	do	fato	de	que	não	podem	causar	alterações	nos	espaços	públicos	e	nos
elementos	de	urbanização,	traz	para	junto	deste	conceito	a	ideia	de
acessibilidade,	em	que	este	mobiliário	urbano	tem	de	ser	disposto	de	modo	a	não
prejudicar	a	livre	circulação	de	qualquer	pessoa,	incluindo	aquelas	com
deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida.
IX	–	pessoa	com	mobilidade	reduzida:	aquela	que	tenha,	por	qualquer
motivo,	dificuldade	de	movimentação,	permanente	ou	temporária,	gerando
redução	efetiva	da	mobilidade,	da	flexibilidade,	da	coordenação	motora	ou
da	percepção,	incluindo	idoso,	gestante,	lactante,	pessoa	com	criança	de	colo
e	obeso;
Primeiramente,	tem-se	que	pessoa	com	mobilidade	reduzida	não	é	o	mesmo	que
pessoa	com	deficiência	física,	esta	tem	seu	conceito	determinado	no	art.	2º	do
presente	dispositivo	normativo,	enquanto	a	pessoa	com	mobilidade	reduzida	não
se	enquadra	neste	conceito.	Entretanto,	ainda	apresenta	dificuldade	de	se
movimentar,	de	forma	permanente	ou	temporária,	e	como	muito	bem	traz	o	EPD,
enquadram-se	neste	grupo	as	pessoas	idosas,	gestantes,	lactantes,	pessoas	com
crianças	de	colo	e	obesos.O	conceito	de	mobilidade,	em	si,	ainda	é	recente	no	Brasil,	tendo	sido
inicialmente	definido	pelo	Ministério	das	Cidades,	em	2006,	como	um	atributo
relacionado	aos	deslocamentos	realizados	por	indivíduos	em	suas	atividades
(MACHADO,	Mariza	Helena;	LIMA,	Josiane	Palma.	Avaliação	da
acessibilidade	pela	perspectiva	da	pessoa	com	mobilidade	reduzida.	Revista
Tecnologia	e	Sociedade,	v.	13,	n.	29,	2017,	p.	3),	sendo	por	meio	da
acessibilidade	que	se	busca	a	efetivação	da	mobilidade	para	todas	as	pessoas,
mesmo	aquelas	com	deficiência	física	ou	com	mobilidade	reduzida,
assegurando,	deste	modo,	o	direito	de	ir	e	vir.
X	–	residências	inclusivas:	unidades	de	oferta	do	Serviço	de	Acolhimento	do
Sistema	Único	de	Assistência	Social	(Suas)	localizadas	em	áreas	residenciais
da	comunidade,	com	estruturas	adequadas,	que	possam	contar	com	apoio
psicossocial	para	o	atendimento	das	necessidades	da	pessoa	acolhida,
destinadas	a	jovens	e	adultos	com	deficiência,	em	situação	de	dependência,
que	não	dispõem	de	condições	de	autossustentabilidade	e	com	vínculos
familiares	fragilizados	ou	rompidos;
A	ideia	das	residências	inclusivas	surgiu	por	meio	da	Resolução	n.	109/2009	do
Conselho	Nacional	de	Assistência	Social	(CNAS),	trazendo	a	previsão	do
atendimento	de	jovens	e	adultos	com	deficiência	em	residência	inclusiva,	sendo
uma	das	metas	previstas	no	Plano	Nacional	de	Direitos	da	Pessoa	com
Deficiência	–	Plano	Viver	sem	Limites	–	Eixo	Inclusão,	lançado	pela	Presidente
da	República	Dilma	Rousseff,	em	novembro	de	2011,	por	meio	do	Decreto	n.
7.612.
As	residências	inclusivas	têm	como	objetivo	acolher	jovens	e	adultos	com
deficiência	que	foram	abandonados	por	suas	famílias	ou	que	possuem	vínculos
familiares	rompidos	ou	fragilizados,	e	que	não	têm	condições	de
autossustentabilidade,	buscando	fornecer	apoio	para	que	essas	pessoas
potencializem	suas	capacidades,	inserindo-as	na	sociedade,	proporcionando-lhes
desenvolvimento	humano	e	social.	Deste	modo,	as	residências	inclusivas	devem
contar	com	equipe	multiprofissional,	composta	por	psicólogos,	assistentes
sociais,	terapeutas	ocupacionais	e	cuidadores,	com	metodologia	adequada	para
prestar	um	atendimento	personalizado	e	qualificado,	buscando	construir	uma
autonomia	progressiva,	fortalecendo	vínculos	comunitários	e	participação	social.
XI	–	moradia	para	a	vida	independente	da	pessoa	com	deficiência:	moradia
com	estruturas	adequadas	capazes	de	proporcionar	serviços	de	apoio
coletivos	e	individualizados	que	respeitem	e	ampliem	o	grau	de	autonomia
de	jovens	e	adultos	com	deficiência;
A	moradia	para	a	vida	independente	segue	os	princípios	da	residência	inclusiva
prevista	no	inciso	anterior,	buscando	desenvolver	as	capacidades	da	pessoa	com
deficiência,	além	de	fortalecer	os	vínculos	comunitários	e	a	participação	social
desta.	Entretanto,	este	tipo	de	moradia	vai	além	da	residência	inclusiva,	sendo
destinado	para	pessoas	que	possuem	uma	maior	autonomia	na	realização	das
tarefas	diárias,	mas	que	ainda	necessitam	de	um	local	acessível	e	com	apoio,	de
acordo	com	suas	restrições	e	necessidades.
XII	–	atendente	pessoal:	pessoa,	membro	ou	não	da	família,	que,	com	ou
sem	remuneração,	assiste	ou	presta	cuidados	básicos	e	essenciais	à	pessoa
com	deficiência	no	exercício	de	suas	atividades	diárias,	excluídas	as	técnicas
ou	os	procedimentos	identificados	com	profissões	legalmente	estabelecidas;
O	acompanhante	é	aquele	que	está	com	a	pessoa	com	deficiência,	enquanto	o
atendente	pessoal	é	aquele	que	presta	auxílio	à	pessoa	com	deficiência,
temporária	ou	permanentemente,	de	forma	remunerada	ou	não,	com	a	restrição
de	que	não	pode	ser	pessoa	que	exerça	profissão	regulamentada.	Entretanto,	o
Projeto	de	Lei	n.	1.152/2015,	de	autoria	da	deputada	Mara	Gabrilli,	busca
regulamentar	essa	atividade	como	uma	profissão.	Segundo	o	texto	deste	Projeto,
o	profissional	terá	as	funções	de	realizar	tarefas	de	organização	do	ambiente	de
trabalho;	auxiliar	as	pessoas	com	deficiência	em	suas	necessidades,	buscando	o
seu	bem-estar	e	a	sua	inclusão	na	comunidade;	e	atuar	como	elo	entre	a	pessoa
com	deficiência	e	a	família,	sem	em	momento	algum	ter	a	capacidade	de	tomar
decisões	pela	pessoa	com	deficiência	ou	praticar	os	atos	da	vida	civil	no	lugar
desta.	Conforme	o	Projeto	de	Lei,	os	requisitos	para	que	a	pessoa	possa	se
habilitar	como	atendente	pessoal	serão:	ensino	fundamental	completo	e
participação	em	cursos	de	formação	promovidos	por	instituições	de	ensino
profissional,	assistenciais	ou	pelo	governo.
XIII	–	profissional	de	apoio	escolar:	pessoa	que	exerce	atividades	de
alimentação,	higiene	e	locomoção	do	estudante	com	deficiência	e	atua	em
todas	as	atividades	escolares	nas	quais	se	fizer	necessária,	em	todos	os	níveis
e	modalidades	de	ensino,	em	instituições	públicas	e	privadas,	excluídas	as
técnicas	ou	os	procedimentos	identificados	com	profissões	legalmente
estabelecidas;
De	acordo	com	determinação,	em	mesmo	sentido,	da	Convenção	das	Nações
Unidas	sobre	os	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência,	foi	criada	a	Nota	Técnica
19/2010	–	MEC/SEESP/GAB,	a	qual	assegura	a	disponibilização	de	um
Profissional	de	Apoio	Escolar,	toda	vez	que	o	estudante	com	deficiência	não
demonstrar	autonomia	em	higiene,	alimentação,	locomoção	e	comunicação.	A
necessidade	do	auxiliar	deve	ser	avaliada	pela	equipe	escolar,	juntamente	com	o
núcleo	familiar	da	criança	ou	do	adolescente	com	deficiência,	no	sentido	de	não
somente	auxiliar	o	estudante	com	deficiência,	mas	também	promover	sua
autonomia.
O	profissional	de	apoio	escolar	deve	acompanhar	o	estudante	com	deficiência
em	todos	os	locais	dentro	do	ambiente	escolar,	não	podendo	substituir	professor
ou	qualquer	outro	profissional	da	escola,	também	devendo	auxiliar	o	estudante
no	cumprimento	de	atividades	em	sala	de	aula,	de	acordo	com	as	orientações	do
professor.	Portanto,	deve	acompanhar	o	estudante	com	deficiência	nas	idas	ao
banheiro,	no	intervalo,	ajudando-o	com	as	refeições,	assim	como	auxiliá-lo	no
desenvolvimento	das	atividades	em	sala	de	aula.
XIV	–	acompanhante:	aquele	que	acompanha	a	pessoa	com	deficiência,
podendo	ou	não	desempenhar	as	funções	de	atendente	pessoal.
Como	dito	anteriormente,	no	inciso	XII,	acompanhante	não	é	o	mesmo	que
atendente	pessoal,	mas	pode	desempenhar	as	funções	deste.	Em	sentido	geral,
acompanhante	é	quem	acompanha,	auxilia	outrem.	Em	razão	de	estar	sempre
com	a	pessoa	com	deficiência,	o	acompanhante	acaba	por	ter	certos	benefícios,
como	desconto	em	passagens	de	avião	para	acompanhar	a	pessoa	com
deficiência,	por	exemplo.	Em	alguns	municípios,	o	acompanhante	também	tem
direito	ao	pagamento	de	meia	passagem	nos	transportes	públicos.
1CARLETTO,	Ana	Claudia;	CAMBIAGHI,	Silvana.	Desenho	Universal	–	Um
conceito	para	todos	.	Disponível	em:	<https://www.maragabrilli.com.br/wp-
content/uploads/2016/01/universal_web-1.pdf>.	Acesso	em:	16	maio	2019.
2PIRES,	Maria	Eulália	de	Souza;	TOMAZELLI,	Darcio	R.	Barreiras
arquitetônicas	urbanísticas	e	nas	edificações	.	Revista	do	TRT	da	2ª	Região,	São
Paulo,	n.	10,	2012,	p.	57.
33	Ibidem,	p.	58
4LIMA,	Francisco	José	de;	SILVA,	Fabiana	Tavares	dos	Santos.	Barreiras
Atitudinais:	Obstáculos	à	Pessoa	com	Deficiência	na	Escola.	In:	SOUZA,	Olga
Solange	Herval	(org.).	Itinerários	da	inclusão	escolar:	múltiplos	olhares,	saberes
e	práticas	.	Canoas:	Ed.	ULBRA,	2008,	p.	27-29.
CAPÍTULO	II
DA	IGUALDADE	E	DA	NÃO	DISCRIMINAÇÃO
A	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	trouxe	à	baila,	nos	arts.
4º	a	8º	do	Estatuto,	dois	preceitos	centrais:	o	direito	à	igualdade	de
oportunidades	e	a	proibição	de	discriminação	contra	a	pessoa	com	deficiência.
Sua	natureza	jurídica	incorporou	um	novo	modelo	social,	alvidrado	pelos
Direitos	Humanos,	que	é	a	reabilitação	da	própria	sociedade	como	um	todo,
trazendo	a	necessidade	de	minorar	as	barreiras	de	exclusão	e	incluir	a	pessoa
com	deficiência	na	comunidade.	Garante	o	Estatuto	à	pessoa	com	deficiência
uma	vida	independente,	com	igualdade	de	direitos,	no	exercício	de	sua	plena
capacidade	jurídica.
Art.	4º	Toda	pessoa	com	deficiência	tem	direito	à	igualdade	de
oportunidadescom	as	demais	pessoas	e	não	sofrerá	nenhuma	espécie	de
discriminação.
Por	muitos	séculos,	pessoas	que	nasceram	ou	adquiriram	alguma	limitação	ao
longo	da	vida	lutaram	por	reconhecimento	e	foram	ignoradas,	sofrendo	toda
espécie	de	preconceito	e	discriminação.	Segundo	a	Convenção	Interamericana
para	a	Eliminação	de	Todas	as	Formas	de	Discriminação	contra	as	Pessoas
Portadoras	de	Deficiência	(Decreto	n.	3.956,	de	8	de	outubro	de	2001),	o	termo
deficiência	significa	uma	restrição	física,	mental	ou	sensorial,	de	natureza
permanente	ou	transitória,	que	limita	a	capacidade	de	exercer	uma	ou	mais
atividades	essenciais	da	vida	diária,	causada	ou	agravada	pelo	ambiente
econômico	e	social.
Um	dado	alarmante,	segundo	o	Instituto	Brasileiro	de	Geografia	e	Estatística
(IBGE),	com	ênfase	no	Censo	de	2010,	é	que	23,9%	da	população	brasileira
apresenta	alguma	forma	de	deficiência:	visual,	auditiva,	motora	e	mental	ou
intelectual.	Diante	deste	fato,	e	buscando	amenizar	as	desigualdades,	o	Estatuto
da	Pessoa	com	Deficiência	foi	criado	para	assegurar	e	promover,	em	condições
de	igualdade,	o	pleno	exercício	dos	direitos	e	das	liberdades	fundamentais	às
pessoas	com	deficiência,	proibindo	qualquer	tipo	de	discriminação.	Dessa	forma,
a	promoção	da	igualdade	de	oportunidades	e	a	proibição	de	discriminação	das
pessoas	com	deficiência	só	foi	possível	a	partir	da	consolidação	do	modelo
social	de	deficiência,	substituindo	o	antigo	e	injusto	modelo	médico,	na	medida
em	que	busca	promover	o	acesso	da	pessoa	com	deficiência	a	todos	os	direitos
fundamentais	em	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.	A	dignidade	da
pessoa	humana	constitui	valor	universal	e	as	pessoas,	mesmo	com	diferenças
físicas,	intelectuais	ou	psicológicas,	são	detentoras	de	igual	dignidade,	tendo
direito	à	igualdade	de	tratamento	e	oportunidade,	sem	discriminação.
§	1º	Considera-se	discriminação	em	razão	da	deficiência	toda	forma	de
distinção,	restrição	ou	exclusão,	por	ação	ou	omissão,	que	tenha	o	propósito
ou	o	efeito	de	prejudicar,	impedir	ou	anular	o	reconhecimento	ou	o	exercício
dos	direitos	e	das	liberdades	fundamentais	de	pessoa	com	deficiência,
incluindo	a	recusa	de	adaptações	razoáveis	e	de	fornecimento	de	tecnologias
assistivas.
Etimologicamente,	a	palavra	discriminação	está	associada	à	ideia	de	fazer
distinção	com	base	em	etnia,	gênero,	raça,	orientação	sexual,	condição	social,
religião	ou	em	razão	de	deficiência.	De	acordo	com	a	Convenção	sobre	os
Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	(Decreto	n.	6.949,	de	25	de	agosto	de
2009):	“discriminação	por	motivo	de	deficiência	significa	qualquer
diferenciação,	exclusão	ou	restrição	baseada	em	deficiência,	com	o	propósito	ou
efeito	de	impedir	ou	impossibilitar	o	reconhecimento,	o	desfrute	ou	o	exercício,
em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas,	de	todos	os	direitos
humanos	e	liberdades	fundamentais	nos	âmbitos	político,	econômico,	social,
cultural,	civil	ou	qualquer	outro.	Abrange	todas	as	formas	de	discriminação,
inclusive	a	recusa	de	adaptação	razoável”.	No	Brasil,	o	princípio	da	proibição	da
discriminação	está	esculpido	no	art.	3º,	IV,	da	Constituição	Federal	de	1988:
“Constituem	objetivos	fundamentais	da	República	Federativa	do	Brasil:	[...]
inciso	IV	–	promover	o	bem	de	todos,	sem	preconceitos	de	origem,	raça,	cor,
sexo,	idade	e	quaisquer	outras	formas	de	discriminação”.
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	não	preconiza	discriminação	contra
pessoa	com	deficiência,	mas	em	razão	da	deficiência.	A	discriminação	em	razão
da	deficiência	significa	conferir	à	outra	pessoa	um	tratamento	desigual,	com	base
na	deficiência,	cujo	efeito	é	a	criação	de	uma	situação	de	inferioridade	e	de
exclusão	da	pessoa	com	deficiência,	baseada	na	supressão	e	até	na	diminuição	de
direitos	e	liberdades	fundamentais.	Por	sua	vez,	a	recusa	de	adaptações	razoáveis
e	de	fornecimento	de	tecnologias	assistivas,	a	fim	de	eliminar	ou	reduzir
barreiras	estruturais	existentes	na	sociedade,	também	constitui	discriminação.
§	2º	A	pessoa	com	deficiência	não	está	obrigada	à	fruição	de	benefícios
decorrentes	de	ação	afirmativa.
As	ações	afirmativas	podem	ser	definidas	como	políticas	estatais	e	privadas	que
utilizam	mecanismos	de	inclusão	da	pessoa	com	deficiência	na	sociedade,	cujo
objetivo	principal	é	a	materialização	de	um	objetivo	constitucional
universalmente	reconhecido,	como	a	efetiva	igualdade	de	oportunidades,	a	que
todos	têm	direito.	Dedicam-se	a	corrigir	ou	mitigar	os	efeitos	presentes	da
discriminação	praticada	no	passado,	almejando	concretizar	o	ideal	de	efetiva
igualdade	e	acesso	a	bens	fundamentais,	para	o	fim	de	zelar	pelos	desiguais	na
medida	de	suas	desigualdades.	Positivou,	assim,	o	legislador	a	célebre	frase	de
Aristóteles:	“devemos	tratar	igualmente	os	iguais	e	desigualmente	os	desiguais,
na	medida	de	sua	desigualdade”.⁵	Apesar	de	os	indivíduos	serem	iguais	e,
portanto,	devam	ser	tratados	de	forma	igualitária,	também	apresentam
desigualdades,	que	demandam	atendimento	diferenciado	para	que	seja	possível	o
pleno	uso	dos	seus	direitos.
Importante	destacar	que	não	constitui	discriminação	as	ações	adotadas	para
promover	a	integração	social	ou	o	desenvolvimento	pessoal	das	pessoas	com
deficiência,	desde	que	a	diferenciação	ou	preferência	não	limite	em	si	mesma	o
direito	à	igualdade	dessas	pessoas	e	que	elas	não	sejam	obrigadas	a	aceitar	tal
diferenciação	ou	preferência.	Em	que	pese	todas	as	condições	favoráveis	criadas
pelas	ações	afirmativas,	a	fim	de	promover	os	direitos	das	pessoas	portadoras	de
deficiência,	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	faculta	às	pessoas	com	deficiência	a
decisão	de	fruir	ou	não	dos	benefícios	concedidos.	Assim,	a	pessoa	com
deficiência	não	está	obrigada	à	fruição	de	benefícios	decorrentes	de	ação
afirmativa.
Art.	5º	A	pessoa	com	deficiência	será	protegida	de	toda	forma	de
negligência,	discriminação,	exploração,	violência,	tortura,	crueldade,
opressão	e	tratamento	desumano	ou	degradante.
Todas	as	pessoas	devem	receber	proteção,	em	especial	as	pessoas	com
deficiência,	contra	atos	de	discriminação,	exploração,	violência,	tortura,
tratamento	desumano	ou	degradante.	Fazem-se	necessárias	medidas	imediatas	e
apropriadas	para	promover,	na	sociedade,	o	respeito	pelos	direitos	e	pela
dignidade	das	pessoas	com	deficiência,	cabendo	ao	Estado	a	criação	de
mecanismos	que	reprimam	as	atividades	desumanas	e	degradantes.	Ações
educativas	que	tragam	condições	mais	humanas	à	pessoa	com	deficiência	são
necessárias	para	coibir	qualquer	tipo	de	discriminação.
Parágrafo	único.	Para	os	fins	da	proteção	mencionada	no	caput	deste	artigo,
são	considerados	especialmente	vulneráveis	a	criança,	o	adolescente,	a
mulher	e	o	idoso,	com	deficiência.
Ao	se	referir	à	criança,	ao	adolescente,	à	mulher	e	ao	idoso,	a	Lei	Brasileira	de
Inclusão	incluiu	pessoas	em	situação	de	vulnerabilidade.	Esta	situação	é
sensivelmente	agravada	quando	estas	pessoas,	além	da	condição	pessoal	de
hipossuficiência,	forem	também	pessoas	com	deficiência,	surgindo,	dessa
maneira,	um	duplo	grau	de	vulnerabilidade.	A	dupla	vulnerabilidade,
reconhecida	em	lei,	deve	apoiar	novas	estatísticas	consolidadas	no	Brasil	que
ajudem	no	diálogo	entre	as	Políticas	Públicas	voltadas	a	mulheres,	crianças,
idosas	e	meninas	com	deficiência,	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	o
Estatuto	do	Idoso	(Lei	n.	10.741,	de	1º	de	outubro	de	2003)	e	o	Estatuto	da
Criança	e	do	Adolescente	(Lei	n.	8.069,	de	13	de	julho	de	1990).	Para	a
Convenção	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência,	mulheres	e	meninas	com
deficiência	estão	expostas	a	maiores	riscos	de	sofrer	violência,	lesões,	abusos	e
maus	tratos.	A	condição	de	vida	da	pessoa	com	deficiência	é	intensificada	em
razão	do	preconceito	de	gênero	e	da	discriminação,	de	maneira	a	impor
obstáculos	ao	aprendizado,	à	profissionalização	e	a	outros	aspectos	da	vida
social	e	política.
Art.	6º	A	deficiência	não	afeta	a	plena	capacidade	civil	da	pessoa,	inclusive
para:
A	plena	capacidade	legal	da	pessoa	com	deficiência,	colocando	todas	como
civilmente	capazes	para	os	atos	da	vida	civil,	é	outra	garantia	fundamentalalbergada	pela	Convenção	Internacional	dos	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência	e	disposta	na	Lei	Brasileira	de	Inclusão	das	Pessoas	com
Deficiência.	Deveras	importante	é	destacar	que	a	pessoa	com	deficiência,	para	o
ordenamento	jurídico,	deixou	a	situação	de	invalidez	e	exclusão	e	“alcançou	a
posição	de	sujeito	de	direitos,	apto	não	apenas	à	titularidade,	mas	também	ao
exercício	desses	mesmos	direitos	em	igualdade	de	condições	com	as	demais
pessoas”. 	O	art.	6º	traz	um	rol	de	situações	relacionadas	ao	direito	de	decisão	da
pessoa	com	deficiência,	tais	como	casar-se,	exercer	direitos	sexuais	e
reprodutivos;	decidir	pelo	número	de	filhos	e	ter	acesso	a	informações
adequadas	sobre	reprodução	e	planejamento	familiar;	conservar	sua	fertilidade,
sendo	vedada	a	esterilização	compulsória;	exercer	o	direito	à	família	e	à
convivência	familiar	e	comunitária;	e	exercer	o	direito	à	guarda,	à	tutela,	à
curatela	e	à	adoção,	como	adotante	ou	adotado.
I	–	casar-se	e	constituir	união	estável;
A	nova	concepção	de	família,	no	Direito	brasileiro,	está	calcada	em	uma
perspectiva	constitucional	de	igualdade,	afeto	e	dignidade	da	pessoa	humana.
Dessa	forma,	a	pessoa	com	deficiência	tem	preservada	a	sua	capacidade	de
entendimento	e	pode	livremente	manifestar	sua	vontade.	Sendo	assim,	não	existe
qualquer	impedimento	para	contrair	casamento	ou	constituir	união	estável.	Até
mesmo	o	curatelado,	com	ênfase	neste	Estatuto,	tem	preservada	sua	capacidade
para	contrair	matrimônio,	nos	termos	do	art.	85,	§	1º,	da	Lei	de	Inclusão	da
Pessoa	com	Deficiência.
II	–	exercer	direitos	sexuais	e	reprodutivos;
O	Estado	brasileiro	preza	pelo	respeito	e	garantia	aos	Direitos	Humanos,	entre	os
quais	se	incluem	os	direitos	sexuais	e	os	direitos	reprodutivos,	para	a	formulação
e	implementação	de	políticas	relacionadas	ao	planejamento	familiar.	Com	fulcro
no	princípio	da	dignidade	da	pessoa	humana	e	da	paternidade	responsável,	a
Constituição	Federal	de	1988,	no	art.	226,	§	7º,	assenta	que	“o	planejamento
familiar	é	livre	decisão	do	casal,	competindo	ao	Estado	propiciar	recursos
educacionais	e	científicos	para	o	exercício	desse	direito,	vedada	qualquer	forma
coercitiva	por	parte	de	instituições	oficiais	ou	privadas”.	Nesse	sentido,	o	direito
se	sobrepõe	à	presença	da	deficiência.	Não	se	pode,	inclusive,	tratar	em
separado,	de	uma	sexualidade	própria	e	específica	das	pessoas	com	deficiência.
Não	existe	esta	distinção.	Todos	são	igualmente	detentores	de	direitos.	Os
direitos	sexuais	e	os	direitos	reprodutivos	da	pessoa	com	deficiência	são	direitos
humanos	fundamentais	para	a	qualidade	de	vida	e	exercício	da	cidadania	e
devem	ser	reconhecidos,	respeitados	e	valorizados	por	todos.
III	–	exercer	o	direito	de	decidir	sobre	o	número	de	filhos	e	de	ter	acesso	a
informações	adequadas	sobre	reprodução	e	planejamento	familiar;
O	direito	ao	planejamento	familiar,	bem	como	o	direito	à	reprodução	das	pessoas
com	deficiência	está	expressamente	previsto	na	Constituição	Federal	de	1988,	ao
estabelecer	que	o	planejamento	familiar	“é	livre	decisão	do	casal,	cabendo	ao
Estado	propiciar	recursos	educacionais	e	científicos,	para	o	exercício	desse
direito”.	O	regramento	constitucional	assenta	que	a	pessoa	humana	pode	exercer
sua	autonomia	no	que	tange	ao	planejamento	familiar,	sendo	vedada	ao	Estado	a
adoção	de	meios	de	restrição	do	exercício	de	seu	direito	ao	planejamento
familiar,	que	abarca	o	direito	fundamental	de	decidir	ou	não	a	paternidade	ou
maternidade,	o	número	de	filhos	que	o	indivíduo	pretende	ter	e	quais	métodos
conceptivos	ou	contraceptivos	adotará.
Ressalta	o	inciso	III	em	comento	a	livre	decisão	da	pessoa	com	deficiência	sobre
a	prole	que	pretende	estabelecer,	não	se	admitindo	qualquer	ingerência	externa,
pública	ou	privada,	que	restrinja	este	direito.	O	direito	à	procriação	está
profundamente	conectado	ao	Princípio	da	Dignidade	da	Pessoa	Humana	e	seus
desdobramentos,	exigindo	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	o	pleno	acesso	às	pessoas
com	deficiência	a	informações	adequadas	sobre	reprodução	e	planejamento
familiar.	Em	síntese,	o	respeito	à	autonomia	da	pessoa	humana,	para	gerar	ou
não	filhos,	constitui	norma	de	cunho	obrigatório	para	todos	os	agentes	públicos,
devendo	ser	a	base	das	políticas	e	programas	estatais	na	esfera	da	saúde
reprodutiva	para	acesso	das	pessoas	com	deficiência.
IV	–	conservar	sua	fertilidade,	sendo	vedada	a	esterilização	compulsória;
As	pessoas	com	deficiência,	além	de	vulneráveis,	foram	alvo	de	injustiças	e
discriminação,	fazendo	parte	de	grupos	fragilizados	jurídica,	política	e
culturalmente	pela	dificuldade	de	acesso	a	direitos	e	informações.	É	fato	notório
que	muitas	pessoas	com	deficiência	foram	esterilizadas	contra	sua	vontade,	de
programas	de	esterilização	compulsória	instituídos	pelo	Estado.	O	Estatuto	da
Pessoa	com	Deficiência	garante	à	pessoa	com	deficiência	plena	autonomia	sobre
seus	direitos	sexuais,	reprodutivos	e	também	para	conservar	sua	fertilidade,
vedando	expressamente	a	esterilização	compulsória,	de	modo	a	facilitar	a
efetivação	do	princípio	do	respeito	pela	vulnerabilidade	humana.
V	–	exercer	o	direito	à	família	e	à	convivência	familiar	e	comunitária;
A	Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência
estabelece,	no	art.	19:	“Os	Estados	Partes	reconhecem	o	igual	direito	de	todas	as
pessoas	com	deficiência	de	viver	na	comunidade,	com	a	mesma	liberdade	de
escolha	que	as	demais	pessoas,	e	tomarão	medidas	efetivas	e	apropriadas	para
facilitar	às	pessoas	com	deficiência	o	pleno	gozo	desse	direito	e	sua	plena
inclusão	e	participação	na	comunidade”.	É	função	do	Estado	propiciar	às	pessoas
com	deficiência	o	pleno	exercício	dos	direitos	fundamentais,	como	o	direito	à
família,	à	convivência	familiar	e	comunitária,	minorando	as	barreiras	de
exclusão	e	incluindo	a	pessoa	com	deficiência	na	comunidade,	de	maneira	a
garantir	uma	vida	independente,	com	igualdade	de	direitos,	no	exercício	de	sua
capacidade	jurídica.
VI	–	exercer	o	direito	à	guarda,	à	tutela,	à	curatela	e	à	adoção,	como
adotante	ou	adotando,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais
pessoas.
Partindo	da	premissa	estabelecida	no	caput	do	art.	6º,	da	Lei	n.	13.146/2015,	a
deficiência	não	afeta	a	capacidade	civil	da	pessoa.	Desse	modo,	pode	a	pessoa
com	deficiência	normalmente	exercer	o	direito	à	guarda,	seja	qual	for	a	sua
modalidade,	bem	como	o	direito	à	tutela,	à	curatela	e	à	adoção,	como	adotante
ou	adotando,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas.	Por	sua
vez,	cabe	destacar	que	a	pessoa	com	deficiência,	quando	adotante,	está	em
igualdade	de	direitos	com	os	demais	candidatos	à	adoção.	No	entanto,	na	disputa
pela	guarda	de	uma	criança	com	deficiência,	sendo	ela	adotando,	terá	prioridade
no	trâmite	do	processo	de	adoção.	Para	tanto,	preconiza	o	art.	47,	§	9º,	da	Lei	n.
8.069,	de	13	de	julho	de	1990	(ECA),	que	os	candidatos	“terão	prioridade	de
tramitação	nos	processos	de	adoção	em	que	o	adotando	for	criança	ou
adolescente	com	deficiência	ou	com	doença	crônica.	(Incluído	pela	Lei	n.
12.955,	de	2014)”.
Art.	7º	É	dever	de	todos	comunicar	à	autoridade	competente	qualquer
forma	de	ameaça	ou	de	violação	aos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.
Estabelece	a	norma	supramencionada	a	imposição	de	uma	obrigação,	um	dever
de	agir,	a	todos	que	presenciarem	ou	tomarem	conhecimento	de	qualquer	forma
de	ameaça	ou	violação	aos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.	No	entanto,
questiona-se	de	que	maneira	se	daria	a	responsabilização	do	agente	que,	mesmo
sabendo	da	ameaça	ou	da	violação,	deixa	de	comunicar	as	autoridades
competentes.	De	acordo	com	o	disposto	no	art.	13,	do	Estatuto	Penal,	“o
resultado	de	que	depende	a	existência	do	crime	somente	é	imputável	a	quem	lhe
deu	causa”,	considerando	“causa	a	ação	ou	omissão	sem	a	qual	o	resultado	não
teria	ocorrido”.	Também	estabelece	que	“a	omissão	é	penalmente	relevante
quando	o	omitente	devia	e	podia	agir	para	evitar	o	resultado”.	Segundo	o	mesmo
Estatuto,	o	dever	de	agir	incumbe	a	quem	tenha	por	lei	obrigação	de	cuidado,
proteção	ou	vigilância;	àquele	que	assumiu	a	responsabilidadede	impedir	o
resultado;	ou	àquele	que,	com	seu	comportamento	anterior,	criou	o	risco	da
ocorrência	do	resultado.
Diante	disso,	entende-se	que	poderá	ser	considerada	causa	de	um	resultado
criminoso	a	ação	ou	omissão	de	todas	as	pessoas	que	estão,	por	lei,	obrigadas	a
comunicar	à	autoridade	competente	qualquer	forma	de	ameaça	ou	violação	aos
direitos	da	pessoa	com	deficiência,	já	que	a	lei	impôs	um	dever	de	cuidado,
proteção	e	vigilância	em	relação	a	elas.	Não	parece	que	a	todos	se	imponha	o
dever	de	comunicação,	mas	somente	àqueles	a	quem,	por	disposição	legal,	se
obrigue	a	esta	comunicação.	Para	a	garantia	do	cumprimento	dessa	norma,	faz-se
necessário	que	o	Poder	Público	promova	campanhas	educativas	a	toda	população
e	capacite	os	agentes	públicos	para	instruir	a	sociedade	quanto	aos	direitos	das
pessoas	com	deficiência,	sobretudo,	para	estabelecer	regras	de	conduta	para	que
seja	realizada	a	comunicação,	às	autoridades	competentes,	de	formas	de	ameaça
ou	violação	aos	direitos	das	pessoas	com	deficiência.
Parágrafo	único.	Se,	no	exercício	de	suas	funções,	os	juízes	e	os	tribunais
tiverem	conhecimento	de	fatos	que	caracterizem	as	violações	previstas	nesta
Lei,	devem	remeter	peças	ao	Ministério	Público	para	as	providências
cabíveis.
O	art.	7º	obriga	a	todos	o	dever	de	comunicar	às	autoridades	competentes
qualquer	forma	de	ameaça	ou	violação	aos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.
Por	sua	vez,	no	parágrafo	único	consta	a	obrigação	de	juízes	e	tribunais,	ao
tomarem	conhecimento	de	fatos	que	caracterizem	as	violações	previstas	na	Lei
Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência,	comunicarem	oficialmente	o
fato	ao	Ministério	Público	para	as	providências	cabíveis.	Nada	impede,	também,
que	a	Defensoria	Pública	seja	comunicada,	posto	que,	dentre	suas	funções
institucionais,	encontra-se	a	de	promover	ação	civil	pública	e	todas	as	demais
espécies	de	ações,	capazes	de	propiciar	adequada	tutela	dos	direitos	difusos
coletivos	ou	individuais,	principalmente	quando	o	resultado	puder	beneficiar
grupos	de	pessoas	hipossuficientes.
Art.	8º	É	dever	do	Estado,	da	sociedade	e	da	família	assegurar	à	pessoa	com
deficiência,	com	prioridade,	a	efetivação	dos	direitos	referentes	à	vida,	à
saúde,	à	sexualidade,	à	paternidade	e	à	maternidade,	à	alimentação,	à
habitação,	à	educação,	à	profissionalização,	ao	trabalho,	à	previdência
social,	à	habilitação	e	à	reabilitação,	ao	transporte,	à	acessibilidade,	à
cultura,	ao	desporto,	ao	turismo,	ao	lazer,	à	informação,	à	comunicação,	aos
avanços	científicos	e	tecnológicos,	à	dignidade,	ao	respeito,	à	liberdade,	à
convivência	familiar	e	comunitária,	entre	outros	decorrentes	da
Constituição	Federal,	da	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência	e	seu	Protocolo	Facultativo	e	das	leis	e	de	outras	normas	que
garantam	seu	bem-estar	pessoal,	social	e	econômico.
O	art.	8º	da	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	estabelece	que
é	dever	do	Estado,	da	sociedade	e	da	família	assegurar	à	pessoa	com	deficiência,
com	prioridade,	a	efetivação	de	diversos	direitos	humanos	fundamentais,	que
garantam	seu	bem-estar	pessoal,	social	e	econômico.	O	dispositivo	consagrou	o
“princípio	do	melhor	interesse	das	pessoas	com	deficiência”,	igualmente	tutelado
em	vários	outros	artigos	da	Lei	de	Inclusão,	assegurando	às	pessoas	com
deficiência	a	efetivação	de	um	rol	numerus	apertus	de	direitos,	liberdades	e
garantias	fundamentais.
O	princípio	do	melhor	interesse	da	pessoa	com	deficiência,	de	base
constitucional,	surge	como	um	consectário	natural	da	Ordem	Constitucional,
permitindo	à	ratio	legis	propiciar,	de	forma	taxativa,	à	pessoa	com	deficiência	a
proteção	aos	bens	mais	fundamentais,	como	a	vida,	saúde,	trabalho,	previdência,
habitação,	alimentação,	acessibilidade,	lazer,	entre	outros	decorrentes	da
Constituição	Federal,	da	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência	e	seu	Protocolo	Facultativo	e	das	leis	e	de	outras	normas	que
garantam	seu	bem-estar	pessoal,	social	e	econômico.
Seção	única	–	DO	ATENDIMENTO	PRIORITÁRIO
Art.	9º	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito	a	receber	atendimento
prioritário,	sobretudo	com	a	finalidade	de:
É	dever	constitucional	da	família,	da	sociedade	e	do	Estado	assegurar	à	pessoa
com	deficiência	absoluta	prioridade.	Sendo	assim,	o	conteúdo	jurídico	do
princípio	da	igualdade	simboliza	garantir	a	todos	os	indivíduos	tratamento
igualitário	na	medida	de	suas	desigualdades,	ou	seja,	o	Estado	deve	atuar
ativamente	na	promoção	de	uma	igualdade	material	ou	isonomia	substancial.
A	Magna	Carta	prevê	o	direito	da	assistência	social	para	a	pessoa	com
deficiência.	Pelas	amplas	necessidades	das	pessoas	com	deficiências,	em	função
de	desgastes	físicos	e	psíquicos,	bem	como	pelo	alto	grau	de	vulnerabilidade,	o
ordenamento	jurídico	brasileiro	desenvolveu	sua	proteção	formatada	nos	moldes
dos	princípios	que	regem	os	direitos	humanos,	principalmente	no	que	tange	ao
atendimento	prioritário,	atribuindo	ao	Estado	(gestor	da	coisa	pública)	o	dever	de
amparar	e	incluir	as	pessoas	com	deficiência	e	quaisquer	outros	meios	legítimos
capazes	de	garantir	melhor	acessibilidade	e	proteção.
É	o	que	se	verifica	no	dispositivo	em	análise,	que	não	se	satisfaz	com	a	mera
igualdade	formal,	indo	além,	ao	exigir	uma	igualdade	material.	Daí,	inclusive,	as
chamadas	ações	afirmativas.	É	bom	lembrar	que	o	atendimento	prioritário	se
estende	ao	acompanhante	da	pessoa	com	deficiência.	A	seguir,	o	legislador
descreve	rol	exemplificativo	de	formas	de	atendimento	prioritário	à	pessoa	com
deficiência.
I	–	proteção	e	socorro	em	quaisquer	circunstâncias;
A	primazia	dos	interesses	das	pessoas	com	deficiência	é	uma	obrigação	do	Poder
Público,	que	deve	adotar	medidas	que	assegurem	a	sua	proteção	e	socorro	na
forma	mais	ampla.	A	proteção	tem	um	sentido	preventivo	e	o	socorro	tem	um
caráter	de	assistência	às	necessidades	urgentes,	e	o	dispositivo	legal	destaca	a
amplitude	com	a	expressão	“em	quaisquer	circunstâncias”,	ou	seja,	sem
exceções.	Assim,	a	pessoa	com	deficiência	tem	assegurada	atenção	integral	em
qualquer	situação	em	todos	os	níveis	de	complexidade,	garantindo-se	acesso
universal	e	igualitário.
II	–	atendimento	em	todas	as	instituições	e	serviços	de	atendimento	ao
público;
A	Lei	n.	10.048/2000,	em	seu	art.	2º,	já	previa	a	prioridade	no	atendimento	às
pessoas	com	deficiência	em	repartições	públicas	e	empresas	concessionárias	de
serviços	públicos,	por	meio	de	serviços	individualizados	que	assegurem
tratamento	diferenciado	e	atendimento	imediato	às	pessoas	com	deficiência.	A
Lei	n.	13.146/2015	reforçou	este	atendimento	prioritário	e	ainda	ampliou	para
todas	as	instituições	e	para	qualquer	serviço	de	atendimento	ao	público,	inclusive
instituições	privadas.	Este	direito	também	é	garantido	ao	acompanhante	da
pessoa	com	deficiência.
III	–	disponibilização	de	recursos,	tanto	humanos	quanto	tecnológicos,	que
garantam	atendimento	em	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas;
O	legislador	assegurou	a	prioridade	na	disponibilização	de	recursos	humanos	e
tecnológicos	às	pessoas	com	deficiência.	Na	área	de	recursos	humanos,	a
disponibilização	de	recursos	consiste	em	formação	e	qualificação	nas	diversas
áreas	de	conhecimento,	inclusive	de	nível	superior,	que	atendam	à	demanda	e	às
necessidades	reais	das	pessoas	com	deficiência.	Além	disso,	deve	ser
disponibilizado	o	desenvolvimento	tecnológico	em	todas	as	áreas	de
conhecimento,	assunto	que	será	melhor	abordado	no	art.	77.	Este	direito	também
é	garantido	ao	acompanhante	em	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.
IV	–	disponibilização	de	pontos	de	parada,	estações	e	terminais	acessíveis	de
transporte	coletivo	de	passageiros	e	garantia	de	segurança	no	embarque	e
no	desembarque;
Algumas	barreiras	urbanas	acabam	levando	pessoas	com	deficiência	à	exclusão
social,	limitando-as	cada	vez	mais,	negando	o	direito	de	exercer	sua	cidadania
dentro	de	um	contexto	social	e	econômico.	Assim,	os	pontos	de	parada	devem
estar	preparados	para	receber	as	pessoas	com	deficiência	(pisos	táteis,	regulares
e	antiderrapantes,	plataforma	elevatóriaetc.),	sendo	acessíveis	e	com	prioridade.
O	dispositivo	ainda	prevê	segurança	no	embarque	e	desembarque	das	pessoas
com	deficiência	e	seu	acompanhante.
V	–	acesso	a	informações	e	disponibilização	de	recursos	de	comunicação
acessíveis;
A	pessoa	com	deficiência	tem	prioridade	no	acesso	à	comunicação,	ou	seja,	a
possibilidade	e	condição	de	alcance	para	utilização,	com	segurança	e	autonomia,
de	sistemas	e	tecnologias,	bem	como	de	outros	serviços	e	instalações	disponíveis
ao	público.	Os	órgãos	públicos,	bem	como	empresas	privadas,	devem	manter
sites	na	internet	que	permitam	o	acesso	da	pessoa	com	deficiência,	como
maneira,	inclusive,	de	eliminação	de	barreiras	nas	comunicações	e	na
informação.	Este	dispositivo	é	principiológico	e	diz	respeito	ao	atendimento
prioritário	e	será	melhor	abordado	no	art.	63	desta	Lei.
VI	–	recebimento	de	restituição	de	imposto	de	renda;
As	pessoas	com	deficiência	devem	ser	tratadas	com	absoluta	prioridade	quando
se	trata	de	recebimento	de	quaisquer	créditos	decorrentes	do	imposto	de	renda.
Já	havia	previsão	legal	mais	restrita	na	Lei	n.	8.687/93	e,	a	partir	deste	Estatuto,
se	amplia	o	escopo	da	lei	em	garantir	às	pessoas	com	deficiência	prioridade	na
restituição	do	imposto	de	renda.
VII	–	tramitação	processual	e	procedimentos	judiciais	e	administrativos	em
que	for	parte	ou	interessada,	em	todos	os	atos	e	diligências.
A	proteção	à	pessoa	com	deficiência	reflete	status	constitucional	e	legal,
traduzindo-se	a	discriminação	na	tramitação	como	mecanismo	necessário	de
proteção	e	garantia	da	isonomia	material.	Neste	cenário,	a	tramitação	processual
prioritária	para	as	pessoas	com	deficiência	surge	como	instrumento	de
diminuição	dos	impactos	causados	pela	grande	demora	dos	processos	judiciais
no	Brasil.
O	processo	judicial	deve	ter	duração	razoável	para	que	possa	garantir	tutela
jurídica	justa.	Neste	ponto,	o	processo	não	deve	ser	demorado	demais	para	que
atinja	sua	finalidade,	que	é	a	prestação	jurisdicional	eficaz.	Isso	porque	as
pessoas	com	deficiência	sofrem	maior	risco	na	demora	da	obtenção	da	tutela
jurisdicional.	Prioridade	na	tramitação	consolida	o	acesso	à	justiça,	que	será
tratado	no	art.	79	desta	Lei.
§	1º	Os	direitos	previstos	neste	artigo	são	extensivos	ao	acompanhante	da
pessoa	com	deficiência	ou	ao	seu	atendente	pessoal,	exceto	quanto	ao
disposto	nos	incisos	VI	e	VII	deste	artigo.
Esta	Lei	define	no	art.	3º,	XII	e	XIV,	respectivamente,	acompanhante	da	pessoa
com	deficiência	e	seu	atendente	pessoal.	Neste	dispositivo,	o	acompanhante	e	o
atendente	pessoal	assumem	os	mesmos	direitos	prioritários	das	próprias	pessoas
com	deficiência,	exceto	aqueles	dos	incisos	VI	e	VII,	que	são	personalíssimos	da
pessoa	com	deficiência.	Todos	os	demais	direitos	deste	artigo	foram	estendidos
ao	acompanhante	e	ao	atendente	pessoal.
§	2º	Nos	serviços	de	emergência	públicos	e	privados,	a	prioridade	conferida
por	esta	Lei	é	condicionada	aos	protocolos	de	atendimento	médico.
Não	obstante	a	previsão	de	prioridade	de	socorro	do	inciso	I	deste	artigo,	esta
prioridade	nos	serviços	de	emergência	deve	ser	condicionada	aos	protocolos	de
atendimento	médico.	Isto	porque	nem	sempre	a	condição	de	deficiente	garantirá
prioridade	frente	a	outros	casos	mais	graves	do	ponto	de	vista	médico
emergencial,	fazendo	com	que	a	pessoa	com	deficiência	tenha	que	esperar.	O
critério	deve	ser	sempre	a	urgência	no	atendimento	e	não	se	a	pessoa	tem	ou	não
deficiência.	Somente	quando	há	igualdade	na	urgência	médica	é	que	deve	haver
prioridade	à	pessoa	com	deficiência.
5Aristóteles,	citado	por	BARBOSA,	Rui.	Oração	aos	moços.	18	ed.	Rio	de
Janeiro:	Ediouro,	2001.	p.	55.
6LEITE,	Flávia	Piva	Almeida;	RIBEIRO,	Lauro	Luiz	Gomes;	FILHO,	Waldir
Macieira	da	Costa.	Comentários	ao	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	.	São
Paulo:	Saraiva,	2016.	p.	81.
DOS	DIREITOS
FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO	I
DO	DIREITO	À	VIDA
Art.	10.	Compete	ao	Poder	Público	garantir	a	dignidade	da	pessoa	com
deficiência	ao	longo	de	toda	a	vida.
O	presente	artigo	obriga	a	União,	os	Estados,	o	Distrito	Federal	e	os	Municípios
a	garantir,	por	meio	de	políticas	públicas,	que	a	pessoa	com	deficiência	seja
tratada	com	dignidade,	durante	toda	a	sua	vida.	Reitera	o	princípio	da	igualdade
entre	os	seres	humanos,	previsto	no	art.	5º,	caput,	da	Constituição	Federal,
proíbe	a	discriminação	feita	a	pessoas	com	ou	sem	deficiência	e,	ao	atrelar	este
princípio	da	igualdade	ao	da	dignidade	da	pessoa	humana,	reforça	a	efetivação	e
elevação	da	“dignidade	humana”	como	princípio	constitucional	para	garantir	que
toda	e	qualquer	pessoa	deva	sempre	ser	tratada	pelos	representantes	do	povo	e
pelo	próprio	povo	com	a	dignidade	que	lhe	é	inerente.	Desta	maneira,	o	Poder
Legislativo,	o	Executivo	e	o	Judiciário	devem	garantir	à	pessoa	com	deficiência,
no	âmbito	de	suas	atuações,	um	tratamento	igualitário	que	considera	as
diferenças	em	suas	particularidades.	É	possível	ao	Poder	Público	tratar	os
desiguais	na	medida	em	que	se	desigualam,	mas	deve	sempre	considerar	que	as
pessoas	com	deficiência	também	têm	garantido	o	direito	da	autonomia	da
vontade,	a	possibilidade	de	fazer	as	próprias	escolhas,	a	inclusão	na	sociedade,	o
respeito	e	a	aceitação	da	deficiência	como	integrante	da	diversidade	humana	e
igualdade	de	oportunidades.
Garantir	a	dignidade	da	pessoa	com	deficiência,	ao	longo	de	sua	vida,	deve	ser
entendido	como	direito	das	pessoas	e	um	dever	do	Poder	Público	para,
realmente,	efetivar	medidas	políticas,	administrativas,	jurídicas,	legislativas	e
executivas	que	protejam	o	pleno	e	efetivo	exercício	da	cidadania	para	a
construção	de	uma	sociedade	mais	inclusiva.	Trata-se	de	um	conceito	em
desenvolvimento,	que	deve	ser	revisado	a	todo	instante,	já	que	no	seu	íntimo
abriga	uma	revolução,	pois	as	pessoas	com	deficiência,	durante	muito	tempo,
foram	mantidas	à	margem	da	sociedade.	Eram	tratadas	com	adjetivos
pejorativos,	como	“retardados”,	“débeis	mentais”,	“aleijados”,	“loucos	de	todo
os	gêneros”,	“excepcionais”,	“mongoloides”	e	demais.	Nesse	sentido,	os	seus
poucos	direitos	sequer	eram	respeitados,	pois	eram	consideradas	pessoas
incapazes	de	exercê-los.
Importante	destacar	que	a	presente	lei,	numa	interpretação	teleológica,	reforça	o
direito	de	igualdade	material,	de	não	discriminação,	em	toda	a	sua	extensão,	e	a
deixa	expressa	também	no	Capítulo	II,	nos	arts.	4º	a	8º.	A	expressão	“ao	longo
da	vida”	deve	ser	entendida	como	uma	obrigação	do	Poder	Público	em
assegurar,	durante	toda	a	existência	da	pessoa	com	deficiência,	que	os	direitos
inerentes	à	sua	condição	de	pessoa	humana	sejam	respeitados,	ou	seja,	enquanto
houver	vida	os	seus	direitos	devem	ser	garantidos	e	cumpridos.
Ao	posicionar	a	dignidade	humana	dentro	do	capítulo	que	trata	dos	direitos
fundamentais,	reforça-se	a	concepção	atual,	embora	com	críticas,	de	que	esses
direitos	decorrem	da	dignidade	humana,	ou	seja,	os	direitos	básicos	do	ser
humano	são	inerentes	à	sua	condição	humana,	que	necessariamente	deve	ser
digna.	Reforça-se	a	concepção	jusnaturalista,	na	qual	esses	direitos	são
prepositivos.	Contudo,	ao	elencar	na	lei	os	demais	direitos	da	pessoa	com
deficiência,	reforça-se,	também,	a	concepção	positivista	(são	direitos	os
previstos	nas	normas),	bem	como	o	realismo	jurídico	(são	direitos	os
conquistados	pela	humanidade).	Inegável	que,	independente	da	concepção
teórica,	a	lei	garante	os	direitos	fundamentais	da	pessoa	humana	considerando	a
dignidade	que	também	é	um	conceito	amplo,	aberto	e	de	difícil	conceituação.
Essa	amplitude	de	conceitos	permite	afirmar	que	a	pessoa	com	deficiência	deve
ter	os	seus	direitos	fundamentais	garantidos	durante	toda	a	sua	vida.	Entendemos
que	a	expressão	“ao	longo	da	vida”	deve,	também,	ser	entendida	como	toda
forma	de	capacitação	da	pessoa	com	deficiência	com	a	finalidade	de	garantir	a
ela	a	autonomia	da	sua	vontade	para	que	seja	protagonista	de	sua	própria	vida.	A
pessoa	com	deficiência	tem	o	direito	de	ser	o	autor	principal	da	sua	vida	e,	nesse
contexto,	o	art.	27	desse	Estatuto	também	garante	o	direito	à	educação,	ao
aprendizado	“ao	longo	da	vida”	para	que	a	pessoa	comdeficiência	alcance	“o
máximo	desenvolvimento	possível	de	seus	talentos	e	habilidades	físicas,
sensoriais,	intelectuais	e	sociais,	segundo	suas	características,	interesses	e
necessidades	de	aprendizagem”.	A	inclusão,	a	não	discriminação,	a	valorização
da	autonomia	da	vontade	da	pessoa	com	deficiência,	a	igualdade	formal	e
material	não	devem	ser	analisadas	em	casos	pontuais,	isolados	ou	momentâneos,
mas	“ao	longo	da	vida”	não	só	da	pessoa	com	deficiência,	mas	também	da
sociedade	em	que	está	inserida.	Antes	de	ser	deficiente,	trata-se	de	uma	pessoa,
um	ser	humano.
Parágrafo	único.	Em	situações	de	risco,	emergência	ou	estado	de
calamidade	pública,	a	pessoa	com	deficiência	será	considerada	vulnerável,
devendo	o	Poder	Público	adotar	medidas	para	sua	proteção	e	segurança.
A	primazia	dos	interesses	das	pessoas	com	deficiência	é	uma	obrigação	do	Poder
Público,	que	deve	adotar	medidas	que	assegurem	a	sua	proteção.	Essa	primazia
legal	decorre	não	só	do	fato	de	ser	pessoa	com	deficiência,	como	previsto	no	art.
9º	desta	lei,	mas	também	de	situações	excepcionais	(risco,	emergência	ou	estado
de	calamidade	pública),	que	são	situações	de	desigualdade.	Nas	situações
previstas	neste	parágrafo,	o	tratamento	se	mostra	desigual,	ante	a	vulnerabilidade
da	pessoa	com	deficiência,	que	passa	a	exigir	maiores	cuidados	e	atenção.
Trata-se	de	uma	presunção	absoluta.	A	vulnerabilidade	aqui	remete	a	outras
legislações	existentes	em	nosso	ordenamento	que,	ao	reconhecerem	a
desigualdade	entre	pessoas,	destinam	tratamentos	jurídicos	para	igualar	as
forças,	as	condições	e	os	direitos,	tal	como	o	Código	de	Defesa	do	Consumidor,
o	Estatuto	do	Idoso,	o	Estatuto	da	Criança	e	o	Adolescente,	o	Código	de
Processo	Civil,	o	Código	Penal	etc.	As	situações	previstas	nesse	parágrafo
permitem	interpretações,	pois	são	hipóteses	exemplificativas.	O	legislador
deixou	em	aberto	a	definição	de	risco	e	de	emergência.	A	Lei	n.	12.340,	de	1º	de
dezembro	de	2010,	trata	das	questões	relativas	à	calamidade	pública.	A	intenção
do	legislador	é	de	assegurar	que	a	pessoa	com	deficiência,	em	situações
especiais	e	que	exigem	cuidados,	diante	de	sua	vulnerabilidade,	tenha	primazia
no	atendimento,	no	tratamento	e	na	garantia	dos	seus	direitos.
Art.	11.	A	pessoa	com	deficiência	não	poderá	ser	obrigada	a	se	submeter	a
intervenção	clínica	ou	cirúrgica,	a	tratamento	ou	a	institucionalização
forçada.
A	regra	é	ouvir	a	pessoa	com	deficiência	antes	de	submetê-la	a	qualquer
intervenção	clínica,	cirurgia,	tratamento	e	institucionalização.	A	vontade	e	a
autonomia	da	pessoa	com	deficiência	devem	ser	respeitadas	e	valorizadas.
Embora	seja	uma	pessoa	com	deficiência,	ela	mantém	preservada	a	sua
capacidade	civil	por	força	do	art.	6º	desta	lei.	Mudou-se	o	paradigma	da
capacidade	civil	das	pessoas	com	deficiência	prevista	no	Código	Civil,	pois,
outrora	incapaz,	doravante	capaz.	A	pessoa	com	deficiência	é	sujeito	de	direitos
e	prevalece	a	sua	vontade	e	a	sua	autonomia.
Parágrafo	único.	O	consentimento	da	pessoa	com	deficiência	em	situação	de
curatela	poderá	ser	suprido,	na	forma	da	lei.
A	autonomia	da	vontade	da	pessoa	com	deficiência	é	um	valor	a	ser	observado	e
respeitado.	Não	mais	prevalece	a	vontade	do	curador.	Ademais,	a	curatela	passou
a	alcançar	apenas	os	atos	de	“natureza	patrimonial	e	negocial”,	não	podendo,
portanto,	alcançar	o	direito	à	“saúde”,	além	de	ser	uma	“medida	extraordinária”
e	de	“menor	tempo	possível”,	conforme	os	parágrafos	contidos	nos	arts.	84	e	85
desta	lei.
O	§	2º	do	art.	84	desta	lei,	para	evitar	a	interdição	indiscriminada,	instituiu	a
“tomada	de	decisão	apoiada”,	na	qual	a	pessoa	com	deficiência	poderá	tomar
uma	decisão	ajudada	por	pessoa	da	sua	confiança,	mediante	um	processo
judicial.	Prevê	ainda,	no	§	3º	do	art.	85,	que	em	situação	de	institucionalização,	o
curador	deve	ser	preferencialmente	escolhido	entre	pessoas	com	vínculo
familiar,	afetivo	ou	comunitário	com	o	curatelado.
Art.	12.	O	consentimento	prévio,	livre	e	esclarecido	da	pessoa	com
deficiência	é	indispensável	para	a	realização	de	tratamento,	procedimento,
hospitalização	e	pesquisa	científica.
O	artigo	reforça	a	autonomia	da	vontade	da	pessoa	com	deficiência	e	a	plenitude
da	sua	capacidade	civil.	Qualquer	tratamento,	procedimento,	hospitalização	e
pesquisa	científica	somente	podem	ocorrer	com	o	seu	prévio	consentimento,	que
também	deve	ser	livre	e	depois	de	prestados	todos	os	esclarecimentos	e
informações.	O	consentimento	deve	ser	isento	de	erro,	dolo,	fraude,	lesão	ou
coação.	Sem	um	consentimento	isento	de	vício,	qualquer	“tratamento”	deve	ser
considerado	ilegal.	A	pessoa	com	deficiência	deve	ser	amplamente	esclarecida,
através	de	qualquer	meio	que	lhe	garanta	a	acessibilidade	de	todas	as
informações	necessárias	ao	seu	julgamento	e	tomada	de	decisão.	O
esclarecimento	pode	se	dar	inclusive	por	meios	tecnológicos.	O	importante	é	que
ele	seja	efetivo	e	em	condições	de	permitir	à	pessoa	com	deficiência	a	sua
manifestação	de	vontade.
Importante	avanço	prevê	este	artigo	no	que	se	refere	à	possibilidade	de	a	pessoa
com	deficiência	submeter-se	a	pesquisa	científica.	Sabemos	que	a	ciência
necessita	testar	as	suas	pesquisas	antes	de	disponibilizá-las	para	a	sociedade.
Contudo,	quando	estas	envolvem	o	ser	humano,	necessário	se	faz,	dentre	outras
normas	e	resoluções,	observar	a	Resolução	nº	196/96,	do	Conselho	Nacional	de
Saúde.	Cabe	à	pessoa	com	deficiência	discernir	e	consentir	com	a	sua	submissão
aos	tratamentos	experimentais/científicos.	Ela	detém	o	poder	de	escolha,	que
deve	ser	pautado	pelos	direcionamentos	contidos	no	§	2º	deste	artigo.
§	1º	Em	caso	de	pessoa	com	deficiência	em	situação	de	curatela,	deve	ser
assegurada	sua	participação,	no	maior	grau	possível,	para	a	obtenção	de
consentimento.
Em	consonância	com	o	caput,	esse	parágrafo	vem	reforçar	a	necessidade	de
obter	o	consentimento	da	pessoa	com	deficiência	mesmo	quando	ela	está	sujeita
a	interdição.	Reforça,	ainda,	o	caráter	excepcional	e	temporário	da	interdição	e
sua	limitação	às	questões	patrimoniais	e	negociais.	Ressalta,	também,	a
autonomia	da	vontade	e	da	capacidade	civil	da	pessoa	com	deficiência,	ainda
que	interditada.	Há	uma	mudança	significativa	da	curatela.	Antes	desta	lei,
prevalecia	apenas	a	vontade	do	curador,	doravante,	é	necessário	conjugar	a
vontade	do	curador	e	do	curatelado,	e	tendo	a	pessoa	com	deficiência
possibilidade	de	fazer	um	julgamento,	uma	escolha,	uma	análise	das	vantagens	e
desvantagens,	a	sua	vontade	deve	prevalecer	ainda	que	divirja	da	vontade	do
curador.
§	2º	A	pesquisa	científica	envolvendo	pessoa	com	deficiência	em	situação	de
tutela	ou	de	curatela	deve	ser	realizada,	em	caráter	excepcional,	apenas
quando	houver	indícios	de	benefício	direto	para	sua	saúde	ou	para	a	saúde
de	outras	pessoas	com	deficiência	e	desde	que	não	haja	outra	opção	de
pesquisa	de	eficácia	comparável	com	participantes	não	tutelados	ou
curatelados.
Essa	previsão	legal	tem	como	finalidade	impedir	a	escolha	“utilitarista”	da
pessoa	com	deficiência	para	ser	submetida	às	experiências	científicas.	A	pessoa
com	deficiência	é,	antes	de	qualquer	coisa,	um	ser	humano,	logo,	não	se	admite
que	a	pessoa	com	deficiência	seja	“cobaia”	para	testar	o	resultado	da	pesquisa,
simplesmente	por	ser	deficiente.	Este	parágrafo	impede,	assim,	uma	visão
utilitarista	do	ser	humano,	na	qual	quem	não	tem	deficiência	seria	supostamente
mais	“útil”,	portanto,	devendo	ser	submetidas	às	pesquisas	experimentais	as
pessoas	“menos	úteis”,	as	deficientes.	A	norma	não	impede	a	pessoa	com
deficiência	de	submeter-se	à	pesquisa,	mas	estabelece	critérios	legais	como:	ser	a
pesquisa	excepcional,	haver	indícios	de	benefícios	para	a	saúde	da	própria
pessoa	ou	outras	deficientes	e	que	não	exista	outra	opção	de	pesquisa	com
pessoas	não	tuteladas	ou	curateladas.
Como	a	lei	prevê	a	autonomia	da	vontade	da	pessoa	com	deficiência,	estando
sob	o	manto	da	tutela	ou	curatela,	ela	também	deve	ser	ouvida,	mas	como	essa
manifestação	de	vontade	pode	não	ser	possível	em	decorrência	da	severa
limitação	do	indivíduo,	em	se	tratando	de	pesquisa	científica,	a	leiimpõe	esses
critérios	para	a	garantia	da	pessoa	com	deficiência.	Ela	não	será	submetida	à
pesquisa,	mesmo	com	a	concordância	do	seu	tutor	ou	curador,	caso	não	exista
prova	de	benefício	direto	para	a	sua	saúde	ou	de	outros	deficientes	e	que	haja
pesquisa	eficaz	com	participantes	não	sujeitos	a	tutela	ou	curatela.	A	norma	visa
garantir	que	as	pesquisas	sejam	realizadas	com	seres	humanos	e	que	o	critério	de
escolha	não	seja	o	de	menos	valia	da	pessoa	com	deficiência.
Art.	13.	A	pessoa	com	deficiência	somente	será	atendida	sem	seu
consentimento	prévio,	livre	e	esclarecido	em	casos	de	risco	de	morte	e	de
emergência	em	saúde,	resguardado	seu	superior	interesse	e	adotadas	as
salvaguardas	legais	cabíveis.
A	manifestação	de	vontade	da	pessoa	com	deficiência	não	será	validada,
escutada	ou	atendida	em	situações	excepcionais	como	risco	de	morte	e
emergência.	Esse	dispositivo	legal	está	em	consonância	com	o	estado	de
necessidade	previsto	no	art.	24	do	Código	Penal.	O	profissional	da	saúde	tem	o
dever	de	cuidar	e	salvar	a	vida	da	pessoa	humana.	Desta	maneira,	o	artigo	visa
garantir	a	autonomia	da	vontade	da	pessoa	com	deficiência	e,	ao	mesmo	tempo,
a	sua	vida	e	integridade,	pois,	em	situações	nas	quais	o	seu	consentimento	não
possa	ser	obtido,	havendo	o	risco	de	morte	e	de	emergência	em	saúde,
prevalecem	os	deveres	de	cuidar	e	salvar	a	vida	da	pessoa	com	deficiência.
Esse	dispositivo	legal	reforça	a	necessidade	de	que,	no	tratamento	da	pessoa	com
deficiência,	deve-se	obter,	sempre	que	possível,	o	seu	consentimento,	pois	ela	é
dotada	de	capacidade	civil.	Não	se	pode	desprezar	o	interesse,	a	vontade	e	o
consentimento	da	pessoa	apenas	por	ela	ser	deficiente.	Todo	e	qualquer
profissional	da	saúde,	ao	atender	uma	pessoa	com	deficiência,	deve	se	cercar	dos
cuidados	e	meios	necessários	para	obter	o	seu	consentimento,	pois	a	sua
deficiência,	por	si	só,	não	a	torna	“incapaz	para	os	atos	da	vida	civil”.	A	pessoa
com	deficiência	deve	ser	tratada	com	igualdade	e	liberdade	para	garantir	a	sua
dignidade,	uma	vez	que	o	princípio	da	dignidade	humana,	por	ser	um
fundamento	da	República	Federativa	do	Brasil	(art.	1º,	III,	da	Constituição
Federal)	orienta,	constrói	e	interpreta	todo	o	nosso	sistema	jurídico.
CAPÍTULO	II
DO	DIREITO	À	HABILITAÇÃO	E	À
REABILITAÇÃO
Art.	14.	O	processo	de	habilitação	e	de	reabilitação	é	um	direito	da	pessoa
com	deficiência.
Ao	determinar	a	habilitação	e	reabilitação	como	um	direito,	o	Estatuto
demonstra	ampla	dedicação	em	efetivar	a	dignidade	da	pessoa	humana	mediante
a	promoção	de	bem-estar	e	autonomia	à	pessoa	com	deficiência.
O	art.	14	reforça	a	garantia	constitucional	insculpida	no	art.	203,	IV	da	Carta
Magna,	o	qual	consagra	os	processos	de	habilitação	e	reabilitação	das	pessoas
com	deficiência	como	um	dos	objetivos	a	serem	concretizados	no	âmbito	da
Assistência	Social.
Como	o	próprio	nome	já	indica,	o	processo	de	habilitação	destina-se	aos	sujeitos
com	deficiência	congênita,	ao	passo	que	a	reabilitação	destina-se	àqueles	cuja
deficiência	é	superveniente,	adquirida	ao	longo	da	vida	em	virtude	de	algum
evento	específico.
Parágrafo	único.	O	processo	de	habilitação	e	de	reabilitação	tem	por
objetivo	o	desenvolvimento	de	potencialidades,	talentos,	habilidades	e
aptidões	físicas,	cognitivas,	sensoriais,	psicossociais,	atitudinais,
profissionais	e	artísticas	que	contribuam	para	a	conquista	da	autonomia	da
pessoa	com	deficiência	e	de	sua	participação	social	em	igualdade	de
condições	e	oportunidades	com	as	demais	pessoas.
O	parágrafo	único	do	art.	14	explana,	em	linhas	gerais,	que	a	habilitação	e	a
reabilitação	constituem	medidas	que	visam	auxiliar	o	indivíduo	com	deficiência
a	promover	o	autoconhecimento	sobre	as	limitações	e	dificuldades	que	o
atingem	e,	diante	de	tais	informações,	aprender	a	trabalhar	suas	restrições	de
modo	a	minimizá-las,	bem	como	conhecer	e	aprimorar	novas	alternativas	e
potencialidades	até	então	não	despertas	ou	praticadas,	tendo	em	vista	conferir
saúde,	bem-estar,	dignidade	e	autonomia,	facilitando	assim	o	convívio	da	pessoa
com	deficiência	em	sociedade.
Ressalta-se	que	o	art.	89	da	Lei	federal	n.	8.213/91	(que	constitui	a
regulamentação	infraconstitucional	do	art.	203,	IV,	da	Constituição	Federal)	trata
dos	processos	de	habilitação	e	reabilitação	exclusivamente	voltados	ao	âmbito
profissional,	contemplando	basicamente	o	fornecimento	de	próteses,	órteses	e
transportes	adaptados.	Já	no	âmbito	do	Estatuto,	a	temática	tem	abrangência
muito	mais	ampla	e	denota	comprometimento	do	Poder	Público	com	a
habilitação	e	reabilitação	não	apenas	de	ordem	física	e	profissional,	mas	também
de	ordem	mental,	psicológica	e	social,	de	modo	a	facilitar	a	plena	inclusão	e
participação	da	pessoa	com	deficiência	em	todos	os	aspectos	da	vida.
Art.	15.	O	processo	mencionado	no	art.	14	desta	Lei	baseia-se	em	avaliação
multidisciplinar	das	necessidades,	habilidades	e	potencialidades	de	cada
pessoa,	observadas	as	seguintes	diretrizes:
O	art.	15,	em	complemento	ao	parágrafo	único	do	art.	14,	explicita	as	diretrizes
que	norteiam	os	processos	de	habilitação	e	reabilitação.
Seu	caput	reforça	o	ideário	de	reconhecimento	das	deficiências,	aferição	das
necessidades	delas	decorrentes,	desenvolvimento	de	meios	para	superação	das
limitações,	bem	como	de	novas	habilidades	e	potencialidades.	Fixa,	ainda,	que
tal	tarefa	será	realizada	por	meio	de	avaliação	multidisciplinar,	a	qual	já	é
prevista	no	art.	137,	§	1º,	do	Decreto	n.	3.048/99,	envolvendo	especializações
em	medicina,	serviço	social,	psicologia,	sociologia,	fisioterapia,	terapia
ocupacional	e	outras	afins.
I	–	diagnóstico	e	intervenção	precoces;
O	inciso	I	trata	principalmente	da	atuação	hospitalar	ofertada	por	meio	do
Sistema	Único	de	Saúde	(SUS	–	Lei	federal	n.	8.080/90).
Uma	das	diretrizes	a	serem	observadas	no	processo	de	habilitação	e	reabilitação
é	o	diagnóstico	individual	das	espécies	de	deficiência,	bem	como	a	intervenção
médica	precoce,	visando	prevenir	ou	reduzir	a	velocidade	das	perdas	funcionais
decorrentes	da	deficiência,	assim	como	melhorar,	recuperar	ou	compensar	a
função	debilitada.
Como	medidas	concretizadoras	desta	diretriz,	pode-se	elencar	a	realização	de
exames	pré-natais,	contemplando	exames	de	imagens	para	acompanhar	o
desenvolvimento	do	feto,	exames	médicos	obrigatórios	a	serem	realizados	nos
neonatos,	tais	como	os	populares	testes	do	pezinho	(art.	10,	III	da	Lei	n.
8.069/90),	da	orelhinha	(Lei	n.	12.303/2010),	da	linguinha	(Lei	n.	13.002/2014),
entre	outros.
Inconteste	que	o	diagnóstico	precoce	oportuniza	à	equipe	médica	eleger	os
tratamentos	adequados	à	pessoa	com	deficiência,	bem	como	auxilia	a	própria
família	a	promover	adaptações	do	espaço	físico	e	a	informar-se	sobre	quais
cuidados	especiais	serão	necessários	no	dia	a	dia.
II	–	adoção	de	medidas	para	compensar	perda	ou	limitação	funcional,
buscando	o	desenvolvimento	de	aptidões;
O	inciso	II	revela	a	intenção	do	legislador	em	proporcionar	ao	sujeito	com
deficiência	oportunidades	para	descobrir	e	desenvolver	novas	habilidades	e
alternativas	com	o	fito	de	compensar	as	perdas	e	limitações	funcionais
vivenciadas	em	razão	da	deficiência,	sempre	objetivando	garantir	autonomia,
bem-estar	e	facilidade	de	inserção	e	convívio	em	sociedade.
Como	exemplo	de	excelência	menciona-se	a	oferta	pelo	SUS	de	Terapia
Ocupacional,	realizada	por	profissionais	capacitados	para	tanto.	A	referida
terapia	visa	prevenir,	tratar	e	reabilitar	pessoas	com	deficiência,	ampliando	seu
campo	de	ação,	seu	desempenho	e	autonomia.
Outro	exemplo	padrão	é	a	realização	de	tratamentos	médicos	como	órteses,
próteses	e	medicamentos.
Ainda,	de	forma	indireta,	mas	também	como	medida	para	ampliar	horizontes	e
ofertar	novas	capacitações	e	possibilidades,	cita-se	a	garantia	de	acesso	à
educação	por	diversas	linguagens	(Lei	n.	10.436/2002),	vagas	especiais	para
ingresso	nos	ensinos	técnicos,	médios	e	superiores	(Lei	n.	13.409/2006),
facilidades	tributárias,	sem	prejuízo	de	outras	medidas	que	auxiliem	a	pessoa
com	deficiência	a	descobrir	e	desenvolver	habilidades	e	talentos,	ampliando
assim	seushorizontes	e	o	leque	de	oportunidades	para	que	ela	se	insira	em
sociedade	e	tenha	autonomia.
III	–	atuação	permanente,	integrada	e	articulada	de	políticas	públicas	que
possibilitem	a	plena	participação	social	da	pessoa	com	deficiência;
A	concretização	dos	processos	de	habilitação	e	reabilitação	depende	da
implementação	de	políticas	públicas	nas	mais	diversas	áreas.	O	processo	de
articulação	e	coordenação	de	políticas	públicas	voltadas	às	pessoas	com
deficiência	é	de	incumbência	da	Secretaria	Especial	dos	Direitos	das	Pessoas
com	Deficiência,	órgão	da	Secretaria	de	Direitos	Humanos	da	Presidência	da
República.
Como	exemplo	de	políticas	públicas	integradas	e	articuladas	cita-se	o	“Plano
Viver	Sem	Limites	–	Plano	Nacional	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência”,
instituído	pelo	Decreto	n.	7.612/2011,	o	qual	comporta	atividades	integradas	em
quatro	eixos	principais:	saúde,	educação,	inclusão	social	e	acessibilidade,
instituindo	assim	uma	vasta	gama	de	políticas	em	prol	das	pessoas	com
deficiência.
IV	–	oferta	de	rede	de	serviços	articulados,	com	atuação	intersetorial,	nos
diferentes	níveis	de	complexidade,	para	atender	às	necessidades	específicas
da	pessoa	com	deficiência;
O	inciso	IV	reforça	a	atuação	coordenada	e	conjunta	de	vários	setores	públicos
no	sentido	de	atender	às	necessidades	subjetivas	dos	indivíduos	com	deficiência.
Nesse	sentido,	é	importante	mencionar	a	atuação	afirmativa	do	Cadastro
Nacional	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	(Cadastro-Inclusão),	instituído
pelo	art.	92	deste	Estatuto,	com	o	objetivo	de	levantar	e	identificar,	de	forma
georreferenciada,	as	pessoas	com	deficiência	e	as	barreiras	que	as	impedem	de
exercer	seus	direitos	e	de	conviver	plenamente	em	sociedade.	A	intenção	é	que,
com	base	nas	informações	levantadas,	seja	possível	determinar	a
criação/adaptação	de	serviços	públicos	com	o	fito	de	promover	maior
acessibilidade	e	participação	ativa	e	autônoma	dos	indivíduos	com	deficiência.
Ainda,	no	tocante	à	atuação	intersetorial,	é	imprescindível	mencionar	a
existência	do	Comitê	do	Cadastro	Nacional	de	Inclusão	da	Pessoa	com
Deficiência	criado	pelo	Decreto	n.	8.954/2017,	que	busca,	dentro	de	seus
objetivos,	auxiliar	na	sugestão	de	políticas	para	potencializar	a	inclusão	das
pessoas	com	deficiência.	Interessante	ressaltar	a	múltipla	composição	de	tal
Comitê:	Secretaria	Especial	dos	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,
Ministérios	da	Justiça	e	Cidadania,	Fazenda,	Transportes,	Portos	e	Aviação	Civil,
Educação,	Desenvolvimento	Social	e	Agrário,	Saúde,	Planejamento,
Desenvolvimento	e	Gestão,	Cidades,	bem	como	o	IBGE,	INSS	e	Conselho
Nacional	dos	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	–	CONADE.
V	–	prestação	de	serviços	próximo	ao	domicílio	da	pessoa	com	deficiência,
inclusive	na	zona	rural,	respeitadas	a	organização	das	Redes	de	Atenção	à
Saúde	(RAS)	nos	territórios	locais	e	as	normas	do	Sistema	Único	de	Saúde
(SUS).
O	presente	inciso	versa	sobre	a	facilitação	do	acesso	da	pessoa	com	deficiência	à
assistência	médica.
O	SUS	tem	como	objetivo	principal	dar	acesso	universal	e	atenção	integral	à
toda	a	população	brasileira	na	área	da	saúde.	No	âmbito	das	pessoas	com
deficiência,	conforme	o	Plano	Viver	Sem	Limites	(tratado	no	comentário	do
inciso	III	deste	artigo),	o	SUS	apresenta	programas	específicos,	como:	a)	CER	–
Centro	Especializado	de	Reabilitação,	que	consiste	em	centros	médicos
especializados;	b)	oficinas	ortopédicas	com	fornecimento	de	próteses	e	órteses;
c)	exames	neonatais;	e	d)	tratamento	dentário.
Com	o	fito	de	otimizar	e	potencializar	a	atuação	do	SUS	na	oferta	de	tratamento
médico,	o	Estado	brasileiro	conta	com	as	Redes	de	Atenção	à	Saúde	(RAS)	que,
segundo	a	Portaria	nº	4.279/2010	do	Ministério	da	Saúde,	consistem	em
“arranjos	organizativos	de	ações	e	serviços	de	saúde,	de	diferentes	densidades
tecnológicas	que	integradas	por	meio	de	sistemas	de	apoio	técnico,	logístico	e	de
gestão,	buscam	garantir	a	integralidade	do	cuidado”.
Dessa	forma,	as	RAS	constituem	mecanismo	de	atuação	do	SUS,	que	implica,	na
fixação	de	diversos	postos	de	atendimento	nas	mais	variadas	localidades,
buscando	efetivar	com	maior	eficiência	os	objetivos	do	Sistema	Único	de	Saúde.
Insta	ressaltar,	ainda,	que	no	âmbito	das	RAS	tem-se	também	tratativa	específica
voltada	às	pessoas	com	deficiência,	conforme	determina	a	Portaria	nº	793/2012
do	Ministério	da	Saúde.
Art.	16.	Nos	programas	e	serviços	de	habilitação	e	de	reabilitação	para	a
pessoa	com	deficiência,	são	garantidos:
Este	artigo	fixa	quais	são	as	garantias	que	o	Estado	oferta	às	pessoas	com
deficiência	no	curso	dos	programas	e	serviços	de	habilitação	e	reabilitação.
I	–	organização,	serviços,	métodos,	técnicas	e	recursos	para	atender	às
características	de	cada	pessoa	com	deficiência;
Cada	indivíduo	é	único	e	por	isso	é	impossível	tratar	todos	os	sujeitos	com
deficiência	de	maneira	idêntica.	Isso	porque	além	das	limitações/restrições
intrínsecas	a	cada	espécie	de	deficiência,	outros	reflexos	de	ordem	emocional,
psicológica,	fisiológica	ou	genética	também	devem	ser	ponderados	com	o	fito	de
promover	processo	de	habilitação	e	reabilitação	adequados	e	completos.
Nesse	sentido,	o	Estado	garante	manter-se	estruturado	para	ofertar	tratamento
subjetivo	e	especializado	voltado	às	particularidades	e	necessidades	individuais	e
concretas	de	cada	um,	mediante	o	emprego	de	técnicas	que	melhor	se	adequem
ao	sujeito	em	processo	de	habilitação	e	reabilitação.
II	–	acessibilidade	em	todos	os	ambientes	e	serviços;
O	inciso	II	garante	a	acessibilidade	em	todos	os	ambientes	e	serviços,	sendo
certo	que	tal	acessibilidade	se	concretiza	em	três	vertentes:	a)	adaptação	dos
meios	de	transporte	e	prédios;	b)	oferta	de	serviços	públicos	com	profissionais
especializados	em	atender	pessoas	com	deficiências;	e	c)	existência	de	unidades
e	vagas	que	facilitem	o	gozo	de	políticas	públicas.
Para	que	um	sujeito	com	deficiência	possa	inserir-se	no	meio	social	é
imprescindível	que	sejam	superadas	todas	as	barreiras	de	transporte,	urbanísticas
e	arquitetônicas	que	obstem	seu	tráfego	e	o	exercício	de	sua	cidadania.	Em	vista
disso,	o	Estado	garante	a	promoção	de	adaptação	dos	espaços,	prédios	e	meios
de	transportes	públicos.
Além	disso,	barreiras	de	comunicação,	atitudinais	e	de	tecnologia	também	não
devem	existir,	motivo	pelo	qual	o	Estado	se	compromete	a	capacitar	seus
servidores	para	que	saibam	atender	pessoas	com	deficiências,	lidando	com	as
necessidades	de	cada	qual	de	modo	a	permitir	que	os	indivíduos	consigam
usufruir	dos	serviços	públicos	de	forma	autônoma.
Por	fim,	é	preciso	que	o	Estado	concretize	as	políticas	públicas	que	institui	em
lei.	Para	tanto,	o	Estado	se	compromete	a	garantir	vagas	especiais	em	quantidade
razoável	para	o	acesso	à	escolaridade,	cargos	e	empregos	públicos.	Além	das
vagas	especiais,	há	também	comprometimento	à	quantidade	de	vagas	suficientes
para	tratamentos	médicos	e	processos	de	habilitação	e	reabilitação.
III	–	tecnologia	assistiva,	tecnologia	de	reabilitação,	materiais	e
equipamentos	adequados	e	apoio	técnico	profissional,	de	acordo	com	as
especificidades	de	cada	pessoa	com	deficiência;
Consoante	já	mencionado	no	comentário	do	inciso	I	deste	artigo,	é	certo	que	os
procedimentos	de	habilitação	e	reabilitação	devem	comportar	tratamento
específico	e	individualizado	às	necessidades	de	cada	pessoa.
Assim,	visando	otimizar	a	habilitação	e	a	reabilitação,	é	certo	que	cada	pessoa
com	deficiência	deve	ser	atendida	em	vista	de	suas	especificidades	por
intermédio	de	profissionais	especializados	em	cada	caso	e	com	o	emprego	de
equipamentos,	tecnologia	e	técnicas	que	melhor	satisfaçam	e	se	adequem	às
necessidades	subjetivas	de	cada	indivíduo.
IV	–	capacitação	continuada	de	todos	os	profissionais	que	participem	dos
programas	e	serviços.
A	capacitação	e	a	constante	atualização	dos	profissionais	que	participem	dos
programas	de	habilitação	e	reabilitação	é	algo	necessário	e	indispensável	para
que	a	oferta	de	tratamentos	efetivos	e	de	ótima	qualidade	às	pessoas	com
deficiência	seja	possível.
Art.	17.	Os	serviços	do	SUS	e	doSuas	deverão	promover	ações	articuladas
para	garantir	à	pessoa	com	deficiência	e	sua	família	a	aquisição	de
informações,	orientações	e	formas	de	acesso	às	políticas	públicas
disponíveis,	com	a	finalidade	de	propiciar	sua	plena	participação	social.
O	Estado	oferece	uma	série	de	programas	e	facilidades	às	pessoas	com
deficiência	em	diversos	âmbitos	(saúde,	educação,	profissional,	cultural,	lazer
etc.).	O	gozo	de	tais	programas	e	vantagens,	contudo,	deve	ser	solicitado	pelo
próprio	indivíduo	que	pretende	deles	gozar,	justamente	porque	não	há	como
exigir	que	a	administração	pública	tenha	conhecimento	sobre	quais	pessoas	têm
necessidade	e	interesses	nos	programas	em	comento.
Assim,	para	que	as	pessoas	com	deficiência	e	seus	familiares	tenham
conhecimento	sobre	os	programas	e	possibilidades	que	o	Estado	oportuniza,
incumbiu-se	ao	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS	–	Lei	federal	n.	8.080/90)	e	ao
Suas	(Sistema	Único	de	Assistência	Social	–	Lei	federal	n.	8.742/93)	o	mister	de
informar	os	cidadãos	que	potencialmente	possam	interessar-se	e	usufruir	das
ações	públicas	voltadas	às	pessoas	com	deficiência.
A	atribuição	da	incumbência	ao	SUS	e	ao	Suas	é	bastante	efetiva	e	estratégica
justamente	porque	as	unidades	de	saúde	e	de	assistência	social	acabam	por	ser
serviços	públicos	que	as	pessoas	com	deficiência	acessam	com	frequência.
Parágrafo	único.	Os	serviços	de	que	trata	o	caput	deste	artigo	podem
fornecer	informações	e	orientações	nas	áreas	de	saúde,	de	educação,	de
cultura,	de	esporte,	de	lazer,	de	transporte,	de	previdência	social,	de
assistência	social,	de	habitação,	de	trabalho,	de	empreendedorismo,	de
acesso	ao	crédito,	de	promoção,	proteção	e	defesa	de	direitos	e	nas	demais
áreas	que	possibilitem	à	pessoa	com	deficiência	exercer	sua	cidadania.
Conforme	expresso	nos	comentários	dos	incisos	III	e	IV,	do	art.	15,	os	processos
de	habilitação	e	reabilitação	envolvem	o	acesso	às	políticas	públicas	existentes
nas	mais	diversas	áreas.	Nesse	sentido,	enquanto	unidades	orientadoras,	os
pontos	do	SUS	e	do	Suas	têm	o	dever	de	prestar	informações	e	divulgar	todas	as
possibilidades	e	políticas	públicas	existentes,	e	não	apenas	as	vinculadas	às	áreas
de	saúde	(SUS)	e	de	assistência	social	(Suas).
CAPÍTULO	III
DO	DIREITO	À	SAÚDE
Art.	18.	É	assegurada	atenção	integral	à	saúde	da	pessoa	com	deficiência	em
todos	os	níveis	de	complexidade,	por	intermédio	do	SUS,	garantido	acesso
universal	e	igualitário.
Iniciando	o	Capítulo	III	da	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência,
tem-se	o	artigo	analisado,	que	trata	da	garantia	do	acesso	à	saúde	a	pessoas	com
deficiência,	com	a	previsão	sobre	o	acesso	universal	e	igualitário	à	saúde,	da
mesma	forma	que	trazido	no	art.	196	da	Constituição	Federal.
Como	sabido,	a	Constituição	Federal	previu	o	direito	à	saúde	como	direito
fundamental	de	todos	os	brasileiros	e	estrangeiros,	residentes	no	país,	cabendo
ao	Estado	adotar	as	medidas	necessárias	à	sua	promoção,	independentemente	da
situação	econômica	do	titular	do	direito.
Nesse	contexto,	e	considerando-se	o	conceito	de	pessoa	com	deficiência	tratado
no	art.	2º	desta	lei,	é	fácil	concluir	que	o	impedimento	que	recai	sobre	a	pessoa
poderá	justificar	atendimento	profissional	na	rede	pública	ou	particular	de	saúde.
A	universalidade	na	prestação	do	serviço	público	de	saúde	repousa	sobre	o	fato
de	que	todos	os	cidadãos	brasileiros,	inclusive	aqueles	com	algum	tipo	de
deficiência,	sem	qualquer	tipo	de	discriminação,	têm	direito	ao	acesso	às	ações	e
serviços	de	saúde.	Universalizar	é	colocar	o	gozo	do	direito	à	disposição	de
todos,	indistintamente.
Importante	de	se	destacar,	num	recorte	histórico,	que	antes	da	criação	do	Sistema
Único	de	Saúde	–	SUS,	que	possui	como	um	dos	pilares	essa	oferta	prestacional
de	maneira	universal,	apenas	pessoas	com	vínculo	formal	de	trabalho	(carteira
assinada)	ou	que	estavam	vinculadas	à	previdência	social	poderiam	dispor	dos
serviços	públicos	de	saúde.
Essa	universalidade,	assim,	representa	um	grande	avanço	inclusivo	na	garantia
desse	importante	direito	fundamental	social.
§	1º	É	assegurada	a	participação	da	pessoa	com	deficiência	na	elaboração
das	políticas	de	saúde	a	ela	destinadas.
A	Lei	n.	8.142/90,	que	trata	da	estrutura	do	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS),
dispõe	em	seu	art.	1º	sobre	a	criação	de	dois	órgãos	colegiados,	a	Conferência	de
Saúde	e	o	Conselho	de	Saúde,	sendo	que	neste	último,	que	deve	ser	organizado
nas	esferas	estaduais,	municipais	e	federais,	há	participação	popular	para
formulação	de	estratégias	e	controle	na	execução	de	políticas	públicas.
Essa	participação	trazida	no	§	1º,	sem	dúvida,	dá	legitimidade	às	políticas
públicas	a	serem	implementadas	na	área	da	saúde,	em	prol	da	população	em
situação	de	vulnerabilidade	por	conta	da	situação	de	deficiência.
§	2º	É	assegurado	atendimento	segundo	normas	éticas	e	técnicas,	que
regulamentarão	a	atuação	dos	profissionais	de	saúde	e	contemplarão
aspectos	relacionados	aos	direitos	e	às	especificidades	da	pessoa	com
deficiência,	incluindo	temas	como	sua	dignidade	e	autonomia.
A	dignidade	da	pessoa	humana,	grande	vetor	interpretativo	e	norteador	do
sistema	jurídico	pátrio,	insculpido	como	fundamento	da	República	no	art.	1º,
inciso	III,	da	CF,	aqui	é	erigido	como	parâmetro	no	atendimento	à	saúde	da
pessoa	com	deficiência.
A	autonomia	dessa	população,	qual	seja,	a	possibilidade	de	sua	manifestação	de
vontade,	de	per	si	ou	por	meio	de	seus	representantes,	deve	também	ser
observada	no	atendimento	médico,	bem	como	na	submissão	de	tratamento
médico,	vedando-se	assim,	por	via	reflexa,	a	compulsoriedade	de	qualquer
tratamento.
Ainda,	os	parâmetros	médicos	ordinários,	bem	como	a	técnica	aplicável	a	essa
ciência,	também	deverão	ser	postos	em	prática	na	garantia	do	atendimento	à
pessoa	com	deficiência.
§	3º	Aos	profissionais	que	prestam	assistência	à	pessoa	com	deficiência,
especialmente	em	serviços	de	habilitação	e	de	reabilitação,	deve	ser
garantida	capacitação	inicial	e	continuada.
Por	serem	os	sujeitos	do	Estatuto	aqui	analisado	cidadãos	que	possuem	algum
tipo	de	impedimento	de	longo	prazo	de	natureza	física,	auditiva,	intelectual	ou
sensorial,	é	exigível,	nos	termos	da	lei,	capacitação	específica	para	o	tratamento
e	o	fornecimento	de	serviço	de	saúde,	de	acordo	com	a	complexidade
apresentada.
§	4º	As	ações	e	os	serviços	de	saúde	pública	destinados	à	pessoa	com
deficiência	devem	assegurar:
O	referido	artigo	traz	parâmetros	para	a	prestação	do	acesso	à	saúde	a	pessoas
com	deficiência.
I	–	diagnóstico	e	intervenção	precoces,	realizados	por	equipe
multidisciplinar;
A	medicina	preventiva,	com	intervenções	e	procedimentos	precoces,	aumenta	a
possibilidade	de	cura,	sendo	esse	um	dos	nortes	para	as	ações	e	serviços	de
saúde.
Nesse	contexto,	traz	o	art.	16	do	Decreto	n.	3.298/99	que	“a	prevenção
compreende	as	ações	e	medidas	orientadas	a	evitar	as	causas	das	deficiências
que	possam	ocasionar	incapacidade	e	as	destinadas	a	evitar	sua	progressão	ou
derivação	em	outras	incapacidades”.
II	–	serviços	de	habilitação	e	de	reabilitação	sempre	que	necessários,	para
qualquer	tipo	de	deficiência,	inclusive	para	a	manutenção	da	melhor
condição	de	saúde	e	qualidade	de	vida;
A	habilitação	visa	a	possibilidade	de	prática,	pela	pessoa	portadora	de
deficiência,	de	todos	os	atos	cotidianos,	inclusive	relacionados	ao	mercado	de
trabalho,	e	a	reabilitação,	por	sua	vez,	visa	o	retorno	à	prática	desses	mesmos
atos.	Ambas	decorrem,	necessariamente,	da	qualidade	de	vida	e	saúde	da	pessoa,
e	também	são	parâmetros	para	ações	e	serviços	de	saúde.
III	–	atendimento	domiciliar	multidisciplinar,	tratamento	ambulatorial	e
internação;
Equipe	multidisciplinar	é	o	conjunto	de	profissionais	de	diferentes	disciplinas
que	trabalham	para	um	objetivo	comum;	no	caso	do	inciso	III,	profissionais	da
área	de	saúde	deverão	atuar	para	proporcionar	melhora	na	qualidade	de	vida	dos
cidadãos	portadores	de	deficiência.
A	manifestação	por	equipes	multidisciplinares	foi	uma	preocupação	do
legislador	ordinário,	sendo	prevista	em	vários	dispositivos	do	Estatuto	(arts.	15,
36,114	e	116),	além	do	próprio	artigo	ora	analisado.
IV	–	campanhas	de	vacinação;
O	Programa	Nacional	de	Imunização	(PNI)	está	a	cargo	do	Ministério	da	Saúde,
a	quem	caberá	definir	as	vacinas	de	caráter	obrigatório	em	todo	o	território
nacional,	nos	termos	do	art.	3º	da	Lei	n.	6.259/75.	Ainda,	consoante	o	mesmo
dispositivo	legal,	as	vacinações	obrigatórias	serão	realizadas	de	maneira
sistemática	e	gratuita	pelos	órgãos	e	entidades	públicas,	bem	como	entes
privados	subvencionados	pelo	Poder	Público.
V	–	atendimento	psicológico,	inclusive	para	seus	familiares	e	atendentes
pessoais;
Nos	termos	do	art.	3º	do	Estatuto,	atendente	pessoal	é	pessoa,	membro	ou	não	da
família	que,	com	ou	sem	remuneração,	assiste	ou	presta	cuidados	básicos	e
essenciais	à	pessoa	com	deficiência	no	exercício	de	suas	atividades	diárias,
excluídas	as	técnicas	ou	os	procedimentos	identificados	com	profissões
legalmente	estabelecidas.
Cabe	aqui	referência	à	Lei	n.	8.080/90	(que	dispõe	sobre	as	condições	para	a
promoção,	proteção	e	recuperação	da	saúde,	a	organização	e	o	funcionamento
dos	serviços	correspondentes	e	dá	outras	providências),	que	em	seu	art.	19-I,
dispõe	que	na	modalidade	de	assistência	de	atendimento	e	internação
domiciliares	incluem-se,	principalmente,	os	procedimentos	médicos,	de
enfermagem,	fisioterapêuticos,	psicológicos	e	de	assistência	social,	entre	outros
necessários	ao	cuidado	integral	dos	pacientes	em	seu	domicílio.
VI	–	respeito	à	especificidade,	à	identidade	de	gênero	e	à	orientação	sexual
da	pessoa	com	deficiência;
No	atendimento	à	pessoa	com	deficiência,	assim	como	de	qualquer	cidadão,
deve-se	respeitar	sua	orientação	sexual,	vedando-se	qualquer	ato	discriminatório,
afinal,	nos	termos	da	Constituição	Federal,	art.	3º,	inciso	IV,	é	objetivo	da
República	promover	o	bem	de	todos,	sem	preconceitos	de	origem,	raça,	sexo,
cor,	idade	e	quaisquer	outras	formas	de	discriminação.
VII	–	atenção	sexual	e	reprodutiva,	incluindo	o	direito	à	fertilização
assistida;
O	art.	6º	deste	mesmo	diploma	legal,	ao	dispor	expressamente	sobre	a
capacidade	civil	da	pessoa	portadora	de	deficiência,	traz	um	rol	de	direitos	a	ela
outorgados,	dentre	os	quais	o	de	exercer	direitos	sexuais	e	reprodutivos,	podendo
se	valer,	nesse	diapasão,	de	todos	os	métodos	fertilizatórios	postos	à	disposição.
VIII	–	informação	adequada	e	acessível	à	pessoa	com	deficiência	e	a	seus
familiares	sobre	sua	condição	de	saúde;
Nos	termos	do	art.	13	do	Código	Civil,	salvo	por	exigência	médica,	é	vedado	o
ato	de	disposição	do	próprio	corpo,	quando	importar	diminuição	permanente	da
integridade	física	ou	contrariar	os	bons	costumes.	Versando	sobre	o	mesmo
assunto,	dispõe	o	art.	15,	do	mesmo	codex,	que	ninguém	poderá	ser	constrangido
a	submeter-se,	com	risco	de	vida,	a	tratamento	médico	ou	intervenção	cirúrgica.
Nesse	cenário,	e	tomando	como	baliza	os	arts.	13	e	15	mencionados,	é
importantíssima	a	informação	precisa	sobre	o	estado	de	saúde	do	paciente,	bem
como	os	tratamentos	que	serão	ministrados,	objetivando	sua	evolução	clínica.	A
doutrina	denomina	tal	necessidade	de	informação	de	consentimento	informado.¹
IX	–	serviços	projetados	para	prevenir	a	ocorrência	e	o	desenvolvimento	de
deficiências	e	agravos	adicionais;
O	caráter	preventivo	no	atendimento	à	saúde	mostra-se	uma	tônica,
objetivando-se	melhores	resultados	na	efetivação	da	garantia	da	qualidade	de
vida	e	saúde	à	pessoa	portadora	de	deficiência.
Afinal,	um	diagnóstico	precoce	possibilita	uma	melhor	análise	da	doença	e,	por
consequência,	sua	cura	nesse	estágio	inaugural.
X	–	promoção	de	estratégias	de	capacitação	permanente	das	equipes	que
atuam	no	SUS,	em	todos	os	níveis	de	atenção,	no	atendimento	à	pessoa	com
deficiência,	bem	como	orientação	a	seus	atendentes	pessoais;
Essas	estratégias	e	capacitação	das	equipes	que	atuam	no	SUS	objetivam	a
eficiência	na	prestação	do	serviço	público,	bem	como	o	aprimoramento	no	que
tocam	às	especificidades	trazidas	pelos	impedimentos	das	pessoas	com
deficiência.
XI	–	oferta	de	órteses,	próteses,	meios	auxiliares	de	locomoção,
medicamentos,	insumos	e	fórmulas	nutricionais,	conforme	as	normas
vigentes	do	Ministério	da	Saúde.
Órteses	são	dispositivos	aplicados	externamente	para	modificar	as	características
estruturais	e	funcionais	dos	sistemas	neuromuscular	e	esquelético	da	pessoa.	Já
as	próteses	são	dispositivos	aplicados	externamente	para	substituir	total	ou
parcialmente	uma	parte	do	corpo	ausente	ou	com	alteração	da	estrutura.
Estas	são	muito	utilizadas,	notadamente	para	viabilizar	a	locomoção,	a	prática	de
atos	cotidianos,	bem	como	a	inclusão	na	sociedade	da	pessoa	com	algum	tipo	de
deficiência.
§	5º	As	diretrizes	deste	artigo	aplicam-se	também	às	instituições	privadas
que	participem	de	forma	complementar	do	SUS	ou	que	recebam	recursos
públicos	para	sua	manutenção.
Segundo	o	referido	parágrafo,	todas	as	especificações	trazidas,	norteadoras	que
são	das	ações	e	serviços	de	saúde,	também	são	aplicáveis	às	instituições	privadas
(v.g.,	operadoras	de	planos	de	saúde	e	prestadores	de	serviços	de	saúde).
Art.	19.	Compete	ao	SUS	desenvolver	ações	destinadas	à	prevenção	de
deficiências	por	causas	evitáveis,	inclusive	por	meio	de:
Traz	o	artigo,	mais	uma	vez,	a	vontade	do	legislador	no	desenvolvimento	da
prestação	de	serviço	público	de	saúde	de	forma	preventiva,	nesse	caso,
objetivando	prevenir	a	deficiência	em	situações	evitáveis.
I	–	acompanhamento	da	gravidez,	do	parto	e	do	puerpério,	com	garantia	de
parto	humanizado	e	seguro;
A	Portaria	nº	1.459/2011,	do	Ministério	da	Saúde,	implementou	a	chamada	“rede
cegonha”,	que	visa	assegurar	à	mulher	o	direito	ao	planejamento	reprodutivo	e	a
atenção	humanizada	à	gravidez,	ao	parto	e	ao	puerpério,	bem	como	à	criança	o
direito	ao	nascimento	seguro	e	ao	crescimento	e	desenvolvimento	saudáveis.
Quanto	ao	parto	humanizado,	é	este	o	processo	que	vai	do	pré-natal	até	o
nascimento	da	criança,	respeitando-se	a	vontade	da	gestante,	sua	opção	por
formas	de	alívio	da	dor,	bem	como	que	todo	o	procedimento	seja	realizado	na
presença	de	marido	ou	acompanhante,	em	ambiente	iluminado.
Por	certo	que	a	referida	portaria,	conjugada	ao	inciso	I	ora	analisado,	bem	como
o	parto	humanizado,	aplicam-se	à	gestante	com	deficiência.
II	–	promoção	de	práticas	alimentares	adequadas	e	saudáveis,	vigilância
alimentar	e	nutricional,	prevenção	e	cuidado	integral	dos	agravos
relacionados	à	alimentação	e	nutrição	da	mulher	e	da	criança;
Ser	portador	de	algum	tipo	de	deficiência,	conceituada	no	art.	2º	retro,	torna	o
sujeito	mais	vulnerável	à	violação	de	direitos,	inclusive	desnutrição	decorrente
da	má	alimentação	e	falta	de	acesso	aos	bens	de	consumo	mais	comezinhos	do
nosso	dia	a	dia.
Nesse	contexto,	definem-se	como	especialmente	vulneráveis	a	criança,	o
adolescente,	a	mulher	e	o	idoso	com	deficiência,	pois	é	maior	a	possibilidade	de
incidência,	nesses	grupos	específicos,	de	situações	concretas	de	não	observância
às	normas	legais,	atingindo-os,	por	consequência,	de	forma	negativa.
O	art.	16,	inciso	I,	da	Lei	n.	8.080/90	dispõe	que	à	direção	nacional	do	Sistema
Único	de	Saúde	compete	formular,	avaliar	e	apoiar	políticas	de	alimentação	e
nutrição.
Ainda,	o	Decreto	n.	8.553/2015	instituiu	o	Pacto	Nacional	de	Alimentação
Saudável,	objetivando	aumentar	a	oferta	e	disponibilidade	de	alimentos
saudáveis,	com	destaque	aos	provenientes	de	agricultura	familiar,	orgânicos,
agroecológicos	e	da	sociobiodiversidade,	promovendo	hábitos	alimentares
saudáveis	à	população	brasileira.
Assim,	objetiva-se	que	a	nutrição,	alimentação,	prevenção	e	cuidado	integral
sejam	dispensados	corretamente	em	relação	à	parcela	dos	cidadãos
especialmente	vulneráveis,	quais	sejam,	mulheres	e	crianças,	adolescentes	e
idosos,	possibilitando	a	eles,	assim,	melhor	qualidade	de	vida.
III	–	aprimoramento	e	expansão	dos	programas	de	imunização	e	de	triagem
neonatal;
A	triagem	neonatal	é	popularmente	conhecida	como	“teste	do	pezinho”,	tratada
na	Portaria	nº	822/2001.	Sua	realização	é	compulsória	e	objetiva	detectar	alguns
tipos	de	doença,	como	doenças	falciformes,	fenilcetonúriaetc.
IV	–	identificação	e	controle	da	gestante	de	alto	risco.
A	gestação	de	alto	risco	é	conceituada	como	aquelas	situações	nas	quais	a	saúde
da	mulher	apresenta	complicações	por	doenças	preexistentes	ou	intercorrências
da	gravidez	no	parto	ou	puerpério,	geradas	tanto	por	fatores	orgânicos	como	por
fatores	socioeconômicos	e	demográficos	desfavoráveis.
Assim,	o	alto	risco	da	gestação,	alinhado	à	deficiência	da	gestante,	poderão
justificar	atendimento	médico	especializado	e	detido,	a	depender	do	caso
concreto.
Art.	20.	As	operadoras	de	planos	e	seguros	privados	de	saúde	são	obrigadas
a	garantir	à	pessoa	com	deficiência,	no	mínimo,	todos	os	serviços	e	produtos
ofertados	aos	demais	clientes.
Objetiva	o	artigo	trazer	à	baila	a	isonomia	na	prestação	dos	serviços	de	saúde,
devendo	as	operadoras	dos	planos	de	saúde	tratar	de	forma	paritária	todos	os
clientes,	sob	pena	de	sancionamento,	inclusive	no	que	toca	à	legislação
consumeirista	(Lei	n.	8.078/90),	que	em	seu	art.	39	veda	ao	fornecedor	de
produtos	e	serviços	(inclusos	os	de	saúde)	elevar	sem	justa	causa	o	preço	de
produtos	e	serviços,	em	situação	classificada	como	prática	abusiva.
Nesse	contexto,	cabe	referência	ao	art.	8º	da	Lei	n.	7.853/89,	que	diz	constituir
crime	punível	com	reclusão	de	um	a	quatro	anos	e	multa	a	recusa,	o
retardamento	ou	a	dificuldade	na	internação,	bem	como	deixar	de	prestar
assistência	médico-hospitalar	e	ambulatorial,	quando	possível,	a	pessoa
portadora	de	deficiência.
Art.	21.	Quando	esgotados	os	meios	de	atenção	à	saúde	da	pessoa	com
deficiência	no	local	de	residência,	será	prestado	atendimento	fora	de
domicílio,	para	fins	de	diagnóstico	e	de	tratamento,	garantidos	o	transporte
e	a	acomodação	da	pessoa	com	deficiência	e	de	seu	acompanhante.
Versa	o	artigo	em	comento	sobre	a	garantia	de	locomoção	e	acomodação
gratuitas,	a	serem	custeados	pelos	entes	políticos	ou	privados	prestadores	de
serviço,	quando	for	o	caso,	à	própria	pessoa	com	deficiência	e	a	seu
acompanhante,	para	fins	de	prestação	adequada	do	serviço	de	saúde	em
localidade	diversa	de	sua	residência.
Art.	22.	À	pessoa	com	deficiência	internada	ou	em	observação	é	assegurado
o	direito	a	acompanhante	ou	a	atendente	pessoal,	devendo	o	órgão	ou	a
instituição	de	saúde	proporcionar	condições	adequadas	para	sua
permanência	em	tempo	integral.
Trata	o	artigo	sobre	o	direito	da	pessoa	com	deficiência	de	estar	acompanhada
quando	da	internação	ou	observação	médicas,	até	mesmo	para	que	ela	obtenha
informação	adequada	e	acessível	sobre	sua	condição	de	saúde,	direito	a	ela
outorgado,	como	visto	alhures.
§	1º	Na	impossibilidade	de	permanência	do	acompanhante	ou	do	atendente
pessoal	junto	à	pessoa	com	deficiência,	cabe	ao	profissional	de	saúde
responsável	pelo	tratamento	justificá-la	por	escrito.
Reforça	o	§	1º	a	necessidade	de	permanência	do	acompanhante	ou	do	atendente
da	pessoa	com	deficiência,	devendo	eventual	impossibilidade	ser	justificada	por
escrito	por	profissional	de	saúde.
§	2º	Na	ocorrência	da	impossibilidade	prevista	no	§	1º	deste	artigo,	o	órgão
ou	a	instituição	de	saúde	deve	adotar	as	providências	cabíveis	para	suprir	a
ausência	do	acompanhante	ou	do	atendente	pessoal.
Indica-se,	no	caso	em	análise,	que	um	profissional	da	área	de	saúde	(v.g.,
enfermeiro)	acompanhe	a	pessoa	com	impedimento	durante	a	internação	ou
observação	médicas,	na	ausência	de	acompanhante	apto	a	tanto.
Art.	23.	São	vedadas	todas	as	formas	de	discriminação	contra	a	pessoa	com
deficiência,	inclusive	por	meio	de	cobrança	de	valores	diferenciados	por
planos	e	seguros	privados	de	saúde,	em	razão	de	sua	condição.
A	discriminação	contra	a	pessoa	com	deficiência	é	vedada	em	qualquer	contexto,
incluindo-se	também	aquela	praticada	por	meio	de	cobrança	de	valores
diferentes,	por	conta	do	impedimento	por	ela	apresentado.
Nesse	contexto,	forçoso	relembrar	que	a	finalidade	da	lei,	insculpida	no	seu	art.
1º,	é	justamente	promover	o	exercício	de	direitos	e	liberdades	fundamentais	por
parte	da	pessoa	com	deficiência,	também	no	que	toca	à	prestação	de	direitos
sociais	(como	o	direito	fundamental	à	saúde),	a	serem	realizados	pelos	entes
políticos	e	particulares,	visando	à	sua	inclusão	social	e	cidadania.
Art.	24.	É	assegurado	à	pessoa	com	deficiência	o	acesso	aos	serviços	de
saúde,	tanto	públicos	como	privados,	e	às	informações	prestadas	e
recebidas,	por	meio	de	recursos	de	tecnologia	assistiva	e	de	todas	as	formas
de	comunicação	previstas	no	inciso	V	do	art.	3º	desta	Lei.
Trata	o	artigo	24	da	garantia	de	direito	à	informação	à	pessoa	com	deficiência,
ou	a	seu	acompanhante,	em	relação	ao	acesso	a	serviços	de	saúde,	públicos	ou
fornecidos	por	entes	privados.
A	tecnologia	assistiva,	nos	termos	da	lei,	é	a	necessidade	de	uso	de	materiais	e
equipamentos	adequados	e	apoio	técnico	profissional,	de	acordo	com	as
especificidades	de	cada	pessoa	com	deficiência.
Importante	rememorar	que	essa	garantia	de	direitos	foi	um	dos	nortes	da
legislação,	tanto	que	seu	art.	6º	dispõe	que	a	deficiência	não	afeta	a	plena
capacidade	civil	da	pessoa,	inclusive	para:	I	–	casar-se	e	constituir	união	estável;
II	–	exercer	direitos	sexuais	e	reprodutivos;	III	–	exercer	o	direito	de	decidir
sobre	o	número	de	filhos	e	de	ter	acesso	a	informações	adequadas	sobre
reprodução	e	planejamento	familiar;	IV	–	conservar	sua	fertilidade,	sendo
vedada	a	esterilização	compulsória;	V	–	exercer	o	direito	à	família	e	à
convivência	familiar	e	comunitária;	e	VI	–	exercer	o	direito	à	guarda,	à	tutela,	à
curatela	e	à	adoção,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas.
A	informação	relacionada	à	prestação	de	serviços	de	saúde,	submissão	de
tratamentos	etc.	Seria,	assim,	um	outro	direito	outorgado	pela	lei	e	não	constante
do	rol	exemplificativo	do	art.	6º.
Art.	25.	Os	espaços	dos	serviços	de	saúde,	tanto	públicos	quanto	privados,
devem	assegurar	o	acesso	da	pessoa	com	deficiência,	em	conformidade	com
a	legislação	em	vigor,	mediante	a	remoção	de	barreiras,	por	meio	de
projetos	arquitetônico,	de	ambientação	de	interior	e	de	comunicação	que
atendam	às	especificidades	das	pessoas	com	deficiência	física,	sensorial,
intelectual	e	mental.
Traz	o	artigo	a	necessidade	de	que	os	espaços	utilizados	para	prestação	de
atendimento	e	serviços	de	saúde	à	pessoa	com	deficiência	sejam	de	fácil	acesso,
sem	barreiras	ou	obstáculos	impeditivos	à	sua	fruição.	Pense-se,	v.g.,	numa
pessoa	cadeirante,	e	que	tenha	que	se	utilizar	de	Unidade	Básica	de	Saúde	sem
qualquer	acessibilidade,	composta	de	muitas	escadarias.	O	escopo	do	artigo,
assim,	é	justamente	afastar	essas	situações	impeditivas	ao	gozo	de	direitos.
O	artigo	trazido	está	ajustado,	ainda,	ao	conceito	legal	de	acessibilidade,	que	é	a
possibilidade	e	condição	de	alcance	da	pessoa	com	deficiência	para	utilização,
com	segurança	e	autonomia,	de	espaços,	mobiliários,	equipamentos	urbanos,
edificações,	transportes,	informação	e	comunicação,	inclusive	seus	sistemas	e
tecnologias,	bem	como	de	outros	serviços	(destaquem-se	aqui	os	de	saúde)	e
instalações	abertos	ao	público,	de	uso	público	ou	privados	de	uso	coletivo,	tanto
na	zona	urbana	como	na	rural.
Art.	26.	Os	casos	de	suspeita	ou	de	confirmação	de	violência	praticada
contra	a	pessoa	com	deficiência	serão	objeto	de	notificação	compulsória
pelos	serviços	de	saúde	públicos	e	privados	à	autoridade	policial	e	ao
Ministério	Público,	além	dos	Conselhos	dos	Direitos	da	Pessoa	com
Deficiência.
Trata	o	artigo	referido	sobre	a	necessidade	de	informação	aos	entes	públicos
sobre	violência	perpetrada	contra	pessoas	portadoras	de	deficiência	e	que	tenham
chegado	ao	seu	conhecimento	(pense-se,	v.g.,	numa	pessoa	com	algum	tipo	de
impedimento,	gravemente	ferida,	atendida	numa	UBS	–	Unidade	Básica	de
Saúde,	sendo	dever	dos	médicos	e	enfermeiros	atendentes	comunicar	tal	situação
às	autoridades	referidas).
A	violência	é	conceituada	como	qualquer	ação	ou	omissão	praticada	em	local
público	ou	privado	que	cause	morte,	dano	ou	sofrimento	físico	ou	psicológico	à
pessoa	portadora	de	deficiência.
De	se	destacar	que	a	não	observância	ao	referido	artigo	poderá	ensejar	aresponsabilização	civil,	criminal	e	administrativa	do	agente	público	leniente.
No	mesmo	sentido	do	art.	26	ora	versado,	o	art.	7º	dessa	mesma	legislação	diz
ser	dever	de	todos	comunicar	à	autoridade	competente	qualquer	forma	de
ameaça	ou	de	violação	aos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.	Este	último	artigo
possui	como	destinatário	sujeitos	particulares.
Ainda,	nesse	viés	protetivo,	e	almejando	a	garantia	de	direitos	à	pessoa	com
deficiência,	cabe	fazer	menção	à	nova	redação	dada	pelo	Estatuto	ao	art.	3º	da
Lei	n.	7.853,	de	24	de	outubro	de	1989,	que	trata	da	tutela	coletiva	de	interesses
relacionados	à	pessoa	com	deficiência,	e	que	dispõe	que	as	medidas	judiciais
destinadas	à	proteção	de	interesses	coletivos,	difusos,	individuais	homogêneos	e
individuais	indisponíveis	da	pessoa	com	deficiência	poderão	ser	propostas	pelo
Ministério	Público,	pela	Defensoria	Pública,	pela	União,	pelos	Estados,	pelos
Municípios,	pelo	Distrito	Federal,	por	associação	constituída	há	mais	de	1	(um)
ano,	nos	termos	da	lei	civil,	por	autarquia,	por	empresa	pública	e	por	fundação
ou	sociedade	de	economia	mista	que	inclua,	entre	suas	finalidades	institucionais,
a	proteção	dos	interesses	e	a	promoção	de	direitos	da	pessoa	com	deficiência.
Parágrafo	único.	Para	os	efeitos	desta	Lei,	considera-se	violência	contra	a
pessoa	com	deficiência	qualquer	ação	ou	omissão,	praticada	em	local
público	ou	privado,	que	lhe	cause	morte	ou	dano	ou	sofrimento	físico	ou
psicológico.
Nesse	diapasão,	vale	destacar	o	compromisso	internacional	assumido	pelo
Brasil,	por	meio	do	art.	15	da	Convenção	sobre	os	direitos	das	pessoas	com
deficiência,	que	dispõe	em	seu	item	2	que	os	Estados-Partes	(incluso	o	nosso
país,	que	a	recepcionou)	tomarão	todas	as	medidas	(administrativa,	legislativa	e
judicial)	para	evitar	que	pessoas	com	deficiência	sejam	submetidas	à	tortura	ou	a
tratamentos	e	penas	cruéis,	desumanos	ou	degradantes.
1FARIAS,	Cristina	Chaves	de	et	al.	Manual	de	direito	civil	.	Salvador:
Juspodivm,	2017.	p.	189.
CAPÍTULO	IV
DO	DIREITO	À	EDUCAÇÃO
Art.	27.	A	educação	constitui	direito	da	pessoa	com	deficiência,	assegurados
sistema	educacional	inclusivo	em	todos	os	níveis	e	aprendizado	ao	longo	de
toda	a	vida,	de	forma	a	alcançar	o	máximo	desenvolvimento	possível	de	seus
talentos	e	habilidades	físicas,	sensoriais,	intelectuais	e	sociais,	segundo	suas
características,	interesses	e	necessidades	de	aprendizagem.
O	artigo	reproduz	a	premissa	contida	na	Constituição	Federal,	que	no	art.	205
consagrou	a	educação	como	direito	social	fundamental	a	toda	pessoa	humana,
visando	o	desenvolvimento	de	todas	as	potencialidades	e	a	preparação	para	o
mercado	de	trabalho.	A	educação	é	dever	do	Estado	e	deve	ser	assegurada	em
todos	os	níveis,	com	a	participação	da	família	e	da	sociedade	civil.	Nesse
contexto,	as	pessoas	portadoras	de	deficiência	devem	ser	atendidas	na	rede
regular	de	ensino	sem	que	haja	qualquer	discriminação	no	processo	ensino-
aprendizagem.	As	matrículas	devem	ocorrer	normalmente	na	rede	pública	e
privada,	com	a	inclusão	do	estudante	em	salas	regulares,	destinando-lhes	o
mesmo	conteúdo	pedagógico	programado	para	a	série	em	que	esteja	inscrito.	É
garantido	o	atendimento	especializado	e	individualizado,	quando	necessário,
durante	todo	o	horário	em	que	esteja	em	atividades	pedagógicas	dentro	do
estabelecimento	de	ensino	(art.	208	da	CF).	A	liberdade	para	aprender,	ensinar	e
o	pluralismo	de	ideias	são	preconizados	na	Carta	Mãe	como	princípios
fundamentais	da	Educação	Nacional	e	estão	presentes	em	todos	os	períodos	de
aprendizagem	e	para	todos	os	docentes	e	discentes.
Parágrafo	único.	É	dever	do	Estado,	da	família,	da	comunidade	escolar	e	da
sociedade	assegurar	educação	de	qualidade	à	pessoa	com	deficiência,
colocando-a	a	salvo	de	toda	forma	de	violência,	negligência	e	discriminação.
A	Lei	n.	13.146	é	conhecida	como	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com
Deficiência.	Nesse	sentido,	a	norma	dispõe	que	é	dever	do	Estado	e	da	família,
além	da	sociedade	civil	e	escolar,	assegurar	o	direito	à	educação	a	toda	pessoa
com	deficiência,	atuando	de	maneira	a	não	permitir	qualquer	discriminação	ou
violência	a	esse	público	estudantil.	A	violência	na	escola	pode	ocorrer	por	meio
de	bullying,	segregação	e	de	toda	ou	qualquer	ação	ou	omissão	que	mitigue	a
plena	adaptação	do	discente	no	ambiente	escolar.	Dessa	forma,	o	espaço	escolar
deve	garantir	que	as	crianças	e	jovens	passem	pelo	processo	de	sociabilização,
assimilando	atitudes	éticas,	de	aceitação	e	convívio	social.
Art.	28.	Incumbe	ao	Poder	Público	assegurar,	criar,	desenvolver,
implementar,	incentivar,	acompanhar	e	avaliar:
A	educação	é	dever	do	Estado.	Por	esse	motivo,	há	obrigação	de	se	implementar
mecanismos	que	assegurem	o	cumprimento	de	todas	as	metas,	prerrogativas	e
garantias	consagradas	ao	público	estudantil	com	deficiência.	Compete	à	União
organizar	o	sistema	federal	de	ensino	e	ditar	a	política	pública	ao	setor,
garantindo	a	equalização	de	oportunidades	educacionais	e	qualidade	mínima	de
ensino	nas	escolas	públicas.	Os	Municípios	atuam,	prioritariamente,	no	ensino
infantil	e	na	educação	fundamental,	enquanto	os	Estados	respondem	pelo	ensino
médio	e	também	podem	atuar	no	fundamental	em	concorrência	com	as
Prefeituras.	O	Programa	Nacional	de	Educação	do	Governo	Federal	fixou	as
metas	e	diretrizes	do	setor	para	o	período	2014-2024	e	criou	mecanismos	para	o
acompanhamento	dos	resultados:	Inep	–	Instituto	Nacional	de	Estudos	e
Pesquisas	Educacionais	Anísio	Teixeira.
I	–	sistema	educacional	inclusivo	em	todos	os	níveis	e	modalidades,	bem
como	o	aprendizado	ao	longo	de	toda	a	vida;
A	Lei	de	Diretrizes	e	Bases	(LDB)	dedica	o	Capítulo	V	à	Educação	Especial,
garantindo	atendimento	diferenciado	àqueles	“educandos	com	deficiência,
transtornos	globais	do	desenvolvimento	e	altas	habilidades	ou	superdotação”
(art.	58	da	Lei	n.	9.394/96),	vedada	qualquer	forma	de	discriminação	e
preconceito.	O	processo	de	ensino-aprendizagem	deve	ocorrer	na	rede	regular	de
ensino	com	“apoio	especializado,	na	escola	regular,	para	atender	às
peculiaridades	da	clientela	de	educação	especial”	(LDB,	art.	58,	§	1º).	Apenas
será	admitida	a	criação	de	centros	ou	salas	especializadas	quando	o	atendimento
educacional,	em	função	das	condições	específicas	dos	alunos,	não	puder	ser
realizado	com	sua	integração	nas	classes	comuns,	tudo	visando	o	melhor
interesse	do	aluno	em	questão.
II	–	aprimoramento	dos	sistemas	educacionais,	visando	a	garantir	condições
de	acesso,	permanência,	participação	e	aprendizagem,	por	meio	da	oferta	de
serviços	e	de	recursos	de	acessibilidade	que	eliminem	as	barreiras	e
promovam	a	inclusão	plena;
O	inciso	deve	ser	interpretado	junto	com	as	determinações	da	Lei	n.
10.098/2000,	que	estabelece	normas	gerais	e	critérios	básicos	para	a	promoção
da	acessibilidade	das	pessoas	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida	em
território	nacional.	Assim,	as	escolas	públicas	e	privadas	são	obrigadas	a	ter	seus
espaços	físicos	adequados	e	adaptados	a	garantir	plena	acessibilidade	aos	alunos
com	deficiência,	e	também	estar	capacitadas	a	oferecer	os	recursos	didático-
pedagógicos	e	de	comunicação	para	viabilizar	adequada	inclusão	no	processo	de
aprendizagem.	Entende-se	por	acessibilidade	a	“possibilidade	e	condição	de
alcance	para	utilização,	com	segurança	e	autonomia,	de	espaços,	mobiliários,
equipamentos	urbanos,	edificações,	transportes,	informação	e	comunicação,
inclusive	seus	sistemas	e	tecnologias,	bem	como	de	outros	serviços	e	instalações
abertos	ao	público,	de	uso	público	ou	privados	de	uso	coletivo,	tanto	na	zona
urbana	como	na	rural,	por	pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade
reduzida”(art.	2º,	I,	da	Lei	n.	10.098/2000).
III	–	projeto	pedagógico	que	institucionalize	o	atendimento	educacional
especializado,	assim	como	os	demais	serviços	e	adaptações	razoáveis,	para
atender	às	características	dos	estudantes	com	deficiência	e	garantir	o	seu
pleno	acesso	ao	currículo	em	condições	de	igualdade,	promovendo	a
conquista	e	o	exercício	de	sua	autonomia;
O	Atendimento	Educacional	Especializado	(AEE)	pressupõea	disponibilização
de	um	conjunto	de	instrumentos	que	permitam	o	pleno	aprendizado	e	inclusão
das	pessoas	com	deficiência	nas	salas	regulares	e	adequado	aproveitamento	e
acesso	ao	currículo	das	disciplinas	ofertadas.	O	AEE	deve	ser	oferecido	na
própria	escola	em	que	o	aluno	estiver	matriculado,	no	horário	regular	de	aula	ou
em	contraturnos,	mas	não	em	substituição	ao	ensino	escolar	cotidiano.	A
legislação	pátria	determina	o	uso	de	tecnologia	assistiva	ou	ajuda	técnica	nas
escolas,	o	que	pressupõe	a	existência	de	“produtos,	equipamentos,	dispositivos,
recursos,	metodologias,	estratégias,	práticas	e	serviços	que	objetivem	promover
a	funcionalidade,	relacionada	à	atividade	e	à	participação	da	pessoa	com
deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,	visando	à	sua	autonomia,
independência,	qualidade	de	vida	e	inclusão	social”	(art.	2°,	VIII,	da	Lei	n.
10.098/2000).	O	AEE	é	obrigação	das	escolas	públicas	e	privadas.
IV	–	oferta	de	educação	bilíngue,	em	Libras	como	primeira	língua	e	na
modalidade	escrita	da	língua	portuguesa	como	segunda	língua,	em	escolas	e
classes	bilíngues	e	em	escolas	inclusivas;
Esse	inciso	também	requer	a	interpretação	sistemática	e	integrativa	da	LBI	com
a	Lei	n.	10.098/2000,	porque	esta	última	prescreve	a	obrigação	das	escolas
possuírem	instrumentos	facilitadores	de	comunicação,	como	a	Língua	Brasileira
de	Sinais	(Libras),	a	visualização	de	textos,	o	Braille,	o	sistema	de	sinalização	ou
de	comunicação	tátil,	os	caracteres	ampliados,	os	dispositivos	multimídia,	assim
como	a	linguagem	simples,	escrita	e	oral,	os	sistemas	auditivos	e	os	meios	de
voz	digitalizados	e	os	modos,	meios	e	formatos	aumentativos	e	alternativos	de
comunicação,	incluindo	as	tecnologias	da	informação	e	das	comunicações.	O
Decreto	n.	5.626/2005	regulamentou	a	Lei	n.	10.098/2000	e	definiu	como
“pessoa	surda	aquela	que,	por	ter	perda	auditiva,	compreende	e	interage	com	o
mundo	por	meio	de	experiências	visuais,	manifestando	sua	cultura
principalmente	pelo	uso	da	Língua	Brasileira	de	Sinais	–	Libras”	(art.	1º).	Nesse
contexto,	a	Libras	é	de	inclusão	obrigatória	na	formação	dos	professores,
pedagogos	e	fonoaudiólogos,	em	todos	os	níveis	de	ensino,	por	determinação	do
art.	3º	do	Decreto	mencionado.
V	–	adoção	de	medidas	individualizadas	e	coletivas	em	ambientes	que
maximizem	o	desenvolvimento	acadêmico	e	social	dos	estudantes	com
deficiência,	favorecendo	o	acesso,	a	permanência,	a	participação	e	a
aprendizagem	em	instituições	de	ensino;
Maximizar	o	desenvolvimento	acadêmico	da	clientela	estudantil	com	deficiência
pressupõe	políticas	e	ações	de	incentivo	à	participação	nas	atividades	da	escola	e
da	comunidade	e	programas	de	integração	entre	os	estudantes	e	comunidade
escolar	e,	sobretudo,	medidas	que	garantam	a	matrícula,	permanência,
participação,	continuidade	dos	estudos	e	medidas	que	evitem	a	evasão	escolar.
Um	dos	programas	relacionados	à	meta	descrita	no	inciso	V	é	o	“BPC	na
Escola”,	que	visa	criar	condições	para	o	desenvolvimento	da	autonomia,
participação	social	e	emancipação	da	pessoa	deficiente.	O	programa	é
essencialmente	assistencial,	contudo	traz	bons	resultados	quando	integrado	à
escola.	Garante	ao	beneficiário	ter	reservada	a	sua	vaga	na	escola	da	sua
comunidade	e,	ainda,	renda	mínima	àqueles	que	preencherem	os	requisitos
socioeconômicos	(art.	203,	V,	da	CF/88).	O	Benefício	de	Prestação	Continuada
na	Escola	(BCP)	realiza	anualmente	o	pareamento	de	dados	entre	o	Censo
Escolar	–	Inep/MEC	e	o	Banco	do	BPC	do	Governo	Federal,	a	fim	de	identificar
os	índices	de	inclusão	e	exclusão	escolar	dos	beneficiários	do	BPC.	O	Decreto	n.
6.214/2007	regulamentou	o	BCP	para	as	pessoas	deficientes.
VI	–	pesquisas	voltadas	para	o	desenvolvimento	de	novos	métodos	e	técnicas
pedagógicas,	de	materiais	didáticos,	de	equipamentos	e	de	recursos	de
tecnologia	assistiva;
As	ações	pedagógicas	para	o	cumprimento	dos	objetivos	de	inclusão	deverão
estar	em	constante	desenvolvimento	e	aprimoramento.	Tal	obrigação	cabe	ao
Governo	Federal,	prioritariamente,	porque	é	de	sua	responsabilidade	a	fixação	de
diretrizes,	metas	e	prioridades	ao	setor	educacional	nacional,	sendo	o	principal
financiador	dessas	despesas	públicas.	A	CF	fixa	parâmetros	mínimos
orçamentários	à	educação	no	art.	212:	“A	União	aplicará,	anualmente,	nunca
menos	de	dezoito,	e	os	Estados,	o	Distrito	Federal	e	os	Municípios	vinte	e	cinco
por	cento,	no	mínimo,	da	receita	resultante	de	impostos,	compreendida	a
proveniente	de	transferências,	na	manutenção	e	desenvolvimento	do	ensino”.
VII	–	planejamento	de	estudo	de	caso,	de	elaboração	de	plano	de
atendimento	educacional	especializado,	de	organização	de	recursos	e
serviços	de	acessibilidade	e	de	disponibilização	e	usabilidade	pedagógica	de
recursos	de	tecnologia	assistiva;
“Tecnologia	assistiva”	pressupõe	existência	de	produtos,	equipamentos,
dispositivos,	recursos,	metodologias,	estratégias,	práticas	e	serviços	que
objetivem	promover	a	funcionalidade,	relacionada	à	atividade	e	à	participação	da
pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,	visando	à	autonomia,	à
independência,	à	qualidade	de	vida	e	à	inclusão	social.	Dessa	forma,	as	escolas
públicas	e	particulares	devem	ter	espaços	físicos	adequados	à	perfeita
acessibilidade	e,	além	disso,	“usabilidade	pedagógica”	dos	tais	espaços	pelos
estudantes.	Por	força	do	Decreto	n.	9.405/2018,	todas	as	empresas,	do	setor
educacional	ou	não,	que	se	constituem	como	sociedades	ou	associações	civis
devem	promover	adaptações,	modificações	e	ajustes	necessários	e	adequados	a
fim	de	assegurar	que	a	pessoa	com	deficiência	possa	gozar	ou	exercer,	em
igualdade	de	condições	e	oportunidades	com	as	demais	pessoas,	todos	os	direitos
e	liberdades	fundamentais.	As	adaptações	necessárias	ao	cumprimento	do
Decreto	deverão	seguir	as	normas	técnicas	da	Associação	Brasileira	de	Normas
Técnicas	–	ABNT.	O	design	instrucional	permite	a	plena	usabilidade	pedagógica
e	pressupõe	o	desenvolvimento	de	espaços	físicos,	materiais	pedagógicos	e
outros	instrumentais,	além	da	aplicação	de	métodos	em	situações	didáticas
específicas,	visando	atingir	os	objetivos	no	processo	ensino-aprendizagem.
VIII	–	participação	dos	estudantes	com	deficiência	e	de	suas	famílias	nas
diversas	instâncias	de	atuação	da	comunidade	escolar;
A	escola	inclusiva	é	aquela	que	garante	a	qualidade	de	ensino	educacional	a
todos	os	alunos,	reconhecendo	e	respeitando	a	diversidade	e	respondendo	a	cada
um	de	acordo	com	suas	potencialidades	e	necessidades	(Cf.	VASCONCELLOS,
C.	dos	S.	Construção	do	conhecimento	em	sala	de	aula.	São	Paulo:	Libertad,
1995,	passim).	Assim	concebida,	requer	a	participação	de	toda	a	comunidade	e,
nesse	contexto,	toma	especial	importância	a	integração	da	família	do	estudante
na	escola.	Na	educação	das	pessoas	com	deficiência,	essa	integração	familiar	é
fundamental	para	que	haja	o	pleno	conhecimento	das	particularidades	que
envolvem	o	cotidiano	do	estudante	e	para	que	as	ações	pedagógicas	possam	ser
continuadas	no	lar.	No	art.	14,	a	Lei	de	Diretrizes	e	Bases	da	Educação	Nacional
prevê	a	participação	da	comunidade	e	da	família	na	escola.	Dispõe	que:	“Os
sistemas	de	ensino	definirão	as	normas	da	gestão	democrática	do	ensino	público
na	educação	básica,	de	acordo	com	as	suas	peculiaridades”	e	II	–	“participação
das	comunidades	escolar	e	local	em	conselhos	escolares	ou	equivalentes”.
IX	–	adoção	de	medidas	de	apoio	que	favoreçam	o	desenvolvimento	dos
aspectos	linguísticos,	culturais,	vocacionais	e	profissionais,	levando-se	em
conta	o	talento,	a	criatividade,	as	habilidades	e	os	interesses	do	estudante
com	deficiência;
O	atendimento	Educacional	Especializado	(AEE)	deve	ser	ofertado	na	rede
pública	e	particular	de	ensino	em	todos	os	níveis.	Abrange	o	dever	de
disponibilizar	currículos,	métodos,	técnicas,	recursos	educativos	e
organizacionais	específicos,	para	atender	às	necessidades	da	clientela	estudantil.
Além	disso,	há	o	dever	de	“terminalidade	específica”	para	estudantes	que	não
puderem	atingir	o	nível	exigido	para	a	conclusão	do	ensino	fundamental,	em
virtude	de	suas	especificidades	(Lei	n.	9.394/96,	art.	59,II).	Os	alunos
superdotados	também	deverão	receber	atendimento	diferenciado	visando	a
aceleração	dos	estudos	e	o	desenvolvimento	de	suas	potencialidades.	A	Lei	n.
13.234/2015,	que	alterou	a	LDB,	determina	a	criação	do	Cadastro	Nacional	de
Alunos	com	Altas	Habilidades	ou	Superdotação	matriculados	na	educação
básica	e	na	educação	superior.	O	objetivo	é	oferecer	atendimento	especializado	a
esse	alunato	a	fim	de	fomentar	a	execução	de	políticas	públicas	destinadas	ao
desenvolvimento	pleno	das	potencialidades	dessa	clientela	de	estudantes.	O	art.
59	da	Lei	n.	9.394/96	determina	a	obrigatoriedade	de	professores	com
especialização	adequada	em	nível	médio	ou	superior,	para	atendimento
especializado,	bem	como	professores	do	ensino	regular	capacitados	para	a
integração	dos	educandos	com	deficiência	nas	classes	comuns,	isto	é,	regulares
(inciso	III	–	“professores	com	especialização	adequada	em	nível	médio	ou
superior,	para	atendimento	especializado,	bem	como	professores	do	ensino
regular	capacitados	para	a	integração	desses	educandos	nas	classes	comuns”).	O
atendimento	especializado	ao	estudante	é	direito	subjetivo	de	natureza
constitucional,	passível	de	ser	garantido	mediante	impetração	de	Mandado	de
Segurança.	O	writ	vem	sendo	usado	com	certa	rotina	para	a	garantia	desse
atendimento	especializado	dentro	das	escolas	públicas.	O	pedido	de	tutela
também	pode	ser	feito	em	ações	de	obrigação	de	fazer,	seguindo	o	rito	ordinário.
(TJMG,	AC	10439160086377001/MG;	TJSP,	APL	00079753620128260428/SP;
STF,	ARE	992295/SP	–	SÃO	PAULO	0008399-95.2012.8.26.0002,	DJe-252
7.11.2017,	Rel.	Min.	Gilmar	Mendes;	STF,	ARE	860.979	–	AgR,	Rel.	Min.
Gilmar	Mendes,	2ª	T.,	DJe	6.5.2015;	STF,	RE	642.536	–	AgR,	Rel.	Min.	Luiz
Fux,	1ª	T.,	DJe	27.2.2013).
X	–	adoção	de	práticas	pedagógicas	inclusivas	pelos	programas	de	formação
inicial	e	continuada	de	professores	e	oferta	de	formação	continuada	para	o
atendimento	educacional	especializado;
Direito	à	saúde	e	à	educação	são	assegurados	pela	Constituição	Federal.
Respectivo	dever	incumbe	ao	Estado,	mediante	atendimento	integral	e
fornecimento	gratuito	de	recursos	inerentes	ao	tratamento,	habilitação	e
reabilitação	daqueles	que	precisarem.	Assim,	a	jurisprudência	tem	entendido	que
há	solidariedade	passiva	no	dever	de	atendimento	entre	o	Estado	e	o	Município.
As	práticas	pedagógicas	inclusivas	devem	existir,	via	AEE,	em	todos	os	níveis
de	formação	do	estudante.	Contudo,	a	obrigação	de	atendimento	inclusivo
pressupõe	também	outras	atitudes	do	Estado,	como	o	fornecimento	do	transporte
escolar	adequado	ao	estudante	com	deficiência:	“ADMINISTRATIVO.
PROCESSUAL	CIVIL.	TRANSPORTE	PÚBLICO	PARA	ATENDIMENTO
TERAPÊUTICO.	CRIANÇA	PORTADORA	DE	DEFICIÊNCIA.	DIREITO	À
SAÚDE	E	À	EDUCAÇÃO.	RESPONSABILIDADE	SOLIDÁRIA”.	(STJ	–
AgRg	nos	EDcl	no	REsp	1463765/SP,	2014/0095817-2,	Rel.	Min.	HUMBERTO
MARTINS,	j.	02.06.2015,	2ª	T.,	DJe	10.06.2015).
XI	–	formação	e	disponibilização	de	professores	para	o	atendimento
educacional	especializado,	de	tradutores	e	intérpretes	da	Libras,	de	guias
intérpretes	e	de	profissionais	de	apoio;
A	Língua	Brasileira	de	Sinais	–	Libras	–	é	reconhecida	como	meio	legal	de
comunicação	e	expressão	no	Brasil.	É	um	sistema	linguístico	de	natureza
visual-motora,	com	estrutura	gramatical	própria,	contudo	não	poderá	substituir	a
modalidade	escrita	da	Língua	Portuguesa.	De	acordo	com	a	Lei	n.	5.626/2005,
todos	os	cursos	de	Licenciatura,	nas	diferentes	áreas	do	conhecimento,	o	curso
normal	de	formação	de	professores	(normal	superior),	e	o	curso	de	Pedagogia
devem	possuir	como	disciplina	obrigatória	a	Língua	Brasileira	de	Sinais.	A
matéria	é	optativa	apenas	para	os	demais	cursos	de	formação	superior	que	não
formem	professores/educadores.	No	AEE	é	obrigatória	a	inclusão	de
profissionais	aptos	a	atender	o	alunato	oferecendo-lhes	o	ensino	da	Libras	e
ajudando	em	sua	interação	escolar.
XII	–	oferta	de	ensino	da	Libras,	do	Sistema	Braille	e	de	uso	de	recursos	de
tecnologia	assistiva,	de	forma	a	ampliar	habilidades	funcionais	dos
estudantes,	promovendo	sua	autonomia	e	participação;
O	Braille	é	um	sistema	de	codificação	tátil	criado	pelo	Frances	Louis	Braille,
que	perdeu	a	visão	em	um	acidente	na	infância.	As	células	Braille	possuem	três
níveis	de	codificação,	sendo	o	Grau	1	usado	para	a	alfabetização	básica.	A	mídia
Braille	já	está	presente	em	cds,	dvds	e	blueray	e	diversos	produtos	disponíveis
no	mercado,	onde	os	rótulos	são	fabricados	com	as	referidas	codificações	que
permitem	sua	identificação	pela	pessoa	portadora	de	deficiência	visual.	De
acordo	com	o	Censo	de	2010,	realizado	pelo	IBGE,	existem	mais	de	6,5	milhões
de	pessoas	com	deficiência	visual	no	Brasil.	Desse	total,	estima-se	que	haja	582
mil	cegas	e	6	milhões	com	baixa	visão,	entretanto,	apenas	10%	dessas	pessoas
conhecem	e	dominam	o	Braille.	Tramitou	na	Câmara	dos	Deputados	o	Projeto	de
Lei	n.	444/2011,	que	tornava	o	Braille	um	sistema	de	leitura	obrigatório	nas
escolas	públicas	do	Brasil,	especialmente	para	a	alfabetização	de	alunos
portadores	de	deficiência	visual.	O	projeto	foi	arquivado	em	2015	nos	termos	do
art.	105	do	Regimento	Interno	da	Câmara	dos	Deputados	(Resolução	nº	17/89).
Por	essa	razão,	não	é	obrigatória	a	existência	do	sistema	Braille	nas	escolas
públicas	e	privadas,	contudo	o	estudante	com	deficiência	visual	tem	direito	ao
AEE,	com	a	oferta	dos	recursos	de	“tecnologia	assistiva”	para	que	possa	ter
adequada	inserção	no	ambiente	escolar.	Há	portaria	do	MEC	recomendando	o
uso	do	Braille	nas	escolas	(Portaria	nº	2.678/2002).	O	Braille	pode	ser	garantido
mediante	pedido	judicial,	demonstrada	a	necessidade	desse	atendimento
específico.	Há	precedentes	nos	Tribunais:	“MANDADO	DE	SEGURANÇA.
ADOLESCENTE	PORTADORA	DE	NECESSIDADES	ESPECIAIS.
CEGUEIRA.	DIREITO	À	EDUCAÇÃO.	PROFESSOR	DE	APOIO.	O
DIREITO	À	EDUCAÇÃO,	CONSTITUCIONALMENTE	ASSEGURADO,
DEVE	SER	EFETIVADO	SOB	A	DOGMÁTICA	DE	POLÍTICAS	QUE
ASSEGUREM	A	INCLUSÃO	DE	JOVENS	PORTADORES	DE
NECESSIDADES	ESPECIAIS,	NA	ESPÉCIE,	CEGUEIRA,	À	REDE
PÚBLICA	DE	ENSINO,	DE	MODO	A	LHES	GARANTIR	TRATAMENTO
IGUALITÁRIO	PARA	COM	OS	DEMAIS	ALUNOS,	PROPICIANDO	A
ASSISTÊNCIA	DE	PROFESSOR	DE	APOIO	EM	SALA	DE	AULA,	PARA
LHE	AUXILIAR	NO	APRENDIZADO.	SEGURANÇA	CONCEDIDA”.
(TJGO,	Mandado	de	Segurança	nº	192935-90.2013.8.09.0000	(201391929357),
4ª	Câmara	de	Direito	Privado,	v.u.)
XIII	–	acesso	à	educação	superior	e	à	educação	profissional	e	tecnológica	em
igualdade	de	oportunidades	e	condições	com	as	demais	pessoas;
O	art.	208	da	CF/88	fixa	como	dever	do	Estado	a	educação,	aí	incluídas	ações
que	garantam	ao	estudante	“o	acesso	aos	níveis	mais	elevados	do	ensino,	da
pesquisa	e	da	criação	artística,	segundo	a	capacidade	de	cada	um”	(inciso	V);	O
Decreto	n.	3.956/2001	(Convenção	da	Guatemala	–	1999)	dispõe	que	as	pessoas
com	deficiência	têm	os	mesmos	direitos	humanos	e	liberdades	fundamentais	das
demais	pessoas,	e	considera	discriminação	toda	a	diferenciação	e	exclusão	que
possa	impedir	ou	anular	o	exercício	dos	direitos	humanos	e	liberdades.	A
Política	Nacional	de	Educação	Especial	tem	por	objetivo	garantir	a
transversalidade	da	educação	especial	desde	a	educação	infantil	até	a	educação
superior	e	a	continuidade	da	escolarização	nos	níveis	mais	elevados	do	ensino.	A
Lei	n.	13.409/2016	alterou	a	Lei	n.	12.711/2012	(Lei	de	Cotas	das	escolas
públicas),	que	passou	a	garantir	aos	estudantes	com	deficiência,	juntamente	com
os	pardos,	negros	e	indígenas	e	estudantes	de	escolas	públicas,	50%	das	vagas	de
matrículas	nos	cursos	das	universidades	federais	(arts.	3º	e	5º).	A	Lei	sofreu
regulamentação	pelo	Decreto	n.	7.824/2012	e	pela	Portaria	Normativa	n.
18/2012,	do	Ministério	da	Educação.
XIV	–	inclusão	em	conteúdos	curriculares,	em	cursos	de	nível	superior	e	de
educação	profissional	técnica	e	tecnológica,	de	temas	relacionados	à	pessoa
com	deficiência	nos	respectivos	campos	de	conhecimento;
A	Lei	n.	9.394/96	fixa	a	Política	Nacional	para	a	Educação	e,	dentro	da
concepção	de	escola	inclusiva,	há	exigência	da	transformação	da	comunidade
escolar	que,	por	seu	turno,	exige	orientação	e	ações	que	incentivemo	respeito	à
diversidade,	à	solidariedade	e	à	não	discriminação.	Desta	forma,	o	processo	de
inclusão	impõe	a	ruptura	do	modelo	tradicional	de	ensino,	com	a	abordagem	do
tema	sob	o	aspecto	humanístico	e	democrático,	num	olhar	de	inserção	social	de
todos,	indistintamente.	Os	conteúdos	relativos	aos	direitos	humanos	e	à
prevenção	de	todas	as	formas	de	violência	contra	a	criança	e	o	adolescente	são
incluídos	na	grade	curricular	como	temas	transversais	por	determinação	da	LDB.
Nos	cursos	de	nível	superior	e	de	formação	profissional,	mesmo	que	não
relacionados	à	formação	de	professores,	devem	estar	incluídos	temas	relativos	a
pessoas	com	deficiência.
XV	–	acesso	da	pessoa	com	deficiência,	em	igualdade	de	condições,	a	jogos	e
a	atividades	recreativas,	esportivas	e	de	lazer,	no	sistema	escolar;
A	escola	deve	possuir	um	amplo	projeto	de	inclusão	social	e	pedagógica	como
estratégia	para	a	perfeita	interação	do	estudante	deficiente	em	igualdade	de
condições.	Devem	existir	ações	inclusivas	em	prol	da	acessibilidade	física,
digital	e	social	dos	deficientes.
XVI	–	acessibilidade	para	todos	os	estudantes,	trabalhadores	da	educação	e
demais	integrantes	da	comunidade	escolar	às	edificações,	aos	ambientes	e	às
atividades	concernentes	a	todas	as	modalidades,	etapas	e	níveis	de	ensino;
A	acessibilidade	aos	ambientes	escolares	depende	da	adaptação	arquitetônica	dos
espaços	e,	também,	dos	recursos	pedagógicos	convencionais.	Tais	ajustes	são
essenciais	no	processo	de	inclusão	educacional.	As	normas	são	estabelecidas
pela	Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas	–	ABNT,	na	NBR	9.050,	de
Setembro	de	1994	(ABNT:	www.abnt.org.br).	A	Lei	n.	7.853/89	e	o	Decreto	n.
3.298/99	balizam	a	política	nacional	para	integração	da	pessoa	portadora	de
deficiência	e	trazem	as	principais	diretrizes	relativas	às	normas	de	acessibilidade.
XVII	–	oferta	de	profissionais	de	apoio	escolar;
A	oferta	de	Programa	de	formação	continuada	de	professores	para	o	AEE	é
exigência	legal,	bem	como	a	implantação	de	salas	de	recursos	multifuncionais
nas	escolas	regulares.	O	Decreto	n.	6.949/2009	recepcionou	a	Convenção	sobre
os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	(ONU,	2006)	e	foi	um	marco	para
assegurar	o	acesso	das	pessoas	com	deficiência	a	um	sistema	educacional
inclusivo	em	todos	os	níveis	de	ensino.	“A	inclusão	educacional	é	um	direito	do
aluno	e	requer	mudanças	na	concepção	e	nas	práticas	de	gestão,	de	sala	de	aula	e
de	formação	de	professores,	para	a	efetivação	do	direito	de	todos	à
escolarização”	(DUTRA,	Cláudia	Pereira.	Manual	de	Orientação:	Programa	de
Implantação	de	Salas	de	Recursos	Multifuncionais.	Disponível	em:
http://portal.mec.gov.br/index.php?
option=com_docman&view=download&alias=9936-manual-orientacao-
programa-implantacao-salas-recursos-multifuncionais&Itemid=30192).
XVIII	–	articulação	intersetorial	na	implementação	de	políticas	públicas.
As	políticas	públicas	sociais	encampam	a	Política	Educacional,	que	tem	como
principal	referencial	legal	a	LDB.	A	Política	Educacional	pressupõe
estabelecimento	de	diretrizes,	planejamento	e	ações	para	programar	referenciais
educacionais	para	a	educação	especial	na	rede	regular	de	ensino.	É
responsabilidade	do	Estado,	via	organizações	políticas	e	com	a	participação	da
sociedade	civil.
§	1º	Às	instituições	privadas,	de	qualquer	nível	e	modalidade	de	ensino,
aplica-se	obrigatoriamente	o	disposto	nos	incisos	I,	II,	III,	V,	VII,	VIII,	IX,
X,	XI,	XII,	XIII,	XIV,	XV,	XVI,	XVII	e	XVIII	do	caput	deste	artigo,	sendo
vedada	a	cobrança	de	valores	adicionais	de	qualquer	natureza	em	suas
mensalidades,	anuidades	e	matrículas	no	cumprimento	dessas
determinações.
Os	estabelecimentos	de	ensino	privados	ou	particulares	são	obrigados	a	seguir	as
diretrizes	da	LDB	no	oferecimento	do	serviço	educacional	no	Brasil.	Dessa
forma,	tudo	que	se	aplica	e	impõe	aos	estabelecimentos	públicos	é	exigência	no
ensino	privado,	exceto	o	disposto	nos	incisos	IV	e	VI.	Dessa	forma,	não	há
obrigação	de	que	as	escolas	privadas	ofertem	educação	bilíngue,	em	Libras,	aos
alunos,	tampouco	que	invistam	parte	de	suas	receitas	em	pesquisas	voltadas	ao
desenvolvimento	de	novos	métodos	e	técnicas	pedagógicas,	de	materiais
didáticos,	de	equipamentos	e	de	recursos	de	tecnologia	assistiva.	O	Atendimento
Educacional	Especializado	deve	ser	ofertado,	vedada	qualquer	cobrança	extra.	A
Lei	n.	13.146/2015	veda	expressamente	qualquer	prática	discriminatória	no
âmbito	da	educação	para	pessoas	com	deficiência,	seja	em	instituições	de	ensino
público	ou	privado.	A	recusa	de	matrícula	e	a	cobrança	de	valores	adicionais	são
as	violações	mais	comuns	em	matéria	de	direito	à	educação	e	podem	ensejar
danos	materiais	e	morais	aos	envolvidos,	além	da	eventual	responsabilidade
penal:	“APELAÇÃO	CÍVEL.	AÇÃO	INDENIZATÓRIA.	INSTITUIÇÃO	DE
ENSINO.	DISCRIMINAÇÃO	PERPETRADA	CONTRA	ALUNO
DEFICIENTE	AUDITIVO.	RELAÇÃO	DE	CONSUMO.	FALHA	NA
PRESTAÇÃO	DOS	SERVIÇOS.	DANO	MORAL	INDENIZÁVEL.”	(TJRJ,
APL	00007804820088190003/RIO	DE	JANEIRO,	ANGRA	DOS	REIS,	1ª
VARA	CÍVEL,	Rel.	MARCOS	ALCINO	DE	AZEVEDO	TORRES,	j.
09.11.2010,	19ª	CÂMARA	CÍVEL,	DJe	1º-12-2010)
§	2º	Na	disponibilização	de	tradutores	e	intérpretes	da	Libras	a	que	se
refere	o	inciso	XI	do	caput	deste	artigo,	deve-se	observar	o	seguinte:
O	§	2º	do	artigo	supra	dá	orientações	de	como	deve	ser	implementada	a	diretriz
presente	no	inciso	XI,	que	dispõe	sobre	a	formação	e	disponibilização	de
professores	para	o	atendimento	educacional	especializado,	de	tradutores	e
intérpretes	da	Libras,	de	guias	intérpretes	e	de	profissionais	de	apoio.
I	–	os	tradutores	e	intérpretes	da	Libras	atuantes	na	educação	básica
devem,	no	mínimo,	possuir	ensino	médio	completo	e	certificado	de
proficiência	na	Libras;
O	professor	de	Libras	deve	possuir	ao	menos	ensino	médio	completo	e	curso	de
formação	na	área.	Os	cursos	podem	ser	de	educação	profissional,	extensão
universitária	e	de	formação	continuada,	ofertados	por	instituições	de	ensino
superior,	públicas	ou	privadas,	credenciadas	pelas	Secretarias	de	Educação.	A
certificação	do	professor	ocorre	via	Prolibras	–	Programa	Nacional	para	a
Certificação	de	Proficiência	no	Uso	e	Ensino	da	Língua	Brasileira	de	Sinais	–
Libras	e	para	a	Certificação	de	Proficiência	em	Tradução	e	Interpretação	da
Libras/Língua	Portuguesa,	organizado	pelo	Instituto	Nacional	de	Educação	de
Surdos	–	INES	e	Ministério	da	Educação	(MEC).	A	Portaria	Normativa	n.
20/2010,	de	8-10-2010	do	MEC,	dispõe	sobre	essa	certificação.
I	–	os	tradutores	e	intérpretes	da	Libras,	quando	direcionados	à	tarefa	de
interpretar	nas	salas	de	aula	dos	cursos	de	graduação	e	pós-graduação,
devem	possuir	nível	superior,	com	habilitação,	prioritariamente,	em
Tradução	e	Interpretação	em	Libras.
Para	os	profissionais,	tradutores	e	intérpretes	da	Libras,	que	atuem	nos	cursos	de
graduação	e	pós-graduação	na	formação	de	educadores,	é	exigida	a	formação
superior	específica,	nos	termos	do	que	exige	o	art.	4º	do	Decreto	n.	5.626/2005.
As	pessoas	surdas	terão	prioridade	nos	cursos	de	formação	de	professores	e
intérpretes	da	Libras.
Art.	29.	(VETADO).
O	vetado	art.	29	exigia	que	as	instituições	de	educação	profissional	e
tecnológica,	de	educação,	ciência	e	tecnologia	e	as	de	educação	superior
públicas	federais	e	privadas	reservassem,	em	cada	processo	seletivo	para
ingresso	nos	respectivos	cursos	de	formação	inicial	e	continuada	ou	de
qualificação	profissional,	de	educação	profissional	técnica	de	nível	médio,	de
educação	profissional	tecnológica	e	de	graduação	e	pós-graduação,	no	mínimo,
10%	(dez	por	cento)	de	suas	vagas,	por	curso	e	turno,	para	estudantes	com
deficiência.	As	razões	do	veto	explicam	que	“Apesar	do	mérito	da	proposta,	ela
não	trouxe	os	contornos	necessários	para	sua	implementação,	sobretudo	a
consideração	de	critérios	de	proporcionalidade	relativos	às	características
populacionais	específicas	de	cada	unidade	da	Federação	onde	será	aplicada,	aos
moldes	do	previsto	pela	Lei	n.	12.711,	de	29	de	agosto	de	2012.	Além	disso,	no
âmbito	do	Programa	Universidade	para	Todos	–	PROUNI,	o	Governo	Federal
concede	bolsas	integrais	e	parciais	a	pessoascom	deficiência,	de	acordo	com	a
respectiva	renda	familiar”.²
Art.	30.	Nos	processos	seletivos	para	ingresso	e	permanência	nos	cursos
oferecidos	pelas	instituições	de	ensino	superior	e	de	educação	profissional	e
tecnológica,	públicas	e	privadas,	devem	ser	adotadas	as	seguintes	medidas:
O	caput	do	art.	30	fixa,	nos	incisos,	os	pressupostos	para	ingresso	e	permanência
nos	cursos	oferecidos	para	a	formação	profissional	e	tecnológica.
I	–	atendimento	preferencial	à	pessoa	com	deficiência	nas	dependências	das
Instituições	de	Ensino	Superior	(IES)	e	nos	serviços;
Deve	ser	garantido	atendimento	preferencial	ao	estudante	deficiente	nas
universidades	públicas	e	privadas	no	Brasil.	A	regra	do	atendimento	prioritário
não	ocorre	apenas	nas	escolas,	mas	é	regra	geral.	A	Lei	n.	10.048/2000	obriga
que	as	pessoas	com	deficiência,	os	idosos	com	idade	igual	ou	superior	a	60
(sessenta)	anos,	as	gestantes,	as	lactantes,	as	pessoas	com	crianças	de	colo	e	os
obesos	tenham	atendimento	prioritário	sempre	(art.	1º),	bem	como	em
repartições	públicas	e	empresas	concessionárias	de	serviços	públicos,
instituições	financeiras,	transporte	coletivo	e	acomodações	públicas	em	geral.
II	–	disponibilização	de	formulário	de	inscrição	de	exames	com	campos
específicos	para	que	o	candidato	com	deficiência	informe	os	recursos	de
acessibilidade	e	de	tecnologia	assistiva	necessários	para	sua	participação;
No	ato	da	inscrição	ou	matrícula	na	escola,	o	estudante	deficiente	deve	informar
sua	condição	e	especificidade.	Para	isso,	é	exigido	que	lhe	seja	disponibilizado
formulário	em	que	possa	descrever	sua	condição	e	suas	necessidades,	tudo
visando	o	recebimento	do	AEE	e	da	tecnologia	assistiva	necessária	à	inserção
escolar	plena.	O	formulário	não	pode	ser	específico	e	discriminatório.	Dessa
forma,	as	fichas	tradicionais	de	matrícula	e	inscrição	devem	passar	a	ter	espaço
para	tais	informações.
III	–	disponibilização	de	provas	em	formatos	acessíveis	para	atendimento	às
necessidades	específicas	do	candidato	com	deficiência;
O	processo	de	avaliação	dos	estudantes	ocorre	observando	e	respeitando	o
conteúdo	previsto	para	a	etapa	em	que	o	aluno	esteja	cursando;	contudo,	os
métodos	de	avaliação	deverão	ser	adaptados	às	exigências	do	estudante
deficiente.	Provas	orais,	Braille,	Libras	ou	outras	formas	de	comunicação	podem
ser	escolhidas	como	substitutivas	à	prova	tradicional	escrita.	A	regra	impõe	que
a	avaliação	seja	adaptada	à	condição	do	estudante.
IV	–	disponibilização	de	recursos	de	acessibilidade	e	de	tecnologia	assistiva
adequados,	previamente	solicitados	e	escolhidos	pelo	candidato	com
deficiência;
A	tecnologia	assistiva	e	os	recursos	de	acessibilidade	são	todo	arsenal	de
recursos	e	serviços	que	contribuem	para	proporcionar	ou	ampliar	habilidades
funcionais	de	pessoas	com	deficiência.	Englobam	produtos,	recursos,
metodologias,	estratégias,	práticas	e	serviços	que	gerem	funcionalidade	e
adaptabilidade,	reduzindo	dificuldades,	incapacidades	ou	questões	de
mobilidade,	nos	termos	da	Portaria	nº	142,	de	16	de	novembro	de	2006	(MEC).
A	novidade	do	inciso	IV	é	o	direito	de	o	estudante	escolher,	dentre	os	recursos
disponíveis,	o	que	melhor	lhe	atenda	na	escola.
V	–	dilação	de	tempo,	conforme	demanda	apresentada	pelo	candidato	com
deficiência,	tanto	na	realização	de	exame	para	seleção	quanto	nas	atividades
acadêmicas,	mediante	prévia	solicitação	e	comprovação	da	necessidade;
Na	mesma	linha	da	regra	que	fixa	a	necessidade	de	a	avaliação	pedagógica	se
adequar,	quanto	à	forma	e	as	condições	do	alunato	especial,	aqui	há	disposição
que	dita	a	exigência	de	adequação	de	tempo	especial,	respeitadas	as
especificidades	do	discente	deficiente,	quando	houver	a	aplicação	dos	processos
seletivos,	trabalhos	escolares	e	atividades	avaliativas	na	escola.
VI	–	adoção	de	critérios	de	avaliação	das	provas	escritas,	discursivas	ou	de
redação	que	considerem	a	singularidade	linguística	da	pessoa	com
deficiência,	no	domínio	da	modalidade	escrita	da	língua	portuguesa;
Singularidade	significa	característica	única	ou	especial,	particularidade.
Singularidade	linguística	é	a	forma	particular	de	comunicação	desenvolvida	com
certas	propriedades	sintáticas	que	não	são	encontradas	no	português	europeu.
Decorre	da	construção	subjetiva	enraizada	na	cultura	ou	na	forma	particular	de
expressão	de	grupos	em	função	de	certas	características.	A	escola	deve
considerar	válida	a	singularidade	linguística	da	pessoa	com	deficiência,	dispõe	o
inciso.	Isso	significa	compreender	e	respeitar	a	maneira	particular	de
comunicação	do	estudante	e	suas	diferentes	construções	linguísticas,	mesmo	que
não	coincidam	com	a	maneira	convencional	de	comunicação	e	expressão	da
língua	portuguesa.	O	exemplo	é	a	comunicação	dos	aprendizes	surdos,	em	que	a
princípio	há	pouco	uso	de	artigos,	conjunções	e	preposições,	bem	como	outras
categorias	gramaticais,	o	que	reflete	em	textos	curtos,	com	características
“telegráficas”.	A	escrita	é	uma	representação	da	linguagem	e	a	lei	determina	que
é	preciso	permitir	ao	aprendiz	deficiente	expressar-se	mediante	sua
singularidade.	Apenas	“após	vivenciar	a	escrita	enquanto	expressão	de	sua
linguagem,	o	surdo	terá	mais	condições	de	expressar	por	escrito	à	língua
segunda,	no	caso,	o	Português”.³
VII	–	tradução	completa	do	edital	e	de	suas	retificações	em	Libras.
Nos	termos	da	Lei	n.	10.048/2000,	a	Libras	é	reconhecida	como	meio	legal	de
comunicação	(art.	1º).	O	Poder	Público	em	geral	e	as	empresas	concessionárias
de	serviços	públicos	devem	apoiar	e	difundir	o	uso	da	Língua	Brasileira	de
Sinais	–	Libras	como	meio	de	comunicação	objetiva	e	de	utilização	corrente	das
comunidades	surdas	do	Brasil.	A	mesma	regra	deve	ser	aplicada	às	instituições
de	ensino,	que	devem	disponibilizar	intérpretes	e	tradutores	quando	da
realização	de	processos	seletivos.
2Disponível	em:	http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2015/lei-13146-6-
julho-2015-781174-veto-147472-pl.html	.
3COSTA,	Dóris	Anita	Freire.	Relato	de	Pesquisa.	Revista	Psicopedagogia,	2003,
v.	20,	62.	ed.	Disponível	em:
http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/453/linguistica-e-surdez--
compreendendo-a-singularidade-da-producao-escrita-de-sujeitos	.	Acesso	em:	20
de	abril	de	2019.
CAPÍTULO	V
DO	DIREITO	À	MORADIA
Art.	31.	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito	à	moradia	digna,	no	seio	da
família	natural	ou	substituta,	com	seu	cônjuge	ou	companheiro	ou
desacompanhada,	ou	em	moradia	para	a	vida	independente	da	pessoa	com
deficiência,	ou,	ainda,	em	residência	inclusiva.
O	direito	à	moradia	relaciona-se,	intimamente,	à	noção	dos	direitos	humanos,	em
especial	pela	sua	específica	proteção	na	Constituição	Federal,	em	seu	art.	6º,
enquadrando-o	como	um	direito	social,	bem	como	na	Declaração	Universal	dos
Direitos	Humanos,	em	seu	art.	25.	A	compreensão	do	direito	à	moradia	como	um
direito	fundamental	decorre	do	fato	de	que	este	é	o	lugar	onde	o	indivíduo
resguarda	sua	intimidade	e	tem	condições	de	desenvolver	práticas	básicas	da
vida,	noções	de	responsabilidade	e	de	convívio	social.	Nesse	sentido,	o	presente
dispositivo	prevê	não	apenas	o	direito	à	moradia,	mas	o	direito	a	uma	moradia
digna	à	pessoa	com	deficiência,	compreendendo	aquela	que	dispõe	de
instalações	adequadas,	possui	acessibilidade	física,	de	uso	simples	e	intuitivo,
com	design	útil,	que	apresente	flexibilidade	no	uso,	estabelecida	em	bairro	que
ofereça	infraestrutura	básica	adequada	e	que	tenha	boa	localização,	oferecendo-
lhe	um	lar	e	uma	comunidade	seguros	para	viver	em	paz,	com	dignidade	e	saúde
física	e	mental.	Ao	lado	do	direito	fundamental	à	moradia,	o	dispositivo	traz,
também,	o	direto	à	convivência	familiar	e	comunitária,	uma	vez	que	a	dimensão
social	da	vida	é	capaz	de	desenvolver	potencialidades,	além	de	ser	responsável
pela	construção	cultural,	política	e	civilizatória	do	indivíduo.	Ainda,	de	maneira
a	promover	o	exercício	pleno	de	todos	os	direitos	humanos	e	liberdades
fundamentais	às	pessoas	com	deficiência,	garante-se	o	respeito	à	escolha	pela
vivência	desacompanhada,	à	autonomia	individual	de	cada	um	e	à	independência
das	pessoas.	Logo,a	moradia	digna,	sustentada	pelo	direito	à	convivência
familiar,	é	um	direito	básico	e	fundamental,	reconhecido	no	plano	nacional
constitucional	e	internacional,	que	garante	a	existência	digna	à	pessoa	com
deficiência.
§	1º	O	Poder	Público	adotará	programas	e	ações	estratégicas	para	apoiar	a
criação	e	a	manutenção	de	moradia	para	a	vida	independente	da	pessoa
com	deficiência.
Compreendendo	o	direito	à	moradia	como	um	direito	social,	este	deve	ser
realizado	por	meio	do	Estado	que,	para	implementá-lo,	lança	mão	de	recursos
públicos	disponíveis,	de	maneira	a	conferir-lhe	efetividade.	Trata-se	do	poder-
dever	do	Estado	em	adotar	medidas	contundentes	para	permitir	o	pleno	exercício
do	direito	à	moradia	digna	às	pessoas	com	deficiência.	Isso	inclui	a	adoção	de
políticas	públicas	e	a	cooperação	de	todos	os	entes	da	federação,	tendo	em	vista
a	complexidade	que	tais	ações	demandam.	Dentre	as	principais	políticas	públicas
atuais,	podemos	citar	o	programa	“Viver	Sem	Limites”,	que	envolve	educação,
saúde,	inclusão	social	e	acessibilidade,	e	o	programa	“Minha	Casa,	Minha	Vida”,
que	disponibiliza	casas	adaptadas	às	necessidades	dos	indivíduos	com
deficiência.	Importante	mencionar	que,	além	de	as	casas	serem	acessíveis	e
adaptáveis,	considerando	a	autonomia	das	pessoas	com	deficiência,	é	dever	do
Poder	Público	garantir	a	acessibilidade	nas	ruas,	praças	e	calçadas	no	entorno	da
moradia,	a	fim	de	que	o	indivíduo	usufrua	de	todo	o	espaço	urbano	que	o
envolve,	sem	se	deparar	com	barreiras.
§	2º	A	proteção	integral	na	modalidade	de	residência	inclusiva	será	prestada
no	âmbito	do	Suas	à	pessoa	com	deficiência	em	situação	de	dependência	que
não	disponha	de	condições	de	autossustentabilidade,	com	vínculos
familiares	fragilizados	ou	rompidos.
A	residência	inclusiva	é	uma	modalidade	de	serviço	de	atendimento	prevista	no
Sistema	Único	de	Assistência	Social	(Suas).	São	moradias	que	acolhem	grupos
de	até	dez	pessoas	por	residência,	com	estruturas	adequadas	e	capazes	de
proporcionar	serviços	de	apoio	coletivos	e	individualizados	que	respeitem	e
ampliem	o	grau	de	autonomia	e	participação	social	de	jovens	e	adultos	com
deficiência.	Busca-se	atender,	prioritariamente,	jovens	e	adultos	com	deficiência,
beneficiários	do	Benefício	de	Prestação	Continuada	e	que	não	disponham	de
condições	de	autossustento	ou	que	não	tenham	o	apoio	familiar.	O	programa	é
gerido	no	âmbito	municipal	pelas	secretarias	de	assistência	social,	e	conta	com
residências	adaptadas,	estrutura	física	adequada,	localizadas	em	áreas
residenciais	na	comunidade,	dispondo	de	equipe	especializada	e	adequada	para
prestar	atendimento	personalizado	e	qualificado.	Seu	propósito	é	romper	com	a
prática	do	abandono	e	do	isolamento,	de	maneira	a	propiciar	um	efeito
progressivo	nas	habilidades	da	pessoa	com	deficiência,	facilitando	sua
autonomia	e	consequente	reinserção	na	comunidade.
Art.	32.	Nos	programas	habitacionais,	públicos	ou	subsidiados	com	recursos
públicos,	a	pessoa	com	deficiência	ou	o	seu	responsável	goza	de	prioridade
na	aquisição	de	imóvel	para	moradia	própria,	observado	o	seguinte:
O	artigo	traça	a	sistemática	previsão	que	garante	a	prioridade	de	aquisição	de
imóvel	para	moradia	própria	à	pessoa	com	deficiência,	tratando-se	de	programa
habitacional	público	ou	subsidiado	com	recurso	público,	com	a	observância	de
parâmetros	específicos	para	promoção	da	acessibilidade	nas	edificações.	Nesse
mesmo	sentido	dispõe	o	art.	3º,	III,	da	Lei	n.	11.977/2009	sobre	o	Programa
“Minha	Casa	Minha	Vida”,	que	prevê	a	prioridade	do	atendimento	às	famílias
com	pessoa	com	deficiência.	De	maneira	a	proporcionar	efetividade	ao
dispositivo,	necessário	que	se	cumpra	o	conjunto	dos	parâmetros	indicados	nos
incisos	do	próprio	artigo.	Importante	mencionar	a	necessária	aplicação	do
conceito	de	desenho	universal	nos	ambientes	e	serviços	desenvolvidos,	ou	seja,	a
elaboração	de	espaços	e	edificações	que	sejam	utilizáveis	por	todas	as	pessoas.
I	–	reserva	de,	no	mínimo,	3%	(três	por	cento)	das	unidades	habitacionais
para	pessoa	com	deficiência;
Além	da	prioridade	na	aquisição	de	imóvel	nos	programas	habitacionais	públicos
ou	subsidiados	com	recursos	públicos,	a	pessoa	com	deficiência	goza	da	reserva
de,	no	mínimo,	3%	das	unidades	habitacionais.	O	direito	a	tal	reserva	percentual
de	unidades	residenciais	para	pessoas	com	deficiência	caracteriza-se	como	uma
forma	de	atuação	do	Estado,	por	meio	de	ação	afirmativa,	que	tem	por	objetivo
eliminar	diferentes	formas	de	discriminação	e	alcançar	a	efetivação	do	direito	à
igualdade.
II	–	(VETADO);
III	–	em	caso	de	edificação	multifamiliar,	garantia	de	acessibilidade	nas
áreas	de	uso	comum	e	nas	unidades	habitacionais	no	piso	térreo	e	de
acessibilidade	ou	de	adaptação	razoável	nos	demais	pisos;
Em	relação	à	acessibilidade,	tratando-se	de	edificação	multifamiliar,	que	atende
a	moradia	de	diversas	famílias,	garante-se	que	todas	as	unidades	sejam
acessíveis,	nos	pisos	térreos	e	demais	andares,	bem	como	nas	áreas	de	uso
comum.	Logo,	ao	proprietário	com	deficiência,	tendo	em	vista	sua	particular
necessidade,	além	da	garantia	de	acessibilidade	comum,	deve	ser	efetuada	a
adaptação	razoável	nos	demais	andares	da	edificação.	É	de	elevada	importância
observar	que,	tratando-se	de	obra	inserida	em	programas	habitacionais	públicos
ou	subsidiados	com	recursos	públicos,	é	inadmissível	a	construção	de	espaços
que	não	ofereçam	ampla	acessibilidade.	Assim,	não	se	adstringe	a	necessária
acessibilidade	ao	mínimo	porcentual	estabelecido	no	inciso	I	do	presente	artigo,
uma	vez	que	este	diz	respeito,	exclusivamente,	à	reserva	das	unidades	a	serem
disponibilizadas	para	pessoas	com	deficiência,	enquanto	a	acessibilidade	é
destinada	a	pessoas	com	deficiência	e	àquelas	com	mobilidade	reduzida,
inclusive	pessoas	idosas.
IV	–	disponibilização	de	equipamentos	urbanos	comunitários	acessíveis;
O	direito	à	moradia	relaciona-se,	diretamente,	ao	direito	à	igualdade,	impondo	a
efetivação	conjunta	e	simultânea,	bem	como	o	pleno	exercício	de	outros	direitos
fundamentais,	como	o	direito	à	saúde,	educação,	cultura,	esporte	e	lazer.	Nesse
sentido,	os	equipamentos	urbanos	comunitários	têm	um	grande	potencial	no
ordenamento	urbano	ao	proporcionar	bem-estar	à	população,	sendo	que	sua
implementação	é	atribuída	ao	Poder	Público.	Trata-se	de	bens	públicos	ou
privados,	de	utilidade	pública,	destinados	à	prestação	dos	serviços	necessários	ao
funcionamento	da	cidade,	englobando	os	aspectos	da	educação,	cultura,	saúde	e
lazer	e,	assim	sendo,	necessário	o	seu	fornecimento	em	condições	acessíveis	a
toda	a	população.	Compreendem-se	como	equipamentos	urbanos	os	espaços
livres,	as	vias	e	praças,	áreas	destinadas	a	esses	fins,	por	ocasião	de	um	processo
de	loteamento.
V	–	elaboração	de	especificações	técnicas	no	projeto	que	permitam	a
instalação	de	elevadores.
A	livre	circulação	de	pessoas	com	deficiência	é	possibilitada,	muitas	vezes,	a
partir	da	reestruturação	de	espaços	e	instalação	de	equipamentos,	como
elevadores.	A	implementação	de	elevadores	tem	o	objetivo	de	garantir
autonomia,	facilitar	a	vida	e	a	rotina	das	pessoas	com	deficiência,
proporcionando-lhes	boa	comodidade	e	segurança.	Assim,	considerando	o	papel
que	desempenham	na	inclusão	social,	o	legislador	viu	por	bem	determinar,
expressamente,	a	possibilidade	de	instalação	de	elevadores	adaptados	para
comportar	pessoas	com	deficiência.	A	ABNT	elenca	os	requisitos	que	devem
estar	presentes	nos	elevadores	para	transportar	pessoas	com	deficiência,	dentre
eles	está	a	dimensão	do	elevador,	devendo	ser	capaz	de	receber	uma	cadeira	de
rodas,	a	presença	de	comandos	em	Braille	e	anúncios	sonoros.
§	1º	O	direito	à	prioridade,	previsto	no	caput	deste	artigo,	será	reconhecido
à	pessoa	com	deficiência	beneficiária	apenas	uma	vez.
Comparativamente	ao	direito	à	moradia	digna,	tem-se	que	este	é	mais	amplo	que
o	direito	à	propriedade,	uma	vez	que	comporta	direitos	não	relacionados	à
propriedade.	O	direito	à	moradia	cumpre	uma	função	prestacional	e	exige	do
Estado	uma	atuação	ativa	na	realização	da	justiça	social	e	promoção	da
dignidade	humanaaos	indivíduos.	O	direito	à	propriedade,	compreendido	como
um	direito	fundamental,	está	intimamente	relacionado	ao	cumprimento	da	sua
função	social,	ou	seja,	não	se	trata	de	um	direito	absoluto	e	admite	sofrer
limitações	quando	houver	um	interesse	social.	Assim	sendo,	o	presente	artigo
delimitou	o	direito	à	propriedade,	a	ser	exercido	uma	única	vez	pela	pessoa	com
deficiência.	O	propósito	do	artigo	é	vedar	o	uso	dos	privilégios	concedidos	à
pessoa	com	deficiência	como	um	instrumento	de	especulação,	sendo	vedado	o
uso	do	imóvel	para	locação	a	terceiros	ou	alienação	por	meio	de	instrumento
particular.
§	2º	Nos	programas	habitacionais	públicos,	os	critérios	de	financiamento
devem	ser	compatíveis	com	os	rendimentos	da	pessoa	com	deficiência	ou	de
sua	família.
As	ações	do	Estado,	buscando	conferir	à	pessoa	com	deficiência	o	direito	à
moradia	digna,	devem	alcançar	os	programas	habitacionais,	públicos	ou
subsidiados	com	recursos	públicos.	Logo,	evidente	que	os	programas
habitacionais	públicos	devem	utilizar	o	critério	da	renda	familiar	como	fator
determinante	para	a	distribuição	dos	imóveis,	de	maneira	a	criar	meios	e
condições	para	que	as	pessoas	com	deficiência	possam	promover	sua	autonomia
e	inserção	social	plena	a	partir	da	efetivação	do	seu	direito	à	moradia	digna.
§	3º	Caso	não	haja	pessoa	com	deficiência	interessada	nas	unidades
habitacionais	reservadas	por	força	do	disposto	no	inciso	I	do	caput	deste
artigo,	as	unidades	não	utilizadas	serão	disponibilizadas	às	demais	pessoas.
Não	havendo	inscrição	de	candidatos	deficientes	na	proporção	determinada	no
inciso	I	do	artigo	sob	análise,	deve-se	repassar	as	unidades	aos	demais
interessados,	que	concorrerão	em	iguais	condições.	O	propósito	do	parágrafo	é
que	os	imóveis	cumpram	com	a	função	social	da	propriedade,	sendo
inconcebível	que	se	mantenha	imóveis	ociosos	com	tamanha	busca	pela	casa
própria.
Art.	33.	Ao	Poder	Público	compete:
O	presente	artigo	traz	os	deveres	impostos	ao	Poder	Público	no	que	tange	à
efetivação	do	direito	à	moradia	às	pessoas	com	deficiência.
I	–	adotar	as	providências	necessárias	para	o	cumprimento	do	disposto	nos
arts.	31	e	32	desta	Lei;	e
A	garantia	dos	direitos	em	comento	no	presente	capítulo	depende,	em	boa	parte,
da	promoção	e	efetivação	de	políticas	públicas	voltadas	para	o	campo	da
habitação	social.	Trata-se	do	direito	prestacional	à	moradia,	expresso	no	poder-
dever	do	Estado	em	adotar	medidas	contundentes	para	permitir	seu	pleno
exercício.	Infelizmente,	o	que	se	verifica	é	a	omissão	do	Estado	em	fornecer
elementos	de	inclusão	e	acessibilidade	às	pessoas	com	deficiência,	que
continuam	encontrando	diversas	barreiras	que	impedem	a	fruição	do	seu	direito
à	moradia	digna	e	adequada,	como	barreiras	físicas,	discriminação	e
estigmatização,	obstáculos	institucionais	e	isolamento	social.	Daí	a	importância
da	necessária	cooperação	conjunta	dos	três	entes	estatais,	União,	estados	e
municípios,	para	implementarem	o	desenvolvimento	adequado	dos	centros
urbanos,	de	maneira	a	dar	eficácia	ao	direito	à	moradia	e	proporcionar	condições
dignas	de	habitação	e	vida	aos	indivíduos.
II	–	divulgar,	para	os	agentes	interessados	e	beneficiários,	a	política
habitacional	prevista	nas	legislações	federal,	estaduais,	distrital	e
municipais,	com	ênfase	nos	dispositivos	sobre	acessibilidade.
Por	fim,	considerando	que	é	recente	a	visibilidade	social	e	jurídica	ofertada	à
pessoa	com	deficiência,	cumpre	ao	Estado	promover	a	divulgação	da	política	de
acessibilidade	e	inclusão	social	tratada	no	capítulo	em	exame,	bem	como	prestar
informações	e	orientações	sobre	os	direitos	assegurados	em	lei	ou	rede	de
serviços	direcionados	a	esse	grupo,	com	o	objetivo	de	levar,	ao	maior	número	de
pessoas	possível,	o	conhecimento	acerca	dos	direitos	e	deveres	que	envolvem	a
temática	da	moradia	digna	à	pessoa	com	deficiência.
CAPÍTULO	VI
DO	DIREITO	AO	TRABALHO
Seção	1	–	DISPOSIÇÕES	GERAIS
Historicamente,	a	preocupação	com	o	trabalho	da	pessoa	com	deficiência	parece
ter	surgido	a	partir	das	guerras	e	revoluções.	Isso	porque,	ao	final	de	cada	guerra,
os	diversos	países	afetados	tinham	que	cuidar	de	problemas	relacionados	a
soldados	que,	apesar	de	terem	sobrevivido,	retornaram	mutilados	para	seus	lares.
Assim,	em	1923	a	Organização	Internacional	do	Trabalho	(OIT)	recomendou	a
criação	de	leis	que	impusessem	às	entidades	públicas	e	privadas	a	obrigação	de
contratar	determinado	número	de	pessoas	com	deficiências.	Posteriormente,	em
1944,	a	OIT	aprovou	nova	Recomendação,	que	versava	sobre	a	oferta	de	vagas
de	empregos	a	um	número	razoável	de	pessoas	cujas	deficiências	não	estivessem
relacionadas	ao	combate.	Acredita-se	que	o	fato	de	o	Brasil	não	ter	vivenciado,
diretamente,	as	duas	Guerras	Mundiais	tenha	contribuído	para	que	a	questão
relacionada	ao	trabalho	da	pessoa	com	deficiência	somente	fosse	debatida,	no
País,	a	partir	da	década	de	1950	e	de	maneira	bastante	tímida.	Felizmente,	a
Constituição	Federal	de	1988	(CF)	trouxe,	para	o	ordenamento	pátrio,	diversos
preceitos	destinados	a	garantir	os	direitos	e	a	proteção	da	pessoa	com
deficiência,	nos	mais	variados	aspectos,	inclusive	no	que	se	refere	ao	direito
laboral,	culminando	na	criação	de	normas	infraconstitucionais	relacionadas	ao
tema,	dentre	elas	a	Lei	n.	13.146/2015	(Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com
Deficiência	–	LBI),	que	se	destaca	por	sua	relevância,	especialmente	por	estar
pautada	na	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	(CDPD),
da	Organização	das	Nações	Unidas	(ONU),	ratificada	pelo	Brasil	em	2008.
Art.	34.	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito	ao	trabalho	de	sua	livre
escolha	e	aceitação,	em	ambiente	acessível	e	inclusivo,	em	igualdade	de
oportunidades	com	as	demais	pessoas.
O	art.	170,	da	CF,	explicita	que	“a	ordem	econômica,	fundada	na	valorização	do
trabalho	humano	e	na	livre	iniciativa,	tem	por	fim	assegurar	a	todos	existência
digna,	conforme	os	ditames	da	justiça	social”.	Ademais,	não	se	pode	olvidar	que,
assim	como	os	valores	sociais	do	trabalho	e	da	livre	iniciativa,	a	dignidade	da
pessoa	humana	constitui-se	num	dos	mais	importantes	fundamentos	do	Estado
Democrático	de	Direito	(art.	1º,	III	e	IV,	da	CF).	Por	sua	vez,	há	muito	que	a
sabedoria	popular	proclama	que	“o	trabalho	dignifica	o	homem”.	Nesse	sentido,
o	trabalho	não	é	mero	instrumento	para	subsistência	humana.	É	muito	mais	do
que	isso,	é	ferramenta	de	inserção	social	e	de	autoafirmação.	É,	portanto,	um
direito	de	todos,	inclusive	da	pessoa	com	deficiência.	Vale	ressaltar	que,	no
caput	do	art.	34,	da	LBI,	a	expressão	“trabalho”	foi	utilizada	de	forma	genérica,
não	havendo	referência	expressa	à	relação	de	emprego,	que	pressupõe	o	trabalho
subordinado.	Depreende-se,	portanto,	que	não	se	trata	do	direito	a	qualquer	tipo
de	trabalho	ou	da	imposição	de	determinadas	ocupações	que	seriam	“mais
adequadas”	a	certas	pessoas	em	razão	de	sua	condição.	Esse	estigma	deve	ser
superado.	O	artigo	sob	comento	determina	que	o	trabalho	seja	escolhido	ou
aceito	livremente	pela	pessoa	com	deficiência,	a	quem	compete	decidir,	por
exemplo,	se	deseja	trabalhar	no	comércio,	na	indústria	ou	na	prestação	de
serviços;	se	vai	trabalhar	de	maneira	autônoma,	subordinada	ou,	ainda,	se	vai
empreender,	gerir	o	próprio	negócio.	No	que	se	refere	ao	ambiente	acessível	e
inclusivo,	deve-se	atentar	para	o	conceito	de	adaptações	razoáveis	(tratado	no
art.	3º,	VI,	da	LBI)	e	para	o	fato	de	que	o	efetivo	direito	ao	trabalho,	em
igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas,	somente	será	alcançado	com
o	rompimento	não	só	das	barreiras	urbanísticas,	arquitetônicas,	de	transporte,	de
comunicação	ou	de	informação,	mas,	especialmente,	das	chamadas	barreiras
atitudinais	(art.	3º,	IV,	e,	LBI).
§	1º	As	pessoas	jurídicas	de	direito	público,	privado	ou	de	qualquer
natureza	são	obrigadas	a	garantir	ambientes	de	trabalho	acessíveis	e
inclusivos.
A	referência	expressa	do	legislador	às	pessoas	jurídicas,	certamente,	decorre	da
obrigatoriedade	de	reserva	de	percentual	de	cargos	e	empregos	públicos	para	as
pessoas	com	deficiência	(art.	37,	VIII,	da	CF),bem	como	da	obrigatoriedade	de
contratação	de	pessoa	com	deficiência,	imposta	apenas	às	empresas	que	possuam
100	ou	mais	empregados	(art.	93,	da	Lei	n.	8.213/91).	Todavia,	isso	não	quer
dizer	que	as	pessoas	físicas	que	atuem	como	empregadoras	ou	tomadoras	de
serviços	e	que	contratem	pessoas	com	deficiência	estejam	liberadas	da	obrigação
de	garantir	ambientes	de	trabalho	acessíveis	e	inclusivos.	Quando	o	legislador
especifica	“pessoas	jurídicas	de	direito	público,	privado	ou	de	qualquer
natureza”,	evidencia	que	não	importa	a	natureza	jurídica	do	contratante,	seja	ele
ente	da	administração	pública,	empresa	privada	ou	até	mesmo	entidade	sem	fins
lucrativos,	deverá,	obrigatoriamente,	garantir	o	ambiente	de	trabalho	acessível	e
inclusivo.	Nesse	sentido,	além	de	observar	as	normas	de	saúde,	higiene	e
segurança	do	trabalho	(art.	7º,	XXII,	da	CF),	o	contratante	deve	adotar	medidas
de	acessibilidade	arquitetônica	(no	ambiente	interno	e	externo	do
estabelecimento),	de	comunicação	e	informação	e	também	tecnológica.	Por	fim,
ressalta-se	que,	não	obstante	a	adoção	de	todas	essas	medidas,	é	de	suma
importância	que	se	realize	um	trabalho	continuado	junto	a	todos	os	demais
trabalhadores,	com	o	objetivo	de	eliminar,	efetivamente,	as	já	mencionadas
barreiras	atitudinais.	Por	oportuno,	salienta-se	que	as	questões	relacionadas	ao
ambiente	de	trabalho	acessível	e	inclusivo	foram	tratadas,	de	forma	mais
detalhada,	no	art.	3º	da	LBI.
§	2º	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito,	em	igualdade	de	oportunidades
com	as	demais	pessoas,	a	condições	justas	e	favoráveis	de	trabalho,
incluindo	igual	remuneração	por	trabalho	de	igual	valor.
Este	dispositivo	da	LBI	enaltece,	além	das	disposições	da	CDPD,	o	princípio
esculpido	no	art.	7º,	inciso	XXXI,	da	CF,	que	veda	qualquer	discriminação	no
tocante	ao	salário	e	critérios	de	admissão	do	trabalhador	com	deficiência.	Trata-
se	de	conceder	a	todos,	indistintamente,	a	igualdade	de	oportunidades,
favorecendo	o	acesso	ao	trabalho	para,	a	partir	de	então,	exigir	que	o	trabalho	se
desenvolva	em	condições	justas	e	favoráveis.	Todavia,	o	conceito	de	“trabalho
de	igual	valor”	presente	no	§	1º	do	art.	461,	da	Consolidação	das	Leis	do
Trabalho	–	CLT,	parece	não	se	adequar	aos	pressupostos	da	LBI,	afinal,	em	razão
das	diversas	barreiras	impostas	à	pessoa	com	deficiência,	não	se	pode	exigir	que
esta	apresente	produtividade	e	perfeição	técnica	idênticas	àquelas	apresentadas
pelos	demais	trabalhadores	que	não	possuem	nenhuma	deficiência.	Tal	exigência
somente	contribuiria	para	ampliar,	ainda	mais,	o	rol	das	barreiras	impostas	à
conquista	da	tão	alardeada	igualdade.	É	salutar,	portanto,	que	sejam	oferecidos	à
pessoa	com	deficiência	treinamentos,	cursos	de	aprimoramento	e	as	mais
variadas	formas	de	incentivo	à	qualificação	profissional,	tudo	isso	acompanhado
da	merecida	contraprestação	(prêmios,	abonos,	promoções	etc.).	Cotidianamente,
observa-se	que,	algumas	vezes,	o	empregador,	“compadecido”	com	a	situação	do
trabalhador	com	deficiência	ou	na	ânsia	de	cumprir,	às	cegas,	as	determinações
relativas	à	reserva	das	cotas	previstas	no	art.	93	da	Lei	n.	8.213/91,	contrata
pessoas	com	deficiência	e	efetua,	rigorosamente,	os	pagamentos	dos	salários
sem,	no	entanto,	exigir	que	essas	pessoas	trabalhem	efetivamente.	Outras	vezes,
apesar	de	atribuir	jornadas	relativamente	menores	aos	trabalhadores	com
deficiência,	o	empregador	realiza	o	pagamento	dos	salários	na	mesma	proporção
dos	pagamentos	feitos	aos	demais	trabalhadores	que	cumprem	a	jornada	regular
de	trabalho.	Data	maxima	venia,	tais	atitudes	também	são	formas	de
discriminação,	menosprezo	e	violação	da	dignidade	da	pessoa	humana	e,	não
raro,	têm	sido	motivo	de	condenação	dos	empregadores,	por	danos	morais,
perante	a	Justiça	do	Trabalho.
§	3º	É	vedada	restrição	ao	trabalho	da	pessoa	com	deficiência	e	qualquer
discriminação	em	razão	de	sua	condição,	inclusive	nas	etapas	de
recrutamento,	seleção,	contratação,	admissão,	exames	admissional	e
periódico,	permanência	no	emprego,	ascensão	profissional	e	reabilitação
profissional,	bem	como	exigência	de	aptidão	plena.
Preambularmente,	a	CDPD	demonstrou	legítima	preocupação	com	as	difíceis
situações	enfrentadas	pelas	pessoas	com	deficiência,	salientado	que,	para	além
da	discriminação	relacionada	à	deficiência,	essas	pessoas	estão	sujeitas	a
múltiplas	formas	de	discriminação	que,	por	vezes,	são	agravadas	em	razão	de
raça,	cor,	sexo,	idioma,	religião,	opiniões	políticas	ou	de	outra	natureza
(Preâmbulo	da	CDPD,	alínea	p).	No	que	se	refere	à	capacidade	laborativa,	a
LBI,	por	meio	do	§	3º,	do	art.	34,	salienta	que	ninguém	pode	ser	considerado
inapto	para	o	trabalho	simplesmente	pelo	fato	de	ser	uma	pessoa	com
deficiência.	Ademais,	não	basta	oferecer	uma	oportunidade	de	trabalho.	A
legislação	brasileira	prevê,	para	determinadas	pessoas	jurídicas	(administração
pública	e	empresas	com	100	ou	mais	empregados),	a	obrigatoriedade	de
contratar	e	manter	pessoas	com	deficiência	em	seu	quadro	funcional.	Todavia,
isso	não	é	suficiente.	Após	a	formalização	do	contrato	de	trabalho,	o	empregador
não	pode	exigir	do	trabalhador	com	deficiência	a	aptidão	plena	para	a	vaga	em
disponibilidade.	Ao	invés	disso,	deve	promover	a	sua	capacitação	e
profissionalização,	oferecendo-lhe	oportunidade	de	ascensão	profissional,
eliminando,	assim,	toda	e	qualquer	forma	de	discriminação	relacionada	à	sua
condição.
§	4º	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito	à	participação	e	ao	acesso	a	cursos,
treinamentos,	educação	continuada,	planos	de	carreira,	promoções,
bonificações	e	incentivos	profissionais	oferecidos	pelo	empregador,	em
igualdade	de	oportunidades	com	os	demais	empregados.
Da	análise	deste	dispositivo	percebe-se	que	a	questão	crucial	perpassa	pela
educação,	mais	especificamente	pela	chamada	educação	inclusiva.	Releva
destacar	que	a	inclusão	educacional	da	pessoa	com	deficiência,	no	Brasil,
somente	foi	normatizada	a	partir	do	Decreto	n.	3.298/99,	que	regulamentou	a
Política	Nacional	da	Pessoa	com	Deficiência.	Até	então,	as	demais	pessoas
foram	educadas	em	um	mundo	à	parte,	não	tiveram	colegas	de	classe	com
deficiência	e,	portanto,	não	aprenderam	a	conviver	com	as	diferenças,	o	que
torna	ainda	mais	difícil	a	tarefa	de	romper	com	as	barreiras	atitudinais.	A
esperança	é	que	a	educação	inclusiva	favoreça	o	convívio	das	diferenças,
tornando	o	ser	humano	mais	sensível	à	condição	da	pessoa	com	deficiência.
Todavia,	a	transformação	não	vai	acontecer	de	um	momento	para	outro,	o
processo	é	moroso.	Nesse	contexto,	conforme	já	mencionado,	por	ora	cabe	ao
empregador	oferecer	à	pessoa	com	deficiência	treinamentos,	cursos	de
aprimoramento	profissional	e	as	mais	variadas	formas	de	incentivo	à
qualificação	profissional,	tudo	isso	acompanhado	da	merecida	contraprestação	e
em	igualdade	de	condições	com	os	demais	empregados	que,	também,	devem
participar	de	cursos,	treinamentos	e	atividades	de	educação	continuada,	visando
eliminar	toda	e	qualquer	forma	de	preconceito	relacionado	à	pessoa	com
deficiência.
§	5º	É	garantida	aos	trabalhadores	com	deficiência	acessibilidade	em	cursos
de	formação	e	de	capacitação.
Não	obstante	o	papel	do	Estado,	no	que	se	refere	à	implantação	de	políticas
públicas	destinadas	a	atender	a	pessoa	com	deficiência,	nota-se	que	a	LBI	impõe,
ao	empregador,	a	obrigação	de	ofertar	cursos	de	formação	e	de	capacitação	aos
trabalhadores	com	deficiência.	É	certo	que	não	se	trata	de	tarefa	fácil.	Contudo,
o	empregador	não	deve	se	ocultar	sob	o	manto	da	insuficiência	de	recursos	para
se	furtar	de	tal	obrigação.	A	capacitação	pode	ocorrer,	por	exemplo,	através	da
contratação	de	aprendizes	portadores	de	deficiência.	Além	disso,	às	empresas
contribuintes	do	sistema	“S”	(Sesc,	Sesi	e	Senai)	sempre	existe	a	opção	de
exigir,	desses	órgãos,	a	disponibilização	de	cursos	para	formação	e	capacitação
de	trabalhadores	com	deficiência.	Cabe,	portanto,	ao	empregador	o	esforço
criativo	no	sentido	de	garantir,	cada	vez	mais,	a	acessibilidade	dos	trabalhadores
com	deficiência	aos	referidos	cursos.
Art.	35.	É	finalidade	primordial	das	políticas	públicas	detrabalho	e
emprego	promover	e	garantir	condições	de	acesso	e	de	permanência	da
pessoa	com	deficiência	no	campo	de	trabalho.
Nos	dispositivos	anteriores	deste	Capítulo	VI,	o	legislador	reforçou	a
responsabilidade	do	empregador/tomador	de	serviços	nos	mais	variados	aspectos
relacionados	ao	trabalho	da	pessoa	com	deficiência.	O	caput	do	art.	34	da	LBI,
por	exemplo,	exige	do	empregador	a	promoção	de	um	ambiente	de	trabalho
“acessível	e	inclusivo,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas”.
O	§	2º,	do	mesmo	art.	34,	impõe-lhe	o	dever	de	ofertar	“condições	justas	e
favoráveis	de	trabalho”.	Na	sequência,	o	§	3º	veda	a	“restrição	ao	trabalho	da
pessoa	com	deficiência	e	qualquer	discriminação	em	razão	de	sua	condição”.	Por
fim,	os	§§	4º	e	5º	impõem	o	dever	de	oferta	e	garantia	de
participação/acessibilidade	da	pessoa	com	deficiência	em	“cursos,	treinamentos,
educação	continuada,	planos	de	carreira,	promoções,	bonificações	e	incentivos
profissionais	oferecidos	pelo	empregador”.	Por	outro	lado,	o	art.	35	da	LBI	tem
outro	enfoque,	chamando	a	atenção	para	a	responsabilidade	e	importante	atuação
do	Estado	na	promoção	dos	direitos	da	pessoa	com	deficiência.	Não	há	como
ignorar	o	crescente	compartilhamento,	com	a	sociedade	civil,	do	encargo
relacionado	à	promoção	de	políticas	públicas,	notadamente	em	razão	da
participação	e	atuação	de	representantes	da	sociedade	nas	instâncias	de	controle
social	e	órgãos	deliberativos.	Todavia,	considerando	que	a	atuação	do	Estado	se
concretiza	por	meio	de	políticas	públicas,	este	não	pode	se	limitar	à	criação	de
normas	sobre	os	direitos	das	pessoas	com	deficiência.	O	Estado	deve	ir	além,
garantindo,	na	sua	esfera	de	atuação,	o	cumprimento	de	medidas	que	garantam	a
acessibilidade	nos	seus	mais	variados	aspectos	e,	especialmente,	promovendo
políticas	públicas	exequíveis	e	efetivas,	destinadas	à	proteção	e	promoção	social
da	pessoa	com	deficiência	e	que	garantam,	dentre	outros	direitos,	o	acesso	e	a
permanência	da	pessoa	com	deficiência	no	campo	de	trabalho.
Parágrafo	único.	Os	programas	de	estímulo	ao	empreendedorismo	e	ao
trabalho	autônomo,	incluídos	o	cooperativismo	e	o	associativismo,	devem
prever	a	participação	da	pessoa	com	deficiência	e	a	disponibilização	de
linhas	de	crédito,	quando	necessárias.
Neste	parágrafo	único,	o	legislador	reforça	a	ideia	que	já	foi	objeto	de
comentário	no	caput	do	art.	34	da	LBI.	Ou	seja,	a	pessoa	com	deficiência	é	livre
para	escolher	o	seu	trabalho.	É	ela	quem	decide	em	que	setor	da	economia
pretende	trabalhar	e,	ainda,	se	vai	trabalhar	de	forma	autônoma,	subordinada	ou
se	vai	gerir	o	próprio	negócio.	Assim,	cabe	ao	Estado	e	à	sociedade	civil	garantir
a	concretização	desta	liberdade	de	escolha,	seja	por	meio	de	Programas	Estatais
ou	de	serviços	prestados	por	instituições	privadas,	como	o	Sebrae	(Serviço
Brasileiro	de	Apoio	às	Micro	e	Pequenas	Empresas),	por	exemplo.	O	importante
é	que,	assim	como	as	demais	pessoas,	a	pessoa	com	deficiência	seja	devidamente
contemplada	em	programas	e	ações	que	estimulem	o	empreendedorismo	e	o
trabalho	autônomo,	recebendo	o	respaldo,	técnico	e	financeiro,	necessário	ao
sucesso	de	seu	empreendimento.
Seção	II	–	DA	HABILITAÇÃO	PROFISSIONAL	E
REABILITAÇÃO	PROFISSIONAL
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	(EPD),	em	seu	Título	II,	elenca,	dentre	os
direitos	fundamentais,	o	Capítulo	VI	quanto	ao	trabalho,	integralmente	alinhado
aos	direitos	sociais	já	estabelecidos	em	nossa	Carta	Magna	(art.	6º).	O	trabalho,
sem	dúvida,	tem	papel	dignificador,	mas	o	EPD	busca	a	verdadeira	inclusão
social,	com	o	senso	de	responsabilidade	para	com	o	próximo	dentro	do	ofício	a
ser	desempenhado,	e	tornar	a	pessoa	com	qualquer	tipo	de	deficiência	produtiva
perante	a	coletividade.
Art.	36.	O	Poder	Público	deve	implementar	serviços	e	programas	completos
de	habilitação	profissional	e	de	reabilitação	profissional	para	que	a	pessoa
com	deficiência	possa	ingressar,	continuar	ou	retornar	ao	campo	do
trabalho,	respeitados	sua	livre	escolha,	sua	vocação	e	seu	interesse.
Esse	artigo	indica	duas	situações	específicas	quanto	à	forma	com	que	o	trabalho
será	desempenhado	por	qualquer	pessoa	com	deficiência,	sempre	com	o
propósito	do	respeito	a	atividades	de	sua	aptidão.	A	primeira,	quanto	às	pessoas
que	precisam	de	uma	habilitação	profissional,	geralmente	cidadãos	que	já
apresentam	deficiências	congênitas,	na	busca	de	um	ensino	que	ofereça
conhecimento	mínimo	para	o	desempenho	de	um	ofício	no	qual	as	pessoas	serão
inseridas.	E	a	segunda,	quanto	às	pessoas	que	já	desempenhavam	um	trabalho
específico	e	que,	por	motivos	variados,	como	acidentes	de	trânsito,	doenças	etc.,
acabaram	por	adquirir	alguma	deficiência	e	necessitam	de	reabilitação
profissional,	seja	para	continuar	no	mesmo	ramo	de	atividade	profissional	ou	a
ele	retornar.	Nesse	contexto,	o	Regime	Geral	de	Previdência	Social,
regulamentado	pela	Lei	n.	8.213,	de	24	de	julho	de	1991,	em	seu	art.	18,	inciso
III,	alínea	c,	estabelece	expressamente	ao	segurado	e	dependente	a	reabilitação
profissional.
§	1º	Equipe	multidisciplinar	indicará,	com	base	em	critérios	previstos	no	§
1º	do	artigo	2º	desta	Lei,	programa	de	habilitação	ou	de	reabilitação	que
possibilite	à	pessoa	com	deficiência	restaurar	sua	capacidade	e	habilidade
profissional	ou	adquirir	novas	capacidades	e	habilidades	de	trabalho.
O	EPD	determina,	como	regra	geral,	a	avaliação	da	deficiência,	com	critérios
técnicos	objetivos	e	subjetivos,	o	que	não	é	diferente	quanto	a	qualquer	análise
de	habilitação	ou	de	reabilitação	de	uma	pessoa	com	deficiência	a	um	trabalho	a
ser	desempenhado.	Nesse	contexto,	a	presente	Lei	Brasileira	de	Inclusão
determina	que	profissionais	avaliem	quais	as	reais	condições	do	indivíduo	dentro
dos	impedimentos,	limitações	e	restrições	existentes,	que	possam	ser	adequados
ao	trabalho	a	ser	desempenhado.	Afinal,	expor	qualquer	pessoa	a	trabalho	sem
conhecimento	ou	capacidade	é	mitigar	socialmente	qualquer	cidadão.	E	mais:	a
pessoa	pode	ser	submetida	até	a	uma	efetiva	periculosidade	por	não	ter
conhecimento	básico	ou	técnico	do	que	está	sendo	desempenhado.
§	2º	A	habilitação	profissional	corresponde	ao	processo	destinado	a
propiciar	à	pessoa	com	deficiência	aquisição	de	conhecimentos,	habilidades
e	aptidões	para	exercício	de	profissão	ou	de	ocupação,	permitindo	nível
suficiente	de	desenvolvimento	profissional	para	ingresso	no	campo	de
trabalho.
Como	exposto,	a	habilitação	profissional	é	fundamental	para	a	pessoa	que
apresenta	qualquer	deficiência	congênita	ou	adquirida	em	razão	de
circunstâncias	pessoais	(doenças,	por	exemplo),	ou	mesmo	resultante	de
acidentes	(como	acidente	de	trânsito).	Assim,	a	habilitação	profissional	adentra
fatalmente	à	seara	da	educação,	direito	previsto	constitucionalmente	(em	seu	art.
6º),	como	também	na	presente	Lei	Brasileira	de	Inclusão	(arts.	27	e	seguintes),	e
que	fomenta	melhoria	profissional,	afinal,	independentemente	da	eventual	falta
de	aptidão,	a	habilitação	profissional	trará	a	adequação	a	qualquer	cidadão	com
deficiência	em	uma	verdadeira	inclusão.
§	3º	Os	serviços	de	habilitação	profissional,	de	reabilitação	profissional	e	de
educação	profissional	devem	ser	dotados	de	recursos	necessários	para
atender	a	toda	pessoa	com	deficiência,	independentemente	de	sua
característica	específica,	a	fim	de	que	ela	possa	ser	capacitada	para	trabalho
que	lhe	seja	adequado	e	ter	perspectivas	de	obtê-lo,	de	conservá-lo	e	de	nele
progredir.
O	atendimento	a	toda	e	qualquer	necessidade	da	pessoa	com	deficiência	para	fins
de	habilitar-se	ou	reabilitar-se,	tendo	um	aprendizado	condizente,	passa
cabalmente	por	serviços	que	sejam	adequados	e	flexibilizados	para	o
atendimento	de	cada	caso.	Afinal,	todo	e	qualquer	serviço	prestado	para	fins	de
inserção,	conservação	ou	progressão	do	trabalho	a	ser	desempenhado	deve
atender	às	peculiaridades	subjetivas	na	busca	da	excelência	plena	da	inclusão
social.
§	4º	Os	serviços	de	habilitação	profissional,	de	reabilitação	profissional	e	de
educação	profissional	deverão	ser	oferecidos	em	ambientes	acessíveis	e
inclusivos.
Ab	initio,	é	fato	que	oPoder	Público	deve	exigir	de	toda	e	qualquer	instituição
pública	ou	privada	ambiente	com	o	acesso	necessário	e	de	fato	inclusivo,	o	que
fomenta	serviços	a	serem	prestados	quanto	à	habilitação	ou	reabilitação
profissional	adequados.	No	mais,	a	quebra	de	barreiras	arquitetônicas
apresenta	regulamentação	técnica	e	legal,	o	que	permite	não	só	a	simples
acessibilidade	e,	sim,	a	proibição	de	qualquer	entrave	quanto	à	participação
social	da	pessoa	com	deficiência,	seja	quanto	à	liberdade	de	movimento,	de
expressão,	de	comunicação,	de	informação,	de	compreensão,	de	segurança	etc.
§	5º	A	habilitação	profissional	e	a	reabilitação	profissional	devem	ocorrer
articuladas	com	as	redes	públicas	e	privadas,	especialmente	de	saúde,	de
ensino	e	de	assistência	social,	em	todos	os	níveis	e	modalidades,	em
entidades	de	formação	profissional	ou	diretamente	com	o	empregador.
Sem	dúvida,	a	União,	os	Estados	e	os	Municípios	têm	a	responsabilidade	de
propiciar	órgãos	para	que	a	pessoa	com	deficiência	obtenha	a	possibilidade
efetiva	de	inclusão	a	um	trabalho.	Nesse	contexto,	é	primordial	o	atendimento
quanto	à	saúde,	ao	ensino	e	à	assistência	social,	tripé	que	propicia	a	efetividade
de	qualquer	habilitação	ou	reabilitação	profissional.	Dentre	os	benefícios	da
Previdência	Social,	a	Lei	n.	8.213,	de	24	de	julho	de	1991,	em	seus	arts.	89
usque	93,	estabelece	regras	para	a	efetivação	da	habilitação	e	reabilitação
profissional,	englobando	não	apenas	órgãos	públicos,	mas	também	o	setor
privado.	Logo,	a	articulação	na	inclusão	de	pessoas	com	deficiência	não	é	de
responsabilidade	exclusivamente	pública,	mas	também	do	setor	privado,	este	que
tem	de	fato	maior	potencial	para	contratação.
§	6º	A	habilitação	profissional	pode	ocorrer	em	empresas	por	meio	de	prévia
formalização	do	contrato	de	emprego	da	pessoa	com	deficiência,	que	será
considerada	para	o	cumprimento	da	reserva	de	vagas	prevista	em	lei,	desde
que	por	tempo	determinado	e	concomitante	com	a	inclusão	profissional	na
empresa,	observado	o	disposto	em	regulamento.
Vale	consignar	que	o	Poder	Público,	quando	da	contratação	de	pessoal,	em	regra,
realiza	o	concurso	público,	que	está	regido	pela	Constituição	Federal,	que
estabelece	expressamente	percentual	para	pessoas	com	deficiência,	conforme	art.
37,	XIII.	Nesse	contexto,	ainda,	a	Lei	n.	7.853,	de	24	de	outubro	de	1989,
regulamentada	pelo	Decreto	n.	3.298,	de	20	de	dezembro	de	1999,	estabelece,
em	seu	art.	37,	§	1º,	que	“o	candidato	portador	de	deficiência,	em	razão	da
necessária	igualdade	de	condições,	concorrerá	a	todas	as	vagas,	sendo	reservado,
no	mínimo,	o	percentual	de	cinco	por	cento	em	face	da	classificação	obtida”.
Contudo,	o	setor	privado,	como	já	exposto	no	§	5º	do	presente	artigo	em
comento,	não	só	tem	estrutura	para	auxiliar	os	órgãos	públicos	a	propiciar
habilitação	e	reabilitação	profissional,	como	também	nossa	legislação
previdenciária,	no	art.	93	da	Lei	n.	8.213,	de	24	de	julho	de	1991,	estabelece	que
uma	empresa	com	100	(cem)	ou	mais	empregados	está	obrigada	a	preencher	de
2%	(dois	por	cento)	a	5%	(cinco	por	cento)	dos	seus	cargos	com	beneficiários
reabilitados	ou	pessoas	portadoras	de	deficiência.	E	mais:	o	Ministério	do
Trabalho	deve	fomentar	e	fiscalizar	o	cumprimento	de	vagas,	para	que	a
habilitação	profissional	seja	cumprida	também	no	setor	privado,	sob	pena	de	que
tal	determinação	legal	seja	inócua.
§	7º	A	habilitação	profissional	e	a	reabilitação	profissional	atenderão	à
pessoa	com	deficiência.
O	presente	parágrafo	exclusivamente	reitera	o	exposto	quanto	ao	direito	do
trabalho	à	pessoa	com	deficiência,	sendo	a	prerrogativa	fundamental	da
habilitação	e	da	reabilitação	profissional.	Afinal,	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão,	em
seus	arts.	34	usque	38,	é	dedicada	a	fomentar	o	trabalho	às	pessoas	com
deficiência,	o	que,	de	fato,	ratifique-se,	não	só	dignifica	qualquer	cidadão,	como
também	gera,	perante	a	sociedade,	verdadeira	inserção	social	de	pessoas	que,
mesmo	com	limitações,	apresentam	papel	na	construção	do	nosso	país.
Seção	III	–	DA	INCLUSÃO	DA	PESSOA	COM
DEFICIÊNCIA	NO	TRABALHO
A	Lei	Brasileira	de	Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência,	o	Estatuto	da	Pessoa
com	Deficiência,	prevê,	nos	arts.	37	e	38,	comandos	para	a	inclusão	(admissão,
permanência	e	ascensão)	da	pessoa	com	deficiência	no	contexto	do	trabalho,
pautados	nas	premissas	da	acessibilidade,	da	razoável	adaptação	do	meio
ambiente	do	trabalho,	da	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas,
bem	como	nos	princípios	da	solidariedade,	do	respeito	e	da	cooperação.	Dessa
forma,	envolve	diversos	atores	sociais,	incluindo	a	sociedade	civil,	o	Poder
Público	e	as	próprias	pessoas	com	deficiência	para	a	efetivação	dos	direitos
fundamentais	ao	trabalho,	ao	meio	ambiente	do	trabalho	equilibrado,	da
cidadania	e	da	dignidade	dessas	pessoas.
Art.	37.	Constitui	modo	de	inclusão	da	pessoa	com	deficiência	no	trabalho	a
colocação	competitiva,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais
pessoas,	nos	termos	da	legislação	trabalhista	e	previdenciária,	na	qual
devem	ser	atendidas	as	regras	de	acessibilidade,	o	fornecimento	de	recursos
de	tecnologia	assistiva	e	a	adaptação	razoável	no	ambiente	de	trabalho.
O	caput	do	art.	37	da	Lei	n.	13.146/2015	garante	à	pessoa	com	deficiência	o
direito	à	inclusão	no	contexto	laboral,	entendido	não	apenas	como	o	direito	de
ingresso,	mas,	também,	como	o	direito	de	permanência	e	ascensão	em	condições
de	trabalho	adequadas	em	um	meio	ambiente	de	trabalho	equilibrado,	consoante
ao	disposto	nos	arts.	225	e	200,	inciso	VIII,	da	Constituição	da	República
Federativa	do	Brasil	de	1988.	O	direito	fundamental	ao	trabalho	das	pessoas	com
deficiência	(ingresso,	permanência	e	ascensão	no	trabalho)	é	plenamente
garantido	não	só	pela	Constituição	Federal	como,	também,	pela	legislação
nacional,	notadamente	a	Lei	n.	13.146/2015,	cujo	regramento	consolidou	toda	a
legislação	construída	desde	a	década	de	1960.	Ademais,	o	dispositivo	em
comento	deve	ser	associado	aos	primados	dos	valores	sociais	do	trabalho,
disposto	no	inciso	IV	do	art.	5º,	da	Constituição	Federal,	e	do	livre	exercício	de
qualquer	atividade	de	trabalho,	ofício	ou	profissão,	disposto	no	art.	5º,	inciso
XIII,	da	Constituição	Federal.
Dessa	forma,	deve-se	entender	como	meio	ambiente	de	trabalho	equilibrado,	à
luz	dos	arts.	3º,	34	e	37	da	Lei	n.	13.146/2015,	o	locus	laboral	acessível,	ou	seja,
que	atenda	às	regras	de	acessibilidade	espacial,	nos	termos	das	normas	técnicas
vigentes;	dotado	de	recursos	de	tecnologia	assistiva	(vide	art.	3º,	III,	da	Lei	n.
13.146/2015),	ou	seja,	mecanismos,	métodos,	estratégias,	práticas	e	serviços	que
promovam	a	funcionalidade,	autonomia	e	independência	da	pessoa	com
deficiência;	razoavelmente	adaptado;	e,	sobretudo,	isonômico	no	tocante	à
competitividade	e	a	oportunidades	em	relação	às	demais	pessoas,	inclusive	para
o	desenvolvimento	pessoal	e	profissional,	nos	termos	da	Convenção	n.	111/58	da
Organização	Internacional	do	Trabalho	(OIT),	cujo	tratado	versa	sobre	a
discriminação	em	matéria	de	emprego	e	profissão.
Note-se	não	se	tratar	apenas	do	ingresso	da	pessoa	com	deficiência	no	contexto
do	trabalho,	mas,	também,	do	acesso	e	da	efetiva	inclusão,	cujos	elementos
conduzem	ao	entendimento	de	que	deve	o	locus	laboral	compreender	tanto
condições	arquiteturais	e	tecnológicas	adequadas	como	inclusivas,	capazes	de
permitir	à	pessoa	com	deficiência	a	plena	vivência	do	contexto	laboral	e	a
execução	do	trabalho	de	forma	autônoma	e	independente.	Isto	é,	a	efetivação	da
inclusão	da	pessoa	com	deficiência	não	esbarra	apenas	em	aspectos	físicos	do
meio	ambiente	do	trabalho,	mas,	principalmente,	em	aspectos	comportamentais
(incluindo	as	relações	interpessoais,	competitividade	etc.)	e	organizacionais
(incluindo	a	gestão	laboral)	constituintes	do	locus	laboral	(ALMEIDA,	Victor
Hugo	de.	Consumo	e	trabalho:	impactos	no	meio	ambiente	do	trabalho	e	na
saúde	do	trabalhador.	2013.	241f.	Tese	(Doutorado	em	Direito)	–	Faculdade	de
Direito	da	Universidade	de	São	Paulo,	São	Paulo,	2013).
Parágrafo	único.	A	colocação	competitiva	da	pessoa	com	deficiência	pode
ocorrerpor	meio	de	trabalho	com	apoio,	observadas	as	seguintes	diretrizes:
O	parágrafo	único	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015	internaliza,	mais	uma	vez,	o
conteúdo	disposto	na	Convenção	n.	111/58	da	OIT,	ratificada	pelo	Brasil	em	26
de	novembro	de	1965,	cujo	tratado	versa	sobre	a	discriminação	em	matéria	de
emprego	e	profissão,	e	da	Convenção	Internacional	da	Organização	das	Nações
Unidas	(ONU)	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,	incorporada	à
legislação	brasileira	em	2008,	por	meio	do	Decreto	Legislativo	n.	186,	e	em
2009,	por	meio	do	Decreto	n.	6.949/2009.
A	Convenção	n.	111/58	da	OIT	prevê	em	seu	art.	2º	o	compromisso	de	todo
país-membro	adotar	e	seguir	uma	política	nacional	destinada	a	promover	a
igualdade	de	oportunidade	e	de	tratamento	em	matéria	de	emprego	e	profissão,
visando	à	eliminação	de	toda	forma	de	discriminação	nesse	sentido,	inclusive	em
relação	à	inclusão	da	pessoa	com	deficiência.
Por	sua	vez,	a	Convenção	Internacional	da	ONU	sobre	os	Direitos	das	Pessoas
com	Deficiência	assevera,	em	seu	art.	3º,	e,	a	igualdade	de	oportunidades	como
princípio	geral,	evidenciando	a	deficiência	como	apenas	mais	uma	característica
da	condição	humana.	De	acordo	com	o	art.	27	dessa	Convenção,	internalizada	no
ordenamento	jurídico	pátrio	pelo	Decreto	n.	6.949/2009,	esse	direito	abrange	a
“[...]	oportunidade	de	se	manter	com	um	trabalho	de	sua	livre	escolha	ou	aceito
no	mercado	laboral	em	ambiente	de	trabalho	que	seja	aberto,	inclusivo	e
acessível	a	pessoas	com	deficiência”,⁴	bem	como	a	proibição	da	discriminação;	a
proteção	dos	direitos	das	pessoas	com	deficiência	mediante	condições	justas	e
favoráveis	de	trabalho,	com	iguais	oportunidades	e	remuneração	por	trabalho	de
igual	valor;	a	garantia	do	exercício	dos	direitos	trabalhistas	e	sindicais;
oportunidades	de	ingresso	e	manutenção	no	emprego	e	ascensão	profissional;
adaptações	razoáveis	do	local	de	trabalho;	reabilitação	profissional;	entre	outros.
Ademais,	ao	indicar,	como	objetivo,	a	colocação	competitiva	da	pessoa	com
deficiência,	tal	dispositivo	reforça	a	necessária	isonomia	para	a	inclusão	da
pessoa	com	deficiência,	com	base	em	sete	diretrizes	a	seguir	comentadas.
I	–	prioridade	no	atendimento	à	pessoa	com	deficiência	com	maior
dificuldade	de	inserção	no	campo	de	trabalho;
Prevê	o	inciso	I	do	parágrafo	único	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015,	a
prioridade	no	atendimento	à	pessoa	com	deficiência	com	maior	dificuldade	de
inserção	no	campo	do	trabalho,	impondo,	quando	da	colocação	profissional
competitiva	da	pessoa	com	deficiência,	a	necessidade	de	avaliação	do	seu	grau
de	dificuldade,	de	acordo	com	sua	deficiência	(física,	sensorial	ou	intelectual).
Consoante	aos	dados	colhidos	pelo	Instituto	Brasileiro	de	Geografia	e	Estatística
(IBGE)	no	último	Censo,	em	2010,	verificou-se	menor	taxa	de	atividade,	um	dos
indicadores	adotados	para	aferir	a	inserção	da	pessoa	com	deficiência	no
trabalho,	das	pessoas	com	deficiência	intelectual,	sendo	a	deficiência	visual	a
menos	restritiva.⁵	Esses	dados,	por	exemplo,	justificariam	a	prioridade	no
atendimento	à	pessoa	com	deficiência	intelectual	para	inserção	no	contexto
laboral.
II	–	provisão	de	suportes	individualizados	que	atendam	a	necessidades
específicas	da	pessoa	com	deficiência,	inclusive	a	disponibilização	de
recursos	de	tecnologia	assistiva,	de	agente	facilitador	e	de	apoio	no	ambiente
de	trabalho;
Como	diretriz	para	a	colocação	competitiva	da	pessoa	com	deficiência,	prevê	o
inciso	II	do	parágrafo	único	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015,	a	provisão	de
suportes	individualizados	direcionados	a	necessidades	pontuais	da	pessoa	com
deficiência,	como,	por	exemplo,	recursos	de	tecnologia	assistiva,	agente
facilitador,	apoio	no	ambiente	de	trabalho,	entre	outros.
Evidentemente,	trata-se	de	rol	não	taxativo	de	suportes	individualizados,	haja
vista	a	necessidade	de	tais	medidas	se	adequarem	às	necessidades	específicas	da
pessoa	com	deficiência	em	colocação	profissional.	Tal	análise,	nos	termos	do	art.
2º,	§	1º,	inciso	II,	da	Lei	n.	13.146/2015,	deve	considerar	fatores
socioambientais,	psicológicos	e	pessoais	da	pessoa	com	deficiência,	visando	à
sua	participação	plena	e	efetiva	na	sociedade,	incluindo	o	contexto	laboral,	em
igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.
Essas	garantias	previstas	na	Lei	n.	13.146/2018,	como,	por	exemplo,	o	acesso
das	pessoas	com	deficiência	a	produtos,	recursos,	estratégias,	práticas,	processos,
métodos	e	serviços	de	tecnologia	assistiva	que	maximizem	sua	autonomia,
mobilidade	pessoal	e	qualidade	de	vida	carecem	de	regulamentação	pelo	Poder
Público.
III	–	respeito	ao	perfil	vocacional	e	ao	interesse	da	pessoa	com	deficiência
apoiada;
O	inciso	III	do	parágrafo	único	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015,	preleciona	a
colocação	competitiva	da	pessoa	com	deficiência	com	observância	ao	seu	perfil
vocacional	e	interesse.	Significa	dizer,	portanto,	que	a	admissão	e	inclusão	da
pessoa	com	deficiência	não	deve	visar	ao	“[...]	afastamento	das	penalidades
impostas	pela	legislação”⁷	em	decorrência	da	ordem	de	observância	das	cotas
impostas	pela	legislação,	mas,	sim,	gerar	efetivas	oportunidades	nos	processos
de	ingresso,	permanência	e	ascensão	dessas	pessoas,	de	acordo	com	suas
habilidades	e	potencialidades,	de	modo	a	contribuir	para	o	desenvolvimento
profissional	e	a	efetivação	da	cidadania	do	trabalhador	com	deficiência.
Em	outras	palavras,	a	pessoa	com	deficiência	não	deve	ser	vista	como	mera	“[...]
beneficiária	da	misericórdia	comunitária	e	do	assistencialismo	estatal,	mas,	sim,
[...]	como	um	cidadão	produtivo,	capaz	de	contribuir	de	forma	digna	para	o
desenvolvimento	do	meio	social	em	que	vive”,⁸	lembrando-se	que	deficiência
não	deve	ser	entendida	como	incapacidade,	mas,	sim,	como	limitação.
IV	–	oferta	de	aconselhamento	e	de	apoio	aos	empregadores,	com	vistas	à
definição	de	estratégias	de	inclusão	e	de	superação	de	barreiras,	inclusive
atitudinais;
O	inciso	IV	do	parágrafo	único	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015,	prevê	uma
importante	ferramenta	para	a	efetiva	inclusão	da	pessoa	com	eficiência,	em
condições	competitivas,	qual	seja,	a	oferta	de	aconselhamento	e	de	apoio	aos
empregadores,	ratificando	os	primados	do	direito	à	igualdade	de	oportunidades	e
do	direito	ao	trabalho,	bem	como	princípios	da	solidariedade,	do	respeito	e	da
cooperação.
Desse	modo,	busca-se	efetivar	o	acesso	e	a	permanência	dos	profissionais	com
deficiência	no	trabalho,	bem	como	o	seu	desenvolvimento	profissional	e	social,
por	meio	de	estratégias	de	inclusão	e	superação	de	barreiras,	inclusive
atitudinais,	de	modo	a	demover	aspectos	culturais	e	organizacionais	da	gestão
laboral	capazes	de	dificultar	a	efetivação	do	direito	fundamental	ao	trabalho
dessas	pessoas.
Por	barreiras	(urbanísticas,	arquitetônicas,	de	transporte,	de	comunicação,
atitudinais	ou	tecnológicas)	deve-se	entender,	nos	termos	do	art.	3º,	inciso	IV,	da
Lei	n.	13.146/2015,	“[...]	qualquer	entrave,	obstáculo,	atitude	ou	comportamento
que	limite	ou	impeça	a	participação	social	da	pessoa”,	inclusive	“o	gozo,	a
fruição	e	o	exercício	de	seus	direitos	à	acessibilidade,	à	liberdade	de	movimento
e	de	expressão,	à	comunicação,	ao	acesso	à	informação,	à	compreensão,	à
circulação	com	segurança”. 	E	por	barreiras	atitudinais,	“atitudes	ou
comportamentos	que	impeçam	ou	prejudiquem	a	participação	social	da	pessoa
com	deficiência	em	igualdade	de	condições	e	oportunidades	com	as	demais
pessoas”.¹ 	De	acordo	com	Fabiano	Carvalho,	tais	barreiras	atitudinais	“[...]
podem	decorrer	tanto	das	ações	e	atitudes	do	empregador	como	dos	demais
trabalhadores	em	relação	ao	colega	com	deficiência,	reforçando
equivocadamente	uma	incapacidade	ou	desvantagem	em	relação	aos	seus	pares”;
ou	“da	própria	pessoa	com	deficiência,	ao	se	imaginar	realmente	incapaz	e
merecedora,	tão	somente,	das	benesses	estatais	a	ela	destinadas	em	decorrência
de	sua	condição”.¹¹	Ainda,	“as	barreiras	atitudinais	podem	ocorrer	de	forma
horizontal	e/ou	vertical,	ou	seja,	tanto	nas	ações	e	atitudes	negativas	do
empregador	em	relação	aos	seus	empregados	com	deficiência	como	dos	demaistrabalhadores	em	relação	ao	colega	com	deficiência”,	de	modo	a	salientar	uma
limitação	e,	por	meio	dela,	impor	ao	trabalhador	com	deficiência	limites	“[...]	ao
se	imaginar	realmente	incapaz	de	desenvolver	determinado	ofício	e	ser
merecedor,	tão	somente,	das	benemerências	estatais	a	ela	destinadas”.¹²
V	–	realização	de	avaliações	periódicas;
Outra	diretriz	para	a	colocação	competitiva	da	pessoa	com	deficiência	no
contexto	do	trabalho,	prevista	no	inciso	V	do	parágrafo	único	do	art.	37	da	Lei	n.
13.146/2015,	é	a	realização	de	avaliações	periódicas,	visando	ao
acompanhamento	do	desenvolvimento,	das	limitações	e	de	eventual	necessidade
de	intervenção	para	a	adaptação	da	pessoa	com	deficiência	ao	trabalho	e	ao	seu
meio.
A	Lei	n.	13.146/2015	não	detalhou	o	modo	como	deverão	ser	feitas	tais
avaliações.	Sabe-se,	porém,	que	os	critérios	adotados	deverão	ser	objetivos,
transparentes	e	relacionados	ao	conteúdo	laboral;	e	subjetivos	apenas	no	tocante
a	necessidades	específicas	do	trabalhador	com	deficiência	para	a	sua	plena
adaptação	ao	labor	e	ao	meio	ambiente	do	trabalho	que	integra,	em	condições
adequadas	e	competitivas.
Todavia,	é	evidente	que	o	objetivo	dessas	medidas	é	avaliar	periodicamente,
mediante	critérios	técnicos	e	preferencialmente	objetivos,	as	condições	de
aptidão,	o	desenvolvimento	funcional	e	a	eficiência	dos	serviços	realizados	pelo
trabalhador	com	deficiência,	sem	perder	de	vista	o	primado	da	isonomia,
buscando-se	não	apenas	uma	“[...]	aparente	igualdade	formal	(consagrada	no
liberalismo	clássico),	mas,	principalmente,	a	igualdade	material,	na	medida	em
que	a	lei	deverá	tratar	igualmente	os	iguais	e	desigualmente	os	desiguais,	na
medida	de	suas	desigualdades”.¹³
VI	–	articulação	intersetorial	das	políticas	públicas;
Entende-se	por	políticas	públicas	o	sistema	ou	as	ações	isoladas	propostas	pelo
Estado	com	o	intuito	de	dar	efetividade	aos	direitos	fundamentais.	No	caso	das
políticas	públicas	de	trabalho	e	emprego,	tratam-se	de	ações	para	a	efetivação	do
direito	fundamental	ao	trabalho,	como,	por	exemplo:	apoio	ao	desempregado;
qualificação	profissional;	intermediação	de	mão	de	obra;	microcrédito;	incentivo
ao	primeiro	emprego;	informação	ao	trabalhador;	fiscalização	das	condições	de
trabalho;	entre	outras.
A	atuação	intersetorial	“caracteriza-se,	também,	como	uma	atuação	em	rede,
entendida	aqui	como	um	arranjo	entre	pessoas,	órgãos,	departamentos,	divisões,
organizações	etc.”¹⁴	Logo,	para	a	eficácia	das	políticas	públicas	impõe-se	a
necessidade	de	identificar	os	problemas	sociais	e	integrar	“saberes	e	experiências
das	diversas	políticas,	passando	a	população	também	a	desempenhar	um	papel
ativo	e	criativo	nesse	processo”,	constituindo-se	a	articulação	intersetorial	como
um	importante	“fator	de	inovação	na	gestão	das	políticas	sociais”.¹⁵
Assim	sendo,	esse	inciso	deve	ser	analisado	conjuntamente	com	o	disposto	no
art.	35	da	Lei	n.	13.146/2015,	que	prevê,	como	finalidade	primordial	dessas
políticas	públicas,	a	garantia	de	condições	de	acesso	e	de	manutenção	da	pessoa
com	deficiência	no	trabalho,	de	modo	que	o	Estado,	em	conjunto	com	a
sociedade,	crie	condições	para	a	efetivação	do	direito	ao	trabalho	às	pessoas	com
deficiência,	de	sua	cidadania	e,	consequentemente,	de	sua	dignidade,	nos	termos
dos	incisos	II	e	III	do	art.	1º	da	Constituição	Federal.	E,	também,	com	o	disposto
no	art.	1º	da	Lei	n.	13.146/2015,	conduzindo	ao	entendimento	de	que	não	basta	a
simples	colocação	da	pessoa	com	deficiência	no	contexto	do	trabalho,	devendo	o
Estado	e	os	diversos	atores	sociais	buscar	a	inclusão,	assegurando	e
promovendo,	em	iguais	condições,	o	exercício	dos	direitos	e	das	liberdades
fundamentais	da	pessoa	com	deficiência.
Assim,	diante	da	necessidade	de	articulação	intersetorial	das	políticas	públicas,
como	diretriz	para	a	colocação	dessas	pessoas,	não	basta	dar	condições	ao
trabalho	sem	a	efetivação	de	outros	direitos	fundamentais,	como,	por	exemplo,
lazer,	moradia,	cultura,	saúde	e,	inclusive,	educação,	como	base	para	a
capacitação	e	emancipação	das	pessoas	com	deficiência,	com	vistas	a	sua
ascensão	profissional	e	social.	Portanto,	tais	políticas	públicas	devem	alcançar
bem	mais	do	que	aspectos	arquiteturais	e	tecnológicos	adaptados	para	o	acesso	e
permanência	dessas	pessoas	no	campo	do	trabalho,	mas	também	outros	direitos
fundamentais	necessários	para	o	acesso,	a	permanência	e	a	ascensão	da	pessoa
com	deficiência	no	trabalho.
VII	–	possibilidade	de	participação	de	organizações	da	sociedade	civil.
Como	medida	de	inclusão,	prevê	o	inciso	VII	do	art.	37,	da	Lei	n.	13.146/2015,	a
possibilidade	de	participação	e	apoio	de	organizações	da	sociedade	civil	na
colocação	competitiva	da	pessoa	com	deficiência	no	trabalho,	visando	efetivar	o
seu	pleno	desenvolvimento	pessoal	e	profissional,	a	sua	cidadania,	a
acessibilidade	e	a	igualdade	de	oportunidades.
Destaca-se,	portanto,	o	papel	das	Organizações	Não	Governamentais	(ONGs)	e
de	associações	e	fundações	que	possuam	a	Certificação	de	Entidades
Beneficentes	de	Assistência	Social	(Cebas)	ou	sejam	qualificadas	como
Organizações	Sociais	pela	Organização	da	Sociedade	Civil	de	Interesse	Público
(OSCIP).	A	Cebas	é	a	certificação	concedida	pelo	Ministério	do
Desenvolvimento	Social	(MDS)	a	entidades	que	atuam	nas	áreas	da	assistência
social,	saúde	ou	educação,	possibilitando	usufruir	da	isenção	de	contribuições
para	a	seguridade	social	e	a	celebração	de	parcerias	com	o	Poder	Público,	desde
que	observem	os	requisitos	prescritos	na	Lei	n.	12.101/2009.
Podem	participar	diversas	entidades,	públicas,	privadas,	nacionais	ou
internacionais,	com	projetos	direcionados	à	pessoa	com	deficiência,	por	meio	de
prestação	de	serviços	e/ou	destinação	de	recursos.
Art.	38.	A	entidade	contratada	para	a	realização	de	processo	seletivo
público	ou	privado	para	cargo,	função	ou	emprego	está	obrigada	à
observância	do	disposto	nesta	Lei	e	em	outras	normas	de	acessibilidade
vigentes.
O	intuito	do	legislador,	quando	da	confecção	do	art.	38	da	Lei	n.	13.146/2015,
foi	garantir	que	nenhuma	entidade	contratada	para	a	realização	de	processo
seletivo,	público	ou	privado,	para	cargo,	função	ou	emprego	se	eximisse	da
responsabilidade	quanto	à	inclusão	da	pessoa	com	deficiência,	à	efetivação	do
direito	ao	trabalho	e	à	garantia	de	um	meio	ambiente	de	trabalho	equilibrado,	ou
seja,	adequado,	acessível	e	inclusivo.
Desse	modo,	o	dispositivo	em	questão	obrigou	expressamente	essas	entidades	–
pessoas	física,	jurídica	ou	ente	despersonalizado,	ou	seja,	independentemente	de
sua	natureza	jurídica	–	à	observância	do	disposto	na	Lei	n.	13.146/2015	e	em
normas	de	acessibilidade	vigentes,	como,	por	exemplo,	a	NBR	9050:2015,	sobre
critérios	e	parâmetros	técnicos	para	projeto,	construção,	instalação	e	adaptação
de	edificações,	mobiliário,	espaços	e	equipamentos	urbanos	às	condições	de
acessibilidade;	a	NBR	NM	313:2007,	sobre	elevadores	de	passageiros	e
elevadores	para	transporte	de	pessoa	com	deficiência;	a	NBR	16537:2016,	sobre
sinalização	tátil	no	piso;	NBR	15599:2008,	sobre	comunicação	na	prestação	de
serviços;	entre	outras	normas	da	Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas
(ABNT).
Dentre	as	medidas	de	acessibilidade	contempladas	em	normas	técnicas	vigentes,
encontram-se:	estrutura	e	sinalização	adequadas;	espaço	de	deslocamento	e
circulação	de	usuários	de	cadeiras	de	rodas;	vagas	de	estacionamento	para
pessoas	com	deficiência;	instalação	de	maçanetas	em	altura	adequada;	sanitários
acessíveis;	sistema	de	telefonia	para	comunicação	de	deficientes	auditivos;
postos	de	trabalho	e	mesas	para	refeições	em	altura	acessível	a	pessoas	usuárias
de	cadeiras	de	rodas;	sinalização	tátil	(pessoas	com	deficiência	visual)	e	sonora
(pessoas	com	deficiência	auditiva);	sistema	de	proteção	e	reabertura	de	portas	de
elevadores;	entre	outras.
4BRASIL.	Decreto	n.	6.949,	de	25	de	agosto	de	2009.	Diário	Oficial	da	União	,
Brasília/DF,	26	ago.	2009.	Disponível	em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm>.
Acesso	em:	16	jul.	2018.
5IBGE.	Cartilha	do	Censo	2010.	Pessoas	com	deficiência.	Brasília,	2012.
Disponível	em:
<http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/cartilha-
censo-2010-pessoas-com-deficienciareduzido.pdf>.	Acesso	em:	16	jul.	2018.
6CARVALHO,	Fabiano.	O	direito	fundamental	ao	trabalho	da	pessoa	com
deficiência	como	meio	de	efetivação	da	cidadania	:	um	enfoque	labor-ambiental.
2018.	142f.	Dissertação	(Mestrado	em	Direito)	–	Faculdade	de	Ciências
Humanas	e	Sociais	da	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”,
Franca,	2018.
77	CARVALHO,	loc.	cit.
8CARVALHO,	Fabiano;	ALMEIDA,	Victor	Hugo	de.	A	efetivação	do	direito
humano	fundamental	ao	trabalho	das	pessoas	deficientes	.	Revista	da	Faculdade
de	Direito	do	Sul	de	Minas,	v.33,	2017.	p.	54.
9BRASIL.	Lei	n.	13.146,	de	6	de	julho	de	2015.	Institui	a	Lei	Brasileira	de
Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	(Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência).
Diário	Oficial	da	União	,	Brasília/DF,	7	set.	2015.	Disponível	em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>.
Acesso	em:	16	jul.	2018.
10	BRASIL.	Lei	n.	13.146,	de	6	de	julho	de	2015.	Institui	a	Lei	Brasileira	de
Inclusão	da	Pessoa	com	Deficiência	(Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência).
Diário	Oficial	da	União	,	Brasília/DF,	7	set.	2015.	Disponível	em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>.
Acesso	em:	16	jul.	2018.
11	CARVALHO,	Fabiano.	O	direito	fundamental	ao	trabalho	da	pessoa	com
deficiência	como	meio	de	efetivação	da	cidadania:	um	enfoque	labor-ambiental.
2018.	142f.	Dissertação	(Mestrado	em	Direito)	–	Faculdade	de	Ciências
Humanas	e	Sociais	da	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”,
Franca,	2018.	p.	55.
12	CARVALHO,	Fabiano.	O	direito	fundamental	ao	trabalho	da	pessoa	com
deficiência	como	meio	de	efetivação	da	cidadania:	um	enfoque	labor-ambiental.
2018.	142f.	Dissertação	(Mestrado	em	Direito)	–	Faculdade	de	Ciências
Humanas	e	Sociais	da	Universidade	Estadual	Paulista	“Júlio	de	Mesquita	Filho”,
Franca,	2018.	p.	90).
13	LENZA,	Pedro.	Direito	constitucional	esquematizado:	igualdade	formal	e
material.	São	Paulo:	Saraiva,	2010.	p.	679.
14	CKAGNAZAROFF,	Ivan	Beck;	MOTA,	Normaston	Rodrigues.
Considerações	sobre	a	relação	entre	descentralização	e	intersetorialidade	como
estratégias	de	modernização	de	prefeituras	municipais.	Economia	&	Gestão	,
Belo	Horizonte,	v.	3,	n.	6,	2003.	p.	38..
15	JUNQUEIRA,	Luciano	A.	Prates.	A	gestão	intersetorial	das	políticas	sociais	e
o	terceiro	setor.	Saúde	e	Sociedade	,	São	Paulo,	v.	13,	n.	1,	abr.	2004.	p.	34.
CAPÍTULO	VII
DO	DIREITO	À	ASSISTÊNCIA	SOCIAL
Art.	39.	Os	serviços,	os	programas,	os	projetos	e	os	benefícios	no	âmbito	da
política	pública	de	assistência	social	à	pessoa	com	deficiência	e	sua	família
têm	como	objetivo	a	garantia	da	segurança	de	renda,	da	acolhida,	da
habilitação	e	da	reabilitação,	do	desenvolvimento	da	autonomia	e	da
convivência	familiar	e	comunitária,	para	a	promoção	do	acesso	a	direitos	e
da	plena	participação	social.
O	acesso	amplo	às	políticas	públicas	fomentadas	pelo	Estado	é	direito	da	pessoa
com	deficiência	e	dever	da	sociedade,	com	previsão	na	Constituição	Federal	e	na
Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	de	Nova
Iorque,	recepcionada	com	status	de	emenda	constitucional	(Decreto	n.	6.949,	de
25	de	agosto	de	2009).
A	finalidade	das	políticas	públicas	destinadas	às	pessoas	com	deficiência,
especialmente	no	que	concerne	ao	trabalho	consiste	na	garantia	de	renda,	com
acesso	a	programas	de	habilitação	ou	reabilitação	profissional.	No	âmbito	da
assistência	social,	o	objetivo	é	o	de	garantir	uma	renda	mínima	à	pessoa	com
deficiência,	por	intermédio	de	acesso	a	benefício	assistencial,	principalmente	o
Benefício	de	Prestação	Continuada	(BPC)	regulamentado	pela	Lei	Orgânica	da
Assistência	Social	(Loas).
§	1º	A	assistência	social	à	pessoa	com	deficiência,	nos	termos	do	caput	deste
artigo,	deve	envolver	conjunto	articulado	de	serviços	do	âmbito	da	Proteção
Social	Básica	e	da	Proteção	Social	Especial,	ofertados	pelo	Suas,	para	a
garantia	de	seguranças	fundamentais	no	enfrentamento	de	situações	de
vulnerabilidade	e	de	risco,	por	fragilização	de	vínculos	e	ameaça	ou	violação
de	direitos.
A	gestão	do	sistema	de	assistência	social	à	pessoa	com	deficiência,	cuja
finalidade	é	gerir	a	implementação	dos	serviços	de	proteção	social,	é	realizada
pelo	Sistema	Único	de	Assistência	Social	(Suas),	o	qual	é	composto	por	uma
gestão	quadripartite	entre	a	União,	o	Distrito	Federal,	Estados	e	Municípios.
À	União	cabe	a	responsabilidade	pela	gestão	das	ações,	por	meio	da	formulação,
do	apoio,	da	articulação	e	coordenação	das	ações.	Aos	Estados	federados
competem	a	gestão	da	assistência	social	no	âmbito	de	suas	competências
definidas	constitucionalmente,	cujas	responsabilidades	estão	definidas	na	Norma
Operacional	Básica	(NOB/Suas)	(Resolução	CNAS	nº	33,	de	12	de	dezembro	de
2012).	Por	seu	turno,	cabem	aos	Municípios	e	ao	Distrito	Federal,	a	atuação	em
três	possíveis	níveis:	inicial,	básico	e	pleno.	A	atuação	inicial	cabe	aos
municípios	que	atendam	aos	requisitos	mínimos,	tais	como	existência	e
funcionamento	de	conselho,	fundo	e	planos	municipais	de	assistência	social,
com	execução	de	ações	de	Proteção	Social	Básica,	utilizando-se	de	seus	próprios
recursos.	No	nível	básico,	o	Município	assume	autonomamente	a	gestão	da
proteção	social	básica.	Finalmente,	no	nível	pleno,	assume	a	gestão	plena	das
ações	sociais	e	assistenciais.
§	2º	Os	serviços	socioassistenciais	destinados	à	pessoa	com	deficiência	em
situação	de	dependência	deverão	contar	com	cuidadores	sociais	para
prestar-lhe	cuidados	básicos	e	instrumentais.
Os	cuidadores	sociais	são	profissionais	habilitados	para	realizarem	os	cuidados
básicos	assistenciais	às	pessoas	com	deficiência	que	sejam	totalmente
dependentes	e	que	não	possuam	familiares,	ou	que	estes	não	tenham	condições
de	auxiliá-los.	Os	cuidadores	sociais	são	muito	mais	conhecidos	nos	seus
trabalhos	desenvolvidos	em	apoio	às	crianças	ou	idosos	em	situação
vulnerabilidade	social,	em	abrigos	ou	asilos.	De	acordo	com	o	Estatuto	da
Pessoa	com	Deficiência,	é	dever	do	Estado	manter	profissionais	habilitados	para
atender	e	suprir	as	necessidades	básicas	das	pessoas	com	deficiência	em	situação
de	vulnerabilidade	social.
Art.	40.	É	assegurado	à	pessoa	com	deficiência	que	não	possua	meios	para
prover	sua	subsistência	nem	de	tê-la	provida	por	sua	família	o	benefício
mensal	de	1	(um)	salário-mínimo,	nos	termos	da	Lei	n.	8.742,	de	7	de
dezembro	de	1993.
Para	consagrar	o	direito	à	vida	biológica	e	social	digna,	a	Constituição	Federal,
em	seu	art.	203,	V,	garante	à	pessoa	com	deficiência	e	ao	idoso	que	esteja	em
situação	de	vulnerabilidade	socioeconômica	que	comprove	não	possuir
condições	de	prover	a	própria	manutenção	ou	de	tê-la	provida	por	sua	família,
nos	termos	da	lei,	um	auxílio	correspondente	a	um	salário-mínimo	mensal.
Este	auxílio	assistencial	refere-se	ao	Benefício	de	Prestação	Continuada	(BPC),
que	é	regulamentado	pela	Loas	(Lei	n.	8.742,	de	7	de	dezembro	de	1993),
segundo	o	qual,	para	ser	considerado	socialmente	vulnerável,	a	pessoa	com
deficiência	ou	idoso	deve	ter	renda	per	capita	familiar	inferior	a	1/4	do	salário
mínimo.	Há	que	se	ressaltar,	no	entanto,	pelo	entendimento	consolidado	no	STJ
(STJ,	REsp	1112557/MG	2009/0040999-9,	Rel.	Min.	Napoleão	Nunes	Maia,	DJ
20-11-2009)	que	o	possuidor	de	renda	superior	a	1/4	do	salário	mínimo	per
capita	pode	comprovar	por	outros	meios	a	sua	condição	de	miserabilidade	e
vulnerabilidade	socioeconômica.
CAPÍTULO	VIII
DO	DIREITO	À	PREVIDÊNCIA	SOCIAL
Art.	41.	A	pessoa	com	deficiência	segurada	do	Regime	Geral	de	Previdência
Social	(RGPS)	tem	direito	à	aposentadoria	nos	termos	da	Lei
Complementar	n.	142,	de	8	de	maio	de	2013.
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	ao	se	reportar	à	Lei	Complementar	n.
142/2013,	está	corroborando	o	direito	à	aposentadoria	especial	da	pessoa	com
deficiência	no	Regime	Geral	de	Previdência.	A	EC	n.	47/2005,	que	alterou	o	art.
201,	§	1º,	da	CF,	trouxe	a	previsão	da	aposentadoria	com	redução	de	tempode
contribuição	para	os	trabalhadores	que	exerçam	suas	atividades	em	condições
especiais	que	prejudiquem	a	saúde	e	a	integridade	física	e	ao	“portador	de
deficiência”	–	termo	usado	pela	Constituição	Federal.
As	aposentadorias	decorrentes	do	labor	sob	condições	especiais	prejudiciais	à
saúde	e	à	integridade	física	estão	disciplinadas	no	art.	57	e	seguintes	da	Lei	n.
8.213/91,	e	para	a	pessoa	com	deficiência	na	Lei	Complementar	n.	142/2013,
regulamentada	pela	Decreto	n.	8.145/2013,	de	modo	a	prever	os	critérios	legais
para	concessão	da	aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência	por	tempo
de	contribuição,	com	redução	neste	critério,	e	por	idade,	com	redução	no	critério
etário.
A	redução	do	critério	de	tempo	de	contribuição	mínimo	para	a	concessão	de
aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência	de	ambos	os	sexos	leva	em
consideração	o	grau	da	deficiência	reconhecida,	sendo	existentes	3	(três)	graus:	i
–	leve	com	redução	de	2	(dois)	anos;	ii	–	moderado	com	redução	de	6	(seis)	anos
e	grave	com	redução	de	10	(dez)	anos.
Na	aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência	por	idade,	para	ambos	os
sexos,	a	redução	do	critério	etário	sempre	será	de	5	(cinco)	anos	partindo	da
regra	geral,	independente	do	grau	da	deficiência	constatada.
Por	derradeiro,	ressalte-se	que	apesar	de	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	se
reportar	à	aplicação	da	Lei	Complementar	voltada	ao	Regime	Geral	de
Previdência	Social,	sua	aplicação	por	isonomia	previdenciária	deve	ser	estendida
aos	servidores	públicos	que,	na	condição	de	pessoa	com	deficiência,	também
fazem	jus	à	concessão	da	aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência,	por
força	do	art.	40,	§	4º,	I,	da	CF/88,	com	a	redação	dada	pela	EC	n.	47/2005.
Apesar	de	os	servidores	públicos	não	possuírem	ainda	legislações	próprias	que
regulamentem	a	aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência,	esta	omissão
legislativa	tem	sido	sistematicamente	suprimida	pelo	Poder	Judiciário,
especialmente	pelo	STF	em	sede	de	Mandado	de	Injunção,	determinando	a
aplicação	da	LC	n.	142/2013	aos	servidores	públicos	até	a	promulgação	da
legislação	própria.
No	tocante	à	aplicação	da	Lei	Complementar	n.	142/2013	aos	servidores
públicos	federais,	o	Ministério	da	Previdência	Social	editou	norma
regulamentando	a	sua	aplicação	para	fins	de	análise	da	concessão	da
aposentadoria	especial	da	pessoa	com	deficiência	a	estes	servidores.	Aludida
norma	é	a	Instrução	Normativa	MPS/SPPS	n.	2/2014	(MINISTÉRIO	DA
PREVIDÊNCIA	SOCIAL.	Instrução	Normativa	MPS/SPPS	n°	2.	Diário	Oficial
da	União,	fev.	2014,	p.	14).
CAPÍTULO	IX
DO	DIREITO	À	CULTURA,	AO	ESPORTE,	AO
TURISMO	E	AO	LAZER
Art.	42.	A	pessoa	com	deficiência	tem	direito	à	cultura,	ao	esporte,	ao
turismo	e	ao	lazer	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas,
sendo-lhe	garantido	o	acesso:
O	Princípio	da	Igualdade,	insculpido	no	art.	5°,	caput,	da	Constituição	Federal,
constitui	o	fundamento	principal	do	art.	42	da	LBI.	É	vedada	qualquer
discriminação	à	pessoa	com	deficiência,	e	o	legislador	prevê,	expressamente,
que	o	acesso	à	cultura,	ao	esporte,	ao	turismo	e	ao	lazer	devem	ser	igualmente
garantidos	a	esta	parcela	da	população.	A	vida	com	dignidade	exige	proteção	à
integridade	física	e	psíquica.	Neste	ponto,	para	que	se	alcance	o	bem-estar,	a
plenitude	e	a	saúde,	resta	fundamental	garantir	o	acesso	à	cultura,	que	alarga	os
horizontes	do	conhecimento;	ao	esporte,	que	proporciona	saúde	física	e	mental;	e
ao	turismo	e	ao	lazer,	conferindo	diversão,	prazer,	descanso	e	recuperação	do
cansaço	que	o	trabalho	ocasiona	para	as	pessoas.
I	–	a	bens	culturais	em	formato	acessível;
A	materialização	e	concretização	ao	acesso	à	cultura	pelas	pessoas	com
deficiência	exige	que	os	programas	culturais,	como	teatros,	cinemas	e	shows
disponham	de	materiais,	tecnologias	e	bens	adaptados	e	acessíveis.	Por	exemplo,
para	que	se	garanta	a	inclusão	das	pessoas	com	deficiência	física	aos	bens
culturais,	é	necessário	dispor	de	local	acessível	com	rampa,	espaço	ampliado	que
caiba	cadeira	de	rodas	e	elevador,	se	necessário.	Já	no	caso	de	deficiência
auditiva,	deve	haver	disponibilidade	de	pessoal	próprio	para	transcrição	do
evento	em	Libras.
No	que	tange	ao	direito	ao	lazer,	muitas	empresas	já	fabricam	balanços,	gira-
giras	e	até	piscinas	adaptadas	para	serem	utilizadas	pelas	pessoas	com
deficiência.	Importante	destacar	que	o	cuidado	de	desenvolver	equipamentos	e
brinquedos	próprios	para	serem	utilizados	pelas	crianças	com	deficiência
importa	na	observância,	também,	ao	Princípio	do	Melhor	Interesse	do	Menor,
previsto	no	art.	227	da	Carta	Magna	e	nos	arts.	1°	e	10	do	Estatuto	da	Criança	e
do	Adolescente	(ECA).
II	–	a	programas	de	televisão,	cinema,	teatro	e	outras	atividades	culturais	e
desportivas	em	formato	acessível;	e
Este	inciso	lista	exemplos	de	atividades	culturais	que	devem	ser	disponibilizada
em	formato	acessível	para	as	pessoas	com	deficiência.	Já	existem	alguns
programas	televisivos	que	contam	com	intérprete	em	Libras	(Língua	Brasileira
de	Sinais),	como	programas	transmitidos	pela	TV	Câmara.	Existem	cinemas	que
já	contam	com	espaço	sem	poltronas	localizado	no	meio	das	salas,	para	que	as
pessoas	com	deficiência	tenham	uma	visão	melhor	dos	filmes.	As	iniciativas
inclusivas	nas	áreas	de	lazer	importam	em,	além	de	oferecer	rampas	de	acesso	e
banheiros	adaptados	em	teatros,	cinemas	e	locais	de	apresentação	de	shows,
disponibilizar	serviços	de	legendagem	descritiva,	audiodescrição	e	Libras.
Os	Ministérios	da	Cultura	contam	com	órgãos	específicos,	como	as	Secretarias
do	Audiovisual,	que	têm	como	função	instrumentalizar	referidos	serviços	de
inclusão.	A	existência	de	deficiência	física	jamais	pode	ser	fator	impeditivo	de
participação	das	pessoas	com	deficiência	das	atividades	culturais	e	desportivas,	e
é	neste	sentido	que	os	órgãos	públicos	têm	trabalhado	e	ainda	precisam	avançar
para	fazerem	valer	de	forma	concreta	os	dispositivos	previstos	na	LBI	atinentes
ao	direito,	em	igualdade	de	condições,	às	pessoas	com	deficiência,	às	atividades
de	lazer,	desportivas,	culturais	e	recreativas.
III	–	a	monumentos	e	locais	de	importância	cultural	e	a	espaços	que
ofereçam	serviços	ou	eventos	culturais	e	esportivos.
Os	monumentos	artísticos,	presentes	principalmente	nos	museus,	devem	conter
recursos	sensoriais,	informações	em	Braille,	audiodescrição,	Libras	e	legendas,
para	que	haja	acessibilidade	universal	das	pessoas	com	deficiências	às	obras
artísticas.	As	ações	culturais	inclusivas	devem	ser	promovidas	e	fomentadas	para
que	exista	uma	participação	ativa	das	pessoas	com	deficiência	na	vida	cultural.
Neste	sentido:	“é	precisamente	com	o	acolher	da	vertente	social	que	o	museu
recebe	uma	nova	missão.	Sem	renunciar	às	características	de	preservação	do
patrimônio,	deve	fomentar	iniciativas	culturais	inclusivas,	impulsionar	a
diferenciação	e	inserção	de	novos	públicos	que,	afastados	durante	décadas,
fazem	valer	os	seus	direitos	de	participação	na	vida	cultural	da	sociedade
atual”.¹
Os	espaços	que	oferecem	eventos	esportivos,	como	os	estádios,	por	exemplo,
devem	observar	as	regras	constantes	na	Norma	9050	da	ABNT	(Associação
Brasileira	de	Normas	Técnicas),	que	especifica	os	detalhes	para	a	construção	e
adaptação	de	locais	públicos	a	pessoas	com	deficiência.	O	Decreto	n.	5.296/2004
determinou	a	reserva	de	4%	dos	lugares	dos	estádios	para	pessoas	com
deficiência,	sendo	2%	para	cadeirantes	e	2%	para	pessoas	com	mobilidade
reduzida	ou	deficiência	visual.	Todos	esses	cuidados	propiciam	que	o	esporte
seja	utilizado	como	uma	ferramenta	inclusiva,	e	que	seja	disponibilizado,	em
igualdade	de	condições,	para	as	pessoas	com	deficiência.
§	1º	É	vedada	a	recusa	de	oferta	de	obra	intelectual	em	formato	acessível	à
pessoa	com	deficiência,	sob	qualquer	argumento,	inclusive	sob	a	alegação	de
proteção	dos	direitos	de	propriedade	intelectual.
A	LBI	garante	à	pessoa	com	deficiência	o	direito	ao	acesso	aos	meios	culturais	e
ao	entretenimento	de	forma	igualitária	às	pessoas	não	deficientes,	inclusive	no
que	tange	ao	acesso	a	obras	intelectuais	em	formato	acessível,	como	os	livrosem
formato	acessível.
O	art.	68,	§	2°	da	Lei	n.	13.146/2015	delimita	o	conceito	de	formato	acessível
como	os	“arquivos	digitais	que	possam	ser	reconhecidos	e	acessados	por
softwares	leitores	de	telas	ou	outras	tecnologias	assistivas	que	vierem	a
substituí-los,	permitindo	leitura	com	voz	sintetizada,	ampliação	de	caracteres,
diferentes	contrastes	e	impressão	em	Braille”.
O	legislador,	neste	ponto,	preocupou-se	em	garantir	o	direito	à	informação,
preconizado	no	art.	5°,	XXXIII,	da	Constituição	Federal,	às	pessoas	com
deficiência.
Cabe	salientar	que,	caso	seja	negada	a	disponibilização	das	obras	intelectuais	em
formato	acessível,	pode	ser	interposta	ação	contra	a	editora	que	o	negou,	por
exemplo,	o	que	traz	a	garantia,	no	caso	concreto,	do	acesso	à	leitura.
§	2º	O	Poder	Público	deve	adotar	soluções	destinadas	à	eliminação,	à
redução	ou	à	superação	de	barreiras	para	a	promoção	do	acesso	a	todo
patrimônio	cultural,	observadas	as	normas	de	acessibilidade,	ambientais	e
de	proteção	do	patrimônio	histórico	e	artístico	nacional.
A	Carta	Constituinte	atual	dispõe	em	seu	art.	244	que:	“a	lei	disporá	sobre	a
adaptação	dos	logradouros,	dos	edifícios	de	uso	público	e	dos	veículos	de
transporte	atualmente	existentes	a	fim	de	garantir	acesso	adequado	às	pessoas
portadoras	de	deficiência,	conforme	o	disposto	no	art.	227,	§	2°”.	Além	disso,
estatui,	no	art.	215,	caput,	que:	“o	Estado	garantirá	a	todos	o	pleno	exercício	dos
direitos	culturais	e	acesso	às	fontes	de	cultura	nacional”.
O	direito	de	acessibilidade	aos	bens	culturais	encontra	amparo	nos	princípios	da
isonomia	e	da	fruição	coletiva	do	patrimônio	cultural	nacional.
A	LBI,	no	art.	42,	§	2º,	regulamenta	e	observa	os	dispositivos	constitucionais
retromencionados,	e	transfere	para	o	Poder	Público	o	dever	de	agir	no	sentido	de
eliminação	dos	entraves,	problemas	e	obstáculos	que	impedem	as	pessoas	com
deficiência	de	usufruir	dos	bens	pertencentes	ao	patrimônio	cultural	brasileiro,
impondo-lhe,	ainda,	a	função	de	facilitar	o	acesso	das	pessoas	com	deficiência	a
referidos	bens.
Na	parte	final	do	§	2°	do	artigo	em	tela,	o	legislador	condiciona	o	agir	do	Poder
Público	à	observância	das	normas	de	acessibilidade,	previstas	sobretudo	na	NBR
9050,	que	dispõe	sobre	acessibilidade	a	edificações,	mobiliário,	espaços	e
equipamentos	públicos;	à	legislação	ambiental	e	a	que	protege	o	patrimônio
histórico	e	artístico	nacional.	Assim,	se	determinado	espaço	público	for	passar
por	reformas	para	atender	o	público	com	necessidades	especiais,	deverá	ser
observada	a	norma	protetiva	do	patrimônio	histórico,	por	exemplo,	manter	as
fachadas	de	prédios	históricos.
Art.	43.	O	Poder	Público	deve	promover	a	participação	da	pessoa	com
deficiência	em	atividades	artísticas,	intelectuais,	culturais,	esportivas	e
recreativas,	com	vistas	ao	seu	protagonismo,	devendo:
As	atividades	recreativas,	desportivas	e	de	lazer,	como	mencionado	alhures,	são
um	importante	meio	para	promoção	da	igualdade	e	integração	das	pessoas	com
deficiência	com	o	público	em	geral.	Desta	forma,	incumbe	ao	Estado,	por	meio
de	políticas	públicas	inclusivas,	incentivar	que	as	pessoas	com	deficiência
participem	de	eventos	e	programas	artísticos,	culturais	e	intelectuais.	Para	isso,
deverá	garantir	estrutura	própria,	como	banheiros	adaptados,	espaço	próprio,
disponibilizar	intérpretes	e	ainda	divulgar	que	os	eventos	culturais	terão	apoio
para	o	público	que	possua	qualquer	espécie	de	deficiência.	O	Poder	Público
deverá	sempre	atentar-se	ao	princípio	da	igualdade	substancial,	que	consiste	em
tratar	de	forma	igual	os	iguais	e	de	forma	desigual	os	desiguais,	na	medida	de
sua	desigualdade.	Os	fatores	que	causam	limitações	físicas	ou	mentais	às	pessoas
devem	ser	superados,	não	só	individualmente,	mas	pelo	próprio	Poder	Público,
que	por	meio	de	ações	inclusivas	possibilitará	a	estas	pessoas	um	tratamento
igualitário	perante	os	demais.
I	–	incentivar	a	provisão	de	instrução,	de	treinamento	e	de	recursos
adequados,	em	igualdade	de	oportunidades	com	as	demais	pessoas;
Para	que	as	pessoas	com	deficiência	tenham	o	efetivo	acesso	aos	bens	artísticos
e	culturais,	deverão	ser	promovidas	políticas	públicas	que	viabilizem	o	exercício
do	direito	à	fruição	do	patrimônio	artístico	e	cultural	em	igualdade	de	condições
com	as	demais	pessoas.	A	fim	de	alcançar	essa	finalidade,	os	municípios	e
estados	deverão	treinar	pessoal	para	trabalhar	nas	obras	artísticas	como
intérpretes,	ou	dispor	recursos	tecnológicos	que	permitam	o	acesso	das	pessoas
com	deficiência	às	obras	e	monumentos	culturais,	como	fones	que	descrevem	as
obras	artísticas	em	museus,	por	exemplo.	Estes	recursos	operacionais	permitem
que	o	público	que	possua	alguma	deficiência	interaja	com	as	demais	pessoas	e
desfrute	das	obras	artísticas	e	eventos	culturais	com	igualdade	de	condições.
II	–	assegurar	acessibilidade	nos	locais	de	eventos	e	nos	serviços	prestados
por	pessoa	ou	entidade	envolvida	na	organização	das	atividades	de	que	trata
este	artigo;	e
Este	inciso	apresenta	mais	uma	maneira	de	ser	promovida	a	inclusão	e
participação	das	pessoas	com	deficiência	nos	eventos	culturais,	artísticos	ou
desportivos,	determinando	que	incumbe	ao	Poder	Público	garantir	a
acessibilidade	onde	houver	tais	eventos,	por	exemplo,	dispondo	de	sanitários
adaptados,	de	corredores	e	espaços	adequados,	transferindo	tal	mister	também	às
entidades	organizadoras	desses	eventos.
Deverão	assim	ser	oferecidos	aparatos	que	instrumentalizem	o	exercício	do
direito	ao	acesso	à	cultura,	sejam	eles	físicos,	tecnológicos	ou	operacionais.	E
este	dever	pertence	aos	Municípios,	às	Secretarias	de	Cultura	e,	como
mencionado	anteriormente,	às	entidades	organizadoras	de	eventos	culturais,
artísticos,	intelectuais	ou	desportivos.
III	–	assegurar	a	participação	da	pessoa	com	deficiência	em	jogos	e
atividades	recreativas,	esportivas,	de	lazer,	culturais	e	artísticas,	inclusive	no
sistema	escolar,	em	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.
As	atividades	esportivas	promovem	bem-estar,	lazer	e	saúde	física	e	psíquica	das
pessoas.	Por	isso	devem	sempre	ser	fomentadas,	assim	como	as	atividades
recreativas	e	de	lazer,	que	possibilitam	a	socialização,	vivência	conjunta	e
formação	de	opinião	dos	indivíduos.	Por	esta	razão,	incumbe	ao	Poder	Público
assegurar	que	a	pessoa	com	deficiência	seja	integrada	a	tais	atividades	e	delas
participe	com	igualdade	de	condições	com	as	demais	pessoas.
Essas	políticas	públicas	também	deverão	ser	voltadas	ao	ambiente	escolar,
possibilitando	que	as	crianças	com	deficiência	usufruam	dos	esportes,
brincadeiras	e	eventos	culturais	da	mesma	forma	que	as	demais	crianças,	o	que
corrobora	para	a	construção	do	caráter	e	da	personalidade	de	tais	crianças,
promovendo-lhes,	consequentemente,	saúde	física	e	psíquica.
O	Poder	Público	não	pode	economizar	esforços	para	promover	a	integração	das
pessoas,	notadamente	as	crianças,	ao	ambiente	cultural.	Os	recursos	públicos
deverão	ser	destinados	à	compra	de	material	inclusivo,	como	audiolivros,	livros
com	leitura	em	Braille,	construção	de	parques	com	brinquedos	adaptados	para
pessoas	com	deficiência	e	a	presença	de	professores	treinados	para	auxiliar
referidas	crianças.
Construir	o	futuro	de	uma	nação	é,	sobretudo,	garantir	um	momento	presente
digno	para	as	crianças,	e	a	integração	social	e	cultural	fazem	parte	da	formação
moral	das	pessoas,	não	devendo	jamais	serem	excluídas	as	que	possuírem
qualquer	forma	de	deficiência.
Art.	44.	Nos	teatros,	cinemas,	auditórios,	estádios,	ginásios	de	esporte,	locais
de	espetáculos	e	de	conferências	e	similares,	serão	reservados	espaços	livres
e	assentos	para	a	pessoa	com	deficiência,	de	acordo	com	a	capacidade	de
lotação	da	edificação,	observado	o	disposto	em	regulamento.
O	art.	44	da	LBI	foi	regulamentado	recentemente	pelo	Decreto	n.	9.404,	de	11	de
junho	de	2018.
Os	teatros,	cinemas,	espaços	esportivos	e	destinados	a	conferências,	como
palestras,	deverão	contar	com	espaços	livres,	onde	caibam	as	cadeiras	de	rodas,
situados	em	local	com	boa	visibilidade,	e	deverá	ser	reservado	um	percentual	das
cadeiraspara	as	pessoas	com	deficiência.
O	art.	1°	do	supramencionado	decreto	alterou	o	art.	23	do	Dec.	n.	5.296/2004,
determinando	que	nas	edificações	com	capacidade	de	lotação	de	até	mil	lugares
deverão	ser	disponibilizados	2%	(dois	por	cento)	de	espaço	para	pessoas	com
cadeira	de	rodas,	e	2%	(dois	por	cento)	de	acentos	para	pessoas	com	deficiência
ou	mobilidade	reduzida	(§	1°,	I,	a	e	b)	e	nas	edificações	com	lotação	acima	de
mil	lugares	deverá	haver	vinte	espaços	para	pessoas	em	cadeira	de	rodas	mais
1%	(um	por	cento)	do	que	exceder	mil	lugares	e	ainda	vinte	assentos	para
pessoas	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida	mais	1%	(um	por	cento)	do
que	exceder	mil	lugares	(§	1°,	II,	a	e	b).
O	art.	1°,	§	2°	do	Decreto	n.	9.404,	de	11	de	junho	de	2018,	por	sua	vez,	estatui
que	50%	(cinquenta	por	cento)	dos	assentos	destinados	para	pessoas	com
deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida	devem	ser	reservados	para	o	uso	por
pessoa	obesa,	os	quais	devem	ter	características	dimensionais	e	estruturais	para	o
uso	das	pessoas	obesas.
§	1º	Os	espaços	e	assentos	a	que	se	refere	este	artigo	devem	ser	distribuídos
pelo	recinto	em	locais	diversos,	de	boa	visibilidade,	em	todos	os	setores,
próximos	aos	corredores,	devidamente	sinalizados,	evitando-se	áreas
segregadas	de	público	e	obstrução	das	saídas,	em	conformidade	com	as
normas	de	acessibilidade.
O	legislador,	neste	parágrafo,	deixou	claro	que	não	basta	garantir	o	simples
acesso	da	pessoa	com	deficiência	aos	espaços	culturais.	É	necessário	garantir
bons	espaços,	que	garantam	a	plenitude	do	direito	ao	lazer	e	à	cultura.	Não	é
suficiente	simplesmente	reservar	algumas	poltronas	dos	cinemas	para	as	pessoas
com	deficiência.	É	preciso	que	sejam	destinados	àquelas	locais	com	boa
localização,	acessíveis,	próximos	dos	corredores,	para	facilitar	a	entrada	e	a
saída.	Os	assentos	para	pessoas	com	deficiência	devem	estar	situados
conjuntamente	com	os	demais	assentos,	integrando	o	público.	As	saídas	devem
estar	liberadas,	para	facilitar	a	locomoção.
§	2º	No	caso	de	não	haver	comprovada	procura	pelos	assentos	reservados,
esses	podem,	excepcionalmente,	ser	ocupados	por	pessoas	sem	deficiência	ou
que	não	tenham	mobilidade	reduzida,	observado	o	disposto	em
regulamento.
De	forma	genérica,	pode-se	entender	que	neste	ponto	o	legislador	quis	evitar	o
prejuízo	econômico	das	empresas	cinematográficas,	teatrais	e	culturais,	porque,
a	contrario	sensu,	caso	fosse	proibida	a	ocupação	dos	assentos	vazios	destinados
a	pessoas	com	deficiência,	referidas	empresas	deixariam	de	vender	os	ingressos
correspondentes	a	tais	assentos.
A	prioridade	é	que	o	espaço	especial	e	adaptado	seja	ocupado	por	pessoas	com
deficiência.	Mas,	se	por	algum	motivo,	eles	ficarem	vazios,	foi	aberta
oportunidade	para	serem	ocupados	pelo	público	em	geral.
Este	parágrafo	foi	regulamentado	pelo	Decreto	n.	9.404/2018,	que	disciplina	no
art.	23-A	sobre	as	condições	de	venda	de	ingressos	de	locais	reservados	a
pessoas	com	deficiência	para	pessoas	que	não	a	possuam,	regrando	no	respectivo
§	1°	que	a	reserva	de	assentos	será	garantida	a	partir	do	início	das	vendas	até	24
horas	antes	de	cada	evento,	com	disponibilidade	em	todos	os	pontos	de	venda	de
ingresso,	sejam	eles	físicos	ou	virtuais.	Já	no	§	2º,	determina-se	que	nos	eventos
realizados	em	estabelecimentos	com	lotação	acima	de	10	mil	pessoas,	a	reserva
de	assentos	de	que	trata	o	caput	será	garantida	a	partir	do	início	das	vendas	até
72	horas	antes	de	cada	evento.	O	§	3º	preleciona	que	os	espaços	e	os	assentos	em
cada	setor	somente	serão	disponibilizados	às	pessoas	sem	deficiência	ou	sem
mobilidade	reduzida	depois	de	esgotados	os	demais	assentos	daquele	setor	e
somente	quando	os	prazos	estabelecidos	nos	§§	1º	e	2º	se	encerrarem.	Por	fim,	o
§	4º	dispõe	que	nos	cinemas,	a	reserva	de	assentos	de	que	trata	o	caput	será
garantida	a	partir	do	início	das	vendas	até	meia	hora	antes	de	cada	sessão.
§	3º	Os	espaços	e	assentos	a	que	se	refere	este	artigo	devem	situar-se	em
locais	que	garantam	a	acomodação	de,	no	mínimo,	1	(um)	acompanhante	da
pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,	resguardado	o	direito
de	se	acomodar	proximamente	a	grupo	familiar	e	comunitário.
O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	nos	artigos	destinados	à	garantia	do
acesso	ao	lazer,	cultura	e	esporte,	demonstra	nítida	preocupação	com	a
sociabilidade	e	a	inserção	da	pessoa	com	deficiência	nos	meios	culturais	junto
com	a	comunidade.	Este	parágrafo	retrata	essa	assertiva.	Além	de	ter	direito	a
espaço	reservado	com	facilidades	de	locomoção,	espaço	para	cadeira	de	rodas	e
boa	visibilidade	do	espetáculo	ou	filme,	o	legislador	garantiu,	neste	parágrafo,
que	as	pessoas	com	deficiência	têm	também	o	direito	de	contar	com	espaço	ao
seu	lado	para	um	acompanhante,	com	vistas	a	garantir	a	segurança	e	amparo
deste	público.
Assegurou-se	ainda	o	direito	de	as	pessoas	com	deficiência	ficarem	situadas
próximas	de	sua	família	e	da	comunidade.	Esta	determinação	traz	como
consequência	o	dever	das	empresas	cinematográficas	e	teatrais	de	construírem
espaços	para	as	pessoas	com	deficiência	próximos	ao	espaço	destinado	para	o
público	em	geral.	Com	esta	determinação	garante-se	integração	entre	os	dois
públicos.
§	4º	Nos	locais	referidos	no	caput	deste	artigo,	deve	haver,
obrigatoriamente,	rotas	de	fuga	e	saídas	de	emergência	acessíveis,	conforme
padrões	das	normas	de	acessibilidade,	a	fim	de	permitir	a	saída	segura	da
pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,	em	caso	de	emergência.
O	art.	23	do	Decreto	n.	5.296/2004,	com	redação	alterada	pelo	art.	1°	do	recente
Decreto	9.404/2018,	em	seu	§	4º,	dispõe	a	obrigatoriedade	da	existência	de	rotas
de	fuga	e	saídas	de	emergência	acessíveis,	conforme	padrões	das	normas
técnicas	de	acessibilidade	da	ABNT,	a	fim	de	permitir	a	saída	segura	de	pessoas
com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida,	em	caso	de	emergência.
Este	regramento	tem	como	escopo,	pautado	no	princípio	da	igualdade,	garantir
às	pessoas	com	deficiência	a	mesma	segurança	destinada	ao	público	em	geral,
resguardando	assim	sua	integridade	física	no	caso	de	incêndio,	desabamento	ou
qualquer	acidente	que	ocorra	durante	o	filme,	peça,	show	ou	partida	de	esporte.
§	5º	Todos	os	espaços	das	edificações	previstas	no	caput	deste	artigo	devem
atender	às	normas	de	acessibilidade	em	vigor.
O	§	5°	do	art.	44	da	LBI	dispõe	expressamente	que	é	dever	de	todas	as
instituições,	empresas	e	eventos	destinados	à	promoção	de	lazer,	que	observem,
em	suas	edificações,	as	normas	de	acessibilidade	vigentes	na	época,	incluindo	a
própria	LBI,	o	Decreto	n.	9.404,	de	11	de	junho	de	2018,	que	regulamenta	o	art.
44	do	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	e	outras	normas	técnicas	da
Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas	(ABNT).
O	art.	23	do	Decreto	n.	5.296/2004,	com	redação	alterada	pelo	Decreto	n.
9.404/2018,	no	§	10,	por	exemplo,	estipula	prazo	máximo	de	doze	meses,
contado	da	data	de	publicação	deste	último	decreto,	para	implementação	das
adaptações	necessárias	à	oferta	de	assentos	com	características	dimensionais	e
estruturais	para	o	uso	por	pessoa	obesa.
Assim,	além	de	as	edificações	deverem	observar	todos	os	regramentos	que
determinam	normas	de	acessibilidade,	há	que	serem	observados	os	prazos
conferidos	para	mudanças	e	adaptações,	para	que	estejam	em	conformidade	com
as	legislações.
§	6º	As	salas	de	cinema	devem	oferecer,	em	todas	as	sessões,	recursos	de
acessibilidade	para	a	pessoa	com	deficiência.
Para	que	exista	a	interação	plena	do	público	com	deficiência	com	o	filme,	o
legislador	determina	que	deverão	haver	recursos	de	acessibilidade.
Este	parágrafo	fora	regulamentado	pelo	art.	1°,	§	6º,	do	Decreto	n.	9.404/2018,	o
qual	estatui	que	as	salas	de	espetáculo	deverão	dispor	de	meios	eletrônicos	que
permitam	a	transmissão	de	subtitulação	por	meio	de	legenda	oculta	e	de
audiodescrição,	além	de	disposições	especiais	para	a	presença	física	de	intérprete
de	Libras	e	de	guias-intérpretes,	com	a	projeção	em	tela	da	imagem	do	intérprete
sempre	que	a	distância	não	permitir	sua	visualização	direta.
Todos	esses	recursos	viabilizama	acessibilidade	durante	as	apresentações	de
películas	para	as	pessoas	com	deficiência.
Há	inclusive	um	projeto	de	lei,	de	n.	63592016,	que	visa	renumerar	o	§	7°	do	art.
44	da	Lei	n.	13.146/2015	(LBI),	para	determinar	que	as	salas	de	cinema
disponibilizem	rede	wi-fi	específica	para	acesso	por	surdos-mudos	e	cegos,
mediante	aplicativo	gratuito	disponível	para	baixar	e	instalar	em	tablets	e
smartphones	contendo	um	intérprete	de	Libras	(Língua	Brasileira	de	Sinais)	e
legendas	e	que	emita	audiodescrição	através	de	fones	de	ouvido.
Todas	essas	determinações	demonstram	que	a	tecnologia	pode	e	deve	ser
utilizada	para	fomentar	recursos	tecnológicos	que	garantam	inclusão	e
acessibilidade	das	pessoas	com	deficiência	aos	meios	culturais.
§	7º	O	valor	do	ingresso	da	pessoa	com	deficiência	não	poderá	ser	superior
ao	valor	cobrado	das	demais	pessoas.
O	legislador	dispõe	expressamente	que	o	preço	dos	ingressos	deve	ser	o	mesmo
tanto	para	as	pessoas	com	deficiência	como	para	as	demais	pessoas.	Talvez,	pelo
alto	custo	econômico	de	implementação	das	mudanças	estruturais	das
edificações	e	dos	recursos	tecnológicos	empregados	visando	obedecer	as
determinações	legislativas,	as	empresas	cinematográficas	poderiam	valer-se	de
tal	argumento	para	cobrarem	valor	mais	alto	das	pessoas	com	deficiência.	A
intenção	do	disposto	neste	parágrafo	é	justamente	de	coibir	esta	prática.
E	mais,	o	§	11	do	Decreto	n.	9.404/2018	garante	às	pessoas	com	deficiência	o
direito	à	meia	entrada,	o	qual	deve	observar	apenas	o	limite	estabelecido	no	§	10
do	art.	1º	da	Lei	n.	12.933,	de	26	de	dezembro	de	2013,	que	por	sua	vez	estatui
que	a	concessão	do	direito	ao	benefício	da	meia-entrada	é	assegurada	em	40%
(quarenta	por	cento)	do	total	dos	ingressos	disponíveis	para	cada	evento.	Essa
limitação,	reitere-se,	é	destinada	tanto	para	as	pessoas	com	deficiência	como
para	o	restante	do	público,	em	igualdade	de	oportunidades.
Art.	45.	Os	hotéis,	pousadas	e	similares	devem	ser	construídos	observando-
se	os	princípios	do	desenho	universal,	além	de	adotar	todos	os	meios	de
acessibilidade,	conforme	legislação	em	vigor.
Para	que	as	pessoas	com	deficiência	usufruam	plenamente	e	confortavelmente	de
seus	passeios	e	viagens,	houve	a	preocupação	do	legislador	de	estabelecer	regras
arquitetônicas	para	os	locais	destinados	à	hospedagem.
Os	hotéis,	pousadas	e	similares,	no	que	concerne	a	este	tema,	atualmente	devem
respeitar	o	Decreto	Presidencial	n.	9.296,	de	1°	de	março	de	2018,	o	qual
regulamenta	o	presente	artigo.
De	acordo	com	o	referido	Decreto,	os	projetos	arquitetônicos	dos
estabelecimentos	de	hospedagem	deverão	atender	aos	princípios	do	desenho
universal	e	ter	como	referências	básicas	as	normas	técnicas	de	acessibilidade	da
ABNT	(Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas),	a	legislação	específica	e	as
disposições	do	próprio	decreto,	especialmente	quanto	aos	seus	anexos	I,	II	e	III,
que	detalham	quais	princípios	e	meios	de	acessibilidade	devem	ser	garantidos.
§	1º	Os	estabelecimentos	já	existentes	deverão	disponibilizar,	pelo	menos,
10%	(dez	por	cento)	de	seus	dormitórios	acessíveis,	garantida,	no	mínimo,	1
(uma)	unidade	acessível.
O	legislador	estabelece,	no	art.	45,	§	1°	da	LBI,	o	percentual	mínimo	de	10%
(dez	por	cento)	dos	seus	dormitórios	nas	condições	de	acessibilidade,	devendo
haver	no	mínimo	um	dormitório	observando	todas	as	características	de
acessibilidade.
Este	parágrafo	foi	regulamentado	pelo	Dec.	n.	9.296,	de	1°	de	março	de	2018,	o
qual	estatui,	no	art.	3°,	que	os	estabelecimentos	hoteleiros	já	existentes,
construídos	ou	reformados	no	período	entre	30	de	junho	de	2004	e	2	de	janeiro
de	2017	devem	contar	com	5%	(cinco	por	cento),	mínimo	de	1	dormitório,	com
as	características	construtivas	e	recursos	de	acessibilidade	constantes	no	Anexo	I
do	respectivo	decreto,	que	por	sua	vez	trata	das	características	construtivas	e
recursos	de	acessibilidade;	com	5%	dos	demais	dormitórios	contando	com
ajudas	técnicas	e	recursos	de	acessibilidade	presentes	no	Anexo	II,	que	versa
sobre	ajudas	técnicas	e	recursos	de	acessibilidade.	Por	fim,	o	art.	3°,	III,
preleciona	que	se	o	hóspede	solicitar,	quando	da	efetuação	da	reserva,	ajudas
técnicas	e	recursos	de	acessibilidade,	estes	devem	ser	disponibilizados.
O	Dec.	n.	9.296/2018,	no	art.	3°,	ainda	concede	prazo	de	4	anos	para	que	os
estabelecimentos	já	existentes,	construídos	até	29	de	junho	de	2004,	atendam	o
percentual	mínimo	de	10٪	(dez	por	cento)	de	dormitórios	acessíveis.
§	2º	Os	dormitórios	mencionados	no	§	1°	deste	artigo	deverão	ser
localizados	em	rotas	acessíveis.
Para	garantir	a	plenitude	do	direito	ao	lazer,	e	para	que	as	pessoas	com
deficiência	tenham	a	oportunidade	de	usufruir	de	todos	os	espaços	comuns	dos
estabelecimentos	de	hospedagem	e	hoteleiros,	além	de	garantir	o	percentual
mínimo	de	unidades	contendo	todas	as	características	de	acessibilidade
determinadas	pela	legislação,	determinou-se	também	que	referidos	dormitórios
estejam	localizados	em	rotas	acessíveis.
O	Dec.	n.	9.296/2018,	no	art.	2°,	parágrafo	único,	reiterou	essa	determinação,
dispondo	que:	“Os	dormitórios	a	que	se	refere	o	inciso	I	do	caput	não	poderão
estar	isolados	dos	demais	e	deverão	estar	distribuídos	por	todos	os	níveis	de
serviços	e	localizados	em	rota	acessível”.	O	inciso	I	do	caput	do	art.	2°,	por	sua
vez,	determina	que	os	estabelecimentos	hoteleiros	deverão	disponibilizar	no
mínimo	5٪	de	seus	dormitórios	com	características	construtivas	e	recursos	de
acessibilidade.
16	SANTOS,	Sônia.	Museus	Inclusivos:	realidade	ou	utopia?	Disponível	em:
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8945.pdf	.	Acesso	em:	jun.	2018.
CAPÍTULO	X
DO	DIREITO	AO	TRANSPORTE	E	À
MOBILIDADE
Art.	46.	O	direito	ao	transporte	e	à	mobilidade	da	pessoa	com	deficiência	ou
com	mobilidade	reduzida	será	assegurado	em	igualdade	de	oportunidades
com	as	demais	pessoas,	por	meio	de	identificação	e	de	eliminação	de	todos
os	obstáculos	e	barreiras	ao	seu	acesso.
A	Lei	brasileira	de	acessibilidade	traz,	neste	capítulo,	alguns	elementos	teóricos
sobre	transporte	e	mobilidade	baseados	na	Convenção	sobre	os	Direitos	das
Pessoas	com	Deficiência	promovida	no	ano	de	2006	pela	ONU	e	ratificada	em
2008	pela	legislação	brasileira	com	equivalência	de	Emenda	Constitucional.
Neste	capítulo	também	são	ressaltados	elementos	práticos	com	normas	que
visam	melhorar	o	dia	a	dia	do	transporte	da	pessoa	com	deficiência	no	país.	O
direito	ao	transporte	está	inserido	como	direito	social	no	art.	6º,	bem	como	o
direito	de	locomoção,	direito	fundamental	positivado	também	na	Constituição
Federal	em	seu	art.	5º,	inciso	XV,	garantia	que	permite	a	todo	cidadão	se
locomover	livremente	pelos	espaços	públicos	e	privados	nacionais	e
internacionais.	Portanto,	o	direito	ao	transporte	é	uma	garantia	fundamental
resguardada	para	todo	e	qualquer	cidadão	brasileiro	em	igualdade	material,	ou
seja,	baseando-se	nos	artigos	da	Constituição	brasileira,	pode-se	dizer	que	o
transporte	no	país	deve	ser	inclusivo	e	acessível,	dando	a	seus	usuários
mobilidade	por	meio	de	um	tratamento	isonômico,	já	que	a	igualdade	material
significa	tratar	os	iguais	igualmente	e	os	desiguais	desigualmente	(NERY
JÚNIOR,	1999,	p.	42).	Isso	implica	na	derrubada	das	barreiras	urbanísticas,
arquitetônicas	e	de	transportes	(termos	definidos	nesta	Lei	no	art.	3º,	II,	a,	b	e	c)
e	obstáculos	que	impossibilitam	a	locomoção	da	pessoa	com	deficiência.	Este
artigo	é	explícito	e	reclama	o	direito	ao	transporte	e	à	mobilidade	em	relação	de
igualdade	com	os	demais	cidadãos,	fazendo	com	que	haja	acessibilidade	urbana
para	a	pessoa	com	deficiência.
§	1º	Para	fins	de	acessibilidade	aos	serviços	de	transporte	coletivo	terrestre,
aquaviário	e	aéreo,	em	todas	as	jurisdições,	consideram-se	como	integrantes
desses	serviços	os	veículos,	os	terminais,	as	estações,	os	pontos	de	parada,	o
sistema	viário	e	a	prestação	do	serviço.
A	acessibilidade	como	conceito	é	a	ideia	de	tirar	as	barreiras	que	impedem	a
plena	e	efetiva	participação	da	pessoa	com	deficiência	na	sociedade	em
igualdade	de	condições,	definida	nesta	Lei	Brasileira	deInclusão	em	seu	art.	3º,
inciso	I.	Sendo	assim,	o	reconhecimento	de	que	existem	barreiras	físicas	e
sensoriais	que	impedem	a	livre	locomoção	da	pessoa	com	deficiência	também
nas	estações,	nas	vias	e	pontos	de	parada	dos	vários	tipos	de	transporte	coletivo
faz	com	que	seja	de	extrema	importância	o	reconhecimento	e	a	positivação	deste
parágrafo.	A	acessibilidade	no	transporte	vai	muito	além	do	deslocamento	da
pessoa	com	deficiência	do	ponto	de	partida	para	o	ponto	de	chegada,	esta
também	inclui	a	informação	sobre	itinerário,	horários,	bem	como	o	atendimento
e	a	capacitação	adequada	dos	servidores.	O	passe	livre	concedido	para	a	pessoa
com	deficiência	comprovadamente	carente	oferece	também	uma	acessibilidade
mais	completa	no	transporte	coletivo	e	está	positivado	na	Lei	n.	8.899/94,
regulamentada	pelo	Decreto	n.	3.691/2000	que	reserva	dois	assentos	de	cada
veículo	destinado	ao	serviço	convencional	para	ocupação	das	pessoas
beneficiadas.
§	2º	São	sujeitas	ao	cumprimento	das	disposições	desta	Lei,	sempre	que
houver	interação	com	a	matéria	nela	regulada,	a	outorga,	a	concessão,	a
permissão,	a	autorização,	a	renovação	ou	a	habilitação	de	linhas	e	de
serviços	de	transporte	coletivo.
Este	parágrafo	traz	alguns	conceitos	do	Direito	Administrativo,	como	a	outorga,
a	concessão,	a	permissão,	a	autorização,	a	renovação	e	a	habilitação,	que
basicamente	são	institutos	administrativos	em	que	o	Estado	repassa	a	execução
de	um	serviço	originalmente	a	ele	incumbido	para	um	particular.	Deste	modo,	o
Estado	presta	serviço	de	forma	indireta,	podendo	assim	dizer	que	é	um	meio	de
descentralização	do	serviço	público.	A	concessão,	de	maneira	mais	específica,	é
um	contrato	administrativo	definido	pela	Lei	n.	8.987/95,	art.	2º,	inciso	II,	como
delegação	da	prestação	do	Estado,	mediante	licitação,	na	modalidade	de
concorrência	à	pessoa	jurídica	ou	consórcio	de	empresas	com	capacidade	para	o
desempenho	por	sua	conta	e	risco	e	por	prazo	determinado.	A	permissão,
definida	pela	mesma	Lei,	no	art.	2º,	inciso	IV,	é	um	ato	administrativo
discricionário	e	precário	em	que	é	concedido	ao	particular	algum	procedimento
em	que	exista	interesse	predominante	da	coletividade.	Diferentemente,	a
autorização	permite	que	o	particular	utilize	o	bem	público	ou	exerça	uma
atividade	para	seu	próprio	interesse,	desde	que	não	haja	prejuízos	ao	interesse	da
população.	A	habilitação	é	uma	fase	da	licitação	destinada	à	verificação	da
documentação	e	dos	requisitos	pessoais	dos	licitantes,	prevista	na	Lei	n.
8.666/93,	arts.	27	a	33.	Por	fim,	a	renovação	promove	uma	nova	relação
contratual,	uma	renovação	do	contrato	administrativo,	ou	seja,	é	uma	relação
jurídica	inédita	que	deve	respeitar	as	disposições	dessa	Lei,	podendo	também	ser
sinônimo	da	prorrogação	prevista	no	caput	do	art.	57	da	Lei	n.	8.666/93
(ALEXANDRINO;	PAULO,	2012,	p.	561).	Em	detrimento	deste	dispositivo,
todos	esses	institutos	estão	sujeitos	ao	cumprimento	do	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência	quando	se	tratar	do	repasse	de	um	serviço	público	a	um	particular
relacionado	ao	transporte	coletivo.
§	3º	Para	colocação	do	símbolo	internacional	de	acesso	nos	veículos,	as
empresas	de	transporte	coletivo	de	passageiros	dependem	da	certificação	de
acessibilidade	emitida	pelo	gestor	público	responsável	pela	prestação	do
serviço.
A	Lei	n.	7.405/85	trata	sobre	o	símbolo	internacional	de	acesso,	e	torna
obrigatória	a	sua	colocação	de	forma	visível	em	todos	os	locais	e	serviços
comprovadamente	adequados	que	permitam	acesso	da	pessoa	com	deficiência.	A
certificação	de	acessibilidade	é	o	documento	emitido	pelo	gestor	público	que
comprova	a	adaptação	das	edificações,	bem	como	o	correspondente	atendimento
aos	parâmetros	de	acessibilidade	determinados	pela	legislação	vigente	acima
mencionada.	Do	mesmo	modo,	os	incisos	XVIII	e	XIX,	do	art.	4º	da	Lei	n.
7.405/85,	regulam	o	emprego	do	símbolo	internacional	de	acesso	em	todos	os
veículos	de	transporte	coletivo	que	possibilitem	acessibilidade,	que	ofereçam
vagas	adequadas	e,	ainda,	veículos	que	sejam	conduzidos	pela	própria	pessoa
com	deficiência.
Art.	47.	Em	todas	as	áreas	de	estacionamento	aberto	ao	público,	de	uso
público	ou	privado	de	uso	coletivo	e	em	vias	públicas,	devem	ser	reservadas
vagas	próximas	aos	acessos	de	circulação	de	pedestres,	devidamente
sinalizadas,	para	veículos	que	transportem	pessoa	com	deficiência	com
comprometimento	de	mobilidade,	desde	que	devidamente	identificados.
O	conceito	de	mobilidade	por	vezes	é	confundido	com	o	de	acessibilidade,	que
está	definido	nesta	Lei	Brasileira	de	Inclusão	no	art.	3º,	inciso	I.	Todavia,	são
conceitos	que	guardam	diferenças	entre	si.	A	mobilidade	é	definida	pelo
Ministério	das	Cidades	como	um	atributo	relacionado	aos	deslocamentos
realizados	pelas	pessoas	nas	suas	atividades	diárias,	como	estudo,	trabalho,	lazer,
estando	intimamente	relacionado	com	a	facilidade	de	deslocamento	do	cidadão.
Por	este	motivo	esse	artigo	é	tão	importante,	pois,	para	as	pessoas	com
deficiência,	a	mobilidade	urbana	é	essencial,	é	um	exercício	dos	seus	direitos
que	promove	a	inclusão	social	e	o	exercício	do	princípio	da	dignidade	humana.
A	falta	de	mobilidade	não	afeta	somente	a	locomoção,	também	impede	a
efetivação	de	outros	direitos.	Com	isso,	este	artigo	torna	obrigatória	a	reserva	de
vagas	para	veículos	que	transportem	a	pessoa	com	deficiência	em
estabelecimentos	públicos	ou	privados	de	uso	coletivo,	como	ruas,	avenidas,
shoppings,	supermercados,	entre	outros.
§	1º	As	vagas	a	que	se	refere	o	caput	deste	artigo	devem	equivaler	a	2%
(dois	por	cento)	do	total,	garantida,	no	mínimo,	1	(uma)	vaga	devidamente
sinalizada	e	com	as	especificações	de	desenho	e	traçado	de	acordo	com	as
normas	técnicas	vigentes	de	acessibilidade.
A	Resolução	304/2008	do	Conselho	Nacional	de	Trânsito	resolveu	uniformizar	a
sinalização	e	a	fiscalização	das	vagas	de	estacionamento	para	veículos	utilizados
por	pessoas	com	deficiência	e	com	dificuldade	de	locomoção,	o	que	facilita	o
acesso	à	informação	e	promove	a	correta	fiscalização.	No	entanto,	deve	ficar
claro	que	a	porcentagem	indicada	neste	parágrafo	de	2%	(dois	por	cento)	do
total,	para	estacionamentos	com	100	(cem)	vagas,	por	exemplo,	correspondente
a	2	(duas)	vagas	disponíveis,	os	demais	estacionamentos	com	menor	número	de
vagas	ficam	obrigados	a	ter	pelo	menos	1	(uma)	vaga	destinada	à	pessoa	com
deficiência.
§	2º	Os	veículos	estacionados	nas	vagas	reservadas	devem	exibir,	em	local	de
ampla	visibilidade,	a	credencial	de	beneficiário,	a	ser	confeccionada	e
fornecida	pelos	órgãos	de	trânsito,	que	disciplinarão	suas	características	e
condições	de	uso.
Um	fato	recorrente	no	país	é	a	falta	de	respeito	às	vagas	reservadas	às	pessoas
com	deficiência	e	pessoas	com	mobilidade	reduzida,	como	idosos,	gestantes,
lactantes,	pessoas	com	criança	de	colo	e	obesos.	Para	a	efetivação	desse	direito	é
de	extrema	importância	a	identificação,	que	segundo	a	Resolução	304/2008	do
Conselho	Nacional	de	Trânsito,	deve	ser	realizada	pela	credencial	posicionada
em	uma	área	visível	no	automóvel,	fornecida	pelos	órgãos	de	trânsito	do
município	de	domicílio	e	válida	em	todo	o	território	nacional.
§	3º	A	utilização	indevida	das	vagas	de	que	trata	este	artigo	sujeita	os
infratores	às	sanções	previstas	no	inciso	XVII	do	art.	181	da	Lei	n.	9.503,	de
23	de	setembro	de	1997	(Código	de	Trânsito	Brasileiro).	(Revogado)
Este	parágrafo	foi	revogado,	pois	referenciava	ao	inciso	XVII	do	art.	181	do
Código	de	Trânsito	Brasileiro,	o	qual	menciona	a	infração	do	condutor	ao
estacionar	veículo	em	desacordo	com	as	condições	regulamentadas
especificamente	pela	sinalização,	mas	que	não	faz	menção	à	vaga	da	pessoa	com
deficiência.
§	3º	A	utilização	indevida	das	vagas	de	que	trata	este	artigo	sujeita	os
infratores	às	sanções	previstas	no	inciso	XX	do	art.	181	da	Lei	n.	9.503,	de
23	de	setembro	de	1997	(Código	de	Trânsito	Brasileiro).	(Redação	dada	pela
Lei	n.	13.281	de	2016)
Com	a	correção	dada	pela	Lei	n.	13.281/2016,	a	redação	anterior	foi	revogada	e
foi	mencionado	o	inciso	XX	do	art.	181	do	Código	de	Trânsito	Brasileiro	(Lei	n.9.503/1997),	como	infração	ao	condutor	que	estacionar	seu	veículo	nas	vagas
reservadas	às	pessoas	com	deficiência	ou	idosos,	sem	credencial	que	comprove
tal	condição,	configurando	infração	gravíssima,	com	penalidade	de	multa	e	a
remoção	do	veículo	como	medida	administrativa.
§	4º	A	credencial	a	que	se	refere	o	§	2º	deste	artigo	é	vinculada	à	pessoa	com
deficiência	que	possui	comprometimento	de	mobilidade	e	é	válida	em	todo	o
território	nacional.
A	credencial	de	beneficiário,	embora	tenha	que	ser	solicitada	à	entidade	ou	ao
órgão	competente	de	trânsito	localizado	no	domicílio	da	pessoa	interessada,
também	tem	referência	no	art.	2º	da	Resolução	304/2008	do	Conselho	Nacional
de	Trânsito	(CONTRAN)	que	reitera	a	validade	em	todo	o	território	nacional.
Art.	48.	Os	veículos	de	transporte	coletivo	terrestre,	aquaviário	e	aéreo,	as
instalações,	as	estações,	os	portos	e	os	terminais	em	operação	no	País	devem
ser	acessíveis,	de	forma	a	garantir	o	seu	uso	por	todas	as	pessoas.
O	art.	20	da	Convenção	da	Pessoa	com	Deficiência	da	ONU	enfatiza	que	a
mobilidade	traz	independência	à	pessoa	com	deficiência,	bem	como	seu	art.	9º
aborda	sobre	a	importância	do	transporte	em	igualdade	de	oportunidade	com	as
demais	pessoas,	ou	seja,	o	direito	ao	transporte	e	à	mobilidade	da	pessoa	com
deficiência	deve	ser	exercido	de	forma	possível	a	todos	indistintamente,	e	deve
ser	pensado	de	forma	a	possibilitar	o	deslocamento	de	todas	as	pessoas
igualmente.	Com	isso,	não	adianta	um	transporte	inclusivo,	com	adaptações	para
a	pessoa	com	deficiência	visual,	motora,	auditiva,	se	suas	estações,	pontos	e
principalmente	os	prestadores	de	serviço	não	estiverem	aptos	a	realizar
atendimentos	e	a	oferecer	a	ajuda	necessária	para	a	concretização	dessa
acessibilidade.	Por	isso	acreditamos	na	importância	do	esclarecimento	deste
artigo,	que	retrata	uma	importante	atenção	no	atendimento	completo	de	todo	tipo
transporte	coletivo.	Neste	artigo	não	se	fala	explicitamente	da	capacitação	dos
profissionais,	mas	entendemos	que	esta	é	extremamente	necessária,	porque	não
adianta	o	veículo	oferecer	a	acessibilidade	do	transporte	sem	um	condutor
capacitado	para	realizá-lo.
§	1º	Os	veículos	e	as	estruturas	de	que	trata	o	caput	deste	artigo	devem
dispor	de	sistema	de	comunicação	acessível	que	disponibilize	informações
sobre	todos	os	pontos	do	itinerário.
A	quebra	de	barreiras	para	a	inclusão	da	pessoa	com	deficiência	no	transporte
coletivo	vai	muito	além	de	veículos	acessíveis	e	adaptados.	Toda	e	qualquer
informação	disponibilizada	ao	passageiro	deve	também	ser	disponibilizada	à
pessoa	com	deficiência,	de	maneira	clara	e	inclusiva.	Para	que	ocorra	uma
efetiva	mobilidade	deve-se,	portanto,	permitir	o	acesso	às	informações	sobre	o
itinerário,	horário	e	demais	alterações	no	transporte	coletivo	para	todos	de	forma
acessível.
§	2º	São	asseguradas	à	pessoa	com	deficiência	prioridade	e	segurança	nos
procedimentos	de	embarque	e	de	desembarque	nos	veículos	de	transporte
coletivo,	de	acordo	com	as	normas	técnicas.
A	vulnerabilidade	da	pessoa	com	deficiência	em	um	ambiente	lotado,	de	acesso
rápido	e	com	uma	grande	quantidade	de	pessoas,	faz	com	que	essa	norma	seja	de
extrema	importância	para	a	sua	segurança.	A	prioridade	deve	ser	respeitada	e
deve	ser	efetivamente	célere	para	a	efetivação	da	sua	concreta	mobilidade.	Este
Estatuto	em	seu	art.	9º,	inciso	IV,	ratifica	o	direito	de	atendimento	prioritário	da
pessoa	com	deficiência	na	disponibilização	de	pontos	de	parada,	estações	e
terminais	acessíveis	de	transporte	coletivo,	bem	como	na	garantia	de	segurança
no	seu	embarque	e	desembarque.
§	3º	Para	colocação	do	símbolo	internacional	de	acesso	nos	veículos,	as
empresas	de	transporte	coletivo	de	passageiros	dependem	da	certificação	de
acessibilidade	emitida	pelo	gestor	público	responsável	pela	prestação	do
serviço.
Este	artigo,	por	um	descuido	do	legislador,	repete	exatamente	o	já	mencionado	e
comentado	§	3º	do	art.	46,	desta	Lei	Brasileira	de	Inclusão,	sobre	a	colocação	do
símbolo	internacional	de	acesso	nos	veículos.
Art.	49.	As	empresas	de	transporte	de	fretamento	e	de	turismo,	na
renovação	de	suas	frotas,	são	obrigadas	ao	cumprimento	do	disposto	nos
arts.	46	e	48	desta	Lei.
Os	arts.	46	e	48	desta	Lei	Brasileira	de	Inclusão	ressaltam	o	direito	ao	transporte
e	à	mobilidade	da	pessoa	com	deficiência	em	igualdade	de	oportunidade	com
abrangência	a	todo	tipo	de	transporte	coletivo	terrestre,	aquaviário,	aéreo	e	suas
estações,	portos,	terminais	e	instalações,	com	comunicação	acessível	às
informações	e	itinerários,	prioridade	e	segurança	no	embarque	e	desembarque.
Essas	normas,	assim	como	o	credenciamento	devido	para	a	colocação	do
símbolo	internacional	de	acesso	nos	veículos,	devem	também	ser	aplicadas	às
empresas	de	transporte	de	fretamento	e	turismo	na	renovação	de	suas	frotas.
Art.	50.	O	Poder	Público	incentivará	a	fabricação	de	veículos	acessíveis	e	a
sua	utilização	como	táxis	e	vans,	de	forma	a	garantir	o	seu	uso	por	todas	as
pessoas.
A	Constituição	Federal,	em	seu	art.	227,	§	2°,	ressalta	que	a	Lei	disporá	sobre
normas	de	construção	dos	logradouros	e	dos	edifícios	de	uso	público	e	de
fabricação	de	veículos	de	transporte	coletivo,	a	fim	de	garantir	acesso	adequado
às	pessoas	portadoras	de	deficiência.	Destarte,	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão
fundamenta	esse	incentivo	na	fabricação	de	veículos	acessíveis,	na	Constituição,
reiterando	a	importância	do	fomento	para	garantir	maior	acessibilidade	e
mobilidade	à	pessoa	com	deficiência	no	transporte.
Art.	51.	As	frotas	de	empresas	de	táxi	devem	reservar	10%	(dez	por	cento)
de	seus	veículos	acessíveis	à	pessoa	com	deficiência.
A	Lei	n.	12.587/2012,	que	institui	diretrizes	da	Política	Nacional	de	Mobilidade
Urbana,	em	seu	art.	12-B,	acrescido	pela	Lei	n.	13.146/2015	em	seu	art.	119,	traz
um	complemento	para	este	dispositivo,	pois	reserva	10%	(dez	por	cento)	das
vagas	na	outorga	de	exploração	de	serviço	de	táxi	para	condutores	com
deficiência.	Sendo	assim,	nas	frotas	de	empresas	de	táxis,	10%	(dez	por	cento)
dos	veículos	devem	ser	acessíveis	à	pessoa	com	deficiência,	bem	como	10%
(dez	por	cento)	das	vagas	para	os	condutores	devem	ser	reservadas	àqueles	com
deficiência,	desde	que	o	veículo	conduzido	seja	de	sua	propriedade	e	adaptado	às
suas	necessidades.
§	1º	É	proibida	a	cobrança	diferenciada	de	tarifas	ou	de	valores	adicionais
pelo	serviço	de	táxi	prestado	à	pessoa	com	deficiência.
A	cobrança	diferenciada	à	pessoa	com	deficiência	é	antagônica	aos	seus	direitos
por	diversas	vezes	mencionados	nesta	Lei	Brasileira	de	Inclusão	sobre
acessibilidade	e	mobilidade	no	transporte.	Ainda	que	se	exija	maior	tempo	de
parada	para	deslocamento	e	auxílio	na	retirada	do	passageiro	do	veículo,	é
vedado	cobrar	a	mais	por	esse	serviço.	No	Código	de	Defesa	do	Consumidor,
Lei	n.	8.079/90,	art.	39,	inciso	V,	essa	cobrança	pode	ser	definida	como	prática
abusiva,	ao	exigir	vantagem	manifestamente	excessiva.
§	2º	O	Poder	Público	é	autorizado	a	instituir	incentivos	fiscais	com	vistas	a
possibilitar	a	acessibilidade	dos	veículos	a	que	se	refere	o	caput	deste	artigo.
Para	a	facilitação	do	acesso	e	mobilidade	no	transporte	da	pessoa	com
deficiência,	e	muitas	vezes	possibilitar	a	sua	independência,	o	Poder	Público
isenta	de	alguns	impostos	os	veículos	com	acessibilidade	nas	frotas	de	empresas
de	táxis	que	respeitem	a	reserva	de	10%	(dez	por	cento)	de	seus	veículos
disponíveis	à	pessoa	com	deficiência.	No	entanto,	vale	comentar	que	o	Estado
também	isenta	o	Imposto	sobre	Produtos	Industrializados	(IPI),	que	de	acordo
com	o	art.	1º,	inciso	IV,	da	Lei	n.	8.989/95,	é	desobrigado	dos	automóveis	de
passageiros	de	fabricação	nacional,	equipados	com	motor	de	cilindrada	não
superior	a	2.000	cm³,	de	no	mínimo	quatro	portas	inclusive	a	de	acesso	ao
bagageiro,	movidos	a	combustíveis	de	origem	renovável	ou	sistema	reversível	de
combustão,	quando	adquiridos	por	pessoas	com	deficiência	física,	visual,	mental
severa	ou	profunda,	ou	autistas,	diretamente	ou	por	intermédio	de	seu
representante	legal.	Já	a	Lei	n.	8.383/91,	em	seu	art.	72,	inciso	IV	isentado
Imposto	sobre	Operações	Financeiras	(IOF),	as	operações	de	financiamento	para
a	aquisição	de	automóveis	de	passageiros	de	fabricação	nacional	de	até	127	HP
de	potência	bruta	(SAE),	quando	adquiridos	por	pessoas	com	deficiência	física
atestada	pelo	Departamento	de	Trânsito	do	Estado.	Ainda,	na	Legislação
infraconstitucional	estadual,	de	São	Paulo,	Lei	n.	13.296/2008,	art.	13,	inciso	III,
isenta	a	pessoa	com	deficiência	do	pagamento	de	IPVA,	de	seu	único	veículo
adequado	para	ser	conduzido	por	pessoa	com	deficiência	física.
Art.	52.	As	locadoras	de	veículos	são	obrigadas	a	oferecer	1	(um)	veículo
adaptado	para	uso	de	pessoa	com	deficiência,	a	cada	conjunto	de	20	(vinte)
veículos	de	sua	frota.
Para	cada	locadora	deve-se	oferecer	1	(um)	veículo	adaptado	para	cada	20
(vinte)	veículos	tradicionais.	Muitas	locadoras	de	veículos	possuem	filiais	em
várias	cidades,	mas	mesmo	não	constando	explicitamente	neste	artigo,
entendemos	que	essa	proporção	equivale	para	cada	unidade	da	locadora,	senão,
não	haverá	acessibilidade	para	pessoa	com	deficiência.
Parágrafo	único.	O	veículo	adaptado	deverá	ter,	no	mínimo,	câmbio
automático,	direção	hidráulica,	vidros	elétricos	e	comandos	manuais	de
freio	e	de	embreagem.
Este	dispositivo	elenca	a	adequação	mínima	que	um	veículo	deva	ter	para	ser
considerado	adaptado.	O	câmbio	automático	facilita	as	passagens	das	marchas,	a
direção	hidráulica	e	os	vidros	elétricos	auxiliam	também	o	manuseio	do	veículo,
e	os	comandos	manuais	de	freio	e	embreagem	facilitam	para	as	pessoas	que	não
possuem	ou	possuem	reduzida	movimentação	nos	membros	inferiores.	Todavia,
a	adaptação	de	forma	genérica	não	consegue	abranger	a	todos,	uma	vez	que
esses	veículos	incluem,	em	sua	maioria,	pessoa	com	deficiência	ou	pouca
mobilidade	nas	pernas.
DA	ACESSIBILIDADE
CAPÍTULO	I
DISPOSIÇÕES	GERAIS
Art.	53.	A	acessibilidade	é	direito	que	garante	à	pessoa	com	deficiência	ou
com	mobilidade	reduzida	viver	de	forma	independente	e	exercer	seus
direitos	de	cidadania	e	de	participação	social.
A	acessibilidade	é	um	princípio	geral	que	consta	na	alínea	f,	do	art.	3º	da
Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência.	Esta
Convenção,	adotada	pela	Assembleia	Geral	da	ONU	em	2006,	foi	ratificada,	no
Brasil,	por	meio	do	Decreto	Legislativo	nº	186/2008	e	promulgada	pelo	Decreto
n.	6.949/2009.	Segundo	a	Resolução	nº	230/2016,	do	Conselho	Nacional	de
Justiça,	a	Convenção	Internacional	reconheceu	a	acessibilidade	“como	princípio
e	como	direito,	sendo	também	considerada	garantia	para	o	pleno	e	efetivo
exercício	de	demais	direitos”.
Trata-se	de	um	direito	fundamental	direcionado	à	pessoa	com	deficiência	ou	à
pessoa	com	mobilidade	reduzida	temporária	ou	permanente.	Cabe	mencionar
que	o	citado	Decreto	n.	6.940/2009	foi	aprovado	com	o	quórum	qualificado	do	§
3º,	art.	5º,	da	Constituição	Federal,	possuindo,	portanto,	status	de	emenda
constitucional.
O	art.	53	apresenta	uma	definição	de	acessibilidade	conectada	com	outra
definição,	mais	detalhada	e	de	ampla	atuação,	que	consta	no	inciso	I,	art.	2º,	da
Lei	n.	10.098/2000,	com	as	alterações	advindas	do	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência	(art.	3º,	inciso	I):	“acessibilidade:	possibilidade	e	condição	de
alcance	para	utilização,	com	segurança	e	autonomia,	de	espaços,	mobiliários,
equipamentos	urbanos,	edificações,	transportes,	informação	e	comunicação,
inclusive	seus	sistemas	e	tecnologias,	bem	como	de	outros	serviços	e	instalações
abertos	ao	público,	de	uso	público	ou	privados	de	uso	coletivo,	tanto	na	zona
urbana	como	na	rural,	por	pessoa	com	deficiência	ou	com	mobilidade	reduzida”.
Esta	mesma	definição	é	seguida	na	Resolução	nº	230/2016,	do	Conselho
Nacional	de	Justiça,	a	qual	disciplina	a	adequação	das	atividades	dos	órgãos	do
Poder	Judiciário	à	Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência.
Destaca-se,	assim	como	faz	o	art.	53,	que	o	direito	de	acessibilidade	busca
garantir	a	independência	da	pessoa	e	o	seu	pleno	exercício	da	cidadania,	bem
como	todas	as	formas	de	participação	social.	A	pessoa	com	deficiência	tem	o
direito	fundamental	de	não	encontrar	limites	ou	barreiras	para	o	pleno	exercício
dos	seus	direitos,	tendo	respeitada	a	sua	diversidade.
Art.	54.	São	sujeitas	ao	cumprimento	das	disposições	desta	Lei	e	de	outras
normas	relativas	à	acessibilidade,	sempre	que	houver	interação	com	a
matéria	nela	regulada:
O	direito	à	acessibilidade	é	regulado	por	diversas	normas	de	diferentes
hierarquias.	Além	do	Decreto	n.	6.949/2009,	de	índole	constitucional,	importa
destacar	a	Lei	n.	10.098/2000,	a	qual	disciplina	as	normas	gerais	e	os	critérios
básicos	para	a	promoção	da	acessibilidade.	Esta	lei	sofreu	relevantes	alterações
com	o	advento	da	Lei	n.	13.146/2015	(Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência)	no
sentido	de	ampliação	da	tutela	à	acessibilidade.	O	Decreto-lei	n.º	5.296/2004,
denominado	Lei	de	Acessibilidade,	trouxe	a	regulamentação	da	Lei	n.
10.098/2000.
Outras	normas	relevantes	para	a	efetivação	da	disposição	legal	são	as	Normas	da
Associação	Brasileira	de	Normas	Técnicas	(ABNT).	Trata-se	do	Foro	Nacional
de	Normatização.	Em	2016,	foram	editadas	duas	normas	sobre	acessibilidade:
NB	16.537,	sobre	a	sinalização	tátil	no	piso,	e	a	NB	15.646,	sobre	a	plataforma
elevatória	veicular	e	a	rampa	de	acesso	veicular.	Todavia,	existem	várias	outras
normas	ABNT	sobre	acessibilidade,	conforme	os	diferentes	setores	de	atuação.
A	NBR	14.022	trata	da	acessibilidade	em	veículos	de	características	urbanas
para	o	transporte	coletivo	de	passageiros,	buscando	promover	acessibilidade	com
segurança	para	o	maior	número	possível	de	pessoas.	Neste	setor,	aplicam-se
ainda	as	Resoluções	do	CONTRAN.
I	–	a	aprovação	de	projeto	arquitetônico	e	urbanístico	ou	de	comunicação	e
informação,	a	fabricação	de	veículos	de	transporte	coletivo,	a	prestação	do
respectivo	serviço	e	a	execução	de	qualquer	tipo	de	obra,	quando	tenham
destinação	pública	ou	coletiva;
As	hipóteses	previstas	nos	incisos	I	a	IV	são	instrumentos	importantes
disponíveis	ao	Estado	para	fazer	uma	avaliação	prévia	do	cumprimento	das
diretivas	normativas.	O	Estado,	por	outro	lado,	tem	o	dever	de	cumprir	estas
determinações,	sob	pena	de	ser	responsabilizado	pela	conduta	omissa.	A	atuação
do	Ministério	Público	é	fundamental	nesta	seara.	É	certo	que	esta	norma	deve	ser
imposta	aos	particulares	e	à	administração	pública.
II	–	a	outorga	ou	a	renovação	de	concessão,	permissão,	autorização	ou
habilitação	de	qualquer	natureza;
A	Lei	n.	8.987/95,	art.	2°,	incisos	II	e	IV	conceitua	a	concessão	e	a	permissão,	ao
dispor	que	“para	os	fins	do	disposto	nesta	Lei,	considera-se:	II	–	concessão	de
serviço	público:	a	delegação	de	sua	prestação,	feita	pelo	poder	concedente,
mediante	licitação,	na	modalidade	de	concorrência	à	pessoa	jurídica	ou
consórcio	de	empresas	que	demonstre	capacidade	para	seu	desempenho,	por	sua
conta	e	risco	e	por	prazo	determinado	[	...	]	IV	–	permissão	de	serviço	público:	a
delegação,	a	título	precário,	mediante	licitação,	da	prestação	de	serviços
públicos,	feita	pelo	poder	concedente	à	pessoa	física	ou	jurídica	que	demonstre
capacidade	para	seu	desempenho,	por	sua	conta	e	risco”.
III	–	a	aprovação	de	financiamento	de	projeto	com	utilização	de	recursos
públicos,	por	meio	de	renúncia	ou	de	incentivo	fiscal,	contrato,	convênio	ou
instrumento	congênere;	e
Pelo	fundamento	constitucional	do	art.	175:	“Incumbe	ao	Poder	Público,	na
forma	da	lei,	diretamente	ou	sob	regime	de	concessão	ou	permissão,	sempre
através	de	licitação,	a	prestação	de	serviços	públicos”.
O	respeito	a	todas	as	normativas	existentes	sobre	a	acessibilidade	é	requisito
essencial	para	a	aprovação	de	projetos,	fabricação	de	veículos	de	transporte
coletivo,	realização	de	obras,	financiamentos,	outorgas	ou	renovações,	sempre
que	envolvam	recursos	públicos	e	tenham	destinação	pública	ou	coletiva,
observados	os	termos	dos	incisos	em	análise.
IV	–	a	concessão	de	aval	da	União	para	obtenção	de	empréstimo	e	de
financiamento	internacionais	por	entes	públicos	ou	privados.
No	intuito	da	obtenção	de	empréstimo	internacionalé	necessária	a	prévia
aprovação	do	Ministério	da	Fazenda	e,	posteriormente,	do	Senado	da	República.
O	Senado	editou	a	Resolução	43/2001,	que	dispõe	sobre	operações	de	crédito
interno	e	externo	dos	Estados,	do	Distrito	Federal	e	dos	Municípios,	listando
requisitos	a	serem	observados	para	a	obtenção	do	aval	daquela	casa.	Isso	quando
se	tratar	de	ente	público.	Assim,	o	dispositivo	em	análise	tem	aplicação	somente
quando	envolvido	ente	público,	não	incidindo,	portanto,	quando	privada	a
negociação.	Deste	exige-se	apenas	comunicação	ao	Banco	Central,	nos	termos
da	Resolução	nº	3.844/2010.
Art.	55.	A	concepção	e	a	implantação	de	projetos	que	tratem	do	meio	físico,
de	transporte,	de	informação	e	comunicação,	inclusive	de	sistemas	e
tecnologias	da	informação	e	comunicação,	e	de	outros	serviços,
equipamentos	e	instalações	abertos	ao	público,	de	uso	público	ou	privado	de
uso	coletivo,	tanto	na	zona	urbana	como	na	rural,	devem	atender	aos
princípios	do	desenho	universal,	tendo	como	referência	as	normas	de
acessibilidade.
O	presente	artigo	segue	o	conceito	mais	amplo	de	acessibilidade	que	consta	no
inciso	I,	art.	2º,	do	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	incluindo	informações	e
tecnologia,	bem	como	qualquer	serviço	ou	instalação	abertos	ao	público,	de	uso
público	ou	privado	de	uso	coletivo,	seja	em	área	urbana	ou	rural.	Ou	seja,
qualquer	construção,	meio	de	transporte	de	uso	coletivo,	serviços,	informação,
comunicação	ou	tecnologia,	em	qualquer	parte	do	país,	deve	atender	os
princípios	do	desenho	universal.	E	as	referências	para	se	alcançar	este	objetivo
são	exatamente	as	normas	referentes	ao	direito	à	acessibilidade.
O	conceito	de	desenho	universal	está	presente	na	legislação	(inciso	X,	art.	2º,	Lei
n.	10.098/2000;	inc.	II,	art.	3º,	Lei	n.	13.146/2015)	e	nas	normas	técnicas	(ABNT
NBR	9050:2015,	item	3.1.16),	nos	seguintes	termos:	“desenho	universal:
concepção	de	produtos,	ambientes,	programas	e	serviços	a	serem	usados	por
todas	as	pessoas,	sem	necessidade	de	adaptação	ou	de	projeto	específico,
incluindo	os	recursos	de	tecnologia	assistiva”.	O	objetivo	é	que	todas	as	obras	de
arquitetura	e	design	tenham	como	pressuposto	o	ser	humano	e	a	diversidade
humana	(Anexo	A,	ABNT	NBR	9050:2015),	proporcionando	pleno	acesso	a
construções,	produtos,	tecnologia	e	serviços	a	todas	as	pessoas,
independentemente	da	altura,	idade,	condição	de	mobilidade	ou	outra
diversidade.
Os	sete	princípios	sobre	o	desenho	universal	constam	no	Anexo	A	da	norma
técnica	ABNT	NBR	9050:2015:	1)	uso	equitativo	(o	fato	de	qualquer	pessoa
poder	ter	livre	acesso	a	local,	produto	ou	serviço,	independentemente	da	sua
diversidade.	Acesso	universal	com	segurança	e	conforto);	2)	uso	flexível	(o
produto	ou	ambiente	deve	possibilitar	o	uso	pelo	maior	número	possível	de
pessoas	com	distintos	graus	de	preferência	e	habilidade.	Permitir	adaptações	a
diferentes	necessidades	de	qualquer	pessoa);	3)	uso	simples	e	intuitivo	(uso	de
fácil	compreensão);	4)	informação	de	fácil	percepção	(as	informações	devem	ser
apresentadas	de	distintas	maneiras	e	de	forma	ampliada,	permitindo	a	facilidade
de	visualização	por	todas	as	pessoas);	5)	tolerância	ao	erro	(prever	e	indicar
claramente	possibilidade	de	qualquer	risco	ao	utilizar	o	ambiente	ou	produto);	6)
baixo	esforço	físico	(possibilitar	o	mínimo	de	fadiga	muscular	do	usuário);	7)
dimensão	e	espaço	para	aproximação	e	uso	(independentemente	da	altura,
postura	ou	mobilidade	do	usuário,	a	aproximação	e	o	uso	do	ambiente	ou
produto	devem	ser	de	fácil	acesso).
§	1º	O	desenho	universal	será	sempre	tomado	como	regra	de	caráter	geral.
A	regra	de	caráter	geral	deve	ser	o	uso	seguro	e	confortável	pelo	maior	número
de	usuários	possível,	ou	seja,	o	acesso	universal	valorizando	o	ser	humano	e	a
sua	rica	diversidade.	O	desenho	universal	para	a	ser,	assim,	imprescindível
instrumento	para	a	efetivação	do	direito	à	acessibilidade,	devendo	ser	a	primeira
referência	para	todos	os	projetos	de	arquitetura	e	design	cujos	resultados	sejam
dirigidos	ao	uso	público	ou	privado	de	caráter	coletivo.
§	2º	Nas	hipóteses	em	que	comprovadamente	o	desenho	universal	não	possa
ser	empreendido,	deve	ser	adotada	adaptação	razoável.
O	§	2º	confirma	o	fato	de	o	desenho	universal	ser	a	regra	de	caráter	geral,	pois	a
decisão	pelo	emprego	da	adaptação	razoável	apenas	pode	ocorrer	mediante
prova	de	não	ser	possível	empregar	o	desenho	universal	em	determinado	projeto.
É	fundamental	destacar	que	a	razoável	adaptação	do	ambiente,	produto,
programa	ou	serviço	não	é	a	meta	da	legislação	e	sim	o	propósito	do	modelo
universal	que	ofereça	conforto	e	segurança	a	todas	as	pessoas
independentemente	das	suas	características	pessoais.
As	adaptações	razoáveis	estão	definidas	no	inciso	VI,	art.	3º,	do	Estatuto	da
Pessoa	com	Deficiência,	nos	seguintes	termos:	“adaptações,	modificações	e
ajustes	necessários	e	adequados	que	não	acarretem	ônus	desproporcional	e
indevido,	quando	requeridos	em	cada	caso,	a	fim	de	assegurar	que	a	pessoa	com
deficiência	possa	gozar	ou	exercer,	em	igualdade	de	condições	e	oportunidades
com	as	demais	pessoas,	todos	os	direitos	e	liberdades	fundamentais”.
O	inciso	V,	art.	2º,	da	Resolução	nº	230/2016	do	Conselho	Nacional	de	Justiça,
seguindo	a	redação	do	art.	2º,	do	Decreto	n.	6.949/2009,	o	qual	promulga	a
Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,	define
o	“desenho	universal”	da	seguinte	forma:	“significa	a	concepção	de	produtos,
ambientes,	programas	e	serviços	a	serem	usados,	na	maior	medida	possível,	por
todas	as	pessoas,	sem	necessidade	de	adaptação	ou	projeto	específico	(...)”.
Observa-se	que	a	expressão	“na	maior	medida	possível”	não	consta	na	definição
do	inciso	II,	art.	3º	da	Lei	Brasileira	de	Inclusão.	Todavia,	esta	expressão	seria	a
própria	aplicação	do	§	2º	em	análise,	ou	seja,	não	havendo	possibilidade
comprovada	de	aplicação	do	desenho	universal,	deve-se	adotar	a	adaptação
razoável.
§	3º	Caberá	ao	Poder	Público	promover	a	inclusão	de	conteúdos	temáticos
referentes	ao	desenho	universal	nas	diretrizes	curriculares	da	educação
profissional	e	tecnológica	e	do	ensino	superior	e	na	formação	das	carreiras
de	Estado.
Uma	das	intervenções	de	maior	impacto	para	a	implementação	do	direito	à
acessibilidade	é	a	educação.	As	diretrizes	curriculares,	nas	diferentes	áreas	de
educação,	devem	incluir	como	conteúdo	temas	referentes	ao	desenho	universal,
já	que	esta	é	a	regra	de	caráter	geral	de	qualquer	projeto.	Trata-se	de	uma	medida
extremamente	relevante,	pois	tem	impacto	na	formação	dos	novos	profissionais
e	pesquisadores,	representando	uma	verdadeira	mudança	de	paradigma.
§	4º	Os	programas,	os	projetos	e	as	linhas	de	pesquisa	a	serem	desenvolvidos
com	o	apoio	de	organismos	públicos	de	auxílio	à	pesquisa	e	de	agências	de
fomento	deverão	incluir	temas	voltados	para	o	desenho	universal.
No	mesmo	sentido,	como	educação	e	pesquisa	caminham	em	conjunto,	é
essencial	que,	havendo	apoio	público,	sejam	fomentadas	pesquisas	envolvendo	o
desenho	universal.	É	necessário,	portanto,	que	universidades	e	centros	de
pesquisa,	bem	como	os	organismos	públicos	de	auxílio	à	pesquisa,	estimulem	a
criação	de	programas,	projetos	e	linhas	de	pesquisa	sobre	o	desenho	universal.
Trata-se	do	desenvolvimento	de	uma	cultura	de	promoção	de	Direitos	Humanos.
A	obrigação	do	Estado	em	“realizar	e	promover	pesquisa	e	o	desenvolvimento	de
produtos,	serviços,	equipamentos	e	instalações	com	desenho	universal”	está
presente	na	alínea	f,	do	art.	4ª,	da	Convenção	Internacional	sobre	os	Direitos	das
Pessoas	com	Deficiência	(Decreto	n.	6.949/2009).
§	5º	Desde	a	etapa	de	concepção,	as	políticas	públicas	deverão	considerar	a
adoção	do	desenho	universal.
Trata-se	do	desdobramento	da	obrigação	do	Estado	de	“levar	em	conta,	em	todos
os	programas	e	políticas,	a	proteção	e	a	promoção	dos	direitos	humanos	das
pessoas	com	deficiência”,	que	consta	na	alínea	c,	art.	4º,	do	Decreto	n.
6.949/2009.	Ademais	disso,	cabe	mencionar	que,	segundo	o	mesmo	artigo,	o
desenvolvimento	das	políticas	para	implementar	a	Convenção	Internacional
sobre	Direitos	das	Pessoascom	Deficiência	deve	envolver	“ativamente	as
pessoas	com	deficiência,	inclusive	crianças	com	deficiência,	por	intermédio	de
suas	organizações	representativas”.
Art.	56.	A	construção,	a	reforma,	a	ampliação	ou	a	mudança	de	uso	de
edificações	abertas	ao	público,	de	uso	público	ou	privadas	de	uso	coletivo
deverão	ser	executadas	de	modo	a	serem	acessíveis.
Este	artigo	trata	especificamente	de	edificações	abertas	ao	público,	podendo	ser
públicas	ou	privadas	de	uso	coletivo.	Desde	o	momento	da	construção	até
qualquer	alteração	posterior	do	edifício,	inclusive	de	sua	utilização	deve-se	ter
como	premissa	a	acessibilidade.
§	1º	As	entidades	de	fiscalização	profissional	das	atividades	de	Engenharia,
de	Arquitetura	e	correlatas,	ao	anotarem	a	responsabilidade	técnica	de
projetos,	devem	exigir	a	responsabilidade	profissional	declarada	de
atendimento	às	regras	de	acessibilidade	previstas	em	legislação	e	em	normas
técnicas	pertinentes.
As	entidades	como	o	CAU/BR	(Conselho	de	Arquitetura	e	Urbanismo	de	São
Paulo)	e	o	Confea	(Conselho	Federal	de	Engenharia	e	Agronomia),	por	meio	dos
seus	órgãos	competentes,	devem	exigir	um	termo	de	responsabilidade	específico:
“responsabilidade	profissional	declarada	de	atendimento	às	regras	de
acessibilidade”.	A	não	exigência	do	termo	terá	como	efeito	a	responsabilização
da	respectiva	entidade.
A	fiscalização,	em	si,	é	de	realização	do	engenheiro,	a	quem	o	art.	7°	da	Lei	n.
5.194/66,	alíneas	e	e	f,	atribui	a	tarefa	de	“fiscalização	de	obras	e	serviços
técnicos	e	direção	de	obras	e	serviços	técnicos“.
§	2º	Para	a	aprovação,	o	licenciamento	ou	a	emissão	de	certificado	de
projeto	executivo	arquitetônico,	urbanístico	e	de	instalações	e	equipamentos
temporários	ou	permanentes	e	para	o	licenciamento	ou	a	emissão	de
certificado	de	conclusão	de	obra	ou	de	serviço,	deve	ser	atestado	o
atendimento	às	regras	de	acessibilidade.
Segundo	o	§	2º,	também	se	exige	que	administração	pública	competente	para	a
emissão	de	cada	um	dos	documentos	mencionados	deve	atestar	o	atendimento	às
regras	de	acessibilidade.	Com	a	avaliação	de	equipe	técnica,	realiza-se	um	novo
controle	sobre	as	normas	de	acessibilidade.
§	3º	O	Poder	Público,	após	certificar	a	acessibilidade	de	edificação	ou	de
serviço,	determinará	a	colocação,	em	espaços	ou	em	locais	de	ampla
visibilidade,	do	símbolo	internacional	de	acesso,	na	forma	prevista	em
legislação	e	em	normas	técnicas	correlatas.
Por	fim,	após	a	certificação,	deve	o	Poder	Público	determinar	a	colocação	do
símbolo	internacional	de	acesso	segundo	as	normas	de	acessibilidade,	buscando
a	maior	visibilidade	possível.
O	símbolo	internacional	de	acesso	vem	tratado	na	Lei	n.	7.405/85	e	em	seu	art.
1°	torna	obrigatória	sua	instalação	“em	todos	os	locais	que	possibilitem	acesso,
circulação	e	utilização	por	pessoas	com	deficiência,	e	em	todos	os	serviços	que
forem	postos	à	sua	disposição	ou	que	possibilitem	o	seu	uso”.
Art.	57.	As	edificações	públicas	e	privadas	de	uso	coletivo	já	existentes
devem	garantir	acessibilidade	à	pessoa	com	deficiência	em	todas	as	suas
dependências	e	serviços,	tendo	como	referência	as	normas	de	acessibilidade
vigentes.
Esta	norma	não	permite	exceção.	Logo,	todas	as	edificações	já	existentes	e	com
acesso	ao	público,	sejam	públicas	ou	privadas	de	uso	coletivo,	devem	oferecer
acesso	de	todas	as	suas	áreas	e	serviços	às	pessoas	com	deficiência,	não	podendo
alegar	que	a	obra	obedeceu	aos	regramentos	jurídicos	da	época.	Faz-se
necessária	a	sua	adaptação	às	normas	de	acessibilidade	atualizadas,	realizando	as
denominadas	adaptações	razoáveis.
Art.	58.	O	projeto	e	a	construção	de	edificação	de	uso	privado	multifamiliar
devem	atender	aos	preceitos	de	acessibilidade,	na	forma	regulamentar.
O	art.	58	trouxe	importante	inovação,	porém	necessita	ser	regulamentado.
Recentemente,	o	Ministério	dos	Direitos	Humanos	abriu	consulta	pública	sobre
tal	regulamentação.	Houve,	inclusive,	debate	com	representantes	da	sociedade
civil	e	do	setor	imobiliário.	O	presente	caput	determina	que	o	projeto	e	a
construção	das	edificações	de	uso	privado	multifamiliar	precisam	obedecer	às
normas	de	acessibilidade.
§	1º	As	construtoras	e	incorporadoras	responsáveis	pelo	projeto	e	pela
construção	das	edificações	a	que	se	refere	o	caput	deste	artigo	devem
assegurar	percentual	mínimo	de	suas	unidades	internamente	acessíveis,	na
forma	regulamentar.
O	§	1º	afirma	que	deve	ser	reservado	um	percentual	mínimo	de	unidades
internamente	acessíveis.	Segundo	a	minuta	deste	trabalho,	no	seu	inciso	I,	art.	2º,
a	edificação	de	uso	privado	multifamiliar	é	“aquela	com	doze	ou	mais	unidades
autônomas	destinadas	ao	uso	residencial,	ainda	que	localizadas	em	um	único
pavimento	ou	em	um	único	empreendimento	composto	por	edifícios	isolados”
(notícia	e	minuta	disponíveis	em:	http://www.mdh.gov.br/todas-as-
noticias/2018/maio/mdh-abre-consulta-publica-sobre-lei-brasileira-de-inclusao-
da-pessoa-com-deficiencia/minutaConsultaPessoacomdeficincia.pdf.	Acesso	em:
16-7-2018).
§	2º	É	vedada	a	cobrança	de	valores	adicionais	para	a	aquisição	de	unidades
internamente	acessíveis	a	que	se	refere	o	§	1º	deste	artigo.
O	§	2º	prevê	a	proibição	da	cobrança	de	valores	adicionais	para	a	aquisição	de
unidades	internamente	acessíveis.	Consoante	dispõe	o	inciso	II,	art.	2º,	da	minuta
supracitada,	a	unidade	internamente	acessível	é	a	“unidade	autônoma	de
edificação	de	uso	privado	multifamiliar	cujas	características	construtivas
permitam	sua	adaptação,	a	partir	da	alteração	de	layout,	das	dimensões	e/ou
número	de	ambientes,	para	unidade	internamente	acessível,	nos	termos	deste
Decreto”.	O	art.	5º	da	minuta	ainda	afirma	que	o	percentual	mínimo	será	de	3%
(três	por	cento),	sendo	necessária	a	demanda	do	adquirente.
Art.	59.	Em	qualquer	intervenção	nas	vias	e	nos	espaços	públicos,	o	Poder
Público	e	as	empresas	concessionárias	responsáveis	pela	execução	das	obras
e	dos	serviços	devem	garantir,	de	forma	segura,	a	fluidez	do	trânsito	e	a
livre	circulação	e	acessibilidade	das	pessoas,	durante	e	após	sua	execução.
As	intervenções	nas	vias	e	nos	espaços	públicos	costumam	gerar	múltiplos
impactos	à	população,	muitas	vezes	por	tempo	prolongado.	Para	garantir	direitos
básicos	durante	e	após	a	realização	das	obras,	tais	como	segurança,	livre
circulação,	fluidez	do	trânsito	e	acessibilidade,	surge	o	dever,	seja	do	Poder
Público,	seja	das	empresas	concessionárias,	de	organizar	as	intervenções	com
planejamento	adequado	para	preservar	o	direito	dos	cidadãos.
Art.	60.	Orientam-se,	no	que	couber,	pelas	regras	de	acessibilidade	previstas
em	legislação	e	em	normas	técnicas,	observado	o	disposto	na	Lei	n.	10.098,
de	19	de	dezembro	de	2000,	Lei	n.	10.257,	de	10	de	julho	de	2001,	e	Lei	n.
12.587,	de	3	de	janeiro	de	2012:
O	art.	60	aborda	a	acessibilidade	no	direito	urbanístico	brasileiro,	afirmando	que
os	temas	tratados	nos	cinco	incisos	devem	obedecer	a	todas	as	normas	de
acessibilidade	contidas	na	legislação	e	nas	normas	técnicas,	em	conjunto	com	as
diretrizes	da	Política	Nacional	de	Mobilidade	Urbana	e	o	Estatuto	da	Cidade.	A
aplicação	em	conjunto	das	normas	permite	a	construção	de	cidades	com	maior
mobilidade,	acessibilidade,	conforto	e	segurança,	enfim,	centralizadas	na
promoção	da	pessoa	humana,	sem	discriminações.
I	–	os	planos	diretores	municipais,	os	planos	diretores	de	transporte	e
trânsito,	os	planos	de	mobilidade	urbana	e	os	planos	de	preservação	de
sítios	históricos	elaborados	ou	atualizados	a	partir	da	publicação	desta	Lei;
Cabe	ao	plano	diretor	de	cada	município	e	zelar	para	que	normas	de
acessibilidade	do	deficiente	físico	sejam	observadas,	notadamente	no	que	tange
às	vias	urbanas.
II	–	os	códigos	de	obras,	os	códigos	de	postura,	as	leis	de	uso	e	ocupação	do
solo	e	as	leis	do	sistema	viário;
Para	analisar	este	inciso	apresenta-se	aqui	o	art.	30,	inciso	VIII	da	Constituição
Federal,	a	saber:	“Compete	aos	Municípios	[	...	]	VIII	–	promover,	no	que
couber,	adequado	ordenamento	territorial,	mediante	planejamento	e	controle	do
uso,	do	parcelamento	e	da	ocupação	do	solo	urbano”.
III	–	os	estudos	prévios	de	impactode	vizinhança;
Neste	aspecto	há	a	necessidade	de	se	analisar	o	conceito	de	impacto	de
vizinhança.	Segundo	a	Resolução	do	Conselho	Nacional	do	Meio	Ambiente
(Conama)	n.	1/86,	em	seu	art.	1°:	“Para	efeito	desta	Resolução,	considera-se
impacto	ambiental	qualquer	alteração	das	propriedades	físicas,	químicas	e
biológicas	do	meio	ambiente,	causada	por	qualquer	forma	de	matéria	ou	energia
resultante	das	atividades	humanas	que,	direta	ou	indiretamente,	afetam:	1	–	a
saúde,	a	segurança	e	o	bem-estar	da	população”.
IV	–	as	atividades	de	fiscalização	e	a	imposição	de	sanções;	e
O	plano	diretor	deve	definir	os	órgãos	competentes	para	fiscalização	e	imposição
de	sanções	decorrentes	de	eventual	descumprimento.
V	–	a	legislação	referente	à	prevenção	contra	incêndio	e	pânico.
Cada	Estado	apresentará	sua	legislação	acerca	da	matéria.	No	Estado	de	São
Paulo,	a	matéria	vem	tratada	na	Lei	Complementar	Estadual	n.	1.257/2015,	que
institui	o	Código	Estadual	de	Proteção	contra	Incêndios	e	Emergências.
§	1º	A	concessão	e	a	renovação	de	alvará	de	funcionamento	para	qualquer
atividade	são	condicionadas	à	observação	e	à	certificação	das	regras	de
acessibilidade.
Consiste	o	alvará	no	instrumento	pelo	qual	a	administração	concede	ao
particular,	preenchidos	os	requisitos	legais,	licença	ou	autorização	para
funcionamento.	Assim	sendo,	ao	expedir	o	respectivo	alvará,	deve	o
administrador	observar	se	o	requerente	preenche	os	elementos	que	garantem	a
acessibilidade	do	deficiente.
§	2º	A	emissão	de	carta	de	habite-se	ou	de	habilitação	equivalente	e	sua
renovação,	quando	esta	tiver	sido	emitida	anteriormente	às	exigências	de
acessibilidade,	é	condicionada	à	observação	e	à	certificação	das	regras	de
acessibilidade.
O	§	2º	disciplina	a	aplicação	da	certificação	das	regras	de	acessibilidade	na
emissão	de	carta	de	habite-se	ou	equivalente	e	sua	renovação.	Trata-se	de	um
documento	que	comprova	a	adaptação	de	uma	determinada	edificação	a	todo	o
complexo	sistema	de	tutela	da	acessibilidade,	presente	na	legislação	e	nas
normas	técnicas.	Exemplo	de	norma	técnica	aqui	aplicada	é	a	NBR	9050:2015,
da	ABNT,	sobre	a	acessibilidade	de	edificações,	mobiliário,	espaços	e
equipamentos	urbanos.
Art.	61.	A	formulação,	a	implementação	e	a	manutenção	das	ações	de
acessibilidade	atenderão	às	seguintes	premissas	básicas:
O	art.	61	apresenta	as	duas	premissas	básicas	para	a	atuação	em	ações	de
acessibilidade,	desde	o	planejamento	até	a	manutenção,	indicando	seu	amplo
espectro	de	atuação	e	a	contínua	implantação	de	um	sistema	de	plena
acessibilidade.
I	–	eleição	de	prioridades,	elaboração	de	cronograma	e	reserva	de	recursos
para	implementação	das	ações;	e
A	primeira	premissa	é	a	eleição	das	prioridades	e	o	exato	planejamento	das	ações
por	meio	da	elaboração	de	um	cronograma.	Na	fase	seguinte,	efetua-se	a	reserva
dos	recursos	para	a	efetivação	das	metas	traçadas.
II	–	planejamento	contínuo	e	articulado	entre	os	setores	envolvidos.
A	segunda	premissa	básica	trata	exatamente	da	contínua	e	coordenada
implantação	de	um	sistema	de	plena	acessibilidade,	baseando-se	no	constante
planejamento	e	articulação	dos	setores	envolvidos,	o	que	possibilita	ações	mais
efetivas,	coordenadas,	melhoria	contínua	e	eficácia	no	cumprimento	das	normas
de	acessibilidade.
Art.	62.	É	assegurado	à	pessoa	com	deficiência,	mediante	solicitação,	o
recebimento	de	contas,	boletos,	recibos,	extratos	e	cobranças	de	tributos	em
formato	acessível.
Tanto	as	empresas	privadas	como	os	órgãos	públicos	devem	providenciar,	com
base	em	solicitação	fundamentada	no	direito	à	acessibilidade	e	no	direito	à
informação,	documentos	nos	formatos	necessários	ao	público,	consoante	as
necessidades	especiais	de	cada	um.	Inclusive,	por	meio	de	uma	interpretação
extensiva,	esta	regra	pode	ser	aplicada	aos	contratos.	Neste	sentido,	o	Superior
Tribunal	de	Justiça	já	decidiu	que	“as	instituições	financeiras	devem	utilizar	o
sistema	Braille	na	confecção	dos	contratos	bancários	de	adesão	e	todos	os
demais	documentos	fundamentais	para	a	relação	de	consumo	estabelecida	com
indivíduo	portador	de	deficiência	visual”.	(STJ,	REsp	1315822/RJ	Rel.	Min.
Marco	Aurélio	Bellizze,	DJ	16-4-2015).	O	tema	é	atual,	cabendo	citar	outro
relevante	julgado	firmando	o	mesmo	posicionamento:	STJ,	REsp	1349188/RJ.
Rel.	Min.	Luis	Felipe	Salomão.	DJ	10-5-2016.
CAPÍTULO	II
DO	ACESSO	À	INFORMAÇÃO	E	À
COMUNICAÇÃO
A	Declaração	Universal	dos	Direitos	Humanos,	adotada	e	proclamada	pela	ONU
em	10	de	dezembro	de	1948,	prevê	em	seu	art.	XIX	o	direito	de	acesso,	bem
como	a	liberdade	de	informação	e	comunicação.	Espelhada	em	seu	conteúdo,	a
Constituição	Federal	de	1988	elenca	no	rol	de	direitos	e	garantias	fundamentais
do	ser	humano	o	direito	de	acesso	à	informação	e	à	comunicação,	previstos	no
art.	5º,	incisos	IX,	XIV	e	XXXIII;	art.	37,	§	3º,	inciso	II;	art.	216,	§	2º	e	art.	220.
Por	conseguinte,	cumpre	salientar	que	os	referidos	direitos	também	encontram
respaldo	na	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,	cujo	art.
21	traz	a	seguinte	redação:	“Os	Estados-Partes	tomarão	todas	as	medidas
apropriadas	para	assegurar	que	as	pessoas	com	deficiência	possam	exercer	seu
direito	à	liberdade	de	expressão	e	opinião,	inclusive	à	liberdade	de	buscar,
receber	e	compartilhar	informações	e	ideias,	em	igualdade	de	oportunidades	com
as	demais	pessoas	e	por	intermédio	de	todas	as	formas	de	comunicação	de	sua
escolha,	conforme	o	disposto	no	Artigo	2	da	presente	Convenção,	entre	as	quais:
[...]	c)	Urgir	as	entidades	privadas	que	oferecem	serviços	ao	público	em	geral,
inclusive	por	meio	da	internet,	a	fornecer	informações	e	serviços	em	formatos
acessíveis,	que	possam	ser	usados	por	pessoas	com	deficiência;”.	O	acesso	à
informação	e	a	possibilidade	de	se	comunicar	constituem	meios	para	o	exercício
do	convívio	social	e	a	participação	na	sociedade,	no	sentido	de	manifestar
interesses,	opiniões	e	desejos.	Dessa	forma,	a	limitação	do	direito	de
comunicação,	além	de	ferir	a	Constituição,	representa	uma	afronta	aos	direitos
humanos.	No	tocante	às	pessoas	com	deficiência,	a	restrição	à	acessibilidade	e
aos	recursos	necessários	para	a	sua	participação	social	impossibilita	o	seu
desenvolvimento	e	autonomia,	condenando-as	à	exclusão.	Com	efeito,	a	LBI
buscou	fortalecer	esses	direitos	estabelecendo	normas	com	o	escopo	de	regular
os	recursos	adequados	e	a	acessibilidade,	bem	como	o	direito	à	comunicação	e	à
informação	para	as	pessoas	com	deficiência.
Art.	63.	É	obrigatória	a	acessibilidade	nos	sítios	da	internet	mantidos	por
empresas	com	sede	ou	representação	comercial	no	País	ou	por	órgãos	de
governo,	para	uso	da	pessoa	com	deficiência,	garantindo-lhe	acesso	às
informações	disponíveis,	conforme	as	melhores	práticas	e	diretrizes	de
acessibilidade	adotadas	internacionalmente.
A	garantia	de	acessibilidade	à	internet	prevista	no	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência	representa	um	avanço	significativo	para	todas	as	pessoas	que	se
deparam	com	qualquer	barreira	durante	a	navegação	em	sites	na	Web.	O
legislador	por	sua	vez,	ao	mencionar	o	referido	direito	de	forma	objetiva,	abre	as
portas	para	tirá-lo	da	subjetividade,	de	modo	a	assumir	e	incorporar	no	Estatuto
os	preceitos	e	as	diretrizes	da	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência,	além	de	viabilizar	o	amadurecimento	de	novas	políticas	públicas	a
serem	implementadas.	Com	efeito,	em	comparação	à	legislação	anterior,
observa-se	que	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	deu	um	grande	passo	ao	aviventar	o
direito	fundamental	de	acesso	à	informação	(CF,	art.	5º,	XIV),	bem	como	outras
leis	e	decretos,	tais	como	a	Lei	n.	10.098/2000	(Lei	da	acessibilidade),	o	Decreto
Federal	n.	5.296/2004,	a	Lei	n.	12.577/2011	(Lei	de	acesso	à	informação),	o
Decreto	n.	7.724/2012	e	a	Lei	12.965/2014	(Marco	Civil	da	internet).	Por
conseguinte,	o	dispositivo	em	análise	impõe	aos	órgãos	públicos,	bem	como	às
empresas	sediadas	no	país,	a	manutenção	de	websites	que	facilitem	o	acesso	da
pessoa	com	deficiência	como	forma	de	eliminação	de	barreiras	no	que	dizem
respeito	às	comunicações	e	à	informação,	nos	termos	do	art.	3°,	incisoIV,	alínea
d,	da	LBI.	Por	fim,	o	acesso	deve	ser	pleno	e	envolver	todas	as	funcionalidades
disponíveis,	garantindo	assim	a	autonomia	e	a	experiência	de	acesso	que	atenda
às	necessidades	dos	usuários.
§	1º	Os	sítios	devem	conter	símbolo	de	acessibilidade	em	destaque.
A	exigência	do	uso	do	símbolo	de	acessibilidade	nos	websites,	prevista	no	§	1º
do	art.	63	e	no	art.	64	não	representa	nenhuma	novidade,	tão	somente
reafirmando	as	exigências	previstas	no	Decreto	Federal	n.	5.296/2004.	Um	ano
após	a	publicação	do	referido	Decreto,	foi	iniciado	o	Modelo	de	Acessibilidade
em	Governo	Eletrônico,	conhecido	como	eMAG,	criado	por	uma	parceria	do
Governo	federal	e	a	Organização	Acessibilidade	Brasil,	com	o	escopo	de
orientar	a	acessibilidade	dos	sites	e	portais	do	Governo.	Por	conseguinte,	no	dia
10	de	agosto	de	2015,	o	jornal	O	Estado	de	S.Paulo,	através	do	blog	“Vencer
limites:	pessoas	com	deficiência”,	divulgou	a	adoção	do	símbolo	oficial	da
acessibilidade	elegido	pela	Organização	das	Nações	Unidas.
O	símbolo,	batizado	de	“The	Accessibility”	(A	Acessibilidade),	consiste	em	uma
figura	simétrica	ligada	por	quatro	pontos	a	um	círculo,	e	representa	a	harmonia
entre	o	ser	humano	e	a	sociedade.	Com	os	braços	abertos,	a	imagem	simboliza	o
acolhimento	e	a	inclusão	de	pessoas	com	todas	as	habilidades,	em	todos	os
lugares.	Além	deste,	existem	vários	outros	símbolos	que	variam	de	acordo	com	a
deficiência	apresentada.	Por	fim,	ainda	sobre	simbologia,	cumpre	fazer	a
remissão	ao	art.	56,	§	3°	desta	lei.
§	2º	Telecentros	comunitários	que	receberem	recursos	públicos	federais
para	seu	custeio	ou	sua	instalação	e	lan	houses	devem	possuir	equipamentos
e	instalações	acessíveis.
Os	telecentros	e	as	lan	houses,	assim	como	todos	os	demais	locais,	devem	ser
acessíveis	tanto	para	pessoas	com	limitações	motoras	como	para	pessoas	com
limitações	sensoriais,	com	a	disponibilização	de	recursos	de	acessibilidade	para
que	as	pessoas	com	deficiência	visual	possam	ter	autonomia	na	utilização	dos
serviços	disponibilizados	por	esses	locais.	De	acordo	com	o	Ministério	da
Ciência,	Tecnologia,	Inovações	e	Comunicações,	o	telecentro	consiste	em	um
ponto	de	inclusão	digital,	sem	fins	lucrativos	e	gratuito,	com	computadores
conectados	à	internet,	cujo	objetivo	é	promover	o	desenvolvimento	social	das
comunidades	por	ele	atendidas,	criando	oportunidades	de	inclusão	digital	aos
cidadãos.	Portanto,	a	inclusão	social	é	o	cerne	dessa	política	pública,	e	para	que
ela	se	realize	por	completo	é	fundamental	a	disponibilização	de	recursos	de
tecnologia	assistiva.	Tais	recursos	são	indispensáveis	para	a	obtenção	de
autonomia	e	equiparação	de	oportunidades	no	uso	dos	computadores,	bem	como
na	participação	de	cursos	e	demais	atividades	que	são	oferecidas	nos	telecentros.
§	3º	Os	telecentros	e	as	lan	houses	de	que	trata	o	§	2º	deste	artigo	devem
garantir,	no	mínimo,	10%	(dez	por	cento)	de	seus	computadores	com
recursos	de	acessibilidade	para	pessoa	com	deficiência	visual,	sendo
assegurado	pelo	menos	1	(um)	equipamento,	quando	o	resultado	percentual
for	inferior	a	1	(um).
O	Decreto	n.	5.296/2004	prevê	em	seu	art.	47,	§	3º	o	direito	de	uso	preferencial
de	um	computador	com	sistema	de	som	instalado	para	pessoas	com	deficiência
visual,	sendo	essa	obrigação	imposta	apenas	aos	telecentros	custeados	pelo
Governo.	O	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	por	sua	vez,	expandiu	essa
obrigação	para	os	estabelecimentos	comerciais,	exigindo	a	presença	de	recursos
de	tecnologia	assistiva.	Segundo	a	lógica	do	parágrafo	em	análise,	se	em	um
estabelecimento	houver	100	computadores	instalados,	pelo	menos	10	deles
devem	estar	equipados	com	recursos	que	possibilitem	a	acessibilidade	da	pessoa
com	deficiência.	Contudo,	se	houver	apenas	três	computadores,	ao	menos	um
deles	deve	ser	compatível	com	os	requerimentos	previstos	neste	parágrafo.	Por
fim,	em	se	tratando	de	telecentros	que	recebam	recursos	públicos,	será	possível
observar	com	maior	facilidade	a	implementação	da	norma.	Quanto	às	lan	houses,
hodiernamente	cada	vez	mais	raras,	devido	ao	alto	custo	de	instalação	de	tais
equipamentos,	será	mais	difícil	vislumbrar	o	cumprimento	da	norma.
Art.	64.	A	acessibilidade	nos	sítios	da	internet	de	que	trata	o	art.	63	desta
Lei	deve	ser	observada	para	obtenção	do	financiamento	de	que	trata	o
inciso	III	do	art.	54	desta	Lei.
A	obtenção	de	financiamento	com	recursos	públicos	ou	por	meio	de	renúncia	ou
incentivo	fiscal	está	sujeita	à	prévia	demonstração	de	atendimento	dos	requisitos
de	acessibilidade	previstos	art.	54,	inciso	III	da	Lei	Brasileira	de	Inclusão.
Portanto,	os	entes	públicos	ou	privados	que	pretendam	obter	tais	benefícios
legais	devem	obrigatoriamente	demonstrar	o	efetivo	cumprimento	das	normas	de
acessibilidade.
Art.	65.	As	empresas	prestadoras	de	serviços	de	telecomunicações	deverão
garantir	pleno	acesso	à	pessoa	com	deficiência,	conforme	regulamentação
específica.
Em	se	tratando	de	acessibilidade	nos	serviços	de	telecomunicações,	a	Lei
Brasileira	de	Inclusão	garante	o	acesso	irrestrito	à	pessoa	com	deficiência,
entretanto	sem	entrar	em	detalhes,	fazendo	remissão	à	regulamentação
específica.	Por	conseguinte,	é	oportuno	salientar	que	o	referido	assunto	já	era
previsto	no	Decreto	n.	5.296/2004,	cujo	art.	49	especifica	quais	são	as	ações	que
devem	ser	praticadas	pelas	empresas	prestadoras	de	serviços	de
telecomunicações	para	garantir	o	pleno	acesso	às	pessoas	com	deficiência	aos
serviços	de	telefonia	fixa	e	móvel.	Entretanto,	dado	o	constante	avanço	das
tecnologias	nessa	seara,	a	atualização	dessas	ações	revela-se	como	consequência
natural,	considerando	os	novos	hábitos	e	anseios	das	pessoas	com	deficiência.
Art.	66.	Cabe	ao	Poder	Público	incentivar	a	oferta	de	aparelhos	de	telefonia
fixa	e	móvel	celular	com	acessibilidade	que,	entre	outras	tecnologias
assistivas,	possuam	possibilidade	de	indicação	e	de	ampliação	sonoras	de
todas	as	operações	e	funções	disponíveis.
Inicialmente,	cumpre	aduzir	que	o	conteúdo	do	dispositivo	em	análise	também
se	encontra	previsto	no	art.	51	do	Decreto	n.	5.296/2004,	com	o	seguinte	teor:
“Caberá	ao	Poder	Público	incentivar	a	oferta	de	aparelhos	de	telefonia	celular
que	indiquem,	de	forma	sonora,	todas	as	operações	e	funções	neles	disponíveis
no	visor”.	Por	conseguinte,	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	contribuiu	para
a	elaboração	do	Regulamento	Geral	de	Acessibilidade	em	Serviços	de
Telecomunicações	de	interesse	coletivo,	aprovado	pela	Resolução	nº	667	da
Anatel,	de	30	de	maio	de	2016,	a	qual	em	seu	art.	3º	destaca	a	acessibilidade
como	um	direito	fundamental,	devendo	possibilitar	às	pessoas	com	deficiência	a
fruição	dos	serviços	e	equipamentos	de	telecomunicações	de	maneira
independente,	além	de	promover	a	supressão	das	barreiras	à	comunicação	e	à
informação.	Com	efeito,	a	Resolução	nº	667,	em	seu	art.	9º,	§	1º	determina	quais
são	as	funcionalidades	que	devem	ser	consideradas	como	tecnologias	assistivas
para	cada	tipo	de	deficiência,	além	de	estabelecer	diretrizes	para	a	acessibilidade
dos	telefones	de	uso	público	(art.	10	e	ss.).
Art.	67.	Os	serviços	de	radiodifusão	de	sons	e	imagens	devem	permitir	o	uso
dos	seguintes	recursos,	entre	outros:
É	imperativo	que	os	meios	de	comunicação	ofereçam	recursos	para	garantir	o
acesso	à	informação	às	pessoas	com	deficiência,	especialmente	àquelas	com
limitações	sensoriais	ou	cognitivas.	Hodiernamente,	existem	diversos	recursos
de	acessibilidade	disponíveis	para	todos	os	tipos	de	público,	tais	como	a
subtitulação,	a	janela	com	intérprete	de	Libras	e	a	audiodescrição.	Malgrado	o
Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	não	tenha	mencionado	a	dublagem	como
recurso,	observa-se	intrinsecamente	a	sua	presença	no	inciso	II	do	art.	42,	no	art.
69	e	no	inciso	III	do	art.	76,	bem	como	em	outras	leis	e	decretos,	tais	como	a	Lei
n.	10.098/2000,	Lei	n.	1.146/2015	e	o	Decreto	n.	6.949/2009	(Convenção	sobre
os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência).	Vale	ressaltar	que	os	recursos
previstos	na	LBI	são	meramente	exemplificativos,	o	que	não	afasta	o	uso	dos
demais	recursos	existentes,	bem	como	dos	que	possamfuturamente	ser
desenvolvidos.	Com	efeito,	o	Ministério	da	Ciência,	Tecnologia,	Inovações	e
Comunicações	priorizou	para	os	serviços	de	telecomunicação	e	radiodifusão	os
recursos	elencados	nos	incisos	I	a	III.
I	–	subtitulação	por	meio	de	legenda	oculta;
A	legenda	oculta,	também	conhecida	como	closed	caption	ou	pela	sigla	CC
resume-se	a	uma	transcrição,	em	língua	portuguesa,	de	diálogos,	efeitos	sonoros,
sons	do	ambiente	e	demais	informações	que	seriam	impossíveis	de	ser
percebidos	ou	compreendidos	por	pessoas	com	deficiência	auditiva.	As	legendas
ficam	ocultas	e	podem	ser	ativadas	no	televisor	pelo	usuário,	pelo	menu	ou	por
meio	de	uma	tecla	específica.	Cumpre	salientar	que	a	legenda	oculta	é	prevista
no	item	3.2	da	Portaria	nº	310/2006	do	Ministério	das	Comunicações.
II	–	janela	com	intérprete	da	Libras;
A	Janela	de	Libras,	nos	termos	do	item	3.7	da	Portaria	nº	310/2006	do	Ministério
das	Comunicações,	consiste	no	“espaço	delimitado	no	vídeo,	em	que	as
informações	são	interpretadas	na	Língua	Brasileira	de	Sinais	(Libras)”.	A
referida	portaria	ainda	determina	no	item	5.3	que	“Os	programas	que	compõem	a
propaganda	político-partidária	e	eleitoral,	bem	assim	campanhas	institucionais	e
informativos	de	utilidade	pública	veiculados	pelas	pessoas	jurídicas
concessionárias	do	serviço	de	radiodifusão	de	sons	e	imagem,	bem	como	as
pessoas	jurídicas	que	possuem	permissão	ou	autorização	para	executar	o	serviço
de	retransmissão	de	televisão,	deverão	conter	janela	com	intérprete	de	Libras,
cuja	produção	e/ou	gravação	ficarão	ao	encargo	e	sob	a	responsabilidade	dos
Partidos	Políticos	e/ou	dos	respectivos	Órgãos	de	Governo	aos	quais	se	vinculem
os	referidos	programas”.
III	–	audiodescrição.
A	audiodescrição,	de	acordo	com	o	item	3.3	da	Portaria	nº	188/2010	do
Ministério	das	Comunicações,	traduz-se	na	“narração,	em	língua	portuguesa,
integrada	ao	som	original	da	obra	audiovisual,	contendo	descrições	de	sons	e
elementos	visuais	e	quaisquer	informações	adicionais	que	sejam	relevantes	para
possibilitar	a	melhor	compreensão	desta	por	pessoas	com	deficiência	visual	e
intelectual”.
Art.	68.	O	Poder	Público	deve	adotar	mecanismos	de	incentivo	à	produção,
à	edição,	à	difusão,	à	distribuição	e	à	comercialização	de	livros	em	formatos
acessíveis,	inclusive	em	publicações	da	administração	pública	ou
financiadas	com	recursos	públicos,	com	vistas	a	garantir	à	pessoa	com
deficiência	o	direito	de	acesso	à	leitura,	à	informação	e	à	comunicação.
A	produção,	edição,	difusão,	distribuição	e	comercialização	de	livros	com	vistas
a	promover	a	acessibilidade	das	pessoas	com	deficiência	não	é	novidade	no
direito	brasileiro.	Buscando	garantir	o	direito	de	acesso	ao	livro	e	à	leitura	às
pessoas	com	deficiência,	a	LBI	tão	somente	reforçou	esse	assunto,	já	abordado
em	outras	leis	e	decretos,	tais	como	a	Política	Nacional	do	Livro,	a	Lei	de
Direitos	Autorais	e	o	Decreto	n.	5.296/2004.	A	Política	Nacional	do	Livro	(Lei
n.	10.753,	de	30	de	outubro	de	2003),	em	seu	art.	1º,	inciso	II	enuncia	que	“o
livro	é	o	meio	principal	e	insubstituível	da	difusão	da	cultura	e	transmissão	do
conhecimento,	do	fomento	à	pesquisa	social	e	científica,	da	conservação	do
patrimônio	nacional,	da	transformação	e	aperfeiçoamento	social	e	da	melhoria
da	qualidade	de	vida”.	Nos	incisos	VII	e	VIII	do	art.	2º,	a	referida	lei	menciona
os	livros	digitais	e	impressos	no	sistema	Braille	para	uso	de	pessoas	com
deficiência	visual.	O	referido	assunto	novamente	é	tratado	no	art.	58	do	Decreto
n.	5.296/2004,	que	impõe	ao	Poder	Público	a	adoção	de	medidas	para	a
disponibilização	de	livros	em	meio	magnético.	Por	conseguinte,	a	Lei	de
Direitos	Autorais	(Lei	n.	9.610/98),	em	seu	art.	46,	inciso	I,	alínea	d,	prevê	não
constituir	ofensa	aos	direitos	autorais	a	reprodução	de	“de	obras	literárias,
artísticas	ou	científicas,	para	uso	exclusivo	de	deficientes	visuais,	sempre	que	a
reprodução,	sem	fins	comerciais,	seja	feita	mediante	o	sistema	Braille	ou	outro
procedimento	em	qualquer	suporte	para	esses	destinatários”.	Por	fim,	vale
ressaltar	que	o	Brasil	é	signatário	do	Tratado	de	Marraquexe	(Decreto
Legislativo	n.	261,	de	25	de	novembro	de	2015),	documento	internacional	cujo
objetivo	consiste	na	criação	de	instrumentos	legais	que	possibilitem	a
reprodução	e	a	distribuição	de	obras,	livros	e	textos	em	formato	acessível	às
pessoas	com	deficiência	visual,	sem	necessidade	de	requisitar	autorização	ao
titular	dos	direitos	autorais.
§	1º	Nos	editais	de	compras	de	livros,	inclusive	para	o	abastecimento	ou	a
atualização	de	acervos	de	bibliotecas	em	todos	os	níveis	e	modalidades	de
educação	e	de	bibliotecas	públicas,	o	Poder	Público	deverá	adotar	cláusulas
de	impedimento	à	participação	de	editoras	que	não	ofertem	sua	produção
também	em	formatos	acessíveis.
O	Poder	Público,	ao	publicar	edital	para	aquisição	de	livros,	fará	constar	cláusula
que	obrigue	o	concorrente	a	disponibilizar	as	publicações	em	formatos
acessíveis,	os	quais	são	definidos	pelo	§	2°	deste	artigo.	Com	efeito,	é	possível
vislumbrar	que	haverá	grande	dificuldade	de	cumprimento	deste	dispositivo,
visto	que	a	implantação	da	tecnologia	necessária	para	satisfazer	os	requisitos
previstos	no	§	2°	implica	em	investimentos	altíssimos	por	parte	das	editoras,
deixando	de	ser	economicamente	viável	por	causa	dos	custos	envolvidos	na
produção	dos	livros.
§	2º	Consideram-se	formatos	acessíveis	os	arquivos	digitais	que	possam	ser
reconhecidos	e	acessados	por	softwares	leitores	de	telas	ou	outras
tecnologias	assistivas	que	vierem	a	substituí-los,	permitindo	leitura	com	voz
sintetizada,	ampliação	de	caracteres,	diferentes	contrastes	e	impressão	em
Braille.
O	dispositivo	em	análise	elenca	de	forma	exemplificativa	os	formatos	dos
arquivos	digitais	para	que	possam	ser	considerados	acessíveis,	para	fins	de
cumprimento	do	parágrafo	anterior,	revelando-se	despicienda	qualquer
informação	adicional,	dada	a	sua	redação	metalinguística.
§	3º	O	Poder	Público	deve	estimular	e	apoiar	a	adaptação	e	a	produção	de
artigos	científicos	em	formato	acessível,	inclusive	em	Libras.
A	Libras,	para	a	pessoa	com	deficiência	auditiva,	em	alguns	casos	pode	ser
considerada	a	sua	primeira	língua,	o	que	torna	essencial	a	disponibilização	de
materiais	e	obras	literárias	adaptadas	para	esse	formato	linguístico.	Por	sua	vez,
vale	lembrar	que	a	Língua	Brasileira	de	Sinais	foi	reconhecida	oficialmente	no
Brasil	por	meio	da	Lei	n.	10.436/2002,	devendo	ser	garantida,	por	parte	do	Poder
Público	e	por	empresas	concessionárias	de	serviços	públicos,	no	que	diz	respeito
ao	seu	uso	e	difusão.	Por	conseguinte,	a	Lei	n.	13.005/2014,	que	trata	do	Plano
Nacional	de	Educação,	estabelece	as	orientações	para	a	inclusão	de	alunos	com
deficiência	nas	escolas,	impondo	ao	Poder	Público	a	obrigação	de	oferecer
materiais	didáticos	acessíveis,	inclusive	em	Libras.	Da	mesma	forma,	o	Decreto
n.	7.611/2011	dispõe	no	§	4º	do	art.	5º	que	a	União	deverá	oferecer	apoio	técnico
e	financeiro	para	a	produção	e	distribuição	de	recursos	educacionais	para	a
acessibilidade	e	a	aprendizagem,	tais	como	materiais	didáticos	e	paradidáticos
em	Braille,	áudio	e	Língua	Brasileira	de	Sinais,	laptops	com	sintetizador	de	voz,
softwares	para	comunicação	alternativa	e	demais	ajudas	técnicas.
Art.	69.	O	Poder	Público	deve	assegurar	a	disponibilidade	de	informações
corretas	e	claras	sobre	os	diferentes	produtos	e	serviços	ofertados,	por
quaisquer	meios	de	comunicação	empregados,	inclusive	em	ambiente
virtual,	contendo	a	especificação	correta	de	quantidade,	qualidade,
características,	composição	e	preço,	bem	como	sobre	os	eventuais	riscos	à
saúde	e	à	segurança	do	consumidor	com	deficiência,	em	caso	de	sua
utilização,	aplicando-se,	no	que	couber,	os	arts.	30	a	41	da	Lei	n.	8.078,	de	11
de	setembro	de	1990.
No	que	concerne	à	responsabilidade	do	Poder	Público	em	relação	aos
consumidores,	em	especial	ao	consumidor	com	deficiência,	é	indispensável	que
o	dever	de	informar	seja	cumprido.	Nesse	sentido,	levando	em	conta	a	notável
preocupação	do	Estado	em	assegurar	a	harmonia	no	trato	consumerista,	é
imperioso	queas	informações	sobre	produtos	e	serviços	ofertados	sejam	não
apenas	claras,	mas	também	ostensivas.	Por	este	motivo,	a	proteção	ao	deficiente
estende-se	a	qualquer	meio	de	comunicação,	inclusive	aos	meios	virtuais,	que
crescem	a	cada	dia.	No	tocante	a	essas	informações,	o	legislador	preocupa-se	em
abranger	todas	as	especificidades	do	produto	no	que	tange	à	sua	quantidade,
qualidade,	composição	e	preço.	Em	resumo,	os	produtos	e	serviços	colocados	no
mercado	devem	cumprir,	além	de	sua	função	econômica	específica,	um	objetivo
de	segurança.	Esclarecendo,	o	termo	“risco”	refere-se	à	probabilidade	de	que	um
atributo	de	um	produto	ou	serviço	possa	causar	danos	à	saúde	da	pessoa	com
deficiência,	concluindo-se	irrefutável	a	necessidade	de	que	os	indivíduos	estejam
cientes	desta	possibilidade.	Ainda,	aplicar-se-á,	no	que	couber,	os	arts.30	a	41	do
Código	de	Defesa	do	Consumidor	(Lei	n.	8.078/90),	que	tratam	da	oferta,	da
publicidade	e	das	práticas	abusivas,	lembrando	que	este	último	é	de	natureza
exemplificativa,	capital	para	que	o	deficiente	possa	ter	seus	direitos	acolhidos,
ainda	que	o	CDC	não	os	determine	expressamente.	Em	linhas	gerais,	este	artigo
celebra	a	intersecção	necessária	entre	o	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência	e	o
Código	de	Defesa	do	Consumidor,	imprescindíveis	para	atingir	o	objetivo	de
harmonizar	as	relações	de	consumo,	concomitantemente	com	a	proteção	e
inclusão	da	pessoa	com	deficiência.
§	1º	Os	canais	de	comercialização	virtual	e	os	anúncios	publicitários
veiculados	na	imprensa	escrita,	na	internet,	no	rádio,	na	televisão	e	nos
demais	veículos	de	comunicação	abertos	ou	por	assinatura	devem
disponibilizar,	conforme	a	compatibilidade	do	meio,	os	recursos	de
acessibilidade	de	que	trata	o	art.	67	desta	Lei,	a	expensas	do	fornecedor	do
produto	ou	do	serviço,	sem	prejuízo	da	observância	do	disposto	nos	arts.	36
a	38	da	Lei	n.	8.078,	de	11	de	setembro	de	1990.
O	parágrafo	em	análise	trata	da	disponibilização	de	recursos	de	acessibilidade
nos	canais	de	comercialização	virtual	e	nos	anúncios	publicitários,	veiculados	na
imprensa	escrita,	na	internet,	na	rádio,	na	televisão	e	nos	demais	veículos	abertos
ou	por	assinatura.	Nesse	viés,	a	expressão	“demais	veículos”,	demonstra	que	o
legislador	se	preocupou	em	estabelecer	um	rol	exemplificativo.	Ainda,	vale
ressaltar	que	os	referidos	recursos	encontram-se	elencados	no	art.	67	desta	Lei,
sendo	eles	a	subtitulação	por	meio	de	legenda	oculta,	a	janela	com	intérprete	da
Libras	e	a	audiodescrição.	Todavia,	a	Lei	apenas	exemplifica	algumas
possibilidades,	não	obstando	a	utilização	de	outros	recursos,	afinal	deve-se	levar
em	conta	a	compatibilidade	do	meio	de	comunicação.	Releva	destacar	que,	nesta
lógica,	a	disponibilização	de	acessibilidade	aos	deficientes	é	dever	do	fornecedor
e,	naturalmente,	todas	as	expensas	serão	de	sua	responsabilidade.	Na	sequência,
o	legislador	faz	menção	à	observância	do	disposto	nos	arts.	36	a	39	do	Código	de
Defesa	do	Consumidor	(Lei	n.	8.078/90),	que	trata	da	publicidade	e	assume
papel	determinante	para	que	os	consumidores	tenham	direito	a	informações
claras	e	precisas,	bem	como	a	proteção	contra	a	publicidade	enganosa	que,	em
linhas	gerais,	induz	o	consumidor	a	erro	e	também	a	publicidade	abusiva	que,
em	síntese,	ofende	a	honra	e	a	dignidade	dos	consumidores.
§	2º	Os	fornecedores	devem	disponibilizar,	mediante	solicitação,	exemplares
de	bulas,	prospectos,	textos	ou	qualquer	outro	tipo	de	material	de
divulgação	em	formato	acessível.
No	que	tange	aos	direitos	dos	consumidores,	não	restam	dúvidas	de	que	o	direito
à	informação	é	um	dos	mais	expressivos	e	elementares	para	a	eficácia	da	Lei,
sobretudo	no	tocante	às	atitudes	dos	fornecedores,	que	devem	estar	em
consonância	com	o	dispositivo	legal.	Contudo,	este	parágrafo	assevera	que,	além
de	todos	os	deveres	dos	fornecedores	já	mencionados	no	caput	e	no	parágrafo
anterior	deste	artigo,	o	consumidor	deficiente	ainda	poderá,	mediante	solicitação,
ter	à	sua	disposição	os	exemplares	de	bulas,	prospectos,	textos	ou	qualquer	outro
tipo	de	material	de	divulgação	em	formato	acessível.	Ademais,	vale	lembrar	que
a	expressão	“qualquer	outro	tipo	de	material	de	divulgação”	indica	que	estes
meios	de	divulgação	não	foram	esgotados	expressamente	pela	Lei,	portanto,
evidente	o	rol	exemplificativo	do	referido	parágrafo.
Art.	70.	As	instituições	promotoras	de	congressos,	seminários,	oficinas	e
demais	eventos	de	natureza	científico-cultural	devem	oferecer	à	pessoa	com
deficiência,	no	mínimo,	os	recursos	de	tecnologia	assistiva	previstos	no	art.
67	desta	Lei.
O	direito	de	participação	em	eventos,	sejam	eles	de	natureza	cultural,	científica
ou	artística,	se	traduz	em	uma	oportunidade	de	inclusão	da	pessoa	com
deficiência,	na	qual	ela	pode	se	manifestar	e	exercer	sua	cidadania.	Dessa	forma,
é	deveras	importante	garantir	que	os	locais	em	que	serão	realizados	tais	eventos
estejam	de	acordo	com	as	exigências	previstas	na	LBI,	no	que	diz	respeito	à
disponibilização	dos	recursos	necessários	à	participação	da	pessoa	com	qualquer
tipo	de	deficiência.	Por	conseguinte,	o	relatório	final	da	terceira	Conferência
Nacional	dos	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência,	realizada	entre	os	dias	3	e	6
de	dezembro	de	2012,	ressalta	a	necessidade	de	acesso	a	eventos	e	espaços
culturais.	O	referido	documento	ainda	enfatiza	a	garantia	e	a	implementação	de
recursos	de	tecnologia	e	acessibilidade	para	promover	a	participação	da	pessoa
com	deficiência	em	condições	de	igualdade.	Com	efeito,	o	Estatuto	da	Pessoa
com	Deficiência	contempla	o	direito	à	participação	em	eventos	nos	arts.	42	a	44
e	o	assegura	usando	como	referência	prioritária	os	recursos	de	acessibilidade	à
informação	previstos	no	art.	67.	Por	fim,	cumpre	salientar	que	a	lista	de	recursos
é	meramente	exemplificativa,	não	afastando,	portanto,	a	utilização	de	outros
recursos	não	previstos	na	LBI.
Art.	71.	Os	congressos,	os	seminários,	as	oficinas	e	os	demais	eventos	de
natureza	científico-cultural	promovidos	ou	financiados	pelo	Poder	Público
devem	garantir	as	condições	de	acessibilidade	e	os	recursos	de	tecnologia
assistiva.
O	entendimento	de	acessibilidade	vai	além	dos	recursos	mencionados	no	art.	67,
desdobrando-se	em	acessibilidade	física	e	atitudinal.	A	acessibilidade	física
consiste	em	tornar	o	local	acessível	por	meio	de	rampas,	elevadores,	sinalização
e	banheiros	adequados,	bem	como	vagas	de	estacionamento	e	assentos
específicos,	de	forma	a	facilitar	a	locomoção	e	a	autonomia	da	pessoa	com
deficiência.	Por	sua	vez,	a	acessibilidade	atitudinal	se	traduz	na	contratação	de
pessoas	capacitadas	e	preparadas	para	a	recepção	e	o	atendimento	ao	público,
tais	como	tradutores	e	intérpretes	de	Libras,	ledores	e	guias-intérpretes.	Por	fim,
cumpre	aduzir	que	foi	curiosa	a	postura	do	legislador	em	reunir,	em	dois
dispositivos,	textos	cujo	teor	é	praticamente	o	mesmo,	sendo	que	o	conteúdo	do
art.	71	poderia	sem	prejuízo	ser	apresentado	como	parágrafo	único	do	art.	70.
Art.	72.	Os	programas,	as	linhas	de	pesquisa	e	os	projetos	a	serem
desenvolvidos	com	o	apoio	de	agências	de	financiamento	e	de	órgãos	e
entidades	integrantes	da	administração	pública	que	atuem	no	auxílio	à
pesquisa	devem	contemplar	temas	voltados	à	tecnologia	assistiva.
Em	consonância	com	a	Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com
Deficiência,	a	Lei	Brasileira	de	Inclusão	também	disciplina	os	assuntos
relacionados	à	pesquisa	e	inovação,	que	são	essenciais	para	o	desenvolvimento
de	novas	tecnologias	assistivas.	O	dispositivo	em	análise	determina	que	as
agências	de	financiamento	da	administração	pública	devem	possuir	em	suas
linhas	de	pesquisa	temas	relacionados	a	essas	tecnologias.	O	referido	fomento
também	é	previsto	pela	Lei	n.	10.098/2000	(Lei	da	Acessibilidade),	que	em	seu
art.	21,	inciso	II	objetiva	a	destinação	de	recursos	para	o	desenvolvimento
tecnológico	orientado	à	produção	de	ajudas	técnicas	para	pessoas	com
deficiência.	Por	sua	vez,	o	Decreto	n.	5.296/2004,	no	art.	60,	prevê	disposição
similar,	porém	restrita	aos	temas	relacionados	às	“tecnologias	de	informação
acessível”.	Por	conseguinte,o	financiamento	de	pesquisa	no	Brasil	é	realizado
por	instituições	de	fomento	vinculadas	aos	ministérios,	por	meio	de
universidades	públicas	com	fundos	específicos	de	apoio	à	pesquisa	e
desenvolvimento,	bem	como	pela	iniciativa	privada.	Dentre	as	agências	de
fomento	com	competência	para	promover	o	desenvolvimento	e	a	inovação
tecnológica	cabe	citar	a	Coordenação	de	Aperfeiçoamento	de	Pessoal	de	Nível
Superior	(Capes),	vinculada	ao	Ministério	da	Educação	e	Cultura	(MEC),	o
Conselho	Nacional	de	Desenvolvimento	Científico	e	Tecnológico	(CNPQ),
vinculado	ao	Ministério	da	Ciência,	Tecnologia	e	Inovação	(MCTI)	e	as
Fundações	Estaduais	de	Amparo	à	Pesquisa,	presentes	em	todas	as	unidades
federativas,	tais	como	a	Fapesp,	Faperj	e	a	Fapemig.	Por	fim,	o	fomento	da
pesquisa,	desenvolvimento	e	inovação	em	tecnologias	assistivas	também	é	um
dos	objetivos	principais	do	Centro	Nacional	de	Referência	em	Tecnologia
Assistiva	(CNRTA),	criado	em	2012	pela	Portaria	nº	139	do	Ministério	de
Ciência,	Tecnologia	e	Inovação.
Art.	73.	Caberá	ao	Poder	Público,	diretamente	ou	em	parceria	com
organizações	da	sociedade	civil,	promover	a	capacitação	de	tradutores	e
intérpretes	da	Libras,	de	guias	intérpretes	e	de	profissionais	habilitados	em
Braille,	audiodescrição,	estenotipia	e	legendagem.
Além	das	políticas	públicas	voltadas	à	ampliação	da	oferta	de	recursos	de
acessibilidade,	a	qualidade	dos	serviços	prestados	revelou-se	também	uma
preocupação	por	parte	do	legislador,	ao	incumbir	ao	Poder	Público	a	capacitação
de	tradutores	e	intérpretes	de	Libras,	de	guias-intérpretes	e	de	profissionais
habilitados	em	Braille,	audiodescrição,	legendagem	e	estenotipia.	O	treinamento
e	a	capacitação	desses	profissionais	têm	por	escopo	garantir	a	qualidade	dos
serviços	de	atendimento	prestados	às	pessoas	com	deficiência,	visto	que	essa
demanda	é	frequentemente	apontada	nos	relatórios	das	Conferências	Nacionais
das	Pessoas	com	Deficiência.	Com	efeito,	cumpre	salientar	que	muitos
profissionais	que	atuam	direta	ou	indiretamente	nas	áreas	de	recursos	e	inclusão
da	pessoa	com	deficiência	não	possuem	a	devida	regulamentação	profissional,
tais	como	os	audiodescritores.	Nesse	sentido,	a	regulamentação	facilita	o
processo	de	capacitação	profissional	e	contribui	significativamente	para	a
melhoria	da	qualidade	dos	profissionais,	bem	como	dos	serviços	oferecidos.	Esse
importante	passo	iniciou-se	com	a	aprovação	da	Lei	n.	12.319/2010,	que
regulamentou	a	profissão	de	Tradutor	e	Intérprete	da	Língua	Brasileira	de	Sinais,
trazendo	um	estímulo	maior	para	a	formação	desses	profissionais.
CAPÍTULO	III
DA	TECNOLOGIA	ASSISTIVA
Art.	74.	É	garantido	à	pessoa	com	deficiência	acesso	a	produtos,	recursos,
estratégias,	práticas,	processos,	métodos	e	serviços	de	tecnologia	assistiva
que	maximizem	sua	autonomia,	mobilidade	pessoal	e	qualidade	de	vida.
Os	fundamentos	para	a	elaboração	legislativa	do	Estatuto	são	edificados	a	partir
dos	postulados	da	Convenção	sobre	os	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência	–
Convenção	de	Nova	York.	Dessa	forma,	Os	Estados	signatários	têm	por	objetivo
o	compromisso	no	sentido	de	efetivação	da	promoção	do	pleno	exercício	de
todos	os	direitos	humanos	e	liberdades	fundamentais	assegurado	às	pessoas	com
deficiência,	sem	qualquer	tipo	de	discriminação	por	causa	de	sua	deficiência.
Com	isso,	os	Estados	se	comprometem,	em	um	viés	amplo,	a	realizar	ou
promover	a	pesquisa	e	o	desenvolvimento,	bem	como	a	disponibilidade	e	o
emprego	de	novas	tecnologias,	inclusive	as	tecnologias	da	informação	e
comunicação,	ajudas	técnicas	para	locomoção,	dispositivos	e	tecnologias
assistivas	adequados	a	pessoas	com	deficiência,	dando	prioridade	a	tecnologias
de	custo	acessível.	Além	disso,	estão	firmes	no	propósito	de	divulgar	informação
acessível	para	as	pessoas	com	deficiência	a	respeito	de	ajudas	técnicas	para
locomoção,	dispositivos	e	tecnologias	assistivas,	incluindo	novas	tecnologias
bem	como	outras	formas	de	assistência,	serviços	de	apoio	e	instalações.
Congruente	ao	acima	exposto,	pelo	Decreto	n.	3.298/99,	art.	19,	incisos	I	a	IX:
Consideram-se	ajudas	técnicas,	para	os	efeitos	deste	Decreto,	os	elementos	que
permitem	compensar	uma	ou	mais	limitações	funcionais	motoras,	sensoriais	ou
mentais	da	pessoa	portadora	de	deficiência,	com	o	objetivo	de	permitir-lhe
superar	as	barreiras	da	comunicação	e	da	mobilidade	e	de	possibilitar	sua
plena	inclusão	social.
Parágrafo	único.	São	ajudas	técnicas:
I	–	próteses	auditivas,	visuais	e	físicas;
II	–	órteses	que	favoreçam	a	adequação	funcional;
III	–	equipamentos	e	elementos	necessários	à	terapia	e	reabilitação	da	pessoa
portadora	de	deficiência;
IV	–	equipamentos,	maquinarias	e	utensílios	de	trabalho	especialmente
desenhados	ou	adaptados	para	uso	por	pessoa	portadora	de	deficiência;
V	–	elementos	de	mobilidade,	cuidado	e	higiene	pessoal	necessários	para
facilitar	a	autonomia	e	a	segurança	da	pessoa	portadora	de	deficiência;
VI	–	elementos	especiais	para	facilitar	a	comunicação,	a	informação	e	a
sinalização	para	pessoa	portadora	de	deficiência;
VII	–	equipamentos	e	material	pedagógico	especial	para	educação,	capacitação
e	recreação	da	pessoa	portadora	de	deficiência;
VIII	–	adaptações	ambientais	e	outras	que	garantam	o	acesso,	a	melhoria
funcional	e	a	autonomia	pessoal;
IX	–	bolsas	coletoras	para	os	portadores	de	ostomia.
Art.	75.	O	Poder	Público	desenvolverá	plano	específico	de	medidas,	a	ser
renovado	em	cada	período	de	4	(quatro)	anos,	com	a	finalidade	de:
O	caput	do	artigo	demonstra	a	periodicidade	do	desenvolvimento	do	plano	de
medidas	a	ser	adotado	em	relação	às	técnicas	de	tecnologias	assistivas.	O	prazo
de	4	(quatro)	anos	coincide	com	o	da	legislatura,	a	saber,	o	período	de	quatro
anos	de	execução	das	atividades	pelo	Congresso	Nacional.
I	–	facilitar	o	acesso	a	crédito	especializado,	inclusive	com	oferta	de	linhas
de	crédito	subsidiadas,	específicas	para	aquisição	de	tecnologia	assistiva;
O	ordenamento	jurídico	brasileiro,	somado	ao	entendimento	econômico,	define
crédito	especializado	como	aquele	que,	buscando	seu	fomento,	se	volta	a
determinado	ramo	da	economia.	Tais	créditos	têm	por	característica	alavancar
determinados	nichos	econômicos	por	meio	de	concessão	de	tratamento
diferenciado	com	a	simplificação	do	trâmite	para	sua	obtenção,	de	favores	legais
e	até	a	renúncia	tributária	específica.
II	–	agilizar,	simplificar	e	priorizar	procedimentos	de	importação	de
tecnologia	assistiva,	especialmente	as	questões	atinentes	a	procedimentos
alfandegários	e	sanitários;
Vislumbra-se	aqui	uma	tentativa	de	melhora	aos	conhecidos	entraves
burocráticos	legislativos	existentes	em	nosso	país.	Dessa	forma,	o	presente
inciso	adota	uma	postura	de	redução	de	tais	barreiras.	Congruente	a	isso,	a
medida	proposta	esbarra	em	um	caráter	protecionista	que	orienta	nossa	política
econômica.	Com	isso,	necessário	o	combate	a	medidas	que	repudiam	o	ingresso
de	mercadorias	do	exterior	e	enaltecem	tradição	cartorial	que	inspira	a
administração	pública,	sendo	esta	rígida	e	complexa.
III	–	criar	mecanismos	de	fomento	à	pesquisa	e	à	produção	nacional	de
tecnologia	assistiva,	inclusive	por	meio	de	concessão	de	linhas	de	crédito
subsidiado	e	de	parcerias	com	institutos	de	pesquisa	oficiais;
Este	inciso	menciona	os	mecanismos	que	auxiliarão	a	pesquisa	e	produção	das
tecnologias	assistivas.	Didaticamente,	o	Decreto	n.	7.612/2011,	que	institui	o
Plano	Nacional	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência	–	Plano	Viver	sem
Limite	–	faz	de	maneira	clara	e	objetiva	a	criação	de	um	comitê	que	auxiliará	no
desenvolvimento	destes	programas	de	fomento,	que	tem	por	finalidade	articular
e	implementar	políticas,	programas	e	ações	para	o	acesso	e	o	desenvolvimento
em	tecnologia	assistiva.
IV	–	eliminar	ou	reduzir	a	tributação	da	cadeia	produtiva	e	de	importação
de	tecnologia	assistiva;
Há	aqui	intrínseca	relação	entre	o	direito	civil	e	o	direito	tributário,	com	a
demonstração	de	uma	nítida	interdisciplinaridade.	O	presente	inciso	propõe
incentivo	fiscal	para	a	promoção	da	tecnologia	assistiva	que	auxiliaria	no	âmbito
das	pessoas	comdeficiência.	Na	lição	de	Kiyoshi	Harada,	“incentivo	fiscal	é	um
conceito	da	Ciência	das	Finanças.	Situa-se	no	campo	da	extrafiscalidade	e
implica	redução	da	receita	pública	de	natureza	compulsória	ou	a	supressão	de
sua	exigibilidade.	É	um	instrumento	do	dirigismo	econômico;	visa	desenvolver
economicamente	determinada	região	ou	certo	setor	de	atividade”.¹
V	–	facilitar	e	agilizar	o	processo	de	inclusão	de	novos	recursos	de	tecnologia
assistiva	no	rol	de	produtos	distribuídos	no	âmbito	do	SUS	e	por	outros
órgãos	governamentais.
Congruente	às	atribuições	do	Sistema	Único	de	Saúde	(SUS),	na	dicção	do	art.
6°,	inciso	I,	d,	e	inciso	VI,	da	Lei	n.	8.080/90	está	a	execução	de	ações	como
consta	no	inciso	acima.	Assim,	o	SUS	tem	por	indicativo	a	determinação	de
produtos	e	técnicas	que	serão	disponibilizados	à	população.	Dessa	maneira,	o
Estatuto	propõe	maior	agilidade	no	processo	de	análise	que	possa	culminar	com
a	inclusão	de	produtos	que	privilegiem	a	tecnologia	assistiva.
Parágrafo	único.	Para	fazer	cumprir	o	disposto	neste	artigo,	os
procedimentos	constantes	do	plano	específico	de	medidas	deverão	ser
avaliados,	pelo	menos,	a	cada	2	(dois)	anos.
O	parágrafo	único	prevê	a	avaliação	no	período	de	dois	anos,	no	mínimo,	do	rol
de	produtos	disponibilizados	pelo	SUS.	Esta	é	uma	medida	necessária,	visto	que
os	avanços	tecnológicos	verificados	nessa	área	são	constantes,	de	modo	a	tornar
obsoletas	técnicas	e	produtos	até	então	entendidos	como	modernos.
A	utilização	de	órteses,	próteses	e	meios	auxiliares	para	ampliação	e	promoção
da	funcionalidade	e	autonomia	da	pessoa	com	deficiência	no	meio	em	que	está
inserido	é	de	responsabilidade	do	serviço	e	do	profissional	da	saúde.	O	Sistema
Único	de	Saúde,	baseado	nos	princípios	e	diretrizes	que	o	orientam,	tem	a
missão	de	oferecer	assistência	integral	aos	usuários	por	meio	de	ações,
programas	e	acesso	às	tecnologias,	em	especial	as	tecnologias	assistivas	em	uma
perspectiva	de	prevenção,	promoção	e	redução	de	agravos	à	saúde.
Sendo	assim,	a	Tecnologia	Assistiva	deve	ser	prescrita	seguindo	os	critérios
seguros	de	elegibilidade	e	mediante	a	Classificação	Internacional	de
Funcionalidade,	Incapacidade	e	Saúde	(CIF)	conforme	a	Organização	Mundial
de	Saúde	(OMS).
1Incentivos	fiscais.	Limitações	constitucionais	e	legais.	In:	Âmbito	Jurídico,	Rio
Grande,	XN,	n.	94,	nov.	2011.	Disponível	em:	www.ambito-juridico.com.br	.
Acesso	em:	7-5-2018.
CAPÍTULO	IV
DO	DIREITO	À	PARTICIPAÇÃO	NA	VIDA
PÚBLICA	E	POLÍTICA
Art.	76.	O	Poder	Público	deve	garantir	à	pessoa	com	deficiência	todos	os
direitos	políticos	e	a	oportunidade	de	exercê-los	em	igualdade	de	condições
com	as	demais	pessoas.
A	Constituição	Federal	de	1988	estabelece	como	um	dos	fundamentos	do	nosso
Estado	Democrático	de	Direito	a	cidadania,	entendida	como	a	condição	que
possibilita	ao	indivíduo	a	participação	nas	decisões	políticas	da	sociedade.	Neste
sentido,	o	mesmo	art.	1º	da	CF/88,	em	seu	parágrafo	único,	consagra	o	princípio
da	soberania	popular,	ao	instituir	que	todo	o	poder	emana	do	povo,	que	o	exerce
indiretamente	por	meio	dos	representantes	eleitos,	ou	diretamente	nos	termos
definidos	na	própria	Lei	Maior.
Em	capítulo	próprio	(art.	14	e	ss.),	a	CF/88	enumera	os	direitos	políticos,
divididos	basicamente	nos	direitos	de	votar	e	de	ser	votado.	Obviamente,	estes
direitos	devem	ser	observados	em	igualdade	de	condições	para	as	pessoas	com
deficiência,	como	legítima	expressão	de	sua	cidadania.
A	expressão	“igualdade	de	condições”	deve	ser	entendida	no	sentido	da
igualdade	material,	havendo	necessidade	de	criar	mecanismos	de	favorecimento
e	proteção	da	pessoa	com	deficiência	para	suprir	as	dificuldades	ou	barreiras
naturais	que	pudessem	lhe	inviabilizar	o	exercício	dos	direitos	políticos.
Importante	esclarecer	ainda	que,	para	regulamentar	o	exercício	destes	direitos,
além	de	leis,	decretos,	portarias	e	resoluções	nos	âmbitos	legislativo	e	executivo,
há	uma	larga	utilização	de	Resoluções	do	TSE,	fundamentadas	no	poder
normativo	que	as	leis	eleitorais	conferem	a	este	órgão	do	Judiciário.
§	1º	À	pessoa	com	deficiência	será	assegurado	o	direito	de	votar	e	de	ser
votada,	inclusive	por	meio	das	seguintes	ações:
O	art.	15	da	CF/88	estabelece	entre	as	causas	de	perda	ou	suspensão	de	direitos
políticos	a	incapacidade	civil	absoluta	(inciso	II).	Por	sua	vez,	o	Código	Civil
relacionava	em	seu	art.	3º	estas	hipóteses	de	pessoas	absolutamente	incapazes,
dentre	elas	“os	que,	por	enfermidade	mental,	não	tiverem	o	necessário
discernimento	para	a	prática	desses	atos”	(atos	da	vida	civil).	Esta	expressão	foi
revogada	pelo	art.	114	deste	Estatuto	da	Pessoa	com	Deficiência,	restando
apenas	os	menores	de	16	anos	como	absolutamente	incapazes.
Portanto,	segundo	a	CF/88,	não	há	qualquer	causa	que	impeça	a	pessoa	com
deficiência	de	exercer	os	direitos	políticos.	O	TSE	editou	a	Resolução	nº
21.920/2004,	dispondo	sobre	a	obrigatoriedade	do	alistamento	eleitoral	e	do	voto
de	todas	as	pessoas	com	deficiência.	Esta	mesma	Resolução,	porém,	isenta	de
sanção	a	pessoa	cuja	deficiência	torne	impossível	ou	demasiadamente	oneroso	o
cumprimento	das	obrigações	eleitorais.
I	–	garantia	de	que	os	procedimentos,	as	instalações,	os	materiais	e	os
equipamentos	para	votação	sejam	apropriados,	acessíveis	a	todas	as	pessoas
e	de	fácil	compreensão	e	uso,	sendo	vedada	a	instalação	de	seções	eleitorais
exclusivas	para	a	pessoa	com	deficiência;
O	Código	Eleitoral,	Lei	n.	4.737/65,	já	estabelecia	algumas	regras	específicas
para	possibilitar	o	voto	de	alguns	eleitores	com	deficiência,	embora	se
restringisse	às	disposições	sobre	pessoas	com	deficiência	visual,	utilizando	o
termo	“cegos”.	Um	dos	motivos	pelo	qual	havia	esta	restrição	provavelmente	é	o
fato	de	que	o	voto	se	dava	ainda	em	cédulas	de	papel.
A	primeira	eleição	com	urnas	eletrônicas	ocorreu	em	1996,	com	um	terço	do
eleitorado	nacional	votando	desta	maneira.	Somente	nas	eleições	de	2002	todos
os	eleitores	brasileiros	votaram	nas	urnas	eletrônicas.
Também	para	atender	a	esta	nova	realidade,	o	TSE	editou	a	Resolução	n.
21.008/2002,	dispondo	sobre	o	voto	de	todos	os	eleitores	com	deficiência,	muito
embora	uma	das	soluções	adotadas	no	art.	1º	deste	documento	normativo	tenha
sido	a	de	criar	seções	eleitorais	especiais	destinadas	aos	eleitores	com
deficiência,	determinação	abolida	por	este	Estatuto.
A	Resolução	nº	23.381/2012	do	TSE	inovou	criando	o	Programa	de
Acessibilidade	da	Justiça	Eleitoral,	que	estabeleceu	as	diretrizes	para	o
rompimento	de	todas	as	espécies	de	barreiras	arquitetônicas,	urbanísticas,
comunicacionais	e	tecnológicas	que	de	alguma	maneira	impediam	ou
dificultavam	o	voto	do	eleitor	com	deficiência.
Para	as	eleições	de	2018,	a	Resolução	nº	23.554/2017	do	TSE	dispõe	sobre	todas
as	regras	que	facilitem	o	exercício	do	direito	ao	voto	da	pessoa	com	deficiência,
entre	elas	o	direito	de	transferir	o	local	de	votação	para	uma	seção	em	que	haja
melhores	condições	de	acessibilidade,	transporte	e	estacionamento	mais	próximo
ao	local	de	votação,	a	preferência	na	fila	de	votação,	teclas	na	urna	eletrônica
com	sinalização	em	Braille,	fones	de	ouvido	para	eleitores	que	fizerem	esta
solicitação,	dentre	outras	medidas.
O	TSE	divulgou	que,	nas	eleições	de	2014,	a	Justiça	Eleitoral	recebeu	a
solicitação	de	148.102	eleitores	com	deficiência	ou	mobilidade	reduzida	para
votar	em	seções	especiais.²	O	número	de	seções	especiais	dotadas	de	plena
acessibilidade	para	o	eleitor	com	deficiência	vem	crescendo	nas	últimas	eleições,
mas	ainda	é	relativamente	baixo.	No	estado	de	São	Paulo,	maior	colégio	eleitoral
do	país,	somente	cerca	de	12	mil	das	mais	de	96	mil	seções	eleitorais	tinham
acessibilidade	para	as	eleições	de	2018.³
II	–	incentivo	à	pessoa	com	deficiência	a	candidatar-se	e	a	desempenhar
quaisquer	funções	públicas	em	todos	os	níveis	de	governo,	inclusive	por
meio	do	uso	de	novas	tecnologias	assistivas,	quando	apropriado;
Ainda	não	há	na	legislação	eleitoral	qualquer	espécie	de	mecanismo	que
promova	o	incentivo	à	candidatura	de	pessoas	com	deficiência	a	cargos	públicos
eletivos.
Existe,	contudo,um	projeto	de	lei	(PLS	n.	553/2013)	em	tramitação	no	Senado
Federal	para	acrescentar	na	lei	eleitoral	(Lei	n.	9.504/97)	dispositivo	no	sentido
de	estabelecer	que	5%	das	vagas	para	candidatura	aos	cargos	de	vereadores,
deputados	federais,	estaduais	e	distritais	fiquem	reservadas	às	pessoas	com
deficiência.	Este	PLS	foi	aprovado	na	Comissão	de	Direitos	Humanos	e
Legislação	Participativa	do	Senado	em	2014	e,	desde	então,	aguarda	votação	na
Comissão	de	Constituição,	Justiça	e	Cidadania	do	Senado,	para	que	possa
continuar	seu	regular	trâmite	até	aprovação	em	Plenário	e	encaminhamento	para
a	Câmara	dos	Deputados.
Vale	dizer	que,	na	legislatura	entre	2015-2018,	dos	513	deputados	federais,
apenas	três	são	cadeirantes.	A	aprovação	deste	projeto	de	lei	pode	constituir	em
um	primeiro	passo	para	implementar	o	incentivo	à	candidatura	das	pessoas	com
deficiência	aqui	previsto,	conferindo	maior	representatividade	para	este	grupo
social	vulnerável.
Quanto	ao	desempenho	de	funções	públicas,	existe	no	âmbito	da	Câmara	dos
Deputados	e	do	Senado	Federal	diretrizes	que	instituem	políticas	e	planos	de
acessibilidade	para	permitir	o	exercício	de	atividades	como	parlamentares,
funcionários	ou	cidadãos	nestes	espaços.
Na	Câmara	dos	Deputados,	a	Portaria	nº	56,	de	2011,	que	instituiu	a	Política	de
Acessibilidade	no	âmbito	desta	casa	legislativa,	prevê	várias	medidas	para
romper	as	barreiras	que	impedem	ou	dificultam	o	exercício	dos	direitos	de
cidadania	das	pessoas	com	deficiência.
No	Senado	Federal	existe	um	Plano	de	Acessibilidade	(Disponível	em:
http://www.senado.leg.br/transparencia/SECRH/BASF/Anexo/A_01_2018_1283772.PDF)
que	também	visa	ao	rompimento	das	barreiras	arquitetônicas,	urbanísticas,
comunicacionais,	atitudinais	e	tecnológicas	naquela	casa.
III	–	garantia	de	que	os	pronunciamentos	oficiais,	a	propaganda	eleitoral
obrigatória	e	os	debates	transmitidos	pelas	emissoras	de	televisão	possuam,
pelo	menos,	os	recursos	elencados	no	art.	67	desta	Lei;
A	Lei	n.	10.098/2000	estabelece	em	seu	art.	19	a	obrigatoriedade	da	adoção	de
medidas	técnicas,	por	parte	dos	serviços	de	radiodifusão	sonora	e	de	sons	e
imagens,	para	o	uso	da	linguagem	de	sinais	ou	outra	subtitulação,	a	fim	de
garantir	o	acesso	à	informação	das	pessoas	com	deficiência.
A	lei	foi	regulamentada	pelo	Decreto	n.	5.296/2004,	que	prevê	a	utilização,
dentre	outros,	dos	seguintes	sistemas	de	reprodução	de	mensagens	para	pessoas
com	deficiência	auditiva	e	visual:	a	subtitulação	através	de	legenda	oculta,	a
janela	com	intérprete	de	Libras	e	a	descrição	e	narração	em	voz	de	cenas	e
imagens	(art.	53,	§	2º).	O	mesmo	decreto	ainda	estabeleceu,	em	seu	art.	57,
parágrafo	único,	o	prazo	de	seis	meses	para	que	os	pronunciamentos	oficiais	do
Presidente	da	República	fossem	acompanhados	por	intérprete	de	Libras,	o	que
somente	começou	a	acontecer	cerca	de	dez	anos	depois,	a	partir	de	2014,	por
pressões	do	Ministério	Público	Federal.
A	Lei	Eleitoral	(Lei	n.	9.504/97)	estabelece	em	seu	art.	44,	§	1º	que	a
propaganda	eleitoral	gratuita	na	televisão	deverá	utilizar	janela	com	intérprete	de
Libras	ou	o	recurso	de	legenda.	Desde	a	eleição	de	2016,	o	TSE	vem	editando
Resoluções	no	sentido	de	adequar	a	propaganda	eleitoral	ao	disposto	no	art.	67
deste	Estatuto.	Para	as	eleições	de	2018,	o	TSE	editou	a	Res.	n.	23.551/2017
que,	em	seu	art.	42,	§	3º	estabelece	que	a	propaganda	eleitoral	gratuita	na
televisão	deverá	utilizar,	entre	outros	recursos,	subtitulação	por	meio	de	legenda
oculta,	janela	com	intérprete	da	Libras	e	audiodescrição,	sob	responsabilidade
dos	partidos	políticos	e	das	coligações.	Deve-se	destacar,	portanto,	que	a	atual
norma	substituiu	a	possibilidade	de	escolha	entre	as	alternativas	Libras	ou
legendas	para	a	obrigatoriedade	de	utilização	simultânea	dos	três	recursos
citados.
Nesta	mesma	Resolução	do	TSE	para	as	eleições	de	2018,	havia	a	previsão	para
que,	nos	debates	entre	os	candidatos	transmitidos	pela	televisão,	fossem
utilizados	estes	mesmos	três	recursos,	dentre	outros,	para	conferir	acessibilidade
às	pessoas	com	deficiência	(art.	38,	§	4º	da	Res.	n.	23.551/2017	–	TSE).
IV	–	garantia	do	livre	exercício	do	direito	ao	voto	e,	para	tanto,	sempre	que
necessário	e	a	seu	pedido,	permissão	para	que	a	pessoa	com	deficiência	seja
auxiliada	na	votação	por	pessoa	de	sua	escolha.
A	Resolução	do	TSE	n.	23.554/2017	regulamenta	os	atos	preparatórios	das
eleições	de	2018.	Em	seu	art.	115	há	a	previsão	de	que	o	eleitor	com	deficiência
ou	mobilidade	reduzida	seja	auxiliado	por	pessoa	de	sua	confiança	no	momento
do	voto,	mesmo	que	não	tenha	feito	pedido	expresso	antecipadamente.
Este	dispositivo	ainda	estabelece	que	cabe	ao	presidente	da	mesa	receptora	de
votos	verificar	se	é	imprescindível	o	auxílio	ao	eleitor	com	deficiência,	sendo
permitido,	inclusive,	que	o	acompanhante	de	confiança	digite	os	números	na
urna	eletrônica.
Existem	restrições	no	sentido	de	que	o	acompanhante	que	esteja	auxiliando	o
eleitor	com	deficiência	não	possa	estar	a	serviço	da	Justiça	Eleitoral,	de	partido
político	ou	de	coligação.	E	esta	assistência	prestada	deve	ser	consignada	em	ata.
A	Resolução	do	TSE	n.	23.381/2012	já	estabelecia	a	necessidade	de	os	Tribunais
Eleitorais,	em	anos	eleitorais,	realizar	em	campanhas	informativas	ao	eleitor	com
deficiência,	destacando	a	importância	do	voto	e,	entre	outras	medidas,	a
possibilidade	de	contar	com	o	auxílio	de	pessoa	da	sua	confiança	no	momento
do	voto.
§	2º	O	Poder	Público	promoverá	a	participação	da	pessoa	com	deficiência,
inclusive	quando	institucionalizada,	na	condução	das	questões	públicas,	sem
discriminação	e	em	igualdade	de	oportunidades,	observado	o	seguinte:
Embora	a	cidadania	constitua	um	dos	fundamentos	do	nosso	Estado
Democrático	de	Direito,	que	é	regido	pelo	princípio	da	soberania	popular,	a
participação	do	povo	nas	decisões	políticas	em	nosso	país	ainda	é	muito	baixa,
restringindo-se	basicamente	ao	voto,	expressão	da	democracia	representativa.
A	noção	de	que,	em	um	efetivo	Estado	Democrático	de	Direito,	os	mecanismos
de	participação	popular	devem	ser	ampliados	ainda	não	está	clara	para	a	opinião
pública,	para	os	meios	de	comunicação	e	até	mesmo	para	setores	mais
conservadores	do	meio	jurídico.	Esta	assertiva	pôde	ser	comprovada	com	as
reações	extremadas	após	a	edição	do	Decreto	n.	8.243,	de	abril	de	2014,	que
instituiu	a	Política	Nacional	de	Participação	Social	–	PNPS.
O	citado	Decreto,	editado	com	o	objetivo	de	fortalecer	e	articular	os	mecanismos
e	as	instâncias	democráticas	de	diálogo	e	a	atuação	conjunta	entre	a
administração	pública	federal	e	a	sociedade	civil,	estabeleceu	e	regulamentou	a
criação	de	instâncias	e	mecanismos	desta	participação	social,	tais	como:
conselho	de	políticas	públicas;	ouvidoria	pública	federal;	mesa	de	diálogo;
audiência	pública;	consulta	pública;	e	ambiente	virtual	de	participação	social
(art.	6º).	Em	todas	elas	está	previsto	o	respeito	à	diversidade	da	sociedade
brasileira	na	sua	composição.
Constam	ainda	como	algumas	das	principais	diretrizes	gerais	da	PNPS,	a
solidariedade,	a	cooperação	e	o	respeito	à	diversidade	de	etnia,	raça,	cultura,
geração,	origem,	sexo,	orientação	sexual,	religião	e	condição	social,	econômica
ou	de	deficiência,	para	a	construção	de	valores	de	cidadania	e	de	inclusão	social
(art.	3º).
Portanto,	a	implementação	desta	PNPS	seria	fundamental	para	a	participação	de
todos	os	setores	da	sociedade	nas	esferas	de	decisões	políticas,	incluindo	as
pessoas	com	deficiência.
Lamentavelmente,	ocorreram	confusões	de	cunho	ideológico	quanto	ao
significado	desta	PNPS,	fazendo	com	que	a	Câmara	dos	Deputados	aprovasse,
em	outubro	de	2014,	o	Projeto	de	Decreto	Legislativo	(PDC	n.	1.491/2014)	para
sustar	os	efeitos	do	Decreto	n.	8.243/2014.	Enviado	para	o	Senado	Federal	e
transformado	no	PDC	(SF)	n.	147/2014,	encontra-se	aguardando	votação	na
Comissão	de	Constituição,	Justiça	e	Cidadania	desta	casa	desde	novembro	de
2015.
Contudo,	existe	no	âmbito	do	Poder	Executivo	a	Secretaria	Nacional	de
Promoção	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência,	órgão	integrante	da
Secretaria	de	DireitosHumanos	da	Presidência	da	República	que	atua	na
articulação	e	coordenação	das	políticas	públicas	voltadas	para	as	pessoas	com
deficiência.
Destaca-se	ainda	o	Plano	Nacional	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência	–
Plano	Viver	sem	Limite,	com	a	finalidade	de	promover,	por	meio	da	integração	e
articulação	de	políticas,	programas	e	ações,	o	exercício	pleno	e	equitativo	dos
direitos	das	pessoas	com	deficiência,	criado	pelo	Decreto	n.	7.612/2011.
I	–	participação	em	organizações	não	governamentais	relacionadas	à	vida
pública	e	à	política	do	País	e	em	atividades	e	administração	de	partidos
políticos;
A	CF/88	estabelece,	no	art.	5º,	XVII	e	XX,	a	plena	liberdade	de	associação.	O
Código	Civil,	Lei	n.	10.406/2002,	estabelece	entre	as	espécies	de	pessoas
jurídicas	(art.	44)	as	associações,	formato	comumente	adotado	pelas	ONGs	–
Organizações	Não	Governamentais.
Existem	dezenas	de	ONGs	voltadas	aos	interesses	da	pessoa	com	deficiência,
que	atuam	de	modo	bastante	incisivo	e	competente	em	nosso	país.	Podem	ser
citados	como	exemplos	a	Apae	(Associação	de	Pais	e	Amigos	dos
Excepcionais);	a	AACD	(Associação	de	Assistência	à	Criança	Deficiente);	o
IBDD	(Instituto	Brasileiro	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência);	a	Escola	de
Gente;	a	Acessibilidade	Brasil	e	a	ADD	(Associação	Desportiva	para	Pessoas
com	Deficiência),	dentre	outras.
Estas	ONGs,	que	sempre	buscam	integrar	pessoas	com	deficiência	entre	os	seus
componentes,	têm	contribuído	decisivamente	para	as	discussões	de	projetos	de
leis	e	políticas	públicas	voltadas	para	os	direitos	de	inclusão	neste	setor.
II	–	formação	de	organizações	para	representar	a	pessoa	com	deficiência	em
todos	os	níveis;
A	CF/88	também	dispõe,	em	seu	rol	de	direitos	individuais,	sobre	a	liberdade	de
criação	de	associações	(art.	5º,	XVIII),	cujas	normas	de	criação	e	funcionamento
estão	previstas	no	Código	Civil	(Lei	n.	10.406/2002),	no	art.	44	e	seguintes.
Uma	maneira	eficiente	de	o	Poder	Público	atuar	para	promover	a	formação	de
organizações	que	representem	a	pessoa	com	deficiência	costuma	ser	por	meio	de
incentivos	fiscais.
Como	exemplo	desta	atuação	pode	ser	apontado	o	Programa	Nacional	de	Apoio
à	Atenção	da	Saúde	da	Pessoa	com	Deficiência	–	Pronas/PCD,	instituído	pela
Lei	n.	12.715/2012	e	regulamentado	pelo	Decreto	n.	7.988/2013.
O	Pronas/PCD	tem	a	finalidade	de	captar	e	canalizar	recursos	destinados	a
estimular	e	desenvolver	a	prevenção	e	a	reabilitação	da	pessoa	com	deficiência,
sendo	implementado	mediante	incentivo	fiscal	a	ações	e	serviços	de	reabilitação
da	pessoa	com	deficiência	desenvolvidos	por	pessoas	jurídicas	de	direito	privado
sem	fins	lucrativos	que	se	destinam	ao	tratamento	de	deficiências	físicas,
motoras,	auditivas,	visuais,	mentais,	intelectuais,	múltiplas	e	de	autismo.
III	–	participação	da	pessoa	com	deficiência	em	organizações	que	a
representem.
O	lema	“nada	sobre	nós,	sem	nós”,	de	origem	remota	e	revolucionária,	começou
a	ser	utilizado	por	ativistas	dos	direitos	das	pessoas	com	deficiência	na	África	e
na	Europa,	na	década	de	1990,	para	ilustrar	um	sentimento	de	necessidade	de
representatividade	ou	participação	efetiva	das	pessoas	com	deficiência	em
órgãos	públicos	ou	não	que	deliberem	e	estabeleçam	políticas	de	inclusão	deste
grupo.
Neste	sentido,	em	1999	foi	criado,	no	âmbito	do	Ministério	da	Justiça,	o	Conade
–	Conselho	Nacional	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência,	órgão	que
atualmente	integra	a	Secretaria	Nacional	de	Promoção	dos	Direitos	da	Pessoa
com	Deficiência.
O	Conade,	órgão	deliberativo	criado	para	acompanhar	e	avaliar	o
desenvolvimento	da	política	nacional	para	inclusão	da	pessoa	com	deficiência,
está	regulamentado	atualmente	pela	Portaria	Interministerial	n.	1/2017,	sendo
composto	por	19	representantes	dos	Ministérios	do	Poder	Executivo,	e	outros	19
componentes	da	sociedade	civil.	Destes	representantes,	13	são	membros	de
organizações	nacionais	de	e	para	pessoa	com	deficiência.	Desse	modo,	o	Conade
se	constitui	no	maior	exemplo	de	organização	governamental	que	cumpre	o
papel	de	conferir	representatividade	efetiva	para	a	pessoa	com	deficiência	em
sua	composição.
2Disponível	em:	http://www.eleicoes2018brasil.net/eleicoes-2018-
brasil/tse-2018	.
3Disponível	em:	http://www.tre-sp.jus.br/imprensa/noticias-tre-
sp/2018/Fevereiro/eleitor-com-deficiencia-pode-transferir-titulo-para-secao-
com-acessibilidade.
DA	CIÊNCIA	E	TECNOLOGIA
Art.	77.	O	Poder	Público	deve	fomentar	o	desenvolvimento	científico,	a
pesquisa	e	a	inovação	e	a	capacitação	tecnológicas,	voltados	à	melhoria	da
qualidade	de	vida	e	ao	trabalho	da	pessoa	com	deficiência	e	sua	inclusão
social.
É	obrigação	do	Estado	a	criação	e	implementação	de	políticas	públicas,	bem
como	a	elaboração	de	leis	que	favoreçam	o	desenvolvimento	científico	e
tecnológico	no	sentido	de	promover	os	direitos	das	pessoas	com	deficiência,
além	de	melhorar	sua	condição	de	vida.	O	desenvolvimento	científico,	pesquisa,
inovação	e	capacitação	tecnológica	tem	como	fundamento	o	art.	4,	alínea	g	da
Convenção	sobre	os	Direitos	das	Pessoas	com	Deficiência	(Decreto	n.	6.949,	de
25	de	agosto	de	2009),	que	prevê	o	emprego	de	tecnologias	de	informação,
comunicação,	ajudas	técnicas	para	locomoção,	bem	como	o	uso	de	dispositivos	e
tecnologia	assistiva	adequados	para	as	pessoas	com	deficiência.	Com	efeito,
cumpre	salientar	que	durante	o	período	de	tramitação	do	Estatuto	da	Pessoa	com
Deficiência,	que	foi	de	aproximadamente	quinze	anos,	foram	realizadas	diversas
ações	governamentais	de	fomento	à	pesquisa,	ao	desenvolvimento	e	à	inovação
para	melhoria	dos	conhecimentos	e	tecnologias	em	favor	da	pessoa	com
deficiência.
§	1º	O	fomento	pelo	Poder	Público	deve	priorizar	a	geração	de
conhecimentos	e	técnicas	que	visem	à	prevenção	e	ao	tratamento	de
deficiências	e	ao	desenvolvimento	de	tecnologias	assistiva	e	social.
Inicialmente,	cumpre	esclarecer	que	a	expressão	“prevenção	e	tratamento	de
deficiências”	se	refere	a	medidas	para	evitar,	retardar	ou	minimizar	as	causas	das
deficiências.	De	acordo	com	a	Organização	Mundial	da	Saúde	(OMS),	as
medidas	de	proteção	à	criança	e	à	mãe	contra	doenças	causadoras	de	deficiência,
chamadas	de	prevenção	primária,	realizadas	por	meio	de	políticas	públicas	com
o	escopo	de	estimular	a	realização	do	exame	pré-natal,	bem	como	a	condução	de
programas	de	informação	à	população,	podem	evitar	em	até	70%	dos	casos	o
surgimento	de	deficiências	causadas	por	enfermidades	durante	o	período	de
gestação.	Por	conseguinte,	o	Ministério	da	Ciência,	Tecnologia	e	Inovação,	por
força	do	art.	12,	§	1º	do	Plano	Nacional	dos	Direitos	da	Pessoa	com	Deficiência,
denominado	Plano	“Viver	sem	Limite”	(Decreto	n.	7.612,	de	17	de	novembro	de
2011),	exerce	a	coordenação	do	Comitê	Interministerial	de	Tecnologia	Assistiva,
no	que	diz	respeito	ao	planejamento	e	execução	de	políticas	públicas	voltadas	à
inclusão	e	ao	pleno	exercício	dos	direitos	das	pessoas	com	deficiência.	Por	fim,	é
oportuno	salientar	que,	hodiernamente,	o	Brasil	conta	com	programas	de
pesquisa	voltados	ao	desenvolvimento	tecnológico,	especialmente	no	ramo	da
produção	de	vacinas	e	recursos	de	prevenção	às	doenças	causadoras	de
deficiência,	tais	como	o	Plano	Nacional	de	Enfrentamento	ao	Aedes	Aegypti	e
aos	vírus	Zika	e	Chikungunya,	apontados	como	causadores	da	Microcefalia.
§	2º	A	acessibilidade	e	as	tecnologias	assistiva	e	social	devem	ser	fomentadas
mediante	a	criação	de	cursos	de	pós-graduação,	a	formação	de	recursos
humanos	e	a	inclusão	do	tema	nas	diretrizes	de	áreas	do	conhecimento.
A	criação	de	cursos	de	pós-graduação	para	formação	de	recursos	humanos	é
essencial	para	atender	a	demanda	por	pessoal	qualificado	na	área	de	Tecnologia
Assistiva.	Por	conseguinte,	existem	diversos	programas	de	pós-graduação
apoiados	pelo	Ministério	da	Ciência,	Tecnologia	e	Inovação	e	pela	Secretaria	dos
Direitos	Humanos	por	meio	da	Capes	(Coordenação	de	Aperfeiçoamento	de
Pessoal	de	Nível	Superior),	bem	como	pelo	CNPq	(Conselho	Nacional	de
Desenvolvimento	Científico	e	Tecnológico),	que	possibilitam	o	desenvolvimento
de	novas	linhas	de	pesquisa	nos	cursos	de

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