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1HISTÓRIA
1. A colonização francesa
Antecedentes
A França iniciou tardiamente seu processo de
expansão ultramarina. Envolvida na Guerra dos Cem
Anos (1337-1453), somente na segunda metade do
século XV ini ciou as navegações, que proporcionaram a
formação de seu Império Colonial na Amé ri ca,
estabelecendo-se em áreas desprezadas pelos ibéricos.
As navegações francesas tinham por objetivo encon -
trar uma passagem a no roes te para a Ásia.
Assim como os ingleses, os franceses organizaram
sua ação em termos de pi ra taria e concessão de cartas
de corso reais contra as frotas dos países ibéricos, 
ou por meio de ataques a vilas e povoados da América
luso-espanhola. Cabe lembrar que o rei Francisco I ques -
tio na va o Tratado de Tordesilhas, exigindo para a sua
aceitação o “testamento de Adão”.
As conquistas
Na primeira metade do século XVI, os franceses
organizaram expedições para o Novo Mundo. Entre 1534
e 1535, Jacques Cartier explorou a foz do Rio São
Lourenço, dando-lhe o nome de Nova França. Nesse
mesmo período, tentaram fundar uma colônia de
povoamento na Baía da Guanabara (atual Rio de Janeiro),
que ficou conhecida como “França Antártica”.
Logo em seguida, na França, tiveram início as
Guerras de Religião, que en vol ve riam toda a história
francesa até o final do século XVI, atrasando assim os
empreen dimentos ultramarinos.
No reinado de Henrique IV, a questão religiosa foi
apaziguada e retomou-se a ideia de exploração da América.
Em 1603, Samuel de Champlain começou a ocupação das
terras; em 1608, fundou a cidade de Québec, no Canadá.
Nessa região, apesar dos esforços para a implan ta -
ção de atividades agrícolas, desenvolveu-se um lucrativo
comércio de peles com os indígenas algonquinos.
Em 1627, o governo do cardeal Richelieu criou a
Companhia de Comércio Nova França, que recebeu o
monopólio do comércio de peles e comprometeu-se a
povoar o Canadá.
Em 1642, missionários católicos fundaram a cidade
de Montreal, expandindo a área conquistada pela França.
Módulos
45 – Expansão e colonização francesa
46 – Expansão e colonização holandesa
47 – Colonização espanhola
48 – África I – Origens e características 
gerais
49 – África II – Tráfico Negreiro
50 – A origem do ameríndio
51 – Os maias
52 – Os astecas
53 – Os incas
54 – Os indígenas norte-americanos
55 – Indígenas brasileiros
56 – Política indigenista no Brasil
45
Expansão e 
colonização francesa
Palavras-chave:
• Corsários 
• Companhias de comércio
• Colbertismo
HISTÓRIA INTEGRADA
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 04/06/2021 14:16 Página 1
2 HISTÓRIA
Entre 1673 e 1674, os jesuítas alcançaram a região
dos Grandes Lagos, o que possibilitou a descoberta da
foz do Rio Mississippi, pelo qual Robert de Cavelier de
La Salle navegou de 1680 a 1682, ane xan do, em nome
da França, todo o território até a nascente do rio. Esse
território foi denominado Louisiana.
O mercantilismo francês proporcionou um afluxo de riquezas para
o erário. Sala dos Espelhos, Palácio de Versalhes.
Com Colbert, minis tro de Luís XIV, ex tin guiu-se a
Compa nhia de Comércio Nova Fran ça e a responsa -
bilidade pela colonização pas sou para a Coroa Fran -
cesa. O Canadá seria transformado em re gião
produtora de ma dei ra e peles, tor nando-se uma pro -
víncia do Impé rio.
Colbert, ministro das Finanças de Luís XIV.
Nas Pequenas An tilhas, a ocupação francesa deu-
se principalmente com a fun dação da Companhia das
Índias Ocidentais, por Colbert. As ilhas ocupadas pela
Fran ça, a partir de 1635, foram Guadalupe, Martinica,
São Cristóvão, São Bartolo meu, São Martinho, Santa
Lúcia, Santa Cruz e Granada, além da porção ocidental
da ilha de Hispaniola ou Ilha de São Domingos (mais
tarde, chamada de Haiti). Essas áreas im pro dutivas
nas mãos da Companhia de Comércio passaram, em
1674, para o do mí nio do Esta do, produzindo tabaco,
algodão, açúcar, cacau, café e ma dei ras tin to riais.
2. O declínio do 
Império Francês na América
A ocupação da América do Norte por franceses e
ingleses acabou conduzindo a choques inevitáveis
entre esses grupos, motivados por interesses
econômicos e territoriais.
Os franceses dominavam o comércio de peles
com os indígenas, o que atraía a atenção dos ingleses,
que já se sentiam limitados, pois a presença francesa
na região da Louisiana impedia sua expansão para as
áreas a oeste.
Nesses conflitos, era comum a busca de alianças
com os grupos indígenas locais. Os franceses estabe -
le ce ram aliança com os algonquinos; e os ingleses,
com os iroque ses, tribos rivais desde o período pré-
coloni za dor.
A expansão de colonos ingleses para além dos
Montes Allegheny resultou em conflito com os
franceses que, somado aos conflitos europeus, como
a Guerra de Sucessão Espanhola (1701 a 1713),
retirou da França, de acordo com o Tratado de
Utrecht, a região de Nova Acádia e Terra Nova, no
Canadá.
Mais tarde, novos conflitos envolveram franceses
e ingleses. Entre 1756 e 1763, eclodiu a Guerra dos
Sete Anos, travada em duas frentes: uma americana e
outra europeia. A França foi a grande derrotada e, com
a assina tura do Tratado de Paris, em 1763, perdeu o
Canadá, as Peque nas Antilhas e o leste do Rio
Mississippi para a Inglaterra. A Espanha (aliada da
Inglaterra) recebeu a Louisiana como recompensa pela
perda da Flórida para os ingleses.
Durante a Guerra de Independência norte-ame ri -
cana, a França retomou a Louisiana, que, em 1803, foi
vendida por Napoleão Bonaparte aos Estados Unidos
da América.
Atualmente, a Guiana Francesa é o único território
francês nas américas. Foi colônia até 1947, quando se
tornou um departamento ultramarino. 
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 2
3HISTÓRIA
� (MODELO ENEM) – Em 1555, um dos
mais importantes líderes do protes tantismo
francês, o Almirante Coligny, enviou uma
expedição à América. Em novembro do
mesmo ano, sob o comando de Nicholas
Durand de Villegaignon, a expedição chegou
ao atual Estado do Rio de Janeiro, onde
construiu o forte Coligny e fundou uma colônia
deno minada França Antártica.
Destaca-se, entre as razões que motivaram a
fundação dessa colônia, a
a) disputa pela posse das lavouras açu -
careiras implan tadas no território brasileiro.
b) luta pelo controle do porto de Paraty, por
onde era exportada a produção de ouro.
c) retaliação aos católicos pelo massacre de
pro tes tantes na “Noite de São Bartolo -
meu”.
d) disputa pela hegemonia do comércio de
pau-brasil para a manufatura têxtil.
e) necessidade de ampliar o controle
territorial francês até a foz do Rio da Prata.
Resolução
Desde os primórdios do século XVI, os
franceses se interessavam pela extração do
pau-brasil em nosso litoral. A fundação da
França Antártica insere-se nessa disputa com
os portugueses, bem como nos conflitos entre
católicos e huguenotes (protestantes calvinis -
tas) na França. 
Obs.: A importância do pau-brasil relacionava-se
com a produção de uma tintura vermelha para
as manufaturas têxteis da Europa.
Resposta: D
� Michel Eyquem de
Montaigne (1533-1592)
compara, nos trechos a
seguir, as guerras das sociedades Tupinambá
com as chamadas “Guerras de Religião” dos
franceses que, na segunda metade do século
XVI, opunham católicos e protestantes. 
“(...) não vejo nada de bárbaro ou selvagem no
que dizem daqueles povos; e, na verdade,
cada qual considera bárbaro o que não se
pratica em sua terra. (...) Não me parece
excessivo julgar bárbaros tais atos de
crueldade [o canibalismo], mas que o fato de
condenar tais defeitos não nos leve à cegueira
acerca dos nossos. Estimo que é mais bárbaro
comer um homem vivo do que o comer depois
de morto; e é pior esquartejar um homem
entre suplícios e tormentos e o queimar aos
poucos, ou entregá-Io a cães e porcos, a pre -
texto de devoção e fé, como não somente o
lemos mas vimos ocorrer entre vizinhos
nossos conterrâneos; e isso em verdade é
bem mais grave do que assar e comer um
homem previa mente executado. (...) Podemos
portanto quali ficar esses povos como bárbaros
em dando apenas ouvidos à inteligência, mas
nunca se compararmos anós mesmos, que os
exce demos em toda sorte de barbaridades”.
(Michel Eyquem de Montaigne. Ensaios. 
São Paulo: Nova Cultural, 1984.)
De acordo com o texto, pode-se afirmar que,
para Montaigne,
a) a ideia de relativismo cultural baseia-se na
hipótese da origem única do gênero
humano e da sua religião. 
b) a diferença de costumes não constitui um
critério válido para julgar as diferentes
socie dades. 
c) os indígenas são mais bárbaros do que os
europeus, pois não conhecem a virtude
cristã da piedade. 
d) a barbárie é um comportamento social que
pressupõe a ausência de uma cultura civili -
zada e racional. 
e) a ingenuidade dos indígenas equivale à
racionalidade dos europeus, o que explica
que os seus costumes são similares. 
Resolução 
A resposta correta resulta da simples inter pre -
tação do texto apresentado. Podemos, porém,
reforçá-la considerando o conceito antropo -
lógico de cultura: conjunto da produção
coletiva de uma comunidade, independen te -
men te de seu nível de adiantamento técnico.
Assim, não se podem estabelecer juízos de
valor entre diferentes culturas, com base
exclu sivamente nas diferenças ou no aparente
exotismo dos costumes de uma comunidade.
Obs.: No texto transcrito, Mon taigne comete
uma contradição ao considerar as práticas
adotadas pelos europeus, nas guerras entre
católicos e protestantes, mais condenáveis
que o canibalismo dos tupinambás. Para
chegar a essa conclusão, o pensador francês
estabe leceu juízos pessoais, sem considerar
os valores predominantes na sociedade de seu
tempo. 
Resposta: B 
Exercícios Resolvidos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 3
4 HISTÓRIA
� Quais as razões do atraso da França nas Grandes
Navegações?
RESOLUÇÃO:
Os motivos que levaram ao atraso foram: no século XV, o
envolvimento na Guerra dos Cem Anos (1337-1453) e a necessidade
de recuperação do país após o conflito; no século XVI, as Guerras
de Religião (1562-98) entre católicos e hugue notes, as quais
dividiram o País, evitando a união dos esforços que deveriam ser
direcionados aos empreendimentos marítimos.
� Quais as mudanças promovidas na colonização do Canadá
com o ministério de Colbert?
RESOLUÇÃO:
Colbert extinguiu a Companhia de Comércio Nova França, e o
Canadá se transformou em província do Império. Como
consequência, a França passou a ocupar-se com a exploração
comercial das Pequenas Antilhas.
� Comente os efeitos da Guerra dos Sete Anos para o
Império Colonial Francês.
RESOLUÇÃO:
A França, derrotada na Guerra, perdeu para a Inglaterra os ter -
ritórios do Canadá, Pequenas Antilhas e leste do Mississippi.
� Com relação à colonização francesa na América, assinale
Verda deiro ou Falso.
(0) A exploração colonial foi efetivamente desenvolvida por Col -
bert.
(1) No Canadá, os franceses estabeleceram postos para o
comér cio de peles.
(2) Nas pequenas Antilhas, foi desenvolvida a mineração.
(3) A França manteve o seu império colonial intacto até o final da
Época Moderna.
(4) Os franceses não desenvolveram a grande lavoura mercantil
em suas colônias americanas.
RESOLUÇÃO:
2 – Nas pequenas Antilhas foi desenvolvida a grande lavoura de
produtos tropicais.
3 – Antes do fim da Idade Moderna, a França já havia perdido
diversos territórios para a Inglaterra.
4 – O principal foco da colonização francesa nas Américas foi o
desenvolvimento de latifúndios.
Itens verdadeiros: 0 e 1.
Itens falsos: 2, 3 e 4.
Exercícios Propostos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 4
5HISTÓRIA
� Jean de Léry viveu na França na segunda
metade do século XVI, época em que as
chamadas Guerras de Religião opuseram
católicos e protestantes. No texto abaixo, ele relata o cerco da
cidade de Sancerre por tropas católicas.
“(...) desde que os canhões começaram a atirar sobre nós com
maior frequência, tornou-se necessário que todos dormissem
nas casernas. Eu logo providenciei para mim um leito feito de
um lençol atado pelas suas duas pontas e assim fiquei
suspenso no ar, à maneira dos selvagens americanos (entre os
quais eu estive durante dez meses) o que foi imediatamente
imitado por todos os nossos soldados, de tal maneira que a
caserna logo ficou cheia deles. Aqueles que dormiram assim
puderam confirmar o quanto esta maneira é apropriada tanto
para evitar os vermes quanto para manter as roupas limpas
(...).”
Neste texto, Jean de Léry
a) despreza a cultura e rejeita o patrimônio dos in dí genas
americanos.
b) revela-se constrangido por ter de recorrer a um invento de
“selvagens”.
c) reconhece a superioridade das sociedades indí ge nas
americanas com relação aos europeus.
d) valoriza o patrimônio cultural dos indígenas ame ricanos,
adaptando-o às suas necessidades.
e) valoriza os costumes dos indígenas americanos por que eles
também eram perseguidos pelos católicos.
RESOLUÇÃO:
O texto se explica por si mesmo, mostrando como um europeu que
vivera entre os índios do Brasil assimilou algumas de suas práticas,
adaptando uma delas (o uso da rede) às suas neces sida des na
Europa.
Resposta: D 
� (UFRRJ – MODELO ENEM) – O texto a seguir trata das
incursões francesas na América; entretanto, essas ainda não
representavam que a França tivesse dado início à sua
expansão.
“Ao longo do século XVI, os franceses estiveram na América,
mas isso não significava uma atitude sistemática e coerente
desenvolvida pela Coroa. Era, no mais das vezes, atuação de
corsários e de uns poucos indivíduos. Como exemplo, pode-se
mencionar as invasões do litoral brasileiro, (...), e algumas
visitas à América do Norte.”
(R. de M. Faria; F. C. Berutti; A. M. Marques. 
História para o Ensino Médio. Belo Horizonte: Lê, 1998, p.182.)
Dentre os motivos que levaram a França a iniciar tardiamente
sua expansão marítima e comercial, podemos destacar
a) os problemas internos ligados à consolidação do Estado
Nacional.
b) a derrota da França na violenta guerra contra a Alemanha.
c) a falta de associação entre a Coroa e a Burguesia francesa.
d) a violenta disputa religiosa entre calvinistas e luteranos.
e) a não inclusão das classes superiores no projeto expan -
sionista.
RESOLUÇÃO:
As guerras de religião (católicos contra protestantes huguenotes)
impediram a unificação do país em torno de uma família real,
condição fundamental para a realização das navegações.
Resposta: A
� (FUVEST) – Sobre a presença francesa na baía de
Guanabara (1557-1560), podemos dizer que foi
a) apoiada por armadores franceses católicos que procuravam
estabelecer no Brasil a agroindústria açucareira.
b) um desdobramento da política francesa de luta pela liberdade
nos mares e assentou-se numa exploração econômica do
tipo da feitoria comercial.
c) um protesto organizado pelos nobres franceses huguenotes,
descontentes com a Reforma Católica implementada pelo
Concílio de Trento.
d) uma alternativa de colonização muito mais avançada do que
a portuguesa, porque os huguenotes que para cá vieram
eram burgueses ricos.
e) parte de uma política econômica francesa levada a cabo pelo
Estado com intuito de criar companhias de comércio.
RESOLUÇÃO:
A França não reconhecia o Tratado de Tordesilhas e afirmava que
as terras do Novo Mundo não pertenciam a quem as descobriu,
mas a quem as ocuparia de fato.
Resposta: B
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 5
6 HISTÓRIA
1. Antecedentes
Na Baixa Idade Média, a região da Flandres (ou
Países Baixos), correspondente à Bélgica e à Holanda
atuais, era um importante centro mercantil e manufa -
tureiro, principalmente no setor têxtil. Poli ti ca men te, era
formada por um aglomerado de feudos com extensão
variável, submetidos sucessivamente à suserania da
França, do Ducado da Borgonha, da Áustria e, a partir de
1556, da Espanha (então governada por um ramo da
Dinastia de Habsburgo). 
Na época, a Reforma Protestante provocara uma cisão
entre os flamengos: os habitantes da porção setentrional
(atual Holanda) aderiram ao calvinismo, enquanto os
moradores do sul (Bélgica de hoje) permaneceram cató -
licos. Felipe II, rei da Espanha (1556-98)e senhor dos
Países Baixos, era um católico inflexível e o principal líder
leigo da reação antiprotestante (Contrarreforma). Tentando
forçar os flamengos do norte* a retornar ao catolicismo,
ele iniciou uma série de perseguições que levaram os
protestantes a se revoltar contra o domínio espanhol, em
1568. Em 1581, os rebe lados proclamaram a indepen -
dência da República das Sete Províncias Unidas dos Países
Baixos (comumente conhecida como Holanda), sob a
forma de uma república burguesa.
* Inicialmente, o termo flamengo designava todos os habitantes da
Flandres. Atualmente, aplica-se apenas aos belgas que falam holandês
(os belgas que falam francês são conhecidos pelo nome de valões). Por
outro lado, a denominação Países Baixos, antes extensiva a toda a
Flandres, hoje se restringe à Holanda.
Mesmo durante o período em que esteve subordi na -
da à Espanha, a Holanda desenvolveu-se como um
Estado capitalista, e, como já foi dito, com a burguesia
profes sando uma religião protestante calvinista. Assim,
os flamengos já tinham uma participação expressiva no
comércio marítimo europeu, possuindo uma grande
frota mercante, desenvolvendo uma poderosa marinha
de guerra e tornando-se rapidamente uma das maiores
potências navais da época, comparável à Espanha e à
Inglaterra. Além disso, naquela época, os holandeses
tornaram-se parceiros de Portugal na comercialização do
açúcar brasileiro, realizando grandes investimentos nos
engenhos de cana-de-açúcar.
2. União Ibérica
Em 1580, com a extinção da Dinastia de Avis, a
Coroa Portuguesa passou para a Espanha, formando a
União Ibérica (1580-1640). Obrigados a seguir a política
externa espanhola, os portugueses romperam suas rela -
ções mercantis com os flamengos, contra os quais pas -
sa ram a combater. 
Em 1599, os holandeses tentaram uma primeira pe -
ne tração no Rio de Janeiro, mas não obtiveram sucesso.
Em 1602, fundaram a Companhia das Índias
Orien tais e iniciaram a penetração no Oriente (Índia,
Ceilão, hoje Sri Lanka, e Ilhas Molucas), além de
realizarem o tráfico negreiro com a África.
De 1609 a 1621, foi firmada e vigorou a Trégua dos
Doze Anos, período em que se intensificaram as com -
pras de açúcar e Amsterdã tornou-se um dos grandes
centros refinadores e distribuidores do produto.
Os êxitos da Companhia das Índias Orientais esti mu -
la ram a criação, em 1621, de uma empresa congênere
para atuar no Oceano Atlântico: a Companhia das Índias
Oci dentais (sigla em holandês: WIC), estruturada nos
moldes de sua antecessora. A WIC atuou nas três
Américas e também na costa ocidental da África, onde
chegou a dominar Angola, importante centro fornecedor
de escravos.
Na América do Sul, os holandeses invadiram o Brasil
em duas ocasiões, visando apoderar-se dos centros
produtores de açúcar, mas foram expulsos nas duas
tentativas (Guerras do açúcar). Em 1624-25, atacaram a
Bahia. Na segunda vez, invadiram Pernambuco (1630-54),
tendo chegado a dominar o litoral nordestino desde
Alagoas até o Mara nhão. Mesmo derrotados, conseguiram
transplantar o cultivo da cana e as técnicas da produção
açucareira para as possessões que haviam conquistado
nas Antilhas, estabelecendo uma concorrência que
prejudicou o açúcar brasileiro. Aliás, algumas dessas
colônias insulares permanecem até hoje sob a soberania
dos Países Baixos.
3. Decadência
A Companhia das Índias Ocidentais também tentou
fixar-se na América do Norte, fundando em 1625, na Ilha
de Manhattan, a cidade de Nova Amsterdam, capital da
colônia da Nova Holanda. A região recebeu numerosos
imigrantes e prosperou, mas não conseguiu resistir ao
crescente poderio da Inglaterra. A Guerra de
Navegação dos holandeses con tra os ingleses de Oliver
Cromwell (1651-54), devido à decretação do Ato de
Nave ga ção (1651) pela Ingla ter ra, contri buiu para
46
Expansão e 
colonização holandesa
Palavras-chave:
• Independência
• Companhias de comércio 
• Guerras do açúcar
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:45 Página 6
7HISTÓRIA
enfraquecer ainda mais os flamen gos. Em 1674, Nova
Amsterdam passou definiti vamente para o domínio
inglês, com o nome de Nova York.
Pieter Stuyvesant (1612-72), governador da Nova Holanda,
defendendo a cidade de Nova Amsterdam (futura Nova York) contra
os ingleses.
Ainda no século XVII, a Holanda estabeleceu-se na
região da Guiana, mas perdeu para a Grã-Bretanha boa
parte desse território (1796). A área restante (com
exclusão da Guiana Francesa) permaneceu em poder da
Holanda até 1975, quando obteve sua independência,
com o nome de Suriname.
Em marcha lenta nas ilhas do Caribe
“Formadas por Barbados, ilhas de
Sotavento, Trinidad e Tobago, Guadalupe,
Porto Rico e República Dominicana, as
Antilhas eram as Sugar Lands, ilhas do
açú car, que foram sucessivamente
incorpo ra das ao mercado mundial como
produtoras de açúcar e ficaram conde -
nadas até nossos dias. Prisio nei ras da
monocul tura da cana nos lalifúndios de
vastas terras exaustas, as ilhas sofrem
com o desem prego e a pobreza; o açúcar
é cultivado em gran de escala e em grande
escala irradia suas mal di ções. Também
Cuba conti nua depen dendo, em medida
determinante, de suas vendas de açúcar,
mas a partir da reforma agrária de 1959,
iniciou-se um intenso pro cesso de
diversificação da economia da ilha, o que
colocou um ponto-final no desemprego.
Os cubanos não trabalham ape nas cinco
meses no ano, durante as safras, mas sim
doze, ao longo da inter rompida e, decerto,
difícil construção de uma nova sociedade.
‘Pensareis talvez, senhores’, dizia
Karl Marx em 1848, ‘que a produção de
café e açúcar é o destino natural das
Índias Oci den tais. Há dois séculos, a
natureza, que pou co tem a ver com o
comércio, não tinha plan ta do ali nem a
árvore do café nem a cana-de-açú car’. A
divisão interna cional do trabalho não se foi
estruturando por obra e graça do Espírito
Santo, senão por obra dos homens ou,
mais precisa mente, por causa do desen -
 vol vimento internacional do capitalismo.
Na realidade, Barbados foi a primeira
ilha do Caribe onde se produziu o açúcar
para a exportação em grandes quanti da -
des, desde 1641, embora anteriormente
os espanhóis tenham plantado cana na
Ilha Dominicana e em Cuba. Foram os
holan deses, como vimos, que introdu zi -
ram as plantações na minúscula ilha
britânica. Em 1666, já havia em Barbados
800 planta ções de cana e mais de 800 mil
escravos. Vertical e horizontalmente
ocupada pelo latifúndio nascente, Barba -
dos não teve melhor sorte do que o Nor -
des te do Brasil. Antes, a ilha desfrutava
da policultura; produ zia, em pequenas
propriedades, algo dão, ta baco, laranjas,
vacas e porcos. Os canaviais devoraram
as culturas agrícolas e devasta ram as
densas matas em nome do efêmero
apogeu. Rapidamente, a ilha descobriu
que seus solos haviam se esgotado, que
não tinha como alimentar sua população e
que estava produ zindo açúcar a preços
fora de concorrência.
O açúcar propagou-se a outras ilhas,
em direção ao arquipélago de Sotavento,
rumo à Jamaica e, em terras continentais,
às Guianas. No começo do século XVIII,
os escravos eram, na Jamaica, dez vezes
mais numerosos do que os colonos
brancos. Também seu solo se cansou em
pouco tempo. Na segunda metade do
século, o melhor açúcar do mundo brota -
va do solo esponjoso das planuras da cos -
ta do Haiti, uma colônia francesa que na -
quela época se chamava Saint Domin gue.
Ao norte e a oeste, o Haiti converteu-se
em sorvedouro de escravos, pois o açúcar
exigia cada vez mais braços. Em 1786,
chegaram à colônia 27 mil escravos e, no
ano seguinte, 40 mil. 
No outo no de 1791, explodiu a
revolução. Num só mês, se tem bro,
duzentas planta ções de cana fo ram
tomadas pelas chamas; os incên dios e os
combates suce deram-se sem trégua à
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 7
8 HISTÓRIA
medida que os escravos insurretos iam
empurrando os exércitos fran ceses até o
oceano. Os barcos zarparam car regando
cada vez mais fran ceses e cada vez
menos açúcar. A longa guerra der ramou
rios de sangue e devastou as plantações.
O país, emcinzas, ficou para lisado; em
fins do século, a produ ção caiu verti cal -
mente. ‘Em novembro de 1803 quase
toda a colônia, antigamente flores cente,
era um grande ce mitério de cinzas e
escombros’, diz Lep kowski. 
A Revolu ção Haitiana tinha coinci -
dido, e não só no tempo, com a Revo -
lução Francesa; o Haiti sofreu também, na
própria carne, o bloqueio da coalizão inter -
nacional contra a França quando a Ingla -
ter ra domi nava os mares. Porém, logo
sofreu, à medi da que sua in de pendência
se fazia inevi tável, o bloqueio da França.
Cedendo à pressão francesa, o Congresso
dos Estados Unidos proibiu o co mércio
com o Haiti, em 1806. Logo em 1825, a
França reconheceu a indepen dên cia de
sua anti ga colônia, mas em troca de uma
gi gan tes ca indenização em dinheiro. E m
1802, pouco de pois de Tous saint-Lou -
verture (cau dilho dos exér citos escra vos)
ser preso, o ge neral Leclerc escre vera a
seu cunhado Na poleão: ‘Eis minha opinião
sobre o país: há que supri mir todos os
negros das montanhas, homens e
mulheres, conser vando-se somente as
crianças menores de doze anos, extermi -
nar a metade dos negros nas planícies e
não deixar na colônia nem um só negro
que use jarre tei ras’. O trópico vingou-se
de Leclerc, pois mor reu ‘agarrado pelo
vômito-negro’ (apesar das esconju ra -
ções mágicas de sua esposa, Paulina Bona -
par te, irmã de Napoleão), sem poder
cumprir seu plano, porém a indeni za ção
em dinhei ro se tornou uma pedra esma -
gadora sobre as costas dos haitianos
independentes que haviam sobre vivido
aos banhos de sangue das suces sivas
expedi ções militares enviadas contra
eles. O país nasceu em ruínas e não se
recuperou jamais; hoje é o mais pobre da
América Latina.
A crise do Haiti provocou o auge açu -
ca reiro de Cuba, que rapidamente conver -
teu-se na primeira supridora do mundo.
Também a produção cubana de café,
outro artigo de intensa demanda no
ultramar, recebeu seu impulso da queda
de pro dução haitiana, po rém o açúcar
ganhou a corrida da mono cul tura e, em
1862, Cuba viu-se obrigada a importar
café. Um membro dile to da ‘sacaro cracia’
cuba na chegou a escrever sobre as
‘profundas vantagens que se podem tirar
da desgraça alheia’. À rebelião haitiana
suce de ram os preços mais fabulo sos da
história do açú car no mercado euro peu, e,
em 1806, Cuba já tinha duplicado, ao
mesmo tempo, os en genhos e a produti -
vidade.”
(Eduardo Galeano. As veias abertas da
América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
Adaptado.)
� (MACKENZIE – MODELO ENEM) – “E
se a lição foi aprendida a vitória não será vã.
Nesse Brasil holandês tem lugar para
português e para o Banco de Amsterdam.”
(Chico Buarque e Rui Guerra. Cababar.)
Indique a alternativa que justifica o texto
relativo às Invasões Holandesas no séc. XVII.
a) Após a vitória holandesa, os senhores de
engenho continuaram a resistência, sem
jamais aceitar o novo dominador.
b) A administração de Nassau, marcada pela
intolerância religiosa, desencadeou a
violenta resis tência dos colonos.
c) Negros e índios não participaram das lutas
contra os invasores holandeses.
d) A Companhia das Índias ofereceu créditos,
liber dade religiosa e proteção aos colonos,
que aos poucos retornaram aos engenhos
e à produção.
e) Os holandeses não conseguiam dominar
Pernam buco, nem conseguiam aliados
entre os nativos, sofrendo duros revezes.
Resolução
A política adotada pela Companhia das Índias
Ocidentais em relação ao Brasil holandês somen -
te corresponde ao explicitado na alter nativa d
se consi derarmos o Período Nassoviano
(1637-44). Antes e depois disso, o que houve
foi uma postura de exploração e de arrocho
econômico.
Resposta: D
� (FATEC – MODELO ENEM) – “Guerreado
por Madri e pela Holanda, posto em qua -
rentena pela Santa Sé, Portugal busca o apoio
de Lon dres, preferindo à aliança com os dis -
tan tes here ges à as sociação com os vizinhos
católicos. Dando se guimento a vários tratados
bilaterais, os portu gueses fa cilitam o acesso
dos mercadores e das mercadorias inglesas às
zonas sob seu controle na Ásia, África e
América.”
(L.F. de Alencastro. A economia política dos
descobrimentos. In A. Novaes (org.). A descoberta
do homem e do mundo. São Paulo: Cia. das Letras,
1998, p. 193.)
O trecho do texto de Alencastro refere-se
a) ao período inicial da expansão marítima
portu guesa, no qual as rivalidades com a
Espanha em torno da partilha da América
levaram a uma apro ximação diplomática
entre Portugal e Inglaterra.
b) à época da Restauração, que se seguiu à
união di nás tica entre as monarquias
ibéricas e que obrigou a Coroa Portuguesa
a en frentar tropas espanholas na Europa e
holan desas na África e na América.
c) à época napoleônica, que acabou por
definir o início da aproximação diplomática
de Portugal com a Inglaterra, em virtude da
articulação franco-espanhola que ameaçava
as colônias portuguesas na América.
d) ao período de Guerras de Religião, durante
o qual a monarquia portuguesa, por aproxi -
mar-se dos calvinistas ingleses, passou a
ser enca rada com suspeitas pelo poder
pontifício.
e) à época das primeiras viagens portuguesas
às Ín dias, quando muitas expedições foram
or gani zadas em conjunto por Inglaterra e
Portugal, o que alijou holandeses e es -
panhóis das atividades mercantis reali -
zadas na Ásia.
Resolução
A União Ibérica (1580-1640) terminou quando
da Res tauração Portuguesa, com a ascensão
da Dinastia de Bragança. Nessa ocasião,
Portugal teve de lutar contra a Espanha (que
não queria reconhecer a eman cipação lusa) e
contra a Holanda, que invadira diversas colô -
nias portu guesas, entre elas o Brasil e An gola.
Resposta: B 
Vômito-negro: febre amarela.
Exercícios Resolvidos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 8
9HISTÓRIA
� (UFV) – Durante a segunda metade do século XVII, os
portugueses perderiam grande parte do controle do comércio
do Oriente e das rotas do Oceano Índico para os holandeses,
que, por sua vez, logo se veriam superados pelos ingleses.
Holandeses e ingleses deviam seu sucesso à capacidade de
organizar e financiar seus empreendimentos simultaneamente
militares e comerciais.
a) Qual o principal instrumento de política colonial dos holan de -
ses e ingleses?
b) Aponte um evento que indique os desdobramentos da con -
cor rência entre as grandes potências na América Portugue -
sa.
RESOLUÇÃO:
a) As companhias de comércio.
b) A decretação dos Atos de Navegação pela Inglaterra.
� O que foi a Guerra do Açúcar?
RESOLUÇÃO:
Conflitos em que a Holanda buscou apoderar-se das regiões
produtoras de açúcar no Nordeste brasileiro. 
� Assinale a alternativa correta.
I. A grande propriedade inexistiu nas áreas coloniais dos
chama dos não ibéricos.
II. As colônias franco-holandesas não exploraram nenhuma
forma de escravidão. 
III. A Guiana foi a única porção territorial que os holandeses
toma ram de Portugal.
a) Se todas estiverem corretas.
b) Se todas estiverem incorretas.
c) Se I e II estiverem corretas.
d) Se I e III estiverem corretas.
e) Se II e III estiverem corretas.
RESOLUÇÃO:
I. Falso, pois Inglaterra, França e Holanda desenvolveram colônias
de exploração com latifúndios.
II. Falso, pois franceses e holandeses se utilizaram da escravidão
para a exploração colonial.
III. Falso, pois os holandeses também tomaram posse de Pernam -
buco, no século XVII.
Itens falsos: I, II e III.
Resposta: B
� Assinale a alternativa correta.
I. Os holandeses chegaram a se estabelecer na região do Rio
Hud son.
II. As companhias de comércio holandesas eram pacíficas em -
presas mercantis. 
III. O Ato de Navegação, de Cromwell, ani qui lou a supremacia
marítima flamenga.
a) Se todas estiverem corretas.
b) Se todas estiverem incorretas.
c) Se I e II estiverem corretas.
d) Se I e III estiverem corretas.
e) Se II e III estiverem corretas.
RESOLUÇÃO:
II. Falso, pois as companhias holandesas não agiram pacifi ca -
mente durante todo período colonial, entrando em conflito com
portugueses, espanhóis e ingleses.
Itens verdadeiros: I e III.
Itens falsos: II.
Resposta:D
Exercícios Propostos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 9
10 HISTÓRIA
� (FUVEST – MODELO ENEM) –
Este quadro, pintado por Franz Post por volta de 1660, pode
ser corretamente relacionado
a) à iniciativa pioneira dos holandeses de construção dos
primeiros engenhos no Nordeste.
b) à riqueza do açúcar, alvo principal do interesse dos
holandeses no Nordeste.
c) à condição especial dispensada pelos holandeses aos
escravos africanos.
d) ao início da exportação do açúcar para a Europa por
determinação de Maurício de Nassau.
e) ao incentivo à vinda de holandeses para a consti tuição de
pequenas propriedades rurais.
RESOLUÇÃO: 
A União Ibérica (1580-1640) fez com que Portugal rompes se
relações com a Holanda, que até então comercia li za va o açúcar
brasileiro, mas se encontrava em guerra com a Espanha. Em
consequência, a Com pa nhia das Índias Ocidentais, formada por
capitais ho landeses, atacou o Nordeste brasileiro, principal re gião
produtora de açúcar. Durante a dominação holandesa em
Pernambuco, ocorreu a administração de Maurício de Nassau
(1637-1644), que trouxe para o Brasil o pintor Franz Post, autor da
tela reproduzida na questão.
Resposta: B
� (MACKENZIE) – “(...) o número de refinarias, na Holanda,
passara de 3 ou 4 (1595) para 29 (1622), das quais 25
encontravam-se em Amsterdã, que se transformara no grande
centro de refino e distribuição do açúcar na Europa.”
(Elza Nadai e Joana Neves.)
A respeito do aumento de interesse, por parte dos holandeses,
não apenas na refinação do açúcar brasileiro, mas também no
transporte e distribuição desse produto nos mercados
europeus, acentuadamente no século XVII, é correto afirmar
que:
a) com a União Ibérica (1580-1640), os holandeses desejavam
conquistar militarmente o litoral nordestino para obter postos
estratégicos na luta contra a Espanha.
b) a ocupação de Salvador, em 1624, por tropas flamengas, foi
um sucesso, do ponto de vista militar, para diminuir o poderio
de Filipe II, rei da Espanha.
c) a criação da Companhia das Índias Ocidentais foi responsável
pela conquista do litoral ocidental da África, do nordeste
brasileiro e das Antilhas, visando obter mão de obra para as
lavouras antilhanas.
d) o domínio holandês, no nordeste brasileiro, buscava garantir
o abastecimento de açúcar, controlando a principal região
produtora, pois foi graças ao capital flamengo, que a empresa
açucareira pode ser instalada na colônia.
e) a Companhia das Índias Ocidentais, em 1634, na luta pela
conquista do litoral nordestino, propõe a proteção das
propriedades brasileiras submetidas à custódia holandesa,
porém, em troca, os brasileiros não poderiam manter sua
liberdade religiosa.
RESOLUÇÃO:
Os holandeses invadiram duas vezes o Nordeste Brasileiro:
Salvador (1624-25), centro administrativo; e Pernambuco (1630-
54), centro produtor de açúcar. Tinha por objetivo garantir os
investimentos flamengos na agroindústria do açúcar, devido à
proibição espanhola (União Ibérica) do comércio entre Portugal e
a Holanda.
Resposta: D
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 10
11HISTÓRIA
1. A conquista da América
Da fase inicial de exploração do novo continente
pelos espanhóis, destacam-se as conquistas de Porto
Rico, em 1508, por Juan Ponce de León; Jamaica, em
1509, por Juan Esquivel; Cuba, em 1511, por Diego
Velázquez. Também sobressaem a descoberta do
Oceano Pacífico, em 1513, por Vasco Núñez Balboa; no
mesmo ano, a navegação da Bacia do Mississippi, por
Juan Ponce de León; o descobrimento do Rio da Prata,
em 1516, por Juan Días de Solis; a primeira viagem de
circum-navegação da Terra, de 1519 a 1522, iniciada por
Fernão de Magalhães e concluída por Sebastián del
Cano.
Aos europeus e espanhóis interessava mesmo a
conquista de áreas com metais preciosos e, nesse
aspecto, a Espanha foi privilegiada na conquista da
América.
Entre 1519 e 1521, Fernão Cortês, contando com a
supremacia bélica, dominou o Império Asteca (México),
garantindo para a Espanha o envio de imensas
quantidades de metais preciosos.
O controle das minas de metais preciosos no Novo
Mundo não cessava somente com essas conquistas.
Entre 1531 e 1533, Francisco Pizarro e Diego de
Almagro conquistaram o Império Inca (Peru), fundando,
em 1535, a Ciudad de los Reyes, atual Lima.
Além das ricas regiões mineradoras, a Espanha
dominou El Salvador e Guatemala (1523 a 1524),
Honduras (1524 a 1526), Califórnia (1532) e Bolívia (1538
a 1544).
A conquista militar e religiosa (ação da Companhia
de Jesus) desestruturou a cultura religiosa e sua
organização econômica, atingindo até a sua integridade
física.
2. A administração 
espanhola na América
As terras americanas eram consideradas proprie -
dade pessoal dos reis es pa nhóis. Assim, a admi nis tra ção
seguiu um rígido esquema, determinado pela Coroa.
Durante a fase de conquista europeia, grandes ex -
ten sões de terras eram entregues aos chefes conquis -
tadores, que eram denominados adelantados e
possuíam autonomia de poder dentro do território.
Páginas do catecismo para índios, do frei Pedro de Gante.
Com a descoberta das minas de prata e ouro, a
Coroa Es panhola, fortalecida, retirou a inde pen dên cia
dos ade lan tados e redefiniu a adminis tração da América.
A subdivisão do território da América Espanhola en -
con trou sua forma definitiva no século XVIII, como segue:
• Vice-Reinos: No va Espanha, cria do em 1535,
compre en dendo o oeste do atual território norte-ame -
ricano, o México e parte da América Central; Peru, criado
em 1543, formado pelos atuais Peru e parte da Bolívia;
Nova Granada, criado em 1717, abrangendo os atuais
Equador, Panamá e Colômbia; Rio da Prata, criado em
1776, composto pelos atuais territórios da Argentina, do
Paraguai, do Uru guai e parte da Bolívia.
• Capitanias-Gerais: Cuba, Guatemala, Venezuela
e Chile.
Órgãos administrativos
No século XVI, a Espanha já organizava os órgãos que
controlariam, a partir da Europa, as possessões ameri ca nas.
Em 1503, foi criada a Casa de Contratação, com a
tarefa de fiscalizar a exploração colonial e impedir o con -
trabando, por meio da contagem e registro das riquezas
coloniais. Origi nalmente, as funções reservadas à Casa
de Contratação eram comerciais. Durante o reinado de
Felipe II, ela passou a ter um papel meramente fisca -
lizador das áreas coloniais, ficando subordinada ao Con -
selho das Índias, criado em 1524 por Car los V. Esse
órgão passou a controlar os assuntos re lativos à Amé -
rica, tais como no meação de vice-reis, capi tães-ge rais e
Au diências, além de fun cio nar como tri bunais de apela -
ção para os colo nos e fazer as leis para a América.
Durante o reinado de Felipe II, o Conselho das Índias foi
submetido ao próprio rei, esva ziando-se o seu poder.
47 Colonização espanhola
Palavras-chave:
• Vice-reinos 
• Casa de contratação 
• Frotas anuais/porto único
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:45 Página 11
12 HISTÓRIA
Os responsáveis pela realização de sindicância sobre
os funcionários espanhóis na América eram os Juízes
de Resi dência, enquanto os Visitadores eram encarre -
gados de fa zer inspeções não previstas regularmente e
que eram defi ni das em razão das necessidades da
Coroa, como ve rificar a ocor rência de abusos ou fazer
reformas ad mi nis trativas.
A maior autoridade executiva da América, escolhida
dentro da nobreza, eram os vice-reis. Eram represen tan -
tes diretos da Coroa Espanhola que monopolizavam as
funções militares, judiciais (presidente da Audiência da
capital do vice-reino), fiscais (membro do Tribunal de Con -
tas), administrativas (distribuir reparti mi en tos, doar
terras), religiosas (autoridade da Igreja das Índias) e finan -
 ceiras (presi dente da Junta da Fazenda Colonial). Fun ção
semelhante à do vice-rei era exe r ci da pelos capi tães-ge -
rais, que governavam as capitanias-gerais e cons ti tuíam
a au to ridade executiva máxima nessas áreas.
Na América, os principais órgãos administrativos
eram representados pelas Audiências e Cabildos.
Apartir de 1526, as chamadas Audiên cias, que cor -
res pon diam aos tribunais de justiça criados na Espa nha,
foram trans plantadas para a Amé rica; ficavam subordi na -
das ao Conselho das Índias e repre sentavam a justiça
real em todo o território colonial. Os critérios de implan -
tação das audiências no continente americano foram ba -
seados na concen tra ção demo gráfica e na im portância
econômica das regiões. Eram representadas pelos
ouvidores (no mea dos pelo rei e com função vita lícia) e,
em bora con sistissem em poder local, não se tratava de
um poder limitado, na me dida em que aos ouvidores
cabia, entre outras ta refas, a de fiscalizar os vice-reis. As
Audiên cias mais importantes, na América, foram as do
México, Lima, Guatemala, Bogotá, Quito, Santiago do
Chile e Bue nos Aires. 
Os Cabildos ou Ayuntamientos correspondiam às
Câmaras Municipais. Cons tituíam o poder político local e
gozavam de autonomia em relação à Espanha. Formados
pela elite local, eram responsáveis pela política, pela
administração e, também, pela eleição de uma autori -
dade política e judiciária, conhecida como alcaide.
Todo esse aparelho burocrático montado pela Coroa
tinha por finalidade im pe dir o contrabando, garantir a
manu ten ção do monopólio comercial e da co brança de
im postos, o que levaria, consequentemente, ao seu
próprio fortale ci mento.
Entre os impostos cobrados pela Espanha na
América, figuravam: o taxado sobre o comércio externo
e interno, por vias marítimas, denominado almoja ri -
fazgo; sobre a extração mineral, denominado quinto;
sobre a circulação de mercadorias e sobre índios em
idade adulta, aptos a trabalhar, chamado al cavala; e o de
proteção aos galeões que faziam o comércio entre
Espanha e Amé rica, denominado avería.
Além dos impostos, a Espanha adotou, como meio
de manter um rígido fiscalismo sobre a América, o
sistema de portos únicos. Na Espanha, o porto comercial
ficava em Sevilha e, posteriormente, foi trans ferido para
Cádiz. Na América, os portos autorizados a realizar
importações e ex por tações foram fixados no Panamá
(Porto Belo), no Mé xi co (Vera Cruz), na Colômbia
(Cartágena) e em Cuba (Havana).
O poder eclesiástico completava a administração co -
lonial. Para que se efetivasse o processo de colonização
foram criadas as missões ou reduções, para a evange li -
zação dos nativos. A partir de 1571, foram montados os
Tribunais do San to Ofício da Inquisição, para perse -
guir e punir os hereges.
Colombo e 
os reis católicos.
Monopólio: exclusividade.
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 12
13HISTÓRIA
3. A estrutura social e a
mão de obra
Quanto à estrutura social, havia profundas diferen -
ças entre as classes sociais, com relação aos nascidos
na Espa nha e aos nascidos na América. Pode mos iden -
tificar, cla ra mente, quatro grupos: chapetones ou
guachupines, bran cos nascidos na Espanha que, na
América, ocu pavam os car gos burocráticos da adminis -
tração; criollos, brancos nascidos na América que,
apesar de constituírem a elite eco nô mica local,
estavam impedidos de assumir cargos su periores
dentro da admi nistração; mestiços, resultado da mis -
cigenação de brancos e indí genas, que de sem penha -
vam funções como as de capata zes e artesãos; e
escravos ne gros, que, trazidos da África, eram
utilizados em várias ati vidades.
O grupo indígena era majoritário e constituía a
base de sustentação da economia colonial. Eram
consi dera dos vassalos do rei e sobre eles recaía a
tarefa mais árdua: trabalhar para fortalecer o Império
Espanhol. Eram obriga dos a pagar impostos, e o
pagamento era feito com tra balho compulsório. Uma
das formas de paga mento era a encomienda,
segundo a qual era dado ao colonizador o direito de
posse sobre um território e os indígenas que nele se
encontravam; esses indígenas, para permane cerem no
território, pagavam tributos sob a forma de trabalho e,
em troca, recebiam a catequese. Outra forma de
imposto era o reparti mien to, instituído pela Coroa
para a construção de grandes obras públicas ou para a
exploração de regiões ricas, como minas e grandes
lati fúndios; consistia no recru ta mento de massas
indígenas, que era feito, geralmente, por sorteio, e,
em troca do trabalho, o indígena recebia um salário.
Esse fato, porém, não significa que se tratava de
relações capi talistas de trabalho, pois este era
compulsório e asseme lhava-se à mita e ao cuate quil,
instituições, respec ti vamente, incaica e asteca, que
foram formas de exploração de trabalho exercidas
pelas elites dessas civilizações.
Manuscrito espanhol
do século XVI mos -
trando a exploração no
México.
� (MODELO ENEM) – Sobre a implementa -
ção do sistema colonial espanhol na América,
temos as seguintes asserções: 
I. A Casa de Contratação era a instituição res -
ponsável por todas as questões coloniais,
fossem de natureza judicial, legislativa,
mili tar ou ecle siástica.
II. O Conselho das Índias era uma importante
instituição, pois estava incumbida de cen -
tralizar a administração das colônias; por -
tanto, com petia a essa a suprema autori -
dade sobre todas as ques tões coloniais,
fos sem de natureza judicial, legislativa,
militar ou eclesiástica.
III. A Casa de Contratação tinha como função
central a organização do comércio, o reco -
lhimento de impostos e a fiscalização
dessas áreas.
Dessas afirmações, está(ão) correta(s)
a) apenas I. b) apenas II.
c) apenas III. d) I e II somente.
e) II e III somente.
Resolução
A afirmativa I está incorreta, porque a Casa de
Contratação era responsável pelo controle do
comércio colonial para impedir o contrabando. 
Resposta: E
� (UNESP – MODELO ENEM) – "(...) desde
o começo até hoje a hora presente os espa -
nhóis nunca tiveram o mínimo cuidado em
procurar fazer com que a essas gentes fosse
pregada a fé de Jesus Cristo, como se os
índios fossem cães ou outros animais: e o que
é pior ainda é que o proibiram expres sa mente
aos religiosos, causando-lhes inumeráveis
aflições e perseguições, a fim de que não
pregassem, porque acreditavam que isso os
impediria de adquirir o ouro e riquezas que a
avareza lhes prometia." 
(Frei Bartolomeu de Las Casas.
Brevíssima relação da des truição das Índias, 1552.)
No contexto da colonização espanhola na
América, é possível afirmar que 
a) existia concordância entre colonizadores e
missionários sobre a legitimidade de
sujeitar os povos indígenas pela força.
b) os missionários influenciaram o processo
de con quista para salvar os índios da cobiça
espa nhola. 
c) colonizadores, soldados e missionários
respeitavam os costumes, o modo de vida
e a religião dos povos nativos. 
d) os padres condenavam as atitudes dos
soldados porque pretendiam ficar com as
riquezas das terras descobertas.
e) os missionários condenavam o uso da
força e propunham a conversão religiosa
dos povos indí genas.
Resolução
O texto reflete o choque – frequente na América
Es pa nhola e também na América Portuguesa –,
entre os mis sionários católicos (notadamente
jesuítas) e os con quis tadores espanhóis, acerca da
forma de tratar os in dí genas para incorporá-los
ao processo colo nizador. Resposta: E
Exercícios Resolvidos
Latifúndio: grande propriedade rural.
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:06 Página 13
14 HISTÓRIA
� “A espada, a cruz e a fome dizimaram a família selvagem”.
A propósito dos versos do poeta chileno Pa blo Neruda, comen -
te os efeitos da colonização para os indígenas da América.
RESOLUÇÃO:
Conquista e subordinação dos povos ameríndios; destruição da
sua cultura e modo de vida; imposição de valores cultu rais
europeus.
� (UNESP) – As epidemias provocadas pelos contatos entre
europeus e povos autóctones da América
a) demonstraram o risco da expansão territorial para áreas
distantes e determinaram o imediato desenvolvimento de
vacinas.
b) representaram uma espécie de guerra biológica que afetou,
ainda que de forma desigual, conquistadores e conquistados.
c) provocaram a interdição, pelas cortes europeias, da
circulação de mulheres grávidas entre osdois continentes.
d) foram utilizadas pelos nativos para impedir o avanço dos
europeus, que contraíram doenças tropicais, como a febre
amarela e a malária.
e) levaram à proibição, pelas cortes europeias, do contato
sexual entre europeus e nativos, para impedir a propagação
da sífilis.
RESOLUÇÃO:
A baixa imunidade dos nativos às moléstias trazidas pelos
europeus provocou inúmeras mortes entre os primeiros. Esse fator
biológico veio a ser utilizado por espanhóis e portugueses como
um recurso de guerra destinado a quebrantar a resistência inimiga. 
Resposta: B
� (UNESP) – “A instalação de uma Igreja poderosa,
dominadora e próxima dos autóctones” contribuiu para a
dominação espanhola e portuguesa da América, uma vez que
os religiosos
a) mediaram os conflitos entre grupos indígenas rivais e
asseguraram o estabelecimento de relações amistosas
destes com os colonizadores.
b) aceitaram a imposição de tributos às comunidades
indígenas, mas impediram a utilização de nativos na
agricultura e na mineração.
c) toleraram as religiosidades dos povos nativos e assim
conseguiram convencê-los a colaborar com o avanço da
colonização.
d) rejeitaram os regimes de trabalho compulsório, mas
estimularam o emprego de mão de obra indígena em obras
públicas.
e) desenvolveram missões de cristianização dos nativos e
facilitaram o emprego de mão de obra indígena na empresa
colonial.
RESOLUÇÃO:
A catequese dos indígenas pela Igreja Católica resultou em um
processo de aculturação que, além de facilitar a submissão dos
nativos aos europeus, contribuiu para inseri-los na empresa
colonizadora como mão de obra compulsória e de baixo custo. 
Resposta: E
� ”O encontro entre o Velho e o Novo Mundo,
que a descoberta de Colombo tornou pos -
sível, é de um tipo muito particular: é uma
guerra — ou a Conquista —, como se dizia então. E um
mistério continua: o resultado do combate. Por que a vitória
fulgurante, se os habitantes da América eram tão superiores
em número aos adversários e lutaram no próprio solo? Se nos
limitarmos à conquista do México — a mais espetacular, já
que a civilização mexicana é a mais brilhante do mundo pré-
colombiano — como explicar que Cortez, liderando centenas
de homens, tenha conseguido tomar o reino de Montezuma,
que dispunha de centenas de milhares de guerreiros?” 
(TODOROV. T. A conquista da América. 
São Paulo: Martins Fontes. 1991. Adaptado.) 
No contexto da conquista, conforme análise apresentada no
texto, uma estratégia para superar as disparidades levantadas
foi 
a) implantar as missões cristãs entre as comunidades
submetidas. 
b) utilizar a superioridade física dos mercenários africanos. 
c) explorar as rivalidades existentes entre os povos nativos. 
d) introduzir vetores para a disseminação de doenças
epidêmicas. 
e) comprar terras para o enfraquecimento das teocracias
autóctones. 
RESOLUÇÃO:
A utilização das rivalidades entre os povos nativos da América para
conseguir aliados na luta contra grupos dominantes (astecas, no
caso citado), pelos colonizado res europeus, foi um recurso para
minimizar a inferio ridade numérica dos atacantes em relação à
população nativa. 
Obs. A referência da alternativa D sobre o emprego de agentes
biológicos para provocar doenças e debilitar a resistência dos
nativos não pode ser aplicada à conquista do Império Asteca pelos
espanhóis, tendo em vista a rapidez com que esse processo se
consumou (1519-1521). 
Resposta: C
Exercícios Propostos
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15HISTÓRIA
1. Introdução
“A História da África é importante para nós,
brasilei ros, porque ajuda a explicar-nos. Mas é
importan te também por seu valor próprio e porque nos
explica o grande continente que fica em nossa fronteira
leste e de onde proveio quase metade de nossos
antepassados. Não pode continuar o seu estudo
afastado de nossos currículos, como se ela fosse
matéria exótica. O obá do Benin ou o angola a quiluanje
estão mais próximos de nós do que os reis da França.”
(Alberto da Costa e Silva. Os estudos de história da África e sua
importância para o Brasil. Palavras na abertura da II Reunião
Internacional de História de África.)
2. Política e sociedade
No continente africano surgiram diferentes formas
de organização sociopolítica, que variavam de grandes
impérios a pequenos vilarejos. Mas, mesmo com essa
diversidade de estruturas políticas, todas possuíam a
mesma unidade básica: a família. Reunindo parentes e
agregados, a família era subordinada ao chefe,
geralmen te o homem mais velho e sábio. 
Várias famílias agrupadas formavam uma aldeia, que
se dispunha à autoridade de um chefe. Esse chefe era
responsável pela justiça e pela distribuição de terras, e
também liderava os guerreiros em combate. Para tomar
suas decisões, o chefe de aldeia contava com um
conselho formado pelos líderes das famílias que faziam
parte da aldeia.
Diferentes aldeias podiam se reunir, formando uma
confederação liderada por um conselho de chefes, que
tomavam decisões em conjunto. Entretanto, caso da
reunião de aldeias surgisse um único líder, com
autoridade sobre todos os demais chefes, ocorreria a
formação de um reino (ou império).
Por fim, cabe destacar a existência de grupos nôma -
des nos desertos e áreas florestais, além das diversas
cidades independentes e fortificadas, cercadas por
paliçadas ou muralhas, espalhadas pelo continente.
3. Reinos
Nilo
Egito Antigo (séc. XXX – I a.C.)
• Política: império teocrático.
• Economia: agricultura (rio Nilo); comércio;
artesa nato.
• Religião: politeísta; antropozoomórfica; mumifi -
cação.
• Destaque: arquitetura (pirâmides e templos);
escrita (hieróglifos).
• Decadência: invasões (romanos).
Kush (séc. XVIII a.C. – IV)
• Política: monarquia eletiva.
• Economia: agricultura; comércio; artesanato;
pecuária; mineração (ouro).
• Religião: politeísta.
• Povo: kushita.
• Destaque: no séc. VIII a.C., os kushitas conquis ta -
ram o Egito e reinaram por cem anos; arquitetura
(pirâmides).
• Decadência: invasão e conquista pelo Reino de
Axum.
48
África I – Origens e
características gerais
Palavras-chave:
• Tribos • Agricultura 
• Comércio • Diversidade
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16 HISTÓRIA
Sudaneses
Gana (séc. IV – XIII)
• Política: monarquia centralizada.
• Economia: comércio (tecidos e noz-de-cola),
mineração (ouro) e agricultura.
• Religião: religião tradicional africana; islamismo.
• Povos: soninquês; mandingas ou diulas.
• Destaque: era conhecida, desde o século VIII,
como “a terra do ouro”.
• Decadência: ascensão do Reino do Mali.
Mali (séc. XI – XVI)
• Política: monarquia descentralizada, abarcando
diferentes reinos e aldeias.
• Economia: mineração (ouro), comércio, agricult -
ura, pecuária e artesanato.
• Religião: religião tradicional africana; islamismo.
• Povos: mandingas; jalofos, sereres, tucolores e
fulas (Senegal); bambaras e soninquês (Níger);
malinquês; queitas.
• Destaque: Mansa Musa, entre 1324 e 1326, fez
uma peregrinação a Meca, levando 60 mil servos,
100 camelos e gigantescas quantidades de ouro;
em 1337, a cidade de Timbuktu (ou Tombuctu),
capital de seu império, se transformou num centro
islâmico de estudos.
• Decadência: disputas internas.
Songai (séc. XV – XVI)
• Política: monarquia centralizada.
• Economia: mineração (ouro), comércio (produtos
agrícolas e escravos) e agricultura (arroz, sorgo e
milhete).
• Religião: religião tradicional africana; islamismo.
• Povo: songai.
• Destaque: Soni Ali, em meados do século XV, fez
o Império Songai atingir seu auge territorial e eco -
nômico (agricultura e comércio).
• Decadência: invasão marroquina
Mansa Musa – Atlas Catalão, 1375.
Savanas e florestas
Ifé (séc. VI – XVI)
• Política: monarquia divina.
• Economia: mineração (ouro), comércio (marfim,
noz-de-cola, sal, pimenta, inhame, vidro, peixe
seco, dendê, goma e escravos), agricultura e
metalurgia (ferro e bronze).
• Religião: religião tradicional africana.
• Povo: edo, ibo, nupe, ijó, igala e iorubá.
• Destaque:centro religioso da região; imagens
em bronze e ferro, hoje consideradas obras de
arte, narram a história desse reino.
• Decadência: concorrência comercial da costa
atlântica.
Benin (séc. XII – XIX)
• Política: monarquia.
• Economia: comércio (dendê, pimenta, marfim e
escravos; usavam como moeda pedaços de cobre
e ferro, além de búzios), agricultura (inhame,
melão, feijão, pimenta e algodão), metalurgia
(ferro e bronze) e artesanato (marfim).
• Religião: religião tradicional africana.
• Povo: edos.
• Destaque: exército profissional e uso de
fortificações para defesa.
• Decadência: invasão britânica em 1896-1897.
Oyo (séc. XIV – XIX)
• Política: monarquia. 
• Economia: comércio (sal, couro, cavalos, noz-de-
cola, marfim, tecidos e escravos), metalur gia
(ferro) e artesanato (couro).
• Religião: religião tradicional africana.
• Povo: iorubá.
• Destaque: exército profissional.
• Decadência: invasão britânica em 1896.
África Oriental
Axum (séc. I – X)
• Política: monarquia. 
• Economia: mineração (ouro, esmeraldas e ferro);
comércio (marfim, cascos de tartaruga, produtos
agrícolas, sal, seda e especiarias), com rotas
marítimas e terrestres, interligando Axum com a
Índia, China, Egito, Mesopotâmia, Síria e Bizâncio;
agricultura (trigo e cevada); pecuária (gado bovino,
ovelhas e camelos).
• Religião: politeísmo árabe e judaísmo (até o séc.
IV); cristianismo (após o séc. IV).
• Povo: abissínios, kushitas, kunamas e naras. 
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17HISTÓRIA
• Destaque: primeiro reino africano a cunhar moe -
das; acreditavam ser descendentes de Salomão e
da rainha de Sabá.
• Decadência: expansão islâmica.
Grande Zimbábue (séc. XI – XVI)
• Política: monarquia.
• Economia: comércio (cerâmica, produtos agríco -
las, cobre, sal, ouro e marfim, tecidos, porcelana
e vidro), com rotas marítimas e terrestres interli -
gando o Grande Zimbábue com a Índia, China,
Síria e Pérsia; agricultura; pecuária; mineração;
artesanato (escultores e tecelões).
• Religião: religião tradicional africana.
• Povo: xonas.
• Destaque: construções de muralhas de blocos de
granito, com mais de 10m de altura, que cerca -
vam as moradias dos governadores.
• Decadência: diminuição das águas do rio Save;
infestação da mosca tsé-tsé; crescimento popula -
cional; esgotamento do solo e dos animais de caça.
África Centro-ocidental
Congo (séc. XIV – XIX)
• Política: monarquia eletiva;
• Economia: comércio (produtos agrícolas, sal,
tecidos de algodão e de ráfia e escravos); agricul -
tura (coco, banana, dendê, sorgo, milhete, inhame
e noz-de-cola); criação de animais (porcos, cabras
e galinhas); mineração e artesanato (cestarias,
ferreiros e tecelões).
• Religião: religião tradicional africana; cristianismo.
• Povo: congos.
• Destaque: utilizavam búzios como moeda.
• Decadência: dominação portuguesa (1857).
4. Economia
Desde a Antiguidade, o continente africano possuía
uma economia complexa e dinâmica. Com o processo
de sedentarização, a agricultura e a criação de animais
progrediram extraordinariamente. A necessidade de
armazenamento do excedente de produção estimulou
a fabricação de objetos de cerâmica, e a metalurgia
acom panhou esse desenvolvimento. Um considerável
siste ma de trocas comerciais, tanto interno (via Saara,
ligando o Sahel e o Magreb) como externo (via Mediter -
râneo, Índico e Atlântico), foi estabelecido, tendo como
suas bases a mineração, a produção de sal e de víveres
(gêneros alimentícios), além da escravidão.
Agricultura e pastoreio
Produtos agrícolas típicos do continente eram:
banana, sorgo, milhete (milho de grãos miúdos),
inhame, trigo e cana-de-açúcar. O contato com os
europeus (via Atlântico) e com a Ásia (via Índico)
resultou na introdução do cultivo de novas espécies,
nativas do Oriente e das Américas, como frutas
cítricas, tomate, cebola, tabaco, mandioca, amendoim,
batata-doce, assim como certas variedades de milho e
inhame que acabaram diversifi cando e, em alguns
lugares, até revolucionando as práticas agrícolas.
A pecuária também fazia parte da economia básica
das populações africanas antigas. Os tipos de gado eram
o bovi no (das raças zebu e sanga, mais adaptados ao cli -
ma seco e quente), o asinino (burros), o equino (cavalos)
e os camelos, usados no transporte de cargas pesadas
em longas distâncias. Esses animais eram criados em
grandes estábulos, no interior das aldeias ou dentro das
muralhas das cidades.
Cabe ainda destacar que nas áreas litorâneas,
assim como naquelas que contam com lagos (como o
Chade, o Tanganica e o Vitória) e rios (como o Nilo e o
Níger), a pesca foi uma importante atividade
econômica.
Comércio
Interno
Rotas de comércio interligavam diferentes regiões:
o Saara, a África Ocidental e Oriental, o interior e áreas
do Transvaal, formando de uma maneira dinâmica uma
intrincada rede mercantil.
“Os nômades, senhores do deserto, foram muito
beneficiados pelo comércio transaariano, pois as
caravanas levavam-lhes cereais e tecidos em troca de
carne, sal e água. Assim, os nômades e os povos
seden tários complementavam-se. As caravanas
necessitavam de guias na imensidão do Saara; estes
lhes eram fornecidos pelos nômades, que conheciam as
rotas e eram pagos a preço de ouro. 
(Djibril Tamsir Niane. Relações e intercâmbios entre as várias regiões.
In Djibril Tamsir Niane (edit.). História geral da África, vol. IV. 
Brasília: UNESCO, 2010, p. 699.)
Ruínas das muralhas do Grande Zimbábue.
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18 HISTÓRIA
Externo
No mar Mediterrâneo transitavam produtos e
mercadorias vindos da Europa para o norte do continente
africano e, no sentido oposto, navios carregados partiam
dos portos africanos em direção ao Velho Mundo. Esse
trânsito de produtos (como grãos), pessoas e conheci -
mento ocorria desde a Antiguidade, quando fenícios,
gregos, cartaginenses e romanos faziam tal travessia. Já
na Idade Média, o norte da África foi palco da expansão
islâmica, que interligou tal região à Península Arábica,
graças às caravanas de mercadores e aos peregrinos em
direção à Meca. 
A costa oriental da África, desde o Chifre da África
até Sofala, se ligaram, via oceano Índico, a redes de
comércio que se estendiam até a China e a Indonésia,
passando pela Índia e pela Arábia Saudita. Nessa região
circulavam produtos caros e luxuosos, como incenso,
tecidos finos e pedras preciosas, que eram trocados por
marfim, escravos, tecidos, âmbar, pele e penas raras. 
O tran sporte por essas longas distâncias era compen -
satório, já que tais mercadorias alcançavam altos preços
nos mercados de Axum (Etiópia), Cairo e, via Mar
Vermelho, de Constantinopla e Roma.
Já o litoral Atlântico, com a chegada dos portugue -
ses durante o processo de Expansão Marítima (e, mais
tarde, com franceses, ingleses e holandeses), acabou
interligando o continente africano às economias
europeia e americana, com o comércio de ouro,
marfim, pimenta e escravos. Além disso, os
entrepostos portugueses na África serviam como
pontos de apoio para as viagens lusas até os portos
comerciais orientais.
Artesanato e mineração
A produção de cerâmica acontecia em diversos
pontos do continente, servindo o comércio interno e
também as redes comerciais externas. Os povos
africanos da Antiguidade desenvolviam, ainda a
metalurgia (ferro, ouro e bronze) e a produção de vidro.
O sal, produto valorizado no território africano,
devido a sua utilizacão para a conservação de alimentos,
chegava a valer mais que o ouro.
5. Religião e cultura
Religião
As populações africanas acreditavam em um Ser
Supremo que governava o mundo junto com divinda des;
estas agiriam como Seus ministros ou funcionários, que
realizavam Seus desejos e funcionavam como in terme -
diários entre Ele e os homens. Esse sistema de crenças
é chamado por alguns especialistas de politeís mo, en -
quanto outros o definem como um monoteísmo difuso.
Entre aqueles que definem esse sistema de crenças
como politeísta está E. G. Parrinder, em West African
Religion. O autor usaessa definição devido à presença
de vários seres divinos no panteão africano. Já os que
estabelecem a crença dos povos africanos como um
monoteísmo difuso, a exemplo de Bolaji Idowu, em
Olodumare, entendem que as divindades derivam de
uma única e suprema autoridade.
Esse Ser Supremo, criador do universo, teria colo -
cado um espírito em todas as coisas, vivas ou não. Por
essa razão, a religião africana é considerada animista. 
As sociedades africanas antigas cultuavam seus
ancestrais, cujos nomes eram passados de geração em
geração pela tradição oral, e também utilizavam objetos
mágico-religiosos. 
Essa religião tradicional africana manteve-se como o
principal sistema de crenças do continente, mesmo
com a chegada de outras religiões, como o cristianismo
(que perdia adeptos conforme diminuía a extensão do
Império Bizantino, mas sobreviveria na Etiópia, Núbia e
em algu mas partes do Egito, até ser mais tarde
reintrodu zido pelas potências ibéricas durante a
Expansão Marítima) e o islamismo (em expansão desde
o século VII, tendo chegado ao Magreb, Sahel e na
costa Oriental da África).
A cidade de Timbuktu (ou Tombuctu), um grande centro islâmico de
estudos no Mali.
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19HISTÓRIA
Línguas
As diversas línguas faladas no continente podem ser
agrupadas em quatro grandes troncos: afro-asiático; nilo-
saariano; niger-kordofarian (que deu origem ao impor tan -
te conjunto bantu); e o khoisan.
Arte
“Para os africanos que os produzem e utilizam, tais
objetos são insígnias de poder, status e prestígio, são
objetos que tornam os ancestrais presentes, que auxiliam
a manutenção do equilíbrio do mundo, que propiciam a
fertilidade, que apoiam a transmissão da tradição oral.
São, portanto, fundamentais para sua existência.
Eles nunca ou raramente são apenas decorativos ou
estéticos, como grande parte da arte ocidental. Muitas
vezes eles não eram feitos para serem admirados; alguns
nem sequer podiam ser vistos por todos. (...) Tais objetos
têm uma evidente qualidade estética, que inclui noções
de equilíbrio, proporção, simetria – como expresso no
conceito yoruba ojú-onà, que pode ser traduzido como
‘consciência do design’. Os artistas utilizam códigos
reconhecidos por todo o grupo social, que resultam em
características formais e iconografia específicas.
As Máscaras, esculturas e emblemas são objetos
que trazem os ancestrais à presença dos vivos,
auxiliando a manutenção do equilíbrio, garantindo a
prosperidade e fertilidade, orientando as ações dos
indivíduos e da comunidade, explicando e dando sentido
ao mundo. Jogos divinatórios e instrumentos musicais
são outras formas de estabelecer a comunicação entre
vivos e ancestrais ou com as divindades.”
(MAFRO – Museu Afro-Brasileiro. Projeto de Atuação Pedagógica
e Capacitação de Jovens Monitores – Material do Professor.
Universidade Federal da Bahia, 2005.)
Placa de latão mostrando o rei do Benin – século XVI, Reino do Benin.
Cabeça coroada – cobre, século XIV-XV, Reino de Ifé.
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20 HISTÓRIA
� (ESTÁCIO – FMJ) – Sobre a cultura
africana no século pré-expansão marítima,
podemos afirmar:
a) era bastante variada, com cânticos, danças,
sendo um espelho da cultura primitiva
encontrada no Brasil com os indígenas.
b) possuíam reinos organizados, com religiões
diversas, destacando-se as tradições de
origem banta e a presença muçulmana.
c) os reinos de Mali e Songai eram de fatos
tribos atrasadas espa lhadas pelo deserto
do Saara, o que demonstra o atraso
tecnológico do grupo.
d) os africanos criam cânticos para exaltar os
deuses, brancos, que viriam do céu e que
os levaria à salvação, por isso a aceitação
da dominação dos europeus.
e) as disputas entre hutus e haussas que já
ocorria histori camente no século XVI é uma
demonstração da cultura africana subsaari -
ana que, perdida em conflitos, não avançava.
Resolução
Resposta: B
� (UNICAMP) – “A longa presença de
povos árabes no norte da África, mesmo antes
de Maomé, possibilitou uma interação cultural,
um conhecimento das línguas e costumes, o
que facilitou posterior mente a expansão do
islamismo. Por outro lado, deve-se considerar
a superiorida de bélica de alguns povos
africanos, como os sudaneses, que efetivaram
a conversão e a conquista de vários grupos na
região da Núbia, promovendo uma expansão
do Islã que não se apoia na presença árabe.”
(Adaptado de Luiz Arnaut e Ana Mônica Lopes.
História da África: uma introdução.
Belo Horizonte: Crisálida, 2005, p. 29-30.)
Sobre a presença islâmica na África, é correto
afirmar que:
a) O princípio religioso do esforço de conver -
são, a jihad, foi marcado pela violência no
norte da África e pela aceitação do islami -
smo em todo o continente africano.
b) Os processos de interação cultural entre
árabes e africanos, como os propiciados
pelas relações comerciais, são ante riores
ao surgimento do islamismo.
c) A expansão do islamismo na África ocorreu
pela ação dos árabes, suprimindo as crenças
religiosas tradicionais do continente.
d) O islamismo é a principal religião dos povos
africanos e sua expansão ocorreu durante a
corrida imperialista do século XIX.
Resolução
Mera interpretação de texto, pois a alternativa B
parafraseia as afirmações do enunciado.
Todavia, é conveniente lembrar que a arábia
Pré-Islâmica mantinha importantes relações
comerciais com a costa africana do Mar
Vermelho e do Oceano Indico – mas não com
a África do Norte, banhada pelo Mediterrâneo
e dominada sucessivamente por romanos,
vândalos e bizantinos.
Resposta: B
� Considerando os principais contatos comerciais estabe -
lecidos pelos africanos, interna e externamente, indique
a) as principais rotas internas.
b) os principais contatos externos.
c) os principais produtos comercializados.
RESOLUÇÃO:
a) Transaariana e Transvaal.
b) Muçulmanos, indianos e chineses na Costa Oriental; europeus
na Costa Ocidental e Mediterrânea.
c) Cereais, tecidos, carne, sal, ouro, marfim e escravos.
� ”No império africano do Mali, no século XIV,
Tombuctu foi centro de um comércio
internacional onde tudo era negociado – sal,
escravos marfim etc. Havia também um grande comércio de
livros de história, medicina, astronomia e matemática, além de
grande concentração de estudantes. A importância cultural de
Tombuctu pode ser percebida por meio de um velho provérbio:
‘O sal vem do norte, o ouro vem do sul, mas as palavras de
Deus e os tesouros da sabedoria vêm de Tombuctu’.”
(ASSUMPÇÃO, J. E. “África: uma história a ser reescrita”.
In: MACEDO, J. R. (Org.). Desvendando a história da África.
Porto Alegre: UFRGS. 2008 (adaptado.) 
Uma explicação para o dinamismo dessa cidade e sua
importância histórica no período mencionado era o(a)
a) isolamento geográfico do Saara ocidental
b) exploração intensiva de recursos naturais.
c) posição relativa nas redes de circulação.
d) tráfico transatlântico de mão de obra servil.
e) competição econômica dos reinos da região.
RESOLUÇÃO:
A cidade de Tombuctu, capital do império do Mali, constituiu no
período citado um ponto de importante escala e de convergência
das rotas transaarianas, que ligavam comercialmente o Norte da
África à região do Sahel e, por extensão, à África Equatorial.
Acessoriamente, Tombuctu também realizava a conexão entre a
África Ocidental, o Vale do Nilo e, no limite, o Mar Vermelho e o
Oriente Médio.
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
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21HISTÓRIA
� “A África também já serviu como ponto de
partida para comédias bem vulgares, mas de
muito sucesso, como Um príncipe em Nova York e Ace
Ventura: um maluco na África; em ambas, a África parece um
lugar cheio de tribos doidas e rituais de desenho animado. A
animação O Rei Leão, da Disney, o mais bem-sucedido filme
americano ambientado na África, não chegava a contar com
elenco de seres humanos.”
(E. Leibowitz. Filmes de Hollywood sobre África ficam no clichê.
Disponível em: http://noticias.uol.com.br.Acesso em: 17 abr. 2010.)
A produção cinematográfica referida no texto contribui para a
constituição de uma memória sobre a África e seus habitantes.
Essa memória enfatiza e negligencia, respectivamente, os
seguintes aspectos do continente africano: 
a) A história e a natureza.
b) O exotismo e as culturas. 
c) A sociedade e a economia.
d) O comércio e o ambiente. 
e) A diversidade e a política. 
RESOLUÇÃO:
Os filmes citados enfatizam o exotismo da África, mantendo a
visão etnocentrista ocidental que, desde os primeiros contatos dos
europeus com o Continente Negro, procurou contrastar os povos
locais com os brancos “civilizados”, dentro de uma perspectiva
depreciativa. Ao mesmo tempo, negligenciam a evidência de que
as populações africanas apresentam uma rica variedade de
culturas que não podem ser avaliadas por juízos de valor, já que
refletem um longo processo de construção da própria identidade,
tão digna de consideração quanto a de outros continentes.
Resposta: B
� (IFRN – Adaptado) – Na África Tradicional – nome que se
dá ao período da história africana que antecede a Revolução
Industrial – a solução dos conflitos de terra apresentava
particularidades. 
Segundo um escritor que nasceu e viveu no Mali, 
“[...] todo africano tem um pouco de genealogista e é capaz de
remontar a um passado distante em sua própria linhagem. Do
contrário, estaria como que privado de sua “carteira de
identidade”. No antigo Mali, não havia quem não conhecesse
pelo menos 10 ou 12 gerações de antepassados. [...] A
genealogia é, desse modo, ao mesmo tempo sentimento de
identidade, meio de exaltar a glória da família e recurso em
caso de litígio. Um conflito por um pedaço de terra, por
exemplo, poderia ser resolvido por um genealogista, que
indicaria qual ancestral havia limpado e cultivado a terra, para
quem a havia dado, sob que condições etc.”
(A. Hampaté Bâ. A tradição viva. In J. Ki-Zerbo. (ed.). História Geral 
da África, I: Metodologia e Pré-História da África. 
Brasília: UNESCO, 2010, p. 203-204.) 
A partir da leitura do texto, é possível concluir que, nessa
sociedade, a posse da terra era legitimada 
a) pelos laços familiares mantidos com as antigas dinastias. 
b) pela tradição hereditária familiar, que ignorava os docu -
mentos escritos. 
c) pela identificação étnica reivindicada com os ancestrais. 
d) pelo modelo familiar patrilinear, que regularizava as
sucessões.
RESOLUÇÃO:
O texto exemplifica como o regime de posse de terra na “África
Tradicional” estava muito mais ligado à questões de genealogia e
legado cultural, do que, como no Ocidente, por questões de direito
instituído ou documentos escritos.
Resposta: B
� (FGV) – “Durante a Antigüidade e a Idade Média, a África
per maneceu relativamente isolada do resto do mundo. Em
1415, os portugueses conquistaram Ceuta, no norte do
continente, dando início à exploração de sua costa ocidental.”
(José Jobson de A. Arruda e Nelson Piletti, 
Toda a História.)
Acerca da África, na época da chegada dos portugueses em
Ceuta, é correto afirmar que
a) nesse continente havia a presença de alguns Estados or -
ganizados, como o reino do Congo, e a exploração de
escravos, mas não existia uma sociedade escra vista.
b) assim como em parte da Europa, praticava-se a ex ploração
do trabalho servil que, com a presença euro peia,
transformou-se em trabalho escravo.
c) a população se concentrava no litoral e o continente não
conhecia formas mais elaboradas de organização política, daí
a denominação de povos primitivos.
d) os poucos Estados, organizados pelos bantos, encon travam-
se no Norte e economicamente viviam da exploração dos
escravos muçulmanos.
e) a escravidão e outras modalidades de trabalho com pulsório
eram desconhecidas na África e foram introduzidas apenas
no século XVI, pelos portugueses e espanhóis.
RESOLUÇÃO:
Embora a África todo compreenda duas partes bastante distintas
(África do Norte e África Ne gra), em ambas, na época mencionada,
existiam Estados orga nizados e havia escravos; mas estes não
cons tituíam a base da força de trabalho e, conseqüen temen te, não
caracterizavam as sociedades africanas como escravistas.
Resposta: A
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22 HISTÓRIA
1. Introdução
Embora existam populações negroides nativas no
Sudeste Asiático, na Nova Guiné e na Austrália, con si -
dera-se a África ao sul do Saara (especialmente a África
Oriental) como o berço desse tronco étnico; por isso, o
con ti nente africano é também conhecido como Con ti -
nen te Negro*. No transcorrer da Idade Moderna, um
grande contingente de negros afri ca nos foi des lo cado à
força para as Américas e obri ga do a tra ba lhar, na
condição de es cra vos, em co lônias de ex ploração
implantadas pelas po tên cias ma rí ti mas europeias.
Calcula-se que, entre o século XVI e a primeira metade
do XIX, cerca de 10 mi lhões de africanos foram
transportados através do Atlântico, vindo a constituir
uma parcela ponderável da po pu lação das Américas (na
maioria das Antilhas, a proporção de negros chega a
quase 100%). Note-se que sua presença foi menos
marcante nas maioria das possessões hispano-
americanas, onde pre valeceu a mão de obra indígena.
* Os povos da África do Norte não fazem parte da África Negra, pois
estão relacionados, étnica e culturalmente, com os árabes e com os
berberes (principal etnia saariana).
Durante a Idade Média, a escravidão, tão relevante
na Antiguidade, praticamente deixou de existir na
Europa, embora os Estados cristãos do Mediterrâneo
mantivessem a prática de usar cativos muçulmanos
como remadores em suas galeras (barcos de guerra que,
apesar de disporem de velas, tinham nos remos seu
principal meio de pro pul são). Já no mundo islâmico, que
incluía a África do Norte, a es cra vi dão era institucio -
nalizada, abrangendo indis tin tamente bran cos e negros.
Estes últimos eram levados para a África Se tentrional
em caravanas que atravessavam o Saara, trans por tando
também ouro, marfim e pimenta-ver melha.
Pouco depois de iniciarem a Expansão Marítimo-Co -
mercial, os lusitanos descobriram e ocuparam os arqui -
pé la gos atlânticos dos Açores, Madeira e Cabo Verde; ali
desenvolveram a produção açucareira, que já praticavam
no sul de Portugal. Para cultivar a cana e produzir o
açúcar, recorreram a escravos trazidos da África Con ti -
nental*. Esse foi o início do escravismo mo der no, que se
tornaria a mola propulsora da economia de muitas
colônias, entre elas o Brasil**.
* Escravos africanos foram também introduzidos no Algarve (sul de
Portugal), a fim de trabalhar nas lavouras de cana e engenhos de açúcar.
** A escravidão negra foi justificada durante muito tempo pela
interpretação tendenciosa, não endossada pela Igreja, de um episódio
bíblico: os negros estavam des ti nados a ser escravos porque esta foi a
maldição lançada por Noé sobre a descendência de seu filho Cam, da
qual eles faziam parte.
2. O tráfico negreiro
A colonização da América impulsionou extraordi -
nariamente o comércio transatlântico de seres humanos.
Praticada a princípio apenas pelos portugue ses, essa
atividade passou depois a contar com intensa
participação de franceses, holandeses e so bretudo ingle -
ses, os quais chegaram a ser hegemônicos nesse setor
da economia.
Os negros trazidos para as Américas eram quase
sempre capturados por outras comunidades em guerras
tribais, sendo depois vendidos aos comerciantes brancos.
As negociações eram realizadas em feitorias estabelecidas
pelos europeus no litoral atlântico da África e em
Moçambique. As transações eram feitas por meio do
escambo, isto é, da troca de mercadorias com valores
desiguais. Os escravos eram cambiados por produtos de
custo baixo (aguardente, tabaco, te ci dos de má qualidade
e objetos de metal*), mas seriam vendidos nas colônias
americanas por preços altamente com pen sa dores –
mesmo perdendo-se na travessia, em média, 40% dos
cativos transportados. Na verdade, o comércio de escravos
afri ca nos tor nou-se um dos negócios mais rentáveis do
49África II – Tráfico
negreiro
Palavras-chave:
• Escambo • Lucro
• Afrodescendência
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:45 Página 22
23HISTÓRIA
Sistema Co lo nial, em muito contribuindo para a acu mu la -
ção pri mi tiva de capitais que então se processava na
Europa. Observe-se, a propósito, que numerosos co mer -
cian tes de escravos residiam nas próprias colônias.
* Eventualmente, os escravos podiam ser trocados por armas de fogo e
mu ni ções, pois convinha aos traficantes fortalecer os chefes africanos com
quem comerciavam.
O tráfico negreiro provocou algumas mudanças nas
populações africanas que o praticaram: além de criar
novas necessidades, relacionadas com os produtos uti li -
za dos no escambo, tornaram as guerras intertribais mais
in tensas e frequentes, com o objetivo precípuo de fazer
pri sioneiros para serem negociados. Houve comuni -
dades afri canas que se organizaram como Estados
semibárbaros cristianizados superficialmente, que
mantinham relações quase oficiais com os governos
euro peus ligados à ati vidade escravista. Um exemplo foi
o Reino do Congo, que com preen dia territórios atual -
men te pertencentes a Angola e às duas Repúblicas do
Con go. Desde 1509, os soberanos con go le ses con ver te -
ram-se formalmente ao catolicismo e ado ta ram nomes
portugueses, fazendo do comércio de escravos sua
principal fonte de renda. Em 1857, com a economia arra -
sada devido ao fim do tráfico e com seu território bas tan -
te diminuído, o Reino do Congo tornou-se um pro te to ra -
do português, subsis tin do oficialmente até 1914.
O tráfico transatlântico de escravos inseriu a África
no circuito do comércio europeu como área pe ri férica,
atuando em dois campos: fornecimento de mão de obra
para as colônias americanas e geração de lucros que
contribuiriam dire ta men te para o enriquecimento dos
Estados que o pra ti ca vam. No Atlântico Sul, as relações
entre a África e o Brasil se processaram de forma direta,
na maioria das vezes sem necessidade de se recorrer ao
comércio triangular. Esse relacionamento produziu um
notável intercâmbio nos costumes, na linguagem e até
na alimentação das duas regiões.
3. Os negros no Brasil
Quando os portugueses começaram a colonização
do Brasil, lançaram mão da escravização dos índios para
suprir suas necessidades de mão de obra. Os primeiros
escravos africanos foram introduzidos na capitania de
Pernambuco já em 1534, mas o trabalho indígena con ti -
nuou a ter destaque na eco no mia colonial até o começo
do século XVII.
Na época, alegava-se que o trabalhador africano era
mui to mais produtivo que o silvícola brasileiro. De acordo
com esse ponto de vista, o ameríndio não se adequava
ao trabalho agrícola, fosse por rebeldia, fosse por
preguiça, debilidade física ou inap ti dão natural; por
oposição, os africanos seriam mais submissos, mais
diligentes, mais robustos e mais adaptados à escravidão.
Esse ra cio cínio foi des men ti do pelas cons tantes
demonstrações de re sis tên cia contra a condição de
escravos: suicídios, abortos, prática da capoeira como
forma de luta, assas sinatos de senhores e de feitores*,
revoltas, fugas e formação de quilombos (refúgios de
escravos em locais de difícil acesso, nos quais os
fugitivos muitas vezes recriavam formas de organização
existentes na África). Há ainda que lembrar o banzo,
doença psicossomática causada pela saudade da terra
natal e que fazia numerosas vítimas entre os escravos
deslocados de sua região de origem.
* Feitores: empregados do fazendeiro – muitos deles mestiços livres
ou escravos alforriados (libertos) – incumbidos de controlar o trabalho
dos cativos, a quem geral men te tratavam com extrema brutalidade. 
Legalmente, os escravos da Época Colonial não
possuíam quaisquer di rei tos. Portanto, além do trabalho
extenuante nas plan ta ções e nos engenhos, estavam
sujeitos a sofrer punições físicas e tor turas que, em
casos extremos, podiam levá-los à morte, sem que o
senhor fosse responsabilizado. Dada a importância da
escravidão no período, a Igreja nunca se opôs a ela, em -
bora houvesse membros do clero que criticassem o tra -
ta mento cruel dispensado aos cativos. O exemplo mais
eloquente dessa compaixão foi dado pelo padre jesuíta
Antônio Vieira (1608-97), jus ta men te admirado pela
genialidade de suas cartas e sermões. 
Mesmo assim, existiam diferenças no tratamento
dado aos escravos por seus senhores. Os trabalhadores
bra çais destinados à lavoura eram os mais sujeitos à cruel -
dade dos feitores e dos proprietários. Outros, utili za dos em
trabalhos mais especializados, como serviços arte sa nais
ou as atividades no engenho, tinham situação um pouco
melhor. Todos, porém, eram alojados nas senzalas, em
con dições insalubres e de grande promiscuidade.
Padre Antônio Vieira (1608-97), um dos mais ilustres representantes da
Companhia de Jesus no Brasil. Orador e escritor de raro talento, seus
sermões e suas cartas figuram com destaque na literatura barroca
portuguesa. Foi ardoroso defensor dos índios e grande crítico da
crueldade com que eram tratados os escravos negros.
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24 HISTÓRIA
O trabalho
Conforme escreveu em 1711 o jesuíta Antonil, “os
es cra vos são os pés e as mãos do senhor de engenho”.
Real men te, além dos cativos destinados às tarefas mais
pe sadas, ha via outros que conviviam com seus senhores,
a quem serviam como criados domésticos. Nessa ca te -
goria estavam incluídas as mucamas (servidoras da mu -
lher do fa zen dei ro) e as mães pretas (amas de leite dos
filhos do proprietário). Contudo, a intimi dade com a fa mí -
lia do senhor não era garantia contra maus-tratos.
O crescimento de cidades como Recife, Salvador e
Rio de Janeiro, sobretudo no século XVIII, deu origem a
uma nova categoria de tra ba lha dores escravos: os negros
de ganho ou escravos de ga nho. Tratava-se de
prestadores de serviços urbanos (bar beiros, carregadores,
vendedoras de quitutes), cuja re muneração pertencia ao
senhor. Era comum esses trabalhadores serem
autorizados a guardar parte do que ga nhavam, para ser
usada em sua alforria.
Deve-se ainda mencionar a diferenciação entre os
escravos crioulos (criados no Brasil) ou ladinos (espertos,
vivos, sagazes) dos africanos adultos, que mostravam
dificuldade para entender e cumprir ordens, sendo por
isso chamados de boçais (broncos, estúpidos). Essa
distinção tornava os primeiros mais valiosos, pois os
segundos somente se prestavam ao trabalho braçal.
Etnias
Apesar de pertencerem a muitas nações (etnias) com
características culturais próprias, os escravos trazidos
para o Brasil poderiam ser classificados em dois grandes
grupos: os sudaneses*, originários do Golfo da Guiné; e
os bantos, naturais do Congo, de Angola e de Mo çam -
bique. Os primeiros distinguiam-se dos segundos pela
estatura elevada, pela cor mais escura e pela maior evo -
lu ção técnica. No Brasil, os sudaneses concentraram-se
na Bahia, enquanto os bantos foram distribuídos pelo
restante do território. Os colonizadores aproveitaram-se
da variedade entre as etnias para realizar uma Diáspora
Negra, dispersando e misturando os indivíduos das
diversas nações, para dificultar rebeliões. Até certo ponto,
essa estratégia foi mal sucedida, pois a condição de
escravo, comum a todos eles, serviu-lhes como fator de
coesão para superar suas diferenças.
* O termo sudaneses, neste caso, não significa naturais do Sudão (país
africano ao sul do Egito), mas os habitantes da região ao sul do Saara,
na África Ocidental. A porção litorânea desses territórios, abrangendo os
atuais Gana, Togo, Benin e Nigéria, era conhecida dos portugueses pelo
nome de Costa da Mina.
4. Afrodescendência
A longa duração da escravidão no Brasil fez com que
a influência negra em nossa formação social fosse bem
maior que a do elemento indígena. É o que se
depreende do grande número de festividades
populares de origem africana, com especial destaque
para as ma ni fes tações musicais. Assim também
ocorreu com a culinária e a linguagem.
Um aspecto relevanteda presença africana no
Brasil diz respeito à religião. Tão logo chegavam, os
escravos recebiam o batismo, não só para merecerem
a salvação de suas almas, mas também como
instrumento de acul tu ra ção – a exemplo do que se fez
com os índios –, para me lhor sujeitá-los à dominação
dos colonizadores. Uma vez batizados, os negros
passavam a fazer parte da comunidade católica,
participando das cerimônias e cele bra ções religiosas;
mas permaneciam apartados dos de mais fiéis. Para
preservar as diferenciações sociais, a hierarquia católica
estimulou a construção de igrejas “para os homens
pretos”, incentivou a devoção a santos de raça negra e
criou irmandades (associações religiosas for madas por
leigos) exclusivas para africanos ou afrodes cendentes,
fossem eles livres ou escravos. 
Todavia, nem todos os negros brasileiros aderiram
integral men te ao catolicismo. Muitos deles, em uma
manifestação de resistência cultural, conservaram parte
de seus cultos ancestrais, associando entidades afri -
canas a figuras da religião católica. Esse sincretismo
recebeu, já no século XX, o influxo do espiritismo
kardecista, dando origem à umbanda. Esta, a princípio
marginalizada e até perseguida sob a acusação de
curan deirismo, ocupa hoje posição de destaque no
panorama religioso do País. Ainda no século XX, brasi -
leiros afrodescendentes resgataram cultos prati cados
no Golfo da Guiné (sobretudo na Nigéria) e os introdu -
ziram no Brasil, sob o nome genérico de candomblé. 
Ainda que representem uma grande parcela da
população brasileira, os negros têm sido alvo de
preconceito e discriminação; mesmo após a abolição da
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25HISTÓRIA
Exportações de escravos da África na rota Trans-Atlantico
Período Números total de escravos %
1450-1500 [81.000] 1 –
1500-1600 328.000 2 2.9
1601-1700 1.348.000 12.0
1701-1800 6.090.000 54.2
1801-1900 3.466.000 3 30.9
Total 11.232.000 100.0
1. Principalmente comercializados como um produto ao longo da costa do Atlântico para a mineração de ouro, sendo um pequeno número de
escravos exportados para a Europa e Ilhas do Oceano Atlântico.
2. Não inclui até 50.000 escravos exportados para a Europa e Ilhas do Oceâno Atlântico.
3. Inclui os escravos exportados como trabalhadores contratados ou libertados pelo franceses e portugueses.
Fonte: Paul E. Lovejoy. Transformations in Slavery. Cambridge University Press, 2000.
escravatura, sancionada em 1888, a maioria deles
permaneceu marginalizada, muito embora as diversas
Cons ti tui ções sempre tenham afirmado a igualdade entre
os cidadãos brasileiros. Em tempos recentes, movimentos
da comunidade negra, demonstrando crescente cons cien -
ti zação acerca da questão racial no Brasil, vêm registrando
avanços e conseguindo a implementação de políticas
voltadas para a proteção de afrodescendentes e de indí -
genas. Como exemplos, podemos citar, res pec ti va men te,
o reconhecimento das co mu ni da des quilombolas e a
demarcação das terras dos chamados “povos da floresta”,
além da adoção do sistema de quotas em algumas
situações. A propósito, cumpre observar que a “Cons ti tui -
ção Cidadã” de 1988, em seu artigo 5.º, considera a prática
do racismo um crime inafiançável e imprescritível*.
* Inafiançável: que não permite a soltura do preso mediante pagamento
de fiança. Imprescritível: que não tem prazo para deixar de ser julgado.
Atualmente, os descendentes de africanos
compreen dem, além dos negros puros, uma grande
proporção de mulatos (mestiços de branco e negro). Em
alguns estados da Federação, notadamente na Bahia,
eles chegam a constituir a maioria da população. Os
cafuzos (mestiços de negro e índio) são relativamente
raros, pois a convivência de indígenas e negros foi pouco
frequente em nossa História.
O TRÁFICO DE ESCRAVOS
“Fosse qual fosse o caminho percorrido, as condi ções a bordo refletiam o status de excluídas que marcava as
pessoas aprisionadas no porão. Nenhum europeu — fosse condenado, servo temporário ou imigrante livre
miserável — jamais foi submetido ao ambiente que recebia o escravo africano típico no momento de embar que.
Eram separados por sexo, mantidos nus, amontoa dos, sendo os homens acorrentados por longos períodos. Nada
menos do que 26 por cento das pessoas a bordo eram classificadas como crianças, um índice do qual nenhuma
outra migração anterior ao século XX sequer se aproximou. Fora o período de ilegalidade do tráfico, quando as
condições por vezes tornavam-se ainda piores, os traficantes de escravos normalmente transportavam dois
escravos por tonelada. Embora algumas naus que partiam da Alta Guiné chegassem às Américas em três semanas,
a duração média das viagens iniciadas em todas as regiões da África era de pouco mais de dois meses. 
A maior parte do espaço em um navio negreiro era ocupada por barris de água. As embarcações lotadas que
navegavam para o Caribe a partir da África Ocidental tinham primeiro que seguir para o sul antes de virar para
noroeste e passar pela zona das calmarias. No século XIX, as melhorias na tecnologia de navegação reduziram a
duração da viagem à metade, mas a taxa de mortali dade manteve-se elevada nesse período devido à natureza ilegal
do tráfico. Durante toda a era do tráfico negreiro, a imundície gerava doenças gastrointestinais endêmicas e a
proliferação de agentes patogênicos epidêmicos que, juntamente com as erupções periódicas de resistência
violenta, faziam com que entre 12 e 13 por cento das pessoas embarcadas não sobrevivessem à viagem. A taxa
modal de mortalidade era bem menor que a taxa média, porque algumas catástrofes ocorridas num número
relativamente pequeno de viagens elevavam a média de mortes a bordo. A mortalidade da tripulação, em termos
de porcentagem dos tripulantes que embarcavam, acompanhava a mortalidade de escravos ao longo da viagem,
mas como os cativos passavam menos tempo no navio do que a tripulação, as taxas de mortalidade dos escravos
eram mais elevadas. 
O mundo do século XVIII era violento, e a expecta tiva de vida era curta em todos os lugares, uma vez que a
revolução da taxa de mortalidade global ainda não havia ocorrido, mas o quociente de sofrimento humano gerado
pelo deslocamento forçado de milhões de pessoas em navios negreiros não pode ser comparado ao de nenhuma
outra atividade humana.”
(David Eltis. A travessia do Atlântico. Disponível em: http://www.slavevoyages.org/.)
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26 HISTÓRIA
� (FCC) – Observe o mapa com atenção.
(Manoel Maurício de Albuquerque et alii. Atlas histórico escolar.
8.a ed. Rio de Janeiro: MEC, 1991.)
Considerando o contexto histórico em que se insere, o mapa permite
identificar
a) uma das grandes imigrações voluntárias dos povos africanos na
época moderna.
b) um dos maiores movimentos populacionais forçados da história da
humanidade.
c) o grau de conhecimento tecnológico da indústria naval europeia no
século XV.
d) um dos mais intensos intercâmbios comerciais entre os
americanos e os africanos.
e) o sistema triangular de comércio adotado pelos portugueses no
século XVII.
Resolução
O mapa demonstra o fluxo de escravizados da África para as
Américas, com destaque para as principais etnias que foram trazidas:
bantos e sudaneses. Tal processo teve início ainda no século XVI e
perdurou até o século XIX, tornando-se o “maior movimento
populacional forçado da história”.
Resposta: B
� (UFSC) – “A África é tão pouco uniforme cultural quanto
geograficamente. Os africanos não são uma raça de pretos primitivos,
nem é a África um continentes sem uma velha história, como ainda se
pensa geralmente. [...] São marcantes suas diferenças culturais,
étnicas e linguísticas. Seu passado, embora não raro obscuro, não é a
crônica de um isolamento. Desde o tempo dos primeiros hominídeos
que viveram há um milhão de anos no desfiladeiro de Olduvai, a África
desempenhou importante papel na história da humanidade [...].”
(Andreas Lommel. A arte pré-histórica e primitiva. Encyclopedia Britannica do
Brasil Publicações.7.a ed. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1979, p. 140-
141, 143, 162. In Ricardo de Moura, Estudos de História, v. 1. 
São Paulo: FTD. 2010, p. 37.)
Em relação à história da África e de seu povo, assinale a(s)
proposição(ões) correta(s). 
01) Além dos egípcios, vários outros povos habitavam o continente
africano no período correspondente à chamada Idade Antiga.
02) A expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI transformou
a costa africana em espaço privilegiado para a formação de
feitorias e, consequentemente, em fonte de mão de obra e
matéria-prima.
04)O neocolonialismo europeu sobre o continente africano no século
XIX estava relacionado à ideia de “missão civilizadora” e às
ideologias de progresso e superioridade racial branca.
08)Com a expansão islâmica, todo o norte africano foi dominado pelos
árabes através da fundação de diversos califados; entretanto,
durante a Idade Média, o avanço das cruzadas recuperou definiti -
vamente a região para o domínio cristão. 
16)Mesmo a contragosto das principais potências europeias, as
fronteiras entre os países africanos, estabelecidas pela
Conferência de Berlim (1884-85), tiveram que respeitar as
questões étnicas e culturais por determinação da Organização das
Nações Unidas (ONU).
32)Os processos de independência na África, intensificados logo após
a década de 1950, ocorreram através de acordos pacíficos que
promoveram o endividamento e a dependência dos novos países,
mas evitaram a deflagração de conflitos e guerras civis.
Resolução
1 + 2 + 4 = 7
� (UFSCAR – MODELO ENEM) – “Nem todos os brancos que
chegavam do mar eram portugueses, e os povos que viviam nas
cercanias do litoral logo aprenderam a distingui-los. (...) Se os
surpreendiam, os portugueses os atacavam, queimavam e punham a
pique. Mas às vezes ocorria o oposto. (...)
Os portugueses insistiam com os reis e notáveis do litoral para que
não transacionassem com os outros europeus, por eles qualificados
de piratas. E recomendavam que lhes dessem combate. (...)
Por volta de 1560, os portugueses começaram a usar galés para
patrulhar as costas próximas ao forte da Mina. (...)
Os entrepostos nas mãos de portugueses fiéis à Coroa eram poucos
e quase sempre dependentes da boa vontade dos chefes nativos, até
para seus alimentos.”
(Alberto da Costa e Silva. A manilha e o libambo, 2002.)
O texto descreve a conquista portuguesa
a) no Brasil. b) nas Guianas. c) nas Índias Orientais.
d) no Japão. e) na África.
Resolução
O texto descreve os esforços dos portugueses para se instalar na
costa ocidental da África, onde estabeleceram feitorias para negociar
os produtos locais (escravos, principalmente). O autor menciona a
necessidade, para os portugueses, de efetivar relações amistosas
com os chefes nativos e, paralelamente, lutar contra a concorrência
de outros países europeus.
Resposta: E
Exercícios Resolvidos
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27HISTÓRIA
� (UERJ) – O tráfico internacional de escravos africanos
movi mentou milhares de indivíduos entre os séculos XV e XIX.
Indique a principal contribuição do tráfico negreiro para os
interesses mercantis europeus na América durante a
colonização.
RESOLUÇÃO:
O uso de escravos africanos na grande lavoura colonial tornou o
comércio de cativos uma atividade muito rentável, contribuindo
para a acumulação de capitais e a expansão das atividades
mercantis europeias.
� (ESTÁCIO-FMJ) – A História da África foi recente mente
tornada obrigatória no Brasil, e durante muitos anos
inteiramente negligenciada, tanto que no imaginário popular a
África era composta por tribos perdidas do nada em que os
europeus se valiam do seu atraso para comprar e escravizar a
população.
Sobre a escravidão na África podemos afirmar:
a) não existia escravidão no continente africano, foram os
portugueses que inventaram esse sistema incentivando as
guerras entre os grupos diversos.
b) a escravidão foi introduzida pelos muçulmanos, que
preferiam escravos negros homens para a lavoura do delta do
Nilo, para plantação de arroz no mar Vermelho, mostrando
que os africanos não deveriam resistir.
c) em diversas partes do que é chamado de África, a escravidão
era instituída, mas não mercantilizada – quer dizer, os
escravos não eram propriedade que poderiam ser vendidos
ou trocados, mas vencidos, e a partir disso deveriam
trabalhar compulsoriamente para recuperar sua liberdade.
d) os africanos vendiam seus irmãos em troca de pequenos
bens não conhecidos, como contas, espelhos, joias baratas,
e os europeus se beneficiaram por terem essas prendas em
profusão.
e) os africanos eram dóceis e identificavam os brancos como
seus deuses, cantados em sua lenda, por isso aceitavam a
escravidão.
RESOLUÇÃO:
A escravidão presente na África divergia muito daquela do modelo
mercantilista europeu empregado nas Américas, pois não possuía
caráter mercantil, sendo fruto de vitórias em guerras intertribais e
submissão de populações conquistadas.
Resposta: C
Leia o texto para responder às questões de números 3 e 4. 
“Os africanos não escravizavam africanos, nem se
reconheciam então como africanos. Eles se viam como
membros de uma aldeia, de um conjunto de aldeias, de um
reino e de um grupo que falava a mesma língua, tinha os
mesmos costumes e adorava os mesmos deuses. (...) Quando
um chefe (...) entregava a um navio europeu um grupo de
cativos, não estava vendendo africanos nem negros, mas (...)
uma gente que, por ser considerada por ele inimiga e bárbara,
podia ser escravizada. (...) O comércio transatlântico (...) fazia
parte de um processo de integração econômica do Atlântico,
que envolvia a produção e a comercialização, em grande
escala, de açúcar, algodão, tabaco, café e outros bens tropicais,
um processo no qual a Europa entrava com o capital, as
Américas com a terra e a África com o trabalho, isto é, com a
mão de obra cativa.”
(Alberto da Costa e Silva. 
A África explicada aos meus filhos, 2008. Adaptado.)
� (UNESP) – Ao caracterizar a escravidão na África e a venda
de escravos por africanos para europeus nos séculos XVI a XIX,
o texto 
a) reconhece que a escravidão era uma instituição presente em
todo o planeta e que a diferenciação entre homens livres e
homens escravos era definida pelas características raciais
dos indivíduos. 
b) critica a interferência europeia nas disputas internas do
continente africano e demonstra a rejeição do comércio
escravagista pelos líderes dos reinos e aldeias então
existentes na África. 
c) diferencia a escravidão que havia na África da que existia na
Europa ou nas colônias americanas, a partir da constatação
da heterogeneidade do continente africano e dos povos que
lá viviam. 
d) afirma que a presença europeia na África e na América
provocou profundas mudanças nas relações entre os povos
nativos desses conti nentes e permitiu maior integração e
colaboração interna. 
e) considera que os únicos responsáveis pela escravização de
africanos foram os próprios africanos, que aproveitaram as
disputas tribais para obter ganhos financeiros. 
RESOLUÇÃO:
Embora não o faça de forma explícita, o texto permite depreender
que os europeus e colonos americanos viam os negros africanos
como um conjunto relativamente homogêneo, destinado a
fornecer mão de obra escrava. Já do ponto de vista das sociedades
africanas, o autor é bastante enfático ao observar que as
populações locais sentiam-se diferenciadas das demais
comunidades, sem qualquer percepção de uma possível identidade
comum, resultante da “negritude” ou da “africanidade”.
Resposta: C
Exercícios Propostos
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28 HISTÓRIA
� (UNESP) – Ao caracterizar a “integração econômica do
Atlântico”, o texto 
a) destaca os diferentes papéis representados por africanos,
europeus e americanos na constituição de um novo espaço
de produção e circulação de mercadorias. 
b) reconhece que europeus, africanos e americanos se
beneficiaram igualmente das relações comerciais estabe -
lecidas através do Oceano Atlântico. 
c) afirmaque a globalização econômica se iniciou com a
colonização da América e não contou, na sua origem, com o
predomínio claro de qualquer das partes envolvidas. 
d) sustenta que a escravidão africana nas colônias europeias da
América não exerceu papel fundamental na integração do
continente americano com a economia que se desenvolveu
no Oceano Atlântico. 
e) ressalta o fato de a América ter se tornado a principal
fornecedora de matérias-primas para a Europa e de que
alguns desses produtos eram usados na troca por escravos
africanos. 
RESOLUÇÃO 
A questão é respondida a partir da mera interpretação do texto, da
análise dos desdobramentos da expansão marítima europeia, da
colonização da América e da Revolução Comercial dos séculos XVI-
XVII. Em outras palavras, trata da integração entre a Europa
(investimento de capitais), a América (a terra) e a África (mão de
obra escrava), para a produção e comercialização de gêneros
tropicais.
Resposta: A
� “A identidade negra não surge da tomada de
consciência de uma diferença de pigmentação ou
de uma diferença biológica entre populações
negras e brancas e(ou) ne gras e amarelas. Ela resulta de um
longo processo histórico que começa com o descobrimento, no
século XV, do continente africano e de seus habitantes pelos
navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu o
caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico
negreiro, à escravidão e, enfim, à colonização do continente
africano e de seus povos”. 
(K. Munanga. “Algumas considerações sobre a diversidade e a
identidade negra no Brasil”. In Diversidade na educação: reflexões e
experiências. Brasília: SEMTEC/MEC, 2003, p. 37.)
Com relação ao assunto tratado no fragmento de texto, é
correto afirmar que 
a) a colonização da África pelos europeus foi simultânea ao
descobrimento desse continente. 
b) a existência de lucrativo comércio na África levou os
portugueses a desenvolverem esse continente. 
c) o surgimento do tráfico negreiro foi posterior ao início da
escravidão no Brasil. 
d) a exploração da África decorreu do movimento de expansão
europeia do início da Idade Moderna. 
e) a colonização da África antecedeu as relações comerciais
entre esse continente e a Europa.
RESOLUÇÃO:
O texto transcrito mostra que a África Negra foi “descoberta” pelos
portugueses no século XV (ou seja, no início da Idade Moderna). E,
na sequência, descreve a exploração daquele continente – primeiro
com tráfico negreiro, depois com o neocolonialismo – como uma
decorrência do processo de descobrimento.
Resposta: D
� (VUNESP) – Leia o texto.
“Os africanos foram trazidos do chamado “continente negro”
para o Brasil em um fluxo de intensidade variável. Os cálculos
sobre o número de pessoas transportadas como escravos
variam muito. Estima-se que entre 1550 e 1855 entraram pelos
portos brasileiros 4 milhões de escravos, na sua grande maioria
jovens do sexo masculino. A região de proveniência dependeu
da organização do tráfico, das condições locais na África e, em
menor grau, das preferências dos senhores brasileiros.”
(Boris Fausto, História do Brasil, p. 51.)
Acerca do tráfico negreiro, é correto afirmar que
a) nos séculos XVI e XVII, a preferência dos senhores de terra
do Brasil recaía sobre a exploração da mão de obra
compulsória dos índios, mas com a definitiva proibição de
escravizar os indígenas, no princípio do século XVIII, com o
início do tráfico de escravos, optou-se pela exploração
exclusiva do escravo africano. 
b) desde o século XVI, a preferência dos senhores de engenho
recaía sobre os escravos vindos dos portos de Benguela e
Cabinda, especialmente os huaças e os jejes, reconhecidos
como os homens mais fortes, que conheciam a metalurgia e
ofícios mecânicos, além de se apresentarem mais leais aos
seus senhores. 
c) no século XVI, os portos ao longo do litoral de Daomé
forneceram o maior número de escravos, e nos séculos XVII
e seguintes, as regiões do Congo e de Angola tornaram-se os
centros mais importantes de exportação de escravos; além
disso, Salvador e Rio de Janeiro foram os grandes centros
importadores de escravos. 
d) a efetiva entrada de escravos africanos no Brasil ocorreu a
partir da segunda metade do século XVIII, momento no qual
já existiam justificativas religiosas e morais para a
escravização do homem africano, e, em toda ordem
escravista, Moçambique foi a mais importante região
fornecedora de escravos. 
e) entre os séculos XVI e XVIII, o norte da África foi, quase
exclusivamente, a região fornecedora de mão de obra
compulsória para o Brasil e o resto da América colonial, mas
essa situação foi radicalmente transformada com a ação do
governo da França que proibiu, após a Revolução Francesa,
a retirada de escravos de qualquer parte da África.
RESOLUÇÃO:
O texto ressalta a longa duração do tráfico negreiro para o Brasil,
demonstrando quais características dos escravizados eram
priorizadas, além das principais áreas fornecedoras de cativos.
Resposta: C
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 28
29HISTÓRIA
1. Introdução
A América é um continente com uma área aproxi -
mada de 42 083 606 km2, ou seja, possui 28,2% das
terras emersas do globo terrestre. Localiza-se no Hemis -
fério Ocidental, dividin do-se, no sentido norte-sul, em
Amé rica do Norte e América do Sul, ligadas por um
verdadeiro istmo, associado a um conjunto de ilhas, que
constituem a América Central. Do lado leste, existe o
Ocea no Atlântico e, a oeste, o Oceano Pa cífico. Liga-se
ao con ti nente asiático pelo pequeno Es treito de Bering,
situado no extremo noroeste do continente.
O processo migratório desencadeado pela coloni za ção
pro lon ga-se até a atualidade. Esse processo con tri buiu para
a for ma ção das sociedades nacionais, distri buindo-se
desigual mente pe lo continente, a ponto de se poder falar
em uma América bran ca (Anglo-Saxônica e países do
Prata), uma Amé rica índia (paí ses andinos), uma América
hispano-índia (regiões centro-ameri ca nas e Paraguai) e
países de mesti ça gem multirracial, co mo o Brasil.
Convém lembrar que esse imenso continente teve
um processo heterogêneo de conquista e dominação
pelos coloni zadores europeus e, portanto, não é possível
tratar a História da América de forma homogênea na
atualidade, desconsi derando as especificidades do
processo colonizador.
Assim, nos dias de hoje, vemos com nitidez que, sob
os as pectos econômicos, sociais, políticos e culturais, a
América também é dividida de forma desigual. No Norte,
temos uma América industrial e imperialista; já no Sul, a
chamada América Latina permanece presa a estruturas
arcaicas e, com os países da África e da Ásia, compõe o
Terceiro Mundo.
2. A origem do homem na
América pré-colombiana
A primeira coisa que é necessário saber ao se iniciar
o estudo da História da América é ter consciência de que
esta não é uma tarefa fácil, principalmente no que diz
respeito aos chamados povos pré-colombianos.
As difi cul da des de vem-se, princi palmente, ao fato
de os “con quista do res”, ao chega rem ao conti nen te,
terem des truído gran de parte dos monumentos, obras
de arte e os chamados “códices” (ma nus critos), os prin -
cipais ma teriais de tra ba lho dos historia dores. Além dis -
so, mas em me nor proporção, antes da chega da dos es -
pa nhóis, alguns povos americanos, como os astecas, por
exemplo, também tinham o hábito de destruir os vestí -
gios dos povos por eles dominados. Grande parte das
informações que possuímos desse período foi dada pela
visão dos europeus, a versão dos "vencedores".
Mas quem eram os povos americanos? Como che -
garam ao continente? Esta é uma questão importante, já
que a tese do autoctonismo foi posta por terra.
Atualmente, trabalhamos basicamente com duas hi -
póteses para explicar o po voamento do continente
antes da chegada dos europeus. Uma delas é a hipótese
asiá tica, defendida pelo dinamarquês Ales Hrdlicka, que
considera os ameríndios descendentes de populações
da Ásia Ori en tal que atravessaram o Estreito de Bering
na última glacia ção (cercade 40 mil anos), quando uma
violenta mudan ça climática no planeta transformou o
Estreito nu ma “ponte de gelo”, facilitando a locomoção
entre os dois conti nen tes. No entanto, essa explicação
Autoctonismo: qualidade de autóctone (do que se formou ou se originou no local em que é encontrado).
50 A origem do ameríndio
Palavras-chave:
• Estreito de Bering 
• Heterogeneidade 
• Hipóteses
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:55 Página 29
30 HISTÓRIA
não é suficiente para justificar a heterogeneidade dos
diversos povos pré-colombianos. 
A hipótese polinésia, defendida por Paul Rivet, sus -
ten ta, com base nas semelhanças etnográficas, linguís -
ticas e biológicas, ter existido também um povoamento
da América realizado por povos vindos da Polinésia.
Segundo essas hipóteses, os primeiros habitantes
da América, quando aqui chegaram, ainda não conhe -
ciam as técnicas da agricultura, vivendo basicamente da
coleta, da caça e da pesca. Como não possuíam a noção
de Estado (que só aparece nas sociedades mais com ple -
xas), viviam em pequenas comunidades caracteriza das
pela proprie dade coletiva dos meios de produção e distri -
bui ção das atividades, conforme os critérios de sexo e
idade. Os laços de parentesco nessas sociedades eram
seu elo, reforçados pela crença em antepas sa dos
míticos comuns, nos quais baseavam as suas cren ças.
O panorama encontrado pelos primeiros habitantes da
América se modificaria devido a uma nova trans for ma ção
climática e ecológica ocorrida por volta do ano 7 mil a.C. A
temperatura da terra tornou a subir, e desapareceram
numerosas espé cies de animais que esses povos
caçavam, assim como a “ponte de gelo” do Estreito de
Bering. Isolados do outro continente e com uma nova
realidade, muitos povos começaram a buscar a sua
sobrevivência em outras atividades, destacando-se a
agricul tura, que implicaria a sedentarização e, conse quen -
temente, o primeiro passo para a urbanização das grandes
civilizações, como a dos maias, astecas e incas. Estima-se
que, quando da chegada do colonizador europeu, a
América possuía entre 25 e 40 milhões de habitantes.
Distribuindo-se pelo con ti nen te, es ses povos ti ve ram
pro ces sos diferen cia dos de estru tu ração de suas so cie da -
des (fato per cep tível em ra zão de, no mo men to da che ga -
da dos co lo ni za do res, os gru pos apresen ta rem variados
graus de desen vol vi mento cul tural e ma terial).
Podemos, entretanto, encaixá-los em três grandes
gru pos, que representam três estágios de desen vol vi -
men to, segundo a classificação do antropólogo nor te-a -
me ricano Morgan:
Paleolítico (selvageria): Grupos cuja subsistência
dependia da caça, da pesca, da coleta vegetal e da
agricultura rudimentar, localizados principalmente no
Brasil, no Paraguai, no Uruguai e na Argentina.
Neolítico (barbárie): Grupos já sedentarizados, com
prática da agricultura e uma relativa organização social,
política e econômica, localizados no norte da América do
Sul, na América Central e praticamente em toda a
América do Norte.
Civilização: Sociedades complexas em alguns
aspectos, como o seu modo de pro dução, localizadas no
México, na Guate ma la, em Nicarágua, no Peru, na
Bolívia e no Equador.
A Antropologia contemporânea considera o esque -
ma evolutivo de Morgan extremamente rígido e, até
certo pon to, preconceituoso; e defende que, na rea lida -
de, existem di versidades étnicas, e não grupos humanos
“superiores” ou “in feriores”, como insinua a teoria de
Morgan. Entre tanto, esse esquema evolu tivo será
utilizado nas próximas aulas.
O estreito de Bering visto da Ilha Pequena Diómedes (EUA).
Heterogeneidade: qualidade de hete ro gêneo; de diferente natureza. Antropólogo: especialista em Antropolo gia, ciência que estuda e
classifica os ca racteres físico-culturais de grupos huma nos.
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 30
31HISTÓRIA
O Oriente Médio 
é considerado 
o “berço da civilização”, 
pois foi ali que surgiram 
os primeiros homens. 
O índio brasileiro, segundo
as mais recentes
pesquisas antropológicas,
teria vindo da Ásia e da
Polinésia.
� (MODELO ENEM) – Observe o mapa.
Assinale a alternativa que se relaciona com as diversas hipóteses de
origem do homem americano.
a) O mapa justifica a hipótese de o homem americano apresentar
características mongo loides ou pré-mongoloides: povos oriundos
da Mongólia e da Sibéria penetraram no con tinente americano pelo
Estreito de Bering.
b) Segundo o que demonstra o mapa, o homem chegou à América
em migrações esporádicas, navegando pelo Pacífico, vindo da
Europa e da África.
c) Segundo o mapa, o homem americano é autóctone, ou seja, surgiu
no próprio conti nente, embora não exista nenhum fóssil anterior
ao Homo sapiens sapiens.
d) Observando o mapa, fica evidente que o ser humano não chegou
no continente americano pelo Oceano Pacífico, apesar de esse ser
o caminho mais "curto".
e) No continente sul-americano, o fóssil mais antigo é o de uma
mulher conhecida por Maria, encontrada em 1975, próximo à Serra
da Capivara/PI, datada de 11 500 anos.
Resolução
A hipótese mais aceita é a da origem asiática do homem americano.
Durante uma glaciação, o Estreito de Bering (que separa a Ásia da
América) congelou, formando uma ponte de gelo que permitiu, du -
rante algum tempo, a passagem de algum contingente populacional.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
3. Pré-História no Brasil
Os estudos arqueológicos em nosso país estão cada
vez mais avançados, e os pesquisadores têm-se
esforçado para aprimorar as suas investigações e
pesquisas.
Os sinais do nosso passado pré-histórico podem ser
observados nos sítios arqueológicos espalhados por
todo o País, tais como: o de Lagoa Santa (MG), o da
Gruta dos Brejões (BA) e o mais conhecido de todos, o
de São Raimundo Nonato, no Parque Nacional da Serra
da Capivara (PI). Ali, a arqueóloga Niéde Guidon
comanda uma equipe que encontrou inúmeras pinturas
rupestres, vários utensílios e vestígios de fogueira. Ela
tem procurado demonstrar que eles datam,
aproximadamente, de 50 mil anos atrás, mas a
comunidade científica internacional não os reconhece,
pois a teoria mais aceita a respeito da origem do homem
americano (Estreito de Bering – ponte de gelo) aponta
para 18 mil anos. 
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 31
32 HISTÓRIA
� Explique as hipóteses para a origem do homem americano.
RESOLUÇÃO:
Hipótese asiática: o homem americano tem sua origem, prova vel -
men te, na Ásia Oriental; e aqui chegou pelo estreito de Bering.
Hipótese polinésia: o povoamento da Amé rica deu-se por povos
da Polinésia que, deslocando-se pelas ilhas do Pacífico Sul,
chegaram até a costa andina.
� Podemos considerar que, quando os conquistadores euro -
peus chegaram à América, as sociedades estavam estrutura -
das de maneira homogênea? Comente. 
RESOLUÇÃO:
Não, cada sociedade estava estruturada de forma diversa: algumas
com Estado organizado e complexo; e outras com uma organi -
zação tribal.
� Comente, de forma crítica, o esquema de Morgan que
classifica os grupos americanos.
RESOLUÇÃO:
Morgan utiliza um esquema rígido e, em grande parte,
preconceituoso, pois avalia os grupos humanos comparando-os
com o modo de vida do homem branco ocidental (europeu), a fim
de classificá-los como superiores ou inferiores.
� (MODELO ENEM) – “Até meados dos anos 1990, predo -
minava na literatura a ideia de que a ocupação da América pelo
Homo sapiens teria se dado por três levas distintas. Uma pri -
meira, conhecida como Ameríndia, teria dado origem à esma -
gadora maioria dos índios das três Américas; uma segunda, aos
Na-Dene da costa pacífica do Canadá e dos Estados Unidos; e
uma terceira, responsável pelos atuais esqui mós e aleútes.
Denominado ‘Modelo das Três Migra ções’, foi su gerido no início
dos anos 1980 por Cristy Turner II, Stephen Zegura e Joseph
Greenberg, baseado em três pilares: a diver sidade dentária,
linguística e genética das populações nativas americanas.
Quando da publicação original do modelo(Greenberg et al.,
1986), os estudos sobre variabilidade gené tica baseavam-se em
produtos gênicos, como as proteínas séricas, por exemplo, e
não na diversidade do DNA propria mente dito. 
Exercícios Propostos
� (UFPe – MODELO ENEM) – “O longo processo evolutivo, que se
realizou na África, culminou com a aparição do homem na Terra (o
chamado gênero Homo), a partir de um ancestral comum ao homem
e aos macacos antropoides. O Homo erectus e o Homo ergaster
migraram da África há pelo menos um milhão de anos e povoaram a
Ásia. O Homo antecesor iniciou o povoamento da Europa, há 800 000
anos. Há 100 000 anos, o homem de Neandertal ocupava também a
Europa e a Ásia Me nor. Todas essas espécies extinguiram-se,
restando apenas o Homo sapiens moderno, única espécie sobre -
vivente, à qual todos perten cemos.”
Baseado nessas informações, analise as propo sições a seguir:
1) A América estava completamente despo voada quando Colombo ali
chegou, pela pri meira vez, descobrindo o chamado Novo Mundo.
2) A América, antes dos descobrimentos dos espanhóis e portu -
gueses, já estava povoada por numerosos grupos humanos de
dife rentes culturas, embora todos pertencessem à mesma
espécie humana, a do Homo sapiens moderno.
3) Depois de povoar a Ásia, o Homo erectus conseguiu chegar
também à América, faz meio milhão de anos.
4) Os primeiros homens que povoaram a América chegaram desde a
Ásia através do Estreito de Bering.
5) Os primeiros habitantes da América perten ciam a uma espécie
humana hoje extinta.
Estão corretas apenas
a) 1 e 2. b) 2 e 3. c) 3 e 5. d) 2 e 4. e) 1 e 5.
Resolução
A afirmativa 1 está incorreta, porque a América já era povoada, tanto
que Colombo chamou os habitantes encontrados de “índios”, por
acreditar que havia chegado às Índias (expressão usada naquela época
para designar o Oriente).
A afirmativa 3 está incorreta, porque o homem da América não possui
mais que 18 mil anos (oficial), ou no máximo 50 mil (Niede Guidon).
A afirmação 5 está incorreta, pois só existe um tipo de hominídeo,
com a mesma origem ancestral.
Resposta: D
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33HISTÓRIA
A partir de meados dos anos 1990, mas principalmente a partir
do final da década, dois outros modelos passaram a desfrutar de
grande interesse entre a comunidade especializada, sobretudo
porque questionavam seriamente o modelo tripartite. O primeiro
deles, originalmente batizado por Neves e Pucciarelli (1989,
1990, 1991) como ‘Modelo das Quatro Migrações’, foi mais
tarde renomeado ‘Modelo dos Dois Com ponentes Biológicos
Principais’ por duas razões: a dificul dade de se estabelecer, de
fato, o número real de migrações que ocorreu no processo de
colonização da América; e o progresso das informações
advindas da Biologia Molecular, baseadas agora no estudo dos
polimor fismos da própria fita do DNA recombinante.” 
(Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=
S0034-77012007000100001&script=sci_arttext.
Acesso em: 5 abr. 2010.)
A partir da leitura do texto, é possível afirmar que
a) até hoje a explicação sobre a origem do homem americano
continua a mesma.
b) o homem americano tem uma origem asiática, uma malaio-
po linésia e uma europeia.
c) uma única leva de asiáticos foi responsável por todo o povoa -
mento do continente americano.
d) não existe comprovação científica da origem asiática do
homem americano.
e) é mais provável que a América tenha sido povoada por várias
migra ções de homens asiáticos.
RESOLUÇÃO: 
A partir de análises da Biologia Molecular, constatou-se que o
homem americano tem origem em várias migrações asiáticas para
o continente americano.
Resposta: E
� Segundo a explicação mais difundida sobre o
povoa mento da América, grupos asiáticos
teriam chegado a esse continente pelo
Estreito de Bering, há 18 mil anos. A partir dessa região,
localizada no extremo noroeste do continente americano,
esses grupos e seus descendentes teriam migrado, pouco a
pouco, para outras áreas, chegando até a porção sul do
continente. Entretanto, por meio de estudos arqueológicos
realizados no Parque Nacional da Serra da Capivara (Piauí),
foram descobertos vestígios da presença humana que teriam
até 50 mil anos de idade.
Validadas, as provas materiais encontradas pelos arqueó logos
no Piauí
a) comprovam que grupos de origem africana cruzaram o
oceano Atlântico até o Piauí há 18 mil anos.
b) confirmam que o homem surgiu primeiramente na América
do Norte e, depois, povoou os outros continentes.
c) contestam a teoria de que o homem americano surgiu primeiro
na América do Sul e, depois, cruzou o Estreito de Bering.
d) confirmam que grupos de origem asiática cruzaram o
Estreito de Bering há 18 mil anos.
e) contestam a teoria de que o povoamento da América teria
iniciado há 18 mil anos.
RESOLUÇÃO:
Os estudos arqueológicos no Parque Nacional da Serra da Capivara
(PI) apontam para uma origem do homem americano muito mais
remota (50 mil anos) do que a considerada pela teoria da “ponte de
gelo” no Estreito de Bering (18 mil anos).
Resposta: E
� (FUVEST) – Pesquisadores do Museu Nacional, no Rio de
Janeiro, encontraram o crânio e uma parte do fêmur de Luzia,
o esqueleto humano mais antigo descoberto na América que
revolucionou as teorias científicas sobre a ocupação do
continente. Os fósseis foram achados há alguns dias (não foi
divulgado quando) junto aos escombros do edifício,
parcialmente destruído por um incêndio em 2 de setembro. O
crânio está fragmentado, porque a cola que mantinha os seus
pedaços juntos se foi com o calor, mas a equipe está bastante
otimista com suas condições.
(Júlia Barbon, Folha de S.Paulo, Outubro/2018. Adaptado.)
O esqueleto de Luzia,
a) adquirido por D. Pedro II em 1876, foi incorporado à sua
coleção pessoal, a mesma que deu origem ao Museu
Nacional no período republicano.
b) descoberto na década de 1970 em Minas Gerais, permitiu
questionar a teoria de que a ocupação das Américas se deu
por apenas uma onda migratória.
c) estudado por diferentes equipes de antropólogos,
comprovou que grupos saídos diretamente da África foram
os primeiros habitantes das Américas.
d) encontrado na atual Serra da Capivara, no Estado do Piauí,
pertenceu à cultura que elaborou suas famosas pinturas
rupestres.
e) mantido em uma coleção particular fora do país, estava
exposto para comemoração dos 150 anos da passagem de
Charles Darwin pelo Brasil.
RESOLUÇÃO:
Até a descoberta de “Luzia” – fóssil humano com 10 mil a 15 mil
anos de idade –, as principais teorias acerca do povoamento do
continente americano versava sobre a rota do Estreito de Bering ou
por uma travessia de origem malaio-polinésica. O achado de
“Luzia” abriu novas perspectivas, apontando para a possibilidade
de o homem ter chegado às Américas por itinerários diferentes em
épocas distintas.
Resposta: B
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34 HISTÓRIA
1. A cultura olmeca e
teotihuacana
A sedentarização do homem e a prática da
agricultura, na região do México e da América Central –
conhecida como Mesoamérica –, ocorreram entre 5 000
e 4 000 anos antes de Cristo.
Por volta de 2000 a.C., surgiram os primeiros aglo -
me rados humanos, as aldeias transformaram-se em cen -
tros cerimoniais e surgiu a classe sacerdotal, responsá vel
pelos cultos, principalmente os vinculados à fertilidade.
Os sacerdotes, detentores do saber, passaram a
controlar também o excedente agrícola, tornando-se
uma classe mais poderosa ainda. Organizava-se um
Estado teocrático dentro dessas sociedades.
Entre 1500 e 500 a.C., floresceu a cultura olmeca,
na costa sul do Golfo do México. Essa civilização
agrícola, que vivia principalmente da produção de milho,
desenvolveu a construção de reservatórios de pedra
para o armazenamento de água.
Os olmecas tinham como dirigente, em suas comu -
nidades, a classe sacerdotal, a quem pagavam impostos,
tanto sobre a produção agrícola quanto sobre a artesanal.
Os principais centros dessa cultura foram La Venta,
San Lorenzo e Três Zapotes. Por volta do século I a.C.,chegava ao fim a cultura olmeca, que legou às
posteriores uma avançada técnica agrícola, o artesanato
têxtil e de barro, um sistema de escrita e numeração, um
calendário – o religioso com 260 dias e o civil com 365
dias –, além de uma religião extremamente organizada.
O poder político era exercido pelos sacerdotes de
origem olmeca e a sociedade já se organizava de forma
mais complexa.
A religião era extremamente importante, a ponto de
a principal manifestação artística desse povo, a
arquitetura, voltar-se para a religiosidade. Foi durante
seu apogeu que essa civilização construiu a Cidade dos
Deuses – Teotihuacán –, totalmente planejada, e
também pirâmides dedicadas ao Sol e à Lua, ricamente
decoradas com esculturas e afrescos.
A cidade de Teotihuacán, localizada no nordeste do
Vale do México, estendeu seus domínios por todo o
México Central, entre 300 e 600 d.C. A população de
Teotihuacán, sucessora dos olmecas, aperfeiçoou as
técnicas de cultivo, desenvolveu o sistema de irrigação e
as chinampas (técnica de plantio feita sobre esteiras de
varas flutuantes que eram colocadas no Lago Texcoco).
A cultura teotihuacana desapareceu durante o
século VI, sendo difícil precisar quais fatores foram
responsáveis por tal fato. Porém, presume-se que
doenças, rebeliões ou invasões expliquem a destruição
da Cidade dos Deuses e sua civilização.
2. Os maias
No momento em que Teotihuacán entrou em deca -
dência, o sul da Mesoamérica conheceu o esplen dor da
civilização maia.
Durante o apogeu de sua civilização, os maias domi na -
ram a Península de Yucatán (no sudeste do México), quase
toda a Guatemala, parte de Honduras e El Salvador, além
de Belize, ocupando o território da antiga cultura olmeca.
A denominação maia é utilizada em função da
semelhança linguística entre os povos da região. Origi -
nários das regiões setentrionais, atual Estados Unidos,
estabeleceram-se inicialmente ao norte da Gua temala e
em Honduras, constituindo a mais antiga das civilizações
pré-colombianas.
As três grandes
civilizações pré-
colombianas.
Cultura a tecas
Cultura maia
Cultura inca
Teotihuacán
Tenochtitlán
Mayapán
Uxmal Copán
Chichén Itzá
Cuzco
Nazca
OCE
AN
O
PA
CÍ
FI
C
O
OCEANO A
TLÂ
NT
IC
O
51 Os maias
Palavras-chave:
• Cidades-Estado 
• Mesoamérica • Chinampas
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:45 Página 34
35HISTÓRIA
Características gerais
Os maias não chegaram a constituir um império. Ao
contrário do que se pensava, as cidades maias estiveram
constantemente em conflito, sendo sua organização
caracterizada pela formação de cidades-Estado.
O poder político era teocrático e hereditário. Cada
cidade-Estado possuía um governante local que devia
obediência ao poder central.
A sociedade era rigidamente dividida e a posição
social era dada pelo nascimento. No topo da pirâmide
social, estava a família governante, altos funcionários do
Estado (sacerdotes e militares) e comerciantes; abaixo
destes, vinham os cobradores de impostos, militares e
responsáveis pelas cerimônias; na base da pirâmide,
encontravam-se os trabalhadores braçais. 
Na economia, o cultivo da terra era coletivo e as
comunidades pagavam um imposto também coletivo,
caracterizando-se pelo modo de produção asiático, pois
ao Estado cabia a propriedade das terras e à
comunidade, a posse útil. O principal produto cultivado
era o milho, base da alimentação dos maias.
Além da produção agrícola, os maias davam
significativa importância às atividades comerciais. Os
mercadores eram os responsáveis pela realização de
trocas de produtos agrícolas e artesanais.
A religião defendia que o destino dos homens era
controlado pelos deuses, aos quais prestavam cultos,
realizavam cerimônias e construíam templos em forma de
pirâmides com escadarias, utilizando mão de obra
camponesa recrutada de forma compulsória. Ainda em
função da religião, desenvolveram a escultura em
terracota, a pintura e o calendário cíclico, com 52 anos,
com base em seus sofisticados estudos de Astronomia.
Com a intenção de facilitar os cálculos, inventaram o zero.
A escrita elaborada é denominada glífica e consiste em
um conjunto de caracteres que represen tam parcial mente
um objeto ou algo relacionado a esse objeto.
O Novo Império Maia
Por volta do ano 900, iniciou-se o declínio do Império
Maia, que, dois séculos mais tarde, passou a sofrer
influência da cultura tolteca.
Os toltecas, originários do grupo linguístico naua,
haviam ocupado o Planalto Central Mexicano e transfor -
mado Tula em sua capital. Formavam uma sociedade
urbanizada e militarista, com forte presença da religião,
que tinha como deus principal Quetzalcoatl (serpente
emplumada).
A partir de então, ocorreu a fusão das culturas maia
e tolteca, dando início ao chamado Novo Império Maia,
que lentamente assistiu ao declínio dessa civilização. 
Quando os espanhóis chegaram, os maias já estavam
em decadência. Entretanto, deixaram a marca da sua
cultura em muitos povos vizinhos na Mesoamé rica. As
hipóteses para explicar a sua decadência são muitas.
Entre elas, podemos citar o esgotamento do solo em
razão da prática da agricultura de coivara ou queimada, a
deficiência alimentar (era raríssimo o consumo de carne e,
portanto, de proteína) e ainda os acirrados conflitos
internos entre os diversos líderes das cidades-Estado.
Entre 1517 e 1697, os espanhóis realizaram a con quis -
ta do Império Maia, marcada pela violência do bran co
contra o indígena, pela força das armas em busca do ouro. 
Entre as culturas pré-colombianas, somente os
maias resistiram à conquista europeia; não acreditavam,
como os outros povos, que os europeus fossem deuses
que chegavam à América.
Templo do Jaguar, em
meio à floresta tropical
em Tikal.
Guerreiro maia, 
baixo-relevo.
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36 HISTÓRIA
MODO DE PRODUÇÃO TRIBUTÁRIO
Existiu um modo de produção que Marx começou a analisar na Índia, denominado Modo de Produção Asiático.
O que Marx não tinha condições de saber é que esse modo de produção se localizava também no Egito Antigo, na
Creta Micênica, na África Negra ou na América Pré-colombiana. Para evitar confusões geográficas, vamos denominar
esse modo de produção como Modo de Produção Tributário.
Quais são as características desse modo de produção? As comunidades primitivas efetuaram ao longo dos
anos um processo de unificação em torno de uma comunidade superior, o Estado, movidas pela necessidade de
organizar e efetuar as grandes obras públicas que ultrapassavam os meios das comunidades individuais.
O Estado tem suas raízes no surgimento de uma minoria com poderes de “função”, isto é, nasce quando uma
minoria que efetua serviços de interesse comum para a comunidade se afasta da produção, apropriando-se do
excedente econômico gerado pelos produtores diretos, transformando o poder de função em poder de exploração.
A característica fundamental do Modo de Produção Tributário é a existência das comunidades aldeãs,
sociedades sem classes, provenientes de um modo de produção anterior, o Comunitário Primitivo; e, por outro lado,
a existência do Estado (sociedade de classes), representado por uma classe de sacerdotes, funcionários e guerreiros,
que extrai tributos das comunidades aldeãs. O Modo de Produção Tributário é uma forma de transição de uma
sociedade sem classes para uma sociedade de classes.
A existência de um Modo de Produção Tributário na América não significa a negação das especificidades do
desenvolvimento asteca, maia ou inca. O modo de produção é uma abstração teórica que não existe na realidade em
sua forma pura. Ele explica como uma sociedade cria e recria suas condições materiais de existência, assegurando a
própria reprodução, e se explica pela articulação das instâncias econômica, política e ideológica.
É possível afirmar que o Modo de Produção Tributário se constitui em regiões onde a produção de excedente
econômico agrícola requer importantes transformações no meio ambiente (canais de irrigação, drenagens, terraços
etc.), por meio de uma aglutinaçãodas comunidades aldeãs ao redor de um núcleo central. Nesse caso, o Estado
intervém diretamente na produção, como acontecia no Império Inca. Aliás, os incas foram os únicos a formar um
verdadeiro império.
Quanto aos maias, não passaram de cidades-Estado que ocasionalmente se associavam, mas que na maioria
da vezes lutavam entre si pelo controle da terra. Não encontraremos grandes obras incaicas, nem grandes trabalhos
hidraúlicos. O que veremos na península de Yucatán é uma minoria que domina e explora as comunidades, interferindo
na produção de forma limitada.
No Modo de Produção Tributário se estabelece um equilíbrio, uma correspondência pela mediação do Estado
entre forças produtivas e relações de produção. Mas o Modo de Produção Tributário também se caracteriza por uma
inadequação entre forças produtivas e meios de produção. Existe mais utilização de força produtiva de trabalho
humano que meios de produção. Encontraremos uma superexploração da força de trabalho que compensa a
subutilização das possibilidades tecnológicas.
A superexploração da força de trabalho, sem um desenvolvimento tecnológico avançado, somente pode
acontecer porque as comunidades aldeãs permanecem em suas terras, sob o regime de comunidade primitiva ainda
não dissolvida, enquanto o Estado assume as tarefas de defesa, controle social, organização da produção e
distribuição. O sistema de exploração montado pelo Estado permite a manutenção da força de trabalho, quando ela é
deslocada no período de entressafra para grandes construções públicas.
(Enrique Peregalli. A América que os europeus encontraram. São Paulo: Atual, p. 9-11. Adaptado.)
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 36
37HISTÓRIA
� (UNESP) – “Outra prática comum aos povos mesoamericanos
foi a construção de cidades. [...] As cidades mesoamericanas também
serviam para dar identidade grupal aos seus habitantes, ou seja, as
pessoas se reconheciam como pertencentes a tal cidade e não como
“indígena”, termo que começou a ser utilizado pelos espanhóis para
referir-se aos milhares de grupos que se [...] autodenominavam
mexicas, cholutecas, tlaxcaltecas, dependendo da cidade que
habitavam.”
(Eduardo Natalino dos Santos.
Cidades pré-hispânicas do México e da América Central, 2004.)
As cidades existentes na América Central e no México no período pré-
colombiano
a) foram objeto de disputa entre lideranças indígenas e conquis -
tadores espanhóis, pois eram situadas em áreas próximas ao
litoral.
b) eram centros comerciais, políticos e religiosos que contribuíam
para a caracterização e diferenciação dos habitantes da região.
c) eram espaços dedicados essencialmente a cultos religiosos
monoteístas, que asseguravam a unificação identitária dos povos
da região.
d) eram as capitais de grandes unidades políticas e sociais, e seus
governantes buscavam a homogeneização dos povos indígenas da
região.
e) foram conservadas quase integralmente até os dias de hoje,
graças às preocupações preservacionistas dos colonizadores
espanhóis.
Resolução
As cidades mesoamericanas pré-colombianas pos suíam caracterís -
ticas próprias, com comunidades específicas, dotadas de identidade
própria. A única exceção, que poderia ser considerada um centro de
poder imperial, foi a capital dos astecas, Tenochtitlán.
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – Quando da chegada do colonizador europeu,
as civilizações ame ríndias apresentavam as seguintes caracte rísticas:
I. Os maias são chamados de “os gregos da América” por
possuírem cidades-Estado.
II. Entre os maias, o trabalho dominante baseava-se na escravidão
dos agricultores.
III. Na civilização maia, o comércio era uma atividade econômica
importante.
IV. Entre os maias, a monarquia teocrática e militar predominava na
organização política.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente I e II são verdadeiras.
b) Somente I e III são verdadeiras.
c) Somente II e III são verdadeiras.
d) Somente I e IV são verdadeiras.
e) Somente III e IV são verdadeiras.
Resolução
A afirmativa II é falsa, porque a mão de obra era a servidão coletiva.
A afirmativa IV é falsa, porque os maias possuíam uma política dividida
em cidades-Estado.
Resposta: B
� Caracterize a cultura olmeca quanto a sua economia e sua
política.
RESOLUÇÃO:
Economia: agrícola, com base no cultivo do milho.
Política: seus governantes vinham do estamento sacerdotal.
� O que eram as chinampas?
RESOLUÇÃO:
Técnica de plantio sobre as águas que utilizava uma espécie de
jangada, coberta de terra, sobre a qual se cultivavam alimentos.
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
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38 HISTÓRIA
� Caracterize a economia da civilização maia.
RESOLUÇÃO:
O Estado era o proprietário das terras e cedia a posse útil daquele
espaço para ser cultivado pela comunidade, que devia sobre ele
pagar tributo.
Foi desenvolvido também o comércio de produtos agrícolas e
artesanais. 
� Sobre a economia da civilização maia, é correto afirmar
que
a) teve como base o comércio, desenvolvido com os povos da
América do Sul.
b) foi uma economia voltada exclusivamente para a subsis -
tência do grupo, não produzindo excedente econômico.
c) as terras pertenciam ao Estado, e a comunidade detinha a
posse útil da terra, pagando impostos pelo seu uso.
d) era completamente dependente do mercado exter no, com -
prando os produtos necessários à sobrevi vência do grupo.
e) se encontrava ainda no estágio de selvageria, desenvol -
vendo, portanto, uma atividade agrícola iti nerante.
RESOLUÇÃO:
A economia das civilizações pré-colombianas assemelhava-se ao
“Modo de Producão Asiático”, originário das primeiras civilizacões
da região do Crescente Fértil, no Oriente Médio, e descrita na
alternativa C.
Resposta: C
� Com relação à civilização maia, podemos considerar
corretas as afirmações a seguir, exceto:
a) Estruturou-se em cidades-Estado teocráticas.
b) Sua sociedade era igualitária, não havendo dife ren ças entre
os membros da comunidade.
c) Organizou-se em cidades-Estado, indepen den tes umas em
relação às outras.
d) Em sua fase de declínio, integrou-se à cultura tol teca.
e) Apesar de toda resistência, foi conquistada pe los espa nhóis.
RESOLUÇÃO:
A sociedade era estamental e rigidamente dividida.
Resposta: B 
� (UFPb – MODELO ENEM) – As principais sociedades
ameríndias (maias, astecas e incas) tinham como
característica:
a) Homogeneidade étnica e diferenciação linguística, locali -
zando-se na chamada Mesoamérica (México e América
Central).
b) Organização econômica com predominância da agricultura
de subsistência, baseada em um sistema de propriedade
privada, mas sem hierarquia social.
c) Organização política que evoluiu de teocracias centralizadas
para impérios descentralizados, constituídos de cidades-Es -
tado bastante autônomas.
d) Cidades comparáveis a cidades europeias, com calçamento,
ajardinamento, sistema de esgoto e canalização de água.
e) Religião monoteísta, naturalista, em que se praticava a
astrolatria e sacrifícios humanos.
RESOLUÇÃO: 
Os espanhóis ficaram admirados com o desenvolvimento
urbanístico dos astecas, maias e incas. Os antropólogos
classificaram esses povos como civilizações, mediante o grau de
desenvolvimento tecnológico comparável ao dos povos europeus.
Resposta: D
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39HISTÓRIA
1. Primórdios
A localização geográfica originária dos astecas é a
região noroeste do Méxi co, denominada Aztlán, daí se
denominarem astecas.
Essa região foi ocupada por volta dos séculos I e II
a.C., período em que os astecas eram considerados
"bárbaros" (chichimecas ou ainda mexicas) por per -
tencerem ao grupo linguístico nahuatl.
Como todos os grupos, os astecas primitivamente
viviam da caça, da pesca e da coleta vegetal. Possuíam
uma sociedade simples, em que prevalecia a igualdade
entre os membros do grupo, que era liderado por um
chefe guerreiro. Aliás, a guerra sempre foi um elemento
característico dos agrupamentos humanos durante o
período do Paleolítico.Ao se estabelecerem no Vale do México, durante o
século XII d.C., após o saque à cidade de Tula, dos toltecas,
os astecas sedentarizaram-se, passando à fase Neolítica.
Em 1325, fundaram a capital do Império, às margens
do Lago Texcoco, que recebeu o nome de Tenochtitlán
(que significa Rocha de Cactos e corresponde à atual
Cidade do México).
Estabeleceram aliança com as cidades-Estado de
Tlacopan e Texcoco, que juntas submeteram os povos
do Vale e deram origem ao Império Asteca.
No início, as três cidades dividiam o poder entre si,
mas a supremacia militar de Tenochtitlán acabou
transferindo o poder para o controle dos astecas.
Em 1440, Montezuma I iniciou a construção de
grandes aquedutos e obras para a irrigação do solo e,
principalmente, a organização do Império.
No momento em que os espanhóis chegaram à
região do Império Asteca, em 1521, Montezuma II era
reconhecido co mo o único impe rador na região, e os
astecas viviam seu momento de apogeu.
Montezuma, em uma ilustração do século XVI.
2. Economia
Na economia, os astecas tinham a agricultura como
principal atividade; cultivaram milho, feijão, cacau e
algodão, entre outros produtos. O Estado era o pro -
prietário das terras, e a comunidade detinha a posse útil
e pagava impostos sobre a produção. Utilizavam as
chinampas; e aperfeiçoaram o sistema de regadio em
suas plantações.
O comércio, apesar de não ser a principal atividade
econômica, também pos suía importância na sociedade.
Realizavam-se trocas dentro das cidades (por exemplo,
no mercado de Tlatelolco) de legumes, frutas, plumas,
joias e es cravos, além de produtos importados, como
tabaco, peles e cristal. Esse comércio levou ao
aprimoramento do sistema de troca, que transformou a
semente de cacau em "moeda corrente".
3. Organização social
Primitivamente, os astecas organizavam-se em clãs,
denominados calpulli, que tinham por base os laços de
parentesco. 
O imperador e sua família ocupavam o topo da
pirâmide social. 
A expansão sobre o Vale do México e a conquista de
terras, realizada por meio da guerra, conferiram grande
poder dentro do império aos militares, que cons tituíram a
nobreza, junto aos sacerdotes, com pondo a classe
dominante dentro da sociedade. Tinham como privilégios
a isenção de impostos e o domínio so bre extensões de
terra, das quais não eram pro prie tários particulares, uma
vez que, nesse período, a posse da terra era coletiva,
inexistindo a noção de propriedade privada.
Os comerciantes (deno mi nados pochtecas) e os
artesãos compunham a camada social interme diá ria. Os
comerciantes se or ga nizavam em corpo ra ções e de ti nham
o monopólio sobre a ativi da de mercantil, que era
transmitida de pai para filho. Os artesãos traba lha vam com
a ourivesaria e a confecção de peças em plumas; tam bém
se orga nizavam em corpora ções e pagavam impostos ao
Estado. A pro fissão era here di tá ria den tro das famílias.
Na base da pirâ mide social estavam os cam po neses
e os escravos. Os pri mei ros, de ori gem as teca, deviam
obri ga ções ao Estado, co mo trabalhar em o bras públi cas
e na agri cul tura (cuatequil), pagar im pos tos e prestar
52 Os astecas
Palavras-chave:
• Calpulli • Sacrifícios
• Serpente com asas
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40 HISTÓRIA
ser viço mi litar; na épo ca do casa mento, re cebiam um
lote de terra para cultivar; e, nos comba tes mili ta res,
tinham a pos sibilidade de ascen são social. Os escravos,
adquiri dos em guerras como pagamento de dívidas ou
condenados por crimes, trabalhavam a terra e podiam
ser libertados.
A poligamia era admitida no grupo em razão de a
população mascu lina diminuir em períodos de guerra,
mas predominava a monogamia.
Código mexicano.
4. Política
A sociedade asteca, fortemente fundada no milita -
rismo e influenciada pela religião, fez nascer um poder
político militarizado e teocrático.
O imperador, inicial men te, era eleito por uma As -
sem bleia de Guerreiros. Em razão das conquistas, essa
Assembleia foi per den do cada vez mais sua impor tân cia
e acabou sen do subs tituída por um Conselho, que
passou a escolher os impe radores dentro de uma
mesma família, o que tornou a sucessão hereditária. 
O imperador era o comandante supremo do Exército
e dividia o poder com a Mulher-Serpente, função exer ci -
da por um homem, responsável pela chefia de governo.
5. Religião e cultura
A religião era poli teísta. Entre os deuses adorados
pelos astecas estavam o Colibri-Azul ou Uitzilopochtli (o
deus do Sol do Meio-Dia), Tezcatlipoca (deus pro te tor
dos guerreiros e es cra vos, simbolizado pela Noite); o
contato com outras civilizações os fez adorar outros
deuses, como Quetzalcoatl (a Serpente de Plumas).
Os astecas acreditavam que eram o povo incumbido
de zelar pela manutenção da harmonia no universo, o
que só poderia ser feito por meio da alimentação dos
deuses; assim, o seu código religioso admitia o sacrifício
humano. Os deuses que regiam o universo e assegu -
ravam as boas colheitas e vitórias militares também
regiam o destino dos homens. 
Em termos culturais, podemos considerar que os
astecas promoveram uma fusão de elementos das
culturas anteriormente estabelecidas no Vale do México,
po rém as superaram.
A arquitetura foi extremamente desenvolvida, desta -
cando-se a construção de pirâmides, palácios e sistemas
de irrigação, além de aquedutos.
Estudavam astronomia e criaram um calendário
dividindo o ano em de zoito meses (cada mês com vinte
dias), mais cinco dias com ple men tares; a cada 52 anos
completava-se um ciclo. Utilizando esse conhecimento,
pre viam eclipses luna res e os solstícios.
Possuíam escolas: a Calmecac, destinada à forma -
ção da nobreza sacerdotal; e a Telpochcalli, destinada ao
ensino comum. A escrita era pictórica e hieroglífica.
Figura de Atlantes, com 4,6 me tros de altura, que fica no alto da pirâ -
mide B, em Tula, e re pre senta o foco militar que pre dominou nes sa
civilização.
Poligamia: casamento no qual um dos cônjuges possui vários cônjuges ao mesmo tempo.
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41HISTÓRIA
� (UFSM – MODELO ENEM) – "Os guer -
reiros constituíam um dos grupos mais impor -
tantes na sociedade asteca. No início, eram
escolhidos entre os indivíduos mais corajosos
e valentes do povo. Com o tempo, entretanto,
a função de guerreiro começou a ser passada
de pai para filho, e apenas algumas famílias,
privilegiadas, mantiveram o direito de ter
guerreiros entre os seus membros."
(Leandro Karnal. A conquista do México. 
São Paulo: FTD, 1996, p. 13.)
O texto faz referência à sociedade asteca, no
século XV, a qual era
a) guerreira e sacerdotal, formada de uma
elite política que governava com tirania a
massa de trabalhadores escravos negros.
b) igualitária e guerreira, não reconhecendo
outra autoridade senão a sacerdotal, que
tam bém era guerreira.
c) comunal, com estruturas complexas,
sendo dirigida por um Estado que contava
com um aparelho administrativo, judiciário
e militar.
d) hierarquizada e guerreira, visto que o Impe -
ra dor era, ao mesmo tempo, o general do
exército asteca e o sumo pontífice sacer -
dotal.
e) igualitária, guerreira e sacerdotal: todo
guer reiro era um sacerdote e todo sacer -
dote era um guerreiro.
Resolução
Mera interpretação de texto. Os astecas
possuíam um governo teocrático e milita -
rizado.
Resposta: D
� (UNESP) – “Os deuses disseram entre si
depois de criar o homem: ‘O que os homens
comerão, oh deuses? Vamos já todos buscar o
alimento.’ Enquanto isso, as formigas
vermelhas estavam colhendo e carregando os
grãos de milho que traziam de dentro do
Tonacatepetl (Montanha do Sustento). O deus
Quetzalcoatl encontrou as formigas e lhes
disse: ‘Digam-me, onde vocês colheram os
grãos de milho?’. Muitas vezes lhes
perguntou, mas as formigas não quiseram
responder. Algum tempo depois, as formigas
disseram a Quetzalcoatl: ‘Lá.’ E apontaram o
lugar. Quetzalcoatl se transformou em formiga
negra e as acompanhou. Desse modo,
Quetzalcoatl acompanhou as formigas
vermelhas atéo depósito, arranjou o milho e
em seguida o levou a Tamoanchan (moradia
dos deuses e onde o homem havia sido
criado). Ali os deuses o mas tigaram e o
puseram na nossa boca para nos robustecer.”
(Apud Eduardo Natalino dos Santos. Cidades pré-
hispânicas do México e da América Central, 2004.)
O texto asteca
a) promove a divulgação das qualidades
nutricionais do milho para o fortalecimento
dos guerreiros mesoa mericanos.
b) oferece uma explicação mítica para a
importância do milho na base da
alimentação dos povos mesoame ricanos.
c) demonstra sustentação histórica e claro
desenvol vimento de pensamento lógico e
racional.
d) procura justificar o fato de apenas os
governantes dos povos mesoamericanos
poderem exercer atividades agrícolas.
e) revela a influência das fábulas europeias na
construção do imaginário dos povos
mesoamericanos.
Resolução
O milho, representado nas diversas variedades
pro porcionadas pela seleção de sementes,
constituiu a base da alimentação não só de
astecas, maias e outras populações ditas
“mesoamericanas”, mas também para os
incas, na América do Sul. 
Resposta: B
A cosmovisão dos astecas
Na crença asteca, o ser humano foi
criado pelo sacrifício dos deuses e por sua
vez foi reciprocamente obrigado a mantê-los
com alimento mágico da própria vida — o
sangue do sacrifício humano.
A responsabilidade dos astecas
Daí o orgulho dos astecas, que se
consideravam colaboradores dos deuses
porque sabiam que sua vida era dedicada
a manter a ordem cósmica e lutar contra
os poderes das trevas. Em certo sentido,
o universo dependia deles para sua
existência continuada; deles dependia o
alimento para os deuses, deles dependia
a doação dos dons que eram outorgados
à humanidade. Igualmente a luz do sol, a
chuva que se formava nas montanhas e
regava o trigo, o vento que so prava
através dos juncos, trazendo as nuvens
ou transformando-as em furacão, tudo de -
pendia deles (…).
Além desse ideal cosmológico, os
astecas também acreditavam que eles
tinham um ideal ético a atingir. A luta do
Sol contra os poderes da terra era
também, acima de tudo, a luta do bem
contra o mal (…).
Oposto a este ideal imperialista e
religioso, havia também um sentimento
de pessimismo na profundeza da alma
asteca. Os astecas sabiam que, no fim, o
seu líder, o Sol, seria derrotado (…) e
então os pode res do mal prevaleceriam e
destruiriam a humanidade.
Por isso, esta vida, para os astecas,
era meramente transitória, e o sentimento
de pes simismo e angústia aparecia nas
suas es culturas vigorosas e terríveis, e
mostravam também uma coloração de
tristeza profunda em sua poesia.
(A. Caso. The Aztecs: People of the Sun, 
p. 93-95. Apud E. A. Hobel e E. L. Frost.
Antropologia cultural e social. 
São Paulo, Cultrix, 2006, p. 341.)
Exercícios Resolvidos
O mundo mágico dos astecas
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42 HISTÓRIA
� Que eram os calpulli, na sociedade asteca?
RESOLUÇÃO:
Correspondiam à organização clânica dos astecas à época primiti -
va, que tinha por base os laços de parentesco.
� Caracterize a sociedade asteca.
RESOLUÇÃO:
Era uma sociedade estamental, constituída pelo Imperador e sua
família, a nobreza e sacerdotes, comerciantes e artesãos, e
camponeses e escravos.
� A arquitetura foi altamente desenvolvida entre os astecas.
Justifique a frase.
RESOLUÇÃO:
A exemplo dos egípcios, os astecas construíram pirâmides,
palácios e sistema de irrigação.
� Os astecas não foram os únicos a admitir os sacrifícios
humanos dentro de seu código religioso. Comente essa prática.
RESOLUÇÃO:
Desde os tempos mais remotos, acreditava-se que a imolação de
seres humanos poderia trazer boas colheitas e acalmar a ira das
divindades.
� (UEL – MODELO ENEM) – Os astecas sacrificavam prisio -
neiros de guerra para alimentar seus deuses. O capturado tinha
seu coração arrancado, era decapitado e tinha seu sangue
bebido pelo captor que, depois, levava o corpo para casa,
esfolava-o, comia-o com milho e vestia sua pele.
É correto afirmar que estes rituais no mundo dos astecas eram
de ordem simbólica, uma vez que
a) os vencidos deveriam pagar um tributo de sangue aos
astecas, que viam a si próprios como deuses.
b) os sacerdotes astecas exigiam oferendas de sangue para que
não faltasse alimento em seus templos.
c) um grande número de sacrifícios representava um reforço
do abastecimento alimentar, evitando a carestia.
d) o captor do prisioneiro se vingava do inimigo, comendo suas
carnes e vestindo sua pele.
e) os deuses exigiam oferendas do bem mais precioso que os
homens possuíam, a vida, para que o mundo fosse
preservado.
RESOLUÇÃO: 
Os deuses eram responsáveis pela sustentação do universo, além
de garantir bons resultados na guerra e boas colheitas, o que
explica a necessidade constante de sacrifícios humanos.
Resposta: E
Exercícios Propostos
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43HISTÓRIA
�
O CANTO TRISTE DOS CONQUISTADOS:
OS ÚLTIMOS DIAS DE TENOCHTITLÁN
“Nos caminhos jazem dardos quebrados;
os cabelos estão espalhados.
Destelhadas estão as casas,
Vermelhas estão as águas, os rios, como se alguém as tivesse
tingido.
Nos escudos esteve nosso resguardo,
mas os escudos não detêm a desolação...”
(J. Pinsky et al. História da América através de textos. 
São Paulo: Contexto, 2007. Fragmento.)
O texto é um registro asteca, cujo sentido está relacionado
ao(à)
a) tragédia causada pela destruição da cultura desse povo.
b) tentativa frustrada de resistência a um poder considerado
superior.
c) extermínio das populações indígenas pelo exército espanhol.
d) dissolução da memória sobre os feitos de seus antepas -
sados.
e) profetização das consequências da colonização da América.
RESOLUÇÃO:
Embora a conquista da América pelos espanhóis tenha provocado
a destruição das culturas indígenas por meio da violência e da
aculturação, o texto transcrito enfatiza a ineficácia da resistência
dos astecas contra o poderio militar dos conquistadores, cuja
superio ridade foi amplamente demonstrada pelo emprego do ferro,
da pólvora, do cavalo e da roda.
Obs.: A alternativa b é a que mais se atém ao texto. Entretanto, a
alternativa a expressa a visão contem porânea sobre a conquista
espanhola da América e poderia ser interpretada como represen -
tativa do “sentido” (isto é, do significado) do texto; e até a
alternativa c poderia eventualmente ser escolhida, pois o trecho
reproduzido também enfatiza a ideia de mortandade, ainda que lhe
reserve menos espaço que às considerações de caráter mili tar. De
qualquer forma, a questão foi elaborada de tal maneira que pode
suscitar no candidato dúvidas sobre qual seria a resposta correta.
Resposta: B
� (FGV – MODELO ENEM) – "(...) a religião desempenhava
papel central nas relações entre o Estado e a sociedade. A
guerra era sagrada, pois através dela se obtinham escravos para
o sacrifício humano, elemento central na ligação entre a
comunidade e o Estado.
(...) reinavam sobre um império aberto a dois oceanos.
(...) Em 1519 (...), com cerca de 5 milhões de habitantes, era a
maior concentração urbana do mundo".
(Flavio de Campos e Renan Garcia Miranda.
Oficina de História: História integrada.)
O texto apresenta características dos
a) tupis. 
b) incas. 
c) maias.
d) mexicas ou astecas. 
e) araucanos.
RESOLUÇÃO: 
Mexicas era um dos nomes pelo qual eram conhecidos os astecas,
que adquiriram a fama de serem a mais sanguinária das civi li za -
ções pré-colombianas no sacrifício de seres humanos.
Resposta: D
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 43
44 HISTÓRIA
1. Primórdios
O território ocupado pelos incas corresponde
atualmente a Peru, Bolí via, Equador, parte do Chile e
norte da Argentina, na região do Alti plano Andino.
A ocupação da região pela civilização inca iniciou-se
a partir do ano 1200 e não constituiu o primeiro
agrupamento humano da região.
Antes da presença inca, o Altiplano Andino foi palco
de culturas que são denominadas pré-incaicas. Entre
essas culturas, encontramos aChavin, séculos IX a II a.C.,
no norte do Peru.
Com a decadência dessa cultura, o Altiplano Andino
assistiu a um longo período em que predominaram gru -
pos fragmentados e, a partir do século VI da Era Cristã,
três grandes culturas floresceram na região: Império
Tiahuanaco, no Altiplano Boliviano, próximo ao Lago Titi -
caca; a civilização huari, na bacia do Rio do Aiacucho,
estendendo-se da região de Cuzco até a costa norte do
Peru; e o Império Chimu, na costa norte do Peru.
Os incas, originariamente, consti tuíam um povo
nôma de, parte inte gran te do grupo quíchua, da região da
Amazônia.
Após sucessivas conquistas, estenderam o seu
poder sobre uma área de quase 5 200 000 km2, com
uma população estimada entre 3,5 milhões e 7 milhões
de habitantes.
Quando os es panhóis che ga ram, no ano de 1532, o
Im pé rio Inca vivia seu auge, impres sio nando os es pa -
nhóis por sua or ganização e suas impo nen tes obras
arqui te tônicas.
Apesar da do minação espa nhola, a influên cia dos
incas faz-se presente até ho je. No Pe ru, o quíchua, an ti ga
lín gua dos incas, é ho je uma das lín guas oficiais do país.
Os incas eram também conhecidos como os “Filhos
do Sol” por acreditarem que o Sol (o deus Inti) era o
ancestral de seus governantes.
2. Economia
A base da economia inca era a agricultura, na qual a
batata e o milho ocu pa vam lugar de destaque. Para
ampliar a área cultivável, faziam terraços nas re giões do
Altiplano Andino, o que, além de favorecer a agricultura,
evitava a erosão da ter ra. O solo era fertilizado com o
guano, fertilizante natural de excremento de aves.
Primitivamente, a terra, no Altiplano Andino, era
pro priedade coletiva da co munidade ayllu, que
trabalha va em conjunto nas plantações. Uma parte da
pro dução era recolhida aos depósitos públicos para ser
distribuída aos habitantes, em tempo de crise, pelo
curaca, líder local.
Com a chegada dos incas e seu processo de expan -
são e submissão das comunidades, as terras passaram
a pertencer ao Estado e a estrutura fundiária original foi
alterada. Passaram a ser divididas em terras da
comunidade e terras do Estado, cultivadas pelos
membros do ayllu.
O tributo em espécie não era pago diretamente ao
Estado, mas este detinha o di reito de requisitar a mita, que
era paga sob a forma de trabalho compulsório nas mi nas, na
construção de estradas e em obras públicas, como canais
de irrigação. Na épo ca em que a mita era requi sitada, o
Estado devia prover os trabalhadores com víveres.
O comércio também se desenvolveu, com base na
produção de cerâmica, tecidos e artesanato em ouro,
bronze e prata.
53 Os incas
Palavras-chave:
• Ayllu • Terraços
• Mita 
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45HISTÓRIA
3. Organi za ção política e social
Antes da dominação inca, a organização social básica
era a comunidade deno minada ayllu, liderada pelo cura -
ca, fundador ou descen dente do ancestral do gru po.
Com a conquista incaica sobre a região do Altiplano,
no século XIII, as co munidades foram subordinadas e o
poder político passou para as mãos de um im perador –
Inca ou Sapa Inca –, cuja força se funda mentava na reli -
gião e no Exército, do qual era o comandante supre mo,
caracte rizando, assim, um governo teocrático-militarista.
Abaixo do imperador estava a nobreza, composta
por seus parentes, altos fun cionários do Estado, clero e
pelos curacas, que mantiveram seu prestígio em razão
da tradição de sua família; em seguida, vinham os arte -
sãos, médi cos, artistas, mili ta res e con tabi listas; final -
mente, na base da pirâ mi de social, esta vam os cam -
pone ses e os escra vos. 
Dentro do Império, o ayllu continuou a ser a base da
organização social e administrativa. Era formado a partir
de laços de parentesco e chefiado pelo curaca, cujo
poder era transmitido hereditariamente.
Para tentar evitar os conflitos internos devido às
muitas conquistas sobre ou tros povos, os incas
tomavam os filhos dos curacas dominados como
"reféns" e os envia vam à capital do império para estudar,
forçando a submissão dos líderes derrotados.
Administrativamente, o império foi dividido em qua -
tro partes (províncias), que eram interligadas por nu me -
rosas estradas, permi tin do tanto o serviço dos correios
quan to a ação do Exército em caso de revolta. Ironi ca -
men te, mais tar de, essas vias acabaram fa cili tan do o
trabalho dos invasores es panhóis.
Machu Picchu.
4. Religião e cultura
Os incas dedicaram-se à astronomia, elaborando um
calendário que, além de marcar o tempo, servia para
fazer previsões astrológicas. Na religião, além do Sol, da
Lua, do Trovão e da Terra, cultuavam Viracocha, o "Cria -
dor do Universo". Completando as suas cerimônias, que
incluíam danças e uso da chicha (espécie de cerveja feita
de cereais), faziam sacrifícios humanos e de lhamas.
Árvore candelabro esculpida na rocha numa colina perto da entrada da
Bacia de Paiacas (cultura chavin).
As pirâmides da lua, entre os campos irriga dos do vale Moche.
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46 HISTÓRIA
Joseph de Acosta, sacerdote jesuíta,
viveu em meados do século XVI. Quando
recebeu o cargo de Visitador de Colégios,
fez inúmeras viagens cruzando os Andes,
conhecendo Are quipa, La Paz, Chu qui -
saca, Lima, Potosí e, posterior mente, o
Novo México. Foi reitor do Colégio de
Lima. Grande estudioso, escreveu várias
obras sobre as Índias Ocidentais, onde
descreve, com minúcias, as riquezas da
terra e os usos e costumes dos indígenas.
Tentando suprir as fontes necessárias
para um melhor conhecimento das civili -
za ções pré-colom bianas, a historio grafia
tem-se valido de tes temunhos deixados
por viajantes e sacerdotes, que, embora
limitados por uma visão euro peia, permi -
tem conhecer um pouco mais tais civili -
zações.
As construções dos incas
"Os incas construíram fortalezas,
tem plos, caminhos, casas de campo e
outros edifícios, com excessivo e can -
sativo tra ba lho, como podemos constatar,
nos dias de hoje, pelas ruínas e vestígios
que ve mos em Cuzco, Tiahua naco, Tambo
e em outras regiões, onde há pedras
imensas, difíceis de imaginar como foram
cortadas, transplan tadas e colocadas
onde estão. Para todos estes edifícios e
fortalezas que o inca mandava construir
em Cuzco e em outras regiões de seu
reino, vi nham inúmeras pessoas de todas
as províncias, porque o trabalho era
admirável e espantoso; não usavam
nenhum tipo de liga, não conheciam ins -
tru mentos de ferro para cortar e trabalhar
as pedras, nem máquinas para movi men -
tá-las. Apesar disso, eram de tal maneira
polidas que em muitas partes apenas se
vê o sinal de junção de umas às outras;
algumas pedras são tão grandes que não
se acreditaria se não as tivesse visto.
(…) O que mais se admira é que as
pedras da muralha não sendo cortadas
são muito desi guais em tamanho e
formato, mas se encaixam umas nas
outras, com perfeição e sem liga. Tudo
isso se fazia à custa de muita gente e de
muito sofrimento no trabalho, porque,
para encaixar uma pedra noutra, da
maneira como estão ajustadas, era neces -
sário removê-las várias vezes, porque não
são iguais nem lisas.
O número necessário de pessoas pa -
ra trabalhar nas pedras e nas constru ções
era fixado todo o ano pelo inca. (…) Embo -
ra os edifícios fossem grandes, comu -
men te eram mal divididos e aprovei tados,
parecidos com as mesquitas e outras
cons truções dos bár ba ros. Não conse gui -
ram fazer arcos, nem a liga necessária
para isso.
Suas pontes eram feitas de junco,
tecido, e presas com cordas nas
margens, porque não faziam pontes nem
de pedra, nem madeira. (…) O talento e a
habilidade dos índios os levaram a fazer
pontes firmes e seguras somente com
palha, o que parece fábula, mas é
verdade. (…) Como estão bem amarradas
nas margens dos rios, suportam com
segurança homens e bestas com cargas”.
(Joseph de Acosta. Historía Natural y
Moral de las Indias. 1590, p. 477-8.) 
� (UFPEL – MODELO ENEM) – “Um dos
mistérios que envolvem a cidade de Machu
Picchu é como os incas conseguiram carregartantas pedras enormes para construí-la (…).
Mestres no assunto, os incas utilizavam recur -
sos curiosos, como encher com água fissuras
naturais nas pedras para que, à noite, com a
queda da temperatura, o líquido congelasse,
facilitando a extração dos blocos.”
(José Jobson Arruda; Nelson Piletti. 
Toda a História: História Geral e História do Brasil. 
São Paulo: Ática, 2003. Adaptado.)
Com base no texto e em seus conhecimentos,
analise as afirmativas a seguir.
I. A construção de estradas, pontes e
túneis atesta o notável desenvolvimento
dos incas – cujo império se localizava no
sul do México e na Península do Yucatán.
II. Além de possuírem profundos conheci -
mentos matemáticos, evidenciados em
sua arquitetura e organização urbanística,
os incas utilizavam também conheci -
mentos de Física, como o aumento do
volume da água durante o congelamento.
III. O Império Inca – que chegou a ter uma
população de milhões de habitantes,
gover na dos por um imperador divinizado,
construiu palá cios, templos, estradas
pavimentadas, aquedu tos e canais de
irrigação.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
b) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.
c) Apenas as afirmações II e III são verda dei ras.
d) Todas as afirmações são verdadeiras.
e) Todas as afirmações são falsas.
Resolução
A afirmação I é falsa, porque o Império Inca se
localizava na costa ocidental da América do
Sul.
Resposta: C
� (UFMG – MODELO ENEM) – No final do
século XV e início do XVI, quando os europeus
conquistaram o continente americano, este
era habitado por inúmeros grupos étnicos,
com diferentes formas de organização
econômica e político-social. Considerando-se o
Império Inca, é correto afirmar que
a) a agricultura, base de sua economia, era
praticada nas encostas andinas em grande
escala, cujo excedente era comercializado
com os maias.
b) o Estado era descentralizado, com o poder
político concentrado nas mãos do Inca
(impe rador), intitulado “Filho do Sol”.
c) seu domínio se estendia ao longo da
Cordilheira dos Andes, ocupando parte dos
atuais territórios de Colômbia, Equador,
Peru, Bolívia, Chile e Argentina.
d) cultuava um Deus único, criador e protetor
da vida e da Natureza, para o qual foram
cons truídos numerosos templos.
e) a sociedade incaica permitia grande mobi -
lidade, tendo como base as comunidades
clâni cas denominadas calpulli.
Resolução
Os incas constituíam um vasto império, inte -
grado por povos de diferentes culturas, loca -
lizados no altiplano andino.
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
A engenharia dos incas
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47HISTÓRIA
� O que era ayllu?
RESOLUÇÃO:
Era a comunidade primitiva incaica, na qual prevaleciam as
relações de igualdade e a propriedade coletiva, administrada por
um líder local, chamado curaca.
� Qual o recurso utilizado no Altiplano Andino para melhor
aproveitamento das terras?
RESOLUÇÃO:
Os incas faziam terraços para conter a erosão e aumentar a área de
plantio, que, fertilizada com o guano, garantia alta produti vidade.
� Descreva o regime de propriedade da terra no Alti plano
Andino após a dominação inca.
RESOLUÇÃO:
As terras pertenciam ao Estado e estavam divididas em “terras da
comunidade” e “terras do Estado”. Estas eram cultivadas pelos
membros da comunidade no sistema de mita.
� (UFPel – MODELO ENEM) –
(Gilberto Cotrim. História global: Brasil e Geral. 6.a ed. 
São Paulo: Saraiva, 2002. Adaptado.)
De acordo com o mapa acima, os povos que viviam nas regiões
identificadas pelas letras "A", "B" e "C", são, respectivamente,
a) astecas, incas e maias.
b) incas, maias e astecas.
c) astecas, maias e incas.
d) maias, astecas e incas.
e) maias, incas e astecas.
RESOLUÇÃO:
Os astecas viveram no sul do atual Estados Unidos e no noroeste
do México. Os maias habitaram a Península do Yucatán,
Guatemala, Honduras, El Salvador e Belize. Os incas habitaram o
altiplano andino, desde o Peru até o norte da Argentina.
Resposta: C
Exercícios Propostos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 47
48 HISTÓRIA
� Quanto às relações de trabalho, havia entre os incas a
instituição da mita, sobre a qual é válida a seguinte afirmação:
a) Foi introduzida no império após a chegada dos es panhóis.
b) Tratava-se do trabalho escravo imposto apenas aos povos
vencidos em guerra.
c) Era o trabalho realizado nas minas pela nobreza.
d) Tratava-se da exploração da mão de obra camponesa, pelo
Estado, de forma obrigatória, em obras públicas e nas
minas.
e) Era o trabalho realizado pela nobreza, em troca dos benefí -
cios recebidos do Estado, como a isenção de impostos.
RESOLUÇÃO:
A mita era uma forma de trabalho compulsório. Além de ser
obrigatória, consistia numa forma de tributo.
Resposta: D
� (MODELO ENEM) – “O ouro e a prata que os reis incas
tiveram em grande quantidade não eram avaliados [por eles]
como tesouro porque, como se sabe, não vendiam nem
compravam coisa alguma por prata nem por ouro, nem por eles
pagavam os soldados, nem os gastavam com alguma
necessidade que lhes aparecesse; tinham-nos como
supérfluos, porque não eram de comer. Somente os
estimavam por sua formosura e esplendor e para ornamento
[das casas reais e ofícios religiosos]”. 
(Garcilaso de la Vega. Comentários reais, 1609.)
De acordo com o texto, é possível afirmar:
a) Os metais preciosos eram igualmente valorizados pelos incas
e espanhóis.
b) Os incas possuíam uma economia monetária que propor -
cionava um grande acúmulo de capitais na sociedade.
c) Se os espanhóis tinham os metais preciosos como sua base
monetária, os incas davam ao ouro e à prata um valor
meramente honorífico e decorativo.
d) Uma construção notável dos incas foi a cidade fortificada de
Machu Picchu, eregida como a capital do Império.
e) Somente os soldados incas eram remunerados com ouro e
prata.
RESOLUÇÃO: 
O texto demonstra a diferença entre incas e espanhóis quanto ao
valor atribuído aos metais preciosos.
Resposta: C
� O Império Inca, que corresponde princi -
palmente aos territórios da Bolívia e do Peru,
che gou a englobar enorme contingente popu -
lacional. Cuzco, a cidade sagrada, era o centro administrativo,
com uma sociedade fortemente estratificada e composta por
imperadores, nobres, sacerdotes, funcionários do governo,
artesãos, campo neses, escravos e soldados. A religião contava
com vários deuses, e a base da economia era a agricultura,
principal mente o cultivo da batata e do milho. 
A principal característica da sociedade inca era a 
a) ditadura teocrática, que igualava a todos. 
b) existência da igualdade social e da coletivização da terra. 
c) estrutura social desigual compensada pela coletivização de
todos os bens.
d) existência de mobilidade social, o que levou à composição
da elite pelo mérito. 
e) impossibilidade de se mudar de extrato social e a existência
de uma aristocracia hereditária. 
RESOLUÇÃO:
A sociedade incaica era estamental, o que fazia do nascimento o
elemento definidor da posição social. Nessa estrutura forte -
mente hierarquizada, as funções administrativas e guer reiras
eram monopolizadas por uma aristocracia hereditária que
sustentava o poder teocrático do Sapa Inca (imperador,
considerado “Filho do Sol”).
Resposta: E
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 48
49HISTÓRIA
1. Introdução
Está claro, hoje, que há diferenças sensíveis entre
os grupos indígenas da Amé rica. Podemos afirmar que
as sociedades indígenas pré-colombianas (maias,
astecas e incas) encontravam-se em um grau de
desenvolvimento material muito mais complexo do que
o das sociedades indígenas norte-americanas e o da
maioria dos grupos sul-americanos.
Sem dúvida, um estudo profundo revelaria muitas
diferenças culturais entre os diversos povos indígenas
da América. Mas, com certeza, encontraríamos muitas
seme lhanças, principalmente no que diz respeito à sua
produção eco nômica para a sobrevivência, sua organi -
zação social e política.
Os grupos americanos, tratados neste módulo,caracterizam-se por terem se organizado dentro de um
modo de produção primitivo, ou comunismo primitivo,
possuindo uma economia em princípio coletora e
depois produtora. 
2. Características
gerais
Economia
A propriedade dos meios de produção era coletiva, o
que significa que a ter ra, os ins trumentos de traba lho, as
sementes e as florestas pertenciam à comu nida de. Para
o indi ví duo usu fruir desses mei os de pro dução, era
neces sário estar integra do ao grupo.
O regime de traba lho era coletivo, todos os ho mens
e mulheres tra ba lha vam em conjunto, vi san do à sobrevi -
vência do grupo, com uma divisão de tarefas segundo o
sexo e a idade. Cabia aos homens realizar a coleta, a
caça, a pesca, o preparo da terra para o plantio, a
construção de habitações, a domes ticação de animais e
a defesa do grupo em caso de guerra. Às mulheres
estavam reser vadas as tarefas de arar o solo, plantar,
preparar os ali mentos, confeccionar o vestuário e os
utensílios de cerâmica e de fibras.
A produção do grupo era autossuficiente,
produzindo tudo o que era necessário com os
materiais encontrados na própria região da aldeia; as
trocas, quando ocorriam, eram realizadas in natura, ou
seja, produto por produto.
Entre outros produtos agrícolas, os indígenas plan -
tavam mi lho, algodão, batata, pimenta, abóbora, amen -
doim e feijão.
O predomínio das atividades agrícolas levou parte dos
grupos à seden ta rização. Entretanto, outros grupos que
se mantiveram parcialmente presos às ativi dades cole tora
e caçadora permaneceram com caráter semi nômade.
Cachimbo de
pedra, da região
de Monte Esme -
ral da, sul dos
EUA; representa
um prisioneiro
ajoe lha do.
Sociedade
Nas comu nida des indígenas, pre do mi na vam as rela -
ções de parentesco como indicadoras da orga ni zação
social.
A unidade social era representada pe lo clã, quer fos se
matri li near (linha gem fe mi nina) ou patrili near (linha gem
mas cu li na). Cons tituía o nú cleo básico da des cen dên cia e
unia seus membros por ins tituições sociais e reli giosas.
Artesanato indígena. Artesanato da tribo naja.
Clã: grupo de pessoas unidas por parentesco e linhagem, definido
pela descendência de um ancestral comum.
54
Os indígenas 
norte-americanos
Palavras-chave:
• Totem • Animismo 
• Pueblos • Clãs
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50 HISTÓRIA
A origem da formação dos clãs residia no fato de os
indí genas considerarem-se descendentes de um ante pas -
sado comum. Daí verificar-se a exis tência de grupos totê -
micos, pois, nesses casos, os indí ge nas se consideravam
descendentes de um animal ou de uma planta.
Na maioria dessas comunidades indígenas, havia o
tabu do incesto, proibin do-se, assim, o casamento entre
indivíduos de um mesmo grupo. Dessa forma, os clãs
integravam-se pela necessidade de buscar casamentos,
formando as tribos. As tribos, por sua vez, reuniam-se
em federações.
As diferenças pessoais na sociedade eram prati ca -
mente inexistentes e, quando ocorriam, eram caracte ri -
zadas pelo grau de parentesco com o líder do grupo, e não
em termos econômicos. Era comum a prática da poli ga -
mia, tanto masculina (poli gi nia) como feminina (poliandria).
Política
As tribos indígenas tiveram uma organização com pa tí vel
com seu nível de desenvolvimento socioe co nô mi co. Mas,
via de regra, o poder político não era com ple xo e pos suía
uma função mais social do que coercitiva sobre o grupo.
A ascensão de um líder político ocorria por meio da
hereditariedade ou era eletiva. O primeiro caso é mais
marcante nos grupos patrilineares; e o segundo caso,
nos grupos matrilineares.
Religião e cultura
A religião era politeísta e animista.
A primitiva organização eco nô mica
desses grupos estava vin culada às
forças da natu reza, o que possibi litou
uma visão de mundo mágico-religio -
sa, pois disso depen dia a sobre -
vivência material do gru po. Na maioria
das vezes, os atos mágico-reli giosos
destinavam-se a ga rantir o abaste -
cimento de alimen tos.
Outra prática era a realização de ritos funerários. Os
mortos pos suíam lugar reservado em cemi térios, cu jas
construções variavam de tribo para tribo.
A produção de cerâmica foi uma constante nesses
grupos. Estava muito mais vinculada às neces sidades de
preservar e guardar os alimentos do que a uma preocu -
pa ção em produzir um legado cultural.
3. Principais grupos
indígenas norte-americanos
Esquimós
Os esquimós habitavam a região do litoral do
Oceano Ártico (Groenlândia, costa do Labrador e Alasca).
A economia desse grupo esta va diretamente ligada ao
que a natureza da região propor cio nava, ou seja, caça da
foca e de aves, pesca da baleia, e outros animais de grande
porte. Desses animais, os es quimós retiravam o alimento
necessário à sobrevi vência, e a divisão dos produtos era
igual entre os membros do grupo. Além dos produtos para
a alimentação, extraíam deles a pele para o vestuário; com
o marfim e com os ossos, con feccio navam ins trumentos
de caça (pontas de lanças e flechas) e esculturas.
A domesticação do cachorro possibilitou aos esqui -
mós o seu uso nos trenós.
Os algonquinos
Os algonquinos viviam entre a região sul do Ártico e
a região de tundras, denominada Área do Caribu.
Sua economia se baseava na caça (rena, alce etc.) e
na pesca de animais ma rinhos, principalmente. As áreas
de exploração eram hereditárias para cada grupo.
Em termos sociais, os algonquinos viviam em
hordas e bandos.
As tribos da costa do Pacífico
Vários grupos coletores ocuparam essa região de
norte a sul.
A economia era fundamentada na caça, na pesca e
na co le ta, sendo a organização social dividida em clãs. A
reli gião era politeísta, ocorrendo a prática de enterrar os
mortos.
As tribos do deserto
Entre as tribos do deserto, têm destaque os
chamados pueblos (cul tu ra anasazi), ou índios de aldeias.
Sua localização geográfica corres pon de à região dos
rios Colorado e Grande.
Em relação aos demais povos in dígenas, notabiliza -
ram-se pela práti ca de uma agricultura intensiva, com o
desenvolvimento da irrigação; pelo conhecimento da te -
ce lagem e da ce râ mica; e pela arquitetura feita em pedra.
A organização social era um pouco mais complexa
que a dos demais povos indígenas. Vinculados por laços
de parentesco, os clãs eram totêmi cos e apresentavam
um grau de estra tificação social, visto, princi palmente,
pelo fato de que o governo era exercido por um
Conselho de Anciãos.
Estatueta de um felino ajoe lhado, na
região do Missis sippi, EUA, do pe río -
do final da pré-his tória.
Totem: qualquer objeto, animal ou planta que seja cultua do como deus ou equivalente por uma sociedade organizada.
Animista: que atribui vida a objetos e coisas, que não possuem vida biológica.
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51HISTÓRIA
Aldeia típica dos indígenas norte-ameri canos.
Ruína de povoação em D, do povo pueblo, na região do desfiladeiro do
Chaco, EUA.
Os iroqueses
Esse grupo indígena ocupava originariamente a
região oeste inferior do Rio Mississippi; posteriormente,
passou a ocupar a região dos Montes Apalaches, na
região de florestas.
Apesar da descendência ser matrilinear, a mulher
pouco destaque possuía na organização. A escolha do líder
político dava-se por meio de eleição. As tribos formavam
uma confederação, que funcionava em épocas de guerra.
Em termos econômicos, a propriedade da terra era
coletiva; sobreviviam da prática da agricultura, bem
como da caça e da pesca.
Ainda na região oriental da floresta, cabe destacar a
existência de sítios arqueológicos pré-históricos, onde
encontramos os chamados mounds (montes de terra
que serviam de túmulos).
Demais grupos
Na região da Grande Planície, encontramos os gru -
pos que se dedicavam principalmente à caça do búfalo,
os quais acabaram por constituir sociedades nômades,
lideradas por um chefe, cujo prestígio era dado pelo
contingente numérico de guerreiros no grupo.
O búfalo é um dos animais mais comuns da cultura indígena.
No Caribe, destacaram-se gruposvinculados ao
cultivo da terra de forma intensiva e também ao
conhecimento de técnicas para o trabalho do metal e da
cerâmica, como foi o caso dos chibchas.
Cerâmica indígena, com motivos geomé tricos.
4. O contato com o colonizador
Não resta dúvidas de que o contato com o
colonizador branco europeu levou à dizimação desses
grupos indígenas. Quando esta não ocorreu, o branco
impôs, pela força, a expulsão dos grupos indígenas de
suas áreas originais de ocupação, em nome dos
interesses econômicos europeus. Tal fato alterou signifi -
cativamente o modo de vida dos grupos indígenas, o que
indiretamente contri buiu para seu extermínio.
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 51
52 HISTÓRIA
� Comente as características econômicas dos grupos
indígenas norte-americanos.
RESOLUÇÃO:
A propriedade da terra e dos demais meios de produção era
coletiva, assim como o regime de trabalho. Prevalecia entre os
grupos a divisão do trabalho pelo critério do sexo. Viviam de caça,
pesca, coleta de plantas e agricultura rudimentar (milho, algodão,
batata, pimenta, amendoim e feijão).
� Justifique a existência do totemismo entre os grupos
indígenas.
RESOLUÇÃO:
Muitos grupos indígenas se consideravam descen dentes de um
antepassado comum (animal ou planta), daí a existência de grupos
cultuadores de totens. 
� Quais as formas e qual o papel das relações de pa rentesco
nas tribos indígenas?
RESOLUÇÃO:
O clã constituía a base da organização social entre os indígenas,
cuja unidade se fundamentava nas relações de parentesco.
� (MODELO ENEM) – Considere as afirma ções sobre os indígenas norte-americanos:
I. A unidade social era representada pelo clã, quer fosse matrilinear (linhagem feminina) ou patrilinear (linhagem masculina).
II. A propriedade dos meios de produção e o trabalho eram coletivos.
III. A religião era politeísta e animista, pos sibilitando a existência de grupos totêmicos.
IV. Uma construção notável dos índios norte-americanos foi a cidade fortificada de Machu Picchu, a cerca de 600km de Cuzco.
Sobre as asserções anteriores, deve-se afirmar que estão corretas:
a) I, II e III, apenas. b) I, III e IV, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) todas.
Resolução
A afirmativa IV está incorreta, porque Machu Picchu é uma construção Inca e está localizada no Peru, portanto na América Andina.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
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53HISTÓRIA
� Caracterize o grupo esquimó.
RESOLUÇÃO:
Os esquimós localizavam-se na região ártica (Groenlân dia e
Alasca); viviam da caça e da pesca; domesticaram o cão; e
utilizavam instrumentos de pedra, marfim e osso.
� (MODELO ENEM) – “Não vejo nada de bárbaro ou
selvagem no que dizem daqueles povos [da América]; e, na
verdade, cada qual considera bárbaro o que não se pratica em
sua terra”.
(Michel de Montaigne. Ensaios, 1580-1588.)
O trecho apresentado permite concluir que
a) a opinião do autor expressa a interpretação elabo rada pelo
Concílio de Trento, responsável pela contrarreforma.
b) pensadores europeus se deram conta da relativi dade dos
valores, hábitos e costumes vigentes em diferentes
sociedades.
c) a expansão marítima propiciou fecundo contato entre povos
e culturas, com benefícios iguais para todos os envolvidos.
d) o conhecimento de outras regiões do globo colaborou para
reafirmar a versão bíblica da criação.
e) os primeiros europeus que chegaram à América, sob
influência do iluminismo, respeitaram a diversi dade cultural.
RESOLUÇÃO:
As primeiras impressões dos europeus sobre o Novo Mundo
recém-descoberto geralmente demonstravam assombro e incom -
preensão em relação aos povos ame ricanos. Montaigne, porém,
como pensador renascen tista dotado de espírito crítico, relativiza
a apreciação dos costumes dos povos ditos “selvagens”, quando
comparados com os dos europeus.
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – Observe a imagem.
O culto a totens, muito comum entre os indígenas norte-
americanos, reflete um costume derivado da crença:
a) de que seriam descendentes de animais ou plantas.
b) na existência de um único Deus.
c) na existência de objetos enviados pelos deuses.
d) de que seriam descendentes de um sacerdote humano em
comum.
e) em deuses originários dos astros.
RESOLUÇÃO:
Na sociedade clânica dos indígenas norte-americanos, os nativos
acreditavam serem descendentes de antepassados comuns. Daí o
culto a totens, pois, no caso, consideravam-se herdeiros de animais
ou plantas.
Resposta: A
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54 HISTÓRIA
1. Primórdios e classificação
No Brasil, estima-se que o povoamento data de
aproximadamente dez mil anos. Recentemente, estudos
feitos pela equipe de Niède Guidon (em São Raimundo
Nonato, no Piauí), de Schmitz (na Bahia) e de André
Prous (em Minas Gerais) apontam 40 mil anos de
presença humana no Brasil. Mas, como são pesquisas
arqueo lógicas ainda em curso, é necessário cautela para
se fazer tais afirmações. Quando os portugueses che -
garam ao Brasil, a população era de aproxi ma damente 3
milhões de pessoas distribuídas pelo território.
De modo geral, o indígena brasileiro – se conside -
rarmos a clássica tipologia do antropólogo Morgan – estava
no estágio intermediário entre o Paleolítico Su perior e o
Neolítico. Portanto, ainda vivia da caça, da pesca, da coleta
vegetal, da prática de uma agricultura rudimentar e do
início da cerâmica, e as tarefas dentro do grupo
respeitavam a divisão sexual do trabalho. A maioria dos
grupos desconhecia a tecelagem, o pastoreio, a agricultura
inten siva e o uso dos metais, daí seu semino madismo.
A primeira classificação do indígena brasileiro foi
feita pelos jesuítas, que não utilizaram um critério
técnico-cien tífico, baseando-se nas línguas e nas regiões
ocupadas. Assim, os jesuítas criaram uma distinção
entre os “tupis” (grupos do litoral, chamados de “índios
de língua geral”) e os “tapuias” (grupos do interior,
chamados de “índios de língua travada ”).
Devemos ao alemão Karl von Den Steinen (1884) a
pri meira classifi ca ção científi ca dos indíge nas bra sileiros
sob a forma de “ nações”. Os in díge nas bra si lei ros, no
mo men to da co lo nização, estavam di vi didos em vá rios
gru pos ét ni cos, formados a par tir de qua tro tron cos lin -
guís ticos: tu pi, nuarua que, jê e caraíba.
2. Principais 
grupos indígenas
Tupis-guaranis ou tupinambás
Entre as tribos que com põem esse tronco lin guís -
tico, es tão os tupis, gua ranis, tu pinam bás, oiam pis,
chiapas, guaia quis, omáguas, parin tin tins, caingás,
caiguás, co camas, tamoios, tu pi ni quins, goi tacás, apapo -
cu vas, maués, ca maiurás, auetés e mun du rucus. 
A região ocupada pelos tupis-guaranis, no mo mento
da colonização por tu guesa, é difícil de ser deter mi nada,
pois esse grupo promoveu frequentes migra ções
internas e também pelo fato de que vários outros gru pos
indígenas abandonaram a própria língua e assimi laram a
língua guarani. Contudo, é certo que o território ocupado
por esse grupo era vasto. Consta de relatos de cronistas,
viajantes e naturalistas a sua presença na Guiana
Francesa, no Brasil, no Paraguai, na Argentina, no
Uruguai, na Bolívia, no Peru e no Equador. 
No Brasil, especificamente, esse grupo estava
distribuído em quase todo o território. Havia grupos no Alto
Amazonas, no Rio Urubu, na desembocadura do Tocan tins,
no Alto Xingu, no Rio Tapajós, no Rio Grande do Sul, em
São Paulo, no Paraná e no Rio de Janeiro, pre dominando a
ocupa ção do litoral brasileiro, tanto que foi este o primeiro
grupo a entrar em contato com os colonizadores.
A economia desses grupos baseava-se na caça, na
pesca, na co le ta vegetal e na prática de uma agricultura
rudimentar. Cul tivavam mandioca, milho, batata, feijão e
pimentão.
A organização social res pei tava uma hierarquia com -
pos ta da seguinte forma: tribo, aldeia, taba e, ocasio nal -
men te, confederação– em casos de guerra ou aliança
com outros gru pos, migrações e justiça.
Naturalistas: viajantes que pesquisa vam e retratavam a fauna e a flora brasi lei ras.
55 Indígenas brasileiros
Palavras-chave:
• Seminômades
• Grupos linguísticos 
• Cerâmica
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55HISTÓRIA
Nos momentos em que não era necessária a for ma -
ção da confederação, o elo entre as ta bas era feito por
um chefe comum, que exercia uma auto ridade de cará -
ter militar. A li de rança de cada taba cabia ao cacique ou
ao chefe, cujo poder era transmitido hereditaria mente.
As relações de parentesco eram patrilineares, ou seja,
prevalecia a descendência pela origem paterna no grupo.
A cultura desse grupo é vasta, mas podemos con si -
derar como elementos comuns a prática da antropofagia
ritual – que consiste na consunção dos restos dos
inimigos em festas –, a poligamia e a saudação la crimosa
– a recepção aos bran cos expressando sua ale gria por
meio de prantos.
A religião era politeísta. Tupã era o deus mais
poderoso, que se manifestava no relâm pago, no Sol e no
fogo. Abaixo de Tupã, outras divindades asseguravam a
vida dos homens, como Jaci (Lua), Rudá (amor), Cairé
(Lua cheia) e Mboia (serpente guardadora das donzelas). 
Comum, também, era a prática de ritos funerários,
utilizando como túmulos a própria habitação do morto. 
A decoração, a dança e a música compuseram a vida
desse grupo, que ornamentava o próprio corpo, decorava as
cerâmicas e também conhecia a arte plumária. Confeccio -
navam instrumentos musicais, como flautas – feitas de
bambus ou res tos de ossos –, apitos, maracas, buzinas e
cornetas.
Coroa radial da tribo Kaxinawá.
Bonecas dos índios Karajá.
Jês ou tapuias
As principais nações desse tronco linguístico são os
timbiras, aimorés, botocudos, piocobjês, auges, gran -
ges, capiscrãs, tremembés, manajós, guajajaras,
caiapós, acuéns, guaianás, caingangues, caracãs,
miramomis, bororos e xavantes.
Sua presença na Amazônia é anterior à dos tupis e
nuaruaques. Provavelmente desalojados por esses
grupos, passaram a ocupar o Xingu, região a partir da
qual emigraram, atingindo vários dos atuais Estados
brasileiros, como Pará, Maranhão, Pernambuco, Piauí,
Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e outros.
Na economia desse grupo, encontramos carac -
terís ticas semelhantes às dos tupis: caça, pesca,
coleta vegetal e prática rudimentar da agricultura.
Entretanto, possuíam uma forma mais elaborada de
preparar os alimentos, utilizando o fogo para assar a
carne e transformando cereais, como o milho, em
farinha. Culti vavam batata, mandioca, algodão, feijão,
banana e laranja.
A organização social era fundamentada no grupo,
liderado por um chefe ou capitão, que possuía obri -
gações para com os membros e representava a
coletividade nas relações com os demais grupos. A
famí lia era poligâmica. Aos homens cabia o sustento de
suas esposas, geralmente duas ou três. A religião era
poli teísta, havendo a crença em um deus principal,
criador dos homens, que recebeu nomes diversos nos
grupos, como Maret-khmakniam (Velho Maret) ou
Pataéma (o Celeste).
A pajelança era constante entre os jês, prin cipal mente
nos ritos funerários, em que os mortos eram sepultados
em covas, sendo a terra sobre o corpo fortemente batida
para impedir a volta do espírito e, ao lado, acesas
fogueiras para afastar os espíritos maus.
A produção de instrumentos musicais, como flautas
e apitos, revela a prática da música e da dança, que, para
esse grupo, estavam presentes em vários momentos da
vida tribal (por exemplo, nas colheitas).
Exemplo de cerâmica indíge na
brasileira.
Estatueta antropomorfa de
cerâmica, de Santarém, PA.
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56 HISTÓRIA
Nuaruaques ou maipures
Os passés, aluagues, aruas, guaianás, banibas, iama -
madis, macheiengas, atoraís, uiapichanas, guarás, goajiros,
assim como os extintos manaus, tucunas, caquetios, acha -
guas e cabres, compõem esse terceiro tronco linguístico.
É o mais extenso grupo da América. Está presente
na Flórida, nas Antilhas, no Orenoco, no Amazonas, no
Alto Paraguai, na parte oriental da Bolívia, no Golfo de
Maracaibo e nas Guianas.
No Brasil, esse grupo se fez presente na Amazônia,
em Roraima, no Amapá, na Ilha de Marajó e no Mato
Grosso. Eram coletores, caçadores e pescadores, além
de praticarem a agricultura.
Sua organização social tinha por base a tribo, lide ra da
por um chefe, com prerrogativas militares sobre o grupo. 
A poligamia e os casamentos exogâmicos eram
frequentes.
Na religião, como nos demais grupos, prevalecia o
politeísmo e a divinização das forças da natureza, além
de ritos funerários.
Lâminas de machado
polidas.
Sua cerâmica pode ser considerada como a mais
perfeita de todos os gru pos.
Caraíbas ou caribas
A exemplo dos nuarua ques, os caraíbas espa lha ram-se
pela América, ocupan do regiões afastadas entre si. Sua
presença ocor re nas Antilhas, na Vene zuela, nas
Guianas, no Peru e no Brasil. 
No Brasil, a região original dos caraíbas foi, prova vel -
mente, as cabeceiras dos rios Tapajós e Xingu, de onde
se expandiram pela margem esquerda dos rios
Amazonas, Piauí, Pernambuco e Mato Grosso. 
Entre os grupos que pertencem a esse tronco, pode -
mos citar os cumanagotos, nepoios, acavaques, uaicas,
arecunas, calinas, tairas, recuiens, pauxis, voiavas, apia -
cás, palmelas, bacairis e os extintos tamanaques. 
O tronco caraíba, por ter ocupado uma vasta região
e pelo fato de as tribos manterem-se afastadas entre si,
é subdividido em dois ramos, por razões linguís ticas: os
setentrionais e os meridionais.
Sua economia se baseava na caça, na coleta vegetal,
na pes ca e na agricultura rudimentar de milho, mandioca e
feijão.
A tribo era a base da organização social e a coleti -
vidade era liderada por um chefe.
Praticavam a antropofagia ritual, a poligamia e o poli -
teís mo. Provavel mente, foram os primeiros indígenas a
entrar em contato com Cristóvão Colombo e também os
primeiros a se rivalizarem com os brancos quando do
seu estabelecimento no continente.
O DESAPARECIMENTO DOS ÍNDIOS NA BAHIA
“A gente que de 20 anos a esta parte é gastada
nesta Bahia, parece coisa, que se não pode crer;
porque nunca ninguém cuidou, que tanta gente se
gastasse nunca, quanto mais em tão pouco tempo;
porque nas 14 igrejas que os padres tiveram, se jun -
taram 40.000 almas, estas por conta, e ainda pas saram
delas com a gente, com que depois se forneceram, das
quais se agora as três Igrejas que há tiverem 3.500
almas será muito… Veja-se o que isto podia somar, se
chegam ou passam de 80 mil almas… E se per gun -
tarem agora por tanta gente, dirão que morreu.”
(Padre José de Anchieta. 
Informação dos primeiros aldeamentos da Bahia, 1583.)
População indígena por área cultural – 1982
Áreas culturais População %
Norte-Amazônico 49 485 27
Solimões-Juruá-Purus 32 095 17
Guaporé 6 111 3
Tapajós-Madeira 9 564 5
Alto Xingu 2 533 1
Tocantins-Xingu 12 898 7
Pindaré-Gurupi 6 616 4
Leste-Nordeste 30 953 17
Paraguai-Paraná 19 974 11
Tietê-Uruguai 15 256 8
Total 185 485 100
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57HISTÓRIA
Leitura 1 – As origens do homem ame -
ricano
O que teria levado os primeiros gru pos
de povoadores a atravessar o Estreito de
Bering e a fixar-se na América via Alasca?
Em um passado longínquo, que cor -
res ponde ao final do período que os
arqueólogos e historiadores denominam
Idade Paleolítica (Idade da Pedra Las -
cada), e os geólogos cha mam de Plisto -
ceno, a Ásia e a América encon travam-se
unidas por uma faixa de terra que, desa -
parecida, deu lugar ao Estreito de Bering.
É tarefa ainda impraticável pre cisar rigo -
rosamente uma data para a che gada dos
povoadores asiáticos à Amé rica. Os
recentes conhecimentos arqueo lógi cos
situam as pri meiras migra ções entre
40000 e 10000 a.C. – muito provavel -
mente em cerca de 15000 a.C. Existem
provas de que, por volta de 9000 a.C., já
havia homens na América. Fica, portanto,
superada a tesedo au tocto nismo, isto é,
de que o homem ame ricano seria origi -
nário do pró prio conti nente. Na realidade,
como sustenta o alocto nismo, os primi -
tivos habi tantes da Amé rica eram originá -
rios da Ásia Oriental (Sibé ria).
A busca da sobrevivência
Assim, em um dos últimos períodos
gla ciais, bandos de caçadores primitivos,
perse guindo manadas de grandes animais
selvagens (bisões), deslocaram-se da
Sibéria para o Alasca, constituindo uma
corrente migratória e iniciando o povoa -
mento da América.
“Conquanto haja discordância com
referência à data da entrada do homem, é
unânime a crença de que os primeiros
imigrantes viviam em pequenos bandos,
compostos por famílias aparentadas. Os
homens eram prin cipalmente caçadores,
e as mulheres coleta vam provavel mente
plantas selvagens comes tíveis e exe -
cutavam várias tarefas domésticas, tais
como a preparação de peles para usar
como proteção contra o vento, a chuva e
o frio, e o trançado de cestos. Os
instrumentos de pedra não eram especia -
lizados e o mesmo implemento servia
muitas vezes para cortar, raspar e bater”.
(B.J. Meggers. América Pré-Histórica. 
São Paulo: Paz e Terra, p. 27.)
Leitura 2 – A América que os europeus
encontraram
“(…) Havia nas escolas grande nú -
mero de jovens, levados volunta riamente
por seus pais, os quais tinham precep -
tores e professores que os ensinavam e
orien tavam em louváveis exercícios, ofe -
re cendo-lhes conhecimentos para serem
bem educados, para terem respeito aos
mais velhos e para servir e obedecer. Para
que fossem agradáveis aos senhores,
ensi na vam-lhes a cantar e a dançar.
Aprendiam exercícios de guerra:
atirar com boa pontaria uma flecha, um
arpão, uma vara, manejar o escudo e lutar
com espada. Dormiam mal e comiam pior,
para que desde pequenos se preparas -
sem para o trabalho e não fossem
pessoas acomo dadas.
Excepcionalmente havia, nos mes mos
estabelecimentos, filhos de senho res e
nobres que recebiam um tratamento
particular: traziam comida de suas casas;
ficavam sob o cuidado de velhos e anciãos
que continua mente os admoesta vam para
serem virtuosos e viver castamente, para
serem comedidos na alimentação, para
jejuar, para moderar o passo e andar
devagar e com reverência. Costuma vam
prová-los em alguns traba lhos e exer cícios
pesados. Conside ra vam muito as incli -
nações dos jovens de mais idade. Aqueles
que se achavam aptos para a guerra, tendo
idade suficiente, esperavam a ocasião certa
para prová-lo. Com o pretexto de levar co -
mida e mantimentos aos soldados, envia -
vam-nos à guerra, para que obser vassem o
medo. Muitas vezes levavam carrega men -
tos pesados para que de mons trassem seu
valor, e com maior faci lidade fossem ad -
mitidos na companhia dos soldados. As -
sim, acontecia irem le van do carrega men to
ao campo de batalha e voltarem capitães
condecorados; outros queriam se sobres -
sair tanto que caíam prisioneiros, ou até
mesmo morriam; os que não queriam ser
presos esforçavam-se ao máximo para não
se tornarem cativos dos seus inimigos. Os
que assim se apli cavam eram comumente
os filhos de gente nobre e valorosa e
conseguiam o seu desejo.
Outros que se inclinavam às ativi dades
do templo, às quais nós chamamos ecle -
siásticas, estando na idade adequada, saíam
da escola e eram conduzidos aos apo sentos
do templo reservados aos reli gio sos.
Recebiam as insígnias ecle si ás ti cas, e ali
tinham seus prelados e pro fes so res que os
ensinavam tudo o que dizia res peito à
religião e ao culto. Aquele que se tor nava
eclesiástico fazia-o por toda sua vida.
Os mexicanos criavam seus filhos
com ordem e harmonia. Se agora houves -
se essa mesma ordem e se construís -
semos seminários para educar os jovens,
sem dúvida floresceria a religião cristã
entre os índios".
(Joseph de Acosta. Historía Na tu ral y Moral de
las Indias, 1590, p. 505-6.)
1. As origens do homem americano
2. A América que os europeus encontraram
Exercícios Resolvidos
� “Os Yanomami consti tuem
uma sociedade indí gena do
norte da Amazônia e
formam um amplo conjunto
linguístico e cultu ral. Para os Yanomami, urihi, a
‘terra-floresta’, não é um mero cenário inerte,
objeto de explo ração econômica, e sim uma
entidade viva, animada por uma dinâmica de
trocas entre os diversos seres que a povoam. A
floresta possui um sopro vital, wixia, que é
muito longo. Se não a desmatarmos, ela não
morrerá. Ela não se decompõe, isto é, não se
desfaz. É graças ao seu sopro úmido que as
plantas crescem. A floresta não está morta,
pois, se fosse assim, as florestas não teriam
folhas. Tampouco se veria água. Segundo os
Yanomami, se os brancos os fizerem desa -
parecer para desmatá-la e morar no seu lugar,
ficarão pobres e acabarão tendo fome e sede.”
(B. Albert. “Yanomami, o espírito da floresta”. 
Almanaque Brasil Socioambiental.
São Paulo: ISA, 2007. Adaptado.)
De acordo com o texto, os Yanomami acre -
ditam que
a) a floresta não possui organismos decom -
positores.
b) o potencial econômico da floresta deve ser
explorado.
c) o homem branco convive harmonicamente
com urihi.
d) as folhas e a água são menos importantes
para a floresta que seu sopro vital.
e) wixia é a capacidade que tem a floresta de
se sustentar por meio de processos vitais.
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58 HISTÓRIA
� Qual é o significado da expressão “eurocentrismo” e qual
é sua influência na visão que o português teve em relação às
populações indígenas do Brasil?
RESOLUÇÃO:
Eurocentrismo significa o predomínio da visão político-cultural da
civilização europeia. Esta levou os portugueses a conside rarem-se,
preten samente, superiores em relação aos povos indígenas.
� Faça uma caracterização geral dos grupos indígenas
brasileiros.
RESOLUÇÃO:
Viviam da caça, da pesca, da coleta vegetal e da agricultura rudi -
mentar. Desconheciam a tecelagem, o pastoreio, a agricultura
intensiva, o uso de metais e eram seminômades. O trabalho era
dividido de acordo com o sexo dos seus indivíduos.
� Qual é a divisão das nações indígenas, segundo seus
troncos linguísticos?
RESOLUÇÃO:
Tupis-guaranis ou tupinambás; jês ou tapuias; nuaruaques ou
maipures; e caraíbas ou caribas.
� (MODELO ENEM) – As primeiras notícias sobre a
Amazônia datam do século XVI. Em carta endereçada ao rei de
Portugal, em 1538, Diogo Nunes de Quesada afirmava: “Esta
terra está sobre o rio da Prata e o Brasil pela terra adentro, e
por esta terra vem o grande rio das Amazonas. É bem povoado
da mesma gente bem lúcida. E, da outra banda do rio, há muita
povoação da mesma gente de maneira que de uma banda e da
outra está bem povoada”.
Infere-se da missiva que
a) as riquezas minerais, que tanto atraíam os europeus,
estavam à vista, esperando para ser exploradas.
b) a Amazônia brasileira apresentava considerável população,
formada por nações e tribos indígenas.
c) era urgente envolver a Igreja Católica no processo de
ocupação e de colonização da área.
d) se antevia a utilização de mão de obra escrava africana na
região amazônica.
e) estimular o extrativismo vegetal era a garantia da ocupação
e posse da Amazônia.
Resolução
Mera interpretação de texto, já que no enun -
ciado consta o seguinte trecho: “a floresta
possui um sopro vital, wixia, que é muito
longo”.
Resposta: E
� “O índio do Xingu, que
ainda acredita em Tupã,
assiste pela televisão a uma
partida de futebol que
acontece em Barcelona ou a um show dos
Rolling Stones na praia de Copacabana. Não
obstante, não há que se iludir: o índio não vive
na mesma realidade em que vive um morador
do Harlem ou de Hong Kong, uma vez que são
distintas as relações dessas diferentes
pessoas com a realidade do mundo moderno;
isso porque o homem é um ser cultural, que
se apoia nos valores da sua comunidade, que,
de fato, são os seus.”
(F. Gullar. Folha de S.Paulo, 19 out. 2008. Adaptado.)
Ao comparar essas diferentes sociedades em
seu contexto histórico, verifica-se que
a) pessoas de diferentes lugares, por fazerem
uso de tec no logias de vanguarda,
desfrutam da mesma realidade cultural.
b)o índio assiste ao futebol e ao show, mas
não é capaz de entendê-los, porque não
perten cem à sua cultura.
c) pessoas com culturas, valores e relações
diversas têm, hoje em dia, acesso às
mesmas informações.
d) os moradores do Harlem e de Hong Kong,
devido à ri queza de sua História, têm uma
visão mais aprimorada da realidade.
e) a crença em Tupã revela um povo atrasado,
enquanto os moradores do Harlem e de
Hong Kong, mais ricos, vivem de acordo
com o presente.
Resolução
Ao comparar o índio do Xingu com um
morador do Harlem (Nova York) ou de Hong
Kong, assistin do a uma partida de futebol ou a
um show, pode-se concluir que pessoas com
culturas, valores e relações diversas têm, hoje
em dia, acesso às mesmas informações.
Resposta: C
� A História do Brasil inicia-se com a
chegada dos portu gueses porque
a) antes disso não havia a História do Brasil.
b) até essa época o Brasil era totalmente
despovoado.
c) passou a ser contada do ponto de vista de
Portugal.
d) os índios não possuem história nem sabem
escrevê-la.
e) o ponto de vista dos índios é inferior e não
deve ser levado a sério.
Resolução
Essa é uma visão eurocêntrica da História do
Brasil. 
Resposta: C
Exercícios Propostos
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59HISTÓRIA
RESOLUÇÃO: 
Mera interpretação de texto. A carta de Diogo Nunes de Quesada
(não se sabe ao certo quem seria esse personagem) nos leva a
confirmar o povoamento da Amazônia, tendo como base a
expressão “está bem povoada”. Contudo, não é possível afirmar –
mas é possível deduzir – que essa população era formada por
muitas nações e tribos, pois a expressão “povoação da mesma
gente” não identifica variedade étnica.
Resposta: B
� No início do século XIX, o naturalista alemão
Carl Von Martius esteve no Brasil em missão
científica para fazer observações sobre a flora
e a fauna nativa e sobre a sociedade indígena. Referindo-se ao
indígena, ele afirmou:
“Permanecendo em grau inferior da humanidade, moralmente,
ainda na infância, a civilização não o altera, nenhum exemplo o
excita e nada o impulsiona para um nobre desenvolvimento
progressivo (…). Esse estranho e inexplicável estado do
indígena ame ricano, até o presente, tem feito fracassarem
todas as tentativas para conciliá-lo inteiramente com a Europa
vencedora e torná-lo um cidadão satisfeito e feliz.”
(Carl Von Martius. O estado do direito entre os autóctones do 
Brasil. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EDUSP, 1982.)
Com base nessa descrição, conclui-se que o naturalista Von
Martius
a) apoiava a independência do Novo Mundo, acreditan do que
os índios, diferentemente do que fazia a mis são europeia,
respeitavam a flora e a fauna do País.
b) discriminava preconceituosamente as populações originárias
da América e advogava o extermínio dos índios.
c) defendia uma posição progressista para o século XIX: a de
tornar o indígena cidadão satisfeito e feliz.
d) procurava impedir o processo de aculturação, ao descrever
cientificamente a cultura das populações originárias da
América.
e) desvalorizava os patrimônios étnicos e culturais das
sociedades indígenas e reforçava a missão “civiliza dora
europeia”, típica do século XIX.
RESOLUÇÃO:
O texto do naturalista Von Martius afirma que os índios não
conseguiram adaptar-se à cultura dos dominadores europeus,
apesar de todas as tentativas reali zadas. Com isso, ele ressalta a
importância cultural da Europa e desqualifica a cultura indígena.
Resposta: E
� ”Os vestígios dos povos Tupi-guarani
encontram-se desde as Missões e o rio da
Prata, ao sul, até o Nordeste, com algumas
ocorrências ainda mal conhecidas no sul da Amazônia. A leste,
ocupavam toda a faixa litorânea, desde o Rio Grande do Sul até
o Maranhão. A oeste, aparecem (no rio da Prata) no Paraguai e
nas terras baixas da Bolívia. Evitam as terras inundáveis do
Pantanal e marcam sua presença discretamente nos cerrados
do Brasil central. De fato, ocuparam, de preferência, as regiões
de floresta tropical e subtropical.”
(A. Prous. O Brasil antes dos brasileiros. 
Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.)
Os povos indígenas citados possuíam tradições culturais
específicas que os distinguiam de outras sociedades indígenas
e dos colonizadores europeus. Entre as tradições tupi-guarani,
destacava-se
a) a organização em aldeias politicamente independentes, diri -
gidas por um chefe, eleito pelos indivíduos mais velhos da tribo.
b) a ritualização da guerra entre as tribos e o caráter
semissedentário de sua organização social.
c) a conquista de terras mediante operações militares, o que
permitiu seu domínio sobre vasto território.
d) o caráter pastoril de sua economia, que prescindia da
agricultura para investir na criação de animais.
e) o desprezo pelos rituais antropofágicos praticados em outras
sociedades indígenas.
RESOLUÇÃO:
As sociedades indígenas tupis e guaranis eram distintas das
demais justamente pela prática da agricultura, além de serem
coletoras, o que lhes permitiu organizações semissedentárias.
Resposta: B
� (ALBERT EINSTEIN) – “Mil anos antes da “descoberta”
do Brasil pelos europeus, um grande movimento de migração
parece ter se iniciado no sul da floresta amazônica. Os povos
que se moviam falavam línguas aparentadas, de uma grande
família de línguas que denominamos tupi-guarani. Praticavam a
coivara e eram bons caçadores e pescadores.”
(Norberto Luiz Guarinello.
Os primeiros habitantes do Brasil, 2009. Adaptado.)
A partir do texto e de seus conhecimentos, pode-se afirmar
que os referidos povos
a) limitavam-se ao extrativismo e alimentavam-se principal -
mente de moluscos, daí serem também chamados de povos
dos sambaquis.
b) eram pacíficos e estabeleceram relações amistosas com
outros grupos nativos e, posteriormente, com os coloni -
zadores portugueses.
c) eram originários da Ilha de Marajó e dominavam a cerâmica,
o que permitia a conservação de mantimentos e a produção
de urnas funerárias.
d) foram dizimados por grupos indígenas procedentes do litoral
pacífico do continente, daí sua cultura ter sido extinta antes
da conquista portuguesa.
e) praticavam a agricultura e tinham bom domínio da
navegação, o que contribuiu para sua expansão pelas terras
posteriormente chamadas de Brasil.
RESOLUÇÃO:
A formulação da questão implica mais conhecimentos dos
candidatos do que informações propriamente dedutíveis do
enunciado. Estas últimas limitam-se à prática da agricultura,
dedutível pela referência à emprego da coivara. 
Resposta: E
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60 HISTÓRIA
1. As relações com o branco: 
as políticas indigenistas
Os primeiros 30 anos da colonização brasileira, o
chamado período pré-colonizador, foram marcados por
um profundo desinteresse de Portugal pelas terras con -
quis tadas, pois estas não ofereciam riqueza aparente. 
Pero Vaz de Caminha, ao descrever os habitantes da
terra, escreveu que se tratava de gente “boa e de boa
sim plicidade”, que vivia em pleno estado de pureza e
inocência, mas – dentro da sua visão eurocêntrica – afir -
ma va também que eram “gente bestial e de pouco
saber”. 
Porém, com o declínio do Império no Oriente, Portu -
gal voltou os olhos para o Brasil, buscando suprir a
falência co mercial com as Índias. Nesse momento, os
indí genas pas saram a sentir o peso da conquista e do
contato com o branco. 
A ocupação das terras brasileiras para a produção da
cana-de-açúcar e a escolha pela escravidão do negro
africano – comércio altamente lucrativo de mão de obra
– implicaram na tomada dos territórios indígenas. Esse
fato marcou os primeiros conflitos, datados de 1547,
quando os tupinambás massacraram o donatário da
Bahia, Francisco Pereira Coutinho. 
Somando-se a esse fato, o sistema de capitanias he -
re ditárias redundava em fracasso e, em 1548, D. João III
de ci diu pela criação e implantação imediata do Governo
Geral.
Tomé de Souza chegou ao Brasil em 1549. Com as
ordens dadas por D. João III, veio a de “varrer” os tupi -
nambás, “destruindo-lhes as aldeias e povoações e
matando e cativandoaquela parte deles que vos parecer
que basta para seu castigo e exemplo de todos”. 
Os jesuítas vieram acompanhando Tomé de Souza e,
contrariamente aos portugueses, acreditavam na pos si -
bi li dade de converter os índios por meio da pre gação e
do exem plo de vida. Assim, criaram as reduções e
missões para catequizar os gentios, convertendo-os ao
cato licismo.
Entretanto, não podemos colocar os jesuítas como
defen sores intransigentes dos grupos indígenas, pois,
ao considerarem a organização tribal e a prática da
pajelança como empecilhos à catequese, nada faziam
para deter o processo de destribalização feito pelos
portugueses e que, na maioria das vezes, vitimava
centenas de gentios.
Colônia
Durante a fase de colônia, a Igreja Católica foi
susten táculo ideológico da submissão do índio ao branco
europeu.
A Bula Romanus Pontifex, do Papa Nicolau V, de
1454, garantia aos portugueses o direito de conquistar
terras novas e submeter as populações bárba ras nelas
existentes. 
Em 1529, a Bula Inter Arcana, do Papa Clemente VII,
reafirmou esse direito, justificando que esses povos
preci sa vam “participar do reino dos céus”, se neces -
sário pela força. 
As leis portuguesas do século XVI eram dúbias com
relação aos indígenas. Proibiam a escravização do indí ge -
na, mas ao mesmo tempo abriam essa possibilidade em
caso de “guerra justa” e com permissão do rei. 
Em 1605, foi declarada a total liber da de dos gentios.
Mas, naquele século, essa determi nação foi anulada e
restabelecida várias vezes. No final do século XVII, os
jesuítas receberam os poderes temporal e espiritual
sobre as populações indígenas. Tais poderes foram revo -
gados em 1757 pelo Marquês de Pombal, que deter mi -
 nou também a proibição do ensino da língua nativa e tor -
nou obrigatório o ensino de português aos gentios,
estimulou os casamentos mistos e reafirmou a liberdade
indígena. 
Ao final do século XVIII, as leis de Pombal foram
revoga das e o princípio de “guerra justa” voltou a
imperar, além de ser estabelecido o livre acesso de
brancos às áreas indígenas.
Império 
Nos primeiros anos da independência, José Boni fá -
cio recebeu apoio ao defender a tese de que todos de -
ve riam participar da nova nação. A integração do indíge -
na, se gun do essa tese, deveria ser feita com a retomada
da cate quese, que foi entregue aos padres capuchinhos
italianos. 
Gentio: aquele que professa o paganismo; por extensão, o indígena. 
Guerra justa: aquela em que o indígena toma a iniciativa de agredir o
branco; conceito criado pelo go verno português, segundo o qual a guerra
contra os indígenas seria permitida se eles atacassem os portugueses.
56
Política 
indigenista no Brasil
Palavras-chave:
• Gentios • Guerra justa
• Missões/jesuítas • Tutelados
C4_1a_HISTORIA_JR_2022.qxp 13/05/2022 14:45 Página 60
61HISTÓRIA
Em termos legais, foi aprovada, no ano de 1831, a lei
que estabelecia a condição de “órfão” para os índios, a
serem tutelados por juízes de paz. O Ato Adicional de
1834 determinava que as Assembleias Legislativas Pro -
vin ciais eram as responsáveis pelo processo de
civilização do indí gena. No ano seguinte, aprovou-se o
regimento das mis sões, que estabeleceu a criação de
diretorias-gerais dos índios em cada província do
Império, sendo os dire to res nomeados pelo regente ou
imperador, tornou obri ga tório o serviço militar e proibiu a
escravização do indígena. 
Com a aprovação da Lei de Terras, de 1850, que não
permitia o direito de posse, mas apenas o de proprie da -
de, o índio foi colocado em uma situação real de “invasor
da terra”, pois não possuía o título da propriedade que
ocupava, sendo em muitos locais expulso e desalojado,
o que resultou em maiores conflitos e dizimação.
Em 1854, o Decreto n.° 1.318 regulamentou a Lei de
Terras e estabeleceu a demarcação de terras indígenas
por auto ridades locais, o que, em diversas regiões, como
em São Paulo e Pernambuco, não foi feito.
República
Da mesma forma que a primeira Constituição Bra si -
leira (1824), a de 1891 não definiu nada sobre a questão
indíge na, apenas transferiu a responsa bili dade para os
Estados, que se orientaram por um sentimento paterna -
lis ta em relação aos gentios, considerados “ór fãos”
des de a Lei de 1831. No início do século XX, com a
grande imi gração europeia do final do século XIX, os
conflitos entre brancos e indígenas se ampliaram, devido
ao pro cesso de ocupação de terras pelos europeus no
sul do País. O Brasil passou a ser acusado, interna cio nal -
mente, de estar promovendo uma política de exter -
mínio dos índios.
Foi nesse contexto que surgiu, em 1910, a ideia de
criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), cuja
direção coube ao marechal Cândido Rondon. 
A política do SPI para a questão indígena limitava-se
ao trabalho de demarcação de reservas, pacificação das
tribos e integração do índio à sociedade brasileira sem a
utilização do recurso da força. 
A Rondon uniram-se oficiais do Exército, enge nhei -
ros, cientistas, médicos, antropólogos e cineastas.
Somente com esse esforço passou a haver o
reconhecimento da dignidade da figura do índio, bem
como uma política para os povos que habitam o território
brasileiro. Foi a partir do SPI que o elemento indígena
passou a compor artigos das Constituições Nacionais. 
Em 1967, foi criada a FUNAI (Fundação Nacional do
Índio), em substituição ao SPI. Em 1969, foi aprovado o
“Estatuto do Índio”, que se transformou na Lei n.° 6.001,
de 19 de dezembro de 1973. 
Pela nova legislação, fica definido que os indígenas
são tutelados pelo Estado por meio da FUNAI e consi de -
rados “relativamente capazes”, o que significa atribuir
ao indígena os mesmos foros de um adolescente de 16
a 17 anos, segundo essa lei. 
Cabe à FUNAI demarcar as reservas indígenas,
protegê-las e desenvolver pro gramas para a integração
gradual do índio à sociedade brasileira. 
Porém, os indígenas, hoje em dia, não se colocam
mais em uma atitude passiva de aceitar as políticas
deter mi na das pelos brancos e padecer suas conse quên -
cias. Atual mente, reúnem-se em nações que discutem e
deliberam sobre questões de seu interesse, preten -
dendo ter sobera nia em suas decisões, apesar de a
Constituição de 1988 determinar, no seu artigo 22, inciso
XIV, que “compete priva ti vamente à União legislar sobre
populações indígenas”. 
� Em muitos jornais,
encontramos charges, qua -
drinhos, ilustrações, inspi -
rados nos fatos noticiados.
Veja um exemplo:
(Miguel. Jornal do Commercio, 22 ago. 1993.)
O texto que se refere a uma situação seme -
lhante à que inspirou a charge é:
a) “Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela 
– Foi poeta – sonhou – e amou na vida.”
(Álvares de Azevedo. Poesias escolhidas. 
Rio de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971.)
b) “Essa cova em que estás
Com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.
É de bom tamanho,
Nem largo nem fundo,
É a parte que te cabe 
deste latifúndio.”
(João Cabral de Melo Neto. Morte e Vida 
Severina e outros poemas em voz alta. 
Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.)
c) “Medir é a medida
mede
A terra, medo do homem, a lavra;
lavra
duro campo, muito cerco, vária várzea.”
(Mário Chamie. Sábado na hora da escuta. 
São Paulo: Summus, 1978.)
d) “Vou contar para vocês
um caso que sucedeu
na Paraíba do Norte
Política: neste contexto, conjunto de ações governamentais.
Exercícios Resolvidos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 61
62 HISTÓRIA
� Em linhas gerais, defina a política indigenista por tu gue sa
do período colonizador.
RESOLUÇÃO:
Portugal nunca teve uma política clara em relação aos povos indí -
ge nas; ao contrário, durante o período colonizador os portu gue -
ses marcaram-se pela dubiedade de posições, ora optando pela
escravização dos gentios, ora lhes concedendo a liberdade – e esta
com o direito português à “guerra justa”. Essas políticas eram es -
ta belecidas, via de regra, conforme as necessidades de mão de
obra.
� Esclareça a atual condiçãodo indígena prevista pela
Constituição de 1988.
RESOLUÇÃO:
Pelo texto constitucional, os indígenas ainda são considerados
tutelados pelo Estado.
�
I. “O número de índios no Brasil vem dimi nuin do desde a
época do descobrimento. As es ti ma tivas cal culam entre 2 e
5 milhões o núme ro de indíge nas na época do desco bri -
mento. Hoje essa popu lação está reduzida a mais ou me nos
200 mil, sen do que a maioria se desen raizou de seu lugar de
origem.”
II. “Distribuída no Brasil em mais de 150 povos e falando mais
de 100 línguas, essa população não pode ser tratada como
um todo homogê neo. Apesar de haver semelhanças, cada
povo pos sui costumes próprios.”
Como consequência das informações contidas nos
fragmentos de texto I e II, com relação à população indígena
bra sileira, podemos afir mar:
a) A colonização significou, para a população indí gena,
extermí nio em massa e escravidão.
b) Levando-se em consideração a história do contato entre
brancos e índios, não houve total dizimação dos indígenas e
nenhuma grande modificação es pa cial na sua distribuição.
c) A relação que essa população manteve com a so cie dade
implantada desde 1500 foi sempre hete rogênea, dada a
diver sidade tribal.
d) A heterogeneidade tribal não tem sido um empe cilho à
política indigenista.
e) Deve ter havido uma interiorização da população in dí gena,
devido à expansão colonizadora, no sen tido norte-sul.
RESOLUÇÃO: 
O texto demonstra que o contato com o homem foi destruidor
para a sua civilização.
Resposta: A
com um homem que se chamava
Pedro João Boa-Morte,
lavrador de Chapadinha:
talvez tenha morte boa
porque vida ele não tinha.”
(Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1983.)
e) “Trago-te flores, – restos arrancados 
Da terra que nos viu passar
E ora mortos nos deixa e separados.”
(Machado de Assis. Obra completa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986.)
Resolução
A charge reproduzida nesta questão refere-se
ao genocídio dos índios, sugerindo que as
terras que lhes são destinadas são as de suas
covas. O mesmo se diz a respeito dos
agricultores “sem-terra”, nos versos
transcritos de João Cabral de Melo Neto. 
Resposta: B
� (FGV – MODELO ENEM) – “O primeiro
testemunho sobre a antropofagia na América
foi registrado por Álvarez Chanca (...) em 1493.
(...) Registrada a abominação antropofágica, os
monarcas espanhóis autorizam em 1503 a
escravidão de todos os caraíbas pelos colonos.
No litoral brasileiro, os tupinambás, do grupo
tupi, tinham o hábito do canibalismo ritual (...).
Prova de barbárie e, para alguns, da natu reza
não humana do ameríndio, a antropofagia
condenava as tribos que a praticavam a sofrer
pelas armas portuguesas a ‘guerra justa’ e do
cativeiro perpétuo em 1557, por terem devo -
rado no ano anterior vários náufragos portu -
gueses, entre os quais se encontrava o
primeiro bispo do Brasil”.
(Luís Felipe de Alencastro. 
Folha de S.Paulo, 12 out. 1991.)
A partir do fragmento é correto concluir que:
a) as tribos tupiniquins, aliadas aos franceses,
acredita vam na justiça e na importância da
guerra justa como capaz de permitir a
supre macia contra tribos inimigas.
b) conforme determinava a legislação de
Portugal e da Espanha até o início do
século XIX, apenas os nativos da América
que prati cavam o canibalismo foram
escravizados.
c) a escravização dos ameríndios foi legal e
efetiva apenas até a entrada dos primeiros
homens escravos africanos na América, a
partir da segunda metade do século XVII.
d) o estranhamento do colonizador europeu
com a prática da antropofagia por parte dos
nativos da América serviu de pretexto para
a escravização desses nativos.
e) portugueses e espanhóis, assim como a
Igreja Católica, associavam a desumani -
dade dos índios ao fato de esses nativos
insis tirem na prática da guerra justa.
Resolução 
Interpretação de texto. Deve-se obser var,
porém, que a escravização de índios pelos por -
tu gueses ultrapassou largamente o pretex to da
antropofagia praticada por deter minadas tribos.
Resposta: D
Exercícios Propostos
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 62
63HISTÓRIA
� (FUVEST – MODELO ENEM) – "O isolamento não pode
ter características permanentes, visando à manutenção do
índio em seu estado primitivo. Com o avanço das frentes
pioneiras, esse contato é inevitável e o índio deve ser
preparado para esse contato sem choques bruscos que
possam trazer desequilíbrios à comunidade."
Este depoimento do General Bandeira de Mello, presidente da
FUNAI nos anos 70, defende
a) a integração por intermédio de projetos econômicos comuns
entre os grupos privados e as comunidades indígenas, sem
interferência estatal.
b) o direito de as empresas extrativas e pastoris adquirirem a
posse das reservas de importância estratégica, utilizando
mão de obra indígena.
c) a tese de que não se pode resolver os problemas dos índios
às custas dos trabalhadores rurais, propondo que os novos
assentamentos sejam feitos com base em cooperativas.
d) a integração lenta, gradativa e progressiva dos índios à socie -
dade brasileira, como condição de se evitar sua margi -
nalização.
e) a integração como decisão autônoma das comunidades
indígenas, garantindo-lhes, enquanto isso, a posse de suas
terras por meio da criação de "reservas".
RESOLUÇÃO: 
Há uma grande discussão entre os antropólogos a respeito da
preservação da cultura indígena, por meio do isolamento total ou
da sua integração à sociedade brasileira. O primeiro grupo acredita
que os indígenas devem viver isolados para que sua cultura possa
sobreviver. O segundo, por acreditar que o contato cultural é
inevitável, busca integrá-lo da melhor maneira possível.
Resposta: D
� Os textos referem-se à integração do índio à
chamada civilização brasileira.
I. “Mais uma vez, nós, os povos indígenas, somos vítimas de
um pensamento que separa e que tenta nos eliminar cultural,
social e até fisicamente. A justificativa é a de que somos
apenas 250 mil pessoas e o Brasil não pode suportar esse
ônus. (...) É preciso congelar essas ideias colonizadoras,
porque elas são irreais e hipócritas e também genocidas. (...)
Nós, índios, queremos falar, mas queremos ser escutados
na nossa língua, nos nossos costumes.“
(Marcos Terena, presidente do Comitê Intertribal Articulador dos
Direitos Indígenas na ONU e fundador das Nações Indígenas,
Folha de S.Paulo, 31 ago. 1994.)
II. ”O Brasil não terá índios no final do século XXI (...) E por que
isso? Pela razão muito simples que consiste no fato de o
índio brasileiro não ser distinto das demais comunidades
primitivas que existiram no mundo. A história não é outra
coisa senão um processo civilizatório, que conduz o homem,
por conta própria ou por difusão da cultura, a passar do
paleolítico ao neolítico e do neolítico a um estágio
civilizatório.”
(Hélio Jaguaribe, cientista político. 
Folha de S.Paulo, 2 set. 1994.)
Pode-se afirmar, segundo os textos, que
a) tanto Terena quanto Jaguaribe propõem ideias inadequadas,
pois o primeiro deseja a aculturação feita pela “civilização
branca”, e o segundo, o confinamento de tribos.
b) Terena quer transformar o Brasil numa terra só de índios,
pois pretende mudar até mesmo a língua do país, enquanto
a ideia de Jaguaribe é anticons titu cional, pois fere o direito à
identidade cultural dos índios.
c) Terena compreende que a melhor solução é que os brancos
aprendam a língua tupi para entender melhor o que dizem
os índios. Jaguaribe é de opinião que, até o final do século
XXI, seja feita uma limpeza étnica no Brasil.
d) Terena defende que a sociedade brasileira deve respeitar a
cultura dos índios, e Jaguaribe acredita na inevitabilidade do
processo de aculturação dos índios e de sua incorporação à
sociedade brasileira.
e) Terena propõe que a integração indígena deve ser lenta,
gradativa e progressiva, e Jaguaribe propõe que essa
integração resulte de decisão autônoma das comunidades
indígenas.
RESOLUÇÃO:
Outra alternativa que se explica por si mesma, uma vez que se
refere a interpretação de textos. O primeirodeles expressa a difícil
situação em que se encontra a cultura indígena no Brasil, nas
palavras de uma de suas principais lideranças. Já o pensamento de
Hélio Jagua ribe é de que o processo histórico está atrelado a um
inexorável determinismo, sem atentar para os valores culturais que
diversificam e peculiarizam as comunida des humanas.
Resposta: D
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 63
64 HISTÓRIA
� ”A experiência que tenho de lidar com aldeias
de diversas nações me tem feito ver, que
nunca índio fez grande confiança de branco e,
se isto sucede com os que estão já civilizados, como não
sucederá o mesmo com esses que estão ainda brutos.”
(M. Noronha. Carta a J. Caldeira Brant. 2 jan. 1751. 
Apud M. M. Chaim. Aldeamentos indígenas (Goiás: 1749-1811). 
São Paulo: Nobel; Brasília: INL, 1983. Adaptado.)
Em 1749, ao separar-se de São Paulo, a capitania de Goiás foi
governada por D. Marcos de Noronha, que atendeu às
diretrizes da política indigenista pombalina que incen tivava a
criação de aldeamentos em função
a) das constantes rebeliões indígenas contra os brancos
colonizadores, que ameaçavam a produção de ouro nas
regiões mineradoras.
b) da propagação de doenças originadas do contato com os
colonizadores, que dizimaram boa parte da popu lação
indígena.
c) do empenho das ordens religiosas em proteger o indígena da
exploração, o que garantiu a sua supre macia na
administração colonial.
d) da política racista da Coroa Portuguesa, contrária à
miscigenação, que organizava a sociedade em uma
hierarquia dominada pelos brancos.
e) da necessidade de controle dos brancos sobre a popu la ção
indígena, objetivando sua adaptação às exigên cias do
trabalho regular.
RESOLUÇÃO:
Antes mesmo de expulsar os jesuítas, pondo fim à atividade
desses sacerdotes na catequese e à acultu ração dos indígenas
(1759), o marquês de Pombal já demons trava interesse em inserir
os nativos na sociedade luso-brasileira, para que se integrassem na
força de trabalho colonial. 
Resposta: E
� ”O índio era o único elemento então
disponível para ajudar o colonizador como
agricultor, pescador, guia, conhecedor da
natureza tropical e, para tudo isso, deveria ser tratado como
gente, ter reconhecidas sua inocência e alma na medida do
possível. A discussão religiosa e jurídica em torno dos limites
da liberdade dos índios se confundiu com uma disputa entre
jesuítas e colonos. Os padres se apresentavam como
defensores da liberdade, enfrentando a cobiça desenfreada
dos colonos.”
(J. Caldeira. A nação mercantilista. 
São Paulo: Editora 34, 1999. Adaptado.)
Entre os séculos XVI e XVIII, os jesuítas buscaram a conversão
dos indígenas ao catolicismo. Essa aproxima ção dos jesuítas
em relação ao mundo indígena foi mediada pela 
a) demarcação do território indígena. 
b) manutenção da organização familiar. 
c) valorização dos líderes religiosos indígenas. 
d) preservação do costume das moradias coletivas. 
e) comunicação pela língua geral baseada no tupi. 
RESOLUÇÃO:
Em sua ação catequisadora na América e na Ásia, os jesuítas
utilizaram os idiomas locais como instrumento de aproximação
para a conversão — e consequente aculturação — dos nativos. Na
América Portuguesa, o fato de o tupi ser falado pelas tribos da
região litorânea (língua geral), somado às dificuldades oferecidas
pelos dialetos interioranos dos tapuias (língua travada), explica a
preferência dos jesuítas pela primeira. A propósito, o Padre
Anchieta elaborou uma primeira gramática da língua tupi. 
Resposta: E
	 ”Coube aos Xavante e aos Timbira, povos
indígenas do Cerrado, um recente e marcante
gesto simbólico: a realização de sua
tradicional corrida de toras (de buriti) em plena Avenida Paulista
(SP), para denunciar o cerco de suas terras e a degradação de
seus entornos pelo avanço do agronegócio.”
B. Ricardo; F. Ricardo. Povos indígenas do Brasil: 2001-2005. 
São Paulo: Instituto Socioambiental, 2006. Adaptado.)
A questão indígena contemporânea no Brasil evidencia a
relação dos usos socioculturais da terra com os atuais
problemas socioambientais, caracterizados pelas tensões entre
a) a expansão territorial do agronegócio, em especial nas
regiões Centro-Oeste e Norte, e as leis de proteção indígena
e ambiental.
b) os grileiros articuladores do agronegócio e os povos
indígenas pouco organizados no Cerrado.
c) as leis mais brandas sobre o uso tradicional do meio
ambiente e as severas leis sobre o uso capitalista do meio
ambiente.
d) os povos indígenas do Cerrado e os polos econômicos
representados pelas elites industriais paulistas.
e) o campo e a cidade no Cerrado, que faz com que as terras
indígenas dali sejam alvo de invasões urbanas.
RESOLUÇÃO:
A questão faz referência às tensões entre, de um lado, a expansão
do agronegócio por áreas do Cerrado e, mais recentemente, por
áreas da floresta, no sul e no leste da Amazônia, e, do outro lado,
as leis que deveriam proteger florestas e comunidades indígenas.
O poder político vê-se dividido entre interesses relacionados à
balança comercial e o dever de proteger o patrimônio cultural e
ambiental.
Resposta: A
C4_1a_HISTORIA_JR_2021.qxp 03/06/2021 23:07 Página 64

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